Relações Portugal - Japão Portugal e Japão: A construção de uma relação de “win-win” Depois de França, Costa de Marfim, Áustria, Irão, Paquistão, Milão e Mauritânia, chegou a vez de Portugal. Hiroshi Azuma, atual Embaixador do Japão em Portugal, acredita que a relação bilateral entre estes dois países ainda tem muito para oferecer. “As potencialidades de ambos os países não têm vindo a ser devidamente aproveitadas”, afirmou. É, por isso, imprescindível que se reúnam todos os esforços para a realização de políticas concretas na construção de uma relação de “win-win”. Fica a conhecer a conversa que a Revista Pontos de Vista teve com Hiroshi Azuma. Já serviu em várias embaixadas japonesas. Em 2013 assumiu o cargo de Embaixador do Japão em Portugal. Como tem corrido este momento da sua carreira? Ingressei no Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão em 1976, fiz estágio em França, regressei ao Ministério no Japão. Depois fui em missão diplomática à França, Costa de Marfim, Áustria, Irão, Paquistão, Milão e Mauritânia. A minha experiência de trabalhar em vários países, com variadas culturas, constitui um insubstituível tesouro na minha carreira atual como diplomata. Em particular na Mauritânia, empenhei-me como primeiro Embaixador do Japão naquele país a estabelecer a base inicial do intercâmbio, por assim dizer, entre os dois países. Atualmente, enquanto Embaixador do Japão em Portugal, gostaria de contribuir, o mais possível, para o desenvolvimento das relações bilaterais. Acredita que Portugal e o Japão estão a atravessar um período próspero em termos relacionais? De que forma o Japão, com um lugar cativo no cenário económico internacional, pode ajudar Portugal a ultrapassar este período conturbado? Atualmente Portugal está a tentar cumprir a “política de austeridade” para ultrapassar a crise económica e financeira. O Japão compra continuamente títulos EFSF e ESM (cerca de 6.6 por cento da quantia total emitida = cerca de 15 mil milhões de euros), assim contribuindo para a estabilização do sistema financeiro europeu. Neste momento, no Japão, desde o início da Administração Abe, em Dezembro de 2012, com o objetivo de se livrar da deflação e realizar a revitalização económica, o Governo Japonês está a implementar uma política chamada “Abenomics” com três “setas”, nomeadamente, “política monetária audaz”, “política financeira ágil” e “estratégia de crescimento que incentiva os investimentos privados”, em conjunto, já com alguns resultados concretos positivos. Até agora, na área económica, tenho a impressão que as potencialidades de ambos os países não têm vindo a ser devidamente aproveitadas. Por isso, é importante que se empenhem em elaborar e realizar políticas concretas por forma a conseguir estabelecer, futuramente, uma relação de “win-win”. Em 2013 realizaram-se uma série de eventos no âmbito dos 470 anos de amizade entre Japão e Portugal. Na sua opinião, o que deve ser feito para que este intercâmbio continue ativo? A visita ao Japão do Ministro dos Negócios Estrangeiros Dr. Paulo Portas (atual vice-primeiro ministro) em Março de 2013 teve um grande impacto no relacionamento entre os dois países. Estou certo também que os eventos foram uma Hiroshi Azuma excelente oportunidade para relembrar a história de intercâmbio de longa data. A cultura dos nossos países parece diferente, mas podemos encontrar muitos pontos em comum, por exemplo, nos seus vocábulos e culinária. O Japão e Portugal utilizam, por ex. o peixe e o arroz como base da sua alimentação. Curiosamente, em 2013, a culinária japonesa e a dieta mediterrânica, também a portuguesa, foram registadas como património cultural imaterial da humanidade da UNESCO. Atualmente, em Portugal, a cultura pop do Japão está a adquirir cada vez mais apreciadores. Existem atualmente oito cidades geminadas entre o Japão e Portugal, onde estão a decorrer várias atividades de intercâmbio entre os respetivos cidadãos. A Embaixada do Japão continuará a envidar os seus esforços em aprofundar o entendimento mútuo e promover o intercâmbio. logy Development Organization”. Além disso, novos investimentos de empresas japonesas têm vindo a realizar-se, como a participação da “MARUBENI” na área de energia elétrica portuguesa, a decisão de instalação do centro de investigação da “KAGOME” e a “UCHIYAMA Portugal Vedantes”, na produção de peças de automóvel. A Embaixada continua a apoiar os empresários japoneses no desenvolvimento dos seus negócios em Portugal. No âmbito do relacionamento entre o Japão e a UE, têm vido a efetuar-se, desde a ano passado, as negociações com vista ao acordo APE entre o Japão e a UE. Nesta matéria, espero sinceramente um bom andamento das negociações e célere conclusão do acordo, como promotor do intercâmbio económico entre o Japão e Portugal. A convenção assinada entre Portugal e o Japão para evitar a dupla tributação dos rendimentos e prevenir a evasão fiscal promoveu as relações empresariais e bilaterais entre os dois países. No âmbito económico, o que mais tem sido feito? Será nossa tarefa tentar construir uma relação bilateral ainda maior do que aquela que nos influenciou no século 16, não de forma “passado” mas de “progressiva no presente”. Estou convencido que será importante promover o intercâmbio ao mais alto nível, construir a relação de “win-win” no campo económico, e aumentar cada vez mais o intercâmbio entre os povos de ambos os países. Em Julho de 2013, a Federação Japonesa de Organizações Económicas efetuou uma visita a Portugal, e concretizou-se o desenvolvimento no projeto da “New Energy and Industrial Techno26 Para concluir, que desafios se colocam, no futuro, ao relacionamento entre estes dois países?