UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Terapia Ocupacional Ana Helena Thomaz de Menezes Luciana Miyazato CONFECÇÃO DE BRINQUEDOS: UMA ALTERNATIVA DE ATIVIDADE NA TERAPIA OCUPACIONAL JUNTO À POPULAÇÃO IDOSA Lins SP 2008 Ana Helena Thomaz de Menezes Luciana Miyazato CONFECÇÃO DE BRINQUEDOS: UMA ALTERNATIVA DE ATIVIDADE NA TERAPIA OCUPACIONAL JUNTO À POPULAÇÃO IDOSA Trabalho de apresentado Centro à Conclusão Banca Universitário de Curso Examinadora Católico do Salesiano Auxilium, curso de Terapia Ocupacional sob a orientação da Profa Especialista Maria Tereza Ferreira Rossler e orientação técnica da Profa Mestranda Jovira Maria Sarraceni LINS SP 2008 Menezes, Ana Helena Thomaz; Miyazato, Luciana Confecção de brinquedos: uma alternativa de atividade junto à M51c população idosa / Ana Helena Thomaz de Menezes; Luciana Miyazato. Lins, 2008. 83p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em Terapia Ocupacional, 2008 Orientadores: Maria Tereza Ferreira Rossler; Jovira Maria Sarraceni 1. Terapia Ocupacional. 2. Idosos. 3. Brinquedos. 4. Cognição. I Título. CDU 615.851.3 ANA HELENA THOMAZ DE MENEZES LUCIANA MIYAZATO CONFECÇÃO DE BRINQUEDOS: UMA ALTERNATIVA DE ATIVIDADE NA TERAPIA OCUPACIONAL JUNTO À POPULAÇÃO IDOSA Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Auxilium, para obtenção do título de Terapeuta Ocupacional. Aprovada em: ___/___/___ Banca Examinadora: Profa Orientadora: Maria Tereza Ferreira Rossler Titulação: Professora especialista em Terapia Ocupacional aplicada à neurologia: Uma visão dinâmica. Pelas Faculdades Salesianas de Lins. Assinatura: ___________________________________ 1o Prof(a): _______________________________________________________ Titulação: _______________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura: ___________________________________ 2o Prof (a): ______________________________________________________ Titulação: _______________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura: ____________________________________ IDOSO OU VELHO? Idosa é a pessoa que tem muita idade; velha é a pessoa que perdeu a jovialidade. A idade causa degeneração das células; a velhice causa degeneração do espírito. Por isso, nem todo idoso é velho e há velho que nem chegou a ser idoso. O mesmo ocorre com as coisas; há coisas que são idosas (antigas) e há coisas que são velhas. Um vaso da dinastia Ming (1368-1644) pode ser uma antiguidade, uma relíquia que não tem preço; um outro apenas, de apenas cinqüenta anos ou menos, pode ser um vaso velho a ser relegado a um depósito. Você é idoso quando pergunta se vale a pena; você é velho quando sem pensar responde que não. Você é idoso quando sonha; você é velho quando apenas dorme. Você é idoso quando ainda aprende; você é velho quando já nem ensina. Você é idoso quando pratica esportes ou de alguma forma se exercita; você é velho quando apenas descansa. Você é idoso quando ainda sente amor; você é velho quando só sente ciúmes e possessividade. Você é idoso quando o dia de hoje é o primeiro do resto de sua vida; você é velho quando todos os dias parecem o último de uma longa jornada. Você é idoso quando seu calendário tem amanhãs; você é velho quando seu calendário só tem ontens. Idosa é a pessoa que tem tido a felicidade de viver uma longa vida produtiva, de ter adquirido uma grande experiência; ela é uma porta entre o passado e o futuro e é no presente que os dois se encontram. O velho é aquele que tem carregado o peso dos anos; que em vez de transmitir experiência às gerações vindouras transmite pessimismo e a desilusão. Para ele, não existe ponte entre passado e presente, pois lá existe um fosso que separa do presente, pelo apego ao passado. O idoso se renova a cada dia que começa; o velho se acaba a cada noite que termina, pois enquanto idoso tem os olhos para o horizonte, de onde o sol desponta e a esperança se ilumina, o velho tem sua miopia voltada para os tempos que passaram. O idoso tem planos; o velho tem saudade. O idoso se moderniza, dialoga com a juventude, procura compreender os novos tempos; o velho se emperra no seu tempo, se fecha em sua ostra e recusa a modernidade. O idoso leva uma vida ativa, plena de projetos e prenhe de esperança. Para ele, o tempo passa rápido e a velhice nunca chega. O velho cochila no vazio de sua vidinha e suas horas se arrastam, destituídas de sentido. As rugas do idoso são bonitas porque foram marcadas pelo sorriso; as rugas do velho são feias, porque foram vincadas pela amargura. Em suma, o idoso e o velho são duas pessoas que até podem ter, no cartório, a mesma idade cronológica. Mas o que têm são idades diferentes no coração. Escrito por Jorge José de Jesus Ricardo DEDICATÓRIA Lê e vô Massayuki Dedico est e t r abalho a duas pessoas muit o especiais que não mais se encont r am pr esent es nest a vida, apoiaram-me e t or cer am muit o por mim: meu amado ir mão Leandr o Miyazat o e meu quer ido avô Massayuki Miyazat o. Obr igada por tudo. Amo vocês, essa vitória não é só minha, é nossa. Onde vocês estiverem, sei que estarão felizes e comemorando comigo. Luciana Ao meu querido vô Arnaldo (in memorian) Onde quer que o senhor esteja, dedico-lhe este trabalho por ser meu grande inspirador e exemplo de carinho. Saiba que todos os momentos que passamos juntos foi de grande aprendizado e que nunca vou esquecer o seu sorriso sincero e inocente. Amo você. Ana Helena À minha linda vó Helena Dedico-lhe este trabalho, por ser minha inspiradora em amar a vida a todo momento. É vó, falar de você é falar de vida, de alegria, de amor. A senhora com seu jeito espontâneo e alegre nos mostra que vale a pena viver apesar das dificuldades, que vale a pena sorrir, apesar das tristezas, que vale a pena amar a todos sem exceção. Obrigada pelos conselhos e momentos felizes que passamos juntas. Te amo! Ana Helena À minha amada família (mãe, pai, meninos) Vocês não sabem o quanto foram essenciais nessa minha caminhada. Mesmo longe, sinto a todo momento o amor que vocês tem por mim e a todo instante agradeço a Deus por ter me dado vocês de presente, pois são um presente valioso de Deus. Dedico-lhes este trabalho pelo tanto que torcem pelo meu sucesso e acreditam no meu potencial e agradeço por todo o esforço que vocês fizeram para que este sonho, que no principio era meu, mas que agora é de todos, possa se realizar. Milhões de beijos e abraços. Amo vocês demais!!! Ana Helena AGRADECIMENTOS A Deus Obrigada pelo seu amor e por estar sempre ao nosso lado, iluminando-nos e nos dando a força necessária para trilharmos os nossos caminhos da melhor maneira possível. Ana Helena e Luciana À família Cantinho do Vovô Agradecemos aos funcionários por nos receberem com tanto carinho e afeto e, em especial, as freqüentadoras da casa-dia Cantinho do Vovô que foram fundamentais para que a nossa pesquisa se concretizasse. Todas nos receberam muito bem e ali se formaram laços de amizades eternos. Obrigada meninas!! Ana Helena e Luciana Aos funcionárias da biblioteca e xerox Obrigada por nos ajudarem, quando estávamos atrapalhadas com tantas bibliografias a procurar e com tantas páginas a imprimir. Sempre de bom humor, ajudando até a nos animarmos, apesar de tanta correria. Valeu pela paciência, atenção e carinho!!! Ana Helena e Luciana À Maria Tereza Obrigada pela atenção, compreensão, carinho e por sempre acreditar em nosso potencial, mesmo quando nós mesmas não acreditávamos. Apaixonada pela área, fez-nos apaixonar também. Professora e amiga sempre estará em nossos corações. Que Deus a abençoe sempre. Obrigada por tudo!!!! Ana Helena e Luciana À Jovira Com seu carisma e bom humor fazia das aulas e orientações momentos de descontração e de incentivo ao nosso trabalho. Obrigada por sempre acreditar em nós, pela paciência, compreensão e pelos conselhos que acalmavam as nossas angústias. Obrigada por tudo, Jô!!!!!!! Ana Helena e Luciana Aos meus amados pais Obrigada por me ajudarem a realizar esse sonho e me apoiarem nos momentos mais difíceis e decisivos. Apesar da distância que nos separou durante certo tempo, vocês sempre se fizeram presentes em todos os momentos da minha vida e foram a peça principal para que tudo isso se concretizasse. Vamos comemorar muito essa NOSSA VITÓRIA, pois sempre sofremos, choramos e rimos juntos e nada mais justo que vibrarmos com essa vitória que veio com tanto suor. Amo vocês. Luciana À minha família Tenho muito a agradecer a todos os meus familiares, pois na ausência de meus pais, foram vocês que me ajudaram, apoiaram, incentivaram diante dos momentos difíceis pelos quais passei. Obrigada a todos. Amo vocês. Luciana Aos meus amigos Meus queridos amigos podem ter certeza de que vocês tiveram uma importância vital em todos os anos de faculdade, agüentaram-me quando eu estava estressada, animaram-me quando eu estava desanimada, incentivaram-me quando eu vacilava em desistir, e hoj e comemor am comigo essa vit ór ia. Obr igada por f azer em par t e da minha vida e por estarem presentes em todos os momentos da minha vida. Amo vocês. Longe sim, sozinha jamais!! Luciana Ao meu namorado Sua companhia foi muito importante, confortou-me, animou-me e esteve ao meu lado diante dos momentos bons e ruins e agora comemora comigo a realização desse sonho. Obrigada pelo companheirismo e compreensão. Amo você!! Luciana À querida amiga e companheira de monografia Aninha, finalmente concluímos a tão sonhada faculdade. Foi um imenso prazer conhecê-la e fazer esse projeto juntas. Obrigada por me agüentar nas minhas crises. Você é uma grande amiga e me ajudou muitos nos momentos difíceis. Espero que tenha muito sucesso de agora em diante, afinal, você merece. Adoro você!! Sucesso pra gente!!!! Luciana Aos meus queridos tios Rosalina e João Obrigada pela acolhida, amor e carinho que tiveram por mim. Mesmo na correria do dia-a-dia nos afastando, saibam que estavam sempre em meus pensamentos e que sou muito grata por tudo que fizeram durante os quatro anos de faculdade. Que Deus os ilumine e abençoe sempre. Obrigada mesmo!! Um forte abraço. Adoro vocês. Ana Helena Às meninas do Oásis Obrigada por me permitir ser amiga de vocês, saibam que foram de fundamental importância nessa minha caminhada, pois foi em vocês que encontrei amizade verdadeira, alegria e descontração nos momentos difíceis e que pude vivenciar momentos inesquecíveis como, por exemplo, os nossos almoços de domingo( hum... nunca vou esquecer aquele peixe....), as nossas indecisões por qual r oupa colocar par a sair , as nossas saídas e as nossas conver sas inút eis que só proporcionaram gargalhadas. Obrigada por tudo, tudo mesmo...não irei me esquecer de vocês jamais....adoro-as. Ana Helena Aos meus queridos amigos Para os de longa data e os que há pouco tempo conheci, obrigada por sempre acreditarem em mim e por me proporcionarem momentos tão felizes e inesquecíveis. Valeu pela força e ombro amigo dado sempre que precisei através de abraços, conselhos e emails carinhosos. Estando perto ou longe sempre os carregarei dentro do meu coração. Adoro vocês. Ana Helena À minha querida amiga e companheira Luciana Saiba que por mais que a distância possa nos separar daqui pra frente, você vai ter sempre uma amiga à sua espera para lhe oferecer um abraço forte e bons momentos de alegria e sorrisos. Lú, você é uma pessoa muito especial e agradeço por tudo que fez por mim, mesmo sem saber. Tenho você como exemplo de força, coragem e amor por tudo que faz. Desejo-lhe toda a felicidade do mundo e que Deus esteja sempre do seu lado. Obrigada, por tudo mesmo!!!!! Adoro você!!!!! Ana Helena RESUMO Cada vez mais, vem aumentando a população idosa no Brasil e no mundo e, com isso, profissionais de diversas áreas, incluindo o terapeuta ocupacional, vem-se mobilizando para promover a saúde desses idosos. Nessa fase da vida, é comum ocorrerem mudanças como perdas sensoriais, alterações motoras, perceptivas e cognitivas, alterando a auto-imagem e a participação do idoso perante a família e a sociedade, podendo haver modificações das atividades de vida diária e prática. Contudo essas perdas não ocorrem da mesma maneira para todos, depende do estilo de vida de cada um. A terapia ocupacional, por meio das atividades, possibilita aos idosos a experiência do fazer e, através deste, estimula o aumento da auto-estima, socialização, aspectos cognitivos e senso de pertencimento social, favorecendo, assim, maior independência e autonomia em seu cotidiano. O trabalho em grupo, coordenado pelo terapeuta ocupacional, potencializa o efeito terapêutico que o fazer proporciona, além de promover trocas de experiências, possibilitando assim, que o idoso encare de uma melhor maneira seus problemas. Desta forma, foi realizado um estudo de caso na Casa-dia Cantinho do Vovô, formado por um grupo de idosos, em processo de envelhecimento normal, oferecendo como alternativa de atividade a confecção de brinquedos, como boneca de pano, carrinho de madeira, bilboquê, entre outros, buscando preservar as funções cognitivas, senso de utilidade, autovalorização, entre outros. Após terem concluído a confecção dos brinquedos, estes foram doados à Creche São Benedito, promovendo, assim, o senso de pertencimento social. Ao fim da intervenção, foi possível constatar uma melhora na auto-estima, na convivência entre os idosos, preservação das funções cognitivas, além de ser uma maneira diferente de intervir junto aos idosos, tornando tudo mais prazeroso, criativo e motivador. Palavras-chaves: Terapia Ocupacional. Idosos. Brinquedos. Cognição. ABSTRACT Increasingly, the elderly population is increasing in Brazil and in the world, and thus professionals in different fields, including occupational therapist, has been mobilizing to promote the health of the elderly. At that stage of life, is common occur changes as sensory losses, motor changes, perceptual and cognitive, changing the self-image and the participation of the elderly to the family and the society, there may be changes in activities of daily life and practice. However these losses do not occur in the same way for everyone, depends on the lifestyle of each. The occupational therapy, through the activities, enables the elderly to make the experience, and through it stimulates the growth of self-esteem, socialization, cognitive and aspects social belonging s sense, favoring thus greater independence and autonomy in your daily lives. The working in group, coordinated by the occupational therapist, enhances the therapeutic effect that doing so provides, in addition to promoting exchanges of experience, thus enabling that the elderly sees of a better way your problems. Thus, was achieved a case study in-house day Grandpa's Corner, formed by a group of elderly, in the process of normal aging, offering as alternative activity for the manufacture of toys, as moppet, wooden cart, tony , Among others, seeking to preserve the cognitive functions, sense of usefulness, self-recovery, among others. After having completed the manufacture of toys, they were donated to the Creche São Benedito , thus promoting the sense of social belonging. After the speech, was possible to establish an improvement in self-esteem, in living among the elderly, preservation of cognitive functions, in addition to being a different way to intervene together with the elderly, making it more pleasurable, creative and motivating. Key words: Occupational Therapy. Elderly. Toys. Cognition. LISTA DE QUADROS Quadro 1: Locais de atuação da terapia ocupacional junto a população idosa............................................................................................................... 28 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Resultado da Avaliação do Miniexame do Estado Mental (MEEM)............................................................................................................ 49 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ASDIL - Associação de Idosos de Lins AIVD - Atividades Instrumentais da Vida Diária AVD - Atividades da Vida Diária AVE - Acidente Vascular Encefálico CEP - Comitê de Ética em Pesquisa HAS - Hipertensão Arterial Sistêmica ILPIs - Instituição de Longa Permanência para Idosos MEEM - Miniexame do Estado Mental OMS - Organização Mundial da Saúde SNC - Sistema Nervoso Central SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................... 12 CAPÍTULO I PROCESSO DE ENVELHECIMENTO NORMAL .................... 14 1 ASPECTOS GERAIS DO ENVELHECIMENTO .................................... 14 1.1 Características físicas do envelhecimento.............................................. 15 1.2 Aspectos motores.................................................................................... 16 1.2.1 Mudança de posição ............................................................................... 16 1.2.2 Marcha..................................................................................................... 17 1.3 Aspectos sensoriais ................................................................................ 17 1.3.1 Visão........................................................................................................ 17 1.3.2 Tato ......................................................................................................... 18 1.3.3 Audição.................................................................................................... 18 1.3.4 Olfato e paladar ....................................................................................... 18 1.4 Aspectos cognitivos................................................................................. 19 1.4.1 Memória................................................................................................... 20 1.4.2 Atenção ................................................................................................... 21 1.4.3 Funções executivas................................................................................. 22 1.5 Aspectos psicológicos ............................................................................. 22 1.6 Aspectos sociais...................................................................................... 23 1.6.1 O idoso e a família .................................................................................. 24 1.6.2 O trabalho e a aposentadoria.................................................................. 24 CAPÍTULO II TERAPIA OCUPACIONAL E A ATIVIDADE PARA A POPULAÇÃO IDOSA ........................................................................................ 26 2 TERAPIA OCUPACIONAL ..................................................................... 26 2.1 Terapia Ocupacional e o atendimento à população idosa...................... 27 2.1.1 Papel da terapia ocupacional nos diferentes locais de atenção à pessoa idosa ........................................................................................................ 28 2.2 Atividades em Terapia Ocupacional ....................................................... 34 2.3 Grupos em Terapia Ocupacional ............................................................ 37 2.4 Grupos: uma alternativa de atendimento na terapia ocupacional gerontológica ...................................................................... 39 CAPÍTULO III A PESQUISA .......................................................................... 41 3 INTRODUÇÃO ........................................................................................ 41 3.1 Caracterização da casa-dia Cantinho do Vovô .................................... 42 3.1.1 Caracterização dos idosos freqüentadores da casa-dia......................... 43 3.2 A avaliação .............................................................................................. 43 3.3 Materiais utilizados e a confecção dos brinquedos ................................ 44 3.4 Análise da intervenção ............................................................................ 46 3.5 Resultados obtidos .................................................................................. 48 3.6 Relato dos participantes .......................................................................... 50 3.7 Depoimento dos profissionais ................................................................. 51 3.7.1 Palavra da terapeuta ocupacional........................................................... 51 3.7.2 Palavra da coordenadora da casa-dia .................................................... 52 3.7.3 Palavra do médico geriatra ..................................................................... 53 3.8 Discussão ................................................................................................ 54 3.9 Conclusão sobre a pesquisa ................................................................... 55 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO ..................................................................... 56 CONCLUSÃO .................................................................................................... 57 REFERÊNCIAS ................................................................................................. 58 APÊNDICES ...................................................................................................... 62 ANEXOS ............................................................................................................ 81 12 INTRODUÇÃO A temática revela que as pessoas estão vivendo mais, buscando um estilo de vida mais saudável e a demanda de serviços que proporcionam melhor qualidade de vida para essa clientela, seja do ponto de vista do direito, do entretenimento, do social, da saúde, vem sendo cada vez mais requisitada. Durante o processo de envelhecimento, ocorrem mudanças (fisiológicas, cognitivas, emocionais e sensoriais) e, cabe ao idoso, adaptar-se a essas novas condições. No contexto social, existe ainda o afastamento das atividades de trabalho com a aposentadoria, do grupo social e até da família e isso, muitas vezes, acarreta um tempo ocioso, podendo levar o idoso ao adoecimento. De forma geral, essas alterações afetam a vida cotidiana, interferindo na sua mobilidade, na realização de suas atividades de vida diária (AVD) e atividade instrumental de vida diária (AIVD), no desempenho do lazer, afetando a capacidade de interagir com o ambiente, comunicar-se eficazmente com outras pessoas, entre outras. Desta forma, existe a necessidade de aumentar os serviços especializados para o atendimento desta população que vem crescendo rapidamente. Nesta perspectiva de serviços, a Terapia Ocupacional, que visa à independência, autonomia e inclusão de indivíduos que, por problemas de diferentes ordens, apresentam dificuldades de inserção em seu meio, auxiliando-os no desempenho de suas atividades cotidianas, tem papel fundamental para que o idoso passe por essa etapa da vida da melhor maneira possível. Utilizando a atividade como instrumento para alcançar esses objetivos, a terapia ocupacional proporciona ao idoso, através do fazer , a melhoria da auto-imagem, o senso de utilidade e prazer, exercício de cidadania, prevenindo e tratando problemas físicos e mentais, além de promover trocas sociais. Pensando nos benefícios que as atividades em grupo podem oferecer, surge a proposta de confeccionar brinquedos, dentro de uma casa-dia, possibilitando ao idoso sentir-se realizado ao produzir algo, elevando, assim, 13 sua auto-estima, além de propor um espaço para trocas interpessoais e vivenciar atividades integradoras. Essas vivências não devem se efetuar somente no grupo, mas sim transcender este espaço e circular também pelo espaço familiar e comunitário, resultando em mudanças de papéis sociais. Surge, ainda, a proposta de entrega dos brinquedos confeccionados para uma creche, tornando essas experiências possíveis. Com isso, o objetivo geral da pesquisa visa a manter as capacidades cognitivas, sociais e perceptivas através da realização de atividades que despertam o senso de utilidade, contribuindo para uma melhor qualidade de vida do idoso. Após a pesquisa exploratória, foi levantado o seguinte questionamento: A criação do grupo de atividades, para a confecção de brinquedos, pela terapia ocupacional contribui para melhorar a qualidade de vida do idoso mantendo ativas as suas funções cognitivas e a interação social? A hipótese que direciona a pesquisa enfatiza: a proposta da atividade em grupo possibilita aos idosos, através da confecção de brinquedos, a experiência do fazer e o aprendizado, mantendo suas capacidades cognitivas, desenvolvendo um senso de utilidade e pertencimento social, aumentando sua auto-estima, satisfação, contribuindo para uma melhor qualidade de vida. Para mostrar a veracidade da proposição, foi realizada uma pesquisa na casa-dia Cantinho do Vovô, em Lins-SP. Desta forma, o trabalho constitui-se de: Capítulo I descreve as características do processo de envelhecimento normal. Capítulo II apresenta sobre Terapia Ocupacional e a atuação junto a população idosa. Capítulo III descreve, analisa e conclui, a partir de dados da pesquisa realizada na casa-dia Cantinho do Vovô, a importância da terapia ocupacional, atuando junto com população idosa em processo de envelhecimento normal. Finalizando, vem a proposta de intervenção e as considerações finais. 14 CAPÍTULO I PROCESSO DE ENVELHECIMENTO NORMAL 1 ASPECTOS GERAIS DO ENVELHECIMENTO Segundo as estatísticas da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (2006), o Brasil conta, hoje, com 17,6 milhões de pessoas com 60 ou mais anos de idade, representando 9,7% da população. Em 2020, a previsão é de que serão 30,8 milhões de idosos, representando 14,2% de todos os brasileiros. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a velhice inicia-se aos 60 anos, nos países em desenvolvimento e 65 anos para os países desenvolvidos. O envelhecimento pode ser conceituado como um processo dinâmico e progressivo onde há modificações tanto morfológicas como funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam progressiva perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que terminam por levá-lo a morte (CARVALHO FILHO; PAPALÉO NETTO, 2004, p. 1). Dentro desse processo de envelhecimento, não é regra que todos os idosos acabem por morrer devido a processos patológicos instalados, pois é necessário levar em consideração a qualidade de vida de cada um. Cada indivíduo irá responder a essas modificações de maneira única, tendo em vista que a quantidade e a qualidade do declínio funcional dependerão das características genéticas e ambientais, bem como do estilo de vida. Entre os 65 e 75 anos de idade, há um aumento das condições crônicas e isso tem uma influência direta na capacidade funcional e na autonomia do idoso, interferindo em sua qualidade de vida. Segundo uma investigação realizada na cidade de São Paulo, foi demonstrado que, com a idade 15 avançada, há também um aumento no comprometimento das atividades de vida diária (AVD s). Tais informações permitem concluir que essa etapa da vida tem que ser acompanhada por condições assistenciais que permitam a garantia de qualidade de vida adequada, mantendo a máxima autonomia e independência (MELLO in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). 1.1 Características físicas do envelhecimento Com o aumento da idade, há algumas alterações físicas que podem ser facilmente notadas. A estatura começa a diminuir, a partir dos 40 anos, cerca de 1cm por década, devido à diminuição dos arcos do pé, aumento das curvaturas da coluna, além de um encurtamento da coluna vertebral decorrente das alterações nos discos intervertebrais; os diâmetros da caixa torácica e do crânio tendem a aumentar; o nariz e os pavilhões auditivos continuam a crescer (JACOB FILHO; SOUZA in CARVALHO FILHO; PAPALÉO NETTO, 2004). Há também alterações evidentes na composição do corpo, com o aumento do tecido adiposo e o teor total de água no corpo diminui. Em relação à perda de massa, os órgãos internos mais afetados são os rins e o fígado, mas os músculos são os que mais sofrem prejuízo ponderal com o passar do tempo. O número global de fibras musculoesqueléticas diminui (processo conhecido como sarcopenia) e sugere-se que as fibras musculares mais velhas tenham uma qualidade ruim; por exemplo, pode ser mais fraca para um dado tamanho (JACOB FILHO; SOUZA in CARVALHO FILHO; PAPALÉO NETTO, 2004). Com o avanço dos anos, as proporções relativas dos tipos de fibra muscular, podem alterar-se com um declínio na proporção de fibras Tipo II (contração lenta, aeróbica, resistente à fadiga). Alterando as características da contração e diminuindo a resistência do músculo à fadiga (HARRIDGE; YOUNG, 1998 apud GNANASEKARAN; McLNTYRE in McLNTYRE; ATWAL, 2007). Com isso, há diminuição de força e massa muscular que é acarretada pela inatividade física, resultado normal da idade. As principais causas de incapacidade e, conseqüentemente 16 dependência dos idosos, é a instabilidade postural e quedas, pois os idosos tendem a ter um equilíbrio ruim quando há privações de informações sensoriais e quando as mesmas são confusas, devido à diminuição da seleção de pistas sensoriais e, conseqüentemente, de estratégias motoras apropriadas (MELLO in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). Com o envelhecimento, há a perda da elasticidade, pois as fibras elásticas se alteram e as elastinas ficam porosas. A pele seca e áspera é resultado da diminuição da atividade das glândulas sudoríparas e sebáceas, ficando assim mais sensível a variações de temperatura e sujeita a infecções, o que significa que a pele é menos hostil a microorganismos, e bactérias podem ter maior facilidade para entrar na pele e, dessa forma, na circulação sangüínea (JACOB FILHO; SOUZA in CARVALHO FILHO; PAPALÉO NETTO, 2004). A cicatrização é mais lenta e existe maior suscetibilidade a queimaduras de sol e neoplasmas. No processo natural de envelhecimento, essas características são encontradas, pois o organismo está fisiologicamente incapaz de responder às necessidades habituais. 1.2 Aspectos motores Com o avanço da idade, devido às mudanças citadas anteriormente como a diminuição da massa muscular e, conseqüentemente diminuição da força, há um comprometimento significativo na área motora, que implicará dificuldades na marcha e na mudança da posição. 1.2.1 Mudança de posição Segundo Mclntyre; Bryant in Mclntyre; Atwal (cols) (2007), durante a mudança de uma posição para outra, como por exemplo, o girar e sair da cama há uma modificação na estratégia e diminuição da velocidade do movimento, 17 isto é influenciado pela deterioração da força muscular, diminuição da flexibilidade e amplitude de movimento, bem como o tempo de reação do sistema nervoso central (SNC) e a interrupção dos padrões normais de movimento. Rigidez muscular e dor, quando presentes, também influenciam na mudança postural. 1.2.2 Marcha Como parte do envelhecimento normal, há alterações das funções e estruturas corporais, ocasionando um impacto na marcha, que resulta em uma redução da velocidade, do comprimento do passo e da média do passo (IMMS e EDHOLM 1981; MENZ e cols. 2003; PETROFSKY e cols. 2003 apud McLNTYRE, A; BRYANT, W. in McLNTYRE, A; ATWAL, A, 2007). Outros fatores, como o uso de medicação, dor, ansiedade, medo de queda e o ambiente também contribuem para problemas com a marcha (McLNTYRE; BRYANT (cols) in McLNTYRE; ATWAL, 2007, p. 170). 1.3 Aspectos sensoriais Durante o envelhecimento, é comum que ocorram alterações nos sistemas sensoriais como tato, visão, olfato, audição, paladar e vestibular. Essas alterações afetam diretamente a qualidade de vida do idoso. 1.3.1 Visão Com o avanço da idade, uma das alterações sensoriais mais comuns é a deterioração da acuidade visual, que resulta na dificuldade em discriminar detalhes do ambiente, momento em que degraus, objetos no chão, dentre 18 outro, passam despercebidos. Também é comum, a ocorrência de cataratas e alguma deterioração à camada da córnea do olho, ocasionando uma diminuição da habilidade da córnea de captar luz dentro do olho. Algumas alterações na habilidade perceptiva podem ser percebidas durante o processo de envelhecimento normal como a percepção de cor, profundidade e distância do raio visual, além da redução na acomodação do cristalino e iluminação retiniana. Também foi notada a ocorrência de uma deterioração na percepção de figura-fundo, memória visual e relações espaciais. 1.3.2 Tato O tato é afetado, principalmente pela redução dos receptores táteis (corpúsculos de Meissner) a partir dos 50 anos de idade, o que compromete a função da mão e a sua força de preensão. 1.3.3 Audição O processo de envelhecimento pode acarretar diminuição ou perda da audição, que é conhecida como presbiacusia, caracterizada pela deterioração progressiva da audição, causada por mudanças degenerativas e fisiológicas no sistema auditivo. Normalmente, de ocorrência bilateral, acomete as freqüências altas (sons agudos), gerando dificuldades no reconhecimento da fala (VENITES; COSTA; PELEGRINI in RAMOS; TONIOLO NETO, 2005). 1.3.4 Olfato e paladar Alterações no olfato ocorrem devido à diminuição da capacidade do 19 epitélio olfativo, o que ocasiona, por conseguinte uma redução na percepção de odores, resultando assim na dificuldade em perceber odores corporais e ambientais, como urina, gás e alimentos estragados Também ocorre uma alteração no paladar devido à diminuição da capacidade dos botões gustativos, reduzindo as sensações gustativas e ocasionando, assim, a perda de interesse pelos alimentos. 1.4 Aspectos cognitivos O processo cognitivo se dá através da interação entre as funções psíquicas [motivação, atenção, percepção, aprendizagem, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e discurso] e um processo fisiológico que começa com a estimulação dos órgãos sensoriais (visão, tato, audição, paladar, olfato). Ela é o resultado final do movimento que leva estimulação aos terminais nervosos. A estimulação forma a sensação que ativa as funções cerebrais, conduzindo à percepção do estímulo recebido, e levando a um comportamento observável - a resposta cognitivo - funcional comportamental (VIEIRA, 2004, p. 68). De acordo com alguns autores, a função cognitiva começa a se alterar a partir dos 30 anos, continuando ao longo do envelhecimento. E isso atualmente tem sido foco de muitos estudos e pesquisas, pois há a preocupação em diferenciar o que é resultado do envelhecimento normal e o que é patológico. O início e a progressão do declínio cognitivo variam de indivíduo para indivíduo e existem alguns fatores que influenciam, para que esse declínio ocorra como a idade, escolaridade, personalidade, nível sócio-cultural, estado emocional, interesses e estímulos proporcionados pelo ambiente em que vive (CANINEU, 1997; CANINEU; BASTOS, 2002). As funções cognitivas mais afetadas no envelhecimento são a atenção e a memória, e isso pode interferir no processo de aprendizado, na resolução de problemas, assim, como no desempenho das AVD´s. Contudo essas alterações podem ser compensadas, oferecendo um maior tempo para o idoso se adaptar às situações e maior número de detalhes possível para o novo conhecimento (CANINEU; BASTOS in FREITAS, 2002; VIEIRA; KOENIG in 20 FREITAS, 2002; CANINEU, 1997). 1.4.1 Memória Segundo Vieira (2004, p. 207), a memória é a função mental complexa que leva o indivíduo ao ato de recordar, relembrar e reproduzir o que foi aprendido. Ela envolve a capacidade de registrar, reter e resgatar informações . A memória pode ser classificada em vários tipos, como por exemplo, memória de curta duração e memória de longa duração. Segundo Abreu in Canineu; Caovilla (2002), a memória de curta duração envolve a memória operacional, que retém a informação temporariamente, sendo arquivada apenas enquanto é útil e depois descartada. Com o avanço da idade, esse tipo de memória pode sofrer alterações, pois o idoso tem dificuldade em prestar ou manter a atenção, a qual é um fator importante para manutenção desse tipo de memória. Para compensar tal déficit, a maioria das pessoas idosas desenvolve estratégias, planejando antecipadamente suas ações que requerem a memória operacional, tendo assim um bom desempenho em suas ações. Já a memória de longa duração envolve a memória explícita (ou memória declarativa) e a memória implícita (ou memória de procedimentos). A memória explícita tem acesso consciente ao conteúdo da informação, podendo ser descrita verbalmente, bem como ser dividida em memória episódica, que depende da riqueza de detalhes para uma melhor recordação de um momento específico em sua vida, e a memória semântica que envolve conhecimento de fatos e conceitos gerais do mundo. A memória implícita é manifestada através do fazer, e as tarefas são executadas de maneira automática, como por exemplo, andar de bicicleta. Para que o processo de memorização ocorra de maneira adequada, há influência de diversos fatores como, por exemplo, os sentidos - tato, audição, paladar, visão e olfato que, com o envelhecimento, sofrem alterações prejudicando o processo de memorização. Durante o envelhecimento, há 21 outros fatores que dificultam esse processo como a dificuldade em excluir/inibir as informações irrelevantes, diminuição da velocidade para processar a informação e igualmente diminuição na precisão da resposta e a capacidade de sustentar a atenção (ABREU in CANINEU; CAOVILLA, 2002; FERRARI in DUARTE; DIOGO, 2000). Todas as alterações apresentadas no processo de memorização durante o envelhecimento podem ser agravadas frente a condições estressantes, ansiedade, depressão, medicamentos, cansaço, dentre outros fatores. 1.4.2 Atenção A função inicial da atenção consiste em direcionar o processamento básico das percepções procedentes de todas as modalidades sensoriais que nos chegam do meio ambiente. A atenção se encarrega de selecionar os estímulos sensoriais que interessam no momento, fazendo com que os estímulos irrelevantes sejam ignorados (GRIEVE, 2006, p. 44). Existem 3 tipos de atenção: Atenção sustentada (vigilância), que é a manutenção da habilidade de focar a atenção ao longo de um período de tempo. A atenção sustentada está afetada em muitas tarefas, especialmente quando são mais complexas (BADDELEY cols, 1999 apud ASHFORD; MCLNTYRE; MINNS in MCLNTYRE; ATWAL, 2007). Atenção seletiva, a qual envolve um único estímulo relevante por vez, ignorando outro estímulo irrelevante e distrator, isto requer um processo inibitório para desligar os estímulos irrelevantes; entretanto, as pessoas idosas têm mais dificuldade em eliminar uma informação estranha (WOODRUFF-PAK, 1997 apud ASHFORD; MCLNTYRE; MINNS in MCLNTYRE; ATWAL, 2007). Atenção dividida, que consiste no compartilhamento da atenção por meio do foco de mais de um estímulo ou de um processo relevante, ao mesmo tempo. Essa atenção é considerada problemática nas pessoas idosas normais (PERRY; HODGES, 1999; RABBIT; WOODRUFF-PAK, 1997 apud ASHFORD; MCLNTYRE; MINNS in MCLNTYRE; ATWAL, 2007). 22 1.4.3 Funções executivas Abrangem as funções mais desenvolvidas nos humanos, envolvendo planejamento, pensamento abstrato, tomada de decisão, flexibilidade cognitiva e uso de comportamentos apropriados (WOODRUFF-PAK, 1997 apud ASHFORD; MCLNTYRE; MINNS in MCLNTYRE; ATWAL, 2007). Supõe-se que nas pessoas idosas essas funções sejam as maiores responsáveis pelo declínio cognitivo (SALTHOUSE e cols apud ASHFORD; MCLNTYRE; MINNS in MCLNTYRE; ATWAL, 2007). A função da flexibilidade espontânea, tais como a geração de idéias e a flexibilidade, reativa as novas idéias e situações (conhecidas como interruptor) estão especialmente deficientes na velhice (WOODRUFF-PAK, 1997 apud ASHFORD; MCLNTYRE; MINNS in MCLNTYRE; ATWAL, 2007, p.118). Existem alguns aspectos das funções executivas como planejamento, organização e auto-controle, que é chamado de memória prospectiva, e quando estas funções estão alteradas, pode fazer com que muitos idosos tenham dificuldades em tarefas como lembrar sobre eventos futuros como aniversários, consultas, horário das medicações (SHIMAMURA, 1990 apud ASHFORD; MCLNTYRE; MINNS in MCLNTYRE; ATWAL, 2007). Quando há problemas com o autocontrole, os idosos podem fazer comentários socialmente inapropriados, ter um comportamento impulsivo e manter o tema das conversas, levando à repetição de histórias e conversas (ASHFORD; MCLNTYRE; MINNS in MCLNTYRE; ATWAL, 2007). 1.5 Aspectos psicológicos Ao tentarmos compreender o estado emocional de um idoso, devemos procurar contextualizá-lo em seu histórico de vida, pois suas reações emocionais atuais estarão diretamente relacionadas com as vivências acumuladas no decorrer de toda a sua existência (GAVIÃO in DUARTE; DIOGO, 2000, p. 174). A maneira como o idoso enfrentou as diversas etapas de sua vida desde 23 o nascimento, e o modo como expressou suas emoções, influenciará na velhice e em como o idoso irá encarar essa fase. Em virtude dessas considerações, é de se dizer que se o idoso, durante a vida, teve um ambiente acolhedor que proporcionou segurança, afeto, dentre outros sentimentos correlatos, na velhice, ele terá mais facilidade em se adaptar às mudanças. No entanto, aquele que não teve esse tipo de incentivo, provavelmente enfrentará a velhice com mais insegurança, ansiedade, baixa auto-estima e medo de situações novas. Alguns idosos também terão sua insegurança e seus medos influenciados pela própria velhice, como por exemplo, o surgimento de doenças crônicas, diminuição do nível socioeconômico decorrente da aposentadoria, perda de papéis sociais valorizados, viuvez, morte de entes queridos, distanciamento dos filhos, perdas cognitivas e medo da proximidade da morte. No entanto, é de ser relevado que a insegurança decorrente desses fatores irá depender de como esses indivíduos enfrentarão essas situações. 1.6 Aspectos sociais No início da organização da sociedade a concepção sobre os velhos foi influenciada por valores religiosos e funcionais de cada conjuntura histórica, a partir de valores e normas criadas e recriadas em função dos diferentes contextos. Esses valores determinavam o papel a ser desempenhado pelo velho na sociedade, os quais variavam entre o respeito e o desprezo, o poder e o abandono (SILVA, 2003, p. 96). Nas sociedades antigas, a produção se baseava na agricultura e nas atividades artesanais, portanto o trabalho era centrado na família e nas corporações. Dessa forma, os indivíduos que alcançavam a velhice e não tinham mais condições de produzir, eram tratados com respeito e prestígio social devido à sua experiência vivida, servindo deste modo como exemplo para os mais jovens. Logo após as revoluções industriais, houve uma mudança nesse modo de produção, havendo uma alteração na organização e na estrutura familiar, 24 estando os agentes produtivos agora dentro das fábricas. Com esse novo sistema, as pessoas que não dispunham de vigor físico em função da idade eram vistas como inúteis, e sendo assim, passaram a ser excluídas do mercado de trabalho, crescendo conseqüentemente o preconceito e a discriminação na sociedade, dentro da própria família, tornando-se assim um problema para todos. 1.6.1 O idoso e a família O fundamento da família não está na sua natureza biológica, mas social, de laços, alianças, trocas e reciprocidade (VIEIRA, 2004, p.140). Atualmente, tem-se diminuído a assistência adequada que a família teria que proporcionar ao idoso, e essa responsabilidade está sendo passada para instituições, cuidadores dentre outros, pois a família diminuiu de tamanho e reduziu suas funções e responsabilidades com o idoso. Essa redução de cuidados com os idosos, dentro de suas famílias, não se deve apenas a má vontade ou ingratidão, mas em grande parte à sociedade capitalista que faz com que as pessoas tenham seu tempo diminuído dentro de casa, e passem a maior parte do tempo ocupadas com atividades externas, como trabalho e estudos, e como os idosos necessitam de mais cuidados e atenção, as suas necessidades passam a ser negligenciadas. 1.6.2 O trabalho e a aposentadoria O trabalho que nos permite existir como cidadão e nos ajuda a traçar redes de relações que servem de referência, determinando, portanto, o nosso lugar social, familiar e nossa identidade local. Provavelmente por isso, a aposentadoria soa, para muitos, como um processo de despersonalização (VIEIRA, 2004, p. 30). Durante toda a vida, o homem trabalha para que possa pagar suas 25 contas, manter sua família e estabelecer relações sociais importantes para o convívio e conquista de prestígio social, garantindo assim sua dignidade e independência. Após anos de trabalho, o indivíduo se prepara e deseja a aposentadoria, esperando o conforto e o tão desejado e merecido descanso. Contudo, para muitos, a realidade não é como se espera, pois com a aposentadoria vem a perda do status e prestígio social, o rebaixamento do nível econômico e a perda do poder de decisão que, quando não bem resolvidos, acabam por levar o idoso à diminuição da participação social, perda da auto-estima e auto-imagem, inatividade e ao isolamento social. Segundo Jordão Netto (1997); Vieira (2004), essa fase pós-trabalho é caracterizada por morte social . Segundo Vieira (2004), para muitos ocorre também a discriminação dentro da própria família, pois devido ao seu tempo livre, passa a ser visto como inútil, e às vezes, é privado de sua própria liberdade de escolha, pois, como começa a fazer parte da rotina familiar, algumas tarefas lhe são impostas sem o seu devido interesse, gerando, em muitos, uma tristeza que pode levar a um isolamento social e depressão. A aposentadoria requer um condicionamento mental e social que a maior parte das pessoas não possui, e isso porque a cessação da atividade profissional constitui uma exclusão do mundo produtivo que é à base da sociedade moderna (RODRIGUES; RAUTH in FREITAS et al, 2002, p. 109). 26 CAPÍTULO II TERAPIA OCUPACIONAL E A ATIVIDADE PARA A POPULAÇÃO IDOSA 2 TERAPIA OCUPACIONAL Terapia Ocupacional é a disciplina social e da saúde que avalia a capacidade da pessoa de desempenhar atividades ocupacionais (ou da vida diária) e intervém quando tal habilidade está em risco ou deteriorada por qualquer motivo. O Terapeuta Ocupacional utiliza a atividade ocupacional e o meio ambiente com o objetivo terapêutico de prevenir e tratar déficits, deficiências e incapacidades, com objetivo final de alcançar e/ou manter o nível máximo de saúde, independência e integração do indivíduo e/ou grupos de risco (Associação Argentina de Terapeutas Ocupacionais apud Definições de Terapia Ocupacional, 2003, p. 63). Através de seu instrumento terapêutico, atividades, sejam elas de vida prática, de vida diária, produtiva, expressiva, entre outros, o terapeuta ocupacional trabalha a habilidade comprometida do indivíduo buscando, além de sua reabilitação, o prazer no seu fazer, reinserindo-o em seu cotidiano. As atividades utilizadas são as mais variadas possíveis, dependendo do contexto (cultural, psicossocial) e das suas queixas, podem ser uma coisa comum como lavar uma louça, ou algo mais complexo como confeccionar um produto, o importante é, que através do fazer, que é algo nato no ser humano, o indivíduo volte a desempenhar seu papel social da melhor maneira possível. A singularidade do sujeito se manifesta na práxis cotidiano, isto é, na concretude da vida cotidiana baseada nas referências culturais e nas relações de produção de uma determinada sociedade (GALHEIGO in PÁDUA; MAGALHÃES, 2003, p. 39). Um diferencial do terapeuta ocupacional é demarcado pelo seu setting, que pode ser qualquer espaço onde se faça terapia (sala de terapia, supermercado, restaurante, entre outros), já que se trata de um profissional que favorece a reinserção do paciente no cotidiano que esteve alterado. E, de 27 acordo com Benetton (2006), é um espaço para receber e sempre aberto para estimular o partir. É um local para construir e desconstruir, onde o paciente tenha um lugar seu e possa fincar sua base, reconhecendo-o e, depois, possa partir e fincá-la em outros lugares. 2.1 Terapia Ocupacional e o atendimento à população idosa Dentro do programa de saúde ao idoso, segundo Mello in Cavalcanti; Galvão (2007, p. 368): Cabe à terapia ocupacional identificar as habilidades que possam ser restauradas ou adaptadas e promover intervenções maximizando a independência e autonomia dos idosos, dentro de parâmetros custo-efetivos, segundo as possibilidades de cada caso e os recursos disponíveis. Tanto na área de prevenção quanto na área de reabilitação, os terapeutas ocupacionais podem estar atuando, para prevenir o agravamento dos déficits comuns à idade ou no tratamento de doenças que afetam o dia-adia do idoso, como Alzheimer, Mal de Parkinson, quedas, depressão, entre outros. Quando se considera o atendimento a pessoas idosas, os elementos independências, saúde, segurança e integração social ocupam lugar de destaque, uma vez que com o processo de envelhecimento, ele sofre modificações significativas. Assim a terapia ocupacional gerontológica visa manter, restaurar e melhorar a capacidade funcional, mantendo o idoso ativo e independente maior tempo possível. (BARRETO; TIRADO in FREITAS, 2002, p.866) A intervenção da terapia ocupacional é feita por meio de atividades que promovem o fazer, já que, através desta, o idoso pode se sentir mais útil, mais capaz de fazer algo novamente, pois, muitas vezes, devido à idade, é deixado de lado e, com isso, acaba se sentindo incapaz para muitas coisas. Com o fazer, o terapeuta ocupacional promove a saúde e o bem-estar do idoso. O terapeuta ocupacional atua, também, favorecendo a independência e autonomia, confeccionando adaptações tanto para seu uso como para o 28 ambiente. Esclarece aos familiares, cuidadores com orientações a respeito de como favorecer o idoso a ser o mais independente possível e alguns cuidados para evitar acidentes domésticos comuns nessa idade, e como lidar com esse idoso que muitas vezes é inseguro, temeroso, ranzinza devido aos problemas que a idade normalmente acarreta. Os objetivos junto aos idosos não diferem daqueles destinados a outras faixa etárias. Pacientes podem apresentar déficits que não são reversíveis, nestes casos a manutenção da saúde e a prevenção de perdas funcionais é um dos papéis fundamentais da terapia ocupacional. Em casos nos quais não é possível a melhora dos status funcional o tratamento pode ser necessário para manter a função (desacelerar) a progressão das disfunções presentes ou retardar o aparecimento de disfunções esperadas. Nestes casos é fundamental criar situações que possibilitem este idoso lidar com as capacidades-funções que continuam intactas (MELLO; ABREU in FORLENZA; CARAMELLI, 2000, pag. 587). 2.1.1 Papel da terapia ocupacional nos diferentes locais de atenção à pessoal idosa O quadro a seguir indica os diferentes locais de atuação do terapeuta ocupacional com a população idosa, segundo a Portaria 73 do MS/ 2001, que tem como princípios norteadores a prioridade aos serviços que privilegiam a permanência do idoso em sua família, e considerando-se o atendimento integral institucional a última alternativa. Quadro 1: Locais de atuação da terapia ocupacional junto a população idosa. Local Definição Papel da Ocupacional Terapia Instituição de longa permanência para idosos (ILPIs) Atendimento integral institucional é aquele prestado em uma instituição asilar, prioritariamente aos idosos sem famílias, em situação de vulnerabilidade, oferecendo-lhes serviços nas áreas social, psicológica, médica, de fisioterapia, de terapia ocupacional e outras atividades específicas para esse segmento social. Caracteriza-se por se tratar de estabelecimento com denominações diversas, correspondentes aos locais físicos - Identificação do nível de dependência funcional - Otimização das habilidades residuais em conjunto com a equipe de cuidadores e enfermagem - Restauração das habilidades funcionais - Pesquisa de interesses e nível de habilidades dos residentes - Planejamento de programação de atividades segundo perfil funcional, sócio-histórico, e Continua 29 Continuação equipados para atender pessoas com 60 anos ou mais, sob regime de internato, mediante pagamento ou não, durante um período indeterminado, e que dispõe de um quadro de recursos para atender às necessidades de cuidados com assistência de saúde, alimentação, higiene, repouso e lazer dos usuários e desenvolver outras atividades que garantam qualidade de vida. São exemplos de denominações: abrigo, asilo, lar, casa de repouso, clínica geriátrica, ancianato. Garantir aos idosos em estado de vulnerabilidade de serviços de atenção biopsicossocial em regime integral de acordo com as suas necessidades, priorizando, sempre que possível, o vínculo familiar e a integração comunitária. Requer indicação precisa quando as outras possibilidades de suporte não atenderam à necessidade do idoso. desejo dos idosos envolvidos no programa - Supervisão da execução de atividades (estas podem ser desenvolvidas por técnicos específicos professores de artes, de artesanato, de educação física, de canto, de línguas, entre outros) - Planejamento e adequação ambiental segundo a dinâmica funcional dos residentes Orientação aos outros membros da equipe e familiares - Estabelecimento de grupos terapêuticos e/ou oficinas segundo demanda dos moradores (memória, sexualidade, culinária, reminiscências, entre outros) Programa Residência Temporária É um serviço em regime de internação temporária, público ou privado, de atendimento ao idoso dependente ou semidependente que requeira cuidados biopsicossociais sistematizados, no período máximo de 60 dias. - Reabilitação intensiva dos casos internados nas áreas física e psíquica - Promoção da adequação dos casos ambiental da moradia definitiva - Treinamento do cuidador Orientação aos outros membros da equipe Família Natural ... conjunto de normas e regras, historicamente constituídas, que regem as relações de sangue, adoção, aliança, definindo a filiação, os limites do parentesco e outros fatos presentes . - Reabilitação intensiva dos casos internados nas áreas física e psíquica - Promoção da adequação ambiental da moradia definitiva - Treinamento do cuidador Orientação aos outros membros da equipe Família Acolhedora Família acolhedora é aquela que apresente condições adequadas para receber o idoso... As famílias deverão ser cadastradas e capacitadas para oferecer abrigo às pessoas idosas em situação de abandono, sem família ou impossibilitadas de conviver com as mesmas. Esse atendimento será continuamente supervisionado pelos órgãos gestores . - Reabilitação intensiva dos casos internados nas áreas física e psíquica - Promoção da adequação ambiental da moradia definitiva - Treinamento do cuidador Orientação aos outros membros da equipe República A republica de idosos é alternativa de residência para os idosos independentes, organizada em grupos, conforme o número de - Prevenção de incapacidades Adaptação ambiental (eliminação de riscos de quedas no ambiente doméstico) Continua 30 Continuação usuários, e co-financiada com recursos da aposentadoria, beneficio de prestação continuada, renda mensal vitalícia e, outras. Em alguns casos, a república pode ser viabilizada em sistema de autogestão. Centro de Atendimento convivência Convivência Centro-Dia - Implementação de programa de educação para a saúde - Facilitação dos processos de inserção comunitária local em centro de consiste no fortalecimento de atividades associativas, produtivas e promocionais, contribuindo para a autonomia, o envelhecimento ativo e a saudável prevenção do isolamento social, socialização e aumento da renda própria. É o espaço destinado à freqüência dos idosos e de seus familiares, onde são desenvolvidas planejadas e sistematizadas ações de atenção ao idoso, de forma a elevar a qualidade de vida, promover a participação, a convivência social, a cidadania e a integração intergeracional. Essencialmente, desenvolvimento de trabalhos comunitários de promoção da cidadania e de lideranças, necessidades socioeconômicas locais, - Prevenção de incapacidades Adaptação ambiental (eliminação de riscos de quedas no ambiente doméstico) - Implementação de programa de educação para a saúde Atendimento em centro-dia é uma estratégia de atenção integral às pessoas idosas que por suas carências familiares e funcionais não podem ser atendidas em seus próprios domicílios ou por serviços comunitários; proporciona o atendimento das necessidades básicas, mantém o idoso junto à família, reforça aspecto de segurança, autonomia, bem-estar e a própria socialização do idoso. Caracteriza-se por ser um espaço para atender a idosos que possuem limitações para a realização das atividades de vida diária (AVD), que convivem com sua família porém não dispõem de atendimento integral no domicilio. Pode funcionar em espaço especificamente construído para esse fim, esse espaço adaptado ou como um programa de um Centro de Convivência, desde que disponha de pessoal qualificado para o atendimento adequado. - Identificação da dependência funcional dos freqüentadores - Otimização das habilidades residuais em conjunto com a equipe - Restauração das habilidades funcionais - Pesquisa de interesse e nível de habilidades dos idosos atendidos (atenção: processo dinâmico, pois a clientela é flutuante!) - Planejamento de programação de atividades, segundo perfil funcional, sócio-histórico, e desejo dos idosos envolvidos no programa - Supervisão da execução de atividades (estas podem ser desenvolvidas por técnicos específicos professores de artes de artesanato, de educação física, de canto, de línguas, entre outros) - Planejamento e adequação ambiental, segundo a dinâmica funcional dos idosos atendidos (atenção: processo dinâmico, pois a clientela é flutuante!) Orientação aos outros membros da equipe e familiares - Estabelecimento de grupos terapêuticos e/ou oficinas, segundo demanda dos Continua 31 Continuação moradores (memória, sexualidade, culinária, reminiscências, entre outros) Casa-Lar É uma residência participativa destinada a idosos que estão sós ou afastados do convívio familiar e com renda insuficiente para sua sobrevivência. Trata-se de uma modalidade de atendimento que vem romper com as práticas tutelares e assistencialistas, visando ao fortalecimento da participação, organização e autonomia dos idosos, utilizando sempre que possível a rede de serviços sociais. Assistência Domiciliar/ Atendimento Domiciliar Atendimento domiciliar é aquele prestado à pessoa idosa com algum nível de dependência, com vistas à promoção da autonomia, à permanência no próprio domicilio, ao reforço dos vínculos familiares e de vizinhança. Caracteriza-se por ser um serviço de atendimento publico ou privado a domicilio às pessoas idosas por meio de um programa individualizado, de caráter preventivo e reabilitador, no qual se articulam uma rede de serviços e técnicas de intervenção profissional focada em atenção à saúde, pessoal, domestica, de apoio, psicossocial e familiar, e interação com a comunidade. Pode ser de natureza permanente ou provisória, diurna e/ou noturna, para atendimento de idosos dependentes ou semidependentes, com ou sem recursos e mantendo ou não vínculo familiar. Programa Saúde Família - Prevenção de incapacidades Adaptação ambiental (eliminação de riscos de quedas no ambiente domestico) - Implementação de programa de educação para a saúde -Facilitação dos processos de inserção comunitária local de Assistência integral e contínua a - Desenvolvimento de trabalhos da todos os membros das famílias comunitários de promoção da incluídas no programa em cada uma das fases do seu ciclo de vida, sem perder o contexto familiar e social. Capilarizacao da atenção à saúde . cidadania e de liderança, necessidades socioeconômicas locais - Prevenção de incapacidades Adaptação ambiental (eliminação de riscos de quedas no ambiente domestico e comunitário) - Implementação de programa de educação para a saúde - Identificação da dependência funcional dos idosos cobertos pelo programa - Otimização das habilidades residuais dos idosos em conjunto com a equipe - Restauração das habilidades Continua 32 Continuação funcionais - Pesquisa de interesses e nível de habilidades dos idosos atendidos - Planejamento de programas de atividades segundo perfil funcional, sócio-histórico, e desejo dos idosos envolvidos no programa Hospital-dia Geriátrico/ Portaria no 2.414 de 23 de Março de 1998 Atendimento a pacientes idoso (60 anos ou mais) que necessitem de avaliação e atendimento por equipe multiprofissional, em regime de um ou dois turnos de 4 horas, incluindo uma ou duas refeições, respectivamente, incluindo um conjunto de atividades tais como acompanhamento médico geriátrico, acompanhamento fisioterápico com reabilitação funcional, acompanhamento de fonoaudióloga com reabilitação da voz, audição, deglutição e psicomotricidade, acompanhamento com psicólogo com psicoterapia, estimulação cognitiva e comportamental, individual, grupal e orientação familiar, acompanhamento nutricional, social e odontológico. Devera garantir funcionamento todos os dias da semana. - Identificação da dependência funcional dos freqüentadores - Otimização das habilidades residuais em conjunto com a equipe de cuidadores e enfermagem - Restauração das habilidades funcionais - Pesquisa de interesse e nível de habilidades dos residentes - Planejamento de programação de atividades, segundo perfil funcional, sócio-histórico, e desejo dos idosos envolvidos no programa - Planejamento e adequação ambiental, segundo a dinâmica funcional dos residentes Orientação aos outros membros da equipe e familiares - Estabelecimento de grupos terapêuticos e/ou oficinas, segundo demanda dos moradores (memória, sexualidade, culinária, reminiscências, entre outros) Redes de Referência do Idoso/ Redes Estaduais de Atenção à Saúde do Idoso/ Portaria MS 702 de 2002 Hospital que disponha de condições técnicas, instalações físicas, equipamentos e recursos humanos adequados para prestar assistência à saúde dos idosos, de forma integral e integrada. - Identificação da dependência funcional dos usuários do serviço - Otimização das habilidades residuais em conjunto com a equipe de cuidadores e enfermagem Restauração e/ou potencialização das habilidades funcionais - Planejamento de programação de atividades, segundo perfil funcional, sócio-histórico, e desejo dos idosos envolvidos no programa - Supervisão da execução de atividades (estas podem ser desenvolvidas por técnicos específicos professores de artes, de artesanato, de educação física, de canto de línguas, entre outros) - Planejamento e adequação Continua 33 Continuação ambiental, segundo a dinâmica funcional dos usuários do serviço Orientação aos outros membros da equipe e familiares - Estabelecimento de grupos terapêuticos e/ou oficinas, segundo demanda dos moradores (memória, sexualidade, culinária, reminiscências, entre outros) Enfermaria geriátrica? Serviços Equipe consultora Hospitalares interconsultas? (Não há ainda regulamentação) para - Identificação da dependência funcional dos idosos hospitalizados - Minimizacao das perdas funcionais durante a hospitalização - Otimização das habilidades residuais em conjunto com a equipe de cuidadores e enfermagem - Restauração e das habilidades funcionais - Planejamento de programação de atividades, segundo perfil funcional, sócio-histórico, e desejo dos idosos - Supervisão da execução de atividades (estas podem ser desenvolvidas por técnicos específicos professores de artes, de artesanato, de educação física, de canto de línguas, entre outros) - Prevenção e tratamento do hospitalismo - Planejamento e adequação ambiental, segundo a dinâmica funcional dos idosos internados Orientação aos outros membros da equipe e familiares - Estabelecimento de grupos terapêuticos e/ou oficinas, segundo demanda dos moradores (memória, sexualidade, culinária, reminiscências, entre outros) Centros de Presença de equipes de terapia - Identificação da dependência ocupacional especializada em funcional dos idosos Reabilitação reabilitação da pessoa idosa em centros de reabilitação - Otimização das habilidades residuais em conjunto com a equipe - Restauração e potencialização das habilidades funcionais - Pesquisa de interesses e nível de habilidades dos residentes - Planejamento de programação de atividades, segundo perfil Continua 34 Continuação funcional, sócio-histórico, e desejo dos idosos envolvidos no programa - Supervisão da execução de atividades (estas podem ser desenvolvidas por técnicos específicos professores de artes, de artesanato, de educação física, de canto de línguas, entre outros) - Planejamento e adequação ambiental, segundo a dinâmica funcional dos residentes Orientação aos outros membros da equipe e familiares - Estabelecimento de grupos terapêuticos e/ou oficinas, segundo demanda dos moradores (memória, sexualidade, culinária, reminiscências, entre outros) Empresas (Programas Prée Pós Aposentadoria) Programas que são iniciados de 2 a 3 anos antes da data da aposentadoria dos profissionais, para o desenvolvimento de novas atividades, aquisição de novas habilidades a serem adotadas após a aposentadoria. Tem sido adotada principalmente por multinacionais e empresas de grande porte. - Estabelecimento do programa na empresa Identificação de metas individuais dos participantes do grupo de forma coletiva. Estas metas são sempre fundamentais em sonhos abandonados no passado. - Utilização de estratégias de psicodrama e neurolinguistica, entre outras técnicas, para desenvolvimento do programa. Clubes, Balneários, Hotéis e Outros Centros de Lazer Programas de educação para a saúde e atividades de acordo com diversos níveis funcionais, possibilitando o turismo adaptado para os idosos dependentes. - Estabelecimento de níveis de acessibilidade de locais turísticos em conjunto com arquiteto Estabelecimento de programas turísticos em diversos níveis funcionais (diferentes demandas de capacidade funcional em conjunto com guia turístico) - Estabelecimento de rol de atividades com níveis de complexidade crescentes e diversos para os recreadores executarem Fonte: MELLO, M. A. F. In: CAVALCANTI, A.; GALVÃO, C. (cols.). 2007, p. 370-373. 2.2 Atividades em terapia ocupacional 35 Segundo Benetton (1994), a atividade, dentro da terapia ocupacional, é vista como terceiro termo de uma relação, que ocorre entre um terapeuta ocupacional e o paciente, considerando o primeiro encontro destes, como uma atividade. Trata-se de elementos orientadores e centralizadores da prática do terapeuta ocupacional. Na Terapia Ocupacional, as atividades possibilitam a cada um ser reconhecido e se reconhecer por outros fazeres ; elas permitem conhecer a história de vida dos sujeitos. A partir do encontro inicial entre terapeutas e pacientes estabelece-se um resgate biográfico no campo das atividades, no qual se descobrem interesses, habilidades e potencialidades que delineiam caminhos possíveis no rol das atividades e produções humanas (CASTRO; LIMA; BRUNELLO in DE CARLO; BARTALOTTI, 2001, p.49). A atividade, como instrumento da terapia ocupacional, possibilita ao terapeuta criar um vínculo com o paciente e conhecer sua história pessoal, necessidades e possibilidades, estabelecendo um conjunto de práticas voltadas para o fazer humano. Ela pode ser realizada individualmente ou em grupo. A prática sempre visará à independência, a organização do cotidiano, o bem-estar e a qualidade de vida. De acordo com Benetton (2006), é necessário que toda atividade proporcionada ao paciente tenha um significado para si, ou que pelo menos seja agradável e prazerosa. Segundo Castro; Lima; Brunello in DE Carlo; Bartalotti (2001), ao se concentrar para a realização da atividade, o indivíduo tem a possibilidade de reunir fragmentos de suas experiências e a oportunidade de transformá-los em novos elementos, ampliando, assim, sua vida prática e o seu conteúdo pessoal. Na atenção em Terapia Ocupacional, há a necessidade de resgatarmos a unidade nas atividades dos sujeitos, um fator fundamental nos processos de restabelecimento da saúde, pois é também por meio de atividades que podemos estimular o organismo e ativar um novo potencial de vida. Promovendo, pela ação e pelo fazer, a retomada da unidade interna da natureza humana, a realização de atividades permite aos sujeitos reunirem fragmentos que a época da especialização, do mecanicismo e do isolamento nos impõe (CASTRO; LIMA; BRUNELLO in DE CARLO; BARTALOTTI, 2001, p. 50) 36 Esse tipo de resgate é bastante usado na atenção para as pessoas idosas, pois muitas delas devido aos estigmas impostos, não acreditam mais em suas capacidades de ação, podendo devolver-lhes o sentido de utilidade e de ser humano, promovendo mudanças de atitudes, pensamentos, sentimentos, equilíbrio emocional, entre outros. As atividades também promovem trocas sociais e rompem com o isolamento e a invalidação dos sujeitos. O fazer, através das atividades, dignifica o indivíduo, pois liberta suas capacidades, permitindo-lhe crescer e pensar, possibilitando um caminho prazeroso para alcançar os objetivos do tratamento, sendo o terapeuta ocupacional o facilitador desse processo. Em qualquer atividade é possível tomar a técnica mais básica e simples, modificá-la, personalizá-la até transformá-la em algo que motive o fazer e crie possibilidades de percepção de como fazemos, engendrando curiosidade, interesses e prazer em resolver qualquer desafio com envolvimento, estabelecendo relacionamentos diretos, pessoais e interativos aqui a importância do terapeuta ocupacional como facilitador desse processo que fornecerão a ligação entre conhecimento, possibilidades e ação. Ritmos, intensidades, habilidades, condensação de informações e vivências, imagens e emoções, entre outros conteúdos, podem ser trabalhados nessa estrutura (CASTRO; LIMA; BRUNELLO in DE CARLO; BARTALOTTI, 2001, p.51) No atendimento à população idosa, o terapeuta ocupacional usa de sua criatividade para tornar possível a realização da atividade, pois, devido aos déficits apresentados nessa idade, muitas vezes, não é possível realizar as atividades da maneira real, necessitando de adaptações e modificações no processo da atividade, tornando-a acessível a todos sem muitas frustrações. O terapeuta ocupacional, durante uma atividade terapêutica pode alterar, remover e acrescentar elementos para remover obstáculos ao desempenho ou aumentar as oportunidades de desempenho aprendizado e desenvolvimento (SILVA in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p. 114) Quando o idoso se depara com qualquer tipo de desafio durante uma atividade, o terapeuta tem que estar atento para facilitar o processo e motivá-lo a seguir em frente, pois ao se ver realizando algo que achava impossível o 37 prazer será muito maior. As atividades favorecem as aquisições, as habilidades e fortalecem os processos de potencialização da inclusão sociocultural. Com a atividade, é possível fazer com que o indivíduo construa um novo sentido e significado para sua vida, com motivação, para que, sozinho, continue a trilhar seu caminho independente das condições que a idade lhe impõe. 2.3 Grupos em Terapia Ocupacional Segundo Ballarin in Cavalcanti; Galvão (2007, p. 40), um dos princípios que norteiam a prática do terapeuta ocupacional é a idéia de que o fazer tem efeito terapêutico . A prática do terapeuta ocupacional, dentro de um grupo, tem como finalidade potencializar os efeitos terapêuticos que o fazer proporciona. Também possibilita aos participantes vivenciarem trocas de experiências e perceberem, no outro, problemas como o seu, encarando-os de uma maneira diferente, podendo assim mudar o seu jeito de lidar com sua situação atual. O grupo favorece a socialização entre seus participantes, possibilitando-lhes experimentar outras formas de vivenciar situações inéditas, diferentes das relações que mantém no seu cotidiano. Em terapia ocupacional, um grupo é definido como aquele em que os participantes, na presença do terapeuta ocupacional, reúnem-se com o objetivo de realizar uma atividade, num mesmo local e horário (BALLARIN in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). A formação do grupo exige do terapeuta ocupacional habilidade para coordená-lo, pois ele pode assumir formatos diferentes no interior de instituições e/ou contextos. Por conseguinte, o seu manejo envolve diversos aspectos técnicos, e o terapeuta ocupacional deve dirigir sua atenção à dinâmica de seu funcionamento, que é determinada pelos seus participantes e inclui as relações que estes estabelecem entre si, com o próprio coordenador e com a atividade. 38 Segundo Ballarin in Cavalcanti; Galvão (2007), para constituir um grupo o coordenador deve considerar aspectos como: critério de seleção dos participantes, características estruturais, o setting terapêutico ocupacional, o contrato grupal estabelecido, objetivos e o contexto em que está inserido. Em relação a grupos, Benetton (2006) considera a existência de dois tipos de dinâmica ligados ao uso das atividades, que podem ser: grupo de atividades, em que cada paciente faz sua atividade e estabelece com o terapeuta uma relação individual; e atividade grupal, quando os pacientes fazem uma única atividade em conjunto e o terapeuta mantém o grupo nessa relação de trabalho conjunto. Quanto à estrutura, um grupo pode ser definido como aberto, fechado, pouco aberto, homogêneo e heterogêneo. Um grupo aberto é aquele em que os participantes não são os mesmos a cada encontro. Já, num grupo fechado, não há ingressos de novos participantes após o início do processo, de modo que, caso ocorra à saída de um dos participantes, este não é substituído. Um grupo pouco aberto é definido como aquele em que um novo participante pode ser inserido no contexto grupal para completar a saída de outro. Um grupo é heterogêneo quando se reúnem participantes com características e problemáticas de diferentes naturezas. Um grupo homogêneo define-se como aquele em que os participantes são selecionados com base em algum problema comum. Para que o grupo seja uma ferramenta terapêutica efetiva, a compreensão de seu manejo é fundamental. Assim, pode-se dizer que o manejo grupal compreende todos os movimentos do coordenador dirigidos ao grupo na direção dos objetivos. Seriam, portanto, as intervenções propriamente ditas do terapeuta ocupacional, expressas a partir do comunicar-se, colocar-se entre, mostrar-se atento, compreendendo a importância de estar e do fazer, buscando o significado da ação (BALLARIN in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p. 40). De acordo com Benneton (2006), a qualidade essencial do terapeuta ocupacional está no olhar, pois é através da observação de gestos, ações e atitudes que ele procura informações, que são medidas não só pelo que se pode ver, mas, principalmente, pelo que é contado do cotidiano do sujeito no 39 seu meio. 2.4 Grupos: uma alternativa de atendimento na terapia ocupacional gerontológica Em terapia ocupacional, a opção de formar grupos de idosos parte da idéia de que esse tipo de trabalho em grupo proporcionará um dinamismo maior com relação a socialização, comunicação, aumento da auto-estima, criação de novos laços afetivos, potencializando a intervenção terapêutica ocupacional. Os grupos facilitam o exercício da autodeterminação e da independência, pois podem funcionar como rede de apoio que mobiliza as pessoas na busca de autonomia e sentido para a vida, na autonomia e, até mesmo, na melhora do senso de humor, aspectos essenciais para ampliar a resiliência e diminuir a vulnerabilidade. No convívio entre pessoas, criam-se vínculos que possibilitarão o surgimento de organizações ou, no mínimo, o seu incentivo, promovendo a inclusão social. (GARCIA, 2006, p. 176) Dentro do grupo de idosos, as trocas de experiências permitem que o indivíduo relate suas vivências, surgindo afinidades com os outros participantes, que muitas vezes, viveram a mesma situação num contexto diferente. As atividades em grupo são também uma forma de alcançar e manter uma vida mais saudável e integrada socialmente, proporcionando uma melhor qualidade de vida e independência aos indivíduos (LIMA; PASETCHNY, 1998) Sendo assim, a participação do indivíduo no grupo pode favorecer mudanças maiores, pois o grupo é um campo social dinâmico em que a mudança em um indivíduo pode provocar efeitos positivos no outro. A ocupação é uma necessidade humana, através da qual o homem explora e domina seu ambiente. Portanto, através de atividades nos grupos, os idosos, além de se organizarem internamente, podem rever e investir em novos papéis exercitando sua natureza ativa e sendo agentes de uma produção social histórica. (LIMA; PASETCHNY, 1998, p. 39) 40 Essa organização interna permite ao idoso que explore suas potencialidades, buscando alternativas para diminuir suas dificuldades. 41 CAPÍTULO III A PESQUISA 3 INTRODUÇÃO Para demonstrar a importância da intervenção da terapia ocupacional junto ao grupo de idosos para confeccionar brinquedos, e após o Projeto aprovado em 20/05/08, protocolo no 113, pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) Unisalesiano, (Resolução n. 01 de 13/06/98 - CNS), foi realizada uma pesquisa na Casa-dia Cantinho do Vovô, localizada na cidade de Lins SP, no período de 21/05/08 a 10/09/08. Os métodos utilizados foram estudo de caso e observação sistemática, analisando e descrevendo a intervenção da terapia ocupacional, tendo como participantes, inicialmente, 11 idosos e, no decorrer desta, houve a entrada de mais uma participante. Todos se dispuseram a participar da pesquisa e foram aprovados na avaliação do Miniexame do Estado Mental (MEEM), realizado para descartar a hipótese de demência, porém, no decorrer da pesquisa, por motivos de saúde, 4 participantes se ausentaram. Com isso, 8 participantes restaram para a conclusão da mesma. Foi escolhida, como atividade, a construção de brinquedos, por ser uma alternativa diferente daquela que comumente é oferecida no trabalho com o idoso, que são: o artesanato, o bordado ou o crochê. Nesta atividade, foram trabalhados aspectos como atenção, percepção, coordenação óculo-manual, interação, memória, criatividade, auto-estima e senso de pertencimento social, uma vez que os brinquedos foram doados pelos idosos, a uma creche da cidade de Lins. A pesquisa foi complementada por depoimentos dos seguintes profissionais: terapeuta ocupacional, médico geriatra, coordenadora da casadia e dos participantes. E também foi realizada avaliação do MEEM (no início e no fim). As técnicas utilizadas foram as seguintes: 42 Roteiro de Estudo de Caso (Apêndice A) Roteiro de Observação Sistemática (Apêndice B) Roteiro de Anamnese com os Participantes (Apêndice C) Roteiro de Entrevista com os Participantes (Apêndice D) Roteiro de Entrevista com o Terapeuta Ocupacional (Apêndice E) Roteiro de Entrevista com a Coordenadora da Casa-dia (Apêndice F) Roteiro de Entrevista com o Médico Geriatra (Apêndice G) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para a Instituição (Apêndice H) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para o Participante do Grupo (Apêndice I) Avaliação do Miniexame do Estado Mental (Anexo A) Outros Registros: são utilizados dados ilustrativos 3.1 Caracterização da casa-dia Cantinho do Vovô A casa-dia Cantinho do Vovô é uma instituição filantrópica localizada na rua Rosalino Silva, no centro da cidade de Lins SP, que funciona de segunda à sexta-feira das 7 às 17 horas. A casa é composta por sala de televisão, sala para terapia ocupacional, sala para dentista (desativada), sala da coordenação, 2 banheiros, 2 quartos, cozinha e copa, horta, quintal e garagem. O quadro de funcionários é composto por uma terapeuta ocupacional e uma cozinheira e mais duas voluntárias: a coordenadora e a monitora. Atualmente, estão cadastradas como freqüentadores da casa-dia 20 idosos, sendo que apenas 10 estão freqüentando diariamente. Os critérios para os idosos serem aceitos pela casa-dia são: ter acima de 60 anos e receber até um salário mínimo e meio. Na casa-dia, são servidas 4 refeições diárias (café da manhã, lanche, almoço, café da tarde), além de oferecerem uma marmita para levarem para o jantar em casa, além do transporte, pois a instituição dispõe de uma condução que busca e leva no final da tarde. A casa-dia é mantida pela Associação de Idosos de Lins (ASDIL), uma instituição que possui associados da cidade de Lins, que através de convênios, 43 estes ganham descontos na farmácia da própria instituição, bem como em diversas lojas do comércio. E, além da ASDIL, a casa-dia também é mantida por verbas municipais, estaduais, federais e, ainda por doações voluntárias. 3.1.1 Caracterização dos idosos freqüentadores da casa-dia Os idosos que freqüentam a casa-dia têm entre 60 a 90 anos de idade. De ambos os sexos, porém, grande maioria é composta por mulheres, analfabetos ou semi-analfabetos, as quais são independentes em suas AVD´s, aposentados, viúvo ou separado, que moram sozinhos ou com os filhos. A maioria começou a freqüentar a casa-dia para não ficar sozinha em casa. Algumas possuem patologias como acidente vascular encefálico (AVE), diabetes, hipertensão arterial sistêmica (HAS), colesterol alto e déficit visual. 3.2 A avaliação Os idosos foram avaliados, inicialmente, através do MEEM (Anexo A), para descartar a hipótese de demência e, após a intervenção, foi realizada a reavaliação para testar os itens como forma de averiguar se houve preservação ou melhora das funções cognitivas. Segundo Jacob Filho (2005), o MEEM é um teste de rastreio conhecido e muito utilizado. O resultado tem algumas limitações e sofre influências claras de aspectos culturais e do nível de escolaridade. Seu uso é limitado em indivíduos com afasia, baixa acuidade visual e auditiva e distúrbios motores. O exame é composto de 30 itens, cada um correspondendo a um ponto, em que são avaliados itens de orientação temporal e espacial, memória de fixação e evocação, atenção, cálculo, linguagem (compreensão e expressão) e praxia. Na sua forma original, foi preconizado o escore de 24 pontos como ponto de corte para idosos escolarizados. Tendo em vista a grande heterogeneidade do Ensino Fundamental, têm sido propostos diferentes pontos 44 de cortes para a população brasileira de acordo com o grau de escolaridade. Utilizam-se as seguintes notas de corte para a população brasileira: a) 18 para analfabetos; b) 21 para indivíduos com um a três anos de escolaridade; c) 24 para indivíduos com quatro a sete anos de escolaridade; d) 26 para indivíduos com oito ou mais anos de escolaridade. É importante salientar que estes escores não são conclusivos de nenhum diagnóstico, e apenas sugerem a necessidade de avaliação criteriosa. 3.3 Materiais utilizados e a confecção dos brinquedos Os atendimentos foram realizados com todos os participantes reunidos no mesmo ambiente, sendo usadas mesas e cadeiras. Inicialmente, foram confeccionadas quatro bonecas de pano (Foto 11 Apêndice K), sendo usado como materiais retalhos de pano, linha, agulha, bola de isopor, novelos de lã, caneta para tecido, maquiagens. O corpo da boneca foi costurado na máquina por terceiros e as participantes os preencheram com retalhos e, em seguida, costuraram a parte em que colocavam os retalhos. Cortaram os fios de lã para fazer o cabelo da boneca, que foi costurado na cabeça pelas terapeutas. Os vestidos foram costurados na máquina por terceiros, sendo que o rosto e os enfeites ficaram por conta das participantes. Para confeccionar os cinco carrinhos de madeira (Foto 13 - Apêndice L), foram necessários pedaços de madeira, tinta látex, tinta esmalte de diversas cores, lixas, chave de fenda, pincéis, cola para madeira, tiner e parafusos. A madeira e as rodas foram cortadas por um marceneiro. No início, a madeira cortada e as rodas foram lixadas e, em seguida, pintadas com tinta látex. Após a secagem, foram coladas as madeiras, formando a estrutura do carrinho e, depois, foram pintados com a tinta esmalte (vermelho, verde, azul, laranja e amarelo), e as rodas com tinta esmalte preta. Para finalizar, foram parafusadas as rodas. Esses brinquedos foram confeccionados pelo único participante do sexo masculino do grupo o qual deixou o grupo no decorrer da pesquisa, orientado e ajudado pelas terapeutas. 45 Na confecção das seis bolas de pano (Foto 12 - Apêndice L), foram necessários pedaços de pano, retalhos, caneta, tesoura, linha, agulha. Primeiramente, foi desenhado o molde no papel e passado no pano, para, depois, serem recortados. Após esse processo, deram início à costura manual das partes que formariam a bola. Depois de costuradas as bolas foram preenchidas por retalhos, dando assim o formato da bola. Depois de preenchidas, foi costurado o tampão restante. Para confecção dos três jogos de boliche (Foto 10 - Apêndice K), foram usados materiais como garrafas pet de 600 ml, fitas adesivas coloridas, pedras e bolas. As participantes colaram, a seu modo, as fitas adesivas ao redor da garrafa para enfeitá-la, depois foram colocadas as pedras dentro, para fazer peso. Já as bolas de plástico foram compradas. Para os três jogos de cai-não-cai (Foto 7 - Apêndice K), utilizaram como material garrafas pet de 2 l, espetos de churrasco de madeira, bolas de gude, fita adesiva colorida, arame grosso, pano, tinta guache, pincéis, linha e agulha. Inicialmente, a terapeuta fez os furos na garrafa, usando o arame. As participantes decoraram a garrafa com as fitas adesivas, pintaram os espetos de madeira com tinta guache azul e laranja e costuraram os saquinhos de pano para guardar as bolas de gude. Para confeccionar o jogo de pega-vareta (Foto 8 Apêndice K), foram utilizados pincéis, tinta guache e espeto de churrasco. As participantes pintaram os espetos com diversas cores. Os três vai-e-vem (Foto 15 Apêndice L) foram confeccionados com garrafa pet 2 l, fita adesiva, tesoura, argolas de plástico e corda de nylon. As garrafas foram cortadas ao meio e foram utilizadas apenas as partes de cima onde estas foram encaixadas a partir do lado que foi cortado. Esse processo foi realizado pelas terapeutas. As participantes decoraram as garrafas com as fitas adesivas. E, para finalizar, as terapeutas passaram a corda de nylon por dentro das garrafas, ficando uma ponta de cada lado amarradas na argola. O material utilizado na confecção dos seis bilboquês (Foto 9 Apêndice K) foram garrafas pet 250 ml, barbante, fitas adesivas e tesoura. As terapeutas retiraram o fundo da garrafa e fizeram um furo na tampa. As participantes decoraram a garrafa com as fitas adesivas coloridas e passaram o barbante nas tampas da garrafa. 46 As seis petecas (Foto 14 Apêndice L) foram confeccionadas com pano, pedras, retalhos, agulha, linha, penas coloridas e cola quente. Foi feito o molde para a base da peteca e, em seguida, colocado sobre o pano e recortado. Com o pano cortado, as participantes preencheram com um pouco de pedra e retalhos formando a base. Depois da costura, colocaram-se as penas e, para fixá-las, utilizou-se cola quente. Nos dois quebra-cabeças (Foto 17 Apêndice L), foram utilizados EVA, tesoura, caneta, pincéis e tinta guache. As terapeutas fizeram o molde no EVA e as participantes ajudaram a recortar as figuras. Em seguida, pintaram com tinta guache e, depois da secagem, as terapeutas cortaram os pedaços do quebra-cabeça. No jogo de encaixe (Foto 16 Apêndice L), foram utilizados rolos de papel higiênico, tinta guache, pincéis. As participantes decoraram os rolos de papel higiênico com a tinta guache. E as terapeutas fizeram os recortes. 3.4 Análise da intervenção Inicialmente, a intervenção foi realizada com um grupo de 12 idosos, entre 60 a 90 anos. Mas, por motivo de saúde, 4 se ausentaram do grupo, restando apenas 8. O grupo se reuniu durante 3 meses, 3 vezes por semana, durante uma hora. A princípio, foi realizada anamnese (Apêndice C )com cada participante. Em seguida, os idosos foram avaliados através do MEEM (Anexo A) e, após a intervenção, foi realizada a reavaliação. Durante a intervenção, na confecção das bonecas de pano, um dos primeiros comentários das participantes foi de que voltaram a ser crianças e, que em seu tempo, elas mesmas faziam suas bonecas com palha de milho, pois seus pais não tinham dinheiro para comprar brinquedos. Comentaram, também que, naquela época, pouco brincavam, apenas nos fins de semana, pois tinham que trabalhar. Na confecção do carrinho de madeira, o participante recordou-se do tempo em que trabalhava na confecção de móveis de madeira e como era 47 habilidoso. Com a bola de pano, as participantes a comparavam com as antigas bolas de capotão, e uma delas, ao terminar a bola, começou a brincar, da mesma maneira que brincava quando era criança, e isso despertou nas outras a mesma lembrança. Ao fazer o boliche, disseram que não conheciam o jogo, mas gostaram de confeccioná-lo, pois foi feito com fitas bem coloridas, chamando sua atenção. O cai-não-cai também não era conhecido por elas, mas gostaram da dinâmica do jogo, que foi explicado pelas terapeutas e, assim, sentiram satisfação em fazê-lo, por imaginarem o tanto que as crianças iriam se divertir. A pintura dos palitos do pega-vareta despertou nas participantes muito senso de humor. Com o vai-e-vem, houve diversos comentários a respeito de que foi um brinquedo que seus filhos brincavam, e também gostaram de fazê-lo devido às fitas coloridas. Na confecção do bilboquê, elas recordaram de que brincavam na infância e fabricavam seu brinquedo com lata de molho de tomate. Com essa lembrança, começaram a comentar sobre os desenhos nas embalagens das latas da época. E quando o bilboquê ficou pronto, divertiram-se brincando. A sugestão de fazer a peteca surgiu de uma das participantes. Com isso, as outras lembraram-se de que quando eram crianças, faziam as suas com palha de milho. As participantes, inicialmente, mostraram-se resistentes em relação aos materiais que seriam usados na confecção da peteca, porém ao ver a peteca pronta, gostaram do resultado. Durante a pintura do quebra-cabeça, divertiram-se muito e todas sempre bem humoradas, fazendo a pergunta quem vai pintar o sete? . A confecção do jogo de encaixe foi a atividade que todas conseguiram fazer do começo ao fim demonstrando muito prazer e criatividade nas pinturas dos rolos de papel. A confecção dos brinquedos foi realizada de maneira simultânea, ou seja, vários brinquedos sendo confeccionados ao mesmo tempo por diferentes participantes, pois nem todas conseguiram fazer todo o processo do brinquedo, e, conforme isso ocorria, era iniciado outro brinquedo. Assim, todas 48 trabalhavam, contribuindo com o que sabia e podia fazer. Terminada a confecção dos brinquedos, foi realizada a entrega dos mesmos na creche São Benedito (Fotos 18, 19a, 19b e 20 Apêndice M) no dia 10/09/08, quando as participantes foram levadas ao local com o microônibus da prefeitura. Elas foram muito bem recebidas por todos da creche, acomodando-se numa área coberta da parte externa. As crianças estavam muito ansiosas com a presença das participantes idosas, as quais estavam muito emocionadas também. Antes da entrega dos brinquedos, as crianças saudaram as vovós cantando cantigas infantis, e estas cantarolavam junto. Em seguida, uma das participantes homenageou o momento com uma de suas cantigas também. Logo após as cantigas, as terapeutas explicaram às crianças que haviam trazido brinquedos para a creche e que estes tinham sido confeccionados pelas vovós ali presentes. Assim, cada participante entregou um brinquedo a uma criança, recebendo um abraço e um beijo de cada uma delas. 3.5 Resultados obtidos No decorrer da pesquisa, foram observadas mudanças significativas no relacionamento do grupo, em geral, e no comportamento das participantes individualmente. Com relação às mudanças no comportamento grupal, as participantes se mostraram, no decorrer da pesquisa, estarem mais unidas, comunicativas, ajudando umas às outras. Notou-se que, durante a realização e depois de encerradas as atividades, elas continuavam juntas. No comportamento individual, foram observadas mudanças como aumento da auto-estima, mais vontade em realizar coisas. As participantes se sentiram mais capazes em fazer coisas, demonstraram prazer e interesse nas atividades, mais dispostas a aprender a fazer coisas novas. Inicialmente, quando era proposto uma atividade, todas falavam que não sabiam fazer ou que não conseguiriam fazer nada, pois já eram velhas. Entretanto, no decorrer do processo terapêutico, chegavam, já pediam alguma atividade e não 49 reclamavam mais e nem diziam serem incapazes de fazer algo. Os resultados da Avaliação do MEEM, indicados na tabela a seguir, demonstram que os objetivos pretendidos foram alcançados, pois a maioria das participantes que concluíram a pesquisa mantiveram ou aumentaram os resultados da avaliação. Inicialmente, a avaliação foi feita para descartar a hipótese de demência e, após a intervenção, foi feita a reavaliação, para que pudesse ser verificado se os aspectos cognitivos haviam sido mantidos, já que a avaliação abrange testes para orientação temporal, orientação espacial, memória, atenção, concentração, entre outros. Tabela 1: Resultado da Avaliação do Miniexame do Estado Mental (MEEM) PARTICIPANTE AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO ASRS 24 25 DAM 20 25 DOBS 20 - LA 19 21 LMS 21 - MAP 20 20 MCM 21 21 MJ 23 24 MLCG 19 21 MS 25 - NMF 20 23 NRG 25 - Fonte: Elaborado pelas autoras. De acordo com os resultados obtidos na tabela acima, as participantes A S R S, D A M, M L C G, N M F, por terem estudado até a 4a série do Ensino Fundamental, têm como nota de corte, na avaliação, 24 pontos, sendo a A S R S, a única participante que atingiu essa pontuação. No entanto, as outras que não atingiram essa pontuação, não tiveram uma diferença muito grande da nota de corte, e o resultado pode ter sido influenciado pelos aspectos culturais. As participantes restantes, que concluíram a pesquisa, como L A, M A P, M C M, M J, como são analfabetas, têm com nota de corte, na avaliação, 18 pontos e todas conseguiram nota acima da nota de corte. 50 A entrega dos brinquedos teve resultado satisfatório, pois houve a integração das crianças com as participantes e vice-versa. As participantes ficaram muito emocionadas e gratas por aquele momento, sentindo uma satisfação muito grande por ver a felicidade das crianças em receber os novos brinquedos confeccionados por elas. A entrega dos brinquedos estimulou o senso de pertencimento à sociedade, despertando o senso de utilidade nas idosas, pois todos os brinquedos que fizeram foram para uma creche freqüentada por crianças carentes que ficaram encantadas com os presentes. 3.6 Relato dos participantes Após a conclusão da pesquisa, as terapeutas realizaram entrevista (apêndice D) com as participantes a respeito da formação do grupo e o que foi realizado. Com relação às dificuldades encontradas, a maioria relatou que não teve nenhuma dificuldade que as impedisse de realizar a confecção dos brinquedos, mas algumas tiveram dificuldades com relação a costurar, motricidade fina e dificuldade em enxergar. Na observação dos aspectos cognitivos, as participantes disseram que depois da formação do grupo adquiriram mais atenção e concentração. A formação do grupo ajudou muito na melhora da auto-estima, pois todas relataram estar mais felizes, com mais vontade e capazes de fazer as coisas, pois sentiram-se úteis, ativas e mais pacientes. Também houve mudanças consideráveis no relacionamento do grupo, já que houve o relato de que estão mais unidas, comunicativas umas com as outras, ajudam-se mais e a amizade aumentou entre elas. Em relação à proposta de terapia ocupacional dentro da casa-dia, todas disseram que foi muito boa, ajudou a passar o tempo e elas puderam fazer algo diferente, pois confeccionaram os brinquedos e iriam doá-los às crianças, além de terem tido um bom relacionamento com as terapeutas. Umas das participantes relatou que durante a confecção dos brinquedos se sentiu uma criança. 51 A respeito da entrega dos brinquedos e a interação com as crianças, elas disseram estar todas muito emocionadas e felizes por entregar os brinquedos e verem que as crianças também estavam felizes, gostaram muito do comportamento destas e da recepção que tiveram na creche. Uma das participantes comentou que este dia da entrega dos brinquedos foi um dos dias mais felizes de sua vida nos últimos tempos; outra disse que teve vontade de voltar a ser criança e ficou emocionada ao ver a alegria das crianças, e outra participante disse, ainda, que o momento a fez lembrar-se de seus netos. 3.7 Depoimento dos profissionais Foram entrevistados os seguintes profissionais: uma coordenadora da casa-dia, um médico geriatra, e uma terapeuta ocupacional. 3.7.1 Palavra da terapeuta ocupacional Sexo feminino, 43 anos, reside na cidade de São José do Rio Preto SP, tem como experiência atual ser sócia e proprietária de duas casas de repouso e é diretora do Crefito 3 e está formada há 18 anos. Relatou que: A intervenção da terapia ocupacional junto aos idosos em processo de envelhecimento normal é muito importante na prevenção para manter as AVD s e AVP s e as atividades instrumentais, mantendo o idoso em sua autonomia funcional. Acredito que o atendimento em grupo é uma opção adequada de intervenção junto ao idoso, pois trabalha a socialização, auto-estima, autovalorização, interesse e iniciativa, já que, com o envelhecimento, ele tende a se isolar. E esse tipo de atendimento proporciona o contato com outros, trocas de 52 experiências e fazer novos amigos. As atividades construtivas contribuem para a estimulação e/ou manutenção das funções cognitivas, quando vem ao encontro do que ele pode oferecer, não concordo com atividades dirigidas, pois quando são dirigidas, muitas vezes, inibem o idoso que, com freqüência, se acha incapaz. Acho interessante a construção de brinquedos artesanais como opção de atividade no grupo, desde que tenha finalidade do produto final, para não ficar o fazer por fazer. Eu acho que a atividade proposta vai contribuir na prevenção do emocional e social, mostrando o quanto ele é capaz, também vai ajudar nos movimentos mais finos, vai trabalhar força muscular dos membros superiores, raciocínio, criatividade, iniciativa e melhorar a auto-estima (TERAPEUTA OCUPACIONAL, 43 anos). 3.7.2 Palavra da coordenadora da casa-dia Sexo feminino, 67 anos, reside na cidade de Lins SP, tem como experiência atual ser coordenadora de idosos e atua há 4 anos. Relatou que: Conheço o trabalho de terapia ocupacional na Associação Feminina Parque São Lucas, Vila Alpina em São Paulo. E é importante o trabalho da terapia ocupacional na casadia, pois, após a formação do grupo, a amizade entre os idosos melhorou, e todos ficavam ansiosos para que chegassem as terapeutas, pois gostaram muito de fazer os brinquedos e entregá-los na Creche São Benedito. A proposta de confeccionar brinquedos foi muito boa, pois, eles se acharam muito úteis e na minha opinião, o grupo tem que continuar. (COORDENADORA DA CASA-DIA, 67 53 anos) 3.7.3 Palavra do médico geriatra Sexo masculino, 50 anos, reside na cidade de Lins SP, tem como experiência atual ser diretor clínico do Hospital Unimed Lins e está formado há 25 anos. Relatou que: As principais queixas dos idosos em processo de envelhecimento normal são déficit de memória; manchas hiperpigmentadas na pele, principalmente na face e antebraço; dores articulares, artropatias e diminuição da força muscular com lentidão da marcha. Conheço o trabalho da terapia ocupacional e acho importante o trabalho preventivo desse profissional junto aos idosos em processo de envelhecimento normal, pois estimula as capacidades cognitivas, minimiza as perdas sensoriais e ajuda no emocional do idoso. Há pontos positivos no atendimento grupal com idosos como, integração do idoso na sociedade, além da melhora do cognitivo. Com relação às atividades construtivas (artesanais), trazem benefícios como o aumento da auto-estima, socialização, exercitam a capacidade motora e melhora a cognição. Acredito que a confecção de brinquedos contribui na prevenção dos déficits e na manutenção das capacidades cognitivas do idoso. O processo de construção de brinquedos e a doação dos mesmos contribuem para despertar o sentimento de utilidade e pertencimento social, pois o idoso, na maioria dos casos não aprendeu a aproveitar e usufruir do seu tempo livre. Tem a sensação de inutilidade e de missão cumprida. Não se pode limitar os idosos às 54 atividades convencionalmente ligadas à velhice como tricô, crochê, festas religiosas ou familiares. Eles estão aptos a participarem de várias atividades, desde que lhe sejam dadas as condições para fazê-lo, estimulando as suas iniciativas e valores, como foi feito neste projeto. (GERIATRA, 50 anos) 3.8 Discussão Segundo Castro; Lima; Brunello in De Carlo; Bartalotti (2001), qualquer atividade pode ser modificada, simplificando assim seu processo e tornando-a mais interessante e prazerosa, fornecendo novos conhecimentos e possibilidades de ação. Relatam também que, na terapia ocupacional, as atividades permitem a ocorrência de um resgate biográfico, no qual poderão ser descobertos interesses, habilidades e potencialidades, sendo possível resgatar e estimular o senso de utilidade e capacidade existente que, muitas vezes, foi esquecido, pois deixam de acreditar em si mesmos. Isso pode ser observado durante o estudo de caso, em que a confecção de brinquedos proporcionou às idosas uma atividade diferente e motivadora, que gerou interesse e curiosidade entre elas, despertando a vontade de obter conhecimento e aprender as técnicas de confecção dos brinquedos, a fim de que conseguissem produzí-lo, pois, apesar de conhecerem alguns brinquedos e terem confeccionado em sua infância, faziam isso de diferentes formas e materiais. Assim foram estimulados os aspectos cognitivos, porque, para confeccionar os brinquedos, tiveram que utilizar atenção, concentração, memória, entre outros. E houve vários momentos em que as participantes se recordavam do seu tempo de infância, como brincavam, e assim surgiam discussões entre elas, no sentido de trocarem essas experiências, promovendo maior interação e gerando um momento de humor e maior intimidade. A confecção de brinquedos favoreceu às participantes do grupo o resgate das potencialidades e capacidades, pois inicialmente se mostravam incapazes de confeccionar os brinquedos e, com o tempo, foram se sentindo 55 capazes de produzir algo bonito e útil, e sentindo-se satisfeitas com os resultados obtidos. Para Garcia (2006), os grupos facilitam a criação de vínculos e promovem a inclusão social, mobilizam as pessoas na busca de autonomia e sentido para sua vida, além de melhorar seu senso de humor. Isso foi comprovado no grupo formado com as idosas da casa-dia, pois, com o decorrer do tempo, elas se tornaram mais unidas, alegres, comunicativas, gerando trocas de experiências, havendo, assim, maior incentivo e apoio umas com as outras, dividindo seus problemas, auxiliando a enfrentá-los da melhor maneira possível, buscando sua autonomia e independência. 3.9 Conclusão sobre a pesquisa Com a realização do estudo de caso, foi possível comprovar que a atividade oferecida foi uma maneira inovadora de proporcionar o fazer ao idoso, já que a confecção de brinquedos despertou interesse, criatividade, motivação, auto-estima e, principalmente, o prazer e satisfação em realizá-la. De acordo com os resultados da avaliação realizada, pôde ser comprovado que houve a manutenção e/ ou aumento das funções cognitivas, e, de acordo com os depoimentos das participantes, elas perceberam que ficaram mais atentas e passaram a compreender melhor o que as pessoas lhes diziam. Relataram, ainda, que se sentiam mais úteis e capazes de realizar as atividades da vida diária ou prática. A atividade proporcionada pela terapia ocupacional, além de todos os benefícios já citados, favoreceu o senso de pertencimento social e de utilidade, resgatando também seu papel perante a sociedade, devido à entrega dos brinquedos, realizada pelas participantes do grupo, à uma creche local. Com isso, conclui-se que a atividade proporcionada pela terapia ocupacional tem grande importância, juntos aos idosos, na manutenção e prevenção dos déficits cognitivos, ocasionados pelo processo de envelhecimento normal, além de melhorar os aspectos psicológicos e sociais. 56 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO Mediante os resultados obtidos no estudo de caso, verificou-se a importância do trabalho preventivo com os idosos, proporcionando o fazer, explorando assim suas potencialidades, evitando-se, com isso, que ocorram maiores déficits cognitivos, emocionais e sociais. A atividade proposta despertou grande interesse e motivação em todas as participantes. Assim, sugere-se a todos os profissionais que trabalham com os idosos que busquem novas alternativas de atendimento e, aos terapeutas ocupacionais, novas alternativas de atividades, pois estes estão dispostos a aprender, além de que novas propostas proporcionarão descobertas de si mesmo e do próximo e favorecerão novas experiências. E devido à aceitação e os bons resultados obtidos, após a formação do grupo, sugere-se a continuidade deste, bem como a busca de novas propostas de atividades, promovendo assim maior qualidade de vida dos freqüentadores da casa-dia. 57 CONCLUSÃO O processo de envelhecimento normal promove diminuição gradativa das capacidades físicas, psicológicas, cognitivas e sociais, as quais, quando não estimuladas, podem evoluir para perdas significativas. No presente trabalho, demonstrou-se que, ao se proporcionar para o idoso atividades diferentes e interessantes, ele se torna motivado ao fazer, estimulando-se todos os aspectos que estão em declínio, evitando-se o seu agravamento. Ressalta-se, neste contexto de atendimento, a importância do terapeuta ocupacional na coordenação das atividades com os idosos, proporcionando um trabalho interessante, a estimulação dos aspectos cognitivos, aumento da autoestima, senso de utilidade e capacidade, socialização, entre outros, contribuindo não somente para melhora da qualidade de vida dos participantes, como também essas mudanças acabam por refletir positivamente na interação dos mesmos com os funcionários da casa-dia. Constata-se com satisfação que os objetivos esperados foram alcançados. Houve a manutenção e/ou aumento dos aspectos cognitivos, ficando evidente, também, a melhora dos aspectos emocionais, como aumento da auto-estima, senso de utilidade e capacidade dos participantes que se tornaram mais comunicativos e confiantes. Isso ficou evidenciado na entrega dos brinquedos na creche. O presente trabalho proporcionou reflexão, conhecimento, trocas de experiências, descobertas, crescimento pessoal e satisfação, merecendo maior atenção por parte dos profissionais que buscam novas alternativas de atendimento. Considerando o aumento da longevidade e a busca constante por uma melhor qualidade de vida, o assunto abordado é envolvente e atual, mas não se esgota aqui. Outros aspectos poderão ser aprofundados em futuros trabalhos, tais como: ações intergeracionais, resgate auto-biográfico, considerando a promoção da saúde, a prevenção de doenças e a reabilitação física, cognitiva, emocional e social dos idosos. 58 REFERÊNCIAS ABREU, V. P. S. 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CAVALCANTI, A.; GALVÃO, C. (cols.). Terapia ocupacional: fundamentação & prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 59 DE CARLO, M. M. R. P; BARTALOTTI, C. C. (orgs). Terapia ocupacional no Brasil: fundamentos e perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001. DUARTE, Y. A. O.; DIOGO, M. J. D. (cols.). Atendimento domiciliar: um enfoque gerontológico. São Paulo: Atheneu, 2000. FERRARI, M. A. C. Trabalhando a memória do idoso. In: DUARTE, Y. A. O.; DIOGO, M. J. D. (cols.). Atendimento domiciliar: um enfoque gerontológico. São Paulo: Atheneu, 2000, p. 455-59. FORLENZA; O. V.; CARAMELLI ; P. Neuropsiquiatria geriátrica. São Paulo: Atheneu, 2000. FREITAS, E. V. et al. (cols.). Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. GALHEIGO, S. M. O social: idas e vindas de um campo de ação em terapia ocupacional. In PÁDUA, E. M. M.; MAGALHÃES. L. V. (orgs). Terapia ocupacional: teoria e prática. 2. ed. Campinas: Papirus, 2003, p. 29-46. GARCIA, M. A. A.; RODRIGUES, M. 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APÊNDICES APÊNDICE A Roteiro de Estudo de Caso 1 INTRODUÇÃO 1.1 Manter as capacidades cognitivas, sociais e perceptivas através de um grupo de atividades, que confeccionará brinquedos, formado por idosos a partir de 60 anos que freqüentam a Casa-dia Cantinho do Vovô, em Lins. 1.2 Avaliação cognitiva será aplicada antes e depois da formação do grupo de atividades que dará embasamento para comparação dos dados e verificação da estabilidade ou melhora dos aspectos cognitivos (atenção, concentração, memória), sociais e perceptivos. 2 RELATO DO TRABALHO REALIZADO 2.1 Materiais 2.2 Métodos 2.3 Técnicas 2.4 Depoimentos da coordenadora da Casa-dia Cantinho do Vovô de Lins, médico clínico geral, médico geriatra, terapeuta ocupacional, e idosos participantes do grupo. 3 DISCUSSÃO Análise entre a teoria e prática utilizada no grupo de idosos, fazendo uma comparação das características apresentadas no envelhecimento normal, antes e depois da formação do grupo. 4 RESULTADOS E SUGESTÕES Serão colocados os resultados do estudo realizado, e sugerida a proposta de intervenção. APÊNDICE B 1 Roteiro de Observação Sistemática IDENTIFICAÇÃO Razão Social: Casa-dia Nome Fantasia: Cantinho do Vovô Ramo de Atividade: Assistência ao idoso 2 ASPECTOS A SEREM OBSERVADOS Desempenho individual e coletivo durante a realização das atividades Interação entre o grupo e as estagiárias Comportamento durante a realização das atividades Desempenho social Observação dos aspectos cognitivos (atenção, concentração, memória). APÊNDICE C Roteiro de Anamnese dos Participantes Data da anamnese: ____________________________________________ Nome: ______________________________________________________ Data de nascimento: ___________________________________________ Endereço: _____________________ Bairro: _________________________ Cidade: _____________________ Estado: _______________________ Estado Civil: _________________________________________________ Número de filhos: _____________________________________________ Escolaridade: ________________________________________________ Tempo que freqüenta a casa-dia? _________________________________ Gosta de freqüentar a casa-dia? ( ) sim ( ) não Por que começou a freqüentar a casa-dia? _________________________ Mora com quem? ( ) filhos Relacionamento familiar: ( ) esposo(a) ( ) tranqüilo É independente nas AVDs? ( ) sozinho ( ) harmonioso ( ) alimentação ( ) vestuário ( ) outros ( ) perturbado ( ) higiene ( ) locomoção Realiza atividades domésticas? Quais? ____________________________ Qual a rotina diária? ____________________________________________ O que mais gosta de fazer? ______________________________________ Gosta de fazer atividades artesanais? ______________________________ Tem alguma habilidade que se destaca? ___________________________ Apresenta alguma patologia?_____________________________________ Apresenta algum déficit: ( ) motor Toma alguma medicação? ( ) sim ( ) cognitivo ( ) sensorial ( ) não Quais? ______________________________________________________ Realiza algum tipo de tratamento? _________________________________ Como é o relacionamento com pessoas de outras faixas etárias? ( ) regular ( ) bom ( ) ruim Por que? ____________________________________________________ Como o idoso se apresenta? ( ) sorridente ( ) triste ( ) comunicativo ( ) calado ( ) quieto APÊNDICE D I Roteiro de Entrevista com os Participantes DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Sexo: _______________________________________________________ Idade: _______________________________________________________ Cidade: ______________________________________________________ II PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1. Qual a maior dificuldade encontrada durante a realização das atividades? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 2. Na sua opinião, no grupo de atividades confeccionando brinquedos você percebeu alguma melhora nos aspectos cognitivos (atenção, concentração, memória)? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 3. Você sentiu alguma diferença após a formação do grupo, a respeito da auto-estima? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 4. Com relação ao grupo, depois de sua formação houve alguma mudança no relacionamento entre os participantes? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 5. O que você achou dessa proposta de intervenção de Terapia Ocupacional dentro da casa-dia? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 6. Como foi a experiência de estar com as crianças para a doação dos brinquedos confeccionados? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ APÊNDICE E I Roteiro de Entrevista com Terapeuta Ocupacional DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Sexo: _______________________________________________________ Idade: _______________________________________________________ Experiências profissionais anteriores: ______________________________ Experiências profissionais atuais: _________________________________ Tempo de formação: ___________________________________________ Cidade: ______________________________________________________ II PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1. Em sua opinião, qual a importância da intervenção da terapia ocupacional junto ao idoso em processo de envelhecimento normal? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 2. Você acredita que o atendimento em grupo é uma opção adequada de intervenção junto ao idoso? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 3. Que tipo de benefícios esse tipo de atendimento proporciona? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 4. Em sua opinião, quais os benefícios das atividades artesanais construtivas proporcionados pela terapia ocupacional (intervenção) aos idosos? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 5. As atividades construtivas, contribuem para a estimulação e/ou manutenção das funções cognitivas do idoso? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 6. Como você vê a construção de brinquedos artesanais como opção no grupo de atividades para os idosos? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 7. A manutenção das capacidades do idoso, através dessas atividades propostas, contribui para seu desempenho no cotidiano? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ APÊNDICE F I Roteiro de Entrevista da Coordenadora da casa-dia DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Sexo: _______________________________________________________ Idade: _______________________________________________________ Experiências profissionais anteriores: ______________________________ Experiências profissionais atuais: _________________________________ Tempo de formação: ___________________________________________ Cidade: ______________________________________________________ II PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1. Você já conhecia o trabalho da Terapia Ocupacional junto aos idosos? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 2. Em sua opinião, qual a importância da terapia ocupacional na casa-dia? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 3. Você percebeu alguma mudança significativa nos idosos após a formação do grupo de atividades? Qual? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 4. Na sua percepção, houve interesse dos idosos em participar dos grupo de atividades? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 5. O que achou da proposta de terapia ocupacional em confeccionar brinquedos com os idosos da casa-dia? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 6. Seria importante, em sua opinião, a permanência desse grupo de atividades na casa-dia? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ APÊNDICE G Roteiro de Entrevista do Médico Geriatra DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Sexo: _______________________________________________________ Idade: _______________________________________________________ Experiências profissionais anteriores: ______________________________ Experiências profissionais atuais: _________________________________ Tempo de formação: ___________________________________________ Cidade: ______________________________________________________ II PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1. Quais as principais queixas dos idosos em processo de envelhecimento normal? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 2. Você conhece o trabalho da Terapia Ocupacional? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 3. Qual a importância do terapeuta ocupacional estar atuando preventivamente junto aos idosos em processo de envelhecimento normal? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 4. Em sua opinião, quais os pontos positivos de um atendimento grupal com idosos? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 5. Que benefícios as atividades construtivas (artesanais) podem trazer aos idosos, no trabalho em grupo? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 6. Você acredita que, um grupo de atividades, confeccionando brinquedos artesanais, contribui na prevenção dos déficits e na manutenção das capacidades cognitivas do idoso? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 7. O processo de construção de brinquedos e a doação dos mesmos contribuem para despertar no idoso o sentimento de utilidade e pertencimento social? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ APÊNDICE H - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Para a Instituição Pelo presente instrumento que atende as exigências legais, o (a) responsável legal pela instituição __________________________ tomou ciência, da pesquisa intitulada Confecção de Brinquedos: Uma alternativa de atividade na terapia ocupacional junto à população idosa através da apresentação do projeto feito pelas pesquisadoras, cuja finalidade é: manter as capacidades cognitivas, sociais e perceptivas através da realização de atividades que despertam o senso de utilidade contribuindo para uma melhor qualidade de vida do idoso. Frente a esses esclarecimentos é devidamente explicado e não restando nenhuma dúvida a respeito, firma sua autorização para a realização da pesquisa proposta. Fica claro que o responsável pode a qualquer momento retirar sua autorização e ciente e que todas as informações prestadas se tornarão confidenciais e guardadas por força e sigilo profissional. Tenho conhecimento dos procedimentos para a coleta de dados e que estes dados serão posteriormente divulgados. Por estarem de acordo assinam o presente termo. Lins, _________ de ______________ de 2008. __________________________________________________ Assinatura do responsável legal da Instituição RG APÊNDICE I Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para o Participante do Grupo Pelo presente instrumento que atende as exigências legais, o (a) participante do grupo __________________________ tomou ciência, da pesquisa intitulada Confecção de Brinquedos: Uma alternativa de atividade na terapia ocupacional junto à população idosa através da apresentação do projeto feito pelas pesquisadoras, cuja finalidade é: manter as capacidades cognitivas, sociais e perceptivas através da realização de atividades que despertam o senso de utilidade contribuindo para uma melhor qualidade de vida do idoso. Frente a esses esclarecimentos é devidamente explicado e não restando nenhuma dúvida a respeito, firma sua autorização para a realização da pesquisa proposta. Fica claro que o responsável pode a qualquer momento retirar sua autorização e ciente e que todas as informações prestadas se tornarão confidenciais e guardadas por força e sigilo profissional. Tenho conhecimento dos procedimentos para a coleta de dados e que estes dados serão posteriormente divulgados. Por estarem de acordo assinam o presente termo. Lins, _________ de _________________ de 2008. __________________________________________________ Assinatura do Participante do Grupo RG APÊNDICE J Foto 1: Fachada da casa-dia Cantinho do Vovô Foto 3a: Confecção dos jogos de boliche Foto Foto 4: Confecção do carrinho de madeira Foto 2: Participantes do grupo 3b: Confecção dos jogos de boliche Foto 5: Confecção dos jogos cai não cai APÊNDICE K Foto 6: Brinquedos confeccionados pelo grupo de idosos Foto 8: Jogo pega-vareta Foto 10: Jogos de boliche Foto 7: Jogos Cai não Cai Foto 9: Bilboquês Foto 11: Bonecas de pano APÊNDICE L Foto 12: Bolas de pano Foto 14: Petecas Foto 16: Jogo de encaixe Foto 13: Carrinhos de madeira Foto 15: Vai e Vem Foto 17: Quebra-cabeça de números APÊNDICE M Foto 18: Participantes com os brinquedos Foto 19a: Participantes entregando os brinquedos às crianças da creche Foto 19b: Participantes entregando os brinquedos às crianças da creche Foto 20: Confraternização das participantes do grupo e as crianças da creche ANEXO ANEXO A 1. Avaliação do Miniexame do Estado Mental ORIENTAÇÃO TEMPORAL (1 ponto para cada resposta correta) Que dia é hoje? Em que mês estamos? Em que ano estamos? Em que dia da semana estamos? Qual a hora aproximada? (considere a variação de mais ou menos 1 hora) 2. ORIENTAÇÃO ESPACIAL (1 ponto para cada resposta correta) Em que local nós estamos? (apontar para o chão: consultório, aposento) Que local é este aqui? (apontar ao redor em sentido amplo: hospital, clínica, casa). Em que bairro nós estamos ou qual o nome de uma rua próxima? Em que cidade nós estamos? Em que Estado nós estamos? 3. MEMÓRIA DE FIXAÇÃO (1 ponto para cada palavra repetida acertadamente na 1ª tentativa, embora possa repeti-las até três vezes para aprendizado, se houver erros) Eu vou dizer três palavras e você vai repeti-las a seguir: vaso, carro, tijolo. 4. ATENÇÃO E CÁLCULO (1 ponto para cada cálculo correto; se houver erro, corrija e prossiga; se o examinador corrigir espontaneamente, considere correto) Subtração de setes sucessivamente (100-7; 93-7; 86-7; 79-7;72-7) 5. MEMÓRIA DE EVOCAÇÃO (1 ponto para cada palavra certa) Lembrar as três palavras repetidas anteriormente. 6. LINGUAGEM Nomeação: peça para o indivíduo nomear os objetos mostrados (relógio, caneta) (1 ponto cada) Repetição: Preste atenção, vou lhe dizer uma frase e quero que repita depois de mim: nem aqui, nem ali, nem lá (1 ponto se a repetição for perfeita). Comando verbal: Pegue este papel com a mão direita (1 ponto), dobre ao meio (1 ponto) e coloque no chão (1 ponto) (total 3 pontos; não dê dicas No meio da tarefa). LEITURA DE COMANDO ESCRITO: FECHE OS OLHOS (1 ponto) (peça para o examinador fazer o que está escrito; não auxilie se pedir ajuda ou se só ler a frase sem realizar o comando). ESCRITA: peça para o indivíduo escrever uma frase. Se não entender ajude com: alguma frase que tenha começo, meio e fim; alguma coisa que aconteceu hoje; algo que queira dizer (1 ponto; não considerar erros gramaticais e ortográficos). 7. PRAXIA CONSTRUTIVA (1 ponto) Cópia de desenho (dois pentágonos com dois pontos de interseção) This document was created with Win2PDF available at http://www.daneprairie.com. The unregistered version of Win2PDF is for evaluation or non-commercial use only.