Notícias de VILA VERDE II SÉRIE ANO 1 Nº3 JULHO / AGOSTO 2014 BIMENSAL [email protected] www.noticiasdevilaverde.wordpress.com Diretor: Pedro de Vasconcelos I Diretor-adjunto: José Leitão I Subdiretor: Maria da Conceição Alves I Editora: Elisabete Fernandes I Preço: gratuito I Proprietário: Pedro de Vasconcelos I NIF: 219619875 I Nº registo da ERC: 126502 I Sede de redação: Rua Prof. Egas Moniz, Lage, 4730 Vila Verde I Impressão: Publicaciones Tameiga, S.L. - Morada: Av. del Aeropuerto, 83, 36416 Mos (Pontevedra) I Tiragem: 1000 exemplares I Depósito legal: 1693/83 Câmara paga 4 Milhões e 950 mil Euros a empresa para recolher o lixo Transferência de mais 199.412,13€ para a PROVIVER Inspeção Geral de Finanças investiga Câmara de Vila Verde REVISÃO DO PDM APROVADA COM 16 ANOS DE ATRASO Pág. 9 ARS alerta para Salmonellas no Rio Homem Pág. 7 Pág. 10 Pág. 8 Pág. 5 Pág. 3 Entrevista ao Vereador Manuel Araújo Pág. 3 DGAL diz que dívida da Câmara Municipal ultrapassa os 29 Milhões de Euros Pág. 3 Luís Filipe Silva suspende mandato por 60 dias PS exige mais transferências financeiras para juntas de freguesia Pág. 8 Entrevista ao Presidente da Junta de Soutelo, Filipe Silva Pág. 12 Espaço Cidadão de Prado gera troca de palavras azedas entre PS e PSD Pág. 10 PROMOVER A CULTURA É A FORMA MAIS SUBLIME DE LIBERTAR UM POVO Notícias de VILA VERDE MUNICÍPIO AO VIVO Julho / Agosto 2014 2 Fecho de Escolas em Vila Verde A Câmara esconde o jogo Do que está falado entre o Presidente da Câmara de Vila Verde e o Governo quanto ao fecho de escolas e jardins de infância no nosso concelho para o próximo ano letivo, nada se sabe, pairando sobre esta matéria um manto de silêncio que está a deixar os pais à beira de um ataque de nervos. O diálogo que o poder central alega ter promovido com a comunidade local para mais um corte na escola de proximidade, parece ter emudecido o presidente dr. António Vilela e a vereadora Júlia Fernandes, tal é o apagamento com que têm tratado uma questão que toca de perto a vida de centenas de famílias de Vila Verde, a quem estão obrigados a dar uma palavra de esclarecimento. O Notícias de Vila Verde sabe que, perante o inusitado da situação, este caso será muito provavelmente levado à barra dos tribunais. Recurso aos tribunais pode parar o processo ASSEMBLEIA MUNICIPAL PS quer bom senso no encerramento de escolas O Partido Socialista apresentou na última Assembleia Municipal, através da professora Conceição Alves, um apelo ao executivo camarário em relação ao encerramento de escolas previsto para este ano, a levar a cabo pelo Ministério da Educação em acordo com as câmaras municipais. A professora Conceição Alves referiu, na sua intervenção, que serão 10 as escolas que não vão abrir portas já em Setembro próximo, aqui em Vila Verde. Este encerramento de escolas insere-se na agenda do Ministro da Educação, Nuno Crato, que vai fechar um total de 200 escolas a nível nacional, implicando constrangimentos graves para a vida das crianças e das suas famílias. A deputada municipal cita a Vereadora da Educação, Cultura e Acção Social, Júlia Fernandes, na seguinte afirmação: “As soluções encontradas não são as desejadas mas as possíveis”, na qual se percebe que o executivo camarário tem conhecimento do panorama de encerramento de escolas em Vila Verde. Conceição Alves aponta a falta de “planeamento sério e rigoroso”, referindo que se fizeram obras de melhoria em muitas escolas do concelho e que pouco tempo depois foram encerradas. A deputada concorda que é necessária uma reorganização da rede escolar, mas deixa o aviso, “encerrar uma escola é como arrancar uma árvore, desmembrar uma família, desertificar uma aldeia.” Termina com um apelo ao executivo camarário para que trate este assunto “com sentido de responsabilidade” a fim de evitar “maiores constrangimentos” para alunos e famílias. Vereadores do PS reclamam maior valorização do trabalho dos Presidentes de Junta Em comunicado que chegou à redação do Notícias de Vila Verde, a vereação Socialista composta por Luís Filipe Silva, José Morais e Manuela Machado, relembra o Presidente de Câmara, António Vilela, que é altura de dotar as Juntas de Freguesia com “verbas adequadas à satisfação das necessidades das suas populações, em alguns casos dando-lhes o mínimo dos mínimos para conseguirem funcionar e corresponder à satisfação de aspetos básicos.” Esta exigência pública dos vereadores do Partido Socialista surgiu na sequência de várias noticias que deram nota das transferências que outras Câmaras Municipais da região estão a fazer para as Juntas de Freguesia, nomeadamente as Câmaras Municipais de Braga e de Barcelos. De acordo com o entendimento dos socialistas eleitos na Câmara Municipal de Vila Verde, as Juntas de Freguesia são mais próximas das populações, conhecem as suas necessidades e anseios e, por isso, “estarão em melhor condições que a Câmara Municipal para investir cada euro disponível”. Os eleitos do Partido Socialista continuam dizendo que é urgente passar das palavras à prática e que “é altura de confiar no trabalho, no empenho, na disponibilidade e nos conhecimentos de cada um dos Presidentes de Junta eleitos, deixando de os tratar como parentes pobres da administração local”. Acusando António Vilela de ser responsável pela paralisação de algumas Juntas de Freguesia, devido aos estrangulamentos financeiros que lhes impõe, Luís Filipe Silva, José Morais e Manuela Machado dizem-se apostados em promover “uma alteração do relacionamento entre Câmara Municipal/Junta de Freguesia, dando ênfase ao reforço da dotação e autonomia financeira da cada uma das Juntas de Freguesia”, mostrando-se convictos que essa mudança de atitude permitiria, através dos Presidentes de Junta, aplicar melhor o dinheiro público e melhorar as condições de vida das populações. Notícias de VILA VERDE MUNICÍPIO AO VIVO Julho / Agosto 2014 3 DGAL diz que dívida da Câmara de Vila Verde ultrapassa os 29 Milhões de Euros PS e PSD com leituras diferentes A Direção Geral das Autarquias Locais (DGAL) analisou a situação financeira dos municípios portugueses, à data de 31 de dezembro de 2013, e conclui que a situação de alguns deles é muito preocupante. Nessa situação está o município de Vila Verde, sendo considerado como uma das quatro situações mais graves do distrito de Braga. Com efeito, a dívida da Câmara Municipal de Vila Verde ascendia a 29,27 milhões de euros, o que representa 120,95% da receita municipal total, situação que coloca o município de Vila Verde em incumprimento perante a Lei das Finanças Locais. O prazo médio de pagamento a fornecedores é outro dos indicadores preocupantes apontado na aná- lise da Direção Geral das Autarquias Locais. Neste item, a Câmara Municipal de Vila Verde é indicada como estando a demorar 166 dias (mais de 5 meses e meio) a pagar aos seus fornecedores. A este respeito, António Vilela desmente todos dados publicados pela DGAL, dizendo que reduziu o endividamento e que “desde janeiro paga a 90 dias” a todos os fornecedores. António Vilela continua dizendo que o atual Governo alterou as regras da contabilização da dívida das autarquias, fazendo pender sobre as mesmas dívidas que, no seu “ponto de vista”, não lhe dizem respeito, tal como são as dívidas das sociedades participadas. Os Vereadores do Partido Socialista fazem uma leitura completamente diferente dos dados divulgados pela DGAL, afirmando que os mesmos “deitam por terra as recentes afirmações de António Vilela a respeito da saúde financeira da Câmara Municipal”. Recuperando a questão da dívida “escondida” à Escola Profissional Amar Terra Verde (superior a 1 milhão e 900 mil euros) os Vereadores do PS temem que a situação financeira da autarquia seja ainda muito pior. Isso mesmo disseram em comunicado enviado às redações dos meios de comunicação social. Na mesma nota pública, além da preocupação demonstrada, os Vereadores Socialistas dizem que é necessário credibilizar as contas públicas da Câmara Municipal e, para isso, exigem toda a verdade sobre as dívidas da Câmara, para que não surjam mais surpresas. Luís Filipe Silva, José Morais e Manuela Machado remataram a nota às redações dizendo que vão apresentar medidas que contribuam para uma gestão autárquica mais rigorosa, em que não haja lugar a desperdício de recursos e onde as empresas fornecedoras da Câmara possam receber a tempo e horas. Ao encerrar desta edição, a redação do Notícias de Vila Verde contactou o Vereador Luís Filipe Silva solicitando-lhe uma reação à desvalorização que António Vilela fez dos dados da DGAL. Luís Filipe Silva respondeu que “vindo do atual Presidente de Câmara já nada surpreende”, afirmando, ainda, que “ao colocar em causa os dados de um organismo como a Direção Geral das Autarquias Locais, o Dr. António Vilela só mostra uma grande leviandade, uma grosseira irresponsabilidade, no tratamento de um assunto muito sério que, em vez de ser desvalorizado, devia despertar a máxima atenção nos autarcas de Vila Verde”. Câmara transfere mais 199.412,13€ para a PROVIVER Um poço sem fundo Embora estando em processo de liquidação e dissolução há quase dois anos, a empresa municipal PROVIVER continua a gastar dinheiro dos cofres públicos do município de Vila Verde. Através da consulta da ata da reunião de Câmara do passado dia 21 de Julho, a redação do Notícias de Vila Verde tomou conhecimento de mais uma transferência financeira para a PROVIVER de quase 200.000,00€. A transferência proposta por António Vilela suscitou apreciações contundentes por parte dos Vereadores Socialistas que, obrigados a concordar por uma questão de satisfação das obrigações legais assumidas pela administração da PROVIVER junto da banca e outros credores, não se inibiram de fazer uma severa resenha histórica do percurso da empresa municipal. Em tom muito crítico, os Vereadores do PS acusam os executivos PSD de permitirem que a PROVIVER se tivesse transformado num “autêntico desastre para os cofres da Câmara Municipal de Vila Verde”. Vão mais longe dizendo que “tudo, desde o início, foi mal pensado e mal executado, a começar pelo estudo de viabilidade económica que sustentou a decisão de criar a empresa municipal PROVIVER”. Na sua dura declaração de voto, os Vereadores Socialistas continuam afirmando que “ao contrário das promessas do então Presidente de Câmara Eng.º José Manuel Fernandes e do Sr. Administrador Dr. Manuel Barros, nunca a PROVIVER EEM foi rentável, nunca foi auto-sustentável e nunca desonerou os orçamentos municipais”, considerando, ainda, que “os resultados económicos e financeiros da PROVIVER EEM são uma verdadeira nódoa que mancha quem enaltecia o seu rigor orçamental, quem elogiava a sua execução orçamental, quem exaltava a sua boa saúde financeira”. A terminar a extensa declaração de voto, a Vereação Socialista remata dizendo que a PROVIVER “é mais uma das pérolas das decisões erradas da gestão PSD no concelho de Vila Verde” e que ainda continua a pesar nas contas municipais e a retirar recursos financeiros de áreas onde fariam mais falta, dando como exemplo o apoio às freguesias. Estranhamente, o Presidente de Câmara e Vereadores do PSD não disseram uma palavra que fosse a respeito desta transferência de 199.412,13€ para a PROVIVER, nem tão pouco responderam aos considerandos dos Vereadores do Partido Socialista. É caso para afirmar que, como diz o ditado popular, “quem cala consente”! Inspeção Geral de Finanças investiga Câmara de Vila Verde. Inspetores já levaram vários documentos e contas correntes. Mais desenvolvimentos na próxima edição do Notícias de Vila Verde Notícias de VILA VERDE CONCELHO EM FOCO Julho / Agosto 2014 4 Duas Igrejas: poste de electricidade ameaça casas Há um poste de electricidade no lugar de Pinhô, em Duas Igrejas, na Ribeira do Neiva, que não cumpre o mínimo de condições de segurança e representa uma constante ameaça para as casas em redor. Alicerçado num buraco gigante, rodeado de ervas daninhas, constituído ape- nas por um fino fio-terra que, pela sua fragilidade, pode entrar em curto-cir- cuito a qualquer momento. Assim é o poste de eletricidade que alimenta a luz das casas que o rodeiam, no lugar do Pinhô, em Duas Igrejas. Um perigo constan- Abertura do Lar de Escariz S. Martinho te. Carlos Machado, morador de uma das casas em redor do poste, explica porque é que nunca está descansado,. “Ninguém tem noção do perigo deste poste. Se o fio-terra queimar, as casas aqui ao lado ficam todas destruídas”. O fio-terra, um cabo cinzento de pouca espessura e aparentemente de pouca importância, constitui o maior dos perigos para as casas vizinhas. Além de ser o dispositivo que garante o bom funcionamento dos aparelhos elétricos, e aumentar a segurança das casas, o condutor de eletricidade é extremamente fino e frágil pelo que, face às condições a que se encontra exposto, pode ser danificado. Os danos ao fio-terra podem significar danos incalculá- veis às casas que rodeiam o poste em constante perigo. Carlos Machado explica “Os trabalhadores da EDP já cá estiveram, avaliaram a situação, classificaram-na de muita perigosa e depois foram embora e nunca mais voltaram”. E acrescenta ainda “Os postes aqui na zona já foram todos arranjados. Já há anos que a junta tem alertado para o perigo da situação, e a EDP não resolve”. Além do perigo elétrico, o próprio poste está sustentado numa base cimentada com um buraco gigantesco por baixo, o que significa que o perigo de ruir é também constante. Enquanto não existirem perspetivas de resolução do problema, as casas do lugar do Pinhô vão continuar em perigo contínuo. “Quando o homem sonha a obra nasce.” A Casa do Povo de Escariz S. Martinho IPSS, vazia de atividades, candidata-se ao programa PARES, e contemplada, resolve dar início à disponibilização de um equipamento social que inclui inicialmente lar e creche. A empreitada está já em fase de conclusão e tem abertura agendada ainda para este mês de Julho. Este equipamento social vem preencher uma lacuna grave naquela área e cuja pretensão é proporcionar a uns um crescimento saudável e a outros um envelhecimento com qualidade. Este equipamento terá a máxima: “DUAS GERAÇÕES, DUAS FORMAS DE CUIDAR”. A creche terá capacidade para acolher e acompanhar 33 crianças, dos 4 meses aos 3 anos, distribuídas por 3 salas autónomas: berçário, sala dos 12 aos 24 meses e sala dos 24 aos 36 meses. Conta ainda com uma extensa área de recreio e equipamentos de entretenimento adequados às diferentes idades. Já o Lar tem capacidade inicial para 27 utentes e disponibiliza um serviço de saúde permanente, apoiado por profissionais de qualidade. Estão ainda previstos serviços de animação e haverá lugar para um projeto inovador: uma horta biológica gerida pelos próprios utentes. O Concelho de Vila Verde enriquece-se com mais esta infra-estrutura de cariz social. CopaCabanas: a mítica discoteca da Ribeira do Neiva voltou a abrir as portas Foi na quarta-feira, 23 de julho, que o espaço da discoteca do Lugar das Cabanas em Duas Igrejas, que marcou os anos 80 e 90 em Vila Verde, reabriu. A gerência está agora a cargo de uma jovem da terra. Qualquer jovem vilaverdense terá um familiar, ou mais, que recorde com saudade este espaço, encerrado há mais de uma década no formato em que todos o conheciam: discoteca. A CopaCabanas chegou a transformar-se num café, tendo voltado a encerrar. Passados seis anos, a CopaCabanas reabre de “cara lavada”, em formato de café-bar. A ideia foi de Sandrine Carvalho, uma jovem emigrante de Duas Igrejas que decidiu tentar a sua sorte em Portugal e dar uma nova imagem à antiga discoteca. O local sofreu algumas alterações, mas a morfologia é muito semelhante à da antiga discoteca, contando também com uma esplanada no exterior. O agora “Café Copacabanas” é explorado pela jovem de Duas Igrejas, que conta com o apoio de mais jovens da Ribeira do Neiva. Nas últimas semanas, o lugar das Cabanas tem sido o ponto de encontro para muitos jovens, principalmente emigrantes, que ali reencontram os amigos. O espaço está aberto todos os dias, entre as 11h e as 2h, sensivelmente. Notícias de VILA VERDE CONCELHO EM FOCO Julho / Agosto 2014 5 Por ato de heroísmo… Governo condecora bombeiro de Vila Verde Vila de Prado em Festa Comemorações S. Tiago e Senhora dos Remédios Medalha de Mérito de Proteção e Socorro Com publicação no jornal oficial da República (Diário da República, 2.ª série — N.º 107 — 4 de junho de 2014), o Ministro da Administração Interna galardoou um jovem bombeiro da nossa Associação Humanitária. Parabéns ao Pedro Charuto e que o seu exemplo frutifique. Despacho n. º 7300/2014 No dia 28 de outubro de 2013, o bombeiro de 3.ª, António Pedro Fernandes Martins, da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Vila Verde, revelou enorme sentido do dever e de coragem, quando utilizou a sua própria viatura para servir de travão a um carro desgovernado, em que seguia, como único ocupante, uma criança de 6 anos. O elevado profissionalismo e a capacidade de discernimento fez com que, ao aperceber-se que o carro deslizava, sem condutor, e com uma criança no seu interior, imediatamente arrancou, em marcha atrás, com o seu próprio carro, colocando-o em posição estratégica, de forma a travar o carro desgovernado e assim evitar que o mesmo entrasse numa avenida. O bombeiro de 3.ª, António Pedro Fernandes Martins com o seu ato altruísta e de imensa generosidade evitou, deste modo, uma tragédia irreparável, não só para a mãe da criança que, impotente via o carro deslizar, como também para outras pessoas que circulavam naquela zona, demonstrando com a sua atitude uma total disponibilidade e dedicação em prol do ideal de serviço à comunidade. Assim: Nos termos do disposto na alínea b) do n.º 1 do artigo 2.º, nos n.ºs 1 e 2 do artigo 3.º e no n.º 2 do artigo 4.º, todos do Regulamento de Concessão da Medalha de Mérito de Proteção e Socorro, anexo à portaria n.º 980-A/2006 (2.ª série), de 14 de junho, concedo ao bombeiro de 3.ª, António Pedro Fernandes Martins, da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Vila Verde, a medalha de mérito de proteção e socorro, no grau prata e distintivo azul. 26 de maio de 2014. — O Ministro da Administração Interna, Miguel Bento Martins Costa Macedo e Silva. No último fim de semana de julho decorreram na Vila de Prado as festas em honra de S. Tiago e de Nossa Senhora dos Remédios. No dia 25 de julho, sexta-feira, houve a tradicional celebração eucarística em Honra de S. Tiago, seguindo-se a actuação do grupo “Rusga dos Amigos de Godinhaços.” Já no sábado, as ativida- des começaram logo de manhã cedo com um périplo por toda a Vila de Prado do grupo de Zés P’reiras. A animação do serão contou com a atuação de Ângelo Veloso e Malheiro, Zé Amaro e culminou com a caraterística sessão de fogo de artifício, vista e aplaudida por várias centenas de pessoas. No domingo o ponto alto das celebrações foi a pro- cissão durante a tarde e à noite os presentes puderam assistir ao Festival de Folclore, no qual participaram os grupos Rancho Casa do Povo da Vila de Prado, Associação Etnográfica e Cultural Rancho Folclórico da Vila de Prado e Rancho Folclórico de Cervães. As festas foram encerradas com mais uma sessão de fogo de artifício. XIII Open do Minho no Complexo de Tiro de Cabanelas Alberto Nídio Silva Comemorações da Senhora da Misericórdia São já em número de 70, os anos de existência no apoio e na ajuda a espalhar sorrisos e acalentar esperanças. A Misericórdia de Vila Verde e a sua extensa obra falam por si. Diz o Dr. Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, “vivemos hoje tempos de tormenta, mas é nestes contextos que se vê melhor quem vai ao leme”. No âmbito das comemorações dos 70 anos estão já agendadas várias iniciativas, destacando-se a aquela que foi levada a efeito no passado dia 29 de junho. O dia começou com celebração da eucaristia na igreja paroquial de Vila Verde, onde foi lida uma mensagem de D. Jorge Ortiga, que não presidiu por motivo de agenda. A celebração foi animada pelo grupo da Santa Casa de Misericórdia de Vila Verde, com o brilhantismo a que já nos habituou. A eucaris- tia contou com a presença dos vereadores da Câmara Municipal, órgãos sociais, irmãos, colaboradores e população vilaverdense, sendo a principal ausência a do Presidente da Câmara Municipal. Seguiu-se a procissão solene até às instalações da Santa Casa onde foi servido um buffet que proporcionou franca confraternização entre os presentes. O Complexo de Tiro de Cabanelas foi palco de mais uma prova internacional de tiro desportivo nos dias 28 e 29 de junho. Mais de uma centena de atiradores marcaram presença, com destaque para os participantes estrangeiros, oriundos principalmente de Espanha e França. A sociedade de Tiro de Braga, organizadora deste evento pretende não só promover esta modalidade desportiva mas também “ dar a conhecer a região do Minho e o distrito de Braga e em particular o concelho de Vila Verde” A prova foi distribuída por 18 pistas, cada uma com di- ferentes cenários. O Complexo de Tiro de Cabanelas sofreu melhorias significativas para acolher este Open e foi adaptado para simular situações reais. As entidades locais acreditam que aquela estrutura tem potencialidades para se tornar uma referencia a nível mundial na modalidade. Notícias de VILA VERDE MUNICÍPIO AO VIVO Julho / Agosto 2014 6 Poluição prejudica época balnear Vereador do Ambiente “empurra” responsabilidade para a Autoridade Regional de Saúde A edição do Jornal de Notícias de 23 de julho noticiou que a Administração Regional de Saúde do Norte emitiu um aviso público dando conta que as águas do rio Homem não estão reconhe- cidas como águas balneares. Na origem deste aviso terá estado a identificação de salmonellas em locais frequentados por banhistas, situação que terá origem em vários focos de poluição já sinalizados pela Brigada de Proteção da Natureza da GNR de Braga. Confrontado com a situação, o Presidente de Câmara, Dr. António Vilela, reagiu dizendo que espera que o “problema esteja sanado na próxima época balnear”. Perante a situação, os Vereadores do Partido Socialista reagiram, em comunicado enviado à nossa redação, mostrando a sua preocupação face às notícias da contaminação das águas com salmonellas, e, também, a sua indignação face ao “silêncio ensurdecedor” de António Vilela e do Vereador do Ambiente, que não prestaram, em devido tempo, qualquer esclarecimento às populações. A Vereação Socialista foi mais longe ao criticar o Edil por constantemente, com as referências à “excelência das águas”, despreocupar os veraneantes que frequentam as referidas águas, postura que, no entendimento dos Vereadores do PS, é uma grave irresponsabilidade que pode fazer perigar a saúde pública. No mesmo comunicado, os Vereadores do Partido Socialista, afirmando-se cansados de ouvir António Vilela a atirar culpas para o município de Braga e Amares e a indicar a ETAR de Cabanelas como solução para tudo, exigiram esclarecimentos oficiais e prometeram colocar o assunto na ordem de trabalhos da reunião de Câmara do dia 04 de agosto. Para melhor esclarecimento da questão da poluição das águas dos rios, nomeadamente do Homem e do Cávado, os Vereadores do PS comunicaram, ainda, que iriam solicitar reuniões urgentes com os responsáveis políticos dos municípios de Braga e Amares. O assunto da poluição das águas dos rios que banham o concelho, nomeadamente o Cávado em Soutelo (zona do Mirante) e na Vila de Prado (no Faial), voltou a ganhar relevo e a gerar tensão entre os Vereadores do executivo Vilaverdense na referida reunião de Câmara do dia 04 de agosto. Tal como tinham anunciado publicamente, os Vereadores do Partido Socialista apresentaram uma recomendação para que, dada a gravíssima situação de saúde pública verificada nos referidos locais, o Presidente de Câmara e o Vereador do ambiente se “dedicassem, de uma vez por todas, à resolução dos problemas que têm afetado a qualidade de vida dos Vilaverdenses, em vez de procurar desculpas e justificações para as falhas contínuas na rede de esgotos que tem afetado gravemente as zonas ribeirinhas do concelho”. Patrício Araújo serve-se das particularidas da Lei para fugir às responsabilidades, afirmam os vereadores do PS No seguimento desta recomendação, o Vereador responsável pelo pelouro do ambiente, Dr. Patrício Araújo, apresentou em ata as justificações para o sucedido no rio Cávado, justificações essas que despoletaram severas críticas por parte de Luís Filipe Silva e José Morais. Luís Filipe Silva e José Morais, em comunicado enviado à redação do Notícias de Vila Verde, acusam o Sr. Vereador responsável por zelar pela qualidade ambiental do Concelho de Vila Verde, Dr. Patrício Araújo, de não assumir integralmente as suas responsabilidades, de se refugiar nas particularidades da Lei que regula a elaboração das análises às águas e de imputar falhas na conduta e ação da Autoridade Regional de Saúde. Com efeito, analisando as declarações deixadas em ata pelo Sr. Vereador Patrício Araújo, conclui-se que a Autoridade Regional de Saúde é acusada, entre outros aspetos, de usar a legislação para interditar o uso da Praia Fluvial do Faial mas de não usar esses mesmos parâmetros definidos na Lei para avaliar os riscos para a saúde pública. O Vereador do ambiente, na sua declaração em ata, mostra-se, ainda, descontente pelo facto da Autoridade Regional de Saúde “adotar de imediato a medida mais gravosa e mais extrema da interdição total ao invés do desaconselhamento da prática balnear.” Os Vereadores do Partido Socialista, depois de classificar essas declarações como desconexas e destinadas a fugir à responsabilidade, afirmaram-se assustados com a forma como o Vereador do ambiente encarou a questão da poluição nos rios que atravessam o território Vilaverdense, e concluem dizendo que se dúvidas existissem, a reunião de Câmara “provou que os Vilaverdenses merecem muito mais da sua gestão autárquica, nomeadamente na defesa do que ainda é um dos seus maiores patrimónios: o meio ambiente”. Contatados telefonicamente pela redação do Noticias de Vila Verde, os Vereadores do Partido Socialista mantiveram o seu repúdio pelas declarações e comportamento do Vereador do ambiente, afirmando que “o Sr. Dr. Patrício Araújo deve ser relembrado da Bandeira Azul prometida para a Praia Fluvial do Faial”. Em nota final, Luís Filipe Silva e José Morais aconselharam o Sr. Vereador do Ambiente a conhecer o concelho antes de fazer mais declarações para as atas, pois, segundo palavras dos mesmos “talvez assim, depois de conhecer o concelho se lembre de locais de lazer como a Ponte Nova e o Váu (na Loureira), da zona de lazer junto ao rio em Cabanelas, ou dos muitos locais paradisíacos no Vale do Homem, sitos, por exemplo, nas Freguesias de Lanhas, Coucieiro, Ponte S. Vicente e Valbom. Notícias de VILA VERDE CONCELHO EM FOCO Julho / Agosto 2014 7 Afinal qual é o mal das Salmonellas? As Salmonellas são bactérias que vivem no intestino dos animais e dos seres humanos e são libertadas para o meio ambiente através das fezes. Infetam os seres humanos quando presentes em alimentos ou água contaminada. Os seres humanos também podem transmitir a doença entre si, especialmente se ainda não tiverem sintomas da doença. Lavar as mãos com frequência, evitar banhos em águas suspeitas de contaminação, não beber água de fontes sem a certeza de ser potável, são algumas formas de evitar a infeção por esta bactéria. Os sintomas associados à infeção por Salmonella podem ser diarreia, febre, arrepios, dores de cabeça e dores abdominais. A febre tifóide é provocada por uma espécie destas bactérias, a Salmonella typhi, muito frequente em países subdesenvolvidos, por falta de saneamento básico e hábitos de higiene deficientes dos cidadãos. As gastroenterites provocadas por Salmonella tornam-se especialmente graves para pessoas com o sistema imunitário enfra- DECO PROTESTE aponta falhas à Praia do Faial Fonte: Junho 2014 Revista PROTESTE A edição de Junho da revista Proteste, da Associação de Defesa do Consumidor – DECO, inclui a Praia Fluvial do Faial, na Vila de Prado, nas 10 praias fluviais a evitar pelos banhistas, à escala nacional. Aquela publicação selecionou 30 praias interiores, distribuídas por todo país, das 98 classificadas como águas balneares e inspecionaram itens como a qualidade da água, a segurança da praia e a informação disponível para os banhistas. No artigo pode ler-se que “das 30 praias visitadas, 10 acusaram água com falta de higiene” e neste grupo está incluída a praia do Faial, na Vila de Prado. No artigo pode ain- da ler-se que a limpeza da praia foi classificada com Médio e a disponibilidade de Informação aos banhistas levou um Mau. A Proteste deu um Medíocre na apreciação global da praia do Faial e coloca-a no lote das 10 praias nacionais que os banhistas devem evitar pelos riscos que representa para a saúde. quecido, anemia, menor acidez no estômago, grávidas, crianças e idosos. Em casos de desidratação resultante de vómitos e diarreia pode ser de tal ordem severa e exigir cuidados médicos imediatos. Por norma, pessoas saudáveis recuperam da doença em apenas alguns dias, sem necessidade de uso de medicamentos. Fonte: University of Missouri, News Bureau. Mega Etar em Cabanelas Um presente envenenado No passado dia 3 de junho foi inaugurada a Mega ETAR Homem-Cávado, em Cabanelas. Este equipamento de grandes dimensões tem a função de tratar o saneamento dos concelhos de Vila Verde, Amares e Terras do Bouro. É por isso uma obra extremamente importante para estes três municípios e em particular para o nosso concelho. A história terminaria aqui e com um final feliz. Como em tudo na vida, nem tudo são rosas. As Etars são muito úteis e dada a sua importância estratégica, são equipamentos que ninguém pode falar contra. Desde que longe das nossas casas. Cabanelas, fruto da sua localização geográfica, teve a infeliz sorte de lhe sair uma Etar na raspadinha. E logo uma das grandes. Razão essa que tão importante acontecimento na freguesia, não arrastou mul- tidões como seria de esperar. Efetivamente o dia não foi de festa mas sim de luto. Uma ETAR de tão grandes dimensões pode acarretar problemas não menos grandiosos. Se ouvirmos o que dizem os técnicos, esta ETAR está munida da tecnologia mais atual, quase que tecnologia do futuro. Infelizmente a história mostra-nos exemplos de navios inafundáveis que afundaram, aviões supersónicos à prova de acidentes que os tiveram, centrais nucleares que foram arrastadas pelas águas do mar, etc. A população de Cabanelas está consciente disso e vai acreditando numa manutenção capaz de minimizar tais problemas que dada a dimensão desta ETAR podem ser muito graves. Falar em acreditar é a palavra certa, pois também acreditou nas promessas da Câmara Municipal que garantia que este equipamento só seria inaugurado depois da freguesia de Cabanelas ter uma cobertura a 100% no saneamento em baixa. Tal como o Titanic, o Concorde ou a Central Nuclear de Fukushima, o que parecia impossível, aconteceu. Ironicamente, Cabanelas tem uma Etar do mais moderno que existe que coabita com os problemas de saneamento mais graves do concelho. A população de Cabanelas é tolerante, mas está atenta. É uma freguesia pacifica mas tudo tem limites. Cabe à Câmara escolher se prefere deitar água na fervura e dar prioridade ao saneamento em Cabanelas, ou apagar este incêndio com gasolina, acordando um monstro adormecido nos últimos anos. Será bom para todos que o bom senso prevaleça. Aires Fumega Notícias de VILA VERDE MUNICÍPIO AO VIVO Julho / Agosto 2014 8 Luís Filipe Silva suspende por 60 dias José Morais assume liderança da vereação e Manuel Araújo passa a integrar o órgão executivo da Câmara Municipal de Vila Verde Alegando motivos profissionais, o Vereador Luís Filipe Silva apresentou, na passada reunião de Câmara do dia 04 de agosto, a suspensão temporária do mandato autárquico, por um período de 60 dias, confiando a liderança da Vereação e dos restantes trabalhos autárquicos ao Vereador José Morais. A suspensão temporária de mandato, abriu caminho para a entrada de Manuel Araújo no executivo camarário, Vilaverdense natural da Ribeira do Neiva que, nas palavras de Luís Filipe Silva, “dará um precioso contributo aos trabalhos autárquicos”. Em comunicado, Luís Filipe Silva adianta que podia levar a cabo os seus compromissos profissionais em data posterior, mas optou por o fazer nesta altura, suspendendo o mandato e permitindo com isso a entrada de Manuel Araújo para o elenco de Vereadores, uma vez que continua atual a discussão das transferências de competências e respetivas verbas financeiras para as Juntas de Freguesia, discussão de muita importância para a Ribeira do Neiva, sobretudo depois do processo de reorganização administrativa que juntou sete freguesias. Luís Filipe Silva continuou dizendo que a zona Norte, e em especial as sete freguesias da Ribeira do Neiva, ganham, num momento crucial do mandato autárquico, uma voz local, ativa, conhecedora da realidade e das necessidades locais. O Vereador Luís Filipe Silva terminou o seu comunicado salientando que é muito gratificante saber que pode contar com pessoas como o José Morais, a Manuela Machado e o Manuel Araújo para a defesa intransigente dos interesses do concelho e de todos os Vilaverdenses. Declarações de Manuel Araújo “Vou defender a Ribeira do Neiva mas não esquecerei o resto do concelho” Quais são as suas expetativas para o trabalho que se avizinha enquanto vereador? Eu encaro a participação neste projeto político como um ato de cidadania, como uma forma de contribuir para a causa pública, o que de resto não é novidade para mim uma vez que tenho tido a minha quota parte de participação na vida coletiva do concelho, nomeadamente na Ribeira do Neiva, de onde sou natural. Nesse sentido, e imbuído desse espírito, as minhas expectativas são as melhores. Integrarei o executivo municipal com todo o empenho e responsabilidade. De que forma pretende defender a autonomia financeira da Ribeira do Neiva? Com a minha integração na vereação vou defender a Ribeira do Neiva, sem esquecer o concelho como um todo. Conheço as problemáticas que afetam o dia-a-dia da Ribeira do Neiva, é natural que leve à discussão algumas questões que há muitos anos continuam por resolver. A autonomia financeira da Junta de Freguesia da Ribeira do Neiva é uma dessas questões, pois, como todos compreendem, a agregação de sete freguesias coloca aos eleitos locais grandes desafios, dificuldades e oportunida- des, que só fazem sentido se houver o devido apoio financeiro por parte da Câmara Municipal. Sei que a questão da autonomia financeira das Juntas de Freguesia é comum a todas as freguesias do concelho, logo, ao colocar este assunto em discussão estarei a contribuir para uma maior valorização de todos os Presidentes de Junta do concelho de Vila Verde e a dar-lhes melhores condições de trabalho junto das suas populações. O próximo Orçamento Municipal tem que ser construído tendo em mente este principio, e darei o meu contributo para que assim seja. O que podem esperar os Vilaverdenses de si nesta sua passagem pela vereação socialista? Espero contribuir, dando o melhor de mim, para uma gestão municipal mais próxima e mais atenta aos problemas que mais afetam os Vilaverdenses. Tem sido essa a linha de atuação da vereação do Partido Socialista e eu irei fazer o mesmo. Com toda a responsabilidade e com muito entusiasmo, nesta minha passagem por funções públicas defenderei exatamente aquilo que fundamenta a existência de eleitos políticos, que mais não é que a boa gestão e aplicação dos recursos públicos em benefício exclusivo do interesse coletivo. “Defenderei exatamente aquilo que fundamenta a existência de eleitos políticos, que mais não é que a boa gestão e aplicação dos recursos públicos em benefício exclusivo do interesse coletivo.” Notícias de VILA VERDE MUNICÍPIO AO VIVO Julho / Agosto 2014 9 Revisão do PDM aprovada com 16 anos de atraso Vereadores do PS afirmam que os atrasos do PDM comprometeram o desenvolvimento do concelho “É preciso fazer a revisão do PDM, por considerar que há freguesias onde é praticamente impossível construir.” José Manuel Fernandes in Notícias de Vila Verde em 30 de Julho de 1997 (apresentação de candidatura à Câmara de Vila Verde) A reunião de Câmara do dia 04 de agosto foi “palco” para a aprovação da revisão do Plano Diretor Municipal, documento há muito esperado pelos Vilaverdenses. Tal como se previa, o documento foi aprovado por unanimidade. No entanto, os Vereadores Luís Filipe Silva e José Morais fizeram questão de deixar lavrado em ata algumas considerações a respeito da morosi- dade do processo. Recuando ao ano de 1997, relembraram as promessas do Eng.º José Manuel Fernandes a respeito da revisão do PDM, altura em que o então recém-eleito Presidente de Câmara José Manuel Fernandes considerou o processo de revisão como sendo de prioridade absoluta e determinante para o trabalho que se pretendia fazer no território concelhio. Os Vereadores do Parti- do Socialista consideraram que o processo de revisão do PDM foi marcado por “anos e anos de promessas, de expetativas goradas, de empurrar de responsabilidades para outras entidades e de atropelos inadmissíveis à Lei do ordenamento do território que apenas mostraram que, politicamente, não existia nenhuma vontade em rever o PDM”, realidade que fez perder “preciosos anos, anos de abundância de recursos que poderiam ter contribuído para o desenvolvimento e crescimento do Concelho de Vila Verde”. Em nota final, os eleitos do PS dizem esperar, agora, “que o PDM resultante de 16 anos de revisão possa ser um verdadeiro instrumento de gestão do território concelhio, sem ambiguidades, e não seja apenas uma ferramenta para resolver as situações de incumprimento ou para iniciar um novo processo de criação de expetativas que nada beneficiam o concelho e os Vilaverdenses. Na altura de aprovação de tão importante documento para o Concelho de Vila Verde, Luís Filipe Silva e José Morais não esqueceram o Ex vereador António Zamith Rosas, bem como os funcionários municipais que no processo de revisão participaram, elogiando o seu empenho. Os eleitos do PS dizem mesmo que, se não fosse esse empenho, ainda hoje se “estaria à espera da revisão de tão importante documento para o concelho e enrolados no recorrente e desgastante exercício de encontrar argumentos e desculpas para justificar os atrasos, os enviesamentos e todos os episódios que prejudicaram o processo de revisão do Plano Diretor Municipal”. Paulina Lira prepara candidatura ao Departamento Federativo das Mulheres Socialistas de Braga Paulina Lira, atual líder da Juventude Socialista de Vila Verde, irá apresentar-se como candidata ao Departamento Federativo das Mulheres Socialistas de Rui Silva eleito Presidente da Comissão Política do PSD de Vila Verde Decorreu no passado dia 11 de julho a eleição para os novos órgãos da Concelhia do PSD de Vila Verde, ato eleitoral que elegeu o ex-vereador Rui Silva como o novo “líder” da estrutura laranja. Sob o lema “Os Vilaverdenses Primeiro”, Rui Silva construiu uma lista que apelida de “abrangente e renovadora”, passando a mensagem do início de um “novo ciclo” numa estrutura em que Júlia Fernandes, Mário Nogueira e Hélder Forte surgem como Vice Presidentes. Na senda da “abrangência e renovação”, surge António Vilela como Presidente da Mesa do Plenário e o mesmo António Vilela e João Lobo como os primeiros indicados na lista de delegados à Assembleia Distrital. Esta foi uma eleição com interesse redobrado dado o aproximar das Eleições Legislativas e previsível indicação do próprio Rui Silva como candidato elegível à Assembleia da República. Braga, de acordo com fonte próxima da candidata. Contactada pelo Notícias de Vila Verde, Paulina Lira confirma a notícia da sua candidatura e adianta que formalizará a apresentação da sua candidatura em breve sob o lema “Juntas pela Renovação”. As eleições para este órgão estão circunscritas apenas às mulheres socia- listas, mas decorrerão em simultâneo com a eleição do Presidente da Federação, em todos os concelhos do distrito, no próximo dia 6 de setembro. Notícias de VILA VERDE MUNICÍPIO AO VIVO Julho / Agosto 2014 10 Câmara paga 4 milhões e 950 mil euros para recolher o lixo em Vila Verde Conheça o consórcio EcoRede/Rede Ambiente No início de Julho, o consórcio EcoRede/Rede Ambiente iniciou a sua atividade de recolha do lixo doméstico no concelho de Vila Verde. Importa relembrar que esta empresa foi contratada por 4 milhões e 950 mil euros (mais IVA), durante 10 anos, para substituir as equipas da Câmara Municipal que faziam esse mesmo serviço. Este processo ficou marcado por grandes e acaloradas divergências entre os eleitos do PSD e do PS na Câmara Municipal. Enquanto o Presidente da Câmara, António Vilela, diz que a contratação do consórcio EcoRede/Rede Ambiente vai melhorar o serviço e diminuir custos, os Vereadores do Partido Socialista dizem que não se trata de um contrato de prestação e serviços mas antes uma concessão, por um período de 10 anos (renovável por mais 10 anos), sem nenhuma garantia quanto à melhoria do serviço prestado e quanto às poupanças anunciadas. Os Vereadores do Partido Socialista vão mais longe nas suas críticas, e dizem “que a decisão foi tomada sem nenhuma sustentação, sem termo de comparação e sem acautelar aspetos básicos”, razão que os levou a apresentar uma exposição ao Tri- bunal de Contas. Segundo os Vereadores do Partido Socialista, este contrato “é apenas mais um exemplo da política de desresponsabilização da Câmara Municipal de Vila Verde, que está transformada numa simples agência de promoção e gestão de festas e eventos”. Como exemplo dessa política de desresponsabilização apontam, ainda, o estacionamento pago, a venda de 51% da Escola Profissional ou a falhada PROVIVER, afirmando que “antes de entregar tudo a outras entidades, a Câmara Municipal devia internamente fazer mais, melhor e com menos custos, ou pelo menos tentar”. No processo de análise de propostas e seleção de concorrentes para adjudicação do serviço de recolha de resíduos sólidos urbanos de Vila Verde, fazendo o trabalho do júri que tinha sido constituído por deliberação camarária, participou a sociedade CPA- Consultoria e Projectos de Ambiente, Lda. A título meramente informativo, refira-se que empresa CPA – Colsultoria e Projectos de Ambiente, Lda foi parceira da empresa Vector Estratégico – Estudos e Consultadoria, SA, entidade que elaborou a análise da proposta (única) da Val d`Ensino no concurso público que determinou a privatização de 51% da Escola Profissional Amar Terra Verde. Como exemplo dessa parceria entre as empresas CPA e Vector Estratégico está o estudo relativo ao Parque Empresarial de São Felix da Marinha, encomendado pela AMIGAIA EM, empresa municipal de Vila Nova de Gaia que era tutelada por Marco António Costa enquanto Vice-Presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia. A sociedade Vector Estratégico – Estudos e Consultadoria, com sede social na Maia, tem como Presidente do seu Conselho de Administração João Eduardo Guimarães Moura de Sá (que é Vogal das sociedades Rede Ambiente e EcoRede) e como Vogal do Conselho de Administração tem Paulo Renato Gonçalves Reis (que é Presidente do Conselho de Administração da Rede Ambiente e EcoRede). Estes são dados informativos que, entre outros, se podem consultar nos relatórios da Einforma e que dão a conhecer as ligações efetivas entre as entidades envolvidas nos processos da Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV) e da contratação da recolha de lixo no Concelho de Vila Verde. Conheça o consórcio EcoRede/Rede Ambiente: O consórcio é constituído pelas sociedades EcoRede e Rede Ambiente, sociedades que desenvolvem atividades relacionadas com serviços de gestão, recolha, transporte e tratamento de resíduos sólidos urbanos. As sociedades têm, praticamente, os mesmos órgãos sociais. O Presidente do Conselho de Administração é o mesmo e nos Vogais do Conselho de Administração apenas surge António Salvador da Costa Rodrigues como novidade, desempenhando o cargo de Vogal do Conselho de Administração da Rede Ambiente. Refira-se que António Salvador da Costa Rodrigues é o atual Presidente da Direção do Sporting Clube de Braga, clube a que o Euro Deputado José Manuel Fernandes também está ligado como Presidente da Assembleia Geral. A sociedade EcoRede: Presidente do Conselho de Administração Paulo Renato Gonçalves Reis (Ex membro do Conselho Nacional do PSD) Vogal do Conselho de Administração João Eduardo Guimarães Moura de Sá (Ex deputado do PSD na Assembleia da República) A sociedade Rede Ambiente: Presidente do Conselho de Administração Paulo Renato Gonçalves Reis (Ex membro do Conselho Nacional do PSD) Vogal do Conselho de Administração João Eduardo Guimarães Moura de Sá (Ex deputado do PSD na Assembleia da República) Vogal do Conselho de Administração António Salvador da Costa Rodrigues (Presidente do SC de Braga) Fonte: Einforma Espaço do Cidadão na Vila de Prado provoca “palavras” azedas entre PS e PSD Após a cerimónia pública onde o Presidente de Câmara, António Vilela, assinou o protocolo para futura instalação de um Espaço do Cidadão na Vila de Prado, os vereadores do Partido Socialista emitiram um comunicado de imprensa dando nota da sua satisfação pelo facto do tal Espaço Cidadão ser, em breve, uma realidade no concelho, relembrando, contudo, que a implementação do referido espaço tinha sido alvo de uma proposta sua, datada de 18 de novembro de 2013, e que, na reunião de Câmara de 02 de dezembro de 2013, foi recusada pelo Presidente de Câmara e pelos vereadores do PSD. António Vilela não terá gostado do que leu e deu instruções ao Gabinete de Apoio à Presidência para reagir. No comunicado de reação do Gabinete de Apoio a António Vilela, os vereadores do Partido Socialista são acusados de faltar à verdade e de usar “jogos políticos pouco claros”. A resposta dos vereadores do PS não se fez esperar e, num comunicado à imprensa contundente, não só deram a conhecer o conteúdo da proposta recusada por António Vilela e vereadores do PSD como acusam o Gabinete de Apoio à António Vilela de estar a ser pago com dinheiros públicos para gerar polémicas desnecessárias em vez de dar atenção aos assuntos sérios e preocupantes que existem no concelho. Afirmando que a paternidade da proposta é um assunto menor, até porque na ques- tão da utilidade dos Espaços Cidadão as duas forças partidárias estão em pleno acordo, os vereadores do Partido Socialista lamentam a celeridade do dito Gabinete nuns assuntos e o absoluto silêncio noutros assuntos, bem mais relevantes. Como exemplo de assuntos que deviam ter despertado a atenção do Presidente e do seu Gabinete de Apoio, apontam a descarga de esgotos que, no dia 25 de julho, ocorreu em plena praia fluvial do Faial, na Vila de Prado, descarga que alarmou os veraneantes e originou uma diligência da GNR no local. A vereação Socialista terminou o seu comunicado à imprensa lamentando que “dinheiros públicos estejam a ser gastos para tratar de assuntos/polémicas de Gabinete, enquanto os problemas reais, os problemas que se verificam no terreno, que afetam diretamente os cidadãos e imagem do concelho, continuem com a resolução adiada” e a aconselhar o Presidente de Câmara e o seu Gabinete a “dar atenção ao que realmente tem importância, dando desde já, com a mesma celeridade e destaque, explicações sobre a descarga de esgotos ontem (25 de julho) verificada no Faial, sobre a qualidade das águas das zonas ribeirinhas do concelho e a informação necessária, com verdade, a todos os visitantes desses locais para que ninguém corra graves riscos de saúde”. Notícias de VILA VERDE CONCELHO EM FOCO Julho / Agosto 2014 11 Primeira Festa-Convívio da Ribeira do Neiva: A Ribeira esteve em festa Os dois dias de festa tiveram lugar no Largo da Feira, em Rio Mau. A primeira edição desta festa foi considerada um sucesso. O último fim-de-semana de julho ficou marcado pela primeira Grande Festa-Convívio da Ribeira do Neiva, uma ideia que teve como fundamento principal criar um “dia da Ribeira”, em que qualquer pessoa das freguesias que formam a Ribeira do Neiva pudesse participar, conviver e até promover os seus produtos em estabelecimentos patrocinados pela Junta de Freguesia. No primeiro dia, 26 de julho, decorreu a abertura das “barraquinhas”, e houve ain- da espaço para cantares ao desafio, jogos tradicionais e uma mega aula de zumba ao ar livre. A noite ficou marcada pela presença da banda de Rock “Renegados do Ritmo” e ainda pelo DJ Fudjy, que animou a festa durante o resto da noite. A feira de produtos regionais marcou também o do- mingo, havendo ainda espaço para uma Missa Campal durante a manhã. À tarde, Isolina Carvalho apresentou o livro “A Violação inscrita no silêncio”. A festa terminou com a atuação dos ranchos folclóricos de Pedregais, Godinhaços, e a Rusga dos Amigos de Godinhaços. Ouro Neiva promoveu Missa de Acção de Graças em memória dos caçadores falecidos A iniciativa decorreu ao final da tarde do primeiro domingo de agosto, junto à capela de Cháscua, um dos recantos do alto da Ribeira do Neiva, e foi promovida pela Associação de Caçadores Ouro Neiva. É a segunda edição des- ta atividade, e o sucesso é cada vez maior. A missa em memória dos caçadores falecidos decorreu às 17h do dia 3 de agosto, numa bouça junto à capela de Cháscua, e contou com centenas de participantes, entre eles caçadores, familiares e amigos da Associativa Ouro Neiva, que esteve a cargo da organização da celebração, presidida pelo Padre Sandro Vasconcelos. No final da missa, houve ainda espaço para uma bênção dos artigos de caça e de animais, bem como para uma sessão de tiros em homenagem aos caçadores falecidos que outrora passaram pela Associativa. A atividade encerrou-se com um mega piquenique, onde cada um foi convidado a trazer o seu lanche e a partilhá-lo com os presentes. Concerto Solidário em Cabanelas No passado dia 6 de julho, Cabanelas recebeu um Concerto Solidário para angariação de fundos para ajudar Carlos Cunha, de 63 anos, residente na freguesia e que sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica, uma doença degenerativa, cuja esperança reside num tratamento a realizar na Alemanha. Este evento, que teve a presença de vários artistas populares, contou com Ângelo Veloso, Maria Celeste, Jorge Loureiro e Naty, Paula Barroso, Tó Fernando, Grupo Verde Canto, Marciana, Miguel Costa e o jovem grupo Futuro da Família Machado. As condições para uma tarde animada estavam mais que criadas e para ajudar à festa não faltou o Porco no Espeto, a sangria e as caipirinhas. Este Concerto solidário foi mais uma de um conjunto mais alargado de iniciativas que visou o apoio desta causa. Rio Mau celebrou São Bento da Ermida As festividades em honra de São Bento da Ermida decorreram na freguesia de Rio Mau, entre os dias 10 e 14 de julho, e não faltou animação. A festa começou na quinta-feira, dia 10, com música gravada durante o dia. No dia 11, dia de S. Bento, decorreu uma missa solene na capela da Ermida. A noite foi animada pelos artistas “Os Solitários”. No sábado, o grupo de Zés Pereiras “Os Frujeiras” percorreu a fre- guesia, e a animação noturna esteve a cabo de Hélder Baptista, seguindo-se a festa noite dentro com a presença do DJ Fudjy para animar o serão. No domingo, dia 13, celebrou-se mais uma missa solene em honra do santo padroeiro da Ermida, seguida de uma procissão. O dia ficou marcado pela actuação do Rancho Folclórico e Etnográfico de ‘Entre Ambos os Rios’ e com os Amigos da Rusga de Godinhaços. Notícias de VILA VERDE CONCELHO EM FOCO Julho / Agosto 2014 12 Entrevista com o Presidente da Junta de Freguesia de Soutelo, Filipe Silva “Os políticos nacionais deviam ser obrigados a ter no currículo a liderança de uma Junta de freguesia” Filipe Silva considera que os presidentes de Junta estão de joelhos para conseguirem os recursos básicos. para cumprir com as atribuições da junta, estando dependentes dos presidentes de câmara e do próprio poder central. Acrescenta ainda que os presidentes de junta precisam de se unir para reclamarem aquilo que é de direito para as freguesias. NVV - Quais são as principais questões/problemas que rodeiam o trabalho do atual executivo da Junta de Soutelo? Filipe Silva - Os constrangimentos da Junta de Soutelo são partilhados por todas as freguesias do concelho. Estão sobretudo relacionados com o aumento das competências atribuídas às juntas sem reforço de verbas necessárias, o que acarreta enormes dificuldades na resposta às necessidades básicas da população. Os protocolos de execução existentes entre juntas de freguesia e câmara municipal facilitariam este trabalho se fossem cumpridos, apesar do atraso com que já contam. À semelhança do que já se faz em outros concelhos, como Amares, Braga, Ponte de Lima, Vieira do Minho, Barcelos, em que as autar- quias confiam nas suas juntas as verbas que permitem o cumprimento das respectivas competências, também a Câmara Municipal de Vila Verde deveria seguir este exemplo. As juntas respondem a questões fora da sua esfera de atuação, algumas da responsabilidade directa das câmaras municipais ou de outras instituições, aprofundando a boa vontade e a ligação forte com a comunidade local. A crise nacional limitou as verbas disponíveis para câmaras, juntas e cidadãos particulares, alguns com situações de vida muito complicadas. Aqui as juntas também têm uma palavra a dizer porque constituem muitas vezes a sua primeira linha de apoio. Um problema criado pelo atual governo foi a reforma administrativa, tratando-se de um embuste ao país. A lei das competências é igualmente incompreensível, por atribuir às juntas mais competências com menos verbas. Este conjunto de reformas vem transformar as juntas de freguesia no “patinho feio” do poder público, apesar de neste nível, as juntas serem das poucas instituições que do pouco fazem muito, sem contribuírem para o aumento da dívida pública. Os fundos comunitários são o maior ativo das juntas para responderem aos desafios que se lhes opõem. Refiro-me a fundos não têm que ver com dinheiro, mas sim o fundo de boa vontade das pessoas que constituem a comunidade onde a junta de freguesia se insere. Que virtualidades, para além das margens do rio, encontra na sua freguesia potenciadoras de desenvolvimento em termos turísticos, religiosos, ambientais e sociais? Um dos pontos mais fortes de Soutelo é a localização geográfica, favorável e estratégica pela proximidade aos centros de Braga, Vila Verde e Amares. Enquanto junta, o nosso desafio é maximizar este potencial, sobretudo no que nos distingue de outras localidades. Soutelo posiciona-se nas margens de dois rios, Homem e Cávado, que incitaram um grupo de cidadãos, apoiados pela junta, para a criação de um slogan para a freguesia: “One Land, Two Rivers”. Neste espírito foi criada a Associação Portuguesa de Pesca, sediada em Soutelo, e cujo presidente sou eu enquanto presidente de junta. Um dos principais projectos da associação é obter a concessão do Cávado. Foi partindo do pressuposto de que a caça e a pesca geram o maior volume de negócios a nível mundial, que a associação tem como meta a promoção da arte da pesca, atraindo pescadores de todo o mundo. A associação tem no seu horizonte a criação da figura de um guia, que apresente e explique a região nas especificidades ligadas à pesca, e uma academia de pesca, para recuperar esta arte, promovê-la junto dos mais jovens e aprofundar a relação da pessoas com o rio. Outra exigência que temos feito à Câmara Municipal de Vila Verde é o aproveitamento das margens dos rios e a sua colocação ao serviço das populações. Queremos as margens acessíveis e requalificadas com o objetivo de preservar o ambiente, valorizar as casas de turismo rural e proporcionando maior qualidade de vida à população residente. O património religioso único é outra das nossas mais valias. A casa da Torre atrai anualmente muitos visitantes à freguesia pelos retiros espirituais que aí têm lugar e que atraem pessoas vindas de vários pontos do país. As margens do rio são uma riqueza potencial, por explorar, para o território de Soutelo. O que falta para se fazer um aproveitamento eficaz daquele potencial? “Os presidentes de Junta estão de joelhos para conseguirem os recursos básicos para cumprir com as atribuições da junta, estando dependentes dos presidentes de câmara e do próprio poder central.” Notícias de VILA VERDE CONCELHO EM FOCO Julho / Agosto 2014 13 Melão Casca de Carvalho promovido com arraial em Soutelo “Os políticos nacionais deviam ser obrigados a ter no currículo a liderança de uma Junta de freguesia, pelos desafios e dificuldades do cargo e pelo contacto constante e direto com a população, com os seus problemas e os seus anseios. A junta de freguesia é a melhor escola política que qualquer político poderia ter.” Em Vila Verde falta uma orientação estratégica em relação aos rios, falta sensibilidade para colocar os rios ao serviço das pessoas, falta perceber que dos rios se podem criar um conjunto de produtos e serviços em simbiose com a natureza. Para tal, as margens precisam de ser limpas e têm de ser criados acessos até elas. A agenda política tem de perceber isto e colocar este aproveitamento como prioridade para fazer a justiça entre as terras e o seu nome: Vila Verde. Esta é a via para a promoção efectiva do turismo. O último inverno veio mostrar problemas provocados pela desatenção em relação aos rios e ribeiros, não há qualquer informação acerca das espécies autóctones e das pressões que possam estar a sofrer devido à poluição, da influência de espécies invasoras. Se queremos turismo em Vila Verde é preciso começar a prestar atenção às questões ambientais de forma séria. Dos objetivos/projetos a que se propôs enquanto Presidente da Junta quais o que estão concretizados, quais os que ainda estão em execução e quais os que ainda não foram cumpridos? O principal objetivo que cruza com os rios e com o turismo é sem dúvida o saneamento básico. Trata-se de uma infraestrutura fundamental para Soutelo por ser uma freguesia semi-urbana. A sua inexistência causa inúmeros problemas ambientais à freguesia e é condição essencial para a qualidade ambiental que ambicionamos. Colocamos este desafio constantemente junto da câmara municipal, para que o torne uma realidade o quanto antes e se eu a visse concluída dar-me-ia por satisfeito pelos anos que passei à frente do executivo da Junta. A Junta tem outros projetos em carteira sempre com o objetivo de diferenciar e promover Soutelo e estão dependentes de condições económicas mais favoráveis geradoras de valor acrescentado. Arrancou no dia 8 de Agosto o 5.º Arraial do Melão na freguesia de Soutelo. Os temas deste arraial consistiram na festa do Melão Casca de Carvalho e na recepção ao emigrante. No programa Grandes Manhãs do Porto Canal, o presidente da Junta de Soutelo, Filipe Silva, disse que este arraial cumpre dois objetivos, promover e divulgar um produto da terra e ainda incentivar outros produtores ao seu cultivo. Além disso, o presidente da Junta refere que este arraial, especificamente nesta época do ano, atinge um outro objetivo, igualmente importante, que é reunir em convívio a comunidade residente com os seus emigrantes em férias. A organização do arraial foi da responsabilidade da Junta de Freguesia de Soutelo e decorreu no espaço do Clube de Ténis. No dia 8 de Agosto o cartaz da festa contou com alvorada musical e a atuação da dupla Humorística “Dois dos Varridos”, da Rádio 9.35. No Sábado a animação esteve a cargo da fadista Isilda Miranda e mais tarde do vocalista da banda Sinal, Miguel Oliveira. Já no Domingo, os Cavaleiros de Soutelo organizaram um passeio a cavalo pela freguesia e durante a tarde houve espaço para o tradicional festival de folclore. À noite o palco foi para uma demonstração de Zumba e para a actuação do grupo musical LIFE. Notícias de VILA VERDE CONCELHO EM FOCO Julho / Agosto 2014 14 Casa do Povo de Vila Verde 66 anos de apoio social A Casa do Povo de Vila Verde é uma instituição que conta já com 66 anos de existência e um legado de um importante trabalho neste concelho ao longo deste tempo. Na actualidade, a Casa do Povo de Vila Verde tem o estatuto de IPSS, através de acordo de cooperação com o Instituto da Segurança Social. Desenvolve a sua acção como CATL, Centro de Actividades dos Tempos Livres, nas instalações do Centro Escolar de Vila Verde, prestando o serviço de CAF, Componente de Apoio à Família do 1.º Ciclo. Esta importante instituição surgiu em 1937 com a designação de “Obra das Mães pela Educação Nacional” com a finalidade de formar as Mães, especialmente aquelas que eram provenientes dos meios rurais, predominantes na época, mas também das raparigas que não prosseguiam estudos liceais, conferindo-lhes instrução e conhecimentos relacionados com a Educação Familiar. Em 1948, ano em que surgiu em Vila Verde o Centro Rural de Educação Familiar da Obra das Mães, este ocupava-se das áreas de acção educativa, familiar e social, ministrando assim formação destinada ao Lar, à Família e à Sociedade. O Centro foi dirigido durante algumas décadas pela Sra. D. Maria do Céu Vilhena da Cunha, que além daquelas funções ainda efectuou as primeiras recolhas de Lenços dos Namorados. Nos anos cinquenta, sobre- tudo no período pós-guerra, assistiu-se na Europa e especialmente em Portugal, a uma debandada da população em busca de melhores condições de vida nos países em reconstrução do centro da Europa, nomeadamente França e Alemanha. A Obra das Mães procurava, com a sua actividade, e dentro do espírito e dos valores da época, mostrar às raparigas alternativas de melhoria das suas condições de vida dentro das localidades onde residiam. Estava assim dado um importante contributo para a valorização e desenvolvimento local numa tentativa de fixação das populações. Em finais da década de 70, a Obra das Mães foi extinta e todos os centros rurais de formação existentes foram integrados nas Casas do Povo locais. Por aquela altura, aquando do processo de descolonização, regressaram a D. Alice Pinheiro Marques e Maria da Conceição Pinheiro Marques da Silva, técnicas da Obra das Mães e formadas na Escola de Tenões, em Braga, que ficaram responsáveis pelo Centro de Vila Verde. A elas se deve o reconhecimento de um trabalho de pesquisa e sistematização relativo aos Lenços dos Namorados. No ano lectivo de 2013/2014, a Casa do Povo teve ao seu cuidado 168 crianças, incluindo-se aqui um pequeno grupo já do 2.º ciclo. Esta valência de ATL oferece às suas crianças um apoio diferenciado, fruto dos vários protocolos que a casa do Povo celebrou com Vila Verde Festas e romarias em Agosto Aboim da Nóbrega Nossa Senhora do Amparo (Domingo antes do dia 15 de Agosto) Senhora da Assunção (15 Agosto); Senhor da Piedade (1º Domingo após 15 de Agosto) António (Agosto); S. Mamede (Agosto) Arcozelo Senhor dos Passos (15, 16 e 17 Agosto) Gondiães S. Mamede (17 de Agosto) Atães Festa do Senhor e dos Emigrantes (Fim-de-Semana após 17 de Agosto) Azões S. Sebastião (10 Agosto) Barbudo Divino Salvador (6 Agosto); Senhor do Ribeiro (último fim-de-semana de Agosto) instituições como o Instituto Britânico de Braga, Escola Muzzenza (Capoeira) e a Academia de Dança Apolo Vila Verde. Conta ainda com a colaboração da Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde, que recebe os casos alvo de encaminhamento pela Casa do Povo, sobretudo nos serviços de Psicologia, Terapia da Fala e Estomatologia. A Casa do Povo de Vila Verde tem como principal objectivo manter a valência de ATL para as crianças do primeiro ciclo, pretendendo já neste próximo ano alargar este serviço para o 2.º e 3.º ciclos. Trata-se de um serviço, completamente novo, que não existe em Vila Verde, dentro dos moldes em que será implementado. Tal como já acontece no primeiro ciclo, as crianças e adolescentes, de anos subsequentes, contarão com apoio especializado nas disciplinas escolares. A Casa do Povo tem como instalações a sua sede, com três salas, onde decorre o atendimento aos pais e encarregados de educação e reuniões de coordenação/ direcção e logística. As aulas de inglês a cargo do Instituto Britânico para os 5.º e 6.º anos têm lugar também no edifício sede. Os alunos do primeiro ciclo têm aulas de Inglês ministradas pelo Instituto Britânico nas instalações do centro escolar. Movimento Jovens de Oleiros organiza Azurela O Movimento Jovens de Oleiros está a preparar um evento que terá lugar no próximo dia 14 de Agosto no Lugar da Aldeia. Aquele movimento espera que seja uma megafesta de Verão e deu-lhe o nome de Azurela, inspirado nas cores do símbolo do Movimento Jovens de Oleiros, o azul e o amarelo. O evento terá início às 22 horas e contará com actuações de MC Y2K, Mickael Akordeon, MagicGroove Dj’s. Está ainda planeada uma festa de esferovite colorido para que não falte animação, efeitos luminosos e muita música à mistura. A entrada na festa é feita através da aquisição de uma pulseira, que a organização colocou à venda em locais publicitados na sua página do facebook, e tem um custo de 5€, se comprada previamente, ou 7,5€, se comprada no próprio dia da festa. Os jovens de Oleiros contaram com o apoio da Junta de Freguesia de Oleiros e prometem muita animação naquela que dizem ser uma festa “Imperdível” para a juventude. Barros Festas de S. Bento e dos Emigrantes (2o domingo de Agosto) Cabanelas Senhora da Conceição (15 Agosto) Carreiras de S. Miguel Senhora da Pena (15 Agosto) Cervães Divino Salvador (5 e 6 Agosto) Codeceda Festa dos Emigrantes e S. Pedro (Fim-de-Semana após 10 de Agosto) Covas Senhora das Neves (3, 4 e 5 Agosto) Dossãos Nossa Senhora dos Milagres (último fim-de-semana de Agosto) Duas Igrejas Santo António de Cháscua (10 Agosto); Senhora da Assunção e Santíssimo Sacramento (15 Agosto); S. Pedro da Touceira (17 de Agosto) Escariz S. Mamede S. Mamede (1º domingo após 17 de Agosto); S. Bartolomeu (1º domingo após 25 de Agosto) Freiriz Festa dos Emigrantes em honra de Nossa Senhora da Purificação (1º domingo de Agosto) Gême Festa do Senhor (Agosto) Godinhaços Senhora da Conceição, Santíssimo Sacramento e Santo Gomide S. Mamede de Gomide (16 e 17 Agosto) Gondomar Festa do Senhor (1º domingo de Agosto) Lage Santa Helena (3.º domingo de Agosto) Marrancos Senhora da Guia (8, 9, 10 de Agosto); S. Mamede (17 Agosto) Moure S. Bento e Santo André (2º fim-de-semana Agosto) Oleiros Senhora dos Anjos (1.º domingo de Agosto) Parada de Gatim Senhora do Amparo (15 de Agosto) Pedregais S. Salvador (6 de Agosto) Penascais Festa dos Emigrantes (3º domingo de Agosto) Pico de Regalados Nossa Senhora de Fátima (15 Agosto) Pico S. Cristóvão Santo António e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (3º fim-de-semana de Agosto) Ponte S. Vicente S. Julião (1º domingo de Agosto) Portela das Cabras Divino Salvador (6 Agosto) Prado S. Miguel S. Miguel – o Anjo (1º fim-de-semana de Agosto) Rio Mau Festa de Santa Teresinha (1º Domingo de Agosto); Festa do Senhor (3º Domingo Agosto) Valdreu Festa do Divino Salvador (9 e 10 Agosto); Nossa Senhora da Guia (17 Agosto) Vilarinho S. Mamede (1º domingo após 15 de Agosto) Notícias de VILA VERDE CONCELHO EM FOCO Julho / Agosto 2014 15 Grupo “Raízes”: trinta anos a tocar, a cantar e a recolher a música tradicional portuguesa Três décadas depois, o nosso Grupo Raízes continua vivo e a (en)cantar-nos com o que de melhor há em Portugal na música tradicional. Fiel ao nome que ostenta, é, essencialmente, na recolha e na evocação dos cancioneiros e poetas populares que se assenta o essencial do seu reportório. Requisitado um pouco por todo o lado, no país e no estrangeiro, sobretudo na Galiza, o Grupo Raízes continua fiel à qualidade dos seus cantares e varia- do instrumental, exibidos com vitalidade nos espetáculos dados. A banda tem-se renovado na continuidade, mantendo presente o seu núcleo duro, e continua bem viva no coração dos vilaverdenses. Não se compreende toda- via por que razão, no âmbito das comemorações dos seus trinta anos de existência, não foram acarinhados com um convite de participação na animação das festas de Santo António de Vila Verde. Bienal Internacional de Arte Jovem de Vila Verde 59 obras integraram a 8º edição do concurso Depois de dois anos de interregno, não cumprindo a sua periodicidade bienal, Vila Verde voltou a realizar a Bienal Internacional de Arte Jovem, entre 28 de junho e 12 julho, na Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela. A exposição, que se realiza com o objectivo de desenvol- ver culturalmente o concelho de Vila Verde, está direccionada para jovens artistas e contou com a participação de 59 obras, nacionais e internacionais, sendo que “3 desses trabalhos são resultado da iniciativa ‘A Bienal na Escola 2013/14’”. Esta edição fica marcada por uma maior incidência de obras de pintura, desenho, fotografia e instalações artísticas. Este concurso/exposição, promovido pelo Município de Vila Verde em colaboração com a Associação de Artistas do Baixo Minho (D’Arte) e do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), realiza-se desde 1999, contando com oito edições. A iniciativa realizou-se na sede do concelho, Vila Verde, que continuará a acolher a iniciativa prevendo-se a realização da próxima edição na Adega Cultural, conforme apontado na iniciativa ‘Reflexões sobre a arte na sociedade’ que integrou o encerramento do evento. Sto. António: um pouco de história só nos enriquece No ano de 1195 nasceu, em Lisboa, Fernando de Bulhões apelidado, mais tarde, de Sto. António. Fernando estudou em Coimbra onde se dedicou à oração e aos estudos, no mosteiro de Sta. Cruz, e onde os franciscanos o admitiram na sua ordem. Daí ruma a Marrocos propondo-se pregar a palavra de Deus aos mouros. Acometido de uma enfermidade vê frustrados os seus planos o que o obriga a voltar à Europa. Foi parar a Itália, onde vivia na obscuridade. Durante umas celebrações, onde se reuniam dominicanos e franciscanos, por lapso, ninguém levara o sermão preparado, frei António tomou da palavra e começou a dissertar sobre a palavra de Deus e os males do mundo. Todos os presentes, “embriagados” pelas suas sábias e eloquentes palavras, ditas com fervor, viram as suas emoções elevarem-se aos céus. Daí em diante, frei António passa do anonimato à luz da fama. Faleceu a 13 de junho de 1213 (daí a celebração das festas de Sto. António, no dia 13) em Pádua, Itália, sendo uns anos depois canonizado. Apesar de breve, faleceu aos 36 anos, teve uma vida plena com Deus e o mundo, dedicando-se à pregação e defesa dos mais desfavorecidos. Muito venerado e centro de riquíssimo folclore é considerado o padroeiro das coisas perdidas e das jovens solteiras, entre outras, o que o torna popular e adorado em todo o mundo. Santo António em Vila Verde Realizou-se em Vila Verde, uma vez mais, a festa dedicada a este santo que decorreu em junho, durante quatro dias. Já muito se disse, já muito se comentou, nomeadamente nos orgãos de comunicação social, sobre estes dias: “Foram quatro dias com um balanço fortemente positivo...” ,” ...as festas concelhias foram um verdadeiro sucesso...”. Eis as palavras proferidas por elementos do elenco camarário do nosso concelho. Lamenta-se, mas nem todos vemos com os mesmos olhos, nem todos sentem com o mesmo coração. Há que destacar, pela positiva: a majestosa procissão; a actuação do grupo vilaverdense de Zé Pedro Ribeiro; o festival de folclore (para os seus organizadores uma palavra de agradecimento mas de reparo pelo seu apresentador...); a Mostra de Talentos; a atuação do vilaverdense Miguel Oliveira acompanhado pela orquestra Melodyfusion que, na verdade, fizeram jus ao que há de bom na nossa terra. Quanto ao negativo, destacou-se o Berg, não negando o seu valor (que funciona melhor em ambientes mais intimistas) para quê a sua contratação se o nosso Miguel brilhou mais alto!? E que dizer do João Paulo Rodrigues, agora tão na moda, que de seu, só trouxe a sua voz? Infelizmente, também o Cortejo da Tradição e as Rusgas foram pouco representativas do nosso concelho. Não queremos deixar de referir que, apesar de o concelho albergar outros talentos de renome nacional, estes têm andado arredados das festividades. Por outro lado, e se “Queremos um Santo António do povo e para o povo”, onde está a animação para os mais jovens? Sim, porque há uma camada da população que não se revê em concertinas e não fora as barracas de associações instaladas na antiga Adega com a animação a cargo de um Disc Jockey, a Festa nada lhes diria (para a próxima um pouco mais de atenção para a juventude). Outro reparo é a mistura de músicas, senão vejamos: os aficionados de música clássica não conseguiam distinguir o som das bandas do som dos grupos em palco, aliás, o que tem acontecido todos os anos e nunca foi corrigido. Porque não programar as coisas doutro modo, será que não aprendemos com os erros? Por fim e não menos importante, o que dizer da afluência de público às festas? Será que não nos apercebemos que estas foram preteridas por outras com cartaz bem mais aliciante, uma delas realizada num concelho vizinho? A cada ano que passa é notória a falta de interesse das pessoas no acompanhamento destas festas, porque será? Parabéns pela iluminação, estava adequada ao santo, com folclore, luz e cor. José Leitão Notícias de VILA VERDE ÚLTIMA Julho / Agosto 2014 16 V Coluna Alberto Nídio A Casa do Conhecimento e o Conhecimento da Casa Parque de merendas de Cervães aparece misteriosamente limpo Anúncio de actividade limpeza da JS desperta consciências O Parque de merendas de Cervães foi foco de atenções neste fim de semana por ter aparecido inesperadamente limpo depois de Paulina Lira, líder da JS de Vila Verde, ter anunciado uma actividade limpeza, agendada para sábado passado. O grupo que se preparava para efectuar a limpeza do espaço, através da recolha do lixo espalhado, teve a agradável surpresa de, à chegada ao local, ver que o local já havia sido limpo previamente. Ainda assim foram recolhidos alguns detritos e colocados sacos de lixo para eventuais utilizadores do parque. Refere a líder da JS que a visibilidade dada à actividade terá despertado consciências que desencadearam a limpeza do espaço e acrescenta que “se este tipo de acções e denúncias resultam, continuaremos a efectuá-las em prol de um concelho mais limpo.” EDITORIAL A procura elevada que as recentes edições do Notícias de Vila Verde (NVV) tem registado são reveladoras da avidez de informação da população vilaverdense. O intenso trabalho de pesquisa e selecção de matérias, que permitam ao leitor construir uma visão global e melhor fundamentada, tem merecido uma resposta francamente positiva da parte dos destinatários deste jornal. O NVV afirma-se assim como veículo de cultura e de exercício democrático, sendo que a democracia se defende através da sua prática continuada. Dentro desta base surge a construção deste jornal: os contributos de todos são bem vindos, todas as opiniões são ouvidas e discutidas, toda a matéria publicada é previamente escrutinada pelos olhares de uma equipa informada e inconformada com a actualidade. A elaboração do jornal é um processo que ocorre num ambiente onde as hierarquias ficam à porta. Não há cargos, idades ou títulos. Todos contribuem por iniciativa com sugestões e ideias. Esta abolição hierárquica abre os temas à discussão e à avaliação de pertinência enquanto matéria jornalística. Alguma crítica tem apontado o jornal como excessivamente contundente ou demasiado populista e por essa via, diz a mesma crítica, esconde uma agenda associada ao partido político A ou B. Tal não corresponde minimamente à verdade, dada a diversidade ideológica dos colaboradores do NVV, cuja matriz nunca foi tão multifacetada. O NVV é o resultado do esforço profundo de encontrar mais elementos, mais dados e mais factos sobre o caminho que nos vai sendo apresentado para o nosso concelho. A equipa do NVV luta para trazer à praça pública matérias que acrescentem um entendimento pluralista da vida pública do concelho. Configura-se como mais um elemento que acrescenta identidade cultural ao povo vilaverdense. No exercício pleno da liberdade de expressão o NVV não usa a calúnia como método de trabalho; usa, sim, documentação validada e factos. Este jornal é feito de pessoas, por pessoas e para pessoas. Nesta linha, o jornal encerra em si a condição humana na busca interminável pela igualdade e pela justiça partilhando informação de qualidade. Informar mais e informar bem é e será sempre a meta desta equipa. O diretor Depois de incontáveis vicissitudes, parece aprontar-se a Casa do Conhecimento que bem ao cimo do velho Campo da Feira, hoje Praça da República (nunca compreendi por que lhe meteram, lá no canto, o “5 de Outubro), se ergue num belo contexto paisagístico (em contraste claro, como já o afirmamos noutra ocasião, com o mamarracho que, ao fundo, abriga um Posto de Turismo e, ao que se diz, também sediará um estabelecimento de restauração numa vila que já os tem em excesso). Vila Verde precisa tanto de uma Casa do Conhecimento, como de conhecimento necessita ter acerca de quase tudo quanto ao concelho e às suas gentes respeita. Pouco sabemos da nossa história coletiva (valha-nos o meritório trabalho ensaístico que a obra do Serra Nevada nos lega), nada conhecemos da nossa sociedade (carências, anseios, características, perfil, demografia, entre tantos outros), nada nos fala das nossas crianças (quem são, quantas são, donde são, para onde querem ir, para onde, entretanto foram, etc.) e muito pouco temos em mãos que nos ajude a compreender o nosso pujante movimento associativo (cultural, desportivo e recreativo). Conhecer Vila Verde na sua plural dimensão idiossincrática, é, antes do mais, decifrar a nossa identidade, saber quem somos, onde estamos e quais os caminhos que gostaríamos de seguir no futuro. Porvir que, irremediavelmente, nos trará mais e melhor tecnologia, sobretudo digital, e, por isso, exigirá a todos competências cada vez mais aprofundadas. Sabido isso, é mais fácil decidir bem, planear com substância, olhar para além do porão, acabando com a navegação à vista e o atirar a cálculo que tantas vezes erra estrondosamente o alvo. Quem decide bem, gasta com sustentado a propósito o dinheiro que localmente lhe cumpre governar em consonância com a realidade do contexto em que exerce a sua ação. Gastar bem os dinheiros públicos é obrigação primeira de todos os que, para tanto, receberam, democraticamente, o mandato do povo para o fazer de forma significativamente competente. Não é preciso muito mais para se perceber o enorme campo de ação que à novel Casa do Conhecimento de Vila Verde se abre no momento em que se avista a sua entrada em funcionamento. Situada na segunda modernidade que vivemos, só se afirmará, todavia, se, pela sua ação científica, se souber constituir como repositório histórico do nosso tempo colectivo e zelosa construtora dos alicerces em que Vila Verde se tem que (re)fundar para lograr acompanhar o tempo que todos os dias se renova. (continua)