Dissertação de Mestrado Estudo de Consumo de Cachaça Artesanal em Bares e Botequins no Município do Rio de Janeiro por Raul Gustavo Bettencourt de Faria Orientador: Eduardo Saliby Rio de Janeiro - Brasil 2002 ESTUDO DE CONSUMO DE CACHAÇA ARTESANAL EM BARES E BOTEQUINS NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO Raul Gustavo Bettencourt de Faria DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO COPPEAD DE ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM ADMINISTRAÇÃO. Aprovada por: Orientador _ ____________________________________ Prof. Eduardo Saliby, Ph.D. ____________________________________ Prof. Cesar Gonçalves Neto, Ph.D. ____________________________________ Prof. Ricardo Miyashita, D.Sc Rio de Janeiro - Brasil 2002 ii Dedicatória A Nathalie, Julia e Arthur com “todo o amor que houver nesta vida”. iii Agradecimentos A meu orientador, Prof. Eduardo Saliby, pelo grande apoio recebido, sem o qual certamente este trabalho não teria sido levado a cabo. A meus pais, Cau e JL, pela grande ajuda na elaboração do Caso da Cachaça Magnífica. Aos colegas da turma 2000 do COPPEAD, pela agradável convivência e camaradagem. A todos os professores e funcionários do COPPEAD que com seu trabalho nos disponibilizam esta estrutura de excelência para os estudos. Aos donos, gerentes e funcionários dos estabelecimentos pesquisados pela atenção e disponibilidade em responder às perguntas e a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho. iv Faria, Raul Gustavo Bettencourt de. Estudo de consumo de cachaça artesanal em bares e botequins no município do Rio de Janeiro / Raul Gustavo Bettencourt de Faria. – Rio de Janeiro, 2002. xi, 109 f.: il. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Instituto COPPEAD de Administração, 2002. Orientador: Eduardo Saliby 1. Operações. 2. Pesquisa de Mercado. 3. Administração - Teses. I. Saliby, Eduardo (Orient.). II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de COPPEAD de Administração. III. Título. v Resumo da Dissertação apresentada à COPPEAD/UFRJ como parte dos requisito necessários para a obtenção do Grau de Mestre em Ciências (M.Sc.) ESTUDO DE CONSUMO DE CACHAÇA ARTESANAL EM BARES E BOTEQUINS NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO Raul Gustavo Bettencourt de Faria Dezembro de 2002 Orientador: Eduardo Saliby Este trabalho traça um perfil do consumo de cachaça artesanal em bares e botequins do município do Rio de Janeiro, buscando dar subsídios aos produtores para melhor orientarem suas estratégias de vendas e colocação no mercado. O trabalho faz uma breve descrição do processo produtivo, ressaltando as diferenças entre cachaça artesanal e industrial; apresenta dados macro de mercado a nível nacional e mundial; descreve o caso de um produtor de cachaça artesanal no estado do Rio de Janeiro – a Magnífica Cachaça do Brasil; e, por fim, apresenta os resultados de um questionário aplicado a 30 bares e botequins que busca identificar como as bebidas cachaça artesanal, cachaça industrial e vodca se posicionam na percepção destes estabelecimentos. vi Abstract of the Memoire presented to the COPPEAD/UFRJ as a requirement to obtain the degree of Master of Science (M.Sc.) STUDY ON THE CONSUMPTION OF ARTISAN CACHAÇA IN BARS OF THE RIO DE JANEIRO DISTRICT Raul Gustavo Bettencourt de Faria Dezembro de 2002 Advisor: Eduardo Saliby In this work, we present a profile of the artisan chachaça in bars of the Rio de Janeiro district, aiming to provide subsidies to producers to improve their sales strategies and market positioning. By showing a brief description of the production process, we highlight the main differences between artisan and industrial cachaça. Macro market data on a national and global level are provided and the business case of an artisan cachaça producer in the Rio de Janeiro state – the Magnífica Cachaça do Brasil is also described. We finish by presenting the results of a questionnaire applied on 30 bars, trying to identify how the beverages artisan cachaça, industrial cachaça and vodca are perceived and positioned on those commercial establishments. vii SUMÁRIO 1 2 3 O Problema ..................................................................................................... 1 1.1 Introdução ................................................................................................ 1 1.2 Objetivos .................................................................................................. 2 1.3 Questões a serem respondidas ............................................................... 4 1.4 Hipóteses ou suposições ......................................................................... 4 1.5 Delimitação do Estudo ............................................................................. 5 1.6 Relevância do Estudo .............................................................................. 6 1.7 Definição de termos ................................................................................. 7 Metodologia..................................................................................................... 8 2.1 Tipo de pesquisa...................................................................................... 8 2.2 Universo e amostra .................................................................................. 8 2.3 Seleção dos sujeitos ................................................................................ 9 2.4 Coleta de dados ....................................................................................... 9 2.5 Tratamento dos dados ............................................................................. 9 2.6 Limitações do método ............................................................................ 10 Referencial Teórico ....................................................................................... 11 3.1 A Origem da Cachaça............................................................................ 11 3.2 Processo Produtivo ................................................................................ 12 3.2.1 Matéria Prima.................................................................................. 13 3.2.2 Moagem ou extração do caldo........................................................ 13 3.2.3 Fermentação................................................................................... 14 3.2.4 Destilação ....................................................................................... 15 viii 3.2.5 Envelhecimento ou Maturação ....................................................... 16 3.2.6 Padronização e Engarrafamento .................................................... 17 3.2.7 Resumo da principais diferenças entre os processos artesanal e industrial........................................................................................................ 17 3.3 O Mercado Atual .................................................................................... 18 3.3.1 Produtores ...................................................................................... 18 3.3.1.1 Cachaça industrial .................................................................. 19 3.3.1.2 Cachaça Artesanal ................................................................. 22 3.3.1.2.1 Perfil médio do produtor ....................................................... 22 3.3.1.2.2 As exceções: os profissionais (com base em levantamentos feitos pela APACERJ) ............................................................................ 23 3.3.2 Estatísticas de Consumo de Cachaça no Brasil ............................. 24 3.3.3 Exportação...................................................................................... 25 3.4 Volume .................................................................................... 25 3.3.3.2 Países importadores................................................................ 26 3.3.3.3 Principais Bebidas Concorrentes no Mercado Internacional ... 27 Programas de Valorização da Cachaça................................................. 28 3.4.1 PBDAC ........................................................................................... 28 3.4.2 AMPAQ........................................................................................... 29 3.4.3 APACERJ ....................................................................................... 29 3.4.4 Outros Programas........................................................................... 30 3.4.5 Resultados ...................................................................................... 30 3.5 4 3.3.3.1 Razões para a Diferenciação da Cachaça Artesanal............................. 31 O caso da Cachaça Magnífica ...................................................................... 34 ix 4.1 Introdução .............................................................................................. 34 4.2 Antecedentes ......................................................................................... 34 4.3 Criação da Marca................................................................................... 36 4.4 Estrutura de custos e ponto de equilibrio ............................................... 40 4.5 O Produto............................................................................................... 41 4.6 Os principais Concorrentes.................................................................... 42 4.7 O Preço.................................................................................................. 42 4.8 Promoção............................................................................................... 42 4.9 Distribuição ............................................................................................ 44 4.10 Resultados ............................................................................................. 45 4.10.1 Histórico da Produção..................................................................... 45 4.10.2 Histórico das vendas....................................................................... 45 4.10.3 Eventos Importantes na História da Marca ..................................... 46 4.10.4 Clientes Preferenciais / Formadores de Opinião ............................ 48 4.11 Principais Problemas Atuais .................................................................. 48 4.12 Estratégias futuras ................................................................................. 49 5 Questionário.................................................................................................. 51 6 Aplicação do Questionário ............................................................................ 56 6.1 Dados dos Estabelecimentos Pesquisados ........................................... 56 6.1.1 Localização ..................................................................................... 56 6.1.2 Principais características ................................................................ 58 6.1.3 Função das pessoas entrevistadas................................................. 59 6.2 Comentários gerais sobre a aplicação do questionário.......................... 60 x 6.3 Apresentação e análise das repostas de acordo com as questões levantadas neste trabalho................................................................................. 62 6.3.1 Questão 1: Diferenciação entre cachaça artesanal e cachaça industrial........................................................................................................ 62 6.3.2 Questão 2: Posicionamento da cachaça artesanal em relação à cachaça industrial e à vodca na preparação da caipirinha............................ 66 6.3.3 Questão 3: Fatores de escolha entre cachaça artesanal ou cachaça industrial........................................................................................................ 69 6.3.4 7 Questão 4: Evolução da adoção da cachaça artesanal .................. 71 Conclusões ................................................................................................... 74 7.1 Questão 1: Diferenciação entre cachaça artesanal e cachaça industrial74 7.2 Questão 2: Posicionamento da cachaça artesanal em relação à cachaça industrial e à vodca na preparação da caipirinha.............................................. 77 7.3 Questão 3: Fatores de escolha entre cachaça artesanal ou cachaça industrial ........................................................................................................... 78 7.4 Questão 4: Evolução da adoção da cachaça artesanal ......................... 78 7.5 Recomendações de estratégias a serem seguidas por pequenos e médios produtores de cachaça artesanal ........................................................ 79 7.6 8 Propostas para estudos futuros ............................................................. 82 Bibliografia .................................................................................................... 83 xi 1 O Problema 1.1 Introdução “Ao longo de sua história, cada povo escolheu sua bebida nacional a partir das matérias-primas de que dispunha para produzi-la. Nas estepes da Ásia Central, onde há abundância de cereais como trigo e aveia, nasceu a vodca. Nas montanhas da Escócia e da Irlanda, pródigas em malte e turfa, surgiu o uísque. No México, onde a principal cultura disponível é o cáctus, se fez a tequila. Assim, no Brasil colonial, com as imensas plantações de cana de açúcar, o povo criou sua bebida – a cachaça.” (Carvalho e Silva, 1998). Desde de sua criação, a cachaça se estabeleceu como bebida nacional e se desenvolveu a ponto de se tornar uma das bebidas destiladas mais consumidas no mundo. Contudo, o processo de produção industrial, necessário para atingir tal escala, evoluiu dando prioridade às grandes quantidades e ao baixo custo, em detrimento da qualidade. Como conseqüência, a cachaça ainda é percebida hoje, em geral, como uma bebida barata, sem qualidade, destinada à fatia mais baixa do mercado consumidor, que busca apenas o efeito de embriaguez ao comprar o produto. Existe porém uma pequena parcela da produção nacional que preservou os métodos ancestrais, destilando em alambiques uma cachaça artesanal que guarda o sabor e o aroma de uma bebida superior. Esta bebida no entanto fica ofuscada pelos atributos menos nobres da cachaça industrial que acabam criando confusão na mente do consumidor, dificultando o reconhecimento e a diferenciação. 1 Durante várias décadas ficou ignorada do grande público a diferença no processo de produção da cachaça industrial e da cachaça artesanal. A pequena presença desta última, produzida em quantidades muito menores não lhe dava visibilidade num mercado inundado pela cachaça industrial de custo muito menor. Apenas uma pequena parcela de consumidores, apreciadores de cachaça era capaz de reconhecer essa diferença. A exceção que confirma a regra é ilustrada por Minas Gerais que conservou o hábito de consumir apenas as cachaças artesanais, não se rendendo à cachaça industrial. O consumidor mais exigente quanto à qualidade da bebida habituou-se a ver na cachaça uma bebida de qualidade inferior a tal ponto que, apesar do sucesso internacional da “caipirinha”, coquetel preparado à base de cachaça, limão e açúcar, difundiu-se entre esta fatia de consumidores no Brasil, o hábito de utilizar a “vodca” – produto de origem importada e identificado como de “melhor qualidade” - na preparação da caipirinha. A cachaça resta, contudo, a nossa bebida nacional e foi, em 2002, razão de um decreto do governo Fernando Henrique Cardoso, que estipula que somente o destilado de cana de açúcar produzido no Brasil pode ter a denominação CACHAÇA. Este decreto mostra claramente a importância desta bebida para o Brasil e as expectativas que se tem quanto seu desenvolvimento a nível mundial. 1.2 Objetivos Os objetivo deste trabalho são: avaliar o grau de diferenciação entre os produtos cachaça artesanal e cachaça industrial por parte de bares e restaurantes do centro e da zona sul do município do Rio de Janeiro; identificar os fatores que o levam um estabelecimento a comprar, e servir a seus clientes, a cachaça 2 artesanal ou a cachaça industrial; comparar o posicionamento da cachaça artesanal em relação à cachaça industrial e à vodca para o preparo da caipirinha; e estabelecer um histórico da adoção do produto cachaça artesanal pelos estabelecimentos comerciais e seu potencial de crescimento. De forma a se dar ao problema um enfoque generalista e abrangente, apresentamos os aspectos que nos pareceram mais relevantes em relação à cachaça. Assim, no capítulo 3, passaremos sobre um breve histórico da cachaça no Brasil e sobre sua origem; descrevermos de forma esquemática o processo produtivo, de forma a identificarmos as principais diferenças entre cachaça artesanal e industrial quanto a este aspecto; faremos um levantamento do mercado, tanto a nível brasileiro quanto mundial, apresentando os dados de consumo que puderam ser coletados; e por fim citaremos os recentes programas de valorização da cachaça que foram criados tanto a nível nacional, como individualmente, por alguns estados produtores. No capítulo 4, apresentamos, em detalhe, o caso da Cachaça Magnífica, produzida artesanalmente, no estado do Rio de Janeiro. Neste caso, veremos o histórico da empresa, detalhes dos custos envolvidos na produção de cachaça artesanal, dados de produção e de vendas e um resumo de como o produtor classifica seus principais desafios e estratégias para o futuro. O estudo deste caso é importante por mostrar o lado do produtor, e por dar ao pesquisador a oportunidade de conhecer também este ângulo do problema analisado. No capítulo 5, apresentamos o questionário que foi montado para coleta de dados e no capítulo 6, analisamos e apresentamos de forma estruturada os resultados encontrados. 3 As conclusões deste trabalho, assim como recomendações para futuros estudos, são o objeto do capítulo 7. Nas conclusões, além de simplesmente respondermos as questões levantadas abaixo, incluímos propostas de estratégias que poderiam ser seguidas por um produtor, para aumentar a penetração e melhorar a imagem de seu produto no mercado. 1.3 Questões a serem respondidas As questões levantadas neste trabalho e que buscamos responder ao longo da pesquisa são: 1) Os gerentes de bares e restaurantes percebem cachaça artesanal e cachaça industrial como um só produto, ou eles fazem uma diferenciação? 2) Na preparação da caipirinha, qual o posicionamento da cachaça artesanal em relação à cachaça industrial e à vodca? 3) Quais os fatores que levam um bar ou restaurante optar por comprar e servir a seus clientes, cachaça artesanal ou cachaça industrial? 4) Como vem evoluindo a adoção da cachaça artesanal por bares e restaurantes do Rio de Janeiro ao longo dos últimos anos? 1.4 Hipóteses ou suposições Estas hipóteses e suposições refletem o que esperávamos encontrar, quando da proposição do trabalho. Como veremos ao longo da dissertação, apesar de não ser feito nenhum teste, as duas primeiras hipóteses não foram realmente confirmadas, ao passo que as duas últimas, sim. 4 1) Apesar do caráter um tanto quanto exploratório do trabalho proposto, era suposto que o grau de diferenciação do produto cachaça artesanal / cachaça industrial era relativamente fraco nos bares e restaurantes do município do Rio de Janeiro. 2) Além disto, supunha-se que o fator principal que leva um estabelecimento a comprar um determinado produto era primordialmente a facilidade de compra e em segundo o preço. 3) Também, esperava-se descobrir que tem havido uma evolução do quadro ao longo dos últimos anos e que aos poucos a cachaça artesanal vem conseguindo se destacar como um produto que tem condições de apresentar uma qualidade diferenciada com relação à cachaça industrial. 4) Quanto ao posicionamento no uso de cachaça artesanal, cachaça industrial e vodca no preparo da caipirinha, esperava-se confirmar que cachaça industrial e vodca eram empregados na grande maioria dos casos. 1.5 Delimitação do Estudo O estudo se limitará a uma análise dos bares e restaurantes enquanto clientes dos produtores de cachaça artesanal. Esta escolha é feita pois são os gerentes de tais estabelecimentos que decidem quais produtos serão oferecidos em suas respectivas casas, assim como quais produtos serão utilizados na preparação dos coquetéis, em específico, da caipirinha. É evidente que o nível final de consumo de cada estabelecimento será ditado pela demanda gerada por seus próprios clientes, contudo, esta demanda só poderá se realizar se o produto estiver disponível. O consumidor final, portanto, não fará parte do objeto de análise. 5 Geograficamente, o estudo se limitará ao Centro e à Zona Sul do município do Rio de Janeiro. 1.6 Relevância do Estudo Dadas as características de pequena escala da produção de cachaça artesanal, os bares e restaurantes acabam se tornando canais privilegiados para distribuição de seu produto. Principalmente os estabelecimentos que também buscam uma diferenciação pela qualidade em seu posicionamento. O presente estudo, então, ao traçar com mais clareza a situação atual da cachaça artesanal em relação a este canal, está permitindo aos produtores uma maior compreensão de seu possível campo de ação, para desenvolver estratégias e alcançar objetivos relativos à venda de suas cachaças. Por outro lado, a disponibilização de cachaça artesanal por parte de bares e restaurantes, contribuirá para a satisfação de seus clientes, aumentando seus respectivos leques de escolhas no que se refere a bebidas de qualidade. Segundo Forbes (2001), da Gazeta Mercantil, restaurantes finos de São Paulo, que têm hoje cachaças excelentes em suas cartas de bebida, chegam a anunciar a venda de cachaça como um 'diferencial', que os colocaria em uma categoria acima da concorrência. Além disto, cachaça é um produto agro-industrial que se encaixa perfeitamente no potencial que nosso país tem para o “agro-business”. É uma bebida que apesar de consumida quase que exclusivamente no Brasil, atinge um volume de produção em tamanho compatível com as bebidas destiladas mais consumidas no mundo, sendo portanto um “player” global, em pontencial. 6 O estudo deste produto, assim como um melhor entendimento de sua imagem junto ao mercado consumidor, poderá facilitar uma organização do setor produtivo e uma melhor canalização de esforços na conquista do posicionamento que a cachaça merece, como produto genuinamente Brasileiro, que tem todos os requisitos para agradar tanto o povo daqui, quanto aos estrangeiros, que queiram se aventurar pelos sabores do nosso País. 1.7 Definição de termos cachaça artesanal_ cachaça produzida através de técnicas artesanais, em alambiques e em que a produção anual geralmente não ultrapassa 600 mil litros. cachaça industrial_ cachaça produzida em colunas de destilação em escala industrial. 7 2 Metodologia 2.1 Tipo de pesquisa Para classificação da pesquisa, toma-se como referência a taxonomia apresentada por Vergara (1997), que a qualifica em relação a dois aspectos: quanto aos fins e quanto aos meios. Quanto aos fins, a pesquisa a ser desenvolvida é do tipo descritiva no que tange a situação atual em que se encontra o consumo de cachaça artesanal em bares e restaurantes do Rio de Janeiro. Porém ela é também explicativa ao buscar identificar os fatores que afetam este consumo e suas possibilidades de crescimento. Quanto aos meios, esta é uma pesquisa de campo, buscando as informações junto aos gerentes dos estabelecimentos comerciais. 2.2 Universo e amostra O universo da pesquisa se constitui dos bares e restaurantes atualmente em funcionamento no centro e na zona sul do município do Rio de Janeiro. Considerando que os clientes alvos para uma cachaça de qualidade superior são também pontos gastronômicos com alguma notoriedade, a amostra de estabelecimentos consultados foi escolhida dentre aqueles selecionados no Guia dos Bares e Botequins do Rio de Janeiro, edição de 2001. Deste Guia, foram visitados todos os estabelecimentos localizados no Centro e na Zona Sul, com exceção de um que fechou e de outro que não teve como ser encaixado na programação das entrevistas, em um horário conveniente. 8 As amostras coletadas são do tipo probabilística e por acessibilidade. A acessibilidade influenciou a pesquisa, de acordo com a cooperatividade com que se defrontou o pesquisador ao consultar cada estabelecimento. Ao longo da coleta de dados, podemos dizer que aproximadamente dois entrevistados foram menos precisos, dada uma certa indisposição em responder às perguntas. Este fato, contudo, na opinião do pesquisador, não deve afetar de forma significativa os resultados. 2.3 Seleção dos sujeitos Os sujeitos da pesquisa foram as pessoas que estão capacitadas a dar informações confiáveis no que tange o consumo de bebidas em seus respectivos estabelecimentos. Estas pessoas foram o proprietário, o gerente, o barman ou o encarregado das compras / almoxarifado, de acordo com cada caso. 2.4 Coleta de dados A coleta de dados se deu através de um questionário fechado, estruturado. Este método além de se mostrar adequado para o tipo de dado que se busca levantar, também permite uma maior facilidade de aplicação, fazendo com que o tamanho da amostra possa ser razoavelmente grande. 2.5 Tratamento dos dados Os dados coletados foram tratados primeiro de forma qualitativa, através de uma estruturação e análise e segundo de forma quantitativa no intuito de se obter uma estatística descritiva de parâmetros relevantes. Para as análises estatísticas se fez uso de funções específicas da planilha Excel. 9 2.6 Limitações do método O método possui as limitações usuais de uma pesquisa de campo que busca fontes primárias de informação. A qualidade dos dados coletados depende do processo de coleta em si, ou seja: • dos métodos com que se atingiu a pessoa entrevistada; • da rotina a ser usada para garantir que as perguntas necessárias fossem formuladas; • dos métodos pelos quais as respostas foram registradas. 10 3 Referencial Teórico Buscamos, neste capítulo, apresentar de forma sintética os mais importantes fatores necessários para a compreensão do produto “cachaça”. Assim, abordaremos o aspecto histórico; o processo produtivo; o mercado, nacional e internacional; os recentes programas de valorização da cachaça; e o que acreditamos serem as principais razões para a diferenciação entre as cachaças artesanal e industrial. 3.1 A Origem da Cachaça A cachaça surgiu no Brasil, nos primeiros anos da colonização, junto com a instalação dos primeiros engenhos de açúcar. Os portugueses, que já destilavam a aguardente de bagaço de uva – bagaceira - em Portugal, adaptaram a tecnologia, para a matéria prima disponível – a borra de cana de açúcar. Segundo Carvalho e Silva (1998), a origem do nome cachaça é um mistério que “até hoje desafia pesquisadores e historiadores”. “Cachaça tanto pode ter vindo da língua ibérica – cachaza – significando vinho de borra, um vinho inferior bebido em Portugal e Espanha, como pode ter-se originado de “cachaço”, o porco, e seu feminino “cachaça”, a porca. Isto porque a carne dos porcos selvagens, encontrados nas matas do nordeste – os catitus – era muito dura e a cachaça era usada para amolecê-la”. Em todo o caso, é interessante notar que qualquer que seja a hipótese verdadeira, o significado original da palavra cachaça não embute nenhuma conotação positiva em relação à sua qualidade. Outro aspecto relevante é que a história da cachaça se mistura, desde sua origem, com a do açúcar, mas só esta última foi exportada para os países 11 colonisadores da Europa e lá, apreciada a seu devido valor. À cachaça, coube o papel menos nobre de ser usada como moeda pelos “contrabandistas de escravos, que levavam, em seus navios, grandes quantidades para trocarem por “peças”, nas costas africanas” (Carvalho e Silva, 1998). No início, a cachaça foi usada na dieta dos escravos para dar-lhes “ânimo“ para trabalhar e para diminuir o “banzo” das origens africanas nas tristes senzalas. Mas com o passar dos tempos, a cachaça foi evoluindo na escala social, passando para o gosto do feitor e do senhor português, chegando às vendas e à mesa da sociedade colonial brasileira. A cachaça foi misturada com frutas cítricas combinada com os pratos mais quentes da culinária brasileira, ganhando a dignidade das bebidas mais nobres. Yokoya (1995) diz que até a 2a Guerra Mundial, a produção de aguardente de cana foi conduzida por um grande número de pequenos engenhos, através de processos tecnicamente rudimentares e que só após o fim da guerra, surgiriam então as grandes empresas destinadas a produção industrial de cachaça. 3.2 Processo Produtivo O processo produtivo é aqui apresentado para podermos caracterizar as principais diferenças entre a produção artesanal e a industrial. Acreditamos que é muito importante o conhecimento destas diferenças, para que se possa entender as razões de um nível de qualidade distinto entre os dois produtos. O processo produtivo da aguardente de cana é descrito de forma sucinta, com base em Yokoya (1995), Waack (1996) e Casimiro et. al. (1999). Este processo é ilustrado no fluxograma a seguir: 12 Fluxograma do processo produtivo de cachaça Produção da Cana de Açucar Limpeza do canavial Corte Bagaço (energia) Moagem Transporte Água Fermentação Fermento Destilação Vinhoto (fertilizante) Armazenamento / Envelhecimento Engarrafamento 3.2.1 Matéria Prima A cana de açúcar é a matéria-prima principal para a produção de cachaça. Como principais fatores que definam sua qualidade e produtividade podem ser destacados o planejamento agrícola (maturação da cana, queima - sendo que esta não é admitida na produção da cachaça artesanal - colheita, carregamento e transporte), a variedade da cana, o local e o ambiente de cultivo, pragas e doenças. O tempo entre o plantio e a colheita é, em geral, de um ano. 3.2.2 Moagem ou extração do caldo Nesta operação o caldo da cana é extraído por prensagem, sendo que o que resta de cana, sem caldo, é denominado bagaço. A cana cortada deve ser preferencialmente moída no mesmo dia. Se ficar à espera de moagem sofre deteriorações que ocasionam perdas de rendimento e 13 de qualidade do produto. O tamanho do engenho deve ser compatível com a capacidade das duas outras operações. A matéria-prima não pode ficar à espera do término da operação seguinte. O bagaço pode ser empregado para combustão, para gerar vapor ou diretamente na fornalha do alambique. Contudo, alguns produtores preferem utilizá-lo na ração animal dado seu ainda elevado nível de sacarose, que é muito nutritivo para o gado. A moagem pode ser precedida, ou não, por uma picagem da cana. Este recurso facilita a moagem pela destruição de células da cana, aumentando a eficiência na extração do caldo. Outro recurso, também utilizado, é o uso de mais de um terno de moendas, procedendo-se ao embebimento do bagaço com água, entre as moendas, para aumentar o rendimento. 3.2.3 Fermentação A fermentação alcoólica é a principal etapa do processo de produção de aguardente de cana. Aí, o açúcar e outros componentes presentes no mosto são transformados em álcool etílico, gás carbônico e outros produtos que são responsáveis pela qualidade e defeito do produto. Participam nesse processo, além da levedura que é o principal agente, outros micro-organismos que são introduzidos involuntariamente no sistema. No geral, esses últimos são indesejáveis e são responsáveis pela redução do rendimento alcoólico e depreciação na qualidade do produto, como acidez elevada e odores e sabores estranhos. O material a ser fermentado, constituído de caldo de cana e nutrientes (opcional), é conhecido com o nome de “mosto” e o líquido resultante após o processo 14 fermentativo é denominado de “vinho”. O primeiro contém teores variados de açúcares (seu principal ingrediente) e o segundo o etanol, resultante da transformação bioquímica dos açúcares. Na prática industrial, diversas são as formas de se conduzir o processo fermentativo. Não existe um processo universal, ideal para todas as situações. Geralmente, os processos adequados para grandes unidades não se adaptam às pequenas fábricas por serem sofisticados demais, necessitando grandes investimentos e controles elaborados não condizentes com pequenos produtores. A fermentação, dependendo das condições ambientes, se dá em um período de 18 a 24 horas, no caso da cachaça artesanal. 3.2.4 Destilação Destilação é a operação final da produção de aguardente de cana. Nesta operação os componentes voláteis do vinho são separados da parte fixa. Virtualmente todo o álcool é obtido no destilado, assim como muitos componentes voláteis que constituem as impurezas ou componentes secundários. Para que se tenha uma aguardente de boa qualidade, é necessário um bom equilíbrio desses componentes secundários. Isto depende, em primeiro lugar de vinho com composição adequada e, em segundo lugar, de aparelhagem e condução de destilação adequados. No Brasil, na prática, encontram-se dois processos de destilação: simples ou periódica; e sistemática ou metódica. A primeira é feita por batelada, em aparelhos intermitentes e a segunda em aparelhos contínuos. A destilação simples, característica da cachaça artesanal, é conduzida num aparelho conhecido como alambique. Durante o processo são separadas a 15 “cabeça” (primeiro destilado a sair do alambique) e a “cauda” parte final do vinho, que dão características indesejáveis à cachaça. A parte destilada que será destinada ao consumo é chamada de “coração”. Um dos fatores críticos na qualidade final do produto são então os pontos de “corte” da cabeça e da cauda. A destilação contínua é utilizada principalmente pelos produtores de grande porte. O aparelho empregado é a coluna de destilação contínua, semelhante àquela utilizada nos processos de destilação do álcool e do petróleo. Para dar uma ordem de grandeza, um alambique médio produz uns 400 litros de cachaça em 4 horas. 3.2.5 Envelhecimento ou Maturação A maturação sistemática não é uma prática normal no Brasil. Tem se observado que a aguardente melhora sensivelmente no aroma e sabor com armazenamento prolongado do produto em tonéis de madeira, usualmente carvalho ou bálsamo. A maturação é conseguida através de seu envelhecimento em recipientes adequados e em condições próprias de armazenamento, principalmente com relação a temperatura e umidade. O desenvolvimento do aroma e sabor durante a maturação é resultante de uma série de transformações lentas e relativamente independentes que somadas dão origem às propriedades características de cada bebida após alguns anos. Há a crença de que “quanto mais velha, melhor”, no entanto, tem-se comprovado que o envelhecimento de pelo menos 12 meses tem sido suficiente para conferir esta qualidade, sobretudo pela aromatização da bebida em contato com essências madeireiras da pipa. 16 Outro fator a ser levado em consideração nesse processo de maturação é a capacidade ou volume do tonel de armazenamento, pois a intensidade dos processos interativos da madeira e da bebida armazenada são inversamente proporcionais ao tamanho do barril. Em tonéis de 50 000 litros, a madeira interfere pouco no processo de maturação, o que não ocorre nos pequenos barris de 200 litros, de carvalho, também utilizados com essa finalidade. 3.2.6 Padronização e Engarrafamento A padronização é uma etapa fundamental, completando a elaboração da bebida em escala comercial. Aí fazem-se as correções necessárias como por exemplo acidez da bebida, a adição de açúcar a níveis permitidos, padronização do grau alcoólico conforme o registro de cada um, correção de cor (se necessário) e filtração. Estes processos são mais característicos da cachaça industrial, uma vez que a cachaça artesanal, quando devidamente maturada em barricas de madeira, sofre uma padronização natural. No engarrafamento é muito importante o critério de limpeza dos vasilhames, sobretudo com a monitoração de resíduos de matéria orgânica e de soda cáustica empregada algumas vezes na lavagem das garrafas. 3.2.7 Resumo da principais diferenças entre os processos artesanal e industrial As principais diferenças entre os processos artesanal e industrial são resumidos na tabela 3.2.7 a. 17 Fase do Processo Produtivo Colheita: Cachaça Industrial Cachaça Artesanal Limpeza do canavial com fogo Limpeza do canavial feita manualmente Fermentação: Uso de produtos químicos Fermentação natural e processo controlado Destilação: Em colunas de destilação, Em alambiques, por continuamente bateladas Maturação ou envelhecimento: Nenhum, tanques de aço Padronização: Toneis e barricas de madeira (Ipê, carvalho, bálsamo, amendoim, etc.) Em geral, nenhuma. Adição de água e/ou açúcar, padronização de cor tabela 3.2.7 a - Principais diferenças entre os processos artesanal e industrial 3.3 O Mercado Atual 3.3.1 Produtores Segundo Yokoya (1995), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou, em 1984, a existência de 1219 estabelecimentos produtores de aguardente de cana, empregando mais de 53 mil pessoas. Pinheiro (1999) estima que a produção anual total se distribui, na seguinte proporção (ver figura 3.3.1a): • ~50 a 55% do volume é produzido pelas 10 maiores engarrafadoras instaladas. • ~25 a 30% é distribuido pelas engarrafadoras de pequeno porte • ~10 a 15% é utilizado como matéria prima na fabricação de conhaque • ~4%, ou menos, é produzida em pequenas propriedades, utilizando alambiques, de forma artesanal. 18 figura 3.3.1 a – distribuição da produção de cachaça no Brasil Distribuição da Produção da Cachaça no Brasil artesanal. matéria prima na fabricação de conhaque 10 maiores engarrafadoras instaladas. engarrafadoras de pequeno porte Os maiores estados produtores seriam São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará, nesta ordem. 3.3.1.1 Cachaça industrial O maior produtor de cachaça industrial é a Companhia Müller de Bebidas localizada em Pirassununga, SP e engarrafadora da famosa marca “Caninha 51”. Segundo a página da empresa na internet, são produzidos anualmente 240 milhões de litros somente da marca “Caninha 51”. A empresa é também detentora das marcas Terra Brazilis (Aguardente Feita com Arte), Domus Conhaque e Caninha 29 o que a torna a “maior destilaria de aguardente do mundo” dona da “maior planta de engarrafamento do mundo”. 19 É interessante notar que esta posição de líder mundial foi atingida em um espaço de tempo relativamente curto, já que a empresa foi criada no início da década de 60, quando Guilherme Müller Filho começou a engarrafar a Caninha 51 em vasilhames de cerveja. Como razões para este sucesso, pode-se citar o pioneirismo e agressividade da empresa que: implementou vasilhames de vidro transparente (1 litro) já no fim da década de 60; importou a mais moderna linha de engarrafamento do mundo nos anos 70; foi a primeira aguardente a entrar no mercado publicitário de maneira profissional em 79, criando o slogan: “Uma boa idéia”; e culminou com a profissionalização total de seu staff na década de 80 e com a criação das novas marcas na década de 90. O segundo maior engarrafador de cachaça é a Pitú que é também, segundo seu site na internet, a maior empresa exportadora de cachaça, exportando hoje em torno de 2 milhões de litros por ano. Outras grandes marcas de cachaça industrial são Velho Barreiro, Caninha da Roça, Ypióca, etc. A divisão do mercado entre as maiores engarrafadoras é dada na figura 3.3.3.1a, segundo a revista Distribuição, apud Coutinho, 1999. 20 Mercado de Cahcaça - Market Share Grandes Marcas 100.0% 80.0% Outros Caninha da Roça Ypióca Pitú Caninha Jamel Velho Barreiro Caninha 51 60.0% 40.0% 20.0% 0.0% 1996 1997 1998 figura 3.3.3.1a – distribuição do mercado de cachaça Alguns grandes produtores destilam seu próprio produto integralmente – como o caso da Ypioca – ao lado destes existem os grandes engarrafadores, que compram a produção de terceiros e colocam sua marca depois de tratar (ou não) o produto adquirido, controlando sua qualidade. Há também o caso bastante freqüente daqueles que produzem apenas parte do produto que engarrafam. Esses grandes produtores dominam totalmente o mercado de S. Paulo, Rio de Janeiro, estados do Sul e do Nordeste. Apenas Minas Gerais manteve sempre aberto um espaço importante para a cachaça artesanal muito apreciada pelos mineiros. É lá que se concentram até hoje o maior número de pequenos produtores que distribuem seu produto pela região. 21 3.3.1.2 Cachaça Artesanal Os produtores de cachaça artesanal se encontram espalhados por todo o território nacional, com maior concentração em Minas Gerais e são desde pequenas propriedades que produzem praticamente para "consumo próprio”, passando por médios produtores que abastecem os estabelecimentos vizinhos, vendendo a cachaça a granel em bujões e garrafões, até àqueles que engarrafam sua produção com marca própria e que possuem um sistema de distribuição que, em alguns casos, permite um alcance quase que nacional de suas vendas. Também no caso da cachaça artesanal existem as empresas que somente engarrafam e distribuem a produção de terceiros. Marcas, hoje, que podem ser citadas como tendo um reconhecimento nacional são por exemplo a Lua Cheia, a Germana, a Seleta, a Espírito de Minas ou a Havana, esta última conhecida por ser a cachaça mais cara do Brasil. A cachaça artesanal, depois da guerra viu-se praticamente expulsa do mercado, com a implantação do processo industrial, de destilação em coluna. O caso de Paraty, cujo nome se confundia com o da própria cachaça no século XIX e primeiras décadas do século XX, é ilustrativo. Dos mais de uma centena de alambiques existentes na região restam hoje, em funcionamento, apenas seis. A situação se reproduz por todo o estado do Rio, tradicional produtor de cachaça de alambique, que hoje importa de outros Estados a maioria da cachaça (industrial) consumida. 3.3.1.2.1 Perfil médio do produtor A grande maioria dos produtores de cachaça artesanal é identificada por algumas das seguintes características: 22 • Garrafa de cerveja / garrafão de 5l; • Venda a granel da safra do ano, com tempo mínimo de armazenamento / maturação; • Preço muito baixo, competindo com a cachaça industrial, e sofrendo graves prejuízos; • Clandestinidade - grande parte dos alambiques não está registrada nem controlada pelo Ministério da Agricultura; • Ausência de marca; • Dispersão - a produção está pulverizada em pequenos alambiques isolados; • Venda na porta do alambique; • Pouco controle de qualidade; • Conhecimentos técnicos totalmente empíricos, baseados geralmente na tradição familiar. 3.3.1.2.2 As exceções: os profissionais (com base em levantamentos feitos pela APACERJ) Estes produtores se destacam por melhorarem seus métodos, de forma que: • Produzem entre 30 e 500 mil litros por ano, a maioria situando-se em torno dos 100 mil litros; • Mantêm os estoques armazenados por no mínimo um ano em tonéis de madeira de diferentes capacidades; • Mantêm um controle bastante rigoroso da qualidade de seus produtos; • Mantêm uma estrutura de vendas e distribuição regular; • Estão empenhados na estruturação do setor; 23 • Estão engajados na melhoria da qualidade de seus produtos e no aperfeiçoamento dos conhecimentos técnicos; • Tem uma boa percepção do mercado; • Estão registrados no Ministério da Agricultura; Exemplos - Germana, Seleta e Boazinha, Havana, Vale Verde Nega Fulô, Rochinha, Velha Matinha, Bousquet, Guandú, Maxicana e Magnífica. 3.3.2 Estatísticas de Consumo de Cachaça no Brasil De acordo com Yokoya (1995), os dados oficiais indicavam que eram produzidos, em 1984, mais de 1 bilhão de litros anuais. Considerando que a parcela destinada à exportação era desprezível, o consumo per capita anual ficava em cerca de 6 litros. Contudo, se considerado um mercado informal reconhecidamente em torno de 50% (Chaves e Póvoa, 1992) este consumo sobe para um mínimo de 9 litros per capita, anuais. Este consumo per capita trazido para os dias de hoje, daria uma produção anual de aproximadamente 1,6 bilhões de litros. Carvalho e Silva (1998), citam um número redondo de 2 bilhões de litros para a produção anual de cachaça. Pinheiro (1999) coloca a produção anual em 1,3 bilhões de litros e menciona que a cachaça é a 2a bebida alcoólica mais vendida no Brasil, perdendo em volume somente para a cerveja com 5,4 bilhões de litros/ano . No centro-sul do Brasil se consome cerca de 80% de toda a produção nacional de cachaça (site Aguardente Pitú, 2001). Coutinho, 2001, citando como fonte o Globo Rural de 1992, apresenta a seguinte distribuição do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil. 24 Consumo de Bebidas Alcoólicas no Brasil (fonte Globo Rural 1992, apud Coutinho, 2001) 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 cerveja cachaça whisky conhaque vinho vodca figura 3.3.2 a – consumo de bebidas alcoólicas no Brasil em 1,000,000 l - 1992 3.3.3 Exportação 3.3.3.1 Volume Segundo Moreira, 2001, a exportação da cachaça industrial brasileira alcança 270 milhões de litros por ano, dado que nos parece evidentemente equivocado. Já o PBDAC dá números bem mais modestos, chegando a um máximo de 8 milhões de litros por ano. Quando comparado à exportação anunciada pela Pitú em seu site – 2 milhões por ano – e levando em conta ser a Pitú a maior exportadora, este último valor parece ser mais realista. O histórico da exportação de cachaça, segundo o PBDAC é apresentado na figura 3.3.3.1a. Dados da Gazeta Mercantil, 1999, apud Coutinho, 2001, indicam que as exportações brasileiras teriam oscilado entre 10,8 e14,0 milhões de litros entre 1995 e 1999. Estes dados também estão representados na figura 3.3.3.1a. 25 A exportação de cachaça artesanal é insignificante. Exportação de Cachaça (fonte PBDAC / Gazeta Mercantil) 16000 14000 12000 x 1,000 l 10000 8000 6000 4000 2000 0 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Ano PBDAC Gazeta Mercantil Figura 3.3.3.1a – histórico da exportação de cachaça 3.3.3.2 Países importadores Os países de destino da cachaça brasileira são mostrados na figura 3.3.3.2a. 26 Destino das Exportações de Cachaça (fonte PBDAC) Alemanha 23% Outros 29% Itália 9% Chila 5% Portugal 6% Bolívia 5% Paraguai 23% figura 3.3.3.2a – distribuição dos países importadores de cachaça 3.3.3.3 Principais Bebidas Concorrentes no Mercado Internacional Dada a quase insignificância do volume de exportação atual da cachaça, é quase que uma pretensão falar-se em concorrentes no mercado internacional. Contudo, cabe lembrar que a cachaça concorreria com os destilados, tanto na categoria dos álcoois brancos, como a tequila, para misturar em coquetéis, assim como na dos álcoois que se bebem puros, como o uísque e o conhaque. Por outro lado, dado o elevado volume de produção do destilado nacional, a cachaça pode vir a ser um “player” importante, como mostram os dados do PBDAC, reproduzidos na figura 3.3.3.3a. 27 Consumo Mundial de Bebidas Destiladas (fonte PBDAC) 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 Vodca Soju Garrafas de 0,7 l (x 1,000,000) Cachaça Shochu Gin Rum Scotch Whisky Thai Whisky Brandy Licor figura 3.3.3.3 a – consumo mundial de bebidas destiladas 3.4 Programas de Valorização da Cachaça 3.4.1 PBDAC Lançado novembro de 1997, o Programa começou a ser estruturado depois de uma visita de produtores e engarrafadores de cachaça aos produtores de uísque da Escócia, organizada pelo SEBRAE e Sindicato de Bebidas do Ceará. Conhecendo a história do uísque, as dificuldades encontradas na organização do setor e a importância econômica do mesmo para a economia da Grã Bretanha, o grupo de produtores se convenceu de empreender com urgência a organização do setor no Brasil, pleiteando a implantação de políticas de proteção e implementação deste setor produtivo que, apesar de sua importância econômica, nunca foi amparado por ações governamentais. 28 O PBDAC congrega os produtores artesanais como industriais e procura promover ações de divulgação da cachaça no exterior, participando de feiras, eventos e exposições, e apoiando os produtores; zelar pela melhoria do padrão de qualidade; trabalhar junto ao governo para que medidas de proteção da cachaça sejam implementadas. Graças a essas ações, por exemplo, o Governo FH reconheceu, através de Decreto Presidencial, o nome Cachaça como denominação nacional do destilado produzido a partir do caldo da cana. 3.4.2 AMPAQ A Associação Mineira de Produtores de Aguardente de Qualidade – AMPAQ – foi pioneira na tentativa de organização do setor. Existe já há mais de dez anos e tem promovido durante este tempo diversas ações junto aos governos e aos produtores, bem como promovendo junto aos veículos de informação a valorização da cachaça de Minas. Hoje a AMPAQ dispõe de um selo de qualidade e de uma garrafa padronizada que identifica a cachaça de Minas Gerais. Congrega sobretudo produtores artesanais que lutam por manter aberto seu espaço no mercado 3.4.3 APACERJ No modelo da AMPAQ foi criado em 1998 a Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça do estado do Rio de Janeiro, congregando os produtores do Estado. A Associação foi criada durante o Fórum de Itaperuna, organizado através de uma parceria de produtores com a Secretaria do MinA. Da Secretaria de agricultura do Estado, SEBRAE e FIRJAN. Nesse Fórum reuniram-se pela primeira vez mais de 100 produtores do Estado e foi possível fazer um primeiro 29 balanço da situação dos produtores. Verificou-se uma grande expectativa entre eles, a quase totalidade enfrentando enormes dificuldades e grandes prejuízos, com preços achatados, sem condição de evoluir. A APACERJ vem desde então, em parcerias com os demais orgãos trabalhando para a estruturação do setor, a organização de cursos e seminários capazes de fornecer aos produtores os subsídios necessários à melhoria da qualidade, a organização de feiras e salões de cachaça e a divulgação da cachaça de qualidade junto à mídia. Em 2000 foi lançado o Programa de Excelência da Cachaça do Rio de Janeiro. 3.4.4 Outros Programas Outros Estados estão também se organizando nos mesmos moldes existindo já uma dezena de organizações estaduais tais como Goiás, S. Paulo, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia, Paraná e Paraíba. Recentemente foi criada a FENACA – que congrega associações da vários estados. 3.4.5 Resultados Como alguns dos resultados já alcançados podemos citar o Decreto Presidencial reconhecendo a Cachaça como denominação nacional do destilado de cana, as gestões do Governo brasileiro para que a cachaça seja considerada pelos EUA como um destilado com denominação específica e não seja classificado como RUM. A inclusão da cachaça no programa de novos polos de exportação pelo Min. da Indústria e Comércio. 30 Podemos citar ainda a recente cobertura da mídia impressa como televisiva aos eventos de promoção da cachaça. 3.5 Razões para a Diferenciação da Cachaça Artesanal Como vimos no item 3.2.7, o grande fator de diferenciação da cachaça artesanal é conseguido através de seu processo de fabricação. As cachaças industriais, como Pitú e 51, geralmente amadurecem muito pouco tempo, em gigantescos tanques de aço inox. Esta limitação do processo industrial é conseqüência direta dos enormes volumes produzidos, que tornam a manutenção de um estoque de um ano para maturação completamente incompatível com a estratégia de preços baixo e grandes volumes, adotada por estes produtores. Marques, Vilella e Faria (2000) mostraram em uma análise de custos de um médio produtor de cachaça artesanal, que os custos financeiros de se manter um estoque para maturação de dois anos praticamente dobram os custos totais de produção. Devido à ausência de uma maturação adequada, as cachaças industriais têm então pouca complexidade predominando o gosto do álcool , bastante agressivo. Já as cachaças artesanais são destiladas em pequenas quantidades e podem ser envelhecidas por no mínimo um ano em tonéis de madeira - de preferência carvalho. É claro que esta generalização “cachaça artesanal = qualidade superior” e “cachaça industrial = qualidade inferior” tem suas exceções. Assim como há indústrias como a cearense Ypióca, que produz toda a sua cachaça e a envelhece parte da produção na madeira (denominação Gold), conseguindo um bom resultado, há também alguns pequenos produtores que fazem sua cachaça de modo tão artesanal que acabam descuidando de certos controles de higiene e 31 temperatura. Há de se ressaltar que dentre as cachaças industriais, a Ypioca tem um preço, no mínimo, duas vezes mais caro que as outras marcas. Porém, há hoje em dia uma tendência de melhora do produto artesanal como um todo. Diversos programas e cooperativas foram criados recentemente pelos produtores de cachaça em conjunto com orgãos dos governos federal e estaduais, para normalizar e divulgar as boas práticas para a produção de cachaça. Em âmbito nacional foi criado o Programa Brasileiro da Aguardente de Cana, Caninha ou Cachaça – PBDAC, hoje, Programa Brasileiro da Cachaça, PNBC que defende o resgate do nome cachaça como bebida típica nacional e os interesses dos produtores de cachaça dentro e fora do Brasil. No âmbito estadual em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, a AMPAQ – Associação Mineira dos Produtores de Aguardente de Qualidade – e a APACERJ – Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça do Estado do Rio de Janeiro – promovem regularmente cursos e conferências com o intuito de formar uma comunidade de produtores mais capacitada. A AMPAQ instituiu também um selo de qualidade que é a dado aos produtores de cachaça artesanal que aderem às melhores práticas de fabricação. Outro fator de diferenciação é o processo de destilação intermitente (em alambiques), para a cachaça artesanal e contínuo (em colunas de destilação), para a cachaça industrial. Um paralelo, para se ter uma noção do diferencial conferido pelo método de destilação, pode ser feito com o uísque escocês. O uísque ‘puro malt’ é feito somente em alambiques, como a cachaça artesanal, enquanto que o uísque de cereais produzido em colunas de destilação não é 32 comercializado puro e, misturado ao malt, é utilizado como base para a produção do “blend”. Quanto ao preço, a cachaça artesanal custa, em média, cinco vezes mais do que a industrial. 33 4 O caso da Cachaça Magnífica 4.1 Introdução Este caso apresenta o histórico da empresa; detalhes dos custos envolvidos na produção de cachaça artesanal; dados de produção e de vendas; e um resumo de como o produtor, que busca uma maior visibilidade no mercado como produto diferenciado, classifica seus principais desafios e estratégias para o futuro. O estudo deste caso é importante por mostrar o lado do produtor, e para dar ao pesquisador a oportunidade de conhecer também este ângulo do problema analisado. 4.2 Antecedentes Em 1985 foi fundada a CMJ Agropecuária Ltda, com três sócios, com a finalidade de produzir cachaça em terras da Fazenda do Anil, situada no limite dos municípios de Miguel Pereira e Vassouras, na região serrana do estado do Rio. A decisão de priorizar a produção de cachaça foi tomada em função da experiência de um dos sócios que já havia administrado outra fazenda na mesma região que, há mais de cem anos, produzia cachaça em alambique de cobre. Esta fazenda, como a maioria dos pequenos produtores de cachaça de alambique vendia toda a sua produção a granel, sem engarrafamento nem marca, depois de um ano de envelhecimento em média. A venda da cachaça, bastante conhecida na região, era a principal fonte de receita da fazenda, suficiente para cobrir seus custos. Dos três sócios, apenas este tinha experiência em agricultura. Os dois outros eram um engenheiro – com experiência em produção industrial e em 34 acompanhamento de projetos industriais – o outro economista, que havia comprado as terras na região, interessado em criar cavalos de raça, projeto que não chegou a concretizar-se. A partir da decisão tomada e da constituição da sociedade, foi iniciado o trabalho de montagem do equipamento (alambique de cobre de três corpos, moenda alimentada por esteiras, dornas de fermentação e caldeira para a produção de vapor) e depósitos para o envelhecimento da cachaça, e o preparo da terra para o plantio da cana . É de notar-se que a região, muito montanhosa, não dispunha de energia elétrica. Em compensação, dispunha de água em grande quantidade, nascida na própria propriedade, o que possibilitou a construção de barragens para a formação de diversos açudes, aproveitando a topografia da região. O projeto implantado previa a rápida expansão da agro indústria, e a obra de alvenaria foi projetada em vista de instalações bem mais ambiciosas do que a inicial. Em relação aos alambiques mais comuns na área, o projeto apresentava já algumas inovações, e demonstrava a preocupação com a qualidade da bebida a ser produzida: a escolha do aquecimento a vapor, de preferência ao uso do fogo embaixo do alambique, o que permite o controle mais efetivo da temperatura; alimentação da moenda e da caldeira por meio de esteiras, representando uma racionalização do processo; tanque para a decantação do vinhoto, protegendo o meio ambiente e possibilitando o uso do mesmo como adubo. Além disso, todo o projeto foi pensado para que a higiene do local pudesse ser facilmente mantida e controlada. Dois anos depois, o equipamento em condições de operar, iniciou-se a destilação da cachaça. O esquema de escoamento da produção seguia o modelo tradicional 35 dos alambiques da região: venda do destilado a granel sem marca nem garrafa, na porta da fazenda, ou em bombonas de 50 litros, distribuídas aos botequins e vendas da redondeza. Embora o projeto de alvenaria não estivesse totalmente concluído, a fazenda produziu cachaça de boa qualidade até fins de 1989 mas com enorme prejuízo, uma vez que competia no preço com as cachaças industriais. Nessa ocasião, em virtude de diversos fatores, a produção parou: o primeiro sócio, proprietário inicial das terras, não chegou a interessar-se pela fabricação da cachaça insistindo no projeto do haras; o segundo, que tinha experiência na administração de fazenda e na produção de cachaça, a braços com problemas de ordem pessoal, acabou por mudar-se para S. Paulo, colocando à venda sua parte. O terceiro, que cuidou de toda a parte de engenharia, foi nomeado presidente de uma grande empresa e viu-se impossibilitado de continuar à frente do projeto. A destilação foi suspensa, e a fazenda ficou parada, com os equipamentos sem qualquer manutenção. 4.3 Criação da Marca Em novembro de 1994 foi desfeita a sociedade. O terceiro sócio apostou no projeto, apesar dos prejuízos havidos na primeira fase. Um grande investimento havia sido feito. Esse investimento estaria totalmente perdido se o projeto não fosse retomado. Negociou a compra da parte dos outros dois, e retomou o projeto: foi concluída a obra de alvenaria, finalizando o galpão da moenda e da caldeira; todo o equipamento foi reformado depois de ficar por quatro anos ao relento, sem qualquer manutenção; foi reformado o tonel de armazenagem com 36 aquisição de outros, incluindo barris de carvalho para o envelhecimento de parte da produção; também houve necessidade de fazer a revisão do alambique e do replantio dos canaviais praticamente extintos depois de quatro anos sem qualquer trato. Finalmente, passados três anos, a produção de cachaça foi reiniciada, em agosto de 1997. Até então o projeto se mantinha inalterado, com a perspectiva de escoamento da produção a granel, reservando-se apenas uma pequena parte para envelhecimento sem fins comerciais, destinada ao consumo próprio ou de amigos. Em 1996 foi organizada uma visita de alguns produtores de cachaça à Escócia, pelo sindicato de bebidas do Ceará, com apoio do SEBRAE local. O proprietário da CMJ sabendo da iniciativa, juntou-se ao grupo. Essa viagem revolucionou sua visão sobre a produção da cachaça no Brasil e representou uma reviravolta no projeto. Na Escócia, além de visitar as destilarias, o grupo foi recebido por algumas entidades ligadas à produção do whisky. Obteve informações sobre a política de valorização da bebida e os mecanismos de controle de qualidade adotados e sobre o peso da produção e exportação da bebida na economia da Grã Bretanha. Ao voltar ao Brasil o grupo estava convencido a iniciar imediatamente um movimento que tirasse a produção da cachaça – sobretudo da cachaça artesanal de qualidade – do estado de estagnação em que se encontrava. Foi a semente do Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana Caninha ou Cachaça – PBDAC, um ano depois lançado em Brasília, com a presença do vicepresidente da república, dr Marcos Maciel, que exercia, na ocasião a função de 37 presidente, dos ministros da agricultura, indústria e comércio, além de representantes da CNI e do SEBRAE nacional. Ao mesmo tempo em que, no plano nacional se trabalhava na elaboração do programa, no âmbito da produção de cachaça importantes decisões foram tomadas no âmbito da CMJ: Abandonou-se o primeiro projeto de venda da cachaça a granel na porta da fazenda. O reconhecimento da qualidade da bebida e a nova consciência sobre a produção de cachaça no Brasil, levou à opção pelo engarrafamento em recipientes transparentes, de 700 ml. Rompia-se assim a tradição da cachaça embalada em garrafa vazia de cerveja, com tampa de rolha, ou de chapinha. O nome foi escolhido após vários “painéis de consumidor”, realizados informalmente com amigos do produtor, e entre todos os propostos prevaleceu o nome “MAGNÍFICA Cachaça do Brasil”. Para a embalagem e o rótulo foi contratado o serviço especializado de um escritório de design, e foi feita a opção pelo rótulo em silk screen, no lugar do tradicional rótulo de papel colado à garrafa. Buscou-se sempre uma imagem de produto de qualidade, com apresentação cuidadosa, que transmitisse de imediato ao consumidor a idéia de que se tratava de um produto diferenciado. Ao lado da embalagem standard, foi escolhida uma embalagem de luxo: uma garrafa de vidro importada da Itália, com tampa de vidro, acompanhando o padrão dos destilados internacionais de maior prestígio. A par disso, a regularização da marca foi solicitada ao Ministério da Agricultura, bem como a análise (bioquímica) do produto, indicando grau de acidez, presença de cobre ou de outros elementos que definem o padrão de qualidade da bebida. 38 Foi ampliada a capacidade de envelhecimento em barris de carvalho de 200 litros com a aquisição de novos barris, e o controle sistemático da qualidade da bebida submetida ao processo de envelhecimento. No plano “macro” a organização do setor prosseguia, com a promoção do Fórum de Itaperuna, que reuniu mais de cem produtores de cachaça do Estado do Rio de Janeiro quando foi lançada a Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça do estado do Rio de Janeiro, que a partir daí, com o apoio do Ministério da Agricultura, do Sebrae e da Firjan, promoveu uma série de cursos visando o aprimoramento da cachaça produzida no Estado, como forma de apoio ao pequeno produtor e de fortalecimento do setor. Chegou-se assim ao Programa da Cachaça de Excelência do Estado do Rio de Janeiro, que tem batalhado para a implantação de políticas de apoio e aprimoramento do produto. Os resultados de tais esforços não se fizeram esperar. O Ministério da Agricultura – Secretaria do RJ, que durante dez anos registrara apenas uma marca de cachaça, registrou, durante o período de 99/2001 mais de 40 novas marcas de cachaça produzidas no Rio de Janeiro, entre as quais a Magnífica Cachaça do Brasil. É também sensível a mudança de postura diante da cachaça que, cada vez menos, vem sendo identificada a uma bebida de qualidade inferior de grande consumo junto à população de baixa renda, que bebe cachaça por falta de opção. Algumas atitudes das autoridades tem colaborado para isso: é de notar-se que no banquete oferecido pela FIRJAN por ocasião da reunião da Cimeira, o brinde feito pelo Presidente da República foi com a cachaça MAGNÍFICA. 39 4.4 Estrutura de custos e ponto de equilibrio Um estudo de custos, realizado em 2000 por estudantes de administração, apresentado em anexo, chegou às seguintes conclusões: • Os ativos totais da fazenda somavam aproximadamente R$ 1,350,000 sendo que metade é o valor da terra da fazenda; • A depreciação anual deste ativo, girava em torno de R$ 54,000; • Os custos fixos de produção eram de R$ 110,000 por ano e as despesas administrativas eram de R$ 94,000 anuais; • Os custos variáveis foram quantificados em R$ 1,29 por garrafa A partir dos dados acima, foram calculados três casos de ponto de equilíbrio, como segue: Caso 1: Nível de atividade necessário para cobrir integralmente os custos fixos, incluindo a remuneração de um executivo principal para a fazenda. Caso 2: Nível de atividade necessário para cobrir os custos fixos, exceto a remuneração de um executivo principal para a fazenda, função esta exercida pelo dono. Caso 3: Nível de atividade mínimo que a fazenda pode suportar por um pequeno horizonte de tempo, onde o fluxo de desembolsos de caixa está coberto pelo nível de atividade, desconsiderando-se depreciação e amortização de ativos. Os resultados do estudo, considerando os preços de venda praticados à época, mostraram os seguintes pontos de equilíbrio: • Caso 1_ 83.638 l de cachaça anuais (119.483 garrafas); • Caso 2_ 55.540 l de cachaça anuais (79.343 garrafas) (a partir deste ponto o proprietário tem resultados positivos com a atividade); 40 • Caso 3_ 21.978 l de cachaça anuais (31.397 garrafas) (resultado que ressalta a relevância dos custos de depreciação a atividade). É importante notar que os pontos de equilíbrio calculados acima desprezam o valor do dinheiro no tempo. Os custos financeiros, ou de oportunidade, não foram considerados. Quando este tipo de consideração é feita, o volume total de produção para que o empreendimento possa ser considerado rentável fica em tomo de: ! 141.400 l de cachaça anuais (202.000 garrafas); 4.5 O Produto A Magnífica é produzida em duas formas: a cachaça envelhecida em barris de carvalho, por cerca de dois anos, que recebe um rótulo preto e apresenta um teor alcoólico ligeiramente inferior e a cachaça que ficou armazenada nos grandes tonéis de ipê e que é identificada pelo rótulo claro. Teor alcoólico de 43%/ 45% O tempo de envelhecimento em carvalho não é superior a 2 anos e meio, pois depois deste prazo o gosto e o perfume do carvalho tendem a prevalecer, diluindo as características da cachaça. Nos tonéis de 50 000 litros o tempo mínimo de maturação é de dois anos. A bebida é condicionada em três tipos de embalagem: standard, com 700ml, luxo, com 750 ml – uma garrafa importada italiana – e dose individual, em garrafinhas de 50 ml. Há também a apresentação em “kits” com duas garrafas e copinhos personalizados. 41 4.6 Os principais Concorrentes Segundo o produtor, os principais concorrentes da Magnífica, como de todas as demais cachaças de alambique são as cachaças industriais - no caso daqueles que ainda não identificam a cachaça de alambique como um produto diferenciado. No preparo de caipirinhas, é também grande concorrente a vodca - usada amplamente por bares e restaurantes como consequência da identificação generalizada da cachaça como bebida de qualidade inferior, que ainda prevalece entre o grande público. Entre aqueles que buscam cachaça de qualidade, a Magnífica encontra seus maiores concorrentes entre outras cachaças artesanais e as “cachaças de Minas” que graças ao trabalho que vem sendo desenvolvido há vários anos, pelos produtores mineiros, já são reconhecidas pelo público em função de sua qualidade. 4.7 O Preço Preço de Venda para o revendedor em 2001, era de R$ 6,50, a garrafa de 700ml de cachaça normal e de R$ 8,50 a garrafa de 700ml de cachaça envelhecida. As embalagens de luxo importadas, também de 700ml, ficavam em R$ 28,00 e R$ 30,00 respectivamente. O preço praticado no varejo somava estes valores uma margem nunca inferior a 50%, podendo em muitos casos passar dos 100%. 4.8 Promoção Regularizada a produção, e o registro do produto junto ao Ministério de Agricultura; resolvida a questão da embalagem e implantados os processo de controle de qualidade da bebida, iniciou-se o processo de comercialização. 42 Seja dito que o produtor da MAGNÍFICA não tinha qualquer experiência na área comercial, pois toda sua vida estivera envolvido com produção e acompanhamento de projetos industriais. O processo de comercialização foi sendo estruturado aos poucos, de forma bastante informal, o que foi possível graças ao pequeno volume destilado nas primeiras safras. O primeiro esforço foi o de identificar o nicho de mercado que poderia se configurar como público alvo da Magnífica – pessoas de classe média, bom nível cultural, habituados a valorizar os produtos brasileiros frente à invasão de produtos estrangeiros. Pelo custo de sua produção, e pela pequena quantidade produzida, não se poderia esperar competir no mercado com as marcas industriais já consagradas. Assim, como primeiro passo, a MAGNÍFICA foi apresentada a um grupo de apreciadores de cachaça que se reúne mensalmente e avalia informalmente a qualidade das cachaças garimpadas nas mais diversas regiões do país – a Confraria do Copo Furado, que existe já há dez anos. Desse grupo, surgiu o primeiro “vendedor” da MAGNÍFICA – um publicitário, conhecedor das rodas de boemia do Rio e apreciador de cachaça, que participava igualmente de outro grupo de apreciadores de cachaça – a Academia Brasileira de Cachaça. Com ele iniciou-se a apresentação da Magnífica ao mercado. Inicialmente, como apoio a eventos culturais: exposições de pintura, escultura; lançamento de livros; lançamento de eventos culturais; participação em eventos tais como Santa Teresa de Portas Abertas etc. Nestes eventos, que reuniam o que foi detectado como público alvo para o consumo da Magnífica, eram oferecidas batidas de frutas confeccionadas com a cachaça, bem como doses da Magnífica envelhecida em carvalho. 43 Em seguida foram buscados clientes entre os bares e botequins onde a cachaça era consumida – em geral cachaça industrial – pois dificilmente se encontrava para consumo cachaças destiladas em alambique, no mercado do Rio de Janeiro, mas que mostraram-se receptivos a uma cachaça de qualidade, em virtude do perfil de sua clientela. O terceiro passo foi dado junto a bons restaurantes principalmente aqueles especializados em comida brasileira. Paralelamente à comercialização formal, continuou-se a manter o oferecimento de degustação da MAGNÍFICA, pura ou em batidas de fruta, em eventos culturais ligados ao Brasil. Até hoje, a estrutura de vendas permanece bastante informal, com entrega direta ao consumidor. Tal procedimento tem o inconveniente de dispersar as vendas e dificultar a distribuição, pois a maioria dos bares e botequins prefere comprar pequenas quantidades a intervalos curtos, a comprar uma quantidade maior que ficará retida no estoque. Compras maiores, feitas pelas grandes redes de Supermercados apenas se iniciam agora, em 2002. 4.9 Distribuição A distribuição é feita diretamente pelo produtor que mantém no Rio um escritório de vendas que recebe os pedidos. Um utilitário faz a distribuição em média três vezes por semana. Duas distribuidoras de bebida estão, no momento, trabalhando com a Magnífica, indicando a possibilidade de uma maior concentração de vendas nos distribuidores e nas grandes redes de Supermercados. 44 4.10 Resultados 4.10.1 Histórico da Produção Os resultados da produção de cachaça, segundo o proprietário da fazenda, considerando as duas fases, antes e depois da criação da marca Magnífica, estão ilustrados na figura 4.10.1 a. Produção de Cachaça Magnífica 140000 120000 <= primeira fase, de venda a granel 100000 80000 litros Depois da criação da marca Magnífica => 60000 40000 20000 0 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 4.10.2 Histórico das vendas O histórico de vendas da cachaça Magnífica está ilustrado na figura 4.10.2 a. 45 2002 Histórico de Vendas da Cachaça Magnífica 35000 30000 25000 litros 20000 15000 10000 5000 0 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Figura 4.10.2 a – evolução das vendas da cachaça Magnífica 4.10.3 Eventos Importantes na História da Marca A escolha da marca: decidida depois da realização de vários, e informais, “painéis de consumidor”. O registro junto ao Min de Agricultura Secretaria do Rio de Janeiro, que quase não aconteceu pois há uma norma que proíbe nomes que possam conter informação sobre a qualidade do produto. Prevaleceu, no entanto a opinião contrária e o nome foi registrado. Participação no lançamento do PBDAC, quando, pela primeira vez, a Magnífica foi apresentada na embalagem Luxo. Participação no 1º CachaçaRio – primeiro salão de Cachaça realizado no Estado, no Nova América Outlet Shopping, na zona norte do Rio de Janeiro 46 Participação no programa Artes de Portas Abertas, de Santa Tereza, onde a Magnífica foi oferecida para degustação e venda, atingindo um público de mais de 3 000 pessoas. Participação na feiras de Cachaça promovidas em Belo Horizonte, MG, na Serraria Souza Pinto, e em Brasília. Participação na feira internacional de alimentação SIAL, realizada em Paris, em 2000, quando houve possibilidade de numerosos contatos com importadores europeus, resultando daí a exportação de uma pequena quantidade de Magnífica para a França. Participação nas Feiras da Equipar/Riopan onde a Magnífica recebeu vários prêmios no concurso de Barmen realizado na ocasião. Participação no I DegustaRio, grande feira de alimentação que reuniu em 2002, no Armazém no. 6 do Cais do Porto, os melhores restaurantes do Rio de Janeiro. Nessa oportunidade foram feitos numerosos contatos com bons restaurantes do Rio, além de atingir um público que estava sobretudo mobilizado para a qualidade dos produtos oferecidos. Um contato em especial rendeu frutos interessantes – com a fábrica de chocolates Chez Bonbon que lançou as trufas de cachaça, ampliando o leque de consumidores.. Personalização da embalagem para serviços de “buffet”, que passaram a incluir em seu cardápio o oferecimento da cachaça Magnífica, e para restaurantes que distribuem aos clientes como brinde, uma garrafa de dose individual. Inclusão da Magnífica nas cestas de Natal oferecidas pelo Lidador, um dos maiores comerciantes no ramo, e oferta, por diversas empresas, da Magnífica 47 como brinde de Natal. Essas duas medidas contribuíram para que a Magnífica se fizesse conhecida de um público que normalmente jamais consumiria cachaça. Por fim, devemos ressaltar que a Magnífica foi escolhida pelo Itamaraty por ocasião da Reunião da Cimeira, no Rio de Janeiro, para saudar as autoridades estrangeiras no banquete oferecido pela FIRJAN. O próprio Presidente da República brindou os convidados com Magnífica. 4.10.4 Clientes Preferenciais / Formadores de Opinião Dentre os mais importantes clientes, podem ser citados: • Lojas especializadas em cachaça_ Academia da Cachaça, Garapa Doida, Nó de Corda , Tonel e Pinga, Deli Deli,. • Restaurantes_ Antiquarius, Siri Mole, Iemanjá, (restaurantes), e Gosto com Gosto, restaurante e cachaçaria situado em Mauá, RJ. • Firma de “buffet”_ Open House. • Supermercados_ Zona Sul, Sendas e Farinha Pura • Boate_ Galeria Café 4.11 Principais Problemas Atuais Segundo o produtor, os principais problemas enfrentados são: • Falta de recursos em vista dos juros muito elevados que tornam inviável para um pequeno produtor recorrer a qualquer tipo de empréstimo bancário. • Ainda muito desconhecimento por parte do público do que seja a cachaça artesanal, e a não identificação da cachaça como um produto de qualidade: em consequência, um vasto mercado potencial permanece fechado para a cachaça de qualidade. 48 • Infra estrutura de apoio insuficiente, sobretudo no que tange às vendas, impossibilitando uma ação mais agressiva em busca de consumidores. • Forte burocracia dos orgãos de governo e exigências legais que apenas oneram o processo sem trazer reais benefícios para ninguém –( a utilização de selos, que devem ser cortados e colados individualmente em cada garrafa para o recolhimento de IPI, já abolido para as outras bebidas alcoólicas, mas mantido para os destilados). • Ainda pouca coesão do setor e consequentemente a pouca capacidade de pressão sobre os órgãos do Governo para tentar modificar e/ou implantar políticas para o setor. • grande desequilíbrio existente no interior do setor, entre poucos engarrafadores de grande capacidade produtiva, donos do mercado, e a multidão de pequenos produtores artesanais dispersos pelo país e sobrevivendo com grande dificuldade embora produzindo muitas vezes uma bebida de qualidade superior. • emaranhado da legislação brasileira, com normas contraditórias, ou de difícil interpretação (como foi o caso recente na mudança do recolhimento do ICMS no Estado do Rio, suspenso por liminar, e novamente implantado). • Problemas de comercialização: vendas e distribuição – o ponto fraco . • Problemas relativos às relaçãos com o poder público (legislação trabalhista inadequadas à realidade rural brasileira, forma de cobrança dos impostos). 4.12 Estratégias futuras Os planos atuais do produtor são: • Aprimoramento dos canaviais para melhor rendimento da cana. 49 • Estruturação de um setor de vendas profissionalisado. • Fortalecimento do setor – cachaça artesanal - através da APACERJ e do PBDAC. • Exploração do potencial turístico da Fazenda do Anil, através de articulação com agentes especialisados em Turismo Rural, promovendo vistas guiadas ao alambique, com degustação e vendas. • Aprimoramento das metodologias de controle de qualidade da cachaça. • Estruturar as vendas em outros estados do país, sobretudo S. Paulo, e no exterior. 50 5 Questionário O questionário foi preparado para colher dados que dêem subsídios para responder as questões levantadas neste trabalho, que são: 1. Os gerentes de bares e restaurantes percebem cachaça artesanal e cachaça industrial como um só produto, ou eles fazem uma diferenciação? Para responder a esta questão foram incluídas 14 perguntas no questionário. 2. Na preparação da caipirinha, qual o posicionamento da cachaça artesanal em relação à cachaça industrial e à vodca? Para responder a esta questão foram incluídas 10 perguntas no questionário. 3. Quais os fatores que levam um bar ou restaurante optar por comprar, e servir a seus clientes, cachaça artesanal ou cachaça industrial? Para responder a esta questão foram incluídas 11 perguntas no questionário. 4. Como vem evoluindo a adoção da cachaça artesanal por bares e restaurantes do Rio de Janeiro ao longo dos últimos anos? Para responder a esta questão foram incluídas 4 perguntas no questionário. O modelo completo do questionário é apresentado a seguir. Para cada pergunta do questionário, foi anotada na coluna da esquerda, a questão da dissertação à qual ela se aplica. 51 Dados Físicos do Restaurante Nome do Restaurante Endereço Telefone Bairro Ano de Inauguração Características Numero de Lugares __ menos de 10 __ 10 a 30 _ 30 a 80 _ mais de 80 (Quantos? _____ ) Horário de Funcionam. __ almoço __ jantar __ semana __ fim de semana Tipo de Estabelecimento __ restaurante tipo _________________ __ bar / botequim Conta média cliente __ menos R$ 10 __ R$ 20 a R$ 50 __ mais R$ 50 __ barman __ outro: __ R$ 10 a R$ 20 Dados do Respondente Nome (opcional) Função __ dono __ gerente _______________ Há quantos anos que trabalha no local __ Desde a inauguração __ há mais de 5 anos __ há mais de 10 anos __ há mais de 1 ano Perguntas tipo 1 Sim 1 Este estabelecimento serve cachaça? 1 Este estabelecimento serve cachaça artesanal? 2 Este estabelecimento serve caipirinha, usando cachaça? 2 Este estabelecimento serve caipirinha, usando cachaça artesanal? 2 Este estabelecimento serve caipirinha, usando vodca? 52 Não Não sei 2 Este estabelecimento serve caipirinha, usando outras bebidas? - Quais? : Perguntas tipo 2 1 1 Quais marcas de cachaça são servidas no seu restaurante? Além das marcas citadas acima, quais marcas de cachaça o senhor conhece? 1 Das marcas citadas acima (1 a 21), o senhor poderia dizer quais são as cachaças boas, colocando primeiro as melhores? (anotar o número) 1 Das marcas citadas acima (1 a 21), o senhor poderia dizer quais são as cachaças artesanais? (anotar o número) 1) 2) 3) 4) 5) 6) 7) 8) 9) 10) 11) 12) 13) 14) 15) 16) 17) 18) 19) 20) 21) Perguntas do Tipo 3 2 2 2 4 4 Quantas garrafas de cachaça são consumidas mensalmente neste estabelecimento? Destas, quantas são de cachaça artesanal? Quantas garrafas de vodca são consumidas mensalmente no seu restaurante? __ Menos de 5 __ de 11 a 20 __ de 5 a 10 __ mais de 21 (~quantas ?_____) __ Menos de 5 __ de 11 a 20 __ de 5 a 10 __ mais de 21 (~quantas ?_____) __ Menos de 5 __ de 11 a 20 __ de 5 a 10 __ mais de 21 (~quantas ?_____) Há quanto tempo que este estabelecimento serve __ Desde a inauguração cachaça? __ há mais de 10 anos __ há mais de 5 anos Há quanto tempo que este estabelecimento serve __ Desde a inauguração cachaça artesanal? __ há mais de 10 anos __ há mais de 5 anos 53 __ há mais de 1 ano __ há mais de 1 ano Perguntas Tipo 4 2 Considerando todas as caipirinhas servidas (cachaça+vodca+outros), qual a proporção de caipirinhas que são preparadas com: 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% (Fazer cruzes até completar 100%) Cachaça artesanal? Cachaça industrial? Vodca? Outras bebidas? Perguntas tipo 5 Discordo completamente 1 Para beber pura, cachaça artesanal tem um sabor melhor que cachaça industrial 2 Na caipirinha, cachaça artesanal tem um sabor melhor que cachaça industrial 1 Cachaça artesanal faz menos mal à saúde que cachaça industrial 1 Cachaça artesanal dá menos dor de cabeça, no dia seguinte, que cachaça industrial 1 Cachaça artesanal deve custar mais caro que cachaça industrial 1 Para beber pura, cachaça artesanal tem um sabor melhor que vodca 2 Na caipirinha, cachaça artesanal tem um sabor melhor que vodca 1 Cachaça artesanal faz menos mal à saúde que vodca 1 Cachaça artesanal dá menos dor de cabeça, no dia seguinte, que vodca 1 Cachaça artesanal deve custar mais caro que vodca 54 Em princípio discordo Não tenho opinião Em princípio concordo Concordo Plenamente Discordo completamente 3 Na compra de uma cachaça pelo restaurante o preço é muito importante na decisão 3 Na compra de uma cachaça pelo restaurante a qualidade é muito importante na decisão 3 Na compra de uma cachaça pelo restaurante a marca é muito importante na decisão 3 Na compra de uma cachaça pelo restaurante a indicação do vendedor é muito importante na decisão 3 Na compra de uma cachaça pelo restaurante a facilidade de compra (vendedor / entrega) é muito importante na decisão 3 Em nosso estabelecimento, nós procuramos boas cachaças para servir aos nossos clientes (no sentido de procurar saber quem/onde se vende um bom produto) 3 Em nosso estabelecimento nós compramos só aquelas cachaças que são oferecidas pelos vendedores 3 Em nosso estabelecimento nós compramos a cachaça de um distribuidor, junto com outras bebidas 3 Na escolha de uma cachaça pelo meu cliente, para beber pura ou na caipirinha, o preço é muito importante na decisão 3 Na escolha de uma cachaça pelo meu cliente, para beber pura ou na caipirinha, a qualidade é muito importante na decisão 3 Na escolha de uma cachaça pelo meu cliente, para beber pura ou na caipirinha, a indicação de quem serve é muito importante na decisão 4 Cada vez mais clientes pedem caipirinha com cachaça artesanal 4 Cada vez mais clientes pedem cachaça pela marca para beber pura 55 Em princípio discordo Não tenho opinião Em princípio concordo Concordo Plenamente 6 Aplicação do Questionário 6.1 Dados dos Estabelecimentos Pesquisados 6.1.1 Localização O questionário foi aplicado, durante os meses de novembro e dezembro de 2002, a 30 estabelecimentos comerciais conforme a tabela 6.1.1a. A distribuição por bairros também é mostrada na figura 6.1.1a. No. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Nome do Restaurante Adega da Velha Adega Pérola A Lisboeta A Paulistinha Arataca Armazém São Thiago Aurora Bar Brasil Bar do Mineiro Bar do Serafim Bar Lagoa Bar Luiz Bar Urca Belmonte Bip-Bip Bofetada Bracarense Cervantes Clipper Cosmopolita Hipódromo Jobi Lamas Leiteria Santana Nova Capela Opus Palácio (Rei do Bacalhau) Paladino Picote Sassaruê Bairro Botafogo Copacabana Centro Centro Leblon Santa Teresa Botafogo Centro Santa Teresa Laranjeiras Lagoa Centro Urca Flamengo Copacabana Ipanema Leblon Copacabana Ipanema Centro Gávea Leblon Flamengo Centro Centro Centro Catete Centro Centro Botafogo Tabela 6.1a – Estabelecimentos pesquisados 56 Figura 6.1.1a – Distribuição por bairros dos estabelecimentos pesquisados Distribuição por Bairro dos Estabelecimentos Pesquisados Urca Santa Teresa Botafogo Catete Leblon Laranjeiras Lagoa Ipanema Centro Gávea Flamengo Copacabana 57 6.1.2 Principais características As principais características de cada estabelecimento são apresentadas na tabela 6.1.2a. No. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Nome do Restaurante Adega da Velha Adega Pérola A Lisboeta A Paulistinha Arataca Armazém São Thiago Aurora Bar Brasil Bar do Mineiro Bar do Serafim Bar Lagoa Bar Luiz Bar Urca Belmonte Bip-Bip Bofetada Bracarense Cervantes Clipper Cosmopolita Hipódromo Jobi Lamas Leiteria Santana Nova Capela Opus Palácio (Rei do Bacalhau) Paladino Picote Sassaruê Ano de Inauguração 1985 1963 1921 1922 1955 1900 1828 1907 1987 1944 1934 1887 1950 1952 1968 1959 1972 1953 1947 1926 1962 1956 1874 1930 1910 1970 1970 1906 1953 1964 Numero Conta de média por Classificação Lugares cliente (R$) Pessoal 80 15.00 B 54 15.00 B 60 45.00 A 40 15.00 C 30 25.00 A 4 10.00 B 80 15.00 B 84 16.00 B 160 15.00 A 50 15.00 A 200 20.00 A 150 20.00 A 65 15.00 A 40 15.00 B 20 20.00 A 40 10.00 A 80 25.00 A 70 15.00 A 10 10.00 B 50 15.00 B 296 25.00 A 52 20.00 A 240 35.00 A 30 6.00 B 84 15.00 A 20 10.00 C 46 10.00 C 80 10.00 A 60 10.00 B 10 10.00 C Tabela 6.1.2a – Principais características dos estabelecimentos pesquisados A classificação dos estabelecimentos em A,B e C foi feita pelo pesquisador, de forma a tentar hierarquizar os estabelecimentos em classes, sendo A, a melhor e C, a pior. Esta classificação, apesar de não ter nenhuma utilização prática neste trabalho, fica registrada para informação. 58 6.1.3 Função das pessoas entrevistadas A função das pessoas entrevistadas em cada estabelecimento é apresentada na tabela 6.1.3a. A distribuição por função, é ilustrada na figura 6.1.3a. No. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Função Respondente dono / sócio dono / sócio dono / sócio barman dono / sócio dono / sócio gerente dono / sócio gerente gerente dono / sócio gerente dono / sócio gerente dono / sócio dono / sócio gerente barman gerente gerente garçon gerente gerente dono / sócio dono / sócio dono / sócio gerente dono / sócio dono / sócio dono / sócio Nome do Restaurante Adega da Velha Adega Pérola A Lisboeta A Paulistinha Arataca Armazém São Thiago Aurora Bar Brasil Bar do Mineiro Bar do Serafim Bar Lagoa Bar Luiz Bar Urca Belmonte Bip-Bip Bofetada Bracarense Cervantes Clipper Cosmopolita Hipódromo Jobi Lamas Leiteria Santana Nova Capela Opus Palácio (Rei do Bacalhau) Paladino Picote Sassaruê Há quantos anos que trabalha no local 5 41 1 17 26 47 15 43 1 5 30 8 10 1 20 15 4 15 10 48 17 18 16 2 53 32 32 24 45 38 Tabela 6.1.3a – Função das pessoas entrevistadas nos estabelecimentos pesquisados 59 Função das Pessoas Entrevistadas garçon barman dono / sócio gerente Figura 6.1.3a – Distribuição das funções das pessoas entrevistadas 6.2 Comentários gerais sobre a aplicação do questionário A aplicação do questionário se deu com surpreendente facilidade. A estratégia usada foi de sempre entrar nos estabelecimentos já com o questionário e o Guia dos Botequins na mão, de forma bem visível. Os entrevistados ao verem o guia, onde seus estabelecimentos estão listados e ao ouvir a palavra pesquisa, se mostravam logo interessados, tendendo a crer que a pesquisa seria utilizada para a redação de um novo guia. 60 Ao final da entrevista, alguns dos entrevistados perguntavam o objetivo da pesquisa e, quando isto ocorria, lhes era informado que os dados seriam utilizados em uma dissertação de mestrado. Apesar da confusão criada de forma deliberada, nenhuma vez foi notada uma decepção por parte do entrevistado. Outro ponto interessante, é que uma vez “quebrado o gelo” com as perguntas iniciais, o entrevistado em geral tendia a dar mais respostas que o que exigia o questionário fechado. Em geral, era para justificar sua resposta, como por exemplo, quando perguntado qual bebida fazia mais mal a saúde, muito deles responderam: “não sei – isto tem que perguntar a um médico”. O ambiente de bar e botequins é propício para a conversa. Muitas vezes, de acordo com o horário, apareceu um cliente para atuar como “consultor” do entrevistado, dando palpite nas respostas fornecidas. Além disto, em quase todas as entrevistas, a conversa se estendeu por mais um quarto de hora, uma vez engrenada. Alguns palpites, comentários relevantes foram notados ao longo das entrevistas e os mais repetidos estão listados abaixo, para enriquecimento das informações colhidas. “Cachaça artesanal é aquela que é embalada manualmente em garrafas de 2l de big coke” e “essas cachaças engarrafadas já são todas industrializadas”, mostrando que o conceito ainda é desconhecido da maioria dos entrevistados. Este problema foi contornado pelo entrevistador, explicando o conceito de cachaça artesanal quando necessário para um correto entendimento das perguntas, quando este já não precisava mais ser “espontaneamente” definido pelo entrevistado. 61 “Nós fazemos caipirinhas com qualquer bebida que o cliente pedir”, quando perguntado se faziam caipirinhas com outras bebidas. Vale ressaltar que duas bebidas adicionais foram repetidamente citadas: rum ou Bacardi (já esperado) e Steinhaeger (uma surpresa para o entrevistador!). Quanto ao preconceito em relação ao alcoólatra (cachaceiro) que fica no balcão, bebendo da cachaça mais barata, foram colhidas as seguintes afirmativas: - “Aqui a dose de cachaça é R$ 1,50 que é para não vender!” - “Aqui a gente não serve pé inchado, não...” - “Foi só quando eu parei de vender cachaça e cerveja que eu me livrei dos pinguços.” Já na comparação entre cachaça artesanal e cachaça industrial, diversas vezes foi citado que “a cachaça industrial é pior porque contém químicas e aditivos”. Por outro lado, vários respondentes também disseram que “fazer caipirinha com cachaça artesanal altera o sabor da cachaça”, ou até mesmo “estraga a cachaça”. Esta era em geral a justificativa quando o respondente dizia que a cachaça industrial era “melhor” para fazer a caipirinha. 6.3 Apresentação e análise das repostas de acordo com as questões levantadas neste trabalho 6.3.1 Questão 1: Diferenciação entre cachaça artesanal e cachaça industrial Perguntas tipo 1 As perguntas abaixo foram colocadas e as repostas foram de acordo com a figura 6.3.1a: 1. Este estabelecimento serve cachaça? 62 2. Este estabelecimento serve cachaça artesanal? Estabelecimentos que servem Cachaça / Cachaça Artesanal 35 30 No Estabelecimentos 25 20 15 10 5 0 Este estabelecimento serve cachaça? Este estabelecimento serve cachaça artesanal? Total Pesquisado figura 6.3.1a – estabelecimentos que servem cachaça ou cachaça artesanal Perguntas tipo 2 As perguntas tipo 2 são todas voltadas para responder esta questão. Estas perguntas são: 1. Quais marcas de cachaça são servidas no seu restaurante? 2. Além das marcas citadas acima, quais marcas de cachaça o senhor conhece? 3. Das marcas citadas acima, o senhor poderia dizer quais são as cachaças boas, colocando primeiro as melhores? 4. Das marcas citadas acima, o senhor poderia dizer quais são as cachaças artesanais? 63 Nota: a quarta pergunta foi respondida de forma errada por praticamente todos os respondentes, com a exceção do Paladino, quando a lista de marcas de cachaça incluía uma cachaça artesanal “profissional”. Portanto, as respostas a esta pergunta não foram tratadas nas estatísticas. Fica, contudo, o registro claro de que o conceito “cachaça artesanal” ainda está muito confuso para os comerciantes entrevistados. As respostas às outras 3 perguntas estão resumidas na figura 6.3.1b, para aquelas marcas citadas como boas. Marcas de Cachaça Citadas como Boas Vende ou Conhece Considera "boa" 25 No de Estabelecimentos 20 15 10 (a) _ artesanal (i) _ industrial (n) _ não identificada 5 Trianon Velha (i) Tumba do Faraó (a) Seleta (a) Sapupara (n) Meia Lua (a) Lua Nova (a) Cubana (n) Itaocarina (n) Colonial (i) Claudionor (a) "itaperuna" (a) "barbacena" (a) Salineira (a) Serra Grande (a) Salinas (a) Praianinha (i) Pitu (i) Marimbondo (a) Havana (a) Lua Cheia (a) Can. da Roça (i) Rainha (n) Olho d`Água (n) "mineira" (a) Nega Fulo (i) 51 (i) Velho Barreiro (i) Ypioca (i) Magnifica (a) 0 Figura 6.3.1b – repostas às perguntas tipo 2, para marcas citadas como boas Perguntas tipo 5 As perguntas tipo 5 voltadas para responder esta questão, assim como as respectivas respostas são apresentadas na tabela 6.3.1c. Algumas destas perguntas fizeram também uma comparação com a Vodca, apesar de este ponto não ter sido levantado pela questão. 64 Não tenho opinião Em princípio concordo Concordo Plenamente |||||||||| ||||||||||||| 4.0 ||||||||| |||||||||| 3.7 |||||||||| Em princípio discordo ||| Discordo completamente média ||||||| 5 |||||||||||||| 4 || 3 | 2 |||||||||||||||||||||| |||| ||||||| 5. 9 Cachaça artesanal dá menos dor de cabeça, no dia seguinte, que vodca 3.0 Cachaça artesanal deve custar mais 5. 10 caro que vodca 2.5 ||| || ||| || ||||||| 1.7 3.3 ||| 2.0 Cachaça artesanal faz menos mal à saúde que vodca ||||||| 1.2 ||| 3.0 || 1.3 5. 8 |||||||| 3.5 2.8 ||||||||| 1.5 Para beber pura, cachaça artesanal tem um sabor melhor que vodca |||| 3.0 5. 6 |||||||| 1.1 ||||||| 5.0 Cachaça artesanal deve custar mais caro que cachaça industrial ||||||| 4.4 5. 5 | 1.0 ||||| 3.0 |||| 3.5 5. 4 Cachaça artesanal dá menos dor de cabeça, no dia seguinte, que cachaça industrial |||||||| 1.3 Cachaça artesanal faz menos mal à saúde que cachaça industrial |||| 4.0 5. 3 || 1.2 |||||||| 4.0 5. 1 Para beber pura, cachaça artesanal tem um sabor melhor que cachaça industrial |||| desvio padrão ||| mediana |||||||||||||| Pergunta 1 Tabela 6.3.1c – questão 1 versus pergunta tipo 5 65 6.3.2 Questão 2: Posicionamento da cachaça artesanal em relação à cachaça industrial e à vodca na preparação da caipirinha Perguntas tipo 1 As perguntas abaixo foram colocadas e as repostas foram de acordo com a figura 6.3.2a: 1. Este estabelecimento serve caipirinha, usando cachaça? 2. Este estabelecimento serve caipirinha, usando cachaça artesanal? 3. Este estabelecimento serve caipirinha, usando vodca? 4. Este estabelecimento serve caipirinha, usando outras bebidas? - Quais? Estabelecimentos que servem Caipirinhas com Cachaça, Cachaça Artesanal, Vodca ou outras Bebidas 35 30 No Estabelecimentos 25 20 15 10 5 0 Este estabelecimento serve Este estabelecimento serve Este estabelecimento serve Este estabelecimento serve caipirinha, usando cachaça? caipirinha, usando cachaça caipirinha, usando vodca? caipirinha, usando outras artesanal? bebidas? Total Pesquisado Figura 6.3.2a – bebidas usadas no preparo das caipirinhas Perguntas tipo 3 As perguntas abaixo foram colocadas e as repostas foram sintetizados na figura 6.3.2b: 66 1. Quantas garrafas de cachaça são consumidas mensalmente neste estabelecimento? 2. Destas, quantas são de cachaça artesanal? 3. Quantas garrafas de vodca são consumidas mensalmente no seu restaurante? Distribuição com Base no número de garrafas declaradas Cachaça Artesanal 13% Vodca 54% Cachaça Industrial 33% Figura 6.3.2b – distribuição das bebidas consumidas de acordo com o número de garrafas declaradas Os dados acima foram tratados, considerando que as garrafas de cachaça artesanal fazem em média 700 ml e que as garrafas de cachaça industrial e vodca são de 1000 ml. Perguntas tipo 4 A pergunta abaixo foi colocada e as repostas foram sintetizados na figura 6.3.2c: 67 - Considerando todas as caipirinhas servidas, qual a proporção de caipirinhas que são preparadas com cachaça artesanal, cachaça industrial,vodca ou outras bebidas? Bebida usada como base na preparação de Caipirinhas Outras bebidas 0% Cachaça artesanal 12% Cachaça industrial 25% Vodca 63% Figura 6.3.2c – distribuição das bebidas usadas no preparo das caipirinhas de acordo com o número de caipirinhas declaradas Os dados acima forma tratados, considerando as quantidades totais de caipirinha servidas diariamente nos restaurantes. Este dado foi colhido ao longo da pesquisa, apesar de não ter sido incluído no questionário fechado. 68 Perguntas tipo 5 As perguntas tipo 5 voltadas para responder esta questão, assim como as Não tenho opinião Em princípio concordo Concordo Plenamente 5. 2 Na caipirinha, cachaça artesanal tem um sabor melhor que cachaça industrial ||| ||||| |||||||| 2.9 5. 7 Na caipirinha, cachaça artesanal tem um sabor melhor que vodca ||| |||| Em princípio discordo média |||| 5 ||| 4 |||||| 3 ||||||||||| 2 ||||||||||||| 1 Discordo completamente respectivas respostas são apresentadas na tabela 6.3.2d. 2.3 Pergunta mediana desvio padrão 3.0 1.7 2.0 1.5 Tabela 6.3.2d – questão 2 versus pergunta tipo 5 6.3.3 Questão 3: Fatores de escolha entre cachaça artesanal ou cachaça industrial Perguntas tipo 5 As perguntas tipo 5 voltadas para responder esta questão, assim como as respectivas respostas são apresentadas na tabela 6.3.3a. Tabela 6.3.3a – questão 3 versus pergunta tipo 5 (próxima página) 69 Concordo Plenamente 1.0 1.8 2.9 3.0 1.9 4.1 5.0 1.5 2.3 1.0 1.6 4.4 5.0 1.2 3.7 4.5 1.6 |||||||||||||||||||||| ||| ||||||||||||||| || ||| ||||| ||||||| ||| || || ||||||||||||||||||||| ||||||||||| 2.4 || ||||||||||||||||||||||| |||||||| 1.5 ||||||||||||||| 5.0 ||||||| 1.7 ||||||||||||||||| 3.0 |||||||| Em princípio concordo ||||| 1.6 || 4.5 |||||| 1.0 ||||||| 5.0 ||||| 4.5 3.9 || | || | || | 1.8 | Não tenho opinião || |||||| 2.5 2.8 | || Na escolha de uma cachaça pelo meu cliente, para beber pura ou na caipirinha, a indicação de quem serve 5. 21 é muito importante na decisão 2.8 3.8 || Na escolha de uma cachaça pelo meu cliente, para beber pura ou na caipirinha, a qualidade é muito 5. 20 importante na decisão || Na escolha de uma cachaça pelo meu cliente, para beber pura ou na caipirinha, o preço é muito importante 5. 19 na decisão || Em nosso estabelecimento nós compramos a cachaça de um 5. 18 distribuidor, junto com outras bebidas desvio padrão |||| Em princípio discordo ||||||||||||| ||||||||||||||||| Em nosso estabelecimento nós compramos só aquelas cachaças que 5. 17 são oferecidas pelos vendedores ||||| Na compra de uma cachaça pelo restaurante a facilidade de compra (vendedor / entrega) é muito 5. 15 importante na decisão Em nosso estabelecimento, nós procuramos boas cachaças para servir aos nossos clientes (no sentido de procurar saber quem/onde se vende 5. 16 um bom produto) |||||||||||||| Na compra de uma cachaça pelo restaurante a indicação do vendedor é 5. 14 muito importante na decisão ||||| Na compra de uma cachaça pelo restaurante a marca é muito 5. 13 importante na decisão ||||||||||||||||| Na compra de uma cachaça pelo restaurante a qualidade é muito 5. 12 importante na decisão mediana || Discordo completamente Na compra de uma cachaça pelo restaurante o preço é muito importante 5. 11 na decisão média || Pergunta || 5 || 4 | 3 |||||| 2 |||||||||||| 1 70 6.3.4 Questão 4: Evolução da adoção da cachaça artesanal Perguntas tipo 3 As perguntas abaixo foram colocadas e as repostas foram sintetizados na tabela 6.3.4a e nas figuras 6.3.4a e 6.3.4b: 1. Há quanto tempo que este estabelecimento serve cachaça? Há quanto tempo que este estabelecimento serve cachaça artesanal? média mediana desvio padrão Há quanto tempo que este estabelecimento serve cachaça? 2. Há quanto tempo que este estabelecimento serve cachaça artesanal? 54.6 44.5 38.7 9.4 2 15.2 Tabela 6.3.4a – tempo há que serve cachaça (anos) 71 Figura 6.3.4a – há tempo (em anos) os estabelecimentos servem cachaça Figura 6.3.4b – há tempo (em anos) os estabelecimentos servem cachaça artesanal 72 Perguntas tipo 5 As perguntas tipo 5 voltadas para responder esta questão, assim como as 4 5 Pergunta Discordo completamente Em princípio discordo Não tenho opinião Em princípio concordo Cada vez mais clientes pedem 5. 22 caipirinha com cachaça artesanal ||||||||||| |||||| ||||| || Cada vez mais clientes pedem 5. 23 cachaça pela marca para beber pura || |||||| |||| Tabela 6.3.4b – questão 4 versus pergunta tipo 5 73 Concordo Plenamente 3 média mediana desvio padrão |||||| 2 2.5 2.0 1.5 |||||||||||||| 1 |||| respectivas respostas são apresentadas na tabela 6.3.4b. 3.7 4.0 1.5 7 Conclusões As conclusões deste trabalho são apresentadas na forma de respostas às questões que foram levantadas. 7.1 Questão 1: Diferenciação entre cachaça artesanal e cachaça industrial Sim, a diferenciação entre os dois produtos é clara, como demonstra a argumentação abaixo. Porém, a primeira coisa que se pôde concluir desta pesquisa é que o conceito “cachaça artesanal” ainda é mal conhecido no universo pesquisado, apesar de estar razoavelmente bem definido e aceito na literatura e nos meios especializados. Com raras exceções, a maioria dos entrevistados entende que cachaça artesanal é aquela que não possui marca, é envasada em vasilhames reciclados e geralmente é fornecida pelo produtor ou por alguém que o conheça. Feita esta ressalva, em sua grande maioria, as pessoas consultadas entendem que a cachaça artesanal é um produto diferente e de qualidade superior à cachaça industrial. Esse dado justifica um pleito antigo da APACERJ para que seja utilizada a denominação “cachaça de alambique” em lugar de “artesanal”, como forma de marcar mais claramente a diferença no processo de produção. Sem nenhuma exceção, todas as perguntas que pediam uma comparação entre os dois produtos indicam a cachaça artesanal como sendo o melhor. Em 30 entrevistas, por exemplo, podemos destacar que: • Apenas 4 pessoas discordaram que cachaça artesanal tem um melhor sabor que cachaça industrial quando bebida pura; 74 • Apenas 4 pessoas acham que cachaça artesanal não faz menos mal à saúde que cachaça industrial; • Apenas 2 pessoas discordaram que cachaça artesanal dá menos dor de cabeça no dia seguinte que cachaça industrial; • Apenas 2 pessoas discordaram que cachaça artesanal deva custar mais caro que cachaça industrial; Nota: na comparação direta com a vodca, os resultados já são bem mais equilibrados, com uma leve tendência em relação à vodca; estes resultados não são analisados aqui, por não fazerem parte do objeto desta questão. Outra maneira de se comprovar esta diferenciação é com base nas perguntas tipo 2, apresentadas na figura 6.3.1b. Considerando as marcas de cachaça que, ao menos uma vez, foram citadas como “boas”, calculamos um “índice de aprovação”, que se obtém ao se dividir o número de ocorrências em que a cachaça é citada como boa, pelo número de ocorrências em que os entrevistados afirmam vender ou conhecer a marca. Ou seja, quando um índice é de 100% para uma determinada marca, isto quer dizer que 100% dos entrevistados que afirmaram vender ou conhecer a marca, a aprovam. Os índices de aprovação para cada marca estão apresentados na tabela 7.1a, separados entre cachaças artesanais e cachaças industriais. Dadas as médias e variâncias de cada amostra, não é necessária a aplicação de nenhum teste estatístico para se verificar que certamente se tratam de dois produtos diferentes. Contudo, estes índices devem ser utilizados com certo “cuidado”, levando-se em conta o tamanho reduzido das amostras. 75 É interessante também se notar que enquanto 14 marcas de cachaça artesanal foram citadas como “boas”, o mesmo ocorreu somente com 9 marcas industriais. Indice de Aprovação - Artesanal (a) Magnifica (a) 79% (a) "mineira" (a) 100% (a) Havana (a) 100% (a) Lua Cheia (a) 67% (a) Marimbondo (a) 50% (a) Salinas (a) 67% (a) Salineira (a) 100% (a) Serra Grande (a) 67% (a) "barbacena" (a) 100% (a) "itaperuna" (a) 100% (a) Claudionor (a) 100% (a) Lua Nova (a) 100% (a) Meia Lua (a) 50% (a) Seleta (a) 33% Média Variância Observações gl artesanal industrial 0.794218 0.369336 0.056219 0.065439 14 9 13 8 Indice de Aprovação - Industrial (i) Ypioca (i) 35% (i) 51 (i) 26% (i) Velho Barreiro (i) 26% (i) Nega Fulo (i) 50% (i) Can. da Roça (i) 17% (i) Pitu (i) 25% (i) Praianinha (i) 33% (i) Colonial (i) 100% (i) Trianon Velha (i) 20% Tabela 7.1a – índice de aprovação das cachaças artesanais e industriais Por fim, outra conclusão que se pode tirar é que a cachaça artesanal, como era de se esperar, tem uma distribuição e uma penetração no mercado bem menos importante que a industrial. Somente 17 estabelecimentos em 30 tinham alguma cachaça artesanal para oferecer, contra 28 para a cachaça industrial. E entre as 10 marcas mais citadas, somente duas são de cachaça artesanal. 76 7.2 Questão 2: Posicionamento da cachaça artesanal em relação à cachaça industrial e à vodca na preparação da caipirinha A utilização da cachaça artesanal na preparação de caipirinha, como era de se esperar, é bem inferior à da cachaça industrial e à da vodca: • 12 % das caipirinhas são feitas com cachaça artesanal; • 25% das caipirinhas são feitas com cachaça industrial; • 63% das caipirinhas são feitas com vodca. Além disto, dos 30 estabelecimentos pesquisados, somente 14 serviam caipirinha com cachaça artesanal, enquanto 26 tinham a bebida com cachaça industrial e 28 a preparavam com vodca. Outro resultados interessante é que é mais fácil se tomar uma caipirinha com uma outra bebida, em geral rum ou steinhager, que com cachaça artesanal, uma vez que 21 estabelecimentos disseram preparar tais coquetéis, quando solicitados pelos clientes. Em relação ao consumo baseado no número de garrafas declaradas, este indicou um ligeiro aumento das quantidades de cachaça, em relação à vodca: • 13 % cachaça artesanal; • 33% cachaça industrial; • 54% vodca. Esta variação em relação ao preparo de caipirinhas é, no entender do pesquisador, devido a dois fenômenos: • Bebe-se mais cachaça pura que vodca pura; • Alguns estabelecimentos usam a cachaça industrial para preparar batidas que são vendidas prontas, não sendo portanto classificadas como caipirinhas. Este é, por exemplo, o caso da Leiteria Santana, do Opus e do Sassaruê. 77 Quando perguntados diretamente qual bebida era melhor bebida para o preparo da caipirinha, as respostas foram em geral desfavoráveis à cachaça artesanal, com uma nítida preferência pela vodca. 7.3 Questão 3: Fatores de escolha entre cachaça artesanal ou cachaça industrial Pela respostas apresentadas no item 6.3.3.1, em ordem decrescente de importância, estes fatores seriam: 1) A qualidade da cachaça 2) O fato de ela poder ser comprada de um distribuidor junto com outras bebidas 3) A facilidade da compra (entrega no local) 4) A marca 5) A indicação do vendedor 6) O preço Somente 9 estabelecimentos em 30 afirmaram fazer algum tipo de pesquisa para saber onde poderiam comprar cachaças de melhor qualidade. Além disto, em geral, os estabelecimentos pesquisados acreditam que seus clientes dão mais importância à qualidade e aos conselhos de quem serve, que ao preço, no momento de escolher uma cachaça para beber pura ou na caipirinha. 7.4 Questão 4: Evolução da adoção da cachaça artesanal Como pode ser visto nas tabelas do item 6.3.4, enquanto a grande maioria dos estabelecimentos afirmou vender cachaça desde sua fundação, o “fenômeno” ou 78 “moda” da cachaça artesanal é mais recente. Data, em média, de 10 anos para cá. Considerando que alguns estabelecimentos foram fundados no século retrasado, se verdadeiro que eles já serviam cachaça naquela época, esta seria com certeza artesanal. Este período longínquo não faz, porém, parte do escopo deste estudo e fica entendido que quando se diz “servia cachaça desde a fundação” deve se interpretar como “há 20, 30 anos, só se vendia cachaça industrial”. Outra característica importante de se ressaltar é que para os estabelecimentos pesquisados, cada vez mais clientes estão pedindo a cachaça pela marca, quando é para beber pura. Porém, a maioria parece achar que quantidade de clientes que querem suas caipirinhas feitas com cachaça artesanal não tem aumentado ao longo dos últimos anos. Contudo, na opinião do pesquisador, a tendência deste quadro é evoluir em prol da cachaça artesanal, à medida que as pessoas forem percebendo que uma boa caipirinha também se faz com uma boa cachaça. 7.5 Recomendações de estratégias a serem seguidas por pequenos e médios produtores de cachaça artesanal Antes de recomendarmos possíveis estratégias de venda para um produtor de cachaça artesanal, ressaltamos abaixo o que consideramos os pontos fortes e os pontos fracos deste produto, com base nos dados coletados. Pontos Fortes: • A cachaça artesanal tem uma boa imagem e é considerada de qualidade melhor que cachaça industrial. 79 • A qualidade é o fator mais importante na escolha da bebida, tanto para o gerente do restaurante, quanto para o cliente final, de acordo com os entrevistados. As respostas às perguntas 5.12 e 5.20 mostram isto de forma inequívoca. • Preço não é um fator importante para o cliente final e para a grande maioria dos entrevistados a cachaça artesanal deve custar mais caro que a cachaça industrial, como mostram as respostas às perguntas 5.5 e 5.19. Pontos Fracos: • A baixa qualidade da cachaça industrial fez os consumidores mais exigentes migrarem para outras bebidas (principalmente a vodca para o preparo da caipirinha). • O produto cachaça artesanal não é visto como “melhor” para o preparo de caipirinhas, sendo considerada equivalente à cachaça industrial e inferior à vodca, reduzindo o consumo deste produto para este fim. • O produto/conceito “cachaça artesanal” é pouco conhecido. • A facilidade de compra é muito importante na escolha do produto e por sua pequena produção a distribuição da cachaça artesanal é fraca. • Os estabelecimentos não pesquisam novos produtos / marcas. • A marca é muito importante na escolha do produto e os produtores artesanais não têm verbas para campanhas de marketing. E por fim notamos um ponto que consideramos neutro, mas que achamos de grande importância para o desenvolvimento de estratégias futuras: • A indicação de quem serve é muito importante na escolha feita pelo cliente final. 80 Com base no exposto acima, para cada produtor, para atuar de forma individual, recomendamos sobretudo que divulgue o produto “cachaça artesanal” e que reforce sua marca, sempre que possível, junto aos consumidores. Para isto ele pode: • Estimular o turismo rural e organizar visitas ao alambique com palestras educativas para gerar e fidelizar futuros clientes. • Organizar tours ao alambique com gerentes e garçons de restaurantes para que estes adotem a marca e a recomendem à seus clientes. • Fazer promoções / divulgação nos pontos de venda, seja nos bares e restaurantes parceiros, para estimular o consumo da caipirinha com a sua cachaça, ou nos supermercados onde o produto é vendido. Além disto, este produtor poderá: • Trabalhar nos meios turísticos, onde o preconceito contra a cachaça ainda é mais fraco e onde a procura por um produto genuinamente brasileiro é mais forte. • Não competir por preço com as cachaças industriais e se colocar sempre como um produto diferenciado. • Ter uma boa estrutura de vendas e facilitar a compra e a entrega no local, dando um bom serviço ao comprador. Em conjunto ou em cooperativas, os produtores têm que trabalhar e esclarecer junto aos consumidores o conceito de cachaça artesanal e têm que tentar recuperar a grande fatia do mercado que migrou para a vodca. Isto pode ser feito através de campanhas de publicidade ou de reportagens, que valorizem o produto nacional e que mostrem que a boa cachaça é tão boa quanto qualquer outra 81 bebida destilada no mundo, e que os brasileiros podem consumir a sua “bebida nacional” com orgulho e com prazer. 7.6 Propostas para estudos futuros Ao final deste trabalho, podemos vislumbrar alguns assuntos relacionados que poderiam ser estudados e que certamente trariam novas luzes a este problema. Deixamos, portanto, aqui o registro das propostas que nos pareceram mais interessantes: 1. Pesquisa semelhante com outros tipos de estabelecimentos: • restaurantes de luxo • restaurantes e bares turísticos • hotéis 2. Qual “label” usar? • cachaça artesanal? • cachaça de alambique? • ou outro? 3. Levantamento de um perfil comparativo de grandes fabricantes de cachaça artesanal - razões para o sucesso? 4. Estudo de caso da Cia Müller de Bebidas – maior produtor de cachaça do mundo. 5. Estudo sobre o histórico do lançamento da tequila no mercado mundial e identificar possíveis paralelos com a cachaça. 82 8 Bibliografia Aaker, D.A.; Kumar, V.; Day, G.S. Pesquisa de Marketing. São Paulo : Atlas, 2001. 745p. Casimiro, A.R.S. Melhoria da qualidade da cachaça produzida no estado do Ceará. Ceará : Sebrae, 1999. 155p. Carvalho, M.; Silva, S.P. Cachaça, uma alegre história brasileira. São Paulo : Raízes Artes Gráficas, 1998. 157p. Coutinho, E.P. Dinâmica da modernização do setor de produção de aguardente de cana-de-açucar no Brasil: Construindo uma cachaça de qualidade. Rio de Janeiro: Universidade Federal Rio de Janeiro, 2001. 274p. Crsipim, J.E. Manual da produção de aguardente de qualidade. Guaíba : Agropecuária, 2000. 336p. Forbes, A. A vez da cachaça. Gazeta Mercantil, São Paulo, 2 de março de 2001. Fim de Semana, p.6 Lima, U.A. Aguardente - Fabricação em pequenas destilarias. Piracicaba : FEALQ, 1999. 187p. 83 Livingstone, J.M. Pesquisa de mercado. São Paulo : Editora Atlas, 1982. 126p. Lopes, R.L.T. Manual para aprodução artesanal de aguardente. Brasília : IBCIT, 1994. 24p. Mattar, F.N. Pesquisa de Marketing – Volume 2. São Paulo : Editora Atlas, 1995. 225p. Marques, M.C.P; Vilella, P.A.; Faria, R.G.B.. Monografia cadeira de custos do mestrado em administração COPPEAD – Fazenda do Anil – Cachaça Magnífica. Rio de Janeiro, setembro de 2000. (reproduzido em parte no Anexo III) Moreira, I. Ofensiva para ampliar vendas de cachaça para Europa é retomada. Valor Econômico, Rio de Janeiro, 19 de março de 2001. Empresas & Tecnologia Mutton, M.J.R.; Mutton, M.A. Cachaça: orientações técnicas para a produção. Jabuticabal : FUNEP, 2002. 126p. Pinheiro, S.H.M. Perfil da qualidade da cachaça do Ceará. Ceará : Universidade Federal do Ceará, 1999. 133p. 84 Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Rio botequim 2001 – 50 bares e botequins com a alma carioca. Rio de Janeiro : Casa da Palavra, 2000. 166p. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Rio botequim 2000 – 50 bares e botequins com a alma carioca. Rio de Janeiro : Casa da Palavra, 1999. 140p. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Rio botequim 1999 – 50 bares e botequins com a alma carioca. Rio de Janeiro : Casa da Palavra, 1999. 144p. Ribeiro, J.C.G.M. Fabricação artesanal da cachaça mineira. Minas Gerais : Editora Perform, 1997. 162p. Vergara, S.C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. São Paulo : Editora Atlas, 1997. 88p. Waak, R.S. Considerações referentes a análise sistêmica e relações contratuais da gestão tecnológica na produção de pinga. São Paulo : Universidade de São Paulo, 1996. 11p. Yokoya, F. Fabricação da aguardente de cana. São Paulo : Fundação Tropical de Pesquisas e Tecnologia “André Tosello”, 1995. 92p. 85 Página na internet da Aguardente Pitú <http://www.pitu.com.br>, acessado em 23 de março de 2001. Página na internet da Caninha 51 <http://www.caninha51.com.br>, acessado em 29 de março de 2001. 86 Anexo I – Nome das Pessoas Entrevistadas No. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Nome do Restaurante Adega da Velha Adega Pérola A Lisboeta A Paulistinha Arataca Armazém São Thiago Aurora Bar Brasil Bar do Mineiro Bar do Serafim Bar Lagoa Bar Luiz Bar Urca Belmonte Bip-Bip Bofetada Bracarense Cervantes Clipper Cosmopolita Hipódromo Jobi Lamas Leiteria Santana Nova Capela Opus Palácio (Rei do Bacalhau) Paladino Picote Sassaruê Nome Respondente (opcional) Francisco Pereira Rufino Jr. Antônio de Souza Coelho Horácio Taveira Maurício Suely Rodrigues Seu Gomes José Fernandes da Silva José Otero Roseni Marcelo Jorge Monteiro Emerson Carvalho Paes Coelho Armando Gomes Filho Walter Alfredo J. Melo Paulo Santos Fábio da Rocha Silva Agnaldo Marques Martinho Dias Juan Tunas Souto Manuel Pereira Perez Antônio Marques Pires Lima Antônio Lago Aires Farias Figueiredo José Augusto José Fialho Ricardo Amaro Valença Francisco José de Souza Coelho 87 Função Respondente dono / sócio dono / sócio dono / sócio barman dono / sócio dono / sócio gerente dono / sócio gerente gerente dono / sócio gerente dono / sócio gerente dono / sócio dono / sócio gerente barman gerente gerente garçon gerente gerente dono / sócio dono / sócio dono / sócio gerente dono / sócio dono / sócio dono / sócio Há quantos anos que trabalha no 5 41 1 17 26 47 15 43 1 5 30 8 10 1 20 15 4 15 10 48 17 18 16 2 53 32 32 24 45 38 Anexo II – Detalhe das Respostas Fornecidas Este estabelecimento serve cachaça artesanal? Este estabelecimento serve caipirinha, usando cachaça? Este estabelecimento serve caipirinha, usando cachaça artesanal? Este estabelecimento serve caipirinha, usando vodca? Este estabelecimento serve caipirinha, usando outras bebidas? Este estabelecimento serve cachaça? Perguntas tipo 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 1 1 1 0 0 1 1 1 1 1 1 0 0 1 0 1 1 1 0 1 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 1 1 0 1 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 1 1 1 0 0 1 0 1 1 1 1 0 0 0 0 1 1 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 1 1 0 1 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 0 0 1 1 1 1 1 0 0 1 0 1 1 1 1 1 1 1 1 0 1 0 1 0 1 1 28 17 26 14 28 21 Código Sim Não Respondentes: Adega da Velha Adega Pérola A Lisboeta A Paulistinha Arataca Armazém São Thiago Aurora Bar Brasil Bar do Mineiro Bar do Serafim Bar Lagoa Bar Luiz Bar Urca Belmonte Bip-Bip Bofetada Bracarense Cervantes Clipper Cosmopolita Hipódromo Jobi Lamas Leiteria Santana Nova Capela Opus Palácio (Rei do Bacalhau) Paladino Picote Sassaruê Total: 1 0 88 Perguntas tipo 2 Quais marcas de cachaça são servidas no seu restaurante? Além das marcas citadas acima, quais marcas de cachaça o senhor conhece? 16 1 1 Adega Pérola 11 1 1 1 1 A Lisboeta 6 A Paulistinha 3 Arataca 16 1 Armazém São Thiago 6 1 1 1 Aurora 5 1 1 1 1 Bar Brasil 5 1 1 Bar do Mineiro 13 1 Bar do Serafim 6 1 Bar Lagoa 2 Bar Luiz 7 Bar Urca 4 Belmonte 4 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 4 1 1 1 Bracarense 5 1 1 Cervantes 3 1 1 1 Clipper 7 1 Cosmopolita 2 1 Hipódromo 8 Jobi 12 1 Claudionor (a) "itaperuna" (a) "barbacena" (a) Serra Grande (a) Salineira (a) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Lamas 3 1 1 1 Leiteria Santana 9 1 1 1 Nova Capela 8 1 1 1 1 Opus 5 1 Palácio (Rei do Bacalhau) 2 1 Paladino 9 Picote 0 Sassaruê 9 1 1 1 1 Salinas (a) 1 1 1 9 1 1 1 1 Bofetada Praianinha (i) 1 1 1 1 1 Pitu (i) Marimbondo (a) Lua Cheia (a) Havana (a) Can. da Roça (i) Rainha (n) 1 1 1 Bip-Bip Total Olho d`Água (n) 1 Nega Fulo (i) 1 "mineira" (a) Velho Barreiro (i) Adega da Velha 51 (i) Ypioca (i) Total Magnifica (a) Respondente: 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 14 20 23 19 3 89 1 1 1 6 3 4 12 2 1 3 4 8 6 3 2 3 1 1 1 Quais marcas de cachaça são servidas no seu restaurante? Além das marcas citadas acima, quais marcas de cachaça o senhor conhece? A Lisboeta 6 A Paulistinha 3 Arataca 16 Armazém São Thiago 6 Aurora 5 Bar Brasil 5 Bar do Mineiro 13 Bar do Serafim 6 Bar Lagoa 2 Bar Luiz 7 Bar Urca 4 Belmonte 4 Bip-Bip 4 Bofetada 9 Bracarense 5 Cervantes 3 Clipper 7 Cosmopolita 2 Hipódromo 8 Jobi 12 Lamas 3 Leiteria Santana 9 Nova Capela 8 Opus 5 Palácio (Rei do Bacalhau) 2 Paladino 9 Picote 0 Sassaruê 9 Total 1 1 Caranguejo Candeeiro Camarinha Boazinha Biquinha Amburana "são paulo" "cach macacu" 88 48 21 Tumba do Faraó (a) Trianon Velha (i) Seleta (a) Sapupara (n) Meia Lua (a) 1 11 Lua Nova (a) 16 Adega Pérola Itaocarina (n) Adega da Velha Cubana (n) Total Colonial (i) Respondente: 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 90 2 2 3 5 1 1 1 1 3 1 1 1 1 1 1 1 2 Quais marcas de cachaça são servidas no seu restaurante? Além das marcas citadas acima, quais marcas de cachaça o senhor conhece? 16 Adega Pérola 11 A Lisboeta 6 A Paulistinha 3 Arataca 16 Armazém São Thiago 6 Aurora 5 Bar Brasil 5 Bar do Mineiro 13 Bar do Serafim 6 Bar Lagoa 2 Bar Luiz 7 Bar Urca 4 Belmonte 4 Bip-Bip 4 Bofetada 9 Bracarense 5 Cervantes 3 Clipper 7 Cosmopolita 2 Hipódromo 8 Jobi 12 Lamas 3 Leiteria Santana 9 Nova Capela 8 Opus 5 Palácio (Rei do Bacalhau) 2 Paladino 9 Picote 0 Sassaruê 9 Total 1 1 1 1 Trianon Tonel 01 Tanajura Serrana Saudade Eng São Francisco Saborosa Record. 1940 Pirapora Nota 10 Nega Boa Murici Januária Isaura Ferreira Januária Eng. do Meio 1 Donzela 1 Da Mata Coquinho Norte Adega da Velha Chave de Ouro Total Caribé Respondente: 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 3 1 1 1 91 1 2 1 2 2 2 1 1 1 1 1 2 1 1 2 1 1 Das marcas citadas acima (1 a 21), o senhor poderia dizer quais são as cachaças boas, colocando primeiro as melhores? (anotar o número) 6 Adega Pérola 4 A Lisboeta 3 A Paulistinha 0 5 1 1 Aurora 2 1 Bar Brasil 1 5 2 Bar Lagoa 1 Bar Luiz 4 Bar Urca 1 Belmonte 1 Bracarense 2 1 Cervantes 3 Clipper 2 1 Cosmopolita 1 1 Hipódromo 4 Jobi 4 Opus 0 Palácio (Rei do Bacalhau) 2 Paladino 3 Picote 0 Sassaruê 4 Total Claudionor (a) "itaperuna" (a) "barbacena" (a) Serra Grande (a) Salinas (a) Praianinha (i) Pitu (i) Marimbondo (a) Lua Cheia (a) Havana (a) Can. da Roça (i) Rainha (n) Olho d`Água (n) Nega Fulo (i) "mineira" (a) Velho Barreiro (i) Salineira (a) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Nova Capela 1 1 1 4 1 1 1 1 1 3 1 1 1 Bofetada Leiteria Santana 1 1 1 1 Bip-Bip Lamas 1 1 Armazém São Thiago Bar do Serafim 51 (i) 1 1 Arataca Bar do Mineiro Ypioca (i) Total Adega da Velha Magnifica (a) Respondente: 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 11 7 1 1 1 6 5 92 1 3 3 3 3 2 1 2 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 Das marcas citadas acima (1 a 21), o senhor poderia dizer quais são as cachaças boas, colocando primeiro as melhores? (anotar o número) 2 Bar Lagoa 1 Bar Luiz 4 Bar Urca 1 Belmonte 1 Bip-Bip 4 Bofetada 1 Bracarense 2 Cervantes 3 Clipper 2 Cosmopolita 1 Hipódromo 4 Jobi 4 Lamas 1 Leiteria Santana 3 Nova Capela 1 Opus 0 Palácio (Rei do Bacalhau) 2 Paladino 3 Picote 0 Sassaruê 4 Total Tumba do Faraó (a) Trianon Velha (i) Seleta (a) Sapupara (n) Caranguejo Bar do Serafim Candeeiro 5 Camarinha 1 Bar do Mineiro Boazinha 2 Bar Brasil Biquinha Aurora Amburana 1 "são paulo" 5 Armazém São Thiago "cach macacu" Arataca 88 0 48 3 A Paulistinha 21 A Lisboeta Meia Lua (a) 1 4 Lua Nova (a) 6 Adega Pérola Itaocarina (n) Adega da Velha Cubana (n) Total Colonial (i) Respondente: 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 93 1 1 1 1 1 4 Bofetada 1 Bracarense 2 Cervantes 3 Clipper 2 Cosmopolita 1 Hipódromo 4 Jobi 4 Lamas 1 Leiteria Santana 3 Nova Capela 1 Opus 0 Palácio (Rei do Bacalhau) 2 Paladino 3 Picote 0 Sassaruê 4 Total Trianon Bip-Bip Tonel 01 1 Tanajura 1 Belmonte Serrana 4 Bar Urca Saudade Eng Bar Luiz São Francisco 1 Saborosa 2 Bar Lagoa Record. 1940 Bar do Serafim Pirapora 5 Nota 10 1 Bar do Mineiro Nega Boa 2 Bar Brasil Murici Aurora Januária 1 Isaura 5 Armazém São Thiago Ferreira Januária Arataca Eng. do Meio 0 Donzela 3 A Paulistinha Da Mata 4 A Lisboeta Coquinho Norte 6 Adega Pérola Chave de Ouro Total Adega da Velha Caribé Respondente: 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 94 Quantas garrafas de vodca são consumidas mensalmente no seu restaurante? Há quanto tempo que este estabelecimento serve cachaça? Há quanto tempo que este estabelecimento serve cachaça artesanal? Total: Destas, quantas são de cachaça artesanal? Respondentes: Adega da Velha Adega Pérola A Lisboeta A Paulistinha Arataca Armazém São Thiago Aurora Bar Brasil Bar do Mineiro Bar do Serafim Bar Lagoa Bar Luiz Bar Urca Belmonte Bip-Bip Bofetada Bracarense Cervantes Clipper Cosmopolita Hipódromo Jobi Lamas Leiteria Santana Nova Capela Opus Palácio (Rei do Bacalhau) Paladino Picote Sassaruê Quantas garrafas de cachaça são consumidas mensalmente neste estabelecimento? Perguntas tipo 3 150 100 24 3 80 80 48 10 50 100 15 24 150 15 36 120 40 0 20 48 24 40 48 150 70 30 50 80 0 150 130 40 0 0 80 30 10 3 25 40 0 0 120 0 36 5 24 0 6 5 0 10 0 0 30 0 0 30 0 0 30 48 100 0 30 5 72 13 45 24 100 24 30 35 12 150 120 40 120 36 300 168 60 20 80 10 50 80 48 24 17 39 81 80 20 42 174 30 15 58 68 115 52 50 18 43 30 0 55 76 40 46 128 72 92 32 32 96 0 38 17 39 0 0 20 5 8 1 15 58 0 0 5 50 18 5 2 0 5 1 0 10 0 0 2 0 0 20 0 0 1755 624 1874 95 Perguntas tipo 4 Considerando todas as caipirinhas servidas (cachaça+vodca+outros), qual a proporção de caipirinhas que são preparadas com: Respondente: Adega da Velha Adega Pérola A Lisboeta A Paulistinha Arataca Armazém São Thiago Aurora Bar Brasil Bar do Mineiro Bar do Serafim Bar Lagoa Bar Luiz Bar Urca Belmonte Bip-Bip Bofetada Bracarense Cervantes Clipper Cosmopolita Hipódromo Jobi Lamas Leiteria Santana Nova Capela Opus Palácio (Rei do Bacalhau) Paladino Picote Sassaruê Cachaça artesanal? 5 0 0 0 0 0 1 2.5 0 0 0 0 10 0.5 3.5 0 0 0 0 0 0 0 3 0 0 2 0 0 Cachaça industrial? 4 4 0 3 0 4 3 2 2.5 1 4 5 2 0 4.5 0 0 1 5 2 3 6 5 1 3 3 3 0 10 96 Vodca? 5 6 6 0 7 0 6 7 7 5 9 6 5 8 0 5 6.5 10 9 5 8 7 4 5 6 7 7 5 10 0 Outras bebidas? 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Total 10 10 10 1E-12 10 1E-12 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 Estimativa de Caipirinhas servidas / dia 50 20 15 0 15 0 20 10 25 10 35 10 10 20 25 20 25 20 10 20 100 30 25 5 20 3 10 10 10 20 Não tenho opinião Em princípio concordo Concordo Plenamente ||| |||||||||| ||||||||||||| 4.0 ||| ||||| |||||||| 2.9 ||||||||| |||||||||| 3.7 |||||||||| Em princípio discordo média ||||||| 5 |||||||||||||| 4 ||| 3 | 2 1.3 Na caipirinha, cachaça artesanal tem um sabor melhor que vodca 2.3 5. 8 Cachaça artesanal faz menos mal à saúde que vodca 3.3 97 ||| || || 5. 7 ||| |||||||||||||||||||||| |||| 3.5 ||||||| 1.5 2.8 |||| 2.0 Para beber pura, cachaça artesanal tem um sabor melhor que vodca ||||||| 1.5 ||| 3.0 5. 6 || 1.1 ||| 5.0 Cachaça artesanal deve custar mais caro que cachaça industrial |||||||| 4.4 5. 5 |||||||| 1.0 |||| 3.0 ||||||| 3.5 5. 4 Cachaça artesanal dá menos dor de cabeça, no dia seguinte, que cachaça industrial ||||| 1.3 Cachaça artesanal faz menos mal à saúde que cachaça industrial |||||| 4.0 5. 3 |||| 1.7 || 3.0 5. 2 Na caipirinha, cachaça artesanal tem um sabor melhor que cachaça industrial ||||||||||| 1.2 || 4.0 5. 1 Para beber pura, cachaça artesanal tem um sabor melhor que cachaça industrial |||||||| desvio padrão ||||||||||||| mediana |||| Pergunta 1 Discordo completamente Perguntas tipo 5 98 Não tenho opinião Em princípio concordo Concordo Plenamente ||||||| ||||||||| ||| | |||| ||||||| 2.5 || ||||| 1.6 3.0 1.7 5.0 1.5 1.0 1.8 ||||||||||||||||||||||| |||||||| 4.5 ||||||||||||||| 1.0 3.8 ||||||| 5.0 2.8 ||||||||||||||||| 4.5 3.9 |||||||| 1.8 || 2.5 |||||| 2.8 ||||||| 1.7 ||||| 2.0 | 1.2 |||| 3.0 || desvio padrão || | || |||||||||||| ||||||||||||||||| Na compra de uma cachaça pelo restaurante a facilidade de compra (vendedor / entrega) é muito 5. 15 importante na decisão Em nosso estabelecimento, nós procuramos boas cachaças para servir aos nossos clientes (no sentido de procurar saber quem/onde se vende 5. 16 um bom produto) | |||||| Na compra de uma cachaça pelo restaurante a indicação do vendedor é 5. 14 muito importante na decisão || | Na compra de uma cachaça pelo restaurante a marca é muito 5. 13 importante na decisão ||||| Na compra de uma cachaça pelo restaurante a qualidade é muito 5. 12 importante na decisão 3.0 mediana || Na compra de uma cachaça pelo restaurante o preço é muito importante 5. 11 na decisão 5. 9 média 2.4 || Em princípio discordo |||||||| Cachaça artesanal deve custar mais 5. 10 caro que vodca Pergunta || Cachaça artesanal dá menos dor de cabeça, no dia seguinte, que vodca |||| 5 Discordo completamente 4 ||| 3 |||||||||||||| 2 ||||||||||||| 1 4 5 Pergunta Discordo completamente Em princípio discordo Não tenho opinião Em princípio concordo Concordo Plenamente Em nosso estabelecimento nós compramos só aquelas cachaças que 5. 17 são oferecidas pelos vendedores |||||||||||||| Em nosso estabelecimento nós compramos a cachaça de um 5. 18 distribuidor, junto com outras bebidas ||||| Na escolha de uma cachaça pelo meu cliente, para beber pura ou na caipirinha, o preço é muito importante 5. 19 na decisão ||||||||||||||||| 1.5 4.0 1.5 Cada vez mais clientes pedem 5. 22 caipirinha com cachaça artesanal 2.5 Cada vez mais clientes pedem 5. 23 cachaça pela marca para beber pura 3.7 99 || | |||||||||||||||||||||| ||| 2.0 ||||||||||||||| 1.6 3.7 |||||| 4.5 Na escolha de uma cachaça pelo meu cliente, para beber pura ou na caipirinha, a indicação de quem serve 5. 21 é muito importante na decisão |||||||||||||| || ||||||| 1.2 ||| 5.0 ||||| 4.4 Na escolha de uma cachaça pelo meu cliente, para beber pura ou na caipirinha, a qualidade é muito 5. 20 importante na decisão || 1.6 |||| || || 1.0 | 2.3 || 1.5 ||||| 5.0 |||||| 4.1 || 1.9 |||||| 3.0 || 2.9 || desvio padrão |||||| mediana ||||||||||| média |||| ||||||||||||||||||||| ||||||||||| 3 || 2 ||| 1 Anexo III – Estudo de Custos da Fazenda do Anil Ativos / recursos utilizados no processo produtivo Os ativos da fazenda são descritos de acordo com seu emprego no processo de produção da cachaça. A tabela 1 resume os ativos utilizados e seus valores e critérios de depreciação. Plantio da Cana Os principais recursos utilizados nesta fase são: mão de obra, tratores e acessórios, adubo e cana. Um canavial pode ser utilizado por 4 a 6 anos antes de ter que ser replantado. Ou seja, durante este período, o pé de cana cortado, brota de novo naturalmente. Colheita Os principais recursos utilizados nesta fase são: mão de obra, tratores e carretas. Mão de obra externa tem que ser contratada para complementar a mão de obra permanente da fazenda, durante este período de muita atividade. Moagem, Fermentação e Destilação Todo o equipamento de moagem da cana é movido a vapor, que por sua vez é gerado em uma caldeira, com a queima do próprio bagaço de cana saído da moagem. 0 vapor também é utilizado no processo de destilação, circulando em serpentinas, no interior do alambique. Este processo não é muito intensivo em mão de obra, mas em contra partida, necessita ter instalada toda a planta de moagem e destilação. Estocagem / Envelhecimento 100 A cachaça 'envelhecida' fica em barricas de 200 litros e a cachaça 'normal' fica estocada em toneis de 50000 litros. Os recursos necessários são portanto as barricas e tonéis de madeira e um local apropriado (galpão e estantes). Engarrafamento Nesta etapa são necessárias máquinas de lavagem de garrafas e engarrafamento de cachaça. Venda e Distribuição Os principais recursos necessários para a venda e distribuição são: mão de obra, fax, telefone e uma caminhonete. 101 Ativos Fixos - Depreciação ou Amortização Obs: Os itens variáveis foram estimados para uma capacidade de produção de 100.000 l/ano. Descrição Terra (90 alqueires - 400 ha) Custo R$ 648'000 anos Depreciação R$/ano sub-total - Infra-estrutura Estradas e barragens Cerca fazenda Instalação tratamento de água Instalação tratamento de vinhoto 75'000 20'000 6'000 4'000 20 20 20 20 3'750 1'000 300 200 5'250 Prédios Galpão insumos 1 garagem Gaipão depósito de cachaça Galpão alambique Gaipão engenho 1 oficina Alojamento 1 cozinha 20'000 40'000 40'000 40'000 10'000 20 20 20 20 20 1'000 2'000 2'000 2'000 500 Fixo Fixo Fixo Fixo 7'500 Equipamentos Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo 41'396 Canaviais - plantio e manutenção 20 ha de canavial (prep. Terra) 2 tratores MF275 (2 anos uso) 1 trator Ford 4610 5 carretas de cana 2 arados 1sulcador 1carreta transporte de peão 1bomba hidráulica p/ irrigação 1espalhador de vínhoto 1espalhador de calcário 1roçadeira 1gradeadora 60'000 70'000 10'000 5'000 2'800 1'500 1'000 2'000 3'000 2'000 1'500 1'200 5 10 5 5 10 10 10 10 10 10 10 10 12'000 7'000 2'000 1'000 280 150 100 200 300 200 150 120 Moagem e destilação Caldeira e chaminé Motores a vapor Esteira de cana 1 redutores 1 motores Picador Moendas Bomba moendas Alambique Domas de fermentação (8 x 80001) 40'000 15'000 10'000 3'000 12'000 1'000 45'000 6'000 20 20 20 20 20 5 20 15 2'000 750 500 150 600 200 2'250 400 Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Estocagem 1 envelhecimento 5 tonneis de 50000l 150 barricas de 200l / 250l Estantes 75'000 22'500 2'000 20 20 20 3'750 1'125 100 Fixo (2) Fixo Fixo 5'000 10 500 Fixo Comercialização e distribuição Computadores, fax, telefone 10'000 5 2'000 Fixo Administração 1 pick-up 25'000 7 3'571 Fixo Depreciação: 54'146 /ano Engarrafamento Máquinas de encher, enxaguar, tampar e filtrar Ativo Total: 1'334'500 Fixo (1) Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Fixo Observações: (1) 0 preparo da terra equivale a produção de 100.000 l de cachaça; (2) As instalações para estocagem foram construídas para atender a uma produção de 100.000 l anuais, armazenando a produção de 2,5 anos,- 102 Critérios de Depreciação Abaixo são apresentadas as hipóteses consideradas para a depreciação destes ativos. Todos os valores relativos aos ativos e prazos de depreciação foram fornecidos pelo dono do negócio e datam de setembro de 2000. Os valores dos ativos são preços de aquisição, enquanto a depreciação, são observações do dia-a-dia. A Terra, que é o ativo mais valioso, tem um valor atual estimado em R$648.000. Como não foi analisada nenhuma outra alternativa para seu uso, não foi considerado um custo de oportunidade. Os itens relacionados à infra-estrutura e prédios, como estradas e barragens, instalação de tratamento de água e vinhoto, galpões de depósito, galpão de alambique e etc, praticamente não sofrem desgaste e são depreciáveis em 20 anos. Em relação aos equipamentos de plantio e manutenção, os que foram comprados novos, como os tratores MF275, possuem vida útil de 10 anos. Os que foram comprados usados, como o trator Ford 4610, possuem vida útil restante de 5 anos. A terra precisa ser preparada de 5 em 5 anos, pois em plantações existe um consumo grande de nutrientes. Isso garante o alto nível de produtividade. 0 maquinário de moagem e destilação possui em geral uma depreciação em 20 anos. 103 São equipamentos que, semelhante à infra-estrutura, não têm grande desgaste. Somente a bomba de moendas, que foi comprada usada, tinha apenas 5 anos para se depreciar. A estocagem e envelhecimento ufiliza tonéis e barricas para o estoque da cachaça. Junto com os tonéis e barricas, as estantes que também possuem 20 anos de vida útil. No engarrafamento são usadas máquinas para encher, enxaguar, tampar e filtrar e cachaça. Para elas foi usado um prazo de somente 5 anos. A comercialização e distribuição possuí equipamentos que pertencem a um mercado em constante mudança (mercado de computadores, fax e etc). Sua vida útil é reduzida a 5 anos devido à rapidez de obsolescência. 0 administrador e executivo usam um automóvel pick-up para sua locomoção na fazenda, distribuição das garrafas, transporte de matéria-prima e etc. 0 prazo de depreciação registrado é 7 anos. Custos operacionais Os custos de produção e administração foram divididos em custos operacionais fixos, variáveis e despesas administrativas. No salário do pessoal que está dentro dos custos operacionais fixos e custos administrativos (com exceção do contador/ administrador) deve ser acrescido despesas relativas a encargos como férias, 13o salário e etc. Assim sendo, o salário do executivo principal, administrador, peões permanentes, funcionários de engarrafamento e cozinheira deve ser acrescido em 80%. Como exemplo temos a despesa com o salário anual do administrador, que é contabilizado como sendo: 104 • R$ 600 (salário mensal) x 12 meses x 1,8 (taxa relativa aos encargos) = R$12.960. Já a mão-de-obra temporária não possui esses privilégios e por isso os custos dos 10 peões temporários é: • R$250x6x 10 peões= R$ 15.000 0 custo do salário do contador/ administrador é em função de carga horária prestada. 0 restante do custo de produção fixo foi calculado tendo como base o gasto médio mensal e sua multiplicação por 12 meses. Estes e outros custos, como de embalagem, também estão listados em planilhas em anexo. As tabelas 2 e 3 resumem os custos variáveis e fixos respectivamente. Custos de Produção – Variáveis R$ / 1 ano Mão de Obra Temporária 10 peões por 6 mêses (1) 15'000 R$ / 1 litro R$ / 1 garrafa 0.15 0.11 Embalagem Garrafa Rótulo Tampa Caixa de papelão Sêlo e lacre 0.60 0.43 0.17 0.43 0.06 0.42 0.30 0.12 0.30 0.04 Total Embalagem 1.69 1.18 Custo Variável p/ garrafa de 700ml Custo Variável p/ litro 1.29 1.84 (1) R$ 15.000 anuais para um volume de 100.000l Tabela 2 105 Custos de Produção e Administração - Fixos. Considerando-se como objeto de custo o produto genérico cachaça (único produto da fazenda), todos os custos são diretos. Custos R$ Custos de Produção Fixos Total R$ 109'440 Mão de Obra Permanente Administrador Encarregado 10 peões permanentes 2 funcionários engarrafamento Cozinheira 12'960 8'640 47'520 (1) 10'800 4'320 Combustível 1 lubrificantes Compras de supermercado Energia elétrica Manutenção 3'600 7'200 2'400 12'000 Custos de Produção Variáveis 15'000 Mão de Obra Temporária (Safra) 10 peões por 6 mêses 15'000 Despesas Administrativas Executivo principal Contador 1 Advogado 93'600 86'400 7'200 Obs: (1) 30% dedicados à atividades relacionadas ao plantio e colheita da cana Tabela 3 Ponto de Equilíbrio Os dados apresentados anteriormente formam a base para a análise de ponto de equilíbrio, apresentada abaixo, que é calculado para os seguintes casos. 1. O volume mínimo de produção que resulta em lucro zero após pagamentos a um executivo principal de R$ 4.600 mensais. 2. O nível mínimo de atividade que cobre integralmente seus custos fixos, dado que a gestão da fazenda está a cargo do proprietário. 106 3. O nível mínimo de atividade que pode ser suportado por um pequeno período de tempo, cuja receita cubra todos os custos que impactam diretamente o caixa. Inicialmente os custos de produção e administrativos foram classificados quanto à sua variabilidade com o nível de atividade da fazenda (área plantada). Os custos fixos englobam a depreciação de máquinas, equipamentos e edificações, amortização da despesa de preparo da área cultivável, a mão-de-obra permanente, suprimentos, energia e manutenção. 0 custo de combustível, por variar muito pouco com a área plantada foi considerado fixo. Outros dois itens fixos referem-se às despesas administrativas e com o contador. Os custos e despesas fixos totalizaram R$ 296.066 anuais, sendo os itens de depreciação os de maior relevância. Dentre os itens de custo variável os de maior relevância são os custos de embalagem do produto Magnífica, que englobam: garrafa, rótulo, tampa, caixa de papelão, selo e lacre. Além destes, a mão-de-obra temporária para plantio e colheita, equivalente ao trabalho de 10 peões em seis meses também é variável. 0 custo variável unitário totalízou R$ 1,29 por garrafa (700 mi). A análise a seguir considerou o nível de preço final para o produto atual de R$ 6,25 a garrafa, imposto sobre vendas de 25% e comissão sobre venda e distribuição de 20%. Caso 1: a situação mais geral resultou em um ponto de equilíbrio de 83.638 l de cachaça anuais (119.483 garrafas). Neste nível de atividade a margem de 107 contribuição unitária de R$ 2,15/garrafa cobre integralmente os custos fixos, dentre estes a remuneração de um executivo principal da fazenda. Caso 2: caso o proprietário desempenhe a função de executivo principal do negócio, o ponto de equilíbrio desloca-se para o nível de 55.540 l (79.343 garrafas). A partir deste ponto o proprietário terá resultados positivos com a atividade. Caso 3: esta situação foi definida como aquela que a fazenda pode suportar por um pequeno horizonte de tempo, onde o fluxo de desembolsos de caixa estada coberto pelo nível de atividade. Neste caso foram eliminados do custo fixo todas as parcelas de depreciação e amortização de ativos. Considerou-se também a situação atual da fazenda que opera como micro-empresa (imposto sobre vendas zero). A análise revelou que a fazenda pode operar a um nível mínimo de 21.978 l (31.397 garrafas). Resultado que ressalta a relevância dos custos de depreciação a atividade. É importante notar que os pontos de equilíbrio calculados acima desprezam o valor do dinheiro no tempo. Os custos financeiros, ou de oportunidade, não foram considerados. Contudo, admitindo que o investimento realizado deveria ter um rendimento igual, no mínimo, às taxas livres de risco nominais (-15% aa), o volume de venda adicional para gerar este retomo é estimado abaixo de uma forma aproximada. Valor médio dos ativos fixos necessários p/ produção de cachaça • Terra = 324.000 (50% da área útil da fazenda é atualmente destinada a produção de cachaça) • Outros ativos = (1.334.500 - 648.000) / 2 = 343.250 108 => valor médio dos ativos = 324.000 + 343.250 = ~667.000 Valor médio do estoque (dois anos) • Depreciação anual = 54.000 • Custos operacionais anuais =~200.000 => valor médio do estoque = 2 (54.000 + 200.000) = 508.000 => valor médio dos ativos totais = 667.000 + 508.000 = 1.175.000 Para um retomo sobre investimento da ordem de 15% teríamos então que o lucro deveria ser da ordem de: • 15%*1.175.000=~176.000 E sabendo que a margem por garrafa é de R$ 2. 15, as vendas adicionais necessárias para gerar este lucro seriam de: • 176.000 /2.15=~82.000 garrafas Sabendo que o ponto de equilíbrio fica em tomo de 120.000 garrafas, o volume total de produção para que o empreendimento possa ser considerado rentável ficaria em tomo de: ! 202.000 garrafas / ano Alternativamente, poderia se pensar em um aumento da margem de contribuição, seja pela redução de custos, seja por um aumento de preços. 109