1 UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul DACEC – Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação Curso de Administração ANÁLISE E REESTRUTURAÇÃO DE UMA PEQUENA PROPRIEDADE RURAL FAMILIAR Trabalho de Conclusão de Curso ALISON FERNANDO GERHARDT Orientador: Prof. Remi Antônio Dama IJUÍ, RS - 1º semestre de 2012. 2 AGRADECIMENTOS Aos meus pais, Clóvis Antônio Gerhardt e Mirna Gerhardt, que sempre estiveram ao meu lado, dando incentivo para seguir adiante. À minha namorada Queli, pela paciência e compreensão, sempre me ajudando a superar as dificuldades. E especialmente a DEUS, pela vida e saúde. 3 SUMÁRIO RESUMO................................................................................................................................... 5 LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS ..................................................................................... 6 LISTA DE QUADROS............................................................................................................. 7 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 9 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO ....................................................................... 10 1.1 Apresentação do Tema ................................................................................................. 10 1.2 Problema ou Questão de Estudo ................................................................................... 10 1.3 Objetivos....................................................................................................................... 11 1.3.1 Objetivo Geral ..................................................................................................... 11 1.3.2 Objetivos Específicos .......................................................................................... 11 1.4 Justificativa ................................................................................................................... 11 2 REFERENCIAIS TEÓRICOS ........................................................................................ 13 2.1 Agricultura .................................................................................................................... 13 2.1.1 Operações Agrícolas ........................................................................................... 14 2.1.2 Ciclo das Culturas ............................................................................................... 15 2.1.3 Dependência do Clima ........................................................................................ 15 2.1.4 Riscos .................................................................................................................. 16 2.2 Agricultura Familiar ..................................................................................................... 16 2.3 Conceitos Básicos de Pecuária ..................................................................................... 17 2.3.1 Pecuária Leiteira .................................................................................................. 18 2.3.2 Características do Gado Leiteiro ......................................................................... 19 2.4 Caracterização da Empresa Rural ................................................................................. 20 2.4.1 Administração Rural ........................................................................................... 21 2.5 Planejamento ................................................................................................................ 22 2.5.1 Tipos de Planejamento ........................................................................................ 22 2.5.1.1 Planejamento Estratégico ........................................................................... 23 2.5.1.2 Planejamento Tático ................................................................................... 23 2.5.1.3 Planejamento Operacional .......................................................................... 24 2.6 Projeto........................................................................................................................... 24 2.6.1 Tipos de Projetos ................................................................................................. 25 2.6.2 Estrutura de Projetos Agropecuários ................................................................... 25 2.6.2.1 Mercado ...................................................................................................... 25 2.6.2.2 Engenharia .................................................................................................. 26 2.6.2.3 Tamanho ..................................................................................................... 26 2.6.2.4 Localização ................................................................................................. 27 2.6.2.5 Investimento ............................................................................................... 27 2.6.2.6 Financiamento ............................................................................................ 28 2.6.2.7 Custos e Receitas ........................................................................................ 28 2.6.2.8 Demonstração de Resultado – DRE ........................................................... 30 4 2.6.2.9 Depreciação ................................................................................................ 31 3 METODOLOGIA............................................................................................................. 33 3.1 Classificação da Pesquisa ............................................................................................. 33 3.2 Universo Amostral e Sujeitos da Pesquisa ................................................................... 35 3.3 Coleta de Dados ............................................................................................................ 35 3.4 Análise e Interpretação de Dados ................................................................................. 35 4 ANÁLISE DA PROPRIEDADE RURAL ...................................................................... 37 4.1 Caracterização da Propriedade ..................................................................................... 37 4.2 Análise Técnica da Propriedade ................................................................................... 37 4.2.1 Instalações da Propriedade .................................................................................. 38 4.2.2 Máquinas e Equipamentos da Propriedade ......................................................... 39 4.2.3 Composição do Rebanho ..................................................................................... 40 4.3 Análise Econômica da Propriedade Rural .................................................................... 41 4.3.1 Receita Bruta das Atividades Agrícolas .............................................................. 41 4.3.2 Atividade de Subsistência ................................................................................... 43 4.4 Custos das Atividades desenvolvidas na Propriedade .................................................. 44 4.4.1 Soja ...................................................................................................................... 44 4.4.2 Trigo .................................................................................................................... 45 4.4.3 Aveia Branca ....................................................................................................... 46 4.4.4 Subsistência ......................................................................................................... 46 4.5 Custos com o Rebanho Leiteiro.................................................................................... 47 4.5.1 Milho Silagem ..................................................................................................... 49 4.5.2 Pastagem de Verão .............................................................................................. 50 4.5.3 Grama Tifton ....................................................................................................... 51 4.5.4 Pastagem de Inverno ........................................................................................... 51 4.6 Gastos Gerais da Propriedade ....................................................................................... 52 4.7 Outros Gastos ............................................................................................................... 53 4.8 Depreciação .................................................................................................................. 55 4.8.1 Depreciação das Instalações ................................................................................ 55 4.8.2 Depreciação das Máquinas e Equipamentos ....................................................... 56 4.9 Resultado Econômico do Sistema de Produção ........................................................... 57 5 PROJETO PARA A PROPRIEDADE RURAL ............................................................ 59 5.1 Análise de Mercado ...................................................................................................... 59 5.2 Tamanho e Engenharia ................................................................................................. 60 5.3 Localização ................................................................................................................... 62 5.4 Investimentos e Financiamento .................................................................................... 63 5.5 Custos ........................................................................................................................... 65 5.6 Receitas ......................................................................................................................... 68 5.7 Resultado da Propriedade com o incremento da Produção de Leite ............................ 70 CONCLUSÃO......................................................................................................................... 75 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 77 5 RESUMO Esta pesquisa consiste na análise e diagnóstico de uma pequena propriedade rural familiar, a qual está localizada no interior do município de Augusto Pestana – RS, tendo como proprietário o Senhor Clóvis Antônio Gerhardt. O estudo tem por objetivo analisar como se desenvolvem as atividades na propriedade, quais os custos e resultados econômicos de cada atividade realizada durante o período analisado, mostrando também como o gerenciamento e planejamento das atividades agrícolas na propriedade rural podem aumentar sua rentabilidade. A pesquisa contempla importantes conceitos sobre Agricultura, Agricultura Familiar, Pecuária, Empresa Rural, Planejamento e Projetos. Referente à metodologia, este estudo classificou-se como pesquisa de natureza aplicada, quanto à abordagem, quantitativa e qualitativa, do ponto de vista dos objetivos como exploratória, e quanto aos procedimentos técnicos como pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo, documental e estudo de caso. A coleta de dados ocorreu através de visitas realizadas durante o mês de março/2012 diretamente com o proprietário, e também com as empresas que o proprietário costuma realizar seus negócios no intuito de verificar os preços de produtos. A partir destas informações foi possível definir o resultado econômico da propriedade no período analisado tendo como renda agrícola o valor de R$ 102.718,42, sendo que com a reestruturação e um melhor planejamento da atividade leiteira é possível aumentar aproximadamente 90% da renda agrícola da propriedade para os próximos anos. Portanto através da realização deste estudo foi possível verificar que a propriedade encontra-se com uma boa estrutura, e que com a combinação de um melhor planejamento e controle das atividades poderá aumentar sua renda a cada ano. Palavras Chaves: agricultura. planejamento. projeto. reestruturação. resultado. 6 LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS Figura 1: Estrutura de um projeto agropecuário ....................................................................... 25 Figura 2: Foto das instalações da propriedade ......................................................................... 39 Figura 3: Foto de parte do rebanho da propriedade .................................................................. 41 Figura 4: Fluxograma do processo da produção leiteira........................................................... 48 Figura 5: Foto do local de armazenagem do milho/silagem ..................................................... 49 Figura 6: Foto dos novos equipamentos para a propriedade .................................................... 64 Gráfico 1: Composição do rebanho .......................................................................................... 40 Gráfico 2: Percentual da receita bruta das atividades comercializadas .................................... 42 Gráfico 3: Receita bruta, custos e renda agrícola por atividade destinada a comercialização . 54 Gráfico 4: Área de soja e leite para os próximos anos ............................................................. 62 Gráfico 5: Receita bruta, custos e renda agrícola da atividade leiteira .................................... 69 Gráfico 6: Comparativo entre renda agrícola com o novo projeto ........................................... 73 7 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Duração média de máquinas e equipamentos .......................................................... 31 Quadro 2: Áreas de ocupação da propriedade .......................................................................... 38 Quadro 3: Instalações da propriedade ...................................................................................... 39 Quadro 4: Máquinas e equipamentos da propriedade .............................................................. 40 Quadro 5: Receita bruta das atividades comercializadas pela propriedade .............................. 41 Quadro 6: Receita bruta das atividades para a subsistência ..................................................... 43 Quadro 7: Receita bruta total da propriedade ........................................................................... 43 Quadro 8: Custos para o cultivo da soja ................................................................................... 45 Quadro 9: Custos para o cultivo do trigo .................................................................................. 45 Quadro 10: Custos para o cultivo da aveia branca ................................................................... 46 Quadro 11: Custos com a atividade de subsistência ................................................................. 47 Quadro 12: Custos com o rebanho leiteiro ............................................................................... 48 Quadro 13: Custos para o cultivo do milho/silagem ................................................................ 50 Quadro 14: Custos para o cultivo da pastagem de verão .......................................................... 50 Quadro 15: Custos com a grama tifton ..................................................................................... 51 Quadro 16: Custos para o cultivo da pastagem de inverno ...................................................... 52 Quadro 17: Gastos gerais .......................................................................................................... 52 Quadro 18: Valor total dos custos das atividades da propriedade ............................................ 53 Quadro 19: Impostos e financiamentos .................................................................................... 53 Quadro 20: Valor do metro quadrado e durabilidade das instalações ...................................... 55 Quadro 21: Depreciação das instalações .................................................................................. 56 Quadro 22: Depreciação das máquinas e equipamentos .......................................................... 56 Quadro 23: Total das depreciações ........................................................................................... 57 Quadro 24: Síntese dos resultados econômicos ........................................................................ 57 Quadro 25: Preço do litro de leite ............................................................................................. 60 Quadro 26: Investimentos para a propriedade .......................................................................... 63 Quadro 27: Financiamento para o projeto ................................................................................ 64 Quadro 28: Custos com o rebanho leiteiro em 2012 ................................................................ 65 8 Quadro 29: Custos com o rebanho leiteiro em 2013 ................................................................ 66 Quadro 30: Custos com o rebanho leiteiro em 2014 ................................................................ 67 Quadro 31: Síntese dos custos para os próximos anos com o rebanho leiteiro ........................ 67 Quadro 32: Receita bruta do leite para os próximos anos ........................................................ 68 Quadro 33: Comparativo entre renda do leite e pagamento do financiamento ........................ 69 Quadro 34: Receita bruta das atividades com o novo projeto para 2012 ................................. 70 Quadro 35: Síntese dos resultados econômicos para 2012 ....................................................... 71 Quadro 36: Receita bruta das atividades com o novo projeto para 2013 ................................. 71 Quadro 37: Síntese dos resultados econômicos para 2013 ....................................................... 72 Quadro 38: Receita bruta das atividades com o novo projeto para 2014 ................................. 72 Quadro 39: Síntese dos resultados econômicos para 2014 ....................................................... 73 9 INTRODUÇÃO Os princípios básicos da administração que são aplicados à indústria e ao comércio são também válidos em termos gerais para a agricultura. Entretanto, deve-se ressaltar que essa tem determinadas características que a diferenciam dos demais segmentos. Muitos dos fatores de produção, como a terra, por exemplo, que, para a indústria, representa tão somente a base para a instalação do imóvel, para a agricultura, é considerado o principal meio de produção. A agricultura tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento do país, por meio de aspectos como geração de renda e emprego, desenvolvimento agrícola, alto grau de mecanização, alta rentabilidade e obtenção de resultados. Porém o cenário atual da economia brasileira requer da propriedade rural um maior controle e uma atenção especial por parte do empresário rural, sendo que o controle e planejamento das atividades da propriedade são fundamentais no gerenciamento da mesma. Em meio a um ambiente com tantas incertezas, variáveis, como por exemplo, o clima, que condiciona todas as atividades produtivas, implicando riscos para a agricultura, e um mercado cada vez mais competitivo, é indispensável que o produtor rural planeje suas atividades, apure os custos de seus produtos, podendo assim optar por melhores decisões. Com vistas a estes fatores o presente estudo foi realizado em uma propriedade rural, tendo como objetivos analisar e diagnosticar a situação da mesma, propondo alternativas de melhoria, buscando assim uma maior rentabilidade para a propriedade. Este trabalho de conclusão de curso apresenta no primeiro capítulo a contextualização do estudo, que contempla a apresentação do tema, problema ou questão de estudo, os objetivos, geral e específicos, e a justificativa. No segundo capítulo está inserido o referencial teórico, que busca na literatura a ênfase na dinâmica escolhida, contemplando os temas: Agricultura, Agricultura Familiar, Pecuária, Empresa Rural, Planejamento e Projetos. No terceiro capítulo evidenciam-se os aspectos metodológicos utilizados, trazendo a classificação da pesquisa, universo amostral e sujeitos da pesquisa, coleta de dados, e análise e interpretação dos dados. Já no quarto capítulo encontra-se a aplicação do estudo, no qual foram coletados e analisados os dados sobre a propriedade, o quinto capítulo apresenta uma estrutura de projeto com sugestões de melhorias na atividade leiteira visando aumentar a renda da propriedade, e por fim a conclusão e as bibliografias consultadas ao longo do estudo. 10 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO A contextualização do estudo tem como propósito apresentar os elementos envolvidos na pesquisa, que compreendem na apresentação do tema, problema ou questão de estudo, a definição dos objetivos gerais e específicos, e a justificativa. 1.1 Apresentação do Tema A atividade agrícola assim como qualquer outra atividade, necessita de mecanismos gerenciais, que lhe deem suporte no controle de suas atividades, acompanhando o seu desempenho para se manter competitiva e com sustentabilidade. As dificuldades que o produtor rural tem frente as suas decisões são muitas, e torna-se muito mais difícil tomar decisões corretas, se o mesmo não tiver um controle dos seus custos, despesas, receitas, entre outros dados relevantes. Partindo desta conjuntura, este trabalho tem como tema a análise e diagnóstico de uma pequena propriedade rural, visando um melhor planejamento das suas atividades, aumentando assim a sua rentabilidade. A partir de um melhor controle e planejamento das atividades agrícolas, é possível apurar com maior clareza a situação da propriedade, identificando possíveis gargalos na produção, obtendo maiores informações, auxiliando assim o proprietário a escolher a melhor decisão. 1.2 Problema ou Questão de Estudo O segmento rural hoje é um dos mais importantes na economia brasileira, sendo responsável pela exploração das terras, cultivando alimentos para toda a população. Este segmento se encontra em constante mutação, pois a todo instante chega um tipo de semente nova juntamente com um tipo de peste e praga para a lavoura, assim também como na pecuária. Além disso, possui um ambiente mercadológico muito instável, pois os preços variam conforme a oferta do mercado. Atualmente, com a inserção de novas tecnologias agrícolas e a expansão da área cultivada, principalmente o pequeno agricultor, muitas vezes trabalha com a escassez de vários recursos. Por isso é importante que estes estejam sempre se aperfeiçoando, para obter um melhor retorno sobre o capital investido. 11 O concorrido mercado mundial através da globalização originou um novo ambiente de negócios onde a informação é a principal ferramenta. O pequeno agricultor muitas vezes, não tem conhecimento e sequer utiliza algum tipo de controle gerencial em sua propriedade e acaba perdendo mercado devido a isso. O produtor também encontra dificuldade no momento de cultivar a sua terra, devido às variações climáticas, por esses motivos possui muitas dúvidas no momento de decidir sobre o que cultivar em cada época do ano. Portanto diante da importância de se ter um gerenciamento e planejamento das atividades agrícolas, a questão central deste estudo é: Como maximizar as atividades agrícolas em uma propriedade rural familiar, buscando melhorar a sua rentabilidade? 1.3 Objetivos Com base na problematização apresentada foram definidos os objetivos do estudo. 1.3.1 Objetivo Geral Analisar e propor alternativas para a propriedade rural em estudo, a fim de melhorar sua rentabilidade. 1.3.2 Objetivos Específicos - Diagnosticar a situação atual da propriedade, técnica e economicamente; - Verificar os custos e receitas do período analisado; - Propor um projeto para a propriedade; - Propor sugestões de melhoria para a propriedade. 1.4 Justificativa Devido à globalização, a grande concorrência no mercado e a procura incessante por produtos cada vez com mais qualidade e a menores custos, é importante que o segmento rural tenha um controle assíduo sobre suas operações. Nos últimos anos, percebe-se um progresso na tecnologia empregada no campo (plantio direto, diversificação de culturas), mas a gestão das propriedades rurais deixa ainda muito a desejar. É condição da sobrevivência econômica o conhecimento dos custos de 12 produção, do planejamento e do gerenciamento da propriedade, e das técnicas de comercialização. Dentro deste novo cenário, a propriedade rural precisa ser encarada como uma empresa, onde os agricultores passam a ser empresários, visando lucros, controlando custos, planejando e gerenciando a sua atividade e, principalmente, criando novas alternativas para maximizar sua receita e racionalizar a utilização dos recursos (capital, terra e trabalho). A escolha deste tema para elaboração do estudo deu-se pelo fato do proponente identificar-se e possuir envolvimento com esta área, sendo filho de agricultores. A elaboração deste estudo é de grande valia, pois como futuro herdeiro, torna-se possível observar se é viável retornar para administrar e trabalhar na propriedade. Como acadêmico do curso de Administração, é o momento de aperfeiçoar o aprendizado adquirido no decorrer do curso, colocando em prática os conhecimentos teóricos, podendo assim ajudar a família, identificando um melhor gerenciamento da propriedade rural. Para a propriedade este estudo é de grande importância, pois proporciona um conjunto de informações relevantes, sobre o controle e gerenciamento das atividades, auxiliando assim na tomadas de decisões do proprietário, identificando com maior facilidade os gargalos, e buscando melhores maneiras de resolvê-los. Para a Unijuí, principalmente para os alunos do curso de Administração, o trabalho de conclusão de curso fica a disposição como fonte de consulta para interessados, com pretensão de contribuir para o crescimento profissional e aperfeiçoamento na área em estudo. 13 2 REFERENCIAIS TEÓRICOS Neste capítulo apresenta-se a revisão bibliográfica a fim de fundamentar o conteúdo com as teorias realizadas por outros autores, dando o embasamento necessário à realização dos objetivos já citados anteriormente. Segundo Vergara (2009, p. 29) “o referencial teórico tem por objetivo apresentar os estudos sobre o tema, ou especificamente sobre o problema, já realizada por outros autores”. 2.1 Agricultura A agricultura representa o cultivo da terra e inclui todos os trabalhos relacionados com o tratamento do solo e a plantação de vegetais com vistas à obtenção de produtos que venham a satisfazer as necessidades humanas. No atual estágio de desenvolvimento da agricultura, o custo de produção é bastante elevado. Não se obtém produção aceitável pelo mercado se não são empregados fortes doses de adubação, sementes selecionadas, e defensivos agrícolas, todos esses insumos de elevados preços. Da mesma forma, intensifica-se cada vez mais a mecanização da lavoura, o que possibilita melhoria significativa de qualidade das práticas agrícolas, mas torna necessário o desembolso de quantias vultosas para sua compra, conservação e serviço (CREPALDI, 2005, p. 23). Conforme os autores Santos, Marion e Segatti (2002, p. 23) “a agricultura é definida como a arte de cultivar a terra. Arte essa decorrente da ação do homem sobre o processo produtivo à procura da satisfação de suas necessidades básicas”. O processo produtivo por sua vez, representa o conjunto de eventos e ações por meio dos quais os fatores de produção se transformam em produtos vegetais e animais. É também um sistema de preparar a terra para plantar, tratar e colher, com finalidade de produzir alimentos para a subsistência do homem e do animal. Para Santos, Marion e Segatti (2002, p. 23) “a agricultura será tão mais próspera quanto maior for o domínio que o homem venha a ter sobre o processo de produção, que se obterá na medida do conhecimento acerca das técnicas de execução e gerência”. Assim, na situação atual de vinculação e dependência do agricultor em relação ao mercado, torna-se indispensável aos produtores rurais o conhecimento aprofundado de seu negócio, a agricultura. Para tanto, deve o produtor estar bem informado sobre as condições de mercado para os produtos agrícolas, bem como conhecer as condições dos recursos naturais 14 de seu estabelecimento rural. Pelo conhecimento do que está ocorrendo no mercado, o agricultor pode escolher melhor o tipo de atividade que deve desenvolver. Crepaldi (2005) comenta sobre os recursos naturais e seu conhecimento, que os mesmos permitem ao produtor rural saber quais culturas e criações encontram boas perspectivas de mercado e se adaptem ao clima e ao solo existentes em seu estabelecimento agropecuário. Dessas duas condições, ou seja, o mercado de produtos agrícolas e os recursos naturais, o agricultor pode tomar conhecimento consultando as Cooperativas e Sindicatos, bem como escritórios dos Serviços de Extensão Rural ou outros técnicos que atuam na área. 2.1.1 Operações Agrícolas Conforme Crepaldi (2005), o agricultor vem diminuindo o número de atividades em seu estabelecimento rural, dedicando-se apenas a uma ou duas espécies, especializando-se para melhorar a qualidade de seus produtos, visando a um mercado na qual recebe um melhor preço. Porem a exploração de mais de uma atividade agrícola constitui em um melhor aproveitamento da terra e distribuição do trabalho durante todo o ano e consequentemente está menos sujeito às eventualidades que possam vir a ocorrer nas atividades. O gerenciamento dos negócios agrícolas exige do agricultor constantes planejamentos e decisões a nível técnico, econômico e financeiro. Por isso, conforme Valle (1987, p. 87): O gerenciamento sob o aspecto técnico estuda a possibilidade de plantio de determinada cultura vegetal ou criação de gado na área rural, isso implica a escolha de sementes, os implementos a serem usados, tipos de alimentação do gado, a rotação de culturas, espécies de fertilizantes e o sistema de trabalho etc. No aspecto econômico, estudam-se várias operações a serem executadas quanto ao seu custo e aos seus resultados, isto é, o custo de cada produção e sua recuperação através do qual se obtém o lucro. Considera-se o aspecto financeiro, quando se estudam as possibilidades de obtenção de recursos monetários necessários e o modo de sua aplicação, ou seja, o movimento de entradas e saídas de monetários, de modo a manter o equilíbrio financeiro do negócio. Na atividade agrícola os agricultores possuem habilidades para a execução das diversas tarefas, sejam elas manuais ou mecanizadas. Sendo assim, as operações desenvolvidas nas propriedades compreendem: - Operações Preliminares (terraplanagens, drenagens, correção do solo), tem caráter de organização para execução das demais atividades; - Operações referentes à produção vegetal (aração, semeadura, adubação, correção do solo); 15 - Operações da produção animal (alimentação, vacinação, ordenha e controle sanitário); - Operações relativas às colheitas e a venda (transporte, armazenagem, colheita) quando se termina o ciclo vegetativo das culturas em condições de colheita e para os animais a sua produção, seja carne ou leite. Portanto, as operações agrícolas desenvolvidas na propriedade influenciam no resultado, devido à importância do aspecto técnico, econômico e financeiro. Pois a escolha e a decisão devem estar respaldadas em obter melhor e mais eficaz retorno das operações. 2.1.2 Ciclo das Culturas O ciclo das culturas é a principal característica genealógica da planta, é o tempo de vida produtiva, a contar da data em que se coloca a semente ou a muda no solo até a data da ultima colheita em nível comercial. De acordo com Santos, Marion e Segatti (2002, p. 24), o ciclo das culturas divide-as em: Culturas temporárias: são aquelas sujeitas ao replantio após a colheita. Normalmente, o período de vida é curto, cujo ciclo é de no máximo 1 (um) ano. Exemplos: soja, milho, trigo, aveia, arroz, feijão, tomate, e outros. Esse tipo de cultura é também conhecida como anual. Culturas semipermanentes: são cultivos cujo ciclo de produção é menor que 10 (dez) anos, entre o plantio e a ultima colheita, por exemplo: abacaxi, cana-de-açúcar e outros. Culturas permanentes: são cultivos cujo ciclo de produção é de longo prazo, considerando o tempo necessário para a formação do viveiro, formação e manutenção da planta e colheita. Por exemplo: café, laranja, pêssego, uva, e outros. 2.1.3 Dependência do Clima A agricultura é uma atividade muito sazonal, pois depende de muitos fatores externos, tendo como um dos principais o clima, que também influencia na volatilidade dos preços nos mercados. Souza et al (1995) comentam que o clima condiciona a maioria das explorações agropecuárias. Determina, por exemplo, as épocas de plantio, tratos culturais, colheitas, capacidade de suporte de pastagem e escolha de variedades e espécies, vegetais e animais. Juntamente com as características de solo, proximidade de mercado e disponibilidade de transporte, o clima determina explorações dentre as quais o agricultor deve escolher qual será o melhor tipo de cultura para cada época do ano. De acordo com Hoffmann et al (1992, p. 1) “a sucessão das estações assinala épocas mais ou menos precisas nas quais o produtor deve realizar quase todos os trabalhos. Esse fato 16 deve ser lembrado ao se planejar o uso da mão-de-obra e da maquinaria e tem grande importância no financiamento da produção agrícola”. Conforme Souza et al (1995, p. 85): Os seres vivos, plantas e animais, estão sujeitos aos fenômenos meteorológicos. A maioria das ocorrências não esta sob o controle do homem, e por isso as variações climáticas podem ser altamente prejudiciais ao setor agrícola. O conhecimento científico permite a previsão meteorológica com alto grau de confiabilidade, mas o controle de irregularidades climáticas nem sempre é possível. Pelas suas características biológicas, animais, e vegetais apresentam alta dependência do clima, da umidade, da temperatura e da luminosidade, que juntos interferem significativamente nos índices de produtividade. 2.1.4 Riscos Toda e qualquer atividade econômica está sujeita a riscos, sendo que na agropecuária, os riscos assumem maiores proporções. Segundo Hoffmann et al (1992), a agricultura está exposta a grandes perdas imprevisíveis por efeito de calamidades meteorológicas (secas, inundações, granizos, etc.), como também biológicas (pragas e doenças). A repercussão que estes fenômenos têm nas atividades agrícolas, principalmente para os pequenos e médios produtores, faz com que se considere que o seguro agrícola pode chegar a ser tão importante quanto o crédito agrícola. Os riscos estão ligados a imprevistos que possam acontecer e se tornarem uma ameaça à produção. Segundo Oliveira (1991, p. 136), sobre aspectos do risco: Existe risco quando são conhecidos os estados futuros que possam surgir e suas respectivas probabilidades de ocorrência. A incerteza é caracterizada pelo fato de não serem conhecidos os estados futuros que possam sobrevir, bem como as suas probabilidades de ocorrência. 2.2 Agricultura Familiar Para Morgado (2000 apud MACHADO, 2003, p. 15) “a agricultura familiar brasileira caracteriza uma forma de organização da produção na qual os critérios utilizados para orientar as decisões relativas à exploração não são vistos unicamente pelo ângulo da produção/rentabilidade econômica, mas abrangem, também, as necessidades e objetivos da família”. Segundo Brum (2004), a agricultura familiar tem se caracterizado pela pequena propriedade, pelo trabalho familiar, pela diversificação agrícola, com a renda advinda das lavouras de milho, soja, trigo, feijão, pecuária e outros produtos. Estes desempenham um 17 papel muito importante, pois garantem a subsistência da família, distribuem renda e geram postos de trabalho, garantindo assim o sustento de milhões de brasileiros. Ainda Brum (2004) ressalta que para se manterem na atividade, os pequenos agricultores necessitam da presença do Estado, financiando de forma subsidiada a produção. Alguns destes financiamentos disponibilizados pelo Estado são: - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf): oferece apoio financeiro, constituindo-se em uma tentativa de apoio político importante para a agricultura familiar. - Banco da Terra: contribui para assegurar aos pequenos agricultores a possibilidade de acesso a terra. Vilkas e Nantes (2010) comentam que considerando o reduzido número de funcionários e a concentração de atividades administrativas e operacionais na figura do proprietário pressupõe-se, que no caso da agricultura familiar os três níveis de planejamento (estratégico, tático e operacional) são desenvolvidos por apenas uma pessoa, o proprietário, ou por poucas pessoas da família, responsáveis pelas decisões sobre as atividades a serem desenvolvidas na propriedade. Essa simplicidade organizacional resulta na maior dedicação por parte do produtor no nível operacional, não valorizando devidamente as oportunidades de mercado que o ambiente oferece. Portanto, a agricultura familiar é responsável por boa parte da exploração agrícola e pecuária no Brasil, sendo dirigida normalmente por apenas um proprietário ou poucas pessoas da família, onde os mesmos são responsáveis pelas principais decisões, e também pelo trabalho na propriedade, onde se existir, existe pouca mão de obra externa. 2.3 Conceitos Básicos de Pecuária Segundo Santos, Marion e Segatti (2002, p. 29), “pecuária é a arte de criar e tratar o gado”. A pecuária cuida de animais geralmente criados no campo para abate, consumo doméstico, serviços na lavoura, reprodução, leite, para fins industriais e comerciais. De acordo com Santos, Marion e Segatti (2002, p. 29) “existem três sistemas de produção: a pecuária extensiva, a intensiva e a semi-intensiva”. 18 No sistema extensivo, os animais são geralmente mantidos em pastos nativos, sem alimentação suplementar (ração, silagem, etc.). Esses animais ocupam grande área de terra, cujo rendimento é normalmente baixo. Quanto ao sistema intensivo, é caracterizado pelo número de animais em pequena área útil, com objetivo de conseguir bons rendimentos (ganho de peso) e maior rentabilidade, buscando o aprimoramento técnico, e realiza suas vendas em período de escassez de mercado. No sistema semi-intensivo busca-se alta produtividade por hectare e aumento da capacidade de cab/ha, mantendo o gado no pasto com elevado ganho de peso, sendo que a tecnologia usada para esse sistema baseia-se na implantação de cerca elétrica e adubação constante do pasto e irrigação em período de seca. Como a propriedade rural estudada neste trabalho atua na produção leiteira, segue alguns dados sobre esta atividade. 2.3.1 Pecuária Leiteira O leite, além de ser um produto indispensável na alimentação humana, constitui-se em uma atividade econômica de suma importância na economia do país e principalmente para um número significativo de agricultores familiares. Atualmente, a produção de leite constitui-se em uma estratégia para o pequeno produtor na composição de renda, como uma alternativa para a agricultura familiar, e para o desenvolvimento de muitas regiões brasileiras. Segundo Embrapa (2005), os estabelecimentos agropecuários no Brasil contabilizam mais de cinco milhões de propriedades, um aumento de 7,4% em relação ao censo de 1996. Minas Gerais e Rio Grande do Sul possuem o maior número de propriedades com atividade leiteira, cerca de 210 mil unidades produtivas. O Brasil é o sexto maior produtor de leite do mundo e cresce a uma taxa anual de 4%, superior a de todos os países que ocupam os primeiros lugares. O leite está entre os seis primeiros produtos mais importantes da agropecuária brasileira, ficando à frente de produtos tradicionais como o café e arroz. O agronegócio do leite e seus derivados desempenham um papel relevante no suprimento de alimentos e na geração de emprego e renda para população (EMBRAPA, 2005). 19 2.3.2 Características do Gado Leiteiro De acordo com Krug et al (1993), as raças leiteiras mais comuns que se encontram em nosso Estado são a holandesa, jersey e pardo suíço. A raça leiteira mais conhecida e que melhor se adaptou em nosso estado devido às condições ecológicas favoráveis, tendo alta produtividade de leite foi à raça holandesa. A raça holandesa é originária da Província de Frísia, na Holanda, sendo que esta raça apresenta animais de grande porte, longevidade e excelente produtividade de leite. As demais raças, jersey e pardo suíço, também são boas produtoras de leite, porém devido serem vacas de estruturas menores, produzem menos leite, mas de muita qualidade, com elevado grau de gordura. A propriedade analisada no trabalho conta na sua grande parte com vacas da raça holandesa, e um baixo percentual de vacas Jersey. A idade média para primeira inseminação é aproximadamente entre 18 e 24 meses, ou seja, 2 anos, sendo que a primeira cria ocorre por volta dos 33 meses. De acordo com Krug et al (1993), o período de lactação de uma vaca é em média 400 dias por ano, sendo que aproximadamente 60 dias antes do novo parto as mesmas são secadas (para-se de tirar leite). A quantidade produzida de leite por uma vaca depende de vários fatores, como, ter uma boa genética, alimentação, manejo, entre outras variáveis. Ainda conforme Krug et al (1993), é necessário ter vários cuidados com o rebanho para obter-se bons resultados na pecuária leiteira. O autor salienta que é importante começando com cuidados como a sanidade dos animais, prevenindo os mesmos contra doenças, ter um manejo dos animais muito bem controlado, tanto na parte da alimentação, ordenha, como também na reprodução. Referente à alimentação do gado leiteiro, é importante que a vaca seja alimentada tanto com alimentos secos (ração, silagem, feno, farelo), como também com pasto verde (grama, pastagem de aveia, alfafa), para ter uma melhor digestão, e também para que possa produzir mais. Porém nos últimos tempos está sendo comentado em palestras e seminários sobre o leite, que o sistema de alimentação do gado leiteiro tende a ser o sistema de confinamento, onde os animais permanecerão fechados o dia todo, recebendo os alimentos neste mesmo espaço. 20 2.4 Caracterização da Empresa Rural Segundo Marion (2005, p.24) “empresas rurais são aquelas que exploram a capacidade produtiva do solo por meio do cultivo da terra, da criação de animais e da transformação de determinados produtos agrícolas”. Para Crepaldi (2005, p. 25) “empresa rural é a unidade de produção em que são exercidas atividades que dizem respeito a culturas agrícolas, criação de gado ou culturas florestais, com a finalidade de obtenção de renda”. Assim como as empresas comerciais, a empresa rural visa à geração de lucro, onde é o meio de sobrevivência dos produtores e estes têm o retorno sobre o capital investido na propriedade. Segundo a Lei 8.023/90 em seu Art. 2º considera-se atividade rural: I - a agricultura; II - a pecuária; III - a extração e a exploração vegetal e animal; IV - a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V - a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura e não configure procedimento industrial feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. Crepaldi (2005) também ressalta que assim como as demais empresas, as empresas rurais também devem ter preocupações quando se tratam de custos na produção, aumento da lucratividade, planejamento, controle e retorno do capital investido. Existem fatores de produção que são: terra, capital e trabalho. A terra é o fator mais importante para a agropecuária, pois é nela que se aplicam o capital e o trabalho, desta maneira é imprescindível que o empresário rural conserve a capacidade produtiva de sua terra, evitando seu desgaste pelo mau uso e pela erosão, já o capital representa o conjunto de bens alocados sobre a terra com o objetivo de aumentar a sua produtividade e ainda facilitar e melhorar a qualidade do trabalho humano. O capital da empresa agrícola pode ser: As benfeitorias, os animais de produção e serviço, as máquinas e implementos agrícolas e os insumos agropecuários. Dentro do capital ainda identifica-se o capital fixo, que são os capitais que durarão vários anos dentro da empresa, e o capital circulante que se refere aos recursos que são consumidos dentro do ano agrícola. O trabalho pode ser designado como o 21 conjunto de tarefas desempenhadas pelo homem, que compreende desde lavrar a terra, cuidar de animais, construir cercas, até administrar a propriedade. Para isso o proprietário precisa-se sempre estar em constante atualização para poder desempenhar todas estas tarefas. (CREPALDI, 2005). O empresário rural precisa preocupar-se com a organização e o manejo de sua propriedade. Crepaldi (2005, p. 55) ressalta também que “uma empresa rural existe para aumentar a riqueza de seus proprietários”. Portanto percebe-se que a empresa rural tem como principal objetivo o lucro, sendo este o mesmo objetivo da empresa comercial, porém a empresa rural tem algumas peculiaridades e limitações em relação à empresa comercial. 2.4.1 Administração Rural “Administração rural é o estudo que considera a organização e operação de uma empresa agrícola visando ao uso eficiente dos recursos para obter resultados compensadores e contínuos” (HOFFMANN, 1987, p. 2). No Brasil, o desenvolvimento teórico e prático da administração rural vem-se dando com base em duas abordagens: a primeira é onde a administração rural é definida como “um ramo da economia rural que estuda a organização e administração de uma empresa agrícola, visando o uso mais eficiente dos recursos para obter resultados mais compensadores e contínuos”; a segunda define “administração rural como um ramo da ciência administrativa que se preocupa com a análise dos aspectos inerentes à empresa rural e suas inter-relações com o meio ambiente” (LIMA et al, 2005, p 22 e 23). Para Crepaldi (2005, p. 25) “a administração rural é o conjunto de atividades que facilita aos produtores rurais a tomada de decisões ao nível de sua unidade de produção, a empresa agrícola, com o fim de obter o melhor resultado econômico, mantendo a produtividade da terra”. O administrador rural tem um papel muito importante no desenvolvimento da sua propriedade rural, pois tem como responsabilidades, planejar, controlar, decidir e avaliar os resultados, visando à maximização dos lucros. Conforme Santos, Marion e Segatti (2002), o administrador rural deve estar muito atento aos fatores externos e internos referente à empresa. Por mais que o administrador não tem controle sobre os fatores externos (preço de produtos, clima, política de crédito e 22 financiamento, etc.), deve conhecê-los para tomar as decisões que lhe permitam ajustar-se a eles, aproveitando assim ao máximo as condições favoráveis. Sobre os fatores internos da empresa (seleção e combinação de atividades produtivas, eficiência de equipamentos, tamanho da empresa agropecuária, etc.), o administrador tem controle direto. Por isso deve conhecê-los bem para deles tirar o maior proveito, acompanhando e analisando-os em relação a sua capacidade de prestar serviços. “O administrador deve ter consciência de que quanto maior for seu conhecimento sobre a estrutura, o funcionamento da unidade e os fatores de produção, maiores serão as possibilidades de melhorar seus resultados econômicos” (SANTOS, MARION, SEGATTI, 2002, p. 19). 2.5 Planejamento O planejamento consiste num processo organizado e sistematizado, através do qual se procura utilizar melhor e mais eficientemente os recursos disponíveis, com a finalidade de alcançar objetivos e metas estabelecidas em determinado prazo. Para Woiler e Mathias (1992, p. 23): Pode-se entender planejamento com sendo um processo de tomada de decisões interdependentes, decisões estas que procuram conduzir a empresa para uma situação futura desejada. Neste processo é necessário que haja coerência entre as decisões atuais e aquelas tomadas no passado e que haja realimentação entre as decisões e os resultados. Na visão de Oliveira (1991, p, 20) “o planejamento pode ser conceituado como um processo, considerando os aspectos abordados pelas dimensões anteriormente apresentadas, desenvolvido para o alcance de uma situação desejada de um modo mais eficiente e efetivo, com a melhor concentração de esforços e recursos pela empresa”. “Planejar é definir os objetivos e escolher antecipadamente o melhor curso de ação para alcançá-los. O planejamento define onde se pretende chegar, o que deve ser feito, quando, como, e em que sequência” (CHIAVENATO, 2000, p. 195). 2.5.1 Tipos de Planejamento Na consideração dos grandes níveis hierárquicos, podem-se distinguir três tipos de planejamento: planejamento estratégico, planejamento tático, e planejamento operacional. 23 2.5.1.1 Planejamento Estratégico O planejamento estratégico abrange toda a organização (empresa) e trabalha com os objetivos de longo prazo por isso é de responsabilidade dos níveis mais altos da administração. Para Oliveira (1991, p. 32) “o planejamento estratégico pode ser conceituado como um processo gerencial que possibilita ao executivo estabelecer o rumo a ser seguido pela empresa, com vistas a obter um nível de otimização na relação da empresa com o seu ambiente”. Conforme Souza et al (1995, p.108) “o planejamento estratégico é normalmente projetado para longo prazo, com uma abordagem global envolvendo a empresa como um todo, integrando recursos, capacidade e potencialidade”. Nas empresas rurais, o planejamento estratégico é de importância vital, pois o moderno empresário agrícola terá que, de certa forma, visualizar sua atuação futura. A produção de hoje, além de ser um fenômeno influenciado pela tecnologia agrícola, é também um fator social, pois a cada dia cresce o processo de interferência governamental na agricultura, aumentando assim as incertezas decorrentes do sistema produtivo. É preciso, portanto, que cada empresário avalie esse processo e prepare adequadamente sua estratégia de ação (SOUZA et al, 1995, p. 108). 2.5.1.2 Planejamento Tático Segundo Chiavenato (2000), o planejamento tático abrange cada departamento ou unidade da organização e tem como características o projeto médio prazo, envolve os departamentos ou unidades da organização e abrange recursos específicos. Conforme Oliveira (1991, p. 33), “o planejamento tático tem por objetivo otimizar determinada área de resultado e não a empresa como um todo. Portanto trabalha com os objetivos e desafios estabelecidos no planejamento estratégico”. Souza et al (1995), comentam que o planejamento tático está localizado entre os níveis estratégico e operacional, cuidando da articulação entre esses dois planos. O planejamento tático tem sob sua responsabilidade a captação e alocação de recursos, bem como a distribuição dos produtos aos diversos segmentos do mercado. No nível tático são tomadas várias decisões visando adequar os objetivos estabelecidos no nível estratégico. 24 2.5.1.3 Planejamento Operacional Segundo Chiavenato (2000), o planejamento operacional abrange as tarefas ou atividades especificas e visam o curto prazo, preocupa-se com alcance de metas especificas e define-se no nível operacional. Conforme Oliveira (1991, p. 33) “o planejamento operacional pode ser considerado como a formalização, principalmente através de documentos escritos, das metodologias de desenvolvimento e implantação estabelecidas”. “O planejamento operacional é totalmente voltado para a empresa em si, geralmente de curto e médio prazo, e se refere a como conduzir cada exploração escolhida através do planejamento estratégico, ou seja, quais as tarefas a ser executadas, como executá-las e quem as executará” (SOUZA et al, 1995, p. 133). Ainda Souza et al (1995), destaca que esse planejamento é constituído de planos operacionais das diversas explorações selecionadas, que devem ser bem detalhadas e ter como base o planejamento tático. Portanto vale ressaltar que o planejamento é muito importante e está presente em tudo que fizemos, sendo também indispensável quando pretende-se trabalhar com futuros projetos para melhorias em empresas. 2.6 Projeto “Um projeto é o conjunto de antecedentes, sistematicamente ordenados, que permite estimar os custos e os benefícios de um determinado investimento” (HOFFMANN et al, 1992, p. 182). Para Holanda (1975, p. 95): Projeto corresponde ao conjunto de informações, sistemática e racionalmente ordenadas, que nos permite estimar os custos e benefícios de um determinado investimento, vale dizer, as vantagem e desvantagem de utilizar recursos para a criação de novos meios de produção ou para o aumento da capacidade ou melhoria do rendimento dos meios de produção existentes. Na visão de Woiler e Mathias (1992, p. 27) “entende-se por projeto o conjunto de informações internas e/ou externas à empresa, coletadas e processadas com o objetivo de analisar-se (e, eventualmente, implantar-se) uma decisão de investimento”. 25 2.6.1 Tipos de Projetos Conforme Holanda (1975, p. 98), os projetos podem ser classificados em: a) agrícolas (inclusive pecuários); b) industriais (de indústrias extrativas e manufatureiras); c) de serviços básicos (usinas hidrelétricas, escolas, etc.), serviços sócias (hospitais, habitações, etc.), e outros serviços (hotéis, etc.). Neste trabalho foi proposto um projeto agropecuário para a propriedade rural. 2.6.2 Estrutura de Projetos Agropecuários Vale ressaltar que não existe uma estrutura apenas para o desenvolvimento de um projeto, e sim a adequação da mesma conforme cada trabalho, situação e objetivos que se pretende analisar. Neste item serão apresentados os principais elementos que compõe a estrutura de um projeto agropecuário, conforme ilustra a figura abaixo. MERCADO MERCADO MEgfgfgRffrfC ENGENHARIA Resultado RESULTADO s CUSTOS CUSTOSE ERECEITAS RECEITAS PROPRIEDADE Propriedad FINANCIAMENTO INVESTIMENTO TAMANHO Tamanho LOCALIZAÇÃO LoFFFFFFc aliFFzaçã Figura1: Estrutura de um projeto agropecuário. Fonte: Adaptado de Holanda (1975), Woiler e Mathias (1992). 2.6.2.1 Mercado O estudo de mercado é a primeira etapa na elaboração de projetos, através da qual é determinada a necessidade de um bem ou serviço que se pretende ofertar. Segundo Hoffmann 26 et al (1992, p. 150) define-se mercado como “o agregado composto de um ou mais compradores e de um ou mais vendedores que discutem a formação de preço de produtos e/ou serviços e efetuam operações de troca entre si”. Conforme Woiler e Mathias (1992) através da análise de mercado obtêm-se muitos elementos importantes, tais como, o confronto entre a demanda e a oferta, a região em que o produto poderá ser comercializado, seu preço de venda, custos de comercialização, estoques nos canais de comercialização, concorrentes, fornecedores, entre outros. Para Holanda (1975, p. 115) “o objetivo do estudo de mercado de um projeto é determinar a quantidade de bens e serviços provenientes de uma nova unidade produtora que, em uma certa área geográfica e sob determinadas condições de venda (preços, prazos, etc.), a comunidade poderá adquirir”. 2.6.2.2 Engenharia Na engenharia iniciam-se os estudos preliminares que permitem o conhecimento do nível tecnológico disponível e das necessidades de estruturas de funcionamento necessárias ao empreendimento projetado. Holanda (1975, p. 154) afirma que “o objetivo do estudo de engenharia de um projeto é definir e especificar tecnicamente os elementos que compõe o sistema de produção e as respectivas inter-relações de forma suficientemente detalhada e precisa que permita a montagem e colocação em funcionamento da unidade produtiva”. Ainda Holanda (1975, p. 154) destaca que: De um modo geral, a definição dessa parte técnica do projeto está associada à participação dos engenheiros no processo de elaboração de um plano de investimento; todavia, existe uma inter-relação muito estreita entre os aspectos técnicos e econômicos, sendo de todo conveniente um intercâmbio de informações entre engenheiros e economistas e técnicos especializados, ao longo do processo de aproximações sucessivas em que consiste a elaboração de um projeto. 2.6.2.3 Tamanho Conforme Holanda (1975, p. 167) “o tamanho de um projeto é definido por sua capacidade de produção, durante um período de trabalho considerado normal”. O tamanho de um projeto também pode ser entendido como sua capacidade de produção durante um determinado período de tempo que se considera normal para as 27 características e o tipo de projeto em estudo. O tamanho de um projeto não pode ser menor do que o tamanho mínimo econômico do projeto, nem deve ser maior do que a demanda permitida pelo dinamismo do mercado. De acordo com Holanda (1975, p. 172) “o objetivo do estudo de tamanho de um projeto é a determinação de uma solução ótima que conduza os resultados mais favoráveis para o projeto, em seu conjunto”. 2.6.2.4 Localização A localização de um projeto é a situação espacial da parte física do investimento, não existindo, entretanto, uma solução científica para determinar a sua melhor localização, mas somente uma solução prática, em que são feitas comparações entre as variáveis disponíveis. Para Holanda (1975, p. 212) “a determinação da localização de um projeto especifico vai depender de uma análise ponderada de todos os fatores de mercado, tamanho, custo, etc., que influem em sua rentabilidade, de modo a descobrir-se aquela alternativa que assegure lucros máximos”. Ainda Holanda (1975, p. 197) comenta que “a localização ótima é aquela que assegura a maior diferença entre custo e benefícios, ou seja, a melhor localização é aquela que permite obter a mais alta taxa de rentabilidade ou o custo unitário mínimo”. 2.6.2.5 Investimento Para o empresário do setor agrícola as decisões de investimentos são provavelmente as mais importantes, pois se sabe que em uma propriedade rural é imprescindível realizar investimentos para poder produzir com maior qualidade, buscando melhores resultados. Para Hoffmann et al (1992, p. 315) “operação de investimento é toda aplicação em bens ou serviços cujos desfrutes se realizam no curso de vários períodos. Os investimentos resultam na formação do capital fixo da empresa”. Conforme Holanda (1975, p. 259) “investimento corresponde a uma imobilização de recursos no sentido de que estes são aplicados com o objetivo de permanecerem investidos na atividade selecionada por um período de tempo relativamente longo”. A autora comenta também que os investimentos são gastos ou sacrifícios econômicos cujos efeitos se refiram a toda a vida do projeto. 28 No entendimento de Souza et al (1995, p. 61) “investimentos são gastos para a obtenção de recursos necessários às atividades agropecuárias cuja utilização ultrapasse um ciclo produtivo, isto é, os recursos são utilizados por mais de um período de produção”. Conforme Souza et al (1995, p 61): Como exemplos de investimentos em propriedades rurais, têm-se a aquisição de máquinas, equipamentos, rebanhos produtivos e animais de trabalho; a construção de estábulos, silos, galpões ou terreiros; a realização de melhoramentos (açudes, canais de irrigação, sistemas de controle de erosão, instalações elétricas e hidráulicas); e a implantação de novas atividades, como culturas permanentes, pastagem, etc. 2.6.2.6 Financiamento Conforme Woiler e Mathias, (1992, p. 36) “nesta parte são analisadas as alternativas de empréstimo. Procura-se determinar entre as fontes de empréstimo disponíveis, aquelas que apresentam maior conveniência e/ou que otimizam a rentabilidade do projeto”. De acordo com Woiler e Mathias (1992), a disponibilidade de recursos internos e ou externos poderá limitar o tamanho do processo que se pretende implantar, além disso, deve-se ter o cuidado do endividamento excessivo, podendo acarretar um risco financeiro elevado, com a possibilidade de comprometer a viabilidade do projeto. Para Souza et al (1995, p. 62) “financiamentos são recursos financeiros provenientes de terceiros, que o empresário busca para fazer face às necessidades produtivas. Dessa forma, o empresário conta com os seguintes tipos de crédito disponíveis: crédito rural e empréstimos pessoais”. De acordo com Lima et al (2005, p. 95) “os financiamentos referem-se aos empréstimos para custeio e para investimentos, cabendo observar o que foi financiado, em qual agência financeira e quanto é pago normalmente por ano em juros e correção monetária”. 2.6.2.7 Custos e Receitas Dentre as diferentes partes que integram qualquer projeto, o orçamento de custos e receitas é, sem dúvida, uma das mais importantes. Os custos em uma empresa rural, reconhecidamente, são os elementos mais preocupantes sob o ponto de vista do comprometimento financeiro. 29 “De um ponto de vista econômico, podemos considerar como custo todo e qualquer sacrifício feito para produzir um determinado bem, desde que seja possível atribuir um valor monetário a esse sacrifício” (HOLANDA, 1975, p. 225). Existem várias classificações para os custos. Portanto Hoffmann et al (1992, p.8), classificam os custos em: Custos fixos totais são aqueles que não variam com a quantidade produzida (juros sobre o capital empatado, impostos fixos, seguros, a parte da alimentação que é utilizada na manutenção dos animais, as despesas de arrendamento etc.). Custos variáveis totais são aqueles que variam de acordo com o nível de produção da empresa (adubos, combustíveis etc.). O custo médio se obtém dividindo o custo total pelo numero de unidades produzidas. O custo médio incluirá, portanto parcelas dos custos fixos e dos custos variáveis. Este custo total médio a princípio, quando a produção é pequena, é elevado devido ao fato dos custos fixos onerarem bastante as primeiras unidades produzidas, isto é, se distribuírem por um número pequeno delas. Para Woiler e Mathias (1992, p 160) “a projeção das receitas decorre do estudo de mercado. É a partir da análise do mercado e das projeções de vendas que serão determinadas as quantidades e o preço unitário de cada produto a ser vendido”. As receitas representam tudo o que vendido, transferido ou consumido dentro de uma empresa agrícola. É comum, entre empresários, considerar como receita somente a produção comercializada, deixando de lado uma parte considerável da produção, que é consumida pelos próprios donos, colonos e empregados temporários (SOUZA et all, 1995, p. 177). “As receitas de um projeto originam-se principalmente das vendas dos seus produtos e subprodutos. O cálculo das receitas consiste em multiplicar a quantidade esperada de venda de cada ano, de cada produto, pelo preço correspondente” (BUARQUE, 1991, p. 105). Conforme Souza et all (1995), devido ao caráter biológico e a sazonalidade (dependência das estações do ano) inerentes ao setor agropecuário, a maioria das atividades não permite que se obtenham receitas contínuas no decorrer do ano, como ocorrem com as explorações agrícolas de um modo geral (milho, café, etc.). Entretanto, outras atividades, como a pecuária leiteira, produzem receitas continuas. Dessa forma, é necessário que o empresário rural faça uma criteriosa previsão de todas as receitas possíveis durante os diversos meses do ano, que, conjugada com as necessidades de gastos de processo produtivo, determinará as épocas de maior ou menor necessidade financeira. 30 2.6.2.8 Demonstração do Resultado do Exercício A Demonstração do Resultado do Exercício “evidencia o resultado que a empresa obteve (Lucro ou Prejuízo) no desenvolvimento de suas atividades durante um determinado período, geralmente igual a um ano” (RIBEIRO, 2010, p.345). Conforme artigo 187 da Lei nº 6.404/1976 (apud Ribeiro, 2010): A demonstração do resultado do exercício discriminará: I – a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III – as despesas com vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; V – o resultado do exercício antes de Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados que não se caracteriza como despesa; VII – o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. São vários os conceitos sobre a DRE, para Basso (2005, p. 275): A demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é o relatório contábil que sintetiza as operações que deram origem ao resultado de um determinado exercício social. Concebida para demonstrar a formação do resultado final do exercício, ou seja, o lucro ou o prejuízo, a DRE está estruturada de forma a evidenciar as diversas fases do resultado, iniciando com o valor da receita operacional bruta apurada nas operações de vendas e de prestação de serviços da entidade, passando pela dedução dos encargos tributários, devoluções e abatimentos a ela relativos, bem como dos seus respectivos custos, apurando-se o lucro operacional bruto. Na busca do retorno financeiro geram-se as informações constantemente, por isso: O administrador precisa saber é como está à rentabilidade de sua atividade produtiva. Quais são os resultados obtidos e como eles podem ser otimizados por meio de avaliação dos resultados, fontes de receitas e tipos de despesas? Como melhorar as receitas e reduzir as despesas? Essa análise só será possível a partir do momento que se sabe onde estamos gastando os recursos e onde estamos gerando receitas (CREPALDI, 2005, p. 65). Portanto, o resultado para as empresas rurais deve ser uma busca constante do empresário rural, proporcionando a ele uma base de informações necessárias para o gerenciamento e controle da sua propriedade. 31 2.6.2.9 Depreciação Assim como qualquer outra empresa, a rural também possui equipamentos e ou maquinários, e os mesmos depreciam com o decorrer do tempo. A depreciação representa o desgaste que um bem imobilizado adquire durante um período de vida útil econômico, ou seja, a sua desvalorização depende do tempo e não de sua utilização. Se um bem for pouco utilizado durante o ano, sua depreciação ocorrerá devido ao desuso, e se for intensamente utilizado, a depreciação se dará devido ao desgaste. A diferença é que, no segundo caso, o bem proporcionou um retorno por meio do serviço prestado. De acordo com Buarque (1991, p. 127) “conceito de depreciação decorre da perda de valor. É a perda de valor que sofrem os bens de capital por causa dos anos de operação. A depreciação pode ser originada por: fatores físicos (uso ou desgaste), fatores funcionais (insuficiência e absolescência) e por acontecimentos eventuais (acidentes)”. Na concepção de Marion (2005, p. 67) “uma das dificuldades para calcular o custo das lavouras ou das safras é o cálculo exato do custo dos equipamentos agrícolas utilizados na cultura agrícola”. Na sequência tem-se o quadro 1 com a estimativa de duração média de construções, melhoramentos, e também de máquinas e equipamentos utilizados direta ou indiretamente na atividade agrícola. Quadro 1: Duração média de máquinas e equipamentos ESTIMATIVA DE DURAÇÃO DE CONSTRUÇÕES E MELHORAMENTOS CONSTRUÇÕES E MELHORAMENTOS Duração em Anos Taxa de Depreciação CONSTRUÇÕES Parede de tijolos, cobertura de telha 25 4% Parede de madeira, cobertura de telha 15 6,67% Piso de tijolo, cimentado 25 4% MELHORAMENTOS Instalações elétricas, telefônicas com postes de madeira 30 3,33% Instalações elétricas, telefônicas com postes de concreto 50 2,0% ou ferro Cercas de pau-a-pique 10 10% Cercas de arame 10 10% Rede de água 10 10% Cercas elétricas 10 10% VIDA PRODUTIVA MÉDIA DE ALGUNS ANIMAIS Animais de criação Bovinos reprodutores 08 12,5% Matrizes 10 10% Suínos 04 25% Animais de Trabalho Burro de tração 12 8,33% 32 Cavalo de sela Boi de carro 08 05 12,5% 20% 10 10 07 10% 10% 14,28% 5 10 10 15 20% 10% 10% 6,67% 12 15 15 15 15 10 20 10 12 10 10 15 10 7 10 08 10 06 10 03 08 06 02 06 8,33% 6,67% 6,67% 6,67% 6,67% 10% 5% 10% 8,33% 10% 10% 6,67% 10% 14,28% 10% 12,5% 10% 16,67% 10% 33,33% 12,5% 16,67% 50% 16,67% DURAÇÃO MÉDIA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Tratores De roda De esteira Microtrator VEÍCULOS Caminhão Carroça Carro de bois Carreta de trator IMPLEMENTOS Ancinho Arado de disco e aiveca Carreta com pneus Semeadeira de linhas Plaina Colheitadeira Grade de dentes e rolos Colheitadeira de forragem Ceifadeira Plantadeira Debulhadeira Motores elétricos Pulverizador Ensiladeira Ordenhadeira Carrinho de terreiro Roçadeira Encerado Secador de cereais Saco de colheita Adubadeira Riscador Rodo Arreio Fonte: Marion (2005, p. 77-79). 33 3 METODOLOGIA Apresenta a estrutura do trabalho, apontando a classificação da pesquisa, a fim de posicionar os procedimentos metodológicos. Conforme Alves (2003), a metodologia pode ser considerada o momento de especificar qual o método que irá adotar-se para alcançar os objetivos, optando por um tipo de pesquisa, bem como define como irá proceder à coleta e a análise de dados. 3.1 Classificação da Pesquisa Beuren et al (2004, p. 77) “diz que o delineamento da pesquisa implica em um plano para conduzir a investigação”. Para tanto, a correta classificação de uma pesquisa proporciona excelentes resultados na busca de seus objetivos. 3.1.1 Quanto a Natureza Sob o ponto de vista da sua natureza, o presente estudo caracteriza-se como pesquisa aplicada, pois visa gerar conhecimentos para a aplicação prática, voltados a solução de problemas específicos da realidade. Segundo Vergara (2009, p. 43) “a pesquisa aplicada é fundamentalmente motivada pela necessidade de resolver problemas concretos, mais imediatos ou não. Tem, portanto, finalidade prática”. 3.1.2 Quanto a Abordagem Existem dois tipos de pesquisa segundo a natureza dos dados: a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa. Este estudo quanto à abordagem do problema classifica-se como pesquisa quantitativa, pois foram coletados, analisados e interpretados dados, (números) sobre a propriedade em estudo. A pesquisa quantitativa conforme Beuren et al (2004) caracteriza-se pelo emprego de instrumentos estatísticos, tanto na coleta quanto no tratamento dos dados. Esse procedimento se preocupa apenas com o comportamento geral dos acontecimentos. A pesquisa também se classifica como qualitativa, pelo fato de serem analisados e interpretados os dados da propriedade em estudo, de forma descritiva e analítica. De acordo 34 com Beuren et al (2004) a pesquisa qualitativa concebe uma análise mais profunda em relação ao fenômeno que está sendo estudado, e visa detectar características não observadas por meio de um estudo quantitativo. 3.1.3 Quanto aos Objetivos Segundo Gil (2002), toda e qualquer classificação deve ser feita mediante algum critério, sendo assim, referindo-se a pesquisas considera-se como base os objetivos gerais do trabalho. Quanto aos objetivos o estudo classifica-se como Pesquisa Exploratória. Conforme Beuren et al (2004, p. 80) “a pesquisa exploratória deve concentrar-se em algo que necessita ser esclarecido ou explorado no campo do conhecimento”. Enquanto que Gil (2002, p. 41) esclarece que “a pesquisa exploratória envolve levantamento bibliográfico e entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado”. 3.1.4 Quanto aos Procedimentos Técnicos Quanto aos procedimentos técnicos do estudo a pesquisa é classificada como pesquisa bibliográfica, na medida em que foram utilizados conceitos e fundamentos teóricos, com base em determinados autores para aprofundar o conhecimento e sustentar o estudo. Conforme Gil (2002, p. 44) “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. O estudo também se classifica como uma pesquisa de campo, documental, e estudo de caso, para que fosse possível obter as informações desejadas para a realização do mesmo. A pesquisa de campo segundo Vergara (2009), refere-se à investigação de um tema realizado no local que ocorreu o evento ou que tenha elementos para explicá-lo. Ainda conforme Vergara (2009, p. 44), o “estudo de caso é o circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas essas como pessoa, família, produto, empresa, órgão publico, comunidade ou mesmo país. Tem caráter de profundidade e detalhamento. Pode ou não ser realizado no campo”. 35 De acordo com Gil (2002, p. 45) “a pesquisa documental vale-se de materiais que não recebem ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa”. Foram utilizados dados (documentos, relatórios...) da propriedade para aprofundar o estudo. 3.2 Universo Amostral e Sujeitos da Pesquisa A empresa escolhida para a realização do estudo encontra-se no setor agropecuário, uma pequena propriedade rural, localizada no interior do município de Augusto Pestana – RS. O sujeito da pesquisa foi o proprietário da empresa rural, Sr. Clóvis Antônio Gerhardt, sendo que para a coleta de preços dos produtos foram realizadas pesquisas na empresa Cotrijuí. 3.3 Coleta de Dados A coleta de dados para a realização do estudo ocorreu através de visitas entre os dias 13 de março de 2012 a 23 de março de 2012 na propriedade rural do Senhor Clóvis Antônio Gerhardt, onde foram realizadas entrevistas com o proprietário, busca de dados junto a documentos disponibilizados pelo mesmo, e observações para o levantamento dos dados necessários. As entrevistas realizadas com o proprietário podem ser entendidas como semiestruturadas, pois não existiu um roteiro pré-estabelecido, apenas o uso de quadros conforme o decorrer do trabalho como instrumento de coleta de dados. Beuren et al (2004, p. 133) “diz que esse tipo de entrevista possibilita ao entrevistado a liberdade de desenvolver cada situação na direção que considera mais adequada”. Também foram realizadas algumas visitas durante o mês de março de 2012 com o intuito de coletar preços, na empresa em que o proprietário realiza seus negócios, onde adquire insumos para a realização do plantio da lavoura, bem como realiza a venda dos produtos produzidos pela família, além da compra de alimentos para os animais criados na propriedade, entre outros. 3.4 Análise e Interpretação dos Dados A análise e interpretação dos dados expõe à forma pela quais os dados coletados foram tratados, de forma a melhor adequá-los aos propósitos do estudo pertinente. 36 De acordo com Gil (2002, p. 125): O processo de análise dos dados envolve diversos procedimentos: codificação das respostas, tabulação dos dados e cálculos estatísticos. Após, ou juntamente com a análise, pode ocorrer também à interpretação dos dados, que consiste, fundamentalmente, em estabelecer a ligação entre os resultados obtidos com outros já fornecidos, quer sejam derivados de teorias, quer sejam de estudos realizados anteriormente. No estudo de caso desenvolvido no Trabalho de Conclusão de Curso, a análise e interpretação dos dados ocorreram a partir das informações obtidas através das entrevistas com o proprietário, e das informações geradas por planilhas e gráficos, elaborados no software da Microsoft Excel. 37 4 ANÁLISE DA PROPRIEDADE RURAL Este capítulo aborda a caracterização da propriedade familiar do Sr. Clóvis Antônio Gerhardt, trazendo a coleta e análise dos dados, onde foi realizado um diagnóstico de como se encontra técnica e economicamente organizada a propriedade, buscando apresentar em seguida no quinto capítulo propostas de melhorias e um projeto para aumentar a renda agrícola da propriedade rural. 4.1 Caracterização da Propriedade A propriedade rural estudada neste trabalho encontra-se situada na localidade de Fundo Grande interior do município de Augusto Pestana/RS, a qual possui como principal fonte de renda a produção de grãos e leite. Desde pequeno o atual proprietário Sr. Clóvis Antonio Gerhardt auxiliava seus pais nas atividades agrícolas da propriedade. Com o passar dos anos, casou-se com Mirna Gerhardt, com a qual teve três filhos, Cátia Raquel Gerhardt, Alison Fernando Gerhardt e Alan Felipe Gerhardt, aos quais também foram transmitidos conhecimentos da atividade rural. Em 1995 com o falecimento do seu pai, o proprietário juntamente com sua esposa herdou a propriedade, onde deram sequência as atividades da mesma. No ano de 1997 houve a ampliação da área para produção, através do arrendamento de 30 hectares de terra. Já no ano de 2002, os proprietários conseguiram comprar 7,5 hectares de terra, e sequentemente no ano de 2010 ampliaram a área arrendada de 30 hectares para 66 hectares. Portanto hoje a propriedade possui uma superfície total de 102,5 hectares de terra, divididos em área própria de 36,5 hectares, sendo que destes possuem uma área de 3 hectares não útil para produção, divididos em mato e um açude que está desativado, e também conta com uma área de 66 hectares de terra arrendados, os quais são utilizados na sua totalidade para plantação, tendo como um custo 10,5 sacas de soja por hectare de arrendamento. 4.2 Análise Técnica da Propriedade Na análise técnica busca-se apresentar as principais características da propriedade, como a divisão das áreas para os cultivos das plantas, como estão organizadas as instalações, máquinas e equipamentos, além também da caracterização do rebanho da propriedade. 38 As distribuições de áreas para as culturas de inverno e verão seguem no quadro abaixo. Quadro 2: Áreas de ocupação da propriedade Área destinada à cultura de verão e inverno Área soja Área milho silagem safra Área milho silagem safrinha Pastagem de verão Grama tifton Trigo Aveia/pastagem Aveia branca Potreiro Açude Mato Subsistência/moradia Fonte: Março/2012. Hectares (ha) 85 6 6 3 3 50 35 3 1,5 0,3 2,7 1 n° meses 06 04 04 06 06 06 06 - Conforme mostra o quadro 2, para a produção de soja são destinados 85 hectares de terra, 12 hectares de milho para silagem, o qual é plantado 6 hectares próximos ao mês de agosto e setembro conhecido como milho safra, e a segunda vez plantado no mês de janeiro, conhecido como milho safrinha. Também se utilizam 3 hectares para pastagem de verão, 3 hectares para grama tifton, 50 hectares para a produção de trigo no inverno, 35 hectares para pastagem de inverno, 3 hectares para plantação de aveia branca, 1,5 hectare de potreiro, 0,3 hectares de açude, 1 hectare para subsistência e 2,7 hectares de mato. Na propriedade trabalham três pessoas, o Sr. Clóvis, a esposa, e o filho mais novo. Conforme os dias de mais serviço, como nos casos da plantação e da safra, o filho mais velho também auxilia nas tarefas da propriedade. 4.2.1 Instalações da Propriedade As instalações da propriedade encontram-se divididas da seguinte forma: um galpão de madeira de 140 m², o qual serve para alimentação de animais (novilhas, gado de engorda, suínos), um galpão misto (madeira e alvenaria) de 60 m², o qual é utilizado para ordenhar as vacas, um galpão de madeira de 40 m² onde ficam armazenados equipamentos mais leves (ferramentas e equipamentos diversos), um galpão de madeira de 130 m² onde ficam os maquinários pesados para uso na lavoura, um galpão misto (madeira e alvenaria) de 60 m² o 39 qual serve para a alimentação das vacas, um galpão de 98 m² utilizado para estocar sementes e alimentos para o gado e uma casa de alvenaria de 136 m² onde moram os proprietários. Quadro 3 : Instalações da propriedade PRINCIPAIS INSTALAÇÕES TIPO 1 galpão madeira 1 galpão (sala de ordenha) 1 galpão madeira 1 galpão madeira 1 galpão + estábulo misto 1 galpão madeira 1 casa habitação 2 TAMANHO M 140,0 m2 60,0 m2 40,0 m2 130,0 m2 60,0 m2 98,0 m2 136,0 m2 ESTADO Regular Ótimo Bom Regular Regular Bom Bom Fonte: Março/2012. Figura 2: Foto das instalações da propriedade. Fonte: Março/2012. 4.2.2 Máquinas e Equipamentos da Propriedade Para o cultivo das lavouras, como a plantação de soja, milho, pastagem de verão, trigo, pastagem de inverno, aveia branca são utilizados as seguintes máquinas e equipamentos: um trator traçado Massey Ferguson modelo 275, um trator menor Valmet modelo 86 para serviços mais leves, uma plantadeira MP 1600, um pulverizador, um caminhão F 4000, um classificador de sementes, um pé de pato e uma grade que hoje são poucos utilizados e uma colheitadeira em parceria com um amigo, onde ambos se ajudam nas épocas de colheita. Já para a atividade leiteira são utilizados uma ordenhadeira com quatro conjuntos, um resfriador a granel, um triturador, uma plataforma, dois aparelhos de cerca elétrica, um funil esparramador, uma carreta agrícola 4 toneladas e uma ensiladeira, sendo esta última utilizada 40 por um grupo de amigos que se uniram para comprar o bem, os quais se ajudam nos períodos de cortar o milho para realização da silagem. Quadro 4: Máquinas e equipamentos da propriedade PRINCIPAIS MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS TIPO E CARACTERÍSTICAS 1 trator traçado 1 trator menor (valmet 86) 1 plantadeira 1 carreta agrícola 4 ton 1 colheitadeira 1/2 1 pulverizador 1 caminhão 1 funil esparramador 1 pé de pato 1 grade 1 ensiladeira 1/3 1 classificador de sementes 1 ordenhadeira 4 cj 1 resfriador a granel 1 triturador 1 plataforma 2 aparelho de cerca elétrica ESTADO Ótimo Regular Bom Regular Bom Ótimo Bom Bom Bom Bom Bom Bom Ótimo Ótimo Bom Ótimo Bom Fonte: Março/2012. 4.2.3 Composição do Rebanho Referente ao rebanho, de acordo com o gráfico 1, a propriedade conta com um plantel composto por 50 animais da raça holandesa e jersey, destinados a atividade leiteira, sendo divididos da seguinte forma: 25 vacas, destas em média 22 vacas em lactação durante todos os meses do ano e uma média de 3 vacas secas, e também conta com 25 novilhas, as quais se tornarão futuramente vacas aumentando a produtividade na propriedade. Para a subsistência da família tem-se em média de 8 cabeças de gado de corte anualmente. Vacas lactação (holandesa e jersey) 8 22 Vacas secas (holandesa e jersey) Novilhas (holandesa e jersey) 25 3 Gráfico 1: Composição do rebanho. Fonte: Março/2012. Gado de corte (red angus) 41 Além do rebanho de bovinos citados, a propriedade cria em média 4 suínos, e 10 ovelhas para sua subsistência. Figura 3: Foto de parte do rebanho da propriedade. Fonte: Março/2012. 4.3 Análise Econômica da Propriedade Rural A análise econômica objetiva mostrar os tipos de atividades realizadas na propriedade, com os seus respectivos resultados econômicos, que vão desde os custos para sua produção, como também a receita ou prejuízo gerado por cada atividade. 4.3.1 Receita Bruta das Atividades Agrícolas Neste tópico busca-se apresentar a receita bruta de todas as atividades desempenhadas na propriedade destinadas a comercialização. Os dados utilizados no trabalho referem-se ao ano safra 2010/2011, sendo que para a atividade leiteira refere-se apenas ao ano de 2011. Quadro 5: Receita bruta das atividades comercializadas pela propriedade ATIVIDADES ÁREA Soja Milho silagem (2 safras) Pastagem de verão Grama tifton Trigo Aveia/pastagem Aveia branca Potreiro Açude Mato Subsistência/moradia Leite TOTAL Fonte: Safra 2010/2011. 85,0 6,0 3,0 3,0 50,0 35,0 3,0 1,5 0,3 2,7 1,0 54,5 102,5 RENDIMENTO NORMAL 50 0,0 0,0 0,0 48 0,0 30,0 0,0 0,0 0,0 0,0 122.400 PRODUÇÃO TOTAL 4.250 0 0 0 2.400 0 90 0 0 0 0 122.400 PREÇO NORMAL 40,00 24,00 0,70 VALOR TOTAL 170.000,00 0,00 0,00 0,00 57.600,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 85.680,00 313.280,00 42 Portanto conforme o quadro 5 foi possível analisar o valor total da receita bruta das atividades que visam gerar renda para a propriedade. Para a produção da soja foram utilizados 85 hectares, sendo que na safra 2010/2011 a produtividade média ficou em 50 sacas por hectare, totalizando 4.250 sacas na sua área total cultivada, a um preço médio de R$ 40,00 a saca, gerou uma receita bruta de R$ 170.000,00. No período do inverno a cultura que ganha destaque é o trigo, para o qual foi utilizado uma área de 50 hectares, onde o mesmo teve um rendimento de 48 sacas por hectare, somando 2.400 sacas em sua área total cultivada, tendo este como preço de venda R$ 24,00 a saca, gerando uma receita bruta de R$ 57.600,00. A produção de leite contribui muito na renda agrícola da propriedade, sendo que para o rebanho leiteiro são utilizados 54,5 hectares de terra durante o verão e inverno, distribuídos da seguinte forma: 6 hectares de milho para silagem (duas safras ano = 12 há/ano), 3 hectares para pastagem de verão, 3 hectares para grama tifton, 35 hectares para pastagem de inverno, e 1,5 hectare de potreiro. A produção anual de leite comercializada foi de 122.400 litros de leite, comercializados a um preço médio de R$ 0,70 o litro, totalizou uma receita bruta de R$ 85.680,00. Portanto essas atividades (soja, trigo, e leite), se comercializadas nas suas totalidades geram uma receita bruta de R$ 313.280,00 durante o ano. 27,35% 54,26% 18,39% Soja Trigo Leite Gráfico 2: Percentual da receita bruta das atividades comercializadas. Fonte: Março/2012. Conforme o gráfico 2 a soja é a cultura que representa o maior percentual da receita bruta das atividades comercializadas pela propriedade (54,26%), em segundo lugar está a produção de leite, que representa 27,35% da receita bruta, e em seguida o trigo que representa 18,39% da receita bruta da propriedade. 43 4.3.2 Atividade de Subsistência Através do quadro 6 é possível verificar o volume anual consumido da propriedade para sua subsistência. Entre os vários produtos citados, percebe-se que são consumidos em média por ano, 150 quilos de carne de frango, 1000 litros de leite, 500 quilos de carne bovina, 250 quilos de carne suína, 150 dúzias de ovos, 60 quilos de carne de ovelha, 150 quilos de batata inglesa, 50 quilos de batata doce e 200 quilos de mandioca. Somando todos os valores dos principais produtos consumidos pela propriedade durante um ano, totalizou-se um montante de R$ 6.477,50. Quadro 6: Receita bruta das atividades para a subsistência ATIVIDADE Carne Frango Leite Carne Bovina Carne Suínos Ovos Carne Ovelha Batata inglesa Batata doce Mandioca TOTAL Fonte: Março/2012. ÁREA 1 PRODUÇÃO CONSUMIDA 150 1000 500 250 150 60 150 50 200 PREÇO NORMAL VALOR TOTAL 3,00 0,70 5,50 4,00 2,50 7,00 0,80 1,25 3,00 450,00 700,00 2.750,00 1.000,00 375,00 420,00 120,00 62,50 600,00 6.477,50 1 Para a atividade de subsistência a propriedade necessita de 1 hectare de terra. Destacase a importância de analisar o valor total gasto com a subsistência, pois se a família não produzisse estes alimentos gastariam com a compra dos mesmos, ou também se não utilizassem para seu consumo poderiam estar comercializando no mercado local. Quadro 7: Receita bruta total da propriedade ATIVIDADES ÁREA Soja Milho silagem (2 safras) Pastagem de verão Grama tifton Trigo Aveia/pastagem Aveia branca Potreiro Açude Mato Subsistência/moradia Leite TOTAL Fonte: Safra 2010/2011. 85,0 6,0 3,0 3,0 50,0 35,0 3,0 1,5 0,3 2,7 1,0 54,5 102,5 RENDIMENTO NORMAL 50 0,0 0,0 0,0 48 0,0 30 0,0 0,0 0,0 0,0 122.400 PRODUÇÃO TOTAL 4.250 0 0 0 2.400 0 90 0 0 0 0 122.400 PREÇO NORMAL 40,00 24,00 0,70 VALOR TOTAL 170.000,00 0,00 0,00 0,00 57.600,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 6.477,50 85.680,00 319.757,50 44 Conforme mostra o quadro 7, somando-se a receita bruta das atividades destinadas à comercialização da propriedade no valor de R$ 313.280,00 juntamente com a atividade para a subsistência no valor de R$ 6.477,50 obtém-se uma receita bruta total na propriedade no valor de R$ 319.757,50 durante o ano. 4.4 Custos das Atividades Desenvolvidas na Propriedade Neste tópico serão apresentados os custos de cada atividade desenvolvida na propriedade durante o período analisado, dentre elas estão à soja, trigo, aveia branca, atividade de subsistência, e os custos com o rebanho leiteiro. 4.4.1 Soja A primeira atividade a ser analisada é à soja, sendo utilizados 85 hectares para sua plantação. Para a plantação da lavoura o proprietário busca comprar sementes no comércio local, objetivando uma melhor qualidade de produto, sendo esta uma semente fiscalizada e de melhor qualidade garantindo uma melhor produção e consequentemente um melhor resultado. O plantio da soja é realizado no período de verão, iniciando no mês de outubro e estendendo-se até o mês de dezembro, tendo como sistema utilizado o plantio direto, o qual facilita muito o trabalho do proprietário, diminuindo também os riscos de erosões e uma melhor qualidade da terra. Em torno do mês de abril inicia-se a colheita da soja e posteriormente sua armazenagem. Apesar de ser uma pequena propriedade, o proprietário está sempre buscando novas tecnologias referentes ao cultivo da soja, como novas variedades de sementes, produtos que possam aumentar o rendimento da cultura. O proprietário planeja sua plantação utilizando em média seis variedades diferentes de soja e também busca planta-las em períodos diferentes, evitando problemas ainda maiores em casos de falta de chuvas, e irregularidades que possam vir a ocorrer no período do seu desenvolvimento. Para cada hectare plantado utilizou-se uma saca de semente de 40 quilos, que recebe um tratamento de defensivos e agroquímicos antes de sua plantação. Utilizou-se também 300 quilos de adubo por hectare, 4 litros de secante, que é aplicado por duas vezes, a primeira antes de iniciar a plantação e a segunda conforme o surgimento de ervas daninhas, também é realizado duas aplicações de fungicida no período de floração da soja e três aplicações de inseticidas contra pragas (lagarta da soja, fede-fede e ácaro). Ainda é gasto em média por 45 hectare 50 litros de óleo diesel para plantação, aplicações de secante, inseticidas, fungicidas e colheita e transporte do produto, além do royalty pago para ter o direito de produzir a soja transgênica. Quadro 8: Custos para o cultivo da soja ATIVIDADE ITENS (Insumos/serviços) Soja QUANT./HA Quant.Consumida Unidades 1 1 300 4 1 0,6 50 85 85 25500 340 85 51 4250 4.250 Sacas Sacas Kg Litros Litros Litros Litros R$ Semente Tratamento Semente NPK 02-25-25 Secante o Fungicida Inseticida Óleo diesel Royalty TOTAL Fonte: Safra 2010/2011. ÁREA (ha): 85 Preço Unitário Valor Total 47,00 3.995,00 40,00 3.400,00 1,15 29.325,00 5,75 1.955,00 66,00 5.610,00 60,00 3.060,00 1,95 8287,50 0,80 3400,00 Custo/há 59.032,50 694,50 Todos estes itens citados para o cultivo da soja totalizam um custo de R$ 694,50 por hectare. Já o custo total dos oitenta e cinco hectares plantados é de R$ 59.032,50. 4.4.2 Trigo No período de inverno, aproximadamente no mês de junho, a principal cultura cultivada e que acrescenta na renda da propriedade é o trigo, cultivado em uma área de 50 hectares. O trigo é uma cultura com elevado custo e alto risco para o produtor por ser considerado uma planta muito sensível ao clima, pois necessita de frio intenso para seu desenvolvimento, sendo também necessários muitos cuidados evitando aparecimento de pragas e ferrugem na folha. Quadro 9: Custos para o cultivo do trigo ATIVIDADE ITENS QUANT./HA (Insumos/serviços) Semente 180 Tratamento semente 1 NPK 05 20 20 250 Uréia 150 Secante 2 Fungicida 1 Inseticida 0,2 Óleo Diesel 40 TOTAL Fonte: Fonte: Safra 2010/2011. ÁREA (ha): Trigo Quant.Consumida Unidades 9000 Kg 50 12500 7500 100 50 10 2000 Sacas Kg Kg Litros Litros Litros Litros 50 Preço Valor Total Unitário 1,00 9.000,00 20,00 1,00 1,15 5,75 66,00 60,00 1,95 1.000,00 12.500,00 8.625,00 575,00 3.300,00 600,00 3.9000,00 Custo/ha 39.500,00 790,00 46 Para cada hectare plantado de trigo utilizou-se 180 quilos de semente, que recebe um tratamento de defensivos e agroquímicos antes de sua plantação. Utilizou-se também 250 quilos de adubo, 150 quilos de uréia, 2 litros de secante para o controle das ervas daninhas, 1 litro de fungicida, 0,2 litros de inseticida, e gasto em média por hectare 50 litros de óleo diesel para plantação, aplicações de inseticidas, fungicidas, secante, uréia e para colheita e transporte do produto. Todos estes itens citados para o cultivo do trigo totalizam um custo de R$ 790,00 por hectare. Já o custo total dos 50 hectares plantados é de R$ 39.500,00. 4.4.3 Aveia Branca Em 3 hectares da propriedade é cultivada aveia branca para consumo animal (ovelhas, cavalos, galinhas), sendo que na sua sobra, serve de alimento também para os outros animais. Para o cultivo da aveia branca é gasto por hectare 80 quilos de semente, 200 quilos de adubo, 100 quilos de uréia, utiliza-se 2 litros de secante para controle de ervas daninhas, 0,2 litros de inseticidas para controle de pragas, 1 litro de fungicida para evitar ferrugem na aveia, e 40 litros de óleo diesel para sua plantação, aplicação de uréia, secante, inseticida, fungicida e colheita e armazenagem do produto, totalizando um custo de R$ 716,50 por hectare. Já o custo total dos 3 hectares plantados é de R$ 2.149,50. Quadro 10: Custos para o cultivo da aveia branca ATIVIDADE ITENS (Insumos/serviços) Semente NPK 05 20 20 Uréia Secante Inseticida Fungicida Óleo diesel Aveia branca ÁREA (ha): 3 Preço Unitário QUANT./HA Quant. Consumida Unidades 80 200 100 2 0,2 1 40 240 600 300 6 2 10 120 Kg Kg Kg Litros Litros Litros Litros TOTAL Fonte: Safra 2010/2011. 0,65 1,00 1,15 5,75 60,00 66,00 1,95 Valor Total 156,00 600,00 345,00 34,50 120,00 660,00 234,00 Custo/ha 2.149,50 716,50 4.4.4 Subsistência Conforme mostra o quadro 11, para a subsistência se gasta por ano R$ 64,00 com a compra de pintos, os quais consomem 15 sacos de milho e 12 sacos de concentrado, também são gastos 3 sacos de sal com o gado de corte, juntamente com 20 sacos de ração. O restante do milho e concentrado é adicionado juntamente com 15 sacos de ração para a engorda dos suínos, totalizando um custo de R$ 1.840,00 no ano. 47 Quadro 11: Custos com a atividade de subsistência ATIVIDADE ITENS (Insumos/serviços) Subsistência Quant.Consumida Unidades Pintos 40 Unidades Sal comum 3 Milho Concentrado ÁREA (ha): 1 Preço Unitário Valor Total 1,6 64,00 Sc 12,00 36,00 20 Sc 26,00 520,00 20 Sc 26,00 520,00 Ração bovina 20 Sc 20,00 400,00 Ração Suínos 15 Sc 20,00 300,00 TOTAL Fonte: Ano de 2011. 1.840,00 4.5 Custos com o Rebanho Leiteiro Conforme descrito anteriormente, na propriedade existe um rebanho de gado leiteiro de 25 vacas, dentre as quais tem-se uma média de 22 vacas em lactação durante todos os meses do ano, tendo como produção média aproximada de 16 litros/dia por vaca, além de mais 25 novilhas. A atividade do leite é diária, já que existe a necessidade de ordenha das vacas duas vezes ao dia, sendo que a retirada do leite se dá através de conjuntos de teteiras que são colocados nos úberes das vacas e a transferência do leite até o tanque resfriador é pelo sistema canalizado onde irá resfriar o mesmo a uma temperatura de 2 a 4ºC. Após a ordenha pela manhã o rebanho leiteiro é levado para as pastagens. O sistema de pastejo é rotativo, ou seja, compreende a interrupção do pastoreio para manter a pastagem em repouso por certo tempo, sendo a área dividida em piquetes. Este manejo proporciona racionalizar a oferta de pastagem para o gado buscando a máxima produção de forragem com a qualidade nutricional e é válido para o inverno e o verão. O fornecimento de silagem é efetuado duas vezes ao dia acompanhado da ração (sempre após as ordenha). Logo após a ordenha da tarde, os animais são soltos e ficam durante a noite no potreiro. Em seguida tem-se a figura 4 com as etapas do processo da atividade leiteira. 48 DESCANSO POTREIRO MANHÃ ALIMENTAÇÃO: RAÇÃO E SILAGEM ORDENHA ALIMENTAÇÃO: RAÇAO E SILAGEM ORDENHA ALIMENTAÇÃO : REBANHO NA PASTAGEM POTREIRO TARDE Figura 4: Fluxograma do processo da produção leiteira. Fonte: Criado pelo autor. No quadro 12 segue os custos com o rebanho leiteiro. Quadro 12: Custos com o rebanho leiteiro Leite Rebanho Milho silagem (2 safras) Pastagem de verão Grama tifton Aveia/pastagem Ração Sal comum Sal mineral Higiene Medicamentos Energia elétrica Sêmen Veternário Gastos ordenhadeira Combustível Total Fonte: Ano de 2011. Un. Cab. Ha Ha Ha Ha Kg Sc Sc Mês R$ Mês Dose Litros Quantidade 50 12,0 3,0 3,0 35,0 30000,00 20,0 5,0 12,0 12,0 12,0 40,0 24,0 1,0 365 CI/Un. 757,25 687,50 1.011,75 379,00 0,66 12,00 60,00 100,00 100,00 100,00 40,00 35,00 100,00 1,95 Total 0,00 9.087,00 2.062,50 3.035,25 13.265,00 19.800,00 240,00 300,00 1.200,00 1.200,00 1.200,00 1.600,00 840,00 100,00 711,75 54.641,50 49 Portanto para alimentação do gado leiteiro (vacas e novilhas) gastou-se no ano, R$ 9.087,00 com a plantação do milho para silagem, R$ 2.062,50 na pastagem de verão, a grama tifton teve um custo de R$ 3.035,25 e com a pastagem de inverno gastou-se R$ 13.265,00. Além destes, gastou-se também R$ 19.800,00 com ração, R$ 540,00 com sal comum e mineral, R$ 1.200,00 com higiene (detergentes, aventais, papel toalha,...), R$ 1.200,00 em medicamentos (vermífugo, carrapaticida, remédios para mastite,...), R$ 1.200,00 com energia elétrica, R$ 1.600,00 em doses de sêmen, para a inseminação das vacas, R$ 840,00 com visitas e assistências de veterinário, R$ 100,00 com gastos da ordenhadeira e R$ 711,75 com óleo diesel no transporte da silagem até o galpão para poder tratar os animais, totalizando um custo anual na atividade leiteira de R$ 54.641,50. 4.5.1 Milho silagem A silagem é um método de colheita antecipada da forragem que se pretende conservar por um longo período de tempo a fim de oferecer ao rebanho leiteiro alimento de boa qualidade com suas respectivas características nutricionais. São utilizados 6 hectares da propriedade para a plantação de milho para a silagem, que ocorrem duas safras durante o ano, totalizando 12 hectares de terra para a plantação do milho por ano. Para a produção da silagem são necessários quatro tratores, um para triturar o milho juntamente com a ensiladeira, dois tratores os quais ficam acoplados cada um a uma carreta agrícola, transportando o milho triturado até seu destino final (vala realizada na terra), e mais um trator que fica socando o milho triturado. Figura 5: Foto do local de armazenagem do milho/silagem. Fonte: Março/2012. 50 Quadro 13: Custos para o cultivo do milho silagem ATIVIDADE ITENS (Insumos/serviços) Milho silagem (2 safras) ÁREA (ha): QUANT./HA Quant.Consumida Unidades Semente Tratamento Semente NPK 05 20 20 Uréia Secante Adubo folhar Lona preta Óleo diesel silagem Óleo diesel plantar TOTAL Fonte: Ano de 2011. 1 1 300 100 2 2 5 30 15 12 12 3600 1200 24 24 60 360 180 Sacas R$ Kg Kg Litros Litros Metros Litros Litros 12 Preço Unitário 150,00 25,00 1,00 1,15 5,75 9,00 10,00 1,95 1,95 Valor Total 1.800,00 300,00 3.600,00 1.380,00 138,00 216,00 600,00 702,00 351,00 Custo/há 9.087,00 757,25 Para cada hectare plantado utilizou-se um saco de semente com tratamento de fungicida e inseticida, 300 quilos de adubo, 100 quilos de uréia, 2 litros de secante para o controle de ervas daninhas, 2 litro de adubo folhar, 5 metros de lona preta e 45 litros de óleo diesel para sua plantação, aplicação de produtos e transporte até seu destino final, totalizando um custo de R$ 757,25 por hectare. O custo total para a plantação das duas safras de milho foi de R$ 9.087,00. 4.5.2 Pastagem de Verão A pastagem de verão é cultivada numa área de 3 hectares, apenas para o gado leiteiro (vacas em lactação). A área para pastagem é semeada com aveia de verão, uma forrageira que serve de ótima alimentação para o gado leiteiro, plantada no mês de setembro. Quadro 14: Custos para o cultivo da pastagem de verão ATIVIDADE ITENS (Insumos/serviços) Semente NPK 05 20 20 Uréia Secante Inseticida Óleo diesel TOTAL Fonte: Ano de 2011. Pastagem de verão ÁREA (ha): QUANT./HA Quant.Consumida Unidades 15 250 300 2 0,2 20 45 750 900 6 0,6 60 Kg Kg Kg Litros Litros Litros 3 Preço Unitário Valor Total 2,00 90,00 1,00 750,00 1,15 1.035,00 5,75 34,50 60,00 36,00 1,95 117,00 Custo/ha 2.062,50 687,50 51 Foram gastos por hectare 15 quilos de semente, 250 quilos de adubo, 300 quilos de uréia, a qual é aplicada alternadamente conforme a necessidade da pastagem, 2 litros de secante para controle de ervas daninhas e 0,2 litros de inseticida para o controle de pragas. Também são gastos 20 litros de óleo diesel para sua plantação, aplicação de uréia, secante e inseticida, totalizando um valor de R$ 687,50 por hectare. Já o custo total para os 3 hectares plantados é de R$ 2.062,50. 4.5.3 Grama Tifton A grama tifton é considerada uma forrageira de muita qualidade para alimentação animal, porem necessita de fortes doses de adubação para seu bom desenvolvimento. Um dos seus grandes diferenciais em relação a outras forrageiras refere-se a sua plantação, pois plantada uma vez não há necessidade de plantá-la cada ano. Para cada hectare da grama aplicam-se anualmente 300 quilos de adubo, 600 quilos de uréia, 0,2 litros de inseticida para o controle de pragas, e se utiliza 5 litros de óleo diesel, totalizando um custo por hectare de R$ 1.011,75. Já o custo total para os 3 hectares é de R$ 3.035,25. Quadro 15: Custos com a grama tifton ATIVIDADE ITENS (Insumos/serviços) ÁREA (ha): Grama tifton QUANT./HA Quant.Consumida Unidades NPK 05 20 20 Uréia Inseticida Óleo diesel TOTAL Fonte: Ano de 2011. 300 600 0,2 5 900 1800 0,6 15 Kg Kg Litros Litros 3 Preço Unitário Valor Total 1,00 900,00 1,15 2.070,00 60,00 36,00 1,95 29,25 3.035,25 Custo/há 1.011,75 4.5.4 Pastagem de Inverno A pastagem de inverno é cultivada em uma área de 35 hectares, onde é semeada aveia preta destinada apenas para o gado leiteiro (vacas e novilhas). Neste caso 20 hectares são destinados às vacas que estão em lactação e 15 hectares destinados às novilhas que futuramente serão vacas. Nesta época do ano com o plantio da pastagem de inverno, se obtém um maior lucro devido a grande produtividade da aveia aumentando a produção leiteira. O quadro 16 mostra os custos com a pastagem de inverno. 52 Quadro 16: Custos para o cultivo da pastagem de inverno ATIVIDADE ÁREA (ha): Aveia/pastagem ITENS (Insumos/serviços) Semente NPK 05 20 20 Uréia Inseticida Óleo diesel TOTAL Fonte: Ano de 2011. QUANT./HA Quant.Consumida Unidades 90 150 100 0,2 20 3150 5250 3500 7 700 Kg Kg Kg Litros Litros 35 Preço Unitário 0,70 1,00 1,15 60,00 1,95 Valor Total 2.205,00 5.250,00 4.025,00 420,00 1.365,00 Custo/ha 13.265,00 379,00 Com esta cultura gastou-se por hectare 90 quilos de semente, 150 quilos de adubo, 100 quilos de uréia, 0,2 litros de inseticida para controle de pragas, e 20 litros de óleo diesel, totalizando um custo de R$ 379,00 por hectare. Já o custo total para os 35 hectares é de R$ 13.265,00. 4.6 Gastos Gerais da Propriedade O quadro 17 apresenta os gastos gerais para manter as máquinas e equipamentos utilizados durante o ano nas atividades da propriedade, como graxa, óleo lubrificante e consertos e reparos anuais, além da energia elétrica utilizada na propriedade. É importante ressaltar que o valor do óleo diesel consumido durante o ano na propriedade não esta somado neste quadro pois esta distribuído em cada cultura. Quadro 17: Gastos gerais ITENS QUANTIDADE VALOR TOTAL Óleo diesel DISTRIBUIÇÃO DOS GASTOS ATIVIDADES CRITÉRIO VALOR Graxa Consertos anuais 2 240,00 Soja 85 3.013,44 1 5.000,00 Trigo 50 Energia elétrica 12 1.200,00 Aveia branca 3 106,36 Óleo lubrificante 3 420,00 Subsistência/moradia 1 35,45 Leite 54,5 1.932,14 193,5 6.860,00 1.772,61 PREÇOS Graxa Consertos anuais 5000 Energia elétrica 100 Óleo lubrificante 140 TOTAL Fonte: Safra 2010/2011. 120 6.860,00 53 Conforme o quadro 17 gastou-se R$ 240,00 com graxa, R$ 5.000,00 com consertos e reparos nas máquinas e equipamentos, R$ 1.200,00 em energia elétrica, e R$ 420,00 com óleo lubrificante, totalizando R$ 6.860,00 durante o ano. O critério do valor da distribuição dos gastos é calculado conforme a quantidade de hectares de terra utilizados para cada atividade. Em seguida encontra-se o quadro 18 com o valor total dos custos para cada atividade. Quadro 18: Valor total dos custos das atividades da propriedade ATIVIDADES Soja Trigo Aveia Branca Subsistência/moradia Leite TOTAL Fonte: Safra 2010/2011. CUSTOS DAS ATIVIDADES 59.032,50 39.500,00 2.149,50 1.840,00 54.641,50 RATEIO GASTOS GERAIS CUSTO TOTAL 3.013,44 1.772,61 106,36 35,45 1.932,14 6.860,00 62.045,94 41.272,61 2.255,86 1.875,45 56.573,64 164.023,50 Através do quadro 18 foi possível verificar o valor total dos custos por atividade, que resulta da soma do custo de cada atividade mais o valor do rateio dos gastos gerais. Portanto com o cultivo da soja gastou-se R$ 62.045,94, com o trigo R$ 41.272,62, a aveia branca teve um custo total de R$ 2.255,86, já com a atividade de subsistência R$ 1.875,45 e com o leite um custo de R$ 56.573,64, totalizando R$ 164.023,50 de custo para todas as atividades realizadas na propriedade durante o ano. 4.7 Outros Gastos Outros gastos foram considerados os impostos como o funrural, juros com financiamentos, pagamento de anuidade como associado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Augusto Pestana, pagamento de ITR e o custo com arrendamento de terra. Quadro 19: Impostos e financiamentos Funrural Funrural Funrural Juros Juros Sindicato Arrendamento ITR Soja Trigo Leite Custeio Investimento VALOR 3.910,00 1.324,80 1.970,64 1.250,00 1.400,00 140,00 27.720,00 50,00 37.765,44 Fonte: Safra 2010/2011. 54 O funrural é um imposto de 2,3% descontado sobre todos os produtos vendidos durante o ano em uma propriedade rural, para futuramente os proprietários terem o direito de se aposentar como agricultores. O proprietário utiliza recursos do Pronaf – Programa Nacional da Agricultura Familiar para o custeio da cultura da soja, onde se gastaram R$ 1.250,00 de juro para 40 hectares de soja financiados, sendo que os restantes dos custos das demais atividades provêm de recursos próprios. Também foram gastos R$ 1.400,00 durante o ano de juros com investimento do Programa mais Alimentos, sendo este uma linha de crédito com juros de 2% ao ano, no qual foi adquirido um trator para a propriedade. É realizado pagamento anual de R$ 140,00 junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município de Augusto Pestana, o qual trás vários benefícios aos associados, tais como: sementes de milho de diversas variedades e com preços diferenciados, auxílio odontológico, plano de internet e telefone com preços especiais, encaminha benefícios de acidente de trabalho, aposentadoria, disponibiliza e auxilia do “banco da terra”, programa este para agricultores de pequena renda ter acesso à compra de terra com juros baixos e elevados prazos para pagamento, e também encaminha proposta de casa própria financiada, o chamado programa “minha casa minha vida”. Ainda gastam-se R$ 27.720,00 com arrendamento referente a 66 hectares de terra arrendados, R$ 50,00 com ITR – Imposto Territorial Rural, totalizando R$ 37.765,44 durante o ano. Em seguida tem-se o gráfico abaixo demonstrando a receita bruta, custos (inclusive desconto funrural), e a renda agrícola das atividades da propriedade destinadas à comercialização. R$180.000,00 R$160.000,00 R$140.000,00 R$120.000,00 R$100.000,00 R$80.000,00 R$60.000,00 R$40.000,00 R$20.000,00 R$- Soja Trigo Leite Receita Bruta R$170.000,00 R$57.600,00 R$85.680,00 Custos R$65.955,94 R$42.597,41 R$58.544,28 Renda Agrícola R$104.044,06 R$15.002,59 R$27.135,72 Gráfico 3: Receita bruta, custos e renda agrícola por atividade destinada a comercialização. Fonte: Safra 2010/2011. 55 Conforme mostra o gráfico 3, é possível observar a renda agrícola das atividades desenvolvidas na propriedade destinadas para comercialização. A soja teve uma receita bruta de R$ 170.000,00, descontando todos os custos para sua produção no valor de R$ 65.955,94, chega-se a uma renda agrícola de R$ 104.044,06. O trigo teve uma receita bruta de R$ 57.600,00, porem teve um custo elevado de produção no valor de R$ 42.597,41, chegando a uma renda agrícola de R$ 15.002,59. Já a atividade leiteira teve uma receita bruta de R$ 85.680,00 durante o período analisado, tendo 58.544,28 de custo com o rebanho leiteiro, chegando a uma renda agrícola de R$ 27.135,72. 4.8 Depreciação A depreciação representa o desgaste que um bem adquire durante um período de vida útil econômico, ou também se pode dizer a perda de valor que sofrem os bens de capital por causa dos anos de operação. Neste tópico estão apresentadas as depreciações das instalações, máquinas e equipamentos utilizados na propriedade. Referente à depreciação dos animais não será calculada devido considerar que cada vaca ou novilha deixa uma cria por ano, e depois de perder a capacidade de produção as mesmas são abatidas e vendidas. 4.8.1 Depreciação das Instalações Para o calculo da depreciação de instalações é necessário identificar o tipo de construção, ou seja, se é de alvenaria, mista (madeira e alvenaria) ou madeira e também a área construída. Conforme o quadro 20 tem-se o valor por metros quadrados e a durabilidade em anos das instalações. Para construções de alvenaria o valor do metro quadrado é de R$ 210,25 e a durabilidade é em média 50 anos, já para instalações mistas o valor do metro quadrado é de R$ 168,20 com durabilidade de 30 anos, e para as construções de madeira o valor do metro quadrado é de R$ 126,15 com durabilidade de 20 anos. Quadro 20: Valor do metro quadrado e durabilidade das instalações 2 Valor M 210,25 Alvenaria 168,20 Mista 126,15 Madeira Fonte: Ano 2010/2011. Durabilidade 50 Anos 30 Anos 20 Anos As instalações da propriedade estão distribuídas em galpões de diversos tamanhos onde o tipo de construção predominante é a de madeira, tendo também uma casa de alvenaria 56 para moradia dos proprietários, conforme citado anteriormente. Conforme o quadro 21, a depreciação das instalações da propriedade é de R$ 3.436,33 durante o ano. Quadro 21: Depreciação das instalações DEPRECIAÇÃO DAS INSTALAÇÕES Área Tipo Construída 1 galpão madeira 1 galpão (sala de ordenha) 1 galpão madeira 1 galpão madeira 1 galpão + estábulo misto 1 galpão madeira 1 casa habitação TOTAL Fonte: Março/2012. Valor CUB: Valor do 2 m 900,00 10/04/2012 Duração em Depreciação Valor Total Anos Anual 140,0 m2 60,0 m2 40,0 m2 130,0 m2 60,0 m2 98,0 m2 126,15 168,20 126,15 126,15 168,20 126,15 17.661,00 10.092,00 5.046,00 16.399,50 10.092,00 12.362,70 20 30 20 20 30 20 794,75 302,76 227,07 737,98 302,76 556,32 136,0 m2 210,25 28.594,00 50 514,69 3.436,33 4.8.2 Depreciação das Máquinas e Equipamentos O quadro 22 apresenta o valor da depreciação das máquinas e equipamentos utilizados na produção e subsistência da propriedade. Quadro 22: Depreciação das máquinas e equipamentos Tipo 1 trator traçado 1 trator menor (valmet 86) 1 plantadeira 1 carreta agrícola 4 ton 1 colheitadeira 1 pulverizador 1 caminhão 1 funil esparramador 1 pé de pato 1 grade 1 ensiladeira 1/3 1classificador de sementes 1 ordenhadeira 4 cj 1 resfriador a granel 1 triturador 1 plataforma 2 aparelho de cerca elétrica TOTAL Fonte: Março/2012. Quantidade 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 Valor Unitário 70.000,00 20.000,00 25.000,00 2.500,00 25.000,00 10.000,00 20.000,00 1.800,00 300,00 700,00 4.000,00 3.000,00 18.000,00 8.500,00 600,00 1.500,00 50,00 Valor Duração em Depreciação Total Anos Anual 70.000,00 25 2.240,00 20.000,00 25 640,00 25.000,00 10 2.000,00 2.500,00 15 133,33 25.000,00 10 2.000,00 10.000,00 10 800,00 20.000,00 20 800,00 1.800,00 15 96,00 300,00 20 12,00 700,00 20 28,00 4.000,00 7 457,14 3.000,00 15 160,00 18.000,00 10 1.800,00 8.500,00 15 453,33 600,00 20 24,00 1.500,00 10 120,00 100,00 2 50,00 11.813,81 Portanto, determinou-se a depreciação dos bens conforme a sua utilização e durabilidade em anos, onde foi realizada uma média conforme cada máquina e equipamento, 57 que na verdade podem ter durações bem maiores em anos, dependendo do manuseio e cuidados que se tem com as mesmas. A depreciação das máquinas e equipamentos da propriedade totalizam R$ 11.813,81 durante o ano. Segue no quadro 23 o valor total das depreciações na propriedade. Quadro 23: Total das depreciações Depreciação das Instalações Depreciação das Máquinas e Equipamentos TOTAL Fonte: Cálculo das tabelas anteriores. 3.436,33 11.813,81 15.250,14 Portanto para o valor total, soma-se o valor da depreciação das instalações referentes aos galpões e a casa, e o valor da depreciação das máquinas e equipamentos, totalizando R$ 15.250,14 no ano. 4.9 Resultado Econômico do Sistema de Produção Quadro 24: Síntese dos resultados econômicos UTF 2 ITENS SAU TOTAL Ha 99,5 % RECEITA BRUTA 319.757,50 3.213,64 100% CUSTO TOTAL 164.023,50 1.648,48 51,30 VALOR AGREGADO BRUTO 155.734,00 1.565,17 48,70 15.250,14 153,27 4,77 140.483,86 1.411,90 43,93 37.765,44 102.718,42 51.359,21 379,55 1.032,35 - 11,81 32,12 - DEPRECIAÇÃO TOTAL VALOR AGREGADO LÍQUIDO DISTRIBUIÇÃO DO VALOR AGREGADO RENDA AGRÍCOLA REMUNERAÇÃO DO TRABALHO Fonte: Safra 2010/2011. Portanto após analisar todo o desenvolvimento das atividades realizadas na propriedade, juntamente com seus custos e receitas durante o período analisado, pode-se observar através do quadro dos resultados econômicos que a propriedade teve uma receita bruta no valor de R$ 319.757,50, descontando os custos totais com as atividades desenvolvidas no valor de R$ 164.023,50 obteve-se o valor agregado bruto de R$ 155.734,00, tendo também R$ 15.250,14 de depreciação com máquinas, equipamentos e instalações, chegando a um valor agregado líquido de R$ 140.483,86, descontando ainda a distribuição do valor agregado, que seriam gastos com arrendamento, funrural, pagamento de impostos e juros de financiamentos no valor de R$ 37.765,44 chegou-se a uma renda agrícola anual de R$ 102.718,42. 58 A UTF1 identifica a quantidade de pessoas que trabalham na propriedade, a qual divide a renda agrícola entre os mesmos. Neste caso da propriedade rural Gerhardt, conta-se 1 para o proprietário Sr. Clóvis Gerhardt, para sua esposa Sr. Mirna Gerhardt 0,5 devido a mesma dedicar-se a metade do dia aos serviços domésticos, e para seu filho também contouse 0,5 pelo fato de que no período analisado no trabalho o mesmo estava realizando curso técnico durante meio dia, auxiliando apenas em um parte do dia nas tarefas da propriedade. Portanto como a renda agrícola da propriedade soma 102.718,42, distribuída entre as pessoas que trabalham chega-se ao valor da remuneração do trabalho individual, com renda anual de R$ 51.359,21. (média de R$ 4.279,93 ao mês para Clóvis, R$ 2.139,97 para Mirna, e R$ 2.139,97 para Alan). 1 Unidade de Trabalho Familiar. Metodologia utilizada de acordo com o autor Marc Dufumier (1996). 59 5 PROJETO PARA A PROPRIEDADE RURAL Sabe-se que assim como em qualquer outra empresa, as propriedades rurais também sempre tem algo a melhorar. Após analisar as atividades desenvolvidas na propriedade rural e verificar os resultados das mesmas, foi possível verificar que o cultivo da soja é a atividade que maior representa renda na propriedade, e que a produção de leite também é de grande importância, porém pode se tornar ainda mais significativa na renda da propriedade se for melhor planejada. Portanto este projeto tem como objetivo apresentar para a propriedade uma nova estrutura e planejamento na área da produção leiteira fazendo com que o produtor consiga uma maior produção, buscando uma maior renda para a propriedade. Para a realização do projeto seguiu-se a seguinte estrutura: análise de mercado; tamanho e engenharia; localização; investimento e financiamento; custos e receitas; e resultado. 5.1 Análise de Mercado O estudo de mercado busca reunir informações e conhecimentos para dimensionar a demanda atual e futura do bem ou serviço em análise, bem como identificar os principais fatores que influenciam ou determinam essa procura e o estabelecimento do preço do bem ou serviço. Através da análise de mercado obtêm-se muitos elementos importantes, tais como, o confronto entre a demanda e a oferta, a região em que o produto poderá ser comercializado, seu preço de venda, custos de comercialização, estoques nos canais de comercialização, concorrentes, fornecedores, entre outros. O projeto objetivará o aumento da produção leiteira na propriedade, buscando aumentar a renda agrícola da mesma, tendo como meta para o ano de 2012 uma produção de seiscentos litros de leite por dia, para o ano de 2013 oitocentos litros por dia, e para o ano de 2014 mil litros por dia. O município de Augusto Pestana é considerado muito forte na produção de leite, sendo que se encontra entre os quatros maiores produtores do estado do Rio Grande Do Sul. A produção de leite sem dúvida é uma das atividades que mais geram renda para o município, tanto é que o mesmo vem dando incentivos nos últimos anos aos produtores rurais, buscando recursos junto ao governo estadual e federal, para aquisição de máquinas, disponibilizando doses de sêmen, ajudando de uma forma ou de outra os produtores. 60 A comercialização do produto é realizada por empresas da região, onde ocorre grande concorrência pela compra do leite, o que faz com que o produtor consiga um melhor preço ao seu produto. O valor pago em média por um litro de leite é de R$ 0,70, porém o mesmo possui uma grande variação conforme o volume de produção e qualidade de cada propriedade. Vale ressaltar que quanto maior for a quantidade de leite produzida, maior será o preço ofertado pelo litro do produto. A seguir tem-se o quadro 25 com o preço pago em média por litro de leite que a propriedade pode alcançar de acordo com a qualidade e quantidade produzida que se pretende chegar. Quadro 25: Preço do litro de leite Quantidade leite produzida/dia Preço médio pago ao litro de leite 600 litros/dia R$ 0,77 a R$ 0,80 800 litros/dia R$ 0,81 a R$ 0,82 1000 litros/dia R$ 0,83 a R$ 0,86 Fonte: Março/2012. Como principais compradores de leite localizados na região pode-se citar a CCGL, BOM GOSTO, PERDIGÃO, entre outras novas empresas que estão surgindo e instalando-se para comercializar o produto, demonstrando que o mercado mostra-se atraente para a produção do leite. Atualmente o leite produzido na propriedade é comercializado pela empresa CCGL. Em relação à questão dos fornecedores para a aquisição de insumos agrícolas, alimentos para os animais, e demais equipamentos e utensílios utilizados para a produção de leite, o proprietário realiza seu negócios na COTRIJUÍ, sendo que o pagamento destes ocorre no dia do pagamento do leite. 5.2 Tamanho e Engenharia O tamanho de um projeto pode ser entendido como sua capacidade de produção durante um determinado período de tempo que se considera normal para as características e o tipo de projeto em estudo. O tamanho vincula-se especialmente com a potencialidade do mercado (atual e futuro) e com a capacidade da infraestrutura (recursos materiais, equipamentos, matéria-prima, recursos tecnológicos, recursos humanos). O objetivo do estudo da engenharia de um projeto é definir e especificar tecnicamente os elementos que compõem esse sistema, e as respectivas inter-relações de forma 61 suficientemente detalhada e precisa que permita a montagem e o funcionamento da unidade produtiva. Sabe-se que a atividade leiteira sempre trouxe bons resultados aos produtores rurais, e que no passado tinham-se muitas dificuldades para sua execução. A propriedade rural estudada vem a alguns anos trabalhando nesta atividade, e sabe que para quem vai iniciar neste ramo os investimentos são muito altos, pois além de ser necessários animais de boa genética para a produção de leite, também é preciso investir muito em estruturas para o funcionamento da unidade produtiva. Conforme observado no trabalho a propriedade possui uma boa estrutura para desenvolver a atividade leiteira contando também com animais de boa genética, porém para alcançar as metas estabelecidas buscando uma maior renda para a propriedade, será necessário um melhor planejamento com o rebanho leiteiro, desde alimentação, manejo, entre outros, como também alguns investimentos na propriedade. Portanto devido ao aumento do número de animais para os próximos anos, será necessária a ampliação de um galpão para alimentação das vacas, tendo este capacidade para 50 animais, uma desinsiladeira que auxiliará na retirada da silagem para facilitar o transporte da mesma até o tratador, também se propõe um sistema de irrigação para produzir mais alimentos para o gado, juntamente com uma roçadeira a qual servirá para cortar a grama e pastagens nos períodos que for necessário. Vale ressaltar que com o sistema de irrigação as vacas que antes permaneciam durante a tarde e noite no potreiro, ficarão na pastagem o dia todo, aumentando sua produção pelo fato de estar sendo ofertada uma maior quantidade de alimento. Foram utilizados no ano de 2011 uma área total de 54,5 hectares de terra para o rebanho leiteiro, distribuídos da seguinte forma: 12 hectares de milho para silagem, 3 hectares para pastagem de verão, 3 hectares de grama tifton, 35 hectares para pastagem de inverno, e 1,5 hectares de potreiro. Com a implantação do projeto buscando aumentar a produção leiteira, será necessário produzir mais alimento aos animais. Portanto para o ano de 2012 as áreas ocupadas tanto para a produção de grãos como para a produção do leite continuarão as mesmas, pois já para este ano se utilizará a irrigação de 3 hectares de grama tifton, sendo que o número de animais em lactação ainda não será tão expressivo. 62 Já para o ano de 2013 com o aumento do número para 40 vacas em lactação/dia, além das novilhas, será necessário uma maior quantidade de alimento para o rebanho. Portanto serão diminuídos 2 hectares da área de cultivo da soja, sendo que destes serão plantado 2 hectares a mais de milho para silagem (2 hectares, devido o milho ser cultivado duas vezes no ano), e 1 hectare também será acrescido para a plantação da pastagem de verão. E para o ano de 2014 conforme o projeto de estar com 50 vacas em lactação, propõese para a propriedade a redução de mais 2 hectares do cultivo da soja, aumentando assim mais 2 hectares da plantação de milho para silagem, e também mais 1 hectare para a plantação de pastagem de verão. A seguir é possível observar no gráfico 4 as mudanças das áreas da propriedade para os próximos anos. Soja 54,5 ha Leite 54,5 ha 57,5 ha 60,5 ha 85 ha 85 ha 2011 2012 83 ha 81 ha 2013 2014 Gráfico 4: Área de soja e leite para os próximos anos. Fonte: Março/2012. No tópico 5.7 (resultados da propriedade com o incremento da produção de leite) seguindo adiante, encontra-se a divisão detalhada do uso de hectares de terra utilizados para cada ano do projeto. 5.3 Localização A localização ótima do empreendimento é aquela que, logisticamente, atende os seguintes aspectos: minimização dos custos; adaptação a variações na escala de produção; proximidade e facilidade de acesso a matérias-primas e insumos; facilite o acesso ao mercado 63 consumidor; atenda requisitos de incentivos; e que contemple aspectos relativos ao meio ambiente. A localização objetiva analisar os fatores locacionais que influenciam a empresa, tais como: a existência e a procedência (distância) de matéria-prima, as exigências em termos de infraestrutura, a influência do custo de frete tanto para o transporte da matéria-prima como para o transporte junto ao cliente (praça de distribuição). Portanto referente ao novo projeto a localização permanecerá a mesma, e quanto à questão da irrigação será realizada dentro dos procedimentos legalmente necessários. Por ser uma propriedade localizada próxima à acidade torna-se fácil o acesso tanto para o proprietário realizar seus negócios como também para as empresas que negociam com o mesmo, ou seja, coletam o leite, fornecem a ração, entre outros. 5.4 Investimentos e Financiamento Sabe-se que em uma propriedade rural é imprescindível realizar investimentos para poder produzir com maior qualidade, buscando melhores resultados. Conforme anunciado no tópico da engenharia serão necessários alguns investimentos na atividade leiteira buscando aumentar sua rentabilidade, facilitando também às atividades do dia-a-dia do proprietário. Quadro 26: Investimentos para a propriedade Item Ampliação e reforma de Galpão Desinsiladeira Irrigação Roçadeira Aquisição de animais Total Quantidade 1 1 1 1 5 Valor Unitário R$ 10.000,00 R$ 17.500,00 R$ 15.000,00 R$ 5.000,00 R$ 2.500,00 Valor Total R$ 10.000,00 R$ 17.500,00 R$ 15.000,00 R$ 5.000,00 R$ 12.500,00 R$ 60.000,00 Fonte: Março/2012. Portanto conforme mostra o quadro 26 se terá como investimentos no projeto a ampliação e reforma de um galpão para alimentação das vacas no qual se gastará R$ 10.000,00; aquisição de uma desinsiladeira no valor de R$ 17.500,00; um sistema de irrigação para 3 hectares de grama tifton no valor de R$ 15.000,00; uma roçadeira no valor de R$ 5.000,00 e também se realizará a aquisição de 5 animais para produção leiteira no valor de R$ 12.500,00, para que juntamente com as 25 novilhas que a propriedade já possui, possa-se ter um incremento de 10 vacas em lactação a mais por ano, chegando em 3 anos a 50 vacas em 64 lactação, alcançando a meta estabelecida de 1000 litros de leite por dia. Na sequência tem-se a figura 6 representando os equipamentos e inovações que pretendem ser adquiridos para a propriedade. Figura 6: Foto dos novos equipamentos para a propriedade. Fonte: Março/2012. Os investimentos citados acima totalizam um valor de R$ 60.000,00, sendo que para a obtenção deste recurso, a propriedade rural poderá financiar o mesmo pelo Programa mais Alimentos, com um prazo de 10 anos para pagamento e juros de 2 % ao ano. A seguir no quadro 27 tem-se uma simulação sobre os recursos o qual a propriedade pode disponibilizar, com o valor aproximado das parcelas conforme cada ano. Quadro 27: Financiamento para o projeto Valor Principal: R$ 60.000,00 N˚ Parcela Vencimento Prazo: 10 anos Saldo Devedor Amortização Taxa: 2% ao ano Juros Prestação 0 1 2013 2 2014 3 2015 4 2016 5 2017 6 2018 7 2019 8 2020 9 2021 10 2022 Valor Total Fonte: Março/2012 (SICREDI). R$ 60.000,00 R$ 54.000,00 R$ 48.000,00 R$ 42.000,00 R$ 36.000,00 R$ 30.000,00 R$ 24.000,00 R$ 18.000,00 R$ 12.000,00 R$ 6.000,00 R$ 0,00 R$ 1.200,00 R$ 1.080,00 R$ 960.00 R$ 840,00 R$ 720,00 R$ 600,00 R$ 480,00 R$ 360,00 R$ 240,00 R$ 120,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 7.200,00 R$ 7.080,00 R$ 6.960,00 R$ 6.840,00 R$ 6.720,00 R$ 6.600,00 R$ 6.480,00 R$ 6.360,00 R$ 6.240,00 R$ 6.120,00 R$ 66.600,00 65 5.5 Custos Referente ao custo com o rebanho leiteiro (vacas e novilhas) para os próximos anos (2012, 2013, 2014), a grande maioria terá acréscimo nos seus valores, devido ao aumento do número de animais consumindo uma maior quantidade de alimentos, e também pela busca constante da propriedade por uma maior produtividade, onde serão gastados mais com a compra de ração, maiores doses de adubações nas pastagens, medicamentos, novos investimentos, entre outros. Quadro 28: Custos com o rebanho leiteiro em 2012 Leite Rebanho Milho silagem (2 safras) Pastagem de verão Grama tifton Aveia/pastagem Ração Sal comum Sal mineral Higiene Medicamentos Energia elétrica Sêmen Veternário Gastos ordenhadeira Combustível Gastos Gerais Total Fonte: Março/2012. Un. Cab. Ha Ha Ha Ha Kg Sc Sc Mês Mês Mês Dose Litros Quantidade 55 12,0 3,0 3,0 35,0 75000,0 12,0 24,0 12,0 12,0 12,0 45,0 24,0 1,0 365 1,0 CI/Un. 757,25 1.032,50 1.011,75 609,00 0,73 12,00 60,00 120,00 150,00 300,00 40,00 35,00 150,00 1,95 1.932,14 Total 0,00 9.087,00 3.097,50 3.035,25 21.315,00 54.750,00 144,00 1.440,00 1.440,00 1.800,00 3.600,00 1.800,00 840,00 150,00 711,75 1.932,14 105.142,64 Portanto para o ano de 2012 será gasto aproximadamente R$ 9.087,00 com a plantação do milho para silagem, R$ 3.097,50 com a pastagem de verão, a grama tifton terá um custo de R$ 3.035,25 e com a pastagem de inverno se gastará R$ 21.315,00. Além destes, também serão gastos R$ 54.750,00 com ração, a qual terá um aumento considerável no total dos custos dos próximos anos, devido estar sendo oferecido uma maior quantidade por vaca buscando uma maior produtividade, também R$ 1.584,00 com sal comum e mineral, R$ 1.440,00 com higiene (detergentes, aventais, papel toalha,...), R$ 1.800,00 em medicamentos (vermífugo, carrapaticida, remédios para mastite,...), R$ 3.600,00 com energia elétrica, tendo esta um aumento significativo para os próximos anos devido à implantação da irrigação, R$ 1.800,00 em doses de sêmen para a inseminação das vacas, R$ 840,00 com visitas e assistências de veterinário, R$ 150,00 com gastos da ordenhadeira, R$ 66 711,75 com óleo diesel no transporte da silagem até o galpão para tratar os animais, e ainda R$ 1.932,14 com gastos gerais, que seriam manter demais máquinas e equipamentos utilizados durante o ano nos serviços com o rebanho leiteiro. O custo com o rebanho leiteiro para o ano de 2012 totalizará R$ 105.142,14. Quadro 29: Custos com o rebanho leiteiro em 2013 Leite Rebanho Milho silagem (2 safras) Pastagem de verão Grama tifton Aveia/pastagem Ração Sal comum Sal mineral Higiene Medicamentos Energia elétrica Sêmen Veternário Gastos ordenhadeira Combustível Gastos Gerais Total Fonte: Março/2012. Un. Cab. Ha Ha Ha Ha Kg Sc Sc Mês R$ Mês Dose Litros Quantidade 60 14,0 4,0 3,0 35,0 95000,0 15,0 27,0 12,0 12,0 12,0 55,0 24,0 1,0 550 1,0 CI/Un. 757,25 1.032,50 1.011,75 781,50 0,73 12,00 60,00 140,00 170,00 350,00 40,00 35,00 200,00 1,95 2.003,05 Total 0,00 10.601,50 4.130,00 3.035,25 27.352,50 69.350,00 180,00 1.620,00 1.680,00 2.040,00 4.200,00 2.200,00 840,00 200,00 1.072,50 2.003,05 130.504,80 Para a alimentação do rebanho leiteiro no ano de 2013, se terá um custo maior, devido aumentar a área para a produção de leite, também pelo aumento de fertilizantes na pastagem de inverno e verão, a quantidade de ração fornecida para o gado, além de outros gastos menores, como medicamentos, higiene, gastos ordenhadeira, entre outros, que aumentarão o custo conforme o percentual de crescimento do rebanho. O custo total com o gado leiteiro para o ano de 2013 conforme mostra o quadro 29 será de aproximadamente R$ 130.504,80. E para o ano de 2014, seguindo a proposta elaborada, o custo com o rebanho leiteiro será ainda mais elevado do que os anos anteriores, devido ao aumento do número de vacas em lactação consumindo maiores quantidades de alimentos, exigindo novamente maiores doses de adubações nas pastagens de inverno e verão, e também uma maior área para plantação de milho e pastagem de verão. Os demais custos também serão maiores de acordo com o percentual de crescimento do rebanho. O custo total para o rebanho no ano de 2014 assim como mostra o quadro 30 será de aproximadamente R$ 163.157,20. 67 Quadro 30: Custos com o rebanho leiteiro em 2014 Leite Rebanho Milho silagem (2 safras) Pastagem de verão Grama tifton Aveia/pastagem Ração Sal comum Sal mineral Higiene Medicamentos Energia elétrica Sêmen Veternário Gastos ordenhadeira Combustível Gastos Gerais Total Fonte: Março/2012. Un. Cab. Ha Ha Ha Ha Kg Sc Sc Mês R$ Mês Dose Litros Quantidade 65 16,0 5,0 3,0 35,0 125000,0 18,0 30,0 12,0 12,0 12,0 65,0 24,0 1,0 730 1,0 CI/Un. 757,25 1.032,50 1.011,75 954,00 0,73 12,00 60,00 160,00 190,00 400,00 40,00 35,00 250,00 1,95 2.073,95 Total 0,00 12.116,00 5.162,50 3.035,25 33.390,00 91.250,00 216,00 1.800,00 1.920,00 2.280,00 4.800,00 2.600,00 840,00 250,00 1.423,50 2.073,95 163.157,20 Quadro 31: Síntese dos custos para os próximos anos com o rebanho leiteiro ANO Rebanho Milho silagem (2 safras) Pastagem de verão Grama tifton Aveia/pastagem Ração Sal comum Sal mineral Higiene Medicamentos Energia elétrica Sêmen Veternário Gastos ordenhadeira Combustível Gastos Gerais Total Fonte: Março/2012. 2011 50 9.087,00 2.062,50 3.035,25 13.265,00 19.800,00 240,00 300,00 1.200,00 1.200,00 1.200,00 1.600,00 840,00 100,00 711,75 1.932,14 56.573,64 2012 2013 2014 55 9.087,00 3.097,50 3.035,25 21.315,00 54.750,00 144,00 1.440,00 1.440,00 1.800,00 3.600,00 1.800,00 840,00 150,00 711,75 1.932,14 105.142,64 60 10.601,50 4.130,00 3.035,25 27.352,50 69.350,00 180,00 1.620,00 1.680,00 2.040,00 4.200,00 2.200,00 840,00 200,00 1.072,50 2.003,05 130.504,80 65 12.116,00 5.162,50 3.035,25 33.390,00 91.250,00 216,00 1.800,00 1.920,00 2.280,00 4.800,00 2.600,00 840,00 250,00 1.423,50 2.073,95 163.157,20 Através do quadro 31 é possível observar o acréscimo constante dos custos com o rebanho leiteiro para os próximos anos. Entre os itens que mais chamam atenção referente ao aumento dos custos está a ração, sendo que será aumentada a quantidade tratada por vaca (passando de 3 quilos por dia vaca/lactação para 6 quilos por dia). A pastagem de inverno também terá um aumento significativo devido aumentar as doses de adubação, podendo assim 68 ter uma maior quantidade de animais por hectare. Conforme os itens citados nos quadros sobre os custos com o rebanho leiteiro, percebe-se que será aumentado significativamente à alimentação dos animais para os próximos períodos, pretendendo-se chegar já a partir de 2012 numa média de 20 litros/dia por vaca. 5.6 Receitas As receitas de um projeto originam-se principalmente das vendas dos seus produtos. O cálculo das receitas consiste em multiplicar a quantidade esperada de venda para cada ano, de cada produto, pelo preço correspondente. Portanto abaixo segue o quadro 32 com as projeções de receita da atividade leiteira para os próximos anos. Quadro 32: Receita bruta do leite para os próximos anos Ano Vacas/Lactação Quant. de Litros/Dia Preço/ Litro Receita Bruta 2011 22 340 R$ 0,70 R$ 85.680,00 2012 30 600 R$ 0,77 R$ 166.320,00 2013 40 800 R$ 0,81 R$ 233.280,00 2014 50 1000 R$ 0,83 R$ 298.800,00 Fonte: Março/2012. Para o ano de 2012 busca-se chegar a 600 litros de leite diariamente, com uma média de 30 vacas por dia em lactação, sendo que esta quantidade de leite produzida por dia garantirá ao produtor um preço médio de R$ 0,77 o litro de leite, gerando uma receita bruta de R$ 166.320,00. Para o ano de 2013, com o aumento do número para 40 vacas em lactação/dia, a produção desejada é de 800 litros de leite por dia, tendo em média um preço de R$ 0,81 o litro, totalizando uma receita bruta de R$ 233.280,00. Já para o ano de 2014 a meta será chegar a 1000 litros de leite por dia, com uma média de 50 vacas em lactação/dia. A produção desejada para este ano garantirá em média um preço de R$ 0,83 o litro de leite, totalizando uma receita bruta de R$ 298.800,00. A seguir tem-se o gráfico 5 com a receita bruta, custos (inclusive funrural) e renda agrícola do leite para os próximos anos. 69 Renda Agrícola Custos Receita Bruta R$128.770,40 R$170.029,60 2014 R$ 298.800,00 R$97.409,76 R$135.870,24 2013 R$233.280,00 R$57.352,00 R$108.968,00 2012 R$166.320,00 R$27.135,72 R$58.544,28 R$85.680,00 2011 Gráfico 5: Receita bruta, custos e renda agrícola da atividade leiteira. Fonte: Março/2012. Através do gráfico 5 é possível verificar que os custos e a renda com a atividade leiteira terão um aumento significativo para os próximos anos. Analisando os custos do ano de 2012 com o ano de 2011 houve um acréscimo de 86,13%, porem a renda agrícola teve um acréscimo de 111,35%, já para o ano de 2013 os custos terão um aumento de 132,08% em relação ao ano de 2011 e a renda agrícola 258,97%, e comparando-se ao ano de 2014 os custos aumentarão em 190,42% e a renda agrícola 374,54%. A seguir tem-se o quadro 33 comparando a renda agrícola do leite com as primeiras parcelas a serem pagas do financiamento. Quadro 33: Comparativo entre renda do leite e pagamento do financiamento Aumento da Renda em relação a 2011 Valor da Parcela Incremento da Renda R$ 27.135,72 - - - R$ 108.968,00 R$ 57.352,00 R$ 30.216,28 - R$ 30.216,28 R$ 233.280,00 R$ 135.870,24 R$ 97.409,76 R$ 70.274,04 R$ 7.200,00 R$ 63.074,04 2014 R$ 298.800,00 Fonte: Março/2012. R$ 170.029,60 R$ 128.770,40 R$ 101.634,68 R$ 7.080,00 R$ 94.554,68 Ano Receita Bruta Custos 2011 R$ 85.680,00 R$ 58.544,28 2012 R$ 166.320,00 2013 Renda Agrícola Através do quadro 33 é possível verificar a renda agrícola da atividade leiteira de R$ 27.135,72 para o ano de 2011, comparando com o ano de 2012 a renda poderá ter um acréscimo de R$ 30.216,28. Como o empréstimo para a realização dos investimentos foi simulado para o ano de 2012, a primeira parcela será paga no ano de 2013 conforme mostra o quadro, a segunda parcela será paga no ano de 2014 e assim sucessivamente. Portanto para o ano de 2013 a atividade leiteira poderá aumentar sua renda em R$ 70.274,04 comparando ao ano de 2011, e mesmo com o pagamento da primeira parcela no 70 valor de R$ 7.200,00 o aumento da renda continuará expressivo, tendo como incremento R$ 63.074,04 para o ano de 2013. Para o ano de 2014 a atividade leiteira poderá aumentar sua renda em R$ 101.634,68 comparando ao ano de 2011, e mesmo com o pagamento da segunda parcela no valor de R$ 7.080,00 terá um incremento na renda de R$ 94.554,68. Isto mostra que a evolução da renda do leite é suficiente para pagar seu investimento e ainda agregar renda para a propriedade, ressaltando que com o incremento da renda, já seria possível pagar o valor total do investimento no segundo semestre de 2013. 5.7 Resultados da Propriedade com o Incremento da Produção de Leite As receitas de uma empresa agrícola representam tudo o que é comercializado pela mesma, juntamente com o que é consumido pelos próprios donos para sua subsistência. Portanto este tópico tem como finalidade mostrar os resultados que a propriedade pode alcançar para os próximos anos com a implantação do projeto proposto. Quadro 34: Receita bruta das atividades com o novo projeto para 2012 ATIVIDADES Soja Milho silagem (2 safras) Pastagem de verão Grama tifton Trigo Aveia/pastagem Aveia branca Potreiro Açude Mato Subsistência/moradia Leite TOTAL Fonte: Março/2012. ÁREA RENDIMENTO NORMAL 85,0 6,0 3,0 3,0 50,0 35,0 3,0 1,5 0,3 2,7 1,0 54,5 102,5 50,0 0,0 0,0 0,0 48,0 0,0 30,0 0,0 0,0 0,0 0,0 216.000,00 PRODUÇÃO TOTAL 4.250 0 0 0 2.400 0 90 0 0 0 0 216.000 PREÇO NORMAL VALOR TOTAL 40,00 170.000,00 0,00 0,00 0,00 57.600,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 6.477,50 166.320,00 400.397,50 24,00 0,77 Com o aumento da produção de leite para o ano de 2012 chegando a 600 litros por dia, a atividade leiteira pode atingir uma receita bruta no valor de R$ 166.320,00, que somada juntamente com a receita das demais atividades da propriedade totalizará uma receita bruta de R$ 400.397,50 durante o ano. 71 Quadro 35: Síntese dos resultados econômicos para 2012 UTF 2,5 SAU 99,5 Ha % ITENS TOTAL RECEITA BRUTA 400.397,50 4.024,10 100% CUSTO TOTAL 212.592,50 2.136,61 53,10 VALOR AGREGADO BRUTO 187.805,00 1.887,49 46,90 19.675,39 197,74 4,91 168.129,61 1.689,74 41,99 39.620,16 128.509,45 51.403,78 398,19 1.291,55 - 9,90 32,10 - DEPRECIAÇÃO TOTAL VALOR AGREGADO LÍQUIDO DISTRIBUIÇÃO DO VALOR AGREGADO RENDA AGRÍCOLA REMUNERAÇÃO DO TRABALHO Fonte: Março/2012. Para os anos de 2012, 2013 e 2014, a UTF passará de 2 para 2,5 pelo fato do filho Alan estar auxiliando o dia inteiro nas atividades da propriedade. Com o incremento da produção das dez novilhas no rebanho, um melhor planejamento da propriedade, e também com a realização dos demais investimentos, a propriedade terá uma receita bruta de R$ 400.397,50, descontando os custos totais das atividades no valor de R$ 212.592,50 obtêm-se o valor agregado bruto de R$ 187.805,00, tendo também R$ 19.675,39 de depreciação, chegando a um valor agregado líquido de R$ 168.129,61, descontando ainda R$ 39.620,16 de valores como impostos e arrendamento de terra, chega-se a uma renda agrícola de R$ 128.509,45 para o ano de 2012. Quadro 36: Receita bruta das atividades com o novo projeto para 2013 RENDIMENTO ÁREA NORMAL 83,0 50,0 7,0 0,0 Milho silagem (2 safras) Pastagem de verão 4,0 0,0 Grama tifton 3,0 0,0 Trigo 50,0 48,0 Aveia/pastagem 35,0 0,0 Aveia branca 3,0 30,0 Potreiro 1,5 0,0 Açude 0,3 0,0 Mato 2,7 0,0 Subsistência/moradia 1,0 0,0 Leite 57,5 288.000 TOTAL 102,5 Fonte: Março/2012. ATIVIDADES Soja PRODUÇÃO TOTAL 4.150 0 0 0 2.400 0 90 0 0 0 0 288.000 PREÇO NORMAL 40,00 24,00 0,81 VALOR TOTAL 166.000,00 0,00 0,00 0,00 57.600,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 6.477,50 233.280,00 463.357,50 Com o aumento da produção de leite para o ano de 2013 chegando a 800 litros por dia, a atividade leiteira pode atingir uma receita bruta no valor de R$ 233.280,00, que somada juntamente com a receita das demais atividades da propriedade totalizará uma receita bruta de R$ 463.357,50 durante o ano. 72 Quadro 37: Síntese dos resultados econômicos para 2013 UTF 2,5 SAU ITENS TOTAL RECEITA BRUTA 99,5 Ha % 463.357,50 4.656,86 100% CUSTO TOTAL 236.494,75 2.376,83 51,04 VALOR AGREGADO BRUTO 226.862,75 2.280,03 48,96 19.675,39 197,74 4,25 207.187,36 2.082,29 44,71 41.068,24 412,75 8,86 166.119,12 66.447,65 1.669,54 - 35,85 - DEPRECIAÇÃO TOTAL VALOR AGREGADO LÍQUIDO DISTRIBUIÇÃO DO VALOR AGREGADO RENDA AGRÍCOLA REMUNERAÇÃO DO TRABALHO Fonte: Março/2012. Portanto com uma maior quantidade de vacas, e consequentemente um maior volume de produção de leite, a propriedade conseguirá um melhor preço pelo litro do produto, tendo um significativo aumento na renda agrícola da mesma. Conforme mostra o quadro 37 a propriedade terá uma receita bruta para o ano de 2013 de R$ 463.357,50, descontando os custos totais das atividades no valor de R$ 236.494,75 obtêm-se o valor agregado bruto de R$ 226.862,75, tendo também R$ 19.675,39 de depreciação, chegando a um valor agregado líquido de R$ 207.187,36, descontando ainda R$ 41.068,24 de valores como impostos e arrendamento de terra, chega-se a uma renda agrícola de R$ 166.119,12 para o ano de 2013. Quadro 38: Receita bruta das atividades com o novo projeto para 2014 RENDIMENTO ÁREA NORMAL 81,0 50,0 8,0 0,0 Milho silagem (2 safras) Pastagem de verão 5,0 0,0 Grama tifton 3,0 0,0 Trigo 50,0 48,0 Aveia/pastagem 35,0 0,0 Aveia branca 3,0 30,0 Potreiro 1,5 0,0 Açude 0,3 0,0 Mato 2,7 0,0 Subsistência/moradia 1,0 0,0 Leite 60,5 360.000 TOTAL 102,5 Fonte: Março/2012. ATIVIDADES Soja PRODUÇÃO TOTAL 4.050 0 0 0 2.400 0 90 0 0 0 0 360.000 PREÇO NORMAL 40,00 24,00 0,83 VALOR TOTAL 162.000,00 0,00 0,00 0,00 57.600,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 6.477,50 298.800,00 524.877,50 E com o aumento da produção de leite para o ano de 2014 chegando em 1000 litros por dia, o leite pode chegar a uma receita bruta no valor de R$ 298.800,00, que somada juntamente com a receita das demais atividades da propriedade totalizará uma receita bruta de R$ 524.877,50 durante o ano. 73 Quadro 39: Síntese dos resultados econômicos para 2014 UTF 2,5 SAU ITENS TOTAL RECEITA BRUTA 99,5 Ha % 524.877,50 5.275,15 100% CUSTO TOTAL 267.687,25 2.690,32 51,00 VALOR AGREGADO BRUTO 257.190,25 2.584,83 49,00 19.675,39 197,74 3,75 237.514,86 2.387,08 45,25 42.483,20 195.031,66 78.012,66 426,97 1.960,12 - 8,09 37,16 - DEPRECIAÇÃO TOTAL VALOR AGREGADO LÍQUIDO DISTRIBUIÇÃO DO VALOR AGREGADO RENDA AGRÍCOLA REMUNERAÇÃO DO TRABALHO Fonte: Março/2012. Com o aumento expressivo da produção de leite para o ano de 2014 o preço pago por litro ao produtor será ainda maior, aumentando significativamente a renda agrícola da propriedade. Conforme o quadro 39 é possível verificar uma receita bruta de R$ 524.877,50, descontando os custos totais das atividades no valor de R$ 267.687,25 obtêm-se o valor agregado bruto de R$ 257.190,25, tendo também R$ 19.675,39 de depreciação, chegando a um valor agregado líquido de R$ 237.514,86, descontando ainda R$ 42.483,20 de valores como impostos e arrendamento de terra, chega-se a uma renda agrícola de R$ 195.031,66 para o ano de 2014. 250000 200000 150000 100000 50000 0 Ano 1 2 3 4 2011 2012 2013 2014 Renda Agrícola R$102.718,42 R$128.509,45 R$166.119,12 R$195.031,66 Gráfico 6: Comparativo entre renda agrícola com o novo projeto. Fonte: Março/2012. Através do gráfico 6 é possível verificar o valor que poderá aumentar a renda agrícola da propriedade com o projeto para o aumento da produção leiteira. No período analisado no trabalho a propriedade teve uma renda agrícola de R$ 102.718,42, já com a proposta do novo 74 projeto para o ano de 2012, a propriedade terá uma renda de R$ 128.509,45, um acréscimo de aproximadamente 25% sobre o ano de 2011, já para o ano de 2013 com o aumento do leite chegando a 800 litros de leite por dia a renda agrícola total da propriedade será de R$ 166.119,12, tendo um percentual de acréscimo de aproximadamente 61% em relação ao ano analisado, e para o ano de 2014 a renda agrícola da propriedade será de R$ 195.031,66, tendo aproximadamente um acréscimo de 90% em relação ao período analisado no trabalho. 75 CONCLUSÃO A produção de grãos e a pecuária leiteira são duas das atividades mais importantes que geram renda na região noroeste do estado do Rio Grande do Sul, sendo que a atividade leiteira é fundamental para a continuidade das pequenas propriedades rurais, assim como foi demonstrado com a realização deste estudo. Após analisar as atividades desenvolvidas na propriedade rural, foi possível verificar que o cultivo da soja é a atividade que maior representa renda na propriedade, seguido pela produção de leite e após o trigo. É importante destacar que no período analisado (safra 2010/2011), a soja representou 54,26 % da receita bruta das atividades destinadas a comercialização, e o leite representou 27,35%. Com a proposta do projeto conforme o trabalho e a diminuição de apenas 4 hectares do cultivo da soja, a atividade leiteira passará a representar para o ano 2012 um percentual de 42,22% da receita bruta das atividades destinadas a comercialização, para o ano de 2013 um percentual de 51,06 % da receita bruta, e para o ano de 2014 um percentual de 57,64%, da receita bruta das atividades. Portanto foi possível verificar que é valido investir na atividade leiteira como uma das principais atividades que geram receita para a propriedade, sendo possível observar o crescimento expressivo da renda agrícola para os próximos anos com a reestruturação da atividade, ressaltando também a importância da implantação do sistema de irrigação para alimentação do gado leiteiro, garantindo alimento para a produção dos animais mesmo em épocas de escassez de chuva, devido a propriedade contar com água em abundância para irrigação. A realização deste trabalho atendeu aos objetivos propostos, apresentando os resultados econômicos das atividades desenvolvidas na propriedade, juntamente com o projeto e sugestões de melhoria aumentando a renda agrícola da propriedade, e evidenciando que assim como qualquer outra empresa, as propriedades rurais devem ter preocupações quanto aos custos de produção, lucratividade, planejamento, e controle sobre suas atividades. Vale também ressaltar que o trabalho propiciou além da análise e diagnóstico da propriedade rural familiar, a oportunidade de obter maiores conhecimentos sobre as atividades desenvolvidas pelos meus pais no dia-a-dia, e a satisfação de poder ajudá-los com a realização desse estudo, mostrando que realmente é viável investir na atividade leiteira como aumento na renda da propriedade. Para mim, enquanto futuro herdeiro da propriedade fica a experiência 76 de ampliar os conhecimentos e compreender a importância de cada uma das atividades agrícolas, valorizando seus resultados econômicos, e também a expectativa de daqui certo tempo dar continuidade as atividades da propriedade. 77 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, Magda. Como escrever Teses e Monografias: um roteiro passo a passo. Rio de Janeiro: Campus, 2003. BASSO, Irani Paulo. Contabilidade Geral Básica. 3. ed. Ijuí: Ed. Unijuí, 2005. BEUREN, I. M. et al. Como Elaborar Trabalhos Monográficos em Contabilidade. Teoria e Prática. 2. ed. 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