ÉTICA E EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: RELAÇÕES POSSÍVEIS A PARTIR DAS MÍDIAS Leitão, A. S. P. Betti, M. Programa de Pós-graduação em Educação Universidade Estadual Paulista - Campus de Presidente Prudente CNPQ [email protected] Resumo O problema ético está sendo encarado como um modismo, em uma época na qual enfrenta-se uma crise das nossas certezas e esperanças. Ao cair as utopias abre-se um mundo de possibilidades, e a procura por verdades torna-se uma constante. Uma Educação Física que esteja compromissada com um projeto de transformação da sociedade deve buscar dentre os problemas relacionados à prática pedagógica da Educação Física dois importantes temas: as mídias e a ética. As mídias, porque os meios de comunicação (televisão, jornais, internet etc.), estão cada vez mais presentes no cotidiano, alimentam nosso imaginário e influenciam nossa interpretação do mundo. A televisão, em especial, tematiza e amplia maneiras de se vivenciar o cotidiano, e exerce influência crescente e decisiva na cultura corporal de movimento, no âmbito da qual informa, dita formas, constrói novos significados e modalidades de entretenimento e consumo, com destaque para o caso do esporte. A ética, porque possibilita a reflexão sobre os problemas práticos-morais que freqüentemente surgem nas aulas de Educação Física, e que oferecem momentos preciosos para auxiliar o processo de construção de valores por parte dos alunos. Este estudo procurou interpretar, à luz das teorias éticas, um produto da mídia televisiva - um desenho animado que, tendo uma competição esportiva como tema, envolve questões morais. Buscou-se contribuir, a partir da Filosofia moral, para a fundamentação teórica necessária à problematização de questões prático-morais nas aulas de Educação Física. A reflexão sobre valores e atitudes são pontos fundamentais para se pensar em qual sociedade estamos vivendo, e em qual queremos viver. A Educação Física, quando tematiza aspectos da cultura corporal de movimento, endereça seu olhar para valores referentes às vivências corporais que proporciona aos alunos, e deve buscar explicitá-los e problematizá-los, para que possam ser criticados e apropriados pelos mesmos, transformandose em referências nas suas ações. O tema da ética não pode ser apenas um modismo, precisa estar presente na escola como um exercício de cidadania, para o que se deve fazer um esforço de superação das dicotomias presentes na tradição da filosofia moral, a fim de possibilitar ao aluno momentos imprescindíveis para entender sua condição de “ser-no-mundo”. São apresentadas e discutidas neste estudo algumas resoluções propostas pela filosofia moral aos problemas prático-morais percebidos na narrativa do desenho animado. Conclui-se que o professor de Educação Física deve buscar apoio na filosofia moral, e direcionar a prática pedagógica para um entendimento dos valores relativos à cultura corporal de movimento presentes nas mídias, e propor um debate ético que consiga superar o senso comum. Palavras chave: mídia; ética; educação física escolar. Abstract ETHICS AND PHYSICAL EDUCATION SCHOOL: RELATIONS POSSIBLE FROM MEDIA The ethical problem has been seen as a tendency at a stage in where a hoping and certain crisis is faced. While utopias is fallen, world of possibilities is open and a demand for truth becomes constant. A Physical Education which is committed to a society changing project must seek out into the problems related to the practice of teaching physical education, two major themes: the media and ethics. The media because the means of communication (television, newspapers, Internet etc.) are increasingly present in daily life, feed our imagination and influence our world interpretation. The television, in particular, gives a theme and expands ways to experience the routine and offers a growing and decisive influence in the culture of body movement, in which information, such as forms, build new meanings and forms of entertainment and use, with emphasis on sport matters. The ethics allows the discussion of practical-moral problems which often appear in Physical Education classes and offer precious moments to help the process of building values from the students. This study sought to interpret, in ethical theories matters, a product of television media - a cartoon with a sport contest as a theme, which may involve moral questions. Aiming to contribute from the moral philosophy to the needed theoretical basis to a problematic of practical issues - the moral teaching in Physical Education. The reflection on values and attitudes are key points to consider in what society we are living, and in which we want to live. The Physical Education where emphasizes culture aspects of body movement, aim their values in relation to body experiences provided to the students, and should seek to clarify and concern them, so they can be criticized and suitable by them, becoming a reference in their actions. The ethical theme cannot be a tendency only, this must be present at school as an citizenship exercise, to which may be offered an effort to overcome the dichotomies in the tradition of moral philosophy in order to allow the student to important moments to understand their human being condition in the world." Some resolutions proposed by philosophy are presented and discussed in this study to the practical problems- noticed over the cartoon moral narrative. It was concluded that the Physical Education teacher should seek support in moral philosophy, and lead the pedagogical practice to an understanding of the culture of body movement values present in the media and propose an ethical argument which overcomes the common sense. Key words: media, ethics, physical education school. Introdução A Educação Física na escola apresenta, entre os problemas relacionados à prática pedagógica, dois importantes temas: as mídias e a ética. As mídias, porque meios de comunicação como a televisão, jornais, revistas, internet etc., estão cada vez mais presentes no cotidiano, alimentam nosso imaginário e influenciam a construção de uma interpretação do mundo, exercendo também influência crescente e decisiva na cultura corporal de movimento, no âmbito da qual informa, dita formas e constrói novos significados e modalidades de entretenimento e consumo, em especial no caso do esporte (BETTI, 2003). A ética, porque possibilita reflexão/problematização de conteúdos educacionais pouco percebidos na Educação Física Escolar - os problemas práticos-morais que freqüentemente surgem nas aulas de Educação Física, e que oferecem momentos preciosos para auxiliar o processo de construção de valores. A ética como reflexão/problematização dos valores e as atitudes tornase ponto fundamental para se pensar em qual sociedade estamos vivendo e em qual queremos viver. A escola, além dos conhecimentos de um saber elaborado, como os conhecimentos científicos, tem também a função de transmitir, produzir e reproduzir valores referentes ao sistema sociocultural, do qual também é parte. Todavia, de acordo com Pérez Gómez e Sacristán (2000), a escola vem contribuindo para a interiorização das idéias, dos valores e das normas da comunidade de uma maneira quase sempre conservadora. O processo de socialização, que a educação tem como papel fundamental, por vezes acaba consolidando, de maneira explicita ou implícita, “uma ideologia cujos valores são o individualismo, a competitividade e a falta de solidariedade, a igualdade formal de oportunidades e a desigualdade ‘natural’ de resultados em função de capacidades e esforços individuais” (PÉREZ GÓMEZ; SACRISTÁN, 2000, p. 16). A questão da construção de valores é vista ao mesmo tempo como um problema e como uma solução. A ética, como alerta Romano (2001), sofre uma inflação nos dias de hoje, pois, as mídias, os políticos, a universidade e a sociedade em geral fazem uso desta expressão para se valer de um discurso legitimador. Com isto, percebe-se que ocorre um esvaziamento do seu sentido, provocando assim o que chamou Niezstche de niilismo dos valores. A discussão sobre ética e suas relações com a escola tem levantado muitas questões como: o ensino da ética é possível? De que maneira este tema pode ser abordado na escola? Como a escola vai tematizar a ética por meio das práticas pedagógicas? A crise que a Educação Física enfrentou na década de 1980 levou ao questionamento das práticas desenvolvidas em sala de aula. Algumas posições teóricas passaram a questionar os valores da Educação Física tradicional, e assumiram a preocupação de tematizar a cultura corporal de movimento a partir da reflexão sobre os valores do esporte de alto rendimento ou esporte espetáculo. Com isso, a necessidade de fundamentar a prática pedagógica do ponto de vista ético tornou-se presente no meio acadêmico. A Educação Física vai questionar alguns valores tradicionais, algumas posições teóricas assumem uma preocupação de tematizar a cultura corporal de movimento, a partir de algumas perguntas: Quais conteúdos ensinar? Que valores da cultura corporal de movimento merecem atenção? Qual a finalidade da Educação Física? Essas posições preocupam-se com quais valores devemos ensinar; algumas abordagens como a crítico-superadora (SOARES et al., 1992) e a sistêmica (BETTI, 1991) vêem como finalidade da Educação Física a transformação social, e para que isso possa acontecer é preciso que se coloque em questão os valores do esporte de alto rendimento ou esporte espetáculo, e se busque valores adequados a uma prática pedagógica fundamentada no debate ético. A preocupação com a formação dos valores que devem direcionar a ação dos alunos cresce entre os educadores. No âmbito da Educação Física, os Parâmetros Curriculares Nacionais catalizaram tal preocupação, ao enfatizarem que a Educação Física, como todas as outras disciplinas, deve estar atenta à dimensão dos valores e atitudes. (BRASIL, 1997, 1998). Vigotski (1988) chama a atenção para a necessidade de se trabalhar nas crianças diversos aspectos ligados à formação da personalidade. A escola deve levar em consideração que assuntos relacionados à dimensão ética não podem ser apreendidos de maneira espontânea, sem a intervenção do professor; portanto, o aluno tem que ser estimulado em suas várias capacidades de pensar e agir, para que alcance o desenvolvimento geral. A Educação Física, como disciplina escolar, precisa preocupar-se com o desenvolvimento moral de seus alunos; para tanto, é fundamental que se focalize os esforços em duas questões. A primeira diz respeito às relacionadas a valores democráticos, tais como, respeito ao próximo, cooperação, pluralidade etc. A segunda questão atenta para valores e atitudes específicos que estejam relacionados à cultura corporal de movimento. Exemplo clássico da problematização ética em uma aula de Educação Física, como demonstra Ferraz (1997), são os jogos que possuem regras que precisam ser construídas e aceitas por todos os participantes – o que pode contribuir para a formação da autonomia moral. Contudo, na área da Educação Física, o tema da ética e da moral não tem sido objeto de fundamentação suficientemente ampla e profunda, de modo que possa subsidiar práticas pedagógicas consistentes e coerentes, quando se fala em “ensinar ética” ou “construir valores”. Filosofia moral e teorias éticas A ética, ou filosofia moral, encontra sua importância nos problemas práticos morais. Vázquez (2001, p. 23) entende que a ética “... é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade”. Assim, a ética assumiria um caráter científico, e a moral seria o objeto de estudo desta ciência. Rios (1993) entende que a confusão existente entre os conceitos de ética e moral no senso comum nos remete à origem etimológica da palavra. A filosofia moral revela que não existe um consenso no entendimento de ética, e isso se caracteriza já na sua origem etimológica, que nos apresenta uma confusão em torno de uma possível definição. Os vocábulos ethos (grego) e mores (latim), significam os costumes tradicionais de uma sociedade. Mas Chauí (2003) alerta para uma diferenciação existente na língua grega, na qual a palavra ethos é pronunciada com uma vogal breve chamada epsilon, e assim passa a significar “caráter, índole natural, temperamento”, referindo-se, portanto, às características pessoais. Já na origem etimológica fica clara a difícil compreensão do significado de ética, por isso é preciso aprofundar um pouco mais o tema, a partir da Filosofia. Neste caso, a origem etimológica dos conceitos de ética e moral pode direcionar nossa interpretação para diferentes significados. As definições de ética e moral remetem a uma separação convencional, que podem ser explicadas em problemáticas diferentes, mas intimamente relacionadas. Como podemos perceber nas obras Ética, de Vazquez (2001), e Ética a Nicomaco de Aristóteles (2002), há uma clara distinção entre “moral” como os valores, normas, princípios e regras de uma determinada sociedade, e "ética” como a reflexão sistemática da moral. Para Vázquez (2001, p. 63) a moral é: um sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livre e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal. Paul Ricouer (1990 apud LA TAILLE, SOUZA, VIZIOLI 2004, p. 98) faz uso da diferenciação entre ética e moral como a possibilidade da ética assumir a perspectiva de conduzir à “vida boa”, já a moral estaria nas normas e regras que têm pretensão à universalidade. A separação dos termos ética e moral pode parecer uma convenção, mas ela nos remete a duas direções possíveis: entender as normas, as regras, os valores, as opiniões e princípios que regulam as ações é uma delas; a outra seria refletir sobre estes aspectos norteadores das ações, o que pode ser aprendido na escola na forma de saber sistematizado, nas relações cotidianas, ou por intermédio das mídias, formando assim um conhecimento sobre o mundo. A ética, ao propor uma reflexão da moral, possibilita a criação/recriação de um novo território, esta se torna à produtora da realidade psicossocial, e produz a reformulação de novas maneiras de agir (PELLOSO, FERRAZ, 2005). Se formos considerar a moral como “... um conjunto de regras e normas...”, ela existe desde o momento em que o homem começou a organizar-se em comunidade, mas as primeiras reflexões sobre os valores que sustentam as relações vêm com as perguntas socráticas do tipo: O que é a justiça? O que é a coragem? O que é a amizade? Com isso, o estudo da moral inicia-se com Sócrates e consolida-se com Platão e Aristóteles (CHAUÍ, 2003). Para Chauí (1995) quando atribuímos um significado à realidade a partir de uma avaliação, se está proferindo um “juízo de valor”; nesse caso, para que haja uma valoração do “real” é preciso que exista um agente consciente, ou seja, uma pessoa que consiga distinguir a diferença entre bem e mal, permitido e proibido, certo e errado, virtude e vício. A ética ou filosofia moral estuda os comportamentos morais, que são instituídos por toda cultura e cada sociedade. Nas sociedades altamente inflexíveis de castas ou divididas por classes é possível notar uma moral para cada classe ou casta, sendo que cada uma delas pode possuir seus valores morais próprios. As produções filosóficas constituíram as teorias éticas, que podem ser agrupadas em duas correntes, segundo Chauí (2003): o racionalismo ético (com dois ramos: o ramo intelectualista e o ramo voluntarista), e o emotivismo ético. Hare (2003) sugere que a tradição da filosofia moral pode ser dividida em quatro teorias: naturalismo, intuicionismo, racionalismo e emotivismo. O iluminismo resgata a discussão ética com enfoque racionalista; representantes do racionalismo, como Descartes, Kant, Spinoza, Hume e Rousseau, acreditavam que através da razão o homem conseguiria quebrar as correntes da servidão feudal (REALE, 1990). Kant desenvolveu uma moral que visa à autonomia do indivíduo. Isso quer dizer que o homem é criador dos valores morais por meio da sua consciência, e que a conduta que rege as ações não é definida por uma moral exterior, mas sim pela consciência moral que é a própria razão (WALKER, 1999). Os conceitos de vontade, liberdade, autonomia e dever são fundamentais para se entender o projeto ético de Kant. A razão se torna prática devido sua determinação da vontade, com isso, a questão da moralidade está calcada na noção de liberdade expressa na vontade, a autonomia do sujeito se revela na autodeterminação na vontade legisladora da liberdade (FREITAG, 1989). Para Kant, todo valor moral vem da lei moral, que é um imperativo categórico que confere a certas ações uma permissão ou proibição. Toda ação para ser moral deve ser pautada na boa vontade: “Age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer sempre como princípio de uma legislação universal” (KANT, 2003, p. 40). Uma lei moral válida para todos os homens só será possível quando for fundamentada na razão, assim, ela terá valor universal. Para se compreender a moral formulada por Kant é preciso entender o conceito de “princípios práticos” que são como regras gerais determinadas pela vontade. Dentro destas regras teremos várias outras regras mais específicas. Por exemplo, consideremos a regra geral “cuide do seu corpo”; algumas regras que derivam dessa seriam “faça exercícios”, “alimente-se corretamente”, “evite o stress”. Kant entende que toda ética que tenha como finalidade a felicidade é uma ética heterônoma (vontade atrelada a outros motivos). Pode-se dizer que o formalismo de Kant considera a autonomia como um autodeterminar-se, a vontade é capaz de determinar a si própria. Conceitos como liberdade, autonomia e formalismo estão intimamente ligados. Nietzsche (1844-1900), como representante do emotivismo, negou fortemente os valores tradicionais, formulou severas críticas à moral construída historicamente pela aristocracia, Igreja e outros setores dominantes da sociedade, e propôs a “transvaloração dos valores”. No seu livro “Genealogia da Moral” ele defende a existência de dois tipos de moral: uma moral aristocrática, dos fortes, que se afirma na vontade de dominar as pessoas, e a moral dos fracos, ou escravos, que seria uma moral democrática ou socialista. Nietzsche busca recuperar a vida a partir da transmutação dos valores cristãos, criando um “super-homem nietzschiano”, em que a Vontade de Potência, que significa “criar”, “’dar”, “avaliar”, seria uma força criadora de novos valores; este homem estaria além do bem e do mal, e sua força estaria na personalidade criadora e no amor ao distante. Mídias, Educação, Educação Física e a questão dos valores As mídias1, um dos maiores fenômenos sociais existentes na atualidade, se fazem presentes de modo intenso em nosso cotidiano. Pautada em uma linguagem audiovisual, as mídias constroem e transformam nossa maneira de ver o mundo, nutrindo nossas idéias e nosso imaginário, possibilitando uma interpretação do mundo (BETTI, 1998b). Portanto, não se pode dissociar, no mundo contemporâneo, o tema da “Ética”, do tema das “Mídias”. Eco (1970) e Santaella (1996) concordam que as mídias são produtoras de cultura, sendo que estamos todos imersos e sujeitos às “comunicações de massas”, e devemos nelas procurar possibilidades de “cultura”, entendendo esta como a produção de signos e sentidos a partir de uma relação crítica. Martin-Bardero e Rey (2001) relatam que a televisão potencializa “dimensões-chave” das maneiras de se vivenciar o cotidiano. a televisão constitui hoje, simultaneamente, o mais sofisticado dispositivo de moldagem e deformação do cotidiano e dos gostos populares e uma das mediações históricas mais expressivas de matrizes narrativas, gestuais e cenográficas do mundo cultural popular (Martín-Barbero e Rey, 2001, p. 26). Thompson (2002) complementa que as TICs estão proporcionando diferentes formas de relações sociais, possibilitando a criação de novas maneiras de agir, e reorganizando as interações entre os indivíduos, temporal e espacialmente. 1 O termo mídia vem do latim media, plural de médium, que significa “meio”, entendemos por mídias tanto os tradicionais meios de comunicação de massa, como rádio televisão, jornais e revistas, que permitem a um número relativamente pequeno de pessoas (os produtores) comunicar-se, rápida e simultaneamente, com um grande número de pessoas (o público receptor), como as denominadas “novas tecnologias de informação e comunicação” (TICs) como os telefones celulares, a internet etc., que, formando redes de comunicação, permitem que todos sejam ao mesmo tempo produtores e receptores de mensagens . As mídias – em especial a televisão – ao construírem um discurso audio-visual, composto por imagens, palavras e sons, transformam o esporte, para muito além dos praticantes ou dos torcedores nos estádios e quadras em um produto de consumo um espetáculo que é consumido pelo grande público. Porém, submetidas como estão, pelo menos em parte, pela lógica do lucro, as mídias provocam uma descontextualização e fragmentação do fenômeno esportivo, criando assim, uma realidade textual autônoma. O esporte telespetáculo é uma representação do “real” que prioriza a “forma” de apresentação do espetáculo e não seu “conteúdo” (BETTI, 1998). Hattig (1998, p. 1) diretor de esportes da TV alemã-ZDF, enfatiza a produção da realidade textual autônoma criada pela televisão, quando afirma que este meio transforma o evento esportivo, recursos técnicos (como posicionamento das câmeras) para criar, no caso, uma suposta “versão alemã” de uma partida de futebol, por exemplo. As imagens construídas procuram, então, representar um “ideal alemão” de transmissão esportiva. A cobertura esportiva transporta o telespectador à “realidade” construída por meio dos códigos televisivos. Os enquadramentos, as tomadas, os ângulos e o posicionamento das câmeras levam o telespectador à percepção de que se encontra “dentro” do evento. Orozco-Gomez (2001) chama a atenção para o desafio pedagógico que os recursos tecnológicos nos revelam: é preciso construir novos sentidos e aumentar nossa capacidade de integrar conhecimentos racionais, visuais e auditivos. Betti (1998) destaca alguns valores presentes no discurso esportivo das mídias: vitória, esforço intenso, medalhas, dinheiro, sucesso na vida. Alguns desses valores ganham destaque no discurso esportivo da televisão, mas eles são apresentados com contradições. Betti (1997) comenta que o discurso das mídias apresenta um duplo padrão moral sobre o esporte: por exemplo, ora alimenta, ora condena o uso da violência. Às vezes, jogadores que fazem faltas graves são considerados “linha dura”, e a falta é vista como um recurso necessário para vencer; já em outros momentos faltas consideradas mais violentas são avaliadas como um perigo para o espetáculo. O contato entre as pessoas e o esporte, geralmente, tem se dado apenas por intermédio da televisão, e o discurso televisivo, predominantemente imagético e orientado pela lógica da espetacularização, possui certa autonomia em relação à prática “real” do esporte. Porém, dentro de suas casas, as pessoas, ao ligarem a televisão, tornam-se vítimas e uma “ilusão perceptiva”, ao julgarem que estão olhando através de uma “janela de vidro”2 em contato 2 Expressão usada por Hesling (1986). direto com o mundo, quando na verdade a imagem televisiva chega às telas da TV moldada por códigos, regras e interesses próprios. No caso do esporte, tal processo provoca a descontextualização e fragmentação do fenômeno esportivo. Betti (1998b) entende que o esporte telespetáculo exalta algumas “formas de vida” como: jogo, trabalho, prazer, sorte, corpo competição, violência, liberdade, bem e mal, vida e morte, superação, esforço, fazendo uso de uma linguagem atrativa que é a linguagem audiovisual. A existência humana aparece no esporte, por meio de estereótipos, que surgem e se sustentam na vida social. É constante que filmes, desenhos e seriados, ao utilizarem o esporte como argumento, apresentem questões relacionadas ao que se entende por justo/injusto, liberdade/condicionamento, bem/mal e etc. A Educação Física é aqui entendida como uma prática pedagógica no âmbito da cultura corporal de movimento3; ela endereça seus objetivos à ação sobre a personalidade do aluno. A integração dos alunos na cultura corporal de movimento se realizará quando o aluno tomar contato com um conjunto de valores que possam motivar e dar sentido às suas práticas corporais; desta forma, a Educação Física pode ser definida como “área de conhecimento e intervenção profissional-pedagógica que lida com a cultura corporal de movimento, objetivando a melhoria qualitativa das práticas constitutivas daquela cultura, mediante referenciais científicos, filosóficos e estéticos” (BETTI, 2005). A Educação Física, quando tematiza a cultura corporal de movimento, necessariamente incorpora valores das práticas que formam esta cultura. Menin (2002) chama a atenção para as posturas que dizem respeito à formação dos valores morais; com a vista à filosofia, os valores são como os critérios últimos para a definição das metas e fins das ações humanas. Isto quer dizer que, os valores são como “faróis” para a existência humana, e possuem um caráter universal e prescritivo. Já outras posições colocam os valores como um conjunto de usos e costumes determinados em culturas particulares que podem estar de acordo com uma determinada sociedade ou momento histórico. A filosofia moral revela tradições que dividem o homem em emoção, razão e intuição. Tais divisões precisam ser superadas para que o homem comece a ser tratado em sua totalidade, e para que a Educação (e a Educação Física) possam de fato compromissar-se com um projeto de transformação da sociedade. 3 Por cultura corporal de movimento entendemos aquela parcela da cultura geral que abrange as formas culturais que se vem historicamente construindo, nos planos material e simbólico, mediante o exercício intencionado da motricidade humana – jogo, esporte, ginásticas, atividades rítmicas/expressivas e dança, lutas/artes marciais. É nesse sentido que Betti (1994a) associa a abordagem sistêmica da Educação Física a uma axiologia (teoria dos valores), e teleologia (finalidades). A Educação Física não dirige seus objetivos a uma ação direta sobre o corpo, e sim como o indivíduo relaciona-se com a cultura corporal de movimento; quer dizer que a ação pedagógica esta direcionada à formação da personalidade do aluno. A integração do aluno à cultura corporal de movimento ocorre quando ele, criticamente (quer dizer, compreendendo os critérios que a presidem) incorpora valores à estrutura da sua personalidade. Contudo, Betti (1994b) alerta para o fato de que isto não quer dizer que a Educação Física deva se restringir ao plano cognitivo, intelectual, pois aí corre-se o risco de a Educação Física transformar-se em um discurso sobre a cultura corporal de movimento, quando deveria ser uma ação pedagógica com ela, ação esta que “estará sempre impregnada da corporeidade do sentir e do relacionar-se”, substrato a partir do qual se deve edificar a dimensão cognitiva. Metodologia Este estudo utiliza um enfoque filosófico para abordar a relação entre a ética, as mídias e a prática pedagógica da Educação Física. Para Porta (2002), a tarefa da filosofia não é responder perguntas, mas sim buscar possíveis problemas para desfazê-los, e revelar sua carência de sentido. Assim, conforme Rios (1993) afirma, quando a reflexão ética procura na Educação Física sua problematização, ela visualiza dois caminhos: Para onde vai? De que vale? Estas perguntas direcionam nosso olhar para a dimensão dos valores nas aulas de Educação Física. Ferrés (1996), por intermédio de uma “metodologia compreensiva” propõe a educação no meio e com o meio. A educação na televisão visa introduzir a compreensão da linguagem audiovisual, e descobrir como funciona o meio em todos os aspectos: social, ideológico, ético, estético, etc. Educar com o meio significa utilizar as mídias como parte do processo pedagógico, como uma ferramenta que facilita a dinâmica de ensino e aprendizagem. As imagens televisivas atingem inicialmente a emoção. A educação no meio e com o meio, neste sentido, deve possibilitar a integração das experiências que as mídias provocam, e “chegar à reflexão por meio da emoção” (FERRÉS, 1996, p. 99). Betti (2003) constatou que algumas matérias televisivas facilitam a tematização/problematização de questões relacionadas a atitudes e valores, devendo contudo se evitar discursos “moralistas”, e, sempre que possível, nas aulas de Educação Física deve-se aliar a reflexão às práticas corporais. Particularmente, o desenho animado é um gênero televisivo atraente e preferido pela maioria das crianças (BATISTA; BETTI, 2005). Proposições a partir de um desenho animado O desenho animado selecionado é um episódio do “Rocket Power”, intitulado “Um Campeão de Verdade”, veiculado por um canal da televisão por assinatura. Seus personagens são quatro crianças/pré-adolescentes que gostam de praticar esportes radicais. Otto (nove anos) não gosta de perder, e está sempre tentando aperfeiçoar suas destrezas esportivas; sua irmã Reggie é a mais velha da turma, e gosta de tratar de questões relacionadas aos que estão em desvantagem nas diversas situações; Twister está na mesma classe escolar que Otto, que é seu melhor amigo. Sam tem nove anos, é o goleiro do time de hóquei e gosta de estudar. O enredo gira em torno de uma fraude ocorrida em uma corrida de “skate deitado” (similiar ao “carrinho de rolemã”) disputada entre Otto e Twister. Otto é um menino muito competitivo, que não está acostumado a perder. Já Twister habituou-se a perder de Otto em outras modalidades, como o surfe. Mas mesmo assim Twister consegue vencer todos os treinos. No dia da corrida, Otto descobre um atalho no percurso, e com medo de perder para Twister, “corta” caminho pelo atalho e ganha a competição, o que foi observado por Reggie e Sam. Depois de muitas provocações da irmã, que não concordou com sua atitude, Otto teve pesadelos, e sentindo-se culpado, resolve então propor uma outra corrida para Twister, para se redimir do que fez. Ao final Twister vence a corrida e Otto sente-se aliviado. Este episódio já foi utilizado por Batista e Betti (2005) em pesquisa que objetivou compreender como a televisão contribui para a formação de conhecimentos sobre a cultura corporal de movimento de alunos da 2a série do ensino fundamental. Sendo solicitados a comentar a história, os alunos destacaram questões prático-morais, como a trapaça e o arrependimento de Otto. Interpretação à luz das teorias éticas O desenho trata de muitos problemas prático-morais, que devem ser endereçados às teorias éticas para uma possível resolução, as quais classificaremos, além da ética kantiana, e do pensamento de Nietzsche, em duas grandes correntes, conforme Silva (2000): a ética materialista e a ética fenomenológica. À luz da ética kantiana No entendimento de Padovani (1967), para Kant a autonomia do indivíduo é conduzida pela consciência moral. O imperativo moral de Kant é categórico, não está condicionado a nenhum dado empírico. As ações morais são conduzidas pela boa vontade, segundo a lei moral: devemos agir para que nossas vontades se tornem um princípio universal. O problema que Otto se coloca durante o desenho pode ser analisado a partir da razão prática, o imperativo categórico orienta a cão da razão prática. Otto não poderia ter tomado aquele atalho, porque essa ação não seria tida como um princípio universal. Segundo a perspectiva kantiana, o que fez Otto agir assim foi sua vontade, por isso o imperativo categórico conduz a uma proibição; portanto, tal ação não poderia tornar-se universal. A consciência cria nossos valores morais; nessa visão, o que conduziu Otto a confessar a verdade para seu amigo, foi sua consciência moral. Todo ser humano deve ser levado em consideração como um fim e nunca como um meio, por isso, segundo Kant um valor básico é a dignidade da vida. À luz do pensamento de Nietzsche Para Nietzsche o “homem é criador dos seus valores”, esta característica faz dos valores sua acepção histórica e semiótica, os valores terão, segundo Nietzsche, que ordenar o mundo no sentido de favorecer a vida, a moral terá que se organizar para intensificar a potência do vivente. Nesse caso, Otto ao ver seu amigo triste, e as pessoas ao seu redor chateadas com a suposta fraude se vê impelido a tratar de recuperar as coisas mais “valiosas” da sua vida, seus amigos. Para Nietzsche, a vitória é vista como vontade de potência; essa vontade de superar-se constitui o “super-homem” nietzschiano, que seria o homem acima do bem e do mal, um homem melhorado, que sempre quer ir em frente. Conforme o pensamento de Nietzsche, a fraude de Otto não pode ser considerada como vontade de potência, pois infringiu uma regra de lealdade ao amigo Twister (DURANT, 2000). À luz da concepção materialista Para Marx, nossas convicções, idéias morais e normas estão imbricados na totalidade do processo da vida social, e é na práxis que nosso modo pensar se revela (HELLER, 1989). A superestrutura ideológica, que inclui a moral, tem como função regular as relações humanas, e o marxismo desenha uma moral baseada nos princípios da justiça e igualdade, pretendendo derrubar a moral capitalista, que aliena as relações sociais (VÁZQUEZ, 2001). Marx entende que nossa liberdade pressupõe a liberdade de todos os indivíduos e que, mais ainda, nossa liberdade está condicionada aos deveres sociais (HELLER, 1989). Nesse sentido, Otto vê como um dever para com seu amigo a devolução do prêmio por intermédio de uma nova corrida. Na apreensão de Velasco (2001), Apel e Habermas desenvolveram uma ética do discurso baseada nos pressupostos da comunicação. Apel defende que, em uma ética fundamental, toda argumentação já se inicia com algumas obrigações morais, como a simetria: os argumentantes têm que reconhecer que as normas são válidas para todos os participantes, e as normas de agir só serão válidas quando as conseqüências de determinada ação sejam aceitas por todos. A teoria da ação comunicativa de Habermas busca analisar os tipos de ações sociais dos atos de fala. É possível agir de acordo com um conjunto de regras que coordenam as ações de diferentes pessoas, em contextos diferentes. Habermas vê dois tipos de atitudes básicas: ou orientada para o sucesso, ou orientada para o entendimento. Um exemplo de atitude orientada para o sucesso, é notado quando Otto, estrategicamente, por meio de escolha racional, orienta sua ação de tomar um atalho para a consecução de uma finalidade - ganhar a corrida. O agir comunicativo ou agir orientado para um entendimento é confirmado quando os atores envolvidos fundamentam suas ações em atos de entendimentos, buscando planos de ação que se harmonizam entre si, e não fins somente individuais, o que ocorre quando Otto e Twister concordam em uma solução para resolver a situação originada com a fraude. À luz da concepção fenomenológica Segundo Padovani (1967), Scheler posicionou-se contra as éticas que consideram a consciência como historicamente condicionada. Para ele, os valores são objetivos, imutáveis e universais, e nós só podemos percebê-los por uma intuição emocional. A apreensão imediata dos valores se dá por meio da percepção afetiva, a intuição capta as essências, o eidos da experiência, e apenas em um segundo momento é que a razão conduzirá uma justificação, comparação ou refutamento. Então, podemos perceber que Otto, ao sonhar com a fraude que cometeu, teve uma percepção afetiva do que estava acontecendo, por isso conseguiu confessar-se a Twister. Se considerarmos as idéias de Brentano, Otto teria proposto uma nova corrida devido a sua “intuição das essências vividas”; com isso, por meio da intencionalidade da consciência, ele conseguiu perceber que seu amigo tinha sido afetado pelo resultado da corrida. CONCLUSÕES A preocupação neste estudo é a de contribuir para o exercício filosófico e buscar uma contribuição para as questões éticas da prática pedagógica da Educação Física, a partir da filosofia moral. As discussões sobre ética se fazem presente em muitos debates escolares. A Educação Física quando tematiza aspectos da cultura corporal de movimento endereça seu olhar ética e esteticamente para valores referentes às experiências de seus alunos. A intervenção do professor no sentido de tornar a ética como objeto de reflexão das condições de vida dos nossos alunos, a partir de aspectos vividos na sala de aula, é fundamental para se pensar o projeto de sociedade que queremos construir. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. São Paulo: Martin Claret, 2002. BETTI, M. Valores e finalidades na educação física escolar: uma concepção sistêmica. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 16. n. 1, p. 14-21, 1994a. _______. O que a semiótica inspira ao ensino da educação física. Discorpo: Revista do Departamento de Educação Física e Esportes da PUC-SP, São Paulo, v. 3, p. 25-45, 1994b. _______. Violência em campo: dinheiro, mídia e transgressão às regras no futebol espetáculo. Ijuí: Ed. UNIJUÍ, 1997. _______. A janela de vidro: esporte, televisão e educação física. Campinas: Papirus, 1998a. _______. Mídia e educação: análise da relação dos meios de comunicação de massa com a educação física e esportes. 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