AU TO RA L UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU O PE LA LE I DE DI R EI TO AVM FACULDADE INTEGRADA EG ID O IMPACTO DA ATUAÇÃO DA EMPRESA CAIXA ECONÔMICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO CU M EN TO PR OT FEDERAL NO MEIO AMBIENTE, POR MEIO DE PROGRAMAS Por: Arioneide Ferreira Viana da Silva Orientador: M. Sc. Mariana de Castro Moreira SÃO PAULO 2013 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA O IMPACTO DA ATUAÇÃO DA EMPRESA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL NO MEIO AMBIENTE, POR MEIO DE PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada – Universidade Cândido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Educação Ambiental Por Arioneide Ferreira Viana da Silva Orientador: M. Sc. Mariana de Castro Moreira SÃO PAULO 2013 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiro a Deus, aos autores, aos meus amados, marido Moacir e aos filhos Rafael, Jackeline e Bruna pela paciência e colaboração nos momentos dedicados a este curso, às pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram para a confecção desse trabalho acadêmico. DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho a minha filha Jackeline, pela confiança e apoio a mim dedicados, e que tanto colaborou para a confecção trabalho. e aperfeiçoamento desse EPÍGRAFE “A educação é o ponto em que decidimos se amamos o nosso mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e vinda dos novos e dos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós.” (ARENDT, 1972) RESUMO Esta monografia apresenta uma análise sobre a empresa Caixa Econômica Federal - Caixa, sob a ótica da Educação Ambiental não-formal, e sua contribuição para o meio ambiente. Destacamos principalmente a atuação da empresa com questões que se referem à Habitação de Interesse Social comprometida com a sustentabilidade. Foi feito um breve histórico da ação do homem na Natureza, suas ações predatórias e a dominação dos recursos naturais. Apontamos também a tomada de consciência de que os recursos naturais são finitos e a percepção da necessidade de modificar a nossa relação com a natureza, para que possamos continuar com as nossas necessidades atendidas sem findar as possibilidades das gerações futuras de atender as suas- pensando uma educação ambiental para a sustentabilidade. Por fim tratamos de projetos habitacionais executados pela Caixa, que se mostram alinhados com uma política nacional de educação ambiental voltada para a sustentabilidade. Chegando-se a conclusão que a empresa está prestando um trabalho com responsabilidade socioambiental, mas que ainda há muito por se fazer. METODOLOGIA Este trabalho foi desenvolvido por meio de dados secundários de fontes diversas, documentos publicados pela empresa, conteúdos publicados em livros, revistas e sites da Internet, e para enriquecer o conteúdo também foram coletados dados primários por meio de estudo de campo. Esse estudo foi feito pela análise do projeto habitacional do Governo do Estado de São Paulo denominado “Cota Casqueiro” e o acompanhamento da execução da produção de unidades habitacionais e do trabalho técnico social, na cidade de Cubatão - SP. Este projeto é acompanhado pela Caixa, a qual é agente financeiro. O acompanhamento se dá através de relatórios sociais e físicos (obras), como também através de visitas mensais nas áreas da intervenção e em contato direto com a população beneficiária. A partir do conteúdo levantado, foi feita uma breve exposição sobre a situação do Estado de São Paulo em relação à habitação de interesse social, enquanto política pública, e a importância da atuação da Caixa sobre essa realidade. A legislação vigente, assim como conceitos e normas de conduta também foram consultados para verificar o comportamento da empresa e suas ações em relação à Responsabilidade Socioambiental. A escolha do tema foi baseada no desenvolvimento do trabalho diário da equipe de desenvolvimento urbano da Caixa. A referência teórica será, em grande parte, baseada em documentos publicados pela Caixa, como Relatório de Sustentabilidade e Guia Caixa Sustentabilidade Ambiental. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 10 CAPÍTULO I – Ação do Homem na Natureza 12 CAPÍTULO II – Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável 20 CAPÍTULO III – Responsabilidade Socioambiental – Caixa 26 3.1 O Selo Casa Azul CAIXA 29 3.2 O Projeto Cota Casqueiro 30 CONCLUSÃO 38 BIBLIOGRAFIA 40 WEBGRAFIA 42 ANEXOS 43 10 INTRODUÇÃO Esta monografia apresenta uma análise sobre a empresa Caixa Econômica Federal (“Caixa”), em atuação com a Educação Ambiental nãoformal, e sua contribuição para o meio ambiente. A Caixa se apresenta num cenário de preocupações ambientais, como por exemplo, a crescente urbanização gerada, também, pela busca incessante de melhores condições de vida através de oportunidades de trabalho nos grandes centros que, por sua vez, desencadeia um crescimento desordenado nas grandes cidades e nos seus arredores. E com o objetivo de atender essa demanda e amenizar os problemas advindos do déficit habitacional, a Caixa como agente executor de programas habitacionais introduziu na produção de casas o chamado “Selo Casa Azul CAIXA”. Com o Selo Casa Azul CAIXA, busca-se reconhecer os projetos de empreendimentos que demonstrem suas contribuições para a redução de impactos ambientais, avaliados a partir de critérios vinculados aos seguintes temas: qualidade urbana, projeto e conforto, eficiência energética, conservação de recursos materiais, gestão de água e práticas sociais. (RAMOS COELHO, 2010,p.5) Diante desse cenário, a razão desse estudo é demonstrar como a Caixa Econômica Federal se posiciona e atua na sociedade brasileira no âmbito da educação ambiental, como instituição financeira e parceira do governo federal na execução das políticas públicas, nos vários seguimentos da sociedade. A Caixa prioriza setores como, habitação, saneamento básico, infraestrutura e prestação de serviços, atuando na promoção do desenvolvimento 11 urbano e na igualdade social do país, contribuindo para melhorar a qualidade de vida das pessoas, principalmente as de baixa renda. Considerando a importância da educação socioambiental para a sociedade brasileira, esse estudo desenvolve com mais detalhes o envolvimento da Caixa com tais questões relacionando-as com a habitação e a sua contribuição para o meio ambiente. A divisão desse trabalho está feita em três capítulos e a conclusão. No primeiro capítulo foi feito um breve histórico da ação do homem junto ao meio ambiente e os males causados ao planeta por essa ação. O segundo capítulo aborda a educação ambiental para o desenvolvimento sustentável, a partir da percepção do esgotamento dos recursos naturais e a necessidade de se planejar um desenvolvimento que se sustente não apenas no campo econômico, mas também nos setores social, ambiental e cultural. No decorrer desse capítulo serão descritas estratégias adotadas por governos e empresas, bem como as suas práticas e os objetivos. Já no terceiro capítulo é abordada a atuação da Caixa no âmbito da responsabilidade socioambiental, sua política de educação ambiental nãoformal, verificado em registros da empresa, nos seus relatórios de sustentabilidade e balanço social. A abordagem será pautada com base na análise de sua missão que por reflexo contribui para uma sociedade mais sustentável. Por fim, a conclusão demonstrará o impacto ambiental que a Caixa produz sobre o Estado de São Paulo nas políticas públicas relativas ao tema da habitação. 12 CAPÍTULO I A Atuação do Homem na Natureza Segundo Braick e Mota (2007) no período Paleolítico os seres humanos sobreviviam por meio da caça, pesca e da coleta de frutas e raízes, utilizavam artefatos feitos com pedra lascada, madeira, ossos e dentes de animais, ainda nesse período já se inicia o aperfeiçoamento dos artefatos, elaboração do arco e flecha, as lanças e vários utensílios de argila, ossos e dentes, começou, também a fixação de grupos em algumas regiões, era a transição para o período Neolítico, já nesse período o homem conseguia distinguir os animais que podiam caçar, diferenciar as plantas que podiam comer e as que podiam usar para tratamento de doenças. O homem começou a desenvolver meios de transporte, como canoas, jangadas o que facilitou as suas migrações. Também começou aí o processo de procurar entender os fenômenos da natureza através de crenças religiosas. Estudos demonstram que em torno de 10 mil anos atrás o homem descobriu a agricultura o que veio a revolucionar a vida nas comunidades neolíticas. Esta atividade passou a fornecer fonte estável de alimentos e a fixação do homem em áreas mais férteis, como também passou a desenvolver a domesticação de animais e o pastoreio. Conhecidas como Revolução Neolítica ou Revolução Agrícola, essas mudanças ampliaram o ‘domínio do homem sobre a terra’, resultando em maior produção de alimentos e no conseqüente crescimento populacional. (BRAICK, e MOTA 2007 , p.30) “ Grifo do autor” Com a abundância de alimentos, camponeses se dedicaram exclusivamente ao cultivo, e troca de excedentes agrícolas eram feitas com outros produtos, dando início ao comércio através de trocas de produtos. Ainda na Pré-história, no seu último período, a Idade dos Metais, foi iniciada a exploração de metais, sendo o primeiro deles o cobre, na seqüência 13 o bronze e depois o ferro. Foi criada mais uma forma de ‘exploração da terra,’ se firmando em mais uma atividade, considerada de grande importância para o desenvolvimento do homem, pois com o desenvolvimento da metalurgia novas ferramentas foram criadas o que trouxe uma contribuição significativa para o desenvolvimento da agricultura. Segundo Cotrim (2003), entre os séculos IX e X, os europeus ocidentais passaram a viver com grande insegurança devido às invasões sofridas por eles, o que forçou os nobres, as pessoas com mais recursos – os detentores da terra - a construir castelos e vilas que eram verdadeiras fortalezas cercadas de muralhas. Os historiadores observam nas sociedades européias forma de viver e sobreviver, forma esta que deu origem ao Feudalismo – este é um termo que gerou vários conceitos. O que traduz com mais coerência para o nosso estudo é o seguinte: Um sistema de organização econômica, social e política baseado nos vínculos de homem a homem, no qual uma classe de guerreiros especializados - os senhores -, subordinados uns aos outros por uma hierarquia de vínculos de dependência, domina uma massa campesina que ‘explora a terra’ e lhes fornece com que viver. (LE GOFF, apud COTRIM,2002,p.124, grifo nosso). O Feudalismo foi um sistema baseado na economia agrária, onde os camponeses tinham um trabalho pesado de cultivo da terra, para o seu sustento e para o sustento dos senhores feudais. Nos feudos procurava-se atender a todas as necessidades, os servos cultivavam a terra e ao mesmo tempo cuidavam da criação de animais para consumo, como porcos, galinhas, tinha também os que produziam artefatos de madeira e de metal, produção de tecidos e tudo o mais que fosse necessário. Já no século XVIII, com a Revolução Industrial – o desenvolvimento tecnológico - na Europa Ocidental, a produção passou a ser feita por máquinas, deixando de ser manufaturados, encontrando aí uma forma mais eficiente, rápida e com custo reduzido, promovendo ‘mudanças significativas principalmente, nas relações de trabalho e de consumo’. É o começo do 14 capitalismo, que passa a ser difundido pelo mundo no decorrer do século XIX, e com ele a economia mundial ganha uma nova ordem. Assim, Os donos de capitais investiram nas fábricas (manufaturas) e adquiriram propriedades rurais, modernizando métodos de produção que incluíram, entre outras coisas, a introdução de máquinas agrícolas. Esse processo levou a um aumento da produtividade e reduziu o número de trabalhadores rurais, substituídos pelas máquinas. As grandes levas de camponeses que perderam suas antigas funções foram obrigadas a migrar para as cidades (êxodo rural), onde se engajaram no trabalho nas indústrias que surgiam. (COTRIM, 2003, p.277) Com a nova ordem nasce uma nova classe social, o proletariado. Com a oferta de trabalho na indústria, houve uma intensificação do êxodo rural em busca de melhores condições de vida. O êxodo rural causa grandes concentrações, as cidades passam a crescer de forma desordenada gerando o caos, onde os seus habitantes ficam expostos a epidemias, devido à falta de saneamento básico, falta de higiene das populações, o processo de industrialização traz consigo, já no século XIX também a emissão de gases tóxicos, e no final do mesmo século a contaminação do solo e das águas (mares e rios), e por este motivo as indústrias são consideradas as principais responsáveis pela destruição do meio ambiente. ... um processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Põem em movimento as forças naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza. (Marx,1989, p. 202). 15 Um ponto de evidência no cenário brasileiro, também no século XVIII, além do desmatamento, é a dilapidação dos recursos naturais por meio do ciclo do ouro. A sua extração aconteceu de várias formas, uma delas a “grupiara” em que é necessário primeiramente realizar o desmatamento, depois escavação e ainda a utilização de grande quantidade de água. Um passo mais à frente na história - e marcante para o Brasil - foi o cultivo do café, à partir de 1727, que movimentou fortemente a economia até a primeira metade do século XX. Esse tipo de cultivo gerou um grande agravante para o solo devido ao desmatamento. Todo esse histórico da economia agrária brasileira já trazia a exploração predatória da terra, minérios e espécies da fauna e da flora do país. Esse histórico predatório é decorrente do domínio da natureza e a exploração dos recursos naturais que objetivam o acúmulo de riquezas, e geram uma melhor qualidade de vida para as populações. Sem levar em consideração o desequilíbrio que essa exploração traz para os ecossistemas envolvidos. A Revolução Industrial trouxe em si transformações de várias naturezas, como políticas, econômicas e sociais. A Revolução Industrial modifica também as relações dos homens entre si. As máquinas, com efeito, introduzem nas estruturas tradicionais a transformação do mapa da indústria, que agora se reagrupa – ou se desenvolve – em torno das fontes de energia ou das matérias-primas, perto das cidades, por que necessita de uma mão-deobra numerosa.[...] Como o crescimento das unidades industriais supõe a aplicação de capitais, vemos também surgir uma categoria relativamente nova, a dos chefes de indústria, a dos empresários, que dispõem de capitais ou fazem empréstimos. (RÉMOND, apud BRAICK e MOTA,2007,p.336) 16 A Revolução Industrial até os dias de hoje, com toda a sua expansão tecnológica é um divisor entre ‘países desenvolvidos e subdesenvolvidos’ onde grupos sociais estão à margem dos benefícios proporcionados pelo desenvolvimento econômico. Segundo, Braick e Mota (2007) com o importante fenômeno da Globalização, criou-se uma ‘interdependência entre os mercados financeiros, em escala mundial, encurtou distâncias e barateou a informação’, contudo esses avanços não refletem necessariamente conquistas sociais. Não estamos aproveitando o potencial que a globalização oferece para reduzir a fome e a pobreza, para prover de condições dignas o mundo do trabalho, para atender às demandas de homens e mulheres por alimentação, moradia, água, saneamento, educação e cultura. O relatório da Comissão Mundial sobre a Dimensão Social da Globalização(...) mostra(...) que a Globalização aumentou a distância entre ricos e pobres,(...)A suposta racionalidade dessa globalização não satisfaz os interesses da maioria.[...] Sabemos que o mercado é importante estímulo à produção e à alocação de recursos. Mas os mecanismos de mercado não são capazes, por si mesmos, de assegurar o fim das desigualdades e das injustiças. Em alguns casos podem mesmo agravá-las, por isso é necessária a intervenção de líderes comprometidos com o progresso social. É preciso tomar as rédeas da globalização. É necessário torná-la uma força positiva para todos os povos do mundo. O fortalecimento do sistema multilateral das Nações Unidas é fundamental para desenvolvermos estratégias integradas e consistentes que respondam aos múltiplos desafios.(SILVA apud BRAICK e MOTA, 2007,p.738 grifo nosso). Na sua trajetória, em busca de desenvolvimento econômico, o homem conseguiu promover o desaparecimento de florestas, em prol da agricultura e do ilegal ou sem critério da madeira, caça e pesca predatórias fazendo desaparecer definitivamente várias espécies de animais, contaminou os mares e rios, como também poluiu o ar provocando impactos irreparáveis na biodiversidade. Inúmeros ‘acidentes ambientais’ foram registrados na história da humanidade. 17 De acordo com a CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, “Acidente Ambiental é um acontecimento inesperado que pode causar, direta ou indiretamente, danos ao meio ambiente e à saúde.” (CETESB, 2012). Camargo (2003) e Dias (2006)relacionaram acidentes ambientas de grande porte, que chamaram à atenção do mundo para as questões ambientais: ü 1941/1945 – Segunda guerra mundial – Os Estados Unidos jogam duas bombas atômicas sobre o Japão. ü 1953 – Chuva ácida em Nova York devido a testes nucleares no deserto de Nevada. ü 1954 – EUA contamina grande área de oceano, fazendo testes com bomba de hidrogênio. ü 1980 – Em Cubatão, Brasil o alto nível de poluição provoca doenças pulmonares, abortos, geração de bebês acéfalos e outras anomalias em sua população. ü 1984 – Em Bhopal, na Índia, três mil pessoas morreram e mais de 200 mil ficaram intoxicadas por isocianato de metila que vazou da empresa Union Carbide. ü 1984 – No México morreram mais de 650 pessoas e mais de seis mil feridos no acidente que se chamou de “México City: O dia em que o céu pegou fogo”, devido a explosão de explosão de gás liquefeito. ü 1986 – Na antiga URSS, Reator Nuclear explode em Chernobyl formando uma gigantesca nuvem de radiação, se espalhando por vários países da Europa, e também no Japão. ü 1989 – No Alaska um derramamento de petróleo, atingiu uma área de 260 quilômetros causando a morte de milhares de animais, entre eles, aves, peixes, leões-marinhos e baleias. 18 ü 1993 – Em Cubatão o solo e lençol freático foram contaminados pela empresa Rhodia, 150 funcionários sofreram distúrbios de ordem neurocomportamentais, danos hepáticos, infertilidade e depressão. Somente no ano de 2000 a Petrobras foi responsável por 8 acidentes ambientais no Brasil ü 2000 – Tramandaí 18 mil litros de óleo vazam (a 125 km de Porto Alegre). A Petrobrás é multada em R$ 500 mil. ü 1. Jornal Folha de São Paulo(06.11.2012) denuncia: Petrobras está envolvida em 8 acidentes ambientais apenas em 2000: ü 16 de março de 2000 - 7.250 litros de petróleo vazam do Terminal Almirante Barroso, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. ü de 26 de junho 2000 - 380 litros de petróleo vazam na baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. A Petrobras é multada em R$ 50 milhões por ser reincidente. ü 16 de julho de 2000 - 4 milhões de litros vazam da Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária, no Paraná. Pelo acidente, a Petrobras recebeu multa de R$ 50 milhões, mas, com desconto, a multa ficou por R$ 40 milhões. ü 31 de julho - vazamento de MTBE (meti terc-butil éter) em Paracambi, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. A Petrobras é multada em R$ 1 milhão. ü 11 de agosto - 1.800 litros vazam no Rio Grande do Norte. ü 31 de agosto - 4.000 litros vazam em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, no seu Relatório de Acidentes Ambientais 2011, representou graficamente o número de acidentes ocorridos no período de 2006 a 2011. Podemos observar um aumento assustador no número de acidentes ambientais ocorridos em todo o território nacional nesse período. 19 Gráfico 1:Número de Acidentes Ambientais x Ano. (Fonte: Site: www.ibama.gov.br/emergencias-ambientais) Número total de acidentes ambientais registrados pelo IBAMA no período de 2006 a 2011. 20 CAPÍTULO II A Educação Ambiental para a Sustentabilidade O Segundo capítulo é dedicado a uma reflexão sobre o processo de educação que toque nas questões ambientais com uma visão integral do contexto em que vivemos hoje. Tornou-se vital conhecer o destino do planeta em que vivemos, tentar perceber o caos dos acontecimentos, interações e retroações nas quais se misturam os processos econômicos, políticos, sociais, étnicos, religiosos, que tecem esse destino. Segundo Camargo (2003), o homem, até então se relacionou com a natureza em três diferentes fases: no princípio pela submissão, o homem diante da grandiosidade da riqueza de recursos disponíveis na terra; depois com a sua ação ávida de exploração sobre ela e, por fim, a tomada de consciência da grande e grave degradação do meio ambiente e porque não dizer do planeta. Até meados do século XX, foram feitos alertas em relação aos perigos causados pela exploração desenfreada dos recursos naturais de forma tímida, por escritores, filósofos, ecologistas e ambientalistas. De acordo com Morin, Ciurana e Motta (2003), fazem-se necessários novos arranjos e propostas para os intricados caminhos e descaminhos a serem assumidos pelo conhecimento, nessa era mundializada, responsável por arrogâncias imperiais, mimetismos guerreiros e violências identitárias sem precedentes na história do Sapiens-demens. A incorporação de uma racionalidade ambiental no processo de ensino-aprendizagem implica um questionamento do edifício do conhecimento e do sistema educacional, enquanto se inscrevem dentro dos aparelhos ideológicos do Estado que reproduzem o modelo social desigual, insustentável e autoritário, através de formações ideológicas que moldam os sujeitos sociais para ajustá-los às estruturas sociais dominantes. O ambientalismo surge num 21 processo de emancipação da cidadania e de mudança social, com uma reivindicação de participação popular na tomada de decisões e na autogestão de suas condições de vida e de produção, questionando a regulação e controle social através das formas corporativas de poder e o planejamento centralizado do Estado. Esta demanda, de democratização no manejo dos recursos volta-se também para a gestão dos serviços educacionais. (LEFF, 200, p.256). Em junho de 1972, foi realizada na Suécia a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, chamada de Conferência de Estocolmo, com a participação de 113 países. Foi o primeiro fórum intergovernamental cujo objetivo era discutir as questões sociais, políticas e econômicas do planeta. A partir daí os países reconheceram a urgência de planejamento e ações capazes de promover um desenvolvimento mais ordenado, o que deu início ao que veio chamar-se de desenvolvimento com sustentabilidade. Segundo Camargo (2003), a Carta da Terra que a UNESCO apresentou em Paris e a ONU aprovou em 2002, foi de uma importância tamanha, que se equipara à Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Carta da Terra teve como principal objetivo conclamar todos os povos para uma aliança mundial de respeito à vida e ao planeta. Começa a busca da sustentabilidade, com propostas de mudanças reais de comportamento das sociedades e dos Estados, envolvendo ética, justiça e igualdade entre os homens e destes com a natureza. Silva (2005) escreve sobre a predominância na cultura brasileira da preocupação com a educação ambiental para crianças e jovens, as futuras gerações, e também ressalta a urgência da necessidade de mudança de atitude também nas gerações atuais. A dimensão social dessa situação requer ações de enfrentamento para o tempo presente, junto aos usuários contemporâneos desses recursos naturais. Isso significa, desenvolver o esforço de contribuir para a aquisição do repertório da cultura da sustentabilidade em suas 22 múltiplas dimensões, considerando as práticas sociais, as relações produtivas e mercantis, as instituições, as doutrinas político-ideológicas, as condições socioeconômicas e culturais, e também para a compreensão da magnitude dos problemas ambientais atuais e do saber ambiental necessário à compreensão da vida e da relação humano- sociedade- natureza.” (SILVA, 2005, p.5) Para Layrargues a educação ambiental vista numa perspectiva analítica pode vir a ser um instrumento de socialização humana visando à Natureza, como também pode vir a ser um instrumento ideológico a serviço da continuidade das condições sociais já estabelecidas. . Para frisar a necessidade de ampliação do horizonte da educação ambiental, associando-a à ‘responsabilidade social’, o desafio da complexidade para a educação ambiental parece ser o de tornar visível as mútuas relações de causalidade multidimensional entre os fatores ecológicos, sociais, culturais, econômicos, políticos, éticos...o que de fato não é realmente trivial. Afinal, não estamos acostumados a ver as coisas assim conectadas, ao contrário, com o paradigma cartesiano tendemos a fragmentar, separar, dividir, hierarquizar, e parece natural ver as coisas separadas, sem conexão. E assim vemos os problemas ambientais separados dos problemas sociais, a questão ambiental deslocada da questão social.(LAYRARGUES, 2004 p.23) É de fundamental importância que o desenvolvimento sustentável seja visto como um novo modelo, onde haja cooperação entre os Estados que estão em desenvolvimento e os já desenvolvidos, que a economia seja reformulada de forma que o foco seja o bem estar da população sem perder a percepção que os recursos naturais são finitos, e que o uso deles não pode se dar de forma predatória. "O conceito de Desenvolvimento Sustentável - DS tem sido associado com a Educação Ambiental - EA para promover modelos baseados na sabedoria da utilização 23 dos recursos, considerando a equidade e durabilidade. Dentro do Programa Internacional da EA, a UNESCO (UNESCO,1995a) propõe que o DS é o objetivo mais decisivo da relação dos "homens" como ambiente. Isso reorienta a EA (UNESCO, 1995-b) e acrescenta um "remodelamento" de todo processo educativo para encontrar esse fim (UNESCO 1992)." Para John Elkington é necessário que as empresas avaliem e compreendam a economia, considerando o meio ambiente de onde são extraídos os seus insumos e a sociedade a qual pertence, somente assim poderão tornar-se sustentáveis. Nesse sentido, mais e mais empresas estão utilizando um instrumento chamado “Tríplice Resultado” (figura 1), para nortear suas buscas de ‘lucratividade positiva’, e a ‘manutenção do capital social, humano e ambiental.’ Como pode ser observado na figura 1, esse instrumento considera na frente econômica as vendas, impostos, fluxos monetários etc.; na frente Ambiental estão pontos como a qualidade do ar e da água, uso de energia etc.; por fim, na frente social são consideradas as práticas trabalhistas, os direitos humanos, responsabilidade social etc. Figura 1 Econômicos Ambientais Sociais Vendas, lucro, ROI Qualidade do ar Práticas trabalhistas Impostos Pagos Qualidade da água Impactos sobre a comunidade Fluxos monetários Criação Uso de energia de Geração Direitos humanos de Responsabilidade empregos resíduos pelos produtos Total Total Total (Fonte: SAVITZ 2007, p.5) John Elkington,... sugere que as empresas avaliem o sucesso não só com base no desempenho financeiro (geralmente expresso em termos de lucro, retorno sobre 24 o investimento – ROI, ou valor para os acionistas), mas também sob o ponto de vista de seu impacto sobre a economia mais ampla, sobre o meio ambiente e sobre a sociedade em que atua. (SAVITZ, 2007,p.5). Em 2001 o “Center of excellence for sustainable development”, apresentou outro conceito: Enquanto os métodos tradicionais podem levar a sérios problemas sociais e ambientais, o desenvolvimento sustentável fornece uma estrutura através da qual as comunidades podem usar recursos mais eficientemente, criar infra-estruturas eficientes, proteger e melhorar a qualidade de vida, e criar novos negócios para fortalecer suas economias. Isso pode nos auxiliar a criar comunidades saudáveis que possam sustentar nossa geração tão bem quanto as que vierem. (CAMARGO, 2003, p.58). Segundo Savitz (2007), sustentabilidade se estabelece numa relação de interdependência, de respeito, entre os homens, destes com os vários setores da sociedade na qual vive e sem esquecer jamais do meio ambiente, de onde são retirados os recursos para que possa sobreviver. Segundo o Caderno Metodológico para Ações de Educação Ambiental – do Ministério das Cidades (2009), a Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA, instituída pela lei nº 9.795 de 1999, e regulamentada pelo decreto nº 4.281 de 2002, é um forte sinal de avanços legais no campo da Educação Ambiental trazendo em si princípios referentes à educação ambiental, permanente e continuada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo devendo ser articulada dentro e fora da escola. Atualmente a sociedade tem procurado utilizar instrumentos legais, como também investir na formação de profissionais em sustentabilidade, objetivando atender uma maior exigência das empresas no que se refere a ações de ”intervenção positiva nas comunidades e na natureza”. A responsabilidade social já é uma prática realizada por uma parcela não muito expressiva das empresas, contudo essas ações isoladas se traduzem nos 25 primeiros passos de um longo processo até que se conquiste uma mudança substancial. Cada vez mais as comunidades estão cientes e cobrando os seus direitos, para isso se mobilizam e fiscalizam as empresas, ancoradas em uma legislação que visa proteger e manter um meio ambiente equilibrado. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 determinou a criação de Leis Orgânicas, para os municípios, um exemplo, é o município de São Paulo que estabelece deveres quanto à utilização do meio ambiente e prevê sanções às empresas, com a contribuição ativa da comunidade, uma espécie de fiscalização comunitária. 26 CAPÍTULO III Responsabilidade Socioambiental – CAIXA No terceiro capítulo falaremos da empresa Caixa Econômica Federal, empresa com responsabilidade socioambiental e a sua contribuição para o meio ambiente na política pública de habitação de interesse social. Fundada em 12 de janeiro de 1861 pelo imperador D. Pedro II com a missão de conceder empréstimos e incentivar a poupança popular, a CAIXA consolidou-se ao longo de um século e meio de atividades como uma das mais importantes instituições públicas do Brasil, com presença em todo o território nacional. Tal condição é decorrência de sua contribuição para o crescimento econômico e social do país e de seu sólido relacionamento com a sociedade. (RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE – CAIXA 2011). De acordo com o website da Caixa Econômica Federal, hoje A Caixa é uma instituição financeira sob a forma de empresa pública, criada nos termos do Decreto-Lei nº 759, de 12 de agosto de 1969, vinculada ao Ministério da Fazenda, com sede e foro na capital da República, prazo de duração indeterminado e atuação em todo o território nacional, podendo criar e suprimir sucursais, filiais ou agências, escritórios, dependências e outros pontos de atendimento nas demais praças do País e no exterior. (...) [Representa] instituição integrante do Sistema Financeiro Nacional e auxiliar da execução da política de crédito do Governo Federal, a CAIXA se sujeita às decisões e à disciplina normativa do órgão competente e à fiscalização do Banco Central do Brasil. (www.caixa.gov.br. Consulta realizada em 10 de setembro de 2012) Sua Missão é “atuar na promoção da Cidadania e do desenvolvimento sustentável do país, como instituição financeira, agente de políticas públicas e 27 parceira estratégica do Estado brasileiro.” (www.caixa.gov.br. Consulta realizada em 7 de setembro de 2012) Em seu Relatório de Sustentabilidade 2011 – Desempenho Ambiental, a Caixa ressalta o Relatório Global sobre Economia Verde (2011) do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), onde a abordagem sobre políticas públicas está voltada para ações e investimentos direcionados para uma economia verde e inclusiva. A economia verde é apresentada como proposta mais indicada para o desenvolvimento sustentável, tanto no âmbito das políticas nacionais como nas regionais, não se esquecendo de questionar os impactos ambientais provocados pelos sistemas econômicos convencionais. Nesse cenário, se insere a Política Ambiental da CAIXA a qual, alinhada com os compromissos do governo federal, atrai potenciais novos negócios para o banco, sem prejuízo de fortalecer a sua posição de agente público que incentiva o desenvolvimento sustentável. A referida Política Ambiental da CAIXA – criada no ano 2004 – tem 5 (cinco) objetivos estratégicos, a saber: 1. Dispor de portfólio de serviços socioambientais. 2. Implementar com as áreas afins as diretrizes socioambientais da nova política de crédito, de forma integrada. 3. Ser o principal agente financeiro executor das políticas públicas de meio ambiente. 4. Ser o principal agente indutor do desenvolvimento de cidades sustentáveis. 5. Desenvolver um programa de gestão para a sustentabilidade ambiental.(http://www1.caixa.gov.br/relatorio_sustentabilidade/ pt/cap13.html. Consulta realizada em 10 de outubro de 2012) 28 Seguindo os objetivos acima indicados, a CAIXA desenvolve atividades de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à economia verde de acordo com 3 (três) grandes parâmetros por ela definidos. São eles: • Cidades Sustentáveis – Abrange atividades relacionadas ao financiamento, à construção de habitações sustentáveis, à infraestrutura urbana e ao saneamento ambiental. • Finanças Sustentáveis – Compreende a adoção de critérios socioambientais para a concessão de crédito, produtos e serviços que estimulam projetos de energia renovável e ecoeficiência, turismo sustentável, e de apoio às micros e pequenas empresas e aos Arranjos Produtivos Locais (APL). • Gestão Ambiental dos Processos Internos: Ações voltadas para redução do impacto ambiental das atividades da empresa, que envolvem a eficiência energética dos prédios e agências, o consumo responsável de insumos provenientes de recursos naturais e a educação ambiental de seus colaboradores. (http://www1.caixa.gov.br/relatorio_sustentabilidade/pt/cap13.html. Consulta realizada em 10 de outubro de 2012) A Caixa é considerada a maior financiadora imobiliária do Brasil, tanto que é conhecida como “O Banco da Habitação”. Tal título pressupõe grandes responsabilidades para a empresa, notadamente em relação às implicações ao meio ambiente geradas pelos empreendimentos imobiliários financiados por ela. Nesse contexto – com objetivo de reduzir o déficit habitacional existente no país – a Caixa promove o Programa Construção Sustentável que, por sua vez, visa promover o uso racional dos recursos naturais, juntamente com soluções de construção e cidades que proporcionam altos índices de qualidade de vida para seus moradores. A principal ação do Programa de Construção Sustentável é o Selo Casa Azul CAIXA. 29 3.1. O Selo Casa Azul CAIXA O Selo Casa Azul CAIXA é um classificador da sustentabilidade dos projetos imobiliários financiados pela empresa no Brasil. O Selo premia projetos destacados pela baixa degradação ambiental e que geram a melhoria da qualidade de vida dos beneficiários das habitações. O Selo pode ser concedido a todos os tipos de projetos imobiliários para a habitação. Os candidatos ao Selo podem ser as empresas construtoras, o Poder Público, empresas públicas de habitação, cooperativas, associações e entidades representantes de movimentos sociais. Porém, para a obtenção do Selo Casa Azul CAIXA, é necessário o preenchimento de alguns requisitos. Dessa forma, para a concessão do Selo, a Caixa verifica, durante a fase de estudo de viabilidade técnica do projeto, se os critérios por ela estabelecidos foram observados, sobretudo no que diz respeito às atividades voltadas à sustentabilidade das habitações. Não existe obrigatoriedade à adesão do Selo. Em caso de interesse o proponente deve fazer a manifestação junto a Caixa, para que o projeto passe pela devida análise. A Caixa criou o Selo visando uma relação de parceria junto aos proponentes, com objetivo de orientar e incentivar a produção de habitações mais sustentáveis. Após a análise do preenchimento dos requisitos, o Selo é concedido de acordo com a seguinte gradação: 30 QUADRO 1: Níveis de gradação do Selo Casa Azul Gradação Atendimento Mínimo BRONZE Critérios obrigatórios PRATA Critérios obrigatórios e mais 6 de livre escolha OURO Critérios obrigatórios e mais 12 de livre escolha (Fonte: Guia Caixa Sustentabilidade Ambiental, 2010) Em 2011 a Caixa entregou o primeiro Selo Casa Azul Caixa – nível ouro – o selo foi para um empreendimento que conseguiu contemplar 32 critérios de sustentabilidade, entre eles “instalação de bicicletário, local para coleta e armazenamento de materiais recicláveis, economizadores de água energia, e áreas entre verdes outros.” e sistemas (Relatório de Sustentabilidade, 2011) A Caixa acredita que a sustentabilidade na empresa não pode estar limitada a obras certificadas, mas sim que em todas as obras seja possível e necessário que se mantenha o compromisso com a sustentabilidade: O desafio é na verdade, a busca de um equilíbrio entre proteção ambiental, justiça social e viabilidade econômica. Aplicar o conceito de desenvolvimento sustentável é buscar em cada atividade formas de diminuir o impacto ambiental e aumentar a justiça social dentro do orçamento disponível. (JOHN, 2010). 3.2. O Projeto Cota Casqueiro A Caixa como instituição financeira que atua na promoção da Cidadania e no desenvolvimento sustentável do país, e parceira estratégica do Governo Federal nas políticas públicas, participa também, da ação integrada, juntamente com o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, do Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar do governo do estado de São Paulo. 31 O Parque Estadual da Serra do Mar é a maior área contínua de Mata Atlântica preservada no Brasil. Este patrimônio ambiental sofre a ameaça da ocupação por assentamentos habitacionais precários. Visando à proteção e recuperação ambiental, as intervenções habitacionais são pensadas em conjunção com a Política Estadual de Meio Ambiente (site www.habitação.sp.gov.br/programas-habitacionais). Este programa é considerado pelo BID, como o maior projeto de recuperação socioambiental já feito no mundo. (Revista ENGENHARIA, 2010, p.36) Parte importante desse programa consiste no empreendimento habitacional denominado “Cota Casqueiro” com 1.841 unidades habitacionais (UHs) com benefícios previstos para mais de 5.000 pessoas. Famílias estas oriundas dos bairros cotas na Serra do Mar. A construção das 1.841 UHs se constituirá num novo bairro, na cidade litorânea de Cubatão-SP, ora denominado Rubens Lara/Casqueiro. Para isso foram executadas quatro tipologias de unidade habitacional, pensando, justamente em descaracterizar o agrupamento de prédios (iguais) que formam as construções de interesse social aqui no Brasil. Está em franco andamento e já com mais de 85% das famílias reassentadas no novo bairro. A Caixa é o agente financeiro através do Programa de Aceleração do Desenvolvimento – PAC do Governo Federal. É uma exigência formal para os contratos de intervenção em favelas, Áreas de Proteção Permanente (APP) do Ministério das Cidades, O Projeto de Trabalho Técnico Social, com uma destinação obrigatória do valor mínimo de 2,5% do total do investimento, cujo desenvolvimento deve atender a três eixos fundamentais: 1 - Mobilização e Organização Comunitária 2 - Geração de Trabalho e Renda 32 3 - Educação Sanitária e Ambiental O trabalho técnico social é normatizado pelo Ministério das Cidades. A Caixa, necessariamente, tem no seu quadro, empregados com cargo comissionado de assistente de projetos sociais e técnico-social, com formação em Ciências Sociais/Sociologia, Serviço Social, Psicologia e Pedagogia, os quais têm como função a análise, acompanhamento, orientação, supervisão e a avaliação do trabalho técnico social, executado nos empreendimentos por empresas terceirizadas ou pela prefeitura proponente. O objetivo geral é: Viabilizar o exercício da participação cidadã mediante trabalho informativo e educativo, que favoreça a organização da população, a gestão comunitária e a educação sanitária, ambiental e patrimonial, visando à melhoria da qualidade de vida das famílias beneficiadas e sua permanência nos imóveis, bem como contribuir para a sustentabilidade dos empreendimentos. (COTS- Caderno de Orientação Técnico Social 2012) Partindo da concepção de que o trabalho social é uma ação de “desenvolvimento social” que busca melhorar a qualidade de vida, através de construção de comunidades participativas, equipes multidisciplinares são formadas para mobilizar, identificar as associações de moradores, recepcionarem as famílias nas novas moradias, incrementar a organização social e comunitária, como: a correta ocupação do espaço coletivo, a fixação dos beneficiários nos imóveis, a organização e oficialização e gestão dos Condomínios, o fortalecimento da convivência comunitária, apoiando os grupos nas mais diversas áreas, promovendo conhecimento, capacitando profissionalmente, atividades essas voltadas aos segmentos da infância, juventude, adultos e terceira idade, existe um empenho no atendimento de pessoas com necessidades especiais. Segundo as normas do Ministério das Cidades, está previsto no trabalho social no eixo de Educação Socioambiental um cronograma de atividades que promovam processos educativos no sentido de esclarecer, valorizar e apropriar da infra-estrutura implantada, adoção de atitudes que promovam 33 mudanças junto ao meio ambiente, numa proposição de vida mais saudável; Promover campanhas educativas visando melhorias na saúde, utilização correta e preservação dos serviços implantados e utilização da água e da energia elétrica de forma racional; Também é estimulada à busca de parcerias com o intuito de promover, em caráter permanente, ações de educação ambiental; Divulgação de informações, programas e projetos de natureza ambiental para ampliação da consciência ecológica das populações. O grande desafio está diretamente ligado à construção de novos hábitos e padrões de convivência, no exercício cotidiano da cidadania, a relação dos direitos e o cumprimento dos deveres, a preservação das unidades habitacionais e também das áreas comuns. No eixo Geração de Trabalho e Renda o Ministério prever ações voltadas principalmente para a redução do analfabetismo, capacitação e requalificação profissional sempre levando em conta a realidade sócioeconômica dos beneficiários; É estimulada à produção alternativa e a organização de grupos de produção e cooperativismo; É fomentada a implantação de atividades educativas ligadas à separação e reciclagem de resíduos sólidos, assim como empreendimentos para gestão de resíduos sólidos envolvendo catadores onde o atendimento nas ações de assistência social é priorizado na tentativa de garantir inclusão social e emancipação econômica, formação e capacitação dos catadores para atuação no mercado de recicláveis, e programas de ressocialização de crianças e adolescentes. Nas novas moradias, ou seja, nas habitações de interesse social, os beneficiários passam a comprometer mais o orçamento familiar, pois passam a ter despesas que não tinham antes, como conta de luz, água, por vezes de condomínio e a parcela mensal referente a aquisição do imóvel. Daí a preocupação em desenvolver o eixo trabalho e renda, visando à possibilidade de ampliar a renda para honrar os seus novos compromissos. Esse trabalho social é realizado por um período mínimo de seis meses. 34 Também é feita uma avaliação de pós ocupação (3 meses), buscando um referencial do impacto causado na área com o trabalho que se fez visando a sustentabilidade do projeto. Essa avaliação se dá com o intuito de se propor a replicabilidade nos pontos de sucesso do projeto e aperfeiçoamento naquilo que não obteve o resultado desejado. O projeto “Cota casqueiro” contém elementos de grande importância para o que se acredita fundamental para a construção habitacional sustentável. A exemplo do uso de energia solar, programa de consumo racional da água e reflorestamento da área que foi desocupada. No que se refere ao item Sistema de Aquecimento Solar (SAS), no ano de 2010 a Caixa, em parceria com a (Agência Alemã de Cooperação Técnica) desenvolveu material educativo para o uso correto deste sistema de aquecimento. Até o final de 2012 mais de 50.000 unidades habitacionais de interesse social já foram contratadas com a instalação do SAS. O Sistema de Aquecimento Solar de água SAS, passou a ser item obrigatório na contratação dos projetos de casas térreas do Programa Minha Casa Minha Vida II, do Governo Federal, para famílias com renda de até 03 salários mínimos. Em freqüentes visitas ao bairro Rubens Lara/Cota Casqueiro, e conforme relatórios mensais das equipes técnicas são bem comuns os depoimentos dos beneficiários traduzindo a sua alegria e satisfação por estar vivendo num lugar com endereço, água, energia elétrica e solar, com acompanhamento social no sentido de compreender a sua nova realidade, sendo capacitados para fazer a gestão da sua nova moradia, a felicidade pela oportunidade, do aprendizado de novas maneiras de lidar com os recursos naturais, enfim o sentir-se cidadão. Se para os mais ricos a casa própria pode ser mais importante por aspectos simbólicos e subjetivos, como satisfação própria, garantia de estabilidade e criação de 35 um ambiente doméstico compatível com o gosto, status social e cultural da família, para os pobres, além desses elementos, a opção pela casa própria torna-se o refúgio seguro contra as incertezas que o mercado de trabalho e as condições de vida urbana reservam ao trabalhador que envelhece. (BONDUKI. 2004, p. 310). Mas há também conflitos gerados no grupo familiar devido à mudança e a nova realidade ‘imposta’. Por vezes há dificuldade de adaptação por algum dos membros da família. É comum acontecer, nos primeiros meses, estados de desorganização, gerando ansiedades, dificuldade de convivência com alguns vizinhos, (sic) “conviver com algumas pessoas, viver em comunidade é difícil, não dá para escolher todos os vizinhos, há contato com pessoas que não gostamos, pessoas que são grosseiras e mal educadas”. ...Conviver com os homens é mais terrível que com os deuses. E ninguém conhece epopéia mais dolorosa que a de moldar, dia a dia, clara e verdadeira, a fugitiva condição humana. Não basta pregar: é necessário fazer, para que os homens se convençam. Não basta entender: é necessário provar. (MEIRELES.1948) (trecho de discurso proferido pela poetiza Cecília Meireles no Ministério da EducaçãoRio de Janeiro, em 02 de outubro de 1948) A CAIXA acredita que a motivação para a sustentabilidade depende de um processo contínuo de aprendizado, daí a preocupação permanente de desenvolver ações de educação ambiental aos empregados. 36 TREINAMENTOS EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL Número de empregados treinados nos programas de educação ambiental 2009 2010 2011 20.919 33.913 53.465 Tabela 1: Número de empregados treinados x Ano (Fonte: Relatório de sustentabilidade Caixa 2011) Ações desenvolvidas pela Caixa para o desenvolvimento sustentável e à economia verde. Agrupadas em três eixos: -Cidades Sustentáveis Selo Casa Azul Ação Madeira Legal Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) Eficiência Energética na Habitação de Interesse Social Arborização de empreendimentos Avaliação Ambiental de Terrenos com Potencial de Contaminação Saneamento ambiental Infra-estrutura para sustentabilidade Inclusão -Finanças Sustentáveis Política de Crédito Produtos socioambientais Geração de energia renovável Mercado do carbono Programa de Compensação Ambiental Probio II Corredores ecológicos fomento ao 37 Fundo Socioambiental CAIXA Fundos de Investimento FI Ações Sustentabilidade Empresarial – ISE -Gestão Ambiental dos Processos Internos Agências sustentáveis Consumo de energia e água Programa de Auditoria Ambiental Minuano Outsourcing de Impressão Logística reversa Automação de processos por imagem Suspensão de emissão de extratos de poupança Emissão de fatura em papel reciclado Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa Educação para a Sustentabilidade Relatório de sustentabilidade Caixa 2011 38 CONCLUSÃO Considerando o contexto caótico em que estamos vivendo, no que se refere ao desequilíbrio social, o mundo está se empenhando em desenvolver propostas de desenvolvimento no sentido da integração do crescimento econômico, qualidade de vida, sem exaurir o planeta dos seus recursos naturais, várias empresas, por sua vez, já iniciaram um rompimento com a cultura já estabelecida de que o lucro dos acionistas é a força propulsora para os bons negócios. A CAIXA como uma das principais instituições financeiras do país, e agente financeiro das políticas públicas do governo não se exime da sua importante responsabilidade na contribuição para a mudança sustentáveis de produção, negócios e serviços, atuando como protagonista na construção do comportamento socioambiental responsável. Muito há para se fazer, a Caixa está fazendo mudança significativas, partindo inclusive da mudança da sua Missão , que ocorreu no ano de 2009. A habitação em São Paulo é um motivo de grande preocupação urbanística, social e ambiental, haja vista, inúmeras famílias que vivem em condições subumanas, à margem ou mesmo sobre córregos, completamente contaminados, sem infra estrutura de água, esgoto e luz elétrica e sofrendo riscos de contaminações e inundações, e ainda aquelas que vivem com risco de vida por deslizamento, por estar vivendo em áreas de grande declividade, sem a devida estrutura, como também a falta de acessibilidade aos equipamentos públicos, essa realidade requer soluções rápidas e sustentáveis. As políticas públicas do governo passam a atender de forma mais conscienciosa a demanda da casa própria, para pessoas de baixa renda, ao passo que vai se trabalhando uma conscientização tanto por parte de quem constrói como por parte de quem vai habitar, no sentido de tratar os recursos naturais com responsabilidade e critérios racionais, considerando que esses são finitos e que, portanto devemos usá-los de forma criteriosa. 39 Mas mesmo assim ao analisar o trabalho de várias construtoras ainda deparamos com muitos problemas de ordem construtiva, nota-se uma atuação abaixo das expectativas, tanto contratuais como diante dos beneficiários. Esse fator gera insatisfação e descrédito por parte dos beneficiários junto às construtoras e por conseqüência às políticas habitacionais do governo. É importante ressaltar a falta de qualidade e quantidade no que se refere aos recursos materiais como também os de tecnologia da informação para a correta execução das tarefas. A Caixa vem aumentando significativamente a sua participação no atendimento da demanda de habitações de interesse social com responsabilidade socioambiental, vários passos já foram dados nessa direção, mas como a sustentabilidade ainda é um processo em evolução, novas formas devem aparecer e é fundamental que a Caixa esteja atenta, para que soluções eficazes sejam aplicadas. 40 BIBLIOGRAFIA BONDUKI, Nabil. Origens da Habitação Social no Brasil. 4ª edição. São Paulo. Editora Estação Liberdade Ltda.2004 BRAICK, Patrícia Ramos e MOTA, Myriam Becho – História das Cavernas ao Terceiro Milênio. 3ª edição. São Paulo: Moderna 2007 BRUNDTLAND, Gro Harlem. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - 1988. Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro: FGV, 1988. Caderno Metodológico para Ações de Educação Ambiental – do Ministério das Cidades 2009 CAMARGO, Ana Luiza de Brasil. Desenvolvimento Sustentável – Dimensões e Desafios. São Paulo. Papirus 2003. COTRIM, Gilberto – História Global – Brasil e Geral. 6ª Edição. São Paulo. Saraiva. 2002. DIAS, Reinaldo. Gestão Ambiental – Responsabilidade Social e Sustentabilidade. 1ª edição. São Paulo. Editora Atlas S.A. 2006. Encontros e Caminhos: Formação de Educadoras (es) Ambientais e Coletivos Educadores 2005 ELKINGTON, J. Cannibals with Forks: The Triple Bottom Line of 21st Century Business. 1998. GRUPO DE TRABALHO – Elaboração da metodologia do selo caixa azul, 2010. Guia Caixa Sustentabilidade Ambiental. 41 LAYRARGUES, P.P. Educação ambiental com responsabilidade social. In: SENAC e Educação Ambiental, 13(3):50, setembro / dezembro 2004 LEFF, Enrique. Saber complexidade, poder. Petrópolis, Vozes. 2001. ambiental: sustentabilidade, racionalidade, MARX, Karl. O capital. Crítica da economia política. Livro 1., v. I. 13. ed. Rio de Janeiro:Bertrand Brasil S/A, 1989. MORIN, Edgar; CIURANA, Emilio-Roger; MOTTA, Raúl Domingo. Educar na Era Planetária. São Paulo. Cortez Editora. 2003. Revista ENGENHARIA, São Paulo Engenho-Editora técnica. 2010 SANCHEZ, Celso e CARVALHO, Vilson. Curso de Educação Ambiental – AVM- Faculdade integrada SAUVÉ, Lucie. Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável: uma análise complexa. 1997. 42 WEBGRAFIA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA Relatório de Acidentes Ambientais 2011 Site: www.ibama.gov.br/emergencias-ambientais IBGC: http://www.ibgc.org.br/PerguntasFrequentes.aspx, 29/08/2012. Instituto Ethos: http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/pt/29/o_que_e_rse/o_que_e_rse.aspx, 28/08/2012. Governo do estado de São Paulo: WWW.habitação.sp.gov.br/programas-habitaçionais ONU: http://www.onu.org.br/a-onu-em-acao/a-onu-e-o-meio-ambiente/, 28/08/2012. Relatório de Sustentabilidade 2011 – Desempenho Ambiental http://www12.caixa.gov.br/portal/public/acaixa/home/informacoes_financeiras/b alancos_demonstrativos/rel_sust_balanco_social 43 ANEXOS Os requisitos, critérios e orientações gerais para a concessão do Selo são: 1.1 Pré-requisitos gerais de projetos As linhas de crédito e programas operacionalizados pela CAIXA reúnem um conjunto de requisitos fundamentais para gerar empreendimentos sustentáveis. A produção formal gera empregos, arrecada tributos e obrigações trabalhistas, promove a regularização fundiária e a ocupação ordenada nas cidades brasileiras. Os empreendimentos financiados são dotados de infraestrutura básica, vias de acesso a serviços urbanos de transportes públicos e coleta de lixo. Neste contexto, o projeto candidato ao Selo Casa Azul CAIXA deve possuir, como pré-requisito, o atendimento às regras dos programas operacionalizados pela CAIXA de acordo com a linha de financiamento ou produto de repasse. Também é necessário que o proponente apresente os documentos obrigatórios em cada caso, como projetos aprovados pela Prefeitura, declaração de viabilidade de atendimento das concessionárias de água e energia, alvará de construção, licença ambiental e demais documentos necessários à legalização de empreendimento. Além disso, todos os projetos candidatos ao Selo devem atender às regras a Ação Madeira Legal e apresentar, até o final da obra o Documento de Origem Florestal (DOF) e a declaração informando o volume, as espécies e a destinação final das madeiras utilizadas nas obras. Em relação à acessibilidade, o projeto deve prever o atendimento à NBR 9050, além de atender ao percentual mínimo de unidades habitacionais adaptadas, conforme legislação municipal ou estadual. No caso de ausência de legislação específica, os empreendimentos devem contemplar o percentual mínimo de 3% de unidades habitacionais adaptadas. Ao elaborar o projeto e especificar os serviços e materiais 44 Quadro 2: Resumo - Categorias, Critérios e Classificação QUADRO RESUMO - CATEGORIAS, CRITÉRIOS E CLASSIFICAÇÃO CATEGORIAS/CRITÉRIOS CLASSIFICAÇÃO 1. QUALIDADE URBANA BROZE PRATA OURO 1.1 Qualidade de Entorno - Infraestrutura obrigatório critérios critérios 1.2 Qualidade de Entorno- Impactos obrigatório obrigatórios obrigatórios 1.3 Melhorias no Entorno + 6 Itens de + 12 Itens de 1.4 Recuperação das Áreas Degradadas livre escolha livre escolha 1.5 Reabilitação de Imóveis 2. PROJETO E CONFORTO 2.1 Paisagismo obrigatório 2.2 Flexibilidade de Projeto 2.3 Relação com a Vizinhança 2.4 Solução Alternativa de Transporte 2.5 Local para Coleta Seletiva 2.6 Equipamentos de Lazer obrigatório Sociais e obrigatório Esportivos 2.7 Desempenho Térmico - Vedações obrigatório 2.8 Desempenho Térmico - Orientação ao Sol obrigatório e Ventos 2.9 Iluminação Natural de Áreas Comuns 2.10 Ventilação e Iluminação Natural de Banheiros 2.11 Adequação às Condições Físicas do Terreno 3. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 3.1 Lâmpadas de Baixo Consumo - Áreas obrigatório Privativas HIS - até 3 s.m. 3.2 Dispositivos Economizadores - Áreas obrigatório Comuns 3.3 Sistema de Aquecimento Solar 3.4 Sistema de Aquecimento à gás 3.5 Medição Individualizada - Gás obrigatório p/ 45 3.6 Elevadores Eficientes 3.7 Eletrodomésticos Eficientes 3.8 Fontes Alternativas de Energia 4. CONSERVAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS 4.1 Cordenação Modular 4.2 Qualidade de Materiais e Componentes obrigatório 4.3 Componentes Industrializados ou Préfabricados 4.4 Formas e Escoras reutilizáveis obrigatório 4.5 Gestão de Resíduos de Construção e obrigatório Demolição (RCD) 4.6 Concreto com Dozagem Otimizada 4.7 Cimento de Alto-Forno (CP III) e Posolânico (CP IV) 4.8 Pavimentação com RCD 4.9 Facilidade com Manutenção da Fachada 4.10 Madeira Plantada ou Certificada 5. GESTÃO DA ÁGUA 5.1 Medição Individualizada - Água obrigatório 5.2 Dispositivos Economizadores - Sistema de obrigatório Descarga 5.3 Dispositivos Economizadores - Arejadores 5.4 Dispositivos Economizadores - Registro Regulador de Vazão 5.5 Aproveitamento de Águas Pluviais 5.6 Retenção de Águas Pluviais 5.7 Infiltração de Águas Pluviais 5.8 Áreas Permeáveis obrigatório 6. PRÁTICAS SOCIAIS 6.1 Educação para gestão de RCD obrigatório 6.2 Educação Ambiental dos Empregados obrigatório 6.3 Desenvolvimento Pessoal dos Empregados 6.4 Capacitação Profissional dos Empregados 6.5 Inclusão de Trabalhadores Locais 6.6 Participação da Elaboração do Projeto Comunidade na 46 6.7 Orientação aos Moradores obrigatório 6.8 Educação Ambiental dos Moradores 6.9 Capacitação para Gestão do Empreendimento 6.10 Ação para Mitigação de Riscos Sociais 6.11 Ações para a Geração de Emprego e Renda 1.3 Orientações gerais Para obter o Selo, o proponente deverá manifestar o interesse de adesão ao Selo Casa Azul CAIXA e apresentar os projetos, a documentação e informações técnicas completas referentes aos critérios a serem atendidos pelo projeto. Toda a documentação necessária para análise deverá ser datada e assinada pelo representante legal e por um responsável técnico pelos projetos. Quando necessário, a CAIXA solicitará a correção e/ou complementação da documentação. Durante a obra, o proponente deverá executar todos os itens previamente mencionados no projeto de acordo com as especificações apresentadas e aprovadas pela CAIXA, implantar as práticas sociais previstas em projeto e divulgar aos usuários os itens incorporados ao projeto, assim como orientar os moradores sobre manutenção, reposição e uso dos dispositivos/equipamentos. Qualquer alteração do projeto durante a obra, referente aos critérios definidos para a obtenção do Selo deverá ser comunicada à CAIXA. 1.4 Documentações para análise Os documentos devem ser apresentados de acordo com os modelos fornecidos pela CAIXA, sendo que todos devem estar coerentes entre si, datados e assinados pelo responsável técnico e pelo representante legal. Somente após verificação e comprovação do atendimento ao critério, o empregado responsável pela análise poderá definir o nível de gradação do Selo a ser concedido ao projeto. A análise da CAIXA não se sobrepõe nem questiona os órgãos públicos no tocante às suas competências legais de análise e licenciamentos, não caracterizando, assim, coresponsabilidade do seu corpo técnico. 47 QUADRO 3: Limites de Avaliação e localidades para o Selo Azul nível Bronze Localidades Valor de Avaliação da unidade habitacional Distrito Federal Até R$ 130.000,00 Cidades de São Paulo e Rio de Janeiro Municípios com população igual ou superior a 1 milhão de habitantes integrantes das regiões metropolitanas dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro Municípios com população igual ou superior a 250 mil Até R$ 100.000,00 habitantes Região Integrada do Distrito Federal e Entorno - RIDE/DF nas demais regiões metropolitanas e nos municípios em situação de conurbação com as capitais estaduais (Exceto Rio de Janeiro e São Paulo) Demais municípios Até R$ 80.000,00 1.5 Verificação do atendimento aos critérios do Selo O atendimento aos itens propostos em projeto será verificado também no curso do acompanhamento da obra, durante as medições mensais ou em vistorias específicas. A não conformidade entre projeto e execução da obra será informada no Relatório de Acompanhamento do Empreendimento, e a correção solicitada pela CAIXA por meio de ofício, contendo o prazo para apresentação de justificativa e correção dos itens não conformes. Caso a inconformidade apontada não seja solucionada, a CAIXA poderá suspender a autorização do uso da logomarca do Selo Azul CAIXA. 1.6 Concessão do Selo Casa Azul CAIXA A CAIXA fornecerá o material de apoio aos proponentes do Selo Casa Azul e prestará as orientações sobre o preenchimento da documentação. Também será responsável pela análise dos projetos candidatos ao Selo e pela emissão do certificado. Após aprovação do projeto, a CAIXA informará ao proponente a gradação alcançada pelo projeto. Na contratação da proposta será emitido um certificado de concessão do Selo Casa Azul CAIXA contendo o nível alcançado: bronze, prata ou ouro. 1.7 Uso da logomarca Selo Casa Azul CAIXA Os projetos de empreendimentos que receberem o Selo poderão fazer o uso da logomarca em material publicitário de venda das unidades, tais como folders, placa de obra, anúncio em jornais, revistas e outros meio de comunicação. 1.8 Divulgação e publicidade dos projetos 48 O material publicado do empreendimento deve explicitar o nível do Selo obtido pelo projeto, com uma breve descrição dos itens de sustentabilidade que compõem o empreendimento. Os projetos que conquistarem o Selo Casa Azul serão divulgados pela CAIXA, que dará publicidade aos critérios atendidos. 1.9 Atualização da Metodologia A Caixa se reserva o direito de alterar as regras do Selo a qualquer momento, garantindo ao proponente a manutenção das regras vigentes no momento da manifestação do interesse pelo Selo. (Guia Caixa - Sustentabilidade Ambiental, 2010,p 21 a 27)