UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA
INSTITUTO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO
UNIVERSIDADE REGIONAL COMUNITÁRIA DE CHAPECÓ
PROGRAMA DE MESTRADO INTERINSTITUCIONAL EM ENGENHARIA
BIOMÉDICA
ANTONIO LUIZ FURLANETTO
VALIDAÇÃO DO PROCESSAMENTO DIGITAL DE IMAGEM COMO MÉTODO
DE AVALIACÃO POSTURAL EM LINHA DE PRODUÇÃO DE FRIGORÍFICOS
São José dos Campos, SP
2009
ANTONIO LUIZ FURLANETTO
VALIDAÇÃO DO PROCESSAMENTO DIGITAL DE IMAGEM COMO MÉTODO
DE AVALIACÃO POSTURAL EM LINHA DE PRODUÇÃO DE FRIGORÍFICOS
Dissertação submetida ao Programa de PósGraduação em Engenharia Biomédica da
Universidade do Vale do Paraíba, como
complementação dos créditos necessários
para a obtenção do título de Mestre em
Engenharia Biomédica, dentro do curso de
Mestrado
Interinstitucional
Univap
/
Unochapecó.
Orientador: Prof. Dr. Marco Antonio de
Oliveira
São Jose dos Campos, SP
2009
F984v
Furlanetto,Antonìo Luiz
Validação do píocessamentodigital da ìmagem como método de
avaliaçãoposturalem linha de produçãode frigoríficos / ArrtonioLuiz Furlanetto'
2009.
SãoJosédosCampos;Chapecó,
1 Discolaser:color.
Disseúaçãoapresentadaao Programa de Pós-Graduaçãoem Engenharia
eiomédica do Ìnstituto de Pesqúsae Desenvolvimentoda Universidadedo VaÌe
do Paraib4 modalidadeMinter Univap / Utrochapecó2009'
1. Ergonomìa 2. ProcessamentoDigital da Imagem 3. Postura /avaliação Ì
Oliveirq Marco Antonio de, Orient tr. Título
CDU:616.8
e científicos,a reprcduçãototaÌ ou
Autoaìzo exclusivamentepara fins acadêmicos
por processosfotoçopiadoresou transmissãoeletrônica,
parcial destadissertação,
que
citada
a
fontedesde
natuÍa
Data:dadelesa:| | defevereirode 2009
ANTONIOLUIZ FURLANETTO
"vALrDAÇÃo Do pRocEssAMENToDlcITAr, DE IMAGENIcol{o MÉToDo DE
.
DETRIGORÍT-ICOS"
EM LINIIA DE PRODUçÃO
AVÀI,IAçÃOPOSTURAL
aprovadacomo requisitopârcìalà obtençãodo grau de Mestreem EngenhaÌla
Disseftação
Biomédica,
do lnstittltode Pesquisa
de Pós-Graduação
em Engenharia
Biomédìca,
do Programa
SãoJosódosCanpos,SP,peÌaseguinte
daUniversidade
do Vâledo Paraiba,
e Desenvoh,imento
bancaexarninadora:
Prof.Dr. PAULO ROXO BARJA {UNIV
Prcf.Dr. MARCO ANTONIO DE OLIVEIRA (I.INIVAP
Prol'.Dr. LUTSVICENTE FRANCODE OLIVEIRA
a
MariaFonseca
daCosta
Prof. Dra.Sandrâ
Diretordo IP&D Univap
SãoJosédosCampos,I I de fevereirode2009.
o
a
ovE
AGRADECIMENTOS
A esposa: Glória Máris
Filhas: Marina, Bruna e Antônia
Orientador: Professor Marco Antonio de Oliveira
Co-orientador: Paulo Roxo Barja
Colaboradores: Professora Renata Amadei, Profª. Josane Mittmann
Prof.Francisco C. Fernandes, Bibliotecária Rúbia Gravito.
Aos funcionários e direção do Frigorífico que carinhosamente me receberam e
disponibilizaram seu espaço para que esta pesquisa fosse possível, em especial
ao Gilvanio e Valmor, membros do SESMT.
Aos amigos Mari, Gilson, Sidnei, Prof. V. Brandalise.
VALIDAÇÃO DO PROCESSAMENTO DIGITAL DE IMAGEM COMO MÉTODO
DE AVALIACÃO POSTURAL EM LINHA DE PRODUÇÃO DE FRIGORÍFICOS
RESUMO
As mudanças que ocorrem no mundo do trabalho entre os antigos padrões de
atividades em linhas de produção e das novas formas de operacionalização da
mão-de-obra ainda não estão completamente adequadas do ponto de vista
ergonômico, muitas vezes levando à exposição dos trabalhadores a riscos
posturais que podem ser evidenciados pela ocorrência de LER/DORT. A
regulamentação em segurança e saúde do trabalho basicamente indica limites de
tolerância que podem ser medidos objetivamente. A Ergonomia busca
proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho do homem nas
tarefas a serem realizadas, tornando-se um auxiliar no planejamento das linhas
de produção onde as lesões por esforços repetitivos merecem atenção. O
presente trabalho objetivou a avaliação da postura da região e membros
superiores operárias do setor de desossa de coxas em um frigorífico. A coleta de
dados foi efetuada através da filmagem dos postos de trabalho e dispostas em
três instrumentos dos métodos de avaliação postural OWAS, RULA e ImageJ.
Para validação do protocolo foi necessário instituir um sistema de equivalência
entre as medidas padrão dos métodos OWAS e RULA e criar uma escala
referencial para o ImageJ. Ao final dos estudos, a conclusão que se chega é a de
que o processamento pelo método ImageJ fornece um resultado com maior
precisão e eficiência, portanto, com uma melhor interpretação.
Palavras - chave: Ergonomia; processamento digital; avaliação postural.
PROCESSING VALIDATION OF DIGITAL IMAGE AS POSTURAL
EVALUATION METHOD IN A PRODUCTION LINE OF SLAUGHTERHOUSES
ABSTRACT
The changes in the world of work among the old activities standards in production
lines and in the new ways of labor operationalization, they are not still completely
adapted of the ergonomic point of view , a lot of times leading the workers to
posture risks that can be evidenced by the occurrence of LER/DORT. The
regulation in safety and health of work basically indicates limits of tolerance that
can be objectively measured. The Ergonomics provide a maximum comfort, safety
and man's performance in the tasks to be accomplished, becoming an assistant in
the planning of the production lines where the lesions for repetitive efforts in the
cervical area and upper limbs deserve attention. The current work aimed the
evaluation of cervical posture area and upper limbs of workers from the thigh
boning section in a Slaughterhouse. The data collection was made through filming
the work places and disposed in three instruments of postural evaluation methods
OWAS, RULA and ImageJ. To the protocol validation was necessary set up an
equivalence system among the standard measures of the methods OWAS and
RULA and creates a reference scale for ImageJ. At the end of the studies, we get
a conclusion that the processing for the ImageJ method provides a result with
larger precision and efficiency, therefore, with a better interpretation.
Key words: Ergonomics, digital processing, assessment of the posture.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Visão geral dos comandos do software ImageJ
39
Figura 2. Vista geral do setor de processamento de aves
41
Figura 3. Posição do tronco antes da tarefa de desossa
45
Figura 4. Ângulos de flexão e extensão da região cervical e membros
45
superiores
Figura 5. Ângulos de flexão e extensão dos segmentos pescoço e braço
46
LISTA DE QUADROS
Quadro 1. Diferenciação das fontes da dor cervical/escapular
25
Quadro 2. Possíveis alterações teciduais provocadas pelos fatores de risco
biomecânicos
26
Quadro 3. Padrão de classificação da condição postural do indivíduo
segundo o método RULA
47
Quadro 4. Demonstrativo dos Resultados Finais de cada Funcionário
54
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Distribuição das doenças ocupacionais entre 1982 a 1997
19
Tabela 2. Distribuição de acidentes de trabalho no Brasil, segundo algumas
doenças mais incidentes em 1997
23
Tabela 3. Classificação da postura do pescoço segundo método OWAS
48
Tabela 4. Classificação da postura do braço segundo método OWAS
49
Tabela 5. Escore da postura do pescoço segundo método RULA
49
Tabela 6. Escore da postura do braço segundo método RULA
50
Tabela 7. Grau de flexão do pescoço segundo ImageJ
50
Tabela 8. Grau de extenção do braço segundo ImageJ
51
Tabela 9. Resultados dos graus, escore e classe das estruturas corpóreas
acometidas pela LER/DORT
52
LISTA DE SIGLAS E PADRONIZAÇÕES
AET – Análise Ergonômica do Trabalho
CAT – Comunicação de Acidente do Trabalho
CIPA - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
CLT – Consolidação das Leis do Trabalho
dB(A) – Medida de ruído em decibéis
DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho
DRT - Delegacia Regional do Trabalho
INSS - Instituto Nacional de Seguridade Social
EPI – Equipamento de Proteção Individual
LER – Lesão por Esforços Repetitivos
LOAS - Lei Orgânica da Saúde
LUX – Medida de luminosidade
MPAS – Ministério da Previdência e Assistência Social
MPT - Ministério Público do Trabalho
MS – Ministério da Saúde
MSDs - Musculoskeletcal Desorders (Desordens Musculoesqueléticas)
MTE - Ministério do Trabalho e Emprego
NR – Norma Regulamentadora
OMS – Organização Mundial da Saúde
OSHA – Occupational Safety and Health Administration (Órgão Norte-americano
para Segurança e Saúde no Trabalho)
OWAS – Ovaco Working Posture Analysing System (Sistema de Análise de
Postura do Trabalho da Ovaco)
PCMSO - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
PPRA - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
RULA – Rapid Upper Limb Assessment (Rápida Avaliação do Constrangimento
dos Membros Superiores)
SESMET – Serviço de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho
1TD – Primeiro Turno Lado Direito
2TD – Segundo Turno Lado Direito
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................
14
1.1 OBJETIVOS........................................................................................................
16
1.1.1 Objetivo Geral............................................................................................
16
1.1.2 Objetivos Específicos...............................................................................
16
2. REVISÃO DE LITERATURA.....................................................................................
17
2.1 Proteção jurídica ao trabalhador brasileiro.........................................................
17
2.2 Atenção à saúde do trabalhador.......................................................................
18
2.3 Aspectos, fatores de risco de natureza ocupacional e o Fenômeno
LER/DORT........................................................................................................
2.3.1 Fatores de risco de natureza ocupacional................................................
2.3.2 Estruturas dos membros superiores sujeitas a LER/DORT.....................
2.4 Ergonomia: breve histórico e definições...........................................................
2.4.1 Avaliação Postural....................................................................................
2.5 Análise ergonômica do trabalho.......................................................................
2.6 Métodos de avaliação postural........................................................................
2.6.1 O método OWAS..................................................................................
2.6.2 O método RULA...................................................................................
2.6.3 Digitalização de imagens.......................................................................
3. MATERIAL E MÉTODOS.........................................................................................
21
21
24
28
29
30
33
34
35
37
41
3.1População da pesquisa.....................................................................................
42
3.2 Descrição e padronização do processo e atividades.........................................
42
3.3 Amostragem das imagens na linha de produção..............................................
43
3.4 Análise e interpretação dos dados..................................................................
46
4. RESULTADOS.........................................................................................................
48
4.1 Aplicação dos métodos OWAS, RULA e ImagemJ............................................
48
48
4.2 Resultados obtidos por meio do método OWAS................................................
4.3 Resultados obtidos por meio método RULA......................................................
4.4 Resultados obtidos por meio do softeware ImageJ............................................
4.5
49
50
Demonstrativo dos resultados dos distúrbios levantados no Perfil
Epidemiológico segundo os métodos OWAS, RULA e ImageJ.......................
52
5. DISCUSSÕES..........................................................................................................
55
6. CONCLUSÕES.........................................................................................................
58
6.1 Recomendação para trabalhos futuros..............................................................
59
REFERÊNCIAS ......................................................................................................
APÊNDICE A - Principais Queixas Apresentadas 1°Turno - Período: Outubro /07 a
Março/08 .....................................................................................................................
APÊNDICE B - Principais Queixas Apresentadas 2°Turno - - Período: Outubro/07 a
Março/08 .....................................................................................................................
60
66
67
APÊNDICE C – Faca de trabalho.................................................................................
68
APÊNDICE D – Bancada fixa de trabalho / funcionários ...........................................
69
ANEXO A - Tabela OWAS...........................................................................................
70
ANEXO B – Planilha RULA .........................................................................................
71
ANEXO C – Parecer Consubstanciado........................................................................
72
14
1 INTRODUÇÃO
As mudanças que ocorrem no mundo do trabalho, com a superposição dos
antigos padrões de atividades em linhas de produção e das novas formas de
operacionalização da mão-de-obra, ainda não estão completamente adequadas
do ponto de vista ergonômico, muitas vezes levando a exposição a riscos
posturais dos trabalhadores.
Assim, partindo-se da necessidade de adaptar as condições de trabalho ao
ser humano, surgiu a Ergonomia, que é definida como “conjunto de ciências e
tecnologias que procura fazer um ajuste confortável e produtivo entre o ser
humano e seu trabalho” (COUTO, 1995), ou ainda, “o estudo do relacionamento
entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente e, particularmente, a
aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos
problemas surgidos” (IIDA, 1998).
Segundo Vidal (2001) a Ergonomia, enquanto disciplina orientadora para
uma visão holística do trabalho, caracteriza as interações humanas num ambiente
de tarefas através de três sistemas básicos: a Ergonomia física que trata das
características da anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica em
sua relação com a atividade física de uma situação de trabalho; a Cognitiva que
diz respeito aos processos mentais derivados da interação homem/trabalho; e a
Organizacional que aborda o desenvolvimento dos sistemas sócio-técnicos,
incluindo as estruturas organizacionais, políticas e processos. A ergonomia
[...] tem como objeto situações de uso e manuseio de interfaces. Portanto,
onde se pretende trabalhar corretamente existe necessidade de
Ergonomia e onde quisermos manusear bons produtos a Ergonomia será
requisitada. Pois, nesse caso, poderemos apontar demandas, o ponto de
partida da ação ergonômica. (VIDAL, 2001, p. 113)
Um dos encaminhamentos atuais e mais adequados para atender as
demandas da ergonomia em uma empresa é a Análise Ergonômica do Trabalho
(A.E.T.), metodologia que busca contribuir para resolver os problemas de
produção de uma empresa, entre os quais se destacam o adoecimento de seus
15
empregados. Uma das ferramentas utilizadas na AET é a análise postural, tema
presente neste estudo, cuja pesquisa permitiu avaliar os movimentos que um
grupo de magarefes realiza durante a jornada de trabalho num frigorífico de
processamento de carnes.
Os dados foram coletados na linha de desossa de coxas, local de maior
incidência de queixas de problemas ergonômicos relacionados à postura, a partir
da união de duas técnicas de estudo: o exploratório e o descritivo combinados. As
técnicas mostraram-se adequadas visto que oportunizaram a obtenção de
informações tanto quantitativas quanto qualitativas dos dados levantados e
facilitaram a análise que foi efetuada conforme levantamento realizado pela
Delegacia Regional do Trabalho de Santa Catarina de acordo com orientações do
“Guidelines for Poultry Processing” americano (1994).
Para dar ênfase a análise dos resultados, houve breves referências a
problemas ergonômicos, a medicina do trabalho e as doenças relacionadas ao
trabalho, que estão traduzidas em instrumentos jurídicos que normatizam as
ações na área. No Brasil, são ditadas principalmente por órgãos como o Ministério
do Trabalho, INSS e demais instituições públicas e órgãos governamentais
ligados à área da ergonomia.
O destaque se dá nas etapas subseqüentes que imprimiram elementos
técnicos, lógicos e conceituais sobre os métodos OWAS (Sistema de Análise de
Postura do Trabalho da Ovaco) e RULA (Rápida Avaliação do Constrangimento
dos Membros Superiores) como também sobre a digitalização de imagens.
No método OWAS [...] o sistema baseia-se em analisar determinadas
atividades em intervalos variáveis ou constantes observando-se a
freqüência e o tempo despendido em cada postura. [...] O método RULA
foi desenvolvido para investigar a exposição de trabalhadores aos fatores
de risco associados às doenças dos membros superiores ligadas ao
trabalho. (SILVA, 2001, p. 35)
Os dois métodos, embora com pesos diferentes, são usados pela maioria
dos profissionais que atuam na área de ergonomia, cujos resultados só são
identificados por valores alfa-numéricos. Na busca de uma metodologia que
melhor demonstrasse resultados, optou-se pela técnica de Processamento Digital
de Imagens efetuada através do Software ImageJ. Essa ferramenta de código
16
fonte aberto oportunizou a mensuração de ângulos de flexão do pescoço e
extensão do braço que foram traduzidos em medidas exatas.
1.1 OBJETIVOS
1.1.1 Objetivo Geral
Comprovar a aplicabilidade de um software de código fonte aberto como
uma ferramenta de fácil avaliação de postura em linhas de produção de frigorífico.
1.1.2 Objetivos Específicos
•
A partir da avaliação obtida, propor melhorias do posto de trabalho para
fim de atingir uma postura mais adequada;
•
Realizar nexo-técnico com o trabalho de portadores de distúrbios
ocupacionais a partir da exposição a riscos biomecânicos;
•
Validar os resultados obtidos pelo software ImageJ através da
comparação com métodos já consagrados como Rula e Owas.
17
2 REVISÃO DE LITERATURA
As demandas para a organização do trabalho surgem a partir do processo
de modernização da sociedade e envolvem vários segmentos. As interações com
os agentes sociais envolvidos, como órgãos da fiscalização do trabalho, saúde e
bem estar resultam em determinações especiais para que organizações ou
empresas possam desenvolver práticas para combater as agressões à saúde dos
trabalhadores.
2.1 Proteção jurídica ao trabalhador brasileiro
Com a promulgação da Constituição de 1934, inspirada na Revolução de
1930 e forjada a partir dessas novas demandas, foi estabelecido um fator
importante: o “equilíbrio na relação capital-trabalho”, com promoção do “amparo
social do trabalhador”. Entre muitas ações, a que nos interessa foi a criação da
Justiça do Trabalho e a obrigatoriedade da assistência médica e previdenciária
para os trabalhadores. Em 1937, com a outorga da nova Constituição, o trabalho
foi elevado à “condição de dever social” e sua proteção passou a ser
responsabilidade do Estado (POSSIBOM, 2001).
O Decreto nº 5.542, de 1º de maio de 1943 que cunha a Consolidação das
Leis do Trabalho, regulamenta todas as relações individuais e coletivas do
trabalho da época. Com várias alterações é, até hoje, o principal instrumento de
amparo às atividades laboriosas, independente de sua natureza. A alteração mais
importante no campo da saúde do trabalhador foi no Capitulo V - Título II, que
discorre sobre a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
(MANUAIS DE
LEGISLAÇÃO ATLAS, 2003)
No plano internacional, desde os anos 70, documentos da OMS
(Organização Mundial da Saúde), como a Declaração de Alma Ata e a
proposição da Estratégia de Saúde Todos, têm enfatizado a necessidade
de proteção e promoção da saúde e da segurança no trabalho, mediante
a prevenção e o controle de fatores de risco presentes nos ambientes de
18
trabalho. [...] A Organização Internacional do Trabalho (OIT), na
Convenção/OIT nº 155/1981, adotada em 1981 e ratificada pelo Brasil em
1992, estabelece que o país signatário deve instituir e implementar uma
política nacional em matéria de segurança e do ambiente do trabalho.
(Ministério da Saúde, 2001, p, 18)
Várias ações na área foram edificadas a partir das orientações da OIT
(Organização Internacional do Trabalho), inclusive a de maior repercussão foi
com a promulgação da Constituição de 1988 que cria o Sistema Único de Saúde,
regulamentado depois pelas Leis nºs 8.080/1990 e 8.142/1990 – Lei Orgânica da
Saúde, que institui a assistência à saúde independente de contribuição, isto é,
estende o benefício também ao trabalhador informal e a toda população brasileira.
Também edita as Portarias nºs 3.120/1998 e 3.098/1998, que tratam,
respectivamente, da definição de procedimentos básicos para a vigilância em
saúde do trabalhador e prestação de serviços na área. (MANUAIS DE
LEGISLAÇÃO ATLAS, 2003)
2.2. Atenção à saúde do trabalhador
As ações da saúde do trabalhador têm seu marco regulatório no quadro
jurídico/institucional da nação. As normatizações, revistas constantemente, vêm
abrigar um modelo de atenção à saúde do trabalhador não “somente como um
conjunto de normas e regras que conformam um desenho técnico e
organizacional”, mas sim como um conjunto de elementos que possam nortear a
busca de soluções para os riscos e/ou problemas gerados pelo processo de
trabalho. (MENDES, 1995)
Um dos marcos institucionais foi a partir da Lei n° 6.514, de 22 de
dezembro de 1977 que mudou o Capitulo V - Título II, da Constituição brasileira
que discorre sobre a CLT, traçando novos rumos. O passo seguinte foi a edição
da Portaria n° 3.214, em 08 de junho de 1978, que aprovou as Normas
Regulamentadoras relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. A NR-1, das
Disposições Gerais em seu item 1.1, enfatiza:
19
As Normas Regulamentadoras – NR, relativas à segurança e medicina do
trabalho, são de observância obrigatória pelas empresas privadas e
públicas e pelos órgãos públicos de administração direta e indireta, bem
como pelos órgãos dos poderes legislativo e judiciário, que possuem
empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT.
(Manuais de Legislação Atlas, 2003, p. 21)
Segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos),
a distribuição de doenças ocupacionais no Brasil (LER/DORT), entre 1982 a 1997:
Tabela 1. Distribuição das doenças ocupacionais entre 1982 a 1997
Ano
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
Total
Freqüência
2.766
3.016
3.233
4.006
6.014
6.382
5.025
4.838
5.217
6.281
8.299
15.417
15.270
20.646
34.889
29.707
171.006
Fonte: DIEESE( 2007)
A recuperação da economia iniciou-se no final de 1992, após um grande
processo de reestruturação interna das industrias. Foi fundamental a abertura do
mercado brasileiro para produtos importados, a qual obrigou a indústria nacional a
investir alto na modernização do processo produtivo, qualidade e lançamento de
novos produtos no mercado. As empresas que queriam permanecer no mercado
tiveram que rever seus métodos administrativos, bem como da organização,
reduzindo os custos de gerenciamento, as atividades foram centralizadas, muitos
setores terceirizados. As empresas são obrigadas a investir pesado na
20
automação, reduz a hierarquia interna nas industrias, então cresce a
produtividade. O aumento de produtividade foi fundamental para a sobrevivência
das empresas, porém para os trabalhadores, significava perdas de postos de
trabalho, quer dizer com menos funcionários se produziam mais, então aumenta o
desemprego dos brasileiros, que em 1993 só na Grande São Paulo chega a um
milhão e duzentos mil trabalhadores desempregados. O crescimento das doenças
do trabalho, originou a implementação dos programas de saúde destinados aos
trabalhadores, cujo destaque foi para a iniciativa do Ministério da Saúde que,
cumprindo a determinação contida no Art. 6º - § 3º - Inciso VII - da Lei Orgânica
da Saúde, elaborou uma Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho, publicada
na Portaria/MS nº 1.339/1999. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
A referida lista visa subsidiar as ações de diagnóstico, tratamento e
vigilância em saúde e o estabelecimento da relação da doença com o trabalho e
das condutas decorrentes para ações pertinentes na área. A mesma lista foi
adotada pelo Ministério da Previdência e Assistência Social que subsidiou a
regulamentação do conceito Profissional e de Doença Adquirida pelas condições
em que o trabalho é desenvolvido (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
Também é vista a questão das doenças crônicas, pois muitas vezes o
trabalhador já está afastado das atividades laborativas, mas com sintomas
advindos dos esforços que desempenhava na época em que desenvolveu a
patologia. São os chamados efeitos cumulativos, como por exemplo, a fadiga ou
dores originárias da má postura ou dos esforços repetitivos que são vistos como
agentes de stress no trabalho (MICHEL, 2000).
Mais recentemente, a edição da Nota Técnica 060/2001 pelo Departamento
de Segurança e Saúde no Trabalho, traz tópicos de Ergonomia e indica a postura
a ser adotada na concepção de postos de trabalho. O documento enfatiza a
variação da postura, principalmente a alternância entre a posição sentada e em
pé (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 2008).
A Instrução Normativa nº 98, de 05 de dezembro de 2003, editada pelo
INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), simplifica, unifica e ajusta os
instrumentos anteriores com relação à atividade médico-pericial para avaliação
das LER/DORT. A notificação da síndrome, para os médicos, está centrada pelo
Ministério da Saúde que apresenta a classificação nacional para Doenças de
21
Notificação Compulsória e algumas adicionais, regionais e, ainda, doenças
específicas
e
características
de
diversas
condições
sócio-ambientais
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
No cenário internacional os trabalhadores contam com um importante
instrumento para sua proteção, a Occupational Safety & Health Administration –
OSHA, criada em setembro de 2004, nos Estados Unidos. A entidade edita, na
área da ergonomia, orientações gerais sobre a transformação industrial de aves
de
capoeira
que
são
aves
domesticadas
para
aproveitamento
de
carne/ovos/penas. As determinações são difundidas e é referência na elaboração
de projetos na área de segurança do trabalho.
2.3 Aspectos, fatores de risco de natureza ocupacional e o Fenômeno
LER/DORT
As doenças ocupacionais têm sido motivo de constantes preocupações
para o setor público e para empresas, e também um desafio para os
trabalhadores e profissionais da área da saúde. Para a Organização Mundial da
Saúde, a causa do surgimento de patologias associadas ao trabalho é causada
por vários fatores: fatores de risco, da organização do trabalho, psicossociais,
individuais e socioculturais. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).
2.3.1 Fatores de risco de natureza ocupacional
Para o Ministério da Saúde, os fatores de risco para a saúde e segurança
dos trabalhadores, presentes ou relacionados ao trabalho são distribuídas em 5
grandes grupos. Entretanto, para a identificação dos mesmos e para sua
caracterização, é necessária a observação de alguns elementos, tais como a
região anatômica exposta, sua intensidade, a organização temporal da atividade e
o tempo de exposição:
22
Fatores físicos: Os fatores físicos são representados pelos ruídos,
vibrações, radiação ionizante e não-ionizante, temperaturas extremas
(frio e calor), pressão atmosférica anormal, entre outros;
Fatores químicos: agentes e substâncias químicas, sob a forma líquida,
gasosa ou de partículas e poeiras minerais e vegetais comuns nos
processos de trabalho;
Biológicos: vírus, bactérias, parasitas, geralmente associados a
trabalhos em hospitais, laboratórios, agricultura e pecuária;
Ergonômicos e Psicossociais: decorrem da organização e gestão do
trabalho (da utilização de equipamentos, máquinas e mobiliários
inadequados, levando a posturas e posições incorretas); meio ambiente
impróprio para as atividades laborativas; trabalhos em turno e noturno;
monotonia ou ritmo excessivo, exigências de produtividade, más
relações de trabalho, falhas de treinamento e supervisão, entre outras;
Mecânicos e de Acidentes: que dizem respeito à proteção das
máquinas, arranjo físico, ordem e limpeza, sinalização, rotulagem de
produtos, entre outros.
Segundo Barbosa Filho (2001), nas duas décadas que precedem seus
estudos, foi registrado no Brasil cerca de 30 milhões de acidentes de trabalho e
mais de 100 mil pessoas morreram. As estatísticas comprovam tal afirmativa. A
tabela abaixo exemplifica as patologias mais comuns presentes nos comunicados
de acidentes de trabalho no ano de 1997.
23
Tabela 2. Distribuição de acidentes de trabalho no Brasil, segundo algumas
doenças mais incidentes em 1997
Doença segundo Código Internacional de
Doença – CID
Total
Sinovite e tenossinovite
12.258
Convalescença pós-cirurgia
6.149
Ferimento de dedos da mão, sem menção de
complicação
5.754
Fratura de falanges da mão, fechada
5.252
Ferimento de dedos da mão, complicado
3.776
Lumbago
3.060
Fonte: DIEESE(2007)
Para o ser humano a dor ou outras alterações ou sintomas na estrutura
física do corpo é o aviso de problemas e, geralmente, é conseqüência das
posturas e dos movimentos, sejam durante a jornada de trabalho ou dos afazeres
da vida cotidiana. Outros fatores causais dos riscos de natureza ocupacional
podem ser evidenciados em atividades que exigem alto grau de monotonia.
Nesses casos a fadiga, resultante dessa situação, pode ser tanto biomecânica
quanto psíquica. A fadiga também é um dos sintomas dos movimentos repetitivos
e causa principal das LER/DORT, como confirma Michel (2000).
Ainda para Michel (2000) a maneira como se organiza o trabalho em
jornadas (trabalho noturno ou em turnos) também é considerada como um dos
fatores de risco. Segundo Barbosa Filho (2001), o fato de “estar trabalhando em
desacordo com a ordem natural da sociedade em que vive conduz o trabalhador a
uma não-adaptação do ritmo biológico” ocasionando desgastes de diversas
ordens. Para Gaigher Filho e Melo (2001) a exclusão e a incompatibilidade de
tempo para atividades de lazer e outros afazeres de caráter particular podem, ao
longo do tempo, provocar dificuldades de relacionamentos.
Portanto, a dificuldade de adaptação do trabalhador ao sistema de turnos
resulta em danos consideráveis à saúde; todavia, é exatamente este tipo de
24
organização do trabalho que se encontra nas indústrias, principalmente a de
processamento de carnes.
2.3.2 Estruturas dos membros superiores sujeitas a LER/DORT
Para o Ministério da Saúde do Brasil (2001), onde dados estatísticos
evidenciam que 80% dos benefícios concedidos pelo INSS são pela incidência de
doenças relacionadas ao trabalho, a LER/DORT é o resultado de três conjuntos
de fatores envolvidos nas dores músculo-esquelética:
•
Fatores biomecânicos presentes nas atividades;
•
Fatores psicossociais relacionados à organização do trabalho;
•
Fatores ligados à psicodinâmica do trabalho ou aos desequilíbrios
psíquicos gerados em certas situações especiais de trabalho na gênese
do processo de adoecimento.
Regis Filho (2000) soma a contribuição de vários estudiosos e acredita que
se deve agregar ainda que “o ambiente psicossocial do trabalho, interno e externo
a empresa, levando ao estresse psicológico, equiparando-se e interagindo com os
fatores ergonômicos seriam as bases multifatoriais da etiologia das lesões”
resultantes das LER/DORT.
A definição sobre LER/DORT para a seguridade social brasileira é
oferecida pela Instrução Normativa INSS/DC nº 98 como sendo uma síndrome
relacionada ao trabalho, caracterizada pela ocorrência de vários sintomas
concomitantes ou não, tais como: dor, parestesia, sensação de peso, fadiga, de
aparecimento insidioso, geralmente nos membros superiores, mas podendo
acometer os membros inferiores. Entidades neuro-ortopédicas definidas como
tenossinovites,
sinovites,
compressões
de
nervos
periféricos,
síndromes
miofaciais, que podem ser identificadas ou não (Ministério da Saúde, 2001)
Peruffo (2008) informa que a lombalgia e cervicalgia são responsáveis por
20% dos afastamentos no trabalho no Brasil, e que 70% das pessoas terão dores
25
lombares em algum momento da vida. A lombalgia é o maior motivo de
afastamento do trabalho em pessoas com menos de 45 anos, segunda queixa
nas visitas aos profissionais de saúde, terceira causa de cirurgia e quinta causa
mais freqüente de hospitalização. Os dados mostram que 60% das dores na
coluna vertebral são causadas por problemas musculares, em geral, por retrações
de músculos devido à má postura, esforço físico e movimentos repetitivos feitos
de maneira inadequada.
As estruturas do corpo humano que o trabalhador movimenta ao
desempenhar suas funções têm como base a coluna vertebral estendendo-se
para todo o sistema músculo-ligamentar dos membros superiores. Para Couto
(1998) a curvatura da coluna ou postura é influenciada por fatores como
hereditariedade, condições patológicas, estado mental do indivíduo e pelas forças
às quais a coluna está sujeita durante a vida produtiva do homem. Caso haja
algum desvio nesta estrutura compromete também a região cervical, ombros e
cintura escapular.
Ranney (2000) enfatiza que as lesões nessas regiões do corpo são as mais
temidas pelos trabalhadores, uma vez que os movimentos do pescoço são
dolorosos e podem ficar limitados em amplitude caso os músculos cervicais forem
estirados. O autor elabora um interessante quadro para dar visibilidade a suas
colocações:
Quadro 1. Diferenciação das fontes da dor cervical/escapular
Fonte
Local da dor
Aumenta com
Músculos cervicais
intrínsecos do
pescoço
Dorso ou lateral
Rotação do pescoço,
olhar para baixo, não
poder ser levantado
Trapézio (fibras
superiores)
Parte de cima do
ombro; talvez
também o
pescoço.
Sempre ao levantar;
com movimentos
extremos do pescoço
Subescapular
(fricção)
Região
escapular
Tendões do
manguito rotator
Área deltóide
(braço lateral)
Fonte: Adaptado de Ranney(2000).
Movimento escapular
sobre a parede
torácica
Levantar o braço
(não a escápula)
Sensibilidade
Pescoço / região
posterior superior
até T7 próximo a
linha média
Processo mastóide
para o acrômio, e
todos os pontos
mediais a este
Ângulos das
costelas 2-6
Frente do ombro
26
Couto (1998) nos lembra que “as lesões dos membros superiores ocorrem
quando a intensidade dos fatores causadores de lesão é maior que a capacidade
de recuperação do organismo”. Assim é preciso atentar para o fato de que em
uma linha de produção o fator tempo dado para desempenhar uma tarefa é
restrito, ocasionando a necessidade de repetir vários movimentos em um período
muito curto não dando tempo para o músculo se recuperar.
Conforme descrição do Termo de Compromisso de Ajuste de Conduta
entre o Ministério Público do Trabalho, a Delegacia Regional do Trabalho e as
Empresas de Processamento de Carnes, os principais problemas que acarretam
os distúrbios relacionados ao trabalho são assim descritos:
O trabalhador não tem nenhum controle sobre o trabalho, as atividades
são realizadas em pé, de forma invariável, fragmentadas, repetitivas
(ciclos < 30 s), monótonas, com ritmo imposto pela produção com
contatos sociais limitados em ambiente frio, ruidoso, insalubre,
ocasionando frustração, ansiedade, depressão fadiga, estresse, DORT,
etc.
Na tentativa de síntese, no Quadro 2 constam os fatores de risco
desencadeadores dos distúrbios osteomusculares e as possíveis conseqüências
desta ação.
Os movimentos repetitivos geralmente são elaborados pelo braço que
movimenta estruturas como: o ombro, responsável pela mobilidade da clavícula e
escápula, rotação para elevação dos membros superiores acima da cabeça e
outros pequenos movimentos; pelo cotovelo responsável pela flexão, extensão,
pronação e supinacão; e, pelas mãos, que desempenha movimentos de pressão
e pinçamento. Quando as dores destas estruturas não se referem a afecções
traumáticas, geralmente vem da possibilidade de uma afecção cumulativa
relacionada ao trabalho. (MENDES, 1995).
As evidências denotam a conduta a ser tomada para tentar minimizar os
fatores de risco presentes na maioria das atividades. Os serviços de atendimento
das pessoas portadoras de LER/DORT não podem tratar os pacientes como um
simples tratamento medicamentoso. É necessário, um esforço de várias áreas
para que se produzam medidas médico-administrativas que atendam os aspectos
inerentes à relação do ser humano com seu trabalho.
27
Quadro 2. Possíveis alterações teciduais provocadas pelos fatores de risco
biomecânicos
Fatores de risco
Possíveis alterações teciduais
Tensões em tendões ou músculos, altas forças de curta
Altas forças/momento
duração podem levar a ruptura tecidual, forças moderadas
de longa duração podem levar ao deslizamento dos
tendões ou fadiga muscular
Exercício de força em
posturas inadequadas
Postura Extrema
Trabalho com
levantamento acima da
cabeça
Vibração em todo o
corpo
Vibração da mão/braço
Postura imóvel
Movimentos de alta
freqüência
Aumento da fadiga
Compressão de vasos sanguíneos ou nervos
Aumento da pressão intramuscular no supra-espinhoso
com redução do fluxo sanguíneo
Aumento de contração dos discos intervertebrais
Aumento da força de preensão para manter o controle do
objeto. Dano ao tecido nervoso
Contração estática dos músculos
Alta velocidade do deslizamento do tendão combinada
com contração estática dos músculos mais proximais.
Fonte: Adaptado de Ranney, 2000
A ergonomia se tornou de crucial importância nas relações homemtrabalho quando elegeu seu campo de atuação a adaptação da atividade laboral
ao ser humano. Suas ações revelam-se na tentativa de evitar o surgimento de
enfermidades conseqüentes da exposição a agentes nocivos e tem auxiliado
muito a regulamentação dos direitos trabalhistas e sociais, pois segundo Santos e
Fialho (1997) no sentido etimológico do termo, ergonomia significa estudo das
leis do trabalho.
2.4 Ergonomia: breve histórico e definições
28
O termo ergonomia (do grego ergo, trabalho; e nomos, regras, leis
naturais) foi proposto em 1950, na Inglaterra, por um grupo de cientistas e
pesquisadores interessados em discutir e formalizar a existência desse novo ramo
de aplicação interdisciplinar da ciência. No início da década de 1950 surgiu na
Inglaterra a Ergonomics Researc Society que expandiu a ergonomia para vários
países europeus. Nos Estados Unidos foi criada em 1957 a Human Factors
Society que também ajudou a difundir a ergonomia em todos os países
industrializados (IIDA, 1998).
Para esta entidade inglesa a ergonomia é o estudo do relacionamento
entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente, e particularmente a
aplicação de conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos
problemas
surgidos
desse
relacionamento.
Como
fruto
dos
novos
empreendimentos e, conseqüentemente, das interações humanas ocasionadas
pela evolução da sociedade, a Ergonomia teve que se especializar, redefinindo
especificações em áreas afins. De acordo com Vidal (2001), surgiram três ramos
distintos a Ergonomia Organizacional, a Ergonomia Física e a Ergonomia
Cognitiva.
A Ergonomia Física estuda as características da anatomia humana,
antropometria, fisiologia e biomecânica em sua relação a atividade física, que
abriga dados como postura no trabalho, manuseio de materiais, movimentos
repetitivos, distúrbios músculo-esqueléticos relacionados ao trabalho, projeto de
postos de trabalho, segurança e saúde. Segundo Michel (2000) faz parte do
mesmo ramo a Antropometria (medição dos movimentos humanos) e a
Ergonomia Ambiental (interação do organismo humano com o meio em que se
encontra)
A aplicação da Ergonomia Física possibilita a re-configuração dos espaços
de trabalho com vistas a evitar o desconforto do trabalhador. Segundo Vidal
(2001), a aplicabilidade da Ergonomia Física e suas disciplinas “vai se
consubstanciar na realização de especificações relativas ao posto e ao método de
trabalho, bem como sobre o meio ambiente de trabalho”.
A Ergonomia Cognitiva envolve os processos mentais (percepção,
memória, raciocínio e resposta motora) inerentes às interações entre seres
humanos e os outros elementos do sistema. Congrega três aspectos
29
fundamentais: o filosófico, que nos permite conhecer a dimensão cognitiva, isto é,
o processo da evolução do pensamento do homem, como ele constrói e significa
tal coisa (processos mentais); o social, que passa pela instância em que divide o
trabalho manual do intelectual; e o tecnológico, que se refere a evolução das
tarefas. Ou seja, analisa o processo de carga mental do trabalho, a tomada de
decisão, a performance especializada, a interação homem-máquina, o stress e o
treinamento (MICHEL, 2000).
A Ergonomia Organizacional apresenta observações sobre os sistemas
sociotécnicos, incluindo suas estruturas organizacionais, políticas e processos.
Portanto são as partes constituintes da organização do trabalho, ditadas pela
ciência da Administração Geral cujos principais elementos dizem respeito à
distribuição das tarefas, aos sistemas de comunicação, a organização da
produção, as formas de exigências, a admissão de pessoal e as formas de
capacitação e treinamento para o trabalho (MICHEL, 2000).
Conforme Iida (1998), a aplicação sistemática da ergonomia relacionada
aos aspectos organizacionais só traz benefícios, pois engloba todo o contexto da
empresa e seus colaboradores, sejam eles inerentes à administração geral e da
política de desenvolvimento, ou seja, das dimensões da organização da produção
e do trabalho.
2.4.1 Avaliação Postural
Muitas vezes o trabalhador, na execução de determinada tarefa, tem que
efetuar mudanças de uma postura para outra utilizando vários níveis de contração
muscular, o que pode ocasionar lesão. Para Barbosa Filho (2001):
As posturas são influenciadas por todo um conjunto de disposições
espaciais de materiais e objetos de interesse para o desempenho da
atividade aos quais deveremos ter alcance manual ou visual.
Uma simples observação visual não é suficiente para se analisar os
movimentos e as estruturas que são usadas: por isto, é imprescindível a aplicação
30
de algum método de avaliação. A avaliação postural é um exame inicial para se
conhecer a maneira com que o indivíduo se posiciona. A metodologia é baseada
em princípios dos aspectos neuromusculares, psicomotores e comportamentais
das desordens posturais.
Para Barnes (1999), qualquer má postura deve ser examinada, pois seja
em pé ou sentado, traz efeitos. Sentado ou em pé o efeito mais direto é sobre a
região lombar e membros inferiores, mas se sentar de forma incorreta, pode
afetar os membros superiores. A posição em pé e estática ocasiona compressão
da região glútea e coxas e sobrecarga nos pés, diminuindo o fluxo sanguíneo
(circulação e retorno do sangue ao coração) podendo ocasionar lesões nos
membros inferiores.
São dados importantes no momento de se fazer uma análise postural, cujo
interesse em quantificar seus aspectos, é uma das atividades principais para
ações na área da saúde do trabalhador.
2.5 Análise ergonômica do trabalho (AET)
A AET “é um modelo metodológico de intervenção que possibilita a
compreensão dos determinantes do trabalho” (SILVA, 2001). Para o Ministério do
Trabalho e Emprego - MTE (2002) é entendido como “um processo construtivo e
participativo para a resolução de um problema complexo” exigindo a análise de
outros elementos tais como: o conhecimento das tarefas, da atividade
desenvolvida e das dificuldades enfrentadas para atingir os objetivos a que se
destinam.
Segundo Wisner (1997), o pressuposto básico da análise ergonômica é a
distinção entre as atividades reais (que efetivamente o trabalhador realiza) e as
atividades prescritas (a tarefa para a qual é solicitado). Ocorrência em que se
confrontam os conhecimentos adquiridos sobre a situação concreta de trabalho,
os dados sobre o homem e sua atividade dentro do contexto social em que está
inserido.
31
Assim
sendo,
como
uma
metodologia
de
análise,
pressupõe
o
levantamento de dados quantitativos e qualitativos do trabalho para o julgamento
de determinada atividade, que se efetuará através do princípio da análise/síntese.
(SANTOS e FIALHO, 1995) Esse ajuizamento se dará numa determinada
realidade, de acordo com cada particularidade (seja do homem, da máquina ou do
ambiente) e onde as ações ergonômicas requerem, pois é a natureza do
problema que desencadeia a necessidade de avaliação e resolução.
Cabe ressaltar que a atividade de trabalho é entendida conforme aludido
pelo MET e em Vidal (2001), como “uma confluência de aspectos pessoais,
organizacionais e tecnológicos de um processo de trabalho” (Figura 1).
Ainda, segundo Santos e Fialho (1995) a análise ergonômica do trabalho
comporta três fases e cada uma delas carece de uma descrição mais precisa
possível e de observações e medidas sistemáticas de variáveis pertinentes com
reação as hipóteses formuladas sobre as relações condicionantes. São elas: de
demanda, da tarefa e das atividades.
a) Análise da demanda
O passo inicial para toda intervenção ergonômica é a delimitação do objeto
de estudo. Segundo Santos e Fialho (1995) e Wisner (1994) a demanda em
ergonomia é uma demanda social, expressa num quadro institucional, pelos
diferentes atores sociais, cujos pontos de vista não são, necessariamente,
coerentes. Igualmente, para o MTE deve situar o problema a ser analisado e
incorporar os interesses dos diferentes protagonistas.
Santos e Fialho (1995) distinguem três grandes grupos de demandas de
intervenção ergonômica que são formuladas com o objetivo de:
•
Buscar recomendações ergonômicas para implantação de um novo
sistema de produção.
•
Resolver disfunções do sistema de produção já implantado, relativas
aos
comportamentos
organização;
do
homem,
da
máquina,
ou
ainda,
da
32
•
Identificação dos novos condicionantes de produção introduzidas pela
implantação de uma nova tecnologia e/ou pela introdução de novos
modos organizacionais.
Cabe ao analista da situação discutir e ampliar o ponto de vista dos
protagonistas a respeito desta ferramenta que pode ser usada na melhoria das
condições de trabalho, na melhoria da qualidade dos produtos e serviços
prestados, contribuindo, por fim, para maior ganho de produtividade. (REGIS
FILHO, 2000)
b) Análise da tarefa
Santos e Fialho (1995) definem tarefa como a ação que o trabalhador deve
realizar e as condições ambientais, técnicas e organizacionais desta realização.
Deste modo, a apreciação da tarefa consiste, basicamente, na análise das
condições de trabalho da empresa. Citando Poyet (1990) os autores consideram
três diferentes níveis de tarefa: prescrita, induzida e atualizada.
•
Tarefa prescrita: diz respeito ao conjunto de objetivos, procedimentos,
métodos e meios de trabalho;
•
Tarefa induzida ou redefinida: evidenciada pela representação que o
trabalhador elabora da tarefa, a partir dos conhecimentos que ele
possui dos diversos componentes do sistema;
•
Tarefa atualizada: atualização da representação mental sobre a tarefa
se surgirem imprevistos ou outros condicionantes aos quais ele não
estava acostumado.
c) Análise das atividades
Silva (2001), citando Guérin (1985), coloca que a atividade diz respeito ao
modo pelo qual o homem dispõe de seu corpo, sua personalidade e suas
competências para realizar um trabalho. Também apresenta os aspectos físicos
33
(atividade muscular), sensoriais (utilização dos órgãos), mentais (atividades ou
processos de tomada e processamento de informações), e relacionais (relações
sociais do trabalho).
d) Síntese Ergonômica do Trabalho
Segundo Santos e Fialho (1995), metodologicamente a formulação do
diagnóstico é a síntese da análise ergonômica do trabalho e descreve “as
patologias do sistema homem-tarefa que foi delimitado, dentro do qual intervêm
fatores cuja natureza, modo de influência e as possibilidades de transformação,
podem ser inferidos pelos conhecimentos em ergonomia”.
O MTE (2002) ainda institui o estabelecimento de um pré-diagnóstico
explicitando as partes envolvidas para que na ocasião da formulação da redação
final as informações sejam validadas ou excluídas. Recomenda também que o
diagnóstico deve dividir-se em diagnóstico local e global, validado por todos os
envolvidos.
O caderno de encargos é a proposição das melhorias das condições de
trabalho visando equacionar problemas relacionados tanto no aspecto da
produção como, principalmente, no da saúde do trabalhador. Os tópicos das
recomendações geralmente se traduzem em benefícios para o desenvolvimento
pessoal dos trabalhadores e ao conforto no trabalho.
2.6 Métodos de avaliação postural
A resposta da ciência para tentar minimizar os problemas causados pela
postura do trabalhador num sistema de produção, foi a elaboração de vários
métodos de avaliação que poderiam, após exames minuciosos, desencadear
propostas para redimensionar tanto os postos de trabalho quanto a postura que o
operário deva empreender nos seus afazeres diários.
34
2.6.1 O método OWAS
O método Ovaco Working Posture Analysing System – OWAS foi
desenvolvido na Finlândia para analisar a postura de trabalhadores em uma
siderúrgica. Três pesquisadores: Karku, Kansi e Kuorinka em 1977, definiram 72
posturas típicas resultantes das posições de dorso, braços e pernas. Em estudo
durante dois anos, os técnicos efetuaram mais de 36.000 observações em 52
atividades desenvolvidas na indústria de aço (KARWOWSKI; MARRAS 2000).
Este método nace de la necesidad de identificar y avaluar posturas
incómodas durante el desarrollo de algunas de las tareas que se
desarrollaban en la industria, muchas de las cuales se requerían de la
aplicación de grandes esfuerzos físicos e problemas músculoesqueléticos, mismos que se reflejaban en un incremento de las
incapacidades laborales y retiros a temprana edad. (MARTINEZ DE LA
TEJA, 2007, p. 1)
O método se baseia na amostragem da atividade em intervalos constantes
ou variáveis de qualquer atividade e são aplicados na análise de todos os tipos de
ramos de atividades econômicas, industriais ou sociais. Para Iida (1998), o
Protocolo Ergonômico de Avaliação Postural do Método OWAS, usa a valoração
de 4 pontos (ANEXO A), conforme a classificação:
Classe 1 – Postura Normal que dispensa cuidados a não ser em casos
excepcionais;
Classe 2 – Postura que deve ser verificada na próxima revisão dos
métodos de trabalho;
Classe 3 – Postura que deve merecer atenção a curto prazo;
Classe 4 – Postura que deve merecer atenção imediata.
O sistema baseia-se na amostragem da tarefa em intervalos regulares ou
variáveis verificando-se a freqüência e o tempo consumido em cada postura. São
consideradas as posições das costas, braços, pernas e o uso da força e fase da
atividade, onde são atribuídos valores com um código de seis dígitos.
O registro dos dados pode ser efetuado por meio de vídeo acompanhado
de observações diretas. Silva (2001), citando Wilson e Corlett (1995), informa que
35
o recomendado para as atividades cíclicas é que seja observado todo o período e,
para as atividades não cíclicas, a observação deve ser de no mínimo 30
segundos.
Segundo Karwowski e Marras (2000), a confiabilidade do método OWAS é
alta, com estimativa de 90% de acertos, tendo sido testado em vários trabalhos
diferentes e demonstra ser uma ferramenta altamente eficaz para identificar a
gravidade das posturas assumidas e sugere caminhos para se tomar providências
para o restabelecimento das posturas normais.
2.6.2 O método RULA
O método Rapid Upper Limb Assessment – RULA, segundo Dutra (2001),
foi desenvolvido por Mc Atamney e Corlett em 1993 e proporciona uma rápida
avaliação dos constrangimentos sobre os membros superiores. Seu objetivo
principal é analisar a sobrecarga concentrada no pescoço e membros superiores,
presente sempre que algum trabalhador desenvolver atividades sedentárias.
Análise Rápida dos Membros Superiores (RULA) é um método de análise
desenvolvido para o uso em investigações ergonômicas de locais de
trabalho, onde foram reportadas doenças dos membros superiores ligadas
ao trabalho. Este método não requer equipamento especial e oferece uma
rápida análise das posturas de pescoço, tronco e membros superiores
junto com a função muscular e a carga externa recebida pelo corpo.
(LOPES, 2004, p. 78)
O método usa diagramas das posturas do corpo que permitem a avaliação
da exposição aos fatores de risco e foi desenvolvido para: possibilitar a visão
rápida de trabalhadores, para identificar os riscos das doenças dos membros
superiores; identificar os esforços musculares associados à postura de trabalho,
segundo elementos de força, movimentos estáticos ou repetitivos que podem
contribuir para a fadiga muscular; proporcionar resultados que possam ser
36
incorporados na avaliação epidemiológica, física, mental, ambiental e dos fatores
organizacionais. (DUTRA, 2001).
A metodologia RULA oferece a oportunidade da avaliação sumária em
postos de trabalho sem a interrupção das atividades. O processo inicia pela
observação do trabalhador durante os diversos ciclos da atividade, momento que
oportuniza a seleção das tarefas e posturas a serem consideradas. Conforme o
tipo de estudo que se deseja realizar, “a seleção da postura pode ser feita
baseada na duração do procedimento ou no grau de constrangimento mostrado,
ou seja, selecionando a pior postura adotada pelo trabalhador naquele ciclo
observado”. (LOPES, 2004).
Os dados obtidos podem ser anotados diretamente na Planilha ou lançados
no software. Cada segmento do corpo é avaliado e os resultados obtidos
originarão um escore final que podem ser comparados à Lista dos Níveis de
Ação, com o seguinte Escore Final (ANEXO B):
•
Escore 1 ou 2: equivale a uma postura aceitável;
•
Escore 3 ou 4: está propenso a uma investigação;
•
Escore 5 ou 6: necessidade de investigação e mudança a curto
prazo;
•
Escore 7: investigar e mudar imediatamente.
Ao examinar a Planilha RULA, verifica-se que a seqüência da colocação
dos dados se dá a partir da divisão dos segmentos a serem avaliados de maneira
que no primeiro momento sejam considerados o braço, antebraço e pulso, e, no
segundo momento, o pescoço, o tronco e as pernas, oportunizando que todas as
posturas e movimentos do corpo humano sejam observados.
2.6.3 Digitalização de imagens
Segundo Gonzalez e Woods (2000) e Fonseca (2000), os métodos de
processamento de imagens usados na transmissão e interpretação de dados
37
tiveram seu início nos anos 1920, com a introdução do sistema Bartlane, para
melhorar ilustrações de jornais enviados via cabo por submarino entre Londres e
New York. O grande salto para a evolução do sistema ocorreu a partir dos anos
1960 com o advento dos computadores digitais e com o programa espacial norteamericano.
A área de processamento digital de imagens tornou-se extremamente
importante nas últimas décadas, visto que a evolução da tecnologia de
computação digital, bem como o desenvolvimento de novos algoritmos para lidar
com sinais bidimensionais está permitindo uma gama de aplicações cada vez
maior. Várias áreas do conhecimento já usam esse sistema, principalmente
quando existe necessidade de interpretar imagens, como por exemplo: na análise
de recursos naturais; meteorologia; transmissão digital de sinais; análise de
imagens biomédicas, incluindo a contagem automática de células e exame de
cromossomos; análise de imagens metalográficas e de fibras vegetais; imagens
de ultrassom, radiação nuclear ou técnicas de tomografia computadorizada;
aplicações em automação industrial (FONSECA, 2000).
Por Processamento Digital de Imagens entende-se a manipulação de uma
imagem por computador de modo que a entrada e a saída do processo
sejam imagens. O objetivo de se usar processamento digital de imagens,
é melhorar o aspecto visual de certas feições estruturais para o analista
humano e fornecer outros subsídios para a sua interpretação.
(FONSECA, 2000, p. 6)
Gonzalez e Woods (2000) evidenciam que o interesse da digitalização de
imagens se concentra “em procedimentos para extrair de uma imagem
informação de uma forma adequada para processamento computacional”. O
processo, segundo Scuri (1999) se inicia com a fotografia obtida do mundo real
através de câmeras ou sensores que captam luz, depois transportadas para um
computador que, através de programas específicos, reconhece caracteres, dando
origem a interpretação.
a) Fotogrametria computadorizada
Ricieri (2000) evidencia que a fotogrametria, de origem grega, surgiu para
uso na agrimensura e na cartografia como forma de registrar medidas de um
38
objeto e sua localização por meio de fotografia. O uso comum se destina para a
reprodução de mapas planimétricos, topográficos, mas a técnica adaptou-se ao
estudo dos movimentos humanos, principalmente através do conceito de
restituição e fotointerpretação.
A autora ainda, citando Correa (1999), informa que a fotointerpretação é a
ação de examinar imagens, para identificar objetos e julgar seu significado.
Portanto, através da fotografia, as técnicas de observação e interpretação são
usadas para emitir conclusões a cerca do conteúdo da imagem, ou ainda,
conforme Gonzalez e Woods (2000), para melhoria da informação visual para
interpretação humana. A metodologia segue alguns passos fundamentais: a
aquisição das imagens; o armazenamento; o processamento; a comunicação; e,
finalmente, a exibição.
Albuquerque e Albuquerque (2000) referenciam que a maioria das técnicas
de processamento de imagens tem como base os métodos matemáticos que
permitem descrever quantitativamente imagens das mais diversas origens. Para
os autores uma imagem pode ser apresentada de várias formas, mas sempre
apresenta parâmetros bidimensional ou topologicamente convenientes visto que
em todos os objetos se pode efetuar qualquer tipo de medida.
Para a área biomédica, Pereira (2003) expressa que o “exame fotográfico
tem sido o recurso amplamente utilizado [...], constituindo uma parte essencial da
avaliação e método de comparação dos resultados no tratamento das alterações
morfológico-posturais”. Nesse sentido Ricieri (2000) notifica que além de ser um
sistema não-invasivo de avaliação de estruturas corporais (principalmente
internas), ainda traz benefícios pelo baixo custo, além da “precisão e
reprodutibilidade dos resultados”.
Usando um grande número de imagens que são cuidadosamente
selecionadas
para
a
observação
de
vários
componentes,
efetua-se
a
fotointerpretação e o laudo clínico pertinente. Assim, a forma mais precisa e
objetiva de avaliação postural consiste no registro através de imagens. A
fotografia, tirada de corpo inteiro, em diferentes posturas e ângulos evidencia a
simetria dos segmentos corporais e articulações no momento em que o
trabalhador executa determinada tarefa (PEREIRA, 2003).
39
b) O software ImageJ:
O software ImageJ é um programa de computador para processar imagem
escrito em linguagem Java, com capacidade de indicar, editar, analisar, processar
e imprimir imagens de diversos formatos. Pode ainda calcular estatísticas do valor
de áreas solicitadas, medir distâncias, ângulos e graus, como também criar
histogramas da densidade e linhas de perfil, dados importantes numa análise
postural. O software possui código fonte aberto1. Como o programa foi criado em
um linguagem multi-plataforma, este pode ser usado em qualquer sistema
operacional, observado as características intrínsecas de cada sistema.
Quando do uso do software ImageJ, os comandos são gerenciados para
fazer transformações geométricas tais como escala, rotação e superfícies
estendidas, com ampliação para verificação minuciosa de elementos da imagem
e, cuja calibração pode fornecer medidas espaciais da imagem real.2
Figura 1. Visão geral dos comandos do software ImageJ
Fonte: (http://rsb.inf.nih.gov/ij)
Os comandos acima são usados para medir distâncias reais na imagem
digital e calcula-se a média das razões entre distância e número de pixels,
obtendo-se uma escala. A partir desse momento outras distâncias podem ser
feitas na imagem com qualidade aceitável e que podem também envolver
transformações projetivas no caso dos objetos não estarem em um mesmo plano,
ou ainda, quando necessário medidas em ângulos e graus (SCURI, 1999).
1
2
O código de fonte aberta pode ser obtido no endereço a seguir: http://rsb.info.nih.gov/ij/disclaimer.html
Informação recebida em 17 jul 2007 [email protected]
40
3 MATERIAL E MÉTODOS
A empresa em que foi desenvolvida a pesquisa está localizada no
município de Chapecó – SC, e é reconhecida como um frigorífico de grande porte.
O setor da desossa de coxas é abrigado em uma sala com estrutura própria e
equipado para diversas atividades de desmonte e processamento de aves. No
ambiente trabalham aproximadamente 150 pessoas distribuídas em 5 mesas com
sistema de esteira e nórea, com tarefas individualizadas para o processamento
das peças depois do desmonte do frango, (Figura 3).
Figura 2. Vista geral do setor de processamento de aves
Após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, conforme parecer
consubstanciado (ANEXO C), foi explicado as funcionárias os objetivos da
pesquisa. Apenas aqueles que assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido se tornaram a população a ser estudada. Esse procedimento também
teve o papel de tranqüilizá-los com relação a presença de uma pessoa estranha
na linha de produção evitando, assim, eventuais alterações nas posturas e
condutas das mesmas.
41
3.1 População da pesquisa
Foram estudadas 60 (sessenta) funcionárias do frigorífico que realizavam
tarefas de desossa de coxas na linha de corte de aves do referido
empreendimento. O grupo era composto exclusivamente por mulheres com idade
entre 20 a 46 anos, que desempenhavam suas funções em turnos de 30 (trinta)
pessoas com horários diferentes: o primeiro, com início das atividades às 5:00h e
encerramento as 14:48h; o segundo, com início as 15:00h e término as 00:28h.
Deve-se enfatizar que o sexo não foi considerado como fator de exclusão da
pesquisa, pois na linha de produção só havia mulheres.
O Perfil Epidemiológico Ocupacional efetuou o registro de todas as
funcionárias com queixas de dor nos membros superiores, região cervical e
ombros de 16 funcionárias. (APÊNDICE A e B) Foi efetuada a aferição das
medidas de ângulos em todo o grupo.
3.2 Descrição e padronização do processo e atividades
A operacionalização da desossa inicia depois da ave abatida, limpa e
desmontada num setor adequado. Seus pedaços (peças) são colocados em uma
esteira rolante onde uma funcionária separa as partes e designa as coxas para
uma mesa própria, cuja distribuição ocorre de acordo com uma numeração que
está afixada na mesa e cada magarefe é responsável pela desossa por seu
respectivo número.
Cada estrutura com tampo de aço inox comporta cerca de 30 pessoas,
posicionadas em pé, sem qualquer apoio, diante da mesa que tem altura de 90cm
e profundidade de 31cm. Em cima é colocado um tabuleiro com 40,5cm de
profundidade e 24cm de largura. A largura da esteira é padronizada em 43cm.
A tarefa de desossa de coxas apresenta alto risco de acidentes para as
mãos visto a operação ser por meio de técnica manual e usar utensílio cortante.
42
Os instrumentos de trabalho são: uma chaira, um tabuleiro e uma faca cuja
afiação é de responsabilidade da própria operadora, geralmente realizada entre
10 a 15 desossas. A faca tem as seguintes características: peso 100 gramas;
tamanho do cabo, 5 cm comprimento e 2,5 cm largura; a lâmina tem 12 cm
comprimento e largura de 3 cm; empunhadura em 25 a 32 mm. (APÊNDICE C)
O processo inicia quando a funcionária apanha a coxa da esteira inferior
estendendo o braço esquerdo, com flexão maior ou menor do tronco de acordo
com a altura da pessoa e vício postural.
Na seqüência é posicionada a coxa no tabuleiro de corte com a mão
esquerda, girando-a. Com a faca na mão direita a magarefe risca a coxa
longitudinalmente junto ao osso no sentido distal em direção ao proximal,
cortando o excesso de pele e os tendões da extremidade inferior. Novamente
risca rente ao osso e o contorna para liberar o músculo e após retira a cartilagem,
colocando a parte desossada e o osso de volta na esteira A série acontece
aproximadamente a cada 20 segundos.
Para proteção térmica, visto o ambiente apresentar temperatura de 10º C,
é usado um traje composto de blusão térmico, calça de brim, botas de borracha,
meias e gorro com proteção facial. Para abafar o ruído constante de 83 dB(A) e
prevenir riscos de acidentes, cada operária usa protetor auricular e luvas, sendo
uma de malha de aço na mão esquerda e outra de latéx na mão direita.
3.3 Amostragem das imagens na linha de produção
A coleta de dados foi efetuada em momentos distintos, visto os dois turnos
de trabalho. As imagens do 1º turno foram geradas no dia 08 de outubro de 2007,
durante todo o período de trabalho. Para identificação de quem seriam as
imagens, foram elaborados adesivos com numerações de 01 a 30 e afixados no
braço direito de cada funcionária.
Em virtude da interrupção da exportação de cortes de frango, ficou
suspenso, por data indeterminada, a desossa de coxas, prejudicando a coleta de
43
dados do segundo turno. Assim, a segunda etapa das filmagens só foi possível
em 14 de janeiro de 2008, quando a empresa reiniciou as atividades de desossa.
A primeira forma que se imprimiu na tentativa de que as imagens
mostrassem o perfil dos trabalhadores na linha superior do tórax, foi através de
uma sessão de fotografias com uma câmera digital marca Sony de 5 mega Pixels
de resolução máxima. Porém, as fotografias não demonstraram ser suficientes
para a análise visto a falta de movimentos, isto é, pelas posições estáticas que as
imagens demonstravam.
Na tentativa de um novo método para avaliação foi usada uma filmadora
Panasonic VHSC, modelo Palmcorder IQ, fixada em um tripé a uma distância de
1,7m da pessoa e com a lente posta a altura de 1metro do piso de forma a
enquadrar totalmente a funcionária. A filmagem foi realizada durante a desossa
de 3 coxas, correspondendo ao tempo aproximado de 1 minuto de filmagem. A
digitalização das imagens foi realizada com a placa de captura Pinnacle Studio 10
700 e o software Pinnacle, armazenadas em DVD em arquivos com extensão
MPEG. A conversão dos vídeos para extensão JPG foi realizada utilizando-se o
software Virtualdub v.1.6.19 que permitiu salvar a filmagem em seqüência de
imagens, ou seja, fotogramas.
Uma vez digitalizadas a seqüência de fotogramas foram carregadas no
software ImageJ e destes, selecionados dois fotogramas para posterior análise.
As imagens permitiam visualizar a postura do indivíduo antes do início da
manobra necessária a desossa da coxa (Figura 4) e uma outra imagem de flexão
do pescoço dos indivíduos em questão.
Na segunda imagem foi traçado uma linha imaginária no tronco da
funcionária e, a partir dessa, outras duas linhas dirigidas à base do crânio e ao
cotovelo, tomando assim as medidas do ângulo de flexão do pescoço e
afastamento do braço (Figuras 3 e 5).
44
Figura 3. Medidas de ângulo de afastamento do braço
Figura 4. Posição do tronco antes da tarefa de desossa
45
Linha do pescoço
Linha do cotovelo
Figura 5. Ângulos de flexão e extensão dos segmentos pescoço e braço
Uma vez processadas as imagens foi possível verificar os ângulos
formados entre os diferentes segmentos de interesse, ou seja, das medidas do
pescoço e braço de cada operária, para análise e considerações.
3.4 Análise e interpretação dos dados
A aplicação dos métodos visuais foi feita por dois profissionais, um médico
do trabalho e um fisioterapeuta em momentos diferentes e após foi realizado
confrontação das medidas, as que houveram divergências foram novamente
aferidas.
Os dados foram dispostos nos dois instrumentos usuais para análise
postural: a Tabela OWAS e a Planilha RULA. Estas metodologias serviram para a
identificação visual da posição e ângulo formado entre o tronco e a estrutura do
corpo das funcionárias e para a categorização de acordo com os parâmetros dos
respectivos instrumentos.
46
Assim, a partir dos graus de flexão e extensão, foi aplicado o Padrão de
classificação da condição postural do indivíduo segundo método RULA, que ficou
definido conforme Quadro 3 .
Quadro 3. Padrão de classificação da condição postural do indivíduo
segundo o método RULA
Estrutura
Grau de
Escore
Observações
<10º
1
Normal
10º a 20º
2
Postura aceitável
>20º
3
Necessita Investigação
<15º
1
Normal
15º a 45º
2
Postura aceitável
45º a 90º
3
Necessita Investigação
>90º
4
Investigação e mudar logo
Flexão Extensão
Pescoço
Braços
Na segunda etapa, a partir dos escores encontrados houve a necessidade
de instituir um sistema de equivalência para criar uma escala referencial para o
ImageJ, ou seja, uma forma para aferir o ângulo formado entre o tronco e a
estrutura do corpo em análise nas imagens digitais.
Portanto, as medidas a serem considerados são os ângulos de flexão do
pescoço e extensão do braço direito, visto que o pescoço dirige o olhar para a
peça trabalhada e o braço mantém o instrumento (faca) durante a realização da
desossa de coxa. As medidas podem variar de 0º (zero grau) a máxima elevação
do membro superior na realização da desossa sendo esta uma medida exata.
47
4 RESULTADOS
4.1 Aplicação dos métodos OWAS e RULA
Na ocasião do registro de dados obtidos pela observação visual para a
Tabela OWAS e a Planilha RULA, surgiram alguns imprevistos devido a
indisponibilidade das pessoas que participaram da filmagem estarem presentes.
Os fatores que geraram essa ausência foram: falta ao trabalho, férias concedidas
e transferência de setor. Assim, foram necessárias várias visitas.
O maior impedimento se deu por causa da demissão de 5 pessoas. No
entanto, para que não faltassem dados, foram efetuadas as medidas diretamente
sobre as imagens obtidas durante a filmagem.
4.2 Resultados obtidos por meio do método OWAS
O método OWAS enquanto método visual sem escala de graduação,
apresentou resultados com maior percentual na classe 1 e em segundo lugar na
classe 2. Na análise do grau de flexão do dorso e pescoço se pode perceber que
em 60% das funcionárias (36) o método não sugeriu correções. Os outros 40%
representado por 24 funcionárias, apontam a necessidade de correção, porém
sem urgência e podem ser efetuadas numa próxima revisão de rotina conforme
Tabela 3.
Tabela 3. Classificação da postura do pescoço segundo método OWAS
Classe
1
Nº de indivíduos
36
Percentual
60
2
24
40
3
-
-
48
Quanto as medidas dos braços, a análise confere que em 96,67% das
operárias (58) pode ser dispensado cuidados e 3,33% deles (02) são necessários
medidas de correção, porém sem urgência.
Tabela 4. Classificação da postura do braço segundo método OWAS
Classe
1
Nº de indivíduos
58
Percentual
96,67
2
2
3,33
3
-
-
4.3 Resultados obtidos por meio método RULA
Para o escore RULA (Tabela 5) houve mudança dos parâmetros quanto as
posturas de pescoço, pois somente 10 funcionárias (16,66%) têm postura
considerada aceitável, e a postura das demais (83,34%) necessita de
investigação para averiguar possíveis mudanças.
Tabela 5. Escore da postura do pescoço segundo método RULA
Escore
1
Grau de flexão
0º a 10º
Nº de indivíduos
-
Percentual
-
2
10º a 20º
10
16,66
3
20º acima
50
83,34
Para as medidas dos braços, também foi verificado resultados diferentes
do método anterior: o grau de flexão menor que 45º foi encontrado em 14
funcionárias (23,33%); o montante de 44 funcionárias (73,34%) apresentou
problemas, índice que necessita de averiguação; já a terceira escala, escore 4,
confirmou a recomendação de investigação e mudança a curto prazo para 02 das
pesquisadas (3,33%).
49
Tabela 6. Escore da postura do braço segundo método RULA
Escore
1
Grau de extensão
0º a 15º
Nº de indivíduos
-
Percentual
-
2
15º a 45º
14
23,33
3
45º a 90º
44
73,34
4
90º acima
2
3,33
4.4 Resultados obtidos por meio do software ImageJ
Com referência aos dados obtidos a partir das medidas realizadas pelo
ImageJ, os resultados para as medidas do pescoço demonstraram que somente 3
pessoas (5%) necessitam de investigação para futuras mudanças. Para 30
.funcionárias (50%) foi encontrado resultados que demonstram necessidade de
mudar imediatamente os hábitos posturais. No mesmo processo de aferição, 27
funcionárias (45%) apresentam problemas graves.
Tabela 7. Grau de flexão do pescoço amostrado utilizando-se o software
ImageJ
Grau de flexão
0º a 20º
Nº de indivíduos
-
20º a 25º
25º a 30º
3
30º a 35º
35º a 40º
15
15
40º a 45º
45º a 50º
14
8
50º a 55º
55º a 60º
3
2
Percentual
5
50
36,67
8,33
Obs: Os resultados são expressos como o número de indivíduos que apresentaram a angulação
do pescoço dentro da faixa indicada.
A escala para a avaliação dos movimentos dos braços também demonstra
preocupação, pois todas as medidas apresentam resultados que devem ser
50
observados. A postura de 12 funcionárias (20%) demonstra necessidade de
investigação e posterior mudança. O índice de preocupação diz respeito ao grau
de extensão entre 45º a 90º, cujos resultados foram extraídos da aferição dos
ângulos de 46 funcionárias (76,67%) cuja recomendação é para mudanças
imediatas na postura. A postura que requer extrema preocupação foi encontrada
em 3,33% das pesquisadas, ou seja, 2 funcionárias, pela elevação do braço
acima da linha do ombro.
Tabela 8. Grau de extensão do braço amostrado utilizando-se o software
ImageJ.
Grau de extensão
5º a 10º
10º a 15º
15º a 20º
20º a 25º
25º a 30º
30º a 35º
35º a 40º
40º a 45º
45º a 50º
50º a 55º
55º a 60º
60º a 65º
65º a 70º
70º a 75º
75º a 80º
80º a 85º
85º a 90º
90º a 95º
Nº de indivíduos
1
1
1
1
2
6
5
10
8
12
6
2
3
2
Percentual
1,66
5
13,34
38,34
33,33
5
3,33
Obs: Os resultados são expressos como o número de indivíduos que apresentaram a angulação
do braço dentro da faixa indicada.
4.5 Demonstrativo dos resultados dos distúrbios levantados no Perfil
Epidemiológico segundo os métodos OWAS, RULA e ImageJ
Na ocasião do levantamento das principais queixas presentes no Perfil
Epidemiológico Ocupacional, 16 delas apresentaram problemas com queixas de
dores na cintura escapular, pescoço, trapézio, ombro, braço e cotovelo. Para
51
lançar os dados das medidas das estruturas corpóreas acometidas nos critérios
dos métodos de avaliação de postura, foi elaborada uma tabela que definiu os
respectivos valores para cada patologia.
Tabela 9. Resultados dos graus, escore e classe das estruturas corpóreas
acometidas pela LER/DORT
Estrutura corpórea
acometida
funcionárias
Cintura Escapular
Pescoço
Trapézio
Ombro
Braço
Cotovelo
Nº de
OWAS
RULA
1
1
3
Braço: 61º
1
2
3
Pescoço: 60º
2
2
3
4
Pescoço: 59º
Braço: 91º
1
1
3
3
Pescoço: 40º
Braço: 61º
2
1
3
3
Pescoço: 60º
Braço: 53º
1
1
2
3
Pescoço: 31º
Braço: 56º
2
4
Braço: 94º
2
4
Braço: 91º
1
3
Braço: 61º
1
3
Braço: 53º
1
3
Braço: 56º
1
3
Braço: 54º
1
3
Braço: 66º
1
3
Braço: 61º
1
3
Braço: 56º
1
3
Braço: 53º
4
5
4
1
ImageJ
52
Na análise da Tabela 9 a percepção é de que apresentam resultados
diferentes para os mesmos dados. Para o protocolo OWAS, o registro das
posturas de pescoço e dos braços, de todas as 60 pesquisadas do setor de
desossa de coxas, permaneceram entre a classe 1 e 2, consideradas normais ou
que demandam poucos cuidados.
Os dados dispostos na planilha RULA apresentaram resultados a partir do
escore 2. Neste método, o escore 3 é o que agrupa a maioria das medidas
obtidas das posturas e demandam atenção e mudanças a curto prazo. O escore
4, cuja orientação é para a investigação e mudança imediata, é mínimo.
Em
relação
o
demonstrativo
do
ImageJ
os
resultados
mudam
substancialmente apresentando níveis mais comprometedores em relação à
postura inadequada. O maior contingente apresenta medidas de extenção entre
45º a 90º com indicação de investigação e mudanças imediatas. Já a extensão do
braço acima de 90º, considerada emergencial, está presente em 2 pessoas.
.
53
Quadro 4. Demonstrativo dos resultados finais de cada funcionário
pescoço fletido
1td Ângulo
OWAS
RULA
ImageJ
pescoço fletido
2td Ângulo
OWAS
RULA
ImageJ
Ângulo braço
1td
OWAS
RULA
ImageJ
Ângulo braço
2td
OWAS
RULA
ImageJ
1
43.0
2
3
3
46.0
2
3
4
63.0
1
3
3
45.0
1
3
3
2
37
1
3
3
43.0
2
3
3
77.0
1
3
3
56.0
1
3
3
3
38.0
2
3
3
43.0
2
3
3
53.0
1
3
3
61.0
1
3
3
4
39.0
1
3
3
45.0
2
3
4
42.0
1
2
2
54.0
1
3
3
5
34.0
1
3
3
27.0
1
2
2
61.0
1
3
3
17.0
1
2
2
6
47.0
2
3
4
43.0
2
3
3
25.0
1
2
2
62.0
1
3
3
7
43.0
2
3
3
36.0
1
3
3
65.0
1
3
3
49.0
1
2
2
8
28.0
1
2
2
45.0
2
3
4
63.0
1
3
3
72.0
1
3
3
9
41.0
1
3
3
34.0
1
2
3
94.0
2
4
4
53.0
1
3
3
10
33.0
1
2
3
38.0
1
3
3
72.0
1
3
3
44.0
1
3
2
11
32.0
1
2
3
40.0
1
3
3
64.0
1
3
3
61.0
1
3
3
12
29.0
1
2
2
36.0
1
3
3
60.0
1
3
3
45.0
1
2
3
13
35.0
1
3
3
38.0
1
3
3
57.0
1
3
3
67.0
1
3
3
14
39.0
1
3
3
48.0
2
3
4
63.0
1
3
3
53.0
1
3
3
15
42.0
2
3
3
34.0
1
2
3
53.0
1
2
3
63.0
1
3
3
16
33.0
1
3
3
42.0
2
3
3
51.0
1
3
3
59.0
1
3
3
17
33.0
1
3
3
35.0
1
3
3
54.0
1
3
3
63.0
1
3
3
18
36.0
1
3
3
60.0
2
3
4
57.0
1
3
3
53.0
1
3
3
19
33.0
1
3
3
36.0
1
3
3
66.0
1
3
3
32.0
1
2
2
20
39.0
1
3
3
47.0
2
3
4
66.0
1
3
3
14.0
1
2
1
21
37.0
1
3
3
51.0
2
3
4
47.0
1
2
3
59.0
1
3
3
22
33.0
1
3
3
44.0
2
3
3
69.0
1
3
3
28.0
1
2
2
23
40.0
1
3
3
31.0
2
2
3
60.0
1
3
3
44.0
1
2
2
24
34.0
1
3
3
49.0
2
3
4
43.0
1
2
2
68.0
1
3
3
25
52.0
2
3
4
41.0
1
3
3
53.0
1
3
3
51.0
1
3
3
26
41.0
2
3
3
51.0
2
3
4
42.0
1
2
2
47.0
1
3
3
27
31.0
1
3
3
39.0
1
3
3
76.0
1
3
3
42.0
1
2
2
28
32.0
1
3
3
48.0
2
3
4
56.0
1
3
3
34.0
1
3
3
29
58.0
2
3
4
43.0
1
3
3
91.0
2
4
4
78.0
1
3
3
30
33.0
1
2
3
31.0
1
2
3
61.0
1
3
3
56.0
1
3
3
54
5 DISCUSSÃO
As condições de trabalho em uma linha de produção, por mais que se
efetuem medidas de proteção, nem sempre são condizentes com as adequadas
para as atividades desenvolvidas, pois o trabalho é considerado bastante
complexo.
Um fator agravante das condições de trabalho é a temperatura baixa do
ambiente e das peças a serem manuseadas. A sensação térmica favorece a
contração da musculatura e diminuição do fluxo sanguíneo, dificultando os
movimentos e aumentando o desconforto (RANNEY, 2000). Também o uso de
luvas de materiais diferentes em cada mão, uma de aço (mão esquerda) e outra
de látex (mão direita), dificulta a sensibilidade nos dedos pela diminuição da
vascularização no local causando sofrimento do tecido e consequentemente
desconforto e dor.
Outro fator é com respeito ao posicionamento do trabalhador, visto o
mesmo ter que ficar em pé, estático na parte inferior do corpo e com movimentos
superiores que despendem certo grau de força. Os problemas advindos dessa
posição são muito bem referenciados em toda literatura consultada (RANNEY,
2000, MENDES, 1995; MICHEL, 2000; COUTO, 1998), como também em
instrumentos próprios como é o caso da Norma Regulamentadora nº 17.
As atividades em uma linha de produção onde existem equipamentos tipo
nórea, são desempenhadas em bancadas fixas, abas largas e num processo
contínuo e rápido (APÊNDICE D). A altura das bancadas normalmente varia de
80 a 90cm e são disponibilizados indivíduos nessas atividades com as mais
variadas estaturas, onde a má postura com essa condição também é um fator
contributivo de dores no dorso, região cervical e membros superiores. As pessoas
com constituições físicas diferentes e alguns com vícios de postura precisam
vencer a demanda que é colocada pelo equipamento, ocorrendo stress do
trabalho como ansiedade e sensação do dever não cumprido. Também observouse movimentos inadequados como flexão do tronco para alcançar os produtos,
elevação e afastamento dos braços em posição desconfortável, além da
55
conseqüente sobrecarga nas estruturas dos membros superiores, ombros e os
movimentos demonstram repetitividade e monotonia.
Como os casos são do comprometimento unilateral de membros do corpo,
para a anatomia humana a sobrecarga é descompensatória e produz, além de
dores, desequilíbrio postural. A evolução da lesão de forma desfavorável costuma
ocasionar incapacidade funcional grave e até mesmo invalidez para o trabalho,
pois para Couto (1998, p. 193) “o excesso de utilização e incoordenação motora
produzido
em
situações,
como
no
trabalho
repetitivo
sem
exercícios
compensatórios, causa seqüelas de distúrbios neurológicos localizados”.
Na ocasião da observação “in loco” a verificação sobre a força incutida na
empunhadura
da
faca
no
momento
das
manobras
para
desossa
foi
preponderante, pois os movimentos refletem diretamente na articulação do ombro
direito e tem maior expressão quando o braço está afastado do tronco. A
atividade requer também o uso constante de luvas, precisão, habilidade, destreza
e atenção e, por isso, demanda certo grau de dificuldade e maior força.
Quando foram feitas as medidas com aplicação dos Métodos Owas e Rula,
os resultados foram diferentes para os dois avaliadores, sendo que criou-se um
terceiro momento onde ambos avaliaram e chegaram a um resultado comum,
evitando assim que um dos profissionais pudesse ser tendencioso em sua
avaliação.
Com referência à aferição das medidas, quando as posturas foram
registradas nos três métodos, percebeu-se que os resultados apresentavam-se
diferentes, pois para o método OWAS nenhum dos casos requer atenção imediata
ou a curto prazo. Desta forma, entende-se que para análise das posturas em linha
de produção de frigorífico o OWAS deixa a desejar por causa do posicionamento
dos braços e pescoço, necessitando a complementação com outro instrumento
que forneça informações sobre estes segmentos.
Os resultados do método RULA, quando comparados aos do método
OWAS, indicam maior necessidade de alterações nas posturas e maior urgência
na correção das mesmas. A razão é que o método leva em consideração o
posicionamento de braço e pescoço em ângulos, apesar das interpretações
também serem apontadas segundo a pessoa que manipula os dados. Mesmo
assim, acredita-se ser mais abrangente que o anterior, pois consegue identificar a
56
maioria das situações danosas, fator importante na avaliação postural. Os
resultados do método RULA apontam para mudanças a curto prazo na maioria
dos casos, sendo que 76,67% evidenciam a necessidade de investigação para
prevenir futuros problemas nos braços e 83,34% no pescoço.
O complemento das informações foi através do software ImageJ que
forneceu maiores detalhes, com dados minuciosos extraídos das imagens em
tempo real e oportunizou melhores interpretações. Na aferição dos dados
expressos no Demonstrativo dos Resultados Finais para medidas das
funcionárias (Quadro 4) sem que se conste as queixas de dores, a evidência é
que o maior contingente de funcionárias (86,67%) apresenta ângulo de flexão do
pescoço entre 30º a 50º, confirmando a necessidade de investigação e
mudanças.
Os resultados para a flexão do pescoço mostraram esta estrutura
altamente comprometida. As medidas de ângulo efetuadas pelo ImageJ, provam
que todas as funcionárias apresentam, em níveis diferentes, a necessidade de
investigação para correção pois o menor grau de flexão está entre 25º a 30º.
Quando a extensão do braço, os resultados aferidos demonstram que 80%
do contingente apresentam ângulos acima de 45º de afastamento. Destes,
41,66% apresentam ângulos acima de 60º, pré-dispondo o desenvolvimento de
patologias dos segmentos de trapézio, ombro e braço.
Ao analisar os 16 casos de queixas de dores presentes no Perfil
Epidemiológico Ocupacional o ângulo de abertura ou afastamento do braço das
funcionárias teve variação entre 53º a 94º, fator que pode ter contribuído para o
desenvolvimento das patologias. Vale salientar que estes casos apresentam
ângulo de abertura dos braços superior a 45º considerado aceitável pelo o
método RULA, mas que necessita de investigação e mudanças.
Nos 16 casos apontados, verificou-se que a maior incidência de problemas
ocorreu no ombro, trapézio e braço, sendo que em 5 casos os ângulos de flexão
do pescoço apresentaram-se entre 31º a 60º, confirmando o comprometimento
concomitante de pescoço e braço.
57
6 CONCLUSÕES
A conclusão a que se chega, é a de que tanto o Protocolo OWAS quanto a
Planilha RULA são métodos com características visuais e dependem da
interpretação do profissional que distribui os dados nos instrumentos e o software
ImageJ é uma metodologia que traduz medições precisas de partes do corpo que
deseja-se ajustar, através de cálculos matemáticos.
Portanto, a análise por meio do processamento de imagens forneceu maior
campo de visão e medidas exatas das distâncias dos movimentos desde o zero
grau até onde a amplitude apontou, oportunizando conferir detalhes das
alterações morfológicas-posturais que escaparam da observação nos outros
métodos. Assim, acredita-se que esse sistema seja mais apropriado em relação a
Owas e Rula para expressar o comportamento postural em sua totalidade,
constituindo-se parte essencial nas elaborações de ações para a correção dos
problemas de desconforto no trabalho.
A partir da avaliação obtida propõe-se melhorias dos postos de trabalho
afim de atingir uma postura mais adequada para realização das atividades com
mais conforto na realização das tarefas, estas sugestões são encontradas na
Norma Regulamentadora de N.º 17 e na Nota Técnica 060/2001 ambas do
Ministério do Trabalho e Emprego que versam sobre Análise Ergonômica do
Trabalho e postura a ser adotada na concepção de postos de trabalho, assim
como as recomendações da OSHA - Guidelines for Poultry Processing.
6.1 Recomendação para trabalhos futuros
Foi verificado no processamento digital de imagens que os movimentos de
maior amplitude na atividade de desossa das coxas são realizados pelas
estruturas do ombro, cotovelo e punho. Assim, a sugestão é de que se efetue um
estudo para verificar a incidência de patologias relacionadas ao trabalho nestas
estruturas.
58
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63
APÊNDICES
64
APÊNDICE A Principais Queixas Apresentadas 1°Turno - Período: Outubro/07 a Março/08
Nº Nome do Funcionário
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
A. C. N
E. A. V.
E. C
E. M
E. C. L. S.
E. S.
F. F. B.
I. L.
I. K.
I. R.
J. N.
J. P. M.
J. S.
L. F.
L. A. F. N.
M. L. R.
M. K. P.
N.S. P.
N. Z S.
O. R. C.
R. B.
R. F. B.
R. V. M.
R. S.
R. Z.
R. S.
S. T.
T. M.
T. A.
V. A. R.C.
Pescoço
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Dorso
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Cintura
Ombro
Escapular
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
94º
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
91º
X
Trapézio
x
x
x
x
x
x
x
x
X
X
X
X
X
X
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
59º
x
Braço
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
54º
X
X
66º
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Cotovelo
x
x
53º
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Antebraço Punho
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Mão
saiu da empresa
x
saiu da empresa
x
x
saiu da empresa
x
x
x
x
x
Cisto20-03-08
x
x
x
x
x
x
x
x
x
saiu da empresa
x
x
saiu da empresa
x
x
x
x
saiu da empresa
65
APÊNDICE B - Principais Queixas Apresentadas 2°Turno - - Período: Outubro/07 a Março/08
Nº Nome do Funcionário
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
A. B.
A. A.S.
C. V. C.
C. E. K.
B. R.
C. S.
C. G.
E. C. C.
E. T. L.
F. V. V.
F. P. M.
G. V. F.
I. C. C. T.
I. F.
I. R. S.
J. H. P.
J. W. R.
J. O. V.
K. M. B.
L. A. S.
M. M.
M. S. F. S.
M. L. P.
M. M. R.
M. F. S.
M. S.P.
M. S. L.
M. C. K.
M. D.
S. F.
Pescoço
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
60º
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Dorso
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Cintura
Ombro
Escapular
X
X
61º
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
61º
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
53º
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
55º
Trapézio
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
40º
x
x
x
x
x
x
60º
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
31º
Braço
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
61º
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
55º
Cotovelo
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Antebraço Punho
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Mão
saiu da empresa
x
x
x
x
Fratura polegar d
saiu da empresa
x
x
saiu da empresa
saiu da empresa
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
saiu da empresa
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
X
x
X
x
X
x
x
x
x
66
APÊNDICE C – Faca de trabalho
67
APÊNDICE D – Bancada fixa de trabalho / funcionarios
68
ANEXO A - TABELA OWAS
69
ANEXO B – Planilha RULA
70
ANEXO C – Parecer Consubstanciado