Revista distribuída com o Diário Económico nº 5405 de 13 de Abril de 2012. Posteriormente vendida em banca ao preço de capa de 1,60 euros.
SETE CHEFS,
14 ESTRELAS
DO MAIS
FAMOSO GUIA
GASTRONÓMICO.
A CIDADE TEM
ISTO TUDO.
É UM NEGÓCIO,
UMA MARCA,
UMA MÁQUINA,
UMA DOENÇA.
O REAL MADRID
É O CLUBE DOS
MILHÕES.
FOR A DE SÉRIE,
ABRIL 2012
ESPECIA L
MADRID
É a capital mais próxima de Lisboa. Uma hora de avião
e lá estamos. Para negócios, lazer, boa vida. Se quer saber porque
é que Madrid nos mata, passe às páginas seguintes.
Uma única viagem pode mudar o rumo de uma vida. Cambodja, Maio de 2011.
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Museu
M
useu do
o Prado
Madrid
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A arte aqui não está
apenas nos museus
*
20
14
TUDO NO
REAL MADRID
É ARRASADOR.
No universo
do futebol, não há
nada mais próximo
de Hollywood.
CINCO
EMPRESÁRIOS
PORTUGUESES
contam como
é fazer a vida entre
Lisboa e a capital
espanhola.
SUMÁRIO
52
A ‘aficción’
de toureiros e
matadores inspirou
um editorial de moda
com muito ‘salero’.
OLÉ!
Salamanca, Chamberí,
Boadilla, La Moraleja.
São os bairros mais
disputados de Madrid.
TODOS QUEREM LÁ
MORAR.
‘CHEFS’
ESTRELADOS?
Já demos.
Mas e se forem “só”
os sete que, em
Madrid, detêm duas
estrelas do guia
Michelin? Fomos
conhecê-los.
Presidente Nuno Vasconcellos Vice-presidente Rafael Mora Administradores Paulo Gomes, António Costa Directora
Administrativa e Financeira Elisabete Seixo Director Geral Comercial Bruno Vasconcelos Redacção, Administração e
Publicidade Rua Vieira da Silva, nº45, 1350-342 Lisboa, Telf. 21 323 67 00/ 21 323 68 00 - Fax 21 323 68 01 Delegação Porto
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Director António Costa Director-executivo Bruno Proença Subdirectores Francisco Ferreira da Silva, Helena Cristina
Coelho e Pedro Sousa Carvalho Editores Executivos João Pedro Oliveira e Renato Santos Editora de Fecho Gisa Martinho
Fora de Série Rita Ibérico Nogueira (editora), Ana Filipa Amaro (coordenadora), Inês Queiroz (textos), Cristina Borges
(secretariado), Colaboradores Ana Viegas, Diana Moreira, Filipe Carriço, Gonçalo F. Santos, Joana Rei, Pedro Marta Santos
Produção Ana Marques (chefia), Artur Camarão, Carlos Martins, João Santos Tratamento de imagem Samuel Rainho
(coordenador), Paulo Garcia, Pedro Felipe e Tiago Maia Grandes Repórteres Ana Maria Gonçalves, Hermínia Saraiva, Lígia
Simões, Luís Rego, Maria Teixeira Alves e Nuno Miguel Silva Destaque Mónica Silvares (editora) Economia Marta Moitinho
Oliveira e Catarina Duarte (coordenadoras), Cristina Oliveira, Denise Fernandes, Luis Reis Pires, Margarida Peixoto, Paula
Cravina de Sousa Política Ana Petronilho, Filipe Gracia, Inês David Bastos, Márcia Galrão e Miguel Costa Nunes Empresas
58
Patrícia Silva Dias (coordenadora), Cátia Simões, Dírcia Lopes, Eduardo Melo e Sara Piteira Mota Finanças Tiago Freire
(editor), Alexandra Brito e Luis Leitão (coordenadores), Catarina Melo, Maria Ana Barroso, Margarida Vaqueiro Lopes, Marta
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Opinião Ricardo da Costa Nunes (editor) DE online Pedro Latoeiro (coordenador), Rogério Junior (webdesigner), Alberto
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e Paulo Alexandre Coelho Assistente de Direcção Rita Rodrigues Secretariado Geral Dulce Costa Redacção do Porto
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AS NOVIDADES
FORA DE SÉRIE
NUM NOVO ESPAÇO
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RITA IBÉRICO NOGUEIR A
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DE MADRID COM AMOR,
E SEM SAPOS
sapo é grande e já tem barbas de tão velho. Espanha deve de o engolir há mais de seiscentos
anos, num campo de batalha nas imediações de
Aljubarrota e, rezam as crónicas, que nunca mais
Portugal deixou de ser um batráquio atravessado
na garganta castelhana. No embate entre os exércitos régios de D. João I de Portugal e D. Juan I de
Castela, em Agosto de 1385, aconteceu o que hoje
não acontece no futebol: Espanha perdeu. Portugal ganhou a independência e um rei, o primeiro
da dinastia de Avis, e toda a glória de Descobrimentos que se lhe seguiu.
Os portugueses, que sempre tiveram a mania
de serem independentes (e conseguiram-no, uma
vez mais, naquela que ficou marcada como uma
das mais importantes batalhas da nossa história),
também engoliram uns tantos sapos ao longo dos
anos. Isto de ter Espanha e Portugal como vizinhos
e rivais deu muito que fazer aos historiadores. Casamentos, alianças, batalhas e tratados depois,
chegou o tempo em que se enterraram os machados de guerra e se normalizaram as relações diplomáticas entre os dois países. Há, na península de
terra que os isola do resto da Europa, espaço para
os dois, diferenças e semelhanças sócio-culturais à
parte. Com o tempo, Espanha e Portugal perceberam que tinham mais a ganhar se se mantivessem
unidos do que de costas voltadas. Da vizinhança
ninguém os livraria, por isso mais valia seguirem
em frente. E começou a falar-se do mercado Ibérico. E é aqui, depois de uma curta introdução histórica, que queremos chegar.
Depois de uma edição especial dedicada à Avenida da Liberdade, a outra totalmente dedicada à
cidade do Porto, a Fora de Série estreia-se nos guias
de cidades internacionais. Madrid foi a escolhida
para marcar esta primeira internacionalização
por razões óbvias. É a capital europeia mais próxima de Lisboa. Uma hora de avião, seis horas de
carro. E lá estamos, para negócios, lazer, boa vida.
Sobretudo negócios.
São muitos os portugueses que olham para a capital espanhola como o prolongamento natural das
suas actividades. E vivem, entre a ‘Movida’ madrilena, Lisboa e o resto do mundo. São portugueses
12
Fora de Série Abril 2012
de hoje, para quem não há fronteiras: só negócios
e todas as portas que estes podem abrir ao sucesso.
Saiba o que distingue os dois mercados, português
e espanhol, na perspectiva de alguns empresários
portugueses: Luís Pessanha, o homem que vende
Ferraris e Maseratis aos madrilenos; Manuel Louzada, o enólogo da LVMH; Madalena Beirão, que
leva saltos altos portugueses da Zillian aos pés das
espanholas; Luís Figueiredo, que levou as roupinhas encantadoras da Laranjinha à alta sociedade
do Bairro de Salamanca; entre outros.
A bem da verdade e da transparência, é importante que se diga que não foram imperativos históricos ou do foro económico a ditarem o porquê
desta edição. Foram, sim, critérios gastronómicos.
A ideia começou por ser fazer uma reportagem com
os ‘chefs’ espanhóis com estrelas Michelin. Espanha tem sido, aliás, um ‘case study’ nesta matéria.
Ferran Adrià e os seus seguidores colocaram o país
no mapa global da gastronomia de topo e têm vindo a fazer escola. Fazia sentido, então, uma viagem
a Madrid para conhecer as estrelas mais famosas
desta constelação do guia encarnado. Foi o que fizemos. E, nestas páginas, juntam-se sete ‘chefs’, 14
estrelas, e muitas ideias diferentes, ingredientes originais, em retratos que ajudam a contar a história.
A gastronomia inspirou o resto, e de repente
nasce toda uma revista com sotaque castelhano.
Do imprescindível guia para saber onde ir e o que
não perder pelas ruas de Madrid, à saga familiar
dos Thyssen – que de industriais do aço especializados em elevadores, deixaram que a paixão pela
arte levasse a melhor e os transformasse num dos
principais mecenas da cidade, com uma colecção
de arte que rivaliza com as melhores do mundo
–, passando pela arte do toureio e a tradição dos
matadores, seguindo para o negócio milionário
do Real Madrid, o clube que colecciona títulos (e
estrelas e antipatias), a Fora de Série de Madrid
deixou-se contagiar pela energia da capital espanhola. Afinal, de Espanha podem vir bons casamentos. Este, entre a FS e o país com que fazemos
fronteira, já se sente bafejado por um ventinho de
sucesso. Não há vestígios de sapos. ‘Bienvenidos’
a Madrid!
Capa: fotografia de Ana Viegas. ‘Bustier’ em cetim de seda Storytailors.
Sapatos em camurça com cristais Giuseppe Zanotti. Brincos em
ouro rosa e granada e anel em ouro rosa, granadas e safiras brancas
naturais, ambos Mimi. Acessório Valentim Quaresma. ‘Jaquetilla’ de luz
bandarilheiro. Sumário: fotografia de Pete Gardner/GettyImages.
destaque
Em Julho de 2009, Cristiano
Ronaldo foi apresentado aos
sócios do Real Madrid no
estádio Santiago Bernabéu.
Vestindo na época a camisola
9, Ronaldo protagonizou a
contratação mais cara da
história do futebol mundial,
tendo custado ao clube uns
módicos 94 milhões de euros.
LOS BLANCOS
Com um mercado global de 200 milhões de simpatizantes, o Real Madrid já venceu 9 Taças e Ligas
dos Campeões Europeus, 3 Taças Intercontinentais, 2 Taças Uefa e 31 campeonatos de Espanha.
Mas o Real é mais do que um clube. É uma missa dominical, uma doença crónica, uma máquina de
vitórias, um meganegócio e uma marca planetária. Tudo nos ‘merengues’ é grande, até as antipatias
que suscita. Mas a sua equipa pode ser arrasadora e, no universo cada vez mais empresarial do futebol,
não há nada mais próximo da história de Hollywood do que a história recente de ‘los blancos’.
T E X T O D E P E D R O M A R TA S A N T O S
14
Fora de Série Abril 2012
FOTOGRAFIA DE JUAN MEDINA/REUTERS
“LA DECIMA”. É a obsessão do Real Madrid: ganhar a décima taça de campeão da Europa de clubes. A final é no próximo mês, dia 19, na Allianz
Arena de Munique. Mas há um obstáculo: um clube que se confunde com a região onde cresceu, pátria do mais belo futebol à face da Terra, chamado
Barcelona. Todos os gigantes têm o seu nemésis. E
não há gigante mais feroz do que o Real Madrid.
Dentro e fora do campo.
Começou modesto, nas traseiras de uma loja perto do Paseo de la Castellana, a “Al Capricho”, no dia
6 de Março de 1902 (fez há pouco 110 anos). Juan Padrós Rubio, o dono da “Al Capricho”, foi eleito presidente do Madrid Football Club por quatro amigos.
Foram os primeiros cinco sócios. Escolheram logo
o equipamento, inspirado no célebre London Corinthians. Camisola e calções brancos, meias azuis,
emblema púrpura. Mantém-se praticamente igual
há mais de um século. Nasciam os ‘merengues’, ‘los
blancos’, anjos letais para os adversários. O primeiro
jogo foi três dias depois, entre conhecidos e comparsas, para ver quem ficava no plantel. Não existiam
provas oficiais, nem sequer no município de Madrid.
Tiveram de inventar a própria competição. Contrataram Arthur Johnson, um inglês, para treinador –
tudo o que vinha de Inglaterra era bom, já que os britânicos eram os criadores do jogo e organizavam um
torneio de prestígio, a Taça de Inglaterra, desde 1872.
Um mês após a formação, Padrós foi fazer ‘lobbying’
– uma especialidade do Madrid – junto do presidente de câmara da capital, para que fosse organizado
um torneio em homenagem à coroação de Afonso
XIII. Em Maio, começou a Copa del Rey, com um jo-
Abril 2012 Fora de Série
15
destaque
go entre o Madrid Football Club e o… Futbol Club Barcelona. Ganhou o Barça. Começava a guerra.
O Madrid não se ficou: a partir de 1905, venceu
quatro taças consecutivas, mais uma mão-cheia de
campeonatos regionais na década seguinte. O monarca Afonso XIII tornou-se um adepto tão fervoroso do
clube que lhe atribuiu o título de “real” em 1920. O Real Madrid passou o seu primeiro ano de nobreza em
digressão por Portugal. Em 1928, finalmente, foi criado o Campeonato Nacional de Espanha. À quinta época, o Real venceu-o. Seria o primeiro de trinta e um.
Mais dez do que o arqui-rival.
Em 2012, o Real Madrid é mais do que um clube. É
uma missa dominical, uma doença benigna, uma máquina de vitórias, um meganegócio e uma marca planetária. A mudança operou-se nos anos 90. A Taça dos
Campeões Europeus, que o Real Madrid conquistou cinco vezes seguidas entre 1955 e 1959 – com nove vitórias
na competição, a última das quais no ano do seu centenário, os ‘merengues’ são os recordistas de sempre –
transformou-se na Liga dos Campeões, e os prémios disponibilizados pela UEFA, a associação europeia de futebol, multiplicaram-se. Explodiu o negócio das transmissões televisivas, abriram-se os mercados norte-americano e, sobretudo, asiático. E começou a era do marketing:
o Real foi dos primeiros clubes a perceber que uma boa
estratégia comercial era a chave da nova equação futebolística. Hoje, quase 40% das suas receitas provêm do
‘merchandising’ e dos produtos associados à marca.
16
Fora de Série Abril 2012
SANTIAGO BERNABÉU
TORNOU-SE PRESIDENTE
EM 1943 E SÓ SAIU 35 ANOS
DEPOIS (É O ÍDOLO DE
PINTO DA COSTA, QUE
BATEU ESTE RECORDE DE
LONGEVIDADE EM 2007).
De volta ao comando do clube em 2009, após as acusações de falseamento dos resultados eleitorais contra
o presidente deposto Ramon Calderón, Florentino Pérez era agora, de acordo com a “Forbes”, dono do segundo maior grupo de construção civil do mundo, a ACS.
Procurou revisitar as glórias da armada de 50-55, onde
Gento, Puskas e Di Stéfano dizimavam os adversários
como botes numa privada batalha naval, ou o futebol
excitante da “Quinta del Buitre”, com Michel, Sanchis,
Hierro, Hugo Sanchez e o inevitável Butragueño a usarem a imaginação para golear meia Europa. Mas regressou à velha táctica, reforçando-a: na época de transferências de 2009-2010, Pérez gastou 250 milhões de euros em
jogadores, incluindo a contratação mais cara da História do futebol, um rapaz supersónico de tronco muito
apreciado por britânicas calorentas e pseudo-vedetas californianas – ao custar 94 milhões de euros, Cristiano
Ronaldo tornava-se o segundo capítulo lusitano no li-
FOTOGRAFIAS DE VICTOR FRAILE; PAUL HANNA/DESMOND BOYLAN/RUSSELL BOYCE/SERGIO PEREZ, TUDO REUTERS
A ER A GA L ÁCTICA
Sendo o Real um clube monárquico, a sua história é selada pelo reinado dos seus presidentes. O mítico Santiago
Bernabéu, que foi ponta de lança do clube nas décadas de
10 e 20, tornou-se presidente em 1943 e só saiu 35 anos
depois (é o ídolo de Pinto da Costa que, persistente, bateu este recorde de longevidade em 2007). No primeiro
reinado no clube, entre 2000 e 2006, o actual presidente Florentino Pérez, um antigo político – foi secretário-geral do Partido Reformista Democrático e candidato
às eleições gerais de 1986 –, empresário de construção
civil com sageza de diplomata, criou a estratégia para
vencer as maiores competições do planeta – foi a chamada “era dos galácticos”. O princípio era simples: contratar os melhores futebolistas pelo seu valor comercial,
como Hollywood contratava Tom Cruise ou Harrison
Ford por 20 milhões de dólares o filme, potenciando a
sua dimensão de estrelas globais, gerindo os respectivos direitos de imagem (ao contrário de outros grandes
clubes, como o Manchester United, o Real detinha 50%
da imagem dos seus jogadores) e multiplicando a venda
de equipamentos e camisolas. O primeiro foi Luís Figo,
uma fábrica de fintas com disciplina teutónica, por 52
milhões de euros. Pérez roubou-o ao inevitável Barcelona, onde Figo era ídolo e capitão. Foi um golpe de génio. No ano seguinte contratou Zinedine Zidane, o bailarino do Magrebe, aos italianos da Juventus, por 75 milhões, um recorde à época. A seguir, Ronaldo, o cilindro
goleador brasileiro, por 40 milhões. Como a cereja num
bolo merengado, recrutou David Beckham, o príncipe
dos cruzamentos, por mais 44 milhões – Pérez percebeu
que, ao contratar Beckham, estava a garantir, não apenas um jogador de futebol, mas uma mini-indústria de
receitas adicionais, com impacto acrescido no Este Asiático (o inglês valia ainda mais vestido com a camisola
Adidas do Real do que despido em roupa interior da Armani). Claro que, sem sucesso desportivo – esse irritante elemento aleatório –, nada funcionaria. Funcionou.
Mas a seguir, o céu branco desvaneceu-se. Em 2003,
a equipa começou a perder. Os egos das estrelas chocavam como camiões desgovernados, as novas contratações milionárias – Michael Owen, Robinho – pouco
adiantaram, e Pérez demitiu-se em 2006 após mais um
desaire precoce, desta vez contra o Arsenal. Recomeçava
o domínio republicano do Barcelona.
Luís Figo foi o primeiro
“Galáctico” a dar
corpo à nova táctica
‘hollywoodesca’ que
o presidente Florentino
Pérez queria aplicar ao
clube. Ao lado, o português
disputa uma jogada com
José María Movilla,
do Zaragoza, na final da
Taça do Rei, em 2004.
O bailarino do Magrebe
Zinedine Zidane,
o goleador brasileiro
Ronaldo, o príncipe
dos cruzamentos
David Beckham e, mais
tarde, outro português,
Cristiano Ronaldo,
completaram a formação
(em baixo, no sentido
dos ponteiros do relógio).
Os “galácticos” nunca mais
deixaram de brilhar.
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destaque
vro de ouro do Real. Alguns cifrões mais tarde, chegou
o especialíssimo José Mourinho, derradeira esperança
dos madrilenos em superar a orquestra ‘blaugrana’ e o
seu primeiro violino, o imberbe – e assassino – Lionel
Messi. O Barcelona, de aposta sistemática na ‘cantera’ (a
escola de formação do clube) e privilegiando a linguagem do colectivo, voltava a ser o oposto do Madrid. Mas
Mourinho é tão irritante como engenhoso, e o Real está
prestes a ganhar o campeonato deste ano.
NEG ÓCIOS E PODER
Mantendo algumas características “clássicas”, como
a recusa de aderir à lógica puramente empresarial das
sociedades anónimas desportivas – o clube continua a
pertencer aos seus 110 mil sócios –, o Real foi considerado, segundo a avaliação da Deloitte, o clube mais rico
do mundo em 2010/2011 pela sétima vez consecutiva.
O seu volume de negócios duplicou desde 2002: 479,5
milhões de euros. O Barcelona ficou em segundo lugar
(451 milhões), mas onde os deuses consagram o futebol
– no relvado – o Barça foi novamente vencedor, conquistando a sua quarta taça de campeão da Europa.
O facto de Barça e Real poderem negociar os seus
direitos televisivos individualmente, ao contrário da
maioria dos clubes espanhóis e europeus (além dos direitos internos, o Real vende o seu canal de TV pago
para 90 países), explica o distante terceiro lugar de outro colosso, o Manchester United (que sofre também
com as dificuldades financeiras do seu proprietário, o
norte-americano Malcolm Glazer). O ‘ranking’ sugere
um abuso de posição dominante, esse monopólio dos
mais fortes que vai retalhando a “verdade desportiva”:
um quarto do total das receitas do futebol europeu (4,4
mil milhões de euros) pertence a apenas 20 clubes. No
Real, os acordos de ‘sponsorização’ com marcas como
a Coca-Cola, a Audi, a Bwin.com e a cerveja espanhola Mahou têm-se revelado compensadores, e o regime
de impostos para os jogadores estrangeiros durante as
primeiras cinco temporadas em ‘La Liga’ (o campeonato espanhol) é muito mais favorável do que as pesadas obrigações fiscais em Itália e, sobretudo, Inglaterra.
Quanto ao valor dos atletas, Peréz já disse que, para ele,
18
Fora de Série Abril 2012
AO CUSTAR 94 MILHÕES
DE EUROS, CRISTIANO
RONALDO TORNAVA-SE
O SEGUNDO CAPÍTULO
LUSITANO NO LIVRO
DE OURO DO REAL.
há dois tipos de jogadores: “os jogadores-despesa e os
jogadores-lucro”. Os primeiros, como os ‘blaugrana’ David Villa e Andrés Iniesta, ou David Silva, do Manchester City, são grandes futebolistas. Porém, falta-lhes o
‘glamour’ e o impacto social. Os segundos, como Cristiano Ronaldo ou David Beckham, são fenómenos mediáticos na Ásia e por todo o mundo anglo-saxónico.
Ou seja: geram sempre dinheiro. Mas é também por isso que o Real Madrid gera tanto ódios como paixões. E
para os seus detractores, as rosas brancas do Real têm
vários espinhos: Pérez viu-se obrigado a contrair um
empréstimo à banca de 151 milhões de euros em 2009
para financiar uma parte das faraónicas contratações,
e a oposição aumentará se novos troféus não surgirem
– só Eugénio Martinez, ex-banqueiro da HSBC, tem um
grupo organizado de 1500 adversários do actual líder.
Segundo o jornal catalão “El Periódico”, durante o primeiro mandato no Real o presidente teria aumentado
a sua fortuna pessoal em 500 milhões de euros, e alguns apontaram-lhe relações estreitas com o PP de José
Maria Aznar (as relações do Real com o poder sempre
foram controversas, desde os tempos da cumplicidade
franquista). A venda de terrenos do clube para urbanização e os acordos firmados com a câmara municipal de Madrid para a remodelação da zona em redor do
Santiago Bernabéu (o 5º maior “museu” da cidade, com
700 mil visitas anuais) desagradaram a vários concorrentes do Real, que acusam o clube de alimentar uma
política megalómana de contratações graças a negócios extra-desportivos.
Com um mercado global de 200 milhões de simpatizantes, o Real foi considerado pela FIFA o clube
mais importante do século XX. No século XXI, o problema é o habitual, fala catalão e joga como um sonho
hispano-argentino. Será o sotaque português de ‘los
blancos’ suficiente?
FOTOGRAFIAS DE SERGIO PEREZ/ANDREA COMAS/VINCENT WEST/PAUL HANNA, TUDO REUTERS
Em cima, o estádio Santiago Bernabéu é o 5º maior “museu”
de Madrid. Os 110 anos de História do clube contam-se também
neste espaço. Ao lado, o teinador português José Mourino, amado
por uns, detestado por outros tantos (principalmente os media
espanhóis). Em baixo, o presidente do Real, Florentino Pérez.
O QUE É NACIONAL É REAL
Pepe já lá estava desde 2007. Cristiano
Ronaldo foi recrutado em 2009. José
Mourinho chegou em 2010, exigindo a
contratação de Ricardo Carvalho. No
início desta temporada, foi a vez de Fábio
Coentrão. Se a eles juntarmos os adjuntos
Rui Faria, Silvino, treinador de guarda-redes,
e o preparador físico José Morais, há oito
portugueses em lugares-chave da estrutura
do Real Madrid. Os ‘merengues’ não são
apenas o grande clube “estrangeiro” mais
português da actualidade. São o grande
clube mais português da actualidade, ponto.
Senão repare-se: os habituais titulares
portugueses do FC do Porto são Rolando e
João Moutinho; no Sporting, jogam sempre
Rui Patrício e João Pereira (Daniel Carriço ou
André Santos passam mais tempo no banco
do que no relvado); no Benfica, o onze-base
é constituído por quatro brasileiros (Artur,
Emerson, Luisão e Bruno César), um uruguaio
(Maxi Pereira), um espanhol (Javí Garcia),
um belga (Axel Witsel), um paraguaio (Óscar
Cardozo) e três argentinos (Garay, Gaitan
e Aimar) – não há um único lusitano para
amostra (até o Apoel de Nicósia, do Chipre,
tem mais na equipa titular). Quando Ronaldo,
Pepe e Coentrão jogam juntos – o que
acontece com frequência – o Real treinado por
Mourinho é a equipa portuguesa de eleição.
Pepe custou 30 milhões de euros.
Ricardo Carvalho, 6,8 milhões. Fábio
Coentrão, outros 30. E a 11 de Junho de 2009,
Ronaldo tornou-se a transferência mais
cara da História do futebol: 94 milhões de
euros. O Real é um ‘voucher’ de massagens
à auto-estima nacional.
Ronaldo, Pepe, Fábio Coentrão, Ricardo Carvalho, José Mourinho,
Rui Faria, José Morais e Silvino. Entre jogadores e técnicos, há oito
portugueses no Real. O clube é uma massagem ao ego nacional.
Abril 2012 Fora de Série
19
destaque
ELES FA ZEM
NEG ÓCIO
EM M A DR ID
Grande parte do tempo andam a viajar pelo mundo, porque a profissão assim
os obriga. Mas têm em Madrid a cidade onde tudo acontece. Gostam da agitação,
já se habituaram às conversas em tom acelerado dos madrilenos. Acima de tudo
têm paixão pelo que fazem. Nos vinhos, nos carros, na consultoria de marketing, na
moda infantil ou no calçado. Falámos com alguns dos empresários portugueses que
estão em Madrid, a trabalhar e/ou a viver. Os negócios vão bem. Sobra é pouco tempo
para aproveitar mais a cidade.
FOTOGRAFIA DE PAULO FIGUEIREDO
T E X TOS D E ANA CU N HA ALM EI DA
20
Fora de Série Abril 2012
VENDEDOR DE
AUTOMÓVEIS
Luís Pessanha está à frente da Santogal
em Madrid, que tem o exclusivo Ferrari
e Maserati. Alma de vendedor não lhe
falta. Mas do que ele gosta mesmo é de
responder às necessidades das pessoas.
Sobretudo se falarmos de cilindradas.
O
u se tem dinheiro ou não se
tem. Quem tem dinheiro
compra com a mesma naturalidade um Ferrari ou um
Maserati em Lisboa, no Porto ou em Madrid. Não há diferenças quanto às negociações. “Talvez os espanhóis sejam
mais rápidos na decisão de compra”, diz
Luís Pessanha, director-geral do concessionário oficial Ferrari – Maserati Santogal. O resto são pormenores… culturais.
“Apesar de a crise estar instalada, as
pessoas não deixam de viver”, diz Luís
Pessanha. Em 2011, a Santogal vendeu
30 Ferrari e 10 Maserati em Espanha
contra 22 Ferrari e 5 Maserati em Portugal. Nesta fase, “as encomendas estão cerca de 20% abaixo do ano passado,
mas como estamos a apresentar um carro novo podemos mudar estes números”,
afirma o director-geral.
Luís Pessanha passa um terço do seu
tempo em Madrid. E se há coisa que gosta é de ver a animação e o movimento
nas ruas, sobretudo ao fim do dia. Quando fala das diferenças entre os dois mercados, dá exemplos: “em Portugal nunca vendi carros com os estofos em castanho chocolate. Em Madrid, já”. Os madrilenos são mais arrojados. “O encarnado ainda se usa mais em Portugal, como
os cinzentos ou pretos. Em Espanha já se
vê mais o branco, os azuis”, acrescenta.
Mas na Ferrari é possível fazer tudo. É só pedir. “Se quiser um carro todo
em ‘denim’, nós fazemos, pode fazer um
carro todo baço, pode personalizar como quiser, até pode ser todo camuflado.
Mandamos vir da fábrica em Itália”.
Encomendar um carro destes pode
demorar entre oito a 24 meses, dependendo do modelo. Os que se vendem
mais são os de oito cilindros (face aos
12 cilindros) e estes representam cerca
de 70% do negócio. Quanto a números,
a Santogal facturou 60 milhões em Madrid e 500 milhões em Portugal, valores
que implicam o negócio de venda de outras marcas não de luxo, como Mercedes, Nissan ou Peugeot. Se contarmos
apenas as marcas de luxo – Ferrari e Maserati –, então, falamos de 10 milhões de
euros conseguidos em Madrid e oito milhões de euros em Portugal.
Profissionalmente, Luís Pessanha define-se como um vendedor de automóveis. Já lá vai o tempo em que a expressão “vendedor de automóveis” era depreciativa. Na Santogal tem ainda a possibilidade de vender qualquer carro, desde
um usado até a um carro de luxo. “Não
sou fanático da Mercedes, nem da BMW,
nem da Fiat. Sou fanático da necessidade do cliente. E como temos estas marcas
todas, dá-nos um ‘savoir-faire’ que é diferente”, explica o director-geral.
Luís Pessanha gosta, acima de tudo,
de pessoas e de ir ao encontro das suas
“APESAR DA CRISE, AS
PESSOAS NÃO DEIX AM
DE VIVER”, DIZ LUÍS
PESSANHA QUE, EM 2011,
VENDEU 30 FERR ARI
E 10 MASER ATI EM
ESPANHA.
necessidades. Diz que é uma questão de
“feitio”. Ainda quando era estudante de
Direito decidiu trabalhar de dia a vender
carros usados com um amigo, deixando
os estudos para a noite. E depois de licenciado continuou ligado ao ramo. “Entrei
para a Mocar em 1987. Sempre gostei da
estética de quatro rodas. Li uma entrevista ao Ralph Lauren, em que lhe perguntaram porque é que ele não comprava obras de arte. Ele respondeu, com piada, que as obras de arte para ele são os
automóveis, porque as obras de arte não
se podem conduzir. Eu concordo. O automóvel é uma história de homens e de
máquinas”, diz.
Depois, Pessanha foi ainda chefe de
vendas, tomou conta da Alfa Romeu em
Portugal desde 1997 até 2000. Até ser responsável pelo marketing na Santogal e
por uma equipa de vendedores a quem
gosta de chamar de embaixadores.
A conduzir agora o negócio da Santogal em Madrid – mercado onde a empresa entrou em 2007 – Luís Pessanha diz
que se aprende com a experiência. “Há
ciclos melhores e ciclos piores. Já tenho
vivido momentos mais e menos animadores. O importante é manter a serenidade. Dançamos conforme a música”.
Em Madrid gosta de estar na varanda
do Ritz, quer seja em lazer ou em reuniões de trabalho, com as suas equipas ou
clientes. “São os melhores almoços e jantares de Verão”, confessa.
Quando está em Lisboa anda num
Fiat 500 Cabriolet – ao fim-de-semana,
de Ferrari. Luís Pessanha, entrevistado
um dia depois de ter feito 55 anos, descreve-se como “um homem de família”.
Lá em casa todos gostam de carros. E
porque um homem que passou 25 anos
a trabalhar rodeado de carros tem de ter
um carro de sonho, descobrimos que o
seu é o Ferrari 550 Maranello com caixa
manual. Teria sido um bom presente de
aniversário. Não chegou a tempo. Mas,
segundo o próprio, “já está a ser tratado.
É um presente que mais tarde ou mais
cedo vai acontecer”.
Abril 2012 Fora de Série
21
destaque
O ENÓLOGO
Manuel Louzada é um homem viajado
à conta de bons vinhos e champanhes.
Entre Madrid e o resto do mundo, é
enólogo, director-geral da Numanthia e
acompanha a Estate & Wines. Negócios
do maior grupo de luxo, LVMH.
22
Fora de Série Abril 2012
“SER ENÓLOGO
É PROCUR AR A
EXCELÊNCIA ATR AVÉS
DA CRIATIVIDADE
DUR ANTE TODA A
VIDA. MAIS DO QUE
PROFISSÃO É PAIX ÃO”.
que tem um nervo, uma potência enorme por dentro! É um vinho que foi escolhido recentemente como um dos cinco
melhores vinhos de Espanha”, explica.
O enólogo descreve o Termanthia com
a expressão “mão de ferro numa luva
de seda”, pois tem uma enorme concentração mas com uma elegância única”.
Foi um dos cinco primeiros vinhos espanhóis que teve 100 pontos atribuídos
por Robert Parker.
Mas Manuel Louzada é também o
responsável do seguimento qualitativo de todos os vinhos da Estates & Wines, divisão da Moët Hennessy que inclui todas as adegas fundadas pela Moët
& Chandon (Chandon Argentina, Chandon Califórnia, Chandon Brasil e Chandon Austrália), adquiridas pela Veuve
Clicquot (Cloudy Bay, Cape Mentelle,
Newton Vineyards) ou fundadas posteriormente, como a Terrazas de los Andes, em todo o mundo. E agora que a
LVMH anunciou que vai iniciar a produ-
ção de vinho branco na China, chegará
o momento em que Manuel Louzada haverá de lá estar para a fase do seguimento qualitativo.
“A casa, a família, estão em Madrid
pelo que a semana é repartida entre Toro, uns quatro dias, em Madrid, os restantes” diz Manuel. Nesta profissão e, trabalhando para o maior grupo de luxo, o que
não faltam são viagens pelo mundo. “Passo umas 14 a 16 semanas em viagem entre Espanha, o resto da Europa até aos Estados Unidos, Japão e Austrália”. Mas sobra tempo ainda para “matar saudades da
família” em Portugal, o que, por norma,
acontece uma vez a cada dois meses.
Quando lhe perguntamos o que gosta em Madrid, não resiste a falar do La
Terraza del Casino, do Kabuki, do Mercado de San Miguel ou de picar tapas
perto da Plaza Mayor. Para fazer compras, escolhe a ‘calle’ Serrano, onde encontra a Loewe, uma das suas lojas espanholas favoritas.
FOTOGRAFIA DE GONÇALO F. SANTOS
J
á dizia o seu avô que “o mundo
do vinho é um mundo de diversidade…”. E é por isso que Manuel
Louzada, director-geral e enólogo da Numanthia, do grupo LVMH, não
consegue dizer qual o melhor vinho que
já provou na vida. Consegue, antes, enumerar uns quantos, como aqueles que
sempre estarão presentes na sua memória. “Como Cheval Blanc de 1998, ano
em que nasceu o meu filho Manuel, o
Champagne Krug 1988, que provei poucos dias depois do nascimento do meu
filho Pedro, o Champagne La Grande
Damme 1995, que bebi na noite do nascimento da minha filha Maria”.
Aos 42 anos, este português fala hoje
certamente melhor castelhano que português. Formou-se em Espanha e voltou
a Portugal para preparar a sua entrada
na Caves Messias, empresa que pertencia à família. Mas ao fim de alguns anos,
pareceu-lhe melhor ganhar experiência
fora do seio familiar e, em Abril de 1997,
começou a trabalhar na Porto Rozès, empresa que pertencia ao grupo LVMH. E
foi este o princípio de tudo o resto.
A LVMH acabaria por vender a Rozès
e, em Novembro de 1999, foi convidado
para ir para a Argentina assegurar o cargo de gerente de Enologia de Vinhos Espumantes da primeira e mais importante filial da Moët & Chandon fora de
França. Dois anos mais tarde, já era director de Enologia e Vinhedos da Chandon Argentina. Em 2006 estava como director de Enologia da Chandon Argentina, Terrazas de los Andes e da Cheval des
Andes. Em 2008 dá-se a aquisição da Numanthia e é nesse ano que Manuel Louzada começa a vir a Espanha para instalar-se, definitivamente, em 2009, como
director geral da Adega e enólogo.
Como é ser enólogo do maior grupo
de luxo do mundo? É uma pergunta com
duas respostas. “Ser enólogo é procurar
a excelência através da criatividade, durante toda a nossa vida. Mais do que profissão é paixão”, diz. E depois “é extremamente exigente e desafiante. Penso na
Numanthia como se fosse a minha própria empresa e tomo todas as decisões
como se assim fosse. Quando apresento
as diferentes acções e planos de negócio
futuros, estes já foram analisados em detalhe, estão bem argumentados e podem
ser defendidos mais facilmente, permitindo ter o apoio do grupo”, conta.
É na Adega Numanthia que elabora
três vinhos: Termes, Numanthia e Termanthia. Destes, apenas os dois últimos
se vendem em Portugal, que são precisamente aqueles que estão entre as referências de Toro e Espanha. “O Numanthia é um excelente exemplo de vinho
de Toro que, como um touro, tem umas
linhas externas cheias de pureza mas
MR. ‘WHY NOT?’
Ele (ainda) vai fazer 35 anos. É português
e fundou a Bloom Consulting, que já é
uma referência mundial. Vê-se como
empreendedor. E o que o motiva todos os
dias é trabalhar naquilo que gosta e sabe
fazer. O dinheiro vem por arrasto.
J
FOTOGRAFIA DE GONÇALO F. SANTOS
osé Filipe Torres vive e trabalha
em Madrid e viaja muito. Mas
agora que a Primavera chegou,
não se importava de estar sempre em Portugal. Diz que há um ambiente especial que torna os portugueses contentes e essa altura é aquela que
começa agora, quando as temperaturas
começam a subir e se prolongam até Setembro. “Do que é que eu sinto mais falta de Portugal?”. Se isto fosse um concurso, grande parte das pessoas diria:
“ele sente falta do mar”. Mas essa seria
a resposta óbvia. Apesar de ter sempre
vivido perto do mar em Portugal, “do
que sinto mais falta é de Portugal no Verão… nesta época do ano, andamos mui-
to contentes. É fantástico e se eu pudesse estava sempre aí. É quando as pessoas estão com energia positiva. E é nesse
momento que digo que Lisboa é a melhor cidade do mundo para viver”. Acreditamos porque a entrevista foi respondida em áudio e dá para perceber, pela
voz de entusiasmo, que é mesmo assim.
O CEO da Bloom Consulting foi para Madrid trabalhar na sequência de
um convite da multinacional inglesa Future Brand. Foram dois anos nesta empresa, onde implementou no sector uma coisa chamada ‘country branding’. “Percebi que era algo de que gostava muito e que era isto que queria fazer”, lembra. A isto seguiu-se a sua saída, com mais dois sócios, para criar a
Bloom Consulting.
Quando falamos de José Filipe Torres não falamos de um gestor ou de um
empresário. Falamos, como ele gosta
de dizer, com um empreendedor. Aos
34 anos, José segue a sua intuição, o seu
sonho, que equilibra com a gestão dos
“O QUE ME MOTIVA
É LANÇAR NOVOS
DESAFIOS, ACREDITAR
QUE SE CONSEGUE,
MESMO SE TIVERMOS
A MATEMÁTICA
CONTR A NÓS”.
números, essencial a qualquer negócio,
embora a preocupação com a questão financeira tenha aparecido mais com a
crise. “As pessoas deviam ir atrás daquilo que acreditam, daquilo que são boas a fazer. E isso vai-lhes trazer dinheiro como consequência. Essa é a minha
defi nição de sucesso. E com esta identifico-me bastante”, diz. Este conceito é
transversal e está interiorizado em toda a cultura da empresa.
A Bloom Consulting está hoje presente em cinco países, com escritórios
em Madrid, Lisboa, São Paulo, Sofia e
Milão e está em “constante negociação para abrir noutros países”. Está referenciada como uma empresa do top 3
a nível de ‘country branding’ no mundo inteiro. Mas o que é isto de ‘country
branding’? José Filipe Torres explica
que é a imagem do país vista como um
activo super importante. Hoje, “os países, cada vez mais, precisam e entendem a necessidade da imagem”. Muitas
vezes, o que acontece é que a percepção
que se tem de um país nem sempre é a
mais colada à realidade. E é aqui que o
‘country branding’ pode dar uma mãozinha, a ajudar a criar credibilidade. “O
que procuramos fazer é alinhar a percepção com a realidade. Agora, nunca,
em nenhum momento, exageramos ou
fazemos algo que não seja a verdade”,
acrescenta o empreendedor.
Trabalha uma média de 12 horas por
dia e qualquer coisa que seja abaixo de 10
horas é, para ele, anormal. Mas o trabalho é feito de altos e baixos. “Há momentos em que tenho estado a trabalhar 18
horas por dia durante vários dias seguidos”, confessa. Viaja também muito porque também precisa de “estar uma temporada nesses países para entender as
culturas. A Bloom nunca é estática nem
rotineira”. O trabalho mais recente que
desenvolveu foi o ‘country branding’ para a Polónia. “E foi magnífico”, diz José,
ao mesmo tempo que afirma que há uma
afinidade muito grande entre portugueses e polacos. “Nunca pensei que pudéssemos ser tão parecidos”. Mais até do que
com os espanhóis, de quem temos a mania que somos irmãos e muito parecidos.
Então a trabalhar é indiscutível. Os espanhóis são mais ‘straight to the point’, menos diplomáticos. Os portugueses não sabem dizer ‘não’. E os espanhóis sabem”.
Em Portugal já trabalharam com
“quase todas as marcas portuguesas”,
como são disso exemplo a Renova ou
a Delta Cafés e José revela ainda: “estamos a trabalhar ainda em projectos
que são confidenciais, mas muito relacionados com a mobilidade e veículos
eléctricos”. Actualmente, a facturação
em cada país ronda cerca de um milhão
de euros.
À pergunta se já trabalharam o
‘country branding’ de Portugal, a resposta é dada com um silêncio seguido
de: “é a história da minha vida. Já ouve
várias conversas mas nunca se chegou
a avançar com nada”. Certo, certo parece ser a recomendação que faz em jeito
de despedida: “follow your dreams and
everything will be all right”.
Abril 2012 Fora de Série
23
SALTOS ALTOS
PAR A AS
MADRILENAS
Altos ou baixos, em tons de pele ou em
cores garridas. O Verão está a chegar
e há mais uma nova colecção da Zilian
para conhecer. Madalena Beirão
conta-nos como a marca portuguesa
conquistou os pés das madrilenas.
M
artina Klein, a conhecida
modelo e actriz espanhola, foi escolhida para ser
a embaixadora da Zilian,
marca de sapatos portuguesa só para
mulheres. Depois de abrir a primeira loja em Madrid, em Agosto de 2011, pode
dizer-se que, por esta altura, as madrilenas já conhecem bem a marca. A Zilian
24
Fora de Série Abril 2012
também não fez a coisa por menos: um
espaço com 500 metros quadrados numa zona de excelência: ‘calle’ Goya, 22,
bairro de Salamanca. E um investimento de dois milhões de euros. É loja para
responder ao consumo da cidade.
Madalena Beirão, 31 anos, é o rosto
deste negócio bem português que nasceu em 2008. “Abrimos há pouco tempo
em Madrid, mas temos tido um ‘feedback’ muito positivo. As madrilenas ficaram muito agradadas com o conceito.
Acreditamos que se identificam com a
marca e com a oferta”, explica a gestora.
A chegada a Madrid deu nas vistas,
literalmente. Faz parte da “nossa forma
de comunicar”, diz Madalena Beirão.
A campanha de lançamento da Zilian
consistiu num documentário com as
histórias de oito mulheres, seleccionadas com base num ‘casting on-line’ diri-
“O QUE ME ATR AI
É VER NASCER UM
MODELO BASEADO NAS
TENDÊNCIAS, VER A
EVOLUÇÃO DAS FORMAS
E TER O ‘FEEDBACK’
DAS CLIENTES”.
gido a todas as madrilenas. “Filmámos
em plena Gran Via, numa acção de rua
que incluía uma caixa gigante de sapatos e apresentámos a campanha na festa
de lançamento da marca, com a presença de Martina Klein, que aceitou o desafio de dirigir este filme.
A Zilian quer consolidar e crescer a
nível ibérico. A próxima loja própria a
abrir será em 2013, mas a localização está, para já, no segredo dos deuses. Contudo, admite: “o passo seguinte passará pelo desenvolvimento de um novo
‘layout’ de loja que permitirá o arranque do ‘franchising’ da Zilian”. Da mesma forma que fizeram com a entrada na
distribuição que foi “também uma decisão estratégica”, que resultou das necessidades operacionais deste canal.
A Zilian continua fiel ao conceito
muito próprio que criou. Quem não conhece a loja, vale a pena visitar, nem que
seja pela experiência diferenciada. Não
será preciso ir a Madrid. Pode dar um
salto à loja de Lisboa, junto ao El Corte Inglès. Um espaço amplo, um grande corredor, em que, de um lado, há sapatos em destaque, ao jeito de “eleitos”,
e, do outro, estruturas onde os variados
modelos surgem agrupados numa paleta de cores. E para não se perder na loja,
há dispositivos que assinalam a numeração. Do tamanho 35 ao 41, para ir logo
directa à sua secção. Outra das particularidades é que cada modelo “desdobra-se em diferentes cores e materiais”, numa quantidade limitada, para garantir
a exclusividade. Por cor, existem apenas
entre 12 a 14 pares.
As espanholas calçam o mesmo que
nós? A verdade é que calçam. Não há diferenças significativas no consumo. “Os
modelos de eleição têm sido os mesmos”.
O que muda talvez seja a forma como
portuguesas e espanholas combinam os
modelos. Mas isso já é uma discussão de
estilo. O que a directora da marca considera que faz sentido é reforçar, na loja de
Madrid, saltos altos e modelos de festa.
A Zilian foi um projecto que nasceu
pelas mãos do Grupo Mar, com experiência de 30 anos no sector do retalho e
que representa algumas das lojas Benetton/Sisley em Portugal. A produção dos
sapatos Zilian está espalhada pelo mundo, como Brasil, Itália e outros países da
Europa, mas a taxa de produção em Portugal tem vindo a aumentar de colecção
para colecção.
Madalena Beirão não gosta muito de
falar sobre si própria. E projecta tudo na
Zilian. “O que me atrai neste mundo da
moda e, especialmente, nos sapatos, é ver
nascer um modelo baseado em tendências estudadas, ver a evolução das formas,
a selecção de materiais, a escolha de modelos e ver a sua ‘performance’ em loja e o
‘feedback’ das clientes”, revela.
Vai uma vez por semana a Madrid. E
quando lá vai gosta de almoçar no Lateral, perto da loja. Gosta também de “dar
uma volta na Cláudio Coello. “Ver as
novidades da COS… há um páteo numa
transversal da Velázquez onde tem lojinhas de ‘designers’, a Sister Jane e uma
loja de decoração que são imperdíveis”.
FOTOGRAFIA DE PAULO FIGUEIREDO
destaque
www.canali.it
NO MEU DIA A DIA DEVO FAZER ESCOLHAS DIFÍCEIS.
QUE FATO VESTIR NÃO É UMA DESTAS.
Escolhi o meu Canali porque conheço a diferença: conheço a sensação de vestir um fato feito com os melhores
tecidos, cosido pelas mãos de especialistas e estudado nos detalhes com paixão e precisão de alta-costura.
Criar peças de alta qualidade é uma escolha difícil mas decidir vesti-las é extraordinariamente simples.
LAR ANJINHA
E A PRIMEIR A
‘FLAGSHIP’
Luís Figueiredo abriu, em 2011, a primeira
loja em Madrid. E agora vai abrir um
‘corner’ no El Corte Inglès. Espanha
é já o mercado mais importante para
esta marca, que vende roupa para bebés
e crianças. Sempre em tons clarinhos.
L
uís Figueiredo já não tem filhos pequenos, mas acaba de
ter o primeiro neto. E se este é
por si um momento especial,
neste caso é ainda a dobrar ou não fosse Luís Figueiredo o gestor à frente de
um negócio familiar chamado Laranjinha. Uma marca nacional de vestuário
infantil com uma longevidade de fazer
inveja. Começou em 1981 e tem atravessado gerações. É uma marca “com a qual
as pessoas se identificam, porque a vestiram quando eram mais novas e agora
vestem aos filhos” explica o gestor. O neto “obviamente veste Laranjinha”, diz.
A empresa tem estado em permanente evolução, com desenvolvimento
de produto como é o caso do tecido antibacteriológico que criou. E apesar de a
Laranjinha ser bem portuguesa, com se26
Fora de Série Abril 2012
de no Porto, o gestor encara os mercados
estrangeiros com a mesma naturalidade
com que encara o português. E isto para chegarmos a Madrid, onde, em Agosto de 2011, abriu a primeira loja – ‘calle’
de Castelló 38, com Hermosilla – num
investimento de cerca de 250 mil euros.
Para Abril, já está agendada a abertura
de um ‘corner’ no El Corte Inglès, que representará cerca de 100 mil euros.
“A estratégia de distribuição internacional da Laranjinha é e continuará a ser
através da sua rede de revendedores. Em
Espanha, iremos manter este modelo, a
par da loja própria e da presença na rede El Corte Inglès”, diz Luís Figueiredo.
Em poucos meses, a marca em Madrid é uma referência e há quem diga
que tem conquistado as ‘socialites’ madrilenas. Luís Figueiredo prefere dizer
que “é uma marca com grande expressão no segmento alto e médio-alto. “Sentimos uma grande apetência dos consumidores, sendo um dos mercados de
maior sucesso”.
Para quem o nome Laranjinha lhe
é familiar, as apresentações são desnecessárias. As lojas são quase miniaturas
de casas de bonecas, com armários e gavetas de madeira pintadas de branco. É
uma loja para crianças. Mesmo que não
liguem a roupa, vão querer tocar, por
OS FILHOS DE LUÍS
FIGUEIREDO JÁ NÃO
VESTEM LAR ANJINHA.
MAS A BOA NOVA É QUE
CHEGOU O PRIMEIRO
NETO QUE NÃO VAI
ESCAPAR À MARCA.
exemplo, na pequena árvore à porta da
loja. Em Madrid há mesmo um espaço
para os miúdos ficarem a brincar.
Depois, as peças de roupa pequeninas estão arrumadas em cabides, umas
a seguir às outras sem grandes contrastes de tons, porque são todos suaves e doces a pensar nos bebés, em variações de brancos, rosas, azuis, amarelos. O ‘design’ é “elegante e intemporal”.
Espanha é o mercado estrangeiro mais
importante, tendo representado 20% da
facturação, que se situou nos 6,1 milhões
de euros em 2011. A exportação representa 60% do volume total do negócio.
A par de Espanha, onde a marca já está há mais de 10 anos com 200 revendedores, a Laranjinha dá que falar mundo
fora. Com o seu logótipo com a forma de
uma pequena laranja, está em Itália, Reino Unido, França, Alemanha, EUA, Bélgica e, recentemente, estreou-se em novos mercados como Rússia ou México.
De Madrid, Luís Figueiredo gosta do
lado “cosmopolita com muito movimento”. E de ser um ‘spot’ cultural com “uma
gastronomia fantástica”. Nunca passou
pela pele de vendedor, mas dá a cara pelos 50 trabalhadores e assegura que a produção é 100% nacional e de grande qualidade. Geração atrás de geração, porque há
coisas que nunca mudam.
FOTOGRAFIA DE BRUNO BARBOSA
destaque
evasão
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r
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a
Made com
ic d e vidas
es t
Diz-se que os madrilenos
de gema são gatos. E a verdade
é que seriam precisas sete vidas – ou mais – para
poder aproveitar tudo o que Madrid tem
para oferecer. Lojas, restaurantes, bares, parques
e inúmeras ofertas culturais, numa cidade onde
há sempre algo novo a acontecer. Lugares
castiços e modernos, bairros glamourosos
e tradicionais, zonas de diversão
e de descanso: apresentamos-lhe um guia
de locais imprescindíveis para conhecer...
e aptos para quem tem uma vida só.
TE X TO DE JOANA REI, EM MADRID
ILUSTR AÇÃO DE ESGAR ACELER ADO
I N F O G R A F Í A D E S U S A N A L O P E S E M A R TA C A R VA L H O
28
Fora de Série Abril 2012
ESTADIO SANTIAGO BERNABÉU
TOURIST BUS
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S
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A
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METROPOLIS
Abril 2012 Fora de Série
29
evasão
(La milla de oro)
Salamanca
A sofisticação madrilena tem morada certa: bairro de Salamanca.
Conhecida como ‘la milla de oro’, é uma autêntica ‘passerelle’
de tendências e a zona de residência eleita pelas classes altas.
As ruas amplas e as lojas de luxo fazem deste o lugar ideal
para passeios e compras.
sinónimo de bom gosto. Na sua loja em
Madrid podem encontrar-se todos os artigos
da marca, da roupa aos acessórios.
Serrano, nº 16. Tel.: (+34) 917824380.
1 EMBASSY
O Embassy é um dos recantos mais
britânicos da cidade. Ideal para tomar o
pequeno-almoço, o ‘brunch’ ou o lanche. Foi
aberto como salão de chá em 1931, por uma
irlandesa, como um local onde as damas
podiam ir sozinhas. O passar do tempo só lhe
aumentou a classe e agora inclui uma loja de
produtos ‘delicatessen’ e ‘gourmet’.
Paseo de la Castellana, nº 12.
Tel.: (+34) 914359480. Site: embassy.es
7 HANNIBAL L AGUNA
É impossível não reparar na boutique
do ‘designer’, com 500 m2 de espaço,
e inúmeras vitrinas que mostram a sua
colecção de ‘prêt-à-porter’, alta costura,
jóias e acessórios. Os vestidos de noite são
a imagem de marca e, se vai casar em breve,
não se esqueça de ver os vestidos de noiva.
Absolutamente maravilhosos.
Em cima, o alfaiate Lander
Urquijo. Em baixo, as iguarias
do britânico Embassy. Ao lado,
o ambiente do restaurante
asturiano El Paraguas.
Ao lado, abaixo, um detalhe
da decoração do hotel
Dormirdcine.
Jorge Juan, nº 35. Tel.: (+34) 915771029.
8 AMAYA AR ZUAG A
Uma das criadoras espanholas com mais
sucesso internacional não podia faltar no
bairro de Salamanca. A boutique é um
clássico na rota das lojas mais selectas de
Madrid. Dois andares decorados com um
jogo de luzes impressionante e onde se
distribuem as suas colecções, com cores
vivas e cortes irreverentes.
Lagasca, nº 50. Tel.: (+34) 914262815.
2 CHRISTIAN LOUBOUTIN
Um bom ‘look’ começa nos sapatos e os
Louboutin são uma aposta segura. As
criações do estilista da sola encarnada
desfilam pelas ‘passerelles’ de todo o mundo
e são a perdição de qualquer mulher. A
boutique de Christian Louboutin em Madrid,
com um aspecto de ‘atelier’ artesanal,
oferece a combinação perfeita entre
cómodas sabrinas, ‘stilettos’ e ‘peep-toes’.
9 L ANDER URQUIJO
Não nos esquecemos da moda masculina.
Lander Urquijo é um alfaiate com um
conceito especial, que une tradição e
vanguarda. Na sua loja, decorada no mais
puro estilo ‘vintage’, a escolha de tecidos
é infinita, a confecção da roupa faz-se com
uma prova única e assenta como uma luva.
Serrano, nº120. Tel.: (+34) 915633068
Cláudio Coello, nº 13. Tel.: (+34) 914313199.
3 JIMMY CHOO
Decorada ao melhor estilo dos anos 40, a
boutique do ‘shoe designer’ malaio é uma
das maiores referências no que respeita a
estilo, ‘glamour’ e tendência. Dois andares
dedicados ao que de mais elegante existe no
mundo da moda em sapatos. Imperdível.
Ortega y Gasset, nº 15. Tel.: (+34) 917818608.
10 CHANEL
É uma das mais veteranas na ‘milla de oro’
e dispensa qualquer tipo de apresentação.
Desde as colecções de jóias e acessórios, ao
‘prêt-à-porter’, passando pelos sapatos
e perfumes, é uma verdadeira tentação.
Ortega y Gasset, nº 14. Tel.: (+34) 914313036.
MALONO BL AHNIK
E se falamos de sapatos, o estilista espanhol
Manolo Blahnik, amante dos saltos mais que
vertiginosos, é outro dos incontornáveis.
Aberta desde 2005, a boutique dos famosos
‘Manolos’ é um hino ao luxo, feminilidade e
sensualidade.
4
Serrano, nº 58. Tel.: (+34) 915759648.
5 ESCADA
É uma das marcas de luxo mais reconhecidas
internacionalmente, desde que foi criada nos
anos 70. Na boutique madrilena destacam-se
os ‘looks’ para festa e os vestidos de noite.
Cada peça tem um nível de sofisticação
especial que as transforma no modelo
perfeito para qualquer ocasião importante.
Ortega y Gasset, nº 10. Tel.: (+34) 915774188.
6 CAROLINA HERRER A
Presença obrigatória na ‘milla de oro’,
a criadora venezuelana continua a ser
30
Fora de Série Abril 2012
11 JO MALONE
Trata-se de uma loja especial, que entende
o mundo dos aromas como um todo e por
isso é fácil encontrar ali perfumes, azeites
e cremes corporais, velas e essências para
a casa. Além disso, na Jo Malone é possível
criar um perfume exclusivo, único para cada
pessoa, de acordo com o gosto pessoal e o
estado de espírito.
Serrano, nº 47. Tel.: (+34) 914325490.
SUAREZ
Depois do perfume, as jóias. A joalharia
Suarez é um paraíso para os complementos
mais exclusivos e elegantes, muitos deles
feitos em colaboração com estilistas como
David Delfín. A disposição da loja permite
que o cliente veja todas as peças em
cada vitrina e conta com uma equipa de
profissionais para assessorar cada compra.
12
Serrano, nº 63. Tel.: (+34) 917819940.
13 TIFFANY & CO.
Quem não se lembra de Audrey Hepburn, em
“Breakfast at Tiffany’s”? A mítica joalharia
também está na ‘milla de oro’. Atravessar
as suas portas é entrar num mundo de
rara elegância. E, claro, cada compra vai
embalada na célebre caixa azul, imagem
de marca da Tiffany.
Ortega y Gasset, nº 10. Tel.: (+34) 917818555.
14 RESTAUR ANTE EL L AREDO
Depois de uma manhã de compras, pare para
recuperar forças no Laredo, uma aposta
segura. Tradição, elegância e qualidade são
os três pilares deste clássico madrileno, um
dos mais autênticos da cidade. Aproveite
para provar a gastronomia típica de Madrid.
Menorca, nº 14. Tel.: (+34) 925733061.
Site: tabernalaredo.com
15 RESTAUR ANTE TE ATRIZ
Localizado nas antigas instalações do Teatro
Beatriz, jantar aqui é como jantar num teatro
clássico com uma oferta culinária de alta
qualidade, combinada com uma selecção de
tapas que se pode degustar no bar.
Hermosilla, nº15. Tel.: (+34) 915775379.
Site: teatriz.com
21 A PORTA DE ALCAL Á
Mesmo ao lado está um dos símbolos de
Madrid. A porta de Alcalá, uma das cinco
antigas portas que davam acesso à cidade,
ergue-se, imponente, no meio da rua mais
longa da capital espanhola. Faça uma foto
para o baú das recordações.
‘Calle’ de Alcalá.
22 HOTEL ÚNICO
O seu descanso estará assegurado neste antigo palácio do século XIX transformado em
hotel. Foi remodelado há cerca de um ano
e conta com 44 quartos de luxo, de tectos
altos e grandes janelas. O estilo neobarroco
e o mobiliário Luís XVI em versão moderna
garante-lhe um encanto particular. Além do
alojamento, oferece um conjunto de experiências únicas na cidade, desde uma carta de
vinhos fantástica a uma sessão de compras
com um ‘personal shopper’.
Claudio Coello, nº67. Tel.: (+34) 917810173.
Site: unicohotelmadrid.com
O neobarroco cruza-se com o estilo moderno neste palácio do século XIX que serve de casa
ao Hotel Único. Além da garrafeira, de qualidade inquestionável, sobressaem os móveis, de
estilo Luis XVI, mas com um ‘twist’ moderno.
16 RESTAUR ANTE EL PAR ÁGUAS
Para experimentar outro tipo de cozinha
espanhola, este asturiano é a escolha acertada. Um sítio bonito, com uma cozinha de
qualidade, que recolhe o receituário asturiano mais clássico e algumas ofertas mais modernas, com uma carta de vinhos excelente.
Jorge Juan, nº 16. Tel.: (+34) 91431 5840.
Site: elparaguas.com
17 RESTAUR ANTE O’LIF
Assente sobre uma moderna estrutura de
ferro, este restaurante foi decorado pelo
‘designer’ francês Philippe Starck. Está
dividido em quatro ambientes: uma zona de
balcão, outra mais informal com mesas altas,
o restaurante, e uma área de ‘lounge’,
perfeita para um ‘after work’.
Jorge Juan, nº 29. Tel.: (+34) 9914315953.
Site: restauranteolive.com
18 RESTAUR ANTE ST. JAMES
Um dos restaurantes mais recentes nesta
zona, tem como especialidade os pratos feitos à base de arroz. Para os que não são
apreciadores deste ingrediente, o St. James
oferece também uma selecção de pratos de
carne e peixe em alternativa. Aqui, as
sobremesas também merecem destaque.
Juan Bravo, nº 26. Tel.: (+34) 915642719.
Site: restaurantestjames.com
23 PARQUE DEL RETIRO
Um dos muitos espaços verdes de que
a cidade dispõe é um local perfeito para fugir do ‘stress’ diário. É bastante concorrido
mas a sua extensa área permite sempre encontrar um sítio mais sossegado.
Os seus grandes relvados fazem a delícia
dos madrilenos quando começa o bom tempo. Vale a pena entrar e deixar-se levar pela
natureza, sem prestar atenção ao relógio.
La Rosaleda (uma zona dedicada ao cultivo
das rosas), o Palácio de Cristal e o monumento a Alfonso XII merecem uma atenção
demorada e tranquila.
‘Calle’ de Alcalá.
19 RESTAUR ANTE R AMON FREIX A
Um dos melhores restaurantes de Madrid,
dono de duas estrelas Michelin. A decoração, maioritariamente barroca, prima por
um jogo de contrastes, como o espelho
no tecto ou o grande mural com imagens
madrilenas. O menu de degustação é uma
experiência à altura dos paladares mais exigentes.
Claudio Coello, nº67. Tel.: (+34) 917818262.
Site: ramonfreixamadrid.com
20 BOMBONERÍA SANTA
Para levar uma recordação, nada melhor que
uma caixa com as iguarias de Santa, uma loja
especializada em bombons. Alguns têm um
tamanho ‘oversized’ já que, segundo dizem,
não é preciso ter cuidado com a linha quando os bombons são de qualidade, porque o
cacau está isento de gordura. O espaço é
acolhedor, decorado com bonecas antigas e
as embalagens são um mimo.
24 DORMIRDCINE
Não é um hotel mega luxuoso mas é, seguramente, um dos mais originais e uma perdição
para os cinéfilos. Cada recanto faz-nos mergulhar num imaginário cinematográfico, com
referências aos grandes filmes e a grandes
produtoras. Fotogramas de filmes, retratos
de grandes mitos, cada detalhe está pensado para homenagear a Sétima Arte com um
‘design’ singular.
Serrano, nº 56. Tel.: (+34) 915768646.
Site: chocolates-santa.com
Príncipe de Vergara, nº 87. Tel.: (+34)
914110809. Site: dormirdcine.com
Abril 2012 Fora de Série
31
evasão
Gran Via
Não é só uma rua, mas um
quilómetro onde tudo acontece.
Dos teatros às lojas, passando
pelos bares e restaurantes, cada
recanto tem um pedacinho de
história própria.
1 LOEWE
Alojada no primeiro edifício construído na
Gran Via, a loja da Loewe é obrigatória. Além
dos modelos de malas míticos, “Arizona” ou
“Napa Aire”, a loja organiza exposições sobre
a história dos seus artigos ou para dar a
conhecer novos ‘designers’.
Gran Via, nº 8. Tel.: (+34) 915226815.
Madrid não seria Madrid
sem o Prado (em
cima). O museu mais
emblemático da cidade
faz jus à sua fama:
as obras de grandes
mestres da pintura
como Velázquez ou
Goya estão lá. O Reina
Sofia, ao lado, completa
a oferta cultural com a
arte contemporânea.
Paseo del Arte
Seja ou não um amante das artes, esta é uma das paragens obrigatórias de Madrid. Os museus, e as
impressionantes colecções que albergam, fazem deste passeio um dos mais culturais da cidade e um dos
lugares do mundo com maior concentração de beleza e riqueza cultural por metro quadrado.
1 MUSEU DEL PR ADO
É obrigatório e imprescindível em qualquer
visita à capital espanhola. Aberto todos os
dias, tem uma das melhores colecções de
pintura de grandes mestres europeus do
século XVI ao XIX, com mais de 8000 obras
de arte de artistas como Velázquez, El
Greco, Goya, Tziano ou Rubens. Localizado
num lugar privilegiado, rodeado por
árvores e monumentos, é um local com um
magnetismo único.
mais importantes do mundo, que contém
mais de 1000 obras que traçam a história da
pintura europeia desde a Idade Média até ao
século XX. No último andar conta ainda com
uma espécie de terraço-miradouro, com uma
das vistas mais bonitas de Madrid. No Verão,
esta zona transforma-se num restaurante
para as famosas Noites do Museu, que passa
a fechar à meia-noite.
Paseo del Prado, nº 8. Tel.: (+34) 902760511.
Site: museothyssen.org
Ruiz de Alarcón, nº 23. Tel.: (+34) 913302800.
Site: museodelprado.es
está o ‘pack’ “Cuídese a todo Lujo”, que
junta alojamento, pequeno-almoço, garrafa
de Cava e massagem, por 330 euros.
Plaza de la Lealtad, nº 5. Tel.: (+34) 917016767.
Site: ritzmadrid.com
7 LOS JERÓNIMOS
Nas costas do Museo do Prado estão
os Jerónimos, um dos conventos mais
importantes de Madrid. Os Príncipes das
Astúrias, Felipe e Letícia, deveriam ter
casado aqui, mas romperam com a tradição
e escolheram a Catedral da Almudena.
Moreto, nº4.
2 MUSEU REINA SOFIA
O Museo Reina Sofia, de arte
contemporânea, inclui os grandes artistas
espanhóis do século XX, especialmente
Pablo Picasso (a não perder a oportunidade
de ver “Guernica” em todo o seu
esplendor), Salvador Dali e Joan Miró.
A coleção de arte surrealista, cubista e
expressionista é igualmente relevante.
O museu dispõe de uma biblioteca de
acesso público e oferece ainda inúmeras
exposições, conferências, performances,
projeções e concertos.
Santa Isabel, nº 52. Tel.: (+34) 917741000.
Site: museoreinasofia.es
3 HOTEL WESTIN PAL ACE
Outro hino ao luxo e à sofisticação. Por
ali passaram Mata Hari, Carlos Gardel,
Hemingway ou Dali. Em Madrid desde 1912,
não perdeu nem um pouco do ‘glamour’
e da excelência com os anos. Sob a sua
impressionante cúpula de Cristal está o La
Rotonda, o seu restaurante.
Plaza de las Cortes, nº 7. Tel.: (+34)
913608000. Site: westinpalacemadrid.com
4 MUSEU THYSSEN BORNEMISZ A
É o terceiro vértice do triângulo de arte de
Madrid. É o complemento perfeito ao Museo
do Prado, no que respeita a pintura clássica,
e ao Reina Sofia, quanto à pintura moderna.
É constituído por uma das colecções privadas
32
Fora de Série Abril 2012
8 CIBELES
De perto perde a imponência que parece
ser-lhe característica quando transmitida
pela televisão. Mas é um dos símbolos da
cidade e, por isso, a estátua da deusa Grega
merece uma visita. À noite, a iluminação
confere-lhe um encanto especial.
Plaza de Cibeles.
5 CAIX A FÓRUM
É um dos inúmeros centros culturais da
cidade, dedicado especialmente a todo
o tipo de exposições e com uma ampla
programação de actividades para toda
a família. As suas instalações acolhem
as mais variadas formas de expressão
artística: arte moderna e clássica, festivais
de música e poesia, arte multimédia,
debates e ateliers. De destacar o estilo
arquitectónico singular, com uns jardins
suspensos, criação de Patrick Blanc.
Paseo del Prado, nº 36. Tel.: (+34) 913307300.
Site: lacaixa.es/obrasocial
6 HOTEL RITZ
Para dormir, esta zona contempla alguns
dos mais exclusivos hotéis de toda a cidade.
Um deles é o Ritz, um dos mais luxuosos
e antigos de Madrid. Presente na capital
desde 1910, alojou nas suas suites a elite
monárquica, empresarial e artística de todo
o mundo. Entre as ofertas mais especiais
9 PAL ÁCIO DAS
TELECOMUNICAÇÕES
Restaurado há pouco tempo, o palácio
que dá guarida ao ‘Ayuntamiento’ de
Madrid é um monumento de rara beleza
arquitectónica. Se tiver tempo, suba ao
terraço e desfrutará de uma das melhores
vistas sobre a capital espanhola. Perto do
anoitecer o espectáculo é único.
Plaza de Cibeles.
2 BERLIN JA Z Z CAFÉ
Se é amante do jazz, reserve uma noite
para o Berlin Café. Com uma variada
programação musical, é o sítio ideal para
assistir a um concerto ou uma ‘jam session’.
Jacometrezo, nº 4. Tel.: (+34) 915215752.
Site: cafeberlin.es
3 CIRCULO DE BELL AS ARTES
Exposições, cinema, concertos e vida social.
O Círculo de Bellas Artes é um espaço
multicultural com várias salas e tem um
café com vista privilegiada sobre a cidade.
Alcalá, nº 42. Tel.: (+34) 913605400.
Site: circulobellasartes.com
4 GR ASSY
Uma das mais antigas relojoarias de Madrid,
fundada em 1952, já faz parte do imaginário
colectivo da cidade. Mais do que uma loja,
é um verdadeiro museu de peças de
joalharia exclusivas.
Gran Via, nº 1. Tel.: (+34) 915321007.
Site: grassy.es
5 BAR DEL DIEGO
Com decoração nova iorquina, o Del Diego
é o sítio ideal para tomar um ‘cocktail’. É um
dos locais com mais prestígio na capital.
Reina, nº 12. Tel.: (+34) 915233106.
6 MUSEO CHICOTE
Já longe da aura de magnetismo que tinha
quando abriu, em 1931, continua a exercer
o seu fascínio. As paredes estão cheias de
fotografias das celebridades dos anos 50
que faziam deste local paragem obrigatória.
Vale a pena entrar e pedir um ‘mojito’.
Gran Via, nº 12. Tel.: (+34) 915326737.
Site: museo-chicote.com
7 TE ATRO LOPE DE VEG A
Inaugurado em 1946, tem sido palco dos
maiores musicais que Madrid acolhe. Com
lugar para 1496 pessoas, é um dos mais
carismáticos teatros da Gran Via madrilena.
Gran Via, nº 57. Tel.: (+34) 915472011.
evasão
Hotel Óscar é o sítio certo. O espaço está
decorado de branco, com sofás a toda a
volta e tem uma carta variada de ‘cocktails’.
Plaza Vazquez de Mella, nº 12. Tel.: (+34)
917011173. Site: room-matehotels.com
10 NAC
Uma loja multi-marca, com uma cuidada
selecção de artigos das melhores marcas
espanholas e estrangeiras, como Antik
Batik, Paul&Joe, Josep Font, Tara Jarmon,
See by Chloé, Sonya Rykiel ou Kenzo.
Génova, nº 18. Tel.: (+34) 913106050.
Site: nac.es
11 THE BENNY ROOM
Uma loja com artigos exclusivos das
melhores colecções - escolhidos a dedo
pela proprietária - frequentado por
estilistas, celebridades e ‘designers’.
Chueca e Justicia
Conhecido como o ‘soho’ madrileno, Chueca é um bairro cheio
de vida. É um bairro essencialmente jovem e sem preconceitos, onde
o ‘vintage’ se mistura com a vanguarda com um fascínio especial.
um dos lugares pitorescos da cidade. Um
mercado que combina a venda de produtos
de qualidade, serviços de ‘take away’ e um
restaurante com esplanada.
Augusto Figueroa, nº 24. Tel.: (+34)
915210966. Site: mercadodesananton.com
HOTEL ABALU
Se quer alojar-se em pleno centro da
Chueca, escolha o Hotel Abalu. É uma
combinação entre hotel e boutique de
‘design’, onde cada quarto é único, com
detalhes surpreendentes, como camas
suspensas do tecto, ‘jacuzzi’ e ‘in-room spa’.
7
RESTAUR ANTE NIKKEI225
Uma alternativa para jantar é o Nikkei.
Elegante, chique e urbano, mistura as
cozinhas japonesa e peruana. Um jogo de
sabores e texturas para os que gostam de
ampliar os seus horizontes gastronómicos.
1
Paseo de la Castellana, nº 15.
Tel.: (+34) 913190390. Site: nikkei225.es
2 CAFÉ OLIVER
É demasiado cedo para almoçar, mas já
se petiscava? A solução é um ‘brunch’,
que já tem muitos seguidores em Madrid.
Se apanhar um fim-de-semana comece o
domingo no Café Oliver que, a partir das
11h30, oferece as melhores iguarias.
Almirante, nº 12. Tel.: (+34) 915217379.
Site: cafeoliver.com
Pez, nº19. Tel.: (+34) 915314744.
Site: hotelabalu.com
8 TONI2
E se ainda lhe resta energia para o final
da noite, o Toni 2 é uma opção diferente.
Um Piano Bar com um pianista de
repertório inesgotável e a boa disposição é
acompanhada com um ambiente irrepetível.
Almirante, nº 9. Tel.: (+34) 915320011.
Site: toni2.es
9 TERR A Z A DEL ÓSCAR
Se o que lhe apetece é um ambiente mais
cosmopolita, a esplanada no terraço do
Conde de Xiquena, nº 17. Tel.: (+34)917022529.
Blog: bennyroommadrid.blogspot.com
12 YUBE
Um local de culto dos amantes da moda, da
mesma proprietária que a anterior, a ‘trendsetter’ Beatriz Nicolás. Dispõe dos modelos
mais exclusivos de cada temporada.
Fernando VI, nº 23. Tel.: (+34) 913197673.
Site: yubemadrid.com
13 MAMA FR AMBOISE
O Mama Framboise é um salão de chá e
pastelaria onde se pode desfrutar de uma
variada gama de bolos a acompanhar com
um chocolate quente, chá ou vinho. Um
pedacinho de Paris em Madrid.
Fernando VI, nº 23. Tel.: (+34) 913914364.
Site: mamaframboise.com
14 RESTAUR ANTE JOKEY
Para jantar, a nossa escolha vai para
o Jockey. Fundado em 1945, é um dos
preferidos da classe executiva de Madrid
e mais de 67 anos depois continua a ser um
mito da boa gastronomia. A carta de vinhos
tem mais de 600 referências de todo
o mundo.
Amador de los Rios, nº 6. Tel.: (+34)
913192435. Site: restaurantejockey.com
15 BAR LE CABRER A
Depois do jantar, Le Cabrera é o sítio
ideal para um ‘cocktail’. Dispõe de 80
etiquetas de ‘gin’ e ‘whisky’, 70 de rum e
70 de ‘vodka’ e combinados sem álcool
para os que têm de conduzir. Um ambiente
moderno e divertido.
Bárbara de Braganza, nº 2. Tel.: (+34)
913199457. Site: lecabrera.com
3 MARC BY MARC JACOBS
São 180 metros quadrados ao estilo das
suas congéneres americanas. A loja da
segunda linha do criador com as colecções
de homem, senhora e criança, bem como a
sua linha de acessórios e sapatos é uma das
mais procuradas na capital espanhola.
Fuencarral, nº 18. Tel.: (+34) 915237385.
5 RESTAUR ANTE TEPIC
Se quiser fugir da cozinha espanhola e
provar novos sabores, o mexicano Tepic é a
escolha ideal. O ‘design’ moderno, o serviço
impecável e a qualidade da carta são os
três pilares deste ‘urban mex’.
Pelayo, nº4. Tel.: (+34) 915220850.
Site: tepic.es
6 MERCADO DE SAN ANTÓN
Inaugurado em 1945, reabriu em 2011
depois de sete anos de obras. Reformado
para se adaptar ao espírito do bairro, é
34
Fora de Série Abril 2012
É o lugar predilecto dos
madrilenos aos domingos.
Pitoresco e genuíno é uma zona
de ‘cañas’ e tapas por
excelência. Atravessando
a ponte da ‘calle’ Segóvia,
chegamos ao bairro de Ópera
onde o Palácio Real mostra
a sua monumentalidade.
1 RESTAUR ANTE CASA LÚCIO
Num dos bairros mais castiços de Madrid,
entre uma ‘caña’ e uma tapa, pare
para almoçar na Casa Lúcio, um dos
restaurantes mais tradicionais da cidade.
O menu inclui todas as especialidades
madrilenas.
Marques de la Ensenada, nº 2. Tel.: (+34)
917020888.
4 MAC
O paraíso da maquilhagem: dezenas de
sombras de olhos, bases, batons, vernizes...
Um sem fim de produtos de várias cores
e texturas. É paragem obrigatória para
qualquer mulher. Mas avisamos, se estiver
com pressa é melhor não ir, porque a visita
pode prolongar-se até ao infinito.
La latina
e Ópera
Cava Baja, nº 35. Tel.: (+34) 913653252.
Site: casalucio.es
Em cima,
à esquerda, as
camas suspensas
do Hotel Abalu.
Ao lado, a loja
Benny Room. Em
baixo, o balcão do
Le Cabrera.
2 RESTAUR ANTE L A MUSA L ATINA
Se prefere algo mais cosmopolita e
dinâmico, La Musa é o sítio de eleição.
A decoração moderna tem dois espaços
diferentes: um mais informal, ideal para
petiscar, e outro, no piso inferior, mais
intimista.
Costanilla de San Andrés, nº 12. Tel.: (+34)
913540255. Site: lamusalatina.com
3 RESTAUR ANTE ENE
Para continuar a tarde, passe pelo ENE, um
‘chill-out’ de inspiração asiática, com os
seus ‘tatamis’ brancos, ambiente jovem e
descontraído. Destacam-se a sua colecção
de ‘cocktails’ e de bebidas ‘premium’.
Núncio, nº 19. Tel.: (+34) 913662591.
Site: enerestaurante.com
Puerta del Sol
É a zona nevrálgica da cidade, onde todos os madrilenos se dirigem
para celebrações e manifestações. A estátua do Urso e o Medronho,
símbolo da capital, esconde-se num dos recantos da praça. Ali, há um
encanto que não se sabe bem de onde vem mas que existe. E prende.
Em cima, o Palácio
Real (com a Catedral
de Almudena mesmo
ao lado), a residência
oficial dos Bourbón.
Ao lado, o ambiente
informal da Casa
Lúcio. Ao lado, ainda,
o templo de Debod.
4 VA DE BACO
Como o próprio nome indica, é um templo
para os amantes do bom vinho. Mais de
300 referências em marcas espanholas e
internacionais, num espaço vanguardista.
Campomanes, nº 6. Tel.: (+34) 915417017.
Site: vadebaco.com
8 JARDINES DE SABATINI
Ao lado do Palácio Real encontramos os
jardins de Sabatini, ideais para passear.
Durante o Verão, estes espaços verdes
acolhem as actividades culturais dos
Veranos de la Villa, que incluem concertos
e peças de teatro.
Bailen, nº9.
EL TE ATRO RE AL
É a casa da ópera em Madrid e uma
referência incontornável no panorama
cultural madrileno. Tem capacidade para
1854 lugares. Desde 1997 que o programa
do Teatro Real tem vindo a crescer no que
diz respeito às produções próprias, mas
sem nunca renunciar a importar o que de
melhor se faz fora do país.
5
Plaza de Oriente. Tel.: (+34) 915160600.
Site: teatro-real.com
9 TEMPLO DE DEBOD
E se ainda lhe restam forças, vale
a pena caminhar um pouco mais
até ao Templo de Debod. Tem o
pôr-do-sol mais bonito de Madrid
e a vista sobre o Palácio Real são
espectaculares. Obrigatório levar câmara
fotográfica. Os jogos de luz e reflexos
com a água dão origem a algumas
das melhores instantâneas da cidade.
Paseo del pintor Rosales, nº 2.
1 TE ATRO ESPAÑOL
Em plena Plaza de Santa Ana está um
dos mais antigos teatros de Madrid, palco
predilecto de algumas das obras mais
importantes que se representam na capital.
O edifício, declarado Monumento Nacional,
conserva no seu interior um extenso
património, como as esculturas de Gisbert
ou as figuras desenhadas por Dali para uma
representação da peça D. Juan Tenório.
‘Calle’ del Príncipe, nº 25. Tel.: (+34)
913601480. Site: teatroespanol.es
2 RESTAUR ANTE VI COOL
Para almoçar, faça uma paragem no
restaurante de tapas do ‘chef’ Sergi Arola
no Bairro de las Letras. O Vi Cool é um
espaço moderno, com pratos mais simples
mas com o mesmo selo de qualidade de
Arola, num ambiente mais informal.
Huertas, nº 12. Tel.: (+34) 914294913.
Site: vi-cool.com
Bailén. Tel.: (+34) 914548800.
Site: patrimonionacional.es
7 CATEDR AL DA ALMUDENA
Ao lado do Palácio Real, a Catedral da
Almudena é um dos ‘ex-libris’ da cidade.
Com quase 100 metros de largura, 73
de altura e uma cúpula de 20 metros de
diâmetro, é um edifício impressionante.
Bailén, nº 10. Tel.: (+34) 915422200.
Plaza de San Miguel, nº 1. Tel.: (+34)
915424936. Site: mercadodesanmiguel.es
3 RESTAUR ANTE LHARDY
Um dos restaurantes clássicos de Madrid,
cuja história já faz parte da cidade.
Inaugurado em 1939, conserva o ambiente
romântico que combina com a qualidade
dos seus pratos mais emblemáticos.
6 HOTEL URBAN
Para dormir em pleno reboliço da Puerta
del Sol, aconselhamos o Hotel Urban,
expoente máximo da modernidade
hoteleira, luxo e ‘design’ vanguardista.
Um espaço interior cuidado, com uma
combinação de uma decoração minimalista
e obras artísticas orientais e africanas.
Carrera de San Jerónimo, nº 8.
Tel.: (+34) 915213385. Site: lhardy.com
Carrera de San Jerónimo, nº34. Tel.: (+34)
933668800. Site: derbyhotels.com
4 HOTEL MELIA MADRID
O terraço deste hotel, no centro de Madrid,
é paragem obrigatória à noite. Um espaço
moderno, com vistas impressionantes sobre
a Plaza de Santa Ana, boa música
e ‘cocktails’ para todos os gostos.
7 PL A Z A MAYOR
Um dos expoentes máximos da vida
madrilena. É impossível encontrá-la
vazia ou com pouca gente. As inúmeras
esplanadas, atracções de rua e a beleza
arquitectónica fazem dela a praça mais
emblemática da capital espanhola.
Plaza de Santa Ana, nº14. Tel.: (+34)
917016020. Site: memadrid.com
6 PAL ÁCIO RE AL
Situado na bonita Plaza de Oriente, o
imponente Palácio Real, residência oficial
da família real espanhola, é outro dos
‘spots’ de visita obrigatória. As vistas são
impressionantes e nas quartas-feiras de
manhã tem lugar o render da Guarda Real
às 11h00.
5 MERCADO DE SAN MIGUEL
E para recuperar forças a meio da tarde,
nada melhor que um bom vinho. Com
uma estrutura de ferro e vidro, o Mercado
de San Miguel é um autêntico templo
‘gourmet’: 1200 m2 dedicados ao consumo
e à compra de produtos ‘delicatessen’.
Plaza Mayor
evasão
Castellana
Se não é especialmente fã
de futebol, na zona do estádio
Santiago Bernabéu também
tem alternativas que justificam
a visita a um dos bairros mais
exclusivos.
1 SANTIAGO BERNABÉU
O estádio do Real Madrid é um hino
ao futebol e uma das suas catedrais.
E se não conseguir um bilhete para
ver a equipa de José Mourinho em
acção, pode sempre optar por fazer
a Barnabéu ‘tour’.
Chamberí
É um dos bairros mais castiços de Madrid. Povoado por
edifícios modernistas e neogóticos, depois de Salamanca é dos
bairros mais concorridos para residir. As ruas de Chamberí
enchem-se ao final da tarde para as típicas ‘cañas after work’.
1 HOTEL SANTO MAURO
Se pretende alojar-se nesta zona,
recomendamos-lhe o Hotel Santo Mauro.
Situado numa mansão neoclássica, que foi
a residência do Conde de Santo Mauro (daí
o nome), é um dos hotéis com mais encanto
na capital espanhola. Tem à sua disposição
cerca de 50 quartos e zonas comuns que
incluem piscina, banho turco e ginásio.
Zurbano, nº 31. Tel.: (+34) 913102169.
Site: sergiarola.es
3 CHEESE BAR
Para os apreciadores de queijo, este
é o paraíso. Um sítio único em toda a
Espanha, onde todos os pratos giram em
torno da degustação de queijo. Tem uma
oferta de mais de 140 tipos diferentes, de
várias regiões espanholas e de oito países
europeus.
José Abascal, nº 61. Tel.: (+34) 913992550.
Site: ponceletcheesebar.es
4 99 SUSHI BAR
Para um jantar diferente e pleno de sabores
orientais, este japonês é a aposta certa.
2 RE AL CAFÉ BERNABÉU
É dos lugares com mais estilo da zona
para jantar ou tomar um ‘cocktail’.
No Verão, a esplanada, debruçada
sobre um dos topos do relvado, é das
melhores opções.
Com uma confecção de pratos aprimorada,
à vista dos clientes, e uma decoração do
espaço elegante e intimista.
Ponzano, nº 99. Tel.: (+34) 915360567. Site:
99sushibar.com
de uma estrela Michelin, que atesta a sua
qualidade. É obrigatório o uso de fato e
gravata.
Alvarez de Baena, nº4. Tel.: (+34) 915614840.
Site: zalacain.es
Zurbano, nº 36. Tel.: (+34) 913196900.
Site: autographcollectionhotels.com
2 SERGI AROL A G ASTRO
Escolha se prefere jantar ou almoçar aqui,
mas vá. Este é um dos imperdíveis de
Madrid, com duas estrelas Michelin.
O restaurante do premiado ‘chef’ catalão,
que tem também um estabelecimento em
Sintra, faz gala do conceito de cozinha de
autor, com um ambiente cosmopolita e
elegante, distribuído por dois pisos, com
uma decoração sóbria.
Concha Espina, nº 1. Tel.: (+34) 913984300.
Site: realmadrid.com
5 MUSEU SOROLL A
Para quem passa na rua é fácil que a que
foi a casa do pintor Joaquín Sorolla passe
despercebida. Mas, além da visita à casa e
à exposição sobre a sua evolução artística,
vale a pena entrar e percorrer cada recanto
dos jardins, onde é fácil isolar-se do bulício
da cidade.
General Martínez Campos, nº37. Tel.: (+34)
913101584. Site: museosorolla.mcu.es
6 RESTAUR ANTE Z AL ACAÍN
Um dos clássicos madrilenos, com mais
de 38 anos de vida na capital. Se quer
jantar num ambiente distinto e selecto,
dedicado à alta cozinha clássica, mas
sem nunca abandonar as raízes da dieta
espanhola, este é o seu restaurante.
Ofertas gastronómicas tradicionais e
modernas, todas preparadas com rigor
e uma apresentação cuidada. Detentor
7 PL A Z A DE OL AVIDE
É pequenina mas das mais acolhedoras da
cidade. Rodeada de esplanadas, é ponto
de encontro para os madrilenos mais
madrugadores que, ao fim-de-semana, se
sentam numa das suas mesas, de jornal na
mão, para tomar o típico pequeno-almoço
madrileno: um galão e uma torrada com
azeite e tomate. E avisamos já: mesmo que
lhe pareça uma combinação estranha, vale
a pena experimentar!
36
Fora de Série Abril 2012
3 AUDITÓRIO NACIONAL
Se prefere a música clássica, o Auditório
Nacional é o seu sítio. Durante todo o ano
oferece uma vasta programação musical
com os melhores repertórios clássicos.
Príncipe de Vergara, nº 146. Tel.: (+34)
913370140. Site: auditorionacional.mcu.es
4 JOSÉ LUIS
Para as tradicionais tapas, o José Luís
é o ‘spot’. O ‘pincho de tortilla’ (tortilha de
batata sobre uma fatia de pão torrado) é
uma das tapas com mais sucesso da casa.
Plaza de Olavide.
Rafael Salgado, nº 11. Tel.: (+34) 914588028.
Site: joseluis.es
8 CLUB DEPORTIVO CANAL
Se é um apaixonado pelo desporto não tem
desculpa para deixar de o praticar durante
a sua estadia em Madrid. O Club Deportivo
Canal tem à sua disposição um complexo
desportivo com pistas de ténis, padel e
atletismo, campo de golfe e de futebol.
5 K ABUKI
Com uma seleção de pratos peculiar
mas com muito êxito: uma fusão
da gastronomia japonesa com a
mediterrânica e espanhola. Tem duas
estrelas Michelin e prima pela qualidade e
frescura do peixe.
Filipinas, nº54. Tel.: (+34) 915331791.
Presidente Carmona, nº 2. Tel.: (+34)
915777877. Site: restaurantekabuki.com
9 ARCHY
É um dos referentes da noite madrilena
em Chamberí. Sete balcões, divididos
por dois pisos, com tipos de ambiente
completamente diferentes. O piso de baixo
está dedicado à discoteca, propriamente
dita, onde se pode ouvir música electrónica,
‘house’ e ‘funk’ até altas horas da
madrugada. A parte de cima do edifício é
uma zona mais tranquila, restaurante até
às 00h30, que se transforma numa zona de
discoteca a partir dessa hora, dedicada ao
‘pop-rock’ actual.
Marqués de Riscal, nº 11. Tel.: (+34) 913083162.
O Sergi Arola
Gastro, do ‘chef’
duplamente
estrelado pelo
guia Michelin,
merece uma
visita. Seja para
ver e ser visto ou
provar as tapas.
Concha Espina, nº 1. Tel.: (+34) 914583667.
Site: realcafebernabeu.es
6 69 PÉTALOS
Uma das opções mais originais para
sair à noite. É um sítio eclético onde,
definitivamente, qualquer coisa pode
acontecer.
Alberto Alcocer, nº 32. Tel.: (+34)
914570879. Site: grupo69petalos.com
evasao.com
VO OS
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D E STIN OS
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H OTÉIS
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CO M PR AS
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VIAG ENS
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SPAS
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N OVIDAD E S
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LO JAS
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T U D O O N - LI N E
www.versestore.com
http://pt.travelportservices.com
ARTISTAS EMERGENTES EM
FORMATO DE FOTOGRAFIA,
ILUSTRAÇÃO E VINIL
TRAVELPORT PORTUGAL
APOSTA NA MOBILIDADE
Um grupo de ‘designers’ e artistas
unidos pela paixão por arte, ‘design’,
ilustração e fotografia decidiu criar uma
empresa que comercializa os trabalhos
de artistas-revelação portugueses.
Chama-se Verse e tem a particularidade
de não obrigar ninguém a sair do sofá
para ir às compras. Na versestore.com é
possível encomendar telas, impressões
e vinis autocolantes com imagens originais. Basta escolher a obra, o formato, a
cor (no caso dos vinis) e encomendar. Os
vinis têm custos a partir de 6,90 euros,
as ilustrações de autores nacionais, em
tela ou ‘poster’, de 22,30 euros e as fotografias de novos talentos estão disponíveis a partir de 30, 40 euros.
www.home-glam.com
O HOTEL PR EFER IDO
PA R A TER EM C A SA
“Leve para casa o ‘design’ do seu hotel preferido”.
É este o lema da Home Glam, um projecto construído em português
mas com asas para todo o mundo.
T E X TO D E I N Ê S Q U EI ROZ
www.girissima.com
GIRÍSSIMA NUM CLIQUE
O Girissima.com é um novo site que
alberga 80 marcas internacionais e
mais de quatro mil produtos de moda e
acessórios. Acede-se a 15 lojas independentes e a roupa em segunda mão. Está
também disponível um serviço gratuito
de ‘personal shopper’. A Girissima é uma
empresa ibérica que engloba algumas
das melhores lojas, ‘designers’ e marcas
de Lisboa e Madrid. Branco sobre
Branco, Custo Barcelona, Fred Perry,
Jeffrey Campbell, Sienna Miller, entre
muitas outras marcas, podem encontrar-se por aqui. O site possibilita também a
compra e venda de peças especiais de
luxo/’vintage’ em segunda mão, assim
como o acesso a um blogue com as principais tendências de moda e um guia das
lojas mais ‘trendy’ em Lisboa e Madrid.
www.the-yeatman-hotel.com
THE YEATMAN, O “MELHOR
HOTEL INDEPENDENTE”
Depois da estrela Michelin, arrecadada
no ano passado pelo ‘chef’ Ricardo Costa, o The Yeatman, hotel vínico de luxo,
acaba de vencer o prémio de “Melhor
Hotel Independente”. A distinção foi atribuída nos “Portugal Trade Awards 2012”,
promovidos pela revista “Publituris”,
em parceria com a Bolsa de Turismo de
Lisboa. De braço dado com o Rio Douro,
na margem esquerda, e com a Ribeira e
casario do Porto como cenário, aninha-se o primeiro hotel vínico de luxo em
Portugal. A visitar.
Apaixonados, ela por decoração e ele por hotelaria, Marta e Nuno Marques tinham por hábito reparar nos objectos de ‘design’ dos hotéis onde ficavam. Sempre que uma peça lhes agradava particularmente perguntavam qual a sua origem e a resposta era, na maioria dos casos, evasiva e frustrante. Tanto que, um
dia, tiveram uma ideia: porque não criar uma empresa que servisse de intermediária entre os hóspedes e os vários hotéis e restaurantes garantindo aos primeiros o acesso fácil às peças de ‘design’ dos últimos?
Se bem o pensaram melhor o fizeram e, pouco tempo depois, batiam à porta do
presidente do Grupo Lágrimas para lhe propor associar-se ao projecto. “Disse
logo que sim”, conta hoje Miguel Júdice acrescentando que “a ideia fazia todo
o sentido”, já que os hotéis são sinónimo de ‘lifestyle’ e, “muitas vezes, é ali que
estão as novas tendências”. Do Grupo Lágrimas surgiu a associação com o Hotel
da Estrela, a Quinta das Lágrimas, o Infante de Sagres e ainda os restaurantes
Terreiro do Paço e Eleven, a par da Casa das Penhas Douradas e do espaço Uma
Casa Portuguesa. As peças foram escolhidas e estabelecidas parcerias com as
várias marcas que as fabricam. E, no final do ano passado, nascia a Home Glam, a
primeira loja ‘on-line’ a oferecer um serviço de venda de mobiliário, iluminação
e decoração iguais aos que podemos encontrar nestes espaços.
Ainda a dar os primeiros passos, o projecto está já a ter uma boa aceitação, não só
em Portugal como lá fora. “A primeira venda que fizemos foi para a Alemanha”,
conta Marta. Os serviços da Home Glam são divulgados nos hotéis associados. Os
clientes fazem as suas compras ‘on-line’ e os artigos, adaptáveis à medida da vontade de cada um, são depois entregues pelos serviços de logística da Home Glam.
Os preços são os do mercado e os prazos de entrega dependem do artigo escolhido,
com a promessa de que nunca vão “além das cinco semanas”.
A utilização de ‘smartphones’ no sector
turístico está a crescer. A maioria dos
turistas de lazer e negócios faz reservas
através das aplicações móveis, diz um
estudo recente da PhoCusWright, especializada na análise do sector. E essa tem
sido uma das preocupações da Travelport Portugal (multinacional de turismo
presente em Portugal através do Galileo,
utilizado por mais de 90% das agências
de viagens), que acaba de lançar o Travelport Mobile Agent. Uma ferramenta
nacional que permite aos agentes de
viagens aceder a qualquer hora e em
qualquer lugar ao sistema Galileo. O que
significa visualizar ou alterar reservas
em tempo real.
www.augustagourmet.com
GOURMET “MADE IN
PORTUGAL” ON-LINE
É um “compro o que é nosso” global
e em versão ‘on-line’. Dos vinhos mais
premiados, aos sabonetes apreciados
por Oprah Winfrey, até aos atoalhados
que Barak Obama não dispensa na
Casa Branca. Um projecto que oferece
mais de dois mil produtos nacionais (e a
promessa de ultrapassar os 3.500 em
pouco tempo). O www.augustagourmet.
com fala português, mas também espanhol, francês, russo, japonês e chinês.
Dividido em oito áreas, assegura apoio
ao cliente em tempo real, possibilidade
de entrega no dia seguinte em qualquer parte do mundo, customização de
artigos, até a possibilidade de produtos
feitos por encomenda do cliente.
www.infojobs.pt
CURRÍCULO + ON-LINE
= EMPREGO
Para quem procura trabalho ou anseia
por mudar, a InfoJobs, portal de busca de emprego, disponibiliza o “Perfil
Público”, que permite aos candidatos
darem maior visibilidade ao seu currículo
na Internet. A nova ferramenta destaca
os dados mais relevantes do ‘curriculum
vitae’, nomeadamente experiências
profissionais mais recentes, idiomas falados, principais conhecimentos, cursos
realizados e nível de habilitações. Desta
forma, qualquer empresa que procure informações sobre um candidato, encontra
o seu perfil através da primeira letra do
nome. E o utilizador tem ainda a opção
de estender a sua presença ‘on-line’ às
principais redes sociais.
POR CRISTINA S. BORGES
Abril 2012 Fora de Série
37
lifestyle
AQUI MOR A O DINH
Viver muito bem em Madrid é só para afortunados. Alguns são portugueses.
Moram entre marcas exclusivas, hotéis de muitas estrelas, restaurantes que são
‘passerelles’ gastronómicas ou na mais cara das tranquilidades.
T E X TO D E ISAB EL LU CAS
40
Fora de Série Abril 2012
passear pelos bairros de madrid é como visitar um
museu de arquitectura. Os exemplares dos muitos estilos e ainda mais escolas são muitos e marcantes. Mas
como será viver em muitos desses edifícios do bairro
HEIRO DE MADRID
Chamberí? É caro. Ainda mais caro é ir para subúrbios
como La Moraleja ou La Finca, em Boadilla, os bairros
ultra-luxuosos procurados por vedetas do futebol e dos
espectáculos, pelas caras que desfilam nas páginas da
“Hola”. Cristiano Ronaldo, Ana Obregón, Luís Figo ou
Isabel Pantoja, José Mourinho, Bruce Willis… Muitas
reticências, que há quem não queira ser incomodado e
pague fortunas por isso, ainda que de vez em quando,
se passeie pelo mais exclusivo bairro madrileno: Salamanca. Uma concentração invulgar de lojas, restaurantes ‘fine dining’, hotéis, livrarias e museus, um Central
Park mais pequeno e muito dinheiro para gastar.
Abril 2012 Fora de Série
41
lifestyle
SA L A M A NCA
Sábado de manhã, o sol de Inverno chamou centenas
de pessoas para a rua. Moradores passeiam-se entre
cafés, olham as montras, conversam segurando jornais, ramos de flores, sacos de compras. Os turistas
olham-nos como quem olha um figurino. Todos fazem parte do conjunto, integrados na arquitectura
burguesa e numa oferta que reflecte um elevado poder de compra. Para viver ali é preciso ter pelos menos uns dois mil euros para alugar um pequeno T1.
Situado entre a Recoletos e o Paseo de la Castellana, e tendo como centro as ruas Goya, Ortega & Gasset e Serrano, o bairro de Salamanca é um dos mais
procurados pela alta burguesia madrilena. Tem porta principal para o Parque do Retiro, uma espécie de
Central Park da cidade. Calce uns Louboutin e entre na chamada “milha de ouro”, cerca de um quilómetro quadrado de ruas com as marcas de roupa e
acessórios mais exclusivas. Bulgari, Cartier, Tiffany,
e também John Galliano, Manolo Blahnik, Carolina
Herrera. Para não ter de elencar a oferta, basta dizer
que este é o ‘hot spot’ para compras em toda a Europa, mas não se limita a isso. Os aficionados da festa
brava têm ali a maior praça de Touros de Espanha, a
emblemática Las Ventas.
É ali, junto à Plaza Colón, que está também a Biblioteca Nacional de Espanha, muitos museus e uma
oferta gastronómica para todos os gostos e carteiras
mais recheadas. Ir jantar a Salamanca é um ritual para a burguesia local e turistas que queiram conhecer o melhor que se faz na cozinha espanhola. Exemplos: o Citra. O ‘chef’ é o venezuelano Elias Murciano, discípulo do francês Alain Ducasse. Ainda o dASSA bASSA, de Dário Bassa, aluno de Ferran Adrià, e o
Sergi Arola Gastro, o novo restaurante de Sergi Arola, o ‘chef’ que abriu há três anos o Arola, na Penha
Longa, em Sintra. E há a noite, até tarde, ou cedo (dependendo da perspectiva) como se usa em Espanha,
no meio de uma oferta hoteleira que corresponde à
exclusividade do bairro.
CA LLE SER R A NO
Fica situada em pleno bairro de Salamanca, mas tem
direito a ser tratada com pinças. Nada de admirações
diante da afirmação: “a ‘calle’ Serrano é a rua mais
chique do mundo”. Haverá sempre quem não concorde, mas a verdade é que poucas ruas têm tamanha
concentração de luxo por metro quadrado, aliado ao
charme arquitectónico. Poucas serão também as ruas onde está sempre a passar um rosto conhecido dos
leitores da revista “Hola”. Da habitação aos restaurantes, passando pelas lojas e os hotéis, a Serrano é um
permanente apelo ao consumo.
Numa pausa de compras entre a Dior e a Gucci,
arrisque-se uma entrada no terraço coberto onde
se situa o Invernadero, um restaurante decorado de
acordo com as regras minimais mais contemporâneas, habituado a servir uma clientela exigente em
matéria gastronómica. A luz que entra pelo tecto faz
do almoço uma experiência mais agradável e não é
por acaso que essa é a hora de ponta para provar um
menu centrado na cozinha tradicional espanhola. O
Vip é mais barato e, além de uma refeição de qualidade por dez euros, tem uma livraria/loja deli, com
uma vasta oferta de livros em várias línguas, reflectindo a babel que por ali anda. Recomenda-se a entrada num café. A oferta é vasta. Escolha uma mesa
e escute e olhe. É o melhor sítio para saber o que se
passa na Serrano.
O PASSEIO DE AUTOMÓVEL
A LA MOR ALEJA É UM DOS
DESPORTOS PREFERIDOS
DE MUITOS MADRILENOS
AO FIM-DE-SEMANA.
QUEREM VER COMO E ONDE
VIVEM OS FAMOSOS.
L A MOR A LEJA
Talvez o equivalente em Lisboa a La Moraleja seja
o bairro do Restelo. Moradias de luxo com preços
nunca abaixo do meio milhão de euros e rendas que
42
Fora de Série Abril 2012
rondam os cinco, sete, dez mil euros/mês. A concentração de residentes estrangeiros é alta e é lá que
se situam alguns dos melhores colégios internacionais de Madrid.
Eleito por muitos famosos para morar, é um
bairro tipicamente residencial, com muitas zonas verdes e moradias unifamiliares situado fora da muralha de Madrid, nos arredores da cidade.
Quem vai viver para a La Moraleja tem dinheiro,
quer tranquilidade, luxo e fugir a olhares indiscretos. Futebolistas da liga espanhola e gente do mundo das artes e do espectáculo encontram naquele
bairro, no município de Alcobendas, o refúgio ideal.
Ana Obregón, Isabel Pantoja vivem em La Moraleja,
onde Lola Flores tinha casa, onde também moraram
David e Victoria Beckham e onde o português Luís
Figo vive com a família.
O passeio de carro até La Moraleja é um dos desportos preferidos de muitos madrilenos ao fim-de-semana. Querem ver como e onde vivem os famosos.
BOA DILL A
Um passeio pelos bairros de Madrid pode ser como uma visita a um
museu. A arquitectura ajuda a definir cada um das zonas e cada
bairro guardou para si uma função. Para as compras, por exemplo, a
‘calle’ Serrano é considerada a “mais chique do mundo”.
Boadilla del Monte, ou Boadilla, é outro subúrbio
fora da malha urbana de Madrid e o local escolhido por Cristiano Ronaldo para viver quando se mu-
JUA N HER NÁ NDEZ AGUIR Á N
consultor de empresas de luxo
INSIDER
“O luxo está associado
a uma palavra: paixão”
Juan Hernández Aguirán escreveu, no ano passado,
o livro “O marketing do novo luxo”. Agora, acaba
de criar a sua própria consultora de assessoria estratégica
a empresas de luxo.
O que o motivou a escrever o livro
“O marketing do novo luxo”?
Surpreendia-me como em plena crise económica
e recessão mundial, as empresas de luxo
continuavam a vender ao mesmo ritmo ou
aumentando as suas vendas. As empresas de
luxo são muito importantes para a economia
porque criam emprego qualificado e estável.
E são importantes para a imagem de marca dos
países: elegância francesa; precisão suíça; moda
italiana; engenharia alemã.
Qual a sua marca de luxo favorita?
Sem dúvida: Vega-Sicilia. É uma exclusiva adega
espanhola fundada em 1864 e que, apesar de ter
pertencido a vários e distintos donos ao longo
dos anos, soube manter as características que
fazem dela única. Vega-Sicilia produz um número
muito limitado de garrafas por ano e vende para
um conjunto restrito de clientes.
FOTOGRAFIA DE ABERTURA DE HEINZ HEBEISEN/IBERIMAGES. NESTA PÁGINA, FOTOGRAFIA DE CALLE SERRANO
DE GONÇALO F. SANTOS E RESTANTES FOTOS CEDIDAS PELO TURISMO ESPANHOL
O livro fala de marcas como Louis Vuitton,
Hermès ou Chanel. Como continuam a ter tanto
sucesso, sobretudo no mercado asiático?
Todas estas marcas têm mais de 100 anos.
E não só continuam activas, como lideram
o mercado mundial e aumentam as vendas
de ano para ano. O que significa que sabem
fazer bem as coisas e adaptar-se às diferentes
épocas. Conheceram os consumidores asiáticos
graças ao que estes consumiam nas suas lojas
da Europa, Japão ou EUA. Foram capazes de
monitorizar e compreender o comportamento
de compra durante vários anos até estarem
totalmente seguras de como podiam focar as
suas estratégias na Ásia.
dou de Manchester para o Real. Agora tem como vizinhos José Mourinho e Fábio Coentrão. Todos no
exclusivíssimo La Finca, um condomínio de luxo
dentro do luxo.
A cidade, com pouco mais de 40 mil habitantes, é um aglomerado de bairros onde vive muito
do dinheiro de Madrid. Empresários, futebolistas,
nomes sonantes da fi nança e do espectáculo dispersam-se pelas urbanizações de Monte de las Encinas, Pino Centinela, Valdecabañas e Valdepastores
sem terem de se cruzar. Campos de golfe e algumas
unidades hoteleiras de luxo garantem a manutenção de um lugar que quer preservar a intimidade
dos que lá vivem.
Mas Boadilla não tem só luxo para vender. O Banco Santander Central Hispano escolheu aquela cidade para construir o seu museu, onde se podem ver
obras de mestres como El Greco ou van Dyck pertencentes à sua colecção particular, mas também expõe
muitos dos nomes das artes contemporâneas no espaço dedicado às exposições temporárias.
CH A MBER Í
De volta à cidade e a um dos seus centros, onde passa a mais antiga linha de metro de Madrid, a linha
1. O nome deste bairro que faz fronteira com o de
Salamanca, é uma adaptação à moda espanhola
da cidade de Chambery, na Sabóia, França, e tem
uma elevada concentração de edifícios modernistas e neo-góticos, uma das marcas da cidade que,
a par de Barcelona, é uma espécie de museu arquitectónico representativo de várias épocas e de várias escolas.
Se o coração do bairro de Salamanca é a ‘milla
de oro’, em Chamberí é o ‘triángulo de oro’, formado pelas ‘calles’ Génova, Passeo de la Castellana,
e ainda as ‘calles’ Almagro e Miguel Angel. Foi aí
que, no século XIX, se concentrou grande parte da
aristocracia espanhola. E é aí que agora estão muitas embaixadas e ministérios, assim como o luxuoso hotel Santo Mauro.
Chamberí é um dos locais mais procurados para
viver pelos jovens executivos que trabalham na cidade e o bairro guarda alguns segredos que os residentes se orgulham em não revelar. Como o mercado, com uma riqueza de produtos frescos vindos de
todo o país, e alguns dos restaurantes mais elegantes de Madrid na vizinhança. A combinação transforma Chamberí numa das grandes atracções madrilenas.
Há algum segredo para ser bem sucedido
no novo luxo?
Todos os profissionais e consumidores de
luxo associam o luxo a uma palavra: paixão.
Os criadores, os ‘designers’ e os empresários
de luxo estão apaixonados pelo produto que
oferecem, sentem verdadeira paixão por criar um
produto superior. E o mesmo acontece com os
consumidores. O produto tem tanto significado
para eles que o valor a pagar por ele supera o
alto preço que devem pagar. A primeira coisa
que todas têm de ter é esta paixão por criar um
produto superior. E depois é preciso ser capaz
de a transmitir aos consumidores. Assim fizeram
a Hermès, a Ferrari, a Moët & Chandon, mas
também a Apple, a Nespresso ou a Starbucks.
Qual é a melhor campanha de publicidade de
marcas de luxo a que assistiu nos
últimos anos?
Gosto da linha da Louis Vuitton no seu site e
na sua página no Facebook. Associam a sua
imagem com viagens e aventura, mostrando aos
consumidores que desfrutam de experiências
únicas: como a de viajar pelo interior de África,
por exemplo. Associam-se a um estilo de vida
e não à ostentação. E essa é a estratégia que
considero totalmente acertada.
TEXTO DE
ANA CU N HA ALM EIDA
Abril 2012 Fora de Série
43
arquitectura
MADRID BY SIZA VIEIRA
Um dos mais conhecidos arquitectos portugueses venceu o concurso público para a requalificação
da baixa madrilena. Isto em 2002. A baronesa Thyssen quis aproveitar o momento para elevar o seu
museu ao patamar do Museu do Prado e liderou uma oposição que foi atrasando todo o processo.
Passados dez anos, as divergências estão ultrapassadas. Mas agora não há dinheiro para concluir
o projecto em Madrid de Álvaro Siza Vieira. T E X T O D E J O A N A M O U R A
J
á o ditado diz que “de Espanha, nem bons
ventos nem bons casamentos”. Álvaro
Siza Vieira que o diga: há dez anos que
tem o seu projecto de requalificação da
baixa de Madrid pendente devido à oposição da baronesa Thyssen e da guerra
interna entre o presidente da câmara, Ruiz-Gallardón, e a presidente do governo regional de Madrid,
Esperanza Aguirre.
44
Fora de Série Abril 2012
Tudo começou em 2002, quando a equipa de Álvaro Siza Vieira, Juan Miguel Leon e de Carlos Riaño,
venceu o concurso público para a requalificação de
um dos principais eixos da cidade de Madrid, entre
as avenidas Prado e Recoletos. Projecto que foi, desde logo, alvo de críticas e contestações, quase sempre
lideradas pela baronesa Thyssen, que ameaçou mudar o museu Thyssen de local caso o projecto avançasse. Mais: Carmen Cervera chegou a acorrentar-se
a uma árvore em protesto contra o previsto corte de
árvores e obras que, na sua opinião, prejudicariam o
museu Thyssen.
A autarquia abriu um processo de audiências públicas, no sentido de encontrar soluções e alternativas viáveis que agradassem a todas as partes interessadas. Mas, como a História já mostrou, é impossível agradar a gregos e a troianos. A baronesa Thyssen
continuou a defender um túnel que tirasse o trânsito
de um dos eixos mais movimentos da capital espanhola, solução que a autarquia chumbou imediatamente porque, na opinião dos técnicos camarários,
o projecto de Siza Vieira não só reduziria em 30% o
trânsito na zona, como previa a plantação de mais de
duas mil árvores em todo o percurso, entre as praças
Colón e Atocha.
Dez anos e muitos avanços e recuos depois, as
obras continuam num impasse, depois de construído o primeiro lance entre estas duas praças, tal como o projecto inicial previa. E Álvaro Siza Vieira tem
uma visão bem mais prática do problema: “o desejo [da baronesa] era, no fundo, dispor de um jardim
em frente ao museu, tal como acontece com o Prado.
Simplesmente, a implantação do Prado é recuada relativamente ao alinhamento do Paseo e, por isso, dispõe de um amplo jardim. Essa polémica terminou
quando se demonstrou que o invocado derrube de
árvores não correspondia à verdade. O passeio junto
a esse museu foi amplamente alargado, mas não resolve o ‘trauma-Prado’(o desejo impossível de competir com o Prado)”, explica o arquitecto português
à Fora de Série.
Lutas por prestígio e poder que atrasaram uma
requalificação que devia ter sido feita há três anos,
mas que não beneficiou do confronto entre a Câmara de Madrid e o Governo Regional, que continuou a
defender um túnel na zona, e atrasou todo o processo com estudos de impacto ambiental e outros com
o objectivo de demover a autarquia de apoiar o projecto de Siza.
Contactados pela Fora de Série, nem a Câmara de
Madrid nem o Governo Regional de Madrid se mostraram disponíveis para responder em tempo útil.
Mas o arquitecto português também aqui tem uma
explicação: “o problema teve a ver com divergências
no interior do próprio partido. A ideia do túnel é hoje impensável e teria consequências catastróficas, como de resto entendeu um júri de grande competência, ao analisar as propostas a concurso e a escolher
a única que não previa túneis”.
Ultrapassadas as divergências, “a razão da não
continuidade da obra, depois de realizada a primeira
fase, é claramente a contenção de despesas, devido à
crise actual”, adiantou Siza Vieira. Despesas que ainda ninguém sabe dizer quais são, uma vez que o custo das obras continua no segredo dos deuses. Nem a
autarquia, nem os responsáveis pelo projecto alguma vez quiseram referir-se a essa questão.
Resta saber se um projecto com dez anos continua
a fazer sentido. O autor é peremptório: “faz sentido e
acabará por ser executado”.
FOTOGRAFIAS DE BRUNO BARBOSA
O arquitecto Siza Vieira acredita que o seu projecto para o centro
de Madrid ainda será executado. Quando é que é imprevisível,
enquanto durarem as guerras e as polémicas.
N OTAS SO LTAS
LOEWE ESTALA O VERNIZ
CLASSE MÉDIA NA CORRIDA
ÀS MARCAS DE LUXO
O Twitter em Espanha está em voo
picado. Tudo por causa da última
campanha publicitária da Loewe,
que recorre a jovens filhos de
figuras públicas espanholas para
divulgar mensagens de como “não
é divertido crescer”. São quase 75
mil os visitantes, dos quais perto de
4.500 deixam mensagens negativas.
E apenas 368 assumem ter gostado. O
objectivo da campanha era promover
a ‘it bag’ “Amazona Oro”, um clássico
da marca, junto de uma camada mais
jovem, já que os produtos da Loewe
estão associados a uma faixa etária
mais alta. O director criativo da marca
já veio explicar que a ideia não era
reflectir a realidade da juventude
espanhola, cuja taxa de desemprego é
a mais alta da Europa, mas sim apelar
aos espanhóis para não se deixarem
invadir pela crise.
A indústria da moda nos Estados Unidos
assiste a um crescimento potenciado por
clientes “aspiracionais” – são mulheres e
homens que gastam grande parte dos rendimentos em carteiras, relógios, ‘gadgets’
e outros símbolos de ‘status’, pagando
com cartões de crédito. “As pessoas estão
preocupadas por serem ou aparentarem
ser pobres, por isso gastam dinheiro como
forma de compensarem isso”, divulgou
George Loewenstein, professor de economia e psicologia da Universidade Carnegie
Mellon, num estudo que avalia como a
imagem afecta as decisões de consumo.
No Bank of America, por exemplo, verificou-se um aumento da abertura de novas
contas de crédito de 50%, durante os
últimos três meses de 2011, relativamente
a igual período de 2010. Loewenstein tem
uma explicação: “os cartões de crédito
anestesiam a dor de gastar dinheiro”.
SPEZZO,
QUEM VÊ M A L A S…
STIVALI INSTALA-SE
NA AVENIDA
Luxo, luxo e mais luxo. As mais
conceituadas marcas internacionais
de moda marcam presença na Stivali.
Não seria novidade – a loja inaugurou
em 1986 e foi a primeira em Portugal
a comercializar algumas das melhores
marcas – não fosse a abertura recente
de um novo espaço. No número 38-B
da Avenida da Liberdade, em Lisboa,
fica a nova Stivali, recheada de peças
de marcas como Yves Saint Laurent,
Valentino, Donna Karan, Dries Van
Noten, entre muitas outras. Maior
novidade é o ‘corner’ Chanel – com
móveis desenhados pelo arquitecto
Peter Marino, responsável pela
imagem da marca – único em Portugal.
CRIATIVIDADE DA YSL
ENTREGUE A HEDI SLIMANE
Hedi Slimane, ex-’designer’ da linha
Dior Homme, é o novo director
criativo e de imagem da Yves Saint
Laurent, substituindo o ‘designer’
italiano Stefano Pilati. Actualmente
com 43 anos, foi responsável pelas
colecções masculinas de 1997 a
2000, altura em que a casa Gucci
comprou a marca, levando Tom Ford
para o lugar. De seguida ingressou na
‘maison’ Dior, como director artístico
da linha masculina, antes de mudar,
em 2007, alegando querer desenhar
para mulheres. Slimane vai continuar,
em paralelo, a sua carreira como
fotógrafo.
São peças que nos acompanham a cada momento. Cabe
nelas a memória das fotografias, os cartões e telemóveis do
nosso presente, as agendas onde se escreve o futuro. A mala,
presença constante, pode revelar muito sobre nós e nem
sempre é preciso abri-la para o saber.
T E X TO D E D IA N A M O R EI R A
A Spezzo é uma marca portuguesa fundada no coração lisboeta em
2010 pela mão e gosto de Danielle Barra. É ela quem imagina cada
peça, com os pormenores que garantem ser única, e depois conta
com o afi nco das costureiras que elaboram à mão e com a perfeição
da experiência, as peças exclusivas. “De momento tenho três costureiras que são umas verdadeiras artistas e que materializam as minhas ideias”, confirma Danielle. Na oficina Spezzo, ganham forma as
malas que, apesar de respeitarem os ritmos das grandes tendências,
se distinguem pela procura do único. “O conceito da Spezzo não funciona com colecções por estação. Desenho e produzo peças novas todos os meses, totalmente ‘handmade’, confeccionadas peça por peça,
conjugando peles coloridas com forros acetinados. Criatividade não
falta e tenho assim a oportunidade de também surpreender os meus
clientes com modelos novos”, conta Danielle.
Apesar de nacional, a marca encontra-se com maior facilidade em
Inglaterra: “temos actualmente dez pontos de venda lá e estamos
no limite da produção”. A procura tem crescido de forma constante
e a Spezzo encontra nos mercados da Holanda e Alemanha o próximo passo de evolução. As malas são vendidas nas grandes cidades,
até porque é esse o público feminino e cosmopolita que quer as características Spezzo, peças que se defi nem num conceito de luxo
prático. “Além do ‘design’, as peças têm volume e destinam-se a mulheres urbanas, activas, que necessitam de transportar consigo mil
e uma coisas”, explica a ‘designer’. Por cá, as malas, que têm como
preço mínimo os trezentos euros, ainda só se podem encomendar
‘on-line’, no site www.spezzo.pt, e cada pedido torna-se ainda mais
pessoal, um objectivo que se cumpre a cada peça. Danielle confessa
que a exclusividade é ponto de honra da marca: “quando produzo
um novo modelo, opto por criar elementos diferenciadores entre
elas e isso só é possível porque o meu conceito é manual. Dentro
desse novo modelo, faço variar nas combinações de cores, ferragens
e forros, de forma a que cada peça tenha a sua própria identidade”.
Esta é uma política que Danielle defi ne como “conforto”, e a certeza
de que “não existem peças iguais é garantia de exclusividade”. Nenhuma vida é igual e a nossa bagagem será sempre do domínio do
íntimo, importa, por isso, onde a guardamos. Quem vê malas pode
ver corações, sem espreitar o que lá se guarda, adivinhando-se apenas na assinatura Spezzo.
VENDAS DO PPR SOBEM 11%
O grupo de luxo francês PPR fechou o ano
em alta. A ‘holding’ que detém a Gucci
e a Yves Saint Laurent viu a sua receita
crescer para 12.2 mil milhões de euros,
com um crescimento de 11%, embora
ligeiramente abaixo do esperado. Ou seja,
um aumento líquido de 999 milhões de
euros, o que corresponde a uma subida
de 40%. De salientar é também o caso
da Bottega Veneta (que fabrica carteiras,
cintos e sapatos), que cresceu 34%, em
oposição à Fnac, ambas subsidiárias do
mesmo grupo, que sofreu uma quebra de
3%. Uma prova de que os consumidores
de produtos de luxo resistem à crise e ao
abrandamento da economia europeia.
OSKLEN REGRESSA A LISBOA
A marca brasileira Osklen, de roupa
feminina e masculina, está novamente disponível em Lisboa, na Nude Fashion Store.
A marca posicionada como ’premium’
reflecte um ‘casual chic’ sofisticado, cuja
inspiração é conseguida pela junção urbana com a natureza, global e local, orgânica
e tecnológica. Criada em 1989 por Oskar
Metsavaht, no Rio de Janeiro, tornou-se
conhecida pelo estilo inovador das novas
modalidades desportivas da época aliado
à qualidade. No final dos anos 90, arranca
a primeira colecção feminina e, em 2003,
a Osklen passa a integrar a São Paulo
Fashion Week. Na Nude, na Avenida Infante Santo, em Lisboa, há também outras
marcas como M Missoni, Red Valentino,
Costume National, Imperial e JBrand.
POR CRISTINA S. BORGES
Abril 2012 Fora de Série
45
família
Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza, ou Heini, como lhe chamavam,
era um homem que apreciava a beleza, fosse a da arte ou a das
mulheres. Conquistou várias ao longo da vida mas acabou junto de
María del Carmen Cervera, a quinta mulher com quem casou.
46
Fora de Série Abril 2012
UMA HISTÓRIA
FEITA DE AÇO
E DE ARTE
Foram homens de negócios incansáveis
e coleccionadores apaixonados.
O apelido Thyssen-Bornemisza nasceu
na Alemanha, ganhou armas na Hungria
e é hoje sinónimo de uma das mais importantes
colecções de arte espanholas.
T E X TO D E I N Ê S Q U EI ROZ
ans Heinrich Thyssen-Bornemisza, ou Heini, como lhe chamavam, era um homem
que sabia apreciar a beleza. Fosse esta perene, como na arte, ou efémera, como a que a
natureza concede a algumas mulheres, pouco importava. Amava-a e coleccionava-a.
Foi casado cinco vezes e deixou uma das colecções de arte mais importantes de
Espanha, hoje patente no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid, que juntamente
com o Prado e o Reina Sofia forma o chamado “triângulo de ouro da arte”. Mas, para
contarmos melhor esta história, precisamos de ir um pouco mais atrás no tempo e
para norte no espaço geográfico, mais concretamente à cidade mineira de Eschweiler, na Alemanha, onde, a 17 de Maio de 1842, nasceu August Thyssen, avô de Heini
e fundador de um império familiar sem o qual nada teríamos para contar.
Terceiro filho e primeiro varão no seio de uma família de empreendedores católicos, o jovem August habituou-se, desde cedo, a ver o pai, Johann Friedrich Thyssen,
gerir com pulso firme a primeira fábrica de aço da província do Reno até fundar o
seu próprio banco.
Depois de ter feito a escola em Eschweiler e o liceu em Aachen, August frequentou a escola politécnica de Karlsruhe, durante dois anos, para estudar engenharia
mecânica e, em 1861, partiu para Antuérpia onde frequentou o Institut Supérieur du
Commerce de l’État, onde estudou os rudimentos e segredos da actividade bancária.
Naturalmente que a ideia era que seguisse o negócio da família e assim aconteceu durante algum tempo, mas o espírito empreendedor genético falou mais alto
e, em 1867, associou-se a Franz Bicheroux, marido de uma das irmãs, para fundar a
Thyssen, Fossoul & Co, uma empresa sedeada em Duisburg que fabricava cintas de
ferro para barris e caixotes. Quatro anos depois tinha quadruplicado o investimento inicial e, inspirado pelo sucesso, largou tudo para criar o seu próprio negócio.
A 1 de Abril de 1871 nascia a Thyssen & Co, uma siderurgia em Styrum, perto
de Mülheim e a primeira pedra do que é hoje o Grupo ThyssenKrupp, um império
conhecido em mais de 80 países como sinónimo de elevadores, produção de aço e
tecnologia industrial.
Verdadeiro ‘workaholic’ e dono de um implacável espírito criativo, August Thyssen investiu corpo e alma no novo negócio. Primeiro com o pai como sócio e, após a
morte deste em 1877, com o apoio do irmão Joseph, não descansou enquanto não viu
crescer a Thyssen & Co que, muito em breve, chegava a terras de França.
Abril 2012 Fora de Série
47
família
Naturalmente que o trabalho pouco tempo lhe
deixava para uma vida pessoal. Ainda assim, August
Thyssen foi casado durante 18 anos. Da mulher, Hedwig, filha de um empresário de Mülheim, vir-se-ia
a divorciar em 1885 e, apesar de não ter fama de ser
um homem muito carinhoso, ficou com a custódia
dos quatro filhos: Fritz, August, Heinrich e Hedwig.
H E I N I AC R E S C E N T OU
O BR A S DE A L G U N S
DO
O S V E L HO S M E S T R E S
CONSAG
G R A D O S AO E S P Ó L I O
DO PAI. NA
A DÉ C A DA DE 6 0
COMEÇOU A I N T E R E S S A R -SE PELO MODE
E R N I SMO.
Em cima, fotografia dos jardins do Museu Thyssen-Bornemisza,
em Madrid e, em baixo, os reis de Espanha numa visita ao lugar que
guarda uma das mais valiosas colecções de arte do país. Em 1992,
Heini e Tita venderam ao governo espanhol um total de 775 obras.
Reza a História que foi um empresário de sucesso,
mas discreto. Menos despercebida ao mundo passou,
sem dúvida, a sua paixão pela arte. No início da década de 1920 reuniu uma impressionante colecção.
Começou com os pintores primitivos alemães, como Hans Baldung Grien, Albrecht Altdorfer, Hans
Holbein Dürer ou Lucas Cranach, passou para os flamengos, como Juan de Flandres, Rogier van der Weyden ou Jan van Eyck, deslumbrou-se com o Renascimento Italiano de Domenico Ghirlandaio, Sebastiano del Piombo, Caravaggio, Ticiano ou Tintoretto e
estendeu a sua paixão à obra de pintores ingleses, como Gainsborough ou Joshua Reynolds, e franceses,
como Watteau, Fragonard ou Chardin.
Em pouco tempo, a sua colecção de pintura estendia-se entre o século XIV até e início do século
XIX e, em 1932, comprou a Villa Favorita, um sumptuoso palacete do século XVII em Lugano, na Suíça, onde criou uma galeria para acolher este espólio que, à data da sua morte em 1947, reunia já um
total de 525 obras. Mais tarde, Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza, ou Heini, o mais novo dos quatro
filhos que teve com Margit, haveria de abrir esta galeria ao público.
UM ETER NO A M A NTE DO BELO
A paixão pela arte ficou para sempre associada ao
apelido Thyssen-Bornemisza, mas o crédito de tal
proeza não é todo devido a Heinrich. Herdeiro da colecção do pai, Heini viu-se pouco depois confrontado com a divisão da mesma, depois de os irmãos terem contestado o testamento do pai pela lei suíça.
Empenhado em reuni-la novamente, este concentrou
os seus esforços em recuperar o máximo que podia e
consta que a primeira vez que comprou um quadro
fora da família foi só em 1956, quando adquiriu o famoso “Ritratto d’uomo”, de Francesco del Cossa.
Nascido em Haia, em 1921, Heini fez aqui os primeiros estudos, partindo depois para a Suíça logo
após a invasão da Holanda pelos alemães, em 1939.
Estudou direito e economia em Friburgo e em Berna.
Trabalhador incansável, Heini recebera também
em herança, além do título de barão, um negócio
familiar bastante debilitado pela Segunda Guerra
Mundial. Com apenas 26 anos, pôs mãos à obra para
o reabilitar, concentrando-se nas áreas da construção naval e da banca e investindo ainda na indústria
cervejeira na Holanda, no sector imobiliário na América do Norte e na criação de ovelhas na Austrália.
Pouco depois, nascia o Grupo Thyssen-Bornemisza.
Paralelamente, a sua colecção de arte ia crescendo
e diversificando-se. Se inicialmente Heini acrescentou obras de alguns dos velhos mestres consagrados
ao espólio do pai, como Duccio, Willem Kalf, Jansz
Saenredam ou Goya, a partir da década de 60 interessou-se pelo modernismo. A convivência familiar e o
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Fora de Série Abril 2012
NA ABERTURA, FOTOGRAFIA DE MANUEL ZAMBRANA/CORBIS/VMI. NESTA PÁGINA, EM CIMA,
FOTOGRAFIA DE CARLOS DOMINGUEZ E, EM BAIXO, DE DUSKO DESPOTOVIC, AMBAS CORBIS/VMI
HISTÓR I A DE UM A COLECÇÃO DE A RTE
Dos fi lhos de August, dois enveredaram pelos negócios familiares, Fritz, o mais velho, e Heinrich, o
mais novo e pai de Heini.
Nascido a 31 de Outubro de 1875, Heinrich Thyssen estudou física, química e mineralurgia em Munique, Berlim e Bona, prosseguindo depois os estudos
em Heidelberg, onde se doutorou em química.
Em 1905 foi viver para a Hungria, onde quis o
destino que se casasse com a baronesa Margit Bornemisza, o que lhe veio a valer mais um apelido e um
título. Adoptado pelo sogro, que não tinha filhos varões, Heinrich viria a receber pouco depois por parte de Francisco José I, imperador da Áustria e rei da
Hungria, o direito de usar o nome e as armas de Bornemisza de Kászon, bem como o título de barão, privilégios que se mantiveram na família mesmo depois de se ter divorciado de Margit e casado mais duas vezes. A vida encarregou-se de o levar para outras
paragens, nomeadamente Haia, na Holanda, onde,
depois da Primeira Guerra Mundial, esteve à frente dos negócios internacionais da Thyssen. Ainda
assim, Heinrich haveria de manter a nacionalidade
húngara até ao fim da vida.
Homem de espírito independente, insistiu em
manter sempre os seus negócios separados dos do irmão e, após a morte do pai, em 1926, o vasto património familiar acabou por ser dividido. A Heinrich
couberam em herança os negócios holandeses da família, na banca e transportes navais, que duplicou ao
longo da sua vida de trabalho.
família
OUTR A S COLECÇÕES
Heini Thyssen-Bornemisza foi um cidadão do mundo. Apesar de ter nascido na Holanda, adoptou a naturalidade suíça, mas residência monegasca por razões profissionais e fiscais. De resto, coleccionou casas em todo o planeta. Na Suíça, além da Villa Favorita, herdada do pai, tinha um ‘chalet’ em Saint Moritz, uma casa na Jamaica, outra em Chester Square,
Londres, apartamentos em Paris e Nova Iorque e, no
final da vida, estabeleceu-se em Espanha, onde tinha
quatro casas.
Eterno amante do belo, fosse este perene ou efémero, Heini coleccionou também mulheres bonitas com
quase tanto empenho como o fez com as suas obras de
arte. Uma opção que, no entanto, nem sempre revelou
ser tão tranquila quanto a outra, levando-o mesmo a
admitir uma vez, numa entrevista, que “ao contrário
das mulheres, os quadros não falam”.
Ainda assim, foi casado cinco vezes. Primeiro
com a princesa austríaca Maria Theresa de Lippe, de
quem teve um filho, Georg Heinrich ou Heini Júnior,
depois com a modelo Nina Dyer, a quem ofereceu
uma ilha nas Caraíbas, dois carros desportivos, uma
pantera negra e uma fortuna em jóias. O casamento
acabou em polémica depois de Nina se ter envolvido com um actor francês e, pouco depois, era a vez
da modelo inglesa Fiona Campbell-Walter entrar na
vida do barão. Apesar de tudo, este casamento ainda
durou 17 anos e gerou dois filhos: Francesca e Lorne.
Denise Shorto, filha de um banqueiro brasileiro,
foi a quarta mulher de Heini, uma ligação que deu
origem a mais uma criança, Alexander. Esta foi, sem
dúvida, a mais polémica de todas as uniões do barão,
acabando na barra dos tribunais com a mulher a tentar provar que a fortuna de Heini era três vezes superior àquela que declarava e este a acusá-la de ter ficado com bens da família. O caso levou quatro anos a
encerrar. “Odeio divorciar-me. É um processo muito
desagradável”. A frase, que terá sido dita por alturas
do primeiro divórcio do barão, nunca fez tanto sentido quanto durante este processo.
Em 1981, já com 60 anos de idade, Heini conheceu
aquela que viria a ser a sua quinta mulher. María del
Carmen Cervera, ou Tita, como é conhecida, foi Miss
Espanha em 1962 e era viúva do actor norte-americano Lex Barker que, na década de 50, substituiu o célebre Johnny Weissmüller no papel de Tarzan.
Casaram em 1985, após a conclusão do divócio
de Denise Shorto. Para a família, Tita trouxe mais
um filho, Alejandro, ou Borja, fruto de uma anterior
ligação com o ‘playboy’ Manuel Segura – que Heini
prontamente adoptou como seu – e uma grande paixão por arte, incutida pelo pai, o empresário e engenheiro industrial catalão Enrique Cervera y Manent.
Força dos interesses em comum ou da tranquilidade que vem com o passar dos anos, Tita foi o último dos devaneios efémeros do barão e a sua companheira até ao fim da vida.
UM A FUNDAÇÃO E M A IS UM A COLECÇÃO
Pouco depois deste último casamento, em 1988, foi
assinado um protocolo entre a família e o governo
50
Fora de Série Abril 2012
A V I DA N E M SE M PR E SORRI
A T I TA . A LVO C ONSTA N T E
DA
A S R E V I STA S C OR -D
DE -ROSA
A , N ÃO É R A R O Q U E
O SEU NO
OM E V E N H A À
BAILA POR R A Z ÕE S M E NO S
EDIFICANT
TES.
Em cima, fotografia da baronesa Carmen Thyssen-Bornemisza,
actualmente a vice-presidente do Museu madrileno. Em baixo, Tita,
como também é conhecida, fotografada com o marido junto a uma
das suas obras expostas no Museu.
espanhol para que Espanha recebesse a colecção de
arte do barão. A ideia era que esta se dividisse entre
o Palácio Villahermosa, em Madrid, sede do actual
Museu Thyssen-Bornemisza, e o Mosteiro de Pedralbes, em Barcelona. Fruto desta parceria, nascia a Fundação cultural Thyssen-Bornemisza, com o objectivo
de promover e divulgar ao público a mesma colecção.
Se o objectivo inicial do acordo previa apenas uma
cedência temporária das obras de arte do barão, quatro anos mais tarde, em 1992, Heini e Tita assinavam
um novo protocolo, desta feita para vender ao governo espanhol um total de 775 obras, que iriam estar
em destaque em Madrid. Apenas uma exigência: que
estas nunca abandonassem o país. Firmado o contrato, a colecção Thyssen-Bornemisza tornou-se, para a
posteridade, parte integrante da herança espanhola.
E, um ano mais tarde, era Barcelona que tomava providências para ter a sua parte da colecção Thyssen-Bornemisza integrada na colecção do Museu Nacional da Catalunha.
Entretanto, incentivada pelo barão, também Tita investia na sua própria colecção. E, se as primeiras obras foram presente do marido, rapidamente se
tornou dona e senhora dos seus próprios critérios.
Especialmente vocacionada para os artistas espanhóis e norte-americanos do século XIX e início do
século XX, a sua colecção integra hoje também grandes nomes da arte internacional como Courbet, Corot, Monet, Pissarro, Sisley, Renoir, Degas, Gauguin,
Bonnard, Vuillard, Matisse, Gris, Léger, Nolde, Kirchner, Kandinsky ou Delaunay. E, em 1999, as instalações do Palácio Villahermosa anexaram dois edifícios adjacentes para poderem receber a colecção privada da baronesa.
Viúva desde 2002, Tita é hoje vice-presidente do
Museu madrileno. A vida, nem sempre lhe sorri. Alvo do interesse contínuo das revistas cor-de-rosa, não
é raro que o seu nome venha à baila por razões menos edificantes do que aquelas que envolvem apenas
as suas obras de arte. Foi o caso quando o seu próprio
filho, Borja, exigiu os quadros que, alegadamente, o
pai adoptivo lhe tinha deixado em herança, ou quando ela própria propôs vender a obra “La Esclusa” do
pintor britânico John Constable e viu o negócio vetado por dois membros da Fundação, um dos quais
a própria filha de Heini, Francesca. Não é fácil viver
sob o apelido Thyssen-Bornemisza.
EM CIMA, FOTOGRAFIA DE SERGIO PEREZ/REUTERS.
EM BAIXO, FOTOGRAFIA DE MANUEL ZAMBRANA/CORBIS/VMI
percurso já percorrido trouxeram-lhe a experiência
necessária para saber reconhecer a qualidade à primeira vista e, em 1961, comprou a sua primeira obra
do século XX, uma aguarela do pintor alemão Emil
Nolde. Pouco depois enveredava pelo expressionismo alemão, impressionismo e pós-impressionismo,
passando para o movimento vanguardista russo, pelos pintores britânicos do pós-guerra, como Francis
Bacon ou Lucian Freud, pelo cubismo de Picasso, Braque, Léger, acabando na arte pop e no hiper-realismo.
Em suma, a colecção crescia a olhos vistos, rondando
já as 1.500 obras.
A Primavera chega
pintada em tons de
gelado com cobertura
açucarada. “Pastel”
é tendência forte para
uma estação que se
adivinha doce. Abril
é mês de azulinho,
amarelinho, cor-de-rosinha... tudo ‘inho’.
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Party”
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T E X TO E SE L ECÇ ÃO D E
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Abril 2012 Fora de Série
51
estilo
52
Fora de Série Abril 2012
¡ VIVA L A
ESPAÑA!
Espanha, o país da ‘Movida’.
Do talento artístico. Arquitectónico.
O país da gastronomia. Do futebol
e da moda. O país das touradas
e dos matadores. Das ‘jaquetillas’,
das ‘monteras’ e das ‘taleguillas’.
O país que exclama “Olé!”, o grito
da sua personalidade.
T E X T O D E A N A F I L I PA A M A R O F O T O G R A F I A D E A N A V I E G A S A S S I S T I D A P O R A N T Ó N I O TA I N H A
R E AL IZ AÇ ÃO D E FI LI PE CARRI ÇO A S SIS T I D O P O R ANA VI CENTE C AB E LOS D E M I G U EL
VIANA M AQ U I L H AG E M D E J OA N A M O R EI R A CO M P R O D U TOS D I O R M O D E LO M I LENA ( ELITE )
AG R A D ECI M E N TOS AO BA N DA R I L H E I R O D UARTE ALEG RE TE
Abril 2012 Fora de Série
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estilo
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Fora de Série Abril 2012
Na abertura, vestido em crepe de seda bordado Storytailors. Anel em ouro nobre e diamantes H.Stern. Colete, ‘jaquetilla’ e ‘montera’ de bandarilheiro.
Ao lado, colete em pele Aleksander Protic. Cinto em metal Alves/Gonçalves. Sandálias em pele Tom Ford, na Fashion Clinic. Colar em ouro e cristais de rocha
H.Stern. ‘Taleguilla’ (calças) de luz de bandarilheiro. Em cima, vestido em ‘jersey’ de seda Alberta Ferretti, no Espace Cannelle. Cinto em metal Alves/Gonçalves.
Acessório de cabelo Storytailors. Brincos em ouro e diamantes, pulseira em ouro e diamantes e anel em ouro amarelo e anel em ouro, tudo H. Stern.
Abril 2012 Fora de Série
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estilo
Em cima, vestido em tafetá de seda e algodão Miu Miu, na Fashion Clinic. Escultura Valentim Quaresma. Brincos em ouro e ágatas Mimi.
Ao lado, vestido em crepe de seda e pele Aleksandar Protic. Acessório de cabelo Valentim Quaresma. Sandálias em cetim de seda e ‘plexiglass’ Stella McCartney,
na Fashion Clinic. Brincos em ouro amarelo e diamantes H.Stern. ‘Montera’ e capote de passeio de luz de bandarilheiro.
Moradas: ALEKSANDAR PROTIC: Rua da Rosa, nº 112 – Lisboa. Telm.: 933953592; ALVES / GONÇALVES: Travessa Guilherme Cossoul, nº 16 – Lisboa. Tel.: 213463125;
ESPACE CANNELLE: Arcadas do Parque, nº 52 H – Estoril. Tel.: 214662141; FASHION CLINIC: Tivoli Forum, Av. da Liberdade, nº 182, loja nº 5 – Lisboa. Tel.: 213549040;
OMOURA: mais informações no 213224130, STORYTAILORS: Calçada do Ferragial, nº 8 – Lisboa. Tel.: 213432306; VALENTIM QUARESMA: Spazio Dual,
Avenida da República, nº 41 – Lisboa. Tel.: 218462150; VICINI: Pateo Bagatella, Rua Artilharia 1, loja 5, nº 47 a 49 – Lisboa. Tel.: 213883176.
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Fora de Série Abril 2012
Abril 2012 Fora de Série
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paladares
A S ESTR EL A S
DE
MADRID
Sete ‘chefs, 14 estrelas Michelin. Nas páginas que se seguem estão todos
os mestres da gastronomia espanhola. Os melhores. Os que, com a comida,
convidam os clientes a viajar por um mundo infinito de sabores. Há mais nomes,
claro, mas desta vez só entrou quem já teve a habilidade de conquistar
duas estrelas. Conquistar e manter, uma missão ainda mais difícil.
T E X T O D E A N A F I L I PA A M A R O , E M M A D R I D / F O T O G R A F I A D E G O N Ç A L O F. S A N T O S
Há uma dúvida que fica e que é comum aos sete ‘chefs’ com restaurantes
em Madrid que conseguiram alcançar duas das tão desejadas estrelas Michelin, o prémio máximo da gastronomia: como é que na capital espanhola ainda não há nenhum espaço com três estrelas Michelin? Ninguém quis
assumir uma resposta. Mas nenhum se esquivou à mesma promessa: trabalhar ainda mais para conquistar mais uma vez a atenção do tão prestigiado guia. Guia ou bíblia? Bíblia, será mais correcto de se dizer tendo em
conta que consegue transformar um cozinheiro num criador e um restaurante numa experiência do outro mundo.
E são estas duas coisas que acontecem com sete ‘chefs’ e em sete espaços em
Madrid. A cidade tem centenas de restaurantes, mas só sete têm o boneco
branco, gordinho, cheio de refegos, sentado à entrada para receber os felizardos que conseguiram um lugar à mesa. Não há segredos do que é preciso
ter para receber esta distinção. Uma cozinha impecável, claro, um serviço
irrepreensível, ‘maîtres’, ‘sommeliers’ e empregados de mesa de uma competência invejável e um espaço com uma decoração fascinante e com um
ambiente tranquilo. E esta é a parte… fácil. Porque além de tudo isto, falta a
cereja no topo do bolo: um ‘chef’ com ideias geniais, com uma criatividade
genial, com um palato genial, com concepções, pensamentos e fantasias
geniais… Um génio. Apresentamos-lhe sete, sete génios da gastronomia espanhola, com História escrita pelas ruas de Madrid.
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Fora de Série Abril 2012
SERGI A ROL A
UM ‘MOTARD’
NA COZINHA
SERGI AROL A G ASTRO
‘ C A L L E ’ Z U R B A N O, N º 3 1
Irreverente poderá ser a palavra que melhor
descreve Sergi Arola. E não é só porque tem
pinta de ‘rockeiro’, ou porque tem dez tatuagens espalhadas pelo corpo, ou porque é ‘motard’, fã da Harley Davidson, ou porque posou
nu (contra a violência doméstica) para a revista “Yo Dona”, do jornal “El Mundo”. O próprio
percurso de Arola também retrata bem a palavra escolhida. Senão, veja-se. Voltou costas ao
restaurante La Broche, em Madrid, onde esteve 10 anos e onde conseguiu duas estrelas Michelin, para começar do zero um projecto próprio. Queria a “independência total” de grupos
hoteleiros para poder criar um conceito mais
próximo do cliente. Nasceu, em 2008, o Sergi
Arola Gastro, também na capital espanhola, no
bairro de Salamanca, onde voltou a conquistar
duas estrelas Michelin.
O percurso de Sergi Arola (provavelmente
o ‘chef’ mais reconhecido em Portugal, pelo
seu restaurante Arola no hotel Penha Longa)
é todo ele cheio de histórias caricatas. A começar pela razão que o levou a ser cozinheiro,
como gosta que lhe chamem (diz que ‘chef’ é
alguém que está num hotel a gerir uma equipa com várias pessoas). Nada mais, nada menos porque o avô, com quem vivia, não sabia cozinhar e aquecia-lhe latas de sopa de
tomate. Começou a cozinhar para o avô para lhe mostrar o que era a cozinha. Tinha 12
anos e, desde essa altura, nunca mais deixou
os tachos. Estudou hotelaria e restauração
em Barcelona, mas a sua verdadeira escola
foi a passagem que fez pelo El Bulli, de Adrià.
Arola é mais um discípulo do super-‘chef’, assim como do francês Pierre Gagnaire. Foi com
eles, admite, que aprendeu a ser inconformado, criativo e a pensar a gastronomia. E todas estas características fizeram com que seguisse o seu próprio caminho.
Em Fevereiro, inaugurou mais um restaurante, desta feita em Paris, no W-Opéra. Mais
um espaço que se junta aos outros sete que
já tem, em lugares tão diferentes como Espanha, Chile, Brasil ou Portugal. Ainda este
ano, em Maio, prevê abrir mais um restaurante, agora em Bombaím, na India, e para 2013
está prometido um outro na Suíça. Como consegue gerir tudo isto? “É fácil, é como na alta-costura, eu desenho os pratos e os meus
‘chefs’ costuram-nos”.
Sergi Arola é fã de motas, tem três,
mas é a Harley Davidson, diz,
a sua “namorada”. Este ano garante
que não vai faltar à concentração
da Harley que será em Cascais
e quer organizar um encontro
no Arola Penha Longa para todos
os membros da marca.
Abril 2012 Fora de Série
59
paladares
DAV ID M U ÑOZ
‘EL NIÑO TERRIBLE’
PARA NÃO USAR
O FRANCÊS
D I V ER XO
‘ C A L L E ’ PENS A MIEN TO, N º 2 8
Uma cozinha de fusão sem confusão. É assim que David Munõz descreve o conceito que aplica todos os dias aos pratos que
serve no seu restaurante DiverXo. Situado no bairro de Tetuán, o mais jovem cozinheiro com duas estrelas Michelin (tem
32 anos) abriu portas em 2007 e… esperou. As primeiras seis noites ninguém entrou para provar a comida que aproxima
o Ocidente do Oriente – uma mistura que
é assumida logo no nome do restaurante
que junta a palavra “diversidade” à silaba
“XO”, que na China é sinónimo de qualidade e sofisticação. Mas Muñoz ganhou com
a melhor publicidade que se pode ter: no
bairro, a mensagem sobre a criatividade
dos seus pratos foi passando de boca em
boca e no final daquele ano para se conseguir uma mesa no DiverXO num sábado
à noite era preciso esperar um mês. Hoje,
a lista de espera não é muito diferente. É,
aliás, esta corrida por um lugar à mesa de
Muñoz que torna barulhentas as manhãs
no restaurante. Apesar de também ser
possível fazer reservas ‘on-line’, o telefone não pára de tocar. Não pára mesmo. E
até para almoçar pode ter que se esperar
uma semana.
David Muñoz nasceu em Madrid e foi com
12 anos que o gosto pela cozinha despertou, quando os seus pais o levaram ao restaurante Viridiana, onde conheceu o reputado ‘chef’ Abraham García. Impressionado com a criatividade com que García cozinhava, Muñoz ficou convicto do caminho
a seguir e quatro anos depois começou a
estudar na Escola de Hotelaria de Torrejón
de Ardoz, em Madrid. Ainda por lá andava quando começou a trabalhar no restaurante Balzac, uma experiência que o levou
ao restaurante que mudou a sua vida. David Muñoz trabalhou três anos no Viridiana, depois no famoso Chantarella de onde
saiu rumo a Londres. Foi na cidade britânica que cresceu ao lado dos melhores ‘chefs’ orientais. Primeiro no Hakkasan – antes
tinha passado pelo Orrey – e depois no ainda mais prestigiado Nobu, do ‘chef’ japonês Nobu Matsushita (em 2006, regressou a Madrid para construir o seu próprio
projecto, um sonho que tornou realidade).
Não havia margem para maiores influências, Muñoz cruzou-se com os melhores e
tornou-se um deles, com uma cozinha de
fusão sem fronteiras, que atingiu o ponto
mais alto em 2009 e em 2011, anos em que
lhe foram atribuídas as estrelas Michelin.
Antes, prémios como “Cozinheiro do Ano”,
“Cozinheiro Revelação” ou “Restaurante
Revelação” marcaram o percurso do jovem ‘chef’ que, com uma imagem arrojada, é também conhecido como o ‘enfant
terrible’ da gastronomia espanhola.
60
Fora de Série Abril 2012
Ricardo Sanz é o ‘chef’
do japonês Kabuki, o
primeiro restaurante
estrangeiro em
Espanha a receber uma
estrela Michelin.
R IC A R DO SA NZ
David Munõz tem uma
cozinha de fusão onde a
malagueta assume um
papel importante. É um
dos ingredientes que mais
gosta de usar nos seus
pratos para provocar uma
explosão de sabores.
UM ESPANHOL
SAMURAI
DO SUHI
K A BUK I: H O T EL W EL L IN G TO N,
‘ C A L L E ’ V EL Á ZQ U E Z , N º 8
A atribuição da primeira estrela Michelin
ao restaurante de Ricardo Sanz, em 2010,
criou mais impacto do que qualquer outra. Percebe-se. Em Espanha, foi o primeiro restaurante estrangeiro a receber este
reconhecimento máximo da gastronomia.
Kabuki é o nome a guardar caso passe por
Madrid e seja fã incondicional de comida
japonesa. Situado no hotel de cinco estrelas Wellington, o restaurante tem no menu
a combinação quase perfeita – é considerado por muitos um dos melhores restaurantes do mundo – dos ingredientes mediterrâneos e japoneses. Um encontro que
o ‘chef’ considera um “cruzamento de caminhos” e que a sua história prova que foi
quase casual.
Ricardo Sanz visitou o primeiro restaurante japonês pela mão de um amigo. A experiência foi arrebatadora e Sanz percebeu
imediatamente o potencial de uma das cozinhas mais técnicas e precisas do mundo. Foi exactamente nesse restaurante japonês onde comeu pela primeira vez que
viria a trabalhar. Mais, viria a trabalhar ao
lado de um dos mais míticos nomes da gastronomia nipónica, Masao Kikuchi, dono
do lendário restaurante em Tóquio, o Taro.
Primeiro tornaram-se amigos, depois Kikuchi adoptou o ‘chef’ espanhol como seu
aprendiz. “Tudo mudou para mim, foi como fazer um serviço militar de operações
especiais”, recorda. E a comparação não é
despropositada tendo em conta a perícia e
a forma exímia como desenvolveu o sublime corte dos peixes, assim como a técnica
de trabalhar com peixe cru. Os adjectivos
também não pecam pelo exagero, prova
disso, o convite que Sanz teve para participar no certame mais prestigiado do mundo, “Os Sete Samurais do Sushi”, o único
espanhol convidado até hoje.
Para trás, Ricardo Sanz deixou cozinhas
onde preparou hambúrgueres, cachorros-quentes e tapas e espalha agora, com
dois Kabuki em Madrid e um em Tenerife,
o melhor ‘sushi’, ‘sashimi’, ‘niguiri’, ‘makis’
e ‘tempuras’.
Abril 2012 Fora de Série
61
paladares
O Azeite de Oliva é o ingrediente eleito por Paco
Roncero tanto para as suas receitas como para estudar
no seu laboratório gastronómico. O ‘chef’ deixou-se, por
isso, fotografar com um copo de azeite na mão.
PACO RONCERO
CHEF DE
LABORATÓRIO
L A T ER R A Z A D EL C A SIN O
C A SIN O D E M A D R ID, A LC A L Á , N º 15
62
Fora de Série Abril 2012
Quando se fala em ciência na cozinha, os
mais atentos pensam em Ferran Adrià.
Os conhecedores, esses, podem ter dúvidas e pensar também em Paco Roncero.
Na verdade, no que toca à ciência gastronómica, estes dois nomes cruzam-se.
Não fosse este último um dos melhor sucedidos discípulos de Adrià.
Juan Pablo Felipe é o ‘chef’ que hoje
comanda o La Terraza del Casino, o restaurante que fica no Casino de Madrid.
Assumiu o papel principal da cozinha em
2000 (antes, o cargo era de Adrià e da
sua equipa, à qual Paco pertencia desde
1991), provocando uma mudança radical
no panorama gastronómico madrileno e
espanhol, sendo hoje considerado o representante máximo da cozinha de vanguarda.
Formado pela Escola de Hotelaria e Tu-
rismo de Madrid, estagiou no restaurante Zalacaín e passou pela cozinha do
Hotel Ritz. Mas foi quando se juntou ao
‘chef’ catalão que a sua personalidade
criativa tomou forma. Durante 12 anos,
Paco absorveu tudo o que Adrià fazia,
tanto no El Bulli, onde esteve cerca de
um ano, como depois quando entrou para a sua equipa do La Terraza. O resultado é o domínio perfeito das mais evoluídas técnicas culinárias.
Azeite de Oliva é o seu “ingrediente-fetiche”. É sobre ele que tem desenvolvido experiências que procuram novas
texturas e novas formas de cozinhar.
Experiências como a esferificação, por
exemplo, através da qual líquidos como
o azeite adquirem uma frágil membrana
contendo no interior o líquido, imitando o caviar. Estes ensaios mereceram
a criação de uma espécie de laboratório, El Taller de La Terraza del Casino,
‘workshop’ onde Paco Roncero partilha
as suas criações.
Da mesma forma que o faz com a sua
criatividade, Paco quis também partilhar
a forma – bem sucedida – como gere financeiramente a sua cozinha. “Gestor
de Cozinha” foi o ‘software’ que desenvolveu para calcular os custos e optimizar os rendimentos dos restaurantes
(além de estar no La Terraza, Paco Roncero gere ainda dois espaços de tapas
seus, os ‘gastrobar’ Estado Puro, ambos
em Madrid).
Este espírito empreendedor aliado à cuiriosidade de investigador permitiram-lhe a carreira de sucesso que hoje tem e
que se traduz em duas estrelas Michelin
(em 2002 e 2009).
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paladares
R A MON FR EI X A
UM REGRESSO
ÀS ORIGENS
R A M O N F R EI X A M A D R ID
Ú N I C O H O T EL ,
‘ C A L L E ’ C L A U D I O C O E L LO,
Nº 67
Há quem leve anos para conseguir uma estrela Michelin.
Ramon Freixa bateu recordes
e conseguiu duas em um ano
e meio. O feito deve-se ao seu
trabalho no restaurante com o
seu nome, o Ramon Freixa Madrid, que fica no hotel Único Madrid, no bairro de Salamanca, e
é um espaço concebido à medida do ‘chef’ catalão. Divertido,
de bem com a vida e com um
humor apurado, Freixa imprime
tudo isto nos seus pratos. Aposta nos jogos visuais, é obstinado
pelos sabores e admite: “cozinho o que eu sou”. Então, o que
cozinha? “Sou uma pessoa que
teve muita sorte na vida, sou feliz, e transmito isso nos meus
pratos”. Esta felicidade vem do
tempo em que ia com os avós,
padeiros de profissão, para a
cozinha brincar com a farinha
e o açúcar. Foi assim que fez as
primeiras incursões naquilo que
seria, e é, a sua grande paixão, a
pastelaria. E se a conversa é doce, então o chocolate não podia
deixar de ser o seu ingrediente
preferido.
A história de Ramon Freixa na
gastronomia mais não é do que
uma forte herança familiar. Nascido em Barcelona, seguiu os
passos do pai, também ‘chef’ de
cozinha. Antes de se juntar a ele,
Freixa tirou o curso de gestão e
direcção hoteleira, na Escola de
Hotelaria e Turismo de San Pol
de Mar, em Barcelona. Mas saído
da escola não se acomodou no
restaurante dos pais. Preferiu ir
ver o que se fazia nas cozinhas
belgas e francesas. Regressou a
Barcelona apenas em 1998, com
a mão e o palato apurados e juntou-se, finalmente, ao negócio
da família, no já conceituado El
Racó d’en Freixa. Não contou o
facto de ser filho do ‘chef’, por
isso Ramon Freixa passou por
todas as áreas de um restaurante, dos aperitivos às sobremesas. Com dois grandes ‘chefs’
ao comando da cozinha, El Racó
(que hoje chama-se Freixa Tradició) teve um destino previsível,
ganhou uma estrela Michelin e…
tornou-se pequeno demais para
tanto talento. Foi em 2009 que
Ramon Freixa rumou à conquista de Madrid, que deixou a seus
pés em tempo recorde.
64
Fora de Série Abril 2012
Ramon Freixa gosta de pintar, é o seu ‘hobby’.
Quando o faz diz que é um momento de
generosidade, tal como quando cozinha. Por isso,
não hesitou em ser fotografado a “pintar-se” de
chocolate, o seu ingrediente preferido, que lhe
desperta as memórias de infância.
Óscar Velasco é considerado,
e considera-se, o ‘chef’ com
duas estrelas Michelin mais
conservador da cozinha moderna.
Para ele, o produto é o mais
importante nos seus pratos.
ÓSC A R V EL A SCO
O CLÁSSICO
DA COZINHA
MODERNA
S A N TC E LO N I: PA S E O D E
L A C A S T EL L A N A , N º 5 7
No menu lê-se: “Por favor, desligue o telemóvel”. Nós completamos: “o espectáculo vai começar com… Óscar Velasco”. E a
apresentação pode mesmo ser esta. Um
espectáculo gastronómico é o que acontece diariamente no Santceloni, o restaurante que abriu em 2001 fruto do trabalho do polémico, mas genial, ‘chef’ Santi
Santamaría, mas que sempre foi gerido
por Óscar Velasco. Foi um desafio admiravelmente bem sucedido com a primeira
estrela Michelin a ser-lhe atribuída logo no
primeiro ano. Quem pensou que poderia
ter sido um golpe de sorte, percebeu o engano em 2005, quando a segunda estrela
foi entregue à cozinha de Velasco que superava, assim, definitivamente, a imagem
de Santi Santamaría.
Óscar Velasco é um homem absolutamente gentil e tímido. Essa timidez traduz-se,
quando se trata de trabalho, em humildade. O seu percurso fê-lo perceber a importância de ouvir e de apreender cada palavra de quem se foi cruzando na sua carrei-
ra. Foi para pagar os estudos que Velasco
entrou pela primeira vez numa cozinha, na
terra onde nasceu, em Segovia. A certeza do que queria só a teve quando ingressou na escola de cozinha onde o contacto
com a “gastronomia real”, como gosta de
dizer, o fez acreditar que era possível “viver deste mundo”. Passou pela cozinha do
Zalacaín, o restaurante de Martín Berasategui, até fazer parte da equipa de Santi
Santamaría, no Can Fabes, em Barcelona.
E estes dois nomes são para Velasco sinónimo de mestria. Com Berasategui diz que
aprendeu o que era a disciplina e o rigor.
Com Santamaría, a improvisação organizada e o poder de adaptação. Ensinamentos que traçaram o perfil daquela que é
hoje a sua cozinha, onde o produto é o único protagonista dos seus pratos. E assume que é esta característica que leva a crítica – e ele próprio – a considera-lo o ‘chef’
mais conservador da cozinha moderna. E
admite: “utilizo novas técnicas mas sempre que joguem a favor do produto”.
Abril 2012 Fora de Série
65
paladares
Uma revolução silenciosa na
gastronomia espanhola. É assim que
a crítica descreve o trabalho de Diego
Guerrero no El Club Allarde.
DIEG O GU ER R ERO
A MAGIA
DO SILÊNCIO
EL CLUBE ALL ARDE
‘CALLE’ FERR A Z, Nº 2
66
Fora de Série Abril 2012
“Bienvenidos a la Revolución Silenciosa…”.
Este é o cartão de visita de Diego Guerrero quando os clientes se sentam à sua mesa. Um cartão de visita real, comestível, a
primeira coisa a ser servida quando se tem
uma refeição no El Club Allarde, na zona de
Moncloa. Diego assume o risco, sabe que a
originalidade e a ousadia podem pagar-se
caro. Mas não quis deixar de transmitir aos
seus clientes a forma perfeita de descrever
o seu trabalho. “Esta expressão é de um jornalista espanhol que visitou o restaurante e
que descreveu desta forma o meu trabalho.
Dizia no artigo que nós estávamos silenciosamente e sem mediatismos a fazer uma revolução na gastronomia espanhola. Cada
vez mais concordo com esta ideia”, explica.
E quem conhece este ‘chef’ percebe porquê.
Guerrero é amável, atencioso, e é, provavelmente, um dos ‘chefs’ espanhóis distinguidos
com duas estrelas Michelin (em 2008 e 2011)
mais discretos. Há quem diga que é um ‘chef’
na sombra. E ele gosta da ideia. “Sou um
‘chef’ pouco mediático porque limito-me a
fazer o meu trabalho, que é cozinhar e é por
isso que quero ser conhecido”, garante. Esta
simplicidade bate certo com aquilo que foi,
e é, a sua carreira. Começou a cozinhar porque gostava de comer. Assim, simples, mas
suficiente para quando terminou os estudos
no colégio de Zalbaburu, em Bilbao, seguir
caminho para Madrid pela mão de Fernando Canales que na altura era o ‘chef’ do restaurante Goizeko, em Bilbao (hoje, comanda
o Etxanobe, também na capital de Vizcaia).
Guerrero regressaria ao País Basco com 23
anos para assumir a cozinha do restaurante
El Refor, em Amurrio. Foi neste espaço que a
sua cozinha criativa deu nas vistas e conquistou, entre muitos, Rafael Cámara, na época
deputado por Álava. Foi o político que insistiu com Guerrero para voltar à capital espanhola. Cámara gostava tanto da sua comida
que dizia-lhe que tinha de a fazer em Madrid.
Dizia e fez com que isso acontecesse, apresentando Diego Guerrero aos proprietários
do El Club Allarde, um selecto clube privado,
exclusivo a sócios, fundado em 1998. O convite foi feito e aceite com apenas uma condição: El Club Allarde tinha que ser aberto ao
público. E assim foi a partir de 2003, ano em
que Guerrero assumiu o cargo de ‘chef’ principal. A cozinha é de autor, moderna e que se
transforma a cada dia. Melhor, a cada cliente.
Diego trabalha sem carta, prefere ir à mesa e
conhecer os clientes, os seus gostos, as suas
preferências, tirar o máximo de informação
possível para depois cozinhar. Cozinhar no
momento, sem rede. Talvez por isso também
o apelidem de “o mágico”.
artes
Os espanhóis andam
apaixonados pelo género
musical. Os teatros estão
cheios e o panorama cultural
de Madrid está a mudar
radicalmente. “Mamma Mia!”
deu o mote e assim nasceu
a Broadway espanhola.
68
Fora de Série Abril 2012
MAMMA MIA
ME MATA
As salas estão cheias, as filas dão a volta ao quarteirão,
os bilhetes estão esgotados. Os musicais deram a volta
à cabeça dos espanhóis. A nova Broadway espanhola
já rouba a cena a Londres.
T E X TO D E ÂN G EL A MARQ U E S
E
la sempre disse: ou se faz terapia ou se vai ao teatro. Em Madrid, ao que parece, os consultórios estão vazios. Porque os
espanhóis andam loucos por
musicais. Julia Gomez, directora-geral da Stage Entertainment em Espanha, recusa-se a
chamar-lhe moda – diz que o
sucesso dos musicais na capital espanhola é uma realidade.
Mas concede: nunca na história dos teatros foi assim.
“Desde 1999 que os musicais estão em contínuo em
Madrid. Mas foi em 2005, com
o “Mamma Mia!”, que se deu o
‘boom’, que os musicais deram
o salto”, diz a responsável pela
maior produtora de musicais
da Europa, a Stage Entertainment (que está em Espanha
há mais de dez anos, tendo sido criada por Joop van den Ende em 1998, em Amesterdão).
“Hoje podemos dizer que os
musicais se consolidaram”.
Consolidaram-se tanto que
neste momento estão em cena
Abril 2012 Fora de Série
69
artes
sete ao mesmo tempo. “Sim, hoje há muito mais oferta. A procura fez-nos ter de aumentar a oferta e a oferta consolidou também a posição dos musicais na cultura espanhola”. Madrid é – não há que hesitar – a
Broadway espanhola (“beneficiando também da situação geográfica”) e a segunda cidade na Europa com
mais musicais, a seguir a Londres.
Mas mesmo o West End já está a ser ultrapassado. Um dos casos de maior sucesso mundial nos musicais, “O Rei Leão”, vendeu mais bilhetes no Teatro
Lope de Vega, em Madrid, do que na capital britânica. “Cá é o maior fenómeno de sempre. Até Julho deste ano está esgotado. Não há mais bilhetes, nem um.
E já vendemos lugares até Dezembro de 2012”. “O Rei
Leão” está em cena desde Outubro de 2011 em Madrid, é preciso dizê-lo.
Não é preciso dizer mais: 15 anos depois da estreia, e com um currículo com 17 produções pelo
mundo e 55 milhões de espectadores, “O Rei Leão” é
um dos mais antigos musicais da história. Em Londres é representado desde 1999. Na Broadway, onde
estreou em 1997, faz mais de um milhão de dólares
por semana. E bate recordes todos os anos: é consecutivamente um dos cinco espectáculos mais vistos
em Nova Iorque.
Para subir ao palco em Espanha, no Reino Unido
ou na China, “O Rei Leão” precisa de, pelo menos, 53
actores, 21 músicos, mais de 200 figurinos, 25 tipos
de animais e uma orquestra com mais de 100 instrumentos diferentes. “Em Madrid implicou também
uma grande transformação dos teatros. As salas não
estavam preparadas para espectáculos desta dimensão. Quando começámos não tínhamos espaços que
permitissem levar a cena musicais assim”. Por isso
tiveram de os comprar.
“As pessoas que vão ver musicais pagam muito dinheiro. Por isso temos sempre de superar as suas expectativas”, diz Julia Gomez. Estes espectáculos são
actualmente um dos melhores cartões de visita de Espanha. “Madrid actualmente comunica tanto o Estádio Santiago Bernabéu como o Museu do Prado como
os musicais. Os espectadores dos musicais são 55%
de fora de Madrid (e, destes, 5% são estrangeiros). Os
próprios hotéis recomendam que os turistas vão aos
museus, depois façam as suas compras e por fim vão
ver um musical. Sabemos que, por exemplo, no Verão
recebemos mais turistas e em Dezembro temos mais
espectadores domésticos. Temos os teatros cheios. Por
isso, a nossa responsabilidade é muito grande”.
Mas a Stage Entertainment tem sabido lidar com
essa responsabilidade sobre os ombros. Foi ela quem
apresentou aos espanhóis êxitos como “Mamma
70
Fora de Série Abril 2012
OS MUSICAIS SÃO, HOJE, UM
DOS MELHORES CARTÕES
DE VISITA DE ESPANHA.
MADRID COMUNICA TANTO
O ESTÁDIO SANTIAGO
BERNABÉU, COMO O PR ADO,
COMO OS MUSICAIS.
Mia!”, “Cabaret”, “O Fantasma da Ópera”, “Cats”, “A
Bela e o Monstro”, “Chicago” e “Les Miserables”. No
total, estes espectáculos foram vistos por nove milhões de espectadores. Em 2011, a empresa que Julia
Gomez dirige conseguiu um feito inédito em Espanha: sete anos ininterruptos de “Mamma Mia!” –
mais de dois milhões de pessoas viram este musical.
No mesmo ano estreou a maior produção mundial jamais apresentada em Espanha, “O Rei Leão”.
“Quando o trouxemos para Madrid já contávamos
com um mínimo de três anos em cena e um máximo de cinco”. Pela primeira vez o espectáculo é falado em castelhano – “o que confirma o excelente mo-
mento que este género vive no nosso país”. E é um
sucesso. Porquê? “O Rei Leão é um musical para toda
a família. Mesmo toda”.
Segundo a Stage Entertainment, este musical
conseguiu a maior venda antecipada de sempre, com
mais de 100 mil entradas vendidas antes do dia de estreia. Números que só não impressionam mais porque a Stage Entertainment está habituada a altos voos. Por ano vende, em Espanha, mais de um milhão
de entradas. “A nossa missão é fazer com que cada
espectador entre nos nossos teatros e tenha uma experiência única e irrepetível, esta filosofia é o nosso
objectivo prioritário, e a resposta do público o nosso
maior aplauso”.
O público tem vindo a aplaudir cada vez mais.
“Há uma consolidação a ser feita há 12 anos. Por isso não é propriamente surpreendente, há muito que
se esperava este sucesso. Nós, em Espanha, podemos
ver o que de melhor se faz na Broadway e reinventar
a imaginação de quem produz”. Fazer sempre mais,
sempre melhor. E maior: “estamos à procura de outros espaços em Madrid. Necessitamos de um espaço
maior”. É que ainda é preciso sentar muitos milhares
de pessoas para ver “O Rei Leão”.
FOTOGRAFIA DE ABERTURA DE QUIM LLENAS/GETTYIMAGES.
NESTA PÁGINA, RETRATO CEDIDO PELA PRODUTORA, FOTOGRAFIA DE PATRIK STOLLARZ/GETTYIMAGES
Julia Gomez tem motivos de sobra para celebrar.
A directora-geral da produtora de musicais Stage
Entertainment posa no palco do Teatro Lope de Vega,
em Madrid, onde, desde Outubro de 2011, a sala esgota
para receber o sucesso “O Rei Leão”. Um musical que
conseguiu a maior venda antecipada de sempre, com
mais de 100 mil entradas vendidas antes da estreia.
artes
Chamam-lhe o fotografo da ‘Movida’ madrilena, ainda que negue à fama ter tido
algum proveito. Alberto García-Alix é sobretudo um contador de histórias, daquelas
que ficam gravadas em momentos únicos, de onde não se volta.
T E X TO D E I N Ê S Q U EI ROZ
“N
unca sonhei ser fotógrafo”, disse
uma vez em entrevista. A descoberta deu-se um pouco por acaso,
ou por contágio. Um amigo tinha
uma Leica com a qual fazia fotografia e isso aguçou-lhe o apetite.
Um dia, deram-lhe uma máquina fotográfica... e foi
o princípio de tudo.
Para trás das costas ficou um curso de Direito que
nunca chegou a ser mais do que uma intenção, mais
alimentada pelo sonho familiar do que pela vontade
própria. Depois, foi o curso de Ciências de Informação
na área de imagem, em que se inscreveu, em 1976, que
nunca chegou a bom termo. Hoje, com 54 anos de idade, Alberto García-Alix é um dos fotógrafos consagrados de Espanha, com mais de 30 anos de carreira, um
Prémio Nacional de Fotografia arrecadado em 1999 e
uma obra documentada em algumas das mais importantes colecções de arte internacionais, como sejam a
do Museu Reina Sofía, a do Fond National d’Art Contemporain francês ou a colecção da Bolsa Alemã.
Para definir como tudo começa não existe uma
receita escrita e, no caso deste fotógrafo, natural de
Leão e radicado em Madrid desde os 11 anos, consta
que foi no laboratório que nasceu a paixão que haveria de lhe tomar conta da vida. “Pouco a pouco és apanhado por essa magia”, contou na mesma entrevista.
“O que sai da obscuridade do laboratório é algo que
tu viste... e o fascinante, o mágico, é que aquilo que tu
vês possa sair e que possas decidir como vês e o que
72
Fora de Série Abril 2012
queres ver... E esse é um pouco o fascínio para quem
se deixou envolver pela fotografia”.
E é dessa forma de ver ou de “decidir ver” que fala,
quando se refere ao seu trabalho. “Ao fotógrafo não se
pede a realidade, mas a intenção do seu olhar”. Por outras palavras, “a verdade não existe... é apenas um jogo”
e a câmara “um brinquedo” através do qual “olhamos e
decidimos o que queremos ver: é um acto de reflexão”.
Do lado de lá, quem posa é cúmplice deste olhar intencional. “Das pessoas que retrato, 70% são meus amigos.
A vida leva-me ao encontro delas. Eu acredito que parte
da magia da vida é esse encontro. Talvez seja um pouco
tonto, mas acredito mesmo nisso”.
Olha para as fotografias que fez no passado e é
García-Alix é um dos fotógrafos consagrados de Espanha com uma
obra documentada em algumas das mais importantes colecções de
arte internacionais. Em cima, “Autoretrato saltanto” (1980/1998).
DE TRABALHO DURO E PERSEVERANÇA
Alberto García-Alix é hoje apontado como o fotógrafo
da ‘Movida’ madrilena, o movimento artístico e cultural que eclodiu durante o período pós-franquista e
se prolongou até meados da década de 80. À fama nega
ter tido o proveito já que, como escreveu o poeta Jenaro Talens no catálogo publicado por ocasião da retrospectiva no Reina Sofía, “nunca teve essa pretensão documental no seu trabalho, muito embora tenha sido
uma figura charneira do mesmo” movimento.
Dos tempos iniciais, em plena década de 1970,
García-Alix recorda sobretudo o trabalho duro e muita perseverança. Cultura fotográfica era algo inexistente em Espanha e, como diz: “nunca tinha visto
um livro de fotografia”. Em 1981, duas exposições
mudaram para sempre a sua relação com a fotografia. A primeira, do alemão August Sander e a segunda, que reuniu o trabalho de vários fotógrafos norte-americanos, na Fundação Juan March, e onde tomou
contacto, pela primeira vez, com nomes como Diane
Arbus, Danny Lions ou Walker Evans.
Paixão é uma palavra que gosta pouco de usar
quando fala do seu trabalho. Prefere remetê-la para
os seus passeios de mota, um prazer que faz parte de
si mesmo desde a juventude. A fotografia é algo mais
sério, consciente e lúcido.
FOTOGRAFIAS CEDIDAS PELO MUSEU REINA SOFÍA
MOMENTOS DE ONDE
NÃO SE VOLTA
com nostalgia que fala: “reconheço o dia... reconheço os que lá estão...”. Aliás, essa é também uma das
virtudes da fotografia: esse lado que testemunha um
tempo passado.
“De donde no se vuelve” foi precisamente o título
que acolheu a retrospectiva da obra de García-Alix,
apresentada entre Novembro de 2008 e Fevereiro de
2009 no Museu Reina Sofía, em Madrid. Uma exposição acompanhada de um documentário em vídeo
que abrangeu 30 anos de carreira do fotógrafo, através da sua visão autobiográfica, dos movimentos sociais e culturais que se sucederam em Espanha a partir da década de 80, dos diferentes olhares que marcaram as várias épocas. Todos eles cristalizados no tempo, todos eles momentos de onde não se volta.
Alberto García-Alix é hoje
apontado como o fotógrafo da
‘Movida’ madrilena, o movimento
artístico e cultural que eclodiu
durante o período pós-franquista
e se prolongou até meados da
década de 80.
Numa outra entrevista, García-Alix conta que a
fotografia “foi um caminho de conhecimento”, tanto
de si mesmo como dos outros. “Um caminho de expressão” que o obrigou e obriga sempre a fazer uma
análise do que está a ver. “Obriga-me à busca de uma
imagem; obriga-me a dar algo de mim. A fotografia
é sempre decidir como e o que quero ver e, portanto,
é um processo de busca”. Um processo de busca que
nunca chega ao fim. Hoje, em plena era digital, considera-se “um dinossauro” que trabalha à sua maneira
e está já “um pouco fora de moda”. As novas tecnologias servem-lhe hoje apenas para trabalhar em vídeo.
Afinal, foi no laboratório que tudo começou um dia,
já lá vão mais de 30 anos.
Abril 2012 Fora de Série
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crónica
Isto é como tudo . João Pedro Oliveira
ABR IL E OS ESPANHÓIS
H
ouve um tempo em que acreditei. Pelo menos tenho ideia
que sim. À meia-noite em ponto estalavam foguetes e o meu
irmão insistia que aquele
arraial era à conta dele. Com o
tempo a memória constrói-se,
ou constrói-nos, nem sei bem.
Sei que me lembro de ser assim. E como tudo o que
nos pertence só acontece ali, no palco da lembrança
de tudo o que foi como talvez tenha sido, na convocação dos lugares, dos dias e dos ausentes pela imagem
que deles guardamos, direi que foi assim mesmo que
aconteceu. Que houve um tempo em que acreditei.
Lá em casa era costume esperar a meia-noite para
dar os parabéns a quem fazia anos no dia seguinte. E
sendo o dia seguinte feriado, também a mim, mesmo
nesse tempo, me era concedido ficar acordado pelo
meu irmão. Depois, à hora certa, estalavam foguetes
e estoiravam morteiros e o céu incendiava-se de cor
e o meu pai punha um disco a tocar. Aquele disco.
Então era o meu irmão a convencer-me, a mim, dez
anos mais novo, de que aquele arraial era à conta dele,
e eu a pensar por que diabo insistia o meu pai em comemorar a nascimento de um filho e só daquele com
uma música do José Afonso. Não sei quando foi que
deixei de acreditar. Quando foi que percebi que era só
coincidência, sorte a do meu irmão ter nascido a 25 de
Abril, um dia como os outros que um dia passou a ser
feriado. Ainda assim, a inveja permanece. Ele ganhou
direito a foguetes sempre que faz anos. E o que eu não
dava por tê-los também.
Então meu querido, deu-te outra vez a nostalgia
da infância e das memórias perfeitas, foi?
Reconheço que sim, que também, mas não, nem é
tanto isso que me traz a esta história. É que houve um
tempo em que acreditei e nesse tempo eu seria criatura
para ter a idade do meu filho. E agora são trinta anos
depois e eu passeio com ele pela mão, rua afora por
Lisboa, e o miúdo a perguntar-me se os Restauradores
se chamam Restauradores por ser lugar de muitos restaurantes. Começo por sorrir da graça, mas depressa
me vejo aflito com a conversa de porquês que ali se adivinha. Restaurar, restauração, restaurante: gasto uma
infinidade de tempo a dizer o que cada coisa quer dizer
e ele parece simplesmente feliz por aprender uma
palavra nova. A medo, lá lhe vou falando de um outro
tempo em que havia um rei e depois deixou de haver
e veio o rei dos espanhóis e ocupou o lugar. Nós, que
somos portugueses e já nesse tempo queríamos ser,
passámos muitos anos a deixar que eles mandassem
em nós, mas depois alguém se fartou disso e decidiu
restaurar o que havia antes, nós por nós e os outros
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Fora de Série Abril 2012
lá na terra da mãe deles. E é por isso, explico-lhe, que
há um dia, o primeiro do último mês, em que eu não
trabalho e ele não vai à escola. Ele acha graça à ideia,
pergunta se os espanhóis são maus, se foram eles que
inventaram a escola e se tudo isto foi antes ou depois
dos dinossauros. De novo engraço, de novo estremeço.
Gasto outra infinidade de tempo a dizer o que cada
coisa quer dizer e ele parece simplesmente feliz por
aprender uma ideia nova. (Ser português é diferente de ser
espanhol e nós gostamos disso e por isso fazemos um dia de
festa e nesse dia ninguém faz coisas de que não gosta. É pai?)
Abano a cabeça num sim aliviado.
Isto é portanto uma conversa sobre o fim dos feriados.
Reconheço que sim, que também, que falo da memória que nos constrói e não dispensa os gestos simbólicos que nos definem nem as datas comemoradas
pelas razões que herdamos. Mas insisto que é mais.
É que eu lembro-me de que houve um tempo em que
acreditei, ou pelo menos tenho ideia que sim, o que
vai dar ao mesmo. Depois deixei de acreditar no meu
irmão para acreditar no meu pai. Quando estalavam
os foguetes, ele insistia em pôr o disco. Lá em casa já
não havia bandeiras nem cartões de partido, instintos
revolucionários ou consciências inflamadas. Mas
havia aquele gesto, à hora certa, o meu pai agachado
junto ao armário do vinil à procura de um disco que
tantas vezes tinha ouvido em quase silêncio e agora
queria ouvir apenas porque sim, porque podia e era
bom. Eu seria criatura para ter um pouco mais de
idade que o meu filho e perguntas já por fazer. E o que
vinha com as respostas era que nada é garantido, que
tudo o que é bom se conquista e depois se defende e
se constrói como a memória, e que houve um tempo
antes de haver foguetes pelo meu irmão em que não era
sequer bom fazer perguntas em voz alta, menos ainda
ouvir música assim. Enfim, que o mundo melhorava
e avançava, dele para mim. E eu ia construindo.
Mas então, que vem a ser isso afinal?
Deste em pessimista?
Reconheço que sim, que também, mas não, nem é
tanto isso que me traz a esta história. É que houve um
tempo em que eu acreditei. Pelo menos tenho ideia
que sim. Primeiro no meu irmão, depois no meu pai,
e entre ambos o mundo foi-me fazendo sentido e feliz
por isso. Nesse tempo eu seria criatura para ter a idade
do meu filho e pouco mais. Hoje olho para ele e sei
que jamais vai acreditar que o arraial que ainda vai
estalando seja à conta do tio. Como sei que amanhã
terei dificuldade em explicar-lhe porque insisto em
ouvir sempre aquele disco antes de pegar no telefone
para dizer parabéns.
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É a capital mais próxima de Lisboa. Uma hora de avião