ANAIS INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE PARA A ATIVIDIDADE TURÍSTICA: UMA PROPOSTA DE CRITÉRIOS DE ANÁLISE PARA O SEU MONITORAMENTO VERONICA MACARIO DE OLIVEIRA ( [email protected] ) UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE/ UNIDADE ACADÊMICA DE ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE GESINALDO ATAÍDE CÂNDIDO ( [email protected] ) UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE/UNIDADE ACADÊMICA DE ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE CARLA REGINA PASA GÓMEZ ( [email protected] ) UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO/PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Resumo O turismo tem adquirido importância nos debates atuais sobre desenvolvimento sustentável, considerando a sua capacidade de organizar sociedades inteiras e de condicionar o (re)ordenamento de territórios para sua realização. O objetivo deste artigo é propor um conjunto de critérios de análise para monitoramento da sustentabilidade da atividade turística, a partir da incorporação de indicadores de sustentabilidade na abordagem proposta por KleinVielhauer (2009), realizando um ensaio teórico. Os resultados incorporam os indicadores identificados nas três dimensões de análise da sustentabilidade do turismo (garantia da existência humana; manutenção do potencial produtivo da sociedade; preservação do desenvolvimento e opções de vida) e define os critérios de análise para cada indicador. Palavras-chave: Desenvolvimento, Indicadores de Sustentabilidade, Turismo 1. Introdução O atual ambiente de negócios está modificando os modelos de gestão das diversas atividades econômicas. A crise ambiental desencadeada a partir da década de 1970 trouxe à tona as discussões em torno da necessidade de um desenvolvimento sustentável e a base de suas alegações são os princípios de equidade e equilíbrio que contemplem principalmente as dimensões econômica, social e ambiental. A emergência das questões ambientais impõe desafios que devem ser superados para que as diversas atividades possam obter condições de sobrevivência em um contexto instável e turbulento. As atividades econômicas que causam maior impacto ao meio ambiente são, geralmente, as que mais sofrem pressões para implantar ações que minimizem os seus impactos relacionados aos aspectos ambientais da atividade. O turismo é um exemplo de atividade econômica que têm adquirido importância dentro desse contexto. Phillipi Jr e Ruschmann (2010) afirmam que o turismo e suas atividades vem ocupando um espaço cada vez maior na agenda da sociedade em termos sociais, econômicos e ambientais, com reflexos profundos no ambiente de negócios, no lazer e na dinâmica de regiões. Portanto, o planejamento das atividades turísticas no contexto atual deve ser alicerçado em princípios que tragam viabilidade econômica, justiça social e equilíbrio ambiental a todo o conjunto de ações e atividades relacionadas ao turismo. Com base nessa premissa, constata-se que planejar o turismo de forma sustentável é a maneira mais eficaz de evitar a ocorrência de danos irreversíveis aos meios turísticos, de minimizar os custos sociais, econômicos e ambientais 1/15 ANAIS que afetam os moradores das localidades e de otimizar os benefícios do desenvolvimento turístico (RUSCHMANN, 1997). Segundo Pires (2002), o conceito de turismo sustentável fundamenta-se no princípio de sustentabilidade que advém do conceito de desenvolvimento sustentável da Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), de modo que implica na necessidade de se conservar os recursos para que as futuras gerações possam utilizá-los da mesma maneira que as gerações atuais. Desta forma, é necessário dispor de mecanismos que possibilite investigar e avaliar a sustentabilidade das atividades de turismo e lazer. O foco de investigação são os projetos de desenvolvimento turísticos, os destinos e as empresas que prestam serviço ao setor, de modo que seja possível identificar as ações necessárias para influenciar os “produtores”, do lado da oferta, e “consumidores”, do lado da demanda, no intuito de se alcançar efetivamente o turismo sustentável, de acordo com a visão do desenvolvimento sustentável. Essas investigações devem possibilitar o monitoramento das situações de sustentabilidade do turismo e deduzir possíveis medidas futuras para uma área definida a partir de insights sobre as experiências vivenciadas e registradas na área de investigação e as decisões influenciadas por elas. Nesse sentido, Klein-Vielhauer (2009) propôs um framework para avaliação da sustentabilidade do turismo a partir do conceito de sustentabilidade integrada existente, que inclui três objetivos gerais de sustentabilidade: garantia da existência humana, manutenção do potencial produtivo da sociedade e preservação do desenvolvimento e opções de vida. Esta ferramenta de avaliação apresenta as regras do conceito de sustentabilidade integrada, inseridas nos três objetivoss, e está relacionada ao conteúdo qualitativo do monitoramento da sustentabilidade da atividade turística em seu escopo global, embora os dados quantitativos adequados devem ser usados. Este modelo foi escolhido para realização deste trabalho porque é flexível e permite adaptações para qualquer tipo de destino turístico. Assim, este artigo tem como objetivo propor um conjunto de critérios de análise para monitoramento da sustentabilidade da atividade turística, a partir da incorporação de indicadores de sustentabilidade de turismo na abordagem proposta por Klein-Vielhauer (2009). No que se refere aos procedimentos metodológicos, realizou-se um estudo bibliográfico, que permitiu identificar um conjunto de indicadores para destinos turísticos, abordados em alguns sistemas de indicadores de sustentabilidade de turismo, os quais foram incorporados dentro de cada objetivo geral de sustentabilidade, considerados neste estudo como Dimensões de Análise da Sustentabilidade do Turismo, assim como foram descritos os critérios de análise de cada indicador, a partir das definições contidas nos diversos sistemas de indicadores pesquisados. Em termos estruturais, além destas considerações iniciais, este artigo apresenta na Seção 2 o referencial teórico que aborda as questões relacionadas ao Turismo, Meio Ambiente e Sustentabilidade, os Indicadores de Sustentabilidade do Turismo e o modelo proposto por Klein-Vielhauer (2009). Na Seção 3 é apresentada a proposta de um conjunto de indicadores para avaliar a sustentabilidade do turismo, inseridos nas três dimensões e, por fim, tem-se as considerações finais dos autores. 2. Turismo, Meio Ambiente e Sustentabilidade O turismo é um fenômeno em expansão no mundo, a cada ano que se passa é maior o número de viajantes e o volume de recursos financeiros que a atividade movimenta. São mais de 800 milhões de chegadas internacionais anuais em todo o mundo, que geram receita total ultrapassando 800 bilhões de dólares norte-americanos por ano, incluindo os gastos com os transportes de passageiros (OMT, 2006). Entretanto, Cruz (2000) ressalta que a importância do turismo reside menos nas estatísticas que mostram, parcialmente, seu significado e mais na 2/15 ANAIS sua incontestável capacidade de organizar sociedades inteiras e de condicionar o (re)ordenamento de territórios para a sua realização. Essa capacidade pode ter impactos positivos ou negativos para os destinos turísticos, dependendo da qualidade de planejamento que for implementado, o qual deverá contemplar as múltiplas dimensões que estão inseridas no desenvolvimento turístico. O turismo, ao longo de toda história, de certa forma teve impacto sobre tudo e todos os que estiveram em contato com ele. Idealmente, esses impactos deveriam ter sido positivos, significando para o destino turístico resultados tais como melhorias nas condições econômicas, promoção social e cultural e a proteção dos recursos ambientais. Os estudos iniciais sobre os impactos do turismo deram ênfase aos aspectos econômicos, considerando a sua facilidade em ser mensurado e quantificado e supondo que a renda gerada pelo turismo poderia compensar as suas eventuais consequências negativas. Entretanto, a ênfase exagerada sobre os benefícios econômicos frequentemente levou a consequências físicas e sociais adversas (THEOBALD, 2001). Nessa mesma linha, Pires (2010) destaca que os impactos ambientais que o turismo pode causar são reconhecidamente amplos e multifacetados, podendo ser considerados pelos efeitos adversos ou pelos efeitos benéficos que desencadeiam a partir da implantação e do funcionamento da infra-estrutura (das facilidades e dos equipamentos turísticos e recreativos) e, com eles, dos fluxos e da permanência dos visitantes nas localidades e destinos turísticos. Segundo o autor, os efeitos benéficos do turismo para o meio ambiente surgem ao considerar que o turismo baseia-se no aproveitamento e na fruição do patrimônio natural e cultural e, portanto, tem-se uma condição privilegiada para que haja um interesse na sua proteção por parte dos protagonistas dessa atividade, além de assumir um importante papel no aumento da consciência ambiental e na educação para o consumo sustentável a partir de sua ampla rede de distribuição de serviços e prover incentivos econômicos para a proteção de habitats naturais que sofrem pressão de uso ecologicamente insustentáveis. Por outro lado, os efeitos adversos advêm da natureza da atividade turística, que é uma grande consumidora de combustíveis, eletricidade, alimentos e outros recursos da água e da terra, gerando significativas quantidades de lixo e emissões de poluentes. Os impactos ambientais negativos podem incidir sobre o ambiente natural e seus componentes básicos, bem como sobre o ambiente construído pelo homem e podem ser de natureza direta (causados pela presença de turistas, suas atividades e comportamentos) ou indireta (decorrentes da implantação da infra-estrutura para servir ao turismo) (CEBALLOS-LASCURÁIN, 1996; UNEP, 2002, apud PIRES, 2010). Desse modo, é importante incorporar, de forma equilibrada e equitativa, as dimensões social, ambiental, econômica e cultural nas análises sobre o desenvolvimento turístico. Para Santos e Teixeira (2008), o turismo constitui-se uma oportunidade para o desenvolvimento sustentável à medida que potencializa as chamadas vocações regionais, promove a utilização de recursos naturais e culturais, dinamiza e integra setores da economia local e regional. Davidson (2001) afirma que o turismo é um fenômeno socioeconômico que atua tanto como força motriz do progresso econômico como força social, portanto, deve considerado em um contexto mais amplo. Corroborando com os posicionamentos expostos, Eber (apud BRAMWELL, 2001) propõe que o turismo, para contribuir para o desenvolvimento sustentável, deve operar dentro das capacidades naturais para a regeneração e futura produtividade dos recursos naturais, reconhecer as contribuições que as pessoas, comunidades e costumes e estilos de vida fazem para a experiência turística, aceitar que essas pessoas devam ter uma parte equitativa nos benefícios econômicos do turismo e ser dirigido pelos anseios do povo e das comunidades locais nas áreas de hospedagem. 3/15 ANAIS Segundo Ribeiro e Stligiano (2010), a relação entre o desenvolvimento do turismo e as questões ambientais, tem sido abordada sob dois enfoques principais: turismo como origem da degradação socioambiental e o turismo visto como alternativa de desenvolvimento econômico e social sustentável. Nesse contexto, há que se considerar que embora o turismo se constitua numa atividade econômica que pode gerar efeitos adversos no meio ambiente, conforme citado anteriormente, pode ser uma oportunidade para o desenvolvimento local, por pressupor a qualidade da infra-estrutura de serviços urbanos e também investimentos, dos municípios e regiões, na saúde e na educação de seus habitantes, atores sociais essenciais à própria atividade turística. Portanto, a interrelação entre o desenvolvimento turístico e a sustentabilidade ambiental deve contemplar três eixos básicos de ação apontados na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio 92, a saber: a) promoção de equidade por processos distributivos; b) consolidação e construção dos direitos; c) garantia de reprodução das bases ecológicas do desenvolvimento social. A Organização Mundial do Turismo (OMT, 2005) destaca que as diretrizes para o desenvolvimento sustentável do turismo e as práticas de gestão sustentáveis são aplicáveis a todas as formas de turismo em todos os tipos de destinos, incluindo o turismo de massa e os diversos segmentos turísticos. Os princípios de sustentabilidade se referem aos aspectos ambiental, econômico e sociocultural do desenvolvimento turístico, devendo estabelecer um equilíbrio entre essas três dimensões para garantir a sustentabilidade no longo prazo. Assim, o turismo sustentável deve: garantir a otimização do uso dos recursos ambientais; respeitar a autenticidade sociocultural das comunidades de acolhimento, conservar o seu patrimônio arquitetônico cultural e vivo e seus valores tradicionais, além de contribuir para o entendimento e a tolerância intercultural; assegurar uma atividade econômica viável de longo prazo, com os benefícios socioeconômicos bem distribuídos e contribuir para a redução da pobreza. Dessa forma, tentar um progresso direcionado ao turismo sustentável pode não ter sentido se não houverem maneiras objetivas de avaliar e mensurar a sustentabilidade dessa atividade e, para tanto, a OMT destaca como componente central no processo de planejamento e gerenciamento turístico, a definição e uso de indicadores de sustentabilidade, o que torna possível monitorar as mudanças ao longo dos tempos de maneira constante e consistente e orientar quando é necessário alterar as políticas públicas ou quando uma nova ação poderá ser necessária. A utilização de indicadores de sustentabilidade do turismo é essencial para análise adequada da sustentabilidade do desenvolvimento turístico. Assim, a identificação e a escolhas desses indicadores se constituem em etapas relevantes para a análise da sustentabilidade turística. A partir desses indicadores, é possível gerar um conjunto de informações sobre a situação real do desenvolvimento turístico, no que se refere aos aspectos sustentáveis e insustentáveis, o qual deverá subsidiar o processo de tomada de decisão dos diversos atores envolvidos no seu planejamento, para que a definição das ações futuras a serem adotadas seja embasada por práticas sustentáveis. É nesse sentido que este trabalho busca propor um conjunto de critérios de análise para monitoramento da sustentabilidade da atividade turística, a partir da incorporação de indicadores de sustentabilidade de turismo na abordagem proposta por Klein-Vielhauer (2009), de modo que para cada destino turístico investigado seja possível selecionar o conjunto de indicadores mais adequados à sua realidade. 2.1 Indicadores de Sustentabilidade do Turismo O conceito de desenvolvimento sustentável obteve grande destaque na década de 1990, entretanto, sua popularidade não foi acompanhada de uma discussão crítica consistente 4/15 ANAIS a respeito do seu significado efetivo e das medidas necessárias para alcançá-lo, de modo que há uma disparidade conceitual considerável nas discussões referentes à avaliação da sustentabilidade do desenvolvimento. Nesse sentido, as abordagens adotadas para mensurar o desenvolvimento sustentável a partir de indicadores de sustentabilidade devem definir os componentes principais para assegurar um coerente processo de desenvolvimento (VAN BELLEN, 2004). O desenvolvimento sustentável vai depender da capacidade das sociedades de se submeter aos preceitos de prudência ecológica e de fazer bom uso da natureza, conciliando o crescimento econômico e a conservação da natureza, através da harmonização de objetivos socioculturais, econômicos e ambientais. Daí surge à necessidade de medidas de sustentabilidade para que sejam geradas as informações necessárias ao processo de decisão. Segundo Veiga (2005), ainda que esteja longe o surgimento de uma medida mais consensual de sustentabilidade ambiental, é imprescindível entender que os índices e indicadores de sustentabilidade existentes exercem papel fundamental nas relações de fiscalização e pressão que as entidades ambientalistas devem exercer sobre governos e organizações. Através das análises dos indicadores de sustentabilidade, os cidadãos têm um conjunto de informações que permitirão monitorar, controlar e cobrar dos seus líderes ações que propiciem o desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 (2002) prescreve para o fortalecimento da base científica visando o manejo sustentável, a participação popular na fixação de prioridades e na tomada de decisões relacionadas ao desenvolvimento sustentável, além de enfatizar que um dos principais desafios à construção da sustentabilidade é o de se criar instrumentos de mensuração tais como indicadores. Para Gallopin (1996), os indicadores de sustentabilidade podem ser considerados os principais componentes da avaliação do progresso em relação a um desenvolvimento do tipo sustentável. Verifica-se ainda, que o conceito de desenvolvimento deve ser explorado de forma dinâmica, sendo o maior desafio de seus indicadores fornecer um retrato da situação de sustentabilidade de uma maneira simples, que defina a própria idéia, apesar da incerteza e da complexidade inerente a esta temática (DAHL, 1997). Ao discutir o desenvolvimento sustentável vinculado ao turismo, verifica-se uma necessidade premente em se dispor de indicadores de sustentabilidade e ferramentas de apoio específicas ao contexto que de alguma forma reduzam a subjetividade inerente ao tema, bem como a partir de sua mensuração proporcione uma análise e acompanhamento das interferências ocasionadas pela execução dessa atividade no processo de desenvolvimento de uma determinada região ou destino turístico. A OMT (2005) afirma que os indicadores podem ter uma influência determinante no processo de desenvolvimento sustentável do turismo de três formas principais: a partir das informações que geram; das mobilizações que criam e das ações que promovem. A influência desses indicadores tem início inclusive antes de estarem plenamente desenvolvidos, já que na fase de sua elaboração se exploram novos conceitos e se produzem novos conhecimentos sobre o desenvolvimento do turismo sustentável. Segundo a Organização Mundial do Turismo (op. cit.), os indicadores que se referem ao desenvolvimento do turismo sustentável correspondem ao conjunto de informações formalmente selecionadas que se utiliza regularmente para medições das mudanças ocasionadas pelo desenvolvimento e gestão das atividades turísticas numa localidade e servem como instrumento para detectar as repercussões dessas mudanças nas estruturas turísticas e nos fatores externos que influenciam o turismo. Popova (2003) apresenta os principais tipos de indicadores que estão sendo utilizados atualmente para o monitoramento das atividades turísticas de uma localidade, com base no sistema PSR (Pressure/State/Response) desenvolvido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, quais sejam: indicadores preventivos que auxiliam a identificar 5/15 ANAIS e prevenir problemas; indicadores de capacidade de carga e medição de estresse, para medir fatores ambientais externos e tendências; indicadores de medição do estado dos recursos naturais e volume de demanda dos recursos; indicadores de impactos e efeitos do turismo; indicadores de medição de esforços e ações de gestão; e indicadores de medição das consequências de manejo. Esses indicadores devem incorporar as dimensões ambiental, econômica, social, tecnológica, cultural e política no monitoramento e na gestão do desenvolvimento turístico, e precisam ser implementados em todos os níveis de análise da sustentabilidade turística: local, regional, nacional e internacional. A escolha dos indicadores de sustentabilidade para o turismo deve ser feita de acordo com os assuntos prioritários identificados para cada destinação turística investigada. A OMT (2005) sugere cinco critérios a serem levados em consideração na seleção dos indicadores: relevância do indicador na problemática selecionada; viabilidade de obtenção e análise da informação requerida; credibilidade da informação e confiabilidade para os usuários dos dados; clareza e facilidade de entendimento entre os usuários; comparabilidade ao longo dos tempos e ao em torno das regiões. Nesse sentido, há mais de dez anos a OMT tem estudado os indicadores da sustentabilidade do turismo e, neste tempo, identificou centenas de indicadores diferentes que podem ser considerados nos estudos sobre a sustentabilidade das destinações turísticas. Apesar da Organização Mundial do Turismo enfatizar que a escolha dos indicadores deve ser determinada de acordo com as necessidades e prioridades locais, ela recomenda 12 indicadores principais para avaliar a sustentabilidade do turismo, quais sejam: Satisfação local com o turismo; Efeitos do turismo nas comunidades; Satisfação sustentável do turista; Sazonalidade do turismo; Benefícios econômicos do turismo; Gerenciamento da energia; Disponibilidade e consumo de água; Qualidade da água de beber; Tratamento de esgoto; Gerenciamento de resíduos sólidos; Controle de desenvolvimento (lixo); Controle da intensidade do uso. Hanai (2009) ressalta que em função do sistema de medição, os indicadores de sustentabilidade do turismo podem ser quantitativos (números simples, proporções, porcentagens) e/ou qualitativos (categorias, nível de satisfação, etc.) e considera que uma combinação entre as duas concepções de indicadores (qualitativo e quantitativo) é adequada, pertinente, desejável e enriquecedora para o estabelecimento de um bom sistema de monitoramento. O autor faz uma revisão em sua tese de um conjunto de estudos de casos sobre indicadores de sustentabilidade de turismo, e alguns foram selecionados e apresentados no Quadro 1, os quais permitem uma visão abrangente das concepções e sistemas de indicadores de sustentabilidade do turismo usualmente adotados em diversos destinos turísticos no mundo. Sistemas de Indicadores de Sustentabilidade de Turismo Planejamento sustentável do turismo na Ilha de Mallorca – Espanha (IVARS BAIDAL, 2001; VERA REBOLLO e IVARS BAIDAL, 2003) Medição das atitudes dos residentes em direção ao Turismo Sustentável em comunidade locais (CHOI e SIRAKAYA, 2005, 2006) Sistema de Monitoramento do Turismo Sustentável em Samoa (TWINING-WARD e BUTLER ,2002) Indicadores de gestão ambiental do ecoturismo em reservas naturais na China: o caso da Reserva Natural Descrição Cria um modelo de turismo sustentável a partir da análise do desenvolvimento turístico da ilha de Mallorca, utilizando basicamente indicadores econômico, turístico, sociocultural e ambiental. Desenvolve e valida uma escala para medir e avaliar as pretensões, sentimentos e percepções de residentes locais que incorporam crenças, conhecimentos e intenções de comportamento em direção às suas considerações sobre o turismo sustentável. Apresenta consideração metodológicas importante para o processo da implementação de um sistema de monitoramento do desenvolvimento do turismo sustentável na Ilha de Samoa. Estabelece indicadores de gestão para o ecoturismo na Reserva Natural, os quais refletem o estado do 6/15 ANAIS de Tianmushan (LI, 2004) Um guia para indicadores de sustentabilidade comunitário: aplicação em Iserlohn - Alemanha (VALENTIN e SPANGENBERG, 2000) Indicadores do desenvolvimento sustentável do turismo: uma aplicação ao caso das Ilhas Canárias – Espanha (MEDINA MUÑOZ e MEDINA MUÑOZ, 2003; OMT, 2005) Indicadores de desenvolvimento Sustentável em Cozumel – México (FRAUSTO MARTINEZ et al, 2006) Indicadores das condições de sustentabilidade do Parque Urbano Monte Calvario da cidade de Tangil – Argentina (GARCÍA e GUERRERO, 2006) ambiente natural, social e econômico, as pressões causadas pelo turismo e as medidas elaboradas para garantir do desenvolvimento do turismo sustentável. Propõe um modelo para o desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade local e para concretizar um Programa de Agenda 21 Local auxiliando na redução da complexidade da sustentabilidade Avalia o nível de sustentabilidade nas Ilhas Canárias com a aplicação da lista de indicadores de turismo sustentável da OMT. Mede o desenvolvimento sustentável para a região de Cozumel com o uso de indicadores baseados na perspectiva da Agenda 21 Local. Define um conjunto de indicadores destinados a avaliar de forma integral as condições de sustentabilidade do Parque Urbano Monte Calvario, através da caracterização sistêmica do espaço para identificação das variáveis centrais de análise e operacionalização. Sistema Espanhol de indicadores ambientais do O sistema compreende 27 indicadores com o objetivo turismo: aplicação em 18 municípios da Espanha de avaliar as características que possuem maior (MMA, 2000; XIMENGO, 2002; ANEGÓN, 2002) relevância ambiental no setor turístico espanhol, assim como identificar os principais fatores de pressão e respostas especificas do setor. Desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade Apresenta 98 indicadores de sustentabilidade para o para o ecoturismo em unidades de conservação – ecoturismo, considerando-se os componentes Brasil (FILLETO, 2007) ambiental, social e econômico, aplicados a diversas unidades de conservação no Brasil. Quadro 1: Sistemas de Indicadores de Sustentabilidade de Turismo Fonte: Adaptado de Hanai, 2009. A partir dessa revisão, Hanai (op. cit) concluiu que: alguns indicadores são de difícil aplicação prática, em face da inexistência de dados e informações disponíveis para suas medições; alguns sistemas de indicadores apresentados compuseram uma lista preliminar de indicadores de sustentabilidade que não correspondem necessariamente a uma resposta da atividade turística e, portanto, não se relacionam diretamente ao desenvolvimento do turismo no território investigado; a utilização na prática de indicadores de caráter subjetivo mostrou-se possível, importante e indispensável para a análise da sustentabilidade de um destino turístico, propondo-se a aplicação combinada de ambas as fontes de informação de indicadores (quantitativa e qualitativa); o conjunto de sistemas de indicadores analisados apresenta apenas a lista dos indicadores, sem a descrição dos seus objetivos, nem mesmo a indicação de procedimentos de medição e da forma de aplicação dos indicadores; e, por fim, alguns trabalhos descritos consideram a efetiva participação da sociedade local na elaboração e definição de sistemas de indicadores, destacando os vários benefícios de seu envolvimento no processo de seleção de indicadores, propiciando o monitoramento contínuo e a gestão apropriada do turismo nos destinos locais. A identificação desse conjunto de sistemas de indicadores propiciou a composição de uma lista preliminar de indicadores, os quais poderão ser incorporados a outros modelos e sistemas de indicadores aplicados ao contexto do desenvolvimento turístico, visando à sua evolução e aprimoramento. Nesta pesquisa, buscou-se fazer uma adaptação do modelo de avaliação da sustentabilidade do turismo proposto por Klein-Vielhauer (2009), apresentado na sequência, 7/15 ANAIS incorporando um conjunto de indicadores os seus respectivos critérios de avaliação, para monitorar a sustentabilidade do turismo. Este modelo foi utilizado porque é flexível e permite adaptações para qualquer tipo de destino turístico. Ele propõe que o monitoramento das atividades de turismo ocorra com base nos três objetivos da sustentabilidade integrada: “garantia da existência humana”, “manutenção do potencial produtivo da sociedade” e “preservação do desenvolvimento e opções de vida”, para os quais estabelece regras que deverão guiar as ações futuras, de modo sejam incorporadas práticas sustentáveis que permitam que o desenvolvimento turístico mantenha uma relação direta com a sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável. 2.3 Framework para avaliar a sustentabilidade do Turismo e Lazer Klein-Vielhauer (2009) propõe um framework adaptado para o monitoramento de situações específicas de sustentabilidade das atividades de lazer e turismo, em diferentes áreas e em diferentes estágios de desenvolvimento e com importância variada para os habitantes e visitantes. O modelo proposto é baseado no conceito de sustentabilidade integrada, tendo como objeto geral de análise todas as atividades de lazer e turismo de uma determinada área e o acompanhamento das atividades de transporte, tanto do lado do fornecimento quanto do consumo, a partir de três objetivos intermediários da sustentabilidade: “garantia da existência humana”, “manutenção do potencial produtivo da sociedade”; e “preservação do desenvolvimento e opções de ações”. O modelo estabelece 15 regras substanciais que são interpretadas no que diz respeito aos três objetivos gerais de sustentabilidade, conforme pode ser observado no quadro abaixo. Objetivo Geral da Sustentabilidade 1. Garantir a existência humana 2. Manutenção do potencial produtivo da sociedade 3. Preservação do desenvolvimento e Regras Substanciais do conceito de sustentabilidade integrada 1.1 Proteção da saúde humana: os perigos e riscos inaceitáveis para a saúde humana devido à sobrecarga antrópicas ambientais devem ser evitados. 1.2 Garantir as necessidades básicas: cada membro da sociedade deve ser assegurado um mínimo de insumos básicos (moradia, alimentação, vestuário, cuidados de saúde) e proteção contra os riscos fundamentais à vida (doença, incapacidade). 1.3 Assegurar uma existência autônoma: a todos os membros da sociedade deve ser dada a possibilidade de garantir a sua existência por atividades realizadas voluntariamente (incluindo a educação de crianças e assistência a idosos). 1.4 Partilha justa na utilização dos recursos naturais: a utilização de recursos naturais e ambientais devem ser distribuídos de acordo com os princípios de justiça e uma participação equitativa de todas as pessoas afetadas. 1.5 Balanceamento de extremas desigualdades de renda e riqueza: as desigualdades extremas na distribuição de renda e riqueza deve ser reduzido. 2.1 Uso sustentável de recursos renováveis: a taxa de utilização de recursos renováveis não deve exceder a taxa de regeneração ou colocar em perigo a capacidade dos ecossistemas para executar a função. 2.2 Uso sustentável de recursos não-renováveis: as variedades comprovadas de recursos não-renováveis devem ser mantidas. 2.3 Uso sustentável do ambiente como um dissipador de resíduos e emissões: liberação de substâncias não deve exceder a capacidade de absorção do meio ambiente e ecossistemas. 2. 4 Evitar riscos técnicos inaceitáveis: os riscos técnicos, com impactos catastróficos sobre a humanidade e o meio ambiente deve ser evitados. 2.5 Desenvolvimento sustentável do capital artificial, humano e de conhecimento: o capital artificial, humano e de conhecimento devem ser desenvolvidos a fim de manter ou melhorar o desempenho da economia. 3.1 Igualdade de oportunidades: todos os membros da sociedade devem ter oportunidades iguais de acesso à educação, ocupação, informações e funções 8/15 ANAIS opções de vida públicas, bem como posições sociais, políticas e econômicas. 3.2 A participação da sociedade no processo decisório: cada membro da sociedade deveria ser dada a oportunidade de participar no respectivo processo decisório. 3.3 A conservação do patrimônio cultural e diversidade: o patrimônio cultural da humanidade e a diversidade cultural devem ser preservados. 3.4 Conservação da função cultural da natureza: paisagens culturais e naturais ou as áreas de especial singularidade e beleza tem que ser preservadas. 3.5 Conservação dos recursos sociais: para garantir a coesão social, o senso de direitos e justiça, a solidariedade, a tolerância e a percepção de bem-estar comum, bem como a possibilidade de resolução não violenta de conflitos devem ser reforçados. Quadro 2: Regras do sistema de valorização (regras substanciais do conceito de sustentabilidade integrada) Fonte: Adaptado de Klein-Vielhauer (2009) Esta ferramenta de avaliação está relacionada ao conteúdo qualitativo da sustentabilidade do turismo, em seu escopo global, embora dados quantitativos adequados, como alguns indicadores de turismo, devam ser usados. Segundo Klein-Vielhauer (2009), o modelo foi criado com o objetivo de identificar as principais necessidades de ação futuras em diferentes áreas temáticas, de modo que qualquer uma das 15 regras do sistema de avaliação pode ser relevante para pelo menos uma das diversas atividades de turismo e lazer que podem ser selecionadas para investigação. Além desse conjunto de regras, o modelo envolve também os agentes privados de acordo com as regras instrumentais no Quadro 3, na sequência, que se referem a requisitos processuais de base. Regras Instrumentais do conceito de sustentabilidade integrada Internalização dos custos ambientais e sociais externos: os custos ambientais e sociais externos decorrentes de processo econômico devem ser considerados no processo. Desconto apropriado: o desconto não pode discriminar as gerações futuras ou presentes. Limitar o endividamento público: a fim de evitar restrições futuras para ações do Estado e escopo de projeto, em princípio, os atuais gastos com consumo público devem ser financiados por receitas correntes. Quadro econômico do mercado global: as condições económicas globais devem ser projetadas de modo que os agentes econômicos de todos os estados têm a oportunidade de participar nos processos econômicos. Reforçar a cooperação internacional: os diversos atores (governos, empresas e organizações nãogovernamentais) devem cooperar em espírito de parceria global com vista a criar as condições políticas, jurídicas e materiais para a implementação do desenvolvimento sustentável. Capacidade da sociedade de responder: a capacidade da sociedade para responder aos problemas nas esferas natural e social deve ser reforçada através de inovações institucionais adequadas. Capacidade da sociedade para refletir: as condições institucionais devem ser desenvolvidas, que permitem a reflexão sobre as opções de ação social para além dos problemas isolados e aspectos individuais. Habilidade para dirigir: a capacidade da sociedade para orientar no sentido de um desenvolvimento sustentável deve ser aumentada. Auto-organização: o potencial de auto-organização dos atores sociais tem de ser reforçado. Balanceamento de poder: a construção de opinião, os processos de negociação e decisão deve ser projetado de modo que as possibilidades de os atores sociais para expressar-se e exercer influência sejam distribuídos com justiça e os processos sejam transparentes. Quadro 3: Regras instrumentais do conceito de sustentabilidade integrada Fonte: Adaptado de Klein-Vielhauer (2009) O objetivo do modelo proposto é identificar as principais necessidades de ações futuras em diferentes áreas temáticas do lazer e do turismo, e desafiar os governos e ONG’s influentes a utilizar meios de influenciar positivamente os “produtores” e os “consumidores” do turismo, de acordo com a visão do desenvolvimento sustentável. O monitoramento inclui três etapas: 1) formulação dos temas individuais de análises empíricas (agenda de pesquisa); 2) realização das análises individuais e; 3) realização de sínteses e estudos comparativos com base nas análises individuais. 9/15 ANAIS O modelo é flexível, uma vez que só fornece orientação geral, e oferece expressamente possibilidades de adaptações específicas, como a incorporação de indicadores de sustentabilidade de turismo dentro de cada objetivo da sustentabilidade integrada e a definição de critérios de análise, que foram realizados neste trabalho e são apresentados a seguir. 3. Proposta de um conjunto de critérios de análise para monitorar a sustentabilidade das atividades turísticas Os indicadores de turismo são essenciais para avaliar de forma adequada a sustentabilidade do desenvolvimento turístico local. O monitoramento das atividades de turismo se constitui em um instrumento essencial para o planejamento e gestão de suas atividades de modo que seja possível direcionar ações para alcançar a sustentabilidade. Desta forma, a definição de um conjunto de critérios de análise de indicadores apropriados para o monitoramento do turismo, com base nos princípios do desenvolvimento sustentável, não é uma tarefa simples e exige que estes representem aspectos relevantes de viabilidade, sustentabilidade e desempenho do sistema. Considerando esta dificuldade, foram selecionados na bibliografia alguns indicadores de turismo que foram incorporados dentro de cada objetivo geral da sustentabilidade apresentados no modelo proposto por Klein-Vielhauer (2009). Nesse sentido, apresenta-se, a seguir, um conjunto de critérios de análise de indicadores inseridos nas dimensões de avaliação da sustentabilidade do turismo, com as suas respectivas descrições. Na Dimensão 1, o desenvolvimento turístico é avaliado a partir da garantia da existência humana, considerando que devem ser evitados os riscos e perigos inevitáveis a saúde humana devido à sobrecarga do homem sobre o meio ambiente e que deve ser assegurado a cada membro da sociedade um mínimo de insumos básicos, a proteção contra riscos à vida, a possibilidade de garantir a sua existência por atividades realizadas voluntariamente, além da distribuição justa e equitativa dos recursos naturais e ambientais por todas as pessoas afetadas pela atividade turística e da redução das desigualdades extremas na distribuição de renda e riqueza. Dessa forma, os indicadores a serem selecionados para avaliar a sustentabilidade constituem variáveis que expressem a satisfação local com o turismo, o efeito do turismo na comunidade local, como a percepção das contribuições que o turismo gera como benefício para habitantes locais, e a satisfação sustentável do turista, considerando os indivíduos como principais beneficiários do desenvolvimento turístico, conforme pode ser visto no Quadro 4. DIMENSÕES, INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE E CRITÉRIOS DE ANÁLISE DIMENSÃO 1: GARANTIR A EXISTÊNCIA HUMANA O desenvolvimento turístico deve enfocar o indivíduo como sendo o principal beneficiário das suas atividades. Indicadores de Turismo Critérios de Análise 1. Porcentagem de habitantes que Este indicador será melhor avaliado quanto maior for a acreditam que o turismo tem ajudado a trazer percepção dos habitantes locais quanto a contribuição do novos serviços de infra-estrutura (baseado em turismo para gerar benefício na infra-estrutura do destino questionário) turístico. 2. Número e capacidade dos serviços Este indicador será melhor avaliado quando existir um sociais disponíveis para a comunidade número elevado de serviços sociais disponíveis para a (porcentagem atribuível ao turismo) comunidade decorrentes da atividade turística. 3. Nível de satisfação dos habitantes locais Este indicador será melhor avaliado quando existir um nível com o turismo (baseado em questionário) elevado de satisfação da comunidade local com o turismo. 4. Razão de turistas para locais (média e Este indicador é melhor avaliado quando há uma equilíbrio período de pico/dias) na distribuição dos turistas pelos períodos, evitando a sobrecarga aos serviços de infraestrutura e de entretenimento e danos consideráveis ao meio ambiente. 10/15 ANAIS 5. Nível de satisfação (baseado em questionário) dos visitantes Este indicador será melhor avaliado quando existir um nível elevado de satisfação dos visitantes quanto ao destino turístico. 6. Porcentagem de visitantes que retornam Este indicador é avaliado positivamente quando há o retorno ao destino em outra oportunidade dos visitantes para o destino turístico em outras oportunidades. 7. Cumprimento da legislação trabalhista Este indicador é avaliado positivamente quando é constatado pelos empreendimentos turísticos que há o cumprimento da legislação trabalhista pelos empreendimentos turísticos, evitando a exploração da mãode-obra local. 8. Abandono de atividades tradicionais Este indicador é melhor avaliado quando é baixo o nível de devido ao turismo abandono das atividades tradicionais devido ao turismo. 9. Marginalização de populações locais por Este indicador será melhor avaliado quanto menor for a falta de acesso aos benefícios econômicos do marginalização das populações locais, possibilitando-lhes turismo acesso aos benefícios econômicos do turismo. Quadro 4: Indicadores da Dimensão 1 – Garantia da Existência Humana Fonte: Elaboração Própria, 2011. Na Dimensão 2, o desenvolvimento turístico é avaliado considerando a manutenção do potencial produtivo da sociedade, onde monitoramento da atividades de turismo deve considerar que a taxa de utilização de recursos renováveis não deve exceder a taxa de regeneração ou colocar em perigo a capacidade dos ecossistemas de executar essa função e que a variedade comprovada de recursos não-renováveis deve ser mantida, portanto o seu uso deve ser limitado. Além disto, deve avaliar se a liberação de substâncias e a disposição de resíduos não está excedendo a capacidade de absorção do meio ambiente e evitar os riscos técnicos da atividade turística que possam gerar impactos catastróficos sobre a humanidade e o meio ambiente. Por fim, considera-se que o turismo deve possibilitar o desenvolvimento do capital artificial, humano e de conhecimento a fim de manter ou melhorar o desempenho da economia. Os indicadores a serem selecionados para a análise da sustentabilidade do desenvolvimento turístico envolvem variáveis de gerenciamento de energia, disponibilidade e consumo de água, qualidade da água de beber, tratamento de esgoto e gerenciamento de resíduos sólidos (lixo), além dos benefícios econômicos e sociais decorrentes do turismo, os quais são destacados no Quadro 5. DIMENSÕES, INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE E CRITÉRIOS DE ANÁLISE DIMENSÃO 2: MANTER O POTENCIAL PRODUTIVO DA SOCIEDADE O desenvolvimento turístico deve manter os pré-requisitos indispensáveis a várias atividades sociais e não está restrito aos pré-requisitos materiais para a produção convencional de bens e serviços no setor público e privado. Indicadores do Turismo Sustentável Critérios de Análise 1. Consumo per capita de energia de todas Este indicador será melhor avaliado quanto menor for o as fontes (o total, e pelo setor de turismo, por consumo de energia de todas as fontes. pessoa, por dia); 2. Porcentagem de empresas que Este indicador será melhor avaliado quando existir um nível participam de programas de conservação de elevado de empresas turísticas que participem de programas energia ou que aplicam políticas e técnicas de de economia de energia ou que utilizem técnicas nesse economia de energia; sentido. 3. Porcentagem de consumo de energia de Este indicador será melhor avaliado quanto maior for o fontes renováveis (nos destinos e nos percentual de consumo de energia de fontes renováveis nos estabelecimentos); destinos turísticos. 4. Disponibilidade e consumo de água; Este indicador será melhor avaliado quando existir a disponibilidade de água nos destinos turísticos e o que o consumo não seja excessivo. 5. Uso da água (volume total consumido e Este indicador será melhor avaliado quanto menor for o litros por turista, por dia); consumo de água pelos turistas. 11/15 ANAIS 6. Economia de água (porcentagem de consumo reduzido, de água recapturada ou reciclada) 7. Porcentagem de estabelecimentos turísticos com água tratada em padrões internacionais de potabilidade 8. Freqüência de doenças oriundas da água 9. Número/porcentagem de visitantes que relatam doenças oriundas da localidade investigada 10. Porcentagem de esgoto tratado (níveis primário, secundário ou terciário) 11. Porcentagem de estabelecimentos turísticos (ou acomodações) com sistemas de tratamento 12. Volume de lixo produzido pelo destino (toneladas por mês); 13. Volume de lixo reciclado (m3) / Volume total de lixo (m3) (especificar por tipos diferentes); 14. Quantidade de lixo jogado pelas áreas públicas; 15. Porcentagem de estabelecimentos comerciais relacionados com o turismo abertos o ano inteiro 16. Grau de Preservação dos Recursos Turísticos; 17. Número e porcentagem de empregos relacionados com o turismo que são permanentes – válidos o ano inteiro (comparado com os empregos temporários); 18. Número de nativos (e razão entre homens e mulheres) empregados no turismo (também uma razão entre empregos relacionados com o turismo e a população total empregada); Este indicador será melhor avaliado quando houver ações para reduzir o consumo de água, como água recapturada ou reciclada. Este indicador será melhor avaliado quanto maior for o percentual de estabelecimentos turísticos com água tratada. Este indicador será melhor avaliado quanto menor for a frequência de doenças nas destinações investigadas, oriundas da água. Este indicador será melhor avaliado quanto menor for o índice de disseminação de doenças nas destinações receptoras, relatado pelos turistas . Este indicador será melhor avaliado quanto maior for o percentual de esgoto tratado no destino turístico investigado. Este indicador será melhor avaliado quanto maior for o percentual de estabelecimentos que possuam sistemas de tratamento. Este indicador será melhor avaliado quanto menor for o volume de resíduos gerados no destino turístico. Este indicador será melhor avaliado quanto maior for a razão entre o volume de lixo reciclado e o volume total de lixo produzido na localidade investigada. Este indicador será melhor avaliado quanto menor for a quantidade de lixo jogado em áreas públicas, evitando a poluição. Este indicador será melhor avaliado quanto maior for o percentual de estabelecimento de comerciais relacionados com o turismo abertos o ano inteiro. Este indicador será melhor avaliado quanto maior for o grau de ações que permitam preservar os recursos turísticos. Este indicador será melhor avaliado quanto maior for a estabilidade dos empregos relacionados ao turismo (permanentes). Este indicador será melhor avaliado quando houver um equilíbrio no número de empregados nativos, considerando o gênero, e quando não houver uma dependência excessiva dos empregos decorrentes da atividade turística pela comunidade local. 19. Receita gerada pelo turismo Este indicador será melhor avaliado quanto mais equilibrada (porcentagem do total de receita gerada pela for a receita gerada pela comunidade, através da comunidade) diversificação de suas atividades econômicas, evitando a dependência excessiva do turismo. Quadro 5: Indicadores da Dimensão 2 – Manutenção do Potencial Produtivo da Sociedade Fonte: Elaboração Própria, 2011. Na Dimensão 3, o sistema de monitoramento avalia o desenvolvimento turístico considerando a preservação do desenvolvimento e opções de vida, para tanto, deve avaliar a oportunidade de acesso de todos os membros da sociedade à educação, ocupação, informações e funções públicas, bem como posições sociais, políticas e econômicas, possibilitando-lhes, também, a participação do processo decisório. Outros aspectos que devem ser observados são a preservação do patrimônio cultural da humanidade, da diversidade cultural e de paisagens culturais e naturais ou áreas de especial singularidade e beleza, a garantia da coesão social, o senso de direito e justiça, a solidariedade, a tolerância e a percepção de bem-estar comum, bem como reforça a possibilidade de resolução não violenta de conflitos. Dessa forma, os indicadores de sustentabilidade abrangem o controle do 12/15 ANAIS desenvolvimento e da intensidade de uso, a sazonalidade do turismo e o planejamento e a gestão responsáveis, de modo que se possa alcançar a preservação do desenvolvimento e opções de vida também para as gerações futuras, como são apontados no Quadro 6. DIMENSÕES, INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE E CRITÉRIOS DE ANÁLISE DIMENSÃO 3: PRESERVAR O DESENVOLVIMENTO E OPÇÕES DE VIDA O desenvolvimento turístico deve assegurar igualdade de oportunidades a todos os membros da sociedade, assim a geração atual deve estabelecer e preservar condições de liberdade de decisão para as gerações futuras Indicadores do Turismo Sustentável Critérios de Análise 1. Existência ou uso de processo de Este indicador será melhor avaliado quando houver um planejamento/desenvolvimento do turismo local processo de planejamento/desenvolvimento do turismo local que garanta um acesso equitativo aos recursos limitados e que reorientem as atividades turísticas para aliviar a pressão. 2. Controle da intensidade do uso através Este indicador será melhor avaliado quando houver um do Número total de chegada de turistas (média, dimensionamento do fluxo de turistas, para preservar regiões mensal, na alta estação) e do Número de turistas ecológicas e os modos de vida tradicionais das comunidade por m2 no local (p. ex. nas praias, atrações), por receptoras. km2 da destinação 3. Chegadas de turistas por meses ou Este indicador será melhor avaliado quanto menor for a trimestres (distribuição ao longo do ano) sazonalidade do turismo, evitando a instabilidade da demanda turística que provoca transtornos e efeitos econômicos negativos consideráveis nas comunidades receptoras. 4. Taxas de ocupação para acomodação Este indicador será melhor avaliado quanto mais equilibrada licenciada (oficial) por mês (períodos de pico for as taxas de ocupação em períodos de alta e baixa estação, comparados à baixa estação) e porcentagem de evitando perdas de rentabilidade para as acomodações e a todas as ocupações por mês ou trimestre geração de desemprego nas baixas estações. 5. Número de hectares de vegetação Este indicador será melhor avaliado quanto menor for a área removida/desmatamento para implantação de de paisagem degradada para implantação de infra-estrutura infra-estrutura turística turística. 6. Recursos Destinados anualmente para Este indicador será melhor avaliado quanto maiores forem conservação e manutenção de bens culturais os recursos investidos anualmente em medidas preservacionistas para manter a qualidade dos bens culturais. 7. Mudanças na biodiversidade Este indicador será melhor avaliado quanto menor forem as mudanças na biodiversidade da localidade receptora. 8. Interação dos empreendimentos Este indicador será melhor avaliado quanto maior for a turísticos com o artesanato local interação dos empreendimentos turísticos com o artesanato local, valorizando a cultura das localidades receptoras e diminuindo a pressão para substituir o artesanato local por outros tipos de produtos. 9. Nível de participação local nas consultas Este indicador será melhor avaliado quanto mais elevado for relativas as ações de desenvolvimento do turismo o nível de participação local nas consultas relacionadas ao local desenvolvimento turístico, com vistas a atender aos interesses das comunidades receptoras. Quadro 6: Indicadores da Dimensão 3 – Preservação do Desenvolvimento e Opções de Vida Fonte: Elaboração Própria, 2011. Destarte, pode-se afirmar que a definição de critérios para a análise da sustentabilidade do turismo, a partir de um conjunto de indicadores, permite um melhor enfretamento do desafio de operacionalização subjetiva da sustentabilidade, no sentido de permitir uma orientação para o monitoramento contínuo das atividades turísticas. Entretanto, vale ressaltar que a utilização dos indicadores, listados nesse artigo, deve considerar as características específicas e prioridade locais de cada destino turístico investigado, de modo que se sugere a realização de consulta aos atores sociais e institucionais locais, para identificar os principais problemas que afetam a sustentabilidade e estabelecer as prioridades na seleção dos indicadores que melhor retratem cada realidade investigada. Essa postura torna o processo de 13/15 ANAIS seleção de indicadores mais democrático e possibilita uma maior consistência na identificação dos principais problemas que deverão ser enfrentados, a partir da percepção dos diversos públicos interessados. O monitoramento deve fornecer uma visão mais equilibrada para os processos econômicos, ambientais, sociais e culturais em curso, de modo a servir de base para a ação futura das áreas investigadas. 4. Considerações Finais Os aspectos relacionados à sustentabilidade do desenvolvimento turístico tem adquirido maior relevância nos debates sobre o Desenvolvimento Sustentável, considerando os impactos que a atividade turística causa ao meio ambiente, em termos ambientais, socioculturais e econômicos. Emerge, portanto, a necessidade de monitoramento contínuo dos impactos das atividades turísticas, para que seja possível identificar as medidas futuras necessárias que possam direcionar o desenvolvimento turístico para o turismo sustentável. Os estudos sobre o desenvolvimento turístico precisam ser viabilizados por mecanismos capazes de prever os impactos e oferecer novos cursos de ação para decisores com opções sustentáveis, considerando as evidências que revelem tendências ou perspectivas futuras. Este artigo, cujo objetivo foi propor um conjunto de indicadores para monitoramento da sustentabilidade da atividade turística, com suas respectivas descrições e critérios de análise, a partir da abordagem proposta por Klein-Vielhauer (2009), foi desenvolvido como ensaio teórico. Por meio da identificação de uma lista de indicadores, produziu-se, em sua análise um quadro de indicadores incorporados as três dimensões do modelo (garantir a existência humana; manter o potencial produtivo da sociedade; e preservar o desenvolvimento e opções de vida), para os quais foram definidos os critérios de análise de cada indicador. Ressalta-se que o conjunto de indicadores de sustentabilidade de turismo proposto neste artigo apresenta-se de forma genérica, buscando contemplar as três dimensões da sustentabilidade integrada, de modo que é necessário adaptá-los para cada destino turístico investigado, a partir da seleção daqueles que melhor retratem a realidade investigada, através da consulta e participação da sua população, atores locais e institucionais, bem como poderão ser inseridos outros indicadores que sejam julgados relevantes. Portanto, as análises produzidas neste artigo se resumem em um quadro sintético, que pode ser aperfeiçoado a partir de novas leituras e análises que agreguem novas orientações para os indicadores de sustentabilidade do turismo, incluindo a indicação de procedimentos de medição e a forma de aplicação dos indicadores, propiciando uma análise mais abrangente e coerente da sustentabilidade do desenvolvimento turístico. Como possibilidade de estudos futuros, destaca-se que podem ser realizadas investigações a partir da aplicação do conjunto de indicadores de sustentabilidade de turismo identificados neste artigo, analisando projetos de desenvolvimento turísticos, destinos e empresas que prestam serviço ao setor com base nas dimensões da sustentabilidade integrada e nas regras propostas no modelo de Klein-Vielhauer (2009), cujos resultados obtidos deverão reger as futuras medidas em direção ao Turismo Sustentável. Referências BRAMWELL, B. Selecionando instrumentos de política para o turismo sustentado. In: THEOBALD, W. F (org.). Turismo Global. Tradução Anna Maria Capovilla, Maria Cristina Guimarães Cupertino, João Ricardo Barros Penteado. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2001. CRUZ, R. C. Política de Turismo e Território. São Paulo: Contexto, 2000. DAHL, A. L. The big Picture: comprehensive approaches. In: MOLDAN, B.; BILHARZ, S.; MATRAVERS, R. 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