Uma análise dos elementos de custos para implantação e
manutenção de cursos de ensino a distância nas
instituições de ensino superior
An analysis of the elements of costs for implementation
and maintenance
of distance learning courses in higher education
institutions
Henrique Cesar Nanni
[email protected]
Hamilton Pozo
[email protected]
Resumo
Esta pesquisa objetiva a análise de custos para a implantação e manutenção
de cursos na modalidade de Ensino a Distância (EAD) nas Instituições de
ensino superior. A proposta é identificar os conceitos e elementos principais
no processo de custos, considerando-se a diversidades que o modelo
apresenta. Os dados foram construídos com base em pesquisa exploratória,
dados de custos apoiados em pesquisas já desenvolvidas e, como base
comparativa para complementação dos cálculos, utilizou-se, também, um
estudo de caso da University of Maryland (2001), para robustecer os
resultados. A pesquisa mostrou que existem custos mais altos para sua
implantação, principalmente quando se trata da elaboração do material
didático e aquisição de equipamentos tecnológicos. Porém, esses valores se
tornam menos expressivos pela redução de investimentos em infraestrutura
física, principalmente quando já existe para a modalidade presencial e/ou pelo
grande número de alunos atendidos pela modalidade a distância.
Palavras-chave: Ensino a Distância; Custos; Implantação de cursos.
Abstract
This research aims to analyze costs for implementation and maintenance of
learnning courses in higher education institutions. The purpose is to identify
the key concepts and elements in the process costs, considering the
differences that the model presents. The data analyses were constructed
based on exploratory research supported in research of cost data, already
developed and, as a comparative basis for complementation of the
calculations, was used also a case study of the University of Maryland
(2001),
to
strengthen
the
results.
The research has shown that there are higher costs for its implementation,
especially when it comes to the preparation of teaching materials and
acquisition of technological equipment. However, these values become less
significant for the reduction of investment in physical infrastructure,
especially when you already have to face modality and/or the large number
of students served by the distance mode.
Keywords: Distance learning; Costs; Implementation courses
1. INTRODUÇÃO
A definição da Educação a Distância (EAD) tem como consenso geral,
entre várias apropriação e especificidades, o conceito de “modalidade de
aprendizagens onde docentes e discentes estão separados pela distância e
tempo” (KEEGAN, 1990). Ou seja, a modalidade está alicerçada no uso de
recursos que aproximam a comunicação entre os atores. Assim, os alunos
estudam de forma independente, com horários e tempo flexíveis em locais
diversos,
sem
a
necessidade
do
sincronismo
da
comunicação,
mas,
combinando a autoaprendizagem, reduzindo ou eliminado a presença física
(SAVIANI, 2008).
É importante destacar que a EAD não é uma metodologia, mas, uma
modalidade de ensino embasada em teorias e concepções. Em muitos casos,
também proporciona sustentação ao presencial. Porém, a autonomia do
aprendente nessa modalidade é fator primordial. Pois, na presencial, o centro
das forças educativas é o professor. Já na modalidade EAD, o aprendente é o
centro dessa força, calcado na autonomia do processo de ensino e
aprendizagem. Nesse caso o professor é o articulador do processo,
organizando, planejando e orientando, tornando-se um novo profissional da
educação. Neste sentido, a autonomia é a palavra chave para o sucesso
dessa modalidade. Até mesmo porque o Ensino a Distância privilegia o
aprendente na escolha do que deseja prender, quando, como e onde. No
entanto, nem todos conseguem lidar com esta liberdade (INED, 2003).
O EAD tem crescido vertiginosamente nos últimos anos. Porém, sua
evolução acontece há mais de 200 anos. Inicialmente foi por meio da
correspondência, transmissão por rádio e, posteriormente, com a televisão
educativa que se mantem até os dias atuais. Contudo, o maior avanço
aconteceu com o surgimento da Internet e, consequentemente, pelos seus
aplicativos, ampliando as práticas tradicionais (MOORE; KEARSLEY, 1996).
As Instituições de Ensino superior (IES) utilizam a internet como
ferramenta de comunicação, propiciando um rápido crescimento na EAD, com
plataformas de fácil acesso, design instrucional de qualidade, com acesso
direto e uso de vários aplicativos nos computadores pessoais, possibilitando
de forma síncrona e ou assíncrona o uso da Tecnologia da Informação e
Comunicação – TIC. Assim, a comunicação é mediada por computador, e
comtempla a vídeo conferencia, e-mail, banco de dados e bibliotecas virtuais.
Contudo, o avanço tecnológico não substituiu o professor, mas, incorporou
novas ferramentas de comunicação (MOORE; KEARSLEY, 1996).
As ferramentas tecnológicas atribuíram mais credibilidade, consistência
e estruturação nos cursos a distância e estão assumindo um papel mais
relevante no processo de aprendizagem, seja como complemento do
presencial ou totalmente a distância. Para os incrédulos, ou para aqueles que
defendem o método tradicional, antes de contestar a eficácia do EAD,
reflitam sobre os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos
Estudantes - ENADE, que estão sendo superiores aos presenciais. Conforme
dados do e-Mec e Secretaria da Educação a Distância (SEED), em 2009, a
maior nota foi de um aluno a distância e, das 13 áreas em que se podem
comparar estudantes da educação presencial com aqueles a distância,
observa-se que, em sete cursos (Administração, Biologia, Ciências Sociais,
Física, Matemática, Pedagogia e Turismo), os alunos de EAD apresentam
melhores resultados com uma média de até 50% a mais de rendimento. Tais
considerações também são válidas para o ano de 2010. O diferencial ocorre
pela
autonomia,
foco
Consequentemente,
tais
e
dedicação
fatores
do
aluno,
incentivam
a
aliados
busca
à
tecnologia.
por
resultados
satisfatórios em cada etapa.
Oliveira (2008) cita que, diante da atual dinâmica do mercado, para a
qual a formação das competências e habilidades é essencial para o sucesso
de uma sociedade contemporânea, a educação a distância permite preparar
um número maior de pessoas a um custo cada vez menor. Isso levou o
governo a investir na EAD como forma de cumprir suas metas educacionais,
porém, levou as IES a criar modelos pedagógicos específicos, com
regulamentos e formatos diferenciados para a EAD, normatizados pela Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBN (Lei 9.394 de 20 de
dezembro de 1996), que regulamentou a educação a distância no nosso país
(BRASIL, 1996).
A EAD deixou de ser uma aposta para ser uma estratégia das IES
públicas e privadas para atender a uma demanda da sociedade por cursos
superiores de qualidade e de baixo custo aos alunos. Porém, os custos de
implantação não são tão baixos como se supõe inicialmente.
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. Educação a distância no Brasil
O marco inicial da EAD no Brasil aconteceu no início do século XX,
quando
os
cursos
eram
voltados
para
a
profissionalização
básica.
Posteriormente, passou a suprir as deficiências da educação básica; porém,
sua linguagem instrucional era para população menos favorecida, fato que
proporcionou uma imagem à sociedade de educação inferior (OLIVEIRA,
2008).
O desafio do governo na área da educação tem suas bases
fundamentadas na EAD, que Delors (2003) caracteriza como revisão da
política educacional com novas diretrizes, como a integração democrática
dos países no campo da ciência e tecnologia e adaptação de suas culturas no
processo da modernização de uma sociedade da informação.
2.2. Referencial de Qualidade na EAD no Brasil
O Ministério da Educação e Comunicação (MEC) define a EAD como
uma estratégia importante no processo de expansão da Educação superior no
Brasil. A proposta de uma boa educação está fundamentada na Lei 9.394/96
e pelo último Decreto 5.622/2005 que estabelece a política de garantia de
qualidade no tocante aos variados aspectos ligados à modalidade de
educação a distância e norteiam os Referenciais de Qualidade determinados
pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). O decreto visa
estabelecer diretrizes às IES para implantação de cursos superiores a
distância e acabam fundamentando as normas da EAD, na sua concepção de
educação e currículo, no processo de ensino e aprendizagem, nos sistemas
de Comunicação e no material didático produzido pela instituição, assim
como o sistema de avaliação, equipe multidisciplinar, infraestrutura de apoio,
gestão acadêmico-administrativa e sustentabilidade financeira (MEC, 2012).
2.3. Expansão das IES no Brasil
Conforme o IBGE (2010), o censo constatou, nos 5.565 municípios
brasileiros: uma população formada por 190.732.694 pessoas. A expansão
das Instituições de Ensino Superior Privado – IESP com a modalidade da EAD
tem acompanhado o crescimento populacional no Brasil.
Conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (INEP), a educação superior é a mais Privada do
mundo. Dados do INEP indicam que 84% dos alunos matriculados em cursos
superiores em 2007 foram em IESP e apenas 11% das IES são publicas (INEP,
2008). Já, dados mais recentes (2012), indicam que dos 6.739.689
estudantes
de graduação
matriculados
em
mais
de 30.420
cursos,
1.032.936 foram matriculados em IES públicas e federais, somando mais de
15%. Esses dados corroboram com os resultados obtidos em 2010-2011
que demonstram que as matriculas nos cursos superiores na rede publica
subiram 7,9% e na privada de 4,8% (INEP, 2012). Contudo, já é Lei aprovada
que até 2014, 50% das vagas em federais, serão reservadas para alunos da
rede pública.
2.4. Universidade Aberta do Brasil – UAB
Em 2005, o governo brasileiro instituiu a EAD por meio das
universidades virtuais públicas como proposta estratégica de levar o Ensino
superior de qualidade em prol do desenvolvimento da educação para os
profissionais da educação, atendendo também á demanda social por vagas do
ensino superior nos três níveis (Federal, estadual e Municipal) (BRASIL,
2006).
A Universidade Aberta do Brasil – UAB é um projeto do MEC em
parceria com os Estados, Municípios e IES pública. O Governo Federal investe
anualmente aproximadamente um bilhão de reais. O projeto contou em 2012
com 94 IES e 750 polos de atendimento distribuídos pelo Brasil, formando
cerca de 220.000 alunos (MEC, 2012).
A
proposta
gerou
um
instrumento
eficaz
na
universalização,
favorecendo a disseminação educação superior e minimizando os impactos
das diferenças sociais e a dificuldade de acesso aos grandes centros
universitários (OLIVEIRA, 2008).
A importância da UAB se fundamenta pelo seu alcance geográfico que
é incontestável, suas possibilidades ultrapassam as barreiras territoriais. Para
Litto (2009), o aluno que conclui seus estudos no seu habitat, permanece na
região e acaba trazendo progresso; já aquele que se desloca do campo para a
metrópole, acaba iniciando sua atividade profissional próximo à universidade.
Neste sentido, essa modalidade de ensino tem despertado interesse pela
possibilidade de redução do espaço físico de salas de aula, gastos com
locomoção, despesas, substituição de funcionários entre outras vantagens.
É notório que a expansão da EAD ocorre pela estratégia do governo em
canalizar
recursos
governamentais
através
de
seus
programas
de
financiamentos, como Programa Universidade Para Todos (PROUNI) e
Universidades Abertas do Brasil – UAB, como forma de incrementar os índices
de acesso a cursos superiores através dessa modalidade.
2.5. A Importância dos Cursos Superiores
Conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico - OCDE, o cidadão com ensino superior no Brasil ganha até 156%
a mais. Entre os 30 países pesquisados, o Brasil obteve o maior índice. Em
outros países, a média é de 50%.
Na ultima década o Brasil investiu mais na educação fundamental e
média, mas, no superior os investimentos não estão acompanhando o volume
de matrículas que cresceram mais de 50% no período, levando às salas de
aula uma população mais madura que estavam afastadas da educação.
Contudo, o número de brasileiros acima de 25 anos que completaram o
ensino médio é de apenas 30% (OCDE, 2010). Esse fator pode ser explicado
pelas duas décadas perdidas (1980-1990), com estagnação na oferta de
lugares nas IES.
Na maior parte dos países, espera-se que o investimento na educação e
formação do indivíduo ocorra pelo aluno e instituições particulares. Contudo,
o estado e o contribuinte custeiam boa parte dos gastos. Em se tratando de
países emergentes como o Brasil, onde a classe mais pobre ainda é maioria, a
EAD torna-se uma grande aliada da inclusão e democratização da educação.
Neste sentido, criar centros educacionais com viabilidade econômica que
suporta os custos de implantação, manutenção, atualização e implementação
com bom planejamento financeiro e comercial, incluindo encargos, salários,
consumíveis, sistema de comunicação que consigam a sustentabilidade e
autossuficiência com preços accessíveis a todas as camadas sociais, é um
grande desafio (NED, 2003).
2.6. Eficácia de Custo
Importante questão é o custo real e o custo-benefício de programas de
ensino a distância. São eles realmente rentáveis?. Um estudo realizado por
Phelps et al. (1991, p.303) constatou que "o potencial de custo-efetividade
do uso de tecnologias online em educação a distância ainda é incerto". O
estudo mostrou ainda que os conceitos de custos e eficácia não são tão
simples como parecem.
Atkinson, apud Ng (2000) observa que:
"é possível para um programa para ser eficiente, mas não é rentável
se as saídas que são na verdade produzidas não contribuem para os
objetivos do programa: que é que pode ser eficiente em fazer as
coisas erradas”.
Ng (2000, p.306) comenta sobre o custo do capital humano. Ele
afirma: "O capital humano e os custos de conversão são despesas que podem
facilmente ser subestimadas”. Afirma, também, que o custo de cursos on-line
é afetado pela forma como são implementados: como um acessório ou como
meio de ensino primário. Se ele é implementado como um meio de ensino
primário, que é consideravelmente mais caro.
Caffarella et al. (1992) encontraram em um estudo da Universidade de
Northern Colorado informações sobre os custos do processo electrónica de
fornecimento em EAD que foram comparados com os do curso com instrutor
atuando diretamente no site. A alternativa menos custosa era para a
instrução ao vivo, com o instrutor se deslocando para o site e permitindo
redução do tempo em algumas semanas. Esta alternativa representou um
terço do custo de qualquer alternativa. Carr (2001) analisou um relatório do
programa da Califórnia State University, que mostrou uma redução de custos
em seus programas de EAD. O relatório constatou que apenas nos cursos
com volume enorme de alunos e com muitas seções mostrava ser viável
economicamente possível.
Os custos iniciais, custos de manutenção e custos de pessoal também
devem ser considerados para se chegar a um custo real de um programa de
ensino a distância.
Walcott apud Carter (2000, p.249) demonstrou em um estudo de EAD
que:
" para efetivamentediminuir as distâncias entre salas de aula e de
ensino a distância, os professores precisam olhar para o ensino a
distância do ponto de vista dos estudantes”.
A Instituição deve, também, estar cientede obtermateriais didáticos,
apostilas, testes e outrositensdo processoao mesmo tempo. É importante
paraos instrutoresdesenvolveremum senso de comunidade entre os locais de
apoio e de ensino para obter o máximo de participação, e obter dos alunos
total adesão ao processo. A idéia e aprendizagem como um processo de
colaboração é muito importante quando os alunos estão separados pela
distância. Segundo a pesquisa de Palloffe Pratt (2000, p.6):
"processos de aprendizagem colaborativa auxiliam os alunos a
atingirem níveis mais profundos de geração de conhecimento através
da criação de objetivos comuns, exploração compartilhada, e um
processo compartilhado de construção de significados".
Cabe ao professor estar ciente disso no ambiente de aprendizagem a
distância e incentivar
a aprendizagem colaborativa e um senso de
comunidade entre os alunos.
3. MÉTODO
Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva e qualitativa. A
construção dos dados surgiu de analise de vários documentos primários e
secundários, artigos acadêmicos e relato de profissionais que trabalham com
Hamilton 2/27/13 5:34 PM
Deleted: E
Hamilton 2/27/13 5:34 PM
Deleted: LOGIA
a EAD, bem como, apoio no estudo de caso da University Maryland (2001)
para comparar e fortalecer os dados levantados.
Marconi e Lakatos (2001) e Malhotra (2001, p.106) explicam a
pesquisa exploratória como: “um tipo de pesquisa que tem como principal
objetivo o fornecimento de critérios sobre a situação-problema enfrentada
pelo pesquisador e sua compreensão”.
Para tal finalidade, estuda-se um grupo ou comunidade em termos de
sua estrutura, ressaltando a interação de seus componentes (YIN, 2005).
Chizzotti (2005) descreve que o estudo de caso designa uma diversidade de
pesquisas que coletam e registram dados de um caso particular ou de vários
casos, a fim de organizar um relatório ordenado e crítico de uma experiência,
ou avaliá-la analiticamente, objetivando tomar decisões a seu respeito ou
propor uma ação transformadora.
A pesquisa é exploratória e qualitativa. A escolha desta metodologia
visa buscar informações em direção a inovações tecnológicas de forma
global, porém, de forma qualitativa e delimitada na descrição do fenômeno
investigado. Para esta percepção, optou-se pelo estudo de caso único para
fundamentar de forma delimitada o setor industrial de contêineres no
processo de distribuição física de cargas.
Marconi e Lakatos (2001) entendem como relevante a pesquisa
documental, pois é o tipo de pesquisa que ainda não possui tratamento
científico relevante, mas que mostra a situação-problema com clareza, sendo
composta por informações coletadas na empresa que podem fornecer um
panorama coerente sobre a situação-problema. Assim a metodologia do
estudo de caso é aplicada associada a uma revisão bibliográfica ante aos
resultados das entrevistas as quais favorecem as experiências pontuais.
Conforme Gay e Airasian (2003), pode-se afirmar que a abordagem de
pesquisa adotada nesta pesquisa corresponde à qualitativa, uma vez que
houve um nível considerável de interação entre pesquisador e participante.
O estudo de caso, segundo Eisenhardt (1989), consiste em uma
estratégia de pesquisa concentrada na percepção das dinâmicas existentes
no contexto de cenários singulares, aliando métodos, como: entrevistas,
documentos, questionários e considerações. Voss, Tsikriktsis e Frolich
(2002) afirmam que tal método é utilizado quando se pretende estudar o
fenômeno
em
desconhecidas
seu
ou
contexto
fenômenos
e quando
se almeja explorar
parcialmente compreendidos,
variáveis
levando
a
respostas de perguntas do tipo por que, o quê e como em certo grau de
profundidade.
As informações obtidas na pesquisa sobre a implantação e manutenção
foram convertidas em carga horária trabalhada para sua realização, como
forma de transformá-los em dados para que possam ser mensurados. E seu
valor hora (salário, encargos e benefícios ou terceirização/horista) foi
elaborado de acordo com cada profissional/função/cargo e calculado pelo
valor médio pago pelas IES aos colaboradores.
A Infraestrutura e demais recursos analisados tem a capacidade de
atender 420 alunos com 30 disciplinas de 80 horas no semestre, durante 36
meses de curso. Ou seja, buscou-se levantar os custos mensais de um curso
em pleno funcionamento.
Independente se houver o investimento no terreno e construção, ou
mesmo a compra do prédio, levou-se em consideração o valor do aluguel. Os
cálculos foram elaborados mensalmente e considerou-se o rateio pelo número
de alunos atendidos e que absorverão os custos. Cada tabela citada nos
resultados detalha a forma como foram elaborados custos, assim como, a
depreciação ou exaustão de seus elementos.
Na elaboração dos custos, para disciplinas de 80 horas, consideram-se,
infraestrutura de implantação, desenvolvimento instrucional, custos de
manutenção da equipe de trabalho e operacional. O valor foi multiplicado pela
média da carga horaria das IES pesquisadas, (2.400 horas) por curso e
dividido pelo número de alunos atendidos no período, considerando a
infraestrutura.
4. ANÄLISE E DISCUSÃO DOS DADOS
4.1. Gestão de Implantação da EAD
Quando
a
Instituição
tradicional
opta
por
oferecer
também
a
modalidade a distância, deve reconsiderar sua politica institucional em relação
às suas necessidades e estratégias, abordando com especificidade seu papel
neste novo mercado (INED, 2003).
Conforme Nogueira (2002) quando nos propomos a implantar um
curso superior a distância, precisamos ser um dirigente da gestão escolar,
evitando
as
características
de
um
gestor-administrador
de
cifras
e
tecnologias, para não deixar em segundo plano os recursos humanos,
políticos e ideológicos. Assim, precisamos implantar cursos com suas bases
fundamentadas
nas
relações
pedagógicas
com
determinantes
sociais
estratégicos que propiciam o ensino e aprendizado na educação superior.
A implantação da EAD inicia-se com o Projeto Politico Pedagógico – PPP
que propicie uma relação didático-pedagógica dos cursos em questão,
relacionando: Recursos materiais; Conteúdos pedagógicos; Capacitação dos
profissionais; Suporte Técnico e Avaliação dos procedimentos. Esses
procedimentos dispõem de ofertas das disciplinas, atendimento, orientação e
horários de laboratórios. Para isso, o ideal é que as IES mantenham uma
equipe interdisciplinar, integrada e colaborativa, com posições-chave em cada
departamento com autonomia e poder de decisão de forma efetiva em seu
quadro.
Uma boa gestão deve buscar a garantia que as IES consigam superar as
barreiras socioeconômicas, sociais, culturais e geográficas à aprendizagem,
satisfazendo as necessidades e expectativas das respectivas comunidades,
intermediando a demanda por cursos superiores. Assim como, desenvolver
estratégias para o acesso aos recursos tecnológicos disponíveis, encorajando
a
capacidade
de
mudar
e
a
aprendizagem
ao
longo
da
vida.
Consequentemente, os objetivos das IES são alcançar a qualidade e igualdade
nos serviços educacionais; incentivar o autodesenvolvimento; melhorar as
expectativas de emprego; ser suficientes em termos de recursos financeiros,
ter lucros e serem autossustentáveis (INED, 2003).
4.2. Aspectos do Projeto Politico Pedagógico - PPP
O projeto é fruto do planejamento. O planejamento tem como objetivo
minimizar os efeitos negativos que possam ocorrer e maximizar as
oportunidades, para isso, busca dados do passado, fazendo a ligação do
presente com o futuro (MAXIMIANO, 2006).
O gestor deve ter em mente a necessidade de criar rupturas no
sistema, enfrentar o risco do novo e colocar o diálogo frente ao conflito. É
neste sentido que o PPP é uma forma de organização do trabalho e tem o
propósito de prever, descrever e definir as ações necessárias do curso e o
desenvolvimento do processo educativo.
O PPP deve prever que só a tecnologia não garante a construção do
conhecimento, neste sentido a EAD deve envolver todo um sistema. O Setor
de Desenvolvimento Instrucional desempenha um importante papel no
processo de custos, principalmente quando se trata de professores
conteudistas na elaboração do material didático impresso. Contudo, O PPP
deve partir da análise das necessidades de mercado, considerando as
características pedagógicas e os objetivos da instituição, que pode ser como
complemento da presencial, semipresencial, combinada ou totalmente online.
Ou seja, deve levar em consideração a mistura de meios e interação de
tecnologia e sistema de avaliação (INED, 2003).
O projeto pedagógico deve conter: curso, modalidade, natureza,
instituição,
carga
horaria,
duração,
eixos
estruturantes,
justificativas,
habilidades e competências, exigências curriculares, pressupostos teóricometodológicos (matriz curricular, dimensão legal), processos de mediação,
processo avaliativo, sistema tutorial, mecanismos de nivelamento, estágio,
gestão acadêmica e administrativa, equipe de professores do projeto, equipe
de colaboradores, infraestrutura, orçamentos (investimento e custeio) e
certificação.
4.3. Infraestrutura e Tecnologia
Um dos aspectos mais importantes refere-se às variáveis das TICs
existentes e à infra estrutura de um parque tecnológico para atender a
demanda dos usuários. Para isso, as estratégias de implantação devem
considerar o ambiente adequado para execução das atividades presenciais,
gravação das vídeoaulas a criar um departamento que incremente o uso de
Tecnologias de Informação e Comunicação Educacionais, voltadas a escolha
de equipamentos, ferramentas e aplicativos inovadores, práticos, adaptáveis
e flexíveis destinadas a EAD. O investimento pode ser maior ou menor (ex.
conexão de alta velocidade e desempenho, com redes digitais e serviços
integrados e/ou para vídeo conferencia num só sentido ou nos dois sentidos)
entre outras variáveis.
4.4.. Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA
A EAD necessita de um ambiente virtual para disponibilizar os recursos
didático-pedagógicos.
Assim
o
aluno
utiliza
esse
espaço
para
sua
autoaprendizagem. São softwares que auxiliam na criação de cursos
acessíveis através da internet. Sua função é dar suporte aos profissionais da
educação, administrando e gerenciando conteúdos do curso, permitindo
acompanhar o progresso dos estudantes (MOODLE, 2012).
É por meio desta plataforma que a comunicação entre aluno-professor
e professor-aluno acontece de forma síncrona ou assíncrona. Neste ambiente
se encontram as ferramentas tecnológicas para as atividades pedagógicas e
outros recursos para a aprendizagem do aluno. A plataforma ganhou
importância com o desenvolvimento das TICs e seu efeito positivo na
educação e no processo de aprendizagem, por ser uma "mídia de
comunicação" que envolve a composição de diversos meios: textos (lineares)
e hipertextos (vários links com textos ou textos com vários links), fóruns,
chats, vídeos, áudio, multimídia (diversos meios simultaneamente), hipermídia
(associação
entre
hipertexto
e
multimídia),
animação,
e-mail,
videoconferência, teleconferência e também através de Documentos híbridos
de texto/gráficos, Imagens a cores, estáticas e animadas ou vídeo, modelos
3-D, interação e simulação etc. Neste sentido, a educação a distância utilizase gratuitamente de ferramentas, aplicativos e outros meios de comunicação
e compartilhamento do conhecimento.
4.5. Material Didático Pedagógico – Impresso/Virtual
A EAD tem suas raízes no material impresso e, mesmo com alternativas
tecnológicas atraentes, ainda exerce um importante papel nessa modalidade
de ensino. Apesar das vantagens, devemos considerar suas limitações, como
as redações, atratividade e compreensão. Uma pesquisa sobre letramento
realizada
por
pesquisadores
da
ONG
Ação
Educativa
(http://www.cedes.unicamp.br) com uma amostra de 405 pessoas com nível
médio completo ou mais, identificou que 35% dos pesquisados conseguem
localizar informações explicitas em textos curtos e alguns em textos médios.
Nesse contexto, desenvolver textos longos e complexos dificultará a
aprendizagem. Assim, conciliar qualidade de conteúdo com qualidade
instrucional é uma competência difícil de encontrar no meio acadêmico
(PETERS, 2002).
Neste sentido, o material didático tem a função de repassar
informações,
desenvolver
habilidades,
exemplificar
aplicações
do
conhecimento, prover conexões com outros meios, apresentar reflexões para
autoavaliação e manual de consulta permanente. Portanto, formar uma
equipe dinâmica, criativa, democrática, competente e habilidosa e com
capacidade de interagir em grupo é um grande desafio. Ou seja, é
fundamental a parceria entre os diversos setores: professores de conteúdo,
desenhistas
instrucionais,
web-designers,
ilustradores,
roteirista,
programadores, analistas, entre outros profissionais que fazem as correções,
análise e avaliação até o envio para a produção gráfica.
Outro fator de importância na construção do material impresso é sobre
o respeito aos direitos autorais, que não finaliza com a autorização. Envolve
vários departamentos relacionados à integração de recursos humanos,
sistemas, procedimentos, biblioteca, jurídico, edição e gráfica, tecnologia e
informações. O copyright é o direito que um autor tem de controlar a
utilização da sua obra. Porém, depois de expirado os direitos de autor, a obra
passa a ser “domínio público”, e pode ser utilizada livremente, desde que
respeitada a citação, conforme determina a Norma Brasileira de Redação –
NBR; contudo, a Propriedade intelectual(PI) encontra-se protegida pela
legislação nacional para marcas e patentes (INED, 2003).
4.6. Setor de Recrutamento e Capacitação
Para a implantação da EAD, as estratégias desenvolvidas no presencial
têm enor valor. Os paradigmas enfrentados, problemas e delimitações do
sistema são exponencialmente maiores. As competências e habilidades
exigidas no EAD são bastante diferenciadas para o professor da modalidade
presencial. O recrutamento e a capacitação de profissionais denominados
como
tutores,
coordenadores,
professores,
design
facilitadores,
instrucional,
mediadores,
gestores,
supervisores
editores,
autores
e
e
elaboradores de textos, analistas, especialistas, palestrantes, conferencista,
projetistas, diretores de cursos, redatores e colaboradores em geral, devem
ser vistos com grande desafio para a IES.
4.7. Elementos de Custos
Não se encontra literatura que aponte dados financeiros para a
implantação de cursos a distância nas IES. Quando falamos de custos ou
gastos, muitas vezes confundimos com despesas ou investimento. A
contabilidade considera que os custos e as despesas são inseridos no
conceito de gastos, que é o dispêndio financeiro para realização dos serviços.
Ou seja, gastos é a soma de todos os sacrifícios para aquisição de um bem
ou serviço. Já os custos são os sacrifícios financeiros com as quais as IES
têm de arcar para atingir seus objetivos. As despesas são os gastos para
realização dos serviços, ou seja, não fazem parte do processo da entrega de
valor.
Martins
(1998)
considera
os
custos
das
IES
como
“serviços
constituídos de atividades”, ou seja, um custo baseado em atividades. Neste
sentido, devido às dificuldades encontradas em levantar os custos, despesas
e gastos dessas atividades, o autor cita que a melhor forma de identificar o
custo de uma atividade educacional no EAD é compará-la à presencial,
avaliando parte dos elementos de custos, através da metodologia ActivityBasedCosting – ABC, possibilitando maior flexibilidade em sua alocação.
Os maiores custos estão relacionados com a implantação e operação
das IES. Contudo, uma das variáveis que mais ameaça os custos é a rápida
mudança que ocorre na tecnologia. O acesso a novas tecnologias são
extremamente altas. As IES precisam manter atualizados seus recursos
tecnológicos, neste sentido, existe um custo periódico nesse método.
Outra forma de calcular é pelo custo de absorção. Caracteriza-se pela
apropriação de todos os custos (diretos, indiretos, fixos e variáveis) aos
produtos ou serviços de acordo com critérios de rateios definidos pela
instituição. Ou seja, todos os custos são incluídos e rateados pela receita dos
serviços prestados. Assim, os custos são afetados pelo volume produzido.
Carr (2001 apud LISONI e LOYOLLA, 2001) cita alguns indicadores de
custos que as universidades americanas utilizam para sua sustentabilidade da
EAD. As análises de seus elementos de custos são: mensalidades; demanda
de mercado e crescimento; custo aluno; suporte técnico; tecnologia;
pagamentos extras a docentes e a relação da economia ocorrida com a
eficiência da infraestrutura; Análise de custos fixos (equipamentos) e
variáveis (professores) e a relação de equilíbrio com o presencial. Neste
sentido, a necessidade de definir os elementos de custos e distinguir os
investimentos de implantação e os custos de operação são essenciais para
obter um perfil real dos gastos de cada fase.
Ouro fator preponderante é sobre as características demográficas que
a IES atenderá. Fatores socioculturais, econômicos, educacional e tecnológico
podem ser limitadores do processo democrático de aprendizagem.
4.8. Custos de Implantação
Primeiramente, é bom salientar que a EAD é aparentemente um
método de baixo custo. Contudo, os custos de implantação são bem
superiores a presencial. Porém, a reutilização de vários processos é
economicamente viável para a instituição. Quando a IES implanta um curso, o
custo é considerado investimento, pois se torna em ativo da Instituição.
Lisoni e Loyolla (2001) citam que os elementos de custos existem tanto para
o presencial como para EAD, contudo, as variáveis são diferentes.
·
Instalações: A compra de terreno e construção de edifícios, ou
aquisição de prédios prontos podem ser bons investimentos de longo
prazo e diluídos m vários anos de uso. Porém, devem ser analisadas as
instalações, adaptação e restauro, assim como outras possibilidades
como, aluguel; parcerias e fusões podem minimizar os custos iniciais
(INED, 2003).
·
Equipamento e mobiliário: podem ser comprados e diluídos conforme o
tempo de usabilidade e sua depreciação variam de 3 a 10 anos.
·
Aquisição
de
hardwares:
os
custos
devem
ser
separados
(administrativo e acadêmico) e estão relacionados com a capacidade
de processamento de cada tipo e modelo;
·
Aquisição dos softwares: estão relacionados ao número de licenças;
·
Construção de rede de computadores: envolvem custos relacionados
ao
projeto,
equipamentos;
Implantação
da
rede
e
meios
de
Comunicação. Apesar da necessidade de uma estrutura mais robusta
para EAD, por ser centrado, seu investimento é menor (INED, 2003);
·
Construção da Web Site: os gastos estão relacionados aos elementos e
ou atividades que envolvem sua construção (terceirização, salários,
encargos e taxas de manutenção), como a configuração e Instalação de
software no servidor; Construção do Portal e página;
·
Escolha e registro do nome do domínio: na AD existe um grande
número de acessos simultâneos, necessitando de equipamentos mais
robustos, aumentando seu custo em relação ao presencial.
Material didático: algumas IES estão diluindo em até 10 anos seus
custos, mas, diante de tantas revoluções tecnológicas e mudanças de
mercado, fica difícil mensurar quando ficarão inservíveis. Os custos de
construção dos textos e hipertextos envolvem autores do material didático
(professores) com textos dialógicos e de qualidade. A elaboração do material
didático para uma disciplina de 80 horas chega ter 400 páginas de conteúdo.
O material passa por um profissional de web designers e técnicos que fazem
a correção e animação quando necessário. Esses profissionais são os maiores
responsáveis pela criação e desenvolvimento de ambientes de aprendizagem
eficazes (INED, 2003).
4.9. Custos operacionais
Os custos operacionais referem-se ao dinheiro que a IES desembolsa
para o desenvolvimento e manutenção de suas atividades. Ou seja, são as
despesas relacionadas para exercer seu trabalho. Esses custos podem dividirse em administrativos, financeiros, custos não recuperáveis e despesas
gerais. Também são considerados como custos indiretos relacionados ao
funcionamento do negocio. Lisoni e Loyolla (2001) consideram elementos de
custos:
·
Gestão do Patrimônio: Envolve os custos de Manutenção (limpeza,
consertos etc.); Custos de uso das Instalações (IPTU, água e luz);
Custos de Comunicação (telefone, celular, correio e Internet); Custos
de Depreciação (imóveis 4% ao ano, móveis e utensílios 10% e
equipamentos 20% ao ano do valor do bem) e Custos de Segurança
(salário e encargos da vigilância).
·
Manutenção do negócio: Bens consumíveis, uso contínuo e periódico.
Ex. materiais escritório, impressos, correio, honorários, alugueis, gastos
sociais, impostos, taxas, convênios, recolhimentos entre outros que
podem ser fixos e variáveis.
·
Custos de Implementação: Para manter e criar novos cursos e
continuar crescendo no mercado as ES precisam contratar gestores
(diretores) de cursos para elaborarem novas propostas de projetos
pedagógicos. Esse elemento representa uma das maiores cargas
horárias na manutenção e elaboração de projetos pedagógicos na IES
(CARR, 2001).
·
Custo de pessoal: pró-labore, salários, encargos, indenizações, acordos,
acertos, rescisões. Os maiores custos estão na tutoria, instrução e
serviços de apoio ao aluno. Já no administrativo o custo esta diluído
nos
departamentos
envolvidos
(Secretaria,
DP/RH,
Compras,
Contabilidade e Finanças, Almoxarifado etc.).
·
Treinamento: Capacitação de professores e demais colaboradores. Esse
é um fator essencial no processo. O treinamento de uso da plataforma,
TICs e outros ferramentais e aplicativos pedagógicos do AVA e o uso
de novas tecnologias é fundamental para o sucesso da EAD. Essas
ferramentas podem ser divididas em essenciais, que normalmente são
de baixo custo e as diferenciadas oferecidas pelas instituições, que
buscam
as
inovações
tecnológicas
como
atratividade
no
relacionamento com o usuário.
·
Marketing: Relacionados com os tipos de veículos de comunicação
(Jornal, TV, rádio, outdoor, panfletos e divulgação em geral);
·
Gastos tecnológicos: Implementação e atualização de softwares,
hardwares,
equipamentos,
mobília,
pequenos
alterações
na
infraestrutura etc.
A escolha da tecnologia utilizada na implantação e implementação de
cursos a distância, dependerá muito da estratégia estabelecida no projeto
para a aquisição, manutenção, reparação e substituição dos equipamentos
proposto no processo e como a instituição quer ser conhecida no mercado.
Alguns fatores que devem ser considerados: Requisitos educacionais, custos
de telecomunicação, banda larga de acesso à internet, sistema de segurança,
software, compatibilidade etc.
4.10. Resultados obtidos
A modalidade EAD é considerada mais rentável do que a educação
presencial tradicional, pois os custos são diluídos pelo maior numero de
estudantes (INED, 2003).
Tabela 1 - Custos da infraestrutura de Implantação
Valor
%
Mensal
600,00
16,67%
Aluguel
200,00
5,55%
Mobiliário
400,00
11,12%
Equipamentos
1.000,00
27,78%
Hardware
200,00
5,55%
Software
200,00
5,55%
Redes
1.000,00
27,78%
Outros
Total
3.600,00
100%
Valores diluídos: Custo de R$ 3.600,00 mês / 30 disciplinas = R$ 120,00
Dados da pesquisa
Descriminação
·
·
·
·
·
·
·
Fonte:
A equipe de desenvolvimento tem a função de forma intencional e
sistemática. Envolve planejamento, desenvolvimento, utilização de métodos,
meios e recursos, técnicas, atividades, material, assim como nos eventos e
serviços educacionais prestados para a aprendizagem dos alunos. Essa parte
do processo é a de maior custo e prioridade no processo de implantação,
pois ajuda no estabelecimento de objetivos futuros nos meios e recursos
para cumpri-los. Porém, devemos considerar que esses custos serão diluídos
em cinco anos (60 meses).
Tabela 2: Custos de Implantação da equipe de Desenvolvimento Instrucional
Carga
Valor
Custo
Descriminação
Horária
Hora
Total
%
3.200,00
40
80,00
1.200,00
20
60,00
1.200,00
20
60,00
32.000,00
400
80,00
3.200,00
40
80,00
10.000,00
200
50,00
12.000,00
200
60,00
2.400,00
40
60,00
4.800,00
80
60,00
8.000,00
160
50,00
1200
78.000,00
Valores diluídos: (78.000,00 / 60 meses = R$ 1.300,00 por mês)
Fonte: Dados da pesquisa
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
Projeto idealização
PPP
Planejamento
Material didático
Produção videoaulas
Trabalho revisão
Diagramação e Ilustração
Analista e conferencista
Gráfica/edição
Outros
4,10%
1,54%
1,54%
41,02%
4,10%
12,82%
15,38%
3.08%
6,16%
10,26%
100%
A escola é um organismo vivo. Cada um é responsável por uma parte
do processo e cada parte precisa buscar a eficiência e eficácia em suas
ações. Professores, diretores e demais colaboradores fazem parte da
engrenagem que impulsiona o processo educacional, dando suporte e apoio
necessário para a aprendizagem.
Tabela 3: Custos de Manutenção da equipe de trabalho
Carga
Valor
Descriminação
horária
hora
1
150,00
· Diretores
2
60,00
· Coordenadores
2
60,00
· Gestores/supervisores
40
80,00
· Professores
40
40,00
· Tutores de apoio
5
50,00
· Equipe administrativa
1
200,00
· Palestrantes/Conferencista
5
40,00
· Colaboradores de apoio
4
40,00
· Outros
100
Valores diluídos: Custo de R$ 6.000,00 por disciplina/mês
Fonte: Dados da pesquisa
Custo total
150,00
120,00
120,00
3.200,00
1.600,00
250,00
200,00
200,00
160,00
6.000,00
%
2,50%
2,00%
2,00%
53,33%
26,67%
4,17%
3,33%
3,33%
2,67%
100%
As Instituições educacionais precisam periodicamente dispender de
sacrifícios financeiros para manter o negócio. O foco da instituição deve ser o
aluno, para isso, deve atender suas necessidades, atualizando softwares,
adquirindo novas ferramentas e substituindo as ultrapassadas. A manutenção
das instalações, tecnologias e equipamentos é essencial para o sucesso da
aprendizagem.
Tabela 4: Custos de Manutenção – Operacional
Descriminação
· Atualização de software
· Atualização de equipamentos
· Troca de maquinas
Valor mensal
10,00
10,00
25,00
%
8,33%
8,33%
20,83%
10,00
5,00
20,00
5,00
20,00
15,00
120,00
Valores diluídos: Custo de R$ 120,00 por disciplina/mês
Fonte: Dados da pesquisa
·
·
·
·
·
·
Novas tecnologias
Manutenção de redes
Propaganda
Treinamento
Impostos/Taxas etc.
Outros
8,33%
4,17%
16,67%
4,17%
16,67%
12,50%
100%
Os gastos de implantação e manutenção de cursos na modalidade a
distância oferecidos pelas IES poderão ter variações de acordo com a
tecnologia utilizada e/ou tempo de atualização dos softwares, hardware e o
sistema de mobilidade e comunicação.
Tabela 5: Soma dos resultados da pesquisa por cada disciplina de 80 horas
Tabela
Custos/Despesas/Gastos
1
Valor
Mensal
120,00
1.300,00
%
Custos: Infraestrutura de Implantação
1,59%
Custos
Implantação:
Equipe
Desenvolvimento
17,25%
Instrucional
3
Custos manutenção: Equipe de trabalho
6.000,00
79,57%
4
Custos Manutenção: Operacional
120,00
1,59%
Total
7.540,00
100%
Valor mensal: 7.540,00 x 30 disciplina = R$ 226.200,00
Valores diluídos: Custo por curso R$ 226.200,00 / 420 alunos = R$ 53,85/mês
Valores mensais de custo por aluno: Custo por disciplina/mês R$ 53,85 x 3
disciplina de 80 horas/semana = R$ 161,55/mês/aluno
Fonte: Dados da pesquisa
2
De acordo com os dados da pesquisa, 80% dos custos de um aluno
estão voltados para a equipe de trabalho. Em segundo lugar, com mais de
17% está a equipe de desenvolvimento instrucional que, apesar de alto custo
inicial, seus valores são diluídos por cinco anos, tornando o investimento
viável. Os custos de infraestrutura de implantação e manutenção das
operações do negócio são menores.
Para ter uma base comparativa da análise dos custos, foram utilizados
os dados citados por Carr (2001) e o modelo de medição ocorrido na
Universityof Maryland (2001). Os dados foram atualizados proporcionalmente
em cada elemento de custo e despesas no período da oferta dos cursos em
que a pesquisa foi desenvolvida (período entre 2000 a 2001).
Para a elaboração dos dados desta pesquisa, foi utilizado o percentual
citado por Carr (2001), que serviu como referência de cálculo. Porém, os
dados remetem aos gastos diretos e indiretos, sem levar em consideração o
número de alunos, infraestrutura física e tecnológica etc. Contudo, serve
como comparativo para nossa pesquisa.
Tabela 6 – Tabela de custos comparativos – Modalidade EAD
Dados da
Pesquisa*
Pesquisa
Comparativa
1
Custos: Infraestrutura de Implantação
1,59
Não consta
2
Custos Implantação: Equipe Des. Instrucional.
17,25
13,38%
3
Custos manutenção: Equipe de trabalho
79,57
80,09%
4
Custos Manutenção: Operacional
1,59
6,53%
Total
100%
100%
*Universityof Maryland (2001): Os dados citados em 2001 atualizados pelo INPC em 2012
como valor de referencia R$ 1.094,643,00, distribuídos em tabelas comparativas
conforme custos levantados. Porém, fica difícil mensurar seus valores com exatidão, pelas
limitações dos dados.
Fonte: Dados da pesquisa
Tab.
Custos/Despesas/Gastos
A tabela, se comparada com a pesquisa realizada em 2001, demonstra
que os custos iniciais de implantação são altos e significativos, porém,
quando diluído pelo período utilizado deixa de ser muito expressivo.
5. CONCLUSÃO
A proposta dessa pesquisa foi demonstrar uma análise dos custos de
implantação de um curso a distância em uma Instituição de Ensino Superior IES. Considerando a evolução tecnológica envolvida e os recursos necessários
para a exploração dos serviços. Também foi demonstrado um quadro
comparativo de um estudo feito na University of Maryland (2001) e
adaptados seus resultados aos dias atuais. Constatou-se que os custos
iniciais de implantação são representativos, porém esses valores são diluídos
no decorrer dos anos. Ou seja, uma vez feito o investimento, os valores
posteriores deixam de ser tão expressivos, principalmente pela possibilidade
de aumentar exponencialmente a oferta de vagas, obtendo maior quantidade
de alunos, reduzindo os custos operacionais e disseminando o conhecimento
de forma mais democrática.
O
curso
EAD
consegue
trabalhar
e
desenvolver
habilidades
e
competências para indivíduos de diferentes culturas, valores e religiões
diferentes.
A
infusão
cultural
proporciona
um
posicionamento
mais
globalizado da IES, atendendo um maior número de pessoas de diferentes
classes sociais, econômica e culturais. Assim, de forma quantitativa a EAD
consegue atingir maior democracia educacional, seja na formal, não formal e
na formação do individuo. Ou seja, o EAD proporciona acesso à educação,
suprindo as necessidades de comunidades estudantis remotas, sem alterar
sua forma de vida pessoal e profissional.
A distância deixa de ser um empecilho à aprendizagem, já que o acesso
ao material didático e a atratividade das ferramentas tecnológicas estimulam
a pesquisa e a autoaprendizagem, sempre com o apoio de profissionais que
são oferecidos aos estudantes.
Apesar da pesquisa não apresentar um quadro comparativo com os
custos na modalidade presencial, pesquisadores são unânimes em dizer que a
educação a distância pode ter um custo mais baixo por estudante do que os
métodos tradicionais, contudo, há probabilidade maior de desistências no
decorrer do curso.
Os dados demonstram uma economia de escala pela modalidade EAD,
principalmente no processo inicial de expansão. Neste sentido, o rateio dos
custos mensais por aluno foi de R$ 161,55 (cento e sessenta e um reais e
cinquenta e cinco centavos), cursando três disciplinas de 80 horas. Diante
dos dados apresentados, aumenta o interesse das instituições educacionais
nessa
modalidade
de
ensino,
seja
como
complemento
da
educação
presencial, onde a IES pode trabalhar com 20% a distância (MEC), ou para
gerar competitividade junto às tradicionais ou simplesmente como alternativa
de negócios. Contudo, a pesquisa não teve a intenção de comparar os custos
com o presencial, assim não confirma se a modalidade EAD é mais rentável
do que a presencial, conforme citado pelo INED.
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