Um Livro Educativo que Explica como as Barragens
Ajudam a Administrar a Água do Mundo
Comissão Internacional de Grandes Barragens
Sobre a CIGB
A Comissão Internacional de Grandes Barragens (CIGB) foi
fundada em Paris, em 1928.
(n.1)
É composta atualmente de 88 países e 10 mil membros individuais: empresas
de Engenharia, Consultores, Construtores, Empreiteiras, Cientistas,
Pesquisadores, Engenheiros, Professores Universitários, Governos, Instituições
Financeiras, Associações..
A CIGB é a organização profissional líder na área de barragens, promovendo a
tecnologia de engenharia de barragens e apoiando o desenvolvimento e a
gestão dos recursos hídricos de maneira social e ambientalmente responsáveis
para atender à demanda mundial.
A CIGB é um fórum para o intercâmbio de conhecimento e experiência em
engenharia de barragens. Com uma assembléia anual em um país diferente a
cada ano, e um congresso a cada três anos, acumulou quase um século de
conhecimentos.
A busca permanente pelo progresso é organizada por meio de 24 Comitês
Técnicos e 500 especialistas em temas específicos. A CIGB também promove a
conscientização do público quanto ao papel benéfico das barragens no
desenvolvimento sustentável e na gestão dos recursos hídricos mundiais.
A CIGB é líder em sua área, estabelecendo padrões e diretrizes para garantir que
as barragens sejam construídas com segurança, economia, e de maneira
ambiental e socialmente sustentáveis.
AVISO – TERMO DE RESPONSABILIDADE:
As informações, análises e conclusões deste documento não têm respaldo legal e não devem ser consideradas substitutivas de
regulamentos oficiais com força de lei. Elas são dirigidas ao uso de profissionais experientes que estão aptos a julgar sua
pertinência e sua aplicabilidade, e a aplicar com precisão as recomendações a qualquer caso particular.
Este documento foi redigido com a máxima atenção. À luz do ritmo das mudanças na área de ciência e tecnologia, entretanto,
não podemos garantir que cubra todos os aspectos dos tópicos discutidos.
Isentamo-nos de toda e qualquer responsabilidade em relação a como as informações contidas neste documento serão
interpretadas e utilizadas, e não aceitaremos nenhuma responsabilidade por quaisquer danos ou prejuízos resultantes de tais
informações.
Por favor, não continue a ler este documento a menos que aceite este termo de responsabilidade sem reservas.
As BARRAGENS
& a Água do Mundo
Um Livro Educativo que Explica como as Barragens
Ajudam a Administrar a Água do Mundo
Comissão Internacional de Grandes Barragens
I
“BARRAGENS E A ÁGUA NO MUNDO”
- Um livro educacional que explica como as Barragens ajudam
no gerenciamento da água no mundo -
APRESENTAÇÃO DA EDIÇÃO BRASILEIRA
Com imenso contentamento, o Núcleo Regional do Paraná do Comitê Brasileiro de
Barragens – CBDB traz a público esta tradução para o português do livro original em
inglês intitulado Dams & The World´s Water – An Educational Book that Explains how
Dams Help to Manage the World´s Water.
Trata-se de publicação elaborada por especialistas* que compõem o Comitê de
Conscientização e Educação do Público (Committee on Public Awareness and Education)
da Comissão Internacional de Grandes Barragens (ICOLD – International Commission on
Large Dams – CIGB Commission Internationale des Grands Barrages).
O trabalho decorreu de um pedido feito àquele Comitê pelo Eng. Cássio B. Viotti,
brasileiro, Presidente da CIGB à época. Em resposta, seus integrantes, percebendo a
importância e o alcance do desafio lançado, se doaram à tarefa com esmero e dedicação,
de cujos resultados poderão os leitores aqui desfrutar. Nossas congratulações a eles e a
seus colaboradores pela autoria desta magnífica obra.
Como sabemos, a água é elemento essencial à vida, em todos os seus aspectos, e,
portanto, sustentáculo da civilização humana. A necessidade de dispor
permanentemente da água em muitas situações se confronta com a escassez provocada
pelas inconstâncias do ciclo hidrológico. Para superar essa dificuldade, o engenho
humano criou formas para armazenamento e distribuição controlada da água ao longo
do tempo, utilizando obstáculos artificiais aos cursos de água: as barragens.
O livro busca, então, esclarecer o público em geral, de modo simplificado e com rigor,
acerca dos “fatos básicos sobre o papel benéfico das barragens para o armazenamento e
gestão da água, produção de alimentos, geração de eletricidade e proteção contra
enchentes”.
Desses esclarecimentos, nos desperta especial atenção a possibilidade do emprego
de barragens no controle de enchentes (item 11.3), predicado que, embora não seja por
nós desconhecido, poderia ser mais intensamente aproveitado, considerando a
recorrência de inundações que há tempos assolam várias regiões do Brasil.
Nesse sentido, o texto discorre sobre a água, seus usos, população, demandas e
distribuição no mundo, bem como trata da construção e operação de barragens em face
das sérias e desafiadoras questões ambientais. Lança também um olhar para o futuro,
antevendo as necessidades de água para o século XXI e relembrando a possibilidade do
uso múltiplo dos reservatórios formados por barragens. Leva em consideração a
afirmação da ONU de que a gestão de recursos hídricos mundiais é um ingrediente
* Ver nominata ao final da tradução
II
essencial à consecução de todas as Metas de Desenvolvimento do Milênio, o que inclui o
combate à fome e à pobreza, e a melhora das condições de saúde da população.
Assim, o Núcleo Regional do Paraná cumpre seus propósitos de compartilhar
conhecimentos acumulados e de divulgar as realizações do CBDB e da CIGB à sociedade,
com especial atenção à comunidade técnica atuante na engenharia de barragens, que
terá desta publicação uma resenha atual centrada na gestão de recursos hídricos. Do
mesmo modo, se espera que este livro seja proveitoso para universitários e alunos de
escolas técnicas do Paraná e do Brasil.
A tradução deste livro tornou-se realidade graças ao patrocínio da ITAIPU Binacional,
por meio da dedicada atuação de sua Assessoria de Comunicação Social, que contou com
o apoio técnico do CEASB - Centro de Estudos Avançados em Segurança de Barragens,
órgão vinculado à Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI), e ao inestimável apoio
institucional da COPEL - Companhia Paranaense de Energia e da Companhia Paranaense
de Saneamento SANEPAR, empresas sócias do CBDB no Estado do Paraná.
Manifestamos nossa gratidão a todas as pessoas que, de algum modo, contribuíram
para a realização deste trabalho, em particular aos ex-diretores e sócios do CBDB
vinculados ao Núcleo Regional do Paraná.
Especialmente, por terem tomado as decisões que viabilizaram a publicação, nosso
reconhecimento e gratidão a Luiz Berga e Michel de Vivo, respectivamente Presidente e
Secretário-Geral da CIGB, Edilberto Maurer, Presidente do CBDB, Jorge Miguel Samek,
Diretor Geral Brasileiro da ITAIPU Binacional, Rubens Ghilardi, Presidente da COPEL e
Stênio Jacob, Presidente da SANEPAR. De igual modo, nossos agradecimentos à Texto Faz
Comunicação, pela tradução, a Gilmar Antonio Piolla, Assessor de Comunicação Social da
ITAIPU, pelo gerenciamento técnico da edição, e a Pedro Paulo Sayão Barreto,
Superintendente do CBDB, pelas informações e subsídios setoriais fornecidos.
Por fim, espera-se que, ao verter este livro para o português, seja ampliada a
propagação de seus conteúdos, proporcionando aos leitores não somente conhecer e
utilizar as informações disponíveis, mas primordialmente sobre elas refletir.
Boa leitura a todos!
A Diretoria
Núcleo Regional do Paraná do CBDB
“O consumo de água tem crescido no último século a um ritmo mais de doze
vezes superior ao da população mundial. Por esse motivo, a gestão sustentável,
eficaz e equitativa de recursos hídricos cada vez mais escassos será o desafio
chave para os próximos cem anos.” (FAO)
22 de março – Dia Mundial da Água (ONU-1993)
III
- CRÉDITOS DA EDIÇÃO BRASILEIRA AS BARRAGENS E A ÁGUA DO MUNDO
Um livro educativo que explica como as barragens ajudam a administrar
a água do mundo
Título original em inglês
Dams & The World´s Water
An Educational Book that Explains how Dams Help to Manage the
World´s Water
COMISSÃO INTERNACIONAL DE GRANDES BARRAGENS
ICOLD – International Commission on Large Dams
CIGB – Commission Internationale des Grands Barrages
2008
Presidente:
Secretário-Geral:
Vice-Presidentes:
ICOLD - CIGB
Diretoria
Luis Berga (Espanha)
M. de Vivo
N. Matsumoto (Japão)
M.Bartsch (Suécia)
E. Maurer (Brasil)
B. Tardieu (França)
A. Marulanda (Colômbia)
P. Mulvihill (Nova Zelândia)
COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS - CBDB
Diretoria
Presidente:
Edilberto Maurer
Vice-Presidente:
Erton Carvalho
Brasil Pinheiro Machado
Diretor Técnico:
Marcos Luiz Vasconcellos
Diretor de Comunicações:
Paulo Coreixas Junior
Diretor Secretário:
Cássio Baumgratz Viotti
Diretor Adjunto:
Armando José da Silva Neto
Diretor Adjunto:
Pedro Paulo Sayão Barreto
Superintendente:
NÚCLEO REGIONAL DO PARANÁ - NRP
Diretoria
Diretor Regional:
Miguel Augusto Zydan Sória
Secretário:
José Marques Filho
Tesoureiro:
Paulo César Akhasi
Organizador
Miguel Augusto Zydan Sória
Tradução
Texto Faz Comunicação S/S Ltda.
PATROCÍNIO
BINACIONAL
Assessoria de Comunicação Social - CS.GB
Fundação Parque Tecnológico Itaipu - FPTI
CEASB - Centro de Estudos Avançados em Segurança de Barragens
APOIO INSTITUCIONAL
IV
NOTAS DO ORGANIZADOR
Visando facilitar a compreensão do conteúdo pelos leitores são listadas abaixo
notas explicativas sobre algumas informações existentes ao longo do texto.
(n.1) pg. interna capa
A CIGB é representada no Brasil pelo Comitê Brasileiro de Barragens -
CBDB.
(n.2) pg. 18
O pé é uma unidade de medida de comprimento utilizada no sistema anglosaxão, 1 pé [ft] = 0,3048m (metros), aproximadamente, ou 12 polegadas (1 polegada
[in] = 2,54cm); o Brasil utiliza as unidades de medida do Sistema Internacional de
Unidades (SI) (Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 1.0.5a, 2002; e disponível em
<http://www.inmetro.gov.br/metlegal/resolucao11.asp>, acesso em 11 mar. 2009).
(n.3) pg. 21
Concreto Compactado a Rolo, conhecido no Brasil pela sigla CCR.
(n.4) pg. 28
A altura de uma barragem é determinada do ponto mais baixo da sua
fundação principal até a crista, conforme critério do Registro Mundial de Barragens
(RMB); são consideradas, portanto, incluíveis no RMB as barragens que possuam altura
de 15 metros (independentemente do volume de água armazenável em seu
reservatório) ou também as que possuam altura variável entre 10 e 15 metros, desde
que tenham capacidade de armazenar mais de 3 milhões de metros cúbicos de água
em seu reservatório.
(n.5) pg. 34
Usualmente denominadas no Brasil como Linhas de Transmissão (LTs).
(n.6) pg. 34
No Brasil, a hidreletricidade responde por 85% da oferta nacional de energia
elétrica
(Dados do Ministério de Minas e Energia do Brasil, ano 2007. Disponível em
<http://www.mme.gov.br/site/menu/select_main_menu_item.do?channelId=1432&pageId=15043>, 0. Energia em
2007 - Resultados Finais - NOVO. Acesso em 11 mar.2009).
(n.7) pg. 34
No Brasil, as fontes renováveis respondem por 89% da oferta nacional de
energia elétrica (85% de hidrelétricas e 4% de outras fontes), sendo que no mundo esse
percentual é de apenas 18% (Dados do Ministério de Minas e Energia do Brasil, ano 2007. Disponível em
<http://www.mme.gov.br/site/menu/select_main_menu_item. do?channelId=1432&pageId=15043>, 0. Energia
em 2007 - Resultados Finais - NOVO. Acesso em 11 mar.2009).
(n.8) pg. 37
No Brasil, a Lei nº 9.433, de 08.01.1997, entre várias disposições define que
a bacia hidrográfica é a unidade territorial de gestão de recursos hídricos, e institui a
criação dos Comitês de Bacias Hidrográficas, dentro do Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos (Disponível em <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Leis/L9433.htm>. Acesso em 11 mar.2009).
(n.9) pg. 50
No original em inglês consta “...it will produce 18,200MW...”, que por clareza
foi traduzido como “...possuirá capacidade de ....”, visto que a informação se refere à
potência instalada da usina. A capacidade da UHE Três Gargantas (China) deverá ser
ampliada para 22.400MW até 2011. (Disponível em <http://www.itaipu.gov.br/?q=pt/node/
322&foto=comparacoes.jpg>. Acesso em 11 mar.2009).
V
(n.10) pg. 50
No Brasil, o Sistema Interligado Nacional SIN - cobre praticamente todo o
território nacional e é gerenciado de modo unificado pelo Operador Nacional do
Sistema Elétrico – ONS (Disponível em <http://www.ons.org.br/home/index.aspx>. Acesso em 11
mar.2009).
(n.11) pg. 50
Existem atualmente 18 conexões elétricas - sendo 6 delas com o Brasil e
três centrais binacionais em operação na América do Sul (Itaipu, Salto Grande e
Yaciretá) (Dados da Comisión de Integración Energética Regional
CIER, 2007. Disponível em
<http://www.cier.org.uy/d06-sie/2007/index.htm>. Acesso em 11 mar.2009).
(n.12)
pg.
50
No Brasil, as Pequenas Centrais Hidrelétricas são empreendimentos
hidrelétricos com potência superior a 1.000 kW e igual ou inferior a 30.000 kW com
área total do reservatório igual ou inferior 3.0 km2 (Resolução nº 394, de 04.12.98, da Agência
Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Disponível em <http://www.aneel.gov.br/cedoc/res1998394.pdf>. Acesso em
20 mar. 2009.
(n.13) pg. 60
O acre é uma unidade de medida de área utilizada no sistema anglo-saxão, 1
acre [ac] = 4.047m2 (metros quadrados); 1 pé [ft] = 0,3048m (metros),
aproximadamente (ver nota n.2) (Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 1.0.5a,
2002).
(n.14) pg. 60
A milha é uma unidade de medida de comprimento utilizada no sistema
anglo-saxão, 1 milha [mi] = 1.609m (metros); 1 milha quadrada [mi2] = 2.588.881m2
(metros quadrados) ou 2,59 km2, aproximadamente (ver nota n.2) (Dicionário Eletrônico
Houaiss da Língua Portuguesa, versão 1.0.5a, 2002).
(n.15) pg. 61
A polegada é uma unidade de medida de comprimento utilizada no sistema
anglo-saxão, 1 polegada [in] = 2,54cm (ver nota n.2) (Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua
Portuguesa, versão 1.0.5a, 2002).
(n.16) pg. 61
1 pé cúbico [ft3] = 0,0283m3 (metros cúbicos), aproximadamente (ver nota
n.2) (Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 1.0.5a, 2002).
(n.17) pg. 62
2.500pés/segundo = 762metros/segundo (ver nota n.2).
(n.18) pg. 60
Montante: ponto referencial visualizado pelo observador que olha em
direção à nascente de um curso de água (águas acima); ou seja, a nascente é o ponto
mais a montante de um rio.
(n.19) pg. 61
Jusante: ponto referencial visualizado pelo observador que olha em direção
à foz de um curso de água (águas abaixo); ou seja, a foz é o ponto mais a jusante de um
rio.
(n.20) pg. 62
Margem Direita do reservatório (ou rio ou qualquer curso d´água): a situada
à direita do observador que olha para jusante (para onde corre o fluxo de água; águas
abaixo); também denominada direita hidráulica;
Margem Esquerda do reservatório (ou rio ou qualquer curso d´água): a
situada à esquerda do observador que olha para jusante (para onde corre o fluxo de
água; águas abaixo); também denominada esquerda hidráulica.
O Organizador
Sr. Art Walz
Sr. Michel de Vivo
Presidente da CIGB
Vice-Presidente da CIGB
Diretor do Comitê
de Conscientização
e Educação Pública
Secretário-Geral da CIGB
Prefácio
Prof. Luis Berga
Durante o século que se inicia, a água continuará a ser um recurso
vital para a civilização humana. Um suprimento adequado e seguro de água é
um componente essencial de nossa saúde, nosso ambiente, nossas
comunidades e nossa economia. Dois grandes fatores, entretanto,
aumentarão os riscos envolvidos: a mudança climática futura, que tornará
os recursos hídricos mais irregulares, com a tendência de secas exigindo
maior armazenamento de água; e o crescimento populacional mundial,
que aumentará a demanda por água para fins domésticos, agrícolas e
industriais com ênfase na irrigação para produção de alimentos. Assim, o
papel crucial que as barragens têm exercido ao longo da história da
humanidade continuará durante o século XXI.
A CIGB tem exercido, desde sua criação, em 1928, um papel-chave na
disseminação de conhecimento sobre barragens e água. Há muito tempo,
a CIGB é aberta não só a engenheiros, mas também ao público em geral. É,
portanto, natural que a CIGB explique à geração mais jovem que tipos de
desafios ela vai encarar na gestão da água do mundo. Este livro apresenta,
de maneira simplificada, porém rigorosa, os fatos básicos sobre o papel
benéfico das barragens para armazenamento e gestão da água, produção
de alimentos, geração de eletricidade e proteção contra enchentes. Além
disso, apresenta os fatos essenciais sobre a água do mundo, sua distribuição
e seu ciclo.
Estamos confiantes de que esta mensagem será útil à geração que terá a
responsabilidade de levar a humanidade ao século XXII. E esperamos que
essa geração faça uso desta mensagem de maneira eficiente para construir
seu próprio futuro.
Barragens & a Água do Mundo
3
Sumário
As BARRAGENS
& a Água do Mundo
1Introdução . . . . . . . . . . . . . . p. 6
2A Água do Mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 8
3Como Obtemos Água o Ciclo Mundial da Água . . . . . . . . p. 11
4 A Distribuição da Água do Mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 13
4.1. Países com disponibilidade restrita e escassez de água ........... p. 13
4.2. Água para saneamento ....................................................... p. 14
4.3. Gestão integrada da água ................................................... p. 15
5 Dados sobre a População Mundial. . . . . . . p. 15
6 Demandas por Água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 16
6.1. Demandas domésticas por água .............................................. p. 16
6.2. Demandas domésticas, agrícolas e industriais combinadas por água .. p. 16
?
7 O que É uma Barragem? . . . . . . p. 17
8 História das Barragens no Mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 17
Funções, Tipos,
9 Requisitos,
Características e Construção de Barragens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 19
9.1. Requisitos das barragens ................................................... p. 19
9.2. Funções das barragens................................................... p. 19
9.3. Tipos de barragens ...................................................... p. 19
9.4. Componentes das barragens ......................................... p. 22
9.5. Seleção de local e tipo de barragem ............. p. 24
9.6. Construção de barragens .......................... p. 24
10 As Barragens de Hoje . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 28
10.1. A Função das Barragens Atuais .......................................................... p. 29
4
Barragens & a Água do Mundo
11Os Benefícios que Recebemos das Barragens
. . . . . . . . . . . . . . p. 30
11.1. Suprimento de água para uso doméstico e industrial ..... p. 30
11.2. Atendimento da demanda agrícola para
fornecimento de alimentos.................................. p. 32
11.3. Controle de enchentes..................................... p. 33
11.4. Energia hidrelétrica ........................................ p. 34
11.5. Navegação interior.......................................... p. 36
11.6. Recreação....................................................... p. 36
11.7. Gestão integrada da água em bacias fluviais ........... p. 36
11.8. Resumo dos benefícios ............................... p. 38
12 As Barragens e o Meio Ambiente . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 42
12.1. Preservação e melhoria ambiental ......................................... p. 42
13 Olhando para o Futuro as Barragens do Século XXI . . . . . . . . . . . p. 45
13.1. Processo de planejamento de projetos de barragens
e reservatórios ................................................. p. 45
13.1.1. Envolvimento e coordenação com o público ...... p. 46
13.2. Questões socioeconômicas associadas com projetos
de barragens e reservatórios.............................. p. 47
13.3. Necessidade maior de gestão integrada da água nas
bacias fluviais .................................................. p. 47
13.3.1. Necessidade de gestão da água em tempo real nas bacias fluviais ........ p. 49
13.4. Irrigação no futuro ............................................................................ p. 49
13.5. Energia hidrelétrica no futuro ............................................................. p. 50
13.6. Controle de enchentes no futuro ......................................................... p. 52
13.7. Navegação interior no futuro ............................................................. p. 53
13.8. O equilíbrio entre os benefícios dos projetos e o meio ambiente.............. p. 54
13.9. A necessidade de conscientização e educação do público sobre
recursos hídricos............................................................................... p. 56
14 O Papel da CIGB e a Água do Mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 57
15 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 58
Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . p. 60
Barragens & a Água do Mundo
5
Introdução
© 2 (see p.64)
Barragem de
Serre-Ponçon França - uma
barragem
de usos
múltiplos
A Água
é o recurso vital para
sustentar todas as formas de vida na
Terra. Ela é essencial ao bem-estar de
nossa civilização e é o elemento essencial
ao crescimento e desenvolvimento do
meio ambiente do planeta, assim como
requisito básico para sua saúde. Para
ajudar os leitores a compreender alguns
dos termos usados neste livro, um
glossário foi incluído como Anexo A.
Com este livro você aprenderá que há
uma quantidade fixa de água no planeta.
Dessa quantidade fixa, apenas uma
pequena fração é de água doce e
disponível para consumo humano,
irrigação de plantações e uso industrial.
Você também verá que recebemos uma
quantidade fixa de precipitação ou chuva
e que apenas uma pequena fração dela
cai em nosso solo. Uma parcela
significativa da chuva acaba escoando
para nossos córregos e rios e depois para
os oceanos. Isso deixa uma pequena
quantidade de chuva para uso humano e
infiltração no solo para reabastecer
6
nossos lençóis freáticos, o que ressalta a
necessidade de coletar, armazenar e
administrar a água em reservatórios.
Você também verá que essa chuva não é
distribuída de maneira homogênea pelas
estações do ano ou por local e que,
havendo um desequilíbrio entre
disponibilidade e demanda, a gestão
cuidadosa é essencial. Além disso, você
encontrará uma síntese sobre a
população mundial e sua taxa de
crescimento projetada. Observe que a
maior parte do crescimento populacional
ocorrerá nos países menos
desenvolvidos - onde a necessidade de
água é maior e onde a oferta atual é
limitada. É importante reconhecer que o
uso irresponsável e a contaminação da
água disponível são largamente
disseminados. Em algumas regiões do
mundo, a vida é ameaçada pelo
desequilíbrio entre a demanda e a oferta
disponível de água, alimentos e energia.
Você observará que ao longo da história
do mundo barragens e reservatórios têm
Barragens & a Água do Mundo
Introdução
1
sido construídos com sucesso em rios
para coletar e armazenar vastas
quantidades de água e também
administrar a vazão para manter
fluxos fluviais diários para
sustentar a civilização. Por
mais de 4 mil anos, a
civilização tem usado
barragens para fornecer a
água necessária para
sustentar a vida em todas
as partes do mundo.
Muitas dessas barragens
ainda estão em operação
atualmente.
A demanda por água, como
resultado da população
mundial em expansão e do
crescimento econômico,
aumentou a necessidade de
construção de barragens para
armazenar grandes volumes de água.
Atualmente, as barragens e os reservatórios
continuam a servir aos mesmos propósitos no
atendimento das necessidades sociais e
econômicas ao redor do mundo e ao mesmo
O maciço de
terra de uma
barragem em
Santa Fé, nos
Estados
Unidos
tempo são
compatíveis com o
ambiente natural de
cada região. Você
conhecerá toda a gama de
benefícios que obtemos com
projetos de barragens e
reservatórios - suprimento de água, irrigação,
controle de enchentes, energia hidrelétrica,
A civilização
precisa de água
em quantidades e
qualidade
adequadas para
manter a vida e
sustentar o
crescimento e o
desenvolvimento
Barragens & a Água do Mundo
7
see p.6
4)
O mundo
contém
grande
quantidade
de água
A Água do Mundo
Esta
seção explica onde e em que
forma a água do mundo existe, e como
obtemos água – “o ciclo da água”. Pode
parecer surpreendente para a maioria das
pessoas que apenas 2,5% da água do
mundo são de água doce (localizada em
geleiras, lençóis freáticos, lagos e rios) e
estão disponíveis para as pessoas e
nações do planeta.
Os oceanos
contêm 97,5%
da água
do mundo
A maior parte da água do mundo está
localizada nos oceanos, na neve e no gelo
permanentes, nas geleiras do Ártico e da
Antártida, nos rios, nos lagos e nos
lençóis freáticos. A distribuição efetiva da
água do mundo é apresentada no
diagrama a seguir.
8
© 4 (see p.64)
©3(
Barragens & a Água do Mundo
A Água no Mundo
2
Um Mundo de Sal
Estimativas Totais Globais de Água Salgada e Água Doce
0,3%
Água Doce
2,5%
35 000 000 km3
Armazenamento em
lagos e rios
30,8% Lençóis freáticos, incluindo
umidade do solo, água de
pântanos e de terrenos sempre
congelados (= permafrost)
68,9% Geleiras e cobertura
permanente de neve
É
importante
compreender
onde estão
localizados os
2,5% de água
doce
Água Salgada
97,5%
1 365 000 000 km3
na qual o solo está cheio de água ou
saturado dela. A área cheia de
água é chamada zona
saturada e o topo dessa
zona é chamado lençol
freático (veja o diagrama
a seguir). Os lençóis
freáticos podem estar
próximos da superfície
do solo ou a centenas de
metros abaixo dela. São
uma fonte confiável em
áreas rurais do mundo. A
maior
parte da água dos
Uma
lençóis freáticos é limpa,
geleira
típica na
mas pode ser poluída ou
América
contaminada. É importante
do Norte
protegê-la da contaminação.
Uma parcela significativa da água doce
do mundo (68,9%) está na forma de
geleiras e cobertura
permanente de neve nas
regiões do Ártico e da
Antártida. Entretanto,
apenas pequenas frações
se tornam disponíveis a
cada ano.
Os lençóis freáticos são
uma fonte de água doce
utilizável. Sua fonte é a
chuva, a neve e o granizo
que se infiltram no solo ou o
encharcam. A água entra no
solo devido à gravidade, passando
entre partículas de solo, areia, cascalho
ou rocha até atingir uma profundidade
Condições naturais
Precipitação
Evaporação
Zona ribeirinha
Infiltração
Di
re
çã
od
of
lux
o da
Lençol
freát
ico
Córrego
A água
subterrânea
corre para
baixo na direção
de nossos rios
e córregos
água
subter
rânea
Fluxo da água subterrânea
Unidade isolante
Barragens & a Água do Mundo
9
Hoje uma grande parcela da população
mundial obtém sua água dos lençóis
freáticos. Em comparação com o
armazenamento de água na superfície, tal
como o proporcionado pelos lagos, a água
dos lençóis freáticos tem a vantagem de
estar frequentemente disponível
localmente e não exigir transporte. Além
disso, os investimentos no desenvolvimento de fontes de água dos lençóis
freáticos podem ser feitos à medida que
se tornam necessários. Como os lençóis
freáticos existem naturalmente, sua
localização e seu volume não podem ser
alterados ou expandidos. Nas regiões
áridas do planeta, os lençóis freáticos são
muito escassos para fornecer
quantidades adequadas de água. Na
região de Riad, na Arábia Saudita, por
exemplo, o lençol freático é explorado a
uma profundidade de 1.200m a 1.800
Poço
freáticos. Em áreas abertas, cobertas por
vegetação e sem construções, a absorção é
a maior até 75% da chuva. Em áreas com
estacionamentos pavimentados e outras
construções, o escoamento é o maior cerca de 75% da chuva. Em conclusão, é
importante ter consciência de que, à
medida que o solo é ocupado por
construções, o escoamento aumenta e a
absorção diminui.
Para obter água do lençol freático, poços
são instalados para extrair água para uso
doméstico, agrícola e industrial. A extração
deve ser administrada para não rebaixar o
lençol freático e esgotá-lo em alguns locais
por bombeamento excessivo (no poço
central).
É essencial administrar a extração de água
em relação à recarga ou reabastecimento,
para garantir que o lençol freático local não
seja exaurido com o tempo.
Poço
Poço
Lençol freático anterior
Antes
da extração
intensiva
metros. Durante o desenvolvimento da
cidade de Phoenix, Arizona, nos Estados
Unidos, utilizou-se água do lençol freático
até sua exaustão. Para atender à demanda
atual, água do rio Colorado é canalizada
através do deserto.
Na seção três, veremos que, de toda a
chuva no mundo, 19% caem sobre os
continentes. A chuva pode ser absorvida
pelo solo ou escoar por córregos e rios até
os oceanos. O volume de água que é
absorvido pelo solo é a fonte para
recarregar ou reabastecer os lençóis
10
Poço seco
Poço seco
Depois
da extração
intensiva
O
resultado
da extração
intensiva de água
do poço central
produz um cone
de depressão
no lençol
freático
Co
ne
de
o
sã
es
r
p
de Lençol freático rebaixado
O bombeamento excessivo de água do
lençol freático irá rebaixá-lo. Isso
frequentemente exige que a água seja
extraída de profundidades ainda maiores.
O que, com o tempo, pode levar à exaustão
do lençol freático naquele local.
Atualmente, sabe-se que a extração
excessiva está ocorrendo em partes da
Arábia Saudita, de Israel, da África do Sul,
da Índia e da região oeste dos Estados
Unidos. Nessas áreas do mundo é
necessário administrar a extração de água
dos lençóis freáticos e complementá-la
com reservatórios.
Barragens & a Água do Mundo
A Água no Mundo
2
Nossos lagos e rios contêm a
menor parcela de nossa água
doce. Quando chove, parte
da água desses lagos escoa
para nossos córregos e rios
e depois para os oceanos.
Devido à quantidade Menos de
relativamente pe1% da água
quena de água do mundo está
em nossos
doce disponível
lagos...
para o consumo, é
essencial administrála e não poluir ou
contaminar nossos
lagos e rios
naturais. Isso requer
estações de
tratamento de
esgoto e aterros
controlados para o
© 5 (see p.64)
…e
em
nossos
rios
Como Obtemos Água
“O Ciclo Mundial
da Água”
A água
existe na Terra em forma sólida (gelo), líquida (água nos oceanos, lagos
e rios) ou gasosa (vapor d'água). Os oceanos, os rios, as nuvens e a chuva, os quais
contêm água, estão em frequente estado de mudança (a água superficial evapora, a
água das nuvens se precipita, a chuva penetra no solo etc.). Entretanto, é importante
entender que o volume total de água da Terra não muda. O processo de circulação e
conservação da água do planeta é chamado "ciclo da água".
Barragens & a Água do Mundo
11
Como Obtemos Água
3
“O Ciclo Mundial da Água”
O Ciclo Mundial da Água
Precipitação, Evaporação, Evapotranspiração e Escoamento Globais
Transporte de Vapor
Precipitação
9 000 km3
Precipitação
110 000 km3
Precipitação
458 000 km3
Evapotranspiração
65 200 km3
Evaporação
9 000 km3
Infiltração
Escoamento dos rios
42 600 km3
Fluxo dos lençóis freáticos
2 200 km3
Área de
escoamento
interno
119 milhões km2
Área de escoamento interno
119 milhões km2
Esse Ciclo Mundial da Água ou Ciclo
Hidrológico, como também é conhecido,
refere-se aos ciclos pelos quais passa o
suprimento finito e valioso de água do
planeta. Em outras palavras, a água
continua sendo usada repetidamente. A
energia do sol na forma de luz e calor leva
a água a evaporar dos oceanos, dos rios,
dos lagos e mesmo de poças. A
evaporação significa que a água passa do
estado líquido ao gasoso ou de vapor.
Correntes de ar quente que se erguem da
superfície do planeta elevam esse vapor
d'água à atmosfera.
Quando as correntes de ar atingem as
camadas mais frias da atmosfera, o vapor
d'água se condensa ao redor de pequenas
partículas no ar e se prende a elas. Essa
fase é chamada condensação. Quando
uma quantidade suficiente de vapor se
prende a pequenos fragmentos de poeira,
pólen ou poluentes, forma-se a nuvem. À
medida que o ar absorve mais umidade, as
gotículas que formam as nuvens crescem.
Finalmente, elas atingem um tamanho tal
que os ventos atmosféricos circulantes
não conseguem mais sustentá-las. As
gotas caem então do céu como
precipitação. Essa precipitação pode ser
na forma de chuva, neve ou granizo,
12
Evaporação
502 800 km3
Oceanos
e mares
361 milhões km2
dependendo de outras condições
atmosféricas, como a temperatura.
Quando a precipitação atinge o solo,
várias coisas podem acontecer com ela.
Boa parte da água escoa para córregos e
rios e flui de volta para o oceano. Outra
parte é absorvida pelo solo. A isso chamase infiltração. No solo, a água pode-se
juntar ao estoque dos lençóis freáticos. Os
lençóis freáticos são uma das maiores
fontes de água. Infelizmente, eles não se
localizam de forma homogênea ao redor
do mundo. Assim, algumas áreas do
planeta têm acesso limitado ou nenhum
acesso à água de lençóis freáticos.
No diagrama do ciclo da água, acima, é
importante compreender que - do total da
precipitação ou chuva (577.000 km3) que
cai no planeta - 79% caem nos oceanos,
19% no solo e 2% nos lagos. Isso significa
que apenas 110.000 km3 ou 19% de
nossas chuvas caem sobre nossas terras.
É essencial entender que desses 110.000
km3 de chuva, 59% se evaporam e 38%
escoam para nossos rios e depois para os
oceanos. Apenas 2.200 km3 ou 2% se
infiltram em nossos lençóis freáticos. Isso
ressalta a necessidade de armazenar água
em reservatórios.
Barragens & a Água do Mundo
A Distribuição
da Água do Mundo
Infelizmente, a água não está sempre disponível exatamente onde e quando
precisamos dela. A precipitação ou chuva também não está distribuída
homogeneamente ao redor do mundo, conforme a estação ou o local. Construções em
bacias fluviais aumentam o escoamento e as perdas para o reabastecimento dos lençóis
freáticos. Áreas com cobertura natural têm o menor nível de escoamento e a maior
absorção de água. Áreas com muitas construções fazem a maior parte da chuva escoar e
resultar em alagamentos. Algumas partes do mundo como a África e a Ásia sofrem secas
severas, tornando a água um bem escasso e precioso. Em outras partes do mundo a água
aparece em longos períodos de chuvas violentas que causam morte e danos a
plantações, casas e edifícios. Às vezes em um mesmo país podem ocorrer enchentes
devastadoras em uma área enquanto secas extremas ocorrem em outras áreas.
Leito
ressecado
do rio Usman
Sagar
na Índia
As enchentes
representam
30% de todos
os desastres
naturais.
Entre 1975 e
2000 houve
95 enchentes
significativas
no mundo.
Enchente
na
China
Barragens & a Água do Mundo
13
A Distribuição
da Água no Mundo
4
4.1. Países com disponibilidade
restrita e escassez de água
A Organização das
Nações Unidas
classifica os países
c o m o f e r t a
limitada de água
em países com
disponibilidade
restrita ou países
com escassez de
água (waterstressed ou waters c a r c e ,
respectivamente,
em inglês),
conforme o volume de água renovável
disponível. Os países com disponibilidade
restrita de água têm menos de 1.700
metros cúbicos de água disponível,
por pessoa, por ano (esse
volume é o mesmo de uma
pirâmide com base de 25
metros e altura de 8,2
metros). Isso significa
que a água fica
temporariamente
indisponível, em
determinados locais,
com frequência, o que
exige a tomada de
decisões difíceis
quanto ao seu uso para
consumo pessoal, na
agricultura ou na indústria.
Os países com escassez de
água têm menos de 1.000
metros cúbicos de água disponível,
por pessoa, por ano (o que equivale à
mesma pirâmide com base de 25 metros,
mas com apenas 4,8 metros de altura).
© 6 (see p.64)
Paisagem
em região
com escassez
de água na
África.
© 7 (see p.64)
O leito
seco de
umLeito
rio em
ressecado
uma
área com
do rio Usman
disponibilidade
Sagar
restrita
na Índia de
água
14
Nesses casos, pode não haver água
suficiente para garantir alimentação
adequada, o desenvolvimento econômico
pode ser dificultado, e graves problemas
ambientais podem surgir. Esse problema é
discutido em detalhes na seção sobre
demandas por água.
Para a maioria dos propósitos, as bacias
fluviais são uma unidade mais adequada
do que os países para analisar os fluxos de
água. Entretanto, muitas das maiores
bacias fluviais do mundo abrangem mais
de um país, situação que requer
coordenação entre os respectivos
governos. Atualmente, 2,3 bilhões de
pessoas vivem em bacias fluviais que
estão pelo menos com disponibilidade
restrita de água; 1,7 bilhão vivem em
bacias em que prevalecem
condições de escassez. Em
2025, projeta-se que
4.2 Água para
saneamento
A
f a l t a
d e
saneamento é um
enorme problema de
saúde pública que
causa doenças e
mortes. Mais de 2,6
bilhões de pessoas, ou
40% da população
mundial,
não possuem
Lavar as
infraestrutura de
mãos previne
saneamento básico. Em
doenças
razão disso, milhares de
- crianças em
idade escolar
crianças morrem todos os
na África
dias de diarréia e de outras
doenças transmitidas pela
água e relacionadas ao saneamento e à
higiene. Muitas outras crianças sofrem e
são enfraquecidas por essas doenças. O
progresso na área de saneamento tem
sofrido com a falta de compromisso
político e demanda política.
Hoje, a água de reservatórios representa
um estoque confiável de água para
tratamento e para melhoria das condições
sanitárias. Entretanto, fornecer
simplesmente acesso à água e
saneamento melhores não garante o uso
dos serviços ou os muito esperados
benefícios da saúde para as pessoas de
uma região. A promoção de mudanças
fundamentais de comportamento é chave
para integrar o uso adequado dos serviços
na rotina das pessoas e deve ter início
desde a infância. Programas de educação
sobre saúde e higiene promovidos pelas
escolas são parte integral de todos os
programas de fornecimento de água e
Barragens & a Água do Mundo
4.3. Gestão integrada
da água
Há uma necessidade
crítica de gestão
integrada da água nas
bacias fluviais. As
barragens e os
reservatórios situados
estrategicamente nas
bacias fluviais
p e r m i t e m
o
armazenamento de água
durante as chuvas e a
gestão das descargas para
garantir que nossos rios
tenham um fluxo diário mínimo o
tempo todo. A gestão integrada da
A gestão
integrada da
água garante
um fluxo diário
médio de água
em nossos
rios
água significa
armazenar água
em todos os
reservatórios
das bacias
f l u v i a i s
d u r a n t e
períodos de
chuva e então
administrar
descargas de
v o l u m e s
coordenados e
pré-determi-nados
de água de cada
barragem para
manter fluxos
diários consistentes
Dados sobre
a População Mundial
Em
2005, a população mundial era estimada em 6,45 bilhões de pessoas, mas
continua a crescer à taxa anual de 1,3% ou 77,3 milhões de pessoas por ano. A
projeção da população mundial até 2050 é apresentada abaixo. Boa parte desse
crescimento ocorre nas partes áridas do mundo África e Ásia. Esse crescimento
continua a exercer pressão significativa sobre a água, os alimentos, a energia, outras
infraestruturas e outros serviços.
Com o atual crescimento global, a
população do planeta dobrará a cada 54
anos. Podemos esperar que a população
mundial, hoje de aproximadamente 6
bilhões, atinja 12 bilhões em 2054 se a
taxa atual de crescimento se mantiver.
É importante entender que a taxa de
crescimento é muito maior nos países
em desenvolvimento, como mostrado
no gráfico a seguir. Nesses países as
fontes de água doce e de eletricidade
são muito limitadas.
Gráfico
das taxas de
crescimento
populacional
mostrando
crescimento
significativo nos
países em
desenvolvimento
População (em bilhões)
População (em bilhões)
População Mundial 1950-2050
Gráfico
da
População
Mundial
10
10
9
8
8
2000
6,1 bilhões
7
6
6
5
4
Países
menos
desenvolvidos
4
3
2
1
2
1950 1960
1970
1980 1990 2000 2010 2020 2030
2040 2050
0
Países mais desenvolvidos
Ano
Fonte: Departamento de Recenseamento dos Estados Unidos,
Banco de Dados Internacional em 5.10.00.
Barragens & a Água do Mundo
15
Demandas por Água
6.1. Demandas domésticas
por água
As demandas por água são classificadas
em domésticas, agrícolas e industriais. O
fornecimento doméstico básico de água,
recomendado por pessoa / por dia
adotado como padrão mundial é o
seguinte:
Propósito
litros/pessoa/dia
Ingestão
5
Saneamento
20
Banho
15
Preparação de alimentos
10
Total
50
Isso equivale a 18,25 metros cúbicos
ou 4.821 galões por pessoa por ano*
* Esse montante não inclui perdas no processo
de tratamento e nos sistemas de distribuição.
Muitas
partes do
mundo não
dispõem de
quantidades de
água e sistemas
de distribuição
adequados
Por exemplo, uma cidade de 500.000
habitantes requer 25 milhões de litros por
dia para atender à demanda doméstica
básica por água, e cerca de 27 milhões de
litros por dia (o que equivale a
um campo de futebol
internacional com água
à profundidade de 4,7
metros) incluindo-se
as perdas. Uma vila
d e
1 . 0 0 0
h a b i t a n t e s
precisará de
50.000 litros por
dia, ou 55.000
litros por dia (o
que equivale a uma
pirâmide com base
de 8 metros e altura
de 2,6 metros)
incluindo-se as perdas.
Mesmo uma pequena vila de
500 habitantes precisará de
25.000 litros por dia, ou 27.500 litros por
dia considerando-se as perdas.
Em 2000, havia 61 países, com população
total de 2,1 bilhões de pessoas que não
tinham acesso ao fornecimento mínimo de
50 litros de água por pessoa / por dia.
Com o crescimento populacional
projetado para os países menos
desenvolvidos, esse número deverá
16
dobrar para 4,2 bilhões até 2025.
6.2. Demandas combinadas
por água - domésticas, agrícolas
e industriais
A demanda combinada por água inclui
necessidades domésticas, agrícolas e
industriais. É importante lembrar que a
Organização das Nações Unidas
estabeleceu três níveis de atendimento às
demandas combinadas por água. O
primeiro nível é o dos países que possuem
mais de 1.700 metros cúbicos de água
disponíveis por pessoa / por ano (o que
equivale a uma pirâmide com base de 25
metros e altura de 8,2 metros) e que são
considerados países com fornecimento
adequado para sustentar suas
populações. Observe que a demanda
doméstica é aproximadamente 1% desse
total. O segundo nível é o dos países que
possuem menos de 1.700 metros cúbicos
de água disponíveis por pessoa / por ano e
que são considerados países com
disponibilidade restrita de água. O
terceiro nível é o dos países que possuem
menos de 1.000 metros cúbicos de água
disponíveis por pessoa / por ano (o que
equivale a uma pirâmide com a mesma
base, mas apenas 4,8 metros de altura) e
que são considerados países com
escassez de água. Nesse último nível,
pode não haver água suficiente para
garantir fornecimento adequado de
alimentos, o desenvolvimento econômico
é prejudicado, e surgem problemas
ambientais.
No ano 2000, havia 31 países, com
população total de 508 milhões de
pessoas, que eram considerados países
com disponibilidade restrita de água. Até
o ano 2025, estima-se que o número de
países com disponibilidade restrita de
água aumentará para 48, com população
total de aproximadamente 3 bilhões. As
bacias fluviais são uma unidade mais
adequada do que países para analisar os
fluxos de água. Muitas das maiores bacias
Barragens & a Água do Mundo
O que é
uma Barragem?
As
barragens são definidas como barreiras ou estruturas que cruzam córregos,
rios ou canais para confinar e assim controlar o fluxo da água. As barragens variam
em tamanho: de pequenos maciços de terra, usados frequentemente em fazendas,
a enormes estruturas de concreto, geralmente usadas para fornecimento de água,
energia hidrelétrica e irrigação.
A construção de barragens geralmente
requer a relocação de vilas, casas,
fazendas, estradas, ferrovias e serviços
públicos do vale do rio para áreas de
elevação maior, acima do nível do
reservatório. Os principais tipos de
barragens no mundo são as de aterro,
de gravidade e em arco. Cortes
transversais típicos de cada tipo de
barragem são apresentados na seção
9.3. As estruturas acessórias ou
adicionais das barragens incluem
vertedouros, estruturas de descarga,
usinas hidrelétricas e unidades de
controle.
As barragens são construídas para
armazenar e controlar a água para fins
de fornecimento doméstico, irrigação,
navegação, recreação, controle de
sedimentação, controle de enchentes ou
para obtenção de energia hidrelétrica.
Algumas de nossas barragens têm
apenas uma função e são assim
conhecidas como “barragens de função
única”. Hoje, as barragens são
construídas para servir a diversas
funções e são, por isso, conhecidas
como “barragens de usos múltiplos”. As
barragens de usos múltiplos são
projetos muito importantes e baratos
para países em desenvolvimento, pois a
população recebe vários benefícios
domésticos e econômicos de um único
investimento. Elas são a base do
desenvolvimento dos recursos hídricos
das bacias fluviais.
História das
Barragens no Mundo
Descobertas
arqueológicas
recentes indicam que barragens simples
de terra e redes de canais foram
construídas já em 2.000 a.C. para
fornecer às pessoas fontes confiáveis da
água de que precisavam para viver. A
construção da barragem de Marib no
Iêmen começou, aproximadamente, em
750 a.C. e levou 100 anos para ser
concluída. Ela era um maciço de terra de 4
metros de altura, com aberturas em pedra
para regular as descargas para irrigação e
uso doméstico. Em 1986, a barragem
existente foi elevada à altura de 38
metros, o que criou um reservatório de
398 milhões de metros cúbicos de água.
Barragens & a Água do Mundo
Vista aérea
da barragem
de Sayamalke,
construída no
século VII
e ainda
em uso
17
História das
8
Barragens no Mundo
Lanka foram restauradas.
Inscrições
na comporta
da barragem
original
de Marib,
construída
em 750 a.C
Historicamente, as barragens têm
permitido que as pessoas coletem e
armazenem água em períodos de
abundância e usem-na
durante períodos de seca.
Assim, elas têm sido
essenciais para o
estabelecimento e o
sustento de cidades e
fazendas, e para o
abastecimento de
alimentos por
m e i o
d a
irrigação de
plantações.
A nova
barragem de
Marib, no
Iêmen construída em
1968
Antiga torre
de escoamento
da barragem de
Minneriya, que foi
construída em 276303 d.C. no Sri Lanka
e foi restaurada em
1901 para irrigação.
Ela continua em uso
atualmente
18
U m a
d a s
barragens mais
antigas ainda em
uso é uma barragem de terra e
enrocamento construída em,
aproximadamente, 1.300 a.C., na
área que hoje corresponde à Síria. Na
China, um sistema de barragens e
canais foi construído em 2.280 a.C.
Várias barragens antigas, dos séculos
XIII ao XVI, ainda estão em uso
no Irã.
No Sri Lanka, por exemplo,
antigas crônicas e
inscrições em pedras
afirmam que várias
b a r r a g e n s e
reservatórios foram
construídos já no
século VI a.C.
Canais entre bacias
aumentavam muitos
desses reservatórios para
irrigação. Uma dessas
grandes barragens, a de
Minneriya, foi construída
durante o reinado de
Mahasen (276-303 d.C.) e
estava intacta quando foi
descoberta em 1900. Ela foi
restaurada em 1901 e continua em uso até hoje. Mais de
50 barragens antigas no Sri
A razão principal para o
bom funcionamento
desses reservatórios
hoje em dia é que as
estruturas de
c o m p o r t a s ,
vertedouros e
enrocamentos de
proteção construídas
durante aquela época
são compatíveis com os
Barragem de
Ben-e-Golestan
princípios e critérios
no Irã –
modernos de projeto.
construída
Algumas das torres de
em aproxima –
descarga e comportas
damente
1.350 d.C.
construídas entre dois e três
milênios atrás foram reparadas
e convertidas em estruturas
operantes durante o século XX.
Os romanos construíram um sistema
elaborado de barragens baixas para
fornecimento de água. A mais
famosa delas era a barragem de
terra de Cornalbo, no sul da
Espanha, com altura de
24 metros (78 pés)(n.2)
Enrocamento
e comprimento de
de proteção
feito à mão na
185 metros (606
barragem de
pés). Depois da Era
Giritale, no Sri
Romana, houve
Lanka, construída em 608-618
muito pouco
d.C.
desenvolvimento na
área de construção de
barragens, até o fim do século XVI,
quando os espanhóis começaram a
construir grandes barragens
Uma
para irrigação. Enge-nheiros
antiga
europeus refinaram seus
barragem
conhecimentos de projeto e
de irrigação
no Egito
construção no século 19, o
que resultou na capacidade
de construir barragens com
altura de 45-60 metros ou
150-200 pés.
Historicamente, as
barragens eram planejadas
e construídas para fins de
fornecimento de água,
irrigação e controle de
enchentes. No fim do século XIX, a
energia hidrelétrica e a navegação se
tornaram objetivos adicionais das
barragens. A recreação tem sido uma
função adicional muito benéfica em
A barragem de Sayamaike, uma das
mais antigas do Japão, foi construída
no início do século VII e, após várias
modificações e um aumento de sua
altura, continua em uso até hoje.
Barragens & a Água do Mundo
Requisitos,
Funções, Tipos,
Características
e Construção de Barragens
9.1. Requisitos das barragens
Como as barragens são parte crítica e
essencial de nossa infraestrutura, elas
devem cumprir certos requisitos técnicos
e administrativos para garantir sua
operação segura, eficaz e econômica. O
projeto, a construção e a operação de
todas as barragens devem observar os
seguintes requisitos técnicos e
administrativos:
Requisitos técnicos para as barragens:
as barragens, suas fundações e seus
encontros devem ser estáveis sob todas
as condições de carga (níveis dos
reservatórios e terremotos);
as barragens e suas fundações devem
ser suficientemente vedadas e ter
procedimentos adequados de controle
de vazamentos para garantir a
operação segura e para manter a
capacidade de armazenamento;
as barragens devem ter borda livre
suficiente para evitar transbordamento
de ondas e, no caso de barragens de
terra devem incluir uma margem para
recalque da fundação e do maciço;
as barragens devem ter capacidade
suficiente de vertimento da vazão para
evitar transbordamento dos
reservatórios em casos de enchentes
Requisitos administrativos para
as barragens:
manual de operação e manutenção;
instrumentação adequada para
monitoramento de desempenho;
plano de monitoramento e observação
das barragens e demais estruturas;
plano de ação emergencial;
apoio ao meio ambiente natural;
cronograma de inspeções periódicas,
Barragens & a Água do Mundo
revisões abrangentes, avaliações e
modificações, conforme seja
apropriado;
documentação formal do projeto, da
construção e dos registros
operacionais.
9.2. Funções das barragens
Assim como é o caso de todas as grandes
estruturas públicas e privadas, as
barragens são construídas para um fim
específico. No passado, as barragens
eram construídas com o único propósito
de fornecimento de água ou irrigação. À
medida que as civilizações se
desenvolveram, cresceram as
necessidades de fornecimento de água,
irrigação, controle de enchentes,
navegação, controle de qualidade da
água, controle de sedimentos e energia.
As barragens são, portanto, construídas
para um fim específico tal como
fornecimento de água, controle de
enchentes, irrigação, navegação,
controle de sedimentos e energia
hidrelétrica. A recreação é às vezes
incluída em benefício da população. As
barragens são as bases do
desenvolvimento e da gestão dos
recursos hídricos das bacias fluviais. As
barragens de usos múltiplos são projetos
muito importantes para países em
desenvolvimento, pois as populações
recebem benefícios domésticos e
econômicos de um único investimento.
9.3. Tipos de barragens
As barragens são classificadas conforme
o material usado para construí-las.
Barragens construídas com concreto,
pedra ou alvenaria são chamadas
barragens de gravidade, barragens em
arco ou barragens de contrafortes. As
19
NÍVEL MÁXIMO
DE ÁGUA 2023 m
1
2
1
3
4
5
6
7
Galeria do coroamento
Galeria de inspeção
Galeria da base
Poço de prumo
Cortina de impermeabilização
principal
Cortina de impermeabilização
secundária
Cortina de drenagem
NÍVEL MÁXIMO
DE ÁGUA 1850 m
Corte
transversal
de uma
barragem
em arco
2
4
NÍVEL MÍNIMO
DE ÁGUA 1984.5 m
1
3
Corte
transversal
de uma
barragem de
gravidade
NÍVEL
MÍNIMO
DE ÁGUA
1740 m
6
7
5
0
5
ESQUADRO
1710 m
10 15 20m
4
As barragens em aterro são construídas ou
de terra ou de uma combinação de terra e
rochas. Os engenheiros geralmente optam
por construir barragens em aterro em áreas
onde há grandes quantidades de terra ou
rocha disponíveis. As barragens de aterro
representam cerca de 75% de todas as
barragens do mundo. Algumas barragens
em aterro são construídas inteiramente de
terra e são conhecidas como barragens de
terra, enquanto outras são conhecidas
como barragens de enrocamento, por
serem construídas com matacões de
rochas. Muitas barragens em aterro são
construídas com uma combinação de terra
e matacões de rochas e são conhecidas
como barragens de terra e enrocamento.
7
5
0 10 20 30m
6
1
Galerias de inspeção
2
Túnel de drenagem
3
Camada de proteção
de concreto a montante
4
Células circulares
Coroamento R.L. 389.53
5
6
7
8
Cortina de impermeabilização principal
Cortina de impermeabilização secundária
Cortina de drenagem
Sapata de concreto
sob a base
Corte
transversal
de uma
barragem de
aterro
Terra
ros
ros
F il t
Fi lt
2
8
F.L.S. 380.39m
Enrocamento
1
3
Enrocamento
Zona impermeabilizada
da fundação
Linha
de escavação
da fundação
Cortina
de impermeabilização
20
Barragens & a Água do Mundo
Requisitos, Funções, Tipos,
Características e Construção de Barragens
9
© 8 (see p.64)
Uma
grande
barragem
de terra
barragens de alvenaria. Hoje, as
barragens de gravidade são construídas
com concreto massa ou concreto
compactado a rolo (concreto colocado
em camadas e compactado por um
rolo)(n.3) e são chamadas barragens de
gravidade em concreto.
Uma
barragem
de
contrafortes
Uma
barragem
em arco de
concreto
Uma
barragem de
enrocamento
e terra
© 11 (see p.64)
© 10 (see p.64)
© 9 (see p.64)
As barragens de gravidade dependem
inteiramente de seu próprio peso para
resistir à tremenda força da água
armazenada. Algumas das primeiras
barragens de gravidade foram
construídas com blocos de alvenaria e
concreto e são conhecidas como
© 12 (see p.64)
As barragens em arco são barragens de concreto
em curva a montante em direção ao fluxo da
água. A maioria delas é construída em vales
estreitos. À medida que a água empurra a
barragem, o arco transfere a força da água
para as paredes do vale. As barragens
em arco requerem muito menos
concreto que barragens de gravidade,
do mesmo comprimento. Elas
também requerem fundações de
rocha sã para suportar o seu peso.
As barragens de contrafortes
dependem, para sua sustentação, de
uma série de suportes verticais
chamados contrafortes. Os
contrafortes se estendem ao longo da
face a jusante das barragens, isto é, do
Uma
lado
oposto ao fluxo da água. A face a
Uma
barragem
jusante das barragens de contrafortes
barragem
de enrocade gravidade geralmente se inclinam para fora cerca de 45
mento e
terra
de
graus. As faces inclinadas e os contrafortes
concreto
servem para transferir a força da água para baixo,
rumo às fundações das barragens.
Barragens & a Água do Mundo
21
Requisitos, Funções, Tipos,
9
Características e Construção de Barragens
mantido pelo vertedouro e pelas
estruturas de descarga.
9.4. Componentes das barragens
Para operar adequadamente, as
barragens devem ter vários componentes
específicos: um reservatório, um
vertedouro, estruturas de descarga e uma
unidade de controle. No caso de
barragens com instalações de energia
hidrelétrica, condutos forçados,
geradores e subestações estão incluídos.
O reservatório é o componente que
armazena a água. A alimentação ou vazão
afluente deve ser continuamente
monitorada e a vazão deve ser controlada
para obter o máximo de benefícios. Sob
condições normais de operação o nível do
reservatório é controlado pela unidade de
controle, que controla a vazão pelas
estruturas de descarga, que consistem
em um grande túnel ou conduto no nível
da água e comportas. Sob condições de
enchente o nível do reservatório é
Os reservatórios das barragens para
controle de enchentes são mantidos no
nível mais baixo possível durante vários
meses do ano para criar o máximo de
capacidade de armazenamento para
uso na estação das enchentes. Para
projetos de irrigação, os reservatórios
são preenchidos ao máximo possível no
inverno e no início da primavera e
mantidos nesse nível para vazão
máxima durante a estação das secas. Os
reservatórios de barragens hidrelétricas
são mantidos em níveis constantes para
criar colunas d'água uniformes para uso
pelos geradores. A qualidade da água é
um aspecto muito importante para
manter o equilíbrio na natureza, e
medidas de manutenção da boa
qualidade da água são incorporadas nas
barragens modernas. Tomadas d'água
em profundidades diferentes permitem
a retirada seletiva e a mistura da água
para produzir a temperatura e o teor de
oxigênio desejados para melhorar as
condições ambientais a jusante.
Escadas para peixes, que são séries de
piscinas elevadas, são incluídas em
muitas barragens para permitir a livre
passagem de peixes a montante e a
jusante. Telas são usadas para impedir
os peixes de entrar nas turbinas dos
geradores. Como a maioria das
barragens modernas é de múltiplas
funções, a vazão deve ser administrada
cuidadosa e continuamente para
otimizar os benefícios econômicos e
ambientais.
Exemplo de
uma torre de
tomada no
reservatório
ligado à saída
conduto
Estrutura
da comporta
Comporta
deslizante
MONTANTE
roc
En
to
en
am
JUSANTE
o
ad
act
mp
o
oc
nã
Material aleatório
Material
impermeável
selecionado
Material aleatório
Corte
transversal de
uma torre de
tomada d'água e
de conduto de
descarga através
de uma
barragem de
aterro
Bacia de
dissipação
Fluxo
22
Barragens & a Água do Mundo
© 14 (see p.64)
Um
vertedouro
escorrendo,
localizado no
centro da
barragem
Exemplo
de vertedouro
em uma
barragem de
aterro em Idaho,
nos Estados
Unidos
Barragens & a Água do Mundo
23
Requisitos, Funções, Tipos,
9
Características e Construção de Barragens
Todos os componentes de uma barragem
são monitorados e operados de uma sala
de controle. Essa sala contém os
monitores, controles, computadores,
equipamentos de emergência e sistemas
de comunicação necessários para permitir
que a equipe do empreendimento opere a
barragem com segurança sob quaisquer
condições. Condições climáticas,
afluência, nível do reservatório, vazão e
níveis do rio a jusante também são
monitorados. Além disso, a sala de
controle monitora instrumentos
instalados na barragem e em suas
estruturas acessórias para medir o
comportamento estrutural e a condição
física da barragem.
9.5. Seleção de local e tipo de
barragem
A seleção do tipo de barragem para um
local depende de dados técnicos e
econômicos, além de considerações
ambientais. Nas fases iniciais de projeto,
vários locais e vários tipos de barragens
são analisados cuidadosamente. Depois
da conclusão de um levantamento
hidrológico, um programa de exploração,
na forma de pontos de sondagem e poços
de teste, é conduzido em cada local para
obter amostras de solo e rocha para testar
as propriedades físicas desses materiais.
Em alguns casos, testes de bombeamento
do solo são feitos para determinar o
potencial de infiltração. Projetos
preliminares e estimativas de custo são
preparados e revisados por engenheiros
hidrólogos, hidráulicos, geotécnicos e
estruturais e por geólogos. A qualidade
ambiental da água, os ecossistemas e
dados culturais também são considerados
no processo de seleção do local.
Fatores que afetam a seleção do tipo de
barragem incluem topografia, geologia,
condições para as fundações, hidrologia,
terremotos e disponibilidade de materiais
de construção. As fundações das
barragens devem ser sólidas. Vales
estreitos em rocha sã a baixas
profundidades favorecem barragens de
concreto, enquanto vales largos com
condições e profundidade variáveis da
rocha favorecem barragens de terra.
Barragens de terra são o tipo mais comum,
pois acomodam todo o material oriundo
das escavações necessárias.
24
9.6. Construção de barragens
A construção de uma barragem é um
empreendimento enorme que requer
grandes quantidades de materiais,
equipamentos e mão de obra. O período
de construção ou tempo necessário para
construir uma barragem geralmente vai
de quatro a cinco anos e às vezes chega a
sete ou dez anos, no caso de projetos de
barragens muito grandes, com usos
múltiplos.
Depois que as rodovias, as ferrovias e as
linhas de gás e eletricidade são
transferidas do fundo do vale para acima
da crista da barragem ou para outra área, a
construção da barragem pode começar. O
primeiro passo consiste na preparação do
canteiro de obras ou a retirada de árvores,
vegetação e construções. Em seguida,
ocorre o desvio do rio para que a fundação
possa ser escavada e o concreto, a terra ou
a rocha possam ser colocados. Para
desviar da área o fluxo do rio,
frequentemente metade de seu leito é
escavada por vez. A outra metade do leito
é usada para o fluxo do rio. Em alguns
casos, é mais econômico cavar um túnel
através de uma parede adjacente do
cânion. Esse túnel pode ser temporário ou
pode se tornar parte das estruturas de
descarga do projeto e permite que todo o
fluxo do rio passe pelo canteiro de obras
da barragem durante o período de
construção. Para realizar esse desvio,
ensecadeiras (pequenas barragens
colocadas temporariamente na
transversal do fluxo da água) são
construídas a montante para desviar o rio
rumo ao túnel. Depois que a barragem é
construída até uma altura suficiente, as
comportas do túnel são instaladas. Depois
que a construção das estruturas de
descarga e da barragem principal atinge
um estágio adequado, o fluxo da água é
desviado para as estruturas de descarga
por outra ensecadeira de altura suficiente
para evitar transbordamento durante a
construção na outra metade do leito. Uma
ensecadeira a jusante também pode ser
necessária para manter o canteiro de
obras seco. Na parte final do período de
construção, a barragem inteira é erguida à
sua altura total.
Barragens & a Água do Mundo
Barragem
de Nakai – Laos
– concretagem
em
andamento
© 16 (see p.64)
© 15 (see p.64)
Barragem de
Nakai (Nam
Theun 2) - Laos uma barragem
de concreto
compactado a
rolo
© 17 (see p.64)
Barragem
de Ganguise –
França –
Elevação de
uma barragem
de terra
existente
Barragens & a Água do Mundo
25
Requisitos, Funções, Tipos,
© 19 (see p.64)
9
Características e Construção de Barragens
3
1 & 2 Barragem de Chambon - França - construção
de uma barragem de gravidade no período
1930-1935.
3 Barragem de Roselend - França - o período
© 18 (see p.64)
de construção.
4 Construção da Barragem de Nam Them - Laos.
5 Barragem de Potrerillos.
6 & 7 Barragem de Potrerillos - Argentina - face
a montante.
8 & 9 Barragem de Katse - Lesoto - concretagem
1
de uma barragem em arco.
10 Barragem de Ceyrac - França - concretagem de
uma barragem de gravidade.
11 Construção de uma barragem de concreto
compactado a rolo - Barragem de Penn Forest,
EUA (entrega, colocação, distribuição
e compactação por rolo).
2
12 Barragem de Villerest - França construção de uma
barragem de gravidade curvada.
13 Construção do vertedouro de uma barragem
©
© 20 (see p.64)
de gravidade de concreto massa.
21
(s
e
e
5
26
6
p.
64
)
4
7
Barragens & a Água do Mundo
© 25 (see p.64)
© 24 (see p.64)
© 22 (see p.64)
12
Barragens & a Água do Mundo
© 23 (see p.64)
8
9
11
10
13
27
As Barragens
de Hoje
A
Comissão Internacional de Grandes Barragens (CIGB) mantém um Registro
Mundial de Barragens. Para uma barragem ser considerada grande e ser incluída no
registro deve ter altura de 15 metros ou 10 a 15 metros e armazenar mais de 3
milhões de metros cúbicos de água em seu reservatório(n.4). As barragens são
listadas por país e incluem dados como nome, ano de conclusão, altura, capacidade
do reservatório, área da bacia hidrográfica (área de drenagem), função, capacidade
de geração elétrica instalada, energia elétrica média anual produzida, área irrigada,
volume de água armazenada para proteção contra enchentes e número de pessoas
afetadas pelo reassentamento. Os dados mundiais de 2000 indicam haver cerca de
50 mil grandes barragens em operação. Barragens de terra são o tipo
predominante, seguidas de barragens de gravidade e barragens em arco. O
processo de planejamento dos projetos de barragens e o envolvimento do público,
assim como as questões socioeconômicas locais, são discutidos na seção 13.
Os gráficos abaixo apresentam a entrada em operação das grandes barragens do
mundo e sua distribuição por altura e por área geográfica:
Barragens Inauguradas por Década
Número de Barragens
8 000
7. 511
7 000
5.942
5.574
6 000
5 000
4 000
3.354
3.213
3 000
2 000
863
546
838
1.015
1.119 1.114
1 000
0
1900 1900- 1910- 1920- 1930- 1940- 1950- 1960- 1970- 1980- 19901909 1919 1929 1939 1949 1959 1969 1979 1989 1999
Anos
Número de Barragens por Altura
Número de Barragens
16 000
14.592
14 000
12 000
9.926
10 000
8 000
6 000
5.721
4 000
2.004
2 000
515
155
100-149
150-400
0
0-14
15-29
30-59
60-99
Altura em Metros
28
Barragens & a Água do Mundo
As Barragens de Hoje
10
O tipo principal de barragem é o de terra, que representa 43,7% do total mundial. Em
seguida, vêm as barragens de gravidade (10,6% do total) e as barragens de
enrocamento (5,3% do total).
10.1. A função das barragens atuais no mundo
A maioria das barragens no Registro da CIGB (71,7%) é de barragens de uso único,
embora haja um número crescente (28,3%) de barragens de usos múltiplos. Hoje, a
irrigação é a função mais comum das barragens no Registro da CIGB. A distribuição
das funções entre as barragens de uso único é a seguinte:
48,6%
17,4%
12,7%
10,0%
5,3%
0,6%
5,4%
para
para
para
para
para
para
para
irrigação
hidreletricidade
suprimento de água
controle de enchentes
recreação
navegação e piscicultura
outras funções
Barragens & a Água do Mundo
29
p.64)
© 26 (see
Barragem
de Chaudanne França - uma barragem
em arco que fornece
água a uma região
naturalmente seca
para uso doméstico,
irrigação, uso
industrial e geração
de energia
hidrelétrica
Os Benefícios
Recebidos
das Barragens
Um dos requisitos fundamentais do desenvolvimento socioeconômico no mundo
é a disponibilidade de quantidades adequadas de água com a devida qualidade e de
suprimento adequado de energia. Barragens adequadamente planejadas,
projetadas, construídas e mantidas contribuem significativamente para atender a
nossas demandas de fornecimento de água e energia. Para compensar as variações
no ciclo hidrológico, as barragens e os reservatórios são necessários para
armazenar água e assim fornecer vazão consistente para manter o fluxo diário
necessário em nossos rios ao longo do ano.
11.1. Suprimento de água para
uso doméstico e industrial
Fontes adequadas e confiáveis de água
são necessárias tanto para manter a
civilização existente quanto para
sustentar o crescimento futuro. No
passado e em muitas regiões do mundo
hoje, as principais fontes de água para
uso doméstico e industrial têm sido os
lençóis freáticos ou aqüíferos (camadas
de cascalho arenoso ou rocha que
contêm e podem armazenar água). Hoje,
a retirada de água de muitos desses
aqüíferos excede sua reposição natural, o
que resulta em rebaixamento do lençol
freático. Essa situação pode levar ao
esgotamento da água dos lençóis
freáticos tanto em períodos de seca
30
quando permanentemente. É importante relembrar a seção 3, em que se
expõe que, do total de chuva que se
precipita sobre a Terra, apenas 19%
caem sobre o solo e que uma grande
parcela disso acaba escoando,
resultando em apenas 2% de
precipitação que se infiltra para
reabastecer os lençóis freáticos.
Barragens devidamente planejadas,
projetadas, construídas e mantidas
para armazenar água contribuem
significativamente para o atendimento
de nossas demandas por água. Para
compensar as variações no ciclo
hidrológico, as barragens e os
reservatórios são necessários para
armazenar água e assim garantir
fornecimento mais consistente
durante períodos de escassez.
Barragens & a Água do Mundo
Os Benefícios
Recebidos das Barragens
11
© 27 (see p.64)
Um
exemplo de
barragem
em arco
Aumentar nosso fornecimento de água
obtida dos lençóis freáticos com água
adicional de reservatórios está se
tornando essencial. Grandes áreas
urbanas dependem muito de água
armazenad a em reservatórios
durante períodos de muita chuva para
uso em períodos secos. Isso é
especialmente crítico em regiões
áridas do planeta.
© 28 (see p.64)
Exemplo
de uso
industrial da
água - uma
grande fábrica
de celulose e
papel
A água armazenada em reservatórios
também é usada para fins industriais.
Essas necessidades vão do uso direto em
fábricas a processos químicos e de
refino e a resfriamento em usinas
elétricas convencionais e nucleares. Os
Barragens & a Água do Mundo
fluxos controlados dos reservatórios
podem ser usados para diluir
substâncias despejadas nos rios,
aumentando seu fluxo para manter a
qualidade da água dentro de limites
seguros.
31
© 29 (see p.64)
A indústria
requer
milhões de
litros de água
por dia
11.2. Atendimento da demanda
agrícola para fornecimento de
alimentos
Um dos maiores usos de água em escala
mundial é na agricultura irrigada. Desde
o início dos anos 90, menos de 1/5 da
terra arável do planeta é irrigada, e essa
parcela contribui com cerca de 1/3 da
produção mundial de alimentos. Um
ditado popular entre os povos das
regiões áridas do mundo afirma que
"o alimento cresce onde a
água corre".
Estima-se que 80% da produção
adicional de alimentos até 2025
deverão vir de terras irrigadas. Isso
representará demanda adicional sobre
nosso fornecimento de água doce. A
maior parte das áreas que necessitam
de irrigação está em zonas áridas, que
abrangem uma parcela significativa
dos países em desenvolvimento.
Mesmo com difundidos
procedimentos de economia de água
por meio de melhorias na
tecnologia de irrigação, a
construção de mais
projetos de
reservatórios
Fornecimento
de água para
alimentação
em países em
desenvolvimento
32
Barragens & a Água do Mundo
Os Benefícios
Recebidos das Barragens
11
© 30 (see p.64)
“O alimento
cresce onde a
água corre”
11.3. Controle de enchentes
As barragens e os reservatórios podem
ser usados de maneira eficaz para regular
os níveis dos rios e as enchentes a jusante
por meio do armazenamento temporário
do volume adicional de água para
descarga posterior. O método mais eficaz
de controle de enchentes é alcançado por
um plano de gestão integrada da água
para regular o armazenamento e a vazão
de cada uma das principais barragens
localizadas em uma bacia fluvial. Cada
barragem é operada segundo um plano
específico de controle da água para
conduzir as enchentes através da bacia,
sem danos. Isso implica reduzir o nível
dos reservatórios para criar mais
espaço de armazenamento, antes da
estação chuvosa. Essa estratégia
elimina as enchentes. O número de
barragens e seus planos de gestão da
água são estabelecidos por meio de um
planejamento abrangente para o
desenvolvimento econômico e com
participação pública. Informações
adicionais sobre planos de gestão
integrada da água estão disponíveis no
item 11.7. O controle de enchentes é
uma função importante para muitas
barragens existentes e continua como
função principal de algumas das
maiores barragens atualmente em
construção no mundo.
Enchente
em uma
vila
Barragens & a Água do Mundo
33
Esquema de uma Hidrelétrica
Reservatório
Barragem
Casa de Força
Transformador
Linhas elétricas (n.5)
Gerador
Diagrama
de uma
barragem e
sua usina
hidrelétrica
Tomada
d'água
Comporta
Conduto
forçado
11.4. Energia hidrelétrica
A água tem sido usada como forma de
energia desde a era romana. A princípio
usada para mover moinhos para vários
processos mecânicos como moer milho,
cortar madeira ou mover tecelagens. No
início do século XIX, a turbina hidráulica
foi desenvolvida como uma máquina
muito mais eficiente que os moinhos, e
em meados daquele século a energia
Turbina
Canal de fuga
hidráulica foi usada para produzir
eletricidade pela primeira vez. O
conceito de uso da água em movimento para girar uma turbina conectada
por um eixo a um gerador para gerar
eletricidade é conhecido como
(n.6)
hidreletricidade . Como a água é a
fonte da energia, a hidreletricidade é
uma fonte de energia elétrica
renovável(n.7) e amplamente utilizada.
Geradores
em uma
usina
elétrica
© 31 (see p.64)
© 32 (see p.64)
Uma
turbina
usada para
hidreletricidade
34
Barragens & a Água do Mundo
Os Benefícios
Recebidos das Barragens
11
© 33 (see p.64)
Barragem
de Castillon França: a usina
está ao pé da
barragem, e a
subestação e as
linhas elétricas
estão no canto
superior
direito
Quanto maior a força disponível da água
para girar a turbina, mais energia pode
ser produzida. A quantidade de
eletricidade que pode ser produzida
depende então da altura da qual a água
precisa cair para atingir a turbina e do
volume de água que passa por ela. Uma
grande vantagem da energia
hidrelétrica, em comparação com outras
fontes de eletricidade (como, por
exemplo, a queima de carvão, óleo ou
gás), é ser renovável. Em outras
palavras, a água não é consumida pelo
processo de geração de eletricidade e
continua disponível para outros usos
quando é descarregada pela usina
hidrelétrica. Ela também é uma fonte
limpa de energia, pois não envolve a
queima de combustíveis, que podem
poluir o meio ambiente.
Alguns dos primeiros países a
desenvolver a hidreletricidade em
grande escala foram a Noruega, a Suécia
e a Suíça, na Europa; o Canadá, os
Barragens & a Água do Mundo
Estados Unidos, a Austrália e a Nova
Zelândia. Em escala menor, projetos
hidrelétricos foram construídos, em
condições adequadas, há muitos
anos, em alguns países asiáticos; a
primeira pequena usina hidrelétrica
indiana, por exemplo, tem mais de
100 anos.
Quase 200 países no mundo têm
alguma capacidade para desenvolver
projetos hidrelétricos, em grande ou
pequena escala. As melhores
condições naturais estão em países
montanhosos, com muitos lagos ou
rios ou grandes sistemas fluviais. A
maior usina hidrelétrica em operação
é a de Itaipu, no rio Paraná, entre o
Brasil e o Paraguai. Embora essa seja
uma usina excepcionalmente grande
(com capacidade elétrica de mais de
14.000MW [megawatt ou um milhão
de Watts]), há centenas de milhares de
usinas de médio porte ao redor do
mundo. O Brasil produz mais de 90%
35
© 34 (see p.64)
Queda de
Vaugris no rio
Ródano:
barragem, usina
e eclusa – uma
instalação de
múltiplas
funções
36
11.5. Navegação Fluvial
11.6. Recreação
As condições naturais dos rios, como
mudanças em suas vazões e seus níveis,
gelo e leitos em mutação, devido à
erosão e à sedimentação, criam grandes
problemas e obstáculos para a sua
navegação fluvial. As vantagens da
navegação fluvial, entretanto, em
comparação com o transporte
rodoviário e ferroviário, são a grande
capacidade de carga de cada
embarcação, a capacidade de conduzir
cargas de grandes dimensões e a
economia de combustível. A melhoria na
navegação fluvial é resultado de
planejamento e desenvolvimento
abrangente das bacias fluviais com
barragens, eclusas e reservatórios
regulados para exercer um papel vital na
obtenção de benefícios econômicos em
escala regional e nacional.
A atração dos reservatórios para
recreação é frequentemente um
benefício significativo, além das demais
funções das barragens. Isso é
especialmente importante em áreas
onde há pouca ou nenhuma água
superficial natural. Os benefícios de
recreação associados a lagos, tais como
passear de barco, nadar, pescar,
observar pássaros e fazer caminhadas,
são considerados no início da fase de
planejamento dos projetos e
juntamente com outros objetivos levam
a projetos equilibrados. A operação das
barragens e dos reservatórios pode
melhorar as oportunidades de
recreação.
Além de benefícios econômicos, os rios
que foram desenvolvidos com barragens
e reservatórios para navegação também
podem oferecer benefícios adicionais de
controle de enchentes, redução da
erosão, níveis estáveis de água nos
lençóis freáticos do sistema e recreação.
A disponibilidade de água em
quantidades suficientes e com
qualidade adequada onde é necessária
continua sendo o desafio básico. Assim,
a água obtida de lençóis freáticos, lagos
naturais, rios livres e projetos de
reservatórios é usada para satisfazer
11.7. Gestão integrada da água
em bacias fluviais
Barragens & a Água do Mundo
Os Benefícios
Recebidos das Barragens
as demandas domésticas, agrícolas e
industriais. Dessas quatro fontes, os
reservatórios são a única fonte que
pode ser efetivamente administrada
para atender as necessidades de água e
de energia dos estados, regiões e
países. A alimentação e a vazão dos
reservatórios devem ser administradas.
A gestão integrada da água nas bacias
fluviais é o processo pelo qual a água
armazenada nos reservatórios e as
descargas diárias são administradas
nas bacias para garantir que uma
quantidade adequada e confiável de
água esteja disponível. Durante
períodos de seca, descargas graduais
de cada barragem são coordenadas
para garantir que uma quantidade
adequada de água esteja disponível por
toda a bacia fluvial. Cada barragem com
reservatório em uma bacia possui um
plano de controle da água que prevê as
descargas daquele reservatório, com
base na sua alimentação e nas
necessidades de vazão a jusante. Cada
plano de controle da água é coordenado
com outros projetos de barragens e
reservatórios dentro da mesma bacia
fluvial. A coordenação e o controle
gerais são efetuados por organizações
que abrangem toda a bacia, tais como
comissões de bacia fluvial(n.8). Essas
organizações têm papel crítico no
11
controle de secas e enchentes dentro
das respectivas bacias.
Tomadas d'água localizadas em
diferentes níveis nas torres de controle
das barragens permitem aos
operadores fazer descargas seletivas de
água a diferentes temperaturas que,
combinadas, fornecem a temperatura
desejada a jusante para melhorar a
qualidade da água rio abaixo. Projetos
de reservatórios bem administrados
também mantêm níveis de água
predeterminados durante as estações
do ano para cumprir requisitos
ambientais.
O objetivo da gestão integrada da água
nas bacias fluviais é satisfazer as
demandas por água, sem sacrificar os
usos existentes. As principais questões
a serem tratadas para esse fim em uma
Formular uma estratégia para
fornecer vazão adequada de água e ao
mesmo tempo manter níveis
apropriados nos reservatórios (gestão
de enchentes e secas).
Satisfazer as demandas domésticas,
agrícolas e industriais, sem prejuízo
para o meio ambiente.
Avaliar e melhorar a qualidade da
água.
© 35 (see p.64)
A
gestão integrada
da água de
barragens nas
bacias fluviais
fornece um fluxo
diário médio
consistente ao
longo do ano em
nossos rios
Barragens & a Água do Mundo
37
© 37 (see p.64)
Barragem de
Gambsheim, casa
de força e eclusas
no rio Reno. Uma grande
barragem de múltiplas
funções administra o fluxo
do rio para fornecer água,
energia elétrica, navegação,
controle de enchentes e
oportunidades de recreação.
Uma grande passagem
para peixes está sendo
construída na parte
central da usina
© 36 (see p.64)
Instalação
industrial
11.8. Resumo dos benefícios
Os benefícios das barragens e dos
reservatórios devem ser considerados e
ponderados em todas as perspectivas:
local, regional, nacional e global.
Todos os benefícios dos projetos de
barragens nem sempre se
concretizam nas vizinhanças
imediatas dos reservatórios ou em
favor das populações que vivem
nos seus entornos. Geralmente as
populações das regiões e os
países inteiros recebem os
benefícios integrais das
barragens e dos reservatórios.
Um exemplo disso é a Barragem
Aswan High, nas cabeceiras do rio
Nilo, no Egito. Essa barragem
armazena e libera água para
manter uma vazão média diária no
Nilo. Isso beneficia o país inteiro.
O valor da gestão integrada da água nas
bacias fluviais pode ser observado
melhor nos países em desenvolvimento e
nos desenvolvidos. Por séculos, muitos
países no sudeste asiático, como a Índia e a
Indonésia, sofriam periodicamente com a
fome. Quando as chuvas das monções
atrasavam ou eram insuficientes, o país era
38
Barragens & a Água do Mundo
Os Benefícios
Recebidos das Barragens
11
© 37 (see p.64)
Manutenção
de vales
férteis
fornecendo
fluxo
consistente
de água nos
rios
Vista aérea
da Barragem
Hungry Horse,
no Texas,
Estados
Unidos
pela fome,
frequenteme
nte com grande
número de
mortes. Quando
grandes reservatórios
foram construídos, nas
últimas cinco décadas, o problema
foi resolvido pelo armazenamento de
grandes quantidades de água excedentes
durante as estações chuvosas para
descarga regulada durante os períodos de
seca.
Barragens & a Água do Mundo
Um extraordinário
e x e m p l o d o s
benefícios do
fornecimento de água em
área de disponibilidade
restrita é o Projeto Hídrico das
Montanhas de Lesoto. Situado no sul
da África, é uma joint venture do Reino de
Lesoto e da vizinha República da África do
Sul. O projeto permite o armazenamento
de água em vários grandes reservatórios
na região montanhosa de Lesoto, onde a
chuva é relativamente abundante.
39
A água então é descarregada por um
sistema de túneis de quase 80
quilômetros e fornecida à região central
árida da África do Sul. Antes desse
projeto, as montanhas de Lesoto eram
subdesenvolvidas e quase inacessíveis.
Como parte do projeto, novas estradas
de acesso, pavimentadas com pontes
para tráfego pesado, foram construídas.
As redes de eletricidade e
telecomunicações em todo o país foram
substancialmente atualizadas para
padrões modernos ou construídas do
isso possível. Nos Estados Unidos, a
agricultura responde por 49% do
consumo de água doce. Na África e na
Ásia, a Organização das Nações Unidas
estima que 85% da água doce são
usados para agricultura. Até 2025, a
demanda agrícola por água aumentará
em uma vez e meia o montante atual.
Barragens e reservatórios são a
ferramenta para fornecer as grandes
quantidades de água necessárias para
atender essa demanda.
© 38 (see p.64)
Obtenção
de água
para
irrigação
40
zero, escolas foram criadas nos
canteiros de obras e em suas
vizinhanças, e serviços de saúde pública
e planos de saúde foram introduzidos,
com hospitais e postos de emergência
médica. Essa infraestrutura básica
permanece na área e continua a ser um
benefício permanente.
Instalações e operações industriais
demandam quantidades significativas
de água para operar eficientemente.
Depois da água doce ser utilizada,
precisa ser tratada antes de ser
despejada, pois geralmente os
processos industriais a poluem.
Ao redor do mundo, a agricultura requer
volumes significativos e consistentes de
água. Os sistemas de irrigação tornam
A hidreletricidade é a fonte mais barata
de energia elétrica, pois a água, a força
motriz, é gratuita. Assim, a
hidreletricidade pode ser um meio
Barragens & a Água do Mundo
Os Benefícios
Recebidos das Barragens
muitas partes do mundo. Implementar
uma nova usina hidrelétrica pode
requerer o reassentamento de parte da
população local. A cidade de São Paulo,
no Brasil, é um exemplo. É uma cidade
de 18 milhões de habitantes, e o maior
local de concentração industrial da
América do Sul. Do total da população, 5
milhões são classificados como de baixa
renda. O fornecimento de eletricidade
de São Paulo é quase totalmente
baseado em hidreletricidade barata. Isso
facilitou a criação de novos empregos e
melhorou os padrões de vida.
vezes mais quantidades de combustível
do que a consumida quando essa
mesma carga é despachada por barcaça.
Como apenas alguns poucos rios são
prontamente navegáveis, obstáculos
naturais como corredeiras, trechos
rasos do leito do rio ou velocidade muito
alta da água devem ser vencidos ou
eliminados pela construção de eclusas,
barragens e estruturas de controle. A
navegação fluvial contribui para reduzir
a emissão de gases estufa e, portanto,
para mitigar os efeitos do aquecimento
global.
A navegação fluvial tem o menor
consumo de combustível e o menor
volume de poluição entre todos os
meios de transporte de massa. Para
mover uma dada carga por uma longa
distância, o transporte rodoviário requer
dez vezes mais e o ferroviário cinco
Barcos rebocadores empurram barcaças
para formar um "reboque”. Um reboque
pode consistir em quatro ou seis
barcaças em hidrovias menores ou em
mais de 40 barcaças em rios maiores. As
barcaças de um reboque passando por
uma eclusa podem ser vistas na foto a
11
© 39 (see p.64)
Grandes
carregamentos
de bens como
este reboque
passam pelas eclusas e barragens
em hidrovias
interiores
Barragens & a Água do Mundo
41
As Barragens e
o Meio Ambiente
A
recuperação econômica do mundo, depois da Segunda Guerra Mundial, foi
acompanhada por crescimento fenomenal dos sistemas de infraestrutura, o que
incluiu o maior período mundial de construção de barragens. Esse período atingiu o
ápice nos anos 70. À medida que esse desenvolvimento econômico e essas
construções continuaram, a população mundial foi tomando consciência do preço
ambiental pago por esse desenvolvimento. Hoje as pessoas procuram o equilíbrio
entre os benefícios econômicos e os benefícios ambientais dos projetos de recursos
hídricos. Também procuram uma distribuição igualitária dos benefícios entre toda a
população nas regiões desses projetos. As pessoas preferem que o
desenvolvimento e a gestão de recursos hídricos sejam feitos em toda a bacia fluvial,
em vez de em áreas isoladas.
Em 1997, a Comissão Internacional de
Grandes Barragens (CIGB) publicou um
documento que contém orientações
quanto à consideração, avaliação e
mitigação de impactos ambientais:
"Posicionamento da CIGB sobre as
Barragens e o Meio Ambiente". Ele
afirma:
“A maior consciência do ambiente
natural e de sua situação de perigo é
um dos desdobramentos mais
importantes do final do século XX.”
Hoje estamos mitigando os impactos
ambientais das barragens. Em muitos
países, os governos têm requisitos
obrigatórios a serem levados em conta
quanto ao planejamento da mitigação
do possível impacto que as barragens
possam ter sobre a natureza e o meio
ambiente na fase de seleção dos locais
das barragens e quanto ao modo como
são construídas e operadas. Se essas
disposições forem levadas a sério,
muitas consequências possíveis
poderão ser resolvidas de maneira
positiva.
O objetivo dos países é alcançar bacias
fluviais limpas e saudáveis, que
sustentem a vida aquática, assim como
o desenvolvimento econômico e as
42
necessidades humanas. O melhor meio
de alcançar esse objetivo é encorajar e
promover uma gestão abrangente dos
recursos hídricos, que seja ajustada às
necessidades regionais e locais. A
gestão hídrica é essencial para cumprir
metas quanto à qualidade e à
quantidade da água. A preservação
ambiental inclui mitigação e melhorias
em novos projetos, manutenção das
condições existentes e restauração,
quando cabível.
12.1. Preservação e melhoria
ambiental
A gestão dos recursos hídricos nas
bacias fluviais causa impacto nos ciclos
naturais da água. A escala do impacto
depende do tamanho efetivo e das
condições naturais das áreas a serem
construídas e das dimensões dos
projetos. A preocupação com questões
ambientais e a implementação de
medidas de mitigação são elementos
essenciais do planejamento dos
projetos. Isso inclui: limpeza da
vegetação nas áreas a serem inundadas,
estruturas de descarga em vários níveis
para otimizar a temperatura e a
qualidade da água a jusante, medidas
para permitir a migração de peixes e
outros organismos aquáticos e normas
operacionais para a regulação das
vazões a jusante em períodos críticos
Barragens & a Água do Mundo
As Barragens
e o Meio Ambiente
12
© 40 (see p.64)
A
preservação dos
hábitats naturais
é parte da
concepção dos
projetos de
barragens
A seleção adequada do local e a
implementação dessas técnicas resultará
em projetos novos ou reformados que
minimizam os impactos ambientais
inaceitáveis.
Encorajar e apoiar planos de gestão
abrangente dos recursos hídricos pode
levar à preservação e à melhoria
ambiental em projetos existentes e
novos. De acordo com as necessidades
regionais e locais, os planos devem
incluir preservação, mitigação e melhoria
das condições existentes. Um exemplo
de otimização da preservação e da
melhoria ambiental é o tratamento das
áreas onde os reservatórios se
encontram com a terra (margens ou
várzeas), limitando o acesso às áreas dos
reservatórios e colocando pequenas
barragens com saídas de água nas
cabeceiras. Isso é muito eficaz para
Barragens & a Água do Mundo
projetos de usos múltiplos em que os
níveis dos reservatórios podem flutuar
durante sua operação. Partes dos
reservatórios são isoladas para o
desenvolvimento das várzeas, para
habitats aquáticos e para os animais.
Ilhas e pequenas barragens são
construídas para proteger as várzeas das
flutuações dos reservatórios. As
barragens nas cabeceiras também
servem para controlar o assoreamento.
Margens irregulares podem ser criadas
para desenvolvimento das várzeas.
Muitos projetos na Europa e na Ásia
foram modificados para incorporar essas
medidas.
Um exemplo da implementação dessa
tecnologia pode ser observado no
reservatório de Rottach, na Baviera,
Alemanha. Essas mesmas medidas de
mitigação e melhoria ambiental podem
ser incorporadas em projetos pelo resto
43
As Barragens
Visão
a jusante –
observa-se água
e desenvolvimento das
várzeas
Criação de um
lago e várzeas
separados na
extremidade a
montante do
reservatório
Rottach na
Alemanha
© 57 (see p.64)
© 56 (see p.64)
© 55
(see
p.6
4)
12
e o Meio Ambiente
Vista aérea
mostrando um
lago completo e
várzeas para
preservação do
ecossistema
Aspectos de sedimentação
Os rios transportam sedimentos naturalmente. O
depósito de sedimentos ocorre quando os rios entram em
reservatórios e sua capacidade de transporte de
sedimentos diminui nos remansos criados pelas
barragens. Os sedimentos grossos são tipicamente
depositados primeiro, enquanto as partículas mais finas
de argila e lodo são transportadas mais para dentro dos
reservatórios. A maioria dos reservatórios capta quase
100% das cargas de sedimentos dos rios que neles
desembocam, mas a sedimentação geralmente só se
torna um problema significativo depois de 50 anos ou
mais, depois da construção das barragens, uma vez que
elas são projetadas com capacidade adicional para
acomodar o depósito de sedimentos.
Devido ao rápido crescimento da construção de
barragens, nos anos de 60 a 70, cerca de 45% da
capacidade atual de armazenamento em reservatórios
deverá ser seriamente afetada pela sedimentação daqui a
20 anos. A maioria das barragens existentes deverá ser
seriamente afetada pela capacidade de armazenamento
perdida, devido à sedimentação, até o ano 2065.
As taxas de sedimentação variam muito; algumas das
taxas mais altas são encontradas em regiões
geologicamente ativas, onde ocorrem terremotos. Os
impactos da sedimentação nos reservatórios, entretanto,
são geralmente mais graves em regiões semiáridas, em
que as taxas de sedimentação são relativamente altas e as
bacias que alimentam as barragens são muito grandes.
A agricultura e o reflorestamento, o desmatamento de
florestas naturais, a pastagem excessiva e outras
atividades humanas, combinadas com a água de
44
tempestades, são os principais fatores que contribuem
para a erosão das bacias fluviais.
Para limitar a erosão dos solos e a sedimentação nos
reservatórios, são necessárias ferramentas técnicas e
regulamentares, tais como políticas de gestão das bacias
fluviais.
A solução ideal é de fato minimizar a acumulação de
sedimentos nos reservatórios.
Construir barragens pequenas (relativamente à vazão
dos rios) em rios que carregam volumes significativos
de sedimentos. Essas barragens devem ter comportas
grandes, em nível baixo, para descarregar depósitos
durante enchentes, quando necessário.
Barragens de armazenamento devem ser construídas
em vales com baixas taxas de sedimentação e/ou com
pequenas bacias fluviais e devem ser dimensionadas
com capacidade adicional de armazenamento para
sedimentação futura de 50 a 100 anos, por exemplo.
Depois que os sedimentos se depositam e se consolidam,
torna-se muito difícil removê-los e armazená-los de
maneira econômica por meios mecânicos. Soluções
alternativas, como elevação das barragens, podem ser
melhores do que a recuperação, por meio de dragagem,
da capacidade perdida.
Os leitos diretamente a jusante das barragens geralmente
sofrem degradação (rebaixamento do leito) devido à
retenção dos sedimentos nos reservatórios, dependendo
da existência de grandes afluentes a jusante dos locais
das barragens.
Barragens & a Água do Mundo
Olhando para
o Futuro - as
Barragens do
Século XXI
Hoje
o mundo está passando por grandes mudanças nas práticas sociais e
comerciais, assim como por amplo desenvolvimento econômico associado à
globalização e aos rápidos avanços na tecnologia e nas telecomunicações e com o
aumento contínuo e sem precedentes da população. Ao mesmo tempo, em muitas
áreas o uso irresponsável da água tem acelerado a poluição do meio ambiente.
Na Assembléia Geral das Nações Unidas,
em 2005, oito Metas de Desenvolvimento
do Milênio (MDMs) foram apresentadas
para implementação até 2015, com
vistas a erradicar a pobreza, melhorar a
educação, melhorar a saúde, combater
doenças e garantir a sustentabilidade
ambiental. As Metas de Desenvolvimento
do Milênio podem ser encontradas em
www.un.org/millenniumgoals. A ONU
também afirma que a gestão dos
recursos hídricos mundiais é um
ingrediente essencial para a consecução
de todas as MDMs. A Organização
reconhece que as barragens e os
reservatórios continuarão a exercer
papel significativo na gestão dos
recursos hídricos mundiais.
Como o mundo precisa de grandes
quantidades de água para usos
domésticos e agrícolas, energia e
controle de enchentes para sustentar o
desenvolvimento, as barragens de usos
múltiplos são a opção mais realista.
Soluções solares, eólicas e baseadas nos
lençóis freáticos devem ser buscadas
para ampliação da oferta de água e
energia, mas elas não oferecem
quantidades suficientes para serem
alternativas viáveis. Medidas de
preservação são essenciais - mas não são
medidas isoladas.
A gestão eficaz dos recursos hídricos
mundiais nas bacias fluviais por
barragens e reservatórios em conjunção
com outras medidas é essencial para
sustentar tanto a população existente
quanto a população futura do planeta.
Isso é crítico para os países em
Barragens & a Água do Mundo
desenvolvimento e as vastas regiões
áridas do mundo. O planejamento da
gestão da água, no âmbito das bacias
fluviais, é o elemento-chave para garantir
o fornecimento ideal de água e outros
benefícios. Embora as barragens
ofereçam benefícios significativos a
reassentamento e relocação das
populações afetadas.
impactos socioeconômicos.
problemas ambientais.
questões de sedimentação.
aspectos de segurança.
O desafio para o futuro será o
planejamento e o uso inteligente das
barragens e dos reservatórios nas bacias
fluviais, em conjunção com a água dos
lençóis freáticos, o clima, o meio
ambiente e o uso da terra para a gestão
inteligente dos recursos hídricos
mundiais como parte das metas de
desenvolvimento social e econômico de
cada país.
13.1. Processo de planejamento
de projetos de barragens
e reservatórios
As bacias fluviais são definidas pela
hidrologia e transcendem os limites
nacionais, políticos, sociais e
econômicos, o que faz delas o elemento
básico de planejamento e gestão dos
recursos hídricos e dos ecossistemas. O
planejamento para a exploração de
recursos hídricos deve ser feito no âmbito
(n.8)
das bacias fluviais
e não no âmbito
individual de cada projeto. O processo de
45
planejamento é uma atividade
sistemática e abrangente que considera
todos os recursos em cada bacia. Assim,
a dimensão e a localização de projetos de
reservatórios são determinadas de
maneira melhor no âmbito das bacias.
Depois de escolhido o local para um
projeto de barragem e reservatório, pode
ter início o planejamento detalhado na
região correspondente. No que diz
respeito a cada projeto específico de
barragem, todos os esforços são feitos
para garantir que os valores econômico,
social e ambiental sejam adicionados à
bacia. A restauração de ecossistemas é
um dos principais objetivos ambientais
dos projetos de barragens. Para as metas
e objetivos específicos dos novos
projetos de barragens, esse processo
contém seis etapas individuais e é um
enfoque estruturado para identificar
questões e resolver problemas. Isso
fornece um quadro racional para a
tomada de decisões equilibradas. Esse
processo também se aplica a vários
outros tipos de grandes projetos. A seis
Etapa 1
Identificar questões, problemas e
oportunidades.
Etapa 2
Catalogar e prever as condições.
Etapa 3
Formular planos alternativos.
Etapa 4
Avaliar planos alternativos.
Etapa 5
Comparar planos alternativos.
Etapa 6
Selecionar o plano que atender melhor
às necessidades.
Os projetos bem-sucedidos geralmente
se baseiam na consecução e
documentação de todas essas etapas. É
essencial que os responsáveis pelo
planejamento, os economistas e os
engenheiros conduzam cada etapa como
uma equipe. É importante que isso seja
um processo repetitivo que inclua o
envolvimento público e dos parceiros. À
medida que novas informações são
obtidas e desenvolvidas, pode ser
necessário repetir algumas das etapas
anteriores.
Essas seis etapas são apresentadas de
maneira sequencial para melhor
46
compreensão, mas elas geralmente são
realizadas várias vezes e ocasionalmente
de maneira simultânea. Repetições das
etapas podem ser conduzidas quando
necessário para formular alternativas
eficientes, eficazes, completas e
aceitáveis para a seleção da melhor entre
elas. O planejamento inteligente, com
participação de todas as partes
interessadas, é essencial para projetos
bem-sucedidos de barragens.
13.1.1. Envolvimento público e
sua coordenação
A função e o objetivo do envolvimento
público e da sua coordenação é abrir e
manter canais de comunicação com o
público e com empresas locais, com
vistas a considerar plenamente as suas
opiniões e informações no processo de
planejamento. O objetivo do
envolvimento público é garantir que os
projetos e programas de barragens
respondam às necessidades e às
preocupações do público. Os elementos
críticos, para um bom processo de
envolvimento público e sua
coordenação, são a disseminação de
informações sobre as atividades
propostas, a compreensão dos desejos,
das necessidades e das preocupações do
público, a realização de consultas antes
da tomada de decisões e a consideração
das opiniões do público.
Todos os estudos de planejamento
incorporam o envolvimento do público, e
a colaboração e coordenação com ele.
Isso começa durante o processo inicial de
planejamento, quando as questões, as
oportunidades e os problemas são
identificados, e continua por todo o
processo de planejamento. O
envolvimento do público na fase inicial
do processo de planejamento não só
ajuda a identificar problemas e
oportunidades, mas também serve, a
esse público, de convite para exercer
participação contínua e como
oportunidade para expressar
preocupações, idéias, e para fazer
sugestões quanto ao processo de
planejamento e de tomada de decisões.
Com base em uma reunião prévia com o
público, nas fases iniciais do processo de
planejamento, a equipe do projeto
determinará a dimensão necessária do
envolvimento do público e estabelecerá
uma estratégia
adequada
para
Barragens
& a Água
dointegrar
Mundo
esse envolvimento no processo de
Olhando para o Futuro
as Barragens do Século XXI
planejamento. É importante desenvolver
uma estratégia que crie oportunidades
pertinentes de envolvimento do público e
de qualidade para aqueles que têm ou
possam ter interesse nos estudos. A
estratégia deve refletir o escopo e a
complexidade de cada estudo particular.
As principais atividades de envolvimento
do público, conduzidas durante o
processo de planejamento, são o anúncio
do início dos estudos, a identificação do
público e o processo de investigação. É
importante para o público ver as
alternativas sendo estudadas e contribuir
para a sua consecução. No final do
processo de planejamento, o público
deve ser informado sobre a alternativa
selecionada e sobre o cronograma do
projeto e construção.
13.2. Questões
socioeconômicas associadas a
projetos de barragens e
reservatórios
Nos planos nacionais de
desenvolvimento econômico, benefícios
significativos são necessários. Isso
resulta no planejamento, no projeto e na
construção de grandes barragens que
criam grandes reservatórios. Os projetos
podem levantar questões econômicas e
sociais locais que, se não forem tratadas
cedo no processo de planejamento,
podem resultar em impactos. Os
programas de reassentamento para a
população e as empresas locais devem
envolver a identificação da população
afetada, assim como das atividades
afetadas, tais como agricultura,
irrigação, reflorestamento, comércio e
13
indústria. A devida indenização, o
deslocamento e a reconstrução efetiva de
espaços para a população e as atividades
econômicas acima do nível do
reservatório são itens essenciais dos
orçamentos de custos dos projetos.
Nas áreas tropicais do mundo, o
saneamento deve ser resolvido. Os
reservatórios podem criar ambientes
favoráveis para a transmissão de doenças
relacionadas à água. As principais
medidas preventivas são o saneamento e
os programas de saúde pública para a
população em torno dos reservatórios,
em conjunção com normas operacionais
adequadas, tais como a flutuação do nível
de água dos lagos para inibir o
surgimento de insetos transmissores de
doenças.
Em resumo, um dos mais importantes
objetivos das barragens é garantir que
uma parcela adequada dos benefícios
seja recebida pela população
diretamente afetada.
13.3. Necessidade maior de
gestão integrada da água nas
bacias fluviais
Água em quantidades adequadas e de
boa qualidade nos locais certos será o
ingrediente essencial para sustentar o
crescimento da população mundial e
ajudar os países em desenvolvimento a
avançar na direção da consecução de
suas metas de desenvolvimento social e
econômico. Barragens devidamente
planejadas, projetadas, construídas e
mantidas contribuem significativamente
© 41 (see p.64)
Manutenção de
níveis constantes
de água para
garantir várzeas
consistentes para
hábitats
Barragens & a Água do Mundo
47
© 42 (see p.64)
Um rio seco,
exemplo da
necessidade de
gestão da
água
© 43 (see p.64)
Exemplo de
rio com gestão
integrada da
água para
garantir um
fluxo mínimo e
consistente ao
longo do
ano
© 44 (see p.64)
Exemplo de
desenvolvimento
industrial: uma
grande fábrica
de celulose
e papel
48
Barragens & a Água do Mundo
Olhando para o Futuro
as Barragens do Século XXI
ter consciência de que ao redor do
mundo o ciclo hidrológico varia e não é
previsível. Para compensar essas
variações no ciclo hidrológico,
precisamos administrar de maneira
eficaz a água doce que nos é disponível.
tempo real são apoiadas pela coleta de
dados históricos e em tempo real e pela
modelagem e previsão das condições
atuais do clima e das vazões dos rios. As
informações e os dados usados para
essas decisões dizem respeito:
A gestão inteligente da água em nossos
reservatórios é essencial para suportar as
demandas crescentes. As barragens e os
reservatórios são uma ferramenta útil ao
processo de gestão, uma vez que podem
armazenar água e assim garantir
fornecimento mais consistente durante
períodos de escassez. Em poucas
palavras, as barragens continuarão a nos
permitir administrar a água para que não
tenhamos rios secos durante a maior
parte do ano. Os objetivos da gestão
integrada regional da água nas bacias
fluviais são:
Melhor gestão do fornecimento de
água.
Melhor qualidade da água em nossos
rios.
Melhores condições ambientais nas
bacias fluviais.
à qualidade da água nos rios.
à gestão dos fluxos dos rios em
períodos de secas e de enchentes.
ao planejamento e à ação de
emergência contra enchentes.
ao planejamento, zoneamento e uso da
terra pelas comunidades.
à melhoria da eficiência e dos benefícios
dos projetos de barragens existentes.
ao planejamento nas bacias fluviais
(alteração da operação
[armazenamento e vazão] das
barragens existentes e de novos
projetos de barragens onde e quando
Assim, o enfoque tradicional do
desenvolvimento de recursos hídricos
para fornecimento de água, irrigação,
navegação, hidreletricidade e recreação
deve ser ampliado para incluir:
qualidade da água.
gestão da quantidade de água
(enchentes e secas).
controle de sedimentação.
avaliação climática.
uso e zoneamento da terra.
gestão dos lençóis freáticos.
manutenção dos hábitats.
manutenção e melhoria do meio
ambiente.
13.3.1. Necessidade de gestão
da água em tempo real nas
bacias fluviais
A gestão da água nas bacias fluviais inclui
a coleta e a avaliação de informações
críticas para permitir a tomada de
decisões que resultem nas descargas
ideais dos projetos de reservatórios, para
atender às demandas domésticas,
industriais e agrícolas nas bacias fluviais.
Por exemplo, são necessários 38 litros ou
110 galões para refinar 3,8 litros ou 1
galão de gasolina. Para satisfazer a
demanda crescente por água, um sistema
ágil, preciso e confiável de gestão de
dados é necessário. Essas decisões em
Barragens & a Água do Mundo
13
Os requisitos para esse tipo de sistema
são:
redes com cobertura integral das bacias
fluviais para coleta de dados em tempo
real.
desenvolvimento de bancos de dados
confiáveis.
modelagem matemática no âmbito de
cada bacia.
mapeamento detalhado.
sistemas de informática rápidos e
confiáveis.
A modelagem das bacias é um aspecto
importante desses sistemas. Ela inclui os
dados hidrológicos, os dados de
armazenamento dos reservatórios e a
hidráulica dos sistemas. Os seus produtos
são previsões para vários cenários e
indicações para a operação adequada dos
reservatórios, com vistas a otimizar os
benefícios e minimizar danos.
13.4. Irrigação no futuro
A irrigação será necessária em muitas
partes do mundo para garantir que a
produção agrícola seja capaz de sustentar
a população crescente. Enquanto as
pessoas nos países desenvolvidos gozam
de prosperidade e comida abundante,
estima-se que metade da população
mundial, algo em torno de 3 bilhões de
pessoas, não tem alimentos suficientes
para manter sua vida. Essas mesmas
pessoas não têm acesso à água potável
segura.
A gestão da água e a eficiência da irrigação
exercerão papel-chave no futuro. A
irrigação bem-sucedida requer
f o r n e c i m e n t o
d e
49
água consistente
durante a estação
de crescimento
do plantio.
Perdas reduzidas
em canais e
s i s t e m a s
melhorados de
m e d i ç ã o ,
monitoramento e
Água
administrada e
controle ajudarão a
fertilizantes
otimizar a quantidade de
solúveis
água usada para irrigação. O
aumentarão a
uso de fertilizantes solúveis em
produção de
água aumentará a produção de
alimentos
alimentos nos campos. O
armazenamento de água excedente,
por meio de barragens e reservatórios,
durante períodos de vazões, para uso
durante períodos de escassez é o fator
mais importante para garantir a
disponibilidade do fornecimento de água
consistente.
13.5. Energia hidrelétrica
no futuro
A hidreletricidade responde por cerca de
20% da eletricidade do mundo
atualmente, e há usinas hidrelétricas
sendo construídas em virtualmente todas
as partes do mundo, pois a
hidreletricidade é uma fonte renovável de
energia elétrica.
O Projeto de
Três Gargantas,
no rio Yang-Tsé,
na China
O potencial hidrelétrico básico de um país
pode ser estimado com base em seu
volume de chuvas anual, seus sistemas
fluviais e sua topografia (terreno
montanhoso). Nem todo esse potencial
pode, entretanto, ser usado, pois pode
haver áreas onde não é tecnicamente
possível construir barragens ou usinas,
devido a condições geológicas, ou de
outra natureza, não favoráveis ou também
devido a restrições econômicas e
políticas. Pode haver outras prioridades
para os orçamentos dos países, ou razões
para evitar certas áreas, devido a outros
usos da terra ou à presença de grandes
populações.
A maioria dos locais tecnicamente viáveis
atualmente se encontra na África, na Ásia
e na América Latina, e nessas regiões há
frequentemente restrições econômicas.
Há, entretanto, projetos hidrelétricos
sendo construídos ou planejados em
cerca de 180 países. Atualmente, os
países líderes no desenvolvimento de
seus potenciais hidrelétricos são: China,
Índia, Irã, Brasil e Turquia.
A maior usina hidrelétrica em plena
operação é a Usina de Itaipu, construída
em um rio entre o Brasil e o Paraguai, e
com capacidade de 14.000MW. A maior
usina em construção é a de Três
Gargantas, no rio Yang-Tsé, na China.
Quando for concluída, em 2009, ela terá
(n.9)
capacidade
de 18.200MW, além de
oferecer controle de enchentes e
navegação. Esses projetos são
excepcionalmente grandes. Há centenas
de instalações hidrelétricas de médio
porte pelo mundo.
Muitos países possuem conexões de
sistemas elétricos em nível nacional(n.10) ou
regional. As usinas hidrelétricas
geralmente fornecem energia a esses
sistemas. Países vizinhos frequentemente
possuem sistemas interligados(n.11), de
modo que os recursos hídricos em um
país podem ajudar a fornecer energia a
outros países. Ocasionalmente, acordos
são firmados entre dois países, pelos
quais um deles se compromete a comprar
energia do outro e a ajudar a financiar e
desenvolver recursos hidrelétricos no país
vizinho. Os exemplos incluem a Tailândia,
que adquire energia do Laos, e a Índia, que
adquire energia do Butão. Cada caso é
baseado na distribuição da energia na
respectiva região.
“Projetos hidrelétricos de pequeno
porte(n.12)" também podem exercer um
papel importante no mundo. Eles
geralmente envolvem apenas a
construção de barragens muito pequenas,
sendo por isso de construção mais barata,
e podem fornecer energia a áreas isoladas
no interior, ou a pequenas comunidades
ocasionalmente não alcançadas por
sistemas elétricos nacionais. Pequenas
centrais hidrelétricas podem às vezes ser
adicionadas a barragens que foram
construídas primordialmente para outros
fins. O relativamente plano rio Mur, na
50
Barragens & a Água do Mundo
Olhando para o Futuro
as Barragens do Século XXI
13
© 45 (see p.64)
Usina de Itaipu,
Brasil e Paraguai.
A maior usina
hidrelétrica do
mundo em
2006
Geradores
em uma usina
hidrelétrica
A
Barragem
de Gabersdorf,
perto de Leibnitz,
na Áustria, é um
exemplo de pequena
central hidrelétrica.
O projeto tem
coluna d'água de
metros e capacidade
de 14,5 MW
Seção da casa de força
Seção da soleira
25.70
51.00
Barragens & a Água do Mundo
262.00
19.00
Nível de
armazenamento
271.50
Nível de
armazenamento
271.50
Detalhes das
turbinas e das
comportas
radiais de
Gabersdorf
362.00
32.50
51
13.6. Controle de enchentes
no futuro
Como no passado, parte significativa da
população mundial continuará a se
instalalr perto de nossos rios e córregos.
Essa situação requer otimização das
barragens e projetos de controle de
enchentes, assim como o planejamento,
o projeto e a construção de novas
estruturas. Será essencial que o
planejamento desses projetos de
controle de enchentes seja feito no
âmbito das bacias fluviais para levar em
conta o volume previsto de chuvas e os
locais de crescimento populacional.
© 46 (see p.64)
Barragem
de Rochemaure França: barragens e
sistemas de proteção
contra enchentes continuarão a controlar as
águas de enchentes
em nossos rios para
evitar o transbordamento dos sistemas
de diques
Como parte do processo para melhorar
os sistemas de controle de enchentes, os
governos precisarão rever as mudanças
climáticas e o nível padrão de proteção a
ser fornecido. Em muitas partes do
mundo esse nível precisará ser elevado.
Além disso, zoneamento mais rígido das
terras nos leitos maiores e adjacentes a
eles deverá ser implementado
Medidores
automatizados
de fluxo para
obter em tempo
real o fluxo e o
nível da água
52
Dificuldades significativas de previsão
do tempo resultam das mudanças
climáticas rapidamente em andamento
em quase todas as partes do mundo.
Conseqüentemente, o maior uso
de radares meteorológicos
para monitoramento de
chuvas, modelos
hidrológicos e a
p r e v i s ã o p o r
c o m p u t a d o r
permitirão previsões
em tempo real para as
d e s c a r g a s
operacionais das
barragens e previsões
de todos os níveis dos
rios nas bacias. Nesta
página temos exemplos
dos componentes da gestão
da água em tempo real em uma
Radar
meteorológico
para prever os
volumes e os
locais das
chuvas
Barragens & a Água do Mundo
Olhando para o Futuro
as Barragens do Século XXI
13.7. Navegação interior
no futuro
A capacidade de um reboque (15 barcaças):
= 21 trens com 4 vagões cada.
= 870 caminhões
20000
15000
10000
CFS
À medida que o desenvolvimento
econômico continua, haverá um
aumento significativo no transporte de
matérias-primas e bens, assim como
uma demanda crescente por produtos.
Os custos crescentes dos combustíveis
terão impacto sobre os meios de
transporte utilizados. A navegação
interior é o meio de transporte mais
econômico e menos poluente. Uma
vantagem principal das hidrovias
interiores é sua capacidade de
transportar eficientemente grandes
volumes de mercadorias por longas
distâncias. Reboques com 15 barcaças
são comuns em rios maiores com
eclusas. Esses reboques são um meio
extremamente eficiente de transporte e
podem levar cerca de 22.500 toneladas
de carga como um único veículo. Dois
exemplos da economia da navegação
interior são apresentados a seguir:
13
A capacidade de uma barcaça:
= 15 vagões jumbo.
= 55 caminhões normais.
5000
26 27
Nov 1993
28
29
30
1
2
3
4
Dec 1993
Modelos
hidrológicos
computadorizados
usam informações
em tempo real de
radares meteorológicos
e medidores de fluxo
para fazer previsões
precisas com vistas
a alterações operacionais nos
reservatórios
MILES JCT .S.S. FLOW.1HOUR
MILES JCT .B.B. FLOW.1HOUR
MILES JCT .OUT FLOW SBG .FLOW-REC.1HOUR
© 47 (see p.64)
Barragem de
Donzère - França:
as descargas
operacionais
controlam
enchentes
a jusante
Barragens & a Água do Mundo
53
Olhando para o futuro, se a carga
transportada pelas hidrovias interiores a
cada ano precisasse ser transportada por
outro meio, seriam necessários cerca de
6,3 milhões de vagões ou 25,2 milhões
de caminhões para carregá-la. Imagine
adicionar esse tráfego e sua poluição
atmosférica associada às ferrovias e
rodovias já congestionadas que passam
por nossas comunidades.
A capacidade de transportar mais carga
por carregamento torna o transporte por
barcaças econômico em termos de
consumo de combustível e de vantagens
ambientais. Em média, um galão de
combustível permite que uma tonelada de
carga seja transportada a 59 milhas por
caminhão, a 202 milhas por trem e a 514
milhas por barcaça. Os países em
desenvolvimento com rios precisarão usar
a navegação interior como parte de seus
planos nacionais de desenvolvimento
13.8. O equilíbrio entre os
benefícios dos projetos e o
meio ambiente
ciências ambientais e sociais
estão
envolvidas no planejamento, no projeto e
na construção de barragens. As seguintes
questões são consideradas no
desenvolvimento de projetos modernos de
recursos hídricos:
Os projetos de barragens e
reservatórios requerem planejamento
sistemático que reconheça o impacto
sobre toda a bacia fluvial e seus
ecossistemas.
Estruturas
da eclusa
central e da
barragem
Os impactos sociais e ambientais das
barragens e dos reservatórios
construídos hoje devem ser evitados ou
mitigados. As operações das barragens
existentes devem ser revistas e, se
necessário, modificadas para compensar
os seus impactos sobre o meio ambiente.
Todos os esforços devem ser feitos para
que os projetos de barragens e
reservatórios melhorem ou preservem o
meio ambiente. Os profissionais atuais
de recursos hídricos são guiados tanto
por políticas ambientais como por
preocupações de engenharia e de
segurança. Os responsáveis pelo
planejamento e os engenheiros, muitos
dos quais são membros da Comissão
Internacional de Grandes Barragens,
incluem o meio ambiente entre suas
responsabilidades. Equipes de
engenheiros e especialistas de várias
disciplinas - planejamento, engenharia,
54
Consulta pública e participação de
todas as pessoas envolvidas para a
obtenção de consenso são necessárias
para o planejamento, a implementação
e a operação mais eficazes dos projetos.
Inclusão do meio ambiente, das
condições naturais e dos aspectos
sociais ao lado dos benefícios
econômicos no planejamento inicial dos
projetos.
Muitos países agora exigem a
identificação formal dos impactos
ambientais durante a fase conceitual
dos projetos.
Barragens & a Água do Mundo
Olhando para o Futuro
13
© 48 (see p.64)
as Barragens do Século XXI
Barragem
de
Champagneux
Análises econômicas rigorosas dos
benefícios e custos de mitigação
ambiental de grandes projetos
fornecem informações críticas para os
responsáveis pela tomada de decisões.
Com planejamento e implementação
cuidadosos, as pessoas obrigadas a ser
reassentadas devido aos projetos
podem e devem ser beneficiadas
primeiro.
Barragens & a Água do Mundo
O monitoramento dos impactos
ambientais dos projetos existentes
permite melhor compreensão dos
verdadeiros impactos e não dos
impactos projetados.
A pesquisa sobre os aspectos
ecológicos de muitas barragens e
muitos reservatórios existentes pode
fornecer lições importantes para
projetos futuros.
55
Olhando para o Futuro
13
as Barragens do Século XXI
13.9. A necessidade de
conscientização e educação do
público sobre recursos hídricos
O mundo está em uma era em que vastas
quantidades de informações estão
disponíveis em todas as mídias. A
internet, a mídia impressa e outras
formas de mídia têm um impacto
significativo sobre o conhecimento e as
percepções da sociedade. A questão da
expansão e da restauração da
infraestrutura mundial e o debate sobre a
necessidade e o uso de barragens são
excelentes exemplos desse fenômeno
mundial.
É importante que o público seja
relembrado sobre os fatos reais relativos
à água como o recurso natural vital do
planeta. A maior parte da água da Terra
está localizada nos oceanos. Há apenas
uma pequena fração de toda a água do
planeta que é doce e disponível para
consumo humano – 2,5% do total.
Embora os lençóis freáticos sejam uma
fonte amplamente usada, a extração deve
ser administrada para evitar
esgotamento. O público deve ser
conscientizado sobre o fato de que a
quantidade de água proveniente da
chuva no mundo permanece constante e
que apenas 19% dela, ou 110.000 km3,
caem sobre o solo. Desse total, 65.200
km3 ou 59%, evaporam-se, e 42.600 km3 ou
39% escoam para os oceanos. Há apenas
2.200 km3 ou 2% de infiltração para os
lençóis freáticos. À medida que o mundo
se desenvolve, torna-se mais importante
reter parte dos 42.600 km3 de escoamento
em reservatórios para administrá-los
durante o ano. Isso tem sido uma
estratégia bem-sucedida há mais de 5.000
anos.
É importante se conscientizar dos desafios
e das oportunidades que existem quanto à
água do planeta e dos benefícios do
armazenamento e da gestão da água nas
bacias fluviais. O público deve tomar
consciência do papel benéfico das
barragens na gestão da água nas bacias
para atender à demanda crescente por
água e evitar enchentes, assim como da
relação entre as barragens e o meio
ambiente.
A CIGB é uma fonte de fatos e informações
confiáveis para os órgãos políticos
responsáveis pela tomada de decisões,
agências de financiamento, grupos e
organizações de lobby ambiental e o
público em geral quanto aos benefícios do
uso prudente da água, especialmente por
© 49 (see p.64)
Mitigação
e melhoria
ambiental podem
ser eficazes um
ecossistema
fluvial nos
Estados Unidos
56
Barragens & a Água do Mundo
O Papel
da CIGB e
a Água do Mundo
Em
resumo, este livro mostra que a
água permanece o recurso vital para
sustentar a civilização no mundo e que a
água doce para consumo humano e
irrigação está disponível apenas em
quantidades limitadas. A sustentabilidade
da vida em algumas regiões do mundo
está ameaçada pelo desequilíbrio entre a
demanda e a disponibilidade de água,
alimentos e energia. Vimos como o mundo
obtém água do ciclo da água e a
quantidade limitada de chuvas que cai
sobre os continentes. Devemos nos
lembrar que essa quantidade limitada não
é distribuída homogeneamente pelo
mundo, por estação ou região. Há um
desequilíbrio entre a demanda de água e
sua disponibilidade.
A história nos mostra que as barragens e
os reservatórios têm sido usados com
sucesso para coletar, armazenar e
administrar a água necessária para
sustentar a civilização por cinco séculos.
Enquanto olhamos para o futuro,
precisamos aprender com o passado e
projetar esse conhecimento para o futuro.
A CIGB foi fundada em 1928 e atualmente
tem 88 países e cerca de 10 mil
especialistas técnicos individuais como
membros e uma longa história na
prestação de orientação técnica e de
definição de padrões técnicos para uso em
barragens ao redor do mundo. Hoje, a
CIGB exerce um papel mundial importante
na promoção da arte e da ciência da
construção de barragens para criar
projetos de recursos hídricos mais
eficientes, eficazes e responsáveis, com
vistas ao benefício da sociedade. Isso é
realizado por meio do desenvolvimento e
da promoção de conceitos e diretrizes de
engenharia equilibrados e compatíveis
com os requisitos sociais, ambientais,
financeiros e operacionais dos projetos de
desenvolvimento de recursos hídricos.
Olhando para o futuro, a CIGB está
“Preparando-se para encarar os desafios
do amanhã no desenvolvimento e na
Barragens & a Água do Mundo
“Se preparando para encarar
os desafios de amanhã no
desenvolvimento e na gestão
dos recursos hídricos
mundiais".
gestão dos recursos hídricos mundiais".
Esse objetivo está sendo alcançado pelo
intercâmbio e pela transferência
internacionais de conhecimento e
experiência sobre barragens e suas
tecnologias e funções associadas. Esse
processo é muito útil para passar
informações daqueles com experiência de
longa data àqueles que têm grandes
programas de construção em seu futuro.
Também é importante para garantir que as
barragens existentes permaneçam
seguras e sejam operadas da maneira mais
eficiente e econômica. Nesse aspecto é
que grandes associações internacionais,
como a Comissão Internacional de
Grandes Barragens (CIGB), são
importantes. A Comissão foi estabelecida
em uma época em que grandes programas
de construção de barragens estavam
sendo iniciados em locais como a Europa e
a América do Norte.
Enquanto olhamos para o futuro, os
processos de planejamento devem
cuidadosamente documentar os
benefícios propostos, assim como as
questões e os impactos que devem ser
mitigados. As questões e os impactos
adversos das barragens podem ser
minimizados ou eliminados por
planejamento e projeto cuidadosos que
incorporem o envolvimento e a
participação do público nas fases iniciais
desse processo. Quando às medidas de
mitigação cabíveis, são identificadas cedo
nos processos de planejamento e projeto
de barragens e reservatórios, e podem ser
incorporadas de modo eficiente e eficaz
nos projetos, na construção e na operação
57
A intenção da CIGB é garantir que as
barragens e as estruturas associadas
necessárias para o desenvolvimento e a
gestão dos recursos hídricos no mundo
sejam seguras, econômicas,
ambientalmente responsáveis,
socialmente aceitáveis e operadas e
mantidas com vistas à confiabilidade
sustentável. As barragens e os
reservatórios podem e devem ser
compatíveis com os ambientes sociais e
naturais de cada região. O desafio para o
futuro será a utilização das barragens e
dos reservatórios para a gestão
inteligente dos recursos hídricos
mundiais como parte dos objetivos de
Resumo
Noi início deste livro, vimos que há uma
quantidade fixa de água no ciclo da água
e que apenas uma pequena quantidade
de água doce está disponível para
consumo humano. Agora entendemos
que a maior parte da chuva cai nos
oceanos e entendemos que uma parcela
significativa da água que cai no solo se
evapora ou acaba escoando para nossos
córregos e depois para os oceanos. Isso
significa que apenas uma pequena
quantidade de água está disponível para
reabastecer nossos lençóis freáticos.
Esses fatos ressaltam a necessidade de
coletar e armazenar água e usar gestão
integrada para garantir fluxos
adequados nos rios durante o ano
inteiro. A história nos mostra que as
gerações anteriores foram rápidas em
perceber a necessidade de barragens e
reservatórios para armazenar água para
distribuição consistente ao longo de
cada ano.
Na história do mundo, as barragens têm
exercido papel significativo no
armazenamento e na gestão da água
necessária para sustentar a civilização.
Hoje o mundo está passando por
grandes mudanças nos valores éticos,
nas práticas de negócios e nas condições
de vida como resultado dos rápidos
avanços na tecnologia e nas
comunicações associados com o
contínuo e inédito crescimento
populacional.
Ao mesmo tempo, nossos recursos
naturais têm sido usados de maneira
irresponsável, e o meio ambiente tem
sido poluído de modo acelerada. À
medida que a população mundial
continua a crescer com o
desenvolvimento econômico e agrícola
associado, cresce a necessidade de
58
fornecimento de água e de mais
barragens.
As bacias fluviais são os elementos
básicos da gestão de recursos hídricos e
do meio ambiente. Olhando para o
futuro, o planejamento e o
desenvolvimento devem, portanto, ser
conduzidos no âmbito das bacias.
À medida que a demanda por água
continue a aumentar, as pessoas
precisarão usar planejamento e
engenharia inteligentes no processo
bem-sucedido de planejamento em seis
etapas para atender melhor a essas
necessidades, às metas e aos objetivos
dos projetos individuais de barragens.
Com o devido envolvimento do público e
a devida coordenação com ele, questões
socioeconômicas tais como
reassentamento e a distribuição
igualitária dos benefícios dos projetos
podem ser resolvidas adequadamente.
Barragens de tamanho e localização
adequados poderão então ser
projetadas e construídas nas bacias
fluviais. Isso é particularmente
importante nos países em
desenvolvimento. A ONU reconhece que
a água é um ingrediente essencial para
alcançar seus objetivos e eliminar a
pobreza e a fome, melhorar as condições
de saúde e combater doenças até 2015.
A mitigação dos danos à sociedade
causados pelas enchentes exigirá maior
armazenamento para controle de
enchentes em barragens existentes e
Barragens & a Água do Mundo
O Papel da CIGB
e a Água do Mundo
para fornecer as quantidades de água
necessárias. Também devemos
reconhecer que elas podem ser operadas
de maneira ambientalmente
responsável.
Como o meio ambiente é um aspecto
importante de nossa existência e está
relacionado com nossos córregos e rios,
os projetos de reservatórios devem ser
administrados no âmbito das bacias,
para otimizar a mitigação e os benefícios
ambientais. O objetivo da gestão da
água nas bacias permanece o mesmo:
satisfazer demandas sem sacrificar usos
existentes. As principais questões
quanto à gestão da água nas bacias
formular estratégias para garantir
fluxo adequado dos rios;
satisfazer as demandas domésticas e
agrícolas sem prejuízo ao meio
ambiente;
avaliar e melhorar a qualidade da
água.
locais.
Tecnologia avançada é necessária para o
planejamento, o projeto, a construção, a
operação e a manutenção de grandes
barragens e de suas instalações
associadas, de modo que sejam
econômicas, seguras e ambientalmente
responsáveis. Assim como no passado, a
CIGB continua a promover a vanguarda do
planejamento, da engenharia, da
construção, da operação e da manutenção
de barragens. O papel crescentemente
importante da CIGB é assegurar que as
barragens sejam planejadas, projetadas,
construídas e operadas com a máxima
mitigação de impactos ambientais e com a
maximização de benefícios sociais e
econômicos. Essa é a melhor maneira de
alcançar desenvolvimento e gestão
sustentáveis dos recursos hídricos
mundiais. O objetivo é planejar, projetar,
construir e operar barragens econômicas e
eficientes que sejam projetos de
infraestrutura social e ambientalmente
responsáveis. A melhor estratégia é usar
um processo de planejamento inteligente,
com envolvimento do público e que
considere todos os recursos hídricos das
bacias fluviais. As preocupações e os
impactos adversos potenciais das
barragens podem ser eliminados com esse
processo de planejamento cuidadoso.
Olhando para o futuro, devemos nos
beneficiar e nos basear nas experiências
bem-sucedidas das gerações passadas
para a gestão da água do mundo. O
planejamento inteligente para os lençóis
freáticos e para os reservatórios das bacias
fluviais será a melhor opção para a
demanda crescente por água. As barragens
e os reservatórios continuarão sendo
necessários para fornecer água em
grandes quantidades e com qualidade
© 50 (see p.64)
O planejamento das bacias e uma gestão
da água que inclua mitigação e
preservação são os elementos-chave
para garantir o fornecimento de água, o
controle de enchentes, a hidreletricidade
e outros benefícios ideais, sem prejuízo
para os ecossistemas. A gestão
integrada bem-sucedida da água deve
incorporar a coleta de dados em tempo
real, recursos de última geração
distribuídos espacialmente para
previsão de chuvas e escoamento, e
modelos confiáveis para garantir que
água em quantidade e qualidade
adequadas esteja disponível para
atender às necessidades regionais e
15
Barragens & a Água do Mundo
59
Acre-pé(n. 13) unidade de volume que equivale a um acre à
profundidade de um pé. Equivale a 43.560 pés cúbicos ou
1.233,6 metros cúbicos.
Água a jusante água imediatamente abaixo de uma
barragem. A elevação da superfície da água varia devido a
flutuações na descarga das estruturas das barragens e
devido a influências a jusante de outras barragens ou
outras estruturas. O monitoramento da água a jusante é
uma consideração importante, pois uma ruptura em uma
barragem causaria uma rápida elevação no nível da água a
jusante.
Aqueduto
pontes construídas para conduzir água
através de vales.
volume ativo volume do reservatório que está
disponível para algum uso, como geração de energia,
irrigação, controle de enchentes, fornecimento de água,
etc. A elevação mínima é o nível operacional mínimo.
volume morto volume que está abaixo da descarga
mais baixa e que, portanto, não pode ser prontamente
retirado do reservatório.
margem de cheia volume de armazenamento entre
o topo do volume ativo e o nível d'água projetado.
volume inativo volume de armazenamento de um
reservatório entre o topo da tomada da descarga mais
baixa e o nível operacional mínimo.
volume útil soma do volume ativo e do volume inativo.
capacidade do reservatório soma do volume útil e
do volume morto do reservatório.
Bacia de dissipação bacia construída para dissipar a
energia do fluxo rápido de água, isto é, de um vertedouro
ou descarga, e para proteger o leito do rio da erosão.
Área de drenagem ou área da bacia
Bacia fluvial
Área de empréstimo área da qual materiais naturais,
Barragem barreira artificial com a capacidade de reter
área onde a
água escoa para um determinado ponto em um rio ou
córrego (expressa em milhas quadradas(n. 14)
ou
quilômetros quadrados).
como rocha, cascalho ou solo, usados para fins de
construção, são escavados.
Área de superfície de reservatório área coberta por
um reservatório quando cheio até determinado nível
(expressa em milhas quadradas milhas2 ou quilômetros
quadrados km2).
Armazenamento de enchente
retenção de água ou
atraso do escoamento por operação planejada, no caso de
reservatórios, ou pelo enchimento temporário de áreas de
transbordamento, como na progressão de uma onda de
enchente por um canal natural.
Armazenamento de reservatório retenção
de água
ou o atraso do escoamento por operação planejada, no
caso de reservatórios, ou pelo enchimento temporário de
áreas de transbordamento, como na progressão de uma
onda de enchente por um canal natural (expressa em acrespés - ac-ft ou metros cúbicos m3). As definições de tipos
específicos de armazenamento em reservatórios são:
área drenada por um rio ou por um
sistema fluvial ou parte dele. A bacia de uma barragem é a
área de drenagem a montante(n. 18) da barragem (expressa
em milhas quadradas ou quilômetros quadrados).
água, esgoto ou qualquer outro material líquido, para fins
de armazenamento ou controle.
Barragem de abóbadas múltiplas
barragem de
contrafortes composta de uma série de arcos voltados
para a face a montante(n. 18) .
Barragem de alvenaria
qualquer barragem
construída principalmente de pedras, tijolos ou bloco de
concretos fixados com argamassa. Barragens com apenas
uma face de alvenaria não devem ser chamadas de
barragem de alvenaria.
Barragem em arco
barragem de concreto, alvenaria
ou madeira com alinhamento curvado a montante de
modo a transmitir a maior parte da carga da água aos
encontros.
Barragem de aterro qualquer barragem construída de
materiais naturais escavados, como barragens de terra e
de enrocamento.
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Glossário de Termos
O propósito deste glossário é definir os termos comuns
usados para barragens e no desenvolvimento e gestão de
recursos hídricos. Os termos são genéricos e aplicáveis a
todas as barragens, independentemente de tamanho,
proprietário ou local. Os termos são listados em ordem
alfabética.
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Barragens & a Água do Mundo
Barragem de concreto compactado a rolo
(n.
3)
barragem de gravidade de concreto construída pelo uso de
concreto de mistura seca transportado por equipamentos
convencionais de construção e compactado por rolamento,
geralmente com rolos vibratórios.
Barragem de contrafortes barragem constituída de
uma parte selada apoiada na parte a jusante(n. 19) por
contrafortes intervalados. As barragens de contrafortes
podem ter várias formas, como as barragens de lajes
planas ou as barragens de contrafortes de cabeça alargada.
Barragem de desvio barragem construída para desviar
a água de um curso d´água ou rio para outro curso d'água.
Barragem de enrocamento
Capacidade de vertedouro vazão máxima de
vertedouro que uma barragem pode fornecer de maneira
segura com o reservatório em seu nível máximo (expressa
em pés cúbicos(n. 16) por segundo pcs ou metros cúbicos
por segundo m3s).
Cheia Afluente de Projeto
ver Inflow Design Flood
(IDF).
Compactação ação mecânica de aumento da
densidade pela redução de vazios em um material.
Comporta barreira móvel para controle da água.
Comporta de segmento comporta com uma placa
curvada a montante(n. 18) e braços radiais presos a pilares ou
a outras estruturas de apoio.
barragem de aterro em
que mais de 50% do volume total é composto de pedras de
mão, matacões, fragmentos de rocha ou rochas de
pedreiras geralmente maiores que três polegadas(n. 15),
compactados ou despejados.
Comporta deslizante comporta que pode ser aberta
ou fechada pelo deslizamento de guias de apoio.
Barragem de gravidade
da barragem.
Comprimento da barragem
comprimento no topo
barragem construída de
concreto e/ou alvenaria e que se baseia em seu próprio
peso e resistência interior para estabilidade.
Comprimento do coroamento comprimento da
barragem medido ao longo de seu coroamento ou topo.
Barragem de terra barragem de aterro em que mais de
50% do volume total são formados de terra compactada.
Conduto canal fechado para transporte de água através
de uma barragem, ao redor dela ou por baixo dela.
Borda livre distância vertical entre uma elevação
específica da superfície de um reservatório e o topo da
barragem.
Conduto forçado duto ou poço pressurizado entre um
reservatório e um equipamento hidráulico.
Cabeceira água imediatamente a montante
(n. 19)
de uma
barragem. A elevação da superfície da água varia conforme
flutuações na alimentação ou vazão afluente e no volume
de água descarregado pela barragem.
Camada de concretagem distância vertical medida
em pés ou metros entre derrames sucessivos de concreto
delineados por juntas horizontais de construção.
Canal termo genérico para qualquer estrutura natural ou
artificial para transporte de água.
Canal de fuga água imediatamente a jusante
(n.19)
de uma
barragem. A elevação da superfície da água varia devido a
flutuações na descarga das estruturas das barragens e
devido a influências a jusante de outras barragens ou
outras estruturas. O monitoramento do canal de fuga é
uma consideração importante, pois uma ruptura em uma
barragem causaria uma rápida elevação no nível da água a
jusante.
Crista do vertedouro nível mínimo pelo qual a água
pode passar sobre o vertedouro ou através dele.
Declive inclinação na horizontal.
Descarga abertura pela qual
a água pode ser
descarregada de um reservatório para um rio.
Descarga de fundo abertura em um nível baixo de um
reservatório geralmente usada para esvaziar ou
descarregar sedimentos e ocasionalmente para descargas
de irrigação.
Desviar levar algo a outro caminho.
Enchente elevação temporária da superfície da água de
um rio ou córrego em razão de muita chuva na área de
drenagem. Resulta em inundação de áreas não
normalmente cobertas por água.
Encontro
parte da lateral do vale contra a qual uma
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Calha do vertedouro canal aberto ou conduto fechado
que conduz água da tomada do vertedouro a jusante(n. 19) .
Corte transversal vista de uma barragem formada pela
passagem de um plano através dela perpendicularmente a
seu eixo.
Barragens & a Água do Mundo
61
Ensecadeira estrutura provisória que isola um canteiro
de obras no todo ou em parte de modo que a construção
possa prosseguir em ambiente seco. Uma ensecadeira de
derivação redireciona o fluxo da água para canos, canais,
túneis ou outros cursos d'água.
Erosão desgaste de uma superfície como uma margem,
um leito, um aterro ou outra superfície pelos fluxos dos
rios, por ondas nos reservatórios, por ventos ou por
quaisquer outros processos naturais.
Estabilidade
condição de uma estrutura ou de uma
massa de material quando é capaz de resistir a pressão
aplicada por longo período sem sofrer nenhuma
deformação ou nenhum movimento significativo que não
seja revertido com a liberação da pressão.
Estrutura acessória
demais componentes de um
projeto de barragem, tais como salas de controle,
condutos de descarga, túneis de descarga, vertedouros,
condutos forçados, usinas elétricas, etc.
Estruturas de descarga instalações de uma barragem
que permitem a descarga controlada de água de um
reservatório.
Evaporar transformar(-se) de estado líquido para gás ou
vapor, que é incorporado à atmosfera.
Fértil solo muito rico que é o melhor para a produção de
colheitas.
Fundação
parte do leito de um vale que está sob a
estrutura de uma barragem e a sustenta.
Gerador máquina que produz eletricidade.
Gestão integrada da água nas bacias fluviais
processo pelo qual a água armazenada em reservatórios e
o volume diário descarregado são administrados na bacia
para garantir que uma quantidade adequada e consistente
de água esteja disponível. Todas as barragens e todos os
reservatórios em uma bacia possuem planos de controle
da água que prevêem as descargas dos reservatórios com
base na sua afluência e nas necessidades a jusante(n. 19) .
Cada plano de controle da água é coordenado com outros
projetos de barragens e reservatórios dentro da bacia.
Hidrologia uma das ciências da Terra que trata da
ocorrência natural, da distribuição, do movimento e das
propriedades das águas do planeta e de suas relações
ambientais.
Hidrometeorologia estudo das fases atmosféricas e
terrestres do ciclo hidrológico com ênfase nas interrelações envolvidas.
Inflow Design Flood (IDF) ou Fluxo de Cheia de
Projeto fluxo de enchente acima do qual o aumento
marginal na elevação da superfície da água a jusante
devido à ruptura em uma barragem ou outra estrutura de
retenção de água não é mais considerado uma ameaça
inaceitável à vida ou à propriedade a jusante(n. 19). A
hidrógrafa de cheia usada no projeto de uma barragem e
de suas estruturas acessórias, especialmente para
dimensionamento do vertedouro e das estruturas de
descarga e para a determinação dos requisitos de
armazenamento máximo, altura da barragem e borda livre.
Instrumentação conjunto de dispositivos instalados
nas barragens ou perto delas para efetuar medições que
podem ser usadas para avaliar o comportamento estrutural
e os parâmetros de desempenho da estrutura.
Leito maior área em volta de um corpo d'água ou curso
natural que pode ser coberta por água de enchente.
Também é usado para descrever a área a jusante(n. 19) que
seria inundada ou de algum modo afetada pela ruptura de
uma barragem ou por grandes fluxos de enchente.
Leito rochoso qualquer material sedimentar, ígneo ou
metamórfico, representado como unidade na geologia;
massa, camada ou saliência de matéria mineral sólida e
estável; e com velocidades mínimas de onda de
cisalhamento maiores que 2.500 pés/segundo(n. 17).
Mapa topográfico mapa com delineação
(representação) gráfica detalhada dos componentes
naturais e artificiais de uma região com ênfase especial na
posição relativa e na elevação.
Margem de reservatório (n. 20) limites de um
reservatório, incluindo todas as áreas ao longo dos lados
dos vales no nível da água.
Máxima Cheia Provável: ver Probable Maximum Flood
(PMF).
Máxima Precipitação Provável: ver Probable
Maximum Precipitation (PMP).
Meteorologia ciência que trata da atmosfera e dos
fenômenos atmosféricos, do estudo do clima,
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Glossário de Termos
barragem é construída. Encontros artificiais são
construídos às vezes, como uma seção de concreto de
gravidade, para receber a pressão de barragens em arco
quando não há nenhum encontro natural adequado. Os
encontros esquerdo e direito de uma barragem são
definidos com o observador olhando a barragem na
direção jusante(n. 19) , exceto quando indicado em contrário.
62
Barragens & a Água do Mundo
especialmente de tempestades e da chuva que produzem.
um reservatório é esvaziado sob condições normais de
operação. O piso de armazenamento ativo.
Estes são geralmente expressos na forma de gráficos e
tabelas, suplementados por especificações concisas, e
são freqüentemente incorporados em programas de
computador. Em geral, indicam taxas-limite para as
descargas dos reservatórios necessárias ou permitidas
durante várias estações do ano para atingir todos os
objetivos funcionais do projeto.
Núcleo
Reservatório corpo d'água retido por uma barragem e
MW ou Megawatt
unidade de potência. Um MW
equivale a um milhão de watts.
Nível mínimo de operação o nível mais baixo a que
zona de material de baixa permeabilidade em
uma barragem de aterro. O núcleo é às vezes chamado de
núcleo central, núcleo inclinado, núcleo de argila
pisoteada, núcleo de argila a rolo, ou zona impermeável.
Obras complementares demais componentes de um
projeto de barragem, tais como salas de controle,
condutos de descarga, túneis de descarga, vertedouros,
condutos forçados, usinas elétricas etc.
Pé de jusante junção do declive ou da face a jusante
(n. 19)
de uma barragem com a superfície do solo. A junção do
declive a montante com a superfície do solo é chamada de
pé de montante(n. 18).
Probable Maximum Flood (PMF) ou Máxima
Cheia Provável enchente que pode ser esperada da
combinação mais severa de condições meteorológicas e
hidrológicas críticas razoavelmente possíveis na bacia
fluvial sob estudo.
Probable Maximum Precipitation (PMP) ou
Máxima Precipitação Provável em teoria, maior
que serve de armazenamento.
Terremoto
movimento ou tremor súbito na terra
causado pela descarga abrupta de tensão acumulada em
uma falha geológica.
Tomada d'água colocada no início da via de transporte
de água de uma estrutura de descarga (conduto forçado,
conduto de suprimento de água), a tomada d'água
estabelece o nível final de abaixamento do nível da água
de um reservatório conforme a posição e o tamanho de
suas aberturas para as estruturas de descarga. A tomada
d'água pode ser na forma de torres verticais ou inclinadas,
vãos de entrada ou estruturas submersas em forma de
caixas. As elevações das tomadas são determinadas pela
coluna d'água necessária para a capacidade de descarga,
pela margem de armazenamento para acomodar o
depósito de lodo, pelo volume e pela taxa de descarga
necessários e pelo nível máximo de rebaixamento do nível
da água.
Túnel
nível de precipitação fisicamente possível para dada
duração em dada área em local geográfico específico
durante certo período do ano.
longa escavação subterrânea com duas ou mais
aberturas para a superfície, geralmente com corte
transversal uniforme usado para acesso, transporte de
fluxos, etc.
Projeto de uso único projeto que exerce função única,
Vazão de Pico
como apenas navegação.
Projeto de usos múltiplas projetos concebidos para
irrigação, energia, controle de enchentes, benefícios
domésticos, industriais, de recreação e para peixes e
animais, em quaisquer combinações de dois ou mais.
Contrastam com os projetos de função única, que têm
apenas uma função.
Queda d'água distância vertical entre duas elevações de
água (expressa em pés ou metros).
Regras do reservatório
Vertedouro estrutura sobre a qual ou através da qual o
fluxo de um reservatório é descarregado. Se a taxa de
vazão é controlada por meios mecânicos, como
comportas, ele é considerado um vertedouro controlado.
Se a geometria do vertedouro é o único controle, ele é
considerado um vertedouro livre.
Volume de barragem
espaço total ocupado pelos
materiais que formam a estrutura de uma barragem
calculados entre os encontros e do topo à base da
barragem.
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processo de compilação de
critérios, diretrizes e especificações operacionais que
regem a função de armazenamento e a descarga de um
reservatório. Pode também se referir ao diagrama de
controle de enchentes ou cronograma de controle da água.
descarga máxima instantânea que
ocorre em uma enchente. Ela coincide com o pico de uma
hidrógrafa (expressa em pés cúbicos por segundo pcs ou metros cúbicos por segundo - m3s).
Barragens & a Água do Mundo
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As BARRAGENS
& a Água do Mundo
Comissão Internacional de Grandes Barragens
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Este livro foi preparado pelos membros do Comitê da CIGB sobre Conscientização e Educação do Público. As fotografias usadas
foram obtidas do arquivo da CIGB ou de alguns dos 88 países membros da CIGB. As informações contidas na seção “As Barragens
de Hoje" foram obtidas do Registro Mundial de Barragens da CIGB.
Referências:
ICOLD Position Paper on Dams and Environment, maio de
1997.
ICOLD Position Paper on the Role of Dams in Flood
Mitigation, 2006.
ICOLD Paper - The Role of Dams in the XXI Century to
Achieve Sustainable Development, 2006.
ICOLD, Technical Dictionary on Dams - Glossary of Terms,
1994.
64
ICOLD Bulletin 128, Management of Reservoir Water
Quality - Introduction and Recommendations, 2004.
ICOLD Bulletin 125, Dams and Floods - Guidelines and Case
Histories, 2003.
Dams, Dunn, Andrew, Thompson Learning, NY, 1993.
World Book Encyclopedia, 22 Volumes, Edição de 2006,
World Book, Inc., Chicago, IL.
The New Encyclopedia Britannica: Macropedia, 15.a edição,
2005.
Barragens & a Água do Mundo
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