CONSÓRCIO PÚBLICO DE SANEAMENTO BÁSICO DOS MUNICÍPIOS DA BACIA HIDROGRÁFICA DO VALE DO RIO DOS SINOS KEY ASSOCIADOS PROGNÓSTICO DA GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NOS MUNICÍPIOS DA BACIA HIDROGRÁFICA DO VALE DO RIO DOS SINOS SÃO LEOPOLDO, ABRIL DE 2011 1 EQUIPE PRÓ-SINOS - CONSÓRCIO PÚBLICO DE SANEAMENTO BÁSICO DA BACIA DO RIO DOS SINOS Julio Dorneles – Licenciado em História e Especialista em Gestão Pública - Diretor Executivo do Consórcio Pró-Sinos Maurício Prass – Gestor Ambiental - Assessor Técnico do Consórcio Pró-Sinos EMPRESA CONTRATADAMPESA CNSULTORA CONTRATADA Keyassociados Rua Lindolfo Collor, 691, Sala 403 Centro – São Leopoldo - RS CEP: 93010-080 PABX +55 (51) 3554-3907. www.keyassociados.com.br EQUIPE EXECUTORA KEYASSOCIADOS Fabricio Hernandes - Engenheiro de Materiais Lucas Kessler de Oliveira- Biólogo Marcelo Donnini Freire – Gestor Ambiental Maria Angela Oliveira Cruz Cardoso - Engenheira Química Willian Siqueira- Economista Roberto Harb Naime - Geólogo Ricardo Valente da Silva – Engenheiro Mecânico Valdir Pereira Ramos Filho – Engenheiro Ambiental e de Segurança do Trabalho 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 4 1 METODOLOGIA.................................................................................................................. 7 2 PROGNÓSTICO ................................................................................................................. 10 2.1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 10 2.2 SELEÇÃO DE VARIÁVEIS.......................................................................................... 10 2.3 CRESCIMENTO POPULACIONAL E TAXAS DE GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES ................................................................................................ 11 2.4 TERRAS ALTAS ........................................................................................................... 12 2.4.1 Resíduos Sólidos Urbanos ........................................................................................ 13 2.4.2 Resíduos de Serviços de Saúde ................................................................................ 14 2.4.3 Resíduos de Construção e Demolição ...................................................................... 15 2.4.4 Resíduos Industriais ................................................................................................. 16 2.4.5 Resíduos Especiais ................................................................................................... 17 2.4.6 Análise e sugestões................................................................................................... 18 2.5 TERRAS MÉDIAS OU ONDULADAS ........................................................................ 21 2.5.1 Resíduos Sólidos Urbanos ........................................................................................ 22 2.5.2 Resíduo Sólido de Saúde .......................................................................................... 23 2.5.3 Resíduos da Construção Civil .................................................................................. 24 2.5.4 Resíduo Industrial .................................................................................................... 25 2.5.5 Resíduos Especiais ................................................................................................... 26 2.5.6 Análise e sugestões................................................................................................... 27 2.6 TERRAS BAIXAS ......................................................................................................... 28 2.6.1 Resíduos Sólidos Urbanos ........................................................................................ 28 2.6.2 Resíduos de Saúde.................................................................................................... 30 2.6.3 Resíduos de Construção Civil .................................................................................. 30 2.6.4 Resíduos Industriais ................................................................................................. 31 2.6.5 Resíduos Especiais ................................................................................................... 32 2.6.6 Análise e sugestões................................................................................................... 33 3 ESTIMATIVAS DE GERAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ...................................... 35 4 ATENDIMENTO DA LEI DE POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS (LEI Nº12.305/2010) ............................................................................................................... 42 3 4.1 TERRAS ALTAS ........................................................................................................... 42 4.1.1 Resíduos sólidos urbanos ......................................................................................... 42 4.1.2 Resíduos de serviços de saúde ................................................................................. 42 4.1.3 Resíduos de Construção Civil .................................................................................. 43 4.1.4 Resíduos Industriais ................................................................................................. 44 4.1.5 Resíduos Especiais ................................................................................................... 44 4.2 TERRAS MÉDIAS OU ONDULADAS ........................................................................ 45 4.2.1 Resíduos sólidos urbanos ......................................................................................... 45 4.2.2 Resíduos dos serviços de saúde ................................................................................ 45 4.2.3 Resíduos de construção civil .................................................................................... 45 4.2.4 Resíduos Industriais ................................................................................................. 46 4.2.5 Resíduos Especiais ................................................................................................... 46 4.3 TERRAS BAIXAS ......................................................................................................... 46 4.3.1 Resíduos sólidos urbanos ......................................................................................... 46 4.3.2 Resíduos de serviços de saúde ................................................................................. 47 4.3.3 Resíduos de construção civil .................................................................................... 47 4.3.4 Resíduos Industriais ................................................................................................. 47 4.3.5 Resíduos Especiais ................................................................................................... 48 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 52 4 INTRODUÇÃO A ideia de diagnosticar é identificar uma situação da forma em que a mesma se apresenta e usar este conhecimento e os fatores condicionantes para procurar prognosticar uma situação no curto, médio ou longo prazo. A expressão prognosticar vem do grego onde pro é antecipar, prever, estimar e a expressão gnosticu significa alusiva ao conhecimento de uma situação. Na medicina a analogia é mais fácil de compreender. Diagnosticar é identificar a doença para poder atribuir um tratamento adequado, enquanto prognosticar é prever a evolução da doença diante dos contextos específicos do paciente e das probabilidades abertas pela terapia a ser utilizada. Resumindo, é a previsão sobre a evolução e sobre os procedimentos terapêuticos mais adequados. Prognóstico também é uma expressão muito empregada para avaliar situações mercadológicas e, a partir da avaliação, criar matrizes de alternativas e construção de cenários, onde os atores sociais possam avaliar e tomar as atitudes mais convenientes. Na avaliação de situações de mercado é muito comum o uso da estatística como ferramenta para melhor avaliar as probabilidades de ocorrência de eventos futuros. Entretanto, utilizar somente desta ferramenta pode não ser suficiente, uma vez que o trabalho deve ser pautado em conhecimento técnico, de acordo com as realidades locais. Prognósticos, portanto, podem ser definidos como formas de predição. E são indispensáveis para o planejamento de matrizes de alternativas e construção de cenários. Os prognósticos são baseados em diagnósticos e em profundo conhecimento empírico ou científico dos operadores da situação que está sendo avaliada. Os prognósticos, assim como os diagnósticos, que são fases anteriores, e matrizes de alternativas e construção de cenários que são posteriores, são dinâmicos. Não se esgotam em situações estáticas que cristalizam as realidades como fotografias. São cenários em constante movimento, induzidos por incontável número de fatores, muitas vezes humanos e imensuráveis. Devemos diferenciar situações de risco, que geralmente consideram amostras idealizadas, de situações concretas, mais estáveis da análise prognóstica, que sempre é feita sobre situações que exigem melhorias. E estas melhorias podem ser buscadas, no caso dos resíduos sólidos, por ações consorciadas entre municípios, que se apropriem da sinergia gerada pela ação coletiva e multipliquem soluções que, isoladamente, teriam uma elevada relação entre custo e benefício. Um prognóstico é sempre uma medida estimada e quando não se aplicam ferramentas estatísticas para sua comprovação, se torna mais importante a avaliação empírica ou científica para sustentar o que é proposto. Os prognósticos também sempre se desenvolvem a partir de um momento de corte, denominado de “tempo zero”, a partir do qual são feitas as inferências sobre as situações. Prognosticar situações de gerenciamento ambiental usando diagnósticos destas situações e atores cujo conhecimento empírico e/ou científico permite que acumulem expertise para avaliações realistas é de extrema importância para que se efetue a proposição de programas relevantes na sociedade. Esses programas visam conduzir a melhorias eficazes na qualidade de vida e matrizes adequadas de probabilidades e construções de cenários 5 realistas, que propiciem tomadas de decisões fundamentadas. A expressão sinergia ou sinergismo deriva do grego synergia que significa cooperação, pois sýn quer dizer junto e érgon quer dizer trabalho. Sinergia é definida como efeito ativo e retroativo do trabalho ou esforço coordenado de vários subsistemas de um sistema, na realização de uma tarefa ou função. Atualmente, a ideia de sinergia se disseminou no mundo dos negócios com uma expressão de singeleza que é a parceria. Esta expressão significa compartilhar os ganhos obtidos com especialidades distintas executadas por parceiros independentes, que ampliam sua dimensão de influência pela operação conjunta. A sinergia pode ser descrita como a associação de vários dispositivos de execução ao mesmo tempo, contribuindo para uma ação coordenada na qual a resultante tenha características próprias diferenciadas dos dispositivos isoladamente e resulte em algo mais amplo, que beneficie as partes. O efeito resultante da ação de vários sistemas ou agentes que atuam de forma coordenada para a obtenção de um resultado comum obtendo um valor, em geral superior ao valor da soma dos diversos sistemas ou agentes individualmente, significa dizer que o todo supera a soma das partes na equação estabelecida. Por exemplo, o custo de implantação e operação de um sistema de incineração para resíduos de serviços de saúde pode ser muito oneroso para um município isoladamente, visto como um agente ou subsistema, mas pode obter grandes resultados quando mais de um município, agente ou subsistema atuam no processo. Assim os custos de investimento e operação são diluídos pela operação conjunta e o resultado acaba sendo outro, muito superior à soma das partes. A concepção de consorciamento de municípios em regiões geográficas delimitadas por bacias hidrográficas para tratar de saneamento básico está subordinada à ideia de sinergia. O saneamento básico, conforme as definições da Lei Nº 11.445/2007, envolve tratamento de água para distribuição de água potável às populações; recolhimento e tratamento de esgotos antes da destinação final das águas aos cursos superficiais; gestão de resíduos sólidos e drenagens pluviais. Toda a elaboração de planos integrados de gerenciamento de resíduos sólidos em consórcios constituídos por municípios que fazem parte de uma mesma bacia hidrográfica devem passar pelas fases de diagnóstico e prognóstico. Neste sentido, nesta fase de prognóstico se faz necessário projetar em curto, médio e longo prazo como ficará a operacionalização com a possibilidade de exercer ações conjuntas que, dotadas de sinergia, ofereçam resultados superiores e relevantes, capazes de obter ganhos representativos para a melhoria da qualidade de vida das populações atingidas em espaços de tempo mensuráveis. A Lei Nº 12.305/2010 que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos é bastante específica e os municípios e consórcios, para atendê-la, devem conceber ações para ter a possibilidade de atender aos artigos desta legislação de forma a obter resultados imediatos. No Art. 30 está cristalizada a concepção de responsabilidade compartilhada. No Art. 33 está materializada a obrigatoriedade de logística reversa para agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas fluorescentes e produtos eletro-eletrônicos. Existe uma tendência de que a logística reversa se amplie e transcenda as especificidades da lei. Afinal, logística reversa é a ideia de que, ao final do ciclo de vida do produto, os materiais que constituem o produto possam voltar aos ciclos produtivos, economizando matérias-primas, água e energia, gerando inclusão social, emprego e renda e produzindo um negócio sustentável que ao resultar em rendimentos econômicos positivos 6 consolide a reutilização de todos os materiais segundo suas características, possibilitando uma qualidade ambiental e de vida para estas e futuras gerações, conforme previsto na Constituição Federal do Brasil. Com base nas informações do diagnóstico e nos cenários estabelecidos pelo prognóstico já é possível desenhar modelos de programas conjuntos que, na medida em que estiverem sendo implantados e tornados eficientes com resultados eficazes, possam ser alternativas conjuntas que estejam dentro de padrões orçamentários possíveis e resultem em melhoria relevante da qualidade de vida das populações atingidas e em economia ambiental para o planeta. 7 1 METODOLOGIA Na metodologia empregada na elaboração do prognóstico buscou-se privilegiar a noção que os atuais gestores municipais concebem para a situação de seus municípios. Buscou-se agregar programas percebidos durante a ação da consultoria como sendo pertinentes em função das realidades percebidas ou diagnosticadas, bem como a projeção dos volumes de resíduos gerados, em especial resíduos sólidos urbanos, demonstrando que, se não forem tomadas medidas de adequação à legislação vigente, os volumes gerados em longo prazo serão insustentáveis para os municípios. Visando a construção de um processo participativo, foi realizado um workshop, o qual contou com a participação do grupo de trabalho e dos representantes dos municípios, em sua maioria os Secretários de Meio Ambiente. Esse workshop ocorreu na Universidade FEEVALE e visou captar a visão e a percepção que cada um dos municípios possui sobre a problemática e como estes enxergam em curto, médio e longo prazo o encaminhamento do tema. Foram incluídas as ações que os mesmos julgam prioritárias, de acordo com sua realidade específica. A Lei Nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, define em seu Art. 13 a origem e natureza dos resíduos sólidos: Art. 13. Para os efeitos desta Lei, os resíduos sólidos têm a seguinte classificação: I - quanto à origem: a) resíduos domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências urbanas; b) resíduos de limpeza urbana: os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana; c) resíduos sólidos urbanos: os englobados nas alíneas “a” e “b”; d) resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços: os gerados nessas atividades, excetuados os referidos nas alíneas “b”, “e”, “g”, “h” e “j”; e) resíduos dos serviços públicos de saneamento básico: os gerados nessas atividades, excetuados os referidos na alínea “c”; f) resíduos industriais: os gerados nos processos produtivos e instalações industriais; g) resíduos de serviços de saúde: os gerados nos serviços de saúde, conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS; h) resíduos da construção civil: os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis; i) resíduos agrossilvopastoris: os gerados nas atividades agropecuárias e silviculturais, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades; j) resíduos de serviços de transportes: os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira; k) resíduos de mineração: os gerados na atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios; 8 II - quanto à periculosidade: a) resíduos perigosos: aqueles que, em razão de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma técnica; b) resíduos não perigosos: aqueles não enquadrados na alínea “a”. Parágrafo único. Respeitado o disposto no art. 20, os resíduos referidos na alínea “d” do inciso I do caput, se caracterizados como não perigosos, podem, em razão de sua natureza, composição ou volume, ser equiparados aos resíduos domiciliares pelo poder público municipal. Sobre a compatibilidade do trabalho realizado, o qual elegeu aqueles temas considerados mais relevantes pelos gestores municipais e sobre o andamento continuado pela consultora, são lícitas as seguintes observações: 1. O inciso I, alínea “a” da lei encontra-se contemplada in totum pelo trabalho realizado; 2. Da mesma forma o inciso I, alínea “b”; 3. O inciso I, alínea “c” está contemplado totalmente, pois é corolário dos itens anteriores; 4. O inciso I, alínea “d” contempla os resíduos de estabelecimentos comerciais ou prestadores de serviços, não havendo registro durante todo trabalho de que fosse identificadas diferenciações de qualquer natureza nestes resíduos em qualquer município, em relação dos resíduos domésticos em geral; 5. Os resíduos de saneamento estão plenamente contemplados com programas propostos nesta fase do trabalho; 6. Resíduos industriais que estão identificados no inciso I, alínea “f” tiveram abrangências e limitações inerentes ao processo de coleta de dados e participação popular, desenvolvidos durante a fase de diagnóstico; 7. Resíduos de saúde, discriminados no inciso I, alínea “g” também foram trabalhados, e os dados identificados inspiraram a proposição de um planejamento integrado de curto ou médio prazo para a solução do problema identificado; 8. Os resíduos de construção e demolição, identificados no inciso I, alínea “h” da Lei Nº 12.305/2010, estão contemplados, e como o Consórcio Pró-Sinos já está construindo uma usina de beneficiamento de resíduos de construção civil, há a necessidade de engajamento das comunidades e prefeituras no gerenciamento destes resíduos para que os mesmos se apresentem com as condições necessárias para a reciclagem; 9. Os resíduos agrossilvopastoris, discriminados no inciso I, alínea “i”, não foram abordados especificamente, pois na maioria dos municípios a ação do INPEV (Instituto Nacional de Processamento das Embalagens Vazias), instituição mantida pelos fabricantes de agrotóxicos, tem se mostrado eficiente, com amarração da entrega destas embalagens que se constituem no principal tipo de 9 resíduo considerado perigoso, incluído neste item, já estabelecida pelo próprio receituário agronômico mantido pelos Conselhos Regionais de Arquitetura e Agronomia; 10. A discriminação específica do inciso I, alínea “j”, não foi discutida especificamente, pois não se aplica à realidade dos municípios que fazem parte da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos; 11. Da mesma forma, resíduos de mineração discriminados no inciso I, alínea “k”, não foram objeto de abordagem específica porque a atividade de extração mineral é muito reduzida nos municípios integrantes da bacia hidrográfica, estando restrita a minerais de classe II (utilizados in natura na construção civil), cuja extração e beneficiamento não caracterizam atividade de alto impacto poluente. Os itens discriminados no inciso II do Art. 13 foram atendidos, pois se tratam de resíduos enquadrados também em alguma das tipologias descritas acima. 10 2 PROGNÓSTICO 2.1 INTRODUÇÃO O estudo prognóstico objetiva estabelecer estimativas para a situação de resíduos para diferentes horizontes de tempo, procurando-se criar um cenário prospectivo, caso nenhuma medida venha a ser implementada na gestão dos resíduos sólidos. No prognóstico realizam-se projeções de cinco variáveis, são elas: a geração de resíduos sólidos urbanos (RSU), de serviços de saúde (RSS), da construção civil (RCC), industriais (RSI) e especiais (RSE). O trabalho foi realizado em três divisões: terras altas, médias e baixas. Em todas essas expectativas de demandas, estabeleceu-se o crescimento da população. Foram montados modelos logísticos de crescimento populacional, apoiando-se em dados obtidos no IBGE, censos de 2000 e 2010. Os horizontes de tempo estudados prolongam-se até 2031, sendo possível ilustrar cenários futuros, bem como gerar parâmetros para dimensionamento dos sistemas que venham a ser futuramente implantados. 2.2 SELEÇÃO DE VARIÁVEIS Para descrever como os municípios enfrentarão os problemas relacionados com os resíduos sólidos urbanos, de saúde, de construção, industriais e resíduos especiais, torna-se necessário estabelecer um elenco de parâmetros que permitam desenhar um cenário de proposições de soluções para três horizontes de tempo. Esses horizontes de tempo foram estabelecidos de acordo com as necessidades de ações, em consonância com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Assim, foram definidos três grupos estratégicos para a condução de ações. Horizonte em curto prazo (4 anos), horizonte em médio prazo (4 a 8 anos) e horizonte em longo prazo (8 a 20 anos). O cronograma de barras apresentado abaixo ilustra esta organização temporal dessas ações e seus respectivos horizontes. 11 Figura 01 - Histograma das ações e horizontes temporais O crescimento populacional, a forma de espacialização da população urbana e os hábitos de consumo que decorrem do crescimento econômico constituem os parâmetros fundamentais para a construção do cenário futuro. 2.3 CRESCIMENTO POPULACIONAL E TAXAS DE GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES O crescimento populacional é a base para os estudos prognósticos, pois se relaciona com fatores como o ambiente urbano e o crescimento econômico. A taxa de geração per capita dos resíduos sólidos domiciliares é dependente dos hábitos de consumo e estes de outros fatores, como a densidade urbana e a renda média. O modelo prognóstico adotado para os municípios baseou-se exclusivamente nos dados obtidos junto ao IBGE, população de 2000 e população de 2010. Para a avaliação da estimativa de evolução da população foi utilizado o método da taxa geométrica. Esta metodologia consiste na estimativa da população utilizando-se uma taxa de crescimento geométrico, sendo a mesma obtida para um período entre dois censos demográficos. A partir desta taxa é possível estimar o crescimento anual da população, aplicando a mesma para cada período. O IBGE aplica esta taxa para calcular as estimativas anuais de crescimento disponibilizadas ano a ano. A expressão que define a taxa geométrica de crescimento da população é dada pela seguinte expressão: 12 P TGCA 1 P0 1 A1 A0 1 100 Onde: TGCA = taxa geométrica de crescimento anual P1 = população 2000 P0 = 2010 A1 = ano 2000 A0 = ano 2010 Durante o diagnóstico, admitiu-se que a taxa de geração de resíduos sólidos domiciliares venha a elevar-se na maioria dos municípios, tendendo a estabilizar-se em patamares distintos. A geração per capita de resíduos, foi calculada usando a equação abaixo: G PR Q TS PAT Onde: GPR = Geração per capita de resíduos (kg/hab.dia) QTS = Quantidade de resíduos coletados por dia (kg) PAT = População com coleta de resíduos (hab) A taxa de geração de resíduos sólidos foi calculada considerando estas variáveis e dados do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentando dados de medições recentes que demonstram que fatores como mobilidade social, inclusão social e modificações de parâmetros de consumo têm influenciado tanto ou mais do que o crescimento populacional e a taxa de geração de resíduos. Desta forma, foi possível estimar a evolução das quantidades geradas, considerando-se fatores relevantes amplamente apoiados pelo referencial teórico. A estimativa foi realizada com 3 cenários considerados como sendo os mais prováveis de ocorrer. Esta se encontra em capítulo próprio no decorrer do trabalho. 2.4 TERRAS ALTAS - DOIS IRMÃOS 13 - SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA - SÃO FRANCISCO DE PAULA - GRAMADO - CARAÁ 2.4.1 Resíduos Sólidos Urbanos Os municípios das terras altas têm certa heterogeneidade quanto ao manejo dos resíduos sólidos. Alguns possuem coleta seletiva de lixo e central de triagem adequados, outros sequer possuem coleta seletiva de lixo, enviando todos seus resíduos aos aterros licenciados, muitas vezes fora da bacia, rodando muito quilômetros até a disposição final. No entanto, existe dificuldade de adesão da população quanto à implantação/melhoramento da coleta seletiva. A maioria dos municípios tem grandes dificuldades em mobilizar os catadores informais para formação de associações ou cooperativas. Outra dificuldade é administrar o resíduo orgânico, sendo este enviado para aterros sanitários, muitas vezes fora da bacia hidrográfica. Todos os municípios possuem interesse em realizar compostagem destes resíduos. Os municípios que possuem área territorial muito grande, principalmente área rural, cujas propriedades são distantes umas das outras e estas do centro urbano, têm dificuldade em realizar a coleta de lixo devido aos custos de transporte que se tornam onerosos. Nesta região da bacia hidrográfica, caracterizada por comunidades de pequeno porte, todos os municípios necessitam de auxílio para manter um profissional na área de educação ambiental permanentemente. Os gestores municipais indicam que esta seria a solução adequada para minimizar a problemática do manejo de resíduos sólidos urbanos nas cidades, principalmente no que se refere à coleta seletiva de lixo. Na imagem a seguir temos as ações indicadas pelos técnicos dos municípios: 14 Figura 02 - Ações nos horizontes temporais sobre resíduos sólidos urbanos. 2.4.2 Resíduos de Serviços de Saúde Admitindo-se um crescimento econômico como responsável pelo aumento das taxas de geração de resíduos domiciliares, então também é lícito especular que venha a ocorrer um aumento na oferta de serviços de saúde. Em consequência disto, existirá permanentemente um aumento das demandas de manejo, tratamento e disposição final dos resíduos originados desses serviços, que precisam ser convenientemente modelados. No horizonte do plano, admite-se um aumento dos índices de estabelecimentos por habitantes, especialmente nos serviços médicos e odontológicos. Considerando-se o aumento do poder aquisitivo médio da população, é possível que se verifique também um aumento do número de estabelecimentos farmacêuticos e médicoveterinários em relação à população. Todos os municípios possuem alguma forma de controle na geração de Resíduos de Serviços da Saúde – RSS, não encontrando grandes dificuldades para esta tipologia de resíduo. Na figura a seguir podemos verificar as sugestões dos gestores municipais. 15 Figura 03 - Ações nos horizontes temporais sobre resíduos de serviço de saúde. 2.4.3 Resíduos de Construção e Demolição A política de manejo destes resíduos é um problema a ser enfrentado pelos municípios da região, pois quase nenhum município das terras onduladas apresenta uma forma adequada de manejo destes. Uma das maiores dificuldades enfrentadas é o convencimento das empresas privadas em licenciar um local para disposição deste tipo de resíduo, uma vez que este processo é bastante oneroso desde a aquisição de uma área satisfatória até a compra de equipamentos de reciclagem. A implantação de uma ação coletiva, integrada e eficiente em curto prazo é necessária para a melhoria da qualidade ambiental e consequente melhoria da qualidade de vida das populações. Existe uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil em implantação pelo Consórcio Pró-Sinos, com apoio da Fundação Banco do Brasil, em São Leopoldo. Para que a operação dessa usina seja adequada também se faz necessário um trabalho com a população local que incentive a segregação destes resíduos antes do encaminhamento à usina. A identificação de pequenos geradores é um desafio para alguns municípios. Como primeira necessidade, os municípios apontam a elaboração de uma legislação municipal que dê diretrizes para esta questão. Os municípios avaliam que é extremamente adequada a adoção de soluções integradas para este tipo de resíduo e consideram que a construção da usina de reciclagem de resíduos de construção civil deve vir apoiada por programas integrados de capacitação para viabilização técnica e até econômica da mesma. 16 Figura 04 - Ações nos horizontes temporais sobre resíduos de construção de demolição. 2.4.4 Resíduos Industriais O crescimento do setor industrial e dos resíduos gerados é alvo de projeções necessárias para construir políticas de controle. Atualmente os municípios pouco interferem nesta realidade, mas em uma projeção em médio e longo prazo, se projeta que as administrações municipais serão mais demandadas a interferir em situações que determinem intervenção pública. Todos os municípios da região já exercem alguma forma de controle sobre a geração e destinação deste tipo de resíduo, uma vez que a maioria já possui habilitação para realizar licenciamento ambiental de atividades consideradas de impacto local. No entanto, a dificuldade encontrada por todos é a falta de uma fiscalização mais efetiva, que tenha condições de vistoriar todas as empresas e orientá-las. 17 Figura 05 - Ações nos horizontes temporais sobre resíduos industriais. 2.4.5 Resíduos Especiais Todos os municípios das terras onduladas desenvolvem campanhas de recolhimento de pneus, lâmpadas, pilhas, baterias e eletrônicos. Contudo, julgam não que estas campanhas não são suficientes. A maior dificuldade está no destino final destes resíduos, mesmo que a Política Nacional de Resíduos Sólidos aponte inclusive a logística reversa. Os municípios consideram que é necessária a construção de soluções dinâmicas e coletivas no âmbito da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, que iniciem com os itens já discriminados no Art. 33 da Lei Nº 12.305/2010 e desenvolvam metodologias para agregar itens que futuramente farão parte de legislações ampliadas ou de demandas sociais evidenciadas. 18 Figura 06 - Ações nos horizontes temporais sobre resíduos especiais. 2.4.6 Análise e sugestões Sobre a gestão de resíduos sólidos em geral, a ação de curto prazo identificada pelos gestores municipais indica que a maioria dos municípios da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos já apresenta histórico e currículo de realizações de inclusão social e economia ambiental. Para a implantação de qualquer iniciativa na área. Quanto à compostagem, meta prevista para médio prazo, as fases seguintes do projeto irão discutir soluções integradas para esta ação. Embora os nutrientes presentes na matéria orgânica em geral não devam ser enterrados, e sim disponibilizados para novo ciclo, existem objeções que precisam ser consideradas. Uma das mais relevantes é a quantidade de material contaminante presente, seja através de instrumentos sanitários, seja através de resíduos de saúde de origem doméstica, ou até mesmo de fontes industriais Os compostos resultantes do emprego da matéria orgânica presente nos resíduos sólidos urbanos apresentam excelentes condições para uso agrícola, mas não dispõem de mercado firme entre pequenos agricultores ou agricultores familiares. Quanto à meta de longo prazo, é necessária a obtenção de recursos para realização de ações integradas. Todo o trabalho aqui realizado busca definir planejamento integrado de resíduos sólidos que atenda a todos os princípios da Lei Nº 12.305/2010 e torne o Consórcio Pró-Sinos grande candidato à obtenção conjunta destes recursos. 19 Lembrando o Art. 18 da Lei Nº 12.305/2010: Art. 18. A elaboração de plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, nos termos previstos por esta Lei, é condição para o Distrito Federal e os Municípios terem acesso a recursos da União, ou por ela controlados, destinados a empreendimentos e serviços relacionados à limpeza urbana e ao manejo de resíduos sólidos, ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos de entidades federais de crédito ou fomento para tal finalidade. § 1o Serão priorizados no acesso aos recursos da União referidos no caput os Municípios que: I - optarem por soluções consorciadas intermunicipais para a gestão dos resíduos sólidos, incluída a elaboração e implementação de plano intermunicipal, ou que se inserirem de forma voluntária nos planos microrregionais de resíduos sólidos referidos no § 1o do art. 16; II - implantarem a coleta seletiva com a participação de cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda. § 2o Serão estabelecidas em regulamento normas complementares sobre o acesso aos recursos da União na forma deste artigo. Quanto aos resíduos de saúde, diante da realidade encontrada e diagnosticada pela consultora, será proposta uma nova abordagem através de um programa integrado que evite que a destinação destes resíduos ocorra somente através de contratação e transporte oneroso de empresas especializadas localizadas muito distante da área geográfica da bacia. No tópico relacionado aos resíduos de construção civil, a meta de curto prazo é implantar a resolução 307 do CONAMA. A meta de médio prazo é controlar pequenos geradores e a de longo prazo, licenciar áreas para destinação final. Se a Resolução 307 for definitivamente implantada, vai se viabilizar a usina de reciclagem de materiais de construção civil, e certamente não haverá necessidade de cumprir a meta de longo prazo que é licenciar áreas para destinação final. A meta de médio prazo ficará cada vez mais evidenciada pela realidade, e deverá ser consolidada. A abordagem sobre resíduos industriais proposta pelos municípios é adequada. Por isso, a meta de curto prazo de capacitar a fiscalização, a meta de médio prazo de aprimorar o licenciamento ambiental e a meta de longo prazo de trabalhar no sentido de uma menor geração de resíduos industriais, são metas apropriadas quanto a sua natureza e temporalidade proposta. Nos itens escolhidos como prioridade para os resíduos especiais, no curto prazo está prevista implantação de mecanismo próprio de logística reversa. No objetivo de médio prazo está prevista determinação de área adequada para disposição. Cabe observar que, havendo efetiva implantação da logística reversa, tende a não existir necessidade de determinação de área adequada para disposição final. A meta de longo prazo é obtenção de tecnologia de baixo custo para a reciclagem. Não parece que esta vá ser a preocupação maior de gestores municipais de resíduos sólidos, a quem cabe coordenar o esforço de gestão compartilhada conforme artigo 30 da Lei Nº 12.305/2010 e coordenar a oportunização de negócios com os itens de logística reversa do 20 Art. 33. O Art. 30 da Lei Nº 12.305/2010 estabelece: Art. 30. É instituída a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a ser implementada de forma individualizada e encadeada, abrangendo os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, os consumidores e os titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, consoante as atribuições e procedimentos previstos nesta Seção. Parágrafo único. A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos tem por objetivo: I - compatibilizar interesses entre os agentes econômicos e sociais e os processos de gestão empresarial e mercadológica com os de gestão ambiental, desenvolvendo estratégias sustentáveis; II - promover o aproveitamento de resíduos sólidos, direcionando-os para a sua cadeia produtiva ou para outras cadeias produtivas; III - reduzir a geração de resíduos sólidos, o desperdício de materiais, a poluição e os danos ambientais; IV - incentivar a utilização de insumos de menor agressividade ao meio ambiente e de maior sustentabilidade; V - estimular o desenvolvimento de mercado, a produção e o consumo de produtos derivados de materiais reciclados e recicláveis; VI - propiciar que as atividades produtivas alcancem eficiência e sustentabilidade; VII - incentivar as boas práticas de responsabilidade socioambiental. E o Art. 33 da mesma lei discrimina a listagem de: Art. 33. São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de: I - agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, ou em normas técnicas; II - pilhas e baterias; III - pneus; IV - óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; V - lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; VI - produtos eletroeletrônicos e seus componentes. § 1o Na forma do disposto em regulamento ou em acordos setoriais e termos de compromisso firmados entre o poder público e o setor empresarial, os sistemas previstos no caput serão estendidos a produtos comercializados em 21 embalagens plásticas, metálicas ou de vidro, e aos demais produtos e embalagens, considerando, prioritariamente, o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos resíduos gerados. § 2o A definição dos produtos e embalagens a que se refere o § 1 o considerará a viabilidade técnica e econômica da logística reversa, bem como o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos resíduos gerados. § 3o Sem prejuízo de exigências específicas fixadas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS, ou em acordos setoriais e termos de compromisso firmados entre o poder público e o setor empresarial, cabe aos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes dos produtos a que se referem os incisos II, III, V e VI ou dos produtos e embalagens a que se referem os incisos I e IV do caput e o § 1o tomar todas as medidas necessárias para assegurar a implementação e operacionalização do sistema de logística reversa sob seu encargo, consoante o estabelecido neste artigo, podendo, entre outras medidas: I - implantar procedimentos de compra de produtos ou embalagens usados; II - disponibilizar postos de entrega de resíduos reutilizáveis e recicláveis; III - atuar em parceria com cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, nos casos de que trata o § 1o. § 4o Os consumidores deverão efetuar a devolução após o uso, aos comerciantes ou distribuidores, dos produtos e das embalagens a que se referem os incisos I a VI do caput, e de outros produtos ou embalagens objeto de logística reversa, na forma do § 1o. § 5o Os comerciantes e distribuidores deverão efetuar a devolução aos fabricantes ou aos importadores dos produtos e embalagens reunidos ou devolvidos na forma dos §§ 3o e 4o. § 6o Os fabricantes e os importadores darão destinação ambientalmente adequada aos produtos e às embalagens reunidos ou devolvidos, sendo o rejeito encaminhado para a disposição final ambientalmente adequada, na forma estabelecida pelo órgão competente do Sisnama e, se houver, pelo plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos. § 7o Se o titular do serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, por acordo setorial ou termo de compromisso firmado com o setor empresarial, encarregar-se de atividades de responsabilidade dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes nos sistemas de logística reversa dos produtos e embalagens a que se refere este artigo, as ações do poder público serão devidamente remuneradas, na forma previamente acordada entre as partes. § 8o Com exceção dos consumidores, todos os participantes dos sistemas de logística reversa manterão atualizadas e disponíveis ao órgão municipal competente e a outras autoridades informações completas sobre a realização das ações sob sua responsabilidade. 2.5 TERRAS MÉDIAS OU ONDULADAS - SAPIRANGA - CAMPO BOM 22 - ESTÂNCIA VELHA - NOVA HARTZ - ARARICÁ - RIOZINHO - PORTÃO - IGREJINHA - PAROBÉ - ROLANTE - TAQUARA 2.5.1 Resíduos Sólidos Urbanos Os municípios possuem dificuldades na implantação de coleta seletiva, a partir da segregação realizada nas unidades familiares. O grupo gestor municipal de resíduos dos municípios integrantes das terras onduladas sugere que deve ser iniciado um trabalho de educação ambiental voltado às entidades educacionais e comunidade em geral para consolidar as ações de coleta seletiva. Também sugere a reformulação da coleta porta a porta, com a implantação de coleta seletiva a partir de Pontos de Entrega Voluntários (PEVs) como forma de reduzir os custos onerosos da coleta seletiva, potencialização da participação popular e incremento na porcentagem de separação de resíduos para a reciclagem. Iniciar proposta de recolhimento do resíduo seletivo na zona rural é um dos programas referidos pelos municípios das terras médias. E esta atividade está prevista como meta de longo prazo. A criação de associações e cooperativas vai visar inclusão social e contribuirá com o meio ambiente. Os catadores organizados enviam para a cadeia produtiva um percentual significativo de resíduo para a reciclagem, geram ocupação, emprego, renda e inclusão social além de relevante tarefa social de economia ambiental ao economizarem matérias-primas naturais. 23 Figura 07 - Ações nos horizontes temporais sobre resíduos sólidos urbanos. 2.5.2 Resíduo Sólido de Saúde No momento, não são identificados quaisquer registros de problemas operacionais com os resíduos de serviço de saúde nos municípios das terras médias. Não há notificação de qualquer problema em relação a descarte inadequado deste tipo de resíduo, mas existe o reconhecimento dos gestores de que são necessárias, em curto prazo, ações de fiscalização mais rotineiras. Faz-se necessária a criação de cadastros e planilhas dos empreendimentos privados que geram este tipo de resíduo e a exigência dos Planos de Gerenciamento dos Resíduos de Serviço de Saúde, conforme determina a resolução 307 do CONAMA. Em todos os municípios desta região ocorre destinação final para empresas situadas em situação geográfica externa à Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, com elevados custos de transporte e tratamento. Desta forma, devem ser previstas ações coletivas em programas integrados, apoiadas pelo consorciamento de municípios, para auxiliar na otimização dos procedimentos necessários para inertização deste tipo de resíduo. Também são recomendáveis ações na minimização da carência de recursos humanos e meios materiais que as comunidades dos municípios integrantes das terras onduladas já relatam e apontam historicamente. 24 Figura 08 - Ações nos horizontes temporais sobre resíduos de serviço de Saúde 2.5.3 Resíduos da Construção Civil Quanto aos resíduos de construção civil, os gestores municipais dos resíduos sólidos representando as comunidades das terras onduladas sugerem apoio para implementação em curto prazo de cadastramento das atividades de tele-entulho e construção civil em geral. No segundo momento, indicam a implantação da resolução 307 do CONAMA, tanto para viabilizar a usina de reciclagem destes resíduos que está sendo construída e implantada pelo Consórcio Pró-Sinos em parceria com a Fundação Banco do Brasil, quanto para dotar este setor de condições de sustentabilidade adequadas. Grande parte do material de RCC pode ser reaproveitada, e a sugestão é qualificar a mão de obra para trabalhar com este tipo de resíduo. É comum a disposição destes resíduos em áreas inadequadas para este fim, em todos os municípios da região. É necessário que os municípios tenham uma área de transbordo de RCC. Todos contam com o desenvolvimento de projetos integrados, viabilizados através do Consórcio Pró-Sinos, para viabilizar a Usina que está sendo construída em São Leopoldo e replicá-la. Este empreendimento possibilitará uma destinação final adequada destes tipos de resíduos e também possibilitará sua transformação em um novo tipo insumo, retornando ao processo produtivo. Esta iniciativa necessita de um pré-gerenciamento a ser executado com eficiência nos municípios para a boa performance da usina. E estas atividades necessitam de um prévio cadastramento dos geradores para controle nas comunidades. 25 Figura 09 – Ações nos horizontes temporais sobre resíduos de construção de demolição. 2.5.4 Resíduo Industrial Em relação ao resíduo industrial, este é de responsabilidade do empreendedor que o gera. A proposta dos municípios é a capacitação do órgão fiscalizador para ter conhecimento dos processos produtivos que geram os resíduos. Também existe a necessidade de uma política de incentivos para disposição final adequada para os pequenos geradores da área industrial. Faz-se necessária, também, a criação de um banco de dados dos diferentes processos de empreendimentos existentes em cada um dos municípios que fazem parte do Consórcio Pró-Sinos. Este banco de dados possibilitará consultas imediatas em tempo real pelos gestores municipais, com a adoção de procedimentos adequados, quando da ocorrência de situações atípicas ou ações imprevistas que afetem a qualidade de vida das populações e exijam intervenções imediatas da administração pública local. 26 Figura 10 – Ações nos horizontes temporais sobre resíduos industriais. 2.5.5 Resíduos Especiais A proposta dos gestores de resíduos sólidos dos municípios das terras onduladas da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos inicia por metas que incluem massivas campanhas de Educação Ambiental. Somente a partir desta realidade é que se pode avançar na gestão compartilhada e na logística reversa propostas pela Lei Nº 12.305/2010. As iniciativas de Eco Pontos de entrega voluntária e a ampliação destes através dos programas e projetos de Educação Ambiental, trazem efeitos significativos para dar um destino final adequado a estes resíduos. A adesão à Lei Nº 12.305/2010, que implanta a logística reversa através de parcerias, irá dar suporte para criação de locais para um destino final adequado destes resíduos especiais. São recomendáveis projetos integrados de logística reversa que possibilitem que todos os municípios se beneficiem de ações coletivas, dentro do âmbito da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos. 27 Figura 11 – Ações nos horizontes temporais sobre resíduos especiais. 2.5.6 Análise e sugestões Os gestores municipais dos resíduos sólidos nos municípios das terras onduladas propõem que a educação ambiental seja transversal e permanente em todas as atividades patrocinadas pelas comunidades. Como meta de curto prazo, elegem o incremento e a implantação definitiva da coleta seletiva. Como meta de médio prazo, são previstas ações de apoio às associações e cooperativas de agentes ambientais. Estas ações são adequadas e pertinentes no tempo previsto, estando em consonância com a legislação vigente.. As ações de longo prazo previstas pelos atuais gestores municipais das terras altas propõem a implementação da coleta seletiva nas áreas rurais. As metas propostas pelos gestores públicos das terras onduladas são coerentes com toda abordagem realizada e com a lei que é a diretriz deste trabalho. Em curto prazo é previsto incremento de fiscalização. Em médio prazo é proposto um cadastramento de controle, e isto só reforça a discussão que se segue em capítulo próprio, de que havendo fiscalização poderiam se registrar ocorrências mais severas. E a meta de longo prazo é fazer com que toda unidade de serviço de saúde tenha um plano adequado de gerenciamento dos resíduos dos serviços de saúde. As metas de curto, médio e longo prazos definidas pelos gestores municipais das comunidades das terras onduladas são coerentes com as discussões já realizadas em item próprio, e com os programas propostos adiante pela consultora. Em curto prazo é necessário desenvolver e implantar estrutura de fiscalização, 28 enquanto a médio prazo a concepção é de capacitar mão de obra e no longo prazo a meta é implantar estações de transbordo para destino final nas usinas de reciclagem. O fato é que poderão surgir necessidades de implantação de mais usinas de reciclagem de resíduos de construção e demolição, para viabilizar diminuição dos custos de transporte e não saturação da usina em construção que está sendo implantada no município de São Leopoldo. As metas propostas para incrementar o gerenciamento sobre os resíduos sólidos industriais são a curto prazo capacitar o órgão gestor fiscalizador, a médio prazo implantar políticas de incentivo para que os pequenos geradores também façam destinação final correta dos resíduos industriais produzidos, e a longo prazo criar um banco de dados que possa auxiliar as comunidades na gestão pública dos resíduos sólidos industriais. Os resíduos industriais de todas as empresas se constituem em responsabilidade do gerador. Atualmente ocorre um cadastramento e fiscalização por parte da FEPAM, que recebe as planilhas trimestrais de geração e destinação final destes resíduos para centrais autorizadas e licenciadas. A fiscalização no âmbito do município pode favorecer ainda mais o funcionamento da fiscalização, uma vez que ocorrendo no limite geográfico do município, os limites de fiscalização que grandes distâncias impõem podem ser sanados. As metas previstas pelos gestores públicos de resíduos sólidos dos municípios consorciados na região das terras onduladas da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos são coerentes com a abordagem específica realizada. Em curto prazo é prevista uma meta de educação ambiental. Em médio prazo é prevista a implantação de eco pontos, ou pontos de entrega voluntária, dentro do contexto de gestão compartilhada e implantação de logística reversa na dimensão de nova oportunidade negocial. E em longo prazo, existe a previsão de destinação final adequada dos resíduos especiais com ampla e bem sucedida atividade compartilhada entre poder público municipal, fabricantes, distribuidores ou revendedores de produtos e comunidade em geral de atividade de logística reversa. 2.6 TERRAS BAIXAS - ESTÂNCIA VELHA - ESTEIO - SAPUCAIA - SÃO LEOPOLDO - NOVO HAMBURGO - NOVA SANTA RITA 2.6.1 Resíduos Sólidos Urbanos Faz-se necessária a criação de alternativas para os modelos de Gestão dos galpões e 29 cooperativas de catadores, trabalhando a questão do pagamento por serviços ambientais em conjunto com a capacitação dos catadores. A ideia é propiciar para as administrações municipais e para a sociedade como um todo, a apropriação do conhecimento e da capacidade dos próprios catadores de achar as soluções, baseando-se no conhecimento prático que eles desenvolveram ao longo dos anos. Como alternativa para o problema da valoração dos resíduos enfrentados por estes trabalhadores das cooperativas de catadores, a implantação de Centrais de comercialização, possibilitando um grande ganho de escala e comercialização direta à indústria, sem passar pelos atravessadores. Quanto aos RSU, entendeu-se que a busca por soluções deve se pautar em alternativas que contemplem as novas tecnologias, visando o aproveitamento/valorização integral das diversas tipologias de resíduos gerados e gerando uma quantidade mínima de rejeito, indo de encontro ao que preconiza a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Essas soluções podem ser empregadas através de Centrais Regionais a serem dimensionadas para tratamento integral dos resíduos gerados nos municípios. Figura 12 - Ações nos horizontes temporais sobre Resíduos Sólidos Urbanos 30 2.6.2 Resíduos de Saúde Foram identificados problemas relacionados ao controle destes nos municípios, passíveis de solução através da exigência nos alvarás de localização, de licenciamento ambiental ou envio de planilhas para controle do órgão ambiental. É consenso entre os municípios localizados das terras baixas da Bacia do Rio dos Sinos que as soluções para esta tipologia de resíduos já estão no mercado e já são utilizadas, podendo ser buscadas soluções ou negociações conjuntas, eventualmente acompanhadas pelo Consórcio Pró-Sinos. Um exemplo já em prática é o dos municípios de São Leopoldo e Novo Hamburgo que realizam o tratamento dos seus resíduos de saúde no mesmo local. Figura 13 - Ações nos horizontes temporais sobre Resíduos de Saúde 2.6.3 Resíduos de Construção Civil Os gestores sugeriram a criação de eco pontos ou locais para recebimento de pequenos volumes, estes podendo funcionar no mesmo local de recebimento de outras tipologias de resíduos. O diagnóstico realizado indicou que se faz necessária a criação de unidades regionais de triagem dos RCC, englobando municípios próximos, bem como a implantação de outras unidades de britagem de RCC, a exemplo do que está ocorrendo no município de São Leopoldo. As iniciativas conjuntas visam diminuir o custo de transporte e operação dessas unidades. Quanto a móveis usados, o grupo entende que deve ser criada ou ampliada a cultura de 31 reaproveitamento destes, utilizando-se a mesma estrutura dos pontos de entrega voluntária. Existe a necessidade de aquisição de picadores, que poderiam servir para os móveis que não pudessem ser reaproveitados, e para os resíduos de poda, um dos grandes problemas dos municípios. O material picado poderia ser compostado ou aproveitado como fonte energética em caldeiras, em substituição à lenha. O restante dos materiais provenientes do desmanche dos móveis poderia ser utilizado para recuperação de outras peças, ou até mesmo para confecção de acessórios. Figura 14 - Ações nos horizontes temporais sobre Resíduos da Construção e Demolição 2.6.4 Resíduos Industriais Foram identificadas dificuldades ligadas às ações de fiscalização da correta destinação desta tipologia de resíduos, pois existem em diversos municípios alguns pontos de descarte irregular. A disposição final sem reuso e reciclagem realizada atualmente por empreendedores não está de acordo com a legislação vigente e deve ser revista. Para a solução integrada deste problema seria necessária a avaliação de novas tecnologias com o devido acompanhamento junto às instâncias decisórias do governo Estadual. Os municípios entendem que a ação coletiva e integrada torna o Consórcio Pró-Sinos apto a ser o caminho para captação de recursos ou parcerias para implantação de unidades regionais de reaproveitamento ou valorização desta tipologia de resíduos. Figura 15 - Ações nos horizontes temporais sobre Resíduo Industrial 32 2.6.5 Resíduos Especiais Foram identificados nos municípios da região problemas ligados à desinformação acerca da logística reversa, instituída e regulamentada pela Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Há necessidade de campanhas junto ao comércio local para identificar o nível de cobrança a ser realizada dentro de toda a cadeia produtiva deste tipo de produto, o que poderia ser realizado com o apoio do Consórcio Pró-sinos através da elaboração de material publicitário para distribuição nos municípios consorciados. Quanto aos pneumáticos, há necessidade de instalação de estruturas maiores para trituração dos pneus, com capacidade para atender a demanda da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos. 33 Figura 16 - Ações nos horizontes temporais sobre Resíduo Especial 2.6.6 Análise e sugestões A avaliação dos gestores dos municípios que integram as terras baixas é concordante com as demais avaliações das sub-regiões. A meta de curto prazo são ações de valorização da coleta seletiva, em médio prazo estão previstas ações na área de compostagem com o emprego de novas tecnologias e, em longo prazo, medidas para minimizar o envio para aterros, que segundo incentiva a legislação, podem ser atividades de recuperação energética dos resíduos não recicláveis e não compostáveis. Na área de resíduos de serviços de saúde, os gestores municipais da região das terras baixas têm como meta de curto prazo melhorar o sistema de gerenciamento e licenciamento, prevendo, em médio prazo, a adoção de soluções integradas e, em longo prazo, a disposição adequada. No atual prognóstico já foram identificadas necessidades conjuntas em relação a serviços de saúde e existe uma proposta de planejar ações coletivas, em sub-regiões da bacia hidrográfica. Em médio prazo propõe-se a criação de unidades de triagem, e em longo prazo a ampliação das estruturas de beneficiamento. O Pró Sinos já está desenvolvendo em parceria com a Fundação Banco do Brasil a construção da primeira unidade de reciclagem e reutilização dos resíduos sólidos de construção civil. Para que esta unidade tenha o mínimo de condições para funcionamento, está previsto e planejado neste diagnóstico, programa de capacitação das prefeituras para que façam um gerenciamento prévio desta geração para garantir o envio em condições adequadas para a usina. Como em todos os municípios integrantes da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, a questão dos resíduos sólidos industriais tem sido conduzida por empreendimentos privados e 34 institucionais. Desta forma a sugestão de metas dos gestores municipais dos municípios das terras baixas se restringe a melhorias nas estruturas de fiscalização em curto prazo, captação de recursos em médio prazo e unidades para aplicação de novas tecnologias em longo prazo. A questão dos resíduos especiais repete praticamente as abordagens dos demais gestores municipais. Campanhas para auxiliar a implantação de logística reversa em curto prazo, ampliação de unidades para pneumáticos em médio prazo, e adequação de toda a cadeia produtiva em longo prazo. Para implantar a logística reversa, o Consórcio Pró-Sinos deve mobilizar as entidades nacionais e respeitar padrões e modelos locais para a implantação, sempre atendendo a concepção de gerar negócios novos e viáveis, adotando princípios de gestão compartilhada, com participação da comunidade e do meio empresarial sob coordenação da administração pública local. Os gestores municipais da região das terras baixas avaliam que como medida de curto prazo para melhoria da gestão deste tipo de resíduo, necessitam desenvolver eco pontos para incentivar geradores de pequenos volumes a desenvolverem destinação correta. 35 3 ESTIMATIVAS DE GERAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Utilizando-se os modelos de evolução das taxas de geração de resíduos e do crescimento populacional, é possível construir a estimativa de geração dos resíduos sólidos urbanos para os diferentes horizontes adotados para o plano. É possível prever com exatidão a estimativa de crescimento populacional, mas não é possível estimar com precisão fatores como migrações internas devidas à atração por emprego, melhores condições de vida, melhorias de infraestrutura, entre outras. Variáveis bastante importantes e extremamente difíceis de avaliar são os hábitos de consumo e as mudanças comportamentais nos hábitos de consumo e suas repercussões na geração de resíduos sólidos. Em termos gerais, sociedades mais desenvolvidas produzem mais resíduos do que países em desenvolvimento. Sociedades mais desenvolvidas tendem a gerar quantidades maiores de resíduos sólidos provenientes de embalagens, enquanto comunidades menos desenvolvidas tendem a gerar mais resíduos sólidos de natureza orgânica. Nos municípios da região, o acesso ao consumo de grandes parcelas da população que anteriormente estavam excluídas fez com que os hábitos fossem alterados, praticamente dobrando a quantidade de resíduos gerados. A ocorrência deste fenômeno social é importante para o desenvolvimento, mas para se ter um desenvolvimento de forma sustentável, os municípios devem estar atentos a estas realidades. Para tanto, propõe-se a adoção de premissas de cálculo que considerem esta realidade, fundamentadas em projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): A taxa de crescimento populacional atual calculada é bastante reduzida e tende a ser decrescente; As taxas de aumento na produção de resíduos sólidos não têm sido correlacionadas diretamente com expansão populacional, mas sim com inclusão social e incrementos e mudanças de hábitos de consumo. Assim sendo, existem grandes variações entre indicadores de taxas de crescimento populacional e de geração de resíduos sólidos domésticos urbanos. Dados recentes do IBGE indicam que a taxa de crescimento da geração de resíduos sólidos no Brasil comparando os anos de 2010 e 2009 situa-se em torno de 7% e desta forma indicam claramente a consecução das premissas aqui discutidas e anteriormente discriminadas. Por isso, são feitas três estimativas anuais pelo prazo de 20 anos (longo prazo), incluindo o curto prazo (4 anos) e médio prazo (4 a 8 anos) considerando taxas de crescimento anual de 5, 10 e 15% ao ano para a geração de resíduos sólidos conjunta da bacia. Os dados do IBGE (2011) indicam que qualquer estimativa que considere estes três cenários é válida, pois a situação que atualmente está entre 5 e 10% e pode evoluir para algum 36 cenário entre 10 e 15%. Pela alteração no padrão de consumo, verifica-se maior inclusão social. Qualquer probabilidade de cenário tende a apresentar estes valores mais elevados, em nada vinculados com taxas de crescimento demográficas. O montante inicial de base da projeção é de 1.115,6 t/dia. Qualquer cenário tende a oscilar entre estes montantes e a verificação por município pode ser realizada aplicando os mesmos índices para o montante inicial de resíduos específico do município. Os dados são apresentados na tabela a seguir. Tabela 01 - Estimativa de geração de resíduos sólidos nos municípios da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos integrantes do Consórcio Pró-Sinos. Taxa de crescimento 2011 (atual) 2015 (curto prazo) 2019 (médio prazo) 2031 (longo prazo) 5% 1.115,6 t/dia 1.423,8 t/dia 1.730,6 t/dia 3.107,9 t/dia 10% 1.115,6 t/dia 1.796,6 t/dia 2.630,4 t/dia 8.255,5 t/dia 15% 1.115,6 t/dia 2.243,8 t/dia 3.924,4 t/dia 20.966,7 t/dia Analisando os dados do IBGE divulgados, pode-se notar que eles descrevem que houve uma elevação de 7% entre a quantidade de resíduos sólidos entre 2010 e 2009. Considerando este dado mais recente, seria provável que encontrássemos um cenário entre a alternativa 1 e 2, de 5 a 10%. Com a alteração dos hábitos de consumo impulsionado por políticas de resgate social, a mudança tende a ser bastante significativa, podendo afetar estes dados. A expectativa mais provável é que o aumento de geração de resíduos sólidos se aproxime dos índices de crescimento próximos a 10% anuais, independentemente das taxas de crescimento populacional. Os alicerces deste crescimento se situam na crescente inclusão e mobilidade social. Qualquer melhoria da qualidade de vida e aumento de renda é imediatamente empregado em níveis mais elásticos de consumo, associados com a ideia de melhoria de qualidade de vida. Não é escopo do presente relatório discutir variáveis sociológicas ou antropológicas, mas esta constatação é de uma expressividade linear para qualquer tipo de observador. Considerando a taxa de crescimento dos municípios, calculada utilizando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE entre os anos de 2000 e 2010, temos como prever o crescimento populacional a curto, médio e longo prazo. Considerando este crescimento populacional, e a geração Per Capita de resíduos sólidos urbanos que foi diagnosticada para cada município, podemos também prognosticar o crescimento da geração de resíduos em função do crescimento populacional a curto, médio e longo prazo. 37 Tabela 02 - Volume de resíduos gerado em curto, médio e longo prazo, considerando a taxa de crescimento de cada município, calculada com dados do IBGE entre os anos 2000 e 2010. Município População Geração Geração Geração Geração IBGE 2010 atual 2015 2019 2031 Araricá 4.868 2 t/dia 2,06 t/dia 2,16 t/dia 2,44 t/dia Campo Bom 60.081 26,67 t/dia 27,52 t/dia 28,65 t/dia 32,59 t/dia Canoas 324.025 280 t/dia 293,41 t/dia 305,39 t/dia 344,36 t/dia Caraá 7.313 2 t/dia 2,59 t/dia 2,7 t/dia 3,04 t/dia Dois Irmãos 27.572 16,4 t/dia 17,15 t/dia 17,86 t/dia 20,2 t/dia Estância Velha 42.589 19 t/dia 19,74 t/dia 20,52 t/dia 23,07 t/dia Esteio 80.669 50,63 t/dia 52,63 t/dia 54,77 t/dia 61,73 t/dia Gramado 32.706 28,5 t/dia 32,22 t/dia 33,2 t/dia 33,33 t/dia Igrejinha 31.663 26 t/dia 27,14 t/dia 28,88 t/dia 32,66 t/dia Nova Hartz 18.346 8 t/dia 8,33 t/dia 8,67 t/dia 9,79 t/dia Nova Santa Rita 22.706 20 t/dia 20,68 t/dia 21,26 t/dia 23,45 t/dia Novo Hamburgo 239.051 180 t/dia 186,32 t/dia 193,66 t/dia 217,56 t/dia Parobé 51.481 38 t/dia 39,66 t/dia 41,3 t/dia 46,61 t/dia Portão 25.233 12,33 t/dia 12,86 t/dia 13,4 t/dia 15,14 t/dia Riozinho 4.327 2,8 t/dia 2,9 t/dia 3,03 t/dia 3,44 t/dia Rolante 19.493 10 t/dia 10,44 t/dia 10,86 t/dia 12,3 t/dia Sto Antônio Patrulha 39.679 22 t/dia 22,91 t/dia 23,88 t/dia 27,03 t/dia São Francisco de Paula 20.540 14 t/dia 14,56 t/dia 15,15 t/dia 17,08 t/dia São Leopoldo 214.210 170 t/dia 177,5t/dia 184,78 t/dia 208,47 t/dia Sapiranga 75.020 47 t/dia 49,79 t/dia 51,85 t/dia 58,69 t/dia Sapucaia do Sul 130.988 120 t/dia 124,7 t/dia 129,14 t/dia 145,63 t/dia Taquara 54.656 20,24 t/dia 23,58 t/dia 24,24 t/dia 26,45 t/dia 1.527.216 1.115,57 1.169 t/dia 1.254 t/dia 1.365 t/dia Total t/dia Os dados calculados indicam que considerando somente o crescimento populacional dos municípios em curto prazo haverá nos municípios da bacia um aumento de geração de resíduos de mais de 53 toneladas, um aumento de mais de 138 toneladas em médio prazo e mais de 249 toneladas em longo prazo. Esse aumento é bastante considerável, uma vez que está sendo considerado somente o aumento populacional, sem considerar outros fatores como mudanças nos hábitos de consumo. 38 Atualmente a solução para destinação utilizada por todos os municípios é o aterramento de resíduos. Considerando que uma boa parte dos resíduos aterrados é resíduo reciclável, e que a política nacional de resíduos sólidos prevê que a partir de 2014 só poderão ser aterrados rejeitos, se faz necessário um programa imediato para realização de segregação de todos os resíduos gerados, para que somente rejeitos sejam encaminhados aos aterros. A tabela a seguir indica a destinação dos resíduos e a vida útil de cada aterro. Tabela 03 - Aterros Município Disposição Vida útil Araricá Sil Soluções Ambientais 2033 Campo Bom Aterro Próprio 2014 Canoas Aterro Próprio 2011 Caraá Brisa 2025 Dois Irmãos Sil Soluções Ambientais 2033 Estância Velha Sil Soluções Ambientais 2033 Esteio Santa Tecla Gramado Sil Soluções Ambientais 2033 Igrejinha Aterro Próprio 2012 Nova Hartz Aterro Próprio 2014 Nova Santa Rita Sil Soluções Ambientais 2033 Novo Hamburgo Sil Soluções Ambientais 2033 Parobé Sil Soluções Ambientais 2033 Portão Sil Soluções Ambientais 2033 Riozinho Brisa 2025 Rolante Aterro Próprio Santo Antônio da Patrulha Brisa 2025 São Francisco de Paula Sil Soluções Ambientais 2033 São Leopoldo SL Ambiental 2031 Sapiranga Sil Soluções Ambientais 2033 Sapucaia do Sul Aterro Próprio 2022 Taquara Sil Soluções Ambientais 2033 Sem LO Sem LO 39 Os dados apresentados na tabela indicam a distância percorrida por muitos municípios para dispor seus resíduos é muito grande, gerando gastos muito altos com transporte. Uma solução regional poderia atender a demanda destes municípios fazendo com que menores distâncias fossem percorridas, e gerando economia para os municípios. Outro fator importante a ser ressaltado é que muitos municípios já enfrentam problemas de destinação dos seus resíduos, ainda mais por encaminharem muitos resíduos recicláveis juntamente com os rejeitos. Os municípios consorciados ao Pró-Sinos atualmente reciclam cerca de 25% do resíduo reciclável que é gerado, o que indica que grande parte dos resíduos está sendo aterrado, em desconformidade com a legislação. Figura 01 – Volume de resíduos Esta tendência foi acompanhada em muitos dos municípios da região, ainda com agravantes em outras áreas de resíduos como construção civil, onde não ocorrem controles suficientes pelas administrações municipais, e onde certamente os incrementos na construção civil, aos programas habitacionais em âmbito nacional, as melhorias de renda e qualidade de vida, nem foram corretamente avaliados. O prognóstico dos resíduos da construção civil foi calculado com base nos dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe, considerando-se os dados de coleta de resíduos, que são de 0,62 kg/habitante/dia para o país (Tabela 4). 40 Tabela 04 - Estimativa de geração de resíduos da construção civil – RCC, nos municípios integrantes do Consórcio Pró-Sinos. Geração Geração 2015 Geração 2019 Geração 2031 atual (curto prazo) (médio prazo) (longo prazo) 692 t/dia 724 t/dia 777 t/dia 846 t/dia Estes dados estão considerando tão somente a média de resíduos coletados, mas de maneira geral os municípios só coletam os resíduos de construção civil lançados em logradouros públicos, podendo haver uma geração muito maior do que esta. Entretanto, para se prognosticar com dados confiáveis, foram utilizados os dados oficiais de coleta. Existe a necessidade de discutir o que fazer com o grande volume de resíduos de podas que existe na maioria das comunidades, bem como com os lodos de Estações de Tratamento de Água (ETAs) e Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) que existem em todos os municípios ou que um dia passarão a existir. Se não houver programas que visem solucionar a destinação destes lodos, a tendência é que se tenham cada vez mais passivos ambientais e disposição em locais não adequados, acarretando em degradação ambiental em algum nível e intensidade. Estas duas tipologias de resíduos são ricas em materiais e nutrientes orgânicos, que podem ser tratados e reutilizados, agregando valor às gestões municipais e economizando de forma relevante na manutenção dos órgãos públicos. O mesmo ocorre com a área de resíduos de serviços de saúde. Os controles se mostram precários em boa parte das comunidades, onde a própria existência de serviços de saúde satisfatórios é mais relevante do que a simples gestão de resíduos de saúde. Considerando-se que a coleta deste tipo de resíduo é de 1,42 kg/hab./ano (Abrelpe, 2010) e prognosticando estes dados a curto, médio e longo prazo, mais uma vez mostra-se notória urgência do gerenciamento apropriado, visando não somente variáveis ambientais, mas principalmente a garantia da saúde pública (tabela 5). Assim, os municípios em harmonia com o consórcio PróSinos, devem assumir parte das responsabilidades por este tipo de resíduo, na medida que todos demandam melhores condições de saúde e todos necessitam de melhorias nas condições de qualidade ambiental que propiciam qualidade de vida para os meios físico, biológico e antrópico. Cabe ressaltar que a projeção estimada para a geração dos resíduos de serviço de saúde contempla apenas as taxas de crescimento populacional, uma vez que outros fatores, como padrões de consumo e melhorias de qualidade de vida não tendem a interferir neste tipo de resíduo. São necessários melhores controles, uma vez que os dados utilizados são a média deste tipo de resíduos coletados no Brasil. 41 Tabela 05 - Aumento da geração de resíduos de saúde (RSS) nos municípios integrantes do Consórcio Pró-Sinos. Geração Geração 2015 Geração 2019 Geração 2031 atual (curto prazo) (médio prazo) (Longo prazo) 2.176 t/ano 2.254 t/ano 2.359 t/ano 2.654 t/ano A área de resíduos especiais também exige atenção dos gestores municipais de resíduos sólidos e ação compartilhada incluindo consorciamento, pois, as quantidades imaginadas para a implantação inicial de mecanismos compartilhados de responsabilidade dentro de processos de logística reversa, para os atuais itens discriminados no Art. 33 da Lei Nº 12.305/2010 e para outros itens ainda não discriminados em lei, mas onde a logística reversa é possível, devem ser escopo de planejamento das gestões de resíduos municipais. Quanto aos resíduos industriais, por escassez de dados disponibilizados pelos municípios, não foi possível estabelecer um prognóstico da situação, todavia se faz necessário o estabelecimento de um controle efetivo de modo a se aplicar uma gestão para esta tipologia de resíduos. 42 4 ATENDIMENTO DA LEI DE POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS (LEI Nº 12.305/2010) Neste item serão discutidas todas as proposições resultantes das discussões dos gestores municipais e seus representantes acerca dos principais itens de gestão de resíduos sólidos nos municípios que foram eleitos como relevantes pelos próprios gestores e seus representantes. Os municípios foram agrupados por região, entre representantes de terras altas, terras onduladas e terras baixas. Os resultados serão discutidos na mesma ordem de apresentação, à luz da Política Nacional de Resíduos Sólidos constante na Lei Nº 12.305/2010. 4.1 TERRAS ALTAS 4.1.1 Resíduos sólidos urbanos Esta região da bacia hidrográfica é caracterizada por comunidades de pequeno porte, onde todos os municípios necessitam de auxílio para manter um profissional na área de educação ambiental permanentemente, mas reconhecem e registram a necessidade deste tipo de ação que depende de profissional habilitado em condições de continuidade de trabalho. A ação de longo prazo proposta é a busca conjunta de recursos federais, sendo uma ação coletiva prevista no âmbito das ações do consorciamento. Em médio prazo se propõe a execução de compostagem. Para tanto, se faz necessário definir compostagem de que tipo de resíduo. Não é aconselhável a compostagem generalizada de restos de alimentos contaminados, pois a qualidade desta compostagem é baixa, os valores de nitrogênio, fósforo e potássio são baixos e ainda ocorrem restrições de utilização em função da contaminação. A compostagem deve ser planejada com a utilização de resíduos de podas, agregados a lodos de ETEs ou ETAs, eventualmente. A finalidade que parece ser mais adequada para este tipo de resíduo é a recuperação energética conforme prevê o inciso 7 do Art 3 da Lei Nº 12.305/2010. A ação de curto prazo prevista é a implementação de coleta seletiva, que deve vir acompanhada de medidas de gestão e apoio a entidades de catadores e recicladores, em consonância com a política nacional de resíduos sólidos. 4.1.2 Resíduos de serviços de saúde No longo prazo é prevista destinação final adequada. Os resíduos contaminados de serviços de saúde devem passar por autoclavagem ou incineração para esterilização de patogênicos. Não é adequado manter esta expectativa de destinação final adequada para intervalo de tempo muito superior ao limite máximo proposto pela Lei Nacional de Resíduos Sólidos para soluções de qualquer natureza. 43 A segunda proposição é um reconhecimento tácito da falta de controle existente. A proposta é uma ação de médio prazo vislumbrando a criação de planilhas de controle no setor privado. Implantar sistemas de planilhas em médio prazo no denominado setor privado é reconhecer que não existem sistemas satisfatórios e sistêmicos de controle deste tipo de resíduo. Os municípios devem implantar as exigências da lei e das resoluções, condicionando o funcionamento de estabelecimentos de saúde à existência de planos de gerenciamento dos resíduos gerados. A medida de curto prazo propõe o acondicionamento correto deste tipo de resíduo no âmbito domiciliar. Esta medida de curto prazo não está em consonância com a legislação. O gerador deste resíduo deve elaborar e implantar planos de gerenciamento de resíduos imediatamente para que possam continuar operando, conforme exegese da lei vigente. Este processamento é para um horizonte longo e tem que envolver redes de farmácias, redes de atendimento de saúde pública e outros atores para que esta situação possa ganhar horizontes que reflitam possibilidades de evolução relevante. Esta situação explicita a demanda por programas mais permanentes e institucionais de capacitação dos recursos humanos das municipalidades para adequação da gestão ambiental de toda uma enorme quantidade de tipologias de resíduos sólidos existentes. 4.1.3 Resíduos de Construção Civil O Consórcio Pró–Sinos, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, já está instalando a primeira unidade de reciclagem de resíduos de construção civil da Bacia Hidrográfica do Vale dos Sinos, no município de São Leopoldo. Toda e qualquer análise deve ser compreendida neste contexto. Para que a usina funcione satisfatoriamente será necessário que os municípios consigam a melhor aplicação possível da resolução 307/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, em caráter prévio e eficiente, sem o que as atividades de reciclagem e operação da usina sejam comprometidas em sua eficácia e eficiência e mesmo possibilidade operacional. Neste contexto, a meta de longo prazo prevista pelos gestores municipais parte de uma premissa que exclui o uso desta usina, o que até pode ser verdadeiro se custos operacionais de transporte e logística determinarem que estes municípios não possuam viabilidade econômica para execução da reciclagem. Mas, neste caso, é mais lícito projetar a instalação de outras usinas de reciclagem regionalizadas do que imaginar exclusão do processo. Dentro desta realidade a meta de longo prazo prevista que é de licenciar novas áreas para disposição de resíduos de construção civil é extemporânea e está em desconformidade com a legislação vigente. A meta de médio prazo é o controle dos pequenos geradores. O diagnóstico realizado nos municípios indica falta de controle sistemático dos pequenos, médios e grandes geradores, o que indica que esta medida deva ser tomada imediatamente para que se exijam planos de destinação dos resíduos em quaisquer empreendimentos que tenham uma potencial geração, conforme determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Por outro lado, a meta de curto prazo é contraditória em relação à meta de longo prazo proposta. Se em curto prazo já se prevê iniciativas para implantação eficiente e sistematizada da resolução 307/2002 do CONAMA, não se faz necessário vislumbrar novas áreas de disposição deste tipo de resíduo em longo prazo. Se houver plena e eficiente implantação da 44 resolução 307/2002 do CONAMA, a demanda que existirá é por instalação de mais unidades regionalizadas de reciclagem e não de novas áreas para disposição deste tipo de resíduo. A resolução do CONAMA, se aplicada na íntegra e na sua exegese, é um convite à manutenção permanente de reciclagem, economia de matérias primas, água e energia e geração de ocupação, emprego e renda na construção civil. 4.1.4 Resíduos Industriais As prefeituras e as comunidades em geral têm pouca influência na otimização dos processos industriais que pudessem gerar menor quantidade de resíduos, embora esta fosse uma prática muito recomendável. Políticas de isenção fiscal, estaduais ou federais, podem ser mais eficientes neste objetivo. Desta forma, a meta de longo prazo prevista, que seria de minimizar a geração de resíduos nos processos industriais está fora de sintonia. Prefeituras ou comunidades teriam dificuldades de interferir em rotinas empresariais sem respaldo jurídico ou atrativos financeiros. A meta de médio prazo também está descontextualizada. O aprimoramento do licenciamento ambiental não tem como variável relevante ou explícita considerar as atividades de geração e gerenciamento de resíduos sólidos. A exigência de planos de resíduos e o controle de geração por planilhas deve ocorrer imediatamente em todos os novos empreendimentos licenciados para que atuem em conformidade com a Lei Nº 12.305/2010. A meta de curto prazo é aprimorar a fiscalização. E, neste sentido, ações ou programas em consorciamento podem ser muito eficientes, eficazes e necessários, embora tenha que se ter parâmetros para avaliação, e exigência de planos de gerenciamento de resíduos. 4.1.5 Resíduos Especiais A meta de longo prazo guarda aderência com as funções e possibilidades de ação dos municípios ao propor a busca por tecnologias de baixo custo para reciclagem. É função e atribuição municipal dar estímulos fiscais e fomentar iniciativas locais, capazes de gerar modificações no cenário local e consolidar a construção dessas soluções. Entretanto, o prazo proposto para tais ações não está em conformidade com a nova Política de Resíduos Sólidos e precisa ser encurtado. A meta de médio prazo para os resíduos especiais parece menos aderente e harmoniosa com qualquer objetivo legal. A tendência é de implantação efetiva de sistemas de logística reversa compartilhando a gestão com atores privados, conforme estabelece a meta de curto prazo, e a tendência é que em médio prazo desapareça a necessidade por disposição final adequada para esta tipologia ou grupo de resíduos. Um dos principais itens da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Nº 12.305/2010) é o forte estimulo para gestão compartilhada (Art. 30) e implantação de sistemas eficientes de logística reversa (Art. 33). 45 4.2 TERRAS MÉDIAS OU ONDULADAS 4.2.1 Resíduos sólidos urbanos Este conjunto de municípios consolidou como meta de longo prazo a coleta seletiva nas áreas rurais, um objetivo consonante com a lei e, que deve ser alcançado em horizonte de tempo menor. Como meta de médio prazo registrou a criação de cooperativas ou associações de catadores. Esta realidade já existe atualmente na maioria dos municípios da região e deve ser aperfeiçoada, consolidada e apoiada. Se não existirem as entidades, com certeza será necessário rever o prazo deste objetivo. Como meta de curto prazo, a institucionalização legal e operacional de coleta seletiva é harmoniosa com a política incentivada pelo Consórcio Pró-Sinos e aderente com a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos cristalizada na Lei Nº 12.305/2010. 4.2.2 Resíduos dos serviços de saúde A proposição de longo prazo de estabelecer planos de gerenciamento de resíduos de saúde não pode ser desenvolvida neste tempo. Segundo a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei Nº 12.305/2010, é necessário resolver esta questão em prazo menor. O objetivo de médio prazo de cadastrar planilhas de controle é um reconhecimento implícito de que os controles nesta área não são satisfatórios. Isto é confirmado pela meta de curto prazo de melhorar as ações de fiscalização. Para tanto, certamente será necessária a implantação de programa consorciado para atender as necessidades de recursos humanos, capacitação e recursos materiais. 4.2.3 Resíduos de construção civil A meta de longo prazo de criar áreas de transbordo ou novos destinos finais é absolutamente desconexa da legislação e das iniciativas consorciadas, implantando a primeira usina de reciclagem de resíduos de construção civil. A meta de médio prazo prevendo capacitação de recursos humanos é fundamental para a correta gestão dos resíduos e deve contemplar os gestores municipais de resíduos sólidos ou buscar gestores capacitados no mercado privado para acompanhar e implantar as diretrizes da resolução 307/2002, do CONAMA. A meta de curto prazo prevendo cadastrar e fiscalizar tele-entulhos é um reconhecimento implícito de que existem grandes carências na gestão deste tipo de resíduo. Na verdade identifica-se que boa parte das comunidades não registra dados satisfatórios sobre este tipo de atividade, dificultando em muito as tentativas de planejamento. A política nacional de resíduos sólidos prevê a reutilização e a reciclagem, e metas que não contemplem estas práticas são inconsistentes com a lei. 46 4.2.4 Resíduos Industriais A meta de longo prazo deste grupo de gestores municipais de resíduos sólidos é estabelecer banco de dados. Estes dados já são utilizados por órgãos de fiscalização ambiental e podem ser desenvolvidas atividades conjuntas com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental e com as associações comerciais para materialização deste cadastro. Em médio prazo são previstas políticas para pequenos geradores. Estas ações vão necessitar de abreviamento do tempo em função das realidades diagnosticadas e das normas legais. Em curto prazo é prevista capacitação de fiscalização. Embora com lapsos de eficiência, esta fiscalização existe em nível estadual e sua otimização em nível municipal certamente demandará ações consorciadas na geração de programas e capacitação de recursos humanos e materiais. 4.2.5 Resíduos Especiais A meta prevista de longo prazo é destinação final adequada e implantação de logística reversa. Esta meta não tem aderência temporal com a legislação e as ações consorciadas, e deve ser revista. A meta de médio prazo de criação de ecopontos deve ser revista em função da gestão compartilhada e do horizonte de tempo previsto em lei. A meta de curto prazo de estabelecimento de campanhas de educação ambiental é correta e deve englobar todos os itens de gestão de resíduos sólidos, permanentemente. 4.3 TERRAS BAIXAS 4.3.1 Resíduos sólidos urbanos A meta de longo prazo é operar centrais regionais com os objetivos de minimizar o envio para os aterros e fazer tratamento integral dos resíduos. Não existe aparente coerência entre estes objetivos. A minimização da geração de resíduos depende de alteração de hábitos de consumo e está ligada diretamente a ações de educação ambiental. Não é coerente com a Política Nacional de Resíduos Sólidos que fique incluída numa questão de operação de centrais de resíduos em longo prazo. Da mesma forma, a meta de médio prazo é a compostagem, também associada com outros objetivos que não tem coerência interna entre si. Busca de novas tecnologias e unidades integradas de valorização são metas de segregação de resíduos voltadas para reaproveitamento. Em curto prazo, coleta seletiva está associada com capacitação e pagamento por serviços ambientais, o que está em consonância com a legislação, pois prevê a valorização social e econômica para os agentes ambientais. 47 4.3.2 Resíduos de serviços de saúde A meta de longo prazo discute novamente disposição final adequada, enquanto a hegemonia das soluções previstas na resolução 358 do CONAMA e 396 da ANVISA recomendam primordialmente procedimentos de autoclavagem ou incineração. O restante da meta fala em educação ambiental e soluções tecnológicas, além de destinação domiciliar. Esta prática está desarmonia com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A meta de médio prazo são soluções integradas e redução de custos, o que indica soluções consorciadas, em consonância com a legislação e com a intenção do consorciamento. E em curto prazo são previstas ações para controle adequado, citando-se ainda condicionantes de gerenciamento e alvarás e licenças ambientais, sem que haja compreensão clara desta associação de metas. 4.3.3 Resíduos de construção civil A meta de longo prazo engloba ampliação das estruturas de beneficiamento, o que pode ser entendido como instalação de novas usinas de reciclagem regionalizadas. Juntamente é prevista a instalação de novos moinhos e ampliação da cultura de beneficiamento, metas coerentes entre si e plenamente justificáveis. A meta de médio prazo é instalar centrais regionais de triagem. Este procedimento é questionável, pois se sabe que a única triagem eficiente e econômica é na origem. Não se entende ser possível triar resíduos de construção civil quando previamente misturados em obra. A meta de curto prazo é implantar ecopontos para pequenos volumes de resíduos desta natureza. Estes ecopontos existem há muitos anos e são eficientes, por exemplo, na cidade de Belo Horizonte, integrados na política maior de gestão de resíduos de construção civil, incluindo até mesmo os carroceiros que atuam nestas centrais. 4.3.4 Resíduos Industriais A meta de longo prazo é implantar unidades regionais e aplicar novas tecnologias. Nas cidades desta microrregião, a gestão dos resíduos sólidos industriais recebe forte contribuição das associações comerciais e industriais, que aterram os materiais não recicláveis e estimulam procedimentos de reciclagem em todos os materiais onde este desiderato é possível. A meta de médio prazo fala em captação de recursos. Não está claro qual a finalidade desta captação. Não parece que as prefeituras devam investir e passar a ser responsáveis por qualquer fase de gestão dos resíduos industriais, já que hoje não são nem legal, nem administrativamente responsáveis. A meta de curto prazo é fomentar estruturas de fiscalização que realmente sempre são necessárias para qualquer atividade e a qualquer tempo. 48 4.3.5 Resíduos Especiais A meta de longo prazo é adequação da cadeia produtiva. Esta meta é bastante genérica para que se possa considerar pertinente na gestão deste tipo de resíduo que implicará na formulação de políticas de logística reversa e gestão compartilhada, devendo ser aplicada em um período de tempo menor para estar em conformidade com a lei vigente. A meta de médio prazo fala em ampliar unidades de pneumáticos. Não se entende porque a eleição dos pneumáticos, se o Art. 33 da Lei Nº 12.305/2010 elege mais 5 itens além de pneumáticos para gestão compartilhada dentro de contexto de logística reversa. A meta de curto prazo fala em campanhas para implantar logística reversa. Não são necessárias somente campanhas, mas procedimentos de gestão compartilhada para se adequar à política. 49 CONSIDERAÇÕES FINAIS O prognóstico aqui realizado vislumbra cenários possíveis e determina, a partir do diagnóstico, a síntese dos procedimentos e ações projetados e identificados em cada região da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos. O prognóstico atende principalmente às prioridades trazidas pelo gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos (RSU), dos resíduos dos serviços de saúde (RSS), da construção civil (RCC), industriais (RSI) e especiais (RSE). Neste contexto, fica evidenciado que somente a sinergia gerada pela intervenção do consorciamento dos municípios pode gerar ações compartilhadas capazes de reduzir custos e otimizar resultados. Existe também uma grande expectativa gerada pela maior representatividade do consorciamento para a obtenção de recursos para o desenvolvimento de projetos, uma vez que a Política Nacional de Resíduos Sólidos define sua prioridade na captação de recursos federais. Cabe ressaltar a constatação diagnosticada e que foi trabalhada neste prognóstico, de que a realidade da maior parte dos municípios integrantes do Consórcio Pró-Sinos possui grandes desafios a serem enfrentados no que diz respeito à gestão de resíduos sólidos. É de suma importância que se tenham soluções integradas nesta gestão. A realidade que se evidencia claramente em todo o trabalho realizado no diagnóstico, que levanta dados e investiga todas as estruturas disponíveis nas prefeituras para a gestão de resíduos sólidos e nas possibilidades das destinações finais atualmente realizadas, que consistem basicamente no envio para aterros sanitários licenciados, indicam claramente que: 1. Todos os municípios, sem exceção, possuem carências estruturais de recursos humanos para realização de gestão adequada de todas as dimensões que os resíduos sólidos apresentam; 2. Os municípios maiores apresentam maior estrutura na área de meio ambiente, mas tem uma demanda tão grande de análise de projetos para licenciamento ambiental e outras demandas que, na prática, apresentam tanta dificuldade de recursos materiais e humanos para aplicações específicas na gestão de resíduos sólidos que acabam se equivalendo às carências dos pequenos municípios. Estes, por usa vez, têm maior dificuldade de recursos humanos e materiais, mas tem menores demandas específicas na área genérica de meio ambiente e nas análises de projetos; 3. Em escalas de tempo que variam pouco e tem horizontes de meses ou poucos anos, a maioria dos aterros de resíduos sólidos operados pelos municípios estão em vias de exaustão ou saturamento, apresentando sempre dificuldades operacionais visíveis para cumprimento das legislações ambientais genéricas ou específicas. Disto resulta que a maioria dos municípios já utiliza atualmente aterros sanitários fora da bacia hidrográfica e em horizonte de tempo bastante reduzido é possível prever que praticamente todos os municípios dependerão de aterros sanitários licenciados fora da área de abrangência geográfica da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos. Demandam, assim, gerenciamento de 50 custos de transporte que se tornam cada vez mais proibitivos e tendem a se inviabilizar em curto ou médio horizonte de tempo, exigindo um programa consorciado imediato para solucionar esta questão; 4. Embora na maioria dos municípios da bacia hidrográfica existam iniciativas já históricas e consolidadas no tempo, de coleta seletiva e/ou segregação, é possível afirmar que as quantidades e valores estão muito abaixo do potencial levantado, que se situa em torno de 400 toneladas/dia de recicláveis. As atuais estruturas, bastante carentes de apoio sistemático e permanente, tanto de recursos materiais quanto de outras formas de colaboração, atingem aproximadamente 25% do potencial de reciclagem. Desnecessário ressaltar que a reciclagem tem uma importante função de economia ambiental, preservando matérias primas e economizando água e energia ao reinserir materiais em ciclos produtivos. Outra importante função social é a geração de ocupação, emprego, renda e inclusão social para as camadas mais excluídas da pirâmide social brasileira; 5. Evidencia-se muito clara a necessidade de intervenção consorciada em todas estas realidades e em questões específicas, tais como resíduos de serviços de saúde, resíduos de podas e lodos de ETAs e ETEs, resíduos de construção civil e demolição, e resíduos contemplados pelo artigo 33 da lei 12.305 (lista itens de aplicação obrigatória de logística reversa). Sem uma intervenção consorciada planejada e sistemática é possível prever extremas dificuldades para implantação de políticas de logística reversa, além do atendimento de outros itens pertinentes da Política Nacional de Resíduos Sólidos em tempo hábil previsto na legislação; 6. Sem intervenção consorciada parece não haver perspectiva alguma de qualquer município na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos atender a recomendação disposta no inciso 7 do Art. 3 de promover a recuperação energética de todos os resíduos sólidos não passíveis de ação de segregação, reaproveitamento e reciclagem. Todas estas realidades constatadas ficam ainda mais agravadas por cenários de crescimento na geração de resíduos sólidos que se apresentam cada vez maiores e mais agressivos em função das políticas públicas de erradicação de pobreza e ascensão social. Quanto mais estas políticas forem eficazes, e as mesmas têm sido muito eficientes na última década, maiores serão os problemas a serem enfrentados. As perspectivas atuais motivadas pela possibilidade de atuação coletiva conjunta através do Consórcio Pró-Sinos desenham um cenário de expectativas favoráveis de grande extensão. São imediatas as seguintes ações: I. Institucionalizar da melhor forma possível em cada município os procedimentos de coleta seletiva para viabilização do cumprimento da legislação em horizonte de tempo exequível; II. São necessárias ações permanentes e institucionais de apoio a associações ou cooperativas de catadores e recicladores para que as ações de segregação, reciclagem, geração de ocupação, emprego e renda sejam viabilizadas em horizonte de tempo que esteja em conformidade com a Lei 12.305/2010; III. Devem ser discutidas e viabilizadas alternativas de recuperação 51 energética para a fração de resíduos sólidos urbanos não recicláveis conforme preconiza o inciso 7 do Art. 3 da Lei 12.305/2010; IV. Recomenda-se a discussão de uma finalidade mais nobre para os resíduos de poda em associação com os lodos de Estações de Tratamento de Águas (ETAs) e Estações de Tratamento de Esgotos ou Efluentes (ETEs), pois estes resíduos são ricos em nutrientes orgânicos nobres que podem ser reinseridos em ciclos produtivos vitais e possuem poucos geradores, facilitando o controle; V. Também é recomendável ampla discussão sobre a gestão de resíduos sólidos de construção e demolição, que, em média, representam de 1,5 até 2 vezes o volume de resíduos sólidos urbanos de uma comunidade e são passiveis de reaproveitamento e reciclagem. O Consórcio PróSinos, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, já se encontra em estágio evoluído de implantação da primeira unidade de reciclagem deste tipo de resíduo em São Leopoldo. Há consenso sobre as necessidades de implantação mínima dos procedimentos da resolução 307/2002 do CONAMA nos municípios para que seja viabilizada esta primeira usina e para que se demande a instalação de novas unidades; VI. É necessária uma séria discussão sobre resíduos sólidos de serviços de saúde para atendimento da legislação e para soluções de continuidade num setor que já apresenta graves problemas de sub-financiamento e má gestão operacional do próprio objetivo principal que é fornecimento de serviços de saúde; VII. É necessária a implantação de programas de capacitação de recursos humanos e disponibilização de materiais para possibilitar a implantação da gestão compartilhada (Art. 30) e logística reversa (Art. 33) nos municípios em prazo mínimo para manutenção da conformidade com a legislação aplicável. É notório que os programas conjuntos dependem ainda de recursos. Mas o trabalho até aqui desenvolvido respalda todas as iniciativas aqui propostas e o nível de integração e participação conseguido durante o desenvolvimento das fases de diagnóstico e prognóstico dos resíduos sólidos nos municípios da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos integrantes do Consórcio Pró-Sinos legitimam as ações agora pleiteadas em cima de rigoroso trabalho de diagnóstico e prognóstico. Esta obtenção de recursos fica ainda mais respaldada pela concepção de que soluções compartilhadas, na prática, são mais eficazes e que a sinergia do consorciamento é mais importante do que cada um dos municípios individualmente, principalmente em se tratando de saneamento, particularmente na área de gestão integrada dos resíduos sólidos. 52 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Resolução da Diretoria Colegiada 306 de 7 de dezembro de 2004. AGOPYAN, V. et al. Alternativas para a redução do desperdício de materiais nos canteiros de obras. São Paulo, 1998. ANDRADE, J. B. L. Determinação da composição gravimétrica dos resíduos de serviços de saúde de diferentes tipos de estabelecimentos geradores. In: Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, 20., 1999. Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, 1999, p. 1666-1672. BERTHIER, H. C. Garbage, work and society. 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