Revista distribuída com o Diário Económico nº 5405 de 13 de Abril de 2012. Posteriormente vendida em banca ao preço de capa de 1,60 euros. SETE CHEFS, 14 ESTRELAS DO MAIS FAMOSO GUIA GASTRONÓMICO. A CIDADE TEM ISTO TUDO. É UM NEGÓCIO, UMA MARCA, UMA MÁQUINA, UMA DOENÇA. O REAL MADRID É O CLUBE DOS MILHÕES. FOR A DE SÉRIE, ABRIL 2012 ESPECIA L MADRID É a capital mais próxima de Lisboa. Uma hora de avião e lá estamos. Para negócios, lazer, boa vida. Se quer saber porque é que Madrid nos mata, passe às páginas seguintes. Uma única viagem pode mudar o rumo de uma vida. Cambodja, Maio de 2011. Siga Angelina Jolie em louisvuitton.com Museu M useu do o Prado Madrid www.spain.info A arte aqui não está apenas nos museus * 20 14 TUDO NO REAL MADRID É ARRASADOR. No universo do futebol, não há nada mais próximo de Hollywood. CINCO EMPRESÁRIOS PORTUGUESES contam como é fazer a vida entre Lisboa e a capital espanhola. SUMÁRIO 52 A ‘aficción’ de toureiros e matadores inspirou um editorial de moda com muito ‘salero’. OLÉ! Salamanca, Chamberí, Boadilla, La Moraleja. São os bairros mais disputados de Madrid. TODOS QUEREM LÁ MORAR. ‘CHEFS’ ESTRELADOS? Já demos. Mas e se forem “só” os sete que, em Madrid, detêm duas estrelas do guia Michelin? Fomos conhecê-los. Presidente Nuno Vasconcellos Vice-presidente Rafael Mora Administradores Paulo Gomes, António Costa Directora Administrativa e Financeira Elisabete Seixo Director Geral Comercial Bruno Vasconcelos Redacção, Administração e Publicidade Rua Vieira da Silva, nº45, 1350-342 Lisboa, Telf. 21 323 67 00/ 21 323 68 00 - Fax 21 323 68 01 Delegação Porto Edifício Scala, Rua do Vilar, 235-4º, 4050-626 Porto, Telf. 22 543 90 20 - Fax 22 609 90 68 Director António Costa Director-executivo Bruno Proença Subdirectores Francisco Ferreira da Silva, Helena Cristina Coelho e Pedro Sousa Carvalho Editores Executivos João Pedro Oliveira e Renato Santos Editora de Fecho Gisa Martinho Fora de Série Rita Ibérico Nogueira (editora), Ana Filipa Amaro (coordenadora), Inês Queiroz (textos), Cristina Borges (secretariado), Colaboradores Ana Viegas, Diana Moreira, Filipe Carriço, Gonçalo F. Santos, Joana Rei, Pedro Marta Santos Produção Ana Marques (chefia), Artur Camarão, Carlos Martins, João Santos Tratamento de imagem Samuel Rainho (coordenador), Paulo Garcia, Pedro Felipe e Tiago Maia Grandes Repórteres Ana Maria Gonçalves, Hermínia Saraiva, Lígia Simões, Luís Rego, Maria Teixeira Alves e Nuno Miguel Silva Destaque Mónica Silvares (editora) Economia Marta Moitinho Oliveira e Catarina Duarte (coordenadoras), Cristina Oliveira, Denise Fernandes, Luis Reis Pires, Margarida Peixoto, Paula Cravina de Sousa Política Ana Petronilho, Filipe Gracia, Inês David Bastos, Márcia Galrão e Miguel Costa Nunes Empresas 58 Patrícia Silva Dias (coordenadora), Cátia Simões, Dírcia Lopes, Eduardo Melo e Sara Piteira Mota Finanças Tiago Freire (editor), Alexandra Brito e Luis Leitão (coordenadores), Catarina Melo, Maria Ana Barroso, Margarida Vaqueiro Lopes, Marta Reis, Marta Marques Silva e Rui Barroso Internacional Pedro Duarte e Bárbara Silva Desporto Paulo Pereira (editor) Media Catarina Madeira e Rebeca Venâncio Universidades e Emprego Madalena Queirós (editora), Carla Castro (coordenadora) Joana Moura Outlook Rita Ibérico Nogueira (editora), Ana Cunha Almeida (coordenadora), Ângela Marques, Isabel Lucas e Mafalda de Avelar Projectos Especiais Irina Marcelino (editora), António Albuquerque (coordenador) e Raquel Carvalho Opinião Ricardo da Costa Nunes (editor) DE online Pedro Latoeiro (coordenador), Rogério Junior (webdesigner), Alberto Teixeira, António Sarmento, Eudora Ribeiro, Mafalda Aguilar, Mariana Adam, Rita Paz, Nuno Barreto Infografia Susana Lopes (coordenadora), Mário Malhão e Marta Carvalho Fotografia Paulo Figueiredo (editor), Cristina Bernardo, Paula Nunes e Paulo Alexandre Coelho Assistente de Direcção Rita Rodrigues Secretariado Geral Dulce Costa Redacção do Porto Elisabete Felismino (coordenadora), António Freitas de Sousa, Elisabete Soares, Sónia Santos Pereira e Mira Fernandes (secretária) Tradutores Ana Pina Departamento Gráfico Paulo Couto (director de arte), Pedro Fernandes e Rute Marcelino (coordenadores), Ana Antunes, Jaime Ribeiro, Patricia Castro, Sandra Costa e Vanda Clemente Exclusivos Corriere della Sera, El Mundo, Expansión e Financial Times. Propriedade S.T. & S.F., Sociedade de Publicações, Lda. Contribuinte 502642807 Edição S.T. & S.F., Sociedade de Publicações, Lda. Registo Comercial de Lisboa 2958911033 Registo ICS 124569 Administração Rua Vítor Cordon, nº 19 1º 1200-482 Lisboa Telefone 213236700 Redacção e Produção Rua Vieira da Silva, nº 45 1350-342 Lisboa Telefone 213236700 Fax 213236800 Assinaturas Telf. 213236816/6771 E-Mail [email protected]. com Impressão e Acabamento Sogapal, Distribuição Logista Portugal,SA Tiragem média 34000 exemplares. CARLOS RAMOS BL O G NÃO DEIXE DE ACOMPANHAR TAMBÉM TODAS AS NOVIDADES FORA DE SÉRIE NUM NOVO ESPAÇO ‘ONLINE’ http://foradeserie.economico.sapo.pt RITA IBÉRICO NOGUEIR A [email protected] DE MADRID COM AMOR, E SEM SAPOS sapo é grande e já tem barbas de tão velho. Espanha deve de o engolir há mais de seiscentos anos, num campo de batalha nas imediações de Aljubarrota e, rezam as crónicas, que nunca mais Portugal deixou de ser um batráquio atravessado na garganta castelhana. No embate entre os exércitos régios de D. João I de Portugal e D. Juan I de Castela, em Agosto de 1385, aconteceu o que hoje não acontece no futebol: Espanha perdeu. Portugal ganhou a independência e um rei, o primeiro da dinastia de Avis, e toda a glória de Descobrimentos que se lhe seguiu. Os portugueses, que sempre tiveram a mania de serem independentes (e conseguiram-no, uma vez mais, naquela que ficou marcada como uma das mais importantes batalhas da nossa história), também engoliram uns tantos sapos ao longo dos anos. Isto de ter Espanha e Portugal como vizinhos e rivais deu muito que fazer aos historiadores. Casamentos, alianças, batalhas e tratados depois, chegou o tempo em que se enterraram os machados de guerra e se normalizaram as relações diplomáticas entre os dois países. Há, na península de terra que os isola do resto da Europa, espaço para os dois, diferenças e semelhanças sócio-culturais à parte. Com o tempo, Espanha e Portugal perceberam que tinham mais a ganhar se se mantivessem unidos do que de costas voltadas. Da vizinhança ninguém os livraria, por isso mais valia seguirem em frente. E começou a falar-se do mercado Ibérico. E é aqui, depois de uma curta introdução histórica, que queremos chegar. Depois de uma edição especial dedicada à Avenida da Liberdade, a outra totalmente dedicada à cidade do Porto, a Fora de Série estreia-se nos guias de cidades internacionais. Madrid foi a escolhida para marcar esta primeira internacionalização por razões óbvias. É a capital europeia mais próxima de Lisboa. Uma hora de avião, seis horas de carro. E lá estamos, para negócios, lazer, boa vida. Sobretudo negócios. São muitos os portugueses que olham para a capital espanhola como o prolongamento natural das suas actividades. E vivem, entre a ‘Movida’ madrilena, Lisboa e o resto do mundo. São portugueses 12 Fora de Série Abril 2012 de hoje, para quem não há fronteiras: só negócios e todas as portas que estes podem abrir ao sucesso. Saiba o que distingue os dois mercados, português e espanhol, na perspectiva de alguns empresários portugueses: Luís Pessanha, o homem que vende Ferraris e Maseratis aos madrilenos; Manuel Louzada, o enólogo da LVMH; Madalena Beirão, que leva saltos altos portugueses da Zillian aos pés das espanholas; Luís Figueiredo, que levou as roupinhas encantadoras da Laranjinha à alta sociedade do Bairro de Salamanca; entre outros. A bem da verdade e da transparência, é importante que se diga que não foram imperativos históricos ou do foro económico a ditarem o porquê desta edição. Foram, sim, critérios gastronómicos. A ideia começou por ser fazer uma reportagem com os ‘chefs’ espanhóis com estrelas Michelin. Espanha tem sido, aliás, um ‘case study’ nesta matéria. Ferran Adrià e os seus seguidores colocaram o país no mapa global da gastronomia de topo e têm vindo a fazer escola. Fazia sentido, então, uma viagem a Madrid para conhecer as estrelas mais famosas desta constelação do guia encarnado. Foi o que fizemos. E, nestas páginas, juntam-se sete ‘chefs’, 14 estrelas, e muitas ideias diferentes, ingredientes originais, em retratos que ajudam a contar a história. A gastronomia inspirou o resto, e de repente nasce toda uma revista com sotaque castelhano. Do imprescindível guia para saber onde ir e o que não perder pelas ruas de Madrid, à saga familiar dos Thyssen – que de industriais do aço especializados em elevadores, deixaram que a paixão pela arte levasse a melhor e os transformasse num dos principais mecenas da cidade, com uma colecção de arte que rivaliza com as melhores do mundo –, passando pela arte do toureio e a tradição dos matadores, seguindo para o negócio milionário do Real Madrid, o clube que colecciona títulos (e estrelas e antipatias), a Fora de Série de Madrid deixou-se contagiar pela energia da capital espanhola. Afinal, de Espanha podem vir bons casamentos. Este, entre a FS e o país com que fazemos fronteira, já se sente bafejado por um ventinho de sucesso. Não há vestígios de sapos. ‘Bienvenidos’ a Madrid! Capa: fotografia de Ana Viegas. ‘Bustier’ em cetim de seda Storytailors. Sapatos em camurça com cristais Giuseppe Zanotti. Brincos em ouro rosa e granada e anel em ouro rosa, granadas e safiras brancas naturais, ambos Mimi. Acessório Valentim Quaresma. ‘Jaquetilla’ de luz bandarilheiro. Sumário: fotografia de Pete Gardner/GettyImages. destaque Em Julho de 2009, Cristiano Ronaldo foi apresentado aos sócios do Real Madrid no estádio Santiago Bernabéu. Vestindo na época a camisola 9, Ronaldo protagonizou a contratação mais cara da história do futebol mundial, tendo custado ao clube uns módicos 94 milhões de euros. LOS BLANCOS Com um mercado global de 200 milhões de simpatizantes, o Real Madrid já venceu 9 Taças e Ligas dos Campeões Europeus, 3 Taças Intercontinentais, 2 Taças Uefa e 31 campeonatos de Espanha. Mas o Real é mais do que um clube. É uma missa dominical, uma doença crónica, uma máquina de vitórias, um meganegócio e uma marca planetária. Tudo nos ‘merengues’ é grande, até as antipatias que suscita. Mas a sua equipa pode ser arrasadora e, no universo cada vez mais empresarial do futebol, não há nada mais próximo da história de Hollywood do que a história recente de ‘los blancos’. T E X T O D E P E D R O M A R TA S A N T O S 14 Fora de Série Abril 2012 FOTOGRAFIA DE JUAN MEDINA/REUTERS “LA DECIMA”. É a obsessão do Real Madrid: ganhar a décima taça de campeão da Europa de clubes. A final é no próximo mês, dia 19, na Allianz Arena de Munique. Mas há um obstáculo: um clube que se confunde com a região onde cresceu, pátria do mais belo futebol à face da Terra, chamado Barcelona. Todos os gigantes têm o seu nemésis. E não há gigante mais feroz do que o Real Madrid. Dentro e fora do campo. Começou modesto, nas traseiras de uma loja perto do Paseo de la Castellana, a “Al Capricho”, no dia 6 de Março de 1902 (fez há pouco 110 anos). Juan Padrós Rubio, o dono da “Al Capricho”, foi eleito presidente do Madrid Football Club por quatro amigos. Foram os primeiros cinco sócios. Escolheram logo o equipamento, inspirado no célebre London Corinthians. Camisola e calções brancos, meias azuis, emblema púrpura. Mantém-se praticamente igual há mais de um século. Nasciam os ‘merengues’, ‘los blancos’, anjos letais para os adversários. O primeiro jogo foi três dias depois, entre conhecidos e comparsas, para ver quem ficava no plantel. Não existiam provas oficiais, nem sequer no município de Madrid. Tiveram de inventar a própria competição. Contrataram Arthur Johnson, um inglês, para treinador – tudo o que vinha de Inglaterra era bom, já que os britânicos eram os criadores do jogo e organizavam um torneio de prestígio, a Taça de Inglaterra, desde 1872. Um mês após a formação, Padrós foi fazer ‘lobbying’ – uma especialidade do Madrid – junto do presidente de câmara da capital, para que fosse organizado um torneio em homenagem à coroação de Afonso XIII. Em Maio, começou a Copa del Rey, com um jo- Abril 2012 Fora de Série 15 destaque go entre o Madrid Football Club e o… Futbol Club Barcelona. Ganhou o Barça. Começava a guerra. O Madrid não se ficou: a partir de 1905, venceu quatro taças consecutivas, mais uma mão-cheia de campeonatos regionais na década seguinte. O monarca Afonso XIII tornou-se um adepto tão fervoroso do clube que lhe atribuiu o título de “real” em 1920. O Real Madrid passou o seu primeiro ano de nobreza em digressão por Portugal. Em 1928, finalmente, foi criado o Campeonato Nacional de Espanha. À quinta época, o Real venceu-o. Seria o primeiro de trinta e um. Mais dez do que o arqui-rival. Em 2012, o Real Madrid é mais do que um clube. É uma missa dominical, uma doença benigna, uma máquina de vitórias, um meganegócio e uma marca planetária. A mudança operou-se nos anos 90. A Taça dos Campeões Europeus, que o Real Madrid conquistou cinco vezes seguidas entre 1955 e 1959 – com nove vitórias na competição, a última das quais no ano do seu centenário, os ‘merengues’ são os recordistas de sempre – transformou-se na Liga dos Campeões, e os prémios disponibilizados pela UEFA, a associação europeia de futebol, multiplicaram-se. Explodiu o negócio das transmissões televisivas, abriram-se os mercados norte-americano e, sobretudo, asiático. E começou a era do marketing: o Real foi dos primeiros clubes a perceber que uma boa estratégia comercial era a chave da nova equação futebolística. Hoje, quase 40% das suas receitas provêm do ‘merchandising’ e dos produtos associados à marca. 16 Fora de Série Abril 2012 SANTIAGO BERNABÉU TORNOU-SE PRESIDENTE EM 1943 E SÓ SAIU 35 ANOS DEPOIS (É O ÍDOLO DE PINTO DA COSTA, QUE BATEU ESTE RECORDE DE LONGEVIDADE EM 2007). De volta ao comando do clube em 2009, após as acusações de falseamento dos resultados eleitorais contra o presidente deposto Ramon Calderón, Florentino Pérez era agora, de acordo com a “Forbes”, dono do segundo maior grupo de construção civil do mundo, a ACS. Procurou revisitar as glórias da armada de 50-55, onde Gento, Puskas e Di Stéfano dizimavam os adversários como botes numa privada batalha naval, ou o futebol excitante da “Quinta del Buitre”, com Michel, Sanchis, Hierro, Hugo Sanchez e o inevitável Butragueño a usarem a imaginação para golear meia Europa. Mas regressou à velha táctica, reforçando-a: na época de transferências de 2009-2010, Pérez gastou 250 milhões de euros em jogadores, incluindo a contratação mais cara da História do futebol, um rapaz supersónico de tronco muito apreciado por britânicas calorentas e pseudo-vedetas californianas – ao custar 94 milhões de euros, Cristiano Ronaldo tornava-se o segundo capítulo lusitano no li- FOTOGRAFIAS DE VICTOR FRAILE; PAUL HANNA/DESMOND BOYLAN/RUSSELL BOYCE/SERGIO PEREZ, TUDO REUTERS A ER A GA L ÁCTICA Sendo o Real um clube monárquico, a sua história é selada pelo reinado dos seus presidentes. O mítico Santiago Bernabéu, que foi ponta de lança do clube nas décadas de 10 e 20, tornou-se presidente em 1943 e só saiu 35 anos depois (é o ídolo de Pinto da Costa que, persistente, bateu este recorde de longevidade em 2007). No primeiro reinado no clube, entre 2000 e 2006, o actual presidente Florentino Pérez, um antigo político – foi secretário-geral do Partido Reformista Democrático e candidato às eleições gerais de 1986 –, empresário de construção civil com sageza de diplomata, criou a estratégia para vencer as maiores competições do planeta – foi a chamada “era dos galácticos”. O princípio era simples: contratar os melhores futebolistas pelo seu valor comercial, como Hollywood contratava Tom Cruise ou Harrison Ford por 20 milhões de dólares o filme, potenciando a sua dimensão de estrelas globais, gerindo os respectivos direitos de imagem (ao contrário de outros grandes clubes, como o Manchester United, o Real detinha 50% da imagem dos seus jogadores) e multiplicando a venda de equipamentos e camisolas. O primeiro foi Luís Figo, uma fábrica de fintas com disciplina teutónica, por 52 milhões de euros. Pérez roubou-o ao inevitável Barcelona, onde Figo era ídolo e capitão. Foi um golpe de génio. No ano seguinte contratou Zinedine Zidane, o bailarino do Magrebe, aos italianos da Juventus, por 75 milhões, um recorde à época. A seguir, Ronaldo, o cilindro goleador brasileiro, por 40 milhões. Como a cereja num bolo merengado, recrutou David Beckham, o príncipe dos cruzamentos, por mais 44 milhões – Pérez percebeu que, ao contratar Beckham, estava a garantir, não apenas um jogador de futebol, mas uma mini-indústria de receitas adicionais, com impacto acrescido no Este Asiático (o inglês valia ainda mais vestido com a camisola Adidas do Real do que despido em roupa interior da Armani). Claro que, sem sucesso desportivo – esse irritante elemento aleatório –, nada funcionaria. Funcionou. Mas a seguir, o céu branco desvaneceu-se. Em 2003, a equipa começou a perder. Os egos das estrelas chocavam como camiões desgovernados, as novas contratações milionárias – Michael Owen, Robinho – pouco adiantaram, e Pérez demitiu-se em 2006 após mais um desaire precoce, desta vez contra o Arsenal. Recomeçava o domínio republicano do Barcelona. Luís Figo foi o primeiro “Galáctico” a dar corpo à nova táctica ‘hollywoodesca’ que o presidente Florentino Pérez queria aplicar ao clube. Ao lado, o português disputa uma jogada com José María Movilla, do Zaragoza, na final da Taça do Rei, em 2004. O bailarino do Magrebe Zinedine Zidane, o goleador brasileiro Ronaldo, o príncipe dos cruzamentos David Beckham e, mais tarde, outro português, Cristiano Ronaldo, completaram a formação (em baixo, no sentido dos ponteiros do relógio). Os “galácticos” nunca mais deixaram de brilhar. HUGO BOSS PORTUGAL Phone +351 21 2343195 www.hugoboss.com BOSS Black 452_POR_SP_BM_BM006_Fora_de_Serie_Portugal_06april12_290x390.indd 1 22.03.12 11:33 destaque vro de ouro do Real. Alguns cifrões mais tarde, chegou o especialíssimo José Mourinho, derradeira esperança dos madrilenos em superar a orquestra ‘blaugrana’ e o seu primeiro violino, o imberbe – e assassino – Lionel Messi. O Barcelona, de aposta sistemática na ‘cantera’ (a escola de formação do clube) e privilegiando a linguagem do colectivo, voltava a ser o oposto do Madrid. Mas Mourinho é tão irritante como engenhoso, e o Real está prestes a ganhar o campeonato deste ano. NEG ÓCIOS E PODER Mantendo algumas características “clássicas”, como a recusa de aderir à lógica puramente empresarial das sociedades anónimas desportivas – o clube continua a pertencer aos seus 110 mil sócios –, o Real foi considerado, segundo a avaliação da Deloitte, o clube mais rico do mundo em 2010/2011 pela sétima vez consecutiva. O seu volume de negócios duplicou desde 2002: 479,5 milhões de euros. O Barcelona ficou em segundo lugar (451 milhões), mas onde os deuses consagram o futebol – no relvado – o Barça foi novamente vencedor, conquistando a sua quarta taça de campeão da Europa. O facto de Barça e Real poderem negociar os seus direitos televisivos individualmente, ao contrário da maioria dos clubes espanhóis e europeus (além dos direitos internos, o Real vende o seu canal de TV pago para 90 países), explica o distante terceiro lugar de outro colosso, o Manchester United (que sofre também com as dificuldades financeiras do seu proprietário, o norte-americano Malcolm Glazer). O ‘ranking’ sugere um abuso de posição dominante, esse monopólio dos mais fortes que vai retalhando a “verdade desportiva”: um quarto do total das receitas do futebol europeu (4,4 mil milhões de euros) pertence a apenas 20 clubes. No Real, os acordos de ‘sponsorização’ com marcas como a Coca-Cola, a Audi, a Bwin.com e a cerveja espanhola Mahou têm-se revelado compensadores, e o regime de impostos para os jogadores estrangeiros durante as primeiras cinco temporadas em ‘La Liga’ (o campeonato espanhol) é muito mais favorável do que as pesadas obrigações fiscais em Itália e, sobretudo, Inglaterra. Quanto ao valor dos atletas, Peréz já disse que, para ele, 18 Fora de Série Abril 2012 AO CUSTAR 94 MILHÕES DE EUROS, CRISTIANO RONALDO TORNAVA-SE O SEGUNDO CAPÍTULO LUSITANO NO LIVRO DE OURO DO REAL. há dois tipos de jogadores: “os jogadores-despesa e os jogadores-lucro”. Os primeiros, como os ‘blaugrana’ David Villa e Andrés Iniesta, ou David Silva, do Manchester City, são grandes futebolistas. Porém, falta-lhes o ‘glamour’ e o impacto social. Os segundos, como Cristiano Ronaldo ou David Beckham, são fenómenos mediáticos na Ásia e por todo o mundo anglo-saxónico. Ou seja: geram sempre dinheiro. Mas é também por isso que o Real Madrid gera tanto ódios como paixões. E para os seus detractores, as rosas brancas do Real têm vários espinhos: Pérez viu-se obrigado a contrair um empréstimo à banca de 151 milhões de euros em 2009 para financiar uma parte das faraónicas contratações, e a oposição aumentará se novos troféus não surgirem – só Eugénio Martinez, ex-banqueiro da HSBC, tem um grupo organizado de 1500 adversários do actual líder. Segundo o jornal catalão “El Periódico”, durante o primeiro mandato no Real o presidente teria aumentado a sua fortuna pessoal em 500 milhões de euros, e alguns apontaram-lhe relações estreitas com o PP de José Maria Aznar (as relações do Real com o poder sempre foram controversas, desde os tempos da cumplicidade franquista). A venda de terrenos do clube para urbanização e os acordos firmados com a câmara municipal de Madrid para a remodelação da zona em redor do Santiago Bernabéu (o 5º maior “museu” da cidade, com 700 mil visitas anuais) desagradaram a vários concorrentes do Real, que acusam o clube de alimentar uma política megalómana de contratações graças a negócios extra-desportivos. Com um mercado global de 200 milhões de simpatizantes, o Real foi considerado pela FIFA o clube mais importante do século XX. No século XXI, o problema é o habitual, fala catalão e joga como um sonho hispano-argentino. Será o sotaque português de ‘los blancos’ suficiente? FOTOGRAFIAS DE SERGIO PEREZ/ANDREA COMAS/VINCENT WEST/PAUL HANNA, TUDO REUTERS Em cima, o estádio Santiago Bernabéu é o 5º maior “museu” de Madrid. Os 110 anos de História do clube contam-se também neste espaço. Ao lado, o teinador português José Mourino, amado por uns, detestado por outros tantos (principalmente os media espanhóis). Em baixo, o presidente do Real, Florentino Pérez. O QUE É NACIONAL É REAL Pepe já lá estava desde 2007. Cristiano Ronaldo foi recrutado em 2009. José Mourinho chegou em 2010, exigindo a contratação de Ricardo Carvalho. No início desta temporada, foi a vez de Fábio Coentrão. Se a eles juntarmos os adjuntos Rui Faria, Silvino, treinador de guarda-redes, e o preparador físico José Morais, há oito portugueses em lugares-chave da estrutura do Real Madrid. Os ‘merengues’ não são apenas o grande clube “estrangeiro” mais português da actualidade. São o grande clube mais português da actualidade, ponto. Senão repare-se: os habituais titulares portugueses do FC do Porto são Rolando e João Moutinho; no Sporting, jogam sempre Rui Patrício e João Pereira (Daniel Carriço ou André Santos passam mais tempo no banco do que no relvado); no Benfica, o onze-base é constituído por quatro brasileiros (Artur, Emerson, Luisão e Bruno César), um uruguaio (Maxi Pereira), um espanhol (Javí Garcia), um belga (Axel Witsel), um paraguaio (Óscar Cardozo) e três argentinos (Garay, Gaitan e Aimar) – não há um único lusitano para amostra (até o Apoel de Nicósia, do Chipre, tem mais na equipa titular). Quando Ronaldo, Pepe e Coentrão jogam juntos – o que acontece com frequência – o Real treinado por Mourinho é a equipa portuguesa de eleição. Pepe custou 30 milhões de euros. Ricardo Carvalho, 6,8 milhões. Fábio Coentrão, outros 30. E a 11 de Junho de 2009, Ronaldo tornou-se a transferência mais cara da História do futebol: 94 milhões de euros. O Real é um ‘voucher’ de massagens à auto-estima nacional. Ronaldo, Pepe, Fábio Coentrão, Ricardo Carvalho, José Mourinho, Rui Faria, José Morais e Silvino. Entre jogadores e técnicos, há oito portugueses no Real. O clube é uma massagem ao ego nacional. Abril 2012 Fora de Série 19 destaque ELES FA ZEM NEG ÓCIO EM M A DR ID Grande parte do tempo andam a viajar pelo mundo, porque a profissão assim os obriga. Mas têm em Madrid a cidade onde tudo acontece. Gostam da agitação, já se habituaram às conversas em tom acelerado dos madrilenos. Acima de tudo têm paixão pelo que fazem. Nos vinhos, nos carros, na consultoria de marketing, na moda infantil ou no calçado. Falámos com alguns dos empresários portugueses que estão em Madrid, a trabalhar e/ou a viver. Os negócios vão bem. Sobra é pouco tempo para aproveitar mais a cidade. FOTOGRAFIA DE PAULO FIGUEIREDO T E X TOS D E ANA CU N HA ALM EI DA 20 Fora de Série Abril 2012 VENDEDOR DE AUTOMÓVEIS Luís Pessanha está à frente da Santogal em Madrid, que tem o exclusivo Ferrari e Maserati. Alma de vendedor não lhe falta. Mas do que ele gosta mesmo é de responder às necessidades das pessoas. Sobretudo se falarmos de cilindradas. O u se tem dinheiro ou não se tem. Quem tem dinheiro compra com a mesma naturalidade um Ferrari ou um Maserati em Lisboa, no Porto ou em Madrid. Não há diferenças quanto às negociações. “Talvez os espanhóis sejam mais rápidos na decisão de compra”, diz Luís Pessanha, director-geral do concessionário oficial Ferrari – Maserati Santogal. O resto são pormenores… culturais. “Apesar de a crise estar instalada, as pessoas não deixam de viver”, diz Luís Pessanha. Em 2011, a Santogal vendeu 30 Ferrari e 10 Maserati em Espanha contra 22 Ferrari e 5 Maserati em Portugal. Nesta fase, “as encomendas estão cerca de 20% abaixo do ano passado, mas como estamos a apresentar um carro novo podemos mudar estes números”, afirma o director-geral. Luís Pessanha passa um terço do seu tempo em Madrid. E se há coisa que gosta é de ver a animação e o movimento nas ruas, sobretudo ao fim do dia. Quando fala das diferenças entre os dois mercados, dá exemplos: “em Portugal nunca vendi carros com os estofos em castanho chocolate. Em Madrid, já”. Os madrilenos são mais arrojados. “O encarnado ainda se usa mais em Portugal, como os cinzentos ou pretos. Em Espanha já se vê mais o branco, os azuis”, acrescenta. Mas na Ferrari é possível fazer tudo. É só pedir. “Se quiser um carro todo em ‘denim’, nós fazemos, pode fazer um carro todo baço, pode personalizar como quiser, até pode ser todo camuflado. Mandamos vir da fábrica em Itália”. Encomendar um carro destes pode demorar entre oito a 24 meses, dependendo do modelo. Os que se vendem mais são os de oito cilindros (face aos 12 cilindros) e estes representam cerca de 70% do negócio. Quanto a números, a Santogal facturou 60 milhões em Madrid e 500 milhões em Portugal, valores que implicam o negócio de venda de outras marcas não de luxo, como Mercedes, Nissan ou Peugeot. Se contarmos apenas as marcas de luxo – Ferrari e Maserati –, então, falamos de 10 milhões de euros conseguidos em Madrid e oito milhões de euros em Portugal. Profissionalmente, Luís Pessanha define-se como um vendedor de automóveis. Já lá vai o tempo em que a expressão “vendedor de automóveis” era depreciativa. Na Santogal tem ainda a possibilidade de vender qualquer carro, desde um usado até a um carro de luxo. “Não sou fanático da Mercedes, nem da BMW, nem da Fiat. Sou fanático da necessidade do cliente. E como temos estas marcas todas, dá-nos um ‘savoir-faire’ que é diferente”, explica o director-geral. Luís Pessanha gosta, acima de tudo, de pessoas e de ir ao encontro das suas “APESAR DA CRISE, AS PESSOAS NÃO DEIX AM DE VIVER”, DIZ LUÍS PESSANHA QUE, EM 2011, VENDEU 30 FERR ARI E 10 MASER ATI EM ESPANHA. necessidades. Diz que é uma questão de “feitio”. Ainda quando era estudante de Direito decidiu trabalhar de dia a vender carros usados com um amigo, deixando os estudos para a noite. E depois de licenciado continuou ligado ao ramo. “Entrei para a Mocar em 1987. Sempre gostei da estética de quatro rodas. Li uma entrevista ao Ralph Lauren, em que lhe perguntaram porque é que ele não comprava obras de arte. Ele respondeu, com piada, que as obras de arte para ele são os automóveis, porque as obras de arte não se podem conduzir. Eu concordo. O automóvel é uma história de homens e de máquinas”, diz. Depois, Pessanha foi ainda chefe de vendas, tomou conta da Alfa Romeu em Portugal desde 1997 até 2000. Até ser responsável pelo marketing na Santogal e por uma equipa de vendedores a quem gosta de chamar de embaixadores. A conduzir agora o negócio da Santogal em Madrid – mercado onde a empresa entrou em 2007 – Luís Pessanha diz que se aprende com a experiência. “Há ciclos melhores e ciclos piores. Já tenho vivido momentos mais e menos animadores. O importante é manter a serenidade. Dançamos conforme a música”. Em Madrid gosta de estar na varanda do Ritz, quer seja em lazer ou em reuniões de trabalho, com as suas equipas ou clientes. “São os melhores almoços e jantares de Verão”, confessa. Quando está em Lisboa anda num Fiat 500 Cabriolet – ao fim-de-semana, de Ferrari. Luís Pessanha, entrevistado um dia depois de ter feito 55 anos, descreve-se como “um homem de família”. Lá em casa todos gostam de carros. E porque um homem que passou 25 anos a trabalhar rodeado de carros tem de ter um carro de sonho, descobrimos que o seu é o Ferrari 550 Maranello com caixa manual. Teria sido um bom presente de aniversário. Não chegou a tempo. Mas, segundo o próprio, “já está a ser tratado. É um presente que mais tarde ou mais cedo vai acontecer”. Abril 2012 Fora de Série 21 destaque O ENÓLOGO Manuel Louzada é um homem viajado à conta de bons vinhos e champanhes. Entre Madrid e o resto do mundo, é enólogo, director-geral da Numanthia e acompanha a Estate & Wines. Negócios do maior grupo de luxo, LVMH. 22 Fora de Série Abril 2012 “SER ENÓLOGO É PROCUR AR A EXCELÊNCIA ATR AVÉS DA CRIATIVIDADE DUR ANTE TODA A VIDA. MAIS DO QUE PROFISSÃO É PAIX ÃO”. que tem um nervo, uma potência enorme por dentro! É um vinho que foi escolhido recentemente como um dos cinco melhores vinhos de Espanha”, explica. O enólogo descreve o Termanthia com a expressão “mão de ferro numa luva de seda”, pois tem uma enorme concentração mas com uma elegância única”. Foi um dos cinco primeiros vinhos espanhóis que teve 100 pontos atribuídos por Robert Parker. Mas Manuel Louzada é também o responsável do seguimento qualitativo de todos os vinhos da Estates & Wines, divisão da Moët Hennessy que inclui todas as adegas fundadas pela Moët & Chandon (Chandon Argentina, Chandon Califórnia, Chandon Brasil e Chandon Austrália), adquiridas pela Veuve Clicquot (Cloudy Bay, Cape Mentelle, Newton Vineyards) ou fundadas posteriormente, como a Terrazas de los Andes, em todo o mundo. E agora que a LVMH anunciou que vai iniciar a produ- ção de vinho branco na China, chegará o momento em que Manuel Louzada haverá de lá estar para a fase do seguimento qualitativo. “A casa, a família, estão em Madrid pelo que a semana é repartida entre Toro, uns quatro dias, em Madrid, os restantes” diz Manuel. Nesta profissão e, trabalhando para o maior grupo de luxo, o que não faltam são viagens pelo mundo. “Passo umas 14 a 16 semanas em viagem entre Espanha, o resto da Europa até aos Estados Unidos, Japão e Austrália”. Mas sobra tempo ainda para “matar saudades da família” em Portugal, o que, por norma, acontece uma vez a cada dois meses. Quando lhe perguntamos o que gosta em Madrid, não resiste a falar do La Terraza del Casino, do Kabuki, do Mercado de San Miguel ou de picar tapas perto da Plaza Mayor. Para fazer compras, escolhe a ‘calle’ Serrano, onde encontra a Loewe, uma das suas lojas espanholas favoritas. FOTOGRAFIA DE GONÇALO F. SANTOS J á dizia o seu avô que “o mundo do vinho é um mundo de diversidade…”. E é por isso que Manuel Louzada, director-geral e enólogo da Numanthia, do grupo LVMH, não consegue dizer qual o melhor vinho que já provou na vida. Consegue, antes, enumerar uns quantos, como aqueles que sempre estarão presentes na sua memória. “Como Cheval Blanc de 1998, ano em que nasceu o meu filho Manuel, o Champagne Krug 1988, que provei poucos dias depois do nascimento do meu filho Pedro, o Champagne La Grande Damme 1995, que bebi na noite do nascimento da minha filha Maria”. Aos 42 anos, este português fala hoje certamente melhor castelhano que português. Formou-se em Espanha e voltou a Portugal para preparar a sua entrada na Caves Messias, empresa que pertencia à família. Mas ao fim de alguns anos, pareceu-lhe melhor ganhar experiência fora do seio familiar e, em Abril de 1997, começou a trabalhar na Porto Rozès, empresa que pertencia ao grupo LVMH. E foi este o princípio de tudo o resto. A LVMH acabaria por vender a Rozès e, em Novembro de 1999, foi convidado para ir para a Argentina assegurar o cargo de gerente de Enologia de Vinhos Espumantes da primeira e mais importante filial da Moët & Chandon fora de França. Dois anos mais tarde, já era director de Enologia e Vinhedos da Chandon Argentina. Em 2006 estava como director de Enologia da Chandon Argentina, Terrazas de los Andes e da Cheval des Andes. Em 2008 dá-se a aquisição da Numanthia e é nesse ano que Manuel Louzada começa a vir a Espanha para instalar-se, definitivamente, em 2009, como director geral da Adega e enólogo. Como é ser enólogo do maior grupo de luxo do mundo? É uma pergunta com duas respostas. “Ser enólogo é procurar a excelência através da criatividade, durante toda a nossa vida. Mais do que profissão é paixão”, diz. E depois “é extremamente exigente e desafiante. Penso na Numanthia como se fosse a minha própria empresa e tomo todas as decisões como se assim fosse. Quando apresento as diferentes acções e planos de negócio futuros, estes já foram analisados em detalhe, estão bem argumentados e podem ser defendidos mais facilmente, permitindo ter o apoio do grupo”, conta. É na Adega Numanthia que elabora três vinhos: Termes, Numanthia e Termanthia. Destes, apenas os dois últimos se vendem em Portugal, que são precisamente aqueles que estão entre as referências de Toro e Espanha. “O Numanthia é um excelente exemplo de vinho de Toro que, como um touro, tem umas linhas externas cheias de pureza mas MR. ‘WHY NOT?’ Ele (ainda) vai fazer 35 anos. É português e fundou a Bloom Consulting, que já é uma referência mundial. Vê-se como empreendedor. E o que o motiva todos os dias é trabalhar naquilo que gosta e sabe fazer. O dinheiro vem por arrasto. J FOTOGRAFIA DE GONÇALO F. SANTOS osé Filipe Torres vive e trabalha em Madrid e viaja muito. Mas agora que a Primavera chegou, não se importava de estar sempre em Portugal. Diz que há um ambiente especial que torna os portugueses contentes e essa altura é aquela que começa agora, quando as temperaturas começam a subir e se prolongam até Setembro. “Do que é que eu sinto mais falta de Portugal?”. Se isto fosse um concurso, grande parte das pessoas diria: “ele sente falta do mar”. Mas essa seria a resposta óbvia. Apesar de ter sempre vivido perto do mar em Portugal, “do que sinto mais falta é de Portugal no Verão… nesta época do ano, andamos mui- to contentes. É fantástico e se eu pudesse estava sempre aí. É quando as pessoas estão com energia positiva. E é nesse momento que digo que Lisboa é a melhor cidade do mundo para viver”. Acreditamos porque a entrevista foi respondida em áudio e dá para perceber, pela voz de entusiasmo, que é mesmo assim. O CEO da Bloom Consulting foi para Madrid trabalhar na sequência de um convite da multinacional inglesa Future Brand. Foram dois anos nesta empresa, onde implementou no sector uma coisa chamada ‘country branding’. “Percebi que era algo de que gostava muito e que era isto que queria fazer”, lembra. A isto seguiu-se a sua saída, com mais dois sócios, para criar a Bloom Consulting. Quando falamos de José Filipe Torres não falamos de um gestor ou de um empresário. Falamos, como ele gosta de dizer, com um empreendedor. Aos 34 anos, José segue a sua intuição, o seu sonho, que equilibra com a gestão dos “O QUE ME MOTIVA É LANÇAR NOVOS DESAFIOS, ACREDITAR QUE SE CONSEGUE, MESMO SE TIVERMOS A MATEMÁTICA CONTR A NÓS”. números, essencial a qualquer negócio, embora a preocupação com a questão financeira tenha aparecido mais com a crise. “As pessoas deviam ir atrás daquilo que acreditam, daquilo que são boas a fazer. E isso vai-lhes trazer dinheiro como consequência. Essa é a minha defi nição de sucesso. E com esta identifico-me bastante”, diz. Este conceito é transversal e está interiorizado em toda a cultura da empresa. A Bloom Consulting está hoje presente em cinco países, com escritórios em Madrid, Lisboa, São Paulo, Sofia e Milão e está em “constante negociação para abrir noutros países”. Está referenciada como uma empresa do top 3 a nível de ‘country branding’ no mundo inteiro. Mas o que é isto de ‘country branding’? José Filipe Torres explica que é a imagem do país vista como um activo super importante. Hoje, “os países, cada vez mais, precisam e entendem a necessidade da imagem”. Muitas vezes, o que acontece é que a percepção que se tem de um país nem sempre é a mais colada à realidade. E é aqui que o ‘country branding’ pode dar uma mãozinha, a ajudar a criar credibilidade. “O que procuramos fazer é alinhar a percepção com a realidade. Agora, nunca, em nenhum momento, exageramos ou fazemos algo que não seja a verdade”, acrescenta o empreendedor. Trabalha uma média de 12 horas por dia e qualquer coisa que seja abaixo de 10 horas é, para ele, anormal. Mas o trabalho é feito de altos e baixos. “Há momentos em que tenho estado a trabalhar 18 horas por dia durante vários dias seguidos”, confessa. Viaja também muito porque também precisa de “estar uma temporada nesses países para entender as culturas. A Bloom nunca é estática nem rotineira”. O trabalho mais recente que desenvolveu foi o ‘country branding’ para a Polónia. “E foi magnífico”, diz José, ao mesmo tempo que afirma que há uma afinidade muito grande entre portugueses e polacos. “Nunca pensei que pudéssemos ser tão parecidos”. Mais até do que com os espanhóis, de quem temos a mania que somos irmãos e muito parecidos. Então a trabalhar é indiscutível. Os espanhóis são mais ‘straight to the point’, menos diplomáticos. Os portugueses não sabem dizer ‘não’. E os espanhóis sabem”. Em Portugal já trabalharam com “quase todas as marcas portuguesas”, como são disso exemplo a Renova ou a Delta Cafés e José revela ainda: “estamos a trabalhar ainda em projectos que são confidenciais, mas muito relacionados com a mobilidade e veículos eléctricos”. Actualmente, a facturação em cada país ronda cerca de um milhão de euros. À pergunta se já trabalharam o ‘country branding’ de Portugal, a resposta é dada com um silêncio seguido de: “é a história da minha vida. Já ouve várias conversas mas nunca se chegou a avançar com nada”. Certo, certo parece ser a recomendação que faz em jeito de despedida: “follow your dreams and everything will be all right”. Abril 2012 Fora de Série 23 SALTOS ALTOS PAR A AS MADRILENAS Altos ou baixos, em tons de pele ou em cores garridas. O Verão está a chegar e há mais uma nova colecção da Zilian para conhecer. Madalena Beirão conta-nos como a marca portuguesa conquistou os pés das madrilenas. M artina Klein, a conhecida modelo e actriz espanhola, foi escolhida para ser a embaixadora da Zilian, marca de sapatos portuguesa só para mulheres. Depois de abrir a primeira loja em Madrid, em Agosto de 2011, pode dizer-se que, por esta altura, as madrilenas já conhecem bem a marca. A Zilian 24 Fora de Série Abril 2012 também não fez a coisa por menos: um espaço com 500 metros quadrados numa zona de excelência: ‘calle’ Goya, 22, bairro de Salamanca. E um investimento de dois milhões de euros. É loja para responder ao consumo da cidade. Madalena Beirão, 31 anos, é o rosto deste negócio bem português que nasceu em 2008. “Abrimos há pouco tempo em Madrid, mas temos tido um ‘feedback’ muito positivo. As madrilenas ficaram muito agradadas com o conceito. Acreditamos que se identificam com a marca e com a oferta”, explica a gestora. A chegada a Madrid deu nas vistas, literalmente. Faz parte da “nossa forma de comunicar”, diz Madalena Beirão. A campanha de lançamento da Zilian consistiu num documentário com as histórias de oito mulheres, seleccionadas com base num ‘casting on-line’ diri- “O QUE ME ATR AI É VER NASCER UM MODELO BASEADO NAS TENDÊNCIAS, VER A EVOLUÇÃO DAS FORMAS E TER O ‘FEEDBACK’ DAS CLIENTES”. gido a todas as madrilenas. “Filmámos em plena Gran Via, numa acção de rua que incluía uma caixa gigante de sapatos e apresentámos a campanha na festa de lançamento da marca, com a presença de Martina Klein, que aceitou o desafio de dirigir este filme. A Zilian quer consolidar e crescer a nível ibérico. A próxima loja própria a abrir será em 2013, mas a localização está, para já, no segredo dos deuses. Contudo, admite: “o passo seguinte passará pelo desenvolvimento de um novo ‘layout’ de loja que permitirá o arranque do ‘franchising’ da Zilian”. Da mesma forma que fizeram com a entrada na distribuição que foi “também uma decisão estratégica”, que resultou das necessidades operacionais deste canal. A Zilian continua fiel ao conceito muito próprio que criou. Quem não conhece a loja, vale a pena visitar, nem que seja pela experiência diferenciada. Não será preciso ir a Madrid. Pode dar um salto à loja de Lisboa, junto ao El Corte Inglès. Um espaço amplo, um grande corredor, em que, de um lado, há sapatos em destaque, ao jeito de “eleitos”, e, do outro, estruturas onde os variados modelos surgem agrupados numa paleta de cores. E para não se perder na loja, há dispositivos que assinalam a numeração. Do tamanho 35 ao 41, para ir logo directa à sua secção. Outra das particularidades é que cada modelo “desdobra-se em diferentes cores e materiais”, numa quantidade limitada, para garantir a exclusividade. Por cor, existem apenas entre 12 a 14 pares. As espanholas calçam o mesmo que nós? A verdade é que calçam. Não há diferenças significativas no consumo. “Os modelos de eleição têm sido os mesmos”. O que muda talvez seja a forma como portuguesas e espanholas combinam os modelos. Mas isso já é uma discussão de estilo. O que a directora da marca considera que faz sentido é reforçar, na loja de Madrid, saltos altos e modelos de festa. A Zilian foi um projecto que nasceu pelas mãos do Grupo Mar, com experiência de 30 anos no sector do retalho e que representa algumas das lojas Benetton/Sisley em Portugal. A produção dos sapatos Zilian está espalhada pelo mundo, como Brasil, Itália e outros países da Europa, mas a taxa de produção em Portugal tem vindo a aumentar de colecção para colecção. Madalena Beirão não gosta muito de falar sobre si própria. E projecta tudo na Zilian. “O que me atrai neste mundo da moda e, especialmente, nos sapatos, é ver nascer um modelo baseado em tendências estudadas, ver a evolução das formas, a selecção de materiais, a escolha de modelos e ver a sua ‘performance’ em loja e o ‘feedback’ das clientes”, revela. Vai uma vez por semana a Madrid. E quando lá vai gosta de almoçar no Lateral, perto da loja. Gosta também de “dar uma volta na Cláudio Coello. “Ver as novidades da COS… há um páteo numa transversal da Velázquez onde tem lojinhas de ‘designers’, a Sister Jane e uma loja de decoração que são imperdíveis”. FOTOGRAFIA DE PAULO FIGUEIREDO destaque www.canali.it NO MEU DIA A DIA DEVO FAZER ESCOLHAS DIFÍCEIS. QUE FATO VESTIR NÃO É UMA DESTAS. Escolhi o meu Canali porque conheço a diferença: conheço a sensação de vestir um fato feito com os melhores tecidos, cosido pelas mãos de especialistas e estudado nos detalhes com paixão e precisão de alta-costura. Criar peças de alta qualidade é uma escolha difícil mas decidir vesti-las é extraordinariamente simples. LAR ANJINHA E A PRIMEIR A ‘FLAGSHIP’ Luís Figueiredo abriu, em 2011, a primeira loja em Madrid. E agora vai abrir um ‘corner’ no El Corte Inglès. Espanha é já o mercado mais importante para esta marca, que vende roupa para bebés e crianças. Sempre em tons clarinhos. L uís Figueiredo já não tem filhos pequenos, mas acaba de ter o primeiro neto. E se este é por si um momento especial, neste caso é ainda a dobrar ou não fosse Luís Figueiredo o gestor à frente de um negócio familiar chamado Laranjinha. Uma marca nacional de vestuário infantil com uma longevidade de fazer inveja. Começou em 1981 e tem atravessado gerações. É uma marca “com a qual as pessoas se identificam, porque a vestiram quando eram mais novas e agora vestem aos filhos” explica o gestor. O neto “obviamente veste Laranjinha”, diz. A empresa tem estado em permanente evolução, com desenvolvimento de produto como é o caso do tecido antibacteriológico que criou. E apesar de a Laranjinha ser bem portuguesa, com se26 Fora de Série Abril 2012 de no Porto, o gestor encara os mercados estrangeiros com a mesma naturalidade com que encara o português. E isto para chegarmos a Madrid, onde, em Agosto de 2011, abriu a primeira loja – ‘calle’ de Castelló 38, com Hermosilla – num investimento de cerca de 250 mil euros. Para Abril, já está agendada a abertura de um ‘corner’ no El Corte Inglès, que representará cerca de 100 mil euros. “A estratégia de distribuição internacional da Laranjinha é e continuará a ser através da sua rede de revendedores. Em Espanha, iremos manter este modelo, a par da loja própria e da presença na rede El Corte Inglès”, diz Luís Figueiredo. Em poucos meses, a marca em Madrid é uma referência e há quem diga que tem conquistado as ‘socialites’ madrilenas. Luís Figueiredo prefere dizer que “é uma marca com grande expressão no segmento alto e médio-alto. “Sentimos uma grande apetência dos consumidores, sendo um dos mercados de maior sucesso”. Para quem o nome Laranjinha lhe é familiar, as apresentações são desnecessárias. As lojas são quase miniaturas de casas de bonecas, com armários e gavetas de madeira pintadas de branco. É uma loja para crianças. Mesmo que não liguem a roupa, vão querer tocar, por OS FILHOS DE LUÍS FIGUEIREDO JÁ NÃO VESTEM LAR ANJINHA. MAS A BOA NOVA É QUE CHEGOU O PRIMEIRO NETO QUE NÃO VAI ESCAPAR À MARCA. exemplo, na pequena árvore à porta da loja. Em Madrid há mesmo um espaço para os miúdos ficarem a brincar. Depois, as peças de roupa pequeninas estão arrumadas em cabides, umas a seguir às outras sem grandes contrastes de tons, porque são todos suaves e doces a pensar nos bebés, em variações de brancos, rosas, azuis, amarelos. O ‘design’ é “elegante e intemporal”. Espanha é o mercado estrangeiro mais importante, tendo representado 20% da facturação, que se situou nos 6,1 milhões de euros em 2011. A exportação representa 60% do volume total do negócio. A par de Espanha, onde a marca já está há mais de 10 anos com 200 revendedores, a Laranjinha dá que falar mundo fora. Com o seu logótipo com a forma de uma pequena laranja, está em Itália, Reino Unido, França, Alemanha, EUA, Bélgica e, recentemente, estreou-se em novos mercados como Rússia ou México. De Madrid, Luís Figueiredo gosta do lado “cosmopolita com muito movimento”. E de ser um ‘spot’ cultural com “uma gastronomia fantástica”. Nunca passou pela pele de vendedor, mas dá a cara pelos 50 trabalhadores e assegura que a produção é 100% nacional e de grande qualidade. Geração atrás de geração, porque há coisas que nunca mudam. FOTOGRAFIA DE BRUNO BARBOSA destaque evasão , d i r d a Made com ic d e vidas es t Diz-se que os madrilenos de gema são gatos. E a verdade é que seriam precisas sete vidas – ou mais – para poder aproveitar tudo o que Madrid tem para oferecer. Lojas, restaurantes, bares, parques e inúmeras ofertas culturais, numa cidade onde há sempre algo novo a acontecer. Lugares castiços e modernos, bairros glamourosos e tradicionais, zonas de diversão e de descanso: apresentamos-lhe um guia de locais imprescindíveis para conhecer... e aptos para quem tem uma vida só. TE X TO DE JOANA REI, EM MADRID ILUSTR AÇÃO DE ESGAR ACELER ADO I N F O G R A F Í A D E S U S A N A L O P E S E M A R TA C A R VA L H O 28 Fora de Série Abril 2012 ESTADIO SANTIAGO BERNABÉU TOURIST BUS Ó S C A R METROPOLIS Abril 2012 Fora de Série 29 evasão (La milla de oro) Salamanca A sofisticação madrilena tem morada certa: bairro de Salamanca. Conhecida como ‘la milla de oro’, é uma autêntica ‘passerelle’ de tendências e a zona de residência eleita pelas classes altas. As ruas amplas e as lojas de luxo fazem deste o lugar ideal para passeios e compras. sinónimo de bom gosto. Na sua loja em Madrid podem encontrar-se todos os artigos da marca, da roupa aos acessórios. Serrano, nº 16. Tel.: (+34) 917824380. 1 EMBASSY O Embassy é um dos recantos mais britânicos da cidade. Ideal para tomar o pequeno-almoço, o ‘brunch’ ou o lanche. Foi aberto como salão de chá em 1931, por uma irlandesa, como um local onde as damas podiam ir sozinhas. O passar do tempo só lhe aumentou a classe e agora inclui uma loja de produtos ‘delicatessen’ e ‘gourmet’. Paseo de la Castellana, nº 12. Tel.: (+34) 914359480. Site: embassy.es 7 HANNIBAL L AGUNA É impossível não reparar na boutique do ‘designer’, com 500 m2 de espaço, e inúmeras vitrinas que mostram a sua colecção de ‘prêt-à-porter’, alta costura, jóias e acessórios. Os vestidos de noite são a imagem de marca e, se vai casar em breve, não se esqueça de ver os vestidos de noiva. Absolutamente maravilhosos. Em cima, o alfaiate Lander Urquijo. Em baixo, as iguarias do britânico Embassy. Ao lado, o ambiente do restaurante asturiano El Paraguas. Ao lado, abaixo, um detalhe da decoração do hotel Dormirdcine. Jorge Juan, nº 35. Tel.: (+34) 915771029. 8 AMAYA AR ZUAG A Uma das criadoras espanholas com mais sucesso internacional não podia faltar no bairro de Salamanca. A boutique é um clássico na rota das lojas mais selectas de Madrid. Dois andares decorados com um jogo de luzes impressionante e onde se distribuem as suas colecções, com cores vivas e cortes irreverentes. Lagasca, nº 50. Tel.: (+34) 914262815. 2 CHRISTIAN LOUBOUTIN Um bom ‘look’ começa nos sapatos e os Louboutin são uma aposta segura. As criações do estilista da sola encarnada desfilam pelas ‘passerelles’ de todo o mundo e são a perdição de qualquer mulher. A boutique de Christian Louboutin em Madrid, com um aspecto de ‘atelier’ artesanal, oferece a combinação perfeita entre cómodas sabrinas, ‘stilettos’ e ‘peep-toes’. 9 L ANDER URQUIJO Não nos esquecemos da moda masculina. Lander Urquijo é um alfaiate com um conceito especial, que une tradição e vanguarda. Na sua loja, decorada no mais puro estilo ‘vintage’, a escolha de tecidos é infinita, a confecção da roupa faz-se com uma prova única e assenta como uma luva. Serrano, nº120. Tel.: (+34) 915633068 Cláudio Coello, nº 13. Tel.: (+34) 914313199. 3 JIMMY CHOO Decorada ao melhor estilo dos anos 40, a boutique do ‘shoe designer’ malaio é uma das maiores referências no que respeita a estilo, ‘glamour’ e tendência. Dois andares dedicados ao que de mais elegante existe no mundo da moda em sapatos. Imperdível. Ortega y Gasset, nº 15. Tel.: (+34) 917818608. 10 CHANEL É uma das mais veteranas na ‘milla de oro’ e dispensa qualquer tipo de apresentação. Desde as colecções de jóias e acessórios, ao ‘prêt-à-porter’, passando pelos sapatos e perfumes, é uma verdadeira tentação. Ortega y Gasset, nº 14. Tel.: (+34) 914313036. MALONO BL AHNIK E se falamos de sapatos, o estilista espanhol Manolo Blahnik, amante dos saltos mais que vertiginosos, é outro dos incontornáveis. Aberta desde 2005, a boutique dos famosos ‘Manolos’ é um hino ao luxo, feminilidade e sensualidade. 4 Serrano, nº 58. Tel.: (+34) 915759648. 5 ESCADA É uma das marcas de luxo mais reconhecidas internacionalmente, desde que foi criada nos anos 70. Na boutique madrilena destacam-se os ‘looks’ para festa e os vestidos de noite. Cada peça tem um nível de sofisticação especial que as transforma no modelo perfeito para qualquer ocasião importante. Ortega y Gasset, nº 10. Tel.: (+34) 915774188. 6 CAROLINA HERRER A Presença obrigatória na ‘milla de oro’, a criadora venezuelana continua a ser 30 Fora de Série Abril 2012 11 JO MALONE Trata-se de uma loja especial, que entende o mundo dos aromas como um todo e por isso é fácil encontrar ali perfumes, azeites e cremes corporais, velas e essências para a casa. Além disso, na Jo Malone é possível criar um perfume exclusivo, único para cada pessoa, de acordo com o gosto pessoal e o estado de espírito. Serrano, nº 47. Tel.: (+34) 914325490. SUAREZ Depois do perfume, as jóias. A joalharia Suarez é um paraíso para os complementos mais exclusivos e elegantes, muitos deles feitos em colaboração com estilistas como David Delfín. A disposição da loja permite que o cliente veja todas as peças em cada vitrina e conta com uma equipa de profissionais para assessorar cada compra. 12 Serrano, nº 63. Tel.: (+34) 917819940. 13 TIFFANY & CO. Quem não se lembra de Audrey Hepburn, em “Breakfast at Tiffany’s”? A mítica joalharia também está na ‘milla de oro’. Atravessar as suas portas é entrar num mundo de rara elegância. E, claro, cada compra vai embalada na célebre caixa azul, imagem de marca da Tiffany. Ortega y Gasset, nº 10. Tel.: (+34) 917818555. 14 RESTAUR ANTE EL L AREDO Depois de uma manhã de compras, pare para recuperar forças no Laredo, uma aposta segura. Tradição, elegância e qualidade são os três pilares deste clássico madrileno, um dos mais autênticos da cidade. Aproveite para provar a gastronomia típica de Madrid. Menorca, nº 14. Tel.: (+34) 925733061. Site: tabernalaredo.com 15 RESTAUR ANTE TE ATRIZ Localizado nas antigas instalações do Teatro Beatriz, jantar aqui é como jantar num teatro clássico com uma oferta culinária de alta qualidade, combinada com uma selecção de tapas que se pode degustar no bar. Hermosilla, nº15. Tel.: (+34) 915775379. Site: teatriz.com 21 A PORTA DE ALCAL Á Mesmo ao lado está um dos símbolos de Madrid. A porta de Alcalá, uma das cinco antigas portas que davam acesso à cidade, ergue-se, imponente, no meio da rua mais longa da capital espanhola. Faça uma foto para o baú das recordações. ‘Calle’ de Alcalá. 22 HOTEL ÚNICO O seu descanso estará assegurado neste antigo palácio do século XIX transformado em hotel. Foi remodelado há cerca de um ano e conta com 44 quartos de luxo, de tectos altos e grandes janelas. O estilo neobarroco e o mobiliário Luís XVI em versão moderna garante-lhe um encanto particular. Além do alojamento, oferece um conjunto de experiências únicas na cidade, desde uma carta de vinhos fantástica a uma sessão de compras com um ‘personal shopper’. Claudio Coello, nº67. Tel.: (+34) 917810173. Site: unicohotelmadrid.com O neobarroco cruza-se com o estilo moderno neste palácio do século XIX que serve de casa ao Hotel Único. Além da garrafeira, de qualidade inquestionável, sobressaem os móveis, de estilo Luis XVI, mas com um ‘twist’ moderno. 16 RESTAUR ANTE EL PAR ÁGUAS Para experimentar outro tipo de cozinha espanhola, este asturiano é a escolha acertada. Um sítio bonito, com uma cozinha de qualidade, que recolhe o receituário asturiano mais clássico e algumas ofertas mais modernas, com uma carta de vinhos excelente. Jorge Juan, nº 16. Tel.: (+34) 91431 5840. Site: elparaguas.com 17 RESTAUR ANTE O’LIF Assente sobre uma moderna estrutura de ferro, este restaurante foi decorado pelo ‘designer’ francês Philippe Starck. Está dividido em quatro ambientes: uma zona de balcão, outra mais informal com mesas altas, o restaurante, e uma área de ‘lounge’, perfeita para um ‘after work’. Jorge Juan, nº 29. Tel.: (+34) 9914315953. Site: restauranteolive.com 18 RESTAUR ANTE ST. JAMES Um dos restaurantes mais recentes nesta zona, tem como especialidade os pratos feitos à base de arroz. Para os que não são apreciadores deste ingrediente, o St. James oferece também uma selecção de pratos de carne e peixe em alternativa. Aqui, as sobremesas também merecem destaque. Juan Bravo, nº 26. Tel.: (+34) 915642719. Site: restaurantestjames.com 23 PARQUE DEL RETIRO Um dos muitos espaços verdes de que a cidade dispõe é um local perfeito para fugir do ‘stress’ diário. É bastante concorrido mas a sua extensa área permite sempre encontrar um sítio mais sossegado. Os seus grandes relvados fazem a delícia dos madrilenos quando começa o bom tempo. Vale a pena entrar e deixar-se levar pela natureza, sem prestar atenção ao relógio. La Rosaleda (uma zona dedicada ao cultivo das rosas), o Palácio de Cristal e o monumento a Alfonso XII merecem uma atenção demorada e tranquila. ‘Calle’ de Alcalá. 19 RESTAUR ANTE R AMON FREIX A Um dos melhores restaurantes de Madrid, dono de duas estrelas Michelin. A decoração, maioritariamente barroca, prima por um jogo de contrastes, como o espelho no tecto ou o grande mural com imagens madrilenas. O menu de degustação é uma experiência à altura dos paladares mais exigentes. Claudio Coello, nº67. Tel.: (+34) 917818262. Site: ramonfreixamadrid.com 20 BOMBONERÍA SANTA Para levar uma recordação, nada melhor que uma caixa com as iguarias de Santa, uma loja especializada em bombons. Alguns têm um tamanho ‘oversized’ já que, segundo dizem, não é preciso ter cuidado com a linha quando os bombons são de qualidade, porque o cacau está isento de gordura. O espaço é acolhedor, decorado com bonecas antigas e as embalagens são um mimo. 24 DORMIRDCINE Não é um hotel mega luxuoso mas é, seguramente, um dos mais originais e uma perdição para os cinéfilos. Cada recanto faz-nos mergulhar num imaginário cinematográfico, com referências aos grandes filmes e a grandes produtoras. Fotogramas de filmes, retratos de grandes mitos, cada detalhe está pensado para homenagear a Sétima Arte com um ‘design’ singular. Serrano, nº 56. Tel.: (+34) 915768646. Site: chocolates-santa.com Príncipe de Vergara, nº 87. Tel.: (+34) 914110809. Site: dormirdcine.com Abril 2012 Fora de Série 31 evasão Gran Via Não é só uma rua, mas um quilómetro onde tudo acontece. Dos teatros às lojas, passando pelos bares e restaurantes, cada recanto tem um pedacinho de história própria. 1 LOEWE Alojada no primeiro edifício construído na Gran Via, a loja da Loewe é obrigatória. Além dos modelos de malas míticos, “Arizona” ou “Napa Aire”, a loja organiza exposições sobre a história dos seus artigos ou para dar a conhecer novos ‘designers’. Gran Via, nº 8. Tel.: (+34) 915226815. Madrid não seria Madrid sem o Prado (em cima). O museu mais emblemático da cidade faz jus à sua fama: as obras de grandes mestres da pintura como Velázquez ou Goya estão lá. O Reina Sofia, ao lado, completa a oferta cultural com a arte contemporânea. Paseo del Arte Seja ou não um amante das artes, esta é uma das paragens obrigatórias de Madrid. Os museus, e as impressionantes colecções que albergam, fazem deste passeio um dos mais culturais da cidade e um dos lugares do mundo com maior concentração de beleza e riqueza cultural por metro quadrado. 1 MUSEU DEL PR ADO É obrigatório e imprescindível em qualquer visita à capital espanhola. Aberto todos os dias, tem uma das melhores colecções de pintura de grandes mestres europeus do século XVI ao XIX, com mais de 8000 obras de arte de artistas como Velázquez, El Greco, Goya, Tziano ou Rubens. Localizado num lugar privilegiado, rodeado por árvores e monumentos, é um local com um magnetismo único. mais importantes do mundo, que contém mais de 1000 obras que traçam a história da pintura europeia desde a Idade Média até ao século XX. No último andar conta ainda com uma espécie de terraço-miradouro, com uma das vistas mais bonitas de Madrid. No Verão, esta zona transforma-se num restaurante para as famosas Noites do Museu, que passa a fechar à meia-noite. Paseo del Prado, nº 8. Tel.: (+34) 902760511. Site: museothyssen.org Ruiz de Alarcón, nº 23. Tel.: (+34) 913302800. Site: museodelprado.es está o ‘pack’ “Cuídese a todo Lujo”, que junta alojamento, pequeno-almoço, garrafa de Cava e massagem, por 330 euros. Plaza de la Lealtad, nº 5. Tel.: (+34) 917016767. Site: ritzmadrid.com 7 LOS JERÓNIMOS Nas costas do Museo do Prado estão os Jerónimos, um dos conventos mais importantes de Madrid. Os Príncipes das Astúrias, Felipe e Letícia, deveriam ter casado aqui, mas romperam com a tradição e escolheram a Catedral da Almudena. Moreto, nº4. 2 MUSEU REINA SOFIA O Museo Reina Sofia, de arte contemporânea, inclui os grandes artistas espanhóis do século XX, especialmente Pablo Picasso (a não perder a oportunidade de ver “Guernica” em todo o seu esplendor), Salvador Dali e Joan Miró. A coleção de arte surrealista, cubista e expressionista é igualmente relevante. O museu dispõe de uma biblioteca de acesso público e oferece ainda inúmeras exposições, conferências, performances, projeções e concertos. Santa Isabel, nº 52. Tel.: (+34) 917741000. Site: museoreinasofia.es 3 HOTEL WESTIN PAL ACE Outro hino ao luxo e à sofisticação. Por ali passaram Mata Hari, Carlos Gardel, Hemingway ou Dali. Em Madrid desde 1912, não perdeu nem um pouco do ‘glamour’ e da excelência com os anos. Sob a sua impressionante cúpula de Cristal está o La Rotonda, o seu restaurante. Plaza de las Cortes, nº 7. Tel.: (+34) 913608000. Site: westinpalacemadrid.com 4 MUSEU THYSSEN BORNEMISZ A É o terceiro vértice do triângulo de arte de Madrid. É o complemento perfeito ao Museo do Prado, no que respeita a pintura clássica, e ao Reina Sofia, quanto à pintura moderna. É constituído por uma das colecções privadas 32 Fora de Série Abril 2012 8 CIBELES De perto perde a imponência que parece ser-lhe característica quando transmitida pela televisão. Mas é um dos símbolos da cidade e, por isso, a estátua da deusa Grega merece uma visita. À noite, a iluminação confere-lhe um encanto especial. Plaza de Cibeles. 5 CAIX A FÓRUM É um dos inúmeros centros culturais da cidade, dedicado especialmente a todo o tipo de exposições e com uma ampla programação de actividades para toda a família. As suas instalações acolhem as mais variadas formas de expressão artística: arte moderna e clássica, festivais de música e poesia, arte multimédia, debates e ateliers. De destacar o estilo arquitectónico singular, com uns jardins suspensos, criação de Patrick Blanc. Paseo del Prado, nº 36. Tel.: (+34) 913307300. Site: lacaixa.es/obrasocial 6 HOTEL RITZ Para dormir, esta zona contempla alguns dos mais exclusivos hotéis de toda a cidade. Um deles é o Ritz, um dos mais luxuosos e antigos de Madrid. Presente na capital desde 1910, alojou nas suas suites a elite monárquica, empresarial e artística de todo o mundo. Entre as ofertas mais especiais 9 PAL ÁCIO DAS TELECOMUNICAÇÕES Restaurado há pouco tempo, o palácio que dá guarida ao ‘Ayuntamiento’ de Madrid é um monumento de rara beleza arquitectónica. Se tiver tempo, suba ao terraço e desfrutará de uma das melhores vistas sobre a capital espanhola. Perto do anoitecer o espectáculo é único. Plaza de Cibeles. 2 BERLIN JA Z Z CAFÉ Se é amante do jazz, reserve uma noite para o Berlin Café. Com uma variada programação musical, é o sítio ideal para assistir a um concerto ou uma ‘jam session’. Jacometrezo, nº 4. Tel.: (+34) 915215752. Site: cafeberlin.es 3 CIRCULO DE BELL AS ARTES Exposições, cinema, concertos e vida social. O Círculo de Bellas Artes é um espaço multicultural com várias salas e tem um café com vista privilegiada sobre a cidade. Alcalá, nº 42. Tel.: (+34) 913605400. Site: circulobellasartes.com 4 GR ASSY Uma das mais antigas relojoarias de Madrid, fundada em 1952, já faz parte do imaginário colectivo da cidade. Mais do que uma loja, é um verdadeiro museu de peças de joalharia exclusivas. Gran Via, nº 1. Tel.: (+34) 915321007. Site: grassy.es 5 BAR DEL DIEGO Com decoração nova iorquina, o Del Diego é o sítio ideal para tomar um ‘cocktail’. É um dos locais com mais prestígio na capital. Reina, nº 12. Tel.: (+34) 915233106. 6 MUSEO CHICOTE Já longe da aura de magnetismo que tinha quando abriu, em 1931, continua a exercer o seu fascínio. As paredes estão cheias de fotografias das celebridades dos anos 50 que faziam deste local paragem obrigatória. Vale a pena entrar e pedir um ‘mojito’. Gran Via, nº 12. Tel.: (+34) 915326737. Site: museo-chicote.com 7 TE ATRO LOPE DE VEG A Inaugurado em 1946, tem sido palco dos maiores musicais que Madrid acolhe. Com lugar para 1496 pessoas, é um dos mais carismáticos teatros da Gran Via madrilena. Gran Via, nº 57. Tel.: (+34) 915472011. evasão Hotel Óscar é o sítio certo. O espaço está decorado de branco, com sofás a toda a volta e tem uma carta variada de ‘cocktails’. Plaza Vazquez de Mella, nº 12. Tel.: (+34) 917011173. Site: room-matehotels.com 10 NAC Uma loja multi-marca, com uma cuidada selecção de artigos das melhores marcas espanholas e estrangeiras, como Antik Batik, Paul&Joe, Josep Font, Tara Jarmon, See by Chloé, Sonya Rykiel ou Kenzo. Génova, nº 18. Tel.: (+34) 913106050. Site: nac.es 11 THE BENNY ROOM Uma loja com artigos exclusivos das melhores colecções - escolhidos a dedo pela proprietária - frequentado por estilistas, celebridades e ‘designers’. Chueca e Justicia Conhecido como o ‘soho’ madrileno, Chueca é um bairro cheio de vida. É um bairro essencialmente jovem e sem preconceitos, onde o ‘vintage’ se mistura com a vanguarda com um fascínio especial. um dos lugares pitorescos da cidade. Um mercado que combina a venda de produtos de qualidade, serviços de ‘take away’ e um restaurante com esplanada. Augusto Figueroa, nº 24. Tel.: (+34) 915210966. Site: mercadodesananton.com HOTEL ABALU Se quer alojar-se em pleno centro da Chueca, escolha o Hotel Abalu. É uma combinação entre hotel e boutique de ‘design’, onde cada quarto é único, com detalhes surpreendentes, como camas suspensas do tecto, ‘jacuzzi’ e ‘in-room spa’. 7 RESTAUR ANTE NIKKEI225 Uma alternativa para jantar é o Nikkei. Elegante, chique e urbano, mistura as cozinhas japonesa e peruana. Um jogo de sabores e texturas para os que gostam de ampliar os seus horizontes gastronómicos. 1 Paseo de la Castellana, nº 15. Tel.: (+34) 913190390. Site: nikkei225.es 2 CAFÉ OLIVER É demasiado cedo para almoçar, mas já se petiscava? A solução é um ‘brunch’, que já tem muitos seguidores em Madrid. Se apanhar um fim-de-semana comece o domingo no Café Oliver que, a partir das 11h30, oferece as melhores iguarias. Almirante, nº 12. Tel.: (+34) 915217379. Site: cafeoliver.com Pez, nº19. Tel.: (+34) 915314744. Site: hotelabalu.com 8 TONI2 E se ainda lhe resta energia para o final da noite, o Toni 2 é uma opção diferente. Um Piano Bar com um pianista de repertório inesgotável e a boa disposição é acompanhada com um ambiente irrepetível. Almirante, nº 9. Tel.: (+34) 915320011. Site: toni2.es 9 TERR A Z A DEL ÓSCAR Se o que lhe apetece é um ambiente mais cosmopolita, a esplanada no terraço do Conde de Xiquena, nº 17. Tel.: (+34)917022529. Blog: bennyroommadrid.blogspot.com 12 YUBE Um local de culto dos amantes da moda, da mesma proprietária que a anterior, a ‘trendsetter’ Beatriz Nicolás. Dispõe dos modelos mais exclusivos de cada temporada. Fernando VI, nº 23. Tel.: (+34) 913197673. Site: yubemadrid.com 13 MAMA FR AMBOISE O Mama Framboise é um salão de chá e pastelaria onde se pode desfrutar de uma variada gama de bolos a acompanhar com um chocolate quente, chá ou vinho. Um pedacinho de Paris em Madrid. Fernando VI, nº 23. Tel.: (+34) 913914364. Site: mamaframboise.com 14 RESTAUR ANTE JOKEY Para jantar, a nossa escolha vai para o Jockey. Fundado em 1945, é um dos preferidos da classe executiva de Madrid e mais de 67 anos depois continua a ser um mito da boa gastronomia. A carta de vinhos tem mais de 600 referências de todo o mundo. Amador de los Rios, nº 6. Tel.: (+34) 913192435. Site: restaurantejockey.com 15 BAR LE CABRER A Depois do jantar, Le Cabrera é o sítio ideal para um ‘cocktail’. Dispõe de 80 etiquetas de ‘gin’ e ‘whisky’, 70 de rum e 70 de ‘vodka’ e combinados sem álcool para os que têm de conduzir. Um ambiente moderno e divertido. Bárbara de Braganza, nº 2. Tel.: (+34) 913199457. Site: lecabrera.com 3 MARC BY MARC JACOBS São 180 metros quadrados ao estilo das suas congéneres americanas. A loja da segunda linha do criador com as colecções de homem, senhora e criança, bem como a sua linha de acessórios e sapatos é uma das mais procuradas na capital espanhola. Fuencarral, nº 18. Tel.: (+34) 915237385. 5 RESTAUR ANTE TEPIC Se quiser fugir da cozinha espanhola e provar novos sabores, o mexicano Tepic é a escolha ideal. O ‘design’ moderno, o serviço impecável e a qualidade da carta são os três pilares deste ‘urban mex’. Pelayo, nº4. Tel.: (+34) 915220850. Site: tepic.es 6 MERCADO DE SAN ANTÓN Inaugurado em 1945, reabriu em 2011 depois de sete anos de obras. Reformado para se adaptar ao espírito do bairro, é 34 Fora de Série Abril 2012 É o lugar predilecto dos madrilenos aos domingos. Pitoresco e genuíno é uma zona de ‘cañas’ e tapas por excelência. Atravessando a ponte da ‘calle’ Segóvia, chegamos ao bairro de Ópera onde o Palácio Real mostra a sua monumentalidade. 1 RESTAUR ANTE CASA LÚCIO Num dos bairros mais castiços de Madrid, entre uma ‘caña’ e uma tapa, pare para almoçar na Casa Lúcio, um dos restaurantes mais tradicionais da cidade. O menu inclui todas as especialidades madrilenas. Marques de la Ensenada, nº 2. Tel.: (+34) 917020888. 4 MAC O paraíso da maquilhagem: dezenas de sombras de olhos, bases, batons, vernizes... Um sem fim de produtos de várias cores e texturas. É paragem obrigatória para qualquer mulher. Mas avisamos, se estiver com pressa é melhor não ir, porque a visita pode prolongar-se até ao infinito. La latina e Ópera Cava Baja, nº 35. Tel.: (+34) 913653252. Site: casalucio.es Em cima, à esquerda, as camas suspensas do Hotel Abalu. Ao lado, a loja Benny Room. Em baixo, o balcão do Le Cabrera. 2 RESTAUR ANTE L A MUSA L ATINA Se prefere algo mais cosmopolita e dinâmico, La Musa é o sítio de eleição. A decoração moderna tem dois espaços diferentes: um mais informal, ideal para petiscar, e outro, no piso inferior, mais intimista. Costanilla de San Andrés, nº 12. Tel.: (+34) 913540255. Site: lamusalatina.com 3 RESTAUR ANTE ENE Para continuar a tarde, passe pelo ENE, um ‘chill-out’ de inspiração asiática, com os seus ‘tatamis’ brancos, ambiente jovem e descontraído. Destacam-se a sua colecção de ‘cocktails’ e de bebidas ‘premium’. Núncio, nº 19. Tel.: (+34) 913662591. Site: enerestaurante.com Puerta del Sol É a zona nevrálgica da cidade, onde todos os madrilenos se dirigem para celebrações e manifestações. A estátua do Urso e o Medronho, símbolo da capital, esconde-se num dos recantos da praça. Ali, há um encanto que não se sabe bem de onde vem mas que existe. E prende. Em cima, o Palácio Real (com a Catedral de Almudena mesmo ao lado), a residência oficial dos Bourbón. Ao lado, o ambiente informal da Casa Lúcio. Ao lado, ainda, o templo de Debod. 4 VA DE BACO Como o próprio nome indica, é um templo para os amantes do bom vinho. Mais de 300 referências em marcas espanholas e internacionais, num espaço vanguardista. Campomanes, nº 6. Tel.: (+34) 915417017. Site: vadebaco.com 8 JARDINES DE SABATINI Ao lado do Palácio Real encontramos os jardins de Sabatini, ideais para passear. Durante o Verão, estes espaços verdes acolhem as actividades culturais dos Veranos de la Villa, que incluem concertos e peças de teatro. Bailen, nº9. EL TE ATRO RE AL É a casa da ópera em Madrid e uma referência incontornável no panorama cultural madrileno. Tem capacidade para 1854 lugares. Desde 1997 que o programa do Teatro Real tem vindo a crescer no que diz respeito às produções próprias, mas sem nunca renunciar a importar o que de melhor se faz fora do país. 5 Plaza de Oriente. Tel.: (+34) 915160600. Site: teatro-real.com 9 TEMPLO DE DEBOD E se ainda lhe restam forças, vale a pena caminhar um pouco mais até ao Templo de Debod. Tem o pôr-do-sol mais bonito de Madrid e a vista sobre o Palácio Real são espectaculares. Obrigatório levar câmara fotográfica. Os jogos de luz e reflexos com a água dão origem a algumas das melhores instantâneas da cidade. Paseo del pintor Rosales, nº 2. 1 TE ATRO ESPAÑOL Em plena Plaza de Santa Ana está um dos mais antigos teatros de Madrid, palco predilecto de algumas das obras mais importantes que se representam na capital. O edifício, declarado Monumento Nacional, conserva no seu interior um extenso património, como as esculturas de Gisbert ou as figuras desenhadas por Dali para uma representação da peça D. Juan Tenório. ‘Calle’ del Príncipe, nº 25. Tel.: (+34) 913601480. Site: teatroespanol.es 2 RESTAUR ANTE VI COOL Para almoçar, faça uma paragem no restaurante de tapas do ‘chef’ Sergi Arola no Bairro de las Letras. O Vi Cool é um espaço moderno, com pratos mais simples mas com o mesmo selo de qualidade de Arola, num ambiente mais informal. Huertas, nº 12. Tel.: (+34) 914294913. Site: vi-cool.com Bailén. Tel.: (+34) 914548800. Site: patrimonionacional.es 7 CATEDR AL DA ALMUDENA Ao lado do Palácio Real, a Catedral da Almudena é um dos ‘ex-libris’ da cidade. Com quase 100 metros de largura, 73 de altura e uma cúpula de 20 metros de diâmetro, é um edifício impressionante. Bailén, nº 10. Tel.: (+34) 915422200. Plaza de San Miguel, nº 1. Tel.: (+34) 915424936. Site: mercadodesanmiguel.es 3 RESTAUR ANTE LHARDY Um dos restaurantes clássicos de Madrid, cuja história já faz parte da cidade. Inaugurado em 1939, conserva o ambiente romântico que combina com a qualidade dos seus pratos mais emblemáticos. 6 HOTEL URBAN Para dormir em pleno reboliço da Puerta del Sol, aconselhamos o Hotel Urban, expoente máximo da modernidade hoteleira, luxo e ‘design’ vanguardista. Um espaço interior cuidado, com uma combinação de uma decoração minimalista e obras artísticas orientais e africanas. Carrera de San Jerónimo, nº 8. Tel.: (+34) 915213385. Site: lhardy.com Carrera de San Jerónimo, nº34. Tel.: (+34) 933668800. Site: derbyhotels.com 4 HOTEL MELIA MADRID O terraço deste hotel, no centro de Madrid, é paragem obrigatória à noite. Um espaço moderno, com vistas impressionantes sobre a Plaza de Santa Ana, boa música e ‘cocktails’ para todos os gostos. 7 PL A Z A MAYOR Um dos expoentes máximos da vida madrilena. É impossível encontrá-la vazia ou com pouca gente. As inúmeras esplanadas, atracções de rua e a beleza arquitectónica fazem dela a praça mais emblemática da capital espanhola. Plaza de Santa Ana, nº14. Tel.: (+34) 917016020. Site: memadrid.com 6 PAL ÁCIO RE AL Situado na bonita Plaza de Oriente, o imponente Palácio Real, residência oficial da família real espanhola, é outro dos ‘spots’ de visita obrigatória. As vistas são impressionantes e nas quartas-feiras de manhã tem lugar o render da Guarda Real às 11h00. 5 MERCADO DE SAN MIGUEL E para recuperar forças a meio da tarde, nada melhor que um bom vinho. Com uma estrutura de ferro e vidro, o Mercado de San Miguel é um autêntico templo ‘gourmet’: 1200 m2 dedicados ao consumo e à compra de produtos ‘delicatessen’. Plaza Mayor evasão Castellana Se não é especialmente fã de futebol, na zona do estádio Santiago Bernabéu também tem alternativas que justificam a visita a um dos bairros mais exclusivos. 1 SANTIAGO BERNABÉU O estádio do Real Madrid é um hino ao futebol e uma das suas catedrais. E se não conseguir um bilhete para ver a equipa de José Mourinho em acção, pode sempre optar por fazer a Barnabéu ‘tour’. Chamberí É um dos bairros mais castiços de Madrid. Povoado por edifícios modernistas e neogóticos, depois de Salamanca é dos bairros mais concorridos para residir. As ruas de Chamberí enchem-se ao final da tarde para as típicas ‘cañas after work’. 1 HOTEL SANTO MAURO Se pretende alojar-se nesta zona, recomendamos-lhe o Hotel Santo Mauro. Situado numa mansão neoclássica, que foi a residência do Conde de Santo Mauro (daí o nome), é um dos hotéis com mais encanto na capital espanhola. Tem à sua disposição cerca de 50 quartos e zonas comuns que incluem piscina, banho turco e ginásio. Zurbano, nº 31. Tel.: (+34) 913102169. Site: sergiarola.es 3 CHEESE BAR Para os apreciadores de queijo, este é o paraíso. Um sítio único em toda a Espanha, onde todos os pratos giram em torno da degustação de queijo. Tem uma oferta de mais de 140 tipos diferentes, de várias regiões espanholas e de oito países europeus. José Abascal, nº 61. Tel.: (+34) 913992550. Site: ponceletcheesebar.es 4 99 SUSHI BAR Para um jantar diferente e pleno de sabores orientais, este japonês é a aposta certa. 2 RE AL CAFÉ BERNABÉU É dos lugares com mais estilo da zona para jantar ou tomar um ‘cocktail’. No Verão, a esplanada, debruçada sobre um dos topos do relvado, é das melhores opções. Com uma confecção de pratos aprimorada, à vista dos clientes, e uma decoração do espaço elegante e intimista. Ponzano, nº 99. Tel.: (+34) 915360567. Site: 99sushibar.com de uma estrela Michelin, que atesta a sua qualidade. É obrigatório o uso de fato e gravata. Alvarez de Baena, nº4. Tel.: (+34) 915614840. Site: zalacain.es Zurbano, nº 36. Tel.: (+34) 913196900. Site: autographcollectionhotels.com 2 SERGI AROL A G ASTRO Escolha se prefere jantar ou almoçar aqui, mas vá. Este é um dos imperdíveis de Madrid, com duas estrelas Michelin. O restaurante do premiado ‘chef’ catalão, que tem também um estabelecimento em Sintra, faz gala do conceito de cozinha de autor, com um ambiente cosmopolita e elegante, distribuído por dois pisos, com uma decoração sóbria. Concha Espina, nº 1. Tel.: (+34) 913984300. Site: realmadrid.com 5 MUSEU SOROLL A Para quem passa na rua é fácil que a que foi a casa do pintor Joaquín Sorolla passe despercebida. Mas, além da visita à casa e à exposição sobre a sua evolução artística, vale a pena entrar e percorrer cada recanto dos jardins, onde é fácil isolar-se do bulício da cidade. General Martínez Campos, nº37. Tel.: (+34) 913101584. Site: museosorolla.mcu.es 6 RESTAUR ANTE Z AL ACAÍN Um dos clássicos madrilenos, com mais de 38 anos de vida na capital. Se quer jantar num ambiente distinto e selecto, dedicado à alta cozinha clássica, mas sem nunca abandonar as raízes da dieta espanhola, este é o seu restaurante. Ofertas gastronómicas tradicionais e modernas, todas preparadas com rigor e uma apresentação cuidada. Detentor 7 PL A Z A DE OL AVIDE É pequenina mas das mais acolhedoras da cidade. Rodeada de esplanadas, é ponto de encontro para os madrilenos mais madrugadores que, ao fim-de-semana, se sentam numa das suas mesas, de jornal na mão, para tomar o típico pequeno-almoço madrileno: um galão e uma torrada com azeite e tomate. E avisamos já: mesmo que lhe pareça uma combinação estranha, vale a pena experimentar! 36 Fora de Série Abril 2012 3 AUDITÓRIO NACIONAL Se prefere a música clássica, o Auditório Nacional é o seu sítio. Durante todo o ano oferece uma vasta programação musical com os melhores repertórios clássicos. Príncipe de Vergara, nº 146. Tel.: (+34) 913370140. Site: auditorionacional.mcu.es 4 JOSÉ LUIS Para as tradicionais tapas, o José Luís é o ‘spot’. O ‘pincho de tortilla’ (tortilha de batata sobre uma fatia de pão torrado) é uma das tapas com mais sucesso da casa. Plaza de Olavide. Rafael Salgado, nº 11. Tel.: (+34) 914588028. Site: joseluis.es 8 CLUB DEPORTIVO CANAL Se é um apaixonado pelo desporto não tem desculpa para deixar de o praticar durante a sua estadia em Madrid. O Club Deportivo Canal tem à sua disposição um complexo desportivo com pistas de ténis, padel e atletismo, campo de golfe e de futebol. 5 K ABUKI Com uma seleção de pratos peculiar mas com muito êxito: uma fusão da gastronomia japonesa com a mediterrânica e espanhola. Tem duas estrelas Michelin e prima pela qualidade e frescura do peixe. Filipinas, nº54. Tel.: (+34) 915331791. Presidente Carmona, nº 2. Tel.: (+34) 915777877. Site: restaurantekabuki.com 9 ARCHY É um dos referentes da noite madrilena em Chamberí. Sete balcões, divididos por dois pisos, com tipos de ambiente completamente diferentes. O piso de baixo está dedicado à discoteca, propriamente dita, onde se pode ouvir música electrónica, ‘house’ e ‘funk’ até altas horas da madrugada. A parte de cima do edifício é uma zona mais tranquila, restaurante até às 00h30, que se transforma numa zona de discoteca a partir dessa hora, dedicada ao ‘pop-rock’ actual. Marqués de Riscal, nº 11. Tel.: (+34) 913083162. O Sergi Arola Gastro, do ‘chef’ duplamente estrelado pelo guia Michelin, merece uma visita. Seja para ver e ser visto ou provar as tapas. Concha Espina, nº 1. Tel.: (+34) 914583667. Site: realcafebernabeu.es 6 69 PÉTALOS Uma das opções mais originais para sair à noite. É um sítio eclético onde, definitivamente, qualquer coisa pode acontecer. Alberto Alcocer, nº 32. Tel.: (+34) 914570879. Site: grupo69petalos.com evasao.com VO OS . D E STIN OS . H OTÉIS . CO M PR AS . VIAG ENS . SPAS . N OVIDAD E S . LO JAS . T U D O O N - LI N E www.versestore.com http://pt.travelportservices.com ARTISTAS EMERGENTES EM FORMATO DE FOTOGRAFIA, ILUSTRAÇÃO E VINIL TRAVELPORT PORTUGAL APOSTA NA MOBILIDADE Um grupo de ‘designers’ e artistas unidos pela paixão por arte, ‘design’, ilustração e fotografia decidiu criar uma empresa que comercializa os trabalhos de artistas-revelação portugueses. Chama-se Verse e tem a particularidade de não obrigar ninguém a sair do sofá para ir às compras. Na versestore.com é possível encomendar telas, impressões e vinis autocolantes com imagens originais. Basta escolher a obra, o formato, a cor (no caso dos vinis) e encomendar. Os vinis têm custos a partir de 6,90 euros, as ilustrações de autores nacionais, em tela ou ‘poster’, de 22,30 euros e as fotografias de novos talentos estão disponíveis a partir de 30, 40 euros. www.home-glam.com O HOTEL PR EFER IDO PA R A TER EM C A SA “Leve para casa o ‘design’ do seu hotel preferido”. É este o lema da Home Glam, um projecto construído em português mas com asas para todo o mundo. T E X TO D E I N Ê S Q U EI ROZ www.girissima.com GIRÍSSIMA NUM CLIQUE O Girissima.com é um novo site que alberga 80 marcas internacionais e mais de quatro mil produtos de moda e acessórios. Acede-se a 15 lojas independentes e a roupa em segunda mão. Está também disponível um serviço gratuito de ‘personal shopper’. A Girissima é uma empresa ibérica que engloba algumas das melhores lojas, ‘designers’ e marcas de Lisboa e Madrid. Branco sobre Branco, Custo Barcelona, Fred Perry, Jeffrey Campbell, Sienna Miller, entre muitas outras marcas, podem encontrar-se por aqui. O site possibilita também a compra e venda de peças especiais de luxo/’vintage’ em segunda mão, assim como o acesso a um blogue com as principais tendências de moda e um guia das lojas mais ‘trendy’ em Lisboa e Madrid. www.the-yeatman-hotel.com THE YEATMAN, O “MELHOR HOTEL INDEPENDENTE” Depois da estrela Michelin, arrecadada no ano passado pelo ‘chef’ Ricardo Costa, o The Yeatman, hotel vínico de luxo, acaba de vencer o prémio de “Melhor Hotel Independente”. A distinção foi atribuída nos “Portugal Trade Awards 2012”, promovidos pela revista “Publituris”, em parceria com a Bolsa de Turismo de Lisboa. De braço dado com o Rio Douro, na margem esquerda, e com a Ribeira e casario do Porto como cenário, aninha-se o primeiro hotel vínico de luxo em Portugal. A visitar. Apaixonados, ela por decoração e ele por hotelaria, Marta e Nuno Marques tinham por hábito reparar nos objectos de ‘design’ dos hotéis onde ficavam. Sempre que uma peça lhes agradava particularmente perguntavam qual a sua origem e a resposta era, na maioria dos casos, evasiva e frustrante. Tanto que, um dia, tiveram uma ideia: porque não criar uma empresa que servisse de intermediária entre os hóspedes e os vários hotéis e restaurantes garantindo aos primeiros o acesso fácil às peças de ‘design’ dos últimos? Se bem o pensaram melhor o fizeram e, pouco tempo depois, batiam à porta do presidente do Grupo Lágrimas para lhe propor associar-se ao projecto. “Disse logo que sim”, conta hoje Miguel Júdice acrescentando que “a ideia fazia todo o sentido”, já que os hotéis são sinónimo de ‘lifestyle’ e, “muitas vezes, é ali que estão as novas tendências”. Do Grupo Lágrimas surgiu a associação com o Hotel da Estrela, a Quinta das Lágrimas, o Infante de Sagres e ainda os restaurantes Terreiro do Paço e Eleven, a par da Casa das Penhas Douradas e do espaço Uma Casa Portuguesa. As peças foram escolhidas e estabelecidas parcerias com as várias marcas que as fabricam. E, no final do ano passado, nascia a Home Glam, a primeira loja ‘on-line’ a oferecer um serviço de venda de mobiliário, iluminação e decoração iguais aos que podemos encontrar nestes espaços. Ainda a dar os primeiros passos, o projecto está já a ter uma boa aceitação, não só em Portugal como lá fora. “A primeira venda que fizemos foi para a Alemanha”, conta Marta. Os serviços da Home Glam são divulgados nos hotéis associados. Os clientes fazem as suas compras ‘on-line’ e os artigos, adaptáveis à medida da vontade de cada um, são depois entregues pelos serviços de logística da Home Glam. Os preços são os do mercado e os prazos de entrega dependem do artigo escolhido, com a promessa de que nunca vão “além das cinco semanas”. A utilização de ‘smartphones’ no sector turístico está a crescer. A maioria dos turistas de lazer e negócios faz reservas através das aplicações móveis, diz um estudo recente da PhoCusWright, especializada na análise do sector. E essa tem sido uma das preocupações da Travelport Portugal (multinacional de turismo presente em Portugal através do Galileo, utilizado por mais de 90% das agências de viagens), que acaba de lançar o Travelport Mobile Agent. Uma ferramenta nacional que permite aos agentes de viagens aceder a qualquer hora e em qualquer lugar ao sistema Galileo. O que significa visualizar ou alterar reservas em tempo real. www.augustagourmet.com GOURMET “MADE IN PORTUGAL” ON-LINE É um “compro o que é nosso” global e em versão ‘on-line’. Dos vinhos mais premiados, aos sabonetes apreciados por Oprah Winfrey, até aos atoalhados que Barak Obama não dispensa na Casa Branca. Um projecto que oferece mais de dois mil produtos nacionais (e a promessa de ultrapassar os 3.500 em pouco tempo). O www.augustagourmet. com fala português, mas também espanhol, francês, russo, japonês e chinês. Dividido em oito áreas, assegura apoio ao cliente em tempo real, possibilidade de entrega no dia seguinte em qualquer parte do mundo, customização de artigos, até a possibilidade de produtos feitos por encomenda do cliente. www.infojobs.pt CURRÍCULO + ON-LINE = EMPREGO Para quem procura trabalho ou anseia por mudar, a InfoJobs, portal de busca de emprego, disponibiliza o “Perfil Público”, que permite aos candidatos darem maior visibilidade ao seu currículo na Internet. A nova ferramenta destaca os dados mais relevantes do ‘curriculum vitae’, nomeadamente experiências profissionais mais recentes, idiomas falados, principais conhecimentos, cursos realizados e nível de habilitações. Desta forma, qualquer empresa que procure informações sobre um candidato, encontra o seu perfil através da primeira letra do nome. E o utilizador tem ainda a opção de estender a sua presença ‘on-line’ às principais redes sociais. POR CRISTINA S. BORGES Abril 2012 Fora de Série 37 lifestyle AQUI MOR A O DINH Viver muito bem em Madrid é só para afortunados. Alguns são portugueses. Moram entre marcas exclusivas, hotéis de muitas estrelas, restaurantes que são ‘passerelles’ gastronómicas ou na mais cara das tranquilidades. T E X TO D E ISAB EL LU CAS 40 Fora de Série Abril 2012 passear pelos bairros de madrid é como visitar um museu de arquitectura. Os exemplares dos muitos estilos e ainda mais escolas são muitos e marcantes. Mas como será viver em muitos desses edifícios do bairro HEIRO DE MADRID Chamberí? É caro. Ainda mais caro é ir para subúrbios como La Moraleja ou La Finca, em Boadilla, os bairros ultra-luxuosos procurados por vedetas do futebol e dos espectáculos, pelas caras que desfilam nas páginas da “Hola”. Cristiano Ronaldo, Ana Obregón, Luís Figo ou Isabel Pantoja, José Mourinho, Bruce Willis… Muitas reticências, que há quem não queira ser incomodado e pague fortunas por isso, ainda que de vez em quando, se passeie pelo mais exclusivo bairro madrileno: Salamanca. Uma concentração invulgar de lojas, restaurantes ‘fine dining’, hotéis, livrarias e museus, um Central Park mais pequeno e muito dinheiro para gastar. Abril 2012 Fora de Série 41 lifestyle SA L A M A NCA Sábado de manhã, o sol de Inverno chamou centenas de pessoas para a rua. Moradores passeiam-se entre cafés, olham as montras, conversam segurando jornais, ramos de flores, sacos de compras. Os turistas olham-nos como quem olha um figurino. Todos fazem parte do conjunto, integrados na arquitectura burguesa e numa oferta que reflecte um elevado poder de compra. Para viver ali é preciso ter pelos menos uns dois mil euros para alugar um pequeno T1. Situado entre a Recoletos e o Paseo de la Castellana, e tendo como centro as ruas Goya, Ortega & Gasset e Serrano, o bairro de Salamanca é um dos mais procurados pela alta burguesia madrilena. Tem porta principal para o Parque do Retiro, uma espécie de Central Park da cidade. Calce uns Louboutin e entre na chamada “milha de ouro”, cerca de um quilómetro quadrado de ruas com as marcas de roupa e acessórios mais exclusivas. Bulgari, Cartier, Tiffany, e também John Galliano, Manolo Blahnik, Carolina Herrera. Para não ter de elencar a oferta, basta dizer que este é o ‘hot spot’ para compras em toda a Europa, mas não se limita a isso. Os aficionados da festa brava têm ali a maior praça de Touros de Espanha, a emblemática Las Ventas. É ali, junto à Plaza Colón, que está também a Biblioteca Nacional de Espanha, muitos museus e uma oferta gastronómica para todos os gostos e carteiras mais recheadas. Ir jantar a Salamanca é um ritual para a burguesia local e turistas que queiram conhecer o melhor que se faz na cozinha espanhola. Exemplos: o Citra. O ‘chef’ é o venezuelano Elias Murciano, discípulo do francês Alain Ducasse. Ainda o dASSA bASSA, de Dário Bassa, aluno de Ferran Adrià, e o Sergi Arola Gastro, o novo restaurante de Sergi Arola, o ‘chef’ que abriu há três anos o Arola, na Penha Longa, em Sintra. E há a noite, até tarde, ou cedo (dependendo da perspectiva) como se usa em Espanha, no meio de uma oferta hoteleira que corresponde à exclusividade do bairro. CA LLE SER R A NO Fica situada em pleno bairro de Salamanca, mas tem direito a ser tratada com pinças. Nada de admirações diante da afirmação: “a ‘calle’ Serrano é a rua mais chique do mundo”. Haverá sempre quem não concorde, mas a verdade é que poucas ruas têm tamanha concentração de luxo por metro quadrado, aliado ao charme arquitectónico. Poucas serão também as ruas onde está sempre a passar um rosto conhecido dos leitores da revista “Hola”. Da habitação aos restaurantes, passando pelas lojas e os hotéis, a Serrano é um permanente apelo ao consumo. Numa pausa de compras entre a Dior e a Gucci, arrisque-se uma entrada no terraço coberto onde se situa o Invernadero, um restaurante decorado de acordo com as regras minimais mais contemporâneas, habituado a servir uma clientela exigente em matéria gastronómica. A luz que entra pelo tecto faz do almoço uma experiência mais agradável e não é por acaso que essa é a hora de ponta para provar um menu centrado na cozinha tradicional espanhola. O Vip é mais barato e, além de uma refeição de qualidade por dez euros, tem uma livraria/loja deli, com uma vasta oferta de livros em várias línguas, reflectindo a babel que por ali anda. Recomenda-se a entrada num café. A oferta é vasta. Escolha uma mesa e escute e olhe. É o melhor sítio para saber o que se passa na Serrano. O PASSEIO DE AUTOMÓVEL A LA MOR ALEJA É UM DOS DESPORTOS PREFERIDOS DE MUITOS MADRILENOS AO FIM-DE-SEMANA. QUEREM VER COMO E ONDE VIVEM OS FAMOSOS. L A MOR A LEJA Talvez o equivalente em Lisboa a La Moraleja seja o bairro do Restelo. Moradias de luxo com preços nunca abaixo do meio milhão de euros e rendas que 42 Fora de Série Abril 2012 rondam os cinco, sete, dez mil euros/mês. A concentração de residentes estrangeiros é alta e é lá que se situam alguns dos melhores colégios internacionais de Madrid. Eleito por muitos famosos para morar, é um bairro tipicamente residencial, com muitas zonas verdes e moradias unifamiliares situado fora da muralha de Madrid, nos arredores da cidade. Quem vai viver para a La Moraleja tem dinheiro, quer tranquilidade, luxo e fugir a olhares indiscretos. Futebolistas da liga espanhola e gente do mundo das artes e do espectáculo encontram naquele bairro, no município de Alcobendas, o refúgio ideal. Ana Obregón, Isabel Pantoja vivem em La Moraleja, onde Lola Flores tinha casa, onde também moraram David e Victoria Beckham e onde o português Luís Figo vive com a família. O passeio de carro até La Moraleja é um dos desportos preferidos de muitos madrilenos ao fim-de-semana. Querem ver como e onde vivem os famosos. BOA DILL A Um passeio pelos bairros de Madrid pode ser como uma visita a um museu. A arquitectura ajuda a definir cada um das zonas e cada bairro guardou para si uma função. Para as compras, por exemplo, a ‘calle’ Serrano é considerada a “mais chique do mundo”. Boadilla del Monte, ou Boadilla, é outro subúrbio fora da malha urbana de Madrid e o local escolhido por Cristiano Ronaldo para viver quando se mu- JUA N HER NÁ NDEZ AGUIR Á N consultor de empresas de luxo INSIDER “O luxo está associado a uma palavra: paixão” Juan Hernández Aguirán escreveu, no ano passado, o livro “O marketing do novo luxo”. Agora, acaba de criar a sua própria consultora de assessoria estratégica a empresas de luxo. O que o motivou a escrever o livro “O marketing do novo luxo”? Surpreendia-me como em plena crise económica e recessão mundial, as empresas de luxo continuavam a vender ao mesmo ritmo ou aumentando as suas vendas. As empresas de luxo são muito importantes para a economia porque criam emprego qualificado e estável. E são importantes para a imagem de marca dos países: elegância francesa; precisão suíça; moda italiana; engenharia alemã. Qual a sua marca de luxo favorita? Sem dúvida: Vega-Sicilia. É uma exclusiva adega espanhola fundada em 1864 e que, apesar de ter pertencido a vários e distintos donos ao longo dos anos, soube manter as características que fazem dela única. Vega-Sicilia produz um número muito limitado de garrafas por ano e vende para um conjunto restrito de clientes. FOTOGRAFIA DE ABERTURA DE HEINZ HEBEISEN/IBERIMAGES. NESTA PÁGINA, FOTOGRAFIA DE CALLE SERRANO DE GONÇALO F. SANTOS E RESTANTES FOTOS CEDIDAS PELO TURISMO ESPANHOL O livro fala de marcas como Louis Vuitton, Hermès ou Chanel. Como continuam a ter tanto sucesso, sobretudo no mercado asiático? Todas estas marcas têm mais de 100 anos. E não só continuam activas, como lideram o mercado mundial e aumentam as vendas de ano para ano. O que significa que sabem fazer bem as coisas e adaptar-se às diferentes épocas. Conheceram os consumidores asiáticos graças ao que estes consumiam nas suas lojas da Europa, Japão ou EUA. Foram capazes de monitorizar e compreender o comportamento de compra durante vários anos até estarem totalmente seguras de como podiam focar as suas estratégias na Ásia. dou de Manchester para o Real. Agora tem como vizinhos José Mourinho e Fábio Coentrão. Todos no exclusivíssimo La Finca, um condomínio de luxo dentro do luxo. A cidade, com pouco mais de 40 mil habitantes, é um aglomerado de bairros onde vive muito do dinheiro de Madrid. Empresários, futebolistas, nomes sonantes da fi nança e do espectáculo dispersam-se pelas urbanizações de Monte de las Encinas, Pino Centinela, Valdecabañas e Valdepastores sem terem de se cruzar. Campos de golfe e algumas unidades hoteleiras de luxo garantem a manutenção de um lugar que quer preservar a intimidade dos que lá vivem. Mas Boadilla não tem só luxo para vender. O Banco Santander Central Hispano escolheu aquela cidade para construir o seu museu, onde se podem ver obras de mestres como El Greco ou van Dyck pertencentes à sua colecção particular, mas também expõe muitos dos nomes das artes contemporâneas no espaço dedicado às exposições temporárias. CH A MBER Í De volta à cidade e a um dos seus centros, onde passa a mais antiga linha de metro de Madrid, a linha 1. O nome deste bairro que faz fronteira com o de Salamanca, é uma adaptação à moda espanhola da cidade de Chambery, na Sabóia, França, e tem uma elevada concentração de edifícios modernistas e neo-góticos, uma das marcas da cidade que, a par de Barcelona, é uma espécie de museu arquitectónico representativo de várias épocas e de várias escolas. Se o coração do bairro de Salamanca é a ‘milla de oro’, em Chamberí é o ‘triángulo de oro’, formado pelas ‘calles’ Génova, Passeo de la Castellana, e ainda as ‘calles’ Almagro e Miguel Angel. Foi aí que, no século XIX, se concentrou grande parte da aristocracia espanhola. E é aí que agora estão muitas embaixadas e ministérios, assim como o luxuoso hotel Santo Mauro. Chamberí é um dos locais mais procurados para viver pelos jovens executivos que trabalham na cidade e o bairro guarda alguns segredos que os residentes se orgulham em não revelar. Como o mercado, com uma riqueza de produtos frescos vindos de todo o país, e alguns dos restaurantes mais elegantes de Madrid na vizinhança. A combinação transforma Chamberí numa das grandes atracções madrilenas. Há algum segredo para ser bem sucedido no novo luxo? Todos os profissionais e consumidores de luxo associam o luxo a uma palavra: paixão. Os criadores, os ‘designers’ e os empresários de luxo estão apaixonados pelo produto que oferecem, sentem verdadeira paixão por criar um produto superior. E o mesmo acontece com os consumidores. O produto tem tanto significado para eles que o valor a pagar por ele supera o alto preço que devem pagar. A primeira coisa que todas têm de ter é esta paixão por criar um produto superior. E depois é preciso ser capaz de a transmitir aos consumidores. Assim fizeram a Hermès, a Ferrari, a Moët & Chandon, mas também a Apple, a Nespresso ou a Starbucks. Qual é a melhor campanha de publicidade de marcas de luxo a que assistiu nos últimos anos? Gosto da linha da Louis Vuitton no seu site e na sua página no Facebook. Associam a sua imagem com viagens e aventura, mostrando aos consumidores que desfrutam de experiências únicas: como a de viajar pelo interior de África, por exemplo. Associam-se a um estilo de vida e não à ostentação. E essa é a estratégia que considero totalmente acertada. TEXTO DE ANA CU N HA ALM EIDA Abril 2012 Fora de Série 43 arquitectura MADRID BY SIZA VIEIRA Um dos mais conhecidos arquitectos portugueses venceu o concurso público para a requalificação da baixa madrilena. Isto em 2002. A baronesa Thyssen quis aproveitar o momento para elevar o seu museu ao patamar do Museu do Prado e liderou uma oposição que foi atrasando todo o processo. Passados dez anos, as divergências estão ultrapassadas. Mas agora não há dinheiro para concluir o projecto em Madrid de Álvaro Siza Vieira. T E X T O D E J O A N A M O U R A J á o ditado diz que “de Espanha, nem bons ventos nem bons casamentos”. Álvaro Siza Vieira que o diga: há dez anos que tem o seu projecto de requalificação da baixa de Madrid pendente devido à oposição da baronesa Thyssen e da guerra interna entre o presidente da câmara, Ruiz-Gallardón, e a presidente do governo regional de Madrid, Esperanza Aguirre. 44 Fora de Série Abril 2012 Tudo começou em 2002, quando a equipa de Álvaro Siza Vieira, Juan Miguel Leon e de Carlos Riaño, venceu o concurso público para a requalificação de um dos principais eixos da cidade de Madrid, entre as avenidas Prado e Recoletos. Projecto que foi, desde logo, alvo de críticas e contestações, quase sempre lideradas pela baronesa Thyssen, que ameaçou mudar o museu Thyssen de local caso o projecto avançasse. Mais: Carmen Cervera chegou a acorrentar-se a uma árvore em protesto contra o previsto corte de árvores e obras que, na sua opinião, prejudicariam o museu Thyssen. A autarquia abriu um processo de audiências públicas, no sentido de encontrar soluções e alternativas viáveis que agradassem a todas as partes interessadas. Mas, como a História já mostrou, é impossível agradar a gregos e a troianos. A baronesa Thyssen continuou a defender um túnel que tirasse o trânsito de um dos eixos mais movimentos da capital espanhola, solução que a autarquia chumbou imediatamente porque, na opinião dos técnicos camarários, o projecto de Siza Vieira não só reduziria em 30% o trânsito na zona, como previa a plantação de mais de duas mil árvores em todo o percurso, entre as praças Colón e Atocha. Dez anos e muitos avanços e recuos depois, as obras continuam num impasse, depois de construído o primeiro lance entre estas duas praças, tal como o projecto inicial previa. E Álvaro Siza Vieira tem uma visão bem mais prática do problema: “o desejo [da baronesa] era, no fundo, dispor de um jardim em frente ao museu, tal como acontece com o Prado. Simplesmente, a implantação do Prado é recuada relativamente ao alinhamento do Paseo e, por isso, dispõe de um amplo jardim. Essa polémica terminou quando se demonstrou que o invocado derrube de árvores não correspondia à verdade. O passeio junto a esse museu foi amplamente alargado, mas não resolve o ‘trauma-Prado’(o desejo impossível de competir com o Prado)”, explica o arquitecto português à Fora de Série. Lutas por prestígio e poder que atrasaram uma requalificação que devia ter sido feita há três anos, mas que não beneficiou do confronto entre a Câmara de Madrid e o Governo Regional, que continuou a defender um túnel na zona, e atrasou todo o processo com estudos de impacto ambiental e outros com o objectivo de demover a autarquia de apoiar o projecto de Siza. Contactados pela Fora de Série, nem a Câmara de Madrid nem o Governo Regional de Madrid se mostraram disponíveis para responder em tempo útil. Mas o arquitecto português também aqui tem uma explicação: “o problema teve a ver com divergências no interior do próprio partido. A ideia do túnel é hoje impensável e teria consequências catastróficas, como de resto entendeu um júri de grande competência, ao analisar as propostas a concurso e a escolher a única que não previa túneis”. Ultrapassadas as divergências, “a razão da não continuidade da obra, depois de realizada a primeira fase, é claramente a contenção de despesas, devido à crise actual”, adiantou Siza Vieira. Despesas que ainda ninguém sabe dizer quais são, uma vez que o custo das obras continua no segredo dos deuses. Nem a autarquia, nem os responsáveis pelo projecto alguma vez quiseram referir-se a essa questão. Resta saber se um projecto com dez anos continua a fazer sentido. O autor é peremptório: “faz sentido e acabará por ser executado”. FOTOGRAFIAS DE BRUNO BARBOSA O arquitecto Siza Vieira acredita que o seu projecto para o centro de Madrid ainda será executado. Quando é que é imprevisível, enquanto durarem as guerras e as polémicas. N OTAS SO LTAS LOEWE ESTALA O VERNIZ CLASSE MÉDIA NA CORRIDA ÀS MARCAS DE LUXO O Twitter em Espanha está em voo picado. Tudo por causa da última campanha publicitária da Loewe, que recorre a jovens filhos de figuras públicas espanholas para divulgar mensagens de como “não é divertido crescer”. São quase 75 mil os visitantes, dos quais perto de 4.500 deixam mensagens negativas. E apenas 368 assumem ter gostado. O objectivo da campanha era promover a ‘it bag’ “Amazona Oro”, um clássico da marca, junto de uma camada mais jovem, já que os produtos da Loewe estão associados a uma faixa etária mais alta. O director criativo da marca já veio explicar que a ideia não era reflectir a realidade da juventude espanhola, cuja taxa de desemprego é a mais alta da Europa, mas sim apelar aos espanhóis para não se deixarem invadir pela crise. A indústria da moda nos Estados Unidos assiste a um crescimento potenciado por clientes “aspiracionais” – são mulheres e homens que gastam grande parte dos rendimentos em carteiras, relógios, ‘gadgets’ e outros símbolos de ‘status’, pagando com cartões de crédito. “As pessoas estão preocupadas por serem ou aparentarem ser pobres, por isso gastam dinheiro como forma de compensarem isso”, divulgou George Loewenstein, professor de economia e psicologia da Universidade Carnegie Mellon, num estudo que avalia como a imagem afecta as decisões de consumo. No Bank of America, por exemplo, verificou-se um aumento da abertura de novas contas de crédito de 50%, durante os últimos três meses de 2011, relativamente a igual período de 2010. Loewenstein tem uma explicação: “os cartões de crédito anestesiam a dor de gastar dinheiro”. SPEZZO, QUEM VÊ M A L A S… STIVALI INSTALA-SE NA AVENIDA Luxo, luxo e mais luxo. As mais conceituadas marcas internacionais de moda marcam presença na Stivali. Não seria novidade – a loja inaugurou em 1986 e foi a primeira em Portugal a comercializar algumas das melhores marcas – não fosse a abertura recente de um novo espaço. No número 38-B da Avenida da Liberdade, em Lisboa, fica a nova Stivali, recheada de peças de marcas como Yves Saint Laurent, Valentino, Donna Karan, Dries Van Noten, entre muitas outras. Maior novidade é o ‘corner’ Chanel – com móveis desenhados pelo arquitecto Peter Marino, responsável pela imagem da marca – único em Portugal. CRIATIVIDADE DA YSL ENTREGUE A HEDI SLIMANE Hedi Slimane, ex-’designer’ da linha Dior Homme, é o novo director criativo e de imagem da Yves Saint Laurent, substituindo o ‘designer’ italiano Stefano Pilati. Actualmente com 43 anos, foi responsável pelas colecções masculinas de 1997 a 2000, altura em que a casa Gucci comprou a marca, levando Tom Ford para o lugar. De seguida ingressou na ‘maison’ Dior, como director artístico da linha masculina, antes de mudar, em 2007, alegando querer desenhar para mulheres. Slimane vai continuar, em paralelo, a sua carreira como fotógrafo. São peças que nos acompanham a cada momento. Cabe nelas a memória das fotografias, os cartões e telemóveis do nosso presente, as agendas onde se escreve o futuro. A mala, presença constante, pode revelar muito sobre nós e nem sempre é preciso abri-la para o saber. T E X TO D E D IA N A M O R EI R A A Spezzo é uma marca portuguesa fundada no coração lisboeta em 2010 pela mão e gosto de Danielle Barra. É ela quem imagina cada peça, com os pormenores que garantem ser única, e depois conta com o afi nco das costureiras que elaboram à mão e com a perfeição da experiência, as peças exclusivas. “De momento tenho três costureiras que são umas verdadeiras artistas e que materializam as minhas ideias”, confirma Danielle. Na oficina Spezzo, ganham forma as malas que, apesar de respeitarem os ritmos das grandes tendências, se distinguem pela procura do único. “O conceito da Spezzo não funciona com colecções por estação. Desenho e produzo peças novas todos os meses, totalmente ‘handmade’, confeccionadas peça por peça, conjugando peles coloridas com forros acetinados. Criatividade não falta e tenho assim a oportunidade de também surpreender os meus clientes com modelos novos”, conta Danielle. Apesar de nacional, a marca encontra-se com maior facilidade em Inglaterra: “temos actualmente dez pontos de venda lá e estamos no limite da produção”. A procura tem crescido de forma constante e a Spezzo encontra nos mercados da Holanda e Alemanha o próximo passo de evolução. As malas são vendidas nas grandes cidades, até porque é esse o público feminino e cosmopolita que quer as características Spezzo, peças que se defi nem num conceito de luxo prático. “Além do ‘design’, as peças têm volume e destinam-se a mulheres urbanas, activas, que necessitam de transportar consigo mil e uma coisas”, explica a ‘designer’. Por cá, as malas, que têm como preço mínimo os trezentos euros, ainda só se podem encomendar ‘on-line’, no site www.spezzo.pt, e cada pedido torna-se ainda mais pessoal, um objectivo que se cumpre a cada peça. Danielle confessa que a exclusividade é ponto de honra da marca: “quando produzo um novo modelo, opto por criar elementos diferenciadores entre elas e isso só é possível porque o meu conceito é manual. Dentro desse novo modelo, faço variar nas combinações de cores, ferragens e forros, de forma a que cada peça tenha a sua própria identidade”. Esta é uma política que Danielle defi ne como “conforto”, e a certeza de que “não existem peças iguais é garantia de exclusividade”. Nenhuma vida é igual e a nossa bagagem será sempre do domínio do íntimo, importa, por isso, onde a guardamos. Quem vê malas pode ver corações, sem espreitar o que lá se guarda, adivinhando-se apenas na assinatura Spezzo. VENDAS DO PPR SOBEM 11% O grupo de luxo francês PPR fechou o ano em alta. A ‘holding’ que detém a Gucci e a Yves Saint Laurent viu a sua receita crescer para 12.2 mil milhões de euros, com um crescimento de 11%, embora ligeiramente abaixo do esperado. Ou seja, um aumento líquido de 999 milhões de euros, o que corresponde a uma subida de 40%. De salientar é também o caso da Bottega Veneta (que fabrica carteiras, cintos e sapatos), que cresceu 34%, em oposição à Fnac, ambas subsidiárias do mesmo grupo, que sofreu uma quebra de 3%. Uma prova de que os consumidores de produtos de luxo resistem à crise e ao abrandamento da economia europeia. OSKLEN REGRESSA A LISBOA A marca brasileira Osklen, de roupa feminina e masculina, está novamente disponível em Lisboa, na Nude Fashion Store. A marca posicionada como ’premium’ reflecte um ‘casual chic’ sofisticado, cuja inspiração é conseguida pela junção urbana com a natureza, global e local, orgânica e tecnológica. Criada em 1989 por Oskar Metsavaht, no Rio de Janeiro, tornou-se conhecida pelo estilo inovador das novas modalidades desportivas da época aliado à qualidade. No final dos anos 90, arranca a primeira colecção feminina e, em 2003, a Osklen passa a integrar a São Paulo Fashion Week. Na Nude, na Avenida Infante Santo, em Lisboa, há também outras marcas como M Missoni, Red Valentino, Costume National, Imperial e JBrand. POR CRISTINA S. BORGES Abril 2012 Fora de Série 45 família Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza, ou Heini, como lhe chamavam, era um homem que apreciava a beleza, fosse a da arte ou a das mulheres. Conquistou várias ao longo da vida mas acabou junto de María del Carmen Cervera, a quinta mulher com quem casou. 46 Fora de Série Abril 2012 UMA HISTÓRIA FEITA DE AÇO E DE ARTE Foram homens de negócios incansáveis e coleccionadores apaixonados. O apelido Thyssen-Bornemisza nasceu na Alemanha, ganhou armas na Hungria e é hoje sinónimo de uma das mais importantes colecções de arte espanholas. T E X TO D E I N Ê S Q U EI ROZ ans Heinrich Thyssen-Bornemisza, ou Heini, como lhe chamavam, era um homem que sabia apreciar a beleza. Fosse esta perene, como na arte, ou efémera, como a que a natureza concede a algumas mulheres, pouco importava. Amava-a e coleccionava-a. Foi casado cinco vezes e deixou uma das colecções de arte mais importantes de Espanha, hoje patente no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid, que juntamente com o Prado e o Reina Sofia forma o chamado “triângulo de ouro da arte”. Mas, para contarmos melhor esta história, precisamos de ir um pouco mais atrás no tempo e para norte no espaço geográfico, mais concretamente à cidade mineira de Eschweiler, na Alemanha, onde, a 17 de Maio de 1842, nasceu August Thyssen, avô de Heini e fundador de um império familiar sem o qual nada teríamos para contar. Terceiro filho e primeiro varão no seio de uma família de empreendedores católicos, o jovem August habituou-se, desde cedo, a ver o pai, Johann Friedrich Thyssen, gerir com pulso firme a primeira fábrica de aço da província do Reno até fundar o seu próprio banco. Depois de ter feito a escola em Eschweiler e o liceu em Aachen, August frequentou a escola politécnica de Karlsruhe, durante dois anos, para estudar engenharia mecânica e, em 1861, partiu para Antuérpia onde frequentou o Institut Supérieur du Commerce de l’État, onde estudou os rudimentos e segredos da actividade bancária. Naturalmente que a ideia era que seguisse o negócio da família e assim aconteceu durante algum tempo, mas o espírito empreendedor genético falou mais alto e, em 1867, associou-se a Franz Bicheroux, marido de uma das irmãs, para fundar a Thyssen, Fossoul & Co, uma empresa sedeada em Duisburg que fabricava cintas de ferro para barris e caixotes. Quatro anos depois tinha quadruplicado o investimento inicial e, inspirado pelo sucesso, largou tudo para criar o seu próprio negócio. A 1 de Abril de 1871 nascia a Thyssen & Co, uma siderurgia em Styrum, perto de Mülheim e a primeira pedra do que é hoje o Grupo ThyssenKrupp, um império conhecido em mais de 80 países como sinónimo de elevadores, produção de aço e tecnologia industrial. Verdadeiro ‘workaholic’ e dono de um implacável espírito criativo, August Thyssen investiu corpo e alma no novo negócio. Primeiro com o pai como sócio e, após a morte deste em 1877, com o apoio do irmão Joseph, não descansou enquanto não viu crescer a Thyssen & Co que, muito em breve, chegava a terras de França. Abril 2012 Fora de Série 47 família Naturalmente que o trabalho pouco tempo lhe deixava para uma vida pessoal. Ainda assim, August Thyssen foi casado durante 18 anos. Da mulher, Hedwig, filha de um empresário de Mülheim, vir-se-ia a divorciar em 1885 e, apesar de não ter fama de ser um homem muito carinhoso, ficou com a custódia dos quatro filhos: Fritz, August, Heinrich e Hedwig. H E I N I AC R E S C E N T OU O BR A S DE A L G U N S DO O S V E L HO S M E S T R E S CONSAG G R A D O S AO E S P Ó L I O DO PAI. NA A DÉ C A DA DE 6 0 COMEÇOU A I N T E R E S S A R -SE PELO MODE E R N I SMO. Em cima, fotografia dos jardins do Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid e, em baixo, os reis de Espanha numa visita ao lugar que guarda uma das mais valiosas colecções de arte do país. Em 1992, Heini e Tita venderam ao governo espanhol um total de 775 obras. Reza a História que foi um empresário de sucesso, mas discreto. Menos despercebida ao mundo passou, sem dúvida, a sua paixão pela arte. No início da década de 1920 reuniu uma impressionante colecção. Começou com os pintores primitivos alemães, como Hans Baldung Grien, Albrecht Altdorfer, Hans Holbein Dürer ou Lucas Cranach, passou para os flamengos, como Juan de Flandres, Rogier van der Weyden ou Jan van Eyck, deslumbrou-se com o Renascimento Italiano de Domenico Ghirlandaio, Sebastiano del Piombo, Caravaggio, Ticiano ou Tintoretto e estendeu a sua paixão à obra de pintores ingleses, como Gainsborough ou Joshua Reynolds, e franceses, como Watteau, Fragonard ou Chardin. Em pouco tempo, a sua colecção de pintura estendia-se entre o século XIV até e início do século XIX e, em 1932, comprou a Villa Favorita, um sumptuoso palacete do século XVII em Lugano, na Suíça, onde criou uma galeria para acolher este espólio que, à data da sua morte em 1947, reunia já um total de 525 obras. Mais tarde, Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza, ou Heini, o mais novo dos quatro filhos que teve com Margit, haveria de abrir esta galeria ao público. UM ETER NO A M A NTE DO BELO A paixão pela arte ficou para sempre associada ao apelido Thyssen-Bornemisza, mas o crédito de tal proeza não é todo devido a Heinrich. Herdeiro da colecção do pai, Heini viu-se pouco depois confrontado com a divisão da mesma, depois de os irmãos terem contestado o testamento do pai pela lei suíça. Empenhado em reuni-la novamente, este concentrou os seus esforços em recuperar o máximo que podia e consta que a primeira vez que comprou um quadro fora da família foi só em 1956, quando adquiriu o famoso “Ritratto d’uomo”, de Francesco del Cossa. Nascido em Haia, em 1921, Heini fez aqui os primeiros estudos, partindo depois para a Suíça logo após a invasão da Holanda pelos alemães, em 1939. Estudou direito e economia em Friburgo e em Berna. Trabalhador incansável, Heini recebera também em herança, além do título de barão, um negócio familiar bastante debilitado pela Segunda Guerra Mundial. Com apenas 26 anos, pôs mãos à obra para o reabilitar, concentrando-se nas áreas da construção naval e da banca e investindo ainda na indústria cervejeira na Holanda, no sector imobiliário na América do Norte e na criação de ovelhas na Austrália. Pouco depois, nascia o Grupo Thyssen-Bornemisza. Paralelamente, a sua colecção de arte ia crescendo e diversificando-se. Se inicialmente Heini acrescentou obras de alguns dos velhos mestres consagrados ao espólio do pai, como Duccio, Willem Kalf, Jansz Saenredam ou Goya, a partir da década de 60 interessou-se pelo modernismo. A convivência familiar e o 48 Fora de Série Abril 2012 NA ABERTURA, FOTOGRAFIA DE MANUEL ZAMBRANA/CORBIS/VMI. NESTA PÁGINA, EM CIMA, FOTOGRAFIA DE CARLOS DOMINGUEZ E, EM BAIXO, DE DUSKO DESPOTOVIC, AMBAS CORBIS/VMI HISTÓR I A DE UM A COLECÇÃO DE A RTE Dos fi lhos de August, dois enveredaram pelos negócios familiares, Fritz, o mais velho, e Heinrich, o mais novo e pai de Heini. Nascido a 31 de Outubro de 1875, Heinrich Thyssen estudou física, química e mineralurgia em Munique, Berlim e Bona, prosseguindo depois os estudos em Heidelberg, onde se doutorou em química. Em 1905 foi viver para a Hungria, onde quis o destino que se casasse com a baronesa Margit Bornemisza, o que lhe veio a valer mais um apelido e um título. Adoptado pelo sogro, que não tinha filhos varões, Heinrich viria a receber pouco depois por parte de Francisco José I, imperador da Áustria e rei da Hungria, o direito de usar o nome e as armas de Bornemisza de Kászon, bem como o título de barão, privilégios que se mantiveram na família mesmo depois de se ter divorciado de Margit e casado mais duas vezes. A vida encarregou-se de o levar para outras paragens, nomeadamente Haia, na Holanda, onde, depois da Primeira Guerra Mundial, esteve à frente dos negócios internacionais da Thyssen. Ainda assim, Heinrich haveria de manter a nacionalidade húngara até ao fim da vida. Homem de espírito independente, insistiu em manter sempre os seus negócios separados dos do irmão e, após a morte do pai, em 1926, o vasto património familiar acabou por ser dividido. A Heinrich couberam em herança os negócios holandeses da família, na banca e transportes navais, que duplicou ao longo da sua vida de trabalho. família OUTR A S COLECÇÕES Heini Thyssen-Bornemisza foi um cidadão do mundo. Apesar de ter nascido na Holanda, adoptou a naturalidade suíça, mas residência monegasca por razões profissionais e fiscais. De resto, coleccionou casas em todo o planeta. Na Suíça, além da Villa Favorita, herdada do pai, tinha um ‘chalet’ em Saint Moritz, uma casa na Jamaica, outra em Chester Square, Londres, apartamentos em Paris e Nova Iorque e, no final da vida, estabeleceu-se em Espanha, onde tinha quatro casas. Eterno amante do belo, fosse este perene ou efémero, Heini coleccionou também mulheres bonitas com quase tanto empenho como o fez com as suas obras de arte. Uma opção que, no entanto, nem sempre revelou ser tão tranquila quanto a outra, levando-o mesmo a admitir uma vez, numa entrevista, que “ao contrário das mulheres, os quadros não falam”. Ainda assim, foi casado cinco vezes. Primeiro com a princesa austríaca Maria Theresa de Lippe, de quem teve um filho, Georg Heinrich ou Heini Júnior, depois com a modelo Nina Dyer, a quem ofereceu uma ilha nas Caraíbas, dois carros desportivos, uma pantera negra e uma fortuna em jóias. O casamento acabou em polémica depois de Nina se ter envolvido com um actor francês e, pouco depois, era a vez da modelo inglesa Fiona Campbell-Walter entrar na vida do barão. Apesar de tudo, este casamento ainda durou 17 anos e gerou dois filhos: Francesca e Lorne. Denise Shorto, filha de um banqueiro brasileiro, foi a quarta mulher de Heini, uma ligação que deu origem a mais uma criança, Alexander. Esta foi, sem dúvida, a mais polémica de todas as uniões do barão, acabando na barra dos tribunais com a mulher a tentar provar que a fortuna de Heini era três vezes superior àquela que declarava e este a acusá-la de ter ficado com bens da família. O caso levou quatro anos a encerrar. “Odeio divorciar-me. É um processo muito desagradável”. A frase, que terá sido dita por alturas do primeiro divórcio do barão, nunca fez tanto sentido quanto durante este processo. Em 1981, já com 60 anos de idade, Heini conheceu aquela que viria a ser a sua quinta mulher. María del Carmen Cervera, ou Tita, como é conhecida, foi Miss Espanha em 1962 e era viúva do actor norte-americano Lex Barker que, na década de 50, substituiu o célebre Johnny Weissmüller no papel de Tarzan. Casaram em 1985, após a conclusão do divócio de Denise Shorto. Para a família, Tita trouxe mais um filho, Alejandro, ou Borja, fruto de uma anterior ligação com o ‘playboy’ Manuel Segura – que Heini prontamente adoptou como seu – e uma grande paixão por arte, incutida pelo pai, o empresário e engenheiro industrial catalão Enrique Cervera y Manent. Força dos interesses em comum ou da tranquilidade que vem com o passar dos anos, Tita foi o último dos devaneios efémeros do barão e a sua companheira até ao fim da vida. UM A FUNDAÇÃO E M A IS UM A COLECÇÃO Pouco depois deste último casamento, em 1988, foi assinado um protocolo entre a família e o governo 50 Fora de Série Abril 2012 A V I DA N E M SE M PR E SORRI A T I TA . A LVO C ONSTA N T E DA A S R E V I STA S C OR -D DE -ROSA A , N ÃO É R A R O Q U E O SEU NO OM E V E N H A À BAILA POR R A Z ÕE S M E NO S EDIFICANT TES. Em cima, fotografia da baronesa Carmen Thyssen-Bornemisza, actualmente a vice-presidente do Museu madrileno. Em baixo, Tita, como também é conhecida, fotografada com o marido junto a uma das suas obras expostas no Museu. espanhol para que Espanha recebesse a colecção de arte do barão. A ideia era que esta se dividisse entre o Palácio Villahermosa, em Madrid, sede do actual Museu Thyssen-Bornemisza, e o Mosteiro de Pedralbes, em Barcelona. Fruto desta parceria, nascia a Fundação cultural Thyssen-Bornemisza, com o objectivo de promover e divulgar ao público a mesma colecção. Se o objectivo inicial do acordo previa apenas uma cedência temporária das obras de arte do barão, quatro anos mais tarde, em 1992, Heini e Tita assinavam um novo protocolo, desta feita para vender ao governo espanhol um total de 775 obras, que iriam estar em destaque em Madrid. Apenas uma exigência: que estas nunca abandonassem o país. Firmado o contrato, a colecção Thyssen-Bornemisza tornou-se, para a posteridade, parte integrante da herança espanhola. E, um ano mais tarde, era Barcelona que tomava providências para ter a sua parte da colecção Thyssen-Bornemisza integrada na colecção do Museu Nacional da Catalunha. Entretanto, incentivada pelo barão, também Tita investia na sua própria colecção. E, se as primeiras obras foram presente do marido, rapidamente se tornou dona e senhora dos seus próprios critérios. Especialmente vocacionada para os artistas espanhóis e norte-americanos do século XIX e início do século XX, a sua colecção integra hoje também grandes nomes da arte internacional como Courbet, Corot, Monet, Pissarro, Sisley, Renoir, Degas, Gauguin, Bonnard, Vuillard, Matisse, Gris, Léger, Nolde, Kirchner, Kandinsky ou Delaunay. E, em 1999, as instalações do Palácio Villahermosa anexaram dois edifícios adjacentes para poderem receber a colecção privada da baronesa. Viúva desde 2002, Tita é hoje vice-presidente do Museu madrileno. A vida, nem sempre lhe sorri. Alvo do interesse contínuo das revistas cor-de-rosa, não é raro que o seu nome venha à baila por razões menos edificantes do que aquelas que envolvem apenas as suas obras de arte. Foi o caso quando o seu próprio filho, Borja, exigiu os quadros que, alegadamente, o pai adoptivo lhe tinha deixado em herança, ou quando ela própria propôs vender a obra “La Esclusa” do pintor britânico John Constable e viu o negócio vetado por dois membros da Fundação, um dos quais a própria filha de Heini, Francesca. Não é fácil viver sob o apelido Thyssen-Bornemisza. EM CIMA, FOTOGRAFIA DE SERGIO PEREZ/REUTERS. EM BAIXO, FOTOGRAFIA DE MANUEL ZAMBRANA/CORBIS/VMI percurso já percorrido trouxeram-lhe a experiência necessária para saber reconhecer a qualidade à primeira vista e, em 1961, comprou a sua primeira obra do século XX, uma aguarela do pintor alemão Emil Nolde. Pouco depois enveredava pelo expressionismo alemão, impressionismo e pós-impressionismo, passando para o movimento vanguardista russo, pelos pintores britânicos do pós-guerra, como Francis Bacon ou Lucian Freud, pelo cubismo de Picasso, Braque, Léger, acabando na arte pop e no hiper-realismo. Em suma, a colecção crescia a olhos vistos, rondando já as 1.500 obras. A Primavera chega pintada em tons de gelado com cobertura açucarada. “Pastel” é tendência forte para uma estação que se adivinha doce. Abril é mês de azulinho, amarelinho, cor-de-rosinha... tudo ‘inho’. Garden ‘Clutch’ da colecção “Garden Party” de Dior. Preço: 76,20 euros. Brincos em ouro amarelo e branco com brilhantes e safiras de Maria João Bahia. Preço: 2200 euros. Carteira “Speedy Bouclettes”, em azul-menta ou cor-derosa da Louis Vuitton. Preço: 2700 euros. Vaso “Phalaenopsis” com orquídea natural no Ikea. Preço: 6,99 euros cada. T E X TO E SE L ECÇ ÃO D E R I TA I B É R I C O N O G U E I R A Cadeira de braços em veludo cor-de-rosa da linha “Rose” da Munna. Preço sob consulta. Agenda da edição “Camélias”, inspirada na “Dama das Camélias” da Ambar. Preço: 9,59 euros. Sandália de cunha em verniz inspirada nos automóveis clássicos americanos da Prada. Preço sob consulta. Sapatos de vela em pele azul, amarela e branca da Aldo. Preço: 69,90 euros. Óculos dobráveis “Yako-T” em plástico encarnado, amarelo ou azul da Mango Touch. Preço: 17,90 euros. Moradas: ALDO: Av. Engº. Duarte Pacheco, Centro Comercial Amoreiras, piso 1, loja 1089/1090 – Lisboa. Tel.: 918195066; AMBAR: www.ambar.pt; DIOR MAKE UP: El Corte Inglès, Av. António Augusto de Aguiar, nº 31 - Lisboa. Tel.: 213711700; IKEA: Parque Industrial Alfragide – Amadora. Tel.: 214705050; LOUIS VUITTON: Av. da Liberdade, nº 190 – Lisboa. Tel.: 213584320; MANGO: Rua Augusta, nº 43 a 51 – Lisboa. Tel.: 213470307. Para mais informações dos pontos de venda consulte www.mango.es. MARIA JOÃO BAHIA: Av. Liberdade, nº102 Lisboa. Tel.: 213240018; MUNNA: Rua de Santana, nº 157, Leça do Balio – Porto. Tel.: 220165782; PRADA: Av. da Liberdade, nº 206-210 – Lisboa. Tel.: 213199490. ‘Laptop’ Asus Zenbook UX21 em cor-de-rosa, da Asus. Preço: 1099 euros. Abril 2012 Fora de Série 51 estilo 52 Fora de Série Abril 2012 ¡ VIVA L A ESPAÑA! Espanha, o país da ‘Movida’. Do talento artístico. Arquitectónico. O país da gastronomia. Do futebol e da moda. O país das touradas e dos matadores. Das ‘jaquetillas’, das ‘monteras’ e das ‘taleguillas’. O país que exclama “Olé!”, o grito da sua personalidade. T E X T O D E A N A F I L I PA A M A R O F O T O G R A F I A D E A N A V I E G A S A S S I S T I D A P O R A N T Ó N I O TA I N H A R E AL IZ AÇ ÃO D E FI LI PE CARRI ÇO A S SIS T I D O P O R ANA VI CENTE C AB E LOS D E M I G U EL VIANA M AQ U I L H AG E M D E J OA N A M O R EI R A CO M P R O D U TOS D I O R M O D E LO M I LENA ( ELITE ) AG R A D ECI M E N TOS AO BA N DA R I L H E I R O D UARTE ALEG RE TE Abril 2012 Fora de Série 53 estilo 54 Fora de Série Abril 2012 Na abertura, vestido em crepe de seda bordado Storytailors. Anel em ouro nobre e diamantes H.Stern. Colete, ‘jaquetilla’ e ‘montera’ de bandarilheiro. Ao lado, colete em pele Aleksander Protic. Cinto em metal Alves/Gonçalves. Sandálias em pele Tom Ford, na Fashion Clinic. Colar em ouro e cristais de rocha H.Stern. ‘Taleguilla’ (calças) de luz de bandarilheiro. Em cima, vestido em ‘jersey’ de seda Alberta Ferretti, no Espace Cannelle. Cinto em metal Alves/Gonçalves. Acessório de cabelo Storytailors. Brincos em ouro e diamantes, pulseira em ouro e diamantes e anel em ouro amarelo e anel em ouro, tudo H. Stern. Abril 2012 Fora de Série 55 estilo Em cima, vestido em tafetá de seda e algodão Miu Miu, na Fashion Clinic. Escultura Valentim Quaresma. Brincos em ouro e ágatas Mimi. Ao lado, vestido em crepe de seda e pele Aleksandar Protic. Acessório de cabelo Valentim Quaresma. Sandálias em cetim de seda e ‘plexiglass’ Stella McCartney, na Fashion Clinic. Brincos em ouro amarelo e diamantes H.Stern. ‘Montera’ e capote de passeio de luz de bandarilheiro. Moradas: ALEKSANDAR PROTIC: Rua da Rosa, nº 112 – Lisboa. Telm.: 933953592; ALVES / GONÇALVES: Travessa Guilherme Cossoul, nº 16 – Lisboa. Tel.: 213463125; ESPACE CANNELLE: Arcadas do Parque, nº 52 H – Estoril. Tel.: 214662141; FASHION CLINIC: Tivoli Forum, Av. da Liberdade, nº 182, loja nº 5 – Lisboa. Tel.: 213549040; OMOURA: mais informações no 213224130, STORYTAILORS: Calçada do Ferragial, nº 8 – Lisboa. Tel.: 213432306; VALENTIM QUARESMA: Spazio Dual, Avenida da República, nº 41 – Lisboa. Tel.: 218462150; VICINI: Pateo Bagatella, Rua Artilharia 1, loja 5, nº 47 a 49 – Lisboa. Tel.: 213883176. 56 Fora de Série Abril 2012 Abril 2012 Fora de Série 57 paladares A S ESTR EL A S DE MADRID Sete ‘chefs, 14 estrelas Michelin. Nas páginas que se seguem estão todos os mestres da gastronomia espanhola. Os melhores. Os que, com a comida, convidam os clientes a viajar por um mundo infinito de sabores. Há mais nomes, claro, mas desta vez só entrou quem já teve a habilidade de conquistar duas estrelas. Conquistar e manter, uma missão ainda mais difícil. T E X T O D E A N A F I L I PA A M A R O , E M M A D R I D / F O T O G R A F I A D E G O N Ç A L O F. S A N T O S Há uma dúvida que fica e que é comum aos sete ‘chefs’ com restaurantes em Madrid que conseguiram alcançar duas das tão desejadas estrelas Michelin, o prémio máximo da gastronomia: como é que na capital espanhola ainda não há nenhum espaço com três estrelas Michelin? Ninguém quis assumir uma resposta. Mas nenhum se esquivou à mesma promessa: trabalhar ainda mais para conquistar mais uma vez a atenção do tão prestigiado guia. Guia ou bíblia? Bíblia, será mais correcto de se dizer tendo em conta que consegue transformar um cozinheiro num criador e um restaurante numa experiência do outro mundo. E são estas duas coisas que acontecem com sete ‘chefs’ e em sete espaços em Madrid. A cidade tem centenas de restaurantes, mas só sete têm o boneco branco, gordinho, cheio de refegos, sentado à entrada para receber os felizardos que conseguiram um lugar à mesa. Não há segredos do que é preciso ter para receber esta distinção. Uma cozinha impecável, claro, um serviço irrepreensível, ‘maîtres’, ‘sommeliers’ e empregados de mesa de uma competência invejável e um espaço com uma decoração fascinante e com um ambiente tranquilo. E esta é a parte… fácil. Porque além de tudo isto, falta a cereja no topo do bolo: um ‘chef’ com ideias geniais, com uma criatividade genial, com um palato genial, com concepções, pensamentos e fantasias geniais… Um génio. Apresentamos-lhe sete, sete génios da gastronomia espanhola, com História escrita pelas ruas de Madrid. 58 Fora de Série Abril 2012 SERGI A ROL A UM ‘MOTARD’ NA COZINHA SERGI AROL A G ASTRO ‘ C A L L E ’ Z U R B A N O, N º 3 1 Irreverente poderá ser a palavra que melhor descreve Sergi Arola. E não é só porque tem pinta de ‘rockeiro’, ou porque tem dez tatuagens espalhadas pelo corpo, ou porque é ‘motard’, fã da Harley Davidson, ou porque posou nu (contra a violência doméstica) para a revista “Yo Dona”, do jornal “El Mundo”. O próprio percurso de Arola também retrata bem a palavra escolhida. Senão, veja-se. Voltou costas ao restaurante La Broche, em Madrid, onde esteve 10 anos e onde conseguiu duas estrelas Michelin, para começar do zero um projecto próprio. Queria a “independência total” de grupos hoteleiros para poder criar um conceito mais próximo do cliente. Nasceu, em 2008, o Sergi Arola Gastro, também na capital espanhola, no bairro de Salamanca, onde voltou a conquistar duas estrelas Michelin. O percurso de Sergi Arola (provavelmente o ‘chef’ mais reconhecido em Portugal, pelo seu restaurante Arola no hotel Penha Longa) é todo ele cheio de histórias caricatas. A começar pela razão que o levou a ser cozinheiro, como gosta que lhe chamem (diz que ‘chef’ é alguém que está num hotel a gerir uma equipa com várias pessoas). Nada mais, nada menos porque o avô, com quem vivia, não sabia cozinhar e aquecia-lhe latas de sopa de tomate. Começou a cozinhar para o avô para lhe mostrar o que era a cozinha. Tinha 12 anos e, desde essa altura, nunca mais deixou os tachos. Estudou hotelaria e restauração em Barcelona, mas a sua verdadeira escola foi a passagem que fez pelo El Bulli, de Adrià. Arola é mais um discípulo do super-‘chef’, assim como do francês Pierre Gagnaire. Foi com eles, admite, que aprendeu a ser inconformado, criativo e a pensar a gastronomia. E todas estas características fizeram com que seguisse o seu próprio caminho. Em Fevereiro, inaugurou mais um restaurante, desta feita em Paris, no W-Opéra. Mais um espaço que se junta aos outros sete que já tem, em lugares tão diferentes como Espanha, Chile, Brasil ou Portugal. Ainda este ano, em Maio, prevê abrir mais um restaurante, agora em Bombaím, na India, e para 2013 está prometido um outro na Suíça. Como consegue gerir tudo isto? “É fácil, é como na alta-costura, eu desenho os pratos e os meus ‘chefs’ costuram-nos”. Sergi Arola é fã de motas, tem três, mas é a Harley Davidson, diz, a sua “namorada”. Este ano garante que não vai faltar à concentração da Harley que será em Cascais e quer organizar um encontro no Arola Penha Longa para todos os membros da marca. Abril 2012 Fora de Série 59 paladares DAV ID M U ÑOZ ‘EL NIÑO TERRIBLE’ PARA NÃO USAR O FRANCÊS D I V ER XO ‘ C A L L E ’ PENS A MIEN TO, N º 2 8 Uma cozinha de fusão sem confusão. É assim que David Munõz descreve o conceito que aplica todos os dias aos pratos que serve no seu restaurante DiverXo. Situado no bairro de Tetuán, o mais jovem cozinheiro com duas estrelas Michelin (tem 32 anos) abriu portas em 2007 e… esperou. As primeiras seis noites ninguém entrou para provar a comida que aproxima o Ocidente do Oriente – uma mistura que é assumida logo no nome do restaurante que junta a palavra “diversidade” à silaba “XO”, que na China é sinónimo de qualidade e sofisticação. Mas Muñoz ganhou com a melhor publicidade que se pode ter: no bairro, a mensagem sobre a criatividade dos seus pratos foi passando de boca em boca e no final daquele ano para se conseguir uma mesa no DiverXO num sábado à noite era preciso esperar um mês. Hoje, a lista de espera não é muito diferente. É, aliás, esta corrida por um lugar à mesa de Muñoz que torna barulhentas as manhãs no restaurante. Apesar de também ser possível fazer reservas ‘on-line’, o telefone não pára de tocar. Não pára mesmo. E até para almoçar pode ter que se esperar uma semana. David Muñoz nasceu em Madrid e foi com 12 anos que o gosto pela cozinha despertou, quando os seus pais o levaram ao restaurante Viridiana, onde conheceu o reputado ‘chef’ Abraham García. Impressionado com a criatividade com que García cozinhava, Muñoz ficou convicto do caminho a seguir e quatro anos depois começou a estudar na Escola de Hotelaria de Torrejón de Ardoz, em Madrid. Ainda por lá andava quando começou a trabalhar no restaurante Balzac, uma experiência que o levou ao restaurante que mudou a sua vida. David Muñoz trabalhou três anos no Viridiana, depois no famoso Chantarella de onde saiu rumo a Londres. Foi na cidade britânica que cresceu ao lado dos melhores ‘chefs’ orientais. Primeiro no Hakkasan – antes tinha passado pelo Orrey – e depois no ainda mais prestigiado Nobu, do ‘chef’ japonês Nobu Matsushita (em 2006, regressou a Madrid para construir o seu próprio projecto, um sonho que tornou realidade). Não havia margem para maiores influências, Muñoz cruzou-se com os melhores e tornou-se um deles, com uma cozinha de fusão sem fronteiras, que atingiu o ponto mais alto em 2009 e em 2011, anos em que lhe foram atribuídas as estrelas Michelin. Antes, prémios como “Cozinheiro do Ano”, “Cozinheiro Revelação” ou “Restaurante Revelação” marcaram o percurso do jovem ‘chef’ que, com uma imagem arrojada, é também conhecido como o ‘enfant terrible’ da gastronomia espanhola. 60 Fora de Série Abril 2012 Ricardo Sanz é o ‘chef’ do japonês Kabuki, o primeiro restaurante estrangeiro em Espanha a receber uma estrela Michelin. R IC A R DO SA NZ David Munõz tem uma cozinha de fusão onde a malagueta assume um papel importante. É um dos ingredientes que mais gosta de usar nos seus pratos para provocar uma explosão de sabores. UM ESPANHOL SAMURAI DO SUHI K A BUK I: H O T EL W EL L IN G TO N, ‘ C A L L E ’ V EL Á ZQ U E Z , N º 8 A atribuição da primeira estrela Michelin ao restaurante de Ricardo Sanz, em 2010, criou mais impacto do que qualquer outra. Percebe-se. Em Espanha, foi o primeiro restaurante estrangeiro a receber este reconhecimento máximo da gastronomia. Kabuki é o nome a guardar caso passe por Madrid e seja fã incondicional de comida japonesa. Situado no hotel de cinco estrelas Wellington, o restaurante tem no menu a combinação quase perfeita – é considerado por muitos um dos melhores restaurantes do mundo – dos ingredientes mediterrâneos e japoneses. Um encontro que o ‘chef’ considera um “cruzamento de caminhos” e que a sua história prova que foi quase casual. Ricardo Sanz visitou o primeiro restaurante japonês pela mão de um amigo. A experiência foi arrebatadora e Sanz percebeu imediatamente o potencial de uma das cozinhas mais técnicas e precisas do mundo. Foi exactamente nesse restaurante japonês onde comeu pela primeira vez que viria a trabalhar. Mais, viria a trabalhar ao lado de um dos mais míticos nomes da gastronomia nipónica, Masao Kikuchi, dono do lendário restaurante em Tóquio, o Taro. Primeiro tornaram-se amigos, depois Kikuchi adoptou o ‘chef’ espanhol como seu aprendiz. “Tudo mudou para mim, foi como fazer um serviço militar de operações especiais”, recorda. E a comparação não é despropositada tendo em conta a perícia e a forma exímia como desenvolveu o sublime corte dos peixes, assim como a técnica de trabalhar com peixe cru. Os adjectivos também não pecam pelo exagero, prova disso, o convite que Sanz teve para participar no certame mais prestigiado do mundo, “Os Sete Samurais do Sushi”, o único espanhol convidado até hoje. Para trás, Ricardo Sanz deixou cozinhas onde preparou hambúrgueres, cachorros-quentes e tapas e espalha agora, com dois Kabuki em Madrid e um em Tenerife, o melhor ‘sushi’, ‘sashimi’, ‘niguiri’, ‘makis’ e ‘tempuras’. Abril 2012 Fora de Série 61 paladares O Azeite de Oliva é o ingrediente eleito por Paco Roncero tanto para as suas receitas como para estudar no seu laboratório gastronómico. O ‘chef’ deixou-se, por isso, fotografar com um copo de azeite na mão. PACO RONCERO CHEF DE LABORATÓRIO L A T ER R A Z A D EL C A SIN O C A SIN O D E M A D R ID, A LC A L Á , N º 15 62 Fora de Série Abril 2012 Quando se fala em ciência na cozinha, os mais atentos pensam em Ferran Adrià. Os conhecedores, esses, podem ter dúvidas e pensar também em Paco Roncero. Na verdade, no que toca à ciência gastronómica, estes dois nomes cruzam-se. Não fosse este último um dos melhor sucedidos discípulos de Adrià. Juan Pablo Felipe é o ‘chef’ que hoje comanda o La Terraza del Casino, o restaurante que fica no Casino de Madrid. Assumiu o papel principal da cozinha em 2000 (antes, o cargo era de Adrià e da sua equipa, à qual Paco pertencia desde 1991), provocando uma mudança radical no panorama gastronómico madrileno e espanhol, sendo hoje considerado o representante máximo da cozinha de vanguarda. Formado pela Escola de Hotelaria e Tu- rismo de Madrid, estagiou no restaurante Zalacaín e passou pela cozinha do Hotel Ritz. Mas foi quando se juntou ao ‘chef’ catalão que a sua personalidade criativa tomou forma. Durante 12 anos, Paco absorveu tudo o que Adrià fazia, tanto no El Bulli, onde esteve cerca de um ano, como depois quando entrou para a sua equipa do La Terraza. O resultado é o domínio perfeito das mais evoluídas técnicas culinárias. Azeite de Oliva é o seu “ingrediente-fetiche”. É sobre ele que tem desenvolvido experiências que procuram novas texturas e novas formas de cozinhar. Experiências como a esferificação, por exemplo, através da qual líquidos como o azeite adquirem uma frágil membrana contendo no interior o líquido, imitando o caviar. Estes ensaios mereceram a criação de uma espécie de laboratório, El Taller de La Terraza del Casino, ‘workshop’ onde Paco Roncero partilha as suas criações. Da mesma forma que o faz com a sua criatividade, Paco quis também partilhar a forma – bem sucedida – como gere financeiramente a sua cozinha. “Gestor de Cozinha” foi o ‘software’ que desenvolveu para calcular os custos e optimizar os rendimentos dos restaurantes (além de estar no La Terraza, Paco Roncero gere ainda dois espaços de tapas seus, os ‘gastrobar’ Estado Puro, ambos em Madrid). Este espírito empreendedor aliado à cuiriosidade de investigador permitiram-lhe a carreira de sucesso que hoje tem e que se traduz em duas estrelas Michelin (em 2002 e 2009). Tradição, Design e Tecnologia. 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Divertido, de bem com a vida e com um humor apurado, Freixa imprime tudo isto nos seus pratos. Aposta nos jogos visuais, é obstinado pelos sabores e admite: “cozinho o que eu sou”. Então, o que cozinha? “Sou uma pessoa que teve muita sorte na vida, sou feliz, e transmito isso nos meus pratos”. Esta felicidade vem do tempo em que ia com os avós, padeiros de profissão, para a cozinha brincar com a farinha e o açúcar. Foi assim que fez as primeiras incursões naquilo que seria, e é, a sua grande paixão, a pastelaria. E se a conversa é doce, então o chocolate não podia deixar de ser o seu ingrediente preferido. A história de Ramon Freixa na gastronomia mais não é do que uma forte herança familiar. Nascido em Barcelona, seguiu os passos do pai, também ‘chef’ de cozinha. Antes de se juntar a ele, Freixa tirou o curso de gestão e direcção hoteleira, na Escola de Hotelaria e Turismo de San Pol de Mar, em Barcelona. Mas saído da escola não se acomodou no restaurante dos pais. Preferiu ir ver o que se fazia nas cozinhas belgas e francesas. Regressou a Barcelona apenas em 1998, com a mão e o palato apurados e juntou-se, finalmente, ao negócio da família, no já conceituado El Racó d’en Freixa. Não contou o facto de ser filho do ‘chef’, por isso Ramon Freixa passou por todas as áreas de um restaurante, dos aperitivos às sobremesas. Com dois grandes ‘chefs’ ao comando da cozinha, El Racó (que hoje chama-se Freixa Tradició) teve um destino previsível, ganhou uma estrela Michelin e… tornou-se pequeno demais para tanto talento. Foi em 2009 que Ramon Freixa rumou à conquista de Madrid, que deixou a seus pés em tempo recorde. 64 Fora de Série Abril 2012 Ramon Freixa gosta de pintar, é o seu ‘hobby’. Quando o faz diz que é um momento de generosidade, tal como quando cozinha. Por isso, não hesitou em ser fotografado a “pintar-se” de chocolate, o seu ingrediente preferido, que lhe desperta as memórias de infância. Óscar Velasco é considerado, e considera-se, o ‘chef’ com duas estrelas Michelin mais conservador da cozinha moderna. Para ele, o produto é o mais importante nos seus pratos. ÓSC A R V EL A SCO O CLÁSSICO DA COZINHA MODERNA S A N TC E LO N I: PA S E O D E L A C A S T EL L A N A , N º 5 7 No menu lê-se: “Por favor, desligue o telemóvel”. Nós completamos: “o espectáculo vai começar com… Óscar Velasco”. E a apresentação pode mesmo ser esta. Um espectáculo gastronómico é o que acontece diariamente no Santceloni, o restaurante que abriu em 2001 fruto do trabalho do polémico, mas genial, ‘chef’ Santi Santamaría, mas que sempre foi gerido por Óscar Velasco. Foi um desafio admiravelmente bem sucedido com a primeira estrela Michelin a ser-lhe atribuída logo no primeiro ano. Quem pensou que poderia ter sido um golpe de sorte, percebeu o engano em 2005, quando a segunda estrela foi entregue à cozinha de Velasco que superava, assim, definitivamente, a imagem de Santi Santamaría. Óscar Velasco é um homem absolutamente gentil e tímido. Essa timidez traduz-se, quando se trata de trabalho, em humildade. O seu percurso fê-lo perceber a importância de ouvir e de apreender cada palavra de quem se foi cruzando na sua carrei- ra. Foi para pagar os estudos que Velasco entrou pela primeira vez numa cozinha, na terra onde nasceu, em Segovia. A certeza do que queria só a teve quando ingressou na escola de cozinha onde o contacto com a “gastronomia real”, como gosta de dizer, o fez acreditar que era possível “viver deste mundo”. Passou pela cozinha do Zalacaín, o restaurante de Martín Berasategui, até fazer parte da equipa de Santi Santamaría, no Can Fabes, em Barcelona. E estes dois nomes são para Velasco sinónimo de mestria. Com Berasategui diz que aprendeu o que era a disciplina e o rigor. Com Santamaría, a improvisação organizada e o poder de adaptação. Ensinamentos que traçaram o perfil daquela que é hoje a sua cozinha, onde o produto é o único protagonista dos seus pratos. E assume que é esta característica que leva a crítica – e ele próprio – a considera-lo o ‘chef’ mais conservador da cozinha moderna. E admite: “utilizo novas técnicas mas sempre que joguem a favor do produto”. Abril 2012 Fora de Série 65 paladares Uma revolução silenciosa na gastronomia espanhola. É assim que a crítica descreve o trabalho de Diego Guerrero no El Club Allarde. DIEG O GU ER R ERO A MAGIA DO SILÊNCIO EL CLUBE ALL ARDE ‘CALLE’ FERR A Z, Nº 2 66 Fora de Série Abril 2012 “Bienvenidos a la Revolución Silenciosa…”. Este é o cartão de visita de Diego Guerrero quando os clientes se sentam à sua mesa. Um cartão de visita real, comestível, a primeira coisa a ser servida quando se tem uma refeição no El Club Allarde, na zona de Moncloa. Diego assume o risco, sabe que a originalidade e a ousadia podem pagar-se caro. Mas não quis deixar de transmitir aos seus clientes a forma perfeita de descrever o seu trabalho. “Esta expressão é de um jornalista espanhol que visitou o restaurante e que descreveu desta forma o meu trabalho. Dizia no artigo que nós estávamos silenciosamente e sem mediatismos a fazer uma revolução na gastronomia espanhola. Cada vez mais concordo com esta ideia”, explica. E quem conhece este ‘chef’ percebe porquê. Guerrero é amável, atencioso, e é, provavelmente, um dos ‘chefs’ espanhóis distinguidos com duas estrelas Michelin (em 2008 e 2011) mais discretos. Há quem diga que é um ‘chef’ na sombra. E ele gosta da ideia. “Sou um ‘chef’ pouco mediático porque limito-me a fazer o meu trabalho, que é cozinhar e é por isso que quero ser conhecido”, garante. Esta simplicidade bate certo com aquilo que foi, e é, a sua carreira. Começou a cozinhar porque gostava de comer. Assim, simples, mas suficiente para quando terminou os estudos no colégio de Zalbaburu, em Bilbao, seguir caminho para Madrid pela mão de Fernando Canales que na altura era o ‘chef’ do restaurante Goizeko, em Bilbao (hoje, comanda o Etxanobe, também na capital de Vizcaia). Guerrero regressaria ao País Basco com 23 anos para assumir a cozinha do restaurante El Refor, em Amurrio. Foi neste espaço que a sua cozinha criativa deu nas vistas e conquistou, entre muitos, Rafael Cámara, na época deputado por Álava. Foi o político que insistiu com Guerrero para voltar à capital espanhola. Cámara gostava tanto da sua comida que dizia-lhe que tinha de a fazer em Madrid. Dizia e fez com que isso acontecesse, apresentando Diego Guerrero aos proprietários do El Club Allarde, um selecto clube privado, exclusivo a sócios, fundado em 1998. O convite foi feito e aceite com apenas uma condição: El Club Allarde tinha que ser aberto ao público. E assim foi a partir de 2003, ano em que Guerrero assumiu o cargo de ‘chef’ principal. A cozinha é de autor, moderna e que se transforma a cada dia. Melhor, a cada cliente. Diego trabalha sem carta, prefere ir à mesa e conhecer os clientes, os seus gostos, as suas preferências, tirar o máximo de informação possível para depois cozinhar. Cozinhar no momento, sem rede. Talvez por isso também o apelidem de “o mágico”. artes Os espanhóis andam apaixonados pelo género musical. Os teatros estão cheios e o panorama cultural de Madrid está a mudar radicalmente. “Mamma Mia!” deu o mote e assim nasceu a Broadway espanhola. 68 Fora de Série Abril 2012 MAMMA MIA ME MATA As salas estão cheias, as filas dão a volta ao quarteirão, os bilhetes estão esgotados. Os musicais deram a volta à cabeça dos espanhóis. A nova Broadway espanhola já rouba a cena a Londres. T E X TO D E ÂN G EL A MARQ U E S E la sempre disse: ou se faz terapia ou se vai ao teatro. Em Madrid, ao que parece, os consultórios estão vazios. Porque os espanhóis andam loucos por musicais. Julia Gomez, directora-geral da Stage Entertainment em Espanha, recusa-se a chamar-lhe moda – diz que o sucesso dos musicais na capital espanhola é uma realidade. Mas concede: nunca na história dos teatros foi assim. “Desde 1999 que os musicais estão em contínuo em Madrid. Mas foi em 2005, com o “Mamma Mia!”, que se deu o ‘boom’, que os musicais deram o salto”, diz a responsável pela maior produtora de musicais da Europa, a Stage Entertainment (que está em Espanha há mais de dez anos, tendo sido criada por Joop van den Ende em 1998, em Amesterdão). “Hoje podemos dizer que os musicais se consolidaram”. Consolidaram-se tanto que neste momento estão em cena Abril 2012 Fora de Série 69 artes sete ao mesmo tempo. “Sim, hoje há muito mais oferta. A procura fez-nos ter de aumentar a oferta e a oferta consolidou também a posição dos musicais na cultura espanhola”. Madrid é – não há que hesitar – a Broadway espanhola (“beneficiando também da situação geográfica”) e a segunda cidade na Europa com mais musicais, a seguir a Londres. Mas mesmo o West End já está a ser ultrapassado. Um dos casos de maior sucesso mundial nos musicais, “O Rei Leão”, vendeu mais bilhetes no Teatro Lope de Vega, em Madrid, do que na capital britânica. “Cá é o maior fenómeno de sempre. Até Julho deste ano está esgotado. Não há mais bilhetes, nem um. E já vendemos lugares até Dezembro de 2012”. “O Rei Leão” está em cena desde Outubro de 2011 em Madrid, é preciso dizê-lo. Não é preciso dizer mais: 15 anos depois da estreia, e com um currículo com 17 produções pelo mundo e 55 milhões de espectadores, “O Rei Leão” é um dos mais antigos musicais da história. Em Londres é representado desde 1999. Na Broadway, onde estreou em 1997, faz mais de um milhão de dólares por semana. E bate recordes todos os anos: é consecutivamente um dos cinco espectáculos mais vistos em Nova Iorque. Para subir ao palco em Espanha, no Reino Unido ou na China, “O Rei Leão” precisa de, pelo menos, 53 actores, 21 músicos, mais de 200 figurinos, 25 tipos de animais e uma orquestra com mais de 100 instrumentos diferentes. “Em Madrid implicou também uma grande transformação dos teatros. As salas não estavam preparadas para espectáculos desta dimensão. Quando começámos não tínhamos espaços que permitissem levar a cena musicais assim”. Por isso tiveram de os comprar. “As pessoas que vão ver musicais pagam muito dinheiro. Por isso temos sempre de superar as suas expectativas”, diz Julia Gomez. Estes espectáculos são actualmente um dos melhores cartões de visita de Espanha. “Madrid actualmente comunica tanto o Estádio Santiago Bernabéu como o Museu do Prado como os musicais. Os espectadores dos musicais são 55% de fora de Madrid (e, destes, 5% são estrangeiros). Os próprios hotéis recomendam que os turistas vão aos museus, depois façam as suas compras e por fim vão ver um musical. Sabemos que, por exemplo, no Verão recebemos mais turistas e em Dezembro temos mais espectadores domésticos. Temos os teatros cheios. Por isso, a nossa responsabilidade é muito grande”. Mas a Stage Entertainment tem sabido lidar com essa responsabilidade sobre os ombros. Foi ela quem apresentou aos espanhóis êxitos como “Mamma 70 Fora de Série Abril 2012 OS MUSICAIS SÃO, HOJE, UM DOS MELHORES CARTÕES DE VISITA DE ESPANHA. MADRID COMUNICA TANTO O ESTÁDIO SANTIAGO BERNABÉU, COMO O PR ADO, COMO OS MUSICAIS. Mia!”, “Cabaret”, “O Fantasma da Ópera”, “Cats”, “A Bela e o Monstro”, “Chicago” e “Les Miserables”. No total, estes espectáculos foram vistos por nove milhões de espectadores. Em 2011, a empresa que Julia Gomez dirige conseguiu um feito inédito em Espanha: sete anos ininterruptos de “Mamma Mia!” – mais de dois milhões de pessoas viram este musical. No mesmo ano estreou a maior produção mundial jamais apresentada em Espanha, “O Rei Leão”. “Quando o trouxemos para Madrid já contávamos com um mínimo de três anos em cena e um máximo de cinco”. Pela primeira vez o espectáculo é falado em castelhano – “o que confirma o excelente mo- mento que este género vive no nosso país”. E é um sucesso. Porquê? “O Rei Leão é um musical para toda a família. Mesmo toda”. Segundo a Stage Entertainment, este musical conseguiu a maior venda antecipada de sempre, com mais de 100 mil entradas vendidas antes do dia de estreia. Números que só não impressionam mais porque a Stage Entertainment está habituada a altos voos. Por ano vende, em Espanha, mais de um milhão de entradas. “A nossa missão é fazer com que cada espectador entre nos nossos teatros e tenha uma experiência única e irrepetível, esta filosofia é o nosso objectivo prioritário, e a resposta do público o nosso maior aplauso”. O público tem vindo a aplaudir cada vez mais. “Há uma consolidação a ser feita há 12 anos. Por isso não é propriamente surpreendente, há muito que se esperava este sucesso. Nós, em Espanha, podemos ver o que de melhor se faz na Broadway e reinventar a imaginação de quem produz”. Fazer sempre mais, sempre melhor. E maior: “estamos à procura de outros espaços em Madrid. Necessitamos de um espaço maior”. É que ainda é preciso sentar muitos milhares de pessoas para ver “O Rei Leão”. FOTOGRAFIA DE ABERTURA DE QUIM LLENAS/GETTYIMAGES. NESTA PÁGINA, RETRATO CEDIDO PELA PRODUTORA, FOTOGRAFIA DE PATRIK STOLLARZ/GETTYIMAGES Julia Gomez tem motivos de sobra para celebrar. A directora-geral da produtora de musicais Stage Entertainment posa no palco do Teatro Lope de Vega, em Madrid, onde, desde Outubro de 2011, a sala esgota para receber o sucesso “O Rei Leão”. Um musical que conseguiu a maior venda antecipada de sempre, com mais de 100 mil entradas vendidas antes da estreia. artes Chamam-lhe o fotografo da ‘Movida’ madrilena, ainda que negue à fama ter tido algum proveito. Alberto García-Alix é sobretudo um contador de histórias, daquelas que ficam gravadas em momentos únicos, de onde não se volta. T E X TO D E I N Ê S Q U EI ROZ “N unca sonhei ser fotógrafo”, disse uma vez em entrevista. A descoberta deu-se um pouco por acaso, ou por contágio. Um amigo tinha uma Leica com a qual fazia fotografia e isso aguçou-lhe o apetite. Um dia, deram-lhe uma máquina fotográfica... e foi o princípio de tudo. Para trás das costas ficou um curso de Direito que nunca chegou a ser mais do que uma intenção, mais alimentada pelo sonho familiar do que pela vontade própria. Depois, foi o curso de Ciências de Informação na área de imagem, em que se inscreveu, em 1976, que nunca chegou a bom termo. Hoje, com 54 anos de idade, Alberto García-Alix é um dos fotógrafos consagrados de Espanha, com mais de 30 anos de carreira, um Prémio Nacional de Fotografia arrecadado em 1999 e uma obra documentada em algumas das mais importantes colecções de arte internacionais, como sejam a do Museu Reina Sofía, a do Fond National d’Art Contemporain francês ou a colecção da Bolsa Alemã. Para definir como tudo começa não existe uma receita escrita e, no caso deste fotógrafo, natural de Leão e radicado em Madrid desde os 11 anos, consta que foi no laboratório que nasceu a paixão que haveria de lhe tomar conta da vida. “Pouco a pouco és apanhado por essa magia”, contou na mesma entrevista. “O que sai da obscuridade do laboratório é algo que tu viste... e o fascinante, o mágico, é que aquilo que tu vês possa sair e que possas decidir como vês e o que 72 Fora de Série Abril 2012 queres ver... E esse é um pouco o fascínio para quem se deixou envolver pela fotografia”. E é dessa forma de ver ou de “decidir ver” que fala, quando se refere ao seu trabalho. “Ao fotógrafo não se pede a realidade, mas a intenção do seu olhar”. Por outras palavras, “a verdade não existe... é apenas um jogo” e a câmara “um brinquedo” através do qual “olhamos e decidimos o que queremos ver: é um acto de reflexão”. Do lado de lá, quem posa é cúmplice deste olhar intencional. “Das pessoas que retrato, 70% são meus amigos. A vida leva-me ao encontro delas. Eu acredito que parte da magia da vida é esse encontro. Talvez seja um pouco tonto, mas acredito mesmo nisso”. Olha para as fotografias que fez no passado e é García-Alix é um dos fotógrafos consagrados de Espanha com uma obra documentada em algumas das mais importantes colecções de arte internacionais. Em cima, “Autoretrato saltanto” (1980/1998). DE TRABALHO DURO E PERSEVERANÇA Alberto García-Alix é hoje apontado como o fotógrafo da ‘Movida’ madrilena, o movimento artístico e cultural que eclodiu durante o período pós-franquista e se prolongou até meados da década de 80. À fama nega ter tido o proveito já que, como escreveu o poeta Jenaro Talens no catálogo publicado por ocasião da retrospectiva no Reina Sofía, “nunca teve essa pretensão documental no seu trabalho, muito embora tenha sido uma figura charneira do mesmo” movimento. Dos tempos iniciais, em plena década de 1970, García-Alix recorda sobretudo o trabalho duro e muita perseverança. Cultura fotográfica era algo inexistente em Espanha e, como diz: “nunca tinha visto um livro de fotografia”. Em 1981, duas exposições mudaram para sempre a sua relação com a fotografia. A primeira, do alemão August Sander e a segunda, que reuniu o trabalho de vários fotógrafos norte-americanos, na Fundação Juan March, e onde tomou contacto, pela primeira vez, com nomes como Diane Arbus, Danny Lions ou Walker Evans. Paixão é uma palavra que gosta pouco de usar quando fala do seu trabalho. Prefere remetê-la para os seus passeios de mota, um prazer que faz parte de si mesmo desde a juventude. A fotografia é algo mais sério, consciente e lúcido. FOTOGRAFIAS CEDIDAS PELO MUSEU REINA SOFÍA MOMENTOS DE ONDE NÃO SE VOLTA com nostalgia que fala: “reconheço o dia... reconheço os que lá estão...”. Aliás, essa é também uma das virtudes da fotografia: esse lado que testemunha um tempo passado. “De donde no se vuelve” foi precisamente o título que acolheu a retrospectiva da obra de García-Alix, apresentada entre Novembro de 2008 e Fevereiro de 2009 no Museu Reina Sofía, em Madrid. Uma exposição acompanhada de um documentário em vídeo que abrangeu 30 anos de carreira do fotógrafo, através da sua visão autobiográfica, dos movimentos sociais e culturais que se sucederam em Espanha a partir da década de 80, dos diferentes olhares que marcaram as várias épocas. Todos eles cristalizados no tempo, todos eles momentos de onde não se volta. Alberto García-Alix é hoje apontado como o fotógrafo da ‘Movida’ madrilena, o movimento artístico e cultural que eclodiu durante o período pós-franquista e se prolongou até meados da década de 80. Numa outra entrevista, García-Alix conta que a fotografia “foi um caminho de conhecimento”, tanto de si mesmo como dos outros. “Um caminho de expressão” que o obrigou e obriga sempre a fazer uma análise do que está a ver. “Obriga-me à busca de uma imagem; obriga-me a dar algo de mim. A fotografia é sempre decidir como e o que quero ver e, portanto, é um processo de busca”. Um processo de busca que nunca chega ao fim. Hoje, em plena era digital, considera-se “um dinossauro” que trabalha à sua maneira e está já “um pouco fora de moda”. As novas tecnologias servem-lhe hoje apenas para trabalhar em vídeo. Afinal, foi no laboratório que tudo começou um dia, já lá vão mais de 30 anos. Abril 2012 Fora de Série 73 crónica Isto é como tudo . João Pedro Oliveira ABR IL E OS ESPANHÓIS H ouve um tempo em que acreditei. Pelo menos tenho ideia que sim. À meia-noite em ponto estalavam foguetes e o meu irmão insistia que aquele arraial era à conta dele. Com o tempo a memória constrói-se, ou constrói-nos, nem sei bem. Sei que me lembro de ser assim. E como tudo o que nos pertence só acontece ali, no palco da lembrança de tudo o que foi como talvez tenha sido, na convocação dos lugares, dos dias e dos ausentes pela imagem que deles guardamos, direi que foi assim mesmo que aconteceu. Que houve um tempo em que acreditei. Lá em casa era costume esperar a meia-noite para dar os parabéns a quem fazia anos no dia seguinte. E sendo o dia seguinte feriado, também a mim, mesmo nesse tempo, me era concedido ficar acordado pelo meu irmão. Depois, à hora certa, estalavam foguetes e estoiravam morteiros e o céu incendiava-se de cor e o meu pai punha um disco a tocar. Aquele disco. Então era o meu irmão a convencer-me, a mim, dez anos mais novo, de que aquele arraial era à conta dele, e eu a pensar por que diabo insistia o meu pai em comemorar a nascimento de um filho e só daquele com uma música do José Afonso. Não sei quando foi que deixei de acreditar. Quando foi que percebi que era só coincidência, sorte a do meu irmão ter nascido a 25 de Abril, um dia como os outros que um dia passou a ser feriado. Ainda assim, a inveja permanece. Ele ganhou direito a foguetes sempre que faz anos. E o que eu não dava por tê-los também. Então meu querido, deu-te outra vez a nostalgia da infância e das memórias perfeitas, foi? Reconheço que sim, que também, mas não, nem é tanto isso que me traz a esta história. É que houve um tempo em que acreditei e nesse tempo eu seria criatura para ter a idade do meu filho. E agora são trinta anos depois e eu passeio com ele pela mão, rua afora por Lisboa, e o miúdo a perguntar-me se os Restauradores se chamam Restauradores por ser lugar de muitos restaurantes. Começo por sorrir da graça, mas depressa me vejo aflito com a conversa de porquês que ali se adivinha. Restaurar, restauração, restaurante: gasto uma infinidade de tempo a dizer o que cada coisa quer dizer e ele parece simplesmente feliz por aprender uma palavra nova. A medo, lá lhe vou falando de um outro tempo em que havia um rei e depois deixou de haver e veio o rei dos espanhóis e ocupou o lugar. Nós, que somos portugueses e já nesse tempo queríamos ser, passámos muitos anos a deixar que eles mandassem em nós, mas depois alguém se fartou disso e decidiu restaurar o que havia antes, nós por nós e os outros 74 Fora de Série Abril 2012 lá na terra da mãe deles. E é por isso, explico-lhe, que há um dia, o primeiro do último mês, em que eu não trabalho e ele não vai à escola. Ele acha graça à ideia, pergunta se os espanhóis são maus, se foram eles que inventaram a escola e se tudo isto foi antes ou depois dos dinossauros. De novo engraço, de novo estremeço. Gasto outra infinidade de tempo a dizer o que cada coisa quer dizer e ele parece simplesmente feliz por aprender uma ideia nova. (Ser português é diferente de ser espanhol e nós gostamos disso e por isso fazemos um dia de festa e nesse dia ninguém faz coisas de que não gosta. É pai?) Abano a cabeça num sim aliviado. Isto é portanto uma conversa sobre o fim dos feriados. Reconheço que sim, que também, que falo da memória que nos constrói e não dispensa os gestos simbólicos que nos definem nem as datas comemoradas pelas razões que herdamos. Mas insisto que é mais. É que eu lembro-me de que houve um tempo em que acreditei, ou pelo menos tenho ideia que sim, o que vai dar ao mesmo. Depois deixei de acreditar no meu irmão para acreditar no meu pai. Quando estalavam os foguetes, ele insistia em pôr o disco. Lá em casa já não havia bandeiras nem cartões de partido, instintos revolucionários ou consciências inflamadas. Mas havia aquele gesto, à hora certa, o meu pai agachado junto ao armário do vinil à procura de um disco que tantas vezes tinha ouvido em quase silêncio e agora queria ouvir apenas porque sim, porque podia e era bom. Eu seria criatura para ter um pouco mais de idade que o meu filho e perguntas já por fazer. E o que vinha com as respostas era que nada é garantido, que tudo o que é bom se conquista e depois se defende e se constrói como a memória, e que houve um tempo antes de haver foguetes pelo meu irmão em que não era sequer bom fazer perguntas em voz alta, menos ainda ouvir música assim. Enfim, que o mundo melhorava e avançava, dele para mim. E eu ia construindo. Mas então, que vem a ser isso afinal? Deste em pessimista? Reconheço que sim, que também, mas não, nem é tanto isso que me traz a esta história. É que houve um tempo em que eu acreditei. Pelo menos tenho ideia que sim. Primeiro no meu irmão, depois no meu pai, e entre ambos o mundo foi-me fazendo sentido e feliz por isso. Nesse tempo eu seria criatura para ter a idade do meu filho e pouco mais. Hoje olho para ele e sei que jamais vai acreditar que o arraial que ainda vai estalando seja à conta do tio. Como sei que amanhã terei dificuldade em explicar-lhe porque insisto em ouvir sempre aquele disco antes de pegar no telefone para dizer parabéns.