FUNDAÇÃO OSWALDO ARANHA
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE VOLTA REDONDA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
ARNALDO MONTENEGRO NETO MEDEIROS CAMPOS
HUGO PINHEIRO SANTANA
A PREVALÊNCIA DE LESÕES NO TIME DO PATRIOTAS RUGBY
CLUBE DE VOLTA REDONDA DURANTE CAMPEONATO
FLUMINENSE SERIE B
VOLTA REDONDA / RJ
2009
FUNDAÇÃO OSWALDO ARANHA
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE VOLTA REDONDA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
A PREVALÊNCIA DE LESÕES NO TIME DO PATRIOTAS RUGBY
CLUBE DE VOLTA REDONDA DURANTE CAMPEONATO
FLUMINENSE SERIE B
TCC apresentado ao Curso de Educação
Física do UniFOA como requisito para
obtenção do título de bacharel em Educação
Física
Alunos:
Arnaldo Montenegro Neto Medeiros Campos e
Hugo Pinheiro Santana
Orientadora:
Profª MS. Maria Cristina de Carvalho Tommaso
VOLTA REDONDA / RJ
2009
Arnaldo Montenegro Neto Medeiros Campos
Hugo Pinheiro Santana
Prevalência de lesões no time de Rugby Patriotas Rugby Clube de Volta Redonda
durante Campeonato Fluminense série B
Orientadora: Prof.ª MS.Maria Cristina de Carvalho Tommaso
Banca Examinadora:
_________________________________________
Prof.MS. Marcus Vinícius dos Santos Neves
_________________________________________
Prof. MS José Cristiano Paes Leme da Silva
Dedico a minha professora orientadora,
que mesmo com tanta dificuldade se
mostrou uma pessoa na qual devemos
nos espelhar, ao professor Paulo César,
por ser grande amigo e um elucidador de
idéias, aos filhos, que estão sempre ao
nosso lado, ao meu pai e à minha avó...
Tenho muito a agradecer a minha mulher, que
sempre esteve ao meu lado e ajudando na
pesquisa sempre me dizendo que tudo ia dar
certo, muito obrigado por estar ao meu lado
(Arnaldo Montenegro).
NÃO RECEBI NADA DO QUE PEDI
Pedi a Deus, para ser forte
a fim de executar projetos grandiosos,
e ele me fez fraco
para conservar-me humilde.
Pedi a Deus que me desse saúde
para realizar grandes
empreendimentos,
e ele me deu a doença para
compreendê-lo melhor.
Pedi a Deus riqueza, para tudo possuir,
e ele deixou-me pobre para não ser egoísta.
Pedi a Deus poder para que os homens
precisassem de mim,
e ele deu-me humildade para que
dele precisasse.
Pedi a Deus tudo para gozar a vida,
e ele me deu a vida para gozar de tudo.
Senhor, não recebi nada do que pedi,
mas deste-me tudo o de que
eu precisava,
e, quase contra a minha vontade,
as preces que não fiz foram ouvidas.
Louvado seja ò meu Deus
Entre todos os homens NINGUÉM TEM MAIS DO QUE EU!
(oração de um atleta americano que, aos 24 anos, ficou
paralitico e encontrou Deus no sofrimento).
EP – Momentos - 55
RESUMO
De acordo com a Associação Brasileira de Rugby (2009), o rúgby é o
segundo esporte mais praticado no mundo depois do futebol, do qual se originou em
1823, na cidade de Rugby, Inglaterra. Ensinado nas escolas de vários países da
Europa e nos Estados Unidos, caracteriza-se pelo incentivo ao trabalho em equipe,
a disciplina, a lealdade e o respeito à hierarquia, além disso, exige o
desenvolvimento de estratégias e o treinamento do raciocínio dos atletas que o
praticam. Possui movimentos complexos, desenvolvendo ainda a coordenação
motora, a musculatura e a capacidade aeróbica. Jogado em mais de 150 países,
recentemente incluído nos Jogos Olímpicos, e em expansão nos países da América
do Sul, o rugby pode ser considerado violento por ser um esporte de contato,
extremamente competitivo, que requer um bom condicionamento físico. Assim
sendo, este estudo teve como objetivo compreender e divulgar a prática desta
modalidade, bem como identificar a prevalência de lesões no time de Rugby
Patriotas Rugby Clube de Volta Redonda durante Campeonato Fluminense série B.
Por meio de revisão de literatura recente pode-se aprofundar o conhecimento desta
modalidade desportiva quanto ao seu histórico e à sua dinâmica, e identificar,
através de coleta de dados, a prevalência das lesões ocorridas durante os jogos do
campeonato citado. Foram classificadas e identificadas 28 lesões durante seis jogos,
das quais nove (32%) ocorrências se deram nos membros inferiores, e apenas uma
(3%) na cintura pélvica, cinco (18%) lesões ocorreram na região da cabeça e da
face, três (11%) no pescoço, três (11%) na cintura escapular, três (11%) no tronco e
quatro (14 %) nos membros superiores. Quanto às posições dos jogadores,
ocorreram dezesseis (57%) lesões entre os forwards e doze (49%) entre os linhas,
sendo que destes, nove (32%) entre os de segunda linha e quatro (14%) entre os de
primeira linha. Percebe-se que não houve ocorrência de lesão entre os jogadores na
posição de pilar nº. 1, entre os asas e os jogadores na posição de abertura. Embora
tenha ocorrido um número significativo de lesões nas quatro partidas analisadas,
sugere-se a comparação com outras modalidades desportivas, para que, talvez, seja
possível desmitificar a idéia de que o rúgbi seja um esporte violento. Sugere-se
ainda que as posições mais vulneráveis às lesões sejam prioritariamente preparadas
com programas de prevenção de lesões, sendo este o objetivo subseqüente deste
estudo, além do que, admite-se ainda que outras inferências possam ser feitas a
partir da análise mais cuidadosa dos dados coletados da pesquisa deste estudo.
Palavras-chave: rúgbi, lesões e prevenção.
RESUMO
De acuerdo con la Asociación Brasileña de Rugby (2009), o rugby es el
segundo deporte más practicado en el mundo después del fútbol, del cual se originó
en 1823, en la ciudad de Rugby, Inglaterra. Enseñado en las escuelas de diversos
países de la Europa y Estados Unidos, es caracterizado por el incentivo al trabajo
en equipo, la disciplina, la estrategia y el entrenamiento del raciocinio de los atletas.
Posee movimientos complejos, desarrollando aun la coordinación motora, la
musculatura y la capacidad aeróbic. Jugado en más de 150 países recientemente
incluso en los juegos olímpicos y en expansión en los países de sur de la América, el
Rugby puede ser considerado violento por ser un deporte de contacto,
extremamente competitivo, que requiere flexibilidad y bueno condicionamiento físico.
Así,
este estudio tuve como objetivo comprender y divulgar la practica de esta
modalidad, así como identificar las lesiones en el time de Rugby, Patriotas Rugby
Club de Volta Redonda, durante el Campeonato Fluminense serie B. Por medio de
revisión de la literatura más reciente se puede profundizar el conocimiento de esta
modalidad deportiva cuanto al su histórico y a su dinámica, y identificar a través de
coleta de datos, las lesiones que más ocurrieran en los juegos del campeonato
citado. Fueron clasificadas y identificadas 28 lesiones en seis juegos, en que nueve
(32 %) ocurrieran en los miembros inferiores, solamente una (3%) en la cintura
pélvica, cinco (18 %) lesiones ocurrieran en la región de la cabeza e de la cara, tres
(11%) en la cintura escapular, tres (11 %) en el tronco y cuatro (14 %) en las
extremidades superiores. Cuanto las posiciones de los jugadores, ocurrieran
dieciséis (57 %) lesiones entre los forwards y doce (49 %) entre los líneas, donde
nueve (32%) entre los de segunda línea y cuatro (14 %) entre los de primera línea.
Observarse que no tuve ocurrencia de lesiones entre los jugadores en la posición de
pilar nº 1, entre alas y los jugadores en la posición de abertura. Aunque tenga
ocurrido un número significativo de lesiones en los cuatro partidos analizados,
sugiriese la comparación con otras modalidades deportivas, para que sea posible
desmitificar la idea de que el rugby es uno deporte violento. Sugiriese además que
las posiciones más vulnerables sean prioritariamente preparadas con programas de
prevenciones de lesiones, aunque este objetivo sea subsiguiente de este estudio,
además aceitase que otras inferencias puedan ser hechas a partir de un análisis
más cuidadoso de los datos colectados de la pesquisa de este estudio.
Palabra clave: rugby, lesiones e prevencion.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................... 13
2 - A HISTÓRIA DO RUGBY............................................................................................................................ 15
2.1 RUGBY NO BRASIL ..................................................................................................................................... 17
3 – A DINÂMICA DO RÚGBI ........................................................................................................................... 19
3.1 COMO MARCAR PONTOS - O TRY ............................................................................................................... 20
3.2 O INÍCIO DO JOGO....................................................................................................................................... 20
3.3 PASSE ......................................................................................................................................................... 20
3.4 KNOCK-ON .................................................................................................................................................. 21
3.5 TACKLE, RUCK E MAUL .............................................................................................................................. 21
3.6 POSICIONAMENTO ...................................................................................................................................... 22
3.7 OS JOGADORES ......................................................................................................................................... 22
3.7.1 Forwards ............................................................................................................................................ 22
3.7.2 Três-Quartos ..................................................................................................................................... 24
4 – AS LESÕES MAIS FREQUENTES NOS ESPORTES SEGUNDO VIEIRA (2001) .......................... 29
5- A PESQUISA.................................................................................................................................................. 31
6 – CONCLUSÃO ............................................................................................................................................... 37
7 -REFERÊNCIAS .............................................................................................................................................. 38
LISTA DE TABELAS
TABELA 1: LEGENDA DE CLASSIFICAÇÃO DA GRAVIDADE DAS LESÕES ............................... 32
TABELA 3: LEGENDA RELACIONADA AOS TIPOS DE LESÕES............................................... 32
TABELA 4: OCORRÊNCIA DAS LESÕES EM JOGOS ............................................................ 34
TABELA 5: RELAÇÃO ENTRE A REGIÃO ANATÔMICA E INCIDÊNCIA DE LESÃO ....................... 35
TABELA 6: RELAÇÃO ENTRE POSIÇÃO DOS JOGADORES E RESPECTIVAS LESÕES ............... 36
LISTA DE ANEXOS
ANEXO I: PLANILHA PARA ELABORAÇÃO DE DADOS...........................................................40
Anexo II: Foto de 1963...............................................................................................41
1. INTRODUÇÃO
O rúgbi é um esporte dinâmico e diferente de qualquer outro tipo de esporte
grupal, com regras que dão a este esporte o título de “esporte de cavalheiros”
segundo a Associação Brasileira de Rugby – ABR. O rúgbi é também o segundo
esporte mais praticado no mundo depois do futebol, do qual se originou em 1823 na
cidade de Rugby (ABR).
Um esporte formativo, o rúgbi é ensinado nas escolas de vários países da
Europa e nos Estados Unidos, caracteriza-se pelo incentivo ao trabalho em equipe,
a disciplina, a lealdade e o respeito à hierarquia. Além disso, exige o
desenvolvimento de estratégias e o treinamento do raciocínio dos atletas que o
praticam. Possui movimentos complexos, desenvolvendo ainda a coordenação
motora, a musculatura e a capacidade aeróbica.
Jogado em mais de 150 países, o rúgbi pode ser considerado violento por ser
um esporte de contato, extremamente competitivo, que requer flexibilidade e bom
condicionamento físico. Embora exija o contato físico para impedir que o time
adversário leve a bola para o outro extremo do campo, somente o jogador que
estiver com a bola pode ser derrubado, possibilitando maior previsibilidade dos
contatos diretos e conseqüentemente redução do fator surpresa que torna o atleta
mais vulnerável às lesões. Se praticado de acordo com as regras e com as técnicas
corretas, o risco de lesão é pequeno.
Pesquisas realizadas com jogadores de rúgbi revelam que os jogadores de
escolas secundárias nos Estados Unidos possuem as mesmas taxas de lesões que
os praticantes de futebol americano e os de artes marciais e menor que o verificado
entre os jogadores de hóquei sobre gelo. Os jogadores lesionados têm entre 13 e 19
anos, e a maioria das lesões (22%) ocorre na cabeça; 13% no tornozelo; outros 13%
no ombro e 11% nos joelhos. A metade das lesões ocorre durante contato com outro
jogador e um quarto destas ocorre por golpes ao cair. Segundo AMATO (2000) a
maior proporção dessas lesões, dentre elas fratura, contusões e rompimento dos
ligamentos, acontece quando os jogadores são derrubados ou derrubam a outros
jogadores. Entretanto, este autor admite que a preparação física adequada, a
aprendizagem das técnicas corretas, o uso de equipamento de proteção
correspondente e o monitoramento contínuo ajudam a fazer do rúgbi um esporte
mais seguro.
Sendo assim, este estudo pretende identificar a prevalência e a taxa de lesão
entre jogadores do time Patriotas Rugby Clube de Volta Redonda durante os jogos
do Campeonato Fluminense série B, por meio de levantamento estatístico das
lesões ocorridas no período de março a junho de 2009, quando ocorreram os jogos
do campeonato. Um protocolo de avaliação foi desenvolvido para acompanhamento
dos casos de lesão. (ANEXO 1)
2 - A HISTÓRIA DO RUGBY
A partir do séc. XVIII, os jogos com bola mantinham o estigma de violentos e
eram praticados pela população rural. O criador deste desporto foi o estudante
londrino William Webb Ellis (1806 - 1872), que durante uma partida de futebol
realizada em 1823 na Rugby School, ficou irritado com a monotonia do jogo e teria
agarrado a bola nos braços e corrido o campo, provocando a ira de seus colegas,
que tentaram pará-lo, agarrando-o de qualquer maneira.
Ilustração 1: William Webb Ellis (1806 - 1872)
Outra versão diz que a bola era carregada com os braços com freqüência
durante os anos de 1820 e 1830. Estudantes da Rugby School dizem também que a
bola carregada fazia parte do jogo há muito tempo, contrariando a história de
William.
Apesar da contradição da origem, importantes instituições como a French
Rugby Federation concedem grande importância à manutenção do túmulo de
William Webb Ellis como um símbolo do surgimento do Rugby. William viveu como
pastor e foi sepultado no cemitério marítimo em Menton na França em 1872.
Em 1871 foi fundada a Rugby Union em Londres, que da Inglaterra expandiuse para o mundo. No País de Gales, onde o rúgbi tem raízes profundas
principalmente na população de classe baixa, encontrou terreno propício para o seu
desenvolvimento auxiliado pelo espírito do povo. Posteriormente foi levado para a
Escócia, Irlanda, continente europeu (notadamente para a França) e navegou rumo
às colônias do Império Britânico: Austrália, África do Sul, Nova Zelândia, Canadá e
Estados Unidos da América.
O rúgbi foi um esporte disputado apenas por homens em quatro das sete
primeiras edições dos Jogos Olímpicos da era moderna. Sua primeira aparição foi
nos Jogos Olímpicos de Verão, em 1900 em Paris. Com partidas realizadas nos dias
14 e 28 de outubro, entre França e Alemanha e França e Grã Bretanha
respectivamente, 47 atletas destes países participaram do torneio.
Posteriormente foi incluído ao programa de esportes dos Jogos de Londres
(1908), Antuérpia (1920) e Paris (1924). Após os Jogos de 1924, o Comitê Olímpico
Internacional retirou o rúgbi definitivamente das citas olímpicas. Atualmente é um
dos esportes que mais tentativas realiza, através de sua federação internacional,
para retornar aos Jogos Olímpicos. A mais recente propõe a inclusão da versão
reduzida, o rúgbi sevens, esporte já presente em outras competições multiesportivas
como os Jogos da Commonwealth.
Um evento importante para o rúgbi é o Torneio das Seis Nações, realizado
anualmente pelas equipes da Inglaterra, País de Gales, Irlanda, Escócia, França e
Itália. Além deste evento, existe o torneio das Três Nações, disputado por Nova
Zelândia, Austrália e África do Sul. As principais seleções do mundo disputam
anualmente uma série de amistosos, denominados tests, os quais são muito
valorizados no mundo do rúgbi.
O rúgbi é o segundo esporte de equipes mais popular no mundo, sendo
superado apenas pelo futebol (ABR). Disputado em mais de cem países, é
extremamente popular no Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul,
sendo essas as grandes forças do esporte. É também bastante popular na França,
Itália e Argentina.
A Copa do Mundo de Rugby é o principal evento entre seleções. Disputada a
cada quatro anos, trata-se do terceiro evento esportivo mais visto no planeta, ficando
atrás apenas da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos.
O espírito do rúgbi é uma doutrina para seus praticantes. Prega-se que o
esporte é praticado por um grupo de trinta pessoas, que somente no momento do
jogo divide-se em dois grupos de quinze. Portanto, fora do campo, não há lugar para
rivalidades e atitudes antidesportivas. Prova disso é que após as partidas, os
jogadores tradicionalmente reúnem-se no chamado "terceiro tempo" em que, com
muita bebida e alegria, cantam, socializam e comentam os principais lances da
partida.
2.1 Rugby no Brasil
O Rugby chegou ao Brasil no século retrasado, e segundo o historiador Paulo
Várzea, Charles Miller teria organizado em 1895 o primeiro time de rúgbi brasileiro,
em São Paulo; e o primeiro clube a praticar o esporte, o Clube Brasileiro de Futebol
Rugby, teria sido fundado em 1891.
O rúgbi começou a ser jogado regularmente no Brasil em 1925, no Campo
dos Ingleses, pertencente ao São Paulo Athletic Club, em Pirituba, São Paulo.
Durante o período de 1926 a 1940 foram organizados jogos interestaduais entre os
quadros paulista e carioca. Eram também realizados jogos internacionais, como
contra os Springboks em 1932, e contra a seleção Britânica em 1936. Na década de
40 houve uma interrupção nos jogos, devido à Segunda Guerra Mundial, os ingleses
que moravam no Brasil, que praticavam o rúgbi, foram chamados para defender os
países aliados. Desta maneira, o esporte deixou de ser praticado entre estes anos,
sendo retomados em 1947 os jogos voltaram a ser realizados, porém com menor
freqüência devido ao pequeno número de jogadores interessados. Nesta época,
eram disputados apenas jogos entre paulistas e cariocas; os santistas já não
conseguiam formar um time. Na década de 60, jogadores do São Paulo Athletic
Club, passaram a jogar representando o clube, formando o Aliança Rugby Football
Club, constituído por jogadores de diversas nacionalidades, como Ingleses,
Franceses, Argentinos e Brasileiros, nessa época o rúgbi ganhou uma nova equipe,
formada por membros da colônia Japonesa, denominada São Paulo Rugby Football
Club. Em 6 de outubro de 61, foi fundada, com sede em São Paulo, a União de
Rugby do Brasil, com a finalidade de organizar e dirigir o rúgbi brasileiro. No ano
seguinte a entidade patrocinava o III Campeonato Sul-Americano de rúgbi, onde o
Brasil sagrou-se Vice-Campeão.
Em outubro de 1966 foi realizada a primeira partida entre duas escolas de
ensino superior. Numa tarde chuvosa de outubro, defrontaram-se as equipes da
A.A.A. Oswaldo Cruz (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e
A.A.A. Horácio Lane (Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie).
A partir da década de 70, começou a se desenvolver o rúgbi Infanto-Juvenil
em São Paulo. Em 20 de Dezembro de 1972, foi fundada da Associação Brasileira
de Rugby, em substituição à União de Rugby do Brasil, sendo reconhecida pelo
Conselho Nacional de Desportos (CND), no ano seguinte a ABR organizou o 7º
Campeonato Sul-Americano de Rugby, em São Paulo. Cinco anos depois, a
entidade promoveu o 4º Campeonato Sul-Americano de juvenis.
Atualmente acontecem várias competições nas categorias adultas, juvenis e
universitárias no país. As principais competições realizadas são o Campeonato
Brasileiro de Rugby da Primeira Divisão, Campeonato Brasileiro da Segunda
Divisão, a Copa Brasil e o Campeonato Paulista e o Campeonato Paulista do
Interior. Também são disputadas a Liga Sul de Rugby e o Campeonato Fluminense
Adulto série A e B.
No Brasil quatorze estados contribuem para o crescimento do rúgbi
(Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas
Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do
Sul, Santa Catarina e São Paulo) com equipes que praticam o desporto em diversas
categorias.
Apesar de não ser um esporte de massa no Brasil, a Seleção Brasileira de
Rugby esta entre as quarenta melhores seleções do mundo, segundo a IRB
(International Rugby Board).
Hoje a Seleção Feminina de rúgbi adulta (sevens) é penta campeã Sulamericana, superando até os nossos rivais latinos, os argentinos.
3 – A DINÂMICA DO RÚGBI
Rúgbi é um jogo no qual o objetivo é levar a bola para além da linha de gol
dos adversários e apoiá–la contra o solo para marcar pontos.
Embora se tenha que avançar com a bola, ela só pode ser passada com as
mãos para trás. A bola pode ser chutada para frente, mas os atletas da equipe do
chutador, para poderem joga – lá, necessitam estar atrás da bola no momento em
que ela é chutada.
Esta aparente contradição cria a necessidade de um bom trabalho de equipe
e uma enorme disciplina, uma vez que pouco resultado pode ser obtido por um
atleta individualmente. Somente trabalhando em equipe os atletas conseguem
mover a bola para frente na direção da linha do gol dos adversários e eventualmente
vencer o jogo.
O rúgbi, como é chamado em no idioma português, tem suas características
ímpares, mas como muitos outros esportes tratam essencialmente da criação e
utilização do espaço. Os vencedores de um jogo de rúgbi são os atletas da equipe
que conseguir colocá–los no espaço criado e utilizá–lo com sabedoria e que
consigam também negar aos seus adversários tanto a posse da bola quanto o
espaço para utilizar essa posse.
3.1 Como marcar pontos - o try
Um try é marcado quando a bola é apoiada contra o solo na área além da
linha do in-goal dos adversários. O try vale cinco pontos.
A conversão acontece após a marcação de um try, onde a equipe ganha o
direito de chutar a bola sobre o travessão e entre os postes a partir de um ponto da
linha onde foi marcado o try. A conversão vale dois pontos.
Quando é concedida uma penalidade após acorrer uma infração dos
adversários, a equipe pode optar em chutar para os postes, o que vale três pontos.
O drop goal vale três pontos e é marcado quando um jogador chuta para o gol
durante o jogo aberto imediatamente a bola cair e tocar o solo.
3.2 O início do jogo
Cada meio tempo de jogo é iniciado com um chute de drop no centro da linha
de meio campo. A equipe que irá receber esse chute terá que estar posicionada a
dez metros de onde o chute será feito e a bola tem que percorrer pelo menos dez
metros em direção à linha de in-goal adversário.
3.3 Passe
Um jogador pode passar a bola para um companheiro de equipe desde que
esteja melhor posicionado para continuar o ataque, mas a bola não pode ser
passada em direção a linha do in-goal dos adversários, apenas lateralmente ou para
trás.
Se um passe é efetuado para frente, o árbitro para o jogo e concede um
scrum, cuja introdução será da equipe adversária. Sendo assim o passe para frente
implica na perda da posse de bola.
3.4 Knock-on
É quando um atleta manuseia mal a bola, como por exemplo, deixando-a cair
para frente ou rebater nas mãos e braços e esta toca o solo na direção do in-goal
adversário, na punição acontece com um scrum ocorrendo uma mudança na posse
de bola.
3.5 Tackle, ruck e maul
Tackle ocorre quando o jogador com posse de bola é seguro por um ou mais
adversários e é levado ao chão, tocando com um ou os dois joelhos, sentar-se ou
tocar outro atleta que esteja no chão. Para dar continuidade ao jogo, o jogador com
a posse de bola deve soltar a bola e o jogador executante do tackle deve soltar o de
posse de bola e se afastar da bola para que outros possam participar da jogada.
Apenas o jogador com posse de bola deve ser derrubado. Para manter a
continuidade do jogo, o jogador com posse de bola deve solta-la imediatamente
após o tackle, o tackleador deve soltar o portador da bola e afastar-se dela. Isso vai
deixar que outros jogadores se envolvam na disputa de bola, iniciando uma nova
fase de jogo.
O ruck acontece quando a bola está no chão e um ou mais jogadores de
ambas equipes entram em contato ao redor da bola. Os jogadores só podem
movimentar a bola com os pés e nada mais, podem empurrar os adversários,
afastando-os da bola, para que, ai sim, ela possa ser manuseada com as mãos.
Todos os jogadores devem entrar no ruck por trás do último pé do último jogador,
devem entrar em contato com um dos braços em um jogador do mesmo time. Não é
permitido entrar pelos lados e caso o árbitro veja, sinalizará uma penalidade. Caso a
bola não seja liberada em cinco segundos o árbitro sinalizará um scrum para o time
que ele julgar ser prejudicado, ou contra aquele que estiver prendendo a bola.
O maul acontece quando o atleta que estiver com a bola for seguro por um ou
mais atletas adversários e um ou mais atletas de sua equipe entram em contato com
ele. A bola não pode estar em contato com o solo.
A equipe com a posse de bola pode tentar ganhar território empurrando seus
adversários em direção a linha de in-goal adversária. A bola pode ser passada para
traz entre os atletas no maul, e eventualmente, passada para outro atleta que não
esteja participando do maul, ou ainda um jogador pode deixar o maul portando a
bola e correr com ela.
3.6 Posicionamento
O Rugby Union sempre foi caracterizado pelo conceito de que é um esporte
para todos os tipos físicos.
Cada posição requer um conjunto distinto de aptidões físicas e atributos
técnicos e é esta diversidade que o torna um jogo acessível a todos.
Desde a potência dos forwards até a velocidade dos três – quartos existe
espaço numa equipe de rúgbi para todos que queiram um pouco de atividade.
3.7 Os Jogadores
3.7.1 Forwards
PILARES - têm como papel primário, fornecer a estabilidade à formação
ordenada ou scrum e promover força para levantar e apoiar os saltadores no
alinhamento lateral, Tipicamente pilares devem ter pescoços curtos e ombros largos
por causa da força que passa por toda coluna do jogador na hora do scrum.
Normalmente os dois pilares devem ter a mesma altura para fornecer estabilidade
ao hooker, também são os pivôs de rucks e mauls. Precisam ter a parte superior do
corpo forte para gerar estabilidade no scrum, resistência, mobilidade e boas mãos
para manter a continuidade.
HOOKER - é o centro da primeira linha e ele tem dois papéis únicos no
campo por ser atleta que obtém a posse no scrum e introduzir geralmente a bola no
alinhamento lateral, necessita de muita força para conviver com o esforço exigido
pela primeira linha aliado a velocidade para se deslocar pelo campo e uma boa
técnica de arremesso para o alinhamento lateral, é resposnável por cobrir o canal
que fica entre a linha de 5m e a lateral.
SEGUNDA LINHA - Os jogadores que servem de apoio para a primeira linha
são os de segunda linha, no scrum são responsáveis por quase toda força para
frente. Por tal razão as vezes são chamados de "a casa de máquina do scrum". Para
tal devem manter as costas retas e abraçarem-se o mais forte possível, são eles que
obtém a posse de bola, no início, reinícios e laterais. É sua responsabilidade o
movimento para frente no scrum, rucks e mauls. A característica principal é a altura.
Eles são os gigantes da equipe e combinam o físico com grande habilidade de
recepção e mobilidade.
ASAS – são os jogadores com maior preparo físico dos forwards, o papel
principal é ganhar a posse de bola nas situações com um tackle certeiro, os asas
são normalmente os maiores tackleadores do jogo, frequentemente conhecidos por
roubarem bolas em rucks e mauls, tem de ser ágeis e versáteis já que quase sempre
integram a linha numa tentativa de ataque, assim como podem pular no line-out e
serem o tempo todo ofensivos. O asa aberto é normalmente o asa mais rápido. O
asa cego, por sua vez, costuma ser mais forte. Ambos porém possuem muita
resistência física, tackles bons e incisivos, força, velocidade e muita habilidade no
geral (manuseio da bola, passe, contato, etc).
OITAVO - O número 8 deve assegurar a posse da bola na base do scrum,
carregar a bola num jogo aberto, e providenciar a ligação entre os forwards e os três
quartos nas fases de ataque e defender progressivamente, por esse motivo a
habilidade manual com a bola é essencial, assim como uma grande percepção de
espaço. Potência e velocidade em distância curtas são cruciais – ganhar território,
posição no campo e fazer muita força.
3.7.2 Três-Quartos
MÉDIO SCRUM - é o jogador que providência a ligação entre os forwards e
três – quartos nos scrums, alinhamentos laterais e jogo aberto. É o tomador de
decisões da equipe, o número 9 avalia e decide se é melhor distribuir uma bola
rápida para os três - quartos ou mantê-la próxima com os forwards. Ele tem que ser
forte, pois é um jogador multifacetado, ter uma velocidade explosiva, possuir todas
as habilidades de manuseio e chutes de bola. Todos os grandes #9 têm revelado
autoconfiança e excelente compreensão do jogo.
ABERTURA - é o atleta que orquestra o desempenho da equipe, ele recebe a
bola do 9 e decide chutar, passar ou romper a linha de defesa em uma fração de
segundo da fase do jogo. É primordial a habilidade de chutar quando tem a bola na
mão e com ambos os pés, o manuseio perfeito da bola, velocidade, visão,
criatividade, humildade, comunicação, percepção tática e alto desempenho sobre
pressão.
CENTROS - são os atletas chave, tanto em defesa quanto em ataque. Na
defesa eles tentam tacklear enquanto em ataque eles utilizam a sua velocidade,
potência e criatividade para romper a defesa, tem que ser magro, forte e
extremamente rápido. A posição exige grandes proezas ofensivas, aliada a
intensidade no contato tanto para reter como para tirar a posse de bola.
PONTAS - entram em campo para dar a velocidade necessária para abrir
espaços na defesa e marcar pontos e também para serem sólidos defensores. A
principal característica é a velocidade, pois freqüentemente se encontram em
espaços abertos, no qual a sua prioridade é acelerar para a linha do in-goal.
FULL BACK - o ultimo defensor, ele deve ter confiança na recepção de bolas
altas, deve ter um bom chute para aliviar a pressão e gostar de contato físico para
executar os tackles salvadores de trys. Tem muita habilidade manual, velocidade no
ataque e potência na defesa, visão para se unir a linha de ataque para criar
superioridade numérica e muita vontade de jogar.
Ilustração 2:
O scrum - É o meio de reiniciar o jogo após uma interrupção que tenha sido
causada por uma infração leve (um passe para frente ou uma bola derrubada) ou
porque a bola não pode continuar a ser jogada em um ruck ou um maul. O scrum
serve para concentrar todos os forwards e os médios scrum em um local do campo,
proporcionando a oportunidade para os três – quartos prepararem um ataque
usando o espaço criado em outro lugar.
A bola é introduzida em jogo no túnel entre as primeiras linhas, num local
onde os dois hookers possam disputar a posse, tentando puxar a bola com os pés
em direção aos seus companheiros de equipe. A equipe que introduz a bola em
geral retém a posse, porque seu médio scrum e hooker podem sincronizar suas
ações.
Quando a posse de bola for garantida, a equipe pode manter a bola dentro do
scrum e tentar empurrar os adversários ao longo do campo. Outra alternativa é
trazer a bola até o último pé do scrum, de onde é passada para os três – quartos e
inicia-se então uma nova fase de jogo aberto.
Ilustração 3
O lateral - O alinhamento lateral é o meio de reiniciar o jogo quando a bola sai
pela lateral do campo de jogo. O alinhamento concentra os forwards em um local
próximo à linha, de modo que os três – quartos possam aproveitar o restante do
campo para efetuar um ataque. A chave para os forwards é obter a posse e distribuir
a bola para os três – quartos.
Os forwards distribuem-se em duas linhas, perpendiculares à linha lateral,
distantes um metro entre si. O hooker arremessa a bola no corredor formado entre
duas linhas de jogadores. Como os companheiros de equipe do arremessador
sabem onde e quando a bola será arremessada, esta equipe possui uma vantagem
para reter a posse. Contudo, com os reflexos rápidos e boa movimentação, os
opositores podem disputar a posse da bola e os laterais freqüentemente resultam
em retomada de posse de bola. A bola poderá ser passada ou haver uma formação
que estabeleça um maul.
Ilustração 4
4 – AS LESÕES MAIS FREQUENTES NOS ESPORTES segundo VIEIRA (2001)
“Os benefícios são esquecidos facilmente; porém
as lesões! – que homem digno não se lembra
delas?” (Willian Makepeace Thackeray - 18111863)
Lesão é todo o tipo de advento externo ou interno que ocorre no corpo,
trazendo conseqüências que podem variar em grau de severidade de leve a muito
grave ou definitiva.
Considera-se lesão desportiva toda a condição ou sintoma que implicou pelo
menos uma das seguintes conseqüências e que tenha ocorrido como resultado da
participação da atividade desportiva (Caine et al., 1996): tenha sido motivo direto
para interromper a atividade desportiva (treinos e competições) durante pelo menos
24 horas; se a condição ou sintoma não motivou a interrupção total da atividade
desportiva, mas foi determinante para alterar a sua atividade quer em termos
quantitativos (menor número de horas de prática, menor intensidade dos
exercícios/esforços físicos) quer em termos qualitativos (alteração dos exercícios ou
movimentos realizados), acontece ai uma lesão.
Uma lesão pode ser descrita de diversas formas e ser traduzida por
diversos profissionais em termos específicos de cada área. Neste estudo optamos
pelas definições de VIEIRA (2001):
Entorse é o ato ou processo de torcer, girar ou rotar em torno de um eixo no
qual são lesados os ligamentos e a membrana interóssea, sobrecarga grave,
estiramento ou laceração de tecidos moles como cápsula articular, ligamentos,
tendões ou músculos.
Contusão é a lesão por trauma direto com amassamento dos tecidos moles.
Sua magnitude depende da força do impacto e do local acontecido, poderá traduzirse por uma mancha escura (equimose) como por um tumor de sangue (hematoma);
este, quando se localiza na cabeça, é denominado, vulgarmente, 'galo'. As
contusões são dolorosas e não se acompanham de solução de continuidade da
pele. As contusões são na maior parte das vezes são produzidas por objetos sem fio
nem ponta, que se choca contra o organismo, mas pode ser também o corpo que se
choca contra o objeto (MENESES, Lusivan J, Suna de. 2006,35).
Solução de continuidade da pele, produzida na pele ou nas mucosas, por um
agente traumático, causado por objetos cortantes e pontiagudos ou até por choque
(MENESES, Lusivan J, Suna de. 2006, 33).
Luxação é um trauma grave que se dá pela perda de contato entre a
extremidade óssea e a superfície articular. (TABER, 2000).
Cãibra são contrações musculares involuntárias, duradouras e dolorosas, que
podem acontecer em um músculo ou um grupamento de músculos esqueléticos,
ocorre sempre relacionado a fatores intrínsecos (MENESES & SUNA, 2006,p-38).
Para GANDEVIA (1992), estafa cotidianamente descreve uma série de males,
que vão desde um estado genérico de letargia até uma sensação específica de calor
nos músculos provocada pelo trabalho intenso. Fisiologicamente, estafa ou fadiga
descreve a incapacidade de continuar funcionando ao nível normal da capacidade
pessoal devido a uma percepção ampliada do esforço. A estafa é onipresente na
vida cotidiana, mas geralmente torna-se particularmente perceptível durante
exercícios pesados. A estafa possui duas formas, a que se manifesta como uma
incapacidade muscular local para desenvolver um trabalho e a que se manifesta
como uma sensação abrangente de falta de energia, corporal ou sistêmica.
Segundo MENESES (2006) as condições climáticas, a duração dos jogos e
as condições do campo influenciam fortemente a probabilidade de lesões
desportivas. O tempo ideal para a prática de qualquer modalidade esportiva, sem
que prejudique o desempenho técnico e o próprio atleta é aquele que apresenta uma
temperatura em torno de 16° a 25°C, o grau de umidade em torno de 65% e a
competição seja realizada ao nível do mar. Assim como há que desfavorecem o
atleta como a temperatura baixa e úmida é um fator predisponente e que mais
favorecem a roturas musculares, uma das lesões mais comuns na prática
desportiva; o tempo chuvoso, que desfavorece qualquer modalidade esportiva
praticada ao ar livre, diminuindo a visibilidade, a segurança e o desempenho técnico.
5- A PESQUISA
Esta pesquisa pretendeu identificar a prevalência e a taxa de lesão entre
jogadores do time Patriotas Rugby Clube de Volta Redonda durante os jogos do
Campeonato Fluminense série B, por meio de levantamento estatístico das lesões
ocorridas no período de março a junho de 2009, quando ocorreram os jogos do
campeonato, dos quais o time em questão participou. Um protocolo de avaliação foi
desenvolvido para acompanhamento dos casos de lesão. Dos seis jogos planejados,
dois foram cancelados, desta forma foram analisadas as lesões ocorridas em quatro
jogos.
Os jogos tiveram a duração de oitenta minutos, divididos em dois tempos de
quarenta minutos com dez minutos de intervalo e realizados ao ar livre e sendo que
dois aconteceram a uma altitude de 349 metros do nível do mar no caso de Volta
Redonda.
Todos os jogos ocorreram como jogos preliminares dos jogos do campeonato
série A, sem chuva e com temperatura em torno de 30°C, induzindo a uma grande
perda hídrica ocasionando desconforto e fadiga em alguns casos.
Quanto ao estado de conservação e segurança dos campos, que não são só
de utilização do desporto em questão, encontravam-se em um nível mínimo de
conservação, partes do campo eram irregulares e sem grama, o que pode concorreu
para os eventos das lesões.
Para coleta dos dados em cada jogo desenvolveu-se uma planilha no Office
Windows 2007 Excel, com o objetivo de concentrar o máximo de informações no
mesmo instrumento a fim de facilitar sua análise global, conforme Anexo I.
Quanto ao nível das lesões, foram classificadas em grave na cor vermelha,
moderada, na cor marrom, e leve, na cor amarela, sendo verde para o jogador livre
de lesão, de acordo com o quadro:
Impossibilita o jogador de jogar pelo menos o próximo jogo
1
Lesão grave
2
Lesão moderada
Impossibilita o jogador de continuar no jogo
3
Lesão leve
O jogador fica sem jogar durante alguns minutos, mas retorna a partida
4
Livre de lesão
O jogador não sofre nenhuma lesão
Tabela 1: Legenda de classificação da gravidade das lesões
Durante os jogos foram identificadas as seguintes lesões: entorse contusão,
solução de continuidade da pele, luxação, estafa e câimbra, das quais 16 (57%),
lesões por contusão, 9 (32%) por entorse, 1 (4%) por solução de continuidade da
pele, 1 (4%) por luxação e 1 (4%) por estafa. Sendo um dos casos de contusão o
mais grave, levando à comoção cerebral ocasionando amnésia temporária, mal estar
e a impossibilidade do jogador de continuar a participar nos jogos do campeonato
fluminense série B.
Ilustração 5: Gráfico de Lesões Identificadas
Foram identificadas vinte e oito lesões durante os jogos rúgbi, sendo que
destas, dez (35%) ocorreram no primeiro jogo e a metade, cinco (18%) no último
jogo. Percebeu-se que as incidências de lesões reduziram-se ao longo do
campeonato. Neste caso pode-se considerar a possibilidade de adaptação ao gesto
desportivo, decorrente das condições proprioceptivas dos jogadores ao esporte, que
podem ser estimuladas ao longo do período dos jogos.
As letras minúsculas correspondem aos tipos de lesões
a
Entorse
b
Contusão
c
Solução de continuidade da pele (corte)
d
Luxação
e
Fratura
f
Estafa
g
Câimbra
Tabela 2: Legenda relacionada aos tipos de lesões
Nos quatro jogos analisados, ocorreram no primeiro jogo, seis lesões leves,
três lesões do tipo moderada, nenhuma lesão grave em sete jogadores e oito
jogadores não sofreram qualquer lesão. No terceiro jogo ocorreram cinco lesões
leves, duas lesões moderadas e uma lesão grave em sete jogadores, sendo que
nove não sofreram qualquer lesão. No quarto jogo ocorreram cinco lesões leves em
quatro jogadores e onze jogadores não sofreram qualquer lesão. No sexto jogo
ocorreram quatro lesões leves e uma lesão moderada em três jogadores e doze
jogadores não sofreram qualquer lesão.
Tipo de lesão
1º. jogo
3º.jogo
4º.jogo
6º.jogo
Total
Leve
6
5
5
4
20
Moderada
3
2
0
1
6
Grave
0
1
0
0
1
Sem lesão
8
9
11
12
40
Tabela 3: Ocorrência das lesões em jogos
Dos jogadores que ocuparam as sessenta posições durante os quatro jogos,
40 não sofreram qualquer lesão, entretanto algumas posições como os forwards e
os linhas foram os mais sujeitos às lesões, isto é, as ocorrências de lesão se deram
preferencialmente nestas posições.
Para organização dos dados coletados foram identificadas e analisadas as
regiões anatômicas sujeitas a lesões: cabeça e face, pescoço, cintura escapular,
tronco, coluna vertebral, membros superiores, cintura pélvica e membros inferiores.
Das vinte e oito lesões ocorridas durante os jogos, nove (32%) ocorrências se
deram nos membros inferiores, e apenas uma (3%) na cintura pélvica. Cinco (18%)
lesões ocorreram na região da cabeça e da face, três (11%) no pescoço, três (11%)
na cintura escapular, três (11%) no tronco e quatro (14 %) nos membros superiores.
(Tabela 4)
Quanto às posições dos jogadores, ocorreram dezesseis (57%) lesões entre
os forwards e doze (49%) entre os linhas, sendo que destes, nove (32%) entre os de
segunda linha e quatro (14%) entre os de primeira linha. Percebe-se que não houve
ocorrência de lesão entre os jogadores na posição de pilar no. 1, entre os asas e o
jogadores na posição de abertura . (Tabela 5)
Região
Anatômica
1°
jogo
2°
jogo
3°
jogo
4°
jogo
5°
jogo
6°
jogo
Total
por
região
1
Cabeça e
face
0
0
3
0
0
2
5
2
Pescoço
0
0
1
2
0
0
3
3
Cintura
escapular
2
0
0
0
0
1
3
4
Tronco
0
0
3
0
0
0
3
5
Coluna
Vertebral
0
0
0
0
0
0
0
6
Membros
Superiores
2
0
0
1
0
1
4
7
Cintura
Pélvica
1
0
0
0
0
0
1
8
Membros
Inferiores
5
0
1
2
0
1
9
10
0
8
5
0
5
28
lesões
Número de lesões
Tabela 4: Relação entre a região anatômica e incidência de lesão
Jogadores
cabeça
e face
Pescoço
Cintura
Escapular
Tronco
Coluna
vertebral
Membros
Superiores
Cintura
pélvica
Membros
inferiores
1
Pilar
0
0
0
0
0
0
0
0
2
Pilar
2
0
0
0
0
0
0
1
3
Hooker
0
2
0
0
0
0
0
0
4
Segunda
linha
2
1
1
0
0
0
1
0
5
Segunda
linha
0
0
1
0
0
1
0
2
6
Asa
0
0
0
0
0
0
0
0
7
Asa
0
0
0
0
0
0
0
0
8
Oitavo
0
0
1
0
0
0
0
1
9
Scrum half
1
0
0
0
0
3
0
0
10
Abertura
0
0
0
0
0
0
0
0
11
Primeiro
centro
0
0
0
0
0
0
0
3
12
Segundo
centro
0
0
0
1
0
0
0
1
13
Ponta
0
0
0
0
0
0
0
0
14
Ponta
0
0
0
2
0
0
0
0
15
Fullback
0
0
0
0
0
0
0
1
Tabela 5: Relação entre posição dos jogadores e respectivas lesões
6 – CONCLUSÃO
Segundo esporte mais praticado no mundo, o rúgbi toma lugar entre as
modalidades de maior expansão nos últimos anos, tendo sido incluído nos próximos
Jogos Olímpicos. Considerado violento por ser um esporte de intenso confronto
físico, é, paradoxalmente, o único esporte em que ocorre a confraternização entre os
times adversários após a partida chamado de terceiro tempo.
A expansão do rúgbi no mundo e no Brasil foi o motivo deste estudo em
compreendê-lo e divulgá-lo, assim como o de entender a prevalência das lesões
encontradas em um time do referido esporte.
Embora tenha ocorrido um número significativo de lesões nas quatro partidas
analisadas, sugere-se a comparação com outras modalidades desportivas, para que,
talvez, seja possível desmitificar a idéia de que o rúgbi seja um esporte violento.
Percebemos que com o passar dos jogos e a intensificação dos treinamentos, o
número de lesões caiu em torno de 50%, dessa forma sugere-se ainda que as
posições mais vulneráveis às lesões sejam prioritariamente preparadas com
programas de prevenção de lesões, sendo este o objetivo subseqüente deste
estudo, além do que, admite-se ainda que outras inferências possam ser feitas a
partir da análise mais cuidadosa dos dados coletados da pesquisa deste estudo.
7 -REFERÊNCIAS
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Hawley JA, Reilly T (1997). "Fatigue revisited". Journal of sports sciences 15 (3):
245-6
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MENESES, Lusivan J, Suna de. O esporte e suas lesões. Rio de Janeiro: Manole,
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SAILLANT, G. Traumatologia do esporte: joelho. Sociedade Brasileira de Cirurgia do
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SAILLANT, G. Traumatologia do esporte: bacia, quadril e coluna. Comitê da Coluna
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Guanabara Koogan, 2005.
TABER. Dicionário médico ilustrado. 17ª ed. São Paulo: Manole; 2000.
VIEIRA, MSR. Lesões de partes moles. In Lianza S. Medicina de reabilitação. 3ª ed.
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WHITING, W. & ZERNICK, R. Biomecânica da lesão musculoesquelética. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
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