ANÁLISE ESPACIAL ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA E UMA CRÍTICA SOBRE A CIDADE DE ÉVORA UM OLHAR INOCENTE Gabriela Rodrigues Jacqueline Soares Josélia Portugal Rosana Melo Sérgio Almeida O objetivo deste trabalho foi de fazer um percurso fora do usual na cidade de Évora e atentar a questões fora do contexto do turismo e do patrimônio histórico, ter uma outra visão. Então buscamos observar a cidade e o cotidiano dos moradores. Iniciamos o percurso por uma viela apertada, observando os transeuntes. Passa por nós um homem de suéter e paletó, apressado, carregando uma pasta, provavelmente a caminho do trabalho (Figura 1). Viramos a esquina para a Rua do Raimundo, onde notamos uma loja de fotografias de um artista local. Na vitrine vemos algumas fotografias em branco e preto, de monumentos da cidade, aos fundos, a funcionária ao balcão (Figura 2). Seguimos caminho. Subindo a rua, vemos então uma loja de peças de cerâmica decorada, com cores vivas e desenhos geométricos. A funcionária desta loja é uma senhora, de cerca de 70 anos (Figura 3). Chegamos a Praça do Giraldo, onde estão vários senhores sentados nos bancos a conversar. Outros, em pé, formando uma roda, também a conversar. Há ainda algumas senhoras a ler um quadro de avisos. Aproximamo-nos e percebemos se tratar de um quadro local onde são fixados os eventos, inclusive os falecimentos, da cidade (Figura 4). Então viramos e percebemos um casal de jovens passeando com os cães (Figura 5). Figura 3: Vendedora na loja de cerâmicas. Figura 4: Senhores na Praça do Giraldo. Figura 5: Casal de jovens passeando com os cães. Fotos de Gabriela Rodrigues. Tiradas em 10 de março de 2015. Continuamos subindo, agora pela Rua 5 de Outubro, onde o comércio é intenso, principalmente de produtos de cortiça e de peças de cerâmica, suvenirs de Évora. Então nos deparamos com uma barbearia. Pela vitrine vemos dois senhores, pai e filho, em plena atividade, a barbear seus clientes (Figura 6). Um pouco mais acima, ao lado de uma dessas lojas de produtos de cortiça, vemos um objeto interessante: um desses globos cheios de bolinhas, onde se joga uma moeda para comprar. Esse ‘caça níquel’ é muito comum no Brasil, acredito até que em qualquer parte do Mundo (Figura 7). Figura 6: Barbeiros em atividade na Rua 5 de Outubro. Figura 7: Globo de bolinhas ao lado de peça de cortiça na porta de um comércio. Fotos de Gabriela Rodrigues. Tiradas em 10 de março de 2015. Estamos agora em frente à Catedral da Sé, ao lado esquerdo está o Templo de Diana, ruína do tempo romano. Ao direito, a escadaria que leva ao Largo da Porta de Moura. Ali ao lado está um estêncil, manifestação em forma de pichação (Figura 8). Viramos com o barulho: um caminhão de lixo recolhendo o material em frente à Universidade de Évora (Figura 9). Figura 8: Pichação no muro em frente a Catedral da Sé. Figura 9: Coleta de lixo na frente do Palácio do Vimioso. Fotos de Gabriela Rodrigues. Tiradas em 10 de março de 2015. Évora é atualmente uma cidade que possui aspectos peculiares. O Império romano transposto no tempo apresenta sua monumentalidade arquitetônica nas ruínas ainda existentes na localidade. Entretanto, Évora contrasta o tempo. Nela percebemos o passado ainda sustentado pelos ares medievais com sua religiosidade e por seu traçado urbano contemporâneo. Como olhar uma cidade em nossa primeira visita? O que se espera, o que se busca e o que de fato se encontra? Procuramos nos deixar surpreender, e buscamos na memória referências de outros lugares como comparação e percebemos Évora fora de seu contexto. Caminhando entre ruas medievais que o tempo se encarregou de transformar pela ação do homem e seus novos modos de produção, procuramos nos prender às pessoas. Um trabalhador apressado, carregando uma pasta, provavelmente a caminho do trabalho, nos chama atenção pelo fato de estarmos dentro da muralha, onde a maior parte da movimentação é de turistas e pessoas relacionadas ao comércio de produtos e serviços para o turismo. Mas nos enganamos. Esperávamos uma cidade movimentada com turistas e estudantes por toda parte. No entanto, percebemos muitos moradores locais, em sua maior parte idosos. As ruas são vazias à noite, falta de um roteiro turístico que ‘agite’ a cidade durante todo o dia e principalmente à noite. É interessante ver pessoas passeando com os cães, indo para o trabalho, para o local de estudos, ou passando o tempo livre na praça. Assim como a barbearia, na principal rua comercial de Évora. Essas cenas representam a vida cotidiana que qualquer cidade realmente possui, independente de ser turística ou não. Essa é a visão que buscamos captar pelas fotografias que apresentamos. Gabriela Rodrigues Jacqueline Soares Josélia Portugal Rosana Melo Sérgio Almeida Gabriela Toledo Rodrigues Arquiteta e Urbanista - Universidade Federal de Viçosa, MG/Brasil Jacqueline Zandominegne Soares Arquiteta e Urbanista - Universidade Federal de Viçosa, MG/Brasil Membro da Comissão de Bens Culturais da Igreja – DCI, ES/Brasil Josélia Godoy Portugal Arquiteta e Urbanista, Professora da Universidade Federal de Viçosa, MG/Brasil Rosana Coelho de Alvarenga e Melo Zootecnista, MSc. Graduanda em História Universidade Federal de Viçosa, MG/Brasil Sérgio Antônio de Paula Almeida Historiador pela Faculdade Santa Marcelina Mestrando em Patrimônio Cultural, Paisagens e Cidadania – Universidade de Federal de Viçosa, MG/Brasil