l
i
••I
·
I
,
t•
I
t
r
,
t
+
~
•
.•
•
i
~
1
!
•
.•I
CAPíTULO 4
PROCESSANDO
UMA IMAGEM
CORRECÃO TONAL
)
Quando visualizamos uma imagem RAW no Camera RAW ou no módulo Develop
do Lightroom, eles estão nos dando apenas uma sugestão de processamento.
Sugestão essa que pode ser até agradável aos olhos numa primeira visualização, mas
está longe de ser a ideal.
Parte da graça de fotografar em RAW está exatamente
nessa flexibilidade - podemos sentar com calma, com uma caneca de café, um monitor calibrado e toda a
calma do mundo (dependendo
do prazo de entrega, nem toda) para decidir que
parâmetros
podemos aplicar ao processamento
da imagem, da exposição ao balanço de branco, passando por diversos ajustes tonais e cromáticos.
TEMPERATURA DE COR:
O BRANCO MAIS BRANCO
Balanço de branco ou correção de neutros é o processo de eliminação de invasões
de cor, decorrentes
da tonalidade da luz que está incidindo sobre o nosso assunto.
O olho humano é um mecanismo para lá de formidável, e se adapta rapidamente
a
luzes que possuam um componente
colorido devido à sua temperatura
de cor.
O que é ligeiramente
dos.
58
'-o
U
RI
"O
~
o
.•...
'-c
o
u
O
azulado
ou amarelado
fica branco
em questão
de segun-
Infelizmente as câmeras não possuem esse atributo muito bem desenvolvido
(o
balanço de branco automático
ainda erra mais do que acerta), então temos que
informar ao conversor de RAW qual era a temperatura
de cor da luz no momento
do dique para que ele possa aplicar as compensações
necessárias.
E como determinamos
essa temperatura
de cor? Através
de algumas
convenções.
Se colocarmos
um pedaço de aço dentro de uma forja, vamos vê-Io ficar vermelho inicialmente,
e, com o subir da temperatura,
ele vai ficando alaranjado
e
depois amarelo brilhante. Se nossa forja tivesse calor suficiente, o aço iria ficar
cada vez mais branco, até brilhar como uma estrela. E essa luz branca que o
nosso aço emite não tem uma distribuição
tonal totalmente
neutra, como este
gráfico pode mostrar:
composição espectral da luz de um LED branco
1.0
r
o lED branco
possui uma luz fria e
azulada, claramente
indicada pelo pico
energético no
comprimento
de onda
correspondente
ao azu/. Uma luz
mais "quente"
apresentaria esse
pico no amarelo,
ou vermelho
0.8
I\l
.~
<1l
c
<1l
<1l
0.6
"O
o
>
.~
v•... 004
v
.~
c
0.2
0.0 •••.••--
350
400
450
500
550
600
650
700
750
comprimento de onda em nm
Entre 1000 e 10000 graus Kelvin, um "corpo negro" (um corpo negro é um objeto
que absorve toda a luz que incide nele, sem refletir nem deixar passar nenhuma
parte dela), a exemplo do aço, emite luz branca, mas essa luz possui maior energia
em determinada parte de seu espectro. A 1000K, o componente amarelo é predominante, enquanto a 10000K a dominância azul é evidente.
t
Transportando essa codificação para nossa vida real, conseguimos a seguinte correspondência:
1000-2000K
2S00-3sooK
3000-4000K
4000-soooK
sooo-ssooK
sooo-6sooK
6soo-8000K
9000-10000K
luz de velas;
lâmpadas de tungstênio;
nascer e pôr-do-sol;
lâmpadas fluorescentes;
flash eletrônico;
luz do dia, em dias limpos;
dia pouco nublado;
sombra ou dia chuvoso.
59
11I
O
rs...o
'0.0
'o
+-'
O
LI..
ro
s...
ro
c..
•
temperatura
r----~~
de cor em múltiplos de 1000 Kelvin
11I
Q)
s...
O
U
Q)
"'C
O
+-'
C
Q)
E
t
I
\
'O
ro
'ü
C
Q)
s...
Q)
o
Reparem numa coisa interessante: quanto mais elevamos a temperatura,
mais
azulada fica a luz, embora tenhamos uma sensação psicológica de frio. Por quê?
Provavelmente por influência climática. Dias nublados são mais frios do que dias
de sol, embora nestes últimos a temperatura de cor da luz seja mais baixa.
Então, não confundam: quando um software ou um técnico em cores pede para
elevar a temperatura de cor, muito provavelmente ele está falando da temperatura em Kelvin, então a imagem deverá ser azulada. Se um cliente ou um leigo pedir
para "esquentar"
uma imagem, é quase certeza que ele está falando do aspecto
psicológico da cor, então a imagem deverá ser amarelada.
Tudo isso para dizer que temperatura
de cor é algo muito fácil de se ajustar em
arquivos RAW, simplesmente porque naqueles dados que a câmera capturou não
foi aplicado nenhum tipo de compensação de luz.
o ACR trabalha
com três tipos de acerto do balanço de branco:
Basic
.•.._-------1
White Balance: As Shot
Auto
Daylight
Cloudy
Shade
Tungsten
Fluorescent
Flash
Custom
60
I-
o
U
nl
"tJ
Q)
o
I-
.•..
r:::
o
u
O
• Presets é o mais rápido e intuitivo.
Basta escolher na lista suspensa o tipo de
luz que foi utilizada. Luz do dia, nublado,
sombra, tungstênio, flash - há várias opções e estão todas acessíveis a um clique
do mouse. São opções muito práticas,
mas também pouco precisas. Uso muito,
mas como ponto de partida para um acerto mais minucioso.
• Os sliders Temperature e Tint são mais precisos. Normalmente, são excelentes
ferramentas para refinar o ajuste iniciado com um preset. Mas por que dois sliders?
Nossos olhos enxergam o mundo de uma maneira complexa, cruzando dois sistemas de representação
da cor. Falo disso mais à frente, porque é um assunto bem
interessante, mas, por enquanto, basta saber que, a exemplo do modo de cor LAB,
um dos sistemas que nossos olhos utilizam divide as cores em três partes: luminosidade, azul em oposição ao amarelo e magenta em oposição ao verde.
Por isso temos um segundo slider para
neutralizar as invasões de cor, que é o
Tint. Enquanto Temperature
cuida da
oposição azul-amarelo, Tint resolve os
problemas entre magenta e verde.
Temperature
5000
C
+2
Tlnt
C
• A ferramenta White Balance é a mais precisa de todas: permite calcular a compensação simplesmente clicando em um objeto que deveria ser neutro. Ao comunicar ao software que aquele cinza amarelado em que você acabou de clicar deveria na verdade ser neutro, está explicando toda a compensação
que ele deve
aplicar à imagem.
),
I
Sua desvantagem é necessitar da presença de um objeto neutro no quadro. Felizmente, em determinadas condições, podemos inserir um objeto neutro como um
Color Checker ou cartão cinza (embora eu prefira o primeiro) em uma foto de teste, calcular o balanço de branco e simplesmente aplicar o resultado desse cálculo
nas demais fotos dessa sessão.
t
A SUBJETIVIDADE NA
CORRECÃO
DE COR E WB
>
Corrigir balanço de branco em termos exatos, tendo referência, é um processo
extremamente simples. Mas há de se tomar cuidado para não sofrer da "síndrome
da precisão".
Explico: toda imagem não é uma representação fiel daquele momento, mas, sim,
uma interpretação. Cores, contraste, tudo isso varia de acordo com a maneira e o
processo de captura, raramente reproduzindo fielmente o evento original.
E, mesmo que fosse possível representar fielmente o evento original, é necessário considerar um item importante na linguagem fotográfica: o estabelecimento
de prioridades. Em uma foto de uma moça de biquíni numa piscina de hotel, por
exemplo, os tratamentos aplicados à imagem diferem bastante, dependendo da
mensagem que se quer veicular.
Se a foto é para uma clínica de estética, os tons de pele têm que estar agradáveis, a
pele suave, mais "quente" do que numa imagem colorimetricamente correta.
Se a foto é para um catálogo de moda praia, a prioridade se desloca para a peça
de roupa - que tem de estar representando o melhor possível a cor real do biquíni,
dentro das condições de luz. Nesse caso, a prioridade se desloca para um gerenciamento de cor mais preciso.
61
VI
O
til
I-
'0.0
Já se o anunciante é um hotel, tenho de mostrar o conforto e a beleza do lugar, tomando cuidado para que a água da piscina seja de um tom sedutor e convidativo,
assim como todos os ambientes retratados ao fundo.
'o
-tJ
O
U.
til
I-
til
Q.
VI
a)
I-
O
U
a)
"'O
O
-tJ
c
a)
Etil
'vs::::
a)
la)
o
Como se pode ver no exemplo acima, a lateral esquerda da imagem está com um
balanço de branco um pouco mais amarelado, o que, associado à luz, dá um visual
apetitoso à pequena fatia de bolo. A lateral direita mostra uma imagem com um
balanço de branco mais correto do ponto de vista estritamente colorimétrico, mas
com muito menor apelo publicitário.
Outro exemplo são cenários com luzes mistas: qual o balanço de branco escolher
como referência é questão meramente de gosto pessoal. Nenhum recurso automático pode tomar esse tipo de decisão com 100% de acerto.
I-
o
U
ra
"'C
Q)
o
I.•..•
c:
o
u
o
•
Nesse caso, a imagem tinha dois tipos de luz - tungstênio no fundo e flash no
primeiro plano. Sugiro que em situações como essa se acerte o balanço de branco
para que coincida com o seu ponto central de interesse - no caso, a multidão, via
de regra o primeiro plano. Como se pode ver à direita, balancear para o fundo pode
trazer péssimos resultados no primeiro plano.
o HISTOGRAMA
Quando abrimos uma imagem no ACR,a primeira coisa que nos chama a atenção
é o histograma, no canto superior direito. É ele que vamos utilizar para avaliar e
remapear - se necessário - a distribuição tonal da imagem.
Eé a primeira coisa que avaliamos numa imagem: como está a exposição? Condiz
com a ideia que se tem da imagem?
Caso se tenha executado a superexposição proposital, no intuito de melhorar a
qualidade dos dados que compõem a imagem, será necessário escurecer a imagem um pouquinho. Para escurecer ou clarear a imagem no geral, usamos o parâmetro Exposure.
Afigura abaixo mostra uma imagem e seu correspondente histograma - deslocando o slider Exposure, clareio ou escureço a imagem de uma maneira linear, deslocando o histograma todo para um lado ou para outro. Esse parâmetro é medido
em f/stops, ou seja, se quero clarear a imagem em 1/3 de ponto, basta deslocar o
slider para + 0.3.
63
VI
O
'+ra
I-
'01)
'o
.•..
O
LI.
ra
lra
Q.
VI
eu
IO
U
eu
"O
O
.•..
c
eu
E
Nesse caso, clarear simples e diretamente não resolve o problema, porque acerta
os meios-tons mas acaba com as altas luzes, que ficam estouradas no histograma.
ra
·0
c
eu
Ieu
o
s
~
Sabemos que há perda de informação, mas quão grande ela é e onde está localizada?
~
Uma ferramenta bastante útil se encontra no próprio histograma. Nos cantos superiores do histograma há os marcadores de corte, que são pequenos triângulos. Ao
passar o mouse por cima desses triângulos, podemos ver onde está sendo cortada
a informação - uma mancha vermelha indica os cortes nas altas luzes, manchas
azuis os cortes nas sombras. Se clícarmos nos triângulos, ativamos esse recurso
sem precisar ficar com o mouse parado em cima deles.
=>
ª«
O
V\
V\
LLJ
U
~
o..
64
I-
O
U
ta
"'C
~
O
I-
.•..
c:
O
U
O
Ah, repare na cor dos triângulos - ela indica onde está sendo efetuado o corte.
Branco quando todos os canais estão sendo clipados, azul, verde ou vermelho
quando o canal correspondente está sendo clipado sem afetar os outros.
No nosso caso, ao ativar os triângulos, vemos onde a superexposição
afetou as
altas luzes. Então, vamos tentar recuperar essa informação, usando o parâmetro
Recovery.
Uma das características que favorecem o uso do formato RAW é a maior latitude
e a capacidade de recuperar informação aparentemente
perdida nas altas luzes.
Agora, o quanto é possível recuperar nas altas luzes é algo que depende tanto do
sensor e da tecnologia de captação da câmera como da imagem em si.
o que o parâmetro Recovery faz para recuperar informação em áreas "estouradas"
é basicamente checar os canais de cor individualmente para ver se existe algo. Se
encontrar informação em um ou dois canais, interpola os dados disponíveis para
reconstruir detalhes e espalhá-Ios nos canais que não contêm nada. Depois, tenta
reduzir a compressão nas altas luzes, distribuindo melhor o pouquinho de detalhe
que encontrou. Por último, remapeia os meios tons e as sombras, para que se integrem melhor com as altas luzes que acabaram de ser construídas, na busca de um
visual mais natural para a imagem toda.
Outra possibilidade promissora de recuperação está nas imagens com ISO alto muitas câmeras utilizam amplificação de ganho digital, ou seja, simplesmente aplicam compensação de exposição em uma imagem feita com a sensibilidade padrão
do sensor. Nesses casos, o conversor de RAW consegue reverter essa compensação de exposição, recuperando farto material nas altas luzes.
Uma dica para quem está se debatendo no limite da exposição: balanço de branco
afeta o corte e distribuição das altas luzes. É exatamente por isso que começamos
a trabalhar com o balanço de branco antes de acertar a exposição.
Recuperados os detalhes nas altas luzes, prosseguimos e passamos para o parâmetro seguinte, que é o Fill Light. Fill Light é um termo que corresponde à luz
de compensação, porque é basicamente isso o que ele faz - clarear as sombras
afetando os tons claros e altas luzes o mínimo possível. Não convém exagerar na
dose, porque FiIILight em excesso tem o péssimo costume de acentuar demais o
ruído que existe nas sombras.
65
VI
O
nL..:J
'0.0
'o
.•...
O
LI..
n:J
L..
n:J
Q.
VI
Q)
L..
O
U
Q)
"'C
O
.•...
C
Q)
E
n:J
'0
C
Q)
L..
Q)
\j
~::: I
B:
--
.,.,....
Re<o<erI
C
flt,S
-
1/1255
ISO 1600 50 rmI
Ilo!à
«>,29
O
Flli!#
,.
C
""'"
===C
Brilttness
+59
C===
C....,'"
+9
O
o equivalente
aqui a uma luz de compensação seria uma aplicação do parâmetro
FillLight - aqui exagerada por motivos didáticos, mas vejam como a aplicação abre
as sombras do lado inferior direito, mostrando detalhes que não estavam visíveis
anteriormente.
66
f/l,a
1/1255
150 1600 50 mm
I-
o
U
_
Ilo!à
+0,29
ro
"'O
~
o
I-
30
.•..
C
o
u
O
+59
+9
O
Pela própria natureza das imagens, que possuem gama linear, as áreas de sombra
não são elaboradas com muitos tons diferentes. Expandir essa área pode ser fatal
em uma imagem subexposta. Para tentar minimizar esse problema, temos o passo
seguinte no processo de ajuste tonal da imagem - o parâmetro Blacks.
Blacks, assim como o Recovery, lida com a pontinha do histograma - no caso, a
área de extrema sombra, próxima ao preto. Acionado, ele escurece mais ainda as
sombras, minimizando os efeitos colaterais de movimentos
feitos com o Fill Light.
Na minha experiência,
praticamente
toda imagem tem a ganhar
profundidade
com uma discreta aplicação do parâmetro
Blacks.
1/1)
lSOlIlO
...
-
mais contraste
e
1/125.
IIXI_
~
•...
o
•
ConttMt
+zs
Aqui, os movimentos
de correção de exposição,
Recovery e Fill Light, acabaram
por abrir o fundo em demasia. Como a ideia para o fundo é que ele fique preto
totalmente
chapado, sem detalhes,
usamos o parâmetro
Blacks para corrigir o
histograma.
11I
O
Assim cobrimos todo o histograma
- Blacks para as sombras, Fill Light para abrir
mais os tons escuros, Exposure para os tons médios e claros, e o Recovery se encarrega de puxar de volta as altas luzes. Então, por que temos ainda os velhos
controles de brilho e contraste?
A resposta é que eles não agem exatamente
como os outros controles. Brightness
na verdade não é um controle linear como Exposure. Ele age principalmente
nos
meios tons e tons claros, enquanto procura não tirar nem as sombras nem as altas
luzes do lugar. Usado com moderação
no final do processo de ajuste tonal, Brightness literalmente
dá um pouco mais de brilho à imagem.
'+-
re
I-
'on
'o
~
O
LI..
re
lre
o..
11I
QJ
I-
O
U
QJ
"C
O
~
Outra consequência
do uso do Brightness é que, ao deslocar dados de uma zona
tonal para outra imediatamente
acima, ele expande essa área do histograma,
o
que causa a compressão
em áreas mais claras. Então ele aumenta o contraste
nas
sombras, o que é bom quando se quer evidenciar algum tipo de detalhe, mas também reduz o contraste
nos tons claros e altas luzes, o que não é tão bom para
C
QJ
E
re
·0
C
QJ
I-
QJ
o
as texturas mais claras. Ambos os processos degradam a imagem em termos de
informação.
Na grande maioria das ocasiões, essa é uma troca mais do que compensadora,
porque ficamos com menos dados, mas os dados que ficam estão melhor posicionados. O que significa que a imagem está visualmente melhor.
Exposurl
:e
I.J.J
C)
"""
""""
~
+1,43
-=
O--~--------~~
Racovery
o
~~IL~~
."..
Q
~O-
~
~
:::::>
o
o
z:
«
V)
V)
I.J.J
U
o
o:::
Contrast comprime ou expande o histograma como um todo, ou seja, evidencia ou
reduz o contraste entre os tons, de acordo com a conveniência. É o último parâmetro que aplico nessa etapa do processamento. Depois vem um leve retoque no
parâmetro Recovery, se for o caso.
a..
p:
68
•...
o
U
tO
"O
~
o
•...
.•...
c
o
u
O
'/4,51/60.
-
1501600
IS·S5ll27rrrn
a
N_
+1,43
a-
--
a
a
C;
+31
Repare na diferença entre os histogramas das figuras anteriores. Quanto mais contrastada a imagem, mais largo é o histograma, com maior diferença entre os tons.
Quanto mais suave em termos de contraste, mais estreito será o histograma, com
transições mais suaves.
CORES, MUITAS CORES
o passo seguinte no processamento, uma vez com o ajuste tonal e o balanço de
branco resolvidos, é o ajuste cromático. E mesmo o ajuste cromático tem lá sua sequência, seu procedimento. O mais comum é começar pela saturação da imagem,
e para isso temos duas ferramentas distintas, Vibrance e Saturation.
À primeira vista, as duas fazem a mesma coisa, mas uma rápida olhada já nos revela
que não.
Vibrance atua mais nas cores primárias, enquanto preserva os tons mais neutros,
como os tons de pele. Saturation atua em todos os tons, sem exceção. O que já é
diferença suficiente para fazer delas ferramentas totalmente distintas, com usos
específicos.
Retratos se beneficiam muito do Vibrance, visto que este realça bastante os tons
mais intensos sem acabar com os tons de pele, que são secundários.
69
11I
O
'+ro
L-
'oJ)
'o
••O
LI..
ro
Lro
Q..
11I
eu
LO
U
eu
"O
O
••c
eu
E
ro
'u
c:::
eu
Leu
o
Já paisagens e outros assuntos que precisam de mais saturação mesmo nas cores
secundárias acabam por exigir o uso do Saturation. Na prática, o que encontrei nas
minhas imagens foi a interação dos dois parâmetros.
R, G' --
B; ...
I
FI"
150200
1/1005
SOmm
o
:E
LLI
C)
~
~
:::>
o
c
:z:
«
Vl
Vl
Normalmente começo pelo Saturation até os tons de pele e assemelhados ficarem
bons (isto se for necessário), então verifico se as cores primárias já estão corretas.
Se não estiverem, uso o Vibrance para dar o toque final nas cores mais vivas.
LLI
U
o
o:::
r
o...
ADICIONANDO PROFUNDIDADE
70
I-
o
U
ra
"'C
eu
o
I-
••I:
o
U
o
Quando trabalhava em agência de publicidade fazendo tratamento
um dos meus "truques secretos" (depois descobri que isso era até
nhecido, entre os photoshopeiros
mais habilidosos) era adicionar
maneira localizada, usando o filtro Unsharp Mask do Photoshop com
ração diferenciada.
de imagens,
que bem cocontraste de
uma configu-
Usando um elevado fator
de Radius e baixo Amount,
era impressionante a nitidez, ou "pegada" (acho
que só eu uso esse termo,
do original "punch", mas
0-1
tudo bem) que a imagem
ganhava,
especialmente
as mais apagadinhas
e
sem graça. Tudo isso devido à acentuação do contraste, não de uma maneira geral, mas só em porções pequenas da imagem, enquanto as grandes permaneciam praticamente inalteradas.
É exatamente essa a função do parâmetro Clarity. Usado com cuidado - pense
nele como um tempero - melhora muito a "pegada" das suas imagens, deixandoas mais vivas e com mais profundidade. Nem todas as imagens precisam desse
tempero, porém.
Outra possibilidade que recomendo muito explorar é o Clarity com valor negativo
- que produz o efeito contrário, ou seja, deixa áreas mais difusas, especialmente
superfícies com pouco contraste, como a pele. Usando esse recurso em áreas isoladas, podemos conseguir peles perfeitas para fotos de moda sem precisar sair do
Lightroom.
O que é uma mão na roda em termos de produtividade.
REDUZINDO RuíDO
Uma das maiores dores de cabeça para os fotógrafos que trabalham com digital é
o ruído - que é uma versão mais feia do grão de filme. E, se uma das grandes buscas da fotografia tradicional era o filme com o maior ISO e o menor grão possível,
hoje em dia isso não muda. Queremos sempre câmeras que nos dêem a imagem
mais livre de ruído e com a maior sensibilidade possível.
-
~
O
III
I-
'0.0
'o
+'
O
LI..
Se você prestar atenção em uma narração de futebol no rádio AM, vai perceber
um constante zumbido de fundo, baixo mas incômodo. Pois é, esse é o ruído, que
em imagens se manifesta como pequenos pontinhos ou manchas coloridas recobrindo discretamente nossas imagens. Às vezes passa, porque tem uma certa cara
de grão (embora não seja tão agradável aos olhos), e em algumas vezes até dá
impressão de maior nitidez. Mas ruído normalmente traz muito mais mal do que
bem. Embora eu ache que ruído tenha até o seu charme, isso fica no trabalho pessoal, porque entre clientes ele raramente é bem recebido.
III
I-
III
o.
11I
Q)
I-
O
U
Q)
"'O
O
I:
+'
Q)
E
III
·u
I:
Q)
IQ)
o
Imagem com ruído
aparente, causado pelo
elevado /50 de captura
E quando temos ruído? Sempre - é uma característica de qualquer dispositivo eletrônico que transmite ou recebe dados. Mas ele fica mais evidente e incomoda
bem mais em determinadas circunstâncias, especialmente em altas sensibilidades
(ISO), longas exposições e até mesmo variando de uma câmera para outra.
Isso porque existe uma relação chamada "signal to noise ratio", que é a proporção
entre os dados que interessam (a imagem em si) e o ruído de fundo. Se a intensidade da luz que compõe a imagem for suficiente e o ruído for baixo, é possível
distinguir com bastante facilidade a informação do ruído. Agora, se a imagem for
fraca e o ruído abundante, fica cada vez mais difícil distinguir o que é sinal e o que
é ruído. Tudo vira uma confusa maçaroca de informação.
72
'-o
U
ta
"C
~
o
.•..'c
o
u
O
Então, quando usamos um ISOmaior na câmera, estamos na verdade amplificando
o sinal padrão do sensor, o que aumenta a potência do sinal - e, consequentemente, aumenta o ruído junto. Cenas escuras também costumam ter uma relação sinal/
ruído bastante desfavorável, que é a principal razão do ruído preferir aparecer nas
sombras que nas altas luzes.
Quanto mais intenso
o sinal em relação ao
ruído de fundo, mas fácil
é distingui-Ia e mais fácil
remover o ruído, tarefa
não tão simples quando o
sinal é fraco em relação ao
ruído de fundo
Entre outras classificações (que se referem mais ao arranjo e tamanho das manchas
coloridas), existem basicamente dois gêneros de ruído com os quais temos de nos
preocupar: o monocromático e o colorido. O mais comum é que exista uma certa
combinação dos dois, e por isso temos dois controles para lidar com a situação.
Photoshopeiros experientes costumavam usar o espaço de cor LABpara reduzir
ruído, uma vez que ele tem a capacidade de separar cor de luminosidade. Borrando os canais de cor era possível reduzir o ruído colorido (ou cromático), enquanto
outras operações mais cuidadosas diminuíam o ruido de luminância (ou monocromático). Quando o resultado esperado era alcançado, era só reconverter o arquivo
para RGBe continuar trabalhando.
Esse sistema é utilizado até hoje, mas em problemas muito específicos e aplicações
seletivas.
Basicamente, o que os nossos controles de redução de ruído fazem é isso, porém
sem a necessidade de conversões de espaços de cor, uma vez que estamos trabalhando diretamente no material RAW,em imagens de gama linear.
Ao utilizá-Ios, cuidado! Remover ruído é fácil - o problema é não levar toda a textura e detalhe da foto embora junto com ele. Analise cuidadosamente o tipo de
ruído da imagem antes de tomar qualquer providência. Escolha uma área que tem
textura importante para tomar como ponto de comparação.
Ah, e sempre faça isso visualizando a imagem no mínimo a 100%. Os melhores fatores de zoom para se visualizar ruído giram entre 200 a 400%.
O ACRcostuma "chutar" um valor de
25 para a redução de ruído colorido.
Não há nada de inteligente nesse procedimento, é apenas uma sugestão.
Mas parta dela, de qualquer forma.
Aumente gradativamente
o fator
de Color. Você verá que o ruído vai
perdendo a cor proporcionalmente.
Exagerar nesse parâmetro não perde
detalhe, mas compromete a precisão
das áreas de cor. Se prestar atenção,
as áreas de cor começam a perder a
definição nas transições.
73
11\
O
'+m
Avance até ficar feio. Depois volte
atrás um pouco, até obter o melhor
efeito.
Agora é a vez do Luminance. Grão
monocromático não incomoda tanto os olhos, o que significa que podemos pegar mais leve. Boa notícia,
porque Luminance consegue devastar as pequenas texturas e detalhes
da imagem com grande facilidade.
Exagerando um pouquinho que seja,
lá vamos nós ficar com imagens de
aparência "plastificada".
I-
'0.0
'o
+'
O
LI..
m
‫ן‬m
Q.
11\
Q)
I-
O
U
Q)
"O
O
+'
c:
Q)
E
.~
v
c:
Q)
IQ)
o
o
importante aqui é saber onde parar. Separar o que é ruído e o que é
detalhe é uma das tarefas mais complicadas de se executar no tratamento de imagens. Aqui qualquer ajuda é
bem-vinda, e plugins para Photoshop
e Lightroom como os da Noiseware e
Nik fazem um excelente trabalho.
Não tenha exagerada preocupação
em "limpar" a imagem. Nossos olhos
estiveram acostumados com o grão
fotográfico por muitos anos, e o ruído
(especialmente o de luminosidade)
não incomoda tanto assim. Na redução de ruído, a preocupação principal
deve ser o ruído cromático.
74
NITIDEZ, MUITA NITIDEZ
I-
o
U
n:I
"C
Q)
o
I.•...
r:::
o
Uma parte crucial do processo de geração de uma imagem digital é a administração da nitidez. Como vimos lá atrás, o filtro Anti-aliasing aplicado em cima do sensor borra ligeiramente a imagem para facilitar o trabalho de demosaicing e evitar
que a imagem tenha serrilhados.
u
O
o efeito colateral desse sistema é produzir uma imagem "macia", ligeiramente
desfocada. Ou seja, ao contrário dos negativos e cromos, toda imagem digital precisa ter isso ajustado, senão corremos o risco de estar subutilizando a informação
da foto.
Então, em alguma etapa do processo é necessário utilizar algum recurso que acentue e recupere a nitidez da imagem.
Basicamente, o aumento de nitidez ("unsharp masking") é um reforço do contraste nas bordas, pontos onde há o encontro de pixels claros e pixels escuros. Então,
o que parecia difuso e suave vira uma transição mais brusca, o que dá à imagem o
aspecto nítido.
:::E
L&.I
C)
~
~
:::::>
O
O
:z:
-«
V'l
V'l
L&.I
U
Para realizar esse processo, lidamos com quatro parâmetros: Amount, Radius, Detail e Masking. Cada um deles tem uma função diferente, e é da interação deles que
vem o resultado final:
-
O
o::::
c...
75
• Amount controla a quantidade de contraste aplicada nas bordas - na figura
acima podemos ver a diferença do efeito nos seus valores mínimo e máximo;
• Radius controla a largura das bordas onde o efeito será aplicado - embora
valores altos produzam uma sensação mais forte de nitidez, o exagero não fica
nada agradável aos olhos, criando um halo estranho em volta dessas bordas.
Pressione Alt e poderá visualizar no Lightroom qual a largura do efeito que deseja aplicar, intuitivamente;
VI
O
rn
~
'0.0
'+-
•..
'o
O
LI..
rn
~
rn
Q.
VI
Q)
~
• Detail funciona basicamente da mesma maneira que o Radius, mas não em
diferenças muito amplas de valores entre os pixels. Detail trabalha nos mínimos
detalhes, ressaltando as menores transições.
• Masking é o ultimo parâmetro - a função dele é exatamente o que o nome sugere: criar uma máscara que irá proteger algumas áreas do efeito de aumento
de nitidez. Cai como uma luva nos casos de retrato e foto de moda, porque preserva áreas como a pele de aguçamentos indesejáveis. Assim como no parâme-
O
U
Q)
"'O
•..c:
O
Q)
Ern
'vc:
Q)
~
Q)
I
t
•
o
i
tro Radius, pressionar
ra, consequentemente
Então, qual o método
faça os ajustes tonais
gando e desligando o
a visualízação do que
Alt enquanto mexe no slider mostra o aspecto da máscaonde o efeito está sendo aplicado e onde não está.
usado para aumentar a nitidez das nossas imagens? Primeiro
normalmente,
depois selecione a paleta Detail no ACR. Licheckbox Preview (acima, à direita) você pode alternar entre
está fazendo e a imagem sem ajuste.
Pressionar Alt
(Option no Mac)
ajuda a visualizar o
parâmetro que se
está editando na
paleta Detail
:::E
l.J..l
c:>
~
~
::::>
o
o
:z:
«
Vl
Vl
l.J..l
U
o
o:::
Se um ícone com ponto de exclamação estiver visível, é porque você não está visualizando a imagem em 100%. Basta clícar nele que a imagem é automaticamente
ampliada.
Na sequência, posicione Amount em 150. É muito mais do que o necessário,
mas
precisamos desse exagero para visualizar melhor o efeito dos outros parâmetros.
c..
76
~
o
U
Detail e Radius são determinados
por tentativa e erro. Comece por Radius, e vá a
extremos. O melhor jeito de determinar
os melhores valores a serem usados nos
parâmetros
de nitidez é exagerar bastante e ir recuando até ficar bom. Use a tecla
Alt para visualizar as áreas que está atingindo com o efeito.
ra
"C
.•..o~
A etapa seguinte é diminuir a incidência do efeito em áreas mais suaves, usando
o Masking. Nesse caso, a tecla Alt também é muito útil para visualizar o que está
protegido e o que está efetivamente
sendo aguçado .
o
u
Por último, diminua o Amount
Q)
c
O
até o efeito ficar visualmente
agradável.
RECAPITULANDO
o que
vimos neste capítulo:
• aprendemos a utilizar adequadamente os controles do Camera RAW;
• verificamos a sequência adequada para se fazer esse tratamento;
• exploramos os conceitos por trás da nitidez e do balanço de branco;
• agora temos o discernimento e método para aplicar nitidez, saturação e balanço de branco.
Minha proposta para este capítulo é praticar, praticar, praticar. Abra imagens
típicas do seu trabalho, veja o tratamento que aplicou antes de ler o capítulo,
compare com o original. Pergunte-se: "Fiz algo errado no tratamento anterior?
Exagerei na saturação, na nitidez?"
Como eu processaria essas imagens hoje?
~
L&.I
Aplique seus conhecimentos, teste a sequência lógica de trabalho. Saber e não
fazer não é saber.
C)
~
~
::::>
O
O
:z:
«
V')
V')
L&.I
U
-O
o:::
c...
77
VI
O
ra
I'o.()
'o
...,
O
LL.
ra
lra
Q.
VI
QJ
I-
O
U
QJ
"O
...,O
c
QJ
Era
'u
s::::
QJ
I-
QJ
o
Download

Processando Uma Imagem