UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI NILZO RENÊ FUMES RESTAURAÇÃO DE UMA ÁREA DEGRADADA NO SISTEMA CANTAREIRA São Paulo 2006 2 NILZO RENÊ FUMES RESTAURAÇÃO DE UMA ÁREA DEGRADADA NO SISTEMA CANTAREIRA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de graduação do Curso de Engenharia Civil à Universidade Anhembi Morumbi. Orientadora: Professora Dra. Adir Janete Godoy dos Santos SÃO PAULO 2006 3 NILZO RENÊ FUMES RESTAURAÇÃO DE UMA ÁREA DEGRADADA NO SISTEMA CANTAREIRA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de graduação do Curso de Engenharia Civil à Universidade Anhembi Morumbi. Trabalho __________________em:___de________________________ de 2006. __________________________________________ Prof. Dra. Adir Janete Godoy dos Santos __________________________________________ Prof. Dr. Sidney Lázaro Martins Comentários:_________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 4 Dedico este trabalho a Luciane e a Letícia por compreenderem minha ausência em muitos momentos e pela força que me deram durante o curso. Aos meus pais pela educação e dedicação. A professora Adir pelas orientações e colaborações que fizeram com que houvesse o enriquecimento deste trabalho. Aos meus amigos que colaboraram de alguma forma e ao Biólogo Mauricio Mennella pelos materiais,relatórios, documentos e depoimentos dados sobre a restauração das áreas de empréstimo. A Deus por iluminar meu caminho. 5 AGRADECIMENTOS À Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - Sabesp por oferecer condições da realização deste trabalho. 6 RESUMO O presente trabalho consistiu em discutir o importante papel da engenharia civil durante o processo de restauração de uma área degradada na construção da barragem do Rio Jaguari, integrante do Sistema Produtor Cantareira, responsável pelo abastecimento de água de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo. A construção da barragem do Rio Jaguari ocorreu numa época em que não havia licenciamento ambiental para a realização de obras que poderiam causar degradação ambiental. Enfatizou-se a Área de Empréstimo 1, sendo apresentadas as características do local antes, durante e após a conclusão das obras de construção da barragem, e as fases do processo de restauração. O início do processo de restauração deu-se após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC entre a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo – Sabesp e o Ministério Público da Comarca do Município de Bragança Paulista em 1994. Nesse Termo de Ajustamento de Conduta, a Sabesp assumiu juridicamente o compromisso de recuperar ambientalmente as 13 áreas do entorno das represas Jaguari, Jacareí e Cachoeira. Áreas essas que foram utilizadas como jazidas para extração de argila para a construção das barragens que formaram as referidas represas, daí a denominação, áreas de empréstimo. Ao longo do trabalho pode-se observar a importância do engenheiro civil durante a execução de obras de restauração ambiental através da aplicação de técnicas adequadas para a implantação do Projeto de Restauração de uma das Áreas Degradadas do Sistema Cantareira, como a construção de escadas hidráulicas associadas à regularização do terreno, aterro, terraceamento, recobrimento do solo com replantio de vegetação nativa e manutenção. Os resultados obtidos tiveram êxito e está apresentado ao longo deste trabalho, demonstrando ser possível uma empresa assumir sua responsabilidade da degradação ambiental ocorrida em uma área de sua propriedade e devolver ao meio ambiente uma área restaurada havendo retorno da fauna, a ocorrência da regeneração natural, controle dos processos erosivos, melhora considerada do aspecto visual da paisagem e contribuição aos recursos hídricos em qualidade e quantidade satisfatórias. Palavras Chave: água, área degradada, recursos hídricos, recuperação ambiental, restauração, engenharia civil, sustentabilidade, Sistema Cantareira. 7 ABSTRACT The present work consisted in demonstrating the important role of civil engineering during the process of restoration of an area degraded in the construction of the barrage of Jaguari River, part of the Producing System Cantareira, responsible for the water supply of half of the population in the Metropolitan region of São Paulo. The construction of the barrage of Jaguari River took place at a time where there was not an environmental licensing for the execution of construction work that could cause environmental degradation. The Area of Loan 1 was emphasized, being presented the characteristics of the place before, during and after the conclusion of the construction work of the barrage, and the phases of the restoration process. The beginning of the restoration process began after the signature of a Term of Adjustment of Behavior - TAC between the Companhia de Saneamento Basico do Estado de São Paulo - Sabesp and the Public prosecution service of the Judicial district of the state of São Paulo, Bragança Paulista in 1994. During this Term of Adjustment of Behavior, Sabesp legally assumed the commitment to environmentally recover the 13 areas scattered in the Jaguari, Jacareí and Cachoeira dams. Areas, which had been used as deposits for clay extraction for the construction of the barrages that formed these dams, thence the denomination, loan areas. Throughout the work, the importance of the civil engineer can be noticed during the execution of environmental restoration work through the application of proper techniques for the implementation of the Project of Restoration from one of the Degraded Areas of the System Cantareira as the construction of hydraulical stairs associates to the regularization of the land, talus, terraceamento, covering of the ground with replant of native vegetation and maintenance. The acquired results were successful and are presented throughout this work demonstrating that it is possible for a company to assume its responsibility of the occurred ambient degradation in an area of its property and to return to the environment a restored area, therewith the return of the fauna, the occurrence of natural regeneration, control of the erosive processes, considerable improvement of the visual aspect of the landscape and contribution to the hidric resources in quality and amount. Words Key: water, degraded area, hidric resources, environmental recovery, restoration, civil engineering, sustainability, System Cantareira. 8 LISTA DE FIGURAS Figura 5.1 – Área remanescente da Mata Atlântica (SOS Mata Atlântica, 2006) ......32 Figura 5.2 - Perfil hidráulico de funcionamento do Sistema Produtor Cantareira (Sabesp, 1989) .......................................................................................33 Figura 6.1- Área de Empréstimo 1 - situação anterior ao início das obras de construção da Barragem do Jaguari em 1978 (Mennella, 1996) ............46 Figura 6.2 - Localização Barragem do Jaguari (Fernandes, 2004) ...........................47 Figura 6.3– Características Físicas da Barragem do Jaguari Mennella, 1996)..........48 Figura 6.4 – Localização das áreas de empréstimo (Fernandes, 2004)....................49 Figura 6.5 - Área de Empréstimo 1 durante a construção da barragem do Jaguari (Mennella, 1996).....................................................................................50 Figura 6.6 - Construção da Barragem do Jaguari (Mennella, 1996)..........................51 Figura 6.7 - Área de Empréstimo 1 (Mennella, 1996)................................................52 Figura 6.8 – Voçorocas da Área de Empréstimo 1 (Mennella, 1996) ........................52 Figura 6.9 – Erosão da Área de Empréstimo 1 (Menella, 1996)................................53 Figura 6.10 - Terraplenagem do terreno (Mennella,1996).........................................54 Figura 6.11 - Regularização do terreno (Mennella,1996) ..........................................55 Figura 6.12 - Vista aérea da Área de Empréstimo 1 em 1997 (Sabesp,1999) ..........55 Figura 6.13 - Construção de escada (Menella,1996) ................................................57 Figura 6.14 - Área de Empréstimo 1 em 1998 (Sabesp,1999) .................................58 Figura 6.15 – Situação parcial da Área de Empréstimo 1 em 1999 (Sabesp, 1999) .58 Figura 6.16 - Fragmento de Vegetação da Mata Atlântica na Área de Empréstimo 1 em 25/05/2006 (Fumes, 2006).............................................................59 Figura 6.17 – Situação da Área de Empréstimo 1 em 25/05/2006 (Fumes, 2006)....59 Figura 6.18 - Escada Hidráulica em 25/05/2006 (Fumes, 2006) ...............................60 Figura 6.19 - Escada Hidráulica em 25/05/2006 (Fumes, 2006) ...............................61 Figura 6.20 - Barragem do Jaguari em 25/05/2006 possuindo como referência a Área de Empréstimo (Fumes, 2006).............................................................61 9 LISTA DE TABELAS Tabela 5.1 - Quantitativo de materiais por metro linear............................................43 Tabela 5.2 - Quantitativos de materiais da escada hidráulica 1 ................................44 Tabela 5.3 - Quantitativos de materiais da escada hidráulica 2 ...............................44 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANA Agência Nacional de Águas ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas CMACBP Curadoria do Meio Ambiente da Comarca de Bragança Paulista COMASP Companhia Metropolitana de Águas de São Paulo CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente DNAEE Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica DEPRN Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais DOU Diário Oficial da União EIA Estudo de Impacto Ambiental ESI Elevatória Santa Inês ETA Estação de tratamento de Água FEEMA Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis LI Licença de Instalação LO Licença de Operação LP Licença Prévia NBR Norma Brasileira PRAD Plano de Recuperação de Áreas Degradadas RIMA Relatório de Estudo de Impactos Ambientais RMSP Região Metropolitana de São Paulo SABESP Companhia de Saneamento Básico do Estado do Estado de São Paulo SMA Secretaria do Meio Ambiente TAC Termo de Ajustamento de Conduta 11 LISTA DE SÍMBOLOS cavalo vapor cv hm 3 hectômetro cúbico km2 kilometro quadrado MPa mega Pascal m3 metro cúbico m3/s metro cúbico por segundo nº número US$ dólar americano 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................................14 2 OBJETIVOS.......................................................................................................17 2.1 Objetivo Geral.................................................................................................17 2.2 Objetivo Específico .........................................................................................17 3 MÉTODO DE TRABALHO ................................................................................19 4 JUSTIFICATIVA ................................................................................................20 5 EXIGÊNCIAS NA RECUPERAÇÃO AMBIENTAL DAS ÁREAS DEGRADADAS NA ATIVIDADE ANTRÓPICA...................................................................................23 5.1 Algumas Leis Aplicadas ao Setor de Saneamento Básico .............................23 5.1.1 Política Nacional do Meio Ambiente ........................................................24 5.1.2 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) ....................................................................................................25 5.1.3 Lei Federal n.º 9.605 - Crimes Ambientais ..............................................26 5.1.4 Lei Estadual n. º 7.750 ............................................................................27 5.1.5 Licenciamento Ambiental ........................................................................28 5.1.5.1 PRAD – Plano de Recuperação de Áreas degradadas....................29 5.2 Bioma Mata Atlântica ......................................................................................30 5.3 Sistema Cantareira - Descrição e funcionamento...........................................33 5.4 Licenciamento do Sistema Cantareira ............................................................34 5.5 Acordo firmado entre Sabesp e Ministério Público de Bragança Paulista ......35 5.6 Fundamentos Tecnológicos na Restauração de Áreas ..................................38 6 5.6.1 Caracterização das Erosões da Área de Empréstimo 1 ..........................39 5.6.2 Regularização do Terreno .......................................................................40 5.6.3 Plantio da Vegetação ..............................................................................41 5.6.4 Escadas Hidráulicas e Bermas................................................................43 ESTUDO DE CASO ...........................................................................................45 6.1 Descrição da Área de Empréstimo 1 ..............................................................45 6.2 Localização e Caracterização da Barragem do Jaguari .................................46 6.3 Características Físicas da Barragem do Jaguari ............................................47 6.4 Localização das Áreas de Empréstimo...........................................................48 6.5 Localização da Área de Empréstimo 1 ...........................................................49 13 6.6 Impactos Causados na Construção e Operação da Barragem do Jaguari .....50 6.7 Ínicio do Projeto de Restauração de Áreas Degradadas ................................53 6.8 Obras da Construção Cívil Utilizadas no Processo de Restauração da Área de Empréstimo 1.............................................................................................56 6.9 Resultados Obtidos ........................................................................................57 7 CONCLUSÕES..................................................................................................63 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................65 14 1 INTRODUÇÃO Durante as décadas de 1960 e 1970 com o crescimento demográfico e desenvolvimento industrial, a Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo, responsável pelos recursos hídricos naquela época, convencida de que São Paulo necessitava de maior volume de água para garantir a sobrevivência da região, realizou uma série de estudos visando encontrar novos mananciais na busca de água com quantidade e qualidade para o abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Foram estudadas duas opções para o abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo: a do Sistema Cantareira, para gerar 33m³/s a um custo de US$ 1 bilhão, e a do Juquiá localizado no Vale do Rio Ribeira de Iguape, para gerar na ordem de 70m³/s a um custo de US$ 6 bilhões. A escolha recaiu sobre Sistema Cantareira, pois o projeto Juquiá, além do alto custo, implicaria em maiores gastos também com sistemas de bombeamento d’água. O Sistema Produtor Cantareira construído a partir de 1967, é constituído pelas represas Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, todas interligadas por túneis e canais. De lá as águas são bombeadas pela Estação Elevatória de Santa Inês até a represa Águas Claras, de onde seguem para a Estação de Tratamento de Águas do Guaraú. Neste trabalho de conclusão de curso elaborou-se um retrospecto sobre a origem das áreas degradadas durante a construção de barragens para armazenamento e posterior captação de águas do Sistema Cantareira para tratamento e distribuição pública e as atividades desenvolvidas para a implantação do Projeto de Restauração de uma das áreas degradadas do Sistema Cantareira, ressaltando a importância deste projeto, em conformidade com o Termo de Ajustamento de Conduta - TAC firmado, entre a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo Sabesp e o Ministério Público do Município de Bragança Paulista, no Estado de São Paulo, no ano de 1994. 15 Para a construção da barragem do Rio Jaguari e Jacareí houve a necessidade de remoção da vegetação superficial, desmatamento, alteração das características do relevo do terreno devido aos grandes volumes de solo. Como conseqüências deste processo, ocorreram alterações nas condições originais causando degradação ambiental na região atingida por este empreendimento. Nesse Termo de Ajustamento de Conduta, a Sabesp assumiu juridicamente o compromisso de recuperar ambientalmente as 13 áreas do entorno das represas Jaguari, Jacareí e Cachoeira. Áreas essas que foram utilizadas como jazidas para extração de argila para a construção das barragens que formaram as referidas represas, daí a denominação, áreas de empréstimo. Para a construção das barragens, com os maciços em terra, foi necessária a extração de significativas quantidades de argila e desmonte de rochas, causando diversos impactos ambientais. Como não foram tomadas medidas de proteção imediatamente após as obras, o intemperismo agravou o processo de erosão a que estava sujeito o solo exposto e sem cobertura vegetal, gerando transporte de material sólido e provocando assoreamento em corpos d'água. Essa situação permaneceu até o ano de 1996, quando teve início o projeto de reabilitação. Das 13 áreas de empréstimo que fazem parte do Acordo Judicial, uma foi retrocedida ao antigo proprietário, ficando sob responsabilidade dele a recuperação da área de empréstimo nº 3. As outras 12 áreas de empréstimo totalizam 211,7 hectares de área degradada. Apesar de não fazer parte do Acordo Judicial, a Sabesp decidiu, trabalhar em mais uma área de aproximadamente 5,0 hectares, localizada no município de Nazaré Paulista, passando a totalizar 216,7 hectares de áreas em reabilitação. A partir de 1973, iniciou-se a operação da primeira represa do Sistema Cantareira com a construção da Represa Paiva Castro, localizada no município de Mairiporã. O último barramento teve fechamento definitivo no ano de 1981, com o início de funcionamento da Barragem Jaguari localizada no município de Vargem, próxima a divisa com o estado de Minas Gerais. 16 A seguir, seguem definições sobre os termos que poderão ser utilizados para elaboração deste trabalho de conclusão de curso: Entende-se por área degradada aquela área que sofreu impacto de forma a impedir ou diminuir drasticamente sua capacidade de retornar ao estado original, ou ao ponto de equilíbrio, pelos meios naturais (REIS ET AL., 1999). Áreas degradadas podem referir-se àquelas que sofreram modificações por uma obra de engenharia ou submetidas a processos erosivos intensos que alteraram suas características originais, além de seu limite de recuperação original exigindo assim a intervenção da sociedade. A restauração ou restabelecimento, pressupõe o retorno à condição ambiental à perturbação. Segundo Rodrigues e Gandolfi (2000), restauração é o retorno completo às condições originais ou preexistentes. O processo de reabilitação visa atribuir ao ambiente degradado uma função adequada ao uso humano. Reabilitar significa restaurar as principais características. É o retorno a uma condição estável alternativa, mediante forte intervenção antrópica (Reis et al., 1999). A recuperação é a reparação das principais características e também das principais funções degradadas, sem o necessário retorno às condições preexistentes. Acordo Judicial é o documento elaborado pelo Ministério Público com o objetivo de estabelecer e consolidar as condições técnico-operacionais e administrativas adequadas para atender as atividades de reabilitação das áreas de empréstimo durante a construção de um empreendimento da construção civil, para o entendimento técnico aqui apresentado. O termo de ajustamento de conduta (TAC) é um acordo assinado pelo responsável pela degradação ambiental com o orgão ambiental competente que tem como objetivo compensar o eventual dano causado ao meio ambiente, deixando-o próximo às condições originais. Este é o conceito adotado neste presente trabalho 17 2 OBJETIVOS Apresentar os impactos causados pela degradação ambiental durante e após a execução das obras para construção do Sistema Cantareira a partir de 1967, com ênfase na construção das barragens Jaguari e Jacareí. Serão apresentados os resultados alcançados na recuperação de uma área degradada, integrante do Sistema Cantareira, que é responsável pelo abastecimento de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo - RMSP, indicando sua importância no processo e na capacidade de recuperação do meio ambiente quando são oferecidas condições favoráveis. 2.1 OBJETIVO GERAL Descrever e elucidar a problemática atual que envolve a recuperação de uma área degradada na implantação ou operação de um empreendimento de engenharia civil. Evidenciar o dinamismo das exigências ambientais, desde a década de 1960. 2.2 OBJETIVO ESPECÍFICO Estudar o acordo firmado entre a Sabesp e o Ministério Público do Município de Bragança Paulista, no ano de 1994. A Sabesp assumiu o compromisso de recuperar ambientalmente as 12 áreas do entorno das represas Jaguari e Jacareí, conhecido como Fase 1, ou, Projeto de Reabilitação das Áreas Degradadas do Sistema Cantareira. Um dos ítens deste acordo obriga a completa realização do processo de recuperação e que na hipótese de descumprimento do acordo pela reclamada, ficaria estipulada multa diária de quinhentos reais (equivalente na época a quinhentos dólares), na sua falta outro índice, ou valor equivalente que o substituir, devidamente atualizado quando exigir-se a obrigação assumida. 18 Estabelecer neste trabalho as diferentes etapas, desde o início dos estudos ambientais, sua evolução e seu desenvolvimento ao longo dos anos, bem como apresentar o resultado alcançado na restauração da área de empréstimo 1, localizada no entorno da represa do Rio Jaguari. Descrever e discutir a situação atual da área de empréstimo 1. 19 3 MÉTODO DE TRABALHO A pesquisa visou de maneira simples e eficaz por intermédio de estudo de caso, demonstrar e descrever as causas que conduziram à degradação do meio ambiente durante a construção de obra de engenharia, em um período em que não existiam leis de proteção ambiental. Apresentar as soluções que contribuíram para que os resultados obtidos na restauração fossem satisfatórios. Para a elaboração deste trabalho foram pesquisados e utilizados documentos e manuais técnicos, leis estaduais e federais, livros, informações colhidas junto aos profissionais envolvidos no processo de restauração, relatórios de monitoramento da área, fotografias e interpretação de imagens, documentos de órgãos públicos responsáveis pela proteção ao meio ambiente, artigos publicados sobre este processo de recuperação. Foi realizada visita ao local de estudo que é a área de empréstimo número 1, localizada na barragem do Jaguari, integrante do Sistema Cantareira. Foi demonstrado algumas das etapas utilizadas na restauração da degradação da área de empréstimo 1, a evolução do processo e os métodos utilizados e aplicados, destacando a importância deste trabalho de restauração ambiental como forma de retribuição ao meio ambiente pelos prejuízos causados pelo homem durante a construção das barragens dos rios Jaguari e Jacareí. 20 4 JUSTIFICATIVA Esta pesquisa abordou o processo de degradação e recuperação de uma área degradada durante a construção das barragens Jaguari e Jacareí, integrantes do Sistema Produtor Cantareira. Atualmente, os recursos hídricos vêm recebendo grande visibilidade no mundo devido à sua escassez e aos problemas de poluição enfrentados. Grande parte da população mundial é abastecida com quantidade de água diária inferior ao estabelecido pela Organização Mundial da Saúde, considerando-se ainda que grande quantidade dessa água consumida não está de acordo com os padrões mínimos de potabilidade exigidos pela legislação específica. No Brasil para esta finalidade é válida a Portaria do Ministério da Saúde – MS 518 que passou a vigorar a partir do ano de 2004 (BRASIL, 2004). As exigências do mercado mundial estão cada dia mais acentuadas para àquelas empresas que possuem processos de produção potencialmente poluidores. Atualmente àquelas que mantêm processos de produção mais limpa, onde a utilização da água é realizada racionalmente, há tratamento eficiente de seus efluentes e seu retorno aos corpos d’água ocorre com características melhores ou iguais que foram retiradas, são valorizadas e preferidas pela população, garantindo melhores lucros e tornando-a mais competitiva. O engenheiro civil tem importância fundamental neste processo sendo responsável por várias etapas, iniciando-se na construção de uma barragem para o armazenamento de água. Podemos citar desde os processos construtivos utilizados que podem prejudicar minimamente o meio ambiente, o levantamento da área de construção da barragem, as áreas de empréstimo e os botas fora, as diversas fases de construção, a operação e sua manutenção durante todo o período de sua vida útil. 21 A implantação e a construção de obras de engenharia civil causaram e causarão grandes impactos ambientais. Ao longo dos anos ocorreram avanços significativos da legislação ambiental, havendo aumento da fiscalização de suas atividades pelos órgãos governamentais competentes, ao mesmo tempo em que a sociedade exige e formou consciência sobre a importância da preservação ambiental para sustentabilidade da população atual e das futuras gerações. Os órgãos ambientais exigiram a implantação ao longo do tempo de ajustes de conduta na operacionalidade de determinadas atividades poluidoras, fazendo com que empresas reavaliassem seus processos de produção, preservando o meio ambiente e recuperando os impactos e alterações provocadas anteriormente em época que não havia legislação ambiental. Entender e aplicar as exigências e a execução do ajuste de conduta empresarial relativos ao meio ambiente é uma necessidade aos profissionais da engenharia civil, pois muitos empreendimentos relacionados ao saneamento básico estão sujeitos às exigências. Para isso, todo profissional deve ter conhecimento de todos os possíveis impactos danosos ao meio ambiente que poderão ocorrer, técnicas que poderão ser empregadas visando minimização destes, possuir conhecimentos suficientes sobre as exigências legais da legislação ambiental vigente, para que na tomada de decisões sejam adotadas práticas e soluções técnicas adequadas considerando-se a importância da preservação ambiental e dos recursos hídricos. A responsabilidade em preservar o meio ambiente e dos recursos hídricos colaboram para que tenhamos água em quantidade e qualidade suficiente para atendimento a todos usuários, garantindo sua sustentabilidade. A restauração de áreas degradadas localizadas nas bacias hidrográficas das represas tem grande influência na qualidade e quantidade da água armazenada, evitando a evolução dos processos erosivos e o assoreamento de rios e represas, garantindo água dentro dos padrões de qualidade exigidos pela Portaria MS-518, contribuindo dessa maneira com a redução de custos nos processos de tratamento de água. 22 A restauração de uma área degradada e o profundo conhecimento do meio ambiente têm importância fundamental ao desenvolvimento das atividades dos profissionais da engenharia civil. Novas tecnologias, métodos e técnicas de restauração ambientais disponíveis no mercado estão em constante evolução, colaborando para a elaboração de grandes projetos de restauração com qualidade acentuada, proporcionando um ambiente com função ambiental estável ao longo prazo adequado ao uso ecológico local e aos usos futuros. 23 5 EXIGÊNCIAS NA RECUPERAÇÃO AMBIENTAL DAS ÁREAS DEGRADADAS NA ATIVIDADE ANTRÓPICA Será apresentado a seguir algumas das leis aplicadas atualmente no estado de São Paulo e no Brasil necessárias para a realização de obras da construção civil que causarão impactos e danos ao meio ambiente e as características sobre a área onde será realizado o estudo de caso. 5.1 Algumas Leis Aplicadas ao Setor de Saneamento Básico As principais políticas setoriais dos recursos hídricos relacionadas às atividades de saneamento estão contidas á seguir: • Lei Federal nº 6.938 de 31/08/81. Cria a Política Nacional de Meio Ambiente; • Lei Federal nº 9.433 de 08/01/97. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos; • Lei Federal nº 9605/98. Lei de Crime Ambientais. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente; • Lei Federal nº 9984, de 17/07/00 cria a Agência Nacional de Águas (ANA); • Lei Estadual n.º 7.663 de 31/12/91. Política Estadual de Recursos Hídricos de São Paulo; • Lei Estadual nº 7.750 de 31/03/92. Cria a Política Estadual de Saneamento de São Paulo. Promulgada pela Constituição do Estado de São Paulo em 1989; • Lei Estadual n.º 9.866, de 28/11/97. Sobre Diretrizes e normas para proteção e recuperação das Bacias hidrográficas dos mananciais de interesse Regional do Estado de São Paulo; • Lei Estadual nº 9.509 de 20/03/97. Dispõe sobre a Política de Meio Ambiente do Estado de São Paulo; • Resolução Conselho Nacional do Meio Ambiente - Conama n.º 237/97 sobre Licenciamento Ambiental; • Resolução Conama 357/2005 de 17/03/05. Classificação das águas superficiais e descarte dos efluentes líquidos. 24 A seguir serão discutidos alguns dos instrumentos legais citados neste trabalho de conclusão de curso. 5.1.1 Política Nacional do Meio Ambiente A Política Nacional do Meio Ambiente, estabelecida pela Lei 6.938, de 31/8/81, que criou o Sistema Nacional do Meio Ambiente, tem como objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando a assegurar, no País, condições para o desenvolvimento sócio-econômico, os interesses da segurança nacional e a proteção da dignidade da vida humana (BRASIL, 1981). Entre os princípios adotados pela citada lei podem ser destacados: • a consideração do meio ambiente como patrimônio público, a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo e sustentável da água, assim como de outros recursos ambientais; • o planejamento e a fiscalização do uso de recursos ambientais; • o controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras; • os incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso sustentável e à proteção dos recursos ambientais; • o uso racional dos recursos naturais através de ações de planejamento e fiscalização; • o acompanhamento do estado da qualidade ambiental; • a recuperação de áreas degradadas; • a proteção de áreas ameaçadas de degradação; • educação ambiental em todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade (BRASIL, 1981). A base conceitual, da qual derivam todas as demais proposições da Política Nacional do Meio Ambiente, está definida no artigo 2º da Lei Federal n. º 6.938/81. Esse artigo estabelece o conceito de sustentabilidade, isto é, a procura da 25 compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico. Os princípios a serem atendidos, estão definidos nos incisos deste artigo, tais como: • o uso racional dos recursos naturais através de ações de planejamento e fiscalização; • a delimitação das áreas a serem protegidas e, ainda, como medida preventiva, • a proteção de áreas ameaçadas de degradação ambiental. Em seu artigo 4º, a Lei n º 6938/81 determina ainda, outros aspectos relevantes: a obrigatoriedade de recuperação das áreas degradadas pelo poluidor responsável e as normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais. Dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, relacionados no artigo 9º, o mais representativo para os empreendimentos de saneamento e que serão detalhados ao longo do texto, são: • a avaliação de impactos ambientais; • o licenciamento de atividades efetivas ou potencialmente poluidoras; • as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental. É na Política Nacional do Meio Ambiente que estão estabelecidos os princípios, critérios e definições que norteiam os usos dos recursos ambientais, estando subordinadas a essa Política, as demais legislações que tratam das questões ambientais, incluindo a atividade de licenciamento ambiental (BRASIL, 1981). 5.1.2 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) Segundo conceituação da Resolução Conama 001/86, em seu artigo 1º, impacto ambiental é: “qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do 26 meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente afetam: • a saúde, a segurança e o bem-estar da população; • as atividades sociais e econômicas; • a biota; • as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; • a qualidade dos recursos ambientais.” O Estudo de Impacto Ambiental - EIA foi introduzido no sistema normativo brasileiro pela Lei 6.803/80. Resulta geralmente numa avaliação que interpreta e analisa os efeitos resultantes das alterações causadas por um projeto ou sobre a saúde e bem estar do ser humano, prevenindo ou minimizando a deterioração da qualidade ambiental da região afetada. Essa avaliação é discutida a partir da relação entre ações do empreendimento e seus efeitos sobre os contextos: físico, biológico, sócioeconômico, político, administrativo, ético e humano da região atingida. Posteriormente, a Resolução Conama 001/86 estabeleceu a exigência de elaboração de Estudo de Impacto Ambiental - EIA e respectivo Relatório de Impacto Ambiental-RIMA para o licenciamento de diversas atividades modificadoras do meio ambiente, bem como as diretrizes e atividades técnicas para sua execução (BRASIL, 1986). O Relatório de Impacto Ambiental - RIMA por sua vez, consiste de um relatório que reflete todas as conclusões apresentadas no Estudo de Impacto Ambiental - EIA. Ele deve ser apresentado de forma objetiva adequada a sua compreensão. As informações devem ser traduzidas em linguagem acessível favorecendo o entendimento de todos os interessados (BRASIL, 1986). 5.1.3 Lei Federal n.º 9.605 - Crimes Ambientais É importante destacar a Lei Federal n.º 9.605 de 12/02/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, que dispõe sobre as sanções administrativas e penais para condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, sujeitando o responsável, seja 27 pessoa física ou jurídica, a responder alternativa ou cumulativamente na esfera penal, administrativa e civil, na medida de sua culpabilidade. Reitera ainda a necessidade do Licenciamento Ambiental, o que pode ser observado no artigo 60, a seguir transcrito: “Artigo 60 – Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentos pertinentes” (BRASIL, 1998). A Lei define alguns crimes que poderão estar relacionados com as obras e serviços de saneamento, tais como: • lançar resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos (artigo 54); • cortar árvores em floresta considerada de preservação permanente, sem permissão da autoridade competente (artigo 39). Para viabilizar a aplicação dessa Lei, foram editadas a Medida Provisória n.º 216341, de 23/08/2001. A Resolução da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo - SMA n.º 66 de 18/08/98,que autorizam os órgãos ambientais a celebrarem com os responsáveis por atividade e estabelecimentos considerados poluidores, já instalados, o Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC), através do qual e, dentro de um prazo determinado,deverão ser efetuadas as correções de suas atividades, assim como a regularização ambiental de empreendimentos desprovidos de licenciamento ou que não atendam aos padrões de qualidade ambiental previstos na legislação. 5.1.4 Lei Estadual n. º 7.750 Os empreendimentos de saneamento básico no Estado de São Paulo, conforme a conceituação estabelecida na Lei Estadual n. º 7.750, de 31/03/92, visam, sobretudo, contribuir para a qualidade de vida da sociedade e para a promoção da saúde pública e da salubridade ambiental. 28 Por outro lado, a implantação dos empreendimentos de saneamento básico e a sua operação, são passíveis de causar alterações das condições ambientais e, portanto, suas atividades são objeto de controle, conforme estabelecem os dispositivos legais citados anteriormente (SÃO PAULO, 1992). 5.1.5 Licenciamento Ambiental O licenciamento ambiental é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, exigidos para “a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimento de atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras”. Como exemplo podemos citar a construção de uma barragem de um rio (BRASIL, 1997). A sua emissão, além de estar condicionada às diretrizes de uso e ocupação definidas por um Zoneamento (quando existente, tais como, zoneamento ecológico econômico, plano diretor, etc), é concedida mediante a aprovação do EIA/RIMA e/ ou de outros documentos técnicos como por exemplo o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas - PRAD, de acordo com o empreendimento a ser licenciado. Compreende três tipos de licença: a Licença Prévia (LP), a Licença de Instalação (LI) e a Licença de Operação (LO) (BRASIL, 1997). A Licença Prévia (LP) é utilizada na fase preliminar do planejamento da atividade ou na sua expansão: avalia adequação com planos de uso e ocupação do solo (federal, estadual e municipal); baseado documentação que permita avaliação de impacto ambiental do empreendimento. A Licença de Instalação (LI) autoriza início de implantação do empreendimento, de acordo com plano de controle ambiental, que contém o projeto executivo das medidas mitigadoras dos impactos ambientais, estudadas na fase de LP. A Licença de Operação (LO) autoriza, após verificações, o início da atividade licenciada e funcionamento dos equipamentos de controle de poluição e dos sistemas de controle de degradação ambiental, estudados nas fases de LP e LI. 29 O licenciamento ambiental foi regulamentado pelo artigos 17, 18 e 19 do Decreto 99.274, de 06 de Junho de 1990 e pela Resolução Conama 237, de 1997 (BRASIL,1997; DOU 1986). 5.1.5.1 PRAD – Plano de Recuperação de Áreas degradadas O Plano de Recuperação de Áreas Degradadas é utilizado para a recomposição de áreas degradadas pela atividade de mineração ou extração de bem natural associado a empreendimento da construção cívil. É elaborado de acordo com as diretrizes fixadas pela NBR 13030, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, e outras normas pertinentes. A Norma NBR 13030 tem como objetivo determinar diretrizes para elaboração e apresentação de projetos para reabilitação de áreas degradadas pela mineração visando à obtenção de subsídios técnicos para melhoria, aperfeiçoamento e manutenção da qualidade ambiental, independente da fase de instalação ou operação da atividade antrópica causadora de danos ao meio ambiente. Não existem normas técnicas para PRAD associado para outros tipos de atividade. No presente trabalho, a regulamentação ABNT 13030 se aplica, pois áreas degradadas foram geradas a partir da extração de areia e na construção das barragens já citadas anteriormente. O PRAD é um modo de licenciar determinada instalação que foi implantada quando as exigências ambientais inerentes à atividade ainda não estavam estabelecidas. É uma maneira de adequar a instalação antiga às exigências recentes. Após a execução deste plano de recuperação, a companhia responsável seja pública ou privada obtém a regularidade para funcionamento, nas condições negociadas e previstas, sob o ponto de vista ambiental (SANTOS,2006). Área de empréstimo é o termo usado para identificar o local utilizado para retirada de material para fins execução de uma obra de engenharia tais como a construção 30 de uma barragem e obras de apoio (ANA, 2006). Este termo também é utilizado neste estudo. Cabe salientar que nas 13 áreas degradadas na execução e construção do Sistema Cantareira foram originadas como área de empréstimo de materiais. Estas áreas tiveram seus impactos iniciais acentuados ao longo de sua operação, por processos de erosão e desmatamento, acarretando o assoreamento dos corpos superficiais de água. A erosão, o desmatamento e o represamento de águas associados modificaram o ciclo hidrológico, o microclima e a permeabilidade do terreno. O ciclo hidrológico ou biogeoquímico da água apresenta como etapas principais: a precipitação, o escoamento superficial, a infiltração, escoamento subterrâneo e a evaporação. Após o desmatamento e/ou remoção da cobertura vegetal superficial que protege o solo, através da precipitação ocasiona a compactação do mesmo, fazendo com que a água escoe superficialmente com maior velocidade, diminuindo a infiltração, conseqüentemente reduzindo o escoamento subterrâneo, alterando o ciclo hidrológico. Ainda devido a maior velocidade superficial, a água faz com que ocorram a formação de erosões, causando assoreamento dos corpos d’água. Tais impactos ambientais ocasionam grande influência na fauna e flora local, alterando a qualidade da vida humana, os recursos naturais disponíveis e o desenvolvimento sustentável da região afetada (SANTOS, 2006). 5.2 Bioma Mata Atlântica Biomas são as grandes formações vegetais encontradas nos diferentes continentes e devidas principalmente aos fatores climáticos (temperatura e umidade) relacionados à latitude. No Brasil existem seis biomas: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa (SCHAFER, 2002). 31 Outra definição de bioma é: Um grupamento de fisionomia homogênea e independente de composição florística. Estende-se por uma área bastante grande e sua existência é controloda pelo macroclima. Na comunidade terrestre, os biomas correspondem às principais formações vegetais naturais. (FEEMA,1992). O bioma Mata Atlântica compreende um conjunto de formações florestais e ecossistemas associados que incluem vários tipos de vegetação como Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional, Manguezais, Restinga, os brejos interioranos e os encraves florestais do Nordeste. Originalmente abrangia total ou parcialmente 17 estados brasileiros (RS, SC, SP, PR, GO, MS, RJ, MG, ES, BA, AL, SE, PB, PE, RN, CE, PI) situados ao longo da Costa Atlântica, do Rio Grande do sul ao Rio Grande do Norte, além de parte dos estados de Mato Grosso do Sul e Goiás. A área original da Mata Atlântica atingia 1.290.692 km2, ou seja, 15% do território brasileiro enquanto que a área remanescente são de aproximadamente 94000 km2 ou 7,3%. A exploração da Mata Atlântica vem ocorrendo desde a chegada dos portugueses ao Brasil, cujo interesse primordial era a exploração do pau-brasil. O processo de desmatamento prosseguiu durante os ciclos da cana-de-açúcar, da extração de madeira, da plantação de cafezais e pastagens, da produção de papel e celulose, da construção de rodovias e barragens, e de um amplo e intensivo processo de urbanização. A sua área atual encontra-se altamente reduzida e fragmentada com seus remanescentes florestais localizados, principalmente, em áreas de difícil acesso. A preservação desses remanescentes vem garantindo a contenção de encostas .Nela estão localizados mananciais hídricos essenciais para abastecimento de cerca de 70% da população brasileira (IBAMA,2006). A origem da Mata Atlântica está associada à separação dos continentes africano e sul americano (eles formavam um único continente chamado Gondwana), ocorrida há aproximadamente 80 milhões de anos atrás. A acomodação de tanta terra e água com a formação do Oceano Atlântico, marcou 32 um período de agitação geológica que sacudiu a Terra. Vulcões e grandes acomodações na crosta terrestre levantaram inúmeros blocos de montanhas, como a Serra do Mar, que ocupou a faixa litorânea de Santa Catarina ao Espírito Santo e se transformou no cenário ideal para a Mata Atlântica. Os blocos de montanhas formaram uma barreira para os ventos carregados de umidade que vinham do Oceano. Sob a forma de névoa ou chuva, a umidade ajudou a criar as condições necessárias para que às formações atlânticas que originaram a Mata Atlântica propriamente dita, se instalassem e evoluíssem numa velocidade alucinante. Na figura 5.1, observa-se a área remanescente da Mata Atlântica na região onde foi construída a barragem do Jaguari. Legenda Limites Interestaduais Estradas Principais Drenagem Principal Limites Municipais Área Urbana Mata Legenda Figura 5.1 – Área remanescente da Mata Atlântica (SOS Mata Atlântica, 2006) 33 5.3 Sistema Cantareira - Descrição e funcionamento O Sistema Cantareira é composto por uma série de barragens, seis no total, todas interligadas por túneis, canais e uma estação elevatória. Sua operação é efetuada com diversos objetivos, tais como: regularização de vazões para abastecimento público da Região Metropolitana de São Paulo, controle de cheias na bacia do Rio Piracicaba e regularização de vazões para os rios Jaguari e Atibaia (formadores do rio Piracicaba). A figura 5.2 demonstra o perfil hidráulico de funcionamento do Sistema Cantareira. Figura 5.2 - Perfil hidráulico de funcionamento do Sistema Produtor Cantareira (Sabesp, 1989) Foi concebido a partir do ano de 1967 e o início da operação ocorreu a partir de 1973 (Represa Paiva Castro), sendo que o último barramento teve seu fechamento definitivo em 1981 (Represa Jacareí). O Sistema Cantareira, o principal dos sistemas produtores de água da Região Metropolitana de São Paulo, responde pela produção de 33,0 m3/s de água por segundo, ou seja, representa mais de 50% de toda a água consumida. 34 Este Sistema reverte águas da Bacia Hidrográfica do Piracicaba para São Paulo, foi implantado em duas etapas: a primeira corresponde ao aproveitamento dos rios Juqueri, Atibainha e Cachoeira, localizadas nos municípios de Mairiporã, Nazaré Paulista e Piracaia, respectivamente. Nesta etapa, foram construídas as barragens do rio Cachoeira, Atibainha, Juqueri (Paiva Castro), Águas Claras, túneis e canais de interligação, à Estação Elevatória de Água de Santa Inês (ESI) e a primeira fase da Estação de Tratamento de Água do Guaraú, localizada no município de São Paulo. A segunda etapa teve início a partir de 1976, correspondendo às barragens dos rios Jaguari e Jacareí, a tomada d’água e o túnel 7 (SABESP, 1989). As represas do Sistema Cantareira estão situadas em cotas decrescentes (JaguariJacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro), são interligadas por túneis e canais, desta forma as águas caminham por força gravitacional. Quando as águas chegam à Estação Elevatória de Santa Inês (ESI), necessitam de bombeamento para atingir a represa Águas Claras, e novamente, por força gravitacional, as águas chegam até a Estação de Tratamento de Água do Guaraú (ETA Guaraú), onde são potabilizadas e estão prontas para o abastecimento público. Tal funcionamento é apresentado na figura 5.2 como perfil hidráulico de funcionamento do Sistema Produtor Cantareira. 5.4 Licenciamento do Sistema Cantareira O Sistema Cantareira foi implantado a partir de 1967 e, em atendimento à legislação então vigente, a Companhia metropolitana de Água de São Paulo - COMASP, antecessora da Sabesp, obteve a outorga junto ao Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica - DNAEE. A necessidade de elaboração de estudos ambientais e respectivo licenciamento ambiental, para este tipo de empreendimento, cabe àqueles implantados após a promulgação da Lei 6938/81, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente. Vale ressaltar que o início da construção das barragens do Sistema Cantareira e de outras grandes obras da engenharia e saneamento básico que ocorreram no período do regime militar que estava instalado no Brasil, não haviam grandes preocupações com os impactos ambientais que poderiam ser causados pelas obras. 35 5.5 Acordo firmado entre Sabesp e Ministério Público de Bragança Paulista A seguir, tem-se o acordo firmado entre a 2ª Promotoria de Justiça de Bragança Paulista e a Sabesp após a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). “Aos dezenove dias do mês de julho de 1994, no Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente, de Acidentes de Trabalho e de Habitação e Urbanismo, acordam a Curadoria do Meio Ambiente da Comarca de Bragança Paulista, aqui denominada reclamante, pelo Promotor de Justiça Dr. Luiz Antônio de Souza, e a Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, aqui denominada reclamada, pelos Senhores Doutores Luiz Appolonnio Neto, Diretor Presidente, e Álvaro Eduardo O. Mesquita, Diretor de Operação Metropolitana, o seguinte: 1. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) nº 003/93, tramitando pela Curadoria do Meio Ambiente da Comarca de Bragança Paulista, por parte da Sabesp, da Represa do Jaguari, naquele município (CMACBP,1993). 2. A reclamada, nesta oportunidade, reconhece o dano ambiental causado, tendo este acordo o fito de dispor os termos no sentido da recuperação da área. 3. Com vistas em todos os elementos carreados aos autos, acordam as partes que: a. a reclamada se obriga, no prazo de 60 meses (05 anos), a executar integralmente o plano de recuperação apresentado no último projeto fornecido (fls. 263), ali referido como fase 1 de recuperação das áreas de empréstimo; b. esse plano, ao longo dos 60 meses previstos, sofrerá acompanhamento, com periodicidade de um ano, por parte do DEPRN - Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais, bem como da promotoria de Justiça do Meio Ambiente da Comarca de Bragança Paulista, para efeito de avaliar-se a evolução e cumprimento dos objetivos e metas propostos; 36 c. após o período de 60 meses, dentro dos seis (06) meses subseqüentes, a reclamada, consubstanciada em laudo técnico, onde avaliará o andamento, desenvolvimento e sucesso das operações anteriores, demonstrando a real situação por ocasião da vistoria, com levantamento fotográfico e “croquis” elucidativo, e tecerá considerações sobre a necessidade, bem como apresentará projeto para a seqüência da recuperação da área, se exigível em face dos resultados obtidos, inclusive dispondo, na última hipótese, qual o prazo para implementar-se a seqüência da recuperação, e qual o prazo para atendimento dessa implementação. c.1 caso o plano sofra interrupções no seu desenvolvimento, provocadas por motivo de força maior, será devolvido à reclamada, o prazo necessário à recuperação dos danos, isso devidamente comprovado em vistoria levada a efeito, cargo e por conta da interessada, tudo após avaliação por parte da reclamante, que se valerá de engenheiro florestal que assessora o Ministério Público e do DEPRN para tanto. d. se a vistoria concluir pela desnecessidade da seqüência na recuperação da área, logicamente se tal meta for integralmente atingida no primeiro período, tal consideração deverá vir perfeitamente explanada e detalhada, com todos os elementos a justificá-la. e. os modelos propostos, e possíveis de virem a ser adotados na seqüência, são os descritos no projeto de recuperação da área referenciado (fls. 10); entretanto, caso se faça necessária a efetiva implantação da segunda fase, ficam aqui descritas, previamente, as especificações técnicas prováveis e pertinentes à efetiva implementação da fase 2, considerando-se o seguinte rol de atividades mínimas a ser observado; e.1 operação de reflorestamento (considerando-se, inclusive, a possibilidade de distribuição de mudas aleatoriamente); e.2 abordagem da questão da fauna (estudo, monitoramento, conservação, manejo, etc...); 37 e.3 detalhamento e destaque da questão da implantação/caracterização das diferentes classes de estágios sucessionais (pioneiras, secundárias iniciais, secundárias tardias e espécies clímax); f. Na época de realização da referida vistoria técnica, outras sugestões possam ser apresentadas no sentido de se atingir uma efetiva recuperação ambiental da área de empréstimo em questão; g. O laudo técnico, depois de ofertado, sofrerá avaliação da reclamante, que se valerá de engenheiro florestal que assessora o Ministério Público e do DEPRN, cujos pareceres, no que discordantes, serão levados em conta na discussão com a reclamada, na questão do dimensionamento da seqüência do projeto; h. caso a reclamada não apresentar o laudo técnico no prazo assinalado (06 meses após vencido o prazo de 60 meses previsto para a fase 1), tal vistoria ficará deferida à reclamante, que a seu critério designará órgão e/ou profissional para tanto, arcando a reclamada previamente e integralmente com todos os recursos necessários, e nessa hipótese, a reclamada ainda se obriga a aceitar as conclusões da referida vistoria e parecer sem qualquer possibilidade de discussão, judicial ou administrativa, obrigando-se a reclamada, também e finalmente, a implementar todas as medidas recomendadas e no prazo que se assinalar. i. na hipótese de descumprimento do acordo pela reclamada, fica estipula da multa diária de quinhentos reais (equivalente hoje a 500 dólares), na sua falta outro índice, ou valor equivalente que o substituir, devidamente atualizado quando exigir-se a obrigação assumida; j. a reclamada responderá pela multa, comprovado o descumprimento, mediante simples notificação, sem necessidade de recurso à via judicial, incidindo correção monetária desde a notificação até o efetivo recolhimento; k. este acordo produzirá efeitos legais depois de homologado o arquivamento do presente expediente pelo Egrégio Conselho Superior do Ministério Público” (CMACBP,1993) 38 5.6 Fundamentos Tecnológicos na Restauração de Áreas Nesta etapa podemos destacar a importância do engenheiro civil para a implantação das obras utilizadas durante o processo de regularização do terreno, na escolha dos métodos mais adequados empregados para controle das erosões e dos equipamentos para movimentação do solo, no levantamento planialtimétrico da área, no dimensionamento das escadas hidráulicas e no gerenciamento do processo. Do final da década de 1980 até 1996, não foram feitas intervenções nas áreas de empréstimo. Por sua vez, o solo desprovido da proteção vegetal, e exposto às intempéries, tornou-se suscetível às erosões laminares, culminando no aparecimento de grandes erosões denominadas voçorocas. A partir do final do ano de 1996, a Sabesp promoveu uma forte intervenção nas áreas degradadas, resultando na implantação da etapa inicial do denominado Projeto de Reabilitação das Áreas Degradadas do Sistema Cantareira. Na etapa inicial do projeto procurou-se controlar as erosões. Para isso foi necessário executar os seguintes serviços: • Aterro das erosões; • Terraplenagem; • Regularização do terreno; • Reconfiguração do perfil do terreno; • Topografia; • Construção de sistemas alternativos de controle de erosões; • Subsolagem e gradeamento do solo; • Semeadura de gramíneas e leguminosas; • Marcação, coveamento e adubação para plantio das mudas; • Plantio de mudas; • Construção de cercas; • Construção de estradas e aceiros. 39 Após este primeiro trabalho foi possível identificar os pontos de maior fragilidade que necessitaram de intervenções diferenciadas, através da utilização de sistemas de drenagem e de contenção de erosões mais apropriados a esses casos específicos, neste caso a área de empréstimo 1, a ser discutida no capítulo seis deste trabalho. Com o término do contrato da contratada para realização dos serviços em setembro de 1998, ocorreu a paralização das obras de recuperação das áreas degradadas. Devido as fortes chuvas ocorridas no verão, ressurgiram as erosões e, com a impossibilidade de manutenção imediata, em função das contenções financeiras ocorridas, essas erosões encontraram condições adequadas para evoluírem e formarem novas voçorocas, ocasionando um grande retrocesso no estágio dos trabalhos já desenvolvidos. Após a normalização do fluxo de desembolso no contrato, retomou-se o ritmo dos trabalhos, buscando solucionar os problemas advindos do período anterior. Foi necessário buscar alternativas viáveis técnica e economicamente. Assim, contratouse: a elaboração de projetos de drenagem e serviços de consultoria para avaliar ambientalmente a implantação do projeto (MENNELLA, 2006). 5.6.1 Caracterização das Erosões da Área de Empréstimo 1 A área de empréstimo nº 1 possui superfície de 48,5 hectares, e no período anterior ao início das obras de recuperação haviam cadastradas 10 erosões de diversas larguras, comprimentos e profundidades. Nos levantamentos de campo realizados observaram-se dois processos principais de erosão. O processo superficial estava relacionado principalmente ao cavalgamento do terraço devido ao assoreamento no setor montante, provocando ravinamento no setor de jusante. O processo interno estava relacionado principalmente ao acúmulo de água a montante do terraço, que no caso desta área em estudo funcionou com uma barragem mal compactada já que o solo superficial em horizonte c apresentava-se 40 com baixa permeabilidade. A formação da cavidade interna origina-se em geral no setor de jusante da barragem, quando atingido pelo nível de água interno do aterro. O entubamento remonta internamente o terraço e o solo daquele local até aflorar na porção montante. Neste ponto o terraço perde a sua função de contenção da energia da água, tendendo a ravina adquirir maiores dimensões à jusante e a água acumulada no terraço rompido tendendo a encaminhar-se para a cavidade formada, aumentando suas dimensões (IWASA, 1999). 5.6.2 Regularização do Terreno A seguir serão demonstrados alguns dos métodos utilizados no controle da erosão e voçorocas, os métodos construtivos utilizados na construção das escadas hidráulicas e do sistema de drenagem necessário para a conservação do solo e manutenção da área de empréstimo 1, responsáveis pela condução da água até a barragem. Para a regularização do terreno na área de empréstimo denominada de Área 1, foi executado o levantamento planialtimétrico desta área e em função da topografia apresentada, foi adotado o sistema de drenagem através de escadas hidráulicas em alguns pontos específicos do projeto. Foi adotada a execução de bermas e escadas hidráulicas e dissipadores de energia, uma vez que, tecnicamente, essa solução poderia apresentar melhores resultados para o disciplinamento da drenagem da área, no sentido de se evitar a formação de erosões e voçorocas fazendo com que ocorresse a estabilização destes processos erosivos decorrentes da Área 1. Para a realização dos trabalhos de regularização do solo na área de empréstimo 1 foram utilizados os seguintes equipamentos: • caminhão basculante com capacidade de 6 toneladas • caminhão com carroceria de madeira com capacidade de até 15 toneladas; • trator patrol ou motoniveladora; • retroescavadeira; 41 • trator agrícola com potência de 100 CV; • trator de esteira com operador com potência de 75 CV; • rolo compactador tipo pé de carneiro vibratório; • caminhão pipa com capacidade para 10000 litros de água. Como mecanismos complementares optou-se por utilizar técnica de plantio em sulcos, com a finalidade de criar rugosidade no terreno, dificultando o caminhamento das águas e, conseqüentemente, diminuindo a velocidade de escoamento das águas, obtém-se também como benefício á retenção da umidade próxima às mudas plantadas e aumento da produtividade no plantio. Após o fechamento das erosões e regularização do terreno foi empregado rolo compactador do tipo pé de carneiro para a que houvesse a compactação do solo (MENNELLA, 2006). 5.6.3 Plantio da Vegetação Da vegetação remanescente nativa em toda a área de empréstimo 1 restaram pequenos fragmentos, sendo o restante totalmente removido para a extração de material utilizado na construção da barragem do Jaguari. Foram estudadas várias técnicas para recuperação da vegetação considerando as dificuldades encontradas. Como mecanismos complementares optou-se por utilizar o plantio em sulcos, com a finalidade de criar rugosidade no terreno, dificultando o caminhamento das águas e, conseqüentemente, diminuindo a velocidade de escoamento das águas, obtém-se também como benefício á retenção da umidade próxima às mudas plantadas e aumento da produtividade no plantio. Para a realização das covas e plantio das mudas foi foram feitas curvas de nível a partir da cota mais baixa da área degradada, não inferior à cota do nível de água mínimo operacional da barragem, devendo as cotas superiores subseqüentes ter espaçamento horizontal de 3,00 metros. O espaçamento entre as mudas foi de 2,00 metros, seguindo as linhas de plantio em nível. 42 Os projetos convencionais de reflorestamento realizados através da monocultura consideravam a viabilidade econômica e técnica, mas, não a qualidade e quantidade de água produzida para o consumo humano, além da preocupação com a minimização dos impactos ambientais causados quando da construção de barragens e represas. Sabendo-se que os reflorestamentos através de monoculturas são responsabilizados por causarem distúrbios ambientais de difícil recuperação e que a substituição de florestas naturais por reflorestamento geram impactos na quantidade total do deflúvio, principalmente durante o período de repouso vegetativo, graças às maiores perdas por evapotranspiração, optou-se então pela implantação de um projeto de plantio misto, consorciando-se espécies exóticas e nativas. A metodologia adotada foi resultado de experiências de campo anteriormente conduzidas pela Sabesp nas próprias áreas de empréstimo. A partir disso, concluiuse pela condução da reabilitação ambiental dessas áreas em duas fases consecutivas e interdependentes: Fase 1 - Práticas Agronômicas e Recuperação Vegetal e Fase 2 - Implantação Florestal e Paisagística e do Sistema de Drenagem. Houve também a Fase 3, de manejo e manutenção. A fase 1 foi fundamental para o sucesso da recuperação das áreas de empréstimo. Caracterizou-se pela aplicação de práticas e técnicas agronômicas consagradas, promovedoras da cobertura vegetal, visando à restauração e estabilização do relevo e melhoria do potencial produtivo, finalizando-se com a recuperação da função química, física e biológica do solo (reciclagem de nutrientes, aumento da infiltração e armazenamento de água e aumento da ação microbiológica no solo). A fase 2, caracterizou-se pela implantação florestal e paisagística, visando a recomposição ecológica e estética das áreas degradadas, valendo-se do seu início condicionado ao andamento, desenvolvimento e sucesso das operações da 1ª fase. Nesta fase foram concluídas as obras dos sistemas de drenagem, com a implantação das escadas hidráulicas e bermas. A fase 3, teve como principal finalidade o manejo das mudas e a manutenção geral das áreas de empréstimo. 43 Foram plantadas mais de cem espécies, no período 1997 a 1999 e de 2000 a 2004 totalizando 104618 mudas. Para que houvesse atendimento às quantidades de mudas utilizadas no plantio, foi implantado um viveiro de mudas na barragem do Jaguari (MENNELLA, 2006). 5.6.4 Escadas Hidráulicas e Bermas As escadas hidráulicas foram de fundamental importância para que houvesse a recuperação do solo na área de empréstimo 1. O correto dimensionamento da inclinação dos taludes, dimensões dos degraus e cortes do aterro, fizeram com que os resultados alcançados fossem plenamente satisfatórios. As escadas hidráulicas construídas possuem os seguintes características de dimensão: escada 1- possui extensão de 208,5 metros, sendo 86 metros com largura de 0,80 m e 122,5 m com largura de 1,20 metro. A escada 2 possui 181 metros, sendo 91,5 metros com largura de 0,80 metro e 89,5 metros com largura de 1,20 metro (DRENATEC, 2000). Para a construção das escadas hidráulicas os principais materiais estruturais utilizados foram o aço carbono CA 50 e concreto estrutural usinado com resistência fck=18MPa. A tabela 5.1 indica quantitativos de material utilizados por metro linear construído: Tabela 5.1 - Quantitativo de materiais por metro linear ítem descrição do material unidade largura= 0,80 m largura = 1,20m 1 Lastro de concreto magro fck = 9 MPa m3 0,06 0,08 2 Forma comum incluindo cimbramento m2 6,50 6,70 Fornecimento e aplicação de concreto usinado fck = 18 MPa Fornecimento e aplicação de aço CA 50A m3 0,68 0,75 kg 26,00 30,00 3 4 Fonte: Petriche, 2006 44 Nas tabelas 5.2 e 5.3 estão apresentados os quantitativos de material utilizados na sua construção. Tabela 5.2 - Quantitativos de materiais da escada hidráulica 1 ítem descrição largura = 0,80 m largura = 1,20 m unitário total unitário unidade total total 1 Lastro de concreto magro fck = 9 Mpa m3 0,06 5,16 0,08 9,80 2 Forma comum incluindo cimbramento m2 6,50 559,00 6,70 820,75 1379,75 3 Fornecimento e aplicação de concreto usinado fck = 18 Mpa m3 0,68 58,48 0,75 91,88 150,36 4 Fornecimento e aplicação de aço CA-50A kg 26,00 2236 30 3675 5911 5 Pedra rejuntada com argamassa Traço 1:3 m3 14,96 3,50 Fonte: Petriche, 2006 Tabela 5.3 - Quantitativos de materiais da escada hidráulica 2 largura = 0,80 m ítem descrição largura = 1,20 m unidade total unitário total unitário total 1 Lastro de concreto magro fck = 9 Mpa m3 0,06 5,49 0,08 7,16 12,65 2 Forma comum incluindo cimbramento m2 6,50 594,75 6,70 599,65 1194,40 3 Fornecimento e aplicação de concreto usinado fck = 18 Mpa m3 0,68 62,22 0,75 67,13 129,35 4 Fornecimento e aplicação de aço CA-50A kg 26,00 2379 30 2695 5064 5 Pedra rejuntada com argamassa Traço 1:3 m3 Fonte: Petriche, 2006 3,50 45 6 ESTUDO DE CASO Ao longo do desenvolvimento deste estudo de caso, observou-se a importância da participação do engenheiro civil na restauração de uma área degradada no meio ambiente. Seu trabalho inicia-se desde o estudo de viabilidade técnica, do local da construção, capacidade de armazenamento de água, no dimensionamento e desenvolvimento de suas estruturas de controle, tipos e quantidades de materiais a serem empregados, métodos construtivos, até a operação e manutenção da barragem do Rio Jaguari. 6.1 Descrição da Área de Empréstimo 1 A área de empréstimo 1 possui dimensão de 48,5 hectares, relevo acentuado e moderado, e o acesso fácil. Nos período anterior ao início das obras de construção da barragem do Jaguari, a característica predominante da vegetação remanescente era rasteira composta principalmente de gramíneas com alguns fragmentos de Mata Atlântica. A degradação ambiental na área de empréstimo 1 causou ambientais com a destruição, remoção ou expulsâo da grandes impactos vegetação nativa e da fauna. Devido à grande movimentação de solo, toda a camada fértil do solo foi perdida, removida ou enterrada. Como conseqüência, a qualidade da água e o regime de vazão do sistema hídrico foram alterados, causando erosões e voçorocas em toda a área. A erosão é causada pela falta total da cobertura vegetal devido à retirada do horizonte de solo fértil, onde se concentra a maior parte dos nutrientes necessários ao desenvolvimento dos vegetais, associada à ação do intemperismo e a fragilidade do solo, resulta na formação de sulcos de erosão, evoluindo para o movimento de massa, causando grandes voçorocas. 46 Na figura 6.1, pode-se observar a situação original da vegetação nativa e as características originais do terreno da área de empréstimo 1 no ano de 1978, data anterior ao início da construção da barragem do Jaguari, no Sistema Cantareira. A.E 1 1978 Figura 6.1 - Área de Empréstimo 1 - situação anterior ao início das obras de construção da Barragem do Jaguari em 1978 (Mennella, 1996) 6.2 Localização e Caracterização da Barragem do Jaguari A barragem do Rio Jaguari está localizada no município de Vargem, próximo à divisa do estado de São Paulo e Minas Gerais, nas altas bacias de drenagem do Rio Piracicaba. Seu espelho de água atinge os municípios de Vargem, Joanópolis e Bragança Paulista. A maior parte das áreas de contribuição da bacia hidrográfica do Rio Jaguari inclui-se na Província Geomorfológica do Planalto Atlântico. A cobertura vegetal nativa remanescente da região era constituída por florestas denominadas de Floresta Latifoliada Tropical segundo os trabalhos de Chiarini & Coelho (1969) e Troppmair (1969), ou Floresta Ombrófila Densa conforme IBGE (1992). 47 Na figura 6.2 pode-se observar em destaque a localização da barragem do Jaguari e Jacareí. Barragem Jaguari -Jacareí Legenda : roxa – áreas urbanizadas verde – áreas de vegetação preta – água cinza – áreas vegetação rasteira Figura 6.2 - Localização Barragem do Jaguari (Fernandes, 2004) 6.3 Características Físicas da Barragem do Jaguari A barragem do Jaguari é constituída de aterro maciço homogêneo compactado de solo residual de gnaisse, de natureza siltosa com volume de 4,55 km3, inclinação a montante de 2,5:1 e a jusante de 2:1. O descarregador principal é composto de tomada de água, possui 3 vertedores do tipo Creager e bacia de dissipação de energia. Possui ainda uma galeria de descarga de fundo de 355 metros de comprimento. A drenagem interna é feita por um filtro vertical homogêneo nas ombreiras e zoneado na região da calha do rio. O tapete horizontal termina em um dreno situado no pé do talude de jusante, sobre uma linha de poços de alívio de subpressões nas fundações. Em relação aos aspectos geológicos, a barragem está situada sobre solo residual de migmatitos nas ombreiras e rocha na região central. 48 Possui uma área de drenagem de 1075 km2, volume útil de armazenamento de água de 95 hm3 e área inundada máxima de 5,6 km2. Na figura 6.3 pode-se observar a abrangência da área inundada e de drenagem da barragem Jaguari e o canal de ligação entre as barragens do Jaguari e Jacareí (SABESP, 1989). B a rra g e m J a g u a ri c a n a l d e lig a ç ã o B a rra g e m J a c a re í Figura 6.3 – Características físicas da Barragem do Jaguari (Mennella, 1996) 6.4 Localização das Áreas de Empréstimo A localização das áreas de empréstimo para construção das barragens Jaguari e Jacareí pode ser observada a seguir na imagem do satélite Landsat de 1988 conforme figura 6.4. Também é possível através da imagem, observar a área ocupada pela água da barragem do Jaguari e a vegetação existente no seu entorno. 49 Área retrocedida Legenda: roxa – áreas urbanizadas verde – áreas de vegetação preta – água cinza – área de vegetação rasteira 1 2 3 9 6 8 10 12 4 5 7 11 Área retrocedida Figura 6.4 – Localização das Áreas de Empréstimo (Fernandes, 2004) 6.5 Localização da Área de Empréstimo 1 A área 1 está localizada junto à barragem do Jaguari, A figura 6.5 destaca a localização da área de empréstimo nº 1, demonstra o serviço de terraplanagem utilizado para a construção do maciço da barragem do Rio Jaguari, o grande volume de terra movimentado e a conseqüente degradação ambiental no local, quase sem nenhuma vegetação, construção civil. bem como a dimensão deste grande empreendimento da A engenharia civil está presente desde o levantamento de informações referentes ao solo, técnicas utilizadas na recuperação do solo, dimensionamento das estruturas de controle, tipos de materiais a serem empregados, métodos construtivos, cronogramas e operação da mesma. Ao se comparar a figura 6.5 com a figura 6.1, observa-se toda a alteração gerada no local, acarretando com que houvesse a desconfiguração ambiental total das condições originais do terreno com a retirada total da cobertura vegetal e do solo, alteração das etapas da ciclagem hidrológica (infiltração, evapotranspiração, escoamento superficial, interpolação, etc). percolação, 50 AE -1 Figura 6.5 - Área de Empréstimo 1 durante a construção da Barragem do Jaguari (Menella, 1996) 6.6 Impactos Causados na Construção e Operação da Barragem do Jaguari Durante as obras de construção da barragem Jaguari e início das obras necessárias para o represamento das águas do Rio Jaguari, conforme figura 6.6, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - Sabesp, necessitando de grande volume de argila, degradou várias áreas, gerando as áreas de empréstimo, situadas no entorno das atuais represas. No total foram movimentados aproximadamente 3.500.000 m3. As obras de construção das barragens foram concluídas em 1981, sendo que as áreas de empréstimo foram deixadas sem nenhum tipo de intervenção para proteção dessas áreas até o ano de 1996. A barragem teve sua estrutura da galeria construída em concreto armado e seu maciço em solo compactado. Nela estão instalados instrumentos que permitem observar o comportamento, como deslocamento de suas estruturas, fundações, deformações e recalques ao longo de sua vida útil (SABESP, 1998). 51 Figura 6.6 - Construção da Barragem Jaguari (Mennella, 1996) Na época da construção da barragem Jaguari não havia preocupação com os impactos ambientais provocados por obras de construção civil, assim sendo, não foram tomadas as providências adequadas como: armazenar a camada fértil do solo para posterior recolocação nas áreas onde foram retiradas argilas para as barragens de terra. Sabe-se, atualmente, que procedimentos como esse, minimizariam os problemas futuros como: a evolução dos processos erosivos, a oxidação da camada de solo exposta às intempéries e o carreamento de partículas de solo, através da lixiviação, que contribui para o assoreamento dos corpos d’água e reservatórios, além dos altos custos para a implantação de projetos de reabilitação dessas áreas degradadas. Como essas providências não foram tomadas, a área de empréstimo 1 que teve toda a camada fértil do solo e a camada de argila retiradas, ficou desprovida das condições mínimas para a reinstalação de qualquer tipo de vegetação. Assim sendo, o que se observou foi a oxidação do solo, a evolução dos processos erosivos até o surgimento de grandes voçorocas, que contribuem para o assoreamento dos cursos d’água e represas. 52 As conseqüências de não haver um processo de restauração da área de empréstimo 1 que ficou de 1982 a 1996 sem nenhum tipo de cobertura de superfície pode ser observada nas figuras 6.7, 6.8 e 6.9. Figura 6.7 - Área de Empréstimo 1 (Mennella, 1996) Figura 6.8 – Voçorocas da Área de Empréstimo 1 (Mennella, 1996) Sem uma forte intervenção nessas áreas não haveria a menor possibilidade de regeneração ou controle dos processos erosivos. 53 Figura 6.9 – Erosão da Área de Empréstimo 1 (Menella, 1996) 6.7 Ínicio do Projeto de Restauração de Áreas Degradadas Para solucionar o problema da degradação e dos danos causados durante a construção das barragens, foi elaborado um projeto tendo como objetivo a restauração das áreas degradadas. A fase 1 do projeto teve como objetivos principais: • o aterro das erosões existentes • a regularização do terreno • o terraceamento • o preparo do solo e • o recobrimento vegetal inicial do solo. A fase 2 do projeto teve como objetivos: • A implantação de sistemas de drenagem • A implantação florestal e paisagística A fase 3, desenvolvida após o término das fases 1 e 2, teve como objetivos: 54 • O manejo agrocultural nas mudas plantadas • A manutenção geral das áreas de empréstimo. O processo de recuperação da área de empréstimo nº 1 começou apresentar os primeiros resultados somente após a realização do aterro das erosões existentes, com a utilização de tratores para auxiliar o processo de terraplenagem, regularização do terreno e o terraceamento, conforme indicam as figuras 6.10, 6.11 e 6.12. Após esse processo foi necessário o fortalecimento do solo até então sem nenhum tipo de nutriente. Somente a partir do ano de 1999 os resultados ficaram mais visíveis com o retorno da cobertura vegetal. Figura 6.10 - Terraplenagem do terreno (Mennella,1996) 55 Figura 6.11 - Regularização do terreno (Mennella,1996) Ao comparar-se a figura 6.11 com a figura 6.12, pode-se observar a superfície do terreno regularizada, estável e sem erosões e o início do processo de revegetação como resultado positivo do processo de restauração. Figura 6.12 - Vista aérea da Área de Empréstimo 1 em 1997 (Sabesp,1999) Durante o processo de restauração da cobertura vegetal da área de empréstimo 1 foram plantadas mudas de árvores de diversas espécies, nativas, frutíferas e arbustos. Entre os anos de 1996 a 1998, foram plantadas cerca de 51.068 mudas; 56 entre os anos de 2000 e 2001 cerca de 43.980 mudas; e no ano de 2005 aproximadamente 9.570 mudas, totalizando 104.618 mudas (MENNELLA, 1996). 6.8 Obras da Construção Cívil Utilizadas no Processo de Restauração da Área de Empréstimo 1 Para que fosse possível alcançar a estabilidade do terreno e para que os resultados fossem plenamente atingidos, foram necessárias as execuções de algumas obras civis no local. Conforme figura 6.13, na área de empréstimo 1, foram construídas duas escadas hidráulicas para coleta das águas pluviais fazendo com que ocorra a diminuição da velocidade das águas e encaminhamento das mesma para um local onde não pudesse causar nenhum tipo de problema como por exemplo erosões e voçorocas. A escada hidráulica tem a função de proteção quanto ao carreamento de materiais para o corpo d’água evitando o assoreamento e influenciando diretamente para a melhoria da qualidade da água do mesmo. Diante das exigências dos órgãos ambientais, o engenheiro civil deve possuir conhecimentos das melhores técnicas disponíveis na atualidade para que os impactos ambientais causados no dimensionado e/ou gerenciamento de obras sejam mitigados. Neste projeto de restauração, foram utilizadas técnicas que permitiram baixo custo de manutenção durante a fase de implantação do projeto, conforme descrito a seguir: construção do sistema de drenagem com duas escadas hidráulicas e as fases 1, 2 e 3 descritas no ítem 6.7. 57 Figura 6.13 - Construção da escada (Mennella,1996) 6.9 Resultados Obtidos Os resultados obtidos na implantação deste projeto de restauração da área de empréstimo 1 confirmaram que a definição da técnica adequada, o correto dimensionamento e execução da obra permitiram alcançar resultados satisfatórios, servindo de exemplo para futuros projetos a serem desenvolvidos não somente no âmbito da Sabesp, mas também podem servir como modelo de aprendizado para outras instituições e órgãos ambientais em todo o Brasil. Nas figuras 6.14 e 6.15 a seguir, pode-se observar a evolução do processo de restauração e revegetação da área de empréstimo 1, profissionais da engenharia civil. com a contribuição de 58 Figura 6.14 - Área de empréstimo 1 em 1998 (Sabesp,1999) Figura 6.15 – Situação parcial da Área de Empréstimo 1 em 1999 (Sabesp, 1999) Na figura 6.16, de 25 de maio de 2006, observa-se fragmento de vegetação nativa da Mata Atlântica existente na área de empréstimo 1. Mesmo com a realização da obra foi possível preservar parcialmente o meio ambiente. 59 Figura 6.16 - Fragmento de Vegetação da Mata Atlântica na Área de Empréstimo 1 em 25/05/2006 (Fumes, 2006) Na figura 6.17, realizada durante visita a área de empréstimo 1 em 25 de maio de 2006, observa-se em destaque a restauração da vegetação, a inexistência de erosões e a cobertura vegetal do solo totalmente restaurada, garantindo estabilidade ao terreno e contribuindo eficazmente para o armazenamento e boa qualidade da água da barragem do Jaguari. AE -1 Figura 6.17 – Situação da Área de Empréstimo 1 em 25/05/2006 (Fumes, 2006) 60 Nas figuras 6.18 e 6.19, está apresentada conforme visita realizada em 25 de maio de 2006 a escada hidráulica construída na área de empréstimo 1 com a finalidade de drenar as águas pluviais e combater as erosões e carregamento do solo para o corpo da barragem. Após a construção das escadas hidráulicas no local, foi possível fazer o encaminhamento da água por escoamento superficial do terreno até a barragem, contribuindo para o controle do processo erosivo que se desenvolvia no local e início do processo de restauração. Observa-se nas figuras 6.18 e 6.19 que as obras da engenharia civil executadas na recuperação da área de empréstimo 1 foram amplamente incorporadas ao terreno e a paisagem, permitindo que houvesse interação entre a obra realizada no local e o meio ambiente local. Figura 6.18 - Escada Hidráulica em 25/05/2006 (Fumes, 2006) 61 Figura 6.19 - Escada Hidráulica em 25/05/2006 (Fumes, 2006) Na figura 6.20, está apresentada vista geral de um braço da barragem do Rio Jaguari. AE -1 Figura 6.20 – Barragem do Jaguari em 25/05/2006 possuindo como referência a Área de Empréstimo 1 (Fumes, 2006) 62 Através de visita no local em 25/05/06 e das figuras apresentadas anteriormente tendo como referência a área de empréstimo 1, objeto deste estudo de caso, foi possível observar que através do monitoramento ambiental realizado no entorno da barragem da Jaguari, a cobertura vegetal e a mata ciliar permanecem preservados após a restauração, garantindo água em quantidade e qualidade satisfatória e que o projeto desenvolvido no local alcançou seu objetivo principal, ou seja, a restauração da área de empréstimo 1, podendo-se observar retorno da vegetação ao local e controle da erosão. 63 7 CONCLUSÕES Atualmente o meio ambiente e os recursos hídricos preocupam, despertam interesse e estudo de pesquisadores do mundo todo devido aos grandes impactos causados pelas mudanças climáticas na superfície terrestre, resultado do desmatamento e degradação de matas e florestas, da poluição das águas e do ar, que ocorreram ao longo dos anos. No Brasil, em um passado recente, mais precisamente durante o período de regime militar, foram realizadas inúmeras obras da engenharia civil causando grandes degradações ambientais, devido à inexistência ou não aplicação de leis de proteção ambiental e dos recursos hídricos, à falta de licenciamento ambiental, planejamento, fiscalização e incentivos ao estudo e à pesquisa visando o desenvolvimento sustentável. Durante a construção da barragem do Jaguari, houve degradação ambiental do local que abrigaria através da movimentação de grandes volumes de solo, retirada da cobertura vegetal e alteração das características hidrológicas e do microclima do local. Durante o desenvolvimento deste estudo de caso foi dado enfoque a área de empréstimo 1, sendo possível observar a condição do local em diferentes períodos: antes, durante e após o término das obras de construção e às obras de restauração. Foi possível durante a elaboração deste trabalho de conclusão de curso perceber a importância que a engenharia cívil deve ter com relação à preservação e aos impactos que pode causar ao meio ambiente. A engenharia civil exerce grande importância no papel de restauração das áreas degradadas, através da aplicação de técnicas que permitem o alcance de resultados plenamente satisfatórios. No caso da área de empréstimo 1, através do auxilio e construção das escadas hidráulicas foi possível obter o controle das erosões e voçorocas que existiam no local através da destinação adequada das águas superficiais do terreno, garantindo 64 assim a estabilidade do mesmo, condição necessária para que houvesse o retorno da cobertura vegetal ao local, contribuindo desta forma para que houvesse a redução do carregamento do solo até o corpo da barragem causando alteração da qualidade da água armazenada e assoreamento. Com a restauração da área de empréstimo 1 foi possível observar que está ocorrendo o retorno da fauna ao local recuperado, a ocorrência da regeneração natural, término dos processos erosivos, melhoria considerada do aspecto visual da paisagem, melhoria da conectividade dos fragmentos (corredor ecológico) e contribuição aos recursos hídricos com boa qualidade e maior quantidade. A construção de escadas hidráulicas associadas a regularização do terreno, aterro, terraceamento, recobrimento do solo com replantio de mudas, são técnicas de baixo custo, de fácil instalação e manutenção, que demonstraram eficiência na controle e exclusão das erosões e voçorocas, podendo ser aplicadas em situações e obras civis semelhantes. Após a realização deste estudo de caso, grandes conhecimentos acadêmicos foram conquistados e aprimorados, verificando através de visita realizada no local objeto deste trabalho que a restauração da área de empréstimo 1 foi executada com êxito, alcançando sua finalidade de restauração ambiental. 65 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANA. Agência Nacional de Águas. Comitê da Bacia Hidrográfico do Rio Doce – Legislação. Disponível em: <http://www.ana.gov.br/cbhriodoce/legislacao_docs>. Acesso em: 19/03/06. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria MS 518. Diário Oficial da União - Poder Executivo, de 26 de março de 2004. Brasília. 2004. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Politica Nacional de Meio Ambiente - Lei nº 6938/81. Brasília.1981. BRASIL. Resolução Conama nº 001, de 23 de Janeiro de 1986. Dispõe sobre as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente. 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