APOSTILA VESTIBULAR APOSTILA VESTIBULAR VOLUME COMPLETO VESTIBULAR - VOLUME IV VESTIBULAR - VOLUME III VESTIBULAR - VOLUME II VESTIBULAR - VOLUME I VERSÃO IMPRESSA E DIGITAL COMPRE AQUI www.pconcursos.com SIMULADOS DE VESTIBULAR Questão 1 (UEL) Obra pré-modernista, que problematiza a realidade brasileira contrapondo o mundo da cidade e o do subúrbio; o universo urbano e o rural; as elites culturais e os representantes da cultura popular; os governantes autoritários e o povo indefeso e passivo. Trata-se de: a) Canaã, de Graça Aranha. b) Juca Mulato, de Menotti del Picchia. c) Os Sertões, de Euclides da Cunha. d) Urupês, de Monteiro Lobato. e) Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. www.pconcursos.com Questão 2 (MACKENZIE) Assinale a alternativa INCORRETA a respeito de Monteiro Lobato. a) Moralista e doutrinador, tinha acentuadas tendências para uma concepção racionalista e pragmática do homem. b) Criador do Jeca-Tatu, apontou as mazelas físicas, sociais e mentais do Brasil da I República. c) Em sua narrativa, notam-se costumes interioranos, intenção satírica e efeitos sentimentais. d) Assumiu posição favorável às vanguardas européias: futurismo, cubismo, expressionismo, surrealismo. e) Apesar de certas ousadias, sua prosa não rompe, no fundo, nenhum molde convencional. www.pconcursos.com Questão 3 (PUC-SP) "O fazendeiro criara filhos Escravos escravas Nos terreiros de pitangas e jabuticabas Mas um dia trocou O ouro da carne preta e musculosa As gabirobas e os coqueiros Os monjolos e os bois Por terras imaginárias Onde nasceria a lavoura verde do café." Este poema de Oswald de Andrade exemplifica o movimento nativista... O poeta, através de uma poesia reduzida ao..., buscou uma interpretação de seu país. a) Antropófago - visual; b) Verde-Amarelo - simbólico; c) Terra Roxa e Outras Terras - discursivo; d) Anta - concreto; e) Pau-Brasil - essencial; www.pconcursos.com Questão 4 (FUVEST) "Será que eu enriqueceria este relato se usasse alguns difíceis termos técnicos? Mas aí que está: esta história não tem nenhuma técnica, nem de estilo, ela é o deus-dará? Eu que também mancharia por nada deste mundo com palavras brilhantes e falsas uma vida parca como a da datilógrafa". (Clarice Lispector, A Hora da estrela) Em A Hora da estrela, o narrador questiona-se quanto ao modo e até à possibilidade de narrar a história. De acordo com o trecho acima, isso deriva do fato de ser ele um narrador. a) Iniciante, que não domina as técnicas necessárias ao relato literário. b) Pós-moderno, para quem as preocupações de estilo são ultrapassadas. c) Impessoal, que aspira a um grau de objetividade máxima no relato. d) Objetivista, que se preocupa apenas com a precisão técnica do relato. e) Autocrítico, que percebe a inadequação de um estilo sofisticado para narrar a vida popular. www.pconcursos.com Questão 5 (FUVEST) João Guimarães Rosa, em Sagarana, permite ao leitor observar que: a) Explora o folclórico do sertão. b) Em episódios muitas vezes palpitantes surpreende a realidade nos mais leves pormenores e trabalha a linguagem com esmero. c) Limita-se ao quadro do regionalismo brasileiro. d) É muito sutil na apresentação do cotidiano banal do jagunço. e) É intimista hermético. www.pconcursos.com Questão 6 (UCSAL) A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem se misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu realmente tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa. Sucedido, desgovernado. Assim eu acho, assim eu conto(...). Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data. O trecho acima, de Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, esclarece um dos aspectos do tratamento dado ao tempo nessa obra. Assinale a alternativa em que se explicita esse tratamento. a) O narrador alterna o relato de fatos importantes do passado com a narração de pequenos episódios mais recentes. b) A ordem cronológica da narrativa vai conferindo aos fatos relatados a importância real que tiveram no passado. c) A narrativa constrói-se a partir de um tempo reestruturado pela memória, em que os acontecimentos se classificam segundo uma ordem de importância subjetiva. d) O relato dos acontecimentos não é feito em ordem cronológica, porque se o fosse, ficaria falseada a importância dos fatos narrados, visto que a memória é mentirosa. e) O tempo da narrativa confunde na memória os acontecimentos significativos com aqueles que têm importância menor. www.pconcursos.com Questão 7 (FMTM) Pela primeira vez um autor nacional vai além, nesse campo quase virgem de nossa literatura, da simples aproximação; pela primeira vez um autor penetra até o fundo na complexidade psicológica da alma, alcança em cheio o problema intelectual, vira no avesso, sem piedade nem concessões, uma vida eriçada de recalques. O juízo crítico acima refere-se ao romance de estréia de Clarice Lispector. a) O Quinze; b) Perto do Coração Selvagem; c) Escolha o seu Sonho; d) A Casa da Paixão; e) As Meninas. Questão 8 (UFBA) Este pequeno mundo do sertão, este mundo original e cheio de contrastes, é para mim o símbolo, diria mesmo o modo de meu universo. Nós, os homens do sertão, somos fabulistas por natureza. Eu trazia sempre os ouvidos atentos, escutava tudo o que podia e comecei a transformar em lenda o ambiente que me rodeava, porque este, em sua essência, era e continua sendo uma lenda. O depoimento acima é do escritor: a) Rubem Braga; b) Dalton Trevisan; c) Érico Veríssimo; d) João Guimarães Rosa; e) Mário de Andrade. Questão 9 (ITA) O Engenheiro A Luz, o sol, o ar livre envolvem o sonho do engenheiro. O engenheiro sonha coisas claras; superfícies, tênis, um copo de água. O lápis, o esquadro, o papel; o desenho, o projeto, o número ; o engenheiro pensa no mundo justo, mundo que nenhum véu encobre. Sempre guiado pela razão, sua poesia jamais é sentimental ou melosa. Criou um estilo seu: estilo seco e despojado de verbalismo. O racionalismo é marca principal de sua obra. As estrofes acima são extraídas de um de seus poemas. Seu autor é: a) Cassiano Ricardo; b) Cecília Meirelles; c) João Cabral de Melo Neto; d) Jorge de Lima; e) N.D.R. Questão 10 (PUC-MG) Graciliano Ramos um autor que no Modernismo faz parte da: a) Fase destruidora, que procura romper com o passado. b) Segunda fase, em que se destaca a ficção regionalista. c) Fase irreverente, que busca motivos no primitivismo. d) Geração de 45, que procura estabelecer uma ordem no caos anterior. e) Década de 60, que transcendentaliza o regionalismo. Questão 11 (UEM) A cachorra espiou o dono desconfiada, enroscou-se no tronco e foi-se desviando até ficar no outro lado da árvore, agachada e arisca, mostrando apenas as pupilas negras. Aborrecido com esta manobra, Fabiano saltou a janela, esgueirou-se ao longo da cerca do curral, deteve-se no mourão do canto e levou de novo a arma ao rosto... O texto acima apresenta uma cena da obra: a) Angústia; b) Vidas Secas; c) Doidinho; d) Dom Casmurro; e) Menino do Engenho; Questão 12 (PUC-CAMP) Em sua obra, a tendência regionalista acaba assumindo a característica de experiência estética universal, compreendendo a fusão entre o rela e o mágico, de forma a radicalizar os processos mentais e verbais inerentes ao contexto fornecedor de matériaprima. O folclórico, o pitoresco e o documental cedem lugar a uma maneira nova de repensar as dimensões da cultura, flagrada em suas articulações no mundo da linguagem. Esse conjunto de características descreve a obra de: a) Clarice Lispector; b) José Cândido de Carvalho; c) Érico Veríssimo; d) Jorge Amado; e) Guimarães Rosa. Questão 13 (PUC-CAMP) O Isolamento social e cultural de uma família de retirantes nordestinos e a tragédia do ciúme, provocada por um incontrolável sentimento de posse, são os temas centrais de dois grandes romances de Graciliano Ramos, respectivamente: a) Vidas Secas e São Bernardo; b) São Bernardo e Vidas Secas; c) Caetés e Angústia; d) Angústia e Caetés; e) São Bernardo e Angústia. Questão 14 (VUNESP) - Ara, ara, bichinha. Antes pelesses mundões, viu-que-te-viu, avistei deparado muito que assim-assim, luzinluzindo, eu figurava rindo que nem-nem. Apois. A senhora tolere. Não gloso. Deus esteja, que-que vem a ser isso que nem-nem o que for? Neste trecho, extraído da obra Vencecavalo e outro povo, o autor, João Ubaldo Ribeiro, alude parodisticamente ao estilo de: a) Graciliano Ramos; b) José Lins do Rego; c) João Guimarães Rosa; d) Osmam Lins; e) Dalton Trevisan. Questão 15 (PUC-CAMP) O romance é narrado na primeira pessoa em monólogo ininterrupto, por um velho fazendeiro do Norte de Minas, antigo jagunço. Na estrutura do livro, os fatos são transpostos para uma atmosfera lendária e o real se cruza com o fantástico. As afirmações acima referem-se à obra-prima de uma grande escritor brasileiro moderno. a) Sagarana, de João Guimarães Rosa. b) Cangaceiros, de José Lins do Rego. c) Menino do Engenho, de José Lins do Rego. d) Grande Sertão; Veredas, de João Guimarães Rosa. e) O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo. Questão 16 (FESP) Esta questão se refere aos movimentos de vanguarda. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) São correntes de vanguarda: Futurismo, Cubismo, Expressionismo, Dadaísmo, Surrealismo; b) "...Os exemplos essenciais de nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta..." - é exemplo da corrente vanguardista: Dadaísmo c) "... Eu insulto o burguês-funesto! O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições! Fora os que algarismam os amanhãs! Olha a vida dos nossos setembros!" - é exemplo da corrente futurista. d) "Pré-história Mamãe vestida de rendas Tocava piano no caos." - é exemplo da corrente surrealista e) "Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi." - é exemplo da corrente dadaísta. Questão 17 (FESP) A poética parnasiana baseia-se no binômio objetividade/culto da forma. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) É uma estética preocupada com a "arte pela arte", ou com a "arte sobre a arte". b) Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia são seus principais representantes. c) A objetividade temática surge como negação do sentimentalismo romântico. d) Via Láctea e Meridionais são obras de Olavo Bilac. e) Primeiros Sonhos, Sinfonias e Aleluias são obras de Raimundo Correia. Questão 18 (FESP) Esta questão diz respeito à obra de Manuel Bandeira. Para respondê-la, leia atentamente o texto transcrito abaixo: Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. Noite Morta. Junto ao poste de iluminação Os sapos engolem mosquitos. Ninguém passa na estrada. Nem um bêbado. No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras. Sombras de todos os que passaram. Os que ainda vivem e os que já morreram. O córrego chora. A voz da noite... (não desta noite, mas de outra maior) a) O texto é do livro: O Ritmo Dissoluto, considerando obra de transição. b) Nesse poema, os sinais de pontuação têm importante papel na sua construção, tanto de ritmo quanto de sentido. c) O poema se caracteriza pela aceitação da morte, pela angústia existencial e pelo amor à infância. d) O poema dá um toque de novidade `a nossa poesia, erigindo-se em ternura e aceitação disfarçada de revolta. e) O poema tem um cunho de paixão, de amor à vida e dúvida a respeito da morte. Questão 19 (FESP) Leia o texto de Clarice Lispector com atenção. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. "O telefone pertence ao mundo das coisas. É um objeto vivo - faço questão de que seja "objecto" e não "objeto". O "c" é o osso duro do telefone. Ele é um ser doido. É valsa de mefistófeles. A autópsia do telefone dá pedaços de coisas." a) Na palavra telefone, "tele" é um radical grego; b) Na palavra autópsia, "auto" é um radical latino; c) "Fone", radical grego, significa som; d) A forma verbal "faço", contém vogal temática; e) Tema é o radical acrescido de uma vogal (chamada vogal temática). Questão 20 (FESP) Esta questão se refere a João Cabral de Melo Neto e às suas obras. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) A sua obra se caracteriza pela objetividade na construção da realidade e nítida influência surrealista. b) Além de Morte e Vida Severina, escreveu também O Cão sem plumas e A educação pela pedra. c) Em sua linguagem concreta, há espaço para emoções, para traços individuais e psicológicos. d) Morte e Vida Severina retrata a condição de retirante nordestino que parte em direção a Recife, trilhando o leito seco do Rio Capibaribe. e) Em sua obra há uma preocupação com a estética comparada à de um engenheiro ou à de um arquiteto. Questão 21 (UNICAP) Leia com atenção o seguinte texto: Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. OURO PRETO (Manuel Bandeira) Ouro branco! Ouro preto! Ouro pobre! De cada Ribeirão trepidante e de cada recosto De montanha o metal rolou na cascalhada Para o fausto d'EI-Rei, para a glória do imposto Que resta do esplendor de outrora? Quase nada: Pedras... templos que são fantasmas ao sol-posto. Esta Agência postal era a Casa de Entrada... Este escombro foi um solar... Cinza e desgosto! O bandeira decaiu - é funcionário. Último sabedor da crônica estupenda, Chico Diogo escarnece o último visionário. E avulta apenas, quando a noite de mansinho Vem, na pedra-sabão lavrada como renda, - Sombra descomunal, a mão do Aleijadinho! a) Trata-se de um poema de versos brancos. b) OURO PRETO, de Manuel Bandeira, é um soneto, uma das tradicionais formas fixas da literatura. c) É correto dizer que o texto de Manuel Bandeira é um poema, porque é escrito em versos (que formam estrofes), e está correto também a afirmação de que se trata de um soneto, uma vez que é um composição de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos. d) O texto do poeta recifense é "marcado" pelo subjetivismo, característica predominante dos poemas líricos - dizendo de outra forma: o poema de Manuel Bandeira evidencia os sentimentos, a emoção. e) O poema OURO PRETO é escrito em versos regulares, metrificados e rimados, prática poética do Classicismo dos Setecentos, razão por que o seu autor não é um modernista, e, sim, um clássico. Questão 22 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) O romance dos anos 30 no Brasil se distancia da realidade do país para se voltar para os temas intimistas b) A poesia brasileira a partir de 1930 vive uma fase de decadência e repetição dos antigos moldes poéticos c) A ficção de José Lins do Rego, Érico Veríssimo e Jorge Amado têm em comum o culto da fantasia d) A chamada "Geração de 45" repete na poesia os modelos modernistas e) Os romances de Graciliano Ramos se caracterizam pela existência do personagem em conflito com a sociedade Questão 23 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) A prosa de Graciliano Ramos é marcada pelas repetições, as hipérboles, a farta adjetivação b) "Grande Sertão: Veredas" e "Vidas Secas" têm em comum a semelhança de estilo dos seus autores c) O regionalismo de Guimarães Rosa se nutre sobretudo da descrição extremamente objetiva do folclore d) Murilo Rubião é, com Guimarães Rosa, um dos maiores representantes do realismo regionalista e) O "Romanceiro da Inconfidência" é uma descrição em prosa da epopéia dos inconfidentes mineiros Questão 24 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Cecília Meireles introduziu, com poucos poetas, o coloquialismo e a ironia na poesia b) A poesia de Carlos Drummond de Andrade se caracteriza pela atenção do poeta aos fatos da vida quotidiana c) O humor é uma das formas que assume a poesia de Drummond na abordagem do real d) À medida que envelhecia, Carlos Drummond de Andrade foi abandonando a temática amorosa em prol de uma temática mais social e) Do ponto de vista formal de sua poesia, pode-se dizer que Carlos Drummond de Andrade se ateve às formas clássicas da tradição poética Questão 25 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) "Vidas Secas" é o único romance de José Lins do Rego que tem por cenário o sertão. b) O grande tema do romance regionalista nordestino é a inadaptação do homem à vida na cidade. c) "O Quinze" de Raquel de Queiroz foi um dos primeiros romances regionalistas do Modernismo Brasileiro. d) O movimento Modernista Brasileiro queria introduzir os temas urbanos e nacionalistas na poesia. e) "A bagaceira" de José Américo de Almeida representa a vertente regionalista no romance paraibano. Questão 26 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Num dos seus poemas mais conhecidos, Manuel Bandeira celebrizou a casa de seu avô, na rua da Aurora, onde ele nasceu. b) Profundo conhecedor dos gêneros poéticos, Manuel Bandeira nos deixou uma poesia de formas e conteúdos variados. c) A obsessão da morte inspirou muitos poemas de Manuel Bandeira. d) Personagens humildes como camelôs, carregadores de feira, empregados domésticos aparecem na poesia de Manuel Bandeira. e) Consciente de seu alvo valor literário, Manuel Bandeira afirmou com freqüência em seus poemas ser um poeta maior. Questão 27 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Para escrever o "Romanceiro da Inconfidência", Cecília Meireles estudou grande parte da história de Minas. b) A poesia de Carlos Drummond de Andrade se caracteriza pela variedade de temas. c) "Mundo mundo vasto mundo Se eu me chamasse Raimundo Seria uma rima, não seria uma solução" Neste trecho de poema, Carlos Drummond de Andrade satiriza seu amigo o poeta Raimundo Corrêa. d) A poesia modernista se preocupa sobretudo com a forma, desprezando o conteúdo social e nacionalista. e) "Há uma gota de sangue em cada poema" é o título do primeiro livro de versos de Mário de Andrade. Questão 28 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Num dos seus poemas mais conhecidos, Carlos Drummond de Andrade escreve que sua cidade natal, Volta Redonda, tem ferro nas calçadas e as pessoas têm ferro nos corações. b) A poesia de Carlos Drummond de Andrade se caracteriza pela monotonia da forma. c) "Fazendeiro do Ar" é o título de um dos livros mais conhecidos de Mário de Andrade. d) Além de ser poeta, Carlos Drummond de Andrade escrevia crônicas nos jornais, tendo publicado a maioria delas em livros. e) Grande parte da lírica amorosa de Carlos Drummond de Andrade foi escrita em sua velhice, nos últimos anos de vida do poeta. Questão 29 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Como o nome o indica, "Morte e Vida Severina" conta a história da escrava Severina, personagem do romance de João Cabral de Melo neto. b) O rio Capibaribe tem grande importância na obra poética de João Cabral de Melo Neto. c) Osman Lins e Gilvan Lemos podem ser considerados os dois maiores poetas contemporâneos de Pernambuco. d) Entre os grandes autores de Elegias na poesia brasileira podemos citar Cecília Meireles e Mauro Mota, ambos poetas pernambucanos. e) Frei Caneca, o revolucionário, é um personagem do "Romanceiro da Inconfidência", de Cecília Meireles. Questão 30 (UFPE) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) "Fogo Morto" é um romance que narra a decadência da sociedade canavieira. b) Ariano Suassuna e Luiz Marinho são os autores que mais se destacam no teatro de Pernambuco atualmente. c) O romance pernambucano contemporâneo se caracteriza pela variedade dos seus temas. d) "Juca-Mulato" e "I Juca-Pirama" são poemas que têm em comum os personagens típicos do camponês nordestino. e) O livro "Eu, e outras poesias", de Augusto dos Anjos, é marcado pelo pessimismo e pela morbidez. Questão 31 (FESP) Esta questão se refere ao Modernismo. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) A primeira fase modernista caracteriza-se pela procura e pelo repúdio ao passado. b) A Semana de Arte Moderna foi, na verdade, uma exposição de pintura e escultura. c) Houve um desejo de uma literatura verdadeiramente brasileira e responsável pelo aproveitamento do nosso folclore. d) A revolução industrial em nada afetou o modernismo que esteve sempre afastado do público e do momento histórico. e) O modernismo brasileiro tomou corpo em São Paulo. Seus participantes pretendiam dar um grito de independência contra o atraso cultural do país. Questão 32 (FESP) Leia os seguintes textos de Cecília Meireles. I "Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo." II "Quando meu rosto contemplo, o espelho se despedaça: por ver como passa o tempo e o meu desgosto não passa." III "Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: Sou poeta." Dos textos acima, pode-se afirmar. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) A morte é considerada a interrupção do ciclo feliz da existência humana. b) A poetisa combinou o verso tradicional e o verso livre, sem abandonar em sua obra os preceitos modernistas de maturidade e coloquialidade. c) Preocupou-se com a fugacidade do tempo, resultando num tom constante de melancolia. d) Os historiadores literários filiam a obra de Cecília Meireles ao grupo Festa, pois suas idéias unem o espiritualismo ao materialismo. e) Em Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles retoma a forma poética de tradição ibérica, denominada romance, e reconstrói o episódio da Inconfidência Mineira. Questão 33 (FESP) Observe: "Entre a paisagem o rio fluía como uma espada de líquido espesso. Como um cão humilde e espesso. Entre a paisagem (fluía) de homens plantados na lama; de casas de lama plantadas em ilhas coaguladas na lama; paisagem de anfíbios de lama em lama. Como o rio, aqueles homens são como cães sem plumas. (Um cão sem plumas é mais que um cão saqueado; é mais que um cão assassinado.) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Em O cão sem plumas, João Cabral de Melo Neto apresenta uma poesia voltada para a temática social. b) O poema acima inicia um ciclo na obra de João Cabral em que o poeta explicita sua preocupação com a realidade paraibana. c) A preocupação com a construção da poesia, encarada como fruto do trabalho paciente e lúcido do poeta, é uma constante na obra de João Cabral de Melo Neto. d) A ênfase sociológica do poema tem continuidade em O Rio e Morte e Vida Severina. e) João Cabral usa analogias com objetivos concretos e comuns. Questão 34 (FESP) Questão referente a Graciliano Ramos. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Em Graciliano Ramos, a linguagem é sintética, os textos são enxutos, não há uma palavra a mais ou a menos. b) Deixou-se encantar pelo pitoresco da região, soube com maior agudeza exprimir a dura e amarga realidade do homem nordestino. c) É autor de enredos que envolvem a seca, o latifúndio, o drama dos retirantes, a caatinga e a cidade. d) Vidas Secas é uma grande obra pelo poder de fixar figuras sub-humanas vivendo sob o fatalismo das secas da região do Nordeste. e) Em Graciliano, o senso psicológico, o senso sociológico e o senso estético são três aspectos que se completam e se fundem. Questão 35 (FESP) Questão referente a Jorge Amado. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Jorge Amado é lírico e realista ao mesmo tempo. Peca apenas pela falta de humor em suas obras. b) Tornou-se marcante a presença da infância em seus romances. c) Jorge Amado, em sua fase inicial, aborda o problema da luta pela posse de terras na região cacaueira de Ilhéus. d) Evita, sempre que possível, ao longo de sua atividade literária, a abordagem de questões de ordem social e política. e) Freqüentador de candomblés desde muito cedo, Jorge Amado tornou-se amigo de paisde-santo. Em seus livros Jubiabá e Tenda dos Milagres, esses fatos são relatados abundantemente. Questão 36 (FESP) Questão referente a Guimarães Rosa. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) A linguagem mistura-se à pesquisa erudita, à exploração sonora, sintática e semântica do português. b) Seu regionalismo despreza a linguagem popular. c) Sua narrativa faz uso de recursos mais comuns à poesia, tais como o ritmo, as imagens, as metáforas e as aliterações. d) Um aspecto relevante de sua obra é a luta entre Deus e o Diabo. e) Deu uma grande contribuição à linguagem, principalmente com a criação de neologismos. Questão 37 (UFPE) A 29 de janeiro de 1922, o Estado de São Paulo noticiava: "Por iniciativa do festejado escritor, Sr. Graça Aranha, haverá em São Paulo uma SEMANA DE ARTE MODERNA, em que tomarão parte os artistas que, em nosso meio, representam as mais modernas correntes artísticas." Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) O Primitivismo nacionalista da Antropologia e do Verde-Amarelismo foi a primeira diversificação, em correntes, do Modernismo. b) Logo após a Semana de que fala o texto, nas revistas do movimento (Klaxon e Estética) começaram-se a vislumbrar as primeiras tendências dos autores de então. c) Oswald de Andrade e Raul Bopp pretenderam um retorno às raízes primitivas, autênticas e selvagens de nossa nacionalidade. Seu lema era: Tupy or not Tupy, that is the question." d) Menotti del Pichia e Plínio Salgado focalizaram as fontes nacionalistas, na valorização da raça, do sangue e dos heróis nacionais. e) A semana reuniu jovens modernistas numa exposição de arte literária, plástica, musical e de dança, mas não pode ser considerada como início oficial do Modernismo brasileiro. Questão 38 (UFPE) OBSERVE: "O céu jogava tinas de água sobre o noturno que me devolvia a São Paulo. O comboio brecou lento para as ruas molhadas, furou a gare suntuosa e me jogou nos óculos menineiros de um grupo negro. Sentaram-se num automóvel de pêsames." Oswald de Andrade Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Seu autor é modernista da última fase, não tendo participado da Semana de Arte Moderna. b) O nacionalista de Oswald de Andrade foi uma volta ao ufanismo parnasiano, sem perspectiva crítica. c) Principal divulgador da orientação nacionalista primitivista, participou do movimento Pau Brasil e do movimento Antropofágico. d) Oswald de Andrade escreveu os textos mais corrosivos da estética modernista, destruindo os padrões tradicionais da narrativa. e) Como se pode observar, no texto, Oswald de Andrade destacou-se pela inovação no uso dos termos com derivações e formações estrangeiras, além de metáforas inusitadas. Sua narrativa estabelece uma mistura entre o descritivo e o narrativo. Questão 39 (UFPE) OBSERVE: "Tive ouro, tive gado, tive fazendas Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede Mas, como dói!" (Carlos Drummond de Andrade Confidências de Itabirano) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Foi um poeta que tratou de assuntos brasileiros e regionais (no texto acima, fala sobre Minas Gerais) dando-lhe um caráter folclórico e exótico. b) Versejou sempre de acordo com a poética tradicional, respeitando a métrica e a rima. c) Sua maturidade poética foi atingida através da precisão da linguagem e do aprofundamento da visão de mundo. d) A sua poesia tem como pólos o eu e o mundo; no primeiro sobressaem os temas do passado (a família e a província) e o amor, caracterizado pela carência. e) Além de explorar as profundezas do eu, preocupa-se com o social, canta a solidariedade e interroga sobre o sentido da vida. Questão 40 (UFPE) OBSERVE: Não sentia a espingarda, o seco, as pedras miúdas que lhe entravam nas alpercatas, o cheiro de carniças que empestavam o caminho. As palavras de Sinhá Vitória encantavam-no." (Graciliano Ramos / Vidas Secas) Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) O autor é alagoano e iniciou-se tarde na vida literária com o romance "Caetés" - 1933. b) Analisou, sem piedade, o universo em derrocada das oligarquias rurais em "São Bernardo." c) Em "Infância", narrativa autobiográfica, relata sua experiência como filho de família abastada, tratado com carinho por um pai superprotetor. É um cheio de lembranças ternas. d) Memórias do Cárcere - 1953, é sua única incursão no mundo da poesia. Seus poemas são objetivos e têm o mesmo tom de denúncia dos livros anteriores. e) Vidas Secas - 1938, tragédia ocasionada pelas condições ecológicas, ultrapassa estas condições, relatando o drama humano do despojamento e da miséria nordestina. Sua grandeza reside na construção formal e na análise dura da realidade circulante. Questão 41 (UFPE) Sobre Manuel Bandeira. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Contribuiu para a instalação do Modernismo, com a Semana de Arte Moderna, ridicularizando os parnasianos no poema Os Sapos. b) A poesia de Bandeira manteve até o final as influências parnasianas e simbolistas. c) O cotidiano está sempre presente em seus textos, pelo lirismo do Eu, numa fusão perfeita da subjetividade com a objetividade. d) Ao contrário dos românticos, em sua poesia ironizou seus próprios desejos, considerando-os como ilusórios. e) Usando as formas clássicas do lirismo, Bandeira escreveu em linguagem culta e empolada, longe dos usos cotidianos por isso de difícil compreensão. Questão 42 (UFPE) OBSERVE: "Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem, não, Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço; gosto, desde mal em minha mocidade. Daí vieram me chamar. Causa de um bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser-se viu - ; e com máscara de cachorro. Me disseram: eu não quis avistar." (Guimarães Rosa / Grande Sertão, Veredas) O texto acima, apesar de curto, contém muitas características do estilo do autor, entre as quais. Assinale as afirmativas verdadeiras e as afirmativas falsas. a) Explora o chamado Superregionalismo (dentro do Modernismo) que ampliava e transformava as características do homem do interior. b) Seu universo ficcional é dos senhores de terra aristocráticos, dominados por conceitos arcaicos, e dos capitalistas do litoral, ambos expressos em linguagem convencional. c) Seguindo o modelo de José Lins do Rego, o linguajar de seus personagens copiava o dos sertanejos, sem modificações, imobilizado no tempo, como uma cópia fiel da realidade. d) O texto utiliza arcaísmos, metáforas, neologismos, além de construções sintáticas inovadoras com inversões e apagamentos. e) Apesar das inovações, o texto conserva o tom coloquial, isto é, o tom de conversa da gente do interior, numa imitação da fala. Questão 43 (PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO LIVRO O DESATINO DA RAPAZIADA, DE HUMBERTO WERNECK Todas as alternativas apresentam uma adequada relação entre os títulos de capítulos do livro O desatino da rapaziada e uma interpretação possível, EXCETO: a) "Aqui há Otis": associação entre Drummond e a modernidade mineira. b) "Bondes e boatos": referência ao ponto central da cidade que resumia seu progresso e seu provincianismo. c) "Do alto de um viaduto": referência à atitude, que se queria transgressora, de Drummond e da geração literária que o seguiu. d) "Encontros marcados": retomada do título do romance de Fernando Sabino para designar o relacionamento de diferentes grupos. e) "Os ases de Cataguases": ironia ao filho do Presidente, Antônio Carlos, que construiu um avião nos fundos da Imprensa Oficial. Questão 44 (PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO LIVRO O DESATINO DA RAPAZIADA, DE HUMBERTO WERNECK Todas as alternativas apresentam características do Semanário Binômio, EXCETO: a) crítica acirrada aos políticos conservadores. b) deboche em relação às mulheres da alta sociedade. c) desprezo pelos temas culturais. d) força de resistência ao golpe de 64. e) irreverência através da linguagem e das imagens. Questão 45 (PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO LIVRO O DESATINO DA RAPAZIADA, DE HUMBERTO WERNECK Todas as alternativas apresentam passagens do livro O desatino da rapaziada, cuja linguagem se afasta da proposta modernista, EXCETO: a) "(...) é um adolescente cuja cabeça se coroa com as rosas delicadas da primeira mocidade." b) "É preciso fazer um poema sobre a Bahia.../ Mas eu nunca fui lá." c) "Noites de Belo Horizonte, / noites de mago dulçor, / não há luar que desponte/ como o seu, encantador!" d) "Essas palavras, que aí ficam, representam a minha modesta braçada de lírios, que trago para saudar o moço aureolado de tão radiosas esperanças." e) "Põe-te em guarda, mancebo, a minha espada/ Visa somente o coração, sentido!" Questão 46 (PUC-PR) Considere o poema seguinte: ESQUIVAS Caprichosas e esquivas, não significam o mesmo para o poeta e o leitor. ... malícias, rebeldias, conotações imprevistas. Quem se propõe a escrever enreda-se em bruxarias. Sempre diz menos (ou mais) do que pretende dizer. (do livro Viagem no espelho, de Helena Kolody) Identifique a alternativa correta: a) A condição de "esquivo" (fugidio) é própria dos poemas compostos a partir de experimentações formais, tendência cuja principal representante na literatura paranaense contemporânea é Helena Kolody. b) O poema tematiza a ausência de limites inerente à interpretação da linguagem poética, em que a conotação predomina sobre a denotação. c) A poeta refere-se às palavras que, por fugirem, impedem que a poesia exista, tanto para o autor como para o leitor. d) A poesia de Tasso da Silveira coloca-se em situação diametralmente oposta à de Helena Kolody, pois ele tende a negar a multiplicidade de sentidos do simbólico, como nos versos seguintes: "Cantareis as estrelas, Senhor, / perpetuamente as cantarei! / Porque elas são e serão sempre / o augusto deslumbramento". e) O título da coletânea de poemas, Viagem no espelho, bem como a referência às "bruxarias" exemplificam a tendência de Helena Kolody ao esoterismo. Questão 47 (PUC-PR) Leia as afirmações sobre Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, e depois aponte a alternativa correta. I - Morte e Vida Severina, juntamente com O Rio e O Cão sem Plumas, forma o que a crítica literária denomina "o tríptico do rio", ou seja, poemas que têm o rio Capibaribe como fio condutor. II - A linguagem metafórica e analógica de Morte e Vida Severina destoa da humildade severina do protagonista, criando um abismo entre conteúdo e forma. III - A lição de vida encontrada na natureza, como atestam as comparações freqüentes em Morte e Vida Severina com o rio, o canavial e o mar, aparece em Educação pela Pedra (1966) e desaparece da obra de João Cabral a partir de Agrestes (1985). IV - A forma dialogada escolhida por João Cabral torna mais evidente o intenso conflito social vivido pelo protagonista, de vez que associa à denúncia social as múltiplas vozes severinas das demais personagens. a) I, II, III e IV. b) apenas I, II e III. c) apenas I, III e IV. d) apenas II e III. e) apenas I e IV. Questão 48 (PUC-PR) Leia o trecho seguinte, extraído de uma carta escrita por Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade em 1925, e identifique a alternativa correta: "Veja bem, Drummond, que eu não digo pra você que se meta na aventura que me meti de estilizar o brasileiro vulgar. Mas (...) O povo não é estúpido quando diz 'vou na escola', 'me deixe', 'carneirada', 'mapear', 'besta ruana', 'farra', 'vagão', 'futebol'. É antes inteligentíssimo nessa aparente ignorância porque sofrendo as influências da terra, do clima, das ligações e contatos com outras raças, das necessidades do momento e de adaptação, e da pronúncia, do caráter, da psicologia racial modifica aos poucos uma língua que já não lhe serve de expressão (...)" a) O trecho revela a intenção de Mário de Andrade de corrigir os erros de português do jovem poeta Drummond. b) O trecho trata da surpreendente aceitação dos leitores quanto à renovação da língua portuguesa promovida pelos escritores modernistas. c) Mário de Andrade valorizava as contribuições lingüísticas estrangeiras por influência das vanguardas européias, cujos manifestos e textos eram redigidos nas línguas de seus países de origem. d) Mário de Andrade comenta com o amigo a variedade de motivações que o povo brasileiro encontra para promover espontaneamente a renovação da língua portuguesa. e) Mário de Andrade não queria que Drummond imitasse sua forma original de estilização da língua portuguesa do Brasil. Questão 49 (PUC-PR) O paciente Mororó Podia ser roteiro de filme, uma versão nordestina para O paciente inglês, onde o aviador sobrevive à queda. Mas, em maio de 1948, aquele foi um dia de cão para os passageiros de um monomotor da Força Aérea Brasileira. No litoral sul do Ceará, em uma pequena vila de pescadores, hoje descoberta pelos turistas, a Prainha, o T-6 caiu de nariz, derrubando pelo caminho parte de um coqueiral. O piloto Luís Mororó, 79 anos, e a rendeira Francisca Maria da Conceição, a Chica Boneca, 87, se encontram a cada 15 dias para relembrar. Há 51 anos a Segunda Guerra Mundial havia terminado, mas a Aeronáutica ainda fazia treinos de bombardeio. Chica Boneca costumava ficar no terreiro da casa simples, manipulando os bilros na almofada de fazer renda enquando os aviões passavam em disparada. Mas, um dia, um deles veio baixo demais, caindo como uma flecha. Na cabine do piloto, Mororó queria mais que sobrevoar a região. Talvez funcionar como cupido para um tenente, único passageiro, que tinha uma noiva nativa da Prainha. A intenção era voar baixo pela praia e fazer, numa exibição particular, piruetas para a namorada do amigo. Os dois não contavam, no entanto, com uma emergência. Um B-25, um bombardeio bimotor, apareceu de repente, em sentido contrário. O T-6 de Mororó, deixando uma asa pelo caminho, partiu-se e caiu no Japão, um bairro da Prainha. (Ariadne Araújo, ISTOÉ, 24/11/1999, p. 74) Considere estas afirmativas: I. O primeiro parágrafo sugere que o piloto brasileiro se salvou. II. O segundo parágrafo confirma a inferência que o primeiro permite. III. O terceiro parágrafo não contraria os dois primeiros. É verdadeira: a) apenas a afirmativa I. b) apenas a afirmativa II. c) apenas a afirmativa III. d) cada uma das afirmativas. e) nenhuma das afirmativas. Questão 50 (PUC-PR) O paciente Mororó Podia ser roteiro de filme, uma versão nordestina para O paciente inglês, onde o aviador sobrevive à queda. Mas, em maio de 1948, aquele foi um dia de cão para os passageiros de um monomotor da Força Aérea Brasileira. No litoral sul do Ceará, em uma pequena vila de pescadores, hoje descoberta pelos turistas, a Prainha, o T-6 caiu de nariz, derrubando pelo caminho parte de um coqueiral. O piloto Luís Mororó, 79 anos, e a rendeira Francisca Maria da Conceição, a Chica Boneca, 87, se encontram a cada 15 dias para relembrar. Há 51 anos a Segunda Guerra Mundial havia terminado, mas a Aeronáutica ainda fazia treinos de bombardeio. Chica Boneca costumava ficar no terreiro da casa simples, manipulando os bilros na almofada de fazer renda enquando os aviões passavam em disparada. Mas, um dia, um deles veio baixo demais, caindo como uma flecha. Na cabine do piloto, Mororó queria mais que sobrevoar a região. Talvez funcionar como cupido para um tenente, único passageiro, que tinha uma noiva nativa da Prainha. A intenção era voar baixo pela praia e fazer, numa exibição particular, piruetas para a namorada do amigo. Os dois não contavam, no entanto, com uma emergência. Um B-25, um bombardeio bimotor, apareceu de repente, em sentido contrário. O T-6 de Mororó, deixando uma asa pelo caminho, partiu-se e caiu no Japão, um bairro da Prainha. (Ariadne Araújo, ISTOÉ, 24/11/1999, p. 74) Pode-se descobrir o número de pessoas no monomotor: a) apenas no primeiro parágrafo. b) apenas no segundo parágrafo. c) apenas no terceiro parágrafo. d) no primeiro e no segundo parágrafo. e) no segundo e no terceiro parágrafo. Questão 51 (PUC-PR) O paciente Mororó Podia ser roteiro de filme, uma versão nordestina para O paciente inglês, onde o aviador sobrevive à queda. Mas, em maio de 1948, aquele foi um dia de cão para os passageiros de um monomotor da Força Aérea Brasileira. No litoral sul do Ceará, em uma pequena vila de pescadores, hoje descoberta pelos turistas, a Prainha, o T-6 caiu de nariz, derrubando pelo caminho parte de um coqueiral. O piloto Luís Mororó, 79 anos, e a rendeira Francisca Maria da Conceição, a Chica Boneca, 87, se encontram a cada 15 dias para relembrar. Há 51 anos a Segunda Guerra Mundial havia terminado, mas a Aeronáutica ainda fazia treinos de bombardeio. Chica Boneca costumava ficar no terreiro da casa simples, manipulando os bilros na almofada de fazer renda enquando os aviões passavam em disparada. Mas, um dia, um deles veio baixo demais, caindo como uma flecha. Na cabine do piloto, Mororó queria mais que sobrevoar a região. Talvez funcionar como cupido para um tenente, único passageiro, que tinha uma noiva nativa da Prainha. A intenção era voar baixo pela praia e fazer, numa exibição particular, piruetas para a namorada do amigo. Os dois não contavam, no entanto, com uma emergência. Um B-25, um bombardeio bimotor, apareceu de repente, em sentido contrário. O T-6 de Mororó, deixando uma asa pelo caminho, partiu-se e caiu no Japão, um bairro da Prainha. (Ariadne Araújo, ISTOÉ, 24/11/1999, p. 74) Pode-se afirmar que o acidente se deveu a uma imprudência, desde que se combinem as informações que constam: a) apenas do primeiro parágrafo. b) apenas do segundo parágrafo. c) apenas do terceiro parágrafo. d) do primeiro e do terceiro parágrafo. e) do segundo e do terceiro parágrafo. Questão 52 (PUC-PR) O paciente Mororó Podia ser roteiro de filme, uma versão nordestina para O paciente inglês, onde o aviador sobrevive à queda. Mas, em maio de 1948, aquele foi um dia de cão para os passageiros de um monomotor da Força Aérea Brasileira. No litoral sul do Ceará, em uma pequena vila de pescadores, hoje descoberta pelos turistas, a Prainha, o T-6 caiu de nariz, derrubando pelo caminho parte de um coqueiral. O piloto Luís Mororó, 79 anos, e a rendeira Francisca Maria da Conceição, a Chica Boneca, 87, se encontram a cada 15 dias para relembrar. Há 51 anos a Segunda Guerra Mundial havia terminado, mas a Aeronáutica ainda fazia treinos de bombardeio. Chica Boneca costumava ficar no terreiro da casa simples, manipulando os bilros na almofada de fazer renda enquando os aviões passavam em disparada. Mas, um dia, um deles veio baixo demais, caindo como uma flecha. Na cabine do piloto, Mororó queria mais que sobrevoar a região. Talvez funcionar como cupido para um tenente, único passageiro, que tinha uma noiva nativa da Prainha. A intenção era voar baixo pela praia e fazer, numa exibição particular, piruetas para a namorada do amigo. Os dois não contavam, no entanto, com uma emergência. Um B-25, um bombardeio bimotor, apareceu de repente, em sentido contrário. O T-6 de Mororó, deixando uma asa pelo caminho, partiu-se e caiu no Japão, um bairro da Prainha. (Ariadne Araújo, ISTOÉ, 24/11/1999, p. 74) Considere estas afirmativas, à vista do contexto: I - O piloto queria homenagear a namorada do amigo. II - O piloto queria mostrar a sua habilidade ao amigo. III - O piloto queria apreciar a paisagem da vila de pescadores. É verdadeira: a) apenas a afirmativa I. b) apenas a afirmativa II. c) apenas a afirmativa III. d) cada uma das afirmativas. e) nenhuma das afirmativas. Questão 53 (PUC-PR) O paciente Mororó Podia ser roteiro de filme, uma versão nordestina para O paciente inglês, onde o aviador sobrevive à queda. Mas, em maio de 1948, aquele foi um dia de cão para os passageiros de um monomotor da Força Aérea Brasileira. No litoral sul do Ceará, em uma pequena vila de pescadores, hoje descoberta pelos turistas, a Prainha, o T-6 caiu de nariz, derrubando pelo caminho parte de um coqueiral. O piloto Luís Mororó, 79 anos, e a rendeira Francisca Maria da Conceição, a Chica Boneca, 87, se encontram a cada 15 dias para relembrar. Há 51 anos a Segunda Guerra Mundial havia terminado, mas a Aeronáutica ainda fazia treinos de bombardeio. Chica Boneca costumava ficar no terreiro da casa simples, manipulando os bilros na almofada de fazer renda enquando os aviões passavam em disparada. Mas, um dia, um deles veio baixo demais, caindo como uma flecha. Na cabine do piloto, Mororó queria mais que sobrevoar a região. Talvez funcionar como cupido para um tenente, único passageiro, que tinha uma noiva nativa da Prainha. A intenção era voar baixo pela praia e fazer, numa exibição particular, piruetas para a namorada do amigo. Os dois não contavam, no entanto, com uma emergência. Um B-25, um bombardeio bimotor, apareceu de repente, em sentido contrário. O T-6 de Mororó, deixando uma asa pelo caminho, partiu-se e caiu no Japão, um bairro da Prainha. (Ariadne Araújo, ISTOÉ, 24/11/1999, p. 74) Lendo o segundo período do segundo parágrafo (Há 51 anos...), um leitor desavisado poderia pensar que faz apenas 51 anos que terminou a Segunda Guerra Mundial. O texto ficaria mais preciso com a seguinte redação: a) Há 51 anos, a Segunda Guerra Mundial havia terminado. b) A Segunda Guerra Mundial tinha terminado há 51 anos. c) A Segunda Guerra Mundial havia terminado há 51 anos. d) A Segunda Guerra Mundial terminara há 51 anos. e) Há 51 anos, a Segunda Guerra Mundial já tinha terminado. Questão 54 (PUC-PR) A arte extraviada de Santa Rosa seria a primeira a ganhar com a criação de um museu de arte na capital. O artista nascido em 1909 na Paraíba e morto em 1956 durante viagem à Índia foi famoso em meados do século quando sua pintura, seus desenhos e sua cenografia chacoalharam os padrões vigentes. (ISTOÉ, 15.12.99, p. 120) Sabe-se que a criação de um museu de arte na capital ainda é um projeto, porque: a) as obras de Santa Rosa estão perdidas. b) um museu custa exageradamente muito. c) o artista não é mais famoso. d) sua obra choca a sociedade. e) a forma verbal indica fatos por confirmar. Questão 55 (UFF) TEXTO PERO VAZ CAMINHA a descoberta Seguimos nosso caminho por este mar de longo Até a oitava da Páscoa Topamos aves E houvemos vista de terra os selvagens Mostraram-lhes uma galinha Quase haviam medo dela E não queriam pôr a mão E depois a tomaram como espantados primeiro chá Depois de dançarem Diogo Dias Fez o salto real as meninas da gare Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas Que de nós as muito olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha ANDRADE, Oswald. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,1978. p. 80. O procedimento poético empregado por Oswald de Andrade no texto é: a) reconhecer e adotar a métrica parnasiana, criando estrofes simétricas e com títulos; b) recortar e recriar em versos trechos da carta de Caminha, dando-lhes novos títulos; c) imitar e refazer em prosa a carta de Caminha, criando títulos para as várias seções; d) reconhecer e retomar a prática romântica, dando títulos nacionalistas às estrofes; e) identificar e recusar os processos de colagem modernistas, dando-lhes títulos novos. Questão 56 (UFF) TEXTO 01 O primeiro navio destacado da conserva para levar a Portugal a notícia do descobrimento do Brasil, e com 02 instâncias ao rei de Portugal para que por amor da religião se apoderasse d’esta descoberta, cometera a 03 violência de arrancar de suas terras, sem que a sua vontade fosse consultada, a dois índios, ato contra o qual 04 se tinham pronunciado os capitães da frota de Pedro Álvares. Fizera-se o índice primeiro do que era a história 05 da colônia: era a cobiça disfarçada com pretextos da religião, era o ataque aos senhores da terra, à liberdade dos 06 índios; eram colonos degradados, condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam as 07 florestas para darem largas às depravações do instinto bruto." DIAS, Gonçalves. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 4º trim. 1867 , p. 274. A visão de Gonçalves Dias no texto: a) reforça a posição dos brasileiros que desejam comemorar os 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil, como se esta tivesse sido um evento relevante e benéfico para os habitantes de nossa terra; b) insere-se no contexto do Romantismo, que busca ressaltar os aspectos negativos da colonização portuguesa, como elemento motivador para um distanciamento e uma diferenciação em relação a Portugal; c) recusa a idéia da violência que teria caracterizado a colonização portuguesa no Brasil, como se a esquadra de Pedro Álvares não houvesse enviado dois índios a Portugal, contra a vontade deles; d) ressalta a concordância a que os capitães da frota de Pedro Álvares teriam chegado, como se o consenso de todos estes comandantes justificasse a atitude de enviar os dois índios ao rei português; e) valoriza e confirma a iniciativa de alguns órgãos de imprensa que celebram a conquista portuguesa como fator importante para nosso posterior desenvolvimento como nação. Questão 57 (UFF) TEXTO 01 O primeiro navio destacado da conserva para levar a Portugal a notícia do descobrimento do Brasil, e com 02 instâncias ao rei de Portugal para que por amor da religião se apoderasse d’esta descoberta, cometera a 03 violência de arrancar de suas terras, sem que a sua vontade fosse consultada, a dois índios, ato contra o qual 04 se tinham pronunciado os capitães da frota de Pedro Álvares. Fizera-se o índice primeiro do que era a história 05 da colônia: era a cobiça disfarçada com pretextos da religião, era o ataque aos senhores da terra, à liberdade dos 06 índios; eram colonos degradados, condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam as 07 florestas para darem largas às depravações do instinto bruto." DIAS, Gonçalves. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 4º trim. 1867 , p. 274. Índice é tudo aquilo que indica ou denota uma qualidade ou característica especial. No texto, Gonçalves Dias afirma que "fizera-se o índice primeiro do que era a história da colônia" porque aquela história: a) seria produzida por pessoas moralmente condenáveis, que alegavam razões religiosas para seus atos, mas que eram movidas pela ganância; b) seria conduzida por personagens da mais alta idoneidade moral, que se dedicavam intensamente à causa da conversão do indígena brasileiro; c) seria arquitetada por colonos degradados, condenados à morte ou espíritos baixos, que buscavam no Brasil a redenção de seus pecados; d) seria derivada da cobiça disfarçada com pretextos da religião, que evitava o ataque dos colonos degradados aos senhores da terra e à liberdade dos índios; e) seria causada pelos condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam as florestas para se redimirem, convertendo os índios. Questão 58 (PUC-RJ) Texto As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de 5 Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo elrei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia. - A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu 10 emprego único; Itaguaí é o meu universo. Dito isto, meteu-se em Itaguaí, e entregou-se de corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas com as leituras, e demonstrando os teoremas com cataplasmas. Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e 15 Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, 20 25 30 35 40 45 50 admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas, - únicas dignas da preocupação de um sábio, - D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte. D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos. A índole natural da ciência é a longanimidade; o nosso médico esperou três anos, depois quatro, depois cinco. Ao cabo desse tempo fez um estudo profundo da matéria, releu todos os escritores árabes e outros, que trouxera para Itaguaí, enviou consultas às universidades italianas e alemãs, e acabou por aconselhar à mulher um regímen alimentício especial. A ilustre dama, nutrida exclusivamente com a bela carne de porco de Itaguaí, não atendeu às admoestações do esposo; e à sua resistência, - explicável mas inqualificável, - devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes. Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas; o nosso médico mergulhou inteiramente no estudo e na prática da medicina. Foi então que um dos recantos desta lhe chamou especialmente a atenção, - o recanto psíquico, o exame da patologia cerebral. Não havia na colônia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inexplorada. Simão Bacamarte compreendeu que a ciência lusitana, e particularmente a brasileira, podia cobrir-se de "louros imarcescíveis", - expressão usada por ele mesmo, mas em um arroubo de intimidade doméstica; exteriormente era modesto, segundo convém aos sabedores. Machado de Assis. O alienista São Paulo: Ática, 1982, pp. 9-10. O texto nos permite afirmar que: a) Evarista recusava-se sistematicamente a submeter-se aos tratamentos de fertilidade propostos pelo marido. b) Evarista não se empenhava no projeto de ter filhos, pois temia que o marido passasse a dedicar somente ao filho o pouco tempo livre de que dispunha. c) Evarista negou-se a fazer uma dieta alimentícia especial, à base de carne de porco. d) a devoção ao trabalho ajudou Bacamarte a esquecer um projeto frustrado em sua vida. e) o tio de Simão Bacamarte admirou-se de o sobrinho ter escolhido como esposa a viúva de um juiz de fora. Questão 59 (PUC-RJ) Texto 5 10 15 20 25 As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo elrei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia. - A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo. Dito isto, meteu-se em Itaguaí, e entregou-se de corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas com as leituras, e demonstrando os teoremas com cataplasmas. Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas, - únicas dignas da preocupação de um sábio, - D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte. D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos. A índole natural da 30 ciência é a longanimidade; o nosso médico esperou três anos, depois quatro, depois cinco. Ao cabo desse tempo fez um estudo profundo da matéria, releu todos os escritores árabes e outros, que trouxera para Itaguaí, enviou consultas às universidades italianas e alemãs, e acabou por aconse35 lhar à mulher um regímen alimentício especial. A ilustre dama, nutrida exclusivamente com a bela carne de porco de Itaguaí, não atendeu às admoestações do esposo; e à sua resistência, - explicável mas inqualificável, - devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes. Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas as 40 mágoas; o nosso médico mergulhou inteiramente no estudo e na prática da medicina. Foi então que um dos recantos desta lhe chamou especialmente a atenção, - o recanto psíquico, o exame da patologia cerebral. Não havia na colô45 nia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inexplorada. Simão Bacamarte compreendeu que a ciência lusitana, e particularmente a brasileira, podia cobrir-se de "louros imarcescíveis", - expressão usada por ele mesmo, mas 50 em um arroubo de intimidade doméstica; exteriormente era modesto, segundo convém aos sabedores. Machado de Assis. O alienista São Paulo: Ática, 1982, pp. 9-10. O texto nos permite afirmar de Simão Bacamarte que: a) mudou-se para Itaguaí por tratar-se de um lugar no Brasil onde ainda não havia nenhuma autoridade na área da patologia cerebral. b) declinou das ofertas do rei de Portugal, porque não correspondiam a suas expectativas de remuneração. c) casou-se com Evarista aos quarenta anos, embora a achasse miúda e vulgar, pois via a sua falta de atrativos como um aspecto positivo. d) passou a dedicar-se especificamente ao estudo das doenças mentais somente alguns anos depois de seu regresso a Itaguaí. e) era dado a arroubos e explosões de temperamento no cenário doméstico, embora se mostrasse diferente em sua vida pública. Questão 60 (PUC-RJ) Texto 5 10 15 20 25 30 35 As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo elrei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia. - A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo. Dito isto, meteu-se em Itaguaí, e entregou-se de corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas com as leituras, e demonstrando os teoremas com cataplasmas. Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas, - únicas dignas da preocupação de um sábio, - D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte. D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos. A índole natural da ciência é a longanimidade; o nosso médico esperou três anos, depois quatro, depois cinco. Ao cabo desse tempo fez um estudo profundo da matéria, releu todos os escritores árabes e outros, que trouxera para Itaguaí, enviou consultas às universidades italianas e alemãs, e acabou por aconselhar à mulher um regímen alimentício especial. A ilustre dama, nutrida exclusivamente com a bela carne de porco de Itaguaí, não atendeu às admoestações do esposo; e à sua resistência, - explicável mas inqualificável, - devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes. Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas; o nosso médico mergulhou inteiramente no estudo e na prática da medicina. Foi então que um dos recantos desta lhe chamou especialmente a atenção, - o recanto psíquico, o exame da patologia cerebral. Não havia na colô45 nia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inexplorada. Simão Bacamarte compreendeu que a ciência lusitana, e particularmente a brasileira, podia cobrir-se de "louros imarcescíveis", - expressão usada por ele mesmo, mas 50 em um arroubo de intimidade doméstica; exteriormente era modesto, segundo convém aos sabedores. Machado de Assis. O alienista São Paulo: Ática, 1982, pp. 9-10. 40 As expressões abaixo estão dicionarizadas como acepções possíveis para preterir. Qual delas melhor poderia substituir o verbo no contexto em que é empregado no texto (l. 25)? a) ultrapassar b) omitir c) deixar de parte d) ir além de e) ser ilegalmente promovido Questão 61 (PUC-PR) Relacione as colunas: 1. Érico Veríssimo 2. Graciliano Ramos 3. Clarice Lispector ( ) romance regionalista: Vidas secas ( ) romance histórico regionalista: O tempo e o vento. ( ) romance de temática regionalista: A hora da estrela. ( ) romance psicológico urbano: Angústia. ( ) romance psicológico urbano: A paixão segundo G.H. a) 3, 1, 2, 1, 2. b) 2, 1, 3, 2, 1. c) 1, 3, 2, 1, 2. d) 2, 3, 1, 2, 1. e) 2, 1, 3, 2, 3. Questão 62 (PUC-PR) Relacione as colunas: 1. Carlos Drummond de Andrade. 2. Manuel Bandeira. 3. João Cabral de Melo Neto. ( ) busca da simplicidade e da humildade, exemplificada pelo título "Poema do beco". ( ) comparação entre as paisagens nordestinas, que inspiram o título Agrestes, e as espanholas, que inspiram o título Sevilha andando. ( ) memorialismo e ambientação em paisagens interioranas, como em Boitempo. a) 2, 3, 1. b) 1, 2, 1. c) 1, 3, 2. d) 2, 2, 1. e) 3, 2, 2. Questão 63 (PUC-PR) Sobre a poesia brasileira do século XX, identifique a alternativa incorreta: a) Cecília Meireles pertenceu ao grupo de poesia da Revista Festa, de inspiração simbolista. b) Manuel Bandeira, que começou escrevendo poemas simbolistas e parnasianos, foi um dos principais responsáveis pela generalização do emprego do verso livre. c) Carlos Drummond de Andrade é o representante mais importante de uma visão de mundo desencantada e pessimista; nem por isso deixou de escrever poesia participante, principalmente nos anos da II Guerra Mundial. d) João Cabral de Melo Neto iniciou sua trajetória ligando-se ao Surrealismo, o que colabora para a intensa musicalidade de seus versos. e) O experimentalismo da poesia escrita nos anos 20 por Osvald de Andrade foi bastante valorizado nos anos 50 pelos idealizadores do Concretismo. Questão 64 (PUC-RS) No início do século XX, apesar de ainda conviver com as formas literárias já consagradas, o Brasil passa a ser representado de forma inovadora. Autores como __________ e ____________ , cada um a seu modo, retratam um outro Brasil. Assim é que novas __________ surgem na literatura brasileira. a) Euclides da Cunha / Cruz e Souza / formas b) Monteiro lobato / Euclides da Cunha / linguagens c) Graça aranha / Lima Barreto / Formas d) Euclides da Cunha / Lima Barreto / temáticas e) Alphonsus de Guimaraens / Graça aranha / temáticas Questão 65 (PUC-RS) "Quaresma, meu bem, Quaresma! Quaresma do coração! Deixa as batatas em paz, Deixa em paz o feijão. Jeito não tens para isso Quaresma, meu cocumbi! Volta à mania antiga De redigir em tupi." Os versos de Triste fim de Policarpo Quaresma são dirigidos ao próprio Quaresma a) por um conhecido, devido ao fracasso de sua plantação no sítio. b) através do jornal local, com a intenção de criticar a sua atuação no sítio. c) por sua amada, que pretende recuperar a antiga dedicação. d) através de uma carta anônima, com a intenção de ridicularizá-lo. e) por um anônimo, que pretende diverti-lo. Questão 66 (PUC-RS) "Quaresma, meu bem, Quaresma! Quaresma do coração! Deixa as batatas em paz, Deixa em paz o feijão. Jeito não tens para isso Quaresma, meu cocumbi! Volta à mania antiga De redigir em tupi." O texto sugere a temática central da obra. Ao tentar provar a viabilidade do país, Quaresma vê suas aspirações fracassadas pela força do poder das minorias dirigentes. Assim é que a obra em questão aponta para a _________, uma vez que questiona a realidade brasileira, num estilo __________, herdado de sua origem __________. a) verdade / humorístico / erudita b) posteridade / comunicativo / acadêmica c) modernidade / preciosista / folhetinesco d) verdade / irreverente / erudita e) modernidade / comunicativo / folhetinesco Questão 67 (PUC-RS) "Logo o céu se escurentou de sopetão e uma nuvem ruivor subiu no horizonte entardecendo a calma do dia. A ruivor veio vindo veio vindo e era o bando de araras vermelhas e jandaias, todos esses faladores, era o papagaio-trombeta era o papagaiocurraleiro era o periquito cutapado era o xarã o peito roxo o ajurucurau o ajuru-curica arari ararica araraúna araraí araguaí arara-taua maracanã maitaca arara-piranga catorra teriba camiranga anaca anapura canindés tuins periquitos, todos esses, o cortejo sarapintado de Macunaíma imperador." O trecho de Macunaíma, obra de __________, evidencia uma das características mais significativas da primeira fase do Modernismo, qual seja, a __________ da linguagem ___________. a) Mário de Andrade / desintegração / tradicional b) Mário de Andrade / recuperação / indígena c) Manuel Bandeira / valorização / acadêmica d) Oswald de Andrade / reinvenção / formal e) Oswald de Andrade / anulação / convencional Questão 68 (PUC-RS) "Logo o céu se escurentou de sopetão e uma nuvem ruivor subiu no horizonte entardecendo a calma do dia. A ruivor veio vindo veio vindo e era o bando de araras vermelhas e jandaias, todos esses faladores, era o papagaio-trombeta era o papagaiocurraleiro era o periquito cutapado era o xarã o peito roxo o ajurucurau o ajuru-curica arari ararica araraúna araraí araguaí arara-taua maracanã maitaca arara-piranga catorra teriba camiranga anaca anapura canindés tuins periquitos, todos esses, o cortejo sarapintado de Macunaíma imperador." I. O herói da obra configura-se como a síntese do povo brasileiro, caracterizado de forma ufanista. II. A paródia é um dos recursos utilizados pelo autor para satirizar as formas bacharelescas. II. A mitologia indígena funciona como único suporte narrativo. Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa a) somente I b) somente II c) I e II d) II e III e) I, II e III Questão 69 (PUC-RS) Macunaíma configura-se como um marco na literatura brasileira. Ao propor uma síntese das diferentes possibilidades culturais nacionais, promove uma releitura da produção literária precedente. Ao mesmo tempo, colabora significativamente na viabilização da produção literária que se segue, já que abre caminho para uma nova possibilidade literária. Essa nova modalidade, denominada romance ___________, constitui-se num tipo de narrativa menos radical, porém reveladora das mazelas urbanas e regionais do Brasil. a) de 30 b) regionalista c) pré-modernista d) de vanguarda e) nacionalista Questão 70 (PUC-RS) Interpretar a brasilidade em tempos modernistas representou para Oswald de Andrade a possibilidade de a) rejeitar os movimentos primitivistas. b) reinventar recursos técnicos narrativos. c) recuperar a linguagem tradicional. d) romper com as propostas vanguardistas. e) fortalecer a dicotomia prosa/verso. Questão 71 (PUC-RS) Para responder à questão , considerar as afirmativas que seguem sobre as obras de Graciliano Ramos. I. Apresentam a tensão nas relações do homem com a natureza e com o meio social. II. Em Vidas secas, Fabiano e Sinhá Vitória são retirantes nordestinos, que lutam pela sobrevivência. III. Em Memórias do cárcere, o autor ultrapassa o simples relato de suas experiências na cadeia, para retratar o Brasil da época do primeiro governo getulista. Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa a) somente I b) somente II c) I e II d) II e III e) I, II e III Questão 72 (PUC-RS) "Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta. E se somos Severinos Iguais em tudo na vida Morremos de morte igual Mesma morte severina: Que é a morte de que se morre De velhice antes dos trinta De emboscada antes dos vinte; De fome um pouco por dia (...)" O trecho pertence à obra mais conhecida de _________________, a qual, de forma ________, relata a trajetória do retirante nordestino Severino em direção a__________. a) João Cabral de Melo Neto / dramática / Recife b) José Lins do Rego / trágica / Recife c) Rachel de Queiroz / lírica / São Paulo d) José Lins do Rego / dramática / Salvador e) Rachel de Queiroz / sintética / São Paulo Questão 73 (PUC-RS) TEXTO 01 01Num país como o Brasil, onde a 02pobreza faz com que a televisão seja a 03principal fonte de informação e 04entretenimento, ela desempenha um papel 05fundamental na vida de milhões e milhões 06de pessoas. A televisão não é um espelho 07neutro, objetivo, do que se passa na 08sociedade. Ela também contribui para 09divulgar modelos de comportamento, 10orientar atitudes e impor padrões de 11moralidade. Novelas, noticiários, filmes, 12programas humorísticos entram nas casas 13e seus personagens, conflitos e problemas 14passam a fazer parte da vida das pessoas. 15É um poder formidável que, exercido com 16sabedoria, além de divertir e entreter, 17serviria para melhorar o país. 18passado já ensinou que a censura 19não é, nem de longe, a maneira mais 20adequada de se ter uma programação 21melhor. A censura serviu tão-somente para 22desinformar a população, acobertar crimes 23e manter no poder políticos que chegaram 24a ele sem ter sido eleitos. A boa televisão 25só pode existir com liberdade. Entretanto, 26nos últimos tempos, diversas vozes vêm 27protestando contra os excessos cometidos 28pelas emissoras de televisão. Não é 29preciso ser um extremista puritano para 30perceber que, muitas vezes, cenas de 31violência gratuita, erotismo e grotesca 32vulgaridade são mostradas em profusão, 33bem cedo na noite. A alternativa do 34telespectador pode ser a de mudar de 35canal, mas quando a concorrência entre as 36emissoras se acirra, o nível mais baixo 37costuma se tornar norma. Se a censura 38não é o caminho, o que fazer diante 39da apelação? (Veja, Carta ao leitor, 10 de fevereiro de 1993, p.17.) TEXTO 02 01Todo mundo tem (ou conhece 02alguém que tem) um Tamagotchi. O 03animal de estimação eletrônico virou 04mania. Habitante de um miniaparelho, 05misto de chaveiro e computador, o bicho é 06na verdade um ser inexistente. Só o que 07 se tem dele são sinais: de fome, sono, 08carência afetiva. Apertando botõezinhos, é 09possível saciar-lhe as necessidades e os 10 desejos. Na tela minúscula, surge então 11um sorriso, indicando que o mascote está 12 feliz. O dono, sempre uma criança (de 13qualquer idade), sente-se grandioso, 14provedor de carinho e cuidado. Pensa que 15 cuida do bicho – mas é o bicho quem 16cuida dele (e de suas ansiedades). 17O novo brinquedo é a síntese da 18 nossa era, que é mediada e ordenada por 19 telas luminosas. Não apenas a microtela 20do bichinho, mas a tela do computador, do 21painel eletrônico do automóvel, das linhas 22verdes de monitoramento cardíaco. Tudo 23 se organiza como um complexo indivisível, 24um Tamagotchi planetário. O caixa 25 eletrônico avisa que a conta está no 26vermelho: é preciso um depósito para que ela 27fique contente. A televisão não pára 28de insistir: é Dia dos Pais, ai de quem se 29esquecer do presente. A tela do telefone 30celular dá conta de que a pilha está fraca. 31No monitor do micro, pisca a mensagem 32não lida. 33Do outro lado das telas que 34 comandam o dia-a-dia de qualquer um, 35outros milhões de uns quaisquer. Um 36parente, um chefe, um amigo, um cliente, 37um desconhecido... a(s) namorada(s). 38Todos virtualizados. Além das contas a 39pagar e dos recados inúteis, também as 40demandas emocionais navegam pela teia 41 eletrônica. E a isto se reduz o 42relacionamento humano: a uma troca de 43estímulos digitalizados e respostas idem. (Adaptado de: BUCCI, Eugênio. Veja, 13 de agosto de 1997, p.16.) Responder à questão com base nas afirmativas sobre os dois textos. I. O texto n° 1 refere-se ao homem urbano em geral, e o texto n° 2 a uma camada específica da população dos grandes centros. II. Em ambos os textos se discute o poder nem sempre benéfico da tecnologia no cotidiano. III. Em ambos os textos, o raciocínio desenvolvido pelos autores orienta-se do particular para o geral. IV. Enquanto o primeiro texto conduz à reflexão sobre a realidade, o segundo procura mobilizar o leitor na busca de soluções para o problema. Pela análise das afirmativas, é possível concluir que está correta a alternativa a) I e III b) II e IV c) I e IV d) I, II e III e) II, III e IV Questão 74 (UFPA) São Paulo! comoção de minha vida... Os meus amores são flores feitas de original... Arlequinal!...Traje de losangos...Cinza e ouro... Luz e bruma... Forno e inverno morno ... Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes... Perfumes de Paris...Arys! Bofetadas líricas no Trianon...Algodoal!... São Paulo! comoção de minha vida... Galicismo a berrar nos desertos da América!" (...) Os versos acima são do poema a) "Ode ao Burguês" de Mário de Andrade. b) "Inspiração" de Mário de Andrade. c) "Os Ombros Suportam o Mundo" de Carlos Drummond de Andrade. d) "A Lição de Poesia" de João Cabral de Melo Neto. e) "Tecendo a Manhã" de João Cabral de Melo Neto. Questão 75 (PUC-MG) Segundo o Dicionário de Símbolos, de Jean Chevalier e Alan Gheerbrant, "o três é um número fundamental universalmente. Exprime uma ordem intelectual e espiritual, em Deus, no cosmo ou no homem." Ao associar essa interpretação ao conto "A terceira margem do rio", pode-se inferir que: a) o pai perde na terceira margem um equilíbrio que a vida lhe deu. b) a atitude do pai provoca estranheza porque quebra a harmonia social. c) a terceira margem é algo definido e seguro. d) o filho não enfrenta a terceira margem, porque não consegue enfrentar o olhar social. e) a terceira margem pode ser o encontro do pai consigo mesmo. Questão 76 (PUC-MG) O título do conto "Seqüência", de Guimarães Rosa, revela: a) apenas a ordem de atitudes tomada pela vaca. b) as atitudes do rapaz conseqüentes aos passos dados pela vaca. c) as atitudes da vaca e do rapaz, desarmoniosas entre si. d) somente as atitudes do rapaz ante seu desnorteamento. e) apenas as atitudes da vaca que a levariam rapidamente a seu dono. Questão 77 (PUC-MG) "Senhor! Quando avistou o peru, no centro do terreiro, entre a casa e as árvores da mata. O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão brusco, rijo, se proclamara. Grugulejou, sacudindo o abotoado grosso da bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de um azul-claro, raro, de céu e sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul e preto o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tonitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de se tanger trombeta. Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O Menino riu, com todo o coração. Mas só bisviu. Já o chamavam, para passeio." trecho em destaque, do conto "As margens da alegria", apresenta os seguintes dados estilísticos característicos da obra de Guimarães Rosa, EXCETO: a) "Grugulejou": uso de neologismos. b) "Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor": presença de imagens poéticas. c) "Sua ríspida grandeza tonitruante.": quebra de lógica sintática. d) "O Menino riu, com todo o coração": exposição de sentimentalismo excessivo. e) "Belo, belo!": interferência do discurso indireto livre Questão 78 (PUC-MG) "O poeta come amendoim" (A Carlos Drummond de Andrade) Noites pesadas de cheiros e calores amontoados... Foi o sol que por todo o sítio imenso do Brasil Andou marcando de moreno os brasileiros. Estou pensando nos tempos de antes de eu nascer... (...) A gente ainda não sabia se governar... Progredir, progredimos um tiquinho Que o progresso também é uma fatalidade... Será o que Nosso Senhor quiser!... Estou com desejos de desastres... (...) Brasil... Mastigado na gostosura quente do amendoim Falado numa língua curumim De palavras incertas num remeleixo melado melancólico... Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons... (Mário de Andrade) O texto dado pertence ao estilo de época Modernismo, porque: a) revela que a literatura absorveu a linguagem coloquial. b) apresenta pontuação expressiva como um texto romântico, herança fundamental do estilo. c) exalta a inspiração poética em detrimento do trabalho poético. d) evidencia ufanismo com crítica mordaz. e) comprova o vínculo com o passado no que se refere aos aspectos formais. Questão 79 (PUC-MG) "O poeta come amendoim" (A Carlos Drummond de Andrade) Noites pesadas de cheiros e calores amontoados... Foi o sol que por todo o sítio imenso do Brasil Andou marcando de moreno os brasileiros. Estou pensando nos tempos de antes de eu nascer... (...) A gente ainda não sabia se governar... Progredir, progredimos um tiquinho Que o progresso também é uma fatalidade... Será o que Nosso Senhor quiser!... Estou com desejos de desastres... (...) Brasil... Mastigado na gostosura quente do amendoim Falado numa língua curumim De palavras incertas num remeleixo melado melancólico... Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons... (Mário de Andrade) Todas as alternativas apresentam correspondência adequada entre o trecho citado e a interpretação dada, EXCETO: a) "Falado numa língua curumim": a língua ‘brasileira’ ainda está em formação. b) "De palavras incertas num remeleixo melado melancólico": interação entre elementos de brasilidade. c) "Que o progresso também é uma fatalidade...": elogio ao progresso realizado pelos brasileiros. d) "A gente ainda não sabia se governar": referência ao processo histórico/político do País. e) "Foi o sol que por todo sítio imenso do Brasil / andou marcando de moreno os brasileiros": referência ao calor e à mistura de raças do Brasil. Questão 80 (PUC-MG) "Meu coração estrala ... Que imagem sem verdade,. ... Porém não tive idéia de mentir ... Foram os nervos, a alma? Que quer dizer estralo! Nem ao menos sou padre Vieira ... Ôh dicionário pequitito ! ..." O texto em destaque vincula-se ao estilo de época Modernismo porque a) apresenta um eu-lírico sentimental. b) mostra despreocupação com a linguagem formal. c) discute aspectos revolucionários. d) convida o leitor a questionar-se. e) brinca com os sentimentos do leitor. Questão 81 (PUC-MG) Todas as afirmativas abaixo se referem aos elementos narrativos dos contos da obra "Brás, Bexiga e Barrafunda", EXCETO: a) muitos enredos se revestem de humor. b) as personagens traduzem determinada época. c) contexto é paulistano, com influências italianas. d) narrador é distante e frio ante os fatos narrados. e) cada conto se faz independente, com temáticas variadas. Questão 82 (UFPA) erro de português Quando o português chegou Debaixo de uma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português (Andrade, Oswald de. erro de português. In: Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978.) Em uma atitude de rebeldia às convenções, o autor se desviou conscientemente das normas ortográficas ao grafar a palavra a) erro b) português c) índio d) Fosse e) despido Questão 83 (UFPA) erro de português Quando o português chegou Debaixo de uma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português (Andrade, Oswald de. erro de português. In: Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978.) O autor faz uso de uma expressão tipicamente coloquial em a) Quando o português chegou b) Debaixo de uma bruta chuva c) Vestiu o índio d) Que pena! e) Fosse uma manhã de sol Questão 84 (UERJ) 01 Falo a ti – doce virgem dos meus sonhos, 02 Visão dourada dum cismar tão puro, 03 Que sorrias por noites de vigília 04 Entre as rosas gentis do meu futuro. 05 Tu m’inspiraste, oh musa do silêncio, 06 Mimosa flor da lânguida saudade! 07 Por ti correu meu estro ardente e louco 08 Nos verdores febris da mocidade. 09 Tu, que foste a vestal dos sonhos d’ouro, 10 O anjo-tutelar dos meus anelos, 11 Estende sobre mim as asas brancas... 12 Desenrola os anéis dos teus cabelos! (20/08/1859) (ABREU, Casimiro. Obras. Rio de Janeiro: MEC, 1955, p. 49-50.) Vocabulário: estro = imaginação criadora vestal = mulher casta ou virgem anelo = desejo ardente Analisando os aspectos estruturais do texto , é possível identificar as seguintes características formais: a) a presença de versos brancos e de versos livres b) a simetria das estrofes e o ritmo de seus versos c) o uso da redondilha maior e a forma fixa de soneto d) o emprego de rimas emparelhadas e da ordem inversa Questão 85 (UERJ) 01 Falo a ti – doce virgem dos meus sonhos, 02 Visão dourada dum cismar tão puro, 03 Que sorrias por noites de vigília 04 Entre as rosas gentis do meu futuro. 05 Tu m’inspiraste, oh musa do silêncio, 06 Mimosa flor da lânguida saudade! 07 Por ti correu meu estro ardente e louco 08 Nos verdores febris da mocidade. 09 Tu, que foste a vestal dos sonhos d’ouro, 10 O anjo-tutelar dos meus anelos, 11 Estende sobre mim as asas brancas... 12 Desenrola os anéis dos teus cabelos! (20/08/1859) (ABREU, Casimiro. Obras. Rio de Janeiro: MEC, 1955, p. 49-50.) Vocabulário: estro = imaginação criadora vestal = mulher casta ou virgem anelo = desejo ardente O eu-lírico no texto se dirige a uma mulher com características específicas. A alternativa em que se atribuem à mulher características semelhantes às definidas nesse texto é: a) "Pra distrair minhas mágoas / Namoro e toco vitrola." (Murilo Mendes) b) "É um característico do século: a mulher está perdendo a superstição do homem." (Machado de Assis) c) "Não creias, não, mulher: ele te engana! / As lágrimas são galas da mentira" (J. Manuel de Macedo) d) "Eu senti-a tremer, e a transluzir-lhe / nos olhos negros a alma inocentinha" (Álvares de Azevedo) Questão 86 (UERJ) 01 Sempre que se agita esta questão das reivindicações femininas, escovam-se os velhos 02 chavões, e, com um grande ar de importância, os filósofos decidem sem apelação que a mulher 03 não pode ser mais do que o anjo do lar, a vestal encarregada de vigiar o fogo sagrado, a 04 depositária das tradições da família... e das chaves da despensa. Todo esse dispêndio de palavras 05 inúteis serve apenas para encobrir a fealdade da única razão séria que podemos apresentar 06 contra as pretensões das mulheres: o nosso egoísmo, o receio que temos de que nos despojem 07 das nossas prerrogativas seculares – o medo de perder as posições, as regalias, as honras que o 08 preconceito bárbaro confiou exclusivamente ao nosso século. Compreende-se: quem se habituou 09 a empunhar o bastão do comando não se resigna facilmente a passá-lo a outras mãos: é mais 10 fácil deixar a vida do que deixar o poder. (18/08/1901) (BILAC, Olavo. Vossa Insolência. São Paulo: Cia. das Letras, 1997, p. 313) O narrador do texto critica o papel atribuído à mulher em nossa sociedade. Dos trechos abaixo, o único que corresponde ao papel criticado é: a) "Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza! / ficar na vida qual uma águia inerte, presa / nos pesados grilhões dos preceitos sociais!" (Gilka Machado) b) "Eu não tinha este rosto de hoje, / assim calmo, assim triste, assim magro, / nem estes olhos tão vazios, / nem o lábio amargo." (Cecília Meireles) c) "Já agora as feministas venceram radicalmente e não há profissão masculina que elas não ataquem e onde não vençam." (Rachel de Queiroz) d) "É com um pouco de pudor que sou obrigada a reconhecer que o que mais interessa à mulher é o homem." (Clarice Lispector) Questão 87 (UERJ) 01 Sempre que se agita esta questão das reivindicações femininas, escovam-se os velhos 02 chavões, e, com um grande ar de importância, os filósofos decidem sem apelação que a mulher 03 não pode ser mais do que o anjo do lar, a vestal encarregada de vigiar o fogo sagrado, a 04 depositária das tradições da família... e das chaves da despensa. Todo esse dispêndio de palavras 05 inúteis serve apenas para encobrir a fealdade da única razão séria que podemos apresentar 06 contra as pretensões das mulheres: o nosso egoísmo, o receio que temos de que nos despojem 07 das nossas prerrogativas seculares – o medo de perder as posições, as regalias, as honras que o 08 preconceito bárbaro confiou exclusivamente ao nosso século. Compreende-se: quem se habituou 09 a empunhar o bastão do comando não se resigna facilmente a passá-lo a outras mãos: é mais 10 fácil deixar a vida do que deixar o poder. (18/08/1901) (BILAC, Olavo. Vossa Insolência. São Paulo: Cia. das Letras, 1997, p. 313) O narrador do texto expressa a seguinte opinião a respeito da mulher: a) Sua função consiste em proteger o lar e as tradições. b) Suas aspirações coincidem com as prerrogativas seculares do homem. c) Suas pretensões esbarram na resistência do homem a abrir mão do poder. d) Seu papel limita-se ao de mulher casta encarregada das coisas domésticas. Questão 88 (UERJ) 01 O mal de Isaías é ser ambíguo. Ser e não-ser. Não é índio, nem cristão. Não é homem, 02 nem deixa de ser, coitado. Ser dois é não ser nenhum. Mas está acima de suas forças. Ele não 03 pode deixar de participar de um nós comigo que é excludente dos mairuns e que quase me 04 ofende. Também não pode sentir consigo mesmo que ele é apenas um mairum entre os outros. O 05 pobre não pára de escarafunchar a cuca, se aclarando e se confundindo cada vez mais. Este 06 casamento com Inimá. Será que ele gosta dela? (...) 07 Outro dia fiquei muito tempo atrás dele, no pátio, confundida com toda gente que se junta 08 ali, na hora do pôr do sol, para comer e conversar. Vi bem que ele não falava com ninguém e que 09 ninguém falava com ele. Nem Inimá. Ouvi depois, ouvi bem que ele murmurava sozinho. Cheguei 10 mais perto e ouvi melhor; era uma ladainha em latim, como as de meu pai: 11 Tra-lá-lá, ora pro nobis 12 Tre-lé-lé, ora pro nobis 13 Vamos ver se, agora de noite, nesse balanço de rede, eu me esqueço dos outros para 14 pensar em mim. Preciso me concentrar no meu problema. Tentei pensar o dia inteiro, sem 15 conseguir. Há dias que é assim. Até parece que já não sou capaz. Será a gravidez que me deixa 16 lânguida? De onde virá essa lassidão? Estou grávida e não sei de quem. Vou parir aqui entre os 17 mairuns, este é o problema. Se problema existe, porque isto bem pode ser uma solução. Com 18 um filho crescendo mairum eu não me integraria mais nesse mundo que eu quero fazer meu? Ser 19 a mãe de fulaninho não será para mim como para um homem ser o pai de fulano? Os homens 20 aqui mudam de nome quando têm um filho homem. Maxihú é o pai de Maxi. Teró por muito 21 tempo foi Jaguarhú. Eu seria Iuicuihí se minha filha se chamasse Iuicui? Ou Mairahú se meu filho 22 pudesse chamar-se Maíra? Será que pode? Melhor é que seja menina: Iuicui. (RIBEIRO, Darcy. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 372-3.) É possível identificar que o narrador do texto é uma mulher, porque: a) ao empregar a desinência número-pessoal nos verbos, confirma a presença da narradora b) por declarar-se indígena, participa de um nós com a personagem mulher c) sempre que cita o personagem Isaías, critica a instituição do casamento d) quando se refere a si próprio, usa o gênero feminino Questão 89 (UERJ) 01 O mal de Isaías é ser ambíguo. Ser e não-ser. Não é índio, nem cristão. Não é homem, 02 nem deixa de ser, coitado. Ser dois é não ser nenhum. Mas está acima de suas forças. Ele não 03 pode deixar de participar de um nós comigo que é excludente dos mairuns e que quase me 04 ofende. Também não pode sentir consigo mesmo que ele é apenas um mairum entre os outros. O 05 pobre não pára de escarafunchar a cuca, se aclarando e se confundindo cada vez mais. Este 06 casamento com Inimá. Será que ele gosta dela? (...) 07 Outro dia fiquei muito tempo atrás dele, no pátio, confundida com toda gente que se junta 08 ali, na hora do pôr do sol, para comer e conversar. Vi bem que ele não falava com ninguém e que 09 ninguém falava com ele. Nem Inimá. Ouvi depois, ouvi bem que ele murmurava sozinho. Cheguei 10 mais perto e ouvi melhor; era uma ladainha em latim, como as de meu pai: 11 Tra-lá-lá, ora pro nobis 12 Tre-lé-lé, ora pro nobis 13 Vamos ver se, agora de noite, nesse balanço de rede, eu me esqueço dos outros para 14 pensar em mim. Preciso me concentrar no meu problema. Tentei pensar o dia inteiro, sem 15 conseguir. Há dias que é assim. Até parece que já não sou capaz. Será a gravidez que me deixa 16 lânguida? De onde virá essa lassidão? Estou grávida e não sei de quem. Vou parir aqui entre os 17 mairuns, este é o problema. Se problema existe, porque isto bem pode ser uma solução. Com 18 um filho crescendo mairum eu não me integraria mais nesse mundo que eu quero fazer meu? Ser 19 a mãe de fulaninho não será para mim como para um homem ser o pai de fulano? Os homens 20 aqui mudam de nome quando têm um filho homem. Maxihú é o pai de Maxi. Teró por muito 21 tempo foi Jaguarhú. Eu seria Iuicuihí se minha filha se chamasse Iuicui? Ou Mairahú se meu filho 22 pudesse chamar-se Maíra? Será que pode? Melhor é que seja menina: Iuicui. (RIBEIRO, Darcy. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 372-3.) O emprego do adjetivo "coitado" (texto - linha 2), referindo-se a Isaías, tem relação com o seguinte fato: a) Isaías não é índio nem cristão. b) Inimá está grávida dele. c) Isaías é um ser mítico. d) Inimá não gosta dele. Questão 90 (UERJ) 01 O mal de Isaías é ser ambíguo. Ser e não-ser. Não é índio, nem cristão. Não é homem, 02 nem deixa de ser, coitado. Ser dois é não ser nenhum. Mas está acima de suas forças. Ele não 03 pode deixar de participar de um nós comigo que é excludente dos mairuns e que quase me 04 ofende. Também não pode sentir consigo mesmo que ele é apenas um mairum entre os outros. O 05 pobre não pára de escarafunchar a cuca, se aclarando e se confundindo cada vez mais. Este 06 casamento com Inimá. Será que ele gosta dela? (...) 07 Outro dia fiquei muito tempo atrás dele, no pátio, confundida com toda gente que se junta 08 ali, na hora do pôr do sol, para comer e conversar. Vi bem que ele não falava com ninguém e que 09 ninguém falava com ele. Nem Inimá. Ouvi depois, ouvi bem que ele murmurava sozinho. Cheguei 10 mais perto e ouvi melhor; era uma ladainha em latim, como as de meu pai: 11 Tra-lá-lá, ora pro nobis 12 Tre-lé-lé, ora pro nobis 13 Vamos ver se, agora de noite, nesse balanço de rede, eu me esqueço dos outros para 14 pensar em mim. Preciso me concentrar no meu problema. Tentei pensar o dia inteiro, sem 15 conseguir. Há dias que é assim. Até parece que já não sou capaz. Será a gravidez que me deixa 16 lânguida? De onde virá essa lassidão? Estou grávida e não sei de quem. Vou parir aqui entre os 17 mairuns, este é o problema. Se problema existe, porque isto bem pode ser uma solução. Com 18 um filho crescendo mairum eu não me integraria mais nesse mundo que eu quero fazer meu? Ser 19 a mãe de fulaninho não será para mim como para um homem ser o pai de fulano? Os homens 20 aqui mudam de nome quando têm um filho homem. Maxihú é o pai de Maxi. Teró por muito 21 tempo foi Jaguarhú. Eu seria Iuicuihí se minha filha se chamasse Iuicui? Ou Mairahú se meu filho 22 pudesse chamar-se Maíra? Será que pode? Melhor é que seja menina: Iuicui. (RIBEIRO, Darcy. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 372-3.) O índio é um tema recorrente na literatura brasileira. Em relação a esse tema, o texto de Darcy Ribeiro pode ser caracterizado como uma: a) repetição do modelo de indianismo romântico de José de Alencar b) preservação do ideal cientificista presente nos poemas simbolistas c) reiteração das denúncias sociais contidas na obra de Tomás Antônio Gonzaga d) retomada contemporânea do indianismo com retificação de concepções românticas Questão 91 (UERJ) 01 O mal de Isaías é ser ambíguo. Ser e não-ser. Não é índio, nem cristão. Não é homem, 02 nem deixa de ser, coitado. Ser dois é não ser nenhum. Mas está acima de suas forças. Ele não 03 pode deixar de participar de um nós comigo que é excludente dos mairuns e que quase me 04 ofende. Também não pode sentir consigo mesmo que ele é apenas um mairum entre os outros. O 05 pobre não pára de escarafunchar a cuca, se aclarando e se confundindo cada vez mais. Este 06 casamento com Inimá. Será que ele gosta dela? (...) 07 Outro dia fiquei muito tempo atrás dele, no pátio, confundida com toda gente que se junta 08 ali, na hora do pôr do sol, para comer e conversar. Vi bem que ele não falava com ninguém e que 09 ninguém falava com ele. Nem Inimá. Ouvi depois, ouvi bem que ele murmurava sozinho. Cheguei 10 mais perto e ouvi melhor; era uma ladainha em latim, como as de meu pai: 11 Tra-lá-lá, ora pro nobis 12 Tre-lé-lé, ora pro nobis 13 Vamos ver se, agora de noite, nesse balanço de rede, eu me esqueço dos outros para 14 pensar em mim. Preciso me concentrar no meu problema. Tentei pensar o dia inteiro, sem 15 conseguir. Há dias que é assim. Até parece que já não sou capaz. Será a gravidez que me deixa 16 lânguida? De onde virá essa lassidão? Estou grávida e não sei de quem. Vou parir aqui entre os 17 mairuns, este é o problema. Se problema existe, porque isto bem pode ser uma solução. Com 18 um filho crescendo mairum eu não me integraria mais nesse mundo que eu quero fazer meu? Ser 19 a mãe de fulaninho não será para mim como para um homem ser o pai de fulano? Os homens 20 aqui mudam de nome quando têm um filho homem. Maxihú é o pai de Maxi. Teró por muito 21 tempo foi Jaguarhú. Eu seria Iuicuihí se minha filha se chamasse Iuicui? Ou Mairahú se meu filho 22 pudesse chamar-se Maíra? Será que pode? Melhor é que seja menina: Iuicui. (RIBEIRO, Darcy. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 372-3.) "Os homens aqui mudam de nome quando têm um filho homem. Maxihú é o pai de Maxi. Teró por muito tempo foi Jaguarhú. Eu seria Iuicuihí se minha filha se chamasse Iuicui? Ou Mairahú se meu filho pudesse chamar-se Maíra? Será que pode?" (texto - linhas 19 a c) Levando em conta apenas os substantivos próprios citados no trecho, é possível entender que, na língua dos mairuns, o novo nome do pai de um filho homem contém: a) o nome da criança seguido do morfema - hí b) o nome do filho seguido do morfema - hú c) o nome da mãe seguido do morfema - hí d) o nome do pai seguido do morfema – hú Questão 92 (UERJ) TEXTO I 01 Falo a ti – doce virgem dos meus sonhos, 02 Visão dourada dum cismar tão puro, 03 Que sorrias por noites de vigília 04 Entre as rosas gentis do meu futuro. 05 Tu m’inspiraste, oh musa do silêncio, 06 Mimosa flor da lânguida saudade! 07 Por ti correu meu estro ardente e louco 08 Nos verdores febris da mocidade. 09 Tu, que foste a vestal dos sonhos d’ouro, 10 O anjo-tutelar dos meus anelos, 11 Estende sobre mim as asas brancas... 12 Desenrola os anéis dos teus cabelos! (20/08/1859) (ABREU, Casimiro. Obras. Rio de Janeiro: MEC, 1955, p. 49-50.) TEXTO III 01 O mal de Isaías é ser ambíguo. Ser e não-ser. Não é índio, nem cristão. Não é homem, 02 nem deixa de ser, coitado. Ser dois é não ser nenhum. Mas está acima de suas forças. Ele não 03 pode deixar de participar de um nós comigo que é excludente dos mairuns e que quase me 04 ofende. Também não pode sentir consigo mesmo que ele é apenas um mairum entre os outros. O 05 pobre não pára de escarafunchar a cuca, se aclarando e se confundindo cada vez mais. Este 06 casamento com Inimá. Será que ele gosta dela? (...) 07 Outro dia fiquei muito tempo atrás dele, no pátio, confundida com toda gente que se junta 08 ali, na hora do pôr do sol, para comer e conversar. Vi bem que ele não falava com ninguém e que 09 ninguém falava com ele. Nem Inimá. Ouvi depois, ouvi bem que ele murmurava sozinho. Cheguei 10 mais perto e ouvi melhor; era uma ladainha em latim, como as de meu pai: 11 Tra-lá-lá, ora pro nobis 12 Tre-lé-lé, ora pro nobis 13 Vamos ver se, agora de noite, nesse balanço de rede, eu me esqueço dos outros para 14 pensar em mim. Preciso me concentrar no meu problema. Tentei pensar o dia inteiro, sem 15 conseguir. Há dias que é assim. Até parece que já não sou capaz. Será a gravidez que me deixa 16 lânguida? De onde virá essa lassidão? Estou grávida e não sei de quem. Vou parir aqui entre os 17 mairuns, este é o problema. Se problema existe, porque isto bem pode ser uma solução. Com 18 um filho crescendo mairum eu não me integraria mais nesse mundo que eu quero fazer meu? Ser 19 a mãe de fulaninho não será para mim como para um homem ser o pai de fulano? Os homens 20 aqui mudam de nome quando têm um filho homem. Maxihú é o pai de Maxi. Teró por muito 21 tempo foi Jaguarhú. Eu seria Iuicuihí se minha filha se chamasse Iuicui? Ou Mairahú se meu filho 22 pudesse chamar-se Maíra? Será que pode? Melhor é que seja menina: Iuicui. (RIBEIRO, Darcy. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 372-3.) "Mimosa flor da lânguida saudade!" (texto I - verso 6) "Será a gravidez que me deixa lânguida?" (texto III - linhas 15 e 16) Observe os significados dados no Dicionário Aurélio Eletrônico, versão 2.0, para o verbete "lânguido": LÂNGUIDO: adj. 1. Sem forças; sem energia; frouxo, fraco, abatido, debilitado, extenuado, langoroso. 2. Mórbido, doentio. 3. Voluptuoso, sensual, langoroso. O significado desse adjetivo, nos dois trechos transcritos, é, respectivamente: a) voluptuosa - doentia b) sensual - extenuada c) frouxa - debilitada d) abatida – mórbida Questão 93 (UERJ) TEXTO I 01 Falo a ti – doce virgem dos meus sonhos, 02 Visão dourada dum cismar tão puro, 03 Que sorrias por noites de vigília 04 Entre as rosas gentis do meu futuro. 05 Tu m’inspiraste, oh musa do silêncio, 06 Mimosa flor da lânguida saudade! 07 Por ti correu meu estro ardente e louco 08 Nos verdores febris da mocidade. 09 Tu, que foste a vestal dos sonhos d’ouro, 10 O anjo-tutelar dos meus anelos, 11 Estende sobre mim as asas brancas... 12 Desenrola os anéis dos teus cabelos! (20/08/1859) (ABREU, Casimiro. Obras. Rio de Janeiro: MEC, 1955, p. 49-50.) TEXTO II 01 Sempre que se agita esta questão das reivindicações femininas, escovam-se os velhos 02 chavões, e, com um grande ar de importância, os filósofos decidem sem apelação que a mulher 03 não pode ser mais do que o anjo do lar, a vestal encarregada de vigiar o fogo sagrado, a 04 depositária das tradições da família... e das chaves da despensa. Todo esse dispêndio de palavras 05 inúteis serve apenas para encobrir a fealdade da única razão séria que podemos apresentar 06 contra as pretensões das mulheres: o nosso egoísmo, o receio que temos de que nos despojem 07 das nossas prerrogativas seculares – o medo de perder as posições, as regalias, as honras que o 08 preconceito bárbaro confiou exclusivamente ao nosso século. Compreende-se: quem se habituou 09 a empunhar o bastão do comando não se resigna facilmente a passá-lo a outras mãos: é mais 10 fácil deixar a vida do que deixar o poder. (18/08/1901) (BILAC, Olavo. Vossa Insolência. São Paulo: Cia. das Letras, 1997, p. 313) TEXTO III 01 O mal de Isaías é ser ambíguo. Ser e não-ser. Não é índio, nem cristão. Não é homem, 02 nem deixa de ser, coitado. Ser dois é não ser nenhum. Mas está acima de suas forças. Ele não 03 pode deixar de participar de um nós comigo que é excludente dos mairuns e que quase me 04 ofende. Também não pode sentir consigo mesmo que ele é apenas um mairum entre os outros. O 05 pobre não pára de escarafunchar a cuca, se aclarando e se confundindo cada vez mais. Este 06 casamento com Inimá. Será que ele gosta dela? (...) 07 Outro dia fiquei muito tempo atrás dele, no pátio, confundida com toda gente que se junta 08 ali, na hora do pôr do sol, para comer e conversar. Vi bem que ele não falava com ninguém e que 09 ninguém falava com ele. Nem Inimá. Ouvi depois, ouvi bem que ele murmurava sozinho. Cheguei 10 mais perto e ouvi melhor; era uma ladainha em latim, como as de meu pai: 11 Tra-lá-lá, ora pro nobis 12 Tre-lé-lé, ora pro nobis 13 Vamos ver se, agora de noite, nesse balanço de rede, eu me esqueço dos outros para 14 pensar em mim. Preciso me concentrar no meu problema. Tentei pensar o dia inteiro, sem 15 conseguir. Há dias que é assim. Até parece que já não sou capaz. Será a gravidez que me deixa 16 lânguida? De onde virá essa lassidão? Estou grávida e não sei de quem. Vou parir aqui entre os 17 mairuns, este é o problema. Se problema existe, porque isto bem pode ser uma solução. Com 18 um filho crescendo mairum eu não me integraria mais nesse mundo que eu quero fazer meu? Ser 19 a mãe de fulaninho não será para mim como para um homem ser o pai de fulano? Os homens 20 aqui mudam de nome quando têm um filho homem. Maxihú é o pai de Maxi. Teró por muito 21 tempo foi Jaguarhú. Eu seria Iuicuihí se minha filha se chamasse Iuicui? Ou Mairahú se meu filho 22 pudesse chamar-se Maíra? Será que pode? Melhor é que seja menina: Iuicui. (RIBEIRO, Darcy. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 372-3.) Embora exista a possibilidade de se fazerem diferentes combinações no posicionamento das palavras, a organização dos termos numa oração pode ser fator determinante para a sua compreensão. Nos trechos abaixo, se as palavras sublinhadas tivessem sido invertidas, somente haveria modificação do sentido original na seguinte estrutura: a) "Por ti correu meu estro ardente e louco" (texto I – verso 7) b) "Estende sobre mim as asas brancas ..." (texto I – verso b) c) "é mais fácil deixar a vida do que deixar o poder" (texto II – linhas 9 e 10) d) "Outro dia fiquei muito tempo atrás dele" (texto III – linha 7) Questão 94 (UERJ) TEXTO I 01 Escreverei minhas Memórias, fato mais freqüentemente do que se pensa observado no mundo 02 industrial, artístico, científico e sobretudo no mundo político, onde muita gente boa se faz elogiar e 03 aplaudir em brilhantes artigos biográficos tão espontâneos, como os ramalhetes e as coroas de flores 04 que as atrizes compram para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados. 05 Eu reputo esta prática muito justa e muito natural; porque não compreendo amor e ainda amor 06 apaixonado mais justificável do que aquele que sentimos pela nossa própria pessoa. 07 O amor do eu é e sempre será a pedra angular da sociedade humana, o regulador dos sentimentos, 08 o móvel das ações, e o farol do futuro: do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor do 09 município, deste o amor da província, deste o amor da nação, anéis de uma cadeia de amores que os 10 tolos julgam que sentem e tomam ao sério, e que certos maganões envernizam, mistificando a 11 humanidade para simular abnegação e virtudes que não têm no coração e que eu com a minha 12 exemplar franqueza simplifico, reduzindo todos à sua expressão original e verdadeira, e dizendo, lar, 13 município, província, nação, têm a flama dos amores que lhes dispenso nos reflexos do amor em que 14 me abraso por mim mesmo: todos eles são o amor do eu e nada mais. A diferença está em simples 15 nuanças determinadas pela maior ou menor proporção dos interesses e das conveniências materiais 16 do apaixonado adorador de si mesmo. (Macedo, Joaquim Manuel de. Memórias do sobrinho de meu tio. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.) Observe o emprego da expressão "coroa de flores" em: I - "... como os ramalhetes e as coroas de flores que as atrizes compram para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados." (texto I - linhas 3 e 4) II - (Sousa, Maurício de. Turma do Penadinho. O Estado de São Paulo, 31/08/98.) Quanto aos sentidos conotativo e denotativo da expressão "coroa de flores" , pode-se afirmar que: a) "coroa" tem valor denotativo nos dois textos b) "flores" tem valor denotativo nos dois textos c) "flores" e "coroa" têm valor conotativo na tira de Maurício de Sousa d) "flores" e "coroa" têm valor conotativo no texto de J. Manuel de Macedo Questão 95 (UERJ) TEXTO I 01 Escreverei minhas Memórias, fato mais freqüentemente do que se pensa observado no mundo 02 industrial, artístico, científico e sobretudo no mundo político, onde muita gente boa se faz elogiar e 03 aplaudir em brilhantes artigos biográficos tão espontâneos, como os ramalhetes e as coroas de flores 04 que as atrizes compram para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados. 05 Eu reputo esta prática muito justa e muito natural; porque não compreendo amor e ainda amor 06 apaixonado mais justificável do que aquele que sentimos pela nossa própria pessoa. 07 O amor do eu é e sempre será a pedra angular da sociedade humana, o regulador dos sentimentos, 08 o móvel das ações, e o farol do futuro: do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor do 09 município, deste o amor da província, deste o amor da nação, anéis de uma cadeia de amores que os 10 tolos julgam que sentem e tomam ao sério, e que certos maganões envernizam, mistificando a 11 humanidade para simular abnegação e virtudes que não têm no coração e que eu com a minha 12 exemplar franqueza simplifico, reduzindo todos à sua expressão original e verdadeira, e dizendo, lar, 13 município, província, nação, têm a flama dos amores que lhes dispenso nos reflexos do amor em que 14 me abraso por mim mesmo: todos eles são o amor do eu e nada mais. A diferença está em simples 15 nuanças determinadas pela maior ou menor proporção dos interesses e das conveniências materiais 16 do apaixonado adorador de si mesmo. (Macedo, Joaquim Manuel de. Memórias do sobrinho de meu tio. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.) No texto I, o uso da primeira pessoa na escrita das Memórias tem um efeito de: a) construir uma narrativa impessoal e neutra b) seguir o modelo típico do texto jornalístico c) manifestar no discurso a opinião do destinatário d) expressar na forma o ponto de vista do narrador Questão 96 (UERJ) TEXTO I 01 Escreverei minhas Memórias, fato mais freqüentemente do que se pensa observado no mundo 02 industrial, artístico, científico e sobretudo no mundo político, onde muita gente boa se faz elogiar e 03 aplaudir em brilhantes artigos biográficos tão espontâneos, como os ramalhetes e as coroas de flores 04 que as atrizes compram para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados. 05 Eu reputo esta prática muito justa e muito natural; porque não compreendo amor e ainda amor 06 apaixonado mais justificável do que aquele que sentimos pela nossa própria pessoa. 07 O amor do eu é e sempre será a pedra angular da sociedade humana, o regulador dos sentimentos, 08 o móvel das ações, e o farol do futuro: do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor do 09 município, deste o amor da província, deste o amor da nação, anéis de uma cadeia de amores que os 10 tolos julgam que sentem e tomam ao sério, e que certos maganões envernizam, mistificando a 11 humanidade para simular abnegação e virtudes que não têm no coração e que eu com a minha 12 exemplar franqueza simplifico, reduzindo todos à sua expressão original e verdadeira, e dizendo, lar, 13 município, província, nação, têm a flama dos amores que lhes dispenso nos reflexos do amor em que 14 me abraso por mim mesmo: todos eles são o amor do eu e nada mais. A diferença está em simples 15 nuanças determinadas pela maior ou menor proporção dos interesses e das conveniências materiais 16 do apaixonado adorador de si mesmo. (Macedo, Joaquim Manuel de. Memórias do sobrinho de meu tio. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.) O primeiro parágrafo do texto de Joaquim Manuel de Macedo antecipa que o conteúdo das Memórias será: a) um brilhante artigo biográfico sobre personalidades mundanas b) uma visão muito favorável às ações do narrador autobiográfico c) uma observação sobre o mundo industrial, artístico, científico e político d) um ressentimento contra os perigos do memorialismo nos meios artísticos Questão 97 (UERJ) TEXTO I 01 Escreverei minhas Memórias, fato mais freqüentemente do que se pensa observado no mundo 02 industrial, artístico, científico e sobretudo no mundo político, onde muita gente boa se faz elogiar e 03 aplaudir em brilhantes artigos biográficos tão espontâneos, como os ramalhetes e as coroas de flores 04 que as atrizes compram para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados. 05 Eu reputo esta prática muito justa e muito natural; porque não compreendo amor e ainda amor 06 apaixonado mais justificável do que aquele que sentimos pela nossa própria pessoa. 07 O amor do eu é e sempre será a pedra angular da sociedade humana, o regulador dos sentimentos, 08 o móvel das ações, e o farol do futuro: do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor do 09 município, deste o amor da província, deste o amor da nação, anéis de uma cadeia de amores que os 10 tolos julgam que sentem e tomam ao sério, e que certos maganões envernizam, mistificando a 11 humanidade para simular abnegação e virtudes que não têm no coração e que eu com a minha 12 exemplar franqueza simplifico, reduzindo todos à sua expressão original e verdadeira, e dizendo, lar, 13 município, província, nação, têm a flama dos amores que lhes dispenso nos reflexos do amor em que 14 me abraso por mim mesmo: todos eles são o amor do eu e nada mais. A diferença está em simples 15 nuanças determinadas pela maior ou menor proporção dos interesses e das conveniências materiais 16 do apaixonado adorador de si mesmo. (Macedo, Joaquim Manuel de. Memórias do sobrinho de meu tio. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.) No esquema de prioridades estabelecidas pelo narrador do texto I, a primazia é: a) do lirismo sobre a objetividade b) do romantismo sobre o realismo c) do amor do eu sobre o amor da nação d) das conveniências materiais sobre os interesses pessoais Questão 98 (UERJ) TEXTO I 01 Escreverei minhas Memórias, fato mais freqüentemente do que se pensa observado no mundo 02 industrial, artístico, científico e sobretudo no mundo político, onde muita gente boa se faz elogiar e 03 aplaudir em brilhantes artigos biográficos tão espontâneos, como os ramalhetes e as coroas de flores 04 que as atrizes compram para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados. 05 Eu reputo esta prática muito justa e muito natural; porque não compreendo amor e ainda amor 06 apaixonado mais justificável do que aquele que sentimos pela nossa própria pessoa. 07 O amor do eu é e sempre será a pedra angular da sociedade humana, o regulador dos sentimentos, 08 o móvel das ações, e o farol do futuro: do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor do 09 município, deste o amor da província, deste o amor da nação, anéis de uma cadeia de amores que os 10 tolos julgam que sentem e tomam ao sério, e que certos maganões envernizam, mistificando a 11 humanidade para simular abnegação e virtudes que não têm no coração e que eu com a minha 12 exemplar franqueza simplifico, reduzindo todos à sua expressão original e verdadeira, e dizendo, lar, 13 município, província, nação, têm a flama dos amores que lhes dispenso nos reflexos do amor em que 14 me abraso por mim mesmo: todos eles são o amor do eu e nada mais. A diferença está em simples 15 nuanças determinadas pela maior ou menor proporção dos interesses e das conveniências materiais 16 do apaixonado adorador de si mesmo. (Macedo, Joaquim Manuel de. Memórias do sobrinho de meu tio. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.) TEXTO II 01 Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos! Diria dois séculos. E durante este tempo 02 tenho contado os dias e as horas pelas bagas do pranto que tenho chorado. Tenha embora Lisboa os 03 seus mil e um atrativos, ó eu quero a minha terra; quero respirar o ar natal (...). Nada há que valha a 04 terra natal. Tirai o índio do seu ninho e apresentai-o d’improviso em Paris: será por um momento 05 fascinado diante dessas ruas, desses templos, desses mármores; mas depois falam-lhe ao coração as 06 lembranças da pátria, e trocará de bom grado ruas, praças, templos, mármores, pelos campos de sua 07 terra, pela sua choupana na encosta do monte, pelos murmúrios das florestas, pelo correr dos seus 08 rios. Arrancai a planta dos climas tropicais e plantai-a na Europa: ela tentará reverdecer, mas cedo 09 pende e murcha, porque lhe falta o ar natal, o ar que lhe dá vida e vigor. Como o índio, prefiro a 10 Portugal e ao mundo inteiro, o meu Brasil, rico, majestoso, poético, sublime. Como a planta dos 11 trópicos, os climas da Europa enfezam-me a existência, que sinto fugir no meio dos tormentos da 12 saudade. (Abreu, Casimiro de. Obras de Casimiro de Abreu. Rio de Janeiro: MEC, 1955.) O termo "ufanismo" aplica-se a uma atitude, posição ou sentimento dos que, influenciados pelo potencial das riquezas nacionais, pelas belezas naturais do país, etc., dele se vangloriam, desmedidamente. O fragmento em que podem ser identificadas características do "ufanismo" é: a) "Escreverei minhas Memórias, fato mais freqüentemente do que se pensa observado no mundo industrial, artístico, científico e sobretudo no mundo político..." (texto I – linhas 1 e 2) b) "... do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor do município, deste o amor da província, deste o amor da nação..." (texto I – linhas 8 e 9) c) "Tirai o índio do seu ninho e apresentai-o d’improviso em Paris: será por um momento fascinado diante dessas ruas, desses templos, desses mármores..." (texto II – linhas 4 e 5) d) "Como o índio, prefiro a Portugal e ao mundo inteiro, o meu Brasil, rico, majestoso, poético, sublime." (texto II – linhas 9 e 10) Questão 99 (UERJ) TEXTO I 01 Escreverei minhas Memórias, fato mais freqüentemente do que se pensa observado no mundo 02 industrial, artístico, científico e sobretudo no mundo político, onde muita gente boa se faz elogiar e 03 aplaudir em brilhantes artigos biográficos tão espontâneos, como os ramalhetes e as coroas de flores 04 que as atrizes compram para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados. 05 Eu reputo esta prática muito justa e muito natural; porque não compreendo amor e ainda amor 06 apaixonado mais justificável do que aquele que sentimos pela nossa própria pessoa. 07 O amor do eu é e sempre será a pedra angular da sociedade humana, o regulador dos sentimentos, 08 o móvel das ações, e o farol do futuro: do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor do 09 município, deste o amor da província, deste o amor da nação, anéis de uma cadeia de amores que os 10 tolos julgam que sentem e tomam ao sério, e que certos maganões envernizam, mistificando a 11 humanidade para simular abnegação e virtudes que não têm no coração e que eu com a minha 12 exemplar franqueza simplifico, reduzindo todos à sua expressão original e verdadeira, e dizendo, lar, 13 município, província, nação, têm a flama dos amores que lhes dispenso nos reflexos do amor em que 14 me abraso por mim mesmo: todos eles são o amor do eu e nada mais. A diferença está em simples 15 nuanças determinadas pela maior ou menor proporção dos interesses e das conveniências materiais 16 do apaixonado adorador de si mesmo. (Macedo, Joaquim Manuel de. Memórias do sobrinho de meu tio. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.) TEXTO II 01 Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos! Diria dois séculos. E durante este tempo 02 tenho contado os dias e as horas pelas bagas do pranto que tenho chorado. Tenha embora Lisboa os 03 seus mil e um atrativos, ó eu quero a minha terra; quero respirar o ar natal (...). Nada há que valha a 04 terra natal. Tirai o índio do seu ninho e apresentai-o d’improviso em Paris: será por um momento 05 fascinado diante dessas ruas, desses templos, desses mármores; mas depois falam-lhe ao coração as 06 lembranças da pátria, e trocará de bom grado ruas, praças, templos, mármores, pelos campos de sua 07 terra, pela sua choupana na encosta do monte, pelos murmúrios das florestas, pelo correr dos seus 08 rios. Arrancai a planta dos climas tropicais e plantai-a na Europa: ela tentará reverdecer, mas cedo 09 pende e murcha, porque lhe falta o ar natal, o ar que lhe dá vida e vigor. Como o índio, prefiro a 10 Portugal e ao mundo inteiro, o meu Brasil, rico, majestoso, poético, sublime. Como a planta dos 11 trópicos, os climas da Europa enfezam-me a existência, que sinto fugir no meio dos tormentos da 12 saudade. (Abreu, Casimiro de. Obras de Casimiro de Abreu. Rio de Janeiro: MEC, 1955.) TEXTO III LADAINHA I 01 Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome 02 de ilha de Vera Cruz. 03 Ilha cheia de graça 04 Ilha cheia de pássaros 05 Ilha cheia de luz. 06 Ilha verde onde havia 07 mulheres morenas e nuas 08 anhangás a sonhar com histórias de luas 09 e cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés. 10 Depois mudaram-lhe o nome 11 pra terra de Santa Cruz. 12 Terra cheia de graça 13 Terra cheia de pássaros 14 Terra cheia de luz. 15 A grande Terra girassol onde havia guerreiros de tanga e onças ruivas deitadas à sombra das árvores mosqueadas de sol. 16 Mas como houvesse, em abundância, 17 certa madeira cor de sangue cor de brasa 18 e como o fogo da manhã selvagem 19 fosse um brasido no carvão noturno da paisagem, 20 e como a Terra fosse de árvores vermelhas 21 e se houvesse mostrado assaz gentil, 22 deram-lhe o nome de Brasil. 23 Brasil cheio de graça 24 Brasil cheio de pássaros 25 Brasil cheio de luz. (Ricardo, Cassiano. Seleta em prosa e verso. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975.) A relação correta entre os textos propostos e a representação do nacional é: a) texto I: subproduto do amor pelo município, ligado a afetos sem relação com o amor próprio b) texto II: imagem de uma planta murcha, fascinada diante de suas ruas, templos e mármores c) texto III: visão mítica de uma terra primitiva e maravilhosa, destacada por suas qualidades d) textos I, II e III: patriotismo imposto de modo indiscriminado às sociedades e aos territórios Questão 100 (UERJ) TEXTO III LADAINHA I 01 Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome 02 de ilha de Vera Cruz. 03 Ilha cheia de graça 04 Ilha cheia de pássaros 05 Ilha cheia de luz. 06 Ilha verde onde havia 07 mulheres morenas e nuas 08 anhangás a sonhar com histórias de luas 09 e cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés. 10 Depois mudaram-lhe o nome 11 pra terra de Santa Cruz. 12 Terra cheia de graça 13 Terra cheia de pássaros 14 Terra cheia de luz. 15 A grande Terra girassol onde havia guerreiros de tanga e onças ruivas deitadas à sombra das árvores mosqueadas de sol. 16 Mas como houvesse, em abundância, 17 certa madeira cor de sangue cor de brasa 18 e como o fogo da manhã selvagem 19 fosse um brasido no carvão noturno da paisagem, 20 e como a Terra fosse de árvores vermelhas 21 e se houvesse mostrado assaz gentil, 22 deram-lhe o nome de Brasil. 23 Brasil cheio de graça 24 Brasil cheio de pássaros 25 Brasil cheio de luz. (Ricardo, Cassiano. Seleta em prosa e verso. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975.) Chama-se "refrão" ou "estribilho" a um grupo de versos que se repete ao longo do poema. A função do "refrão", no texto III, é: a) reiterar as técnicas de exploração de rimas, para a criação de esquemas rítmicos irregulares b) dar novos valores semânticos às palavras "graça", "pássaros" e "luz", através da onomatopéia c) fundir em estrofes de proporções semelhantes elementos da mitologia indígena e da religiosidade cristã d) mesclar as várias designações que nossa terra recebeu com uma visão positiva de seus elementos constitutivos www.pconcursos.com Gabarito: 1-e 2-d 3-e 4-e 5-b 6-c 7-b 8-d 9-c 10-b 11-b 12-e 13-a 14-c 15-d 16-vfvvf 17vvvvf 18-vvfvf 19-vfvfv 20-vvfvv 21-fvvvf 22-ffffv 23-fffff 24-fvvff 25-ffvvv 26-fvvvf 27-vvffv 28-fffvv 29-fvfff 30-vvvff 31-vfvfv 32-fvvfv 33-vfvvv 34vvvvv 35-ffvfv 36-vfvvv 37-vvvvf 38-ffvvv 39-ffvvv 40-vvffv 41-vfvvf 42vffvv 43-e 44-c 45-b 46-b 47-e 48-d 49-d 50-c 51-e 52-a 53-e 54-e 55-b 56-b 57-a 58-d 59-d 60-c 61-e 62-a 63-d 64-d 65-a 66-e 67-b 68-a 69-c 70-c 71-d 72-a 73-b 74-b 75-e 76-b 77-d 78-a 79-c 80-b 81-d 82-a 83-b 84-b 85-d 86-a 87-c 88-d 89-a 90-d 91-b 92-b 93-c 94-b 95-d 96-b 97-c 98-d 99-c 100-d