ANDERSON SOARES PIRES ESTABILIZAÇÃO DO COMPOSTO ÓLEO LUBRIFICANTE SINTÉTICO X Salvinia sp. CANOAS, 2007 ANDERSON SOARES PIRES ESTABILIZAÇÃO DO COMPOSTO ÓLEO LUBRIFICANTE SINTÉTICO X Salvinia sp. Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Graduação em Ciências Biológicas – Bacharelado como exigência parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Ciências Biológicas, sob orientação do Prof. Ms. Giovani André Piva. CANOAS, 2007 2 TERMO DE APROVAÇÃO ANDERSON SOARES PIRES ESTABILIZAÇÃO DO COMPOSTO ÓLEO LUBRIFICANTE SINTÉTICO X Salvinia sp. Trabalho de conclusão aprovado como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Ciências Biológicas do Centro Universitário La Salle – Unilasalle, pelo avaliador: Prof. Ms. Giovani André Piva Unilasalle Canoas, 13 de julho de 2007. 3 AGRADECIMENTOS Ao meu orientador e amigo, Prof. Ms. Giovani André Piva pelo constante incentivo, sempre indicando a direção a ser tomada nos momentos de maior dificuldade. Agradeço, principalmente, pela confiança, mais uma vez depositada. A todos os professores, funcionários, colegas e todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho, dando-me força e incentivo, em especial a colega Karina Minozzo. À Agnes pelo apoio incondicional, paciência, compreensão, incentivo em todos os momentos, e principalmente por me fazer acreditar que no final tudo dá certo. Aos meus pais, Adão Jair S. Pires e Marinês Pires, fica a minha consideração e reconhecimento, por serem pessoas imprescindíveis, insubstituíveis em minha vida e por estarem sempre ao meu lado. 4 RESUMO Com o intuito de dar uma solução para um destino “ecologicamente correto”, ao resíduo fruto da aplicação do pó da macrófita aquática Salvinia sp. em ambientes contaminados por óleo lubrificante usado (OLU), buscou-se através de biorremediação, aplicando técnica de bioenriquecimento, estimular a fixação do poluente no húmus, buscando a atoxidade do óleo no solo. Para isso, uma coleção de culturas de fungos foi elaborada atrás da cepa com maior capacidade de realizar a tarefa, meio de cultura alternativo contendo soro de queijo foi utilizado para diminuir gastos e propor uma alternativa para este efluente. O composto OLU x Salvinia sp. foi elaborado a partir da mistura do óleo com o pó de Salvinia obtido por secagem a 60 °C e posterior moagem, nas proporções de 1:1 e 5:1. Para o experimento, foram adicionados ao composto, 240 g de solo e cultivares de Pisolithus tinctorius previamente elaborados. O tratamento se realizou durante trinta dias, ao final, bioensaios com Lactuca sativa (alface) demonstraram que foi possível, através da metodologia aplicada, a estabilização da amostra contendo 10 g de óleo (ensaio 1), porém o mesmo sucesso não se obteve com 50 g de óleo (ensaio 2). Palavras-chave: bioenriquecimento, Pisolithus tinctorius, bioensaio, podridão branca. 5 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...............................................................................................................6 2 BIORREMEDIAÇÃO......................................................................................................9 2.1 Bioenriquecimento..................................................................................................10 3 FUNGOS......................................................................................................................12 3.1 Fungos Filamentosos.............................................................................................12 3.2 Fungos de Podridão Branca...................................................................................13 3.3 Exigências nutricionais..........................................................................................14 4 SUBSTÂNCIAS HÚMICAS..........................................................................................16 5 METODOLOGIA..........................................................................................................17 5.1 Escolha das espécies.............................................................................................17 5.1.1 Análise estatística..................................................................................................18 5.2 Ensaio com o composto OLU................................................................................18 5.3 Avaliação da toxicidade do solo com sementes de Lactuca sativa...................19 5.3.1 Análise estatística...................................................................................................19 6 RESULTADOS E DISCUSSÃO...................................................................................20 6.1 Seleção das cepas fúngicas...................................................................................20 6.1.1 Análise estatística da comparação de ganho de biomassa...................................20 6.2 Aplicação no composto Salvinia X Óleo lubrificante usado...............................22 6.3 Teste de Toxicidade................................................................................................23 6.3.1 Análise estatística do teste de toxicidade...............................................................23 7 CONCLUSÕES............................................................................................................26 REFERÊNCIAS...............................................................................................................27 APÊNDICE A - Batata dextrose ágar (BDA)...................................................................30 APÊNDICE B - Meio de cultura batata dextrose ágar resorcinol (BDAR).......................31 APÊNDICE C – Meio de cultura peptona dextrose (PD).................................................32 APÊNDICE D - Meio de cultura Soro de Queijo..............................................................33 6 1 INTRODUÇÃO O descarte indiscriminado de óleo lubrificante em sistemas hídricos pode trazer inúmeros danos à natureza e em conseqüência à humanidade. O óleo lubrificante é um derivado do refino do petróleo composto por substâncias aromáticas que podem causar nos seres vivos intoxicação, hemorragia de órgãos internos, complicações circulatórias, dermatites, tumores e até incorporação no tecido adiposo, por bioacumulação (processo através do qual os seres vivos absorvem e retêm substâncias químicas no seu organismo), em animais marinhos filtradores. Pode, inclusive, contaminar o leite materno de mamíferos (DOMINGUES; BIDOIA, 2006, p.71). O consumo anual de óleo lubrificante no Brasil, é de cerca de 900.000 m³, o que gera 250 a 300.000 m³ de óleo usado, sendo re-refinado apenas 110.000 m³. O restante é geralmente despejado diretamente na natureza ou queimado (LOPES; BIDOIA, 2005, p.47). Embora o óleo lubrificante usado represente uma porcentagem ínfima do lixo, o seu impacto no ambiente é muito grande, principalmente nos corpos d’água. Conforme Bidoia e Domingues (2004, p.302) 1 litro de OLU polui 1 milhão de litros de água, formando, em alguns dias, uma fina camada sobre a superfície de 1.000 m² que bloqueia a passagem da luz e de ar, resultando no esgotamento do oxigênio na água, devido a respiração dos microrganismos, dos animais e das plantas. A poluição por OLU no solo também é muito grave, pois pode afetar diretamente a comunidade dos organismos do solo devido ao efeito tóxico dessas substâncias, que pode causar mudanças no metabolismo, crescimento, desenvolvimento, longevidade e 7 alterações genéticas. Podem ocorrer, também, alterações no equilíbrio ecológico do solo, como mudanças nas relações entre presa e predador, modificando toda a teia alimentar e impactando as funções dos ecossistemas terrestres (EDWARDS apud MORAIS, 2005, p.7). A presença do poluente no solo representa também, risco potencial para as águas subterrâneas e superficiais, devido aos processos de erosão e lixiviação que os solos estão sujeitos (MORAIS, 2005, p.7). Muitas técnicas são usadas para remediar ambientes contaminados por óleos, entre elas, métodos físicos e químicos, como barreiras de contenção, aparelhos de sucção, absorventes e outros (CRAPEZ et al., 2002, p.34), todavia, a recuperação mecânica do óleo por sorventes é uma das respostas ao derramamento mais utilizadas (RIBEIRO; RUBIO, apud ANNUNCIADO, 2005, p.1). Os materiais sorventes como a biomassa processada de algumas plantas aquáticas, podem estar disponíveis na forma de particulados secos ou empacotados em forma de barreiras, travesseiros, mantas e almofadas. O uso de cada formato disponível para estes mesmos sorventes, varia conforme a situação do derramamento, ou seja, sorventes na forma de almofadas e travesseiros são aplicados em derramamentos terrestres, enquanto que os mesmos materiais sorventes em forma de mantas e barreiras são recomendados para recuperação em corpos hídricos (ANNUNCIADO, 2005, p.1). A grande maioria dos sorventes comerciais industriais, atualmente disponíveis no mercado, são importados e caros. Vários sistemas comerciais vêm sendo desenvolvidos para o controle desses derramamentos, incluindo o uso de fibras vegetais como sorventes, como é o caso do uso da macrófita aquática Salvinia sp. (ANNUNCIADO, 2005, p.3). O problema de utilizar sorventes em locais contaminados por óleo é que esta técnica é baseada na simples extração do contaminante do ambiente. O destino final do resíduo óleo x sorvente, geralmente, é a inadequada disposição em aterros sanitários ou a incineração que, segundo Ururahy et al. (apud MORAIS, 2005, p.2.), pode, além de poluir o ar, possuir a ameaça da persistência de hidrocarbonetos poliaromáticos. 8 Camilo et al. (2003, p.6) afirmam que o processo de incineração, no Brasil, tem o conceito de poluidor, prejudicial ao meio ambiente e nocivo à saúde, além disso, a incineração possui um custo elevado, exige mão-de-obra qualificada e apresenta problemas operacionais. A solução proposta neste trabalho é dar um destino, ecologicamente correto, para o resíduo resultante da aplicação da macrófita aquática Salvinia sp. em ambientes contaminados por OLU. Para isso, desenvolveu-se uma metodologia, na qual, utilizouse um processo de biorremediação, ou seja, uma estimulação de processos naturais, através do uso de microrganismos, com o objetivo de estimular a fixação do composto OLU x Salvinia sp. no húmus. Os microrganismos são os principais responsáveis pela conversão dos elementos químicos carbono, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo em formas que podem ser utilizadas pelas plantas e pelos animais, também, desempenham um papel essencial no retorno do dióxido de carbono para a atmosfera quando decompõem detritos orgânicos, plantas e animais mortos (TORTORA et al. 2000, p.16). Os organismos escolhidos para a investigação foram fungos filamentosos de podridão branca, pois, a função destes organismos na natureza é o decaimento das fibras vegetais ricas em lignina, o que justifica o grande uso deles em estudos de biorremediação de águas e solos contaminados por substâncias xenobióticas com estrutura semelhante à dos lignocompostos. Uma vez que se sabe, através de literatura, o poder de degradação da matéria orgânica vegetal e de derivados do petróleo por fungos filamentosos de podridão branca, pode ser montada a hipótese de que a mistura destes dois elementos, também pode ser degradada de maneira eficiente por estes microrganismos. 9 2 BIORREMEDIAÇÃO O tratamento de efluentes fenólicos por meios físicos e químicos convencionais é, geralmente, inviável pelo alto custo (BOMAN et al. apud PIVA, 2005, p.252). A detoxificação destes efluentes produzidos pelas indústrias de conversão de carvão, de corantes e têxtil, de polpa e papel e petroquímica, entre outras, é necessária devido à toxidez para mamíferos, aves e peixes. Métodos biológicos têm sido considerados como alternativa (BOLLAG et al. apud PIVA, 2005, p.252). Alguns microrganismos têm a capacidade de metabolizar ou processar quimicamente substâncias como: metais pesados, enxofre, gás nitrogênio, petróleo, mercúrio, etc, pois eles são capazes de utilizar poluentes como fonte de energia, ou podem produzir enzimas que convertem toxinas em substâncias menos nocivas. A utilização deste processo é conhecida como biorremediação (TORTORA, 2000, p.17). A transformação de um composto orgânico em outro composto com estrutura molecular diferente, ocorrendo a perda de alguma propriedade característica da substância inicial, se denomina biotransformação (MORAIS, 2005, p.8). A tecnologia de biorremediação usa, com o intuito de remover poluentes, o potencial fisiológico de microrganismos, pois eles são capazes de transformar petróleo e seus derivados em biomassa, água, dióxido de carbono e outros compostos. (CRAPEZ et al., 2002, p. 36). O processo de biorremediação é uma metodologia atrativa e confiável para o tratamento de solos e cursos d´água contaminados, considerada muito eficiente, além de econômica, versátil e principalmente por causar uma menor perturbação ao 10 ambiente, já que é um sistema de estimulação de processos naturais de remediação (CORSEUIL et al., 1997, p.51). A biorremediação ocorre naturalmente, até certo ponto, se as condições forem aeróbicas. Porém, os microrganismos geralmente obtêm seus nutrientes em solução aquosa, e produtos à base de óleo são relativamente insolúveis, o que dificulta o processo natural. Além disso, hidrocarbonetos de petróleo são deficientes em elementos essenciais como nitrogênio e fósforo. A aplicação desses elementos em uma biorremediação de derramamentos de óleo melhora bastante a camada subsuperficial, porém, sob as camadas superficiais, onde as condições são anaeróbicas, o óleo freqüentemente permanece por períodos mais longos (TORTORA, 2000, p.772). A aplicação de biorremediação em ambientes contaminados multiplica a capacidade de depuração do ambiente, além de permitir o restabelecimento da vida animal e vegetal e o mapeamento de áreas de risco. (CRAPEZ et al., 2002 p.37). Em um processo de biorremediação podem ser utilizados microrganismos nativos ao ambiente ou pode ser feita a introdução de novos organismos que foram selecionados para se desenvolverem em certos poluentes. A adição desses micróbios especializados é denominada bioaumento (TORTORA, 2000, p.772). No presente trabalho são realizados experimentos de biorremediação com técnicas de bioenriquecimento para investigar se a hipótese levantada é viável. 2.1 Bioenriquecimento Em ambientes contaminados, os micróbios degradadores do poluente e os não degradadores convivem juntos, de uma forma em que a depuração natural se mantém lenta demais. Bioenriquecimento (ou bioaumento) é a inoculação de microrganismos exógenos (de outro ecossistema) com o objetivo de acabar com o equilíbrio (homeostase) entre as colônias nativas (FURTADO, 2001, p.3). O bioenriquecimento é o processo responsável pela multiplicação dos microrganismos em laboratório, visando incrementar a capacidade biodegradadora quando aplicados nas áreas poluídas. Após serem multiplicados, microrganismos específicos com habilidades catalíticas desejáveis para a degradação do poluente, são introduzidos no meio para competir por energia e 11 alimento com as colônias não degradadoras e para ajudar as efetivas na metabolização, causando assim o desequilíbrio do ambiente natural. (FURTADO, 2001, p. 3); (BALBA et al. apud MORAIS, 2002, p.15). Outro processo compartilha este objetivo, a bioestimulação, porém consiste no controle de fatores abióticos para que ocorra o aumento da taxa de biodegradação do poluente por microrganismos endógenos, seja adição de nutrientes inorgânicos (normalmente nitrogênio e fósforo), aceptores de elétrons (oxigênio) ou substratos orgânicos (BALBA et al., apud MORAIS, 2002, p.16). Esta técnica foi escolhida, pois a hipótese é utilizar (adicionar) fungos filamentosos de podridão branca no poluente, isto porque, segundo Piva (2005, p.251) estes fungos são grandes produtores de lacase, uma enzima da classe das fenoloxidases, cuja função é degradar a lignina, polímero complexo de compostos aromáticos muito resistente a degradação encontrado na madeira. Compostos semelhantes aos resultantes da quebra da lignina são encontrados em alguns efluentes industriais. 12 3 FUNGOS Os fungos obtêm sua alimentação a partir da matéria orgânica inanimada ou nutrindo-se como parasitas de hospedeiros vivos. São importantes na cadeia alimentar porque atuam como saprófitas, decompõem resíduos complexos de plantas e animais, transformando-os em formas químicas mais simples, que retornam ao solo, reciclando desta forma elementos vitais. Tais substâncias são, então, absorvidas por vegetais. Desse modo, a atividade fúngica é amplamente responsável pela fertilidade do solo (PELCZAR et al., 1980 p.61). Através da parede celular é que todos os nutrientes são absorvidos e todos os produtos em excesso ou residuais são excretados. Os substratos devem primeiro ser degradados a uma forma na qual possam ser absorvidos através da parede celular. É através da ação de suas enzimas que os fungos decompõem as partes duras das plantas e algumas destas enzimas são produzidas em quantidades consideráveis extracelularmente (NOBLE; NAIDOO, 1981, p.1). 3.1 Fungos Filamentosos Quando cultivados em meios adequados, ou seja, com condições e nutrientes necessários para o crescimento desses, muitos fungos produzem longos filamentos ramificados. Estes fungos são comumente denominados filamentosos, cada filamento é uma hifa (JAWETZ et al., 1984, p.270). As hifas crescem por alongamento das extremidades. Cada parte de uma hifa é capaz de crescer, e quando um fragmento é quebrado, esse pode se alongar para 13 formar uma nova hifa. Em laboratório, os fungos geralmente crescem a partir de fragmentos obtidos de um talo do fungo (TORTORA et al., 2000, p.335). Quando as condições ambientais são favoráveis, as hifas crescem formando uma massa filamentosa chamada de micélio (visível a olho nu) (TORTORA et al., 2000, p.336). O micélio fica imerso em matéria orgânica em decomposição, no solo ou nos tecidos de organismos vivos, suas células liberam enzimas que digerem o substrato e absorvem pequenas moléculas que servem como nutrientes (BLACK, 2002, p.256). Este tipo de fungo, há muito tempo, vem sendo utilizado em biotecnologia, engenharia genética e no controle biológico de pragas (TORTORA et al., 2000, p.335) e segundo RISER-ROBERTS (apud KATAOKA, 2000, p.64) fungos filamentosos são mais hábeis em degradar ou transformar hidrocarbonetos de estrutura complexa e de cadeia longa do que bactérias. 3.2 Fungos de Podridão Branca Os fungos responsáveis pela decomposição da lignina, chamados fungos de podridão branca devido à cor que a madeira adquire após sua atuação (PIVA, 2005, p.251), são os que apresentam um maior potencial de aplicação biotecnológica. A podridão branca resulta numa madeira que pode se desintegrar até uma consistência fibrosa, devido ao ataque da lignina e celulose (NOBLE; NAIDOO, 1981, p.35). Conforme Yateem et al. (apud MORAIS, 2002, p.10) fungos de podridão branca podem ser utilizados nos processos de biorremediação devido a sua capacidade em degradar compostos que não são facilmente utilizados por bactérias, isto é devido à produção de enzimas extracelulares conhecidas como peroxidases e lacases, que são responsáveis pela quebra da lignina. A lignina não tem definição de estrutura química, apresentando muitos anéis aromáticos. A variação da estrutura química da lignina se modifica devido a espécie vegetal e as mudanças ambientais, o que provoca também, mudanças de vários tipos nas próprias madeiras. Desse modo, as enzimas ligninolíticas não apresentam especificidade de substrato para poderem decompor a molécula de lignina. Sendo 14 assim, podem atacar compostos orgânicos poluentes que apresentam estrutura química semelhante a da lignina, graças a essa inespecificidade. Na natureza os fungos degradam a lignina para alcançarem a celulose, sua principal fonte de alimento (HIGUCHI, Apud FASANELLA, 2005, p.41). Em processos de oxidação de muitos compostos (principalmente de compostos fenólicos) a lacase apresenta uma grande especificidade para um grande número de efluentes industriais (PIVA, 2005, p.251). Alguns fungos de podridão branca como: Trametes versicolor (Linnaeus ex Fries) Pilát e Pycnoporus sanguineus (Linnaeus ex Fries) Murrill, espécies comuns no Rio Grande do Sul, são conhecidos por degradar vários tipos de corantes têxteis. Estes fungos possuem a capacidade de mineralizar (transformar até água e CO2), uma variedade de poluentes resistentes à degradação (ESPOSITO et al, 2004, p.341). 3.3 Exigências nutricionais Os fungos são organismos que usam moléculas orgânicas como fonte de carbono e energia e assim como as bactérias, absorvem nutrientes ao invés de ingerilos, como fazem os animais (TORTORA et al., 2000, p.338). A absorção é auxiliada por enzimas secretadas no meio, que quebram as moléculas orgânicas em porções menores que podem ser transportadas mais facilmente para dentro da célula. (PELCZAR et al., 1996, p.153). Essas características permitem que os fungos se desenvolvam em diversos substratos. A determinação da fonte de nitrogênio é essencial para o processo de biorremediação, pois o nitrogênio está intimamente relacionado ao metabolismo dos microrganismos. Além disso, para que 100 unidades de carbono sejam degradadas, são necessárias em média, de 3 a 4 unidades de nitrogênio (PUTZLE, 2002, p.630). O carbono, também, é um dos elementos mais importantes para o crescimento microbiano. Ele é essencial para a síntese de todos os compostos orgânicos necessários para a viabilidade celular, sendo considerado o elemento estrutural básico para os seres vivos (TORTORA et al., 2000, p.159). 15 O oxigênio é um fator decisivo para se iniciar e se sustentar uma biorremediação (CRAPEZ et al., 2002, p.34), além disso, há outros elementos que são essenciais para o crescimento celular, como o enxofre e o fósforo. (TORTORA et al., 2000, p.159). Os fungos de podridão branca não são exigentes quanto ao meio de cultura, podendo ser cultivados em rejeitos industriais que apresentem os nutrientes necessários (PIVA, 2005, p.251). Piva (1994, p.59) demonstrou ser viável a utilização do soro de queijo como meio de cultivo para fungos de podridão branca, tendo como resultados ganhos de biomassa superior aos meios de culturas usualmente utilizados em estudos de biorremediação. O soro de queijo possui de 4 a 5% de lactose, além de proteínas, ácidos orgânicos, vitaminas e sais minerais (K, P, Ca, Mg e Na) (NITSCHKE apud PIVA, 1994, p.17). A lactose serve como fonte de carbono na produção de fenoloxidases por fungos de podridão branca (SANDHU; ARORA apud PIVA, 1994, p.17). A grande vantagem na utilização do meio de cultura contendo soro de queijo é o baixo custo e por ser um resíduo industrial, torna-se saudável ao ambiente reutilizá-lo. 16 4 SUBSTÂNCIAS HÚMICAS Caracteristicamente, a matéria orgânica do solo é de origem vegetal, contendo lignina, celulose, carboidratos e substâncias húmicas (PIVA, 1994, p.4). As substâncias húmicas são formadas pela decomposição microbiana de plantas e substâncias animais, transformando a matéria orgânica em substâncias quimicamente estáveis (LARCHER, 2000, p.9; EMBRAPA, 2004). Segundo Rocha et al. (2004, p.125) as substâncias húmicas possuem estrutura química complexa, compondo um grupo de compostos heterogêneos. Elas representam a principal forma de matéria orgânica distribuída no planeta. São encontradas em solo, águas naturais, pântanos, turfas, sedimentos aquáticos e marinhos. A fase de transformação da matéria orgânica em substâncias húmicas é denominada fase de humificação (Ambiente Brasil, 2006). Segundo Larcher (2000, p.9), onde a matéria orgânica e o húmus se decompõem mais lentamente a planta se adapta para um crescimento mais lento. A transformação da matéria orgânica do solo em substâncias húmicas permite que os microrganismos liberem, lentamente, os nutrientes do húmus que são utilizados pelas raízes das plantas, pois o húmus é um tipo de matéria orgânica mais resistente à decomposição pelos microorganismos (AMBIENTE BRASIL, 2006). Piva (1994, p.56) cita diversos autores que descreveram a estabilização de fenóis tóxicos mediada pela lacase através da ligação a ácidos húmicos, determinando assim, a importância que os fungos de podridão branca têm na formação da parte orgânica do solo. 17 5 METODOLOGIA A coleta de corpos frutificativos de fungos macroscópicos, juntamente com amostras de micélio e a observação de seus comportamentos no ambiente natural para o registro de dados, com fins de coleção, foi realizada na Quinta São José, propriedade lassalista localizada em Nova Santa Rita/RS. A coleta do corpo frutificativo juntamente com a amostra do micélio é fundamental, pois é principalmente nele que está baseada a taxonomia dos fungos macroscópicos. A coleta e a classificação taxonômica seguiram conforme recomendado por (GUERRERO; HOMRICH, 1983, p.19). A coleção de culturas foi realizada com o meio BDA (Batata-Dextrose, Ágar – Apêndice A), onde foram inoculados os micélios fúngicos coletados. Após sete dias de cultivo, as culturas foram repicadas para meio BDAR (Apêndice B) contendo resorcinol a 5% (indutor de fenoloxidases). Antes de ser incorporado à coleção, cada corpo frutificativo passou por um processo de secagem em estufa a temperatura de 40°C durante 3-5 dias dependendo das condições. Uma vez identificados os fungos, preparadas e armazenadas as culturas e frutificações, foram incorporadas à coleção científica de fungos macroscópicos, que se encontra no Museu de Ciências Naturais do Unilasalle, juntamente com seus dados de coleta. 5.1 Escolha das espécies Depois de sete dias de cultivo, foram realizadas observações e a verificação do 18 crescimento das culturas com o objetivo de concluirmos quais as espécies com maior potencial na produção de fenoloxidases. Esta seleção foi feita qualitativamente de acordo com o teste de Bavendamm, com modificações (PIVA, 1994, p.29). O teste de Bavendamm consiste na alteração de cor do meio de cultura, esta troca de cor demonstra que no meio há fenoloxidases ativas, através dele foram classificados qualitativamente os produtores de fenoloxidases, assim como proposto por Silveira e Guerrero (apud PIVA, 1994, p.37). Os melhores produtores foram selecionados pela avaliação da intensidade da cor âmbar, característica da reação, assim como realizado por Conceição et al. (2005, p.103), as espécies selecionadas foram cultivadas em meio PD (Peptona Dextrose – Apêndice C) para comparação do ganho de biomassa. Para iniciar o cultivo líquido foram inoculados discos de 1cm de diâmetro de cultura em meio BDA em Frascos de Erlenmeyer de 500 ml de capacidade, contendo 250 ml de meio PD. As culturas foram incubadas durante 21 dias a 28°C com amostragens a cada 7 dias. As amostragens consistiram na filtragem em filtro para café no 102, marca Mellita, para obtenção do micélio fresco. Para a pesagem e cálculo do crescimento micelial, o micélio foi seco por 24 h em estufa marca De Leo a 40°C. Após a escolha da espécie, a mesma foi cultivada em meio soro de queijo (MSQ – Apêndce D) para ser aplicada ao composto OLU x Salvinia sp. 5.1.1 Análise estatística Os resultados do experimento comparativo entre ganhos de biomassa entre diferentes espécies, foram submetidos á análise de variância ANOVA para fator único, com grau de significância de 5%, com auxílio do software Microsoft Excel. 5.2 Ensaio com o composto OLU O composto OLU x Salvinia sp. foi recebido dos experimentos com adsorção deste tipo de óleo por Salvinia sp. realizado pela colega Karina Minozzo em seu trabalho de conclusão de curso. Foram recebidas amostras de 10 g de pó de Salvinia 19 sp. lavada secada e moída contendo 10 e 50 g de óleo cada amostra para ensaio, foram adicionadas em garrafas PET de 2 L, as culturas fúngicas em 240 g de solo (cinzas, turfa, húmus de minhoca) e amostra de composto OLU x Salvinia. Os experimentos foram realizados com controle sem inóculo. Após 30 dias de tratamento, as garrafas foram mantidas invertidas em suporte universal, com a tampa aberta, para escoamento da parte líquida. 5.3 Avaliação da toxicidade do solo com sementes de Lactuca sativa O método empregado baseou-se em bioensaios conforme descrito em Duka (apud MONTEIRO et al., 2002, p. 05). Após o tratamento de 30 dias, foi adicionada água mineral a cada garrafa plástica contendo solo, na proporção 4:1 de água mineral e solo. O material foi deixado para sedimentar por 24 horas, ao final das quais, foi retirado o sobrenadante. Essa solução foi utilizada sem diluição para regar as sementes de Lactuca sativa. Placas de Petri contendo papel filtro receberam 5 ml desta solução e 10 sementes de L. sativa. Para cada solução foram utilizadas seringas distintas para evitar a contaminação de uma amostra na outra. Foram feitas duas réplicas, inclusive para o controle. Em seguida, as placas foram envoltas com folha de alumínio e incubadas para exposição de 120 horas. Terminado o teste, as plântulas foram medidas com auxílio de régua. 5.3.1 Análise estatística Os resultados do experimento de toxicidade foram submetidos á análise de variância ANOVA para fator único, com grau de significância de 5%, com auxílio do software Microsoft Excel. 20 6 RESULTADOS E DISCUSSÃO 6.1 Seleção das cepas fúngicas Foram coletados fungos de diferentes espécies como Geastrum sp., Picnoporus sanguineus, Lentinus crinitus, Coprinus sp.,Macrolepiota bonaerensis, Marasmius spp., Polyporus sp., Cymatoderma caperatum, Pisolithus tinctorius, Ganoderma applanatum, Trametes versicolor, Trametes villosa, Gymnopilus pampeanus, Amanita muscaria, Schizophyllum commune, Auricularia fuscosuccinea e outras. Todas passaram pela reação de Bavendamm, porém as que apresentaram resultados mais atraentes foram Picnoporus sanguineus e Pisolithus tinctorius, pois foram as culturas que apresentaram uma maior alteração de cor depois da aplicação de indutor para fenoloxidases na cultura. 6.1.1 Análise estatística da comparação de ganho de biomassa As tabelas 1, 3 e 5 fornecem o peso seco obtido de cada amostragem nos seguintes períodos: 7, 14 e 21 dias, respectivamente. As tabelas foram submetidas a análise de variância ANOVA determinando que a variação dentro de cada amostragem ocorreu devido à fatores aleatórios. Os dados da tabela 2 indicam que na amostragem de 7 dias o ganho de biomassa entre as duas espécies apresentaram médias equivalentes, para significância de 5%. O mesmo não ocorreu nas amostragens de 14 e 21 dias, onde Pisolithus 21 tinctorius apresentou um ganho de biomassa superior a significância de 5%, conforme mostra as tabelas 4 e 6. Tabela 1 - Comparação do ganho de biomassa após 7 dias, em meio PD líquido. Peso seco em gramas. P. sanguineus P. tinctorius 7 dias 0,35 0,61 0,42 0,68 0,33 MÉDIA 0,37 0,65 Tabela 2 – Análise ANOVA para um fator das amostras P. tinctorius e P. sanguineus após 7 dias. Fonte da variação Entre grupos Dentro dos grupos Total SQ 0,062016667 gl 0,00405 0,066066667 MQ F valor-P F crítico 1 0,062016667 15,3127572 0,159278387 161,4476387 1 2 0,00405 Tabela 3 - Comparação do ganho de biomassa após 14 dias, em meio PD líquido. Peso seco em gramas. P. sanguineus P. tinctorius 14 dias 0,68 1,43 0,45 1,12 0,52 1,11 MÉDIA 0,55 1,22 Fonte: Autoria própria Tabela 4 – Análise ANOVA para um fator das amostras P. tinctorius e P. sanguineus após 14 dias. Fonte da SQ variação Entre grupos 0,3969 Dentro dos grupos 0,0025 Total 0,3994 Fonte: Autoria própria gl 1 MQ 0,3969 2 0,00125 3 F valor-P F crítico 317,52 0,003134607 18,51282051 22 Tabela 5 - Comparação do ganho de biomassa após 21 dias, em meio PD líquido. Peso seco em gramas. P. sanguineus P. tinctorius 21 dias 0,60 1,26 0,57 1,18 0,54 1,39 0,57 1,28 MÉDIA Fonte: Autoria própria Tabela 6 – Análise ANOVA para um fator das amostras P. tinctorius e P. sanguineus após 21 dias. Fonte da variação SQ Entre grupos 0,5329 Dentro dos grupos 0,0225 Total 0,5554 Fonte: Autoria própria gl 1 MQ F valor-P F crítico 0,5329 47,36888889 0,020465081 18,51282051 2 0,01125 3 Este resultado motivou a escolha da espécie P. tinctorius a ser aplicada ao composto OLU x Salvinia sp. Como o presente trabalho constituiu-se de biorremediação de solos, um fator que pesou na decisão de qual espécie a ser utilizada, foi o fato de Pisolithus tinctorius ser uma espécie encontrada no solo, geralmente associada a vegetais superiores em forma de micorriza, conforme (KRÜGNER; TOMAZELLO FILHO, 1980, p.42). É provável que ela tenha mais afinidade com o solo do que Picnoporus sanguineus, pois, segundo (GUERRERO; HOMRICH, 1983, p.51) é uma espécie comumente encontrada em troncos de árvores, com frutificação em formato de “orelha-de-pau”. 6.2 Aplicação no composto Salvinia X Óleo lubrificante usado O fungo escolhido foi, então, cultivado em MSQ durante 14 dias, antes da aplicação no composto Salvinia X OLU. Após os sete primeiros dias da inoculação do fungo no composto, observou-se uma grande massa micelial que envolveu todas as amostras. Uma amostra desta massa micelial foi cultivada em meio BDA (Batata, Dextrose, Ágar). Ao mesmo tempo, uma cultura de P. tinctorius foi repicada também 23 para meio BDA. Após cinco dias, observaram-se os cultivos e se verificou visualmente que se tratava da mesma espécie, o que demonstra que quem atuou no composto foi P. tinctorius realmente. Assim, se pode descartar a hipótese de uma contaminação por outra espécie que pudesse ter inibido a ação da espécie investigada. 6.3 Teste de Toxicidade 6.3.1 Análise estatística do teste de toxicidade A tabela 7 fornece as medidas obtidas nas amostras Controle, e adicionadas de 10 g e 50 g de OLU. A tabela foi submetida a análise de variância ANOVA determinando que a variação dentro de cada amostragem ocorreu devido à fatores aleatórios. Os dados da tabela 8 indicam que a amostra com concentração de 10 g de OLU apresentou médias de crescimento equivalente, para significância de 5%. Pôde-se observar que as médias de crescimento mantiveram-se semelhante ao controle. O mesmo não ocorre quando o controle é comparado a amostra com concentração de 50 g de OLU, conforme tabela 9. Tabela 7 – Tamanho em cm das plântulas de alface (L. sativa) regadas com água mineral após contato de 24 horas aos compostos. Amostra Controle 10 g 50 g 1 3,4 5,9 7,4 5,4 5,7 5,7 5,2 5,8 6,2 4,9 5,7 6,9 4,7 5,8 5,4 5,7 5,9 4,9 5,6 5,4 5,4 5,7 5,5 5,8 5,1 5,4 3,7 4,1 4,4 2,8 3,7 4,2 2,9 4,1 4,1 2,5 3,8 4,3 4,3 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 24 5,4 6,8 5,2 5,7 6,8 4,9 9,3 5,6 5,0 5,7 6,4 5,3 3,4 6,3 2,2 4,4 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 5,7 4,9 5,2 5,8 5,3 4,8 4,9 4,9 3,9 5,5 5,4 3,9 5,5 5,4 5,3 30 5,56 MÉDIA Fonte: Autoria própria 5,29 3,7 4,1 3,7 3,5 4,8 3,8 3,6 4,8 4,1 4,0 4,2 4,4 4,1 3,9 4,6 3,5 3,6 3,91 Tabela 8 – Análise ANOVA para um fator da amostra Controle comparada com amostra com 10 g de OLU. Fonte da SQ variação Entre grupos 1,908487013 Dentro dos grupos 50,04678571 Total 51,95527273 Fonte: Autoria própria gl MQ F valor-P F crítico 1 1,908487013 2,021105057 0,160984266 4,023016811 53 0,944278976 54 Tabela 9 – Análise ANOVA para um fator da amostra Controle comparada com amostra com 50 g de OLU. Fonte da SQ variação Entre grupos 42,24446655 Dentro dos grupos 51,76816502 Total 94,01263158 Fonte: Autoria própria gl MQ F valor-P F crítico 1 42,24446655 44,88174652 1,17139E-08 4,016195438 55 0,941239364 56 25 A diminuição da toxicidade ocorreu, possivelmente, porque as enzimas fúngicas agiram sobre o óleo, isto se deve ao fato do óleo possuir, em sua composição, substâncias aromáticas semelhantes ao da lignina encontrada nas paredes das células vegetais. A técnica de bioaumento utilizada neste trabalho foi fundamental, pois trouxe resultados mais positivos do que trabalhos semelhantes sem a utilização da técnica, como nos trabalhos de Domingues et al. (2006, p.71) que ao investigar a biodegradabilidade de OLU, sem bioenriquecimento, somente bioestimulação, obteve como resultado a diminuição da toxicidade do solo somente após 60 dias de tratamento e Lopes et al. (2005, p.47) utilizando meio aquoso, também sem bioenriquecimento, obtiveram resultados semelhantes ao de Domingues et al. O fato do teste de toxicidade mostrar que no ensaio 1, as mudas de alface se desenvolveram como no solo sem poluente, não quer dizer que o mesmo tenha sido totalmente degradado, o mais provável é que o poluente tenha se fixado no húmus, passando para uma forma menos tóxica, pela a ação das fenoloxidases. Segundo Aust (apud BALLAMINUT, 2007, p.10), a degradação da lignina por fungos de podridão branca ocorre até sua concentração ser reduzida a níveis não detectáveis, onde o produto final é CO2. Sendo este, o tipo de processo desejável para os compostos xenobióticos. A água mineral que permaneceu 24 horas no ensaio 2 demonstrou grande quantidade de gotículas de óleo na superfície (Figura 1), o que corrobora com os resultados do teste de toxicidade. Figura 1: água que permaneceu 24 horas no composto com 50g de óleo. Fonte: Autoria própria 26 7 CONCLUSÕES Com base nos resultados deste trabalho conclui-se que: a) O meio soro de queijo se apresentou um meio de cultura eficiente; b) A espécie Pisolithus tinctorius apresentou mais rendimento na produção de biomassa do que Picnoporus sanguineus e secreção de fenoloxidases semelhante, o que faz ela ter um maior potencial para aplicações em biorremediação; c) A espécie inoculada foi dominante e a responsável pela detoxificação do ensaio 1; d) Utilizando a metodologia descrita é possível diminuir a toxicidade de 10 g de óleo para 10 g de Salvinia sp. adicionado de 240 g de solo e 250 g de cultivo de Pisolithus tinctorius; e) Outros trabalhos são necessários para avaliação da quantidade exata de OLU que pode ser estabilizado utilizando-se esta metodologia. f) Também aconselha-se para próximos estudos, a investigação da composição dos gases emitidos durante a biodegradação deste óleo e até que ponto esta liberação é prejudicial ao ambiente. 27 REFERÊNCIAS AMBIENTE BRASIL. Coleta e Disposição Final do Lixo: Compostagem, 2006. Disponível em: <http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./residuos/ index.php3&conteudo=./residuos/lixo.html>. Acesso: 21/03/2007 ANNUNCIADO, Teoli Rodrigues. Estudo da Chorisia speciosa e outras fibras vegetais como sorventes para o setor de Petróleo. 2005. 106 f. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Paraná, Programa Pós-Graduação em Engenharia. BALLAMINUT, Nara. Caracterização fisiológica do inóculo de Lentinus crinitus (L.) Fr. CCB274 empregado em biorremediação de solo. 2007. 163 f. Dissertação (mestrado) - Instituto de Botânica da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, São Paulo. BIDOIA, Ederino Dino; DOMINGUES, Ricardo José. Estudo da Biodegradação de Efluente Oleoso Automotivo. Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v.71, 2004. Disponível em: <http://www.biologico.sp.gov.br/ARQUIVOS/V71_supl_raib/ 302.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2007. BLACK, Jacquelyn G. 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Autoclavar durante 15 minutos à 121°C. 32 APÊNDICE C – Meio de cultura peptona dextrose (PD) Ingredientes Concentração (g/l) Peptona 5,0 g dextrose 20,0 g água destilada 1000,0 ml Autoclavar durante 15 minutos à 121°C. 33 APÊNDICE D - Meio de cultura soro de queijo (MSQ) Meio de cultura soro de leite (MSL) Ingredientes Concentração (g/l) soro de queijo 500,0 ml água destilada 500,0 ml pH=5,5 ± 0,2. Para utilizar como meio sólido, adicionar 15 g/l de ágar. O soro de queijo foi esterilizado (pH 5,5) em três estágios sucessivos de aquecimento à 95°C e repouso de 24 horas. O soro de queijo foi obtido no processo de confecção de queijo frescal utilizandose leite Nutrilat tipo C. Adicionou-se 1,5 ml de solução de coalho Top Therm por litro de leite, previamente aquecido à 35 °C. Após agitar por dois minutos a solução com auxílio de uma espátula esta permaneceu em repouso por 1 hora. Com auxílio de espátula, cortou-se a massa resultante aguardou-se por 40 minutos para separar melhor o soro. O soro de queijo foi extraído da massa com auxílio de peneira. A proteína restante foi removida filtrando-se o soro após aquecê-lo por 15 minutos à 95°C em pH 4,8 e no pH de cultivo.