II SEMINÁRIO FIDELID: Diálogo e reflexão do Ensino Religioso na escola UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA Reitora Vice-Reitor MARGARETH DE FÁTIMA FORMIGA MELO DINIZ EDUARDO RAMALHO RABENHORST EDITORA DA UFPB IZABEL FRANÇA DE LIMA ALMIR CORREIA DE VASCONCELLOS JÚNIOR JOSÉ AUGUSTO DOS SANTOS FILHO Diretora Supervisão de Editoração Supervisão de Produção COMISSÃO CIENTÍFICA Dr. Marinilson Barbosa da Silva Dra. Glória das Neves Dutra Escarião Dra. Danielle Ventura Bandeira de Lima Dr. Deyve Redyson Melo dos Santos Dra. Maria Lucia Abaurre Gnerre Ms. Maria José Torres Holmes. COMISSÃO ORGANIZADORA Thalisson Pinto Trindade de Lacerda/UFPB Mirinalda Alves Rodrigues dos Santos/UFPB Wellida Karla Bezerra Vieira/UFPB Fernanda Nascimento dos Santos/UFPB Aldenir Teotônio/UFPB Ana Cristina de Almeida Cavalcante Bastos/UFPB Dafiana do Socorro S. Vicente Carlos/UFPB Rosângela Martins do Vale/UFPB Sunamita Araújo Pereira Damasceno/UFPB Paulo Ferreira Cavalcante/UFPB Josilene Silva da Cruz/UFPB Marinilson Barbosa da Silva Glória das Neves Dutra Escarião Thalisson PintoTrindade de Lacerda Mirinalda Alves Rodrigues dos Santos (Organizadores) CADERNO DE RESUMOS EXPANDIDOS II SEMINÁRIO FIDELID: Diálogo e reflexão do Ensino Religioso na escola. Editora da UFPB João Pessoa 2015 Ficha catalográfica elaborada na Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba S471a Seminário FIDELID (2:2014 : João Pessoa, PB) Anais do II Seminário FIDELID: diálogo e reflexão do ensino religioso na escola - cadernos de resumos expandidos, 17 de outubro / Organizadores: Marinilson Barbosa da Silva, Glória das Neves Dutra Escarião, Thalisson Pinto Trindade de Lacerda.-- João Pessoa: Editora da UFPB, 2015. 66p. : il. ISBN: 978-85-237-1000-2 1.Educação religiosa. 2. Ensino religioso - currículo. 3. Práticas pedagógicas. 4. Diversidade cultural e religiosa. I. Silva, Marinilson Barbosa da. II. Escarião, Glória das Neves Dutra. III. Lacerda, Thalisson Pinto Trindade de. CDU: 37:2 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................... 6 PROGRAMAÇÃO .......................................................................................................................................... 7 COMUNICAÇÕES......................................................................................................................................... 9 FORMAÇÃO CONTINUADA DO PROFESSOR DO ENSINO RELIGIOSO NUMA PERSPECTIVA INCLUSIVA ................................................................................................................. 10 Ana Cristina de Almeida Cavalcante Bastos ................................................................................ Glória das Neves Dutra Escarião .................................................................................................. ENSINO RELIGIOSO E EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS: REFERENCIAIS A PROPÓSITO DE UMA DIVERSIDADE RELIGIOSA ........................................................... 15 Elenilson Delmiro dos Santos .................................................................................................. 15 FORMAÇÃO DE DOCENTES DO ENSINO RELIGIOSO ....................................................... 21 Fernanda Santos do Nascimento - UFPB ..................................................................................... A RELEVÂNCIA DO CONTEÚDO MIDIÁTICO NA ESCOLA: UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA O CURSO DE CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES .................................. 27 Gilda Pereira de Morais Mariano ................................................................................................. A LINGUAGEM SIMBÓLICA COMO PROPOSTA METODOLÓGICA PARA O ENSINO RELIGIOSO ................................................................................................................................ 32 Josilene Silva da Cruz ................................................................................................................. Eunice Simões Lins Gomes ......................................................................................................... A INCLUSÃO DOS SURDOS ATRAVÉS DA LÍNGUA DE SINAIS NO ENSINO RELIGIOSO.................................................................................................................................................... 36 Eunice Simões Lins Gomes ......................................................................................................... Luciana Dos Santos Costa ........................................................................................................... Djanete Ribeiro de Oliveira ......................................................................................................... A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL EM CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES NO ENSINO RELIGIOSO ................................................................................................................................ 41 Rafael Trindade Heneine ............................................................................................................. TEORIA E PRÁTICA NO ER: COMPONENTES PRIMORDIAIS E SENTENÇA REPRESENTATIVA DE UMA TRADIÇÃO RELIGIOSA ....................................................... 47 Sidney Allessandro da Cunha Damasceno ................................................................................... Eunice Simões Lins Gomes ......................................................................................................... ENSINO RELIGIOSO: FORMAÇÃO E PRÁTICA PEDAGÓGICA EM PROCESSO... ............................................................................................................................................................................... 54 Sunamita Araújo Pereira Damasceno .......................................................................................... ENSINO RELIGIOSO E FORMAÇÃO DOCENTE: PERSPECTIVAS DAS CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES ......................................................................................................................................... 58 Thalisson Pinto Trindade de Lacerda .......................................................................................... Mirinalda Alves Rodrigues dos Santos ....................................................................................... Wellida Karla Bezerra Alves ....................................................................................................... ENSINO RELIGIOSO NA ESCOLA: O PERFIL QUE OS EDUCANDOS POSSUEM DA DISCIPLINA NO ENSINO FUNDAMENTAL ........................................................................ 62 Welinghton Alves Sales de Macedo - UFPB ............................................................................... 6 APRESENTAÇÃO O presente seminário FIDELID (Formação, Identidade, Desenvolvimento e Liderança de Professores de Ensino Religioso), tem como objetivo; promover o diálogo inter-religioso nas práticas pedagógicas; refletir os entraves do atual modelo de estrutura curricular do Ensino Religioso, já que a mesma apresenta-se como uma disciplina em construção e, proporcionar um seminário que integre uma discussão da prática pedagógica do professor/a na escola. Nesse contexto, em relação ao seminário, abordaremos o tema gerador: II SEMINÁRIO FIDELID: DIÁLOGOS E REFLEXÃO DO ENSINO RELIGIOSO NA ESCOLA, à qual trará temas relacionados ao Ensino Religioso na perspectiva da formação de professores/as, as Ciências das Religiões e diversidade religiosa, conforme as propostas que permeiam o contexto da linha de ―Educação e Religião‖, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Palavras-chave: Ensino Religioso; práticas pedagógicas; currículo; diversidade cultural e religiosa. 7 PROGRAMAÇÃO II SEMINÁRIO FIDELID: Diálogo e reflexão do Ensino Religioso na escola. Data: 17/10/2014. Horário: 07: 00H às 21: 30 da noite. Auditório do Centro de Educação – CE. (MANHÃ) 07:00 – 08:00 – Credencimento 08:00 – 09:00 – Solenidade de abertura PROF. Drº. Deyve Redyson Melo dos Santos. (Coordenador do PPGCR - UFPB) PROF. Drº. Marinilson Barbosa da Silva (Coordenador do FIDELID - UFPB) PROF. DR. Wilson Honorato Aragão (Coordenador do Centro de Educação - CE - UFPB). 09:00 –10:00 – Conferência de abertura Marilnilson Barbosa da Silva. (PPGCR - UFPB) Diálogo e reflexão sobre o Ensino Religioso na escola. 10:00 – 10:30 – Coffee Breack 10:30- 11:00 – Exibição do curta: Cumadre Fulorzinha: Uma história sobre mito, rito e espiritualidade indígena. 11:00 – 13:00 – 1ª Mesa: Drª Glória das Neves Dutra Escarião. (PPGCR UFPB) O currículo do Ensino Religioso: Propostas e desafios. (TARDE) 13:00 -14:00 – Intervalo para o almoço. 14:00 -15:00 – 2ª Palestra: Ms. Maria José Torres Holmes (Membro do FONAPER) O Ensino Religioso no cotidiano escolar. 15:00-16:00 – 3ª Palestra. Drª. Danielle Ventura Bandeira De Lima. (PUC – GOIÁS). Ensino Religioso em debate: Dificuldades e Estratégias. 16:00 – 16: 15. Intervalo 16-15 - 17:45 – Apresentação de trabalhos: Comunicação em Pôster. (NOITE) 18:00 – 18:30 – Intervalo. 18:30 – 19:30 – 4ª Palestra - Prof. Dr. Deyve Redyson Melo Dos Santos (Coordenador do PPGCR - UFPB). A Contribuição de Paulo Freire para o estudo da Religião. 8 19:30 – 21:00 – Conferência de Encerramento. PROFº. Dr. Sandro Guimarães De Salles. (CAA - UFPE) PROFª. Drª. Dilaine Soares Sampaio. (PPGCR - UFPB). 9 COMUNICAÇÕES 10 FORMAÇÃO CONTINUADA DO PROFESSOR DO ENSINO RELIGIOSO NUMA PERSPECTIVA INCLUSIVA Ana Cristina de Almeida Cavalcante Bastos1 - UFPB Glória das Neves Dutra Escarião2 - UFPB 1. INTRODUÇÃO O Ensino Religioso - ER, normatizado pela Lei 9475 de 22/07/97, caminha na transformação de uma hegemonia monocultural, resquício de um ensino religioso confessional e interconfessional, para uma visão epistemológica, pedagógica e científica objetivando a formação básica do cidadão. Destarte propicia a reflexão sobre determinados caminhos que apontam para a construção de uma sociedade inclusiva que passa necessariamente por uma educação inclusiva, ao defender relações interpessoais em espaços de convivência que reconheçam e respeitem as diferenças, a diversidade cultural, religiosa e combatam o preconceito e a intolerância. O ER enquanto componente curricular, tem a possibilidade de em seus eixos temáticos, promover a interlocução de questões pertinentes à formação de valores de aceitação e respeito às diferenças e diversidades, voltados à visibilização dos grupos populacionais mais suscetíveis à situações de exclusão, com vistas a promoção do reconhecimento e assunção cultural das minorias (FREIRE, 1996). Dentre estes grupos estão as pessoas com deficiência que segundo a Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência podem ser definidas como: 1 Possui graduação em Estudos Sociais – UEPB/PB e Pedagogia – UVA/CE – Especialista em Psicopedagogia Institucional – CINTEP/PB– mestranda em Ciências das Religiões - UFPB. Professora da Rede Estadual à disposição da Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência – FUNAD/Paraíba, enquanto reabilitadora na Assessoria de Educação Especial – Professora da Educação de Jovens e Adultos da Rede Municipal de João Pessoa – PMJP/PB – e-mail: [email protected] 2 Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal da Paraíba (1972), mestrado em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (1996) e doutorado em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (2006). Atualmente é professora universitária da Universidade Federal da Paraíba atuando principalmente nos seguintes áreas: currículo, pedagogo, supervisão e orientação escolar, projeto político pedagógico e escola pública, ciências das religiões. Coordena o Programa PROLICEN e a Coordenadoria de Currículos e Programas da PRG/UFPB. – e-mail: glóriaescariã[email protected] 11 [...] aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas. (BRASIL, 2008) A Pesquisa intitulada ―Formação continuada do professor do ensino religioso: Um novo olhar sobre a inclusão de alunos com deficiência na escola‖ tem como foco a investigação sobre a formação continuada do professor do ensino religioso em educação especial na perspectiva inclusiva, com vistas a observar se esta formação de seus docentes favorece ao Ensino Religioso ser um lócus de fortalecimento da educação inclusiva. O estudo tem como objetivo central analisar o processo de formação continuada dos professores de Ensino Religioso numa perspectiva inclusiva em cinco escolas da Rede Municipal de João Pessoa-Paraíba, objetivando identificar se estes docentes possuem formação continuada em educação especial/ inclusiva. Pretende analisar o entendimento dos conceitos de inclusão, exclusão e diversidade e de como o conhecimento teórico sobre educação inclusiva se aplica na prática pedagógica do professor do ensino religioso. 2. METODOLOGIA No exercício da pesquisa e produção do conhecimento, Oliveira enfatiza o caráter constitutivo do olhar, ouvir e escrever como três etapas imprescindíveis na apreensão dos fenômenos sociais, sendo estes disciplinados pela teoria social que pré-estrutura o olhar e sofistica a capacidade de observação. Afirma ainda que ambos se complementam e servem para o pesquisador como duas muletas ―que lhe permitem caminhar, ainda que tropegamente, na estrada do conhecimento‖ ((2006. p. 21) Esta analogia serve para mostrar que a caminhada da pesquisa nem sempre é fácil e que é suscetível a muitas quedas. Assim, afirma o autor que a primeira experiência do pesquisador de campo consiste na domesticação teórica de seu olhar e que este olhar etnográfico termina por promover uma refração na maneira de ver a realidade de acordo como o itinerário acadêmico percorrido pelo pesquisador. A partir do momento em que nos sentimos preparados para a investigação empírica, o objeto, sobre o qual dirigimos o nosso olhar, já foi previamente alterado pelo próprio modo de visualizá-lo. Seja qual for esse objeto, ele não escapa de ser aprendido pelo esquema conceitual da disciplina formadora de nossa maneira de ver a realidade. (OLIVEIRA, 2006. p. 21) Segundo Damasceno e Sales (2005), a pesquisa qualitativa é um tipo de abordagem que permite a aferição de aspectos qualitativos de questões relevantes no campo 12 sócioeducacional, como por exemplo, atitudes, expressões culturais, motivações, percepção, representações sociais e saberes gerados nas práticas socioeducativas. A análise dos dados ocorre de forma indutiva; sem a preocupação primeira, portanto, de confirmar hipóteses, as quais não são constituídas previamente, mas vão se constituindo na medida em que os dados são descobertos e se inter-relacionam. Tendo em vista a complexidade e abrangência do tema, estamos utilizando a pesquisa teórico-metodológica documental e bibliográfica sobre educação especial/inclusiva e ensino religioso, procurando sempre promover a interface entre os saberes, tendo a diversidade como eixo norteador. Na pesquisa bibliográfica utilizamos como fonte os livros, artigos de periódicos e outros materiais disponibilizados na Internet. Na pesquisa documental, fizemos análise dos documentos filosóficos e normativos em âmbito internacional e nacional que ratificam a Educação Inclusiva. Utilizaremos também no decorrer do estudo, a aplicação de questionários, a elaboração de quadros e tabelas e a análise de todas as informações para traçar um perfil do professor do ensino religioso numa perspectiva inclusiva. Por fim, faremos a análise, interpretação e cruzamento de todos os dados obtidos na pesquisa, junto às fontes teóricas estudadas, objetivando auferir subsídios que possam comprovar qual a real importância da formação continuada do professor do Ensino Religioso para a promoção de ambientes inclusivos com vistas a uma educação de qualidade para todos os alunos. 3. RESULTADOS O Ensino Religioso, enquanto componente curricular que trabalha para a formação de um ser crítico e pensante no exercício de sua cidadania pode fomentar os princípios da educação inclusiva no respeito à diversidade, como forma de promover a visibilidade de uma minoria que não é tão minoria assim, já que segundo os dados do Censo 2010, 24% da população brasileira, afirmou ter algum tipo de deficiência, o que corresponde à cifra de 45 milhões de pessoas. A Paraíba é o 3ª Estado brasileiro com o maior número de pessoas com deficiência num total de 1.045.962, totalizando um percentual de 27,7% de sua população. Almejamos como resultado dessa pesquisa, responder às indagações sobre o processo de formação continuada do professor do ER no tocante à construção epistemológica voltada para a diversidade dos alunos com deficiência em suas necessidades. Este resultado demonstrará a relevância social desta pesquisa no sentido de permitir uma análise crítica e reflexiva, sobre o que o professor do ensino religioso entende por inclusão, exclusão e 13 diversidade e de como esses conceitos são aplicados em sua prática pedagógica, mais especificamente, na educação inclusiva enquanto construção de um ambiente acolhedor para o recebimento e manutenção de alunos com deficiência no ambiente escolar, de forma a se apontar qual o papel concreto que o professor pode desempenhar para disseminar a educação inclusiva e a inclusão de alunos com deficiência nas escolas. 4. CONCLUSÃO O Professor do Ensino Religioso deve possuir saberes que favoreçam a promoção da autonomia do educando (FREIRE, 1996). Assim, pautando sua busca de conhecimento na saída de uma curiosidade ingênua para uma curiosidade epistemológica e rejeitando todo o tipo de discriminação, com bom senso, criatividade, estética e ética, este profissional, exercitará sua prática pedagógica na assunção cultural de cada um de seus alunos, independente que tenham ou não deficiência, já que o ser humano é inconcluso, condicionado, mas não determinado. Por isso, mais uma vez professamos a importância das agências formadoras dos professores do Ensino Religioso que estas contemplem nestes espaços de formação continuada, conteúdos inerentes ao contexto da inclusão dos alunos com deficiência em ambiente escolar, para que a partir do momento em que os professores absorvam conhecimentos teóricos e práticos, possam se sentir subsidiados a fazer com que essa concepção sobre educação inclusiva, chegue à sua prática pedagógica na escola, a fim de que estes cada vez mais assumam o papel de interlocutores da busca da formação integral de todos os seus alunos. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 9.475, de 22 de julho de 1997 - Dá nova redação ao art. 33 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9475.htm>. Acesso em: 13 jun. 2014 CARDOSO de oliveira, Roberto. O trabalho do antropólogo. 2. ed. Brasília: Paralelo 15; São Paulo: Editora Unespe, 2006. DAMASCENO, Maria Nobre; SALES, Celina de Maria Veras (orgs). O caminho se faz ao caminhar: elementos teóricos e práticos na pesquisa qualitativa. Fortaleza: Editora UFC, 2005 14 FÓRUM NACIONAL PERMANENTE DO ENSINO RELIGIOSO. Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Religioso –– São Paulo, Mundo Mirim, 2009. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo – Paz e terra, 1996 Globo.com. 23,9% dos brasileiros declaram ter alguma deficiência, diz IBGE. Disponível em <http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/04/239-dos-brasileiros-declaram-ter-alguma- deficiencia-diz-ibge.html>. Acesso em: 20 maio. 2012 REDE SACI. 27,7% da população paraibana tem algum tipo de deficiência, diz IBGE. Disponível em <http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi¶metro=34235> Acesso em 20/05/2012 SECRETARIA ESPECIAL DOS DIREITOS HUMANOS. A convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência: versão comentada. Brasília:CORDE, 2008. Coordenação de Ana Paula Crossara de Resende e Flávia Maria de Paiva Vital. Brasília: 15 ENSINO RELIGIOSO E EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS: REFERENCIAIS A PROPÓSITO DE UMA DIVERSIDADE RELIGIOSA Elenilson Delmiro dos Santos – UFPB3 1. INTRODUÇÃO A relação entre Ensino Religioso e Direitos Humanos é uma questão que estar longe de ser chamada de nova. Na verdade, como demonstra o primeiro boletim informativo do Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (FONAPER), 2011, este, no seu espaço pedagógico, já chamava a atenção para a temática, apresentando a cartilha Diversidade Religiosa e Direitos Humanos como uma ferramenta útil na abordagem desta interface. O FONAPER indica a cartilha Diversidade Religiosa e Direitos Humanos e o vídeo que tratam da diversidade religiosa no mundo e no Brasil demonstrando a fundamental importância de uma postura respeitosa e comprometida de toda a sociedade no combate a intolerância religiosa e, não apenas a escola (FONAPER, 2011). Considerando, a reflexão crítica e dialógica como um das posturas adotadas pelo Ensino Religioso, a Diversidade Religiosa, portanto, se coloca aqui, como uma de suas dimensões a serem exploradas. Desta forma, dar-se, entre outras, uma contribuição para a compreensão das semelhanças e diferenças existentes entre as tradições religiosas. Contudo, antes de chegarmos ao principal objetivo, no caso, o Ensino Religioso e a Educação em Direitos Humanos como referenciais para a Diversidade Religiosa, dois pressupostos básicos ainda se fazem necessários para relacionarmos de uma forma prática o que estamos propondo, resumidamente, dada a natureza deste trabalho. O primeiro diz respeito à superação do reducionismo que foi posto ao Ensino Religioso, ou seja, na compreensão de muitos se trata de uma disciplina confessional e que ainda se faz escrava de uma determinada teologia. O segundo se refere à adesão do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH), enquanto um plano que visa a ―concretização dos Direitos Humanos‖ (BRASIL, 2007) a partir da educação e, de uma forma 3 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) 16 mais concreta, em sua disposição nas ementas disciplinares da educação básica enquanto conteúdo passível de discussão e ensino. A execução destes dois pressupostos, a princípio, não é uma tarefa fácil, ainda mais se levarmos em consideração a frequência com que o desrespeito às diversidades religiosas, assim como, aos próprios Direitos Humanos tem ocorrido em nossa sociedade. Porém, se é nossa pretensão chegar a uma Diversidade Religiosa, de fato e de direito, utilizando-se do recurso escolar, apontamos que este deve ser um primeiro caminho. A partir desse momento, passamos a entender que atualmente a aprendizagem escolar também vem se circunscrevendo por meio de ações educativas que tem por fim a cidadania de uma forma geral e não apenas ao letramento. Neste sentido, Amauri Ferreira e Maria Marques vão falar da existência de duas dimensões fundamentais: ―A de formação de valores democráticos e a de formação para a tomada de decisão política em todos os níveis‖ (FERREIRA; MARQUES, 2011, p. 159 – 160). Ao postularmos, portanto, a ideia de que o Ensino Religioso e os Direitos Humanos se fazem referenciais importantes para a promoção da Diversidade Religiosa estamos, consequentemente, inserindo a nossa proposta no campo dessas novas ações educativas. E, de certo modo, estamos também recorrendo a uma polêmica frequente tanto para o Ensino Religioso quanto para a Educação em Direitos Humanos. Se por um lado, o Ensino Religioso se encontra, ou deveria estar diretamente relacionado a questões que remetem a laicidade e a secularização do Estado, por outro lado, em uma problemática não muito diferente, temos os Direitos Humanos, em sua totalidade, como uma meta ainda não alcançada e com alguns preceitos ainda combatidos pela própria sociedade. Portanto, defendemos a premissa de que a consonância entre essas duas áreas, cujos interesses em comum podem facilmente se articular em beneficio da ampliação do desenvolvimento democrático do nosso Estado, podem juntas coadunar para a superação de um paradoxo ainda existente em nosso Estado dito ―democrático‖, a intolerância religiosa. 2. METODOLOGIA No caso do Ensino Religioso, tendo este como alguns dos seus fatores imprescindíveis: o diálogo com a realidade social, isto, a partir da experiência cotidiana dos seus alunos, e a aproximação com outras áreas de pesquisas que, no caso deste trabalho, se dá com a Educação em Direitos Humanos, a nosso ver, encontra-se no método dialógico de Paulo Freire caminho mais profícuo para as pretensões deste trabalho. De maneira a conciliar 17 com esta perspectiva metodológica, recorremos, a princípio, a produção bibliográfica já existente como forma de fundamentar nossas ideias. 3. RESULTADOS Atualmente, pensar em educação é pensar nas múltiplas urgências sociais que nos obriga, pedagógica e eticamente, a sair, quando necessário, dos limites dos círculos fechados das salas de aulas e adentrar em um universo bem mais complexo e hostil, no caso, a realidade social com todas as suas configurações. Porém, numa perspectiva freireana, é justamente nesta que se encontra o saber fundamental ―Como professor preciso me mover com clareza na minha prática. Preciso conhecer as diferentes dimensões que caracterizam a essência da prática, o que me pode tornar mais seguro do meu próprio desempenho‖ (FREIRE, 1996, p. 68). Tal perspectiva nos faz pensar que a Diversidade Religiosa, enquanto direito, quando discutida a luz do Ensino Religioso e dos Direitos Humanos necessariamente remete-nos a afirmação de que este direito faz parte de um processo de conquista que vêm se dando a várias gerações. Sua história, que resulta da compreensão dos direitos dos homens como sendo um direito natural, chegou à contemporaneidade sob a condição de ―‗direitos dos povos‘ ou ‗direitos coletivos‘‖ (FERREIRA; MARQUES, 2011, p. 160). A partir da segunda metade do século XX as mudanças que foram ocorrendo no mundo contribuíram para que as relações entre as pessoas se modificassem, isto, em todas as suas dimensões sejam elas de caráter econômico, político, social e/ou principalmente cultural o que, por sua vez, nesta última dimensão vai dar margem também para a intolerância religiosa. No caso da intolerância religiosa, esta se dá pela ausência de uma Diversidade Religiosa. Neste caso, visando de uma forma planejada e por meio de ações políticas em defesa da liberdade religiosa em nosso país, em 25 de janeiro de 2013 foi instituído o Comitê Nacional da Diversidade Religiosa por meio da portaria de nº 92/2013-SDH/PR. Seus objetivos tem como propósitos promover o direito ao livre exercício das diversas práticas religiosas, disseminando uma cultura da paz, da justiça e do respeito às diferentes crenças e convicções. Desta forma, em nível de instância governamental, esta se faz como responsável pela promoção da laicidade do Estado e pelo enfrentamento da intolerância religiosa. A compreensão de diversidade religiosa requer a ampliação conceitual e prática já que nosso país, embora constituído por múltiplas pluralidades, presencia atos de intolerância e violência com base na religião ou convicção. Ao mesmo tempo requer 18 atenção, pois, a partir destas mesmas bases, é evidente que há tendências de relativizar ou deslegitimar os avanços dos direitos civis no país, ferindo a Constituição Federal e os tratados internacionais em que o Brasil é signatário. (BRASIL, 2012, p. 6). Cônscio deste paradoxo, o Ensino Religioso, enquanto área do conhecimento da educação básica, no contexto dessa situação de um não respeito à Diversidade Religiosa, não foge a regra que diz que a escola representa um espaço de socialização dos saberes. Segundo Luciana Calissi esta representa um ―espaço político-pedagógico formadora de crianças e jovens que, se educados sob os princípios da igualdade, liberdade e fraternidade, respeitando a diversidade e defendendo a dignidade humana, ajudarão a construir uma sociedade mais justa‖ (CALISSI, 2014, p. 109). Desta forma, para um melhor educar é preciso compreender o ambiente escolar como um espaço que deve conceber o mundo e suas diversas culturas, não esquecendo que é nesta realidade que vivem os seus educandos. Assim, o Ensino Religioso considerando os seus pressupostos didáticos não foge a esta necessidade. Conforme os Parâmetros Curriculares do Ensino Religioso (PCNER) o conhecimento, de acordo com as teorias contemporâneas, aproxima-se cada vez mais da ideia de que conhecer é construir significados e que para ―viver democraticamente em uma sociedade plural é preciso respeitar as diferentes culturas e grupos que a constitui‖ (FONAPER, 2009, p. 58). Portanto, o Ensino Religioso se propõe a atuar nesta perspectiva de diálogo com o mundo e, consequentemente, vai estabelecendo a construção ou a reconstrução se for o caso, daquilo que é seu principal objetivo: o conhecimento do fenômeno religioso. Contudo, este é um conhecimento que não tem na religião seu fim último. Na verdade, para se chegar a ele existe um percurso de diálogos a ser construído e sistematizado. Considerando, pois, que atualmente temos assistido a graves violações de direitos e de intolerâncias religiosas, fatos estes que por sinal a escola, como já analisamos, tem um papel decisivo para o seu enfrentamento, surpreende o fato de que mesmo sendo os Direitos Humanos um conteúdo interdisciplinar como sugere o PNEDH em suas linhas gerais de ação, sua aceitação enquanto área do conhecimento a ser trabalhado pelas disciplinas em sala de aula ainda é um impasse. Sem mencionar o porquê dessa não implementação nos currículos disciplinares, que não nos cabe problematizar aqui, o Ensino Religioso, ao contrário, por meio do seu PCNER se mostra uma disciplina bastante aberta a esta parceria. A novidade destas duas áreas, enquanto componente curricular, pode se constituir em um bom parâmetro para construírem juntas ações que visem, entre outras, a construção da Diversidade Religiosa. 19 Segundo Rosa Maria Godoy ―a educação em/para os Direitos Humanos é um campo de estudos bastante recente. A sua introdução no currículo escolar está apenas começando‖ (SILVEIRA, 2014, p. 77). Numa situação não muito diferente, o Ensino Religioso, de matrícula facultativa, como uma área de conhecimento da educação básica cujo objeto se faz distinto de uma doutrinação religiosa, mesmo tendo sua nova redação consolidada em 22 de Julho de 1997, ―ano em que, pela lei nº 9475/97, foi dada nova redação ao artigo 33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei nº 9394/96‖ (FONAPER, 2009, p. 5). Ainda se faz, hoje no Brasil, um campo de pouco consenso nas escolas públicas. Assim, com base na perspectiva teórica deste trabalho, discutida brevemente neste resumo, entendemos que o Ensino Religioso e a Educação em Direitos Humanos se constituem em um referencial de grande valia para a promoção da Diversidade Religiosa. Neste sentido, buscamos apreender nosso objeto de pesquisa de uma forma que este se coloque como um instrumental no enfrentamento à intolerância religiosa. Assim, em tempos de intolerâncias religiosas, a nosso ver, também entendidas como violações dos Direitos Humanos, o Ensino Religioso em parceria com a Educação em Direitos Humanos podem render bons frutos visando à construção de dispositivos que tornem possível uma melhor forma para a convivência religiosa entre as pessoas. 4. CONCLUSÃO Reconhecendo a urgente necessidade de se promover uma ação educativa que traga em seus pressupostos o respeito às pessoas em suas convicções particulares e coletivas, o uso de referenciais apropriados e consistentes para este projeto deve ser, portanto, um plano de ação prioritário para o Ensino Religioso. Neste caso, para estabelecer uma estratégia educativa que tenha por finalidade concreta promover, por meio de caminhos articulados, a Diversidade Religiosa, o diálogo com diferentes sujeitos ou, no caso deste trabalho, com diferentes campos se faz importante enquanto estratégia metodológica. A estratégia aqui refletida, como já foi dito anteriormente, não é uma questão nova, porém, sua novidade estar em querer encontrar caminhos metodológicos que tornem esta uma ação concreta possível de ser executada. Sendo assim, alçando a construção de um processo educativo livre de doutrinação, proselitismos e até mesmo de interesses políticos que tenha por fim o respeito à Diversidade Religiosa, entendemos que nessas condições é urgente o papel do Ensino Religioso enquanto uma área que tem como um dos seus fundamentos a responsabilidade social a partir do estudo da religião. A este propósito, compreendemos que a 20 Educação em Direitos Humanos, com seus aportes teóricos, pode oferecer elementos capazes de subsidiar, de uma forma mais contundente, a busca por uma Diversidade Religiosa. Trata-se, portanto, de um desafio no qual seu sucesso, passa pela compreensão do mundo de hoje com seus dilemas e perspectivas. Para tanto, consideramos, ainda, ser necessário continuar pensando as relações humanas com seus conflitos generalizados, e que tais conflitos não podem deixar de ser analisados sem que consideremos a existência da intolerância religiosa, que por sua vez, tem se disseminado pela sociedade em detrimento de uma Diversidade Religiosa. REFERÊNCIAS BRASIL. Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. Brasília: SEDH/MEC/MJ/UNESCO, 2007. _______. Diversidade Religiosa e Direitos Humanos: reconhecer as diferenças, superar a intolerância, promover a diversidade. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, 2012. FERREIRA, Amauri Carlos; MARQUES, Maria Elizabeth. Aprendizagem de valores para a cidadania: desafio à educação e às religiões. In: OLIVEIRA, Pedro A. Ribeiro de; DE MORI, Geraldo. (Orgs.). Religião e Educação para a cidadania. São Paulo: Paulinas, 2011. p. 153 – 167. FONAPER. Cartilha e Vídeo sobre Diversidade Religiosa e Direitos Humanos. Disponível em: <http://www.fonaper.com.br/newsletter.php?id=1>. Acesso em: 03 de Set. de 2014. _______. Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso. São Paulo: Mundo Mirim, 2009. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Paz e terra, 1996. SILVEIRA, Rosa Maria Godoy. Educação em Direitos Humanos e Currículo. In: FLORES, Elio Chaves; FERREIRA, Lúcia de Fátima Guerra; MELO, Vilma de Lurdes Barbosa e. (Orgs.). Educação em direitos humanos e educação para os direitos humanos. João Pessoa: Editora da UFPB, 2014. p. 75-91. 21 FORMAÇÃO DE DOCENTES DO ENSINO RELIGIOSO Fernanda Santos do Nascimento - UFPB4 1. INTRODUÇÃO A formação do professor de Ensino Religioso tem sido um tema bastante recorrente por estudiosos da área, a saber: Silva (2011), Araújo e Silva (2012), Caron (2007), Oliveira (2007), Riske koch (2007), Holanda (2007) e Klein (2007), entre outros. Ao longo da história da implantação do Ensino Religioso, o professor era alguém ligado à igreja católica, e logo mais a outras religiões, no entanto, quando o ensino se dava de forma confessional essa prática não apresentava nenhum impedimento. Visto que a formação desse profissional nessa época servia aos interesses ali propostos, pois na educação jesuítica cabia a companhia de Jesus formar, no seminário, os quadros de professores para o ensino secundário e magistério. Caron (2007). Mas com a promulgação da lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional 9394/96, nova redação do artigo 33 (9475/97), que dá um novo caráter ao Ensino Religioso, a formação desse profissional tem sido questionada. Conforme Oliveira, Koch e Wickert (2007): O respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil e a isenção de quaisquer formas de proselitismo, critérios estabelecidos no texto de lei, desafiaram a construção de outros olhares, leituras e encaminhamentos a disciplina e consequentemente busca de espaço e lugares para a formação de docentes a essa área de conhecimento. (2007, p.7). Contudo, a formação do professor do Ensino Religioso não tem sido levada a sério, pois as legislações desse campo de conhecimento deixam essa lacuna em aberto, onde profissionais de diferentes áreas podem atuar como professor desse campo de ensino. Dessa forma, a ausência de profissionais sem habilitação para lecionar essa área de conhecimento pode comprometer os conhecimentos que devem ser abordados nessa disciplina o que tem sido também um dos problemas que o Ensino Religioso enfrenta, pois não se sabe de fato o que se deve ensinar nesse componente curricular. 4 Mestranda em Ciências das Religiões do Programa de Pós-graduação em Ciências das Religiões (PPGCR) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Integrante ao grupo de pesquisa Formação, Identidade, Desenvolvimento e Liderança de Professores de Ensino Religioso (FIDELID) UFPB/CNPq. 22 Conforme o Art. 33 da LDB, a formação e habilitação dos profissionais ficam a cargo das secretarias estaduais e municipais de ensino, o que mostra uma desvalorização dessa área de conhecimento, pois das dez áreas de conhecimento do Ensino Fundamental essa tem sido a única em que o MEC abre mão de seu poder regulador. Sem formação específica a prática do professor de Ensino Religioso pode lhe levar a caminhos de desrespeito as diferenças religiosas, já que não se ensina aquilo que não se sabe. De acordo com os parâmetros Curriculares Nacionais de Ensino Religioso PCNER, apud Oliveira, Koch e Wickert espera se que o profissional de Ensino Religioso: Tenha sensibilidade à pluralidade, consciência da complexidade sociocultural da questão religiosa presente no ambiente escolar e garanta a liberdade dos educandos sem qualquer forma de proselitismo; esteja disponível para o diálogo e seja capaz de articulá-lo a partir de questões suscitadas no processo de aprendizagem dos educandos. Cabe a esse educador escutar, facilitar o diálogo, ser o interlocutor entre escola e comunidade e mediar possíveis conflitos. (2007, p.7). A formação do educador vai refletir em sua prática, pois para que a diversidade religiosa ocupe espaços nas aulas de Ensino Religioso é necessário que esse profissional conheça essa diversidade, para possibilitar espaços de troca entre essas diferenças e incentivar e desencadear no aluno um processo de conhecimento e vivência de sua própria religião, mas também um interesse por outras formas de religiosidade. Assim, para que A diversidade religiosa assuma visibilidade no espaço escolar faz se necessário ter conhecimento sobre ela e as contribuições para o espaço educativo. Assim, este trabalho tem como objetivo dialogar sobre a formação dos docentes para o Ensino Religioso, discorrendo sobre os resultados da pesquisa. 2. METODOLOGIA 2.1 A PESQUISA Em abril de 2013, desenvolvi uma pesquisa5 com o objetivo de compreender se o Ensino Religioso como prática escolarizada contribuía de alguma maneira para a formação do sujeito professor e aluno e qual a importância atribuída a ele, em que para isso era necessário transitar pelo espaço em que essa prática ocorria e assim ver e ouvir os sujeitos pesquisados. Logo, o local escolhido para o campo de pesquisa foi uma escola da rede estadual de ensino 5 Pesquisa realizada em uma escola publica da rede estadual de Alagoas e outra municipal em Messias, para a monografia do curso de Pedagogia. No entanto, aqui neste trabalho serão utilizados apenas, dados da Escola estadual, que esses não entraram no trabalho de conclusão do curso. 23 de Alagoas, na tentativa de enxergar quais motivos ou causas essas contribuições decorrem. No entanto cabe aqui fazer um recorte enfatizando penas elementos que perpassem pela formação do educador e suas implicações, visto que é o objetivo desse trabalho dialogar sobre as interfaces dessa formação. Nesse sentido, para isso foi necessário utilizar de diferentes instrumentos de coletas de dados, como entrevista e observação para levantar quais as significações são conferidas a partir das aulas de Ensino Religioso nessa escola estudada. Assim, foram observados e entrevistados o professor e seis alunos de uma de suas turmas. Dessa forma, a abordagem metodológica utilizada foi a Etnografia, compreendida como possibilidade de compreender os significados e ou as contribuições que os sujeitos alunos e professores atribuem ao Ensino Religioso como área de conhecimento, significado esses que são expressos de diferentes formas, em que alguns são manifestados diretamente por meio da linguagem outros indiretamente pelas ações (ANDRÉ, 1995). Nesse sentido, a etnografia é aqui compreendida como possibilidade de investigação, que se preocupam com os significados que os sujeitos dão as suas ações, inserindo-os em um dado contexto social e cultural. Desse modo, a etnografia tem em seu bojo a preocupação com o significado atribuído pelos sujeitos as suas ações (GEERTZ, 1989), no que implica desde as coisas mais simples do cotidiano as mais complexas. Desse modo, permaneci na escola por um período de dois meses, acompanhando os alunos e professor, em que a observação se dava não apenas dentro da sala de aula, mas também nos corredores da escola, em que conversava tanto com o professor quanto com os alunos. 2.2 EM CAMPO Ao iniciar este texto, começo dialogando com a formação do professor e os motivos que segundo ele o fizeram dar aulas de Ensino Religioso. Assim, este profissional tem formação em História, atua nessa disciplina há quinze anos, e segundo ele tornou-se professor, por que queria ser padre e porque fez três anos de Teologia. Daí percebe-se que o ser professor de Ensino Religioso, é uma figura que ainda não tem uma identidade definida, visto que ainda está em construção, e por isso é comum a associação do exercício dessa disciplina a experiências religiosas. Logo ter relações com conhecimentos cristãos indica aos sujeitos à ideia de que pode lecionar esta disciplina. E essa ideia perpassa pela compreensão do que é o Ensino Religioso. Assim Brandenburg (apud Silva, 2011) afirma que: 24 O Ensino Religioso é área de todos e área de ninguém. Apesar de constar como disciplina com espaço garantido nas escolas pela Constituição Federal (Art. 210, parágrafo 1º). [...] O Ensino Religioso passa a ser área de interesses de pessoas que tiveram alguma experiência religiosa ―significativa‖. (SILVA, 2011, p.11 e 12). Levando em consideração que, esse componente curricular enfrenta muitas fragilidades e limitações, e estas provocadas por insuficiência de questões básicas para sua estruturação, constata-se como a formação do profissional é a principal destas, pois, mesmo que se tenha um currículo definido que não é o nosso caso, e o profissional não seja habilitado para tal, às práticas educativas vão se distanciar do objetivo desse componente curricular. O Ensino Religioso na instituição pesquisada está pautado por concepções que transcorre desde o não conhecimento de sua especificidade a experiência religiosa que se tem com essa temática, pois conforme os alunos entrevistados, o Ensino Religioso é importante por que fala sobre a vida, sobre Deus. Assim, para alguns o Ensino Religioso é um ensinamento das religiões, o que perpassa pela forma como ele é abordado nas escolas. (GIUMBELLI, 2009) Essa perspectiva é uma das mais comuns, pois as pessoas levam o ensino religioso para o lado cristão, apresentando desconhecimento dessa área, e esse é um problema decorrente da falta de formação específica. Para o professor, do Ensino Religioso, ela é muito importante, pois ele é visto como parte da formação humana, em que trabalha a personalidade, o caráter, a forma de agir, e respeitar das outras pessoas. Assim, a importância que os alunos atribuem a esse campo, se refere a essa questão de se ensinar para a vida. Onde para um dos alunos entrevistados esse seria um ponto importante. Vemos aí, que ora o Ensino Religioso é levado para o lado cristão, ora para o lado valorativo, em que o ensino enfatiza elementos de ordens valorativas, pois essa não se constitui na razão de ser do Ensino Religioso. Desse modo o professor afirma que os conteúdos trabalhados são família, juventude, drogas, ver o outro como ele é respeito e responsabilidade e versículos da Bíblia Sagrada. Percebe-se que, o ensino ministrado por ele perpassa por questões de ordem valorativas, não que não possa trabalhar essas questões, mas que o Ensino Religioso não se resuma aí, pois ele é mais abrangente, deve perpassar por questões de ordens religiosas. Assim, a escola, através do Ensino Religioso, deve mostrar a infinitude da pluralidade religiosa, e a riqueza de saberes míticos e sagrados a serem conhecidos e estudados, pois expõe-se que nenhuma religião é mais importante, nem mais verdadeira que outra. (OLIVEIRA e SOUSA, 2008). Ao ser perguntado se a diversidade religiosa fazia parte dos conteúdos trabalhados nas suas aulas, o professor alegou que: 25 Não trabalho com religiões por que como a gente tá no país laico, e pode se ter qualquer religião, acho que fica difícil, trabalhar por que quando você toca em uma você fere a outra, é muito difícil, então eu preciso trabalhar nesse campo mais aberto, respeitando a todos, mas não direcionar para um eu acho complicado. (professor da escola Y) Percebe-se nessa fala algumas ideias equivocadas, em que a primeira é quando ele utiliza o termo laico, como justificativa para um dos motivos de não abordar esse tema, todavia ser laico não significa dizer que não se pode falar das diferentes religiões, muito ao contrário, pois o que não se deve é fazer apologia a uma delas. O que impediria essas discussões no âmbito escolar era se o estado fosse laicista, como em alguns países como a França. Diniz e Lionço (2010). Acredita-se que essa fala é resultado de um profissional que não possui formação para atuar nessa área. Outro ponto abordado na fala do professor referese ao fato de falar sobre uma religião, e ferir a outra, questões como essas devem ser entendidas, pois, falar de determinada religião não quer dizer que se tenha que ofender a outra, o que se pretende ao discutir essa diversidade, é dar a conhecer a sua existência, e filosofia. Portanto, não significa dizer que será realizado uma comparação entre as religiões abordadas ou colocada em pedestal, o que faz é apresentá-la em sua dimensão e dar a ela tratamento igual. 3. RESULTADOS A dificuldade que os professores encontram em lidar com essa realidade refere-se intrinsicamente a formação, pois há uma carência de formações para esse profissional, que faz com que, profissionais de outras áreas trabalhe com essa disciplina. E a dificuldade em lecionar essa área de conhecimento refere-se ao fato de não saber o que ensinar de fato, o que faz com que o professor se apoie em conteúdos de ordem moralista e cidadã (HOLANDA, 2008). 4. CONCLUSÃO A pesquisa aponta para a necessidade de perceber como o Ensino Religioso, é visto pelos alunos e professores do campo pesquisado, pois este tem sido considerado complexo, devido à facultatividade, definição do currículo e formação do professor. Contudo, há uma necessidade urgente de dialogar com essas questões apontando a contribuição para a formação 26 de pessoas cada vez mais capaz de ver no ―outro‖ nas suas singularidades. Assim, pesquisas relacionadas a esse campo do conhecimento é de fundamental importância. Assim, essa área de conhecimento está imersa em uma série de questões que se definidas são primordiais para a compreensão, vivência, respeito e troca dos saberes que compõe a formação cultural da sociedade brasileira. REFERÊNCIAS ANDRÉ, Marli. Etnografia da Prática Escolar. Campinas: Papirus: 1995. BRASIL, MEC. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 9.394/96. São Paulo Saraiva, 1992. DINIZ, Débora. Educação e Laicidade. In: DINIZ, Débora, LIONÇO, Tatiana, CARRIAO, Vanessa. (Org.) Laicidade e Ensino Religioso no Brasil, UNESCO: Letras livres: ed. UNB, 2 FÓRUM PERMANENTE DO ENSINO RELIGIOSO. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Religioso. São Paulo, Mundo Mirin, 2009.010. GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989. GIUMBELLI, Emerson. Ensino Religioso em Escolas Públicas no Brasil: notas de pesquisa. Debates do NER, v. 14, p. 50-68, 2009. HOLANDA, Ângela Maria Ribeiro. Ensino Religioso e formação de professores na rede estadual de Ensino de Alagoas. In: OLIVEIRA, Lílian, RISKE KOCH, Simone. WICKERT, Tarcísio Alfonso (orgs.). Formação de docentes e Ensino Religioso no Brasil: tempos, espaços, lugares. Blumenau, Edifurb, 2008. OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. O trabalho do antropólogo. 2º ed. São Paulo: Editora Unesp, 2006. SILVA, Marinilson Barbosa da. Em busca do significado do ser professor de Ensino Religioso. Joao Pessoa: Editora Universitária UFPB, 2011. 27 A RELEVÂNCIA DO CONTEÚDO MIDIÁTICO NA ESCOLA: UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA O CURSO DE CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES Gilda Pereira de Morais Mariano - UFPB6 1. INTRODUÇÃO O Fenômeno Religioso é inegável; ele existe e faz parte da cultura de toda civilização. Este atravessou gerações, em alguns casos sofreu modificações, mas continua determinando o comportamento das sociedades, por isso estudar e compreender esse fenômeno é a melhor atitude de semear a tolerância, o respeito e produzir a paz. A educação é, sem dúvidas, o caminho que conduz a um convívio social em meio à paz. Conforme defende Miele (2011, p.24) ―se partirmos do pressuposto que a ‗ignorância é a mãe da intolerância‘, a única maneira de forjar a convivência pacífica entre as religiões é através da informação e do conhecimento‖. Se por um tempo ela foi esquecida, pra dar lugar as máquinas, ciências e tecnologias no mundo atual e globalizado a Religião ressurgiu com mais forças, ganhou importância e se adaptou facilmente a moderna sociedade e suas tecnologias. Como proposta de pesquisa e apoio a problemas ressaltados é proposto o ensino religioso acompanhado de um recurso já utilizado e respeitado no mundo moderno, o objeto de aprendizagem, recurso este facilmente adaptável em qualquer mídia digital. Miele (2011, p.2) afirma que ―deixar o fenômeno religioso apenas como questão de fé e de foro íntimo é não compreender os aspectos culturais e as implicações sociais, econômicas e até mesmo bélicas que ele impõe‖. 2. METOLOGIA Junto com a ação de ensinar e educar a sociedade, a escola deve criar estratégias pedagógicas que possam contribuir pra uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária buscando sempre o respeito às diferenças, independente do credo religioso. O presente resumo visa mostrar através de uma pesquisa de caso a relevância do conteúdo midiático na escola e também a oferecer uma proposta pedagógica ao ensino 6 Aluna do 4º Período do Curso Bacharelado em Ciência das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. 28 religioso. As mídias digitais são em si um conjunto de ferramentas poderoso que têm influenciado comportamentos sociais, políticos, econômicos e religioso. Desta forma é fundamental utilizar tais ferramentas como instrumentos próprios ao fazer pedagógico do professor, voltando-se para a educação religiosa. Alguns autores explicam como a sociedade é dependente do universo midiático: ―Por força de hábito ou necessidade, incorporamos o sistema de mídia com veículo importante para a compreensão, então este sistema assume certo poder para influir em como pensamos, sentimos e agimos‖. (DEFLEUR, BALLROKEACH 1993, P.335-336). A falta ou a lentidão de tratativa do tema é algo incompreensível diante do avanço acelerado na troca de informações e avanços tecnológicos. Ainda que tenha sido criado o Dia Nacional de Combate à intolerância Religiosa – 21 de Janeiro – sendo a data oficializada pela lei n. 11.635, de 27 de dezembro de 2007, esta é uma data ainda pouco conhecida e divulgada pelas as escolas e para sociedade. A ampliação das discussões precisa estar constantemente nas escolas, a fim de atingir a sociedade por meio do seu veículo mais poderoso – a Educação. Pensando em como inserir tal temática no cotidiano da escola, de forma produtiva e envolvente tem-se aqui a proposta de criação de objetos de aprendizagem inseridos dentro de um contexto pedagógico como, por exemplo: ensinar, exemplificar e exercitar o aprendizado, voltado para o ensino religioso, proporcionando ao professor/aluno do curso de Ciências das Religiões o aprendizado significativo e construtivista, envolver o aprendiz em situações entre teorias e práticas e levar o professor a redimensionar suas aulas, e juntos possam construir conhecimento sobre os conceitos através da interação com Objeto de Aprendizagem. Wiley (2000), considerado um inovador para o futuro da aprendizagem, reconhecido e respeitado mundialmente por diversas autoridades em educação e tecnologia diz que Objeto de Aprendizagem é qualquer mídia digital que possa ser usado e reutilizado como suporte no processo de aprendizagem. 3. RESULTADOS No Brasil em 1997 uma ementa parlamentar do Deputado Padre Roque - Lei 9.745 Art.33. 1,2 considerou o ensino religioso como parte integrante da formação básica do cidadão e a constitui como disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, trazendo a tona discussões sobre a diversidade religiosa no Brasil. Diante da obrigatoriedade, a inquietação nos remete a duas perguntas inicias: os professores e candidatos à profissão estão preparados para a diversidade Religiosa? 29 Neste sentido, alguns estados brasileiros inovaram criando seus cursos de licenciatura a fim de atender a nova necessidade educacional. Na Paraíba, é a UFPB a primeira a discutir e ministrar sobre o tema. O Curso de Graduação em Ciências das Religiões nasceu em 2009 e vem contribuir como estratégia aplicada para o respeito à fé alheia, independente do credo. A TV e Internet têm nos apresentado constantes agressões e repudio a fé alheia. Registrados por detentores do conhecimento, pessoas letradas e de convívio acadêmico que deveriam ensinar a tolerância e o respeito ao outro, tem repassado pra sociedade o contrário. Alguns fatos também manifestam o constrangimento de vítimas da ignorância religiosa. Um exemplo desta situação ocorreu no dia 02 de setembro de 2014 quando a emissora SBTSistema Brasileiro de Televisão divulgou a seguinte matéria: ―Menino muda de escola após diretora proibir o uso de colares de candomblé‖. O que para a criança e à família trata-se um preconceito religioso. Para a Secretária de Educação do Rio de Janeiro, Estado em que a família reside tudo não passou de um mal entendido. Imagem 1: Matéria publicada em Portal de notícias Fonte: <www.paraíba.com.br>. É dever do Estado, garantir o direito ao cidadão de professar o credo de sua escolha, ou de não professar credo algum. Mas no caso ora exposto pode-se observar claramente a omissão do Estado, e ausência manifesta de órgãos competentes a exemplo da Secretaria dos Direitos Humanos. Psicóticos neuróticos, loucos fanáticos, inimigos da paz, fundamentalistas, assustadores, perigosos etc., são adjetivos usados para expressar o preconceito religioso a uma pessoa que professa a fé Cristã e que presta culto a sua divindade em seu legitimo espaço. Nas mídias sociais facilmente pode-se observar posicionamentos que desrespeitam a fé alheia (imagem 2). Imagem 2: Publicação na Mídia Social Facebook 02.09.2014. 30 Fonte: <www.facebook.com> A ignorância religiosa quando não causa a violência seja ela moral ou física, transmite o constrangimento que também é um trauma difícil de esquecer, como vimos no caso relatado e compartilhado (imagem 3) por um Muçulmano no Brasil. Imagem 3: Publicação na Mídia Social Facebook 11.06.2014 Fonte: <www.facebook.com> O potencial pedagógico dos objetos de aprendizagem favorece a constituição de espaços e reflexões que abordem questões e situações como as anteriormente citadas. 4. CONCLUSÃO É nítido que o tema ―Diversidade Religiosa‖ está presente na sociedade. Como realidade da modernidade, deve estar presente nos domínios acadêmicos, assim como fazer parte do reconhecimento do Estado voltando-se a problemáticas constantes que remetem ao desrespeito e a intolerância. Ainda vivemos uma luta religiosa constante, e a escola não pode, nem deve, estar aquém deste contexto. É urgente a produções de materiais, como objetos de 31 aprendizagem, que atendam a estas discussões. Afinal, todos precisam desenvolver uma visão que busque uma compreensão aberta sobre todas as culturas e expressões religiosas. REFERÊNCIAS DEFLEUR, Melvin, BALL-ROKEACH, Sandra. Teorias da comunicação de massa. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1993. Facebook. Disponível em: <www.facebook.com/> Acesso em 06 Set. de 2014. MIELE, Neide. Curso de Graduação em Ciências das Religiões. UFPB. 2011.24p. ______. Curso de Graduação em Ciências das Religiões. UFPB. 2011.23p. Menino muda de escola após diretora proibir o uso de colares de candomblé. Disponível em<http://mais.uol.com.br/view/jinmcnm98vmk/menino-muda-de-escola-apos-diretoraproibir-o-uso-de-colares-de-candomble-04028C1B3068E0895326?Types=A&>. Acesso em: 06 Set. 2014. WILLEY, David. Learning Object Design and Sequencing Theory. 2000. Tese Doutorado em Filosofia). Brigham Young University. Provo 200. 35f. 32 A LINGUAGEM SIMBÓLICA COMO PROPOSTA METODOLÓGICA PARA O ENSINO RELIGIOSO Josilene Silva da Cruz – UFPB7 Eunice Simões Lins Gomes – UFPB8 1. INTRODUÇÃO Os símbolos sempre estiveram presentes nas relações humanas, e seus registros são de períodos muito anteriores aos atuais tais como os presentes na arte rupestre, que possuíam como principal função a comunicação. Estaremos ressaltando a relevância da utilização dos símbolos como uma proposta da linguagem religiosa, pois suspeitamos que este recurso das religiões permite uma maior aproximação com o inacessível, deixando-o mais próximo o seu fiel e promovendo uma relação de intimidade com o sagrado. Partindo deste pressuposto, o símbolo possui função social ora sendo a representação de um pensamento ou herança coletiva admitidos no inconsciente e ora apresentando-se como representação social coletiva (diferenciando-se de um grupo para outro) de forma consciente. Desse modo, encontramos em Croatto (2010) esta referência da função social do símbolo. O símbolo, portanto, é gerador de um vínculo entre os seres humanos. Por essa função, sua própria existência representa um ato social. Se é social o símbolo natural, profano, também é social o símbolo religioso. [...] O ser humano no cotidiano precisa falar em símbolos para expressar suas vivências. (CROATTO, 2010, p. 113-114) Além desta função social encontramos em autores como Nasser (2006) a demonstração da diversidade de representações que o símbolo pode trazer conforme a seguir: O símbolo também representa as conquistas de um ser humano ou de um povo. Exprime suas vidas, significa tudo aquilo que as palavras não conseguem dizer. Os símbolos contam histórias de um povo, suas crenças, medos e esperanças. Contém energias que, ao serem reativadas, materializam-se em imagens, emoções e sons, recontando essas histórias. (NASSER, 2006, p. 26) 7 Mestranda em Ciências das Religiões no Programa de Pós de Graduação em Ciências das Religiões – PPGCR – na Universidade Federal da Paraíba – UFPB – Integrante do Grupo de Pesquisa em Antropologia do Imaginário – GEPAI. E-mail: [email protected] 8 Profª Pós Dra. no Departamento de Ciências das Religiões – PPGCR – Líder do Grupo de Pesquisa em Antropologia do Imaginário – GEPAI – E-mail: [email protected] 33 A autora nos apresenta algumas classes de símbolos a começar pelos símbolos pessoais, que remetem aos símbolos que têm uma relação direta com a vida e o cotidiano de cada pessoa, e que são nas palavras da mesma ―a caneta que deu sorte na prova [...], a medalhinha de Nossa Senhora, que fica por baixo da blusa. Uma foto que diz mais do que mostra‖. Estes símbolos são a ponte para uma lembrança (no sentido de memória) de algo particular e pessoal e que sempre para cada um trará uma mensagem diferente. Temos também o grupo dos símbolos familiares e grupais, estes se referem aos objetos que possuem um valor sentimental ligados à família, como por exemplo, ―a toalha de mesa que a avó bordou". Para cada família estes valores são diferenciados e seus símbolos também, como Nasser (2006) apresenta ―pode ser um quadro, um bule de café, uma mesa de jantar, uma poltrona‖ que para outros grupos são apenas objetos comuns para uma família ele tem um valor diferenciado porque transcende sua condição e se torna símbolo. Segundo Mardones (2006) é nas religiões que o símbolo encontra lugar privilegiado ―Símbolo e religião se abraçam mutuamente‖, corroboramos com esta afirmação e percebemos que eles se abraçam porque um necessita do outro para que se faça sentido, pois como poderíamos imaginar uma celebração religiosa sem uso de símbolos. 2. METODOLOGIA Neste esboço utilizamos como metodologia a pesquisa bibliográfica na qual nos pautamos numa fundamentação teórica que ocorreu por meio de leituras e fichamentos para que facilitasse a realização da análise proposta. 3. RESULTADOS A relevância do símbolo no nosso cotidiano é algo tão próximo de nós que não podemos deixar de tratá-lo como uma especificidade da condição humana, pois apenas a espécie humana é capaz de representar algo através dos símbolos para transmitir uma mensagem. Ressaltamos que podemos contar com várias considerações sobre o símbolo demonstrando esta especificidade que citamos a exemplo de Ernst Cassirer (1994) que ao tratar o homem como animal simbolicus (CASSIRER, 2001) nos incita este desejo de tentar compreender melhor este universo tão específico da vida humana: a simbologia. Portanto, nosso modo de ver a relação com o símbolo na atualidade corrobora com o pensamento de Mardones (2006) que trata da vivência do símbolo nas religiões como algo 34 que contém vida. Na verdade, imagens e símbolos na modernidade têm passado por vários momentos e a influência da cultura propagada pelas religiões a exemplo do que ocorre no cristianismo, ora exaltando o simbolismo e ora reduzindo de acordo com cada grupo, faz com que ocorra esta dinâmica como uma espécie de tripé que sustenta o que o autor citado virá chamar de ―giro do símbolo‖. O significado simbólico é que se encontra frequentemente nas relações do homem com sua divindade, ou seja, não são a coisa em si representada, mas o sentido a que ela conduz. Percebemos que simbolicamente os utensílios e objetos presentes num determinado rito de alguma religião, se transfiguram e passam a receber um outro significado que não o real ou apresentável. Neste sentido é a linguagem simbólica uma porta aberta para muitas interpretações e possibilidades tornando-se uma ponte que liga ―o homem à sua divindade‖ e por isso vemos nela um grande facilitador para a sala de aula de ensino religioso. Ao se utilizar dos símbolos em sala de aula o professor proporciona ao seus a liberdade de pensar e interpretar de várias maneiras aqueles símbolos apresentados. 4. CONCLUSÃO No nosso entendimento a utilização dos símbolos nos ritos e cultos em geral possibilitam uma aproximação do sagrado, ele se torna acessível e em muitas situações se encontra numa mesma dimensão que seus comungantes, por isso suspeitamos que seja este o papel central da linguagem simbólica o de aproximar Deus e o homem, e também dá ao homem a oportunidade de se comunicar com este Deus por meio de utensílios ou representações que tornem este sagrado mais próximo e acessível. Neste sentido é a linguagem simbólica uma porta aberta para muitas interpretações e possibilidades tornando-se uma ponte que liga ―o homem à sua divindade‖ e por isso vemos nela um grande facilitador para a sala de aula de ensino religioso. Ao se utilizar dos símbolos em sala de aula o professor proporciona ao seus alunos a liberdade de pensar e interpretar de várias maneiras aqueles símbolos apresentados para posteriormente apresentar s seus significados de acordo com as culturas em que se encontram inseridos. Assim, podemos inferir que a linguagem simbólica nos remete ao estímulo do imaginário, pois, podemos perceber que por meio dos objetos, cores, alimento, etc. os ―crentes‖ são conduzidos para uma outra dimensão: a simbólica, onde o vinho é sangue, a hóstia é o corpo, o verde não simboliza apenas esperança mas também a espera de um novo 35 tempo e assim por diante, como encontramos na liturgia cristã. Desse modo identificamos na linguagem simbólica fios condutores que levam os fiéis a uma conexão com a sua divindade, ou seja, os símbolos evocam algo ausente que se renova com o seu uso, acessando o inacessível. REFERÊNCIAS CROATTO, José Severino. As linguagens da experiência religiosa: uma introdução à fenomenologia da religião. Trad. Carlos Maria Vásquez Gutiérrez. São Paulo: Paulinas, 2001. DURAND, Gilbert. A imaginação simbólica. São Paulo: Cultrix, Editora da Universidade de São Paulo, 1993. ELIADE, Mircea. Imagens e símbolos: ensaio sobre o simbolismo mágico-religioso. Trad. Sonia Cristina Tamer. São Paulo: Martins Fontes, 1991. GOMES, Eunice Simões Lins. Um baú de símbolos na sala de aula. SP: Paulinas, 2013. HOCH, Klaus. Introdução à ciência da Religião. Trad. Monika Ottermann.São Paulo: Loyola, 2010. JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. 15 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise e interpretação de dados. 3ª Ed. São Paulo: Atlas, 1996, p. 19. MARDONES, José Maria. A vida do símbolo: a dimensão simbólica da religião. Trad. Euclides Martins Balancin. São Paulo: Paulinas, 2006. NASSER, Maria Celina Rocha. O uso de símbolos: sugestões para a sala de aula. São Paulo: Paulinas, 2006. TERRIN, Aldo Natale. Introdução ao estudo comparado das religiões. Trad. Giuseppe Bertazzo. São Paulo: Paulinas, 2003. 36 A INCLUSÃO DOS SURDOS ATRAVÉS DA LÍNGUA DE SINAIS NO ENSINO RELIGIOSO Eunice Simões Lins Gomes - UFPB9 Luciana Dos Santos Costa - UFPB10 Djanete Ribeiro de Oliveira - UFPB11 1. INTRODUÇÃO Este projeto tem por objetivo trabalhar as seis principais religiões do mundo: Animismo, Cristianismo, Judaísmo, Budismo, Islamismo e Hinduísmo usando sua tradução nos sinais Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS no contexto do Ensino Religioso. Hoje a inclusão é discutida em vários contextos e vem ganhando força nos debates acadêmicos, social, político e cultural da sociedade. Constituindo-se como uma forma de protesto e inquietação da sociedade ante a falta de oportunidade a pessoa com deficiência. Independentemente de sua cultura, lugar ou necessidade, o ser humano é um ser compulsivamente religioso em sua completude e sempre procurou encontrar-se com o sagrado. Nesta interação entre homem e divindade permite um conhecimento daquilo o que é superior. Quando entramos no mundo do sagrado, entretanto, descobrimos que uma transformação se processou; agora a linguagem se refere a coisas invisíveis, coisas para além de nossos sentidos comuns, as quais segundo a explicação, somente os olhos da fé podem contemplar. (RUBEM ALVES, 2012, p. 26-27). O homem é o único animal que não se aceita como tal. Em sua inquietude, ele deseja dar sentido à sua existência através da religião. Dentro da religião, há os símbolos sagrados usados pelos homens, símbolos esses que são artifícios característicos pertencentes ao mundo invisível. 9 Professora do Curso de graduação em Ciências das Religiões, como também, do programa de pós-graduação em ciências das religiões – PPGCR. 10 Graduada. 11 Graduada. 37 Segundo Crawford (2005) ―Religião é uma crença em Deus, que é o fundamento incondicionado de todas as coisas, e em seres espirituais, resultando em experiência pessoal de salvação ou iluminação, comunidades, escrituras, rituais, e um estilo vida‖. Tomando como base essa concepção, percebemos que Deus é o princípio absoluto sobre todas as coisas e seres, contudo está inserido na religião com um único objetivo de dar capacidade ao homem para sair de seus problemas humanos e ir ao encontro de uma vida de fé, de amor, de generosidade e de dignidade. Dentro do contexto histórico religioso a língua de sinais surge como uma das conquistas que permitiram o desenvolvimento da educação do surdo. Durante a Idade Média, a Igreja Católica era a instituição mais importante e exercia influência, de forma predominante, sobre a maneira de pensar das pessoas e nas formas de comportamento espiritual. Guarnecida de grande poder econômico, a Igreja possuía grandes quantidades de terras e até mesmo de servos. Nesse sentido, a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, língua originária dos surdos brasileiros, têm seu reconhecimento legal pela lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, art. 1º ―é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e outros recursos a ela associados‖, não possui mímica ou gestos, mas elementos que preenchem os requisitos científicos necessários para a construção lingüística. Emprega símbolos lingüísticos que contêm componentes próprios concernentes às línguas orais pela morfologia, sintaxe, semântica e fonologia. Esses símbolos se apresentam em uma linguagem gestual como forma de expressão. Como em qualquer outra língua, ela tem variação de região para região não sendo única em sua forma, nem é universal. A inclusão é um processo mundial em crescimento e no Brasil é amparado por documentos legais tais como LDB nº 9.394 (Brasil, 1996), que estabelecem vários níveis diferenciados de ação, no que se refere à sua natureza: política, administrativa e técnica, e que "deve ser paulatinamente conquistada" (Carvalho, 1997). Inclusão escolar refere-se ao processo de inserção de alunos com necessidades educacionais especiais em classes comuns. Isto significa acolher, dentre a diversidade que constitui esse universo, mais um segmento populacional, que é o representado pelos alunos com deficiência. A interatividade entre pessoas surdas possibilita maior compreensão de diálogos e aprendizagens, assim, a língua de sinais – língua natural dos surdos – proporciona-lhes a construção de uma identidade. Essa identidade não é homogênea, pois a pessoa surda possui características variáveis, tais quais de raça, gênero, idade, escolaridade, dentre outras. 38 Considerando que o ser humano ao nascer já está inserido num contexto histórico social onde se aprende uma língua, formas de comportamento, valores e preceitos e é essencialmente divergente dos outros seres pela sua capacidade de ―progressão cultural‖. Entende-se que, através da linguagem ocorrem as relações humanas, que organizam e exercitam o pensamento favorecendo o conhecimento ao longo das épocas e civilizações, na construção das formas de comunicação que proporcionaram ao ser humano o desenvolvimento dos grupos sociais no tempo e no espaço. Assim, a linguagem, o pensamento é a maneira de comunicar-se. Desse modo consideramos que a linguagem designa qualquer código organizado de signos que permitem a comunicação entre os seres. Nesta linguagem podem estar contidos os signos verbais ou signos não verbais. Linguagem verbal denomina a chamada língua (TUFANO, 1998, p.16). Logo, linguagem está correlacionada aos fenômenos comunicativos classificados como um sistema de sinais que permitem ao indivíduo a comunicação. Esses fenômenos são estabelecidos tipos de linguagem, tais como: sinais, símbolos, sons, gestos e etc. Nessa comunicação o homem transmitia seu conhecimento e manifestava sua capacidade de criar formas de linguagem entre as pessoas de uma mesma época como também entre gerações ao longo do tempo. O ensino religioso, como disciplina escolar, é fundamental para a educação do surdo, pois através da atuação do intérprete proporciona o entendimento acerca do sagrado e, estabelece uma convivência harmoniosa de concepções da pluralidade religiosa. O ensino religioso em nosso país prevalece às diferenças, o preconceito e a exclusão. A Lei estabelece o Ensino Religioso ―parte integrante da formação básica do cidadão‖, o Art. 33, da Lei 9394/96, sendo fruto de um consenso, assim expressa: "... o ensino religioso de matrícula facultativa é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das Escolas Públicas de Ensino Fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo...‖ (PCNER, 2009) Refletindo sobre educação, infere-se a tradução como sendo recorrente dentro dos processos formalizados de ensino, dentro do espaço físico. Mas, a educação vai além da sala de aula, da estrutura física, ela é o principal alicerce da vida social de um indivíduo, seja ela formal ou informal. Um sujeito consciente, que se utiliza de seus hábitos e costumes, transforma sua comunidade para melhor, organiza-se social e culturalmente. Dentro do contexto de uma educação formadora de caráter social e político, transformadora de 39 comportamentos, ideias e atitudes a vivência na comunidade escolar contribui para a socialização de diversas crenças culturais. A educação ajuda a pensar tipos de homens, mais do que isso, ela ajuda a criá-los através de passar uns para os outros o saber que o constitui e legitima. Produz o conjunto de crenças e ideias, de qualificações e especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes que, em conjunto constroem tipos de sociedades (BRANDÃO, 1993, p.11). Diante dessa concepção, acreditamos que a prática educativa está presente em diversos setores da vida social. É um processo contínuo através do qual um indivíduo é provido de ideias que desenvolve mudanças sociais, pois a educação modifica o corpo, o espírito, os sentimentos, os saberes, os gostos e as emoções. Um sujeito consciente, que se utiliza de seus hábitos e costumes, transforma sua comunidade para melhor, organiza-se social e culturalmente. 2. METODOLOGIA A metodologia usada será a transcrição para LIBRAS das seis principais religiões acima citadas. 3. RESULTADOS Usamos essa metodologia por observar a falta de recursos pedagógicos em Libras para o aluno surdo. Como conteúdos citados pelos PCNER. 4. CONCLUSÃO Vistas as dificuldades observadas durante os estágios supervisionados, nosso objeto de estudo é preparar recursos pedagógicos que possibilitem aos professores do Ensino Religioso ministrar aulas para os alunos surdos numa sala de aula inclusiva. Dessa forma, vê-se a necessidade de maiores estudos e pesquisas que busquem reduzir esta fronteira e facilitem a inclusão na sociedade, buscando construir práticas das vivências e valores que proporcionem oportunidades para os alunos surdos apresentarem seus pontos de vista, tornando-os agentes ativos e pensadores de teorias sobre o mundo. Propor e discutir recursos pedagógicos para o Ensino Religioso foi motivado pela falta de material adequado para trabalhar as temáticas das religiões. Assim, a LIBRAS facilita a leitura das mesmas, oportunizando o acesso para que os mesmos não sejam excluídos do meio social em que estão inseridos. 40 REFERÊNCIAS ALVES, Rubem. O que é religião. Editora Loyola – Jesuítas. São Paulo, 2013. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação? São Paulo: Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 28º ed., 1993. BRASIL MEC/SEESP - Educação Especial - Língua Brasileira de Sinais (Série Atualidades Pedagógicas) - Caderno 3. Brasília/DF, 1997. BRITO, L.F. Integração social e educação de surdos. Babel Editora, 1993 CARVALHO, R. E. A Nova LDB e a Educação Especial. Rio de Janeiro: WVA, 1997. DUNN, Lloyd M. Crianças Excepcionais: seus problemas, sua educação. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora, 1977. CRAWFORD, Robert. O que é religião? Tradução de Gentil Avelino Titton. Petróplis-RJ: Vozes, 2005. LIBRAS em Contexto. Curso Básico. Grupo de Pesquisa da FENEIS. Rio de Janeiro, 1997. O que é Libras? Fundamentos para a educação inclusiva de surdos: módulo 1 / Adir Luís Ferreira et al... – Natal: EDUFRN, 2011. 54 p.: il. Conteúdo: Aula 1 – O que é Libras? Aula 2 Exclusão/inclusão: os surdos na escola comum. Aula 3 Noções sobre a surdez. Caderno nº 1 que compõe a disciplina a distância de Libras/UFRN. Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Religioso / Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso. – São Paulo: Mundo Mirim, 2009. SOARES, M.A.L. - A educação do surdo no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados; Bragança Paulista: EDUSF, 1999. TUFANO, Douglas. Estudos de Língua e Literatura. 5ª Ed. Reformulada – São Paulo: Editora Moderna, 1998. 41 A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL EM CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES NO ENSINO RELIGIOSO Rafael Trindade Heneine - UFPB12 1. INTRODUÇÃO O ensino religioso apresenta, mesmo com vários projetos que já existem na área, ainda algumas limitações na educação para indivíduos de diferentes religiões. O preconceito tange o universo religioso. Não sendo essa conduta de todos, mas de um grande número de pessoas. Esse pensamento e conduta quando lapidados da maneira apropriada, por profissionais da área, dependendo da metodologia aplicada, transforma o indivíduo em relação a sua assimilação e aceitação de diferentes credos, assim como a sua consciência e a imparcialidade dos valores que as religiões têm de si mesmas. Isso já acontece em algumas instituições federais de ensino superior no Brasil. O Ministério da Educação, compreende que através da Lei n° 9.475, de 22 de julho de 1997, que deu nova redação ao art. 33 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (LDB). Na nova redação, a Lei estabelece que: O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de Ensino Fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo. ( BRASIL, 1996) A análise aqui realizada se restringe a verificação do ensino religioso e a formação daquele que será mediador da disciplina, bem como da importância da laicidade no currículo do ensino religioso. De antemão, considera-se que: em nosso país, o ensino religioso, legalmente aceito como parte dos currículos das escolas oficiais do ensino fundamental, na medida em que envolve a questão da laicidade do Estado, a secularização da cultura, a realidade sócio antropológica dos múltiplos credos e a face existencial de cada indivíduo, torna-se uma questão de alta complexidade e de profundo teor polêmico (CURY, 2004, p. 184). 12 Aluno do curso de graduação em ciências das religiões da Universidade Federal da Paraíba – UFPB. 42 Conforme a lei os cursos superiores de Ciências das Religiões do Brasil seguem um modelo de respeito e ética com os alunos, e de ensino religioso amplamente pesquisado e estritamente de caráter científico em suas propostas de formação do profissional. Oram em concordância os cursos superiores federais de Ciências das Religiões que, a diversidade religiosa deve ser respeitada pelo professor, que deve transmitir então aos alunos, com postura interdisciplinar, este conceito, o respeito e a aceitação, assim como a interpretação isenta da multiforme manifestação cultural, que são as religiões. Segundo Neide Miele, professora e uma das fundadoras do curso de Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba, a experiência de inserção de tais valores existe, mas ―apesar do esforço dos professores, o preconceito sempre estava de volta‖, e essa conduta em ambiente de estudo, é uma resposta, já que a mentalidade dos alunos está sendo provocada, forçados a pensar, a entender além de seus sofismas e crenças, e é isso, além da experiência particular de credo, que consequentemente os prepara para o ambiente de diversidade do ensino religioso. Para esses tipos de situações, deve estar preparado o professor. Dos modelos existentes de ensino religioso, por exemplo, Silva (2011, p. 20) cita o catequético e o teológico, e que ―é de se verificar que o modelo de ciências das religiões rompe com os dois primeiros em nome da autonomia epistemológica e pedagógica do ensino religioso‖, e sendo o ensino religioso uma disciplina integrante da formação básica do cidadão, não apenas uma questão de currículo, mas de construção do ser humano, é importante que projetos de desenvolvimentos existam na área das ciências das religiões. Esses projetos devem ter cunho laico e acesso à população, sejam acadêmicos ou não, e ter por objetivo divulgar a diversidade religiosa como manifestação cultural e patrimônio da humanidade. É importante entender que: [...] por igualdade na diversidade, entende-se o igual respeito a todas as religiões e àqueles que não professam nenhuma religião. O mesmo princípio se refere ao respeito às particularidades. A exclusão dos antagonismos reflete não apenas o respeito, mas principalmente a tolerância ao outro, suas crenças e práticas. (DOMINGOS, 2009, p. 50). Ora, se por igualdade, implica-se o respeito como princípio, é nessa visão a laicidade o fator que permite tal sistema existir, desde 1891 é lei, percebendo então que não é novidade esse nível de consciência, e que: [...] mais do que a recusa do controle religioso sobre a vida pública, o que a laicidade implica, necessariamente, é o reconhecimento do pluralismo religioso, a possibilidade do indivíduo viver sem religião e a neutralidade do Estado, que não privilegia nenhuma crença, religião ou instituição religiosa. A este respeito, o artigo 43 72 da Constituição brasileira de 1891 já se posicionava: ao mesmo tempo em que reafirmava a liberdade religiosa (§ 3º), o Estado se eximia de todo financiamento dos cultos (§ 5º). (DOMINGOS, 2009, p. 51) Entendemos, portanto, que o espaço de aprendizado deve ser livre de preferências ou dogmas estipulados seja por qualquer religião predominante, e o que predomina é a liberdade religiosa. Porém para o homem religioso o espaço em que ele se encontra é sagrado, ―e qualquer outra manifestação contrária pode ser chamada de profano, ou contra aquilo que é sagrado‖, conforme Mircea Eliade. Um espaço comum se torna para eles o espaço da sua crença religiosa, e justamente pelo ensino ser religioso, o espaço da sala de aula maximiza essa conduta. Eliade esclarece novamente que: Se para o homem arcaico a vida no mundo tem um valor religioso, isso resulta de uma experiência específica do que se pode chamar "espaço sagrado". De fato, para o homem religioso, o espaço não é homogêneo, algumas partes dele são qualitativamente diferentes. Há um espaço sagrado e daí, forte e significante; e há outros espaços que não são sagrados e, consequentemente, são sem estrutura, forma e significado. Isso não é tudo. Para o homem religioso, essa heterogeneidade espacial se expressa na experiência de uma oposição entre espaço sagrado — o único real e realmente existente — e todos os outros espaços, expansão amorfa circundando o sagrado. (ELIADE, 1979, p. 26) É isso que deve identificar o educador, desde a infância, não somente nas academias, que, o indivíduo, o aluno que se encontra naquele local, deve entender que sagrado é um conceito que todas as religiões consideram ser em sua essência, romper o nível de consciência do aluno, de como é importante aceitar e compreender a religião de outros, já que o ambiente de estudo deve ser neutro no que diz respeito ao aprendizado. Nos cursos superiores de Ciências das Religiões, dos quais profissionais estão sendo formados para serem cientistas das religiões, essa proposta existe, do qual prepara o estudante para lidar profissionalmente em diversas situações do universo do ensino religioso, como a exemplo, e já dito, acontece em algumas Universidades Federais do país. Faustino Teixeira cita Dreher no aspecto da formação do profissional, que ―a marca do estudioso da religião é, em primeiro lugar, isso: o fato de que lida com um objeto de estudo extremamente complexo, que exige uma formação multifacetada e que resiste a simplificações‖ (DREHER, 2001, p. 155), ou seja, professores e pesquisadores devem ser isentos de opinião particular, derivada de seu credo, de seu egocentrismo, devem ensinar princípios de uma nova era, estar aberto às diferenças, simples ou complexas, da qual a humanidade hoje está se conscientizando, a criar processos pedagógicos que ensinem e demonstrem as virtudes existentes em todas as religiões, não somente, mas agregando valor curricular, e a ensinar a igualdade em todas as suas vertentes, o 44 que está de acordo com a Constituição brasileira, e: [...] agora que não há, e nem pode haver religião exclusiva, devemos tolerar todas as que se mostram tolerantes com as outras, desde que seus dogmas nada tenham de contrário com os deveres dos cidadãos. (ROUSSEAU, MDCCLXII – 1762, p. 195) Assim como os direitos de liberdade, igualdade e fraternidade religiosa dos livres cidadãos Brasileiros. Essa é a mentalidade e a ação pertinentes ao profissional de ensino religioso, em um Brasil, hoje, de diversidade cultural e religiosa vasta, do qual fixa a necessidade de profissionais preparados em Ciências das Religiões, como já proposto ao examinar os trabalhos e os projetos citados acima, reforça-se propondo, idem. 2. METODOLOGIA De cunho bibliográfico, o trabalho em questão pretende, através de um diálogo com diversos autores da área de ciências da religião e educação, juntamente com um parecer homologado do MEC, demonstrar como a formação do professor em Ciências das Religiões legitima o ensino religioso no Brasil, pois o mesmo entende as necessidades do ensino religioso e sua metodologia, preserva a identidade de todas as religiões com respeito e igualdade. Para tanto, metodologicamente, faz-se necessário ainda uma análise pautada na formação do profissional em Ciências das Religiões, que é o profissional da área, ideal para ser um mediador e que precisa ter como recursos didáticos ideais, a preparação contínua para preparando-o para atuar ensino religioso com a diversidade religiosa, conforme a lei, como exemplificado no decorrer do diálogo. 3. RESULTADOS Como resultados desta pesquisa, pode-se observar o crescimento da formação de mais profissionais em ciências das religiões. e que projetos para incentivo dessa iniciativa devem continuar a existir, devido às experiências e possíveis dificuldades de adaptação que profissionais de outras áreas podem encontrar no ensino religioso. Como citado por Neide Miele, esses profissionais precisam se especializar em ciências das religiões para que, conforme a lei, tenham capacitação para ensinar com cunho científico e sem preferências e dogmas religiosos, utilizando-se de métodos prepostos pelas ciências das religiões. Essa proposta não é uma novidade, mas de importante valor na disseminação dessa ação e mentalidade. 45 4. CONCLUSÃO Os valores que existem em cada religião devem ser preservados, pois as manifestações religiosas são patrimônio histórico e cultural da humanidade, devem ser respeitados e livres de preconceito. Ninguém melhor para lecionar e levar adiante o ensino religioso do que um profissional preparado por um curso superior de formação em Ciências das Religiões, que experimentou na prática a diversidade religiosa, e goza de direitos plenos para conduzir tal ação. Os aspectos culturais das religiões, desse modo são preservados e a tolerância religiosa ensinada adequadamente como nova forma de consciência no meio acadêmico e científico. Como basilar para tais propostas são aqui a legislação de 1891 e logo depois Rousseau, para assim concluir o raciocínio de como esse ideal de conduta persiste nos ideais da humanidade, é histórico, não só no Brasil, mas no mundo. REFERÊNCIAS CURY, Carlos Roberto Jamil. Ensino religioso na escola pública: o retorno de uma polêmica recorrente. O ensino religioso no Brasil. Belo Horizonte: Faculdade de Educação da UFMG, Revista Brasileira de Educação, n. 27, pp. 183-213, 2004. Disponível em: <http://educa.fcc.org.br/pdf/edur/n17/n17a04.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2014. DOMINGOS, Marília de F. N. Ensino Religioso e Estado Laico: uma lição de tolerância. Revista de Estudos da Religião setembro, p. 50-51, 2009. Disponível em: <http://www.pucsp.br/rever/rv3_2009/t_domingos.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2014. DREHER, Luiz Henrique. Ciência(s) da Religião: teoria e pós-graduação no Brasil. In: TEIXEIRA, Faustino (Org.). O “ensino religioso” e as Ciências da Religião. Afirmação de uma área acadêmica. São Paulo: Paulinas, 2001. (Coleção Repensando a Religião). ELIADE, Mircea. Ocultismo, bruxaria e correntes culturais: ensaios em religiões comparadas. Tradução de Noeme da Piedade Lima Kingl. — Belo Horizonte: Interlivros, 1979, p. 26. ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. Tradução Rogério Fernandes. – São Paulo: Martins Fontes, 1992, p. 18. MIELE, Neide. As Ciências das Religiões na UFPB. João Pessoa: Revista Diversidade Religiosa, João Pessoa, v.1, n.1, p. 1-8, 2011. Disponível em: <http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/dr/article/view/10820/6005>. Acesso em: 1 set. 2014. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Conselho Nacional de Educação. Parecer homologado. Despacho do Ministro, publicado no Diário Oficial da União de 10/06/2008. Prefeitura de Goiânia. Conselho Municipal de Educação de Goiânia. Consulta sobre a legalidade da criação 46 do Conselho Municipal de Ensino Religioso. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/2007/pceb026_07.pdf> - Acesso em: 20 jul. 2014. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. Livro IV - Cap VIII; Da Religião Civil – MDCCLXII, 1762 / Tradução de Rolando Roque da Silva. Fonte digital, www.jahr.org eBooksBrasil.com, edição eletrônica. Ed. Ridendo Castigat Mores - ©2001. Disponível em: <http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/contratosocial.pdf>. Acesso em: 15 de fev. 2014. SILVA, Marinilson Barbosa da. Em Busca do Significado do Ser Professor de Ensino Religioso. João Pessoa: UFPB, 2011. 47 TEORIA E PRÁTICA NO ER: COMPONENTES PRIMORDIAIS E SENTENÇA REPRESENTATIVA DE UMA TRADIÇÃO RELIGIOSA Sidney Allessandro da Cunha Damasceno (UFPB)13 Eunice Simões Lins Gomes (UFPB) 14 1. INTRODUÇÃO A partir da Constituição brasileira de 1988, as Leis de nº 9.394/96 e 9.475/97 o Ensino Religioso (ER) brasileiro deu um salto ao encontro de perspectivas modernas de ensino. Particularmente aderimos a esse processo de construção no ano de 2011 através da observação e a reflexão a respeito do ER. O que resultou nessa pesquisa que tem o objetivo de analisar em que medida a Formação Continuada de Professores de Ensino Religioso (FCPER) contribui com os docentes de ER em relação ao ensino do assunto: função e valores da tradição religiosa. Essas contribuições estão centradas a partir do modelo de FCPER que tem sido desenvolvido pela Rede Municipal de Ensino de João Pessoa. Bem como sua fundamentação teórica em autores como Sá-Chaves (2002), Perrenoud (2000), Morin (2006), a respeito dos conceitos de educação e formação de professores e Sena (2006), Greschat (2005), Costella e Oliveira (2007), Usarki (2006), os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso PCNER – FONAPER15, concernentes às contribuições referentes ao ER e as Ciências das Religiões, entre outros autores quanto a aspectos relacionados à religião e a tradição religiosa. Nosso estudo organiza-se nas seguintes etapas: Primeiro, contextualizar a FCPER e identificar suas principais contribuições para o ER referente ao assunto. Segundo, observar e catalogar os recursos didáticos que tem sido utilizado pelos educadores de ER sobre essa temática e constatar se acontece a compreensão e ensinamento valorizando a pluralidade do 13 - Mestrando em Ciências das Religiões no Programa de Pós-graduação em Ciências das Religiões – PPGCRUFPB, especialista em Ciências da Religião – FATIN – PE, Bacharel em teologia – FATIN - PE, Professor de ER da rede pública municipal de João Pessoa, membro do grupo de estudo e pesquisa em antropologia do imaginário – GEPAI, e-mail [email protected] 14 - Orientadora da Pesquisa do Mestrado Prof.ª Pós Drª docente na graduação e pós-graduação em Ciências das Religiões PPGCR- DCR-CE-UFPB, e-mail [email protected] Líder do grupo de estudo e pesquisa em antropologia do imaginário-GEPAI. www.gepai.com.br/ 15 - De acordo com o FONAPER o ER deve proporcionar o conhecimento dos elementos básicos que compõem o fenômeno religioso; questionar a dimensão existencial; analisar a função das tradições religiosas e das culturas a partir das experiências religiosas percebidas no contexto do educando (FONAPER, 2009, p. 47). 48 fenômeno religioso. Terceiro, propor quatro técnicas de ensino; aplicá-las na sala de aula de ER com os docentes e educandos e analisar de que maneira o assunto ―função e valores da tradição religiosa‖ é assimilado. 2. METODOLOGIA Essa é uma pesquisa social aplicada com abordagem qualitativa, conforme o modelo alternativo de pesquisa-ação sendo uma pesquisa descritiva e bibliográfica Gil (1994, p.44, 48). A qual, realizamos esse primeiro levantamento da fundamentação teórica, através da leitura, fichamento e análise. Fixamos o estudo na coleta das experiências de dez docentes de ER atuantes em turmas do quinto ano do Ensino Fundamental e que estejam integrados à FCPER por, no mínimo, três anos. No segundo passo, as entrevistas serão submetidas à leitura dos relatos dos educadores, para observação e catalogação dos recursos didáticos utilizados. Na sequência, o terceiro passo compreende-se na proposição de quatro técnicas de ensino relacionadas ao assunto. O quarto procedimento é a aplicação na sala de aula com os educadores e os educandos das quatro técnicas propostas, relativas ao ensino de função e valores da tradição religiosa. Sendo que a quinta e última ação consiste em analisar e redigir as maneiras como o assunto foi compreendido e repassado. 3. RESULTADOS Através de disciplinas como as da História, Antropologia, Sociologia, Psicologia da religião ou os relatos das práticas religiosas geralmente advém o acesso aos conteúdos relativos aos assuntos que abrangem as Culturas e Tradições Religiosas. Todavia, constata-se uma problemática face, a linguagem para a temática encontrar-se propriamente contextualizada ao nível acadêmico/superior de ensino/aprendizagem. O que denota o favorecimento imediato de um embaraço para a compreensão do assunto pelo educando, dificuldade essa que nos levou ao estudo e as conclusões destacadas aqui. O estudo desenvolvido a partir das perspectivas de um ER na aceitação e compreensão como sendo ―o resultado prático da transposição didática do conhecimento produzido pela Ciência da Religião para as aulas do ensino público fundamental e médio‖ (SOARES, 2010, p. 118) e que ―O ER só poderá adquirir cidadania epistemológica e política a partir desse caminho que se inicia na comunidade acadêmica.‖ (PASSOS, 2006, p.114). 49 Bem como, tratar a abordagem do ensino da Tradição Religiosa sobre ―princípios organizadores que permitam ligar os saberes e lhes dar sentido‖ (MORIN, 2006, p. 21), considerando que ―Um conhecimento só é pertinente na medida em que se situe num contexto‖ (ALMEIDA; CARVALHO, 2005, p. 58), como também o pressuposto de que ―Um conhecimento não é pertinente porque contém uma grande quantidade de informações. [...] Além disso, o verdadeiro problema não é o da informação quantitativa, mas o da organização da informação. O conhecimento implica nisso‖ (Idem, p. 85). Ou seja, estabelecemos nesse estudo uma inter-relação entre componentes de uma religião com base num ―pensamento complexo‖, ―[...] onde se produz um emaranhamento de ações, de interações e de retroações‖ (MORIN, 1996, p. 274). No sentido conforme Perrenoud aponta que a competência pedagógica ―consiste, de um lado, em relacionar os conteúdos a objetivos e, de outro, a situações de aprendizagem‖ (PERRENOUD, 2000, p. 24). Por isso, devido à dimensão ocupada pela tradição religiosa e o considerar que a mais aprimorada compreensão da determinação que o assunto função e valores da tradição religiosa exercem sobre o ER, no sentido como destaca Cândido (2002, p. 40) que ―O reconhecimento das diferentes tradições religiosas, bem como o estudo das diferentes tradições, precisa acontecer já nas séries iniciais.‖, vem a propiciar uma melhor compreensão do fenômeno religioso por parte do educando. Mediante a questão: o que é mais favorável ao aprendente do Ensino Fundamental compreender quanto ao que abrange uma tradição religiosa? Daí ter sido proposto – como recorte de nosso estudo – contribuir com o processo da tradução pedagógica do conteúdo desses saberes para uma linguagem mais adequada, devidamente contextualizada a realidade de cada aprendente na educação básica. Assim, apresentamos o que temos denominado de constituintes primordiais de uma tradição religiosa (CPTR), para respaldar uma sentença a qual designamos como sentença representativa de uma tradição religiosa (SRTR). Consequentemente, a partir das observações e do reconhecimento da tradução pedagógica admitindo que o primeiro dos CPTR são os costumes mais vivenciados pelos seguidores da tradição religiosa. O que se demonstra através dos hábitos que na prática, geram as crenças as quais orientam suas vidas. O segundo é o lugar de reunião, o qual pode ser ou não necessariamente um templo. O terceiro é a pessoa do sacerdote ou sacerdotisa. Sendo o quarto CPTR o transmissor da tradição religiosa, o qual pode ser uma transmissão oral ou textual. O quinto a religião a qual a tradição religiosa é ligada. Destacando conforme Soares (2010, p. 36) que ―é preciso ter muito cuidado com a 50 ambiguidade que cerca o próprio conceito de ‗religião‘‖, até por que essa importância dar-se devido uma mesma religião poder apresentar várias tradições religiosas diferentes e o sexto CPTR a divindade16. Assim, quando unimos esses CPTR formamos a ―sentença representativa de uma tradição religiosa‖ – SRTR – que vem a ser: ―A tradição religiosa é caracterizada pelos costumes do povo que se reuni com um sacerdote para transmitir a sua religião e a crença no seu deus ou seus deuses‖. Ressaltamos que essa sentença vai ao encontro de corroborar com as práticas pedagógicas, as quais têm sido desenvolvidas e consolidadas técnicas de ensino em nossa pesquisa. Tendo em vista o favorecimento da teoria e da prática na sala de aula, de modo a contribuir com a FCPER na socialização das técnicas de ensino. Desse modo podemos ressaltar quatro exemplos dentro de religiões e tradições religiosas distintas: 3.1 Na Religião do Islamismo ―A tradição religiosa (muçulmana) é caracterizada pelos costumes (festas sagradas do desjejum – Eid al Fitr – e o encerramento da peregrinação à cidade de Meca – Hajj) de um povo que se reuni (em mesquitas) com um sacerdote (Sheik) para transmitir (o alcorão) a sua religião (o islamismo) e a crença no seu deus (Alah)‖. 3.2 Na Religião do Cristianismo ―A tradição religiosa (católica romana) é caracterizada pelos costumes (de festas como a da padroeira do Brasil, o natal, o Círio de Nazaré) do povo que se reuni (em igrejas) com um sacerdote (o padre) para transmitir (a bíblia) a sua religião (cristianismo) e a crença no seu deus (o Pai nosso do céu, Jesus e o Espírito Santo)‖. 3.3 Na Religião Afrodescendentes ―A tradição religiosa (Candomblé Ketu) é caracterizada pelos costumes (festas de xangô, oxalá, iemanjá) de um povo que se reuni (nas chamadas casas, roças ou terreiros) com 16 Tal afirmação dar-se no nível da sistematização idealizada aqui para a meta de formar a ―sentença representativa da tradição religiosa‖. Ressaltando que existem exceções de tradições religiosas, porém, como parte dos esclarecimentos que cabem ao professor essas características são devidamente apontadas. 51 um sacerdote (babalorixá) para transmitir (as histórias dos orixás) da sua religião (afrobrasileira) e a crença no seu deus (Olorum chamado também de Olodumare).‖ 3.4 Na Religião do Hinduísmo ―A tradição religiosa (hindu na casta dos dalit) é caracterizada pelos costumes (Maha Kumbh Mela – a maior festividade religiosa do mundo) do povo que se reuni (em templos) com um sacerdote (Brâhmanes) para transmitir (os Vedas – textos sagrados17) a sua religião (Hinduísmo) e a crença nos seus deuses (Brahma, Vishnu, Shiva e outros milhões de deuses)‖. 4. CONCLUSÃO Então, considera-se a possibilidade de que por meio da FCPER os educadores poderão desfrutar dos resultados desse estudo e utilizá-los em suas práticas pedagógicas e didáticas a favor do educando nas aulas de ER frente ―a necessidade de ensinar a pertinência, ou seja, um conhecimento simultaneamente analítico e sintético das partes religadas ao todo religado às partes‖ (ALMEIDA; CARVALHO, 2005, p. 87) com integridade (CORTELLA, 2011)18. Pois, o educando poderá ter através dos CPTR parâmetros (específicos de uma religião) para traçar as devidas relações quando se deparar com uma Tradição Religiosa. Qualquer que seja ela – na analise da construção e no desenvolvimento pelo educando – pois esses pressupostos partem da noção de dispositivo e de sequência didáticas as quais são ―engrenadas por um dispositivo que coloca os alunos diante de uma tarefa a ser realizada, um projeto a fazer, um problema a resolver‖ (PERRENOUD, 2000, p. 32) e como aponta Morin (2006) posteriormente inicia-se na serendipidade19 . Até porque, os nomes/expressões tecnicamente em si (CPTR/SRTR) não apresentam sentido sem a apreensão da ideia. Porém, uma vez o educando tendo uma noção da ideia, isso parece ser o mais importante. Porque assim, o educando poderá navegar/deslocar/transitar 17 ―Veda significa conhecimento; ele sempre é. Não possui início nem fim. É chamado de an-anta, sem fim, pois é som que é sagrado, sustentador e saudável. Pode apenas ser experimentado, não pode ser limitado ou comunicado. Assim, é uma maravilha, uma fase sem precedentes de experiência pessoal para cada um.‖ (VAITHILINGAM e col., 2010, p. 6) 18 De acordo com Mário Sergio Cortella ―A integridade é o cuidado para manter inteiro, completo, transparente, verdadeiro, sem mascaras cínicas ou fissuras.‖ (CORTELLA, 2011, p. 137) 19 Edgard Morin ressalta ―[...] e, mais adiante, estudar a arte do paleontólogo ou do arqueólogo, para se iniciar na serendipididade: a arte de transformar detalhes, aparentemente insignificantes, em indícios que permitam reconstituir toda uma história‖. (MORIN, 2006, p. 23) 52 livremente e de forma mais interdependente dentro de uma Tradição Religiosa. Nesse sentido, guardadas as devidas proporções, conhecer os conteúdos a serem ensinados é a menor das coisas, quando se pretende instruir alguém, pois, de acordo com Perrenoud a verdadeira competência pedagógica não está aí; ela consiste de um lado, em relacionar os conteúdos a objetivos e, de outro, a situações de aprendizagem. (PERRENOUD, 2000, p. 24) Assim, as respostas frente aos saberes da Tradição Religiosa, assumem sobre a responsabilidade da tradução pedagógica um referencial luminoso, como um farol. Referencial que reluz nas entre linhas da SRTR, a qual, por permanecer invariável fixa em sua estrutura, possibilita ao educador e ao educando do ER múltiplos olhares. Ainda que esteja um tanto mais distante ou próximo dessa luz dentro da sua pretensa religião ou na ausência de uma religião particular, são observações que possibilitam navegar, mover-se com o auxílio desse referencial que se torna a SRTR. Sendo que, sobre todo e qualquer olhar fixo na luz da SRTR, encontra-se intrínseco, o chegar ao porto seguro da tolerância religiosa, como virtude moral, e ao diálogo inter-religioso, no reconhecer os valores idiossincráticos de um participante de uma Tradição Religiosa que se depare com ele, o educando, como pessoa, no mar da vida. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Maria da Conceição de Almeida; CARVALHO, Edgard de Assis. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. São Paulo: Cortez, 2005. BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. _______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 1996. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rceb02_98.pdf > Acessado em: 26/06/2014. _______. Lei dá nova redação ao art. 33 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: Casa Cívil, 1997. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9475.htm > Acessado em: 25/06/2014. CÂNDIDO, V. C. Aprendendo a ensinar. In: Diálogo. Agosto. Ano VII – n. 27. São Paulo: Pia Sociedade Filhas de São Paulo, 2002. CORTELLA, Mario Sergio. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. São Paulo: Cortez, 2011. COSTELLA, D.; OLIVEIRA, E. 2007. Epistemologia do Ensino Religioso. Religião & Cultura, VI/11: 43-56. FORUM NACIONAL PERMANENTE DO ENSINO RELIGIOSO - FONAPER. Parâmetros curriculares nacionais – ensino religioso. São Paulo: Mundo Mirim, 2009. 53 GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1994. GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que é ciência da religião. São Paulo: Paulinas, 2005. MORIN, E. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 12. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. __________. Epistemologia da complexidade. In: SCHNITMAND, D. Novos paradigmas, cultura e subjetividade. Porto Alegre: Artmed, 1996. p. 189-220. PASSOS, João Décio. Como a religião se organiza: tipo e processos. São Paulo: Paulinas. 2006. PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000. SÁ-CHAVES, Idália da Silva Carvalho. A construção de conhecimento pela análise reflexiva da práxis. Coimbra: Fundação Calouste Gulbenkian: Fundação para a Ciência e a Tecnologia, 2002. SENA, Luiza (org.). Ensino religioso e formação docente: ciências da religião e ensino religioso em diálogo. São Paulo: Paulinas, 2006. SOARES, Afonso Maria Ligório. Religião & educação: da ciência da religião ao ensino religioso. São Paulo: Paulinas, 2010. (Coleção temas do ensino religioso). USARKI, F. Constituintes da ciência da religião. São Paulo: Paulinas, 2006. VAITHILINGAM, Lalitha; SEKHAR, Nirmala; e col. Vedas – Uma Introdução A Jornada Interior. Organização Sri Sathya Sai do Brasil, Publication Division Prasanthi Nilayam, 2010. Disponível em: <http://www.sathyasai.org.br/vedas/por-que-vedas/audios-letrasetc/doc/vedas-uma-introducao.pdf >. Acesso em: 19 Agosto. 2014. 54 ENSINO RELIGIOSO: FORMAÇÃO E PRÁTICA PEDAGÓGICA EM PROCESSO Sunamita Araújo Pereira Damasceno - UFPB20 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho apresenta discussões preliminares, a partir de observações de campo, sobre como vem acontecendo a produção das aulas de Ensino Religioso em escolas municipais da cidade de Natal/RN. Partimos de duas realidades de ensino: o/a professor/a de Ensino Religioso com formação inicial específica e participante das formações continuada e o/a professor/a que leciona Ensino Religioso, mas que não tem a formação em Ciências das Religiões. Objetivamos nessa pesquisa, em andamento, observar as aulas de Ensino Religioso em contextos e momentos diferentes. Buscamos a partir dessas observações, perceber em que a prática pedagógica desse/a professor/a colaborador/a se aproxima e em que se distancia das propostas de conteúdos e de seus pressupostos didáticos, elencados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso (1997). Pretendemos ainda analisar se há pontos comuns, quanto à prática pedagógica, dos/as professores/as participantes da pesquisa que tem a formação inicial em Ciências das Religiões dos/as colaboradores/as que não possuem a formação inicial nessa área específica. A temática em estudo, prática pedagógica do/a docente que leciona o Ensino Religioso, surgiu a partir das seguintes perguntas: É possível uma prática coerente diante da inexistência da formação inicial na área das Ciências das Religiões? Como se configura a prática pedagógica de um sujeito que possui formação inicial e continuada, na área das Ciências das Religiões versus o/a professor/a que advém de outra área de conhecimento? Acreditamos que uma prática pedagógica distante de uma formação adequada, não alcançará os objetivos propostos pela disciplina de Ensino Religioso. Defendemos que as transformações concretas em direção a um Ensino Religioso pluralista, não confessional, que respeite as diferenças e seja conectado aos atuais contextos históricos, culturais e sociais da 20 - Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências das Religiões – PPGCR da Universidade Federal da Paraíba – UFPB. 55 nossa sociedade não serão realizadas caso não sejam transformadas também as práticas formadoras dos/as profissionais dessa área de conhecimento. Com mais de dezesseis anos do artigo 33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, onde se assegura ―[...] o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo‖, ainda escutamos sussurros de práticas de aulas desconexas do que diz a lei. Supomos que isso ocorra devido à falta de uma formação inicial específica na área das Ciências das Religiões. Acreditamos que este estudo possibilitará uma melhor compreensão das interferências iniciais que repercutem na prática pedagógica e vão até a formação continuada. Podemos indicar que muito ainda pode ser feito para que se alcance uma prática mais coerente ao que se propõe a disciplina. 2. METODOLOGIA Dentro do campo das fontes da pesquisa, nos propusemos a uma revisão bibliográfica específica sobre formação e prática pedagógica das Ciências das Religiões, consulta a documentos oficiais, aplicação de questionário, fase ainda em desenvolvimento; além da pesquisa de campo. O campo base da nossa pesquisa é a sala de aula de três professoras e um professor da rede municipal de ensino da cidade do Natal/RN. Durante as visitas às escolas desses colaboradores, fizemos/faremos observações de como suas aulas são conduzidas, levando em consideração os objetivos da pesquisa. 3. RESULTADOS Os participantes que compõe esta pesquisa, ainda em desenvolvimento, três são do sexo feminino e um do sexo masculino. Duas professoras colaboradoras possuem graduação e especialização em Ciências da Religião, um professor é graduado em Teologia e Filosofia, outra professora é licenciada em Educação Cristã e Pedagogia com especialização em Gestão e Administração Escolar. Mediante algumas observações das aulas dos professores colaboradores da pesquisa, elaboramos um quadro com os conteúdos dessas aulas. O quadro está divido por bimestre e ano de escolaridade. 56 Bimestre 6º ano 7º ano 1º 8º ano 9º ano Cultura: rosto do Resposta para a povo brasileiro vida após a morte. 2º Alegria. Origem e Sistema de crença: o ―tao‖ é história do o ―caminho‖ a Islamismo. fonte e a essência da existência. 3º História: entre os elementos típicos das religiões africanas. Rituais sagrados: Mitos: os ritos presentes linguagem dos na vida. Amizade sentimentos Amizade A partir desse quadro podemos observar que alguns conteúdos não vêm sendo trabalhados em conformidade com as indicações dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Religioso. A temática Alegria e Amizade se consideradas como integrante do conjunto de valores dentro do eixo temático Ethos deveriam ser trabalhadas no 8º ano e 9º ano e não no 6º ano e 7º ano como estavam sendo trabalhadas. Os conteúdos do eixo temático Culturas e Tradições Religiosas aparecem no primeiro e terceiro bimestre do 8º ano, estes deveriam ser trabalhados nos anos iniciais do Ensino Fundamental II, ou seja, 6º ano e 7ºano. Assim também, os rituais e os mitos são conteúdos que devem ser trabalhados nos quartos e quintos anos do Ensino Fundamental, no quadro estão elencados no 8º e 9º, respectivamente. Apesar de termos apenas dados iniciais, já podemos destacar que falta por parte dos professores um olhar mais atencioso ao documento que norteia a disciplina de Ensino Religioso, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Religioso. 4. CONCLUSÃO 57 Dentro do campo da Educação são bastante recorrentes os estudos, discussões e escritos sobre a temática da formação. Desde a discussão sobre o conceito às práticas existentes, ―A formação surge, no vocabulário político, como o principal instrumento de mudança dos professores, e as ciências da educação fizeram dela um dos seus objetos de estudo prioritário. (...)‖. (BARROSO, 2004, p. 52). A preocupação com a formação dos/as professores/as, segundo Woodring (1975, p. 1), apud GARCÍA, (1999, p. 22) ―[...], coincide com a história da educação‖. No entanto, na área da formação de professores/as de Ensino Religioso (ER) entendemos que há poucos estudos desenvolvidos e, com o intuito de trazer contribuições para essa área. Além de pensar a formação do profissional que leciona a disciplina de Ensino Religioso, é essencial saber como vem acontecendo a prática dessa disciplina nas escolas para então aprimorá-la. Sendo assim, este trabalho já indica que é necessário um material para nortear a prática pedagógica do/a professor/a que lecionam a disciplina de Ensino Religioso com o objetivo de proporcionar certa equidade de como trabalhar essa disciplina em sala de aula, mas deixando claro que sem a devida formação desse profissional tal material poderá ser mal utilizado, já que é a formação que proporciona as ferramentas necessárias para uma boa prática pedagógica. REFERÊNCIAS BARROSO, João. Os professores e os novos modos de regulação da escola pública: das mudanças do contexto de trabalho às mudanças da formação. In: BARBOSA, Raquel Lazzari Leite (Org.). Trajetórias e perspectivas da formação de educadores. São Paulo: Editora UNESP, 2004. p. 49-60. FÓRUM NACIONAL PERMANENTE DO ENSINO RELIGIOSO. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Religioso. 2. ed. São Paulo: AM Edições, 1997. GARCÍA, Carlos Marcelo. Estrutura conceptual da formação de professores. In: _________. Formação de Professores. Porto: Editora: Portugal, 1999, p. 18-67. . 58 ENSINO RELIGIOSO E FORMAÇÃO DOCENTE: PERSPECTIVAS DAS CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES Thalisson Pinto Trindade de Lacerda - UFPB21 Mirinalda Alves Rodrigues dos Santos - UFPB22 Wellida Karla Bezerra Alves - UFPB23 1. INTRODUÇÃO Este trabalho busca apresentar na perspectiva das Ciências das Religiões, alternativas teórico-metodológicas para formação docente dos professores de ensino religioso, construindo uma perspectiva de consciência crítico-reflexiva, – buscando romper com certos preconceitos socialmente construídos. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo; identificar o modelo catequético no contexto do império brasileiro; analisar a atual situação do ensino religioso; e ressaltar a importância das Ciências das Religiões como identidade para esta disciplina no âmbito escolar. Diante de um determinado período e contexto histórico no Brasil, a relação entre educação e religião foram estruturadas por funções catequéticas. Diante disso, diversas transformações foram ocorrendo ao longo do tempo e consequentemente esses processos de mudanças constitucionais e educacionais, implicaram na formação dos professores que nos dias atuais. Pressupõem-se em uma nova modalidade de ensino laico, no que diz respeito à formação, seleção de professores e conteúdos nos dias atuais, perceber que ainda há uma existência de contextos proselitistas. Para tanto, diante de um cenário de contemporaneidade, será preciso à inserção de um currículo pedagógico que amplie a formação cultural, religiosa, abdicando-se do proselitismo. Diante desses fins, o Ensino Religioso, há décadas, perdeu sua identidade na educação brasileira, sobretudo, ao ser entendido como paradigma de formação religiosa e não como disciplina escolar. Para tanto, o Art. [5] de constituição de 1824, determinou à ―Religião 21 Mestrando em Ciências das Religiões na linha de pesquisa- Educação e Religião na Universidade Federal da Paraíba- UFPB. [email protected] 22 Mestranda em Ciências das Religiões na linha de pesquisa- Educação e Religião na Universidade Federal da Paraíba - UFPB. [email protected] 23 Mestranda em Ciências das Religiões na linha de pesquisa – Educação e Religião na Universidade Federal da Paraíba – UFPB. 59 Católica Apostólica Romana continuará a ser a Religião do Império. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particular em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior do Templo‖. Através do caráter confessional proposto no império brasileiro, o Ensino Religioso têm sido uma disciplina com várias controvérsias até os dias atuais, mas, com as ―novas dimensões‖ educacionais, o modelo que estar sendo direcionado a esta formação docente, implica na formação para tal intento, segundo este autor; Os cursos de graduação em Ciências da Religião podem oferecer a base epistemológica mais coerente para a formação dos licenciados em Ensino Religioso. Não se trata de uma operação simples que se resolva concedendo simplesmente título de licenciado em Ciências da Religião ou algo semelhante, sobretudo na atual concepção de Licenciatura. As ofertas dessas licenciaturas trazem o problema comum das demais, no que diz respeito à transposição didática dos conteúdos estudados nas graduações, para os conteúdos curriculares das disciplinas a serem ensinadas. (PASSOS, 2007, p.22). Neste contexto, Passos (2007), apresenta um diagnóstico inicial da relação entre Ciências das Religiões e Ensino Religioso, no mais, sua relevante contribuição resultam três aspectos: o primeiro, diz respeito ao papel emergencial das Ciências da Religiões para esta formação docente, sobretudo, curricular, o segundo, implica na promoção de algo mais elaborado que direcione ao docente do Ensino Religioso subsídios teórico-metodológicas para práxis educativa, e o terceiro, corresponde à construção de um trabalho epistemológico entre à educação e as Ciência (s) da (s) Religião (ões) no âmbito de graduação no Brasil. Na reflexão de Miele e Possebon (2011). Esta é a razão primeira que justifica a proposição dos cursos de Ciências das Religiões, que têm o intuito de contribuir para a construção de uma sociedade harmoniosa, tolerante para com os diferentes, fundamentada na ética e no respeito às minorias. (MIELE; POSSEBON, 2011, p. 410). Através da justificativa de Miele e Possebon (2011), é relevante que os cursos de Ciências das Religiões pautem o Ensino Religioso em seus respectivos currículos. No entanto, o que ainda persiste diante dessa ―proposição‖ é a resistência por parte de universidades Federais e Estaduais, a se proporem para uma graduação dessa natureza, por exemplo, a Universidade Federal da Paraíba resgatou esse componente, com a formação em Ciências das Religiões, modalidade licenciatura e bacharelado, além de um programa de Pós-graduação em nível de mestrado. No entanto, é importante notar que este quadro vem se alterando nos últimos anos, já que outras federais começaram a oferecer cursos de licenciatura em CR, como é o caso da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). 60 Faz-se necessário, portanto, o estudo que fundamente essa Pedagogia crítica social dos conteúdos na formação docente desse professor na graduação em Ciências das Religiões, pois em suma relevância, o ―estudo das Religiões‖ traz no contexto de pluralismo religioso, um papel hábil para uma sociedade mais tolerante e alteritaria, que reconhece e valoriza a diversidade cultural religiosa, sobretudo para que essa proposta seja aplicada. Assim diz Freire. Saber que devo respeitar à autonomia do educando, à dignidade e à identidade do educando e, na prática, procurar a coerência com este sabe, me leva inapelavelmente á criação de algumas virtudes ou qualidades sem as quais aquele saber vira inautêntico, palavreado e inoperante. (FREIRE, 1996, p.) Freire identifica que, a prática pedagógica é um espaço para socialização do ensino e, não de imposição ideológica por parte do educador, mas é preciso por, sob uma ótica do contexto, o respeito à autonomia do educando e da diversidade a partir de práticas pedagógicas com dialogicidade. 3. METODOLOGIA Nesse estudo de caráter bibliográfico, foram inseridas as ideias e interlocuções de autores como Passos (2007), que aborda a questão da atuação de professores/as, como um processo dúplice, a respeito da formação pedagógica e epistemológica do ensino religioso; Miele e Possebon (2011), que contribui na proposta formativa da Ciência (s) da (s) religião (ões); Freire (1996), no qual faz abordagens a respeito do diálogo crítico-reflexivo na prática pedagógica educacional, entre outros autores que contribuem para essa reflexão. 5. RESULTADOS Este trabalho de cunho bibliográfico tem uma relevante contribuição no âmbito das Ciências das Religiões, sobretudo ao Ensino Religioso. Espera-se que, novas propostas surjam nesse âmbito. No entanto, é um processo, que requer um trabalho disciplinar e interdisciplinar, através de um diálogo entre os Cursos de Graduação em Ciências das Religiões e às escolas. Para tanto, este componente curricular na escola, precisa ter por parte das políticas educacionais, uma visibilidade sob a ótica da diversidade religiosa, e vetar o proselitismo em todos às escolas brasileiras. Esse trabalho, portanto, apresentou resultados 61 bibliográficos, mais adiante, pretende-se ser feito, estudo de casos, com professores que atuam com essa disciplina no município de João Pessoa/PB. 5. CONCLUSÃO Diante do trabalho realizado, ainda há muito trabalho a ser feito em prol do ensino religioso. Para tanto, o grupo de pesquisa, FIDELID, (Formação, Identidade, Desenvolvimento e Liderança de Professores de Ensino Religioso), da linha de pesquisa ―Educação e Religião‖, vinculado ao programa de pós-graduação em Ciências das Religiões – PPGCR tem proporcionado uma reflexão no campo pedagógico com os professores, que vivenciam a práxis com o ensino religioso no cotidiano escolar. Em busca de promover discussões bibliográficas fazendo articulações acerca das práticas pedagógicas e metodológicas realizadas pelos profissionais de ensino religioso no contexto escolar, assim com a reflexão da práxis podendo promover estratégias que possibilite uma educação que contemple a diversidade cultural religiosa, tendo em vista uma educação com práticas libertadoras que dê espaço as religiões que historicamente foram discriminadas no contexto social brasileiro, buscando a promoção do respeito e valorização dessas religiões através dos trabalhos que visa a problematização e conscientização dos educandos. REFERÊNCIAS Constituição Politica do Império do Brasil, de 25 de março de 1824. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm>. Acesso em: 21 jan. 2014. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra 1996. MIELE, Neide; POSSEBON, Fabricio. Ciências das Religiões: proposta pluralista na UFPB. Numen: revista de estudos e pesquisa da religião, Juiz de Fora, v. 15, n. 2, p. 403-431, 2012. PASSOS, João Décio. Ensino Religioso: construção de uma proposta. São Paulo: Paulinas, 2007. 62 ENSINO RELIGIOSO NA ESCOLA: O PERFIL QUE OS EDUCANDOS POSSUEM DA DISCIPLINA NO ENSINO FUNDAMENTAL Welinghton Alves Sales de Macedo - UFPB24 1. INTRODUÇÃO Neste trabalho iremos apresentar o resultado de uma pesquisa que fizemos com educandos do Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano de uma escola municipal do município de João Pessoa nos anos de 2012 e 2013. Nosso objetivo foi traçar um perfil que os educandos possuem da disciplina ministrada no Ensino Fundamental, logo sabemos que o ER ainda não possui um currículo formado como outras disciplinas daí a importância de estudarmos e irmos aprimorando, construindo, formando esse curriculum para a disciplina, conseguimos ter esse perfil através de respostas dos educandos realizadas em um questionário. Existem atualmente três modelos de Ensino Religioso utilizado o catequético, teológico e o das Ciências das Religiões (PASSOS, 2006, p. 30 – 33). Para (SILVA, 2011 p.18), o modelo Catequético ao longo da história do cristianismo, primeiro no âmbito católico e, posteriormente, no âmbito das igrejas reformadas, a estratégia proselitista fez transcender para fora das comunidades religiosas suas catequeses e doutrinas. O modelo Teológico é um modelo mais atual, onde coloca as questões religiosas em diálogo com as demais disciplinas dentro da escola, buscando promover o diálogo e o respeito entre as religiões. Segundo (SILVA, 2011 p.21) o modelo Ciências das Religiões deve ser aperfeiçoado no ato educativo, ou ainda, de postular a dimensão religiosa como um fundamento último dos valores que direcionam a educação. O conhecimento da religião como um componente da educação geral e contribuindo para a formação completa do cidadão, estando sob-responsabilidade das demais áreas do conhecimento que compõem as disciplinas escolares, do governo e de toda a sociedade. Este último modelo é o que defendemos para o Ensino Religioso na escola sem o pressuposto da fé, (catequese), sem o pressuposto da religiosidade (educação religiosa), mas com o pressuposto pedagógico (estudo das religiões), onde assume o estudo das religiões como um valor fundamental para a educação do cidadão. Conforme (ELIADE, 1989, p. 19). 24 Licenciado em Ciências das religiões – UFPB – E-mail: [email protected] 63 Tal como qualquer fenômeno humano, os fenômenos religiosos são extremamente complexo, para aprendermos todas as suas valências e todos os seus significados, há que abordá-lo de vários pontos de vista. Apesar de toda nossa tradição cristã, em termos de educação religiosa, doutrinação, oriunda da nossa colonização, a disciplina ainda está em fase de construção no espaço escolar, desse modo, assumindo o estudo das religiões um valor fundamental para a educação do cidadão. Considerando que o Ensino Religioso é a única disciplina presente na constituição brasileira, no entanto, nunca foram instituídas as Diretrizes Curriculares para a regulamentação da formação dos professores. Além disso, destacamos que bem antes da Constituição já existia desde a época da contra reforma esta disciplina sendo oferecida pelos Jesuítas, embora com o intuito de doutrinação religiosa e fé católica, logo, era mais uma forma de divulgar e de propagar a religião, ou seja, um modelo catequético. Afirma Cortella (2006) que: ―Uma escola inteligente não pode deixar de fora o conteúdo religioso, uma vez que este não é estranho à vida‖. O mesmo autor afirma: E R na rede pública de ensino é mais que educação da religiosidade, visa à educação do cidadão, uma vez que a dimensão religiosa é algo presente no indivíduo e na sociedade. Se a religião é tão presente em nossas vidas nada mais justo do que ser ensinada para crianças e adolescentes na escola, ali seria o local de debater e aprender sobre a diversidade religiosa, portanto, A religiosidade é uma percepção e uma conexão com a vida que procura captar, fruir e proteger tudo aquilo que ultrapassa a materialidade e imediaticidade, do mundo, ou seja, um sentimento que deseja fixar os múltiplos e intrigantes significados da existência para além da sensação de tudo e nós mesmos sermos provisórios, passageiros, finitos e, portanto, precários e desnecessários. (CORTELLA apud SENA, 2006, p.16). Por essa razão, Passos (2006) apresenta-nos alguns traços do Ensino Religioso, traços esses: ER: do ponto de vista antropológico, como uma dimensão humana a ser educada; do ponto de vista epistemológico, como uma área do conhecimento com estatuto próprio, conforme indica a Resolução 02/98 da Câmara de Educação Básica; e do ponto de vista político, como uma tarefa de sistemas de ensino e não das confissões religiosas. Ordem epistemológica, demonstração do estudo da religião como uma área de conhecimento que goza de autonomia teórica e metodologia, sendo capaz de subsidiar práticas de ER dentro dos sistemas de ensino laicos, sem nenhum prejuízo de suas laicidades. (PASSOS 2006 p. 23). Deste modo, entendemos que a fundamentação teórica e metodológica do ER, enquanto área específica de conhecimento assume a Religião como um objeto de estudo, 64 produzindo sobre ele resultados compreensivos que normalmente são credenciados como ciência. (PASSOS 2006 p. 23), pois, como Freire, acreditamos que: ―O ato de ensinar não significa transferir conhecimentos religioso, mas assumir a religião como um dado a ser conhecido como parte da apreensão da realidade, da formação do sujeito e da responsabilidade para com a sociedade‖. (FREIRE, 1996). O ER escolar é uma questão de educação para a cidadania plena, pois se sustenta sobre pressupostos educacionais e não sobre argumentações religiosas, ainda que possa ser um valor a ser educado para que contribua com a vida pessoal e social, com o respeito religioso e a tolerância. 2. METODOLOGIA A metodologia utilizada foi uma pesquisa descritiva, de campo e para coleta dos dados utilizamos como instrumento a entrevista, e o questionário semiestruturado com questões abertas e fechadas e com um espaço aberto para os educandos desenhar e expressar o sentido do desenho referente à aula de Ensino Religioso. 3. RESULTADOS Nossa pesquisa foi desenvolvida na Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof. João Gadelha de Oliveira Filho, nesta cidade de João Pessoa, capital da Paraíba. O Ensino Religioso é ministrado em turmas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental II no período vespertino e em quatro turmas do EJA noturno Ciclo I ao Ciclo IV. Para o gestor escolar a disciplina ER ajuda na formação dos alunos (atitudes, direitos, deveres, respeito) e etc. No total foram pesquisados 123 educandos do Ensino Fundamental II do 6º ao 9º ano. A maioria foi do sexo masculino totalizando 65 ou 53%, e 47% do sexo feminino. São crianças e adolescentes com idade predominante dos 10 aos 14 anos, totalizando 85% dos educandos. E 15 % tem idade entre 15 e 18 anos de idade. Quanto à religião predominante foi possível constatar o cristianismo, dividido entre o catolicismo e o protestantismo. Mais da metade responderam que possuem uma dessas religiões, enquanto que 27 responderam que não tinha nenhuma religião e outros cinco apenas disseram que eram cristãos, mais não frequentavam nenhuma determinada. 65 Registramos 91 imagens construídas com 15 símbolos diferentes dentre eles árvore 01, Bíblia 08, coração 11, cruz 14, dia 01, escola 01, igreja 19, música 01, paisagem 03, pão 01, paz 05, pessoas 21, pomba 03, rádio 01 e vela 01). 4. CONCLUSÃO Ao longo de nosso estudo ficou evidente através das imagens feitas pelos educandos, que mesmo estando em um país laico, existe uma grande força do Cristianismo em nossa cultura. Para Mallon (2009 p.66), o Cristianimo tem se expressado por simbolismos, por meio da arte, da arquitetura das igrejas, ícones e decoração. Alguns cristãos acreditam que Jesus é o símbolo definitivo: representa o Céu e a Terra, por meio de sua natureza divina e humana. Foi possivel analisar que no Ensino Religioso a imagem que predomina entre os educandos é a de um Ensino voltado para o Cristianismo, isso podemos perceber pela forte cultura da religião no Ocidente, e pelo fato do Brasil apesar de ser laíco ter uma predominancia Cristã. O cristianismo é a maior representação da religiosidade brasileira, isso ficou detalhado no último SENSO 2010, e a maior parte de seus fiéis escolhem por seguir o protestantismo ou o Catolicismo Romano. O maior símbolo cristão é a cruz, que significa a crucificação de Cristo. Há mais de 2000 anos, líderes do Cristianismo têm desenvolvido uma hierarquia que é revelada na forma de catedrais, rituais elaborados e objetos simbólicos. (MALLON, 2009, p 224). E em nossa pesquisa ficou evidenciado através das imagens que os educandos fizeram. Fato importante que identificamos através dos desenhos feitos, é que existe a identificação da aula de Ensino Religioso com um caráter, cidadão, de valores éticos, de moralidade que os educandos expressaram através de seus desenhos, com isso concluímos que pedirmos uma representação da aula de Ensino Religioso é bastante forte dois aspectos, de a aula ser Cristã, e ter um caráter social, de levar moralidade, respeito, valores para os educandos, fugindo assim do que é o modelo das Ciências das Religiões, onde seria a aula fundamentada em um estudo sobre as religiões. Com isso fica clara a sistematização de um currículo para essa disciplina. Dentro das salas, as aulas se resumem ainda, em conteúdos do catolicismo e valores éticos, sociais morais coisas que outras disciplinas poderiam oferecer até mesmo um papel da família dentro da vida do ser humano, porém nos últimos anos esse processo está cada vez mais forte com as criações de cursos superiores para formar professores e o grande número de eventos acerca da disciplina pelo país, trazendo o debate e a construção do Currículo para essa disciplina. 66 REFERÊNCIAS CORTELLA, Mario Sergio. Educação, Ensino Religioso e formação docente. IN: SENA, Luzia (Org). Ensino Religioso e formação docente: ciências da religião e ensino religioso em diálogo. São Paulo: Paulinas, 2006. ELIADE, Mircea. Origens: história e sentido na religião. Lisboa: Edições 70, 1989. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Passim. MALLON, Brenda. Os símbolos místicos: um guia comleto para símbolos e sinais mágicos e sagrados. Tradução Eddie Van Feu. – São Paulo: Larousse do Brasil, 2009. PASSOS, João Décio. Ensino Religioso: mediações epistemológicas e finalidades pedagógicas. IN: SENA, Luzia (Org). Ensino Religioso e formação docente: ciências da religião e ensino religioso em diálogo. São Paulo: Paulinas, 2006. SILVA, Marinilson Barbosa da. Em busca do significado do ser professor de ensino religioso. João Pessoa, Editora UFPB, 2011.