UPP CAJU
09/2014
0
Sumário
1.
LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO GERAL ..................................................................................... 2
2.
DADOS CENSITÁRIOS 2010: DEMOGRAFIA E ÁREA OCUPADA ........................................................ 4
3.
DADOS CENSITÁRIOS 2010: SOCIOECONÔMICOS ......................................................................... 7
3.1.
SERVIÇOS URBANOS E CONDIÇÃO DE OCUPAÇÃO ............................................................... 8
3.1.1.
CONDIÇÃO DE OCUPAÇÃO ........................................................................................ 8
3.1.2.
SANEAMENTO BÁSICO (ÁGUA E ESGOTAMENTO SANITÁRIO ) ...................................... 9
3.1.3.
LIXO ...................................................................................................................... 12
3.1.4.
ENERGIA ELÉTRICA ................................................................................................. 14
3.2.
EDUCAÇÃO .................................................................................................................... 15
3.2.1.
ANALFABETISMO ENTRE CRIANÇAS DE 8 A 9 ANOS DE IDADE ..................................... 15
3.2.2.
ANALFABETISMO ENTRE CRIANÇAS DE 10 A 14 ANOS DE IDADE ................................. 17
3.2.3.
ANALFABETISMO ENTRE PESSOAS COM 15 ANOS OU MAIS DE IDADE ......................... 19
3.3
RENDA ........................................................................................................................... 21
3.3.1.
RENDIMENTO NOMINAL MENSAL DOMICILIAR PER CAPITA DOS DOMICÍLIOS PARTICULARES21
3.3.2.
RENDIMENTO DOS RESPONSÁVEIS PELOS DOMICÍLIOS .................................................... 23
1
Caju - Informações Básicas
1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO GERAL
Mapa 1 – Limite da UPP Caju, das Comunidades que a compõem e das Regiões Administrativas
– 2013
Fonte: SABREN/ IPP, 2013, ISP 2013
A UPP Caju é composta pelas comunidades Parque Alegria, Parque Vitória, Vila do Mexicano, Parque Boa
Esperança (R.A. Portuária), Parque Conquista, Parque São Sebastião, Ladeira dos Funcionários, Parque
Nossa Senhora da Penha e Quinta do Caju. As comunidades Parque Alegria e Parque Vitória formam o
complexo denominado Complexo Parque Alegria, enquanto as comunidades Parque São Sebastião e
Ladeira dos Funcionários compõem o complexo com nome de Complexo Ladeira dos Funcionários. As
demais comunidades na UPP Caju não formam complexos, e por isso são classificadas como isoladas. A
Tabela 1 mostra a localização das comunidades na Área de Planejamento 1 e na Região Administrativa I Portuária, enquanto os perímetros destas comunidades estão localizados no bairro do Caju.
Tabela 1 – A.P., R.A., Bairros e Nome dos Complexos das Comunidades na UPP Caju – 2013
Área de
planejamento
Região
administrativa
Bairros
Nome do Complexo
Parque Alegria
Ladeira dos Funcionários
1
I - Portuária
Caju
Comunidades
Parque Alegria
Parque Vitória
Parque São Sebastião
Ladeira dos Funcionários
Parque Conquista
Vila do Mexicano
-
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Parque Nossa Senhora da Penha
Quinta do Caju
Fonte: SABREN/ IPP (2013)
2
A Tabela 2 apresenta resumidamente as legislações urbanísticas específicas das comunidades
consideradas, com número e ano do respectivo decreto que regulamenta aquele espaço. Em seguida, a
Tabela 3 resume os principais programas de urbanização implementados, em processo de implementação
ou planejados nas áreas. Nesta tabela, foi inserida uma coluna indicando a categoria da comunidade
conforme uma classificação elaborada para a coordenação do programa Morar Carioca da Prefeitura da
1
Cidade do Rio de Janeiro .
Tabela 2 – Legislações Urbanísticas das Comunidades na UPP Caju – 2013
Comunidades
Parque Alegria
Parque Vitória
Vila do Mexicano
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Parque Conquista
Parque São Sebastião
Ladeira dos Funcionários
Parque Nossa Senhora da Penha
Quinta do Caju
Via Presidente João Goulart (em frente ao n° 150
da rua Projetada - antiga Rua Carlos Seixas)
Legislação Urbanística
Lei de Área de Especial Interesse Social (AEIS), n° 3692 de 02/12/2003
Lei de Área de Especial Interesse Social (AEIS), n° 3692 de 02/12/2003
Lei de Área de Especial Interesse Social (AEIS), nº 5745 de 26/05/2014
Lei de Área de Especial Interesse Social (AEIS), n° 2818 de 23/06/1999
Decreto de reconhecimento de logradouros, n° 17602 de 31/05/1999
Resolução de Projeto de Alinhamento (PA), n° 11065 de 21/12/2007
Lei de Área de Especial Interesse Social (AEIS), n° 2499 de 26/11/2006
Decreto de regularização administrativa, n° 18712 de 27/06/2000
Decreto de uso e ocupação do solo, n° 19348 de 27/12/2000
Resolução de Projeto de Alinhamento (PA), n° 11284
Decreto de reconhecimento de logradouros, n° 17553 de 18/05/1999
Lei de Área de Especial Interesse Social (AEIS), n° 2499 de 26/11/2006
Decreto de reconhecimento de logradouros, n° 17553 de 18/05/1999
Decreto de uso e ocupação do solo, n° 19348 de 27/12/2000
Resolução de Projeto de Alinhamento (PA), n° 11284
Lei de Área de Especial Interesse Social (AEIS), n° 2616 de 16/01/1998
Decreto de regularização administrativa, n° 20423 de 15/08/2001
Decreto de uso e ocupação do solo, n° 20687 de 29/10/2001
Decreto de reconhecimento de logradouros, n° 23777 de 05/12/2003
Resolução de Projeto de Alinhamento (PA), n° 11293
-
Fonte: SABREN/ IPP (2013)
É de se notar na Tabela 2 que sete das comunidades localizadas na UPP Caju se encontram em Área de
Especial interesse Social, instituída por leis de 1998, 1999, 2003, 2006 e 2014. Entretanto, três
comunidades desta UPP não estão dentro da área de abrangência destas AEIS: Parque Conquista, Parque
Nossa Senhora da Penha e a Via Presidente João Goulart. Apenas as comunidades Parque Boa Esperança
(R.A. – Portuária), Parque São Sebastião, Ladeira dos Funcionários e Quinta do Caju possuem Decreto de
Reconhecimento de Logradouros. Além disso, estas quatro comunidades também possuem Resolução de
Projeto de Alinhamento (PA). Já as comunidades Parque São Sebastião, Ladeira dos Funcionários e Quinta
do Caju, ao contrário das demais comunidades aqui consideradas, possuem Decreto de Uso e Ocupação
do Solo. Por fim, somente as comunidades Parque São Sebastião e Quinta do Caju são contempladas por
Decretos de regularização administrativa.
Observa-se na Tabela 3 que as comunidades Parque Alegria, Parque Vitória, Parque Boa Esperança (RA –
Portuária), Parque Conquista, Parque São Sebastião, Ladeira dos Funcionários e Quinta do Caju já haviam
passado por processo de urbanização dos Programas Favela Bairro ou Bairrinho. Já as comunidades Vila
1
A classificação elaborada para a coordenação do Programa Morar Carioca tem por finalidade dimensionar as ações e os projetos de
urbanização a serem implementados. Primeiramente, as comunidades da cidade foram classificadas como urbanizadas ou nãourbanizadas. Segundo, as comunidades não-urbanizadas, objetos do programa, foram classificadas de acordo com o tamanho e o
grau de urbanização do complexo que integram. São quatro categorias a) Pequenos Assentamentos; b) Assentamentos entre 100 e
500 domicílios; c) Assentamentos com mais de 500 domicílios Parcialmente Urbanizados e; d) Assentamentos com mais de 500
domicílios Não-Urbanizados. Há também comunidades onde a urbanização ainda está em análise.
3
do Mexicano e Parque Nossa Senhora da Penha estão contempladas nas fases 2 e 3 do programa Morar
Carioca.
Tabela 3 – Programas de Urbanização e Classificação no Morar Carioca das Comunidades na
UPP Caju – 2013
Comunidades
Programas de Urbanização
Classificação no Morar Carioca
Parque Alegria
Favela Bairro
Assentamentos urbanizados
Parque Vitória
Favela Bairro
Assentamentos urbanizados
Morar Carioca - Fase 2
Assentamentos não urbanizados entre 101 e 500 dom
Favela Bairro
Assentamentos urbanizados
Bairrinho
Assentamentos urbanizados
Parque São Sebastião
Favela Bairro
Assentamentos urbanizados
Ladeira dos Funcionários
Favela Bairro
Assentamentos urbanizados
Morar Carioca - Fase 3
Assentamentos não urbanizados entre 101 e 500 dom
Favela Bairro
Assentamentos urbanizados
Vila do Mexicano
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Parque Conquista
Parque Nossa Senhora da Penha
Quinta do Caju
Fonte: IPP (2013)
2. DADOS CENSITÁRIOS 2010: DEMOGRAFIA E ÁREA OCUPADA 2
A Tabela 4 apresenta as informações de população, domicílios, média de habitantes por domicílio, área
total e densidade demográfica das comunidades na UPP Caju e do total delas, assim como do município
do Rio de Janeiro, para fins de comparação. O Gráfico 1 ilustra a diferença populacional entre as
comunidades.
A UPP Caju possui mais de 16 mil habitantes e ocupa uma área de 302.797 metros quadrados. Dentre as
comunidades, Parque Boa Esperança e Quinta do Caju apresentam a maior população: 5.065 e 2.211
habitantes, respectivamente. As comunidades Parque Alegria, Parque Vitória, Parque Conquista, Parque
São Sebastião, Ladeira dos Funcionários e Parque Nossa Senhora da Penha vêm em seguida e têm entre
1,8 e 1,1 mil habitantes. A comunidade Vila do Mexicano é a que apresenta a menor população, com
apenas 326 habitantes. Já no que diz respeito à área, a comunidade Parque Boa Esperança (R.A. Portuária)
se destaca por ser a mais representativa (102.069 m²), enquanto a comunidade Vila do Mexicano é a que
possui e menor área (8.440 m²).
Outro ponto a ser notado na Tabela 4 é a diferença de densidade entre as comunidades que compõem a
UPP Caju. As comunidades Vila do Mexicano, Ladeira dos Funcionários e Quinta do Caju são as áreas
menos densas, com menos de 400 habitantes por hectare, enquanto a comunidade Parque Vitória é a
área mais densa com 890 habitantes por hectare.
Vale ressaltar que mesmo a comunidade que apresenta a menor densidade demográfica (Ladeira dos
Funcionários com 326,9 hab/ha) é sobremaneira mais densa que a cidade do Rio de Janeiro como um
todo, que tem 110 hab/ha.
O número médio de habitantes por domicílio é de 3,15 pessoas, superior à média do município do Rio de
Janeiro (2,9). De fato, a maior diferença entre as áreas está na densidade demográfica: enquanto no
município do Rio de Janeiro a média é de 110,7 hab/ha, na UPP Caju esse número é de 532,3 hab/ha.
2
As estimativas de população e domicílios aqui apresentadas foram feitas pelo IPP em 2010, e resultaram da compatibilização do
número de domicílios particulares permanentes e de moradores em domicílios particulares permanentes apurados pelo IBGE no
Censo Demográfico 2010 com os limites definidos pelo IPP para as favelas. Como os limites adotados pelos dois órgãos eram muito
próximos no ano de 2010, foram produzidos resultados estatísticos confiáveis.
4
Tabela 4 – População, Domicílios, Habitantes por Domicílio, Área e Densidade Demográfica
segundo as Comunidades na UPP Caju e Município do Rio de Janeiro
Comunidades
População
(1)
Domicílios
(1)
Habitantes por
Domicílio
Área (m²)
(2)
Densidade
demográfica
(hab/ha)
Parque Alegria
1.493
505
2,96
26.246
568,8
Parque Vitória
1.784
555
3,21
20.045
890,0
326
89
3,66
8.440
386,3
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
5.065
1.558
3,25
102.069
496,2
Parque Conquista
1.515
481
3,15
20.050
755,6
Parque São Sebastião
1.403
417
3,36
20.683
678,3
Ladeira dos Funcionários
1.119
324
3,45
34.229
326,9
Parque Nossa Senhora da Penha
1.201
384
3,13
14.718
816,0
Quinta do Caju
2.211
809
2,73
56.317
392,6
16.117
5.122
3,15
302.797
532,3
6.320.446
Rio de Janeiro (3)
Fonte: (1) Instituto Pereira Passos, com base em IBGE, Censo Demográfico (2010)
(2) Instituto Pereira Passos (2010)
(3) Censo Demográfico IBGE (2010)
2.146.340
2,94
570.917.463
110,7
Vila do Mexicano
Total
Gráfico 1 - População segundo as comunidades
na UPP Caju - 2010
Vila do Mexicano
Ladeira dos Funcionários
Parque Nossa Senhora da Penha
Parque São Sebastião
Parque Alegria
Parque Conquista
Parque Vitória
Quinta do Caju
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
Fonte: Instituto Pereira Passos, com base em IBGE, Censo Demográfico (2010)
A distribuição da população segundo o sexo é destacada na Tabela 5. As informações para a R.A. Portuária
e para a cidade do Rio de Janeiro também estão expostas na tabela, para fins de comparação. É
importante ressaltar que, a partir deste ponto, os dados apresentados para as comunidades na UPP Caju
são os divulgados pelo IBGE tendo como base o Censo Demográfico 2010.
A porcentagem de mulheres é um pouco maior que a de homens, seguindo o padrão da cidade do Rio de
Janeiro, exceto na comunidade Vila do Mexicano que possui o percentual de 50,3% de homens. Na Tabela
5 também estão expostas as informações sobre razão de sexo para as comunidades na UPP Caju, para a
R.A. Portuária e para a cidade do Rio de Janeiro. A razão de sexos indica quantos homens há numa
determinada área para cada 100 mulheres. Observa-se que a razão de sexos é significativamente maior na
UPP Caju (92,86) do que na cidade do Rio de Janeiro (88,07). Contudo, deve-se destacar que na R.A.
Portuária este número mostra-se superior tanto ao apresentado pela UPP quanto pela cidade como um
todo (92,89).
5
Tabela 5 – Sexo e Razão de Sexos segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A. Portuária e
Município do Rio de Janeiro - 2010
Homens
Comunidades
%
Mulheres
%
Razão de
Sexos
Total
(H/M) x 100
Parque Alegria
729
48,8%
764
51,2%
1.493
100%
Parque Vitória
839
47,0%
945
53,0%
1.784
100%
88,78
Vila do Mexicano
164
50,3%
162
49,7%
326
100%
101,23
2.522
49,8%
2.543
50,2%
5.065
100%
99,17
731
48,3%
784
51,7%
1.515
100%
93,24
Parque São Sebastião
649
46,3%
754
53,7%
1.403
100%
86,07
Ladeira dos Funcionários
531
47,5%
588
52,5%
1.119
100%
90,31
Parque Nossa Senhora da Penha
585
48,7%
616
51,3%
1.201
100%
94,97
Quinta do Caju
1.012
45,7%
1.203
54,3%
2.215
100%
84,12
Total
7.762
48,1%
8.359
51,9%
16.121
100%
92,86
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Parque Conquista
95,42
R.A. Portuária
48,2%
51,8%
100%
92,89
Rio de Janeiro
46,8%
53,2%
100%
88,07
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
A Tabela 6 apresenta as informações referentes aos grupos etários, divididos entre crianças (0 a 14 anos),
jovens (15 a 29 anos), adultos (30 a 64 anos) e idosos (65 anos ou mais). Destaca-se nela a diferença
proporcional de crianças entre as comunidades. Enquanto as comunidades Vila do Mexicano, Ladeira dos
Funcionários, Parque Conquista e Parque São Sebastião são compostas respectivamente em 38%, 33,4%,
32% e 30,3% por crianças, a comunidade Quinta do Caju possui apenas 16,2% de crianças em sua
população. Outro dado a ser observado é a diferença proporcional de crianças entre o total das
comunidades (25,9%) e a R.A. Portuária (22,9%), assim como a diferença proporcional do número de
idosos entre esses dois espaços, já que nas comunidades da UPP Caju apenas 5,3% da população é idosa,
enquanto na R.A. Portuária este número é de 7,4% e na cidade do Rio de Janeiro é de 10,4%.
Um dado bastante notável é a dessemelhança que surge quando as faixas etárias de crianças e de jovens
(0 a 14 e 15 a 29 anos) são consideradas em conjunto. Na UPP Caju o somatório dos indivíduos que
compõem estas faixas etárias constitui 55% da população local, enquanto na R.A. Portuária essa taxa é de
49,6% e na cidade do Rio de Janeiro é de apenas 43,5%.
Tabela 6 – Total e Percentual de Crianças, Jovens, Adultos e Idosos segundo as Comunidades
na UPP Caju, R.A. Portuária e Município do Rio de Janeiro – 2010
Faixa Etária
Comunidades
0 a 14
Pessoas
15 a 29
%
Pessoas
30 a 64
%
Pessoas
65 +
%
Pessoas
Total
%
Pessoas
%
Parque Alegria
309
20,7%
470
31,5%
598
40%
116
7,8%
1.493
100%
Parque Vitória
474
26,6%
545
30,5%
696
39,0%
69
3,9%
1.784
100%
Vila do Mexicano
124
38,0%
91
27,9%
110
33,7%
1
0,3%
326
100%
1.368
27,0%
1.635
32,3%
1.940
38,3%
122
2,4%
5.065
100%
Parque Conquista
485
32,0%
465
30,7%
540
35,6%
25
1,7%
1.515
100%
Parque São Sebastião
425
30,3%
351
25,0%
521
37,1%
106
7,6%
1.403
100%
Ladeira dos Funcionários
374
33,4%
301
26,9%
417
37,3%
27
2,4%
1.119
100%
Parque Nossa Senhora da Penha
258
21,5%
295
24,6%
537
44,7%
111
9,2%
1.201
100%
Quinta do Caju
359
16,2%
532
24,0%
1.050
47,4%
274
12,4%
2.215
100%
4.176
25,9%
4.685
29,1%
6.409
39,8%
5,3%
16.121
100%
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Total
851
R.A. Portuária
22,9%
26,8%
42,9%
7,4%
100%
Rio de Janeiro
19,4%
24,1%
46,0%
10,4%
100%
Fonte: Dados do Censo Demográfico (2010) - IBGE
A Tabela 7 mostra o número de homens e de mulheres em cada comunidade segundo 4 faixas etárias. A
divisão por faixa etária se difere da utilizada na Tabela 6. Criou-se um recorte etário diferente para a
população idosa: ao invés do recorte ser de 65 anos ou mais, usou-se um de 60 anos ou mais de idade.
Nota-se na Tabela 7 que na primeira faixa (de 0 a 14 anos), o total da população masculina na UPP Caju é
levemente superior ao total da população feminina. Contudo, quando os dados desta faixa etária são
considerados por comunidade, pode-se ver que as comunidades Vila do Mexicano, Parque Conquista,
6
Parque São Sebastião, Ladeira dos Funcionários e Parque Nossa Senhora da Penha possuem mais
mulheres do que de homens na faixa que vai de 0 e 14 anos.
Entre 15 a 29 anos, o número de pessoas do sexo feminino supera sensivelmente a do sexo masculino,
exceto nas comunidades Vila do Mexicano e Parque Nossa Senhora da Penha, nas quais esta proporção se
inverte. Além disso, é possível observar também que uma maior quantidade de mulheres se verifica
durante toda a fase adulta (ente 30 e 59 anos) na UPP Caju (exceto na comunidade Vila do Mexicano).
Esta diferença entre o número de homens e mulheres mostra-se igualmente significativa no conjunto da
população idosa, visto que aproximadamente 58% da população nesta faixa etária é composta por
mulheres.
Tabela 7 - Faixa Etária por Sexo segundo as Comunidades na UPP Caju – 2010
Faixa Etária / Sexo
Comunidades
0 a 14
H
15 a 29
M
H
30 a 59
M
H
60 +
M
Total
H
M
H
M
Parque Alegria
172
137
228
242
252
293
77
92
729
764
Parque Vitória
237
237
270
275
291
358
41
75
839
945
60
64
46
45
55
51
3
2
164
162
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
708
660
808
827
912
927
94
129
2.522
2.543
Parque Conquista
221
264
232
233
252
256
26
31
731
784
Parque São Sebastião
200
225
171
180
216
261
62
88
649
754
Ladeira dos Funcionários
183
191
143
158
177
214
28
25
531
588
Parque Nossa Senhora da Penha
125
133
151
144
249
253
60
86
585
616
Quinta do Caju
187
172
238
294
424
502
163
235
1.012
1.203
2.093
2.083
2.287
2.398
2.828
3.115
554
763
7.762
8.359
Vila do Mexicano
Total
4.176
4.685
5.943
1.317
16.121
Fonte: Dados do Censo Demográfico (2010) - IBGE
Com a finalidade de representar de forma mais clara e comparar a distribuição etária da população, as
pirâmides etárias da UPP Caju e da R.A. Portuária estão apresentadas abaixo. Pode-se perceber que a
pirâmide etária da UPP Caju se difere bastante da pirâmide etária referente à R.A. Portuária. Na UPP Caju
há um afunilamento maior no topo da pirâmide, o que indica um padrão baixo de envelhecimento da
população, bastante diferente do que ocorre na R.A. Portuária, onde o topo da pirâmide é mais largo.
Observa-se também que dentre todas as faixas etárias analisadas, na UPP Caju destacam-se as que vão de
20 a 24 anos e de 25 a 29 anos de idade, uma vez que estas faixas etárias mostram-se sobremaneira
maiores que as demais faixas etárias consideradas. Ainda no que diz respeito a estas faixas etárias
específicas, nota-se que as mesmas também são bastante superiores na UPP Caju se comparadas às
apresentadas pela R.A. Portuária. Por fim, é possível perceber que na UPP Caju as faixas etárias que vão
de 0 a 4 anos e 5 a 9 anos de idade são significativamente maiores que as apresentadas pela R.A.
Portuária.
Gráfico 2 – Pirâmides Etárias das Comunidades na UPP Caju e R.A. Portuária – 2010
Comunidades UPP Caju
R.A. Portuária
80+
75-79
70-74
65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4
15%
80+
75-79
70-74
65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4
Mulheres
Homens
10%
5%
0%
5%
10%
15%
15%
Mulheres
Homens
10%
5%
0%
5%
10%
15%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
3. DADOS CENSITÁRIOS 2010: SOCIOECONÔMICOS
Este item do Panorama dos Territórios apresenta um conjunto de dados socioeconômicos a respeito do
território analisado, que revelam aspectos considerados de fundamental importância para entender a
realidade de cada área. Os dados estão apresentados em três seções. A primeira resume um conjunto de
7
informações referentes à infraestrutura e serviços urbanos, assim como à condição domiciliar. Mais
concretamente, dizem respeito ao acesso dos domicílios localizados nas comunidades à infraestrutura
adequada de água e de esgotamento sanitário, assim como a serviços de coleta de lixo e de fornecimento
de energia elétrica. Além disso, incluiu-se nesta seção a condição de ocupação do domicílio. A segunda
seção resume algumas informações censitárias de educação, calculadas através do cruzamento entre
dados de alfabetização da população com os de distintas faixas etárias. Optou-se pela delimitação de três
faixas etárias: de 8 a 9 anos de idades, de 10 a 14 anos de idade e maiores de 15 anos. Dados absolutos de
pessoas alfabetizadas ou não destes três recortes etários estão também apresentadas por sexo. Por fim, a
terceira seção apresenta os dados de renda considerados mais pertinentes para este contexto. Os dados
sobre o rendimento mensal domiciliar per capita dos domicílios particulares foram observados de acordo
com as seguintes faixas de renda: até 1/8 de salário mínimo; de 1/8 até ¼; de ¼ até 1/2; de ½ até 1; de 1 a
2 e de mais de 2 salários mínimos. Já os dados que tratam da renda dos responsáveis pelos domicílios e da
renda dos responsáveis pelos domicílios segundo o sexo foram analisados em correspondência com
outras faixas de renda: até ½ salário mínimo; de ½ até 1; de 1 até 2; de 2 a 3 e de mais de 3 salários
mínimos.
3.1.
SERVIÇOS URBANOS E CONDIÇÃO DE OCUPAÇÃO
3.1.1. CONDIÇÃO DE OCUPAÇÃO
Os dados censitários indicam uma considerável diferença interna às comunidades que compõem a UPP
Caju em relação à condição de ocupação dos domicílios. Por condição de ocupação entende-se que o
domicílio pode ser próprio de um ou mais moradores; alugado; cedido gratuitamente por terceiros, seja
este pelo empregador ou qualquer outra pessoa, mesmo que os moradores paguem taxas de
conservação; ou ainda ocupado por uma forma que não se encaixa em nenhuma das três acima
mencionadas, como por exemplo, através de ocupações. É importante frisar que a classificação dos
domicílios nas categorias mencionadas é baseada naquilo que os moradores declararam ao Censo 2010.
Enquanto nas comunidades Vila do Mexicano e Parque São Sebastião a proporção de domicílios próprios
dos moradores é de 98,9% e 95,7%, respectivamente, na comunidade Ladeira dos Funcionários esta
proporção é de apenas 62,3%. Observando as comunidades da UPP Caju em conjunto, a proporção de
domicílios próprios dos moradores é de 75,4%, percentual este que supera significativamente o
apresentado pela cidade do Rio de Janeiro (73,1%) e pela R.A. Portuária (61,4%).
Já no que diz respeito aos domicílios alugados, as comunidades Parque Alegria e Parque Boa Esperança
(R.A. Portuária) são as que apresentam os maiores percentuais (28,1% e 30,4%, respectivamente) e estão
bastante acima da média de 21% apresentada pelas comunidades na UPP Caju. Em contrapartida, a
comunidade Vila do Mexicano é a que apresenta o menor percentual de domicílios nesta classificação
(1,1%).
No que tange aos percentuais de domicílios cedidos ou classificados na categoria outros destaca-se a
comunidade Ladeira dos Funcionários, uma vez que esta comunidade apresenta os percentuais de 3,7% e
29,6% para estas categorias, respectivamente. A Tabela 8 apresenta as informações referentes à condição
de ocupação das comunidades na UPP Caju.
8
Tabela 8 – Total e Percentual de Domicílios Particulares Permanentes por Condição de
Ocupação segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A. Portuária e Município do Rio de Janeiro
– 2010
Condição de Ocupação
Comunidades
Próprio
Domicílios
Alugado
%
Domicílios
Cedido
%
Domicílios
Outros
%
Domicílios
Total
%
Domicílios
%
Parque Alegria
352
69,7%
142
28,1%
11
2,2%
0
0,0%
505
100%
Parque Vitória
432
77,8%
114
20,5%
5
0,9%
4
0,7%
555
100%
88
98,9%
1
1,1%
0
0,0%
0
0,0%
89
100%
1.072
68,8%
473
30,4%
10
0,6%
3
0,2%
1.558
100%
Parque Conquista
350
72,8%
114
23,7%
5
1,0%
12
2,5%
481
100%
Parque São Sebastião
399
95,7%
11
2,6%
4
1,0%
3
0,7%
417
100%
Ladeira dos Funcionários
202
62,3%
14
4,3%
12
3,7%
96
29,6%
324
100%
Parque Nossa Senhora da Penha
280
72,9%
90
23,4%
10
2,6%
4
1,0%
384
100%
Quinta do Caju
687
84,9%
115
14,2%
7
0,9%
0
0,0%
809
100%
3.862
75,4%
1.074
21,0%
64
1,2%
122
2,4%
5.122
100%
Vila do Mexicano
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Total
R.A. Portuária
61,4%
29,2%
4,9%
4,5%
100%
Rio de Janeiro
73,1%
22,3%
3,9%
0,7%
100%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
3.1.2. SANEAMENTO BÁSICO (ÁGUA E ESGOTAMENTO SANITÁRIO )
Em relação à cobertura de serviços urbanos de saneamento básico (água e esgoto), constata-se um maior
problema de esgotamento sanitário do que de abastecimento de água adequado em todas as
comunidades na UPP Caju. Entende-se aqui como abastecimento de água adequado o número total de
domicílios cujos moradores declararam que suas residências estavam ligadas à rede geral de água,
enquanto que inadequado refere-se àqueles que responderam que seus domicílios têm outras formas de
abastecimento, por exemplo, proveniente de poços, rios ou através de caminhões pipa. Vale sublinhar
que os dados censitários referem-se apenas à cobertura de abastecimento de água. Não apontam,
portanto, para a qualidade deste serviço. Para esta finalidade, seriam necessários dados complementares
que remetessem, por exemplo, à intermitência no fornecimento.
Por sua vez, entende-se aqui como acesso a esgotamento sanitário adequado, tanto os domicílios
3
conectados à rede geral de esgoto ou à rede pluvial quanto aqueles em que os moradores alegaram
estarem ligados a uma fossa séptica para despejo. A precariedade do acesso a esta infraestrutura,
classificada aqui como inadequada, é medida pela soma de outras formas de despejo que não sejam
estas, a saber, fossas rudimentares, valas, diretamente no mato ou encosta, etc. Os domicílios cujos
moradores responderam não possuírem banheiro também foram considerados como uma classificação a
parte. Enfatiza-se, novamente, que os dados não apontam para a qualidade do serviço prestado, apenas
mensuram a cobertura da infraestrutura instalada.
Na Tabela 9 pode-se observar que o percentual de domicílios na UPP Caju cujos moradores disseram ter
acesso à rede geral de água é de 100%, percentual este superior ao apresentado pela R.A. Portuária
(99,7%) e pela cidade do Rio de Janeiro (98,5%). Em apenas 2 dos 5.122 domicílios localizados na área da
UPP Caju os habitantes declaram que não estavam conectados a esta infraestrutura. Considerando
individualmente as comunidades da UPP Caju, apenas as comunidades Parque Conquista e Quinta do Caju
apresentam percentuais de domicílios com fornecimento de água adequado levemente inferiores a média
da UPP: 99,8% e 99,9%, respectivamente.
3
Segundo as instruções contidas no Manual do Recenseador utilizado durante o levantamento dos dados do Censo 2010, os
domicílios conectados à rede geral de esgoto foram contabilizados juntamente com os domicílios que utilizam a rede pluvial como
escoadouro. Em função disso, tanto os domicílios ligados à rede geral de esgoto quanto os domicílios que usam a rede pluvial como
sistema de coleta serão aqui classificados como “domicílios com esgotamento sanitário adequado”.
9
Tabela 9 – Total e Percentual de Domicílios Particulares Permanentes por Forma de
Abastecimento de Água segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A. Portuária e Município do
Rio de Janeiro – 2010
Água
Comunidades
Adequado
Domicílios
Inadequado
%
Domicílios
Total
%
Domicílios
%
Parque Alegria
505
100,0%
0
0,0%
505
100%
Parque Vitória
555
100,0%
0
0,0%
555
100%
89
100,0%
0
0,0%
89
100%
1.558
100,0%
0
0,0%
1.558
100%
Parque Conquista
480
99,8%
1
0,2%
481
100%
Parque São Sebastião
417
100,0%
0
0,0%
417
100%
Ladeira dos Funcionários
324
100,0%
0
0,0%
324
100%
Parque Nossa Senhora da Penha
384
100,0%
0
0,0%
384
100%
Quinta do Caju
808
99,9%
1
0,1%
809
100%
5.120
100,0%
2
0,0%
5.122
100%
Vila do Mexicano
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Total
R.A. Portuária
99,7%
0,3%
100%
Rio de Janeiro
98,5%
1,5%
100%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
Subdividindo as comunidades na UPP Caju em setores censitários, visualiza-se através do Mapa 2 que não
existem grandes diferenças entre os mesmos no que diz respeito ao abastecimento de água adequado.
Em geral, todos os setores censitários da UPP Caju possuem entre 99% e 100% de seus domicílios com
fornecimento de água adequado.
Mapa 2 – Percentual de Domicílios Particulares Permanentes com Acesso a Abastecimento de
Água Adequado segundo os Setores Censitários das Comunidades na UPP Caju – 2010
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
10
Como já mencionado anteriormente, os dados de cobertura da infraestrutura de esgotamento sanitário
na UPP Caju apontam, no geral, para uma deficiência maior do que a encontrada no abastecimento de
água, principalmente dentro de algumas comunidades específicas. No conjunto total das comunidades
observadas, moradores de 8 domicílios disseram ter o esgoto despejado de forma outra a da rede geral
ou em uma fossa séptica, o que representa 0,2% do universo de domicílios. Além disso, também foram
registrados 6 domicílios nos quais não existem banheiro ou sanitário, todos localizados na comunidade
Parque Conquista. Ainda assim, a taxa de adequação na cobertura da infraestrutura de esgoto na UPP
Caju é de 99,7%, percentual este superior ao apresentado pela R.A. Portuária (99,5%) e pela cidade do Rio
de Janeiro (94,9%)
Os dados de esgotamento sanitário estão expostos na Tabela 10 e as diferenças internas às comunidades
que constituem a UPP Caju estão representadas no Mapa 3. Cores mais escuras no mapa mostram em
quais setores censitários há os maiores déficits. De fato, existem setores censitários nas comunidades
Quinta do Caju e Parque Conquista nos quais a cobertura de infraestrutura de esgoto apresenta
problemas.
Tabela 10 – Total e Percentual de Domicílios Particulares Permanentes por Tipo de
Esgotamento Sanitário segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A. Portuária e Município do
Rio de Janeiro - 2010
Esgotamento Sanitário
Comunidades
Com Banheiro ou Sanitário
Adequado
Domicílios
Inadequado
%
Domicílios
%
Sem Banheiro ou
Sanitário
Domicílios
%
Total
Domicílios
%
Parque Alegria
505
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
505
100%
Parque Vitória
555
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
555
100%
89
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
89
100%
1.557
99,9%
1
0,1%
0
0,0%
1.558
100%
Parque Conquista
472
98,1%
3
0,6%
6
1,2%
481
100%
Parque São Sebastião
417
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
417
100%
Ladeira dos Funcionários
321
99,1%
3
0,9%
0
0,0%
324
100%
Parque Nossa Senhora da Penha
384
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
384
100%
Quinta do Caju
808
99,9%
1
0,1%
0
0,0%
809
100%
5.108
99,7%
8
0,2%
6
0,1%
5.122
100%
Vila do Mexicano
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Total
R.A. Portuária
99,5%
0,3%
0,3%
100%
Rio de Janeiro
94,9%
5,0%
0,1%
100%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
11
Mapa 3 – Percentual de Domicílios Particulares Permanentes com Acesso a Esgotamento
Adequado segundo os Setores Censitários das Comunidades na UPP Caju – 2010
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
3.1.3. LIXO
Os dados censitários relativos à existência ou não de coleta de lixo indicam que a cobertura deste serviço
não apresenta grandes diferenças entre as comunidades na UPP Caju. Considerou-se para classificar como
cobertura adequada aqueles domicílios cuja coleta é realizada, seja diretamente pelo serviço de coleta
porta a porta ou indiretamente através de caçambas colocadas pela Comlurb. Chamou-se esta categoria
de domicílios com destino de lixo adequado, ou seja, onde existe a coleta. Por sua vez, considerou-se
como inadequado aqueles domicílios cujos moradores responderam que o destino do lixo é um terreno
baldio, um logradouro, um curso d´agua ou queimado e enterrado em algum terreno, assim como
qualquer outro tipo de destino.
Novamente, é relevante ressaltar que os dados são relativos apenas à cobertura do serviço de coleta, não
indicando a qualidade da mesma, como por exemplo, sua frequência ou a condição geral de limpeza local
tal como o acúmulo de lixo nos logradouros públicos e nos cursos d’água, etc.
A Tabela 11 mostra que apenas a comunidade Parque Boa Esperança (R.A. Portuária) não apresenta 100%
de cobertura adequada do serviço de coleta de lixo. Nesta comunidade, habitantes de dois domicílios
(0,1% do total de domicílios na comunidade) afirmaram não ter acesso direto ao serviço de coleta direta
ou às caçambas instaladas pela Comlurb. Ainda assim, até mesmo a comunidade da UPP Caju com menor
percentual de domicílios assistidos pela cobertura adequada do serviço de coleta de lixo possui índices
superiores aos apresentados pela R.A. Portuária e pela cidade do Rio de Janeiro. Enquanto a comunidade
Parque Boa esperança (R.A. Portuária) possui 99,9% de domicílios com acesso à cobertura adequada do
serviço de coleta de lixo, na R.A. Portuária este percentual é de 99,5%, e na cidade do Rio de Janeiro é de
99,3%.
12
Tabela 11 – Total e Percentual de Domicílios Particulares Permanentes por Tipo de Destino do
Lixo segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A. Portuária e Município do Rio de Janeiro - 2010
Lixo
Comunidades
Adequado
Domicílios
Inadequado
%
Domicílios
Total
%
Domicílios
%
Parque Alegria
505
100,0%
0
0,0%
505
100%
Parque Vitória
555
100,0%
0
0,0%
555
100%
89
100,0%
0
0,0%
89
100%
1.556
99,9%
2
0,1%
1.558
100%
Parque Conquista
481
100,0%
0
0,0%
481
100%
Parque São Sebastião
417
100,0%
0
0,0%
417
100%
Ladeira dos Funcionários
324
100,0%
0
0,0%
324
100%
Parque Nossa Senhora da Penha
384
100,0%
0
0,0%
384
100%
Quinta do Caju
809
100,0%
0
0,0%
809
100%
5.120
100,0%
2
0,0%
5.122
100%
Vila do Mexicano
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Total
R.A. Portuária
99,5%
0,5%
100%
Rio de Janeiro
99,3%
0,7%
100%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
O Mapa 4 mostra que praticamente inexistem diferenças na distribuição espacial do serviço coleta de lixo
adequada nas comunidades. Todos os setores censitários das comunidades na UPP Caju possuem entre
99% e 100% de seus domicílios com acesso ao serviço de coleta de lixo adequada.
Mapa 4 – Percentual de Domicílios Particulares Permanentes com Acesso a Coleta de Lixo
Adequado segundo os Setores Censitários das Comunidades na UPP Caju – 2010
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
13
3.1.4. ENERGIA ELÉTRICA
O último tema da seção referente a serviços urbanos e condição domiciliar diz respeito à energia elétrica.
As informações apresentadas na Tabela 12 referem-se, primeiramente, à existência ou não de energia
elétrica no domicílio, segundo, se a fonte de energia é a companhia distribuidora (Light na cidade do Rio
de Janeiro) ou se a origem é outra - o IBGE considera “outras fontes” como sendo as fontes de energia
solar, eólicas e gerador. No entanto, na prática, sabe-se que essa opção (“outras fontes”) significa que a
energia é proveniente de companhia distribuidora, mas que não é computada pela agência fornecedora. A
tabela mostra ainda se os domicílios conectados à rede de energia da Light possuem relógio ou medidor
para registro de consumo. Vale ressaltar que a existência de relógio instalado não implica
necessariamente em registro do consumo de energia elétrica exclusiva do domicílio. Esta informação
aponta, entretanto, para a condição básica para um serviço de qualidade. Para que se tenha um quadro
mais preciso sobre a formalização e a qualidade do serviço de distribuição de energia elétrica, seria
necessário, contudo, outras fontes de informações.
Com isso em mente, observa-se na Tabela 12 que, assim como na cidade como um todo, praticamente
não há domicílios sem energia no território, visto que apenas 1 domicílio em toda UPP Caju não possui
energia. Contudo, existem algumas diferenças notáveis entre algumas comunidades na UPP Caju.
Enquanto 99,9% dos domicílios da comunidade Quinta do Caju possuem relógio ou medidor da Light para
registro do consumo de energia, na comunidade Vila do Mexicano apenas 4,5% dos domicílios estão nas
mesmas condições.
No que diz respeito aos domicílios que consomem energia da companhia distribuidora, mas não possuem
relógio ou medidor da Light para registro do consumo, a Vila do Mexicano se destaca negativamente por
apresentar 94,4% de seus domicílios nesta classificação. Em seguida, as comunidades Ladeira dos
Funcionários e Parque São Sebastião apresentam, respectivamente, os percentuais de 22,5% e 11,5% de
seus domicílios nas mesmas condições. Considerando a UPP Caju como um todo, pode-se constatar que
5,8% dos domicílios consomem energia da companhia distribuidora sem relógio ou medidor da Light para
registro do consumo, percentual este inferior ao apresentado pela R.A. Portuária (8,7%) e pela cidade do
Rio de Janeiro (6,0%). Por fim, os domicílios que utilizam energia de “outras fontes” representam 0,3% do
total de domicílios na área da UPP Caju, percentual inferior ao registrado para a R.A. Portuária (2,1%) e
para a cidade do Rio de Janeiro (1,4%).
As informações por setores censitários estão apresentadas de forma espacializada no Mapa 5, onde podese observar um setor censitário no qual menos de 5% dos domicílios possuem energia elétrica e medidor
ou relógio, localizado na comunidade Vila do Mexicano. Outro setor censitário preocupante está
localizado na Ladeira dos Funcionários, no qual entre 75% e 80% dos domicílios possuem energia elétrica
e medidor ou relógio.
Tabela 12 – Total e Percentual de Domicílios Particulares Permanentes por Existência, Tipo de
Fonte e Presença de Medidor de Energia Elétrica segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A.
Portuária e Município do Rio de Janeiro - 2010
Energia Elétrica
Comunidades
Com Energia de Companhia Distribuidora
Com Medidor
Domicílios
Com Energia de Outras
Fontes
Sem Medidor
%
Domicílios
%
Domicílios
%
Sem Energia
Domicílios
Total
%
Domicílios
%
Parque Alegria
496
98,2%
9
1,8%
0
0,0%
0
0,0%
505
100%
Parque Vitória
549
98,9%
5
0,9%
1
0,2%
0
0,0%
555
100%
4
4,5%
84
94,4%
0
0,0%
1
1,1%
89
100%
1.472
94,5%
77
4,9%
9
0,6%
0
0,0%
1.558
100%
Parque Conquista
480
99,8%
0
0,0%
1
0,2%
0
0,0%
481
100%
Parque São Sebastião
368
88,2%
48
11,5%
1
0,2%
0
0,0%
417
100%
Ladeira dos Funcionários
249
76,9%
73
22,5%
2
0,6%
0
0,0%
324
100%
Parque Nossa Senhora da Penha
383
99,7%
1
0,3%
0
0,0%
0
0,0%
384
100%
Quinta do Caju
808
99,9%
1
0,1%
0
0,0%
0
0,0%
809
100%
4.809
93,9%
298
5,8%
14
0,3%
1
0,0%
5.122
100%
Vila do Mexicano
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Total
R.A. Portuária
89,2%
8,7%
2,1%
0,0%
100%
Rio de Janeiro
92,6%
6,0%
1,4%
0,0%
100%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
14
Mapa 5 – Percentual de Domicílios Particulares Permanentes com Energia Elétrica da
Companhia Distribuidora e com Medidor ou Relógio segundo os Setores Censitários das
Comunidades na UPP Caju – 2010
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
3.2.
EDUCAÇÃO
Os dados de educação do Censo Demográfico do IBGE 2010 referem-se à taxa de alfabetização de pessoas
com 5 ou mais anos de idade. Como definição de “alfabetizado” considera-se a pessoa capaz de ler e
escrever um texto simples. Como já mencionado, foram considerados três recortes etários (de 8 a 9 anos;
de 10 a 14 anos; e 15 ou mais anos de idade). Encontram-se nesta seção tanto informações sobre o
número absoluto e percentual de pessoas alfabetizadas e não alfabetizadas para cada recorte etário,
quanto o número absoluto de pessoas alfabetizadas e não alfabetizadas por sexo.
O Estatuto da Criança e do Adolescente entende o acesso à educação como um direito, portanto, um
dever do Estado. Isso porque há consenso sobre o fato de que ser alfabetizado é fundamental para estar
inserido na sociedade moderna, ter acesso à informação e dispor de condições mínimas para desenvolverse integralmente.
Os dados apresentados não revelam a cobertura do ensino na área analisada, ou seja, não é possível
inferir o número de crianças que frequentam a escola e, portanto, se a demanda está sendo atendida. No
entanto, eles sinalizam dois aspectos importantes: a quantidade de crianças alfabetizadas e a quantidade
de crianças que não são alfabetizadas, mas deveriam ser.
3.2.1. ANALFABETISMO ENTRE CRIANÇAS DE 8 A 9 ANOS DE IDADE
A Tabela 13 mostra, sobretudo, a existência de 33 crianças de 8 a 9 anos que indicaram não saber ler nem
escrever. A comunidade com maior número de crianças não alfabetizadas é a Parque Boa Esperança (R.A.
Portuária), onde 20 crianças estão nestas condições. Na sequência, as comunidades Ladeira dos
15
Funcionários, Quinta do Caju, Parque Conquista, Parque Alegria e Vila do Mexicano possuem entre 1 e 5
crianças não-alfabetizadas na faixa etária supracitada.
Vale lembrar que nesta faixa etária as crianças deveriam estar cursando entre o 2º e o 4º ano e, portanto,
já deveriam estar alfabetizadas há pelo menos dois anos. Mais especificamente, é relevante apontar para
o fato de que estas 33 crianças que indicaram não saber ler nem escrever correspondem a 6,1% do total
de crianças na faixa etária considerada. Em contrapartida, destaca-se positivamente a ausência de
crianças não alfabetizadas nas comunidades Parque Vitória, Parque São Sebastião e Parque Nossa
Senhora da Penha
Tabela 13 – Total e Percentual de Pessoas Alfabetizadas e Não Alfabetizadas de 8 a 9 anos
segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A. Portuária e Município do Rio de Janeiro – 2010
Crianças de 8 a 9 anos
Comunidades
Alfabetizadas
Pessoas
Não Alfabetizadas
%
Pessoas
Total
%
Pessoas
%
Parque Alegria
31
93,9%
2
6,1%
33
100%
Parque Vitória
58
100,0%
0
0,0%
58
100%
Vila do Mexicano
16
94,1%
1
5,9%
17
100%
170
89,5%
20
10,5%
190
100%
Parque Conquista
50
96,2%
2
3,8%
52
100%
Parque São Sebastião
52
100,0%
0
0,0%
52
100%
Ladeira dos Funcionários
48
90,6%
5
9,4%
53
100%
Parque Nossa Senhora da Penha
32
100,0%
0
0,0%
32
100%
Quinta do Caju
51
94,4%
3
5,6%
54
100%
508
93,9%
33
6,1%
541
100%
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Total
R.A. Portuária
92,5%
7,5%
100%
Rio de Janeiro
92,7%
7,3%
100%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
A Tabela 14 mostra o número absoluto de crianças do sexo masculino e feminino não alfabetizadas nesta
faixa. Do total de 541 crianças da UPP Caju na faixa etária considerada, nota-se que a diferença entre o
número de meninos e meninas é bastante sutil: são 274 meninos contra 267 meninas. Contudo,
observando as comunidades da UPP Caju individualmente, a comunidade Parque Boa Esperança (R.A.
Portuária) é a área que apresenta a maior desproporção entre meninos e meninas não alfabetizadas.
Nesta comunidade foram encontrados 8 meninos não-alfabetizados, enquanto 12 meninas estavam na
mesma condição.
Tabela 14 – Pessoas Alfabetizadas e Não Alfabetizadas de 8 a 9 anos por Sexo segundo as
Comunidades na UPP Caju – 2010
Crianças de 8 a 9 anos
Comunidades
Alfabetizadas
H
Não Alfabetizadas
M
H
Total
M
H
M
Parque Alegria
18
13
2
0
20
13
Parque Vitória
35
23
0
0
35
23
6
10
1
0
7
10
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
79
91
8
12
87
103
Parque Conquista
25
25
0
2
25
27
Parque São Sebastião
29
23
0
0
29
23
Ladeira dos Funcionários
26
22
2
3
28
25
Parque Nossa Senhora da Penha
17
15
0
0
17
15
24
27
2
1
26
28
259
249
15
18
274
267
Vila do Mexicano
Quinta do Caju
Total
508
33
541
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
16
A distribuição espacial da taxa de analfabetismo para a faixa etária de 8 a 9 anos de idade pode ser
visualizada no Mapa 6. Como pode ser observado, na UPP Caju existem comunidades com setores mais
críticos no que diz respeito ao analfabetismo da faixa etária supracitada. A comunidade Parque Boa
Esperança (R.A. Portuária) apresenta o setor censitário com o percentual mais alto. Neste setor, entre
13% e 17% das crianças com 8 e 9 anos de idade não são alfabetizadas.
Mapa 6 – Percentual de Pessoas de 8 a 9 anos Não Alfabetizadas segundo as Comunidades na
UPP Caju – 2010
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
3.2.2. ANALFABETISMO ENTRE CRIANÇAS DE 10 A 14 ANOS DE IDADE
As Tabelas 15 e 16 mostram as informações censitárias de educação entre crianças de 10 a 14 anos de
idade que, idealmente, deveriam estar cursando entre o 5º e o 9º ano do ensino fundamental. São 37 as
crianças encontradas que não sabiam ler nem escrever em um universo total de 1.481. Isto representa
uma taxa de analfabetismo de 2,5%, ainda consideravelmente acima da taxa da cidade do Rio de Janeiro
(2,0%) e da R.A. Portuária (2,2%). É relevante ressaltar também que das 37 crianças analfabetas da UPP
Caju neste recorte etário, 51% delas estão concentradas na comunidade Parque Boa Esperança (R.A.
Portuária). Nesta comunidade foram encontradas 19 crianças não alfabetizadas.
Dentre as comunidades que compõem a UPP Caju, verifica-se que a taxa de analfabetismo nesta faixa
etária é menor nas comunidades Quinta do Caju e Parque Vitória, uma vez que estas comunidades
possuem apenas, respectivamente, 0,7% e 0,5% de crianças não alfabetizadas.
Na Tabela 16 verifica-se que o número de pessoas analfabetas é significativamente diferente entre os
sexos na faixa de 10 a 14 anos de idade. No conjunto de 37 pessoas não alfabetizadas localizadas na faixa
etária supracitada na UPP Caju, há um número relativo maior de analfabetos do sexo masculino do que do
sexo feminino: 22 são homens para 15 mulheres. Isto representa uma proporção de aproximadamente
59% e 41%, respectivamente.
17
Tabela 15 – Total e Percentual de Pessoas Alfabetizadas e Não Alfabetizadas de 10 a 14 anos
segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A. Portuária e Município do Rio de Janeiro - 2010
Crianças de 10 a 14 anos
Comunidades
Alfabetizadas
Pessoas
%
Não Alfabetizadas
Pessoas
%
Total
Pessoas
%
Parque Alegria
105
96,3%
4
3,7%
109
100%
Parque Vitória
185
99,5%
1
0,5%
186
100%
34
97,1%
1
2,9%
35
100%
419
95,7%
19
4,3%
438
100%
Parque Conquista
181
98,9%
2
1,1%
183
100%
Parque São Sebastião
165
98,2%
3
1,8%
168
100%
Ladeira dos Funcionários
126
96,9%
4
3,1%
130
100%
92
97,9%
2
2,1%
94
100%
137
99,3%
1
0,7%
138
100%
1.444
97,5%
37
2,5%
1.481
100%
Vila do Mexicano
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Parque Nossa Senhora da Penha
Quinta do Caju
Total
R.A. Portuária
97,8%
2,2%
100%
Rio de Janeiro
98,0%
2,0%
100%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
As diferenças internas ao território, por setores censitários, para este recorte etário estão representadas
no Mapa 7. Pode-se notar que a comunidade Parque Boa Esperança (R.A. Portuária) apresenta os setores
censitários mais críticos encontrados na área da UPP Caju. Nestes setores, mais de 6% das crianças com
idade entre 10 e 14 anos não são alfabetizadas.
Mapa 7 – Percentual de Pessoas de 10 a 14 anos Não Alfabetizadas segundo as Comunidades
na UPP Caju – 2010
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
18
Tabela 16 – Pessoas Alfabetizadas e Não Alfabetizadas de 10 a 14 anos por Sexo segundo as
Comunidades na UPP Caju – 2010
Crianças de 10 a 14 anos
Comunidades
Alfabetizadas
H
Não Alfabetizadas
M
H
Total
M
H
M
Parque Alegria
61
44
3
1
64
45
Parque Vitória
92
93
1
0
93
93
Vila do Mexicano
15
19
0
1
15
20
216
203
13
6
229
209
Parque Conquista
77
104
0
2
77
106
Parque São Sebastião
80
85
2
1
82
86
60
66
3
1
63
67
47
45
0
2
47
47
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Ladeira dos Funcionários
Parque Nossa Senhora da Penha
Quinta do Caju
Total
70
67
0
1
70
68
718
726
22
15
740
741
1.444
37
1.481
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
3.2.3. ANALFABETISMO ENTRE PESSOAS COM 15 ANOS OU MAIS DE IDADE
O último recorte etário utilizado para a análise dos déficits educacionais na UPP Caju concerne à
população com 15 anos de idade ou mais. Trata-se de uma informação extremamente relevante por ser
um indicador de desenvolvimento social importante para analistas e gestores públicos, pois indica um alto
grau de vulnerabilidade social. A Tabela 17 expõe os dados de alfabetização relativos às pessoas desta
faixa etária. Enquanto para este recorte etário a média de pessoas não-alfabetizadas na cidade do Rio de
Janeiro não excede 3%, nota-se que nas comunidades Vila do Mexicano, Ladeira dos Funcionários e
Parque Boa Esperança (R.A. Portuária) esta é de 11,4%, 9,4% e 9,3%, respectivamente. Esta proporção é,
de fato, consideravelmente maior do que a média geral de 7,5% da UPP Caju.
A diferença entre a área da UPP e o restante da cidade deve ser destacada. Enquanto na R.A. Portuária o
percentual de pessoas analfabetas com 15 anos de idade ou mais é de 4,9% e na cidade do Rio de Janeiro
é de 2,9%, na área da UPP Caju este percentual atinge a marca de 7,5%, o que representa uma diferença
bastante significativa.
Outro dado a ser destacado é a dissimilaridade no que diz respeito aos percentuais entre as comunidades
Vila do Mexicano e Quinta do Caju: enquanto na primeira 11,4% das pessoas com 15 anos de idade ou
mais foram identificadas como sendo não-alfabetizadas, na segunda apenas 1,4% das pessoas na faixa
etária considerada está na mesma condição. Em números absolutos, a comunidade Parque Boa Esperança
(R.A. Portuária) se destaca negativamente por ser a comunidade com o maior número de pessoas
analfabetas com 15 anos de idade ou mais: 345 pessoas. Igualmente, é importante destacar a alta taxa de
pessoas alfabetizadas na comunidade Quinta do Caju: 98,6%. Nesta comunidade, a proporção de pessoas
que sabem ler e escrever é maior do que a média da cidade do Rio de Janeiro (97,1%) e da R.A. Portuária
(95,1%).
As diferenças internas às comunidades na UPP Caju para este recorte etário estão representadas no Mapa
8, de acordo com os setores censitários. Pode-se notar que os setores censitários com os percentuais mais
preocupantes de pessoas não-alfabetizadas com 15 anos de idade ou mais estão localizados nas
comunidades Vila do Mexicano e Parque Boa Esperança (R.A. Portuária). Nestes setores, entre 10% e 12%
de pessoas na faixa etária supracitada não são alfabetizadas.
19
Tabela 17 – Total e Percentual de Pessoas Alfabetizadas e Não-Alfabetizadas com 15 anos ou
mais de idade segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A. Portuária e Município do Rio de
Janeiro - 2010
Pessoas com 15 anos ou mais de idade
Comunidades
Alfabetizadas
Pessoas
%
Não Alfabetizadas
Pessoas
%
Total
Pessoas
%
Parque Alegria
1.085
91,6%
99
8,4%
1.184
100%
Parque Vitória
1.202
91,8%
108
8,2%
1.310
100%
179
88,6%
23
11,4%
202
100%
3.352
90,7%
345
9,3%
3.697
100%
Parque Conquista
942
91,5%
88
8,5%
1.030
100%
Parque São Sebastião
910
93,0%
68
7,0%
978
100%
Ladeira dos Funcionários
675
90,6%
70
9,4%
745
100%
Parque Nossa Senhora da Penha
873
92,6%
70
7,4%
943
100%
1.830
98,6%
26
1,4%
1.856
100%
11.048
92,5%
897
7,5%
11.945
100%
Vila do Mexicano
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Quinta do Caju
Total
R.A. Portuária
95,1%
4,9%
100%
Rio de Janeiro
97,1%
2,9%
100%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
Mapa 8 – Percentual de Pessoas com 15 ou mais anos de idade Não-Alfabetizadas segundo os
Setores Censitários das Comunidades na UPP Caju – 2010
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
Quando os dados de alfabetização para pessoas maiores de 15 anos são organizados por sexo, percebe-se
uma tendência inversa a das outras faixas etárias consideradas. Verifica-se na Tabela 18 que na UPP Caju,
o número absoluto de mulheres que indicaram não saber ler nem escrever é significativamente maior do
que a de homens: enquanto 427 homens nesta faixa etária não sabem ler nem escrever, 470 mulheres
estão nesta condição. Isto é, do total de pessoas não-alfabetizadas, 48% são homens e 52% são mulheres
neste recorte etário.
20
Tabela 18 – Pessoas Alfabetizadas e Não-Alfabetizadas com 15 anos ou mais de idade por Sexo
segundo as Comunidades na UPP Caju - 2010
Pessoas com 15 anos ou mais de idade
Comunidades
Alfabetizadas
H
Não Alfabetizadas
M
H
Total
M
H
M
Parque Alegria
509
576
48
51
557
627
Parque Vitória
554
648
48
60
602
708
94
85
10
13
104
98
1.639
1.713
175
170
1.814
1883
Parque Conquista
464
478
46
42
510
520
Parque São Sebastião
423
487
26
42
449
529
Ladeira dos Funcionários
315
360
33
37
348
397
Parque Nossa Senhora da Penha
428
445
32
38
460
483
Quinta do Caju
816
1.014
9
17
825
1031
5.242
5.806
427
470
5.669
6.276
Vila do Mexicano
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Total
11.048
897
11.945
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
3.3 RENDA4
3.3.1. RENDIMENTO NOMINAL MENSAL DOMICILIAR PER CAPITA DOS DOMICÍLIOS PARTICULARES
Os dados referentes ao rendimento nominal mensal domiciliar per capita dos domicílios particulares
agregam informações importantes sobre as condições de vida e o grau de vulnerabilidade em que vivem
as pessoas. Dessa forma, estes dados são capazes de auxiliar na construção de um panorama mais
completo sobre os territórios.
A Tabela 19 traz informações apresentadas pelo Censo 2010 sobre o rendimento nominal mensal
domiciliar per capita dos domicílios particulares de acordo com as seguintes faixas de renda: até 1/8 de
salário mínimo; mais de 1/8 até ¼; mais de ¼ até 1/2; mais de ½ até 1; mais de 1 até 2; mais de 2 salários
mínimos; além de informações de domicílios com renda per capita 0 (zero) ou domicílios sem informações
de renda. Tendo em vista que os dados foram levantados no ano de 2010, quando o salário mínimo era de
R$ 510,00, as faixas de renda mencionadas correspondem respectivamente aos valores de: até R$ 63,75;
entre R$ 63,76 e R$ 127,50; entre R$ 127,51 e R$ 255,00; entre R$ 255,01 e R$ 510,00, entre R$ 510,01 e
R$1.020,00; e mais de R$1.020,01. A análise do cruzamento feito com as duas primeiras faixas de renda
possibilita construir uma estimativa aproximada sobre o número de domicílios nos quais habitam pessoas
5
sob a linha de indigência ou de pobreza . Além disso, as quatro primeiras faixas de renda podem indicar,
de forma aproximada, a quantidade de domicílios nos quais vivem pessoas elegíveis ou já cadastradas no
Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), uma vez que estas faixas de renda são utilizadas como
critérios básicos para o cadastramento de pessoas em determinados programas sociais.
No que diz respeito à linha de indigência o referencial adotado é o mesmo utilizado pelo CadÚnico, que
considera o rendimento familiar per capita de R$ 70,00 como um quesito fundamental para o acesso a
diversos programas sociais. Para fazer uma correspondência com esse critério, a faixa de renda que vai
até 1/8 de salário mínimo, ou seja, até R$ 63,75, também foi utilizada por apresentar um valor
aproximado. Contudo, uma vez que esta faixa de renda mostra-se inferior ao rendimento domiciliar per
capita (RDPC) usado para definir a linha de indigência, sabe-se que os domicílios em que habitam pessoas
com RDPC entre R$ 63,75 e R$ 70,00 não estão contemplados nesta faixa. Isso significa que o percentual
de indigência é superior ao apresentado na tabela, sobretudo se fosse possível levar em consideração o
4
Nas tabelas abaixo, os dados do censo relativos às pessoas sem rendimento encontram-se agregados aos dados referentes às
pessoas que não declararam renda.
5
Embora existam outras possibilidades, é importante ressaltar que a definição adotada para caracterizar a linha de indigência e a
linha de pobreza está baseada nas frações do salário mínimo.
21
grupo de domicílios com pessoas que apresentam renda domiciliar per capita nula, dado este
desconhecido.
Já em relação à linha de pobreza buscou-se fazer uma equivalência entre o valor usualmente adotado
para defini-la (R$ 140,00) com a faixa de renda que vai de mais de 1/8 até ¼ de salário mínimo, isto é, de
R$ 63,76 a R$ 127,5. Mais uma vez, há uma diferença entre as faixas de renda usadas no levantamento do
Censo 2010 e o valor aceito como definidor para a linha de pobreza. Portanto, o percentual de pobreza
apresentado na tabela é um valor aproximado.
Tabela 19 - Total e Percentual de Domicílios Particulares por Rendimento Nominal Mensal
Domiciliar Per Capita segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A. Portuária e Município do Rio
de Janeiro – 2010
Comunidade
Até 1/8 SM
total
%
Mais de 1/8 a
1/4 SM
Mais de 1/4 a
1/2 SM
Mais de 1/2 a 1
SM
total
total
total
%
%
%
Mais de 1 a 2 SM
total
%
Mais de 2 SM
total
%
Sem Rendimento ou
Sem Informação
total
%
Parque Alegria
1 0,2%
21 4,2%
100 19,8%
235 46,5%
122 24,2%
14 2,8%
12
2,4%
Parque Vitória
4 0,7%
60 10,8%
149 26,8%
202 36,4%
89 16,0%
10 1,8%
41
7,4%
Vila do Mexicano
2 2,2%
16 18,0%
26 29,2%
26 29,2%
13 14,6%
1 1,1%
5
5,6%
15 1,0%
91 5,8%
379 24,3%
720 46,2%
271 17,4%
46 3,0%
36
2,3%
Parque Conquista
3 0,6%
26 5,4%
111 23,1%
173 36,0%
96 20,0%
19 4,0%
53
11,0%
Parque São Sebastião
1 0,2%
30 7,2%
144 34,5%
132 31,7%
33 7,9%
1 0,2%
76
18,2%
Ladeira dos Funcionários
2 0,6%
35 10,8%
102 31,5%
99 30,6%
50 15,4%
13 4,0%
23
7,1%
Parque Nossa Senhora da Penha
2 0,5%
7 1,8%
69 18,0%
154 40,1%
108 28,1%
35 9,1%
9
2,3%
Quinta do Caju
0 0,0%
19 2,3%
116 14,3%
253 31,3%
169 20,9%
57 7,0%
196
24,2%
6,0% 1.196 23,3% 1.994 38,9%
951 18,6%
451
8,8%
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Total
30
0,6%
305
196
3,8%
R.A. Portuária
0,7%
4,5%
17,7%
35,9%
24,3%
10,2%
6,7%
Rio de Janeiro
0,5%
2,8%
10,8%
23,6%
23,7%
34,1%
4,3%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
A Tabela 19 apresenta os dados referentes ao rendimento nominal mensal domiciliar per capita dos
domicílios. Considerando a UPP Caju como um todo, pode-se verificar que o percentual de domicílios com
rendimento nominal mensal domiciliar per capita na faixa de renda que vai até 1/8 de salário mínimo é de
0,6%, percentual este consideravelmente maior que o apresentado para o município do Rio de Janeiro
(0,5%). Ainda no que diz respeito aos dados de renda domiciliar per capita da UPP Caju, pode-se dizer que
o percentual observado na faixa de renda que corresponde aproximadamente à linha de pobreza também
é extremamente superior ao encontrado no município do Rio de Janeiro e na R.A. Portuária: se na UPP
Caju este percentual é de 6,0%, no município do Rio de Janeiro o mesmo percentual é de 2,8% e na R.A.
Portuária é de 4,5%.
A discrepância repete-se no que diz respeito à faixa de renda maior que 2 salários mínimos. Se no
município do Rio de Janeiro 34,1% dos domicílios possuem rendimento nominal mensal domiciliar per
capita de mais de 2 salários mínimos, e na R.A. Portuária 10,2% dos domicílios estão nesta classificação,
nas comunidades Parque Vitória, Vila do Mexicano e Parque São Sebastião, por exemplo, o percentual de
domicílios que agregam esta faixa de renda é sobremaneira baixo: 1,8%, 1,1% e 0,2%, respectivamente.
Neste contexto, até mesmo a comunidade Parque Nossa Senhora da Penha, que possui o maior
percentual de domicílios com rendimento nominal mensal domiciliar per capita superior a 2 salários
mínimos (9,1%), revela o quanto a área da UPP está aquém dos percentuais apresentados pela cidade
como um todo.
O Mapa 9 mostra as informações de renda domiciliar per capita de até ¼ de salário mínimo de acordo
com os setores censitários das comunidades na UPP Caju. Este dado não inclui domicílios com renda
declarada igual a zero, pois como mencionado anteriormente, este grupo refere-se também aos
domicílios cujos moradores se recusaram a declarar tal informação. Pode-se perceber que a distribuição
não é uniforme por todo o território. Em determinadas áreas pode-se constatar que existem setores
censitários nos quais há maior concentração de domicílios com renda domiciliar per capita de até ¼ de
salário mínimo. Por outro lado, as comunidades Parque Nossa Senhora da Penha e Quinta do Caju
apresentam setores censitários com baixa concentração de domicílios pertencentes à faixa de pobreza.
22
Mapa 9 – Percentual de Domicílios Particulares com Renda Mensal declarada: RDPC até ¼ de
Salário Mínimo segundo os Setores Censitários das Comunidades na UPP Caju – 2010
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
3.3.2. RENDIMENTO DOS RESPONSÁVEIS PELOS DOMICÍLIOS
Escolheu-se trabalhar também com os dados sobre a renda dos responsáveis pelos domicílios, uma vez
que os mesmos possibilitam um melhor entendimento sobre as condições de inserção no mercado de
trabalho. Pode-se presumir que, quanto menor a renda do responsável pelo domicílio, pior é sua inserção
no mercado de trabalho. Da mesma maneira, a renda mais elevada indica que as condições de inclusão no
mercado de trabalho são favoráveis.
Assim sendo, a Tabela 20 apresenta dados referentes às seguintes faixas de renda: até ½ de salário
mínimo; mais de ½ até 1; mais de 1 até 2; mais de 2 a 3; e superior a 3 salários mínimos. Tais faixas de
renda correspondem respectivamente aos valores de: até R$ 255,00; entre R$ 255,01 e R$ 510,00; entre
R$ 510,01 e R$ 1.020,00; entre R$ 1.020,01 e 1.530,00; e superior a R$ 1.530,01.
23
Tabela 20 - Total e Percentual de Responsáveis pelos Domicílios Particulares Permanentes por
Cortes de Renda segundo as Comunidades na UPP Caju, R.A. Portuária e Município do Rio de
Janeiro – 2010
Até 1/2 SM
Comunidade
total
%
Mais de 1/2 a 1
SM
total
%
Mais de 1 a 2 SM
total
%
Mais de 2 a 3 SM
total
%
Mais de 3 SM
total
%
Sem Rendimento ou
Sem Informação
total
%
Parque Alegria
5
1,0%
213 42,2%
197 39,0%
37
7,3%
16
3,2%
37
Parque Vitória
5
0,9%
274 49,4%
144 25,9%
32
5,8%
9
1,6%
91 16,4%
Vila do Mexicano
2
2,2%
33 37,1%
33 37,1%
6
6,7%
0
0,0%
15 16,9%
33
2,1%
765 49,1%
457 29,3%
93
6,0%
37
2,4%
173 11,1%
Parque Conquista
6
1,2%
109 22,7%
205 42,6%
39
8,1%
17
3,5%
105 21,8%
Parque São Sebastião
1
0,2%
187 44,8%
77 18,5%
8
1,9%
3
0,7%
141 33,8%
Ladeira dos Funcionários
1
0,3%
137 42,3%
81 25,0%
13
4,0%
13
4,0%
79 24,4%
Parque Nossa Senhora da Penha
2
0,5%
129 33,6%
145 37,8%
34
8,9%
39 10,2%
Quinta do Caju
4
0,5%
115 14,2%
224 27,7%
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
Total
59
1,2% 1.962 38,3% 1.563 30,5%
105 13,0%
367
7,2%
7,3%
35
9,1%
73
9,0%
288 35,6%
207
4,0%
964
18,8%
R.A. Portuária
1,3%
31,1%
31,4%
9,6%
10,5%
16,1%
Rio de Janeiro
1,3%
17,1%
24,6%
11,6%
33,3%
12,1%
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
Na UPP Caju, a faixa de renda que vai até ½ salário mínimo engloba 1,2% dos responsáveis pelos
domicílios, enquanto no município do Rio de Janeiro e na R.A. Portuária este percentual é de 1,3%. Já os
dados referentes à faixa de renda de ½ até 1 salário mínimo expõem diferenças bastantes significativas:
na comunidade Parque Vitória o percentual de responsáveis pelos domicílios nesta faixa de renda é de
49,4%, bem maior que o percentual apresentado pelo município do Rio de Janeiro (17,1%) e pela R.A.
Portuária (31,1%). Considerando-se a UPP Caju como um todo, a distinção entre este território e a cidade
do Rio de Janeiro também mostra-se gritante: 38,3% dos responsáveis por domicílios na UPP estão
localizados na faixa de renda supracitada.
Da mesma forma, os percentuais na faixa de renda superior a 3 salários mínimos indicam, tal como os
dados anteriores, uma diferença considerável em relação à cidade. Somente 4,0% dos responsáveis por
domicílios na UPP Caju estão localizados nesta faixa de renda, percentual este que diverge enormemente
dos apresentados pela R.A. Portuária (10,5%) e pelo município do Rio de Janeiro (33,3%). Esta
discrepância relativa à faixa de renda superior a 3 salários mínimos torna-se ainda mais intensa nas
comunidades Parque Vitória, Parque São Sebastião e Vila do Mexicano, nas quais apenas 1,6%, 0,7% e
0,0% dos responsáveis pelos domicílios agregam esta faixa de renda, respectivamente.
Considerando as comunidades e conjuntos na UPP Caju como um todo, pode-se perceber no Mapa 10 que
os setores censitários que compõem a área são bastante diversos. É possível verificar que nas
comunidades Parque São Sebastião Parque Boa Esperança (R.A. Portuária), Parque Vitória e Parque
Alegria existem setores censitários que apresentam uma concentração maior de pessoas responsáveis por
domicílios com rendimento de até 1 salário mínimo. Nestes setores censitários mais críticos, algo entre
45% e 55% dos responsáveis pelos domicílios está na faixa de renda que vai até 1 salário mínimo. Merece
destaque o fato de que todos os setores censitários da comunidade Parque Boa Esperança (R.A. Portuária)
apresentam o percentual supracitado.
24
Mapa 10 – Percentual de Pessoas Responsáveis com Rendimento Declarado: Renda Mensal de
até 1 Salário Mínimo segundo os Setores Censitários das Comunidades na UPP Caju – 2010
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
A Tabela 21 expõe os dados referentes ao sexo e renda dos responsáveis pelos domicílios. As faixas de
renda observadas foram as mesmas utilizadas na tabela anterior.
Tabela 21 - Total de Responsáveis pelos Domicílios Particulares Permanentes por Cortes de
Renda e por Sexo segundo as Comunidades na UPP Caju – 2010
Mais de 1/2 a 1
SM
Até 1/2 SM
Comunidade
H
Mais de 2 a 3
SM
M
H
Sem Rendimento ou
Sem Informação
Mais de 3 SM
H
M
H
Parque Alegria
0
5
100
113
124
73
29
8
10
6
14
23
Parque Vitória
0
5
132
142
112
32
28
4
9
0
31
60
Vila do Mexicano
0
2
20
13
25
8
5
1
0
0
1
14
Parque Boa Esperança (RA - Portuária)
4
29
380
385
308
149
81
12
29
8
38
135
Parque Conquista
3
3
56
53
165
40
34
5
17
0
51
54
Parque São Sebastião
0
1
50
137
32
45
6
2
3
0
19
122
Ladeira dos Funcionários
0
1
50
87
53
28
10
3
12
1
20
59
Parque Nossa Senhora da Penha
0
2
64
65
98
47
29
5
29
10
15
20
Quinta do Caju
3
1
71
44
156
68
79
26
62
11
132
156
10
49
923 1.039 1.073
490
301
66
171
36
321
643
Total
M
Mais de 1 a 2
SM
M
H
M
H
M
Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010)
A observação dos dados da Tabela 21 relativos ao cruzamento entre sexo e renda dos responsáveis pelos
domicílios indica tendências inerentes ao mercado de trabalho e ao papel da mulher na sociedade atual.
Na primeira faixa de renda as mulheres constituem a maioria (49 mulheres contra 10 homens), o que
indica profunda precarização de suas condições de trabalho. A mesma tendência se repete na faixa de
renda que vai de mais de ½ até 1 SM, onde as mulheres também representam a maioria (1.039 mulheres
contra 923 homens. Já nas faixas de renda que apresentam os maiores rendimentos (mais de 2 a 3 SM e
mais de 3 SM), as mulheres surgem como minoria em relação aos homens (66 mulheres contra 301
25
homens na faixa de renda que vai de 2 a 3 SM e 36 mulheres contra 171 homens na faixa de renda acima
de 3 SM), fato que demonstra, mais uma vez, um déficit de seus rendimentos frente à parcela masculina.
Estes dados corroboram a tendência nacional observada no mercado de trabalho, em que, de um modo
geral, mulheres ganham menos, seja por receberem salários menores que os conferidos aos homens mesmo quando ambos ocupam as mesmas funções -, por exercerem funções menos valorizadas, ou,
ainda, por trabalharem somente em horário parcial.
26
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