Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas MAT146 - Cálculo I Edson José Teixeira 16 de abril de 2015 MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Vimos anteriormente que dada uma função f , nem sempre esta é bijetora, ou seja, nem sempre podemos falar na função inversa. Porém, podemos fazer restrições no domı́nio e/ou no contradomı́nio de maneira torná-la bijetora e consequentemente inversı́vel. Se a função f satisfaz certas condições, seremos capazes de garantir que a sua inversa será derivável em um ponto f (x0 ). Além disso, somos capazes de explicitar a valor da derivada da inversa em f (x0 ). MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Teorema (Teorema de Derivação da Função Inversa) Seja f uma função inversı́vel e derivável em um ponto x0 do seu domı́nio com f 0 (x0 ) 6= 0. Então f −1 será derivável em y0 = f (x0 ) e além disso 0 f −1 (y0 ) = 1 1 = 0 −1 . f 0 (x0 ) f ((f )(y0 )) A demonstração deste resultado será omitida. Faremos alguns exemplos com algumas funções mais simples. MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Seja f : R → R a função dada por f (x) = 2x + 1. A função f é derivável, inversı́vel e sua inversa f −1 : R → R é dada por f −1 (x) = x 1 − . 2 2 Neste caso é desnecessário aplicar o resultado, uma vez que conseguimos explicitar a inversa de f e sabemos derivá-la pelas regras apresentadas anteriormente. Mas mesmo assim, utilizaremos o resultado acima para aprender a aplicá-lo. Suponhamos que não conhecemos a expressão para a inversa de f . MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Para isso, seja y = f −1 (x). Assim, f (y ) = x. Utilizando derivação implı́cita e a regra da cadeia, temos f 0 (y ).y 0 = 1. Daı́, y 0 = (f −1 )0 (x) = 1 1 = , f 0 (y ) 2 como já era esperado. MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Exemplo Seja f : R → R uma função f definida por f (x) = x 5 + 5x 3 + 2x − 4. Esta função é bijetora. Assumiremos este fato. Neste caso, não conseguimos explicitar a sua inversa, mas pelo teorema anterior, somos capazes de encontrar a derivada da inversa em qualquer ponto f (x0 ). MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Exemplo Sabemos que o ponto (1, 4) é um ponto sobre o gráfico de f . Desta forma, o ponto (4, 1) é um ponto sobre o gráfico de f −1 . Calcularemos (f −1 )0 (4) utilizando teorema anterior. De fato, pelo teorema anterior temos que (f −1 )0 (4) = MAT146 - Cálculo I 1 f 0 (1) . UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Desta forma, precisamos apenas conhecer f 0 (1), que é facilmente calculado. f 0 (x) = 5x 4 + 15x 2 + 2. Daı́, f 0 (1) = 22. Portanto (f −1 )0 (4) = MAT146 - Cálculo I 1 1 = . f 0 (1) 22 UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Vimos anteriormente que as funções trigonométricas não são inversı́veis, mas podemos fazer restrições no domı́nio e/ou contradomı́nio de maneira a transformá-las em bijeções, ou seja, inversı́veis. Desta forma, para derivar as inversas trigonométricas, devemos fazer tais restrições. Como trabalharemos com funções inversı́veis e deriváveis, seremos capazes de derivar suas inversas em todos os pontos onde a derivada da função direta é diferente de zero, como descrito no teorema anterior. MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcseno Temos que h π πi f : − , → [−1, 1] 2 2 dada por f (x) = sen x é inversı́vel. Seja h π πi g : [−1, 1] → − , 2 2 a sua inversa, ou seja, g (x) = arcsen x. Fazendo y = g (x), devemos encontrar y 0 = MAT146 - Cálculo I dy . dx UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcseno Temos que y = arcsen x se, e somente se, sen y = x. Utilizando derivação implı́cita, obtemos cos y · y 0 = 1. Devemos observar primeiramente que, pela a igualdade acima, cos y 6= 0. π Daı́ y 6= ± e x 6= ±1. 2 Voltando à igualdade y0 = MAT146 - Cálculo I 1 1 = . cos y cos(arcsen x) UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcseno Nosso objetivo agora é efetuar a composição cos(arcsen x). Fazendo α = arcsen x, devemos encontrar cos α. Observe que α = arcsen x se, e somente se, x = sen α. Daı́, x 2 = sen2 α 1 − x 2 = 1 − sen2 α = cos2 α p cos α = ± 1 − x 2 MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcseno Como α = arcsen x ∈ −π π , 2 2 , temos cos α > 0 e concluı́mos que y0 = MAT146 - Cálculo I 1 1 1 = =√ , cos(arcsen x) cos α 1 − x2 −1 < x < 1. UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcseno Uma maneira prática de se efetuar a composição apresentada acima é construir um triângulo retângulo com hipotenusa 1 e um ângulo α tal que sen α = x. Pelo Teorema de Pitágoras, encontramos o outro cateto. Agora, basta encontrar cos α utilizando tal triângulo construı́do. sen α = x p cos α = 1 − x 2 Note que este procedimento prático se restringe a α ∈ (0, π/2). MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcseno Exemplo Seja f (x) = arcsen(x 2 ). Determine f 0 (x). Usando a regra da cadeia e sabendo a derivada da função arcseno, temos que f 0 (x) = p MAT146 - Cálculo I 1 1− (x 2 )2 · 2x = √ 2x . 1 − x4 UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccosseno Analogamente ao caso anterior temos que f : [0, π] → [−1, 1] dada por f (x) = cos x é inversı́vel. Seja g : [−1, 1] → [0, π] a sua inversa, ou seja, g (x) = arccos x. Fazendo y = g (x), devemos encontrar y 0 = MAT146 - Cálculo I dy . dx UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccosseno Temos que y = arccos x se, e somente se, cos y = x. Utilizando derivação implı́cita, obtemos − sen y · y 0 = 1. Devemos observar primeiramente que, pela a igualdade acima, sen y 6= 0. Daı́ y 6= ±π e assim x 6= ±1. Voltando à igualdade y0 = − MAT146 - Cálculo I 1 1 =− . sen y sen(arccos x) UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccosseno Devemos efetuar a composição sen(arccos x). Fazendo α = arccos x, vamos encontrar sen α. Observe que α = arccos x se, e somente se, x = cos α. Daı́, x 2 = cos2 α 1 − x 2 = 1 − cos2 α = sen2 α p sen α = ± 1 − x 2 MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccosseno Como α = arccos x ∈ (0, π) , temos sen α > 0 e podemos garantir que y0 = − MAT146 - Cálculo I 1 1 1 =− = −√ , sen(arccos x) sen α 1 − x2 −1 < x < 1. UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccosseno Uma maneira prática de se efetuar a composição apresentada acima é construir um triângulo retângulo com hipotenusa 1 e um ângulo α tal que cos α = x. Pelo Teorema de Pitágoras, encontramos o outro cateto. Agora, basta encontrar sen α utilizando tal triângulo construı́do. cos α = x p sen α = 1 − x 2 MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccosseno Exemplo Derive f (x) = arccos(x 2 − 5). Pela regra da cadeia, segue que f 0 (x) MAT146 - Cálculo I = −p 1 · 2x 1 − (x 2 − 5)2 2x = −√ 4 −x + 10x 2 − 24 UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arctangente Agora vamos considerar a função inversı́vel π π f : − , →R 2 2 dada por f (x) = tg x. Seja π π g :R→ − , 2 2 a sua inversa, ou seja, g (x) = arctg x. Fazendo y = g (x), devemos encontrar y 0 = MAT146 - Cálculo I dy . dx UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arctangente Temos que y = arctg x se, e somente se, tg y = x. Derivando implı́citamente, obtemos sec2 y · y 0 = 1. Assim, y0 = MAT146 - Cálculo I 1 1 = . sec2 y sec2 (arctg x) UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arctangente Devemos efetuar a composição sec(arctg x). Fazendo α = arctg x, devemos encontrar sec α. Observe que α = arctg x se, e somente se, x = tg α. Daı́, x 2 = tg2 α 1 + x 2 = 1 + tg2 α = sec2 α sec2 α = x 2 + 1 MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arctangente Assim, y0 = MAT146 - Cálculo I 1 1 1 = = 2 , sec2 (arctg x) sec2 α x +1 x ∈ R. UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arctangente Uma maneira prática de se efetuar a composição apresentada acima é construir um triângulo retângulo com um cateto medindo 1 e um ângulo α tal que tg α = x. Pelo Teorema de Pitágoras, encontramos o outro cateto. Agora, basta encontrar sec α utilizando tal triângulo construı́do. tg α = x p sec α = x 2 + 1 MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arctangente Exemplo 1 . Para derivar esta função utilizamos a x +1 regra da cadeia e a regra de derivação do quociente. Desta maneira, 0 1 1 0 f (x) = · 2 x +1 1 +1 x +1 (x + 1)2 −1 = · (x + 1)2 + 1 (x + 1)2 1 = − 2 x + 2x + 2 Derive f (x) = arctg MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccotangente A função f : (0, π) → R dada por f (x) = cotg x é inversı́vel. Seja g : R → (0, π) a sua inversa, ou seja, g (x) = arccot x. Fazendo y = g (x), devemos encontrar y 0 = MAT146 - Cálculo I dy . dx UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccotangente Temos que y = arccot x se, e somente se, cotg y = x. Derivando implı́citamente, obtemos − cossec2 y · y 0 = 1. Assim, y0 = − MAT146 - Cálculo I 1 1 =− . cossec2 y cossec2 (arccot x) UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccotangente Devemos efetuar a composição cossec(arccot x). Fazendo α = arccot x, devemos encontrar cossec α. Observe que α = arccot x se, e somente se, x = cotg α. Daı́, x 2 = cotg2 α 1 + x 2 = 1 + cotg2 α = cossec2 α cossec2 α = x 2 + 1 MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccotangente Assim, y0 = = = MAT146 - Cálculo I 1 cossec2 (arccot x) 1 − cossec2 α 1 − 2 , x ∈ R. x +1 − UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccotangente Exemplo 0 3 Determine f (x) para f (x) = x arccot 1 x . Pela regra da cadeia e 3 regra do produto, obtemos f 0 (x) MAT146 - Cálculo I −1 1 x 2 · 3 1+ 3 x x3 = 3x 2 arctg − 3 x2 3 1+ 9 x 3 3x . = 3x 2 arctg − 3 9 + x2 = 3x 2 arctg x 3 + x3 UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcsecante A função h π π i f : 0, ∪ , π → (−∞, 1] ∪ [1, ∞) 2 2 dada por f (x) = sec x é inversı́vel. Seja g a sua inversa, ou seja, g (x) = arcsec x. Fazendo y = g (x), devemos encontrar y 0 = MAT146 - Cálculo I dy . dx UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcsecante Temos que y = arcsec x se, e somente se, sec y = x. Derivando implı́citamente, obtemos secy · tg y · y 0 = 1. Assim, tg y 6= 0, ou seja, y 6= 0 e y 6= π. Daı́, 1 y0 = sec y · tg y 1 = sec(arcsec x) · tg(arcsec x) 1 = . x · tg(arcsec x) MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcsecante Devemos efetuar a composição tg(arcsec x). Fazendo α = arcsec x, devemos encontrar tg α. Observe que α = arcsec x se, e somente se, x = sec α. Daı́, x 2 = sec2 α x 2 − 1 = sec2 α − 1 = tg2 α p tg α = ± x 2 − 1 MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcsecante Assim, y0 = = = = MAT146 - Cálculo I 1 x · tg(arcsec x) 1 x · tg α 1 √ ±x · x 2 − 1 1 √ , |x| > 1. |x| · x 2 − 1 UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arcsecante Exemplo Encontre f 0 (x), onde f (x) = arcsec(3e x ). Utilizaremos a regra da cadeia. Assim, f 0 (x) = = = MAT146 - Cálculo I 1 p 3e x |3e x | (3e x )2 − 1 ex √ e x 9e 2x − 1 1 √ 2x 9e − 1 UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccossecante A função h π πi f : − , 0 ∪ 0, → (−∞, −1] ∪ [1, ∞) 2 2 dada por f (x) = cossec x é inversı́vel. Seja g a sua inversa, ou seja, g (x) = arccossec x. Fazendo y = g (x), devemos encontrar y 0 = MAT146 - Cálculo I dy . dx UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccossecante Temos que y = arccossec x se, e somente se, cossec y = x. Derivando implı́citamente, obtemos − cossec y · cotg y · y 0 = 1. π Assim, cotg y 6= 0, ou seja, y 6= ± . 2 MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccossecante Daı́, y0 = − 1 cossec y · cotg y 1 cossec(arccossec x) · cotg(arccossec x) 1 . x · cotg(arccossec x) = − = MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccossecante Devemos efetuar a composição cotg(arccossec x). Fazendo α = arccossec x, devemos encontrar cotg α. Observe que α = arccossec x se, e somente se, x = cossec α. Daı́, x 2 = cossec2 α x 2 − 1 = cossec2 α − 1 = cotg2 α p cotg α = ± x 2 − 1 MAT146 - Cálculo I UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccossecante Assim, y0 MAT146 - Cálculo I 1 x · cotg(arccossec x) 1 = − x · cotg α 1 √ = − ±x · x 2 − 1 1 √ = − , |x| > 1. |x| · x 2 − 1 = − UFV Derivada da Função Inversa Derivadas das Inversas Trigonométricas Função Arccossecante Exemplo 1 Determine f 0 (x), onde f (x) = x arccossec . Utilizaremos a regra do x produto e a regra da cadeia. 1 1 −1 f (x) = arccossec + x − s 2 x x2 1 1 −1 x x 0 1 x 1 + r · x 1 1 − x2 x2 x x2 1 x = arccossec + √ x 1 − x2 = MAT146 - Cálculo I arccossec UFV