UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI OSVALDO SOARES DE SANTANA FUNDAÇÕES RASAS PARA RESIDÊNCIAS POPULARES SÃO PAULO 2011 2 OSVALDO SOARES DE SANTANA FUNDAÇÕES RASAS PARA RESIDÊNCIAS POPULARES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Orientador: Prof. Ilan Davidson Gotlieb SÃO PAULO 2011 3 OSVALDO SOARES DE SANTANA FUNDAÇÕES RASAS PARA RESIDÊNCIAS POPULARES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Trabalho apresentado em: ______________________________________________ Prof. Ilan Davidson Gotlieb Comentários:_________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 4 “Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto." (Albert Einstein) 5 Esta obra é dedicada aos mestres que me apoiaram e me acompanham nesta luta constante pelo aprendizado e aplicação da Engenharia Civil. 6 RESUMO Este trabalho é o resultado de uma pesquisa efetuada sobre concepções de fundações rasas ou diretas para construção de residências populares sobre diversos tipos de solos. A pesquisa foi desenvolvida para buscar soluções técnicas para execução de fundações rasas, que satisfaçam a um publico de baixa renda e que atendam as normas técnicas de fundações rasas na construção de residências populares. Com as políticas habitacionais dos governos municipais, estaduais e federal, atualmente, observa-se um mercado crescente na construção de habitações populares. Essa demanda crescente trouxe também problemas técnicos para que a engenharia civil busque por soluções econômicas e tecnicamente corretas. Nesse mercado de construções populares têm sido observados vários problemas de patologias, uso intenso de materiais de baixa qualidade, método executivo inadequado entre outras deficiências. Um desses problemas corriqueiros são os serviços e projetos de fundações de condomínios populares que requerem soluções técnicas de baixo custo. As fundações são os primeiros serviços de uma construção civil, que ao apresentar deficiências podem tornar a edificação inabitável. A adoção de soluções técnicas de recuperação para fundações de edificações já erguidas ficam impraticáveis pelo alto custo. Tratando-se de residências populares, avalia-se que o custo do reparo possa ultrapassar o custo da própria edificação. 7 É para evitar tais problemas que o presente estudo foi desenvolvido visando à construção tecnicamente correta de condomínios populares. No estudo de caso, são apresentadas todas as etapas de uma obra, partindo da escolha da fundação de acordo com as características geotécnicas do solo de fundação, até a conclusão da edificação e seus benefícios por utilizar a fundação rasa. Palavra-chave: Fundações rasas ou diretas, execução de fundações rasas. 8 ABSTRACT This work is the result of a research on shallow foundations for low costs housing on various soil types. The research was developed to access low-costs solutions that fulfill the technical needs for popular buildings and houses. With the housing policies of cities, state and federal governments, currently, there is a growing market on low-cost housing. This growing demand has also brought difficulties for the engineers to create technical solutions that are both, technically and economically correct. In this popular market, buildings have showed several problems such as, pathologies, excess use of low quality materials, and inadequate executive methods among other deficiencies. One of these common problems is the execution and designing of foundation for popular high-rise condominiums that require low-cost technical solutions. The foundations are the first services of a construction, which may have deficiencies that can make a building uninhabitable. The strengthening of deficient foundations of buildings already erected is impractical due to its high costs. In the case of popular residences, it is estimated that the cost of repair may exceed the cost of the building itself. In order to avoid such problems, that this study was developed, trying to establish the best technical solution for low cost housing constructions. In the case study is presented every stage of a work, from the choice of foundation according to the geotechnical characteristics of the supporting soil, until the completion of the building and its benefits by using the shallow foundation. 9 Keyword: direct or shallow foundations, soil characteristics. 10 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Principais tipos de fundações rasas: (a) bloco, (b) sapata, (c) viga, (d) radier. . 25 Figura 2 – Fundação em Bloco escalonado....................................................................... 26 Figura 3 – Formato da sapata isolada, em pescpectiva..................................................... 28 Figura 4 – Planta de uma sapata. Notar a localização do centro de gravidade. ................ 28 Figura 5 – Desenho esquemático de uma sapata corrida.................................................. 29 Figura 6 – Execução da estrutura de uma sapata corrida. ................................................ 29 Figura 7 – Sapata corrida finalizada. ................................................................................. 30 Figura 8 – Esquema de uma sapata corrida. ..................................................................... 31 Figura 9 – Projeto de uma sapata associada..................................................................... 32 Figura 10 – Esquema de uma sapata associada. .............................................................. 32 Figura 11 – Perspectiva de uma sapata alavancada. ........................................................ 33 Figura 12 – Preparação do terreno para a execução da fundação do tipo radier. ............. 34 Figura 13 – Colocação da armadura metálica para execução da fundação do tipo radier.34 Figura 14 – Fundação do tipo radier já executada............................................................. 35 Figura 15 – Planta com a locação dos furos de sondagens. ............................................. 41 Figura 16 – Perfil geológico e geotécnico individual do subsolo – furo SP 01. .................. 42 Figura 17 – Perfil geológico e geotécnico individual do subsolo – furo SP 02. .................. 43 Figura 18 – Perfil geológico e geotécnico individual do subsolo – furo SP 02. .................. 44 Figura 19 – Escavações prontas para receber as sapatas. ............................................... 45 Figura 20 – Esquema de fundação direta em sapata. Procedimento executivo. ............... 47 Figura 21 – Estrutura da sapata pronta para receber o concreto. ..................................... 48 Figura 22 – Sapata estruturada após a concretagem. ....................................................... 49 Figura 23 – Pilar concretado .............................................................................................. 49 Figura 24 – Sapata finalizada ............................................................................................ 51 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABGE Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental NBR Norma Brasileira ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas CCP Chemical Churning Pile (Colunas de solo-cimento moldadas no local com injeção de calda de cimento sob alta pressão) SD Side Drifts (Galerias Laterais) SPT Standard Penetration Test (Ensaio de Penetração Padrão) NA Nível d’água 12 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 14 2. OBJETIVOS ............................................................................................................... 15 2.1 Objetivo Geral........................................................................................................................................ 15 2.2 Objetivo Específico ............................................................................................................................... 15 3. MÉTODO DE TRABALHO ......................................................................................... 16 4. JUSTIFICATIVA ......................................................................................................... 17 5. FUNDAÇÕES ............................................................................................................. 18 5.1 Conceitos Sobre Fundações ............................................................................................................... 18 5.2 Tipos de fundações .............................................................................................................................. 22 5.3 Fundações rasas ou diretas ................................................................................................................ 24 5.3.1 Blocos ............................................................................................................................................. 25 5.3.2 Sapatas .......................................................................................................................................... 26 5.3.2.1 Sapatas Isoladas ....................................................................................................................... 27 5.3.2.2 Sapatas Corridas ....................................................................................................................... 28 5.3.2.3 Sapatas Associadas .................................................................................................................. 31 5.3.2.4 Sapatas com vigas de equilíbrio ................................................................................................ 32 5.3.2.5 Sapata Corrida em Alvenaria ..................................................................................................... 30 5.3.3 Radiers ........................................................................................................................................... 33 6. FUNDAÇÕES RASAS PARA RESIDÊNCIAS POPULARES .................................... 36 6.1 Dados da Obra / Projeto ....................................................................................................................... 36 6.2 Investigação do Terreno ...................................................................................................................... 37 6.2.1 Perfis das Sondagens .................................................................................................................... 37 6.2.2 Metodologia adotada ...................................................................................................................... 39 6.2.3 Apresentação do resultado: ........................................................................................................... 39 6.2.4 Normas obedecidas: ...................................................................................................................... 40 13 6.3 Escavações............................................................................................................................................ 45 6.4 Execução das Fundações .................................................................................................................... 46 7. ANÁLISE CRÍTICA DOS RESULTADOS .................................................................. 52 8. CONCLUSÕES .......................................................................................................... 53 9. RECOMENDAÇÕES .................................................................................................. 54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 56 ANEXO A .......................................................................................................................... 58 ANEXO B .......................................................................................................................... 59 14 1. INTRODUÇÃO A cidade de São Paulo é conhecida nas últimas décadas como a maior metrópole da América Latina. A desordem urbanística que caracterizou a ocupação da superfície da cidade, também marcou seu subsolo, devido à necessidade de fornecimento de melhores condições de infraestrutura, tais como: redes de telefonia, água, esgoto e gás. Esses serviços são garantidos por empresas prestadoras de serviço, que têm instalado no subsolo da cidade, mais de 100 mil quilômetros de redes (CONVIAS, 2011). O crescimento desordenado da cidade de São Paulo traz consigo o crescimento da população, em sua maioria de baixa renda, que necessita de emprego e moradia. A quantidade de moradias a ser feita é proporcional ao grande número dessa população, o que compromete a qualidade das habitações, pois ao atribuir mais qualidade, às vezes o preço também aumenta, atingindo mais rapidamente a verba disponível. É por essas razões que, o processo de criação e produção das habitações para a população de baixa renda precisa ser revisto. Além de economizar com a mão de obra e com os materiais utilizados, em algumas vezes os projetistas acabam escolhendo soluções de fundação visando somente à economia e assim, comprometendo a durabilidade destas construções. Felizmente, este processo já começou a ser revisto, e os projetistas agora fazem levantamentos e análises de solo para que as fundações rasas ou diretas atendam as exigências da norma e segurança. É nesse contexto que o presente trabalho é desenvolvido para apresentar soluções técnicas de baixo custo na execução de fundações rasas para condomínios e residências populares. A presente pesquisa foi realizada fundamentando-se nas bibliografias técnicas disponíveis e em estudo prático de obras de condomínios populares, nas quais se procuraram aplicar a teoria sobre execução técnica de fundações rasas. 15 2. OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo pesquisar os aspectos mais relevantes nos processos de definição e execução de fundações rasas ou diretas para construção de edificações populares. 2.1 Objetivo Geral Estudar os diferentes tipos de fundações rasas ou diretas, como blocos, sapatas, vigas e radiers, utilizados nas construções de obras civis com finalidade de identificar aspectos práticos para definir o método mais adequado e barato para execução das fundações rasas para residências populares. 2.2 Objetivo Específico Pesquisar seqüências de estudos de investigação do terreno para definição de tipos de fundações mais adequados no caso de residências populares, fundamentado em caso prático de obras construídas na cidade de São Paulo. Demonstrar as vantagens da execução das fundações rasas para habitações populares, ressaltando a simplicidade na execução e o baixo custo das mesmas quando comparadas com as fundações profundas utilizadas em edificações de pequeno porte. Comprovar por meio do estudo de caso, a exeqüibilidade de fundações rasas para residências populares escolhidas a partir do resultado de investigação geotécnica do solo. 16 3. MÉTODO DE TRABALHO O desenvolvimento do estudo apresentado foi baseado na coleta de informações teóricas, retiradas de bibliografias técnicas e em documentos de obras. Para a obtenção da bibliografia necessária, realizou-se vasta pesquisa em livros da área de Fundações e Mecânica dos Solos, busca em manuais e catálogos de empresas conceituadas no mercado, bem como pesquisa de teses e dissertações relacionadas ao tema. Após a coleta e a organização da bibliografia, foi feita uma análise crítica do material, com o objetivo de direcionar o foco dos estudos e buscar as informações mais pertinentes ao tema. Concluída esta etapa, passou-se então para a fase de coleta de informações sobre o estudo de caso. Buscou-se reunir a maior quantidade de informações possíveis sobre a obra como a investigação do terreno por meio de relatórios de sondagem e definição de fundações rasas adotadas pelo projetista, a fim de adquirir conhecimentos mais aprofundados sobre a execução das fundações rasas adotadas para a obra abordada no estudo de caso. 17 4. JUSTIFICATIVA A estabilidade das edificações sempre foi um dos principais desafios dos profissionais da construção civil. Apesar dos cuidados específicos que são tomados, algumas edificações, com o passar dos anos, estão sujeitas ao aparecimento de recalques, sejam por comportamento anômalo dos solos, interferência subterrânea para execução das fundações, deficiência nos projetos ou ainda, mudança de uso na forma de ocupação das edificações. Para evitar problemas como os apresentados anteriormente, como fissuras, e movimentações bruscas das alvenarias, é necessário profundo conhecimento das técnicas, materiais e equipamentos utilizados na execução dos diferentes tipos de fundações. Sendo assim, acredita-se que este trabalho possa servir de grande auxílio na consulta sobre as fundações rasas ou diretas uma vez que estas fundações são as mais baratas e de simples execução que existem na construção civil, pois dispensam equipamentos sofisticados para a sua execução. Outro aspecto importante e que motivou a realização do estudo, foi colocar em pauta o assunto fundações, em especial as do tipo rasas ou diretas, para promover discussões que resultem em adoções de técnicas corretas na definição dos suportes de edificações populares de baixo custo. 18 5. FUNDAÇÕES Nos itens que seguem são discutidos os conceitos de fundações, as normas vigentes, os tipos de fundações rasas e os métodos de execução. 5.1 Conceitos Sobre Fundações Fundação é um termo utilizado na engenharia para designar as estruturas responsáveis por transmitir as solicitações das construções ao solo. Existem diversos tipos de fundações e são projetadas levando em consideração a carga que recebem e as características geotécnicas dos solos que as suportarão (MILTON VARGAS, 2002). Fundações superficiais (rasas ou diretas) são elementos de fundação em que a carga é transmitida ao terreno, predominantemente pelas pressões distribuídas sob a base da fundação, e em que a profundidade de assentamento em relação ao terreno adjacente é inferior a duas vezes a menor dimensão da fundação. Incluem-se neste tipo de fundação os blocos, as sapatas (isoladas, corridas, associadas, alavancadas, vigads de fundação) e os radiers, conforme NBR 6122 (ABNT, 2010) Caputo (1974) também diz que a fundação é a parte de uma estrutura que transmite ao terreno a carga da obra edificada ou a edificar. O autor afirma, ainda, que o estudo da fundação compreende preliminarmente duas partes essencialmente distintas: a) Cálculo das cargas atuantes sobre a fundação: As cargas da estrutura devem ser transmitidas às camadas do terreno capazes de suportá-las sem ruptura; As deformações das camadas de solo subjacentes às fundações devem ser compatíveis com a estrutura. b) Estudo do terreno: 19 A execução das fundações não deve causar danos às estruturas vizinhas; A escolha do tipo de fundação deve atentar-se ao aspecto econômico. Finalmente, atendendo as premissas descritas e atendidos os aspectos técnicos seguemse com o estudo para o detalhamento e dimensionamento da fundação como elemento estrutural (CAPUTO, 1974). Segundo Hachich (2000), os elementos necessários para o desenvolvimento de um projeto de fundação são: a) Topografia da área: Levantamento topográfico: representação - planimétrica ou altimétrica - em carta ou planta dos pontos notáveis assim como dos acidentes geográficos e outros pormenores de relevo de uma porção de terreno; Dados sobre taludes e encostas no terreno: saber se o talude ou encostas suportam as causas naturais e a ação de cargas adicionais caso haja alguma obra próximo ao local; Dados sobre erosões: estudar o processo de desagregação e remoção de partículas do solo ou fragmentos de rocha, pela ação combinada da gravidade com a água, vento, gelo ou organismos. b) Dados geológicos / geotécnicos: Investigação do subsolo: fazer estudos de ocorrências existentes com poços, sondagens a trado, sondagens à percussão com SPT, sondagens rotativas, sondagens mistas, ensaio de cone, ensaio pressiométrico entre outros tipos de ensaios; 20 Outros dados geológicos e geotécnicos: sondagens no local de interesse e ensaios laboratoriais e de campo. c) Dados da estrutura a construir: Tipo e uso que terá a nova obra: tamanho e complexidade funcional do local, considerando seu entorno e tipo de vizinhança; Sistema estrutural: resistência dos materiais e da estrutura a ser utilizada para o uso em questão; Cargas: estudo de cargas diárias que devem ser suportadas pelas fundações. d) Dados sobre construções vizinhas: Tipo de estrutura e fundações; Número de pavimentos, carga média por pavimento; Desempenho das fundações; Existência de construções no subsolo; Avaliar as possíveis conseqüências de escavações e vibrações provocadas pela nova obra. Os carregamentos que uma estrutura suporta e transmite para as fundações podem ser classificados de diferentes maneiras, segundo Hachich (2000): a) Cargas vivas, separadas em: 21 Cargas operacionais: sistema de controle do fluxo operacional do local; Cargas ambientais: estudos dos sismos, o vento, as cheias, as ondas etc. Cargas acidentais: cargas verticais de uso da construção (NBR 6120, ABNT, 2000), cargas móveis considerando o impacto vertical, impacto lateral, força longitudinal de frenagem ou aceleração e força centrífuga. b) Cargas mortas ou permanentes: No Brasil, a norma NBR 8681 (ABNT, 2004) classifica as ações nas estruturas em: Ações permanentes: ocorrem com valores constantes durante praticamente toda a vida da obra; Ações variáveis: ocorrem com valores que apresentam variações significativas em torno da média; Ações excepcionais: tem duração extremamente curta e muito baixa probabilidade de ocorrência durante a vida da obra, mas que precisam ser consideradas no projeto de determinadas estruturas. A norma NBR 8681 (ABNT, 2004) estabelece critérios para combinações destas ações na verificação dos estados limites de uma estrutura: a) Estados limites últimos (associados a colapsos parciais ou totais da obra); b) Estados limites de utilização (quando ocorrem deformações, fissuras, etc). Segundo Hachich (2000), os requisitos básicos a que um projeto de fundações deverá atender são: 22 a) Deformações aceitáveis sob as condições de trabalho: deformações excessivas, colapsos do solo, tombamentos, colapsos estruturais; b) Segurança adequada ao colapso do solo de fundação: estabilidade externa; c) Segurança adequada ao colapso dos elementos estruturais: estabilidade interna. Para Hachich (2000), as fundações são convencionalmente separadas em dois grandes grupos: a) Fundações superficiais, rasas ou diretas; b) Fundações profundas. A distinção entre estes dois tipos é feita segundo o critério (arbitrário) de que uma fundação profunda é aquela cujo mecanismo de ruptura de base não atinge a superfície de terreno. Como os mecanismos de ruptura de base atingem, acima da mesma, até duas vezes sua menor dimensão, a norma NBR 6122 (ABNT, 2010) estabeleceu que fundações profundas são aquelas cujas bases estão construídas em profundidade maior que duas vezes sua menor dimensão, e a pelo menos três metros de profundidade. 5.2 Tipos de fundações Segundo a NBR 6122 (ABNT, 2010), as fundações são convencionalmente separadas em dois grandes grupos: 23 a) Fundações Rasas ou Diretas: Tecnicamente, as fundações rasas ou diretas são aquelas em que a profundidade de escavação é inferior a três metros, sendo mais utilizadas em casos de cargas leves, como residências, ou no caso de solo firme. b) Fundações Profundas: São mais utilizadas em casos de edifícios altos em que os esforços do vento se tornam consideráveis, e/ou nos casos em que o solo só atinge a resistência desejada em grandes profundidades. Os tipos mais comuns de fundação profunda são as estacas escavadas e as estacas cravadas. As estacas cravadas podem ser de madeira, metálicas e concreto armado. As fundações em geral, devem ser projetadas de modo a garantir as seguintes características: a) Segurança: A fundação, como conjunto elemento estrutural-solo, deve resistir às cargas da superestrutura levando-se em conta os coeficientes de segurança determinados por norma. b) Funcionalidade: Cada estrutura tem uma finalidade específica, e em função desta finalidade, podem admitir recalques menores ou maiores, dentro de limites toleráveis tecnicamente. A fundação deverá trabalhar de forma a não ultrapassar os recalques permitidos para cada tipo de estrutura, de modo a não danificar as características para que foram projetadas. 24 c) Durabilidade: A fundação deverá apresentar vida útil mínima igual à vida útil da estrutura, e o desempenho das fundações será refletido pela forma como as condições de segurança, funcionalidade e durabilidade serão atendidas. 5.3 Fundações rasas ou diretas As fundações rasas ou diretas, tema deste trabalho, são assim denominadas por se apoiarem sobre o solo a uma pequena profundidade, em relação ao solo circundante. Segundo Melhado (2002), as fundações diretas são aquelas que transferem as cargas para camadas do solo capazes de suportá-las, sem deformar-se exageradamente. Esta modalidade de fundação pode ser dividida, segundo o ponto de vista estrutural em blocos, sapatas e radiers, e suas características principais podem ser verificadas no Quadro 5.1. Já na Figura 01 pode-se observar o croqui dos tipos de fundações rasas: (VELLOSO; LOPES, 1998). Quadro 5.1 – Características das fundações diretas ou rasas Fonte: Velloso e Lopes (1998) 25 Figura 1 – Principais tipos de fundações rasas: a) bloco, (b) sapata isolada, (c) sapata associada, (d) radier. Fonte: Velloso e Lopes (1998) 5.3.1 Blocos São elementos de apoio construídos de concreto simples, possuem alturas relativamente grandes, resistem principalmente aos esforços de compressão, como mostra a Figura 2. Assumem a forma de bloco escalonado, ou pedestal, ou de um tronco de cone. São interligados por vigas de fundação para atuação de pequenas cargas, suportam esforços de compressão simples provenientes das cargas dos pilares. 26 Figura 2 – Fundação em Bloco escalonado. Fonte: Bastos (2011) 5.3.2 Sapatas Elemento de fundação superficial de concreto armado, dimensionado de modo que as tensões de tração nele produzidas não sejam resistidas pelo concreto, mas sim pelo emprego da armadura. Pode possuir espessura constante ou variável, sendo sua base em planta normalmente quadrada, retangular ou trapezoidal, conforme NBR 6122, (ABNT, 2010). As sapatas requerem pouca escavação e consumo de concreto moderado para a execução das peças. Apesar da suposta simplicidade nas construções feitas com sapatas, é preciso cuidado para projetar e executar esses elementos que são as bases das estruturas. Usadas nas camadas superficiais do subsolo para transferir cargas da construção, estão susceptíveis a mudanças na composição do solo, podendo ocorrer alterações não detectadas, já que à medida que descem a mudança do tipo de solo pode não ser adequada às sapatas. Importante lembrar que, se o solo não for adequado para esse tipo 27 de estrutura, não adianta mudar as características da peça, por exemplo: aumentar a resistência do concreto. A construção das sapatas precisa ser acompanhada de perto pelo projetista da obra, para que não ocorram erros que possam danificar a estrutura e a segurança da construção. Exemplo: se uma peça estiver mais profunda que as demais, o pilar deverá ser menos esbelto, uma vez que quanto mais esbelto for o pilar, maior o risco de ocorrer flambagem. Hoje a forma mais econômica e prática de fazer a fundação do tipo sapata é a retangular ou a piramidal, em pontos que não apresentem limitações de espaço. O principal motivo é a redução no consumo de concreto, pois, ao contrário de uma sapata com a altura regular, não haverá sub-aproveitamento do material. Além disso, as sapatas em outros formatos, como arredondado ou escalonado, costumam exigir mais trabalho com as fôrmas. O cuidado importante ao construir sapatas, é garantir que a umidade do solo não atacará a armadura da mesma durante sua vida útil. Assim, é feito um lastro de 5 cm de concreto magro sob a sapata. Também é importante manter o fundo da vala limpo, sem lama ou materiais soltos. "Como a sapata espraia as tensões de toda a estrutura para o solo, um concreto com problemas pode prejudicar o desempenho de todo o sistema", comenta Rozenbaum (2008). 5.3.2.1 Sapatas Isoladas Recebem as cargas de apenas um pilar, e esse tipo de sapata costuma ser bastante utilizado por consumir menos concreto, sendo em geral mais econômicas. Podem ter vários formatos, mas o mais comum é o tronco piramidal retangular, que exige um trabalho mais simples com as fôrmas. No caso de pilares de formato não retangulares, a sapata deve ter seu centro de gravidade coincidindo com o centro de cargas (TÉCHNE, 2004). 28 Figura 3 – Formato da sapata isolada, em pescpectiva. Fonte: Téchne (2004) Figura 4 – Planta de uma sapata isolada. Notar a localização do centro de gravidade. 5.3.2.2 Sapatas Corridas Sapatas corridas são aquelas que recebem carga direta das paredes e sua transferência é feita linearmente. São sucedâneas dos alicerces, para paredes mais carregadas ou solos menos resistentes (TÉCHNE, 2004), como mostram as Figuras 5 a 7. A sapata corrida é o tipo mais comum dentre as fundações rasas. Constitui-se de uma viga, que pode ser de alvenaria, de concreto simples ou concreto armado construída diretamente no solo, dentro de uma pequena vala. 29 Figura 5 – Desenho esquemático de uma sapata corrida. Fonte: Téchne (2004) Figura 6 – Execução da estrutura de uma sapata corrida. Fonte: Téchne (2008) 30 Figura 7 – Sapata corrida finalizada. Fonte: Téchne (2008) 5.3.2.3 Sapata Corrida em Alvenaria As sapatas corridas em alvenaria são muito utilizadas em edificações de pequenas cargas, como sobrados. São apoiadas em lastro de concreto magro aproximadamente de 5cm de espessura, trabalham principalmente à compressão (ao contrário das sapatas, que resistem à tração), como descreve Ubiratan Leal na Téchne (2004). Execução: deve-se fazer uma cinta de amarração para absorver esforços acidentais e distribuir as cargas, que normalmente são impermeabilizadas com camada de argamassa com hidrofugante e pintura com emulsão asfáltica para evitar a ascensão capilar de umidade (Figura 8). 31 Figura 8 – Esquema de uma sapata corrida em alvenaria. Fonte: Téchne (2004) 5.3.2.4 Sapatas Associadas São utilizadas quando há pilares muito próximos e as sapatas isoladas chegam a se sobrepor. Além disso, podem ser necessárias quando as cargas estruturais forem elevadas, e o posicionamento da peça de fundação deve respeitar o centro de cargas dos pilares (TÉCHNE, 2004), conforme mostram as Figuras 9 e 10. 32 Figura 9 – Projeto de uma sapata associada. Fonte: Fabrício e Rossignolo (2001) Figura 10 – Esquema de uma sapata associada. Fonte: Téchne (2004) 5.3.2.5 Sapatas com vigas de equilíbrio São sapatas de pilares de divisa ou próximos a obstáculos onde não seja possível fazer com que o centro de gravidade da sapata coincida com o centro de carga do pilar. Caso o projeto preveja uma sapata em divisa de terreno ou com algum obstáculo a peça não conseguirá ter o centro de gravidade e o centro de cargas coincidindo. Para compensar a excentricidade das cargas, é necessário transferir parte dos esforços para 33 uma sapata próxima por meio de uma viga de equilíbrio (TÉCHNE, 2004), como está apresentado na Figura 11. Figura 11 – Perspectiva de uma sapata com viga de equilíbrio Fonte: Téchne (2004) 5.3.3 Radiers São placas de concreto armado, que devem resistir a esforços de compressão, momentos provenientes de pilares com cargas diferentes e ocasionalmente a pressões do lençol freático. Trata-se de uma laje que recebe cargas de todos os pilares e por consumir um volume de concreto relativamente alto (conforme Figura 14), é mais viável em obras com grande concentração de cargas. Embora o consumo de concreto seja elevado, em habitações populares, quando a característica do terreno requer solução prática e rápida, este processo de fundação é um dos utilizados. As Figuras 12 a 14 mostram parte das etapas construtivas de uma fundação com laje de concreto do tipo radier. 34 Figura 12 – Preparação do terreno para a execução da fundação do tipo radier. Fonte: Téchne (2008) Figura 13 – Colocação da armadura metálica para execução da fundação do tipo radier. Fonte: Téchne (2008) 35 Figura 14 – Fundação do tipo radier já executada. Fonte: Téchne (2008) 36 6. FUNDAÇÕES RASAS PARA RESIDÊNCIAS POPULARES O estudo de caso que fundamenta a pesquisa teórica efetuada é um conjunto habitacional composto por três casas de três pavimentos, cujas fundações e estruturas foram elaboradas pela ESTICON – Engenharia de Estrutura. O projeto da arquitetura foi desenvolvido pela equipe técnica do Engº Paulo César Callegari Jabali. 6.1 Dados da Obra / Projeto A obra em questão está localizada na Rua Pedro Rodrigues Pereira, ocupando os lotes H e I da Quadra 3, Bairro Jardim Capelinha, São Paulo, capital. Estes lotes localizam-se no Jardim Capelinha, cuja zona de uso está classificada como sendo do tipo ZM-2/01. Trata-se de três casas geminadas em um terreno de 292,72m², para uso residencial, com salas de estar e jantar, cozinha, lavanderia e lavabo no piso térreo. No piso superior localizam-se dois dormitórios sendo uma suíte, banho e varanda. Projeto arquitetônico representado no ANEXO A. Para executar essas obras, seguiu-se o processo tradicional, cujas principais etapas executivas foram: Elaboração do Projeto Preliminar; Execução de sondagens no terreno para identificação e caracterização geotécnica dos solos e elaboração dos Projetos Básicos; Elaboração de todos os Projetos Executivos; Preparação do terreno; 37 Escavação do terreno para execução das fundações; Execução das fundações, e seguida das atividades para execução das estruturas e alvenaria; Execução das redes de infraestrutura, acabamento e pintura. O presente estudo aborda apenas a etapa da execução das fundações rasas, projetadas para as três residências. Tais residências são compostas por três pavimentos: a) Pavimento Inferior: depósito, salão de festas, dormitório de empregada e jardim; b) Pavimento Térreo: sala de jantar, sala de estar, copa cozinha, área de serviços e lavabo; c) Pavimento Superior: suíte, dormitório, banheiro social e terraço. 6.2 Investigação do Terreno Para a obra em questão foi feita uma única campanha de sondagens a percussão para reconhecimento do solo, cujos resultados foram apresentados em um relatório técnico que contém: 6.2.1 Perfis das Sondagens No relatório técnico é apresentada a planta de localização das sondagens a percussão e os respectivos perfis individuais das sondagens. Nesses perfis, no tamanho A4, as principais informações técnicas contidas são: 38 Gráfico do SPT (Standart Penetration Test); Número de golpes do ensaio SPT a cada metro de avanço das sondagens; Consistência ou compacidade do solo amostrado; Interpretação Geológica; Perfil Geológico; Profundidade das camadas atravessadas e a profundidade final; Descrição dos solos Nível d´água; Método de avanço; Lavagem por tempo; Além dessas informações técnicas, os perfis apresentam ainda: Número da sondagem; Cota e Coordenadas; Nome do responsável pelo perfil e do desenhista; Cliente e nome da empresa executora; Escala e data; 39 No caso da obra estudada, o total perfurado com as sondagens a percussão foi de 38,90m. 6.2.2 Metodologia adotada A sondagem foi iniciada utilizando-se trado concha até 1 metro de profundidade, seguindo-se a instalação do primeiro tubo de revestimento, de diâmetro 2 1/2”, até essa profundidade. Até atingir o nível d’água utilizou-se trado espiral. A partir daí, a perfuração prosseguiu por meio de circulação de água, ou lavagem. Para coleta de amostra a partir de 1 metro de profundidade, empregou-se o barrilete amostrador de diâmetro externo de 2” (50,8mm) e diâmetro interno de 1 3/8” (35,0mm), portanto, trata- se do amostrador do tipo Terzaghi – Peck O ensaio de penetração foi executado por meio da cravação do barrilete amostrador, por meio de golpes sucessivos efetuados por um martelo de 65 kg., caindo em queda livre de uma altura de 75 cm. O número de queda livre corresponde ao número de golpes necessários à cravação de 45 cm. do amostrador, sendo que a cada 15 cm., anotou-se, separadamente, o número de golpes. 6.2.3 Apresentação do resultado: Resultados constantes do presente relatório: Planta de locação dos furos de sondagem e da Referência de Nível (R.N.) adotada, em escala conveniente. 40 Perfil transversal do subsolo ou perfil transversal individual, de cada furo executado, com as indicações: Cotas em relação ao R.N. adotado; Golpes necessários a penetração do barrilete amostrador (30cm); Ocorrência ou não N.A. até as profundidades sondadas; Descrição do material encontrado, de acordo com a Terminologia de Rochas e Solos NBR 6502 TB-3 (ABNT, 1995). Cor do solo e designação relativa a compacidade das areias e consistência das argilas; Avanço do revestimento e indicação do processo de perfuração. 6.2.4 Normas obedecidas: Os serviços foram executados conforme as normas brasileiras vigentes NBR 8036 NB-12 (ABNT, 1983), NBR 6502 TB-3 (ABNT, 1995) e NBR 14931 (ABNT, 2004) Todas as atividades desenvolvidas na execução das estruturas de concreto, ou seja, sistema de fôrmas, armaduras, concretagem, cura e outras, bem como as relativas à inspeção e documentação de como construído, incluindo a análise do controle de resistência do concreto. O presente relatório foi executado e disponibilizado pelo Eng. João Antonio Desenzi – CREA 0600537335, representado nas Figuras 15 a 18. 41 Figura 15 – Planta com a locação dos furos de sondagens. 42 Figura 16 – Perfil geológico e geotécnico individual do subsolo – furo SP 01. 43 Figura 17 – Perfil geológico e geotécnico individual do subsolo – furo SP 02. 44 Figura 18 – Perfil geológico e geotécnico individual do subsolo – furo SP 02. 45 6.3 Escavações A escavação foi executada conforme projeto e recomendações do projetista na cota 99,43m, pois houve presença de água na cota 100,33m, tomou-se o cuidado de proteger a cava contra eventual escorregamento do solo. Durante a escavação não foi necessário escoramento provisório para garantir a estabilidade e a segurança dos trabalhadores. Como houve presença do lençol freático na cota 100,33m, portanto acima do nível do fundo da escavação, cota 99,33m, foi necessário rebaixamento através de drenos superficiais com esgotamento das águas por bombas. Evitou-se a deposição de material solto, resultante das escavações, junto à área de trabalho, para não acarretar a instabilidade da cava. Não foi necessária a movimentação de terra (Figura 19), com aterros e escavações mais profundas, pois o projeto segue o terreno levemente inclinado. Figura 19 – Escavações prontas para receber as sapatas. 46 6.4 Execução das Fundações A fundação adotada para esta obra foi à sapata isolada, conforme figuras 21 a 24, por ter sido a fundação mais econômica para este tipo de edificação e solo, de acordo com o relatório de sondagem e definido pelo projetista. As cotas de apoio da fundação e profundidade adotadas estão descritas no projeto estrutural de fundações apresentado no ANEXO B. Como as fundações foram apoiadas na cota 99,43m sobre solo com baixa resistência conforme (rel. de sondagem pagina 43), foi-se implantado, anteriormente à execução, um lastro de concreto simples de regularização de, no mínimo, 5 centímetros de espessura, ocupando toda a área da cava da fundação, conforme a Figura 20. Sua finalidade é regularizar e proteger o terreno de apoio da fundação, de movimentações de trabalhadores, intempéries, etc., e garantir a limpeza adequada da fôrma, armadura e a não contaminação do concreto. O lastro foi aplicado o mais breve possível, após a escavação e a liberação do terreno. O concreto utilizado foi preparado com resistência compatível com a tensão de trabalho da fundação, conforme indicado em projeto. 47 Figura 20 – Esquema de fundação direta em sapata. Procedimento executivo. A fôrma utilizada, no caso de sapatas, foi executada somente para o rodapé, com guias laterais que funcionam como gabarito para a regularização do concreto e formação de suas faces inclinadas, conforme figura 21. Evitou-se fôrmas acima dos rodapés das sapatas, pois dificultam o lançamento e adensamento do concreto. A armadura seguiu o projeto estrutural, sendo montada após a limpeza e remoção das impurezas, garantindo assim a aderência com o concreto. Os arranques de pilares foram posicionados após a locação exata de projeto. Garantiu-se o cobrimento mínimo de projeto com pastilhas de concreto sobre o lastro, conforme figura 20. 48 Figura 21 – Estrutura da sapata pronta para receber o concreto. A concretagem foi executada após a limpeza geral do lastro, da fôrma e da armadura colocada. O concreto lançado seguiu as recomendações do projetista, conforme projeto estrutural. Na execução do concreto, seu abatimento (“slump”) permitiu a trabalhabilidade necessária para execução das faces laterais através de regularização com a desempenadeira, conforme figura 22. 49 Figura 22 – Sapata estruturada após a concretagem. Figura 23 – Pilar concretado O reaterro da cava, após a concretagem e retirada da fôrma, foi executado com solo compactado em camadas. A adequação do solo, espessura da camada lançada e o equipamento leve de compactação seguiram as recomendações de projeto. 50 Os serviços para execução de fundações foram feitos o mais breve possível, evitando-se que a cava permanecesse aberta mesmo após a execução do lastro de concreto, de modo que evitasse estufamentos do solo, infiltrações e, conseqüentemente, perda de sua qualidade inicial. Em resumo, para a segurança e garantia da qualidade da obra deu-se importância aos seguintes itens: Cotas de apoio mínimas, dimensões e locações das fundações; Segurança das escavações; Confirmação da qualidade do terreno de apoio; Correta execução do lastro; Verificação da armadura e limpeza; Concretagem e características do terreno; Compactação do reaterro; Execução dos elementos estruturais previstos em projeto. 51 Figura 24 – Sapata finalizada Fonte: Téchne (2008) 52 7. ANÁLISE CRÍTICA DOS RESULTADOS Analisando os trabalhos de execução de fundações rasas para residências populares notaram-se alguns aspectos a serem mencionados, descritos abaixo: A empresa selecionada para a realização dos serviços com larga experiência em obras de fundações rasas foi de grande importância nos resultados obtidos; Por terem sido adotadas fundações rasas na execução da obra foram utilizados materiais e técnicas simples; Com o nível do lençol freático na cota 100,33, na execução das escavações das fundações foi necessário o rebaixamento do lençol freático por meio de bomba de imersão, devido ao nível de assentamento das sapatas está na cota 99,33m, portanto abaixo do nível d’água indicado na planta de sondagem; Os resultados obtidos foram qualificados como satisfatórios em termos de qualidade e prazos, segundo o engenheiro projetista estrutural de fundações responsável pela obra; Do ponto de vista acadêmico, uma oportunidade ímpar de conhecer e acompanhar as etapas de conceito, elaborações construtivas, planejamento das atividades, seleção dos produtos e equipamentos utilizados nos serviços e execução de fundações rasas para residências populares. 53 8. CONCLUSÕES Este trabalho mostrou como as fundações rasas para residências populares podem ser definidas devido as baixas cargas pontuais e apoiadas em um solo que não apresente baixa resistência. As fundações rasas foram executadas de maneira simples e eficaz sem a necessidade de utilização de equipamentos complexos e alto custo, não deixando de lado a qualidade e segurança da obra. Com o desenvolvimento da revisão bibliográfica e o estudo de caso, podemos avaliar como há uma elevada diversidade de fundações rasas utilizadas na construção civil desde a utilização em residências de baixas cargas pontuais a utilização de fundações rasas em grandes empreendimentos devido à alta resistência do solo e não necessidade de fundações profundas. O trabalho de pesquisa incentiva à reflexão para o uso de fundações rasas em residências populares na construção civil no Brasil. Verificou-se que as fundações rasas para residências populares são muito utilizadas na construção civil no Brasil, e isto se dá devido ao baixo custo e não necessidade de mão de obra especializada. 54 9. RECOMENDAÇÕES Como o principal controle, do ponto de vista geotécnico, para apoiar as fundações diretas sobre o solo previsto no projeto, é conveniente que a escavação se inicie próxima a uma sondagem para permitir a comparação do terreno previsto com o terreno “in loco”. Pode-se encontrar a necessidade de alterações de cotas, previamente indicadas no projeto, entre os vários elementos de fundação, tendo em vista a eventual variabilidade das características do solo de apoio. As cavas das sapatas deverão ser inspecionadas uma a uma para testar a uniformidade do solo de apoio. Nessa inspeção, deve-se dar atenção especial à eventual ocorrência de poços, fossas ou buracos de formigueiro, que devem ser tratados adequadamente. Para a segurança e garantia da qualidade das obras devem-se observar aos seguintes itens: as cotas de apoio mínimas, dimensões e locações das fundações; a segurança das escavações; a confirmação da qualidade do terreno de apoio; a correta execução do lastro; a verificação da armadura e limpeza; a concretagem e características do terreno; a compactação do reaterro; 55 a execução dos elementos estruturais previstos em projeto (vigas alavanca e de travamento, blocos, etc.). Deve-se procurar monitorar as construções vizinhas durante a execução das fundações, principalmente, em casos de rebaixamento do nível d’água, a critério de inspeção, atendendo às orientações do projetista. 56 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122: Projeto e execução de Fundações. Rio de Janeiro, 2010. __________ NBR 6120: Cargas para o cálculo de estruturas de edificações. Rio de Janeiro, 2000. __________ NBR 6502 (TB-3): Rochas e solos. Rio de Janeiro, 1995. __________ NBR 8036 (NB-12): Programação de sondagens de simples reconhecimento do solos para fundações de edifícios - Procedimento. Rio de Janeiro, 1983. __________ NBR 8681: Ações e segurança nas estruturas - Procedimento. Rio de Janeiro, 2004. BASTOS, Pedro Kopschitz Xavier. Tecnologia das Construções II: Contrução de Edifícios. São Paulo: Ufjf, 2011. 226 p. CAPUTO, Homero Pinto. Mecânica dos solos e suas aplicações: Fundamentos. 3. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1988. 1 v. CAPUTO, Homero Pinto. Mecânica dos solos e suas aplicações: Fundamentos. 3. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1974. 2 v. CONVIAS (São Paulo). Prefeitura de São Paulo. Departamento de Controle de Uso de Vias Públicas: Subterrânea. Disponível em: <http://www.http://www.prefeitura.sp.gov.br/ cidade/secretarias/infraestrutura/convias/organizacao/historico/>. Acesso em: 17 ago. 2011. 57 FABRÍCIO, Márcio M.; ROSSIGNOLO, João A.. Tecnologia das Construções II. Rio de Janeiro: Escola de Engenharia, 2001. HACHICH, Waldemar Coelho. Fundações – teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Pini, 2000. MELHADO, Silvio Burrattino. Fundações. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2002. 33 p. MILTON VARGAS (São Paulo). Associação Brasileira De Geologia De Engenharia e Ambiental. Evolução das Investigações geológicas: Os solos da cidade de São Paulo: Histórico das pesquisas. São Paulo: Paulo´s, 2002. 152 p. ROZENBAUM, Daniel. Fundações Rasas. Disponível em: <http://pcc2435.pcc.usp.br/ textos%20t%C3%A9cnicos/Fundacoes/fundacoes_rasas_artigo.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2008. TÉCHNE, Revista. Fundações: Fundações Rasas. Fundações, São Paulo, n. 83, p.38-43, 16 fev. 2004. Texto Original de Ubiratan Leal. TÉCHNE, Revista. Fundações: Sapatas de concreto. Industrialização do Concreto, São Paulo, n. 137, p.54-56, 16 ago. 2008. Texto Original de Juliana Nakamura. VELLOSO, Dirceu A.; LOPES, Francisco R.. Concepções de Obras de fundações: Fundações Teoria e Prática. São Paulo: Pini, 1998. 226 p. 58 ANEXO A Projeto de Arquitetura completo 59 ANEXO B Projeto de fundações