184 L.S.V. SAMPAIO et al. ÁCIDO SULFÚRICO NA SUPERAÇÃO DA DORMÊNCIA DE SEMENTES DE SUCUPIRA–PRETA (Bowdichia virgilioides H.B.K. - FABACEAE)1 LUCIANO SOARES DE VASCONCELOS SAMPAIO2, CLÓVIS PEREIRA PEIXOTO3, MARIA DE FÁTIMA DA SILVA PINTO PEIXOTO4, JOÃO ALBANY COSTA5, MARLON DA SILVA GARRIDO6 E LUCIENE NASCIMENTO MENDES6 RESUMO - A sucupira-preta apresenta redução sensível no número de indivíduos em seu ambiente natural, devido, entre outras causas, à ocorrência de dormência exógena (impermeabilidade tegumentar à água). Avaliou-se o efeito do período de imersão (0, 2, 5, 8, 11 e 14 minutos) dessas sementes em ácido sulfúrico (95-98%), na porcentagem e na velocidade de emergência das plântulas, altura, espessura do colo, peso verde e seca das plantas. O experimento foi realizado em viveiro utilizando-se o delineamento em blocos ao acaso, com seis tratamentos e quatro repetições, sendo as parcelas constituídas por oito sacos com terra vegetal, colocando-se três sementes por saco. A altura da parte aérea, espessura do colo, peso verde e seco das plantas foram obtidos 30 dias após a semeadura. O pré-condicionamento de sementes de sucupira-preta imersas em ácido sulfúrico concentrado, mostrou-se eficiente na superação da dormência desta espécie, promovendo um aumento na porcentagem e velocidade de emergência, espessura do colo e peso verde e seco das plantas. A eficiência do tratamento químico com ácido sulfúrico concentrado, depende do período de imersão, sendo a faixa entre oito e onze minutos a mais adequada. Termos para indexação: semente, sucupira-preta, escarificação química, germinação, vigor. SULFURIC ACID TO OVERCOME THE SEED DORMANCY OF SUCUPIRA-PRETA (Bowdichia virgilioides H.B.K. - FABACEAE) ABSTRACT - The black sucupira (Bowdichia virgilioides H.B.K.) trees have been declining in numbers in their natural habitat, due to, amongst other reasons, the occurrence of seed dormancy (water impermeability of the seed coat). The effect of the immersion time (0, 2, 5, 8, 11 and 14 minutes) of black sucupira seeds in concentrated sulfuric acid (95-98%) was evaluated through the percentage and speed of seedlings emergence, height, “colon” thickness, wet and dry weight of the plants. The experiment were performed under nursery conditions with an experimental design of completely randomized blocks, with six treatments and four replications, using eight planted bags per experimental plot. The seeds were planted in plastic bags (3 seeds/bag) of an organic soil. The height of the above ground part, “colon” thickness, wet and dry matter of the plants were recorded 30 days after planting. The pre-conditioning of the black sucupira seeds with immersion in concentrated sulfuric acid, was efficient in overcoming seed dormancy, increasing the percentage and speed of emergence, the “colon” thickness, wet and dry matter of the plants. The efficiency of this chemical treatment with concentrated sulfuric acid was shown to be dependent on the immersion time, being eight to eleven minutes the most adequate immersion time. Index terms: seed, black sucupira, chemistry scarification, germination, vigor. 1 2 3 Aceito para publicação em 04.06.2001. Engo Agro, MSc., Prof. Adjunto do Depto. de Fitotecnia, Escola de Agronomia da UFBA, Cx. Postal 82, 44380-000, Cruz das Almas-BA; e-mail: [email protected] Engo Agro, Dr., Prof. Adjunto do Depto. Fitotecnia, Escola de Agronomia da UFBA. Revista Brasileira de Sementes, vol. 23, nº 1, p.184-190, 2001 4 5 6 Enga Agra, Dra., Profa. Assistente do Depto. de Química, Escola de Agronomia da UFBA. Engo Agro, Prof. Adjunto do Depto. de Engenharia, Escola de Agronomia da UFBA. Estudantes do curso de Agronomia da UFBA. SUPERAÇÃO DA DORMÊNCIA DE SEMENTES DE SUCUPIRA-PRETA COM ÁCIDO SULFÚRICO INTRODUÇÃO A sucupira (Bowdichia virgilioides H.B.K.), Fabaceae, conhecida como sucupira-do-cerrado, sucupira-do-campo, sucupira-amarela, sucupira-preta é encontrada nos ecossitemas de cerrado, cerradão e início de mata ciliar, com maior ocorrência nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. A madeira é empregada para acabamentos internos, como assoalhos, lambris, molduras, painéis e portas, como também para o fabrico de mourões, pontes rurais, caibros e esteios. A árvore é extremamente ornamental quando em flor, podendo ser empregada com sucesso no paisagismo em geral; é particularmente útil para a arborização de ruas estreitas. Planta pioneira e adaptada a terrenos secos e pobres, é ótima para plantios em áreas degradadas de preservação permanente. Floresce durante os meses de agosto e setembro com a planta quase totalmente despida da folhagem. Os frutos amadurecem a partir do final do mês de outubro, prolongando-se até início de dezembro. A emergência ocorre em 30-60 dias após o plantio e a porcentagem geralmente é bastante baixa, fazendo-se necessário o desenvolvimento de técnicas de superação da dormência para aumentar sua germinação (Lorenzi, 1992). Apesar das diversas utilidades a espécie vêm apresentando redução sensível no número de indivíduos em seu ambiente natural, não só devido à exploração comercial desordenada, como também, pela ocorrência de dormência exógena (impermeabilidade tegumentar à água), reduzindo sensívelmente a porcentagem de germinação. A dormência é um dos problemas mais sérios na conservação de germoplasma de espécies silvestres, já que as sementes destas frequentemente apresentam tal problema. A consequência disso é que ocorre desuniformidade na emergência das plântulas, causando deriva genética em lotes de sementes heterogêneas, durante sua multiplicação e regeneração (Tao, 1992). Pouco se conhece das exigências de germinação da maioria das sementes de espécies silvestres e os lotes de sementes que possuem algum tipo de dormência podem ter a sua viabilidade subestimada quando a porcentagem de germinação for muito baixa. Por esse motivo, metodologias empregadas na superação da dormência são de grande importância no monitoramento da viabilidade das sementes (Ellis et al., 1985). A impermeabilidade do tegumento à água é comum nas sementes da família das Fabaceae, Cannaceae, Chenopodiaceae, Convallariaceae, Geraminaceae, Malvaceae, Solanaceae, Anacardiaceae e Rhamanaceae, e, no caso das leguminosas atinge cerca de 85% das espécies examinadas (Rolston, 1978). De acordo com esse autor o uso do ácido sulfúrico tem sido bastante comum nestes casos, no entanto, 185 deve-se determinar o melhor período de exposição das sementes ao ácido, pois poderá ocorrer ruptura de células essenciais no tegumento, favorecendo à invasão de fungos e injúrias mecânicas. Isto foi constatado por Dayan & Reaviles (1996), conduzindo um teste de germinação em sete lotes de sementes de Acacia mangium Willd. Concluiram que a imersão das sementes em água quente até a água tornar-se fria por 24 horas, foi o melhor tratamento para aumentar a germinação das sementes e que, a utilização de ácido sulfúrico concentrado supera a dormência tegumentar das sementes desta espécie, no entanto resulta na formação de plântulas anormais. Sharma et al. (1999) verificaram que para superar a dormência tegumentar exógena de Cleistanthus collinus Benth., uma espécie de árvore comum em florestas decíduas, o tratamento mais eficiente foi a imersão das sementes em água, por 24 horas (70% de germinação; índice de velocidade de emergência 6,10; comprimento da raiz 19,71cm; comprimento da parte aérea 4,70cm; peso seco da raiz 5,40mg/plântula; peso seco da parte aérea 38,5mg/plântula), seguido da imersão em ácido sulfúrico concentrado por 10 minutos. Franke & Baseggio (1998), Bertalot & Nakagawa (1998) e Naidu et al. (1999), utilizaram a escarificação química com ácido sulfúrico para testar sua eficiência na superação da dormência de sementes “duras” de várias espécies de plantas. Todos concluiram que o ácido sulfúrico foi eficiente para superar a dormência, proporcionando as maiores percentagens de germinação em comparação com outros tratamentos utilizados, tais como a escarificação mecânica. Diversos autores como Hyde (1954), Villiers (1972) e Leopold & Kriedmann (1975), estudando a ocorrência desse tipo de dormência em Fabaceas, verificaram que o hilo funciona como uma válvula higroscópica, auxiliando a perda de água pela semente, sem permitir no entanto, a absorção de umidade. De acordo com Sahai & Pal (1995), a causa da forte barreira à entrada de água parece estar localizada na parte superior das células palissádicas em função da presença de pectina. Muitos são os métodos desenvolvidos em laboratório para superar a dormência tegumentar, tais como, o uso de solventes (água quente, álcool, acetona), escarificação com ácidos e bases concentradas, escarificação mecânica, exposição a altas temperaturas, resfriamento rápido, aumento da tensão de oxigênio, agitação em frascos e alta pressão (Aroeira, 1962; Barros, 1963; Popinigis, 1975; Martins et al., 1992 e Cruza et al., 1995). Segundo Pereira (1989), o ácido sulfúrico tem demonstrado grande eficiência na superação da dormência exógena Revista Brasileira de Sementes, vol. 23, nº 1, p.184-190, 2001 186 L.S.V. SAMPAIO et al. de sementes de espécies florestais. No entanto, deve-se considerar que esses tratamentos apresentam vantagens e desvantagens e o custo efetivo e facilidade de execução devem ser levados em conta. Foi o que observaram Bianchetti et al. (1998), quando utilizaram o ácido sulfúrico (96% de PA) por períodos de quatro a trinta minutos (4, 6, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 25 e 30) para superar a dormência do tegumento de sementes de pinho-cuiabano. Os autores concluiram que, a imersão em ácido sulfúrico, por 16 minutos, supera a dormência com 83% de germinação e que a escarificação manual somente é viável quando são utilizadas pequenas quantidades de sementes (1kg a 10kg de sementes), tanto para o plantio direto como para a produção de mudas. À medida que a demanda do reflorestamento exige maiores quantidades de sementes (acima de 10kg), o processo de escarificação manual, de baixo custo, perde sua importância prática e outros testes, mais eficientes, devem ser aplicados para superar a dormência. Na superação da dormência de sementes de três espécies florestais (Caesalpinea ferrea Mart.ex Tul. var. leiostachya Benth., Cassia grandis L. e Samanea saman Merrill), utilizou-se as técnicas de escarificação mecânica (lixa d’agua), térmica (imersão em água a 25oC durante 48 horas, 100oC até esfriar, 100oC por 30 e 60 seg.) e química (adição de peróxido de hidrogênio no substrato, imersão em peróxido de hidrogênio por 5min. e ácido sulfúrico por 5, 10, 15, 20 e 60min.). As escarificações mecânica e química com ácido sulfúrico entre 5min. e 60min. apresentaram as maiores percentagens de germinação, para as sementes das três espécies (Lopes et al., 1998). Trabalhando com as espécies de Canavalia brasiliensis Mart., Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit., Clitoria ternatea L. e Calopogonium mucunoides Desv., Cruza et al.(1995) também verificaram que, a escarificação química com ácido sulfúrico, para superar a dormência primária, foi a que mais favoreceu a germinação. Andrade et al. (1997) utilizaram, em condições de laboratório, tratamentos pré-germinativos: imersão em ácido sulfúrico concentrado (98%) por 1, 5, 10, 15 e 20 minutos; imersão em água quente (100oC) por 1, 2 e 3 minutos; imersão em água a 30oC por 24 horas e contrôle (sem tratamento), para superar a dormência de sementes de sucupira-preta (Bowdichia virgilioides H.B.K.). Avaliou-se a porcentagem de germinação, de plântulas anormais, sementes dormentes e velocidade de emergência. Concluiram que, os melhores tratamentos para superação da dormência foram os que utilizaram a imersão das sementes em ácido sulfúrico concentrado, resultando em maiores percentagens de germinação. Desses, os mais altos valores de germinação (plântulas normais) fo- Revista Brasileira de Sementes, vol. 23, nº 1, p.184-190, 2001 ram obtidos com os tratamentos imersão em ácido por 5min. e 10min., cujas médias alcançaram 85,3% e 80,5%, respectivamente. Com base nessas premissas, objetivou-se avaliar a emergência e crescimento inicial de plantas de sucupira-preta, à partir de sementes submetidas à pré-tratamento com ácido sulfúrico concentrado, verificando-se em condições de campo a porcentagem e velocidade de emergência das plântulas, altura, espessura do colo, massa verde e seca das plantas. MATERIAL E MÉTODOS O experimento realizou-se na Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia, no município de Cruz das Almas, localizado no Recôncavo Baiano a 12º 40’ 39’’ de Latitude Sul e 39º 06’ 23’’ de Longitude Oeste de Greenwich, onde predomina o solo classificado como Latossolo amarelo álico coeso, de textura média na camada de 0cm a 30cm, sendo considerado de baixa fertilidade. A região encontra-se numa altitude de 220m, com temperatura média anual de 24ºC, precipitação de 1200mm e umidade relativa do ar de 80%. As sementes de sucupira-preta foram obtidas no ano de 1999, através de colheita manual de frutos maduros, de árvores localizadas no Campo Experimental da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. Procedeu-se a separação manual das sementes, escolhendo-se aquelas que se apresentavam morfologicamente perfeitas, sem a preocupação de padronizá-las quanto ao tamanho e a forma. O armazenamento foi feito em condições ambientais (temperatura mínima de 22,6oC, máxima de 25,7oC e umidade relativa média de 84%) por um período de um mês no Laboratório de Sementes da Escola de Agronomia da UFBA. Em seguida, foram colocadas em um bequer de 100ml, submetidas a tratamento pré-germinativo com ácido sulfúrico concentrado (densidade 1,84 e pureza de 95%-98%) e constantemente revolvidas com um bastão de vidro, objetivando uniformizar a ação abrasiva do mesmo em diferentes períodos de imersão, quais sejam: T0 (testemunha), T1 (2 minutos), T2 (5 minutos), T3 (8 minutos), T4 (11 minutos) e T5 (14 minutos). As sementes foram imersas, em ácido sulfúrico (96/ tratamento), perfazendo um total de 480 sementes, as quais foram lavadas em água corrente por 10 minutos e em seguida, postas a secar à sombra sobre papel toalha, por 60 minutos. A determinação da porcentagem e da velocidade de emergência das plântulas foi realizada em viveiro, utilizando-se o delineamento experimental em blocos ao acaso, com seis tratamentos e quatro repetições. Cada parcela constou de oito 187 SUPERAÇÃO DA DORMÊNCIA DE SEMENTES DE SUCUPIRA-PRETA COM ÁCIDO SULFÚRICO sacos de polietileno preto (20x8cm) com três sementes em cada saco, tendo como substrato terra vegetal. O índice de velocidade de emergência foi obtido através da fórmula de Maguire (1962) e segundo Silva & Nakagawa (1995), é fundamentada na emergência diária,qual seja: EM = E1 T1 + E2 T2 Ei + Ti onde: EM = Emergência média diária; Tl até Ti é o período dia; E1 até Ei é a contagem diária de emergência. Aos trinta dias da semeadura avaliou-se a altura da parte aérea (cm), espessura do colo (cm), peso verde e peso seco das plantas (g). O peso seco foi obtido após secagem em estufa à temperatura de 65oC, até atingir peso constante. Realizou-se a análise da variância, regressão e correlação entre os caracteres avaliados. Os dados de porcentagem foram transformados em arco seno raiz da proporção (x = arc sen √p). Para avaliar a precisão dos modelos determinou-se o Índice de Concordância de Willmont-Id (Willmont, 1981). RESULTADOS E DISCUSSÃO A Figura 1 mostra o efeito dos diferentes períodos de exposição das sementes de sucupira-preta ao ácido sulfúrico, na porcentagem de emergência. Observa-se que para valores abaixo de oito e acima de onze minutos a emergência foi prejudicada, apresentando valores inferiores a 70%, em ambos os casos. Nos períodos de exposição de oito e onze minutos atingiu 70 e 80%, respectivamente. A impermeabilidade do tegumento à água é comum na família fabácea (Rolston, 1978) e a dormência é um dos problemas mais sérios na conservação de germoplasma de espécies silvestres (Tao, 1982). Neste caso, o hilo funciona como uma válvula higroscópica, auxiliando a perda de água pela semente, sem permitir no entanto, absorção de umidade (Hyde, 1954; Villers,1972 e Leopold & Kridermann, 1975). Fica evidente portanto, a necessidade de tratamento prégerminativo com ácido sulfúrico (Franke & Baseggio, 1998; Bertalot & Nakagawa, 1998; Pereira, 1989; Bianchetti et al., 1998 e Naidu et al., 1999) para superar a dormência de sementes duras, de várias espécies de plantas, tais como, a sucupira-preta. Andrade et al. (1997) trabalhando com essa espécie, verificaram que com o período de imersão das sementes em ácido sulfúrico por 5min. e 10min., resultaram nos mais altos valores de porcentagem de germinação (plântulas normais) de 85,3 e 80,5%, respectivamente. Aumentando-se o período de imersão das sementes no ácido, houve redução da porcentagem de emergência. Este fato provavelmente está relacionado aos efeitos danosos do ácido sulfúrico no embrião. De acordo com Rolston (1978), a escarificação química propicia a degradação do tegumento e o aumento do período de imersão poderá causar ruptura de células essenciais, favorecendo as injúrias mecânicas e a invasão de fungos, prejudicando assim a emergência. A velocidade de emergência (Figura 2) apresentou tendência similar à porcentagem de emergência (Figura 1), ou seja, atingiu um máximo entre oito e onze minutos de exposição das sementes ao ácido sulfúrico. Esse comporta- Observado Porcentagem de emergência (%) 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Polinômio (Estimado) y = -1,0932x 2 + 19,4x - 6,8064 R2 = 0,9288 Id=0,998 2 5 8 11 14 Período (minutos) FIG. 1. Porcentagem de emergência das plântulas de sucupirapreta em função do período de exposição das sementes ao ácido sulfúrico. Índice de velocidade de emergência Observado Estimado Estimado 8,0 Polinômio (Estimado) 6,0 y = -0,08976x 2 + 1,627x - 0,7207 R2 = 0,8610 Id=0,995 4,0 2,0 2 5 8 11 14 Período (minutos) FIG. 2. Índice de velocidade de emergência de sementes de sucupira-preta em função do período de exposição ao ácido sulfúrico. Revista Brasileira de Sementes, vol. 23, nº 1, p.184-190, 2001 188 L.S.V. SAMPAIO et al. Observado Estimado 3,00 Altura da parte aérea a da planta (cm) Polinômio (Estimado) 2,50 y = -0,0033x2 + 0,0004x + 2,6217 R2 = 0,9999 Id=0,9996 1,00 2 5 8 11 14 Período (minutos) FIG. 3. Altura da planta de sucupira-preta em função do período de exposição das sementes ao ácido sulfúrico. Revista Brasileira de Sementes, vol. 23, nº 1, p.184-190, 2001 Espessura do colo da planta a (cm) Estimado Polinômio (Estimado) 0,165 0,16 0,155 0,15 0,145 0,14 0,135 0,13 0,125 0,12 y = -0,0007x2 + 0,0118x + 0,1125 R2 = 0,8655 Id=0,9995 2 5 8 11 14 Período (minutos) FIG. 4. Espessura do colo da planta de sucupira-preta em função do período de exposição das sementes ao ácido sulfúrico. Observado Estimado Polinômio (Estimado) 0,155 0,15 0,145 0,14 0,135 y = -0,0004x 2 + 0,0078x + 0,115 R2 = 0,9996 Id=1,000 0,13 0,125 2 5 8 11 14 Período (minutos) FIG. 5. Peso verde da planta de sucupira-preta em função do período de exposição das sementes ao ácido sulfúrico. 2,00 1,50 Observado Peso da matéria verde e da planta (g) mento indica que existe uma relação direta entre os dois processos. Outro aspecto que deve ser enfocado é a relação existente entre a escarificação química das sementes com ácido sulfúrico e o crescimento inicial das plantas da espécie em questão. A altura da planta (Figura 3) apresentou um pequeno decréscimo com o aumento do período de exposição das sementes ao ácido sulfúrico. O aumento na espessura do colo ocorreu até oito minutos de exposição das sementes ao ácido sulfúrico, iniciandose, em seguida, o decréscimo (Figura 4). Com relação ao peso da matéria verde (Figura 5), verificou-se que a maior produção foi observada, quando o período de permanência no ácido sulfúrico foi de oito a onze minutos, confirmando portanto os resultados obtidos quando da determinação da porcentagem e velocidade de emergência. Houve também uma correlação positiva entre o peso verde e o índice de velocidade de emergência (r = 0,7221). A curva que expressa a tendência de aumento do peso seco (Figura 6) apresentou comportamento similar a do peso verde, com o máximo entre oito e onze minutos de exposição das sementes ao ácido sulfúrico. Esta tendência dos resultados da porcentagem e da velocidade de emergência, espessura do colo, peso verde e seco das plantas, vêm confirmar que os melhores tratamentos corresponderam ao período de imersão entre oito e onze minutos e que, acima deste valor há comprometimento do crescimento inicial da planta. Desta forma, fica evidente que uma plântula mal formada poderá afetar a atividade autotrófica da planta, refletindo-se no seu crescimento e acúmulo de matéria seca. Dayan & Reaviles (1996) verificaram que no caso de Acacia mangium Willd., a utilização de ácido sulfúrico concentrado supera a dormência tegumentar das sementes desta espécie, no entanto resulta num crescimento anormal das plântulas. SUPERAÇÃO DA DORMÊNCIA DE SEMENTES DE SUCUPIRA-PRETA COM ÁCIDO SULFÚRICO Estimado Observado Peso da matéria seca da planta (g) 0,025 Polinômio (Estimado) 0,02 0,015 0,01 y = -1E-04x2 + 0,0018x +0,0125 0,005 R2 = 0,7206 Id=0,9985 5 8 pinho-cuiabano (Parkia multijuga Benth.). Revista Brasileira de Sementes, Brasília, v.20, n.1, p.215-218, 1998. CRUZA, M.S.D.; PEREZURRIA, E. & MARTIN, L. Factors affeting germination of Canavalia brasiliensis, Leucaena leucocephala, Clitoria ternatea and Calopogonium mucunoides seeds. Seed Science and Technology, Zürich, v.23, n.2, p.447454, 1995. 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