Arquitetura de vestir 1
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA – FAVIP
ARQUITETURA E URBANISMO
TRABALHO DE GRADUAÇÃO
ADELAIDE ZHAYRA SANTOS
ARQUITETURA DE VESTIR:
ANTEPROJETO ARQUITETÔNICO PARA UMA LOJA CONCEITO DE
MODA EM CARUARU
CARUARU
2011
Arquitetura de vestir 2
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
ADELAIDE ZHAYRA SANTOS
ARQUITETURA DE VESTIR:
ANTEPROJETO ARQUITETÔNICO PARA UMA LOJA CONCEITO DE
MODA EM CARUARU
Trabalho de conclusão de curso apresentado
à Faculdade do Vale do Ipojuca, como
exigência para conclusão do curso de
Arquitetura e Urbanismo.
Orientadora: Profª. Rafaella Estevão
CARUARU
2011
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Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Catalogação na fonte Biblioteca da Faculdade do Vale do Ipojuca, Caruaru/PE
S237a
Santos, Adelaide Zhayra.
Arquitetura de vestir: anteprojeto arquitetônico para uma loja
conceito de moda de Caruaru / Adelaide Zhayra Santos. – Caruaru :
FAVIP, 2011.
59 f.
Orientador(a) : Rafaella Brandão Estevão de Souza.
Trabalho de Conclusão de Curso (Arquitetura e Urbanismo) -Faculdade do Vale do Ipojuca.
Inclui apêndice.
1. Arquitetura - Moda. 2. Cultura de consumo. 3. Loja - Conceito.
I. Título.
CDU 72[12.1]
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367
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Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
“Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera.”
João Ricardo
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Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Dedico este trabalho aos meus pais.
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Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
AGRADECIMENTOS
Ao final de todo este trabalho, gostaria de agradecer a todos que de forma
direta ou indireta contribuíram para que hoje eu pudesse realizar mais uma etapa da
minha vida.
Primeiramente agradeço a Deus, por me confortar nos momentos de
desespero e angústia, nas madrugadas de projetos quando eu só sabia falar “ai meu
Deus!”
Também agradeço a meu irmão Emíllio, que sempre esteve pronto pra me
ajudar nas broncas tecnológicas, a minha tia Maria, que sempre ia comprar aquele
material de maquete de última hora sem reclamar e principalmente a meus pais,
Conceição e Viana, que mesmo sem entender nada de arquitetura, me incentivaram
desde o começo, quando eu ainda estava decidindo que carreira seguir. Agradeço
as conversas com meu pai, e a paciência da minha mãe quando acordava de
madrugada e me via chorando, xingando e morrendo de sono em meio a papéis
instrumentos e maquetes. Obrigada painho, obrigada mainha!
Obrigada a todos que me incentivaram, falaram que eu estou seguindo o
caminho certo e me apoiam dizendo que eu possuo boas ideias.
Agradeço a todos que durante cinco anos, foram meus professores, que em
graus diferentes contribuíram para minha formação acadêmica, Obrigada à
professora Gleicilene Bione, que esclareceu algumas dúvidas durante o processo
principalmente à minha orientadora, Rafaella Estevão, que desde o princípio, confiou
no meu potencial, acatou a minha ideia e aceitou me orientar durante um ano,
confiando e me incentivando quando eu, por muitas vezes me sentia desmotivada.
Obrigada a arquiteta Lenora Alves, que esteve disposta a me disponibilizar
informações que serviram para o desenvolvimento deste trabalho.
Meus agradecimentos também, aqueles que contribuíram mesmo sem saber,
quando conversavam comigo nas madrugadas na internet, enquanto eu estava
loucamente batalhando junto ao AutoCad meus desenhos, fazendo com que eu
ficasse acordada.
Obrigada a todos e espero sinceramente que este seja o primeiro de muitos
trabalhos que eu venha a realizar.
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Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
RESUMO
Compreendendo
o
crescente
desenvolvimento
da
moda
que
se
projeta
consideravelmente dentro do campo de confecções na cidade de Caruaru,
Pernambuco, da expansão urbana do comércio do município, que é percebida de
forma acelerada, além de considerar a localização da cidade como satélite do polo
têxtil do agreste, deu-se o início deste projeto de graduação, que tem como objetivo
geral, o desenvolvimento de um anteprojeto de uma loja conceito de moda em
Caruaru. Foram analisados e discutidos alguns temas como: moda, cultura de
consumo e lojas conceito, que foram base para o referencial teórico. Após realizados
os estudos sobre a temática, iniciou-se o desenvolvimento das etapas pré-projetuais,
que nortearam o desenvolvimento do anteprojeto. Após realizados todos os estudos
e pesquisas, deu-se início ao anteprojeto que é o produto final desta pesquisa.
Palavras – chave: Arquitetura, moda, cultura de consumo, loja conceito.
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Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
SUMÁRIO
1.0 Introdução………………………………………………………………………………9
2.0 Problematização/ Justificativa…………………………………………………......10
2.1 Objetivo geral……………………………………………………………………....13
2.2 Objetivos específicos……………………………………………………………...13
3.0 Procedimentos metodológicos………………………………………………….....14
4.0 Referencial teórico……………………………………………………………………14
5.0 Estudos de casos…………………………………………………………………….20
5.1 Estudo de caso 1 | Espaço Havaianas……………………………………...........21
5.2 Estudo de caso 2 | Loja Alexandre Herchcovitch............................................26
5.3 Estudo de caso 3 | Loja M...............................................................................29
5.4 Conclusão dos estudos de casos....................................................................35
6.0 Etapas pré-projetuais………………………………………………………………...36
6.1 Programa e pré-dimensionamento…………………………………….................37
6.2 Escolha e análise do terreno...........................................................................41
6.3 Estudo de insolação........................................................................................47
6.4 Zoneamento.....................................................................................................48
6.5 Organofluxograma...........................................................................................50
7.0 A loja……………………………………………………………..................................50
8.0 Memorial………………………………………………………………………….........52
9.0 Considerações Finais……………………………………………………….............56
10.0 Referências....................................................................................................57
11.0 Apêndice.........................................................................................................59
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Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
1.0
Introdução
O presente trabalho representa a etapa final da disciplina de Trabalho de
Graduação de Arquitetura e Urbanismo na Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP,
possuindo como tema Arquitetura e Moda, e tem como título “Arquitetura de vestir:
anteprojeto arquitetônico para uma Loja conceito de moda em Caruaru”. O objetivo
principal deste trabalho foi realizar um anteprojeto arquitetônico para uma loja
conceito de moda na cidade de Caruaru.
Dentre os aspectos abordados nesta pesquisa, estão: o crescente
desenvolvimento da moda no agreste, proveniente do polo têxtil do agreste, o
adensamento e expansão urbana da área comercial da cidade, a cultura de
consumo, a busca por exclusividade do consumidor e o processo de concepção que
englobe parte desses aspectos.
Após estas discussões presentes nos capítulos 2 e 4, foram abordas
questões dos procedimentos metodológicos realizados no capítulo 3 e as etapas
pré-projetuais (EPP’s) no capítulo 6.
Nas etapas pré-projetuais, o primeiro aspecto analisado foi a escolha do
terreno, onde se pretendia implantar a loja. Nesta análise foram apontados aspectos
como: localização do terreno, estudo do seu entorno, condicionantes climáticos,
além de aspectos relacionados à legislação.
Seguindo a análise do terreno, foi definido um programa e prédimensionamento base, com todos os ambientes que se almejou para o
equipamento, o que facilitou no momento do desenvolvimento do anteprojeto.
Após o programa desenvolvido, foram estudadas as possíveis soluções para
o zoneamento dos ambientes segundo os condicionantes climáticos oferecidos pela
localização do terreno.
Mais adiante, foi realizado um estudo de ligações e de fluxos entre os
ambientes,
chamado
de
organofluxograma,
que
facilitou
e
norteou
o
desenvolvimento dos espaços e a interligação entre eles.
Ao fim de todas as EPP’s, foi dado início ao desenvolvimento do anteprojeto
arquitetônico, que é o produto final deste trabalho. Nesta última etapa, foi definido o
partido arquitetônico, esboços, estudo espacial e escolha de alguns materiais.
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Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
2.0
Problematização / Justificativa
Percebendo o significativo crescimento da moda que vem se projetando
dentro do campo de confecção na cidade de Caruaru, Pernambuco, a expansão
urbana do comércio do município que ao poucos vem se descentralizando por
consequência do seu adensamento, a gradativa busca por produtos que expressem
a exclusividade do consumidor, tendo em vista o potencial econômico do polo têxtil
do agreste pernambucano, composto pelos municípios de Santa Cruz do Capibaribe,
Toritama e Caruaru, iniciou-se a proposta deste trabalho.
A partir de dados do IBGE (2010), verificou-se que Caruaru é um dos mais
populosos municípios do interior de Pernambuco, possuindo uma população
residente de 314.951 habitantes e é considerada a capital do agreste.
Segundo o SEBRAE (2011), Caruaru atualmente é a cidade de maior
destaque do polo têxtil do agreste por estar numa localização estratégica para
logística de comércio, exercendo influência direta em aproximadamente 60 cidades.
A economia do município é movimentada principalmente pela indústria e pelo
comércio gerando um PIB anual de R$ 2,19 bilhões de reais. Enquanto o PIB per
capita gira em torno dos R$ 7.452,00 mil. O último senso apresentou o crescimento
de 40% do PIB do estado de Pernambuco, e uma das grandes contribuições vem
das cidades citadas como polo têxtil que movimentam dois bilhões anuais. Estes
municípios possuem 12 mil fábricas, 30 mil pontos de venda e disponibiliza cerca de
140 mil empregos diretos e indiretos, produzindo mais de 700 mil peças de roupa.
De acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 2011), na
economia de Caruaru 7,8% correspondem às atividades baseadas na agricultura e
na pecuária; 15,3% à indústria e 76,9% ao setor de comércio e serviços. Sendo este,
um fator de importância para a justificativa do anteprojeto que foi desenvolvido.
Juntamente com o crescimento econômico do município que pertence
principalmente ao comércio, observou-se também o adensamento desta área
comercial, aglomerado de lojas, tumulto nas calçadas, poluição visual e sonora entre
outros aspectos que, de certa forma, causam incômodo ao consumidor.
É natural que a partir do adensamento urbano de uma cidade, sua
consequência seja a expansão. É o que percebemos no centro comercial da cidade
de Caruaru. Este adensamento de lojas, fez com que o mesmo tendesse a expandirse horizontalmente principalmente em direção a Av. Agamenon Magalhães, local
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este, antes ocupado exclusivamente com o uso residencial e que hoje é quase que
tomado por comércio e serviços diversos em toda sua extensão.
Juntamente com a expansão territorial da atividade comercial, percebe-se que
atualmente estão se instalando nessa avenida um novo padrão de lojas: que
oferecem opções de compra que pregam a exclusividade com lojas destinadas ao
público de classe A e B.
Este eixo de crescimento ao longo da Av. Agamenom Magalhães, está
situado no Eixo de Atividades Múltiplas (EAM), cujas diretrizes, segundo o plano
diretor permitem a instalação destes equipamentos no local.
Além do estímulo da instalação de atividades comerciais neste eixo, percebese que esta área possui potencial para este tipo de atividade de comércio
diferenciado, onde a proposta é disponibilizar ao consumidor produtos mais
sofisticados, com atendimento diferenciado e um ambiente que proporcione maior
conforto no ato da compra.
Além disso, a consolidação deste tipo de atividade comercial diferenciada,
onde se paga um maior preço pelo conforto, é possível no local, pois o mesmo está
localizado numa área considerada nobre da cidade, bairro Maurício de Nassau, um
bairro residencial de classe A e B. Ainda deve-se considerar que este um ponto
estratégico para implantação de comércio, visto que a Av. Agamenon Magalhães é o
eixo de ligação entre o centro da cidade e o bairro Maurício de Nassau, sendo
assim, um local de grande fluxo do público que consome este tipo de produto.
Além dos fatores econômicos e dos fatores de crescimento urbano, discutidos
anteriormente, um novo aspecto importante a ser considerado é a compreensão do
que se refere à moda na região e de como ela é percebida pelos três sujeitos: o da
criação (o estilista), o que vende (o comerciante) e o que compra, (o consumidor).
Lentamente, os estilistas da região estão adquirindo reconhecimento perante
o crescente cenário da moda local. Há os profissionais que possuem sua própria
marca, seu atelier, mas ainda precisam de um melhor meio para divulgar seu
trabalho, como mais eventos de moda, ou até mesmo um espaço físico adequado
para divulgar seu nome e seu produto.
A importância do trabalho do estlista dentro de empresas também está
passando a ser valorizado, e, agora, existe a preocupação dos próprios empresários
com os produtos gerados com o apoio desses profissionais. A maioria deles
atualmente procuram ter os melhores estilistas nos seus departamentos de criação,
Arquitetura de vestir 12
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
espaço este, que a há pouco tempo não havia em muitas destas empresas que
produzem em larga escala.
Há uma maior atenção com a qualidade do que é produzido, com a
contratação de mão de obra especializada e principalmente com o investimento em
profissionais da área de estilismo e design de moda.
No entanto, esta nova visão dos empresários com relação à moda, faz parte
de um processo lento e muitos ainda resistem, continuam no processo de cópia de
peças e modelagens, sem a preocupação adequada com as peças que serão
produzidas.
Este processo, possivelmente sempre irá existir, por haver o comércio de
feira, onde os produtos vendidos possuem qualidade inferior e geralmente as
pessoas que compram estes produtos não estão preocupadas primeiramente com a
qualidade, mas sim, com o preço. A qualidade das peças, na maioria das vezes, é
uma consequência da aquisição.
Como exemplo podemos citar muitas destas fábricas que no seu processo de
controle de qualidade, separam as peças que estão com algum defeito, retiram a
sua etiqueta e as levam para vender nos bancos da feira, para não perder as peças,
sabendo que mesmo com um menor nível de qualidade as peças serão vendidas.
Apesar disso,
grande
parte
dos empresários que
realmente estão
preocupados com o setor de moda das suas empresas, estão incentivando e
investindo nesse ramo que, aliado ao comércio, já tem sua considerável importância
na cidade, o que poderá tornar Caruaru referencial de moda de qualidade no
agreste.
Outro fator importante que contribuiu para essa mudança de paradigma foi a
chegada da graduação em Design de Moda na cidade, pela Universidade Federal de
Pernambuco, além dos cursos e palestras prestadas por instituições como o
1
SEBRAE, 2ACIC, 3SINDLOJA, entre outros, que de certa forma contribuem para
que as pessoas possam ter uma maior compreensão do que a moda realmente
pode prorporcionar num polo têxtil, como o do agreste.
Um outro aspecto relevante que deve ser citado, são os aspectos culturais
que estão embutidos na busca por exclusividade do consumidor que está inserido no
1
Serviço brasileiro de apoio ás micro e pequenas empresas
Associação comercial e empresarial de Caruaru
3
Sindicato dos lojistas do comércio varejista de bens, serviços e turismo de Caruaru
2
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Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
polo têxtil. Com todas as informações referentes à moda que são trazidas para
cidade, além da contribuição das mídias digitais, o consumidor passa a se informar
melhor, conhecer, e principalmente saber o que realmente quer.
Diante desta argumentação, sentiu-se a necessidade de criar um espaço
conceito de moda, que afirmasse a importância do município de Caruaru no polo
têxtil. Um local que expresse a contemporaneidade da moda, desmistifique que a
produção têxtil no agreste é composta apenas por produtos de baixa qualidade,
destinado as feiras, além de ser um local de encontro dos amantes e profissionais
da moda na cidade. Classe esta que existe, e cresce de forma gradativa com grande
potencial no município, mas que por muitas vezes permanece escondida para
muitos por não haver incentivo e divulgação para seus trabalhos.
2.1
Objetivo geral
A pesquisa teve como objetivo desenvolver um anteprojeto para uma Loja
Conceito, dedicada à moda no bairro Maurício de Nassau, na cidade de Caruru,
Pernambuco.
2.2
Objetivos específicos
Os objetivos específicos referiram-se aos anseios projetuais para a loja conceito e
atuaram como guias em seu desenvolvimento. Foram eles:

Propor uma edificação de destaque perante seu entorno de forma que o
equipamento sobressaia-se entre os demais;
 Apresentar formas arquitetônicas que sejam tão exclusivas e diferenciadas
quanto os produtos do interior da loja, transmitindo através da
diferenciação da arquitetura, a diferenciação do produto;

Fazer um tratamento de fachada que permita que a mesma de alguma
forma, esteja sempre em transformação, tendo em vista efemeridade da
moda.
Arquitetura de vestir 14
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
3.0
Procedimentos metodológicos
A partir da definição do tema, foram realizadas pesquisas a análises para a
sua maior compreensão. Para isso, foram utilizados alguns procedimentos como:
pesquisa bibliográfica, análise de campo, estudo de caso e as etapas pré-projetuais,
(EPP’s), que foram utilizadas para concepção do anteprojeto.
Pesquisa bibliográfica: pesquisas realizadas possuindo como base, livros,
revistas, endereços eletrônicos, entre outros, que embasaram teoricamente esta
pesquisa, tendo como referência autores como: Gilles Lipovetsky e Regina Blessa.
Análise de campo: para a escolha do terreno, foi realizada uma análise ao
longo da Av. Agamenon Magalhães, observando o tipo de implantação nos lotes, os
serviços oferecidos e a tipologia de algumas lojas. Com isso, foi percebido que a
avenida seria o melhor local para acomodar o novo equipamento.
Estudo de caso: Critério de fundamental importância para compreensão do
tema e para abrir caminhos para novas ideias diante do novo projeto. É uma forma
de familiarização com o tema estudado e de compreender o funcionamento de um
equipamento, analisando-o criticamente. Os exemplares analisados, são duas lojas
localizadas na cidade de São Paulo, e o outro exemplar localiza-se em Tóquio,
capital do Japão.
EPP’s: Possuindo como base o referencial teórico, as pesquisas e os estudos
de casos, foram realizadas as EPP’s, focando no anteprojeto que foi desenvolvido,
programas,
pré-dimensionamento,
estudo
dos
condicionantes
climáticos
zoneamento, entre outros. Estas etapas facilitaram no desenvolvimento do
anteprojeto.
4.0
Referencial teórico
O contexto que a moda encontra-se atualmente é o da busca em captar o
maior número de consumidores. Criando e movimentando uma “indústria” mundial,
ainda sim, de forma sutil em alguns casos, a moda procura pregar a particularidade
de cada grupo de consumidores.
Desde o início do século XX, a alta costura mostrou-se de forma mais
imponente à sociedade. Um sistema onde as peças são repletas de conceito e
Arquitetura de vestir 15
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
inovação, produzidas sob medida, procurando prezar a individualidade do
consumidor (ver figuras 4.1, 4.2).
Essa forma de produzir moda possui até hoje o seu valor, e seguindo uma ordem de
massificação da moda, podemos dizer que as peças são criadas e postas como
tendências pela alta costura com preços elevados, após a divulgação da tendência
pela alta costura, o prêt-à-porter viabiliza a produção em série sem a perda de
qualidade e põe os produtos no mercado possuindo um preço intermediário, estas
peças desenvolvidas 4prêt-à-porter, são tomadas como refência, sendo reproduzidas
sem um maior controle de qualidade, massificando tendências e vendendo as peças
por preços baixos.
Figura 4.1
Desfile conceitual Jum Nakao, brasileiro que
questionou em seu desfile a efemeridade da moda
como modelos rasgando os vestidos no final do
desfile.
Fonte: http://leonizemaurilio.fashionbubbles.com/
Acesso em: 30/05/2011
Figura 4.2
Desfile Chanel, onde o tema são os ícones da marca.
Fonte: http://www.webluxo.com.br/index.htm Acesso em:
30/05/2011
No Século XXI, a diferenciação da moda buscada pelos consumidores,
acontece por meio de novas técnicas empregadas na produção, desenvolvimento de
peças mais acessíveis de acordo com cada sociedade e cada estilo de vida.
Hoje podemos encontrar moda destinada para cada grupo: classico, casual,
indie, gótico entre outros. Não deixando para trás os conceitos, as tendências, e a
essência da moda continuando com a criação de peças originais e de produção
industrial, seguindo os desígnios do prêt-à-porter.
4
Conceito responsável pela difusão da moda
Arquitetura de vestir 16
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
“(...) a moda que ganha corpo se apresenta sob o signo de uma
diferenciação marcada de técnicas de preços, de renomes, de objetivos,
de acordo com uma sociedade ela própria dividida em classes, com modos
de vida e aspirações nitidamente contrastados” (LIPOVETSKY,2008,p. 70).
Mesmo com esta certa “democratização” da moda, a mesma não eliminou os
elementos que designam a posição social do indivíduo. Em geral, ainda continua
sendo um meio nada convencional de demonstrar status. Podendo ser visto de
forma mais sutil em alguns grupos e para outros de forma mais agressiva, porém
inevitavelmente sabemos que as pessoas hoje se vestem muitas vezes não só para
elas, mas também para a sociedade.
Por meio de informações vindas principalmente das mídias digitais, o
consumidor do polo têxtil de Caruaru, está procurando criar sua própria identidade,
não mais consumindo apenas produtos iguais a todos. De fato, esta nova maneira
de pensar acontece forma de lenta, mas que já pode ser claramente observada na
região.
O público que move a economia no que diz respeito à moda em varejo, é o
público de classe alta que possui poder aquisitivo para pagar por peças um valor
mais alto. Este público que antes apenas consumia moda massificada, aos poucos
está despertando para a exclusividade que pode ser adquirida na forma de se vestir.
A busca por esta exclusividade é estimulada principalmente por meio de sites,
blogs de marcas consolidadas no mercado, blogs que prestam serviço de ajuda às
pessoas que desejam se vestir melhor, entre outros que informam o consumidor sem
que ele precise sair de casa, e quando os mesmos resolvem procurar as lojas, já
possuem em mente o que querem, não apenas o que combina com o seu biotipo,
mas também o que se enquadra com a sua personalidade.
“O comportamento humano é resultante de várias forças cuja somatória
tem sido chamada de campo psicológico. O ser humano é motivado por
necessidades básicas e influenciado por seu meio social, o que obrigará
cada indivíduo a construir e adaptar seu campo psicolócico particular”
(BLESSA, 2007,p. 60).
Outro fator que contribui na nova forma de pensar do consumidor, diz
respeito ao que envolve moda e é trazido a cidade de Caruaru. Desde alguns
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Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
desfiles, patrocinados por empresas particulares, palestras com estilistas renomados
e circulação de revistas e meios impressos que exploram a produção de moda local.
Diante desta mudança de comportamento do consumidor do polo têxtil
caruaruense que acontece de forma gradativa e natural a partir de informações que
são adquiridas no seu cotidiano, pode-se perceber que este grupo de pessoas
caracteriza-se como sociedade de consumo que segundo Lipovetsky (2008, p.159),
pode caracterizar-se empiricamente por diversos traços: elevação do nível de vida,
abundância das mercadorias e dos serviços, culto dos objetos e dos lazeres, moral,
hedonista, materiais etc.
“A sociedade centrada na expansão das necessidades é, antes de tudo, é
aquela que reordena a produção e o consumo de massa sob a lei da
obsolência da sedução e da diversificação, aquela que faz passar o
econômico para a órbita da forma moda” (LIPOVETSKY,2008, p.159).
Isso posto, chega-se a conclusão que a cultura de consumo vem sofrendo
mudanças ao longo do tempo na região do polo têxtil, e atualmente se percebe o
crescimento econômico vinculado a esta atividade, destacado principalmente por
consequência do comércio.
Este crescimento econômico, que fez aumentar o número de lojas, que por
consequência passou a despertar mais ânsia do consumidor em comprar, por
passar a ter mais opções de compra, faz com que sejam pensadas novas
estratégias de cativar ainda mais este consumidor.
“Devemos visualizar e identificar o processo decisório do consumidor, isto
é, explicar as razões do comportamento de compra, analizando
motivações concientes e incoscientes profundas que conduzem à escolha
deste ou daquele produto no ponto-de-venda” (BLESSA, 2007,p. 61).
É visto que a região poderia se desenvolver mais rapidamente, no que se
refere à procura diferenciada de produtos, porém este serviço ainda custa um valor
muito elevado, e mesmo percebendo que há público para este tipo de serviço,
observa-se também a resistência de muitas pessoas a comprar produtos mais
requintados na própria cidade, pois muitos ainda preferem fazer as compras na
Arquitetura de vestir 18
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
capital. Por esse motivo, atualmente a cidade ainda não suportaria um grande
número de lojas que preguem uma ideia mais conceitual. Contudo, esta atividade
precisa ser inserida aos poucos na sociedade, pois é percepível o potencial
econômico local e além desse fator, sabemos também, que Caruaru além de suprir a
demanda local, atende a praticamente todas as cidades do interior.
Uma estratégia para atrair de forma positiva o consumidor, seria a união de
uma loja com outros serviços (como por exemplo: bistrot5 e espaço para eventos e
exposições), que possam cativar o público de outras formas, fazendo com que a
compra seja feita de forma mais prazeroza e não apenas entrar na loja, ecolher a
roupa, provar e comprar.
A estratégia criada para esta modalidade de loja conceito, seria uma boa
oportunidade para região, pois são agrupados outros atrativos ao consumidor
permitino que ele sinta-se mais a vontade no ambiente e mais livre para fazer
compras. É uma proposta de tornar o espaço além de um local de compras também
um ambiente inspirador.
O termo Loja Conceito, é uma nova estratégia comercial que está se
instalando os poucos no Brasil. Uma tática de visual merchandising que está
obtendo resultados positivos em muitos lugares do país e do mundo.
Segundo Blessa, (2007, p.6), o visual merchandising, usa o design,
arquitetura e a decoração para aclimatar, motivar e induzir os consumidores à
compra. Ele também cria o clima decorativo para ambientar os produtos da loja.
Visual merchandisign relacionado ao mercado de moda, é uma maneira de
transformar a própria loja na propaganda da marca. Estimular o consumidor a
comprar o seu conceito e indiretamente transformá-lo num divulgador da marca.
É a forma de criar uma atmosfera diferenciada, por meio de comunicação
visual, cores, técnicas de luminotécnica, arquitetura e outras ações que estimulam a
percepção espacial do consumidor fazendo com que o mesmo sinta-se tentado a
comprar e ainda fazer uma boa propaganda da marca.
Hoje a internet pode ser considerada para o comércio tanto uma aliada
quanto uma “vilã”. Por um lado ela pode ser um meio barato e prático de divulgação
de produtos e por outro percebemos que a cada dia um maior número de compras
5
Muito populares na França, onde se servem bebidas alcoólicas, café e outras bebidas. Servem
também comidas simples de preparo rápido.
Arquitetura de vestir 19
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
são feitas em sites pela comodidade que esse tipo de atividade oferece. O
consumidor compra sem sair de casa. No entanto, com o crescimento desta
atividade a tendência é a frequência das visitas dos consumidores às lojas diminuir.
É neste momento que a arquitetura entra como agente modificador, e faz uma
ponte entre o conceito e a realidade, o palpável, que é realmente a linguagem que
aproxima o conceito do consumidor. É o responsável em criar a atmosfera de
compra.
A criação de lojas conceito pode ser uma forma de atrair novamente esses
consumidores para as lojas físicas, utilizando maneiras atrativas de conquistar o
consumidor. Tranmitindo credibilidade, confiança e exclusividade.
“Para garantir o encantamento de seus consumidores, precisamos utilizar
o conceito de RETRAILTAINMENT, que é colocar entretenimento no
varejo. Quando se compra com alegria e prazer se compra muito mais e
não esquece da loja. (...) as tecnologias atuais permitem trasnformar o
ponto de venda num teatro apaixonante e envolvente a custo acessíveis”
(BLESSA,2007,p.36).
Algumas marcas brasileiras tais como: Havaianas, Osklen, Melissa, já
adotaram esta tendência que tem como intenção fazer com que o consumidor além
de comprar a marca, viva a marca. As lojas conceito, brincam com os sentidos do
consumidor e faz com que o mesmo se aproxime ainda mais da marca e que seja
um divulgador direto da mesma (ver figuras 4.3, 3.4).
”As lojas-conceito apareceram no final dos anos 90, quando alguns
varejistas europeus criaram outras atividades em suas lojas, além da
venda de produtos, para reforçar tanto o nome quanto um estilo de vida.”
(Revista Shopping Centers, Número 148, Janeiro 2009).
Quando se pensa inicialmente em loja conceito se tem em mente lojas que
exploram altos preços, que fazem com que muitas pessoas sintam-se intimidadas a
entrar, mas o conceito adotado por muitas lojas atualmente mudou. Os preços
dessas lojas vão do exorbitante ao acessível, para que qualquer pessoa possa
entrar olhar e comprar algo. Muitas dessas lojas também possuem outros serviços
Arquitetura de vestir 20
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
como café, bistrot, espaço para vernissages, salão de beleza e até espaço para
pocket shows6, fazendo com que o espaço da loja funcione tanto durante o horário
diurno, quanto noturno, vinculando a marca da loja ao entretenimento.
Figura 4.3
Figura 4.4
Loja conceito Melissa, Oscar Freire – SP. Fonte:
http://www.melissa.com.br/ Acesso em:
30/05/2011
Loja conceito Havainas, Oscar Freire – SP. Fonte:
http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em: 10/05/2011
Assim, uma Loja Conceito na cidade de Caruaru, seria uma forma de atrair
novos olhares para o comércio em ascensão, cativar novos consumidores mais
exigentes além de dispor de outros serviços que agregarão valor a loja tornando a
mesma uma espécie de referencial.
5.0
Estudos de casos
O estudo de caso é uma forma de se familiarizar com o tema estudado, uma
maneira mais profunda de entender o funcionamento de um equipamento, analisar
criticamente um projeto já executado, apontando os seus pontos positivos e
negativos com a finalidade de encontrar as melhores soluções e referenciais para o
novo projeto.
6
Show com curta duração.
Arquitetura de vestir 21
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
“O estudo de caso fica intimamente ligado ao contexto ou processo
estudado. Esse tipo de abordagem não representa um método por si só,
mas uma estratégia de pesquisa que permite o uso de métodos
qualitativos e quantitativos” (Mendes,2002).
Para melhor compreender o funcionamento de uma loja conceito, foram
realizados estudos de casos, onde alguns parâmetros foram analisados a fim de
instituir critérios que contribuíram na elaboração do anteprojeto arquitetônico.
Foram analisados três exemplares. Um deles localizado na região dos Jardins
na cidade de São Paulo, outro em Pinheiros também em São Paulo e outro situado
em Tóquio, Japão. Cada um com suas particularidades que os fazem diferentes uns
dos outros, mas ao mesmo tempo traz a essência de uma loja conceito que se
destina para cada tipo de produto e público-alvo a que elas são direcionadas.
5.1
Estudo de caso 1 | Espaço Havaianas - SP
O Espaço Havaianas é a loja conceito da marca de sandálias mais popular do
país, onde são expostas cerca de 320 modelos de sandálias da marca. Este
exemplar tem sua localização nos Jardins em São Paulo.
A autoria do projeto é do arquiteto Isay Weinfeld. A obra teve seu início no
ano de 2008 e concluída no ano de 2009. A loja está implantada num terreno de
480m² e tem área construída de 300m² (ver figura 5.1)
Figura 5.1
Fachada principal do Espaço Havaianas. Fonte: http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em: 10/05/2011
Arquitetura de vestir 22
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
O partido arquitetônico principal utilizado no projeto, foi o de criar um clima de
praça dentro da loja transmitindo assim ao consumidor a atmosfera casual,
confortável e jovem da marca. Segundo Isay Weifeld, um dos desafios do projeto foi
comunicar a brasilidade da marca.
Essa ideia de comunicar a maior parte do conceito por meio da arquitetura,
também é uma das intenções do anteprojeto que será desenvolvido, pois é possível
por meios arquitetônicos fazer a comunicação direta da loja com o público e do
público com o produto, seguindo uma sequência de desejos: primeiro o consumidor
sente-se atraído a entrar na loja por sua fachada, esta é o primeiro contato do
consumidor com a marca. Já ao entrar na loja, o consumidor depara-se com outra
situação, a disposição dos produtos ao longo da loja. Novamente a arquitetura está
envolvida, pois é ela quem organiza o espaço por meio do layout, que vai induzir o
consumidor a percorrer toda a loja, fazendo com que todos os produtos sejam
observados por ordem de importância dentro da mesma.
Um aspecto construtivo que merece destaque é o que foi proposto para
cobertura da loja, que foi toda construída por uma trama ortogonal e modulação
sutilmente irregular que acompanha um distanciamento de dois metros entre as
vigas metálicas transversais. O que proporciona um vencimento de maiores vãos.
No teto são mesclados espaços abertos e fechados com vidros e iluminação
embutida que proporciona a sensação de que é sempre dia dentro da loja (ver figura
5.2).
Figura 5.2
Coberta de trama ortogonal. Fonte: http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em: 10/05/2011
Arquitetura de vestir 23
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Aspectos que despertem os sentidos do consumidor são vistos como um
diferencial em muitas lojas. Algumas utilizam os cheiros, outras, sons, no caso deste
exemplar a arquitetura foi utilizada como ferramenta para proporcionar esse efeito
de iluminação para transmitir a sensação de dia.
A relação do edifício e seu entorno e a composição dos elementos de
fachada, são vistos de forma a perceber que a loja entra em contraste com as
demais lojas do seu entorno por meio de sua forma simples e da cor utilizada. Isto
mostra que não necessariamente a fachada da loja precisa possuir elementos de
alta tecnologia e formas não convencionais para que a mesma se destaque do
entorno. Basta analisar bem o entorno e enquadrar o que será desenvolvido no
partido arquitetônico. No caso da loja analisada, preferiu-se prezar pela simplicidade.
Assim como o projeto da loja Havaianas, o anteprojeto que foi desenvolvido,
teve como um dos objetivos específicos também propor uma edificação que entre
em contraste com seu entorno, para que a mesma tenha maior destaque entre as
demais lojas e edifícios que estão próximos.
A fachada da Havaianas, é composta por um pórtico branco que ocupa a
largura total do lote. Este pórtico é o acesso ao grande largo que direciona à loja.
Uma espécie de prolongamento do passeio público que, mesmo ainda não
mostrando o que possui dentro da loja, induz a entrada do transeunte em direção a
onde existem as peças a venda. O fechamento da loja é feito por meio de portas de
vidro que são armazenadas em um abrigo escavado no subsolo (ver figuras 5.3,
5.4).
Figura 5.3
Figura 5.4
Fachada Principal do Espaço Havaianas. Visão parcial do
pátio de entrada. Fonte: http://www.arcoweb.com.br/
Acesso em: 10/05/2011
Fachada Principal do Espaço Havaianas. Visão
da fachada fechada pela porta de vidro.
Fonte: http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em:
10/05/2011
Arquitetura de vestir 24
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
A loja Havaianas está dividida em térreo, subsolo 1 e subsolo 2. O programa
da loja consiste em:
Térreo: pátio de entrada;
Subsolo 1: nicho de armazenamento das portas de vidro, jardim, caixa, cubo
de projeções, customização, tenda dos modelos tradicionais, contêiner com os
modelos de exportação, espaço para novos modelos, cilindro para bolsas, espaço
para modelos infantis, painel para modelos monocromáticos;
Subsolo 2: depósito, escritório e cozinha.
Podemos considerar alguns aspectos que tornam visíveis as características
de um espaço conceito no Espaço Havaianas: despertar a curiosidade do
consumidor por meio de sua fachada, que convida a entrada para o grande largo.
(ver figuras 5.5, 5.6). Essa característica do despertar da curiosidade é um aspecto a
ser considerado, pois foi empregada no anteprojeto arquitetônico desenvolvido para
loja conceito em Caruaru.
Figura 5.5
Figura 5.6
Vista interna do largo de entrada e vista
parcial da escada de acesso a loja.
Fonte: Fonte: http://www.arcoweb.com.br/
Acesso em: 10/05/2011
Vista da parte interna da loja após as escadas, onde
podemos observar um dos ambientes da loja. Fonte:
http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em: 10/05/2011
Outro aspecto relevante é autonomia dos espaços criados, que proporcionam
sensações diferentes a cada tipo de produto que é exposto, mas ao mesmo tempo
existe a unidade do conjunto (ver figuras 5.7, 5.8, 5.9, 5.10).
A loja também possui um espaço que pode ser considerado o que mais atrai o
consumidor. O espaço para customização das sandálias é o que desperta o maior
interesse do público, pois o consumidor tem a oportunidade de agregar a peça
comprada a sua identidade, sendo assim uma maneira de pregar a individualidade
de quem compra ao produto (Grunow,2010).
Arquitetura de vestir 25
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 5.7
Figura 5.8
Visão geral dos ambientes criados dentro da loja.
Fonte: http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em:
10/05/2011
Vista do pátio interno da loja. Fonte:
http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em: 10/05/2011
Figura 5.9
Figura 5.10
Visão de um dos ambientes da loja. Fonte:
http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em: 10/05/2011
Container com peças de exportação. Fonte:
http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em: 10/05/2011
Por fim, podemos citar os problemas e as potencialidades do projeto e o que
realmente serviu como inspiração para o anteprojeto.
Podemos destacar como um possível problema a acessibilidade a portadores
de deficiência e mobilidade reduzida, já que a loja possui um grande desnível
vencido apenas por uma escada.
Como potencialidade destaca-se a não utilização de vitrines, o que gera a
curiosidade de querer entrar na loja para conferir os produtos, falta de visibilidade
interna da loja: o largo interior que antecede a loja, a esconde parcialmente. No caso
de uma loja convencional, o uso de vitrines se faz necessário na maior parte das
vezes, no entanto, como se trata de uma loja conceito, esta ideia se torna um
diferencial perante as demais lojas. Destacam-se também a planta livre (ver figura
5.11), onde a divisão dos espaços é feita praticamente pelos ambientes destacados
por temas, o partido de grande praça também merece destaque.
Arquitetura de vestir 26
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 5.11
Planta livre, onde os espaços são delimitados por temas.
Planta Baixa 1º subsolo
1 – Nicho de armazenamento das portas de vidro | 2 – Jardim | 3 – Caixa | 4 – Cubo de projeções | 5 –
Customização | 6 - Tenda do modelos tradicionais | 7 – Contêiner com modelos de exportação | 8 – espaço para
novos modelos | 9 – Cilindro para bolsas | 10 – Espaço para modelos infantis | 11 – parede para modelos
monocromáticos | 12 – Elevador.
Fonte: http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em: 10/05/2011
5.2
Estudo de caso 2 | Loja Alexandre Herchcovitch – Tóquio
A primeira loja internacional do estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch,
localizada na capital do Japão, Tóquio, no bairro de Shibuya – ku, lugar que
concentra um grande número de grifes internacionais. É um espaço onde são
expostas e vendidas exclusivamente suas peças. (ver figura 5.12)
O projeto tem como autor, o arquiteto Arthur Casas, o projeto teve início no
ano de 2006 e foi concluído no ano de 2007. A área de intervenção do projeto é de
70.91m².
Arquitetura de vestir 27
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 5.12
Vista externa da Loja Alexandre Herchcovitch. Tóquio, Japão. Fonte: http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em:
10/05/2011
Como o projeto foi direcionado para o consumidor japonês, que possui
tradições e costumes bem diferentes dos norte americanos e brasileiros,
primeiramente foi estudado o público que se queria atingir para assim desenvolver o
partido arquitetônico. Com isso descobriu-se que o público japonês é mais curioso e
busca mais exclusividade.
As características arquitetônicas tiveram a intenção de atrair principalmente o
público alvo e posteriormente os consumidores secundários que depois de conhecer
a loja muitas vezes pela curiosidade que ela desperta, passa a ser um consumidor
direto.
Este exemplar estudado tem como característica de fachada o maior
contraste com o entorno, característica essa, que foi utilizada no anteprojeto que
neste trabalho foi desenvolvido.
A loja foi construída a partir de um prédio existente, que possivelmente foi
construído para fins comerciais. A edificação foi completamente coberta por uma
estrutura revestida com laminado melamínico. Como o carro chefe do estilista são
suas estampas aplicadas as peças, a cada mudança de temporada, a estampa de
toda fachada é substituída (ver figuras 5.13, 5.14).
Arquitetura de vestir 28
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
A relação do prédio com o seu entorno é de total contraste. Enquanto todas
as outras lojas apresentam grande sobriedade, a loja do estilista parece saltar entre
as demais num formato de grande caixa.
A ideia de fachada mutante é bastante interessante, visto que a moda é um
fenômeno efêmero, pode-se deixar a loja sempre com um aspecto atualizado.
Com a concepção de uma loja que mais parece uma grande caixa que
esconde todo o interior da loja, o arquiteto, teve como intenção provocar ainda mais
a curiosidade do que está escondido. Quando a loja está fechada, não se consegue
ver nada de seu interior, e quando está aberta muito pouco se vê. Isso porque a loja
está envolta por uma caixa, e as aberturas são por meio de janelas basculantes, que
quando estão abertas apenas mostra a iluminação da loja, não o que está no seu
interior.
Figura 5.13
Figura 5.14
Fachadas principais da loja. Percepção do contraste da loja entre as demais. Fonte: http://www.arcoweb.com.br/
Acesso em: 10/05/2011
O conjunto forma e grafismos, cria um expressão visual que está além da
expressividade plástica da forma, mesmo essas sendo uma forma pura, um prisma
simples, mas essa pureza associada ao excesso marcante das estampas torna o
conjunto marcante e notável.
Internamente, a organização do espaço e utilização das cores, procurou dar
destaque às peças, mas ao mesmo tempo, sem deixar de lado descontraído que
também faz parte do estilo adotado pelo estilista (ver figuras 5.16, 5.17).
(Melendez, 2008).
Arquitetura de vestir 29
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 5.15
Figura 5.16
Vista interna da loja. Simplicidade nos detalhes dão
destaque as peças. Fonte: http://www.arcoweb.com.br/
Acesso em: 10/05/2011
Descontração sutil nas prateleiras feitas a partir
de azulejos que se destacam da parede. Fonte:
http://www.arcoweb.com.br/ Acesso em:
10/05/2011
A loja está dividida entre subsolo e térreo e seu programa consiste em:
Subsolo: provador e estoque
Térreo: loja, balcão e provador.
Considerando os aspectos de loja conceito que foram empregados no projeto,
o que pode ser observado é que o partido arquitetônico foi tomado como conceito.
Visto que, foi a partir dele, que o projeto passou a ter seu diferencial a partir dos
aspectos da fachada. Que mesmo possuindo uma forma pura consegue transmitir a
mensagem.
Por fim foram destacadas as potencialidades, que procurou-se
reproduzir no anteprojeto desenvolvido. A preocupação da fachada para cada
coleção, prevendo efemeridade da moda, quando são alteradas as estampas que
recobrem a fachada. Outro fator, é o total destaque que a loja possui perante seu
entorno que faz prender a atenção do consumidor além de despertar a curiosidade
do mesmo.
5.3
Estudo de caso 3 | Loja M - SP
A loja M, localizada na Rua Pedroso de Morais, Bairro Pinheiros na cidade de
São Paulo, vende roupas e acessórios assinados pela marca M.
O projeto é de autoria conjunta do escritório Marton+Marton com o escritório
Planche arquitetura+design. O projeto foi concluído no ano de 2009 (ver figura 5.18).
Arquitetura de vestir 30
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 5.17
Fachada principal. Ao centro o acesso à loja M, e a direita o acesso independente do Estúdio M. Fonte:
http://blogdaemme.com/ acesso em: 30/04/2011
A marca M, possui algumas lojas espalhadas pela cidade de São Paulo, mas
uma delas possui um diferencial que a faz ser considerada uma loja conceito.
Este exemplar seria, dentre os 3 estudados o que mais se assemelha ao que
se pretende conceitualmente para cidade de Caruaru. Tanto quanto ao local onde
está implantado, o tipo de atividade realizada no seu entorno, além, das atividades
secundárias que a loja oferece.
Com o intuito de atrair o consumidor, foram inseridas na loja M algumas
atividades complementares ao uso de loja de roupas, o que caracteriza uma loja
conceito, e por isso, se assemelha ao anteprojeto arquitetônico que será
desenvolvido para cidade de Caruaru. Agrupar atividades que induza as pessoas
que querem passar mais tempo dentro da loja, ou as pessoas que frequentam a loja
apenas pelas outras atividades que ela oferece, passem por consequência de serem
consumidores da marca.
A Loja M, além de loja de roupas, possui no mesmo lugar, um salão de
beleza, uma mini livraria, com livros para consulta e espaço com internet e um
espaço destinado ao lazer noturno, denominado Estúdio M, casa noturna, que faz
parte do roteiro de baladas7 da capital.
7
Balada: lazer noturno.
Arquitetura de vestir 31
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
O Estúdio M e a Loja M, possuem administrações distintas, sendo assim uma
estratégia dos empresários para trazer um público diferenciado para desfrutar da
casa de shows e ao mesmo tempo agregar a mesma a credibilidade da marca M.
É interessante como se comportam os fluxos desses elementos distintos
dentro da loja. Mesmo a loja propriamente dita, e o Estúdio M, possuindo acessos
diferenciados, por boa parte do caminho até a entrada do estúdio, podemos
observar o funcionamento da loja, visualizando suas atividades internas e
despertando a curiosidade.
O partido arquitetônico utilizado no projeto, procura expressar a modernidade,
fazendo uso de materiais contemporâneos, como metais além de formas retilíneas
regulares.
A loja encontra-se numa rua onde há uma mistura de bares, restaurantes e
atividades de comércio. Quanto a sua relação com o entorno, há certo destaque do
espaço entre os demais restaurantes e bares que estão no seu entorno. A fachada
possui um gabarito relativamente compatível aos equipamentos que estão no seu
entorno, mas mesmo assim o uso de materiais diferenciados manteve o destaque da
fachada. Novamente uma característica que foi utilizada no anteprojeto da loja
conceito em Caruaru, destacar arquitetonicamente a loja empregando total destaque
ao equipamento.
A concepção de fachada e interior da loja são visivelmente contrastantes. As
fachadas frontal e lateral são quase que totalmente revestidas com placas
quadriculadas metálicas vazadas causando um efeito visual de cobogó. Já em seu
interior, a frieza do metal é substituída por muitas combinações de cores que se
distribuem na loja, onde estão as araras e manequins, e no salão de beleza (ver
figuras 5.19, 5.20).
Arquitetura de vestir 32
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 5.18
Figura 5.19
Vista externa do espaço durante a noite. Fonte:
http://www.folha.uol.com.br/ Acesso em: 30/04/2011
Primeira visada ao entrar na loja. Fonte:
http://www.planche.com.br/ acesso em: 30/04/2011
Elementos que geram a sensação de descontração, são utilizados por toda a
loja. Destaque para a grande parede construída com várias grades coloridas de
garrafas de bebidas (ver figura 5.21).
O equipamento possui dois acessos principais, no entanto distintos. Um que
dá acesso à loja propriamente dita, e o segundo que direciona ao Estúdio M. Essa
solução arquitetônica também foi utilizada no anteprojeto, pois o ambiente fica
disposto a receber
eventos totalmente vinculados a loja, quanto os que estão
parcialmente vinculados a mesma.
Mesmo com acessos diferenciados, quanto ao uso do equipamento, quando
se entra no hall que em direção ao estúdio, vitrines criadas na circulação permitem
que o usuário veja o interior e funcionamento da loja até a porta de entrada. Uma
boa estratégia para induzir o consumidor em potencial, a observar o interior da loja,
ter curiosidade em conhecer, ver os produtos que ela oferece e querer entrar na loja.
Esta ideia de permeabilidade dos espaços será utilizada no anteprojeto
desenvolvido, ligando todos os serviços que serão oferecidos no espaço à loja
propriamente dita. Fazendo com que o consumidor observe a loja de todos os
ambientes gerados, criando um elo entre a marca e o consumidor.
No interior da loja, um grande galpão com estruturas e instalações aparentes
pintadas com cores vibrantes, há distribuição das araras e dos manequins. Próximo
à vitrine que se mostra para o hall de entrada do estúdio, ainda existe o salão de
beleza disponibilizando serviços rápidos. Existem apenas bancadas e cadeiras
assemelhando-se a um camarim, onde é feito todo o trabalho de salão de beleza.
(ver figura 4.22)
Arquitetura de vestir 33
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 5.20
Figura 5.21
Grande parede feita com grades coloridas de bebidas.
Fonte: http://www.martonemarton.com.br/site/index.php
Acesso em : 30/04/2011
Vista do espaço do salão de beleza Fonte:
http://www.planche.com.br/ Acesso em: 30/04/2011
No mezanino, está a mini livraria nomeada de “The book is on the table”,
espaço agradável para sentar, ler um livro ou até utilizar a internet wi-fi
disponibilizada pela loja (ver figuras 5.23, 5.24).
Figura 5.22
Mini livraria
Figura 5.23
nomeada de “The book is on the table”. Fonte: http://www.planche.com.br/ Acesso em:
30/04/2011
Já o interior do Estúdio M pode ser considerado simplista. Ao entrar pela porta
principal teremos um grande galpão com uma bateria de bares na lateral e um palco.
O espaço é livre e pode ser modificado de acordo com o evento que irá ser
realizado no local, podendo ser distribuídas mesas pelo espaço ou deixando o
espaço livre para pista de dança (ver figuras 5.25, 5.26).
Arquitetura de vestir 34
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 5.24
Figura 5.25
Vista interna do Estúdio M, durante seu
funcionamento. Fonte: http://www.folha.uol.com.br/
Acesso em: 30/04/2011
Vista interna do Estúdio M, que mostra a versatilidade
do espaço que pode ser alterado de acordo com cada
evento. Fonte: http://www.planche.com.br/ Acesso em:
30/04/2011
A loja está dividida entre térreo e mezanino e seu programa consiste em:
Térreo: loja, Salão de beleza, caixas, provadores;
Mezanino: livraria
O Esúdio M, o programa consiste em:
Térreo: pista de dança, palco, bares e WCs
Dentre todos os estudos de caso analisados, a loja M, é a que mais agrega
aspectos de uma loja conceito semelhante ao que se pretende propor para cidade
de Caruaru. Percebe-se que a característica mais forte é a inserção de outras
atividades dentro da própria loja. Uma maneira de atrair o público de várias formas,
não apenas pelo ato de comprar um objeto, mas sim, comprar, usar e divulgar a
marca.
Como problema, podemos destacar a fachada da loja, que possui uma grande
vitrine que ao mesmo tempo não mostra praticamente nada. O único lugar que se
observa nitidamente a loja na fachada, é através do pórtico de entrada. As placas
metálicas na fachada impedem a visualização dos manequins, só a noite quando as
luzes estão acesas, é que essa visualização é melhorada, porém continua confusa.
Já como potencialidade pode ser apontada a diferenciação dos ambientes
que proporcionam opções de entretenimento dentro da loja vinculando a marca a
outras atividades, consequentemente captando mais consumidores.
Arquitetura de vestir 35
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
5.4
Conclusão dos estudos de casos
Após a análise realizada com os três exemplares, foram geradas duas
tabelas: A primeira delas, está sintetizada a análise crítica e a segunda aponta os
problemas e as potencialidades de cada estudo (ver tabelas 5.1, 5.2)
Com o estudo de caso, chegou-se a conclusão que todas as lojas analisadas
possuem ao menos um aspecto que possa caracterizá-las como Loja Conceito. Em
alguns projetos o foco utilizado foi a arquitetura de interiores, para transmitir o
conceito da loja, outras deixavam transparecer através de sua fachada, no entanto
nenhuma se apropriou da expressão plástica arquitetônica na tentativa de transmitir
o conceito da loja, característica esta, que é objetivo do anteprojeto que foi
desenvolvido. Apenas uma das lojas analisadas apresentou mais de uma atividade
alternativa a atividade principal da loja, e, por fim, todas as lojas estudadas, não
apresentam estacionamento próprio.
Todas a lojas estudadas, apresentam características marcantes que poderão
ser utilizadas como inspiração no processo de geração de alternativas plásticas e
projetuais.
Tabela 5.1
Tabela de análise
Estudo de caso 1
Estudo de caso 2
Estudo de caso 3
Espaço Havaianas,SP
Autor: Isay Weifeld.
Área construída:
300m²
Loja Alexandre
Herchcovitch, Tóquio.
Autor: Arthur Casas
Área construída:
70.91m²
Loja M, SP
Autores: Marton+Marton
e Planche arquitetura e
design.
Dar um aspecto de largo
ao ambiente
Provocar curiosidade por
meio da grande caixa
fechada
Cobertura construída com
trama metálica ortogonal e
vigas transversais
Prédio existente,
construído para uso
comercial.
Fachada completamente
coberta por caixa
revestida com fórmica.
O exemplar que
estabelece maior
contraste com o entorno.
A loja quebra a
sobriedade das demais
lojas de forma
Expressar modernidade
com o uso de metais e
vidros e com formas
retilíneas e regulares
Não houve acesso a
essas informações
Critérios de análise
Descrição geral
Partido arquitetônico
Aspectos
construtivos
A loja entra em contraste
com seu entorno por sua
simplicidade de formas e
cores.
Questões espaciais
A loja segue o gabarito
das outras edificações
existentes no entorno.
Que é no máximo 3
pavimentos.
Arquitetura de vestir 36
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
descontraída
externas
Ambientes autônomos,
destinados desenvolvidos
para cada tipo de produto.
Internamente procurou
dar o máximo possível de
destaque as roupas, mas
utilizando alguns
detalhes divertidos.
programa
-
-
Características
Espaços como o de
customização que atrai o
consumidor a querer deixar
o produto personalizado.
Questões espaciais
internas
Diferencial no
de loja conceito
Chocar visualmente e
provocar curiosidade no
consumidor
Grande galpão com
estruturas e instalações
aparentes, pintadas com
cores vibrantes.
Salão de beleza, livraria,
e espaço para festas.
Agregar outras atividades
a função principal da loja.
Tabela que mostra alguns critérios analisados nos estudos de casos e a análise sintetizada de cada estudo
realizado. Fonte: a autora, 2011.
Tabela 5.2
Problemas e
Estudo de caso 1
Estudo de caso 2
Estudo de caso 3
potencialidades
Falta acessibilidade a
deficientes e portadores
de mobilidade reduzida
Problemas
-
Dificuldade na observação
interna da loja por meio da
fachada, mesmo com uma
grande vitrine
O partido de praça
Fachada mutante, muda a Ambientes diferenciados
proporciona um ambiente cada coleção por meio de que proporcionam opções
aconchegante e mesmo
grafismos.
de entretenimento dentro
com uma fachada
Curiosidade gerada por da loja.
simples, desperta
sua volumetria.
Potencialidades
curiosidade.
Tabela que aponta os problemas e potencialidades de cada estudo realizado. Fonte: a autora, 2011.
6.0
Etapas pré-projetuais
São etapas que auxiliaram no processo de criação. Esse processo passa
desde o programa, pré-dimensionamento, análise do terreno e do entorno, estudo de
insolação, zoneamento, até organo-fluxograma, que analisa a intensidade dos fluxos
dentro e fora do equipamento.
Arquitetura de vestir 37
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
6.1
Programa e pré-dimensionamento
Nesta etapa, foi definido o programa geral de todo o equipamento, quantos
ambientes a loja irá possuir e a justificativa para eles mereçam fazer parte do
complexo.
Como a principal ideia do anteprojeto é descentralização do serviço, isto é, a
disponibilização de outras atividades dentro da própria loja para que o consumidor
compre a marca não apenas pelas peças de moda, mas também toda a atmosfera
criada para indução de compra e ao mesmo tempo lazer.
Para isto, buscou-se trazer para o anteprojeto da loja conceito atividades que
proporcionassem opções de lazer para quem aparecia moda, arte e design. Seriam
formas secundárias de veicular a marca ao usuário, fazendo com que o mesmo não
se dirija a loja apenas para as compras, mas também por apreciar o lugar que lhe
proporciona conforto onde se pode apreciar uma exposição, sentar para apreciar
uma boa comida, ou apreciar com os amigos algum show ou evento no espaço da
loja.
Foram pensados diferentes tipos de atividades que a loja poderia proporcionar,
onde o espaço pudesse funcionar durante os horários diurnos e noturnos. Mesmo
com atividades distintas, as mesmas quando agrupadas possuem certa unidade, por
estar proporcionando espaços para compra, convívio, gastronomia e lazer.
Atividades estas que se enquadram com a atmosfera da moda, e se aproximam do
público que pretende-se atingir.
A loja possuirá área livre com jardim e estacionamento no semienterrado. O
espaço da loja propriamente dita, onde as peças estarão expostas, um bistrot,
dedicado a gastronomia com preparo de alimentos rápidos, espaço para pequenas
exposições, área de eventos, que poderá ser utilizada durante a noite para pocket
shows e desfiles e durante o dia para abrigar exposições itinerantes, e o espaço de
serviço onde está toda a parte de manutenção da loja.
A Tabela (ver tabela 6.1) a seguir, mostra quantos metros quadrados foram
pré- dimensionados para cada ambiente. No anteprojeto, as dimensões estão bem
aproximadas a esta tabela.
Como o equipamento desenvolvido, no caso, uma loja que agregará outros
serviços, não possui parâmetros para ser desenvolvida, as dimensões de cada
Arquitetura de vestir 38
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
ambiente dependerá da demanda diária de pessoas que se pretende acomodar na
loja.
Assim sendo, a partir dos dados do Datafolha (2011), e dos estudos de caso,
chegou-se a seguinte tabela de programa e pré-dimensionamento:
Tabela 6.1
Setor
Área livre
Ambiente

M²
Estacionamento
253m²
Loja
Bistrot
Eventos
Área de serviço

Espaço para a loja

Provadores

Caixa

WC

Exposições

Bistrot

Cozinha bistrot

Caixa

Espaço para eventos

Bar

Caixa

WCs

Depósito

Administração

Hall de serviço

Depósito

Copa
Área total construída
100m²
60m²
200m²
80m²
693m²
Tabela de pré-dimensionamento. Fonte: a autora, 2011
A tabela acima foi desenvolvida durante a etapa de pré-dimensionamento,
apresentando assim, áreas que nortearam o principio do desenvolvimento
anteprojeto, no entanto, da evolução da concepção projetual, foram feitos alguns
ajustes de acordo com as necessidades programáticas, resultando na tabela a
Arquitetura de vestir 39
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
seguir, que mostra as áreas que foram definidas para cada ambiente no anteprojeto
(ver tabela 6.2)
Tabela 6.2
Setor
Área livre
Ambiente

M²
Estacionamento
318m²
Loja
Bistrot
Eventos
Área de serviço

Espaço para a loja

Provadores

Caixa

WC

Exposições

Bistrot

Cozinha bistrot

Caixa

Espaço para eventos

Bar

Caixa

WCs

Depósito

Administração

Hall de serviço

Depósito

Copa
Área total construída
197m²
123m²
130m²
19m²
787m²
Tabela do dimensionamento final. Fonte: a autora, 2011
Desta forma, estima-se a loja que em seu momento de maior movimento
possua a quantidade de 20 pessoas em seu interior. Será uma loja de médio porte,
que em determinados momentos poderá estar lotada, quando houver eventos, ou
poderá receber um fluxo moderado de pessoas durante os dias da semana.
Já para o espaço de eventos a estimativa é de acomodar 350 pessoas acomodadas
no espaço da pista de dança.
Arquitetura de vestir 40
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Considerando como base, o cálculo das massas utilizado pelo Datafolha
(2011), o qual afirma que a quantidade máxima de pessoas que são comportadas
em 1m², é de 7 pessoas, na a análise na quantidade de metros quadrados
necessários para cada cliente da loja, foi calculado da seguinte forma: para área
total da loja, foram destinados 120m², considerou-se também que a loja comportará
em seu horário de maior funcionamento a quantidade de 20 pessoas sendo
atendidas confortavelmente. Foi considerado que para cada 2 pessoas seriam
destinados 12m², considerando que em um momentos de exposição ou um grande
evento a loja possa estar mais lotada. (ver figura 6.1).
Figura 6.1
Esquema que mostra a proporção de pessoas x metro quadrado para área da loja. Fonte: a autora, 2011
Efetuando o calculo, chegou-se ao resultado de 120m² para as 20 pessoas.
Para área de eventos e exposições, o calculo do número de pessoas que
seriam acomodadas na pista de eventos, foi utilizado o mesmo princípio, no entanto,
foi utilizado um número maior de pessoas por metro quadrado. Neste caso, foram
acomodadas a cada 1m², 4 pessoas, considerando o momento de maior
permanência de pessoas no local. (ver figura 6.2), onde 40m²
destinados para pista de eventos.
livres foram
Arquitetura de vestir 41
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 6.2
Esquema que mostra a proporção de pessoas x metro quadrado para pista de eventos. Fonte: a autora, 2011
6.2
Escolha e análise do terreno
O terreno escolhido localiza-se na Avenida Agamenon Magalhães, bairro
Maurício de Nassau no município de Caruaru, cidade satélite do polo têxtil do
agreste. Optou-se por este terreno, pois ele encontra-se em um local estratégico de
expansão do comércio: área, muito valorizada pelo setor imobiliário da cidade e que
modifica sua paisagem aceleradamente com a implantação de lojas que
proporcionam um serviço diferenciado de comércio destinado ao público de classe A
e B (ver figura 6.1).
Arquitetura de vestir 42
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 6.3
Imagem aérea do trecho da Av. Agamenon Magalhães. Em Amarelo, Av. Agamenon Magalhães - Em laranja,
Av. Marcionilio Francisco – Em vermelho, a BR 104 – Em roxo, o terreno selecionado. Esboço elaborado
pela autora. Fonte: Google Earth, 2011
O lote selecionado, segundo o plano diretor da cidade, está situado no Eixo
de Atividades Múltiplas (EAM), que menciona que esta é uma área de uso
residencial, porém que permite que sejam implantados outros equipamentos.
O terreno está delimitado pela Avenida Agamenon Magalhães e a Avenida
Marcionilio Francisco. Estes são dois eixos de grande fluxo durante todo o dia, pois
levam os habitantes do bairro em direção ao centro, e também atrai pessoas de
outros lugares da cidade que vão em busca de alguns serviços que são
disponibilizados na avenida e em suas imediações (ver figuras 6.2, 6.3)
Arquitetura de vestir 43
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 6.4
Figura 6.5
Zoom imagem aérea do terreno. 1 – Av. Agamenon
Magalhães, 2 – Av. Marcionilio Francisco, 3 –
Terreno selecionado. Fonte: Google Earth,2011
Esquema do terreno. 1 – Av. Agamenon Magalhães, 2
– Av. Marcionilio Francisco, 3 – Terreno selecionado.
Fonte: a autora, 2011.
Além de lojas que oferecem opções diferenciadas de comércio, e dos
residenciais existentes no perímetro da Avenida Agamenon Magalhães, Existem
outros serviços disponibilizados no local que também atraem um grande número de
pessoas. São agências bancárias, centros de estética, restaurantes, entre outros
(ver figuras 6.4, 6.5).
Figura 6.6
Figura 6.7
Outros serviços oferecidos na Av. Agamenon Magalhães. Fonte: a autora, 2011.
Mesmo localizado em um local estratégico e de grande visibilidade, o terreno
é de orientação poente, o que exigiu estratégias arquitetônicas e soluções de
Arquitetura de vestir 44
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
proteção solar. Mais um desafio para o projeto, visto que esta característica agregou
mais expressão plástica ao mesmo (ver figuras 6.6, 6.7, 6.8, 6.9).
O terreno apresenta um desnível de aproximadamente um metro. Esta
diferença de nível será vencida com as rampas de acesso ao estacionamento e à
loja.
Figura 6.8
Figura 6.9
Figura 6.10
Figura 6.11
Imagens do terreno visto da Av. Agamenon Magalhães. Fonte: a autora, 2011.
O entorno do lote está repleto de lojas, que seguem um padrão de ocupação
total da face frontal do lote. (ver figuras 6.11, 5.12, 6.13, 6.14). As recentes
construções de lojas já respeitam as normas de uso e ocupação do solo, antes não
muito respeitadas. Mas, ainda assim, estas novas lojas, procuram aproveitar o
máximo possível do terreno com área construída o que não permite muitas vezes
um tratamento plástico mais elaborado nas fachadas (ver figura 6.10).
Arquitetura de vestir 45
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 6.12
Figura 6.10
Esquema que mostra como o solo era utilizado antes, muitos sem os devidos recuos, além da altura do
gabarito dos equipamentos, antes mais horizontal. E atualmente como já se encontram os afastamentos,
principalmente frontais e a diferença do gabarito. O ultimo esquema mostra em a amarelo, como se pretende
tratar o equipamento que será projetado. Fonte: a autora, 2011.
Figura 6.13
Figura 6.14
Figura 6.15
Figura 6.16
Imagens de lojas instaladas na Av. Agamenon Magalhães, mostrando como se comporta sua implantação no
lote. Fonte: a autora, 2011.
Arquitetura de vestir 46
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
A maioria das lojas do entorno do terreno a ser trabalhado não possuem
estacionamento próprio. Algumas aproveitam o recuo obrigatório e transformam em
estacionamento.
O gabarito de altura da maioria dos equipamentos dispostos pela avenida é
de no máximo três pavimentos, no entanto constatou-se, que esta é uma área de
transformação acelerada, onde existem shoppings, empresariais verticais, além de
uma quantidade considerável de edifícios residenciais localizados na parte posterior
da avenida com até mais de vinte pavimentos. Nas figuras seguintes podemos
observar a diferença entre o gabarito das lojas da Av. Agamenon Magalhães e o
considerável crescimento vertical, nos dois lados da avenida (ver figuras 6.15, 6.16).
Figura 6.17
Figura 6.18
Esquema que mostra o crescimento urbano no perímetro na Av. Agamenon Magalhães. Pode ser observada a
massa de edifícios (em amarelo) que aumenta consideravelmente e como se comportam os equipamentos
situados ao longo da avenida. Onde a tendência é a verticalidade. Fonte: a autora, 2011.
O terreno possui 713.76m², localizado no último lote da quadra e limitando-se
por duas avenidas de grande fluxo. Possui uma testada frontal de 21.40 metros e
lateral 32.18 metros. (ver figura 6.17). Utilizando as normas do plano diretor
direcionada para essa área, o terreno possui um coeficiente de utilização 3 e
deverão ser obedecidos os recuos de 5,00 metros frontal, 3,00 metros de
afastamento lateral e fundos. A Taxa de solo natural que será considerada é a de
20%.
Arquitetura de vestir 47
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 6.19
Terreno selecionado e suas dimensões. Fonte: a autora, 2011.
6.3
Estudo de insolação
Com o estudo de insolação, podemos identificar os locais que recebem mais
iluminação natural durante o dia, os que recebem os melhores ventos durante todo o
ano, assim facilitando o zoneamento de todos os setores do projeto (ver figura 6.18).
Arquitetura de vestir 48
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 6.20
Esquema mostra o comportamento do Sol e dos ventos predominantes sobre o terreno. Fonte: a autora,
2011.
O terreno tem localização poente, na fachada que podemos considerar como
a principal, a voltada para a Av. Agamenom Magalhães. Localização esta que exigiu
soluções e justificativas para localização de cada setor.
6.4
Zoneamento
Após feitas as análises do terreno, do estudo do comportamento dos ventos
predominantes e da insolação, foi realizado um zoneamento, que norteou a
localização dos setores da loja conceito, para haver um melhor aproveitamento de
iluminação e ventilação natural, proteção para as áreas de insolação entre outros
(ver figura 6.19).
Arquitetura de vestir 49
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Figura 6.21
O esquema mostra como pretendemos zonear todos os ambientes que serão projetados no equipamento.
Tendo em vista a orientação solar e a incidência dos ventos predominantes. Fonte: a autora, 2011.
Como citado anteriormente, a fachada considerada principal, localiza-se em
orientação poente. Ou seja, a tendência de zoneamento seria inserir partes da
edificação que abriguem espaços de serviço. Contudo, como se trata de uma loja,
sente-se a necessidade de que a loja esteja o mais próximo possível de quem passa
na calçada, o que fez com que partes da loja fossem locadas em pontos de
incidência solar, entretanto, para amenizar esta incidência, foram utilizados artifícios
para proteção solar nesses locais.
A loja propriamente dita, será localizada na fachada noroeste onde existe a
incidência solar no entanto menor, já que precisamos deixar espaços para as
vitrines.
Procurou-se implantar o equipamento o mais solto possível no lote o que
permitiu um tratamento em 3 fachadas.
Optou-se por locar o estacionamento em um pavimento semienterrado.
Arquitetura de vestir 50
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
6.5
Organofluxograma
O Organofluxograma é a junção de dois processos: O organograma, e o
fluxograma que são utilizados para facilitar no momento de realizar as conexões de
todos os ambientes que farão parte do projeto. Com o organograma podemos saber
quais os ambientes serão conectados e os que não terão conexão. Já com o
fluxograma, podemos identificar quais as circulações possuirão os maiores e
menores fluxos (ver figura 6.20).
Figura 6.22
Esquema mostra a conexão dos ambientes e o comportamento dos fluxos de pedestres e veículos. Fonte: a
autora, 2011.
7.0
A loja
Neste capítulo, será descrito como se dará o comportamento interno da loja
propriamente dita, que terá seu anteprojeto desenvolvido. Os produtos que serão
vendidos, a forma que os mesmos serão expostos e o esquema de rotatividade das
marcas que terão seus produtos expostos na loja.
O esquema de venda que se tem como pretensão adotar na loja conceito de
moda, é o de loja colaborativa. Esta maneira de vender relativamente nova no Brasil,
mas já é adotada em muitos países e vem sendo implantada no país com
considerável êxito, se enquadrando perfeitamente na modalidade de loja conceito
que o anteprojeto propõe, que é a venda de peças diferenciadas de moda, como
roupas e acessórios destinados para ambos os sexos.
Arquitetura de vestir 51
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
A ideia principal da loja que foi desenvolvida nesse trabalho, é proporcionar
moda para todos. É a venda de produtos para todos que apreciam moda, tanto
homens quanto mulheres. Compreendendo que moda não é apenas roupa, mas
também acessórios, objetos entre outros, poderíamos caracterizar o espaço como
uma loja democrática.
A maioria das lojas colaborativas funcionam da seguinte forma: uma espécie
de loja coletiva onde cada marca possui um espaço pra expor seus produtos.
Pequenas lojas que quando juntas proporcionam um espaço com uma grande
diversidade de peças. A loja conceito em Caruaru adota este mesmo sistema de
funcionamento.
Geralmente estes espaços individuais dentro da loja, estão em forma de nichos
que são alugados pelas marcas e distribuído espacialmente dentro da loja. O valor
pago oscila de acordo com o tamanho de cada nicho.
Como exemplo podemos citar a loja Endossa (ver figura tal) e Cada Qual (ver
figura tal), a primeira localizada na cidades de São Paulo e Curitiba, e a segunda
também na cidade de São Paulo, que podem ser utilizadas como 8referência do
sistema de funcionamento para este anteprojeto. As duas lojas possuem a forma de
venda de loja colaborativa, onde a mesma cede seu espaço para várias marcas
exporem a venda seus produtos. A segunda ainda dispõe de um diferencial
interessante, a consultoria de venda aos expositores e consultoria de estilo aos
clientes, aspecto este que compatível com a atmosfera de moda que pretende-se
criar na loja conceito que será desenvolvida.
Figura 7.1
Loja Endossa – SP, Venda colaborativa de
roupas
e
acessórios.
Fonte:
http://www.endossa.com/
Acesso
em:
30/08/2011
8
Figura 7.2
Loja Cada Qual – SP, Venda colaborativa de roupas e
acessórios. Fonte: http://revistapegn.globo.com Acesso em:
30/08/2011
Estes exemplares não foram utilizados como estudo de caso, pois não apresentaram expressividade
arquitetônica que pudesse servir de referência para este trabalho.
Arquitetura de vestir 52
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
Um outro aspecto interessante das lojas colaborativas é a rotatividade das
marcas que estão em cada nicho. Há sempre a mudança das marcas que estão na
loja o que proporciona a diversidade do público frequentador da loja, e a
oportunidade para novos criadores. Todos os nichos tem sua respectiva importância
dentro da loja, independente do seu tamanho que tem um padrão mínimo de 60x60
cm.
Neste anteprojeto utilizou-se do princípio desta ideia de nichos, no entanto,
proporcionando um espaço um pouco maior para exposição das peças para tornar o
espaço menos tumultuado, já que serão vendidos produtos com características
muito diferentes uma das outras, além de gerar mais oportunidades para os
expositores.
8.0
Memorial
Conforme discutido ao longo deste trabalho, o anteprojeto possui como tema
uma loja conceito. Existem várias maneiras de se tratar uma loja desta modalidade.
A forma que será tratada especificamente neste trabalho é a de vender produtos de
moda, mas ao mesmo tempo proporcionar ao consumidor outras formas de
entretenimento, como espaço para eventos, exposições, espaço de convívio e
bistrot. Uma estratégia de induzir quem consome a comprar a marca de outra
maneira O tipo de loja que tratamos neste anteprojeto, é a loja colaborativa, que
funciona da seguinte maneira: a loja em seu espaço físico, sede espaços alugandoos para que as marcas possam expor seu produtos. Assim, há uma grande
rotatividade de marcas dentro da loja além de tornar o espaço sempre com
novidades, pois cada marca possui tempo determinado dentro da loja, podendo
retornar em outros momentos
Para uma loja deste modelo, as peças são mais exclusivas, e todos os modelos
e numerações ficam em exposição para o cliente. É uma forma também de
exposição e divulgação da marca para possíveis investidores.
Detendo todas as informações coletadas ao longo do trabalho, iniciou-se o
desenvolvimento do anteprojeto. O primeiro passo foi desenvolver o partido
arquitetônico, visto que uma loja conceito deveria possuir um partido de impacto,
para mostrar por meio da arquitetura o que a loja pretende vender: estilo,
comportamento e exclusividade, apresentando formas arquitetônicas que sejam tão
Arquitetura de vestir 53
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
exclusivas e diferenciadas quanto o produto que se vende dentro da loja. Mostrando
por meio da diferenciação da arquitetura, a diferenciação do produto.
Para a escolha do partido, foram considerados: o impacto com o entorno, a
insolação prevista em toda fachada principal e o tipo de loja que será adotado, a loja
colaborativa. Utilizando estes aspectos, partido arquitetônico do anteprojeto originouse a partir do estudo volumétrico.
Foi adotada a caixa como princípio compositivo inicial. A caixa esconde algo, ela
guarda sempre uma surpresa, gera curiosidade, e às vezes revela características do
que está no seu interior por meio de formas, cores e texturas. O volume puro da
caixa foi o instrumento inicial do anteprojeto.
Partindo do volume do prisma retangular, foram feitos estudos da desconstrução
do sólido, de várias maneiras, até chegar ao resultado desejado (ver figura 8.1).
Foram feitos recortes assimétricos e oblíquos no sólido, além de texturas,
reentrâncias e saliências.
Figura 8.1
Evolução da desconstrução da caixa e construção da volumetria da loja.
Podemos ressaltar ainda a não utilização de vitrines convencionais em toda a
fachada da loja. Como justificativa para esta escolha, é apontada a localização
poente do terreno que obrigou a locar as fachadas principais em local de mais
incidência solar e o outro ponto, ainda mais determinante, que implicou nessa
escolha foi o partido de caixa, que tem como principal função esconder algo, neste
caso, os produtos que a loja oferece.
Como o observado no estudo de caso feito na loja Alexandre Herchcovitch,
onde se procurou tratar de um elemento surpresa escondido no interior da loja, no
caso as peças de moda, que estavam escondidas por trás de um grande elemento
de apelo visual despertando a curiosidade dos transeuntes, o anteprojeto
Arquitetura de vestir 54
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
desenvolvido neste trabalho também usou deste artificio para a concepção de seu
partido arquitetônico.
Para isso, foram desenvolvidas aberturas em locais estratégicos, que
permitissem a entrada de iluminação natural, além da visualização interna da loja,
mas ainda sim, sem revelar o que existe em seu interior. Essas mesmas aberturas
durante a noite oferecem um efeito de iluminação artificial interna da loja, por onde a
luz interior da loja transparece para o exterior por meio dos filetes de aberturas da
fachada.
Procurou-se criar uma relação de contraste bem definida entre o equipamento e
seu entorno, fazendo com que a loja destaque-se entre as demais. A fachada cega
permite que a mesma possa entrar em mutação por meio de iluminação
diferenciada, adesivagens, e pinturas, que possam representar coleções ou até
mesmo eventos, transformando a grande fachada num grande mural de
comunicação da loja com o exterior.
A solução para proteção da incidência solar nas fachadas principais, que além
de serem vedadas com placas cimentícias, com propriedades de proteção termoacústica, ainda foi especificada lã de rocha para ser aplicada entre as placas, para
garantir ainda mais o conforto térmico.
Atendendo as normas do uso e ocupação do solo, atendendo aos recuos
necessários para a área onde a proposta está inserida, foi desenvolvido em paralelo
a volumetria, o estudo da planta baixa, que procurou proporcionar um ambiente
amplo e que integrasse todos os serviços oferecidos, a loja.
Na planta baixa definida, procurou-se inserir alguns traços assimétricos da
volumetria do equipamento, procurando reproduzir espacialmente a desconstrução
da caixa.
Para proporcionar uma melhor contemplação da volumetria, além do melhor
aproveitamento do terreno, visto que a área onde ele está locado é uma área de alto
custo da cidade, optou-se locar as vagas de estacionamento no pavimento
semienterrado, disponibilizando o número de vagas solicitadas e uma visualização e
valorização externa da loja sem obstáculos visuais.
Quanto à implantação do equipamento no terreno, foi levado em consideração
a insolação nas fachadas principais, a melhor localização para o acesso principal da
loja e do acesso independente do espaço de eventos, considerando as vias de maior
e menor fluxo, além das entradas para o semienterrado e o acesso de serviço.
Arquitetura de vestir 55
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
O acesso principal à loja localiza-se na esquina do equipamento, o que facilita
a visualização da entrada em um ângulo mais abrangente. Além desta ser a parte do
equipamento que permitirá a maior visualização interna da loja. Já o acesso
independente ao espaço de eventos está situado em uma das fachadas principais,
sendo a voltada para a Av. Agamenon Magalhães, que é a de maior fluxo de
incidência solar. Como este espaço é de uso secundário, e também possui acesso
pelo interior da loja, foi decidido fazer sua locação nesta orientação, preservando e
protegendo a loja, de uso principal e intensivo, das implicações térmicas da
incidência solar.
Já o acesso para o semi-enterrado e de serviço, teve sua localização na via
de menor fluxo, a Av. Marcionilo Francisco.
Após desenvolvidas estas etapas, foram estudadas as formas mais funcionais
de resolução interna dos espaços. Por meio dos estudos de zoneamento, locando as
áreas de serviço na parte posterior do equipamento..
O espaço da loja é amplo, todas as araras para exposição das peças estão
em todo perímetro da loja, para uma melhor visualização das peças além de
desobstruir o fluxo de pessoas pela loja.
O interior da loja está integrada a todos os ambientes secundários, por meio
de circulações e planos de vidro, que fazem com que a loja seja observada por
vários pontos: do espaço de eventos para à loja, do mezanino-bistrot pra à loja e da
exposições do mezanino para exposições.
Logo ao entrar na loja o observador se depara com um pequeno espaço para
exposições. Seguindo em frente pode-se observar toda a loja com as araras
dispostas de forma que se possa observar todos os produtos que a loja pode
oferecer. Para negar o aspecto de uma loja convencional, optou-se por dispor os
provadores de forma aleatória no espaço da loja. Cortinas fixadas ao teto vedarão o
espaço dos provadores quando estiverem sendo utilizados, quando houver ninguém
utilizando as cortinas estarão abertas. Esta mudança trará dinamismo criando um
aspecto divertido no ambiente. A loja possui pé direito duplo e na parte superior está
o mezanino com um bistrot, que tem como acesso por um elevador que torna o
ambiente acessível a todos.
O mezanino permite uma vista panorâmica da loja além de possuir um espaço
de convívio.
Arquitetura de vestir 56
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
No interior da loja encontra-se também o acesso ao espaço de eventos, feito
através de uma esquadria retrátil em vidro, com forma de abertura tipo camarão,
fazendo com que os espaços possam ser integrados em determinadas ocasiões e
eventos. O acesso ao mezanino é dado por um elevador que poderá atender a todos
os usuários da loja, não restringindo o acesso aos portadores de deficiência ou
mobilidade reduzida. O ambiente também terá acesso por uma escada de apoio.
O espaço de eventos disponibiliza bateria de banheiros, sendo um deles
acessível e um apoio de bar.
Na parte externa da loja será utilizada a cor natural da placa cimentícia, que
dará destaque perante as demais edificações além de permitir um maior número de
combinações de cores, se por ventura essa fachada for utilizada para divulgação de
coleções, eventos, levando em consideração que neste projeto é prevista mutação
da fachada, acompanhando as mudanças da moda.
O agenciamento do equipamento será de forma a induzir a entrada aos
acessos principais, criando uma hierarquia de caminhos. Será dada preferência a
vegetação rasteira como grama, para compor a área de solo natural assim, não
criando obstáculos visuais.
9.0
Considerações Finais
Ao final desta pesquisa, elaborada pra conclusão do Curso de Arquitetura e
Urbanismo, podemos observar que todas as informações que foram levantadas além
dos fundamentos baseados em autores, contribuíram no processo de aprendizagem
de diversas formas, onde se observou a importância de reflexão sobre os temas
abordados para que eles servissem de instrumento para elaboração do anteprojeto
que foi desenvolvido.
Dentro do referencial teórico pode-se observar como se comporta o ciclo da
moda além do processo de consumo e suas estratégias para conseguir captar
consumidores dos mais diversos perfis. Também foi visto como a moda está sendo
incorporada no interior de Pernambuco, especificamente dentro do polo têxtil do
agreste, onde foi observado o seu grande potencial.
O conhecimento sobre esses aspectos acima citados serviram para embasar os
objetivos específicos deste trabalho.
Arquitetura de vestir 57
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
O referido anteprojeto arquitetônico, procurou atender da melhor forma possível
os objetivos específicos da pesquisa, sem deixar de relacioná-lo a realidade local.
Obedecendo tanto a referências legais, quanto as referências culturais do público
que procura o consumo moda na região.
Apresentar uma arquitetura inusitada para uma loja de moda na cidade de
Caruaru foi um processo que exigiu muita pesquisa, estudos de soluções e acima de
tudo, muita dedicação.
Ao concluir este trabalho, espera-se que, de alguma forma, ele possa vir a
contribuir com outras pesquisas futuras, que possam ser realizadas sobre a
temática.
10.0
Referências
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Disponível em: < http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 25 de março, 2011.
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Arquitetura de vestir 58
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
LIPOVETSKY, Gilles, O império do efêmero, a moda e seu destino nas
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PLANO DIRETOR DO MUNICÍO DE CARUARU – Anexo 1, ZAM ( Zona de
Atividades Múltiplas)
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Arquitetura de vestir 59
Anteprojeto arquitetônico para uma loja conceito de moda em Caruaru
11.0 APÊNDICE
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