Aspectos da Região de Trás-os-Montes e Alto Douro
A cidade de Vila Real
Um pouco de história …
Depois de uma tentativa de fundação de povoação por D. Afonso
III, que para tal lhe concedeu foral a 7 de Dezembro de 1272, somente em
1289, D. Dinis consegue povoá-la dando-lhe novo foral a 14 de Janeiro
daquele ano fazendo da nova vila, cabeça de toda a antiquíssima "Terra de
Panóias". Das regalias por este Rei concedidas aos seus povoadores no foral
de 1289 constava que o "rico homem ou prestameiro não pousará em Vila
Real e seu termo"
No entanto, a nobreza tentou fixar-se na vila, o que levou os seus
habitantes, em diversas épocas, a pedirem a D. Afonso IV, D. Pedro I e D.
João I que lhes fossem confirmados os direitos consignados no foral
Dionísio, ao que aqueles monarcas acederam. D. Manuel I renovou-lhe o
foral a 22 de Junho de 1518. A 22 de Abril de 1922 foi elevada a sede de
distrito e bispado e, a 20 de Junho de 1925, a cidade, pela lei nº.1804..
(Dicionário Enciclopédico Lello)
Repleta de testemunhos arquitectónicos e culturais, que nos fazem
viajar por diversas épocas da história do nosso país, Vila Real possui
actualmente uma identidade muito própria, onde harmoniosamente se
conjugam as características das diferentes freguesias que constituem o seu
concelho.
Marcada por todas as épocas históricas, Vila Real ainda hoje
conserva testemunhos das ocupações que sofreu: romanos e árabes, entre
outros povos. Mas é principalmente a partir da idade média que os vestígios
se tornam cada vez mais evidentes, salientando-se os monumentos de estilo
românico, gótico, manuelino e barroco.
Localização
A cidade de Vila Real situa-se bem no interior do nosso país. É capital de
Distrito com o mesmo nome e, tem uma população que ronda os 50 mil habitantes numa
área de cerca de 370 Km2. Está situada na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, a
450m de altitude, sobre a margem direita do Rio Corgo, um dos afluentes do Douro.
Localiza-se num planalto rodeado de altas montanhas, onde podemos realçar as serras
do Marão e do Alvão, pela sua fisionomia e beleza.
O Concelho de Vila Real é constituído por 30 freguesias: Abaças, Adoufe,
Andrães, Arroios, Borbela, Campeã, Constantim, Ermida, Folhadela, Guiães, Justes,
Lamares, Lamas de Ôlo, Lordelo, Mateus, Mondrões, Mouçós, Nogueira, Nossa
Senhora da Conceição, Parada de Cunhos, São Miguel da Pena, Quintã, São Dinis, São
Pedro, São Tomé do Castelo, Torgueda, Vale de Nogueiras, Vila Marim e Vilarinho da
Samardã (ver mapa nº 1).
Mapa nº 1
Mapa do concelho de Vila Real
A escola onde estamos a estagiar denomina-se Escola EB1 nº5 Quinchosos, e
situa-se na freguesia urbana de S. Dinis, pertencente ao concelho de Vila Real.
A freguesia de S. Dinis foi no início, dependente eclesiasticamente da freguesia
de S. Marinha de Vila Marim. Actualmente esta revela-se como sendo uma freguesia
autónoma em crescente evolução.
Inicialmente procederemos a uma breve resenha histórica do Concelho de Vila
Real.
Fig.1
Panorâmica da cidade de Vila Real
MONUMENTOS DA REGIÃO
Vila Real é uma cidade repleta de testemunhos arquitectónicos e culturais de
diversas épocas históricas do nosso país.
Com uma identidade muito própria, Vila Real é marcada por todas as épocas
históricas e conserva, ainda hoje, testemunhos de todas as ocupações que sofreu,
romanas e árabes, entre outros povos.
Mas, é a partir da Idade Média que os vestígios se tornam mais evidentes,
salientando-se os movimentos de estilo românico, gótico, manuelino e barroco.
De seguida apresentaremos alguns dos monumentos mais importantes desta
região e da cidade de Vila Real:
O Santuário Rupestre de Panóias (ver fig. nº2) era um local de culto
de povos autóctones que os romanos adoptaram e transformaram.
É um monumento nacional desde 1910, situado num monte da freguesia de
Vale de Nogueiras. É constituído por inscrições ao ar livre e cavidades
abertas em vários rochedos.
O Santuário de Panóias é um importantíssimo monumento de
arqueologia com cerca de 2000 anos de existência. É o mais famoso santuário
rupestre da época romana existente na Península Ibérica. É um templo
Fig. nº 2
dedicado ao Deus Serapis, cujo culto se iniciou no Egipto.
A Casa de Diogo Cão (ver fig. nº3) situa-se bem no centro de
Vila Real, mais precisamente na avenida Carvalho Araújo. É um
edifício de feição arquitectónica medieval. Nela terá nascido, segundo
a tradição o navegador português Diogo Cão, que descobriu a foz do
rio Zaire no século XV.
Fig. nº 3
Da mesma época, encontramos a Igreja de São Domingos (ver
fig. nº 4). Construída em 1424, é um monumento de estilo gótico. Antiga
igreja do convento de São Domingos foi sagrado Sé de Vila Real em
1924. Um grande incêndio em 1837 reduziu-a às paredes, tendo sido
reconstruída na década seguinte.
Fig. nº 4
Como grande ex-libris de Vila Real, o Palácio de Mateus (ver
fig. n.º 5) é um monumento do século XVIII, edificado por Nicolau
Nasoni e é um dos mais belos exemplares de arquitectura civil barroca
em Portugal. No Palácio desenvolvem-se, regularmente, actividades
culturais. Para além disso o Palácio acolhe um valioso acervo
museológico que pode ser visitado bem como a capela e os jardins.
Fig. nº 5
A Capela Nova (ver fig. n.º 6), também conhecida por Igreja dos
Clérigos, é de estilo barroco. No seu interior está exibida azulejaria com
representação de cenas da vida de S. Pedro e São Paulo. Entre 27 a 29 de
Junho de cada ano realiza-se a tradicional Feira de S. Pedro, ou dos
Pucarinhos (barros pretos de Bisalhães e linhos de Agarez e Mondrões).
Fig. nº 6
De origem Barroca, a Igreja de S. Pedro (ver fig. n.º 7), foi
construída em 1528 a mando de D. Pedro de Castro, Abade de Mouçós,
que nela tem sepultura, e restaurada em 1711. É de realçar a riqueza da
talha e o tecto em caixotões.
Fig. nº 7
O edifício da Câmara Municipal (ver fig. n.º 8) foi erguido pelo
primeiro Conde de Amarante, no início do século XIX destinado a ser o
Hospital da Misericórdia. Uns anos mais tarde Monsenhor Jerónimo
Amaral, ofereceu o seu palácio para nele se instalar a casa hospitalar.
O exterior deste edifício é formado por 6 arcos e uma escadaria
em granito que no cimo tem uma varanda ladeada de balaústres e
adornada com ânforas também de granito.
Fig. nº 8
O Pelourinho (ver fig. n.º9), data da época Manuelina e é
símbolo da autonomia municipal. O largo onde o Pelourinho se situa
mantém, ainda hoje, o seu nome constituindo um dos pontos centrais da
cidade. Em 1994, a Câmara Municipal restaurou o Pelourinho, servindose de uma antiga fotografia erguendo-o de seguida junto dos Paços do
Concelho e mais tarde colocado novamente na Praça do Pelourinho.
Fig. nº 9
Atribuída à época de transição do séc. XIII para o XIV, a
Capela de São Brás (ver fig. n.º10), é um pequeno templo românicogótico. Sofreu profundas alterações no séc. XVIII, mas guarda ainda
no interior duas arcas tumulares, uma das quais de estilo manuelino.
Na outra comenta-se que está sepultado Lourenço Viegas, o Espadeiro,
companheiro de armas de D. Afonso Henriques.
Fig. nº 10
A Casa dos Marqueses de Vila Real (ver fig. n.º11), foi o
local onde habitou a família dos Marqueses de Vila Real, caída em
desgraça pelo seu envolvimento na conjura contra D. João IV, em
1641.
Conserva ainda as ameias e a janela geminada de estilo manuelino e
situa-se na Av. Carvalho Araújo.
Fig. nº 11
Com oito balcões com parapeitos ameados, salta à vista a
Torre de Quintela (ver fig. n.º12), de estilo gótico, construída na
segunda metade do séc. XIII. Camilo Castelo Branco fez dela,
fantasiosamente, um dos cenários do romance «O Anátema». Situa-se
na região de Vila Marim
Fig. nº 12
O Museu Numismática de Vila Real (ver fig. n.º13), é um
edifício de traça setecentista. O Museu acolhe, na sua secção de
Numismática, um conjunto de cerca de 30 mil moedas romanas, luso e
hispano-romanas, gregas, visigóticas, bizantinas e ibéricas. Dispõe
também de uma colecção de objectos arqueológicos, entre os quais
algumas das misteriosas Pedras do Alvão. A sua Área de Exposições
Temporárias é permanentemente animada com sessões culturais,
exposições, etc.
Fig. nº 13
Como grande obra da actualidade temos o Teatro Municipal
(ver fig. n.º 14), que tem vindo a ser palco de grandes eventos culturais
das várias áreas artísticas. Conta uns dos maiores auditórios do país,
que inveja as mais antigas salas de espectáculos de grandes cidades
como Lisboa e Porto.
Para animação das noites vilarealenses existe neste mesmo edifício um
café concerto onde diariamente podemos assistir a espectáculos de
pequena dimensão.
Fig. nº 14
Enquadramento Sócio-Económico e Cultural da População Vilarealense
A actividade comercial é, sem dúvida, o sector predominante nesta cidade,
seguindo-se os serviços públicos e algumas profissões liberais. Contudo, já existem
indústrias que fornecem mão-de-obra a uma parte da população local. Há, ainda, uma
pequena percentagem que faz parte de quadros técnicos superiores, nomeadamente da
UTAD, do Teatro Municipal, do Arquivo Municipal/Distrital...
A referida universidade concentra já um número considerável de pessoas
oriundas de diversas zonas do país, devido à existência de diversos cursos,
nomeadamente na área das engenharias.
Artesanato
No passado todas as casas da lavoura da região
tinham um tear, dos quais ainda podemos, nos dias que
correm, ver vestígios em certas aldeias, como Agarez, a
mais representativa, mas também Mondrões e Couto de
Adoufe, entre outras, onde algumas artesãs continuam a
trabalhar o linho (ver fig. n.º15).
Hoje é já raro o cultivo local da planta, mas as
fases subsequentes, como sejam o ripar, o espadelar, o
fiar e o tecer, são ainda praticadas.
Trata-se de um tipo de artesanato extremamente
apreciado, nomeadamente as colchas e as toalhas.
Fig. nº 15 Linhos de
Agarez
Um dos ex-libris de Vila Real é a olaria de
Bisalhães (ver fig. n.º16), pela sua tradição secular que se
prolonga até aos nossos dias. O barro é picado até se
desfazer em pó, as impurezas são removidas, a mistura com
a água cria a matéria-prima. Em seguida, o oleiro dá-lhe
forma na roda e, antes que a peça seque, desenham-se nela
flores e outros ornatos. A cozedura faz-se num forno aberto
no chão. Colocadas lá as peças, cobrem-se com rama de
pinheiro verde, a que se ateia o fogo. O forno é abafado
com caruma, musgo e terra, para que se não libertem fumos
e
seja,
obtida
a
cor
negra
característica.
Fig nº 16 Olaria Negra de
Bisalhães
Gastronomia
A gastronomia de Vila Real é marcada pelas sopas, a vitela, o cabrito assado
com arroz no forno, as tripas aos molhos, os covilhetes, a posta maronesa, o joelho da
porca, a bola de carne e os diversos enchidos (ver fig. n.º 17). No âmbito da pastelaria, o
destaque vai para as cristas de galo e os pastéis de Santa Clara. Ao nível da confeitaria
as especiarias são as ganchas.
Finalmente, os vinhos são também uma marca cultural de Vila Real. O famoso
vinho do Porto, tão conhecido internacionalmente, proveniente do Douro e o de Mateus.
Fig. nº17
Exposição de alguns pratos típicos desta região
Festas e Acontecimentos
No que respeita às festividades, começamos por referir a mais popular e
conhecida que é a festa/feira de S. António, a qual se realiza em Junho, com o ponto alto
no dia 13, Feriado Municipal no concelho de Vila Real. Nesta altura encontramos
produtos tradicionais, concursos de gado, corridas de cavalos, diversões, arraial e várias
iniciativas culturais e desportivas.
A feira de S. Pedro, também conhecida por cá como feira dos “pucarinhos”
assume também um lugar de destaque para a população de Vila Real e encerra o ciclo
de festas vividas em todo o mês de Julho com real destaque na noite de 28 para 29.
Com a chegada dos emigrantes vindos de muitos países da Europa e de todo o
mundo, vão-se também realizando, em todas as aldeias e freguesias desta região, festas
em honra dos Santos padroeiros.
Celebra-se também o Dia Mundial da Criança, onde as escolas do Ensino Básico
participam em diversas iniciativas promovidas pelos Agrupamentos de Escolas e pela
autarquia local.
Muito mais se poderia dizer em relação a esta cidade, o seu património, festas e
em relação às suas gentes...
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