UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA BULLYING E APRENDIZAGEM Por: Zuleica da Silva Fonseca Oliveira Orientador Prof. Magaly Vasques Rio de Janeiro 2012 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA BULLYING E APRENDIZAGEM Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Psicopedagogia Institucional Por: Zuleica da Silva Fonseca Oliveira 3 AGRADECIMENTOS Ao Deus que me deu o dom de amar o conhecimento, ao meu querido esposo Eric, por ser meu grande incentivador. Aos meus professores pelo amor ao ato de ensinar. E a todos que direta, ou indiretamente, contribuíram para que eu chegasse até aqui, agradeço imensamente. 4 DEDICATÓRIA Ao meu esposo, meus familiares queridos e as muitas vítimas de bullying, dedico esta pesquisa. 5 RESUMO Bullying é um termo que está sendo muito utilizado, porém nem todos sabem exatamente o que o mesmo significa, banalizando o seu uso. O seguinte trabalho acadêmico teve como objetivo compreender o que é o fenômeno bullying, identificar as especificidades de tal comportamento e suas formas de manifestação. Também foi feito um estudo de como a emoção e o meio são importantes na aquisição de conhecimento, para entendermos as possibilidades existentes de as vítimas de bullying serem afetadas no processo de aprendizagem. 6 METODOLOGIA A pesquisa foi realizada em caráter descritivo, ou seja, foram analisadas e descritas as características do tema proposto. A pesquisa foi bibliográfica, com enfoque dentro da abordagem da análise qualitativa. Para um maior entendimento do tema e das discussões propostas foram consultados autores como Cléo Fante (2005), Aramis Lopes Neto (2005) Sônia Maria de Souza Pereira (2009) Ana Beatriz Barbosa Silva (2010) e Gustavo Teixeira (2011), Marta Pires Relvas (2009) entre outros. Alguns outros autores também foram citados para o enriquecimento da pesquisa, além de pesquisas na internet. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - Considerações Iniciais: Conceito de Violência e Suas Diferentes Formas de Manifestação 10 CAPÍTULO II - Conceito de Bullying e Suas Formas de Manifestação 16 CAPÍTULO III - Possíveis Efeitos do Bullying na Aprendizagem 23 CONCLUSÃO 30 BIBLIOGRAFIA 32 ÍNDICE 34 FOLHA DE AVALIAÇÃO 35 8 INTRODUÇÃO A violência, embora sempre tenha existido, vem crescendo de forma alarmante em todo o mundo. E a escola não está livre disso. Várias são as formas de violência observadas no ambiente escolar: do vandalismo ao assassinato. Existem também os tipos de violência que não são tão “perceptíveis” e que, ainda assim, podem causar estragos emocionais sem precedentes. A falta de respeito, os apelidos pejorativos, as agressões verbais e físicas entre os alunos etc estão entre as muitas manifestações de violência que hoje são conhecidas como bullying. Cada vez mais temos ouvido falar de bullying no ambiente escolar. Mas, sabemos de fato o que é isso? Esta pesquisa teve por objetivo geral nos levar a uma reflexão sobre o bullying escolar e a conhecer as possibilidades de as vítimas de tal comportamento terem a aprendizagem prejudicada. A violência, muitas vezes sutil e velada, advinda do Bullying pode trazer trágicas consequências para a vida das vítimas desta prática. Daí a importância de um estudo sobre esse fenômeno e de o levarmos ao conhecimento de todos os que estão, ou que estarão, envolvidos com essa prática. Neste trabalho conceituamos violência, o bullying escolar e a emoção e o meio como fatores importantes para a aprendizagem e, mediante estas informações, buscamos respostas para as seguintes questões: o que é bullying? Quais são as possíveis consequências deste comportamento na aprendizagem das vítimas? A justificativa para esta pesquisa se baseia no fato de que muitos educadores e pais ainda desconhecem o fenômeno bullying, mesmo porque no Brasil ainda não são tantos os estudos sobre o tema, embora esteja crescendo o interesse devido ao fato de muitos casos estarem ocorrendo em diferentes estados e ganhando espaço na Mídia. Ouvimos falar em violência na escola, mas há pouco tempo que se passou a falar sobre a violência intencional e 9 repetitiva, sempre contra a mesma vítima, seja por questões religiosas, de etnia, opção sexual etc. Através dessa pesquisa, pretendemos contribuir para o entendimento do bullying, sendo este um sério problema que assola as escolas e que ainda é confundido com as agressões casuais e corriqueiras. O que motivou a realização desta pesquisa foi a intenção de contribuir para esclarecer as dúvidas de muitos educadores e pais de alunos no que tange ao bullying e, assim, ajudar as vítimas de tal comportamento. Os objetivos específicos de nossa pesquisa foram conceituar violência e sua relação com o bullying, conceituar o bullying propriamente dito; com suas particularidades e formas de manifestação e mostrar as possíveis consequências de tal comportamento no processo de aprendizagem das vítimas. No primeiro capítulo, intitulado “Considerações iniciais: Conceito de violência e suas diferentes formas de manifestação” falamos do conceito geral de violência e analisamos a abrangência desse termo, mostrando alguns de seus enfoques. Falamos, também, de suas diferentes formas de manifestação na sociedade. No segundo capítulo, intitulado “Conceito de bullying e suas formas de manifestação” conceituamos o bullying no espaço escolar, mostrando suas especificidades e foi feito um histórico do fenômeno, a fim de contextualizar nossa pesquisa. No terceiro capítulo, intitulado “Possíveis efeitos do bullying na aprendizagem” abordamos a importância da emoção e do meio no processo de aprendizagem e os sintomas mais comuns identificados nas vítimas de bullying. Tendo conhecimento do que é o bullying escolar e quais as suas possíveis consequências na aprendizagem, os profissionais da Educação e os pais de nossos alunos terão os subsídios necessários para lidar com essa realidade que está inserida no ambiente escolar. Dessa forma, poderão contribuir para a formação de um cidadão, uma escola e uma sociedade mais humana, justa e pacífica. 10 CAPÍTULO I CONSIDERAÇÕES INICIAIS: CONCEITO DE VIOLÊNCIA E SUAS DIFERENTES FORMAS DE MANIFESTAÇÃO Ao abrir um jornal, ao folhear uma revista, ao assistir a um noticiário ou ao acessar um site de notícias na internet, uma coisa é certa: vamos nos defrontar com a violência por todos os lados, ao redor do mundo. Ela encontrase mais presente em nosso cotidiano do que já paramos para pensar. As notícias vão de infrações e incivilidades, tais como depredação de bens públicos e brigas a guerras e massacres. Em todos os espaços podemos ver algum tipo de violência sendo praticado: no lar, na escola, no trabalho, no trânsito etc. Não estamos livres dela em nenhum lugar. Nos filmes, nas novelas, nos jogos eletrônicos, a violência acaba sendo uma representação do “mundo real” (grifo meu). Devido ao avanço tecnológico e a rapidez na troca e veiculação de informação, a cada dia somos assolados com notícias chocantes de violência. São exemplos recentes, só no Brasil: uma mãe abandona um bebê numa caçamba de lixo no litoral de São Paulo; doze crianças foram brutalmente assassinadas por Wellington Menezes de Oliveira em uma escola municipal na Cidade do Rio de Janeiro; dois homens foram encontrados mortos e degolados em um canavial num município de Maceió. Estes são apenas alguns dos muitos exemplos que poderiam ser listados. Muitos atos violentos são tão corriqueiros, que já foram banalizados. O Psiquiatra da Infância e da Adolescência Levinsky (2003, p. 1-2) nos alerta a respeito da banalização da violência, quando diz Em uma sociedade onde a violência está banalizada, ou não é identificada como sintoma de uma patologia social, corre-se o risco de que ela se transforme num valor cultural válido que vem sendo incorporado. Torna-se um modelo identificatório, um modo de ser. São geradas na sociedade, ainda que inconscientemente, condições para que a violência física e moral se transforme em um elemento de afirmação do jovem dentro desta cultura. 11 Fala-se tanto em violência, mas, afinal, o que significa esse termo? Como ela se manifesta? O que pode caracterizar um ato ou atitude como violência? A seguir, serão trazidos elementos para auxiliar na compreensão de tais questões. 1.1 CONCEITUANDO VIOLÊNCIA O termo violência é muito abrangente. Ele pode ter diferentes conotações, dependendo da cultura, do contexto econômico e social e da história. Recorrendo a etimologia, Michaud (2001, p.18), a define da seguinte forma: Violência vem do latim violentia, que significa violência, caráter violento ou bravio, força. O verbo violare significa tratar com violência, profanar, transgredir. Tais termos devem ser referidos a vis, que quer dizer força, vigor potência, violência, emprego da força física, mas também quantidade, abundância, essência ou caráter essencial de uma coisa. Geralmente, associamos a violência aos atos que envolvem a força física ou o poder, porém, em seu clássico texto Sobre a Violência (2010, p.18), onde trata sobre a relação entre guerra e política, violência e poder, Hannah Arendt nos mostra que esses termos são distintos quando diz “Posto que a violência – distintamente do poder, da força ou do vigor – sempre necessita de implementos (...)”. Isso dá ainda mais complexidade ao termo. No site dicionarioweb.com temos a seguinte definição: “Qualidade ou caráter de violento. Ação violenta: cometer violências. Ato ou efeito de violentar. Opressão, tirania: regime de violência. Direito: Constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém” (disponível em http://www.dicionarioweb.com.br/violência.html. Acesso em 22/04/2012). Pela 12 definição do dicionário, já conseguimos ter uma visão mais ampla sobre a violência, pois percebemos que ela vai além do que diz respeito ao físico e alcança o psicológico. Fante (2005, p.157), uma educadora que tem pesquisado sobre a questão da violência na escola, trabalha a violência com base em diversas definições de renomados autores, como sendo “todo ato, praticado de forma consciente ou inconsciente, que fere, magoa, constrange ou causa dano a qualquer membro da espécie humana.” Mais uma vez, podemos notar que a violência acontece também na esfera psicológica, o que é perceptível quando Fante fala sobre mágoa e constrangimento. A filósofa Chauí (1999) nos leva a refletir sobre a violência em contraposição a ética quando diz (...) violência é um ato de brutalidade, sevícia e abuso físico ou psíquico contra alguém e caracteriza relações intersubjetivas e sociais definidas pela opressão e intimidação, pelo medo e pelo terror. A violência se opõe à ética porque trata seres racionais e sensíveis, dotados de linguagem e liberdade, como se fossem coisas, isto é, irracionais, insensíveis, mudos, inertes ou passivos. A autora nos dá uma definição clara de que a violência e a ética são opostas e de que as manifestações de violência podem ser físicas e/ou psicológicas. A partir dessas definições, podemos perceber de forma mais clara que a violência não é algo ligado somente ao uso de força física. Ela ultrapassa o limite da agressão física, existindo também a violência de cunho psicológico e moral. A seguir, trataremos das formas de manifestação da violência. 1.2 AS VIOLÊNCIA DIFERENTES FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA 13 Como vimos anteriormente, a violência tem um significado amplo e diversificado. Segundo Schilling (2004, p.33-34) a violência é multidimensional, no sentido de que ela abrange várias esferas diferentes dentro da sociedade Uma pergunta que sempre faço quando me pedem para falar de violência é: “De que violência vocês querem que eu fale? Da violência das paixões? Da violência que acontece na família (...)? Da violência do desemprego, da fome, da falta de acesso e de oportunidades, da falta de justiça? Da violência das instituições? Da violência das escolas,das prisões, da polícia? Da violência da corrupção? Da violência do preconceito, do racismo, da discriminação, dos crimes do ódio (...)? Da violência da criminalidade? Analisando as reflexões de Schilling, podemos concluir que se existe multidimensionalidade na violência, logo suas manifestações também serão variadas. Isso nos leva a uma compreensão das questões anteriormente discutidas, e nos evidencia que ela pode ir de violência brutal a violência sutil. Segundo Pereira (2009, p.18), podemos utilizar a seguinte definição: Por violência brutal podemos caracterizar as agressões físicas (matar, roubar, bater, chutar, dar pontapés etc.) ou ao patrimônio das pessoas (depredar, pichar, roubar objetos etc.) São chamadas as violências explícitas ou diretas. Por violência sutil, podemos entender as manifestações de agressões indiretas (xingar, insultar, desrespeitar, falar mal de outro etc.), incluindo nesse último caso as formas de violência simbólicas e institucionais. Podemos, então, considerar que a violência brutal está relacionada aos aspectos físicos do ser humano e que a violência sutil está relacionada aos aspectos psicológicos. Baseando-se nos estudos de Abramovay e Rua (2003), Abramovay (2003) e Bordieu e Passeron (1975), Pereira (2009, p.19) nos trás uma compreensão de mais dois tipos de violência: a simbólica e a institucional. Pereira define violência simbólica como sendo 14 o abuso do poder baseado no consentimento que se estabelece e se impõe mediante o uso de símbolos de autoridade. A violência, nesse caso, seria exercida pelo uso de símbolos de poder que não necessitam do recurso da força física, nem de armas, nem do grito, mas que silenciam protestos. A violência simbólica é aquela onde existe a imposição do poder de uns sobre os outros. Esse tipo de violência pode ser visto nas relações de trabalho e no ambiente escolar, onde aqueles que detêm a autoridade (patrão, diretor, professor) muitas vezes a utilizam de modo déspota, a fim de alcançar um objetivo. Ainda baseando-se nos estudos dos autores supracitados, Pereira (ibid) classifica como violência institucional a marginalização, discriminação e práticas de assujeitamento utilizadas por instituições diversas que instrumentalizam estratégias de poder, ou seja, o abuso de poder por parte das instituições que impõem suas regras sem margens de defesa e contra-argumentação por parte dos que são submetidos a ela. A violência institucional também pode ser observada no ambiente de trabalho e na escola e acontece quando o detentor da autoridade a utiliza para humilhar e constranger no momento em que não tem a capacidade de dialogar e de buscar entender a necessidade do outro. Seja qual for o tipo de violência que a pessoa seja submetida, pesquisas apontam que elas geralmente deixam marcas profundas na psique da vítima: medo, apreensão, depressão, síndrome do pânico ou do estresse pós-traumático. Além disso, pode levar a vítima a desenvolver problemas cardíacos, de pressão arterial, diabetes e até mesmo pode levá-la a desenvolver vícios. Mesmo que a violência não seja um problema específico da área da saúde, ela pode afetar (e geralmente afeta) a saúde das vítimas, seja na parte física ou mental. Em muitos casos, a vida da vítima nunca mais será a mesma, trazendo consequências também para o âmbito social, fazendo com que ela passe a levar uma vida de reclusão. 15 Agora que temos, em linhas gerais, as informações necessárias sobre a violência e suas manifestações, a pesquisa será direcionada para a violência entre estudantes no espaço escolar, que é conhecida como bullying escolar, buscando trazer uma explicação sobre o que é este fenômeno e identificar se ele pode ter efeitos negativos na aprendizagem da vítima. 16 CAPÍTULO II CONCEITO DE BULLYING E SUAS FORMAS DE MANIFESTAÇÃO Como vimos no capítulo anterior, a violência está em todos os espaços. Suas consequências para os indivíduos e para a sociedade são muito sérias. No Brasil, os jovens são suas maiores vítimas e também seus maiores causadores, como mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no ano de 2008 (http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/05/20/jovens_sao_as_maiores_vitimas _da_violencia_diz_ipea-427473113.asp. Acesso em 15/05/2012). Sendo a escola o lugar onde podemos encontrar a maioria desses jovens, a violência nesse espaço é real e vem ganhando a atenção de muitos estudiosos. Hoje, a violência entre estudantes é vista como um fenômeno e já tem um nome específico: bullying escolar. Esse é o assunto deste capítulo, juntamente com um histórico do fenômeno. 2.1 – BULLYING ESCOLAR: COMPORTAMENTO AGRESSIVO ENTRE ESTUDANTES Teixeira (2011, p.19), um médico psiquiatra especializado em questões comportamentais, que vem estudando o fenômeno bullying, o define da seguinte maneira: O bullying pode ser definido como o comportamento agressivo entre estudantes. São atos de agressão física, verbal, moral ou psicológica que ocorrem de modo repetitivo, sem motivação evidente, praticados por um ou vários estudantes contra outro indivíduo, em uma relação desigual de poder, normalmente dentro da escola. Ocorre principalmente em sala de aula e no horário do recreio. 17 O termo bullying é uma palavra de origem inglesa, que deriva do verbo to bully, cujo significado é ameaçar, intimidar, e dominar. O verbo dá origem ainda ao termo bully, que significa “valentão” e que serve para denominar os agressores e praticantes do bullying. Falando da origem do termo bullying e de seu significado, Fante (2005, p.27) nos explica: Bullying: palavra de origem inglesa, adotada em muitos países para definir o desejo inconsciente e deliberado de maltratar uma outra pessoa e colocá-la sob tensão; termo que conceitua os comportamentos agressivos e antissociais, utilizado pela literatura psicológica anglo-saxônica nos estudos sobre o problema da violência escolar. Não existe uma tradução exata para esse termo, mas ele se tornou uma expressão que cabe perfeitamente ao comportamento violento entre estudantes e já faz parte do vocabulário de todos os que estão preocupados com a segurança e o desenvolvimento dos alunos, sejam pais ou professores. Essa preocupação se dá pelo bullying ser uma forma de violência velada, por ser, como afirma Fante (2005), cruel, intimidadora e repetitiva e por ter o poder de ferir a alma do ser humano, que é o seu bem mais precioso. O pediatra Aramis Lopes Neto (2005) frisa, além do caráter repetitivo e cruel, o caráter intencional e sem motivação evidente do bullying, assim como a desigualdade de poder entre os envolvidos. Para Lopes Neto (2005, p.165), o bullying Compreende todas as atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudante contra outro(s), causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder . Essa assimetria de poder associada ao bullying pode ser consequente da diferença de idade, tamanho, desenvolvimento físico ou emocional, ou do maior apoio dos demais estudantes. Teixeira (2011, p.21) também nos esclarece que a principal característica do bullying é a desigualdade de poder 18 Então, o comportamento bullying sempre segue um padrão: uma relação desigual de poder em que um ou mais alunos tentam subjugar e dominar outros jovens. O estudante alvo de bullying pode ser exposto a diferentes formas de agressão, entretanto não é capaz de se defender. Esse desequilíbrio de poder determina a repetição e a manutenção do comportamento agressivo de estudantes que tentam a todo custo dominar e humilhar o outro aluno. Concluímos então, através das definições apresentadas pelos autores, que existe muita similaridade no que se refere ao termo bullying e que ele é bem específico: agressividade entre estudantes, de forma repetitiva, numa relação de desigualdade de poder. O mesmo não aconteceu quando falamos sobre violência, que é muito mais abrangente. A seguir, traremos um breve histórico do bullying, a fim de contextualizar a nossa discussão sobre as consequências desse fenômeno. 2.1.1 FORMAS DE BULLYING Conforme citado pela médica psiquiatra Silva (2010, p.23-34) as formas de bullying são: Verbal: insultar, ofender, xingar, fazer gozações, colocar apelidos pejorativos, fazer piadas ofensivas, “zoar”. Físico o Material: bater, chutar, espancar, empurrar, ferir, beliscar, roubar; furtar ou destruir pertences da vítima, atirar objetos contra as vítimas. Psicológico e Moral: irritar, humilhar e ridicularizar, excluir, isolar, ignorar; desprezar ou fazer pouco caso, discriminar, aterrorizar e ameaçar, chantagear e intimidar, tiranizar, dominar, perseguir, difamar, passar bilhetes e desenhos entre os colegas de caráter ofensivo, fazer intrigas, fofocas ou mexericos (mais comum entre as meninas) Sexual: abusar, violentar, assediar, insinuar. 19 Virtual: difusão de calúnias e maledicências através da utilização de aparelhos e equipamentos de comunicação (celular e internet). Essa forma de bullying é conhecida como cyberbullying. Esses tipos de comportamentos agressivos podem estar presentes em vários espaços e nos relacionamentos interpessoais, porém, quando isso acontece na escola, que é, segundo Silva (2010, p.22) “o templo do conhecimento e do futuro de nossos jovens”, contribuem para a exclusão social e para a evasão escolar, o que faz com que mais jovens deixem de concluir as etapas educacionais que são tão importantes para as suas descobertas e para o desenvolvimento de seus talentos. 2.2 – HISTÓRICO DO BULLYING Segundo Fante (2005, p.44) “o bullying é um fenômeno tão antigo quanto a própria escola”. Porém, estudos sistemáticos a respeito do assunto surgiram apenas na década de 1970, na Suécia. Nessa época, houve uma grande preocupação de toda a sociedade a respeito dos problemas advindos da violência na escola, tanto para o agressor, quanto para a vítima. Logo essa preocupação se estendeu por outros países escandinavos. Na Noruega, o fenômeno despertou o interesse de pais, professores e da mídia por muito tempo, mas não havia um comprometimento oficial por parte das autoridades educacionais. Entretanto, em 1982, foi noticiado pelos jornais noruegueses o suicídio de três jovens entre 10 e 14 anos, que haviam sido vítimas de bullying e esse teria sido o motivo do atentado contra a própria vida. Conforme cita Teixeira (2011, p.20) “uma grande comoção tomou conta do país e culminou com uma campanha nacional de prevenção ao comportamento bullying, coordenada pelo Ministério da Educação norueguês nas escolas de ensino fundamental”. Foi Dan Olweus, pesquisador da Universidade de Bergen, Noruega, o primeiro a associar o termo bullying ao comportamento agressivo entre estudantes. Olweus desenvolveu uma pesquisa onde delineou critérios 20 específicos para detectar o problema, sendo possível diferenciá-lo de comportamentos e a atitudes entre iguais, que são característicos do processo de amadurecimento do ser humano. Falando da pesquisa de Olweus e dos resultados, Fante (2005, p.45) explica Olweus pesquisou inicialmente cerca de oitenta e quatro mil estudantes, trezentos a quatrocentos professores e em torno de mil pais, incluindo vários períodos de ensino. Um fator fundamental foi avaliar a sua natureza e ocorrência. Esse estudo constatou que a cada sete alunos, um estava envolvido em casos de bullying. Essa situação gerou uma campanha nacional, com o apoio do governo norueguês, que reduziu em quase 50% os casos de bullying nas escolas e; tal fato incentivou outros países, como Reino Unido, Canadá e Portugal, a promoverem campanhas de intervenção. Pesquisas realizadas em vários países indicam que o problema do bullying vem crescendo. As estimativas são de que de 5% a 35% das crianças em idade escolar estejam envolvidas em casos de violência, sejam como agressores ou como vítimas. Se pensarmos que ainda existem os espectadores do bullying, que também podem ser afetados pelo problema, essas pesquisas teriam um aumento significativo em seus resultados. Nos Estados Unidos, o interesse e a preocupação com o bullying é muito grande, devido ao crescimento absurdo do fenômeno e aos casos graves já ocorridos, como o da escola de Columbine, em 1999,onde dois jovens entre 17 e 18 anos mataram doze alunos e um professor. Pesquisas locais apontam que o futuro para a maioria dos jovens agressores será de delinquência e/ou violação de regras básicas da boa convivência e isso vem preocupando a população e as autoridades. A partir dos anos 1990, devido aos casos e números supracitados, os estudos a respeito do bullying passam a ser mais intensos e a contar com a participação de instituições privadas e governamentais. No Brasil, as pesquisas sobre o fenômeno caminham lentamente, mas já podemos contar com algumas informações e estudos esparsos. Uma pesquisa da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e ao Adolescente (Abrapia) 21 realizada no Rio de Janeiro, com 5.482 alunos do segundo segmento do Ensino Fundamental, de onze escolas (nove públicas e duas particulares) entre novembro de 2002 e março de 2003, trouxe os seguintes dados: 28,3% admitiram ter sido alvo de bullying, 15% sofreram bullying várias vezes por semana, os tipos mais frequentes de bullying foram: apelidar 54,2%, agredir 16,1%, difamar 11,8%, ameaçar 8,5%, pegar pertences: 4,7%, admitiram ter sofrido bullying na sala de aula 60%. (Disponível http://www.observatoriodainfancia.com.br/article.php3?id_article=232. em Acesso em 15/05/2012). Pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou Brasília como a capital do bullying. Segundo o estudo, 35,6% dos estudantes entrevistados disseram ser vítimas constantes da agressão. Belo Horizonte, em segundo lugar com 35,3%, e Curitiba, em terceiro lugar com 35,2 %, foram, junto com Brasília, as capitais com maior frequência de estudantes que declararam ter sofrido bullying alguma vez. A população-alvo da pesquisa foi formada por estudantes do 9º ano do ensino fundamental (antiga 8ª série) de escolas públicas ou privadas das capitais dos estados e do Distrito Federal. O cadastro de seleção da amostra foi constituído por 6.780 escolas. Durante a pesquisa, foi feita a seguinte pergunta aos estudantes: "Nos últimos 30 dias, com que frequência algum dos seus colegas de escola te esculacharam, zoaram, mangaram, intimidaram ou caçoaram tanto que você ficou magoado, incomodado ou aborrecido?” Os resultados mostraram que 69,2% dos estudantes disseram não ter sofrido bullying. O percentual dos que foram vítimas deste tipo de violência, raramente ou às vezes, foi de 25,4% e a proporção dos que disseram ter sofrido bullying na maior parte das vezes ou sempre foi de 5,4%. No ranking das capitais com mais vítimas de bullying, aparecem ainda Vitória, Porto Alegre, João Pessoa, São Paulo, Campo Grande e Goiânia. Teresina e Rio Branco estão empatadas na 10ª posição. São Paulo ocupa a 7ª posição. Palmas apresenta o melhor resultado da pesquisa. Na capital do Tocantins, 26,2 % dos estudantes afirmaram ter sofrido 22 bullying. Em seguida, estão Natal e Belém, ambas com 26,7%, e Salvador, com 27,2%. (Disponível em /0http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/06/pesquisa-doibge-aponta-brasilia-como-campea-de-bullying.html. Acesso em 16/05/2012). Muitos estudos deverão acontecer daqui para frente, pois os casos de bullying estão aumentando assustadoramente, como já foi citado nessa pesquisa. Em alguns Estados e municípios do Brasil já estão sendo criadas leis que amparam as vítimas do comportamento. A necessidade de estudos é real, para que tenhamos maior compreensão do que o bullying pode causar na vida da vítima e quais são as possibilidades de enfrentamento. Adiante, discutiremos sobre as possíveis consequências do bullying na aprendizagem da vítima. 23 CAPÍTULO III POSSÍVEIS EFEITOS DO BULLYING NA APRENDIZAGEM Abordaremos os possíveis efeitos do bullying no processo de aprendizagem das vítimas de tal comportamento. Porém, precisamos entender algumas questões importantes referentes ao papel da emoção e do meio na aprendizagem. A partir daí, teremos uma maior compreensão de como as vítimas de bullying podem vir a ter dificuldades em sua vida escolar, principalmente no que se refere a aprendizagem. 3.1. EMOÇÃO E APRENDIZAGEM Conforme explicado por Relvas (2009, p. 95) “as emoções são conjuntos de reações químicas e neurais que ocorrem no cérebro emocional (...). As emoções são fontes valiosas de informações e ajudam-nos a tomar decisões.” Sabemos que é no sistema límbico, personagem importante para o cérebro, que se situa o elemento responsável pelo prazer e pelo aprendizado. Ainda segundo Relvas (2009, p.59) “a emoção está para o prazer assim como o prazer está para o aprendizado, e a autoestima é a ferramenta que movimenta os estímulos para gerar bons resultados.” Sem prazer e autoestima não existe aprendizado efetivo, pelo menos segundo os estudos da Neurociência. Para Relvas (2009, p.127) As experiências vividas pelo educando em seu desenvolvimento são referidas e imprimem significação determinante em seu processo de construção pessoal. A aprendizagem coloca em foco as diferentes dimensões do educando sob uma ótica integradora do aspecto cognitivo, afetivo, orgânico e social. O “olhar” sob esses aspectos, ao mesmo tempo em que revitaliza a importância da escola na 24 aprendizagem, coloca em foco a importância de toda a reunião de fatores “extraclasses” que interferem no processo de construção do conhecimento e do papel do aprendente. Através dessas informações, podemos perceber que o aprendizado depende de um ambiente propício a este processo, onde o prazer e a autoestima sejam incentivados e cultivados. 3.2. IMPORTANTES CONSIDERAÇÕES SOBRE A APRENDIZAGEM E SUA RELAÇÃO COM O MEIO, SEGUNDO PIAGET, VYGOTSKY E WALLON Relvas (2009, p. 115-124) nos traz algumas considerações importantes sobre a aprendizagem e sua relação com o meio, segundo os teóricos da educação abaixo: Jean Piaget: de acordos com suas teorias, o conhecimento é gerado pela interação do sujeito com o seu meio, a partir de estruturas previamente existentes no sujeito. Dessa forma, a aquisição do conhecimento depende tanto de certas estruturas cognitivas inerentes ao próprio sujeito como de sua relação com o objeto. Lev S. Vygotsky: ele chama a atenção para a ação recíproca existente entre o organismo e o meio. Em sua abordagem sociointeracionista, ele defende que não é somente o esforço individual que define o aprendizado, mas primordialmente o contexto no qual o indivíduo se insere. Henri Wallon: considera a pessoa como um todo. Afetividade, emoção, movimento e espaço físico se encontram em um mesmo plano. Para ele, o meio exerce influência fundamental sobre o desenvolvimento da pessoa humana. Apesar dos contrapontos existentes nos estudos dos teóricos supracitados, um ponto de convergência pode ser facilmente identificado: os três comungam da ideia de que as trocas sociais constituem o fator essencial 25 para a viabilização do pensamento. Esse pensamento é importante para a construção do conhecimento e da aprendizagem. Conforme veremos a seguir, através dos problemas mais comuns encontrados entre as vítimas de bullying, esses indivíduos podem ter suas emoções abaladas por tal comportamento, que cada vez mais é observado no meio escolar. 3.3. PROBLEMAS MAIS COMUNS ENTRE AS VÍTIMAS DE BULLYING Como já vimos, para que um comportamento seja considerado bullying, a vítima se encontra em desigualdade de poder, segundo Silva (2010, p. 25) “geralmente este também já apresenta uma baixa autoestima”. Ainda segundo Silva, “a prática de bullying agrava o problema preexistente, assim como pode abrir quadros graves de transtornos psíquicos e/ou comportamentais que, muitas vezes, trazem prejuízos irreversíveis”. E alguns desses prejuízos podem estar ligados à aprendizagem ao afetá-la diretamente. Numa escola onde o indivíduo é vítima de bullying, numa sala de aula onde os educandos sentem medo, rejeição, sofrem violência física e/ou verbal etc. a aprendizagem pode ser prejudicada, devido às consequências que esses sentimentos podem gerar. Conforme encontrado em Silva (2010, p. 25-32), os problemas mais comuns entre as vítimas são: a - Sintomas psicossomáticos: Cefaleia, cansaço crônico, insônia, dificuldades de concentração, náuseas, diarreia, boca seca, palpitações, alergias, crises de asma, sudorese, tremores, sensação de “nó” na garganta, tonturas ou desmaios, calafrios, tensão muscular, formigamentos. Esses sintomas podem se apresentar individual ou coletivamente, o que pode causar níveis elevados de desconforto e prejudicar as atividades cotidianas do indivíduo. 26 b - Transtorno do Pânico: Caracteriza-se pelo medo intenso e infundado. O indivíduo é tomado por uma sensação enorme de medo e ansiedade que vem acompanhada de uma série de sintomas físicos (taquicardia, calafrios, boca seca etc.), sem razão aparente. O transtorno do pânico já pode ser observado em crianças bem jovens (6 a 7 anos), muito em função de situações de estresse prolongado e o bullying pode ser uma dessas condições. c - Fobia escolar: Caracteriza-se pelo medo intenso de frequentar a escola, ocasionando repetências por faltas, problemas de aprendizagem e/ou evasão escolar. Quem sofre de fobia escolar passa a apresentar diversos sintomas psicossomáticos e todas as reações do transtorno do pânico, dentro da própria escola; ou seja, a pessoa na consegue permanecer no ambiente onde as lembranças são traumatizantes. d - Fobia Social (Transtorno de Ansiedade Social – TAS): Quem apresenta fobia social, também conhecida por timidez patológica, sofre de ansiedade excessiva e persistente, com tremor exacerbado de se sentir o centro das atenções ou de estar sendo julgado e avaliado negativamente. Assim, com o decorrer do tempo, tal indivíduo passa a evitar qualquer evento social, ou procura esquivar-se deles, o que traz sérios prejuízos em suas vidas acadêmica, profissional, social e afetiva. O fóbico social de hoje pode ter o transtorno deflagrado em função das inúmeras humilhações no seu passado escolar; danos e sofrimentos que são capazes de refletir por toda vida. e - Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): A ansiedade generalizada é uma sensação de medo e insegurança persistente. A pessoa que sofre de TAG preocupa-se com todas as situações ao seu redor, desde as mais corriqueiras até as mais importantes. Está sempre com a sensação de que se esqueceu de fazer algo importante ou de que não dará conta de suas responsabilidades. Geralmente são pessoas apressadas, negativistas e que costumam sofrer de insônia e irritabilidade. Se a pessoas não passar por um tratamento adequado, pode haver uma exacerbação dos sintomas e se transformar num transtorno muito mais grave. 27 f - Depressão: A depressão não é apenas uma sensação de tristeza. Trata-se de uma doença que afeta o humor, os pensamento, a saúde e o comportamento. Seus sintomas mais característicos são: tristeza persistente, ansiedade ou sensação de vazio; sentimento de culpa; inutilidade e desamparo; insônia ou excesso de sono; perda ou aumento de apetite; fadiga e sensação de desânimo; irritabilidade e inquietação; dificuldades de concentração e de tomar decisões; sentimento de desesperança e pessimismo; perda de interesse por atividades que antes despertavam prazer; ideias ou tentativas de suicídio. Estudos sugerem um alto nível de incidência de sintomas depressivos na população escolar. Sabemos que adolescentes apresentam oscilações de humor e mudanças relevantes de seus hábitos e costumes. Isso faz parte da natureza humana, mas é necessário observar se esses jovens deixam de levar uma vida normal, com rebaixamento da autoestima, irritabilidade, isolamento, baixo desempenho escolar, dificuldades em suas relações sociais e familiares. Uma situação de bullying pode estar por trás disso. g - Anorexia e bulimia: Esses transtornos alimentares acometem especialmente mulheres (em 90% dos casos), sobretudo as adolescentes e adultas jovens. A anorexia nervosa se caracteriza pelo pavor descabido e inexplicável que a pessoa tem de engordar, com grave distorção da sua imagem corporal. A pessoa anoréxica de submete a regimes alimentares bastante rigorosos e agressivos. É uma doença muito grave, de difícil controle, e que pode levar à morte por desnutrição, desidratação e outras complicações clínicas. Já a bulimia nervosa se caracteriza pela ingestão compulsiva e exagerada de alimentos, geralmente muito calóricos, seguida por um enorme sentimento de culpa, que leva a pessoa bulímica a lançar mão de diversas ações compensatórias (rituais purgativos), tais como: vômitos autoinduzidos, abuso de diuréticos e laxantes, exercícios físicos em excesso e longos períodos de jejum. A formação da autoimagem corporal de cada pessoa é fortemente influenciada pela maneira coma a sociedade impõe o que é ter um corpo esteticamente apreciável, e essa pressão pode vir da família e dos amigos e colegas da escola. 28 h - Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): Popularmente conhecido como “manias”, o transtorno obsessivo-compulsivo se caracteriza por pensamento sempre de natureza ruim, intrusivos e recorrentes (obsessões), causando muita ansiedade e sofrimento. Na tentativa de ser ver livre de tais pensamentos e de aliviar a ansiedade, o portador de TOC passa a adotar comportamentos repetitivos (compulsões), de forma sistemática e ritualizada. Essas manias trazem prejuízos incalculáveis para a vida do indivíduo, pois além de torná-lo prisioneiro da própria mente, ele perde muito tempo do dia cumprindo seus rituais. Portadores de TOC geralmente são tachados de loucos e esquisitos, trazendo grande constrangimento. Momentos de forte estresse, como pressões psicológicas, como o bullying, podem abrir um quadro de TOC em pessoas com predisposição genética ou até mesmo intensificar o problema preexistente. i - Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT): Esse transtorno se caracteriza por ideias intrusivas e recorrentes de um evento traumático, com flashbacks e lembranças de todo o horror que abateu o indivíduo. Pode acontecer com pessoas que passaram por experiências que lhes trouxeram medo intenso. O TEPT pode levar a um quadro de depressão, ao embotamento emocional (frieza com as pessoas queridas), à sensação de vida abreviada, à perda de seus prazeres, afetando diretamente todos os seus setores vitais. Observa-se um número crescente de TEPT em adolescentes que estiveram envolvidos com bullying, especialmente quando sofreram agressões ou presenciaram cenas de extrema violência e abusos sexuais. Quadros menos frequentes: a- Esquizofrenia: Popularmente conhecida como psicose ou loucura, é uma doença mental que faz com que o indivíduo rompa com a barreira da realidade e passe a vivenciar um mundo imaginário, paralelo. Caracteriza-se pela presença de delírios e/ou por alucinações. Pessoas suscetíveis à esquizofrenia ou psicoses podem iniciar o quadro quando submetidas a uma forte pressão ambiental ou psicológica. 29 b- Suicídio e homicídio: ocorrem quando os jovens-alvo não conseguem suportar a coação de seus algozes. Em total desespero, essas vítimas lançam mão de atitudes extremas como forma de aliviar o sofrimento. Referindo-se aos quadros citados, Silva (2010, p.32) nos conscientiza que os problemas relatados, em sua maioria, apresentam uma marcação genética considerável, ou seja, podem ser herdados dos pais ou parentes próximos, No entanto, a vulnerabilidade de cada indivíduo, aliada ao ambiente externo, às pressões psicológicas e às situações de estresse prolongado, pode deflagrar transtornos graves que se encontrava, até então, adormecidos. Todos estes transtornos e comportamentos podem afetar a aprendizagem, na medida em que os mesmos afastam os educandos da escola, dificultam suas relações sociais, mexem com a concentração; atenção e com as emoções, contribuem para a baixa autoestima e abalam a autoconfiança. Através dessas informações podemos compreender a face cruel e destruidora do bullying no desenvolvimento e aprendizagem das vítimas. Sem dúvidas, suas marcas são profundas. 30 CONCLUSÃO Diante de tudo o que foi exposto, percebemos que a violência, de modo geral, e consequentemente o bullying, vêm crescendo de forma assustadora no mundo. O bullying, que antes era “brincadeira de criança” ou “coisa da idade”, vem ganhando proporções enormes e causando danos, muitas vezes, irreparáveis. Porém, junto com o crescimento dos casos de bullying, estão crescendo os estudos que podem nos ajudar na prevenção e enfrentamento ao mesmo. Além disso, concluímos que ele é altamente prejudicial ao desenvolvimento socioeducacional de nossas crianças e jovens. Os problemas psíquicos e comportamentais advindos do bullying podem retardar, ou até mesmo acabar, com o progresso de nossos alunos. Outra conclusão a qual chegamos é a de que são poucos os profissionais da educação e familiares que sabem com o que estão lidando. Bullying é algo muito sério e delicado de se tratar, principalmente no que diz respeito as suas consequências na vida da vítima. A necessidade de fazer com que a escola e a família tenham uma verdadeira compreensão do bullying é fundamental para que possamos enfrentá-lo. Enquanto ainda tivermos pessoas que não compreendam do que se trata esse comportamento, infelizmente veremos muitos casos tristes acontecerem, como os que temos acompanhado pela Mídia (o de Columbine em 1999, na cidade de Colorado, nos Estados Unidos é um terrível exemplo, além do ocorrido bem próximo de nós, em Realengo, bairro do da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil). Seria muito importante que mais políticas públicas fossem adotadas em relação ao bullying e que fossem respeitadas. O artigo 5º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que “nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais” (Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm. Acesso em 20/06/2012). O mais importante é que esse fenômeno já vem sendo reconhecido como algo 31 específico e grave. No Estado do Rio de Janeiro foi sancionada, em 24 de setembro de 2010, uma lei que torna obrigatória a notificação de casos de bullying a Conselhos Tutelares e a Polícia (Disponível em http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/escola-tera-de-avisar-policia-em-casode-bullying-no-rio. Acesso em 21/06/2012). A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) também aprovou, em 22 de março de 2011, um projeto de lei que pretende criar um programa antibullying nas escolas públicas e privadas do Estado (Disponível em http://www.alerj.rj.gov.br/common/noticia_corpo2.asp?num=38108. Acesso em 21/06/2012). Apesar de estarem surgindo várias ações para o combate ao bullying, tudo isso ainda não é o suficiente. Precisamos de mais conhecimento sobre o assunto, a fim de estarmos preparados para ensinar, prevenir, enfrentar, intervir e principalmente, para podermos trabalhar na construção de uma escola eficiente, de famílias mais estruturadas e de cidadãos mais conscientes da liberdade e dos direitos alheios. 32 BIBLIOGRAFIA ARENDT, Hannah. Sobre a violência. Tradução André de Macedo Duarte. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010. CHAUÍ, Marilena. Uma ideologia perversa. Folha de São Paulo, 14 de mar.1999, Caderno Mais, p. 3. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/dc_1_4.htm. Acesso em 14/05/2011 FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. Campinas: Verus, 2005 LOPES NETO, Aramis. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. Jornal de Pediatria, vol. 81, nº. 5. Porto Alegre, nov. 2005, p. S164-S172. Disponível em: www.scielo.br/pdf/jped/v81n5s0/v81n5Sa06.pdf . Acesso em: 27/09/2010 MICHAUD, Yves. A violência. Tradução L. Garcia São Paulo: Ática, 2001. PEREIRA, Sônia Maria de Souza Pereira. Bullying e suas implicações no ambiente escolar. São Paulo: Paulus, 2009. SCHILLING, Flávia. A sociedade da insegurança e a violência na escola. São Paulo: Moderna, 2004. SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Bullying: mentes perigosas nas escolas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. TEIXEIRA, Gustavo. Manual Antibullying: para alunos, pais e professores. Rio de Janeiro: Best Seller, 2011. 33 RELVAS, Marta Pires. Fundamentos biológicos da educação: despertando inteligências e afetividade no processo de aprendizagem. Rio de Janeiro: Wak, 2009. 34 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I CONSIDERAÇÕES INICIAIS: CONCEITUANDO VIOLÊNCIA E SUAS DIFERENTES FORMAS DE MANIFESTAÇÃO 10 1.1 – Conceituando a violência 11 1.2 – As diferentes formas de manifestação da violência 12 CAPÍTULO II CONCEITO DE BULLYING E SUAS DIFERENTES FORMAS DE MANIFESTAÇÃO 16 2.1 – Bullying escolar: comportamento agressivo entre estudantes 16 2.1.1 – Formas de bullying 2.2 – Histórico do bullying 18 19 CAPÍTULO III POSSÍVEIS EFEITOS DO BULLYING NA APRENDIZAGEM 23 3.1 – Emoção e aprendizagem 23 3.2 – Importantes Considerações sobre a aprendizagem e sua relação com o meio, segundo Piaget, Vygotsky e Wallon 24 3.3 – Problemas mais comuns entre as vítimas de bullying 25 CONCLUSÃO 30 BIBLIOGRAFIA 32 ÍNDICE 34