FACED - IPPEX a.2 n.5 jan./dez. 2012 ISSN 2236-9678 Diversidade de Saberes Meditare Revista Acadêmica dos Cursos de Graduação da FACED Conselho Consultivo Antonio José Alves Edite Natividade Nogueira Fernando de Oliveira Teixeira Jadir Vilela de Souza ( In memorian) Jadir Vilela de Souza Júnior Lúcia Maria Fonseca Rodrigues Maria Celeste Teixeira de Oliveira Marna Elizabete da Natividade Nogueira Lima Funções dos Órgãos Administrativos da Revista Meditare Coordenação: Jurandir Marques Silva Júnior Vice-coordenação: Leandro Maia Secretária: Sirlen Márcia Borges Tesouraria: Mônica Fischer Comunicação: Lidiane Medeiros Diagramação: Eduardo Antônio Medeiros Souza Revisão de texto: Edson Gonçalves Conselho Editorial Sociedade Dom Bosco de Educação e Cultural LTDA Mantenedora de: Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis de Divinópolis; Faculdade Divinópolis e Faculdade de Arte e Design. Editoria: Instituto de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão. Conselho Editorial: Jurandir Marques Silva Júnior - FACED Leandro Maia – FACED Mônica Fischer – FACED Neusa Gontijo da Fonseca Monteiro – FACED Arte- Final / Diagramação: Eduardo Antônio Medeiros Souza Revisão: Edson Ferreira Gonçalves Diretor: Célio Fraga da Fonseca Ficha catalográfica elaborada pelo Sistema de Biblioteca da SODBEC/FACED Revista Mediare / Sociedade Dom Bosco de Educação e Cultura,Ltda: Instituto de PósGraduação, Pesquisa e Extensão, n.6, dez. 2013. Divinópolis: IPPEX, 2013. 44 p. Anual ISSN: 2236-9678 CDD – 000 1. Generalidades. 2. Períódico. I. Título. Bibliotecária Responsável: Neusa Gontijo da Fonseca Monteiro CRB- 6 - 2243 Sociedade Dom Bosco de Educação e Cultura Ltda. Praça do Mercado, 191 – Centro – Divinópolis – Minas Gerais Cep: 35500-048 Tel:: (37) 3512-2000 – Biblioteca: (37) 3512-2015 Site: www.faced.br E-mail: [email protected] / [email protected] EDITORIAL Revista Meditare Revista Eletrônica dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação A Revista Meditare – Revista Eletrônica dos cursos de graduação e pós-graduação da FACED teve a sua primeira publicação no ano de 2011 e já está no seu terceiro ano com o sexto número. Para nós, colaboradores da FACED, a publicação desta revista é motivo de orgulho e comprometimento com o ensino, a pesquisa e a extensão. Por entender que o acesso adequado e atualizado à informação técnico-científica é essencial ao desenvolvimento e considerando os problemas de distribuição e disseminação de periódicos impressos, a Revista Meditare – Revista Eletrônica dos cursos de graduação e pós-graduação, optou por se tornar um veículo de publicação eletrônico. Esperamos que nossa decisão seja do agrado de todos e que a facilidade da circulação permita com que nossa revista seja um veículo útil de divulgação dos estudos de diversos saberes. O objetivo da comissão editorial é transformar a Revista Meditare- Revista Eletrônica dos cursos de graduação e pós-graduação em um periódico respeitado e conhecido nacional e internacionalmente. Gostaríamos de agradecer aos colegas que muito gentilmente aceitaram nosso convite para participar do Conselho Editorial, respaldando a seriedade que buscamos para a Revista Meditare. Da mesma forma, agradecemos àqueles que atendem prontamente nossa chamada por colaboração e concordam, de modo desprendido, em apoiar nossa publicação. Esperamos sempre corresponder ao apoio que nos é dado. Sejam todos bem-vindos à Revista Meditare! Jurandir Marques Silva Júnior Coordenador Geral da Revista Meditare Revista Eletrônica dos cursos de graduação e pós-graduação. SUMÁRIO A FAMÍLIA, INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO SOCIAL: REDESCOBERTA E CULPABILIZAÇÃO 8 O LETRAMENTO E A LEITURA 18 André Sebastião Silva Machado Jurandir Marques Silva Júnior PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DO SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA ESPECIALIZADA (SAE) DO MUNICÍPIO DE DIVINÓPOLIS ACERCA DE ADESÃO AO TRATAMENTO HIV/AIDS 24 O ROMPIMENTO DOS CÓDIGOS E CRUZAMENTO DAS LINGUAGENS MODA E ARTE 34 Normas Editoriais para a publicação de trabalhos 44 LINDA MAIRA DOS SANTOS NUNES - Assistente Social Liliane Monteiro Teixeira A FAMÍLIA, INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO SOCIAL: REDESCOBERTA E CULPABILIZAÇÃO André Sebastião Silva Machado1 Resumo O presente artigo trata da redescoberta e culpabilização das famílias para com as ações de proteção social de seus membros a partir de um viés neoliberalista. A partir deste contexto se apresenta a minimização do Estado na atuação através de políticas públicas sociais em detrimento ao incentivo “caseiro e natural” da instituição família em “cuidar” de seus membros. Contudo tal estratégia vem se mostrando inexpressiva face o cotidiano realístico desses núcleos familiares, no qual a intervenção Estatal se apresenta mais do que necessária enquanto tutelador das necessidades sociais em detrimento dos necessitados sociais. Constatação que se traduz/reluz na efetivação de políticas públicas sociais, principalmente no que tange à Política Pública de Assistência Social. Palavras-chave: Família; Estado; Neoliberalismo; Política Social. Abstract This article deals with the rediscovery and families to blame the actions of social protection of its members from a neoliberal bias. From this context is presented to minimize the role of the state through public policies to encourage social rather “homemade and natural” family institution “take care” of its members. However this strategy has proved meaningless face the everyday realistic these households, in which State intervention appears more than necessary while tutelary social needs at the expense of social need. Finding that translates / flash in the effectiveness of social policies, especially regarding the Public Policy Social Welfare. Key-words: Family; State; Neoliberalism; Social Policy. 1 INTRODUÇÃO O enaltecimento da instituição família, enquanto fiel e natural instrumento para com a promoção, proteção e garantia dos direitos sociais inerentes aos viventes, principalmente com relação aos seus membros, (re) surge com ênfase a partir da década de 70, ponto histórico e contextual que demarcamos como circunstancial para o momento desta análise e tentativa de aprofundamento e contribuição com relação ao tema por ora tratado. A família é, portanto, convidada e/ou lhe imputada a consistente responsabilidade, quase totalitária, de procurar e dever prover um “estado” de bem-estar, social, material, moral, econômico.... aos membros que a estabelecem. Em sendo assim, explanaremos, à luz dos pensadores que contribuíram e contribuem na lide deste tema, sobre a importância imputada às famílias, sobretudo as brasileiras, neste contexto neoliberal, no qual a figura feminina é centrada em destaque, sendo a mulher, assim como seus grupos familiares, os “neo-sacrificados” pelo sucesso para a proteção social “cidadã”. É relevante observarmos na sequência o quanto as políticas voltadas para o tocante a família se demonstram replicantes e muitas vezes reprisadas de fundamentação ideológica descontextual1 Técnico Judiciário C/Assistente Social Judicial do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais – TJMG – desde o ano de 2011. Graduado em Serviço Social pela Faced (2009) e Pós-Graduado Lato Sensu em Gestão da Política de Assistência Social pela Faced (2011). Atuante em manifestações técnicas referentes à Vara de Família e Sucessões; Infância e Juventude e Execuções Criminais; Cível; e Juizado Especial. Contado: [email protected]. izada. Tal Fato que as caracteriza no fundamento da argumentação de protelação e culpabilização dos atores que deveriam ser protegidos e patrocinados. Por fim, uma convocação ao clamor de uma política pública de proteção social que vislumbre a família enquanto sujeito a exercer e gozar dos direitos plenos de cidadania a ele inerente. 2 O REDESCOBRIMENTO DA FAMÍLIA: Neoliberalismo, Estado, Proteção Social e Sociedade A família se tornou mais visível, como elemento central, no apoio aos diversos modelos de Estado de Bem-Estar Social, a partir da discussão proposta pelas “feministas sobre o potencial emancipatório das políticas sociais para as mulheres nos anos 70” (GOLDANI, 2002, p. 34). Fato que se agrega à crise econômica mundial assentada no fim destes anos, momento no qual, segundo Pereira-Pereira (2006), vem se redescobrindo a família enquanto um promissor e latente agente privado/domiciliar/íntimo de proteção social de seus membros. Proteção esta, que se propõe a prever, em quase todas as agendas governamentais, medidas de apoio ao núcleo familiar com ênfase às crianças. Agendas que se pautam em campanhas de publicidade e “conscientização” familiar com orientações pré-nupciais, combate à violência doméstica, à vadiagem, à gravidez na adolescência, à drogadição e abusos sexuais. Há, também como foco, aconselhamentos e auxílios: ajuda material aos pais e ampliação das visitas domiciliares às famílias por agentes oficiais (Estado), programas de redução da pobreza e do trabalho infantil, além de programas de valorização da vida doméstica: conciliamento do trabalho remunerado dos pais com a vida no âmbito doméstico. Alguns países dão especial suporte material às famílias monoparentais com crianças e dependentes adultos. Outros incentivam a reinserção da mãe trabalhadora no tradicional papel de “dona de casa”, com o chamativo apelo da importância do cuidado direto materno na criação saudável dos filhos. [...]. Essas políticas, por sua vez, assumem não só a forma de provisão de benefícios e serviços, mas também de tributos, seja para arrecadar recursos, e criar fundos públicos, seja para promover subsídios e isenções fiscais; de leis ou normas referentes ao casamento, divórcio, comportamento sexual, controle da natalidade, aborto; e de segurança social, relacionadas à saúde, à educação, à habitação e ao emprego (PEREIRA-PEREIRA, 2006, p. 26-27). Faria (2001), menciona que para um melhor entendimento das políticas direcionadas às famílias, as quais chama de “políticas familiares”, necessitamos compreendê-las como políticas públicas sociais, e distingui-las entre políticas implícitas/diretas e explícitas/indiretas. As políticas implícitas seriam aquelas que proporcionam certo impacto sobre a família, apesar de não ser este seu objetivo principal. Já as explícitas seriam aquelas cujo público-alvo é a família, com objetivos específicos a serem atingidos. A título de exemplificação menciona três áreas (principais) de intervenção pública concernentes às famílias, que parecem se adequar sob a consideração de políticas diretas para a família. A primeira se refere a regulamentação legal do comportamento familiar, trata das leis referentes ao casamento e ao divórcio; ao comportamento sexual; à contracepção e ao aborto; além de fazer referência aos direitos e obrigações dos pais quanto à proteção da criança. A segunda trata de políticas de garantia da renda familiar, como deduções nos impostos, nos benefícios monetários para famílias e crianças, licenças e benefícios para os pais, quando do nascimento e/ou doença dos filhos, e a obrigatoriedade de concessão de pensões alimentícias. Já a terceira área, se atém a provisão de serviços para a família, como provisão de creches e demais serviços correlatos, sub- sídio público para o pagamento do aluguel ou para a aquisição da casa própria e serviços sociais públicos e/ou comunitários. Apesar de tais tendências, não podemos confirmar a existência propriamente dita de uma política voltada para a família em muitos dos países capitalistas de centro, e muito menos naqueles tidos enquanto periféricos, a exemplo o Brasil. Tal afirmação é feita no sentido de levarmos em consideração o entendimento de uma política, enquanto um conjunto de ações coerentes, deliberadas e confiáveis, as quais são assumidas pelos poderes públicos com o intuito de promover a cidadania, além da produção de impactos sobre a estrutura e recursos das famílias (PEREIRA-PEREIRA, 2006). Está certo que definições de política de família tendem a estar impregnadas de particularismos culturais. Assim, da mesma forma que não existe um padrão homogêneo de política social, e mesmo de Welfare State, não há também um único padrão de política familiar. Na verdade, os Estados nacionais variam muito nas suas intervenções sociais. No tocante à família, a Inglaterra, por exemplo, nunca teve uma explícita política [...]. Em compensação, [...], na Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal e Espanha, há essa explicitação. Alguns desses países, como a Alemanha e a França, têm, inclusive, um Ministério da Família (PEREIRA-PEREIRA, 2006, p. 27). Assim como as diferenças nos padrões de políticas sociais, das formas de intervenção dos Estados de Bem-Estar Social, além da impregnação de particularidades das definições de políticas para família, ressalta-se que na dinâmica econômica (crise do petróleo, reflexos do milagre econômico brasileiro e implantação do neoliberalismo) acorrida no contexto do redescobrimento da família como instituição “natural” de proteção social, sobretudo no Brasil, acarretaram e afetaram todas as famílias e seus membros de formas diferenciadas, apesar do ambiente comum de transformações e precarizações (GOLDANI, 2002). Neste contexto, a autora relata que coube às mulheres, na grande maioria das famílias, responsabilizar-se pelo alto custo social deste processo de mudanças. Sobretudo naquelas famílias em processo de formação e expansão precário quanto aos seus membros no referente a constituição de mão-de-obra, bem como as chefiadas por mulheres e com filhos pequenos. Ao mesmo tempo, confirmou-se a importância de grupos que ultrapassam os limites do domicílio (redes sociais de parentes, amigos, vizinhos) como parte fundamental das estratégias para enfrentar as dificuldades e escassez de recursos materiais entre as famílias [...] (GOLDANI, 2002, p. 34). Dessa forma, podemos perceber o desenho de uma lógica na qual a atuação do Estado começa a se assentar com caráter de atuação mínima, apesar do discurso propagado pela nova ordem política econômica (neo) liberalista, na qual, a família é compreendida como a instituição mais importante do humano, local em que este recebe estabilidade e segurança em um mundo de transformações rápidas. Além disso, é fato empírico que a redescoberta da família não propiciou a produção de conhecimentos e de métodos de captação da realidade, capazes de descartar falsas visões ainda existentes nas chamadas políticas de família [...]. Por exemplo, [...], ainda prevalece uma “visão idílica” da família, das comunidades locais e de grupos informais, que deverão funcionar como fontes privadas de proteção social, tais como as que existiam a cinqüenta anos. [...] essa visão prejudica a obtenção de um conhecimento mais realista da possibilidade de a família vir a assumir um decisivo papel de apoio aos indivíduos numa sociedade em rápida mutação. Isso sem falar do equívoco da recuperação de antigos encargos domésticos, incluídos nos planos governamentais sob o nome de solidariedade informal, os quais, por recaírem mais pesadamente sobre as mulheres, incompatibilizam-se com o atual status de cidadã autônoma e de trabalhadora conquistado por esse segmento (PEREIRA-PEREIRA, 2006, p. 28). Por isso, que no entendimento de Faria (2001), a política para a família pode ser definida em um campo que implica a apresentação precisa e clara de certos objetivos relativos a mesma. Objetivos, que variarão de acordo com cada época e/ou contexto Estatal, que podem ir desde a garantir uma maior ou menor taxa de natalidade, passando pela diminuição dos custos na criação dos filhos, e culminando com a intencionalidade de uma maior igualdade entre homens e mulheres e vice e versa. Para Medeiros (2000), há outra maneira de se pensar a relação entre família e política social, para o qual destacam-se, dentre outras, três formas de se abordarem essas relações, vejamos: a) tomar as famílias como objeto das políticas sociais; b) tratá-las como instrumentos das políticas públicas; e c) entendê-las como instituição redistributiva. No caso da primeira forma, as políticas são entendidas como meios para se obter determinados padrões familiares como, por exemplo, as que favorecem famílias menores por meio do controle da fecundidade, como as campanhas, explícitas ou não, para evitar que mulheres muito jovens ou mulheres solteiras tenham filhos, ou medidas que visem dificultar a dissolução das uniões conjugais, como a proibição do divórcio. A segunda maneira é tratar as famílias como instrumento das políticas públicas, situação em que membros das famílias são usados para gerenciar, fiscalizar ou mesmo executar determinados serviços como, por exemplo, pais que administram ou fiscalizam o uso de fundos públicos recebidos pelas escolas de seus filhos, ou filhos que se encarregam dos cuidados de saúde de seus pais em uma internação doméstica apoiada pelo Estado. A terceira é entender as famílias como uma instituição redistributiva que pode reduzir ou potencializar as políticas sociais orientadas a indivíduos. Famílias podem tanto agregar recursos próprios aos fornecidos pelo Estado em determinada política, favorecendo ainda mais seus objetivos, quanto agir no sentido contrário, distribuindo a um determinado membro uma quantidade menor de recursos quando este já recebe algum benefício estatal. Como instituições redistributivas, a relação das políticas sociais com as famílias pode até mesmo funcionar no sentido de criar efeitos diversos dos esperados com determinada medida. É o caso, por exemplo, do sistema de Previdência Rural, cujos recursos, em tese destinados ao consumo na velhice, costumam ser usados para financiar a pequena produção familiar (MEDEIROS apud FARIA, 2001, p. 50-51). Apesar dessas diretrizes, objetivações para o direcionamento de políticas voltadas para as famílias, antes e após a Carta Constitucional de 1988, “sempre se beneficiaram da participação autonomizada e voluntarista da família na provisão do bem-estar de seus membros” (PEREIRAPEREIRA, 2006, p. 29). Desse modo, fica difícil, segundo a autora, falar da existência de uma política familiar que tenha produzido impactos positivos nos âmbitos familiares. Tal tendência que fora reforçada e legitimada com a extensão para o Brasil, de forma encampada pelo ideário neoliberal hegemônico Europeu e Norte-Americano, da concepção conservadora, principalmente a partir dos anos de 1980. Nesta concepção, a família e a sociedade devem compartilhar com o Estado certas responsabilidades, anteriormente delimitadas ao poder público, cristalizando, assim, o que anteriormente já era uma prática constituída (implícita) em algo embasado em ações de modernidade. Tal lógica vislumbrava uma participação mais ativa da iniciativa privada (mercantil e não mercantil) na provisão social, no intuito de substituição ao modelo Estatal rígido de proteção social, momento em que percebe-se a mobilização, por força da política neoliberal, pela ingerência primeira do Estado [fomento a privatizações] na prestação de serviços e bens. Então, “mesmo sem se ter claro ‘quem’ na sociedade deveria assumir responsabilidades antes pertencentes ao Estado, ‘quem’ e ‘com que meios’ financiaria a provisão social [...] foram concebidas fórmulas que exigiam da sociedade e da família considerável comprometimento” (PEREIRA-PEREIRA, 2006, p. 31). A este estado de comprometimento, Mishra (1995), conceitua de Sociedade Providência ou de Bem-Estar. Esta condição instiga a entender à grande parte da opinião pública, através de influências teóricas [teóricos como Rein e Rainwater] e socialistas/comunistas [Karl Marx], o “desvanecimento das fronteiras entre as esferas pública e privada, para defenderem uma abordagem holística que ‘examinasse todas as formas de proteção, independentemente da esfera que as administra, financia ou controla’”. Tal entendimento modelar, apesar de não ser totalmente novo, distancia sobremaneira “da análise pioneira de Titmuss, datada dos anos de 1960, sobre a divisão social do Welfare, como uma crítica contundente à mistura assistencial – já presente em sua época – e às avaliações positivas a respeito da mesma” (PEREIRA-PEREIRA, 2006, p. 32-33). 2.1 A divisão social do bem-estar No sentido de melhor compreensão e apreensão da contribuição trazida por Titmuss, sobre a análise da divisão social do bem-estar, compilaremos a mesma em uma marcação única, isso de acordo com a visão de Pereira-Pereira (2006, p. 33) citando Johnson (1990), comecemos: Para Titmuss, no estudo da política social é essencial considerar a divisão social do bem-estar em três categorias principais: o bem-estar social, o bem-estar fiscal e o bem-estar ocupacional. O bem-estar social compreende o que tradicionalmente era qualificado na Grã-Bretanha [país de Titmuss] como serviços sociais: transferências de renda, cuidados de saúde, serviços sociais pessoais, trabalho, emprego, serviços de educação. O bem-estar fiscal compreende uma ampla gama de subsídios e isenções de impostos sobre a renda. E o bem-estar ocupacional inclui benefícios e serviços sociais derivados do trabalho, como: pensões, pecúlios, aposentadorias. A importância dessa categorização é que, sem ela, ter-se-á uma idéia falsa da política social pública, se os serviços sociais tradicionais e os gastos com os mesmos constituírem as únicas medidas a serem consideradas. Há países, como os Estados Unidos e o Japão, que investem pouco em serviços sociais, mas privilegiam o bemestar ocupacional. Portanto, para se poder conhecer o perfil da política de bem-estar adotada por diferentes países, ou grupos de países, é necessário ter em mente a “divisão social de bem-estar” realmente existente. Para Mishra (1995, p. 104) o pluralismo de bem-estar contemporâneo “é muito mais do que uma simples questão de decidir quem pode fazer o melhor [Estado ou sociedade] em termos de vantagens comparativas na produção de serviços de bem-estar”. É também, e principalmente, uma estratégia de esvaziamento da política social como direito de cidadania, já que, com o arrefecimento entre as fronteiras do que é público ou privado, se expande a possibilidade da privatização das responsabilidades públicas, acarretando a possibilidade de quebra da garantia de direitos outrora consumados. Além dessas caracterizações, o modelo ou doutrina do pluralismo social pode ser entendido como um interagir de diferentes iniciativas tanto públicas quanto privadas. Em que as iniciativas ou ações são executadas por parceria entre Estado, sociedade civil e mercado. Características, arranjos que trazem consigo para o debate atual, iniciado no fim dos anos de 1970, conceitos como: descentralização, participação, controle social, parceria ou co-responsabilidade, solidariedade, relação das esferas pública e privada, sociedade providência, auto-sustentabilidade, entre outros (MIOTO, 2006). Porém, Pereira-Pereira (2006) citando Habermas (1981), pondera no sentido da dotação de responsabilização pela provisão social de acordo com essa tríade que se desenha – Estado, Mercado e Sociedade – tanto o Estado quanto o mercado “denominados por Habermas de “reino do sistema” [...], cedem cada vez mais espaço à sociedade (o “reino da vida”, segundo o mesmo autor) para que esta exercite a sua “vocação solidária” e emancipe-se da tradicional colonização do Estado. Considerada célula mater da sociedade ou a base sobre a qual outras atividades de bem-estar se apóiam, a família ganhou relevância atual justamente pelo seu caráter informal, livre de constrangimentos burocráticos e de controle externos. [...]. Há preponderantemente, o desenho espontâneo de cuidar e a predisposição para proteger, educar e até para fazer sacrifícios. Isso não poderia parecer mais favorável a um esquema de bem-estar que, como o pluralismo, valoriza e explora a flexibilidade provedora, as relações de boa vontade e o engajamento altruísta (PEREIRA-PEREIRA, 2006, p. 36). Além disso, as diversidades familiares, assim como a necessidade das diversas políticas públicas sociais voltadas para as famílias, como um dos dificultadores de se imputar, exclusivamente, ou quase dessa forma, à sociedade, a quase autonomia da proteção social. Neste Contexto, segundo Sposati (2004), o movimento de desprofissionalização dos serviços sociais em detrimento do voluntariado, acomete um retardo na difusão e massificação da assistência social enquanto política pública e direito a quem dela necessitar, de caráter não contributivo, e independentemente da condição socioeconômica. Além de afrontar norma Legal Federal – Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993 – no sentido de desconhecer a assistência social como de direito e não traduzida ou trazida como benemerência, caridade e filantropia, características comuns a sua gênese. Isso porque a construção, elaboração de políticas sociais, seja para as famílias ou não, podem e devem passar pelas colaborações argumentativas de profissionais e instituições compromissadas e engajadas com o contexto vivencial dos possíveis demandantes dessas políticas. É por isso que, como diz Johnson (1990), o objetivo da política social em relação à família, ou ao chamado setor informal, não deve ser o de pressionar as pessoas para que elas assumam responsabilidades além de suas forças e de sua alçada, mas o de oferecer-lhes alternativas realistas de participação cidadã (PEREIRA-PEREIRA, 2006, p. 40). Nesse sentido, a relação entre Estado e Família foi marcada, ao longo dos tempos, inclusive no Brasil, pela manutenção do Estado como fonte de elaboração e controle de normatizações no tocante às famílias. E que essa construção, apesar de contraditória, no entendimento da autora, formulou uma parceria que garantisse a reprodução social. Dessa forma, a construção histórica do binômio políticas sociais/família fora permeada por uma ideologia, na qual as famílias, sem se considerar suas condições objetivas de vivência e as especificidades do convívio intrafamiliar foram elencadas ao dever de serem capazes de cuidar e proteger seus membros (MIOTO, 2006). Tal crença pode ser considerada como um instrumento embasador dos processos de elabo- ração das intervenções propostas para a assistência social. Este Fato permitiu “estabelecer uma distinção básica para os processos de assistência às famílias, a distinção entre famílias capazes e famílias incapazes” (MIOTO, 2006, p. 51). Tendo por capazes aquelas, através da via do mercado de trabalho e organização intrafamiliar, conseguissem desenvolver e desempenhar de maneira exitosa as funções e ações que lhes são atribuídas socialmente. Já no outro viés, aquelas compreendidas enquanto “incapazes”, se posicionariam na qualificação daquelas que não conseguiram promover nem patrocinar as funções que lhes foram atribuídas pela sociedade com relação à proteção social de seus membros. Sendo por parte do Estado, a necessária intervenção, interferência a fim de que tal proteção, promoção “venha a acontecer”. Contudo, segundo a autora, tal categorização é usada apenas para efeito de exposição, uma vez que, na realidade ainda não encontramos famílias totalmente suficientes, assim como dependentes. E acrescenta que tal construção categórica no entendimento das demandas e mazelas sociais que perpassam certas famílias, em certos períodos (prolongados ou não), em “capazes ou incapazes, sãs ou doentes, normais ou anormais se encontra fortemente arraigada tanto no senso comum como nas propostas dos políticos e dos técnicos responsáveis pela formulação de políticas sociais e organização de serviços” (MIOTO, 2006, p. 51). Fato que pode desencadear a formulação de propostas interventivas que trazem em seu bojo a intencionalidade, ideológica, de se ater a emergencial necessidade do ser vivente em detrimento do complexo refletir quanto às necessidades sociais que afligem uma determinada conjuntura. Visão e condição na qual se vislumbra o necessitado social e se aparta as necessidades sociais da coletividade, é que vem sendo rebatida ou cotidianamente combatida pelos profissionais Assistentes Sociais, principalmente, mas não exclusivamente, a partir da Constituição de 1988 – o marco legal da Assistência Social enquanto Política Pública no âmbito da Seguridade Social Brasileira. O que mostra uma constante reinvestidura contra as “ondas” conservadoras neoliberalizantes, que se mostram frequentes em intencionalidade na precarização dos direitos sociais e minimização do Estado (NETTO, 2001). Portanto, é a partir do pensamento de Netto (2001) que nos remetemos à orientação expressa pela Política Nacional de Assistência Social (PNAS), com referência primaz à família, e que Mesquita et al ([S.d.]) trazem da seguinte maneira: A Política Nacional de Assistência Social (PNAS) orienta-se pela matricialidade sóciofamiliar, entendida como um dos eixos estruturantes do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), cujo modelo de gestão reconhece as pressões e os processos de exclusão socioculturais a que as famílias brasileiras estão submetidas. Nessa perspectiva, a “família constitui-se no espaço privilegiado e insubstituível de proteção e socialização primárias, provedora de cuidados aos seus membros”. Isso significa sua “centralidade no âmbito das ações da política de assistência social” e que deve estar “condizente com a tradução da família na condição de sujeito de direitos”, conforme a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a LOAS e o Estatuto do Idoso (MESQUITA et al, [S.d.], p. 11-12). Para a efetivação da família enquanto sujeito de direitos é que rememoramos, neste momento, a necessidade e atuação dos Centros de Referência de Assistência Social – CRAS –, conhecidos também como “Casas das Famílias”. Tal equipamento, assim expressa Mesquita et al ([S. d.], p. 12), se encontra localizado na Proteção Social Básica, “é de caráter preventivo e se organiza de forma sistemática e intersetorial no trabalho com famílias moradoras de áreas mais vulneráveis da cidade.” Ao observarmos a fundamentação de critérios para a instalação de um Centro de Referência de Assistência Social em determinada localidade, percebemos a afirmação feita por Mioto (2006), acima, quanto esta explana sobre a categorização das famílias. Mas, neste caso, em um sentido de indicador pautado na vulnerabilidade social, que a partir do qual, busca-se o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários com integração de dois eixos: assistencial e socioeducativo. O primeiro refere-se ao apoio efetivo prestado à família e aos seus membros, através da potencialização da rede socioassistencial e do acesso aos serviços básicos a que têm direito. O Segundo está voltado para o trabalho com as famílias – entendidas como sujeitos sócio-culturais, com suas histórias e projetos – com as quais se desenvolve uma reflexão sobre seu cotidiano e suas diversas formas de organização, sejam elas do ponto de vista “estrutural”, “funcional” ou “relacional” (MESQUITA et al, [S.d.], p. 17). Salientamos que a organização do ponto de vista estrutural busca referência à situação socioeconômica e de inclusão na rede de serviços [tanto na política social quanto na política urbana]. É neste momento que se desenvolve “atividades de encaminhamento e acompanhamento de casos, visitas e articulações institucionais, bem como visitas domiciliares, reuniões intersetoriais, dentre outras ações de rede” (MESQUITA et al ([S.d.]), p. 17). Na organização funcional trata-se da dinâmica do cotidiano familiar, que cobre desde a divisão de tarefas e economia doméstica, até o cuidado com os membros familiares. Já a relacional aborda a questão dos vínculos intrafamiliares conjuntamente com a família e a família extensa e a comunidade – desde relações de gênero e de gerações até facilidades e dificuldades com relação à promoção ou não dos direitos de seus membros (MESQUITA et al ([S.d.]). 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS A família ou famílias, independentemente de seus arranjos ou organizações concentram a motriz para o desenvolvimento e (re) estruturação da mobilidade de uma sociedade, sobretudo, em um contexto em que o imperialismo do consumo rege as relações entre os pares sociais. Contudo, clama-se a entender ou pelo menos à quisa de sensibilização, que a dinâmica da competitividade do sistema socioeconômico capitalista não se mostra, até então, uma estratégia condizente a reger as relações intrafamiliares nem destas com o Estado, sendo com este, mediadas através de políticas públicas. Políticas estas que trazem, em sua maioria, as demandas implícitas de uma ordem neoliberalizante, na qual as transferências das obrigações do tido “Estado Protetor” são compartilhadas de maneira assimétrica entre Estado e sociedade – a família. Portanto, torna-se presumível, ao depararmos com as várias argumentações feitas pelos autores supra, que a imputabilidade ou transferência para as famílias, com os cuidados zelosos com seus membros e por consequência com a sociedade, não pode ser compreendida ou aceita como, em oportunas ocasiões, uma culpabilização da família pelo “descontrole”, mazelas, precarizações que permeiam e assolam a sociabilidade, sobretudo a particularidade brasileira. Diante disso, podemos observar que o redescobrimento da família se coloca muito além de sua importância como núcleo primeiro da socialização e fonte de reprodução e produção social. Mostra-se como um importante instrumento institucional de reorganização das forças produtivas baseada na política neoliberal, com ampla fomentação a minimização do Estado, acarretando, assim, a precarização dos mínimos sociais e, ao mesmo tempo, difundindo o pluralismo de bem-estar, no qual a sociedade é co-responsável, ou mais do que isso, pela provisão social. 4 REFERÊNCIAS BEHRING, Elaine Rossetti; BOSCHETTI, Ivanete. Política social: fundamentos e história. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2008. 213 p. CUNHA, Helenice Rêgo dos Santos. Padrão PUC Minas de normalização: normas da ABNT para apresentação de trabalhos científicos, teses, dissertações e monografias. Belo Horizonte: PUC Minas, 2008. 50 p. DEJALMA, Cremonese. Políticas públicas. Ijuí/RS: Unijuí, 2009. 140 p. DRAIBE, Sônia; HENRIQUE, Wilnês. Welfare State, crise e gestão da crise: um balanço da literatura internacional. Revista Brasileira de Ciências Sociais, n. 06. Vol. 05. [S.l.]: [S.n.], 1988. p. 53-78. 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Normalmente, a pessoa é funcionalmente letrada quando pode participar de todas aquelas atividades em que o letramento é necessário para o efetivo funcionamento de seu grupo e comunidade e, também, para capacitá-la a continuar usando a leitura e a escrita para seu desenvolvimento, A prática do Letramento deve estar presente na escola e deve ser despertado desde cedo, mas para que isso ocorra naturalmente, deve-se respeitar a sua individualidade, e, ao mesmo tempo mostrar que ela é um sujeito ativo e participante de uma sociedade historicamente situada, que deve tomar decisões ao longo de sua vida. Palavras-chave: Letramento. Leitura. Escrita. ABSTRACT The alternative of the social dimension of literacy is characterized as an ideological model, can not be seen separately from those meanings nor considered as isolated phenomena. Typically, the person is functionally literate when they can participate in all those activities in which literacy is required for effective functioning of his group and community and also to enable her to continue to use reading and writing to their development, the their community and society in general. The practice of literacy must be present in school and must be awakened early, but for this to occur naturally, you should respect their individuality, and at the same time show that she is an active subject and participant in a society historically situated who must make decisions throughout his life. Keywords: Literacy. Reading. Writing. INTRODUÇÃO É necessário ressaltar que há uma discussão que não pode estar desvinculada de um contexto, de um espaço e um tempo situados e muito menos desvinculados de parâmetros sociais do comportamento cultural da sociedade. Sempre houve uma discussão polêmica a respeito de quando e como se deve alfabetizar e se a escola é o único e exclusivo local da construção desse processo. Desta forma, pretende-se analisar algumas idéias e que estão ligadas nessa discussão: é que a escola está diretamente ligada à alfabetização, e de forma automática torna-se pretensiosa e responsável pela alfabetização das crianças, uma vez que estão convencidos de que é na escola que a alfabetização deve ocorrer. Esse pressuposto deve ser discutido se é na escola mesmo que alfabetiza. E só terá sentido a discussão sobre se se alfabetiza na Escola ou na Pré-Escola, se estivermos convencidos de que quem alfabetiza é a Escola. Vivendo num mundo cheio de escritas, a escola não deve e não pode ter a pretensão de ser o local único e exclusivo de acesso à aprendizagem, ser o responsável único 1 com Prof. Ms. do curso de Direito e Administração e Coordenador do IPPEX - FACED. E-mail: prof.jurandir.junior@gmail. da alfabetização. Ela tem, sim, que dar continuidade a um processo de alfabetização e letramento que está em desenvolvimento, pois a criança chega à escola para alfabetizar-se quando esta já está alfabetizando-se através da convivência social e interação com um mundo globalizado em pleno século XXI. É necessário entender que o espaço, enquanto lugar, no processo de alfabetização, a idéia que vem à cabeça é que a escola é o único e exclusivo local para desenvolver este processo. Pensando assim, é descartada toda vivência e experiência que a criança já traz consigo quando ingressa à instituição escola. É jogado fora a vivência e o conhecimento que ela já possui sobre a alfabetização. Fica desconsiderado que a criança, em seu cotidiano, seja ele familiar, religioso, lazer ou até mesmo na rua tem acesso a várias modalidades lingüísticas, verbal e ou não verbal, desenvolvendo assim, um processo alfabético “inconsciente”. É natural para a criança conviver e estar relacionada com propagandas, rótulos de produtos, programas de televisão, logomarcas e outras formas de linguagem. Os argumentos que promovem a legitimação de certas concepções pedagógicas sobre a alfabetização e o letramento em varias instituições escolares, em muitos casos são contraditórios, pois há uma serie de estudiosos e educadores que defendem a idéia de que é na escola que tais fenômenos ocorrem, e há, por outro lado, educadores e instituições que acreditam que não é a escola o único local das crianças se alfabetizarem e, principalmente, do letramento. A IMPORTÂNCIA DO LETRAMENTO É possível perceber a dificuldade que se tem de medir o nível de letramento quando os alunos saem de um ciclo para adentrarem em outro. Enfrenta-se a falta de uma condição essencial para sua avaliação e medição: uma definição precisa que permita determinar os critérios a serem utilizados para distinguir crianças letradas de iletradas, ou para estabelecer diferentes níveis de letramento entre elas, na educação infantil ou em séries iniciais. (SOARES, 2004) Na verdade, tanto em países de primeiro mundo quanto em países de terceiro mundo, existe um percentual elevado de crianças que não alcançam o letramento nos primeiros anos do ensino fundamental. Do ponto de vista social, o alfabetismo não é apenas, nem essencialmente, uma estado ou condição pessoal; é sobretudo, uma prática social: o alfabetismo é o que as pessoas fazem com as habilidades e conhecimentos de leitura e escrita, em determinado contexto, e é a relação estabelecida entre essas habilidades e conhecimentos e as necessidades, os valores e as práticas sociais. Em outras palavras, o alfabetismo não se limita pura e simplesmente à posse individual de habilidades e conhecimentos; implica também, e talvez, principalmente, em um conjunto de práticas sociais associadas com a leitura e a escrita, efetivemente exercidas pelas pessoas em um contexto social especifico. (SOARES, 2004, p. 33). Sendo assim, o alfabetismo se relaciona com o letramento, sendo este um fenômeno contínuo que representa diferentes tipos e níveis de habilidades e conhecimentos, e é um conjunto de práticas sociais que envolvem usos de leitura e escrita que mesclam diferentes finalidades, que ponto, nesse contínuo, deve separar crianças letradas de crianças iletradas? Ou crianças bem sucedidas de crianças mal-sucedidas na apropriação do letramento, em contextos escolares e em outras dimensões? Essas definições determinam quais habilidades de leitura e escrita caracterizam uma pessoa alfabetizada, ou seja, uma criança (ler e escrever com compreensão), e a que tipo de material escrito essas habilidades devem aplicar-se (em anunciado curto e simples sobre a vida cotidiana). Entretanto, são definições arbitrarias: com que fundamento seleciona-se uma certa habilidade (ler, escrever com compreensão) sem nem mesmo considerar a ambiguidade da expressão “com compreensão”) e um determinado tipo de material escrito para caracterizar uma pessoa como alfabetizada? Essa pergunta conduz sobre a dimensão social do alfabetismo. (idem, p. 34). O que não se pode perder de vista, tanto pelos educadores e pela escola é que cada criança encontra-se em uma fase de aprendizagem e maturidade que lhe permite compreender, discutir e reformular o seu conhecimento. Portanto, para alguns educadores, não é possível que todas as crianças de um mesmo grupo e até um mesmo grupo saiam de uma fase com o mesmo nível de alfabetização e letramento. Cada criança tem seu tempo, sua experiência de vida e interesses diferentes. É preciso então que o educador conheça suas crianças e não olhe apenas o resultado final, mas todo o processo de como elas chegaram à escola, seu desenvolvimento e sua evolução evitando comparações e respeitando as limitações e estimulando as possibilidades de cada criança que está sob sua responsabilidade. Segundo Soares (2004), a necessidade de habilidades de letramento na vida cotidiana pode ser observada e constatada. Em todas as atividades sociais como no emprego, no lazer, fazendo compras, todos encontram situações que requerem o uso da leitura ou a produção de símbolos escritos. Não é necessário apresentar justificativas para insistir que as escolas são obrigadas a desenvolver nas crianças as habilidades de letramento que as tornarão aptas a responder a estas demandas sociais cotidianas. A prática do Letramento deve estar presente na escola e deve ser despertado nas crianças desde cedo, mas para que isso ocorra naturalmente, deve-se respeitar a sua individualidade, e, ao mesmo tempo mostrar que ela é um sujeito ativo e participante de uma sociedade historicamente situada, que deve tomar decisões ao longo de sua vida. A atividade fundamental desenvolvida pela escola para a formação dos alunos é a leitura. (CAGLIARI, 2004). Considera-se que é muito mais importante ler do que saber escrever. O melhor que a escola pode oferecer aos alunos deve estar voltado para a leitura. Desta forma, a criança estará desenvolvendo mais satisfatoriamente a linguagem oral e escrita. As questões afetivas, emocionais, sociais, históricas e cognitivas das crianças, a qualidade e as características das experiências oferecidas por elas, que trazem contribuições para o pleno exercício da cidadania devem ser embasadas em princípios que possibilitem a aprendizagem das crianças e que o desenvolvimento do processo de alfabetização e letramento ocorra satisfatoriamente. A linguagem desenvolve-se naturalmente. (SOARES, 2004, p. 73). A leitura é a extensão da escola na vida das pessoas. A maioria do que se deve aprender na vida terá de ser conseguido através da leitura fora da escola. Deve-se ter cuidado ao respeito, à dignidade e ao direito das crianças, considerando a sua diversidade; o direito de expressar-se como forma de interação, pensamento e comunicação; garantir o acesso das crianças aos bens socioculturais disponíveis que ampliem o seu desenvolvimento das capacidades e competências; favorecer a socialização das crianças por meio de sua participação e inserção nas mais diversificadas práticas sociais sem qualquer discriminação e outros princípios relevantes, porém, estes citados aqui abrem um leque de discussão para o presente estudo. A importância da alfabetização e letramento incorporados aos princípios básicos da criança, sendo ela um ser historicamente construído e como conseqüência, ela vem mudando através do tempo, de forma heterogênia tornando-se diferente e única, mesmo situada juntamente a outras crianças, num mesmo ambiente e numa mesma época. É por isso que ela deve ser respeitada e sem discriminação. (LDB, 1996). Neste sentido, a visão do educador deve ir além para conhecer bem os seus alunos que chegam à escola. É necessário e permitir a eles a acessibilidade e à apropriação do conhecimento para o desenvolvimento integral, respeitando as suas singularidades. A criança faz o uso da linguagem conseqüentemente, fornece vários indícios e pistas em seu processo de diferenciação do “eu” e do “outro”, da mesma forma em que se dá o processo alfabetizador. Desta forma enriquece todas as possibilidades de comunicação e expressão representadas pela linguagem, que representa um forte suporte de socialização e interações educacionais. A criança quando está inserida num contexto que lhe proporciona a inserção social, cultural e histórica carrega em si grandes possibilidades de apropriação do conhecimento, compreensão da realidade e interações orais e escritas para melhor prática de letramento.(SOARES, 2004, p.45). A leitura é uma herança maior do que qualquer diploma. A grande maioria dos problemas que os alunos encontraram ao longo dos anos de estudo, é decorrente do problema de leituras.A educação integral da criança deveria visar e mostrar o caminho da leitura, e conseqüentemente de linguagem para a criança,e a partir do momento em que elas tornarem-se uma apropriação por parte das crianças, elas mesmas constroem um sentido de pertinência social para transformar a sua realidade. CONCLUSÃO Ao concluir pôde-se entender o que é estável e o que é circunstancial em durante o seu processo de alfabetização e letramento, Conhecer as suas características e as suas potencialidades e, além de tudo conhecer e compreender as suas limitações é de suma importância para o desenvolvimento da identidade e para a conquista da autonomia e do desenvolvimento profissional do docente. A capacidade de terem confiança em si próprias e o fato de sentirem-se aceitas, ouvidas, cuidadas e amadas oferecem segurança para a formação pessoal e social contribuindo com a sua alfabetização. A possibilidade de desde muito cedo efetuarem escolhas e assumirem pequenas responsabilidades favorece o desenvolvimento da auto-estima. É preciso deixar em primeiro lugar o sujeito que aprende. Buscar sempre entender e conhecer suas características, a sua evolução, as suas capacidades, habilidades e condições de realizar suas atividades ativamente. O desenvolvimento da identidade e da autonomia estão intimamente relacionados com os processos de socialização, sobretudo no processo de alfabetização e letramento. É preciso desmistificar a alfabetização como problema e passar a tratá-la como um fato possível e necessário. Isto pôde ser percebido e analisado que contribui com a construção da identidade e da autonomia da criança relaciona. A identidade é um conceito do qual faz parte a idéia de distinção, de uma marca de diferença entre as pessoas, a começar pelo nome, seguido de todas as características físicas, de modos de agir e de pensar e da história pessoal. Sua construção é gradativa e se dá por meio de interações sociais estabelecidas pela criança, nas quais ela, alternadamente, imita e se funde com o outro para diferenciar-se dele em seguida, muitas vezes utilizando-se da oposição. Neste sentido, entende-se que acontece a mesma coisa com a alfabetização, para cada criança o processo pode ser e deve ser diferenciado porque há diferenças entre todas elas. Essa discussão leva a uma reflexão de que a criança participa, também, de outros universos sociais, como festas populares de sua cidade ou bairro, igreja, feira ou clube, ou seja, ela participa das mais diversas atividades, das quais resultam em um mundo de valores, crenças e conhecimentos, desenvolvendo o seu processo de letramento, de acordo com sua experiência pessoal e coletiva. Quanto mais a criança, e mais cedo, ela estiver envolvida com um ambiente de leitores, melhor será o seu desenvolvimento para a leitura e para a escrita. De acordo com as analises do tema pesquisada percebeu-se que a busca de novos caminhos, os problemas sociais e de ordem política, especialmente nas camadas populares, é preciso oferecer muito mais condições às crianças para que o letramento torne-se mesmo um processo muito além do que meramente ler e escrever, pois o Letramento não é simplesmente um conjunto de habilidades de leitura e escrita, é muito mais que isso, é o uso dessas habilidades para atender às exigências do mundo. Acredita-se no poder do letramento para conduzir ao progresso social e individual, para atingir seus próprios objetivos e desenvolver seus conhecimentos e potencialidades por toda sua vida e assumindo a sua identidade. Chega-se a uma conclusão que há uma necessidade de dar ênfase ao espaço escolar no sentido de transformar-lhe em um espaço considerável que favorece uma alfabetização tranqüila e conseqüentemente, um letramento em função da criança, não deverá ser esta que deve adaptar-se à escola, mas a escola adequar-se ao tipo de crianças que a compõem e respeitar o seu tempo e as suas diferenças. Se toda instituição escolar se preocupar com estas questões a alfabetização e o letramento poderá deixar de ser um problema e ser uma realidade para todas as crianças. REFERÊNCIAS CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e lingüística. São Paulo: Scipione, 2004. FEIL, Iselda Terezinha Sausen. Alfabetização-um desafio novo para um novo tempo. 3. ed. Ijuí: Vozes, 1983, p. 188 FERREIRO, Emília. Reflexão sobre a alfabetização. 24. ed. São Paulo: Cortez, 2001. FRADE, Isabel Cristina da Silva. Alfabetização de hoje: onde estão os métodos. Belo Horizonte:Dimensão, In: REVISTA PRESENÇA PEDAGOGICA, mar/abr. 2003. 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Acredita-se que este assunto perpassa pela aceitação do diagnóstico, por parte da PVHA, bem como pela forma que o profissional .percebe a adesão. Estes profissionais são os executores das políticas de saúde, que atuam diretamente com os usuários dos serviços.. Entendem os mesmo, que adesão não se limita ao uso correto e adequado dos medicamentos antirretrovirais,, mas ao acolhimento, co-responsabilização incluindo a rede familiar. Palavras Chaves: Percepção; Adesão ao tratamento HIV/AIDS Pessoa vivendo com HIV/AIDS (PVHA) Abstract This article deals with the perception of the professional who works with people living with HIV / AIDS (PLWHA) about what is adhesion which leads a person living with HIV / AIDS drop out of treatment, since the survival of same has increased considerably. It is believed that this issue goes through the acceptance of the diagnosis by the PLWHA, as well as the way that professional. Realizes membership. These professionals are the executors of health policies, working directly with service users .. Understand the same, that membership is not limited to the use of correct and appropriate antiretroviral drugs, but the host, co-responsibility including family network. Key Words: Perception; Adherence to treatment HIV / AIDS People living with HIV / AIDS (PLWHA) Introdução Os estudos atuais acerca da realidade de vida das pessoas que vivem com HIV/AIDS tem apresentado mudanças consideráveis, acredita-se que ás mesmas tem a ver com os avanços do surgimento da terapia dos retrovirais, que trouxe consequências no aumento da sobrevida, do número de internações por causa das doenças oportunista e das taxas de mortalidades. A partir da Constituição de 1988, que estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado, foi fundamentada nesse contexto em 1996 a lei nº 9.313/96 (BRASIL,1996)2, garantindo a 1 Assistente Social da Prefeitura Municipal de Itaúna (Serviço Municipal de DST/HIV/AIDS) Coordenadora e professora do curso de Serviço Social da Faculdade de Divinópolis: Professora do Colégio Técnico CECON; Pós graduada em Saúde pública pela Universidade do Estado de Minas Gerais-Fundação Educacional de Divinópolis; Mestre em Educação ,Cultura e Organizações sociais – linha de pesquisa: Saúde pública pela Universidade do Estado de Minas Gerais-Fundação Educacional de Divinópolis 2 Lei nº9.313/96- È de responsabilidade do governo a disponibilização do tratamento mais adequado aos pacientes infectados pelo HIV dentro de parâmetros técnicos e científicos definidos pelo Ministério da Saúde por intermédio do Programa Nacional de DST/AIDS. distribuição gratuita dos medicamentos anti retrovirais do SUS. Desde então tem sido ampliado o acesso gratuito do diagnóstico do HIV e, consequentemente, ao tratamento da AIDS. Estima-se que existam no Brasil 630 mil portadores do HIV. Até dezembro/2009, 195.000 delas estavam em uso dos antirretrovirais (ARV). Anualmente, são aproximadamente 33.000 novos casos diagnosticados e notificados por ano. A infecção pelo HIV tem sido considerada de caráter crônico evolutivo e controlável, desde o surgimento da terapia antirretroviral (TARV) e da disponibilização de exames como CD4 e carga viral, para o monitoramento tanto do sistema de defesas, como da carga viral presente no sangue do paciente.. Tais avanços tecnológicos contribuíram de forma bastante positiva para a vida das pessoas que vivem com o HIV. O sucesso na luta contra a epidemia da AIDS no Brasil, traduzida pela queda do índice de mortalidade e morbidade a partir de 1996 é sustentado pela organização da rede de serviços, pela disponibilização de medicamentos antirretrovirais e pelas ações de prevenção desenvolvidas, foi uma conquista do governo, da sociedade civil organizada e dos profissionais de saúde envolvidos com o enfrentamento da epidemia. A adesão ao tratamento se destaca entre os maiores desafios da atenção ás pessoas PVHA, uma vez que demandam de seus usuários mudanças comportamentais, o uso de medicamento por toda a vida, além da necessidade, por parte dos serviços de novos arranjos e oferta de atividades específicas de adesão. Nesse contexto, o trabalho dos profissionais de saúde se torna fundamental, onde a percepção que os mesmo tem de adesão se torna o chute inicial do desafio, sabe-se da importância de se trabalhar com acolhimento, criando vínculos e uma co-responsabilização, incluindo a rede familiar, que direta ou indiretamente contribuirá para o sucesso ou falha no tratamento. Diante da complexidade de assistência ás PVHA, que está intimamente relacionadas com as questões de cidadania e justiça , torna-se imprescindível a atuação do profissional de Serviço Social, juntamente com a equipe multiprofissional, que possa dar respostas ás múltiplas e complexas respostas ás necessidades bio-psicossocial das pessoas com HIV/AIDS, buscando parcerias fora da esfera pública e de formação de redes de apoio. (NUNES, 2009:146) Os profissionais de saúde, por sua vez podem se valer da compreensão dos fatores que dificultam e facilitam a adesão, mediante a descrição por parte do próprio paciente de suas experiências, atitudes e crenças sobre a enfermidade e o tratamento, para ajuda-lo a compreender a importância da (TARV) e melhorar o comportamento de adesão (BRASIL,2010) Segundo Cheever, 1999, a relação estabelecida entre os profissionais de saúde envolvidos na assistência e as PVHA é de suma importância para o processo de adesão. A escuta ativa é um fator importante para a adesão e pode ser definida como uma relação com o usuário na qual o profissional “estimula” e acolhe o discurso do paciente, sem colocar juízos de valor (BRASIL,1997). Ouvir e valorizar o relato do usuário, fazer perguntas que estimule a expressão de seus conhecimentos, crenças e sentimentos, caracterizam o processo de escuta ativa. Ela representa o pilar para deflagrar o processo de adesão ao tratamento e exige uma construção permanente. É importante consolidar uma parceria entre o profissional e o paciente para juntos criarem soluções para melhoria da adesão e a superação das barreiras. Ditar normas e condutas “receitas de bolo”ou aplicar pacotes prontos não tem se mostrado eficazes na prática. E importante que saibamos como cada profissional percebe a realidade em sua volta, em relação ao HIV/AIDS, e como lida com seus conceitos(significados) de sexualidade, AIDS, e como isto interfere nos preconceitos e estereótipos enraizados e até que ponto isto interfere na relação que se estabelece entre profissional e paciente. Fala-se muito em percepção, mas o que vem a ser este termo? Percepção Entender o que vem a ser percepção neste estudo é de suma importância, por se tratar de questões de caráter complexo e subjetivo. A maneira como o profissional compreende a subjetividade do sujeito, dentro do que significa a doença para ele, bem como o ambiente no qual está inserido, para que assim possa identificar suas necessidades e incentivá-lo a aderir o tratamento Para isso deve-se privar de pressupostos ou preconceitos, ‘não admitindo como válido nenhum juízo, se não for baseados na evidência, ou seja, nas experiências em que as próprias coisas e os estado das coisas se apresentam por si próprios” (PAVÃO, 1988:30). Para Ponty,1994:.14’buscar a essência da percepção é declarar que a percepção é não presumida verdadeira, mas definida por nós como acesso a verdade”. Conforme Marilena Chauí (2000:153-154)” a percepção é uma conduta vital, uma comunicação, uma interpretação e uma valorização do mundo, a partir da estrutura de relações entre nosso corpo e o mundo”. Finalizando o conceito de percepção, o autor Merleau-Ponty em sua obra “Conversas” ainda destaca:; O mundo da percepção, isto é, o mundo que nos é revelado para nossos sentidos e pela experiência de vida, parece-nos a primeira vista o que melhor conhecemos, já que não são necessários instrumentos nem cálculos para ter acesso a ele e, aparentemente, basta-nos abrir os olhos e nos deixarmos viver para nele penetrar, Contudo, isso não passa de uma falsa aparência. (PONTY, 1994:1-2) Adesão ao tratamento HIV/AIDS Um vasto conceito de adesão pode ser identificado. Singularmente, adesão pode ser definida como “o comportamento de uma pessoa – tomar remédio, seguir uma dieta ou fazer mudanças no estilo de vida – que corresponde ás recomendações da equipe de saúde” (HAYNES, 1991). Essa definição parte de uma compreensão limitada, pois equivale á noção de obediência, ao ato de conformar-se ou acatar. Sugere que o esquema terapêutico prescrito não foi fruto de uma decisão compartilhada entre a pessoa e o profissional de saúde. Uma definição mais ampla e abrangente assinala que adesão; É um processo dinâmico e multifatorial que inclui aspectos físicos, psicológicos, sociais, culturais e comportamentais, que requer decisões compartilhadas e co-responsabilizadas entre a pessoa que vive com HIV, a equipe e a rede social .Deve ser entendida como um processo de negociação entre o usuário e os profissionais de saúde, no qual são reconhecidas as responsabilidades específicas de cada um, que visa a fortalecer a autonomia para o autocuidado. Transcende á simples ingestão de medicamentos, incluindo o fortalecimento da pessoa vivendo com HIV/AIDS, o estabelecimento de vínculo com a equipe de saúde, o acesso á informação, o acompanhamento clínico-laboratorial, a adequação aos hábitos e necessidades individuais e o compartilhamento das decisões relacionadas á própria saúde, inclusive para pessoas que não fazem uso de TARV. (BRASIL, 2010) A conduta de adesão pode ser considerada similar á aquisição de um hábito, informações são apreendidas e habilidades são adquiridas para incorporar o tratamento á rotina diária (TULDRA, WU, 2002). Os profissionais e equipe de saúde, por sua vez, podem se valer da compreensão dos fatores que dificultam e que facilitam a adesão, mediante a descrição por parte do próprio pa- ciente de suas experiências, atitudes e crenças sobre a enfermidade e o tratamento, para ajuda-lo a compreender a importância do TARV e melhorar o comportamento de adesão. (RUSSEL. et. al., 2003) O tratamento da Aids inicia-se antes mesmo do desenvolvimento da síndrome. A terapia anti-retroviral (TARV) é administrada ainda no período de infecção do HIV, na intenção de controlar a replicação do vírus. Embora a terapêutica anti-retroviral esteja em constante evolução, a adesão ao tratamento tem sido um problema recorrente. O comportamento relacionado ao tratamento antiretroviral é sustentado por conceitos, conhecimentos e explicações originados na vida cotidiana das pessoas que vivem com HIV. Esses conhecimentos, denominados representações sociais, são compartilhados, oferecendo ao indivíduo a possibilidade de dar sentido ao seu comportamento. As dificuldades de adesão em HIV/AIDS decorrem, em parte, da complexidade da TARV, na medida em que alguns medicamentos precisam ser ingeridos com alimentos, outros em jejum, ou em seqüências temporais combinadas com outros medicamentos, o que exige organização e compromisso do paciente em relação ao seu tratamento. Outra barreira importante refere-se à presença de efeitos colaterais. Nestes casos, tomar a medicação pode representar uma situação aversiva por causa da ocorrência de consequências adversas e desconfortáveis. A ocorrência de lipodistrofia3, por exemplo, constitui-se em grande desafio, tanto para as pessoas HIV+ quanto para as equipes de saúde. Ao lado dos fatores de natureza biomédica que influenciam os níveis de adesão e os resultados da TARV, aspectos psicossociais suscitam o interesse de pesquisadores e profissionais de saúde. Duas variáveis investigadas têm sido o suporte social e o enfrentamento (coping). Singet et al. observaram que a satisfação com o suporte social e a utilização de estratégias de enfrentamento comportamentais ativas estiveram associadas à adesão em amostra de pacientes HIV+. Os pesquisadores verificaram ainda que a não adesão esteve relacionada a sentimentos de desesperança e a estratégias de enfrentamento de esquiva. Pesquisas mostram que mesmo falhas ocasionais na adesão à TARV podem limitar os benefícios do tratamento. Paterson et al. reportaram que 81% dos pacientes com 95% ou mais de adesão obtiveram níveis de carga viral abaixo de 400 cópias/ml, em uso de esquemas que incluíam inibidores de protease. Entre os pacientes com 80% a 90% de adesão, apenas a metade obteve redução satisfatória da carga viral. Estudos reforçam esses achados ao concluir que os efeitos máximos desejados do tratamento anti-retroviral são obtidos quando se alcança, no mínimo, 95% de adesão às doses prescritas A qualidade da interação profissional de saúde-usuário pode ser definida como a capacidade de se criar uma relação de cooperação entre ambos. Programas que favorecem o estabelecimento da vinculação entre profissionais de saúde e usuários dos serviços têm melhores níveis de adesão ao tratamento, segundo estudos com outras clientelas . Paiva et al. destacaram que a complexidade da adesão aos ARV decorre das modificações na vida cotidiana pelo uso diário dos medicamentos. Os autores apontaram que os efeitos colaterais (náuseas, enjôos, mal-estar), bem como as dificuldades de comunicação entre pacientes e profissionais de saúde são de grande relevância na adesão. Em HIV/AIDS, a relação com o usuário deve caracterizar-se por uma postura de acolhimento, para o atendimento de demandas específicas e sua participação no planejamento e decisão acerca do seu próprio tratamento. 3 Lipodistrofia . Alteração nas gorduras corporais, especialmente. em pacientes soropositivos, caracterizada por concentração de gordura em certas partes (rosto, abdome, nuca) e escassez em outras (pernas, braços, nádegas). : http://aulete.uol.com.br/lipodistrofia#ixzz2NBTMxbc9 acessado em 10/03/2013 Metodologias de análise Este estudo teve como cenário a Policlínica Municipal de Divinópolis4, onde funciona dois órgãos responsáveis pelo atendimento de usuários portadores do Vírus HIV/AIDS: SAE (Serviço de Atendimento Especializado) e o CTA (Centro de testagem e Aconselhamento). Os atores foram os profissionais que trabalham no SAE. .Este serviço funciona desde Agosto de 1996, sob a responsabilidade da equipe interdisciplinar, formada por 03 infecctologista, 01 enfermeira, 01 assistente Social, 01 psicológo, 01 farmacêutica, 01 enfermeira, 02 auxiliares de enfermagem. O SAE de Divinópolis atende atualmente 56 municípios da região. Com um nº aproximado de 1000 usuários. Foi utilizado como instrumento de coleta de dado um questionário semi estruturado. (Vide apêndice nº01). Responderam o mesmo 07 profissionais, veja no quadro abaixo a discriminação dos investigados bem como o tempo que trabalham no SAE e se já participaram de alguma capacitação para atender os usuários do serviço. Dados da pesquisa/2013 Conforme tabela acima, apenas um profissional tem menos de um ano que trabalha no serviço e a maioria não tiveram capacitação para desenvolverem seus trabalhos junto ás PVHA. Quanto à percepção de adesão ao tratamento das PVHA Para efeito didático de apresentação dos dados e respeito ético, optamos quanto a identificação do profissional em numera-los: profissional nº 01, 02, 03...)Ás respostas semelhantes não foram colocadas “ Entendo por adesão, quando de fato o paciente adere ao tratamento, ou seja, toma os medicamentos nos horários certos, quantidade indicada, realiza os exames solicitados e comparece ás consultas com periodicidade necessária ao tratamento”.( Profissional nº 01) 4 A cidade de Divinópolis está localizada na região Centro Oeste mineiro a cerca de 110 Km da capital do Estado, Belo Horizonte. Possui aproximadamente 220.000 habitantes; a sua economia gira em torno da indústria confeccionista e guzeira. “ A descoberta da doença deixa o indivíduo revoltado, receioso, infeliz, apreensivo, duvidoso e até alguns perdem a fé em Deus. Depois do susto vem a certeza de que é irreversível então a solução é aceitar e tratar, alguns ficam tempo demais no período das incertezas...” (Profissional nº02) “ ...importa em mudança de comportamento, adesão deve extrapolar a compreensão focada apenas nos medicamentos e sim numa rede de assistência especializada para dar suporte ás dificuldades que aparecem” (Profissional nº05) “Adesão é um construto multidimensional, complexo, dinâmico e multifatorial, que envolve não somente aspectos do paciente, mas do profissional, do serviço, da família e da sociedade.”(Profissional nº06) De acordo com as respostas dos sujeitos da pesquisa, apenas um percebe a adesão de forma limitada, conforme Haynes,1991 conceitua, os demais percebem a complexidade da adesão ao tratamento,destacando a dinamicidade do processo em construção tanto do profissional, como do usuário do serviço e dos múltiplos fatores interligados no mesmo. Acreditam na adesão que não está focada apenas no uso correto dos medicamentos, mas que começa na aceitação do diagnóstico, que implica em mudança de comportamento em relação a doença, a si próprio, a família e a sociedade em geral. .E a partir do que percebem a adesão, reflete nos fatores que tanto podem facilitar como podem dificultar a adesão ao tratamento, pelas PVHA. Quanto aos fatores que dificultam a adesão ao tratamento pelas PVHA Encontramos vários fatores que dificultam a adesão ao tratamento, pata facilitar a compreensão das respostas, enquadramos ás mesmas em 03 pontos de vistas; do paciente do serviço, da família/social, ás quais vão ao encontro do que Singt et al observaram quanto aos aspectos psicossociais da não adesão No que se refere ao ponto de vista do paciente, falta aceitação do diagnóstico, informação, baixa escolaridade, uso de álcool e drogas e existência de doenças psiquiátricas. Do ponto de vista do profissional: relação médico-paciente ruim, tempo de consulta pequeno Do ponto de vista do serviço: número baixo de profissionais equipe mal preparada, baixo incentivo financeiro, condições ruins de trabalho. Do ponto de vista familiar/social: falta de apoio na família, estigma e preconceito ;e quanto ao tratamento: reações adversas, número elevado de comprimidos, dificuldade de adaptação à vida diária. Confira abaixo o que foi colocado pelos profissionais: “ Basicamente seria a “aceitação do diagnóstico por parte do paciente. Uma vez que o paciente aceita o diagnóstico, normalmente, aceita consequentemente o tratamento, a adesão transcorre com maior facilidade e as respostas ao tratamento são quase imediatas. “Outro fator que dificulta a adesão ao tratamento são os casos de pacientes que apresentam dependência química (álcool e outras drogas) que normalmente interrompem o tratamento com frequência.” (Profissional nº01) “...falta de suporte familiar e falta de habilidades cognitivas para lidar com as dificuldades e as exigências do tratamento”(Profissional nº 05) “...sigilo total, esconde o diagnóstico de todos;...ás vezes coloca o trabalho prioritário á doença”(Profissional nº 03) ... quando ocorrem falhas no acolhimento, podem ocorrer lacunas que dificultarão a Adesão ao Tratamento. Imperativo que este atendimento seja realizada por equipe preparada, e não desmembrada onde cada profissional realiza o seu trabalho sem vinculação com outros profissionais...(Profissional nº07) Quanto a taxa de incidência de abandono Os participantes deste estudo colocaram de um modo geral 10% de taxa de incidência de abandono, o que aproximou bem da taxa real no serviço, pois segundo a farmacêutica responsável pela dispensação dos medicamentos no SAE de Divinópolis, chega a 7%.(em levantamento recente, consta 71 pessoas em situação de abandono de tratamento) e cerca de 930 em uso de antiretrovirais (vide anexo nº01). Afirmou ainda, que considera 120 dias o prazo para o usuário buscar o medicamento, caso o usuário não busque o mesmo, é considerado abandono de tratamento, e o profissional de Serviço Social é acionado a fazer busca ativa que consiste numa abordagem consentida, que é o contato que se faz com o usuário do serviço mediante sua autorização prévia, por meio da assinatura do termo Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), de acordo com a Instrução Normativa nº 1626, de 10 de Julho de 2007. A abordagem consentida coloca-se como uma estratégia de intervenção, que deve ser discutida e organizada com a participação de todos os membros da equipe de saúde, observando os princípios éticos e legais da ação. A abordagem consentida é uma ação que visa ao restabelecimento e o fortalecimento do vínculo com o serviço de saúde e não objetiva apenas trazer o usuário de volta ao serviço, mas conhecer sua situação atual e trabalhar com ele os fatores que estão determinando a não adesão. (BRASIL, 2008) Sugestão dos profissionais para trabalhos que possam ser desenvolvidos para que a adesão ao tratamento possa atingir o patamar ideal • Acolhimento, informação, troca de experiência entre iguais, busca ativa (controle dos faltosos); participação efetiva dos municípios referenciados, criar ambiente de confiança e sigilo; orientação quanto ao uso dos ARV; observância de interações medicamentosa. (Profissional nº03) • Considero de suma importância o trabalho com familiares, questões sociais do paciente, como trabalho, estudo, suas relações conjugais etc (Profissional nº01) • Seria importante dar ênfase ao ACOLHIMENTO, que via de regra não se resume em receber a PVHA, com estes olhos, só na primeira consulta, mas durante todo o processo de seu tratamento, que seja pelo médico, psicólogo, assistente social, enfermeira, farmacêutico e outros profissionais do serviço. (Profissional n07) As sugestões dos profissionais de saúde da Policlínica, quanto ao trabalho que deve ser desenvolvido com as PVHA de certa forma já acontecem na prática no serviços, percebe-se a necessidade de intensificar ás ações voltadas tanto ao acolhimento durante todo o processo do tratamento, bem como um trabalho mais efetivo com os familiares. Considerações finais A complexidade e a variedade dos problemas suscitados pela AIDS exigem respostas por parte dos serviços de saúde que considerem não somente os aspectos clínicos mas também os impactos sociais, psicológicos e econômicos associados aos estigmas e preconceitos que ainda permeiam a AIDS. Percebe por este estudo que os profissionais da Policlínica de Divinópolis tem consciência desta realidade e que a adesão ao tratamento tem representado um desafio para a assistência ás PVHA. Entendem que adesão não se limita ao uso correto e adequado dos medicamentos antirretrovirais, mas que acima de tudo é acolher, cuidar, ter uma escuta ativa e apreender a singularidade do ser com seus aspectos emocionais, sociais, culturais, econômicos e religiosos. Anexo nº01 Pacientes em uso de retrovirais Apêndice 01 Roteiro do questionário 1- Qual é sua profissão? 2- Tempo que você trabalha no SAE/Divinópolis? 3- Já participou de alguma capacitação para atender os pacientes do SAE? 4- Qual sua percepção de Adesão ao tratamento do HIV/AIDS? 5- Quais os fatores que dificultam a adesão ao tratamento pelas pessoas que vivem com HIV/AIDS? 6- Você tem noção da taxa de incidência/ de abandono de tratamento das PVHA/ 7- Em sua opinião, o que pode ser desenvolvido para que a adesão ao tratamento pelas pessoas vivendo com HIV possa atingir o patamar ideal? Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.Adesão ao tratamento antirretroviral no Brasil : coletânea de estudos do Projeto Atar : Projeto Atar / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. – Brasília : Ministério da Saúde, 2010.408 p. : il. – (Série B. Textos B疽icos de Saúde) ________Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e AIDS. Manual de adesão ao tratamento para pessoas vivendo com HIV/AIDS. Brasília, 130 p. 2008. MELCHIOR; NEMES et al; Desafios da adesão ao tratamento de pessoas vivendo com HIV/AIDS no Brasil. Caderno de saúde pública, vol.41. supp2 São Paulo. Dez.2007 MERLEAU-PONTY. Conversas. 1948. São Paulo: Martins Fontes. 2004. _______Fenomenologia da Percepção, tradução de Reginaldo Di Piero Gallimard,1994. NUNES, Linda Maira dos Santos. O Serviço Social na equipe multiprofissional: assistência ao portador do vírus HIV/AIDS com mais de 50 anos de idade,2ºSimpósio Mineiro de Assistentes Sociais. Nas trilhas dos direitos humanos para combater as desigualdades. CRESS-6ªRegião. Belo Horizonte/MG. 2009 SEIDl; MELCHÍADES et al; Pessoas vivendo com HIV/AIDS: variáveis associadas á adesão ao tratamento anti-retroviral. Caderno de Saúde pública, vol 23. Nº10 Rio de Janeiro Out. 2007. TEIXEIRA; Michele Gomes SILVA, Gislene Alves; A representação do portador do vírus da imunodeficiência humana sobre o tratamento com os anti-retrovirais; Revista da Escola de Enfermagem da USP. Vol.42 nº 4.São Paulo. Dez.2008. PAIVA,V.et al. Lidando com a adesão: a experiência de profissionais e ativistas na cidade de São Paulo. In: TEIXEIRA, P.R.et al. Tá difícil de engolir? Experiências de adesão ao tratamento anti-retroviral em São Paulo: Nepaids,2000,p.28-5. PAVÃO, Ana Maria Braz. O principio da autodeterminação no Serviço Social: Visão fenomenológica. 4.edição.São Paulo. Ed. Cortez; 1988. O ROMPIMENTO DOS CÓDIGOS E CRUZAMENTO DAS LINGUAGENS MODA E ARTE Liliane Monteiro Teixeira 1 RESUMO Tendo como premissa a relação arte e moda, pretende-se com o presente artigo fazer uma análise dos diálogos travados entre essas linguagens, partindo de aspectos que envolvem os desfiles de moda, relacionados com a perfomance e o espetáculo. O trabalho se divide em quatro secções, na primeira tem início com uma análise de Marcel Duchamp, precursor dadaísta, e o rompimento da arte como contemplação para uma arte de idéias; em seguida aborda-se acerca da moda contemporânea, mediante a evolução dos desfiles de moda, mais especificamente os desfiles performáticos contemporâneos; na terceira e última, reflexões sobre moda e arte e a relação estreita entre artistas e estilistas. Dessa forma pretende-se estabelecer as conexões possíveis que percorrem ambas as linguagens na contemporaneidade. Palavras-chave: Moda. Arte. Desfiles. Performance. Contemporâneo ABSTRACT Having premised on the relationship between art and fashion, we intend to do with this article an analysis of its exchanges between these languages, from issues involving the fashion shows, related to performance and spectacle. The work is divided into four sections, the first begins with an analysis of Marcel Duchamp, Dada precursor, and the severance of art as an art of contemplation for ideas, then it is approached about contemporary fashion, through the evolution of parades fashion, more specifically the parades contemporary performers, the third and final thoughts on fashion and art and the close relationship between artists and designers. Thus it is intended to establish the possible connections that run both in contemporary languages . Keywords: Fashion. Art. Parades. Performance. contemporary 1 INTRODUÇÃO Com a presente pesquisa pretende-se desenvolver a reflexão acerca dos campos de criação, o rompimento dos códigos e de que forma nos é apresentada a conexão das linguagens arte e moda na pós-modernidade. Investigando as relações existentes entre essas duas linguagens que possibilita caminharem juntas, de forma a potencializar e tornar complementares. O cruzamento de linguagens é uma das grandes questões da arte contemporânea. Tem-se início com Marcel Duchamp uma nova concepção no conceito de arte.Sendo que Duchamp foi um dos precursores dadaístas, que se apropriou do urinol, intitulou “Fonte”, e expôs em um museu, espaço consagrado da arte, declarando ser esse objeto “arte”. Mais tarde, a Pop Art influenciada pelos estudos dele apresentou também objetos inusitados nas galerias, como exemplo, o artista plástico Andy Warhol e a sua famosa “Caixa Brillo” uma caixa de sabão exposta como objeto artístico. Na moda, os estilistas de vanguarda acompanhavam este movimento artístico. Paul Poiret desfrutava de estreita relação com os artistas de sua época, Raoul Dufy pintou tecidos para uma 1 Professora da Faculdade de Arte e Design - FACED. E-mail: [email protected] de suas coleções e Henri Matisse utilizou do seu ateliê para executar os desenhos do figurino de “Le Chant du Rossignol” , A Canção do Rouxinol, peça de balé russo. Ocorreram parcerias como a Yves Saint Laurent com Piet Mondrian, artista plástico fundador do neoplasticismo, em seu vestido tubinho que virou ícone de moda e como a da estilista Elza Schiaparelli em parceira com o surrealista Salvador Dalí. É no final da década de 90 que podemos perceber que são intensificadas as produções de moda que muitas das vezes vão além da preocupação mercadológica da indústria da confecção, e surgem estilistas mais interessados nas idéias, nos conceitos e nos processos de criação na apresentação de desfiles performáticos. Assim como a arte, a moda adquire um caráter conceitual, sendo o primordial a transmissão de uma idéia. Apresenta-se neste artigo a moda e a arte como meio e não como fim em si mesmas. 2 Marcel Duchamp: rompimento e Arte como idéia O movimento dadaísta, revolucionário na arte, constitui o ponto de partida fundamental para se compreender as várias tendências da arte contemporânea surgidas no decorrer do século XX, sendo que surgiu como forma de protesto contra a Primeira Guerra Mundial e não por questões estilísticas. As obras do movimento, geralmente, eram transitórias e impermanentes, produzidas para o entretenimento, apresentavam sua imagem pautada em expressões de anticultura e antiarte. Nesta época a liberdade moderna não era simplesmente a afirmação de novas possibilidades, era sobretudo uma revolta, um desejo crítico frente às coisas e valores instituídos no limite, expressava o paradoxo de um sujeito que não reconhecia mais o mundo enquanto tal. Em uma exposição dadaísta a apresentação de objetos transitórios, impermanentes ou claramente desprovidos de significado era extremamente provocativa. Como exemplo pode-se citar, dentre outros, a escultura de Max Ernst que tinha um machado preso ao lado, ao qual as pessoas eram convidadas a despedaçá-la Muito além do protesto, com o Dadá descobrindo-se novos mundos de linguagem; Breton disse, “Dadá é um estado de espírito” e acrescenta Nikos Stangos (1991, p.82), que este estado de espírito já era endêmico na Europa antes da guerra, mas o conflito deu novo impulso e urgência ao descontentamento que muitos artistas plásticos e poetas jovens já sentiam. E a partir de então a arte nunca mais seria a mesma. O dadaísta lutava contra os delírios morais de seu tempo. A arte era dependente dessa sociedade capitalista, o artista e poeta eram produzidos pela burguesia. Ironicamente, o movimento dadaísta existiu para se destruir, pois os próprios dadaístas era dependentes da mesma sociedade burguesa que condenavam. Desde os referenciais de arte do século XX, mais precisamente com Marcel Duchamp, que “(...) a arte relacionava-se mais com as intenções do artista do que com qualquer coisa que ele fizesse”(STANGOS, 1991, p.87). Surge um novo conceito, uma nova dimensão artística, uma liberdade na definição e o questionamento do que vem a ser uma obra de arte. Duchamp, com os seus readymades2, propõe uma nova forma de fazer arte, num ato de “ apropriação” de objetos já existentes, reapropriar e resignificar a coisa tornando-o arte, discute assim a necessidade do fazer e da interdisciplinaridade na arte. Tem início uma nova fase, o da desinstitucionalização do que se considera como arte. (STANGOS, 1991, p.87). Duchamp declarou “a sua convicção infinitamente estimulante de que a arte pode ser feita 2 Os Ready-Mades eram objetos transformados em obras de arte por Marcel Duchamp. Esta operação consistia na escolha, pelo artista, de um objeto de uso cotidiano qualquer, como um urinol ou uma pá, por exemplo, e no seu deslocamento do lugar em que desempenha sua função original e sua apreserntação como obra de arte. No caso do urinol, Duchamp simplesmente inverteu a posição tradicional da peça, assinou com o pseudônimo de R. Mutt, datou-a (1917) e batizou a “obra” de Fontaine (Fonte). de qualquer coisa”. Afirmando estar mais interessado nas idéias do que no resultado, no produto final. O seu mais célebre readymade era a Fontaine (Fonte), apresentado em 1917, em Nova 3 Iorque . A partir do pagamento de seis dólares qualquer pessoa poderia apresentar o seus trabalhos e assim, sob o pseudónimo de R. Mutt, Duchamp apresentou a Fonte, um urinol de porcelana. O pensamento artístico de Duchamp continua no contemporâneo a influenciar o cotidiano dos indivíduos. Sendo assim, suas obras podem ser reconhecidas como “matrizes que abriram o caminho para vários movimentos e artistas que ainda estão em atividade no limiar de um novo século” (SCHMIDT, 1998). Com Duchamp quebra-se o discurso mantido desde a Renascença, de que as verdades são construídas na mente, que não existe nada absoluto, permanente ou eternamente duradouro_ nem na arte, nem em nenhum outro campo do pensamento. Segundo Ferreira Gullar, em seu manifesto da teoria do não-objeto4, a Fonte de Duchamp seriam um sinal de que a obra de arte e os objetos se confundiam naquele momento e que a técnica dos ready-mades foi adotada posteriormente pelos surrealistas. Consistia em revelar o objeto deslocando-o de sua função ordinária e assim estabelecendo entre ele e os demais novas relações. A limitação desse processo de transfiguração do objeto está em que ele se funda menos nas qualidades formais do objeto que na sua significação, nas suas relações de uso e hábitos cotidianos. Nesse sentido, diz ele, os artistas foram batidos pelo objeto. 3 Moda e Arte no contemporâneo Considerando que a Moda é intrinsecamente ligada à mudança, notório que seja esta uma das grandes imagens representativas da contemporaneidade. Em moviemnto contínuo a moda contemporânea se apropria cada vez mais rapidamente de linguagens criadas pelas subculturas e de objetos artísticos, industrializando todo tipo de informação como tendência. Para melhor compreensão se faz necessário o entendimento de alguns conceitos sobre arte e moda. Com relação a origem da palavra arte Alfredo Bosi diz que: “A palavra latina ars, matriz do português arte, está na raiz do verbo articular,que denota a ação de fazer junções entre as partes de um todo. A arte é um fazer, é uma produção; logo supõe trabalho. É um conjunto de atos pelos quais se muda a forma, se transforma a matéria oferecida pela natureza e pela cultura. Seria, segundo Bosi, “movimento que arranca o ser do não ser, a forma do amorfo, o ato da potência, o cosmos do caos.” (BOSI, 2004, p. 13). Nesse sentido, segundo ele, qualquer atividade humana, desde que conduzida regularmente a um fim, pode chamar-se artística. Acerca do que se entende por arte Luigi Pareyson, pensador italiano, referido por Bosi (2004, p.8), considera três momentos decisivos, que podem ocorrer simultaneamente, no processo artístico: o fazer, o conhecer e o exprimir. A arte é o que Pareyson chama de construção de uma formalidade, no jogo da criação, “a arte é um tal de fazer, enquanto faz, inventa o por fazer e o modo de fazer.” (PAREYSON, 1989, p.32). Segundo Fayga Ostrower acerca da arte como forma de expressão diz que: 3 Onde foi fundada a nova Society for Independent Artist que tinha como modelo o Salon de Indépendents de Paris, sendo Duchamp um dos diretores do grupo 4 Ferreira Gullar define por objeto a coisa material tal como se dá a nós, naturalmente, ligada ás designações do cotidiano: a borracha, o sapato, o lápis, etc. Por contradição o não-objeto não se esgota nas referências de uso e sentido porque não se insere na condição do útil e da designação verbal. As obras de arte designadas não-objeto seriam àquelas obras que se realizam fora dos limites convencionais da arte, que trazem essa necessidade de deslimite como a intenção fundamental de seu aparecimento. O nãoobjeto não é uma representação, mas uma presentação, não representa nada, mas apenas se apresenta. GULLAR, Ferreira. Teoria do Não-Objeto. Rio de Janeiro: SDJB – Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, 1959. Todas as obras de arte, na imensa variedade de estilos e técnicas são formuladas através da reunião dos cinco elementos expressivos que compõem a linguagem visual: linha, forma, volume, luz e cor. E que ao contrário das palavras, os elementos visuais não têm significados preestabelecidos, nada representam, nada descrevem, nada assinalam, não são símbolos de nada, não definem nada – nada, antes de entrarem num contexto formal. Precisamente por não determinarem nada antes, poderão determinar tanto depois. (OSTROWER, 2004, p.53) Partindo dessa premissa tanto o artista plástico, como o arquiteto, como o designer gráfico, de produto ou de moda se envolvem diretamente com todos esses elementos expressivos no ato da criação de seu produto. Nesse sentido a arte se entrelaça com a moda no sentido da criação, do processo criativo, através da ação do designer na utilização dos elementos de linguagem visual conta uma história visual, com a criação de formas, roupas, acessórios e símbolos, em dinâmico processo artístico e em uma constante busca de linguagem estética. Fato é que desde muito tempo o sujeito se preocupa com a estética decorando o próprio corpo através das pinturas corporais, corpo esse que é utilizado como suporte de estética, expressão e comunicação. O homem passa entretanto a se expressar através das pinturas corporais e também do vestir. A roupa é, assim, elevada à categoria de objeto artístico, tendo em vista a necessidade de ornamentação e de construção estética, na medida em que a roupa reconstrói e transforma esse corpo dentro de um projeto estético onde o criador pode ser tanto o designer como o próprio indivíduo. Sobre a relação arte e moda, Gilda Mello e Souza, em O espírito das roupas, admite que durante a Renascença moda era arte, pois até cabia aos artistas a criação das roupas da nobreza. É a moda uma arte? Como chamar de arte um fenômeno sensível às mais leves transformações do gosto, intimamente ligado às elites do dinheiro? (...) entretanto como qualquer artista, o criador de moda inscreve-se dentro do mundo das formas. E portanto dentro da arte. As unidades básicas da moda são, como vemos, as mesmas das demais artes do espaço, e por isso é possível que, independente da vida efêmera e dos objetivos mais imediatos, se liguem de alguma maneira às correntes estéticas de seu tempo. Principalmente à arquitetura e à pintura. (SOUZA, 1987) A autora considera que diversos artistas se interessaram pelas formas da moda, que “sempre foi um pretexto para a pintura, impondo como a natureza, as suas formas ao artista” e por outro lado reconhece a moda em seu aspecto artístico, atribuindo a seus criadores esse contexto ou possibilidade de arte. A moda é um todo harmonioso e mais ou menos indissolúvel...exprime idéias e sentimentos, pois é, uma linguagem que se traduz em termos artísticos. Ora, esta expressão artística de uma social ou psicológica_ o aspecto menos explorado da moda_talvez seja uma das sua faces mais apaixonantes. (SOUZA, 1987, p.29) É a partir da Revolução Industrial que temos a separação entre a arte plástica, ou visual, e arte aplicada, ou decorativa. E as demais categorias que não se encaixassem em pintura ou escultura e em seus desdobramentos, estaria na categoria de arte aplicada, inclusive a arte do vestuário e a arquitetura de interiores. A uma incoerência nessa separação considerando que ambas trabalham com criação tendo assim as duas artes nunca existido separadamente, sendo que se justapõem e coexistem e, sobretudo, na medida em que essas artes foram frutos de uma mesma vanguarda, não atuando, portanto, nem como oposição. Paralelamente, os media no campo das artes aplicadas, tais como a música, a literatura, a moda e o cinema, também se beneficiaram com a Revolução Industrial e com os incessantes avanços tecnológicos que a sucederam, à medida que esses produtos passaram a ter mais qualidade e a ser mais acessíveis ao público em geral. Para o grande mestre da alta-costura, Cristóbal Balenciaga5 o estilista deve ser: “ Um arquiteto para perspectivas, um escultor para formas, um pintor para cores, um músico para a harmonia e um filósofo para a proporção”. Na mesma linha de pensamento Pierre Bergé6 afirma que a moda trabalha com as mesmas questões estéticas da arte. Assim como um pintor ou escultor, o estilista ao criar um modelo tem que resolver as questões de espaço, de dimensões, das linhas, dos volumes, das cores, dos ritmos, do equilíbrio, das tensões, da harmonia..No caso da interface ambos, estilistas e artistas, fundem as especificidades dos materiais próprios de suas competências para discutir o mundo contemporâneo. Segundo ele “A moda é arte se feita por um artista. Assim como há “pintores de fim de semana”, há estilistas de fim de semana.” Acerca da relação moda e arte e de sua influência na vida cotidiana das pessoas nos diz Yohji Yamomoto: “ Se a moda é a roupa, ela não é indispensável. E se a moda é uma maneira de perceber nosso cotidiano, então ela é muito mais importante. Dentre tudo que se chama arte_ pintura, escultura, etc._ poucas podem, como a moda ou a música influenciar tão diretamente as pessoas. A moda é uma comunicação única, essencial, relativa a sensações vividas por uma geração que usa a roupa que quiser. “ (BAUDOT, 1998, p.12) Cada estilista pode ser um artista ou vice-versa; o produto é que pode fugir a esse fim, quando subordinado a valores de mercado de consumo ou à produção em série. Tendo em vista que hoje tudo pode ser arte. No continente europeu, a partir do século XX, verifica-se uma interatividade entre arte e moda, viabilizada pelo relacionamento de estilistas, artistas e intelectuais, que muitas vezes se associam em projetos e trabalhos – Poiret era amigo de Picabia e Dufy; Chanel trabalhou com Picasso e Cocteau; Juan Gris produz os figurinos de Antigone, de Cocteau, e as coleções de Elza Schiaparelli são inspiradas no surrealismo, sendo seu principal parceiro Salvador Dalí. E artistas como Matisse, Degas, Dalí e Toulose-Lautrec demostravam uma grande interesse pelas roupas que os seus modelos vestiam. O que percebemos é que deixa-se de representar nas pinturas o nu e passa-se a representar o retrato com roupas, as pessoas na vida cotidiana. 4 Arte, perfomance e Desfiles Considerando o fato de a arte performática não possuir uma definição clara, o artigo de RoseLee Goldberg (1998), apud Duggan (2002) intitulado “Performance: Live Art Since 1960”, fornece algumas descrições que podemos aplicar. Seguem-se afirmações citadas diretamente da publicação: “ Arte Performática é uma arte de ação - ao criar trabalhos nos quais a platéia se confronta com presença física do artista em tempo real – e numa forma de arte que cessa de existir no instante em que a performance acaba” (p.15); “ O meio exige uma ‘presentividade’ – a presença da platéia em tempo real, e conteúdo que reflita agudamente o presente” (p.30); “ Historicamente, a arte performática tem sido o meio que desafia e viola os limites entre disciplinas e gêneros, entre privado e público, entre vida cotidiana e arte, sem obedecer a nenhuma regra”(p.30). Performance é o conjunto de sketches, ligeiramente ensaiados, apresentados poucas vezes e em lugares alternativos, utilizando uma técnica em que prevalece o movimento corporal e a utilização de elementos plásticos. (COHEN, p. 161). Arte de fronteira, que em seu contínuo movimento de ruptura com o que pode ser considerado “arte–estabelecida”. É basicamente uma linguagem de experimentação, sem compromissos com uma expectativa de público, nem com uma ideologia 5 6 Estilista espanhol, que transformou a costura em arte suprema, apelidado por Cecil Breton de “Picasso da Moda”. Pierre Bergé, Universo da Arte, Yves, Saint Laurent engajada e tampouco com a mídia. Abrigando artistas de várias linguagens (COHEN, p.50), a performance se oriunda da busca intensa, de uma arte integrativa, uma arte total. Utiliza da linguagem da soma, sendo que o que interessa é apresentar, formalizar o ritual. Não pode ser considerada como uma expressão isolada. Podendo ser classificada como uma expressão cênica pois apresenta na maioria das vezes, todas as características definidoras de tal forma de expressão_ texto, público, atuantes, intervenção ao vivo num determinado espaço. Segundo colocação do designer Guto Lacaz a performance é o teatro do artista plástico em detrimento do texto falado e da composição de personagens. Chamada de live art7, ou performance art seria o elo contemporâneo de uma corrente de expressões estético-filosóficas do século XX da qual fazem parte as seratas futuristas, os manifestos e cabaréts dadá, o teatro-escândalo surrealista e o happening. Nas quais os elementos utilizados seriam a fusão de linguagem, o uso da tecnologia, a liberdade temática, a tonicidade para o plástico e para o experimental. Na contemporaneidade os desfiles de moda assumem a forma de performance, de espetáculo, de show. Alguns designers criam várias outras possibilidades na apresentação dos desfiles de suas coleções. Se olharmos a significação de desfiles, em inglês, são “fashion shows” e sendo shows, são espetáculo, que, a priori, não podem representar fielmente a realidade. Por tal razão que se espera de um desfile de moda algo mais elaborado, algo que fascine, como que um ato teatral, como um “happening contemporâneo”. As produções de desfiles performáticos de moda, na categoria de espetáculos, no final da década de 90 intensificam as relações arte e moda. Tendo como referências a arte performática dos anos 60 e 70, performances dadaístas e do grupo Fluxus8, teatro, ópera e cultura popular, muitos designers de moda contemporânea transformaram por completo o desfile de passarela, que passa a exibir muito mais do que roupa. É inegável a influência das artes performáticas nos desfiles de moda contemporâneos, resultando em uma nova arte performática híbrida quase totalmente desvinculada dos aspectos tradicionalmente comerciais da indústria da confecção. Sendo que inclusive as roupas apresentadas nos desfiles muitas das vezes não vão para as araras das lojas. Além de sua relação com a arte, o teatro e o cinema, os desfiles de moda desde os primórdios têm também relação com o consumismo e com a erotização da figura feminina na cultura de massa. Há uma relação complexa entre os desfiles de moda e o espetáculo capitalista que tem relação com o espetáculo de mulheres no final do século XIX, período em que pela primeira vez foram utilizadas manequins vivas sendo frequentemente usadas no decorrer do século XX. Guy Debord descreveu em a sociedade do espetáculo como aquela em que oblitera a realidade; e isso poderia ser um paradigma de como o desfile de moda atuou no passado para disfarçar suas origens e objetivos comerciais (DEBORD, 1994). Em meados do século XIX, conforme nos coloca Caroline Evans9, o comerciante de tecidos Gagelin contratava manequins de modelos pra desfilar por seu estabelecimento. Em um breve histórico dos desfiles temos que ocorreu em 1858, com Charles Frederick Worth que na inauguração de sua maison de couture importou o desfile de manequins para o ateliê. Foi sua esposa, Marie quem desfilava suas criações nas corridas de Longchamp e no Bois de Boulogne, ambos lugares de exibição de moda. Em 1912, Chanel contratou mulheres para exibir suas roupas em 7 Essa nomenclatura foi utilizada por CAROLINE COON, em Performance: Live Art –1909 to the Present. JORGE GLUSBERG, A Arte da Performance, utiliza a expressão body art como termo aglutinador. 8 Movimento artístico caracterizado pela mescla de diferentes artes, primordialmente das artes visuais mas também da música e literatura. Teve seu momento mais ativo entre a década de 60 e década de 70, se declarando contra o objeto artístico tradicional como mercadoria e se proclamou como a antiarte. 9 Caroline Evans, em texto intitulado “O espetáculo encantado” , publicado na revista Fashion Theory, revista da moda, corpo e cultura, volume 1 , Número 2, junho 2002 ambientes elegantes, precedeu dessa foram os desfiles de moda mais formais de sua época. O século XX se iniciou com designers gratuitamente doando roupas às mulheres que ditavam moda em seu tempo, o que persistiu no decorrer do século com estrelas de cinema usando modelos de designers no tapete vermelho. A estilista inglesa Lucile assim como Poiret em Paris declarou que seus desfiles visavam a espectadores femininos e masculinos que eram “atraídos pela perspectiva de inspecionar a carne, além dos tecidos”. As modelos de Lucile eram treinadas para executar poses dramáticas e, mal sorriam durante os desfiles e nunca falavam. A imagem ambígua da mulher-modelo como espetáculo assombra o desfile de moda. Lucile usava a palavra “modelo” referindo-se tanto ao vestido como à manequim, eliminava assim a diferença entre os dois, coisificando a carne na mesma categoria do tecido10. Desde sua origem os desfiles de moda basearam-se nas ferramentas do teatro, narrativa e drama, e na década de vinte, os ateliês de alta-costura exigiam que seus modelos fossem apresentados numa espécie de peça teatral, com enredo simples e cenários elaborados. Na década de 60, com a estilista Mary Quant, som e luz passaram a integrar as produções. Desde então os desfiles de moda passaram a exibir fantasias elaboradas, luzes, adereços, música e cenários, e a ser chamados de “ teatro sem trama”. Extrapolando os showrooms ambulantes que muito ainda se vê em desfiles de moda, a partir dos anos 90, designers contemporâneos como Alexandre McQueen, John Galliano e Helmut Lang ganham notoriedade por desfiles performáticos que se interpretam como seqüências de imagens de sonho ou visões fantásticas e que emulam produções teatrais. Os desfiles são largamente cobertos pela mídia, ultrapassam as fronteiras do mundo fashion e se transformam em shows interplanetários. Alexander McQueen, em entrevista exclusiva a revista Vogue, no ano de 2004, disse: Meus desfiles eram provocantes por uma razão: a necessidade de se fazer notar. Eu não preciso mais fazer isso, mas ainda acredito que tenho os meus vinte minutos para chamar a atenção das pessoas. Você pode não gostar do que eu faço, mas ao menos o que faço leva as pessoas a pensar.” Dessa forma o importante seria levar os espectadores à reflexão. Ainda na mesma entrevista acerca das proximidades das artes com a moda, coloca o quanto gosta de trabalhar com outros artistas, fazendo freqüentes referências a outras formas de mídia. “Os mundos da música, cinema e moda estão intrinsecamente ligados e o resultado dessa fusão é a cultura moderna”, afirma McQueen. Segundo Ginger Gregg Duggan, os desfiles performáticos na maioria dos casos, interpretam-se como minidramas completos, com personagens, locações específicas, peças musicais relacionadas a temas reconhecíveis. Não raro, o único elemento que separa o desfile de moda de seus correlatos teatrais é seu objetivo básico - funcionar como estratégia de marketing. Outro representante dos desfiles como acontecimentos performáticos é o cipriano Hussein Chalayan, como exemplo podemos citar o desfile de verão 2017, em Paris, que mostrou uma série de vestidos mutantes, animados por computador, em uma performance-espetáculo capaz de causar sensações viscerais no platéia do desfile. É impossível entender por completo os desfiles-espetáculo sem discutir o seus encerramentos. Finais explosivos, sensacionais, são fundamentais na associação da moda com performance e 10 A romancista Edith Saunders escreveu em 1865que, no ateliê de Worth, “moças bonitas chamam a atenção, modelos do estabelecimento, muitas das quais inglesas”(citado por Castle 1977, p.11). Sua aplicação do termo “ modelo”, em 1865, para se referir á mulher e não ao vestido é um exemplo precoce e incomum na literatura. A ambigüidade tornava-se, e continua, característica da modelo. Herzog comenta sobre a dificuldade de ver modelo e roupas em separado, em seu tratado dos desfiles de moda em filmes de Hollywood na década de 1930 (Herzog 1990, p.137). teatro. Muitos são planejados para deixar a platéia com uma forte impressão de experiência vivenciada. Às vezes, a ênfase na natureza “espetacular” dos encerramentos diminui o lado comercial da moda. Solange Wajnman levanta questões acerca da busca da significação do objeto e suas implicações para as respostas que a moda se propõe a analisar no uso de novas linguagens. No plano da linguagem artística verificamos desde período do barroco e do romantismo a deformação, transfiguração, pulverização do objeto. Os achatamentos, a superposição da perspectiva e do espaço tridimensional e a destruição do objeto figurativo são cada vez mais freqüentes. Mas, todavia observa-se o desejo de captar a essência do objeto, seu sentido supra-objetivo. Depois de toda decomposição, desestruturação não se estaria em busca de um sentido mais essencial para o objeto? Nas figuras da linguagem da moda poderíamos traduzir este sentimento pelo retorno de um lugar, uma identificação (mas não identidade), pontos de referência. (WAJNMAN, 1997) Dessa forma, constata-se o impacto da moda na sociedade contemporânea, seu alcance e extensão na sociabilidade, projetado por novos padrões estéticos. Isto implica no uso das novas formas de expressão da contemporaneidade. Identificar na moda um sistema cognitivo e simbólico permite desenvolver a performance nesse contexto e afirmar a moda como “uma arte dos nossos tempos, posto que há uma concepção de formas, volumes, espaço, tempo, cor” (WAJNMAM, 1997). 5 Considerações Finais Considerando a análise abordada no desfeixo do artigo conclui-se o sentido da moda deve ser buscado além das suas formas convencionais de apresentação, caminhando juntas tanto a Arte contemporânea como a Moda contemporânea de forma a adquirirem um caráter mais conceitual. No contemporâneo as linguagens se perpassam, arte, moda, performance, teatro, música, tudo faz parte de um conjunto. Assim, a cena apresentada em um desfile de moda, o espaço, os elementos o conceito que o compõe, como em um espetáculo, um show, podem dizer muito mais, podem transmitir idéias e sensações, utilizando artifícios para um efeito além de um compromisso com a venda de mercadorias, podendo dessa forma o indivíduo contemplar imagens sensíveis, que permitam que saia um pouco da realidade em que vive e descubra novas maneiras de ser e sentir, para que então se possa perceber além das aparências. 6 Referências ALLISON, Lurie. A linguagem das roupas. Rio de Janeiro: Rocco, 1997. BARTHES, Roland. Sistema da moda. Lisboa: Edições 70. 1981. BASBAUM, Ricardo. Pensar em Performance, in MAC-Revista, São Paulo, n°1, abril 1992. BERGÉ, Pierre. Universo da Moda. YSL. São Paulo: Cosac e Naify, 1999. BOSI, Alfredo. Reflexão sobre a arte. São Paulo. Ática, 2004. BRITO, Ronaldo. 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Desenvolvimento: parte principal e mais extensa do trabalho deve apresentar a fundamentação teórica, a metodologia, os resultados e a discussão. Divide-se em seções e subseções conforme a NBR 6024, 2003. Os títulos de cada seção devem ser apresentados em negrito. Conclusões: as conclusões devem responder às questões da pesquisa, correspondentes aos objetivos e hipóteses; devem ser breves . m) Glossário: elemento opcional elaborado em ordem alfabética; n) Apêndices: Elemento opcional. “Texto ou documento elaborado pelo autor a fim de complementar o texto principal”.(NBR14724, 2002, p.2); o) As ilustrações (quadros, figuras, fotos etc): deverão ser enviadas em arquivos separados, claramente identificadas (ex: Figura 1, Figura 2 etc), indicando o texto e o local (espaço) onde devem ser inseridas. Sua identificação aparece na parte inferior, precedida da palavra designativa, seguida de seu número de ordem de ocorrência do texto, em algarismos arábicos, do respectivo título, a ilustração deve figurar o mais próximo possível do texto a que se refere. Conforme o IBGE (1999) as tabelas devem ter um número em algarismo arábico, sequencial, inscritos na parte superior da tabela, a esquerda da página, precedida da palavra Tabela. Exemplo: Tabela 5 ou Tabela 3.5. A fonte deve ser colocada imediatamente em baixo da tabela para indicar a autoridade dos dados e/ou informações da tabela, precedida da palavra Fonte. p) Indicativo de seção: O Indicativo Numérico da seção precede o título [da seção] alinhado à esquerda. “Não se utilizam ponto, hífen, travessão ou qualquer outro sinal após o indicativo da seção ou de seu título”.(NBR 6024, 2003, p.2). Os títulos e subtítulos de cada seção devem estar sem adentramento e numerados em número arábico – apenas a primeira letra do subtítulo deve ser maiúscula. • Local de entrega dos trabalhos: Secretaria do Instituto de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da FACED. Endereço: Praça do Mercado, 191 – Centro. CEP: 35500-048 - Divinópolis, Minas Gerais ou pelo e-mail: [email protected] Divinópolis, 21 de maio de 2013.