Departamento de Ciência e Tecnologia da Informação
INCENTIVOS À PARTILHA DE INFORMAÇÃO ENTRE PEQUENAS E MÉDIAS
EMPRESAS EM REDES DE COOPERAÇÃO
Esther Leopoldo Lage
Proposta de Investigação
Orientador:
Doutor Bráulio Alexandre Alturas, professor auxiliar
ISCTE-IUL
Dezembro de 2010
ÍNDICE
1
INTRODUÇÃO
03
2
REDES INTER-ORGANIZACIONAIS E PARTILHA DE INFORMAÇÃO
05
2.1 Estudo de Moberg et al. (2002)
05
2.2 Estudo de Fritsch e Kauffeld-Monz (2008)
06
2.3 Estudo de Madlberger (2009)
07
3
MODELO CONCEPTUAL DA INVESTIGAÇÃO
09
4
METODOLOGIA
12
REFERÊNCIAS
14
2
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como objectivo principal identificar os factores que influenciam a
partilha de informação entre pequenas e médias empresas que actuam em rede de cooperação.
A literatura revela que as redes de cooperação têm ganho crescente atenção na ciência
contemporânea como princípio para explicar o funcionamento do mundo e como arquitectura
básica para modelos tecnológicos, sociais e institucionais (Almeida Filho, 2005). Segundo
dados de Rifkin (2001 apud Heckert, 2008) de 1989 a 1993, o número de empresas norteamericanas conectadas a algum modelo em formato de rede passou de 10 para 60%.
O princípio por trás da organização em rede é aliar à concorrência, a atitude de
cooperação, visando ganhos de vantagens competitivas em termos de redução de custos,
aprendizagem e inovação. No entanto, para que as redes funcionem, várias interdependências
são necessárias, como a identificação de necessidades e restrições comuns, a interacção das
estratégias e a partilha de informações (Mazzali e Costa, 1997).
Muitos autores sublinham a relevância da partilha de informação no contexto das
redes inter-organizacionais: trata-se de requisito essencial para o sucesso das organizações no
meio envolvente competitivo, importante pré-requisito para a colaboração entre empresas e
antecedente para o aumento da produtividade e a satisfação do consumidor (Perçim, 2008;
Fawcet, Wallin, Allred, 2009; Madlberger, 2009); é ao mesmo tempo um objectivo e uma
vantagem da participação em rede (Mu, Love e Peng, 2008); favorece a performance de uma
supply chain, especialmente no quesito flexibilidade (Sezen, 2008).
Apesar da importância do assunto, novas investigações são recomendadas. Moberg et
al. (2002) e Madlberger (2009) destacam que a maior parte das investigações tende a tratar a
partilha de informação como um componente da integração entre as empresas, sem focarem a
variável individualmente.
Além disto, Madlberger (2009) destaca o facto de se tratar de um assunto
interdisciplinar, o que tornam necessários estudos mais amplos, que dêem maior ênfase aos
aspectos desfavoráveis relacionados à partilha e informação ou que investiguem a existência
de variáveis moderadoras.
Fawcet, Wallin e Allred (2009) sublinham que os estudos anteriores sobre trocas de
informação em redes, especificamente referentes a supply chain, focam apenas os aspectos
tecnológicos, tomando como certos que as empresas envolvidas estão pré-dispostas a
partilharem informação.
3
Um conhecimento mais amplo sobre o assunto também trará benefícios para a gestão
das organizações, uma vez que o entendimento de como e porquê os parceiros se envolvem
em actividades de troca de informação possibilitará às empresas a proposição de políticas,
incentivos e mecanismos apropriados para que o processo aconteça (Madlberger, 2009). Isto
favorece o processo de articulação e coordenação entre as organizações envolvidas em redes,
bem como a aprendizagem e a construção de vantagens competitivas sustentáveis.
Ademais, como se trata de um campo de investigação florescente, muita energia pode
estar sendo gasta na criação e administração de redes por desconhecimento ou mal uso do
conhecimento científico (Almeida Filho, 2005).
O foco desta investigação em redes de pequenas e médias (PME) empresas justifica-se
pela crescente importância que as mesmas vêm adquirindo como agentes de inovação e
criação de empregos no contexto da especialização flexível (La Rovere, 1999; Castells, 2002).
Na União Européia1 são 20 milhões de pequenas e médias empresas, que empregam dois
terços dos trabalhadores e constituem 99% do total das empresas. A partir deste contexto, o interesse da presente investigação recai sobre a identificação
das variáveis que antecedem a partilha de informação entre pequenas e médias empresas
relacionadas em rede de cooperação. Para tanto, pretende-se responder as seguintes questões:
(1) Aspectos relacionados à características da informação influenciam a transmissão e
a absorção de informação entre os membros da rede?
(2) Aspectos relacionados à características internas das organizações influenciam a
transmissão e a absorção de informação entre os membros da rede?
(3) Aspectos relacionados às características do relacionamento inter-organizacional
influenciam a transmissão e a absorção de informação entre os membros da rede?
(4) Aspectos relacionados à estrutura da rede influenciam a transmissão e a absorção
de informação entre os membros da rede?
(5) Aspectos relacionados aos custos e benefícios influenciam a transmissão e a
absorção de informação entre os membros da rede?
Como objectivos específicos, esta investigação pretende:
1
Dados do Site oficial da União Européia (março/2010)
4
(1) Caracterizar o perfil das redes seleccionadas: ano de fundação, número de associados,
objectivos, práticas colectivas, resultados.
(2) Caracterizar o perfil das empresas associadas às redes em termos de: porte, tempo de
associação, função desempenhada na rede.
(3) Caracterizar o processo de partilha de informação entre as empresas: tipo de
informações partilhadas, rotinas, recursos tecnológicos e comunicacionais usados.
(4) Verificar a existência de variáveis moderadoras no processo de partilha de informação.
2 REDES INTER-ORGANIZACIONAIS E PARTILHA DE INFORMAÇÃO
A seguir serão apresentados estudos sobre partilha de informação em redes interorganizacionais que serviram de base para o modelo conceptual desta investigação. Por redes inter-organizacionais entende-se uma “forma particular de coordenação das
decisões, de recursos e de actividades”, uma vez que está associada ao aprofundamento da
interdependência entre as empresas (Mazzali e Costa, 1997, p.125).
Por partilha de
informação, entende-se a transmissão e a absorção de mensagens cujo significado seja
compreendido pelo receptor e o mesmo reconheça nele algo novo (Nonaka e Takeuchi, 1995;
Paisley, 1992 apud Lester; Koheler, 2007, p. 19).
2.1 Estudo de Moberg et al. (2002)
Moberg et al (2002) procuraram entender os antecedentes da troca (exchange) de
informação estratégica e operacional entre 248 empresas representantes de cinco indústrias.
Segundo os autores, trata-se do primeiro estudo neste sentido.
A partilha de informação foi medida por meio de duas dimensões: informação
estratégica e informação operacional. Os antecedentes da partilha de informação foram
compostos pelas seguintes dimensões (QUADRO 01):
QUADRO 01- Variáveis testadas como antecedentes da partilha de informação no modelo de
Moberg et al. (2002)
Dimensão
Variáveis
Significado
Relação com a
Qualidade da
Exactidão, oportunidade e formato apropriado.
informação
Informação
Variáveis
Comprometimento
Comprometimento demonstrado pelos altos níveis
organizacionais
com a Tecnologia da hierárquicos em relação às mais novas tecnologias de
Informação
informação em termos de disposição para a mudança e
investimento financeiro.
Tamanho
- Organizações maiores são mais inovadoras, uma vez
organizacional
que devido a disponibilidade de recursos potenciais
5
Variáveis
relacionadas ao
relacionamento
Comprometimento
com a gestão da
Supply Chain
Confiança
Comprometimento
falhas são menos perigosas.
- Organizações maiores podem incentivar ou até exigir,
por meio do poder, inovações tecnológicas nas demais
empresas do modelo.
Comprometimento dos altos níveis hierárquicos com
os princípios da gestão da Supply Chain.
Disposição para confiar em um parceiro de troca.
Quanto maior a confiança, mais fortes as relações e
maior a quantidade de informação trocada
Desejo duradouro de manter uma relação valiosa.
Fonte: Moberg e tal (2002)
Tanto as variáveis dependentes como independentes foram medidas por meio de
escala tipo Likert de sete pontos.
Surpreendentemente, para os autores, os resultados mostraram que apenas as variáveis
qualidade da informação e comprometimento no relacionamento tiveram impacto positivo na
troca de informação estratégica. A ausência de relação significativa de todas as outras
variáveis com a troca de informação operacional e estratégica pode ser explicada, segundo os
autores, como um exagero teórico quanto à importância destas variáveis para aumentar a troca
de informação.
Os autores alertaram para duas limitações do estudo: a análise de confiabilidade que
apresentou baixo coeficiente alfa para as escalas das variáveis dependentes (0,6367 e 0,6331),
e a homogeneidade da amostra referente às respostas válidas: concentração de representantes
de apenas duas indústrias, principalmente de grandes empresas, com respondentes com alto
nível educacional e altos níveis hierárquicos. Os autores sugerem que futuras investigações
incluam gestores intermediários, mais ligados à troca de informações operacionais.
2.2 Estudo de Fritsch e Kauffeld-Monz (2008)
Os autores investigaram os factores que influenciavam a transferência (transfer) de
conhecimento e informação em 16 redes de inovação na Alemanha compostas por empresas
privadas (a maior parte de pequeno e médio porte), universidades, institutos de investigação
privados e públicos.
A amostra contou com mais de 300 organizações, representando uma taxa de resposta de
80%. Para visualizar as relações existentes na rede foi solicitado a cada membro que
informasse o nome dos parceiros mais importantes. As organizações que não responderam ao
6
questionário mas tiveram seus nomes citados por mais de dois parceiros foram mantidas no
estudo.
Os seguintes grupos de variáveis foram testados como possíveis antecedentes para a troca
de informação e conhecimento (QUADRO 02):
QUADRO 02 - Antecedentes da partilha de informação no modelo de Fritsch e Kauffeld-Monz (2008)
Dimensão
Características
da rede como
um todo
Variáveis
Coesão da rede
Heterogeneidade da
rede
Características
do ego de cada
actor da rede
Posição de um
actor da rede
Características
individuais de
um actor
Densidade do laço
do ego
Força do laço do
ego
Actor como
Corretor
Tamanho da
organização
Experiência com
colaboração em
Investigação e
Desenvolvimento
Significado/Medição
Grau de redundância dos relacionamentos dentro da rede.
Haverá 100% de coesão se todos forem directamente
conectados uns com os outros. Número de laços
existentes dividido pelo número de laços possíveis.
Escopo de competências dos membros, tendo em
consideração a tradição Shumpeteriana segundo a qual as
oportunidades de empreender ocorrem por meio da
combinação de recursos e competências diversos. Escala
tipo Likert de 5 pontos
Relação do número de laços com determinado membro
da rede pelo número potencial de laços.
Confiança de um membro da rede em relação a seus
parceiros directos. Escala tipo Likert de 5 pontos
Actor que conecta indirectamente dois outros que não
estão ligados. Quociente entre o número de papéis de
corretagem e o número potencial de laços.
Cinco categorias conforme o número de empregados.(1 a
10; 11 a 50; 51-100; 101 a 250; acima de 250)
Experiência anterior com parceiros externos à empresa, o
que funciona como um treinamento para a empresa na
absorção de informações. Respostas do tipo sim ou não.
Fonte: Fritsch e Kauffeld-Monz (2008)
A troca de informação, variável dependente, foi medida pelas dimensões “informação
transferida” e “informação absorvida”. A primeira entendida como a informação que um
membro da rede transfere aos seus parceiros e a segunda como a informação recebida dos
parceiros.
Os resultados indicaram que os laços fortes e a coesão da rede apresentaram uma relação
positiva com a troca de informação. A posição de corretagem de um actor também mostrou
uma relação positiva com a transferência de informação para os parceiros.
2.3 Estudo de Madlberger (2009)
Madlberger (2009) verificou os antecedentes do comportamento de troca (sharing) de
informação operacional e de troca de informação estratégica em uma suplly chain de
7
fabricantes de bens de consumo na Áustria. A amostra do estudo contou com a participação
de 161 empresas, representando uma taxa de respostas de 8,1%. No modelo, os possíveis
antecedentes foram agrupados em três grupos: factores internos, inter-organizacionais e
econômicos (QUADRO 03).
QUADRO 03 - Antecedentes da partilha de informação no modelo de Madlberger (2009)
Dimensão
Factores internos
Variáveis
Comprometimento da alta
gerência
Política de informação
activa
Factores interorganizacionais
Prontidão técnica interna
Confiança
Relacionamento
enraizado
Poder dos parceiros
Factores
económicos
Prontidão técnica dos
parceiros
Percepção de custos
Percepção de benefícios
Significado
Conhecimento, capacidades, investimentos e
esforços nas mudanças necessárias dentro da
própria empresa e nos parceiros.
Atitudes e comportamentos informacionais que
fazem parte da cultura da organização. Exemplos:
transparência, disposição para partilhar.
Links eletrônicos para troca com parceiros
Crença de que o parceiro agirá de forma favorável
e de que não existirão surpresas negativas.
Foco na colaboração no longo-prazo
Percepção de uma empresa de que ela depende do
parceiro e de que ele pode influenciar suas
decisões internas.
Capacidades tecnológicas dos parceiros.
Maiores custos de transacção, como melhorias e
adaptações em sistemas de informação, esforço
gerencial.
Conforme a teoria dos custos de transação, maior
integração trará consequencias favoráveis como
menores níveis de estoque e crescimento nas
vendas.
Fonte: Madlberger (2009)
A autora ressalta que optou por colocar os factores econômicos separados dos factores
internos, pelo facto de os primeiros exigirem do respondente uma reflexão sobre as
conseqüências do processo de partilha, enquanto os factores internos não exigem este
pensamento a posteriori.
A variável dependente foi denominada “comportamento de partilha de informação” e
foi medida por meio de duas dimensões: comportamento de partilha operacional e
comportamento de partilha estratégica. Os dados revelaram que todos os factores internos apresentaram uma relação positiva
com a troca de informação. O Comprometimento da gerência mostrou impacto na troca de
informação estratégica. No entanto, não houve confirmação do impacto do comprometimento
da alta gerência com troca de informação operacional. Uma possível explicação, segundo a
8
autora, é o facto de que a troca de informações operacionais pode ser feita por gerentes de
departamento, de forma que o comprometimento da alta gerência ganha uma importância
menor. Contudo esta hipótese requer mais investigação empírica.
Também houve confirmação do impacto da política de informação no comportamento
de troca de informação operacional e estratégica. E da prontidão técnica interna para troca de
informações operacionais, mas não para estratégicas. Segundo a autora, isto pode ser
explicado pelas diferenças entre os tipos de informação. Enquanto as informações
operacionais são normalmente padronizadas e formatadas, as estratégicas são menos
estruturadas e portanto menos dependentes de Sistemas Inter-organizacionais.
Nenhuma das variáveis inter-organizacionais teve impacto suportado pelos dados, o
que, segundo a autora, indica a necessidade de mais estudos nesta direcção.
Com relação a percepção de custos e benefícios, apenas o impacto do benefício foi
confirmado na troca de informação, mostrando a importância de que os benefícios sejam
comunicados aos parceiros a fim de se incentivar a partilha de informação.
A autora sublinha a necessidade de mais estudos sobre o tema, considerando ser um
ponto pouco estudado. Para tanto, ela sugere investigações que incluam testem novas
variáveis como antecedentes para a partilha de informação. Também recomenda o uso de
variáveis de controlo como tamanho da firma e papel do respondente. Por fim, sublinha a
importância de que o modelo seja validado em outras indústrias, outros países e redes de
supply chains em diferentes estágios de maturidade.
3 MODELO CONCEPTUAL DA INVESTIGAÇÃO
Para a investigação em questão procurou-se agrupar as variáveis dos três modelos
anteriormente descritos. Tanto as variáveis que tiveram relacionamento positivo como as que
não tiveram foram incluídas no modelo (QUADRO 04). Não é objectivo deste trabalho
comparar os resultados com as investigações anteriores mas utilizá-las para a construção de
um novo modelo ampliado pela agregação de novas variáveis.
QUADRO 04 - Comparação entre os modelos que serviram de base para a presente
investigação
Moberg et. al. (2002)
Fritsch e Kauffeld-Monz (2008)
Qualidade da Informação
Coesão da rede
Comprometimento com a
Tecnologia da Informação
Heterogeneidade da rede
Madlberger (2009)
Comprometimento da
alta gerência
Política de informação
activa
9
Tamanho organizacional
Comprometimento com a
gestão da Supply Chain
Confiança nos parceiros
Densidade do laço do ego
Força do laço do ego
Prontidão técnica interna
Confiança nos parceiros
Actor como corretor
Comprometimento no
relacionamento
Tamanho da organização
Relacionamento
enraizado
Poder dos parceiros
Experiência com colaboração em
Investigação e Desenvolvimento
Prontidão técnica dos
parceiros
Percepção de custos
Percepção de benefícios
Do conjunto de variáveis dos três modelos, tem-se neste estudo:
•
Variáveis agrupadas: as variáveis similares em termos de significado foram
agrupadas pela cor (QUADRO 05).
QUADRO 05 - Variáveis dos modelos agrupadas
•
Cor
Nome da Variável
Azul
Amarelo
Rosa
Verde
Prontidão Técnica Interna
Tamanho da Organização
Confiança
Comprometimento no relacionamento
Variáveis acrescentadas:
Confiança na liderança da rede: num estudo realizado em 2002 com 49 iniciativas de
cooperação induzidas entre pequenas e médias empresas do sector secundário em
Portugal, Moreira e Corvelo (2002 apud Moreira, 2007) encontraram 9 casos de
sucesso e 40 casos de insucesso. Os autores identificaram que do ponto de vista
racional, havia clareza quanto aos motivos para cooperar, aos objectivos desejados e
aos ganhos desta cooperação. No entanto, poucas iniciativas estavam funcionando com
sucesso. Em novo estudo longitudinal com dados de 2002 a 2004, os autores
comprovaram o papel determinante da liderança das redes para o funcionamento e a
sustentabilidade das iniciativas de cooperação.
Densidade, centralidade e coordenação da rede: conforme Human e Provan (1997) os
benefícios que as empresas adquirem por participarem em redes (dentre eles a troca de
informação) dependem do grau de similaridade entre elas e das estruturas de
interacção (densidade e centralidade) e coordenação entre os membros. Considerando
que a primeira variável já está incorporada no modelo (grau de similaridade equivale a
10
heterogeneidade), pretende-se incorporar as demais: densidade, centralidade e
estrutura de coordenação. A densidade, conforme Brito (2001) retrata a relação entre o
número de ligações observados na rede e o número máximo que poderia ocorrer. A
centralização indica a presença de nós específicos que concentram um número grande
de ligações.
•
Variável excluída: a variável em cinza foi excluída por não ser foco desta investigação
apenas redes Supply Chains.
•
Variáveis mantidas: todas as variáveis não coloridas.
Desta forma, o modelo da investigação ficou composto conforme FIGURA 01:
Características da Informação
• Qualidade da informação
H1a
Factores internos
• Prontidão técnica interna
• Tamanho organizacional
• Comprometimento da alta gestão
• Política de informação activa
• Experiência com I&D
H2a
Informação
transmitida
H3a
H4a
H5a
H6a
Factores interorganizacionais
• Prontidão técnica dos parceiros
• Comprometimento
relacionamento
• Poder relativo dos parceiros
• Confiança na liderança da rede
• Confiança nos parceiros
• Heterogeneidade da rede
Estrutura da rede
• Actor como corrector
• Coordenação da rede
• Densidade do laço do ego
• Densidade da rede
• Grau de centralidade
• Coesão da rede
H1b
H2b
Informação
absorvida
H3b
H4b
H5b
H6b
Factores económicos
• Percepção de custos
• Percepção de benefícios
FIGURA 01 - Modelo conceptual proposto
As hipóteses da investigação são:
QUADRO 06 - Resumo das hipóteses
11
H1a,b: as características da informação influenciam positivamente a transmissão e absorção de
informação
H2a,b: os factores internos influenciam positivamente a transmissão e absorção de informação
H3a,b: os factores inter-organizacionais influenciam positivamente a transmissão e absorção de
Informação
H4a,b: a estrutura da rede influencia positivamente a transmissão e absorção de informação
H5a,b: a percepção de custos influencia negativamente a transmissão e absorção de informação
H6a,b: a percepção de benefícios influencia positivamente a transmissão e absorção de informação
4 METODOLOGIA
Esta investigação pretende verificar os factores que influenciam a partilha de
informação em redes inter-organizacionais da perspectiva dos gestores organizacionais.
Pretende-se que o universo da investigação sejam cinco redes de alto desempenho localizadas
em Portugal (QUADRO 07), conforme estudo de Carneiro et. al. (2007).
QUADRO 07: Redes a serem investigadas
Rede
Tipo
Rede dos Lavradores de Feitoria
Cluster dos Moldes
Mota-Engil
Rede ShoeInov
RAVT
Rede de distribuição
Cluster
Rede de produção
Rede de Investigação e Desenvolvimento
Rede de compras
Fonte: Carneiro et al. (2007)
Quanto aos fins, trata-se de uma investigação descritiva uma vez que, segundo Gil
(1996), a investigação descritiva visa descrever as características de determinado fenómeno e
estabelecer possíveis relações entre variáveis. Quanto aos meios será realizada uma
investigação de campo e investigação documental.
A investigação será dividida em três fases: síntese da literatura sobre o assunto, fase
qualitativa e fase quantitativa. A revisão teórica possibilitará o enquadramento do objecto de
estudo dentro do estado da arte. No que se refere especificamente à partilha de informação,
efectuou-se uma pesquisa na base de dados do proquest, usando como palavras-chave:
information sharing, information exchange, information dissemination e information transfer,
entre outras.
A investigação qualitativa visará compreender o processo de partilha de informação e
as variáveis que o influenciam nos contextos inter-organizacionais de uma forma mais
profunda e com liberdade para novas descobertas. Estas informações permitirão aperfeiçoar o
12
desenvolvimento do questionário que será usado na fase quantitativa. Nesta fase a colecta de
dados se dará da seguinte forma.
•
Entrevistas semi-estruturadas com o Gestor de cada rede.
•
Entrevistas semi-estruturadas com Gestores das organizações pertencentes à
rede.
As entrevistas em profundidade ampliam a possibilidade de compreensão do problema
proposto pela riqueza de informações obtida e por favorecer a explicitação da interpretação e
do significado dados pelos envolvidos ao processo. Projecta-se que as entrevistas tenham
duração em torno de 90 minutos e que seja permitido gravá-las. A análise dos dados será feita
por meio da comparação entre o conteúdo das entrevistas e as categorias teóricas previamente
identificadas.
Após a análise dos dados qualitativos pretende-se revisar o modelo teórico proposto,
acrescentado ou eliminando variáveis, bem como revisar o questionário a ser utilizado na fase
seguinte.
Na fase quantitativa, pretende-se realizar um survey electrónico por meio de um
questionário directo e estruturado com questões abertas, questões fechadas e escalas tipo
Likert. O questionário aplicado será composto por cinco blocos principais (QUADRO 08). A
análise dos dados será feita por meio de análise estatística descritiva, bivariada e multivariada.
QUADRO 08: Partes do questionário
Bloco
Tipo de Informação
I
Caracterização do respondente e da empresa
II
Caracterização da participação na rede
III
Caracterização da oferta e absorção da informação
IV
Caracterização das práticas e tecnologias da partilha
V
Factores que influenciam a partilha
Será realizado um pré-teste do questionário com o objectivo de se checar o seu
entendimento por parte dos inquiridos. Para tanto, serão seleccionadas algumas organizações
pertencentes a cada rede. Considerando que parte das respostas será de carácter subjectivo, ou
seja, serão referentes à percepção dos respondentes sobre as questões, pretende-se também ter
13
acesso a dados secundários, como documentos internos de cada rede, visando ampliar o
contexto e o entendimento do fenómeno.
Os dados serão analisados por meio do software SPSS e do software UCINET. Após
a análise dos dados quantitativos objectiva-se identificar as dimensões que se relacionam
positivamente com a partilha de informação em contexto de redes inter-organizacionais, de
forma a verificar a rejeição ou não das hipóteses levantadas.
O quadro abaixo apresenta a sequência das actividades, bem como os prazos e as
acções a serem tomadas em caso de ocorrências fora do planeado.
Atividade
Prazo
Risco
Ação
Finalizar fase do referencial
teórico
Contactar os líderes das
associações para solicitar
permissão para efetuar a
investigação
Março 2011
Janeiro a Março
de 2011
Não
permitirem
investigação
Realizar entrevista com os
líderes e associados – Fase
qualitativa
Abril a Agosto
2011
Analise de dados qualitativos
Abril a Outubro
2011
Atraso na realização das
entrevistas
por
problemas de agenda dos
entrevistados
Adiamento dos prazos
caso houver atrasos nas
entrevistas
Revisão do questionário
Pré-teste do questionário com
5 associados de cada rede
Aplicação do questionário
Novembro 2011
Dezembro 2011 a
Janeiro 2012
Fevereiro a Abril
2012
Poucas respostas ou
atrasos
Baixa taxa de retorno dos
questionários
Analise de dados quantitativos
Maio
a
Novembro 2012
Dezembro 2012
-
Follow
ups
semanais via email
e telefone
-
-
-
Conclusão e revisão final do
trabalho
Entrega do trabalho final e
defesa
a
Já
ter
outras
organizações como
possíveis
investigadas
e
contactá-las
Remarcações com
possibilidade
de
atraso até outubro.
Adiantar
análise
com previsão de
término
em
novembro
Follow up semanal
Janeiro 2013
14
REFERENCIAS
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