2 O que é Psicologia da Educação? – Conteúdo
Introdução
Sujeitos e cruzamentos
Importância da Psicologia da Educação
Exemplo para refletir
Psicologia da Educação e o Ato Educativo
O papel do professor
Enfoques teóricos
Fases no processo de ensino-aprendizagem
Resposta do médico
Psicologia
da Educação
Material elaborado para o Curso de Licenciatura em Música da UFRGS e Universidades Parceiras, do Programa Pró-Licenciaturas II da CAPES.
Produzido pela equipe do CAEF. Porto Alegre, 2009.
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2 O que é Psicologia da Educação? – Conteúdo
Introdução
Podemos afirmar, numa primeira aproximação, que a Psicologia da Educação trata dos
fundamentos psicológicos, processos e consequências psíquicas que intervém numa situação
educativa qualquer. Existem diversas situações educativas, que convencionamos classificar como
formais ou informais.
Situações educativas formais são aquelas onde existe um objeto específico de estudo, com uma
certa progressão prevista e uma finalidade a ser atingida. Exemplos deste grupo são: pré-escola,
escola de ensino fundamental, de ensino médio, de ensino superior, de pós-graduação, catequese,
cursos pré-vestibulares, cursos supletivos, clínicas psicopedagógicas, academias. Por outro lado,
são exemplos de situações educativas informais: família, clubes, vivências diversas, grupos de
amigos ou de colegas de trabalho.
Teoricamente, podem existir outras formas de compreender e agrupar situações educativas. Uma
classificação importante da literatura especializada, contudo, estabelece que elas podem ser ainda
de tipo recreativo, preventivo ou reabilitador.
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Sujeitos e cruzamentos
Os sujeitos estudados pela Psicologia da Educação são pessoas envolvidas com a educação,
como alunos, professores, treinadores, orientadores, psicólogos, pais, grupos de amigos, grupos
de trabalho. “A Psicologia da Educação pode reivindicar todo estudo que, de perto ou de longe,
trate das estruturas e mecanismos psicológicos suscetíveis de intervir numa situação educativa,
formal ou informal.” (Foulin e Mouchon, 2000, p.3). Alguns exemplos dessas estruturas e desses
mecanismos são: atenção, memória, concentração e comportamento.
Como a educação coloca em jogo o conjunto de condutas psicológicas do indivíduo, a Psicologia
da Educação se torna o cruzamento de todas as especialidades da psicologia contemporânea,
como: psicologia do desenvolvimento, psicologia da cognição, psicologia da personalidade,
psicologia das condutas sociais, psicologia do esporte. Além disso, utiliza-se de avanços nos
campos da biologia, neurobiologia, sociologia e filosofia, dentre outras áreas do conhecimento.
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Importância da Psicologia da Educação
A Psicologia da Educação, como um disciplina científica, pode ajudar a compreender melhor o
processo de ensino-aprendizagem, orientando e sustentando todos os profissionais envolvidos para
que as metas educativas sejam atingidas da melhor e mais abrangente forma possível. A Psicologia
da Educação pode ter duas funções principais:
• Elaboração de diagnóstico, tanto das dificuldades como das habilidades específicas. O diagnóstico
se transforma, no decorrer do processo, em avaliação, permitindo a verificação do que já foi atingido
e do que ainda falta atingir;
• Decisões de intervenção, destinadas a subsidiar propostas de atividades destinadas a prevenir os
fracassos, preparando as aquisições ou para remediar problemas antes que se cristalizem.
Duas observações muito importantes:
• não confunda Psicologia da Educação com Técnicas de Ensino;
• não pense que estudando Psicologia da Educação você não terá mais dificuldades para dar aulas, e
que saberá exatamente como resolver todos os problemas que surgirem. A Psicologia da Educação
lhe dará alguns fundamentos, mas a decisão continuará sendo sua!
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Exemplo para refletir
Um médico tem um paciente que apresenta um tumor maligno que só pode ser destruído com uma
carga alta de raios. Seus conhecimentos anteriores lhe dizem que:
a) um raio muito forte destruirá o tumor, mas destruirá também as células boas que estiverem no
seu percurso até o tumor;
b) um raio fraco não afetará as células boas que estiverem em seu percurso, mas também não
destruirá o tumor.
O que deve fazer o médico? Pense numa resposta e, apenas depois de encontrar a sua,
discutindo-a com seus colegas, veja no último slide qual foi a decisão do médico.
Os conhecimentos anteriores que o médico possuía de nada lhe serviriam se ele não pusesse seu
cérebro a funcionar, escolhendo, dentre as várias alternativas – óbvias ou não – a que melhor se
adequava ao caso do seu paciente. O mesmo ocorre numa situação de ensino. Os conhecimentos
anteriores são o ponto de apoio que o professor utilizará para cada caso que se apresente;
contudo, as soluções sempre dependerão do seu raciocínio de professor, que deverá ser aplicado
a cada situação específica.
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Psicologia da Educação e o ato educativo
A educação é um fenômeno extremamente complexo e para sua compreensão se faz necessário
um conjunto de disciplinas como a Sociologia da Educação, a História da Educação, a Filosofia da
Educação, a Biologia, a Neurologia e as diversas psicologias (do desenvolvimento, da memória, da
personalidade). A Psicologia da Educação é apenas uma delas, e sua contribuição consiste em:
• Análise das mudanças que experimentam os participantes no ato educativo (alunos), incluindo
sua natureza e características;
• Conhecimento dos fatores que facilitam, ou obstaculizam, ou impossibilitam tais mudanças;
• Decisão sobre a direção tomada e os resultados a que chegam (Coll et alii, 1996).
Dito de outra maneira, a Psicologia da Educação nos diz, por exemplo, que alunos de quatro ou
cinco anos não conseguem aprender física quântica, pois não desenvolveram raciocínio capaz de
aprender algo abstrato e não possuem conhecimento dos conteúdos necessários para aprenderem
essa teoria. Querer começar um ensino por abstrações ou conteúdos avançados – antes de tentar
ensinar através de situações concretas e conteúdos mais simples – dificulta ou impossibilita a
aprendizagem.
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Enfoques teóricos
Visto sob o prisma da Psicologia da Educação, os processos de aprendizagem formal e informal têm
características próprias que podem ser resumidas em um núcleo básico, o qual estabelece os
pressupostos das diferentes teorias psicológicas contemporâneas. Este núcleo básico, formado pelas
diversas teorias psicológicas, deu origem a diferentes enfoques teóricos sobre ensino e aprendizagem
nas últimas décadas, conforme a ênfase dada pelos educadores. Conforme BECKER (1993) em
relação ao tipo de concepção teórica dos professores, temos, com alta probabilidade, a formação de
três grupos irredutíveis:
•Apriorismo, ou aqueles que pensam que a capacidade de conhecer faz parte do genoma humano;
•Empirismo, ou aqueles que pensam que o recém nascido é, cognitivamente, tabula rasa e a
experiência sensorial marcará sua mente com os estímulos do meio, físico ou social;
•Construtivismo, ou aqueles que pensam que o recém nascido traz complexas possibilidades,
genéticas ou neurológicas, e sua experiência ativa produzirá estruturas cuja evolução constituirá suas
sucessivas capacidades, cerebrais e mentais, de conhecer e de aprender.
A escolha por uma determinada teoria psicológica (ou grupo delas) conduz a um determinado enfoque
do processo de ensino-aprendizagem, independente da idade dos alunos ou do nível de estudos aos
quais estejamos nos referindo. Por exemplo, é possível ser construtivista da pré-escola à pósgraduação.
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Fases no processo de ensino-aprendizagem
De acordo com as faixas etárias dos alunos, com as características próprias da história de vida de
cada um deles, e com o tipo de conhecimento envolvido (físico, social, lógico-matemático, motor) é
possível fazer uma distinção segundo as etapas de desenvolvimento e de ensino já consagradas.
• Primeira infância: do nascimento até o aparecimento da linguagem;
• Segunda infância: do aparecimento da linguagem até a entrada no ensino fundamental;
• Terceira infância: da 1ª a 4ª série do ensino fundamental (7-11 anos);
• Pré-adolescência (fase final da 3ª infancia): da 5ª a 8ª série do ensino fundamental (11-13 anos);
• Adolescência: aluno do ensino médio (aproximadamente entre 13 e 17 anos);
• Idade adulta (entre 18 e 30 anos);
• Idade madura (entre 31 e 54 anos);
• Terceira idade (a partir dos 54 anos).
Todas essas fases são marcadas por diferenças significativas tanto em nível de desenvolvimento
físico, psíquico e motor, quanto em nível cognitivo e social. Isto precisa ser dominado pelo
educador, pois se constitui em marcos importantes no processo de ensino e aprendizagem, por
exemplo, quando ele propõe uma canção como Lua, Lua de Débora A. Dreyer. O aproveitamento
pedagógico dessa canção para adolescentes é completamente diferente daquele proposto para
crianças por volta dos 7 anos. Com estas precisamos trabalhar a partir de situações concretas
para que entendam a dimensão do universo. Já com os adolescentes podemos partir para um
discussão mais abstrata, quem sabe, sobre o amor, o apaixonamento e o romance, sentimentos
que estréiam na vida de todos nós nesta faixa etária.
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O papel do professor
Para concluir, podemos pensar que definir como ensinar um determinado conteúdo é uma tarefa
que requer o conhecimento de outras áreas além da Psicologia da Educação. Exemplos dessas
áreas são Didática, Técnicas de Ensino, Tecnologias da Informação, dentre outras.
Também exige que o professor coloque seu cérebro a funcionar, como comentado no caso do
médico, pois cada situação e cada área do conhecimento tem suas particularidades que
necessitam ser avaliadas pelo profissional da educação: o professor.
Identificar as necessidades dos alunos, conhecer os conteúdos que ensina e promover um
ambiente emocional favorável são atitudes essenciais para haver aprendizagem. Manter-se
atualizado sobre os enfoques teóricos pertinentes à escola e seus processos educativos, assim
como colocar-se em sala de aula com uma postura critica, investigativa e embasada é o que se
espera de um professor, seja ele da Educação Infantil ou da Pós-Graduação.
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Resposta do médico
Com base nesses conhecimentos, o médico decide bombardear o tumor com vários raios fracos,
vindos de muitas direções diferentes, mas todos convergindo para o tumor. Desta maneira,
consegue fazer com que o tumor receba uma carga forte de raio, vindo a desaparecer, sem
danificar as células boas encontradas pelo caminho.
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