COEFICIENTE BETA: ESTIMATIVA DO COEFICIENTE DE FIDEDIGNIDADE DE UMA VARIÁVEL COMP~SITA Fernando iang da Sdveira* INTRODUÇÃO Uma variável compósita é uma variável obtida da soma de diversas outras. Os compósitos são muito comuns nas medidas educacionais e psicológicas. Por exemplo, o escore total em um teste de rendimento escolar é obtido somando-se os escores em diversos itens. A média final em uma disciplina também é um compósito, pois ela é obtida da soma de diversos graus parciais. O coeficiente de fidedignidade dos compósitos pode ser estimado através do coeficiente alfa (Cronbach, 195 i), que é apresentado abaixo. z Sf ‘TT =a =- k -1 [i-- s+ 1 Si2 - variância do i-ésimo componente (i-ésima variável do compósito). S2 variância do compósito (variância do escore total). -0 coeficiente alfa é uma subestimativa do coeficiente de fidedignidade (Lord, 1968), a menos que o escore verdadeiro em cada componente difira apenas por uma constante. Também de acordo com Lord (1968), a discrepância entre o coeficiente alfa e o coeficiente de fidedignidade é importante quando o compósito contiver poucas componentes e for heterogêneo. Subestimar o coeficiente de fidedignidade traz problemas quando se faz .a correção para atenuação no coeficiente de correlação entre duas variáveis; a correção levará a uma superestimativa da verdadeira correlação (Lord, 1968). O mesmo problema ocorre quando Do Instituto de Física da UFRGS e do Instituto de Física e da Faculdade de Educacão da PUCRS. se faz a correção para atenuaçáo nos testes de significância estatística para diferenças entre médias (Silveira, 1981). Quando se desejar fazer a correção para atenuação, a estimativa do coeficiente de fidedignidade deve ser a mais otimista possivel. determinando que a correção se torne mais conservadora, levando a um resultado mais próximo da realidade. . O objetivo do presente trabalho é deduzir uma equaçáo que permita estimar o coeficiente de fidedignidade a partir da análise de consistência interna do compósito. Mostra-se, empiricamente, que essa estimativa dá resultados mais elevados que o coeficiente alfa. DEDUÇÃO DO COEFICIENTE BETA Conforme Mulaik (1972), o coeficiente de fidedignidade da variável “i” (iii)é igual ou maior do que a comunalidade dessa variável (h: ). A comunalidade é a proporção da variância da variável “i” que é compartilhada por outras variáveis. O mesmo autor demonstra que a comunalidade é igual ou maior do que o uadrado do coeficiente de correlação múltipla entre essa variável e as outras variáveis (Ri ). Esses resultados podem ser escritos da seguinte forma: 9 I.. I1 > h? > Ri2 1 (2) Ghiselli (1964) mostra que o coeficiente de correlação múltipla é igual ou maior d o que o coeficiente de correlação entre a variável “i” e a variável compósita obtida da soma simples (com pesos iguais) das demais variáveis. Transpondo esse resultado para a análise de consistência interna do compósito significa que o coeficiente de correlação múltipla entre a variável “i” e as demais variáveis do compósito é igual ou maior do que o coeficiente de correlação entre avariável “i” e o escore total nas demais variáveis do compósito (ri (T.i) ). Ri > ri (T - i) (3) A partir d.e ( 2 ) e (3) pode-se escrever: Fica entáo provado que o coeficiente de fidedignidade da variável “i” é igual ou maior do que o quadrado do coeficiente de correlação entre a variável “i” e o escore total nas demais variáveis do compósito. Conforme Nunnally (1967), o coeficiente de correlação entre avariável “i” e o escore total nas demais variáveis do compósito é igual ou menor do que o coeficiente de correlação entre a vanável “i” e o escore total do compósito (riT). ri (T - i) Q riT (5) Os resultados (4) e (5) permitem tomar como estimativa do coeficiente de fidedignidade da variável “i“ o quadrado do coeficiente de correlação entre a variável “i” e o escore total no compósito. Tu = I2i T (9) O resultado (6) j á foi encontrado por Richardson (1936) partindo de hipótese bastante forte (paralelismo entre as variáveis do compósito). Essa. presunção não ocorreu em qualquer momento do presente trabalho. Nunnally (1967) demonstra que o coefxiente de fidedignidade de um compósito pode ser obtido a partir dos coeficientes de fidedignidade das componentes (rii), das variàncias das componentes ( S ; ) e da vanância do escore total do wmpósito ( S ; ). Ele é dado pela seguinte equação: 106 Substituindo-se o resultado (6) em (7). obtém-se O lado direito do resultado anterior denominaremos de coeficiente beta. Portanto, o coeficiente beta é uma estimativa do coeficiente de fidedignidade do compósito. Comparandese (1) com (9) constata-se que, para calcular o coeficiente beta, é necessário mais informação do que para calcular o coeficiente alfa. Necessita-se conhecer OS coeficientes de correlação entre cada variável do compósito e o escore total no compósito. Na terminologia usual das medidas psicológicas e educacionais esses coeficientes são denominados simplesmente coeficientes de correlação item-total. COMPARAÇhO EMPIRICA ENTRE OS COEFICIENTES ALFA E BETA Em diversos testes foram calculados os coeficientes alfa e heta. A Tabela 1 apresenta esses resultados. TABELA 1 Coeficientes alfa e beta em diversos testes. k - número de itens no teste k Teste A Teste i3 Teste C Teste D Teste E Teste F Teste G Teste H Teste I Teste J Teste K Teste L 4 4 - 5 10 10 20 20 30 31 28 37 44 ~ _ Alfa Beta 0,7376 0,6136 0,5974 0,7560 0,9010 0,5320 0,9426 0,9264 0,5832 0,8023 0,9757 0,8330 0,8080 0,7347 0,7293 0,8174 0,9114 0,6577 0,9466 0,9319 0,6147 0,8187 0,9794 0,8555 _ __ ~ ~ Os testes A,B,C,D,E, são testes de Fisica Geral do 30 grau com itens de resposta livre. O teste I é um teste de Fisicd Geral do 30 grau com itens de escolha múltipla e resposta única. O mesmo vale para o teste F (nesses casos, o coeficiente alfa é conhecido por KR-20). 107 O teste G e uma escala de atitude em relação a matemática (Shaw, 1967). O teste ti é a escala de atitude em relação B disciplina de Física Geral (Silveira, 1979). O teste J é a escala de atitude em relação B solução de problemas (Silveira, 1982). O teste K é o questionário de avaliação do desempenho do professor (Silveira, 1984). O teste L é o teste de inteligência D-48. CONCLUSÁO Na Tabela 1 é possível constatar que o coeficiente beta é sempre maior do que o coeficiente alfa. Verifica-se, então, que o coeficiente beta é uma estimativa mais otimista do coeficiente de fidedignidade do que o coeficiente alfa. Entretanto, cabe notar que a discrepância entre ambos é pequena quando o número de itens no teste é grande, com poucos itens a diferença é sensível. Finalmente, cabe observar, o coeficiente beta, enfatiza que a análise de consistência interna deve preferencialmente ser feita através dos coeficientes de correlação item-total. Deve-se preferir essa estatística a outras (índice de discriminação, coeficiente fi, etc.), pois o coeficiente de fidedignidade depende dos coeficientes de correlação item-total. BIBLIOGRAFIA CRONBACH, L.J. (1951) Coefficient Aipha and the Interna1 Structure of Tests. Psychometrika, 161297.334. GHISELLI, E.E. (1 964) Theory of Psychological Menswement. Tata McGraw-Hill-New Delhi. LORD, F.M. e NOVICK, M.R. (1968) Statistical Theories of Mental Test Scores. AddisonWesley London. MULAIK, S.A. (1972)Foundution ofFacror Analysis. McCraw.Hil1- New York. NUNNALLY, J.C. (1967)PsychometricTheory, McGraw-Hill - New York. SHAW, M.E. e WRIGHT, J. W. (1967) Scales for the Measwement of Attitudes. McGrawHill, New York. RICHARDSON, M.W. (1936) Notes on the Rationale of Item Analysis. Psychometrika, 1169-76. SILVEIRA, F.L.. (1979) Construção e Validação de Uma Escala de Atitude em Relação Disciplina de Física Gerai. Revista Brasileira de Fisica, v. 9, n. 3: 871-878. SILVEIRA, F.L. (1981) Fidedignidade das medidas e Diferenças entre Grupos em Psicologia e Educação, Ciéncia e Culturu, 33(5):704707. SILVEIRA, F. L. (1982) Medida da Atitude em Relação i Solução de Problemas. Revista Brasileira de Fisica, v. 12, n. 3 : 553560. SILVEIRA, F.L. e MOREIRA, M.A. (1984) Avaliação do Desempenho do Professor pelo Aluno: Evidências de Validade de um Instrumento. Ciência e Cultura. 3 q 3 ) : 466472. ~ 108 I S N 01W- 1574 ZIDERNOS CE PESQUISR FEVEREIRO 1985 No 52 REVISTA DE ESTUDOS E PESQUISASEM EDUCAChO ALFABETIZAÇÃO Número organizado por: Elba Siqueira de Sá Barretto, J o d Juvencio Barbosa, Lia Rouinberg e Yara Lúcia Eaporito. ........................................................... APRESENTACÁO ............................................................ Cartada editora 4 ARTIGOS A REPRESENTAÇAO DA LINGUAGEM E O PROCESSO DE ALFAEE Ernilia Ferreiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ........ AS MUITAS FACETAS DA ALFAEETIZAÇAO ................................ Magda Becker Soares . . ALFABETIZAÇAO: UMA PROPOSTA PARA A ESCOLA PÚBLICA Sergio Antonio da Silva Leite.. . ANALFABETISMO NO BRASIL RESULTADOS PRELIMINARES Alceu R. Ferrari . . . . 7 19 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 OS RECENTES - ...................... 35 ALFABETIZAÇAOc Jose Naguel A. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 OS ALUNOS E O ENSINO NA REPOBLICA VELHA ATRAVES DAS MEMORIAS DE VELHOS PROFESSORES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 Zeila de Erito Demartini. Sueli Cotrim Tenca e Alvaro Tenca LHAO. LHAO. LHAO. QUEM N A 0 ENTRA E UM BOB U COMO SE ALFABE. TIZAM AS CRIANÇAS NO ESTADO DE SAO PAULO .................... 73 Ada Natal Rodrigues . . . . . LITERATURA INFANTIL PARA CRIANÇAS QUE APRENDEM A LER Regina Zilberman . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 OS USOS ESCOLARES DA LjNGUA ESCRITA Elsie Rockwell . . . . . . . . . . . . . . . . . ......................................... CONSCIENTIZAÇAO E ALFAEETIZAÇAO DE ADULTOS Sérgio Haddad . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 . . . . . . . 97 TEMAS EM DEBATE ALFABETIZAÇAO NA PRE-ESCOLA: EXIGENCIA OU NECESSIDADE Sonia Kramer e Miriam Abrarnovay , . ................................. .... SITUACÃO ATUAL DO ENSINO DE l ? GRAU: PEQUENO EXEMPLAR10 DE DESACERTOS ............................... José Mário Pires Azanha (Coniinul na &i"a Cad i'eq São Paulo n? 52 103 109 SLyu,"tll p. 1-135 fev. 1985 1 REPENSANDO A PRATICA DE ALFABETIZACAO - A S IDÉIAS DE EMILIA FERRtlRO NA SALA DE AULA Telma h s z . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ........ ..... . . . . . . . . . 115 A POÇ ALFABETIZAÇAO E UM POU REENSA "ERR AS CRIAN ÇAS EqIêPoiricsFranchi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 COMUNICAÇÓES SOBRE PESQUISAS RELAÇAODE PROJETOSSOBRE ALFABETIZAÇAO FORNECIDA PELO CNPq . . . . . . . . i23 ............_.................................................... LIVROS EM D&TAQUE ...................................................... PUBLICAÇOES RECEBIDAS ........................................... RESENHAS 127 130 ~ REVISTAS .................................................................. 134 01Cadernos de Pequiw, agrdecarn a valiosa e genlii coiaboraeo dor pe)guiradarar que participam da avalia @o doi artigol. que chegaram a nossa redação. durante o ano de 1984: üernardste A. Gatti. Csimen Barrow. Claudia Davii. Eliubath Meioni Vieira. Feilcia Madeira. FOlvia Roromberg. Marlene Goldenstein. Mirim Warde. Çllvio Duarte Baek. Vilor Henriqua Para. Yara Lúcia Erporita. Cad. Pesq. 1521 fev. 1985 EDUCAÇÃOE SELEÇÃO O primeiro número desta revista (juho/1980), fora de comércio, reproduziu comunicações realizadas em Seminário sobre “Acesso i Universidade: problemas de seleção”, realizado sob os auspícios da Fundação Carlos Chagas, em 14 e 15 de maio, conforme se vê pelo seu índice, abaixo reproduzido: - APRESENTAÇÃO (ViJma Fagundes Sanchez) - ACESSO i UNIVERSIDADE: seu sienificado e imolicacões fAdolDho Ribeiro Netto) - ACESSO A UNIVERSIDADE E MUDANÇA ÉDUCACIÒNA~:. a perspectiva ào MEC ~~ ~~ ~ ~~~~~~~~~~ ~~~ (Tarcísio Della Senta) - O VESTIBULAR NO CONTEXTO EDUCACIONAL (Manoel Luiz Leão) - O ACESSO A UNIVERSIDADE: reflexão sobre problemas atuais (Heraldo Marelim Vianna) - A UTILIZAÇÃO DE PROVAS OBJETIVAS EM LIhGUA PORTUGUESA (Lygia Corrêa Dias de Moraes) NOS CONCURSOS VESTIBULARES: Problemas de Avaliação (Amauri M.T.Sanches) - A EXPERGNCIA DA REDAÇÃO N O ACESSO A UNIVERSIDADE (Flávia de Barros Carone) - AS EXPECTATIVAS DA UNIVERSIDADE E O ENSINO DE 20 GRAU (Uka Brunilda Gal10 Laurito) - A LITERATURA BRASILEIRA Exemplares desse número ainda se encontram disponíveis nesta data: se o leitor se interessar em recebê-los, basta solicitar mediante o envio de cópia xerox do formulário abaixo para: EDUCAÇÃO E SELEÇÃO Fundação Carlos Chagas Av. Prof. Francisco Morato, 1565 05513 - São Paulo - SP .<......,....,._.._<..____...<.___........___<..... EDUCAÇÃO E SELEÇÃO - Revista de estudos e pesquisa sobre seletão de recursos humanos. Desejo receber, sem qualquer despesa, o n? de EDUCAÇÃO E SELEÇAO: Nome: Endereço: Bairro C.O. Fone: CEP: Cidade: Estado: Composição, revisões tipográficas, arte final e fotolitos: Transtipo S/C Ltda. Rua Bartira, 500 - Te]. 262-8022 .CEP 05009 - Perdizes - São Paulo - SP Impressáo e Acabamento: Editora Santuário - Rua Pe. Claro Monteiro, 342 Tel. DDD (0125) 36-2140 CEP 12570 - Aparecida - SP ~ INSTRUÇÕES A COLABORADORES 1. EDUCAÇÃO E SELEÇÃO publica trabalhos originais diretamente relacionados com a Seleção de recursos humanos, apresentando sob a forma de pesquisas, artigos teóricos, revisões críticas e resenhas. 2. O s trabalhos enviados são apreciados pela Comissão Editorial e por especialistas 3. 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