O Treinador
Quando o correr dos anos nos impõe compromissos, objectivos e responsabilidades,
tomando o lugar da alegre ligeireza com que desfrutámos a juventude, as saudades
dos tempos em que “tudo podíamos” tomam conta de nós e sentimo-nos presos a algo
que não sabemos bem o que é.
Talvez por isso, aos cinquenta e sete anos, saudoso do tempo em que, como atleta,
competira durante tantos anos, interroguei-me sobre se ainda conseguiria patinar. A
agilidade e a mobilidade – e o peso… – não seriam as mesmas seguramente. Mas a
tentação de me reavaliar nesse aspecto foi muito forte.
Em Olhalvo existe um pavilhão dotado de bom piso, mas nele apenas se praticava
futebol de salão, não estando por isso preparado para outras modalidades, como, por
exemplo, o hóquei-em-patins. Não dispunha de vedação, tabelas, balizas, mas dava
para patinar.
Em Fevereiro de 1996 escrevi à Direcção da Sociedade Filarmónica Olhalvense,
proprietária daquele espaço propondo uma maior utilização daquele recinto pelas
camadas mais jovens da população local.
O meu objectivo inconfessado era pôr aquela criançada a patinar e num futuro
próximo até a jogar hóquei, só que se o dissesse desde logo assustaria os dirigentes da
colectividade. Por outro lado tinha uma grande ansiedade em verificar se conseguiria
ensinar o que sabia. Nunca o tentara, diga-se de passagem, pelo que no meu espírito
pairava alguma expectativa.
Tinha de começar devagarinho e mesmo assim, só Deus sabe o que passei. Após
alguma insistência, a Direcção da SFO autorizou finalmente que se desse início ao meu
plano e comecei a patinar com a miudagem, que como eu previra, logo começaram
a aparecer e eu a matar saudades dos bons tempos.
Apesar de algumas dificuldades, durante dois meses houve sempre entre quinze a vinte
cinco alunos na escola de patinagem, a quem tive de ensinar os rudimentos
respectivos. Tal como esperava, tudo desde o calçar bem as botas e de como devem
ficar bem justas aos pés, teve de ser ensinado.
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Explicava-lhes que um bom jogador joga com as botas bem apertadas e não arrasta os
patins, desliza. Enfim... tudo. A princípio curiosos, a breve trecho com avidez e
entusiasmo iam aprendendo com certa facilidade. Muito antes da hora marcada para
o começo do treino já lá estavam todos à espera. Era bonito de ver aquele interesse e
aquela alegria, o que era um sinal de esperança que a ideia por certo iria ter bons
resultados.
Este entusiasmo manteve-se nos anos seguintes. Gostavam daquilo via-se pelo seu
comportamento. Nunca foi necessário esperar por alguém para dar início ao trabalho.
Continuavam a chegar todos antes da hora.
O tempo foi passando e em Setembro 1996 – início da época desportiva – pretendi
saber o que desejavam fazer os dirigentes com aquele grupo de rapazes, que tão
interessadamente se dedicava à patinagem e aos primeiros passos na interpretação do
hóquei-em-patins. Em resposta foi-me dito que podia começar a desenvolver o projecto
quando achasse oportuno.
Cheio de vontade deitei entusiasticamente mãos à obra, esperançado em que os
actos viessem corroborar a disponibilidade afirmada pelos dirigentes, mas cedo as
dificuldades surgiram e vi-me forçado a sucessivas interpelações. Foram cartas e muitas
exposições, sempre visando o objectivo que me movia, pois tudo demonstrava que só
os praticantes estavam dispostos a ir para a frente.
O que não se movia era o projecto. Até que numa reunião ocorrida no primeiro dia de
Março de l997, tive necessidade de afirmar que no caso não obter apoio, me via
obrigado a não continuar a dá-lo por extinto, é claro que isso daria uma a inerente
frustração a todos aqueles jovens e seus pais, como fiz sentir.
Finalmente aperceberam-se da realidade, pensava eu e disseram para continuar. De
facto continuou na mesma. Um tanto à boleia das circunstâncias, fiz outros pedidos
procurando dar satisfação aos desejos da miudagem. Sem receber uma resposta, mais
uma vez insisti...
Mas as indefinições mantiveram-se e finalmente em Junho de 1997, a Direcção da SFO
resolveu responder de uma forma que considerei pouco respeitosa e que me
desagradou, por isso perante todo aquele arrastar da situação e por todos os
aborrecimentos que tinha passado, resolvi colocar um ponto final naquilo em nítido
prejuízo de tantos jovens que acreditaram ser possível criar um espírito de
camaradagem assente na solidariedade através do desporto, essa escola de virtudes.
No feriado nacional de 10 de Junho daquele ano escrevi aos pais dos praticantes que
sempre haviam manifestado apoio ao projecto e bastante dinheiro haviam investido na
compra do material necessário para os filhos poderem praticar a modalidade. Dei-lhes
conta das dificuldades do que se passara e da minha decisão.
Perante esta atitude a Direcção da SFO pediu-me de novo para não deixar as crianças,
nem abandonar o projecto, solicitando a elaboração de um plano. Estava convicto da
inutilidade de tal trabalho porque se não havia a mínima organização, para que
quereriam uma planificação?!. Pareceu que mais não pretendiam do que ganhar
tempo. Posso mesmo admitir que acreditaram na minha recusa em realizar tal plano. E
assim o problema ficaria resolvido atirando com o odioso para quem sempre se mostrou
disponível para acarinhar aquele grupo de jovens.
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Fiz o que me pediram, como é natural!
Conhecedor do que se passava, José Ferreira, responsável pelo Balcão de Olhalvo da
Caixa de Crédito Agrícola de Alenquer, conversou comigo e disponibilizou-se para
formar uma secção exclusivamente para tratar dos assuntos da modalidade na SFO, o
que provavelmente viria a desbloquear as situações que ninguém tinha querido ou
sabido ultrapassar. Convidou pessoas que igualmente se mostraram disponíveis,
algumas dos quais tinham lá os filhos a treinar e passado pouco tempo tudo começou
a funcionar.
Porquê só agora, depois de tantos aborrecimentos e tempo perdido?
O certo é que a situação foi desbloqueada e a Secção de hóquei-em-patins da SFO
começou a funcionar.
O ringue da SFO depois de preparado para a prática da modalidade ficou com 33 x
16,3 m, e as mínimas autorizadas são 36 x 18 m. Mesmo assim embora com dimensões
inferiores às mínimas a Federação homologou, desde que nele não se realizem provas
internacionais. Era o suficiente para as nossas pretensões.
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Como qualquer clube interessado em participar em campeonatos oficiais, a Sociedade
Filarmónica Olhalvense teve de se federar na associação da sua região, a Associação
de Patinagem de Lisboa, filiação essa que ocorreu em 16 Janeiro de 1998 e foi
ratificada em Assembleia Geral Extraordinária de 23 de Junho de 1998 daquela
Associação.
Por outro lado, tinha de apresentar treinadores credenciados, habilitados a acuparem o
seu lugar junto dos suplentes e a darem instruções à equipa no decorrer dos jogos.
Assim, eu, o José Ferreira e o Jorge Inácio frequentámos o curso de treinadores da
Federação Portuguesa de Patinagem, com muito bom aproveitamento fomos
credenciados para ocupar aqueles lugares.
Dava-se assim corpo
ao
sonho
que
acalentara: motivar a
juventude de Olhalvo
para
a
actividade
física bem conduzida e
criar para os seus
tempos
livres
uma
alternativa saudável.
Na sua maioria, aqueles miúdos eram, no início das actividades, franzinos e pequeninos,
agora são uns latagões. Penso que a actividade física que foi proporcionada contribuiu
decisivamente para o seu saudável desenvolvimento.
As escolas de patinagem. Todos começaram assim
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Como não tínhamos número suficiente de jovens para constituir equipas de juvenis e de
juniores, e para que estes não permanecessem inactivos, formámos com eles e com
alguns iniciados, uma equipa com a qual pudemos participar num torneio particular
organizado pela secção de hóquei em homenagem a um antigo praticante da terra
de nome João Baptista, por sinal primo direito da Dalva Maria.
Uma das equipas no dia do primeiro jogo - Torneio João Baptista.
Outra das equipas no dia do primeiro jogo - Torneio João Baptista
Aquela que seria depois a equipa de iniciados
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O que os jornais locais disseram sobre o Torneio João Baptista.
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Aspectos das taças em disputa no Torneio João
Baptista. Aproveitámos para lembrar os primeiros
praticantes de hóquei de Olhalvo.
O “partir das bilhas” e contagem dos votos. Os bilhetes de ingresso eram votos que os espectadores depositavam nestas bilhas
para elegerem a equipa mais simpática.
O filho do homenageado João Baptista a entregar uma taça
Acabei de entregar ao Samuel o prémio do melhor guarda-redes
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A primeira vez que Olhalvo teve uma representação desportiva em competições
oficiais ocorreu no dia 6 de Março de 1998, por intermédio da equipa de Iniciados que
representou a Sociedade Filarmónica Olhalvense no Torneio de Encerramento da
Associação de Patinagem de Lisboa.
A equipa de Iniciados que pela primeira vez representou Olhalvo e a S.F.O. em competições oficiais
Depois de muito treino, já tinham esta elegância:
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E este domínio de bola.
Preparando mais avançadas
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E também aprenderam a saborear
alegrias e tristezas, em equipa, o que é
muito importante nestas idades.
Uma fase do jogo contra o Sporting Clube de Portugal
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Ensinando jogo colectivo, utilizando três
jogadores de cada lado
Ensinando jogo colectivo, utilizando
sete jogadores de cada lado
Momentos de um time-out ( 1 minuto )
O jogo pára para corrigir posições
e tácticas de jogo
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Nos anos seguintes ainda tivemos mais estas equipas…
Uma boa equipa de Infantis
Para mim... também uma boa equipa de Iniciados. Perderam todos os jogos contra
equipas que dispunham de jogadores com sete anos de prática. A nossa equipa
jogava pela primeira vez e aprendeu muito. Um atleta deve, em primeiro lugar saber
perder para aprender a saborear melhor as vitórias...
Uma boa equipa de iniciados
Alguns jornais regionais, fizeram algumas confusões sobre o hóquei-em-patins em
Olhalvo, especialmente em relação à minha pessoa. Um deles, num título até me
confundiu com outro Leonel, o antigo internacional da CUF do Barreiro, que aliás
defrontei várias vezes.
Tive o cuidado de os esclarecer pois não gosto, nem está nos meus hábitos de conduta
colher louros que me não sejam devidos. Como não gosto de ver o meu trabalho e o
seu eventual mérito atribuído a outrem.
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Não posso esquecer o que se ficou a dever ao Chico Cipriano não só por tudo o que a
“Voz da Verdade” publicou como por quanto a Rádio Voz de Alenquer difundiu sobre o
hóquei-em-patins neste período em Olhalvo.
Igual destaque merece o empenho do António Barbio, pela companhia que nos fez e
pelas entrevistas que realizou para a Rádio Voz de Alenquer e ainda pelas influências
que moveu para se filmarem alguns jogos. Os respectivos registos já reproduzidos em CD
e DVD, permitem recordar aquele tempo de felicidade de muitos jovens que se
conseguiu entusiasmar e motivar para a prática da patinagem e do hóquei-em-patins,
independentemente das classificações, o que mais interessou foi o resultado obtido na
formação física e de carácter de todos os envolvidos. Esses sim foram sempre bons
resultados.
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A gente de Olhalvo gosta de hóquei-em-patins e demonstrou-o bem no dia do Torneio
João Baptista, enchendo o pavilhão. Sem esquecer a Banda Filarmónica da SFO e a
sua valiosa colaboração. E era assim que devia ser sempre…
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Tive entretanto a alegria e o prazer de ver alguns dos jovens que acreditaram neste
projecto, prosseguirem a carreira em clubes de nível superior em termos de
competitividade. Uns foram mais felizes do que outros, naturalmente.
O Samuel foi para o Benfica e foi o primeiro a ser distinguido com a convocatória para
a selecção. Não foi feliz pois, ao serviço do clube, contraiu uma lesão num menisco, foi
operado mas não mais pôde jogar. Em breve acabará o seu curso de professor de
Educação Física e vai ser por certo tão bom professor como foi jogador, não lhe faltam
qualidades.
Samuel
O Nuno Ricardo era tão franzino e
pequenino, que até nunca tive
grande fé nele, mas tinha uma garra
e
uma
vontade
de
jogar
impressionantes. Não desistiu. É de
Olhalvo e quando o Olhalvense
acabou com a modalidade, foi para
o Alverca e fez-se um senhor jogador.
Já foi seleccionado e está agora no
Sporting. È assim mesmo! Os pais têm
sido incansáveis a ajudá-lo. Que Deus
os proteja, porque bem merecem
pela dedicação que o filho sempre
tem posto na prática do hóquei-em-patins.
Nuno
O mesmo Nuno, mas hoje já com “pinta”
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O Fábio “Xina” é um outro exemplo, foi o único miúdo
que me pediu para jogar à baliza. É hoje um
excelente guarda-redes, valente e destemido.
Quando o Olhalvense passou pela fase de extinção
da secção procurou também outros rumos. Foi
primeiro para o Alenquer e Benfica, passou pelo
Vialonga e constou-me que voltou ao Alenquer e
Benfica, onde além de jogar também já é treinador
de “miúdos”.
Quando o Olhalvense parou, também o Ricardo
Inácio e o João Onofre “Patáu” continuaram a jogar,
mas tenho sabido pouco sobre eles.
Depois de recordar alguns dos jovens envolvidos, não
esqueço que foi em todo aquele grupo, que vi pela
primeira vez um ar de felicidade no final de cada
jogo, apesar das volumosas derrotas que sofríamos.
Para eles jogar era, por si só, uma enorme satisfação.
Como se mostravam felizes! Só vendo.
Fábio “Xina”
Realizara um sonho. Provara a mim próprio que sabia ensinar os segredos do desporto
que havia praticado durante tanto tempo. Estes jovens de Olhalvo deram-me uma
felicidade enorme. Ainda hoje, quando passam por mim ou me visitam, dizem com
aquele sorriso que só nós entendemos: "Olá, mister!". Apertam-me a mão e vão à sua
vida com um ar triste que se adivinha no seu rosto. Nunca os esquecerei.
Infelizmente não foi possível constituir uma equipa de Juvenis ou Juniores, porque
naquele grupo os praticantes de 16 a18 anos de idade eram insuficientes. Recordo a
pena sentida por não ter sido possível prosseguir em competição o trabalho que com
eles iniciara.
Esta impossibilidade desmotivou-os e levou ao seu afastamento. Aconteceu com o Rui
de Carvalho, bom patinador e habilidoso que se desinteressou da modalidade. O
mesmo veio a suceder com o Sérgio e o Ivo, mais velhos e algo mais evoluídos do que
os restantes.
Outro deles, o João Reis (conhecido lá
na terra por Johnny), nascido na
Rodésia do Sul, hoje Zimbabwe, quando
chegou a Portugal exprimia-se melhor
em Inglês (que domina fluentemente)
do que em Português, é quem tem
mantido maior proximidade comigo.
De todos, o Johnny terá sido o que mais
sentiu o termo da nossa aventura
hoquista, enquanto o projecto se
manteve foi um auxiliar precioso e com
uma disponibilidade assinalável. Ainda
tentou que tudo recomeçasse, mas
ninguém se dispôs para o acompanhar.
O Johnny em posição que não ensinei
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Era um praticante bem dotado e durante algum tempo jogou oficialmente nos juniores
do Alenquer e Benfica. Com natural aptidão para a prática desportiva em geral,
demonstra especial habilidade para a ginástica, o futebol e o futsal. Tanto joga a
guarda-redes como a avançado, sou testemunha do seu jeito.
O Johnny tem mantido estreito contacto comigo, por o conhecer bem e apreciar as
suas qualidades e apetência para a área desportiva, aconselhei-o nos estudos a seguir
a via do desporto. Depois de concluir o 12º ano matriculou-se Escola Superior de
Desporto de Rio Maior.
Outros interesses – naturais e próprios da juventude – levaram-no a demorar cinco anos
para concluir um curso de três…Conseguiu fazer a cadeira que lhe faltava e com ela
obter a licenciatura respectiva.
Do que tenho visto e tomado conhecimento, é um excelente professor de Educação
Física, já fez estágios e é disputado por várias academias. Gosta do que faz e tendo em
conta os muitos contactos internacionais que tem antevejo que dificilmente se manterá
no País.
Enquanto treinador da modalidade, fiel ao conceito de que “quem sabe faz, quem não
sabe manda…” entendi que devia ensinar os miúdos com base em demonstração
prática. E calcei de novo os patins.
Na qualidade de praticante de hóquei-em-patins nunca sofrera qualquer lesão séria.
Mas, aos 57 anos, já sem a mobilidade nem a elasticidade dos vinte ou trinta anos, e
com muito mais peso… sabia que quedas em velocidade podem provocar danos, por
vezes graves. Foi o que me aconteceu, causando fracturas de um pulso e de um
tornozelo. Vi-me ainda forçado a duas operações a meniscos.
Apesar destes percalços, foram muito bons os momentos passados a ensinar aquela
rapaziada a patinar e a jogar o meu desporto favorito.
Tudo terminou com uma carta naquele Verão triste de 1998, dirigida à Secção de
Hóquei-em-patins da Sociedade Filarmónica Olhalvense, na qual coloquei um ponto
final naquele projecto e em tudo quanto me desagradava.
Independentemente dessa carta, que considerei uma formalidade indispensável,
entendi que deveria também colocar os pais dos praticantes a par de tudo quanto se
estava a passar. Para tanto reunimo-nos já no final do ano, em Novembro.
Lamentavelmente a maior parte não compareceu. Apenas seis mostraram interesse no
que se ia tratar que era afinal nada menos do que pôr termo à modalidade que tanta
gente tinha entusiasmado em Olhalvo. Depois de pôr os pais ao corrente da situação e
de pedir colaboração, estes e os próprios dirigentes não apresentaram quaisquer
soluções, dando mostras de não estarem dispostos a prosseguir uma obra a que uns
poucos se dedicaram com muito esforço e boa vontade.
Para mim foi uma enorme decepção. Ninguém pode imaginar o desgosto que senti
quando tudo acabou. Talvez por isso me seja tão penoso escrever sobre o assunto e
ache preferível, uma vista de olhos pelas fotografias que me lembrei de trazer para
aqui.
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Os miúdos, a Sociedade Filarmónica Olhalvense e até um pai orgulhoso de ter quatro
filhos praticantes, manifestaram o seu reconhecimento, gravando-o em placas de
homenagem que guardo com muito carinho.
Só que aquilo que eu mais desejava não foi conseguido. Não quiseram continuar e
assim o meu sonho, de comodamente instalado ver aqueles miúdos a jogar como
seniores, ficou impedido de se realizar.
Tendo em consideração a dimensão populacional da localidade, é de salientar a
existência de perto de uma centena de inscritos na secção interessados na prática da
modalidade. O entusiasmo dos jovens era tal que arrastava os seus familiares e mais
gente da terra, em número muito considerável e surpreendente. Isso era possível
constatar na assistência às suas exibições.
Fica-me a convicção de que a tristeza daquele desenlace afectou muito mais gente
do que apenas o autor da ideia.
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Relação das inscrições
desde 1996 até 2000
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Capítulo XV - Sitio do Leonel Costa