Uma análise dos elementos de custos para implantação e manutenção de cursos de ensino a distância nas instituições de ensino superior An analysis of the elements of costs for implementation and maintenance of distance learning courses in higher education institutions Henrique Cesar Nanni [email protected] Hamilton Pozo [email protected] Resumo Esta pesquisa objetiva a análise de custos para a implantação e manutenção de cursos na modalidade de Ensino a Distância (EAD) nas Instituições de ensino superior. A proposta é identificar os conceitos e elementos principais no processo de custos, considerando-se a diversidades que o modelo apresenta. Os dados foram construídos com base em pesquisa exploratória, dados de custos apoiados em pesquisas já desenvolvidas e, como base comparativa para complementação dos cálculos, utilizou-se, também, um estudo de caso da University of Maryland (2001), para robustecer os resultados. A pesquisa mostrou que existem custos mais altos para sua implantação, principalmente quando se trata da elaboração do material didático e aquisição de equipamentos tecnológicos. Porém, esses valores se tornam menos expressivos pela redução de investimentos em infraestrutura física, principalmente quando já existe para a modalidade presencial e/ou pelo grande número de alunos atendidos pela modalidade a distância. Palavras-chave: Ensino a Distância; Custos; Implantação de cursos. Abstract This research aims to analyze costs for implementation and maintenance of learnning courses in higher education institutions. The purpose is to identify the key concepts and elements in the process costs, considering the differences that the model presents. The data analyses were constructed based on exploratory research supported in research of cost data, already developed and, as a comparative basis for complementation of the calculations, was used also a case study of the University of Maryland (2001), to strengthen the results. The research has shown that there are higher costs for its implementation, especially when it comes to the preparation of teaching materials and acquisition of technological equipment. However, these values become less significant for the reduction of investment in physical infrastructure, especially when you already have to face modality and/or the large number of students served by the distance mode. Keywords: Distance learning; Costs; Implementation courses 1. INTRODUÇÃO A definição da Educação a Distância (EAD) tem como consenso geral, entre várias apropriação e especificidades, o conceito de “modalidade de aprendizagens onde docentes e discentes estão separados pela distância e tempo” (KEEGAN, 1990). Ou seja, a modalidade está alicerçada no uso de recursos que aproximam a comunicação entre os atores. Assim, os alunos estudam de forma independente, com horários e tempo flexíveis em locais diversos, sem a necessidade do sincronismo da comunicação, mas, combinando a autoaprendizagem, reduzindo ou eliminado a presença física (SAVIANI, 2008). É importante destacar que a EAD não é uma metodologia, mas, uma modalidade de ensino embasada em teorias e concepções. Em muitos casos, também proporciona sustentação ao presencial. Porém, a autonomia do aprendente nessa modalidade é fator primordial. Pois, na presencial, o centro das forças educativas é o professor. Já na modalidade EAD, o aprendente é o centro dessa força, calcado na autonomia do processo de ensino e aprendizagem. Nesse caso o professor é o articulador do processo, organizando, planejando e orientando, tornando-se um novo profissional da educação. Neste sentido, a autonomia é a palavra chave para o sucesso dessa modalidade. Até mesmo porque o Ensino a Distância privilegia o aprendente na escolha do que deseja prender, quando, como e onde. No entanto, nem todos conseguem lidar com esta liberdade (INED, 2003). O EAD tem crescido vertiginosamente nos últimos anos. Porém, sua evolução acontece há mais de 200 anos. Inicialmente foi por meio da correspondência, transmissão por rádio e, posteriormente, com a televisão educativa que se mantem até os dias atuais. Contudo, o maior avanço aconteceu com o surgimento da Internet e, consequentemente, pelos seus aplicativos, ampliando as práticas tradicionais (MOORE; KEARSLEY, 1996). As Instituições de Ensino superior (IES) utilizam a internet como ferramenta de comunicação, propiciando um rápido crescimento na EAD, com plataformas de fácil acesso, design instrucional de qualidade, com acesso direto e uso de vários aplicativos nos computadores pessoais, possibilitando de forma síncrona e ou assíncrona o uso da Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC. Assim, a comunicação é mediada por computador, e comtempla a vídeo conferencia, e-mail, banco de dados e bibliotecas virtuais. Contudo, o avanço tecnológico não substituiu o professor, mas, incorporou novas ferramentas de comunicação (MOORE; KEARSLEY, 1996). As ferramentas tecnológicas atribuíram mais credibilidade, consistência e estruturação nos cursos a distância e estão assumindo um papel mais relevante no processo de aprendizagem, seja como complemento do presencial ou totalmente a distância. Para os incrédulos, ou para aqueles que defendem o método tradicional, antes de contestar a eficácia do EAD, reflitam sobre os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes - ENADE, que estão sendo superiores aos presenciais. Conforme dados do e-Mec e Secretaria da Educação a Distância (SEED), em 2009, a maior nota foi de um aluno a distância e, das 13 áreas em que se podem comparar estudantes da educação presencial com aqueles a distância, observa-se que, em sete cursos (Administração, Biologia, Ciências Sociais, Física, Matemática, Pedagogia e Turismo), os alunos de EAD apresentam melhores resultados com uma média de até 50% a mais de rendimento. Tais considerações também são válidas para o ano de 2010. O diferencial ocorre pela autonomia, foco Consequentemente, tais e dedicação fatores do aluno, incentivam a aliados busca à tecnologia. por resultados satisfatórios em cada etapa. Oliveira (2008) cita que, diante da atual dinâmica do mercado, para a qual a formação das competências e habilidades é essencial para o sucesso de uma sociedade contemporânea, a educação a distância permite preparar um número maior de pessoas a um custo cada vez menor. Isso levou o governo a investir na EAD como forma de cumprir suas metas educacionais, porém, levou as IES a criar modelos pedagógicos específicos, com regulamentos e formatos diferenciados para a EAD, normatizados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBN (Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996), que regulamentou a educação a distância no nosso país (BRASIL, 1996). A EAD deixou de ser uma aposta para ser uma estratégia das IES públicas e privadas para atender a uma demanda da sociedade por cursos superiores de qualidade e de baixo custo aos alunos. Porém, os custos de implantação não são tão baixos como se supõe inicialmente. 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. Educação a distância no Brasil O marco inicial da EAD no Brasil aconteceu no início do século XX, quando os cursos eram voltados para a profissionalização básica. Posteriormente, passou a suprir as deficiências da educação básica; porém, sua linguagem instrucional era para população menos favorecida, fato que proporcionou uma imagem à sociedade de educação inferior (OLIVEIRA, 2008). O desafio do governo na área da educação tem suas bases fundamentadas na EAD, que Delors (2003) caracteriza como revisão da política educacional com novas diretrizes, como a integração democrática dos países no campo da ciência e tecnologia e adaptação de suas culturas no processo da modernização de uma sociedade da informação. 2.2. Referencial de Qualidade na EAD no Brasil O Ministério da Educação e Comunicação (MEC) define a EAD como uma estratégia importante no processo de expansão da Educação superior no Brasil. A proposta de uma boa educação está fundamentada na Lei 9.394/96 e pelo último Decreto 5.622/2005 que estabelece a política de garantia de qualidade no tocante aos variados aspectos ligados à modalidade de educação a distância e norteiam os Referenciais de Qualidade determinados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). O decreto visa estabelecer diretrizes às IES para implantação de cursos superiores a distância e acabam fundamentando as normas da EAD, na sua concepção de educação e currículo, no processo de ensino e aprendizagem, nos sistemas de Comunicação e no material didático produzido pela instituição, assim como o sistema de avaliação, equipe multidisciplinar, infraestrutura de apoio, gestão acadêmico-administrativa e sustentabilidade financeira (MEC, 2012). 2.3. Expansão das IES no Brasil Conforme o IBGE (2010), o censo constatou, nos 5.565 municípios brasileiros: uma população formada por 190.732.694 pessoas. A expansão das Instituições de Ensino Superior Privado – IESP com a modalidade da EAD tem acompanhado o crescimento populacional no Brasil. Conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), a educação superior é a mais Privada do mundo. Dados do INEP indicam que 84% dos alunos matriculados em cursos superiores em 2007 foram em IESP e apenas 11% das IES são publicas (INEP, 2008). Já, dados mais recentes (2012), indicam que dos 6.739.689 estudantes de graduação matriculados em mais de 30.420 cursos, 1.032.936 foram matriculados em IES públicas e federais, somando mais de 15%. Esses dados corroboram com os resultados obtidos em 2010-2011 que demonstram que as matriculas nos cursos superiores na rede publica subiram 7,9% e na privada de 4,8% (INEP, 2012). Contudo, já é Lei aprovada que até 2014, 50% das vagas em federais, serão reservadas para alunos da rede pública. 2.4. Universidade Aberta do Brasil – UAB Em 2005, o governo brasileiro instituiu a EAD por meio das universidades virtuais públicas como proposta estratégica de levar o Ensino superior de qualidade em prol do desenvolvimento da educação para os profissionais da educação, atendendo também á demanda social por vagas do ensino superior nos três níveis (Federal, estadual e Municipal) (BRASIL, 2006). A Universidade Aberta do Brasil – UAB é um projeto do MEC em parceria com os Estados, Municípios e IES pública. O Governo Federal investe anualmente aproximadamente um bilhão de reais. O projeto contou em 2012 com 94 IES e 750 polos de atendimento distribuídos pelo Brasil, formando cerca de 220.000 alunos (MEC, 2012). A proposta gerou um instrumento eficaz na universalização, favorecendo a disseminação educação superior e minimizando os impactos das diferenças sociais e a dificuldade de acesso aos grandes centros universitários (OLIVEIRA, 2008). A importância da UAB se fundamenta pelo seu alcance geográfico que é incontestável, suas possibilidades ultrapassam as barreiras territoriais. Para Litto (2009), o aluno que conclui seus estudos no seu habitat, permanece na região e acaba trazendo progresso; já aquele que se desloca do campo para a metrópole, acaba iniciando sua atividade profissional próximo à universidade. Neste sentido, essa modalidade de ensino tem despertado interesse pela possibilidade de redução do espaço físico de salas de aula, gastos com locomoção, despesas, substituição de funcionários entre outras vantagens. É notório que a expansão da EAD ocorre pela estratégia do governo em canalizar recursos governamentais através de seus programas de financiamentos, como Programa Universidade Para Todos (PROUNI) e Universidades Abertas do Brasil – UAB, como forma de incrementar os índices de acesso a cursos superiores através dessa modalidade. 2.5. A Importância dos Cursos Superiores Conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, o cidadão com ensino superior no Brasil ganha até 156% a mais. Entre os 30 países pesquisados, o Brasil obteve o maior índice. Em outros países, a média é de 50%. Na ultima década o Brasil investiu mais na educação fundamental e média, mas, no superior os investimentos não estão acompanhando o volume de matrículas que cresceram mais de 50% no período, levando às salas de aula uma população mais madura que estavam afastadas da educação. Contudo, o número de brasileiros acima de 25 anos que completaram o ensino médio é de apenas 30% (OCDE, 2010). Esse fator pode ser explicado pelas duas décadas perdidas (1980-1990), com estagnação na oferta de lugares nas IES. Na maior parte dos países, espera-se que o investimento na educação e formação do indivíduo ocorra pelo aluno e instituições particulares. Contudo, o estado e o contribuinte custeiam boa parte dos gastos. Em se tratando de países emergentes como o Brasil, onde a classe mais pobre ainda é maioria, a EAD torna-se uma grande aliada da inclusão e democratização da educação. Neste sentido, criar centros educacionais com viabilidade econômica que suporta os custos de implantação, manutenção, atualização e implementação com bom planejamento financeiro e comercial, incluindo encargos, salários, consumíveis, sistema de comunicação que consigam a sustentabilidade e autossuficiência com preços accessíveis a todas as camadas sociais, é um grande desafio (NED, 2003). 2.6. Eficácia de Custo Importante questão é o custo real e o custo-benefício de programas de ensino a distância. São eles realmente rentáveis?. Um estudo realizado por Phelps et al. (1991, p.303) constatou que "o potencial de custo-efetividade do uso de tecnologias online em educação a distância ainda é incerto". O estudo mostrou ainda que os conceitos de custos e eficácia não são tão simples como parecem. Atkinson, apud Ng (2000) observa que: "é possível para um programa para ser eficiente, mas não é rentável se as saídas que são na verdade produzidas não contribuem para os objetivos do programa: que é que pode ser eficiente em fazer as coisas erradas”. Ng (2000, p.306) comenta sobre o custo do capital humano. Ele afirma: "O capital humano e os custos de conversão são despesas que podem facilmente ser subestimadas”. Afirma, também, que o custo de cursos on-line é afetado pela forma como são implementados: como um acessório ou como meio de ensino primário. Se ele é implementado como um meio de ensino primário, que é consideravelmente mais caro. Caffarella et al. (1992) encontraram em um estudo da Universidade de Northern Colorado informações sobre os custos do processo electrónica de fornecimento em EAD que foram comparados com os do curso com instrutor atuando diretamente no site. A alternativa menos custosa era para a instrução ao vivo, com o instrutor se deslocando para o site e permitindo redução do tempo em algumas semanas. Esta alternativa representou um terço do custo de qualquer alternativa. Carr (2001) analisou um relatório do programa da Califórnia State University, que mostrou uma redução de custos em seus programas de EAD. O relatório constatou que apenas nos cursos com volume enorme de alunos e com muitas seções mostrava ser viável economicamente possível. Os custos iniciais, custos de manutenção e custos de pessoal também devem ser considerados para se chegar a um custo real de um programa de ensino a distância. Walcott apud Carter (2000, p.249) demonstrou em um estudo de EAD que: " para efetivamentediminuir as distâncias entre salas de aula e de ensino a distância, os professores precisam olhar para o ensino a distância do ponto de vista dos estudantes”. A Instituição deve, também, estar cientede obtermateriais didáticos, apostilas, testes e outrositensdo processoao mesmo tempo. É importante paraos instrutoresdesenvolveremum senso de comunidade entre os locais de apoio e de ensino para obter o máximo de participação, e obter dos alunos total adesão ao processo. A idéia e aprendizagem como um processo de colaboração é muito importante quando os alunos estão separados pela distância. Segundo a pesquisa de Palloffe Pratt (2000, p.6): "processos de aprendizagem colaborativa auxiliam os alunos a atingirem níveis mais profundos de geração de conhecimento através da criação de objetivos comuns, exploração compartilhada, e um processo compartilhado de construção de significados". Cabe ao professor estar ciente disso no ambiente de aprendizagem a distância e incentivar a aprendizagem colaborativa e um senso de comunidade entre os alunos. 3. MÉTODO Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva e qualitativa. A construção dos dados surgiu de analise de vários documentos primários e secundários, artigos acadêmicos e relato de profissionais que trabalham com Hamilton 2/27/13 5:34 PM Deleted: E Hamilton 2/27/13 5:34 PM Deleted: LOGIA a EAD, bem como, apoio no estudo de caso da University Maryland (2001) para comparar e fortalecer os dados levantados. Marconi e Lakatos (2001) e Malhotra (2001, p.106) explicam a pesquisa exploratória como: “um tipo de pesquisa que tem como principal objetivo o fornecimento de critérios sobre a situação-problema enfrentada pelo pesquisador e sua compreensão”. Para tal finalidade, estuda-se um grupo ou comunidade em termos de sua estrutura, ressaltando a interação de seus componentes (YIN, 2005). Chizzotti (2005) descreve que o estudo de caso designa uma diversidade de pesquisas que coletam e registram dados de um caso particular ou de vários casos, a fim de organizar um relatório ordenado e crítico de uma experiência, ou avaliá-la analiticamente, objetivando tomar decisões a seu respeito ou propor uma ação transformadora. A pesquisa é exploratória e qualitativa. A escolha desta metodologia visa buscar informações em direção a inovações tecnológicas de forma global, porém, de forma qualitativa e delimitada na descrição do fenômeno investigado. Para esta percepção, optou-se pelo estudo de caso único para fundamentar de forma delimitada o setor industrial de contêineres no processo de distribuição física de cargas. Marconi e Lakatos (2001) entendem como relevante a pesquisa documental, pois é o tipo de pesquisa que ainda não possui tratamento científico relevante, mas que mostra a situação-problema com clareza, sendo composta por informações coletadas na empresa que podem fornecer um panorama coerente sobre a situação-problema. Assim a metodologia do estudo de caso é aplicada associada a uma revisão bibliográfica ante aos resultados das entrevistas as quais favorecem as experiências pontuais. Conforme Gay e Airasian (2003), pode-se afirmar que a abordagem de pesquisa adotada nesta pesquisa corresponde à qualitativa, uma vez que houve um nível considerável de interação entre pesquisador e participante. O estudo de caso, segundo Eisenhardt (1989), consiste em uma estratégia de pesquisa concentrada na percepção das dinâmicas existentes no contexto de cenários singulares, aliando métodos, como: entrevistas, documentos, questionários e considerações. Voss, Tsikriktsis e Frolich (2002) afirmam que tal método é utilizado quando se pretende estudar o fenômeno em desconhecidas seu ou contexto fenômenos e quando se almeja explorar parcialmente compreendidos, variáveis levando a respostas de perguntas do tipo por que, o quê e como em certo grau de profundidade. As informações obtidas na pesquisa sobre a implantação e manutenção foram convertidas em carga horária trabalhada para sua realização, como forma de transformá-los em dados para que possam ser mensurados. E seu valor hora (salário, encargos e benefícios ou terceirização/horista) foi elaborado de acordo com cada profissional/função/cargo e calculado pelo valor médio pago pelas IES aos colaboradores. A Infraestrutura e demais recursos analisados tem a capacidade de atender 420 alunos com 30 disciplinas de 80 horas no semestre, durante 36 meses de curso. Ou seja, buscou-se levantar os custos mensais de um curso em pleno funcionamento. Independente se houver o investimento no terreno e construção, ou mesmo a compra do prédio, levou-se em consideração o valor do aluguel. Os cálculos foram elaborados mensalmente e considerou-se o rateio pelo número de alunos atendidos e que absorverão os custos. Cada tabela citada nos resultados detalha a forma como foram elaborados custos, assim como, a depreciação ou exaustão de seus elementos. Na elaboração dos custos, para disciplinas de 80 horas, consideram-se, infraestrutura de implantação, desenvolvimento instrucional, custos de manutenção da equipe de trabalho e operacional. O valor foi multiplicado pela média da carga horaria das IES pesquisadas, (2.400 horas) por curso e dividido pelo número de alunos atendidos no período, considerando a infraestrutura. 4. ANÄLISE E DISCUSÃO DOS DADOS 4.1. Gestão de Implantação da EAD Quando a Instituição tradicional opta por oferecer também a modalidade a distância, deve reconsiderar sua politica institucional em relação às suas necessidades e estratégias, abordando com especificidade seu papel neste novo mercado (INED, 2003). Conforme Nogueira (2002) quando nos propomos a implantar um curso superior a distância, precisamos ser um dirigente da gestão escolar, evitando as características de um gestor-administrador de cifras e tecnologias, para não deixar em segundo plano os recursos humanos, políticos e ideológicos. Assim, precisamos implantar cursos com suas bases fundamentadas nas relações pedagógicas com determinantes sociais estratégicos que propiciam o ensino e aprendizado na educação superior. A implantação da EAD inicia-se com o Projeto Politico Pedagógico – PPP que propicie uma relação didático-pedagógica dos cursos em questão, relacionando: Recursos materiais; Conteúdos pedagógicos; Capacitação dos profissionais; Suporte Técnico e Avaliação dos procedimentos. Esses procedimentos dispõem de ofertas das disciplinas, atendimento, orientação e horários de laboratórios. Para isso, o ideal é que as IES mantenham uma equipe interdisciplinar, integrada e colaborativa, com posições-chave em cada departamento com autonomia e poder de decisão de forma efetiva em seu quadro. Uma boa gestão deve buscar a garantia que as IES consigam superar as barreiras socioeconômicas, sociais, culturais e geográficas à aprendizagem, satisfazendo as necessidades e expectativas das respectivas comunidades, intermediando a demanda por cursos superiores. Assim como, desenvolver estratégias para o acesso aos recursos tecnológicos disponíveis, encorajando a capacidade de mudar e a aprendizagem ao longo da vida. Consequentemente, os objetivos das IES são alcançar a qualidade e igualdade nos serviços educacionais; incentivar o autodesenvolvimento; melhorar as expectativas de emprego; ser suficientes em termos de recursos financeiros, ter lucros e serem autossustentáveis (INED, 2003). 4.2. Aspectos do Projeto Politico Pedagógico - PPP O projeto é fruto do planejamento. O planejamento tem como objetivo minimizar os efeitos negativos que possam ocorrer e maximizar as oportunidades, para isso, busca dados do passado, fazendo a ligação do presente com o futuro (MAXIMIANO, 2006). O gestor deve ter em mente a necessidade de criar rupturas no sistema, enfrentar o risco do novo e colocar o diálogo frente ao conflito. É neste sentido que o PPP é uma forma de organização do trabalho e tem o propósito de prever, descrever e definir as ações necessárias do curso e o desenvolvimento do processo educativo. O PPP deve prever que só a tecnologia não garante a construção do conhecimento, neste sentido a EAD deve envolver todo um sistema. O Setor de Desenvolvimento Instrucional desempenha um importante papel no processo de custos, principalmente quando se trata de professores conteudistas na elaboração do material didático impresso. Contudo, O PPP deve partir da análise das necessidades de mercado, considerando as características pedagógicas e os objetivos da instituição, que pode ser como complemento da presencial, semipresencial, combinada ou totalmente online. Ou seja, deve levar em consideração a mistura de meios e interação de tecnologia e sistema de avaliação (INED, 2003). O projeto pedagógico deve conter: curso, modalidade, natureza, instituição, carga horaria, duração, eixos estruturantes, justificativas, habilidades e competências, exigências curriculares, pressupostos teóricometodológicos (matriz curricular, dimensão legal), processos de mediação, processo avaliativo, sistema tutorial, mecanismos de nivelamento, estágio, gestão acadêmica e administrativa, equipe de professores do projeto, equipe de colaboradores, infraestrutura, orçamentos (investimento e custeio) e certificação. 4.3. Infraestrutura e Tecnologia Um dos aspectos mais importantes refere-se às variáveis das TICs existentes e à infra estrutura de um parque tecnológico para atender a demanda dos usuários. Para isso, as estratégias de implantação devem considerar o ambiente adequado para execução das atividades presenciais, gravação das vídeoaulas a criar um departamento que incremente o uso de Tecnologias de Informação e Comunicação Educacionais, voltadas a escolha de equipamentos, ferramentas e aplicativos inovadores, práticos, adaptáveis e flexíveis destinadas a EAD. O investimento pode ser maior ou menor (ex. conexão de alta velocidade e desempenho, com redes digitais e serviços integrados e/ou para vídeo conferencia num só sentido ou nos dois sentidos) entre outras variáveis. 4.4.. Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA A EAD necessita de um ambiente virtual para disponibilizar os recursos didático-pedagógicos. Assim o aluno utiliza esse espaço para sua autoaprendizagem. São softwares que auxiliam na criação de cursos acessíveis através da internet. Sua função é dar suporte aos profissionais da educação, administrando e gerenciando conteúdos do curso, permitindo acompanhar o progresso dos estudantes (MOODLE, 2012). É por meio desta plataforma que a comunicação entre aluno-professor e professor-aluno acontece de forma síncrona ou assíncrona. Neste ambiente se encontram as ferramentas tecnológicas para as atividades pedagógicas e outros recursos para a aprendizagem do aluno. A plataforma ganhou importância com o desenvolvimento das TICs e seu efeito positivo na educação e no processo de aprendizagem, por ser uma "mídia de comunicação" que envolve a composição de diversos meios: textos (lineares) e hipertextos (vários links com textos ou textos com vários links), fóruns, chats, vídeos, áudio, multimídia (diversos meios simultaneamente), hipermídia (associação entre hipertexto e multimídia), animação, e-mail, videoconferência, teleconferência e também através de Documentos híbridos de texto/gráficos, Imagens a cores, estáticas e animadas ou vídeo, modelos 3-D, interação e simulação etc. Neste sentido, a educação a distância utilizase gratuitamente de ferramentas, aplicativos e outros meios de comunicação e compartilhamento do conhecimento. 4.5. Material Didático Pedagógico – Impresso/Virtual A EAD tem suas raízes no material impresso e, mesmo com alternativas tecnológicas atraentes, ainda exerce um importante papel nessa modalidade de ensino. Apesar das vantagens, devemos considerar suas limitações, como as redações, atratividade e compreensão. Uma pesquisa sobre letramento realizada por pesquisadores da ONG Ação Educativa (http://www.cedes.unicamp.br) com uma amostra de 405 pessoas com nível médio completo ou mais, identificou que 35% dos pesquisados conseguem localizar informações explicitas em textos curtos e alguns em textos médios. Nesse contexto, desenvolver textos longos e complexos dificultará a aprendizagem. Assim, conciliar qualidade de conteúdo com qualidade instrucional é uma competência difícil de encontrar no meio acadêmico (PETERS, 2002). Neste sentido, o material didático tem a função de repassar informações, desenvolver habilidades, exemplificar aplicações do conhecimento, prover conexões com outros meios, apresentar reflexões para autoavaliação e manual de consulta permanente. Portanto, formar uma equipe dinâmica, criativa, democrática, competente e habilidosa e com capacidade de interagir em grupo é um grande desafio. Ou seja, é fundamental a parceria entre os diversos setores: professores de conteúdo, desenhistas instrucionais, web-designers, ilustradores, roteirista, programadores, analistas, entre outros profissionais que fazem as correções, análise e avaliação até o envio para a produção gráfica. Outro fator de importância na construção do material impresso é sobre o respeito aos direitos autorais, que não finaliza com a autorização. Envolve vários departamentos relacionados à integração de recursos humanos, sistemas, procedimentos, biblioteca, jurídico, edição e gráfica, tecnologia e informações. O copyright é o direito que um autor tem de controlar a utilização da sua obra. Porém, depois de expirado os direitos de autor, a obra passa a ser “domínio público”, e pode ser utilizada livremente, desde que respeitada a citação, conforme determina a Norma Brasileira de Redação – NBR; contudo, a Propriedade intelectual(PI) encontra-se protegida pela legislação nacional para marcas e patentes (INED, 2003). 4.6. Setor de Recrutamento e Capacitação Para a implantação da EAD, as estratégias desenvolvidas no presencial têm enor valor. Os paradigmas enfrentados, problemas e delimitações do sistema são exponencialmente maiores. As competências e habilidades exigidas no EAD são bastante diferenciadas para o professor da modalidade presencial. O recrutamento e a capacitação de profissionais denominados como tutores, coordenadores, professores, design facilitadores, instrucional, mediadores, gestores, supervisores editores, autores e e elaboradores de textos, analistas, especialistas, palestrantes, conferencista, projetistas, diretores de cursos, redatores e colaboradores em geral, devem ser vistos com grande desafio para a IES. 4.7. Elementos de Custos Não se encontra literatura que aponte dados financeiros para a implantação de cursos a distância nas IES. Quando falamos de custos ou gastos, muitas vezes confundimos com despesas ou investimento. A contabilidade considera que os custos e as despesas são inseridos no conceito de gastos, que é o dispêndio financeiro para realização dos serviços. Ou seja, gastos é a soma de todos os sacrifícios para aquisição de um bem ou serviço. Já os custos são os sacrifícios financeiros com as quais as IES têm de arcar para atingir seus objetivos. As despesas são os gastos para realização dos serviços, ou seja, não fazem parte do processo da entrega de valor. Martins (1998) considera os custos das IES como “serviços constituídos de atividades”, ou seja, um custo baseado em atividades. Neste sentido, devido às dificuldades encontradas em levantar os custos, despesas e gastos dessas atividades, o autor cita que a melhor forma de identificar o custo de uma atividade educacional no EAD é compará-la à presencial, avaliando parte dos elementos de custos, através da metodologia ActivityBasedCosting – ABC, possibilitando maior flexibilidade em sua alocação. Os maiores custos estão relacionados com a implantação e operação das IES. Contudo, uma das variáveis que mais ameaça os custos é a rápida mudança que ocorre na tecnologia. O acesso a novas tecnologias são extremamente altas. As IES precisam manter atualizados seus recursos tecnológicos, neste sentido, existe um custo periódico nesse método. Outra forma de calcular é pelo custo de absorção. Caracteriza-se pela apropriação de todos os custos (diretos, indiretos, fixos e variáveis) aos produtos ou serviços de acordo com critérios de rateios definidos pela instituição. Ou seja, todos os custos são incluídos e rateados pela receita dos serviços prestados. Assim, os custos são afetados pelo volume produzido. Carr (2001 apud LISONI e LOYOLLA, 2001) cita alguns indicadores de custos que as universidades americanas utilizam para sua sustentabilidade da EAD. As análises de seus elementos de custos são: mensalidades; demanda de mercado e crescimento; custo aluno; suporte técnico; tecnologia; pagamentos extras a docentes e a relação da economia ocorrida com a eficiência da infraestrutura; Análise de custos fixos (equipamentos) e variáveis (professores) e a relação de equilíbrio com o presencial. Neste sentido, a necessidade de definir os elementos de custos e distinguir os investimentos de implantação e os custos de operação são essenciais para obter um perfil real dos gastos de cada fase. Ouro fator preponderante é sobre as características demográficas que a IES atenderá. Fatores socioculturais, econômicos, educacional e tecnológico podem ser limitadores do processo democrático de aprendizagem. 4.8. Custos de Implantação Primeiramente, é bom salientar que a EAD é aparentemente um método de baixo custo. Contudo, os custos de implantação são bem superiores a presencial. Porém, a reutilização de vários processos é economicamente viável para a instituição. Quando a IES implanta um curso, o custo é considerado investimento, pois se torna em ativo da Instituição. Lisoni e Loyolla (2001) citam que os elementos de custos existem tanto para o presencial como para EAD, contudo, as variáveis são diferentes. · Instalações: A compra de terreno e construção de edifícios, ou aquisição de prédios prontos podem ser bons investimentos de longo prazo e diluídos m vários anos de uso. Porém, devem ser analisadas as instalações, adaptação e restauro, assim como outras possibilidades como, aluguel; parcerias e fusões podem minimizar os custos iniciais (INED, 2003). · Equipamento e mobiliário: podem ser comprados e diluídos conforme o tempo de usabilidade e sua depreciação variam de 3 a 10 anos. · Aquisição de hardwares: os custos devem ser separados (administrativo e acadêmico) e estão relacionados com a capacidade de processamento de cada tipo e modelo; · Aquisição dos softwares: estão relacionados ao número de licenças; · Construção de rede de computadores: envolvem custos relacionados ao projeto, equipamentos; Implantação da rede e meios de Comunicação. Apesar da necessidade de uma estrutura mais robusta para EAD, por ser centrado, seu investimento é menor (INED, 2003); · Construção da Web Site: os gastos estão relacionados aos elementos e ou atividades que envolvem sua construção (terceirização, salários, encargos e taxas de manutenção), como a configuração e Instalação de software no servidor; Construção do Portal e página; · Escolha e registro do nome do domínio: na AD existe um grande número de acessos simultâneos, necessitando de equipamentos mais robustos, aumentando seu custo em relação ao presencial. Material didático: algumas IES estão diluindo em até 10 anos seus custos, mas, diante de tantas revoluções tecnológicas e mudanças de mercado, fica difícil mensurar quando ficarão inservíveis. Os custos de construção dos textos e hipertextos envolvem autores do material didático (professores) com textos dialógicos e de qualidade. A elaboração do material didático para uma disciplina de 80 horas chega ter 400 páginas de conteúdo. O material passa por um profissional de web designers e técnicos que fazem a correção e animação quando necessário. Esses profissionais são os maiores responsáveis pela criação e desenvolvimento de ambientes de aprendizagem eficazes (INED, 2003). 4.9. Custos operacionais Os custos operacionais referem-se ao dinheiro que a IES desembolsa para o desenvolvimento e manutenção de suas atividades. Ou seja, são as despesas relacionadas para exercer seu trabalho. Esses custos podem dividirse em administrativos, financeiros, custos não recuperáveis e despesas gerais. Também são considerados como custos indiretos relacionados ao funcionamento do negocio. Lisoni e Loyolla (2001) consideram elementos de custos: · Gestão do Patrimônio: Envolve os custos de Manutenção (limpeza, consertos etc.); Custos de uso das Instalações (IPTU, água e luz); Custos de Comunicação (telefone, celular, correio e Internet); Custos de Depreciação (imóveis 4% ao ano, móveis e utensílios 10% e equipamentos 20% ao ano do valor do bem) e Custos de Segurança (salário e encargos da vigilância). · Manutenção do negócio: Bens consumíveis, uso contínuo e periódico. Ex. materiais escritório, impressos, correio, honorários, alugueis, gastos sociais, impostos, taxas, convênios, recolhimentos entre outros que podem ser fixos e variáveis. · Custos de Implementação: Para manter e criar novos cursos e continuar crescendo no mercado as ES precisam contratar gestores (diretores) de cursos para elaborarem novas propostas de projetos pedagógicos. Esse elemento representa uma das maiores cargas horárias na manutenção e elaboração de projetos pedagógicos na IES (CARR, 2001). · Custo de pessoal: pró-labore, salários, encargos, indenizações, acordos, acertos, rescisões. Os maiores custos estão na tutoria, instrução e serviços de apoio ao aluno. Já no administrativo o custo esta diluído nos departamentos envolvidos (Secretaria, DP/RH, Compras, Contabilidade e Finanças, Almoxarifado etc.). · Treinamento: Capacitação de professores e demais colaboradores. Esse é um fator essencial no processo. O treinamento de uso da plataforma, TICs e outros ferramentais e aplicativos pedagógicos do AVA e o uso de novas tecnologias é fundamental para o sucesso da EAD. Essas ferramentas podem ser divididas em essenciais, que normalmente são de baixo custo e as diferenciadas oferecidas pelas instituições, que buscam as inovações tecnológicas como atratividade no relacionamento com o usuário. · Marketing: Relacionados com os tipos de veículos de comunicação (Jornal, TV, rádio, outdoor, panfletos e divulgação em geral); · Gastos tecnológicos: Implementação e atualização de softwares, hardwares, equipamentos, mobília, pequenos alterações na infraestrutura etc. A escolha da tecnologia utilizada na implantação e implementação de cursos a distância, dependerá muito da estratégia estabelecida no projeto para a aquisição, manutenção, reparação e substituição dos equipamentos proposto no processo e como a instituição quer ser conhecida no mercado. Alguns fatores que devem ser considerados: Requisitos educacionais, custos de telecomunicação, banda larga de acesso à internet, sistema de segurança, software, compatibilidade etc. 4.10. Resultados obtidos A modalidade EAD é considerada mais rentável do que a educação presencial tradicional, pois os custos são diluídos pelo maior numero de estudantes (INED, 2003). Tabela 1 - Custos da infraestrutura de Implantação Valor % Mensal 600,00 16,67% Aluguel 200,00 5,55% Mobiliário 400,00 11,12% Equipamentos 1.000,00 27,78% Hardware 200,00 5,55% Software 200,00 5,55% Redes 1.000,00 27,78% Outros Total 3.600,00 100% Valores diluídos: Custo de R$ 3.600,00 mês / 30 disciplinas = R$ 120,00 Dados da pesquisa Descriminação · · · · · · · Fonte: A equipe de desenvolvimento tem a função de forma intencional e sistemática. Envolve planejamento, desenvolvimento, utilização de métodos, meios e recursos, técnicas, atividades, material, assim como nos eventos e serviços educacionais prestados para a aprendizagem dos alunos. Essa parte do processo é a de maior custo e prioridade no processo de implantação, pois ajuda no estabelecimento de objetivos futuros nos meios e recursos para cumpri-los. Porém, devemos considerar que esses custos serão diluídos em cinco anos (60 meses). Tabela 2: Custos de Implantação da equipe de Desenvolvimento Instrucional Carga Valor Custo Descriminação Horária Hora Total % 3.200,00 40 80,00 1.200,00 20 60,00 1.200,00 20 60,00 32.000,00 400 80,00 3.200,00 40 80,00 10.000,00 200 50,00 12.000,00 200 60,00 2.400,00 40 60,00 4.800,00 80 60,00 8.000,00 160 50,00 1200 78.000,00 Valores diluídos: (78.000,00 / 60 meses = R$ 1.300,00 por mês) Fonte: Dados da pesquisa · · · · · · · · · · Projeto idealização PPP Planejamento Material didático Produção videoaulas Trabalho revisão Diagramação e Ilustração Analista e conferencista Gráfica/edição Outros 4,10% 1,54% 1,54% 41,02% 4,10% 12,82% 15,38% 3.08% 6,16% 10,26% 100% A escola é um organismo vivo. Cada um é responsável por uma parte do processo e cada parte precisa buscar a eficiência e eficácia em suas ações. Professores, diretores e demais colaboradores fazem parte da engrenagem que impulsiona o processo educacional, dando suporte e apoio necessário para a aprendizagem. Tabela 3: Custos de Manutenção da equipe de trabalho Carga Valor Descriminação horária hora 1 150,00 · Diretores 2 60,00 · Coordenadores 2 60,00 · Gestores/supervisores 40 80,00 · Professores 40 40,00 · Tutores de apoio 5 50,00 · Equipe administrativa 1 200,00 · Palestrantes/Conferencista 5 40,00 · Colaboradores de apoio 4 40,00 · Outros 100 Valores diluídos: Custo de R$ 6.000,00 por disciplina/mês Fonte: Dados da pesquisa Custo total 150,00 120,00 120,00 3.200,00 1.600,00 250,00 200,00 200,00 160,00 6.000,00 % 2,50% 2,00% 2,00% 53,33% 26,67% 4,17% 3,33% 3,33% 2,67% 100% As Instituições educacionais precisam periodicamente dispender de sacrifícios financeiros para manter o negócio. O foco da instituição deve ser o aluno, para isso, deve atender suas necessidades, atualizando softwares, adquirindo novas ferramentas e substituindo as ultrapassadas. A manutenção das instalações, tecnologias e equipamentos é essencial para o sucesso da aprendizagem. Tabela 4: Custos de Manutenção – Operacional Descriminação · Atualização de software · Atualização de equipamentos · Troca de maquinas Valor mensal 10,00 10,00 25,00 % 8,33% 8,33% 20,83% 10,00 5,00 20,00 5,00 20,00 15,00 120,00 Valores diluídos: Custo de R$ 120,00 por disciplina/mês Fonte: Dados da pesquisa · · · · · · Novas tecnologias Manutenção de redes Propaganda Treinamento Impostos/Taxas etc. Outros 8,33% 4,17% 16,67% 4,17% 16,67% 12,50% 100% Os gastos de implantação e manutenção de cursos na modalidade a distância oferecidos pelas IES poderão ter variações de acordo com a tecnologia utilizada e/ou tempo de atualização dos softwares, hardware e o sistema de mobilidade e comunicação. Tabela 5: Soma dos resultados da pesquisa por cada disciplina de 80 horas Tabela Custos/Despesas/Gastos 1 Valor Mensal 120,00 1.300,00 % Custos: Infraestrutura de Implantação 1,59% Custos Implantação: Equipe Desenvolvimento 17,25% Instrucional 3 Custos manutenção: Equipe de trabalho 6.000,00 79,57% 4 Custos Manutenção: Operacional 120,00 1,59% Total 7.540,00 100% Valor mensal: 7.540,00 x 30 disciplina = R$ 226.200,00 Valores diluídos: Custo por curso R$ 226.200,00 / 420 alunos = R$ 53,85/mês Valores mensais de custo por aluno: Custo por disciplina/mês R$ 53,85 x 3 disciplina de 80 horas/semana = R$ 161,55/mês/aluno Fonte: Dados da pesquisa 2 De acordo com os dados da pesquisa, 80% dos custos de um aluno estão voltados para a equipe de trabalho. Em segundo lugar, com mais de 17% está a equipe de desenvolvimento instrucional que, apesar de alto custo inicial, seus valores são diluídos por cinco anos, tornando o investimento viável. Os custos de infraestrutura de implantação e manutenção das operações do negócio são menores. Para ter uma base comparativa da análise dos custos, foram utilizados os dados citados por Carr (2001) e o modelo de medição ocorrido na Universityof Maryland (2001). Os dados foram atualizados proporcionalmente em cada elemento de custo e despesas no período da oferta dos cursos em que a pesquisa foi desenvolvida (período entre 2000 a 2001). Para a elaboração dos dados desta pesquisa, foi utilizado o percentual citado por Carr (2001), que serviu como referência de cálculo. Porém, os dados remetem aos gastos diretos e indiretos, sem levar em consideração o número de alunos, infraestrutura física e tecnológica etc. Contudo, serve como comparativo para nossa pesquisa. Tabela 6 – Tabela de custos comparativos – Modalidade EAD Dados da Pesquisa* Pesquisa Comparativa 1 Custos: Infraestrutura de Implantação 1,59 Não consta 2 Custos Implantação: Equipe Des. Instrucional. 17,25 13,38% 3 Custos manutenção: Equipe de trabalho 79,57 80,09% 4 Custos Manutenção: Operacional 1,59 6,53% Total 100% 100% *Universityof Maryland (2001): Os dados citados em 2001 atualizados pelo INPC em 2012 como valor de referencia R$ 1.094,643,00, distribuídos em tabelas comparativas conforme custos levantados. Porém, fica difícil mensurar seus valores com exatidão, pelas limitações dos dados. Fonte: Dados da pesquisa Tab. Custos/Despesas/Gastos A tabela, se comparada com a pesquisa realizada em 2001, demonstra que os custos iniciais de implantação são altos e significativos, porém, quando diluído pelo período utilizado deixa de ser muito expressivo. 5. CONCLUSÃO A proposta dessa pesquisa foi demonstrar uma análise dos custos de implantação de um curso a distância em uma Instituição de Ensino Superior IES. Considerando a evolução tecnológica envolvida e os recursos necessários para a exploração dos serviços. Também foi demonstrado um quadro comparativo de um estudo feito na University of Maryland (2001) e adaptados seus resultados aos dias atuais. Constatou-se que os custos iniciais de implantação são representativos, porém esses valores são diluídos no decorrer dos anos. Ou seja, uma vez feito o investimento, os valores posteriores deixam de ser tão expressivos, principalmente pela possibilidade de aumentar exponencialmente a oferta de vagas, obtendo maior quantidade de alunos, reduzindo os custos operacionais e disseminando o conhecimento de forma mais democrática. O curso EAD consegue trabalhar e desenvolver habilidades e competências para indivíduos de diferentes culturas, valores e religiões diferentes. A infusão cultural proporciona um posicionamento mais globalizado da IES, atendendo um maior número de pessoas de diferentes classes sociais, econômica e culturais. Assim, de forma quantitativa a EAD consegue atingir maior democracia educacional, seja na formal, não formal e na formação do individuo. Ou seja, o EAD proporciona acesso à educação, suprindo as necessidades de comunidades estudantis remotas, sem alterar sua forma de vida pessoal e profissional. A distância deixa de ser um empecilho à aprendizagem, já que o acesso ao material didático e a atratividade das ferramentas tecnológicas estimulam a pesquisa e a autoaprendizagem, sempre com o apoio de profissionais que são oferecidos aos estudantes. Apesar da pesquisa não apresentar um quadro comparativo com os custos na modalidade presencial, pesquisadores são unânimes em dizer que a educação a distância pode ter um custo mais baixo por estudante do que os métodos tradicionais, contudo, há probabilidade maior de desistências no decorrer do curso. Os dados demonstram uma economia de escala pela modalidade EAD, principalmente no processo inicial de expansão. Neste sentido, o rateio dos custos mensais por aluno foi de R$ 161,55 (cento e sessenta e um reais e cinquenta e cinco centavos), cursando três disciplinas de 80 horas. Diante dos dados apresentados, aumenta o interesse das instituições educacionais nessa modalidade de ensino, seja como complemento da educação presencial, onde a IES pode trabalhar com 20% a distância (MEC), ou para gerar competitividade junto às tradicionais ou simplesmente como alternativa de negócios. Contudo, a pesquisa não teve a intenção de comparar os custos com o presencial, assim não confirma se a modalidade EAD é mais rentável do que a presencial, conforme citado pelo INED. REFERÊNCIAS BRASIL. CONGRESSO NACIONAL, "Lei n.º9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional". Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf>. Acesso em: 21 out. 2012. CAFFARELLA, E., et al. 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