Princípios Básicos em cinéticas de morte e projetos de processos de esterilização Autor: Dr. Ulrich Kaiser, gke GmbH Sumário: 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 1.4.1. 1.4.2. 2. 2.1. 3. 3.1. 3.2. 4. 4.1. 4.2. 5. 5.1. 5.2. 6. 6.1. 6.2. 6.3. 6.4. 7. Cinéticas de morte no processo de esterilização Definição de reações cinéticas primárias Fator de inativação Fator de redução decimal (valor “D”) Determinação experimental do valor “D” Método “MPN” (número mais provável) Determinação usando a curva de sobrevivência Definição do nível de garantia da esterilidade Definição de um produto estéril de acordo com a Norma Europeia EN 556-1 Importância da temperatura nos processos de esterilização Equação de Arrhenius Definição do valor de ajuste Valor equivalente de esterilização (valor “F(T,z)“) Definição do valor “F0“ Outros valores “F(T,z)“ Definição dos processos de esterilização Definição dos processos com base nos valores de carga microbiana Definição dos processos com valores de carga microbiana Requerimentos e seleção de indicadores biológicos para validação e monitoramento habitual Seleção de estirpes Resistência de indicadores biológicos Seleção de indicadores biológicos para monitoramento rotineiro Posicionamento de indicadores biológicos Glossário de símbolos utilizados no texto Page 1 of 17 1. Cinética de morte no processo de esterilização As leis matemáticas para a inativação de microrganismos são bastante similares na maior parte dos processos de esterilização se as condições físicas e/ou químicas permanecerem constantes durante o procedimento de esterilização. Mesmo se as condições de esterilização forem constantes, a resistência de lotes muito similares pode ser diferente dependendo do crescimento vegetativo e das condições de esporulação. Mesmo esporos de resistências idênticas, com o mesmo número de referência (ex.: G. Stearothermophilus ATCC 7953), pode apresentar diferenças e variar até 10 fatores. Considerando usar micro-organismos e processos de esterilização idênticos, a velocidade de morte depende somente da quantidade existente de micro-organismos vivos, medida de acordo com as unidades formadoras de colônias (CFU). A equação de cinética de morte tem se provado válida para os processos de esterilização de peróxido de hidrogênio, calor seco, vapor, formaldeído e óxido de etileno. 1100000 Se a equação 1 é integrada e o logaritmo natural é trocado pelo logaritmo décimal a nova reação de cinéticas constante K é definida: lg t N0 NF IF k N0 k t NF (2) = Tempo de esterilização [min] = Número de micro-organismos ao começar o processo [CFU] = Número de micro-organismos após o processo de esterilização [CFU] = Fator de inativação [número] = Constante de reação de cinéticas [min-1] (válido para o logaritmo década) 1.2 Fator de inativação 1000000 colony forming units [CFU/part] A reação de velocidade [dN/dt] é sempre proporcional à quantidade existente de microorganismos vivos no processo. A constante proporcional k’ é chamada de constante de reação de cinéticas. k’ descreve o tempo de processo de esterilização. A constante depende da temperatura nos processos térmicos, e depende da concentração de gás nos processos químicos. 900000 800000 700000 600000 500000 400000 110 °C 300000 121 °C 134 °C 200000 100000 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 time [min] Diagrama 1: Curva de sobrevivência na esterilização a vapor sobre diferentes temperaturas. 1.1 Definição da reação de cinéticas de primeira ordem A velocidade de morte nos processos de esterilização é descrita pela equação 1 que descreve a redução da quantidade de microorganismos “N” em relação ao tempo “t” e é chamada reação de velocidade. dN k 'N = Reação de Velocidade (1) dt t= tempo de esterilização [min] N= População nominal em um dispositivo médico [CFU] k’ = Reação de cinéticas constantes usando o logaritmo natural [min-1] No diagrama 1 as unidades formadoras de colônia [CFU] são traçadas em uma escala linear mostrando curvas esponenciais. Se o mesmo diagrama é traçado em meia escala de logaritmo, as curvas se tornam uma linha reta para o mesmo tipo de micro-organismos se os processos de esterilização a vapor, óxido de etileno, calor seco e VBTF são usados Se a linha não é reta, a população deve conter micro-organismos com características similares, mas com resistências diferente. Os processos de esterilização com peróxido de hidrogênio não formam uma linha reta por causa dos seus complexos processos químicos. Equação 2 pode ser modificada para: lg N0 lg NF k t IF (3) O termo Fator de Inativação (IF) descreve a eficácia dos processos de esterilização. Se um processo de esterilização começa com106 [CFU] e termina com 102 [CFU], existe uma redução da população de potência 4 ou tem um fator de inativação IF = 4. 1.3 Fator de redução decimal (Valor D) O fator de redução decimal, conhecido como valor D, representa a resistência característica de um micro-organismo individual para um Page 2 of 17 processo de esterilização definido. O valor D determina por quanto tempo um microorganismo deve ser submetido a um processo de esterilização para reduzir a população inicial para 90% da carga microbiana inicial. O valor D nos processos de esterilização a vapor de peróxido de hidrogênio, óxido de etileno, formaldeído e calor seco é expresso em uma escala de tempo [min.]. Se um processo de esterilização com radiação é usado, é expresso na dose de radiação [em Mrad]. O valor D deve ser determinado experimentalmente traçando o logaritmo da população que ainda permanece no processo de esterilização contraposto ao tempo, a inclinação recíproca da linha reta é a definição do valor D. O valor D é válido somente para um processo de esterilização definido e para um micro-organismo definido. Em um processo de esterilização a vapor o valor D contém o índice da temperatura de esterilização. O certificado de um indicador biológico deve sempre especificar sobre quais condições o valor D é testado. O valor D é bastante dependente da temperatura como mostrado no diagrama 2. DT DT k 1 k (4) = Fator de redução decimal [min] ou [Mrad] na temperatura testada [t] = Reação de cinéticas constantes de logaritmo decimal [min-1] t IF = Tempo de esterilização [min] = Fator de inativação [Número] (nível de redução decimal) O coeficiente do tempo de esterilização dividido pelo valor D fornece também o fator de inativação equivalente ao número do nível de redução decimal. Um tempo do valor D equivalente reduz a população para 90% ou um nível de redução decimal. Se o valor D é conhecido, é possível calcular o tempo de esterilização para reduzir a população para uma quantidade definida de níveis de redução decimal independente da população inicial. Se o número da população inicial é alterado, a população final irá mudar proporcionalmente, se o mesmo processo de esterilização é usado. O mesmo para população inicial, também conhecida como carga microbiana, determina o resultado do número final de microorganismos NF. Para saber o tempo necessário de esterilização, a equação 5 pode ser mudada: t (lg N0 lg N F ) DT IF DT (6) 1.4 Determinação experimental da resistência (DT) de um indicador biológico A resistência (valor D) deve ser determinada com dois métodos de acordo com EN ISO 11138-1 (ver anexo C e D) ou com determinação da janela de morte de sobreviventes (ver anexo E do padrão). 1.4.1 Diagrama 2: Definição do valor D em diferentes temperaturas Se a equação 4 é colocada sobre a equação 3, o resultado é: lg N0 lg NF t IF DT (5) N0 = carga microbiana inicial [CFU] NF = número de micro-organismos depois da esterilização [CFU] DT = Fator de redução decimal [min] ou [Mrad] (Valor DT) Determinação do valor D usando o método MPN (número mais provável) Indicadores biológicos com uma população definida são colocados em diversos processos de esterilização a vapor com tempos de esterilização modificados onde todas as outras variantes do processo permanecem constantes exceto o tempo. Para cada tempo de esterilização um mínimo de 20 indicadores biológicos são necessários. Depois da esterilização os indicadores biológicos são checados para crescimento. Um mínimo de 7 tempos de esterilização diferentes são testados. a) Tempo de esterilização mínimo 1 onde todos os indicadores biológicos estão crescendo b) Tempo de esterilização mínimo 4 onde pelo menos alguns indicadores biológicos estão crescendo Page 3 of 17 c) Tempo de esterilização mínimo 2 onde não é detectado crescimento de indicadores biológicos deve ser calculado usando a seguinte equação: t6 Serão calculados usando a equação abaixo: Tempo de esterilização Número ensaios [ti] t1 t2 t3 t4 t5 t6 t7 [ni] n1 n2 n3 n4 n5 n6 n7 de Número de ensaios sem crescimento [ri] r1 = 0 r2 r3 r4 r5 r6 r7 d d i 6 ri [min] 2 n i 1 (12) O valor D médio será calculado usando a seguinte equação: D 0,2507 lg N0 [min] (13) onde N0 é a população inicial CFU/teste. Determinação do valor D usando a curva de sobrevivência t1 é o menor tempo de esterilização onde todos BIs devem crescer. Os tempos de esterilização t1 – t7 estão aumentando os tempos de esterilização usando o resultado de t6 e t7 não devem mostrar Bis vivas. Usando esses dados os fatores x e y são calculados para os tempos de esterilização t1 – t7. xi t i t( i 1) 2 (7) yi r( i 1) ri n( i 1) ni (8) Para t1 onde todos os exemplos mostram crescimento r1 = 0. Neste caso yi é determinado por: yi r( i 1) n( i 1) (9) Usando os valores calculados de xi e yi o tempo de esterilização µi deve ser calculado: i xi y i [min] (10) O tempo médio de esterilização o qual não mostra crescimento, deve ser calculado resumindo todos µi: No mínimo quatro amostras teste devem ser usadas para cada exposição em cada determinação. O mesmo número de réplicas devem ser usadas para cada exposição. Um mínimo de dois testes consecutivos devem ocorrer. Para cada teste um mínimo de 4 indicadores biológicos devem ser utilizados. Depois da esterilização a população do indicador biológico é determinada usando o método indicado pelo fabricante. O logaritmo da população remanescente de micro-organismos é representada graficamente contra o tempo de esterilização. A inclinação recíproca fornece o valor D em minutos. 1.4.2 i 6 i Indicadores biológicos devem ser esterilizados com diferentes tempos de esterilização onde todas as variáveis do processo tem que permanecer constantes exceto o tempo. 5 tempos de esterilização diferentes devem ser utilizados: a) Uma exposição em que a amostra não é submetida a esterilização (ex.: tempo de exposição 0) b) Pelo menos uma exposição em que a população em boas condições é reduzida para 0,01% dos inóculos originais (redução 4 log10 ) c) Um mínimo de três exposições cobrindo os intervalos entre a exposição a) e a exposição b) acima. [min] (11) i 0 Se o intervalo d entre os tempos de esterilização é constante, e o mesmo número de teste para cada tempo de esterilização é utilizado, o valor médio para não haver crescimento Janela de sobrevivência/morte A janela de sobrevivência/morte é definida com a sobrevivência garantida de uma indicador biológico. Um indicador biológico deve conter no mínimo 100 micro-organismos, se ele passou por um processo de esterilização com a população inicial N0 para o seguinte tempo de esterilização: Page 4 of 17 Tempo de sobrevivência = (log N0 - 2) x D [min] A morte garantida de um indicador biológico ocorre depois do seguinte tempo de esterilização a 121ºC: Tempo de morte = (log N0 + 4) x D [min] Este tempo de esterilização determina um nível garantido de esterilidade de SAL = 10-4 (cada 10.000 - 1 micro-organismo deve permanecer vivo). Number of micro-biological Survivors [CFU/part] ― Bio-Burden = Various germs with different population 10000000 and resistance 1000000 ― Biological indicators (BI) = Germs with defined population and resistance 100000 107 106 105 104 10000 103 1000 100 102 10 101 100 1 Survival – Kill-Window 0,1 10-1 Sterility Assurance Level (SAL) 0,01 0,001 10-3 0,0001 10-4 0,00001 10-5 0,000001 0 2 4 Dxx-Value 6 8 10 12 14 16 FBio-Value 18 20 FO-Value 22 24 26 28 -6 30 10 = SAL (according EN 556) Time [min] Diagrama 3: Definição de: carga microbiana, SAL, indicador biológico, valor FBio, valor F0 2. Definição do nível de garantia de esterilidade (SAL) O número de micro-organismos diminui durante o primeiro processo de esterilização a cada unidade do tempo do valor D a uma potência de 10 ou 90% do valor anterior. Depois que o número de micro-organismos chega a 1 CFU com cada tempo de esterilização do valor D a população é reduzida para outra potência de 10 atingindo 0,1 CFU. Valores abaixo de 1 não determinam o número de micro-organismos vivos em uma parte, mas determinam a probabilidade de quantas partes ainda terem micro-organismos vivos. Se 10 partes, as quais contém 1 micro-organismo cada, são esterilizadas para outra unidade de tempo do valor D, novamente 90% dos micro-organismos são inativados. Portanto, o valor 0,1 CFU expressa que 9 de cada 10 partes se tornaram estéreis e que uma parte ainda não está estéril. O valor 0,01 ou 10-2 significa portanto que de cada 100 partes, 99 partes estão estéreis e que uma parte não está estéril. Valores de população < 1 não determinam o número de microorganismos, mas o nível de garantia de esterilidade. Esta é a razão entre os produtos não estéreis e estéreis em um processo. 2.1 Definição de um produto estéril de acordo com o padrão Europeu EN 556-1 A definição clássica de esterilidade determina que os micro-organismos não viáveis estejam dentro do produto estéril. As leis iniciais de cinéticas de morte porém, demonstram que o nível SAL talvez reduza por quanto mais tempo o processo ocorra, mas o SAL nunca irá atingir o zero. Isto significa que a probabilidade de esterilidade deve aumentar quanto mais tempo a esterilização ocorrer, mas a esterilização absoluta não será alcançada. Uma vez que a esterilização absoluta não pode ser atingida, produtos são talvez rotulados como estéreis de acordo com o padrão EN 556-1 se o SAL ≤ 10-6 é atingido no produto final da esterilização. Para preenchimento de líquidos na parte 2 do EN 556 um SAL ≤ 10-3 é aceitável desde que o processo de produção não possa atingir resultados melhores. Se um nível de garantia de esterilidade ≤ 10-6 é atingido, esses produtos de acordo com EN 556-1 devem ser rotulados como estéreis na Europa. Em outros países fora da Europa o nível aceitável de SAL é diferente dependendo da aplicação e dos regulamentos locais. A prova biológica direta para tais valores não podem ser alcançadas por testes experimentais, mas está disponível na extrapolação da reta da equação de cinéticas de morte. 3. Influência da temperatura nos processos de esterilização 3.1 Equação de Arrhenius Como descrito na parte 1, constante k’ e k e também o valor D são dependentes da temperatura. Esta dependência é descrita pela equação de Arrhenius: Ea k k0 e RT R K] T k k0 Ea (14) = Constante de gás geral [8,314 J/mol = Temperatura [K] = cinéticas de reação constante do logaritmo decimal [min-1] = Constante de cinéticas de reação definem um processo de esterilização [min-1] = Energia de ativação dos processos [J/mol] A constante k0 depende somente do tipo do processo de esterilização, é independente da temperatura e deve ser experimentalmente ativada. A energia de ativação Ea é a quantidade de energia para começar a reação de Page 5 of 17 morte. Usando a equação de Arrhenius a mudança experimental do valor D versus a temperatura deve ser derivada. Esta dependência é expressa pelo valor z (ver diagrama 4). 3.2 Definição do valor z (coeficiente de temperatura do valor D) O valor z descreve a dependência da velocidade de morte de microrganismos com a mudança de temperatura. Matematicamente o valor z é a diferença de temperatura necessária para mudar o valor D por um fator de 10 deixando todas as outras condições de esterilização constantes. Se valores D são alcançados em diferentes temperaturas e são colocados em meio logaritmo da escala do valor D em relação a temperatura, uma linha reta se forma onde a inclinação recíproca determina o valor z, ver diagrama 4. D-value [min] experim… lência (F(T, z) usando o índice de temperatura e o valor z do processo de esterilização. Este valor F determina o tempo de esterilização em uma temperatura constante. O valor F expresa a potência de esterilização de um determinado processo de esterilização e normalmente é expressada em minutos a uma determinada temperatura. O fator de inativação sozinho não é válido para a potência da esterilização, uma vez que micro-organismos com baixa resistência morrem mais rápido do que microorganismos com alta resistência ou valores D. Como mostrado acima, o tempo de esterilização a uma dada temperatura deve ser calculado se a carga microbiana inicial (N0) é conhecida para atingir um SAL final definido. Na realidade, um esterilizador está aquecendo por um período até a temperatura nominal de platô de, por exemplo, 121ºC ser alcançada. Durante a fase de aquecimento entre 100 e 121ºC micro-organismos já são mortos, apesar que em velocidade menor. Esta inativação deve ser adicionada à fase de platô da esterilização. Uma vez o valor z seja conhecido, os tempos adicionais de esterilização fora da fase de platô devem ser recalculados. A somatória de todos os tempos integrais devem ser considerados no tempo de esterilização total a 121°C e é uma definição do tempo equivalente. z-value O valor F é um tempo de esterilização em uma temperatura definida, em esterilização de radiação é definido por uma dose de radiação. Temperature [°C] FT ,z (lg N0 lg NF ) DT IF DT (16) Diagrama 4: Determinação do valor z Se o valor z é conhecido, valores D em determinadas temperaturas devem ser convertidos para o valor D com outra temperatura. 1 lg DT 1 lg DT 2 z T1 T2 (15) 4. Valor de equivalência da esterilização (valor F(T,z)) Se referindo a equação 6, o tempo de esterilização pode ser atingido multiplicando a redução decimal e o fator de inativação. Uma vez que o valor D é válido somente para uma temperatura, o tempo de esterilização em diferentes temperaturas durante o tempo seguinte deve ser ajustado para uma temperatura definida. Este tempo de esterilização a uma temperatura é definido como o tempo de equiva- Diagrama 6: ilustração do valor F 4.1 Definição do valor F0 O valor F0 é definido em uma temperatura de 121°C e o valor z a 10°C e é usado em indústrias como uma referência para processos de esterilização. Page 6 of 17 4.2 Outros valores F(T,z) Outros valores F devem ser definidos com outras temperaturas e valores z. No sistema métrico o valor Fc é definido a 120°C e o z = 10°C. 5. Planejamento de processos de esterilização Antes de ocorrer a validação de um processo de esterilização, as condições iniciais da esterilização devem ser conhecidas (tipo de esterilização, bens a serem esterilizados, empacotamento, etc). Produtos hidro e termo estáveis devem ser esterilizados em processos de esterilização a vapor. Produtos sensíveis à temperatura são esterilizados em processos de esterilização de baixa temperatura como EO, radiação, ou com formaldeído. Após definir o processo de esterilização, os parâmetros do processo devem ser definidos para que o valor SAL ≤ 10-6 seja atingido no final. Se a carga microbiana inicial incluindo outras condições iniciais constantes as quais estão disponíveis em novos produtos industrialmente esterilizados, os valores F0 podem ser determinados usando a carga microbiana inicial e o valor SAL o qual deve ser alcançado. Se condições iniciais constantes não podem ser garantidas como em unidades de saúde, um processo chamando overkill é utilizado. Para cuidar dos bens esterilizados e para minimizar os tempos de esterilização, o tempo e a temperatura de esterilização devem ser adaptados somente para os valores de morte necessários. Para alcançar este objetivo, não somente os parâmetros do processo precisam ser calculados, mas também é necessário que todos os parâmetros do processo sejam mantidos constantes durante a esterilização 5.1 Planejamento do processo com valores da carga microbiana inicial conhecidos Se a carga microbiana dos produtos a serem esterilizados é conhecida (tipos, população e resistência de todos os micro-organismos, os micro-organismos mais resistentes incluindo os valores z devem ser determinados. Se estas informações estão disponíveis, os parâmetros de esterilização devem ser calculados como demonstrado no seguinte exemplo: Condições iniciais para os exercícios 1-4: Número inicial de micro-organismos: N0 = 103 CFU SAL esperado: NF = 10-6 CFU = SAL = 10-6 Valor D121 = 1,5 min Valor z = 10°C Exercício 1: Calcule o fator de inativação necessário: IF= lg N0 – lg NF IF = lg 103 – lg 10-6 = 3 – (-6)=9 O fator de inativação tem um valor de redução decimal de 9 passos para alcançar o nível de garantia de esterilidade SAL = 10-6. Exercício 2: Qual tempo de esterilização a 121°C é necessário: F 0 = (lg N 0 – lg N F) • D T F 0 = (3+6) • 1,5 min = 13,5 min O tempo equivalente de esterilização necessário a 121°C é 13,5 min. Exercício 3: Sabendo que os bens de esterilização não são estáveis a 121°C uma temperatura de esterilização de 110°C deve ser utilizada. Quanto tempo é o deve ser o tempo de esterilização F110°C, z = 10 K? 1. Cálculo do valor D a 110°C utilizando a equação 16: lg DT 1 lg DT 2 1 z T1 T2 z (lg DT 2 lg DT 1 ) T1 T2 lg DT 2 lg DT 1 (T1 T2 ) z lg D110C lg D121C 11 C z lg D110C lg 1,5 1,1 1,276 D110C 101,276 18,8 [min] 2. Cálculo do tempo de esterilização utilizando a equação 6: F 110°C,10 = (lg N 0 – lg NF ) • D T F 110°C,10 = (3+6) • 18,8 min = 170 min O tempo de esterilização a 110°C é 2 h, 50 minutos. Exercício 4: Qual temperatura deve ser utilizada para que o tempo de esterilização não seja maior que 3 Page 7 of 17 minutos? A temperatura deve estar acima de 121°C. 121 15 15 1. Determinando o valor D: 134 3 > 60 t DT lg N 0 lg N F DT 3 min 0,33 min 3 6 2. Determinando a temperatura de esterilização lg DT1 lg DT2 1 z T1 T2 T1 z (lg DT2 lg DT1 ) T2 T1 10C (lg 1,5 lg 0,33 ) 121 C T1 127,56C Para um tempo de esterilização de 3 minutos temperatura de 127,6°C é necessária. No diagrama 6 todas os 3 processos estão representados. A razão para bem mais altos valores de F0 a 134°C é porque os tempos de equilíbrio da temperatura foram adicionados. Curtos tempos de esterilização abaixo de 1 minuto correm o risco de que a temperatura não seja alcançada em todos os locais com a carga. Portanto, um tempo mais longo de esterilização é utilizado como exigido para o F0. Comparando os mesmos valores F0 a 121°C com 15 min estaria a 134°C só em 0,75 min usando um valor z de 10°C. O tempo de 0,75 min está em 134°C somente. Além disso, todos os outros tempos tem que ser adicionados para atingir 134°C. Não é certeza absoluta se o tempo de esterilização é alcançado n câmara ou se é alcançado em todas as superfícies dos bens a serem esterilizados porque os gases não condensáveis (NCG) podem dificultar o aquecimento homogêneo dos bens. Se tempos de esterilização extremamente curtos são utilizados este potencial problema pode acontecer. Portanto, o tempo de esterilização a 134°C deve ser estendido para uma margem segura. 6. Requerimentos e seleção de indicadores biológicos para validação e monitoramento habitual Diagrama 7: Ilustração dos exemplos 5.2 Planejamento de processos com carga microbiana inicial desconhecida ou mutável (processos de overkill) Se as condições iniciais como em áreas de saúde são desconhecidas por causa de mudanças nas configurações de carga e nas cargas orgânicas, o processo deve ser desenvolvido utilizando condições do pior caso. Para estas condições valores mínimos F0 são descritos na Europeia Pharmakopoeia (EP) e na US Pharmakopoeia (USP). Para processos de esterilização a vapor dois tempos de esterilização e duas temperaturas são dadas, porém tendo dois valores F0: Temperatura [°C] Tempo [min] ValorF0 [min] Se há diferentes condições de esterilização paramétricas, como mudança na qualidade do vapor, uma validação utilizando condições paramétricas é impossível. Neste caso, apenas a inoculação direta com suspensão de indicador biológico nos casos de piores condições pode ocorrer. Em processos de baixa temperatura os indicadores biológicos são utilizados exclusivamente para validação. 6.1 Seleção de lotes Dependendo do processo de esterilização micro-organismos não patogênicos são selecionados tendo uma resistência mais alta em relação a micro-organismos patogênicos. O padrão internacional EN ISO 11138 recomenda micro-organismos individuais para diferentes processos de esterilização. Preferencialmente a geração de esporos de microorganismos com populações definidas são produzidas. Elas mantém a população por diversos anos. Somente indicadores biológicos com certificado devem ser utilizados mantendo o micro-organismo, o valor D, o fabricante e a data de validade e são fabricados de acordo com o padrão acima. O certificado também Page 8 of 17 deve indicar de qual coleta a estirpe está vindo. Como: DSM Pumilus 27142 Radiação ɣ e β 6.2 Resistência de indicadores biológicos A resistência total de um indicador biológico depende da população e da resistência de cada micro-organismo individualmente. A resistência de cada micro-organismo individual é definida pelo valor da redução decimal o qual é o tempo necessário para reduzir a população de um indicador biológico para um décimo da população original. A resistência total de um indicador biológico é expressa pelo valor FBIO: FBIO = Valor D121°C x log (população) Este fato pode ser demonstrado pelos dois exemplos na tabela abaixo. Exemplo 1 2 População [CFU/unit] 106 105 Valor D121 [min] 1,5 2 Valor FBio [min] 9 10 Como indicado acima, o valor D de uma dada estripe nunca é constante e depende do crescimento e das condições do processo. Portanto, para cada lote do indicador biológico certificados devem ser associados ao produto indicando a população, a resistência individual, e a resistência total de um indicador biológico. 6.3 Seleção de indicadores biológicos para monitoramento de rotina Para monitoramento de rotina os indicadores biológicos devem ser selecionados de acordo com os requerimento dos padrões internacionais e deve ser adotado o valor F0 do processo de esterilização. Para monitorar o processo F0 = FBio + 4 • D121 FBio = F0 – 4 • D121 O teste de esterilidade de acordo com EN 556 com indicador biológico não é diretamente possível uma vez que não é possível fazer testes com um milhão de indicadores biológicos. Para verificar se o SAL ≤ 10-6 foi alcançado, o valor FBio do indicador biológico deve estar acima da carga da biocarga (ver diagrama 8). 1,0E+04 CFU of the biological indicator 1,0E+03 colony forming units [CFU/part] = Deutsche Sammlung für Mikroorganismen (Coleta alemã de microrganismos) ATCC = Tipo americano de coleta de cultura NCTC = Coleção Nacional do tipo de cultura (Londres) A tabela a seguir lista as estripes mais populares para diferentes processos de esterilização: ATCC Processo de esteriNome No.: lização Oxido etileno, calor Atrophaeus 9372 seco Stearothervapor, formaldeído, mophilus 7953 H2O2 overkill em processos de esterilização a vapor o valor FBio deve ser selecionado para que o valor SAL do indicador biológico no final do processo de esterilização 10-4. Portanto, o valor FBio pode ser calculado: 1,0E+02 1,0E+01 bioburden of the insterile product 1,0E+00 F=2x5=10 (90% kill rate) F=2x6=12 (99% kill rate) 1,0E-01 1,0E-02 F=2x7=14 (99,9 % kill rate) 1,0E-03 1,0E-04 1,0E-05 "Sterile product" 1,0E-06 0 2 4 6 8 10 time [min] 12 14 16 Diagrama 8: Seleção de indicadores biológicos 6.4 Posicionamento de indicadores biológicos Indicadores biológicos devem estar localizados fora dos pacotes. Nos padrões de indicadores biológicos não há recomendações dadas de onde posicionar os indicadores biológicos dentro de uma carga de esterilização. Indicadores biológicos tem que estar sempre localizados no pior caso de localização de acordo com o padrão de validação, por exemplo para processos de esterilização a vapor EN ISO 17665-1, os quais devem estar dentro do pacote com bens sólidos ou dentro de instrumentos com aberturas ocas e/ou fendas. Se as fitas do indicador biológico não podem ser colocadas em dispositivos ocos ou fendas, inoculação direta com suspensões de indicadores biológicos têm de ser feitas ou eles tem que ser colocados dentro de dispositivos de desafio do processo (PCDs). Os pequenos efeitos de carga e os gases não condensáveis dentro da câmara de esterilização tem que estar descritos. Gases não condensáveis (NCG) misturados com vapor dentro da câmara de esterilização são transferidos em um único pacote criando perigosas quantidades de NCG dentro. Page 9 of 17 18 7. Glossário de símbolos usados ao longo do texto Símbolo CFU Descrição da unidade Número de microorganismos Unidade Abreviação Descrição da aplicação Unidade formadora de colônia número Quantidade de micro-organismos em um indicador biológico DT Fator de redução decimal (valor D) a uma temperatura T Tempo ou dose [min] E0 Energia de ativação da reação Energia da reação [J/mol] F(T,z) Tempo de equivalência de um processo de esterilização tempo [min] F0 Tempo de equivalência de um processo de esterilização em condições padrão (ex. vapor 121°C) tempo [min] IF k k’ k0 Fator de inativação Constante da cinética da reação do logaritmo decimal Constante da cinética da reação do logaritmo natural Fator de dependência da temperatura da constante da cinética da reação Descreve a resistência de um indicador biológico, descreve o tempo necessário para matar 90% da carga microbiana inicial ou reduz a população por uma década Energia da reação para começar a reação química Correlação de todos os tempos de esterilização em diferentes temperaturas para uma dada temperatura de referência, expressa a força da esterilização, dado como tempo a uma temperatura definida Para processos de esterilização a vapor a 121°C e um valor conjunto de 10°C, expressa a força da esterilização Redução da população durante um processo de esterilização, expresso pelo número de redução (log de diferença de população) quantidade N 1/tempo [min-1] 1/tempo [min-1] 1/tempo [min-1] Específico para processos de esterilização individuais Utilizado se o logaritmo decimal é usado Utilizado de o logaritmo natural é usado N População nominal em um dispositivo médico Número de microorganismos [CFU/par t] Número de micro-organismos em um instrumento NF Número de microorganismos em um MD depois de um ciclo de esterilização Número de microorganismos [CFU/par t] Número de micro-organismos em um dispositivo médico depois de passar por um processo com tempo de esterilização F N0 Carga microbiana inicial em um dispositivo médico Número de microorganismos [CFU/par t] Carga microbiana de MD antes da esterilização Valor constante [J/mol K] = 8,314 [J/mol K] tempo [min] temperatura [°C] PCD R SAL Dispositivo de desafio do processo Constante de gás geral Nível de garantia de esterilidade t Tempo de esterilização z Coeficiente de temperatura Tempo decorrido durante a esterilização Descreve a modificação do valor D dependendo da temperatura Protegido por direitos autorais. 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