Departamento de Ciência e Tecnologia da Informação INCENTIVOS À PARTILHA DE INFORMAÇÃO ENTRE PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS EM REDES DE COOPERAÇÃO Esther Leopoldo Lage Proposta de Investigação Orientador: Doutor Bráulio Alexandre Alturas, professor auxiliar ISCTE-IUL Dezembro de 2010 ÍNDICE 1 INTRODUÇÃO 03 2 REDES INTER-ORGANIZACIONAIS E PARTILHA DE INFORMAÇÃO 05 2.1 Estudo de Moberg et al. (2002) 05 2.2 Estudo de Fritsch e Kauffeld-Monz (2008) 06 2.3 Estudo de Madlberger (2009) 07 3 MODELO CONCEPTUAL DA INVESTIGAÇÃO 09 4 METODOLOGIA 12 REFERÊNCIAS 14 2 1 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como objectivo principal identificar os factores que influenciam a partilha de informação entre pequenas e médias empresas que actuam em rede de cooperação. A literatura revela que as redes de cooperação têm ganho crescente atenção na ciência contemporânea como princípio para explicar o funcionamento do mundo e como arquitectura básica para modelos tecnológicos, sociais e institucionais (Almeida Filho, 2005). Segundo dados de Rifkin (2001 apud Heckert, 2008) de 1989 a 1993, o número de empresas norteamericanas conectadas a algum modelo em formato de rede passou de 10 para 60%. O princípio por trás da organização em rede é aliar à concorrência, a atitude de cooperação, visando ganhos de vantagens competitivas em termos de redução de custos, aprendizagem e inovação. No entanto, para que as redes funcionem, várias interdependências são necessárias, como a identificação de necessidades e restrições comuns, a interacção das estratégias e a partilha de informações (Mazzali e Costa, 1997). Muitos autores sublinham a relevância da partilha de informação no contexto das redes inter-organizacionais: trata-se de requisito essencial para o sucesso das organizações no meio envolvente competitivo, importante pré-requisito para a colaboração entre empresas e antecedente para o aumento da produtividade e a satisfação do consumidor (Perçim, 2008; Fawcet, Wallin, Allred, 2009; Madlberger, 2009); é ao mesmo tempo um objectivo e uma vantagem da participação em rede (Mu, Love e Peng, 2008); favorece a performance de uma supply chain, especialmente no quesito flexibilidade (Sezen, 2008). Apesar da importância do assunto, novas investigações são recomendadas. Moberg et al. (2002) e Madlberger (2009) destacam que a maior parte das investigações tende a tratar a partilha de informação como um componente da integração entre as empresas, sem focarem a variável individualmente. Além disto, Madlberger (2009) destaca o facto de se tratar de um assunto interdisciplinar, o que tornam necessários estudos mais amplos, que dêem maior ênfase aos aspectos desfavoráveis relacionados à partilha e informação ou que investiguem a existência de variáveis moderadoras. Fawcet, Wallin e Allred (2009) sublinham que os estudos anteriores sobre trocas de informação em redes, especificamente referentes a supply chain, focam apenas os aspectos tecnológicos, tomando como certos que as empresas envolvidas estão pré-dispostas a partilharem informação. 3 Um conhecimento mais amplo sobre o assunto também trará benefícios para a gestão das organizações, uma vez que o entendimento de como e porquê os parceiros se envolvem em actividades de troca de informação possibilitará às empresas a proposição de políticas, incentivos e mecanismos apropriados para que o processo aconteça (Madlberger, 2009). Isto favorece o processo de articulação e coordenação entre as organizações envolvidas em redes, bem como a aprendizagem e a construção de vantagens competitivas sustentáveis. Ademais, como se trata de um campo de investigação florescente, muita energia pode estar sendo gasta na criação e administração de redes por desconhecimento ou mal uso do conhecimento científico (Almeida Filho, 2005). O foco desta investigação em redes de pequenas e médias (PME) empresas justifica-se pela crescente importância que as mesmas vêm adquirindo como agentes de inovação e criação de empregos no contexto da especialização flexível (La Rovere, 1999; Castells, 2002). Na União Européia1 são 20 milhões de pequenas e médias empresas, que empregam dois terços dos trabalhadores e constituem 99% do total das empresas. A partir deste contexto, o interesse da presente investigação recai sobre a identificação das variáveis que antecedem a partilha de informação entre pequenas e médias empresas relacionadas em rede de cooperação. Para tanto, pretende-se responder as seguintes questões: (1) Aspectos relacionados à características da informação influenciam a transmissão e a absorção de informação entre os membros da rede? (2) Aspectos relacionados à características internas das organizações influenciam a transmissão e a absorção de informação entre os membros da rede? (3) Aspectos relacionados às características do relacionamento inter-organizacional influenciam a transmissão e a absorção de informação entre os membros da rede? (4) Aspectos relacionados à estrutura da rede influenciam a transmissão e a absorção de informação entre os membros da rede? (5) Aspectos relacionados aos custos e benefícios influenciam a transmissão e a absorção de informação entre os membros da rede? Como objectivos específicos, esta investigação pretende: 1 Dados do Site oficial da União Européia (março/2010) 4 (1) Caracterizar o perfil das redes seleccionadas: ano de fundação, número de associados, objectivos, práticas colectivas, resultados. (2) Caracterizar o perfil das empresas associadas às redes em termos de: porte, tempo de associação, função desempenhada na rede. (3) Caracterizar o processo de partilha de informação entre as empresas: tipo de informações partilhadas, rotinas, recursos tecnológicos e comunicacionais usados. (4) Verificar a existência de variáveis moderadoras no processo de partilha de informação. 2 REDES INTER-ORGANIZACIONAIS E PARTILHA DE INFORMAÇÃO A seguir serão apresentados estudos sobre partilha de informação em redes interorganizacionais que serviram de base para o modelo conceptual desta investigação. Por redes inter-organizacionais entende-se uma “forma particular de coordenação das decisões, de recursos e de actividades”, uma vez que está associada ao aprofundamento da interdependência entre as empresas (Mazzali e Costa, 1997, p.125). Por partilha de informação, entende-se a transmissão e a absorção de mensagens cujo significado seja compreendido pelo receptor e o mesmo reconheça nele algo novo (Nonaka e Takeuchi, 1995; Paisley, 1992 apud Lester; Koheler, 2007, p. 19). 2.1 Estudo de Moberg et al. (2002) Moberg et al (2002) procuraram entender os antecedentes da troca (exchange) de informação estratégica e operacional entre 248 empresas representantes de cinco indústrias. Segundo os autores, trata-se do primeiro estudo neste sentido. A partilha de informação foi medida por meio de duas dimensões: informação estratégica e informação operacional. Os antecedentes da partilha de informação foram compostos pelas seguintes dimensões (QUADRO 01): QUADRO 01- Variáveis testadas como antecedentes da partilha de informação no modelo de Moberg et al. (2002) Dimensão Variáveis Significado Relação com a Qualidade da Exactidão, oportunidade e formato apropriado. informação Informação Variáveis Comprometimento Comprometimento demonstrado pelos altos níveis organizacionais com a Tecnologia da hierárquicos em relação às mais novas tecnologias de Informação informação em termos de disposição para a mudança e investimento financeiro. Tamanho - Organizações maiores são mais inovadoras, uma vez organizacional que devido a disponibilidade de recursos potenciais 5 Variáveis relacionadas ao relacionamento Comprometimento com a gestão da Supply Chain Confiança Comprometimento falhas são menos perigosas. - Organizações maiores podem incentivar ou até exigir, por meio do poder, inovações tecnológicas nas demais empresas do modelo. Comprometimento dos altos níveis hierárquicos com os princípios da gestão da Supply Chain. Disposição para confiar em um parceiro de troca. Quanto maior a confiança, mais fortes as relações e maior a quantidade de informação trocada Desejo duradouro de manter uma relação valiosa. Fonte: Moberg e tal (2002) Tanto as variáveis dependentes como independentes foram medidas por meio de escala tipo Likert de sete pontos. Surpreendentemente, para os autores, os resultados mostraram que apenas as variáveis qualidade da informação e comprometimento no relacionamento tiveram impacto positivo na troca de informação estratégica. A ausência de relação significativa de todas as outras variáveis com a troca de informação operacional e estratégica pode ser explicada, segundo os autores, como um exagero teórico quanto à importância destas variáveis para aumentar a troca de informação. Os autores alertaram para duas limitações do estudo: a análise de confiabilidade que apresentou baixo coeficiente alfa para as escalas das variáveis dependentes (0,6367 e 0,6331), e a homogeneidade da amostra referente às respostas válidas: concentração de representantes de apenas duas indústrias, principalmente de grandes empresas, com respondentes com alto nível educacional e altos níveis hierárquicos. Os autores sugerem que futuras investigações incluam gestores intermediários, mais ligados à troca de informações operacionais. 2.2 Estudo de Fritsch e Kauffeld-Monz (2008) Os autores investigaram os factores que influenciavam a transferência (transfer) de conhecimento e informação em 16 redes de inovação na Alemanha compostas por empresas privadas (a maior parte de pequeno e médio porte), universidades, institutos de investigação privados e públicos. A amostra contou com mais de 300 organizações, representando uma taxa de resposta de 80%. Para visualizar as relações existentes na rede foi solicitado a cada membro que informasse o nome dos parceiros mais importantes. As organizações que não responderam ao 6 questionário mas tiveram seus nomes citados por mais de dois parceiros foram mantidas no estudo. Os seguintes grupos de variáveis foram testados como possíveis antecedentes para a troca de informação e conhecimento (QUADRO 02): QUADRO 02 - Antecedentes da partilha de informação no modelo de Fritsch e Kauffeld-Monz (2008) Dimensão Características da rede como um todo Variáveis Coesão da rede Heterogeneidade da rede Características do ego de cada actor da rede Posição de um actor da rede Características individuais de um actor Densidade do laço do ego Força do laço do ego Actor como Corretor Tamanho da organização Experiência com colaboração em Investigação e Desenvolvimento Significado/Medição Grau de redundância dos relacionamentos dentro da rede. Haverá 100% de coesão se todos forem directamente conectados uns com os outros. Número de laços existentes dividido pelo número de laços possíveis. Escopo de competências dos membros, tendo em consideração a tradição Shumpeteriana segundo a qual as oportunidades de empreender ocorrem por meio da combinação de recursos e competências diversos. Escala tipo Likert de 5 pontos Relação do número de laços com determinado membro da rede pelo número potencial de laços. Confiança de um membro da rede em relação a seus parceiros directos. Escala tipo Likert de 5 pontos Actor que conecta indirectamente dois outros que não estão ligados. Quociente entre o número de papéis de corretagem e o número potencial de laços. Cinco categorias conforme o número de empregados.(1 a 10; 11 a 50; 51-100; 101 a 250; acima de 250) Experiência anterior com parceiros externos à empresa, o que funciona como um treinamento para a empresa na absorção de informações. Respostas do tipo sim ou não. Fonte: Fritsch e Kauffeld-Monz (2008) A troca de informação, variável dependente, foi medida pelas dimensões “informação transferida” e “informação absorvida”. A primeira entendida como a informação que um membro da rede transfere aos seus parceiros e a segunda como a informação recebida dos parceiros. Os resultados indicaram que os laços fortes e a coesão da rede apresentaram uma relação positiva com a troca de informação. A posição de corretagem de um actor também mostrou uma relação positiva com a transferência de informação para os parceiros. 2.3 Estudo de Madlberger (2009) Madlberger (2009) verificou os antecedentes do comportamento de troca (sharing) de informação operacional e de troca de informação estratégica em uma suplly chain de 7 fabricantes de bens de consumo na Áustria. A amostra do estudo contou com a participação de 161 empresas, representando uma taxa de respostas de 8,1%. No modelo, os possíveis antecedentes foram agrupados em três grupos: factores internos, inter-organizacionais e econômicos (QUADRO 03). QUADRO 03 - Antecedentes da partilha de informação no modelo de Madlberger (2009) Dimensão Factores internos Variáveis Comprometimento da alta gerência Política de informação activa Factores interorganizacionais Prontidão técnica interna Confiança Relacionamento enraizado Poder dos parceiros Factores económicos Prontidão técnica dos parceiros Percepção de custos Percepção de benefícios Significado Conhecimento, capacidades, investimentos e esforços nas mudanças necessárias dentro da própria empresa e nos parceiros. Atitudes e comportamentos informacionais que fazem parte da cultura da organização. Exemplos: transparência, disposição para partilhar. Links eletrônicos para troca com parceiros Crença de que o parceiro agirá de forma favorável e de que não existirão surpresas negativas. Foco na colaboração no longo-prazo Percepção de uma empresa de que ela depende do parceiro e de que ele pode influenciar suas decisões internas. Capacidades tecnológicas dos parceiros. Maiores custos de transacção, como melhorias e adaptações em sistemas de informação, esforço gerencial. Conforme a teoria dos custos de transação, maior integração trará consequencias favoráveis como menores níveis de estoque e crescimento nas vendas. Fonte: Madlberger (2009) A autora ressalta que optou por colocar os factores econômicos separados dos factores internos, pelo facto de os primeiros exigirem do respondente uma reflexão sobre as conseqüências do processo de partilha, enquanto os factores internos não exigem este pensamento a posteriori. A variável dependente foi denominada “comportamento de partilha de informação” e foi medida por meio de duas dimensões: comportamento de partilha operacional e comportamento de partilha estratégica. Os dados revelaram que todos os factores internos apresentaram uma relação positiva com a troca de informação. O Comprometimento da gerência mostrou impacto na troca de informação estratégica. No entanto, não houve confirmação do impacto do comprometimento da alta gerência com troca de informação operacional. Uma possível explicação, segundo a 8 autora, é o facto de que a troca de informações operacionais pode ser feita por gerentes de departamento, de forma que o comprometimento da alta gerência ganha uma importância menor. Contudo esta hipótese requer mais investigação empírica. Também houve confirmação do impacto da política de informação no comportamento de troca de informação operacional e estratégica. E da prontidão técnica interna para troca de informações operacionais, mas não para estratégicas. Segundo a autora, isto pode ser explicado pelas diferenças entre os tipos de informação. Enquanto as informações operacionais são normalmente padronizadas e formatadas, as estratégicas são menos estruturadas e portanto menos dependentes de Sistemas Inter-organizacionais. Nenhuma das variáveis inter-organizacionais teve impacto suportado pelos dados, o que, segundo a autora, indica a necessidade de mais estudos nesta direcção. Com relação a percepção de custos e benefícios, apenas o impacto do benefício foi confirmado na troca de informação, mostrando a importância de que os benefícios sejam comunicados aos parceiros a fim de se incentivar a partilha de informação. A autora sublinha a necessidade de mais estudos sobre o tema, considerando ser um ponto pouco estudado. Para tanto, ela sugere investigações que incluam testem novas variáveis como antecedentes para a partilha de informação. Também recomenda o uso de variáveis de controlo como tamanho da firma e papel do respondente. Por fim, sublinha a importância de que o modelo seja validado em outras indústrias, outros países e redes de supply chains em diferentes estágios de maturidade. 3 MODELO CONCEPTUAL DA INVESTIGAÇÃO Para a investigação em questão procurou-se agrupar as variáveis dos três modelos anteriormente descritos. Tanto as variáveis que tiveram relacionamento positivo como as que não tiveram foram incluídas no modelo (QUADRO 04). Não é objectivo deste trabalho comparar os resultados com as investigações anteriores mas utilizá-las para a construção de um novo modelo ampliado pela agregação de novas variáveis. QUADRO 04 - Comparação entre os modelos que serviram de base para a presente investigação Moberg et. al. (2002) Fritsch e Kauffeld-Monz (2008) Qualidade da Informação Coesão da rede Comprometimento com a Tecnologia da Informação Heterogeneidade da rede Madlberger (2009) Comprometimento da alta gerência Política de informação activa 9 Tamanho organizacional Comprometimento com a gestão da Supply Chain Confiança nos parceiros Densidade do laço do ego Força do laço do ego Prontidão técnica interna Confiança nos parceiros Actor como corretor Comprometimento no relacionamento Tamanho da organização Relacionamento enraizado Poder dos parceiros Experiência com colaboração em Investigação e Desenvolvimento Prontidão técnica dos parceiros Percepção de custos Percepção de benefícios Do conjunto de variáveis dos três modelos, tem-se neste estudo: • Variáveis agrupadas: as variáveis similares em termos de significado foram agrupadas pela cor (QUADRO 05). QUADRO 05 - Variáveis dos modelos agrupadas • Cor Nome da Variável Azul Amarelo Rosa Verde Prontidão Técnica Interna Tamanho da Organização Confiança Comprometimento no relacionamento Variáveis acrescentadas: Confiança na liderança da rede: num estudo realizado em 2002 com 49 iniciativas de cooperação induzidas entre pequenas e médias empresas do sector secundário em Portugal, Moreira e Corvelo (2002 apud Moreira, 2007) encontraram 9 casos de sucesso e 40 casos de insucesso. Os autores identificaram que do ponto de vista racional, havia clareza quanto aos motivos para cooperar, aos objectivos desejados e aos ganhos desta cooperação. No entanto, poucas iniciativas estavam funcionando com sucesso. Em novo estudo longitudinal com dados de 2002 a 2004, os autores comprovaram o papel determinante da liderança das redes para o funcionamento e a sustentabilidade das iniciativas de cooperação. Densidade, centralidade e coordenação da rede: conforme Human e Provan (1997) os benefícios que as empresas adquirem por participarem em redes (dentre eles a troca de informação) dependem do grau de similaridade entre elas e das estruturas de interacção (densidade e centralidade) e coordenação entre os membros. Considerando que a primeira variável já está incorporada no modelo (grau de similaridade equivale a 10 heterogeneidade), pretende-se incorporar as demais: densidade, centralidade e estrutura de coordenação. A densidade, conforme Brito (2001) retrata a relação entre o número de ligações observados na rede e o número máximo que poderia ocorrer. A centralização indica a presença de nós específicos que concentram um número grande de ligações. • Variável excluída: a variável em cinza foi excluída por não ser foco desta investigação apenas redes Supply Chains. • Variáveis mantidas: todas as variáveis não coloridas. Desta forma, o modelo da investigação ficou composto conforme FIGURA 01: Características da Informação • Qualidade da informação H1a Factores internos • Prontidão técnica interna • Tamanho organizacional • Comprometimento da alta gestão • Política de informação activa • Experiência com I&D H2a Informação transmitida H3a H4a H5a H6a Factores interorganizacionais • Prontidão técnica dos parceiros • Comprometimento relacionamento • Poder relativo dos parceiros • Confiança na liderança da rede • Confiança nos parceiros • Heterogeneidade da rede Estrutura da rede • Actor como corrector • Coordenação da rede • Densidade do laço do ego • Densidade da rede • Grau de centralidade • Coesão da rede H1b H2b Informação absorvida H3b H4b H5b H6b Factores económicos • Percepção de custos • Percepção de benefícios FIGURA 01 - Modelo conceptual proposto As hipóteses da investigação são: QUADRO 06 - Resumo das hipóteses 11 H1a,b: as características da informação influenciam positivamente a transmissão e absorção de informação H2a,b: os factores internos influenciam positivamente a transmissão e absorção de informação H3a,b: os factores inter-organizacionais influenciam positivamente a transmissão e absorção de Informação H4a,b: a estrutura da rede influencia positivamente a transmissão e absorção de informação H5a,b: a percepção de custos influencia negativamente a transmissão e absorção de informação H6a,b: a percepção de benefícios influencia positivamente a transmissão e absorção de informação 4 METODOLOGIA Esta investigação pretende verificar os factores que influenciam a partilha de informação em redes inter-organizacionais da perspectiva dos gestores organizacionais. Pretende-se que o universo da investigação sejam cinco redes de alto desempenho localizadas em Portugal (QUADRO 07), conforme estudo de Carneiro et. al. (2007). QUADRO 07: Redes a serem investigadas Rede Tipo Rede dos Lavradores de Feitoria Cluster dos Moldes Mota-Engil Rede ShoeInov RAVT Rede de distribuição Cluster Rede de produção Rede de Investigação e Desenvolvimento Rede de compras Fonte: Carneiro et al. (2007) Quanto aos fins, trata-se de uma investigação descritiva uma vez que, segundo Gil (1996), a investigação descritiva visa descrever as características de determinado fenómeno e estabelecer possíveis relações entre variáveis. Quanto aos meios será realizada uma investigação de campo e investigação documental. A investigação será dividida em três fases: síntese da literatura sobre o assunto, fase qualitativa e fase quantitativa. A revisão teórica possibilitará o enquadramento do objecto de estudo dentro do estado da arte. No que se refere especificamente à partilha de informação, efectuou-se uma pesquisa na base de dados do proquest, usando como palavras-chave: information sharing, information exchange, information dissemination e information transfer, entre outras. A investigação qualitativa visará compreender o processo de partilha de informação e as variáveis que o influenciam nos contextos inter-organizacionais de uma forma mais profunda e com liberdade para novas descobertas. Estas informações permitirão aperfeiçoar o 12 desenvolvimento do questionário que será usado na fase quantitativa. Nesta fase a colecta de dados se dará da seguinte forma. • Entrevistas semi-estruturadas com o Gestor de cada rede. • Entrevistas semi-estruturadas com Gestores das organizações pertencentes à rede. As entrevistas em profundidade ampliam a possibilidade de compreensão do problema proposto pela riqueza de informações obtida e por favorecer a explicitação da interpretação e do significado dados pelos envolvidos ao processo. Projecta-se que as entrevistas tenham duração em torno de 90 minutos e que seja permitido gravá-las. A análise dos dados será feita por meio da comparação entre o conteúdo das entrevistas e as categorias teóricas previamente identificadas. Após a análise dos dados qualitativos pretende-se revisar o modelo teórico proposto, acrescentado ou eliminando variáveis, bem como revisar o questionário a ser utilizado na fase seguinte. Na fase quantitativa, pretende-se realizar um survey electrónico por meio de um questionário directo e estruturado com questões abertas, questões fechadas e escalas tipo Likert. O questionário aplicado será composto por cinco blocos principais (QUADRO 08). A análise dos dados será feita por meio de análise estatística descritiva, bivariada e multivariada. QUADRO 08: Partes do questionário Bloco Tipo de Informação I Caracterização do respondente e da empresa II Caracterização da participação na rede III Caracterização da oferta e absorção da informação IV Caracterização das práticas e tecnologias da partilha V Factores que influenciam a partilha Será realizado um pré-teste do questionário com o objectivo de se checar o seu entendimento por parte dos inquiridos. Para tanto, serão seleccionadas algumas organizações pertencentes a cada rede. Considerando que parte das respostas será de carácter subjectivo, ou seja, serão referentes à percepção dos respondentes sobre as questões, pretende-se também ter 13 acesso a dados secundários, como documentos internos de cada rede, visando ampliar o contexto e o entendimento do fenómeno. Os dados serão analisados por meio do software SPSS e do software UCINET. Após a análise dos dados quantitativos objectiva-se identificar as dimensões que se relacionam positivamente com a partilha de informação em contexto de redes inter-organizacionais, de forma a verificar a rejeição ou não das hipóteses levantadas. O quadro abaixo apresenta a sequência das actividades, bem como os prazos e as acções a serem tomadas em caso de ocorrências fora do planeado. Atividade Prazo Risco Ação Finalizar fase do referencial teórico Contactar os líderes das associações para solicitar permissão para efetuar a investigação Março 2011 Janeiro a Março de 2011 Não permitirem investigação Realizar entrevista com os líderes e associados – Fase qualitativa Abril a Agosto 2011 Analise de dados qualitativos Abril a Outubro 2011 Atraso na realização das entrevistas por problemas de agenda dos entrevistados Adiamento dos prazos caso houver atrasos nas entrevistas Revisão do questionário Pré-teste do questionário com 5 associados de cada rede Aplicação do questionário Novembro 2011 Dezembro 2011 a Janeiro 2012 Fevereiro a Abril 2012 Poucas respostas ou atrasos Baixa taxa de retorno dos questionários Analise de dados quantitativos Maio a Novembro 2012 Dezembro 2012 - Follow ups semanais via email e telefone - - - Conclusão e revisão final do trabalho Entrega do trabalho final e defesa a Já ter outras organizações como possíveis investigadas e contactá-las Remarcações com possibilidade de atraso até outubro. Adiantar análise com previsão de término em novembro Follow up semanal Janeiro 2013 14 REFERENCIAS ALMEIDA FILHO, N. Apresentação. In.: TEIXEIRA F. (org.) Gestão de Redes de Cooperação Interempresariais.Salvador: Casa da qualidade, 2005 BRITTO, J. Elementos estruturais e conformação interna das redes de empresas: desdobramentos metodológicos, analíticos e empíricos. 2001. Disponível em: WWW.race.nuca.ie.ufrj.br/sep/eventos:enc2002/m24-britto.doc. Acesso em : 20 set. 2002 CARNEIRO, L.; SOARES, A.L.; PATRÍCIO, R.; ALVES, A.; MADUREIRA, R.; SOUSA, J.P. Redes colaborativas de elevado desempenho no norte de Portugal. Acesso em: http://redescolaborativas.org/. Disponível em: 26 nov. 2010 CASTELLS, M. A era da informação: economia, sociedade e cultura: A sociedade em rede (vol. 1). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002. FAWCETT, S.E.; WALLIN, C.; ALLRED, C.; Supply chain information-sharing: benchmarking a proven path. Benchmarking: an international journal. Vol. 16. N.2. 2009. P.222-246 FRITSCH, M.; KAUFFELD-MONZ, M. The impact of network structure on knowledge transfer: an application of social network analysis in the context of regional innovation networks. Disponível em: < http://www.wiwi.uni-jena.de/uiw/publications/pub_since_2007.html>. Acesso em: 20 abr 2010 GIL, A.C. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3. Ed. São Paulo: Atlas, 1996 HECKERT, C. Condições favoráveis à transferência de conhecimento. Tese apresentada a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2008 HUMAN, S.E. PROVAN, K.G. An emergent theory of structure and outcomes in small-firm strategic manufacturing networks. Academy of Management Journal; Apr 1997; 40, 2; ABI/INFORM Global.pg. 368 LA ROVERE, R.L. As pequenas e médias empresas na economia do conhecimento: Implicações para políticas de inovação. In: LASTRES, H.M.; ALBAGLI, S. (ORG.). Informação e Globalização na era do conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1999 LESTER, J.; KOEHLER, W. Fundamentals of information studies. 2 ed. Neal-Schuman Publishers: New York, 2007 MADLBERGER, M. What drives Firms to Engage in Interorganizational Information Sharing in Supply Chain Management? International Journal of e-Collaboration, 5(2), 18-42, April-June 2009 19 MAZZALI, L.; COSTA, V.M.H.M. As formas de organização “em rede”: configuração e instrumento de análise da dinâmica industrial recente. Revista de Economia Política. Vol. 17. N. 4. Out/dez 1997 MOBERG, C.R.; CUTLER, B.D.; GROSS, A.; SPEH, T.H. Identifying antecedents of information exchange within supply chains. International Journal of Physical Distribution & Logistics Management; 2002; 32, 9/10; pg. 755 MU, Jifeng; LOVE, Edwin; PENG, Gang. Interfirm networks, social capital, and knowledge flow. In.: Journal of Knowledge Management. Kempston: 2008. Vol. 12, Iss. 4; pg. 86 NONAKA, I e TAKEUCHI, H. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinamica da inovacao. Rio de Janeiro: Campus, 1997. 358 p. PERÇIN,S. Use of fuzzy AHP for evaluaing the benefits of information-sharing decisions in a supply chain. Journal of Enterprise Information Management. Vol. 21. N.3. 2008. P. 263-284 SEZEN, B. Relative effects of design, integration and information sharing on supply chain performance. Supply Chain Management: An International Journal. 2008. 233-240 15