APLICAÇÃO DE DADOS DE DETECÇÃO REMOTA EM ECOLOGIA Paulo Cardoso & Manuela Correia Centro de Ecologia Aplicada, Universidade de Évora, Lgo. dos Colegiais, 2- 7002-544 Évora, Portugal. Telefone: (351) 266 745197 Fax: (351) 266 744969 e-mail: [email protected] 1-DETECÇÃO REMOTA - DEFINIÇÕES E CONCEITOS BÁSICOS A detecção remota é o processo de aquisição de informação sobre a natureza ou estado de um objecto usando um sensor que não está em contacto físico directo com este. As técnicas de detecção remota têm, basicamente, duas aplicações distintas em estudos de ecologia: aplicações directas e indirectas (Kasischke et al., 1997). As aplicações directas destinam-se geralmente a obter uma interpretação das características do terreno (Wu et al., 1997; Holmgren et al., 1997), examinar a relação entre parâmetros químicos, físicos e bióticos (Everitt et al., 1997) e extrapolar as relações conhecidas num determinado contexto geográfico para áreas mais abrangentes ou períodos de tempo mais dilatados (Kenneth, et al., 1997). As aplicações indirectas prendem-se com a utilização de dados de detecção remota para estudar processos específicos (Cahoon et al., 1994; Kasischke et al. 1995b; French et al., 1996) que, globalmente, afectam outros processos ecológicos (Bonan & Van Cleve, 1992; Smith et al., 1992; Kasischke et al., 1995a; Kasischke, 1996). A classificação de imagens de satélite é uma das aplicações directas mais frequentemente utilizadas em ecologia, nomeadamente pelo facto dos algoritmos de classificação de imagens de satélite permitirem sintetizar a variabilidade e complexidade inerentes a uma paisagem num número limitado de classes definidas pelo investigador. Dos muitos algoritmos de classificação disponíveis, os classificadores de máxima verosimilhança são os mais utilizados em técnicas de classificação assistida, uma vez que apresentam uma base teórica bastante desenvolvida (Bolstad, 1992). Estes algoritmos baseiam-se na estatística paramétrica utilizando, por isso, as médias, variâncias e covariâncias de todas as bandas na criação das assinaturas espectrais (Bustamante & Weykam, 1999). Dados os constrangimentos habituais com a restrição ou optimização de recursos humanos ou logísticos, poder sumariar a informação obtida por técnicas de detecção remota revela-se uma vantagem inestimável em estudos de ecologia. Nos projectos desenvolvidos no Laboratório de Cartografia Biológica (LCB) do Centro de Ecologia Aplicada da Universidade de Évora, para além da utilização directa das imagens de satélite classificadas têm-se ainda desenvolvido metodologias que permitem extrair variáveis explicativas da caracterização obtida a partir das referidas classificações. Nesta apresentação, serão utilizados como exemplos casos desenvolvidos nos projectos mencionados. 1 2-APLICAÇÕES DA DETECÇÃO REMOTA EM ECOLOGIA 2.1 - Estratificação da amostragem A utilização mais frequente, e por isso a que tem sido mais explorada no LCB, consiste na determinação das classes do uso do solo. Para além de constituir uma forma de descrever ou simplificar o mosaico da paisagem, esta aplicação permite ainda uma estratificação de amostragens subsequentes relativas, neste caso quer à fauna quer à flora. Estudo de caso 1- Diversidade em Pousios. O Projecto ”Diversidade em Pousios” teve em consideração, desde o início, a exploração de informação de detecção remota, tanto na definição da área de estudo como na quantificação da estrutura da paisagem no espaço e no tempo. Nesta comunicação far-se-á referência à classificação efectuada, na qual se distinguiram, entre outras classes, três tipos de paisagens da região de Castro Verde: uma dominada por campos de cultura cerealífera, outra constituída predominantemente por pousios e, finalmente, uma paisagem dominada por matos de estevas (Cistus spp.). Esta classificação permitiu, posteriormente, definir locais para a realização de uma amostragem estratificada (fig. 1.) b a a Figura 1. a) Classificação supervisada (Maxlike) da área de estudo - seis classes de uso do solo; b) Índice de vegetação SAVI: b3 e b7– s.f.: 1. 2 Estudo de caso 2 - Monitorização da avifauna na barragem do Alqueva. Neste caso, o principal objectivo da classificação do uso do solo na área de estudo foi o de permitir, às equipas responsáveis pelo trabalho de campo, a localização de determinadas classes de uso do solo que tornassem mais eficaz o delineamento da metodologia de campo. Cite-se, como exemplo, a selecção das estações de escuta para aves nas unidades de paisagem “Matos”. Para a realização deste estudo foi usado o software IDRISI for Windows no processamento das imagens. Utilizou-se inicialmente uma imagem que resultou da classificação assistida baseada no algoritmo Maxlike efectuada a partir de uma imagem composta pelas bandas 3, 4 e 5. Esta classificação permitiu identificar 8 classes de uso do solo na área de estudo (fig. 2). Figura 2. Classificação do uso do solo e localização da área de Este caso particular começou por implicar a edição de uma imagem constituída apenas pela classe Matos. Para isso, a imagem inicial foi reclassificada, atribuindo à classe Matos o valor um e ao resto da imagem o valor zero (imagem M1 – fig. 3). 3 Figura 3. Imagem constituída apenas pela classe Matos (M1). Considerando que só teria interesse localizar as estações de escuta em manchas com dimensão superior a 4 ha, calculou-se a área de cada uma das manchas presentes na imagem. Cada mancha ficou então identificada com o valor da respectiva área. Foram, contudo, incluídos polígonos que ficavam no interior das manchas, mas que não correspondiam à classe Matos (imagem A1). Para resolver este problema as imagens M1 e A1 foram multiplicadas e obteve-se uma nova imagem (A2), onde os polígonos da classes Matos estão identificados com o valor da respectiva área e tudo o resto tem valor zero. Esta imagem foi reclassificada de modo a excluir todos os polígonos com dimensão inferior a 4 ha (imagem M2). Foi depois necessário seleccionar 100 possíveis localizações para as estações de escuta mas, para isso, era necessário que a cada uma das manchas correspondesse um identificador único. Editou-se então outra imagem igual à M2, mas onde cada mancha tem um identificador inteiro diferente (imagem N1). Ensaiaram-se, de seguida, duas metodologias alternativas: (1) Sobre a imagem N1 foram distribuídos 400 pontos aleatórios e o ficheiro vectorial obtido foi convertido para formato raster sobre uma imagem inicial vazia (imagem P1). Nesta imagem (P1) foi medida a distância a partir de cada ponto entre cada pixel e o pixel que lhe fica mais próximo, produzindo uma imagem de distâncias aos pontos aleatórios (P2). Em seguida, a partir da imagem P2 e com base na imagem N1, extraíram-se as médias das distâncias dos pontos aleatórios aos Matos, calculando a média de todos os pixeis em P2 para cada identificador de N1. Obteve-se assim um ficheiro de valores com o identificador de cada mancha de Matos e a respectiva distância média aos pontos aleatórios (V1). Este ficheiro foi importado para uma folha de cálculo onde as manchas foram ordenadas de acordo com os valores da distância média. Estabeleceu-se então que seriam seleccionadas as manchas que ficavam a uma distância média aos pontos não superior a 500 metros, o que correspondeu a 137 manchas de Matos. Editou-se depois um novo ficheiro de 4 valores (V2), onde se atribuiu às manchas seleccionadas o valor um e às restantes o valor zero. Com base neste ficheiro construi-se uma imagem final, destinada aos investigadores de campo, constituída apenas pelas áreas a amostrar e que foi obtida atribuindo o ficheiro de valores V2 à imagem N1 (fig.4a). (2) Utilizando a imagem N1, onde a cada uma das manchas de Matos delimitadas corresponde um número de identificação e importando para uma folha de cálculo essa informação, foram gerados 100 números aleatórios que corresponderam à selecção das manchas a amostrar. Tal como no caso anterior, foi editado um ficheiro de valores com os identificadores das manchas de Matos, onde as manchas escolhidas têm valor um e o resto das manchas têm valor zero (V3). Atribuindo este ficheiro novamente à imagem N1, foi produzida uma imagem que continha unicamente as áreas de Matos destinadas a constituir pontos de escuta de aves (fig. 4b). a b Figura 4 – a) Matos seleccionados utilizando a metodologia (1); b) Matos seleccionados utilizando a metodologia (2). A escolha entre as duas imagens produzidas dependeu, em última instância, da opinião dos investigadores de campo, os quais optaram pela imagem obtida através do primeiro método, por ser esta a que possuía manchas de Matos mais extensas, apresentando por isso maior interesse para a localização de estações de escuta de aves. Refira-se que este diálogo entre os investigadores de campo e os investigadores responsáveis pelos SIG se tem revelado como fundamental no sucesso dos projectos levados a cabo no LCB. 5 2.2 - Extracção de variáveis Uma das maiores potencialidades dos dados obtidos através de detecção remota reside na sua utilização como variáveis explicativas em estudos de ecologia. A grande vantagem na utilização deste tipo de dados é a possibilidade de se poder obter uma quantificação de uma qualquer variável à escala definida pelo investigador, sem que isso implique gastos vultuosos, quer em termos logísticos, quer em termos de tempo. Estudo de caso 3 – Projecto Diversidade em Pousios Com base na classificação assistida duma imagem de satélite, sobre a qual foram definidas seis classes de uso do solo obtiveram-se, recorrendo às potencialidades de um SIG, diferentes descritores para cada parcela do terreno, parcelas estas correspondentes à escala de abordagem definida a priori como sendo de uma quadrícula de 1x1 km. A partir da função zonal no MGE, extraiu-se, para cada quadrícula 1x1, informação acerca da percentagem de cada classe de uso do solo, classe dominante , n.º de classes, entre outras (fig. 5). Figura 5. a) Classe dominante; b) Percentagem de pousios; c) n.º de classes. Informação referente à quadrícula 1x1 km. a b c Estudo de caso 4 - Arrábida Este trabalho teve como objectivo principal a obtenção, a partir duma imagem de satélite, de variáveis explicativas que pudessem ser utilizadas para modelar a distribuição da flora da Serra da Arrábida. A utilização da imagem de satélite foi feita 6 a partir: i) das bandas originais mais pertinentes ii) da análise de componentes principais (dados quantitativos relativos às coordenadas de cada pixel na primeira componente da PCA) iii) e da análise de agrupamento (cluster). Para a matriz final de variáveis explicativas obtiveram-se, respectivamente,: i) Bandas 3, 4, 5, e 6, ii) 1ª componente da PCA, e sua mediana , iii) Moda cluster composit 457 (fig. 6). a b Figura 6. a) Banda 4; b) Cluster 457 (9 clusters) 2.3 - Operações complexas As operações complexas resultam quer do tratamento estatístico dos dados de detecção remota, quer do seu envolvimento num ambiente SIG (raster). O primeiro tipo de operações referido procura ultrapassar as fracas potencialidades estatísticas dos SIG procedendo ao tratamento directo dos dados obtidos por detecção remota, reintroduzindo os respectivos resultados no SIG. Quanto ao segundo tipo de operações complexas, serão abordados dois exemplos: funções de vizinhança e funções zonais (veja-se Robinson et al., 1992 e Haslett, 1994, por exemplo). Estudo de caso 5 –Tratamento estatístico dos dados de detecção remota: Diversidade em Pousios. O objectivo a atingir foi, novamente, fundamentar a escolha dos locais de amostragem, para os diferentes grupos envolvidos no projecto, através da identificação de zonas homogéneas em termos de estrutura paisagística. O processo utilizado neste caso foi a Análise de Agrupamentos, que corresponde a uma análise multidimensional de partição de uma colecção de objectos ou descritores de um estudo (Legendre & Legendre, 1998). O algoritmo de partição por k-means, apropriado para a problemática apresentada e para a matriz de dados obtida, determina a separação dos objectos em k-grupos ou "clusters" de modo que a semelhança entre objectos de um grupo seja maior do que entre objectos de grupos diferentes (Legendre & Legendre, op. cit.). Na estatística de k-means o número de grupos é determinado pelo investigador. Neste caso, os objectos considerados foram as quadrículas 1x1 Km, e os descritores a percentagem de coberto de cada classe, a diversidade de Shannon, a equitabilidade, a moda e a diversidade de classes. 7 Foram finalmente seleccionados quatro grupos que correspondiam, basicamente, a quatro cenários distintos em termos de ocupação do solo: 1) predominantemente pousios, 2) predominantemente campos lavrados, 3) matos de estevais e 4) quadrículas onde existiam diferentes classes equitativamente representadas (fig. 7). b Figura 7. Resultado da análise de agrupamentos por kmédias – 4 grupos; a) Distância ao centróide dos grupos da análise de agrupamentos. b) Gráfico das médias das variáveis nos grupos; Análise referente à quadrícula 1x1 km. a Este processo vai além do tipo de classes obtidas directamente da imagem de satélite (ver caso de estudo 1), conseguindo classificar e agrupar quadrículas de igual área, condição fundamental quando se pretendem efectuar testes de hipóteses. O último passo consistiu em gerar pontos aleatórios para realização das amostragens de campo. Estes pontos foram obtidos a partir de um script para ArcView, que gera um determinado número de pontos aleatórios sobre uma dada classe escolhida. (fig. 8). Figura 8. Pontos de amostragem gerados aleatoriamente sobre cada uma das classes de uso do solo. As classes Esteval e Heterogéneos foram agrupadas nesta fase. 8 Com esta metodologia foi possível encontrar zonas com características semelhantes em termos de estrutura paisagística e, com isso, fornecer uma base coerente para a definição dos locais de amostragem para os diferentes grupos envolvidos no projecto. Estudo de caso 6 - Funções zonais e de vizinhança: Arrábida. Neste caso procuraram-se as variáveis estruturais que mais contribuem para a variância de inventários de vegetação. A Análise de Agrupamentos permitiu gerar grupos discretos homogéneos (variável qualitativa) que, apesar do pequeno poder explicativo permitiram, em ambiente SIG, criar uma panóplia de variáveis estruturais que reflectem a arquitectura da paisagem. A obtenção destes grupos permitiu extrair informação pontual (através duma função de vizinhança) e à quadrícula (através duma função zonal) (fig. 9). Tal como nos casos anteriores, o próprio processo de extracção produz novas variáveis paisagísticas, como sejam a dimensão fractal, o índice de diversidade, etc. Moda da 1ª componente PCA por quadrícula 500x500m Altimetria Modelo de exposição geográfica (N/S) Figura 9. Exemplos de utilização de funções zonais e de vizinhança. O estabelecimento das relações entre descritores (composição florística e coordenadas principais), com as variáveis ambientais (do processo em IDRISI e MGGA), é efectuado através da análise canónica (Ter Braak, 1990). Numa análise multivariada, os descritores vão funcionar como variáveis dependentes, e as variáveis ambientais como variáveis independentes. A RDA (Análise de redundância) é a análise canónica a utilizar para discriminar quais as variáveis que mais contribuem para a variância das espécies, e que percentagem desta variância é explicada por estas variáveis ambientais. 9 3- CONCLUSÕES Os ecossistemas mediterrâneos são das regiões mais complexas da terra em termos de paisagem, história, geografia, morfologia e história natural (Blondel, 1999). A grande dificuldade de analisar estes ecossistemas resulta da forte influência do homem nos mesmos. A imagem de satélite permite quantificar indirectamente a complexidade dos ecossistemas, tornando-se numa ferramenta essencial para a descodificação do mosaico mediterrâneo. Os casos descritos nesta apresentação elucidam a importância da detecção remota como filtro da realidade, permitindo a sua quantificação e, assim, integrando a componente paisagística na modelação ecológica. Dada a resolução temporal da aquisição de informação de detecção remota, um grande benefício proveniente da aplicação destes dados é a disponibilização de informação actual acerca da estrutura da paisagem. É assim possível acompanhar alterações na utilização dos recursos naturais. A natureza quantitativa dos dados de detecção remota (por oposição aos dados provenientes da foto-interpretação) possibilitam a sua exploração com técnicas de estatística multivariada. A simplificação da informação, retendo a maior variabilidade possível, representa um compromisso entre a preservação da informação e a sua inteligibilidade. A incorporação dos outputs de diferentes técnicas estatísticas num SIG expandem este conceito para a visualização da informação e a sua posterior manipulação. O desenvolvimento de metodologias que explorem e integrem as potencialidades de técnicas estatísticas multivariadas e os recursos dos SIG, aplicados à detecção remota, constituem uma poderosa ferramenta para a interpretação, modelação e gestão da paisagem e recursos naturais. AGRADECIMENTOS Ao Paulo Pereira e ao Rubén Martinez por disponibilizarem os seus dados e pelo apoio na execução do texto. À Manuela Fonseca e à Maria Ana pela revisão final do manuscrito. À Rede DEMETER pela disponibilização das as imagens de satélite. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Blondel, J.; Aronson, J. (1999) Biology and Wildlife of the Mediterranean Region. Oxford University Press Inc., New York. Bolsted, P. V. (1992) Rule-based classification models: flexible integration of satellite imagery and thematic spatial data. Photogrammetric Engineering & Remote Sensing. 58(7):965-971. Bonan, G. B. & VanCleve, K. (1992) Soil temperature, nitrogen mineralization and carbon sourse-sink relationships in boreal forests. 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