GERENCIAMENTO SUSTENTÁVEL DAS ÁGUAS PLUVIAIS
*FLÁVIA OLAIA MACHADO (*)
Pós-graduanda do programa de Engenharia Urbana (estrictu sensu) da UFSCAR Universidade Federal de São Carlos/SP– Brasil, Professora do curso de Arquitetura e
Urbanismo do Centro Universitário Barão de Mauá nas disciplinas de: Projeto de Urbanismo I;
Projeto de Urbanismo II e Estudos Sócio Ambientais. Arquiteta e Urbanista da AMBIENTAL
2000, Empresa de Análises Químicas, Planejamento e Consultoria Ambiental.
JOÃO SÉRGIO CORDEIRO
UFSCAR - Universidade Federal de São Carlos – SP - Professor Convidado do programa de Pós Graduação da
EESC/USP - Diretor da Associação Brasileira de Ensino de Engenharia - ABENGE
Endereço para contato:Rua: Cavalheiro Torquato Rizzi, 1590, apto.12, Jardim Irajá, Ribeirão Preto/SP - Brasil, CEP
14020-300; e-mail: [email protected] e [email protected].
RESUMO
O presente apresenta como gerenciar de forma sustentável as águas pluviais nas cidades de forma a proporcionar a
melhor qualidade ambiental e de vida de acordo com as premissas do desenvolvimento sustentável.
Os problemas relacionados à disponibilidade de água estão se tornando mais graves em diversas regiões do mundo
em função de mudanças climáticas, de ações antrópicas e do aumento do consumo de água. Especialmente em
regiões onde são constatadas as ocorrências de secas e de processos de degradação dos solos, a migração de grande
quantidade de indivíduos pode causar conflitos sociais. Adicionalmente, o crescimento populacional pode resultar
em uma maior competição por limitadas quantidades de água em algumas regiões, situação também geradora de
conflitos.
O desenvolvimento das civilizações humanas foi sempre fortemente dependente da disponibilidade de água. O
aumento acelerado do consumo mundial de água, principalmente a partir de 1940, é responsável por situações
críticas de atendimento de demanda em diversas regiões do mundo. Em muitos países situados em regiões áridas e
semi-áridas, a disponibilidade per capita de água já é inferior àquela necessária para permitir o cultivo de alimentos
para abastecimento local de suas populações. Novos conceitos de manejo de água em regiões áridas e semi-áridas
para mitigar escassez vêm sendo propostos e aplicados com sucesso. Tais conceitos são baseados no uso de técnicas
alternativas de aproveitamento de água de precipitações reduzidas e vazões em cursos d’água intermitentes.
Algumas técnicas vêm sendo utilizadas no Brasil. Porém, aparentemente, não há uma sistematização do uso dessas
técnicas. Muitas aplicações não têm seus resultados monitorados, o desenvolvimento de pesquisas é relativamente
limitado, poucos são os esforços para a criação de bancos de dados, e as aplicações não estão associadas a planos
regionais.
Palavras –Chave: Águas Pluviais, Gerenciamento, sustentabilidade
INTRODUÇÃO
Problemas relacionados à disponibilidade de água estão se tornando mais graves em diversas regiões do mundo em
função de mudanças climáticas, de ações antrópicas e do aumento do consumo de água. Especialmente em regiões
onde são constatadas as ocorrência de secas e de processos de degradação dos solos, a migração de grande
quantidade de indivíduos pode causar conflitos sociais. Adicionalmente, o crescimento populacional pode resultar
em uma maior competição por limitadas quantidades de água em algumas regiões, situação também geradora de
conflitos.
O problema da água no mundo é uma realidade. A figura 1 mostra a água que foi utilizada, por um garoto, para não
morrer de sede durante a seca de 1995 na Mauritânia, África.
De acordo com a ONU 97,3% da água no mundo é de mares e oceanos, 2,34% são águas em forma de gelo ou
localizadas nos lençóis freáticos profundos e 0,36% são de águas de rios, lagos e pântanos. Essa pequena fração,
0,36%, que é apropriada para o consumo, esta distribuída desigualmente pelo mundo. Conforme a figura 1.
Figura 1 - Porcentagens da água disponível no mundo
Fonte: www.docol.com.br acessado em 10/08/2002.
Outro agravante é que muitos recursos hídricos, em todo o mundo, estão contaminados pela poluição doméstica,
industrial e agrícola e por desequilíbrios ambientais resultante do desmatamento e do mau uso do solo.
ESCASSEZ DE RECURSOS HÍDRICOS E ARIDEZ
O termo escassez de água pode ser usado para descrever um ambiente onde os usuários estão competindo pela água,
isto é, onde a disponibilidade de água é insuficiente para atender a demanda.
Segundo a World Resources Institute, ONU a utilização da água potável no mundo esta distribuída da seguinte
forma. A agricultura utiliza 70%, seguido pelas industrias com 22% e somando os usos individuais (clubes,
hospitais, residências, escritórios e outros) chegam a 8% como demonstrado no gráfico abaixo.
Figura 2 - Uso da água no mundo
Fonte: www.docol.com.br acessado em 10/08/2002.
No Brasil a utilização é bem semelhante, 88%da água potável é utilizado pela agricultura, 7% pela indústria e 5% e
destinado ao consumo humano direto.
8%
22%
Agricultura
Industria
Individual
70%
Figura 3 - Uso da água no mundo
Fonte: www.docol.com.br acessado em 10/08/2002.
A agricultura tem 5% das lavouras brasileiras irrigadas, sendo que 55% dos agricultores usam métodos arcaicos que
perdem mais da metade da água usada. As concessionárias públicas, que consomem 29% dos recursos hídricos do
país perdem em média 40% da água tratada por canos furados e defeitos em redes antigas (Exame, 2001).
Em 1950 havia alguns países no mundo com seus recursos hídricos prejudicados ou com pouca água. A figura 5
ilustra como estava a situação mundial naquela época.
Em 1995 o norte da África já sofria com a carência total de água. Outras regiões como a Oriente Médio e Mongólia
aparecem com pouca água. O mapa abaixo mostra a situação mundial do ano de 1995.
Uma projeção para o ano de 2025 mostra uma situação não muito boa. As regiões com carência total de água
avançam para o Oriente Médio. A Europa e leste da África passam a figurar com regiões com pouca água.
Apesar do Brasil não figurar nessa projeção a situação brasileira não é tão confortável quanto parece. Algumas
cidades já sofrem com a falta de água, e os principais afetados com essa falta são as pessoas que moram nas
periferias. O problema da água esta fortemente relacionada com a má gestão dos recursos hídricos.
Figura 4 – Regiões brasileiras que sofrem pela falta de água
Fonte: Revista Super Interessante, Julho de 2000.
Na cidade de Cuiabá há bairros na periferia com abastecimento irregular. Com perdas de 53% a cidade tem o maior
índice do país.
Apesar de não sofrer com a falta de água durante a seca, devido à divisão de trabalho, a cidade de Fortaleza tem
mananciais insuficientes para suprir a população. A cidade conta com índice de perdas de água 30%.
Mesmo com uma grande quantidade de chuva e muitos rios Recife tem problemas de abastecimento de água devido
a falta de investimentos na rede. Os bairros da periferia enfrentam rodízio de até 48 horas. As perdas da cidade estão
em torno de 45%.
Enquanto o Brasil tem índice de abastecimento de água em torno de 90% a cidade de Maceió tem um índice de 70%.
A cidade tem perdas de 45%. Devido ao inchaço da cidade e ocupações irregulares algumas regiões têm seu
abastecimento prejudicado.
O Rio de Janeiro conta apenas com um grande manancial para o abastecimento da cidade, o qual esta quase esgotado
e com uma má qualidade da água. Para manter o reservatório no limite esta sendo desviado o fluxo de outro rio.
Mesmo com esse procedimento a periferia da cidade sofre com falta de água.
Devido a maior rede de distribuição de água do mundo, cerca de 22.000 quilômetros de cano, a cidade de São Paulo
tem perdas de 40%. A companhia responsável pelo abastecimento, SABESP, não consegue detectar todos os
vazamentos além de haver ligações clandestinas.
Quando ocorrem estiagens prolongadas a região metropolitana de Curitiba é ameaçada de racionamento. Por estar
longe do manancial de abastecimento a cidade tem disponibilidade limitada de água, eles estão sendo utilizados
acima da capacidade. A cidade tem perdas de 45%.
Novos conceitos de manejo de água para mitigar escassez vêm sendo propostos em alguns países, baseados na
aplicação de técnicas alternativas de aproveitamento de água de precipitações reduzidas e vazões em cursos d’água
intermitentes.
No presente trabalho são apresentadas as alternativas para combater o problema da escassez, dentre as quais se
destacam as técnicas alternativas de aproveitamento de água. Adicionalmente, são discutidas as limitações ao uso
dessas técnicas e as necessidades futuras para aprimorá-las.
ALTERNATIVAS PARA ENFRENTAR O PROBLEMA DA ESCASSEZ DE ÁGUA
A situação dos recursos hídricos em diversos países apresenta um desafio enorme para os responsáveis pela sua
gestão. De fato, em muitas regiões a demanda de água excede a quantidade disponível.
A necessidade de produzir alimentos e energia, e atender as demandas domésticas e industrial de água, implica que
os recursos hídricos superficiais e subterrâneos deverão ser aproveitados de uma maneira mais efetiva do que os são
atualmente; e as soluções adequadas requerem uma visão integrada da gestão de recursos hídricos.
Dentre essas soluções pode –se citar de modo geral, aquelas que atuam sobre a bacia hidrográfica, reabilitando-as e
protegendo-as da poluição e da devastação da cobertura vegetal, através de um manejo do solo adequado. Outra
solução seria permitir o aumento da água disponível por meio do acréscimo da capacidade de armazenamento – a
construção de grandes barragens tem sido a opção escolhida em muitas regiões do mundo.
Porém, seus custos econômicos e ambientais têm sido apontados como causas da diminuição na taxa de construção
dessas estruturas. As alternativas sugeridas são: pequenas barragens, armazenamento de água em regiões pantanosas,
recarga de aqüíferos, técnicas tradicionais de armazenamento em pequena escala e métodos de captação de águas
pluviais e vazões em cursos d’água intermitentes. Dentre estas, esse trabalho abordará mais sucintamente a
utilização de águas pluviais.
UTILIZAÇÃO DE ÁGUA PLUVIAL
A crise de abastecimento de água nos núcleos urbanos gera a necessidades de serem buscadas alternativas capazes
de reverter o atual estado de uso irracional da água. Entre essas alternativas estão as “alternativas de
gerenciamento da demanda” as quais englobam ações, medidas, práticas ou incentivo que contribuam para o uso
eficiente da água para a sociedade, sem prejudicar os atributos de higiene e conforto dos sistemas originais (Silva et
al, 1999).
O gerenciamento da demanda representa uma nova abordagem a tradicional prática da expansão contínua da oferta
que busca o atendimento às demandas apenas através da construção de açudes, poços, barragens e transposição de
vazões, práticas que em muitas regiões têm se mostrado não sustentáveis nos aspectos financeiros, sócio –
econômico e ambiental (Silva et al 1999).
A captação da água de chuva se enquadra nas ações de gerenciamento da demanda, juntamente com o reuso da água
residencial e industrial, controle de vazamentos na rede publica etc.
Ao longo dos séculos, e de forma independente em várias regiões de diferentes continentes, foram desenvolvidas
técnicas para aproveitamento de água de chuva e vazões em cursos d’água intermitentes, principalmente em regiões
áridas e semi-áridas, onde a quantidade de precipitação é limitada e ocorre somente durante alguns meses do ano.
Embora de potencial limitado, essas técnicas podem ter um efeito local significativo, representando, em muitas
regiões, praticamente a única opção disponível de água para atender o abastecimento doméstico, a dessedentação de
animais e a irrigação.
Ainda segundo esse autor, credita-se à expansão colonial européia, a partir do século XVI, uma das causas da
redução do uso de tais técnicas. Os colonizadores impuseram novos sistemas agrícolas, introduziram novos animais
domésticos e plantas, e adotaram métodos europeus de construção. Por vezes, tais modificações não eram
compatíveis com as realidades ambientais e culturais das colônias, e antigos sistemas de produção baseados em
técnicas de aproveitamento de água de chuva foram abandonados. O progresso técnico verificado a partir do século
XIX ocorreu, primordialmente, nos países desenvolvidos situados nas zonas de clima temperado, menos
dependentes de técnicas de aproveitamento da água de chuva, pois a ênfase foi colocada na construção de grandes
barragens, aproveitamento de águas subterrâneas e projetos de irrigação de alto consumo de energia.
Atualmente, segundo Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre), o manejo e aproveitamento da água para
uso doméstico, industrial e agrícola estão ganhando terreno em várias partes do mundo, sendo visto por especialistas
como um meio simples e eficaz para se atenuar o grave problema ambiental da crescente escassez de água para
consumo.
A captação de água de chuva baseia-se na coleta da precipitação em áreas de intercepção (solo, telhados, rodovias),
e seu encaminhamento para áreas menores para uso imediato ou armazenamento em reservatórios ou solo. A
quantidade de água coletada depende da área efetiva de coleta, do volume do reservatório e da quantidade e
distribuição temporal de chuva. A captação de água de cheia tem como princípio o desvio de vazões de cheia para
áreas de cultivo agrícola. Em geral, são utilizadas barragens de terra ou enrocamento, canais naturais ou artificiais e
estruturas de desvio. Adicionalmente à função de aumentar a disponibilidade de água para irrigação, esta técnica
permite reduzir a erosão e promover a recarga de água subterrânea, a qual pode também ser promovida utilizando-se
efluentes de sistemas de tratamento de esgotos. A recarga artificial de aqüíferos, à qual geralmente está associada a
construção de barragens subterrâneas, ainda tem o objetivo de controlar a degradação ambiental devido ao excessivo
aproveitamento de águas subterrâneas, além de freqüentemente diminuir a salinidade dos aqüíferos.
Uma experiência interessante na área urbana ocorre no Canadá. Segundo Waller et al (1999), a Toronto Healthy
House é um projeto habitacional tipo duplex, no centro de Toronto, Ontário, completamente independente do
sistema municipal de águas e saneamento. A água para uso potável é obtida das superfícies de telhados e jardins e as
águas usadas são recicladas para outros usos. A capacidade da cisterna para água de chuva foi determinada usando
um programa desenvolvido para agências do governo da Nova Escócia. A água de chuva é tratada por dupla
filtragem e desinfecção ultravioleta. O monitoramento dos resultados confirma que a qualidade da água potável
atende os padrões canadenses exigidos para água de beber.
No Brasil algumas experiências têm se desenvolvidos sobretudo nas áreas rurais do semiárido nordestino. Segundo a
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), há experiências bem sucedidas de construção de cisternas
para abastecimento humano em municípios do semi-árido. Nos oito municípios que formam a Diocese de Juazeiro –
BA, no Submédio São Francisco, ONGs ligadas à Igreja Católica e sindicatos de trabalhadores rurais, inicialmente,
e prefeituras municipais, já construíram cerca de 5 mil cisternas rurais com capacidade de 15 mil litros cada – o
bastante para abastecer uma família com seis pessoas pelo período de estiagem (oito meses). A grande maioria delas
foi construída com financiamentos de fundos captados pelas ONGs nordestinas junto a instituições religiosas no
exterior.
Braga & Ribeiro (2001), realizaram uma pesquisa para saber a opinião da sociedade (poder público, usuários e
sociedade civil, divisão seguindo a Lei no 9.433/97 que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos) sobre a
captação da água de chuva na cidade de Campina Grande PB que vem sofrendo sérias crises no seu abastecimento.
De modo geral, os autores relatam que essa alternativa não tem grande aceitabilidade pelo poder publico e pela
sociedade civil que vêem a técnica como arcaica e adequada para o meio rural que não dispõe de um sistema de
abastecimento de água e que a sua implantação representaria um retrocesso para a cidade.
É importante ressaltar também que captar água de chuva significa não só economia nas contas, mas combate aos
ciclos de escassez e de enchentes de cidades. Ao se armazenar água de chuva, boa parte deixa de escoar para os
encanamentos pluviais, diminuindo o impacto das enchentes.
ALTERNATIVAS PARA GERENCIAMENTO DAS ÁGUAS PLUVIAIS – EXEMPLOS DE UTILIZAÇÃO
A drenagem das águas pluviais é um problema que tem se agravado nas cidades, como conseqüência do tipo de
ocupação realizada pelo homem.
O desmatamento, a pavimentação do solo, as construções e outros são responsáveis pela redução da infiltração e
aumento do volume superficial de água, criando sérios problemas de drenagem.
A captação e usos locais de águas pluviais para fins que não necessitem de águas potáveis é um complemento
avançado para o uso racional da água.
Segundo a Norma Alemã (E DIN 1989-1), A gestão sustentável dos Recursos Hídricos é hoje uma das metas do
gerenciamento de águas pluviais. As alternativas às formas tradicionais de drenagem das águas pluviais são, entre
outros: a infiltração, a retenção e o aproveitamento.
Estas alternativas de Gerenciamento auxiliam na:
Prevenção de Enchentes
Recarga de águas Subterrâneas
Redução dos custos com manutenção e ampliação de redes de drenagem
Prevenção da Escassez
Apresentaremos a seguir alguns exemplos alternativos de Infiltração, retenção e do Aproveitamento de águas
Pluviais.
INFILTRAÇÃO
Quanto maior a densidade e a área impermeabilizada menor será a infiltração superficial e profunda e maior será o
escoamento superficial das águas pluviais.
Figura 5 – Gráfico Infiltração
Fonte: Atlas Ambiental de Porto Alegre
Segundo Mota, a água que infiltra no solo contribui para a formação e recarga de aqüíferos subterrâneos. A
infiltração também vai auxiliar na redução de processos de enchentes, pois quanto maior a área permeável para
infiltração das águas Pluviais menor será o escoamento superficial.
RETENÇÃO
Outra técnica alternativa de Gerenciamento de águas pluviais é a retenção, que auxilia também no processo de
prevenção de enchentes urbanas e pode ser feita através:
cisternas
reservatórios subterrâneos
coberturas das edificações
áreas permeáveis
Hoje uma das alternativas utilizadas são as cisternas bi-volumes, que tem dupla função: uma parte da água fica
retida para uso posterior e a outra parte funciona como um “buffer”, ou seja, após a chuva a água é liberada em um
fluxo controlado.
Outra alternativa para a retenção das águas pluviais, são os telhados verdes, que foram utilizados no Oriente no
século 9. Na fase do pós - guerra , foi realizado pela primeira vez, um telhado verde na Alemanha, e em alguns
países como: França , Suíça, Reino Unido e também na Escandinávia(
Na década de 70 começou um estudo mais criterioso a respeito do tema, bem como o desenvolvimento de sua
tecnologia técnica difundida e utilizada na Alemanha., que teve como objetivo inicial:
Conter as enchentes urbanas causadas pela crescente impermeabilização dos solos (ruas, construções, etc.).
Cumprir a dupla função de reter a chuva e permitir que a água estocada (antes filtrada) substituísse boa parte da
água encanada, minimizando os custos de drenagem.
Segundo Sickermann, são instalados 100 mil telhados verdes por ano na Europa e isto se consegue por duas
vias:
Subsídio direto por parte do município devido a economia em infra-estrutura de drenagem;
Taxa de impermeabilização – R$ 6,00/m²(seis reais por metro quadrado) entre telhado e demais áreas
impermeabilizadas no lote.
Na Europa, sobretudo na Alemanha, onde começou a retenção como medida de combater as enchentes urbanas
causadas pela impermeabilização do solo, tem-se alguns empreendimentos que não precisam de galerias pluvais ou
as galerias antigas podem ser reparadas por custo inferior, ocorrendo assim a redução dos custos com redes de
drenagem.
Segundo Sickermann, outros benefícios foram conseguidos com a implantação dos telhados verdes, dentre eles:
conforto ambiental - redução da carga térmica da edificação diminuindo a demanda de ar condicionado e
melhoria do micro-clima da região e arredores
qualidade do ar - transformação do CO2 em O2 pela fotossíntese
impacto pluvial - contribuindo para a redução poluição enchentes e inundações, causados pela alta carga pluvial
APROVEITAMENTO
A captação das águas pluviais para aproveitamento em usos não potáveis pode ser realizada por empreendimentos:
residenciais, comerciais, industriais e rurais.
Segundo Sickermann (2000), hoje mais de 20% das casas na Alemanha, além de muitas empresas têm a sua cisterna
de água filtrada que serve para: descarga do banheiro; lavagem de pisos e carros; irrigação de jardins; lavagem de
roupas. E nas indústrias e estabelecimentos comerciais para: resfriamento de telhados e máquinas; climatização
interna; lavanderia industrial; reposição de evaporação de piscinas em hotéis; lava-jatos de caminhões e ônibus;
limpeza industrial.
Para fins Residenciais, as águas pluviais se destinarão:
descarga do vaso sanitário,
lavagem de pisos e de veículos automotores,
irrigação de jardins
lavagem de roupas
USO NDUSTRIAL/COMERCIAL
resfriar equipamentos e máquinas
para serviços de limpeza
descargas nos sanitários
reservatório contra incêndios
irrigação das áreas verdes
áreas de contenção diminuindo/evitando alagamentos
lavagem roupas - hotel e lavanderias
lavagem veículos e outros
Na área rural, além dos usos residenciais de aproveitamento, também utiliza-se águas pluviais para a irrigação de
lavouras.
Segue abaixo alguns exemplos de aproveitamento de águas Pluviais:
Volkswagen AG - (Alemanha, Polônia) -A água de chuva é usada nas torres de resfriamento e supre ca. 10% da
demanda total.
Siri Lanka - a partir de 1995 - Governo Federal - promoveu a construção de 4000 tanques de armazenamento
de águas de chuva com capacidade 5000 litros providos com filtros para resolver problemas comunidades rurais
em zonas áridas no país.
China - Governo implantou um Projeto de captação de águas de chuva, fornecendo um lote para coletar a água
e dois tanques para armazenamento e outro lote para o cultivo resolveu o abastecimento de água de 1,3 milhões
de pessoas e 1,18 milhões de animais
Nordeste - Desenvolvidas Técnicas de aproveitamento por: cisternas subterrâneas, superficiais em áreas rurais.
No Brasil, alguns municípios preocupados com a questão de drenagem, escassez da água, e a possível cobrança pelo
uso da água conforme a Lei 6433 - Lei das águas, já incluiu no Código de Obras do Município legislação referente a
obrigatoriedade de retenção das águas pluviais dentro do próprio lote, como é o caso dos municípios:
São Paulo (Projeto Padim – Lei nº 13.276 – 04/01/2002;
Santo André – LEI Nº 7.606, DE 23 DE DEZEMBRO DE 1997
Guarulhos - Lei 5617 de 9 de novembro de 2000, publicado no Diário Oficial do Município de Guarulhos na
terça-feira, 14 de novembro de 2000, Ano I, nº 25.
LIMITAÇÕES AO USO DE TÉCNICAS ALTERNATIVAS
As técnicas alternativas de captação de água de chuva são socialmente atraentes quando comparadas aos grandes
projetos, e podem representar soluções inteiramente adequadas para mitigar escassez de água em um grande número
de regiões. Deve-se ressaltar, porém, a necessidade de se avaliar os impactos ambientais dessas técnicas, as quais,
quando aplicadas em regiões de montante de uma bacia, podem reduzir o escoamento superficial para outros
usuários, ou para o próprio ambiente, localizados a jusante. A construção de barragens, necessárias para
implementação de algumas dessas técnicas, embora de altura relativamente reduzida, deve ser precedida de estudos
de impactos ambientais, assim como o aproveitamento de águas subterrâneas não pode ser feito de maneira
indiscriminada, com risco de comprometer sua sustentabilidade.
As técnicas disponíveis vêm sendo aplicadas com sucesso em diversas partes do mundo, mas também há situações
em que a ausência de uma manutenção adequada dos sistemas de captação de água de chuva resulta no seu
abandono, parcial ou total. Algumas das razões operativas, além de problemas financeiros, são: a) incompatibilidade
das técnicas com as estratégias tradicionais de produção de alimentos; b) grande necessidade de mão de obra; c)
dependência de máquinas, as quais não estão freqüentemente disponíveis nas fases posteriores à da implementação
dos projetos; d) falta de treinamento dos usuários; e e) parâmetros técnicos de projeto muito complexos para os
usuários.
Porém, mais do que as razões operacionais, o maior obstáculo ao uso disseminado dessas técnicas pode estar
relacionado à falta de um gerenciamento eficiente da água. Gnadlinger (2000) cita o discurso de abertura do IX
Congresso Internacional de Sistemas de Captação de Águas de Chuva - Petrolina, 1999 -, proferido pelo Dr. Appan:
“O que é mais necessário é a aceitação moral dessas técnicas e a vontade política de implementar os sistemas”. Por
exemplo, na América do Sul e Caribe, os maiores problemas enfrentados pelos países que desejam implementar tais
sistemas são: a) dificuldade de difusão de informação sobre as técnicas aplicadas com sucesso; b) falta de
conhecimento da existência e importância dessas técnicas nos vários níveis de participação pública e tomada de
decisões; c) limitações econômicas; d) ausência de coordenação interinstitucional e multidisciplinar; e) ausência de
uma legislação adequada; e f) incapacidade de avaliar de forma apropriada o impacto da introdução de tecnologias
alternativas nas situações existentes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Algumas técnicas vêm sendo utilizadas no Brasil, muito por iniciativa da EMBRAPA, em estados da região
Nordeste do país e em Minas Gerais. Porém, aparentemente, não há uma sistematização do uso dessas técnicas,
muitas aplicações não têm seus resultados monitorados, o desenvolvimento de pesquisas é relativamente limitado,
poucos são os esforços para a criação de bancos de dados, e as aplicações não estão associadas a planos regionais.
Há uma grande demanda, portanto, por trabalhos de pesquisa cuja metodologia contemple a avaliação do
aproveitamento do potencial hídrico em regiões semi-áridas, no contexto das condições características do território
brasileiro, tendo como pressuposto básico o uso das técnicas de gestão de água de chuva. Isso poderia ser feito por
meio da instrumentação de bacias experimentais dessas regiões para que fossem avaliadas a adequação e a eficiência
dessas técnicas, considerando os seguintes aspectos: a) disponibilidade atual da oferta de água, e a perspectiva de
aumentá-la no tempo e no espaço; b) demandas atuais de água, e a gestão mais adequada para possibilitar uma maior
eficiência no uso da água; c) perspectivas de aumento da produtividade da água, reduzindo competição por esse
recurso, considerando o uso de técnicas agrícolas e de gestão de recursos hídricos mais adequadas; e d) preservação
da qualidade do meio ambiente.
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