I UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA PROGRAMA DE MESTRADO EM ZOOTECNIA CARACTERÍSTICA E CRESCIMENTO INICIAIS DE MUDAS DE ESSÊNCIAS FLORESTAIS DO SEMIÁRIDO NORDESTINO ANA CLAUDIA SILVA DIAS SOBRAL – CE DEZEMBRO – 2009 UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA PROGRAMA DE MESTRADO EM ZOOTECNIA CARACTERÍSTICA E CRESCIMENTO INICIAIS DE MUDAS DE ESSÊNCIAS FLORESTAIS DO SEMIÁRIDO NORDESTINO ANA CLAUDIA SILVA DIAS SOBRAL – CE DEZEMBRO - 2009 ANA CLAUDIA SILVA DIAS CARACTERÍSTICA E CRESCIMENTO INICIAIS DE MUDAS DE ESSÊNCIAS FLORESTAIS DO SEMIÁRIDO NORDESTINO Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Zootecnia, da Universidade Estadual Vale do Acaraú, como requisito parcial para obtenção do Título de Mestre em Zootecnia. Área de Concentração: Forragicultura ORIENTADOR: PROF. DR. JOÃO AMBRÓSIO DE ARAÚJO FILHO SOBRAL - CEARÁ DEZEMBRO – 2009 Bibliotecária Responsável: Ivete Costa CRB 3/998 D53c Dias, Ana Claudia Silva Característica e crescimento iniciais de mudas de essências florestais do semiárido nordestino/Ana Claudia Silva Dias. – Sobral UVA/Centro de Ciências Agrárias e Biológicas, 2009. 69f.: il. Orientador: João Ambrósio de Araújo Filho Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Vale do Acaraú /Centro de Ciências Agrárias e Biológicas/Mestrado em Zootecnia, 2009. 1. Essências florestais – características morfológicas. 2. Espécies arbóreas – semiárido. 4. Reflorestamento – semiárido – nordeste. I. Araújo Filho, João Ambrósio de. II. Universidade Estadual Vale do Acaraú, Centro de Ciências Agrárias e Biológicas. IV. Título. CDD 634.956 ANA CLAUDIA SILVA DIAS CARACTERÍSTICA E CRESCIMENTO INICIAIS DE MUDAS DE ESSÊNCIAS FLORESTAIS DO SEMIÁRIDO NORDESTINO Dissertação defendida e aprovada em 17 de dezembro de 2009, pela Comissão Examinadora constituída por: ___________________________________________________ Prof. Dr. João Ambrósio de Araújo Filho Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA Coordenação de Zootecnia Orientador ___________________________________________________ Profa. Dra. Marlene Feliciano Mata Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA Coordenação de Biologia ___________________________________________________ Prof. Dr. Elnatan Bezerra de Souza Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA Coordenação de Biologia ___________________________________________________ Prof. Dr. Fabianno Cavalcante de Carvalho Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA Coordenação de Zootecnia ___________________________________________________ Profa. Dra. Maria Iracema Bezerra Loiola Universidade Federal do Ceará - UFC Departamento de Biologia SOBRAL – CEARÁ DEZEMBRO - 2009 Aos meus queridos e amados filhos: João Alexandre, Maria Luíza e Anna Júlia, ao meu marido e amigo Alexandre, que me serviram de incentivo todos os dias, em cada instante desta caminhada sempre acreditando e confiando em mim. Ao meu pai Sr. José Rogerio Ponte Dias, minha mãe Sra. Francisca da Silva Dias e a minha irmã Zenaide Silva Dias que sempre me ajudaram com meus filhos com amor, paciência e compreenção, pois sabia e sei das pessoas maravilhosas que são. Ofereço. DEDICO esta dissertação com muito carinho e amor à DEUS grande força deste universo, a minha familia, filhos, esposo, aos meus pais, irmãos e avó Maria Mirtes Cavalcante da Silva, que sempre acreditaram, investiram e confiaram em mim. Ao meu orientador Dr. João Ambrósio Araújo Filho e sua equipe (seus estagiários) que me ensinaram, ajudaram, incentivaram e acreditaram neste trabalho, sempre com paciência e muita compreensão. Dedico este trabalho. AGRADECIMENTOS Aos meus filhos, queridos e amados: João Alexandre, Maria Luíza e Anna Júlia, que foram fonte de força durante todo este período; Ao meu marido Alexandre, querido companheiro de todas as horas, pelo incentivo, respeito, apoio, paciência e amor incondicional; Ao meu pai, Sr. José Rogerio Ponte Dias, minha mãe, Sra. Francisca da Silva Dias, que me escolherem como filha e por acolherem com dedicação e amor meus filhos, mesmo com a minha distância, sempre dormia tranqüila por saber que meus “meninos” estavam com as pessoas certas; Aos meus irmãos, avó, avô, tios, primos e amigos, pelo o amor, amizade, carinho e apoio, nesta longa caminhada; Ao meu orientador Dr. João Ambrósio Araújo Filho, por acreditar no meu potencial, sempre com respeito, amizade, paciência, confiança, orientação e disponibilidade, além do exemplo pessoal e profissional a ser sempre seguido, pois, os seus ensinamentos e conselhos levarei como lição para o resto de minha vida; Ao Dr . Raimundo Braga Lobo da Embrapa Caprinos e Ovinos, pela atenção e presteza na análise dos dados e sugestões; Aos estudantes de Zootecnia da Universidade Estadual Vale do Acaraú: Francisca Mirlanda Vasconcelos Furtado, Tiago Silva Bezerra, Emanuelle Bruna Rodrigues Carneiro, Marcos Deames Araújo Silva, João Paulo Matos Pessoa e aos estudantes de Biologia: Henrique Ricardo Souza Ziegler e Nicholas Farias Lopes do Vale, que contribuíram para a coleta dos dados do experimento; A todos os Professores do Programa de Pós Graduação em Zootecnia da Universidade Estadual Vale do Acaraú pelos ensinamentos aprendidos, pelas dúvidas tiradas e pela vivência o meu obrigado. Aos funcionários do Departamento de Zootecnia e Química da Universidade Estadual Vale do Acaraú pelo auxilio e convívio que me ajudaram muito a atingir os objetivos desta dissertação; Aos extensionistas da Empresa de Extensão Rural e Assistência Técnica do Ceará (EMATERCE) de Camocim e Granja, Lucia Sousa Melo Freitas, Antõnio Marcos Monteiro Freitas e Francisco Hélio Mota Dias, pelo apoio e compreensão; À Deus, por tudo que sou e por tudo que fez e faz em minha vida, sendo o meu Refúgio e a minha Fortaleza nas horas boas e ruins, só tendo que agradeçer , todos os contratempos, durante este trabalho. E a todos aqueles que por algum motivo não tiveram seus nomes mencionados, mas que contribuíram diretamente ou indiretamente na minha formação pessoal e acadêmica. Sabemos que não foi fácil, mais isso só serviu, para o meu crescimento profissional e como ser humano, graças aos obstáculos que consegui ultrapassar e vencer. A todos vocês meus sinceros agradecimentos. SUMÁRIO PÁGINA LISTA DE TABELAS ........................................................................................... XII LISTA DE FIGURAS ............................................................................................ XIII LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS ..................................... XV RESUMO GERAL ................................................................................................ XVI GENERAL ABSTRACT ....................................................................................... XVII CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................. 1 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 3 CAPÍTULO 1 - REFERENCIAL TEÓRICO......................................................... 4 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 5 1. Fotossíntese e translocação de fotoassimilados .............................................. 6 2. A importância das essências florestais arbóreas nos sistemas ecológicos....... 8 3. Essências florestais perenifólias e caducufólias ............................................. 9 4. Desenvolvimento vegetal ................................................................................ 11 4.1. Desenvolvimento radicular .......................................................................... 12 4.2. Desenvolvimento do fuste e diâmetro de colo.............................................. 13 4.3. Desenvolvimento foliar ................................................................................ 14 4.3.1. Área foliar ................................................................................................. 14 5. Peso Seco (PS) e Peso Verde (PV) ................................................................. 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 17 CAPÍTULO 2 - CARACTERÍSTICA E CRESCIMENTO INICIAIS DE MUDAS DE ESSÊNCIAS FLORESTAIS DO SEMIÁRIDO NORDESTINO.... 25 RESUMO ............................................................................................................... 26 ABSTRACT ........................................................................................................... 27 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 28 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................... 30 1.1. Caracterização da área experimental............................................................ 30 1.2. Caracterização das espécies estudadas......................................................... 30 1.2.1. Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan (Angico) ........................... 30 1.2.2. Myracrodruon urundeuva Fr. All (Aroeira) ............................................. 32 1.2.3. Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz (Jucá) ............................... 33 1.2.4. Gliricidia sepium (Jacq.) Walp (Gliricídia) .............................................. 34 1.3. Procedimentos experimentais....................................................................... 35 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................... 37 2.1. Análise dimensional do crescimento .......................................................... 37 2.1.1. Área foliar ................................................................................................ 38 2.1.2. Comprimento do caule e da raiz .............................................................. 39 2.1.3. Crescimento ponderal das plântulas ........................................................ 42 2.1.4. Relações entre o sistema radicular e a parte aérea das mudas ................. 46 CONCLUSÕES ..................................................................................................... 47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 48 XII LISTA DE TABELAS PÁGINA CAPÍTULO 2 TABELA 1. Área média dos folíolos (cm2) em plantas adultas, em plântulas e incremento (%) do angico, aroeira, gliricídia e jucá, ao longo do período experimental aos dias 21 a 84 DAE ..................................... 38 TABELA 2. Área foliar (cm2), comprimento do caule (cm), comprimento da raiz (cm) e incremento (%) do angico (Ang), aroeira (Aro), gliricídia (Gli) e jucá (Juc), ao início (Ini) e ao final (Fin) do experimento ...................................................................................... 38 TABELA 3. Peso seco inicial e final médio (g) e incremento (peso final – peso inicial %) em plântulas de angico, aroeira, gliricídia e jucá ..... 43 TABELA 4. Pesos secos médios (g) das folhas, do caule, das raízes e incremento (%) do angico (Ang), aroeira (Aro), gliricídia (Gli) e jucá (Juc), ao início (Ini) e ao final (Fin) do experimento ................ 44 TABELA 5. Percentual do peso seco inicial e final das partes aéreas e subterrânea do angico, da aroeira, da gliricídia e do jucá ................ 44 TABELA 6. Relações peso verde/peso seco das folhas (PV/PSF), dos caules (PV/PSC) e peso seco da raiz/peso seco da parte aérea (PSR/PSA) do angico, aroeira, gliricídia e jucá, tomadas ao final do experimento ...................................................................................... 46 XIII LISTA DE FIGURAS PÁGINA CAPÍTULO 2 Figura 1. Planta adulta Angico (Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan) encontrada no Parque Botânico do Semiárido ao lado na Lagoa da Fazenda em Sobral - CE............................................................................................................. 32 Figura 2. Planta adulta Aroeira (Myracrodruon urundeuva Fr. All ) encontrada no municipio de Itatira – CE ................................................................................. 33 Figura 3. Planta adulta Jucá (Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz) encontrada na Fazenda Crioula da EMBRAPA-CNPCO em Sobral- CE.............. 34 Figura 4. Planta adulta Gliricídia (Gliricidia sepium (Jacq.) Walp) encontrada na Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, no Campus da Betânia em Sobral – CE ........................................................................................................... 35 Figura 5. Raiz (a), caule (b) e folhas (c) de muda de Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan (Angico) com 35 dias após a emergência............... 37 Figura 6. Raiz (a), caule (b) e folhas (c) de muda de Myracrodruon urundeuva Fr. All (Aroeira) com 35 dias após a emergência.................................................. 37 Figura 7. Raiz (a), caule (b) e folhas (c) de muda de Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz (Jucá) com 35 dias após a emergência................................... 37 Figura 8. Raiz (a), caule (b) e folhas (c) de muda de Gliricidia sepium (Jacq.) Walp (Gliricídia) com 35 dias após a emergência................................................. 37 Figura 9. Raizes de mudas de Gliricidia sepium (Jacq.) Steud (Gliricídia)(a), Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz (Jucá) (b), Myracroduon urundeuva Fr. All (Aroeira) (c), Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan (Angico) (d), aos 84 dias pós-emergência............................................................. 41 XIV PÁGINA Figura 10. Desenvolvimento ponderal das mudas, no período de 21 a 84 dias pós-emergência................................................................................................. 42 XV LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS % - Porcentagem °C - Graus Celsius g - Grama mg - Miligrama mm - Milímetro cm – Centímetro DAE - Dias após emergência PV - Peso verde PS - Peso seco PVR - Peso verde da raiz PSR - Peso seco da raiz PVC – Peso verde do caule PSC - Peso seco do caule PVF - Peso verde das folhas PSF - Peso seco das folhas CR - Comprimento da raiz CC - Comprimento do caule DC - Diâmetro do caule ou do colo PMV - Peso da matéria verde PMS - Peso da matéria seca CPA - Comprimento da parte aérea PMSPA – Peso da matéria seca da parte aérea PMSR – Peso da matéria seca da raiz PMST - Peso da matéria seca total AF - Área foliar IAF - Índice de área foliar Ang - Angico Aro - Aroeira Gli - Gliricídia Juc - Jucá Ini - Início do experimento Fin - Final do experimento XVI RESUMO GERAL A pesquisa objetivou determinar e monitorar as características morfológicas de desenvolvimento e crescimento inicial de plântulas de essências florestais das espécies: angico (Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan), aroeira (Myracrodruon urundeuva Fr. All), jucá (Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz) e gliricídia (Gliricidia sepium (Jacq.) Walp) no Semiárido Nordestino Brasileiro. O experimento foi conduzido nas dependências do Campus da Betânia, na Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, no município de Sobral – CE. As sementes foram semeadas em sacos de polietileno com capacidade 2,1 l, preenchidos com uma mistura à base de esterco bovino curtido (30%), vermiculite (30%) e terra vegetal (40%). Para as determinações do crescimento foram realizadas coletas, a cada 14 dias, constando de cinco mudas por espécie, iniciando aos 21 dias, após a emergência das plântulas, estendendo-se até aos 84 dias. Foram consideradas as seguintes variáveis: peso seco inicial e final das raízes, dos caules e das folhas, comprimento dos caules e das raízes, área foliar, relação parte aérea/parte radicular, peso verde/peso seco do caule, da folha e da raiz e diâmetro do colo. Na fase inicial de crescimento, a gliricídia e a aroeira, espécies caducifólias, investem seus fotoassimilados predominantemente no crescimento da folhagem e no caule, enquanto que angico e o jucá, espécies perenifólias o fazem no das raízes. O crescimento das plântulas das espécies estudadas relacionou-se diretamente com a área foliar, que afetou o desenvolvimento do sistema radicular e do caule. Espécies com mudas de adequado crescimento do fuste terão maior capacidade competitiva e possivelmente melhor sobrevivência em condições de campo. As características morfológicas das plântulas, tanto dimensionais como ponderais, constituem critérios adequados para seleção de espécies arbóreas para uso em reflorestamento. Palavras-Chave: crescimento, área foliar, semiárido, espécies arbóreas, caatinga XVII GENERAL ABSTRACT The objective of the research was to determine and to follow the morphological characteristics of the initial growth and development of seedlings of following forest species: angico (Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan), aroeira (Myracrodruon urundeuva Fr. All), jucá (Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz) e gliricídia Gliricidia sepium (Jacq.) Walp) in Semiarid of the Brazilian Northeast. The experiment was carried out at the facilities of the Betania campus of the Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA in Sobral county, state of Ceara. The seeds were planted in 2,1 l polietilene bags, filled with a mixture of cattle manure (30%), vermiculite (30%), and vegetal soil (40%). For growth determination, sample were harvested at 14 day intervals, with five seedlings per species, beginning at 21 after emergency and ending 84 days later. The following variables were considered: initial and final weight of roots, stems, leaves, above ground parts and root weight relationship green/dry weight of stems, roots and leaves, and neck diameter. At the initial growth phase, gliricídia and aroeira, leaf shedding species invest their photoassimilates predominantly in the foliage and in the stem growth, while angico and jucá invest in root growth. The growth of the seedlings of the studied species was related to the foliar area, the affected the development of the root system and of the stem. Species presenting seedlings with adequate stem growth will have higher competitive hability, and possibly survival under field conditions. The seedlings dimensional as well as weight morphological characteristics constitute adequate criteria for selection of tree species to be used in reforestation programs. Key words: growth, leaf area, semiarid, tree species, caatinga 1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS As espécies arbóreas no semiárido Nordestino constituem a base forrageira alimentar dos rebanhos bovino, ovino e caprino da região, além de produzirem lenha, estacas para cerca, fitoterápicos e madeira para uso geral. Cerca de 70% dessas espécies são reconhecidamente forrageiras, participando na dieta dos ruminantes domésticos (ARAÚJO FILHO et al., 1996; ARAÚJO FILHO et al., 1998). Ao longo dos últimos três séculos, as atividades antrópicas, caracterizadas por um extrativismo predatório da vegetação nativa, resultaram em processos acelerados de degradação ambiental, causando impactos perniciosos sobre a biodiversidade da vegetação, pondo em risco a sobrevivência das espécies arbóreas nativas. As espécies arbóreas tropicais são utilizadas para produção de forragem, lenha e para reabilitação de áreas nativas degradadas, protegendo o solo contra a erosão, recuperando a fertilidade natural, estabilizando o curso das correntes e otimizando a produção de fitomassa (SINGH, 1988). Assim, a exploração de espécies nativas para fins de reflorestamentos deveria ser estimulada, pois, aumentaria a biodiversidade vegetal, reduzindo os riscos biológicos e econômicos, pelo cultivo de uma grande variedade de espécies em sítios específicos e sob diferentes formas de plantio, mitigando os impactos das atividades de produção agrícola com a finalidade econômica e conservacionista (TONINI et al., 2006). Por isto, o reflorestamento vem sendo recomendado para a recuperação de extensas áreas do sertão nordestino. O estudo da análise de crescimento de mudas contribui para descrever as condições morfofisiológicas da planta em diferentes intervalos de tempo, permitindo acompanhar a dinâmica da produtividade da espécie vegetal (DANTAS et al., 2009; MAGALHÃES, 1986) e requer informações que podem ser obtidas, sem a necessidade de equipamentos sofisticados (SANTOS et al., 2006), ampliando o conhecimento sobre determinada espécie ou agrupamento sistemático de plantas, facilitando o reconhecimento e identificação das espécies de uma determinada região, dentro de um enfoque ecológico. Neste sentido, faz-se necessária a implementação de mais estudos sobre as características de crescimento das essências florestais nativas, pois, segundo Alencar (1994), as informações fenológicas e morfológica são valiosas do ponto de vista 2 botânico e ecológico, sendo necessárias para subsidiar outros estudos, como os de fisiologia e até os de revisão taxonômica. Nesta pesquisa, foram selecionadas quatros espécies: Myracrodruon urundeuva Fr. All (aroeira), Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan (angico), Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz (jucá) e Gliricidia sepium (Jacq.) Walp (gliricídia), por serem espécies arbóreas de grande importância econômica, devido aos seus múltiplos usos como: produção de madeira, alimentação animal e uso reflorestal, sendo que as leguminosas são fixadoras de nitrogênio. Estas espécies estão sofrendo um processo de exploração intensa, de forma predatória necessitando de maiores estudos para restauração das suas populações. Objetivou-se neste estudo monitorar as características do crescimento e do desenvolvimento inicial de mudas de aroeira, angico, jucá e gliricídia, como contribuição para o avanço do conhecimento sobre as espécies florestais nativas ou introduzidas adaptadas, fornecendo, ainda, subsídios para implementação de futuros programas de florestamento e reflorestamento no ecossistema caatinga. 3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALENCAR, J.C. Fenologia de cinco espécies arbóreas tropicais de Sapotaceae correlacionada a variáveis climáticas na reserva de Ducke, Manaus – AM, Acta Amazônica, Manaus – AM, v.24, p.161-182,1994. ARAÚJO FILHO, J.A.; GADELHA, J.A.; LEITE, E.R.; CRISPIM, S.M.A.; REGO, M.C. Composição botânica e dieta de ovinos e caprinos em pastoreio combinado na região dos Inhamuns - Ceará, R. Bras. de Zootec., v. 25, n.3, p.383-395. 1996. ARAÚJO FILHO, J.A.; LEITE, E.R.; SILVA, N.L. Contribution of woody species to the diet composition of goat and sheep in caatinga vegetation. Pasturas Tropicales, CALI, COLOMBIA, v. 20, n. 2, p. 41-45, 1998. DANTAS, B. F.; LOPES, A. P.; SILVA, F. F. S. da; LÚCIO, A. A.; BATISTA, P. F.; PIRES, M. M. M. da L.; ARAGÃO, C. A. Taxas de crescimento de mudas de catingueira submetidas a diferentes substratos e sombreamentos. Revista Árvore, Viçosa – MG, v.33 n.3, 2009. MAGALHÃES, A. C. N. Análise quantitativa de crescimento. In: FERRI, M. G. Fisiologia vegetal. São Paulo: EDUSP, p.331-350, 1986. SANTOS, J. G.; ZUCOLOTO, M.; BREGONCI, I. S; LOPES, J. C.; COELHO, R. I. Estimativa de área foliar do biribá (Rollinia mucosa) utilizando modelo matemático. In: X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica, São José dos Campos - SP. Revista UNIVAP. São Paulo : Jac Gráfica, v. 13. p.1031-1033, 2006. SINGH, P. Rangeland reconstrution and management for optimiging biomass production. In: PROCEEDING OF NATIONAL RANGELAND SYMPOSIUM, 1987, Jhansi-Índia. Proceeding... Jhansi-Índia, 1988. p. 20-37 TONINI, H.; ARCO-VERDE, M. F.; SCHWENGBER, D.; JUNIOR, M. M. Avaliação de espécies florestais em área de mata no Estado de Roraima. Cerne, Lavras – MG, v.12, n.1, p.8-18, 2006. 4 CAPÍTULO 1 REFERENCIAL TEÓRICO 5 INTRODUÇÃO As florestas têm papel essencial na qualidade de vida das populações, pelos benefícios ambientais que proporcionam, tais como: proteção do solo, dos mananciais de água, da fauna, captura do dióxido de carbono, aumento da vida útil dos reservatórios hídricos e pelo favorecimento da existência da biodiversidade (CARPANEZZI, 2000). Segundo Balbinot (2008), devido à crescente demanda pelos mais diversos produtos de origem vegetal, inúmeras reservas nativas vêm sendo exploradas de modo irracional, gerando impactos ambientais adversos, ocorrendo assim, o decréscimo e a perda da fertilidade do solo e a perda da biodiversidade. Por outro lado, a regeneração natural das florestas tropicais, é, muitas vezes, lenta e incerta, em virtude da combinação de fatores como: a agressividade e dominância de ervas anuais, a recorrência das queimadas, as condições microclimáticas desfavoráveis, a baixa fertilidade dos solos e a exaustão de banco de sementes (COSTA et al., 2004). De acordo com Alves (2004), nos últimos 20 anos, estudos demonstraram que o desflorestamento e a queima da biomassa causaram mudanças significativas, mas, ainda localizadas, principalmente nos ciclos da água, da energia, do carbono e dos nutrientes, assim como, na composição atmosférica. Já Nobre (2002) exaltou que as florestas, mais uma vez, são vistas como importantes para a reciclagem do vapor de água, através da evapotranspiração, durante o ano todo, contribuindo, assim, para sua própria manutenção aumentando a ocorrência de chuvas. Atualmente, a preocupação com a preservação dos ecossistemas tem contribuído para a definição e para a obtenção de sistemas sustentados de uso do solo. Desta forma, a introdução e a avaliação de espécies lenhosas com potencial para produção de energia, madeira, forragem e para a recuperação de áreas degradadas, são de grande importância. Neste sentido, de acordo com Balbinot (2008), deve-se dar enfoque ao uso de espécies nativas, devido a sua multiplicidade de usos, visando oferecer alternativas para comporem os sistemas de produção. O processo de escolha de espécies componentes de florestas de produção tem se baseado, primeiramente, em critérios climáticos, escolhendo espécies, com boa capacidade de adaptação em cada região, principalmente no que diz respeito à resistência à seca. Além disto, deve-se levar em consideração a produtividade, a qualidade da madeira, o teor calorífico, a exigência em nutrientes, a contribuição para a 6 conservação ambiental e para a recuperação de áreas degradadas, a sustentabilidade dos sistemas de produção agrícola, especialmente entre as pequenas propriedades rurais e como fonte adicional de renda a agricultores da região (BARROS e NOVAIS, 1990). As necessidades e justificativas para o reflorestamento, com espécies arbóreas nativas, em monocultivo ou em sistemas consorciados, são muitas e variam de acordo com as características ambientais e sócio-econômicas de cada região (MIRANDA e VALENTIM, 2000). De acordo com Costa et al. (2004), recentes pesquisas mostram que o plantio de árvores em áreas degradadas ameniza os fatores desfavoráveis, acelerando a sucessão natural. 1. FOTOSSÍNTESE E TRANSLOCAÇÃO DE FOTOASSIMILADOS A fotossíntese é o principal processo realizado pelas plantas, em que a energia luminosa é transformada em energia química, processando o dióxido de carbono (CO2), água (H2O) e elementos minerais em compostos orgânicos, com formação de matéria orgânica (96% da planta), resultando em alimento, fibra, celulose, liberação de oxigênio (O2) e energia (PEREIRA e PAIVA, 2008). A capacidade fotossintética pode se diferenciar de região para região, principalmente de espécies para espécies e de indivíduo para indivíduo, dependendo exclusivamente das condições ambientais. Assim sendo, a taxa fotossintética de um grupo de plantas poderá influenciar na quantidade de gás carbônico, presente em um determinado ambiente (ALVES, 2004). A produção fotossintética bruta dos vegetais depende de fatores externos como: concentração de CO2 e O2, disponibilidade de água, de nutrientes, temperatura e luz, e de fatores internos: dimensão, forma, disposição arquitetônica, idade e conteúdo de pigmentos das folhas e tipo de ciclo de fixação de CO2 (SOUSA, 2004). E dentre esses, a luz apresenta efeito mais pronunciado no crescimento da planta, por participar diretamente da fotossíntese (DEMUNER, 2004). Neste sentido, a eficiência do crescimento de mudas pode estar relacionada com a habilidade de adaptação das plântulas às condições de intensidade luminosa do ambiente, conforme observado por Scalon et al. (2003). Pesquisas desenvolvidas sobre crescimento de mudas de árvores nativas em função da luminosidade têm apontado respostas diferenciadas entre as espécies, principalmente considerando seu estádio sucessional. Na maioria das vezes, há necessidade de sombreamento na fase inicial de 7 crescimento (OLIVEIRA, 2008) e de maior intensidade de luz nos estádios avançados de desenvolvimento. De acordo com Guimarães et al. (2007), os diferentes níveis de luminosidade causam modificações morfofisiológicas nas plantas, fator este que pode explicar o comportamento de características genéticas em interação com padrões específicos de condições ambientais. Taiz e Zieger (2004) citaram que cerca de 90% da massa seca vegetal são originados diretamente da assimilação fotossintética do carbono através da fotossíntese. A taxa fotossintética da folha determina a quantidade total de carbono fixada disponível para a planta (ALEXANDRINO, 2005) e é função de fatores intrínsecos, como o nível de inserção e a idade e de fatores extrínsecos às folhas, como a irradiância, a água no solo, a temperatura e os nutrientes. Como resultado desse conjunto de fatores, as folhas de mais alto nível de inserção, mais jovens e melhor iluminadas, fotossintetizam mais e geralmente contribuem mais para o pool de fotoassimilados da planta que as folhas mais velhas, de mais baixos níveis de inserção (PEREIRA e PAIVA, 2008). Existe uma hierarquia na partição de assimilados para a fabricação dos diferentes compartimentos que compõem a biomassa vegetal, ou seja, folhas, hastes, ramificações e raízes (SILVA et al., 2001). Na ausência de limitações dos recursos de temperatura, água, nitrogênio e luz, a prioridade de alocação dos assimilados é para atender a demanda de folhas, hastes, ramificações e finalmente raízes. Na ocorrência de limitações de algum dos fatores que determinam diminuição na oferta de carbono (C), a intensidade de demanda de cada um dos compartimentos é alterada e a prioridade de alocação de assimilados passa a ser para raízes e reservas (PEREIRA e PAIVA, 2008). Fatores ambientais e genéticos, operando conjuntamente por meio de processos fisiológicos, controlam o crescimento e desenvolvimento das plantas (CASTRO e ALVARENGA, 2002). De acordo com Lázaro (2007), a luz, especialmente considerando-se a duração do período luminoso ou fotoperíodo, corresponde a um dos principais aspectos da interação das plantas com seu ambiente, controlando o desenvolvimento, por influenciar processos como a floração, germinação de sementes, crescimento de caules e folhas, formação de órgãos de reservas e partição de assimilados. 8 2. A IMPORTÂNCIA DAS ESSÊNCIAS FLORESTAIS ARBÓREAS NOS SISTEMAS ECOLÓGICOS No Brasil existe grande número de espécies florestais tropicais conhecidas e catalogadas, outras pouco conhecidas. As leguminosas têm distribuição cosmopolita e incluem 727 gêneros e 19.327 espécies e estão entre as plantas mais familiares em diversas partes do mundo. É a terceira maior família de plantas, com classificação tradicional, reconhecendo-se três subfamílias: Caesalpinioideae, Mimosoideae e Papilionoideae, podendo ser encontradas em praticamente em todos os ambientes terrestres, desde o litoral até o alto das montanhas (Queiroz, 2009). Apresentam amplo potencial econômico e ecológico, especialmente na produção de grãos, frutos, forragem, carvão, celulose, madeira, adubação verde, arborização e regeneração de matas (SOUSA, 2008). Parte do sucesso das Leguminosas pode ser explicado pela associação com bactérias fixadoras de nitrogênio que habitam nódulos nas suas raízes, com potencial para uso em sistemas agroflorestais e para reabilitação da sustentabilidade dos solos (NOBRE, 2008). Segundo Sousa (2008), a utilização de leguminosas arbóreas ou arbustivas na recuperação de solos degradados e na melhoria daqueles de baixa fertilidade natural tem sido uma prática bastante usual nas regiões tropicais, notadamente em áreas destinadas à produção de alimentos básicos. As leguminosas são espécies capazes de crescer, incorporar, reciclar o carbono (C), o nitrogênio (N) e outros nutrientes, principalmente em solos exauridos, favorecendo a posterior colonização da área por outras espécies mais sensíveis ou exigentes quanto às características de solo (FRANCO et al. 1992). Segundo estes autores, as vantagens do uso das leguminosas são do ponto de vista econômico e ambiental, a redução do uso de adubação nitrogenada e a menor aplicação de fertilizantes, minimizam o risco de contaminação do ecossistema, principalmente pelo uso excessivo de nitrogênio na adubação. Além disso, as leguminosas podem levar à interrupção do ciclo de pragas e doenças das gramíneas (ALVES e MEDEIROS, 1997). Em ecossistemas de pastagens, estes autores sugerem alternativas que envolvem o uso de leguminosas em rotação, consorciação com culturas anuais ou com gramíneas contribuindo e complementando para a alimentação animal. A grande diversidade de espécies de leguminosas, aliadas ao importante papel que estas plantas exercem na incorporação e suprimento de nitrogênio nos ecossistemas, faz com que sua inserção em programas de revegetação proporcione vantagens 9 adicionais àquelas normalmente obtidas com plantas de outras famílias botânicas. É, portanto, fundamental e indispensável à necessidade de inserir espécies de leguminosas, preferencialmente as nativas, em qualquer tentativa de recomposição de vegetação (SIQUEIRA et al., 1995). As Anacardiaceas são representadas por cerca de 80 gêneros e 600 espécies, que são conhecidas, por produzirem frutos saborosos, excelente madeira, compostos utilizáveis na indústria e na medicina (BARROSO et al., 2002). Além disso, são procuradas, pelas abelhas devido o néctar e pólen, para a produção de mel e pólen. Apresentam uso farmacológico; na entrecasca possui propriedades antiinflamatórias, adstringentes, antialérgicas e cicatrizantes, nas raízes são usadas no tratamento de reumatismo e as folhas são indicadas para o tratamento de úlceras entre outros. Sua madeira, em função da durabilidade e dificuldade de putrefação, é muito usada na construção civil como postes ou dormentes para cercas, na confecção de móveis de luxo, podendo também ser utilizadas como mourões, devido à sua durabilidade prolongada. A lenha é de boa qualidade, sendo muito procurada no meio rural (NUNES et al., 2008). 3. ESSÊNCIAS FLORESTAIS PERENIFÓLIAS E CADUCIFÓLIAS Nas regiões áridas e semiáridas, as condições climáticas, como a baixa precipitação total, agravada pela irregularidade das chuvas e pela reduzida disponibilidade de água nos solos, exercem grande influência na sobrevivência e adaptação das espécies vegetais neste ambiente. Espécies arbóreas tropicais podem variar de perenifólias até decíduas ou caducifólias, dependendo do grau de seca sazonal e do seu potencial de reidratação e controle de perda de água (REICH e BORCHERT, 1984). No semiárido Nordestino, algumas espécies lenhosas florescem na estação chuvosa e outras na estação seca (PEREIRA et al.,1989) e, de acordo com Lima (2007), existem na caatinga dois grupos fenológicos de espécies lenhosas: no primeiro, destacam-se espécies perenifólias, que mudam de folhas do início para o final da estação seca e têm floração na estação chuvosa; e no segundo, as espécies decíduas ou caducifólias, divididas em dois grupos: a) as que perdem folhas, brotam e florescem de imediato, no final da estação seca, e b) as que perdem folhas na estação seca e brotam e florescem na estação chuvosa. 10 E segundo aquele autor, em florestas secas a ocorrência dos eventos fenológicos, em algumas espécies, não é determinada primariamente pela ocorrência da chuva e sim pela disponibilidade hídrica para a planta e, com isso, plantas com raízes profundas ou que armazenam água no caule ou nas próprias raízes, podem apresentar padrões fenológicos independentes da precipitação. Neste caso, os padrões fenológicos podem ser induzidos devido a variações do fotoperíodo (BORCHERT et al., 2005). Muitas características morfológicas da planta podem ajudar a entender a questão de como a água é usada ou armazenada pela planta e, consequentemente, esclarecer certos padrões fenológicos encontrados em regiões tropicais (HOLBROOK et al., 1995). Dentre estas características pode-se destacar a espessura da cutícula, a textura da lâmina foliar; a profundidade e a biomassa das raízes e a densidade da madeira. E segundo Singh e Kushwaha (2005), árvores com madeira mais densa são mais sensíveis ao estresse hídrico e, conseqüentemente, perdem suas folhas, à medida que o solo vai ficando mais seco. Portanto, espécies com esta característica são fortemente dependentes da precipitação, portanto, o brotamento e a floração ocorrem somente quando se inicia a estação das chuvas (BORCHERT, 1994). Por outro lado, espécies com madeira menos densa, ou seja, que têm maior capacidade de armazenar água no caule permanecem bem hidratadas durante a estação seca, apresentando brotamento e/ou floração no final desta estação, enquanto a queda foliar ocorre ainda na estação chuvosa ou logo no início da estação seca (BARBOSA et al., 2003). Nas regiões tropicais áridas e semiáridas, as espécies perenifólias são pouco abundantes, tendo em vista o alto custo energético para manter essas plantas nessas regiões (MEDINA et al., 1985) e para o desenvolvimento de raízes profundas e folhas de menor área foliar específica (SOBRADO e CUENCA, 1979). As caducifólias são predominantes nesses ambientes, variando o grau de deciduidade de acordo com a reação aos déficits hídricos, uma vez que há espécies que perdem as folhas logo ao final da estação chuvosa e outras que as mantêm até o final da estação seca, criando, portanto, mosaicos temporais e espaciais dentro de microambientes, durante a estação seca (JUSTINIANO e FREDERICSEN, 2000). Sobrado e Cuenca (1979) argumentaram que as espécies perenifólias, em habitats oligotróficos e regiões de zona árida, se comportam com uma estratégia adaptativa, podendo ser atribuída a presença de estruturas de armazenamento de água, redução da superfície foliar e a exploração de nichos onde a disponibilidade hídrica é maior. 11 4. DESENVOLVIMENTO VEGETAL A análise de crescimento descreve as condições morfofisiológicas da planta em diferentes intervalos de tempo, permitindo acompanhar a dinâmica da produtividade, avaliada por meio de índices fisiológicos e bioquímicos. Constitui, pois, um método a ser utilizado na investigação dos efeitos dos fenômenos ecológicos sobre o crescimento, como a adaptabilidade das espécies em ecossistemas diversos, competição, diferenças genotípicas da capacidade produtiva e influência das práticas agronômicas sobre o crescimento (DANTAS et al., 2009; MAGALHÃES, 1986). As adaptações morfológicas variam segundo a alocação da biomassa, que pode se manifestar pelo incremento em massa, volume, comprimento ou área das diferentes estruturas da planta, o que é avaliado como crescimento (GLOSER e GLOSER, 1996). Qualquer que seja o tipo de adaptação, morfológica ou fisiológica, irá influenciar a planta como um todo (TORRES e SCHIAVINATO, 2008). Sendo assim, a análise quantitativa do crescimento é o primeiro passo na avaliação da produção vegetal e requer informações que podem ser obtidas sem a necessidade de equipamentos sofisticados (SANTOS et al., 2006). Na avaliação da qualidade de mudas de espécies arbóreas são considerados aspectos morfológicos e/ou fisiológicos. Os parâmetros fisiológicos são de difícil mensuração e análise, o que dificulta seu uso. Já parâmetros morfológicos, pela facilidade de medição e/ou visualização são os mais usados como: o comprimento da parte aérea (CPA), o diâmetro do colo (DC), o peso de matéria seca da parte aérea (PMSPA), das raízes (PMSR), e total (PMST) (ALENCAR et al., 2008; CHAVES e PAIVA, 2004), além do peso verde e seco da raiz, do caule, das folhas, comprimento da raiz, comprimento do caule, área foliar (BENINCASA, 1988) e relações entre estas variáveis (HODGSON e BOOTH, 1993). Estas aferições são as mais utilizadas para se obter informações sobre o crescimento das espécies, sem a necessidade de equipamentos sofisticados, com a finalidade de selecionar espécies lenhosas nativas, servindo de subsídio para a produção de mudas, além de ser fundamental para uma melhor compreensão do processo de estabelecimento da planta em condições naturais da floresta (GUERRA et al., 2006). 12 4.1. DESENVOLVIMENTO RADICULAR Segundo Silva e Jardim (2008), atualmente o estudo do sistema radicular é colocado como fator importante em qualquer sistema agrícola, pois o seu papel está relacionado a fatores como sustentação da parte aérea das plantas, absorção de nutrientes, associação com micorrizas e produção de metabólicos. E estes estudos, em plantas forrageiras, devem colaborar para aumentar os conhecimentos das interrelações existentes, em pastagens nativas, cultivadas, consorciadas, sob pastejo intensivo ou não e não devem desconsiderar a problemática da degradação. Os processos fisiológicos e anatômicos do sistema radicular não são alvos de divergências entre os pesquisadores (TAIZ e ZEIGER, 2004). Já os aspectos morfológicos e de distribuição radicular, são constantemente questionados e, muitas vezes, relacionados em estudos da fertilidade e da avaliação física do solo (descompactação, penetração de horizontes sub-superficiais), do acúmulo de matéria orgânica, da resistência a fatores de estresse ambiental (seca, alagamento, gelo) e do estabelecimento de associações simbióticas com microrganismos do solo. A capacidade das raízes em absorver água e nutrientes não aumenta em proporção ao aumento do comprimento ou da área radicular, pois enquanto as novas raízes com alta capacidade de absorção estão sendo produzidas, raízes mais velhas se tornam menos permeáveis (SILVA e JARDIM, 2008). Rossiello et al. (1995), em estudos sobre capacidade de absorção do sistema radicular, citam que, o comprimento e a área superficial das raízes são parâmetros importantes. Já Gregory (1994), aponta o comprimento, massa e superfície radicular, associados às concentrações dos nutrientes do solo como o complexo mais confiável para correlacionar os atributos de absorção de água e nutrientes pelo sistema radicular de plantas forrageiras. A relação parte aérea/raízes é de suma importância em plantas forrageiras, pois, durante o período de estacionalidade da produção, todas as reservas produzidas pela parte aérea são armazenadas na base do caule e nas raízes. Essas reservas terão importância fundamental no vigor da rebrota das plantas forrageiras, porém não se têm informações sobre a relação ótima para cada espécie (ABREU, 1993). A interdependência entre sistema radicular e parte aérea se evidência a partir da separação funcional: as raízes absorvem água e íons (em geral nutrientes), enquanto a parte aérea é responsável pela assimilação de carbono e absorção de energia. Assim, a 13 redução do funcionamento de uma das partes da planta geralmente resulta em redução na taxa de crescimento da outra parte, se todos os fatores atmosféricos e edáficos permanecerem constantes. Estudos ligados à produtividade de fitomassa demandarão dados sobre as quantidades totais de biomassa e sua partição entre parte aérea e raízes (ROBERTS et al., 1993). Os métodos de avaliação da estrutura e função de sistemas radiculares em condições de campo estão baseados no princípio de separação e lavagem das raízes do solo no qual crescem e, portanto, são de natureza destrutiva, tanto para o sistema radicular em estudo, como para o ambiente imediato (OLIVEIRA et al., 2001). O peso de matéria seca das raízes tem sido reconhecido por diferentes autores como um dos melhores e dos mais importantes parâmetros para se estimar a sobrevivência e o crescimento inicial das mudas no campo (GOMES, 2001). Porém, o peso seco radicular não constitui um parâmetro que caracterize com precisão a quantidade de raízes absorventes no substrato. Mudas de plantas que apresentam um sistema radicular bem desenvolvido tem como resultado um maior ganho em crescimento após o plantio (GONÇALVES et al., 2000). 4.2. DESENVOLVIMENTO DO FUSTE E DIÂMETRO DE COLO O comprimento da muda é um parâmetro de grande importância morfofisiológica, pois além de se correlacionar diretamente ao diâmetro, reflete de modo prático o crescimento e a diferenciação do vegetal, favorecendo todo o processo relacionado no sistema solo-planta (ALENCAR et al., 2008). Assim, a altura da parte aérea das mudas fornece uma excelente estimativa da predição do crescimento inicial no campo, sendo tecnicamente aceita como uma boa medida do potencial de desempenho das mudas (MEXAL e LANDS 1990). Já, de acordo com Gomes et al. (2002), embora a altura da parte aérea, quando avaliada isoladamente, seja um parâmetro para expressar a qualidade das mudas, recomenda-se que deva ser analisada combinada com outros parâmetros como: diâmetro do coleto, peso, relação peso das raízes/peso da parte aérea. Nesse sentido, a altura da parte aérea combinada com o diâmetro do colo constitui um dos mais importantes parâmetros morfológicos para estimar o crescimento das mudas, após o plantio definitivo no campo e mudas com maior diâmetro do colo possuem um maior equilíbrio no crescimento da parte aérea (CARNEIRO, 1995). 14 Barros (1978), afirma que a redução no crescimento de mudas de Eucalyptus grandis Hill ex Maiden no campo é consideravelmente maior nas mudas mais altas com pequenos diâmetros de colo do que com as de maiores diâmetros. Já Carneiro (1995), concluiu que o diâmetro do colo de mudas de Pinus sylvestris L. constituiu-se no principal parâmetro para definir a qualidade da madeira: com o aumento do diâmetro do colo, aumentou a freqüência da constituição de raízes, da formação de botões e lignificação de tecidos das mudas. Acrescentou ainda, que o crescimento das plantas dependeu de forma acentuada do diâmetro, assim como do desenvolvimento do sistema de raízes, e ressaltou que as mudas devem apresentar um diâmetro de colo mínimo, de acordo com a espécie e que seja compatível com a altura, para que seu desempenho no campo corresponda às expectativas. O diâmetro do colo é facilmente mensurável, não sendo um método destrutivo (GOMES et al., 2002). Por fim, o diâmetro do colo, é, em geral, o parâmetro mais observado para indicar a capacidade de sobrevivência das mudas no campo, e pode auxiliar na definição das doses de fertilizantes a serem aplicadas na produção de mudas (DANIEL et al., 1997). 4.3. DESENVOLVIMENTO FOLIAR 4.3.1. ÁREA FOLIAR A folha é o principal órgão das plantas envolvido no processo fotossintético e na transpiração e é responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente (PEREIRA et al., 1997). O processo fotossintético depende da interceptação da luz pela folhagem da planta e sua conversão em energia química. Portanto, a área foliar, expressa como IAF (Índice de área foliar), pode ser considerada um parâmetro indicativo da produtividade (FAVARIN et al., 2002) e é uma medida necessária para a maioria dos estudos agronômicos e fisiológicos envolvendo crescimento vegetal (BLANCO e FOLEGATTI, 2003), sendo, talvez, o mais importante parâmetro (BIANCO et al., 1983), para o entendimento da fotossíntese, interceptação luminosa, uso da água e nutrientes e o potencial produtivo, uma vez que está ligada diretamente à produção de matéria seca, através da fotossíntese (SANTOS et al., 2006). Neste contexto, torna-se fundamental o conhecimento da área foliar para ajudar o entendimento do processo de partição de assimilados e para a determinação do número de folhas ideal nas condições climáticas (LIMA et al., 2008). 15 Bellote e Silva (2000) relataram que a biomassa seca da parte aérea é uma característica muito importante na análise de uma muda, porque as folhas constituem uma das principais fontes de fotoassimilados e nutrientes, ingredientes estes vitais para adaptação da nova planta no período pós-plantio. Vários são os métodos que podem ser utilizados para determinar a área foliar das plantas em condições de campo ou laboratório, os quais diferem quanto à complexidade e precisão. Os métodos não-destrutivos são mais utilizados que os destrutivos (BIANCO et al., 2002), que geralmente, são mais trabalhosos e, por isso, demandam tempo e mão-de-obra que nem sempre são disponíveis ao pesquisador (SGARBI JÚNIOR, 1982). Para determinar a área foliar, utilizam-se o comprimento ao longo da nervura principal, a largura máxima e as relações entre essas medidas (NASCIMENTO et al., 2002). Pires et al. (1999), estimando a área de folíolos do morangueiro, verificaram que para a estimativa da área foliar total, além do uso das medidas do comprimento e da largura dos folíolos, a contabilização do número de folhas em amostra representativa é importante. A área foliar específica expressa a razão entre área foliar e a massa seca da folha. É considerada um importante fator do ponto de vista fisiológico por descrever a alocação da biomassa da folha por unidade de área, refletindo o “trade-off” entre a rápida produção de biomassa e a eficiente conservação de nutrientes (POORTER e GARNIER, 1999). A variável biofísica, índice de área foliar (IAF), definida como total de área foliar por área de superfície do terreno, está diretamente relacionada com a evapotranspiração, sendo a principal variável de entrada descritora da vegetação (XAVIER, et al., 2004). 5. PESO SECO (PS) E PESO VERDE (PV) A matéria seca é um dos parâmetros mais significativos, pois mostra o acúmulo de substâncias na formação de um órgão da planta, sem levar em conta a entrada de água (SOUZA et al., 2006). A produção de matéria seca tem sido considerada um dos melhores parâmetros para caracterizar a qualidade de mudas, apresentando, porém, o inconveniente de não ser viável a sua determinação em muitos viveiros, principalmente por envolver a destruição completa da muda e a utilização de estufas (AZEVEDO, 2003). 16 A relação peso verde e peso seco dos órgãos da parte área da planta pode ser utilizada para avaliar diversos atributos importante, ecologicamente, diferentes. E em muitos casos ela proporciona uma estimativa do nível de investimento de produtos fotossintéticos necessários para o crescimento. É particular e útil a relação entre o peso da matéria verde (PMV) e o peso da matéria seca (PMS) considerados em conjunção com os dados morfológicos, como por exemplo, a área foliar. Entretanto em habitat seco ou salino a relação pode ser útil como estimativa da suculência. A relação peso verde, peso seco, área foliar e volume do caule podem ser modificados pelos fatores ambientais. Cada espécie, quando plântula, tem valores característicos de peso verde e peso seco para tecido foliar e tecido do caule, por exemplo. E as espécies que investem consideráveis quantidades de fotossintéticos para crescimento foliar crescem mais lentamente do que as espécies que investem menos (HODGSON e BOOTH, 1993). 17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, J. G. 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Walp), e comparar as espécies relacionadas, determinando o desenvolvimento das espécies nativas e adaptadas no semiárido nordestino brasileiro. O experimento foi conduzido nas dependências do Campus da Betânia, na Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, no município de Sobral – CE. Os recipientes utilizados para o plantio das sementes foram sacos de polietileno preenchidos com uma mistura à base de esterco bovino curtido (30%), vermiculite (30%) e terra vegetal (40%). Para as determinações de crescimento das mudas, foram realizadas coletas a cada 14 dias a partir de 21 dias até os 84 dias após a emergência (DAE) das mudas. Em cada data eram coletadas por espécie cinco mudas ao acaso. Foram consideradas as seguintes variáveis: peso seco inicial e final das raízes, dos caules, das folhas e comprimentos dos caules e das raízes, área foliar, relações parte aérea/peso radicular, peso verde/peso seco do caule, da folha e da raiz e diâmetro do colo. A pesquisa seguiu um delineamento inteiramente casualizado, constituindo as quatro espécies arbóreas os tratamentos. Os resultados indicaram que gliricídia, espécie caducifólia, em fase inicial de crescimento, em regiões semi-áridas, investe seus fotoassimilados predominantemente no crescimento da folhagem e do caule, enquanto o jucá, espécie perenifólia prioriza o sistema radicular. O crescimento das plântulas das espécies estudadas relacionou-se diretamente com a sua área foliar, que afetou o desenvolvimento do sistema radicular e do caule. Espécies com mudas de elevado crescimento do fuste terão maior capacidade competitiva e possivelmente melhor sobrevivência em condições de campo. E, por fim, as características morfológicas das plântulas, tanto dimensionais como ponderais, constituem critérios adequados para seleção de espécies arbóreas para uso em reflorestamento. Palavras-Chave: crescimento, área foliar, semiárido, espécies arbóreas, caatinga. 27 INITIAL CHARACTERISTICS AND GROWTH OF SEEDLINGS OF ESSENCE OF FOREST SEMIARID NORTHEASTERN ABSTRACT This paper dealt with the evaluation and monitoring of the characteristics of the innitial growth and development of seedlings of angico (Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan) aroeira (Myracrodruon urundeuva Fr. All.), jucá (Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz) and gliricídia (Gliricidia sepium (Jacq.) Walp), and with the comparison of the related species, for determining the development of native and adapted tree species under the conditions of the Brazilian Semiarid Northeast. The experiment was conducted in the Betania Campus facilities of the Universidade Estadual Vale do Acaraú, UVA, in the Sobral county, Ceará state. Polyetilene bags containing a mixture of bovine manures (30%), vermiculite (30%) and vegetal soil (40%) were used as recipients for seed planting. The following variables were considered: initial and final dry weights of the roots, stems and leaves, length of the stems and of roots, leaf area, aerial part/root weight relationship, fresh weight/ dry weight of the roots, stems and leaves, and stam diameter. The experiment followed a complete randomized block design with four treatments (the tree species). The results indicated that gliricídia, a leaf shed species, at the initial growth phase, in semiarid regions, invested its photoassimilates, predominantely in foliage and stem growth, while jucá, an evergreen species priorized the root system. The growth of the seedlings of the studied species was directly related to their foliar area that affected the development of the root system and of he stem. Species with high stem growth seedlings will have higher competitive capacity and possibly better survival under field conditions. And, finally, the seedling dimensional as well as weight morphological characteristics, constitute adequate criteria for tree species selection to be used in reforestation programs. Key words: growth, leaf area, semiarid, tree species, caatinga 28 INTRODUÇÃO A demanda crescente de espécies florestais nativas para a recomposição das matas naturais devastadas gera a necessidade da produção de mudas dessas espécies, cujo sucesso depende do conhecimento prévio de suas características morfológicas, fisiológicas, exigências ecológicas e da influência dos fatores ambientais no comportamento das mesmas nas diversas etapas do seu desenvolvimento (CANCIAN E CORDEIRO, 1998). . O reconhecimento de essências florestais no estágio inicial é o ponto de partida para qualquer análise em estudos de regeneração natural (RODERJAN,1983). Trata-se de uma tarefa difícil de ser completada, pois, os caracteres externos nos estádios iniciais de desenvolvimento podem ser diferentes daqueles observados no indivíduo adulto ou em plantas de espécies e gêneros afins (AMORIN et al., 2006; CUNHA e FERREIRA, 2003). Vários estudos sobre a morfologia de sementes, plântulas e mudas de espécies arbóreas brasileiras, visando a identificação de espécies em ensaios de campo foram desenvolvidos por diversos pesquisadores (CARON et al. 2007; AMORIN et al. 2006; SCALON et al. 2003). E, de acordo com Oliveira (1993), a morfologia de plântulas tem merecido atenção como parte de estudos morfo-anatômicos, com o intuito de ampliar o conhecimento e facilitar a identificação das espécies de uma determinada região, dentro de um enfoque ecológico e é fundamental para o melhor planejamento e tratamento silvicultural das espécies, permitindo o uso racional da floresta. Os parâmetros morfológicos, conforme Gomes et al. (2002), são os mais utilizados na determinação do padrão de qualidade das mudas. E apesar do êxito das plantações florestais dependerem, em grande parte, das mudas, a escolha dos parâmetros que avaliam a sua qualidade ainda não está definida e, quase sempre, a sua mensuração não é operacional na maioria dos viveiros. E de acordo com Batiston et al, (2008), a análise de crescimento é um método que descreve as condições morfofisiológicas da planta em diferentes intervalos de tempo, entre duas amostragens sucessivas, e se propõe acompanhar a dinâmica da produção fotossintética, avaliada através do acúmulo de matéria seca. E do ponto de vista biológico, é uma ferramenta indispensável para o melhor conhecimento das plantas como entidades biológicas que são independentes da exploração agrícola. 29 Os conhecimentos relacionados á avaliação de plântulas de espécies arbóreas nativas da caatinga ou adaptadas, ainda são, escassos, tornando difíceis os trabalhos de seleção de mudas para o semiárido Nordestino. Desse modo, a demanda por estudos científicos, voltados para geração de tecnologias apropriadas para a recuperação de extensas áreas da caatinga, é crescente e abrangente. Objetivou-se, pois, com este trabalho, estudar as características morfológicas de mudas de espécies arbóreas nativas e adaptadas às condições ecológicas da caatinga, analisando seu desenvolvimento e crescimento inicial. 30 MATERIAL E MÉTODOS 1.1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA EXPERIMENTAL O experimento foi conduzido nas dependências do Campus da Betânia, na Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, no município de Sobral – CE, que se encontra a 69 m de altitude, com latitude de 3°41’ S, longitude de 40°20’W, há 235 km de Fortaleza. Uma área de 18 m2 foi cercada com tela de arame e coberta com sombrite de cor preta, com 40% de sombreamento. O clima da região de Sobral é seco e quente característico da região semiárida do tipo BShw, conforme classificação de Köppen (MILLER, 1971). Caracteriza-se por dois períodos: o úmido, período chuvoso que vai de janeiro a junho e o seco, que se estende de junho a dezembro. A média anual histórica das precipitações pluviais é de 821,6 mm, 94,2% dos quais ocorrem no período chuvoso. A temperatura media anual é de 28,0 º C, tendo 33,3º C como média das máximas e 21,9º C de média das mínimas. A umidade relativa do ar anual média é de 68%, variando de 77,2% no período chuvoso a 58,7% no período seco (LIMA 2009). O experimento estendeu-se de fevereiro a junho de 2008, e durante este período o pluviômetro localizado próximo á área do experimento coletou 901,1 mm, com concentração nos meses de março e abril, quando caíram, cerca de 74% do total anual (SOBRAL ON-LINE, 2009). As mudas do experimento ficaram sob condições naturais, da época das chuvas, com irrigações complementares, de acordo com as necessidades encontradas. 1.2. CARACTERIZAÇÃO DAS ESPÉCIES ESTUDADAS Para este estudo foram selecionadas quatro espécies encontradas no semiárido da região Nordeste do Brasil, sendo três nativas (angico, aroeira e jucá) e uma adaptada (gliricídia). 1.2.1. Angico (Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan) O angico, árvore perenifólia da subfamília Mimosaceae, apresenta expressiva regeneração natural, ocorrendo indiferentemente em solos secos e úmidos; é tolerante a 31 solos rasos, compactados, mal drenados e até encharcados, de textura média a argilosa (GONÇALVES et al., 2008). Apresenta crescimento de moderado a rápido, quando em ótimas condições (CARVALHO, 2003). De acordo Maia (2004), o angico é uma árvore de copa espalhada com galhos arqueados deixando passar bastante luz. Nos solos férteis e profundos, tem caule ereto, porém nos solos de tabuleiro, nas ladeiras, tem caule tortuoso. Na caatinga, tem altura entre 13 a 15 m, e em outros ecossistemas atinge 20 ou até 30 m. A casca tem muitas variações, tanto na cor (clara, acinzentada, castanhoavermelhada, escura) como na textura (completamente coberta de acúleos, escura, profundamente gretada, áspera, apresentando arestas salientes; ou com poucos acúleos; ou lisa, totalmente desprovida de acúleos e com fissuras longitudinais pouco profundas.). Folhas compostas bipinadas, com até 30 pares de pinas opostas, estas medindo 4-8 cm; folíolos 50-60 pares, opostos, sésseis, em geral medindo 3,6 x 1,2 mm. Flores brancas ou amarelas – esverdeadas, pequeninas, dispostas em capítulos globosos axilares ou terminais, de 3-5 cm, com cheiro característico e suave. O fruto é uma vagem castanho-avermelhada, achatada, deiscente, grande, de até 32 cm de comprimento, com superfície rugosa e contém de 8 a 15 sementes. A floração ocorre na segunda metade da estação seca, com a planta em fase de vegetação plena. A planta quando jovem apresenta tubérculos lenhosos pequenos na raiz principal, que é pivotante e acentuada em relação às laterais. Na planta adulta não se encontram mais tubérculos e as raízes superficiais são mais desenvolvidas. É uma espécie de múltiplos usos de madeira de excelente qualidade, de grande durabilidade para a construção civil (vigas e assoalhos) e naval, para a confecção de dormentes e para o uso em marcenaria e carpintaria, para construções rurais, mourões e fornece lenha e carvão de boa qualidade. Na medicina caseira, suas folhas, flores, casca e resina têm propriedades medicinais anti-reumáticas, antiinflamatória, antigripais, cicatrizantes e outros. Como planta ornamental suas flores exuberantemente embelezam e perfumam parques e praças. Já com o uso para restauração florestal e para os Sistemas Agroflorestais, apresenta rápido crescimento, serve como quebra-vento, enriquece o solo, atrai as abelhas na estação seca, serve de sombreamento nas pastagens e na alimentação de pequenos ruminantes quando suas folhas são fenadas (QUEIROZ, 2009). 32 Figura 1. Planta adulta Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan (Angico), encontrada no Parque Botânico do Semiárido ao lado da Lagoa da Fazenda em Sobral - CE. 1.2.2. Aroeira (Myracrodruon urundeuva Fr. All) A aroeira é uma espécie florestal arbórea, decídua ou caducifólia, pertencente à família Anacardiaceae (LACERDA et al.,1999; NUNES et al., 2008). É uma arbórea de tronco alto, reto, com larga copa, formada de ramos finos. Altura de 5 a 20 m na caatinga e no cerrado, alcançando até 30 m de na floresta pluvial. Casca cinza ou castanho-escura, manchada de negro, sulcada nas árvores adultas, desprendendo-se em lâminas irregulares, côncavas, com tendência de maior elevação na porção inferior. Nas árvores jovens a casca é lisa, cinzenta e coberta de lenticelas. Casca interna avermelhada. Folhas alternas, compostas, imparipinadas, com 4-7 pares de folíolos, ovado-obtusos, aromáticos (com cheiro de manga), pilosos em ambas as faces, com 5 cm de comprimento. Flores pequenas, amarelas ou verde-claro, em panículas terminais. As flores masculinas são pequenas, dispostas em grande panículas, pendentes, pardacentas até púrpuras. O fruto é uma drupa redonda, e quando seco é praticamente impossível separar semente do fruto. A floração ocorre no início da estação seca, com a planta totalmente despida de folhas. Na raiz principal, a planta jovem possui tecido de reserva, em forma de tubérculo (MAIA, 2004). É uma importante madeira de lei, resistente e de grande durabilidade natural e está incluída no grupo das madeiras chamadas imputrescíveis. De cor pardoavermelhada, com sabor adstringente, muito dura, é preferida para utilização na 33 indústria civil como: caibros, vigas, tacos para assoalhos, ripas e para peças torneadas (GUIMARÃES et al., 2007). Além do seu uso de maneira especial na recuperação de áreas degradadas, alimentação de animais, planta ornamental nas áreas urbana e utilizada na flora medicinal (CARON et al., 2007) e para coleta apícola de pólen e néctar. A aroeira está na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção, na categoria vulnerável (BERTONI e DICKFELDT, 2007). Figura 2. Planta adulta Myracrodruon urundeuva Fr. All (Aroeira), encontrada no município de Itatira – CE. 1.2.3. Jucá (Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz) Pertencente à subfamília das Caesalpinaceae, é conhecida popularmente com jucá ou pau-ferro. Segundo Maia (2004) é uma árvore com altura variando de 5 - 7 m (até 10 m), de casca cinza-escura, lisa, fina, um pouco lustrosa quando nova, apresentando manchas irregulares, mais claras, resultantes da queda de placas. Folhas alternas, compostas de 2-4 pares de pinas, com 1 pina terminal; cada pina com 4-6 pares de folíolos pequenos de 1-3 cm. Espécie de perenifólias de folhas sempre verde e renova suas folhas entre os meses de outubro a novembro. Flores amarelas, pequenas, em panículas terminais. Fruto vagem achatada, às vezes encurvada, com 6 a 8 cm de comprimento e 1,5 cm de largura, acastanhada. A floração ocorre ao final da estação das chuvas, com a planta em vegetação plena. Suas raízes são profundas. E é uma espécie de usos múltiplos. As folhas servem para forragem; a madeira muito pesada e dura (daí provem o nome pau-ferro) e é usada para confecção de cabos de ferramentas, cacetes, móveis e marcenaria em geral. Na medicina, a espécie também tem a sua utilidade como cicatrizante e antidiarréica. É utilizada em programas de 34 reflorestamento de áreas degradadas, principalmente na primeira fase de restauração florestal, para recuperação do solo e enriquecimento de capoeiras, matas empobrecidas e para reposição de matas ciliares (MAIA, 2004). Figura 3. Planta adulta Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz (Jucá), encontrada na Fazenda Crioula da EMBRAPA-CNPCO em Sobral - CE. 1.2.4. Gliricídia (Gliricidia sepium (Jacq.) Walp) É uma árvore da subfamília das Papilionaceae, nativa no México, América Central e Norte da América do Sul, sendo de crescimento rápido e enraizamento profundos (COSTA et al 2009). Caducifólia com folhagem sobre galhos grossos e irregulares que, com freqüência, se curvam para baixo. Pode atingir de 12 a 15 metros de altura (NOBRE, 2008). O melhor crescimento ocorre em áreas que recebem entre 1.500 a 2.300 mm de precipitação ao ano, sendo uma espécie que tolera a seca, mas não resiste a geadas (GAMA, 2008). A gliricídia apresenta tronco pouco torcido dando a planta formas variáveis desde ereta a reta ou muito ramificada com galhos provenientes da base do tronco. E possui folhas compostas, imparipinadas, alternas (NOBRE, 2008). A folhagem apresenta odor adocicado devido a ocorrência de cumarina, substância aromática encontrada em alguns condimentos. Apresenta flores reunidas em inflorescências terminais do tipo cacho ou racemo. As pétalas são de cor lilás-rósea ou branca (KILL e DRUMOND, 2000). Os frutos são vagens chatas, que geralmente apresentam cor verde pálido, podendo apresentar tonalidades arroxeadas em função da exposição solar. As vagens variam de 10 a 17 cm de comprimento e contêm três a oito sementes A floração ocorre no início da estação seca, com a planta totalmente desprovida de folhas. As raízes de gliricídia associam-se a bactérias do gênero Rhizobium, com as quais entram 35 em simbiose, originando um grande número de nódulos, responsáveis pela fixação de nitrogênio (FRANCO, 1988). A gliricídia é uma espécie que desperta grande interesse comercial e econômico, devido às suas características de usos múltiplos, desde alimentação animal servindo de banco de proteínas com os teores de proteína variando entre 15% e 30% à utilização para outras finalidades como incorporação de matéria orgânica ao solo, sombreamento para outras culturas, produção de madeira considerada de qualidade, cerca viva e reflorestamento além de serem consideradas excelentes como plantas melíferas (ALLEN e ALLEN, 2008). Figura 4. Planta adulta Gliricidia sepium (Jacq.) Walp (Gliricídia), encontrada na Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, Campus da Betânia em Sobral - CE. 1.2. PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS Os recipientes utilizados para o plantio das sementes foram sacos de polietileno com capacidade 2,1 l, 10 x 25 cm, preenchidos com uma mistura à base de esterco bovino curtido (30%), vermiculite (30%) e terra vegetal (40%). As sementes foram provenientes da Fazenda Crioula pertencente ao Centro Nacional de Pesquisa de Caprinos – Embrapa Caprinos, situada no município de Sobral – CE. As sementes atrofiadas, atacadas por insetos ou que possuíam alguma injúria foram eliminadas, juntamente com as impurezas. A semeadura foi feita a 1,0 cm de profundidade, colocando-se três sementes por saco de polietileno. Após a emergência foi feito um debaste, mantendo uma plantula por saco. 36 As coletas para as determinações de crescimento foram realizadas a intervalos de 14 dias, em número de cinco amostras por espécie, iniciando aos 21 dias após a emergência (DAE) das plântulas, estendendo-se até aos 84 dias, perfazendo um total de seis datas. Os sacos foram rompidos verticalmente, retiradas cuidadosamente dos sacos, o solo removido e as raízes lavadas com jatos finos de água corrente para evitar a perda de fragmentos da raiz. Após a lavagem das raízes as mesmas eram enxugadas em papel toalha. Na determinação do peso verde (PV) da plântula e de seus diferentes órgãos foi usada uma balança analítica com precisão de 0,001g. As aferições foram realizadas no Laboratório de Química no Campus da Betânia, na Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, onde foram feitas a limpeza manual e as determinações do (PV) peso verde (g) da plântula, peso verde (g) da raiz (PVR), do caule (PVC), das folhas (PVF), e com o auxílio de uma régua graduada em milímetros, foram medidos o comprimento radicular (CR) e o comprimento do caule (CC), considerando-se a distância entre o colo e o ponto de inserção das folhas mais jovens, e com um paquímetro, medimos o diâmetro do caule ou do colo (DC) em milímetro. Já para a determinação da área foliar foram efetuadas mediante seções transversais do limbo dos folíolos, tomando-se para determinação as medidas do eixo maior e do eixo menor em diferentes tamanhos dos folíolos. E em relação à área foliar também foram feitas contagens dos folíolos, conforme recomendações (CÂMARA e ENDRES, 2008; SABONARO, 2006; CHAVES e PAIVA, 2004). Após as medidas e separação das partes das plântulas as mesmas foram colocadas em bandejas laminadas em seguida, submetidas á estufa vertical a 65ºC por 48 horas. Decorrido este tempo, o material foi pesado em balança com precisão de 0,001g para a obtenção do peso seco (PS) em (g) da raiz (PSR), do caule (PSC) e das folhas (PSF). Na comparação entre as espécies arbóreas, foram consideradas as seguintes variáveis: peso seco inicial e final das raízes, dos caules, das folhas e comprimentos dos caules e das raízes, área foliar, relações parte aérea/parte radicular, peso verde/peso seco do caule, da folha e da raiz e diâmetro do colo. A pesquisa seguiu um delineamento inteiramente casualizado, constituindo as quatro espécies arbóreas os tratamentos, com cinco repetições e seis períodos de coleta (4 X 5 X 6). Os dados da área foliar das plantas foram analisados, com o procedimento GLM do SAS (LITTEL et al., 1991) e as médias comparadas pelo teste da Diferença Mínima Significativa (DMS). 37 RESULTADOS E DISCUSSÃO 2.1. ANÁLISE DIMENSIONAL DO CRESCIMENTO a c b a b c Figura 5. Raiz (a), caule (b) e folhas (c) de Figura 6. Raiz (a), caule (b) e folhas (c) de muda muda de Anadenanthera macrocarpa (Benth.) de Myracrodruon urundeuva Fr. All (Aroeira) Brenan com 35 dias após a emergência. (Angico) com 35 dias após a emergência. a b c a b c Figura 7. Raiz (a), caule (b) e folhas (c) de Figura 8. Raiz (a), caule (b) e folhas (c) de muda de Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. muda de Gliricidia sepium (Jacq.) Walp P. Queiroz (Jucá) com 35 dias após a (Gliricídia) com 35 dias após a emergência. emergência. 38 2.1.1. ÁREA FOLIAR A área média dos folíolos das plântulas nas espécies estudadas variou, na fase inicial do experimento, ou seja, aos 21 dias após a emergência (DAE), de 0,02 cm2 no angico a 4,28 cm2 na gliricídia (Tabela 1). Aos 84 dias após a emergência (DAE), a área dos folíolos do angico atingiu o valor médio de 0,03 cm2, um incremento, portanto, de 50%, enquanto que os da aroeira alcançaram o valor de 13,18 cm2, um aumento de 228,68% com relação à área inicial. Os resultados obtidos nas mudas aos 84 dias DAE são semelhantes aos de plantas adultas de angico, aroeira, gliricídia e jucá colhidos em caatinga na região do Sertão Norte do Ceará (Tabela 1). Em um dos raros trabalhos com espécies da caatinga, Caron et al. (2007), trabalhando com mudas de aroeira vermelha (Myracrodruon urundeuva Fr. All), apresentou resultados no período de 22 a 112 dias referente á área do folíolo de 0,12 a 9,58 cm², resultados inferiores aos obtidos neste trabalho. Tabela 1. Área média dos folíolos (cm2) em plantas adultas, em plântulas e incremento (%) do angico, aroeira, gliricídia e jucá, ao longo do período experimental aos dias 21 a 84 DAE. Espécie Planta adulta Plântula Incremento (%) (21 DAE) Inicial (84 DAE) Final Angico 0,03 0,02 0,03 50,00 Aroeira 13,06 4,01 13,18 228,68 Gliricídia 11,77 4,28 13,56 216,82 Jucá 1,98 0,75 1,97 162,67 Tabela 2. Área foliar (cm2), comprimento do caule (cm), comprimento da raiz (cm) e incremento (%) do angico (Ang), aroeira (Aro), gliricídia (Gli) e jucá (Juc), ao início (Ini) e ao final (Fin) do experimento. Esp. Área foliar Comprimento Comprimento do caule da raiz 21 DAE 84 DAE 21 DAE 84 DAE 21 DAE 84 DAE Inc. Inc. In. Ini. Fin. (%) Ini. Fin. (%) Ini. Fin. (%) Ang Aro Gli Juc 24,7c 68,6a 60,6a 34,2b 394,9 c 541,8 b 1.421,1a 675,9 b 1.500 692 2.243 1.879 5,7b 10,7ª 11,3ª 8,3b 21,0 c 29,8 b 44,8 a 37,0 a 269 179 297 345 15,9ab 6,9c 20,6a 12,8b 29,8a 22,5b 32,1a 31,5a * Médias seguidas da mesma letra minúscula no sentido da coluna não diferem entre si pelo teste da DMS (P,0,01) 87 227 56 147 39 A área foliar mostrou diferenças significativas (P<0,01) entre as essências florestais estudadas, tanto ao início como ao final do experimento, com elevados incrementos ao longo do período (Tabela 2). Aos 21 dias DAE, a aroeira e a gliricídia, com 68,6 e 60,6 cm2, respectivamente, apresentavam a maior área foliar, superando (P<0,01) o jucá e o angico. Aos 84 dias DAE, final do período do experimento, a gliricídia, com 1.421,1 cm2 apresentou maior área foliar (P<0,01), seguida do jucá com 675,9 cm2 e da aroeira com 541 cm2 que não diferiram entre si (P>0,01). Considerando o incremento, ou seja, a diferença entre a área foliar inicial e a final, expressa em porcentagem da área foliar inicial, a gliricídia apresentou o valor mais elevado (2.243%) seguida do jucá (1.879%). A área foliar constitui uma importante medida na análise do crescimento e da produtividade das plantas, uma vez que está ligada diretamente à produção de matéria seca através da fotossíntese (COSTA, 1996; ALLEN et al. 1998; SANTOS et al, 2006). Os resultados em discussão mostram que a gliricídia e o jucá, espécies com maior área foliar, apresentaram, também, os maiores pesos secos totais (Figura 10), os maiores crescimentos do fuste e os maiores alongamento da raiz principal. 2.1.2. COMPRIMENTO DO CAULE E DA RAÍZ E DIÂMETRO DO COLO O comprimento do caule foi maior (P<0,01) inicialmente na gliricídia com 11,3 cm e na aroeira com 10,7 cm que não diferiram entre si (P>0,01). Ao fim do experimento, a gliricídia e o jucá apresentavam os maiores alongamentos do caule (44,8 e 37,0 cm, respectivamente) que superaram a aroeira e o angico (28,9 e 21,0 cm). Neste parâmetro, o jucá mostrou um incremento de 345%, seguido da gliricídia com 297% (Tabela 2). Os resultados de Caron et al. (2007), mostraram para a aroeira vermelha (Myracrodruon urundeuva Fr. All), aos 122 dias, o comprimento médio de 30,27cm, portanto, semelhante ao obtido neste experimento, que foi de 28,9 (Tabela2). Por outro lado, o comprimento do caule das mudas fornece uma excelente estimativa da predição do crescimento inicial no campo, sendo tecnicamente aceita como uma boa medida do potencial de desempenho das mudas (MEXAL e LANDS 1990; GOMES et al. 2002). Assim, as mudas que alcançam com rapidez uma maior altura de seus fustes desfrutarão de uma melhor capacidade competitiva na disputa por luz e espaço com o estrato herbáceo nativo. Neste estudo, a gliricídia e o jucá (Tabela 2) poderão apresentar nítida vantagem competitiva com relação às plântulas das outras espécies avaliadas. 40 Quanto ao comprimento da raiz, aos 21 dias (DAE), a gliricídia com 20,6 cm e o angico com 15,9 cm não diferiram estatisticamente (P>0,01) e superaram as demais espécies (P<0,01). Entretanto, aos 84 dias após emergência (DAE), a gliricídia, o jucá e o angico apresentavam comprimento radicular semelhante, com, respectivamente, 32,1 cm, 32,5 cm e 29,8 (Tabela 2). Estes resultados são semelhantes aos obtidos por Câmara e Endres (2008), para mudas de Mimosa caesalpiniifolia aos 62 dias DAE que apresentaram o comprimento médio da raiz de 28,21 cm, por Caldeira et al. (2008), para mudas da espécie aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius Raddi), que aos 90 dias DAE alcançaram comprimento radicular de 31,2 cm e por Caron, et al. (2007), com mudas de aroeira vermelha (Myracrodruon urundeuva Fr. All), que aos 112 dias DAE apresentaram crescimento médio de comprimento das raízes de 16,55 cm. O crescimento rápido da raiz principal ou axial possibilita à plântula alcançar maior profundidade no solo na época das chuvas, garantindo, assim, sua sobrevivência na estação seca (BARBOSA, 1991). A gliricídia, o jucá e o angico (Figura 1) com os maiores alongamentos radiculares poderão mostrar melhores índices de sobrevivência em condições de campo. Resultados obtidos por Araújo Filho et al. (2007), confirmam para a gliricídia e para o jucá os percentuais de sobrevivência 74,2 e 79,2 %, respectivamente, nas condições de um planossolo solódico em Irauçuba, CE, resultados estes situados entre os mais elevados obtidos no estudo. Todavia, a ramificação do sistema radicular, juntamente com o comprimento da raiz principal, deve ser considerada na determinação do volume total do solo explorado pela muda. Assim, a melhor sobrevivência da gliricídia e do jucá pode ser, também, o resultado de uma maior ramificação de seus sistemas radiculares (Figura 5). O diâmetro do colo tem sido usado para determinar a qualidade de mudas. Com o aumento do seu valor, aumenta a freqüência da constituição de raízes, da formação de botões e lignificação de tecidos das mudas (CARNEIRO 1995). Mudas de sabiá apresentaram aos 62 dias ADE diâmetro do colo 3,16 mm (CÂMARA E ENDRES, 2008), enquanto mudas de (Schinus terebinthifolius Raddi), com 90 dias ADE apresentaram o colo com o diâmetro de, 31,2 mm (CALDEIRA et al., 2008). Neste estudo, foram obtidos, ao fim do período, ou seja, aos 84 dias ADE, os diâmetros médios de: 0,18 cm para o angico, 0,37 cm para a aroeira, 0,49 cm para a gliricídia e 0,42 cm para o jucá. Relacionando estes valores com os dados da Tabela 1, verifica-se que o jucá e a gliricídia, espécies que apresentaram maiores diâmetros do colo, foram também as de maior crescimento do caule e da raiz (Figura 5). 41 c a b d Figura 9. Raizes de mudas de Gliricidia sepium (Jacq.) Steud (Gliricídia)(a), Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz (Jucá) (b), Myracroduon urundeuva Fr. All (Aroeira) (c), Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan (Angico) (d), aos 84 dias pós-emergência. No tocante às variáveis dimensionais do crescimento, isto é, comprimentos da raiz e do caule e área foliar, o comportamento das espécies estudadas sugere estratégias diferentes de adaptação às condições de semiáridez características da região da caatinga. Assim, podem-se comparar as espécies caducifólias com as perenifólias, formando dois grupos para cada categoria em função da velocidade de crescimento, ou seja, gliricídia e jucá e aroeira e angico (Figura 6). O grupo de maior velocidade de crescimento foi formado pelo jucá, espécie perenifólia e pela gliricídia, espécie caducifólia (Figura 6 e Tabela 3). Embora apresentando uma área foliar superior ao dobro da do jucá, a gliricídia não superou a cesalpinácea no alongamento do caule nem no comprimento da raiz. Por outro lado, a figura 1 mostra que o jucá apresentou um sistema radicular pivotante mais volumoso e mais ramificado que o da gliricídia. Aparentemente, a gliricídia, por ser uma espécie caducifólia, entrando em dormência na época seca, não necessita de um sistema radicular bem desenvolvido e tende a priorizar o crescimento da parte aérea, mormente de sua folhagem. Com isto, ela ganha em velocidade de crescimento, melhorando suas chances de sobrevivência em condições de campo (ARAÚJO FILHO et al., 2007). Por seu turno, o jucá, espécie perenifólia, demanda o desenvolvimento de um sistema radicular em profundidade e em volume, a fim de permitir o suprimento de água, mesmo em épocas secas, necessário à manutenção de sua folhagem verde. Adicione-se, também, a redução da área foliar, para controle das perdas de água por transpiração. No 42 caso do jucá, a redução da área foliar não sacrificou significantemente a velocidade de crescimento, como aparentemente, aconteceu com o angico (Figura 10). A aroeira, espécie caducifólia e o angico, espécie perenifólia, formaram o grupo de menor velocidade de crescimento (Figura 6 e Tabela 3). O comportamento foi semelhante ao do primeiro grupo, com a espécie caducifólia, a aroeira, tendo maior área foliar, maior desenvolvimento do caule e menor extensão do sistema radicular que a espécie perenifólia, o angico. Todavia, aparentemente, a estratégia de resistência à seca do angico, baseou-se no controle das perdas hídricas por transpiração, reduzindo drasticamente o tamanho do folíolo e da área foliar, com diminuições substanciais da velocidade de crescimento. 2.1.3. CRESCIMENTO PONDERAL DAS PLÂNTULAS O acúmulo de matéria seca, expressão do crescimento das mudas, apresentou diferenças significativas (P<0,01) entre as espécies arbóreas estudadas (Tabela 3). Por ocasião da primeira avaliação, as plântulas de gliricídia com 0,43 g, apresentaram o maior (P<0,01) peso médio inicial. As de jucá e de aroeira, respectivamente, com 0,17 e 0,15 g, tiveram os menores valores iniciais. Ao final do período de 84 dias, a gliricídia com 8,57 g por muda era a espécie de maior crescimento (P<0,01), seguida do jucá com 5,70 g, continuando o angico com o menor desempenho. Por outro lado, o jucá apresentou no período do experimento um incremento de acumulação de peso de 3.253%, seguido da gliricídia com 1.893%. Angico e aroeira tiveram os menores g/MS plantas incrementos, com 733 e 776%, respectivamente. Data das coletas Figura 10. Desenvolvimento ponderal das mudas, no período de 21 a 84 dias pós-emergência. 43 A Figura 6 ilustra a diferença nas velocidades de crescimentos das plântulas das espécies estudadas. A aceleração do crescimento do jucá e da gliricídia contrasta nitidamente com a lentidão mostrada pelas mudas de angico e aroeira. Por fim, gliricídia e jucá foram às espécies com maiores áreas foliares (Tabela 2), bem como, com os maiores incrementos deste parâmetro, o que confirma as afirmativas de Santos et al, (2006), com respeito à relação entre área foliar e desenvolvimento ponderal das mudas. Tabela 3. Peso seco inicial e final médio (g) e incremento (peso final – peso inicial %) em plântulas de angico, aroeira, gliricídia e jucá. Espécie Peso seco médio 21 DAE - Inicial 84 DAE - Final Incremento(%) Angico 0,15c 1,25d Aroeira 0,25b 2,19c Gliricídia 0,43a 8,57a Jucá 0,17c 5,70b Médias seguidas das mesmas letras minúsculas no sentido da coluna não si pelo teste da DMS (P<0,01) 733,33 776,00 1.893,02 3.252,94 diferem entre As plântulas de gliricídia e aroeira, com 0,22 g e 0,19 g de matéria seca, respectivamente, apresentaram o maior (P<0,01) peso seco inicial médio das folhas. O angico, com 0,08 g de peso seco médio inicial foi a espécie que apresentou o menor desempenho (Tabela 4). Ao final do período, as mudas de gliricídia, com o peso seco médio de 5,34 g, mostraram melhor performance (P<0,01), além de apresentarem um incremento entre o peso final e o inicial de 2.327%, seguida do jucá, com um aumento de 1.710% e um peso médio de 1,81 g. As mudas de angico continuavam sendo as de mais baixo desempenho, com peso médio de 0,64 g e um incremento de 700% (Tabela 4). Com relação ao desenvolvimento ponderal dos caules, a gliricídia destacou-se com um peso médio inicial de 0,10 g, superior (P<0,01) ao jucá e à aroeira que apresentaram o peso inicial médio de 0,04 g. Ao final do experimento, a gliricídia continuava como a espécie de maior peso seco dos caules, com 1,98 g, seguida do jucá com 1,71 g. Porém, o jucá apresentou o maior incremento ponderal, alcançando 4.175% (Tabela 4). O angico foi o mais lento, atingindo 0,19 g de peso seco, com um incremento de 850%. No início do período, as plântulas de gliricídia tinham o maior peso seco do sistema radicular, atingindo 0,11 g, enquanto que jucá e a aroeira apresentaram o menor 44 peso seco radicular com apenas 0,03 g (P<0,01). Todavia, ao final do período experimental, o jucá apresentou um incremento de 7.167% no crescimento radicular, alcançando o peso seco de 2,18 g, superior à gliricídia que ocupou a segunda posição (P<0,01). O incremento de 2.100% no peso seco das raízes da aroeira, o segundo do grupo (Tabela 4), deve-se, provavelmente, ao aumento da tuberosidade de sua raiz principal, fato apontado por Barbosa (1992) e observado a partir das últimas coletas. A figura 5 mostra que a aroeira é a espécie de menor ramificação do sistema radicular, mas, com bom aumento de diâmetro da raiz principal. Tabela 4. Pesos secos médios (g) das folhas, do caule, das raízes e incremento (%) do angico (Ang), aroeira (Aro), gliricídia (Gli) e jucá (Juc), ao início (Ini) e ao final (Fin) do experimento. Esp. Folhas Caule Raízes 21 DAE 84 DAE 21 DAE 84 DAE 21 DAE 84 DAE Inc. Inc. Inc. Ini. Fin. Ini. Fin. Ini. Fin. (%) (%) (%) Ang 0,08c 0,64 d 700 0,02c 0,19 d 850 0,05b 0,42 d 740 Aro 0,19a 1,08 c 468 0,04b 0,45 c 1.025 0,03c 0,66 c 2.100 Gli 0,22a 5,34 a 2.327 0,10a 1,98 a 1.880 0,11a 1,26 b 1.045 Juc 0,10b 1,81 b 1.710 0,04b 1,71 b 4.175 0,03c 2,18 a 7.167 *Médias seguidas da mesma letra minúscula no sentido da coluna não diferem entre si (DMS, P<0,01). Tabela 5. Percentual do peso seco inicial e final das partes aéreas e subterrânea do angico, da aroeira, da gliricídia e do jucá. Espécie Folha Caule Raiz PS inicial PS final PS inicial PS final PS inicial PS final Angico 53,4 51,2 13,3 15,2 33,3 33,6 Aroeira 73,1 49,3 15,4 20,5 11,5 30,1 Gliricídia 51,2 62,2 23,2 23,1 25,6 14,7 Jucá 58,8 31,7 23,5 30,0 17,6 38,2 A Tabela 5 apresenta os pesos secos das folhas, caules e raízes expressos como percentagem do peso seco total das mudas das espécies estudadas. Esses dados determinam a alocação de matéria seca, produzida pela fotossíntese e deslocada para as diferentes partes da planta, como estratégia de adaptação a ambientes com limitações hídricas. Todas as espécies apresentaram, na fase inicial de crescimento, os maiores percentuais do peso seco das plântulas concentrados na folhagem, variando de 51,2 para a gliricídia a 73,1 para a aroeira (Tabela 5). No caule, os percentuais do peso seco total flutuaram de 13,3 para o angico a 23,5 para o pau ferro. Já nas raízes, as percentagens foram de 11,5 para aroeira a 33,3 para o angico. 45 Na fase final do experimento, as espécies arbóreas apresentaram comportamento bastante diferenciado com respeito à composição percentual dos pesos secos médios de sua folhagem, caule e raízes com relação ao peso total (Tabela 5). Com respeito às folhas, o angico manteve percentual semelhante ao observado na fase inicial, representando a folhagem 51,2% do peso total. A aroeira e o jucá reduziram o acúmulo de matéria seca nas folhas para 49,3% e 31,7%, respectivamente, enquanto que a gliricídia aumentou o acúmulo na folhagem para 62,2%. Com respeito ao caule, houve pouca variação no percentual de acumulação de fotoassimilados, mantendo-se constante na gliricídia e aumentando ligeiramente nas demais espécies. Por outro lado foi nas raízes que foram observadas as modificações mais intensas. O angico, como exceção, manteve ao final o percentual de acumulação de matéria seca semelhante ao verificado na fase inicial, isto é, 33,6 (Tabela 5). A aroeira, por seu turno, quase que triplicou a acúmulo de fotoassimilado, passando para 30,1% do peso total da planta. Já gliricídia reduziu para 14,7%, enquanto o jucá aumentou para 38,2% a deposição de matéria seca nas raízes. O comportamento da alocação de fotoassimilados para as raízes, expressa em percentagem do total, chama atenção em três das espécies estudadas e reflete estratégias diferentes de adaptação à seca. A gliricídia, espécie caducifólia, reduziu a alocação de matéria seca para as raízes, priorizando a parte aérea, porque sua sobrevivência no período seco não depende prioritariamente da economia de água, pois a planta entra em dormência. A aroeira, apesar de ser também uma espécie caducifólia, aumentou a alocação de matéria seca, mas, em razão da presença da tuberosidade nas raízes, relacionada com o acúmulo de reservas (Barbosa et al. 2000), não resultando em crescimento acentuado do sistema radicular. Já o jucá, espécie perenifólia, priorizou a alocação de fotoassimilados para o sistema radicular, investindo em seu crescimento, possibilitando, assim, a exploração de um maior volume e profundidade de solo, para atendimento de suas necessidades hídricas no período seco. 2.1.4. RELAÇÕES ENTRE O SISTEMA RADICULAR E A PARTE ÁEREA DAS MUDAS A relação peso verde/peso seco das diferentes partes da plântula correlacionamse com a suculência dos tecidos e servem para avaliar o grau de investimento dos fotoassimilados e sua relação com a velocidade de crescimento (HODGSON e BOOTH, 46 1993). Em termos médios, angico e aroeira tiveram seus valores ligeiramente inferiores aos observados para a gliricídia e para o jucá, tanto para o tecido foliar como para o do caule (Tabela 6). A tendência do angico e da aroeira de apresentarem as relações peso verde/peso seco, mais baixas, tanto nas folhas como nos caules, indicam que estas espécies têm reduzida velocidade de crescimento (HODGSON e BOOTH, 1993). A relação peso seco do sistema radicular/peso seco da parte aérea evidencia a estratégia adaptativa da distribuição dos fotossintéticos nas diferentes partes da planta. Na Tabela 6, a gliricídia e a aroeira tiveram os menores índices, 17,2 e 43,1, respectivamente. Provavelmente isto se deve ao fato de serem espécies caducifólias, portanto, o desenvolvimento do sistema radicular, com a presença de raiz pivotante de forte crescimento não é crucial para sua sobrevivência na seca, quando estão em estádio fenológico de dormência. O maior valor observado para a aroeira deve-se à presença de raiz tuberosa (Barbosa et al., 2000). Já para as espécies perenifólias, jucá e angico, a presença de um sistema radicular bem desenvolvido e com raiz pivotante constitui a característica principal de sua estratégia de adaptação à seca (Figura 1). Assim, os valores da relação PSR/PSA foram os mais elevados, variando de 50,6% para o angico a 61,9% para o jucá. Tabela 6. Relações peso verde/peso seco das folhas (PV/PSF), dos caules (PV/PSC) e peso seco da raiz/peso seco da parte aérea (PSR/PSA) do angico, aroeira, gliricídia e jucá, tomadas ao final do experimento. Espécie PV/PSF (PV/PSC) PSR/PSA Angico 3,0 3,1 50,6 Aroeira 2,4 3,3 43,1 Gliricídia 4,0 3,4 17,2 Jucá 4,3 4,7 61,9 47 CONCLUSÃO A gliricídia, espécie caducifólia, em fase inicial de crescimento, em regiões semi-áridas, investe seus fotoassimilados predominantemente na folhagem e no caule, enquanto o jucá, espécie perenifólia prioriza o sistema radicular. O crescimento das plântulas das espécies estudadas relacionou-se diretamente com a sua área foliar, que afetou o desenvolvimento do sistema radicular e do caule. A gliricídia e o jucá, espécies com mudas de adequado crescimento do fuste terão maior capacidade competitiva e possivelmente melhor sobrevivência em condições de campo. As características morfológicas das plântulas, tanto dimensionais como ponderais, constituem critérios adequados para seleção de espécies arbóreas para uso em reflorestamento. 48 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEN, R. G.; SMITH, M.; PEREIRA, L. S.; PRUIT, W. O. 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