Serviços Hoteleiros, Turismo de Negócios,
Eventos e Organização Espacial
Serviços
Hoteleiros,
Turismo de
Negócios,
Eventos e
Organização
Espacial
Lélio Galdino Rosa
Auro Aparecido Mendes
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©2014 Lélio Galdino Rosa e Auro Aparecido Mendes
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R7101 Rosa, Lélio Galdino, Auro Aparecido Mendes
Serviços Hoteleiros, Turismo de Negócios, Eventos e Organização Espacial/
Lélio Galdino Rosa; Auro Aparecido Mendes. Jundiaí, Paco Editorial: 2014.
172 p. Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-8148-423-5
1. Hotelaria 2. Turismo 3. Eventos 4. Economia I. Rosa, Lélio Galdino,
II. Mendes, Auro Aparecido.
CDD: 910
Índices para catálogo sistemático:
Geografia
Economia
900
330
IMPRESSO NO BRASIL
PRINTED IN BRAZIL
Foi feito Depósito Legal
Agradecimentos
Ao Grande Arquiteto do Universo, Deus.
Às nossas famílias, que souberam entender nossa ausência nos períodos de “mergulhos” e “imersões” para conclusão
deste estudo.
Nosso muito obrigado a todos que, direta ou indiretamente,
nos auxiliaram. Esperamos ter a mesma nobreza e competência
de retribuir a todos a ajuda a nós dedicada. Que consigamos, de
forma justa e perfeita, contribuir para a formação de alguém e
também ensinar a “lapidar pedras” que porventura surjam em
vossos caminhos.
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Sumário
Prefácio..............................................................................9
Introdução.......................................................................................13
CAPÍTULO I
Globalização e a Organização do Espaço.................................21
CAPÍTULO II
Campinas: de núcleo urbano a metrópole..................................39
CAPÍTULO III
Cidade e Turismo no Contexto das Transformações
Contemporâneas.......................................................................75
CAPÍTULO IV
Os Serviços Hoteleiros e o turismo de negócios em face
à nova dinâmica socioespacial de Campinas...........................113
Considerações Finais....................................................................145
Referências......................................................................................151
Prefácio
É comum hoje em dia lermos em jornais e revistas, impressos ou on line, que o turismo é uma importante atividade econômica e social, que gera renda, que transforma o entorno e os
destinos e que modifica o meio no qual está inserido e ocorre.
Em publicidades de agências de viagens e operadoras de turismo
também identificamos propaganda variada que nos faz desejar
conhecer a “ensolarada Itália”, a “romântica França”, a “multicultural Nova York” e a “mística Índia”. São os novos tempos
do dolce far niente, do slow travel ou do turismo de experiência, tal
como denominam alguns pesquisadores.
Certo é que muitas vezes o turista – e nós nos incluímos neste grupo – compra tal pacote, tal imagem e nem ao menos reflete
sobre o pano de fundo necessário para que tal ação – o sair em
viagem – seja possível. Ou, como também é comum, viajamos
por necessidade econômica, tal como participar de exposição,
reunião de trabalho ou evento de treinamento profissional. Neste último item está o turismo de negócios.
Assim, existem dois elementos que nem sempre estão manifestados no senso comum e na folheteria e propaganda turística,
quais sejam: 1) a análise de como o espaço da cidade foi modificado
por uma necessidade turística e como uma necessidade turística foi
criada pela modificação do espaço da cidade e; 2) as viagens não são
motivadas apenas por lazer, mas também por questões de trabalho.
Esses dois itens são abordados neste livro. O primeiro item de forma mais direta; o segundo de forma implícita, não diretamente.
Rosa e Mendes apresentam em Serviços hoteleiros, turismo de
negócios, eventos e organização espacial a essência da tese de doutoramento em Geografia, orientada pelo segundo, defendida com
sucesso pelo primeiro, na Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho – UNESP, em 2009. O texto foi escrito a partir
de trabalho de campo e com dados atuais, revisão de literatura,
coleta de imagens, e é rico em quadros explicativos e figuras.
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Lélio Galdino Rosa e Auro Aparecido Mendes
O objetivo do livro, nas palavras dos autores, é analisar “as
implicações do turismo de negócios no município de Campinas,
a partir de sua configuração como sede de uma região metropolitana, por meio de um estudo de seu setor hoteleiro.” Os objetivos secundários foram compreender os processos ocorridos e
analisar as características do setor hoteleiro local.
O turismo se relaciona com os diversos setores econômicos. Indústrias atraem pessoas; pessoas pedem serviços. Entre tais serviços
estão os relacionados ao turismo: mobilidade, alimentação, entretenimento, hospedagem. Assim, numa via dupla os autores trabalham
- especialmente com o tema da hospedagem -; pois ao mesmo tempo em que analisam as transformações da cidade de Campinas que
proporcionaram a implantação de um parque hoteleiro voltado para
o turismo de negócios e eventos, eles analisam como o turismo de
negócios e eventos influenciou a criação de um parque hoteleiro e
como este último modificou e se implantou na cidade.
Baseado na análise do espaço proposta por Milton Santos, qual
seja, forma, função, estrutura e processo, os autores demonstram
e analisam as mudanças do espaço e as novas funções que as estruturas adquirem, criando uma nova configuração espacial. Mas
não só Milton Santos participa do diálogo como base teórica. Dele
fazem parte Giddens, Castells, Le Corbusier e Lacoste, entre outros, que analisam os usos dos espaços, a sociedade em rede, com
seus desafios, problemas, expectativas e idiossincrasias. Assim o
turismo não foi um tema analisado de forma isolada, mas sim com
um fenômeno relacionado com as diversas atividades humanas.
Articulando temas da geografia, urbanismo, arquitetura, cidade, história e turismo, os autores apresentam o turismo sem ufanismo, mas sim com reflexão que põe o leitor a pensar sua prática
e as práticas que o cercam. Deste modo, o livro deixa emergir ao
leitor mais atento como a concentração do capital limita a disseminação de boas práticas turísticas e a prática do turismo a um
número maior de pessoas. De outro lado, emerge o tema que essa
mesma concentração de capital permite a implantação da infraes10
Serviços Hoteleiros, Turismo de Negócios, Eventos e Organização Espacial
trutura que viabiliza tais práticas turísticas. De fato, um paradoxo
que já foi abordado por muitos economistas do turismo.
Em um dos capítulos os autores relatam e analisam aspectos
históricos da cidade de campinas, com destaque para os aspectos
econômicos e de como a cidade se tornou uma metrópole no
interior do estado de São Paulo. Daí surge a análise crítica da
cidade como destino de turismo de negócios e de eventos, o que
leva a mudanças urbanas e no setor hoteleiro.
Uma das constatações que colabora com a afirmação acima
é feita pelos autores na seguinte passagem: “Camadas da população de classe média, geralmente residentes de grandes e médias
cidades, passaram a consumir produtos turísticos que, anteriormente a esse período, era um privilégio de camadas mais abastadas, financeiramente, da sociedade brasileira. Outros fatores que
colaboraram para o aumento do consumo deste tipo de produtos, os produtos turísticos, em especial a hotelaria de categoria
econômica, foram a estabilidade de taxas de inflação e a expansão dos negócios para o interior do país, como está destacado
nesta investigação, na cidade de Campinas.”.
Desta forma, os autores desnudam o surgimento de uma
nova dinâmica socioespacial em Campinas, a partir da implantação de novos hotéis, forçada pela transformação da cidade como
destinos de negócios e eventos. Assim, o turismo se torna agente
reorganizador do espaço da cidade, nas palavras deles. Na hotelaria, em especial, uma reorganização com novas construções horizontalizadas, vista como um fator diferencial. Todos os hotéis
investigados, num total de 21, oferecem espaços para eventos e
ou reuniões diversas. Além do mais, destacam a forma como os
hotéis na atualidade estão trabalhando para atrair cada vez mais
os clientes e garantir a qualidade dos serviços, sempre em busca
da maximização dos resultados positivos. Deste modo, novos serviços e categorias de serviços surgem, ou resurgem, tais como os
Health-Clubs e os Fitness Center. São as novas demandas da cidade
turística e a adaptação dos espaços para uso do que vem de fora.
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Lélio Galdino Rosa e Auro Aparecido Mendes
Essa grande expansão, na opinião de Rosa e Mendes, trazem
problemas ao turismo e também afetam o segmento hoteleiro,
esses problemas “originaram elevados custos de manutenção,
baixa qualidade e produtividade, maior influência da sazonalidade e baixa taxa média de ocupação, tudo isso contribuindo para
que alguns produtos turísticos brasileiros ainda registrem preços
elevados, tornando-se, assim, pouco competitivos em nível internacional.” Aqui, está em destaque, a partir do focado exemplo
de Campinas, um dos gargalos do turismo brasileiro: a duvidosa
qualidade do serviço e os preços elevados.
As transformações sofridas ou ocorridas em Campinas ao longo de sua história, levaram a outras transformações necessárias,
como num círculo do qual já não é mais possível escapar. A rede
hoteleira, planejada agora não só para hospedar, mas também para
suportar e oferecer serviços e estrutura para a realização de eventos.
Essa rede dinamiza de forma contundente a economia local, posicionando a cidade como importante polo de turismo de eventos
do Brasil. É isso o que diz a conclusão do estudo, apresentando a
cidade de Campinas com características para o desenvolvimento do
turismo de negócios, e que com a redefinição de seu setor hoteleiro,
considera o “setor de serviços fundamental à fluidez da metrópole”.
Por fim, destaco que o leitor tem em mãos um estudo que
lança luzes sobre o tema de como o turismo vem modificando e
é modificado pela configuração das cidades. Sem dúvida, trata-se
de um importante exemplo de configuração da hotelaria nacional em áreas de metrópole. O estudo soube harmonizar com
elevada qualidade a relação do espaço da cidade com o espaço
turístico, mesmo que em reiteradas vezes estes dois espaços fundem-se num só, mesclados e amalgamados pelas relações sociais,
políticas, econômicas, culturais, etc., que neles se desenrolam.
São Paulo, abril de 2014.
Alexandre Panosso Netto - Livre-Docente e professor com
dedicação exclusiva na EACH-USP.
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Introdução
O turismo tem sido avaliado como um dos fenômenos
que mais cresce em nível mundial. A World Tourism Organization
(WTO, 2010) afirma que este crescimento encontra-se na ordem
de 6,8% ao ano, enquanto que outros setores, como agricultura e indústria, apresentam, respectivamente, um crescimento de
2,3% e 3,0% ao ano.
O turismo se destaca como uma das maiores fontes geradoras
de desenvolvimento e riqueza, nas mais diversas regiões, sendo até
considerado por Longanese (2007, p. 12) como “fonte inesgotável
de recursos econômicos, geradora de milhares de empregos e uma
fonte de melhoria da qualidade de vida da população”.
A importância do setor no panorama global pode ser percebida pelo fato de o índice de crescimento do turismo ser superior
ao do PIB mundial, conforme afirma a Associação Brasileira de
Empresas de Eventos (Abeoc, 2007). O turismo como atividade
econômica concentra 10% da mão de obra mundial, o que representa 204 milhões de trabalhadores atuando na área.
No Brasil, dados do Banco Central (Bacen) demonstram que,
desde 2002, os gastos anuais de visitantes estrangeiros cresceram
116%, e que esses turistas deixaram no país, no primeiro semestre
de 2010, US$ 1,7 bilhão, cifra esta que corresponde a um aumento
de 12,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT, 2010), o
Brasil é a 33ª nação que mais recebeu visitantes em 2009. A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav, 2011) demonstra
que 6,9% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional correspondem à atividade turística, o que equivalente a R$ 32,7 bilhões.
O Turismo constitui-se, assim, uma importante fonte de renda para muitos países, inclusive para o Brasil. Desse modo, exige
que o mesmo apresente-se de forma organizada, possibilitando
que diferentes localidades do território nacional possam ser ex13
Lélio Galdino Rosa e Auro Aparecido Mendes
ploradas, simultaneamente, suprindo as preferências de diversificado público, respeitando e valorizando também as peculiaridades regionais. Nesse sentido, o turismo passa a ser um fenômeno
capaz de interferir na dinâmica da organização social, econômica
e espacial dos lugares e, portanto, objeto de estudo da Geografia.
Para facilitar e promover o desenvolvimento deste setor “é necessário organizar internamente o país com uma infraestrutura hoteleira, de transportes, de distrações, apta a receber estes fluxos, não
só externos como também internos” ao país (Bastos, 1990, p.194).
Em uma análise e percepção contextualizadas de forma ampla, nota-se que os destinos turísticos, em níveis internacionais,
nacionais, regionais e locais, necessitam de diferenciais que os
tornem atrativos ao consumidor. Diante da competitividade
existente, Kotler e Gerter (2004, p. 112) afirmam que “lugares
turísticos – países, regiões ou municípios – precisam criar e administrar uma marca de forma estratégica, posicionando-a perante os públicos de maior potencialidade”.
Silva (2005, p.82) garante que “cada lugar turístico precisa
definir o seu futuro para consolidar a posição competitiva mediante os demais destinos turísticos”. A competitividade no turismo se expande tanto em relação aos destinos quanto às organizações que o realizam, dependendo de constante inovação
que, normalmente, vincula-se à utilização de modernos meios de
comunicação e da tecnologia da informação.
Na busca da superação e do destaque, diante da competitividade existente, os agentes ofertantes e organizadores do turismo
necessitam proporcionar excelência nos serviços e produtos disponíveis, o que exige um conhecimento profundo do principal
interessado, o consumidor, que, por sua vez, procura maximizar
a própria satisfação.
Assim, a OMT (2003, p.112) destaca que:
Para concorrer no mercado turístico, as organizações dos
setores público e privado devem saber quem são seus clien14
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tes e o que querem, devem ser capazes de comunicar a disponibilidade dos produtos e serviços turísticos aos potenciais clientes e convencê-los a tornarem-se clientes de fato,
ou seja, a viajarem até um destino ou atração que tenha sido
trabalhado ou a comprarem produtos e serviços.
Partindo deste raciocínio de atender às necessidades específicas do mercado, portanto, de segmentos, lembramos que para
Ansarah (2005, p. 286):
os mercados são compostos de compradores que diferem
entre si em um ou mais aspectos, empresas que estão optando por segmentar em grupos de pessoas nas suas preferências e necessidades, e compradores com comportamentos de compra homogêneos quanto a gostos e preferências.
De acordo com Wanderley (2004), no mercado turístico, durante os últimos anos, as empresas têm percebido que uma única
estratégia já não consegue atender àqueles que buscam produtos
específicos. Surge, então, a necessidade de segmentar o mercado. O aumento da concorrência é um fator determinante para
a segmentação e a empresa que melhor conhecer o seu mercado potencial obterá maior vantagem nas vendas, podendo, desta
maneira, direcionar seus recursos financeiros e adequar os seus
produtos ao mercado.
Ansarah (2005) afirma que na segmentação existem bases relacionadas à natureza dos fatores de homogeneidade, permitindo
considerar vários consumidores como pertencendo a um mesmo
grupo. Portanto, a segmentação de mercado, como estratégia de
marketing, pode ser considerada como um processo que conduz a
empresa à escolha de estratégias alternativas que, não raramente,
podem ser utilizadas como mecanismo concorrencial.
Na ótica da qualidade para uma melhor competitividade surge o segmento de Turismo de Negócios (TN), que para Poza
(1993 p.267) constitui-se de
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