Universidade Federal do Rio de Janeiro Especialização em Acessibilidade Cultural Acessibilidade, Cidadania Cultural e Direito Social: Uma análise dos espaços culturais da ONG Solar Meninos de Luz e criação de uma proposta de política cultural de Acessibilidade para a instituição. Ingrid David Alves de Carvalho Rio de Janeiro 2014 Universidade Federal do Rio de Janeiro Especialização em Acessibilidade Cultural Acessibilidade, Cidadania Cultural e Direito Social: Uma análise dos espaços culturais da ONG Solar Meninos de Luz e criação de uma proposta de política cultural de Acessibilidade para a instituição. Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Pós-graduação do curso de Especialização em Acessibilidade Cultural, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. ORIENTADORA: Profa. Dra. Patricia Dorneles Rio de Janeiro 2014 2 Dedico este trabalho à minha mãe, Diva David – meu amor maior, minha coluna –, ao Alex Melo, aos meus amigos, à minha querida orientadora, professora Patricia Dorneles, a todos estes pelo apoio e confiança, pela paciência durante o momento da elaboração do trabalho e por acreditarem que sou capaz de fazer a diferença no mundo na área da Acessibilidade Cultural por meio dos conhecimentos adquiridos somados à Comunicação e pelo amor que carrego no coração e deposito em tudo o que faço. 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela força e vontade que sempre tenho de seguir em frente, quebrando barreiras, conquistando vitórias e somando aprendizado. Agradeço à minha mãe Diva por ter estado sempre ao meu lado, me cobrando disciplina, postura, força, garra e determinação. Agradeço também por tudo que ela fez e ainda faz por mim, para que eu sempre tenha oportunidade de estudar e crescer profissional, acadêmica e pessoalmente. Agradeço por ter me acompanhado, apoiado e me visto evoluir durante todo este período da Especialização. Agradeço também à minha orientadora Patrícia Dorneles pela paciência, pelos conselhos e pela extrema competência na realização do seu trabalho como docente. Agradeço aos meus amigos, familiares e professores por terem tido muita paciência em ouvir minhas inseguranças e terem me dado muito apoio para seguir adiante. Agradeço também ao Alex, que está sempre ao meu lado, e que me ajudou com sua compreensão e paciência. 4 “[...] Para você que acreditou que podia ser mais feliz vendo o outro ser feliz” Meu Reggae é Roots - Natiruts 5 Resumo Este estudo tem como proposta contribuir com a reflexão e o conhecimento de profissionais que atuam na área cultural. O tema que se propõe a ser refletido e debatido é a questão da Acessibilidade de produtos culturais. O resultado desse estudo se materializa neste Trabalho de Conclusão do Curso (TCC) de Especialização em Acessibilidade Cultural. A Acessibilidade Cultural é compreendida como inclusão, integração e ferramenta interativa de participação integral das pessoas com deficiência em eventos públicos e culturais. Desta forma, propõe-se inicialmente promover a reflexão de artistas, técnicos e produtores culturais sobre o tema, construir uma análise dos espaços culturais da ONG Solar Meninos de Luz e, ao fim, criar de uma política cultural de Acessibilidade para a Galeria de Arte da instituição – Galeria de Arte Meninos de Luz. Para construir essa reflexão, o estudo desse TCC faz um recorte sobre as possibilidades de desenvolvimento de atividades culturais acessíveis na Galeria de Arte Meninos de Luz, e nos outros espaços culturais da instituição, possibilitando a fruição estética e artístico-cultural de pessoas com e sem deficiência, que frequentem esses espaços. Desta forma, este trabalho apresenta reflexões sobre Cidadania Cultural e o Direito Social da Pessoa com Deficiência e como isso está inserido nas questões sociais e culturais. Também trata sobre o conceito de Acessibilidade Cultural e em quais sub-grupos este pode se dividir. Por fim, apresenta entrevistas feitas com funcionários e uma Proposta Política de Acessibilidade Cultural, com recomendação de Recursos Acessíveis para cada espaço cultural da ONG Solar Meninos de Luz. Palavras-chave: Acessibilidade Cultural, Pessoas com Deficiência, Solar Meninos de Luz, Direito Social e Cidadania Cultural. 6 Lista de Anexos Os anexos desta pesquisa se constituem dos materiais colhidos para complementar o assunto abordado e também das entrevistas realizadas para compor esta monografia. Questionário feito para os funcionários do Solar Meninos de Luz I Resposta do primeiro funcionário II Resposta do segundo funcionário III Fachada de uma das casas do Solar Meninos de Luz IV Galeria de Arte Meninos de Luz com a Exposição Verão II – lado V esquerdo Galeria de Arte Meninos de Luz com a Exposição Verão II – lado direito VI Galeria de Arte Meninos de Luz com a Exposição Lux – em cartaz até VII dia 13 de março de 2014 Alunos na Galeria de Arte Meninos de Luz com o artista plástico VIII Raimundo Rodrigues, autor das artes da Exposição Lux – em cartaz até dia 13 de março de 2014 Quadra aberta com jogo de basquete dos alunos do Ensino Médio IX Quadra coberta com a Festa Julina anual – 2013 X Sala de Coral com atividade de recreação e brinde para as crianças da XI Educação Infantil Sala de Multimeios decorada como lounge para o festival de danças XII urbanas Favela em Dança 2013 Teatro arena do Solar Meninos de Luz – vista da plateia XIII Cozinha Semi-industrial do Solar Meninos de Luz XIV 7 Índice Introdução.......................................................................................................................09 Capítulo I - Cidadania Cultural: Direito Social da pessoa com Deficiência para a Cultura...............................................13 Capítulo II – O que é Acessibilidade Cultural?...............................................................25 Capítulo III – Tipos de Acessibilidade ...........................................................................29 3.1 – Acessibilidade Física..................................................................................29 3.2 – Acessibilidade Comunicacional..................................................................31 3.3 – Acessibilidade Atitudinal.............................................................................32 Capítulo IV – Solar Meninos de Luz E análise de entrevistas.................................................................................................34 4.1 – Solar Meninos de Luz.................................................................................34 4.2 - Por que não pensaram em uma Política Cultural de Acessibilidade?.......40 Capítulo V – Proposta de Acessibilização Cultural .......................................................43 5.1 - Teatro Meninos de Luz................................................................................49 5.2 - Biblioteca Comunitária Meninos de Luz......................................................50 5.3 – Quadras de esportes..................................................................................52 5.4 – Sala de Coral e de Multimeios...................................................................53 5.5 – Galeria de Arte Meninos de Luz................................................................55 Considerações Finais....................................................................................................56 Referências Bibliográficas.............................................................................................58 Anexos..........................................................................................................................63 8 Introdução Esta pesquisa surgiu diante da observação feita das exposições e demais atividades culturais que aconteceram nos anos de 2011 a 2013 na Instituição Solar Meninos de Luz (SML), localizada na comunidade do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, durante o período em que estive lá exercendo o cargo de analista de comunicação e também onde fui professora voluntária de Dança de Salão. Este projeto tem como objetivos analisar e discutir as inúmeras possibilidades de tornar os espaços culturais do SML acessíveis de modo que, posteriormente, este material sirva de base para a construção de um projeto legítimo de Acessibilidade da instituição, onde os recursos de tecnologia assistiva e demais ferramentas e conhecimentos serão aplicados, os funcionários e os alunos dialogarão, com propriedade no assunto, com o conceito de Acessibilidade e todos colaborarão para a mudança atitudinal, comunicacional e física da ONG, que, futuramente, depois das referidas mudanças e adequações, estará apta a receber qualquer pessoa e a dar atendimento apropriado para que todos tenham acesso à informação e ao conteúdo oferecidos, com oportunidade de integração e participação, com autonomia e independência de cada cidadão frequentador desses espaços culturais. Mesmo não sendo mais da instituição, mantive meu propósito de elaborar essa pesquisa, pois acredito na causa, no trabalho que o Solar desenvolve há tanto tempo, na educação integral, na missão que sempre está presente nas ações realizadas pela ONG, que interferem e agem diretamente na educação de pessoas moradoras de comunidades, muitas pertencentes a famílias desestruturadas, que ainda vivem em situação de vulnerabilidade social. Com isso, o SML vai ter esta pesquisa para iniciar um projeto efetivo de Acessibilidade que ajudará não somente às pessoas com deficiência a frequentarem o espaço com autonomia, mas também idosos, crianças, pessoas com baixa estatura, pessoas com mobilidade reduzida temporária ou permanentemente, que usam muletas, com membro engessado, entre outros. Sem 9 contar que, em continuidade ao projeto, pretendo oferecer um “Aulão de Acessibilidade Cultural” para que crianças, jovens e funcionários possam e consigam olhar com carinho, zelo e respeito pelas pessoas com deficiência. E nunca com pena ou desprezo. Pude observar que, durante esses dois anos, não houve adequação das mostras públicas pensando a Acessibilidade de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, seja física ou intelectual, nem pensando a altura das crianças que estudam no local e nem em outras dificuldades, como a locomoção de idosos, por exemplo. Outro critério que utilizei para a escolha dessa instituição se deu pelo fato de ser um espaço artístico e cultural localizado numa Comunidade do Rio que, para muitos, é a única referência de arte, de educação e de cultura. A ONG possui um grande número de visitantes, incluindo pessoas humildes, moradoras da própria comunidade, voluntários majoritariamente moradores da zona sul do Rio, alunos e seus responsáveis que, via de regra, também moram no Pavão-Pavãozinho ou no Cantagalo (já que para se inscreverem no Solar é obrigatório que residam nessas comunidades). A Instituição também pertence a uma localidade que apresenta grande número de “hostels” e albergues, com muitos estrangeiros norte-americanos, europeus e africanos hospedados. O lugar se torna interessante, pois tem um público muito diverso. Para a coleta de dados foram realizadas entrevistas e questionários, um diário de campo com observação participativa in loco da equipe de funcionários, direção e curador da Galeria. Também foram realizadas consultas a documentos e materiais arquivados, tais como: fichas, cadernos de visitantes, material de divulgação das exposições anteriores etc. Durante a elaboração deste TCC, foi realizado um questionário com entrevista online, através de e-mail, isto é, foram feitas algumas perguntas discursivas com a possibilidade de novas perguntas serem feitas a partir das preestabelecidas, como funcionaria em uma entrevista semiestruturada, porém, infelizmente não pôde ser feita pessoalmente. 10 Diante desse estudo, percebeu-se que o Solar Meninos de Luz não possui um mecanismo de pesquisa regular, com registro sistematizado dos frequentadores desses espaços culturais, nas atividades abertas ao público. Sugere-se, portanto, em nível de gestão cultural, que seja implantado um sistema de controle e de pesquisa desse público frequentador. Para se ter dados qualitativos e quantitativos de tal público, essa seria a primeira medida importante a ser adotada pela instituição. As pesquisas de avaliação e aprendizagem em exposições têm evidenciado que as expectativas, motivações e tudo que ocorre anteriormente à visita pode ser determinante para a qualidade dela. O contexto pessoal é de fundamental importância para a escolha do museu ou da exposição a ser visitada e também para determinar as expectativas do visitante. Também os interesses, as crenças e os conhecimentos prévios sobre os museus e os conteúdos das exposições influenciarão a visita e o que lhe sucederá, variando conforme cada pessoa (MORTARA, 2005, p. 37). É importante saber o que leva determinado indivíduo a decidir visitar tal exposição em tal local. Da mesma maneira que é de extrema importância que este mesmo local conheça previamente um pouco dos gostos e interesses desse seu público, para entender suas motivações e o que o atrai, dialogando, assim, com esse frequentador, de maneira que ele possa entender, participar e aprender cada vez mais os conhecimentos artístico-culturais transmitidos por meio das atividades propostas. Esse público deve sentir vontade de retornar para continuar “consumindo” essa cultura e esse conhecimento. É importante que a instituição tenha uma metodologia determinada de registro de público. Para a Galeria de Arte Meninos de Luz, vejo a necessidade de serem feitos caderno de visitantes e um questionário avaliativo. Este material de apoio serve para controlar a quantidade de visitantes, a origem de cada um deles, a data da visitação, como ele soube de tal exposição, entre outras questões importantes para a construção do perfil desse público frequentador da Galeria de Arte. É fundamental compreender e avaliar este público para entender quais são as ações culturais que o atinge e o 11 interessa, e isso ajuda a verificar se as atividades propostas anualmente pelo Solar estão sendo bem aproveitadas pela comunidade. No capítulo 1, procuramos entender como é compreendida a questão do Direito Social das Pessoas com Deficiência, citando as mudanças que ocorrem na sociedade gradativamente, substituindo o papel de exclusão ocupado pelas PcD para o de importante segmento na sociedade, que interage, que forma opinião, que produz. Através de dados do IBGE, da UPP Social, entre outros, podemos observar os números de PcD no Rio de Janeiro, a quantidade de pessoas analfabetas nas comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho e estabelecer uma relação positiva entre esses avanços. Já o capítulo 2 trata sobre o conceito de Acessibilidade Cultural. Como este termo deve ser compreendido e adotado pelas esferas públicas e privadas para a melhor condição de vida social, cultural e artística dos indivíduos com deficiência. O capítulo 3 é um desmembramento do anterior, que esclarece os tipos diferentes de Acessibilidade e mostra o quanto é importante que o estabelecimento tenha todos eles juntos para receber com dignidade a todos os cidadãos. O capítulo 4 apresenta a ONG Solar Meninos de Luz e o conteúdo das entrevistas realizadas com os funcionários, e o capítulo 5 apresenta uma proposta de Acessibilização dos espaços culturais da instituição, explicando quais recursos acessíveis podem ser usados em cada espaço e, posteriormente, apresenta algumas dessas ferramentas que devem ser adotadas para que a Acessibilidade seja possível nos referidos equipamentos culturais. 12 1 Cidadania Cultural: Direito Social da Pessoa com Deficiência para a Cultura Esta pesquisa se debruça nos espaços do Solar Meninos de Luz que são abertos para visitação e participação das atividades pelo público externo. Não é um objetivo tratar o porquê não há crianças e jovens com deficiência matriculados na Educação Formal da instituição. O importante é se fazer entender a garantia na lei, que ainda não é aplicada, em oferecer recursos acessíveis para pessoas com deficiência (PcD) que vivam na comunidade e possam fazer uso, com independência e autonomia, das atividades oferecidas no SML. Segundo dados do IBGE, Censo Demográfico de 2010, o Brasil tem 24% de pessoas com deficiência, o que equivale a 45,6 milhões de pessoas. No Rio de Janeiro são quase 16 mil pessoas incluídas em um ou mais tipos de deficiência. Sabemos, porém, que, devido ao desconhecimento e o não-reconhecimento de alguns familiares e de alguns portadores de deficiência, este número não apresenta exatidão. Ainda de acordo com os dados oficiais do Censo, agora divulgados pela UPP Social, a população das Comunidades do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho passam de 10 mil habitantes. Quinhentas e quarenta e uma pessoas ainda são consideradas analfabetas, divididas nas seguintes faixas etárias: ANALFABETOS – PPG FAIXA ETÁRIA MASCULINO FEMININO TOTAL 8 E 9 ANOS 18 13 31 10 E 14 ANOS 18 6 24 15 OU + 260 226 486 TOTAL 541 13 Após visualizar esta tabela, é possível concluir que a realidade educacional da população dessas duas comunidades está mudando, melhorando. A consciência e a importância dadas à Educação têm aumentado, e o número de crianças analfabetas é bem inferior ao número de jovens e adultos. O Estatuto da Criança e do Adolescente entende o acesso à educação como um direito, portanto, um dever do Estado. Isso porque há consenso sobre o fato de que ser alfabetizado é fundamental para estar inserido na sociedade moderna, ter acesso à informação e dispor de condições mínimas para desenvolver-se integralmente. Os dados apresentados não revelam a cobertura do ensino na área analisada, ou seja, não é possível inferir o número de crianças que frequentam a escola, portanto, se a demanda está sendo atendida. No entanto, eles sinalizam dois aspectos importantes: a quantidade de crianças alfabetizadas e a quantidade de crianças que não são alfabetizadas, mas deveriam ser (UPP SOCIAL). Este trecho do texto contido no Panorama dos Territórios da UPP Social deixa claro o papel da Educação na formação do cidadão e na sua inserção na sociedade, não havendo qualquer diferença de direitos se a criança ou o adolescente possui ou não algum tipo de deficiência. A educação é um direito de todos. As pessoas com deficiência que habitam nessas comunidades vivem escondidas, são contabilizadas pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, mas o órgão não divulga o quantitativo. Ao entrar em contato via email e telefone, não disponibilizaram a informação de quantas pessoas com deficiência habitam nas comunidades do PPG1. Além disso, outra dificuldade para a exatidão das informações é que algumas famílias com pouca instrução ainda têm preconceito em admitir que determinado integrante possua algum tipo de deficiência física, motora ou intelectual, temporária ou definitiva. Compreende-se também que as pessoas com deficiência, de um modo geral, independente da classe social a qual fazem parte, não são sempre recebidas da 1 Número do protocolo de contato: rio-5553319-2. 14 maneira educada e respeitosa que deveriam. Mesmo representando um importante segmento social, tradicionalmente são discriminadas e excluídas da sociedade e de suas políticas públicas. Isso pode ser observado por qualquer cidadão que circule na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, e perceba os acessos dos prédios públicos, as vias públicas, calçadas sem rampas e sem pisos táteis, entre muitos outros exemplos. Com o aumento da frequência em escolas e da valorização da educação por parte desses habitantes, é possível realizar a Acessibilidade Atitudinal, onde necessidade e obrigação da existência dos recursos acessíveis podem ser ensinadas, disseminadas e compreendidas por essas crianças e jovens. Ou seja, este público que frequenta a escola pode ter mais acesso à cultura, ao lazer, às artes e à educação de um grande modo e, com isso, podem se tornar multiplicadores da Acessibilidade enquanto a escola em si ainda não se torna um espaço de inclusão. A Reabilitação Baseada na Comunidade (RBC) é um programa da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência – SMPD, da prefeitura do Rio de Janeiro, que tem como foco o apoio às escolas da Rede Municipal, a reabilitação social e adequação de mobiliário das pessoas com deficiência. A equipe itinerante é formada por assistentes sociais, psicólogos e terapeutas ocupacionais. A RBC realiza uma ação descentralizada, pois atua dentro e fora das unidades da secretaria e vai ao encontro das PcD. Essas equipes cadastram essas pessoas e fazem um levantamento de suas demandas e de seus familiares. As pessoas com deficiência e seus familiares são orientados e encaminhados para os demais serviços da prefeitura e da sociedade civil, a fim de que sejam promovidos e incluídos na sociedade. Esta pesquisa destaca a importância de haver uma articulação do Solar Meninos de Luz com o programa Reabilitação Baseada na Comunidade para afinar a questão da política pública e do atendimento das Pessoas com Deficiência nesses espaços culturais comunitários. 15 Segundo Eduardo Cardoso, desde os primórdios da civilização ocorre discriminação às pessoas com deficiência. Patriarcas Romanos eram autorizados a matar filhos que nasciam com alguma deficiência e gregos consideravam idosos e “inválidos” sem utilidade no meio social, entre muitos outros casos históricos. “Na Idade Média, a deficiência foi associada a eventos sobrenaturais diabólicos, circunstância que conferia conotação extremamente negativa e humilhante às pessoas com deficiência” (CARDOSO, 2012, p. 40). Hoje em dia, ainda é possível perceber certo descaso por parte do governo e preconceito em alguns segmentos da sociedade. As pessoas que não possuem deficiência e pertencem às classes sociais mais altas são quem mais se interessam frequentam espaços que oferecem programações culturais. Neste ponto, deparamos com um paradoxo, já que os produtores e artistas que trabalham e criam nesses mesmos espaços alegam que a obra e que o equipamento artístico-cultural são para o alcance de todos, com a finalidade de multiplicar a cultura e a arte, sendo que, muitas vezes, não oferecem acessibilidade para pessoas com deficiência e nem acessibilidade de cunho econômico, para pessoas de classes sociais inferiores financeiramente. Este paradoxo é nítido, já que instituições culturais trabalham focadas no indivíduo e nas comunidades, como “agentes de desenvolvimento social”. De acordo com Viviane Sarraf, As pessoas com deficiência, que durante séculos foram excluídas do convívio em sociedade, hoje representam uma população social e economicamente ativa que vem conquistando espaço na mídia, no ambiente acadêmico, no poder público e nas manifestações culturais, contribuindo para novas formas de concepção de produtos e serviços que privilegiem a diferença, a ergonomia, a melhoria de qualidade de vida e a acessibilidade (SARRAF, 2012, p. 61). Essas novas formas de concepção devem ser pensadas e produzidas, descaracterizando o modelo antigo de formação de exposição, de espetáculos circenses, musicais, corporais e teatrais, de exibição de audiovisual, de eventos culturais etc, tradicional e em desuso, já que muitas vezes não são trabalhados nos moldes da acessibilidade. Essas novas formas de atuação devem ser trabalhadas, 16 criadas e recriadas, testadas e apreciadas, principalmente pelos profissionais da área cultural. Já existem alguns modelos que seguem a ABNT, mas é preciso que instituições culturais criem e experimentem novas possibilidades de recursos de acessibilidade. É importante que os profissionais da área elaborem cada vez mais projetos inclusivos, onde o público, com toda sua diversidade, seja respeitado. Não se esquecendo de levar em consideração, que a PcD é capaz de formar opinião, de criar, de produzir, e deve ser incluída como público interativo e como profissional neste processo. [...] a universalidade, a indivisibilidade, a interdependência e a interrelação de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais, bem como a necessidade de que todas as pessoas com deficiência tenham a garantia de poder desfrutá-los plenamente, sem discriminação (CONVENÇÃO DA ONU SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, 2007). Os seres humanos possuem direitos, garantidos em lei, para que possam ter uma vida plena e direito a estudo, trabalho, moradia, lazer etc, e que esses estejam assegurados. A partir do momento em que uma pessoa com deficiência é impossibilitada de exercer qualquer um de seus direitos, ela sofre discriminação, exclusão, segregação. Ainda de acordo com o documento oficial da Convenção, Pessoas com Deficiência têm certos impedimentos que podem ser de natureza física, como é o caso das pessoas que usam cadeiras de rodas, muletas, possuem alguma incapacidade física temporária ou mobilidade reduzida; pessoas cegas, com baixa visão, surdas ou com baixa audição; ou de natureza intelectual ou sensorial, “os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas”. Apesar dessas incapacidades e barreiras, todos têm os mesmos direitos previstos nas leis do Brasil. O que não acontece, muitas vezes, é o respeito por parte de empresas públicas e privadas em oferecer recursos que facilitem a participação sociocultural desse público e, assim, sua integração. 17 O papel da Convenção serviu para reconhecer, reafirmar e reforçar a importância da autonomia e da independência individuais dessas pessoas que, por muitas vezes, são esquecidas e com suas dificuldades não avaliadas, inclusive sobre a importância da liberdade para fazer as próprias escolhas, “considerando que as pessoas com deficiência devem ter a oportunidade de participar ativamente das decisões relativas a programas e políticas, inclusive aos que lhes dizem respeito diretamente”. No mesmo ano, também em prol das pessoas com deficiência, o Ministério da Cultura (SID/MinC) e a Fiocruz/MS realizaram a Oficina “Loucos pela Diversidade – da Diversidade da Loucura à Identidade da Cultura”, que tinha com objetivo principal construir as diretrizes para políticas públicas de cultura, levando em consideração a produção estética e artisticocultural das pessoas com deficiência intelectual, em sofrimento psíquico e em vulnerabilidade social. A política da SID (Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural), atual SCDC, é criar editais para mapear as iniciativas dos segmentos, como foi o caso da Edição Albertina Brasil. Geralmente homenageia pessoas que fizeram grandes feitos na área, como o edital já citado anteriormente “Prêmio Loucos pela Diversidade”, de 2009, edição Austregésilo Carrano2, por exemplo. De acordo com a professora e coordenadora do Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural, Patricia Dorneles, este prêmio foi uma ação do programa Cultura e Saúde da SID, realizado em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz – FIOCRUZ, com o objetivo de promover a inclusão das pessoas em sofrimento psíquico e/ou com transtorno mental nas políticas culturais por meio da produção estética, artística e cultural. Esta produção é reconhecida como parte da diversidade da cultura brasileira, e teve no seu primeiro edital, 362 iniciativas candidatas para 55 premiadas (DORNELES, 2011). 2 Austregésilo Carrano foi um escritor brasileiro, do Sul do país, integrante do importante movimento da Luta Antimanicomial. Ele escreveu o livro Canto dos Malditos, onde conta sua experiência nos hospitais psiquiátricos e denuncia os absurdos cometidos nessas instituições. O filme Bicho de Sete Cabeças (2000), dirigido por Laís Bodanzky e com roteiro de Luiz Bolognesi, é baseado na obra de Austregésilo. 18 Em 2008, na mesma perspectiva, o Ministério realizou a Oficina Nacional de Indicação de Políticas Públicas Culturais para Inclusão de Pessoas com Deficiência, conhecida como “Nada sobre Nós sem Nós”. A oficina tinha como objetivos apresentar a necessidade de uma nova visão de politica cultural, indicar essas diretrizes e ações para a construção e contribuição da politicas culturais de patrimônio, difusão, fomento e acessibilidade para pessoas com deficiência. A oficina foi constituída a partir de um processo participativo e, por isso, adotamos o lema “Nada sobre Nós sem Nós”. Desta forma, seguimos a consideração da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a qual diz que essas pessoas devem ter a oportunidade de participar ativamente das decisões relativas a programas e politicas, inclusive aos que lhes dizem respeito diretamente (DORNELES, 2008). A oficina foi dividida em três momentos: 1 - Realização de mesas temáticas para se discutir os assuntos voltados para as questões da Arte, Cultura, Deficiência e Direitos Humanos, com o intuito de “[...] omentar e provocar reflexões a fim de qualificar e para aprofundar o debate e os encaminhamentos dos Grupos de trabalho”. 2 – Formação dos Grupos de Trabalho (GTs) para indicarem ações e diretrizes às políticas públicas culturais. “Os temas tratados pelos Grupos de Trabalho foram: Fomento, Difusão, Patrimônio e Acessibilidade”. 3 – Plenária final com as apresentações de todas as questões debatidas, o que resultou na publicação com o mesmo nome “Nada sobre Nós sem Nós”. Apesar de a oficina ter sido realizada em 2008, verifica-se que, pela política do Ministério da Cultura (MinC), até a edição do Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural, que iniciou em 2013 na UFRJ, o MinC, por meio da Secretaria 19 de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC), apenas realizou o Edital Albertina Brasil3 como fomento às ações de diversidade cultural para as pessoas com deficiência. Os objetivos do Prêmio Arte e Cultura Inclusiva 2011 – Edição Albertina Brasil – Nada sobre nós sem nós (MinC/ Cultura Viva, 2011) eram Premiar ações, projetos e produtos culturais que proporcionaram a participação de artistas com deficiência na produção e difusão artística e cultural brasileira, [...] avaliar essas iniciativas culturais que contribuíram para uma sociedade inclusiva por meio da promoção da acessibilidade e expressão cultural de pessoas com deficiência (MinC/ Cultura Viva, 2011). Por meio deste edital, houve a divulgação e a disseminação da importância do acesso e da acessibilidade de pessoas com deficiência. Além disso, cabe sempre ressaltar que é de extrema importância o fomento do direito à participação de artistas com deficiência na produção, expressão e difusão artística e cultural brasileiras. O Prêmio Arte e Cultura Inclusiva 2011 foi uma iniciativa do Ministério da Cultura e da Escola Brasil com patrocínio da Petrobras. Geralmente estas parcerias entre órgãos públicos e privados tende a dar certo por conta da verba e da infraestrutura oferecidas que, somadas, resultam em um trabalho interessante para pessoas físicas, organizações não governamentais, organizações sociais, entre outras pessoas jurídicas contempladas. A Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC) representa a fusão de outras secretarias do MinC que foram criadas em 2003, a partir do Decreto nº 4.805. Essas novas secretarias tinham os objetivos de constituir agilidade operacional e definir um novo papel junto ao governo (DORNELES, 2011). Segundo Patricia Dorneles, destacam-se a Secretaria de Políticas Culturais-SPC; Secretaria de Articulação 3 Albertina Brasil era uma ativista com deficiência visual, servidora do Funarte, que implantou no país a Associação Vida, Sensibilidade e Arte – VSA Brasil, que depois se transformou no Programa Artes Sem Barreiras – criado para a inclusão da pessoa com deficiência, a fim de sensibilizar diversas esferas do governo, e que ajudou a provocar rupturas dentro da sociedade. Albertina morreu em um acidente de carro em 2004, em Belo Horizonte/MG. 20 Institucional-SAI; Secretaria de Identidade e da Diversidade Cultural-SID; Secretaria de Fomento e Incentivo a Cultural-SFIC; Secretaria de Audiovisual-SAVI; e a Secretaria de Programas e Projetos Culturais-SPPC, atualmente denominada Secretaria de Cidadania Cultural-SCC. Outra ação importante em relação ao tema Acessibilidade e aos direitos das PcD foi a criação do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite, que foi lançado em novembro de 2011 (Decreto nº7.612) pela presidenta Dilma Rousseff. O objetivo do plano era implantar novas iniciativas e intensificar ações que já eram previstas para serem desenvolvidas pelo governo em beneficio das pessoas com deficiência. Observa-se que a questão da cultura no Plano Viver sem Limite está ligada diretamente à educação. Portanto, não há uma proposta de articulação com os segmentos da cultura, o que demonstra uma desarticulação entre o Ministério da Cultura e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. No ano de 2013, em parceria com o Departamento de Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, juntamente com a Secretaria de Políticas Culturais, apoiou a realização do Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural. O Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural é fundamentado na busca de soluções necessárias para uma cultura democrática e inclusiva e na formação de agentes multiplicadores das soluções encontradas a partir de princípios estabelecidos no Art. 215 da Constituição da República Federativa do Brasil; no Decreto Federal nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, que regulamenta a Lei Federal de nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, e que foi alterado pelo Decreto Federal nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, que regulamenta as Leis Federais de nº 10.098 e 10.048; no Decreto Legislativo nº 186, de 10 de julho de 2008, e o Decreto Federal nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, que ratificaram os princípios da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada em Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e 21 seu respectivo protocolo facultativo, de 06 de dezembro de 2006, sobretudo, os Artigos 1º a 9º, 11, 23 e, particularmente, o 30, que dispõe sobre a participação de pessoas com deficiência na vida cultural de suas comunidades em base de equiparação de oportunidades com as demais pessoas, solicitando aos Estados Partes tomar todas as medidas necessárias nesta direção, como a produção de materiais culturais em formatos acessíveis (ESPECIALIZAÇÃO EM ACESSIBILIDADE CULTURAL, 2013). Esta especialização pôde ser cursada por cidadãos com nível superior completo em qualquer área, sendo ou não PcD. O intuito era reunir e formar esses alunos em agentes multiplicadores da Acessibilidade Cultural, fazendo-os compreender a importância da criação e manutenção dos direitos que as pessoas com deficiência têm e de preservar e defender a oportunidade das PCD de desenvolverem e utilizarem seu potencial criativo, artístico e intelectual, não somente em benefício próprio, mas também para o enriquecimento da sociedade. O curso se propôs a trabalhar com gestores, produtores culturais, comunicadores, educadores, entre outros. Esses estudantes tiveram as seguintes disciplinas: Aspectos Gerais das Deficiências; Tecnologia Assistiva; Política e Diversidade Cultural; Audiodescrição I e II; Braille e outros recursos I e II; Exposição Acessível I e II; Sensibilização em Libras; Seminário de Projeto I e II. No ano de 2008, aconteceu também a Oficina de Políticas Públicas de Cultura para Pessoas com Deficiência, que também embasou e fortaleceu a criação deste curso de Especialização. Nas políticas culturais, até a realização da Oficina de Políticas Públicas de Cultura para Pessoas com Deficiência, em 2008, pela Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural SID, do Ministério da Cultura, a acessibilidade cultural era compreendida em uma perspectiva econômica. Ou seja, acesso aos espetáculos a partir de valores mais baixos ou da distribuição gratuita de ingressos, proporcionando, então, a possibilidade de fruições estética, artística e cultural, na estrutura da Lei Rouanet, às classes mais populares. A Oficina apresentou como resultado a publicação que aponta ações e diretrizes para a implementação de políticas culturais que atuam na perspectiva do fomento, difusão, patrimônio e acessibilidade cultural. 22 A proposta do Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural atende a meta 1.2 da diretriz 1 de acessibilidade cultural proposta na referida oficina (ESPECIALIZAÇÃO EM ACESSIBILIDADE CULTURAL, 2013). O início do curso foi marcado pelo III Seminário Nacional de Acessibilidade em Ambientes Culturais (SENAAC) e o I Encontro Nacional de Acessibilidade Cultural (ENAC), que aconteceu nos dias 16, 17 e 18 de abril de 2013, na Fundação Biblioteca Nacional, no Centro do Rio de Janeiro. Ao longo dos encontros durante o curso, foi realizada a Conferência Livre, onde os alunos propuseram inúmeros itens voltados para os direitos, à participação social, artística, cultural, das pessoas com deficiência das decisões e dos eventos, sendo colaboradores, produtores, formadores de plateia, de opinião, críticos, integrantes das ações culturais. Durante este período de 2013, também elaboramos propostas para a III Conferência Nacional de Cultura (III CNC), que aconteceu do dia 27 de novembro a 1º de dezembro. Participaram 1.745 pessoas, incluindo sete alunos da espacialização, na programação da Conferência, sendo 953 delas delegados dos 26 estados e do Distrito Federal. Com direito a voto, os delegados (70% representantes da sociedade civil) elegeram 64 diretrizes para os próximos anos. Destas, por votação eletrônica, 20 foram destacadas como prioridade. Dentre elas, a nossa principal proposta de acessibilidade ficou entre as prioritárias que terão uma atenção especial do governo Federal. Estiveram presentes, representando seus Estados e também o curso de Especialização a coordenadora Patricia Dorneles e os alunos Guilherme Goldstein Chazan, Alessandra Pajama, Lucia Maria Filgueiras, Helen Novaes, Dilma Negreiros e Vandelson Lima Aguiar e os eixos: Implementação do Sistema Nacional de Cultura (SNC); Produção Simbólica e Diversidade Cultural; Cidadania e Direitos Culturais; e Cultura e Desenvolvimento. 23 Nas políticas culturais, até a realização da Oficina de Políticas Públicas de Cultura para Pessoas com Deficiência, em 2008, pela Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural SID, do Ministério da Cultura, a acessibilidade cultural era compreendida em uma perspectiva econômica. Ou seja, acesso aos espetáculos a partir de valores mais baixos ou da distribuição gratuita de ingressos, proporcionando, então, a possibilidade de fruições estética, artística e cultural, na estrutura da Lei Rouanet, às classes mais populares. A partir deste histórico de debates e discussões acerca da Acessibilidade e dos diferentes direitos das pessoas com deficiência, existe um grande desafio do Ministério da Cultura e de instituições públicas e privadas do país em ampliar a acessibilidade, já que é garantido por lei. O próximo capítulo trata sobre o conceito de Acessibilidade Cultural, sobre os campos sociais e algumas legislações que garantem este direito aos cidadãos portadores de deficiência. 24 2 O que é Acessibilidade Cultural? A fundamentação teórica desta pesquisa acadêmica é constituída pelos conceitos de Acessibilidade, seus tipos, a questão do Direito Social das pessoas com deficiência, um pouco da evolução histórica das PcD na sociedade e das conquistas alcançadas, como este tema se aplica à Cultura, à Arte e à Comunidade, a concepção do primeiro curso de Especialização em Acessibilidade Cultural. O enfoque a ser trabalhado é relacionado diretamente à questão da fruição estética das pessoas com deficiência. Dentro das políticas governamentais, historicamente, o termo Acessibilidade esteve ligado e até hoje é entendido equivocadamente, sob a ótica econômica. O termo é relacionado à oferta do ingresso mais barato, ao acesso de pessoas de baixa renda, que vivam em situação de vulnerabilidade social, e associado também à distribuição gratuita de ingressos a esta população, ou seja, à valores acessíveis de espetáculos culturais. Segundo a ABNT, Acessibilidade é “a possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos”. Diante disso, devemos entender a importância do papel de equipamentos artístico-culturais no que tange essa responsabilidade de inclusão e todo esse processo sócio-cultural, que deve estar claro que a acessibilidade física, como apresentada na ANBT, não é o suficiente para a garantia de participação, inclusão e entendimento das pessoas com deficiência neste contexto, devendo, portanto, ultrapassar as barreiras arquitetônicas. Acessibilidade é aqui entendida no sentido lato. Começa nos aspectos físicos e arquitectônicos – acessibilidade do espaço – mas vai muito para além deles, uma vez que toca outros componentes determinantes, que concernem aspectos intelectuais e emocionais, acessibilidade da informação e do acervo. [...] Uma boa acessibilidade do espaço não e suficiente. È indispensável criar condições para compreender e usufruir os objetos expostos num ambiente favorável. [...] Para além disso, acessibilidade diz respeito a cada um de nós, com todas as riquezas e limitações que a 25 diversidade humana contém e que nos caracterizam, temporária ou permanentemente, em diferentes fases da vida (ABNT NBR 9050:2004). De acordo com a coordenadora do Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural, Patrícia Dorneles, em sua aula sobre Política Cultural no Brasil (DORNELES, 2013), Arte e Cultura são dois aspectos diferentes, todavia algumas pessoas confundem seus conceitos. Arte é uma criação estética, simbólica, e Cultura é um modo de viver, com as ritualizações, jeitos, costumes, tradições e hibridades próprios. Ambos estão na sociedade e as pessoas vivem em seus aspectos e conhecimentos. Os indivíduos são inseridos nas sociedades em diferentes campos sociais, tais como cultural, social, econômico, político, artístico, jornalístico, jurídico, esportivo etc, sendo, portanto, denominados atores sociais. De acordo com o autor Mário Luiz Neves de Azevedo, o sociólogo francês Pierre Bourdieu compreende que o ato de internalizar certa conduta (habitus) “de cada ator social condiciona seu posiciomento espacial e, na luta social, identifica-se com sua classe social, a posse de grandezas de certos capitais” (AZEVEDO, 2003). O conhecimento e as atividades laborativas desses atores sociais os tornam afins e, juntos, essas pessoas formam grupos sociais dentro de uma determinada sociedade. Para que pessoas com e sem deficiência possam se relacionar pessoal e socialmente, tanto em ambientes profissionais ou de lazer, é preciso que haja Acessibilidade, seja ela física, comunicacional e no tratamento de cada indivíduo, a qual chamamos de Acessibilidade Atitudinal. A Lei nº10.098, de 19 de Dezembro de 2000, estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da Acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Desde então, a sociedade passou a ter a informação oficial de que Acessibilidade é a “possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação” 26 (LEI nº10.098, 2000) por esse grupo que nem sempre é lembrado pelas organizações públicas e pelos produtores de eventos culturais, por exemplo. Hoje em dia o assunto é muito mais amplo, pois são tratadas também as questões da inclusão e participação das pessoas com deficiência como atuantes diretas nas intervenções públicas. Ao longo da última década, o movimento de inclusão das pessoas com deficiência ganhou importância no Brasil, repercutindo em avanços sociais para todos. [...] A participação efetiva de pessoas com deficiência na definição de políticas públicas denota um aumento na maturidade brasileira em torno dessa temática. É singular constatar que ações, planos e programas que vem sendo desenhados pelo governo federal têm se orientado pelo resultado dessa participação. (SECRETARIA NACIONAL DE PROMOÇÃO DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2013). Além disso, é possível perceber que, apesar de toda essa participação e militância na luta a favor dos direitos dos cidadãos, as pessoas com deficiência pertencem a um grupo minoritário na sociedade e precisam de medidas adequadas de Acessibilidade para visitar e frequentar espaços públicos e privados, sejam culturais ou não. A partir deste entendimento, é possível refletir no que tange o Decreto 6.949, de 25 de Agosto de 2009, artigo 9, que diz: A fim de possibilitar às pessoas com deficiência viver de forma independente e participar plenamente de todos os aspectos da vida, os Estados Partes tomarão as medidas apropriadas para assegurar às pessoas com deficiência o acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, ao meio físico, ao transporte, à informação e comunicação, inclusive aos sistemas e tecnologias da informação e comunicação, bem como a outros serviços e instalações abertos ao público ou de uso público, tanto na zona urbana como na rural (DECRETO 6.949, 2009). Sabendo-se que todos os cidadãos têm direito a ter acesso à Cultura e às Artes, no que se refere a todo o conjunto de manifestações populares, artísticas, relacionadas a costumes e práticas sociais, como esclarece a própria Constituição Federal do Brasil, é inquestionável que isto alcance a todos, sem exceção. Principalmente se estes 27 indivíduos forem moradores de comunidades, regiões mais pobres da cidade, que, com ou sem deficiência, vivem à margem da sociedade e têm menos acesso à Cultura, às Artes e à Educação. A mudança que acontece gradativamente no país, nesta geração, não é apenas para as PcD, e sim para toda a sociedade. Mesmo as pessoas que declaram não ter qualquer tipo de deficiência precisam conhecer os direitos, para que, assim, elas também sejam multiplicadoras da Acessibilidade e defensoras dos direitos da sociedade, independente para qual segmento seja. Afinal, como já dito anteriormente, a educação, a cultura, o lazer, o acesso às artes, tudo isso é um direito de todos. Todos devem ter acesso à fruição estética, artisticocultural, e têm o direito de participar, interagir, entender, produzir e formar opinião. A proposta que apresentamos aqui é no campo da fruição estética artísticocultural das Pessoas com Deficiência, na qual os conceitos de Acessibilidade Cultural precisam ser compreendidos. A partir de tal compreensão, estes conceitos devem ser aplicados nas esferas públicas e privadas de cada Cidade, Estado e País, para que as pessoas com deficiência possam viver com dignidade. Conhecer o conceito de Acessibilidade não é o suficiente. Este termo possui desmembramentos que serão apresentados no capítulo a seguir. 28 3 Tipos de Acessibilidade O conceito de Acessibilidade pode ser dividido em outros três grandes conceitos que precisam atuar junto para que a Acessibilidade, de fato, aconteça. São eles: A Acessibilidade física, que trata sobre a quebra das barreiras arquitetônicas; a Acessibilidade Comunicacional, que soluciona problemas de textos, imagens, sons, tatos e outros mecanismos sensoriais de percepção para que haja a compreensão da mensagem/ informação; e a Acessibilidade Atitudinal, que considero mais importante, que é fazer com que as pessoas entendam a necessidade da implantação da Acessibilidade e compreendam as maneiras de promover essa e as outras Acessibilidades nos espaços onde atuam, vivem ou frequentam. 3.1 Acessibilidade Física Ao avaliar os aspectos físicos de Galerias e museus, espaços de exposições e outras atividades culturais, é possível observar que existe uma organização padronizada. Esta padronização, antiga e inadequada, normalmente não contempla as referidas diferenças entre as pessoas. Os produtores não levavam em consideração as “variações físicas, intelectuais e eventuais outras diferenças existentes entre os indivíduos, [...] as diferentes idades, alturas, os diversos níveis cognitivos, assim como os diversos graus de comprometimento da mobilidade física que afetam as pessoas (TOJAL, 2007, p. 03)”. Segundo Amanda Tojal, essas diferenças físicas, cognitivas, intelectuais, entre tantas outras, em geral não são levadas em consideração no momento da concepção e projeção dos espaços museológicos e de exposições diversas. Geralmente, esses espaços físicos são concebidos de forma padronizada, como foi dito anteriormente, tradicionalmente usada. E o modelo pré-estabelecido, que já caiu em desuso, forma obstáculos que prejudicam e até impedem a integração, participação, visitação de pessoas com deficiência, anulando, de acordo com Tojal, o conforto, o bem-estar e a fruição desse local. 29 Como bem ressaltado por ela, na tese Planejamento de Políticas Públicas e Inclusão de Públicos Especiais em Museus, esses espaços artísticos costumam ser abrigados em prédios e casarões antigos, como se pode observar na cidade do Rio, o que complica ainda mais a questão da Acessibilidade Física, e as adequações que precisam ser feitas não podem interferir na estrutura do local. “[...] grande parte dos edifícios que abrigam museus são construções antigas, muitas delas tombadas pelo patrimônio histórico nacional, o que dificulta ainda mais a realização de reformas e adaptações visando à eliminação das barreiras arquitetônicas (TOJAL, 2007, p. 09)”. Outro autor e importante profissional da área com quem tivemos contato ao longo do curso de Especialização, Eduardo Cardoso nomeia a Acessibilidade Física como Acessibilidade Espacial, de onde podemos destacar quatro relevantes condições para que ela de fato sobrevenha em algum ambiente cultural, que são: Orientabilidade, Deslocamento, Comunicação e Uso. De acordo com Dischinger e Bins Ely (2005) quatro componentes são essenciais para a obtenção de boas condições de acessibilidade espacial: orientabilidade, deslocamento, comunicação e uso. Orientabilidade é saber onde se está, e para onde ir, a partir das informações arquitetônicas e dos suportes informativos de forma autônoma. Deslocamento é ter condições ideais de movimento ao longo de percursos horizontais ou verticais e seus componentes. O deslocamento é garantido através da supressão de barreiras físicas, propiciando assim segurança, conforto e autonomia a todos os usuários. Comunicação é a possibilidade de obter boas condições de troca de informações, seja interpessoal, ou entre pessoas e equipamentos de tecnologia assistiva, permitindo o uso dos ambientes e equipamentos. O uso é dado pela possibilidade de participação do indivíduo nas atividades desejadas, sem que seja necessário um conhecimento prévio, e de forma autônoma, confortável e segura (CARDOSO, 2012, p. 44). Isso reforça a questão da importância do estímulo e da participação integral das atividades dos ambientes culturais para que cada indivíduo possa compreender e fruir as obras apresentadas. 30 3.2 Acessibilidade Comunicacional Este tipo de Acessibilidade diz respeito à compreensão das informações. Da mesma forma que normalmente atores se preocupam em fazer receptores compreenderem e assimilarem a informação passada, essa preocupação deve ser com todo o público, sem diferenciar ou segregar quem recebe tal informação. A partir do momento em que o indivíduo reconhece que em seu público existem cegos ou pessoas com baixa visão, surdos ou pessoas com baixa audição, pessoas com deficiência intelectual, pessoas com autismo ou síndrome de Down, pessoas com paralisia cerebral, cadeirantes e com outras dificuldades físicas, pessoas com dislexia ou déficit de atenção, entre tantas outras variações que interferem na comunicação, ele precisa encontrar ferramentas para se comunicar e se fazer entender por todos, de forma que não haja ruído na “transmissão” dessa informação. É diante dessa situação que precisamos entender as necessidades de cada indivíduo e adaptar, melhorar, tornar acessível essa informação, para que a comunicação flua. No momento em que o sentido da visão prevalece sobre os outros sentidos e começa a ter um status excessivamente maior que o tato, o olfato, o paladar e, sobretudo, a propriocepção – a percepção de si mesmo – temos um desequilíbrio. Se valorizássemos o tato tanto quanto valorizamos a visão teríamos uma sociedade profundamente diferente. (BAITELLO, 1999, p. 05). A Acessibilidade Comunicacional é a percepção dessas peculiaridades e elaborar e produzir, desde os materiais de divulgação até as obras ou exposições em si, de forma com que todos entendam. Uma placa com texto ampliado e letras em contraste de cor facilita a leitura de uma pessoa com baixa visão; já o material disponível em Braille ou gravado em áudio facilita o acesso de pessoas com deficiência visual. 31 Disponibilizar um intérprete em Libras ajuda na comunicação de pessoas com deficiência auditiva e o simples fato de falar pausadamente ou de escrever textos curtos, simples e objetivos auxilia o entendimento de surdos oralizados (fazem leitura labial) e de pessoas com Síndrome de Down, por exemplo. O Tato é um sentido pouco usado na comunicação e deveria ser mais aproveitado. Muitas vezes não é permitido tocar em peças de exposições para não danificar o material. Algumas instituições, com o Museu de Ciência do Instituto Butantan e o MAM-SP, por exemplo, já adotaram a realidade acessível e criam exposições com peças que podem ser tocadas. Muitas vezes a complementam com os odores e perfumes, e até com sabores. E isso agrega ainda mais conteúdo à exposição ou à atividade cultural. O uso destes tipos de instrumentos facilita a compreensão de pessoas cegas, com baixa visão, pessoas com deficiência intelectual, crianças e muitos outros. Isso é o que chamamos de Acessibilidade Sensorial. Quando se utiliza de ferramentas que provocam os outros sentidos, além do da visão e o da audição que são sempre os mais usados. Quando não é possível o toque de determinada escultura ou quadro, pode-se imprimir o objeto em uma impressora 3D, ou criar maquetes bi ou tridimensionais para que estas sim possam ser tocadas e não a peça real. Poucas instituições fazem isso no Rio, mas, a partir de mais esclarecimentos sobre o tema Acessibilidade, esta prática se tornará comum em breve. 3.3 Acessibilidade Atitudinal Este é o trecho da Acessibilidade mais difícil de aplicar na sociedade, porque depende do conhecimento de cada cidadão e da maneira como cada indivíduo enxerga e lida com o mundo. Essas barreiras atitudinais representam um grande desafio para os profissionais da arte, da cultura que desejam aplicar os recursos acessíveis em seus equipamentos culturais e em suas obras. 32 De acordo com Viviane Sarraf, as barreiras atitudinais podem ser entendidas como os preconceitos sociais em relação a um indivíduo ou um grupo, na maior parte dos casos por conta da intolerância às diferenças. No Brasil, a inclusão social de pessoas com deficiência em todas as esferas da sociedade ainda é uma novidade. As leis brasileiras em benefício dessa população são recentes e geralmente levam muitos anos para começarem a entrar em vigor de fato. Por conta da incessante luta por respeito e por seus direitos, as pessoas com deficiência desejam ser vistas como integrantes da sociedade como quaisquer outros. Mas nossa sociedade, por conta da tendência assistencialista, ainda os considera “coitados” ou mesmo “superheróis” (SARRAF, 2012, p. 72). De acordo com esses pesquisadores e também professores do curso de Especialização em Acessibilidade Cultural da UFRJ, incluindo as professoras Miryam Pelosi e Vera Lucia de Souza (2013), ao se iniciar um trabalho voltado para, não somente a inclusão, mas a integração, de todos os indivíduos, sem separar as pessoas com deficiência das demais, é preciso conhecer os diferentes recursos de tecnologia assistiva e, para isso, a melhor, principal e mais recomendada maneira é colher, ouvir e assimilar os relatos de pessoas com deficiência e de sua participação em atividades culturais. Diante disso, é preciso entender e vivenciar essas experiências e dificuldades que as atividades culturais podem apresentar e torná-las acessíveis, por meio dos recursos de tecnologia assistiva já apresentados. Existem diversas maneiras de realizar a experimentação e a confecção de recursos de Comunicação Alternativa, para as adaptações funcionais em atividades educativas e artísticas. Entendemos, portanto, que, para que haja Acessibilidade efetivamente, é preciso ter esses três tipos simultaneamente. Se não, o processo fica incompleto e o produtor ou o espaço cultural pode deixar de atender alguém pela ausência de um desses segmentos. No capítulo IV, trataremos sobre a ONG Solar Meninos de Luz e sobre as percepções dos funcionários da instituição sobre o tema Acessibilidade. 33 4 Solar Meninos de Luz e análise de entrevistas Como objetivo desse estudo, busquei fazer uma reflexão sobre a Acessibilidade Cultural dos espaços do Solar Meninos de Luz, instituição onde atuava entre os anos de 2011 e 2013 como analista de comunicação e como professora voluntária de Dança de Salão, até minha inserção no Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural. Apresentarei a seguir a instituição e finalizaremos este capítulo com reflexões sobre a Acessibilidade Cultural nessa ONG por meio de entrevistas feitas através de questionários enviados por e-mail a alguns funcionários do Solar. 4.1 O Solar Meninos de Luz A Instituição Solar Meninos de Luz (SML) é uma associação civil, filantrópica, reconhecida como de utilidade pública federal e municipal que, oficialmente desde agosto de 1991, promove Educação Integral, através do “Programa Prevenir”, para cerca de 400 bebês, crianças e jovens moradores das comunidades Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Atende no Pavão-Pavãozinho prioritariamente aqueles que integram famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social. A instituição foi fundada por Iolanda Maltaroli e seus filhos Andréa (já falecida), Isabella, Guilherme e Daniel. O Centro Espírita Lar Paulo de Tarso, localizado em Copacabana, também presidido por Iolanda, é um dos principais mantenedores do Solar Meninos de Luz. Seus frequentadores e colaboradores fazem parte dos outros Programas da instituição – o Programa Familiar e o Programa Comunidade. Ambos são voltados para saúde, educação e cultura dos moradores dessas comunidades. Os alunos do Solar ingressam na instituição a partir dos três meses de idade, no berçário, e permanecem até aproximadamente os 18 anos quando concluem o 3º ano do Ensino Médio. Depois de concluído o Ensino Médio, são encaminhados para 34 universidades e empregos. A instituição oferece para estes jovens a possibilidade de inserção na Universidade e no mercado de trabalho. A continuidade do estudo e a inserção no mercado de trabalho se dão a partir de diferentes parcerias institucionais que o SML mantém há, pelo menos, quatorze anos com a Universidade da Cidade e com demais empresas. Não é proibido o ingresso na ONG em séries intermediárias, mas não há garantia de matrícula. Ao longo do ano letivo, a instituição acolhe outros alunos de outras faixas etárias, dependendo das vagas disponíveis. Existe uma grande fila de espera de bebês, crianças e adolescentes aguardando a oportunidade de se matricularem na instituição, que só conseguem vaga quando há reprovação ou desistência dos alunos que já estudam no Solar. Dentre as importantes parcerias, existia uma com a Universidade da Cidade – UniverCidade - que garantiu, até o final de 2013, que as turmas do 6º ano do Ensino Fundamental II ao 3º ano do Ensino Médio, fizessem parte da rede Colégio Cidade. Os professores contratados pelo Colégio Cidade, que davam aulas na filial de Ipanema, eram os mesmos que subiam o Pavão-Pavãozinho e ministravam as aulas no Solar, com horários regulares na grade, aplicação testes, provas, passeios, trabalhos etc. O mesmo procedimento de qualquer outro Colégio Cidade, funcionando como mais um colégio da rede. Devido à atual situação em que se encontra o Grupo Galileu, do qual a UniverCidade faz parte, a parceria com o Solar Meninos de Luz teve fim. Atualmente, desde o dia 11 de fevereiro de 2014, o próprio Solar está arcando com a despesa dos professores e coordenadores das turmas do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, tendo se tornado o Colégio Integral Solar a fim de garantir a permanência dos alunos na instituição para que não perdessem o ano letivo ou tivessem os estudos prejudicados, interrompidos, por conta do fim da parceria. 35 Há dois anos o Solar buscava na Secretaria de Educação o licenciamento para o Ensino Fundamental II e Médio, que foi liberado no mesmo período. Os licenciamentos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I já existiam desde sua fundação. De acordo com a Diretora Geral da instituição e do Colégio Integral Solar, Isabella Maltaroli, "é a realização de um sonho. Vamos promover uma educação globalizada, através de proposta pedagógica com fundamentos ético-políticos e de meio ambiente, estimulando o diálogo entre as disciplinas". Os alunos que concluem o Ensino Médio e funcionários da instituição que até então ganhavam bolsa integral de estudos na UniverCidade, agora ganham a bolsa pela Universidade Estácio de Sá – Unesa - tendo, apenas, que escolher o campus e o curso. Esse procedimento se encaixa como um projeto de Responsabilidade Social da empresa que, em contrapartida, tem a divulgação da parceria no site do SML, desde o ano de início do trabalho, como qualquer outra. A UniverCidade era parceira desde 2000. De acordo com o setor de Comunicação da Instituição, o Colégio Integral Solar foi montado e fundado em menos de um mês, a partir do término do contrato com o Colégio Cidade, que mantinha o pagamento dos professores do Ensino Fundamental II e o Ensino Médio. Eles relataram que foi um grande desafio a busca de novos patrocinadores, a seleção do quadro de docentes que fosse compatível com a rigorosa proposta educacional, a convocação dos profissionais voluntários em ações de Meio Ambiente e Saúde preventiva promovidas no Solar a fim de estabelecer as Premissas Pedagógicas de forma participativa, entre outras tarefas desenvolvidas neste curto período. A primeira turma formada no Ensino Médio foi em 2006. Desde então, são mais de 80 alunos que concluíram os estudos no SML e 100% desses jovens estão em Universidades públicas e privadas, alguns já formados e empregados em empresas renomadas. Estas parcerias importantes têm possibilitado também que a instituição promova intercâmbios. Pode-se destacar que, até o presente momento, desde 2006, o 36 Solar Meninos de Luz encaminhou sete desses alunos formados para intercâmbio, a fim de adquirirem a fluência na língua inglesa e estarem aptos a concorrerem no mercado de trabalho. Os lugares foram: Estados Unidos, África do Sul, Canadá e Malta. Essas crianças e jovens do Solar Meninos de Luz estudam 10 horas diárias, de segunda a sexta-feira. Durante esse tempo de permanência na ONG, os alunos têm acesso a todas as etapas de um ciclo tradicional escolar, compondo a Educação Formal. Com turmas de 25 alunos, em média, eles passam pela Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II e também pelo Ensino Médio. No segundo turno diário, eles têm acesso ao Ensino Complementar, com atividades compostas por cerca de 30 oficinas obrigatórias e de livre escolha. As atividades são multidisciplinares com projetos pedagógicos e comunitários baseados no Construtivismo4. As atividades são: Aulas de Evangelização, plantio e horta, aulas de música (coral, teoria musical, cavaquinho, violão, flauta, pandeiro, percussão), aulas de dança (balé, sapateado, dança de salão, hip hop), aulas de esportes (futebol, vôlei, basquete, judô, capoeira), aulas de teatro e improvisação teatral, informática, estudo dirigido, inglês (intensivo com oportunidade de intercâmbio), reforço escolar, fotografia, biblioteca e aula de contação de histórias, qualificação profissional, artes plásticas e artesanato. Além disso, também acontecem visitas programadas a espaços culturais, e ensaios com outros grupos e oficinas. O Solar também recebe a visita de grupos de outras localidades, por vezes até de outros países, para a troca de experiência e de conhecimento. Tudo isso só é possível através das parcerias e do voluntariado. 4 Construtivismo: É uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio. A ideia é que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio, isto é, ele responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada. Fonte: http://penta.ufrgs.br/~marcia/constru1.htm, acessado em 25 de janeiro de 2014, às 13h21. 37 Ao participarem dessas atividades, os alunos conhecem e aprendem sobre diversas áreas de cultura, artes, esportes, educação, cursos de profissionalização, cuidados básicos de saúde, solidariedade, assistência social, entre outras. O espaço físico do Solar Meninos de Luz possui 4500 metros² de área construída, é composto por cinco grandes casas, com salas de aulas, laboratório de informática, cozinha semi-industrial, refeitórios e banheiros, centro médico e odontológico, sala de coral e de multimeios. Na organização há também duas quadras esportivas e espaços culturais como o Teatro arena, com capacidade de 400 pessoas, uma Galeria de Arte e uma Biblioteca Comunitária, com mais de 17 mil títulos de obras disponíveis para consulta e locação. Todos os 400 alunos, cerca de 70 funcionários contratados e mais de 100 voluntários se alimentam no local. São oferecidas três refeições por dia, totalizando mais de 1400 refeições diariamente. Alimentação é o item mais difícil de receber auxílio, por conta dos alimentos perecíveis que não costumam ser doados e, quando são, às vezes não chegam em condições de serem preparados. O Solar é mantido por doações e colaboração financeira, de bens e serviços, por meio de pessoas jurídicas e físicas. Os educadores de todo o Colégio Integral Solar compõem o quadro de funcionários contratados da instituição, ou seja, são pagos pelo Solar Meninos de Luz. Todas as atividades complementares, contudo, são realizadas por profissionais, pagos por parceiros, ou por voluntários que disponibilizam seu tempo e se comprometem com os alunos e com o SML em permanecerem por determinado período e assumem o compromisso de desenvolverem a atividade proposta com as turmas. Não há contratação, apenas o preenchimento de um termo de responsabilidade e de compromisso, pois, a ausência e o não cumprimento do que fora estabelecido faz com que os alunos fiquem com o tempo ocioso, tendo que ser reestruturado para que eles tenham outra atividade naquele determinado horário. 38 De acordo com a fundadora e presidente da obra social e agora supervisora e orientadora educacional do Colégio Integral Solar, Iolanda Maltaroli explica que a fundação desse novo trabalho é um incentivo à continuidade de estudo permanente dos alunos para o aproveitamento responsável de todas as oportunidades de transformação de suas vidas e da necessidade de prestar sua contribuição para a Paz e bem-estar de suas famílias e da Comunidade. Na solenidade de fundação da nova estrutura educacional do Solar, Iolanda convidou os familiares dos alunos a se inscreverem no EJA (Escola de Jovens e Adultos), estudo noturno do Solar. Afirmou que "Somente com o auxílio divino poderíamos, em tão breve tempo, conseguir colaboradores financeiros, excelentes profissionais de ensino, a conclusão do Ato Autorizativo para o funcionamento do 6º ano ao Ensino Médio... Tudo em três semanas e meia. Os milagres são obras da fé e da superação humana, através do trabalho incansável”. Diante de todas essas informações, é possível perceber a importância de se implantar atividades acessíveis nos espaços culturais do Solar Meninos de Luz, já que estes são de acesso não somente dos alunos, mais também dos pais, familiares desses estudantes e dos moradores e frequentadores das comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. Afinal, esses espaços culturais do SML não são acessíveis e não possuem programações acessíveis. Essa Pesquisa tem como objetivos apontar essas questões e atuar na implantação de uma política cultural para os equipamentos culturais do Solar Meninos de Luz, principalmente para a Galeria de Arte, para que se tornem acessíveis e possam ser espaços de integração e de fruição artísticocultural também para pessoas com deficiência. Portanto, para este projeto, é importante analisar a viabilidade da implantação da Acessibilidade física, atitudinal e comunicacional nesses locais, ou seja, se será possível a adequação, quais serão as dificuldades e necessidades da galeria diante de um diagnóstico. E, posteriormente a isso, criar uma política cultural onde seja possível se pensar em uma exposição acessível na Galeria de Arte Meninos de Luz, avaliando o processo e a efetivação dos possíveis efeitos da ação no espaço. 39 4.2 Por que não pensaram em uma Política Cultural de Acessibilidade? Os questionários foram enviados aos setores de Direção Geral e Direção Financeira e Administrativa, e aos setores de Comunicação, Captação de Recursos, Atividades Complementares, Voluntariado, Biblioteca, Galeria de Arte e Curadoria. Embora estimulados para que dessem o retorno para a realização da pesquisa, apenas dois funcionários contribuíram. Um deles pertencente à direção e outro à curadoria. Diante disso, a análise aparece de forma simplificada, em um texto integrado que agrega os dois colaboradores. Em anexo, encontram-se as entrevistas na íntegra, identificados como entrevistados A e B. Segundo as entrevistas realizadas com esses funcionários do Solar Meninos de Luz, os espaços culturais da instituição funcionam integrados à Educação e ao desenvolvimento pedagógico da Escola, com eventos internos e externos, com a presença e participação de profissionais e amadores. Sobre a Galeria de Arte, especificamente, ela possui um funcionamento com horários fixos, podendo haver agendamentos. Além disso, conta com uma assistente envolvida diretamente nesse funcionamento, e que responde pela abertura nesses horários. Na Galeria também se aplica a questão das atividades internas e externas, recebendo periodicamente exposições produzidas pelos alunos da instituição, intercalando com exposições de artistas plásticos, convidados pelo curador voluntário. O entrevistado A declara que a direção da Instituição é quem define as atrações, atividades e as exposições que acontecem nesses espaços, buscando a integração com a Educação, objetivos e missão do Solar e vínculo ao calendário Escolar por ano letivo. Segundo o entrevistado B, a Galeria ainda possui um curador, como dito anteriormente, que seleciona e convida artistas para exporem no espaço. Há uma agenda discutida com a direção, que também propõe ações, e um fechamento em comum acordo. 40 Como foi falado nos capítulos anteriores, o Solar não possui uma ferramenta efetiva de controle de visitantes, nem pesquisa de formação desse público e nem da frequência de visitações. Há uma contagem simples dos visitantes em cada evento. Não há pesquisa formal, contudo as atividades são construídas e dirigidas ao público da comunidade, que tem um perfil próprio e conhecido. A Galeria de Arte Meninos de Luz possui um livro de visitas, que funciona como o registro efetivo do visitante que a equipe responsável considera como contagem. De acordo com o entrevistado B, não há uma ação direta sobre formação e perfil do público, mas uma das opções do visitante é apontar de onde veio e deixar e-mail para contato para ser informado sobre a próxima exposição. A frequência é fechada ao final de cada mostra, que em média tem alcançado cerca de mil visitantes, na sua maioria da própria comunidade, mas que já começaram a contar com muitos visitantes de fora, inclusive de outros países. Por meio de divulgação massiva local através de ferramentas próprias que exigem recursos financeiros pouco acessíveis, o entrevistado A acredita que esses espaços culturais do Solar Meninos de Luz podem ser mais visitados e melhor aproveitados pelos moradores e frequentadores das comunidades do PavãoPavãozinho e Cantagalo (PPG). Porém, o entrevistado B não vê um déficit na Galeria, de interesse ou de aproveitamento, o que não significa dizer que a Galeria não possa receber melhorias, por exemplo na iluminação. Mas como espaço aberto, sem qualquer restrição de entrada, a Galeria/exposição é vista mesmo de passagem pela rua. Talvez uma divulgação mais ampla de que ela existe e está disponível para todos. Sobre o conceito de Acessibilidade, os entrevistados falaram sobre a questão de permitir que pessoas com deficiências físicas e mobilidade reduzida possam ter amplo acesso a produtos, bens e serviços na sociedade como um todo. Resumindo em poucas palavras, pode-se dizer que é uma forma de inclusão social. Sobre as barreiras existentes para o recebimento de PcD, os entrevistados foram taxativos na resposta: o Solar Meninos de Luz não está preparado para receber cadeirantes, principalmente. O entrevistado A explica que a instituição se formou ao 41 longo do tempo pela união de casas residenciais de dois andares construídas a partir de 1930, em ladeira íngreme. E ao final de morro, os acessos públicos são por rampas de paralelepípedos e escadas. Para vencer a inclinação, os acessos dos imóveis também são através de escadas. Infelizmente, as melhorias esbarram na burocracia dos órgãos públicos. Obras para mobilidade no local exigem um investimento proibitivo que inviabilizaria o próprio Solar. Não obstante o Teatro está preparado para cadeirantes, desde que o acesso seja pela comunidade, que, por sua vez, aguarda obras aprovadas pelo PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) para abertura de pista de rolamento. A Galeria de Arte fica no nível da rua, e não tem problemas. Já a biblioteca e salas de música precisam vencer escadas. O que o SML já possui que facilitaria o acesso de Pessoas com Deficiência é o Teatro, com local próprio para cadeirantes e banheiro exclusivo, mas não há aparelhagem condizente. A Galeria em si não tem qualquer empecilho de acesso, mas não podemos nos esquecer da própria geografia do lugar em que ela se localiza, isto é, as comunidades em morros, das construções sem planejamento urbano adequado etc. O entrevistado A conta que existe, portanto, um projeto de um novo prédio escolar, que abrigará a secretaria escolar, refeitórios, cozinha industrial, laboratórios diversos, é todo estruturado para a Acessibilidade plena, do nível da rua ao último andar. Para um governo que deficientemente age para a melhoria de uma pobre Educação e Saúde, a Acessibilidade ampla não é prioridade. Contudo, percebem-se várias iniciativas nesse sentido, principalmente de pontos culturais. As novas construções obedecem à específica e rigorosa legislação que prevê a Acessibilidade. E isso inviabiliza a elaboração de uma Política Cultural de Acessibilidade para Pessoas com Deficiência. 42 5 Proposta de Acessibilização Cultural e Recursos Acessíveis recomendados Este capítulo se depara com as questões relacionadas ao trabalho de articulação e mapeamento de todos os espaços culturais do Solar Meninos de Luz, e dos produtos e serviços a serem prestados, para que seja possível fazer com que esta instituição se adeque à democracia cultural que é tratada nessa pesquisa acadêmica. Diante dos pontos já analisados entre os diferentes tipos de Acessibilidade, é possível perceber o quão é difícil alinhar todas elas, pensando na diversidade do público quanto à cada necessidade e especificidade. Nem sempre as cadeiras de rodas são do mesmo tamanho, por exemplo. Cada pessoa a prefere de um determinado jeito, formato, com determinados apoios de cabeça, costas. Um deficiente visual prefere a bengala, outro prefere um cão-guia. O que um artista, produtor, gestor, curador deve pensar é que cada ser humano tem o direito de escolher o recurso que lhe é melhor, mais prático e que lhe deixa mais a vontade e com autonomia para se locomover e conseguir participar das atividades propostas com o mínimo de ajuda possível. A Cartilha Cidade Cidadã, elaborada pelo CREA-ES (Conselho de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Espírito Santo) e pela SEDH (Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República), de 2007, foi [...] desenvolvida com o objetivo de divulgar junto aos profissionais da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e a população em geral, os aspectos legais, normativos e técnicos que devem ser obedecidos nos projetos e na construção das edificações, dos espaços públicos e na fabricação de mobiliários e equipamentos, que permitam a mobilidade, o acesso e autonomia das pessoas, levando em conta os aspectos antropométricos e as deficiências físicas (CIDADE CIDADÃ, 2007). Neste e em outros materiais, inclusive alguns disponibilizados na internet, é possível conhecer e entender o funcionamento e a importância de diversos tipos de recursos de cunho acessível, com suas medidas e normas para serem aplicados. 43 Com a finalidade de somar a necessidade de tornar o espaço acessível com os esclarecimentos educacionais que os alunos e funcionários devem ter em relação ao tema, essa pesquisa recomenda que sejam desenvolvidas oficinas e aulões com os estudantes da instituição e com os trabalhadores, contratados e voluntários, que se dedicam ao atendimento direto e indireto ao público, para que todos conheçam e sejam capacitados para prestarem um atendimento de qualidade, com respeito e dignidade. Seguem abaixo alguns exemplos de recursos para a promoção da Acessibilidade Física e Comunicacional: a) Rampas Acessíveis Estando nas medidas corretas, proporcionam acesso a pessoas com dificuldades físicas de locomoção. Quando pensamos na rampa como um recurso de Acessibilidade, logo imaginamos que ela facilita o deslocamento das pessoas que usam cadeira de rodas. Mas não somente. As rampas facilitam a passagem de cadeirantes e de carrinhos de bebês, pessoas com carrinho de compras, e auxilia no acesso de crianças, idosos e pessoas que estejam com dificuldade de locomoção, com a mobilidade reduzida temporária ou permanentemente. A substituição de uma parte do meio-fio ou dos degraus de uma escada por uma rampa acessível, nas vias e nos edifícios públicos, promove o deslocamento de todas essas pessoas com autonomia, que é o que todas desejam. (Fonte: http://clubeconstrucao.com.br/profiles/blogs/acessibilidade-custo-e-cidadania) 44 b) Pisos Podotáteis Também chamados de pisos táteis, pavimento tátil ou superfície tátil. Auxiliam na locomoção de pessoas com deficiência visual, principalmente, que utilizam os pés e a bengala para se orientarem. Eles são formados por faixas com alto relevo bem peculiar e são afixadas no chão. Podem orientar qualquer pessoa que saiba o que significa cada tipo de relevo, que são: Piso direcional, formado pelas tiras longas; e Piso de Alerta, que são os relevos em bolinhas. O Piso Direcional tem como função guiar o trajeto, como se fosse uma trilha. O Piso de Alerta serve para mostrar ao usuário que o trajeto requer atenção e será alterado por algum motivo, sejam obstáculos, curvas, para aguardar o sinal e atravessar a rua, para desviar de algum poste ou mobiliário urbano, entre outros. (Fonte: paulo/ http://mozaik.com.br/blog/2010/06/22/regulamentacao-elementos-tateis-pela-cpa-saoe http://www.edilsonferreira.com/2011/11/instalacao-de-pisos-tateis- pode.html#axzz2vKZrybOb) c) Guarda-Corpo e Corrimãos Acessíveis Servem de sustento e proteção para as pessoas se apoiarem. Estando nas medidas corretas, qualquer pessoa, independente de altura, força ou idade, consegue usá-lo para se equilibrar e não corre risco de se machucar. O guardacorpo protege animais, crianças e adultos de quedas que podem acontecer em 45 sacadas, varandas, rampas ou alguma estrutura que apresente desnível. Já o corrimão serve de apoio às mãos para pessoas com deficiência, crianças, adultos, idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo e qualquer um que queira se apoiar para auxiliar na locomoção em áreas de desníveis, como escadas e rampas. Suas instalações podem ser removíveis ou permanentes. (Fonte: http://adaptandoseuimovel.wordpress.com/rampas/ e http://www.aulascad.com/2012/03/autocadaula-19-calculando-e-desenhando.html) 46 d) Placa em Braille e Letras Ampliadas Servem para o entendimento de pessoas com deficiência visual ou baixa visão. O Braille é um recurso de comunicação para pessoas com deficiência visual utilizado na escrita e leitura por meio de 64 símbolos feitos em relevo, com combinações de até seis pontos. Cada uma delas representa uma letra, um número e um sinal de pontuação. As pessoas com deficiência visual precisam passar os dedos para sentir esses relevos e fazer a leitura da informação. Já as letras ampliadas servem para facilitar a leitura de pessoas com baixa visão, com deficiência intelectual e idosos. Se ainda for uma frase curta e tiver o recurso de contraste de cor, torna-se mais fácil ler o que está escrito a uma distância razoável e até as crianças compreendem melhor. (Fonte: http://catalogosp.vanzetti.com.br/index.php/224/) e) Intérprete de Libras Esse profissional é essencial na tradução da comunicação entre pessoas ouvintes ou que não entendam Libras e pessoas com deficiência auditiva ou surdas. Ele é uma ponte, um intermediário que faz com que as pessoas que falam diferentes idiomas consigam se comunicar e se entender. No Brasil, temos leis que regulamentam a obrigatoriedade da presença de profissionais bilíngues Libras/Língua Portuguesa em escolas, para que haja a inclusão nestes espaços 47 sociais de aprendizado e educação. E, como vimos nos capítulos anteriores, com a ausência da audição, a usabilidade da visão, um sentido muito empregado na fruição artísticocultural, é ideal para fazer com que os indivíduos surdos ou com deficiência auditiva possam ver os sinais (Língua Brasileira de Sinais) e possam dialogar com o máximo de independência e autonomia. (Fonte: http://feneispr.webnode.com.br/) f) Audiodescrição Recurso de áudio voltado para quem é deficiente visual principalmente, ou intelectual, e pode ser utilizado em palestras, filmes e demais produtos audiovisuais, espetáculos teatrais, musicais, circenses, entre outros. Profissionais capacitados fazem a descrição, clara e objetiva, do que é relevante da cena do filme ou do teatro. Somado à trilha sonora e a todas as sensações que podem ser causadas, através do olfato, do tato e da própria audição, o espetáculo pode ser muito bem aproveitado e compreendido. Essa descrição pode ser gravada ou feita ao vivo. No Brasil, existe um Projeto de Lei que altera a Lei Nº10.048, De 8 de Novembro de 2000, que estabelece a obrigatoriedade da Audiodescrição em canais de TV abertos e Filmes, inclusive com outro recurso que conhecemos a mais tempo, que é o de Legendagem em língua portuguesa. 48 (Fonte: http://www.inclusive.org.br/?p=13688 e http://turismoadaptado.wordpress.com/2011/03/13/ohistorico-da-audiodescricao-um-recurso-para-ver-com-os-ouvidos/) 5.1 Teatro Meninos de Luz O Teatro precisa de um planejamento arquitetônico de acessibilidade. No presente momento, ele possui um projeto, está em reforma para conseguir a aprovação do “Habite-se”, do Corpo de Bombeiros. Diante desta aprovação, será possível a fruição da cultura para todo o público frequentador. Além da reforma, é necessário que o Teatro tenha, por direito à fruição estética e cultural das Pessoas com Deficiência, as seguintes linguagens: Audiodescrição, um Libras, Estenotipia e Legenda. Uma prática muito comum em teatros é a visitação de cegos e pessoas com baixa visão para tocarem no cenário antes da apresentação teatral começar. Isso serve para a ambientação desse público. 49 Teatro arena do Solar Meninos de Luz – vista da lateral do palco. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 5.2 Biblioteca Comunitária Meninos de Luz Além de ser um espaço de pesquisa e leitura, a biblioteca comunitária também é usada para atividades com autores e ilustradores, como contação de história, desenho, exibição de filmes e atividades com personagens e música. A fim de aproveitar as atividades que já acontecem no espaço e adaptá-las para o público com deficiência, acredita-se que se faz necessário a aquisição de livros em Braille e Audiobooks, além do download de um software gratuito para a transcrição de algum texto para áudio (para as pessoas analfabetas, cegas ou com baixa visão) e para vídeo em Libras (para pessoas surdas ou com baixa audição que tenham aprendido a Linguagem Brasileira dos Sinais). 50 Além do material apropriado, as atividades também podem ser adaptadas para quando houver o público específico. A contação de histórias com um ator ou leitor dramático e também um ator que seja intérprete de Libras. Na falta de recursos, caminhos alternativos podem ser tomados. O primeiro deles, é a busca por financiamento, por meio de inscrição de projetos em Editais de Patrocínio ou solicitação em empresas, convite de parcerias. Outra solução é desenvolver essas atividades com os próprios alunos do Solar Meninos de Luz, onde eles seriam os leitores voluntários das histórias, que poderiam ser gravadas e já ficarem armazenadas no acervo em áudio, por exemplo. Esta proposta vai ao encontro da ideologia da instituição, que preza pelo Construtivismo e pode ser uma atividade do projeto “Meninos Solidários”, sob os aspectos da solidariedade e da cidadania, ou aplicada em alguma disciplina como, por exemplo, a Literatura, a partir da leitura de livros clássicos, como modelo. Desse modo, a atividade contribuiria para a formação de jovens intelectuais. Atividade de leitura e contação de histórias no cantinho infantil da Biblioteca Comunitária Meninos de Luz. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 51 5.3 Quadras de esportes O Solar Meninos de Luz possui duas quadras de esportes, uma coberta e outra descoberta. As duas são conservadas, pintadas, com as marcações de quadra para jogos de futsal, basquete, handball e vôlei. Esses espaços são utilizados para as oficinas esportivas, mas também para a celebração de eventos da instituição. Um dos eventos mais importantes que ocupam esses dois espaços é a conhecida Festa Julina do SML. Ela acontece anualmente e envolve a todos da comunidade na participação da festividade. Esses dois espaços fazem parte do Ginásio de esportes, que abriga também a Sala de Multimeios, que será relatada posteriormente. O Ginásio ainda não foi finalizado, faltando concluir as obras dos sanitários e acabamento da estrutura física. Esse ginásio fica localizado atrás da casa 146 da instituição, onde funciona a Educação Infantil e a cozinha semi-industrial que abastece a todo o Solar. Sua localidade faz com que seu acesso seja pela lateral da casa, apenas por meio de escadas. Devido à construção de um edifício do PAC ao lado, para abrigar moradores que vivem em situação de extrema vulnerabilidade social, o muro que separava os terrenos cedeu, o que fez com que esse acesso também necessitasse de obras e melhorias. O acesso para cadeirantes e para pessoas com mobilidade reduzida, temporária ou permanentemente, só seria possível se fosse construída uma passagem com entrada pela comunidade, mas isso também depende de aprovação e obras de urbanização para construção dessa nova entrada. Porém, atividades esportivas e recreativas, que já acontecem nos espaços, podem ganhar programações inclusivas, para que sejam desenvolvidas também com pessoas com deficiência. Essas atividades inclusivas precisam ser divididas por faixas etárias, e pensadas com o objetivo de desenvolver os sistemas sensorial e perceptivo dos participantes, pois é através desses aspectos que os estímulos de espaço e relacionamento com a sociedade são transmitidos ao indivíduo. 52 Quadra aberta com os alunos do SML recebendo a visita de alunos de basquete do Kansas/EUA. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 5.4 Sala de Coral e de Multimeios Estas são duas salas enormes onde costumam acontecer encontros dentro e fora da grade acadêmica da instituição. Também são espaços cedidos para outras lideranças comunitárias e também parceiros do Solar realizarem atividades que envolvam os moradores da comunidade. Além de sugerir a criação de um novo acesso com rampas e corrimãos adequados, é possível também pensar em atividades lúdicas para desenvolver com as crianças da instituição e da comunidade, como as sugeridas nos espaços anteriores, 53 além de reuniões e palestras para os moradores, que já acontecem, mas desta vez seriam com o auxílio de recursos acessíveis. Sala de Multimeios – Aula de Balé. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). Sala do Coral – Dia do Circo. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 54 5.5 Galeria de Arte Meninos de Luz É a ex-garagem de uma das casas onde funcionam o SML. Hoje, totalmente reformada, é o único espaço cultural da instituição que está no nível da rua, possibilitando mais acesso do público externo. Nela acontecem inúmeros tipos de exposições, desde apresentação dos trabalhos das crianças e dos jovens alunos do Solar Meninos de Luz a exposições profissionais, com obras de artistas plásticos convidados pelo curador e direção da instituição, que promovem e realizam exposições individuais ou coletivas, e convidam a todos os colegas de trabalho e admiradores do trabalho. Isso faz com que pessoas que nunca visitaram a comunidade subam e conheçam o trabalho desenvolvido na Galeria e na instituição como um todo, pois desperta curiosidade. Para este espaço, é possível pensar inúmeras atividades, com o auxílio de recursos acessíveis, que também envolvam os alunos e os frequentadores de fora. Um vídeo que apresente o processo de criação das obras, com audiodescrição disto e das obras prontas, efeitos de som e luz, peças que possam ser tocadas ou que tenham réplicas em formato de maquetes para estas serem sentidas, cheiros e sabores associados às obras, que possam ser experimentados. Com criatividade, conhecimento e boa vontade, é possível pensar em inúmeras soluções gratuitas ou baratas para tornar as exposições e as demais atividades mais interessantes para quem visita, inclusive para pessoas que normalmente não conseguem participar e desfrutar desses tipos de atividades. Este tipo de reflexão é importante provocar, pois é fácil de promover e atrai a curiosidade de velhos e novos visitantes também. E a partir de uma ou duas ideias, surgem outras que passam a configurar o espaço e o tornam mais agradável e melhor aproveitado por todos os frequentadores. 55 Galeria de Arte Meninos de Luz – Exposição Olhar Diverso (Marcelo Dau). (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). Considerações Finais Como vimos nesse estudo, as questões do conhecimento, da importância e da conquista da Acessibilidade Cultural já estão avançando nos campos sociais, artísticos, culturais. O conceito e os recursos acessíveis já são pautas de reuniões e palestras na cidade do Rio de Janeiro relacionadas à educação, produção cultural, empregabilidade em órgãos públicos e privados, entre outros. Inclusive a própria ONG Solar Meninos de Luz, que antes não pensava em produzir eventos culturais utilizando recursos acessíveis, com esta pesquisa, terá base e conteúdo para aplicar novos métodos em suas produções voltadas para o público externo. Foi possível verificar que a instituição tem desafios no campo da Acessibilidade, seja diante das barreiras arquitetônicas, já que fica situada em uma ladeira íngreme, na subida da comunidade, seja na acessibilidade comunicacional já que não há um profissional capacitado para cuidar da divulgação dos espaços culturais utilizando os 56 recursos de comunicação acessíveis, e seja na questão da acessibilidade atitudinal, onde funcionários, alunos, voluntários, e frequentadores e moradores das comunidades, portadores ou não de algum tipo de deficiência, precisam ser treinados e acostumados a pensar nas possibilidades de viver integrados na mesma sociedade e com direito a ter o mesmo acesso à educação, à cultura, à vida social. Infelizmente tive pouco retorno da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, que alega não ter os dados quantitativos de PcD que vivem nas comunidades do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho, entre outras informações solicitadas, e da própria instituição pesquisada. Esta, no entanto, passa por uma grande mudança estrutural na educação integral no presente momento e, ainda assim, com boa vontade e reconhecimento da importância desta pesquisa, ainda pude contar com a colaboração de dois funcionários, com relevantes visões e com voz, para que, futuramente, essas medidas discutidas aqui sejam implantadas gradativamente na instituição e, até mesmo fora dela, em outros projetos. Este estudo poderá contribuir com a sociedade e principalmente com as comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. O Solar Meninos de Luz pode dar continuidade à pesquisa para a construção de uma nova política cultural de Acessibilidade e, assim, tornarem-se um dispositivo cultural que servirá de referência nos campos educacionais, artísticos e culturais. 57 Referências Bibliográficas Livros ALMEIDA, Adriana Mortara. O contexto do visitante na experiência museal: semelhanças e diferenças entre museus de ciência e de arte. 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Disponível em http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/publicacoes/avancos-das-politicaspublicas-para-pessoas-com-deficiencia, acessado em 01 de outubro de 2013. Sobre Albertina Brasil - http://www.fenalbertina.com/albertina.html Solar Meninos de Luz www.meninosdeluz.org.br 62 Universidade Federal do Rio de Janeiro Especialização em Acessibilidade Cultural ANEXOS Rio de Janeiro 2014 63 ANEXO I Questionário realizado com os funcionários do Solar Meninos de Luz 1. Como funcionam os espaços culturais do SML? 2. Quem define as atrações, atividades e as exposições que acontecem nesses espaços? Como isso é feito? 3. Levando-se em consideração as atividades abertas ao público, existe alguma ferramenta de controle de visitantes? E pesquisa de formação desse público? E da frequência de visitações? 4. Como esses espaços culturais do Solar Meninos de Luz podem ser mais visitados e melhor aproveitados pelos moradores e frequentadores das comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo (PPG)? 5. Em sua opinião, o SML está preparado para receber a visita de Pessoas com Deficiência? Por quê? 6. O que você entende sobre Acessibilidade? 7. Por que até hoje ainda não se pensou numa Política Cultural de Acessibilidade para Pessoas com Deficiência? 8. O que o SML já possui hoje para facilitar o acesso dessas pessoas? 64 ANEXO II Respostas do Entrevistado A: 1 - Como funcionam os espaços culturais do SML? R: Integrados a Educação e desenvolvimento pedagógico da Escola, com eventos internos e externos, profissionais e amadores. 2 - Quem define as atrações, atividades e as exposições que acontecem nesses espaços? Como isso é feito? R: A direção da Instituição, buscando a integração com a Educação, objetivos e missão do Solar e vinculo ao calendário Escolar por ano letivo. 3 - Levando-se em consideração as atividades abertas ao público, existe alguma ferramenta de controle de visitantes? E pesquisa de formação desse público? E da frequência de visitações? R: Contagem simples dos visitantes em cada evento. Não há pesquisa formal, contudo as atividades são construídas e dirigidas ao publico da comunidade, que tem um perfil próprio e conhecido. 4 - Como esses espaços culturais do Solar Meninos de Luz podem ser mais visitados e melhor aproveitados pelos moradores e frequentadores das comunidades do PavãoPavãozinho e Cantagalo (PPG)? R: Pela divulgação massiva local através de ferramentas próprias que exigem recursos financeiros pouco acessíveis. 5 - Em sua opinião, o SML está preparado para receber a visita de Pessoas com Deficiência? Por quê? R: Exceto cadeirantes. A instituição formou-se ao longo do tempo pela união de casas residenciais de 2 andares construídas a partir de 1930, em ladeira íngreme e ao final de morro, aonde os acessos públicos são por rampas de paralelepípedos e escadas. Para vencer a inclinação os acessos dos imóveis também são através de escadas. 65 Obras para mobilidade no local exigem um investimento proibitivo que inviabilizaria o próprio Solar. Não obstante o Teatro está preparado para cadeirantes, desde que o acesso seja pela comunidade, que, por sua vez, aguarda obras aprovadas pelo PAC para abertura de pista de rolamento. A Galeria de Arte fica no nível da rua, e não tem problemas. Já a biblioteca e salas de música precisam vencer escadas. 6 - O que você entende sobre Acessibilidade? R: Permitir que pessoas com deficiências físicas e mobilidade reduzida possam ter amplo acesso a produtos, bens e serviços na sociedade como um todo. 7 - Por que até hoje ainda não se pensou numa Política Cultural de Acessibilidade para Pessoas com Deficiência? R: Para um governo que deficientemente age para a melhoria de uma pobre Educação e Saúde, a acessibilidade ampla não é prioridade. Contudo, percebo varias iniciativas nesse sentido, principalmente de pontos culturais. As novas construções obedecem a específica e rigorosa legislação que prevê a acessibilidade. 8 - O que o SML já possui hoje para facilitar o acesso dessas pessoas? R: Salvo o Teatro, com local próprio para cadeirantes e banheiro exclusivo, não a aparelhagem condizente. Os motivos são explicados acima. Um novo prédio escolar, que abrigará a secretaria escola, refeitórios, cozinha industrial, laboratórios diversos, é todo estruturado para a acessibilidade plena, do nível da rua ao último andar. 66 ANEXO III Respostas do Entrevistado B: 1 - Como funcionam os espaços culturais do SML? R: Minha vivência é dentro da Galeria exclusivamente, então só dela posso falar. O funcionamento a q vc se refere não tem uma especificidade então vou fazer no sentido de aberto ao público: - O funcionamento é com horários fixos podendo haver agendamentos; possui uma assistente envolvida diretamente nesse funcionamento, e que responde pela abertura nos horários fixados; 2 - Quem define as atrações, atividades e as exposições que acontecem nesses espaços? Como isso é feito? R: A Galeria possui um curador que seleciona e convida artistas para exporem no espaço. Há uma agenda discutida com a direção, que também propõe ações, e um fechamento em comum acordo; 3 - Levando-se em consideração as atividades abertas ao público, existe alguma ferramenta de controle de visitantes? E pesquisa de formação desse público? E da frequência de visitações? R: O controle hoje se dá pelo livro de visitas, é o registro efetivo do visitante que consideramos como contagem. Não há uma ação direta sobre formação, não se "pesquisa" pois não houve ainda interesse, mas uma das opções do visitante é apontar de onde veio e deixar email para contato de uma nova exposição. A frequência é fechada ao final de cada mostra, que em média tem alcançado 1000 visitantes, na sua maioria da própria comunidade, mas que já começamos a contar com muitos visitantes de fora; 67 4 - Como esses espaços culturais do Solar Meninos de Luz podem ser mais visitados e melhor aproveitados pelos moradores e frequentadores das comunidades do PavãoPavãozinho e Cantagalo (PPG)? R: Não vejo um déficit, não na Galeria, de interesse ou aproveitamento, o que não significa dizer que a Galeria não possa receber melhorias, por exemplo em iluminação, mas como espaço aberto, sem qualquer restrição de entrada, a Galeria/exposição é vista mesmo de passagem pela rua. Talvez uma divulgação mais ampla de que ela existe e está disponível para todos; 5 - Em sua opinião, o SML está preparado para receber a visita de Pessoas com Deficiência? Por quê? R: Não posso responder com propriedade a essa questão, não tenho conhecimento amplo do funcionamento do SML. 6 - O que você entende sobre Acessibilidade? R: É uma resposta extensa, e eu ficaria no lugar comum de concordar com a ideia de inclusão social; 7 - Por que até hoje ainda não se pensou numa Política Cultural de Acessibilidade para Pessoas com Deficiência? R: Para o SML? Se for isso eu não sei, desconheço que não tenham pensado em algo. 8 - O que o SML já possui hoje para facilitar o acesso dessas pessoas? R: A Galeria em si não tem qualquer empecilho de acesso, mas não podemos nos esquecer da própria geografia do lugar em que ela se localiza, isto é, as comunidades em morros, das construções sem planejamento urbano adequado, etc. Claro que isso não exclui o aperfeiçoamento do próprio SML; 68 ANEXO IV Fachada de uma das cinco casas do Solar Meninos de Luz. Nesta, antiga sede do jornal O Pasquim, funciona o Berçário e a Educação Infantil e a cozinha semiindustrial. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 69 ANEXO V Galeria de Arte Meninos de Luz com a Exposição Verão II – lado esquerdo. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 70 ANEXO VI Galeria de Arte Meninos de Luz com a Exposição Verão II – lado direito. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 71 ANEXO VII Galeria de Arte Meninos de Luz com a Exposição Lux – em cartaz até dia 13 de março de 2014. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 72 ANEXO VIII Alunos na Galeria de Arte Meninos de Luz com o artista plástico Raimundo Rodrigues, autor das artes da Exposição Lux – em cartaz até dia 13 de março de 2014. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 73 ANEXO IX Quadra aberta com jogo de basquete dos alunos do Ensino Médio. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 74 ANEXO X Quadra coberta com a Festa Julina anual – 2013. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 75 ANEXO XI Sala de Coral com atividade de recreação e brinde para as crianças da Educação Infantil. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 76 ANEXO XII Sala de Multimeios decorada como lounge para o festival de danças urbanas Favela em Dança 2013. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 77 ANEXO XIII Teatro arena do Solar Meninos de Luz – vista da plateia. (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 78 ANEXO XIV Cozinha Semi-industrial do Solar Meninos de Luz (Fonte: Página oficial do Solar Meninos de Luz na Rede Social Facebook). 79