YANA ANDREEVA
(Universidade de Sófia Sveti Kliment Ohridski)
“A Manaus dos imigrantes na ficção de Milton Hatoum”
Inscrevendo-se nas linhas temáticas do colóquio, o trabalho pretende apresentar um estudo da
conjugação das problemáticas da imigração, da cidade e da identidade em dois romances de Milton
Hatoum. Ao recriar ficcionalmente o processo de transformação e identificação das identidades de
personagens migrantes, as obras do escritor brasileiro revelam de um modo pronunciado o interesse
pelas temáticas do multi- e do intercultural, conjugando-as com a problemática da identidade urbana
e explorando-as por via de uma escrita literária ambígua, entre o ficcional e o autobiográfico.
Estabelecendo entre si uma espécie de diálogo, pela simetria dos seus universos ficcionais, Dois
irmãos e Relato de um certo Oriente têm como cenário da ação a cidade de Manaus e narram as
histórias dramáticas de famílias de imigrantes libaneses, marcadas por intensas e escuras paixões,
pelo amor e pela violência, pela memória das origens ancestrais e pela busca de uma identidade
nova, a corresponder-se com a realidade local e com as variadas culturas que a habitam. A temática
da migração permeia os dois romances, aliando-se à exploração do processo de reconfiguração da
identidade dos imigrantes e de seus descendentes. A identidade local dos personagens vai sendo
modelada pela convivência entre as diversas culturas dos imigrantes que residem na cidade
amazónica: portugueses, libaneses, judeus marroquinos, alemães. Ainda que frequente, o convívio
nem sempre é pacífico, havendo episódios de incompreensão, intolerância e até de oposição, a
revelar uma rivalidade ancestral no terreno das crenças religiosas. Tal convívio intercultural, que
mistura as velhas tradições das origens às imagens da nova terra, nutre o quotidiano de uma
população urbana multicultural que, mesmo mantendo a ligação à identidade de nascença, se renova
pelo contacto com o Outro. O intercâmbio não raro conduz a uma miscigenação que vai fundir
raças, genes e costumes, vertendo o amálgama de diversas memórias ancestrais em novos
recipientes que são moldados na matriz de uma nova identidade – manauense, amazónica,
brasileira.
MANAÍRA AIRES ATHAYDE
(Universidade de Coimbra / Capes)
Os Poucos Poderes, Ruy Belo e a emigração portuguesa [de ontem e de hoje]
Os Poucos Poderes é um dos mais representativos livros em Portugal pensados para aliar poesia e
fotografia. Tornou-se um intrigante caso de editoração à medida que nesta obra ficaram registradas
as devidas épocas que exortaram o seu processo: a década de 1960 em que as fotografias da Zona
Ribeirinha de Lisboa foram feitas por Jorge Guerra, os anos 1970 e os poemas escritos por Ruy
Belo e João Miguel Fernandes Jorge a partir das imagens, os anos 1980 em que finalmente o livro
veio a ser publicado. Um livro que, não tendo inicialmente essa pretensão, acabou por adquirir,
considerando-se a leitura das imagens conjuntamente com os poemas, um importante papel
fotojornalístico sobre a problemática da emigração portuguesa. De modo que, trinta anos depois de
vir a lume, continua a ser uma avivada publicação diante da atual conjuntura de Portugal, tendo em
vista que na última década emigraram mais de 700 mil portugueses, dos quais cerca de 50 mil a
cada ano são jovens entre os 15 e os 29 anos.
Estes números se aproximam dos grandes fluxos migratórios dos anos 1960 e 1970, décadas em que
Ruy Belo publicou os seus nove livros de poesia, que têm como um dos motes mais transversais
«esses portugueses esses homens que […] / jamais a portugal voltavam e em distantes terras
perduravam». A poesia beliana, que não escusou de se preocupar com «O homem [que] vende a
vida e verga sob a enxada», registra o êxodo da gente rural para as cidades, o alargamento dos
processos de urbanização e a grande vaga da emigração portuguesa naquela altura.
Assim, propomos percorrer a atual conjuntura portuguesa comparando-a com as demandas de
emigração dos anos 1960 e 1970, percebendo as suas convergências e as suas dissidências e
inscrevendo determinadas perspectivas encontradas em Os Poucos Poderes e na obra poética de
Ruy Belo no diálogo possível de se estabelecer entre dois dos maiores fluxos migratórios
portugueses a que este país já assistiu.
CRISTINA BENICCHI
(Università degli Studi della Tuscia)
La città postcoloniale e la messinscena delle identità
La complessa interazione che nei romanzi post-coloniali si ha tra la metropoli e il personaggio come
tappa imprescindibile per la definizione identitaria dell’individuo, non meno che del luogo, è il
punto di partenza dell’analisi proposta da questo contributo. Gli autori migranti post-coloniali nella
città hanno individuato il simbolo di una contemporaneità ricca di contrasti in cui coesistono
identità e pluralità, libertà ed oppressione, chiusura ed apertura. Accade, pertanto, che nei romanzi
metropolitani, in cui la città si fa personaggio, i protagonisti si muovano in uno spazio urbano,
spesso completamente alieno, alla ricerca di se stessi e della propria identità. La città occidentale,
inizialmente vista come luogo miracoloso dal migrante, si trasforma in un immenso nulla capace di
annullare, seppur soltanto inizialmente, l’individuo periferico. Da nulla primordiale la città si fa
catalizzatore delle differenze culturali e si impone custode esclusiva della formazione e
trasformazione di quelle identità plurime e sincretiche, votate alla fluidità e non già alla staticità
della purezza identitaria ormai desueta caratterizzanti la società contemporanea. Fluidità e
transitorietà dell’esistenza metropolitana sono lo sfondo dei romanzi di Samuel Selvon, Zadie
Smith, Hanif Kureishi e David Dabydeen al centro del presente contributo. Romanzi di trasformazione nei quali le identità individuali si definiscono a seguito di un complesso e frammentario
processo di decostruzione e ri-costruzione in cui determinante è il ruolo svolto dallo spazio
metropolitano, che interagisce con i protagonisti divenendo esso stesso attore di una articolata e
coinvolgente messinscena della formazione identitaria.
DJAMEL BENKRID
(l'université de Paris VIII)
L’identité culturelle comme paradigme de l'imaginaire : Apport et limite
L'étude de l'anthropologie historique contribue en grande partie à déterminer la valeur de l'homme
dans son activité sociale et la mobilisation de son énergie. L'homme intègre la mobilité dans
l'espace de la cité. Cela explique qu'il est toujours à recherche d'un but social qui le positionne dans
le sol optimal .L’homme a toujours cherché des espaces pour survivre, il exploite la moindre
parcelle de la terre afin de découvrir des nouvelles méthodes d’adaptations avec l’environnement
proche. L’essence de la proximité étant bien entendu l’éloignement, c'est-à-dire la différence. Ce
qui devient difficile à cerner dans le type d’analyse et surtout à d’observer, c’est l’interaction entre
les changements comportementaux des personnes à partir de leurs immigrations, l’exemple d’une
approche paradigmatique s’inscrit dans l’imaginaire de l’homme en tant que substance
(re)productrice de l’absolu sociale, ce type
de référence s’inscrit dans la problématique d’une interaction culturelle à partir de l’errance de
l’être dans son propre imaginaire, l’identité de l’imaginaire représente le véritable paradigme d’une
société en construction permanente il le produit d’une immigration populationnelle qui
n’appartient pas à la même formation ethnique et culturelle d’origine, dans le paradigme de la
pensée des science sociales, la pensée de l’homme s’inscrit dans une dynamique réelle. Mais la
question de l’espace requiert une dimension du commun. Pensée l’impensé de l’homme c’est
localiser une fuite qui s’inscrit dans se propre structure identitaire et surtout dans sa propre
évolution
EVA BERÁNKOVÁ
(Université Charles de Prague)
« Identités mosaïques », écritures d’immigration : le phénomène des écrivains juifs de Montréal
Parmi tous les groupes culturels « minoritaires » coexistant dans le cadre du Montréal moderne et
contemporain, les juifs se situent au premier plan en raison du nombre élevé d’auteurs et d’œuvres
artistiques issus de leur communauté. Après une courte introduction réflexive, consacrée à la
définition problématique de l’ « écrivain juif », la présente contribution proposera une typologie de
ces derniers, classés en fonction de leurs langues d’adoption (anglais, yiddish, français), des
périodes historiques auxquelles ils ont appartenu, ainsi que des thématiques abordées par eux. Nous
allons voir à quel point la « judéité », terme forgé par Albert Memmi, a pris des formes multiples au
cours du XXe siècle, constituant aujourd’hui tout un réseau
d’« identités mosaïques ».
Selon Pierre Nepveu, la littérature juive montréalaise serait même le prototype d’un carrefour
identitaire postmoderne, situé « au point d’intersection de cultures et de signes appartenant à divers
horizons souvent conflictuels ; la tradition et la modernité ; l’Europe et l’Amérique ; le français et
l’anglais ».
FRANCESCO BIANCO
(Università Palacky di Olomouc)
Dalla periferia al centro: un secolo di storie di irpini emigrati in America (1911-2010)
La vita dell’emigrante è costituzionalmente tesa fra due poli: quello del paese d’origine e quello del
paese che, più o meno benevolmente, lo ha accolto. Nel caso dell’emigrazione italiana verso gli
Stati Uniti d’America, spesso a questo rapporto corrisponde la complessa dialettica villaggio-città:
da una società mediamente arretrata (da un punto di vista strettamente economico) e da una realtà
rurale, l’emigrante accede a un paese più ricco, industrializzato e urbanizzato. Il suo sguardo,
dunque, rappresenta un interessantissimo punto di vista su queste due realtà, di cui è osservatore
partecipante. L’obiettivo dell’intervento è quello di delineare questo punto di vista, per certi versi
unico, attraverso la lettura di una raccolta epistolare che attraversa un secolo di storia italiana e
americana (la lettera più antica è del 1911, la più recente è del 2010): i mittenti di queste lettere
sono italiani di origine irpina emigrati negli Stati Uniti (per lo più in Pennsylvania); i destinatari
sono parenti e amici rimasti in Italia. Di questa raccolta si presenteranno le tematiche, spesso
ricorrenti (l’epopea del viaggio, i problemi economici e quelli di salute, le feste e le ricorrenze, le
difficoltà insite nell’inserimento in un nuovo ambiente, etc.); queste ultime, oltre ad offrire uno
spaccato socioculturale di assoluto interesse, innervano una narrazione schietta, a tratti perfino
avvicente, che trova non pochi punti di contatto con la letteratura della migrazione.
VINCENZO BINETTI
(University of Michigan)
Autonomy of migration: confini e sconfinamenti della cittadinanza nella scrittura migrante
L’elemento indubbiamente provocatorio che scaturisce dall’analisi delle storie narrate da scrittori
migranti oggi in Italia è, a mio avviso, l’intenzione autoriale di voler in qualche modo
decentralizzare e quasi sfocare la visualizzazione della territorialità all’interno della quale operano e
si muovono i personaggi e le loro storie. Anche se spesso ambientati in contesti urbani e
metropolitani all’apparenza facilmente riconoscibili ed identificabili dal lettore, manca infatti in
questi romanzi un riferimento direi quasi “rassicurante” a quei landmarks architettonici e urbanistici
che dovrebbero invece contraddistinguere e avvalorare emblematicamente i paesaggi e la mappatura
della tradizione storico-culturale dell’identità nazionale italiana. Mi chiedo allora che tipo di
implicazioni politico-letterarie possano scaturire da questa deliberata “invisibilità” dei landscapes
ufficiali e da una “esclusione” dell’altro dai paesaggi urbani all’interno dei quali si muovono incerti
ed esitanti questi “cittadini stranieri” protagonisti della scrittura migrante. Quali potenziali fattori
destabilizzanti della canonicità letteraria e quali forme di resistenza politica emergono allora da
questi tentativi di (ri)leggere l’uniformità impermeabile del territorio nazionale proprio spostando il
punto di vista interpretativo di quegli spazi pubblici e quindi spiazzando l’orizzonte d’attesa di chi
legge e che in quegli spazi vorrebbe riconoscere e validare in un qualche modo il proprio senso di
appartenenza identitaria?
EVELYN BLAUT FERNANDES
(Universidade de Coimbra)
A ficção de António Lobo Antunes. da legião de espectros ao nome dos afectos
Num episódio do Evangelho de São Lucas, Jesus se encontra com um homem nu e desfigurado,
possuído por espíritos malignos, e pergunta por seu nome. “O meu nome é legião”, responde,
“porque somos muitos”. Pois é este o título do romance que António Lobo Antunes publicou em
2007. O Meu Nome é Legião começa como um relatório de polícia, que descreve a vida de uma
gangue numa zona a que se chama simplesmente Bairro e que pode fazer evocar qualquer bairro
periférico de uma grande cidade, embora seja um bairro afastado de Lisboa. O inquérito redigido
por um policial desiludido relata os violentos actos cometidos por oito jovens delinquentes, com
idades entre 12 e 19 anos, ao longo de uma madrugada.
O romance, aos poucos, vai se transformando em uma trama narrativa de múltiplas vozes, em que
vários narradores tomam a palavra, cada qual com sua versão dos factos e suas lembranças, criando
um mosaico de contrastes sobre a injustiça e a dor. Dentre elas, são as versões dos miúdos que
ouvimos, como foram mal amados, maltratados, excluídos na infância. Afinal, o livro, que trata das
desigualdades (raciais, sociais, geográficas), da violência urbana e do Mal que invade como
demónios, também fala de amor pela humanidade e compaixão. A ser inserida no Projeto Figuras
da Ficção*, esta comunicação pretende se dedicar à figuração destes chamados delinquentes aliada
à miséria dos bairros degradados, compondo um retrato que, sendo o do Portugal contemporâneo, é
tanto um libelo social quanto um mergulho na infância, no desamor e na solidão extrema destas
personagens. E é sobremaneira uma tentativa de compreender a todos estes polícias, criminosos ou
jovens deserdados, que, ao fim e ao cabo, o escritor dá a ver.
GABRIEL BOROWSKI
(Universidade Jaguelônica em Cracóvia)
Fora: o drama da mobilidade nos romances de Bernardo Carvalho
Uma das características da produção romanesca do escritor brasileiro Bernardo Carvalho é a
importância da mobilidade que marca os percursos geográficos e existenciais dos seus personagens.
Do romance Nove noites (2002), construído com base na história da misteriosa morte do
antropólogo norte-americano Buell Quain na floresta amazônica, passando por Mongólia (2003),
em que o protagonista precisa enfrentar a alteridade em busca de um jovem desaparecido na Ásia,
chegando até O sol se põe em São Paulo (2007), que entrelaça tempos e espaços num movimento
entre o Brasil e o Japão, e O filho da mãe (2009), sobre a segunda guerra da Tchetchênia, Carvalho
consegue mostrar o drama dos sujeitos migrantes, condenados tanto à precariedade dos vínculos
identitários criados durante as travessias, quanto à persistência do passado que se impõe como força
ativa nos enredos. O objetivo da comunicação proposta é discutir as figuras do desenraizamento,
cristalizadas nos romances de Carvalho, relacionando a obra do autor com outros exemplos da
literatura brasileira mais recente.
EMANUELE BROCCIO
(Paris Ouest Nanterre La Défense)
Milano, fin qui tutto bene tra resistenza ed omologazione
Nel mio studio si intendono esplorare le modalità formali e le scelte tematiche di cui si serve
Gabriella Kuruvilla per la rappresentazione di un ambiente multiculturale e delle relazioni che lo
caratterizzano nel romanzo Milano, fin qui tutto bene (2012). Decostruendo puntualmente un certo
diffuso immaginario, fondato sull’esaltazione degli effetti positivi di crescita e scambio offerti dalla
mondializzazione, la narrazione, attraverso la strategia della focalizzazione multipla, lascia
emergere una mappa del malessere, connotata dalla resistenza dei particolarismi culturali nel segno,
spesso, di una conclamata conflittualità piuttosto che di un placido rapporto di assimilazione tra
comunità etniche diverse. La prospettiva adottata, infatti, evidenzia un sentimento generale di paura
ed ostilità verso gli “altri”, ed una forma di paralisi sociale che investe quasi tutti i protagonisti,
descritti come incapaci di integrarsi a fondo in qualsiasi relazione che metta in discussione le loro
origini e radici. Dietro il racconto delle loro vite, sullo sfondo di una metropoli multiculturale,
emerge invece un processo opposto, di omologazione visiva ed esistenziale delle masse cittadine,
ridotte a frammenti corporei che vagano in città-non luogo, svuotate della possibilità di offrire
coordinate di orientamento, e, quindi, di contribuire ad un processo di riconoscimento identitario. Il
romanzo si inscrive nel circuito della letteratura mondiale, e più specificamente di quella categoria
di testi isolati dalla critica sotto l’etichetta di “letteratura della migrazione”, ed esplicita sia un
deciso distanziamento dalla prospettiva eurocentrica sia la necessità di un ritorno alla realtà e al suo
referente. Tuttavia, non si tratta di un’operazione sempre ben riuscita, e molti segni testuali
legittimano il posizionamento del testo ancora in una dimensione postmodernista. In ultima analisi,
vengono presi in considerazione i codici stilistici che consentono all’autrice di investire il testo di
una forma globale, tale da imporsi all’attenzione e alle tendenze di un pubblico che in esso possa
facilmente riconoscersi.
FIORANGELO BUONANNO
(Université de Nantes)
La percezione della città nella letteratura italiana della migrazione
L'ambiente urbano nella letteratura italiana della migrazione è stato esaminato quasi sempre in
chiave interculturale. Dall'esame delle relazioni tra migranti e città dei romanzi prodotti negli ultimi
vent'anni emergono una serie di tecniche stilistiche, il cui studio permetterebbe di superare
un'interpretazione interculturalista dei testi in questione. Gli scrittori migranti, attraverso i percorsi
urbani dei loro personaggi e le cosiddette “geografie sensoriali”, cercano di rendere le differenze
percettive, intese come differente maniera di categorizzare i dati sensoriali. Tale differenza tuttavia
può essere solo proclamata, ma mai davvero descritta, e la rappresentazione avviene attraverso una
vera e propria retorica della differenza. Il procedimento è duplice: da un lato lo scrittore tende a
riprodurre lo straniamento del proprio personaggio, messo in situazioni che non comprende fino in
fondo, spesso attraverso oggetti quotidiani usati come perturbante. Tale situazione viene colta solo
parzialmente dal lettore, che ha familiarità con il proprio ambiente urbano ma non con l'universo
mentale del migrante. Lo straniamento è allora rovesciato in chiave onirica o espressionista, ma
soprattutto in chiave ironico-didattica, particolarmente negli esempi di rituali culturali. In questi
casi, gli scrittori sono consapevoli dell'errore di percezione dei personaggi e ironizzano su di essi,
spingendo il lettore a riflettere sulla non universalità dei costumi culturali. La città italiana si
configura allora come un'eterotopia, un luogo contenuto in un ambiente particolare, in cui non
valgono il concetto di tempo, le percezioni, le possibilità di azione e la ritualità dello spazio
esteriore. Lo studio dei meccanismi della retorica della differenza comporta pertanto il superamento
delle accezioni soteriologiche attraverso cui è stata spesso analizzata la letteratura di migrazione,
mettendone in luce i miti e le ideologie latenti.
ZUZANA BURIANOVÁ
(Universidade Palacký em Olomouc)
De Zero a Confissões de Ralfo: a representação do espaço urbano
A comunicação tem o objetivo de refletir sobre a representação da cidade nos romances Zero
(1975), de Inácio de Loyola Brandão, e Confissões de Ralfo (1974), de Sérgio Sant’Anna – dois
livros de escritores brasileiros contemporâneos que foram publicados no período quando a iniciava
uma gradual abertura do regime militar no Brasil. Trata-se de obras que, além de serem produto do
mesmo contexto histórico-cultural, apresentam vários traços em comum, entre os quais podemos
citar o experimentalismo radical, apoiado na complexa e fragmentada estrutura romanesca, o tema
da violência e da opressão ligado a uma visão fortemente crítica das relações humanas na sociedade
moderna, assim como a atenção prestada ao cenário urbano. A análise da configuração do
imaginário da cidade nos dois livros vai-se concentrar na relação que existe entre a estética de
fragmentação – manifestada tanto a nível estrutural, quanto no campo temático – e o momento
histórico pelo qual passava a sociedade brasileira.
VERONIKA ČERNÍKOVÁ
Jean- Simon Desrochers et son Montréal des pauvres
Dans son premier roman, La canicule des pauvres, Jean-Simon Desrochers profite de son
expérience de poète pour nous offrir un récit postmoderne savamment construit autour de la vie
dans une maison. La maison ressemble à la ville postmoderne où elle est située, à ce melting-pot de
cultures et de natures humaines où la vie se déroule « sans mode d’emploi » (4e de couverture).
Sans être minutieusement décrite, la métropole imprègne le livre de sa présence chaleureuse et
parfois même étouffante. Notre communication portera sur la présence et l’absence de la ville dans
La canicule des pauvres et ses modèles et sur les liens postmodernes entre la ville et le récit qui la
représente.
JEAN FRANÇOIS CHASSEY
(Université du Québec à Montréal)
La ville comme une (ou deux) langue : de Montréal à Belo Horizonte
En 2012 paraissait au Québec un recueil de nouvelles de Daniel Grenier intitulé Malgré tout on rit
à Saint-Henri. Le titre réfère à la fois à un vieux quartier ouvrier de Montréal et à une chanson d’un
chanteur populaire dans les années 1950 et 1960. Les nouvelles reposant souvent sur l’utilisation
d’une langue vernaculaire, on pensera qu’il s’agit d’un ouvrage ayant un ancrage très québécois, et
même d’abord montréalais. Pourtant, l’intérêt du livre tient entre autres, et c’est ce que cette
communication voudrait montrer, à une réflexion sur la migration et l’altérité qui s’inscrit, de
manière large, dans un imaginaire américain. En effet, certaines nouvelles mettent en scène des
Brésiliens et leur adaptation, parfois difficile, à Montréal. Mais surtout, la plus longue nouvelle,
intitulée « Les mines générales », propose un chassé-croisé entre Montréal et Belo Horizonte. La
nouvelle présente le choc culturel – et même ontologique – de Brésiliens à Montréal, mais aussi
d’un Montréalais qui les prend en charge et se retrouve avec eux au Brésil. Il s’agira d’examiner les
liens interculturels qui traversent le livre, et surtout cette nouvelle (plus de 40 pages), en mettant
l’accent sur différents éléments qui en font l’originalité : les liens entre deux ex-colonies se
déploient en faisant abstraction de l’ancien pays colonisateur; l’imaginaire américain échappe au
pays qui centralise si souvent la figure de l’Amérique, à savoir les États-Unis; le texte voyage entre
deux villes importantes en même temps à l’écart des grands centres américains – Belo Horizonte est
la troisième plus grande ville du Brésil, mais largement éclipsée par São Paulo et Rio de Janeiro,
alors que Montréal est en marge des grandes villes nord-américaines, notamment par son statut
francophone; les textes qui présentent des personnages brésiliens proposent une forme
d’hybridation du portugais et du français dans la ville, phénomène assez rare dans la littérature.
ROSSELLA CIOCCA
(Università degli studi di Napoli L'Orientale)
Mumbai: Discontinuità spazio-temporali della città globale
La città globale (Sassen) sovverte binariasmi familiari come la polarizzazione tra nord e sud, tra
globale e locale, tra centro e periferia, tra regionale e nazionale, ma anche tra passato e futuro, e tra
inclusione ed esclusione. La megalopoli contemporanea ha confini mobili, mai veramente stabili (in
una settimana una baraccopoli può sorgere o essere smantellata); ha luoghi di attraversamento che
sovvertono la geografia razziale della città coloniale, con le sue divisorie ‘linee di civiltà’ (Fanon).
Nei suoi nodi di passaggio, cittadini e clandestini possono condividere uno stesso spazio e un
medesimo flusso di mobilità. I flussi migratori che la attraversano creano nodi di cittadinanza
anomala, temporanea, flessibile: tra reti di difficile solidarietà o più comuni fronti di rivalità tra
rifugiati e immigrati da un lato e nuovi poveri e senzatetto, dall’altro. Essa viene rappresentata
come spazio congiunturale: una ‘zona di contatto’(Pratt) le cui geografie sono nel medesimo tempo
sia urbane che rurali, sia nazionali che transnazionali, e i cui tempi appartengono a segmenti storici
tradizionalmente non consecutivi. Mumbai è una città postcoloniale e una città globale: una
megalopoli dall’inconfondibile skyline e la più massiccia estensione di baraccopoli (sorta di villaggi
metropolitani) dell’Asia e forse del mondo. I suoi slums contano almeno 9 milioni di ‘residenti’ ma
molti suoi abitanti si arrangiano sotto i cavalcavia o semplicemente sui marciapiedi. Essa ospita
fianco a fianco una grande varietà di gruppi etnici, diverse culture, religioni, classi e caste. Dal 1947
in poi è meta continua di flussi migratori dalle campagne, dai villaggi, dalle regioni limitrofe e da
tutti gli stati indiani, dalle altre città del subcontinente e da tutta l’area sud Asiatica. È sia meta di
arrivo che città di passaggio, essendo uno dei principali varchi di partenza per l’emigrazione verso i
paesi del Golfo, l’Australia, una volta l’Africa, ora le Americhe e anche l’Europa. Attraverso una
serie di linguaggi, principalmente quelli del romanzo, del cinema e del reportage (es.: Aravind
Adiga, Last Man in Tower, 2011; Danny Boyle, Slumdog Millionaire 2008; Suketu Mehta,
Maximum City, 2004), la città di Mumbai si è insediata stabilmente nell’immaginario metropolitano
contemporaneo. L’intervento si propone di ricostruirne una mappa ragionata delle ambivalenze.
OLGA DA SILVA COVAL
(Universidade de Coimbra)
A infância luandina nos contos de Ondjaki
A presente comunicação tem como objectivo propiciar uma reflexão acerca da vivência das
personagens infantis ondjakianas no universo da metrópole luandina pós-colonial.
De acordo com Pires Laranjeira: “Logo a seguir a um surto patriótico de textos literários glosando
e glorificando a luta de libertação nacional (…) começou a aparecer uma literatura inconformista,
cujos precursores eram, sem dúvida, Mayombe (…) e também As lágrimas e o vento (…). Manuel
Rui, com Quem me dera ser onda (…) constrói narrativas deveras divertidas sobre situações
caricatas, porém dramáticas, geradas na sociedade angolana pela inexperiência política,
administrativa, gestionária e profissional e pelas condições adversas que a continuação da guerra
veio provocar”. A infância de Ondjaki ocorre precisamente nessa “continuação da guerra”, época
de rumo incerto em que a guerra civil assolava Angola originando dificuldades económicas e
disparidades sociais. As memórias dessa infância em Luanda, perceptíveis em alguns trechos da
obra de Ondjaki, não são alheias a essas adversidades. Todavia, os problemas sociais aparecem
perspectivados sob o olhar inocente das crianças, atenuados ou idealizados. Não se trata de
denúncia, antes de um acumular de experiências vividas ou testemunhadas. Contudo, esse
imaginário naïf induz o leitor a descobrir um subtexto que, embora isento de um tom directamente
acusador, revela no seu íntimo a condição de miséria do povo angolano. A ingenuidade com que as
crianças apreendem o mundo é ambígua: por um lado, o autor descreve nos seus contos uma doce e
branda memória, por outro, a corrupção e a degradação estão sempre presentes à sua volta, surgindo
como elementos externos à pureza infantil.
NATALIA CZOPEK
(Universidade Jaguelónica de Cracóvia)
De uma língua oral sem escrita à escrita de uma língua oral – o caso do crioulo cabo-verdaino
das ilhas do Barlavento
O objetivo principal do nosso trabalho é propor uma descrição dos traços ortográficos,
morfossintáticos e lexicais do crioulo das ilhas do Barlavento, realçando os vestígios deixados pela
língua portuguesa como resultado de migrações e mestiçagem entre o povo colonizado e o
colonizador. O corpus de exemplos será fornecido pela coletânea de histórias Mam Bia tita Contá
Estória na Criol, recolhidas pela escritora cabo-verdiana Ivone Aida como um testemunho vivo das
tradições orais das ilhas de Santiago e São Nicolau. Como é bem sabido, a tradição oral tem
desempenhado um papel muito importante na cultura dos povos africanos, sendo a fonte primordial
da sua história e refletindo os aspetos relevantes da sua vida. Pretendemos observar a transformação
linguística que sofre o intertexto oral ao ser registado na escrita. Trata-se aqui precisamente de
refletir na linguagem escrita a contaminação e a mestiçagem presentes na linguagem oral das
sociedades culturalmente hibridas, criando um “amálgama” de vozes. Ao mesmo tempo, presenciase também uma transformação de uma tradição tipicamente rural numa literatura escrita que chega
aos leitores das cidades até no estrangeiro, cumprindo, desta maneira, o objetivo dos chamados
griots, ou contadores de histórias, de ser espalhada e guardada na memória das gerações posteriores.
HUMBERTO LUIZ LIMA DE OLIVEIRA
(UEFS/Brasil)
Entre l’enfer et le paradis : terres d’exil, terres d’accueil
L’exil est cette circulation involontaire qui pousse un individu à plier sous le poids d’un passé
récent, mais d’un passé qui semble toujours déraper, devenant trop fluide, puisque les anciennes
certitudes deviennent ténues et que les souvenirs des visages aimés paraissent se défaire. En fait, les
liens d’appartenance ou de solidarité perdus, l’ancien territoire berceau de la sécurité et de
l’hospitalité devient dystopique, donc inhospitalier. Dès lors, le besoin de rechercher une nouvelle
utopie pousse à partir, à laisser derrière soi un passé chargé de valeurs affectives et culturelles. Pour
fuir la souffrance éthico-politique que les injustices sociales provoquent, des hommes, des femmes,
des vieux et des enfants migrent, s’exilent, volontairement ou de manière forcée, et tentent en de
nouvelles terres (re)créer une vie en sécurité, en confort. Commence ainsi la quête d’une terre
promise, d’une terre d’asile, d’une terre d’accueil, d’une terre des possibles, où l’on puisse
reconstruire la vie, la famille, une (nouvelle) identité, une nouvelle communauté, de nouvelles
traditions, tout en réélaborant le passé, en reconstruisant les rites et les rêves. Donc, se servant de
l’hospitalité, s’intégrant à la terre d’accueil. C’est ce que nous montre la littérature québécoise
contemporaine dans des récits littéraires que je me mets à lister en leurs respectives représentations
d’immigrants, d’exilés qui rencontrent l’hospitalité et ainsi redéfinissent leurs identités, les
reconfigurant à partir de l’intégration de nouvelles valeurs.
ANDRÉ CORRÊA DE SÁ
(Univ. Minho)
Que rostos são esses?
Sobre a lógica da condensação em Alexandre Farto e António Lobo Antunes
Termos como dissecção, reação, erosão e duração mostram-se extremamente eficazes para
desenvolver uma aproximação entre o trabalho do artista plástico Alexandre Farto, aka Vhils, e
alguns textos cronísticos de António Lobo Antunes. O tema que analiso é o da transformação do
espaço público na era da globalização: de como os dois o representam, de como intervêm sobre os
seus desacertos. A uni-los está, desde logo, o facto de definirem o processo criativo como uma
escavação arqueológica. É assim que examinam o espaço degradado e devoluto das cidades. Extrair
rostos de everyday heroes anónimos das camadas acumuladas e propô-los ao nosso olhar
transforma-se num modo de transitar por entre os ruídos que nos distanciam uns dos outros. Tal
operação contém dois sentidos em tensão. Se Alexandre Farto e António Lobo Antunes exortam à
urgência em recuperar as referências locais do senso de comunidade, definem, também, um traço
especulativo que se insere numa rede global. Esta comunicação ensaia, de forma breve, as
possibilidades interdiscursivas deste diálogo contemporâneo.
FRANCISCA ZULEIDE DUARTE DE SOUZA
(Universidade Estadual da Paraíba)
Cais da Saudade-uma leitura do exílio na obra de Inácio Rebêlo de Andrade
O tópico da emigração perpassa as literaturas de países que sofreram o processo de colonização
desde o seu nascedouro, e chega à contemporaneidade pelas múltiplas vozes dos escritores
disseminados pelo mundo. Inácio Rebêlo de Andrade, poeta e ficcionista angolano radicado em
Portugal, filia-se a essa tradição, realizando uma obra que tematiza o binômio emigrante-exilado,
criando personagens que são vítimas da saudade e da obsessão pelo retorno à pátria. Utilizando
subsídios dos estudos pós-coloniais, rastreamos a representação do estranhamento ocasionado pelo
exílio no romance Na babugem do êxodo (2005), enfocando o exercício de evocação da terra natal
através da escrita, onde o elemento histórico e referencial do exílio incorpora-se ao universo
representativo, conformando-o e modificando-o. Evidentemente, há muito mais que a questão da
língua no tocante à emigração. O indivíduo abandona suas mais arraigadas referências e lança-se no
desconhecido, cuja estranheza se apresenta em primeiro plano na dificuldade com uma nova língua.
No caso dos emigrados africanos para os países de língua portuguesa, o problema é aparentemente
menor por causa da língua comum; entretanto, as diferenças acentuadas entre as duas formas de
falar o português estabelecem o desconforto característico de quem chega ao estrangeiro. Assim,
torna-se imperiosa a necessidade de “alfabetizar-se” (na própria língua) para sobreviver.
Desenraizar-se para suplantar a dor da perda. É curioso observar que, ao lado do secreto desejo de
retornar à aldeia, todo emigrante alimentou antes o atávico sonho de procurar outras paragens. No
exílio, a saudade, aumentada pela sensação de forasteiro, faz com que aquele ponto além-mar se
transforme no referencial mais legítimo de sua existência.
CAIO DI PALMA
(Universidade de Coimbra)
Silêncio e Pantonalidade enquanto materialidade estética em John Cage
A presente comunicação integra a pesquisa Poéticas em (Des)Concerto: Por uma Transversalidade
Estética entre Cage, Tàpies, Valente, desenvolvida no Programa de Doutoramento em
Materialidades da Literatura, Universidade de Coimbra. A convocatória ao compositor e teórico
musical norte-americano John Cage (1912-1992) se torna necessária quando a investigação se
prolonga nos questionamentos de Raymond Murray Schafer [The tuning of the world, 1977] sobre
paisagens sonoras. O Cage dessas páginas será aquele que, para além de ratificar o desencanto
decorrente da homogeneização dos sons nas cidades modernas, saberá sobre ela, e por essa via, a
conduzirá em música. Em primeiro plano, a composição cageana ressignifica o ordinário. Trata-se
de uma escritura sintetizada por tecnologias radiofônicas, que entrelaça ruídos urbanos, sons
harmónicos, agudos, graves e surdos. Em segundo plano, para Cage, a mediação de computadores
para recorte e ordenação são de crucial importância na estruturação da banda sonoplástica. Na
gravidade da segunda linha, se celebra a passagem das paisagens sonoras – habitação clássica do
musicista – para os territórios sonoros – espaço do executor polifônico. No terceiro plano, Cage
sinaliza na pantonalidade a sua clave estética. Se a 'música' entre os séculos XVIII e XIX, conforme
Cage dirá em El Futuro de la Música, se executava em estruturas harmônicas e tonais, o esteta
contemporâneo convoca a organização de todo o campo sonoro, incluindo o silêncio. Cage, por fim,
agencia uma re-territorialização com o espaço da cidade, por onde emergirá um novo sentido de
pertencimento. Trata-se de revigorar o habitar que existe no coração da modernidade. Trata-se de
persistir na afirmação de que há homem, e por isso mesmo ainda há encanto no canto da lira
tecnológica.
SARA DI GIANVITO
(Università di Roma Tre)
«Abitare il silenzio». Il paesaggio e la memoria in Gëzim Hajdari
L’elemento paesaggistico risulta centrale in Hajdari, già a partire dalle prime opere scritte in
albanese e successivamente tradotte dall’autore in italiano, e rimane costante nei versi in lingua
italiana, così come negli scritti di viaggio. Questo contributo si propone di prendere in esame le
dinamiche che entrano in atto nel rapportarsi dell’autore tanto ai luoghi natali quanto al paese di
arrivo, anche nell’ottica dei rapporti tra il paesaggio cittadino e l’ambiente naturale, evidenziando
come, nell’arco dell’intera opera hajdariana, lo spostamento fisico attraverso i luoghi si delinei più
come un itinerario nel tempo della memoria che non nello spazio geografico. Già a partire dalle
raccolte albanesi Erbamara e Antologia della pioggia, infatti, ci troviamo di fronte ad immagini di
un paesaggio delineato a livello ideale, che si estende nel tempo lungo della memoria piuttosto che
nella fisicità degli ambienti circostanti, al cui centro si colloca la fondamentale distinzione tra la
propria terra natale, la regione di Darsìa, e il resto della nazione albanese, tratteggiate come due
aspetti antitetici dello stesso elemento. Nelle prime raccolte italiane dell’esilio, poi, la memoria
paesaggistica passa attraverso un’esplicita messa in evidenza della labilità del ricordo dei luoghi
natali, per lasciare spazio a realtà cittadine desolate e ostili alla presenza umana. La successiva
riemersione di un paesaggio abitabile – che passa attraverso i primi segni di “integrazione”
linguistica e culturale – continua ad avere al suo centro la tematica della memoria, che, nel caso
specifico, diventa memoria letteraria, attraverso la descrizione di città come Trieste e Roma. La
dimora perduta trova dunque nuovo asilo nei versi, e l’abitare diventa un abitare poetico. Per cui, le
raccolte successive, almeno a partire da Corpo presente, mentre hanno al loro centro un rifiuto
sempre più deciso di ogni particolarismo geografico o nazionale, vedono parallelamente al loro
centro la possibilità di un nuovo radicamento ideale nella memoria dei luoghi dell’infanzia, trasposti
entro un’atmosfera di sapore quasi mitico. E questo nuovo spostamento nel tempo contribuisce a
conferire nuova abitabilità anche allo spazio, se l’ultima raccolta hajdariana propriamente definibile
come “lirica”, Peligòrga, termina con un vero e proprio “idillio campestre”, che ha al suo centro
l’immagine della Ciociaria, attuale residenza del poeta. Infatti, la dimensione campestre, con i suoi
ritmi umani, risulta più vicina alla dimensione di vissuto dell’infanzia darsiana, rispetto agli
elementi disumanizzanti che invece caratterizzano, nei versi dell’autore, gli spazi cittadini. E il
recupero dello spazio fisico attraverso il tempo ideale della memoria interessa anche quel guardare a
distanza che è tipico degli scritti di viaggio, nei quali emerge, ancora una volta, nella massima
distanza dai luoghi natali, l’immagine della Darsìa dell’infanzia.
MAURA FELICE
(Université de Bologna)
Des villes aux mondes infinis chez A. D’Alfonso et F. Salvatore
Je me propose d’analyser les lieux de la migration chez Antonio D’Alfonso et Filippo Salvatore,
polygraphes italo-québécois. Dans L’autre rivage (1999), recueil de poèmes d’Antonio D’Alfonso,
les villes sont presque mythiques : Montréal est une ville ambiguë et babélique, Rome devient
« Roma Amor l’autre côté du désir ». Par contre, Filipppo Salvatore, dans Terre e Infiniti (2012),
tente de dépasser la quête identitaire, liée à l’appartenance territoriale, et choisit d’entreprendre une
aventure cosmique, vers des lieux galactiques.
JULIUS GOLDMANN
(Università di Würzburg)
La stazione come hétérotopie e luogo di transizione. Milano centrale e Roma Termini nella
letteratura
Nel mio intervento cercherò di analizzare un luogo di incrocio per eccellenza che fa parte di tutte le
città dell’Europa: La stazione ferroviaria. La rappresentazione letteraria della stazione come luogo
che può rendere visibile il fenomeno della migrazione come pochi altri da più di un secolo si riflette
in modi diversi attraverso la letteratura italiana. Vorrei concentrarmi su due percezioni diverse da
due autori disparatissimi, sia per la loro provenienza, ed anche le loro prospettive sul fenomeno
della migrazione del tempo rispettivo. Si tratta preliminarmente della Milano Centrale poco prima
della Grande Guerra di Carlo Emilio Gadda, che rappresenta nella sua scrittura realistica la
situazione degli emigrati agglomerati nella stazione come nella Casa degli emigrati (La
meccanica). Circa 90 anni dopo, Igiaba Scego presenta la sua Roma Termini (La mia casa è dove
sono) dal suo punto di vista da immigrata ed il suo legame individuale con questo heterotopos. Si
tratta di un’interspazio nel quale risente la patria perduta della Somalia nella nuova patria dell’Italia.
I due testi rivelano una grande potenza letteraria delle stazioni come degli spazi di transizione e
luoghi di incrocio. Con diverse focalizzazioni, gli autori possono dare uno ‘close look’ sulla
percezione degli migranti stessi, che considerano questi spazi eccezionali sia come luoghi di
passaggio in senso dinamico, oppure come spazi di incontro e di memoria in modo statico per degli
emigrati che appartengono alla stessa cultura di origine. La loro presenza forma un’ambiente che
rassomiglia alla vecchia patria nella stazione del paese di destino. La stazione e gli emigrati entrano
così in un dinamismo bilaterale che cambia l’aspetto della stazione e la sua orientazione culturale
che si adatta ai bisogni degli immigrati. I due esempi possono dimostrare la funzione letteraria di
questi spazi pubblici come luoghi liminali, da sempre di maggiore importanza per i migranti.
KATHELEEN GYSSELS
(Université Masaryk de Brno)
Damas et la divercité, Schwarz-Bart et Stillenstadt
Dans ma communication, je réfléchis sur deux flâneurs postcoloniaux du champ antillo-guyanais.
Loin de toute couleur locale, ils ont décrit leurs Passages (W. Benjamin 1939) respectifs, dans les
villes-monstres de la postmodernité et de la postcolonialité. Originaires des marges (voire du
bagne), ils ont centré leur imagination poétique sur le déracinement et la désorientation que produit
Paris pour l’apatride cayennais afro-amérindien ou guadeloupéen par adoption. Que ce soit le
« jeune homme de Galicie » débarquant à Berlin (dans Le Dernier des Justes, 1959) ou le «député
dépité » (dans Black-Label, 1956), les deux auteurs d’ethnicité différente, mais de nationalité
identique, d’origine géo-culturelle différente et d’éthique convergente, ont transporté en lignes
artistiques la déshérence : de ville en ville, de Cayenne à Paris et Port-au-Prince, de Metz à Paris en
survolant Prague, Berlin et même New York et Tel Aviv, les villes doivent devenir îles pour s’y
sentir chez soi, à l’abri des Lignes qui séparent individus et communautés. Ainsi, la divercité n’a
droit de cité que dans l’évanescent arrêt sur l’image (Stillenstadt) et la page de l’écriture. Deux voix
enfin mises en Relation, précurseurs de nombreux manifestes sur l’état global strié de fractures
nationalistes et impérialistes, seront ici alignés.
ANNA JANAČKOVÁ
(Universidade Palacký em Olomouc)
A sombra dos portugueses na sociedade atual de São Tomé
Embora o arquipélago São Tomé e Príncipe era ainda no século passado conhecido como o maior
produtor mundial do café e do cacau, hoje em dia a sua fama dos antigos tempos fica para trás. As
ilhas verdes no Golfo da Guiné são hoje praticamente esquecidas não apenas na escala mundial mas
também pelo seu antigo país colonizador. Se olharmos sobretudo para a ilha de São Tomé onde fica
a capital do país, podemos encontrar muitos vestígios que os portugueses deixaram lá referindo à
arquitectura, aos monumentos ou à estrutura das antigas roças. Porém, depois de quase quarenta
anos da independência a Portugal podemos ver que como os portugueses abandonaram os lugares,
tanto os lugares ficam até hoje e daqui a pouco vão ficar apenas ruínas do património nacional. A
maioria das roças já servem mais para plantar as plantas e são habitadas pelas comunidades dos sãotomenses (os forros) e dos descendentes dos caboverdianos. A maioria da população muda para a
capital. Como a ilha de São Tomé é pequena, a capital de São Tomé desempenha um papel muito
mais importante na sociedade comparando com a capital em outros países. A capital de São Tomé
sempre era o centro político, económico e com maiores oportunidades do ensino e do trabalho.
Além dos portugueses, formou-se aqui a elite africana cujo número até sobreexcedeu o número dos
portugueses. E quando os portugueses saíram da ilha, as pessoas pobres da ilha começavam a mudar
para a capital numa visão da melhor vida. Assim, na capital encontrou-se várias culturas e
identidades principalmente os forros e os angolares que sem querer seguiram a sombra dos
portugueses como por exemplo no sistema do ensino e na utilização formal e informal da norma
europeia do português. Isto tem consequência para a geração de hoje e para outras gerações porque
tem problemas definir a sua identidade nacional, ou seja quem é o são-tomense. Por outro lado, em
relação à emigração, principalmente para Portugal, os são-tomenses não representam um número
grande dos emigrantes. Na maioria dos casos as pessoas vão estudar ou também trabalhar
temporalmente no estrangeiro e depois voltam para o seu país natal para ajudarem a sociedade a
melhorar o seu destino.
KATARZYNA KARNASZEWSKA
(Université Jagielonski de Crakovie)
Camp de rétention – les frontières entre les migrants et la ville
Les grandes métropoles comme Paris, Rome ou Madrid, représentent des espaces publics de
rapprochements et des antagonismes avec les autres. Dans cette perspective urbaine c’est le rapport
à l’Étranger qui joue un rôle particulier. L’Étranger, une figure introduite par Simmel, illustre le
mieux le régime de proximité/distance dans nos échanges avec autrui. Il symbolise l’inconnu,
l’anxiété, le danger, les barrières culturelles, linguistiques, mais aussi la curiosité. Il traverse les
frontières nationales pour arriver à la frontière de la ville, découpée en arrondissements qui à son
tour sont divisés par des frontières symboliques des communautés ou des ghettos ethnique. Dans
cette pyramide de frontières urbaines, il se trouve des centres de détention, de rétention ou d’accueil
aux migrants, attachés aux villes mais bien séparés d’eux par une vraie grille. Ce type de barrière
politico-administrative renvoie à la réflexion sur l’idée de camps dans l’espace urbain. Peut-on
parler du rapport proximité/distance ou de quelconque relation? Une personne dans le centre est une
figure de l’Étranger non-invité qui reflète un objet de refoulement au-delà des frontières internes
(nationale) et externes (administrative, communautaire). Il ne constitue pas la menace à l’identité ni
vraiment à la sécurité car il reste enfermé et déconnecté, il dérange plutôt que menace. Cependant,
ces enclaves sont devenues de lieux de sociabilité où des gens de différentes cultures et croyances
se rencontrent, réunis par le même objectif et par le passé à priori similaire. Ils mènent une vie
suspendue entre la peur et l’espoir, mais tout ce qui se passe là bas ressemble à la dynamique d’une
minuscule ville. Ce dans cette perspective, que l’on regarde les camps attachés aux villes tels que
Paris où Rome, où arrivent les migrants d’ex-colonie.
KVĚTA KUNEŠOVÁ
(Université de Hradec Králové)
Enigme de Montréal
La communication se veut une analyse des images de Montréal dans les romans de Dany Laferrière
où la ville figure en tant que lieu d’exil des personnages à forte dimension autobiographique. Dany
Laferrière, écrivain d’origine haïtienne, est arrivé à Montréal en 1976. Non seulement dans ses
premiers romans aux titres provocants, mais notamment dans les oeuvres où il revoit son séjour
montréalais, telles que la Chronique de la dérive douce et son pendant L’Enigme du retour, il
exprime en tant que narrateur-immigrant ses rapports envers la ville de Montréal, ses sentiments
cristallisant au cours des années où il essayait de comprendre cette ville si différente de Port-auPrince qui avait formé sa jeunesse. En premier lieu, chaque immigrant est surpris par un nouveau
espace et son caractère physique. En s’adaptant au climat on s’adapte aux habitudes des gens qui,
pour un Haïtien, sont également surprenantes. L’ironie qui est propre du style de Laferrière
n’épargne ni la société québécoise ni les défauts politiques ainsi que sociaux de l’époque. Il se
moque de « deux solitudes » en y ajoutant une troisième et soulignant la condition de l’immigrant et
du Noir. Laferrière fait contraster l’ouverture de la ville avec les murs en tant que frontières entre
les hommes. Mais Montréal possède également d’autres facettes. La ville est un lieu de culture où
l’on peut trouver ses amis et compatriotes de la république des lettres. La communication a pour but
de répondre à la question quelles sont les différentes formes dans la construction du rapport entre
l’immigrant et sa ville d’accueil.
MAUDE LAFLEUR
Identité et retour dans Solo d'un revenant de Kossi Efoui
La dé/colonisation marque la société colonisatrice comme la société colonisée et suppose un
échange entre les cultures ainsi mises en contact. Le nationalisme « officiel » que tente d’instaurer
la mère‐partie à sa colonie se voit modifiée par la société colonisée. Les deux cultures ne doivent
donc pas être perçues comme des blocs hétérogènes qui s’affrontent, mais comme un mélange au
caractère hybride ou comme l’écrit Homi Bhabha « un site de la construction du sens – qui déplace
non seulement les termes de la négociation mais permet d’inaugurer une interaction ou un
dialogisme dominé/dominant. » Benedit Anderson affirme d’ailleurs que le nationalisme n’est plus
ce qu’il était et que plusieurs identités culturelles peuvent se regrouper sous le même sentiment
national. L’identité « initiale » se voit donc renouvelée, perd certains éléments pour en emprunter à
la culture de l’Autre, créant une nouvelle identité hybride relevant de plusieurs influences
culturelles mais n’appartenant jamais, au sens stricte, à une seule d’entre elles. Ainsi, l’immigration
engage l’individu dans la construction d’une identité hybride, de l’entre deux, où il unit culture
d’origine et culture d’adoption. Kossi Effoui, dans Solo d’un revenant (2008) met en scène un
individu qui retourne dans son pays d’origine (pays africain imaginaire) lors de la réouverture des
frontières internationales suite à d’importants conflits politique. Nous désirons nous pencher, au
cours de cette communication, sur la tension portée par le roman, c’est à dire la confrontation de
deux identités culturelles de l’inconfort (Bhabha) développées en parallèles : celle, collective et
figée, d’une population isolée dans un pays en crise et celle, en mouvance, d’un individu exilé.
Nous arguerons que ces deux identités ne sont pas réductibles en une seule et l’hybridité nous
semble, justement, être la clé de la constitution de l’identité culturelle. La différence sociale devient
alors « le signe de l’émergence d’une communauté envisagée comme projet ».
EVE LÉGER-BÉLANGER
(Université de Montréal)
Paradis d’Abdulrazak Gurnah : une culture de l’échange
Il découle de la colonisation une mise en contact entre des cultures qui se trouvent à être
confrontées à des systèmes de valeurs différents. Cette présence imposée par le colonisateur,
pacifique ou non, engendre une remise en question de l’identité du colonisé. Dans le roman
Paradis, Abdulrazak Gurnah, auteur tanzanien, met en place cet univers où les habitants de la
Tanzanie et du Zanzibar se heurtent à la colonisation européenne. Gurnah adopte dans son oeuvre
romanesque une vision particulière de la colonisation en quittant le discours retenu par la
collectivité occidentale. L’auteur met en lumière la tension entre la perception individuelle de la
colonisation chez les individus et ce qui a été retenu par la collectivité. Notre communication se
propose d’étudier la manière dont la colonisation est pensée dans Paradis. Nous déterminerons
comment la migration est présentée dans le roman de façon locale et internationale. Nous
examinerons le rôle des individus, mais aussi des lieux, comme la ville, dans le processus de
colonisation. Nous nous questionnerons ensuite sur la publication de ce roman dans le monde
contemporain. Nous verrons que le roman n’a pas une valeur purement fictive ou historique. En
effet, nous pensons que la confrontation avec l’autre qui définit l’identité du colonisé est un thème
actuel pour la Tanzanie, dont l’indépendance est relativement récente. De plus, le roman en soi joue
avec les formes (récit de formation, biographie, conte, etc.) et propose un métissage nouveau au
sein d’une forme précise, le roman. Notre réflexion se fonde sur divers modèles théoriques. Nous
avons été influencés par des ouvrages de Pierre Halen et d’Hans-Jüergen Lüsebrink sur l’identité et
la colonisation. Nous nous appuyons également sur le théoricien Jean-Marie Schaeffer qui interroge
la relation entre le texte et le genre.
BRIGITTE LE GOUEZ
(Université Sorbonne Nouvelle)
I tanti volti della città multietnica : Roma al cinema e le « poétiques de l'enracinement »
Dopo aver tracciato un breve panorama delle opere – letterarie e filmiche – in cui dall'inizio di
questo millennio in poi si ritrovano intrecciati il tema del migrante e la rappresentazione della città
di Roma, la relazione verterà su un'opera da noi ritenuta emblematica: Gente di Roma (2003), una
delle ultime pellicole di Ettore Scola in cui il regista ultrasettantenne rende omaggio alla sua città di
elezione. Attraverso sequenze narrative multiple e autonome, egli compone un ritratto corale – a
mosaico – della città eterna appena entrata nel XXI secolo : quali sono i pensieri nascosti dai mille
volti che s'incontrano per le strade di Roma? Quali dinamiche caratterizzano le relazioni tra gli
abitanti? Lungo la giornata d'inverno che dalla mattina alla sera segna i limiti della narrazione, i
tanti tasselli si distribuiscono secondo un ordine aleatorio solo in apparenza. In realtà molti di essi,
ricompaiono ricorrenti per formare nuclei tematici: primari appaiono il tema della vecchiaia, quello
del lavoro e quello dell'inserimento nella città di tutta una parte della popolazione di provenienza
extraeuropea. Non meno di otto sequenze narrative vedono protagonista un personaggio
migrante/immigrato in una situazione di vita quotidiana in cui la città non fa da semplice sfondo ma
è parte integrante della trama. Evidenziando la coerenza del discorso, seppur spezzato in varie unità
narrative a volte disomogenee (per contenuti e per trattamento stilistico), l'analisi si concentrerà
sugli elementi non sempre espliciti (come ad esempio l'allusione in filigrana alla mancata
decolonizzazione della mente negli italiani di oggi) e proverà a rimettere tutti questi elementi nella
giusta prospettiva. Se si presentava come un ritratto istantaneo l'opera potrebbe in fin dei conti
svelare una dimensione dimostrativa, esprimendo (con qualche limite?) il credo dell'autore nel
futuro transculturale della città.
DAMIAN MASLOWSKI
(Université Nicolas Copernic de Toruń - Pologne)
L’Empreinte à Crusoé de Patrick Chamoiseau – le retour symbolique au précolonialisme
Patrick Chamoiseau se croit non seulement l’héritier de Daniel Defoe, mais surtout le continuateur
de la tradition postcoloniale de Michel Tournier ou celle insulaire et antiurbaine de Saint-John
Perse. Le terme de la ville y fonctionne comme une métonymie de la civilisation coloniale. Par
analogie, nous proposons le concept de la micro-ville insulaire. Ici, le plus proche entourage bâti par
le protagoniste de L’Empreinte à Crusoé reflète à la fois l’influence coloniale urbaine et celle
d’avant l’arrivée des européens au XVIe siècle. Nous présentons ce roman comme une tentative
allégorique de rétablir les liens entre les ex-colonisés et leurs « paradis retrouvés », ainsi que de
construire la civilisation homologue de celle occidentale, y compris une micro-ville. Dans notre
communication nous essayerons de démontrer que, dans son récit L’Empreinte à Crusoé (2012),
Patrick Chamoiseau cherche à réaliser le projet d’un retour symbolique aux temps précoloniaux sur
l’île de la Martinique. La problématique postcoloniale antiesclavagiste du récent ouvrage de Patrick
Chamoiseau concerne, de manière figurative, la migration des peuples colonisées du Nouveau
Monde vers l’ancien monde aussi que leur retour à la terre historique. Le protagoniste autochtone,
étant déçu par la vie au sein de la civilisation occidentale et inapte à la migration entre les ancien et
nouveau mondes, tombe dans la folie et, ensuite, il est expulsé hors de la civilisation européenne.
Laissé sur une île inhabitée, il doit se l’approprier. Le choix du temps d’action (vers les années
1635-1659) est essentiel quant à la dimension précoloniale de l’œuvre chamoiseaunienne. En plus,
étant donné que les ouvrages précédents de cet auteur concernaient l’espace spatial martiniquais, il
nous semble fort possible d’indiquer les Petites Antilles en tant que lieu d’action in absentia – ce
qui est davantage expliqué dans le roman. Dans son récit allégorique l’auteur martiniquais veut que
son protagoniste se fasse exhéréder du fardeau de la culture européenne et qu’il se mette à vivre
d’après le concept de la tabula rasa dans le nouveau milieu défavorable.
CLÓVIS MEIRELES NÓBREGA JÚNIOR
(Instituto Federal de Brasília - Câmpus São Sebastião)
“O Japão não é longe daqui”: espaço e representação em O sol se põe em São Paulo, de
Bernardo Carvalho
Bernardo Carvalho tem se firmado como um dos importantes escritores da literatura brasileira
produzida na atualidade. Ao longo de vinte anos de carreira, ele publicou mais de uma dezena de
livros, principalmente romances. O mais recente, Reprodução, foi editado em 2013. Em nossa
pesquisa de doutoramento, elegemos como objeto de estudo alguns de seus romances: Mongólia
(2003); O sol se põe em São Paulo (2007) e O filho da mãe (2009). As razões que levaram à
escolha dessas obras estavam diretamente ligadas ao objetivo mais geral de nosso trabalho que foi a
investigação referente às representações do espaço nos romances do escritor. O que mais nos
chamou (e ainda nos chama) a atenção em nosso corpus foi certa semelhança entre as obras no que
se refere àquilo que poderíamos denominar de a arquitetura da obra, uma vez que os procedimentos
empregados na construção dos romances mencionados aproximam-se em muitos aspectos. Em
todos eles, temos personagens que, em algum momento, empreendem viagens a lugares
desconhecidos, que procuram compreender e representar de diferentes formas e em diferentes
gêneros discursivos dentro dos romances. Considerando tais aspectos, nesta comunicação,
trataremos principalmente do romance O sol se põe em São Paulo. Nele, o narrador-personagem
recebe a missão de escrever um romance a partir de uma história contada por uma imigrante
japonesa, moradora do bairro da Liberdade em São Paulo. Ao longo da narrativa, vários aspectos
relacionados à viagem, às migrações e à representação do Japão são discutidos e problematizados
pelo narrador, ora em primeira pessoa, ora por meio do discurso das personagens que “atuam” nesse
romance de fortes conotações dramáticas. Isso porque, em O sol se põe em São Paulo, as
personagens parecem atuar em uma peça de teatro, ao mesmo tempo em que compõem a arquitetura
complexa de um singular jogo narrativo.
CHIARA MENGOZZI
(Università Hradec Králové)
«Scrivere la storia significa incasinare la geografia»: mappe postcoloniali
Il mio intervento si focalizza su un topos ricorrente nella letteratura coloniale e postcoloniale (la
mappa), un tema (il nesso tra la storia individuale o collettiva e la cartografia del territorio urbano o
nazionale) e due romanzi, che presentano una relazione intertestuale forte finora mai messa in
rilievo dalla critica: La mia casa è dove sono (2010) dell’ampiamente nota e celebrata scrittrice
italo-somala Igiaba Scego e Maps (1986) del più importante scrittore somalo, Nuruddin Farah. Se
nel primo romanzo, Scego sembra compiere un’operazione di “write back geografico” approdando
a una nuova topografia della città di Roma abitata spettralmente dal suo passato coloniale, nel
secondo, le mappe postcoloniali disegnate dal protagonista (che coltiva il sogno della Grande
Somalia durante la guerra con l’Etiopia per il possesso dell’Ogaden) sembrano confermare il ruolo
della cartografia coloniale come strumento di descrizione, conquista e persuasione. Un’attenta
analisi comparativa, tuttavia, permetterà di dimostrare invece che 1) il romanzo di Scego giunge in
realtà a una proposta identitaria conciliatoria (propria a gran parte delle élite migranti
metropolitane) basata su una fiducia ingenua nella narrazione come strumento “per rendere conto di
sé”, su una disinvolta e indebita equivalenza tra l’“io” e il “noi”, sulla traduzione e sulla
creolizzazione come privilegio e (auto)legittimazione dello scrittore migrante; 2) Maps di Nuruddin
Farah, al contrario, concependo il rapporto tra l’individuale/familiare e il collettivo/nazionale
secondo le modalità dell’allegoria, facendo del protagonista un narratore inaffidabile e alternando il
racconto in prima, seconda e terza persona, approda a una convincente critica della narrazione come
privilegio delle elite metropolitane, e delinea una nuova geografia di rapporti interpersonali e
internazionali dove le frontiere risultano completamente denaturalizzate.
DIANA MISTREANU
(Université de Bucarest)
Moscou, Saint-Pétersbourg, Paris. Les villes-palimpseste chez Andreï Makine
La prose d’Andreï Makine reflète un espace urbain particulier, liminaire, qui est l’expression de sa
double appartenance culturelle, russo-soviétique et française. En effet, chez Makine, la métropole
apparaît toujours comme une ville-palimpseste, à double titre. Tout d’abord, dans une perspective
diachronique, elle se présente à la manière d’un parchemin où le passé et le présent, à travers
différentes époques historiques, ont inscrit des signes chargés de sens, dont le déchiffrement est
indispensable à la compréhension de l’œuvre. Ensuite, dans une optique synchronique, ce
parchemin est « lu » par les personnages de façons souvent dissemblables, puisque chacun
l’interprète en concordance avec ses expériences de vie et ses attentes – autrement dit, avec sa
propre « encyclopédie », pour reprendre le terme employé par Umberto Eco.
Trois grandes villes récurrentes dans les romans de Makine s’inscrivent dans cette catégorie des
villes-palimpseste : Moscou, Leningrad/Saint-Pétersbourg et Paris. Ainsi, la capitale soviétique est
tantôt présentée comme un espace gigantesque, inhumain, voire déstabilisant – puisque son
architecture gigantesque et monolithique symbolise le pouvoir totalitaire –, tantôt comme une ville
accueillante, notamment pour les voyageurs venus d’au-delà de l’Oural. L’ancienne capitale des
tsars impressionne par ses palais et ses édifices grandioses, vestiges du passé impérial de la Russie,
mais pendant la Seconde Guerre mondiale, le blocus la transforme dans le siège de la terreur, sévi
par la famine et la mort. La capitale française est présentée sous des éclairages différents, soit
comme un locus amœnus, soit comme un locus hostilis. Quels sont les mécanismes qui régissent les
représentations de ces trois villes palimpseste ? Quelles sont les particularités symboliques,
culturelles, sociales et historiques de chacune de ces représentations ? Quel est le rôle de la
nostalgie culturelle dans la construction littéraire des espaces urbains ? C’est sous le prisme de ces
questions que nous interrogerons l’œuvre makinienne.
PIERRE NDEMBY
(Université de Libreville - Gabon)
La ville et son double visage. Lecture des personnages dans le Prof R’noi de Didier Amelavi
Il n’est plus question de rappeler ici l’aventure malheureuse des personnages traditionnels dans le
roman africain postcolonial. La ville a été narrativement perçue dans les ouvrages critiques comme
le lieu de déperdition et de déréalisation des personnages. On peut noter pour exemple Maïmouna
d’Abdoulaye Sadji, L’Aventure Ambiguë de Cheikh Hamidou Kane. Le désir des personnages de
plus en plus universel, la de-spatialisation du lieu de résidence des auteurs font en sorte que la ville
devienne aujourd’hui non seulement le départ du parcours narratif des personnages, mais aussi un
espace de réussite et d’intégration sociale des écrivains eux-mêmes. Les romans de Manbanckou
(Bleu-Blanc-rouge) ; de Fatou Diome (Inassouvies, nos vies) et de bien d’autres, participent de ce
regard inversé de l’idée que l’on se fait de la ville dans les romans francophone de la dernière
génération. L’intérêt de notre travail serait de voir comment le personnage dans Le Prof R’noi
(roman) de Didier Amelavi s’intègre ou construit son destin. Derrière cette réussite fragile, il y a
d’abord l’idée que Créteil, banlieue parisienne, se donne à lire comme un espace sans frontières,
celui-là qui s’ouvre à l’Autre, brise les barrières de la discrimination pour favoriser un sujet venu
d’autres autres horizons.
NICOLAS NERCAM
(Université Montaigne - Bordeaux)
Espaces urbains, construction identitaire et art contemporain indien ; le cas des réalisations de
Nikhil Chopra et de Zarina Bhimji
Depuis le début du XXIe siècle, La production artistique indienne s’affirme sur la scène
internationale de l’art contemporain et nombre d’expositions, qualifiées de multiculturelles (Trade
Routes 1997, Cities on the Move 1999, Century Cities 2001, The Empire Strikes Back 2009, Indian
Highway, 2011, Paris-Delhi-Bombay, 2011…) en Occident et à travers le monde, en témoignent.
Cette communication se propose d’interroger les productions artistiques de deux artistes indiens : le
performer Nilhil Chopra et la photographe et vidéaste Zarina Bhimji. Dans une Inde où
l’appartenance communautaire reste un facteur plus que déterminant dans la construction de
l’individu, tous deux, chacun avec ses spécificités, construisent de fragiles correspondances entre
les structures des lieux urbains et l’élaboration de l’identité individuelle. C’est en 2002, que le
performer Nikhil Chopra créa le personnage de Sir Raja, une sorte d’aristocrate cachemiri, sorti tout
droit de l’Inde victorienne des écrits de Kipling. Ce personnage qu’il interprète lui-même, est mis
en scène dans des poses empruntées aux portraits d’apparat victoriens. En 2005, dans une de ses
performances, Nikhil Chopra fait circuler son personnage dans les rues de Londres. Par cette
déambulation, l'artiste interroge tout autant son identité (et les origines coloniales de ses ancêtres)
que celle de la ville de Londres (construite, en partie, par l'action d'une immigration provenant de
l'ancien empire colonial et de l’Inde en particulier). C’est également en 2002, que la photographe et
vidéaste Zarina Bhimji présenta son court-métrage Out of Blue à la Documenta 11 de Kassel. La
situation diasporique spécifique de l'artiste peut être placée au cœur de son travail artistique qui
tisse des liens entre les cultures indiennes, africaines et britanniques dont il s’alimente. Out of Blue
est une œuvre ouvertement autobiographique, dans laquelle Zarina Bhimji retrace l’exode de sa
famille d’origine indienne, de l’Ouganda au Royaume-Uni. Par la représentation d’espaces urbains
vidés de toute présence humaine, l’artiste exprime le profond traumatisme du déracinement. Mais,
par le choix même des architectures représentées, elle interroge également l’hybridité et le
métissage de sa propre identité (asiatique, africaine et européenne). En questionnant l’espace
urbain, ces deux artistes indiens bousculent les frontières et prennent à défaut les définitions établies
– considérées comme homogènes et définitives – de « l’individu », de la « culture », de la
« communauté », de « l’identité » et de « l’engagement artistique ». Comme le souligne Homi
Bhabha (The Location of Culture, 1994), les entités culturelles et idéologiques ne sont jamais
données, elles sont à construire et se doivent d’être interprétées et réinterprétées.
VALERIA NICU
(Università di Macerata)
Stranianti paesaggi urbai e lo spazio violato della memoria nella letteratura romena
italografa
Il presente intervento si propone di evidenziare all’interno della produzione letteraria romena
italografa il rapporto disforico, alienante e spersonalizzante che il migrante instaura con il nuovo
habitat, la nuova realtà. Vi si analizzano le valenze molteplici che si dispiegano in relazione allo
spazio urbano: in particolar modo la ripresa dell’eredità simbolista nella riproposizione di topoi
legati alla figura del poeta- clochard , le declinazioni contemporanee dell’uomo-merce e scarto
nella società dei consumi, il migrante come “margine”, soggetto dispatriato e decentrato,
depositario quindi di un’ottica privilegiata. Vi si analizzano ancora i tentativi di regressione uterina
al paesaggio materno della memoria che prendono corpo nella dialettica città-campagna ma anche
il doloroso approdo allo spazio violato e sconvolto della memoria che accentua l’impossibilità
storica del nostos.
ROSANA ORIHUELA
(Université de Caen)
Hybridation linguistique et écriture métisse : « inventer » une patrie au quechua dans El
Zorro de arriba y el zorro de abajo de J-M. Arguedas.
Dans El Zorro de arriba y el zorro de abajo, J-M. Arguedas dépeint le processus de migration des
populations andines vers la ville côtière de Chimbote, nouvel El Dorado péruvien ayant bâti sa
puissance sur l’industrie de la pêche. Ces migrants serranos arrivent avec leur langue - le quechua leur culture et leurs croyances. L’arrivée à Chimbote est une véritable confrontation avec le monde
des Criollos, héritiers des colonisateurs espagnols, qui constituent le groupe social dominant.
Obligés d’apprendre l’espagnol pour survivre, les migrants se détournent peu à peu de leur culture.
Comment dire le sort de cette minorité par le biais de la langue de la majorité détenant le pouvoir
économique et politique? Ce dilemme linguistique, Arguedas le résout grâce à un processus de
distorsion, de déformation de l’espagnol : absence de syntaxe, propositions erronées,
agrammaticalités, tels sont les recours formels auxquels a recours Arguedas pour tordre l’espagnol,
pour lui permettre d’exprimer ce que le quechua renferme. Le quechua est la force de variation qui
dynamite les structures établies de l’espagnol. Arguedas crée ainsi une résistance linguistique et
culturelle au sein de la langue espagnole et de son roman. Dans quelle mesure peut-on dire que
l’écriture de J-M. Arguedas est une écriture métisse ? Comment Arguedas parvient-il à créer « une
patrie au quechua » (C. Mencé-Caster) au sein de la langue espagnole et de la culture criolla dans
El Zorro de arriba y el zorro de abajo ?
KLEYTON RICARDO WANDERLEY PEREIRA
(Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE - Brasil)
Diáspora, exílio e memória nas literaturas africanas em língua portuguesa
Atualmente, a questão da migração é um tema presente nos estudos críticos do pós-colonial. Além
dele, desapropriação, exílio, nostalgia, deslocamento, memória, entre outros, tornaram-se palavraschave para a discussão das diásporas contemporâneas, e termos como hibridismo, transnacional,
identidade cultural e fronteiras também desempenham um papel significativo na identificação de
temas diaspóricos. Assim, essas palavras sugerem as redes real e imaginária de relações entre povos
espalhados cujo senso de comunidade se sustenta através de formas de contato várias, tais como,
parentesco, língua, rituais, entre novas formas de comunicação. Para Stuart Hall (2000, p.31), tais
diásporas criam identidades que constantemente se produzem e reproduzem de novo, com e através
da transformação e da diferença. Nas literaturas da lusofonia, a questão da migração, um dos seus
principais temas, ainda é uma grande ferida nos estudos críticos do pós-colonial e é, por certo,
aquele do qual se alimenta boa parte da literatura contemporânea. Neste trabalho, fruto de uma tese
de doutoramento, analiso, a partir de alguns romances das literaturas africanas em língua
portuguesa, as diferentes perspectivas sobre a diáspora e seus desdobramentos. Para tanto, utilizo
como referencial teórico as obras de Hall (2000, 2006), Brah (2005), CLIFFORD (2011), Hua
(2005), SAYAD (1998), SHOHAT (1996), TÖLÖLYAN (2011), e, como corpus de análise, obras
dos autores Orlanda Amarílis (1974), Inácio Rebelo de Andrade (2009), Olinda Beja (2007),
Filomena Embaló (1999) e Abdulai Silá (1995).
MIREILLE PRADEL
(Université de Limoges)
Des frontières passées, dépassées
Le fil du temps, le gré des peuples révoquent les limites spatiales. Ainsi du Congo originel des
pygmées, investi de bantous, chefferies et royaumes Téké, Loango, empire Kongo aux confins
dévoyés par le colonisateur, dictateur. Ainsi du migrant qui franchit les frontières, des siennes
propres à celles de la loi que son exode ignore. Ainsi du banlieusard qui éprouve dès l’école
primaire le bornage sociétal avant de se heurter au plafond de verre. Ainsi de l’outremer où la
départementalisation de Mayotte, à l’encontre de la résolution onusienne 31/A du 18 octobre 76,
balkanise l’archipel Comorien - le visa Balladur entérinant cet artifice politicoéconomique Tous
exemples révélant cette mutation d’une notion dont rendent compte plusieurs disciplines. De
l’Antiquité à nos jours, d’Afrique en Europe, l’on est d’une tribu, un village, un peuple, du roi ou
d’une Nation. Des ébauches de mappemondes représentent des contours fluctuant selon conflits et
conquêtes. Des récits, puis des historiens, en précisent les circonstances, que datent les
archéologues. Touraine, Calvet offrent une approche sociologique, sociolinguistique de ce concept
dont Caituccoli analyse les représentations. La sociologie urbaine, l’ethnologie, voire la médecine
réinventent sa définition en terme d’exclusion sociale (Calvet, Touraine), scolaire (Dubet), spatiale
(Auger, Begag), culturelle (Lepoutre), de souffrance psychique (Maisondieu). Ces frontières, issues
du dominant (coalition internationale/centre/métropole/) assujettissent le dominé (émergeant d,
banlieusard, domien) à un système administratif qui l’exclut. S’il tente de l’abolir par
opposition/transgression verbale (Cassagnaud, Melliani) ou pénale, le déviant, îlien, francophone,
émeutier, clandestin, quoiqu’au cœur de l’actualité, se trouve assigné hors débat (convenu). La
création cinématographique (Kechiche, Champreux), littéraire (Begag, Baco, Hatubou, Kamanda)
s’empare du code, viole sa norme, s’émancipe des conventions, nie les compromis ; transcendant
toutes ces frontières, elle en délivre sa vision brutale et solaire.
STEEVE ROBERT RENOMBO
(l’université de Libreville - Gabon)
Pulsions de l’origine. L’écriture du retour dans le roman francophone : lecture intermédiale de
Lumières de Pointe-noire d’Alain Mabanckou
Tandis que les notions de « migritude » (Chevrier 2004) ou d’ « enfants de la postcolonie »
(Wabéri 1998), voire d’ « Afropéens » (Cazenave 2003) avaient validé une sorte de déconnexion
(territoriale et thématique) d’avec l’Afrique, les orientations littéraires de ces dix (10) dernières
années semblent introduire comme un mouvement inverse que l’on pourrait dénommer, faute de
mieux : les écritures du retour. En effet, lorsque les retours ne sont pas carrément physiques
(Kangni Alem et Tierno Monénembo) ou éditoriaux (Sami Tchak publie en 2013 L’Ethnologue et
le sage aux Editions Odem de Libreville ; Kangni Alem publie aux Editions Ndzé domiciliées à
Bertoua au Cameroun Le Huitième péché en 2006, puis deux volumes de Dans les mêlées aux
Editions Awoudi au Togo et Ifrikiya en 2009 au Cameroun, etc.), ils s’expriment littérairement par
une recontextualisation de l’intrigue dans le pays d’origine. Ces nouveaux « cahiers d’un retour au
pays natal », confinant à une véritable recherche du temps perdu, prennent souvent la forme de
l’enquête autobiographique par laquelle un sujet redécouvre les territoires de sa lointaine enfance
dans le même temps qu’il se redécouvre lui-même. Cette dynamique est ainsi lisible dans La
Fabrique de cérémonies de Kossi Efoui (2001) ; L’Enigme de l’arrivée de Danny Laferrière
(2009) ; dans les romans de Fatou Diome, notamment Impossible de Grandir (2013) ; chez Henri
Lopes et Gaston Paul Efa (Une enfant de Poto-poto, 2012 et Voici le dernier jour du monde, 2005),
mais aussi chez Alain Mabanckou à travers Demain j’aurai vingt ans (2010) et son extension :
Lumières de Pointe-noire (2013), œuvre que nous avons retenue pour la présente étude. Ce qui, de
notre avis, participe d’un intérêt esthétique certain, c’est la composition intermédiale du récit
autobiographique, puisque le cinéma et la photographie notamment y assument une fonction
modale. C’est donc l’apport de ce dispositif médiatique dans le procès de représentation de la ville
et de ses imaginaires, que nous envisageons examiner dans cette étude.
PETRA RAMALHO SOUTO
(Universidade Federal da Paraíba)
Nelson de todos os santos: representações da religiosidade na obra de Nelson Rodrigues
Fundamentada em textos que estabelecem relação entre literatura e o ambiente social, bem teorias
semióticas que analisam a tradução do texto para a imagem cinematográfica e respaldada pelo
conceito de religiosidade “como um conjunto de crenças que podem exprimir-se de múltiplas
maneiras” (MENDONÇA, 2002, p. 42), realizamos a pesquisa, em nível de Doutorado na
Universidade Federal da Paraíba, Nelson de todos os santos: representações da religiosidade na obra
de Nelson Rodrigues a fim de identificar e analisar as representações sobre a religiosidade brasileira
presentes na dramaturgia rodriguiana, em especial, nos textos: A falecida e Os Sete Gatinhos,
publicados respectivamente nos anos de 1953 e 1967, e compará-las às representações nas suas
adaptações para o cinema. Nelson Rodrigues (1912-1980) é considerado um dos maiores
dramaturgos de língua portuguesa e as adaptações de sua obra literária para o cinema até os dias de
hoje servem como referência para o cinema brasileiro. Temos como hipótese que nos dois citados
textos a religiosidade se apresenta de acordo com os padrões populares, que seguem ritos baseados
nas religiões que migraram para as terras brasileiras, - trazidas principalmente pelos povos
europeus, africanos que juntamente com os nativos da região, também a formação da cultura
brasileira - com a finalidade de resolver problemas inerentes ao cotidiano.
MARIA JOÃO SIMÕES
(Université de Coimbra)
Imagologie et Transnacionalisme: figurations relationelles chez J. Rentes de Carvalho et Didier
van Cauwelaert
L’étude des différences culturelles et des apports advenus des expériences interculturelles mérite
aujourd’hui une attention redoublée surtout à partir du moment où les agents de la politique sociale
reconnaissent l’importance d’étudier les problèmes de la société multiculturelle. L’Imagologie
redevient alors un domaine de recherche privilégié au seuil des voies du comparatisme, comme le
soulignent Beller et Leerssen, parce que ce domaine des études comparatistes privelégie
l’investigation des représentations sociales dans la littérature. Il s’agit, alors, de réaliser une
investigation qui se revèle très importante pour une consciencialisation des différences et des
similitudes culturelles capable de renouveler et d’approfondir l’entente parmi les communautés
sociales, sans négliger l’irréductibilité de l’autre, une fois que, selon Levinas, “dans la relation à
l’autre, il n’y a pas de fusion, la relation à l’autre est envisagée comme altérité. L’autre est
l’altérité”. Cependant, ce respect de l’autre est souvent oublié et la xénophobie prend place sur
l’alophilie, surtout dans des situations où emergent des différences culturelles, comme est le cas des
expériences d’émigration e de immigration. Pour étudier la représentation des ces chocs culturels,
l’Imagologie ne pas pas sous-estimer les contributions des recherches de la Psychologie Sociale sur
des stéréotypes sociaux — visible, par exemple, dans les travaux de par McGarty, Yserbyt et
Spears — et de la Philosophie, notamment la conceptualisation du vécu et du devenir accomplie par
E. Levinas, de G. Deleuze et de Jean-Luc Nancy. L’Imagologie peut aussi profiter des études
récentes réalisées, par exemple, par Rainer Bauböck et Thomas Faist, concernant la notion de
« transnationalisme » . Ce travail aura pour but, alors, non seulement d’identifier des imagotypes
dans les romans de J. Rentes de Carvalho, de Didier van Cauwelaert et d’autres écrivains qui
fictionalisent des problèmes d’entente culturelle et des échanges interculturelles, mais aussi
d’étudier les modes de construction du réseau des relations déployées dans leurs romans.
KATALIN SZUHAJ
(Université Sorbonne Nouvelle)
Une histoire de haine et d’amour : Analyse socioculturelle de l’immigration algérienne à Paris
Parler des relations franco-algériennes s’avère délicat même de nos jours, un demi-siècle après la
fin de la guerre d’Algérie (1954-1962) comme l’illustre la question posée par l’hebdomadaire
français Jeune Afrique : « Pourquoi ça coince entre la France et l’Algérie ?» : La France garde son
attitude de colonisateur sous couvert d’euphémismes économiques et politiques, l’Algérie, pour sa
part, garde son orgueil. L’Algérie, fière de ses richesses géographiques et culturelles, cache un
visage blessé par les guerres civiles. Il y a un tissu invisible, fait de sentiments contradictoires, qui
fait que les Algériens prennent une distance par rapport à ce que représente la France. Notre propos
est de relever les fils de ce tissu invisible afin de présenter de nouvelles perspectives des relations
bilatérales franco-algériennes. On va suivre de plus près les flux migratoires en provenance de
l’Algérie vers la France en les situant dans leur contexte historique et culturel. On va procéder
géographiquement, c’est-à-dire en partant de l’Algérie vers la France. Ainsi, la première partie de
notre étude sera-t-elle consacrée au tableau contemporain de l’Algérie, et plus particulièrement à
l’historique des flux migratoires qui ont déterminé l’émigration des Algériens en France à partir du
début du XXe siècle jusqu’à nos jours. On va insister principalement sur l’aspect socioculturel des
phénomènes d’époque liés à l’émigration pour offrir un portrait réaliste de ce pays contrasté voire
une Algérie en voie de transition entre le passé conflictuel et le présent. Dans la deuxième partie de
notre exposé, on va se positionner symboliquement en France, et plus particulièrement à Paris : en
procédant selon une mosaïque à la manière du motif décoratif de l’art plastique arabe, on va
présenter plusieurs morceaux de l’apport culturel de l’immigration algérienne.
FADILA TACINE
La mise en mots de l’espace migratoire par les jeunes de Tizi-Ouzou
Notre travail est autour du jeune de Tizi-Ouzou et son rapport à l’espace de mobilité, la France, l’ex
pays colonisateur, considéré comme une sorte de terre mère et donc de paradis. Ce qui nous
amènera tout d’abord à définir l’espace en termes de proximité/distance, d’attraction/répulsion,
ségrégation/agrégation. Il s’agit de cheminer vers la définition de la ville en tant que produit social,
construit par des discours.
L’étude du processus d’appropriation spatio-socilangagière pourrait passer par différents chemins :
contexte d’arrivée ou projet de migration, pratique des langues ainsi que le rapport à l’autre. Pour
définir l’appropriation spatio-sociolangagière, nous avons choisi d’analyser le discours de nos
informateurs sur leurs propres mobilités (spatiales, sociales, langagières, géographiques, etc.). Cet
aspect nous permettra d’aborder également des questions liées aux identités individuelles et
collectives, l’affiliation aux lieux et le sentiment d’appartenance.
Notre contribution se propose de situer notre problématique et le contexte de notre recherche : entre
la ville de Tizi-Ouzou et les espaces de la migrance. Le jeune qui nous intéresse en particulier est
celui qui souhaite ou qui rejette la mobilité spatiale. Ce dernier s’approprie la ville, adopte
différentes façons pour la dire, pour la dire selon son propre contexte et selon les clés de lectures
qu’il a à sa disposition. Comment il perçoit l’intégration une fois il est sur une autre terre,
l’ailleurs ?
BÁLINT URBAN
(Universidade ELTE de Budapeste)
Império e “desimpério” – as questões da territorialidade em As Naus de Lobo Antunes
As Naus (1988) de António Lobo Antunes é uma obra complexa que sintetiza em si as poéticas e as
políticas da literatura pós-25 de Abril, mais específicamente aquelas tendências da ficção pósrevolucionária que tencionaram subverter as grandes narrativas míticas da portugalidade,
desestabilizando assim o modelo da identidade secular. No centro do romance antuniano encontrase a representação da impossibilidade e do colapso da narrativa do grande Império Português, como
complexo espaço colonial e ultramarino que ao longo de 500 anos constituia a base da identificação
e da legitimação culturais e políticas de Portugal. A comunicação pretende traçar com a ajuda das
noções do território e da territorialidade de Deleuze e Guattari como é que este espaço colonial se
desconstrói e passa a ser substituído por um espaço citadino essencialmente rizomático e
paralelamente com isso como o sujeito colonial cede lugar ao sujeito nómade na figura do
retornado.
PETR VURM
(Université Masaryk de Brno)
Notre communication se pose pour but de démontrer quelques-unes des stratégies narratives et
rhétoriques mises en place par le romancier, journaliste, poète et académicien contemporain, né en
République du Congo, Alain Mabanckou. Plus précisément, nous essaierons de discuter la tension
dynamic entre les tribulations tragiques et les aboutissements comiques des aventures des
protagonistes principaux, ainsi que d'analyser des éléments de l'humour dans leur discours. Nous
nous concentrerons principalement sur deux ouvrages, le premier roman de Mabanckou, Bleu blanc
rouge (1998) et un autre assez récent, Black Bazar (2009). Notre hypothèse de travail est que la
tension susmentionnée est influencée ou même découle d'une corrélation avec la « hétérotopia »
mutuellement exclusive, et avec des transitions entre deux topoi principaux : celui de Paris
représentant la Métropole et celui de Brazzaville, Pointe-Noire ou un village typique ordinaire
quelque part dans la République du Congo, symbolisant le chronotope postcolonial, chargé de son
passé colonial.
Download

“A Manaus dos imigrantes na ficção de Milton Hatoum” Inscrevendo