ANO XXII • JuL/Ago. 15 B o l e t i m I n f o r m at i vo ê^ Convergencias AN Em Destaque RELATÓRIO DA MISSÃO DO FMI A ANGOLA EM AGOSTO Fmi em Angola Fundo sublinha a importância de promover a diversificação da economia, preservar a estabilidade macroeconómica e promover as reformas estruturais Teve lugar, entre 12 e 25 de agosto, uma missão de consulta do FMI a Angola, no âmbito do Artigo IV. No seu relatório final, esta missão destaca o confortável nível das reservas internacionais de Angola, que tem permitido à economia suportar as consequências da queda dos preços do petróleo melhor do que em 2008-09. Não obstante, e “com o petróleo a constituir mais de 95% das exportações e cerca de 75% da receita fiscal, as evoluções recentes sublinham a importância de promover a diversificação da economia”, preservar a estabilidade macroeconómica e promover as reformas estruturais, de forma a fomentar o crescimento potencial e reduzir a pobreza. Ainda segundo o Fundo, é previsível que a atividade económica abrande à medida que a indústria, a construção e os serviços se forem ajustando aos cortes no consumo privado e no investimento público, derivados da menor disponibilidade de divisas. Ao crescimento previsto da economia de 3,5% do PIB em 2015 (e 2016; subsistem riscos de que a recuperação prevista para o início de Novos financiamentos à economia Energia e águas obtêm novos financiamentos junto do sector privado - Ecotech - Engineering & Technical Services – e da Agência Japonesa de Cooperação Internacional Investimento privado Nova Lei do Investimento Privado em Angola, já em vigor, altera regras, procedimentos, valores e incentivos. ANIP dá lugar à API Angola e Portugal, uma nova dinâmica empresarial Os mercados, as oportunidades, os incentivos, os protagonistas e os desafios. Banca com novo fôlego Banca estrangeira e nacional em Angola reestruturam-se e têm novas regras base da determinação de preços e das expetativas de inflação. “É essencial preservar a solidez do sector bancário, para permitir que a economia se recupere do abrandamento da atividade económica atual”, afirma o Fundo. Quanto ao OGE para 2016, o FMI entende que deverá assentar no pressuposto conservador do preço do petróleo (cuja recuperação no futuro próximo é improvável) e visar a proteção das despesas destinadas à assistência social e a infraestruturas críticas – a melhoria da qualidade da despesa de investimento pode ser alcançada através do reforço dos processos de avaliação, seleção e monitorização dos projetos incluídos no programa de investimentos públicos. A política fiscal deverá permitir alinhar melhor a massa salarial no sector público com a nova realidade de receita orçamental; colocar a dívida pública numa trajetória descendente; procurar a consolidação fiscal através de reformas estruturais; priorizar o aumento da receita não petrolífera através da racionalização dos incentivos fiscais e do reforço da Autoridade Geral Tributária. PUB. Portugal e Angola mais próximos Depois do Fórum, em Junho, e da visita do Vice-Primeiro-Ministro português, em Julho, os dois países assinam o Programa Executivo de Cooperação 2015/2018 2017 venha a ser menor do que o estimado, devido a uma maior queda do preço do petróleo), juntam-se, para este mesmo ano: a aceleração da taxa de inflação, reflexo da desvalorização do Kwanza; o enfraquecimento das contas externas, resultado do declínio acentuado das exportações petrolíferas e do reduzido espaço de tempo para substituição de importações; o aumento da dívida pública para cerca de 57% do PIB, 14% dos quais correspondentes à Sonangol. Por seu turno, a intervenção oportuna do Governo ao rever o orçamento para 2015, deverá permitir que o défice do governo central baixe para 3,5% do PIB, que comparam com 6,5% em 2014. Apesar de o BNA vir a restringir as condições de liquidez desde o início do ano, aumentando a taxa de referência e as reservas obrigatórias dos bancos e permitindo a desvalorização ordenada do Kwanza, o grande diferencial entre as taxas de câmbio dos mercados paralelo e primário e os atrasos nas ordens de compra de divisas dos bancos comerciais são indicadores do desequilíbrio ainda existente no mercado. Corrigir este desequilíbrio é essencial para manter a taxa de câmbio oficial como A sua vantagem está na nossa informação! AN NOVOS FINANCIAMENTOS À ECONOMIA A Ecotech - Engineering & Technical Services vai conceder a Angola um financiamento global no valor de USD 500 milhões (€ 450 milhões): USD 125 milhões (€ 112 milhões) para “apoio orçamental ao Tesouro Nacional” e USD 375 milhões (€ 337 milhões) “para fornecimento de materiais, produtos e execução de projetos” nos setores da energia e águas. Segundo o despacho presidencial que aprova este financiamento, o mesmo justifica-se com “a necessidade de garantir a implementação de projetos constantes do Programa de Investimentos Públicos” previstos no OGE de 2015 e face à “estratégia do Executivo no que concerne à diversificação das fontes de financiamento”. Também o Governo japonês, através da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (responsável pela implementação de programas de apoio ao crescimento e estabilidade socioeconómica de países em desenvolvimento), vai conceder um empréstimo ao Estado angolano, o primeiro, no valor de USD 200 milhões (€ 183 milhões / JPY 23.640 milhões), para apoiar o programa de reformas e a realização de obras no setor energético, no quadro da estratégia elaborada em conjunto com o BAD. Segundo informação da Embaixada japonesa à Lusa, “o Governo do Japão concederá novos financiamentos em 2016, com o objetivo de promover projetos de impacto socioeconómico no desenvolvimento” do país. Os financiamentos da Ecotech e do Japão juntam-se ao empréstimo do Banco Mundial, no valor de USD 450 milhões (€ 405 milhões), acrescido de uma garantia de USD 200 milhões, e aos acordos de financiamento celebrados com a Société Générale, no valor de USD 500 milhões (€ 450 milhões); o BBVA, no valor de € 500 milhões; a Goldman Sachs e o fundo Gemcorp Capital, cada um com USD 250 milhões (€ 225 milhões); o banco VTB Capital PLC, no valor de USD 1.500 milhões (€ 1.400 milhões); o BAD, com USD 123,7 milhões (€ 110 milhões), para financiamento de um projeto de abastecimento de água e saneamento básico; o banco Rand Merchant Bank, no montante de USD 216 milhões (€ 195 milhões), para construção e reabilitação das estradas nacionais 180 e 225. ANGOLA E PORTUGAL RELANÇAM COOPERAÇÃO… Depois do I Fórum Empresarial Angola – Portugal Juntos CO NV ERG Ê N C I A S • J UL H O/ AG OS TO 1 5 na Diversificação da Economia, realizado em Luanda, em 23 de junho, o Vice-Primeiro-Ministro português, Paulo Portas, realizou uma visita de trabalho a Luanda em 23 de julho, no decurso da qual foi recebido em audiência pelo Vice-Presidente angolano, Manuel Domingos Vicente. Neste encontro, os dois governantes abordaram questões inerentes ao reforço das relações de amizade e cooperação entre ambos os países, nomeadamente formas práticas e diretas de incentivar um bom clima do ponto de vista das exportações, do investimento e das parcerias estratégicas: “A cooperação entre Angola e Portugal é insubstituível, porque são duas nações amigas, que se conhecem há muito tempo, são dois Estados soberanos, que cooperam de uma forma próxima e cúmplice, e são também duas economias importantes uma para a outra, quer do ponto de vista do desenvolvimento quer das relações comerciais”, frisou Paulo Portas. O governante português lembrou que “2015 não tem sido fácil para a economia angolana, devido à contração dos preços internacionais na área dos combustíveis”, o que justificou que Portugal reafirmasse, de forma muito assertiva, a sua presença em Angola por ocasião da FILDA, onde é mostrado todo o potencial do país no contexto africano. O Vice-Primeiro-Ministro disse, ainda, considerar a situação de Angola transitória e assegurou que Portugal participará no processo de diversificação da economia angolana enquanto parte do seu desenvolvimento. No termo da sua deslocação à capital angolana, Paulo Portas participou no encontro de empresários promovido pela CCIPA intitulado Mesa de Portugal, subordinado ao tema Um Novo Contexto, Novas Oportunidades, e que reuniu cerca de 200 empresários. Neste encontro, o Vice-Primeiro-Ministro manifestou a disponibilidade de Portugal para celebrar, com Angola, uma convenção que acabe com a dupla tributação entre os dois países, bem como de um acordo de proteção dos investimentos comuns. … E ASSINAM PROGRAMA EXECUTIVO PARA 2015-2018 Portugal e Angola assinaram, em julho, o novo Programa Executivo de Cooperação (PEC), válido para o quadriénio 2015-2018. O documento, assinado pelo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação por- tuguês, Luís Campos Ferreira, e pela Secretária de Estado das Relações Exteriores para a Cooperação angolana, Ângela Bragança, assenta em três eixos prioritários: boa governação, participação e democracia (setores institucionais); desenvolvimento sustentável e luta contra a pobreza (setores sociais) e desenvolvimento económico e infraestruturas. Já num encontro de trabalho realizado em março, em Luanda, de preparação do documento agora assinado, os dois governantes haviam salientado que o PEC dará maior ênfase às áreas da agricultura, energia e economia, sem descurar os tradicionais setores da saúde e educação. Segundo Luís Campos Ferreira, o PEC é um programa mais funcional e prático do que o Programa Indicativo de Cooperação (PIC), na medida em que pretende acompanhar a realidade e necessidades de Angola. CRIADA UNIÃO DE BANCOS, SEGURADORAS E INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS DA CPLP Foi criada a União de Bancos, Seguradoras e Instituições Financeiras da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Classificada como uma associação de direito privado sem fins lucrativos, a UBSIF-CPLP tem por objetivo desenvolver laços institucionais e comerciais entre os Bancos, Seguradoras e Instituições Financeiras da CPLP, como forma de potenciar o desenvolvimento económico dos respetivos países, partilhando as melhores práticas e fomentando análises e reflexões estratégicas do sector financeiro, vitais para o crescimento harmonioso das economias dos diversos Estados-membros da Comunidade. A criação da União surgiu na sequência da realização do 1º Encontro de Bancos, Seguradoras e Instituições Financeiras dos Países da CE-CPLP – “Declaração de Lisboa”, em 2 de junho de 2014, e contou com a aprovação prévia do Comité de Concertação Permanente da CPLP, onde têm assento os embaixadores de todos os Estados-membros, com a coordenação do Secretário Executivo da CPLP, Embaixador Isaac Murade Murargy. NOVA LEI DE INVESTIMENTO PRIVADO JÁ EM VIGOR Está em vigor a nova Lei do Investimento Privado de Angola (nº 14/15, de 11 de agosto), que estabelece as bases gerais do investimento privado e define os princípios e o regime de acesso aos incentivos e outras facilidades a conceder pelo Estado no seu âmbito. A nova LIP não se aplica aos projetos aprovados antes da sua entrada em vigor, que continuam a ser regidos pelas disposições da legislação, termos e contratos específicos com base nos quais a autorização foi concedida, até ao termo da sua implementação. A criação e ampliação de sucursais de empresas estrangeiras deixam de ser qualificadas como operações de investimento externo. A nova Lei introduz diversas alterações no regime de investimento em relação à anteriormente em vigor (nº 20/11, de 20 de maio, agora revogada), nomeadamente no que concerne ao âmbito de aplicação, pois passam a estar abrangidas todas as operações de investimento externo independentemente do montante envolvido; adicionalmente, são enquadradas as operações de investimento interno de montante global superior a AKZ 50 milhões. A concessão de benefícios e incentivos fiscais aos projetos aprovados no âmbito da Lei nº 14/15 depende da análise casuística das características e âmbito do projeto e de montantes mínimos de investimento: quando externos – montante global igual ou superior ao contravalor em Kwanzas equivalente a USD 1.000.000,00 (um milhão de dólares); quando internos – montante global igual ou superior ao contravalor em Kwanzas equivalente a USD 500.000,00 (quinhentos mil dólares). Acresce que os incentivos e benefícios fiscais (impostos industrial, de sisa e sobre a aplicação de capitais concedidos) passam a vigorar pelo prazo máximo de 10 anos. Outra alteração relevante consiste na obrigatoriedade da constituição de parcerias entre os investidores estrangeiros e cidadãos, empresas de capital púbico e/ou empresas angolanas, cuja participação deverá ser de, pelo menos, 35% do capital social, sempre que esteja em causa um investimento estrangeiro nos sectores da eletricidade e água; hotelaria e turismo; transportes e logística; construção civil; telecomunicações e tecnologias de informação; meios de comunicação social. O investidor externo tem direito ao repatriamento de lucros/dividendos, independentemente do montante do investimento, imediatamente após a implementação e prova de execução do projeto. Contudo, é aplicada uma taxa suplementar de imposto sobre a aplicação de capitais sobre a distribuição de lucros/dividendos na componente que ultrapasse a participação de fundos próprios da sociedade, medida que visa, essencialmente, incentivar as empresas ao reinvestimento (a taxa não é aplicável aos dividendos e lucros reinvestidos no País). A aprovação dos projetos de investimento privado passa a estar a cargo do Órgão da administração direta ou indireta no qual o Titular do Poder Executivo delegue tal função. Entretanto, as comissões Económica e para a Economia Real do Conselho de Ministros analisaram o processo de extinção da ANIP e a criação da Agência para a Promoção do Investimento em Angola (API), em sua substituição. ANGOLA É O OITAVO MAIOR DESTINO AFRICANO DO INVESTIMENTO CHINÊS Os 189 investimentos chineses, traduzidos em 80 empresas, existentes em Angola colocam o país como oitavo maior destino do investimento chinês no continente africano, entre 1998 e 2012, numa lista liderada pela Nigéria, com 404 projetos (240 empresas). De acordo com o estudo “Why is China Investing in Africa? Evidence from the firm level”, da Brookings Institution, que analisa os investimentos de mais de duas mil empresas chinesas em 49 países africanos, a maioria dos projetos foi canalizada para o setor dos serviços, com um número significativo também na área da manufaturação, mas pouco investimento nos setores dos recursos naturais. O crescimento exponencial do investimento chinês em África melhorou a perceção dos africanos sobre a China, que têm uma visão positivamente mais significativa deste país asiático (70%) do que os que responderam noutras regiões do mundo como a Europa (41%), Ásia (57%) e América Latina (57%), “o que provavelmente reflete o impacto positivo do contributo chinês para o crescimento africano”, diz o estudo. A grande diferença entre o investimento chinês e o investimento realizado por economias ocidentais em África reside na sua alocação: “a alocação dos investimentos chineses é indiferente aos direitos de propriedade e à existência ou não de um Estado de direito, enquanto os investimentos ocidentais tendem a ficar longe dos ambientes com fraca governação. Como o investimento chinês é igualmente distribuído entre ambientes com boa e má governação, a percentagem de investimentos chineses nos países com pior governação tende a ser maior”, conclui-se no estudo. Sobre o investimento chinês nos países lusófonos, Ango- la lidera a lista (189 projetos de 80 empresas), seguida de Moçambique (94 projetos de 78 empresas), Cabo Verde (2 projetos) e São Tomé e Príncipe (1 projeto). SONANGOL VAI EXPLORAR PETRÓLEO EM CUBA A Sonangol deverá iniciar, no segundo trimestre de 2016, a perfuração nos blocos que possui em Cuba, de acordo com declarações de Francisco de Lemos José Maria, presidente da empresa. As perspetivas da Sonangol foram confirmadas pelo vice-presidente do conselho de ministros de Cuba, Ricardo Cabrisas Ruiz, que fez, contudo, depender a implementação da operação do fim do embargo norte-americano ao país. Entretanto, o Governo angolano atribuiu à Sonangol os direitos sobre operações de desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos numa área de 657 km2 ao largo da província do Zaire, uma área remanescente e não demarcada do bloco 3/05A, no offshore e em atividade em termos de produção petrolífera, visando neste caso a extração do gás encontrado no local. PRODUÇÃO PETROLÍFERA EM ALTA, RECEITAS EM QUEDA Angola aumentou a produção diária de petróleo em cerca de 4 milhões de barris, em julho de 2015 e face a idêntico período de 2014: 54,1 milhões de barris de petróleo bruto, proveniente de 12 áreas de produção, que originaram uma receita fiscal total de AKZ 150.268 milhões (€ 1.081 milhões). Este valor corresponde, contudo e segundo dados do ministério das Finanças, a uma quebra de 40% face ao período homólogo. O preço médio do barril de petróleo exportado por Angola, entre janeiro e junho de 2015, cifrou-se em USD 54,92 (que compara com USD 106,98 no 1º semestre de 2014), valor que subiu para USD 59,47 em julho. Em 24 de agosto, o preço do barril de petróleo caiu para menos de USD 45,00, pela primeira vez desde 2009, num contexto de uma persistente oferta excessiva de petróleo, agravada pelas preocupações sobre a economia chinesa. EXPORTAÇÃO DE DIAMANTES AUMENTA QUASE 35% NO PRIMEIRO SEMESTRE O primeiro semestre de 2015 representou um crescimento de cerca de 35% nas receitas provenientes da expor- tação de diamantes por Angola face a idêntico período de 2014: USD 573 milhões (€ 521 milhões) resultantes da venda de 4,2 milhões de quilates, que comparam com USD 426 milhões (€ 387 milhões) resultantes da venda de 4,1 milhões de quilates. Já as receitas fiscais (imposto industrial e royalties) provenientes destas vendas desceram, no mesmo período, 23%, face a 2014, para AKZ 3.584 milhões (€ 25,9 milhões); porém, este valor não inclui o imposto industrial definitivo, calculado no final do ano, nem os lucros da empresa concessionária estatal do setor, a Endiama. REESTRUTURAÇÃO DO SUBSECTOR DOS DIAMANTES O Decreto Presidencial n.º 160/15, de 18 de agosto, aprova um conjunto de medidas do subsector diamantífero, que, enquanto parte da estratégia do Executivo para diversificar a economia angolana, têm por objetivo aperfeiçoar os sistemas regulatório, empresarial e de gestão existentes. Assim, e no âmbito do novo diploma, a Endiama, E.P. terá o estatuto formal de concessionária nacional dos direitos mineiros sobre diamantes, atribuídos e detidos em regime de exclusividade; a Endiama Mining continuará a participar em todos os projetos industriais de exploração diamantífera, em exclusividade e/ou em parceria com investidores privados; o modelo de “canal único” de comercialização de diamantes (Sodiam) será substituído por um sistema combinado, aberto à concorrência, permitindo a participação de outros compradores e adotando outros sistemas de comercialização (por exemplo, leilões com clientes pré-qualificados). Será, ainda, será criada uma Agência Reguladora do mercado de diamantes, cujas atribuições e competências deverão resultar da combinação das atuais responsabilidades do Ministério da Geologia e Minas, da Endiama e da Sodiam. BANCA ESTRANGEIRA ATENTA A ANGOLA O Governo angolano substituiu o BNP Paribas pela subsidiária londrina do Deutsche Bank (London Branch), no consórcio de bancos liderado pelo norte-americano Goldman Sachs para representar o país na emissão de dívida soberana. Este consórcio conta, ainda, com o Industrial and Comercial Bank of China (ICBC). O presidente do Conselho de Administração do Standard Bank Angola, António Coutinho, divulgou o objetivo do banco em centrar a concessão de crédito às pequenas e médias empresas, como contributo para o processo de diversificação económica do país. Presente no país há cerca de 5 anos, o Standard Bank Angola aumentou os ativos em 29% no primeiro semestre de 2015. O Santander Totta e a Santotta - Internacional SGPS exerceram a opção de venda da sua participação de 49% no capital social da Partang SGPS, que passou a ser detida em 100% pela Caixa Geral de Depósitos; esta, por sua vez, detém uma participação de 51% do capital social do Banco Caixa Geral Totta de Angola. De acordo com declarações do administrador financeiro do banco, João Nuno Palma, à Lusa, “A CGD tem uma visão de longo prazo em Angola. Temos consciência da turbulência dos mercados energéticos e do preço do petróleo, mas, como pensamos ficar muito tempo, estamos tranquilos com o investimento que fizemos (…) Angola é um país importante para a economia portuguesa”. Angola valeu 88% do lucro de € 66,9 milhões do Banco BPI no primeiro semestre de 2015, tendo Fernando Ulrich classificado a operação em Angola como “um ativo extraordinário”. Neste período, a contribuição do BFA – Banco de Fomento Angola para os resultados globais do BPI representou um crescimento homólogo de 43%, não obstante o “abrandamento no esforço de crescimento e de expansão dado o arrefecimento em Angola fruto da descida do preço de petróleo”. Porém, exigências do Banco Central Europeu no sentido de reduzir a exposição do Banco BPI a Angola até março de 2016 (altura em que a banca europeia vai ser submetida a uma nova ronda de testes de stress), terão levado o banco a mandatar a Goldman Sachs para sondar eventuais interessados na compra do BFA, no qual detém uma participação de 50,1%. Em reação a esta notícia, veiculada pelo Jornal de Negócios, o BPI esclareceu que está a estudar soluções para acomodar o limite de exposição a grandes riscos resultante da exposição ao BFA e ao BNA, tendo contratado duas instituições financeiras internacionais para apoiar na análise e exploração de eventuais soluções alternativas. BANCA ANGOLANA EM REESTRUTURAÇÃO A banca comercial angolana está obrigada, desde 1 de julho, a constituir reservas de moeda nacional no Banco Nacional de Angola, equivalentes a 25% dos depósitos CON V ERG ÊN CI AS • JULHO/AG OSTO 15 dos clientes, anunciou o Governador do banco central. Já em 1 de janeiro de 2015, o coeficiente de Reservas Obrigatórias em moeda nacional havia aumentado para 15%, decisão justificada com a necessidade de “garantir a estabilidade de preços”, precisamente no pico da crise da quebra da cotação internacional do petróleo. A nova lei de bases das instituições financeiras (nº 12/15, de 17 de junho) obriga os bancos comerciais que operam em Angola a contribuir para um fundo que “visa garantir o reembolso de depósitos constituídos nas instituições financeiras que nele participem”; não define, porém, regras para o funcionamento do fundo nem os montantes por ele garantidos. Em novembro de 2014, o então Governador do BNA, José de Lima Massano, adiantara a hipótese de a banca comercial contribuir com um montante equivalente a 0,03% da sua carteira de depósitos (segundo a Deloitte, cerca de vinte bancos angolanos apresentavam, no final de 2013, carteiras de depósitos totais no valor de AKZ 4,6 mil milhões - € 37,2 mil milhões), com o objetivo de assegurar os depósitos até AKZ 3 milhões (€ 24 mil), o que protegeria cerca de 90% dos depositantes do sistema bancário angolano. A capitalização do BDA - Banco de Desenvolvimento de Angola permitiu à instituição elevar os rácios de solvabilidade de - 8,3% para os níveis exigidos pelo BNA (mínimo de 10%). O BDA é o sétimo maior banco angolano, de entre mais de duas dezenas a operar no país, e encerrou 2013 com capitais próprios abaixo dos 10% exigidos, obrigando o Estado, único acionista, a aumentar o capital social de AKZ 4 mil milhões para AKZ 36,1 mil milhões (€ 265 milhões). O presidente da Sonangol declarou que as participações acionistas, diretas e indiretas, detidas pela petrolífera nos grupos de origem portuguesa Millennium BCP (19,44%) e Galp Energia (participação indireta de cerca de 15% por via dos 45% que detém na Amorim Energia) são “estratégicas” e para manter, apesar da contenção financeira na petrolífera estatal. Em maio de 2015, o Estado angolano atribuiu “prestações suplementares” à Sonangol, no valor de AKZ 100.528 milhões (€ 730 milhões, à taxa de câmbio atual), para investimentos no Millennium BCP e no ex-BESA, controlado em 39,4% pela Sonangol, de acordo com a estrutura acionista resultante do aumento de capital e da entrada de novos acionistas CO NV ERG Ê N C I A S • J U LH O/ AG OS TO 1 5 no agora Banco Económico. Segundo o relatório anual do BNA referente a 2014, o volume de negócios global da banca angolana aumentou neste ano para € 51,9 mil milhões (AKZ 7,1 mil milhões), representando um crescimento de € 3,5 mil milhões face a 2013 (7,26%). Já o crédito malparado disparou 41,6%, para AKZ 465,7 mil milhões (€ 3.395 milhões), “devido ao aumento considerável do nível de incumprimento do BESA”. Após a intervenção do BNA, em agosto do ano passado, o banco sofreu um aumento de capital, no final de outubro, com a entrada da Sonangol para acionista de referência e ficando o Novo Banco português com uma posição de 9,9% do capital social. Segundo o banco central, o rácio de crédito vencido sobre o crédito total do sistema aumentou de 11,18% para 14,53% em dezembro de 2014. O crédito bruto concedido à economia atingiu AKZ 3,2 mil milhões (€ 23,3 mil milhões), uma subida de 8,7% face a 2013. TROCAS COMERCIAIS BILATERAIS – 1º SEMESTRE 2015 O comércio bilateral de mercadorias foi, neste primeiro semestre, profundamente afetado pela crise económica vivida em Angola, devido à queda acentuada do preço do petróleo nos mercados internacionais. Assim, as exportações portuguesas para Angola caíram, neste período e comparando o idêntico período de 2014, cerca de 25,45%, enquanto as exportações angolanas para Portugal sofreram uma quebra de 20,49%. As exportações angolanas para Portugal registaram, entre janeiro e junho de 2015, € 662 milhões (€ 833 milhões em idêntico período de 2014), que corresponderam a 9,3% do total das importações portuguesas extracomunitárias. Os combustíveis minerais (petróleo) continuam a constituir a maior parte das exportações angolanas para Portugal, representando 99,2% do total. As exportações portuguesas para Angola atingiram, neste período, € 1.074 milhões (€ 1.441 milhões em igual período do ano anterior), representando cerca de 15,8% do total das exportações extracomunitárias. Os principais grupos de produtos exportados para o mercado angolano foram as máquinas e aparelhos, os produtos alimentares, os metais comuns e os produtos agrícolas, com cerca de 61,6% do total. COMPETIR EM ANGOLA FRANÇA - No âmbito da visita do Presidente francês, François Hollande, a Luanda, foram assinados vários acordos empresariais que “assegurarão a amplificação e diversificação das relações económicas bilaterais entre Angola e França: o grupo hoteleiro Accor vai gerir a rede de hotéis do grupo angolano AAA, permitindo a abertura de 50 unidades e a criação de 3.000 postos de trabalho até 2017; a Total (garante 40% da produção angolana de petróleo e investe, anualmente, € 2,5 mil milhões no país) e a Sonangol assinaram um acordo para “reforçar a cooperação”, “acelerar as atividades de exploração” dos recursos petrolíferos e desenvolver a capacidade de operação da petrolífera angolana bem como para a distribuição, em Angola, de sistemas de iluminação e candeeiros solares, através do projeto “Awango by Total”; o Instituto Nacional de Meteorologia de Angola (INAMET) vai ser modernizado, no âmbito de uma parceria com o instituto público Météo Française Internationale (MFI) e a empresa angolana LTP Energia. O Presidente francês anunciou, ainda, que a Air France vai iniciar um terceiro voo semanal entre Paris e Luanda. E.U.A. - O Eximbank, instituição bancária norte-americana que financia as exportações do país, vai financiar, através de uma linha de crédito norte-americana, a recuperação das oficinas de manutenção de material circulante ferroviário em quatro cidades de Angola, num valor superior a € 450 milhões. ITÁLIA - Por ocasião da visita do Presidente angolano a Roma, foram assinados dois memorandos de entendimento sobre cooperação económica e financeira, incidentes sobre o apoio às exportações italianas para Angola, nomeadamente sobre a negociação de seguros e garantia de riscos através da Sociedade de Seguro ao Crédito Externo de Itália. Estes instrumentos visam, nomeadamente, desenvolver a agricultura e as pescas, relançar a indústria alimentar e diversificar a economia angolana. Ainda no âmbito desta visita, a empresa Finmeccanica, que opera nas áreas da defesa e segurança, anunciou que vai entregar a Angola seis helicópteros AgustaWestland, para uso civil e militar, nos próximos meses. Segundo o INE Angola, a Itália foi, em 2014, o 11.º cliente das exportações angolanas, no valor total de AKZ 131.736 milhões (€ 965 milhões) e uma quota de mercado de 2,29%, e o 15º maior fornecedor do mercado angolano, com uma quota de 1,74% correspondente a um montante de AKZ 49.137 milhões (€ 360 milhões). CHINA - O Governo angolano contratou o consórcio chinês CGGC - China Gezhouba Group Corporation & Niara Holding para construir a nova barragem de Caculo Cabaça, na bacia do médio Kwanza, Província do Kwanza Norte. A obra, orçamentada em € 3,5 mil milhões (AKZ 489.622.564.768) será financiada por um banco chinês. Outro consórcio de empresas chinesas e angolanas, no qual a Sonangol terá uma quota de 40%, vai construir, com início previsto em agosto de 2015, a refinaria Prince de Kinkakala, no Município de Ambriz, Província do Bengo, num investimento avaliado em € 12,4 mil milhões. A nova refinaria terá uma capacidade de produção de para 400 mil barris de derivados de petróleo por dia. FONTES UTILIZADAS NESTA EDIÇÃO: Lusa, África21 on line, Oje, Económico on line, AICEP PortugalNews, Macau Hub, Alerta Jurídico – Miranda Alliance, Tax News – KPMG Angola, Diários da República de Angola, Expresso, Observador, INE Portugal, Pesquisa CCIPA Portugal Edíficio Luxor - Avenida da República Nº 101 - 3º Andar, Sala D 1050-204 Lisboa Telefone: [+351] 213 940 133 Fax: [+351] 213 950 847 Email: [email protected] Angola Rua Major Kanhangulo Edifício Monumental, 290 - 1° dto. Luanda Telemóvel: [+244] 924 918 149 www.cciportugal-angola.pt