FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS – FAFIUV COLEGIADO DE MATEMÁTICA BRUNA GISELE RODRIGUES A CONCENTRAÇÃO DE ÁLCOOL NO SANGUE: UMA PROPOSTA PARA ENSINAR FUNÇÃO EXPONENCIAL POR MEIO DA MODELAGEM MATEMÁTICA UNIÃO DA VITÓRIA 2012 2 BRUNA GISELE RODRIGUES A CONCENTRAÇÃO DE ÁLCOOL NO SANGUE: UMA PROPOSTA PARA ENSINAR FUNÇÃO EXPONENCIAL POR MEIO DA MODELAGEM MATEMÁTICA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de licenciada em Matemática pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória – FAFIUV. Orientadora: Prof Granada Veleda. UNIÃO DA VITÓRIA 2012 a Ms. Gabriele 3 Aos meus pais “razão maior de minha existência e exemplo de amor com que fui criada”. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, pelo dom da vida que me concedeu e por ter iluminado o meu caminho durante todos estes anos, por ter me oferecido a oportunidade de viver, evoluir, crescer e conhecer todas as pessoas que citarei a seguir. Aos meus pais Orlando e Fatima agradeço por absolutamente tudo. Cada um de seus atos foi uma oportunidade que eu tive para crescer e me tornar o que sou. Presença viva em todo o meu ser, pelo carinho e especialmente pelo modelo de integridade moral, exemplo de vida, fé e coragem. Pelo que representam em minha formação como pessoa, pois sou reflexo da criação que me deram e do amor investido em mim. Ao meu irmão João Paulo, agradeço pela companhia, carinho e momentos de descontração vividos a cada dia, que nos ajudaram a superar as diferenças. À minha vó Ilda pelo carinho, incentivo e acreditar em meu potencial em todos os momentos. Agradeço ao meu padrinho Alceu, minha tia Célia e minha priminha Helen, que sempre me conferiram carinho e agrado. A minha eterna amiga Juliane Turek, que sempre ocupará um lugar especial em meu coração. Muito obrigada por todos os momentos de alegria, descontração, viagens, risadas e companheirismo. Agradeço à minha querida e amável orientadora, Gabriele Granada Veleda, que com paciência e atenção dedicou seu valioso tempo para me orientar em cada passo deste trabalho. As minhas amigas e companheiras de aventura Vanessa, Keity, Tatiana e Juliane por ter acreditado em mim quando eu mesmo não acreditava, pelas palavras amigas, apoio, incentivo e carinho que partilhamos durante nosso caminhar. A todos que, em qualquer medida, desejaram e desejam meu sucesso, mesmo que distantes pelo tempo e separados fisicamente. 5 "Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos. Fazer ou não fazer algo, só depende de nossa vontade e perseverança." (Albert Einstein) 6 RESUMO No presente trabalho descreve-se uma proposta de ensino, para tal abordamos a Modelagem Matemática como alternativa de ensino e aprendizagem que enfoca problemas da realidade para contemplar o estudo de conteúdos matemáticos, dentro da Perspectiva Sócio-Crítica. Para isso propomos um problema que está ligado à concentração de álcool no sangue de uma pessoa com o passar das horas. Buscou-se, por meio da atividade de Modelagem Matemática apresentada, verificar qual a concentração de álcool no sangue de uma pessoa que ingeriu 4 latas de cerveja, com o passar das horas e depois de quanto tempo uma pessoa, que ingeriu essa quantidade de bebida pode dirigir sem infringir as leis nacionais de trânsito. Este modelo viabiliza a abordagem do conteúdo de função exponencial e do tipo exponencial no Ensino Médio, assim como possibilita gerar diálogos, análises críticas e reflexões sobre questões sociais, bem como a conscientização dos alunos acerca das consequências do consumo de álcool em excesso. Para tanto, o trabalho se desenvolveu por meio de uma pesquisa teórica sobre a Modelagem Matemática bem como sobre questões envolvendo o tema álcool. Palavras-chave: Modelagem Matemática; Perspectiva Sócio-Crítica; Função exponencial. 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Esquema de Modelagem Matemática ........................................................ 13 Figura 2: Visualização do 1o passo para a construção do gráfico da função. ........... 24 Figura 3: Visualização do 2o passo para construção do gráfico da função ............... 25 Figura 4: Visualização da representação gráfica da função. ..................................... 25 Figura 5: Visualização do 3o passo da representação gráfica da função. ................. 26 Figura 6: Visualização do 4o passo da representação gráfica da função .................. 26 8 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Concentração de álcool no sangue com o passar das horas. ................... 22 Tabela 2: Concentração de álcool no sangue em função do total consumido .......... 23 Tabela 3: Análise do erro do modelo desenvolvido ................................................... 28 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 10 2 MODELAGEM MATEMÁTICA: UMA ESTRATÉGIA PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA ...................................................................... 12 2.1 COMPREENSÕES DE MODELAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA ....................................................................................................... 12 2.2 AS ETAPAS DE UMA ATIVIDADE DE MODELAGEM MATEMÁTICA............ 13 2.3 POR QUE UTILIZAR MODELAGEM MATEMÁTICA NA SALA DE AULA? .... 14 2.4 A MODELAGEM MATEMÁTICA NA PERSPECTIVA SÓCIO-CRÍTICA .......... 15 3 PROPOSTA DE ENSINO: O ESTUDO DA FUNÇÃO DO TIPO EXPONENCIAL POR MEIO DA MODELAGEM MATEMÁTICA ......................................................... 18 3.1 ESCOLHA DO TEMA ...................................................................................... 18 3.3 COLETA DE DADOS ....................................................................................... 19 3.4 DESENVOLVIMENTO MATEMÁTICO ............................................................ 21 3.5 VALIDAÇÃO DO MODELO OBTIDO ............................................................... 27 3.6 RESPONDENDO OS PROBLEMAS ............................................................... 28 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 30 REFERÊNCIAS......................................................................................................... 31 10 1 INTRODUÇÃO No âmbito da Educação Matemática tem-se discutido cada vez mais sobre o ensino da Matemática, sobre os métodos e alternativas de ensino que os professores podem adotar para desenvolver os conteúdos matemáticos em suas aulas, entre outras questões. Todas essas discussões se conduzem no sentido de tentar romper com a visão que muitos alunos têm da Matemática, pois para eles não existe qualquer relação entre os conhecimentos matemáticos abordados na escola e suas ações desenvolvidas cotidianamente. Almeida e Dias (2004), apoiadas em D’Ambrósio, argumentam que o ciclo de obtenção do conhecimento é desencadeado a partir de fatos da realidade, assim a construção do conhecimento matemático pode ser mais eficiente se emergir de fatos que tem origem na realidade. Deste modo, a exploração, no ensino, de situações da vida real, em que a Matemática pode servir como uma ferramenta para auxiliar no seu estudo torna esta ciência interessante e útil. Considerando a importância do processo de ensino e aprendizagem, entendemos que precisa-se criar um ambiente estimulante, no qual os alunos possam desenvolver o seu conhecimento. Acreditamos que a Modelagem Matemática pode ser um caminho para atingir esse objetivo, uma vez que entendida como uma alternativa para o ensino de Matemática visa criar um ambiente que favorece a aprendizagem e oportuniza aos alunos experimentar, modelar e analisar criticamente a situação estudada e a solução encontrada, permitindo que tenham uma maior participação no seu processo de ensino e aprendizagem. Sendo assim, neste trabalho apresentamos uma proposta de ensino baseada na Modelagem Matemática na Perspectiva Sócio-Crítica. A atividade desenvolvida aborda o tema concentração de álcool no sangue e visa introduzir o conteúdo de função exponencial e do tipo exponencial. Este trabalho está dividido em 4 capítulos. No capítulo 1, apresentamos brevemente alguns argumentos que nos levaram a desenvolver uma proposta de ensino utilizando a Modelagem Matemática na Perspectiva Sócio-Crítica como uma alternativa de ensino. Este tema é melhor explorado no capítulo 2, em que apresentamos a compreensão do que é Modelagem Matemática, suas etapas e algumas justificativas para a sua utilização em sala de aula. No capítulo 3 é desenvolvida a atividade de Modelagem cujo tema é a concentração de álcool no 11 sangue, explicamos como foi feita a escolha do tema, a delimitação dos problemas, a coleta de dados, o desenvolvimento matemático da atividade, a validação do modelo obtido e as respostas aos problemas propostos. No capítulo 4 são feitas algumas considerações acerca do trabalho desenvolvido. Por fim, apresentamos as referências. 12 2 MODELAGEM MATEMÁTICA: UMA ESTRATÉGIA PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA 2.1 COMPREENSÕES DE MODELAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA Para Silveira e Ribas (2005, p. 2) a “Modelagem é acima de tudo uma perspectiva, algo a ser explorado, o imaginável e o inimaginável”. Os mesmos autores ainda relatam que a Modelagem é livre e espontânea, ela surge da necessidade do ser humano em compreender os fenômenos que o cercam. A Modelagem tem o objetivo de interpretar e compreender os mais diversos fenômenos do nosso cotidiano, devido ao poder que a Modelagem proporciona pelas aplicações dos conceitos matemáticos. Podemos descrever esses fenômenos, analisá-los e interpretá-los com o propósito de gerar discussões reflexivas sobre tais fenômenos que cercam nosso cotidiano. (SILVEIRA; RIBAS, 2005, p. 2). Segundo Burak (1992, p. 62), a Modelagem Matemática “constitui-se em um conjunto de procedimentos cujo objetivo é construir um paralelo para tentar explicar matematicamente os fenômenos presentes no cotidiano do ser humano, ajudando-o a fazer predições e tomar decisões”. Neste sentido, podemos destacar que a Modelagem Matemática pode contribuir para gerar reflexões sobre a utilização de conceitos matemáticos e, de certo modo, tornar visível o papel desta ciência na sociedade. Para Oliveira (2009) a Modelagem está sendo uma maneira de organizar as aulas de matemática em que os alunos são convidados a problematizar e/ou investigar, através da Matemática, situações com referências na realidade que tenham potencialidades de gerar reflexões sobre a presença da Matemática na sociedade. Barbosa (2004, p. 2) afirma que [...] as atividades de Modelagem podem contribuir para desafiar a ideologia 1 da certeza e colocar lentes críticas sobre as aplicações da Matemática. Discussões na sala de aula podem agendar questões como as seguintes: O que representam? Quais os pressupostos assumidos? Quem as realizou? A quem servem? Etc. 1 Ideia da Matemática como uma descrição neutra da realidade, ou seja, as explicações matemáticas são neutras e retratam a matemática como ela é. (BARBOSA, 2007) 13 Concordamos com Almeida e Dias (2004) ao entendermos que a Modelagem Matemática é uma alternativa para o ensino e aprendizagem da Matemática que pode proporcionar aos alunos oportunidades de identificar e estudar situações problema da realidade2, de despertar maior interesse dos alunos pelas aulas de Matemática e de desenvolver um conhecimento mais crítico e reflexivo em relação aos conteúdos matemáticos. 2.2 AS ETAPAS DE UMA ATIVIDADE DE MODELAGEM MATEMÁTICA Uma atividade de modelagem inicia-se sempre com uma situação que precisa ser investigada e/ou problematizada, e culmina com a determinação de uma solução que satisfaz o problema, pelo menos, naquele momento. Vale salientar ainda que essa situação não precisa ser necessariamente matemática (ALMEIDA e FERRUZZI, 2007). O desenvolvimento de uma atividade de Modelagem Matemática na perspectiva de diversos autores (Barbosa, 2001; Bassanezi, 2003; Almeida e Dias, 2004; Veronez, 2007) envolve algumas etapas, tais como: escolha de um tema, elaboração de um problema, coleta de dados, definição da varáveis, formulação de hipóteses, e a validação do modelo desenvolvido. Figura 1: Esquema de Modelagem Matemática Fonte: BIEMBENGUT, 2010. 2 Entendemos por realidade tudo que existe no mundo real. 14 Essas etapas não são sequenciais, tampouco prioritária uma em relação à outra. O que deve acontecer quando se percorre essas etapas é a busca pela dedução de um modelo matemático que melhor represente a situação em estudo. Biembengut e Hein (2000) consideram que a elaboração de um modelo matemático pode ser vista como [...] um processo artístico, visto que, para se elaborar um modelo, além do conhecimento de Matemática, o modelador precisa ter uma dose significativa de intuição e criatividade para interpretar o contexto, saber discernir que conteúdo matemático melhor se adapta e também ter senso lúdico para jogar com as variáveis envolvidas. (p. 12). Como pontuado por Bassanezi (2003), mais importante que o modelo obtido é o processo utilizado, pois é nesta ocasião que os alunos atribuem significados aos conceitos matemáticos envolvidos e são estimulados a desenvolver sua competência crítica e reflexiva. 2.3 POR QUE UTILIZAR MODELAGEM MATEMÁTICA NA SALA DE AULA? São muitos os educadores e pesquisadores da área de Educação Matemática que apresentam argumentos favoráveis para o uso da Modelagem Matemática nas aulas de matemática. Segundo Bassanezi (2002) a Modelagem pode ser um caminho para despertar maior interesse, ampliar o conhecimento do aluno e auxiliar na estruturação de sua maneira de pensar e agir. A utilização da Modelagem Matemática nas aulas de Matemática também pode contribuir em outros aspectos, como, por exemplo: Motivação: os alunos sentir-se-iam mais estimulados para o estudo de Matemática, já que vislumbrariam a aplicabilidade do que estudam na escola; Facilitação da aprendizagem: os alunos teriam mais facilidade em compreender as ideias matemáticas, já que poderiam conectá-las a outros assuntos; Preparação para utilizar a Matemática em diferentes áreas: os alunos teriam a oportunidade de desenvolver a capacidade de aplicar Matemática em diversas situações, o que é desejável para moverem-se no dia-a-dia e no mundo do trabalho; Desenvolvimento de habilidades gerais de exploração: os alunos desenvolveriam habilidades gerais de investigação; Compreensão do papel sócio-cultural da Matemática: os alunos analisariam como a Matemática é usada nas práticas sociais. (BLUM, 1995, apud BARBOSA, 2003, p. 67). 15 Cada um desses aspectos possui sua importância no ambiente escolar e uma das principais justificativas para a utilização da Modelagem Matemática em sala de aula, proveniente da corrente Sócio-Crítica (BARBOSA, 2001), está relacionada à necessidade de um ensino enfatizado na realidade do aluno e voltado para propiciar uma reflexão sobre a Matemática e seu significado social e cultural. Dessa forma a Modelagem Matemática vem contribuir para tornar as aulas de Matemática interessantes, pois cria um ambiente no qual os alunos podem investigar problemas da realidade extra-escolar por meio de conceitos e conteúdos matemáticos (BARBOSA, 2001). 2.4 A MODELAGEM MATEMÁTICA NA PERSPECTIVA SÓCIO-CRÍTICA Os PCNEM (Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio) indicam o que os professores podem fazer para que o ensino da Matemática possa resultar em aprendizagem real e significativa para os alunos. Para isso, é necessário que o professor possibilite momentos em que eles possam: [...] analisar e valorizar informações provenientes de diferentes fontes, utilizando ferramentas matemáticas para formar uma opinião própria que lhe permita expressar-se criticamente sobre problemas da Matemática, das outras áreas do conhecimento e da atualidade; [...] desenvolver as capacidades de raciocínio e resolução de problemas, de comunicação, bem como o espírito crítico e criativo; (BRASIL, 1999, p. 42). Segundo Almeida e Brito (2003, p. 64) Não é mais suficiente o aluno aprender Matemática e saber utilizá-la para resolver problemas cotidianos. Além desses saberes, é necessário que o aluno seja capaz de interpretar e agir numa situação social e política estruturada pela Matemática. Sendo assim, percebe-se a importância de formar alunos críticos e reflexivos, que tanto se tem discutido dentro da Educação Matemática, que [...] insere-se e se desenvolve num contexto caracterizado, de um lado, por discussões relacionadas com problemas sociais, com críticas e com relações democráticas que objetivam transformações nas estruturas sociais, políticas, econômicas e éticas da sociedade (estes fatores encontram-se presentes na humanidade e são geradores de conflito); de outro lado, por construções de ambientes democráticos nas salas de aula que garantam o diálogo entre os participantes do processo de ensino e de aprendizagem, igualdade entre eles, constantes questionamentos e indagações, reflexões e reações às contradições (JACOBINI, 2004, p. 22). 16 Nesta ótica, Almeida e Dias (2003) apontam que a Modelagem Matemática pode desenvolver no aluno competência crítica, abrangendo a capacidade de reconhecer, compreender, analisar e avaliar as abordagens matemáticas, contribuindo para a resolução de problemas sociais relevantes. A utilização da Modelagem Matemática na sala de aula permite criar oportunidades para estimular nos alunos um senso crítico, preparando-os para agirem na sociedade e exercerem criticamente a cidadania. Tal estímulo acontece quando utilizamos a Modelagem Matemática na Perspectiva Sócio-Crítica. Segundo Kaiser e Sriraman (2006, apud Barbosa, 2007), Modelagem Matemática nesta perspectiva investiga e estuda situações que devem propiciar a análise da natureza dos modelos matemáticos e seu papel na sociedade. Entendemos que a utilização da Modelagem Matemática na Perspectiva Sócio-Crítica em sala de aula contribui para o desenvolvimento do conhecimento reflexivo, oportunizando aos alunos agirem criticamente perante aos problemas que encontram no meio social e assim perceber a relevância da Matemática. De acordo com Orey e Rosa (2007), as salas de aulas são ambientes que favorecem a criatividade e desenvolvem o pensamento reflexivo dos alunos, preparando-os para atuarem na sociedade. Dessa forma, concebemos a Modelagem Matemática na Perspectiva Sócio-Crítica como um caminho que conduz os alunos ao papel de cidadãos críticos e reflexivos. Segundo Barbosa (2001) Nem Matemática nem Modelagem são “fins”, mas sim “meios” para questionar a realidade vivida. Isso não significa que os alunos possam desenvolver complexas análises sobre a Matemática no mundo social, mas que Modelagem possui o potencial de gerar algum nível de crítica. É pertinente sublinhar que necessariamente os alunos não transitam para a dimensão do conhecimento reflexivo, de modo que o professor possui grande responsabilidade para tal. (p. 4) Entendemos que a Modelagem na Perspectiva Sócio-Crítica além de fazer com que os alunos se envolvam com o conhecimento matemático em si, permite que eles analisem e examinem o que fizeram, formulando assim várias questões. Segundo Barbosa e Santos (2007), além de convidar os alunos a se envolverem na produção de um modelo matemático, o professor pode convidá-los a refletir sobre sua natureza e como podem ser usados na sociedade. Barbosa e Santos (2007) salientam ainda que 17 Estar envolvido na atividade (motivação), desenvolver uma ação sobre ela (aprendizagem), desenvolver habilidades de exploração e utilização da Matemática são condições para que os alunos possam refletir sobre os critérios utilizados na construção dos modelos matemáticos. (p. 7) Para Jacobini e Wodewotski (2006) é necessário fazer reflexões decorrentes do compartilhamento de conhecimento resultante do processo de aprendizagem baseado na Modelagem e que possa contribuir de alguma forma para a formação da cidadania dos alunos. Compreendemos que a utilização da Modelagem Matemática na Perspectiva Sócio-Crítica colabora para que os alunos se tornem sujeitos ativos na sociedade, com autonomia para tomar suas próprias decisões, refletir sobre suas ações e pensar criticamente por meio da Matemática. Motivadas por essas oportunidades que a Modelagem na Perspectiva SócioCrítica proporciona, apresentamos no próximo capítulo uma atividade de Modelagem Matemática que pode ser desenvolvido em sala de aula e que oportuniza aos alunos o envolvimento em discussões críticas e reflexivas em torno do tema a concentração de álcool no sangue de uma pessoa com o passar das horas. 18 3 PROPOSTA DE ENSINO: O ESTUDO DA FUNÇÃO DO TIPO EXPONENCIAL POR MEIO DA MODELAGEM MATEMÁTICA Utilizando a Modelagem Matemática como estratégia de ensino, apresentamos a seguir uma proposta para o ensino de funções exponenciais, conteúdo geralmente trabalhado na 1a série do Ensino Médio da Educação Básica. Esta proposta foi elaborada considerando que os alunos ainda não conhecem o conteúdo de função exponencial e do tipo exponencial. A atividade desenvolvida neste trabalho pode ser utilizada em sala de aula de duas maneiras diferentes, denominadas por Almeida e Dias (2004) de momentos. No primeiro momento a situação problema já estabelecida e a sua resolução é desenvolvida pelo professor e os alunos, ou no segundo momento, em que o professor escolhe o tema e leva para a sala de aula para que os alunos reunidos em grupos realizem a coleta de dados, formulação das hipóteses e resolvam o problema. 3.1 ESCOLHA DO TEMA O tema “concentração de álcool no sangue” pode contribuir para que os alunos observem que apesar do álcool possuir grande aceitação social e seu consumo ser estimulado pela sociedade, ele é uma droga psicotrópica que atua no sistema nervoso central, podendo causar dependência e mudanças de comportamentos. Além disso, quando consumido em excesso, o álcool é visto como um problema de saúde, já que esse excesso pode gerar acidentes de trânsito, violência e alcoolismo. Esse tema propicia um envolvimento dos alunos nas discussões que podem ser geradas em sala de aula. Inicialmente o professor pode sugerir o tema e permitir que os alunos falem o que pensam a respeito, como por exemplo, de doenças que podem ser causadas pelo consumo de álcool em excesso e de acidentes de trânsito, assim como dividir possíveis experiências que tenham vivido ao consumir álcool demasiadamente. Essas discussões promovem consequências do consumo de álcool em excesso. a reflexão acerca das 19 3.2 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA Muitas poderiam ser as abordagens dadas em sala de aula devido à amplitude do tema “álcool”. Considerando tal abrangência, esse trabalho foi limitado na elaboração de um modelo que descreva a concentração de álcool no sangue com o passar das horas de modo que possamos responder as seguintes questões: Após uma pessoa ingerir 4 latas de cerveja qual é a concentração de álcool no sangue? Doze horas após a ingestão de 4 latas de cerveja, qual é a concentração de álcool no sangue? Depois de quanto tempo uma pessoa que ingeriu essa quantidade de cerveja pode dirigir sem infringir as leis nacionais de trânsito? Tais problemas são bastante perceptíveis no nosso dia-a-dia, já que muitos dos acidentes de trânsito são causados por excesso de bebida alcoólica. 3.3 COLETA DE DADOS Para responder os problemas propostos precisamos de alguns dados. Primeiramente se faz necessário descobrir qual é a quantidade de álcool presente em cada lata de cerveja. Nesta etapa foram analisadas algumas marcas de cerveja em lata e observamos que a quantidade de álcool varia de 10 a 14 gramas de álcool. Para nosso estudo, vamos analisar a concentração de álcool no sangue de uma pessoa que ingeriu 4 latas de cerveja, e que cada lata contém 14 gramas de álcool. Para obter a quantidade equivalente de álcool em uma determinada bebida, é preciso multiplicar sua quantidade por sua concentração alcoólica, conforme mostra o quadro a seguir. 20 Cerveja (UMA LATA OU UM CANECO DE CHOPE) Volume: 350 ml Teor alcoólico: 5% Quantidade de álcool (volume x teor alcoólico): 17,5 ml Gramas de álcool (volume de álcool x 0,8*): 14 gramas (*) A quantidade de álcool em gramas é obtida a partir da multiplicação do volume de álcool contido na bebida pela densidade do álcool (d=0,8). Quadro 1: Quantidade de álcool X concentração alcoólica Fonte: Programa álcool e drogas sem distorção do Hospital Albert Einstein Como um de nossos problemas é saber qual a concentração de álcool no sangue de uma pessoa que ingeriu 4 latas de cerveja, precisamos saber qual a quantidade de álcool presente em 4 latas de cerveja, para isto basta multiplicar o número de latas de cerveja por 14, que é a quantidade em gramas de álcool presente em cada lata de cerveja: 14 g 4 = 56 g Então em 4 latas de cerveja temos 56 gramas de álcool. Também é necessário a informação a respeito da concentração de álcool no sangue, para isso precisamos então saber qual a taxa de alcoolemia (mg/L de álcool no sangue) que segundo o Programa álcool e drogas sem distorção do Hospital Albert Einstein é dado por: TA (taxa de alcoolemia) = álcool consumido (peso corporal 1,1) Neste trabalho tomamos como hipótese um homem com 70 quilos de peso corporal. Logo um homem que ingeriu 4 latas de cerveja terá 0, 727 mg/L de álcool no sangue, pois: TA = 56 (70 1,1) TA = 0,727 mg/L Além disso, se faz necessário saber qual é a taxa de eliminação do álcool pelo organismo que, segundo a CISA (Centro de Informação sobre saúde e álcool), é de 8% (ou 0,08) por hora em um homem de aproximadamente 70 quilos, portanto o fator de decrescimento é: 1 – 0,08 = 0,92. 21 Este fator de decrescimento de 0,92 indica que a cada hora que passa, a quantidade de álcool que permanece no organismo é de 92% da quantidade anterior. Faz-se necessário ainda saber qual é a tolerância de álcool permitida. De acordo com o decreto número 6.488, de 19 de junho de 2008 que regulamenta os artigos 276 e 306 da Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, disciplinando a margem de tolerância de álcool no sangue e a equivalência entre os distintos testes de alcoolemia para efeitos de crime de trânsito. DECRETA: Art. 1o Qualquer concentração de álcool por litro de sangue sujeita o condutor as penalidades administrativas do art. 165 da Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, por dirigir sob a influência de álcool. Decretos § 1o As margens de tolerância de álcool no sangue para casos específicos serão definidas em resolução do Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, nos termos de proposta formulada pelo Ministro de Estado da Saúde. § 2o Enquanto não editado o ato de que trata o § 1 o, a margem de tolerância será de dois miligramas por litro de sangue para todos os casos. Com os dados em mãos, pode-se dar prosseguimento a atividade de Modelagem Matemática e partir em busca das soluções para as questões levantadas. 3.4 DESENVOLVIMENTO MATEMÁTICO A partir dos dados coletados, utilizando uma regra de três simples encontrou-se a quantidade de álcool presente no sangue com o passar das horas, conforme ilustra a Tabela 1. 22 Tabela 1: Concentração de álcool no sangue com o passar das horas. Tempo (h) Concentração de álcool (mg/L) 0 0,727 1 0,669 2 0,615 3 0,566 4 0,521 5 0,479 6 0,441 7 0,406 8 0,373 Fonte: A autora, 2012. O professor juntamente com os alunos pode deduzir a Tabela 1, ou pode entregá-la pronta. A partir desses dados o professor pode pedir que os alunos analisem qual a relação entre eles. Além disso, pode-se questionar: Como foi possível chegar aos resultados apresentados na Tabela 1? Caso os alunos tenham dificuldades, o professor pode mostrar que para encontrar a concentração de álcool no tempo 1h, foi multiplicado a quantidade inicial de álcool pela taxa de decrescimento: 0,668 = 0,727 (0,92) Então questioná-los novamente: como encontrar a concentração de álcool no tempo 2h? Espera-se que os alunos percebam que: 0,614 = 0,668 (0,92) Então o professor pode fazer a seguinte sugestão, se: 0,614 = 0,668 (0,92) (1) 0,668 = 0,727 (0,92) (2) e Substituindo (2) em (1), temos: ,727 0, 92 (0,92) 0,614 = 0 0 , 668 23 Que pode ser escrito como: 0,614 = 0,727 (0,92)² É interessante que os alunos adicionem uma nova coluna na Tabela 1, descrevendo as quantidades de álcool em cada hora em função do total consumido, ou seja, a quantidade de álcool no tempo h = 0. Tabela 2: Concentração de álcool no sangue em função do total consumido Tempo (h) Quantidade de álcool (mg/L) 0 0,727 0,727 (0,92)0 1 0,669 0,727 (0,92)1 2 0,615 0,727 (0,92)2 3 0,566 0,727 (0,92)3 4 0,521 0,727 (0,92)4 5 0,479 0,727 (0,92)5 6 0,441 0,727 (0,92)6 7 0,406 0,727 (0,92)7 8 0,373 0,727 (0,92)8 Fonte: A autora, 2012. Caso os alunos não percebam, é importante o professor destacar que a variável independente é o expoente, fato que caracteriza a relação entre as variáveis (expoente e base) como uma função exponencial (ou do tipo exponencial). Neste momento o professor deve introduzir os conceitos de função exponencial e função do tipo exponencial: “Dado um número real a, tal que 0 < a ≠ 1, chamamos de função exponencial de base a a função f de IR em IR que associa a cada x real o número ax”. (IEZZI, 1999, p. 27). A função do tipo exponencial de acordo com Iezzi (1999), “é dada por g(x) = b ax, onde b IR é uma constante que multiplica o valor de ax na função exponencial f(x) = ax.” (p. 29). Para obter um modelo matemático que representa a concentração de álcool no sangue, tomemos t para indicar o tempo em horas e E(t) a quantidade de álcool permanecente no sangue após t horas. Então a partir da Tabela 2 e das definições 24 citadas, a função E(t) = 0,727 (0,92) t é um modelo matemático que descreve a situação. Neste momento o professor pode pedir que os alunos observem a função encontrada e questioná-los: De acordo com as definições a nossa função é exponencial ou do tipo exponencial? Espera-se que os alunos concluam que a função obtida no modelo é do tipo exponencial já que temos uma constante multiplicando o valor (0,92) t . O professor pode levar os alunos ao laboratório de informática e auxiliá-los para que com o uso do Geogebra, o qual é um software matemático que possibilita trabalhar conteúdos relacionados a cálculo, geometria e álgebra, façam a representação gráfica da função. Primeiramente o professor deve solicitar que os alunos digitem no campo de entrada a função: E(t) = Se, abrirá uma caixa de diálogo então o professor deve solicitar que selecionem Se [<Condição>, <Então>]: o Figura 2: Visualização do 1 passo para a construção do gráfico da função. Fonte: A autora, 2012. Em seguida, o professor deve orientar os alunos que digitem: se [t>0, 0,727 (0,92) t ], o professor pode explicar aos alunos que a condição t>0, se dá visto que não faz sentido o gráfico passar nos negativos, já que não existe um tempo negativo para o consumo de álcool. 25 o Figura 3: Visualização do 2 passo para construção do gráfico da função Fonte: A autora, 2012. Então o professor deve pedir que os alunos cliquem “enter”, a representação gráfica aparecerá na tela: Figura 4: Visualização da representação gráfica da função. Fonte: A autora, 2012 Após, o professor pode pedir que os alunos cliquem com o botão direito do “mouse” e selecionem “janela de visualização”: 26 o Figura 5: Visualização do 3 passo da representação gráfica da função. Fonte: A autora, 2012. Na “janela de visualização”, escolham a opção “eixo x”, e em rótulo insiram t(h) e cliquem em “gravar configurações”, pois a concentração de álcool no sangue é dada com o passar das horas, em seguida o professor deve solicitar que escolham a opção “eixo y” e em rótulo insiram E(mg/L) e cliquem em “gravar configurações”, pois a quantidade de álcool com o passar das horas é dada em miligramas por litro de sangue, assim o rótulo aparecerá nos eixos: o Figura 6: Visualização do 4 passo da representação gráfica da função Fonte: A autora, 2012. 27 A partir daí o professor pode conduzir uma discussão questionando os alunos se a função analisada é crescente ou decrescente. Explicando que se: A base da função é um número real maior do que 1 (a>1), então a função será crescente. A base é um número real maior do que zero e menor do que 1, 0<a<1 então a função será decrescente. Os alunos deverão perceber que a função é decrescente, o professor pode explicar ainda que a função tem domínio nos IR+, portanto, o domínio da função dada é o conjunto dos números reais positivos, seu conjunto imagem é IR+*, pois como E(t) = 0,727 (0,92) t e t IR vemos que (0,92) t sempre será um número positivo, logo E(t) sempre será um número positivo maior que zero, além disso o professor pode explicar que o gráfico da função nunca intercepta o eixo horizontal pois a função exponencial não possui raiz. 3.5 VALIDAÇÃO DO MODELO OBTIDO A partir do modelo obtido o professor junto com os alunos, deve fazer a validação, para verificar se a solução encontrada é adequada e os seus valores condizem com o problema inicial. Este é um momento favorável para o desenvolvimento do conhecimento reflexivo, fazendo relação entre os resultados encontrados e a realidade, na tentativa de averiguar até que ponto o modelo nos permite analisar a situação abordada. Para calcularmos o erro relativo (e) entre os valores reais e os valores estimados pelo modelo fazemos: e= (Q1 Q2 ) 100 Q1 onde: Q1: quantidade de álcool real Q2: Quantidade estimada pelo modelo 28 Tabela 3: Análise do erro do modelo desenvolvido Tempo (h) Quantidade de Quantidade de álcool (mg/l) álcool estimado pelo Erro relativo % modelo (mg/l) 0 0,727 0,727 0 1 0,669 0,669 0 2 0,615 0,615 0 3 0,566 0,566 0 4 0,521 0,521 0 5 0,479 0,479 0 6 0,441 0,441 0 7 0,406 0,406 0 8 0,373 0,373 0 Fonte: A autora, 2012. De acordo com Tabela 3, pode-se considerar o modelo bom, pois não existe erro relativo entre os dados reais e os dados modelados. Sendo assim, podemos dizer que o modelo encontrado condiz com o problema inicial e tal modelo pode contribuir para desenvolver o conhecimento reflexivo. 3.6 RESPONDENDO OS PROBLEMAS A partir da análise do erro relativo apresentado pelo modelo, consideramos que sua aproximação é boa, ou seja, o modelo permite fazer previsões de qual será a concentração de álcool no sangue com o passar das horas, permitindo responder as questões levantadas: A primeira questão é: Após uma pessoa ingerir 4 latas de cerveja qual é a concentração de álcool no sangue? A resposta para esta pergunta está expressa no modelo desenvolvido em que E(t) representa a concentração de álcool no organismo com o passar de t horas E(t) = 0,727 0,92 t A segunda questão é: Doze horas após a ingestão de 4 latas de cerveja qual é concentração de álcool no sangue? 29 De acordo com o modelo obtido, doze horas após a ingestão dessa quantidade de bebida, a concentração de álcool no sangue é calculada tomando t=12: E(12) = 0,727 (0,92)12 E(12) = 0,727 0,367 E(12) = 0,266 mg/L A terceira questão é: Depois de quanto tempo uma pessoa que ingeriu essa quantidade de cerveja pode dirigir sem infringir as leis nacionais de trânsito? Para não infringir as leis nacionais de transito a concentração de álcool no sangue de uma pessoa não pode ultrapassar 0,2 mg/L. portanto este problema, em linguagem matemática, pode ser interpretado como: Para qual valor de t teremos E(t) igual a 0,2: E(t) = 0,727 0,92t 0,2 = 0,727 0,92t 0,2 = 0,92t 0,727 0,275 = 0,92t t = log0,92 0,275 t= log 0,275 log 0,92 t= 0,560 0,036 t = 15,55 horas ou t = 15 horas e 33 minutos É importante que o professor destaque que a função E(t) é decrescente e todos os valores de t maiores que o t = 15 horas e 33 minutos a concentração de álcool no sangue será menor. Além disso, para responder a terceira questão o professor pode auxiliar os alunos na resolução se os mesmos não tiverem conhecimento sobre o conteúdo de logaritmo, como também pode se um momento favorável para introduzir o conteúdo de logaritmos. 30 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Trabalhar com uma atividade de Modelagem Matemática na sala de aula, além de fazer com que os alunos pensem matematicamente, faz com que utilizem a Matemática como uma ferramenta solucionadora de problemas de seu cotidiano, além disso, a Modelagem Matemática possibilita que os alunos vejam a aplicabilidade desta ciência no seu cotidiano, rompendo com a visão que muitos têm que a matemática é distinta da realidade. A Modelagem Matemática na Perspectiva Sócio-Crítica como alternativa de ensino poderá oportunizar aos alunos uma participação ativa no seu processo de ensino e aprendizagem, e é uma possibilidade de desenvolver no aluno competências para se tornar um cidadão participativo e atuante na sociedade, pois a Modelagem Matemática na Perspectiva Sócio-Crítica faz com que os alunos analisem e reflitam sobre os resultados encontrados além de fazer com que trabalhem com assuntos da realidade. Apresentamos neste trabalho uma proposta de ensino que busca mostrar as possibilidades de inserção no contexto de ensino do conteúdo matemático função exponencial e do tipo exponencial, pensamos que a realização dessa proposta em sala de aula é capaz de gerar no aluno um maior interesse em relação ao seu aprendizado, além de oportunizar momentos para discussão em torno do tema e da Matemática abordada podendo contribuir para que a aprendizagem ocorra, pois através do tema proposto, o conteúdo matemático pode ser abordado e a situação proposta analisada com foco na Matemática. Acreditamos que as abordagens específicas dos problemas apresentados poderão fomentar discussões políticas, sociais e econômicas referentes ao consumo de álcool e aos acidentes de trânsito, promovendo a conscientização dos alunos, ao mesmo tempo em que desenvolvem o pensamento matemático. 31 REFERÊNCIAS ALMEIDA, L. M. W e BRITO, D.S. 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