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UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO
RIO GRANDE DO SUL
DCEEng – DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS
CURSO DE DESIGN – HABILITAÇÃO PRODUTO
ÉLEN BETSCH RUCHEL
SELKIE – MOBILIÁRIO RESIDENCIAL MULTIFUNCIONAL
PARA USO PESSOAL FEMININO
Ijuí – RS
2015
1
ÉLEN BETSCH RUCHEL
SELKIE – MOBILIÁRIO RESIDENCIAL MULTIFUNCIONAL
PARA USO PESSOAL FEMININO
Monografia apresentada ao Curso de Design –
Habilitação Produto da Universidade Regional
do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul –
UNIJUÍ, como requisito parcial à obtenção de
Bacharel em Design, com habilitação em
Design do Produto.
Orientador: Prof. José Paulo Medeiros da Silva
Ijuí – RS
2015
2
Para Rafael S.
“Ângulos atraem o intelecto. Curvas
falam ao coração”.
(Eva Zeisel)
3
Agradeço,
A Deus, por guiar os meus caminhos e colocar em minha
vida as pessoas certas.
À minha família, em especial minha mãe Iná (in
memoriam) e minha avó Idileta (in memoriam), meus
anjos, mulheres de fibra e meus maiores exemplos.
Ao meu amor, Rafael, obrigada por cada incentivo,
orientação, dedicação, pela capacidade de acreditar e
investir em mim, obrigada por estar sempre ao meu lado.
Ao professor e orientador José Paulo Medeiros, pela
paciência e motivação, que tornaram o caminho possível
para a conclusão deste projeto.
Aos meus amigos e colegas, pelas alegrias, tristezas e
dores compartilhadas.
A todos aqueles que de alguma forma estiveram e estão
próximos de mim, fazendo esta vitória e a vida ter mais
sentido.
4
RESUMO
O aumento do poder de consumo da população brasileira tem favorecido a ascensão da classe
média, sendo essa a responsável por movimentar significativa parcela do setor de imóveis,
indústria moveleira e o comércio de cosméticos, entre outros. Através da análise do perfil dos
integrantes desta classe e dos seus hábitos de consumo, identificou-se um novo nicho de
mercado a ser explorado, assim, este projeto teve como objetivo a criação de um mobiliário
multifuncional residencial para uso pessoal voltado ao público feminino. Por meio de
pesquisa bibliográfica, documental e de campo foi realizado um levantamento das tendências
de mercado e como o design de móveis e o design de superfícies podem contribuir para o
desenvolvimento do produto. A partir disso, realizou-se entrevistas com o público-alvo a fim
de compreender as necessidades e estabelecer requisitos projetuais. O desenvolvimento do
produto utilizou como referência a metodologia projetual de Bonsiepe (1986), realizando
análises acerca dos produtos similares existentes no mercado e gerando alternativas viáveis. O
projeto resultou em um mobiliário compacto, multifuncional e de baixo custo, que utiliza
aplicações na superfície do móvel que permitem inúmeros desenhos e materiais que o torna
adaptável a diversos estilos e ambientes.
Palavras-chave: Público Feminino. Multifuncional. Design de Superfície. Design de Móveis.
5
ABSTRACT
The increase in the population purchasing power has favored the rise of the middle class,
which is the responsible for moving the real estate sector, furniture industry and the cosmetics
trade, among others in the country. Through the analysis of the profile of the members of this
class and their spending habits, we identified a new niche market to be explored, so this
project aims to create a multifunctional residential furniture for personal use back at women.
Through bibliographical research, documentary and field was a survey of market trends and
how the furniture design and surface design could contribute to the development of the
product. From this it was held interviews with the target audience in order to understand the
needs and establish projective requirements. The development of the product used as
reference architectural design methodology Bonsiepe (1986) by performing similar analysis
on existing products on the market and generating viable alternatives. The design resulted in a
compact furniture, multifunctional, low cost, applications that uses the moving surface that
allow numerous designs and materials which makes it adaptable to many environments and
styles.
Keywords: Female Audience. Multifunctional. Surface Design. Furniture.
6
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABC – Associação Brasileira de Cerâmica
ABIHPEC – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos
ABIMOVEL – Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento
CBC – Comitê Brasileiro de Cores
CECAL – Centro de Estudos da Cor para a América Latina
CEF – Caixa Econômica Federal
EBC – Empresa Brasil de Comunicação S/A
FECOMÉRCIO/SP – Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo do Estado de São
Paulo
FIMMA – Feira Internacional de Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria
Moveleira
ICSID – Conselho Internacional das Organizações de Design Industrial
IEA – Associação Internacional de Ergonomia
IEMI – Instituto de Estudos e Marketing Industrial
LED – Light Emitting Diode (Diodo Emissor de Luz)
MDF – Medium Density Fiberboard (Painel de Fibras de Média Densidade)
MDP – Medium Density Particleboard (Painel de Partículas de Média Densidade)
MOVERGS – Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul
PVC – Policloreto de Vinila
REMADE – Revista da Madeira
SAE – Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República
SEBRAE – Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas
UNB – Universidade de Brasília
UV – Ultravioleta
7
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Cozinha (marca Itatiaia) ............................................................................................. 20
Figura 2: Conjunto de espelho e aparador ............................................................................... 200
Figura 3: Cozinha sob medida ................................................................................................. 211
Figura 4: Móveis para escritório .............................................................................................. 211
Figura 5: Mesa para café da manhã, escrivaninha e de jogos.................................................... 23
Figura 6: Cômoda-escrivaninha .............................................................................................. 233
Figura 7: Sofá-cama................................................................................................................. 244
Figura 8: Cozinha compacta (PIA) ............................................................................................ 24
Figura 9: Boudoir ...................................................................................................................... 25
Figura 10: Mesinha para trabalhos ............................................................................................ 26
Figura 11: Mesa para trabalho ................................................................................................. 266
Figura 12: Mesa secretária (Bureau) ......................................................................................... 27
Figura 13: Penteadeira ............................................................................................................... 27
Figura 14: Cadeira de balanço de madeira ................................................................................ 28
Figura 15: Poltrona com puff estofados para amamentação...................................................... 28
Figura 16: Módulo, por Evelise Rüthschilling .......................................................................... 31
Figura 17: Rapport .................................................................................................................... 31
Figura 18: Design de superfície na moda .................................................................................. 32
Figura 19: Design de superfície em embalagem de presente e capa de caderno ....................... 33
Figura 20: Painel de cerâmica (Cobogó) ................................................................................... 33
Figura 21: Azulejo linha Deluxe (marca Decortiles)................................................................. 34
Figura 22: Bancos “ressaquinha”, Maurício Azeredo (1988) ................................................... 34
Figura 23: Móvel projetado pelo laboratório de design da UNB .............................................. 35
Figura 24: Cômoda com gavetas com a técnica de decoupage ................................................. 35
Figura 25: Cadeira com decoupage ........................................................................................... 36
Figura 26: Móveis “tatuados” com impressão digital ............................................................... 36
Figura 27: Aparador com portas em impressão digital ............................................................. 37
Figura 28: Sofá em tom marsala – cor pantone 2015 ................................................................ 38
8
Figura 29: Cartela de cores 2015 – CBC/CECAL..................................................................... 39
Figura 30: Linha Real Color da empresa Formica .................................................................... 40
Figura 31: Lousa collection ....................................................................................................... 41
Figura 32: Revestimento amadeirado tridimensional ................................................................ 41
Figura 33: Revestimento cerâmico tridimensional .................................................................... 42
Figura 34: Parede revestida com painel de madeira .................................................................. 42
Figura 35: Revestimento em ladrilho hidráulico ....................................................................... 43
Figura 36: Mesa ......................................................................................................................... 44
Figura 37: Painel MDF decorativo ............................................................................................ 44
Figura 38: Aparador com portas usinadas ................................................................................. 45
Figura 39: Aparador produzido com impressão 3D .................................................................. 45
Figura 40: Kangaroo .................................................................................................................. 46
Figura 41: Painel semântico das tradições recriadas ................................................................. 47
Figura 42: Painel semântico do estilo sensualidade vibrante .................................................. 488
Figura 43: Painel semântico do estilo experiência/transformação ............................................ 49
Figura 44: Recomendações para o dimensionamento de posto de trabalho – postura sentada . 51
Figura 45: Dimensões adequadas para assentos ........................................................................ 52
Figura 46: Alturas recomendadas para superfícies horizontais de trabalho em pé ................... 53
Figura 47: Medidas da mulher do percentil 99 .......................................................................... 53
Figura 48: Medidas da mulher do percentil 50 .......................................................................... 54
Figura 49: Medidas da mulher do percentil 1 ............................................................................ 55
Figura 50: Esquema harmônico ................................................................................................. 56
Figura 51: Esquema contrastante ............................................................................................. 566
Figura 52: Círculo cromático..................................................................................................... 57
Figura 53: Iluminação geral e localizada ................................................................................... 58
Figura 54: Estado civil ............................................................................................................... 61
Figura 55: Número de moradores da residência ........................................................................ 61
Figura 56: Número de mulheres na mesma residência .............................................................. 62
Figura 57: Mobiliário especifico para armazenar produtos de beleza ....................................... 62
Figura 58: Mobiliário que exerce função de armazenar produtos de beleza ............................. 63
Figura 59: Localização do móvel na residência ....................................................................... 63
Figura 60: Forma de aquisição do móvel .................................................................................. 64
Figura 61: Cor do móvel ............................................................................................................ 64
Figura 62: Cor desejada ............................................................................................................. 65
Figura 63: Acessórios desejados no móvel................................................................................ 65
Figura 64: Tempo para cuidados pessoais ................................................................................. 66
Figura 65: Ordem dos cuidados pessoais .................................................................................. 66
Figura 66: Benefícios percebidos no móvel .............................................................................. 67
Figura 67: Significado deste móvel ........................................................................................... 67
9
Figura 68: Móvel A - Justin escrivaninha/penteadeira ........... Erro! Indicador não definido.68
Figura 69: Móvel B - Patchflower escrivaninha/penteadeira .................................................... 69
Figura 70: Móvel C - Penteadeira Berlim ................................................................................. 69
Figura 71: Móvel D - Penteadeira Fineali ................................................................................. 70
Figura 72: Móvel E - Penteadeira Ava Gardner ........................................................................ 71
Figura 73: Móvel F - Penteadeira-Camarim Cyrus ................................................................... 71
Figura 74: Painel semântico 1 ................................................................................................... 75
Figura 75: Painel semântico 2 ................................................................................................... 76
Figura 76: Alternativa 1 ............................................................................................................. 77
Figura 77: Alternativa 2 ............................................................................................................. 78
Figura 78: Alternativa 3 ............................................................................................................. 79
Figura 79: Alternativa 4 ............................................................................................................. 80
Figura 80: Detalhe da alternativa 4............................................................................................ 80
Figura 81: Ilustração da alternativa escolhida – Tampo aberto ................................................. 81
Figura 82: Ilustração da alternativa escolhida - Tampo fechado ............................................... 82
Figura 83: Aplicações ................................................................................................................ 82
Figura 84: Pistão e dobradiças para móveis .............................................................................. 83
Figura 85: Sistema click ............................................................................................................ 83
Figura 86: Barra de LED com sensor de movimento ................................................................ 84
Figura 87: Detalhe tampo .......................................................................................................... 84
Figura 88: Prateleiras laterais em vidro ..................................................................................... 85
Figura 89: Banqueta .................................................................................................................. 85
Figura 90: Kit SELKIE-Romance ............................................................................................. 86
Figura 91: Kit SELKIE - Deco ............................................... Erro! Indicador não definido.86
Figura 92: Kit SELKIE-Glam................................................. Erro! Indicador não definido.87
Figura 93: Pastilha de imã de neodímio .................................................................................... 87
Figura 94: Vista frontal do protótipo ......................................................................................... 88
Figura 95: Detalhes do produto ................................................................................................. 88
Figura 96: Protótipo - Banqueta ................................................................................................ 89
Figura 97: Modelo Kit Romance ............................................................................................... 89
Figura 98: Modelo Kit Deco ...................................................................................................... 90
Figura 99: Modelo Kit Glam ..................................................................................................... 90
Figura 100: Modelo com iluminação..........................................................................................91
10
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Informações do móvel A .......................................................................................... 68
Quadro 2: Informações do móvel B .......................................................................................... 69
Quadro 3: Informações do móvel C .......................................................................................... 70
Quadro 4: Informações do móvel D .......................................................................................... 70
Quadro 5: Informações do móvel E........................................................................................... 71
Quadro 6: Informações do móvel F ........................................................................................... 72
11
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Análise estrutural ....................................................................................................... 72
Tabela 2: Análise funcional ....................................................................................................... 73
Tabela 3: Análise morfológica .................................................................................................. 73
Tabela 4: Hierarquização dos requisitos .................................................................................... 74
Tabela 5: Análise de requisitos atendidos pelas alternativas ..................................................... 80
12
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 14
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO ................................................................................................... 14
1.2 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 15
1.2.1 Objetivo Geral ................................................................................................................ 15
1.2.2 Objetivos Específicos ...................................................................................................... 15
1.3 JUSTIFICATIVA ................................................................................................................ 15
1.4 DELIMITAÇÃO ................................................................................................................. 17
1.5 ESTRUTURAÇÃO ............................................................................................................. 17
2 REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................... 19
2.1 DESIGN DE MÓVEIS ........................................................................................................ 19
2.1.1 Mobiliário Multifuncional ............................................................................................. 22
2.1.2 Mobiliário Feminino ....................................................................................................... 25
2.2 DESIGN DE SUPERFÍCIE ................................................................................................. 29
2.2.1 Design de Superfície no Mobiliário ............................................................................... 34
2.3 TENDÊNCIAS .................................................................................................................... 37
2.3.1 Cores ................................................................................................................................ 37
2.3.2 Materiais .......................................................................................................................... 40
2.3.3 Revestimentos ................................................................................................................. 41
2.3.4 Tecnologias ...................................................................................................................... 43
2.3.5 Acessórios ........................................................................................................................ 46
2.3.6 Estilos ............................................................................................................................... 47
2.4 ERGONOMIA ..................................................................................................................... 49
2.4.1 Medidas Antropométricas ............................................................................................. 51
2.4.2 Cor na Ergonomia .......................................................................................................... 55
2.4.3 Iluminação ....................................................................................................................... 57
3 METODOLOGIA................................................................................................................. 59
4 RESULTADOS ..................................................................................................................... 60
4.1 PESQUISA DE CAMPO .................................................................................................... 60
4.1.1 Estado Civil ..................................................................................................................... 60
4.1.2 Número de Moradores da Residência ........................................................................... 61
4.1.3 Número de Mulheres na mesma Residência ................................................................ 61
4.1.4 Mobiliário Específico para Armazenar Produtos de Beleza ...................................... 62
4.1.5 Mobiliário que Exerce Função de Armazenar Produtos de Beleza ........................... 62
13
4.1.6 Localização do Móvel na Residência ............................................................................ 63
4.1.7 Forma de Aquisição do Móvel ....................................................................................... 63
4.1.8 Cor do Móvel ................................................................................................................... 64
4.1.9 Cor Desejada ................................................................................................................... 64
4.1.10 Compartimentos Especiais para cada Tipo de Produto ........................................... 65
4.1.11 Espaço Adequado para Armazenar seus Produtos de Beleza .................................. 65
4.1.12 Acessórios Desejados no Móvel ................................................................................... 65
4.1.13 Tempo para Cuidados Pessoais ................................................................................... 66
4.1.14 Ordem dos Cuidados Pessoais ..................................................................................... 66
4.1.15 Benefícios Percebidos no Móvel .................................................................................. 66
4.1.16 Significado deste Móvel ................................................................................................ 67
4.2 ANÁLISE DE PRODUTOS EXISTENTES ....................................................................... 67
4.2.1 Análise Estrutural .......................................................................................................... 72
4.2.2 Análise Funcional ........................................................................................................... 72
4.2.3 Análise Morfológica ........................................................................................................ 73
4.3 DEFINIÇÃO E HIERARQUIZAÇÃO DE REQUISITOS ................................................. 73
4.4 GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS .................................................................................... 76
4.4.1 Escolha da Alternativa ................................................................................................... 80
4.5 DETALHAMENTO DO PROJETO ................................................................................... 81
4.5.1 Memorial Descritivo ....................................................................................................... 81
4.5.2 Protótipo .......................................................................................................................... 86
4.5.3 Desenhos Técnicos .......................................................................................................... 90
5 CONCLUSÃO....................................................................................................................... 91
6 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 92
7 APÊNDICES ......................................................................................................................... 99
14
1 INTRODUÇÃO
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO
A atual situação socioeconômica do país favoreceu a ascensão da classe média na
última década. Dados da SAE (2012) revelam que a classe média brasileira é formada por
pessoas que migraram da classe D para a C, contemplando mais da metade da população. A
maioria (55%) é jovem, na faixa dos 18 aos 30 anos de idade, sendo a mulher, a protagonista
deste grupo.
A SAE (2012) apresenta também que os indivíduos integrantes da classe média
obtiveram um aumento do poder de consumo, por consequência do acréscimo das ofertas de
emprego, reajustes no salário mínimo, acesso ao crédito e programas sociais. Esta classe tem
se destacado como um grande consumidor de bens e serviços. Segundo pesquisa da
FECOMÉRCIO/SP (2014) há uma projeção de que a classe média seja responsável por um
consumo equivalente ao somatório das classes A e B no ano de 2015.
Os principais investimentos desta classe têm sido em habitações, devido aos benefícios
governamentais. Segundo dados da EBC (2012), o lançamento do Programa Minha Casa
Minha Vida em 2009 pelo governo federal, viabilizou a construção de 2 milhões de moradias
em todo o país, ofertando um perfil de residência compacta.
Outro programa que favoreceu os integrantes da classe média é o Programa Minha
Casa Melhor, lançado em 2013, ofertando uma linha de crédito destinada aos beneficiários do
Programa Minha Casa Minha Vida, tendo como objetivo facilitar a aquisição de móveis e
eletrodomésticos. Segundo dados da CEF (2015), operadora do referido programa, já foram
disponibilizados cerca de R$ 2 bilhões e mais de 400 mil famílias foram atendidas com a
linha de crédito.
Como consequência destes incentivos governamentais abre-se, atualmente, um
importante espaço para o setor moveleiro como um próximo passo deste processo de
empoderamento econômico da classe C. Assim, torna-se vital a necessidade de adaptação do
setor moveleiro, para absorver positivamente esta parcela de crescimento.
A pesquisa do “Comportamento de Compra dos Consumidores de Móveis no Brasil”
do IEMI e da MOVERGS (2013) revelou que 67% dos consumidores pertencem à classe
média. Para muitos destes consumidores a compra do mobiliário é a primeira, por se tratar da
primeira casa. Os ambientes da sala e do dormitório são priorizados nas intenções de
aquisição de mobília e eletrodomésticos. É de se destacar que a venda no varejo de móveis
15
obteve um crescimento de 11,3% no ano de 2014. Segundo pesquisa da MOVERGS (2014)
foram produzidos neste mesmo ano cerca de 42,9 bilhões de produtos, segundo informações
da ABIMOVEL (2014).
Um percentual significativo dessas compras é realizado através do comércio
eletrônico, também denominado o e-commerce. Segundo dados da E-BIT (2014), consultoria
de comércio eletrônico, o e-commerce obteve um crescimento de cerca de 24% e realizou em
torno de 35,8 bilhões de vendas em 2014. Tendo em vista que o comércio eletrônico é uma
realidade em ascensão, onde uma parcela considerável das intenções de compra perpassa esta
modalidade negocial, a internet se torna uma importante ferramenta fomentadora do comércio
de mobiliário.
Avaliando o panorama socioeconômico que se desenhou ao longo dos últimos anos,
evidenciou-se a necessidade de desenvolver uma proposta de mobiliário residencial
multifuncional direcionado ao público feminino. Este móvel terá como objetivo o uso pessoal,
atendendo as necessidades de um público consumidor em pleno desenvolvimento.
1.2 OBJETIVOS
1.2.1 Objetivo Geral
Desenvolver uma proposta de mobiliário residencial multifuncional direcionado ao
público feminino.
1.2.2 Objetivos Específicos
- Levantar o perfil de consumo do público feminino, buscando definir suas
necessidades.
- Pesquisar o espaço interno das residências populares.
- Estudar as possibilidades de aplicação do design de superfície no mobiliário.
- Investigar as tendências para mobiliário residencial.
1.3 JUSTIFICATIVA
O público feminino tem se destacado como protagonista na ascensão da classe média
brasileira. As mulheres estão mais escolarizadas, contribuem com a renda familiar e
16
assumiram o controle da casa (DATA POPULAR, 2014). São elas as responsáveis por 90%
das decisões de consumo da família (FOLHA DE SÃO PAULO, 2014).
Neste contexto, a ABIHPEC (2015) apresenta o estudo do comportamento de consumo
da classe C, em especial das mulheres, revelando novos hábitos de consumo:
- consumo fundamentado: aquele que necessita de uma motivação, um propósito,
buscando produtos e serviços que proporcionem maior qualidade de vida e reduzam
o estresse;
- consumo compensatório: os indivíduos da classe média estão preocupados com
suas aparências e estão valorizando mais a vaidade e a autoestima, buscando a
compensação pelo tempo que não tiveram acesso a certos produtos e serviços;
- consumo hedonista: este comportamento apresenta um público que investe para se
manter em um alto nível sociocultural; procuram por artigos de luxo em todos os
aspectos, inclusive em produtos personalizados e exclusivos.
Em consequência destes novos hábitos, o setor de cosméticos é outro que vem se
beneficiando neste cenário, com um crescimento de cerca de 10% ao ano, o Brasil é o terceiro
maior país consumidor. Diversos fatores contribuem para crescimento do setor, destacando
entre eles: o comportamento dos novos integrantes da classe C, que passaram a consumir
produtos com maior valor agregado; a participação crescente da mulher brasileira no mercado
de trabalho; e o aumento da expectativa de vida, o que traz a necessidade de conservar uma
impressão de juventude (ABIHPEC, 2014).
Uma pesquisa recente publicada pela Canadean (2014), empresa especializada em
pesquisas de mercado, mostrou que o mercado de beleza e produtos cosméticos brasileiros
está em pleno crescimento e se manteve firme nos últimos anos; até 2018, o mercado da
maquiagem deve movimentar mais de R$ 18 bilhões.
De acordo com a mesma empresa, os consumidores dos produtos de beleza no Brasil
são mulheres com idade entre 16 a 34 anos, sendo responsáveis por 40% do consumo no
setor. Elas acompanham as tendências em moda e mudam de aparência com frequência,
sempre seguindo as novidades de mercado.
Boa parte destas aquisições é realizada por meio do comércio eletrônico. Segundo
dados da E-BIT (2014), a previsão do faturamento em e-commerce é de R$ 43 bilhões, 20%
maior que o último ano. Entre a categoria de mais vendidos os destaques são para os
cosméticos, perfumaria, cuidados pessoais e saúde (15%) e casa e decoração (7%).
17
Tais dados expõem um novo setor a ser explorado, o setor de mobiliário residencial
direcionado ao público feminino, introduzindo um produto que irá atender a uma necessidade
latente, qual seja, de ofertar um móvel multifuncional para acondicionamento de cosméticos,
produto este, que se revela carente de opções que se adequem ao novo estilo das moradias
populares.
1.4 DELIMITAÇÃO
A proposta de desenvolvimento do mobiliário residencial é direcionada ao público
feminino com idade entre 15 a 50 anos, com foco para o uso pessoal. Dentre os requisitos
projetuais, é levado em consideração o baixo custo de produção e comercialização,
enquadrando-se em uma classe de consumo específica, a classe C.
Este estudo tem como objetivo o desenvolvimento de produto que propõe uma estética
multifuncional e compacta para acondicionar cosméticos, possibilitando a customização,
sendo este, um produto em acordo com as necessidades identificadas neste público-alvo.
1.5 ESTRUTURAÇÃO
A estrutura deste trabalho está organizada e desenvolvida em cinco capítulos. O
primeiro capítulo contextualiza a temática, os objetivos gerais e específicos do estudo e uma
análise sobre o panorama socioeconômico do Brasil, seus efeitos sobre os diversos setores do
mercado com destaque no setor moveleiro e de cosméticos.
O segundo capítulo é constituído pela fundamentação teórica, iniciando com uma
abordagem sobre o design de mobiliário, o conceito de mobiliário multifuncional e móveis
específicos para o público feminino, através de perspectiva histórica, com ênfase no
mobiliário contemporâneo. É tratado na sequência, o design de superfície, seus conceitos e
utilizações, seguidos de apontamentos acerca da ergonomia e suas aplicações no projeto de
produto. E, por fim, é realizado um estudo sobre tendências, analisando e conceituando os
fatores nela envolvidos.
No terceiro capítulo expõe-se a metodologia aplicada na pesquisa, a técnica, o tipo de
pesquisa realizada e os participantes. No quarto capítulo são apresentados os resultados da
pesquisa com o público consumidor, análises acerca dos produtos similares, geração de
alternativas, memorial descritivo e protótipo.
18
No quinto capítulo, concluindo o trabalho, apresenta-se a discussão dos resultados
obtidos, considerações finais e recomendações para trabalhos futuros, referências
bibliográficas e apêndices.
19
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 DESIGN DE MÓVEIS
A palavra design tem sua origem do latim, Designare, que significa projetar, atribuir e
conceber (CARDOSO, 2008). O design pode ser utilizado em inúmeros contextos e aplicado
de diversas formas, no presente trabalho, a abordagem é direcionada ao design de produtos,
com ênfase ao design de móveis. Por sua vez, o ICSID (2015) apresenta a seguinte definição:
O design é uma atividade criativa cujo alvo é o de estabelecer as qualidades
multifacetadas dos objetos, dos processos, dos serviços e dos seus sistemas de vida
em ciclos completos. Consequentemente, o design é o fator central da humanização
e da inovação das tecnologias e o fator crucial da troca cultural e econômica.
Nesta definição adotada, o design está relacionado à configuração de produtos,
processos, serviços e seus sistemas, não apenas quando se trata de produção em série. Essa
configuração é o resultado da análise de múltiplos aspectos dentro do contexto do projeto,
buscando o equilíbrio entre a tecnologia, a sustentabilidade, a viabilidade econômica e a
diversidade cultural e social.
Neste contexto, destaca-se a expansão da atuação do design, envolvendo diversas
especialidades como: design de móveis, design de moda, design de ambientes, design gráfico,
design de serviços e design de produtos, entre outras.
Segundo Barroso (2007), o design de móveis é responsável pela criação de produtos
para a indústria moveleira, desempenhando papel cada vez mais importante neste setor,
estabelecendo diferenciais nos produtos fabricados, não apenas em relação aos aspectos
estéticos, mas também no que diz respeito à funcionalidade. Para Fiorin (2013), o design é o
elemento fundamental, responsável pelo desenvolvimento das indústrias do setor, agregando
identidade e personalidade aos produtos e às empresas.
A indústria moveleira, setor tradicional da economia, pode ser classificada através da
matéria-prima em que os móveis são confeccionados (madeira, metal, plástico e estofados) e
também de acordo com as categorias de uso, sendo eles, residencial, escritório e institucional
(BNDES, 2007).
Representando 60% do faturamento total do setor moveleiro, os móveis residenciais
ocupam a maior parcela da produção moveleira no Brasil (DEVIDES, 2006). Eles podem ser
20
subdivididos em: móveis retilíneos seriados, móveis torneados seriados e móveis sob medida
(BNDES, 2007).
Os móveis retilíneos são lisos e sem complexidade no acabamento, tendo como
público-alvo a classe média, ofertando mobiliário para ambientes da cozinha e quarto (Figura
1).
Figura 1: Cozinha (marca Itatiaia)
Fonte: Nossa Casa Móveis (2015).
Os torneados são caracterizados por móveis mais sofisticados, utilizando muitas vezes
apenas madeira maciça (Figura 2).
Figura 2: Conjunto de espelho e aparador
Fonte: Torneados Fleischmann (2015).
21
Quando um móvel é feito sob medida, ele é produzido na medida exata do ambiente,
esta modalidade atende principalmente ao mercado doméstico (REMADE, 2009). A Figura 3
ilustra uma cozinha sob medida.
Figura 3: Cozinha sob medida
Fonte: Clique Moda (2015).
Por sua vez, os móveis destinados ao uso em escritórios (Figura 4) podem ser
subdivididos em móveis para escritório seriados e móveis sob medida. Tais móveis podem
conter em suas estruturas matéria-prima metálica e peças plásticas. O processo produtivo dos
móveis para escritório é considerado mais complexo, pois envolvem diversas etapas, como
marcenaria, metalurgia, injeção de plásticos, tapeçaria, acabamentos, montagem e embalagem
(REMADE, 2009).
Figura 4: Móveis para escritório
Fonte: DC Mobi (2015).
22
Os mobiliários institucionais consistem em móveis escolares, móveis médicohospitalares, de lazer e móveis para restaurantes, hotéis e similares. Esse é um segmento com
uma variedade grande de produtos.
Avaliando as categorias do setor moveleiro, identifica-se uma carência no que diz
respeito a um mobiliário que atenda às características do público feminino, classificado dentro
do setor de móveis retilíneos seriados. Logo, a proposta deste estudo é o desenvolvimento de
um móvel que atenda a este setor, ofertando um produto para o uso residencial.
2.1.1 Mobiliário Multifuncional
Um mobiliário multifuncional é todo aquele móvel que permite diversas funções,
sendo empregado para demais finalidades, aproveitando os espaços de forma inteligente,
(RAMOS; PÁDUA, 2012). Esta proposta de produto vem de encontro à realidade das
moradias.
O novo conceito de moradias entregues pela construção civil nos últimos cinco anos,
no Brasil, tem apresentado ambientes com metragens cada vez menores, exibindo um modelo
habitacional altamente restritivo e limitado (EMOBILE, 2014).
Soares e Nascimento (2008, p. 71) alertam para o fato de que:
Seguindo essa tendência de espaços menores, o mobiliário teve que adaptar-se às
necessidades do ambiente e diminuíram de tamanho. Os móveis para esse tipo de
moradia devem apresentar conceitos como praticidade e multifuncionalidade para o
aproveitamento do pouco espaço disponível. Porém, o fator espaço reduzido aliado à
falta de móveis adequados podem comprometer o uso dos espaços e objetos,
restando ao morador a tarefa de reorganizar esses espaços conforme suas
necessidades e condições.
Logo, a WGSN (2014), uma das principais empresas de previsão de tendências do
mundo, afirma que os móveis multifuncionais seriam uma solução para essa problemática,
obtendo destaque dentre os demais seriados e orientando a indústria moveleira a essa
realidade.
Os primeiros exemplares de mobiliários multifuncionais apresentavam características
“metamórficas” (Figura 5), ou seja, a mobília geralmente possuía algum dispositivo mecânico
(ferragens) que a tornava ajustável ou ativava dupla função, conforme apresenta Mallalieu
(1999).
23
Figura 5: Mesa para café da manhã, escrivaninha e de jogos
Fonte: Mallalieu (1999, p. 64).
Atualmente, alguns modelos encontrados no mercado de móveis reproduzem estes
atributos através do uso de ferragens e dispositivos (Figura 6).
Figura 6: Cômoda-escrivaninha
Fonte: Magazine Luiza (2015).
O sofá-cama, mobiliário muito presente no nosso cotidiano, também apresenta as
características de multifuncionalidade. Ele se popularizou na era moderna, em 1899, pelo
criador Leonard C. Bailey, patenteada como a primeira “cama dobrável” (SLUBY, 2004).
Atualmente existem diversas opções deste móvel, todas com o mesmo objetivo, a economia
de espaço. A Figura 7 apresenta um modelo de sofá-cama com estilo contemporâneo.
24
Figura 7: Sofá-cama
Fonte: Oppa Design (2015).
Apresentada pela empresa croata Dizzconcept by Inkea, a Cozinha Pop up – PIA
(Figura 8) é projetada principalmente para pequenos apartamentos ou escritórios. Sua área de
aplicação é muito ampla, além dos apartamentos para solteiros ou escritórios, sendo bem
aceito também por pessoas idosas. Este modelo apresenta cores vibrantes, caracterizando
estética lúdica. O conceito PIA enfatiza a capacidade de poupar espaços, ocupa apenas 1,6 m2
para alocar este gabinete de duas portas com televisão, que se abre para uma cozinha
totalmente funcional.
Figura 8: Cozinha compacta (PIA)
Fonte: Archello (2015).
25
A partir dos modelos apresentados é possível concluir que a multifuncionalidade pode
ser percebida em um único móvel e também é capaz de contemplar o ambiente por completo.
Logo, a proposta a ser desenvolvida no presente trabalho pretende utilizar a
multifuncionalidade como solução para a adaptação aos pequenos espaços, através de
sistemas que favoreçam a relação do usuário com o produto.
2.1.2 Mobiliário Feminino
Como o presente trabalho pretende desenvolver uma proposta de mobiliário exclusivo
para o uso feminino, móvel este que possua características específicas que atendam às
necessidades das mulheres, identificou-se a necessidade de um levantamento destes, através
de uma perspectiva histórica, com ênfase no mobiliário contemporâneo.
Portanto, os registros de mobiliário de uso exclusivo para mulheres iniciam-se através
da análise dos ambientes essencialmente femininos. Na França, no século XV, as residências
da burguesia da época eram compostas por um cômodo específico, reservado para o uso
feminino, conhecido como Boudoir (MALTA, 2014). Segundo a autora, o Boudoir, ambiente
íntimo, era composto por: secretária (mesa para trabalhos), penteadeira (onde armazenavam
os utensílios pessoais), leito com muitas almofadas, biblioteca enxuta e duas cadeiras. As
características dos móveis e decoração eram de formas delicadas e pequenas.
A Figura 9 apresenta um modelo atual do ambiente, composto por: penteadeira,
cômoda, poltrona/puff e cabideiro para roupas.
Figura 9: Boudoir
Fonte: Casa Cor (2015).
26
A partir da análise desse ambiente doméstico destacaram-se os seguintes mobiliários
que possuem como usuários principais o público feminino:
- Mesa para trabalhos
No Brasil, por volta de 1920, o mobiliário de destaque é a mesinha para trabalhos,
também conhecida como Bureau, utilizada para múltiplas tarefas (CARVALHO, 2008)
(Figura 10).
Figura 10: Mesinha para trabalhos
Fonte: Carvalho (2008, p. 287).
Atualmente encontram-se disponíveis no mercado, modelos inspirados no original
(Figuras 11 e 12).
Figura 11: Mesa para trabalho
Fonte: The Old Reader (2015).
27
Figura 12: Mesa secretária (Bureau)
Fonte: Archiproduts (2015).
- Penteadeira
A penteadeira é considerada um objeto de desejo feminino, é nela que a mulher
encontra sua privacidade, bem-estar e autoestima. Este móvel é constituído por espelho,
gavetas e muitas vezes acompanhado de um banco (Figura 13).
Figura 13: Penteadeira
Fonte: Polyvore (2015).
28
- Poltrona de amamentação
Outro mobiliário que assumiu função exclusivamente realizada por mulheres foi a
poltrona de amamentação. O momento de maior ligação e cumplicidade entre a mãe e seu
bebê é a amamentação e, para isso, exige um móvel que proporcione conforto e segurança
para as usuárias no momento da atividade. O mercado oferta diversos modelos, desde uma
cadeira de balanço com formas simples, poltronas com estofamento e elevação para pernas
(Figuras 14 e 15).
Figura 14: Cadeira de balanço de madeira
Fonte: Mundo das Tribos (2015).
Figura 15: Poltrona com puff estofados para amamentação
Fonte: Mobly (2015).
Frascara (2004) apresenta que os objetos “são uma extensão de nós mesmos, uma
visualização do invisível, um autorretrato, uma maneira de nos apresentarmos aos demais [...]
uma dimensão essencial da humanidade”. É neste contexto que a proposta do mobiliário
pretende ser desenvolvida no presente trabalho, proporcionando ao público feminino um
29
objeto que caracterize a feminilidade e que materialize os desejos e as necessidades, sendo
referência para a autoestima e o bem-estar para os usuários.
2.2 DESIGN DE SUPERFÍCIE
Conforme Rubim (2004), responsável pela introdução da expressão Design de
Superfícies no Brasil, o termo tem sua origem nos Estados Unidos, conhecido como Surface
Design. A definição é apresentada por Rüthschilling (2008, p. 23):
Design de superfície é uma atividade criativa e técnica que se ocupa com a criação e
desenvolvimento de qualidades estéticas, funcionais e estruturais, projetadas
especificamente para constituição e/ou tratamentos de superfícies, adequadas ao
contexto sociocultural e às diferentes necessidades e processos produtivos.
O design de superfícies atribui uma nova função para o revestimento dos produtos,
além do objetivo de proteção e acabamento, se tornou um meio de comunicação com o
interior e exterior do mesmo, através da utilização de signos como, por exemplo, texturas e
cores.
É por meio do desenho que é constituída a representação de um projeto de design de
superfície. Logo, Wong (2010) apresenta os elementos fundamentais do desenho utilizados no
design de superfície, responsáveis pela composição da proposta. Estes elementos estão
classificados em quatro grupos: conceituais, visuais, relacionais e práticos.
Elementos conceituais: compreendem o que não é visível, sendo o ponto o elemento
mais simples, indicador de uma posição; a linha é uma sequência de pontos, que representa o
movimento do ponto ou a ligação de dois pontos; o plano é formado pelo agrupamento de
linhas, sendo também o caminho percorrido pela linha em movimento, podendo construir uma
forma; e o volume é o percurso do plano em movimento, toda forma que possui profundidade
tem volume.
Elementos visuais: quando os elementos conceituais se tornam visíveis, são
chamados visuais, eles têm formato, tamanho, cor e textura. Elementos visuais formam a parte
relevante de um desenho, porque são aquilo que podemos ver de fato (WONG, 1998). Os
elementos visuais são compostos pelo formato, aquilo que pode ser visualizado; o tamanho é a
dimensão física ou visual, podendo ser mensurado através de medidas de comprimento,
largura e profundidade; a cor é um dos elementos mais importantes, pois está em todo lugar e
30
é responsável por distinguir os formatos; e a textura que se refere às características da
superfície do formato, é identificada através do tato ou da visão.
Elementos relacionais: são responsáveis por estabelecer as inter-relações e
localização das formas de uma composição, são eles: a direção, que será definida a partir da
forma como está relacionada com o observador; a posição; o espaço que pode ser preenchido
ou vazio e gravidade são os elementos, percebidos e sentidos.
Elementos práticos: são os que falam acerca do conteúdo do desenho (SILVA, 2008):
a) representação: se dá quando um formato é fruto do mundo elaborado pelo homem
ou da natureza;
b) significado: ocorre quando uma mensagem é transmitida, por meio do desenho;
c) função: se faz presente quando o desenho atende a um propósito específico.
Do conceitual ao prático, os elementos do design possuem características próprias,
cabendo ao designer, profissional da área, analisar e aplicá-los da melhor forma à sua
representação visual, seja um objeto, processos, serviços e seus sistemas.
Wong (1988) apresenta além dos quatro elementos de desenho, a moldura de
referência, a forma e a estrutura. A moldura de referência é o espaço no qual os demais
elementos estão dispostos. Os elementos visuais em conjunto constituem a forma, que “não é
apenas uma figura que é vista, mas um formato de tamanho, cor e textura definidos. A
maneira como a forma é criada, construída e organizada em conjunto com outras formas é
frequente governada por certa disciplina à qual chamamos estrutura” (WONG, 2010, p. 44).
O design de superfície utiliza uma linguagem técnica específica, essas terminologias
contribuem para melhor entendimento da área, sendo elas:
a) estampa: é o desenho impresso sobre uma superfície através da técnica de
estampagem; a estampa pode ser corrida, que consiste na repetição do desenho
através de uma rede ou a localizada é aquela que não se repete (SILVA, 2008);
b) estamparia: é a técnica de impressão de estampas sobre uma superfície;
c) layout: é o arranjo físico das ideias, onde elementos visuais são distribuídos em um
determinado suporte, orientando o desenvolvimento do produto (SILVA, 2008);
d) módulo: é a menor área, inclui todos os elementos visuais que constituem o
desenho. A composição visual dá-se em dois níveis: depende da organização dos
elementos ou motivo dentro do módulo e de sua articulação entre os módulos,
gerando o padrão, de acordo com a estrutura de repetição ou rapport (Figura 16)
(RÜTHSCHILLING, 2008, p. 64).
31
Figura 16: Módulo, por Evelise Rüthschilling
Fonte: Rüthschilling (2008, p. 64).
e) rapport: termo traduzido, tanto em inglês como em português, como Repeat ou
Repetição; usado para denominar um desenho em repetição, uma representação
formada a partir de módulos (Figura 17) (RUBIM, 2004);
Figura 17: Rapport
Fonte: Estampaholic (2015).
32
f) grid ou rede: é a estrutura utilizada para rebater os elementos idênticos na criação
de um desenho.
O design de superfície possibilita inúmeras aplicações, como apresenta Rüthschilling
(2008), independente do material que é utilizado. As principais áreas de atuação são no setor:
têxtil, papelaria e cerâmica.
O design de superfície na área têxtil atua no desenvolvimento de estampas para
aplicação em tecidos, malharias, bordados e tricô, entre outros. A Figura 18 ilustra a aplicação
na moda.
Figura 18: Design de superfície na moda
Fonte: Choco la Design (2015).
Na papelaria, o design de superfícies atua na elaboração de estampas e padronagens
para embalagens, papel de parede, papel de presente, produtos descartáveis (como copos e
guardanapos) e materiais para escritório (como capas de agendas e blocos). A Figura 19
ilustra a aplicação em papel de presente e capas de caderno.
33
Figura 19: Design de superfície em embalagem de presente e capa de caderno
Fonte: Estampa Lovers (2015).
O design de superfície aplicado à cerâmica pode ser observado na produção de tijolos
e telhas (cerâmica vermelha), azulejo e ladrilhos (revestimento) e em louças sanitárias de
mesa que consistem a cerâmica branca, segundo classificação da ABC. Nesta área, o design
de superfície não apresenta um projeto totalmente bidimensional, ou seja, o desenho é
formado através da textura em relevo, seja ele alto ou baixo (RUBIM, 2004). Alguns
exemplos das aplicações podem ser observados nas Figuras 20 e 21.
Figura 20: Painel de cerâmica (Cobogó)1
Fonte: Casa Cor (2015).
1
O cobogó, criado em Recife e patenteado em 1929, tem seu nome composto das iniciais dos sobrenomes dos
três engenheiros que o idealizaram (Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis).
Seus blocos vazados, inicialmente feitos de cimento, são atualmente encontrados em diversos materiais, como
vidro, madeira, cerâmica e até porcelana (CÓRDULA, 2013).
34
Figura 21: Azulejo linha Deluxe (marca Decortiles)
Fonte: Decortiles (2015).
2.2.1 Design de Superfície no Mobiliário
A aplicação do design de superfície na indústria moveleira pode ser identificada em
algumas técnicas como: machetaria, decoupage, impressão digital, entre outras.
- Marchetaria
Esta arte utiliza a aplicação de fatias finas de materiais distintos (madeira, metais,
pedras, plásticos, madrepérola, etc.) por meio da técnica incrustação (embutir), para formar
desenhos nas superfícies plana de móveis. A marchetaria possibilita a construção de objetos
tridimensionais, reciclagem de móveis, painéis decorativos, joias, esculturas, entre outros
(Figuras 22 e 23) (RAMOND, 2000).
Figura 22: Bancos “ressaquinha”, Maurício Azeredo (1988)
Fonte: Design Cultura (2015).
35
Figura 23: Móvel projetado pelo laboratório de design da UNB
Fonte: UNB (2015).
- Decoupage
O termo Decoupage vem do francês (découper), que significa para cortar, porém sua
origem é italiana. A técnica é também conhecida como laca do homem pobre, pois aqueles
que não tinham condições financeiras para contratar um artista para decorar suas mobílias
utilizavam a colagem de gravuras sobrepostas à peça, dando acabamento com verniz ou da
laca2 (STERBENZ, 2011). As Figuras 24 e 25 ilustram móveis com acabamento em
decoupage.
Figura 24: Cômoda com gavetas com a técnica de decoupage
Fonte: Mania de Decoração (2015).
2
Laca é uma denominação para pinturas que são capazes de selar superfícies. A pintura é feita com pistola de ar
comprimido e o acabamento pode ser brilhoso, fosco ou acetinado (MALLALIEU, 1999).
36
Figura 25: Cadeira com decoupage
Fonte: Tudoedimais (2015).
- Impressão digital
A técnica mais recente em impressão digital a qual utiliza tinta UV na impressão
permite que seja feita a impressão em diversos materiais, tais como MDF3, PVC4, vidro e
alumínio e não agride o meio ambiente, pois não possui toxinas encontradas nas tintas
tradicionais à base de solventes prejudiciais. Sem a presença destas substâncias, é possível
aplicar a tinta UV em superfícies flexíveis ou rígidas (Figuras 26 e 27) (SCHWALM, 2007).
Figura 26: Móveis “tatuados” com impressão digital
Fonte: Tule de Ló (2015).
MDF – Medium Density Fiberboard ou Painel de fibras de Média Densidade (MASISA,2015)
A sigla PVC significa Policloreto de Vinila, criado em 1930, é um plástico sintético e um dos mais antigos e
mais usados. Pode ser modificado conforme sua necessidade e reciclado por diversas vezes (SMITH;
HASHEMI, 2012).
3
4
37
Figura 27: Aparador com portas em impressão digital
Fonte: Desmobilia (2015).
A utilização de técnicas de design de superfície no mobiliário é um recurso para a
diferenciação do produto no mercado. Logo, na proposta deste trabalho, pretende-se utilizar
técnicas para trabalhar a superfície do móvel de maneira que permitam a customização e
proporcione a exclusividade deste, atendendo às características de consumo da classe média.
2.3 TENDÊNCIAS
Para Kotler (1998), tendência é uma orientação ou um processo contínuo que acontece
em um dado momento e que assegura durabilidade. Assim, o estudo de uma tendência de
mercado é o fator fundamental para determinar o sucesso ou fracasso de um produto ou de
uma empresa. As tendências podem ser renovadas, complementadas ou antecipadas, podendo
satisfazer os desejos de um consumidor que ainda não tem consciência dessa necessidade.
Com o objetivo de acompanhar as modificações do cenário comercial, social e cultural
se faz necessário analisar as tendências de materiais, cores, revestimentos, tecnologias e
acessórios que estão à disposição na área de design de ambientes e móveis.
2.3.1 Cores
A cor é o estímulo que pode definir uma compra ou modificar o espaço em que é
aplicada. Segundo Rubim (2004), a cor é responsável pela aceitação de um projeto, é ela que
irá atrair ou repelir o usuário.
38
A utilização adequada das cores de forma que atendam esteticamente as necessidades
dos usuários assegura o sucesso do produto. Para isso, é necessário realizar um levantamento
das preferências dos consumidores. Para isso optou-se por três fontes:
O Instituto de Pesquisa Data Popular (2015) apresenta que os tons sóbrios e tons
pastéis são desejos da classe A. Quando se trata de tendências para a classe C estão mais
próximos do estilo colorido da cultura popular.
O Instituto Pantone (2015) expõe as tendências em cores para este ano, marsala,
considerada o destaque, possui tom de vinho terroso em homenagem ao vinho italiano com o
mesmo nome. Sua aplicação varia em vestuário e acessórios à móveis e objetos de decoração.
A Figura 28 ilustra a aplicação da cor marsala em um sofá.
Figura 28: Sofá em tom marsala – cor pantone 2015
Fonte: Brabbu (2015).
No Brasil, a referência mais importante é a cartela de harmonias da CBC e CECAL
(2015), adotada por grande parte das empresas de tintas, revestimentos e tecidos para
decoração, com influência direta sobre a indústria moveleira. As tendências são apresentadas
em uma cartela com 37 tons (Figura 29).
39
Figura 29: Cartela de cores 2015 – CBC/CECAL
Fonte: Eucatex (2015).
40
2.3.2 Materiais
As tendências em materiais analisadas foram apresentadas durante a FIMMA (2015),
em Bento Gonçalves – RS, com intuito de sondar os produtos ofertados pelo mercado
brasileiro.
A empresa Formica5, utilizada como referência, destaca a linha Real Color (Figura
30), um laminado decorativo de alta pressão unicolor que possui face decorativa e o miolo na
mesma cor e que dispensa o uso da fita de borda (EMOBILE, 2015).
Figura 30: Linha Real Color da empresa Formica
Fonte: Formica (2015).
A linha Lousa Collection (Figura 31) apresenta um laminado que possui uma
superfície homogênea, uniforme e levemente abrasiva, para fixar o giz com definição e
permite fácil e rápida limpeza com o tradicional apagador. Apresenta uma baixa reflexão de
luz, além de resistência à abrasão, ao calor, ao impacto, a manchas e à umidade (FORMICA,
2015).
5
Formica é a marca registrada da empresa que leva o nome do laminado decorativo de alta pressão.
41
Figura 31: Lousa collection
Fonte: Formica (2015).
2.3.3 Revestimentos
A Radar Mobile (2015), empresa que elabora cadernos de tendências, faz referência às
possibilidades sensoriais proporcionadas pela tecnologia aplicada à madeira, como o tato e
visão, que são realidade em painéis e no mobiliário (Figura 32).
Figura 32: Revestimento amadeirado tridimensional
Fonte: Aldeiatem (2015).
42
A empresa Schattdecor (2015), que é uma referência internacional em tendências,
apresenta papéis de parede com diversas texturas e porcelanatos que se destacam pela
qualidade e pela alta definição, permitem deixar o revestimento com aparência de madeira,
mármore ou até estampas similares ao papel de parede (Figuras 33, 34 e 35).
Figura 33: Revestimento cerâmico tridimensional
Fonte: Casa Cor (2015).
Figura 34: Parede revestida com painel de madeira
Fonte: Mentha (2015).
43
Figura 35: Revestimento em ladrilho hidráulico
Fonte: Limaonagua (2015).
2.3.4 Tecnologias
As tecnologias analisadas foram apresentadas pela Trendmóvel (2015), contemplando
os processos de fabricação, são eles: corte a laser, usinagem de superfícies e impressão 3D.
- Corte a laser
A tecnologia de corte a laser proporciona a precisão do corte, apresentando um design
mais sofisticado. A Figura 36 apresenta a aplicação do corte a laser na fabricação de bases de
mesa obtidas através do mosaico de pequenas peças de compensado cortado precisamente e
unidas em mosaico.
44
Figura 36: Mesa
Fonte: Trendmóvel (2015).
Esta tecnologia beneficia também o design de superfícies, cuja função é agregar
atributos táteis e visuais ao produto industrial (Figura 37).
Figura 37: Painel MDF decorativo
Fonte: Export Laser (2015).
- Usinagem de superfícies
A usinagem de superfícies pode ser aplicada em móveis fabricados em MDF, madeira
maciça, acrílico, mármore, vidro, entre outros, realizando desenhos de acordo com a
concepção do produto (Figura 38).
45
Figura 38: Aparador com portas usinadas
Fonte: Trendmóvel (2015).
- Impressão 3D
As ferramentas computadorizadas de design aliada às novas tecnologias de produção,
como a impressão tridimensional, permitem a qualquer pessoa criar e fabricar objetos com
diversos níveis de complexidade como, por exemplo: brinquedos, móveis, sapatos, roupas,
próteses, entre outros. O método de impressão funciona a partir de um filamento de plástico
aquecido que constrói o desenho por camadas. A tecnologia de impressão 3D é muito
utilizada nas áreas de engenharia civil, militar, automotiva, equipamentos de alta
complexidade etc., especialmente nos processos de prototipagem (TIDD; BESSANT, 2013).
No setor de móveis, a impressão 3D permite a produção de produzir objetos
complexos e minimalistas ao mesmo tempo (Figura 39).
Figura 39: Aparador produzido com impressão 3D
Fonte: Bigrep (2015).
46
2.3.5 Acessórios
- Iluminação
A iluminação aplicada ao mobiliário surge como um diferencial na proposta a ser
desenvolvida no presente trabalho. A Trendmóvel (2015) apresenta o conceito de iluminação
flexível, que pode se curvar ou dobrar facilmente, sem depender de cabos e fios, a Kangaroo,
produzida com 24 blocos de silicone triangulares com lâmpadas de LED, dispostos em forma
de hexágono. Os elementos estão ligados por uma bainha branca de silicone, cuja
flexibilidade permite dobraduras variadas. A carga através de uma bateria de íons de lítio
proporciona 2,5 horas de duração. Os componentes em formato triangular possuem uma placa
de circuito que possibilita a manipulação ou toque de ativação, sendo um produto portátil. O
formato hexagonal permite o arredondamento da luz, tornando um produto eficiente e lúdico,
proporcionando inúmeras utilizações (Figura 40).
Figura 40: Kangaroo
Fonte: Trendmóvel (2015).
47
2.3.6 Estilos
Segundo Baxter (1998), o estilo dos produtos proporciona a ele os aspectos atrativos,
através do seu apelo visual. A ABIHPEC (2015), em parceria com SEBRAE, apresenta um
caderno com três conceitos para referência em estilo: tradição recriada, sensualidade vibrante
e experiência/transformação.
O conceito de tradições recriadas apresenta a Art Nouveau6 como estilo essencial.
Buscando formas originais, delicadas e assimétricas inspiradas em elementos da natureza,
recordando as divas do cinema da década de 1950. Os revestimentos das superfícies utilizam
tratamento perolado, brilhante e fosco com tons neutros e coloridos, brilho cromado, cores
claras e desenhos de renda (Figura 41).
Figura 41: Painel semântico das tradições recriadas
Fonte: A autora.
Art Nouveau (1890-1914), ou “Arte Nova” em português, é um estilo artístico que surgiu na França na década
de 1890. Este estilo artístico atingiu vários setores artísticos como, por exemplo, design, arquitetura, artes
decorativas, artes gráficas e criação de móveis (GURGEL, 2012).
6
48
A sensualidade vibrante é influenciada pelo estilo Barroco7 nos traços curvilíneos,
extravagância e luxuosidade. A sensualidade é representada nas formas com efeito
tridimensional e texturas. Os tons incluem dourado brilhante e envelhecido, laranja e
vermelho (Figura 42).
Figura 42: Painel semântico do estilo sensualidade vibrante
Fonte: A autora.
A experiência/transformação é voltada para a Art Deco8, sendo o uso de linhas retas o
conceito básico deste tema. Destaca-se o contraste de cores claro-escuro, texturas e estampas
geométricas e tribais (Figura 43).
7
O barroco foi uma tendência artística que se desenvolveu nas artes plásticas, literatura, no teatro e na música.
Surgiu na Itália do século XVII, espalhando-se por outros países europeus como, a Holanda, a Bélgica, a França
e a Espanha. O barroco permaneceu até o século XVIII. Na América Latina, o barroco entrou no século XVII,
trazido por artistas que viajavam para a Europa e permaneceu até o final do século XVIII (BATTISTONI, 1989).
8
O termo Art Deco se refere a um estilo que surgiu por volta da década de 1920, no período entreguerras,
afetando as formas de concepção, das artes plásticas e decorativas: moda, cinema, fotografia, transporte e design
de produto (GURGEL, 2012).
49
Figura 43: Painel semântico do estilo experiência/transformação
Fonte: A autora.
Para que um produto se mantenha sempre como tendência é essencial que sua estética
se adapte ao estilo e momento da vida do usuário. A proposta do mobiliário pretende utilizar
materiais, cores e iluminação de maneira que estes requisitos criem possibilidades de estilos,
ou seja, permita a customização em acordo com a individualidade do consumidor,
proporcionando a exclusividade deste móvel, um dos fatores decisivos no momento da
compra.
2.4 ERGONOMIA
A IEA (2000) define a ergonomia (ou fatores humanos) como uma disciplina científica
relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos de um
sistema que aplica teorias, princípios, dados e métodos a projetos de modo a otimizar o bem
estar humano e a performance do sistema por completo.
50
Segundo Iida (1997), a ergonomia tem como objetivo a adaptação do trabalho ao
homem, preservando a integridade física, mental e social do ser humano, buscando o
equilíbrio e a relação harmoniosa entre o trabalhador e seu posto de trabalho.
A ergonomia aplicada ao setor moveleiro atua como diferencial competitivo,
produzindo móveis em conformidade com as necessidades, limitações e habilidades dos
usuários e, sobretudo, apresentando produtos funcionais, seguros e confortáveis.
Para atender a estes aspectos serão analisados os fatores ergonômicos básicos
pertinentes, conforme afirma Gomes (2003), requisitos projetuais, análise da tarefa,
ergonomia do manejo e ações de percepção são os parâmetros ergonômicos essenciais para o
design de produto, associados de tal forma para ordenar a estrutura do estudo.
Os requisitos de projeto consistem nas diversas qualidades desejadas, estabelecendo
condições que irão influenciar o projeto desde sua concepção, seu desenvolvimento e sua
produção.
A análise da tarefa, trabalho prescrito, consiste em observar as formas como o usuário
utiliza o objeto, podendo prever possíveis problemas de uso ao realizar esta verificação
(GOMES, 2003).
A análise dos movimentos realizados pelo usuário para a execução das tarefas que
envolvem o mobiliário como, utilização de cosméticos, secar o cabelo, leitura, digitação, etc.,
em postura ereta ou acomodado em assento, contribuem com informações para a elaboração
do projeto de maneira que o produto seja compatível com as necessidades identificadas.
Outro aspecto pertinente se refere às ações de percepção, envolvendo os sistemas de
comunicação e informação, atuando nos sentidos do usuário. A percepção é despertada
através da aplicação do design de superfície no produto, por meio de estímulos visuais e táteis
que promovem a interação do usuário.
Segundo Mont’Alvão (2008), a superfície do produto é responsável pela primeira
impressão do usuário. A utilização de texturas no revestimento dos produtos desperta a
percepção visual e tátil, estimulando a comunicação emocional.
As ações de manejo abrangem os movimentos realizados pelo usuário. São levados em
consideração o arranjo espacial dos elementos, manutenção, limpeza e o manuseio
operacional (GOMES, 2003).
Para a aplicação destes fatores ergonômicos básicos analisados, é utilizada no Brasil a
norma NR17 da ABNT (2007), um conjunto de normas que regulamenta a utilização de
materiais e mobiliário ergonômico, condições ambientais, jornada de trabalho, pausas, folgas
e normas de produção no país. Esta norma irá conduzir o levantamento de informações
51
técnicas e dimensões recomendadas para um ambiente de trabalho adequado às necessidades
dos usuários.
Logo, afirma Vitta (1999), o ambiente de trabalho (móveis, ferramentas,
equipamentos, etc.) não planejado ou mal estruturado é um fator causador de doenças
musculoesqueléticas. Para que este móvel proporcione as condições ergonômicas favoráveis,
se faz necessário a análise de medidas antropométricas, cor e iluminação.
2.4.1 Medidas Antropométricas
As tarefas que abrangem o produto condizem com o trabalho em superfícies
horizontais, envolvendo análises na área de alcance físico e altura da mesa para trabalho
sentado ou em pé. A Figura 44 ilustra as áreas de alcance ótimo e máximo para um
trabalhador sentado.
Figura 44: Recomendações para o dimensionamento
de posto de trabalho – postura sentada
Fonte: Iida (1997, p. 157).
52
A ABNT (2007) afirma que sempre que o trabalho puder ser executado na posição
sentada, o posto de trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posição, evidenciando a
importância de um assento adequado. Os assentos devem atender aos requisitos mínimos de
conforto, são eles: o ajuste de altura de acordo com a estatura do usuário e o trabalho a ser
realizado; formas arredondadas na borda frontal do assento; encosto ajustável de maneira que
preserve a região lombar; evitar conformação na base do assento. A Figura 45 orienta as
dimensões e angulações adequadas para as posturas ereta e relaxada.
Figura 45: Dimensões adequadas para assentos
Fonte: Iida (1997, p. 143).
Segundo a ABNT (2007), a mobília onde o trabalho é desenvolvido, em pé ou sentado,
deve possuir altura e superfície adequadas ao tipo de atividade, área de fácil visualização e
alcance físico e dimensionamento apropriado. Requisitos que irão proporcionar visualização,
operação e boa postura do usuário (Figura 46).
53
Figura 46: Alturas recomendadas para superfícies horizontais de trabalho em pé
Fonte: Iida (1997, p. 138).
O mobiliário a ser desenvolvido tem como foco o público feminino com idades de 15
a 50 anos de idade, portanto, o estudo do corpo humano é essencial para que o produto esteja
adequado ergonomicamente. As medidas antropométricas da mulher irão auxiliar no estudo
das dimensões do mobiliário, definindo medidas de assento e altura de mesa, por exemplo. As
Figuras 47, 48 e 49 representam as dimensões de acordo com os percentis das mulheres.
Figura 47: Medidas da mulher do percentil 99
Fonte: Tilley e Associates (2005, p. 30-31).
54
As medidas da mulher do percentil 99 pertinentes ao desenvolvimento do produto
correspondem ao quadril na posição sentada (46,4 cm), altura poplítea (45,7 cm) e largura
poplítea (53,6 cm).
Figura 48: Medidas da mulher do percentil 50
Fonte: Tilley e Associates (2005, p. 30-31).
As medidas da mulher do percentil 50 pertinentes ao desenvolvimento do produto
correspondem ao quadril na posição sentada (37,1 cm), altura poplítea (40,5 cm) e largura
poplítea (48,8 cm).
55
Figura 49: Medidas da mulher do percentil 1
Fonte: Tilley e Associates (2005, p. 30-31).
As medidas da mulher do percentil 1 pertinentes ao desenvolvimento do produto
correspondem ao quadril na posição sentada (28,5 cm), altura poplítea (38,1 cm) e largura
poplítea (41,8 cm).
2.4.2 Cor na Ergonomia
“A cor é uma informação visual, causada por um estímulo físico, percebida pelos
olhos e decodificada pelo cérebro” (GUIMARÃES, 2001, p. 12). A cor desempenha sobre o
indivíduo uma ação tripla: impressionar (direcionar a visão); expressar (provocar emoções); e
construir (transmitir uma ideia) (FARINA, 1990).
O estudo das cores é essencial na ergonomia, pois atua na adaptação do ambiente ao
trabalho, proporcionando influência psicológica positiva, bem-estar, saúde e segurança dos
usuários e contribuindo na melhoria das condições físicas do trabalho (SILVA, 1995).
A percepção dos ambientes e objetos é diretamente influenciada pela cor. Para
Figueiredo (2007), as cores interferem principalmente na percepção: visual (formas, peso,
espaço, tamanho e movimento), temporal, temperatura, tátil, auditiva, gustativa e olfativa.
56
Para auxiliar na escolha das cores de ambientes ou móveis se faz necessária a
utilização de esquemas, combinações preestabelecidas. Os esquemas são classificados em
harmônicos (Figura 50), onde as cores não competem entre si e o contrastante (Figura 51),
cores opostas do círculo cromático9 (Figura 52), a utilização de tons escuros juntamente com
tons claros é proposital, dando destaque às cores mais fortes (GURGEL, 2012).
Figura 50: Esquema harmônico
Fonte: Carol Mendonça Design (2015).
Figura 51: Esquema contrastante
Fonte: Carol Mendonça Design (2015).
9
O círculo cromático é a ferramenta fundamental para o estudo de cores e na elaboração das cores de projetos.
Composto por doze cores, sendo: três cores primárias (amarelo, azul e vermelho); três cores secundárias (laranja,
violeta e verde); seis cores terciárias (compostas pela mistura das cores secundárias) (BARROS, 2009).
57
Figura 52: Círculo cromático
Fonte: Mundo Pauta (2015).
Proporcionando condições adequadas de ambiente, a cor minimiza o risco de fadiga
visual e consequente à diminuição de erros na execução das tarefas, fazendo com que o
usuário concentre sua atenção na tarefa executada (SILVA, 1995).
Gurgel (2012) afirma que a cor e a luz interagem, ou seja, não podem ser pensadas
separadamente. A maneira de como a luz incide em uma superfície pode ser responsável por
alterar a percepção da tonalidade da cor, revelando a importância de uma análise acerca da
iluminação.
2.4.3 Iluminação
Outro fator a ser destacado e analisado é a iluminação do ambiente. A ABNT (2007)
apresenta as condições de iluminação adequada, seja ela natural ou artificial, geral ou
suplementar, apropriada à natureza da atividade. A iluminação geral deve ser uniformemente
distribuída e difusa, projetada e instalada de maneira que evite sombras, ofuscamento,
reflexos incômodos e contrastes excessivos (Figura 53).
58
Figura 53: Iluminação geral e localizada
Fonte: Vistalia Orihuela (2015).
Um ambiente adequado para o trabalho proporciona ao homem uma melhor qualidade
de vida, desempenhando influência psicológica positiva ao exercer as tarefas. O planejamento
apropriado da luz no ambiente de trabalho auxilia na redução de incidentes ocorridos em
virtude da fadiga visual. Evidenciando a importância do estudo da iluminação nos ambientes
de trabalho ao realizar a análise ergonômica do trabalho (SILVÉRIO, 1995).
59
3 METODOLOGIA
Com o intuito de construir conhecimento para a aplicação prática em um mobiliário
multifuncional voltado ao público feminino realizou-se uma abordagem de modo
exploratório, o que segundo Gil (2007) possibilita uma maior compreensão do problema. Para
o desenvolvimento desta foram realizadas pesquisas bibliográficas, documentais e de campo.
Conforme afirma Fonseca (2002), a pesquisa bibliográfica é realizada através de
levantamento de referencial teórico já publicado, principalmente de livros, artigos científicos
e websites. Portanto, foram coletadas informações nas áreas de ergonomia, tendências, design
de móveis, design de superfície, entre outras.
A pesquisa documental ocorre quando elaborada a partir de materiais que não
receberam tratamento analítico (GIL, 2007), tais como, fotografias de mobiliários e
regulamentos da norma ABNT, entre outros. Já a pesquisa de campo caracteriza-se pelas
investigações em que, além da pesquisa bibliográfica e documental, são coletados dados junto
a pessoas por meio de entrevistas, questionários, observação in loco, sendo analisados
posteriormente os resultados (LOPES, 2006). Neste trabalho foi realizado um questionário
quantitativo aplicado ao público feminino com perguntas fechadas, para obter informações a
respeito do comportamento e das necessidades das usuárias e o levantamento de informações
acerca da tipologia das habitações populares.
A metodologia projetual adotada como referência para o desenvolvimento do produto
é proposta por Bonsiepe (1986). Esta é composta por cinco macro etapas, sendo elas:
problematização, análises, definição do problema, anteprojeto/geração de alternativas e
projeto. As etapas possuem subitens que foram empregados de acordo com a necessidade
projetual. Esta metodologia visa encontrar a opção mais adequada de produto, ou seja, a que
atenda aos requisitos e solucione as falhas evidenciadas na etapa de problematização.
60
4 RESULTADOS
4.1 PESQUISA DE CAMPO
Para iniciar a pesquisa de campo foi realizado um levantamento de informações acerca
da tipologia das habitações populares.
As unidades habitacionais apresentam tipologias mínimas para casas térreas e
apartamentos estabelecidos pelo Programa Minha Casa Minha Vida. A tipologia mínima para
casa térrea consiste em dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. A área de
transição mínima de área útil é de 32 m2 e acessibilidade com área útil mínima de 36 m2, não
computada área de serviço nestes. No caso de apartamentos, a tipologia mínima consiste em
dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, tendo área de transição mínima de área
útil de 37 m2 e área útil mínima de acessibilidade de 39 m2 (CEF, 2015).
Estas condições estabelecidas irão conduzir e determinar a escolha das medidas gerais
do produto a ser desenvolvido neste trabalho monográfico, de maneira que este esteja em
acordo com a situação das residências apresentadas.
Em segundo momento foi realizada pesquisa por meio de questionário (APÊNDICE
A) de caráter exploratório e foi aplicado ao público-alvo (mulheres entre 16 a 55 anos de
idade), no período de 02 a 30 de março de 2015, no município de Ijuí. Deste modo, realiza-se
o recolhimento de dados, a partir de um questionário elaborado com perguntas de ordem
qualitativa, tendo como propósito estudar o comportamento, descobrir as necessidades das
usuárias e os benefícios percebidos no mobiliário.
O resultado do questionário é apresentado em formato de gráficos com a descrição dos
dados coletados.
4.1.1 Estado Civil
Através do gráfico é possível observar que prevalece o número de pessoas solteiras
(Figura 54).
61
Figura 54: Estado civil
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.2 Número de Moradores da Residência
Em grande parte das residências encontram-se dois moradores e apenas uma pessoa
citou cinco moradores na mesma casa. Além disso, percebe-se que cinco das entrevistadas
moram sozinhas (Figura 55).
Figura 55: Número de moradores da residência
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.3 Número de Mulheres na mesma Residência
Dentre o número de moradores em mesma residência apresentam um a dois moradores
do sexo feminino em grande maioria (Figura 56).
62
Figura 56: Número de mulheres na mesma residência
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.4 Mobiliário Específico para Armazenar Produtos de Beleza
Num total de 56 entrevistadas, 47 pessoas não possuem um mobiliário específico para
armazenar produtos de beleza (Figura 57).
Figura 57: Mobiliário específico para armazenar produtos de beleza
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.5 Mobiliário que Exerce Função de Armazenar Produtos de Beleza
Os mobiliários mais utilizados para armazenar produtos de beleza consistem em
cômoda, roupeiro e balcão, respectivamente, outros correspondem à escrivaninha (Figura 58).
63
Figura 58: Mobiliário que exerce função de armazenar produtos de beleza
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.6 Localização do Móvel na Residência
O móvel está localizado em grande maioria no ambiento do quarto. O segundo
ambiente onde este móvel é alocado é no banheiro (Figura 59).
Figura 59: Localização do móvel na residência
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.7 Forma de Aquisição do Móvel
A forma de aquisição por grande parte das entrevistadas é através de loja especializada
(Figura 60).
64
Figura 60: Forma de aquisição do móvel
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.8 Cor do Móvel
As cores mais utilizadas nos móveis das entrevistadas é a cor branca e bege (Figura
61).
Figura 61: Cor do móvel
Bege
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.9 Cor Desejada
A cor mais desejada para o móvel é o branco, seguido de madeira (Figura 62).
65
Figura 62: Cor desejada
Bege
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.10 Compartimentos Especiais para cada Tipo de Produto
Todas as entrevistadas afirmaram que seus mobiliários não possuem compartimentos
especiais para cada tipo de produto.
4.1.11 Espaço Adequado para Armazenar seus Produtos de Beleza
Todas as entrevistadas desejam espaços adequados para armazenar seus produtos de
beleza em seu móvel.
4.1.12 Acessórios Desejados no Móvel
Com relação aos acessórios desejados no móvel os itens mais citados foram: espelho,
iluminação e gavetas, respectivamente. As sugestões das entrevistadas apresentam a cadeira
como desejo (Figura 63).
Figura 63: Acessórios desejados no móvel
Fonte: Elaborado pela autora.
66
4.1.13 Tempo para Cuidados Pessoais
As mulheres entrevistadas gastam em média 30 minutos para os cuidados diários, ou
seja, o tempo utilizado no móvel (Figura 64).
Figura 64: Tempo para cuidados pessoais
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.14 Ordem dos Cuidados Pessoais
A ordem cabelo, pele e maquiagem é seguida pela maioria das entrevistadas (Figura
65).
Figura 65: Ordem dos cuidados pessoais
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.15 Benefícios Percebidos no Móvel
Com relação aos benefícios percebidos, os mais citados foram: organização,
praticidade e limpeza (Figura 66).
67
Figura 66: Benefícios percebidos no móvel
Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.16 Significado deste Móvel
Possuir este móvel significa para a maioria das entrevistadas bem-estar, seguido de
autoestima e vaidade (Figura 67).
Figura 67: Significado deste móvel
Fonte: Elaborado pela autora.
4.2 ANÁLISE DE PRODUTOS EXISTENTES
Em função de não existir um mobiliário específico e sim elementos que são
característicos do público feminino, conforme apresentadas no subcapítulo 2.1.2, é descartada
a necessidade de uma análise diacrônica, portanto procurou-se realizar um levantamento de
similares. Esta pesquisa consiste no estudo do universo do produto em questão – mobiliário
multifuncional feminino – por meio de um registro e de análises dos produtos existentes
semelhantes ao do projeto, buscando técnicas e processos com o intuito de desenvolver uma
proposta inovadora. Estrutura, materiais, formas, dentre outros requisitos serão analisados
individualmente, com o intuito de levantar as características mais adequadas para o futuro
produto.
68
Nesta etapa, comparam-se seis mobiliários multifuncionais direcionados ao público
feminino, atuantes no mercado, com o propósito de coletar informações e realizar
comparações a partir de critérios comuns, em busca de soluções viáveis para o projeto de
mobiliário multifuncional feminino a ser desenvolvido.
Figura 68: Móvel A – Justin escrivaninha/penteadeira
Fonte: Tokstok (2015).
Quadro 1: Informações do móvel A
Aspectos analisados
Materiais
Acessórios
Dimensões
Formato
Cores disponíveis
Manuseio
Limpeza
Valor aproximado
Fonte: Elaborado pela autora.
10
Escrivaninha/penteadeira
MDP10 com acabamento em pintura por impressão à base de
água e bordas em PVC
Tampo basculante com espelho e compartimento interno.
Sapatas plásticas
74 x 80 x 43 cm
Retangular
Branco
Peça simples
Manual com facilidade
R$ 540,00
MDP – Medium Density Particleboard, ou Painel de Partículas de Média Densidade (MASISA,2015).
69
Figura 69: Móvel B – Patchflower escrivaninha/penteadeira
Fonte: Tokstok (2015).
Quadro 2: Informações do móvel B
Aspectos analisados
Materiais
Acessórios
Dimensões
Formato
Cores disponíveis
Manuseio
Limpeza
Valor aproximado
Fonte: Elaborado pela autora.
Escrivaninha/penteadeira
MDF com acabamento em resina poliuretânica texturizada
Tampo pivotante com espelho e compartimento internos
Gaveta com corrediças metálicas
86,5 x 73 x 41,5 cm
Retangular e bordas arredondadas
Branco
Peça simples
Manual com facilidade
R$ 788,00
Figura 70: Móvel C – penteadeira Berlim
Fonte: Mobly (2015).
70
Quadro 3: Informações do móvel C
Aspectos analisados
Materiais
Acessórios
Dimensões
Formato
Cores disponíveis
Manuseio
Limpeza
Valor aproximado
Fonte: Elaborado pela autora.
Escrivaninha/penteadeira
MDF/MDP
Espelho fixo, banqueta estofada e 09 gavetas
170 x 160 x 45 cm
Retangular e bordas arredondadas
Tabaco ou carvalho bianco
Peça simples
Manual com facilidade
R$ 1.399,99
Figura 71: Móvel D – penteadeira Fineali
Fonte: Mobly (2015).
Quadro 4: Informações do móvel D
Aspectos analisados
Materiais
Acessórios
Dimensões
Formato
Cores disponíveis
Manuseio
Limpeza
Valor aproximado
Fonte: Elaborado pela autora.
Escrivaninha/penteadeira
Madeira
Espelho fixo e 04 gavetas
144 x 91 x 36 cm
Retangular e bordas arredondadas
Branco e rosa
Peça simples
Manual com facilidade
R$ 1.449,99
71
Figura 72: Móvel E – penteadeira Ava Gardner
Fonte: Rustika Design (2015).
Quadro 5: Informações do móvel E
Aspectos analisados
Materiais
Acessórios
Dimensões
Formato
Cores disponíveis
Manuseio
Limpeza
Valor aproximado
Fonte: Elaborado pela autora.
Escrivaninha/penteadeira
MDF espessura 12 mm esmaltado
02 tampas móveis com espelho, banqueta estofada e 04 gavetas
e divisórias
108 x 84 x 44 cm
Retangular e bordas arredondadas
Cores diversas
Peça simples
Manual com facilidade
R$ 1.142,68
Figura 73: Móvel F – penteadeira Camarim Cyrus
Fonte: Rustika Design (2015).
72
Quadro 6: Informações do móvel F
Aspectos analisados
Escrivaninha/penteadeira
MDF espessura 12 mm esmaltado
Espelho fixo, espera para iluminação, banqueta estofada e 11
gavetas
130 x 85 x 40 cm
Retangular e torneado
Cores diversas
Peça simples
Manual com facilidade
R$ 1.650,00
Materiais
Acessórios
Dimensões
Formato
Cores disponíveis
Manuseio
Limpeza
Valor aproximado
Fonte: Elaborado pela autora.
4.2.1 Análise Estrutural
Esta análise consiste em identificar as partes que compõem o produto, o número e
tipos de componentes, sistemas e partes. A análise é realizada com os seis produtos similares
ao produto a ser desenvolvido neste trabalho monográfico (Tabela 1).
Tabela 1: Análise estrutural
Número de
componentes
Estrutura
União
Móvel A
5
Móvel B
7
Móvel C
15
Móvel D
12
Móvel E
13
Móvel F
14
Laterais
Tampo
Laterais
Tampo
Gaveta
Espelho
Tampo
Gavetas
Moldura
Banqueta
Espelho
Pernas
Tampo
Gavetas
Espelho
Tampo
Gavetas
Divisórias
Moldura
Banqueta
Parafuso
Parafuso
Parafuso
Pistão
Sapata
Sapata
Parafuso
Cavilha
Sapata
Portal lateral
Tampo
Gavetas
Divisórias
Banqueta
Espelho
Parafuso
Sapata
Sapata
Ferragens e
Pistão
acessórios
Sapata
Fonte: Elaborado pela autora.
Parafuso
4.2.2 Análise Funcional
A análise funcional dos produtos existentes no mercado observa as características de
uso do produto (BONSIEPE, 1986).
73
Tabela 2: Análise funcional
Análise funcional
- Armazenamento de produtos (tampo)
- Mesa para trabalho horizontal e sentado
- Armazenamento de produtos (tampo)
- Mesa para trabalho horizontal e sentado
- Espelho
- Armazenamento de produtos
- Mesa para trabalho horizontal e sentado
- Espelho
- Assento
- Armazenamento de produtos
- Mesa para trabalho horizontal e sentado
- Espelho
- Armazenamento de produtos (gavetas e armário para
joias)
- Mesa para trabalho horizontal e sentado
- Espelho
- Assento
- Armazenamento de produtos (gavetas)
- Mesa para trabalho horizontal e sentado
- Espelho
- Assento
Móvel A
Móvel B
Móvel C
Móvel D
Móvel E
Móvel F
Fonte: Elaborado pela autora.
4.2.3 Análise Morfológica
A análise morfológica realiza um estudo da estrutura formal do produto e levando em
consideração informações sobre cores e materiais (Tabela 3).
Tabela 3: Análise morfológica
Móvel A
Forma
Reta
Cores
Branco
MatériasMDP
primas
Fonte: Elaborado pela autora.
Móvel B
Reta
Branco
MDF
Móvel C
Arredondada
Tabaco
MDF/MDP
Móvel D
Arredondada
Rosa
Madeira
Móvel E
Reta
Branco
MDF
Móvel F
Arredondada
Branco
MDF
4.3 DEFINIÇÃO E HIERARQUIZAÇÃO DE REQUISITOS
A partir das análises realizadas e da coleta de dados na aplicação de questionário,
foram elencados requisitos que orientaram a sequência do projeto.
Os requisitos procuram estabelecer a melhor interação entre o produto a ser projetado
e o usuário utilizando parâmetros de avaliação (Tabela 4).
74
Tabela 4: Hierarquização dos requisitos
Parâmetro
Ergonomia
Requisito
Trabalho sentado
Medidas
antropométricas da
mulher
Temática
Art Deco
Art Nouveau
Barroco
Cores
Branco
Marsala
Amarelo
Turquesa
Materiais
MDP
MDF
Acabamento
Fórmica
BP
Funcionalidade
Iluminação
Espelho
Armazenagem de
utensílios
Banqueta
Forma
Adaptação ao ambiente
Compacta
Multifuncional
Fonte: Elaborado pela autora.
Opcional
Hierarquização
Desejável
Indispensável
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Estando definidos os requisitos básicos foram elaborados painéis semânticos com
conceitos e imagens para inspiração (Figuras 74 e 75).
75
Figura 74: Painel semântico 1
Fonte: Elaborado pela autora.
76
Figura 75: Painel semântico 2
Fonte: Elaborado pela autora.
4.4 GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS
Através da definição dos requisitos e da elaboração e análise dos painéis semânticos
foram geradas quatro alternativas. A primeira alternativa (Figura 76) exibe uma estrutura
simétrica, com espelho fixo e suportes (ganchos), localizados na lateral deste, para acomodar
objetos suspensos. Possui duas gavetas, sendo uma delas modelo expositor, tendo divisórias
internas e tampo com acabamento em vidro. Este modelo apresenta uma proposta de criadomudo e penteadeira. O armazenamento de cosméticos e acessórios é localizado na base.
77
Figura 76: Alternativa 1
Fonte: Elaborado pela autora.
A segunda alternativa (Figura 77) apresenta um design assimétrico, seguindo um
modelo de escrivaninha e penteadeira. O espelho é localizado em tampo móvel. Possui três
gavetas e possui espaço para acomodar banqueta ou cadeira. O armazenamento de cosméticos
e acessórios é localizado na lateral do móvel.
Figura 77: Alternativa 2
Fonte: Elaborado pela autora.
78
A opção 3 (Figura 78) não possui gavetas, apenas tampo móvel com espelho e espaço
interno com divisórias para acomodar cosméticos, acessórios e iluminação interna. As laterais
do móvel são iguais, apresentando um modelo de escrivaninha e penteadeira.
Figura 78: Alternativa 3
Fonte: Elaborado pela autora.
A quarta alternativa (Figura 79) consiste em um móvel assimétrico, apresentando um
modelo de escrivaninha e penteadeira. Possui prateleiras laterais de vidro para a exposição de
produtos. O tampo é móvel e possui espelho e iluminação, nas extremidades deste. Em uma
das laterais do tampo existem três orifícios para armazenar utensílios como secador e escovas
de cabelo. A base central do móvel consiste em banqueta (Figura 80) com rodízios no modelo
baú, sendo o assento e encosto estofados.
79
Figura 79: Alternativa 4
Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 80: Detalhe da alternativa 4
Fonte: Elaborado pela autora.
80
Tabela 5: Análise de requisitos atendidos pelas alternativas
Iluminação
Espelho
Alternativa 1
Trabalho
sentado
-
-
X
Armazenagem
de utensílios
X
Alternativa 2
Alternativa 3
X
X
X
X
X
X
X
Alternativa 4
X
X
X
X
Opções
Ganchos
Expositor
Divisórias internas
Tampo móvel
Tampo móvel
Divisórias internas
Tampo móvel
Prateleira de vidro
Divisórias internas
Suporte para secador e
escovas de cabelos
Fonte: Elaborado pela autora.
4.4.1 Escolha da Alternativa
Através da análise da tabela é possível observar que a quarta alternativa atende a todos
os requisitos citados, sendo assim a melhor opção para o desenvolvimento do móvel. Esta
alternativa possibilita a utilização de aplicações elaboradas a partir de painel semântico
(Figura 75), utilizando o conceito de adaptação ao ambiente, permitindo também o emprego
de cores e temáticas, requisitos desejáveis da Tabela 4, que irão proporcionar ao produto sua
acomodação em diversos estilos e ambientes (Figuras 81, 82 e 83).
Figura 81: Ilustração da alternativa escolhida – tampo aberto
Fonte: Elaborado pela autora.
81
Figura 82: Ilustração da alternativa escolhida – tampo fechado
Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 83: Aplicações
Fonte: Elaborado pela autora.
4.5 DETALHAMENTO DO PROJETO
4.5.1 Memorial Descritivo
O produto desenvolvido recebeu o nome de SELKIE – mobiliário feminino
multifuncional, pois apresenta o conceito de adaptação ao ambiente, estilo e momento de vida
das usuárias, em referência aos seres mitológicos que possuíam essa capacidade de
transformação (LEVERAGE, 2011). O mobiliário caracteriza-se pela sua composição simples
e estrutura formal compacta. O trabalho executado é principalmente em posição sentada.
82
Seguindo o requisito de multifuncionalidade, as principais funções percebidas são de
armazenamento de cosméticos e acessórios de beleza e mesa para trabalhos. O trabalho
executado é principalmente em posição sentada.
A matéria-prima é o MDP, na cor branco, com 15 mm de espessura e tem sua estrutura
montada através de parafusos e com sapatas plásticas 5 mm. O tampo possui duas dobradiças,
dois pistões a gás com 100 N de força (Figura 84) que proporcionam a sua abertura e fixação
e o sistema click (Figura 85), que se trata de um dispositivo para abertura automática de
portas com sistema magnético, que dispensa a utilização de puxadores.
Figura 84: Pistão a gás e dobradiças para móveis
Fonte: Metalnox (2015).
Figura 85: Sistema click
Fonte: FGVTN (2015).
83
A parte interna do tampo é composta por espelho e duas barras de LED (Figura 86)
responsáveis pela iluminação, estas barras são móveis e possuem sensores de movimentos e
abastecimento com pilhas alcalinas, utilizando o conceito de iluminação flexível.
Figura 86: Barra de LED com sensor de movimento
Fonte: AliExpress (2015).
O armazenamento de cosméticos e acessórios é localizado na porção central, lateral e
superior do móvel, através de divisórias (Figura 87) com 6 mm de espessura, móveis na parte
interna do tampo, também por meio de prateleiras em vidro (Figura 88) de 6 mm de espessura
em uma das laterais do móvel, sendo possível optar a posição destas e através de orifícios
localizados na lateral do tampo, com dimensões específicas para armazenar secador, prancha
alisadora e escova de cabelo.
Figura 87: Detalhe do tampo
Fonte: Elaborado pela autora.
84
Figura 88: Prateleiras laterais em vidro
Fonte: Elaborado pela autora.
SELKIE possui banqueta com rodízios de silicone ocultos e baú para armazenamento
de produtos, sendo o assento estofado e com encaixe em MDP (Figura 89). O estofamento
utiliza espuma com densidade 20 e espessura de 3 cm, sendo revestida por tecido de courino
na cor branco. A banqueta possui puxador de perfil que permite a abertura e movimentação.
Figura 89: Banqueta
Fonte: Elaborado pela autora.
Os apliques utilizam o MDF laminado colorido como matéria-prima, na espessura de 6
mm, nas cores marsala (PANTONE, 2015), turquesa e girassol (CECAL, 2015), de acordo
com os três modelos apresentados, estes são separados em forma de kits.
O kit SELKIE – Romance (Figura 90) utiliza a tendência sensualidade vibrante como
fonte de inspiração, seguindo referências do estilo barroco, representado na cor girassol
(CECAL, 2015).
85
Figura 90: Kit SELKIE – Romance
Fonte: Elaborado pela autora.
O kit SELKIE – Deco (Figura 91) utiliza a tendência experiência/transformação
(ABIHPEC, 2015) como fonte de inspiração, o estilo da Art Deco é o destaque deste estilo,
representado na cor turquesa (CECAL, 2015).
Figura 91: Kit SELKIE – Deco
Fonte: Elaborado pela autora.
O kit SELKIE – Glam (Figura 92) utiliza a tendência tradições recriadas (ABIHPEC,
2015) como fonte de inspiração, seguindo referências do estilo da Art Nouveau, representado
na cor marsala (PANTONE, 2015).
86
Figura 92: Kit SELKIE – Glam
Fonte: Elaborado pela autora.
Por meio de 22 pastilhas de imã de neodímio (12 mm de diâmetro x 1 mm de
espessura) (Figura 93) distribuídos na superfície frontal do móvel e na face posterior dos
apliques, respectivamente, é possível a aderência ao móvel. É realizado rebaixamento de 1
mm em cada ponto de fixação do imã para que este fique nivelado com a superfície. Este
dispositivo possibilita a troca dos kits de forma prática e eficaz.
Figura 93: Pastilha de imã de neodímio
Fonte: Neodímio (2015).
4.5.2 Protótipo
A produção do modelo (Figuras 94, 95 e 96) foi executada em escala 1:1, de acordo
com os materiais estabelecidos no memorial descritivo. Foi alterada apenas a matéria-prima
da estrutura, sendo utilizando o MDF 18 mm; e os kits (Figuras 97, 98 e 99), produzidos em
MDF cru de 0,6 cm de espessura com acabamento em tinta acrílica semibrilho para simular o
MDF laminado colorido. Essas alterações foram realizadas devido à indisponibilidade do
material.
87
O protótipo com a iluminação utiliza o mesmo material apresentado no memorial
descritivo (Figura 100).
Figura 94: Vista frontal do protótipo
Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 95: Detalhes do produto
Fonte: Elaborado pela autora.
88
Figura 96: Protótipo – banqueta
Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 97: Modelo kit Romance
Fonte: Elaborado pela autora.
89
Figura 98: Modelo kit Deco
Fonte: Elaborado pela autora.
Figura 99: Modelo kit Glam
Fonte: Elaborado pela autora.
90
Figura 100: Modelo com iluminação
Fonte: Elaborado pela autora.
4.5.3 Desenho Técnico
No APÊNDICE B apresentam-se os desenhos técnicos do móvel. Na prancha 1, 2 e 3
são representadas as vistas essenciais e medidas principais, com especificação de alguns
materiais com o tampo em ângulo de 90º. Na prancha 4 as vistas principais e cortes da
banqueta. Na quinta prancha está o gabarito do móvel com o posicionamento dos imãs. Nas
pranchas 6, 7 e 8 as dimensões dos kits e as pranchas 9, 10 e 11 apresentam o posicionamento
dos imãs nos kits.
91
5 CONCLUSÃO
O cenário socioeconômico atual tem apresentado a mulher como principal
protagonista na ascensão da classe média nos últimos dez anos. São elas as responsáveis pelas
decisões de compras da família, destacando os investimentos em habitações, móveis e
cosméticos.
A partir da identificação de um novo nicho de mercado a ser explorado buscou-se
desenvolver um mobiliário multifuncional residencial voltado para o público feminino
consumidor de cosméticos, com idades entre 15 a 50 anos, levando em consideração o baixo
custo de produção e as dimensões restritas das atuais moradias.
Por meio do levantamento de informações realizado no processo de pesquisa,
possibilitou-se a definição dos requisitos a serem atendidos pela proposta de produto, a
associação de ideias e a geração de alternativas para a escolha da melhor alternativa através de
soluções viáveis. Os resultados obtidos atenderam aos requisitos estabelecidos, sendo
solucionados de forma simples e acessível, proporcionando a fabricação do projeto e
ofertando ao mercado e às usuárias um produto inovador.
O conceito do mobiliário SELKIE apresenta como principais características a
multifuncionalidade, estrutura compacta e ergonômica e a adaptação ao ambiente. As funções
de uso do produto variam conforme a necessidade da usuária, podendo ser utilizado como
mesa para trabalhos, penteadeira, escrivaninha em seu uso residencial, porém foi identificado
que este produto pode ser utilizado em ambientes de trabalho como, por exemplo, salões de
beleza, lojas de cosméticos e perfumaria. Este produto pode ser comercializado em lojas
físicas especializadas e também por meio de comércio eletrônico.
Através dos kits de aplicações, permite que este se mantenha sempre em acordo com
as tendências, proporcionando uma infinita variação de cores, estilos e materiais, podendo
atender outros níveis de consumidores ou empresas. Estes apresentam a vantagem de
fidelização de clientes por meio de uma linha de produção periódica de novas molduras,
mantendo a renda para a empresa ou vendedor.
SELKIE é um conceito de mobiliário que tem sua aplicação ilimitada, como
recomendações para trabalhos futuros sugere-se o emprego deste em outros ambientes da
residência como, por exemplo, uma coleção para cozinha, sala ou dormitório.
92
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99
APÊNDICES
100
APÊNDICE A
Modelo de questionário utilizado na pesquisa de campo
101
QUESTIONÁRIO DE PESQUISA
1. Qual sua idade? ________________
2. Qual seu estado civil?
( ) Solteira ( ) Casada ( ) Divorciada ( ) Viúva
3. Quantas pessoas moram com você? ________________
4. Quantas pessoas do gênero feminino moram com você? ________________
5. Você possui um móvel específico (penteadeira) para armazenar produtos de beleza?
( ) Sim ( ) Não
6. Se não, tem algum outro móvel que é utilizado para essa função? ________________
7. Onde este móvel está localizado em sua residência?
( ) Quarto ( ) Banheiro ( ) Sala ( ) Outro: ________________
8. Este móvel foi adquirido em loja especializada ou foi planejado? ________________
9. Qual a cor do móvel? ________________
10. Qual cor gostaria que tivesse? ________________
11. Quanto tempo é dedicado diariamente aos cuidados com pele, cabelos e maquiagem?
( ) 30 min ( ) 1 hora ( ) 2 horas ou mais
12. Qual a ordem que você segue?
( ) Pele ( ) Cabelo ( ) Maquiagem
13. Seu móvel possui compartimentos especiais para cada tipo de produto?
( ) Sim ( ) Não
14. Gostaria de ter um espaço adequado para armazenar seus produtos de beleza?
( ) Sim ( ) Não
15. O que você gostaria que tivesse neste móvel? Ex.: espelho, iluminação, etc.
__________________________________________________________________________
16. Quais os benefícios que você percebe neste móvel? Ex.: organização, limpeza, etc.
__________________________________________________________________________
17. O que este móvel significa para você? Ex.: autoestima, bem-estar, etc.
__________________________________________________________________________
102
APÊNDICE B
Desenhos Técnicos (Pranchas 1 a 11)
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TCC-SELKIE- ÉLEN BETSCH RUCHEL