SESSÃO 3_1_25 A EVOLUÇÃO DO TURISMO CULTURAL E OS DESAFIOS QUE SE COLOCAM AOS PEQUENOS NÚCLEOS URBANOS: O CASO DE PONTE DE LIMA 92 Produtos e Destinos Turísticos de Excelência I Congresso Internacional de Turismo ESG/IPCA - Barcelos - 1 a 2 Outubro 2010 A evolução do turismo cultural e os desafios que se colocam aos pequenos núcleos urbanos: o caso de Ponte de Lima Mécia Mota Universidade Católica Portuguesa e-mail: [email protected] Paula Cristina Remoaldo Universidade do Minho e-mail: [email protected] J. Cadima Ribeiro Universidade do Minho e-mail: [email protected] Resumo O turismo cultural é um fenómeno complexo, sendo por isso difícil formular uma estratégia consistente e de resultados seguros para o sector. Em Portugal, apesar do turismo cultural ter suscitado o interesse de um número elevado de cientistas sociais, continua ausente uma reflexão sobre as perspectivas da sua evolução a médio prazo, e sobre como pequenos núcleos urbanos, como Ponte de Lima, podem dele tirar partido para o seu desenvolvimento. Com base nestes dados, dá-se notícia nesta comunicação de uma investigação que teve como objectivos: analisar a dinâmica do turismo cultural à escala internacional, nacional e regional; avaliar o potencial do seu desenvolvimento em Ponte de Lima; caracterizar a estratégia de desenvolvimento turístico seguida pelo município; e aferir a possibilidade de uma reorientação de política para um produto turístico mais activo/criativo. Para isso, realizaram-se entrevistas semi-estruturadas a agentes locais e regionais ligados ao turismo. As questões usadas centraram-se nas estratégias de planeamento e de marketing turístico conduzidas, e nos recursos de que Ponte de Lima dispõe. Palavras-chave: Turismo Cultural; Turismo Criativo; Planeamento Estratégico; Ponte de Lima. Abstract Cultural tourism is a complex phenomenon, being difficult to design a strategy leading to guaranteed outcomes. In Portugal, since the eighties of the last century, several social scientists have conducted research in the field of cultural tourism but, nevertheless, still there is not a clear perspective concerning its medium terms possible evolution and how small urban centres, as Ponte de Lima, can profit from that industry for its development. This paper aims to produce an short analysis of cultural tourism dynamics at international, national and regional levels. Furthermore, it aims to evaluate how Ponte de Lima can take profit from the cultural tourism industry and to check the consistency of the strategy followed by the municipality vis-à-vis this goal. An additional objective of the paper is to analyze the viability of conducting the reorientation of the strategy that has been implemented towards a touristic product more active/creative. 93 To reach these objectives, a survey was implemented using semi-structured interviews. They were addressed to local and regional agents that work in the tourism sector. The questions rose had to do with the planning and marketing strategies conducted and the tourism resources available at Ponte de Lima. Keywords: Cultural Tourism; Creative Tourism; Strategic Planning; Ponte de Lima. Introdução Segundo o Estudo Macroeconómico para o Desenvolvimento de um Cluster das Indústrias Criativas na Região Norte (Fundação Serralves, 2008), o turismo cultural “desenvolveu-se como alternativa à saturação do modelo tradicional, baseado na exploração de um número limitado de centros de atracção e em resposta a uma procura mais exigente, segmentada e em mudança” (Fundação Serralves, 2008: 32). De acordo com o mesmo estudo, “a cultura tem sido utilizada como meio de desenvolvimento económico e social, e o mercado de turismo cultural tem sido inundado com propostas de novas atracções patrimoniais, rotas e percursos pedonais” (Fundação Serralves, 2008: 32). Quer-se com isto dizer que muitos consumidores estão a ficar saturados da massificação dos destinos e procuram alternativas, sendo clara a ascensão de um novo consumo que aponta para o uso da criatividade como alternativa ao turismo cultural convencional. Com base nestes dados, procurámos estudar um novo produto turístico, o turismo cultural criativo, ainda pouco abordado no nosso país e sobretudo em territórios como Ponte de Lima, e tentámos analisar de que forma a criatividade poderia trazer uma nova dinâmica ao turismo cultural da Vila. Tratase de uma tentativa de repensar a estratégia do turismo que tem sido seguida e propor um novo planeamento para o turismo com base na criatividade. É nossa convicção de que o estudo de novas formas de turismo é indispensável para a captação de novos segmentos de mercado, nomeadamente a daqueles indivíduos que são adeptos de novas modalidades de turismo em que o turista participa e é parte integrante da experiência turística. Neste sentido, o presente texto foi estruturado em cinco pontos. No ponto 1 faz-se uma sucinta abordagem conceptual da problemática da criatividade, bem como sublinha-se o seu carácter multidisciplinar. No ponto 2 indica-se a metodologia usada na investigação. No ponto 3 faz-se uma caracterização de Ponte de Lima e salientam-se algumas das suas potencialidades turísticas. No ponto 4 faz-se a análise da auscultação realizada aos actores envolvidos. Por último, no ponto 5, são tecidas algumas considerações finais e avançam-se algumas recomendações de política. 1. Desafios da criatividade em torno do turismo 1.1. Breves considerações sobre o conceito de criatividade O conceito de criatividade não é consensual. Encontra-se relacionado com outros conceitos, tais como os de classe criativa, de indústrias criativas, de cidades criativas, de turismo cultural, de turismo criativo e o de desenvolvimento. A criatividade ultrapassou as barreiras da investigação académica e entrou para o campo da elaboração de políticas nacionais e regionais (Fundação Serralves, 2008). A comprová-lo temos o facto de 94 2009 ter sido o Ano Europeu dedicado à Criatividade e Inovação. Nesse enquadramento, foram múltiplos os eventos realizados dedicados a estas temáticas. De um modo geral, esses eventos tiveram como objectivo mostrar a importância da criatividade e da inovação como formas de desenvolver os territórios. Paralelamente, a criatividade é hoje reconhecida como “um driver económico e social fundamental na geração de riqueza e emprego e no desenvolvimento sustentável, incorporando as mudanças tecnológicas e promovendo a inovação empresarial e o reforço da competitividade das cidades, regiões e países” (Fundação Serralves, 2008: 13). Neste sentido, entende-se que as regiões com futuro são as que oferecem produtos distintos e serviços criativos ao mercado mundial, atraindo talento e capital e proporcionando um desenvolvimento económico sustentável (Fundação Serralves, 2008). Segundo o Estudo da Economia da Cultura na Europa (E.C., 2006), a criatividade refere-se à capacidade de criar algo novo. Deriva do verbo “criar”, e o termo tem sido usado para descrever a actividade artística genuína. Duffy (citado em E.C., 2006) propõe-nos três ingredientes para explicar a criatividade artística: imaginação para as ideias, invenções; julgamento, que regula e controla a imaginação; gosto, pela sensibilidade do artista que regula o belo e o feio, o sensível e o ridículo. O conceito de criatividade também é central na teoria económica. A criatividade é associada a inovação, a dinamismo económico e admite-se que, pelo menos em parte, pode ser racionalmente explicada. Segundo Kunzmann (2006), a criatividade pode ser definida como a originalidade, a capacidade de desenvolver novos projectos, processos e aproximações. O poder visionário e a fantasia, assim como ideias não convencionais, aliados à vontade de experimentar e correr riscos são outras das componentes da criatividade, estando-lhe subjacente um pensamento multidimensional. Para Domenico de Masi (2003) [citado por Kunzmann, 2006], a criatividade é um objectivo que dá significado, que dá vida, que nos arrebata pela surpresa. Mas também é misteriosa, é rebelde, é divertida, impertinente e simpática. Whitt Schultz (citado por Escaleira, 2008) refere quatro fases no processo criativo: a preparação, que é a recolha, manipulação e concentração do maior número de dados; a incubação, que é o trabalho do inconsciente desimpedido pelo intelecto que elabora conexões; a iluminação, que é o momento da génese da ideia, em momentos menos esperados; e a verificação, que é o trabalho do intelecto mediante a qual o criador analisa, julga e testa a ideia nova. Mas o que é um agente criativo? Escaleira (2008: 4) refere que é “ser-se capaz de pensar e ir além de si mesmo, das suas paredes”. Por outras palavras, um criativo é alguém que tem a capacidade de arranjar soluções inovadoras para os problemas, consegue superar-se a si próprio e não tem medo de arriscar e de errar, tendo a capacidade de transformar os seus erros em aprendizagem. Associado a esta questão temos o conceito de inovação que, segundo Escaleira (2008: 5), “é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas”. Por outras palavras, a criatividade é a formação das ideias e a inovação é a sua colocação em prática. Para Florida e Tignali (2004), citados no Plano Tecnológico (Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico, 2005) a competitividade futura vai depender dos 3 T´s do crescimento económico, que são a Tecnologia, o Talento e a Tolerância. No entanto, e de acordo com Cadima Ribeiro (2009: 1), “deve 95 juntar-se um quarto atributo: a Distinção, reportada à qualidade de vida e à variedade de equipamento social e cultural disponível”. O mesmo autor, defende ainda que “só uma boa conjugação destes factores lhes permite (às cidades/territórios), serem capazes de atrair, reter e desenvolver pessoas criativas”. Relativamente aos dois primeiros T´s – tecnologia e talento – Florida (2002: 251) refere-nos que “o crescimento económico está associado com a concentração de pessoas com altos níveis de escolaridade”. Por outras palavras, o autor defende que apenas as pessoas que tenham pelo menos um nível de habilitações académicas superior (1º ciclo) terão o potencial para serem pessoas criativas. Mas a questão poderá não ser tão pacífica porque, se é verdade que elevadas habilitações podem tornar as pessoas mais criativas, o facto de se ter um curso não significa que estejamos perante um indivíduo criativo. Mais consensual será a ideia que a classe criativa deverá ser possuidora do talento e da tolerância que permitam inovar e apostar na tecnologia, de modo a ter como resultado o crescimento económico. Em termos estatísticos, e de acordo com o Plano Tecnológico (Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico, 2005: 4), a classe criativa é “definida como o número de trabalhadores em empregos criativos em percentagem do emprego total. Esta classificação engloba cientistas, engenheiros, artistas, arquitectos, gestores, e outras profissões que lidam com tarefas criativas”. Na perspectiva de Florida, citado no Relatório da Economia Criativa (United Nations, 2008), a classe criativa inclui ainda um conjunto de profissionais criativos nos negócios, finanças e direito. Estes trabalhadores têm em comum um “ethos” criativo que valoriza a criatividade, a individualidade, a diferença e o mérito. 1.2. Turismo cultural e turismo criativo O turismo é um dos sectores com maior crescimento na economia mundial. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (c.f. Fundação Serralves, 2008), este sector cresceu 5,7% até ao fim de 2008, ascendo a 900 milhões de turistas. Nos trabalhos de Kraft (Vogeler Ruiz e Hernández Armand, 1997, citado por Cadima Ribeiro e Remoaldo, 2009: 4) pode-se encontrar uma sistematização das motivações que levam as pessoas a viajar, que são: i) “razões culturais, educativas ou profissionais (como o desejo de conhecer sociedades diferentes, assistir a acontecimentos especiais, aprender idiomas); ii) razões étnicas (como o regresso à origem, motivos sentimentais); iii) razões desportivas (como assistir a manifestações ou práticas desportivas); iv) razões físicas (como o descanso, saúde); v) razões sociológicas (como conhecer o mundo, vivenciar a lua-de-mel); vi) razões religiosas (como peregrinações, visitas a lugares religiosos)”. Na perspectiva de Cunha (2008: 168), o turismo cultural tem como pressupostos motivacionais a “valorização cultural e a fruição de diversos atractivos existentes nos destinos, dos quais se destacam: actividades de animação cultural e visitas a museus, monumentos, eventos culturais e festividades tradicionais”. Por seu turno, Pereira (2008) [citado por Cunha, 2008: 168] destaca a “procura de conhecimento, da cultura, dos costumes, da tradição e da identidade cultural”. Bywater (1993) [Fundação Serralves, 2008: 32], fala-nos de três perfis de turistas culturais: os “culturalmente motivados”, que são um segmento de mercado pequeno que é atraído a um destino por motivos culturais, o que os leva a passar várias noites no local de destino turístico; os “culturalmente inspirados”, que são inspirados por locais de interesse cultural e patrimonial - estes turistas passam curtos períodos de tempo nos destinos culturais e não estão motivados para regressar ao mesmo local; e, por 96 último, os “culturalmente atraídos”, que são aqueles que realizam a visita de um dia a sítios de interesse cultural ou patrimonial. Por sua vez, segundo a Organização Mundial de Turismo (O.M.T., in Richards, 2007: 4), o turismo cultural refere-se a “todo o movimento de pessoas que satisfazem a sua necessidade humana da diversidade, com tendência a elevar o nível cultural do indivíduo e proporcionam um novo conhecimento, experiência e encontros”. Por outro lado, para a ATLAS (Association for Travel and Leisure Education, conforme Richards, 2007: 4), trata-se de turismo cultural quando estamos perante o “movimento de pessoas para atracções culturais fora do seu local habitual de residência, com a intenção de absorver nova informação e experiências para satisfazer as suas necessidades culturais”. Com base nestas definições, pode-se entender o turismo cultural como as visitas a monumentos e locais históricos onde os turistas procuram absorver a cultura e a história dos locais que visitam. Contudo, falta aqui uma fruição mais activa do produto por parte do visitante. Todas as definições anteriores nos conduzem à ideia de absorção e por essa razão pretendeu-se neste trabalho explorar uma nova vertente, ou seja, a possibilidade do turista participar na experiência e se tornar parte activa na fruição do produto. O nosso interesse por esta problemática prende-se com a constatação presente em Richards (2000) e Richards e Raymond (2000), citados por Richards e Wilson (2006), do crescimento do “turismo criativo”, por hipótese, como reacção ao turismo cultural tradicional. Argumentam eles que, ao contrário dos turistas culturais, os consumidores criativos procuram experiências interactivas para ajudar no seu desenvolvimento pessoal e aumentar o seu capital criativo. Os mesmos autores, citados por Richards e Wilson (2006: 1215), definem turismo criativo como: “o Turismo que oferece aos visitantes a oportunidade de desenvolver o seu potencial criativo através da participação activa em cursos e experiências de aprendizagem as quais são característica dos destinos de férias onde estas são passadas”. De acordo com Richards e Wilson (2006), o turismo criativo possui potenciais vantagens sobre o “tradicional” turismo cultural o que se traduz em: i) a criatividade pode potencialmente adicionar valor em áreas relativas à cultura e, em particular, aos tradicionais produtos culturais; ii) a criatividade permite aos destinos criar novos produtos, dando-lhes uma vantagem competitiva sobre outros locais; iii) porque a criatividade é um processo, as fontes criativas são, geralmente, mais sustentáveis que os produtos culturais tangíveis; iv) a criatividade é geralmente mais móvel do que os produtos culturais tangíveis, porque dependem da localização física do património cultural, enquanto que a criatividade pode ser, por exemplo, transportada em festivais de arte e música; v) a criatividade envolve não apenas valor de criação mas, também, uma criação de valores: ao contrário das antigas “fábricas do conhecimento”, como os museus, os processos criativos permitem criar muito rapidamente uma nova geração de valores. Neste sentido, percebe-se que a criatividade permite criar novos produtos turísticos para os territórios, acrescenta valor aos produtos culturais, garante a sustentabilidade dos recursos, não está dependente da localização física dos recursos, ao contrário do que acontece com o turismo cultural comum, e permite a criação de novas ideias e valores. Deste modo, valoriza o indivíduo enquanto parte integrante de uma experiência turística em detrimento da estrutura física. A criatividade procura proporcionar uma experiência turística que vai além do observar o monumento/local histórico dando ênfase à parte imaterial como aos cheiros, sons, imagens, histórias, lendas e memórias daquele local que 97 se está a visitar, ou seja, a “cidade pode ser lida e percebida através das suas paisagens e ambientes sonoros (…) a cidade soa e ressoa, disso se construindo também a sua identidade” (Fortuna, 1998: 22). Portanto, existem algumas razões para se supor que o turismo criativo oferece uma alternativa para a reprodução da cultura de acordo com as tendências dos consumidores: i) deixar espaço criativo para o consumidor pode ajudar a evitar a McGuggenheimisation da experiência cultural. Individualmente, o turista é capaz de produzir as suas próprias experiências e raramente tem os seus passos pré-determinados pelos espaços homogeneizados pela indústria turística; ii) o ênfase nos recursos intangíveis reduz os custos de produção e aumenta a flexibilidade para o destino. A aposta em capital criativo e capital social faz com que a população local se torne parte da experiência turística e não se assuma apenas como elemento extra no espectáculo (Richards e Wilson, 2006). Os autores antes indicados referem ainda que estimular a criatividade pode animar outras formas de turismo como, por exemplo, o turismo cultural, através da criação de uma “atmosfera”. Neste sentido, será possível reorientar o turismo cultural para o turismo criativo? A resposta à pergunta antes formulada parece ser afirmativa. De acordo com Richards e Wilson (2006), tal pode ser assegurado através de: i) a realização de espectáculos criativos, como o festival de Edimburgo, com novos elementos todos os anos e que atrai diferentes segmentos de mercado; ii) a criação de espaços criativos que são vazios de ideias fixas, são multifuncionais e são flexíveis viabilizando distintas narrativas particulares. Aqui a experiência turística é sempre diferente porque são espaços adaptáveis a diferentes necessidades. Isto porque o turismo criativo envolve não apenas ver, não apenas “estar lá”, mas, antes, uma interacção reflexiva por parte dos turistas. Esta é a principal diferença entre o turismo criativo e o turismo cultural, que normalmente envolve um grupo de turistas que viaja com um guia que interpreta a cultura que vê. De acordo com os mesmos autores (Richards e Wilson, 2007: 1219), alguns exemplos de turismo criativo podem ser: “fazer o seu próprio perfume; pintar porcelanas; aprender as danças tradicionais ou realizar cursos de gastronomia”. Mais exemplos poderiam ser dados, tais como o turista ir pelas ruas da cidade e ser surpreendido por grupos de teatro de rua que contassem a história da cidade através da representação e animação de rua. Concluindo, a aproximação que se pretende fazer ao estudo de caso vê no turismo cultural o ponto de partida para um projecto turístico renovado, isto é, que lhe acrescente algo, que valorize o património histórico e natural mas que ofereça também uma experiência ao turista diferente, original e que fuja à regra dominante de fruição passiva do destino turístico. 2. Metodologia de investigação Como já se mencionou, na investigação realizada, como fonte primária de informação, fez-se uso de um inquérito por entrevista semi-estruturada, realizado a agentes locais e regionais, bem como de algumas fontes secundárias, nomeadamente, dados estatísticos de organismos oficiais (p. ex., Censos do I.N.E. e Anuários Estatísticos). 98 A técnica de pesquisa privilegiada foi a entrevista semi-estruturada ou semi-directiva, utilizando um guião flexível e adaptável às contingências dos discursos produzidos em situação de inquérito (Remoaldo e Machado, 2008). Entendeu-se que esta metodologia seria enriquecedora na medida em que permitiria quer a partilha com o inquiridor de diferentes vivências quer a flexibilidade necessária para adaptar a abordagem às especificidades dos interlocutores, tendo em conta a própria natureza das instituições. A nossa amostra correspondeu a 13 agentes de instituições locais e algumas regionais, que directamente ou indirectamente estão relacionadas com a problemática do turismo em Ponte de Lima (Quadro 1). Quadro 1 - Lista de entrevistas realizadas Identificação do agente de local/regional Arquivo Municipal de Ponte de Lima desenvolvimento Função que desempenha Coordenadora do Arquivo CCDR-N – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte Oficina da Natureza Coordenador da Agenda Regional de Turismo UFP - Universidade Fernando Pessoa Docente e Investigador Biblioteca Municipal de Ponte de Lima Coordenadora da Biblioteca Loja de Artesanato, Delegação de Turismo e Núcleo Arqueológico Câmara Municipal de Ponte de Lima Responsável da Delegação de Turismo Vereador do Turismo Museu dos Terceiros Técnico do Museu Clube Náutico de Ponte de Lima Coordenador do Clube Náutico IPVC - Instituto Politécnico de Viana do Castelo Coordenador do curso de Turismo AREA Alto Minho – Agência Regional de Energia e Ambiente do Alto Minho Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 Técnica da AREA Alto Minho ADRIL – Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Lima TURIHAB – Associação do Turismo de Habitação Fonte: Elaboração própria. Sócio gerente Director de Projecto Presidente da ADRIL e da TURIHAB O guião da entrevista contemplava um conjunto de onze temas que admitíamos que permitissem dar coerência e homogeneidade às diferentes entrevistas que seriam concretizadas. No presente texto analisam-se apenas os temas 8, 9 10 e 11 (Quadro 2). Um dos critérios seguidos para a selecção dos entrevistados foi garantir a representatividade dos principais actores, directa e indirectamente ligados ao desenvolvimento do turismo em Ponte de Lima e/ou na região, em sentido lato. Quadro 2 -Temas retidos nas entrevistas realizadas Tema Título 1 Importância do turismo 2 Gestão e promoção turística 3 P.E.N.T. 4 Competências do organismo 99 5 Comunicação e marketing 6 Projectos da instituição 7 Interacção com os actores locais 8 Recursos 9 Estratégia de planeamento turístico 10 Estádio de desenvolvimento do Turismo Cultural 11 Potencialidades do Turismo Cultural Fonte: Guião das entrevistas realizadas entre Abril e Maio de 2010. As entrevistas foram efectuadas nos meses de Abril e Maio de 2010. A duração média das entrevistas foi de 45 minutos, num ambiente calmo, tendo sido atingidos os objectivos gerais que eram prosseguidos. A maioria das questões utilizadas tinha natureza aberta, sendo focadas essencialmente nas opiniões e vivências dos entrevistados. As entrevistas foram integralmente gravadas em registo áudio (com o consentimento dos entrevistados) e posteriormente foram transcritas. Seguidamente, foram sujeitas a uma análise temática e categorial de conteúdo com vista a descrever e a interpretar os significados latentes e manifestos dos discursos escolhidos. 3. As potencialidades turísticas de Ponte de Lima 3.1. Caracterização sucinta de Ponte de Lima Antes de se avaliar as potencialidades turísticas de Ponte de Lima, justifica-se uma caracterização sumária da vila, que nos ajudará na aferição das suas potencialidades turísticas. A vila de Ponte de Lima assume uma posição de centralidade, em termos geográficos em relação às principais vilas e cidades do Minho. A distância de Ponte de Lima a Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valença, Paredes de Coura, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Vila Verde, Braga e Barcelos, varia entre vinte e trinta quilómetros (C.M.P.L., 2002). O município abrange 51 freguesias, num espaço geográfico de 320,3 Km2 (Anuário Estatístico da Região Norte 2007 - disponível em www.ine.pt). Em termos de população, Ponte de Lima tinha, em 1991, 43.421 habitantes, em 2001 ascendia a 44.343 habitantes, e em 2007 registava 44.618 habitantes (Censos 2001 e Anuário Estatístico da Região Norte de 2007 - disponível em www.ine.pt), o que corresponde a um crescimento continuado da população, principalmente da faixa mais jovem, que registava uma percentagem de 24% em 2007 (Estimativas da População Residente do I.N.E. de 2007 - disponível em www.ine.pt). Em 1991, a densidade populacional era de 136,4 hab./Km2, em 2001 registava os 138,2 hab./Km2 e em 2007 atingia os 139,3 hab./Km2 (Censos 1991 e 2001 e Anuário Estatístico da Região Norte de 2007 - disponível em www.ine.pt), de que resulta um aumento da densidade populacional face à década de 90. Na educação e formação apresentava em 1991 uma taxa de analfabetismo de 14,3%, tendo registado uma melhoria em 2001 (12%), mas ficava ainda acima do valor da Região Norte (8,3%) e da própria sub-região do Minho-Lima (11,6% - Censos 2001 - disponível em www.ine.pt). 100 Ponte de Lima possui uma base económica de certo modo débil e pouco diversificada, sendo a sua superfície maioritariamente usada para fins florestais (50,5% da área do concelho) e uso agrícola (36,1% da área do concelho - C.M.P.L., 2002). No contexto do Lima, o concelho de Ponte de Lima era, em 1991, o que menos conseguia oferecer emprego à sua população residente, segundo informação do Recenseamento de 1991, já que se destacava como o concelho que apresentava uma menor percentagem de população empregada que residia e trabalhava no próprio concelho (84,3% - C.M.P.L., 2002). Por seu lado, a análise do Recenseamento de 2001 também nos permite concluir que Ponte de Lima era o segundo concelho do Minho-Lima que menos conseguia empregar a sua população. Ao nível do poder de compra, o município de Ponte de Lima apresentava um índice de 58,40 em 2005 e um valor de 58,48 em 2007, ou seja, apesar de estar ainda longe do valor médio nacional (valor base =100), revelou um aumento relativo do poder de compra entre 2005 e 2007 (Estudo do Poder de Compra Concelhio 2005 e 2007 - disponível em www.ine.pt). Quanto ao turismo, o concelho de Ponte de Lima apresenta uma qualidade ambiental e natural excepcional, marcado que é por valores paisagísticos e patrimoniais muito ricos e diversificados (C.M.P.L., 2002), pouco adulterados pela acção do homem. Persiste uma ligação entre o mundo rural e o mundo urbano. A feira e a ponte românica são dois expoentes máximos da vila. Ponte de Lima também é reconhecida pelo Turismo no Espaço Rural (T.E.R.) e pela restauração, com os seus pratos típicos. A aposta na qualificação do Centro Histórico e no trajecto local do Caminho Português de Santiago são também duas mais valias para o turismo (C.M.P.L., 2002). Segundo dados da R.T.A.M. (Região de Turismo do Alto Minho), em 1995, Ponte de Lima registou um total de 12 016 dormidas na hotelaria. Por seu lado, em 2002, registou um total de 14 690 dormidas (R.T.A.M., 2004). Em 2006 observou-se um novo recorde de 27 222 dormidas. Quanto ao património arquitectónico e arqueológico do I.P.P.A.R. possui 3 monumentos classificados como monumentos nacionais, 35 monumentos classificados como imóvel de interesse público, 6 monumentos classificados como imóvel de interesse municipal e 11 monumentos em vias de classificação (do I.P.P.A.R., disponível, no sítio: www.ippar.pt – consultado a 7 de Dezembro de 2009 - e C.M.P.L., 2002: 82-89). Para além da importância arquitectónica e urbanística, o património imaterial é outro dos fortes atributos da vila (Campelo, 2008). 3.2. Elementos com maior potencial turístico em Ponte de Lima O Plano de Acção Sectorial para o Turismo (Sá et al., 2007) procura fazer um diagnóstico em termos turísticos de vários concelhos que compõem a Comunidade Urbana Valimar, de que fazem (faziam) parte os concelhos de Caminha, Viana do Castelo, Esposende, Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez. De acordo com esse estudo, Ponte de Lima destaca-se pelo seu “elevado interesse turístico (…), tanto a nível histórico-cultural dos monumentos existentes como a nível das condições ambientais circundantes” (Sá et al., 2007: 31). Em termos de avaliação da situação actual, o estudo destaca a boa conservação do património arquitectónico e cultural de Ponte de Lima, tanto no centro histórico como nas suas margens, o que originou vários percursos turísticos. Outro aspecto relevante da vila é a Feira de Ponte de Lima, que é a 101 mais antiga do país, embora “o seu interesse se centre mais na Animação Turística e Urbana, dado que se constitui principalmente como uma atracção para os visitantes” (Sá et al., 2007: 32). Ponte de Lima possui também uma das poucas áreas protegidas de gestão municipal do país, e a Quinta Pedagógica de Pentieiros e a Ecovia, entre a vila e aquela área protegida, são pontos fortes a apontar para o Turismo de Natureza (Sá et al., 2007). Os pontos fracos encontram-se relacionados com o tráfego automóvel na vila. O que se verifica é um uso indevido do estacionamento no leito do rio, uma área de uma grande beleza natural e enquadrada por um belíssimo centro histórico, em desfavorecimento da utilização dos parques de estacionamento, e um excesso de tráfego no centro e na área ribeirinha. Quanto à avaliação das potencialidades turísticas de Ponte de Lima, o Plano de Acção Sectorial para o Turismo (Sá et al., 2007) indica a possibilidade de candidatar o seu centro histórico a Património Mundial, porque se entende que haveria mais possibilidades de apostar numa imagem internacional da vila, em razão da sua arquitectura e história. Nesse sentido, a autarquia elaborou recentemente um projecto denominado “Ponte de Lima, Terra Rica da Humanidade”, onde houve a intenção de formalizar a candidatura da vila a Património Mundial. Essa intenção acabou, no entanto, por não se concretizar. Pese esse “contratempo”, pensando a dinamização turística da vila, a autarquia criou o gabinete Terra, que trabalha ao nível da promoção, marketing e comunicação de eventos. De forma mais concreta, o gabinete Terra trabalha as três vertentes que são: o Terra Eventos (criação de eventos que criem dinâmicas para a vila); o Terra Investir (direccionado para as empresas); e o Terra Reabilitar (centrado na dinamização e potenciação turística do Centro Histórico). O Orçamento e Opções do Plano 2010 (C.M.P.L., 2010) do município prevêem, a nível de eventos para o ano de 2010, a Feira do Cavalo, o Festival de Ópera, o Festival Internacional de Jardins, e a Feira de Caça, Pesca e Lazer. O Plano prevê ainda uma forte aposta na preservação ambiental e dinamização do património cultural, na gastronomia, desportos equestres e náuticos, através da construção de algumas infra-estruturas como: a Cidade Equestre; um Centro de Alto Rendimento; um Centro de Congressos; um novo açude; a beneficiação do Centro Náutico de Ponte de Lima; o apoio à construção de um parque para bicicletas na Serra de Arga (C.M.P.L., 2010). Ainda no contexto do aproveitamento turístico dos equipamentos, o Plano contempla os seguintes projectos: -a construção da “Casa do Largo”, que funcionará como uma unidade de alojamento local integrada no projecto “Largo Hotel de Além da Ponte”; - a construção de um Parque de Campismo Urbano; - a recuperação das casas de terapia de natureza (casas florestais); - a requalificação do edifício da Madalena; - a requalificação e adaptação dos edifícios Clara Penha – Casa dos Sabores; -a Casa da Terra – Centro de Prova de Vinho Verde e dos Produtos Regionais; - a recuperação dos Quartéis de Santa Justa; - a recuperação e beneficiação do Santuário do Senhor do Socorro; - a musealização do Património Mineralógico da Cabração; - a modernização e qualificação dos espaços urbanos (C.M.P.L., 2010). 102 Ao nível do Turismo de Natureza destaca-se a aposta nas ecovias, nos passeios a cavalo, no parque de bicicletas na freguesia da Cabração, na paisagem protegida das Lagoas de Bertiandos e na canoagem (Clube Náutico de Ponte de Lima). A par disto, as oportunidades a equacionar a nível de Turismo de Natureza poderiam também passar por uma candidatura da Paisagem Protegida a Zona Húmida de importância internacional, assim como por dar maior visibilidade e desenvolvimento do projecto “Caminhos do Lima” (Sá et al., 2007). A principal ameaça ao Turismo de Natureza em Ponte de Lima prende-se com a degradação do Rio Lima na própria vila, dado este ser uma das suas principais atracções turísticas e um espaço de animação turística e urbana. 4. Auscultação dos actores envolvidos Conforme referido, para analisar o envolvimento dos agentes institucionais no desenvolvimento do turismo em Ponte de Lima realizaram-se entrevistas a um conjunto de agentes: Câmara Municipal, Arquivo Municipal, associações locais, universidades, museus, Biblioteca, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte e representantes do sector. Na verdade, a actividade turística envolve múltiplos actores e são importantes as interacções entre eles, para que o desenvolvimento da actividade seja bem sucedido. A análise qualitativa realizada não tem por objectivo fazer generalizações das abordagens mantidas pelos diversos inquiridos. As inferências e as interpretações feitas pretendem constituir uma ajuda para a definição de orientações em matéria de acção a desenvolver por parte das entidades públicas e dos diversos agentes com intervenção no sector do turismo. Os resultados da análise das entrevistas efectuadas são apresentados atendendo aos temas e categorias previamente definidos. 4.1. Recursos identificados e o que se pode fazer para os optimizar Quando se equaciona fazer do desenvolvimento do turismo um objectivo de um território, tornase imprescindível partir de uma avaliação dos recursos, das infra-estruturas e dos serviços existentes. Estes recursos, serviços e equipamentos públicos vão determinar a escolha das actividades em que apostar e, também, o potencial de desenvolvimento do sector. Neste sentido, procurou-se saber quais os recursos que os entrevistados identificam como mais relevantes em Ponte de Lima, no Minho e no Norte de Portugal, e o que se poderia fazer para tirar um melhor partido deles (Tema 8: Recursos). Em termos de recursos, a nível cultural, a autarquia sublinha a valia do Centro Histórico e, a nível natural, indica a Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos. As Instituições Culturais também referem a parte histórico-patrimonial e as Lagoas, enquanto as Instituições de Ensino Superior já se referem à Gastronomia, à população local, a alguns monumentos que se encontram fora da vila, como o Paço de Curutelo, em Freixo, e, na parte imaterial, salientam os Solares, o rio, a biodiversidade e o Parque Nacional da Peneda-Gerês (P.N.P.G.). A CCDR-N refere-se ao eixo do património mundial e à rede regional de Áreas Protegidas. A AREA Alto Minho identifica, a nível cultural, o Centro Histórico e, a nível natural, as Zonas de Paisagem 103 Protegida e os sítios da Rede Natura, mas sublinha, a importância do território no seu conjunto. Retenhase, neste contexto, um excerto das respectivas declarações: “(…) O todo é que faz a diferença (…) Não é o monumento A ou o monumento B, é toda a envolvente, todo o conjunto: a cultura, a forma de estar, o dia-a-dia das pessoas, a forma como interagem com o património etnográfico, a gastronomia (…).” (Técnica da AREA Alto Minho). O sector dos serviços também identifica a componente monumental da vila, as Lagoas, as Ecovias, os Solares, a gastronomia, as festas e as tradições, a náutica, as Feiras dos Petiscos e a Feira do Cavalo. Uma forma de melhor rentabilizar as Ecovias poderia ser através de pacotes, como nos sugere o Clube Náutico. O Director de Projecto “Guimarães 2012”, por seu lado, refere como principais recursos na região Norte os lugares que são Património Mundial, os Centros Históricos das vilas e das cidades e o património imaterial, ou seja, o capital simbólico do território, os processos de industrialização, as festas e os rituais. No entanto, no seu entender, este território ainda não sabe vender estes produtos e continua muito fechado em si mesmo. Por isso, a solução passa: “(…) [Pela] relação entre o que é património físico, património imaterial e produção contemporânea. Penso que é neste triângulo que se pode fazer o sucesso do turismo da região Norte (…)”. (Director de Projecto “Guimarães 2012”). 4.2. Estratégia de planeamento turístico do município e da “região”: factores de sucesso e de insucesso No contexto do Tema 9, foi pedido aos entrevistados que dessem a sua opinião sobre a estratégia de planeamento turístico da região e do município de Ponte de Lima; mais concretamente, que indicassem os factores de sucesso e de insucesso. A análise das respostas permite identificar os factores de sucesso considerados mais importantes. A autarquia indica a atractividade da vila e as infra-estruturas existentes, que ajudam a fixar as pessoas, enquanto as Instituições de Ensino Superior referem os produtos existentes no território, como o turismo cultural e paisagístico e a gastronomia. Por seu turno, o sector dos serviços menciona o trabalho feito pela autarquia em prol do seu desenvolvimento, com expressão na criação da ideia de qualidade de vida associada a uma vila sossegada, bonita, agradável para viver, virada para a natureza, as tradições e os eventos. Quanto às principais dificuldades apresentadas, a autarquia aponta o turismo de massas e os autocarros a circular no Centro Histórico, referindo como estratégia para resolver a questão a criação de áreas para receber esses autocarros. Por seu turno, as Instituições de Ensino Superior apontam que o turismo de negócios está muito centrado no Porto e defendem que o planeamento deve ter uma base regional. Depois, cumpre aos concelhos individualmente elaborarem o seu próprio plano. Apontam como elemento de estratégia o aproveitamento de algumas infra-estruturas existentes adequáveis ao desenvolvimento do turismo de negócios. Por referência à mesma temática, as Associações referem como desafio a criação de pacotes turísticos para apresentar aos operadores turísticos. Na sua opinião, essa seria uma peça do processo de internacionalização que importaria aprofundar. Pelo seu lado, o sector dos serviços indica-nos que a região turístico-promocional “Porto e Norte de Portugal” corresponde a uma 104 área muito abrangente, sendo, por isso, difícil de se apontar o que fazer no contexto de tal definição territorial. O Clube Náutico, por sua vez, sugere a criação de uma associação conjunta para promoção, criação e marcação de actividades. Na sua abordagem, o Director de Projecto “Guimarães 2012” centrouse nos eixos estratégicos para a região turística “Porto e Norte de Portugal”, que são a qualificação dos recursos humanos, a percepção por parte dos agentes que o turismo é um negócio, e um novo modelo de organização regional, conforme a narrativa seguinte nos sugere: “(…) eu organizaria isto em três grandes dimensões: primeiro, a qualificação; em segundo lugar, a percepção da dimensão económica desta actividade; e, em terceiro lugar, modelos de organização mais ajustados àquilo que é a nossa realidade regional e os nossos recursos.” (Director de Projecto “Guimarães 2012”). Na nossa leitura, em termos de factores de sucesso, estas respostas traduzem a ideia da necessidade da aposta nos recursos endógenos, bem como enfatizam a importância da promoção turística, da qualificação dos serviços e da exigência de implementação de novos modelos de organização, que, naturalmente, possam ser mais eficazes na prossecução das metas almejadas. Quanto às dificuldades sentidas, tal como tinha ficado expresso nas entrevistas, são as deficiências verificadas a nível de promoção, a insuficiência de cooperação entre agentes e de qualificação dos operadores, o subaproveitamento verificado em termos de algumas infra-estruturas existentes e a grande centralização da aposta promocional no Porto e no Douro que são destacadas. 4.3. Estádio de desenvolvimento do turismo cultural no município e na região Uma das peças centrais de uma estratégia turística é o desenvolvimento de novos produtos turísticos. Neste sentido, procurou-se conhecer, pela experiência dos entrevistados, a fase de desenvolvimento em que se encontra o turismo cultural, ou seja, se o mesmo se encontra numa fase de crescimento, de consolidação ou de estagnação (Tema 10: Estádio de desenvolvimento do turismo cultural). O município defende que está numa fase de crescimento e indica-nos que o produto está a ser desenvolvido através de alguns projectos âncora, como nos sugere a seguinte narrativa: “Está numa fase de crescimento, está a crescer porque o Museu dos Terceiros é uma atractividade cultural e está (…) a ser desenvolvido. Estamos a desenvolver mais projectos, (…) Vamos ter a Casa da Terra, (…) onde vamos fazer a promoção de todos os produtos tradicionais e da cultura de Ponte de Lima (…).” (Vereador do Turismo de Ponte de Lima). As Instituições Culturais defendem que está em desenvolvimento, e que se nota o esforço da autarquia para reforçar, de ano para ano, o investimento no sector. Defendem também a necessidade de continuidade de esforços para se cativar as pessoas para renovarem a visita a Ponte de Lima. No caso do Museu dos Terceiros, existe mesmo a percepção de que este é já um projecto razoavelmente consolidado, que começou a ser prosseguido há alguns anos. Disso é testemunho a seguinte narrativa: “(…) Mas eu acho que sim, que Ponte de Lima já tem (…) um projecto bastante consolidado, já começou há alguns anos (…). Consolidação há de certeza (…).” (Técnico do Museu dos Terceiros). 105 Entretanto, o Instituto Politécnico de Viana do Castelo, referindo-se também à situação do turismo cultural na região, é de opinião que está em estagnação, leitura que, obviamente, contraria a opinião das Associações antes mencionada. Retenham-se as palavras do representante da dita instituição proferidas a este propósito: “(…) O Turismo tem de estar constantemente em mudança (…) Eles [os turistas] querem tudo o que é tradicional mas com um toque de modernidade. E o que é que nós estamos a fazer a esse respeito? (…) Do ano passado para este ano o que é que vamos apresentar de novo? Nada, exactamente a mesma coisa (…).” (Coordenador do Curso do Turismo do IPVC). Quanto às instituições de fora do município, a CCDR-N defende que o turismo cultural se encontra numa fase de desenvolvimento, dada a existência de alguma programação cultural e de alguns equipamentos, como a Casa da Música e Serralves, no Porto, existindo contudo, um défice ao nível da promoção do produto. Por seu lado, a AREA Alto Minho, referindo-se a Ponte de Lima, defende que tem conseguido trazer coisas novas e diversificar a oferta. As narrativas que se seguem referem-se às lacunas existentes em matéria de promoção da região do Norte e de esforço de Ponte de Lima em termos de desenvolvimento do turismo: “(…) Eu diria que estamos num estado de desenvolvimento em que importa trabalhar a promoção do produto (…).” (Perito especializado do Turismo da CCDR-N). “(…) Têm-se feito coisas novas, seja a Feira do Cavalo, (…), o Teatro (…). Abriram agora a Escola de Música (…), as Feiras Novas (…), as festas e as romarias (…).” (Técnica da AREA Alto Minho). O sector dos serviços diverge nas opiniões expressas. A Delegação de Turismo indica que em Guimarães e no Porto o turismo cultural está muito activo, mas nas outras cidades/vilas está estagnado e precisa de um novo élan. O Clube Náutico defende que está em desenvolvimento, porque a vila já possui alguns eventos e uma certa dinâmica cultural. Por seu lado, a Oficina da Natureza conclui que o turismo cultural não está muito desenvolvido porque faltam estruturas de apoio e um maior fluxo de pessoas. O Director de Projecto “Guimarães 2012” refere que está numa fase inicial de desenvolvimento, dado que a consciência de que a dimensão cultural tem importância turística é recente. Defende que a dimensão cultural é o factor que motiva as pessoas a ir a um sítio e os municípios já se aperceberam disso. Por outro lado, indica a necessidade de se gerarem experiências criativas nos territórios que pretendem projectar-se em termos de turismo cultural. 4.4. Potencialidades do turismo cultural Por último, no Tema 11 (Potencialidades do Turismo Cultural), foi pedido aos entrevistados que nos dessem a sua opinião sobre a viabilidade de se seguir uma trajectória de evolução de um turismo cultural mais passivo para um turismo cultural mais activo/criativo. Neste sentido, e após a análise das respostas, verificamos que a autarquia tem uma opinião favorável e indicou-nos que é possível chegar a um turismo mais activo/criativo, porque, no seu dizer, são as próprias pessoas que querem sempre mais e melhor. O Arquivo Municipal referiu a continuação dos Serões de História Local como forma de sensibilizar as pessoas e promover o património imaterial. O Museu dos Terceiros sugeriu que se visse o que está a acontecer noutras instituições e que, a partir daí, se 106 pensasse o que se pode fazer em termos de adaptação de tal dimensão à realidade do Museu. A Biblioteca sugeriu a implementação de visitas guiadas. O IPVC, por seu turno, mantinha o ponto de vista de que existe muito potencial para o turismo cultural. Contudo, entende igualmente que se deve apostar num novo modelo para o turismo, ou seja, que se deve pôr de lado o modelo clássico de turismo e reinventar o turismo no Minho. A UFP defende que o Turismo Criativo tem alvos e que se torna necessário definir os públicos como nos sugere a seguinte narrativa: “É atrair públicos com uma sensibilidade ecológica e com capacidade económica. Viana está a definhar e os comércios estão a fechar. Temos de criar uma sociedade mais atractiva e [por exemplo] o público do Vale do Ave que pode ser atraído para Viana do Castelo. O espaço territorial tem de criar ofertas para os diferentes públicos” (Docente e Investigador da UFP). Por seu lado, as associações são de opinião que as potencialidades existentes são significativas, com expressão nos recursos básicos que são o P.N.P.G., os Solares, as Aldeias, a gastronomia e o património construído. A seu ver, os entraves resultam da crise económica e financeira vivida, da qualidade dos transportes disponíveis e das más comunicações que entendem que persistem. No contexto de problematização de um projecto turístico renovado, as instituições externas ao município, defendem a aposta nas indústrias criativas como uma parte importante do turismo cultural, e, no caso de Ponte de Lima, defendem que as potencialidades decorrem do existente em matéria de Lagoas, Ecovias, montras gastronómicas e potencial associado à Serra de Arga. No caso do sector dos serviços, defende-se que os turistas vão procurar cada vez mais o turismo cultural e que, por isso, este deve ser desenvolvido. Para tanto, propõe-se que se melhorem as condições ligadas à náutica e se trabalhe uma melhor organização do sector. Finalmente, o Director do projecto “Guimarães 2012” assume que as potencialidades a que importa atender se encontram nos eventos que se vão fazendo e essa é, simultaneamente, a resposta para o desafio que é aumentar o tempo de estadia dos turistas. Fazendo uma síntese das opiniões emitidas, constata-se que as potencialidades existentes são, sobretudo, ao nível: dos recursos materiais e imateriais de Ponte de Lima; da continuação dos Serões de História Local; da implementação de visitas guiadas; da introdução de um novo modelo de gestão e de planeamento turístico; da aposta nas indústrias criativas; e da aposta na náutica como complemento ao turismo cultural e aos eventos organizados. Quanto aos entraves, estes relacionam-se com a crise económico-financeira e a qualidade dos transportes e das comunicações que servem o município. Considerações finais e recomendações de política O primeiro resultado desta investigação parece-nos ser o de que o turismo pode (continuar a) dar um grande contributo para o desenvolvimento de Ponte de Lima. Tal ilação atende ao crescimento continuado que a indústria turística tem mantido e espera-se que continue a registar e ao potencial de recursos endógenos verificado. Para que a evolução favorável entrevista se concretize, parece, no entanto, necessário que se trabalhe na diversificação de produtos e na preservação da originalidade da oferta turística deste território. Para a referida leitura de situação também contribui o posicionamento geográfico de Ponte de Lima, central no contexto da sub-região do Minho-Lima e do Minho, como um todo. Na dimensão recursos turísticos de Ponte de Lima, sublinhou-se a riqueza que a caracteriza em recursos naturais, patrimoniais e imateriais, que, por sua vez, permitem a potenciação de novos produtos 107 turísticos. Destaca-se, em particular, o Centro Histórico, as Lagoas de Bertiandos e São Pedro d´Arcos, a Quinta de Pentieiros, a Serra de Arga, a proximidade ao P.N.P.G., o rio Lima, e uma diversidade de eventos culturais, uns com profunda raiz histórica, outros de génese mais recente. Sendo evidentes as falhas constatadas em matéria de promoção turística, uma componente de resposta poderá ser encontrada no desenvolvimento de parcerias com cidades vizinhas, comungando vários elementos de identidade e atributos com valia para o turismo, a nível de estratégia de comunicação e marketing. Como ponto de partida, tem-se a imagem muito positiva de que Ponte de Lima dispõe, que pode ser veiculada junto de novos públicos. Quanto ao envolvimento dos diversos actores no desenvolvimento do turismo (município, associações, sector dos serviços, instituições culturais, instituições de âmbito regional), a aproximação empírica conduzida diz-nos que estes mostram uma forte sensibilidade para o sector, o que também pode ser aproveitado em benefício do desenvolvimento da indústria em causa. Aparte a estratégia de comunicação e marketing, uma outra pecha que parece subsistir é a que se prende com a organização/estruturação do sector e a da cooperação entre operadores turísticos, com especial expressão na elaboração de pacotes turísticos coerentes e ajustados às potencialidades do destino turístico em causa. Também algo haverá a fazer em termos de requalificação da oferta hoteleira e no fomento de uma restauração de mais elevada qualidade. Pretendendo-se reforçar a presença da dimensão cultural na oferta, será essencial, por outro lado, garantir a melhoria do calendário de eventos e elaborar uma agenda cultural conjunta com outros municípios. Por essa via, se poderá atingir uma muito eficaz divulgação dos produtos que Ponte de Lima tem para oferecer e, além disso, poupar recursos financeiros que são necessários quando cada município isoladamente assegura a respectiva promoção turística. Peças desse programa cultural local são já o Festival de Ópera e o Festival de Jardins, que além do mais são perfeitamente conjugáveis com algum elemento de criatividade que se lhe queira associar. As Feiras Novas e a Vaca das Cordas também podem ser potenciados para o turismo e serem elementos importantes de amarragem de um projecto de turismo cultural. Como elementos de renovação, numa perspectiva de aprofundamento do perfil de turismo cultural da vila, bebendo no sucesso e tradição musical da região, seria interessante desenvolver um festival de músicas étnicas, a exemplo do que se faz anualmente em Sines (Festival Músicas do Mundo), entre outras iniciativas. Nesse mesmo âmbito, seria também importante a criação de parcerias entre os agentes públicos e privados que actuam no território, fazendo deles participantes conjuntos do processo de construção de um destino turístico e de um projecto de vivência social mais aberto, mais participado, com maior alcance em termos sociais e culturais. Nesse contexto de abertura, importará incluir igualmente como actores agentes e instituições dos municípios vizinhos, sob pena de se desaproveitar o potencial económico, humano e criativo de centros de serviços e universitários vizinhos, como o são Braga e Guimarães, em particular, e de hipotecar a possibilidade de desenvolver uma oferta de eventos a escala mínima crítica. Concluindo: não constituindo o desenvolvimento do turismo cultural criativo, por si só, a solução para os problemas sócio-económicos dos pequenos núcleos urbanos, será fundamental que as estratégias que se venham a adoptar se encaminhem para a utilização eficiente e criativa dos recursos endógenos, os 108 quais importará tornar parte de um processo de desenvolvimento integrado, isto é, que permita articular eficientemente a vertente turística e os demais sectores económicos do território. Só dessa forma o impacto favorável do turismo será majorado e a população local pode tirar adequado benefício. Referências Bibliográficas ANDRADE, D.S. de (2008), “O turismo cultural no Brasil: panorama e desafios”, Congresso Internacional – Turismo Cultural e Religioso – Oportunidades e Desafios para o Século XXI, Actas do Congresso, Abílio Vilaça e Varico Pereira (Eds.), TUREL/TCR, Póvoa de Varzim, pp. 55-62. CADIMA RIBEIRO, J. e REMOALDO, P. C. 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