U N IV E R SID A D E FE D E R A L DE SANTA CATARINA C EN TRO DE C O M U N I C A Ç Ã O E EXPRESSÃ O C U RSO DE P Ó S -G R A D U A Ç Ã O EM LETR AS E L IN G Ü ÍS T IC A ÁREA: AQ UISIÇÃO DA LÍNGUA MATERNA ESTUDO DE CASO: UMA CRIANÇA COM DESVIO NA FALA D issertação de Mestrado Elain e Cristina C. Pereira Cruz Elaine Cristina C. Pereira Cruz ESTUDO DE CASO: UMA CRIANÇA COM DESVIO NA FALA Diss ertação a p re se ntada à C o o r d e n a d o r i a de P ó s - G r a d u a ç ã o em Letras - L in g ü ística do Centro de Comunicação e E x p ressão da Universidade Fede ral de Santa Cata rin a, como p arte dos req u is ito s para obtenç ão do título de Mestre em Lingüística. Orientadora; Prof®. Dra. L eonor Scliar Cabr al F loria n ópolis, SC 2002 Elaine Cristina C. Pereira Cruz ESTUDO DE CASO: UMA CRIANÇA COM DESVIO NA FALA Dissertação apro v ad a em 21 de fevereiro de 2002 Prof®. Dra. Sheila Andreoli Balen Prof®. Dra. B árbara Baptist a Prof. Dr. Heronides M. de Melo Moura - Coordenador IV Ao meu com panheiro L e o n a r d o . . . ... dedico este trab a lho . AGRADECIMENTOS Às pe ssoas que contr ib uír am para o desen volvimento d este traba lh o , em especial a P ro f e ss o r a D r“ L eo n o r Scliar-Cabral, pe la flexibilidade e paciência. Aos p r o f e s s o r e s e fu ncionário s do curso de p ó s - g r a d u a ç ã o em lingü ística, que d ireta ou indiretam ente c o la b o rara m d uran te este p e río d o. Aos amigos do curso de p ó s - g r a d u a ç ã o , em especial a Otília L. de O. M. Heinig, p o r sua ajuda no s m om ento s difíceis e ao Sa ndro B raga p or ser tão solidário. À CAPES, pelo suporte financeiro. À irmã e amiga Elidiane, pelo apoio contínuo nesta caminhada. À família Cruz, que me recebeu em sua casa com muito a m o r e carinho, À amiga e Fo n o a u d ió lo g a Karla Jean Zimmermann, p o r ser um exemplo de profissional. À família e a criança, que foram fundamentais r ealiz ação do trabalho. À minha querida mãe, presente em t o d o s os momentos. p a ra a VI RESUMO A p res en te pesquisa foi realiz ada com o objetivo de d e s c r e v e r as e st r a t é g i a s e os pro cesso s fonoló gic o s a p re se n tad o s por uma c rian ça que foi bilíngüe, e que a p re senta desvio na fala. Os dados foram o b t id o s em I. ■' , \ dois m om e n to s, quando a criança e stav a com seis e ' c o m séte anos, I a tr av és da ap resen tação de três c artelas temáticas p r o p o sta s p o r Yavas, H e r n a n d o r e n a e Lamprecht (1991), r e c o r r e n d o aos p r o ce ss o s f o n o ló g ic o s J * p r o p o s t o s p o r Stampe (1969), como apoio teó rico, pois tem tido g rande influência nos estudos sobre a aquisição e desvios fo n oló gic o s em crianças. A análise dos dados perm itiu c o n sta ta r que as dificuldade s da criança se con centr am na classe das líquidas, com um número g ran d e de o c o rr ê n c ia s nos encontros c o n son an ta is em se tr atan do de líquida nãolateral, ou encontrados seja, são o flap. V erif ico u-se p r o ce ss o s que os p r oce sso s f o n o ló g ic o s co mum en te e ncontrados *em c rianças adquirindo o p o r t u g u ê s como língua materna, por ém em idade inferior. vu ABSTRACT This research aims at describing the p h on o lo g ic al str a te g ie s and p r o c e s s e s p resente d by a bilingual chiid with speech impairment. The data was obtained in tw o instances; when the child was six and th en seven y e ars old, by p resenting th ree theme flash cards p r o p o s e d by Yavas; H e rn an d o r e n a e Lam precht (1991), but using the p h o n o lo g ic a l p r o c e s s e s p r o p o se d by Sta mpe (1969), as a th eo r e tic al su pport, since it has had a great influence on the studies about acquisition and p h o n o l o g ic a l impairment in children. The data analysis has a llow ed the r e s e a r c h e r to conclude th at the c h il d ’s difficulties are' evident with liquids, w ith a large number o f o c cu rren c es o f consonant c lu s te r s as where a n on -latera l liquid occurs, that is, the flap. It was verified th at the p h o n o lo g ic al p r o c e ss e s found are p ro c e s s e s which are co mm only found in children acquiring p o r tu g u e s e as the m o th er tongue, but at an earlier age. QUADRO DOS SÍMBOLOS UTILIZADOS Bilabiais I/) u c eu O C O Plosivas Asais F r i c a t i v a s l at er ai s La te r ai s não f r ic a t i va s V i b ra n te s pb m n) R e t r of l e x as Aber tas Alveolop al at ai s P a l at ai s V e la r e s Uv u la re s c j k g qo 5 N n. wq eõ/sz/j u j Í3 ç ? ÇJ j ( q ) (00) / a nteriores iy e0 c e nt r ai s i« Eoe 3 B se (o) 0 R t (y«u) (oeo) Glotais R r fv Fa ri nga ls k l CA CS S e m i f e c h a d a s 60 O Semi-abertas > Pal atoalveoiares r Fl aps C o n t í n u a s sem f r ic ç ã o e semivogais F ec h ad a s Dentais e Alveolares td n 1 F r i c at i v as U Labiode nt ai s a XV (W ) Xií K h ? hfi p o st e r i o r e s U lU vo A3 QD Os autores citados na presente pesquisa não utilizam os símbolos do alfabeto fonético internacional (IPA) (SCLIARCABRAL,1982, p. 43). IX SUMARIO 1 I N T R O D U Ç Ã O .................................................................. .................................. 01 2 P R E S S U P O S T O S T E Ó R I C O S ..................................................................... 2.1 E n f o q u e f o n o l ó g i c o ........................................................................................ 2.2 Os p r o c e s s o s f o n o l ó g i c o s .................................. .......................................... 2.2.1 P r o c e s so s de e strutu ra silábica.................................. ............................. 2.2.2 P ro c e s so s de su b s ti t u i ç ã o .......................................................................... 2.3 P r o c e s s o s e n c o n t r a d o s na f o n o l o g ia com d e s v i o s ........................... 2.4 B i l i n g ü i s m o ....................................................................................................... 2.5 D esv ios fonológic os ....................................................................................... 05 05 09 10 13 15 17 21 3 M E T O D O L O G I A ........................................................................... .................... 3.1 I n t r o d u ç ã o aos p r o c e d i m e n t o s ................................................................. 3.2 O s u j e i t o d a p e s q u i s a - 7 anos e 3 m e s e s ........................................... 3.3 E n t r e v i s t a com a m ã e .................................................................................. 3.4 S i t u a ç ã o s ó c i o - e c o n ô m i c a ........................................................................... 3.5 A c o le ta de d a d o s ........................................................................................... 3.6 P r o c e d i m e n t o s da g r a v a ç ã o ....................................................................... 3.7 A l í n g u a u t i l i z a d a n a c o le ta de d a d o s .................................................. 3.8 T r a n s c r i ç ã o f o n é t i c a ..................................................................................... 23 23 23 24 30 31 31 32 33 4 A N Á L I S E DOS D A D O S .................................................................................. 4.1 D e s c r i ç ã o dos f o n e m a s / r/ e / r / no p o r t u g u ê s do B r a s i l .............. 4.2 A n á l i s e dos p ro c e ss o s fon o ló g ic o s a p r e s e n t a d o s p o r B ................ 4.3 P r o c e s s o s de e s t r u t u r a s i l á b i c a ............................................................... 4.3.1 Redução de encontro c o n s o n a n t a l : ........................................................ 4.3.2 Apagam ento da sílaba á t o n a ..................................................................... 4.3.3 Apagam ento da fricativa velar s u r d a ................................................... 4.3.4 Apagamento de líquida interv ocálic a - f l a p ........................................ 4.3.5 M e t á t e s e ........................................................................................................ 4.4 P r o c e s s o s de s u b s t i t u i ç ã o ........................................................................... 4.4.1 Substituição de l í q u i d a .............................................................................. 4.4.2 Semivocalização de líq u i d a ....................................................................... 4.5 A n á l i s e q u a l i t a t i v a ........................................................................................ 34 34 36 36 36 37 38 39 40 41 41 42 43 5 D I S C U S S Ã O DOS R E S U L T A D O S .............................................................. 47 6 P L A N E J A M E N T O TERAPÊUTIC O .......................................................... 6.1 P r o c e d im e n t o s b á s i c o s ................................................................................. 6.1.1 O p r o g r a m a t e r a p ê u t i c o ............................................................................ 6.1.2 Seleção de p adrõ es/fonem as a l v o s ........................................................ 6.1.3 S u g e stõ e s para atividades ........................................................................ 51 53 54 55 57 7 C O N C L U S Ã O ....................................................................................................... 59 8 RE FE R Ê N C IA S ................................................................................................... 62 9 A N E X O S ................................................................................................................. Anexo A - Coleta de dados do B ..................................................................... Anexo B - Transcrição f o n é t i c a ....................................................................... Anexo C - Cartelas T e m á t i c a s ......................................................................... Anexo D - Au torização dos p a i s ..................................................................... 65 66 79 82 86 1 INTRODUÇÃO O ato de falar é tão natural para os seres humanos que muitas vezes as pessoas só percebem o seu funcionamento quando oco rr em casos de privações ou deficiências e foi por apre se ntar desvio de fala que a família bilíngüe recém che gada a Itajaí p ro cu ro u ate ndimento médico e f o no au d io lóg ic o para seu filho, que será mencionado nesse estudo a tr av és da inicial do seu nome. Os motivos que fazem uma pessoa to r n a r - s e bilíngüe podem v ariar desde uma decisão pessoal de que rer aprender ou tra língua até o fato de perte nce r a uma família na qual são faladas regularm ente duas línguas. Foi devido à exposição a duas línguas, dur ante o p e ríod o de aquisição de linguagem, que B. aprendeu com mais demora a falar italiano e alemão. Neste período, de acordo com a mãe, falava de uma maneira confusa, m is tu rando as duas línguas e somente a família o compreendia. Outra forma de torn ar-se bilíngüe pode ser pela imigração. olOOO , B. chego u jun ta m en te com a sua família ao Brasil no início de 1998, aos q ua tr o anos de idade, não sabendo falar o port uguês . No entanto, B. que residia na Itália, na tu ra lizado alemão, pa ssou a ter c on ta to com um novo meio cultural ju n ta m en te com a sua família. Foi então que com eçou a fr e q ü e n t a r a escola e apre ndeu a falar o po rtuguês . No início, sua a d a p ta ç ã o foi difícil, pois, segundo o relato da mãe, não compreen dia o que lhe era dito em p o r tu g u ê s , mas, aos poucos foi se adaptando. Aos seis anos, quando estava cursando a pré-esc ola, a família perceb eu que B. não falava de acordo com as crianças da mesma faixa- etária. Na escola, recusa va-se a esc re ver e, quando o fazia, perm anecia pouco tem po na atividade. Pre o cu p a d o s previamente com os a sp ec to s n egativ o s que a exposição bilingüe poderia causar em seu desenvolvimento, a família procurou um médico o to r r in o la r in g o lo g is ta e, p osterio rm en te, uma fo noaudióloga. For am realizados apenas tr ê s ate ndim ento s f o n oaud ioló gic o s em se tem bro de 2 0 0 0 com o objetivo de avaliá-lo antes da realiz ação dessa pesquisa. P ô d e -se avaliar a au dição através da a u dio m etria e imitanc iometria, que são exames convencionais. P e squisou-se a audição , .pois, uma p erd a auditiva de grau leve poderia alterar a p e rc e p ç ã o fonológica. Mas de acordo com os r es u lta d o s obtidos, B. possui au dição normal. Em adendo, fon o au dioló gic a, através foram do exame d e sca rtad os médico problemas e da avaliação anatôm icos que co m pro m etessem o funciona mento do aparelho fonador. De a cord o com as in formações obtidas dos pais e da p ro fes so ra de Itajaí, compatíveis \ com os dados da pe squisadora , B. não apresentava, até esse primeiro m omento, nenhuma alteração a parente no seu desenvolvimento psicológico. Nã o foi consultado, no entanto, nenhum especialista dessa área, em bora fosse necessário, ainda, um exame neurológico. Contudo, a família decidiu inte rr om per o a tendim ento fon o au dio ló g ic o, em se tem bro de 2 0 0 Ò, por problemas não especificados naquele momento, ficando a hip óte se de que B. apresentava um quadro de desvio fonológic o evolutivo. As c arac terística s definidas dos desvios fo no lóg ic os evolu tivos excluem explicitamente a p resen ça identificável de q u a lq u e r p ato lo g ia org ânica que afete o sistema de p ro d uçã o da fala da criança (YAVAS, 1989, p. 58). Considerando, pois, que B. é capaz de pro du zir enunciados g ra m a tic alm e n te e str u tu r a d o s e a p r o p r ia d o s ao contexto e que com p re en de a linguagem, mas sua fala em p o r tu g u ê s é alterada, fica a hipótese de que a p re senta desvio fono lógico evolutivo. Sabe-se que, aos q uatro anos, o sistema fonológico está em gr an de parte adquirido pelas crianças com desenvolvimento normal. O interesse específico por esse caso surgiu, devido aos desvios fo no ló g ic o s apre sentados na língua p o r t u g u e s a p or essa criança, que foi bilíngüe (alemão e italiano) até os quatro anos de idade. Mas, atualmente B. não é bilíngüe. E stu d ar esse caso p o d e ria for n e c e r informações tanto para compr eender o p rocesso de e s t r u tu r a ç ã o do sistema fonológico como auxiliar no diagnóstico e na c o nduta tera p êu tica . P o rta nto , a p e sq u isa d o ra p rocurou a família e ex p re ssou seu interes se no caso, ocasião em que soube que os pais de B. estão div orciad os: o pai está morando em Balneário Camboriú e a mãe com seus dois filhos em Florianópolis. B. atualmente está com sete anos, est uda numa escola particular e cursa a primeira série do ensino regular. Além da a ltera çã o de fala, B. a pre senta dificuldade na aprendizagem e por su ge stã o da pro fesso ra dessa nova escola em Florianópolis, B. foi encaminhado a um ne urologista, que diag nostico u um quadro de h ip eratividade associado a um distúrbio de atenção. Com auto riza çã o dos pais, foi rea lizada a coleta de dado s em junho de 2 0 0 1 para a realização desse e stud o através da ap re sentação de três cartelas Hernandorena tem áticas (vide anexo e L am precht (1991), que C) propostas por Yavas, servem de instrum ento para avaliação, p ro p o rcio n a n d o amostra da fala de palavras isoladas e dé'"fala e sp o n tân e a (vide anexo A). 2 PRESSUPOSTOS TEORICOS 2.1 E n fo q u e fonológico Muitas têm sido as ten tativ as de prover r e s p o sta s às in d aga çõ e s sobre a aquisição de linguagem, mas pesquisadore s e t e ó r i c o s da área ainda se deparam com um universo repleto de questões. Sabe-se que as crianças já aprend eram a produzir a m aior ia dos sons e seqüências de sons da sua língua materna por vo lta dos q u a tr o anos. Segundo Lyons (1987, p. 71), o primeiro meio material da linguagem verbal são os sons p ro du zido s pelo aparelho f o n ad o r na medida em que esses desempenham um papel na linguagem. Falando em aquisição, é claro que o re pertório de sons a rtic u la d o s de um bebê tende a aum entar no d e correr do p e río d o de balbucio dependendo da m aturação fisiológica e do controle p r o g r es siv o do mecanismo vocal. Segundo Menyuk (1975, p. 98), o balbucio não só p are ce ser uma época no desenvolvim ento da linguagem para v o c a liz a r ou para p r o p o rc io n a r pra zer no p rocesso de comunicação, mas tem um p r o p ó s i t o lingüístico útil e necessário para um desenvolvimento u lte rio r. De acordo com Scliar-Cabral (1982, p. 24), desde o nascimento, a criança é inundada pela oralidade da palavra. É a tra v és de sua in co r p o ra çã o que vai a pre ndendo a dar forma ao pe nsa m ento . O código oral é utilizado, quando emissor, rec e p to r e mensagem e stão em uma cadeia ininterrupta de comunicação. O total feedhack, ou auto - regu lação to ta l, faz com que o emissor receba ao mesmo tem po que o recep tor, a mensagem que emite e esta é uma carac terística i m p o r ta n te para o ap ren dizad o e in co rpora ção do sistema. De acordo com Scliar-Cabral (1982, p. 25), a criança com eça a falar e, ao mesmo tempo, ouve o que emite, vai fazendo um c o n fr o n to entre o que quer dizer e o que realmente pronuncia, realizando a auto regulação. Esse princípio tem também aplicabilidade na a pre ndizagem de uma se gunda língua. A aquisição dos sons da fala de uma determinada língua' o corre de maneira gradual pelo domínio e execução dos esquemas fonoa rt icu la tó rio s. O desenvolvimento fonológico, por outro lado, implica a aquisição de um sistema relacionado à função dos traços fo nético s que fazem p arte da língua. Do p onto de vista da p ro dução, as crianças começam com um inventário ba stan te limitado de classes de sons da fala e poss ibilidades fonol ógicas, no entanto, aos dois anos, a pe rcepção está mais avançada que a p ro d u ç ã o e as crianças conseguem identificar diferenças en tr e as palavras. Segundo Lowe (1996, p. 33), no final desse período, p o r vo lta dos cinco anos, já existe um sistema fonológico quase completo, bem como a morfossintaxe, semântica e pragmática. O desenvolvimento da linguagem é um pro cesso realmente espan toso, sendo que a p o rçã o fonológica constitui um de seus asp ectos mais importantes. O ser humano é capaz de di ferenciar os sons da fala de uma língua Menyuk a p a rtir (1975, da p. pe rc epção 30), dos traços distintivos que, segundo são c ar acterísticas articulató rias e acústicas p res en te s no conjunto de sons falados de uma dada língua. Para Lowe (1996), os traços distintivos são c o n sid er a d o s as m enore s unidades indivisíveis que formam os fonemas. Segundo Stoel-Gam mon e Dunn (1985, p. 62), uma te o r ia sobre de senvolvimento fon ológico precisa explicar o universal e o particular, dar conta das diferenças entre aquisição fonética e f o n o ló g ic a e r elacion ar pro du ção e percepção, além de ser compatível com o u tr a s t eo rias de aprendiza gem e desenvolvimento cognitivo. Embora a te o r ia cognitivista não tenha cumprido t o d a s as exigências a ponta das por Stoel-Gam mon e Dunn (1985), é inegável a sua co n tr ib u iç ão, pois foi a pa rtir dela que se com eçou a visualizar a criança como um agente ativo e c riador de sua língua. Segundo cognitivista, o Yavas sistema (1989, da p. criança 214), é visto dentro de um a como a utô n o m o, visão não ne ce ssa ria m en te de pend e nte dos p adrõ es adultos que a criança tem como modelo e meta. A aquisição fonológica é, po rtan to , vista c om o uma atividad e do tipo “reso luçã o de pro b lem as” , da qual a criança pa rticip a ativam ente inventand o e, constantem ente , reavaliando suas p ró p rias reg ras e pa d rõ e s org anizacionais. De a cordo com Grunwell (1995) apud Yavas (1989, p. 64), ao a d o ta r basicam ente esse o do enfoque modelo de de senvolvimento cognitivo, também fonológico, nos isto será f ac ilitad a é, a c om p re ens ão dos problem as fonológicos de crianças com desvios de linguagem. Conforme a te o ria cognitivista, cada criança a p re se n ta d iferen te s maneiras de lidar com a aquisiç ão da fono logia de sua língua materna. As crianças desenvolvem diferentes e stra tégias e indiv idualm en te vai formando suas p ró prias regras tendo como variável influente o input a que está exposta e, como restrição maturac ional, o fato de a perc ep ç ã o lingüística não estar completamente de senvolvida no início da aquisição. Como a teoria cognitivista não consegue explicar, de maneira c o m p leta m e n te satisfatória, os ou tro s asp ectos importantes como o desen vo lv im en to p o ste r io r e a relação perc epç ã o e produção, não faz p r e d iç õ e s testá v eis em relação ao desenvolvimento fonológico. O ptou-se, no e nta n to , pelo modelo cognitivo por ele especificar a importância do papel ativo da criança no de senv olvimento fonológico, recorren do aos p r o c e s s o s fonológicos p r o p o s t o s p or Stampe (1969) Yavas (1989, p. 213) ao nível explicativo, pois têm tido gran de influência nos e stu d os sobre aquisição e os desvios fo nológic os, sendo um dos p ro cedim en to s de análise mais usad os na inves tigaç ão do desenvolvimento fonológic o em crianças. De acordo com Scliar-Cabral c o n tr o v é r s i a teórica na explicação verbal oral na criança, (2001), existe muita do desenvolvimento da linguagem mas a p e sq u isa d o ra considera o que há de consenso entre teorias, isto é, levar em consideração os fatores in atos de te r m in a d o s pela espécie, os fatore s maturacionais, que prop o rcio n am o e stabele cim en to dos circuitos envolvidos no process am ento da linguagem verbal e os fator es ambientais, uma vez que os program as inatos para o dese nvolvimento da linguagem verbal oral e sua maturação precisam ser ativados pela interação verbal. Segundo Yavas (1989, p. 232), o modelo de Stampe (1969) descreve que os seres humanos nascem com um sistema inato de p r o c e ss o s fonológic os naturais. Esses pr ocess os refletem as r e s triç õ e s natu ra is da capacidade humana para a fala e resultam em simplificações sist emáticas das formas adultas pela criança. P o r ta n to , p ro p ô s-s e descrev er a criatividade e as e st r a t é g i a s e m preg ad as pela criança desse estudo de caso, através de uma análise qualitativ a modelo dos p rocesso s teó rico que fonológ ic o s aprese ntados, melhor compatibilize os optand o p adrõ es por um gerais de desenvolvimento com as diferenças individuais de cada criança. 2.2 Os pr ocess os fonológicos Os p r o c e s s o s são n a t u r a i s e i na t o s . São n a t u r a i s p o r q u e d e r i v a m das n e c e s s i d a d e s e d i f i c u l d a d e s a r t i c u l a t ó r i a s e p e r c e p t u a i s do ser h u m a no ; r e s u l t a m e m a d a p t a ç õ e s dos p a d r õ e s da f a l a às r e s t r i ç õ e s da c a p a c i d a d e h u m a n a , t a n to em te r mo s de p r o d u ç ã o c o m o de p e r c e p ç ã o . São i n a t o s p o r q u e são l i m i t a ç õ e s c om as q u a i s a c r ia n ç a n a s c e e que e l a t e m que s upe ra r na m e d i d a e m que não f a ç a m parte do s i s t e m a da sua l í n g u a m a t er na . Por s e r e m i na t os ao ser h u m a n o , o s p r o c e s s o s f o n o l ó g i c o s são u n i v e r s a i s , i s to é, e n c o n t r a d o s e m t o d a s as crianças (Y A V A S , H ERNAND OR EN A e LAMPRECHT, 1991, p. 9 1) . Os p rocesso s fo no ló g ic o s são resultado de uma ten d ê n cia à simplificação, que é inerente à fala da criança; atuam com o objetivo de facilitar asp ectos que sejam complexos, difíceis em term os de p lanejam ento a rticulató rio ou motor. Os pro cessos fo no ló g ic o s permitem uma discussão facilitada, rápida e prá tica da fala a p re se n tad a pela criança, oferecendo também, tanto p a ra os p e sq uisa d o re s como para os te ra p eu tas de linguagem, um 10 instrum ento de análise e de avaliação. De acordo com Yavas et al. (1991, p. 93-98), os p r o c e s s o s mais comuns e n co ntrad o s no desenvolvimento normal do port uguês, bem como alguns p rocesso s obse rvados também em crianças com desvios são subdivididos em p r o ce ss o s de e s t r u tu r a silábica e pro cessos de substituição. 2.2.1 P r o c e s s o s de e s t ru tu r a silábica São a pre se n ta d o s oito p r o ce ss o s de e str u tu r a silábica de aco rd o com Yavas et al. (1991, p. 93-98). 1- R e dução de encontro consonantal: redução de um e n c o n t r o co nso n antal dentro da mesma sílaba pelo apa gamento de um dos membros, geralmente a l i q u i d a i C o n se rv a-s e a tr anscrição fon ética dos autores. Ex.; pl osiva + lateral placa -> [ p a k a ] bicicleta - ^ [ b i s i k e t a ] plosiva + não-late ral braç o -> [ b a s u ] três -> [ t e s ] fricativa + lateral flor —> [ f o r ] fricativa + nã o-late ral frente —> [ f è “ c i ] 2- Apagam ento de sílaba átona: apaga mento de sílaba nãoa centu ada, ta n t o pré, como pós-tônica, em palavras com mais de uma ‘ Uma flecha em qualquer regra nos informa que um segmento de som sofre mudança. A flecha é uma abreviação de ‘é realizado como’ ‘se reescreve como’ ou ‘se toma’. Mas o sentido exato depende do tipo de regra (ISTRE, 1983, p. 145). 11 sílaba (geralmente trissílabas ou polissílabas). Ex.: televisã o ^ [ t e l i z ã w ] , [tevizãw], [l i v i zã w] 3- Apagamento de fricativa final; a p agam ento de [ s ], no final de sílaba dentro da palavra ou no final da palavra, conforme os autores. Porém, discordam os: o que o c o rre é o apagamento do arquifonema | S | que, no p o rtu gu ês do Brasil, resulta da neutralização entre os fonemas / s /, / z /, / J" /, e / 3 /. Ex.: espelho ^ [ i p e Áu ] dois ->• [ d o y ] Não podem ser classificados aqui os apagamentos de / s / indicador de plural (como em “dois m enino” ) p orq ue são normais na fala coloquial. 4- Apagam ento de líquida final: apagamento de uma líquida lateral ou nã o-late ral - em final de sílaba dentro da palavra ou no final da palavra. Ex.: almoço ^ [ a m o s u ] martelo -> [ m a t e 1 u ] mar ^ [ m a ] Não podem ser classificados aqui os apagamentos de / r / em infinitivos verbais; devem ser considerados com cuidado os apagamento s de / r / em final de q u alq u er palavra, p o r q u e podem ser c aracterísticas da fala popu lar, por exemplo: 12 mulher ^ [ m u Xs ] Nova mente discordam os dos autores: tr a t a - s e do a p a g a m e n to do a rquifonem a jR|, que se realiza de várias formas, co n fo rm e a v a rie d ad e sociolingüística. Os a u to re s não anotam a distinção e n tre os fonemas / r / e / r / (flap), o mesmo oc o rre n do na tr an scrição fonética. 5- Apagamento de líquida intervocálica: apagamento de uma líquida -Iateral ou não-lateral, que oc orre entre duas vogais. Ex.; ara nha ^ [ a ã n a ] Conforme se observa, os auto res não regis tram as d ife renças fo n ética s entre as vogais. Ex: [ a ’ 9 fl B ] bolo -> [ b o u ] 6- Apagamento de liquida inicial: apagamento de uma líquida-Iateral ou não-late ral - em posição inicial de palavra. E x . : livro ^ [ i v u ] r o d a -> [ 0 d a ] 7- Metátese: r e o r d e n a ç ã o de sons dentro da mesma palavra. Ex.: a çú c a r —> [ a s u r l c a ] p r e g o s -» [ p e r g u s ] d r a g ã o -> [ d a g r ã w ] 13 8- Epêntese: inserção de uma vogal entre duas co nso an tes Ex.: brab o - > [ b a r a b u ] 2.2.2 P r o c e s s o s de substituição Aos p rocesso s de substitui çã o de a cordo com Yavas et al. (1991, p. 93 -98) são subdivididos em oito p r o ce ss o s de substituição. 1- D e sso n oriz aç ão de obstru inte: realização das plosivas, frica tivas ou africadas sonoras como surdas. A desso no rização pode, e v entualm ente, depen der do modo de a rticu lação , isto é, se a o b s t r u i n te é plosiva, fri cativa ou africada; do ponto de articulação, isto é, no caso das plosivas, se labial, dental ou v ela r e, no caso das fricativas , se labiodental, alveolar ou pala to -alveolar; ou da posição na palavra. E x . ; dedo -> [ t e t u ] zebra ^ [ s e p r a ] disco —> [ c i s k u ] 2- Ant erior iza ção: subs tituição de uma conso an te p o r o u t r a mais an te rio riza d a . A mais comum é a substituição pelas fricativas alveolares. Ex.; chapéu -> [ s a p e w ] r elógio -> [r e 1 0 z u] pica p au -> [ p i t a p a w ] 3- Substituição de líquida: lateral ou n ã o-late ra l - por o u tra líquida. substituição de uma líquida- 14 Ex.; cadeira ^ trator ^ [ k a d e 1a ] [ t a t o 1] carro -> [ k a 1 u ] 4- Se mivocalização de líquida: substitui ção de uma liquida lateral ou não-late ral - p or uma semivogal. Ex.: cabelo -> [ k a b e y u] c ac h orro -> [ k a s o w u ] florzinha -> [ f o y z i n a ] 5- Plosiv ização: substituição de uma fricativa ou uma africada por plosiva. Ex.: vaca -^ [ b a k a ] saia -> [ t a y a ] 6 - P o s terio riz aç ão : substituição de uma consoante por o u tra mais po ste rio riza da. A mais comum é a subs tituição das fricativas alveolares pelas palato -alveolares. Ex.: camisa -> [ k a m i z a ] passarinho ^ [ p a s a r i n u ] telhado ^ [ t e X a g u ] vermelho - > [ z e m e X u ] 7- Assimilação; subs tituição de um som total ou t raç o (parcial) p or influência de o u tro que se en con tra na mesma palavra. A 15 assimilação pode ser: regressiva ou prog ressi va, de a cordo com a posição relativa do som que exerce e daquele que sofre a assimilação; contígua ou nã o -c on tíg ua , dependendo da proximidade dos sons afe tados; a assimilação pode ser também classificada de acordo com o t raç o que exerce a influência: nasalização, so norização , palatiz ação, etc. labial - -> girafa [ Vi r a f a ] [ t 0 n e t a ] den ta l-a lv eo lar - corne ta palatal - sujeira velar- cobra [ k 0 k a ] Nasal - passarinho [ p a s a n i n u ] 8- ->• Sonori zação [ s u z e r a ] prevocálica; realização das fricativas ou africadas surdas como so n ora s antes de uma vogal. Ex.: confu são - ^ [ g õ ° v u z ã w ] tesoura - ^ [ j i z o r a ] 2.3 Processo s encontra dos na fon ol ogia com desvios Além dos processo s a n terio rm ente mencionados, as crianças com de svios fonológicos podem a p re se n ta r ou tro s processo s que não são e n c o n t r a d o s na aquisição da fonologia normal. Os exemplos t r a z id o s a seguir, foram obtidos de dados reais de crianças com desvios fono ló g ic o s evolu tivos em idade entre 4:9 e 9:2, segundo Yavas et al. (1991, p. 9698). 1- Nasa liz ação de líquida; substituição de líquidas por plos 16 nasais. Ex.: beira —> [ p e m a ] g a rr a f a -^ [ k a n a f a ] eles ^ [ e m i s ] verm elho ^ [ f e m e n u ] 2- Africação: substituição de uma fricativa p o r uma africada. Ex.; a ç ú c a r -^ [ a c u k a ] pracinha^ [ p a c i n a ] igreja-» [ i g e j a ] 3- Desa fricação : substituição de uma africada p or uma fricativa. E x . : tia-> [ s i a ] din h e ir o - » [ z i n e 1 u ] 4- Plosivização de líquida: subs tituiçã o de uma líquida lateral ou n ã o -late ral - por uma plosiva. Ex.; p a lh a ç u - » [ p a d a s u ] relógio-» [ R e g 0 z u ] arroz-» [ a g o s ] 5- Semivocalização de nasal; subs tituição de uma nasal p or uma semivogal. Ex.; c a m a - » [ k ã y a ] 17 anos-> [ ã y u ] aranhas [ ã y a ] Segundo Yavas (1989, p. 236), a maioria desses p r o c e s s o s oc o rr e , em c erta medida, em crianças com desenvolvimento normal. Um perfil do desenvolvimento normal do p ortu gu ês é m ostrado na tabela 1 . Tabela 1: Cron ologia dos pro cesso s fonológic os do desenvolvimento normal do português^ l;6 -2 ;0 Redução CC 2;0 - 2; 6 2 ;6 -3 ;0 3 ;0 -3 ;6 3 ;6 -4 ;0 4 ;0 -4 ;6 4;6 - 5;0 ....................................................................................................................................................................................................................................................................... - ....... ^ Apag. Sil. Atona Apag. Frio. Final ......................................... ........ ............ ► Apag. Liq. Final ........ ..................... ^ w ................................. ........................ ► Apag. Liq. Intervoc. Apag. Liq. Inicial ~ \ l _, Dessonor. /Obst. T \ ................................................................ ............................ ........... ............................................................. ..................................... ^ ................................. ...................................—....................... ..................................................................... ► Anteriorização w -w Subst. Liq. .................................. ....................................— ► Semivoc. Liq. w Plosivização w Assimilação ------------------ ► Sonoriz. Intervoc. W ' 2.4 B ilín güism o O bilingüismo hoje está relacionado com a globalização ^ A linha cheia indica as faixas durante as quais o processo opera na maioria das crianças. A linha pontilhada indica a idade mais elevada em que o processo ocorre. 18 cresc en te no mundo e muitas crianças são ed ucad as em um ambiente bilingüe. Se gundo Fietcher (1997, p. 185) estima-se que quase m etad e da população mundial é funcionalmente bilíngüe, e que a maioria d estes bilíngües tem as duas línguas como suas línguas maternas. O objetivo principal desta seção será dar um panoram a sobre o bilingüismo infantil, já que B. até os qua tro anos de idade, falava alemão e italiano. Em um caso como este, não se pode ig n o r a r tal circunst ân cia em uma criança que aprese nta desvio no padrão de fala. É difícil ente nder o fenômeno do bilingüismo, se co n sid erarm o s que existem pessoas que conhecem duas ou mais línguas e são bem sucedidas em suas funções, enquanto há pessoas que não consegue m ser bem sucedidas em nenhuma língua. Segundo Miller (1976, p. 229), o estudo dificuldades; do algumas bilingüismo está repleto são devidas às diferenças de complicações estrutura is e entre as línguas, ao modo como são organizadas e à escass ez de conhecim ento lingüístico.' Assim sendo, numerosas q uestõ es são levantadas, como: qual a melhor maneira de to r n a r - se bilíngüe, crianças devem ser expostas a uma a melhor idade em que as segunda língua, o efeito do bilingüismo sobre a inteligência, sua influência na fala e suas alterações. Ao definir o termo, Coimbra (1993, p. 41) afirma que bilíngüe significa qualq uer criança que utiliza funcionalmente, seja em qual for o grau, mais do que uma língua. Muitos pe squ isa d ore s têm se preoc up ad o com a influência do bilingüismo e como este po de influenciar o desenvolvimento cognitivo da criança. Até há pouco tem po houve preco n ceito em relação às crianças 19 bilíngües, principalmente por ter a p e u ta s da fala, mas, atualm ente, atribuem -s e vantagens e de sv antagens cognitivas e lingüísticas a essas crianças. F a to res psicossociais e o uso da língua, na família e na escola, condiciona m até que p onto e por quanto tempo a criança será bilíngüe. A necessidade da comunicação é o fato r mais d e te rm in a n te para que a c rian ça p erm aneça bilíngüe. De acordo com Lebrun e Paradis (1984, p. contribuem através lingü ística da conhecim ento da criança da c o nversação bilíngüe. criança sobre para De uma a fato, prod u ção a 11), os pais e principal determinada língua rea liz aç ão f o n te de são os enunciados dirigidos a ela pelas pessoas mais velhas. N o t a -s e que os adultos falam com as crianças de uma maneira diferente do modo como falam com os adultos. A criança recebe to d os os tipos de fala, quando são ou não direcionados a ela, incluindo a fala da televisão, do rádio e das c o n v er sa s entre adultos. São muitos os efeitos de fala so bre a criança, mas Elliot (1981, p. 147) alerta para os efeitos que a língua ambiental po d e ter no desenvolvimento da linguagem, pois esses efeitos ainda não são claros, e informa também, que é importante e stu d ar esse co n te x to comunicativo, para avaliar com exatidão o problema com que se depara a criança durante esse p ro cesso de aquisição. Segundo genérica, Titone (1983, p. 147-151), em uma definição atribuí à pessoa bilíngüe a capacidade de e x pre ssar-se em qualque r uma das duas línguas sem verdadeira dificuldade. O sujeito deve exp ressar-se, mantendo uma fiel aderência aos con ceitos, às 20 e s t r u tu r a s que são próprias àquela língua. pode ser conseqüê ncia d e saju sta m e nto diferença s tanto de dos lingüísticas; perturbações certas pais esses emocionais Um bilíngüe i n c o m p e te n te si tu aç õ es q uanto familiares, dos filhos d e saju sta m e n tos a pare ntem ente é ao que acrescid o podem ligadas em dar fato o de orig em a lin güístico. Nesse caso, porém, o bilingüismo não entra como causa, mas sim como fato r c o ncom itante . Segundo Fletc her (1997, p. 189), é o uso da língua, na rede social da criança, que deve ser levado em consideração p a ra se de te rm in a re m os pa drõ es de input, e não a configur ação de do m in ân cia na com u n id ad e na qual a família da criança p or acaso vive. Mas, até o momento, a relação entre a forma do input e os padrõ es de aquisição são incertos e pode haver uma ligação im po rtante entre eles. Os e s t u d o s de, crianças bilíngües devem descrever claram en te o ambiente lingüístico em que essas crianças se tornam bilíngües, fo rnecendo, assim, uma e stimativa consist en te do grau de separação das línguas no input. Já que o ambiente lingüístico da criança bilíngüe é p oten c ia lm e n te variável, e que o input em uma das duas línguas da criança po de subitamente cessar por p erío d os prolongados de tem po, é inevitável que muitas crianças pequenas sofram algum tipo de p e rd a ou d esgaste numa das línguas. De sociabilização e stratég ias de acordo da com Fletcher criança discurso bilíngüe dos pais (1997, é de podem p. 204), o p rocesso importância estimular ou central e de as deses tim ular d ete rm inadas escolhas que partem da criança em relação à língua. Boso 21 (1991, p. 154) indica que o uso da língua dentro da família é um fator decisivo para a c o nservação dessa língua. Segundo Lyons (1987, p. 258), existe algo em comum na maioria das comunidades bilíngües; às veze s há uma diferenciação funcional referente aos domínios de cada uma. Po r exemplo, um desses domínios pode ser o lar, no sentido de que nele uma língua seria sempre usada informalmente com os membros da família e a ou tra língua pode ria ser usa da fora do lar ou com pessoas estranhas. Os p r o b l e m a s são p a r t i c u l a r m e n t e g r a v e s em se t r a t a n d o de f i l h o s de i m i g r a n t e s que d i v i d e m en tr e duas c u l t u r a s a a q u i s i ç ã o b i l i n g ü e , m as e s t a a q u i s i ç ã o p o d e o co r r e r de uma m a n e i r a i m p e r f e i t a em d o i s d i a l e t o s - n ã o padrão. E x i s t e m , é c l a r o , t a n to v a n t a g e n s q ua n t o d e s v a n t a g e n s no b i l i n g ü i s m o e na d u p l a cul tura, c o n t a n t o que não i n t e r f i r a m no p r o g r e s s o e d u c a c i o n a l e s o c i a l da c r i a n ç a ( L Y O N S , 1 9 8 7 , p. 2 4 6 ) . As crianças são dependentes da interação lingüística e, com muita rapidez, sofrem o process o de p erd a da língua caso deixem de ser e xp o stas a ela. Um o u tro termo utilizado para a perda de uma língua é o bilingüismo subtrativo, que explica a perda ou subtração da língua materna e sua g rad a tiv a substituição pela se gunda língua. Para que isso não ocorra, o bilingüismo deve ser vivenciado pela criança atr av és da atitude dos pais, que deve ser positiva. 2.5 Desv ios fonológícos Parte da ta re fa em adquirir uma língua envolve apre n d er quais sons da fala são usa dos e como esses sons são organizados nessa mesma língua. Pa ra a maioria, essa é uma tarefa muito simples, pois, até a idade pré-esc olar, as crianças já produzem de forma precisa os sons da 22 língua. No entanto, para algumas crianças, adquirir o sistema de sons da fala da sua pró pria língua pode c on stitu ir um grande obstáculo. Há subgrupos di stin tos de crianças que a p re se n tam dificuld ades com os sons da fala. Crianças com anorm alidades como p e rd a em auditiva, fissura palatina, deficiência mental fo rnecem evidências sobre a natureza de d ete rm in ad o s desvios. Outro su bg rup o inclui crianças que aprese ntam problem as de pronúncia que não são d e c o r r e n t e s de qualquer inca pacidade física. Segundo Yavas (1989, p, 54), os problemas de fala dessas crianças podem ser classificados como distú rb io de aprendizagem fonológica. São crianças que pa re cem p o ten c ia lm e n te capazes de pr o d u z ir enunciados; en tr eta n to , sua fala é ininteligível. A preo cu p ação que surge p or parte dos pe squisadore s é a de que muitas di ficuld ades crianças também com em deficiência outras áre as fo nológica da podem linguagem, a p re s e n t a r como sintaxe, sem ântic a e pragmática, por estarem correlaciona das. Segundo Fle tc h er (1997, p. 468), em alguns casos, a deficiência fonológica impede o de senvolvim ento nestas outras áreas, ocasionando um distúrbio geral da linguagem. Segundo Yavas et al. (19 91, p. 51), a criança com desvio fon o ló g ic o evolutivo, embora sem problema orgânico dete ctável, c â r a c t e r i z a - s e por aprese ntar um sistema fonológico diferente da norma, podendo também aprese ntar um inventário relação ao padrão da sua comunidade lingüística. fonético incompleto em 3 METODOLOGIA 3.1 In tro d uçã o aos pr oc ed im entos O p to u - se fon o au d io lo g ia pelo estudo e a lingüística, de caso visando pensand o em i n te g r a r a a c o ntrib u ir para ava lia ção, diagnóstico e tratam e n to , não de sco n sid erand o o fato mais im p o rtan te que é o de p ro p o r c i o n a r condiç ões com unicativ as à criança com altera çõ e s de fala. O term o estudo de caso vem de uma trad içã o de pesqu isa médica e psicoló gica, na qual se refe re a uma análise detalhada de um caso individual que explica a dinâmica e a pa to lo g ia de uma d o e n ç a dada. A d ap tado da trad içã o médica, o estudo de caso to rn o u -se uma das mod alidad es de pesquisa qualitativa. O est udo de caso c on sidera a unidade social como um tod o , seja um indivíduo, uma família, ou uma comunidade, com o objetivo de com p reend ê-lo em seus pró prios t e r m o s (G O L D E N B E R G , 1999, p. 33). 3.2 O su jeito da pesq uisa - 7 anos e 3 meses B. é comunicativo e e sp erto ; mesmo t end o consciência de que a p re se n ta a ltera ção de fala, não deixa de relacionar-se com as pessoas, mas, quando se sente testa d o, rec u sa -se a realizar as atividades. D u ra n te a c ole ta de dados para esse estudo, B. inte rrom peu Várias vezes a g ravação, mas a in te raç ão com a p e sq u isa d o ra permitiu a continuidade da coleta de dados. Além de a pre se n tar a ltera çõ e s na fala, B. a p re se n ta também dificuldade na aprendizagem; não está alfabetizado e, de a c o r d o 24 com a profes sora , pr ovavelmente não estará apto a in gres sar na se gunda série. B. está freq üentando aulas de reforço com o objetivo de alfa betizálo antes do término do ano."A principal queixa da professora é a de que B. não tem “a te n ç ã o ” , ap resen tand o dificuldades principalmente no p o rtu g u ês , enquanto que em matemática acom panha o ap rend izad o da turma. E stes dados foram obtidos recentemente no segundo c o n ta to feito com a mãe, pois B. estava afastado da pesqu isad ora desd^^ZOOO. Em relação ao estado emocional, B. está pe rtu rb a d o com a separação dos pais, não ace ita estar morando em' Florianópolis e, em seu disc ur so, o pai sempre a p arece em um papel de destaque. 3.3 En tr evis ta com a mãe Aos dezoito anos a mãe brasileira, foi morar em M unique p a ra faz er Faculdade de Arqu eologia; não terminou o curso e i ng resso u no curso de tradução. Em 1991, casou com um alemão e em 1992 ambos foram m orar na Itália devido à transferência do serviço de seu marido. P a r o u de estudar e, em 23 de março de 1994, nasceu B., na cidade de Milão. No período inicial em que moraram na Itália, só falavam alemão: no princípio, o marido não falava italiano e nem o p o r tu g u ê s , pois prestav a serviço para uma rede de res tau ran te s alemã, mas logo ap re ndeu o italiano. Quando a avó materna de B. passava t em p o rad a de férias com eles, (entre dois ou três meses), falava também, um p o u c o de italiano, pois é d e scen d en te de italiano e assim poderia co nv ersar com seu genro que já p raticava o italiano. Neste período, B. não tinha babá. 25 mas pa ssou a ficar a maior parte do tempo na casa de uma senh ora que morava no mesmo prédio, que falava italiano. Segundo a mãe, suas primeiras palavras foram ditas em italiano, mas demorou a falar: foi apenas aos dois anos que isso a conteceu e suas palavras passaram a ser mistura de alemão e italiano e somente os pais o compreendiam. Aos dois anos e meio, começou a freqüentar o jardim de infância. R e tir a n d o o fato de m istu ra r as línguas, a mãe não tinha obse rvado problema algum, pois B. falava muito. Com o nascimento da irmã, a família o p to u por buscar uma babá brasileira que não falava italiano, mas aprendeu muito rápido. Em 1998, a família se mudou para o Brasil quando B. est av a com quatro anos. Até então, segundo a mãe, não havia tido contato f req ü e n te com o p o r tu g u ê s , pois a babá e a pró pria mãe não falavam em p o r tu g u ê s . Quando B. começou a estudar em Itajaí, a mãe percebeu a dificuldade do filho em se relacionar com outras crianças, pois não falava p o r t u g u ê s , mas, em aproxim adam ente quatro meses, ele já havia aprendido e p assou a re c u sa r o alemão em casa. Devido a isso, a mãe passou a falar p o rtu gu ês, mas, quando seu marido chégava, reto rn a v a ao alemão, pois, ele não falava português . Para as crianças a mãe dava ordens simples em alemão equivalent es a “vai d o rm ir” , “hora de c o m e r ” etc. Po s te r io r m e n te foi p e rde nd o o alemão até para as ordens mais simples, porque o marido já tinha começado a falar portug u ês, muito mal, segundo ela, “ pois até hoje ele não conjuga os verbo s e tem uma fala h orrível” . A mãe inf or mou que pe rc ebe u a língua se perdendo, mas, mesmo q u e r e n d o ‘ pres ervá-la, não c o nseg u ia conte r este efeito sociolingüístico, pois eram escola, os amigos e os pare ntes que falavam português . Hoje, não são mais falados 26 nem o alemão nem o italiano em sua casa. Às vezes os filhos pedem para ela c o n ta r alguma história em alemão, mas em seguida tem que t r a d u z ir to da a história notan do que eles não compreende ram. A mãe estav a morando com as crianças em Florianópolis há seis meses, pois os pais estavam separados há dez meses, por ocasião da segunda coleta. As crianças passam, espor adicam ente, os fínais de semana com o pai. A mãe relata que teve uma boa ge stação, sem problem as na hora do p a rt o e que B. nunca teve graves problemas de saúde. Mas, quando se mudaram para o Brasil, e B. começou a falar o p o r t u g u ê s e f r eq ü e n tar a escola (p ré-e sc ola ), ela observou que seu filho tinha um vo cabulário restrito em relação a sua filha, com tro cas na fala, ap re se ntan d o dificuldade escolar, entre elas: recusa va-se a rea liz ar as tare fa s esc ritas e pe rmanecia pouco tem po nas atividades, além de ter muita dificuldade pa ra g u a rd a r nomes. Foi por esses motivos que a mãe procurou um o to rrin olarin g olo gis ta , que solicitou audio m etri a para verificar se a criança ouvia bem. Os resulta do s obtidos e n c o n tr a m - se dentro dos p a drõ es de normalidade, então, o médico encaminhou o menor para a tendim ento fonoaudiol ógico. A criança foi avaliada e obse rvaramse apenas tr a t a m e n to desvios devido fono lógicos evolutivos, a prob lemas familiares e, mas não se iniciou o em seguida, o c o rr e u a mudança para Florianópolis. A pesqu isado ra retorn o u o conta to com a família e, em uma nova entrevista , a mãe de B. relatou que o que lhe chama mais a atenção são as t r o c a s na fala e a maneira como fala, pois, segundo ela, pa rece uma criança de três anos, embora, já tenha sete. A escola está em 27 se gundo lugar, não está alfabetizado e a pro fesso ra já informou que se não a p re n d er a ler haverá reprov ação. E stá fazendo aula de r efo rç o , é muito bom em matemática, segundo a prof es sora, até mesmo p o r q u e é uma m atéria que lhe agra da muito, mas é o o p osto em p o rtu g u ês . A p r o f e s s o r a informou que é muito esp erto , c o n versa d or e e spontâneo, mas que tem dificuldade em se con ce n tr a r e diz estar sempre can sad o ao rea liz ar as atividades. Po r procurar um sugestão médico da escola ne uro lo g ista de Florianópolis, que a mãe di agnosticou um decidiu q u a d ro de hip eratividade associado a um distúrbio de atenção e, há dois meses, B. está sendo medicado com Ritalina e, conforme o relato da mãe, tem m elhora do o seu com p o rtam e n to e também a sua concentração. N e ss e momento, a pesq uisad ora quest io nou se havia antecedentes familiares com a mesma queixa e foi então que informou que seu irmão era uma criança hiperativa (tio de B.) e que ela própria a p re senta dislexia. E ste s fatos foram omitidos na primeira en tre vista em 2 0 0 0 : a pe sq u isa do ra não sabia da existência c o m p re en d e r o dessa motivo de p red isp osição tanta genética, preocupação na mas p a sso u -s e família. a N a qu ele m om ento, B. apre se ntava leves sintomas que se acred itav a que seriam suprimidos, por se ig norarem os dados familiares. A Ritalina (2 0 0 1 ) - é indicada hipera tividade (TDAH). Clo rid rato para o de metilfenidato segundo o DEF tr a n s to r n o do déficit de ate nção O TDAH era anteriormente conhecido e como d istúrb io de déficit de atenção. O utros term os utilizados para d e scre v er essa sindrome com portam enta l incluíam: distúrbio hipercinético, lesão 28 cerebral mínima, disfunção cerebral menor e síndrome psicorgânica de crianças. A Ritalina é indicada como parte de um p ro gram a de tr a ta m e n to amplo sociais, que tipicam ente direcionadas c om p ortam e n ta l inclui a medidas crianças c arac teriza d a por psicológicas, estáveis com distrabilidade educa cionais uma m oderada e síndrome a grave, déficit de atenção, hiperatividade, labilidade emocional e impulsividade. O a pre ndizado pode ou não estar prejudicado. A etiologia específica dessa síndrome é d e sconhecida e não há teste di agnóstico específico. O diagnóstico c o rreto req ue r uma investigação médica, n e u ro psicológic a, educacional e social. O TDAH pode estender-s e até a fase adulta e, assim, o tratam e nto com Ritalina pode ser benéfico a esses pacientes. O diagnóstico deve ser feito de acordo com o critério DS MIV ou com normas na CID - 1 0 . De acordo com DS M - IV (1995, p. 7781), a carac terística essencial do TDAH é a existência de um padrão p e rsisten te de d e sate n çã o , ou hiperatividade. Alguns sintomas hip erativo-impulsi vos que causam prejuízo devem ter estado presente s antes dos 7 anos, mas muitos indivíduos são d iag n osticad os depois, após a p resen ça dos sintomas p or alguns anos. Algum prejuízo devido aos sintomas deve estar p resen te em pelo menos dois c o nte x to s (em casa, escola ou trabalho). A desatenção pode manifestar-se em situaç ões escolares, profissionais ou sociais. Os indivíduos com freqüência têm dificuldade para di recio nar a atençã o a tarefas ou atividades lúdicas e consideram difícil persistir em ta re fas até o seu término. Fre q üente m e n te dão a impressão de estarem com a mente em outro local ou de não escutarem o 29 que recém foi dito. Pode haver freq ü e n tes mudanças de uma tarefa inacab ada para outra. Esses indivíduos com freqüência têm dificuldades para o rg an iz ar tarefas e atividades. As tare fas que exigem esfor ço mental constante são vivenciadas como desa gradáveis e a ce n tu a d am e n te aversivas. Os indivíduos com este tr a n s to r n o são facilmente distraíd o s por estím ulos irrelevantes e habitualmente inte rrom pe m tar e f a s em a n dam ento para dar atenção a ruídos ou eventos triviais que em geral são facilm ente ignorad os por outros. Fre q ü en te m e n te se esquecem de coisas nas atividades diárias. A hi peratividade pode m anifes tar-se por in quie tação ou rem e x er-se na cadeira, por não p erm anecer sentado quando deveria, por c o r r e r ou subir excessivamente em coisas quando isto é in apropriado, por dificuldade em brincar ou ficar em silêncio em atividades de lazer. A h ip era tiv id ad e pode variar de acordo com a idade. A impulsividade manifes ta-se como impaciência, dificuldade para p r o t e l a r respostas , respostas p recipitad as antes de as p e rg u n ta s terem sido co mpletadas e dificuldade em se expressar adequa dam ente. Nenhum teste labor atorial foi estabelecido como diagnóstico na avalia çã o clínica do TDHA. O TDHA oc orre em várias culturas e é difícil e stab ele cer um d iagn ó s tico em crianças com menos de quatro ou cinco anos, pois é difícil o b se rv ar escolares, sintomas porq u e a ten ção prolongada. as de d e saten ção crianças jo v e n s em bebês sofrem e crianças poucas exigências préde 30 O t r a n s to r n o é muito mais freqüente no sexo masculino, sendo de 4:1 a 9:1 dependendo do co n te x to . Quanto à prevalência do TDHA, est im a-se em to r n o de 3-5% entre as crianças em idade escolar. Existem p o u c o s dados sobre a prevalênc ia na adolescência e na idade adulta. Geralm en te o t ran s to rn o é d iagnosticado pela primeira vez du rante as primeiras séries, quando o ajustamento e sco la r é co m prom etido. D u r a n te a coleta de da dos em 2001, B. apre se n tav a um co m p o r t a m e n to diferenciado ao de 2 0 0 0 ; est av a extremamente agitado, queria term in a r rapida mente a tarefa, re lata va muito cansaço e, a t o do instante, queria desligar o g rav a d o r para ouvir o que já havia falado. Foram 34 min utos de g ravação e mais uma ho ra de con tato, enquanto sua mãe não c hegava da reunião escolar. Ness e período, observou-se que B, não fica muito tem po em qualque r atividade, necessitava estar sempre em movimento, ligou a televisão no volume mais alto, andou de patins, co rre u pelo a p artam ento, subiu na mesa e no sofá, mostrou o álbum de fo to g rafia da sua família e ambos (p es q u isad o ra e a criança) tom aram café da t a r d e j u n t o s por suge stão de B. 3.4 Situ a çã o só c io -ec o n ô m ica Existem dois momentos presenciado s pela pesquisad ora: O primeiro em três c o n ta to s tidos em 2 0 0 0 , quando a família residia em Itajaí e d e sfru ta v a de uma ótima situaç ão financeira; e o segundo momento, ap ós o divórcio, a mãe morando com seus dois filhos em 31 Florianóp olis. Atualmente, vive de pensão, e a mudança foi significativa, mas ambas crianças estudam em escola pa rticu la r e são assistidas por plano de saúde. 3.5 A coleta de dados A gravação da amostra de fala da criança para esse estudo, foi obtida no segundo c on ta to em 2001 quando B. estava com sete anos, através da apre sentação de três cartelas temáticas p ro po sta s p or Yavas, H e r n an d o r e n a e Lam precht (1991), que estimulam palavras que p e rtencem ao vocabulário da criança a partir dos três anos, t es ta m os sons e são de fácil elicitação; ao mesmo tempo oportuniz am a estimulação de mais dados na forma de n arraçõ es e descrições. Os tem as dos dese nhos utilizados foram: sala, z oo ló g ico e veículos. Devido ao quadro de distúrbio de atenção e hiperatividade não utilizou-se os temas; banheiro e cozinha, (vide anexo C). D e sc artara m -s e as palavras em que poderia o c o rr e r a imitação do adulto, pois enviesaria a fala da criança. A coleta de dados ocorreu com auxílio lúdico, pois a criança coloria os objetos das cartelas e nomeava os objetos. P ô de -se o bter mais ate nção da criança p ro p orcio na n do , também, c o ndiç ões de fala espontânea. 3.6 P ro ced im ento da gravação A gravaçã o foi realiz ada com o grav a d o r portátil Panasonic e fita CX de 60 minutos. O fato de o g r a v a d o r ser p ortátil constituiu-se em uma g rande vantagem para a pe squisadora , pois houve momentos em que 32 B se d e slo ca va de uma peça para o u tra da casa e pôde-Xe' aco m panhá-lo sem problemas. A gravação foi realizada na pr ópri a casa do informante com o objetivo> de propiciar um ambiente mais familiar e natural. A c ole ta o c o rr e u na sala, mas utilizou-se também, o seu qu arto e a cozinha. For am 34 minutos de gravação, mas a pe sq u isa d ora perm aneceu mais tem po com B. para observar seu co m p ortam en to . A p e sq u isa d o ra conhecia a criança do primeiro conta to em se tembro de 2 0 0 0 , e já havia inte ra gido com ela. No momentp da gravação estavam sozinhos, sem a, p res en ç a da mãe. A empregada que trab alh a em sua casa estava o c u p a d a com seus afazeres. O fato de haver um grav a d or no recinto fazia com que B. se sentisse desconfiado ou testa do. Muitas vezes, inte rro m peu a grava çã o p ara ouvir o que já havia falado. Ao deparar-se com os desenhos, B. m an ifes to u i m ed iatam ente a reação em colorir as cartelas, mas devido à orientaç ão e inte raç ão com a pe sq uisa dora, pa ssou a falar o que via nas figuras e a fazer c o m e n tá rio s em relação às gravuras e as suas atividades. O bservou-se que sua fala é centralizada no pai, por isso a p e s q u i s a d o ra decidiu conversa r “e sp ec ulan d o” sobre seu pai, j á que era e vidente a sua importância naquele momento. 3.7 A l ín g u a utilizada na coleta de dados T o d os os p rocedim entos realizados na respectiva pesq uisa foram feitos em portug u ês, pois B. não fala mais ou compreende a língua alemã e a italiana (segundo o relato da mãe), confirmando a o b se rv aç ão de Elliot (1981, p. 170), de que o bilingüismo aprese nta um traço muito significativo que é a sua “ fragilidade” . Se a criança for a fa stada do ambiente bilingüe, logo p oderá perder a língua com a qual não tiv er mais contato. 3.8 Transc rição fonética A transcrição fo nética foi rea lizad a a pa rtir dos dados I g rava d os com o auxílio também, das a n ota çõ es da observadora. Realiz ouse tr a n s c r iç ã o fonética do tipo ampla. Segundo Lyons (1997, p. 74), a diferença entre a tran scriçã o a p re se nta menos detalhes ampla e a r es trita que a segunda. é que a primeira P o r ta n to , uma tr a n s c r iç ã o somente por ampla não é necessariamente fonêmica. A transcrição foi analisada um único o bservador. Para assegu rar a objetividade, as gravações foram ouvidas inúmeras vezes e em dias diferentes, sendo desc artadas amostras sobre as quais não se pôde t e r abso luta certeza dos dados por eles apre sentarem total disparidade com a ampla maioria das ocorrências. De qualq uer forma, foram realizados t o d o s os esforços para obter objetividade. É im po rtante res sa ltar que o registro e a análise dos resultados é do j u lg a m ento exclusivo da pesquisadora. As tr an scriçõ es foram revisadas \p e 1a r i e n t a d~or a d e s s a\p e s q u i s a^ 4 ANALISE DOS DADOS A comunicação oral o c o rr e através da p r o d u çã o so n o r a realiz ada pelo aparelho fo nador que é capaz de prod u zir vários sons, mas apenas alguns deles são utilizados por cada língua. Scliar-Cabral (1982, p. 42 -44 ) relata que a fonética é uma ciência que estuda os sons da fala ou fones. O que interessa são os d ados que possam permitir a classificação e desc rição dos sons com prec isã o aos fins lingüísticos. P o rt a n to , para dete rm inar se a fala de uma criança está ou não dentro dos p r o d u t o s de normalidade, deve-se verificar a sua c apa cid ad e fonética, ou seja, a capacidade de produzir os sons da fala. Quanto ao inveiítário fon ético de B., este apresenta, em sua fala, t o d o s os fones da variedade sociolingüíst ica que está adquirindo com exceção da líquida nã o-late ral v ibrante simples [ f ], ou seja, o flap, em t o d a s as posições. 4.1 D e sc riçã o dos fonemas / No R / e / r / n o portugu ês do Brasil Brasil existe a variante dialetal, que no caso de / r /, no po rtu g u ês , apre se nta uma gama muito rica, dependente da reg ião do emissor, cam ada social, idade, sexo, pr ofissão e etc. As líquidas nã o -la te rais vibrantes resultam da passagem do ar impedida apenas num pequeno ponto, no qual parte da língua se d e sprend e oc asi onando várias ba tidas múltiplas ou apenas uma batida da língua. Quand o ocorre apenas uma batida da língua, resulta em flap. Segundo Scliar-Cabral (1982, p. 67), nas vibrantes, a articulação res ulta de uma ou mais batidas da língua (ápice ou do rso, contra alvéolos ou véu do paladar). Só o flap o c o rr e depois de / p, b, t, d, k, g, f, V /. Segundo Maia (1991, p. 55), a distinção entre as vibrantes múltiplas e vibrantes simples (também chamadas de flap) d e v e-se à o b str u ç ã o do ar. Na vibrante múltipla, fo nologic am ente re p r e se n ta d a por / R / de “ c a r r o ” , a o b str u ç ão do ar é intermiten te, enquanto que no / r / de “ c a r o ” , a vibr ação é momentânea e o c o rr e só uma vez em q u a lq u e r dialeto do por tuguês. Um fa to r que não pode deixar de ser mencionado diz resp eito à va riação na realiz ação do fonema / r /, mesmo que o falante não p erc eba a sua diferença d u rante a produção. Scliar-Cabral (1982, p. 69) rela ta que as variantes de / R /, no p o rtug u ês, a p re sentam uma gama ba stan te rica [ r ] , [ x ] , [ h ] e que essas variante s funcionam como sintomas da condição do emissor, devido à variedade sociolingüistic a, mas atribui-se a mesma significação à emissão do enunciado indep enden te da v ariante utilizada. Segundo Scliar-Cabral (2001), quando o fonema / r /e s tiv e r em posição intervocá lica, iniciando sílaba, ou em segundo lu gar no en co ntro consonantal, na mesma sílaba, é conhecido como tepe ápicoalveolar (flap alveolar) [ f ]. Exs.; “c a r o ” e “p r a t o ” 36 4.2 A n á lise dos processos fonológicos aprese nta dos por B. De aco rdo com Lamprecht (1986, p. 14), entre as diferentes unidades para análise fonológica - sons isolados, t r a ç o s distintivos e p r o c e ss o s fonológicos, a mais usada atualm ente é a análise em te r m o s de p r o c e s s o s fonológicos: é um procedimento útil e apro p riado , pois auxilia a com pa raç ão com os p roce ss os de fala normal. Os p r o ce ssos visam diminuir as dificuldades a rticulató ri as das crianças e pres erva m as c aracterísticas perceptuais da fala para que a inteligibilidade não seja muito prejudicada. Pa ssarem os a comenta r tais processos em B. 4.3 P roces sos de estru tura silábica 4.3.1 R edução de e ncontro consonantal B. reduz o e ncontro consonantal pelo apagamento de liquida como po de ser visto nas seguintes emissões: Flo rian ó po lis - > [ f o j a ‘n o p o l i s ] Procura ^ [ p o ‘k u j b ] Em estu d os sobre a oc orrência dos pro ce ss o s em crianças com desenvolvimento normal, a redução de encontro consonantal ocorre em idade mais baixa de 3,6 a 4,0. Segundo Yavas (1989, p. 236), a red uç ão de encontro conso nan tal é um processo tardio que oc o rre no desenv olvim ento normal da criança. 37 Por ém , B. realiza o e n con tro con so nantal na seguinte emissão, usando a vibrante uvular ao invés do flap: - B r in q u e d o s [b r ã ‘k e d u s] Usa a vibrante uvular como e s t r a t é g i a c o m p e n sa tó r ia na emissão em “b r i n q u e d o s” , o que sugere também a hipó te se de influência da língu a alemã na pro núncia do po rtu gu ês. O utras palavr as foram realiz adas usa ndo a e stratég ia da vi bran te uvular ao invés do flap, vide anexo B. A dificuldade c o nstituída pelos e n co n tro s co nso n an ta is está no âmbito do planejamento, pois exige esquem as f o n o a r tic u la tó r io s mais co m plex o s para que haja a p r o d u çã o de duas c o nso an te s co nsec u tiv a s na mesma sílaba. Além disso, na língua p o rtu g uesa, há sempre uma líquida em sua c o m p osiç ão; como as líquidas são sons de aquisição mais ta r d ia e a líquida não-la te ral vibrante (flap) e stá ausente no inventário fo nético de B., co n stitu i um obstá culo adicional: geralmente o flap é apagado em sua fala. P a ra B., os encontros con son an tais com o flap estão em fase de aqu isiç ão, dem o n str an d o preferência pela e s tr u tu r a da sílaba CV. Segundo Coimbra (1993, p. 106), a redução do e n co ntro c o n so n a n ta l o p e r a na fala das crianças com o objetivo de reduzir as sílabas ao p a d rã o mais universal e básico, que é o pa drão CV. 4.3.2 A p a g am e n to de sílaba átona Pode-se observar a p res en ç a de imaturida de fon o ló g ic a 38 principalm en te quando B. necessita falar vocábulos extensos como nas palavras tris silabas ou polissílabas, que podem ser verificadas nas seguintes emissões: Florianópolis ^ [ f o j a ‘n o p i s ] Milionário —> [ m i o ‘n a j u ] P o r ta n to , aprese nta apa gamento de sílaba átona, tanto pré como pó s-tônica. E um process o fo nológico que visa à simplificação de uma e s t r u tu r a fon o tátic a que, no momento, é complexa demais p a ra a criança. Po d e o c o rr e r o apagamento em um número maior de sílabas, mas o que é mais e ncontrado é o apagamento de apenas uma sílaba. 0 apagamento de sílaba é uma e stratégia utilizada pelas crianças na fase bem inicial da aquisição. Segundo Yavas (1989), a idade estimada para a su peração do p roce ss o é por volta dos 2 ; 6 . 4.3.3 A pagam ento da fricativa velar surda Em relação á fricativa velar surda, que é como B. realiza o fonema / r /, não há sistematicidade, ora o realiza, ora não. B. ap re se n ta o a p agam ento da fricativa velar surda em final de sílaba dentro da palavra nas seguintes emissões, redunda ndo na sílaba CV. Observe que em [ ‘g a d B ] também suprimiu a semivogal [ w ]. M artelo —> [ m a ‘t s 1 u ] P o r q u e —> [ p o ‘k e] G uarda -> [ ‘g a d b ] 39 Ve rde ^ [ ‘v e dj i] Nas seguintes emissões, aparece a fricativa velar su rda em final de sílaba dentro da palavra; P o r q u e —> [ p o x ‘k e ] Árv ore ^ Arm ário ^ [ ‘a x v o 1 e ] [ a x ‘m a j u ] D e sta forma, B. dem o nstr a variabilidade, pois está ad qu ir in d o a realização pratica da na v a rie d ad e local, em final de sílaba d en tr o da palavra de uma maneira muito oscilante. Não houve apa gamento da c on so an te em final de sílaba no final de palavra nas p r o d u ç õ e s realiz adas p or B., conforme as seguinte s emissões; M ar -> [ ‘m a x] D e m o ra r ^ [ d e m o j ‘l a x ] No p o rtug uês, como já foi mencionado, ocorre uma ampla variação fonética em relação ao fonema / r / que é realizado como [ x ] pelo sujeito da pesquisa. 4.3.4 Apagam ento de líquida intervocálic a - flap Como o flap não está presen te no inventário fonético de B., v erifica-se o seu apagamento entre semivogal e vogal, nas se guintes emissões; 40 Dinheiro -> [ i ‘n e j ü ] T eso ura - > [ t e ‘z o j B ] Janeiro -> [ 3 a ‘n e j u ] Observe-se nos exemplos a ambissilabicidade de [ j ], p roce ss o b a stan te c o n sta ta d o nos desvios. Dàs quatro líquidas do p ortug u ês que podem sofrer p roce ss o de substituição, a pagam ento ou se mivocalização du ran te o pe río d o de aquisição, somente o flap é apaga do por B. Teixeira (1985), c on stata que as líquidas são passíveis de sofrer apag a m e nto quando em posição intervocálica. É um p ro ce ss o que o c o rre em uma fase mais inicial do desenvolvimento, embor a Santos (1990, p. 112) relate que esse p ro ce ss o pode o c o rr e r em uma fase mais tardia. Y avas (1989, p . 23 8) informa que este pro cesso opera, na maioria das crianças, até a faixa etá ria de 2 : 6 , porém a idade mais ava nçada em que pode pers ist ir tal p r o c e ss o c o n sta ta d o em seus estu d os é 3:0. 4.3.5 M e t á t e s e Foi c o n sta ta d o que B., em sua emissão, p ro cu ro u r e o r d e n a r os sons dentr o de uma palavra, ou seja, é um p rocesso em que dois seg m en to s podem ser invertid os dentro de uma mesma palavra. A seguir a p r o d u ç ã o de B.: Cofre -> [ ‘k R 0 f i ] 41 Neste exemplo, B. substitui o flap pela vibrante uvular, confo rm e já examinado em 4.3.1. Segundo Coimbra (1993, p . 174), o termo imigração, tam bém utilizado, serve d ete rm inada para posição denominar para ou tra o movimento como vista na de um som emissão de acima. uma Tal p roce ss o pa rece ajudar a criança a lidar com os enco ntro s c o n so n an ta is quando ainda não consegue produzi-los autom aticamente. 4.4 Processo s de su bstitu iç ão 4.4.1 Substituição de líquida por líquida Caracte riz a-se pela substituição de uma líquida latera l ou não-la te ral p or ou tra líquida. B. substitui o flap / r / pela líquida lateral a p ic o -alveola r lateral / 1 /, nas seguintes emissões; Cadeira ^ [ k a ‘d e l a s ] Banheiro -> [ b ã ‘n e 1 u ] Garagem -» [ g a ‘1 a 3 ê j ] Pa rec e -> [ p a ‘1 8 s i ] América -> [ a ‘m s l i k De o c o rrência, acordo b ] com a substituição --------- Silveira entre (1986, líquidas, p. 104), é freqüente este tip o de na linguagem infantil e entre imigrantes ja p o n e se s e chineses. Os fonemas / r / e / 1 / partilham o mesmo modo e o mesmo ponto de articulaçã o, sendo fácil a confusão tanto perceptual como 42 articu lato riam en te . Ac resce que o flap é momentâneo, com saliência p e rcep tu al mínima. Menyuk (1975, p . 96), obse rva momentos em que os sons / 1 / e / r / são p ro d u zid o s com o uso único dos a rt iculadore s, o que justific aria a subs tituição das líquidas entre si. 4.4.2 Semivocalização de líquida É a subs tituição de uma líquida lateral ou não-Iateral por uma semivogal. B. semivocaliza o flap / r / -> / j /, nas seguintes emissões; Caro -> [ ‘k a j u] Parece -> [ p a ‘j s s i ] Cara -» [ ‘k a j Nos b ] exemplos acima, a semivoc alização red un d a na ambissilabicidade, pois o flap estava no c o n te x to intervocálico. Segundo Coimbra (1993, p. 152), a semivocalização é um p rocesso que não o c o rre com as líquidas isolada mente, mas quando essas também fazem pa rte de um encontro co nso nan tal, o que os dados acima refutam. Nos e n co n tro s con sonantais, B. não realiz ou semivocalização, apenas reduz iu o e n co ntro consonantal à e s t r u tu r a CV. As líquidas, como classe, são de aquisição mais tardia em se tr a ta n d o da língua p ortu gu esa. Segundo Yavas (1989, p. 238), a idade mais elevada em que o c o rr e o process o de semivocalização de líquida é de 3:6, o que c o rr o b o r a para situar B. com a traso de linguagem. De a cordo com Coimbra (1993, p. 156), as crianças. 43 adquirindo o português, parecem semivocalizar as líquidas em uma etapa muito inicial de desenvolvimento e com índice de oco rrê n cia inferior ao da aquisição do inglês. Analisou-se a relevância da vogal precedente e se gu inte ao se gm ento afetado, mas não se co n stato u qualquer influência das vogais no p r o c e ss o de semivocalização de líquida. Lamprecht (1990, p. 327) arrola as seguintes c aracterísticas em relação às líquidas. Os p r o c e ss o s são limitados e gr adualmente suprimidos; A limitação e supress ão aco ntecem numa ordem c ro n o ló g ica que dep end e de cada criança; As líquidas no alemão e no francês recebem tratam e n to diferente do que no inglês, o que p o de ser aplicado ao português; A líquida lateral é adquirida antes da não-lateral; É comum ter dificuldades com as líquidas em en co ntros consonantais; A to n ic id a d e influi na atu ação dos processos; Por serem fo neticam ente plausíveis, os pro cesso s também são e n c o n t r a d o s nas m udanças hi stóricas e dialetais, sendo cap azes de explicá-las; Q u a n to à supressão “g r a d u a l ” dos process os, faz-se uma ressalva, já que podem o c o rr e r de forma abrupta. 4.5 A n á li se qu alitati va T rata-se de uma análise qualitativa, pois a q uantidade de dados não permitiu uma análise q u antitativ a ou estatís tic a que pude sse explicar hipótese s de trabalho. 44 No estudo de caso, procurou-se expor as info rm açõ es ad q u irid as n a s ^ d u a s entrevistas realiz adas com a mãe de B em dois m o m en to s distintos, sendo que na se gunda en tr ev is ta obtiveram -se dados que foram omitidos na primeira. Na avaliação da criança realiz ada em se tem bro de 2 0 0 0 , o diagnóstico fo n o au d io ló g ic o referia-se a um desvio fo n o ló g ic o evolutivo levando em con sid era çã o o estado de B., naquele mom ento sem problemas físicos ou cog nitivos aparentes, e sua h istó ria de e x po siçã o bilingüe, na qual havia adquirido o po rtu g uês em apenas dois anos. P o r ta n to , foram principalm en te as c aracterísticas c ro no lóg ica s do dese nvolvimento avalia ção, que atrasa do e irregu lar identificaram a na tu r e z a apre se ntadas evolutiva d u r a n te dos a de svios fonológic os. A partir do diagnóstico realiz ad o pelo neurologista, se gundo o qual B. a pre senta t ran s to rn o de déficit de atenção e hi peratividade (T D A H ), foi necessário rep en sar sobre a etiologia e d iagn ó stico f o n o a u d io ló g ic o ; B. aprese nta um c o m p o r tam e n to alterado em r elação à primeira avaliação, inquieto e cansa do para a realização de q u a lq u e r ativ id ad e que a n te c e d e n te s, exija seu tio c oncentração. com Na hiperativid ade sua família, e sua mãe existem com dois dislexia. P o r t a n t o , B. não se enquadra no d iag n óstico fonoaudiológico dado na primeira avaliação. N e ce ss itou -se repensa r sobre a obse rvaç ão do fenômeno, que vai além da realidade aparente. Avaliação não é somente testagem, é o início de uma interação entre a família, o te r a p e u ta e a criança, sendo ne ce ssá rio a revisão para que se obten ham os novos aspectos que surgem 45 no caso. A som a tó ria de fatores ex is tentes no histór ico de B., co mo a p red ispo siçã o ge nétic a a uma disfunção ne u roc o gn itiva , a exposição ao bilingüismo, o asp ec to psicológico e o TDAH , formam um imbricado de fatores que poderiam j u s tif ic a r a etiologia dos desvios de fala. A dificuldade em aprend er a ler a p re s e n ta d a por B. p o d e se assemelhar às de um grande número de m etafo n o ló g ica s que, conseqüentem ente, crianças com dificuldades a p re se ntam dificuldades para adquirir a língua escrita; não é s u rpre en de nte que crianças com tais dificuldades tenham problem as escolares. De recíproca a co rd o entre metalingüístico, a pela com Scliar-Cabral consciência qual se podem (2001), existe m etafo n o ló g ica m anipular influência (conhecim ento conscientem en te os fonemas) e a aprendizagem dos sistemas alfabéticos, o que ju stific aria a dificuldade na aprendizagem ap re sen tad a por B. Segundo Iss le r (1996, p. 243), um a criança que a p re s e n t a TDAH po de t e r dificuldade na p ercep ção, desde a análise freqüe ncial acústica, periférica, até a transmissão de estím ulos com insuficientes informações para se abstrair uma idéia precisa. A realim entação é auditiva, o que s o b re ca rreg a mais ainda esse sensório, o que p o d e ri a ju stific ar a p resença de ta n t o cansaço re la ta do p o r B. e observado pela p e sq u isa d o ra ao realiz ar suas atividades. Os aspecto s ps icoacústic os da realiz ação do fonema po dem não ser bem a b straíd os a p onto de form ar um a base mental p a ra a produçã o. Pode não dom inar os g esto s a rtic u la tó r io s ou os t r a ç o s 46 di stintivos do fonema em oposição a o u t r o s para combiná-los, ou até pe rc eber o fonema, mas não saber articulá-los. O problema não é o fonema em si, mas a capa cidade de organização cognitiva da c ri a n ça que não absorve aquilo que o diferencia dos demais. Em se t ratan d o dos a spec to s fonológicos, B. apresenta p r o ce ss o s desiguais em relaçã o à cro no lo g ia normal de desen volvimento. Os p r o c e ss o s fo no ló g ic o s normais de simplificação estão além da idade na qual se esp eraria que estivessem suprimidos, o que indica que B, ap re se nta um quadro de imaturidade fonológica. Mas fica a h i p ó te s e de que existam o utras a lteraçõ es lingüísticas ou que ainda possam surgir, já que existe um en cadeamento de fatores conco m itantes. 5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Através da análise dos dados, pôd e -s e verificar as e s tr a té g ia s individuais a p re sentadas por B., que teve o início da aquisição da língua p o r t u g u e s a aos quatro anos de idade e que, aos sete, a p re senta desvio no padrão de fala. Com o objetivo centrado no sistema fonológico, ou seja, nos p r o c e s s o s apre sentados, p r o c u r o u - s e analisar os dados atr av és dos a spec tos fonéticos e fono lógicos, visando à análise qualitativa. O t o ta l m e n te vibrante, inventário adquiridos ou seja, por o flap, fonético B.: Aos do p o r tu g u ê s 7:3 falta e conseqüentem ente, a ainda não líquida foram n ã o-la te ral a líquida nã o -la te r a l vibrante é apa gada quando em combinação depois de /p, b, t, d, k, g, f, v/. Na única exceção, na qual tenta rep r o d u z ir o encontro c on so nanta l com flap, usa como e stratég ia à realização da vi bran te uvular [ r ]. Fica a hipóte se da interferência do alemão na sua pr onúncia, a qual se p o de conferir na seguinte emissão: B r in q u e d o s - > [ b R ã ‘k e d u s ] Quanto à análise dos processo s fonológicos, ficou c o n s t a t a d o que são sete p ro ce ss o s com p en sató rios que ainda atuam na fala de B., sendo cla ss ificados em cinco p rocesso s de e s tr u tu r a silábica e dois de su bstituição. Dentro desta análise, verifíca-se que B. segue um p a d rã o basicam ente como ao das crianças monolíngües falantes de p o r t u g u ê s , porém em crianças mais novas. Quanto ao modo e ponto de articulação, a líquida nã o -late ra l. 48 isto é, o flap, é mais a fe tada mostran do com isso que o sistema de B. está o b edecen d o a tend ên cia universal de que as líquidas são adquiridas mais tardiam e n te ( S T O E L -G A M M O N e DUNN, 1985; YAVAS, 1989). Quanto à to n ic id ade da sílaba, foi con statad o que os a p a g a m e n to s de sílabas áto nas e de sílaba final ocorrem tanto em sílabas p r é - t ô n i c a s como pó s-tônicas. No p r efe rên c ia por pro cess o tipo ou de metátese, ordem, pois não a se c o n stato u e stratég ia é qualq uer simplesmente tr a n s fe r ir o segmento que forma a e s tr u tu r a que lhe parece complexa. F ora m p o uc as ocorrências de metátese durante a coleta de dados, devido a a m o s tr a de fala reduzida. Segundo L am p rec ht (1990, p. 238), somente a m etáte se é impossível prever a poss ibilidade de oco rrê n cia da metátese, devendo ser sempre considerada a p r o d u ç ã o do sujeito. Em relação á posição que os elementos ocupam na sílaba, p rincipalm ente a fricativa velar surda, ora ocorre o apagamento, ora não, em p o siç ão final de sílaba d en tr o da palavra; mas é realizada em t o d a s as p r o d u ç õ e s em final de sílaba no final de palavra. Em relação ao flap, oc o rre apagamento quando está entre semivogal e vogal e a p re se n ta também o pro cess o de substituição do flap pela líquida lateral ápic o -alveola r ou por uma semivogal. Segundo L am p r ec h t (1990, p. 254), a subs tituição da líquida ocorre com mais freq ü ê n cia na não-lateral, que é subs tituída pela lateral, m ost rando um qu ad ro de maior est ab ilidade e de aquisição mais p recoce das líquidas laterais do que das líquidas não-laterais, as quais são apagadas ou 49 su bstitu íd as com mais freqüência e por mais tempo. A distinção entre o flap e a fricativa velar surda d e p en de do traç o distintivo, que no p ortuguês as variante s de um fonema pod em ser d escritas como norma ou como livre realiz ação, vibrante múltipla ou simples. Quanto a semivocalização de líquida não-lateral, B. substitui / r / p o r / j / em todas as oc orrências em que não substitui por / 1 /. Os pro cesso s de redução de encontro conso nan tal pelo a paga m e n to de líquida foram pro cesso s mais freqüentes na a m o s tr a de fala do B. Segundo Lam precht (1990, p. 100), a redução do e n c o n tr o co n so n an ta l ocorre geralmente pelo apaga m e n to de líquida nas se guinte s ocorrências: P L O S I V A + LATERAL P L O S I V A + NÃ O-LATERAL F R IC A T I V A + LATERAL F R IC A T I V A + NÃ O-LATERAL L am precht (1990, p . 239), r e l a ta que, na faixa etária de 2:9 a 5:5 os p r o c e ss o s mais e ncontrados são a redu ção de encontro c o n son an ta l com a p ag a m e nto de líquida, sempre a não-lateral; em seguida, vêm os p r o c e ss o s de subs tituição de líquida, em geral, a não-lateral. Em se tr a ta n d o de aquisição, Lamprecht (1990, p . 244) m o str a não haver uma única hierarquia na aquisição dos encontros consonantais, mas se p odem co n statar diferentes estratég ias de aquisição. O bserva-se que, ao realiz ar os e ncon tro s consonantais, B. o faz da seguinte forma: P L O S I V A + LATERAL 50 P L O S IV A + N Ã O -L A T E R A L (sem uso do flap, pois utiliza a vibrante uvular supletivam ente) F R IC A T IV A + LAT ERAL F R IC A T IV A + N Ã O -LA TE R A L (ocorre o apagamento do flap) Com os dad os apre sentados, pode-s e c o m p ro v a r o que já foi discutido anterio rm ente: os encontros consonantais e flap são seqü ências e sons difíceis, nos quais B. demonstra uma aquisição oscilante. N ão se po de deixar de considerar, também, que, mesmo com dificuldades, B. é um ser ativo que desenvolve estratégias supletivas. No planejamento, há dois subsídios essenciais ao t e r a p e u t a : os dados da criança que apontam os caminhos a serem seguidos e os conhecim entos sobre aquisição normal da fonologia. E sse s co n hec im en to s sobre a ordem de aquisição são fundamentais p a ra a e la boração de um plano de pr ioridades, seqüências e conduta tera p êu tica , Segundo L am precht (1990, p . 340), a aquisição norm al do p o r tu g u ê s segue a seguinte ordem: Sons plosivos/nasais > fricativas > líquidas; As obstru in te s surdas aparecem antes das sonoras; É mais comum a aquisição das consoantes na seguinte ordem: labiais > de nta is /a lveolares > pa lata is/velares; Nas líquidas, as laterais são adquiridas antes das n ã o -l ate rais e, de ntro dessas classes, / 1 / vem antes de / X /, / r / geralmente antes de / r / (podendo, porém, nesse último caso, o c o rr e r o contrário); As e stru tu ra s silábicas são adquiridas na ordem V e CV > CVC > CCV; Na e s tr u tu r a CVC aparece bem cedo (pro vave lmente aos 1:6 a 2:0) o fechamento de sílaba com o tr ava m e nto nasal, depois com a fricativa e por último com a líquida não-late ral (já que a lateral, por ser semivocalizada, não c o stu m a c o n stitu ir dificuldade); No fecham ento de sílaba com fricativa e com líquida é mais fácil em posição final absoluta do que em final de sílaba dentro da palavra; N o s e n co n tro s conso nantais , a superação do apagamento da líquida 52 pare ce obe dec er a estra tégias diferentes e até o po sta s - de g r u p o s de crianças, que tanto podem iniciar a aquisiç ão pelos e n c o n tr o s com lateral como com não- lateral, com frica tiva como com plosiva; Os últimos p r o ce ssos a d e sa p a r e c e r são a a n te rio riza ç ão , a de sso n o r iza çã o , o apagamento de líquida final de sílaba d e n tr o da pala vra e, bem por fim, a redução de e n co n tr o s consonantais; F a t o r e s a rticulató rios, de posição, de tonicidade, e ou tro s, po dem influir, com intensidade variável, na superação dos process os. O pro gram a tera pêutico segue as normas de aquisiç ão normal, t rein an d o a criança para que seja capaz de prod u zir c o rr e t a m e n t e cada som que esteja alterado, tornando-a capaz de produzir a d e q u a d a m e n te os sons com estabilidade em sua linguagem e sp on tânea. Esse tipo de abord agem vem sendo utilizado em clínicas, ho sp itais e escolas, po is visa acelerar p ro g res so s na inteligibilidade de criança s com desvios de fala. De acordo com Yavas (1989, p. 172), a principal d iferença entre essa abord agem de r e c u p era çã o e os p ro g ram a s a rticu la tó rio s com base no fenôm eno do p ro ce ss o fo nológic o é que são usa dos ciclos para facilitar o desenvolvimento de p a d rõ e s fonológicos. Os ciclos são perío d o s de tem po, du ran te os quais, t o d o s os p adrõ es fono lóg ic os que necessitam de tera pia são fac ilitado s em sucessão. Os p a d rõe s fono ló gic o s são reciclad os durante os ciclos su b s e q ü e n te s e a com plexidade é a u m en ta da d uran te cada ciclo p o ste r io r . De aco rdo com os r es u lta d o s o bservados na a m ostra de fala do B., n e ce ssita-s e t raba lh a r o flap. Segundo Ferreira (1985, p. 182) o 53 tr ab alh o deve ser realizado com base nas inf ormações sensoriais: Tátil - bordas da língua em co n ta to com a face interna dos m ola res e pa rte do palato; ponta da língua to c a n d o rapida mente os alvéolos dos incisivos superiores; Visual - elevação da ponta da língua em direção aos alvéolos dos incisivos superiores; C in esté sica - movimento de d e slo ca çã o rápida da ponta da língua em direção ao ponto de articulação. 6.1 P r o c e d i m e n t o s b ásico s O objetivo principal é co n scie n tiz ar a criança so b re as c a r a c t e r í s t i c a s do som-alvo ou das combinações de sons a tr a v é s da estim ulação e produção. De acordo com M o t a (1990, p. 6 8 ), a estimulação é um p r o c e ss o que engloba a audição, o ta to e a visão. E a tr a v é s da e stim u lação auditiva que a maioria das crianças adquire o sistema de sons de sua língua, p or ser o meio prim ário mais natural. Segundo Yavas (19 89, p. 176), a maioria das crianças com desvio fo no lóg ic o demonstra habilidades auditivas reduzidas, em relação a sua fala, pois tende a ig n o rar ou n e g a r o fe e d b a c k auditivo para as suas p r ó p r ia s imagens cinestésicas inexatas, as quais parecem estar “ c o r r e t a s ” naquele momento. As crianças com de svios fonol ógicos necessitam de e stim u lação auditiva intensiva, pa ra que tenham oportunid ade de ouvir. A través do “bo mbardeio au d itiv o ” a criança vai ouvir várias p ala vras 54 co n te n d o um som-alvo ou seqüência de so n s-alv o com uma p eq u ena amplificação. O uso de fones amplifica os sons, salie nta as c ara c te r ístic a s e estab elece contrastes. Além da estimulação auditiva, deve-se , também, d e sen v o lv e r a con sc iência do som pelo uso da estimulação tátil, que é r e c o m en d a d o quando são ap re se n tad os novo s sons-alvo para a criança. As pistas t áteis vão sendo retirad as à medida que a p r o d u ç ã o do som to rna-se mais fácil para o paciente. A estimulação visual é, também, bastante útil no ensinamento de um novo som. Devem -se usa r i n stru çõ e s do tipo: “veja como movimentam os láb ios”, “olhe no espelho e ponha sua língua na mesma p o siç ão à da t e r a p e u t a ” . Quanto a prod u ção , ao mesmo tem po que a criança desen vo lv er a consciência de um novo pa drã o, ne ce ssita exercitá-la a fim de in te rn alizar as imagens cinestésicas e auditivas, criando entã o, um sistema p róp rio de auto c o ntrole . A criança deve pro du zir o som ou a seqüência de sons o mais c o rre to possível. A utilização de pistas auditivas, visuais e táteis, são m étodos que ajudam a criança a alcançar sucesso em suas p r o d u ç õ e s , p o r ta n to , deve-se a p re s e n t a r palavras que pro vavelmente levarão a criança ao sucesso mais facilmente. 6.1.1 O p r o g r a m a te r a p ê u t i c o A abord agem te r a p ê u tic a p r o p o s t a p o r Hod son (1986) citad o p or Yavas (1989, p. 173-179) foi desenvolvida para crianças falantes de 55 espanhol com desvios de fala. A p r o p o sta dessa abord agem difere da abord agem tera pêutica tradicional em dois aspectos: a) P r o c u r a a pro veita r a habilidade da criança em fazer g e n eralização , traba lh a n d o apenas o número suficiente de fonemas dentro de um p a drã o pa ra estimular essa tendência; b) O objetivo principal é o de facilitar a emergência de p a d rõ e s fonológicos. Essa a bord agem utiliza-se de ciclos para fac ilitar o desenvolvim ento dos p a d rõ e s fonológicos. A audição de cada ciclo po de ser de 5 a 6 semanas; p odem e sten d e r-s e por 15 ou 16 semanas. As sess ões de t era p ia são de 40 minutos aproxim adam ente, uma vez por semana. Geralm ente são n ecessário s 3 a 6 ciclos para que um pacien te com desvios fo no lóg ic os torn e sua fala inteligível com essa abordagem. 6.1.2 Seleção de p a d rõ e s / fonemas alvos Partin do do inventário fonético do B. no qual falta a liquida não-la te ral vibrante, ou seja o flap e c on seq ü e n tem ente a líquida nãolateral vibrante é a p agada ou executada como a vibrante uvular / r /. Em relação ao flap, oc o rr e também a substituição de líquida nã o-late ral pela líquida lateral ou por uma semivogal. De acordo com Lam precht (1990), B. estaria no último est ág io de aquisição do português, porém em idade s uperi or se compa rado ao gru po de crianças utilizadas em seus estudos, pois aos 7.3 de idade, tais p r o ce ssos estariam suprimidos. \ 56 O fonema / r / deve ser estimulado como alvo em um ciclo, com o objetivo de de senvolver a consciência e suprimir os p r o c e ss o s de su bstituição e apagamento, presen tes na fala do B. Segundo M ota (1990, p. 73), é im port ante iniciar um p r o g r a m a de recuperação fonológica, partin do de um padrão pa ra o qual a criança possua “p r o n t id ã o ” . O t era p eu ta deve se lecio nar o padrão que for mais estimulável para que a criança poss a experim entar um sucesso imediato. O padrão seguinte mais estimulável é tom ado como segm ento alvo, se guindo-se assim até que t o d o s os p a drõ es para su bstituir os de ficientes tenham sido estim ulad os durante cada ciclo; t o d o s , o s p adrõ es que ainda não tinham emergido na fala conversa cional devem ser rec iclad o s no começo do ciclo seguinte. As palavras c on te n do os fo nem as-alvos deverão se escolhidas c uid a d o sa m e n te pelo tera p eu ta. É preferível que sejam usadas palavras ao invés de sílabas sem significado. Nos dois primeiros ciclos, devem-se esco lher palavras monossílabas, com ambientes fonéticos favoráveis. As palavr as que contenham fonemas p ro d u zid o s no mesmo p onto de art icu la çã o do som substituído não devem ser usados durante os ciclos iniciais. As palavras devem r e p r e s e n ta r objetivos reais, palavras de “ a ç ã o ” , que estejam de a co rd o com o nível de voc abulário da criança. O esquema da sessão te r a p ê u t i c a é com posto da seguinte forma: B om b ard e io auditivo com amplificação mínima, realizado por po ucos 57 min utos no início e no final de cada sessão fonológica; A criança revisa os c artõ es com as palavras p ratica d as na sessão anterior; A criança ouve o “bombarde io au d itiv o ” : através dos fones 15 pala vras contendo o pad rão -alv o são lidos pelo t e r a p e u t a e a criança não r e p e te as palavras, apenas ouve atentamente; O p aciente colabora na confecção dos cartões, d esenhando ou p in ta nd o . O t e ra p e u t a escreve a palavra no cartão para que o adulto p ossa identificar o desenho da criança; U tiliz am -se j o g o s ju n ta m e n t e com a prática de p ro du çã o. A criança n om eia as figuras que contêm o fonema daquela sessão, sendo que o t e r a p e u t a dá o modelo e as pistas táteis quando forem n ecessário s, até a criança alcançar 1 0 0 % de sucesso no padrão-alvo. D e v em -se criar situações de fala esp on tânea dur ante cada sessão, a fim de ob servar quando os padrõ es fonológicos estão co m eçand o a emergir; O t e r a p e u t a faz a sondagem dos fonemas alvos dentro dos padrõ es se lecio n ad os para a próxima sessão; Os pais participam do program a, diariamente, em casa. Devem ler a lista do treinam ento auditivo e levar a criança a n om ear os c artões com as palavras da prática de p rodução, pelo menos uma vez ao dia. 6.1.3 S u g e stõ e s para atividades As atividades de j o g o s como a pescaria e o boliche são m o ti v a d o ra s para a criança. É im p o rtan te incluir atividad es de c a ráte r 58 p ragm á tic o que surgem por parte da criança. O uso de pares mínimos de pala vras é excelente para se o b ter êxito com crianças que tenham habilidades. Ex: pato bato faca vaca bo la -> mola Os pares mínimos podem auxiliar a criança a r e c o n h e c e r as dife re nças semânticas de duas p ro duções. P a r a as crianças que saibam ler, é p ro veitoso u tiliza r um p eq uen o pe río do de leitura oral, fo caliz an do os p a drõ es alvos da sessão, mas o material de leitura deve ser de um nível inferior à habilidade c o rre n te de leitura da criança, de modo que sua atenção p o s s a ser d irec ion a d a mais para o p a drã o fo no lóg ic o do que pa ra as habilidades de leitura. O número de atividades p o d e va riar de sessão para sess ão, em média, uma atividade a cada 8 ou 10 minutos. As mesmas atividades po dem ser utilizadas semana após semana, mas deve-se cuidar para que a c ri an ça não perca o interesse. E para aquelas crianças que desejam c o n ti n u a r na mesma atividade, deve-se p a ssa r para a atividade seguinte. 7 CONCLUSÃO O p r o p ó s i t o desse estudo de caso foi d e scre ver os p r o c e e as e s tr a té g ia s fon o ló gic as apre se n tado s pela criança que foi e x p o s t a ao ambiente bilíngüe e que a pre senta desvio na fala, considerando, também, a so m ató ria de fato re s que estão relacionad os a sua etiologia. Em relação ao sistema fonológico, quase t o d o s os p r o c e s s o s e ncon trad os na fala do B. são comumente e n c o n tr a d o s em ou tras crianças em fase de aquisiç ão do po rtu g uês como língua materna, porém, em idade in feri or a sua. Seus p r o ce ss o s concentram-se na classe das líquidas, com um número significativo de oc orrência em se tr a ta n d o da líquida n ã o -la te r a l / r /, ou seja, o flap. Co n sid e rand o o fato de que B. foi bilíngüe até os seus q u a tr o anos, p u d e ra m -se verificar t r a ç o s n o tó rio s de inte rferência na p r o d u ç ã o de algumas p ala v ras e o uso da e stratég ia co m p e n sa tó ria realiz ada nos e ncon tro s c o n son an ta is , subs tituindo o flap pela vibrante uvular, co n o ta n d o um s o ta q u e carac terístico de c ertos di aletos do alemão. Q ua n to às estratég ias utilizadas p o r B. nesse estudo, foram, na t e n ta tiv a de r e p r o d u z i r o flap, a utilização da vibrante uvular; a sem iv ocalização de líquida não-lateral pela semivogal / j /; a su bstituição da líquida nã o-late ral pela líquida lateral, / r / -> / 1 /; o apagamento do flap entr e semivogal e vogal e a p resen ça de metátese. De a c o r d o com o relato da mãe, B. aprese ntava uma fala confusa, na qual m is tu rava o alemão com o italiano até os quatro anos; 60 nesse período, somente era com preendido no ambiente familiar, o que é comum, pois a família se adapta ao sistema comunicativo da criança. Tal informação dá indícios de que X.'. it B. \ poderia ter sido um bilíngüe ^ in co m p ete n te do alemão e do italiano. B. adquiriu a língua p o r t u g u e s a num período pa ralelo a sua socializ ação na co municação, escola, pois não se quando apresento u dificuldades compreen dia o que lhe era dito, adap taç ão , pois re cusa va a escrever. diagnóstico de TDAH e a imaturidade fonológica, tanto na q u anto na P osterio rm en te , com obse rvado s o nesse estudo de caso, e com o histó rico de exposição bilíngüe, fica impossível atribuir ao desvio uma causa específica, mas se deve pensar em ajuda r essa criança a to r n a r - s e “ comunicativamente eficiente” dentro de sua comunidade, a pa rtir do tratam e n to fonoaudiológic o Em adendo, B. ne cessita de tratam ento psic o peda g óg ic o para sanar as dificuldades na aprendizagem e de apoio psicológico, já que a separação dos pais e a mudança de cidade o deixaram inconform ado e, de alguma forma, po dem ter influenciado nas p e rturb a çõ e s, tan to fonológicas, quanto e sco la res e comportam enta is. Quanto à família, é importante informá-los de que B. necessita de atenção dirigida e especial, p o r ta n to , o apoio p sic oló g ico V familiar, também é fundamental. B. necessita de cuidados diferenciados devido ao t r a n s to r n o de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), pois pôde -se c o n s t a t a r que seu c om p ortam e n to é alterado, to r n a n d o - o incapaz de se c o n c e n tr a r e de p e rm a n ec er em q ualq uer atividade, o que pode ser compro v ad o pelo 61 corpns a p re se n tad o em anexo. É necessário modificar algumas condutas: uma delas diz resp eito ao tempo das atividades, que deve ser reduz ido e r eto m ad o várias vezes, para que se obtenha um mínimo de atenção exigido e, c on seqü e n tem ente , para que B. assimile os conhecim entos. Dessa forma p od e rá p e rc eb e r a produção dos sons da fala, disc rim inando-os e realiz ando a a u to c orreç ão . Tal e str a té g ia pode ser realizada também na escola e no ambiente familiar, quando a atenção de B. for necessária ao c o n te x to de aprendizagem. P o r fim, é im p o rtan te salientar que a aquisição da linguagem, no seu âmbito mais global, é entendida como uma área de estud o s e ssencialm ente complexa, fo rm ada por diferentes níveis. Foi p or esse motivo que se restringiu o pres en te estudo de caso ao nível fonológico, por ter sido a queixa principal da família e por ser o sintoma mais evidente p r es en te na fala do B. Torna-se ne cessário que haja um número cada vez maior de p esq uisa s nessa área, p a ra que se possa resp o nd er a várias p erg un tas em relação às deso rdens da comunicação, especificamente, os desvios da fala. T en tou -se nesse estudo contribuir com alguns subsídios para au m en ta r os conhecim entos sobre a aquisição fonológica do po rtu gu ês. Sendo essa pesquisa um trabalh o individual, não foge às falhas e lacunas naturais. E spera m os que outras pesquisas co m plem en ta nd o os res u lta do s aqui expostos. venham se somar, 8 REFERENCIAS BOSO, I.M. Entre passado e futuro; bilingüismo em uma comunidade t rentin o -b rasileira. 1991. Diss ertação (m es trado em Letras ), U nivers idade Federal de Santa Catarina. COIMBRA, M. A q uisiç ã o fonoiógíca do português em uma crianç a bilíngüe; estudo de caso. P o r t o Alegre; PU C R S/B C E , 1993. D iss e r ta ç ã o (m estr ado em Letras), Área de Concentração em L ingüística Aplicada, Pon tifíc ia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. D IC IO N Á R IO de Esp ecialidad es Fa rmac êuticas. DEF 2001. Jornal Brasile iro de M ed ic in a. São Paulo; E d ito r a de Publica ção Científica L td a (E PUC). DSM-IV. Manual dia g n óstico e e statís tic o de transtor nos mentais. Trad. Dayse Batista; 4. ed. P o r t o Alegre; Artes Médicas, 1995. E LLIOT, A.J. A lin guagem da criança. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro; Zahar, 1981. FER R E IR A , L. P. 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E olha que está b ag u nçad a essa sala. q Vamos começar^ jpel^ Jiapéíe? E o que tem em cima do t a p e te ? Vamos lá, capricha ^ B Mesa. A O que mais, vai falando tudo o que tu sabe. B Jornal, flor, lápis, lápis, lápis. AQ ua nto s lápis tem? ^ ^ B Dineio, dineio, moeda, tesoia, sofá, gada-ch uva, som, armaiu, po rta, um desenho que ninguém vê. A Quê? / ^ B - Um desenho que tá aqui, quadro , tv é baixo da teles ão, armaiu i um matelo, bran q uedo s, a avião, bola, cásia, dadu, dadu, palhaçu, cd, livru., gatu. A Aqui. t ? B Já falei. Arvole, árvole, igreja, janela. jJ í ^ A Viu tudo, então vamos com eçar a pintar? O que tu vai p inta r primeiro? Pode deixar, não, pode deixar. A gente vai ficar falando e vai ficar gravando, pode escolher. Hum... com eçar pelo palhaço (já está pintando o palhaço). B Pa que issu daí? A Aqui é onde eu vou marcar as palavrinhas que a gente falou, to d a s as palavrinhas. B T erça-fe ia eu vou viajá lá pelo lugá também. A Pra onde? B Amélica, Itália, Rio de Ja n eio , F o i ^ ó p o l i s . A - Nossa! Mas e tu vai viajar com quem? B Meu pai. A Sério? B Hum. A Teu pai está morando lá em Itajaí? B Não. A Onde ele está morando? B Balneaiu. A Ah! Balneário, e ele mora numa casa ou num apartam ento? B Apartamentu. Sabia que ele tem cama elástica d e ntu do apartamentu? A O que que ele tem? B Cama elástica. A Cama elástica! É gran de ou pequena? B Grandi. A Gente que delícia! B A poq u e tem duas sala lá, tem dois, tem dez quartu, tem três banheio. A E uma mansão então? B Ham, ham. A Que apart am ento grande! B Tem até galagem dentu da casa. A Garagem também? B Hum, hum. A Ai que chique, e você esta g ostando de m orar aqui? B Não. A - N ã o está gostando, porque? B P o q u e não. A Mais aqui é tão go sto so também, tem praia, tem a beira mar... B Aí então, a ali na caia branca (segundo a mãe eles moravam numa casa bran c a c/ piscina em Itajaí). A - P r e f e r e lá na casa do teu pai? O que é isso aqui, que está em cima da telev isã o? B Antena. A Antena, isso aí? B Ai, tô cansadu. A Já está cansado? Eu vou te ajudar a pi ntar depois. Essas coisinhas que tem aqui o que tu acha que é? B Dineiu. A - É, e aquelas bolinhas que tem do lado do dinheiro? B Moe da. A - M o e d a, mais eu acho que não é m oeda não, acho que é aquilo que a gente tem na roupa assim... B Não. A - N ã o é um botão? Que ga to feio né? Que gato mais vira lata. Como é que você chama, é armário isso aqui? B Não. A Com o é que é o nome? B - E stânti. A O! Eu vou te ajudar a pintar, o que eu pinto primeiro? Quer que eu te ajude ou não? ,B Hum, hum! A - Tu escolhe, fala que eu pinto, você que manda, mais tem que ser pe rtinho aqui de mim né? B Mais eu não sei poquê. A Fala qualquer coisa que eu pinto. Ah! não falou isso aqui. B É! A Com o é que é o nome? B Issu daí é, issu daí eu não falei poque eu não sei o que que é. A Tu não sabe? Tu não estudou na escola ainda isso daí? B Eu já estudei, mais eu não sei, não me lembro mais. AP laneta terra, é um mapa, globo terrestre. B Eu tenho um que solta ai gente vai... A B A mar Ah! Chuta com se foss e bola né? É o o meu souta e faço assim com a cabeça. Po sso então pintar o globo, pode? Então eu vou pintar, vou p inta r o de azul. E como é o nome do teu colégio? B - Imaculada. A - E lá, tu estudava no Fayal né? B - Hum, hum. A - E o teu colégio é grande ? B - É... E na casa do meu pai tem piscina. A - Hum! B - De água e tem ou ta piscina que tem... A - Duas piscinas? B - Uma funda e outa rasa, mais eu vou na funda. A - Uma para criança e o u t r a para adulto? B - Mais eu vou de adulto bem fundu. A - Mais tu sabe nadar? B - Sei. A - Bem, bem? Mais me c o n ta a hi st ória da Sofia, o que a co ntec eu , tu j o g o u o lápis e acertou a Sofia? B - Ônti à noite, sete hoas. A - E aí, rasgou a orelha dela? B - Nã o, só sangou aqui. A - Hum... ai levou pro hospital? B - É mais ninguém médico. A - Ning uém medicou? B - Hum, hum. A - Nossa! B - Mais tem uma coisa. A - Po s so pintar aqui a terra? B - Mais tem uma coisa. A - Hum? B - Eu sabia, pegue os rem édio s e bo ta e eu peguei e botei nela. A - Ah! Tu sabia? Que bom .J á pode ser médico ne? O que tu q uer ser qua nd o crescer, já pensou? B - Pilot o de avião. A - Ah, é mesmo, tu já tinha me falado que queria ser piloto de avião, tem que estud ar muito, muito, muito. B - É já tenho tamém a mala do avião. A - Já tem a mala, aqu ela que vai puxando assim? B - É. A - Oh, viu que bonito que ficou? B - Um dia quandu eu fui viaja com o meu pai andei de avião, eu viajei aqui (trou x e um folheto de pr opag anda). A - Ah! Tu já andou de avião? B - Já, tinha que anda de avião. A - Mund o de atrações e lazer. B - Aqui tamém ó. A - Nossa! B - Ó eu eu fui sabe aonde? A Me explica. B Eu e o meu pai fumo, eu fui aqui e meu pai fumu aqui, eu ele fumo aqui, e ele fumu aqui e ele se jogô naqui. A Nossa , que grande, como é que voc ês fazem pra andar ai d e n tro ? B E aqui e aqui é bar, mas as cadelas são na água. A D e n tro d ’água? B E fui aqui, fui aqui. A E faz muito tempo isso? B Nã o. Fui aqui, fui e aí pegou um carrinho poque não tinha carro pa vendê, mais não precisava pagá ali, só precisava paga com carto n, com carton que eles delam. A Ah! Você pega um cartão e vai dando aquele cartão B É, até preenche. A Com o é o nome deste lugar? B Aqui. AH o t pa rk um mundo de a trações e lazer espera por você. B Aqui. A Tem preço? B Miu e quinhentus reais. A Meu Deus, é caro ne? Info rmações aqui. B E aqui ó, a gente fomu nessa piscina mais a água tinha um pob ema, mas sabe porque, po rque elas já vinham bolha assim ó, p orq ue quandu cai a chuva a bolha ficava bem que nte, água bem quente se a ge nte b otava o dedo ia fogo. A R i s o s . .. B É seio, é seio. A E r a água quente, muito quente. B Hum, hum. Deixa eu ver direitinho aqui. A Um dia quando eu tiver dinheiro eu vou. B Mais é muito caio, muito, cem quinhentus reais. Ai aqui ó... A Tu sabe onde é que fica? B Sei. A O nome. B I h ...V a i demoiar dez meses pa ti chegá lá. A Ah, demora bastante, mais tu foi de avião e ai foi rápido. B Não. A - N ã o é rápido de avião? B Não, porq ue aí o avião palava no outo e só que desce no outo avião, palava no outo, tinha que descê no outo avião, palava no outo, tinha que descê no outo avião e aí cheguei. A E a Sofia foi ju nto ? B Sozinhu. A Sozinho, e a Sofia não fica com ciúme? B ( Balançou a cabeça dizendo que não) A Q u an to s anos tem a Sofia? B Cíncu. A Ela também é novinha ? Tem que deixar o filho mais velho ir? E tu já fez aniversário? B Já, foi na berru d ’água. Ai aqui ó, tá tudo escrito ai, tu po c uia o cadê, pocuia... o treze, aqui o treze, cadê? Esse é o o dez. AJá achei, ta aqui. B E, o aqui, ai A Ó, tu gu ard a quando eu tiver dinheiro eu venho te p ro c u r a r pra você me e m p r e sta r isso ai, ai eu vou quere r ir lá também. E tu ficou quantos dias lá? B Vinte. A Vinte dias, tudo isso? Ah! Ganhei um, obrigado, vou guardar, vou quere r ir mesmo. B Ó aqui tá tudo brancu. A Qua ndo eu for rica e tiver dinheiro. B Meu pai é ricu, qué dizê, em vez de sê ricu ele é milionáiu. A Ele é milionário. Que bom ter um pai milionário. Ai, e a capa do disco, tu já viu um disco desse? B — Já. ^ i; A Já viu. Vai ficar gravando, deixa gr avando, depois a gente vai e scutar tudinho. Agora tu vai me dizer o que eu vou pintar. Eu pinto desse lado, e tu pinta desse lado. B Isso aqui, tudu, pela aí. A Você tem que falar, dá a ordem. B Calma aí. A Tu dá ordem. B Tô vendu esse riscu aqui tudo, e teu, pela aí. A Ta, e como é o nome disso aqui que tem do lado do tapete. B Chão. A O chão, mais e essas coisas que tem aqui. B Não sei. A - Não sabe? B Pelu. A Pe linho... então vamos fazer. B O teu ladu, ó o meu. A - E n tã o está bom, vamos lá só que, tu vai pintar primeiro, você que falou o que tu vai pintar? B Issu. A - Fala o nome. B Sofá, ne. A - E eu vou pintar a televisão, vou fazer uma televisão bem moderna. B Fez esse. A - Mais tu tem c erteza que o teu pai é milionário? Tem? P o r q u e ele tem muito dinheiro? B Tem, p o r q u e ele tem muito muito dineio, qué dizê, não palece mionáio mais, mais ele não, em vez dele gasta ele não gasta. A Ah! E aquele que guard a todo dinheiro. B Ai, ham, ham, ai tem uma coisa, istoio o crofe dele de tantu dineio. A Ah, eu queria ta lá pra j u n ta r esse dinheiro todo, tu sabe... B Conhece res ta u a n te (I) em Camboiú? A Conheço. B É do meu pai. A E ele tinha um restau ran te lá em Itajaí também, não tinha? B É, é do meu pai, tudus os r estau an te (I) é tudu do meu pai. A - E ele tem só ali, ou tem outro lugar também? B Não, tem Itajaí, Balneaio Camboiú e... A Aqui tem, Florianópolis? B Nã o, depois de Foianópis. A Tem aqui? B Nã o, depois de Foianópolis. A Ah, tem um depois de Florianópolis. B Nã o, é, tem lugá lá longi. A Ah, ali naquele lugar? B Não. É, ali tem um. A (I) também, meu Deus! ® ~ -Paiece que fuio. A De ve ter sido cupim. B Que, acho que to do s vêm assim. A Deixa eu ver, não ó, esse aqui não tem, o laranja não tem, vamos lá caprichar, tudo o que tu p inta r vai ter que dizer o nome, eu vou p in ta r a televisã o e a antena. B Queio vê o que já pegô agoa. AQue cor que eu pinto a porta, me ajuda. Ah...a cho que eu vou pintar com esse roxo aqui, to com v ontade de pintar com esse roxo. E ssa é a minha parte? B Essa aqui, esse aqui, esse aqui. A Hum! ta bonito. B E oto aqui. A Vamos caprichar, sério, será que eu pinto de v erd e a p o r ta , vai ficar bem colorido. Nã o po d e borrar. B Eu áchu que tá paiece tú d u errádu. A - N ã o é porque ta fraquinho, to pintando devagar. B Eu acho que eu fáçu mais frácu. A Que cor que tu vai pinto u o sofá? B P r ê t u pelo ai. A O que tem ali, p o rq u e que tu sabe que isto aqui é uma igreja? B P o q u e cuz. A Hum, mas tu sabe que tem igreja que não tem cruz, e como é que a gente sabe que é igreja. B Sabêndu. A - P o r q u e vê o povo rezando? Deu? Pa rec e preto. B Dexa ten tá como é que sê, vamu vê se fáçu. A Faz bem assim. B Fáçu mais frácu. A ( R iso s...) mais fraqui nho, e ai, agora tu vai amanhã lá pro teu pai então? Vai ficar lá, sexta, sábado e domingo? B Agóia eu vou pintá som. A Hum, e ai tu v olta qu a n d o do teu pai. B Ei, quinta. A Quinta-fe ira? Da semana que vem? E tu vai perd er aula? B Num tem aula. A Ah, pelo feriado. Ficou bonito, de verde. Nós vamos fazer um c oncurso, quem pinta mais bonito, pode ser? A tua metade e a minha metade. B - Mais a tua é mais grande. A - É, mais tu que fez errado, dividiu, eu acho que tinha que ser da p o rta assim? B - Assim ó. A - Deixa eu só terminar de pintar esse ladinho. B - Pela aí, eu acho que tu cerrace ó. A - Eu errei ? Eu não pintei da o u tra cor, eu quis pintar de verde. B - Ai, tô cansadu. A - Nã o, não mexe! Não mexe, deixa assim. E n tã o vamos fazer o o u tr o e depois pinta isso aqui, tá bom? Só faltou dizer o nome disso daqui. B - Eu já falei. A - O que tu falou. B - Planta. A - Ham, então vamos fazer assim ó, pra gente acabar, pode deixar, esse nós vamos por aqui, nós vamos faz er este. B - Num tem outo ai? A - Tu vai falar bem bonito e bem rapidinho tudo o que tem aqui nesse, nesse lu gar aqui, começar p or onde? P o r aqui? B - Ham, ham. A - Bem alto e bem bonito pra ap arecer aqui na gravação. B - Grama, cárru. A - E o que é isso aqui do carro, pra saber... B - Placa. A - Tu sabe a placa do carro do teu pai? B - Luz. A - Que carro o teu pai tem? B - Brasília. A - Brasília? B - Hum, hum. B - Roda, roda, bíci, home, trem, bagagem, bagagem, meninas. A - O que eles estão fazendo, esses meninos ai? B - Brincându, bárcu, navegându. A - E isso aqui que tem aqui no barco tu sabe pra que serve? B - Sei pó bárcu não ir mais. A - Is so !E como é o nome? B - Ancoia. A - Isso. B - Sol, nuvem, nuvem, nuvem, nuvem, nuvem, nuvem. A - E isso aqui que sai do trem? B - Ah... E como que é, fumaça, fumaça, fumaça, fumaça, fumaça. A - (R i s o s ...) E esse homem? B - Ele tá nadându, água, madelas. A - E isso aqui por onde o trem passa por cima, como é que é o nome? B - Nã o sei. A - Nã o sabe? É a linha do trem. B - O quê? A - Linha do trem, por onde ele só vai, no trilho, assim andando nesse trilho, o trem ele não, anda, ele só anda aqui em cima. E isso aqui é um carro? B - Caminhãu, qué dizê, trator. A - Isso, e quem é que ta dirigindo? B - O hômi. A - E como é que chama quem dirige, tu sabe? B - O senhor. A - Ah! B - As planta. A - Isso aqui? B - Arvole, árvole. A - Como? B - Árvole, árvole. B - Cano de descarga, A - Isso aqui o que é? Onde o carro tá andando? B - Pista, não rua, deu. A - H u m . . .Fizemos tudo mesmo, não esquecem os nada? B - Arreia. A - Como, ah!É mas essas coisinhas que vem g rud ad a s no trem. B - É não sei. A - N ã o sabe. É o vagão, é o vagão do trem. B - Tá, agóia vâmu ver aqui. A - A g o ra vamos ver o ou tro ? B - Tá vô só ficá falându, não vô ficá pintându. A - E n tã o ta, depois tu vai pinta r tudo, porq u e eu vou te dar o lápis de cor, entã o começa, bem bonitinho, tudo. B - Din oss aulo, árvole, cac ho rro , pedra, planta, liãu, cobra, pelai, vou fal pertu dela, aí ela tem mêdu (foi falar cobra perto da empregada). A - Ela tem medo de cobra? B - Deu já falei. A - Tu não falou. B - Passaínhu. A - Q u an to s pa ssarinhos tem? B - Dois, leão. A - Isso aqui? B - Flor. A - Hum, o que o peixe"ta fazendo? B - Nadându. A - Esse aqui, tu não falou. B - Já. A - Como é que tu falou? B - Leão. A - Leão? B - Tigre. A - Como? B - Tigre. A - Quand o tem um monte de árvores como é que a gente chama? B - Ávoles. A - Árvores, é assim, onde é que mora o Tarzan? B - Na Áfica. A - Na África e na África tem o que? B - Dinossaulo. A - (R iso s...) Floresta. B Agóia vou vê tudo túdu que eu falei. Deixa eu ver, tem que ver o que mais pra gente terminar, só me A re sp on d e o que é isso, aqui do dragão? B Dino é... A Isso aqui? B Não sei....rábu. A É o rabo. A E 0 que esse bicho come? Cárni. B A Carne, hum e o que o cac horro faz? B Caça. A Caça e ele faz um barulho? B Au. A (R iso s...) e tu falou cachorr o? Eu não ouvi tu falando cachorro. B Hum, hum. A E esse aqui, como é que é o nome, tu falou? B Que não sei. A Pa r ec e um cavalo, não parece? B Não é. A E um cavalo com listrinhas. B - Gilafa, gilafa! A Girafa, então fala. B Zebra. A Isso, tu falou. B Falei. A Com o é 0 nome? Borboieta. B A A cobra, a floresta, a pedra. B Tá, agóia vâmu ver túdu que eu falei. A Aqui, aperta aonde? Aqui no rádio, como é que tu faz pra ligar, aperta onde? B Aqui. A Como é que se chama? B Botão. A Isso, como é que a gente faz pra pe n du ra r o quadro na parede? B P régu, prégu. A E pra não chover dentro da casa o que tem que ter em cima da casa? B Telhádu. A Isso, viu. 0 que o passarinho está fazendo? B Tão indu um pa lá e oto pa lá. A Mas eles estão nadando? B Não. A - 0 que eles estão fazendo? B Vuându. A E , qual é o bicho pe quenininho que tem aqui, 0 mais pequenininho? B (Não foi possível compreen der o que foi dito). A Qual? B Aquele tamém é pequ eno tamém. A Eu acho o peixe bem pequenininho, a g o ra m ostra o c o n tr á r io de pequenininho ? B Grândi, grândi, grândi, grândi, grândi. A E a cobra é grande também p orque ela é compr ida assim, mais ela é grande. Bem legal. Que cor é a árvore? B Tens mantega de cacau? A Tenho, tenho batom também. B Ham, ham. A P o r q u e tu usa batom? B Não, uso mantega de cacau, que usá? A - Não eu tenho ali depois eu uso. E que cores são as árvores? Que cor tu ia pintar, de roxo? B Não. A Que cor? B É... A Amarelo? B N ã o ...v ed e . A Ah, tu sabe. Eu vou arrumando ta? Achou? Se tiver difícil deixa... Essa p asta é de quem? B Minha. A Tua pasta? B Hum, hum. Ó tem até lapizeia, ó! A Mentira, que é da tua mãe. B Não, é minha pó. A P o r q u e essa pasta aí é pasta de mulher B Não A É sim, pasta de mulher é assim, e a pasta de homem carrega assim ó! B Ó. A Ai que bonito! B Isso aqui empestou pa mim. A Te empr estou, viu como era da tua mãe? Homem não usa p asta com alcinha. Que que está escrito aí na frente, deixa eu ver a pasta dela na frente. O nome B Tatiana. A Ah! tá fazendo faculdade ne? Tem durez ai será? B Tem. Qué jogá? A Baralho? Ih mais nós temos que fechar a caixa primeiro trás aqui depois a gente jog a, a g e n te jo g a até a tua mãe chegar. Tá me empresta um pouquinho. B Isso aqui não é meu ne é da minha irmã. A Hum, mais é cheiroso. B Queio vê. A O, é bom porque não racha ne a boca, homem pode passar também. Ai, me m o s t r a as fotos. Quem é esse aqui de vermelho? B Não pela aí vem ver essa daqui ó vem co vi essa aqui ó (gritando lá do seu q u a rt o ) A Ah que foto! B - Nã o bota a mão. A - Ui, o que é isso? É massinha? B - Não. A - Ah, vem cá me m ostra o que isso, deixa eu ver, mostra pra mim, tu que vai falar tudo. Ah, um camelo, ah tu tem que me c o n ta r que m é quem? B - Tá (desligou o gravador). A - Senão estraga, depois eu tenho que copiar tudo. Quem é esse aqui? B - Meu tiu. A - É irmão da tua mãe ou do teu pai? B - E ssa dai a piscina do meu pai. A - É lá na casa do teu pai? B - É. . A - Iss o aqui é lá em Balneário, não é em Balneário? B - Ai, ai não é mais em Balneaiu não. A - Ah era lá na Itália? B - Não. A - Me conta direitinho e quem é esse que está de máscara? B - Isso dai é na Bahia. A - Tem dunas aqui ne? B - Queio vê. , A - Aqui ó. B - Ó esse aqui é o meu b ran q ue d o mais pefeido. Tá vêndu esse caia aqui ó? A - Que legal! B - Pe la aí, esse aqui tamém é meu tiu. A - É tu a mãe? Aquilo ali. B - Não, não ali é minha tia, meu tiu foi assim ó, ele tava esse aqui é o meu tiu foi assim vummm... A - E s c o rre g a? B - Hum, hum. A - Nossa! Do alto? B - Hum, hum. A - Quem é essa daqui? B - E sse daqui é o violão meu. A - Esse que foi teu o violão que quebrou? E quem são esses dois? B - Tem outo lá no meu pai, essa minha tia e meu tiu. A - E essa é tua mãe? B - Olha olha ali meu Oto. A - Que legal e paga pra ir nisso daí? B - Não, tá vendu não é nesse aqui não, nesse. A - E ssa de biquine quem é? B - Minha tia j á disse, aqui. A - Ah, mais a tua mãe não ta nessa foto? B - Não. A - Que legal, e tu tava aí ju n to ? B - Não. A - Tu era pequeno? B - Não. Pala aí papapa. A E aí que tem o restau ran te? B Não, ó pelai. A Ah, que massa. B Aqui o meu pai fez o meu tiu fez ai aí ele vai vai chegô aqui chega aqui ó. A Uh, que louco. B D epo is foi sozinho essa coisinha pra ele já tá que ele paga aquele carrinhu que já ta aqui e vai até aqui deu cabo. A Puxa, agora eu quero que tu most re pra mim B. esse aqui. Quem são estes daqui? Quem é o de vermelho? B Meu vô. A Pai da tua mãe ou pai do teu pai? B Pai da minha mãe. A E ele mora lá em Itajaí? B N ã o , olha aqui. A E tu aqui? Não, Ai Benjamim vai cair, desce, vai virar a mesa, vai q u e b r a r o dente, c u i d a d o ! !! B O lê isso aqui pra mim, tá na vó minha mãe nem me m o str a isso aqui, agóia tá com colági de vê lê aqui essas cartinhas aqui pa mim. A Leio. BB person al banco debitado conta Iraci, Tatiana mil reais, ate nção será cobra do, pra que que é isso aqui? B Num sei lê que que ta. A Isso aqui ta dizendo que foi no natal, um presente dinheiro, j á faz tempo. B É? A Tu não sabia? B N ã o , mais um dia espiei. A Ah, então nem mexe se tua mãe c hegar ela vai ficar brava. E n tã o vamos ver rápido, ah também ó... B Ah então tá têndu engana nós? A Quem, não é bilhete isso, é negócio de banco. B Que negóciu de bâncu isso aqui não. A É. B Foi minha irmã que fez isso aqui ó. A - Foi tu a irmã? Tua irmã sabe escrever no computador? Mas, ela não é pequenininha? B É mais ela sabe. A Sabe ler também? B Não. ANEXO B TR ANSCRIÇÃO FONÉTIC A A L F A B E T O FONÉTICO IN TE RN ACIO N AL Dinheiro T eso ura Guarda-chuva Armário Televisão M artelo B ri n q u ed o s Arvo re s Pr a Feira Am érica Janeiro F lorian óp o lis Baln eário D e n tro Porque Banheiro Garagem Piscina O utra Ontem H ora s Sang ro u Também Cadeiras C artão Deram Problem a Sério Caro D e m o ra r P a rava Outro Procura Milionário E spe ra Estourou Cofre Camboriú T o d os [ dj i ‘n e j u ] [ t e ‘z 0 j B ] [ ‘g a d B ‘J u v B ] [ a X ‘m a j u ] [ t e l e ‘z 3 w ] [ m a ‘t s 1 u ] [ b R 3 ‘k e d u s ] [ ‘a x v o l e ] [aRvwis] [ p a] - vocábulo átono - [ p r a ] [ ‘f e j B ] [ a ‘m s 1 i k B ] [ 3 a ‘n e j u ] [ f o j a ‘n o p o l i s ] [ f o j a ‘n o p i s ] [ b a w n e ‘a j u ] [ ‘d è" t u ] [ p o ‘k e ] [ p o x ‘k e ] [ b 3 ji e 1 u ] [ g a ‘1 a 3 è j ] [ p i ‘s i n B ] [ ‘o w t B ] [ ‘õ tj i ] [ ‘o B S ] [ S 3 ‘g O W ] [ t a ‘m ê j ] [ k a ‘d e 1 a s ] [ k a X ‘t õ ] [ ‘d s 1 9 w ] [ p 0 ‘b e m B ] [ ‘s s j u ] [ ‘k a j u ] [ d e m o j ‘l a x ] [ p a ‘l a v B ] [ ‘o t u ] [ ‘o w t u ] [ p 0 ‘k U j B ] [ m i l i o ‘n a j u ] [ m i o ‘n a j u ] [ ‘p s 1 B ] [ i s t 0 ‘j o ] [ ‘k r o f i ] [ k ã b o ‘j u ] [ ‘t u d u s ] Parece Furo Quero Agor a Cruz Erra ss e Bicicleta Homem Âncora M adeiras Areia D ino ss auro Pass arinho África Borboleta Verde L apizeira Emprestou Cara Coragem T entan d o R e s t a u r a n te p a ‘j s s i ] [p a ‘1 s s i ] f u ‘j o ] k s j u ] a ‘g 3 B ] ‘k u s ] s e ‘x a s i ] ‘b i s i ] ‘o m i ] 3 ‘k 0 j a ] m a ‘d e 1 B s ] a ‘r e j B ] d i n o ‘s a w l u ] p a s a ‘i ji u ] ‘a f i k B ] b o x b o ‘j e t e ] ‘v e d 3 i ] 1 a p i ‘z e j B ] ê j p e s ‘t o w ] ‘k a j B ] k o ‘1 a 3 i ] t a ‘t ê" d u ] X e s t a w ‘ã tj i ] ANEXO C CARTELAS TEMÁTICAS ... jj"V'X"‘v^ ANEXO D AUTORIZAÇÃO DOS PAIS Universidade Federal de Santa Catarina Curso de pós-graduação em lingüística - Mestrado Termo de autorização De acordo, autorizo a mestranda Elaine Cristina Cardoso Pereira a utilizar o material coletado referente ao menor___________ na sua dissertação de mestrado. Assinatura do responsável