Onde brincar e aprender é uma só coisa Palestrante: Karin Rösler (Diretora da Biblioteca Pública Infantil de Stuttgart, Alemanha) Tradução: Ana Teresa Vianna de Figueiredo Sannazzaro Palestra realizada em 2 de setembro de 2004 na Biblioteca Pública Municipal InfantoJuvenil Monteiro Lobato, em São Paulo, SP. Palestra organizada pela Biblioteca Monteiro Lobato e Instituto Goethe. As bibliotecas são o coração da sociedade da informação e gostaria de convidá-los a entrar no coração das bibliotecas infantis. Contarei a história de uma biblioteca infantil, que caminha para se tornar um centro de mídia infantil, no qual o livro tem o mesmo valor das novas mídias e onde a maneira como essas mídias são organizadas não é mais importante que as atividades realizadas pelas crianças; elas são coroadas rainhas e não se deixam dominar pelas mídias — a brincadeira e o aprendizado caminham juntos. Como num conto de fadas, convido as boas fadas para as bibliotecas. Não só em Stuttgart como em outras cidades do mundo. Fadas que tenham poder e que cuidam para que seus desejos se cumpram, senão elas podem se irritar. As bibliotecas infantis são uma instituição imprescindível para cada cidade e um parceiro confiável para todas as instituições. Interligam redes locais e mundiais, mas agem localmente porque a infância tem caráter local. As bibliotecas estimulam a competência de leitura direcionada à utilização de toda mídia. Com isso, refiro-me não à competência de conhecer a literatura, mas à competência de ler, entender e aplicar textos de toda espécie. Nas bibliotecas infantis, as mídias encontram-se lado a lado nas prateleiras, não há separação, estão juntas. Possibilitam aos leitores o conhecimento e o uso de forma crítica, trabalham ativamente a fim de promover a comunicação, construir portais e caminhos a partir desse caos comunicativo. Na Biblioteca Monteiro Lobato, em São Paulo, eu pude notar uma estratégia muito boa: a criação de um universo lúdico de aprendizado. Nesse ambiente, criam-se pontes que fomentam a comunicação, os interesses vão ao encontro das crianças, famílias, países e culturas, possibilitam a integração de pessoas de diferentes idiomas. As bibliotecas estimulam o conhecimento da língua materna e o aprendizado de línguas estrangeiras, as bibliotecas não deixam passar o futuro, elas dizem bem-vindo ao futuro! Em Stuttgart, as bibliotecas municipais têm uma biblioteca central, onde ficam os livros sobre música e uma grafoteca em que podem ser emprestados livros de arte e material infantil. Quanto à rede, há mais dezesseis bibliotecas distribuídas pelos bairros. Um novo prédio está sendo planejado, pois nossa biblioteca infantil é muito menor que a Monteiro Lobato, a área é de 380 m2, e precisamos urgentemente de mais espaço. Há ainda dois ônibus-biblioteca, uma mediateca, em que o material não pode ser emprestado, a biblioteca da prefeitura e duas bibliotecas em hospitais. As bibliotecas infantis, apesar de integradas às bibliotecas públicas adultas, são uma parte autônoma da biblioteca. Há vantagens e desvantagens em ambos os modelos (bibliotecas separadas ou juntas), mas não cabe aqui discutir ou avaliar essas questões. O setor juvenil está fortemente integrado no setor adulto, por isso acreditamos que os interesses dos jovens dificilmente estão separados dos adultos. Para os jovens, precisamos de um trabalho muito específico, a oferta e o material da biblioteca adulta devem direcionar-se também a eles. O prédio onde fica a Biblioteca Wilhelmpalais, nossa Biblioteca Central, fora inicialmente construído para as duas filhas do então rei de nosso Estado dançarem, mas elas não mais o fizeram após se casarem; e desde 1950, o palácio abriga a Biblioteca Central, localizada no térreo com duas salas, a Biblioteca Infantil, que é uma biblioteca infantil muito normal para o Centro e para a região toda mas ao mesmo tempo central para o sistema. Ela cuida da cooperação com parceiros locais na Alemanha e em outros países, da publicidade, do marketing e das relações públicas, além de ser um laboratório de experimentação para novas concepções. O lema básico é “brincar e aprender é a mesma coisa”. Essa instituição oferece não apenas lazer como também apóia escolas e outras instituições a fim de que aprendam a trabalhar ludicamente. É com muito orgulho que apresento nossa equipe, hoje somos quatro, há doze anos, quando éramos um setor autônomo, éramos 2,5 (havia dois postos e meio) e fazíamos de tudo, todas as funções. Na Alemanha não há problemas para conseguir material nem acervo, há boa possibilidade de comprar livros, mídias. Nossa maior dificuldade é conseguir funcionários, uma vez que são muito caros, e uma instituição oficial não quer, definitivamente, contratar. Não temos chance de dar mais funcionários à Biblioteca, mesmo se o número de empréstimos duplicar, pois se trata de uma decisão política. Por isso, se uma nova vaga surgir, será motivo para muita comemoração. A biblioteca possui estagiários, estudantes que nos ajudam, sem os quais não poderíamos trabalhar. Acredito que no Brasil os problemas sejam semelhantes, o trabalho das bibliotecas infantis exige muito lobby, é preciso mostrar sua importância, e também sua importância extrabiblioteca. Como as bibliotecas infantis estão organizadas numa rede local, temos uma série de eventos, estruturas e perfis em comum, o trabalho de divulgação é feito em conjunto. Por meio dessa rede, temos a chance de conseguir força junto à opinião pública. Fazemos divulgação e propaganda direta, nossos dados estão todos em rede, o que é muito importante, pois de cada biblioteca posso acessar todos os materiais de que preciso para a biblioteca infantil. Se alguém faz um evento e produz um folheto de divulgação, um mês depois outra pessoa de outra biblioteca pode recorrer a esse mesmo folheto e obter informações sobre o evento realizado, e assim trabalhar com mais eficiência. Essa interligação se faz necessária, pois não temos pessoal suficiente. Há ainda a intranet, na qual existe um fórum de debates que utilizamos quando não temos tempo para reuniões presenciais. Somos responsáveis pela direção do setor, faço o planejamento estratégico, defino diretrizes, desenvolvo recursos humanos, um programa de educação continuada, representação e relações públicas também são minhas tarefas, e firmar parcerias locais, federais, regionais e internacionais, também. Nosso trabalho é dividido em três blocos temáticos: um bloco é a biblioteca virtual, a home page e o acesso à internet; o segundo bloco, muito importante, são os eventos; e o terceiro bloco, que é o núcleo do trabalho da biblioteca, são os leitores e a escolha das mídias. A equipe fixa é composta de quatro pessoas, somos a central, digamos assim, e transmitimos nosso método às demais colegas. Nossos modelos não são muito comparáveis aos do Brasil. Falarei de nossos passos no caminho de um centro de mídias infantis: nós nos comparamos a um navio que faz uma expedição. Em 1992, a biblioteca tornou-se um departamento autônomo, antes ela estava diretamente subordinada à direção. Dois anos depois, chegou o primeiro computador para crianças — o Alphonsus, seu símbolo é um misto de computador com pato. Houve uma grande discussão na Biblioteca se o computador deveria entrar na Biblioteca, numa época em que o contato com computadores entre a equipe não era muito difundido. Hoje, isso não se discute mais. Não havia verba disponível por parte da administração da Prefeitura, então uma escola particular que desenvolveu um programa especial de computador precisava de “cobaias” de teste, e isso podíamos fazer. As crianças não reagiram com estranhamento em relação à novidade e passamos a receber um outro público na Biblioteca. As crianças nunca perguntavam se podiam aprender com o computador, elas perguntavam se podiam brincar com o Alphonsus, um programa clássico de aprendizado, em que não havia animações, era só texto que devia ser preenchido e, no final, uma pequena animação aparecia quando a resposta estava correta. Nada comparado aos programas de hoje. As crianças entendiam o computador e isso nos estimulou e nos deu argumentos para que a administração municipal nos concedesse novos equipamentos. Conseguimos um financiamento da União Européia para o projeto, mas só mais tarde percebemos que esse projeto tinha problemas — problemas lingüísticos —, e assim criamos um núcleo de línguas. Agora voltamos às raízes onde nos engajamos na competência de leitura. Há apenas um mês fundamos uma associação, é muito recente. Agora estamos diretamente associados à diretoria da Biblioteca Central, não preciso me reportar a outra instância, e sim posso, quando se trata de decisões, negociar com ela, o que nos dá autonomia. A diretora Ingrid Busmann é muito compreensiva nesse sentido, toda vez que pode, ela participa de congressos e eventos, representa a instituição e mostra a importância da biblioteca infantil. Com essas experiências, em 1995 surgiu o conceito do Centro de mídias Infantis, desenvolvido em cooperação com o Centro Educacional Seu intuito era abrir caminho através da selva informacional, mostrar os pontos fortes e fracos de cada mídia e ser um campo de experimentação e de trabalho com as mídias. A esse projeto chamamos de KIM, a abreviatura de um nome internacional no qual há K de kinderbund, Kreativ; I de idéias, imaginação; e M de multimídia, multicultural. O Centro de Mídias Infantis nos trouxe mais um posto de trabalho financiado pela cidade de Stuttgart por um ano, inicialmente, e renovado por mais um. Desde 2000 esse posto foi incluído no plano de vagas e salários. Por meio da experiência com esse projeto, pudemos nos preparar para um projeto em nível europeu que criasse uma biblioteca virtual para crianças. Esse projeto aconteceu com a direção das bibliotecas de Stuttgart, com parceiros na Finlândia, Grã-Bretanha, Portugal, Grécia e Espanha. A idéia era desenvolver uma biblioteca infantil na rede, o nome do projeto era CHILIAS (Children Library Information Animation Skills). Ganhamos por mais dois anos 3/4 de bolsa de trabalho (75%) financiado pela União Européia. O projeto tinha o intuito de impulsionar os conceitos voltados ao futuro nas bibliotecas infanto-juvenis européias, formar bibliotecas adequadas e criativas para uma aprendizagem inovadora e multimedial, instruir as crianças em um manejo seguro, autônomo e competente das modernas tecnologias e, principalmente, estimulá-las na competência da utilização das mídias, colaborar para o entendimento entre crianças européias e criar uma rede de bibliotecas internacionais. Surgiram então as primeiras páginas na rede. Se fizéssemos um projeto na internet, teria que ser um fórum para crianças, para que elas próprias se introduzissem na rede. Nossa idéia era que a melhor competência midiática vinha do fato de eu mesma poder trabalhar com as mídias, pois quando eu mesma montava essas páginas, podia criticar muito mais que quando os outros me mostravam. O InfoPlaneta era uma página na rede que funcionava como um ateliê de arte, nessa página encontravam-se informações sobre artistas de Stuttgart, ofertas de várias instituições, oficinas, ateliês de pintura para crianças. Em 1988 acabou nosso projeto, acabaram as verbas, e estávamos sozinhos com um grande projeto de internet que levantou questões na Alemanha e em toda a Europa. Então nós tínhamos que pensar em como torná-lo viável com poucos recursos. Nosso maior problema eram as barreiras lingüísticas, e nós tentamos, em Stuttgart, começar um novo projeto que construísse pontes reais entre as línguas. Esse é o InfoPlaneta real, não virtual. O projeto ganhou um segundo espaço, na biblioteca infantil, e, desde 2002, existe a Varanda de Línguas — desenvolvida com base nas idéias de Jella Lepman, a qual nos trouxe, nesse mesmo ano, meio posto a mais. E a partir de então começamos a trabalhar com uma equipe de quatro pessoas. Em Stuttgart, mais de 25% da população vêm de outras culturas e falam-se mais de 178 idiomas. A manutenção desses idiomas tem grande significação na identidade emocional das crianças e grande contribuição para o desenvolvimento de uma sensibilidade lingüística. Sólidos conhecimentos da língua da segunda pátria são importantes pré-requisitos para a integração e proporcionam maiores perspectivas para o futuro. O fomento para a aprendizagem de línguas deve estar incluído no dia-a-dia das crianças. Há dois anos, que o inglês e o francês são ensinados no ensino fundamental. A demanda por materiais que possibilitassem o ensino lúdico de idiomas estrangeiros se fez muito grande. Na Alemanha existe a concepção muito forte de que o imigrante estrangeiro deve aprender rapidamente o alemão e não precisa manter sua cultura tradicional. A nossa idéia na Varanda de Línguas é que se deve aprender a língua materna e também a do país em se vive. As famílias deveriam poder encontrar a sua língua materna em todas as mídias e ao mesmo tempo dispor de meios para aprender o idioma estrangeiro, deveriam valer-se da possibilidade de obter informações sobre outros povos e outras crianças no mundo todo, para que fossem construídos vínculos entre esses povos. Além da Varanda de Línguas, havia outro programa de eventos multiculturais que tornava vivas as ofertas nas prateleiras. Ainda em 2002, começamos um projeto que era muito simples e se ocupava com o fomento da leitura, e para isso criamos uma rede de instituições culturais, educacionais e de trabalho com jovens. Chamamos o projeto de Leitura em Stuttgart, que era uma campanha de motivação para uma cultura de leitura e tinha como lema “Antes de as crianças começarem a ler, alguém deve ler para elas” de maneira que, bem cedo, gostassem de histórias e de leituras e o aprendizado da leitura não fosse tão difícil, que elas tirassem proveito disso e soubessem o quanto é bom descobrir histórias. Essas são algumas razões para começar cedo a leitura. Um outro fator vem da pesquisa cerebral que favorece o aprendizado de uma língua muito cedo. O projeto pretende desenvolver e experimentar idéias e ações inovadoras, desenvolver necessidades individuais com a língua, redescobrir o mundo da literatura infantil junto com as crianças, construir mais locais de leitura em escolas e jardins de infância, aumentar o contato e fazer as famílias bem-vindas, contribuir para a integração entre os idiomas, fazer amizade entre os amigos da leitura e os inexperientes em leitura, ter o apoio dos cidadãos de Stuttgart. Isso, evidentemente, demanda longa duração e desenvolvimento continuado. Para esse projeto, uma fundação financiou um posto (vaga) de dez horas semanais, mas cada hora adicional que conseguimos é festejada, muito festejada. Os resultados desse projeto foram o desenvolvimento de alguns modelos que nós testamos com grupos específicos e, em sua avaliação, concluímos que as famílias sensibilizadas para o tema ganharam impulso, todavia por falta de tempo, pouco estímulo e pouco apoio, pouco liam. Não conseguimos alcançar famílias sem experiência com leitura, por isso dissemos: “Aqui nós precisamos do apoio de ‘madrinhas de leitura’, voluntárias que se incluíram como multiplicadoras. Seus pontos fortes são a dedicação pessoal, a atenção direta, a sensibilidade na compreensão do ouvinte, a facilidade de comunicação e o sucesso obtido com ouvintes inexperientes com a leitura. Elas substituíam, por assim dizer, funções familiares. Os pré-requisitos para tanto eram atenção especial, qualificação e, é claro, uma postura séria com relação ao trabalho. Com esse projeto, voltamos ao Conselho de Stuttgart e dissemos que a cidade é rica e tem um grande capital para o desenvolvimento de uma ampla cultura de leitura. A importância da leitura é reconhecida, há instituições com conhecimento de causa que agem em conjunto. Somos mais de 100 voluntários que trabalham com vontade e entusiasmo em 67 locais diferentes, temos a oportunidade de estimular a leitura e podemos provar que é possível a motivação à leitura. Depois do estudo PISA, dissemos às crianças: “Não se pode fazer nada, é em vão, não faz sentido”. Nós provamos: é possível, sim. As famílias se divertiram bastante e esse projeto nos trouxe uma imagem muito positiva na cidade e também na Alemanha toda. Claro que não é ruim quando uma cidade é reconhecida como uma cidade de leitura. Nós não pudemos, infelizmente, convencer o conselho a nos conceder uma posição central de coordenação, que controlasse as especializações. Visto que a cidade não nos ajudou, dissemos: “Vamos fundar uma associação, nós precisamos de dinheiro para garantir a continuidade desse projeto, e essa associação deveria financiar um posto que o coordenasse, que desse assistência ao voluntariado, sugestões e assessoria a outras iniciativas, interligar outras iniciativas na região, treinamentos regulares de madrinhas, revezamento entre as voluntárias, realizar um trabalho de propaganda e marketing e de desenvolvimento continuado”. Dois meses atrás fundamos essa associação, em 4 de julho de 2004. Uma fundação financiou um posto para a estrutura organizacional, agora somos cinco em nosso escritório e a nossa associação chama-se Ouvidos Abertos para a Leitura. A biblioteca infantil possui uma home page dirigida a pais e educadores, há informações sobre os serviços oferecidos e mantemos o InfoPlaneta, página de crianças para crianças em que as ações pedagógicas com as crianças são apresentadas, essa página deve ser um fórum para desenvolvimento da criatividade das crianças e deve fornecer informações e sugestões de temas infantis relevantes, é um portal para páginas infantis na rede e ajuda em lições de casa e no acesso às bibliotecas digitais e também deve ser um fórum de intercâmbio internacional. No ano passado, uma colega minha esteve na Armênia e lá criaram páginas para nós, as quais publicamos em nosso portal. Talvez tenhamos ajuda de São Paulo e do Rio de Janeiro com uma ou duas páginas com informações sobre o Brasil, o que me alegraria muito. A nova Associação terá uma nova página na internet, que estará pronta em outubro. No momento ela não está disponível, esses são nossos projetos virtuais. Gostaria de convidá-los para um passeio pela biblioteca real. Nós tínhamos uma oferta de mídias, em 2003, de 42.771 itens na Biblioteca Central, essas mídias foram emprestadas 323.736 vezes, o que equivale a 1.700 mídias por dia. A maior parte desse volume é de livros. A biblioteca infantil possui dois espaços. O primeiro é o Mar de Histórias — todas as mídias que são apresentadas nesse espaço contam histórias, há livros ilustrados, filmes, fitas, computadores com histórias interativas, programas literários, em que as crianças podem agir como detetives de um romance policial e solucionar um crime. Elas ainda podem entrar em histórias que elas próprias desenvolvem. Temos uma oferta de 84% de livros e 2% de programas para computador, ou seja, no espaço narrativo, o livro é muito difícil de substituir, as crianças não querem que ele seja substituído. No segundo espaço, o InfoPlaneta, criado em 1998, nós apresentamos todas as mídias informativas, enciclopédias, livros técnicos, CDs especializados, programas de aprendizado, vídeos com informações específicas. Como dito anteriormente, não apresentamos as mídias em separado, em uma estante temos todas as mídias agrupadas por tema, todas juntas, já que achamos que um livro ou um programa podem ser usados em diversas situações e de diversas maneiras pelas crianças, elas escolhem de acordo com as necessidades naquele momento. Nesse espaço nós temos quatro computadores, dois com internet para pesquisa e dois com programas de aprendizagem para fins educacionais (escola) e outro com programas de aprendizado e pesquisa como o que ensina a construir aviões ou montar carros, por exemplo. Nós não temos jogos, videogames, Nitendo, etc. Nossa biblioteca não é uma organização de lazer, fomentamos o aprendizado lúdico e é isso que traz muito apoio político. A distribuição das mídias nesse espaço é um pouco diferente: temos 77% de livros e 11% de programas. Em nosso espaço mais novo, a Varanda de Línguas, temos aproximadamente 1.700 livros e mídias, há um único livro o Peixe Arco-Íris, em 28 traduções: islandês, coreano, catalão, árabe, entre outras. Isso não substitui uma grande oferta, é claro, no entanto para crianças e para nós adultos é muito interessante conhecer as diversas línguas e descobrir, por exemplo, que um livro árabe começa de trás para frente. Essa é uma experiência que traz muita compreensão sobre as línguas do mundo. Há mais títulos em inglês, francês e italiano, poucos em português, doze títulos, mas estamos melhorando isso. Nós temos itens em línguas africanas, persa, tcheco e japonês. Na Varanda, existem mídias que estimulam o aprendizado de línguas e dois computadores: um para o aprendizado de inglês e outro para as crianças estrangeiras aprenderem o alemão. Nesse espaço temos 39% de livros e 35% de programas. Quando se trata de aprender idiomas, ouvir idiomas, parece que o computador é a melhor mídia. Quando se trata de literatura e de histórias, continua sendo o livro a mídia mais importante. Em cada área trabalhamos destacando a mídia que oferece as maiores vantagens para as crianças. O empréstimo de mídias, desde que a biblioteca se tornou autônoma, cresceu bastante, nós duplicamos nosso acervo e o empréstimo foi triplicado, mas o mesmo não aconteceu com o número de funcionários, esse continua sendo nosso problema. Eventos Tratarei um pouco agora do meu tema predileto, os eventos produzidos na biblioteca. Prefiro deixar em segundo plano a organização e começar a contar uma história às crianças. Elas não se interessam por uma estante arrumada nem pela organização alfabética, mas se divertem muito ouvindo histórias, descobrindo peças teatrais, representando personagens, pintando. Visualizamos nossa oferta de eventos como um trabalho cultural comunitário específico, é uma oferta própria na área educacional extra-escola. Aquilo que é vivenciado pelas mídias e a transmissão de competências de leitura, de línguas e de mídias são centrais. Nesses eventos, nós não queremos, em primeiro lugar, divertir — claro que queremos isso também, mas não é o foco principal, não se dever ser um palhaço que anima a platéia —, mas, sim, tornar as mídias vivas, queremos que as crianças descubram o que existe nas prateleiras e que elas conheçam e experimentem as mídias. Transformamos, por vezes, esse material em oficinas e têm a oportunidade de produzir aquilo que nós temos nas estantes. Os nossos eventos não possuem um público muito grande, tentamos inserir as crianças no evento dando-lhes um palco e fornecendo-lhes uma identificação com sua biblioteca infantil. O perfil dos eventos se dá de acordo com a distribuição do espaço. Dispomos de aventuras ativas e interativas, brincamos com a web (www), nos espaços reais criamos, por exemplo, histórias ativas e interativas, teatro infantil, contamos histórias e contos de fadas, fazemos jogos de leitura e exposição de livros ilustrados. Para o aprendizado lúdico nós temos workshops criativos, as crianças especialistas e repórteres da internet. A principal idéia é a do encontro, nós gostamos de festa e fomentamos o encontro de todas as mídias, de todas as culturas, autores e ilustradores de livros infantis, artistas, editoras, e nós fazemos músicas entre os livros. Apresento alguns conceitos de algumas séries de eventos. Escolhi aquelas séries gratuitas, que não nos custaram nada, as colegas das bibliotecas infantis foram as autoras desses eventos e os executaram. Um deles é o Rali de mídias, oferecido principalmente para grupos escolares. A idéia é que todas as mídias, inclusive a internet, podem ser descobertas ao mesmo tempo, lado a lado, e testadas. Tudo isso no mesmo lugar: a biblioteca. Desenvolvemos um jogo em que as crianças passam por diversos estágios, e em cada estágio é apresentada uma nova mídia. Sobre um determinado tema a criança conhece várias mídias, podendo descobrir qual mídia é a mais útil às suas necessidades, e assim estimulamos a competência midiática das crianças. Dividimos a classe em grupos, que vão circulando pela biblioteca. As crianças recebem uma explicação de como utilizar a biblioteca e uma espécie de talão de cheque, que funciona como uma identidade, com o mesmo tamanho de um cartão de banco, do cartão Visa, então dizemos: “Vocês vão receber um cartão de cheque”. É importante dizer, também, que a narração, o contar, é a forma mais tradicional de transmissão de histórias, essa vivência conjunta é o primeiro passo para a socialização. Crianças cujos pais e cujos avós contam histórias, desenvolvem uma outra destreza lingüística, uma competência lingüística, e essa competência, finalmente, também é a competência que lhes dá segurança quando lêem textos na internet. É o exercício autêntico e diário do ouvir que treina também a audição. O narrador não tem o livro como barreira entre ele e a criança. Na Alemanha, se estivesse procurando voluntários, não se manifestariam 100, talvez só dois num primeiro momento. Nós só divulgamos a leitura e lemos para as crianças. Esse projeto chama-se “Ouvidos abertos para a leitura: uma história só para você — as madrinhas da leitura de Stuttgart descobrem com você o mundo da literatura infantil”. Os grupos são bem pequenos, de dois a oito ouvidos, ou seja, de uma a quatro crianças, portanto uma situação bem próxima de uma situação de família e, em primeira instância, trata-se do fomento e da compreensão lingüística. As madrinhas, em pequenos grupos, uma atmosfera aconchegante, as crianças podem ser diretamente atingidas, e o contato pessoal favorece o atendimento a cada ouvinte, criam madrinhas sentem o quanto as crianças compreendem e auxiliam-nas conforme a necessidade. A experiência com o livro torna-se uma vivência de sucesso mesmo entre crianças com dificuldades com o idioma e as faz curiosas por mais. Comparo essa situação a quando estou assistindo a uma palestra e não compreendo uma palavra, ou uma tese que me deixa pensativa e, enquanto eu penso, o orador continua falando e eu perco o fio da meada, então fico um pouco frustrada, começo a falar com minha vizinha, fico pensando o que vou cozinhar depois. E com as crianças não é diferente, se elas não estão acostumadas a ouvir alguém lendo para elas, se elas não entendem alguma coisa, elas começam a ficar irrequietas, não prestam mais atenção... Essa atmosfera individual, pelo contrário, lida diretamente com elas e traz muito sucesso por parte das crianças, elas gostam de ouvir, elas se sentem realizadas, este é o primeiro passo que nós temos que atingir. Especializamos nossas voluntárias, que trabalham em conjunto com a equipe da biblioteca. Essas atividades são um enriquecimento mas não um substituto à programação de eventos, ao trabalho tradicional. As crianças são apresentadas, elas dão as mãos uma vez cordialmente, a segunda vez carinhosamente e depois nós fazemos cócegas na palma das mãos e as crianças logo começam a rir, e o clima é muito bom depois disso. Em seguida preparamos as crianças para que elas ouçam as histórias, batemos os pés, esfregamos as mãos, isso estimula a concentração e quando as mãos estão bem quentes nós as colocamos sobre os olhos e nesse momento conseguimos um silêncio absoluto, ajudamos as crianças a relaxar, crianças que vêem muita TV, que estão nessa enxurrada multimidial de informações, que estão sempre expostas a estímulos, por exemplo, algumas quase perderam a habilidade de se acalmar e de relaxar um pouco, talvez elas queiram, mas não conseguem nesse momento, ou seja, nós tentamos dar apoio para o relaxamento e agora, o mais importante, vocês podem tentar em vocês mesmos. Nós massageamos as orelhas e há pontos que realmente estimulam a concentração, isso é uma dica que nós sempre aplicamos durante a leitura de textos, eu pergunto: “As suas orelhas são suficientemente grandes para isso? Vocês estão me ouvindo?”. E realmente funciona, ouve-se melhor e a concentração volta. Esse é um pequeno exemplo de nossas dicas. Nós trabalhamos muito com poemas e movimentos, fazemos pequenos grupos e só depois começa a leitura propriamente dita e o trabalho com a literatura, nós preparamos as crianças para que elas possam ouvir melhor. Temos ainda a hora do conto, a hora interativa do conto, o jogo de narração, eu mesma desenvolvi isso, parte do princípio de escutar uma história e de repente estar dentro dela. A hora interativa do conto é uma mistura de hora do conto e dramatização teatral livre. As crianças vão conhecendo a literatura na medida em que a vivenciam, em que são protagonistas dessa literatura, ou seja, eu conto: “Era uma vez um rei e uma rainha...” Então um menino e uma menina são levados ao trono, e no decorrer da história e dessa linha condutora em que as crianças são envolvidas, vocês não acreditariam como as crianças prestam atenção quando elas mesmas estão no centro da história. Essa é uma forma mais viva de conhecer a literatura, mas não é um jogo livre porque a narradora retoma o fio da meada e sempre o direciona de volta para a história. Temos dicas, truques, existe um espaço decorado, um clima que envolve as crianças e nós temos elementos da própria história. Depois nós temos o Laboratório de línguas, onde as crianças aprendem línguas brincando, experimentam as línguas de forma muito lúdica, bem divertida. Trabalhamos com rimas, poemas, jogos, travalínguas, nós apresentamos os autores por meio do Power Point. Eu pude notar que Monteiro Lobato é apresentado por essa biblioteca de forma teatral, vou transmitir essa idéia a minha colega na Alemanha. O nosso projeto é semelhante, ou seja, transformar o trabalho desses autores aproximando-os das crianças. As crianças, no final, escrevem pequenos textos, rimas e poemas a partir do texto do autor apresentado. Nós temos um programa novo, desenvolvido este ano chamado “Aperitivos para um gosto do idioma”, que é uma resposta ao estudo PISA e seu objetivo é estimular o “prazer lingüístico". Desenvolvi junto com outro colega um programa em que trabalhamos com canções, rimas e poemas transformando-os em pequenas esquetes teatrais com muita música. Às crianças dizemos que é um menu de uma cozinha de palavras. O cenário é um caldeirão encantado de bruxa, no qual jogamos sílabas, palavras, frases e rimas. Toda essa dramatização fundamenta-se na briga entre a bruxa e o feiticeiro, para saber qual deles faz a melhor rima e as crianças são envolvidas na história. Dizemos que suas varinhas mágicas são a língua, e, se elas as usarem muito, a língua podem produzir muitas palavras. Assim reunimos no caldeirão da bruxa uma grande sopa com palavras, letras e sílabas. O Harry Potter, também, é muito importante para nós, nós tentamos destacar algumas cenas de livros, reproduzi-las. Hogwarts — a escola que Harry Potter freqüenta — todos conhecem. No amplo espaço de eventos, as quatro mesas das diferentes casas foram colocadas e o ambiente de Hogwarts foi reproduzido. Havia comida e, antes, quando as crianças entravam, elas ficavam embaixo do chapéu falante para saber a que casa pertenciam, assim como no livro. Antes desse evento, fizemos workshops com as crianças nos quais elas produziram sua Nimbus 2000, uma vassoura encantada. Simulamos uma escola de vôo no computador e convidamos um mágico de verdade para dar aulas de mágica às crianças, que foram recebidas pelo diretor da escola e pelas professoras e funcionárias. Os workshops foram apresentados e, é claro, houve elementos como um Chorão, era um grande castigo para as crianças que chegavam, elas passearam por Hogwarts durante a tarde inteira. Dispomos de vários programas multilíngües para que as crianças percebam como se fala, como se dança, como se canta, como se vive em outros idiomas. Temos um grande capital na Biblioteca Infantil, temos muitos funcionários estrangeiros, colegas que falam turco, francês, persa e, infelizmente, ninguém que fala português. A idéia é oferecer eventos em várias línguas, eu conto histórias em alemão e as crianças são estimuladas a repetir as rimas dos livros. O “Repórter da internet” tem como objetivo fazer com que as crianças aprendam como as mídias são produzidas, elas devem desenvolver certas habilidades, interligando as mídias tradicionais com as novas. Por meio de sua criatividade introduzem-se na internet. Todos esses recursos em muito auxiliam as crianças a se identificar com sua biblioteca. Os repórteres trabalham como jornalistas de jornal impresso mesmo, eles têm entre 9 e 10 anos e usam uma credencial que é um CD-ROM pendurado no pescoço. Ainda fazemos oficinas de férias e as reuniões da redação para discutir temas atuais que envolvem a Biblioteca, visitas a museus, planetário, jornais. Para produzir os próprios textos na internet, os repórteres reúnem material, tiram fotos, escaneiam e buscam mais informações em enciclopédias e na própria internet. Realizam essa tarefa utilizando um editor de web bem simples. Já no “Rali da internet”, as crianças fazem uma carteira de motorista virtual. Esse programa ressalta a importância da carteira de habilitação, pode-se entrar na rede e acessar páginas interessantes, as crianças são levadas a nossa home page e de lá podem acessar outras páginas em uma seqüência de links, alguns sobre a etiqueta na rede, ou seja, as normas de convívio na internet. Vê-se que a idéia não é apenas disponibilizar o computador para as crianças, porque diante dele elas não sabem as possibilidades que essa mídia lhes oferece. Em algumas lan houses em São Paulo, observei crianças jogando e acessando o bate-papo. Imagino que elas não tenham outras alternativas. Nós trabalhamos de forma muito parecida com um grupo escolar. Quando os estudantes entram em bate-papo, eles percebem quanto insulto pode ser trocado e quanta besteira pode ser falada, eles têm reações imediatas. As crianças especialistas são pesquisadoras na biblioteca. Elas apresentam um assunto usando o Power Point, em que desenvolvem soluções técnicas para resolver mistérios do dia-a-dia. Depois da introdução ao tema escolhido, as crianças têm material à disposição para testar a técnica. Por exemplo: descobrem como as bolhas de sabão são produzidas, como funciona uma flauta de Pan, etc. Dessa forma elas aprendem. O próximo workshop tem a arte como tema. Trata-se de ensinar às crianças a conhecer a arte, artistas e técnicos que encontram formas próprias de expressão. No workshop criativo “Desenvolver a sua biblioteca”, aprendem a validar as mídias e a mudar formas com modernos livros infantis de arte, pintura e artesanato. A mídia fornece o tema e as instruções para a ação, a apresentação em Power Point se baseia nesses livros. Depois, as crianças produzem a própria mídia e as obras produzidas são o principal item apreciado na biblioteca em uma exposição, as crianças as vêem como parte integrante da biblioteca. Da experiência em São Paulo levarei, se me permitirem, a idéia da cortina do hall entrada da biblioteca, são garças, se não me engano (uma espécie de móbile feito com pequenos origamis no formato de pássaros pendurados com fios de nylon e presos ao mezanino). Também realizamos workshops com adultos, com multiplicadores. Os adultos aprendem a recitar e apresentar textos. Nós tivemos um excelente workshop com o tema charadas. Gostamos muito de festas, uma idéia é uma festa de arte para toda a família, por um dia a casa inteira se transformaria em um grande ateliê de arte. Em conjunto com os pais e amigos, as crianças poderiam descobrir a arte, vivenciá-la, experimentá-la e transformá-la. Esse é um projeto para ser concretizado em parceria com escolas de arte e oficinas de arte. Há também as “Festas de Leitura”, para toda a família. Nós temos um grande bufê de histórias, que convida à degustação de um seleto banquete de livros em uma alimentação prazerosa. A leitura transforma-se num evento e num acontecimento social. Ao redor da leitura comemora-se, come-se, dá-se risadas. Já na saudação são servidas poesias em uma bandeja e diversas atividades são oferecidas. Há refrigerante para as crianças, e dizemos que os garçons de histórias, servem com o refrigerante um poema para recepcioná-las. Isso produz um clima muito bom porque as pessoas sentem-se pessoalmente atendidas e têm um grande contato com a literatura. Alguns autores vendem seus livros, temos contos de fadas, tudo isso acontece em uma grande sala em que montamos pequenas tendas, propiciando um clima pessoal. Há, também, um concerto que se chama “Música entre livros”. Em Stuttgart existe um autor, ele, infelizmente, não foi tão rico que deixou muita coisa, mas nós tentamos honrá-lo, ele é Eduard Müller. Tenho que olhar com inveja a Biblioteca Monteiro Lobato porque nós na Alemanha temos, muitas vezes, problemas para lidar com o passado. Mas também como aqui nós fazemos festa, com programa variado, palhaços, música de rua, fantoche, dança, teatro. Como outro centro, nós formamos multiplicadores no caminho de fomento à leitura. Nós temos especialistas que, por meio de workshops, transmitem os seus conhecimentos. Convidamos esses especialistas para nossa biblioteca, cada um escolhe um módulo e trabalha naquilo que mais lhe interessa. Os especialistas estão à disposição com os workshops e o público-alvo escolhe os módulos. Há um programa de educação para as voluntárias, observei que aqui em São Paulo também há. Nós temos uma caixa de ferramentas para habilidades de leitura para crianças. A leitura para crianças é diferente da leitura para a própria família. Para muitas crianças, hora de leitura e narradores são algo desconhecido. Nos workshops, truques de leitura são passados, nós damos dicas de como usar a respiração, postura, voz, concentração de energia, oferecemos auxílio na identificação do significado do ritmo e da melodia da língua. Agora nós vamos abandonar a biblioteca. Em vários locais em Stuttgart se lê. Por exemplo, em um festival na praça da feira da cidade, no Festival Internacional, em que as crianças descobrem obras da literatura infanto-juvenil mundial. Aqui, nosso prefeito também gosta muito de ler para as crianças, o que auxilia na imagem da biblioteca junto a opinião pública. Nosso projeto pedagógico chamado “Montanha de escombros da II Guerra Mundial” convida uma turma escolar e narra a essa turma o começo de uma história. É um conto de fadas de Michel Ende, autor de A história sem fim (traduzido para o português). O conto, “A história da tigela e da colher” trata da briga entre dois povos que são formados por dois reinos que não se vêem. As crianças podem observar como surgem conflitos e como são estimulados e, também, como são solucionados. Nós temos alguns poucos projetos para jovens porque, como disse no início, estamos orientados para as crianças. A videoteca trabalha muito com os jovens, é importante que os eventos para jovens estejam relacionados às tarefas escolares e ao aprendizado. São desenvolvidas competências de pesquisas que os auxiliam por meio de projetos e apresentações na escola. Essa é a nossa forma de trabalho com os jovens. Há outras bibliotecas na Alemanha que trabalham com rali de robôs, noites midiáticas, entre outros projetos. O importante é que os jovens que fazem parte de um programa de qualificação recebem um passaporte que os ajudará quando eles procurarem um emprego, ou seja, essa formação na biblioteca é reconhecida mais tarde. Esses serviços são oferecidos a escolas, creches, jardins de infância, grupos e instituições. Trabalhamos muito conscientemente com as instituições, pois de outra maneira só receberíamos crianças que vão da casa para a escola, mandadas pelos pais. Nosso objetivo é inserir as crianças que não viriam automaticamente à biblioteca. Oferecemos às instituições pacotes de mídia, madrinhas de leitura, idéias para promoção da leitura, pedagogia de mídia, literatura especializada, visitas guiadas na Biblioteca e também eventos. Para uma cidade que gosta de criança, Stuttgart, assim como no Brasil, em outubro teremos eleições para prefeito, e nosso prefeito definiu como objetivo que Stuttgart deve ser a cidade da Alemanha mais amiga da criança. Para demonstrar isso, ele escolheu a biblioteca, está sempre presente e lê muito bem. Há prefeitos que sabem fazer isso e nós damos apoio, pois nossos interesses são contemplados. Há um projeto para o novo prédio da Biblioteca Central, porém até agora não há perspectiva de quando começa a construção. A biblioteca deve ter algo em torno de 80 mil mídias, são 1.200 metros quadrados, e tivemos algumas idéias para esse programa de modo que as crianças vivenciem todas a oferta de recursos. Deveremos ter um laboratório de línguas, um tapete do conto, um ateliê, um centro de viagens, um palco de leitura, um oásis de descanso, estação de pesquisa, um cantinho de bate-papo e fofoca. Não sabemos como uma biblioteca será no futuro, o que tenho certeza é de que o espaço real terá cada vez menos importância. Acredito que a função da biblioteca em ordenar, armazenar e oferecer permaneça, mas de maneira completamente nova. Agora podemos dizer: deixemo-nos surpreender pelo futuro ou vamos nós organizar essas surpresas. Texto adaptado a partir de transcrição de Artur da Silva Moreira finalizada em 5/10/2004, versão 1 (07/10/2004).