ENQUALAB-2008 – Congresso da Qualidade em Metrologia Rede Metrológica do Estado de São Paulo - REMESP 09 a 12 de junho de 2008, São Paulo, Brasil CÁLCULO DA INCERTEZA DE MEDIÇÃO DO ÂNGULO DE ROTAÇÃO DO PLANO DE POLARIZAÇÃO DA LUZ POR UM PADRÃO DE QUARTZO. A.D. Alvarenga 1, K. Souza 2, E.M. Borges 3, R.S. França 3, H. Belaidi 5. 1 [email protected], 2 [email protected], 3 [email protected], 4 [email protected], [email protected] ; Divisão de Óptica, INMETRO--Av.N. Sa. das Graças 50, Xerém, 25250-020--Duque de Caxias, RJ, Brasil. 5 Resumo: Apresentamos aqui os resultados de medição do ângulo de rotação do plano de polarização da radiação por padrões de quartzo, utilizando um protótipo de estudos. Nesta montagem o método de medição foi semi-automático, tendo sido utilizada a programação em LabView para a aquisição de dados. Os dados obtidos das medições de vários padrões foram ajustados a polinômios do segundo grau, e dos parâmetros obtidos foram calculadas as posições angulares. O resultado final da rotação angular foi obtido após considerar a dependência com a temperatura mensurada. A incerteza de medição foi calculada de acordo com o ISO GUM levando em conta os fatores de influência. Palavras chave: polarimetria, padrões de quartzo, incerteza de medição. 1. INTRODUÇÃO A rastreabilidade metrológica de padrões se reveste da maior importância para a competitividade da Indústria Nacional. O setor sucroalcooleiro no Brasil, por exemplo, está se modernizando e adotando os métodos de análise de açúcar internacionalmente reconhecidos e recomendados pela ICUMSA (International Commission for Uniform Methods of Sugar Analysis) e pela OIML (Organization Internationale de Métrologie Légale) para padronizar os procedimentos nos laboratórios das usinas. Os preços da tonelada de cana-de-açúcar e seus derivados são calculados por uma fórmula onde entram índices econômicos do mercado e fatores derivados da qualidade da cana. O fator mais importante é a percentagem de sacarose, medida através da rotação da polarização da luz mensurada por um instrumento chamado sacarímetro, um caso particular de polarímetro. A OIML recomenda que os sacarímetros tenham sua calibração verificada periodicamente através do uso de placas de quartzo como padrões de transferência. Estes padrões, por sua vez, precisam ser calibrados por um laboratório acreditado ou por um órgão de acreditação para assegurar a rastreabilidade. Hoje em dia, esse serviço é oferecido, em nível primário, somente pelo PTB (Physikalisch-Technische Bundesanstalt), o instituto nacional de metrologia da Alemanha. A modernização da indústria sucroalcooleira brasileira e, conseqüente, a necessidade de acreditação de seus laboratórios pelas normas ISO criaram uma pressão de demanda por um serviço de calibração similar aqui no Brasil. Outros setores que utilizam polarímetros também serão beneficiados, como as indústrias de alimentos, de fármacos e química. O projeto da construção do polarímetro de referência para a calibração de placas padrão de quartzo está sendo desenvolvido na Divisão de Metrologia Óptica do Inmetro, numa colaboração com o Laboratório de Polarimetria do Departamento de Óptica do PTB. Deste projeto resultará a construção, no Brasil, de um polarímetro de referência de alta resolução comparável ao do PTB. Na construção do polarímetro do Inmetro alguns equipamentos estão sendo importados, devido às suas características metrológicas, e outros estão sendo adquiridos de fornecedores nacionais ou desenvolvidos localmente, com os componentes feitos no Inmetro. Enquanto os componentes importados, fabricados sob especificações do projeto, não estavam prontos, foram montados protótipos com os componentes já disponíveis, a fim de estudar os principais fatores de influência nos resultados das medições. 1.1. O método polarimétrico Soluções de sacarose e quartzo cristalino são substâncias opticamente ativas, pois possuem a propriedade de girar o plano de polarização da luz. Esta rotação é proporcional ao número de moléculas no caminho da radiação luminosa. No caso da solução de sacarose, a rotação da polarização depende da concentração, do comprimento do tubo que a contém, da temperatura e do comprimento de onda da radiação. As normas da ICUMSA [1] definem uma “solução normal de açúcar” como sendo: 26,0160 g de sacarose pura, pesada em vácuo e dissolvida em água a 20,00 °C até um volume final de 100,000 cm3 ”. O ponto 100 Z da Escala Internacional de Açúcar (ISS) [2, 3] corresponde à rotação óptica da solução normal de sacarose pura sob o comprimento de onda da linha verde do espectro do isótopo do mercúrio 198Hg (546,2271 nm no vácuo), à 20,00 C em um tubo de 200,000 mm, que é (40,7770,001). Para se ter o ponto 100 Z sob outros comprimentos de onda é necessário levar em conta a dispersão rotatória da sacarose [4], o que pode ser feito através de uma equação resultante de ajustes a medições muito acuradas, realizadas entre 1961 e 1998 [5, 6, 7]. Estes experimentos também incluem a dispersão da rotação óptica para o quartzo, e constituem as bases das Especificações Oficiais da ICUMSA [1] e da OIML [8] para a ISS. As placas padrão de quartzo cristalino são utilizadas como um material de referência, ao qual qualquer medição de solução de sacarose é comparada. As propriedades físico-químicas dos cristais de quartzo- se refletem num material muito estável, e suas propriedades ópticas fazem do quartzo uma opção muito melhor para se constituir num padrão, ao invés das soluções de sacarose, que não são estáveis com o tempo: evaporam, mudando a concentração, sofrem alterações químicas e são atacadas por fungos e bactérias. Além disso, o valor de sua rotação óptica é muito sensível a variações de temperatura, enquanto o quartzo é menos sensível. A ICUMSA [1] e a OIML [8] oficialmente estabelecem as características das placas padrão de quartzo usadas para a calibração dos sacarímetros e dos polarímetros. Os defeitos introduzidos por tensões, microfraturas ou riscos, quando manipuladas sem os devidos cuidados nos laboratórios industriais, por exemplo, podem mudar as propriedades ópticas das placas. Este é o motivo pelo qual as placas padrão de quartzo precisam ser verificadas e recalibradas periodicamente. 2. MÉTODOS Os métodos polarimétricos para a medição da rotação do plano de polarização da luz por uma substância opticamente ativa estão explicados nas referências [1–8], e resumidos em [9]; o novo polarímetro de alta resolução do PTB (desde 2006) está descrito em [10]. Num polarímetro simplificado, o padrão de quartzo é posicionado entre dois polarizadores, sendo iluminado em uma extremidade por radiação de comprimento de onda selecionado, e observado na extremidade oposta. O primeiro polarizador seleciona uma direção de polarização da radiação que atravessará o padrão; o segundo polarizador é chamado de analisador. A medição é feita da seguinte forma: sem o padrão, os dois polarizadores são posicionados de modo cruzado, isto é, a direção de polarização do analisador está perpendicular à direção do primeiro, e consequentemente nenhuma luz chega no detector. Após colocar o padrão entre os polarizadores, o plano de polarização da radiação incidente será girado, e portanto a radiação será detectada. O analisador é então girado de forma a restaurar a condição inicial de radiação nula no detector, e este ângulo resultante é o ângulo de rotação medido. 2.1. Descrição do equipamento O polarímetro de testes foi montado com os componentes já adquiridos e outros provisórios. Na Figura 1 apresentamos o desenho desta montagem. 11 Power Meter 12 181 º 10 22 ´ 37 ´´ ZEI PTK1 8 5 6 5 4 3 2 1 Si 7 9 ZEI LabView Figura 1: desenho do polarímetro de testes. Os componentes, de acordo com a numeração da Figura 1, são listados a segui (*): (1) laser de He-Ne da Melles Griot estabilizado em freqüência, =633 nm; (2) isolador óptico Isowave, modelo I-633-2L; (3) polarizador Glan Thompson Newport, modelo 10GT04; (4) modulador de Faraday; (5) íris; (6) placa de quartzo padrão montada em trilho com deslizamento perpendicular ao feixe; (7) sensor de temperatura em contacto com o porta-placa, termistor modelo de precisão da JENAer GmBh, com exatidão <10 mK; (8) gerador de ângulo modelo PTK1, Zeiss com polarizador de calcita Glan Thompson Newport, modelo 10GT04 afixado ao eixo giratório; (9) sensor de temperatura sobre a mesa óptica, termistor modelo para ar da JENAer GmBh, com exatidão <50 mK; (10) fotodetector diodo de Si Hamamatsu, modelo S3590-08; (11) medidor de Potência Óptica Newport, modelo 2832C; (12) mostrador digital do PTK1, Zeiss. O protótipo foi montado nas instalações do Laboratório de Interferometria, da Divisão de Óptica do Inmetro. Os componentes foram montados sobre trilhos afixados numa mesa de granito. O polarizador rotatório foi montado no gerador de ângulo de leitura digital com resolução de 3, de acordo com o fabricante. Neste equipamento a rotação é manual, porém há um encoder com mostrador digital. A placa padrão de quartzo foi montada num porta-placa fixado num carrinho que desliza perpendicularmente ao feixe do laser, dentro da caixa de alumínio revestida internamente de isopor preto. Foi acrescentada uma camada de isopor preto entre o gerador de ângulo e o espaço interno, deixando somente um orifício circular para a passagem do feixe do laser, com o intuito de estabilizar mais a temperatura na câmara, onde está a placa padrão. No lado direito da caixa o limite é uma espessa camada de isolante, e do esquerdo a massa metálica do gerador de ângulo. A condutividade térmica do lado esquerdo ficaria maior do que a do lado direito, e a troca de calor com o ambiente mais rápida pelo lado esquerdo do que pelo direito, e assim, um gradiente de temperatura a mais seria introduzido dentro da caixa. A idéia é que a troca de calor fosse feita principalmente com a mesa de granito, que é o fundo da caixa, onde está o trilho e os elementos ópticos estão fixos. A mesa de granito, desta forma, é o equalizador de temperatura do sistema. Um sensor de temperatura, termistor, fica em contacto com o porta-placa. Outro termistor fica do lado de fora da caixa termalizadora, sobre a mesa, registrando a temperatura do laboratório. A programação em LabView é utilizada para fazer a coleta dos dados do sistema de detecção da radiação através do medidor de potência óptica, dos sensores de temperatura pelo sistema de leitura de temperatura, e também do registro dos valores das posições angulares lidas pelo operador no mostrador do gerador de ângulo. O gerador de ângulo PTK1 não é automatizado, então foi preciso escrever um programa para fazer as medições em modo semi-automático, isto é, o ângulo é variado nos passos angulares desejados através do giro de uma manivela por uma operadora, espera-se alguns segundos para a estabilização mecânica, e então outra operadora digita numa janela do programa o valor do encoder digital, que é lido no mostrador pela primeira operadora. Em seguida, o botão “Prosseguir” é pressionado no programa, onde é feita a aquisição dos valores dos sensores de temperatura, do fotodetector, efetuados os demais cálculos, mostrados em gráficos no painel frontal para acompanhamento, e os dados 2.2. O procedimento de medição As placas padrão podem ser levógiras ou dextrógiras, e por convenção o ângulo correspondente às levógiras possui sinal negativo. Aqui relataremos as medições de três placas levógiras, identificadas como IP880, IP882 e IP883, e uma placa dextrógira, a IP886. Todas foram calibradas no PTB em 2005. O procedimento de medição consiste em determinar as posições angulares de mínimo de intensidade somente com os dois polarizadores (denominado Zero), deslizar a placa para a frente do feixe laser e repetir o procedimento determinando o outro mínimo (denominado Placa). A diferença entre as posições angulares dos mínimos, com e sem a placa, corresponde à rotação do plano de polarização da radiação introduzida pela placa padrão. A medição dos mínimos foi feita através da aquisição da corrente no fotodiodo em função da posição angular, em passos de aproximadamente 30, numa região angular de cerca de 1 em torno do mínimo. O gerador de ângulo foi girado sempre na mesma direção, e as medições foram feitas nas duas posições de mínimo separadas de 180, e repetidas em seguida. Primeiro foram medidas as seqüências de Zero e a seguir as seqüências de Placa. Em dias consecutivos as seqüências Zero e Placa foram repetidas, até termos cerca de três determinações para cada placa. A análise dos resultados foi feita através de ajustes de polinômios do segundo grau à região de mínimo. As leituras de temperatura foram analisadas, a fim de serem utilizadas na fórmula de redução da temperatura a 20 C, como especificado nas normas a ICUMSA. Nossos resultados são sempre comparados ao valor da medição de calibração feita no PTB em 2005. padrão IP886, onde os pontos foram adquiridos em passos de cerca de 1, num intervalo de 360, para ilustrar o comportamento. Observa-se o deslocamento da curva com placa em relação à curva sem placa. As medições para a determinação do ângulo de rotação foram feitas com passos pequenos somente em torno dos mínimos, e nessa região foram feitos ajustes de polinômios do segundo grau para a determinação do valor dessa posição angular. A Figura 3 ilustra os ajustes das quatro curvas de um dia de medição do padrão IP886, expandidas para melhor visualização dos pontos e ajustes. Os ajustes foram feitos num programa comercial, sendo as barras de erro verticais em cada pondo originadas da média de dez aquisições por ponto, numa rotina do LabView. O valor do mínimo foi calculado dos parâmetros resultantes do ajuste. O valor da rotação angular resulta da diferença entre o valor de referência Zero e o valor Placa. IP886-Pl140308 -8 2.9x10 Corrente (A) são armazenados num arquivo, ao qual vão sendo acrescentados os próximos valores dos demais passos. -8 2.8x10 -8 2.8x10 26.90 26.95 27.00 27.05 27.10 o Posição angular ( ) 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO A Figura 2 mostra duas curvas de corrente versus posição angular correspondendo a medições de Zero e Placa do -4 2.5x10 Placa dextrógira IP886 Placa Zero -4 Corrente (A) 2.0x10 -4 1.5x10 -4 1.0x10 -5 5.0x10 0.0 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 o Posição Angular ( ) Figura 2: curvas da variação da intensidade da radiação versus posição angular do padrão IP886 em seqüências Zero (triângulos) e Placa (círculos). Figura 3: figura expandida mostrando ajustes polinomiais a quatro seqüências da placa IP886. Os dois polarizadores de calcita não apresentam alteração de suas características devido a uma variação na temperatura de poucos graus centígrados em torno de 20 C. Desta forma, pode ser feita uma média das quatro determinações de mínimo das seqüências Zero. No caso das seqüências Placa, devido à dependência com a temperatura da rotação da polarização pelo quartzo, cada mínimo será subtraído do Zero médio do dia independentemente, e a temperatura em que a seqüência foi medida precisa ser considerada, para efetuar a correção devido à temperatura ser diferente de T=20,00 C. A cada série de seqüências de medições Placa , realizadas num dia, corresponde um Zero médio de referência. Na Figura 4, na parte inferior do gráfico, estão as medições das temperaturas dentro da caixa termalizadora, para a placa IP886, conjunto de seqüências pl140308A, B, C e D, e na parte superior, as temperaturas na mesa, durante as quatro seqüências exemplificadas. As temperaturas na placa durante cada seqüência mantiveram-se aproximadamente constantes, numa faixa de ± 0,003 ºC, e para efeito de cálculo foi tomado o valor médio em cada seqüência. As temperaturas no laboratório foram monitoradas para o estudo de possíveis influências nos instrumentos de medição como na intensidade de saída do laser, por exemplo. As normas [1, 8] requerem que as calibrações sejam feitas a 20 C, e desta forma os valores de rotação medidos a temperaturas diferentes de 20 C precisam ser corrigidas através de uma expressão que traduz a dependência da rotação do plano de polarização da luz pelo quartzo [5]. 21.20 IP886-PL140308 Em cada seqüência de medição foi calculada uma temperatura média e seu desvio padrão, o qual foi considerado como sendo a incerteza devido à temperatura. Os coeficientes de sensibilidade e a incerteza associada à rotação R foi calculada de acordo com o ISO GUM [11], a partir da equação (1) e de acordo com: 21.16 na mesa o Temperatura ( C) muito menor do que 0,001°, o valor da incerteza de acordo com os requisitos das normas. Para exemplificar a correção da temperatura, consideremos uma placa irradiada por =632,9914 nm, cuja rotação específica em 20,00 C seja 29,75100. Se a temperatura for 20,01 C, a rotação será 29,75104, uma variação de 0,00004. 21.12 na placa 21.08 D C B A 26.9 27.0 27.1 (2) R a T 1 aT 20a 2 (3) E assim, a incerteza combinada em cada medição (Ri uci ) é dada por: 21.04 26.8 R 1 1 aT 20a 27.2 o Posição angular ( ) Figura 4: monitoramento das temperaturas na placa (parte inferior do gráfico) e no laboratório (parte superior). Os valores de rotação a T=20 C, R(,T) foram calculados pela equação (1) a seguir: R , T 1 aT 20a (1) sendo: a = 0,000144, o coeficiente de expansão térmica do quartzo; é o ângulo de rotação obtido do ajuste aos pontos experimentais, e T é a temperatura média durante a medição. Os valores de rotação para cada placa foram obtidos da seguinte maneira: de cada dia de medição, correspondente a uma determinação de Zero, resulta um valor médio das determinações corrigidas a T=20 C. O resultado final é a média dos diferentes valores obtidos desta forma nos dias subseqüentes. Esta média foi comparada ao valor calibrado pelo PTB. Os fatores principais de influência na determinação da rotação, de acordo com o PTB e as normas, são: o comprimento de onda da radiação incidente, que deve ser conhecida em 10-4 nm, a temperatura na placa deve ser estável e determinada com resolução de 0,01 C, e a determinação da posição angular de mínimo. O laser estabilizado usado possui uma incerteza no comprimento de onda que é desprezível em comparação aos requisitos das normas, que foram criadas tendo em vista as radiações de lâmpadas e por prismas, usados nos polarímetros e sacarímetros industriais, e nesta etapa de protótipo pode ser desconsiderada no cálculo da incerteza da rotação. Por exemplo, consideremos uma placa que apresente uma rotação específica de 18,69000° sob radiação incidente de =632,990 nm . Uma variação de 10-3 nm em muda a rotação para 18,68994°, uma variação de 0,00006°, um valor u ci Ri , T 2 2 a 2 2 T 1 aT 202 1 aT 204 (4) onde : mediaZero é a incerteza do valor médio do Zero referencial de cada dia, e T Tmedia é a incerteza da temperatura média de cada seqüência de medição. Nesta montagem, as incertezas nas determinações da rotação em cada seqüência são dominadas pela determinação do Zero de referência, que é a média de quatro seqüências de medição. Para exemplificar, consideremos o cálculo da expressão (4) para a medição m140308D da placa IP886: sendo as componentes = 0,006° e T = 0,002 C, o primeiro termo dentro da raiz resulta (7,8710-7), enquanto o segundo resulta em (1,7110-10). A incerteza combinada, sendo a raiz quadrada da soma destes dois termos, resulta em 0,0028, que é praticamente a contribuição do primeiro termo, dominado pela incerteza gerada da repetição das medições ao girar o instrumento continuamente. Com estas medições foi constatado que o fator limitante na exatidão das medições foi o instrumento usado para girar o polarizador. A montagem final do polarímetro de alta resolução contará com um instrumento muito mais exato, com encoder óptico de duas cabeças de leitura e mecânica de alta precisão. O valor da rotação de uma placa em cada dia de medição (Rd ucd) é a média desses valores individuais, e o desvio padrão foi considerado como a incerteza: u cd Var , sendo Var 1 n Rd Rd n 1 i 1 i , onde 2 n é o numero de medições no dia e R d é o valor médio. O valor final da rotação de uma placa é a média dos valores de cada dia, e o desvio padrão desta média foi considerado pl290208 A B C D pl040308 IP882 A B C D pl0500308 A B C D plm060308 A B C D plt060308 IP883 A B C D pl20308 A B C D p140308 C D E F p190308 A B C pl200308 IP886 como sendo a incerteza. Isto porque a parcela dominante da incerteza advém da repetitividade das determinações das posições angulares, tanto das posições de Zero de referência, quanto das posições com a placa, sendo causadas pelo sistema mecânico do gerador de ângulo. As contribuições para a incerteza provenientes da temperatura são muito pequenas em comparação. Estes resultados estão na Tabela 1, de cima para baixo estão os valores da rotação e incerteza para cada seqüência de medição da placa (letras), da média de cada dia (nome abaixo das letras), e da média de cada placa (IP n o.). Para comparar os resultados finais de cada placa aos valores calibrados no PTB será considerada a incerteza expandida U, k=2. Estes resultados podem ser vistos na Tabela 2, onde também se encontram as diferenças percentuais entre os valores mensurados no protótipo de estudos e os valores de calibração feitos no PTB. Os valores encontrados neste Protótipo são consistentemente menores do que os do PTB, indicando um erro sistemático cuja origem tanto pode estar na correta indicação da temperatura, como pode advir de fatores geométricos devido ao alinhamento imperfeito da placa em relação ao feixe laser e aos dois polarizadores. Isto somente será possível de ser alcançado por meio do uso de um autocolimador, como é feito no PTB. A montagem definitiva contará com um destes instrumento. Outro fator importante, a termalização das placas padrão, será feita por um sistema termalizador com banho controlado, que está sendo construído nas oficinas do Inmetro. Tabela 1: valores da rotação e incerteza para cada seqüência de medição da placa (letras), da média de cada dia (nome abaixo das letras), e da média de cada placa (IP no.) seqüência A B C D pl250108 A B C D pl280108 A B C D pl290108 IP880 A B pl270208 A C D E pl280208 A B C D rotação () incerteza () -29,752 0,002 -29,749 0,002 -29,753 0,002 -29,749 0,002 -29,751 0,002 -29,750 0,003 -29,750 0,003 -29,748 0,003 -29,747 0,003 -29,749 0,002 -29,753 0,002 -29,750 0,002 -29,753 0,002 -29,750 0,002 -29,751 0,002 -29,7501 0,0014 -29,7553 0,003 -29,7536 0,003 -29,7545 0,0012 -29,749 0,002 -29,750 0,002 -29,751 0,002 -29,751 0,002 -29,7503 0,0014 -29,749 0,006 -29,747 0,006 -29,753 0,006 -29,751 0,006 -29,750 -29,750 -29,752 -29,753 -29,753 -29,7517 -29,752 -29,754 -29,745 -29,748 -29,747 -29,748 -29,750 -29,748 -29,749 -29,747 -29,7485 -29,752 -29,749 -29,749 -29,751 -29,750 -29,7489 29,815 29,809 29,812 29,808 29,811 29,810 29,812 29,808 29,812 29,810 29,816 29,819 29,816 29,819 29,817 29,819 29,818 29,816 29,818 29,814 0,003 0,005 0,005 0,005 0,005 0,0014 0,002 0,001 0,001 0,001 0,001 0,004 0,004 0,004 0,004 0,004 0,0014 0,002 0,002 0,002 0,002 0,002 0,0009 0,003 0,003 0,003 0,003 0,003 0,003 0,003 0,003 0,003 0,002 0,002 0,002 0,002 0,002 0,002 0,002 0,002 0,002 0,002 0,004 Tabela 2: valores da rotação angular e das incertezas das placas mensuradas no Protótipo e calibradas no PTB, com U (k=2). Placa número PTB (U k=2) Protótipo (U k=2) IP880 IP882 IP883 IP886 -(29.7490.001) -(29.7490.001) -(29.7470.001) (29.8170.001) -(29.7500.003) -(29.7520.004) -(29.7490.002) (29.8140.008) diferença percentual (%) -0.003 -0.01 -0.007 0.01 Os resultados finais podem ser melhor visualizados na Figura 5, onde a escala à esquerda corresponde às placas levógiras e a escala à direita, à placa dextrógira; os espaçamentos das escalas são os mesmos, para melhor comparação. Os círculos são os valores do PTB, e os triângulos, os valores do Protótipo. As barras de erro correspondem às incertezas expandidas U com k=2. o Rotação angular ( ) -29.740 29.825 -29.745 29.820 -29.750 29.815 AGRADECIMENTOS A.D. Alvarenga, K. Souza e E.M. Borges agradecem o suporte do CNPq/Projeto Prometro 554178/2006-0. Agradecem também o suporte da Diopt, Inmetro, e todos os colegas que têm se esforçado para realizar este Projeto. REFERÊNCIAS -29.755 29.810 -29.760 29.805 IP880(-) IP882(-) IP883(-) IP886(+) Placa padrão de quartzo [1] ICUMSA Specification and Standard (1998): Ref. No. ICUMSA SPS-1. [2] Proc. 19th session ICUMSA, pp. 66-68, 1986. [3] Proc. 16th session ICUMSA, pp. 72-74, 1974. [4] J. Kitel, Referee’s Report Subj. 4, ICUMSA, 1998. [5] R. Bünnagel and H.A. Oehring, “Messung der Rotationdispersion an einem Quartz für die polarimetrische Bestimmung optischer Schwerpuntke, Zeitschrift für angewandte Physik, Vol.20, pp. 419-423, 1966. [6] K. Zander, W. Seiler and R. Bunnagel, “Precision measurements of the rotational dispersion of aqueous sucrose solutions from 18 C to 30 C as a basis for the International Sugar Scale”, Zucker Vol. 27, pp. 642-647, 1974. [7] A. Emmerich, J. Keitel, Marek Mosche, W. Seiler, “Rotatory dispersion of sucrose solutions and quartz in the near infrared”, Zuckerindustrie Vol.123, pp. 329-339, 1998. [8] OIML Recommandation Internationale: Saccharimètres polarimétriques gradués selon l´Échelle Internationale de Sucre de L´ICUMSA, R 14, Édition 1995 (F). [9] A.D. Alvarenga, M. Erin, R.S. França, F.R.T. Luna, H. Belaidi, and I.B. Couceiro; “A new polarimeter applied to sugar industry in Brazil”, proceedings of the “Metrology 2005” International Conference, Lyon, France. Figura 5: Os círculos são os valores da calibração pelo PTB, e os triângulos, os valores do Protótipo; a escala à esquerda corresponde às placas levógiras (-) e a escala à direita, à placa dextrógira (+). 4. CONCLUSÕES Foram realizadas medições do ângulo de rotação do plano de polarização da radiação de um laser de He-Ne por placas padrão de quartzo previamente calibradas no PTB, utilizando um protótipo de estudos. Os valores de rotação encontrados neste protótipo diferem dos valores de calibração no PTB na casa dos centésimos de grau, porém com uma incerteza maior do que a desejável nas normas. Outro fator para esta montagem ainda não ser o suficiente para a constituição de um serviço rotineiro de calibração, é o tempo necessário para mensurar cada placa, que pode se estender por cerca de duas semanas. Este protótipo de estudos, por outro lado, permitiu a verificação dos fatores de influência e seu real dimensionamento. Nesta montagem, os componentes de incerteza dominantes foram causados pelo sistema mecânico do gerador de ângulo, que atualmente está sendo substituído. As incertezas devido à rampa de temperatura são cerca de três ordens de grandeza menores do que as originadas pelo sistema mecânico. A montagem final do polarímetro do Inmetro contará com um sistema de mecânica fina, com encoder óptico e automatizado. O sistema de detecção será baseado na modulação da radiação por um modulador de Faraday, e a termalização será feita em câmaras especialmente construídas no Inmetro, baseadas nas utilizadas no sistema do PTB. [10] Michael Schulz, Andreas Fricke, Klaus Stock, Ana D. Alvarenga, Hakima Belaidi; “ High accuracy polarimetric calibration of quartz control plates”, proceedings of the “IMEKO XVIII World Congress 2006”, september 17 to 22 Rio de Janeiro, Brazil. [11] Guia para a Expressão da Incerteza de Medição. Terceira edição brasileira em língua portuguesa – Rio de Janeiro: ABNT, INMETRO, 2003. (*) Os fabricantes de instrumentos foram citados neste artigo somente como uma informação técnica, não significando que os autores ou o Inmetro os estão recomendando. Informações para contactos: Dra. Ana Paula D. Alvarenga, [email protected]; Msc. Ricardo França, [email protected]; Divisão de Metrologia Óptica, Inmetro, Av.Nossa Sa. das Graças 50, Xerém, 25250-020, Duque de Caxias, RJ, Brasil.