Adaptação ao envelhecimento
Os idosos não constituem um grupo homogéneo.
Assim, existem diferentes padrões de adaptação ao envelhecimento
que dependem:
Idade da reforma;
Classe socioeconómica;
Estado civil;
Sexo;
Religião.
Estas características produzem traços distintivos de adaptação vital.
Tradicionalmente a adaptação à velhice concentrou-se em
três grupos de factores:
Saúde;
Apoio socioafectivo;
Recursos económicos;
(Actualmente sabe-se que estes factores são a base de outras
1
variáveis, por ex., a participação social)
Objectivos da educação na velhice
a) Emancipação dos idosos.
b) Libertação dos sistemas representados pela idade cronológica
(cultura juvenilizada).
c) Independência económica.
Porquê?
Existe uma dominação social sobre a terceira idade, através
de instrumentos sociais como a burocracia, o mercantilismo
e a medicalização.
É preciso quebrar a linearidade do percurso vital tradicional :
Uma idade para aprender
Uma idade para exercer
Uma idade para descansar
reforma e desvinculação social.
2
Educação, cultura e lazer
A actividade é essencial para:
Envolvimento social.
Envelhecimento saudável e
decorrentes da idade.
satisfatório
-
compensação
de
perdas
Velhice e lazer
Reflexões sobre o tempo livre…
A palavra grega scholé unia a ideia de aproveitar o tempo livre à ideia de
formação e educação geral através de estudos e debates.
O termo romano otium significava a base dos estudos mas também
designava a tranquilidade e a vida particular.
No séc. XX ocorreu a democratização do tempo livre para as populações
industrializadas.
3
O tempo livre tinha função de descanso; permitia a recuperação das
forças.
Paulatinamente alargou-se a outras actividades: culturais, estéticas, de
auto-realização…
Contudo…
Não é a actividade em si que leva à satisfação, mas
subjectiva do reconhecimento e da integração social
actividades realizadas. (Kolland,2000)
a
a
percepção
partir das
Assim…
Os reformados não conseguem trocar o trabalho profissional por
alguma actividade de lazer visto que o trabalho propicia a sensação de
se estar integrado na sociedade, de existir utilidade e reconhecimento.
Já o lazer, não traz a mesma sensação, deixando um sentimento de
vazio.
4
As actividades desenvolvidas pelas pessoas idosas
precisam de ter significado vital.
Para que uma actividade seja significativa precisa de ter algum vínculo
com a identidade da pessoa: profissão, biografia, valores…
Barreiras ao lazer
Sociedade – quando não oferece espaços por causa da imagem e do
papel social atribuídos aos idosos.
Impedimentos
avançada…)
concretos
dos
idosos.
(doenças,
idade
Resistências internas, provenientes do próprio imaginário dos
idosos.
5
Actividades de lazer em geral
A sua realização depende de condições financeiras, educação, escolaridade
e cultura.
As actividades preferidas dos idosos são realizadas dentro de casa (72%).
Porquê?
Passam mais tempo dentro de casa.
Devido a…
Saúde; Dificuldades de locomoção; Insegurança em espaços públicos.
Actividades mais praticadas pelos idosos dentro de casa
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
Ver televisão ( 93 % )
Ouvir rádio ( 80 % )
Cuidar de plantas ( 63 % )
Leitura ( 52 % )
Cuidar de animais ( 43 % )
Bordado/Tricô ( 16 % )
Palavras-cruzadas ( 13 % )
6
Visitas a museus e frequência de teatros e cinemas são feitas pelos
mais ricos.
Quanto mais baixa a escolaridade, menor a frequência de
actividades de lazer.
Porquê?
Dificuldades de acesso, falta de hábito e de valorização.
Comparando os idosos jovens (65-70) com os idosos mais
velhos (+ 80) verifica-se:
Nos mais velhos:
Diminuição geral do nível de actividades;
Menos actividades de lazer fora de casa;
Diminuição das actividades que requerem disposição/predisposição.
7
A única actividade que diferencia totalmente homens e
mulheres, são os trabalhos manuais com agulhas.
Actividades de lazer indicadas pelos idosos, por ordem de preferência:
1.
2.
3.
4.
5.
Ver TV
Passear/Viajar
Descanso
Actividades culturais (ler e ouvir música)
Trabalhos manuais
Além da TV, a actividade preferida para os idosos sem instrução
formal é o descanso.
O sonho de todos os idosos é realizar mais actividades fora de
casa.
8
Viajar é o sonho de todos os idosos jovens.
O que os impede?
1 - Dinheiro (33%)
2 – Saúde ( 17%)
3 – Outras razões.
Contudo, 25% afirmaram que nada impede essa realização.
As barreiras são de origem pessoal:
Falta de costume.
Medo do desconhecido.
Preconceitos da sociedade.
9
Actividade física na terceira idade
1. Caminhada
2. Bicicleta
3. Ginástica
Os homens, idosos jovens, com maior grau de escolaridade são os
que praticam mais actividade.
As mulheres suplantam os homens na hidroginástica.
No Brasil existem grupos de terceira idade com diferente cariz:
Grupos de cunho religioso.
Grupos de actividades físicas.
Grupos de música.
Grupos de viagens.
Os grupos de convivência são uma minoria e são integrados por
pessoas com ensino secundário ou superior.
10
Educação, cultura e envelhecimento
UNESCO – Promover a educação ao longo da vida.
O periódico Educacional Gerontology nº 1 (1976) propôs a educação
da população geral em relação ao envelhecimento e a formação de
profissionais para trabalhar com idosos.
Quanto mais elevado o nível de escolaridade, maior a
probabilidade de preservação das capacidades intelectuais.
Mas não é necessariamente a escolaridade em si que causou estes
efeitos, pois ela é vinculada a outros factores, como melhores condições
de vida e campos profissionais mais estimulantes que redundam em
benefícios para a saúde, ao nível da informação, à moradia e à
segurança.
11
O crescimento da oferta educacional para idosos tem
aumentado mas a sua participação ainda é pequena.
Depende da proximidade com a educação que as pessoas
mantiveram ao longo da sua vida.
A oferta desses programas nem sempre satisfaz os
idosos:
Quando os jovens tentam ensinar aos idosos como devem envelhecer.
Quando as actividades se limitam a preencher tempos vazios e se tornam
substitutos de uma participação real e activa na sociedade.
Não se trata de simplesmente oferecer quaisquer actividades
para idosos, mas que elas tenham relação com a sua identidade,
com as suas competências e necessidades.
12
Informática
(Entrada no trabalho e nos lares)
Aprender a trabalhar com algo que não existia é um desafio.
Esta aprendizagem não deve ser simultânea com a dos jovens,
pois estes aprendem mais rapidamente.
A escolarização diferencia o grupo das pessoas idosas em relação
à informática.
Europa – taxas de envelhecimento muito elevadas e com tendência
para subir.
As actuais políticas sociais para este grupo etário, não só têm em conta
a satisfação das suas necessidades básicas, mas também preocupação
com a sua qualidade de vida.
13
A Carta Internacional da Educação para o Lazer (1993)
equipara o lazer a outros direitos humanos:
“ O lazer é um direito humano fundamental, tal como a educação, o
trabalho e a saúde, e ninguém devia ser privado desse direito por
questões de género, orientação sexual, idade, raça, religião, estado de
saúde, incapacidade ou situação económica” (artigo 2.4.)
A Constituição espanhola de 1978 consagra o lazer dos idosos no seu
artigo 50º:
“Os poderes públicos (…) promoverão o seu bem estar através de um
sistema de serviços sociais que se ocuparão dos problemas específicos
relacionados com a saúde, habitação, cultura e lazer.”
A melhor maneira de encarar a terceira idade do ponto de vista da
educação é através dos tempos livres. ( Midwinter,1992)
14
Entender o papel da educação para o lazer entre os nossos
idosos é assumi-la como um recurso da sua integração social,
de procura de participação, que “preencha” de modo satisfatório
e gratificante os seus tempos livres, ampliando o seu círculo de
relações sociais e melhorando as suas capacidades físicas e
psíquicas; em suma, melhorando a sua qualidade de vida.
A cessação da actividade profissional,
profissional a ausência de familiares,
inclusive do próprio cônjuge, a perda ou diminuição das
relações sociais:
propiciam o isolamento social,
alimentam sentimentos de solidão, passividade e frustração
induzidos pelo “não fazer nada”, “não se sentirem úteis”,
provocando a exclusão e marginalização sociais.
15
A pedagogia do lazer impõe a identificação de recursos de lazer.
Os recursos de lazer estão a aumentar.
Contudo, nem todos beneficiam das mesmas oportunidades.
Limitações
transportes
Recursos financeiros
Contactos sociais
Saúde física
Estas limitações estão sobretudo presentes nos idosos de meios rurais.16
“Quarta idade” (Génova e Linares,2000)
Trata-se de uma população maioritariamente feminina que se distingue
por ser grande consumidora de recursos de saúde e de cuidados sociais.
Não vivem os últimos anos de vida na posse das suas faculdades físicas
e psíquicas.
A intervenção socioeducativa e terá de ser feita por profissionais com
qualificações pedagógicas e de educação social.
Artigo 50º da constituição permite deixar para trás o modelo
assistencial (em que o indivíduo é o sujeito passivo da atenção que a
sociedade e os especialistas lhe dão) e pressupor um comportamento
autónomo e participativo das pessoas idosas, tornando-as aptas para
participarem nas actividades mais vitais da comunidade.
17
Plano galego para pessoas maiores (2001-2006)
Quatro estratégias de actuação:
1. Aposta no envelhecimento em casa.
2. Aposta no combate à dependência.
3. Aposta na co-responsabilidade social: integração e participação.
4. Aposta na qualidade.
Lei da Administração Local da Galiza (1997) define as competências
dos municípios (art 8º , 2) :
“Actividades e instalações culturais e desportivas,
ocupação de tempos livres e turismo, execução de
programas próprios destinados a crianças, jovens,
mulheres e terceira idade”
18
Os quadros normativos não estabelecem a existência de profissões ligadas a
funções socio-educativas e de animação. Apenas contemplam os indivíduos que
executam tarefas existenciais: assistente social e “um auxiliar ao domicílio”.
Características gerais da oferta:
Predomínio do sector público sobre o privado.
O âmbito de actuação preferencial é o municipal
( o município é o referente-base).
Categorização das actividades programadas,
ordenadas consoante a sua frequência:
1. Actividades na área da dinâmica ocupacional (trabalhos manuais,
grupos corais e de teatro).
2. Actividades na área social e de cidadania (festas, almoços,
excursões, bailes, jogos de mesa e actividades de voluntariado).
3. Actividades na área do desenvolvimento físico-psíquico (ginástica
e estimulação cognitiva).
4. Actividades na área formativo-cultural (cursos, conferências).
19
TIPOS DE INSTITUIÇÕES
Associações de idosos
São iniciativas da sociedade civil, especialmente vocacionadas para as
actividades de lazer e a animação sociocultural. É a forma mais
genuína de participação, pois a sua constituição, a definição dos seus
objectivos e dos seus mecanismos de funcionamento dependem da
capacidade de iniciativa dos seus membros. Surgem por iniciativa dos
idosos e são geridas pelos próprios.
Centros sociais
Não são centros específicos para idosos pois surgem para
complementar os lares de idosos. São entidades abertas a toda a
população onde se promovem e oferecem actividades, serviços e
instalações à população de um determinado espaço. Contudo, na
prática são utilizados exclusivamente por idosos.
20
Centro de dia
É um recurso social de permanência diurna (uma alternativa à
institucionalização), especialmente concebido para pessoas idosas que
sofram de algum grau de dependência (física ou psíquica). Incluem o
fornecimento de cuidados de saúde além de alimentação e transporte
adaptado.
Embora a sua função prioritária não seja a organização de actividades
socioculturais e recreativas, a sua oferta inclui, devido ao tempo livre
dos utentes, um leque cada vez mais amplo de possibilidades de
preenchimento do mesmo.
21
EDUCAÇÃO PERMANENTE
Em 1972 refere-se que a educação permanente engloba todas as formas
de educação, a totalidade da população e as diferentes etapas da vida das
pessoas.
Relatório Delors (1996) é relançado o conceito de educação
permanente, denominado educação ao longo da vida.
A educação ao longo da vida torna-se um imperativo democrático
que deve oferecer ao indivíduo a capacidade de dirigir o seu
destino e outorgar-lhe os meios necessários para atingir um
equilíbrio entre trabalho, aprendizagem e vida activa.
É mais necessária na idade adulta porque é a que precisa mais de
adaptação às mudanças.
22
A educação permanente refere-se a:
-
todos os sujeitos de qualquer idade,
todos os níveis educativos,
totalidade dos métodos,
totalidade dos meios e agentes de formação.
Trata-se de um processo contínuo e progressivo de todos os indivíduos.
A alfabetização (ler e escrever) é necessária mas insuficiente. Novas
formas de alfabetização são hoje as línguas estrangeiras, a linguagem
informática, a técnico-científica, as novas expressões artísticas, a
capacidade de resistência à tensão da vida laboral, o auto-emprego, a
adaptação a novas formas de trabalho. Estas alfabetizações são alguns
dos objectivos da educação permanente.
23
Actualmente é necessário:
- dar lugar à formação em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC),
- reestruturar a oferta de actividades de tempos livres,
- incidir sobre a nova bagagem sociocultural.
A educação ao longo da vida permite:
- mudar a visão negativa acerca da terceira idade;
-Preparar os indivíduos para desfrutarem do tempo depois da saída da
vida laboral
Sair da vida laboral não implica abandonar a vida activa.
Esta etapa deveria apresentar-se como a mais activa porque é quando
desfrutam completamente do seu tempo.
24
Habitualmente as intervenções dirigidas aos idosos nada têm a
ver com eles pois são efectuadas por pessoas que não têm nada
em comum, nem a idade.
Os medos e as expectativas de cada grupo etário são diferentes.
Num estudo realizado em 1998 perguntou-se à sociedade em
geral e aos idosos:
qual é a circunstância que mais temem
Idosos:
1. Dor
2. Perda de amigos
3. Perda de memória
População em geral:
1. Doença
2. Perda memória
3. Dependência
25
Em 2002 a perspectiva de vida nos países desenvolvidos era de 77,4 anos.
Não é possível considerar os 65 anos como uma idade onde começa o
declínio físico, psicológico e social da pessoa.
Os 65 anos devem ser uma etapa onde se inicia um novo planeamento da
utilização do tempo de ócio.
Isto só será possível se for concedida ao idoso a possibilidade de participar:
-Nas decisões que o afectam.
- Nos acontecimentos que o rodeiam.
26
Propostas conclusivas:
Planos globais (para toda a população e com a
intervenção de vários técnicos e profissionais).
Planos específicos ( para determinados grupos).
Formação de profissionais.
27
Programas Universitários para Idosos
Evolução desta oferta educativa (Lemieux, 1997):
Programas de primeira geração – programas culturais de tempos
livres com objectivo de entreter os idosos.
Programas de segunda geração - programas que passam a
incorporar actividades educativas.
Programas de terceira geração – programas educativos
regulamentados, com um plano de estudos específico e
características formais próprias de um contexto universitário. Algumas
conferem “títulos próprios”.
28
Ao analisar a formação para idosos destacam-se quatro tipos de
atitudes:
1. Recusa e marginalização (a formação para este grupo é
improdutiva e desnecessária)
2. Organização dos serviços sociais para dar resposta ás necessidades
assistenciais.
3. Participação para que os idosos possam intervir na sociedade, a
partir dos seus conhecimentos e da sua experiência.
4. Actualização que valorize o seu “ser” mais do que o seu “fazer”.
Modelo sociocompetente por oposição ao modelo assistencial.
29
Estes indivíduos não devem “retirar-se” mas sim lançar-se em novos
objectivos e explorar novas oportunidades.
Este grupo de sujeitos que designamos de “pessoas idosas” está longe
de se encontrar numa situação que requeira, fundamentalmente,
serviços assistenciais. Pode e deve dispor de oportunidades de
formação.
Do lazer passivo
lazer activo.
O que os motiva a inscreverem-se em programas:
1.
2.
3.
4.
5.
6.
Adquirir novos conhecimentos
Complementar conhecimentos
Lutar contra a solidão e o isolamento
Mobilização das faculdades intelectuais
Busca de uma nova forma de lazer (intelectual)
Interesse por determinados temas.
30
Definição dos programas universitários
É a própria universidade que gera, desenvolve, promove e
mantém essas actividades ; são programas universitários.
Características destes programas:
a) Enquadramento institucional;
b) Elementos organizativos;
c) Infra-estruturas;
d) Aspectos pedagógicos.
Ver: “Guía de Programas Universitarios de Personas Mayores”
Velásquez, M. e outros, 1999.
31
Verifica-se maior escolha de conteúdos enquadrados nas
seguintes áreas de conhecimentos:
a)
b)
c)
d)
e)
Humanidades e Ciências Sociais
Ciências Jurídicas e Económicas
Ciências da Terra e do Ambiente
Ciências Biossanitárias
Ciências Tecnológicas
Elementos organizativos dos programas:
a) Plano de estudos fixo
b) Duração em consonância com um curso académico e com o calendário
universitário.
c) Avaliação
d) Garantir um nível de formação compatível com o “título” universitário.
Não deve ser designado por “programa universitário” qualquer tipo
de actividade a favor das pessoas idosas.
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A Universidade de Santiago criou o IV Ciclo Universitário que
constitui um ciclo específico inserido no contexto da formação contínua ou
formação ao longo da vida, aberto a todas as pessoas.
As Universidades de Corunha e de Vigo organizam a sua formação em
três ciclos:
1º ciclo com 27 créditos = Bacharelato Sénior (1 crédito = 10 horas lectivas)
2º ciclo com 18 créditos = Licenciatura Sénior
3º ciclo = Doutoramento Sénior (Submissão de um trabalho de investigação à
comissão correspondente).
Compete aos docentes universitários:
Leccionar as disciplinas
Adequar os conteúdos à capacidade de compreensão dos sujeitos
Ter em conta as situações específicas de aprendizagem (tempos, ritmos,
interesses)
Preencher os tempos académicos com outras actividades não circunscritas
ao espaço da sala de aula.
Dificuldade: heterogeneidade das formações que exige adaptar e preparar
materiais diversos.
Evitar: aulas excessivamente teóricas.
33
Download

Adaptação ao envelhecimento