Júlio M. Landmann
EDITORIAL
O tempo e a vivência têm nos mostrado que a todo
evento corresponde uma explicação e quando não a
encontramos tendemos ao mito, pois para tudo há
de haver uma resposta, ainda que insustentável.
Quando a verdade aflora nos custa acreditar e então
nos perguntamos: Por quê?
Uma parte se explica pela natureza do universo
e a outra pela natureza do homem.
O Mundo da Usinagem
3
ÍNDICE
38
O MUNDO DA
O MUNDO DA
USINAGEM
Publicação da Divisão Coromant da Sandvik do Brasil ISSN 1518-6091 RG BN 217-147
SET UP RÁPIDO
EDIÇÃO 8 / 2007
uma condição
sine qua non
USINAGEM
CNC
cálculos
complexos
na metade
do tempo
Publicação da Divisão Coromant
da Sandvik do Brasil
ISSN 1518-6091
RG. BN 217-147
Izilda França
38
Capa
Foto: Arquivo AB
Sandvik Coromant
FRESO-TORNEAMENTO
Racionalização
na usinagem pesada
03 EDITORIAL
04 ÍNDICE / EXPEDIENTE
06 GESTÃO: FUNDAMENTOS DO SET UP RÁPIDO
12 OTS: USINAGEM DE EIXOS COMPLEXOS EM UMA ÚNICA FIXAÇÃO
18 INTERFACE: CONGRESSOS E SIMILARES – PORQUE E COMO PARTICIPAR
23 OTS: NOVA VERSÃO DO EDGECAM OTIMIZA PROGRAMAÇÃO
26 GESTÃO: INOVAÇÃO, PRODUTIVIDADE E EXPORTAÇÕES EM ALTA
32 SUPRIMENTOS: DISTRIBUIDOR, AGENTE INSUBSTITUÍVEL
36 PONTO DE VISTA: OS DESAFIOS DO SEGURO AMBIENTAL
40/47 INTERESSANTE SABER: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E OUTRAS NOTÍCIAS
48 NOSSA PARCELA DE RESPONSABILIDADE
49 MOVIMENTO
50 DICAS ÚTEIS
e-mail: [email protected]
ou ligue: 0800 770 5700
EXPEDIENTE
O MUNDO DA USINAGEM é uma publicação mensal da Divisão Coromant da Sandvik do Brasil S.A.
com circulação de doze edições ao ano, tiragem de 13.000 exemplares, com distribuição gratuita.
Av. das Nações Unidas, 21.732 - Sto. Amaro - CEP 04795-914 - São Paulo - SP.
Conselho Editorial: Nivaldo Coppini, Francisco Marcondes, Heloisa Giraldes, Marlene Suano,
Aryoldo Machado, Anselmo Diniz, Sidney Harb, Fernando de Oliveira e Vera Natale.
Editora: Vera Natale
Editor Chefe: Francisco Marcondes
Assistente de Edição: Michel Sorci
Editor do Encarte Científico: Nivaldo Coppini
Jornalista Responsável: Vera Natale - MTB 33847
Propaganda: Gerente de Contas - Thaís Viceconti / Tel: (11) 6335-7558 Cel: (11) 9909-8808
Projeto Gráfico: AA Design
Capa e Arte Final: 2 Estúdio Gráfico
Revisão de Textos: Fernando Sacco
Gráfica: Type Brasil
4
O Mundo da Usinagem
GESTÃO EMPRESARIAL
Fundamentos do
Set up rápido
Ford, no início
do século passado,
já dizia: “o cliente
pode ter seu carro
pintado na cor que
quiser, desde
que seja preto”.
O objetivo era
trabalhar com
produtos
padronizados,
não fazer set ups
e aumentar
a produtividade
da empresa.
o mercado globalizado atual,
a diversificação e o tamanho dos lotes são importantes para a competitividade da empresa, por isso devemos buscar
soluções diferentes da usada por
Ford no início do século passado.
Tempos improdutivos que
não agregam valor ao produto,
set ups geram perdas globais de
produtividade nas empresas.
Quanto maior a diversificação e
N
menor o tamanho dos lotes,
maior será o tempo total com
set up com resultados desastrosos
para a produtividade:
INFLUÊNCIA DO TEMPO
DE SET UP NA MANUFATURA
A solução para reverter a curva da produtividade está em reduzir os tempos de set up. Terminado o lote anterior, a máquina
e o operador estarão imediata-
Tempo set up
Diversificação
Produtividade
Tamanho do lote
1970 1975 1980 1985 1990
6
O Mundo da Usinagem
1995 2000 2005
mente dedicados à produção da
próxima peça, por isso deve-se
considerar a produção horária
incluindo o tempo de set up.
No exemplo ao lado, a produção horária é reduzida de 60
peças por hora para menos de
20 considerando um lote de
100 peças. Por isso, no passado,
considerando-se que o tempo
de set up é fixo, tinha-se uma
grande tendência de aumentar
o tamanho dos lotes de peças
para reduzir o efeito das horas
de set up.
Muitas empresas não se preocupam com os tempos de set up
uma vez que não são operações
produtivas, dentro do conceito
tradicional de manufatura. Engenharias de Manufatura e as próprias Manufaturas estão preocupadas em reduzir o tempo de
usinagem das peças, deixando de
lado grande potencial de ganho.
Se, pelo contrário, considerando que o lote é fixo ou de acordo com a quantidade vendida,
pode-se atingir o mesmo efeito
de um lote de 10.000 peças através da redução do tempo de set
up (1,024 x 1,030 min).
Esta mudança levou por terra o tradicional conceito do “lote econômico de produção”, transformando-o em: “produzir o
mínimo necessário ou somente a
quantidade vendida”.
A grande falácia é admitir-se
que os tempos de set up não podem ser reduzidos.
Tempo
de Set up
Tempo de Usinagem
por peça
Tamanho
do lote
Tempo total
por peça
240 min.
1 min
100 pç
1+ 240 = 3,4 min
100
240 min.
1 min
1.000 pç
1 + 240 = 1,24 min
1.000
240 min.
1 min
10.000 pç
1 + 240 = 1,024 min
10.000
Tempo de Usinagem
por peça
Tamanho
do lote
Tempo total
por peça
240 min
1 min
100
1 + 240 = 3,4 min
100
120 min
1 min
100
1 + 120 = 2,2 min
100
60 min
1 min
100
1 + 60 = 1,6 min
100
3 min
1 min
100
1 + 3 = 1,03 min
100
Tempo
de Set up
CONCEITOS BÁSICOS
• Set up é o conjunto de atividades para preparar a máquina para
a produção da próxima peça, pode ser chamado também de Montagem ou Preparação de máquina.
• Tempo de set up é o tempo
total decorrido, desde o término
do lote A até o início de produção do lote B (veja figura a seguir).
• Troca Rápida de Ferramentas é aquela realizada no menor
tempo possível.
Obs: Troca Rápida de Ferramentas
não significa ritmo acelerado e,
sim, montagens simplificadas, sem
improvisações, com coordenação e
de forma sistemática.
• S M E D (Single Minute Exchange Die):
Montagens realizadas em tempos
menores que 10 minutos, ou seja, menores do que dois dígitos,
por este motivo “single” minute.
• Atividades Externas: são todas e quaisquer atividades que
O Mundo da Usinagem
7
Tempo de set up
LOTE - A
MONTAGEM
Requisição Transporte Desmontagem
do
do
Ferramental
Ferramental Ferramental
do lote A
podem ser realizadas enquanto a
máquina estiver trabalhando.
• Tempo Externo: são os tempos gastos para executar as atividades externas.
• Atividades Internas: são todas e quaisquer atividades que
para serem executadas, a máquina tem que estar parada.
• Tempo Interno: são os tempos gastos para executar as atividades internas
Obs: O ponto essencial para utilização dos sistemas Troca Rápida
de Ferramentas é o entendimento e a separação dos tempos Interno e Externo.
ETAPAS PARA
REDUÇÃO DO SET UP
Muitas empresas cometem
enganos ao pensar que troca rápida é um programa caro e que
se resume a reprojetar e/ou substituir todo o ferramental. Este
pensamento seria comparado ao
empreendedor que “inicia a construção da casa pela antena”. Ações
técnicas podem se tornar ineficazes se usadas isoladamente.
Iniciar pelas ações administrati8
O Mundo da Usinagem
Montagem
Ferramental
do lote B
LOTE - B
Ajustes
Inspeção
Aprovação
vas é a maneira mais inteligente
e econômica.
Existe uma fase inicial enquanto a empresa não tem um
programa efetivo ou conhece os
conceitos Troca Rápida de Ferramentais, quando existem indefinições e desconhecimento
que escondem os reais problemas e as soluções. O trabalho a
ser executado pelo montador não
está definido, falta clareza na seqüência do trabalho a ser executado, muitas vezes existem improvisações ou o ferramental e a
máquina não estão em boas condições de uso (e que por ficar
por longo tempo parados, só são
consertados durante o set up).
Pode também faltar meios de
transporte, chaves, recursos básicos, matéria-prima.
A simplicidade e a eficácia
das soluções é que faz a diferença e, para evitar gastos desnecessários e ineficazes, 5 etapas devem
ser seguidas:
remédio errado de pouco efeito
prático. Deve-se identificar todas
as atividades e seus respectivos
tempos, sejam elas executadas pelo montador ou não. Duas maneiras básicas podem ser utilizadas:
a) Filmagem do set up.
Esta prática pode ser utilizada se
o grupo estiver treinado e consciente dos objetivos do programa, evitando-se constrangimentos e erros.
b) Execução de relatório de montagem.
Todas as atividades executadas
durante o set up e seus respectivos tempos devem ser descritos
em relatórios de montagem.
• Separação dos Tempos
Internos e Externos:
Através da análise dos relatórios de montagem, identificar e separar as atividades internas e externas e seus respectivos
tempos. Como ação inicial, procurar manter durante o tempo
em que a máquina está parada,
somente as atividades internas
(Tempos Internos).
• Conversão dos Tempos
Internos para Externos:
Procurar transferir atividades internas para externas, executando-as com a máquina trabalhando. Reprojetar alguns
itens de ferramental: exemplo
Pre setting de ferramentas.
•
•
Identificações:
A identificação serve como
diagnóstico, evitando o uso de
Eliminação da Ajustagem:
Todo ajuste é considerado
perda de tempo. Eliminar os ajustes analisando o sistema M.F.D.P.
(Máquina, Ferramenta, Dispositivo, Peça). Usar ferramental
fixo, guias padrões e sequenciamento das peças.
Treinamento: todos os envolvidos
devem estar treinados em todos os
conceitos da troca rápida.
Comunicação: antes de terminar
o lote, todas as informações necessárias devem estar disponíveis.
Prática: praticar para melhorar a
destreza dos envolvidos.
Planejamento: planejar as ações
e tempo para implantar o programa (após treinamento e resultado de alguns exemplos).
Metas: podem ser estabelecidas
por Equipamento, Departamento ou Empresa.
•
Refinamentos:
Recomeçar tudo novamente.
Procurar reduzir os tempos internos e externos de set up (apesar de
serem externos, têm custo) simplificando ao máximo o set up.
A maneira didática como as
etapas foram apresentadas serve
para facilitar o entendimento,
porém, na prática, várias etapas
podem ocorrer simultaneamente. A “Fórmula 1” é um exemplo muito conhecido de troca
rápida e assim como nas empresas depende de requisitos básicos:
Condições: ter ferramental adequado, em quantidade suficiente, com boas condições de uso e ao
lado da máquina na hora certa.
APLICAÇÕES
O sistema Troca Rápida de
ferramentas pode ser aplicado
nos mais diversos ramos de atividade industrial, independentemente da idade ou avanço tecnológico dos equipamentos:
Máquinas gargalo de produção:
Tempo de set up atual
(atividades internas)
Externo
Potencial
Identificações
Lote A
Separação
de Ti para Te
Lote A
Conversão
de Ti para Te
Lote A
Eliminação
de ajustes
Lote A
Interno
Lote B
Refinamentos
Lote A
Interno
Lote B
10 O Mundo da Usinagem
Interno
Lote B
Interno
Interno
Lote B
Externo
Potencial
Lote B
resultados imediatos nas vendas
da Empresa.
Máquinas gargalo de montagem: os ganhos serão na redução
de perda de tempo da mão de
obra evitando que interfiram na
produção das máquinas gargalos de produção.
Linhas de usinagem: geram ganhos de produtividade amplo em
todos os equipamentos da linha.
VANTAGEM
Troca Rápida de Ferramental
é uma ferramenta essencial para a Manufatura Enxuta (Lean
Manufacturing) e contribui para a melhoria da produtividade, aumentando a capacidade
produtiva e permitindo atender
trabalhos urgentes. Set ups são
menos cansativos, aumentam a
utilização dos equipamentos e
permitem redução dos lotes e
do inventário.É pré-requisito
para o “just-in-time”.
DICAS PARA MELHORIA
Não “reinvente a roda”, busque ajuda com especialistas e empresas fornecedoras de ferramentas comprometidas com a troca rápida.
Tenha em mente que eliminar
a montagem é melhor que reduzi-la, portanto dedique máquinas
por família e faça sequenciamento das peças.
Durante o set up procure mover as Mãos mas não os Pés (como no jogo de basquete) usando a “criatividade” para eliminar
os desperdícios.
“Troca Rápida de Ferramentas” tem como objetivo set up
realizado em tempos menores
que 10 minutos; conceituação
denominada “S.M.E.D.” (Single
Minutes Exchange Die).
Muitas empresas têm como
objetivo a realização do set up
em um toque, conceituação denominada “O.T.E.D.” (One
Touch Exchange Die).
A “Troca Rápida de Ferramentas” visa uma significativa
redução dos tempos de set up em
torno de 70 a 95 % , aumentando a disponibilidade das máquinas de 20 a 30%.
OBSERVAÇÕES
O sistema Troca Rápida de
Ferramentas é um processo repetitivo, cuja meta é a montagem da
máquina em um toque, por isso devemos ter em mente que a última
Inovação ou Melhoria será sempre
a primeira de uma nova série.
Eliminando-se os tabus da
impossibilidade e do conservadorismo, permite-se uma grande
mudança de mentalidade, proporcionando capacitação a programas mais arrojados.
Porque a redução do Set up?
Simplesmente porque o Equipamento e o Operador estão ocupados mas não há produção.
Faça somente aquelas atividades que criam ou agregam
valor e que o cliente está disposto a pagar. Todas as demais são
DESPERDÍCIO.
Laercio Batelochi
Engenheiro Consultor da EATON,
Valinhos/São Paulo
O Mundo da Usinagem 11
OTS
Izilda França
Usinagem de eixos
complexos em
uma única fixação
A MAN Ferrostaal AG
está otimista quanto
ao crescimento
econômico do Brasil.
12 O Mundo da Usinagem
Momento de usinagem
em uma das máquinas WFL.
multinacional do grupo
MAN, especialista em projetos de engenharia e desenvolvimento de plantas industriais, igualmente fornecedora de
equipamentos e soluções em múltiplos segmentos de mercado, como máquinas gráficas, plásticas,
de embalagens e operatrizes, está
otimista quanto ao crescimento
econômico do Brasil.Os investimentos previstos para o segmento energético entre outros, são
oportunidades para a MAN
A
Ferrostaal que também oferece financiamento próprio.
Thomas Kaup, managing director mundialmente responsável pelos negócios da empresa
para equipamentos e soluções
em processos metalúrgicos, exemplifica a atuação da MAN Ferrostaal como parceira no completo
desenvolvimento de um projeto,
transformando a idéia em um
negócio lucrativo.
Francisco Marcondes
de por meio de multi-eixos programáveis viabiliza a usinagem
de eixos, como os encontrados
em equipamentos de prospecção
de petróleo e trens de pouso.
O Mundo da Usinagem foi
convidada a participar, de 18 a 21
Francisco Marcondes
Entre tantas atividades, a
MAN Ferrostaal também representa algumas empresas, como a
austríaca WFL Millturn Technologies GmbH & Co.KG, fabricante de centros de torneamento tipo multitarefas. Com
escritórios nos três continentes,
a WFL opera na matriz com 320
colaboradores. Seu faturamento
entre 2004 e 2006 saltou de
€ 50 para € 73,7 milhões, sendo 70% de seu turnover gerado
em indústrias de petróleo e gás,
aeroespacial e plásticos.
Seus centros de freso-torneamento alcançam até 100 kW no
acionamento principal e rotações
máximas de 1600 rpm, trabalham entre pontas com 2000 a
6500 mm. O diâmetro de volteio
sobre o carro superior chega a
1500 mm, suportando peças de
até 10 toneladas entre pontas e
com magazine de até 108 ferramentas. A sua grande flexibilida-
de Junho de 2007, do Technology
Meeting, evento organizado pela
WFL em Linz, cidade às margens
do Danúbio, onde localiza-se a
matriz da empresa, e que reuniu
cerca de 200 clientes vindos de
todos os continentes, entre os
quais, o grupo de brasileiros.
Com o objetivo de apresentar seus recentes desenvolvimentos, a WFL possibilitou, a todos
os visitantes, além das demontrações práticas, o acompanhamento in loco de cada etapa da
montagem destes equipamentos,
além de explicações detalhadas
sobre as características de construção de cada modelo, dadas por
Martin Kaukal – gerente internacional de vendas da empresa.
A estrutura básica das máquinas é de monobloco fundido, com guias temperadas a 64
Martin Kaukal, gerente internacional de vendas da WFL, segundo
à esquerda, e o grupo de brasileiros presentes no Technology Meeting
2007 promovido pela MAN Ferrostaal/WFL na Áustria e que reuniu
cerca de 200 clientes vindos de todos os continentes.
O Mundo da Usinagem 13
Francisco Marcondes
Edson Oliveira, gerente geral de máquinas operatrizes no Brasil e
Thomas Kaup, managing director na matriz alemã, ambos da
MAN Ferrostaal, que representa a WFL promotora do evento para
lançamento de seus recentes centros de freso-torneamento.
HRc e são montadas com dois
carros transversais independentes, oferecendo rigidez e versatilidade. A troca de ferramentas
pode ser feita em qualquer ponto do percurso, reduzindo o tempo improdutivo. O projeto das
máquinas impossibilita qualquer
contato das guias com resíduos
ou cavacos e não utilizam proteções telescópicas, sendo improvável que o equipamento venha
a sofrer qualquer tipo de dano
por interferência desses agentes.
Edson Oliveira, gerente geral
do departamento de Máquinas
Operatrizes da MAN Ferrostaal
no Brasil, que nos acompanhou
na viagem, informou ser possível
inserir componentes que se adaptem às exigências específicas de
cada cliente. “A WFL desenvolve soluções sob medida para a
14 O Mundo da Usinagem
fabricação de peças completas
que atendam às necessidades específicas de seus respectivos clientes, tornando-os mais competitivos” complementa. A idéia
original é fazer uma peça completa com uma única fixação.
Martin Kaukal enfatizou que
as máquinas da WFL proporcionam robustez, precisão, versatilidade e produtividade. Os projetos favorecem o direcionamento
das forças de corte perpendicularmente às áreas mais rígidas das
máquinas que, assim, estão aptas
a executarem usinagens de corte
pesado e interrompido. Se ocorrerem colisões, blocos modulares
podem ser realinhados perfeitamente, sem que haja qualquer
dano estrutural do conjunto.
Os trabalhos de pré-venda
são bastante intensos, porém, o
Francisco Marcondes
resultado final é compensador. A
pré-aceitação é executada com o
acompanhamento dos respectivos clientes até que sejam atendidas todas as exigências em tempo e qualidade.
Dados os elevados valores, alguns clientes relutam em fazer tal
investimento, mas a experiência
tem mostrado um custo-benefício bastante satisfatório. Kaukal
informa que investiram 8 anos para vender a primeira máquina à
China. Contudo, já no ano seguinte, introduziram 3 e só no
ano passado, mais 15. No total,
considerando apenas as mais pesadas, existem ao menos 200 máquinas em operação no mercado
e, considerando-se também as de
menor porte, este número chega
a aproximadamente 1000. Atualmente a WFL produz de 80 a 90
máquinas por ano, com planos
para chegar a 100.
No Brasil, as primeiras máquinas WFL foram adquiridas pela ELEB – Embraer Liebherr
Equipamentos do Brasil S.A., empresa com 60% de participação da
Embraer e 40% de participação do
grupo suíço Liebherr. A ELEB
produz conjuntos de trem-depouso e componentes hidráulicos e eletro-mecânicos a seus clientes, entre eles Embraer, Liebherr,
Sikorsky e Hawker Beechcraft.
De acordo com José Luiz
Fragnan, diretor de operações da
ELEB, também presente em Linz,
a ELEB pode com os novos equipamentos da WFL diminuir o
tempo de manufatura e executar
em uma única máquina, operações que ocupavam várias outras.
Atualmente a ELEB possui
uma M65 e uma M120, máquinas da WFL que comportam diâmetros de peças de 650 e 1200 mm
respectivamente, com sete eixos programáveis (X,
Y, Z, C, B, Z 2 – Luneta
e Z 4 – Contraponto), e
conseguem executar peças complexas com mínimo tempo de set up e
produção. O objetivo
principal era produtivi-
Algumas das peças
usinadas no centro de
freso-torneamento WFL.
O Mundo da Usinagem 15
Izilda França
Segundo declaração de José Luiz Fragnan, diretor de operações
da ELEB, a empresa pôde, com os novos equipamentos da WFL,
diminuir o tempo de programação e executar em uma única
máquina, operações que ocupavam várias outras.
Pela alta tecnologia envolvida e o êxito alcançado no mercado, a ELEB é uma ótima vitrine de referência e, deste modo,
entendemos que a WFL não poderia começar a introdução dos
seus produtos no Brasil de maneira melhor.
Francisco Marcondes
Gerente de Marketing e Treinamento
da Sandvik Coromant do Brasil
Izilda França
dade e qualidade, o que realmente ocorreu. Peças que anteriormente consumiam até 20 horas,
hoje são produzidas em 9.
Segundo Fragnan, os resultados
foram tão positivos que a empresa estuda a possibilidade de adquirir mais máquinas desse conceito,
já que a manufatura representa
cerca de 40% dos custos totais e
a demanda pelos seus produtos
tem crescido de forma notável.
Exemplo de peça usinada
em máquina WFL pela
ELEB, em São José dos
Campos/São Paulo.
16 O Mundo da Usinagem
Clarita/Morguefile.com
INTERFACE
Congressos e Similares:
porque e como participar e apoiar
Qual o papel
desses encontros
técnico-científicos
para o
desenvolvimento
da indústria
brasileira?
18 O Mundo da Usinagem
s países desenvolvidos investem fortemente em
P&D&I. Nestes, além das
próprias indústrias contarem com
laboratórios, é muito comum a
pesquisa em parceria com universidades. O investimento é normalmente de risco, pois existe a
consciência de que nem sempre
os resultados serão positivos.
Por questões que podem até
ser consideradas óbvias, os resultados das pesquisas desenvolvidas
internamente às indústrias são
pouco ou nada divulgados. É o
sigilo industrial que corretamente dita tal comportamento.
Alguns centros de pesquisa e universidades, quando praticam o
P&D&I, também adotam o
mesmo comportamento.
Entretanto, no Brasil existe
O
um grande número de universidades federais e estaduais e
um bom número de universidades privadas que praticam pesquisas ligadas, principalmente,
à formação de recursos humanos (formação de mestres e doutores). Resulta desta prática um
número altíssimo de trabalhos
de pesquisa que são submetidos aos Congressos, Simpósios,
Seminários, Workshops e outros
tipos de encontros. Tais trabalhos têm as mesmas características mencionadas no início:
podem não ser imediatamente
aplicáveis mas são sempre desafios vencidos, caminhos apontados, novos desafios.
Considerado o exposto, participar dos eventos mencionados
apresenta inúmeras vantagens,
tanto para os pesquisadores quanto para os profissionais do setor industrial, sejam estes pesquisadores ou não. Vejamos algumas:
• estabelecimento de contato
entre pesquisadores de universidades e centros de pesquisa e profissionais das indústrias que, eventualmente, podem se transformar
em parcerias para realização de
P&D&I;
• identificação de temas pelos
profissionais da indústria que possam ser de interesse para o desenvolvimento de seus projetos;
• identificação de temas para
serem desenvolvidos em parceria
pelas indústrias e academia, visando a pesquisa de ponta com geração de patentes;
• racionalização e/ou complementação dos recursos investidos
em P&D&I, visando a transformação de pesquisas acadêmicas
que, geralmente, não são transferidas ao setor industrial, em pesquisas dirigidas com objetivos
que, além de atender à formação
de recursos humanos, geram resultados com maiores possibilidades de serem aplicados;
• atualização dos conhecimentos ao ter contato com as publicações.
Porém, aqueles que participam efetivamente dos eventos
têm sido, na sua grande maioria,
oriundos das universidades e centros de pesquisas. A ausência dos
profissionais das indústrias faz
com que boa parte das vantagens
enumeradas não ocorra.
O distanciamento entre a academia e a indústria parece estar
mudando paulatinamente, embora o diálogo entre universidades e empresas seja ainda precário, limitando-se muito mais às
vontades individuais de alguns
pesquisadores, desta ou daquela
universidade, que encontraram
abertura junto a alguns profissionais, desta ou daquela indústria e vice-versa. As cooperações,
quando existem, são mais uma exceção do que uma regra.
Os profissionais das indústrias poderiam participar efetivamente, apresentando contribuições técnicas, ou simplesmente
atuando como participantes nas
diversas sessões técnicas de interesse, lendo os artigos nos anais
e debatendo com os autores durante as apresentações, oferecendo a sua experiência do dia-a-dia
industrial, fazendo os contatos
acontecerem na hora do cafezinho
ou das confraternizações, etc.
Para apoiar referidos eventos, o setor industrial tem à sua
disposição diversas formas:
• apoio financeiro na forma
de patrocinador;
• oferecimento de cursos, mini-cursos e palestras sem ônus
para o evento;
• pagamento de aluguel de
stands para oferecimento de seus
produtos;
• oferecimento de instalações
próprias para organização do
evento;
• pagamento de viagens de especialistas nacionais e/ou estrangeiros de renome para apresentação de palestras e/ou mesas
redondas.
O Mundo da Usinagem 19
Existem muitas maneiras de se
participar de um congresso ou evento similar e maiores informações podem ser obtidas com os respectivos
organizadores. Para facilitar os contatos, em seguida são apresentadas
algumas associações tradicionais e
Associações
seus respectivos eventos, bem como as páginas de acesso para os interessados em mais informações.
Nivaldo Coppini
Editor do Encarte Científico
da revista O Mundo da Usinagem
Eventos
Ocorrência
COBEM
Congresso Brasileiro
de Engenharia Mecânica
Todo ano ímpar nos
meses finais do ano
COBEF
Congresso Brasileiro
de Engenharia de Fabricação
Todo ano ímpar nos
meses iniciais do ano
CONEM
Congresso Nacional
de Engenharia Mecânica
Todo ano par nos
meses finais do ano
ABEPRO
Associação Brasileira de
Engenharia de Produção
www.abepro.org.br
ENEGEP
Encontro Nacional de
Engenharia de Produção
Todos os anos nos
meses finais do ano
ABENGE
Associação Brasileira de
Ensino de Engenharia
www.abenge.org.br
COBENGE
Congresso Brasileiro
de Ensino de Engenharia
Todos os anos nos
meses iniciais do ano
SOBRAPO
Sociedade Brasileira de
Pesquisa Operacional
www.sobrapo.org.br
Simpósio Brasileiro
de Pesquisa Operacional
Anunciado na página
da SOBRAPO
ABERGO
Associação Brasileira
de Ergonomia
www.abergo.org.br
O evento tem o mesmo
nome da Associação
Anual
ABM
Associação Brasileira de
Materiais e Metalurgia
www.abm.org.br
Congresso Anual da ABM
Todos os anos
em julho
ABCM
Associação Brasileira
de Ciências Mecânicas
www.abcm.org.br
20 O Mundo da Usinagem
OTS
Imagem cedidas pela SKA
Nova versão
do EdgeCAM otimiza
programação
Siegfried
Koelln, diretor
da SKARenderWorks.
O mercado para
softwares de
CAM – Computer
Aided Manufacturing
cresce com a
necessidade de
se programar
máquinas com
3 eixos ou mais
SKA-RenderWorks oferece desde junho,
ao mercado brasileiro, a versão 11.75 do
software EdgeCAM, produzido pela empresa inglesa Pathtrace, subsidiária da Planit
Holdings plc. O produto chega com capacidade expandida de usinagem em 4 e 5 eixos,
gerenciamento de dados CAD e gráficos aprimorados, além de programação de máquina
mais rápida.
“Uma nova versão do software é lançada a
cada quatro meses”, afirma Siegfried Koelln,
diretor da SKA-RenderWorks. Esta política de
A
O Mundo da Usinagem 23
Imagens cedidas pela SKA
Simulação de Usinagem 5 eixos.
constante aprimoramento do software parece agradar ao usuário,
que necessita cada vez mais de
software de CAM para elevar os índices de qualidade e produtividade. No mundo, já foram implementadas 40.000 licenças do
software, das quais 760 estão no
Brasil, instaladas em empresas dos
mais variados portes e segmentos da
indústria metal-mecânica. “Em
2005, registramos um crescimento
24 O Mundo da Usinagem
Torneamento Avançado com Puxadores de Barra.
de 85% nas vendas de EdgeCAM,
e em 2006, este índice foi de 66%”,
afirma o diretor.
Koelln tem expectativas de
mercado bastante positivas também para este ano, já que o mercado de CAM cresce fortemente influenciado pelo aumento nas
vendas de máquinas-ferramenta
modernas e complexas, que refletem investimentos das empresas
na ampliação e modernização do
parque fabril. “O CAM possibilita a otimização do processo de
usinagem, e as empresas têm
consciência de que o investimento é necessário. O aumento do
rendimento da máquina CNC
paga o investimento em curto
prazo”, observa o diretor.
Máquinas multieixo cada vez
mais complexas sugerem a necessidade de software de CAM
fácil de usar e que sirva para diferentes necessidades de programação, de forma que se tire da
máquina maior produtividade
com menor custo operacional.
Todavia, Koelln explica que mesmo para máquinas simples, o uso
de um sistema CAM pode ser
facilmente justificado em casos,
por exemplo, de empresas que
trabalham com um grande número de peças diferentes.
Sólido carregado
no EdgeCAM
Solid Machinist.
RECURSOS
A versão 11.75 do EdgeCAM
tem entre seus destaques uma
série de novas estratégias de desbaste em 5 eixos, otimizando a
programação. Outras melhorias
para operações de torneamento
incluem um comando puxador
de barras, que permite que o subspindle segure, reposicione e usine o componente como parte de
um único ciclo.
A usinagem 5 eixos foi expandida para suportar mais dois
tipos de configurações de máquina: head/head de eixos interseccionados e não-interseccionados. Além disso, permite que o
fresamento multiplano e de 5 eixos simultâneos sejam combinados em um único processo, acelerando a programação.
Outra facilidade da nova versão está em permitir o carregamento direto e o processamento
de arquivos STEP com associatividade ao caminho de ferramenta. Anteriormente, esta solução
era possível somente através de dados de sólidos nativos. Melhorias
de performance nos ciclos de desbaste e profiling permitem também que o cálculo de complexos
caminhos de ferramenta seja reduzido em até 50%.
O usuário brasileiro do software conta ainda com uma facilidade adicional. Ele pode configurá-lo para a língua portuguesa.
“A SKA-RenderWorks percebeu
essa demanda crescente, principalmente no âmbito educacional e
realizou a tradução do software
para o português”, conta Koelln.
INDEPENDÊNCIA
O EdgeCAM funciona de forma totalmente integrada com os
principais sistemas CAD do mercado, não exigindo qualquer tipo
de filtro ou tradução de dados.
Mesmo assim, incorpora um CAD
– o EdgeCAM Part Modeler, uma
ferramenta de modelagem 3D –
projetada para construir ou editar
modelos sólidos de forma simples
e rápida – que visa beneficiar engenheiros de produção oferecendo uma ferramenta CAD de baixo custo e com associatividade ao
arquivo de detalhamento.
De Fato Comunicações
A SKA-RenderWorks, no mercado desde 1989, oferece softwares para projetos mecânicos e elétricos, geração de programas CN para manufatura e
gerenciamento de documentos. Atualmente, é considerada uma das maiores empresas de software CAD e CAM da América Latina, com cerca de 80
funcionários. Com sede própria no Pólo de Informática de São Leopoldo
(RS), possui escritórios regionais em Joinville (SC), Curitiba (PR), Belo Horizonte
(MG), Santa Bárbara d’Oeste (SP) e São Paulo (SP).
Os produtos fornecidos pela SKA estão presentes em empresas, como Aker
Kvaerner, Gerdau Açominas, Grupo WEG, Marcopolo, Mahle Metal Leve,
Polimold, Romi, Tramontina, Weatherford e Zollern, entre outras.
O Mundo da Usinagem 25
GESTÃO EMPRESARIAL
MHZ Photo Designer
Inovação, Produtividade
e Exportações em alta
Mais que reduzir
custos e aumentar
a competitividade, a
Caterpillar do Brasil
é uma referência
em termos
de qualidade.
26 O Mundo da Usinagem
o mercado brasileiro, é a
15ª empresa em volume
de exportações e a 5ª do
Estado de São Paulo, além de ser
uma referência para as demais
109 fábricas do grupo Caterpillar
Inc. Instalada em Piracicaba (SP),
a empresa vem investindo na modernização de seu parque fabril,
que é composto, em sua maioria,
por máquinas de grande porte.
Há 18 meses, por exemplo,
N
entrou em operação uma máquina multi-tarefa de grande porte, importada do Japão. Após
uma série de testes, que foram assessorados pela Pérsico, empresa especializada em suprimento
de ferramentas e soluções para
usinagem, a Caterpillar optou
por ferramentar a máquina com
o sistema modular e intercambiável Coromant Capto. “Esse sistema ofereceu melhor estabili-
CoroBore 820 mandrilando furo do chassis D-8.
dade à operação”, diz Cláudio
M. Lemos, o Caiá, responsável
pela área de usinagem dos tratores de rodas.
Caiá aponta ainda outra característica do sistema que considera fundamental: a flexibilidade. “O Capto abre campo para se adaptar brocas, fresas e barras de mandrilar”, explica. Ele
acrescenta que é muito fácil trocar as ferramentas, substituir brocas por fresas ou barras ou, se necessário, alterar o comprimento,
com uso de extensões ou reduções, ou ainda aumentar o diâmetro. Marcelo J. Riquena, coordenador da área de pre set,
concorda, citando, além da flexibilidade, também a rapidez no
preparo das ferramentas.
Na Caterpillar, as inovações
são consideradas uma necessidade, pois aumentar a produtividade é um objetivo permanente. Ao
tomar conhecimento da ferramenta para mandrilamento CoroBore de três arestas, Caiá viu
uma oportunidade para eliminar
um problema freqüente na fábrica. “Aqui, usinamos muitos conjuntos soldados, peças de grande
porte, como os chassis dos tratores, e numa das máquinas tínhamos muito problema de vibração,
que gerava paradas de manutenção”, explica.
Segundo o responsável pela
área de usinagem, essa mandriladora serviu de máquina-piloto
para a introdução da nova ferramenta. A partir dos bons resultados obtidos, a experiência foi
transferida para outras máqui-
nas. A Caterpillar utiliza a CoroBore nos diâmetros de 101,
104, 121, 132, 172 e 214 mm.
“Trabalhamos com uma projeção de reduzir o tempo de usinagem nessa operação em aproximadamente 196 h/ano em alguns
centros de usinagem”, afirma.
Hoje, seis máquinas já estão
equipadas com a CoroBore. “Estamos replicando o uso deste ferramental com outros diâmetros
para outros pontos de uso, buscando constantes otimizações e
reduções de custos”, explica.
Além de eliminar a vibração, a
CoroBore trouxe vantagens adicionais. Como tem três arestas de
corte – e não duas como a usada anteriormente – já de saída
oferece ganho de 33% em termos
de avanço. Caiá assinala ainda
O Mundo da Usinagem 27
Chassis do D-8. À esquerda, pode-se observar melhor os furos
mandrilados com a ferramenta CoroBore 820.
Imagens MHZ Photo Designer
que, a partir da utilização da ferramenta, foi possível perceber
que ela permitia avanços ainda
maiores e, hoje, o ganho está na
faixa de 50% a 60%, dependendo da peça a ser produzida e/ou
da operação a ser realizada.
Benefícios e vantagens obtidos com o sistema Capto e com
a CoroBore abriram espaço para
a introdução de outras ferramentas, como as fresas Long Edge
(abacaxi) de 80 mm e 100 mm,
que estão ferramentando três máquinas. Também estão sendo testadas brocas de metal duro.
Caiá faz questão de deixar
claro que a Caterpillar dá oportunidade a todos os fornecedo-
Cláudio Caiá,
projetista da Caterpillar.
28 O Mundo da Usinagem
res de apresentar e testar seus
produtos. “Se for testado e der resultado, poderá ser adotado”,
afirma o comprador Valter S.
Jovenazzo, da área de Compras
Globais, lembrando que a Caterpillar mantém uma rede de fornecedores qualificados. “A concorrência é sadia e é grande no
mercado de ferramentas. Há
muita oportunidade para o crescimento de todos”. Jovenazzo informa que o estreito relacionamento entre a CATERPILLAR
e os fornecedores possibilita a
identificação de oportunidades
para alterar o processo de usinagem, reduzindo custos e aumentando a produtividade.
João Carlos Fernandez, que
na ocasião da entrevista ocupava
o cargo de gerente de Compras
Globais e hoje responde pela área
de Nacionalização, lembra que
quando a fábrica da Caterpillar
ficava em São Paulo, a empresa
produzia também motores e
transmissões e o volume de consumo de ferramentas era muito
maior. Com a transferência para
Piracicaba, boa parte das operações de usinagem foi terceirizada.
Nesse momento, inclusive, a área
de Compras se prepara para dar
início a um programa para consolidar com os terceiros os melhores fornecedores de ferramentas,
dispositivos e materiais indiretos. “Não basta fazer a terceirização, é preciso trabalhar junto a toda a cadeia produtiva, para que
seja adotada a prática de comprar dos melhores fornecedores,
para que a Caterpillar se beneficie de tecnologia, de qualidade,
redução de custos, ampliando a
nossa competitividade”, avalia.
Imagens MHZ Photo Designer
Valter Jovenazzo, da
área de Compras Globais
da Caterpillar.
UMA REGIÃO
EM ASCENSÃO
Antônio Carlos da Silva, diretor da Pérsico Ferramentas,
conta ter, hoje, cerca de 500
clientes, sendo 230 ativos, acrescentando que a região entre
Piracicaba e as proximidades de
Ribeirão Preto no interior de São
Paulo, tem se beneficiado pela
retomada da agroindústria e concentra grande número de fabricantes de equipamentos para os
setores de álcool combustível e
biocombustível, segmentos em
forte expansão. Mas não só, a região também compreende outros importantes pólos, como o
de matrizaria e conformação de
metais, em Limeira, e o de implantes médico-odontológicos,
em Rio Claro.
De Fato Comunicações
Caterpillar exporta
para 120 países
Com 52 anos de atividades no Brasil, a Caterpillar está instalada em Piracicaba (SP), em área de 170 mil m2
de área construída e área total de 3,8 milhões de m2.
Nessa unidade são produzidos 28 modelos, entre escavadeiras hidráulicas, compactadores, carregadeiras
de rodas, motoniveladoras, retroescavadeiras e tratoJackson Lovadine, vendedor técnico, Antonio Carlos Silva,
res de esteiras, além de grupos geradores nas faixas
diretor, Waldemar Cardoso, assistente técnico, todos da Pérsico,
de 45 a 460 Kvas. Parte da produção é exportada padistribuidor autorizado Sandvik Coromant e Wagner Lima, gerente
regional de vendas Sandvik Coromant ao lado de um trator de
ra 120 países. No ano passado, o comércio externo renesteiras fabricado pela Caterpillar, em Piracicaba.
deu US$ 1,1 bilhão.
Com 4.900 funcionários, por três anos consecutivos tem
sido considerada “uma das melhores empresas para se trabalhar no País”, segundo pesquisas da revista Exame, Great
Place to Work e Valor Carreira. A fábrica brasileira é certificada em várias normas, como a ISO 9002, desde 1994; ISO
14.001, desde 2001; foi a primeira empresa brasileira a receber a certificação MRPII Classe A (1999) e é a única empresa na América Latina certificada com a Excelência Operacional (2000). Em 1999, a Caterpillar do Brasil recebeu o
PNQ - Prêmio Nacional da Qualidade.
30 O Mundo da Usinagem
SUPRIMENTOS
Distribuidor,
agente insubstituível
Caio Caruso
Uma das importantes
áreas de decisão
no desenvolvimento
de negócios do
segmento de bens
de consumo industrial
é a cobertura de
mercado. Como
atender bem ao
mercado em toda
a sua extensão por
um custo viável?
32 O Mundo da Usinagem
evolução de qualquer negócio está atrelada à intensidade da demanda e à capacidade de atendê-la. No caso
de uma demanda concentrada
em uma determinada região, por
exemplo, as vendas sem intermediários costumam ser a melhor solução.
Uma equipe própria de vendedores e assistentes técnicos pode
facilmente cobrir um perímetro
territorial compacto, sem onerar excessivamente os custos de
A
administração e vendas, com o
grande benefício de colocar o
produtor próximo aos seus consumidores finais.
Quanto mais curta a via de
transferência de bens e serviços,
entre quem produz e quem consome, mais direta é a percepção
do nível de satisfação dos usuários
finais. Isto facilita ao produtor a
identificação de necessidades ou
oportunidades de melhoria nos
serviços tanto quanto dos produtos que possam levá-lo a participações de mercado progressivamente maiores.
Por outro lado, se o território a cobrir é demasiadamente
grande, o investimento necessário para se manter uma equipe
numerosa, aliado aos custos de
translado, para levar vendedores
e assistentes técnicos da empresa até os pontos de atendimento, somados aos custos com fretes e transportes das mercadorias,
podem tornar inviável o contato direto entre produtor e consumidor e é nesta situação que
uma bem organizada rede de distribuidores torna-se estratégica.
Atualmente, a maioria das
empresas trabalha com estruturas enxutas e fluxos de produção
voltados para a máxima produtividade sob os mínimos custos
possíveis. Para isso, estas empresas adotam métodos de produção
racionais embasados em técnicas como a “lean manufacturing”.
Esta técnica é sustentada por métodos de produção orientados
por mapas de valor, melhoria
contínua e foco em atividades
estratégicas de agregação de valor. Deste modo, toda atividade
de menos valia que puder ser terceirizada e todo custo que puder
ser eliminado tornam-se alvo de
atenções e ações corretivas.
Entre os fatores críticos de
sucesso de uma empresa estão os
estoques, que devem ser eliminados ou, ao menos, minimizados.
Esta necessidade contribui para
a consolidação das entregas “just
in time” ou “milk run”, ou seja,
ao invés de se manter um estoque que atenda todo um mês de
produção, por exemplo, o fornecedor deve subdividir as entregas. Só a quantidade necessária, no exato momento em que
será utilizado um determinado
insumo ou componente, deverá
ser entregue ao usuário final.
Ao invés de uma entrega
maior, uma seqüência ininterrupta e variável de entregas deve ser feita diretamente à linha
de produção, proporcionando
fluxo produtivo adequado à demanda sem que ocorra falta ou
excesso de insumos, garantindo,
ao consumidor final, a possibi-
lidade de se trabalhar praticamente sem estoques.
Muitas vezes este fornecedor
deverá, além de entregar, cuidar da
aplicação e responsabilizar-se pelos desdobramentos que o uso do
seu produto acarretar no produto final de seu respectivo cliente.
No caso dos fabricantes de
ferramentas, o mercado abrange
todos os estados industrializados
do país onde quer que haja alguma máquina CNC (Comando
Numérico Computadorizado)
operando. Embora a maioria das
indústrias de manufatura encontre-se nos estados do Sul e Sudeste, existem interessantes pólos manufatureiros em muitos
outros estados do norte, nordeste e região central do Brasil.
Cada uma destas diferentes
regiões tem características de consumo próprias devido ao tipo de
indústria, cultura regional, disponibilidade tecnológica, acessibilidade mercadológica e leis particulares à região. Assim, nenhum
produtor do sudeste brasileiro, por
exemplo, poderia entender e atender tão bem um cliente do nordeste quanto alguém que estivesse inserido no mesmo cotidiano.
O grande desafio é, no entanto, desenvolver distribuidores
comprometidos com a visão, missão, crenças, valores, metas e objetivos que possam sustentar os
mesmos ideais e garantir idêntica magnitude à marca e desempenho de produtos e serviços tal
qual a empresa que os desenvolveu o faria se atendesse ao mercado diretamente.
O Mundo da Usinagem 33
Embora pareça difícil, tudo
depende do quanto esta empresa
esteja disposta a investir em treinamento, comunicação e políticas
comerciais que possam compensar o esforço que seus distribuidores terão de fazer para atender
todos os pré-requisitos de atendimento estabelecidos por ela.
Confiança mútua é imprescindível nestes casos e confiança
é algo que se consolida com o
tempo, quanto maior o tempo de
relacionamento mutuamente positivo maior a interação e a partilha de planos, metas e resultados. É improvável que alguma
empresa possa atender tão bem
um cliente que esteja longe de sua
sede quanto um distribuidor
comprometido da mesma visão
de negócios e que esteja a apenas
alguns minutos deste cliente.
Com estoques regionais, os
distribuidores podem garantir
segurança de entrega de itens que
para a empresa matriz podem
não ser prioritários, pois esta costuma ver o mercado como um todo. A flexibilidade do distribuidor possibilita entregas rápidas e
em quantidades mínimas que seriam muito onerosas se a empresa se propusesse a fazer o mesmo.
Os custos locais do distribuidor podem contribuir para que este estabeleça uma estrutura que
viabilize treinamentos específicos
às necessidades regionais, com assistência técnica dedicada e ven-
das adequadas às reais necessidades de cada cliente em particular.
Estando mais próximo de seus
clientes é usual que o distribuidor
seja mais assíduo a um determinado cliente do que uma empresa a centenas, às vezes a milhares
de quilômetros o poderia fazer.
Quanto mais sólido e profissional for o relacionamento e
o equilíbrio entre estas duas forças, mais lucrativos serão os negócios não só para a empresa e
seus distribuidores como, sobretudo, para a razão da existência
de ambos, os clientes.
Francisco Marcondes
Gerente de Marketing e Treinamento
da Sandvik Coromant do Brasil
PONTODEVISTA
Os desafios do
seguro ambiental
s disputas instauradas no
governo em torno das emissões de licenças ambientais
escondem o verdadeiro risco inerente ao conflito entre a necessidade de preservação do meio
ambiente e os incentivos governamentais para incentivar o crescimento econômico, dos quais o
PAC (Programa de Aceleração
Econômica) é o mais relevante.
Essa polêmica, porém, não
traz à tona a necessidade de se
proteger o patrimônio ambiental brasileiro e nem de longe abordam iniciativas que poderiam
trazer um pouco de planejamento a essa área essencial não só à
economia, mas à vida: um programa de gerenciamento de riscos voltado ao meio ambiente e
a adoção de apólices de seguro
ambiental, que poderiam garantir cobertura aos custos de reparação, facilitando o cuidado com
áreas de preservação.
O seguro de riscos ambientais
com cobertura mais ampla hoje
disponível para proteção ao meio
ambiente foi lançado no Brasil em
2005, poucos anos depois de seu
lançamento na Europa e cerca de
uma década depois de ser lançado nos Estados Unidos. Porém, se
A
36 O Mundo da Usinagem
compararmos o desempenho do
mercado brasileiro com países mais
desenvolvidos, concluímos que
ainda há muito a ser feito.
O seguro aqui disponível é
uma modalidade de seguro de
responsabilidade civil e movimentou aproximadamente US$
10 milhões de prêmio (preço pago por quem compra o seguro) no
Brasil em 2006. Nos Estados
Unidos, o volume de prêmio em
seguro ambiental, onde existem
ainda mais tipos de coberturas, ficou próximo a US$ 2 bilhões no
mesmo período. Se somarmos todos os prêmios de seguros de responsabilidade civil geral (não se
restringindo às coberturas de poluição) emitidos no Brasil no ano
passado, não chegamos a 10%
do que se movimentou somente
em prêmios de seguro ambiental
nos Estados Unidos.
Uma das principais dificuldades para se criar uma cultura de
proteção ao meio ambiente no
Brasil por meio do seguro é a falta de interesse por parte das empresas. Diferentemente de outros
ramos, como o de mercadorias
transportadas e de automóveis,
o seguro ambiental não tem um
benefício perceptível imediato
38 O Mundo da Usinagem
de ter alguma utilidade, porque
as empresas mais responsáveis
procurarão agir conforme a legislação. Há projetos de lei visando facultar ao órgão de licenciamento ambiental exigir seguro,
se entender que um empreendimento gera risco, mas não se
pode prever sua aprovação. Se
aprovarem essa lei, o mercado
conseguirá atender à demanda?
Como seria a caracterização do
seguro exigido para o cumprimento da lei? Que tipo de cobertura esse seguro iria contemplar?
Em outras palavras, não é possível lançar nenhum produto
dessa natureza sem nenhuma especificação técnica precisa.
Para mudar essa situação, não
há necessidade, por exemplo, de
se criar novas leis. Tudo dependerá mais da correta aplicação
das leis ambientais e de um trabalho de conscientização do consumidor potencial de seguro de
riscos ambientais.
Mauro Leite
Marsh Corretora de Seguros
Grupo Marsh & McLennan Companies
Imagem cedida pelo autor
para as empresas. As suas conseqüências, na maioria dos casos
noticiados foram sentidas por
poucas empresas e comunidades,
não sendo percebidas pelo grande público consumidor, por incrível que pareça.
Além disso, muitas empresas
não se sentem compelidas a cumprir com as obrigações com o
meio ambiente, apesar de o Brasil
ser um dos países mais avançados no que se refere às leis ambientais, pois as multas e penalidades impostas, na maioria das
vezes, são irrisórias ou contornadas através de recursos legais.
Mesmo no caso de punições mais
significativas, a legislação permite que as empresas recorram
ao judiciário ou façam acordos
e termos de ajustamento de conduta (TAC), e que muitas vezes
deixam de ser cumpridos.
Por esses motivos, o mercado
segurador não investe na criação
de outros produtos na área ambiental porque não sabe se terá retorno. Como se trata de um produto de venda de ciclo demorado,
na maioria dos casos, não se percebe o risco claramente, apesar do
imenso perigo potencial. E entramos num círculo vicioso: não
existe oferta de coberturas mais
amplas e adequadas por parte das
seguradoras porque não há demanda, ou não há demanda porque não há maior oferta de coberturas das seguradoras?
Existem projetos de lei que
tornariam obrigatória a aquisição de um seguro de meio ambiente. Essa obrigatoriedade po-
INTERESSANTESABER
Ppdigital/morguefile.com
À medida em
que as máquinas
foram se tornando
mais e mais
complexas, surgiu a
inevitável pergunta:
é possível reproduzir
a inteligência
humana?
40 O Mundo da Usinagem
Inteligência
Artificial
F
ilha direta da ciência mecânica do Renascimento, a
busca da reprodução da inteligência humana tomou corpo
com os avanços dos estudos matemáticos a partir do século XVII.
No século XX, a grande figura envolvida com a Inteligência Artificial foi Alain Turing e seu computador Colossus, rapidíssimo em
quebrar os códigos alemães emitidos pela máquina de codificação
chamada Enigma, durante a 2ª
Guerra Mundial. Mas é em 1956,
exatamente, que ela passa a ser
conhecida, quando um projeto
de pesquisa originado durante
uma conferência no Dartmouth
College, EUA, mencionava pela
primeira vez o termo “inteligência artificial”.
A partir de 1960, com a evolução dos computadores, os estudos de Inteligência Artificial
recebem um grande impulso. Por
algum tempo, muitos confundiam as habilidades de serviço
dos computadores com “inteligência” mas logo tornou-se claro que o computador apenas e tão
somente repete comandos determinados pelo homem, a verdadeira inteligência do circuito.
Assim, ou se mudava o conceito
de inteligência, aproximando-o
da idéia de máquina, ou se definia melhor o que é inteligência.
Por incrível que possa parecer,
ainda não se tem uma definição
satisfatória do que seja inteligência humana, o que torna mais
complicado ainda discutir a sua re-
Ardelfin/morguefile.com
produção. Como pontos básicos
temos que a inteligência se ancora na questão do conhecimento e
da representação do conhecimento. No entanto, para que a inteligência produza conhecimento,
devemos passar pelo território nebuloso da percepção.
Os mecanismos da percepção
– tanto de emissão quanto de
recepção – têm merecido estudos abundantes e circunstanciados e, graças a eles, hoje se sabe
que ambos sofrem profundo impacto das emoções, a ponto de
se falar em “inteligência emocional”. Dessa maneira, como
se chega ao conhecimento? Pela
organização e manipulação de
complexa rede de conceitos ou
por meio da percepção?
À medida que tais estudos
avançam, sobretudo nas áreas de
psicologia da percepção, linguística, antropologia da comunicação, neurociências, etc., os conceitos de Inteligência Artificial e as
bases de sua pesquisa se alternam,
42 O Mundo da Usinagem
se contrapõem, são privilegiadas
ou abandonadas. Recentemente se
tem dado muita atenção aos
estudos de redes neuronais e tradução automática de informações, sobretudo devido aos enormes progressos da neurociência e
da ciência da computação.
De maneira geral, uma certeza podemos ter: a Inteligência
Artificial é considerada no âmbito das chamadas ciências cognitivas, que se afirmam como o espaço de construção da nova ciência
das máquinas, dos comportamentos psíquico e biológico e das relações entre máquinas e comportamento humano (e vice-versa).
Nesse sentido, as formas altamente simbólicas da cultura humana, como a linguagem e as estruturas de raciocínio e a filosofia,
também são consideradas.
As ciência cognitivas buscam
explicar e simular os principais
mecanismos da inteligência humana: percepção, raciocínio, linguagem, coordenação motora e
planificação. Por simulação entenda-se a escrita de programas
de computador que reproduzem
a maneira de pensar, falar e aprender do ser humano.
De maneira geral, as pesquisas
sobre Inteligência Artificial seguem
três vertentes fundamentais:
1. A mais básica é aquela que
estuda as redes neuronais e o
conexionismo voltados para a
capacidade dos computadores
reconhecerem padrões e “aprenderem”.
2. Uma vertente muito desenvolvida é aquela ligada à robótica, em associação com a biologia,
no intuito de construir máquinas
que comportem vida artificial.
. A mais ousada de todas as
vertentes é a que usa a biologia
molecular como trampolim para a construção da vida artificial.
Vemos, portanto, que a nortear as pesquisas de Inteligência
Artificial temos a engenharia do
conhecimento como pilar de sustentação maior: são as máquinas
capazes de raciocinar? A cognição em seus níveis básicos de
percepção e controle motor já é
plenamente dominada pela robótica. Tratar-se-ía agora de es-
tudar como formalizar teorias
de “bom senso”, crenças, sentimentos e sensações, universo
simbólico altamente complexo e
a tudo codificar em linguagem
que levaria a máquina a perceber seu meio ambiente e usar
conceitos complexos para raciocinar e tomar decisões?
Interessante acompanhar como as chamadas “Três Leis da
Robótica”, criadas pelo escritor de
ficção científica Isac Asimov, em
1950, servem hoje como parâmetro de aceitação de máquinas “inteligentes”:
1ª lei: um robô não pode fazer
mal a um ser humano e nem,
por inação, permitir que algum
mal lhe aconteça.
2ª lei: um robô deve obedecer às
ordens dos seres humanos, exceto quando estas contrariarem
a primeira lei.
3ª lei: um robô deve proteger a
sua integridade física, desde que
com isto não contrarie as duas
primeiras leis.
O que era ficção científica
há 50 anos hoje não é mais ficção: é ciência de fato.
Equipe O Mundo da Usinagem
Para Saber Mais:
G. BITTENCOURT, Inteligência Artificial, ferramentas e teorias, Editora da UFSC,
Florianópolis,SC, 2002.
S.RUSSEL e P. NORVIG, “Inteligência Artificial”, Editora Campus, 2004.
R.A. RABUSKE, Inteligência Artificial, Editora da UFSC, Florianópolis, 1995.
44 O Mundo da Usinagem
Ppdigital/morguefile.com
http://www.papociencia.ufsc.br/IA1.htm
Ligações
perigosas
Vendas de peças
de origem
desconhecida,
por pessoas
não-autorizadas,
podem ocultar
negócios vinculados
a redes de crimes
muito mais graves.
endas de peças de origem
desconhecida, por pessoas
não-autorizadas, podem
ocultar negócios vinculados a redes de crimes muito mais graves.
É o que sugere a investigação
que a Polícia Federal está fazendo sobre os produtos apreendidos sem Nota Fiscal na região
de Campinas.
A comercialização de produtos piratas, que se generalizou
no Brasil e no mundo, tem demonstrado, nos últimos anos,
ser prática nociva não apenas do
ponto de vista dos negócios.
Além das perdas financeiras que
acarretam na economia e dos
problemas de qualidade e de segurança que podem trazer para
V
Mastrângelo Reino
INTERESSANTESABER
notícias
quem se abastece nesses canais ilícitos, os negócios com produtos
que não tenham comprovação
de origem legalizada podem estar ligados a atos criminosos muito mais graves.
É o caso, por exemplo, da
apreensão recente feita pela Polícia Federal, de pastilhas e ferramentas Sandvik Coromant originais, sem Nota Fiscal, em um
automóvel na região de Campinas, interior de São Paulo. Os
produtos foram confiscados pelas
autoridades em uma perseguição
policial a bandidos ligados a uma
quadrilha de assaltantes de bancos e foram retidos na Polícia
Federal para averiguação, com
base em inquérito aberto pelo
delegado Eldo Saraiva Garcia, da
Delegacia de Crimes Fazendários,
órgão que cuida de crimes relativos à tributação.
Os lotes de pastilhas e ferramentas encontrados somam mais
de 5 mil unidades e têm procedências e datas de fabricação diversas, que estão sendo identificadas pelos técnicos da Sandvik
Coromant. “Os negócios feitos de
maneira ilícita, sem Nota Fiscal,
incriminam todos aqueles que se
envolvem com eles, inclusive os
compradores”, considera Francisco Marcondes, gerente de Marketing da Sandvik Coromant.
Carmen Torres
Jornalista
O Mundo da Usinagem 47
Compartilhar desafios
iz-se, normalmente, que o bom vendedor, de empresas responsáveis, não
vende mais produtos” mas sim “soluções”, e que elas devem ser buscadas de comum acordo, no caso da usinagem, entre o
fabricante da ferramenta e o cliente que a usa
para produzir suas peças.
Nada mais justo. Nada mais fácil, também, se tais soluções pudessem ser buscadas,
em conjunto, desde o início do estabelecimento de um processo. No entanto, não é
esse o caso em 95% das atuações e, a bem
da verdade, isso não é um “erro” pois, à medida que os processos de fabricação se desenvolvem, que novas exigências e novas
ferramentas surgem no mercado, é não apenas normal como desejável que os processos sejam alterados.
O vendedor técnico que vende “soluções” – e bons resultados – e não apenas ferramentas, deve manter-se sempre informado sobre o andamento dos processos de seus
clientes e saber sugerir o momento justo para intervir e colaborar para sua mudança. O
“momento justo”, por seu lado, não é simplesmente técnico, ele também depende das
prioridades do cliente.
Nós sabemos que, hoje, não é a melhor
ferramenta, a melhor máquina e o melhor
profissional que as opera – elementos produtivos hoje acessíveis a todos – que produzirão
o melhor resultado final, que combine tempo, custo e qualidade. O processo utilizado
é, ele sim, o fio condutor entre o que se pretende e o que se obtém.
Observamos, portanto, a enorme importância da percepção de funcionamento
D
48 O Mundo da Usinagem
de todos os elos da cadeia produtiva, do
perfeito entrosamento e entendimento do
que vai pelo chão-de fábrica. De fato, quanto mais entusiasmo tiver o cliente em buscar uma diminuição de tempo e de custo,
compartilhando suas idéias com o fornecedor de ferramentas, ou quanto mais cedo for
detectado um problema, uma insatisfação
que seja, mais rapidamente se poderá intervir para que, juntos, resolvam a questão.
Nossa responsabilidade é a disposição
de fazermos nosso o desafio do cliente. O
cliente pro-ativo, por sua vez, sabe propor
seus desafios e, também, reconhecer a importância daqueles que apresentamos. A responsabilidade compartilhada do desafio comum a ambos – cliente e fornecedor de
ferramentas – é o verdadeiro comprometimento que gera a justa e desejada solução para a competitividade. Se você tem esse desafio. Fale conosco!
José Edson Bernini
Gerente Nacional de vendas
Sandvik Coromant do Brasil
Adriana Elias
NOSSAPARCELADE
RESPONSABILIDADE
MOVIMENTO
SANDVIK COROMANT - PROGRAMA DE TREINAMENTO 2007
Mês
TBU
TBU
Noturno
Diurno
Set
03 e 04
Out
01 e 02
TFR
UMM
EAFT
10, 11, 12 e 13
24, 25 e 26
15 e 16
EAFF
26, 27, 28 e 29
03 e 04
TBU - D- Técnicas Básicas de Usinagem (Diurno - 14 horas em 2 dias)
TBU - N- Técnicas Básicas de Usinagem (Noturno - 14 horas em 4 dias - das 19h00 às 22h30)
TFR - Técnicas de Furação e Rosqueamento com fresa de metal duro (14 horas em 2 dias)
EAFT - Escolha e Aplicação de Ferramentas para Torneamento (21 horas em 3 dias)
UMM - Usinagem de Moldes e Matrizes (28 horas em 4 dias)
EAFF - Escolha e Aplicação de Ferramentas para Fresamento (21 horas em 3 dias)
OUT - Otimização da Usinagem em Torneamento (28 horas em 4 dias)
OUF - Otimização da Usinagem em Fresamento (28 horas em 4 dias)
TUCAS - Tecnologia para Usinagem de Componentes Aeroespaciais e Superligas (14 horas em 2 dias)
TGU - Técnicas Gerenciais para Usinagem (21 horas em 3 dias)
OUF
TUCAS
TGU
22, 23 e 24
Nov
Dez
OUT
05, 06 e 07
O MUNDO DA
HGF Comunicação
DICASÚTEIS
USINAGEM
O leitor de O Mundo da Usinagem
pode entrar em contato
com os editores pelo e-mail:
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ou ligue: 0800 770 5700
FALE COM ELES
Caterpillar (19) 3429 2100
Eleb (12) 3935 5324
Francisco Marcondes: (11) 5696 5424
José Edson Bernini: (11) 5696 5580
Laércio Batelochi: (19) 3881 9273
MAN Ferrostaal: (11) 5522 5999
Mauro Leite: (11) 3741 1441
Nivaldo Coppini (19) 9783 4457
SKA: 0800 510 2900
CORRIGENDA: O Telefone da Zoeller cujo representante
no Brasil é a Bermat é (11) 6098 4244 e não o que foi
publicado na revista O Mundo da Usinagem nº 37.
SANDVIK COROMANT - DISTRIBUIDORES
ARWI Tel: 054 3026 8888
Caxias do Sul - RS
ATALANTA TOOLS Tel: 011 3837 9106
São Paulo - SP
COFAST Tel: 011 4997 1255
Santo André - SP
COFECORT Tel: 016 3333 7700
Araraquara - SP
COMED Tel: 011 6442 7780
Guarulhos - SP
CONSULTEC Tel: 051 3343 6666
Porto Alegre - RS
COROFERGS Tel: 051 2112 3333
Porto Alegre - RS
CUTTING TOOLS Tel: 019 3243 0422
Campinas - SP
DIRETHA Tel: 011 6163 0004
São Paulo - SP
ESCÂNDIA Tel: 031 3295 7297
Belo Horizonte - MG
FERRAMETAL Tel: 085 3287 4669
Fortaleza - CE
GALE Tel: 041 3339 2831
Curitiba - PR
CG Tel: 049 3522 0955
Joaçaba - SC
HAILTOOLS Tel: 027 3320 6047
Vila Velha - ES
JAFER Tel: 021 2270 4835
Rio de Janeiro - RJ
KAIMÃ Tel: 067 3321 3593
Campo Grande - MS
MACHFER Tel: 021 2560 0577
Rio de Janeiro - RJ
MAXVALE Tel: 012 3941 2902
São José dos Campos - SP
MSC Tel: 092 3613 2350
Manaus - AM
NEOPAQ Tel: 051 3527 1111
Novo Hamburgo - RS
PS Tel: 014 3312 3312
Bauru - SP
PS Tel: 044 3265 1600
Maringá - PR
PÉRSICO Tel: 019 3421 2182
Piracicaba - SP
PRODUS Tel: 015 3225 3496
Sorocaba - SP
RECIFE TOOLS Tel: 081 3268 1491
Recife - PE
REPATRI Tel: 048 3433 4415
Criciúma - SC
SANDI Tel: 031 3295 5438
Belo Horizonte - MG
SINAFERRMAQ Tel: 071 3379 5653
Lauro de Freitas - BA
TECNITOOLS Tel: 031 3295 2951
Belo Horizonte - MG
THIJAN Tel: 047 3433 3939
Joinville - SC
TOOLSET Tel: 021 3884 0606
Rio de Janeiro - RJ
TRIGON Tel: 021 2270 4566
Rio de Janeiro - RJ
TUNGSFER Tel: 031 3825 3637
Ipatinga - MG
ANUNCIANTES NESTA EDIÇÃO
O Mundo da Usinagem 38
Abimei. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
Agie-Charmilles. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 05 e 37
Arwi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Blaser . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
Deb’Maq . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Dynamach. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Ergomat . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09
Esab . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Grob . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
Haas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Hanna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
HEF . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
IDS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
IGM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Intertech . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
Kabelschlepp. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Kone . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
MachSystem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Mazak . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
Meggatech . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Mori Seiki . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
Powermaq. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
Romi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Sandvik Coromant . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
Selltis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 02
SKA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
Stamac . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
TAG . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
Unimep . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
Vitor Buono . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
SANDVIK COROMANT - Atendimento ao cliente 0800 559698
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