9° CONGRESSO DE EDUCAÇÃO AGRÍCOLA SUPERIOR AREIA-PB - 27 A 30 DE OUTUBRO DE 2014 Nº ISSN / 0101-756X Respostas Pós-Colheita de Abacaxi ‘Pérola’ ao Armazenamento sob Diferentes Temperaturas José Luiz Carneiro da Silva1, Kennedy Santos Gonzaga1, João Ítalo de Sousa1 João Paulo de Oliveira Santos1, Renato Lima Dantas2 1 Graduação em Agronomia, Centro de Ciências Agrárias(CCA)-UFPB, Campus II – Rodovia PB 097 – Km 12, 58.397-000 – Areia-PB / (83) 3362-2218; [email protected], 2 Doutorando do Programa em Pós-Graduação em Agronomia, Centro de Ciências Agrárias(CCA)-UFPB, Campus II – Rodovia PB 097 – Km 12, 58.397-000 – Areia-PB / (83) 3362-2218, [email protected] RESUMO Objetivou-se com este trabalho, avaliar a qualidade de abacaxi da variedade ‘Pérola’ mantidos em diferentes temperaturas. Os frutos foram armazenados a 7 ºC e 12 ºC que consistiram nos tratamentos. Realizou-se pesagem dos frutos, avaliação da cor da casca, intenção de compra, aparência geral e desidratação da coroa, utilizando escalas de nota estruturadas subjetivas. Verificou-se que abacaxis mantidos a temperatura de 12 ºC, o percentual de perda de massa foi menor do que dos abacaxis armazenados a 7 ºC. Os frutos acondicionados a 12 °C tiveram melhor desempenho em relação à aparência geral e intenção de compra. Portanto, a temperatura de 7 oC não é adequada ao armazenamento de abacaxi ‘Perola’. PALAVRAS CHAVE: Perda de massa, qualidade, Anannas comosus. ABSTRACT Postharvest Responses of ‘Pérola’ Pineapple during storage under different temperatures The aim of this work was to assess the quality of pineapple fruits variety ‘Pérola’ maintained in different temperatures. Fruits were stored at temperatures of 7 ºC and 12 ºC that consisted in the treatments. It was evaluated the weight of fruits, evaluation of peel color, the intention of purchasing, general appearance, and dehydration of the crown through structured scales of subjective notes. It was verified that for pineapples stored at the temperature of 12 ºC, the percentage of mass loss was smaller than for pineapples stored at 7 °C. The fruits kept at 12 °C had better performance in relation to the general appearance and intention of purchasing. Therefore, the temperature of 7 °C is not suitable for storage of ‘Perola’ pineapple. KEYWORDS: Weight loss, quality, Anannas comosus. INTRODUÇÃO O Brasil é o quarto maior produtor de abacaxi, ficando atrás da Tailândia, Filipinas e Costa Rica conforme relata o Agrianual (2007). Na Paraíba, o abacaxi apresenta grande importância, 9° CONGRESSO DE EDUCAÇÃO AGRÍCOLA SUPERIOR AREIA-PB - 27 A 30 DE OUTUBRO DE 2014 Nº ISSN / 0101-756X conferindo ao estado, a colocação de segundo maior produtor da fruta no ano de 2010, (IBGE, 2012). Dentre as cultivares comercializada no mercado interno, o cultivar Pérola é muito apreciado, graças a sua polpa suculenta e saborosa, sendo considerada por alguns, como insuperável para o consumo fresco, conferindo aos frutos desta variedade, grande potencial de comercialização internacional (SOUTO et al., 2004; MARTINS et al., 2012). A conservação pós-colheita de produtos agrícola interage com as variações do meio ambiente (temperatura, estresse mecânico, etc.), para os produtores que visam o sucesso da comercialização de seus produtos, principalmente no tocante da exportação, é de suma importância o conhecimento sobre a durabilidade da vida útil de sua produção (COSTA, 2009). Com a finalidade de atender as exigências de mercado e diminuir perdas pós colheita, se faz necessário a adoção de técnicas como a temperatura e umidade controlada, tentando prolongar a vida útil do abacaxi, através da manutenção da qualidade durante o armazenamento, e assim minimizando a respiração, a produção e a ação do etileno e a perda de água (SOUTO et al., 2004). A refrigeração tem sido utilizada para a preservação pós-colheita de abacaxis, mas é necessário utilizar temperaturas adequadas para evitar a ocorrência de danos de frio (chilling). Diante disto, objetivou-se com este trabalho, avaliar aspectos físicos de qualidade de frutos de abacaxizeiro ‘Pérola’ mantidos sob diferentes temperaturas. MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Biologia e Tecnologia Pós-Colheita do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba. Foram utilizados abacaxis da variedade “Pérola, que foram adquiridos no estádio de maturação verde pintado, sendo os frutos armazenados a temperaturas de 7ºC e 12ºC, constituindo os tratamentos. Realizou-se pesagem dos frutos para estimar a perda de massa fresca A avaliação da coloração, intenção de compra, aparência geral e desidratação da coroa foram avaliados utilizando escalas estruturadas de nota. As avaliações foram realizadas durante 14 dias, em períodos de dois em dois dias. Foram utilizados 3 frutos por tratamento, sendo cada um uma repetição. Foi utilizando programa SISVAR, sendo feitas as análises de variância e a regressão polinomial. RESULTADOS E DISCUSSÃO: 9° CONGRESSO DE EDUCAÇÃO AGRÍCOLA SUPERIOR AREIA-PB - 27 A 30 DE OUTUBRO DE 2014 Nº ISSN / 0101-756X Frutos de abacaxizeiro mantidos sob diferentes temperaturas responderam de forma diferenciada quanto a perda de massa (Figura 1A). O efeito de período X temperatura, possibilitou que os frutos armazenados a uma temperatura de 7 oC apresentassem uma acentuada perda de massa, que tendeu a aumentar de forma linear durante o armazenamento, chegando ao final do experimento (14 dias), com um percentual de 14,72 %, em média. Chitarra e Chitarra (2005) recomendam para o armazenamento refrigerado de abacaxis, por 2 a 4 semanas, temperaturas que variam de 7 ºC a 13 ºC, com umidade relativa de 85-90%. Contudo, o efeito do não controle de umidade nas unidades de armazenamento favoreceu para a acentuada perda na temperatura de 7 ºC. A C D FIGURA 1. Percentual de perda de massa (A), Coloração da casca (B), Desidratação da coroa (C) e aparência geral (D) dos frutos de abacaxizeiro ‘Pérola’ submetidos a 7° e 12° C por um período de 14 dias. Em abacaxis mantidos a 12 ºC, o percentual de perda de massa (5,12 %) foi menor do que o encontrado nos abacaxis armazenados a 7 ºC. Possivelmente, os abacaxis que estavam armazenados sob temperatura de 7ºC, obtiveram maior perda de massa, pelo fato de o abacaxi ser uma espécie tropical nativa das regiões costeiras da América do Sul (FIGUERÊDO et al., 2003), não tolerando temperaturas baixas para o seu armazenamento, justificando, assim, o menor percentual de perda de massa ter sido encontrado na temperatura de 12 ºC onde não se observou sinais de danos pelo frio. 9° CONGRESSO DE EDUCAÇÃO AGRÍCOLA SUPERIOR AREIA-PB - 27 A 30 DE OUTUBRO DE 2014 Nº ISSN / 0101-756X A coloração foi avaliada subjetivamente (escala 1-9) não sendo notado efeito diferenciado entre as duas temperaturas durante os 14 dias de armazenamento. A cor é a característica mais relevante para o aspecto da aparência, e é fator determinante na escolha por parte do consumidor. A aparência geral e a cor estão relacionadas com a qualidade, índice de maturação e deterioração do produto (SANTANA et al., 2004). A desidratação da coroa só foi perceptível no final do período, sendo mais acentuada no tratamento de 7° C (Figura 1B, C). A avaliação da aparência geral dos frutos submetidos a 12° C apresentou menor decréscimo quando comparado com as notas dos frutos mantidos a 7° C (Figura 1D). A 12 °C, os abacaxis mantiveram um melhor aspecto estético, sendo um aspecto importante na intenção de compra que pode se modificar de acordo com as características visuais e de sabor. A partir do oitavo dia de armazenamento, frutos mantidos a 7 °C tiveram reduzidas mais acentuadamente as notas em função sobretudo do aspecto desidratado que esteve mais aparente. O conhecimento das condições de armazenamento de frutos tropicais em cadeias de núcleo familiar pode contribuir na redução de perdas. CONCLUSÃO A temperatura de 7° C propiciou perda de massa acentuada em abacaxi ‘Pérola’. Por outro lado, quando acondicionados a 12° C tiveram melhor desempenho em relação à aparência geral, indicando que naquela temperatura os frutos atingiriam período mais longo de armamento. REFERÊNCIAS AGRIANUAL: Anuário da agricultura brasileira. In: ______. Abacaxi. São Paulo: FNP, Consultórios e Comércio, 2007. p. 149-158. CHITARRA, M. I.; CHITARRA, A. B. Pós-colheita de frutos e hortaliças: fisiologia e manuseio. 2. ed. Lavras: UFLA, 2005. 783p. COSTA, A. S. Conservação pós-colheita, sintomas e respostas fisiológica da senescência e injúrias por frio em haste florais de Heliconia bihai (L). 2009, 82 p. Tese (Doutorado em Botânica). Universidade Federal Rural do Pernambuco. Recife, 2009. FIGUERÊDO, R. M. F.; QUEIROZ, A. J. M.; NORONHA, M. A. S. Armazenamento de Abacaxi Minimamente Processado. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, Especial, n.1, p.95-103, 2003. 9° CONGRESSO DE EDUCAÇÃO AGRÍCOLA SUPERIOR AREIA-PB - 27 A 30 DE OUTUBRO DE 2014 Nº ISSN / 0101-756X IBGE. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola. Rio de Janeiro: LSPA, 2014. Disponívelem: <http://www.sidra.ibge.gov.br/cgi-bin/prtabl>. Acesso em: 12 de julho de 2014. MARTINS, L. P.; SILVA, S. M.; SILVA, A. P. et al. Conservação Pós-Colheita de Abacaxi ‘Pérola’ Produzido em Sistemas Convencional e Integrado. Revista Brasileira Fruticultura,Jaboticabal - SP, v. 34, n. 3, p.695-703, Setembro 2012. SANTANA, L. L. A. et al. Efeitos de modo de aplicação e concentrações de etefon na coloração da casca e outros atributos de qualidade do abacaxi ´Pérola`. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 26, n. 2, p. 212-216, 2004. SOUTO, R. F. et al. Conservação pós-colheita do abacaxi ´Pérola` colhido no estádio de maturação “pintado” associando-se refrigeração e atmosfera controlada. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 26, n. 1, p. 24-28, 2004.