0 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ ROSENI BORTOLON GRASSI DE CARLI DESENVOLVIMENTO DE FORMAS FARMACÊUTICAS SEMISÓLIDAS CONTENDO ÁCIDO CAURENÓICO E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIINFLAMATÓRIA IN VIVO Itajaí - 2007 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ PROGRAMA DE MESTRADO ACADÊMICO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM PRODUTOS NATURAIS E SUBSTÂNCIAS SINTÉTICAS BIOATIVAS ROSENI BORTOLON GRASSI DE CARLI DESENVOLVIMENTO DE FORMAS FARMACÊUTICAS SEMISÓLIDAS CONTENDO ÁCIDO CAURENÓICO E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIINFLAMATÓRIA IN VIVO Dissertação submetida à Universidade do Vale do Itajaí como parte dos requisitos para a obtenção do grau de Mestre em Ciências Farmacêuticas. Orientadora: Profa. Dra. Ruth Meri Lucinda Silva Itajaí, novembro de 2007 2 3 Dedico este trabalho ao meu esposo João Carlos e aos meus amados filhos Felkpe, Tiago e Lucas 4 AGRADECIMENTOS A Deus que sempre atendeu meus apelos e preces, mostrando!sempre um caminho nos momentos mais difíceiq, mostrando que por mais difícil que pudesse parecer eu tinha condições de vencer. Ao meu querido e amado esposo, João Carlos, por ter cuidado de nossos filhos, Felipe, Tiago e Lucas, sendo pai e mãe por 2 anos. Sei que houve muitos momentos difíceis, principalmente quando nosso0filho Lucas adoeceu, mas você conseguiu superar seus receios e d`r-me força para não desistir de nossos planos, sem você não existiria a menor chance de ter iniciado e terminado mais esta etapa de nossas vidas. Aos meus amados filhos, que conseguiram superar a minha ausência. Sei que fiz muita falta, que mesmo quando estava em casa não tinha tempo de ajudá-los com seus deveres nem paciência de ouvir o que tinham para contar, mas toda esta abdicação foi pensando no futuro de vocês. A meus pais, Nelci e José Luiz, que mesmo distante, sempre se preocuparam e rezaram muito pela minha saúde e para que tudo corresse bem nas viagens intermináveis. Aos meus sogros, Norma e Almerino, que ficaram ao lado de meu esposo cuidando de nossos fihos. Aos funcionários da farmácia que ficaram sobrecarregados de trabalho, mas conseguiram se superar e dar conta de todo o trabalho. Aos novos amigos que fiz durante esta jornada, Tereza, Fabiana, Luiz e Mário, muito obrigado pelo carinho e amizade de vocês. Ao amigo de infância que reencontrei, Beto e sua esposa Tânia, obrigada pelo incentivo e amizade recebida. 5 A minha amiga e companheira de experimentos, Paula, a qual muito me ajudou, nos momentos em que eu não podia estar presente. A Roberta pela colaboração e paciência nas análises de CLAE. Ao prof. Rilton que me orientou nos experimentos de irritação cutânea. As minhas amigas Daiana e Lílian que me hospedaram em suas casas com todo carinho. A todas pessoas que direta ou indiretamente me auxiliaram a terminar mais esta jornada da minha vida. 6 AGRADECIMENTO ESPECIAL A minha querida orientadora Ruth, pela sua orientação, incentivo e carinho que sem toda a sua paciência e compreensão jamais teria conseguido concluir esta etapa em minha vida. Pela sua amizade e competência que muito contribuíram para meu crescimento profissional. Por mais que o tempo passe, jamais poderei esquecer todo o conhecimento que me passou e o carinho recebido, com certeza servirá muito em minha vida pessoal e profissional. 7 DESENVOLVIMENTO DE FORMAS FARMACÊUTICAS SEMI-SÓLIDAS CONTENDO ÁCIDO CAURENÓICO E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIINFLAMATÓRIA IN VIVO Roseni Bortolon Grassi de Carli novembro, 2007 Orientadora: Profa. Ruth Meri Lucinda Silva, Dra. Área de Concentração: Produtos Naturais e Substâncias Bioativas Número de Páginas: 117 O ácido caurenóico (AC) é um diterpeno encontrado em diversas plantas como a Sphagneticola trilobata, Annona glabra, Vigueira robusta, Copaifera langsdorffi, Mikania glomerata e Mikania laevigata. O AC tem apresentado in vitro atividade tripanosomicida, antimicrobiana e antiinflamatória entre outras, sendo um composto com potencial aplicação no desenvolvimento de novos medicamentos. Este trabalho teve por objetivo desenvolver cremes contendo AC e avaliar a atividade antiinflamatória in vivo. O AC foi isolado do extrato acetônico da Sphagneticola trilobata (caule e raiz) por maceração durante sete dias em temperatura ambiente utilizando acetona como líquido extrator na proporção de 6:1. A pureza do AC foi comprovada através de CCD, espectroscopia no IV e RMN 1H e 13C, perfil em CLAE e ponto de fusão. O AC foi incorporado em cremes previamente preparados, após dissolução em propilenoglicol. Foram preparadas cinco formulações com cera aniônica (Lanette®) e cinco formulações com cera não iônica (Polawax®), ambas contendo os promotores de absorção (uréia, alfa-bisabolol, oleato de isodecila, miristato de isopropila, lecitina de soja). Estas formulações foram submetidas a estudo prévio de estabilidade e estudo de estabilidade acelerado. Foram feitos testes de permeação cutânea in vitro utilizando células tipo Franz adaptadas e avaliação da atividade antiinflamatória in vivo, usando o método de edema de orelha induzido por óleo de cróton. O AC foi isolado da planta S. trilobata com um rendimento de 0,14%. Os cremes contendo AC e promotores de absorção apresentaram conformidade quando analisados quanto a estabilidade física e química durante 90 dias em temperatura ambiente e a 40 °C. Nos testes de perme ação in vitro foi observada baixa permeação do fitofármaco em todas as formulações, porém as formulações contendo miristato de isopropila e lecitina de soja apresentaram comportamento de permeação mais uniforme do que as demais. Nos estudos da avaliação da atividade antiinflamatória in vivo foi observado um efeito antiinflamatório comparado a preparações comerciais contendo dexametasona ou óleo essencial de Cordia verbenacea. Através deste estudo foram obtidas preparações farmacêuticas semisólidas contendo o AC e com atividade antiinflamatória tópica semelhante às preparações comerciais. Palavras-Chave: Ácido caurenóico. Atividade antiinflamatória tópica. Promotores de absorção. Cremes. 8 DEVELOPMENT OF CREAMS CONTAINING KAURENOIC ACID AND EVALUATION OF IN VIVO TOPICAL ANTIINFLAMATORY ACTIVITY Roseni Bortolon Grassi de Carli November, 2007 Supervisor: Dr. Ruth Meri Lucinda Silva Area of concentration: Natural products and Bioactive substances Number of pages: 117 Kaurenoic acid (KA) is a diterpene found in several plants such as Sphagneticola trilobata, Annona glabra, Vigueira robusta, Copaifera langsdorffi, Mikania glomerata and Mikania laevigata. This herbal drug presents trypanosomicidal, antimicrobial and antiinflammatory in vitro activity, among others, with potential application as an herbal drug in the development of new medications. The objective of this work is to develop creams containing KC and evaluate their in vivo antiinflammatory activity. KA was isolated from the acetonic extract of the S. trilobata (stem and root) by the maceration method for seven days at room temperature, using acetone as extractor solvent at a proportion of 6:1. The KA was characterized by chromatographic (TLC and HPLC) and spectroscopic methods (IR and NMR 1H and 13C), HPLC profile and melting point. The herbal drug was incorporated into the previously prepared cream formulations. After dissolution in propylene glycol, five formulations with anionic wax (Lanette®) and five formulations with non-ionic wax (Polawax®) were prepared, both containing the permeation enhancers (urea, alpha bisabolol, isodecyl oleate, isopropyl myristate, soy lecitin). The preparations were submitted to previous and accelerated stability studies. in vitro skin permeation tests were carried out using adapted Franz cells, and the antiinflammatory activity in vivo using the ear edema method, induced by croton oil. KA was isolated from the plant S. trilobata with a yield of 0.14%. The creams containing KA and permeation enhancers presented conformity when analyzed for physical and chemical stability for 90 days at room temperature, and at 40 °C. In the in vitro permeation tests low permeation of the herbal drug was observed in all the formulations, but those containing isopropyl myristate and soy lecitin presented a more uniform permeation profile than the others. In the studies to evaluate the antiinflammatory activity in vivo, antiinflammatory activity was observed, compared with commercial preparations containing dexamethasone or essential oil of Cordia verbenacea. Through this study, semi-solid pharmaceutical preparations were obtained containing KA, with topical antiinflammatory activity similar to that of commercial preparations Key words: Kaurenoic acid. Topical antiinflammatory activity. Permeation enhancers. Creams. 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Estrutura da pele humana 20 6igura 2 Esquema da célula de Franz 40 Figura 3 Estrutura química do AC 42 Figura 4 Partes aéreas da planta Sphagneticola trilobata 43 Figura 5 Foto da célula de difusão utilizada no ensaio de liberação in vitro 58 Figura 6 Medida basal da orelha direita de camundongos com auxílio de micrômetro digital 60 Figura 7 AC na forma cristalina obtido após evaporação do solvente (hexano) 64 Figura 8 Espectro de absorção do AC na região do infravermelho 65 Figura 9 Perfil do AC em cromatografia de camada delgada (CCD). L1A – composto obtido na fração hexânica, L1B – composto obtido na fração Hex:AcOEt 99:1; P – composto referência 66 Figura 10 Perfil cromatográfico do AC em CLAE 66 1 Figura 11 Espectro de RMN H do AC. Solvente clorofórmio deuterado. Concentração: 30 mg/mL 67 Figura 12 Espectro de RMN 13C do AC. Solvente clorofórmio deuterado. Concentração: 30 mg/mL 68 Figura 13 Solubilidade do AC em meio aquoso com diferentes valores de pH, água e propilenoglicol 69 Figura 14 Titulação potenciométrica do AC 69 Figura 15 Curva analítica do AC em CLAE 71 Figura 16 Teste de estabilidade acelerado referente ao pH dos cremes com base Lanette com os promotores de absorção em temperatura ambiente. 79 Figura 17 Teste de estabilidade acelerado referente a espalhabilidade dos cremes com os promotores de absorção em temperatura ambiente 80 Figura 18 Teste de estabilidade acelerado referente à viscosidade dos cremes com os promotores de absorção em temperatura ambiente 81 Figura 19 Teste de estabilidade acelerado referente a tixotropia dos 82 cremes com os promotores de absorção em temperatura ambiente Figura 20 Teste de estabilidade acelerado referente ao pH dos cremes com os promotores de absorção em temperatura 40°C. 84 Figura 21 Teste de estabilidade acelerado referente a espalhabilidade dos 85 10 cremes com os promotores de absorção em temperatura 40°C Figura 22 Teste de estabilidade acelerado referente à viscosidade dos cremes com os promotores de absorção em temperatura 40°C 86 Figura 23 Teste de estabilidade acelerado referente a tixotropia dos 87 cremes com os promotores de absorção em temperatura 40°C Figura 24 Curvas de fluxo das formulações contendo ácido caurenóico com ou sem promotores de absorção antes e após estudo acelerado de estabilidade 91 Figura 25 Perfil qualitativo dos cremes contendo AC e oleato de decila antes e após estudo de estabilidade acelerado na temperatura de 40 °C 95 Figura 26 Perfil qualitativo dos cremes contendo AC e alfa-bisabolol, antes e após estudo de estabilidade acelerado na temperatura de 40°C 96 Figura 27 Perfil qualitativo dos cremes contendo AC e uréia antes e após estudo de estabilidade acelerado na temperatura de 40 °C 97 Figura 28 Perfil qualitativo dos cremes contendo AC e alfa-bisabolol e uréia antes e após estudo de estabilidade acelerado na temperatura de 40 °C 98 Figura 29 Perfil qualitativo dos cremes contendo AC e miristato de isopropila e lecetina, antes e após estudo de estabilidade acelerado na temperatura de 40 °C 99 Figura 30 Perfil de permeação in vitro de AC de formulações semi-sólidas com base Polawax® contendo diferentes promotores de permeação 101 Figura 31 Perfil de permeação in vitro de AC de formulações semi-sólidas 102 com base Lanette® ontendo diferentes promotores de permeação Figura 32 Atividade antiinflamatória dos cremes de AC pelo método de edema de orelha 103 Figura 33 Placa de gel de agarose com creme contendo AC e controle positivo (DSS) 107 Figura 34 Creme com (A) e sem AC (B), sem contraste de fases (400X) 108 Figura 35 Controle positivo sem contraste de fases (400X) 108 11 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Resultados da análise de precisão do método analítico para quantificação do AC por CLAE 72 Tabela 2 Teor de ácido caurenóico por grama de creme antes e após estudo de estabilidade acelerado, por CLAE 94 Tabela 3 Porcentagem de inibição da atividade antiinflamatória dos cremes de AC pelo método de edema de orelha 104 Tabela 4 Resultados obtidos no teste de irritação cutânea nos cremes contendo AC através do método de agarose overlay 107 12 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Formulações de base semi-sólida com cera Lanette® e promotores de absorção 53 Quadro 2 Formulação de base semi-sólida com cera Polawax® e promotores de absorção 54 Quadrg 3 Classificação do grau de irritação Cutânea 63 Quadro 4 Características das formulações com base Polawax® sem AC no tempo zero e tempo 12 dias após estresse térmico (ciclo gelo-degelo) 75 QuAdro 5 Características das formulações com base Lanette® sem AC no tdmpo zero e no tempo12 dias após estresse térmIco (ciclo gelo-degeln) 76 Quadro 6 CaRacterísticas dos cremes com áciDo caurenóico e promotores de absorção no teste de estabilidade acelerado em temperatura ambiente '8 Quadro 7 Características dos cremes com ácido caurenóico e promotores de absorção no teste de estabilidade acelerado em temperatura 40 °C 83 13 LISTA DE ABREVIATURAS AC Ácido caurenóico AM/CL Amarelo/Claro BR/OP Branco/Opaco L Creme lanette® sem AC LA Creme lanette® contendo 0,1% de AC LAA Creme lanette® contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol LAML Creme lanette®contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja LAO Creme lanette® contendo 0,1% de AC mais oleato de isodecila LAU Creme lanette® contendo 0,1% de AC mais uréia LAUA Creme lanette® contendo 0,1% de AC mais uréia e alfabisabolol LML Creme lanette contendo miristato de isopropila e lecitina de soja LO Creme lanette contendo oleato de isodecila LU Creme lanette contendo uréia LUA Creme lanette contendo uréia e alfa-bisabolol PA Creme polawax contendo alfa-bisabolol PML Creme polawax contendo miristato de isopropila e lecitina de soja PO Creme polawax contendo oleato de isodecila PU Creme polawax contendo uréia PUA Creme polawax contendo uréia e alfa-bisabolol 14 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 17 2 OBJETIVOS ......................................................................................................... 19 2.1 Objetivo Geral .................................................................................................. 19 2.2 Objetivos Específicos ..................................................................................... 19 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................ 20 3.1 Pele Humana .................................................................................................... 20 3.1.1 Anatomia e Fisiologia .................................................................................. 20 3.1.2 Funções da Pele ........................................................................................... 22 3.2 Absorção Cutânea ........................................................................................... 23 3.3 Promotores de Absorção ................................................................................ 26 3.3.1 Sulfóxidos ..................................................................................................... 29 3.3.2 Pirrolidonas .................................................................................................. 31 3.3.3 Ácidos e álcoois graxos .............................................................................. 31 3.3.3.1 ÁCIDO OLÉICO E MIRISTATO DE ISOPROPILA ............................................................. 32 3.3.4 Azone® .............................................................................................................................................................. 33 3.3.5 Uréia ............................................................................................................... 35 3.3.6 Tensoativos .................................................................................................. 35 3.3.7 Óleos essenciais .......................................................................................... 37 3.3.7.1 D-LIMONENO .................................................................................................. 37 3.4 Métodos de permeação cutânea in vitro ....................................................... 39 3.5 Ácido Caurenóico ............................................................................................ 42 4 MATERIAL E MÉTODOS .................................................................................... 47 4.1 Materiais ........................................................................................................... 47 4.1.1 Matérias primas e reagentes ....................................................................... 47 4.1.2 Equipamentos ............................................................................................... 48 4.2 Métodos ............................................................................................................ 49 4.2.1 Isolamento do AC ......................................................................................... 49 4.2.2 Caracterização do AC .................................................................................... 50 4.2.2.1 SOLUBILIDADE E PKA DO AC ............................................................................. 50 4.2.2.2 DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE PARTIÇÃO DO AC EM ÓLEO/TAMPÃO ............ 51 15 4.2.3 Quantificação do AC por CLAE ..................................................................... 51 4.2.4 Desenvolvimento e estudo da estabilidade das formulações .................... 52 4.2.4.1 PREPARAÇÃO DAS FORMULAÇÕES SEMI-SÓLIDAS ................................................ 52 4.2.4.2 ESTUDO PRÉVIO DE ESTABILIDADE ..................................................................... 54 4.2.4.2.1 CARACTERES ORGANOLÉPTICOS .................................................................... 54 4.2.4.2.2 DETERMINAÇÃO DO pH .................................................................................. 55 4.2.4.2.3 RESISTÊNCIA FÍSICA ...................................................................................... 55 4.2.4.2.4 ESPALHABILIDADE ......................................................................................... 55 4.2.4.3 PREPARAÇÃO DAS FORMULAÇÕES SEMI-SÓLIDAS CONTENDO AC ......................... 56 4.2.4.4 ESTUDO DE ESTABILIDADE ACELERADO DAS FORMULAÇÕES SEMI-SÓLIDAS ............ 56 4.2.4.4.1 VISCOSIDADE E TIXOTROPIA ........................................................................... 56 4.2.4.4.2 CROMATOGRAFIA EM CAMADA DELGADA (CCD) ............................................... 57 4.2.4.4.3 TEOR DE AC ................................................................................................. 57 4.2.5 Estudo de Permeação in vitro ....................................................................... 57 4.2.6 Avaliação da atividade antiinflamatória in vivo ........................................... 58 4.2.6.1 ANIMAIS .......................................................................................................... 59 4.2.6.2 MÉTODO DE EDEMA DE ORELHA INDUZIDO POR ÓLEO DE CRÓTON ....................... 59 4.2.6.3 ANÁLISE ESTATÍSTICA ....................................................................................... 60 4.2.7 Teste de irritação cutânea ............................................................................. 60 4.2.7.1 TÉCNICA PARA O PREPARO DE MEIO DE CULTURA COM SORO FETAL BOVINO .......... 60 4.2.7.2 TÉCNICA PARA O PREPARO DE MEIO DE CULTURA COM SORO FETAL BOVINO CONCENTRADO ............................................................................................................ 61 4.2.7.3 CONTROLE DE QUALIDADE MICROBIOLÓGICO DO MEIO DE CULTURA COM SORO FETAL BOVINO ....................................................................................................................... 61 4.2.7.4 MANUTENÇÃO CELULAR E CRESCIMENTO............................................................ 61 4.2.7.5. ENSAIO AGAROSE OVERLAY ............................................................................. 62 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................ 64 5.1 Isolamento e Caracterização do AC ............................................................... 64 5.1.1 Solubilidade do AC........................................................................................ 68 5.1.2 Coeficiente de Partição ................................................................................. 69 5.2 Quantificação do AC por CLAE ........................................................................ 70 5.3 Desenvolvimento e estudo de estabilidade das formulações ....................... 72 5.3.1 Testes prévios de estabilidade ..................................................................... 72 16 5.3.2 Estudo de Estabilidade Acelerado das Formulações Semi-sólidas .......... 77 5.4 Estudo de permeação in vitro 100 5.5 Avaliação da atividade antiinflamatória in vivo 102 5.6 Avaliação da irritação cutânea 106 6 CONCLUSÕES ................................................................................................... 109 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 111 17 1 INTRODUÇÃO As plantas medicinais têm sido objeto de estudo na tentativa de descobrir novas fontes de obtenção de princípios ativos. A partir do uso popular das plantas medicinais, inicia-se a cadeia dos fitomedicamentos, que envolve conhecimentos das áreas de botânica, agronomia, etnofarmacologia, etnobotânica, farmacologia, fitoquímica, farmacognosia, médica e tecnologia farmacêutica, entre outras (PETROVICK; MARQUES; DE PAULA, 1999). O estudo de fitomedicamentos é um nicho estratégico para o desenvolvimento tecnológico nacional de novos medicamentos (ALVES, 2005). Existe atualmente uma dependência dos laboratórios farmacêuticos brasileiros na utilização de fármacos importados devido à existência de poucas empresas produtoras de fármacos no País (em torno de 40). No ano de 2000 a dependência da importação foi de 80% da demanda, sendo necessário o fortalecimento das indústrias para produzirem matérias -primas no território nacional (BRASIL, 2003). No Brasil, nos últimos anos, os fitomedicamentos apresentaram um crescimento de 15% contra apenas 4% dos medicamentos sintéticos. Para registrálos são necessários estudos científicos que comprovem a qualidade, eficácia e segurança de uso. O desenvolvimento desses medicamentos requer muito menos recurso e menos tempo de pesquisa, comparado ao desenvolvimento de um novo medicamento sintético (ACHE, 2005a). Este trabalho tem a finalidade de desenvolver um fitomedicamento usando o AC, um caureno, extraído da Sphagneticola trilobata, como fitofármaco. A S. trilobata foi escolhida como fonte de obtenção da substância por ser uma planta estudada por pesquisadores do Núcleo de Investigações Químico-Farmacêuticas (NIQFAR). Já foram realizadas análises fitoquímicas (BRESCIANI et al., 2004), biológicas como antiinfamatória, analgésica (BLOCK et al., 1998) e antimicrobiano (SARTORI et al., 2003), assim como foram desenvolvidas formas farmacêuticas semi-sólidas contendo o extrato bruto da mesma (CZEPULA, 2006). Esta planta encontra-se em abundância no estado de Santa Catarina e é cultivada no horto medicinal da UNIVALI em Itajaí- SC. O AC é um dos compostos majoritários e foi selecionado como marcador para validação da metodologia analítica para controle de qualidade do medicamento fitoterápico por CLAE (ZANELLA et al., 2006). 18 O AC está presente em grande quantidade nas raízes (6,65 mg/g de planta seca) e nos caules (4,96 mg/g planta seca) desta planta (BRESCIANI et al., 2004). A S. trilobata (Asteraceae) é conhecida como margaridão, pingo d’ouro, pseudoarnica, entre outros. É largamente usada na medicina popular para diversas desordens, incluindo infecções do trato respiratório, inflamações e afecções em geral. Possui atividade antimicrobiana, antiparasiticida, inseticida, anti-HIV (REZENDE et al., 2000), analgésica (BLOCK et al., 1998). Em estudos anteriores foi demonstrada que estas atividades devem-se principalmente à presença do AC (CECHINEL FILHO; YUNES, 1998). Devido às importantes ações analgésicas e antiinflamatórias relatadas do AC (BLOCK et al., 1998), este foi extraído da S. trilobata, isolado e incorporado em formulações semi-sólidas usando bases emulsionadas com e sem promotores de absorção a fim de verificar in vitro a permeação cutânea do AC e avaliar a atividade antiinflamatória tópica in vivo. Buscou-se com este trabalho o desenvolvimento de um novo fitomedicamento para uso tópico com ação antiinflamatória, salientando-se a importância da busca por novos fármacos a partir de plantas medicinais nativas, capazes de dar origem a medicamentos seguros, eficazes e de fácil acesso à população por meio do aproveitamento racional da nossa biodiversidade desenvolvimento de laboratórios farmacêuticos nacionais. e contribuindo para o 19 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Desenvolver formas farmacêuticas semi-sólidas tópicas contendo AC e avaliar a atividade antiinflamatória in vivo. 2.2 Objetivos Específicos - Isolar e caracterizar o AC a partir das raízes da S. trilobata. - Desenvolver cremes com diferentes bases e com diferentes promotores de absorção. - Incorporar o AC nas diferentes formulações semi-sólidas e verificar a sua estabilidade. - Analisar a permeação in vitro do AC a partir das formulações desenvolvidas com diferentes promotores de absorção. - Verificar a atividade antiinflamatória in vivo das formulações desenvolvidas pelo modelo de edema de orelha. - Verificar a irritação cutânea in vitro das formulações semi-sólidas através do método de agarose overlay. 20 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 Pele Humana 3.1.1 Anatomia e Fisiologia A pele é o maior órgão do corpo humano e também um dos mais complexos (HARDING, 2004). É composta de três camadas de tecidos: a epiderme, derme e hipoderme (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992), conforme mostrado na figura 1. Figura 1 - Estrutura da pele humana (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002). A epiderme cobre totalmente o corpo humano, sendo a camada mais superficial da pele. Sua principal função é proteger o organismo das agressões do ambiente exterior. A epiderme está constantemente em renovação, onde as células dividem-se, migram, diferenciam-se e morrem (PRUNIÉRAS, 1994; HARDING, 2004). Segundo Junqueira e Carneiro (2004) e Harding (2004), na epiderme há quatro tipos de células, as células epiteliais, os melanócitos, as células de Langerhans e as células de Merkel. Há quatro camadas de células epiteliais distintas: 21 • A camada basal (Stratum germinativum) • O corpo mucoso de Malpighi (Stratum spinosum) • A camada granulosa (Stratum granulosum) • A camada córnea (Stratum corneum) As células da camada basal formam uma camada monocelular implantada sobre as papilas da derme superficial, entre as quais elas enviam brotos epidérmicos interpapilares. As células do Stratum spinosum formam três ou quatro camadas de elementos poliédricos que tendem a alongar-se horizontalmente nas camadas superficiais. O Stratum granulosum forma uma faixa escura de três camadas de células granulosas, achatadas, fusiformes, situadas imediatamente sob a camada córnea. O Stratum corneum é constituído pela superposição de células completamente queratinizadas, anucleadas, formando lamelas muito alongadas de 0,5 a 0,8 µm de espessura e até 30 µm de comprimento. O número das camadas celulares é muito variável, 15 a 20 na altura do abdômen e do dorso, várias centenas de camadas na altura da região plantar. O Stratum lucidum, subcamada intermediária inconstante, situada abaixo da camada granulosa, tem aspecto de uma faixa hialina estreita que se observa na altura da pele da região palmoplantar (PRUNIÉRAS, 1994; HARDING, 2004). Os melanócitos são células existentes na camada basal e produzem a melanina, pigmento que cora a pele e são excretados para as células vizinhas, os queratinócitos. As células de langerhans aparecem nos estratos intermediários da epiderme, junto aos queratinócitos e, são considerados como macrófagos. As células de Merkel são células epiteliais modificadas com extremidade nervosa sensitiva, localizam-se entre as células epidérmicas basais (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). A derme, cútis ou córion é formada por tecido conjuntivo denso, vasos e nervos. O tecido conjuntivo é constituído por células e elementos extracelulares. As células são residentes (fibroblastos, histiócitos, macrófagos e mastócitos) e migratórias (leucócitos, eosinófilos e plasmócitos). Os elementos extracelulares são fibras (colágenas, reticulares, elásticas, pré-elásticas, de ancoragem) e a substância intersticial, a qual é amorfa formada principalmente por glicoproteínas (mucopolissacarídeos, ácidos) (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). Ela necessita de um suprimento sangüíneo eficiente para transportar nutrientes, remover produtos de degradação, regular a pressão e a temperatura, mobilizar forças de defesa e 22 contribuir para a coloração da pele. Ramificações do plexo arterial levam o sangue para as glândulas sudoríparas, os folículos pilosos, a gordura subcutânea e a derme (BARRY, 2005). A espessura da derme, ou seja, a quantidade de colágeno depende do local do tegumento. A derme do dorso é mais espessa que a dos membros e mais espessa ainda que a das pálpebras. A espessura da derme varia com a idade, o sexo e o estado nutricional. A espessura aumenta na infância e na adolescência, atingindo sua espessura máxima na quarta década e diminui em seguida. A espessura é maior nos homens do que nas mulheres e deficiências nutricionais severas podem afinar a derme (PRUNIÉRAS, 1994). A epiderme assenta sobre a derme, a qual se acomoda sobre uma camada de tecido subcutâneo com células adiposas, a hipoderme. Na hipoderme nascem os diversos apêndices cutâneos (folículos pilosos, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas écrinas ou apócrinas) os quais atravessam a pele e surgem à sua superfície ou para ela se canalizam através dos pêlos. Uma completa rede vascular composta de arteríolas, vênulas e capilares, surgem na hipoderme e atinge o limiar da camada basal epidérmica (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). A hipoderme funciona como amortecedor mecânico e barreira térmica, que sintetiza e estoca rapidamente substâncias energéticas prontamente disponíveis (BARRY, 2005). 3.1.2 Funções da Pele A pele desempenha diversas funções, como, contenção de fluidos e tecidos, proteção em relação ao exterior, recepção de estímulos externos e manutenção da homeostasia (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992; HARDING, 2004). É resistente e flexível devido à presença de proteínas fibrosas, como o colágeno e a elastina. O caráter elástico da pele permite após uma extensão, que os contornos iniciais se mantenham, esta extensibilidade atribui-se ao alinhamento rígido das fibras de colágeno (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). Com a idade, a pele enruga e torna-se mais rígida. A fina camada córnea é relativamente forte e sua maleabilidade depende de um equilíbrio de lipídeos e água. O tecido requer de 10 a 20% de umidade para agir como plastificante e manter sua flexibilidade (BARRY, 2005). 23 Quando a quantidade de água é inferior a 10% a pele fica com aspecto seco e rugoso. A capacidade da pele em fixar água dos tecidos mais profundos depende dos compostos nela dissolvidos e dos lipídeos teciduais. A hidratação cutânea facilita a penetração das substâncias através da epiderme. Em seu estado normal a pele atua como uma interface entre o meio interno e o ambiente, através do estrato córneo e dos apêndices cutâneos. O estrato córneo é a camada mais externa da pele e constitui uma barreira perfeita que controla a saída de compostos e água do organismo, age contra a invasão microbiana, impedindo que bactérias e fungos atinjam os tecidos viáveis da pele, dificultando o crescimento microbiano e atuando como preventiva para as infecções (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992; HARDING, 2004). Se os microorganismos penetrarem nas fendas superficiais e o estrato córneo estiver danificado, pode permitir o acesso dos microorganismos a tecidos mais profundos nos quais podem desenvolver-se. As glândulas da pele secretam ácidos graxos de cadeia curta que inibem o crescimento de bactérias e fungos (BARRY, 2005). 3.2 Absorção Cutânea A pele e as mucosas têm sido freqüentemente estudadas como via de administração de fármacos sendo extremamente atrativa não apenas pelo seu efeito cutâneo, mas transdérmica) também e pela pela obtenção ausência do de efeito metabolismo sistêmico (administração hepático (PRAUSNITZ; MITRAGOTRI; LANGER, 2004; HENRIQUES; SIMÕES-PIRES; APEL, 2007). Durante muito tempo a pele foi considerada como uma barreira impermeável. Este conceito foi modificado e se reconheceram diferentes graus de permeabilidade (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). A velocidade de movimentação dos fármacos através do estrato córneo depende da concentração destes no veículo, de sua solubilidade, do coeficiente de partição óleo/água no estrato córneo e no veículo e do massa molecular do fármaco (LUCINDA; EVANGELISTA, 1999; ALLEN Jr.; POPOVICH; ANSEL, 2007). Independente do tipo de produto aplicado sobre a pele, ele interfere com a biosfera cutânea e modifica em maior ou menor grau, a bioquímica e a fisiologia cutânea (PRUNIÉRAS, 1994). 24 A pouca penetração dos fármacos na pele limita a eficácia das formulações tópicas. Esta penetração pode ser potencializada pela difusão ou pela solubilidade crescente do fármaco na pele ou aumentando o grau de saturação deste na formulação (MOSER et al., 2001; KAKUBARI, et al., 2006). A absorção cutânea de um fármaco em preparações dermatológicas (pomadas, cremes) não depende apenas das propriedades físico-químicas deste, mas também do seu comportamento junto ao veículo farmacêutico e da condição da pele. Um veículo pode não penetrar muito na pele nem transportar o fármaco através dela, mas influencia a velocidade e o grau de penetração, variando para diferentes fármacos e veículos. Para cada fármaco deve ser feita uma escolha individual do veículo quanto a sua absorção e eficácia (ALLEN Jr.; POPOVICH; ANSEL, 2007). Os veículos naturalmente podem modificar as propriedades do estrato córneo, por exemplo, aumentar a hidratação, a qual pode influenciar no perfil de penetração dos compostos ativos (DUPUIS et al., 1986). São pouco os compostos de interesse farmacológico que possuem propriedades físico-químicas necessárias para penetrar rapidamente a epiderme, principalmente no estrato córneo (SHOKRI et al., 2001). Em geral existem duas rotas de difusão para as moléculas penetrarem na pele após aplicação tópica: através das paredes dos folículos pilosos, das glândulas sudoríparas e sebáceas (transcelular) ou por entre as células da camada córnea (intercelular), sendo a rota intercelular considerada como a principal rota para permeação de fármaco (YAMASHITA; HASHIDA, 2003; ALLEN Jr.; POPOVICH; ANSEL, 2007). Os apêndices representam 0,1 % da superfície cutânea, sendo pequena a sua contribuição, desse modo é essencial a transposição do estrato córneo para penetração de compostos na pele (MOSER et al., 2001; YAMASHITA; HASHIDA, 2003). A pele é um tecido multicamada heterogêneo, e na absorção percutânea, o gradiente de concentração desenvolve-se ao longo de vários estratos. O extrato córneo, que é uma das camadas da epiderme, exerce o maior controle sobre a permeação na pele. A maioria dos não-eletrólitos pouco solúveis em água difunde no sistema capilar mil vezes mais rapidamente quando a epiderme está ausente, danificada ou doente. Na pele intacta, as substâncias penetram a velocidade que podem diferir em 10 mil vezes (BARRY, 2005). O estrato córneo é considerado heterogêneo, possui dois regimes físicoquímicos distintos, cada um capaz de apresentar o seu fluxo. Um deles, através da 25 matriz de queratina, é considerado polar e dispõe-se preferencialmente para a transferência das substâncias polares. O outro caminho intercelular lipídico dá à pele a qualidade de membrana lipóide (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). Como o estrato córneo é um tecido morto, não existem processos de transporte ativo e nenhuma diferença fundamental entre processos de permeação in vivo e in vitro. As camadas viáveis, principalmente a epiderme, podem metabolizar e inativar um fármaco ou ativar um pró-fármaco. A camada papilar dérmica contém tantos capilares que o tempo médio de residência de um fármaco na derme pode ser de um minuto antes que seja absorvido. As camadas dérmicas mais profundas não influenciam a absorção transdérmica, embora fármacos como agentes antiinflamatórios não-esteróides possam penetrar profundamente até atingir os músculos (BARRY, 2005). O estrato córneo apresenta uma considerável barreira lipofílica à permeação de substâncias químicas. Por outro lado, a epiderme viável, a qual está imediatamente abaixo do estrato córneo é hidrofílica e pode atuar como um passo limitante na absorção de fármacos altamente lipofílicos. O resultado de uma característica ótima de absorção percutânea é o permeante ser razoavelmente solúvel em ambos os meios hidrofílicos e hidrofóbicos, o qual é intimamente ligado com o coeficiente de partição O/A do permeante (ROBERTS, 1991). Os principais fatores que influenciam a absorção percutânea segundo Barry (2005) e Allen Jr., Popovich e Ansel (2007), são: • A quantidade absorvida por via percutânea aumenta à medida que a concentração do fármaco no veículo aumenta. • O fármaco deve apresentar maior afinidade físico-química com a pele do que com o veículo no qual é apresentado, para que migre do veículo em direção à pele. • Certo grau de solubilidade do fármaco, tanto em lipídeos quanto em água, é considerado essencial para absorção percutânea efetiva. • A absorção é aumentada usando veículos que se espalhem facilmente sobre a superfície da pele. • Os veículos que aumentam a hidratação da pele geralmente favorecem a absorção percutânea. 26 • Os veículos oleosos e os curativos oclusivos agem como barreiras à umidade levando ao aumento da hidratação cutânea. • Quanto maior o período e a intensidade da fricção, maior a absorção. • A absorção percutânea é maior quando o medicamento é aplicado na pele que possui uma camada córnea fina. • Várias aplicações diárias podem aumentar a biodisponibilidade e a absorção do fármaco. 3.3 Promotores de Absorção A propriedade de barreira da pele é atribuída à camada córnea que é formada por corneócitos, cuja bicamada lipídica aumenta a resistência ao transporte de íons (KOST; LEVY; LANGER, 1989; MORIMOTO et al., 1994; SHOKRI et al., 2001). O estrato córneo é uma barreira resistente à penetração e tem uma grande variabilidade biológica na sua permeabilidade e a maioria dos fármacos penetra na pele humana com pouca intensidade (SHOKRI et al., 2001; BARRY, 2005; HENRIQUES; SIMÕES-PIRES; APEL, 2007). Assim, o fluxo através da pele depende da natureza química da substância. Fármacos lipofílicos são absorvidos em toda área lipídica do estrato córneo, com coeficientes de permeação variáveis, enquanto que a absorção de fármacos hidrofílicos se dá quase que exclusivamente por poros de passagem sendo que o coeficiente de permeação é quase constante (MORIMOTO et al., 1994). Devido à dificuldade na penetração de fármacos pela pele, agentes químicos e físicos vêm sendo pesquisados para que as barreiras da pele sejam diminuídas e, assim, se acentue a penetração cutânea. Estes agentes químicos e físicos agem como promotores de absorção (KOST; LEVY; LANGER, 1989; MOSER et al., 2001). Os promotores de absorção podem interagir suficientemente com o fármaco e o estrato córneo para aumentar a taxa de penetração de um fármaco através da pele. Alguns destes agentes têm efeito direto na permeabilidade da pele, sendo que outros promovem a absorção percutânea do fármaco através de alteração da atividade termodinâmica e conseqüente aumento da concentração do gradiente através da pele (ALLEN Jr., 2002). 27 Os promotores químicos de absorção são substâncias não-tóxicas que diminuem temporariamente a impermeabilidade do estrato córneo, podem promover a penetração de fármacos para efeitos locais ou sistêmicos. Estas substâncias podem ser chamadas também de catalizadores, aceleradores ou adjuvantes. São incluídos nos veículos como os demais adjuvantes (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992; YAMANE et al., 1995). Segundo Santos e Bahia (1995) e Barry (2005), os principais atributos que os promotores de absorção devem ter para uma penetração ideal são: • Ser farmacologicamente inertes. • Não ser tóxico, irritante ou alergênico. • Ter ação imediata, efeito adequado e previsível. • Após a remoção do material, a pele deve recuperar imediata e totalmente sua capacidade normal de barreira. • Não deve causar perda de fluídos corporais, eletrólitos ou outros materiais endógenos. • Deve ser compatível com todos os fármacos e adjuvante. • Ser um bom solvente para os fármacos. • Ser cosmeticamente aceitável, ter uma boa espalhabilidade e sensação sobre a pele. • Ser usado em todas as variedades de preparações tópicas. • Se possível, ser inodoro, insípido, incolor e barato. Nenhum material isoladamente possui todas estas características, mas há muitas substâncias que possuem várias destas propriedades. O mais seguro e efetivo promotor de absorção é a água. A maioria das substâncias penetra melhor pelo estrato córneo hidratado que seco (BARRY, 2005). Há vários métodos físicos como iontoforese, sonoforese, eletroporação, eletroosmose ou iontohidrocinese que são usados para melhorar a absorção dos fármacos na pele, principalmente para substâncias de elevada massa molecular, como peptídeos, aminoácidos, insulina, etc. Estes métodos agem alterando momentaneamente a permeabilidade da pele, pela passagem de uma corrente elétrica ou pela alteração da estrutura lipídica extracelular, formando verdadeiros poros para a passagem do fármaco (LUCINDA; EVANGELISTA, 1999; KALIA et al., 28 2004; KAKUBARI et al., 2006). Várias pesquisas têm sido desenvolvidas usando ultra-som, agente físico, como promotor de penetração cutânea de fármacos. Em um dos estudos, o efeito do ultra-som foi analisado através de permeação cutânea da cafeína in vitro com células de difusão vertical utilizando pele de suínos machos Landrace x Large White com 50 dias e os resultados obtidos demonstraram acentuada permeação da cafeína quando associada ao ultra-som (CAMPOS, 2004). Métodos químicos envolvem a incorporação específica de agentes químicos em formulações tópicas. O aumento da penetração facilita a absorção do promotor através da pele temporariamente (GRAFOURIAN et al., 2004; KAKUBARI et al., 2006). Muitas vezes é difícil determinar se os materiais usados para aumentar a absorção influenciam diretamente o estrato córneo ou aumentam a liberação do fármaco na pele. Os mecanismos propostos para a ação dos intensificadores da absorção percutânea são: redução da resistência do estrato córneo, devido à alteração de suas propriedades físico-químicas; alteração da hidratação do estrato córneo; alteração da estrutura lipídica e lipoprotéica dos canais intercelulares, pela desnaturação ou ação dos solventes, e mecanismos de transporte dos fármacos ionizáveis (ALLEN Jr.; POPOVICH; ANSEL, 2007). Estudos estão sendo realizados para encontrar promotores de absorção seguros que promovam a absorção de fármacos de diversas classes como antiinflamatórios não-esteróides, corticosteróides, anestésicos locais, hormônios, vasodilatadores, antimicrobianos e antivirais (HENRIQUES; SIMÕES-PIRES; APEL, 2007). Algumas das importantes substâncias que aumentam a penetração são: a água, os terpenos, terpenóides, pirrolidonas, ácidos e ésteres oleosos, sulfóxidos, álcoois e glicerídeos, ácidos oleosos poliinsaturados, misturas incluindo fosfolipídios, complexos com ciclodextrina, derivados de aminoácidos, a inibição da síntese de lipídeos, ésteres e amidas do ácido clofíbrico, acetato de n-dodecila, m-dimetilamino e enzimas (GRAFOURIAN et al., 2004; KAKUBARI et al., 2006). Os terpenos estão entre os grupos químicos mais estudados, demonstrando menor irritação à pele e baixa toxicidade sistêmica. Podem ser associados com propilenoglicol, aumentando significativamente a permeação transdérmica de fármacos hidro e lipofílicos como a cafeína e hidrocortisona, respectivamente. Com relação à estrutura química dos terpenos, percebe-se que os que contêm grupos hidroxila ou cetona interagem fortemente com a estrutura lipídica do extrato córneo, 29 aumentando assim a difusão através da membrana (HENRIQUES; SIMÕES-PIRES; APEL, 2007). Um outro atributo dado aos promotores de absorção é a sua capacidade de diminuir as propriedades de barreira do estrato córneo modificando sua estrutura natural. Diversos solventes orgânicos como benzeno, álcool e éter têm se mostrado como promotores de absorção de substâncias hidrossolúveis e lipossolúveis removendo os lipídeos do estrato córneo (SARIGÜLLÜ et al., 2006). A acetona e o álcool mostram ser os solventes menos efetivos, mas a sua mistura com éter ou clorofórmio mostra-se mais eficaz. Alguns lipídeos são extraídos em 30 segundos pela acetona (triglicerídeos, ceras, hidrocarbonetos), enquanto outros são só retirados após contato por mais de 20 minutos (ácidos graxos, fosfatidilcolina, colesterol e ceramidas) (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992; SARIGÜLLÜ et al., 2006). A importância de usar solventes como etanol, propilenoglicol, ou N-metil-2pirrolidona na permeação de fármacos pela pele não é somente pela sua solubilidade, mas também por reduzir a estrutura de barreira da pele. Prétratamentos com solventes confirmam que a ação direta do solvente no estrato córneo intensifica a fluidificação de lipídeos através deste e reduz a resistência à permeação de fármacos. Muitos destes solventes podem causar irritação na pele, mas o miristato de isopropila tem se mostrado como um componente relativamente seguro. O aumento da permeação na pele por fármacos lipofílicos como a indometacina e cetoprofeno tem sido observado na presença de D-limoneno. O diclofenaco sódico tem a permeação aumentada pelo L-mentol e DL-menteno (KAKUBARI et al., 2006). 3.3.1 Sulfóxidos O dimetilsulfóxido (DMSO) é um clássico promotor de absorção (ALLEN Jr., 2002). O mecanismo de ação do DMSO é caracterizado pela polaridade e poder dissolvente que altera a permeabilidade da membrana celular. Através de análise espectral, foi verificado que misturando DMSO com ácido oléico e linoléico ocorre mudança na configuração isomérica, convertendo os derivados cis em trans, modificando a geometria molecular do conteúdo lipófilo da membrana celular. O aumento da permeabilidade produzido pelo DMSO nas concentrações de (2-20%) é 30 reversível e desaparece ao fim de três horas, indicando que a desorganização da integridade estrutural da pele não é definitiva (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). Muitas teorias diferentes a respeito do mecanismo de ação dos promotores apareceram na literatura. Uma delas atribui os efeitos penetrantes de DMSO, de dimetilformamida, e de dimetilacetamida à suas propriedades higroscópicas, que aumentam o índice de água do estrato córneo, aumentando desse modo extremamente sua permeabilidade (SARIGÜLLÜ et al., 2006). A atividade do DMSO depende de sua concentração, uma resposta positiva requer concentrações superiores a 60%. Em concentrações altas ocorrem manifestações de toxicidade, como formação de eritemas, pápulas, lesões irreversíveis na pele, alterações no estrato córneo e desnaturação das proteínas. Devido aos efeitos tóxicos do DMSO, ele não é muito utilizado. As séries homólogas de alquil-metilsulfóxidos são apontadas como potenciais promotores de absorção. Ao que parece, o mais potente deles é o decil-metil-sulfóxido (DCMS), que promove com êxito a penetração de substâncias e possui ação reversível. Possui bom efeito de penetração para moléculas hidrofílicas e ionizadas, mas não ocorre o mesmo efeito para moléculas lipofílicas (SANTOS; BAHIA, 1995). Sarıgüllü et al. (2006), avaliaram e compararam a permeação transdérmica do diclofenaco de sódio in vitro e in vivo. Foram preparadas microemulsões (O/A) e géis de Carbopol 940 contendo diclofenaco sódico. Para estudar a permeação destas formulações in vitro, foram usadas células de difusão tipo Franz usando a pele dorsal de rato. Para investigar o desempenho in vivo foi usado como modelo, edema de pata induzido por carragenina. Uma formulação comercial de diclofenaco de sódio foi usada como referência. Estudos in vitro mostraram que a permeação da microemulsão foi superior ao gel e a formulação de referência. Ao adicionar dimetilsulfóxido (DMSO) 10% (p/p) na microemulsão a taxa de permeação aumentou. Os coeficientes de permeabilidade do diclofenaco sódico em microemulsão e do diclofenaco sódico + DMSO foram mais elevados (4,9 × 10−3 ± 3,6 × 10−4 cm/h e 5,3 × 10−3 ± 1,2 × 10−3 cm/h, respectivamente) do que o coeficiente de permeação do diclofenaco sódico na formulação de referência (2,7 × 10−3 ± 7,3 × 10−4 cm/h) e em gel de carbopol (4,5 × 10−3 ± 4,5 × 10−5 cm/h). Nos testes in vivo, usando o modelo de edema de pata, a microemulsão que apresentou melhor permeação demonstrou maior eficácia e a microemulsão + DMSO mostrou quase a mesma eficácia da microemulsão. A taxa de permeação 31 mais elevada do diclofenaco sódico em microemulsões é provavelmente devido aos tensoativos e a fase oleosa, que agem como promotores de absorção facilitando a permeação do fármaco. Os estudos in vitro e in vivo mostraram que a microemulsão pode ser uma alternativa eficaz de veículo (SARIGÜLLÜ et al., 2006). 3.3.2 Pirrolidonas As pirrolidonas além de promover a penetração cutânea, auxiliam a constituição de reservas de substâncias retidas na camada córnea e nas unhas. Podem facilitar a penetração de componentes do veículo na pele para promover o particionamento do fármaco no tecido de forma a criar o “efeito reservatório”. Promovem a hidratação do estrato córneo, formando canais polares que facilitam a difusão dos fármacos. Apesar destes solventes possuírem grande atividade aceleradora da penetração, eles não são muito usados devido as suas capacidades irritantes, tóxicas e ao odor (SANTOS; BAHIA, 1995). 3.3.3 Ácidos e álcoois graxos Os ácidos graxos e seus ésteres são bons promotores de absorção, atuando em dois níveis, provocando dano às membranas e aumentando a solubilidade das substâncias no veículo. Os ácidos e álcoois graxos de cadeia longa promovem a absorção de compostos lipofílicos. A utilização de misturas binárias de ácidos ou álcoois graxos com propilenoglicol apresenta um efeito sinérgico acentuado. Através de técnicas colorimétricas, foi demonstrado que sistemas binários fluidificam os lipídeos do estrato córneo, permitindo a difusão mais rápida das substâncias. Considerando o comprimento, ramificação, grau de saturação das cadeias, foi verificado que o ácido láurico (C12) possui maior efeito promotor do que os demais ácidos graxos, concluindo-se que a presença de ligações duplas em cis nas cadeias alquílicas potencializa a atividade aceleradora do ácido graxo (SANTOS; BAHIA, 1995). 3.3.3.1 ÁCIDO OLÉICO E MIRISTATO DE ISOPROPILA 32 Chorilli et al. (2004) desenvolveram uma emulsão com diferentes concentrações de extrato seco de guaraná, rico em cafeína, a qual é utilizada em formulações tópicas para prevenção e tratamento da lipodistrofia ginóide, usando como promotores químicos de permeação cutânea o ácido oléico (1%), que fluidifica os lipídeos do estrato córneo, permitindo a difusão mais rápida das substâncias e o miristato de isopropila (5%), éster de ácido graxo, que pode aumentar a solubilidade das substâncias no veículo. Foram utilizados dois grupos experimentais com cinco ratos machos wistar nos quais foram delimitados quatro áreas de tratamento de 1 cm² no dorso, os promotores foram usados separadamente sobre os vasos sanguíneos da derme papilar dos ratos. O extrato seco de guaraná foi incorporado nas formulações de tal forma que contivesse 2% e 5% de cafeína, sendo adicionado, respectivamente, 20 e 50% de extrato seco de guaraná. Os resultados obtidos mostraram que usando extrato seco de guaraná a 20% (cafeína a 2%), com ou sem promotores, não mostrou diferenças estatísticas em relação ao grupo controle (área da derme que não recebeu formulação). Entretanto quando foi usado extrato seco de guaraná a 50% (5% de cafeína) foi obtido um aumento de 439,22% na vascularização da derme papilar. Todavia a presença de promotores de absorção não alterou estatisticamente o efeito do extrato seco de guaraná nos vasos sanguíneos da derme (aumento do número de vasos sanguíneos de 500% com ácido oléico e 460% com o miristato de isopropila) mostrando deste modo que os promotores de absorção usados não potencializaram o efeito do extrato seco de guaraná. Para verificar a permeação do fumarato de formoterol in vitro, Kakubari et al. (2006), usaram pele de rato wistar, montadas em células de Franz modificada. Como promotores de absorção foram empregados vários compostos químicos, como cineol, acetato linoléico, mentona, linolato de etila, dietil sebacate, miristato de isopropila entre outros. A melhor permeação foi observada com cineol, mentona, acetato linoléico, obtendo-se após oito horas 34,5, 28,6 e 23,5 µg/cm² respectivamente; os valores encontrados foram cem vezes maiores do que com a salina. Com relação ao linolato de etila, dietilsebacato, miristato de isopropila a concentração observada após oito horas foi de 8,8, 8,1, 7,8 µg/cm², respectivamente. Usando uma mistura de solventes como cineol/N-metil-2pirrolidona, l-mentol/N-metil-2-pirrolidona, miristato de isopropila/N-metil-2- pirrolidona, contendo 400 µg/mL do fármaco, foi observado um grande aumento da 33 permeação de fumarato de formoterol comparado a permeação isolada de cada promotor. Para o desenvolvimento de um sistema transdérmico onde foram avaliadas a permeabilidade intrínseca do flurbiprofeno e a influência de promotores de absorção na penetração cutânea, Cornélio (2003) utilizou as células de difusão do tipo Franz, usando a pele de orelha de porco como modelo de pele. Para aumentar o fluxo do flurbiprofeno através da pele foram utilizados como veículos, éster decílico de ácido oléico (Cetiol V®), 2-octildodecanol (Eutanol G®), Mygliol, miristato de isopropila, palmitato de isopropila, álcool oleílico, propilenoglicol e poligol. Os resultados obtidos demonstraram que o miristato de isopropila, por ser uma substância lipofílica, aumentou o fluxo e as substâncias mais hidrofílicas reduziram o fluxo de penetração do fármaco. 3.3.4 Azone® O Azone® ou laurocapramo (1-dodecil-aza-ciclo-heptano-2-ona) foi a primeira molécula classificada como promotora de penetração na pele. Tem sido usado como promotor tanto para fármacos hidro quanto lipofílicos, como esteróides, antimicrobianos e antivirais. Embora esta substância esteja sendo estudada por mais de 25 anos, seu mecanismo ainda é desconhecido. Provavelmente seu efeito promotor seja resultante de sua interação com lipídios do extrato córneo. As moléculas podem estar dispersas na barreira lipídica ou como reservatório na bicamada lipídica. Estudos usando lipídios isolados do extrato córneo humano trazem evidência que o Azone encontra-se total ou parcialmente como uma fase distinta no extrato córneo (LUCINDA; EVANGELISTA, 1999, ALLEN Jr., 2002; WILLIAMS; BARRY, 2004). O Azone® é levemente irritante, mas ativo em pequenas concentrações (0,1-5%). Solventes polares, como o propilenoglicol, apresentam sinergismo de ação com o Azone®. A sua capacidade promotora depende da concentração. Concentrações de Azone® superiores a 10% diminuem acentuadamente a absorção. Compostos derivados do Azone® com cadeia terpênica de 10 carbonos e grupo carbonila no anel azaciclo apresentam efeito mais pronunciado na absorção. Os derivados com 20 carbonos na cadeia lateral terpênica diminuem a atividade aceleradora. As cadeias alquílicas induzem mais irritação primária do que as 34 alquilênicas. Analisando a ação promotora e o poder irritante deve-se preferir os derivados com 2, 3 e 10 carbonos. O Azone® já foi usado como promotor em formulações contendo antifúngicos, antivirais, antibacterianos, esteróides e prófármacos (SANTOS; BAHIA, 1995). Em estudos realizados para melhorar a permeação cutânea da furosemida in vitro, observou-se que usando o Azone® entre 5 e 6,5% (v/v) e álcool oléico 7,5 a 9% (v/v) em gel, ocorreu um aumento da permeação cutânea. Estas formulações mostraram-se adequadas para possíveis sistemas transdérmicos de furosemida para uso pediátrico com a liberação de 1 mg/kg, para o tratamento de doenças cardíacas e pulmonares em bebês prematuros e neonatos (AGYRALIDES; DALLAS; REKKAS, 2004). Duncan et al. (1990) demonstraram que a utilização do Azone® em associação com o propilenoglicol em uma preparação tópica de ciclosporina promoveu aumento significativo da penetração do mesmo na pele. Testes em camundongos demonstraram a eficácia da preparação em atenuar a infiltração de linfócitos. O efeito de ionização do transporte transdérmico do 5-fluoracil através da pele humana foi estudada em 3 diferentes valores de pH, 5,0, 7,4 e 8,0, a 37 ± 0,5 °C, em meio aquoso. Para melhorar a penetração do 5-fluoracil na pele foi estudado alguns promotores de absorção, como o Azone, álcool laurílico e miristato de isopropila. As concentrações desses promotores na solução doadora foram 3% (p/v), 5% (p/v), e 5% (p/p), respectivamente. No estudo com Azone, a solução foi emulsionada com 0,11% (p/v) de polissorbato 20. A permeação in vitro do 5-fluoracil na ausência de promotores foi muito pequena (0,82 ± 0,06 x 104 cm/h) e na presença dos promotores foi aproximadamente de 3, 4 e 24 vezes mais para miristato de isopropila, álcool laurílico e Azone, respectivamente, quando estes foram incorporados na solução doadora com pH 7,4 (SINGH; SINGH; SINGH, 2005). Em estudos anteriores foi analisado o efeito dos promotores de absorção na penetração da pele de fármacos com diferentes lipofilia. Um dos derivados azacicloalcano, o 1-geranilazacicloheptano-2-ona (GACH), possui estrutura química similar ao Azone, mas um aumento na permeação cutânea e menor toxicidade em relação ao Azone. O aumento do efeito do GACH varia de acordo com o fármaco. O maior efeito foi observado com fármacos de média lipofilia. Com fármacos 35 altamente hidrofílicos ele demonstra ser ineficaz desde que eles penetrem principalmente através de canais polares, também são ineficazes para fármacos lipofílicos, desde que eles penetrem principalmente através de canais apolares (YAMASHITA; HASHIDA, 2003). 3.3.5 Uréia A uréia tem sido utilizada como agente hidratante no tratamento da ictiose, psoríase e outros estados de hiperqueratose. É usado também como queratolítico, especialmente após contato prolongado e em concentração superior a 7%. Alguns fármacos, como a hidrocortisona e a indometacina, em presença da uréia têm sua atividade aumentada, mas sobre outros fármacos como a naloxona e nicotinato de benzila não promove aumento da permeação. Análogos da uréia, cíclicos e não saturados, com radicais arila ou radicais alquila substituídos em C12 têm sido sintetizados para serem utilizados como promotores de absorção. Estes compostos em associação com o propilenoglicol, ao contrário da uréia, mostraram efetivo poder acelerador da permeação in vitro através da pele humana para fármacos hidrofílicos (SANTOS; BAHIA, 1995). 3.3.6 Tensoativos O tratamento da epiderme com tensoativos aumenta a penetração de moléculas polares as quais necessitam de um sistema anfótero de solvente polar e lipídico para promover a mesma penetração de moléculas apolares (LUCINDA; EVANGELISTA, 1999). Os tensoativos podem promover a absorção cutânea por baixarem a tensão interfacial. Os tensoativos aniônicos reduzem particularmente a resistência da camada córnea por alteração das hélices da queratina e reagem com os locais de ligação. O aumento de permeabilidade do laurilsulfato de sódio e do laurato de sódio foi comparado a partir de soluções com pH e força iônica conhecidas. O aníon laurato foi encontrado na epiderme e na derme e o laurilsulfato de sódio não foi encontrado no tecido dérmico. Conclui-se que o laurato de sódio se converte em ácido láurico, solúvel nos lipídeos cutâneos e o laurilsulfato de sódio encontra-se 36 muito dissociado e que só a parte não-ionizada (ácido láurico) possa atravessar a pele (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). A atividade catalizadora dos tensoativos iônicos depende fundamentalmente da destruição das membranas a que dão origem, pois tendo afinidade com as αproteínas, como a queratina, ao se complexarem com elas provocam a desnaturação reversível e a distensão dos filamentos. A expansão da membrana causa a formação de cavidades e a perda da capacidade de ligação à água, que resulta da conversão da α em β-queratina (SANTOS; BAHIA, 1995). A configuração da molécula do tensoativo contribui para a sua ação como promotor de absorção. A atividade aceleradora de penetração é maior se a cadeia hidrófila for composta por mais de cinco unidades de óxido de etileno. Os tensoativos aumentam principalmente o transporte de moléculas polares ou formas ionizadas e secundariamente influem na absorção de moléculas lipófilas ou formas não dissociadas. Um método com resultados bastante positivos consiste na adição de pequenas quantidades de lipídeos (ácidos ou álcoois graxos) a uma base contendo propilenoglicol (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). Tensoativos catiônicos e aniônicos, como o laurilsulfato de sódio, proporcionam aumento da penetração, mas são altamente irritantes para a pele (SANTOS; BAHIA, 1995, ALLEN Jr., 2002), causando edemas e alterações na queratina. O dano provocado por dois agentes iônicos bivalentes pode ser reduzido se for associado em concentrações equimolares com um agente não-iônico. Os tensoativos não-iônicos aparentemente não apresentam efeitos lesivos à pele (SANTOS; BAHIA, 1995). Em estudos desenvolvidos com lapachol (substância com atividade antiinflamatória) em formulações semi-sólidas, usou-se o Carbopol® (934 P, 940 e 941) como substâncias geleificantes e como promotor de absorção o polissorbato 80. A permeação cutânea foi verificada in vitro através de células de difusão tipo Franz, usando membrana sintética Durapore® e pele de rato albino tipo Wistar. Os resultados demonstraram que a presença do polissorbato 80 na formulação promoveu um aumento da absorção do princípio ativo. Os melhores valores de absorção foram observado em formulações com pH 8,0, na concentração de 0,5%, não havendo variações significativas em relação aos diferentes tipos de Carbopol® (LIRA et al., 2004). 37 3.3.7 Óleos essenciais Os óleos essenciais são alternativas promissoras, para potencializar e veicular fármaco através da pele. Os óleos essenciais alteram a estrutura do estrato córneo, tornando-o mais permeável. Estes compostos atuam, reduzindo a barreira do estrato córneo transitoriamente e de modo reversível sem danificar a pele (REIS; CAVALCANTI, 2005). 3.3.7.1 D-LIMONENO Escribano et al. (2003) verificaram a permeação in vitro de formulações contendo diclofenaco sódico 1 % (p/p), usando pele humana, obtida de cirurgia plástica, como membrana (0,4 mm de espessura). Nestas preparações foram avaliados parâmetros de permeação como: coeficiente de permeabilidade, fluxo, permeação e retenção do fármaco na pele em 24 horas. A formulação contendo Transcutol 59,2%, ácido oléico 14,9% e d-limoneno 5% (p/p) apresentou melhor poder de absorção. A atividade antiinflamatória desta fórmula foi comparada com uma preparação comercial semi-sólida de diclofenaco sódico através do método do edema de pata em ratos induzido pela carragenina. Os resultados demonstraram que a formulação apresentou maior atividade do que a preparação semi-sólida comercial e, nenhum dos dois tratamentos irritou a pele quando testados em coelhos durante 72 horas de tratamento. O efeito de promoção da absorção transdérmica do succinato de sumatriptano foram investigados em estudos de permeação in vitro usando células de Franz horizontal. A pele de porco foi pré-tratada com etanol (veículo), sem e com promotores (Span 20, R (+) limoneno (-), α bisabolol, 1,8 cineol, polietilenoglicol 600 e ácido oléico) na proporção de 5% em etanol p/p. Em todos os casos houve um aumento do fluxo do succinato de sumatriptano. Foi observado um aumento da permeação do fármaco através da pele pré-tratada com etanol em relação a permeação na pele pré-tratada com tampão fosfato, porém este aumento foi consideravelmente menor do que o apresentado pela pele pré-tratada com etanol contendo os promotores, exceto o alfa bisabolol que apresentou um menor efeito como promotor para o fármaco. A formulação com R (+) limoneno apresentou um fluxo 22 vezes mais alto do que o controle (tampão pH 7,4), indicando que este 38 componente pode ser um ótimo candidato para ser usado para melhorar a permeação cutânea (FONT et al., 2005). Os resultados obtidos por Font e colab. (2005), confirmaram a capacidade do etanol em permear através do estrato córneo e alterar a organização dos lipídeos intercelulares, por isso, intensifica a permeabilidade da pele. No entanto têm sido descritos que concentrações altas de etanol podem reduzir o fluxo transdérmico de algumas substâncias, devido à capacidade de desidratar a pele. A permeação transdérmica do metotrexato através da pele de ratos usando sistemas adesivos de policrilamida e base de hidrogel foi estudada in vitro usando células de Franz modificada após pré-tratamento com terpenos (limoneno, cineol e mentol) e etanol, sozinho ou em combinação com iontoforese. Dos terpenos usados o mentol puro mostrou maior permeação (38%) e limoneno puro apresentou 9,9%. O limoneno mostrou menor permeação provavelmente por ter ligações duplas em sua cadeia possuindo melhor afinidade com substâncias hidrofóbicas. O grupo hidroxila do mentol aceita e doa ligações de hidrogênio e o cineol apenas aceita ligações de hidrogênio, conseqüentemente a permeação é menor do que com mentol. A combinação entre o mentol e o etanol aumentou a permeação para 54,9% e quando usados com iontoforese aumentou para 117% com um fluxo de 32,1 ± 1,45 µg/(cm2h). Foi usado etanol nas concentrações de 50 a 100%, sendo que o etanol a 75% demonstrou a melhor permeação (PRASAD et al., 2006). O cineol e propilenoglicol foram empregados como promotores químicos para melhorar a penetração transdérmica do cloridrato de propranolol e promoveram uma alta permeação com um fluxo de 54,51 ± 0,52 µg/(cm2 h) e 93,81 ± 11,56 µg/(cm2 h), respectivamente (AMNUAIKIT et al., 2004). Em outro estudo, foram escolhidos quatro tipos de fármacos baseadas em suas propriedades lipofílicas (cloridrato de nicardipina, hidrocortisona, carbamazepina e tamoxifeno) e quatro terpenos foram usados como promotores de absorção (fenchona, timol, d-limoneno e nerolidol). Os testes foram realizados in vitro usando células de difusão tipo Franz. As formulações foram preparadas em géis de hidroxipropilcelulose, um polímero hidrofóbico não iônico. Os promotores apresentaram maior atividade para as substâncias hidrofílicas (cloridrato de nicardipina seguido de hidrocortisona e carbamazepina) a menor atividade dos promotores foi registrada com o componente mais lipofílico, o tamoxifeno. Entre os 39 promotores, o maior fluxo de permeação foi encontrado respectivamente com nerolidol, limoneno, timol e fenchona (EL-KATTAN, et al., 2001). 3.4 Métodos de permeação cutânea in vitro As técnicas de permeação in vitro utilizam células de difusão, as quais consistem de um líquido receptor e uma fase doadora separadas por membrana sintética ou pele (figura 2). Quando solutos lipofílicos são investigados, modificadores de solubilidade são utilizados com o fluido receptor para promover uma adequada solubilidade e garantir as condições de penetração (SARVEIJA; RISK; BENSON, 2004). Há vários tipos de células de difusão, como células de Franz, bloco de duas células perfurado em perspex, célula de vidro de difusão simples adequada para pele humana, célula de vidro com circulação contínua das soluções doadora e receptora, célula de vidro usada para determinação do vapor de difusão pela pele. Em células de difusão projetadas para examinar o fluxo no estado estacionário e deduzir parâmetros fundamentais, uma solução doadora mantém a concentração e agitação constante, libera o penetrante pela membrana dentro de um líquido receptor em condições sink, que simula o suprimento sanguíneo (BARRY, 2005). 40 Figura 2 - Esquema da célula de Franz (adaptado de Youngin, 2006). Como a pele humana é variável e de difícil obtenção, podem ser usadas membranas artificiais como a de acetato de celulose, borracha de silicone ou miristato de isopropila ou sistemas lamelares projetados para mimetizar os lipídeos intercelulares do estrato córneo (LIRA, et al., 2004; BARRY, 2005; LONGO, 2006). A pele humana é usualmente a membrana preferida para usar no estudo de absorção in vitro. Nenhum modelo animal apresenta valor de absorção idêntico aquele obtido com a pele humana. A pele de animal é geralmente mais permeável que a pele humana, mas é usada para estudos preliminares (BRONAUGH; YOURICK, 2000). Os estudos de permeação cutânea in vitro podem ser realizados com peles dissecadas de ratos, camundongos, e cobaias (normais e sem pêlos), coelhos, hamsters, porcos, cães sem pêlos, cobras, macacos, etc. montadas em células de difusão (BARRY, 2005). 41 A pele de mamíferos varia consideravelmente em relação às propriedades do estrato córneo e o número e densidade de apêndices (BARRY, 2005). A pele de rato e camundongo difere da pele humana em numerosos pontos, sendo pouco favorável para a objetivação das propriedades cosméticas. A pele de rato é recoberta por uma pelagem espessa, uma epiderme fina, uma camada de Malpighi limitada a uma ou duas fileiras celulares e uma camada córnea muito fina. Estas espécies animais possuem um sebo muito diferente da emulsão epicutânea. Estas diferenças podem ser exploradas para o estudo de propriedades específicas ou em controle toxicológico. A pequena espessura da camada córnea associada ao grande número de oríficios foliculares ocasiona cinética e taxas de absorção cutânea dos produtos aplicados muito mais elevados do que no homem, podendo causar eventuais efeitos tóxicos em nível sistêmico e cutâneo (PRUNIÉRAS, 1994). A pele de porco não é igual à pele humana, mas as duas espécies possuem particularidades estruturais e metabólicas muito próximas, tem uma pelagem relativamente esparsa. Como a pele humana, a do porco apresenta dermatóglifos, a derme é um pouco diferente, o tecido conjuntivo é mais rico em fibras elásticas, mas a epiderme viva e a camada córnea apresentam numerosas “similitudes” (PRUNIÉRAS, 1994). Devido à semelhança com a pele humana em termos de densidade de folículos pilosos, a pele de orelha de porco, principalmente quando jovem, tem sido usada como modelo de membrana para estudos de permeação cutânea in vitro e in vivo (LOPES; KANEKO, 2000). Os modelos animais permitem o estudo da inocuidade e do efeito dos produtos cosméticos na pele, com mais facilidade do que no homem. Pode-se controlar a penetração cutânea de substâncias no organismo, efetuarem diferentes experiências de farmacocinética e acompanhar a influência dos produtos sobre a bioquímica da pele (PRUNIÉRAS, 1994). Quando possível o melhor é obter pele humana a partir de autópsias, amputações e cirurgia estética. Utiliza-se estrato córneo, epiderme, pele sem a derme ou a pele íntegra fixada em uma célula de difusão, e mede-se a passagem da substância de um lado do estrato córneo por um banho de fluído (BARRY, 2005). 42 3.5 Ácido Caurenóico O AC (figura 3) é um caureno (ácido ent-caur-16-en-19-oico) e é considerado um intermediário na biogênese da giberelinas, que são hormônios de crescimento e defesa da planta. Este composto é um diterpeno que demonstra in vitro ter atividades antiparasiticidas e antibacteriana, ação antiproliferativa em culturas de células tumorais, efeito hemolítico em eritrócitos humanos e de camundongos e, em esperma humano, reduz a motilidade, mas é um espermicida fraco. Está presente em plantas como Sphagneticola trilobata, Copaifera langsdorffii, Annona glabra, Mikania laevigata, Mikania glomerata e Xylopia frutescen (CAVALCANTI et al., 2006; SILVA et al., 2002). Análises farmacológicas revelaram que o AC possui efeito inibitório nas contrações abdominais de rato induzidas por ácido acético (87% inibição) maior que o efeito do ácido acetilsalicílico (83% inibição), dipirona (54% inibição), indometacina (79% inibição), em relação ao acetominofeno (88% inibição) A DI50 obtida no estudo foi de 43, 133, 125, 162, 76 (µmol/kg) para o AC, o AAS, acetominofen, dipirona, indometacina, respectivamente (BLOCK et al., 1998). O AC possui atividade antibacteriana para bactérias gram positivas. É bactericida para Baccilus cereus. O AC foi isolado e purificado como o maior componente de exsudatos das partes aéreas da planta Pseudognaphalium vira vira (Asteraceae) (WILKENS et al., 2002). O AC além de todas as propriedades descritas anteriormente é um potente relaxante das contrações uterinas (PAGE; BALZA; NISHIDAT, 1992). Tirapelli et al. (2002), demonstraram que o AC inibe contrações vasculares e não-vasculares do músculo liso com diversos agonistas. O efeito inibitório do AC foi totalmente suprimido após 90 minutos, indicando que o seu efeito é reversível. COOH Figura 3 - Estrutura química do AC (BLOCK et al., 1998; BRESCIANI et al., 2004). 43 A Sphagneticola trilobata (L.) Pruski, 1986 (Wedelia Paludosa, Acmela brasiliensis) (figura 4) é uma planta medicinal nativa a qual cresce em várias regiões do Brasil, é conhecida popularmente por margaridão, pingo de ouro, pseudoarnica ou vedélia. Todas as partes da planta são usadas na medicina popular para diversas desordens, incluindo infecções do trato respiratório, inflamações e afecções em geral. Possui também atividade antimicrobiana, antiparasiticida, inseticida, anti-HIV (REZENDE et al., 2000), analgésica (BLOCK et al., 1998), suave efeito músculorelaxante (DE ALENCAR CUNHA et al., 2003) e hipoglicemiante oral (BRESCIANI, 2004). Considerando seus componentes químicos, foi demonstrada a presença de vários constituintes como o AC, terpenos, lactonas eudesmanolide e flavonóides. Extratos testados possuíram atividade contra leveduras de Candida albicans, C. tropicalis, Cryptococcus neoformans e Saccharomyces cerevisiae ou contra fungos filamentosos: A. fumigatus, A. flavus, A. niger ou Microsporum gypseum. As flores da S. trilobata possuem atividade antifúngica contra dermatófitos, entretanto não exerce atividade contra micoses sistêmicas. Das diferentes frações do extrato da planta (hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol), a concentração inibitória mínima (CIM) foi maior que 1000 µg/mL. Os compostos isolados, o AC e luteolina, apresentaram CIM maior que 250 µg/mL (SARTORI et al., 2003). Figura 4 – Parte aéreas da planta S. trilobata (BRITTRICH; AMARAL, 2007) 44 Bresciani et al. (2004) demonstraram a variação da concentração de AC nas folhas, flores, caules e raízes da S. trilobata nas diferentes estações do ano, através do método de cromatografia gasosa. Constataram que o outono é a estação que apresenta maior quantidade de AC, e está presente em maior quantidade nas raízes (0,66% de planta seca) e nos caules (0,5% de planta seca) e em menor quantidade nas folhas (0,1% de planta seca) e nas flores (0,1% de planta seca). Nas demais estações a concentração do AC é bastante reduzida. Manczak e colab. (1996), mostraram em estudos preliminares que o extrato hidroalcoólico de diferentes partes da S. trilobata exerce ação antinociceptiva em diferentes modelos de dor em ratos. Para isolar os componentes ativos presentes na S. trilobata, Cechinel Filho e Yunes (1998) prepararam extrato hidroalcoólico com toda a planta e particionaram sucessivamente com solventes de polaridade crescente, hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol (CECHINEL FILHO; YUNES, 1998). Foi investigado nestas frações o efeito inibitório das contrações abdominais em rato induzidas com ácido acético. As frações foram administradas intraperitonialmente (3 mg/kg), reduzindo significativamente o número de contrações abdominais em ratos, induzido pelo ácido acético em relação ao grupo controle. Os resultados indicaram que a atividade antinociceptiva da planta é tanto para componentes apolares como polares, mas é mais pronunciado nas frações n-hexano (55% inibição) e diclorometano (72% inibição). Dutra e colab. (2005), demonstraram que o extrato hidroalcoólico da S. trilobata especialmente a fração hexânica, exibiu pronunciada propriedade hipoglicemiante (redução de 26,47%) na dose de 50 mg/kg por via oral, indicando que componentes apolares podem ter ação na glicemia. O composto majoritário presente na fração hexânica que estaria exercendo efeito anti-hiperglicemiante seria o AC. Dentre os animais que foram submetidos ao tratamento com as frações semipurificadas de S. trilobata, os grupos que receberam as frações hexano e diclorometano (50 mg/kg, v.o.) apresentaram um aumento significativo da colesterolemia quando comparados com o grupo controle (salina), indicando que, embora a fração hexânica possa ter compostos que atuem reduzindo a hiperglicemia, estes podem ao mesmo tempo estar, alterando o metabolismo de lipídeos, principalmente aumentando a síntese de colesterol. Bresciani e colab. (2004), induziram a diabete em ratos usando aloxano e demonstraram que o AC na 45 concentração de 10 mg/kg por via oral apresenta considerável efeito hipoglicemiante, sendo mais eficaz que o extrato hidroalcoólico e fração hexânica estudados anteriormente por Dutra e colab. (2005). O AC foi isolado da Copaifera langsdorffii (Leguminosae), sendo o diterpeno encontrado em maior quantidade. A Copaifera langsdorffii é popularmente conhecida como óleo de copaíba, considerado como um remédio natural para o tratamento de dores de garganta, infecções urinárias, pulmonares e ulcerativas. Apesar do potencial efeito terapêutico em estudos pré-clínicos, poucos estudos foram realizados a respeito dos prováveis efeitos de genotoxicidade nesta substância bioativa. Em estudos realizados in vitro, foi avaliado a genotoxicidade do AC em células de pulmão de hamster chinês. Os resultados obtidos revelaram que o AC em baixas concentrações (2,5-10 µg/mL), não apresenta potencial genotoxicidade, mas em altas concentrações (30 e 60 µg/mL), manifesta significativa genotoxicidade (CAVALCANTI et al., 2006). As folhas de Annona glabra L., conhecida popularmente por araticum do brejo, araticum cortiça, araticum da praia, araticum jangada, entre outros, apresentam atividade anti-helmínticas e anti-reumáticas (CORRÊA, 1984). Estudos fitoquímicos da Annona glabra determinaram a presença de diversos alcalóides. Através do fracionamento do extrato etanólico das cascas das árvores, isolou-se o AC em grandes concentrações. O AC encontra-se em maior quantidade nas cascas e em pouca concentração nas folhas. A produção do AC varia totalmente durante o ano, no outono há uma maior quantidade nas cascas (0,53% de peso seco) e nas folhas (0,03% de peso seco), na primavera a concentração do AC diminui nas cascas (0,4% de peso seco) e no inverno diminui nas folhas (0,01% de peso seco). Popularmente a Annona glabra possui efeito antiinflamatório, entre outros. Provavelmente este efeito antiinflamatório, seja devido à presença do AC em sua composição (OLIVEIRA; SANT’ANA; BASTOS, 2002). A planta do gênero Mikania (Asteracea), conhecida popularmente como guaco, possui múltiplas propriedades farmacológicas, especialmente antiinflamatórias, antialérgica, analgésica e atividades antimicrobianas. As espécies mais estudadas são M. laevigata e M. glomerata, nas quais os maiores componentes encontrados são cumarina, ácido cumárico, sesquiterpenos e diterpenos (como o AC). Os componentes identificados nos extratos etanólicos da M. laevigata são qualitativamente semelhantes aos da M. glomerata, entre os componentes mais 46 encontrados está o AC com 17,64% e 17,94% na M. laevigata e M. glomerata respectivamente (YATSUDA et al., 2005). As sementes de Xylopia frutescens são usadas popularmente no Brasil como agente antimicrobiano e antireumático. Estas espécies são conhecidas por conter diversos diterpenos caurenos, entre eles o AC, presente abundantemente nas sementes de Xylopia frutescens. O AC tem demonstrado atividade in vitro para o protozoário Trypanosoma cruzi, agente causador da doença de chagas, na dose de 0,68 mg/mL. Altas doses de AC promovem lise total das formas tripomastigotas do Trypanosoma cruzi, mas também total lise dos eritrócitos. Por esta razão, o AC tem sido submetido a diversas transformações, para obter novos componentes que não apresentem este efeito indesejável (DE MELO et al., 2001). Constituintes de própolis foram isolados a partir de uma amostra coletada de abelhas nativas brasileiras, Melipona quadrifasciata anthidioides, sendo um desses constituintes o AC. A própolis de abelhas nativas brasileiras mostrou moderada atividade antimicrobiana com Staphylococcus aureus e Escherichia coli. O AC foi ativo somente contra o S. aureus, sendo a mesma atividade encontrada no extrato total (VELIKOVA et al., 2002). 47 4 MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Materiais 4.1.1 Matérias primas e reagentes - Acetato de etila (Biotec, lote 24275); - Acetona (Vetec, lote 0504655); - Acetonitrila grau HPLC (Tedia, lote 601154R); - Acheflan® (lote L 0700467); - Ácido caurenóico (substância referência isolada e caracterizada por pesquisadores do NIQFAR); - Agarose (Invitrogen, lote - 1106405); - Água purificada por osmose reversa; - Água ultrapura tipo I (obtida em ultrapurificador); - Alfa-bisabolol (All Chemistry, lote All 18110); - Butil-hidroxi-tolueno (BHT) (Pharmaspecial, lote – 75M2212K); - Bicarbonato de sódio (Sigma, lote - 1368681); - Células de fibroblasto L- 929 (Banco de células do Rio de Janeiro CR- 020) - Cera aniônica (Cera Lanette® - All Chemistry, lote - All 09279); - Cera não iônica (Cera Polawax® - All Chemistry, lote - All 18423); - Clorofórmio (Lafan, lote 2494); - Clorofórmio deuterado 99,8% (Cambridge isotrope laboratories - CIL, lote - 6C 874); - Dexametasona (Galena, lote DAC 041006); - EDTA (Dinâmica, lote – 5796); - Éter etílico (Isofar, lote 061216); - Fetal Bovine serum (Soralid, lote - 903-7); - Hexano grau PA (Quimex, lote 31271); - Lecitina de soja (All Chemistry, lote 1-13301); - Meio MEM (Gibico, lote 1336818); - Metanol (Dinâmica, lote 19520); - Metilparabeno (Nipagin® – All Chemistry, lote – 16217); 48 - Miristato de isopropila (Vital, lote P2B060); - Mistura de antibiótico e antifúngico (Gibco); - Neutral red (Sigma, lote - 113k0792); - Oleato de isodecila (All Chemistry, lote All 20733); - Óleo de cróton (2,5%) (Fornecido pelo laboratório de Farmacologia/UNIVALI); - Propilenoglicol (Isofar, lote – 051209); - Propilparabeno (Nipazol® – Embrafarma, lote – DC 0111); - TGM- Tioglicolato sódico USP (Difco , lote - 3114900); - TSB- Triptone Soya Broth (Merck, lote - 3114900); - Tripsina (Gibico, lote - 1368681); - Uréia (Dinâmica, lote 21523). 4.1.2 Equipamentos - Agitador magnético (Marte®, mod. Mag-multi); - Agitador mecânico (Fisatom®, mod. 752 A); - Autoclave (Quimius®, mod. 190.22); - Balança digital (Bioprecisa®, mod. FA 2104 N); - Banho-maria com circulação de água (Marconi®, mod. MA-159); - Célula de Franz adaptada; - Centrífuga (Sanyo®, mod. Harrier 18/80); - Chapa de aquecimento (Quimius®); - Coluna (Phenomenex®, mod. 00F-4375-E0 Synergy 4 µm hydro-RP 80Ǻ, dimensão 150X4,6 mm); - Cromatógrafo Líquido de Alta Eficiência (CLAE), Shimadzu®, equipado com detector (Shimadzu®, mod. SPD-M10A), forno (Shimadzu®, mod. CTO 10), sistema de bomba (Shimadzu®, mod. LC-10AD), software (Shimadzu® Class – VP, versão 6.14 SP2), sistema de injeção manual (looping de 20 µL); - Espectroscópio de Ressonância Magnética Nuclear (RMN), (Brucker®, mod. AC 300); - Espectrofotômetro de infra-vermelho (IV) (Bomem Hartmann & Braun®, mod. MBseries); - Estufa (Fanem®, mod. 502C); 49 - Estufa com 5% de CO2, 85% de umidade relativa e 37± 1°C (Ultrasafe ®, mod. HF 212UV); - Estufa de cultura (Quimius®, mod. 316.22); - Filtro (Milipore® de 0,45 µm com membrana PTFE modificada para filtração de solventes orgânicos e aquosos); - Fluxo laminar (Veco®, mod. VLFS-12 série 8195); - Microcentrífuga (Fanem®, mod. 243); - Micrômetro digital (Mitutoyo®, mod. APB-2D); - Microscópio (Olympus®, mod. CKX41 c/ sistema digital de imagem Q colors 3 Olympus); - Microseringa Hamilton® com capacidade de 50 µL; - Moinho martelo (Cemar®, mod. F56H0996); - Osmose reversa (Gehaka®, mod. osmose 10L TH farma); - Ponto de Fusão (MQAPF®, mod. 302); - Potenciômetro (Digimed®, mod. DM-20); - Rotaevaporador (Quimis®, mod. 344B2); - Sistema de filtração esterilizante (Millipore®); - Ultrapurificador de água com membrana 0,2 µm de poro (Barnstead®, mod. – easy pure LF); - Ultrasom (Unique®, mod. USC 5000); - Viscosímetro rotacional (HAAKE®, mod. VT 550 tipo cilindro-coaxial e cone placa); 4.2 Métodos 4.2.1 Isolamento do AC O processo de isolamento do AC foi realizado pelas alunas de iniciação científica do curso de Farmácia da UNIVALI vinculadas ao programa de bolsas PIPG (Programa Integrado de Pós-graduação e Graduação) – ProPPEC/UNIVALI, Paula Regina Alves de Siqueira e Marina Ledra Kaiser. O AC foi isolado do caule e raiz da planta S. trilobata, a qual foi coletada no horto medicinal da UNIVALI em Itajaí-SC, no mês de março de 2006, a planta foi 50 lavada em água corrente, seca à temperatura ambiente e pulverizada em moinho martelo (partículas < 10 mm). O extrato obtido dos caules e raízes da S. trilobata foi preparado pelo método de maceração durante sete dias em temperatura ambiente utilizando acetona como líquido extrator na proporção de 6:1 (v/p). Após a maceração, o líquido extraído foi filtrado, concentrado em rotaevaporador eliminando a acetona e particionado com hexano para separação da água residual da planta.. O composto foi isolado usando cromatografia líquida de sílica gel 60 (0,063-0,2 mm) e hexano:acetato de etila como fase móvel em diferentes proporções com aumento da polaridade. As frações coletadas foram monitoradas por cromatografia de camada delgada (CCD), usando como fase móvel hexano:acetato de etila (95:5) e anisaldeído sulfúrico como revelador. Como referência foi usada solução padrão de AC (100 µg/mL), disponível no NIQFAR (Núcleo de Investigações Químico-Farmacêuticas). 4.2.2 Caracterização e identificação do AC A pureza do AC, previamente isolado e caracterizado, foi comprovada através de CCD, espectroscopia no infra vermelho (IV), usando pastilha de KBr, perfil em cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE), Espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear de 1H e 13 C, usando solução na concentração de 30 mg/mL em clorofórmio deuterado, e foi determinado seu ponto de fusão, comparando-se com o composto referência isolado anteriormente e com a literatura (BOECK et al., 2005). 4.2.2.1 SOLUBILIDADE E PKA DO AC A solubilidade do AC em água, em meio aquoso com diferentes valores de pH e em propilenoglicol foi verificada. Para verificar a solubilidade em água foram testadas proporções AC:água 1:1 até 1:10.000. Para determinar a solubilidade em relação ao pH, em meio aquoso, foi usada uma solução a 100 µg/mL e o pH foi alterado com ácido clorídrico ou hidróxido de sódio para valores entre 1 e 11. As soluções obtidas foram quantificadas por CLAE. A solubilidade do AC em propilenoglicol foi verificada através da preparação de solução a 0,5 mg/mL e 1 mg/mL. 51 Para a determinação do pKa foi utilizado uma solução ácido caurenóico:água (0,1g:10000 mL). Foram realizadas três titulações variando o pH de 1 – 10, conforme tabelas abaixo: 4.2.2.2 DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE PARTIÇÃO DO AC EM ÓLEO/TAMPÃO O coeficiente de partilha do AC foi determinado baseando-se no método proposto por Wells (1988). Anteriormente à partição, o octanol foi saturado com uma quantidade idêntica de água. Para obter a saturação, a mistura foi agitada por um período de aproximadamente 12 horas, em agitador magnético a 400 rpm. A fase aquosa foi separada em funil de separação e centrifugada a 1400 g por 10 min. Após a saturação das fases, foi adicionado 10 mL de uma solução aquosa pH 11 contendo AC (100 µg/mL) em 10 mL do octanol saturado. Esta mistura foi agitada por 30 min, em temperatura controlada em banho termostatizado a 37 ± 0,5 °C, sendo posteriormente transferida para um funil de separação e mantida em repouso por 5 min. Após este período, a fase aquosa foi retirada e centrifugada por 5 min, à 2500 rpm. As amostras, em triplicata, foram quantificadas por CLAE. 4.2.3 Quantificação do AC em CLAE Para realização destas análises foi usado o cromatógrafo líquido de alta eficiência (CLAE) o qual foi equipado com uma coluna tipo Synergy 4 µm hydro-RP 80Ǻ (Phenomenex) com 150 X 4,6 mm. O tempo de corrida foi de 18 minutos, na temperatura de 35 °C. Usou-se detector tipo arranjo de diodos e software Class-VP versão 6.14 SP2, com fluxo de 1 mL/min, usando método isocrático. A fase móvel usada foi acetonitrila, metanol e água acidificada com ácido fosfórico (pH 3,5) na proporção 40:45:15 (v/v), respectivamente (ZANELA et al., 2006). A fase móvel foi filtrada com um filtro de celulose regenerada, com porosidade de 0,45 µm, sob vácuo. A análise foi monitorada em 210 nm. A linearidade foi determinada através da construção da curva analítica. Foi preparada uma solução estoque de AC, pesando-se exatamente cerca de 10 mg de AC e dissolvendo em fase móvel (acetonitrila:metanol:água acidificada com ácido fosfórico (pH 3,5) na proporção 40:45:15 (v/v)), em um balão volumétrico de 100 mL. 52 A solução foi sonicada por 8 minutos e completado o volume com a fase móvel e homogeneizado, obtendo-se uma solução padrão com concentração final de 100 µg/mL. A partir desta solução foram feitas diluições para obter soluções com diferentes concentrações: 4; 10; 20; 30; 50 e 80 µg/mL. As diluições foram feitas em triplicata. Cada solução, previamente filtrada com filtro de 0,45 µm, foi injetada (20 µL) em 3 replicatas no cromatógrafo CLAE. Os valores de área obtidos foram plotados contra as respectivas concentrações e foi calculada a equação da reta através da análise de regressão linear da reta. A precisão do presente método foi avaliada através da repetibilidade, usando três diferentes concentrações de AC (4, 30 e 50 µg/mL). As análises foram feitas com 6 replicatas, sendo cada concentração analisada em duplicada em três diferentes períodos do dia. 4.2.4 Desenvolvimento e estudo da estabilidade das formulações 4.2.4.1 PREPARAÇÃO DAS FORMULAÇÕES SEMI-SÓLIDAS As formulações foram desenvolvidas a partir dos excipientes clássicos, cera Lanette N® (cera auto-emulsionante aniônica composta por alquil sulfato e álcool cetearílico) e cera Polawax® (cera autoemulsionante não iônica composta por álcool cetearílico e éster de sorbitan (PEG-20)). As bases foram preparadas seguindo técnica usual de preparo. Os componentes da fase oleosa (fase A) e os componentes da fase aquosa (fase B) foram aquecidos separadamente em um béquer até a temperatura de 75 °C. Quando ambas as fases atingiram a temperatura de 75 °C a fase aquosa foi vertida lentamente sob a fase oleosa, permanecendo sob agitação e aquecimento por 5 minutos. Em seguida foi retirada do aquecimento mantendo-se a agitação até a temperatura de 40 °C. Foram adicionados promotores de absorção nas bases semi-sólidas emulsivas. Os promotores de absorção (alfa bisabolol, oleato de isodecila, uréia) foram incorporados na fase B das respectivas formulações descritas no quadro 1 e 2. Em uma das formulações foi incorporada na fase C, lecitina de soja previamente dissolvida em miristato de isopropila, como promotores de absorção. 53 Quadro 1 - Formulações de base semi-sólida com cera Lanette® e promotores de absorção Fase Componentes Fórmula LO* LA* LU* LUA* LML* A Cera Lanette® 15% 15% 15% 15% 15% A Nipazol® 0,1% 0,1% 0,1% 0,1% 0,1% B Propilenoglicol 5,0% 5,0% 5,0% 5,0% 5,0% B Nipagin® 0,1% 0,1% 0,1% 0,1% 0,1% B EDTA 0,1% 0,1% 0,1% 0,1% 0,1% B BHT 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% B Água destilada qsp 100 mL qsp 100 mL Qsp 100 mL qsp 100 mL qsp 100 mL B Alfa-bisabolol - 1,0% - 1,0% B Oleato de 5,0% - - isodecila B Uréia - - 10% 10% C Miristato de - - - - 1,0% - - - 0,5% isopropila C Lecitina de soja *LO - creme lanette contendo oleato de isodecila como promotor; LA – creme lanette contendo alfa-bisabolol como promotor; LU - creme lanette contendo uréia como promotor; LUA – creme lanette contendo uréia e alfa-bisabolol como promotores; LML – creme lanette contendo miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores. 54 Quadro 2 - Formulação de base semi-sólida com cera Polawax® e promotores de absorção Fase A Componentes Cera Fórmula PO* PA* PU* PUA* PML* 15% 15% 15% 15% 15% Polawax® A Nipazol® 0,02% 0,02% 0,02% 0,02% 0,02% B Propilenoglicol 5,0% 5,0% 5,0% 5,0% 5,0% B Nipagin® 0,18% 0,18% 0,18% 0,18% 0,18% B EDTA 0,1% 0,1% 0,1% 0,1% 0,1% B BHT 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% 0,01% B Água destilada qsp 100ml qsp 100ml qsp 100ml qsp 100ml qsp 100ml B Alfa-bisabolol - 1,0% - 1,0% - B Oleato de 5,0% - - - - isodecila B Uréia - - 10% 10% - C Miristato de - - - - 1,0% - - - - 0,5% isopropila C Lecitina de soja * PO - creme polawax contendo oleato de isodecila como promotor; PA – creme polawax contendo alfa-bisabolol como promotor; PU - creme polawax contendo uréia como promotor; PUA – creme polawax contendo uréia e alfa-bisabolol como promotores; PML – creme polawax contendo miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores. 4.2.4.2 ESTUDO PRÉVIO DE ESTABILIDADE As formulações desenvolvidas foram submetidas a testes prévios de estabilidade. Foram empregadas condições extremas de temperatura com o objetivo de acelerar possíveis reações de degradação. As amostras, em triplicata, sem a presença de AC, foram acondicionadas em pote plástico de parede simples com tampa e submetidas a ciclos alternados de resfriamento e aquecimento (BRASIL, 2004). Ciclos de 24 horas em estufa a 50 ± 2 °C e ciclos de 24 horas em freezer a – 5 ± 2 °C dur ante 12 dias. As amostras foram avaliadas no tempo zero e no tempo 12 dias, sendo analisadas as seguintes características: 55 4.2.4.2.1 CARACTERES ORGANOLÉPTICOS: Os caracteres organolépticos avaliados foram homogeneidade, cor, odor, brilho, ausência de grumos e precipitados. Estes testes foram realizados visualmente e pela percepção direta. 4.2.4.2.2 DETERMINAÇÃO DO PH: A determinação do pH foi realizada pelo método potenciométrico. Preparou-se uma solução aquosa das amostras em estudo a 10% (p/v) e procedeu-se à medida do pH em triplicata para cada amostra (MONTAGNER; CORRÊA, 2004, BORGHETTI; KNORST, 2006). O potenciômetro digital foi previamente calibrado com soluções tampão de acetato pH 4,0 e tampão fosfato pH 7,0. 4.2.4.2.3 RESISTÊNCIA FÍSICA: As amostras, em triplicatas, foram colocadas em tubos do tipo eppendorf e submetidas às condições de estresse mecânico, através da centrifugação em uma velocidade de 1370 g, por 15 minutos. As amostras foram avaliadas visualmente quanto à presença de precipitação, coalescência e separação ou não de fases das preparações semi-sólidas (MONTAGNER; CORRÊA, 2004). 4.2.4.2.4 ESPALHABILIDADE Para realização dos testes de espalhabilidade foi usado uma placa-molde circular de vidro com 20 cm de diâmetro e 0,2 cm de espessura, com orifício central de 1,2 cm de diâmetro, a qual foi colocada sobre uma placa-suporte de vidro (20 cm x 20 cm) posicionada sobre uma folha de papel milimetrado. A amostra foi introduzida no orifício da placa-molde e a superfície foi nivelada com uma espátula, esta placa foi cuidadosamente retirada e sobre a amostra foi colocada uma placa de vidro (placa de petri) de peso conhecido. Após um minuto, foi realizada a leitura dos diâmetros abrangidos pela amostra, em duas posições opostas, com auxílio da escala do papel milimetrado. Posteriormente, foi calculado o diâmetro médio. Este 56 procedimento foi repetido acrescentando-se sucessivamente outras placas, em intervalos de um minuto. Os resultados foram expressos em espalhabilidade da amostra em função do peso aplicado, de acordo com a equação 1, sendo que os mesmos correspondem à média de três determinações. A determinação da espalhabilidade foi realizada de acordo com metodologia previamente descrita na literatura por Knorst (1991) e citada por Borghetti e Knorst (2006). π Ei = d 2 4 eq.1 Onde: Ei = espalhabilidade da amostra para um determinado peso i (mm²) d² = diâmetro médio ao quadrado (mm) π = 3,14 4.2.4.3 PREPARAÇÃO DAS FORMULAÇÕES SEMI-SÓLIDAS CONTENDO AC: O AC foi incorporado nas formulações descritas nos quadros 1 e 2 na concentração de 100 µg/g de creme, após prévia dissolução em propilenoglicol (1 mg/mL). As formulações foram armazenadas em bisnagas de alumínio. 4.2.4.4 ESTUDO DE ESTABILIDADE ACELERADO DAS FORMULAÇÕES SEMI-SÓLIDAS O estudo de estabilidade acelerado foi feito com as preparações semi-sólidas com base aniônica (Lanette®). As amostras em triplicatas foram submetidas à avaliação por um período de 90 dias, nos tempos 0, 30, 60 e 90 dias. O estudo foi realizado nas seguintes condições de temperatura e umidade: 25 °C/ 60% UR; 40 °C/ 90% UR. Durante estes estudos as formulações foram avaliadas pelos mesmos parâmetros usados no estudo prévio de estabilidade, como, características organolépticas, pH, resistência física (centrifugação), espalhabilidade e complementados com análise reológica, perfil em CCD e CLAE e quantificação do AC em CLAE. 57 4.2.4.4.1 VISCOSIDADE E TIXOTROPIA: As propriedades reológicas das formulações foram avaliadas com o auxílio de um viscosímetro rotacional tipo cilindro-coaxial e cone placa a 25 °C acoplado a um banho de água termostatizado circulante para controle da temperatura em 25 ± 1ºC. A análise foi realizada em três etapas: 1 - velocidade de rotação crescente de 0-80 s-1, por 180 s; 2 - velocidade constante de rotação (80 s-1) por 30 segundos; 3 velocidade de rotação decrescente de 80-0 s-1 por 180 s. Em cada etapa foram coletados 100 pontos e a viscosidade média foi calculada a partir dos dados coletados na etapa 2. Os resultados correspondem à média de três determinações. 4.2.4.4.2 CROMATOGRAFIA EM CAMADA DELGADA (CCD) Foram feitas cromatografias em camada delgada das preparações semisólidas durante o estudo de estabilidade acelerada, nos tempos zero (24 horas), 90 dias. Para a extração do AC nos cremes, foi realizado 3 sucessivas extrações com hexano, sob agitação mecânica, durante 15 minutos. Após a extração, as frações concentradas foram aplicadas na placa cromatográfica, usando AC como substância referência e hexano:acetato de etila na proporção de 80:20 (v/v) como fase móvel. 4.2.4.4.3 TEOR DE AC O teor de ativo nos cremes foi quantificado pelo método da padronização externa por CLAE, após extração do composto da base semi-sólida, conforme método descrito no item 4.2.4.4.2. Após a identificação do AC por CCD, realizou-se a evaporação do solvente. O precipitado foi dissolvido com 2 mL de metanol. As soluções obtidas foram diluídas 1:1 com fase móvel (acetonitrila, metanol e água acidificada (pH 3,5) na proporção 40:45:15 (v/v)), respectivamente filtradas e injetadas em duplicata no cromatógrafo. As amostras foram comparadas com uma solução padrão de AC. 58 4.2.5 Estudo de Permeação in vitro Todas as formulações foram testadas através do estudo de permeação in vitro, usando célula de Franz (Fig. 5) adaptada e membrana de acetato de celulose com retenção de moléculas com massa molecular maior que 12400.. Figura 5 - Célula de difusão utilizada no ensaio de liberação in vitro. A célula de Franz foi preenchida com tampão fosfato pH 11 (solução receptora, selecionada no teste de solubilidade) no compartimento receptor cuja capacidade média é de aproximadamente 12 mL. Em seguida foi colocada a membrana previamente hidratada sobre a célula e no compartimento superior foi colocada 1 mL das diferentes formulações (fase doadora) com auxílio de uma seringa de 3 mL. O conjunto foi firmado com uma pinça e o compartimento recoberto com filme de PVC (cloreto de polivinila) a fim de que as formulações não sofressem ação da umidade relativa do ar. A célula foi mantida a 37 °C através de um banho termostatizado com água destilada circulante. Esta célula possui uma barra magnética e o seu conteúdo foi agitado pelo agitador magnético a 3000 rpm no qual a células se assentaram. As análises foram realizadas em 5 replicatas de cada formulação. As amostras da solução receptora foram coletadas nos intervalos de tempo de 2, 4, 8 e 12 horas repondo o volume total retirado imediatamente com o líquido receptor e o AC quantificado por CLAE. 59 4.2.6 Avaliação da atividade antiinflamatória in vivo As formulações semi-sólidas contendo AC (100 µg/g) e os promotores de absorção foram avaliadas quanto à ação antiinflamatória em camundongos através do edema de orelha induzido por óleo de cróton (CALIXTO et al., 1991; ZANINI et al., 1992; OTUKI et al., 2005). O trabalho foi submetido ao comitê de ética em pesquisa da UNIVALI e aprovado conforme parecer n° 130/07 (Anexo A) e des envolvido no Laboratório de Farmacologia in vivo, sob orientação da Profª. Drª. Márcia M. de Souza. 4.2.6.1 ANIMAIS Foram usados camundongos machos pesando de 25 a 35 g, provindos do Biotério Central da UNIVALI. Os camundongos foram alojados em gaiolas plásticas e permaneceram em sala com temperatura de 21 ± 1 °C c om ciclo de luz 12/12 horas controlados, recebendo água e ração ad libtum, exceto durante a vigência dos experimentos. 4.2.6.2 MÉTODO DE EDEMA DE ORELHA INDUZIDO POR ÓLEO DE CRÓTON Os animais foram divididos em oito grupos diferentes (n=6), anestesiados com éter. O experimento foi realizado de acordo com a metodologia descrita por Calixto et al. (1991), Zanini et al. (1992) e Otuki et al. (2005). A orelha direita dos animais foram medidas com o auxílio de um micrômetro digital (medida basal) (figura 7). A cada grupo de seis animais foi aplicado na superfície interna da orelha direita 100 mg das preparações semi-sólidas: creme lanette (controle negativo), dexametasona 0,5 % (p/p) (controle positivo), Acheflan® (controle positivo), creme lanette com alfa bisabolol, creme lanette com uréia, creme lanette com uréia e alfa bisabolol, creme lanette com oleato de isodecila, creme lanette com miristato de isopropila e lecitina de soja. Após trinta minutos da aplicação dos respectivos cremes, foi aplicado o óleo de cróton 2,5% (v/v) dissolvido em acetona, como agente irritante, na superfície externa da orelha direita. Seis horas após a aplicação do óleo de cróton, as orelhas foram medidas novamente e o edema de orelha foi avaliado através da diferença 60 entre a medida basal e a medida realizada após aplicação do óleo de cróton. A medida do edema foi expressa em mm. Figura 6 - Medida basal da orelha direita de camundongos com auxílio de micrômetro digital. 4.2.6.3 ANÁLISE ESTATÍSTICA Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e o teste de múltipla comparação utilizando o método de Dunnet, considerando o valor de p< 0,05 como indicativo de significância. Os dados foram analisados utilizando o programa Graph-3®. 4.2.7 Teste de irritação cutânea Foi realizado teste de irritação cutânea nas preparações semi-sólidas (creme Lanette®) contendo solução de ácido caurenóico em uma concentração de 100 µg/g (p/v) com e sem promotores através do teste de agarose overlay (INVITOX, 1991). Este teste foi desenvolvido no Laboratório de Farmacologia in vitro, sob a orientação do Prof. Rilton A. de Freitas. 61 4.2.7.1 TÉCNICA PARA O PREPARO DE MEIO DE CULTURA COM SORO FETAL BOVINO Foi pesado exatamente 4,803 g de meio MEM (minimum essential medium) contendo L- glutamina (2 mM) e aminoácidos não essenciais (1%) e em seguida exatamente 1,85 g de bicarbonato de sódio, ambos foram transferidos para um erlenmeyer de 1000 mL. Adicionado 445 ml de água purificada sob agitação constante. O pH foi corrigido para 7,3 -7,4 com solução de HCl 0,1 M/L e o volume foi completado com 50 mL de soro fetal bovino estéril, inativado e isento de micoplasma. Foi também adicionado 5 mL de mistura de antibiótico (PSN) e antifúngico (fungizona), ambos em fluxo laminar, em seguida foi mantido sob agitação por meia hora. Após a agitação foi feita nova leitura de pH e corrigido novamente para 7,3 -7,4. O meio de cultura foi filtrado em sistema MILLIPORE® com filtração seqüencial em membranas de 0,45 µm e 0,22 µm em fluxo laminar. O meio foi transferido para frasco schott estéril e mantido sob refrigeração por até 30 dias. 4.2.7.2 TÉCNICA PARA O PREPARO DE MEIO DE CULTURA COM SORO FETAL BOVINO 2X CONCENTRADO O procedimento para o preparo do meio de cultura com soro fetal bovino 2 X concentrado, segue a mesma técnica descrita no item 4.6.1, concentrando em 2X todas as quantidades dos sais usados anteriormente. Foi preparado 200 mL deste meio de cultura. 4.2.7.3 CONTROLE DE QUALIDADE MICROBIOLÓGICO DO MEIO DE CULTURA COM SORO FETAL BOVINO Para realização dos testes de controle de qualidade microbiológico dos meios de cultura com soro fetal bovino e soro fetal bovino 2X concentrado, foi retirado 1 mL de cada meio e transferido para um tubo de ensaio contendo 15 mL de TSB e 1 mL para um tubo de ensaio contendo 15 mL de TGM. Todos os tubos de ensaios foram mantidos em estufa a 37 °C durante 48 horas a 14 di as, sendo analisado visualmente a cada 24 horas, a presença ou não de turbidez, ou seja, o crescimento ou não de bactérias e fungos. 62 4.2.7.4 MANUTENÇÃO CELULAR E CRESCIMENTO Foi acrescentado meio de cultura a uma garrafa contendo células de fibroblasto L929, previamente descongeladas. O conteúdo desta garrafa foi visualizado ao microscópio, para verificação do crescimento das células. Após ter sido observado o crescimento das células com 80-90 % de confluência o meio de cultura foi retirado, a monocamada lavada 3X com tampão salino fosfato pH 7,4 (PBS) e acrescentado 1,5 mL de tripsina (250 mg%), mantidas em agitação com posterior incubação a 37 °C/5% CO 2 até descolamento da placa. Posteriormente, a suspensão celular foi diluída com meio MEM e centrifugada a 1000xg por 10 min a 10 °C. Após a centrifugação o sobrenadante foi desp rezado, as células foram ressuspendidas em meio de cultura, e transferidas para garrafas T25 (25 cm2). As garrafas foram colocadas em estufa a 37 °C/5%CO 2 sendo observada no microscópio a cada 24 horas, e o meio de cultura substituído a cada 48 horas. 4.2.7.5. ENSAIO AGAROSE OVERLAY Foram tripsinizadas e transferidas 3 mL/poço de uma suspensão celular (L929) a 300.000 células/mL em placas de 6 poços. Após 24 horas, o meio de cultura foi substituído por MEM contendo 0,01% de vermelho neutro como corante vital por 15 min no escuro. Posteriormente o excesso de corante vital foi removido e adicionado em cada poço 3 mL de meio MEM, e incubado por 1 h até aparecimento de coloração vermelha celular. O meio de cultura foi novamente removido e substituído por uma mistura de 1:1,2 de meio agarose:meio MEM (mistura overlay), mantidas em aquecimento (45 °C) a fim de evitar a s olidificação dos meios. Foram transferidos 3 mL/poço de mistura overlay, e as placas mantidas em estufa a 37 °C /5% CO2 por duas horas. As amostras foram incorporadas em discos de papel (0,54 cm), previamente lavados com PBS e secos, com posterior autoclavação (121 °C/20 min). Como controle positivo foi utilizado uma solução de dodecilsulfato de sódio (DSS) a 1% em água e como controle negativo solução salina. As placas foram incubadas por 24 horas em estufa a 37 °C /5% CO 2. O grau de irritação foi avaliado pela zona de lise (ausência de incorporação do corante vital) através do uso de paquímetro e 63 avaliação microscópica segundo a classificação descrita pela Farmacopéia Americana (United States Pharmacopeia, 2006) (quadro 3). Quadro 3: Classificação do grau de irritação cutânea. Classificação Reatividade Descrição da zona de reatividade 0 Nenhum Nenhuma reatividade ao redor da amostra 1 Leve Alguma má – formação ou degeneração ao redor da amostra 2 Médio Zona limitou a área ao redor da amostra 3 Moderado Zona estende 0,5 a 1,0 cm além da amostra 4 Severo Zona estende maior que 1,0 cm além da amostra 64 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 Isolamento e Caracterização do AC Em 3,335 kg de caule e raiz de S. trilobata, coletada em março de 2006, foram isolados 4,669 g de AC, representando um rendimento de 0,14%. Boeck et al. (2005) isolaram o AC usando metodologia semelhante e obtiveram 0,2% e Bresciani et al. (2004) obtiveram 0,66% de rendimento. A diferença de rendimento nos trabalhos citados pode estar relacionado com a época de coleta da planta, pois sabe-se que a planta apresenta maior quantidade de AC no outono. O composto isolado apresentou-se na forma de cristais do tipo aciculares e hexagonais (Fig. 7), de cor branca. Figura 7 – AC na forma cristalina obtido após evaporação do solvente (hexano). A temperatura de fusão encontrada foi de 176,3 – 180,2 ºC, resultado este semelhante ao obtido por Boeck e colab. (2005) que foi de 179-180 °C. A figura 8 apresenta a espectroscopia do AC na região do infravermelho (IV). O ácido carboxílico presente na estrutura do composto apresenta absorção de deformação axial de O-H intensa e muito larga na região de 3300-2500 cm-1. A absorção na região 1710-1680 cm-1 é resultante da deformação axial de C=O dos ácidos carboxílicos conjugados a insaturações C=C. Uma banda mais intensa, 65 próxima a 1320-1210 cm-1, é geralmente associada à deformação axial de C-O. (SILVERSTEIN; BASSLER; MORRIL, 1994). Os resultados obtidos estão de acordo com os dados descritos na literatura (BOECK et al., 2005). Figura 8 - Espectro de absorção do AC na região do infravermelho. O perfil cromatográfico do composto isolado foi comparado com o perfil do padrão do AC em cromatografia de camada delgada. Conforme apresentado na figura 9 o perfil do AC isolado apresentou valor de Rf de 0,53, valor este semelhante ao do padrão. 66 Figura 9 - Perfil do AC em cromatografia de camada delgada (CCD). L1A – composto obtido na fração hexânica, L1B – composto obtido na fração Hex:AcOEt 99:1; P – composto referência. Eluente: Hex:AcOEt 80:20. Revelador: anisaldeído sulfúrico. Para verificação do perfil por CLAE do composto isolado, foi preparada uma solução deste na acetonitrila:metanol:água concentração acidificada de (pH 100 3,5) µg/mL na em fase proporção móvel 40:45:15, respectivamente. O AC apresentou um tempo de retenção de aproximadamente 12 minutos. O perfil cromatográfico obtido foi semelhante à amostra referência do AC e pode ser observado na figura10, destacando o perfil de absorção da substância no ultravioleta (210 nm). Figura 10 – Perfil cromatográfico do AC em CLAE, em 210 nm. 67 1 O espectro de RMN H do AC (Fig. 11) apresenta como principais informações: dois simpletos em 0,9 e 1,20 ppm referentes as duas metilas e dois simpletos em 4,74 e 4,80 ppm referentes aos hidrogênios olefínicos. Os sinais entre 0,6 e 2,8 ppm são referentes aos metilenos e metinos. Os dados estão de acordo com os descritos na literatura (BOECK et al., 2005). Figura 11 - Espectro de RMN 1H do AC. Solvente clorofórmio deuterado. Concentração: 30 mg/mL. A Fig. 12 apresenta o espectro de RMN 13 C do AC. São observados os sinais em 184,2 ppm referente a carbonila e em 155,8 e 102,9 ppm referentes aos carbonos olefínicos. Os demais sinais entre 60 e 15 ppm são referentes aos carbonos metilenos, metílicos e metinos. O espectro obtido está de acordo com os dados descritos na literatura (BOECK et al., 2005). 68 Figura 12 - Espectro de RMN 13C do AC. Solvente clorofórmio deuterado. Concentração: 30 mg/mL. 5.1.1 Solubilidade do AC Foi verificada a solubilidade do AC em água, em meio aquoso em diferentes valores de pH e em propilenoglicol. A substância não dissolveu em proporções entre 1:1 (AC:água) a 1:10.000, podendo ser considerada insolúvel em água. Para verificar a solubilidade em meio aquoso em difentes valores de pH, foi adicionado ácido ou base à solução contendo 100 µg/mL de AC e foram retiradas alíquotas da solução em pH 1 ao 11 e quantificado em CLAE. Conforme apresentado na figura 13, o AC possui solubilidade pH-dependente sendo que a partir do pH 8 observou-se um aumento de solubilidade e em pH 10 foi observado o máximo de solubilidade (187 µg/mL). Em propilenoglicol foi verificada a solubilidade do composto nas concentrações de 0,5 e 1 mg/mL. O composto dissolveu-se totalmente. Com isso, é 69 possível classificar este como levemente solúvel em propilenoglicol (AULTON, 2005), como mostra a Fig. 13. Água pH 11 pH 10 pH 9 Solvente pH 8 pH 7 pH 6 pH 5 pH 4 pH 3 pH 2 pH 1 Propilenoglicol 0 200 400 600 800 1000 1200 Solubilidade do AC (µ µg/mL) Figura 13- Solubilidade do AC em meio aquoso com diferentes valores de pH, água e propilenoglicol. A partir dos dados da curva potenciométrica do AC em meio aquoso (figura 14) foi determinado o pKa do ácido caurenóico sendo 5,88. 4 10 8 2 pH ∆pH/∆V 6 4 0 2 0 -10 0 10 20 30 40 50 Volume NaOH (mL) 60 70 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 Volume NaOH (mL) Figura 14- Titulação potenciométrica do AC e derivado da titulação potenciométrica. 70 5.1.2 Coeficiente de Partição O coeficiente de partição do AC no sistema tampão/octanol foi verificado através da adição da solução tampão contendo AC em contato com octanol previamente saturado com água. Através da quantificação do AC remanescente na solução aquosa, foi verificado que 95,99 ± 2,26% particionou para a fase oleosa, ou seja, octanol. A partir destes resultados o AC pode ser considerado um fitocomposto com alto coeficiente de partição água/óleo. 5.2 Quantificação do AC em CLAE Para quantificação do ácido caurenóico nos ensaios de caracterização deste e nas formulações foi usado o método analítico por CLAE desenvolvido por Zanella e colab. (2006). A linearidade e a precisão do método foram determinadas. A linearidade é a capacidade da metodologia analítica demonstrar que os resultados obtidos são diretamente proporcionais à concentração do analito na amostra, em um intervalo especificado (BRASIL, 2003). Para obtenção da curva analítica do AC, foi preparada uma solução padrão com concentração de 100 µg/mL, em fase móvel acetonitrila:metanol:água acidificada (pH 3,5) na proporção 40:45:15. A partir desta solução foram feitas diluições em triplicata nas concentrações de: 4; 10; 20; 30; 50 e 80 µg/mL. Neste experimento o tempo de retenção do AC foi de 11,55 minutos. Os valores da área obtidos foram plotados com as respectivas concentrações e foi calculada a equação da reta através de análise de regressão linear. Foram obtidos a equação da reta e o coeficiente de regressão (R2) mostrados na Figura 15 O método apresenta linearidade de 4 a 50 µg/mL com coeficiente de regressão de 0,9991, atendendo as especificação da RE 899 (BRASIL, 2003) que recomenda um coeficiente de no mínimo 0,99. Zanella et al. (2006) validaram a metodologia analítica para quantificação do AC por CLAE e, nos testes de linearidade obtiveram um coeficiente de correlação de 0,9996 na faixa de 10 a 80 µg/mL. 71 1,2e+6 Equação da reta: y = 20494x + 137,29 R2 = 0,9991 1,0e+6 Área 8,0e+5 6,0e+5 4,0e+5 2,0e+5 0,0 0 10 20 30 40 50 60 Ácido Caurenóico (µg/mL) Figura 15- Curva analítica do AC em CLAE. Fase móvel - acetonitrila:metanol:água acidificada (pH 3,5) (40:45:15). A precisão é a avaliação da proximidade dos resultados obtidos em uma série de medidas de uma amostragem múltipla de uma mesma amostra. Esta é considerada em três níveis: repetibilidade, precisão intermediária ou reprodutividade (POLESELLO, 1997). A repetibilidade constitui a precisão estudada no mesmo laboratório, em pequeno intervalo de tempo. A precisão intermediária é expressa pela variação entre resultados obtidos em dias diferentes pelo mesmo laboratório. A reprodutividade é estudada entre diferentes laboratórios, em diversas localidades do mundo, utilizando o mesmo conjunto de amostras (AMARANTE et al., 2001). Sendo a repetibilidade a análise do grau de concordância entre os resultados obtidos, sob as mesmas condições de medição, o ensaio deve ser procedido mantendo inalterado o procedimento de medição, o analista, o equipamento usado, as condições e o local de análise, com repetições em curto espaço de tempo. A partir de uma solução padrão (100 µg/mL) em fase móvel acetonitrila:metanol:água acidificada (pH 3,5) na proporção 40:45:15 foram preparadas três soluções nas concentrações de 4, 30 e 50 µg/mL. As análises foram feitas com 6 replicatas, sendo cada concentração analisada em duplicada em três diferentes períodos do dia. 72 A Tabela 1 apresenta a repetibilidade do método quando analisado em três diferentes concentrações em 6 replicatas. O DPR para as concentrações de 4, 30 e 50 µg/mL foi de 4,78, 1,28 e 3,78 %, respectivamente. Portanto, o método analisado apresenta precisão em nível de repetibilidade dentro dos limites recomendados pela RE 899 (BRASIL, 2003), que é de no máximo 5%. Tabela 1 – Resultados da análise de precisão do método analítico para quantificação do AC por CLAE AC (µg/mL) 4 Média* Desvio Padrão 30 50 63604 525482 88387,3 3040,10 6733,23 33438,24 4,78 1,28 3,78 DPR (%) * n=6 5.3 Desenvolvimento e estudo de estabilidade das formulações Para o desenvolvimento das formulações semi-sólidas (cremes), foram escolhidas duas bases clássicas, uma com características aniônicas (Lanette®) e outra não-iônica (Polawax®), estas bases são preferidas pela boa estabilidade que apresentam (ZANIN et al., 2001). Em ambas as bases foram adicionados diferentes promotores de absorção como: miristrato de isopropila e lecitina de soja, alfa bisabolol, oleato de isodecila, uréia. O AC foi adicionado, previamente dissolvido em propilenoglicol, nas formulações na concentração de 100 µg/g de creme. 5.3.1 Testes prévios de estabilidade As amostras em triplicata submetidas aos testes prévios de estabilidade, creme Lanette®, creme Polawax® com adição dos promotores de absorção, foram avaliadas quanto à estabilidade física no tempo zero (24 horas) e com 12 dias, após estresse térmico (ciclo gelo-degelo). Os parâmetros analisados foram quanto à cor, odor, homogeneidade, brilho, pH, espalhabilidade (mm²) e homogeneidade após 73 estresse mecânico (centrifugação) (MAIA, 2001; ZANIN et al., 2001; CZEPULA, 2006; PROENÇA et al., 2006). A estabilidade física faz com que os produtos permaneçam de forma inalterada após sua fabricação. As propriedades físicas são avaliadas pela manutenção da aparência, palatabilidade, uniformidade, dissolução e suspentabilidade. Numerosos fatores podem afetar a estabilidade de um fármaco em uma forma farmacêutica, incluindo pH, temperatura, solvente, luz, hidrólise, oxidação, tamanho de partículas, entre outros (ALLEN Jr., 2002). Através da centrifugação, consegue-se observar quando há separação da fase interna (MONTAGNER; CORRÊA, 2004), avaliando a coalescência ou a cremeação, podendo prever se o produto irá separar em função do tempo, avaliando em curto espaço de tempo possíveis instabilidades físico-químicas (MORAES, 2006). A estabilidade física da emulsão é fundamental, pois a ocorrência de separação de fases pode afetar todas as demais especificações de uma emulsão (ALLEN Jr., 2002). A determinação do pH é um dos fatores mais importantes, pois proporciona informações que podem refletir a estabilidade química da preparação, principalmente quanto a reações de degradação do princípio ativo ou adjuvantes da formulação (MORAES, 2006). Com o teste de espalhabilidade pode ser observado se as formulações mantêm estáveis as características físicas e físico-químicas relacionadas à reologia e conseqüente espalhabilidade do produto, que podem estar relacionadas à perda ou ganho de umidade, à separação de fases e precipitação de adjuvantes, após terem sido submetidas a diversas condições de armazenamento (CZEPULA, 2005). Os resultados obtidos no teste prévio de estabilidade do tempo zero (24 horas) e tempo doze dias estão demonstrados nos quadros 4 e 5. Todas as formulações em ambas as bases apresentaram-se estáveis durante a análise inicial quanto aos caracteres organolépticos, homogêneas após estresse mecânico (C-conforme) e permanecendo com a mesma consistência inicial (Cconforme). As formulações LML e PML, contendo lecitina de soja e miristato de isopropila apresentaram consistência inadequada e separação de fases, em concentrações maiores, mantendo-se estáveis apenas nas concentrações descritas no quadro 1 e 2. As formulações LU, LUA, PU e PUA apresentaram os maiores valores de pH, provavelmente provocado pela presença da uréia como promotor. 74 Todas as formulações (base Lanette® e base Polawax®) apresentaram-se estáveis após o estresse térmico quanto aos caracteres organolépticos. As formulações LU, LUA, PU e PUA apresentaram os maiores valores de pH, provocado pela presença da uréia como promotor, como observado no tempo zero. A espalhabilidade dos cremes com base Lanette®, apresentou uma pequena variação e, os cremes com base Polawax®, apresentaram uma redução na espalhabilidade, podendo tal alteração estar associada à perda de água durante o estresse térmico, podendo ser uma característica da base, já que todas as formulações apresentaram o mesmo comportamento independente do promotor utilizado. As preparações semi-sólidas descritas nos quadros 1 e 2, sem a presença do AC, foram aprovadas para a continuidade dos estudos, pois não houve variações significativas de pH e os caracteres organolépticos mantiveram-se estáveis indicando que provavelmente não houve degradação das matérias-primas utilizadas. 75 Quadro 4: Características das formulações com base Polawax® sem AC no tempo zero e tempo 12 dias após estresse térmico (ciclo gelodegelo). Formulações* PO Parâmetros PA PU PUA PML t0 t 12d t0 t 12d t0 t 12d t0 t 12d t0 t 12d BR/OP BR/OP BR/OP BR/OP BR/OP BR/OP BR/OP BR/OP BR/OP BR/OP Odor C C C C C C C C C C Homogeneidade C C C C C C C C C C Brilho C C C C C C C C C C 4,44 4,10 4,56 4,07 6,28 7,36 6,12 7,58 5,63 4,26 1542,92 ± 812,28 ± 1440,23 ± 795,53 ± 1531,34 ± 820,72 ± 1417,90 ± 754,38 ± 1440,23 ± 660,32 ± 20,05 14,62 19,38 14,39 20,05 14,62 0 0 19,37 22,76 C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C Cor pH Espalhabilidade (mm²) Homogeneidade após estresse mecânico Consistência Legenda: AM/CL: Amarelo/Claro; BR/OP: Branco/Opaco;C: Conforme; NC: Não Conforme; PO - creme polawax contendo oleato de isodecila como promotor; PA – creme polawax contendo alfa-bisabolol como promotor; PU - creme polawax contendo uréia como promotor; PUA – creme polawax contendo uréia e alfa-bisabolol como promotores; PML – creme polawax contendo miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores; t = tempo; d = dias *n=3 76 Quadro 5: Características das formulações com base Lanette® sem AC no tempo zero e no tempo 12 dias após estresse térmico (ciclo gelo-degelo). Formulações* LO Parâmetros LA t0 t 12d BR/OP Odor LU t0 t 12d BR/OP BR/OP C C Homogeneidade C Brilho Cor pH Espalhabilidade (mm²) Homogeneidade após LUA t0 t 12d BR/OP BR/OP C C C C C C 4,85 LML t0 t 12d t0 t 12d BR/OP BR/OP BR/OP BR/OP BR/OP C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C 6,95 5,01 6,97 6,20 7,75 6,33 7,83 5,75 6,73 1330,38 1173,71 1235,20 1373,82 1395,80 1395,80 1395,80 1341,17 1277,06 1373,82 ± 18,70 ± 17,56 ± 18,01 ± 18,92 ± 19,15 ± 19,15 ± 19,15 ± 18,69 ± 18,24 ±18,92 C C C C C C C C C C C C C C C C C C C C estresse mecânico Consistência Legenda: AM/CL: Amarelo/Claro; BR/OP: Branco/Opaco; C: Conforme; NC: Não Conforme; LO – creme lanette contendo oleato de isodecila como promotor; LA – creme lanette contendo alfa-bisabolol como promotor; LU – creme lanette contendo uréia como promotor; LUA – creme lanette contendo uréia e alfa-bisabolol como promotores; LML – creme lanette contendo miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores; t = tempo; d = dias. *n=3 77 5.3.2 Estudo de Estabilidade Acelerado das Formulações Semi-sólidas Para que a estabilidade química seja mantida, cada componente ativo deve reter sua integridade química e manter-se potente dentro dos limites especificados e dentro do período de armazenagem e de uso, preservando as propriedades e características que possuía quando foram manipulados (MONTAGNER; CORRÊA, 2004). Para os estudos de estabilidade acelerado optou-se em realizar apenas as formulações semi-sólidas aniônicas (creme Lanette®), por ser uma base tecnologicamente mais fácil de preparar e por ser uma base usual em preparações de formulações semi-sólidas. Nestas formulações semi-sólidas foi incorporada a solução de AC em propilenoglicol na concentração de 100 µg/g de creme e os diferentes promotores de absorção (oleato de isodecila, alfa bisabolol, uréia, miristato de isopropila e lecitina de soja). O estudo de estabilidade acelerado destas preparações foi realizado em triplicata durante 90 dias, avaliando-se nos tempos zero (24 horas), 30, 60 e 90 dias em temperatura ambiente e nos tempos 30, 60 e 90 dias em estufa 40 °C. Foi verificada a estabilidade física e físico-química através dos caracteres organolépticos, pH, centrifugação (estresse mecânico), espalhabilidade, viscosidade, tixotropia, CCD e CLAE. Os caracteres organolépticos avaliados foram, homogeneidade, cor, odor, brilho, ausência de grumos e precipitados. Estes testes foram realizados visualmente e pela percepção direta. Em todos os tempos de análise e nas temperaturas usadas às preparações mostraram-se estáveis com relação aos caracteres organolépticos e após estresse mecânico. A determinação do pH e os testes de espalhabilidade, viscosidade e tixotropia foi realizada em triplicata (quadros 6 e 7, figuras 16 a 23 ). 78 Quadro 6: Características dos cremes com ácido caurenóico e promotores de absorção no teste de estabilidade acelerado em temperatura ambiente. Formulações Parâmetros (média ± desvio-padrão)* L LA LAO LAA LAU LAUA LAML Espalhabilidade (mm2) pH Tixotropia (Pa-1) Viscosidade (mPa.s) t 0 t 30d t 60d t 90d t 0 t 30d t 60d t 90d t 0 t 30d t 60d t 90d t 0 t 30d 5,73 ± 0,04 5,87 ± 0,06 5,84 ± 0,01 5,76 ± 0,01 6,57 ± 0,05 6,61 ± 0,01 5,83 ± 0,02 6,18 ±0,36 5,88 ±0,02 5,93 ±0,01 5,88 ±0,13 7,40 ±0,09 7,24 ±0,07 5,90 ±0,16 5,96 ± 0,04 6,09 ± 0,21 5,78 ± 0,01 6,25 ± 0,24 7,55 ± 0,15 7,62 ± 0,08 5,99 ± 0,02 5,91 ± 0,09 5,87 ± 0,04 5,98 ± 0,01 5,84 ± 0,12 7,38 ± 0,06 7,40 ± 0,05 5,75 ± 0,06 970,85 ± 15,98 998,65 ± 16,21 1113,78 ± 17,11 1084,41 ± 16,88 1153,56 ± 17,33 1055,43 ± 16,65 889,80 ± 15,30 1055,43 ± 16,65 1153,56 ± 17,34 1298,26 ±18,47 1214,53 ± 17,78 1153,56 ± 17,33 1143,55 ± 17,33 1008,00 ± 16,20 1330,38 ± 18,70 1277,06 ± 18,24 1395,80 ± 19,15 1531,34 ± 20,05 1373,82 ± 18,92 1330,38 ± 18,69 1143,55 ± 17,33 1341,17 ± 18,70 1277,06 ± 18,24 1153,56 ± 17,33 1277,06 ± 18,24 1094,16 ± 16,88 1266,53 ± 18,24 1026,84 ± 16,43 2753,33 ± 628,52 3573,33 ± 371,66 2520 ± 223,38 2700 ± 208,09 2383,33 ± 275,38 2520 ± 166,43 3086,67 ± 310,05 2396,67 ± 151,44 2673,33 ± 142,94 2173,33 ± 104,08 2043,33 ± 11,55 2676,67 ± 66,58 2043,33 ± 167,43 2696,67 ± 201,08 2226,67 ± 77,67 2616,67 ± 97,12 2210 ± 55,68 2076,67 ± 100,17 2580 ± 121,65 1886,67 ± 81,44 2660 ± 141,07 2766,67 ± 223,68 2723,33 ± 77,67 2536,67 ± 444,67 2346,67 ± 135,77 2870 ± 272,21 2400 ± 304,14 2956,67 ± 168,03 3430,67 ±1097,8 3386,33 ± 562,22 1725,33 ± 469,52 1968,33 ± 72,40 1736 ± 99,45 2093,33 ± 252,84 2028 ± 132,52 1596 ± 246,31 2254 ± 239,27 917,56 ± 267,72 1492,57 ± 469,40 2210,67 ± 336,00 1392,67 ± 104,74 2517,67 ± 433,06 t 60d t 90d 1586,33 ± 355,78 2417 ± 36,30 983,43 ± 44,07 1671,33 ± 48,84 2310,67 ± 149,43 928,17 ± 451,01 2713 ± 372,76 2429,67 ± 396,40 2792,33 ± 241,55 823,00 ± 845,88 1724,67 ± 63,26 1859 ± 523,14 1290,67 ± 266,49 3386 ± 439,12 Legenda: L - creme sem AC; LA – creme contendo 0,1% de AC; LAO - contendo 0,1% de AC mais oleato de isodecila como promotor; LAA – contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol como promotor; LAU - contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor; LAUA - contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores; t = tempo; d = dias *n=3 79 10 pH 8 6 L LA LAC LAA LAU LAUA 4 LAML 0 T0 T 30 T 60 T 90 Tempo (dias) Figura 16- Teste de estabilidade acelerado referente ao pH dos cremes com base Lanette com os promotores de absorção em temperatura ambiente. L - creme sem AC; LA ® – creme contendo 0,1% de AC; LAC -creme contendo 0,1% de AC mais cetiol V como promotor; LAA -creme contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol como promotor ; LAU -creme contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor; LAUA creme- contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores. 80 1600 Espalhabilidade (mm) 1500 1400 L LA LAC LAA LAU LAUA LAML 1300 1200 1100 1000 900 800 T0 T 30 T 60 T 90 Tempo (dias) Figura 17- Teste de estabilidade acelerado referente a espalhabilidade dos cremes com os promotores de absorção em temperatura ambiente. L - creme sem AC; LA – creme ® contendo 0,1% de AC; LAC - creme contendo 0,1% de AC mais cetiol V como promotor; LAA creme- contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol como promotor; LAU - creme contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor; LAUA – creme contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores. 81 3800 3600 Viscosidade (mPa.s) 3400 3200 L LA LAC LAA LAU LAUA LAML 3000 2800 2600 2400 2200 2000 1800 T0 T 30 T 60 T 90 Tempo (dias) Figura 18- Teste de estabilidade acelerado referente à viscosidade dos cremes com os promotores de absorção em temperatura ambiente. L - creme sem AC; LA – creme contendo 0,1% de AC; LAC – ® creme contendo 0,1% de AC mais cetiol V como promotor; LAA - creme contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol como promotor; LAU – creme contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor; LAUA creme contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores. 82 4000 3500 Tixotropia Pa-1 3000 L LA LAC LAA LAU LAUA LAML 2500 2000 1500 1000 500 T0 T 30 T 60 T 90 Tempo (dias) Figura 19- Teste de estabilidade acelerado referente a tixotropia dos cremes com os promotores de absorção em temperatura ambiente. L - creme sem AC; LA – creme contendo 0,1% de AC; LAC ® contendo 0,1% de AC mais cetiol V como promotor; LAA - creme contendo 0,1% de AC mais alfabisabolol como promotor; LAU – creme contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor; LAUA – creme contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores. 83 Quadro 7: Características dos cremes com ácido caurenóico e promotores de absorção no teste de estabilidade acelerado em temperatura 40 °C. Formulações Parâmetros (média ± desvio-padrão)* L LA LAO LAA LAU LAUA LAML Espalhabilidade (mm2) pH Tixotropia (Pa-1) Viscosidade (mPa.s) t 0 t 30d t 60d t 90d t 0 t 30d t 60d t 90d t 0 t 30d t 60d t 90d t 0 t 30d t 60d t 90d 5,73 ±0,04 5,87 ±0,06 5,84 ±0,01 5,76 ±0,01 6,57 ±0,05 6,61 ±0,01 5,83 ±0,02 5,79 ±0,15 5,84 ±0,83 6,14 ±0,25 5,85 ±0,13 7,95 ±0,04 8,14 ±0,05 5,86 ±0,12 6,26 ±0,14 6,02 ±0,83 6,20 ±0,19 6,10 ±0,06 8,26 ±0,18 8,64 ±0,23 5,87 ±0,03 5,94 ±0,18 5,94 ±0,14 5,85 ±0,08 5,91 ±0,14 8,37 ±0,04 8,55 ±0,14 5,71 ±0,06 970,85 ± 15,98 998,65 ± 16,21 1113,78 ± 17,11 1084,41 ± 16,88 1153,56 ± 17,33 1055,43 ± 16,65 889,80 ± 15,30 1183,85 ± 17,56 1008,00 ± 16,20 980,07 ± 15,97 889,80 ± 15,30 1094,16 ± 16,88 1204,25 ± 17,78 980,07 ± 15,97 1173,71 ± 17,56 1173,71 ± 17,56 1245,60 ± 18,02 1542,92 ± 20,05 1065,05 ± 16,65 1214,52 ± 17,78 1113,78 ± 17,11 1113,78 ± 17,11 952,53 ± 15,75 1298,26 ± 18,47 1074,66 ±0 1214,52 ± 17,79 1055,43 ± 16,65 952,53 ± 15,75 2753,33 ±628,52 3573,33 ±371,66 2520 ±223,38 2700 ±208,09 2383,33 ± 75,38 2520 ± 66,43 3086,67 ± 10,05 2863,33 ±201,08 3326,67 ±308,92 2826,67 ± 55,07 2846,67 ± 86,22 3110 ± 55,67 2840 ± 51,33 2990 ±306,43 2953,33 ±308,92 3103,33 ± 75,05 2743,33 ± 58,59 2833,33 ±136,14 2813,33 ±170,10 2400 ±101,49 2896,67 ±327,19 3226,67 ±122,20 3520 ±140 2740 ±17,32 2783,33 ±145,72 2956,67 ± 98,15 2493,33 ±273,01 3176,67 ±195,53 3430,67 ±1097,08 3386,33 ±562,22 1725,33 ±469,52 1968,33 ± 72,40 1736 ± 99,45 2093,33 ±252,84 2028 ±132,52 3885,67 ±1212,64 2948,33 ± 715,94 1427,33 ± 163,02 2268,67 ± 92,12 3322 ± 156,14 1986 ± 258,37 4504,33 ± 726,49 2156 ± 642,86 2560,33 ± 313,86 1612 ± 191,44 2415,67 ± 448,08 2924,33 ±224,42 1364,67± 131,23 3392 ± 18,05 2392 ±210,41 2710 ± 69,11 1689,67 ±172,32 2635,67 ±290,66 3063 ± 75,03 1578,33 ± 23,43 3703,33 ± 61,33 Legenda: L - creme sem AC; LA – creme contendo 0,1% de AC; LAO - contendo 0,1% de AC mais oleato de isodecila como promotor; LAA contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol como promotor ; LAU - contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor; LAUA - contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores; t = tempo; d = dias *n=3 84 10 8 pH L LA LAC LAA LAU LAUA LAML 6 4 0 T 30 T 60 T 90 Tempo (dias) Figura 20- Teste de estabilidade acelerado referente ao pH dos cremes com os promotores de absorção em temperatura 40°C. L - creme sem AC; LA – creme contendo ® 0,1% de AC; LAC -creme- contendo 0,1% de AC mais cetiol V como promotor; LAA – creme contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol como promotor; LAU creme contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor; LAUA - creme contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores. 85 1600 Espallhabilidade (mm) 1500 1400 1300 L LA LAC LAA LAU LAUA LAML 1200 1100 1000 900 800 T 30 T 60 T 90 Tempo (dias) Figura 21- Teste de estabilidade acelerado referente a espalhabilidade dos cremes com os promotores de absorção em temperatura 40°C. L - cre me sem AC; LA – creme ® contendo 0,1% de AC; LAC - creme contendo 0,1% de AC mais cetiol V como promotor; LAA - creme contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol como promotor; LAU - creme contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor; LAUA – creme contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores. 86 3600 Viscosidade (mPa.s) 40c 3400 3200 L LA LAC LAA LAU LAUA LAML 3000 2800 2600 2400 2200 T 30 T 60 T 90 Tempo (Dias) Figura 22- Teste de estabilidade acelerado referente à viscosidade dos cremes com os promotores de absorção em temperatura 40°C. L - creme sem AC; LA – creme contendo 0,1% de AC; LAC ® creme contendo 0,1% de AC mais cetiol V como promotor; LAA – creme contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol como promotor; LAU – creme contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor; LAUA – creme contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores. 87 5000 4500 Tixotropia Pa-1 4000 L LA LAC LAA LAU LAUA LAML 3500 3000 2500 2000 1500 1000 T 30 T 60 T 90 Tempo (dias) Figura 23-Teste de estabilidade acelerado referente a tixotropia dos cremes com os promotores de absorção em temperatura 40°C. L - creme sem AC; LA – creme contendo 0,1% de AC; LAC ® contendo 0,1% de AC mais cetiol V como promotor; LAA -creme contendo 0,1% de AC mais alfabisabolol como promotor; LAU - creme contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor; LAUA – creme contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores. A maioria das formulações apresentou pouca variação de pH, em ambas as temperaturas, durante o período de estudo, apresentando valores de pH levemente ácidos, sendo esta faixa de pH considerada como ideal para as finalidades propostas. As formulações LAU e LAUA apresentaram maior variação de pH em ambas as temperaturas, provavelmente devido à presença de uréia nestas formulações. Em estudos anteriores de permeação cutânea in vitro do piroxicam com formulações semi-sólidas (Lanette® + uréia e Net Fs® + uréia) estas também apresentaram variação de pH. Para tentar estabilizar o caráter fortemente básico da uréia, foram testados dois sistemas de tampão, tampão fosfato pH 6,5 e tampão Tris pH 7, 0, sendo que a formulação com tampão Tris apresentou menor variação de pH (BORTOLON, 2006). Testes de avaliação da estabilidade com cremes contendo uréia em diferentes valores de pH foram realizados por Montagner e Corrêa (2004), estas 88 avaliações foram realizadas com pH 4, 6 e 8, armazenadas em diferentes locais, prateleira (25 °C), geladeira (5 °C) e estufa (45 ° C) durante 90 dias. As formulações com pH 4 e 6 tiveram seu pH aumentado quando armazenados na prateleira e geladeira, os cremes com pH 8 tiveram seu pH diminuído no decorrer dos testes armazenados na prateleira e geladeira. Todos os cremes armazenados em estufa tiveram seus valores de pH alterados, os cremes com pH 4 e 6 tiveram seus valores de pH alterados para 7 chegando até 8 com o decorrer do tempo, e no creme com pH inicial 8, chegou em pH 9. Os autores atribuíram este aumento no pH ao aumento da velocidade de reação, provocando instabilidade dos cremes com uréia. As formulações foram aprovadas no teste de resistência física através da verificação da homogeneidade após estresse mecânico (centrifugação) realizados em triplicatas numa rotação de 1370 g por 15 minutos. Os cremes não apresentaram precipitados, coalescência ou separação de fases durante o estudo, demonstrando estabilidade com relação ao teste de estresse mecânico. A espalhabilidade é a expansão de uma formulação semi-sólida sobre uma superfície após um determinado período de tempo sendo uma das principais características das formas farmacêuticas de uso tópico, pois está relacionada com a aplicação destas formulações em seu local de ação (BORGHETTI; KNORST, 2006). Através dos resultados apresentados nos Quadros 6 e 7, figuras 16 a 23 foi observado que a as formulações semi-sólidas apresentaram uma espalhabilidade menor no tempo zero, aumentando um pouco no tempo 30 dias, com exceção da formulação LAU que se manteve estável. As formulações apresentaram um aumento razoável na espalhabilidade com 60 dias, com exceção da formulação LAA, que teve um aumento maior neste intervalo de tempo. Com 90 dias de estudo as formulações L, LA, mantiveram-se com a mesma espalhabilidade do tempo 60 dias, as demais formulações apresentaram uma redução na espalhabilidade. Este comportamento das formulações provavelmente deve-se à perda de umidade durante o acondicionamento ou pela presença dos promotores de absorção, pois as formulações que se mantiveram mais estáveis (L, LA), foram as formulações que não possuiam promotores de absorção na sua composição. Em relação à avaliação da espalhabilidade das formulações armazenadas a temperatura de 40 °C (Quadro 7), pode-se observar q ue as formulações L, LA, LAU e LAUA, apresentaram uma maior espalhabilidade no tempo 30 dias em relação às demais. As formulações L e LA não possuem promotores de absorção e as 89 formulações LAU e LAUA possuem uréia como promotor de absorção, podendo este comportamento estar relacionado à presença deste promotor. As formulações quando avaliadas no tempo 60 dias apresentaram um aumento da espalhabilidade, com exceção da L, LAU que tiveram uma pequena redução e a preparação LAA teve o mesmo comportamento avaliado na temperatura ambiente, aumentando siginificativamente a sua espalhabilidade. No tempo 90 dias as formulações mostraram uma pequena redução na espalhabilidade, com exceção da LAA que teve uma redução maior da estabilidade tendo este mesmo comportamento em temperatura ambiente, mas mais acentuado a 40 °C. A s preparações LAO e LAU mostraram um pequeno aumento da espalhabilidade, o mesmo não ocorrendo na temperatura ambiente. A determinação da viscosidade em emulsões é um critério adequado para estimar a sua qualidade, mas não é realizado com valores absolutos de viscosidade e sim com alterações desta durante o armazenamento (MONTAGNER; CORRÊA, 2004). O comportamento reológico é utilizado para caracterizar o espalhamento de um creme ou loção sobre a pele. O estudo da reologia abrange a viscosidade, tipo de fluxo, valor de rendimento e tixotropia do produto (LONGO, 2006):. Quando um corpo sólido ou líquido é aquecido, a viscosidade (η) diminui e a fluidez aumenta. Esta relação é análoga à equação de Arrhenius da cinética química. η = Ae Eν / RT Eq. 2 onde, A é uma cosntante depedente da massa molecular e do volume molar do líquido, Ev é a energia de ativação requerida para iniciar o fluxo entre camadas moleculares, R é a constante universal dos gases (0,082 atm L K-1 mol -1) e T é a temperatura expressa em Kelvin (NETZ; ORTEGA, 2002). Os líquidos complexos e as preparações semi-sólidas apresentam comportamento não-newtoniano, que se caracteriza por variações da viscosidade aparente em função do gradiente de cisalhamento aplicado a amostra. Esses tipos de fluídos podem ainda ser classificados quanto ao tipo de escoamento em plásticos, pseudoplásticos ou dilatantes (ALMEIDA; BAHIA, 2003). 90 Para as formulações dermocosméticas, o fluxo pseudoplástico é o mais comum. Esses materiais têm sua viscosidade aparente diminuida gradualmente, à medida que aumenta a tensão de cisalhamento podendo ou não se reestruturar rapidamente. Se a recuperação é imediata, as curvas ascendentes e descendentes do reograma são sobrepostas e a deformação é chamada tempo-independente, mas se a estrutura não se recupera imediatamente e a curva ascendente indicar maior viscosidade que a descendente, o material é chamado tixotrópico, quando ocorre o contrário, o material é dito reopético (ALMEIDA; BAHIA, 2003; LONGO, 2006). É interessante para as formulações de uso tópico possuir caráter tixotrópico, o que as torna mais fluídas facilitando assim o espalhamento, mas o valor de tixotropia não pode ser muito elevado para que o produto não escorra sobre a pele após aplicação, possuindo uma recuperação muito lenta da sua estrutura e também não pode ser um valor muito baixo, o que acarretaria em baixa espalhabilidade do produto não permitindo uma distribuição uniforme sobre a pele (CORRÊA et al., 2005). O comportamento reológico dos cremes com e sem ácido caurenóico e promotores de absorção antes e após estudo de estabilidade acelerado são apresentados na figura 24. 91 t 0 (TA) L t 90d t 0 (40°C) (TA) t 90d (40°C) LA LAO LAA LAU LAUA LAML Figura 24 – Curvas de fluxo das formulações contendo ácido caurenóico com ou sem promotores de absorção antes e após estudo acelerado de estabilidade. 92 Os cremes L, LA, LAUA, LAML, submetidos a estudo de estabilidade em temperatura ambiente, apresentaram uma redução na viscosidade no decorrer dos 60 dias, retornando praticamente ao valor de viscosidade inicial ao final dos 90 dias, com exceção da formulação LA que apresentou um valor de viscosidade menor do que o apresentado no tempo zero. O creme LAO sofreu redução na viscosidade no tempo 30 dias e aumento progressivo a partir dos 60 dias retornando ao valor inicial ao final dos 90 dias. O creme LAA sofreu redução na viscosidade no tempo 30 dias e aumento progressivo a partir dos 60 dias e ao final dos 90 dias apresentou um valor de viscosidade menor do que o apresentado no tempo zero. O creme LAU apresentou aumento na viscosidade no tempo com 30 dias, redução no tempo 60 dias e aumento no tempo 90 dias maior que o valor de viscosidade no tempo zero. O comportamento viscosimétrico das formulações apresenta relação inversa com o comportamento de espalhabilidade ao longo do estudo de estabilidade. Foi observada redução da viscosidade média com posterior aumento da viscosidade, enquanto a espalhabilidade foi aumentada e posteriormente reduzida, o que confirma a relação existente entre os dois parâmetros analisados em preparações semi-sólidas. Os resultados de tixotropia apresentados no quadro 6 mostram que os cremes L e LAUA apresentaram redução no valor de tixotropia nos tempos 30 e 60 dias e aumento no tempo 90 dias, mas não retornando ao valor do tempo zero. Os cremes LA e LAA apresentaram também redução no valor de tixotropia no tempo 30 dias, mas aumento progressivo no tempo 60 e 90 dias, porém não retornando ao valor inicial. O creme LAO apresentou redução no valor de tixotropia no tempo 30 dias, aumento no tempo 60 dias e redução no tempo 90 dias, contudo não retornando ao valor inicial. O creme LAU mostrou aumento progressivo no valor de tixotropia no tempo 30 e 60 dias e redução no tempo 90 dias sem retornar ao valor inicial do tempo zero e o creme LAML apresentou perfil semelhante ao creme LAU, porém no tempo 90 dias mostrou aumento do valor de tixotropia acima do valor do tempo zero. Analisando os resultados de comportamento viscosimétrico dos cremes submetidos a estudo de estabilidade em estufa (40 °C) (quadro 7) foi observado que houve variação em todos os cremes com exceção dos cremes LAO e LAA que mostraram ser os mais estáveis, mostrando discreta redução no tempo 60 dias e permanecendo praticamente estáveis até o final do estudo. Os cremes LAU e LAML 93 apresentaram perfis semelhantes, mostrando redução no valor da viscosidade com 60 dias e aumento com 90 dias sem retornar ao valor inicial de 30 dias, porém o creme LAU mostrou aumento menor do que com 30 dias e o creme LAML, ao contrário, um discreto aumento em relação ao valor de 30 dias. O creme L apresentou aumento progressivo de viscosidade até o final dos 90 dias. O creme LA mostrou redução no valor da viscosidade no tempo 60 dias e aumento no tempo 90 dias superior ao tempo 30 dias. O creme LAUA mostrou redução significativa em sua espalhabilidade no tempo 60 dias permanecendo praticamente este valor ao final dos 90 dias. Analisando os resultados do comportamento reológico das preparações submetidas a teste de estabilidade em temperatura ambiente, apresentados na figura 24 e quadro 6, mostram que os cremes L e LAUA apresentaram uma redução no valor de tixotropia nos tempos 30 e 60 dias e um aumento no tempo 90 dias, mas não retornando ao valor do tempo zero. Os cremes LA e LAA apresentaram também uma redução no valor de tixotropia no tempo 30 dias, mas um aumento progressivo no tempo 60 e 90 dias, porém não retornando ao valor inicial. O creme LAO apresentou uma redução no valor de tixotropia no tempo 30 dias, um aumento no tempo 60 dias e uma redução no tempo 90 dias, contudo não retornando ao valor inicial. O creme LAU mostrou um aumento progressivo no valor de tixotropia no tempo 30 e 60 dias e uma redução no tempo 90 dias sem retornar ao valor inicial do tempo zero e o creme LAML apresentou um perfil semelhante ao creme LAU, porém no tempo 90 dias mostrou um aumento do valor de tixotropia acima do valor do tempo zero. As preparações submetidas a teste de estabilidade em ambiente de estufa (40 °C), figura 24 e quadro 7, apresentaram perfi semel hantes de tixotropia. Os cremes L, LA, LAU, LAUA e LAML mostraram uma redução do valor da tixotropia no tempo 60 dias e um aumento no tempo 90 dias sem retornar ao valor incial do tempo 30 dias. Os cremes LAO e LAA mostraram ter um perfil semelhante entre si, apresentando um aumento progressivo da tixotropia até o tempo 90 dias, permanecendo um valor superior ao valor inicial do tempo 30 dias. As figuras 25 a 29 apresentam o perfil cromatográfico qualitativo por CLAE dos cremes contendo AC e promotores de absorção, antes (tempo zero) e após (tempo 90 dias) oestudo de estabilidade acelerado. Embora os perfis cromatográficos dos cremes com a incorporação de diferentes promotores sejam 94 diferentes em todos eles foi observado no tempo zero e no tempo 90 dias a presença do pico correspondente ao AC, indicando a estabilidade do fitofármaco. A quantidade de AC nos cremes foi quantificada por CLAE no tempo zero e no tempo 90 dias (Tabela 2). Foi observado redução da quantidade de ácido caurenóico, porém esta redução foi variável nas diferentes formulações. A diferença de quantidade de AC antes e após estudo de estabilidade e nas formulações estudadas pode estar relacionada com a dificuldade de extração do ácido do creme, sendo necessária uma validação da extração do AC, pois no presente trabalho a extração foi realizada usando diferentes métodos, não se obtendo recuperação adequada para um método analítico devido a variabilidade nas diferentes concentrações analisadas. Tabela 2 – Teor de ácido caurenóico por grama de creme antes e após estudo de estabilidade acelerado, por CLAE. Formulações Ácido caurenóico (µg/g de creme) ∆C/Ct0 t0 t90 LAO 131,98 117,72 0,108 LAA 79,64 58,35 0,267 LAU 52,32 35,12 0,329 LAAU 172,55 112,53 0,348 LAML 210,23 91,72 0,564 mAU 95 minutos mAU A minutos B Figura 25 - Perfil qualitativo dos cremes contendo AC e oleato de decila antes e após estudo de estabilidade acelerado na temperatura de 40 °C. A – tempo zero; B – tempo 90 dias. mAU 96 minutos mAU A minutos B Figura 26- Perfil qualitativo dos cremes contendo AC e alfa-bisabolol, antes e após estudo de estabilidade acelerado na temperatura de 40 °C. A – tempo zero; B – tempo 90 dias. mAU 97 minutos mAU A minutos B Figura 27 - Perfil qualitativo dos cremes contendo AC e uréia antes e após estudo de estabilidade acelerado na temperatura de 40 °C. A – tempo zero; B – tempo 90 dias. mAU 98 minutos mAU A minutos B Figura 28 - Perfil qualitativo dos cremes contendo AC e alfa-bisabolol e uréia antes e após estudo de estabilidade acelerado na temperatura de 40 °C. A – tempo zero; B – tempo 90 dias. mAU 99 minutos mAU A minutos B Figura 29 - Perfil qualitativo dos cremes contendo AC e miristato de isopropila e lecitina, antes e após estudo de estabilidade acelerado na temperatura de 40 °C. A – tempo zero; B – tempo 90 dias. 100 5.4 Estudo de permeação in vitro Os estudos de permeação in vitro são importantes para a triagem de formulações propostas no desenvolvimento de medicamentos para uso tópico, seja para efeito local ou sistêmico. Estes estudos envolvem o uso de células de difusão projetadas para examinar o fluxo no estado estacionário e a partição do princípio ativo para a solução receptora em condição sink. O penetrante, princípio ativo, deve particionar através de uma membrana (El- KATTAN at al., 2001; BARRY, 2005; AMNUAIKIT et al., 2005). Uma vez que a pele humana e de animais é variável e de difícil obtenção, membranas artificiais como acetato de celulose e borracha de silicone têm sido empregadas (LIRA at al., 2004; BARRY, 2005; LONGO, 2006). A membrana de acetato de celulose é considerada uma membrana não limitante, portanto não controla o transporte de compostos através dela (LOPES, 2005). No presente trabalho esta foi empregada, pois o objetivo do estudo de permeação foi verificar a cedência do AC de cremes preparados com diferentes bases, aniônica e não-iônica (Lanette® e Polawax®, respectivamente) e diferentes promotores de absorção e não a permeação do AC através da pele, dado este explorado no estudo de atividade antiinflamatória in vivo. A solução tampão com pH 11 foi escolhida como solução receptora devido a solubilidade do AC ser maior em pH alcalino. A figura 30 apresenta o perfil de permeação in vitro do AC incorporado em cremes não-iônicos com diferentes promotores de absorção. De acordo com os resultados a quantidade de AC liberado em 12 horas de análise variou de 0,8 a 1,4 µg/cm2 nas formulações contendo diferentes promotores. O creme contendo uréia apresentou maior quantidade de princípio ativo liberado enquanto o creme contendo oleato de isodecila apresentou a menor quantidade de AC liberado. Observando o perfil de liberação, foi observado variações anômalas na quantidade de AC permeado com o tempo. Praticamente todos as formulações apresentam redução da permeação do AC após 12 horas de liberação. Cremes contendo miristato de isopropila e oleato de isodecila apresentaram perfil mais regular, ou seja, com a liberação crescente de AC ao longo do estudo. 101 2 Ácido Caurenóico (µ µg/cm ) 5 LAU LAAU LAO LAML LAA 4 3 2 1 0 0 2 4 6 8 10 12 14 Tempo (horas) Figura 30 – Perfil de permeação in vitro de AC de formulações semi-sólidas com base Polawax® contendo diferentes promotores de permeação. Os perfis de permeação do AC incorporado nas formulações com base Lanette são apresentados na figura 31. A quantidade de AC que sofreu permeação ao final de 12 horas de permeação variou de 0,5 a pouco mais do que 1 µg/cm2. Embora a quantidade de ácido permeada das formulações com base aniônica tenha sido menor do que a observado com as formulações com base não-iônica (Polawax®), estas apresentaram perfil de permeação mais regular. As formulações contendo uréia como promotor de permeação apresentaram maior permeação do AC, seguido pela formulação contendo miristato, porém esta influência pode não estar relacionada diretamente, em princípio, aos promotores devido a membrana usada como barreira. Como observado com as formulações com base não-iônica, o creme contendo miristato como promotor apresentou perfil de liberação mais regular e crescente com o tempo de análise. 102 2 Ácido Caurenóico (µ µg/cm ) 5 LAU LAUA LAO LAML LAA 4 3 2 1 0 0 2 4 6 8 10 12 14 Tempo (horas) Figura 31 – Perfil de permeação in vitro de AC de formulações semi-sólidas com base Lanette® contendo diferentes promotores de permeação. 5.5 Avaliação da atividade antiinflamatória in vivo Através de testes in vivo utilizando o organismo animal como um todo, é possível observar a influência de outros parâmetros na absorção de fármacos, tais como o metabolismo cutâneo e a presença da circulação sanguínea, que influenciam muito o transporte de fármacos, principalmente os lipofílicos, até a derme (MOSER et al., 2001). Estes ensaios reforçam os resultados obtidos através de metodologias in vitro. 103 Espessura da orelha (mm) 250 200 150 ** ** 100 ** ** ** ** ** ** 50 LA U A L LA M LA U LA O LA A LA on a as am et D ex Ac he f la n L 0 Formulações Figura 32 – Atividade antiinflamatória dos cremes de AC pelo método de edema de orelha. L – controle ® negativo (creme sem AC); Acheflan – controle positivo (creme contendo 0,5% de óleo essencial de Cordia verbenacea); Dexa – controle positivo (creme contendo 0,5% de dexametasona); LA – creme contendo 0,1% de AC; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores; LAUA - contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAA - contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol como promotor; LAO - contendo 0,1% de AC mais oleato de isodecila como promotor; LAU contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor. ** - diferença significativa do controle negativo com p < 0,01. 104 Tabela 3: Porcentagem de inibição da atividade antiinflamatória dos cremes de AC pelo método de edema de orelha. Creme Inibição(%) Desvio padrão 0,0 121,62 Acheflan® 54,89 13,78 Dexa 64,45 13,41 LA 61,73 23,23 LAML 71,71 15,77 LAUA 60,28 13,35 LAA 40,90 16,35 LAO 59,69 6,31 LAU 44,28 18,92 L ® Legenda: L – controle negativo (creme sem AC); Acheflan – controle positivo (creme contendo 0,5% de óleo essencial de Cordia verbenacea); Dexa – controle positivo (creme contendo 0,5% de dexametasona); LA – creme contendo 0,1% de AC; LAML – creme contendo 0,1% de AC mais miristato de isopropila e lecitina de soja como promotores; LAUA - contendo 0,1% de AC mais uréia e alfa-bisabolol como promotores; LAA - contendo 0,1% de AC mais alfa-bisabolol como promotor; LAO - contendo 0,1% de AC mais oleato de isodecila como promotor; LAU - contendo 0,1% de AC mais uréia como promotor. Através dos resultados obtidos no teste de edema de orelha induzido por óleo de cróton, foi constatada a atividade antiinflamatória do AC quando comparados com os controles positivos (creme com dexametasona 0,5% e Acheflan®). Ao comparar os resultados do creme com AC (100 µg/g) e com o creme com dexametasona 0,5% não foi observada diferença significativa (p>0,05 e q>2,696) entre eles e quando comparados os cremes com os diferentes promotores de absorção (oleato de isodecila, miristato de isopropila+lecitina de soja, uréia+alfa bisabolol) não se observou também diferença significativa em relação ao creme com dexametasona 0,5% (p>0,05) com exceção dos cremes com os promotores de absorção uréia e alfa bisabolol, pois ambos apresentaram menor efeito antiinflamatório quando comparados com a dexametasona 0,5% (p<0,01). Quando comparados os cremes com AC (100 µg/g) sem promotores e com promotores (oleato de isodecila, miristato de isopropila+lecitina de soja, uréia+alfa bisabolol) percebeu-se que não houve diferença significativa entre eles (p>0,05 e q>2,656) com exceção dos cremes com os promotores uréia (p<0,05) e alfa bisabolol (p<0,01) que apresentaram menor absorção do AC. Quando os cremes com AC (100 µg/g) sem promotores e com promotores foram comparados com o controle positivo Acheflan®, observou-se 105 diferença significativa apenas na presença dos promotores de absorção miristato de isopropila+lecitina de soja (p<0,05 e q> 2,696), onde os mesmos apresentaram maior efeito antiinflamatório. Após ter sido analisado os resultados acima pode-se observar que os cremes com AC (100 µg/g) com os promotores uréia e alfa bisabolol não demonstraram potencializar o efeito do AC, apresentando uma menor absorção do mesmo, quando comparado ao creme sem promotor, mas quando os dois promotores (uréia+ alfa bisabolol) são associados percebeu-se um aumento na permeação. Em estudo anterior (CZEPULA, 2006), foi demonstrada a atividade antiinflamatória do extrato de S. trilobata em preparações semi-sólidas (cremes), usando o edema de orelha em camundongo, induzido com óleo de cróton, como modelo farmacológico. O extrato de S. trilobata foi incorporado em diferentes concentrações nas preparações semi-sólidas e comparado com creme de dexametasona 0,1%, como controle positivo. A atividade antiinflamatória do creme com a menor concentração de extrato comparado ao creme controle-negativo, não foi significativo. Entretanto, comparando-se o creme contendo maior concentração de extrato com o controle positivo, obteve-se 59,84% e 63,76% respectivamente de percentual de inibição do edema, constatando-se que o extrato de S. trilobata possui atividade anti-endematogênica de forma significativa e dose dependente e possivelmente um dos principais componentes responsáveis pelo efeito é o AC. Para avaliação dos efeitos antiinflamatórios do Acheflan® (Cordia verbenacea) foram preparados diferentes extratos a partir das folhas da Cordia verbenacea para serem avaliados em modelos farmacológicos in vitro e in vivo. Para avaliação do edema de orelha em camundongos, os extratos etanólico a quente e metanólico, aplicados topicamente na forma de creme na orelha de camundongo, apresentaram marcada atividade antiinflamatória quando avaliados nos modelos inflamatórios causados pela aplicação de ácido araquidônico, óleo de cróton ou capsaicina. Em termos de eficácia, os extratos da Cordia verbenacea, produziram efeitos antiinflamatórios semelhantes aos causados pela dexametasona. As ações antiinflamatórias tópicas foram observadas tanto quando aplicadas previamente como também após o estabelecimento do processo inflamatório (ACHE, 2005 b). Em um estudo onde se avaliou a atividade antidermatogênica tópica das frações etanólicas e diclorometano da espécie Leonurus sibiricus, usando o óleo de cróton, como agente irritante, dexametasona 1%, como controle positivo, extrato 106 bruto diclorometano (0,2 - 2,0 mg/kg orelha), extrato bruto etanólico (0,2 mg/kg orelha), houve inibição do edema com as três doses utilizadas, mas o efeito máximo semelhante ao da dexametasona foi atingido com extrato bruto diclorometano nas duas doses (0,2 - 2,0 mg/kg orelha), confirmando que tal atividade deve-se a presença de compostos com perfil lipofílico (SILVA, 2006). 5.6 Avaliação da irritação cutânea O teste de irritação cutânea em gel de agarose foi utilizado para verificar o potencial de irritação em emulsões e géis (BRASIL, 2003). As amostras de cremes com ácido caurenóico com e sem promotores foram incorporadas em discos de papel e aplicadas em placas sobre uma superfície de gel de agarose em contato com as células L929, a citotoxicidade foi avaliada pela zona de lise (ausência do corante vital). Como controle negativo foi usada solução salina e como controle positivo uma solução aquosa de DSS a 1%. O halo de irritação foi medido com o paquímetro e confirmado através de avaliação microscópica. Os resultados obtidos no trabalho estão demonstrados na tabela 4. Tabela 4: Resultados obtidos no teste de irritação cutânea nos cremes contendo AC através do método de agarose overlay. Amostras Formação do halo Controle Positivo¹ Presença Controle Negativo² Ausência L Ausência LA Ausência LAO Ausência LAA Ausência LAU Ausência LAUA Ausência ¹ Solução de DSS 1% ² Solução salina Todas as amostras testadas apresentaram ausência de halo de irritação (Figura 33), ou seja, as preparações semi-sólidas com e sem AC e na presença dos diferentes tipos de promotores de absorção não apresentaram nenhum grau de 107 irritação cutânea quando comparado ao controle positivo que apresentou um halo de 1,341 cm ± 0,06 (Figura 33) sendo classificado como 4 ou reatividade severa, conforme demonstrado na tabela 4. LA DSS Figura 33- Placa de gel de agarose com creme contendo AC (LA) e controle positivo (DSS). A figura 33 mostra poços à esquerda contendo creme com AC representando todas as demais formulações as quais não apresentaram halo de inibição (irritação cutânea ou de conjuntiva) e ao lado direito, poços contendo (DSS 1%) como controle positivo e apresentando halo de inibição. A figura 34 mostra a presença de células viáveis (coradas com vermelho neutro - corante vital) em creme com AC e sem AC, respectivamente demonstrando a presença de células viáveis, comprovando que os cremes não possuem irritação cutânea. A figura 35 mostra a ausência de células viáveis (ausência de corante vermelho neutro) nas amostras contendo o controle positvo (DSS) demonstrando o potencial citotóxico do DSS, e sua irritação severa. 108 A B Figura 34- Creme com (A) e sem AC (B), sem contraste de fases (400X). Figura 35- Controle positivo sem contraste de fases (400X). 109 6 CONCLUSÕES - O AC foi isolado do caule e raiz da planta S. trilobata com rendimento de 0,14%. Os resultados obtidos nos ensaios de identificação mostraram que a substância possui alto teor de pureza e estão de acordo com os dados descritos na literatura. - O AC é insolúvel em água, possui solubilidade pH dependente, apresentado maior solubilidade em pH 10. Em propilenoglicol, a substância pode ser considerada levemente solúvel. - O coeficiente de partição do AC no sistema tampão/octanol é de 95,99 ± 2,265% para a fase oleosa. - Todas as formulações desenvolvidas com bases aniônica e não-iônica (Lanette® e Polawax®, respectivamente) com os diferentes promotores de absorção (uréia, alfabisabolol, oleato de isodecila, miristato de isopropila+lecitina de soja) apresentaramse estáveis fisicamente nos testes prévios de estabilidade. As formulações contendo AC apresentaram conformes quanto às características físicas, porém.foi verificada a redução do teor de AC ao final de 90 dias do teste de estabilidade acelerado. - No teste de permeação in vitro usando célula de Franz adaptada e membrana de acetato de celulose, o AC liberado nas 12 horas do experimento foi de 0,8 a 1,4 µg/cm2 nas formulações não iônicas contendo diferentes promotores. O creme contendo uréia apresentou maior quantidade de princípio ativo liberado e o creme com oleato de isodecila apresentou a menor quantidade de AC liberado. A permeação do AC nos cremes aniônicos ao final de 12 horas variou de 0,5 a pouco mais do que 1 µg/cm2. - Os resultados da avaliação farmacológica obtidos nas formulações desenvolvidas com base aniônica (Lanette®) no teste de edema de orelha induzido por óleo de cróton, demonstraram que o AC possui atividade antiinflamatória semelhante à apresentada pelo creme com 0,5% de dexametasona. Os promotores que apresentaram melhor permeação do AC foi o miristato de isopropila+lecitina de soja, obtendo-se 71,71% de inibição do edema e o creme com 0,5% de dexametasona apresentou 64,45% de inibição do edema, não havendo diferença significativa entre eles (p>0,05 e q>2,696), os promotores de absorção uréia e alfa bisabolol ambos apresentaram menor permeação do AC diminuindo seu efeito antiinflamatório (44,28 e 40,9%). Em relação ao Acheflan®, que apresentou 54,89% de inibição de edema, 110 os cremes com AC apresentaram uma maior porcentagem de inibição do edema (61,73%) e na presença dos promotores de absorção todos apresentaram inibição de edema superior ao valor obtido pelo Acheflan® com exceção dos promotores alfabisabolol e uréia que apresentaram 40,9 e 44,28% de inibição do edema, respectivamente. - Todas as preparações semi-sólidas não apresentaram potencial de irritação cutânea quando avaliadas pelo método de agarose overlay. Podemos concluir com este trabalho que devido à facilidade de obtenção do AC de diversas plantas, ele é um fitofármaco promissor como antiinflamatório de uso tópico possuindo atividade antiinflamatória em pequenas dosagens (100 µg/g) comparado com o creme de dexametasona (0,5%) e quando comparado ao Acheflan®, fitoterápico obtido do óleo essencial da Cordia verbenacea (0,5%) mostrou-se mais eficiente na presença de miristato de isopropila+lecitina de soja como promotores de absorção. Sugere-se a continuidade dos estudos de validação da metodologia para extração e quantificação do ácido caurenóico incorporado nos cremes, assim como estudos in vitro e in vivo para melhor entendimento da ação adjuvante dos diferentes promotores na penetração do ácido caurenóico através da pele. 111 REFERÊNCIAS ACHE. Fitomedicamentos têm notável expansão mercadológica. Jornal Phytociência, ano 1. n. 1. 2005 a. Disponível em: <www.ache.com.br/arquivo/institucional/phytomedica_jornal/numero1.pdf>. 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